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§1.

Nós temos nos tornado cada vez mais distantes da nossa legítima pátria
nestes séculos de oblívio espiritual e inglória. Temo-nos separados,
ademais, em face de nosso desdém perante a nossa essência metafísica, da
magistral consciência cósmica, embora esta esteja incorporada em cada
ente existente à vista de nossas faculdades perceptivas, e, por isso,
fragmentamo-nos em densas e substanciais estilhas de desvairo e
nesciência. Uma vez que Jâmbico afirmara que "a sabedoria resulta nos
processos raciocinativos da transcendência interior e na conexão direta
com o bem criador", devemos determinar, por este meio, as práticas de
teurgia e invocação das emanações ηό ἕλ como mecanismos deveras
poderosos para alcançar os estados mais elevados da mente e atingir as
supracitadas proeza e destreza suprassensíveis e empíreas. Destarte, a pátria
humana não é um território físico a existir na camada mais proeminente
da terra, nem um jebel idílico e paradisíaco da Mesopotâmia; ela é,
conforme delineamos, um local extramundano e espiritual estabelecido
nos dosséis sutis e superlunares das dimensões celestes do Absoluto.

As ideias são geralmente configuradas nas inclinações dos nossos


protótipos espirituais; elas vêm das dimensões mais sutis da consciência, as
quais, por sua vez, são derivadas da substância da unidade suprema, i.e. o
Todo-Poderoso sublime. O seu substrato é moldado sobre o sólio do
turbilhão monádico, i.e. as partículas que dispõem a estrutura do material
divino. Os cônsules eleitos de Roma e os canulei e icilii, para o mais
exaltado e alto Júpiter, blasonaram e arrogaram seus fasces, apesar de que
isto fê-los caírem em absoluto menoscabo; isto nos demonstra como os
comportamentos bazofiosos e sovinas não levam o homem em direção à
glória, mas à desonra e à mácula. Ou, ainda, não podemos ignorar o fato
de que nas analogias subjacentes às alegações da filosofia sexual de

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Diotima, conforme observamos no Banquete de Platão, é designada a ideia
de que pensar e conceber filhos são ambas longas e dolorosas experiências
que terminam em parto; a dor e a pesarosa extensão, enfatizemos, neste
sentido, representam o engendramento dialético do desenvolvimento e do
nascimento dos bebês, o qual resulta justamente no regozijo absoluto
este, por sua vez, é direcionado, particularmente, ao ato de ver com clareza
a vinda saudável do neófito ao mundo. Alguns, porém, asseveram
hipocritamente que isto é inviável na modernidade, malgrado a privação e
a extinção da fecundação humana sejam tão indesejáveis quanto às noções
procedidas que as adotam como aceitáveis; doravante, devemos clarificar o
fato de que, sob as circunstâncias do uníssono do masculino com o
feminino e vice-versa, são bloqueadas quaisquer manifestações de
adynaton (impossibilidade) e chalepos (dificuldade) e, outrossim, é
efetivada a dinâmica consagração das ideias na associação de razão e
intuição, de ação e pensamento1.

A realidade é uma vasta tapeçaria de ilusões, em que a percepção de sua


genuína composição fica gradualmente intricada e extenuante. Assim,
podemos afirmar que a coisa mais nobre em que somos capazes de nos
apoiar é a própria verdade que, indubitavelmente, está localizada nas
dimensões mais espirituais e extrafísicas da consciência, na medida em que
está mais próxima do núcleo da estrutura cósmica; a matéria, portanto, é
uma rede de energia imprecisa e abstrusa da mente sublime e imaculada
dela destarte, propomo-nos a dizer que devemos, enquanto encarnados,
exceder os ciclos terríveis e repletos de sofrimento da metempsicose e, daí,
estar em conexão com o espírito divino e eterno em toda parte;
comprometer-nos-emos com ele, independentemente das circunstâncias
que nos sucedam. Todavia, malgrado isso, vemos absurdos controversos e
ultrajantes, como um artigo de atual má reputação sobre o comunismo,
escrito por Heinz Neumman, em 1925, dizendo que, no cenário de
conflitos civis e internacionais em andamento à altura, uma forte

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Razão e intuição, razão e pensamento são, respectivamente, cada qual em sua ordenação
fraseológica, princípio masculino e princípio feminino.

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centralização do poder sustentaria as formações militares e os
empreendimentos bélicos em direção ao ímpeto do inimigo e, doravante,
poderia derrotá-lo e conquistá-lo; sabemos que o exercício desta ideologia,
histórica e sociologicamente provado, leva ao assaz exacerbado
autoritarismo e às formas mais terríveis de totalitarismo, resultando em
desgraças, contendas e tragédias amplamente testemunhadas pelo mundo.
Sem embargo, em aspectos religiosos, temos os Adeptos de Montano
passando por uma inspiração carismática em sua ardente convicção em
associação ao espírito do cristianismo, cujos ritos e prosélitos são
conferidos por uma doutrina teológica exótica e, assim, professam-na
assiduamente e uniformemente; tal atividade nos apresenta que, apesar de
ser extensivamente confirmado que o verdadeiro iniciado consuma seu
pensamento na filosofia perene, ainda assim, há aqueles que se restringem
a determinadas filosofias e metodologias dogmático-hieráticas,
restringindo, desta forma, as próprias iniciação e expansão da sabedoria.
Além disso, mencionamos, conforme o Adelphoe de Terênico nos mostra,
que Demea, em resposta ao clamor de Micio, garantiu que o ferimento
contundente dos homens guiava imediatamente à morte e, assim,
arrebatava-os. Esses exemplos mostram que nada que possa reforçar nosso
vínculo com a dimensão material nos torna mais felizes, mais sábios ou
qualquer outro predicado mirífico e prodigioso; devemos, portanto, nos
concentrar em nosso esplendor espiritual e trabalhá-lo frequentemente até
nos encontrarmos num estado de plena acepção das leis cósmicas e do
próprio Divino.

As paixões avidamente surgem da fantasia materialista e da mesquinhez de


ser, nas quais, é claro, são comumente instituídas as concepções mais
fátuas de amor, afetividade e união; nossa pátria original tem, deveras,
amor incondicional e perpétuo não obstante, nosso lar, ao passo que
estamos enclausurados e alcandorados em nosso organismo corpóreo e
físico, é tão-somente preenchido de ludíbrio, mangnação e amargores
convulsionados. Eis, pois, a asserção enfática de Ovídio no tocante à

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natureza dos atos de verriondez e luxúria, a despeito de considerá-los
genericamente (Ars Amatoria, lib. i, vers. 347-348):

"Sed cur fallaris, cum sint nova granta voluptas?

Et capiant animos plus aliena suos?"

De acordo com o Yajnavalkya Smrti (vers. 8), as paixões obscenas e


indisciplinadas da carne são inconsistentes com o estudo dos Vedas (viz., a
doutrina secreta da sabedoria das idades); para alcançar o que
denominamos Atmadarsana, ou o conhecimento sublime do Eu superior,
é preciso renunciar a todas as devassidões carnais, mas não necessariamente
ao sexo e ao prazer, desde que concebidos com lídima devoção e
equilíbrio. Desta forma, o Karma desvanece, o Dharma prevalece e
Tatpurusha (viz., o princípio cósmico pertencente ao divino) é
estabelecido no homem. Na história dos cultos religiosos da Índia, vemos
Nanak, um testemunho ocular da opressão muçulmana, reagindo
mediante a fundação do sikhismo; diversos santos sikhistas, como
Ramananda, Kabir, Namdev, Chaitanya e etc. são rebentos desta doutrina.
Para Nanak, sem o Sat Nam (o Verbo Verdadeiro), ninguém pode atingir
a salvação; desta forma, hei de dizer que Sat Nam, na verdade,
complementa Atmadarsana, pois, se este é sublime, verificamos que
implica necessariamente a veracidade de seus predicados; logo, a força
única de verdade de Sat Nam, em agregação à lhana sublimidade do
Atmadarsana, confere aos pangats, a consciência plena de Tatpurusha. Eis,
então, um dos atributos da pátria humana: a infinidade de sua verdade ou
de sua verdadeira forma de ser e criar.

O mundo palpita e oscila em transições e cataclismos; o processo é sempre


dialético uma força de unidade contrastada com uma não-unidade forma
uma unidade perfeita; é assim que o mundo opera. No final do Bhagavad

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Gita Parva, o filho de Pritha, Arjuna, teve sua ilusão destruída, pela
intervenção do Senhor Krishna, que é evidenciada em um diálogo entre
ele e Keshava Krishna concedeu a Arjuna a forma mais maravilhosa de
dimanar o vigor e o poder de Hari, sob os axiomas da doutrina secreta do
Senhor do Yoga. A fórmula é: eu venho inicialmente ao mundo material
com as memórias da minha essência ainda armazenadas; no entretanto,
quando cá chego, eu as esqueço, as negligencio e fico, pois, assaz envolvido
na miséria desolada e funesta do universo mundano; mas quando
reconheço completamente a origem e as soluções dessa terrível situação,
fico sumamente esclarecido e, portanto, atinjo a iluminação; conhecer a
mim mesmo é conhecer a tudo e a todos. No Siyastnama, cap. iii, é
relatado que Ya'qub ibn Laith instituiu uma grande rebelião na cidade de
Sistan e, logo depois, a conquistou por meio dum impetuoso golpe de
estado; assim, ele continuou a conquistar outros territórios malgrado
isso, ainda desejava dominar o Iraque e derrubar a dinastia dos Abássidas;
no entretanto, Ya'qub foi derrotado no primeiro ataque e, depois disso,
estabeleceu um tesouro no Khuzistão; sabendo disso, o exército do Iraque
veio até suas bases, travou uma batalha contra ele e venceu-o; destarte,
imediatamente, eles fizeram dele um queixoso e desamparado asir
(prisoneiro) no mais sombrio dos ergástulos do califado. Isso mostra como
o mundo libera demasiada energia bélica; esta é a causa da corrupção da
substância divina e da destruição das nações e dos indivíduos nelas
inseridos; para reverter essa condição de ser, precisamos abandonar a
frequência de existência voltada às mundanidades pugnazes e começar a
viver em paz tanto com o espírito superior quanto com o ambiente
inferior, gerando, portanto, a harmonia suprema entre todas as forças
manifestadas na natureza do universo; só assim podemos realmente refletir
com fibra e profundidade sobre a sabedoria das eras e da natureza
verdadeira de todas as entidades cósmicas.

Por mais que tentemos evitar, nosso espírito sempre dilata seu organismo
consciente em posição oposta ao corpo; portanto, devemos administrar
nossa consciência em uníssono com a energia do nosso espírito, não com a

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do corpo isto é, por conseguinte, uma afirmação muito importante a ser
feita na medida em que a priorizaremos ao longo de nosso livro.
Consoante Abraham Irira dizia, os dez soberanos sephiroth, cuja fonte
primária é sustentada pela força de ‫( כתר‬coroa), destacaremos que seu
fundamento primordial é ‫סוף אין‬, o Inefável Infinito ou, como os cabalistas
costumam denominar, Ain Soph. Na opinião do rabino Loew, o apoio
divino é geralmente estimulado para se unir ao Ser Supremo, que é e não
vem a ser ou existir; chamamos esse atributo de ‫( י‬hayah); então,
podemos dizer que este é a força principal que governa as leis de ambas as
dimensões mundana e extramundana, cujo predicado chamamos de ‫םדר‬
(madar). Muitos cabalistas, tais como Moisés de Leon, Abraham Abulafia,
Abaraham Merimon, Isaac Luria, Abaraham Gikatilla, Jacob Frank e etc.,
nos instruem na mais nobre verdade da glória e da grandeza da natureza,
lançada na estrutura suprema da sabedoria ( ‫)חכמ‬, que é liberada com a
prática das meditações mais profundas em transe com o Eu superior
( ‫)שיח‬.

Por trás do véu dos mitos e das lendas, sempre existe uma verdade
absoluta; mostraremos esse ponto de vista como uma fonte de fatos
imemoriais embutida com plenitude na consciência da humanidade;
portanto, podemos afirmar que os sistemas de credo existentes também se
valem de mitos e lendas por trás de seu véu, sempre se infiltra uma
verdade absoluta ou universal. Em
rants Espagnols, pp. 3-47,
temos uma descrição detalhada da zona insular de Aztlan, os costumes e
tradições religiosas e sua fuga do último cataclismo em vários barcos até os
povos colonizados um deles eram os mexicanos; daí, cá reitero, eles
soíam chamar de Aztlan, sua pátria original (teotlalli). Não obstante, como
dizia Diodoro Sículo em sua Bibliotheca Historica e, igualmente, Hecateu,
havia uma terra natal para os gregos, também mencionada pelo povo
asiático, chamada Hiperbórea; de acordo com esses relatos, os hiperbóreos
deram origem à língua e à cultura gregas, especialmente, dos atenienses e
dos delianos; também se assegurou que Abaris visitasse a ilha de

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Hiperbórea a cada dezenove anos, período em que o retorno das estrelas ao
mesmo lugar no céu era realizado; e por esse motivo o período de
dezenove anos foi chamado pelos gregos de "ano de Meton". O mito da
pátria ou terra natal, acrescento, é compartilhado por praticamente todas
as culturas do mundo; discutiremos esse assunto mais profundamente no
decorrer de nosso livro.

Os percalços da vida nos atingem se estamos em desventura ou em


autodesprezo. Assim, podemos projetar, com os elementos de nossa
filosofia até agora construídos, o arranjo dos pensamentos e das acepções
epistêmicas no sentido de que a pátria da humanidade pode ser não apenas
uma mera concepção idealista mas uma verdade composta por uma
gama de evidências e axiomas inatacáveis. Da mesma forma, enfatizamos
que é certo que toda prática religiosa conduz o homem a uma visão
espiritualista da vida, por mais distorcida que seja; assim, o homem inicia
seu vínculo com o divino quando se recusa seguir algum dogma ou
preceito inflexível, unilateral e proselitista das religiões hierarquizadas.
Zeus Καηαηβάηες, em uma moeda de Cirro, foi representado segurando
um raio com a águia aos pés; outros tipos de Zeus, como Zeus βαζηιεύς,
Zeus Κράηος, Zeus Aζθραίος e etc., eram adorados mediante a estátuas e
outros monumentos colossais, como templos dedicados à sua divindade.
Por que o homem venera entidades espirituais através de coisas materiais?
Não é uma contradição sobejamente ilusória? Outrossim, todos esses
gêneros de Zeus têm, como afirmamos outrora, um estrato de verdade
universal por trás da máscara do mito além disso, a explicação platônica
das fábulas gregas é tremendamente superior a dos mitólogos modernos;
conforme asseguram os mistérios báquicos, existem três estágios de
iluminação (metanoia): telete (o fechamento ou o sigilo), mnesis
(iniciação) e epopteia (clarividência). Explicá-los-emos de maneira mais
meticulosa quando avançarmos na elucidação de lendas, mitos, fábulas,
parábolas e verdades universais sobre os mistérios ocultos e teosóficos da
pátria humana.

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§2.

Não há comparação com as forças da natureza selvagem; mas sabemos que


as forças da natureza espiritual sempre derrotam o aspecto selvagem do
cosmos; somos designados a ser mais espirituais e a não ser mais selvagens;
mas, na matéria, a inclinação do corpo físico é o oposto do plano do
Todo-Poderoso somos mais selvagens e isso é, simplesmente, uma
contravenção. Portanto, precisamos voltar ao espírito e abandonar esses
hábitos miseráveis, agrestes e desordeiros, uma vez que estamos cravejados
e embaraçados no organismo físico; no entretanto, a pergunta é: "Como
fá-lo-emos?" Farei uma extensa pesquisa, elucidando os elementos
principais e subsidiários, sobre este assunto. Não obstante, precisamos
fazer uma convenção com três conceitos elaborados em minúcias que
guiarão nosso exame. Estes serão:

1) Alêntono. Esta substância integra a Verdade Universal e Eterna


do Universo, a Sabedoria do Divino e a Filosofia Perene; isto é, o
agregado de partículas que geram o torvelinho de manifestação do
espírito mais poderoso existente, ou seja, o Todo da Lei ou o
próprio Deus. Este é o substrato da verdade.
2) Pseudôno. Esta substância corresponde à ilusão, à ignorância, ao
engano e ao estupor do ser. Representa a suprema mentira;
corrompe o homem e penetra nele para desdobrar o mal, a
tormenta e o espírito da pecaminosidade. Isso deve ser excedido; é
o contrário do Todo da Lei. Este é o substrato da mentira ou
ilusão.
3) Anótato. Este resulta da vitória do alêntono sobre o pseudôno e
seu domínio, isto é, quando o alêntono toma o pseudôno e o
envolve completamente. Este não é o Todo da Lei; esta é a Lei do
Todo ou do próprio universo no próprio Deus. Esta é a força

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suprema, quando o alêntono é a força do supremo ou da
supremacia.

Destacadas as propriedades do pensamento a ser operado, vamos proceder


nossas reflexões neste recém-elaborado sistema de filosofia.

Talvez os acontecimentos mais catastróficos da humanidade a tenham


levado ao auge da jocundidade, prosperidade e sabedoria, especialmente,
aos países desenvolvidos posteriormente às hecatombes; talvez, eu possa
afirmar, os mitos quiméricos da história não são as lendas alegóricas dos
antigos, mas suas interpretações por parte dos mitólogos cheias de
zombaria contumaz e imprudência assaz desrespeitosa; talvez, se não
entendemos a alegoria e a linguagem simbólica e os antigos as
apreenderam com facilidade, portanto, não podemos arrogar para nós
mesmos o atributo de "mais avançados" que os antigos, nem em nossas
narrativas históricas nem em nosso entendimento cosmológico; tal
concepção seria desdenhosa e rude sob as circunstâncias cá demonstradas.
A pátria humana sempre é referida como a civilização mais brilhante de
todos os tempos, uma vez que seus descendentes são uma perversão de sua
santidade construída em suas façanhas e tradições. Os chineses, por
exemplo, costumavam se chamar povo de Han; esta palavra, ou seja, Han (
韓), de acordo com o Rev. Morrison (A Dictionary of Chinese Language,
vol. i, p. 274), denota uma localidade protegida e segura proporcionada
por projeções rochosas da margem de um rio e, portanto, significa
"colina". A questão é: seria a terra original dos chineses conhecida por
suas colinas exuberantes, toras, montes e etc.? Os chineses representavam
seu reino, Chum-che, em diferentes épocas, seja por um paralelogramo
exatamente bissectado, ou classificando-o como Tien-hia, sc., todas as
coisas valiosas na Terra. Conforme o Sr. Howorth aponta (History of the
Mongols, vol. i, pp. 27-28), os mongóis eram uma tribo líder dos Shi Wei;
depois, ele cita o Tableaux Historiques de Klaproth, dizendo que este
estava errado e que, na verdade, os mongóis tinham a mesma origem que
os kitanos. De Mailla (Histoire Genérale de la Chine, vol. i, pp. 543-545)

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diz que os chineses adoravam uma entidade suprema, geralmente
denominada Tien; os imperadores, como os relatos do Chou-King nos
contam, eram representantes de Tien na Terra; eles eram, ademais,
retratados como se fossem brilhantes como o Sol, designando, assim, um
culto claro ao corpo estelar. Diremos que o culto ao Sol foi universal, ou,
ao que parece, extremamente remoto e nos faz considerar a sua origem
como correlata a um continente perdido de civilização superior a nossa;
mostramos que os sauras da Pérsia fizeram-no e o povo de Baal-bec
também fê-lo; o sol era proclamado pelos templos dourados dos incas e
pelos teócállis dos índios pima; os cidadãos de Heliópolis fizeram-no; sem
embargo, ainda nos restam outros inúmeros exemplos. Esses fatos são
todas evidências para constituir o nosso retrato da pátria original da
humanidade2.

O Tibete é um dos lugares do mundo que chamamos de " chakras da


Terra", viz. está incluído no rol de locais mágicos e sagrados existentes na
dimensão mundana do planeta; infelizmente, durante o século XX,
ocorreram o genocídio tibetano e a invasão bárbara chinesa, destruindo,
por conseguinte, a maioria das miríficas tradições tibetanas no
entretanto, enfatizemos, a ciência mística e secreta tibetana, depositada
com grandiosa solicitude nos manuscritos da língua Senzar, contando a
verdadeira história da humanidade, permanecem ainda ativa; no-la zelam,
ainda que em sigilo, os Mestres da Sabedoria, ou Mahatmas, em conluio
com os monges mais instruídos e sagazes do Tibete. Evans-Wentz foi um
pioneiro no que tange à divulgação da sabedoria tibetana e indiana, escrita
em tibetano e sânscrito, para os predatórios e temporais materialistas do
Ocidente; de acordo com ele, o princípio de Shes-Rab Snying-Po Bzhûgs-
So (Essência do Prajna-Paramita ou Sabedoria Transcendental) cristaliza a
doutrina do Shunyata ademais, o exercício da mesma permite ao
praticante conceber o Nirvana em sua quiescência perfeita, em sua
substância incriada; portanto, digamos, num transe extático do samadhi

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Aqui, refiro-me à pátria terrena, não à cósmica genericamente postulada.

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efetuado por um Grande Yogin, atinge-se o Conhecimento Indistinto, a
Sabedoria Transcendental. Vigorar-se-á, destarte, a emancipação suprema,
na qual Asanga se deleitou quando se iluminara, o Buddhahood, a
Sabedoria Perfeita do Yoga e o domínio de Shakti ou Dolma, que são
desprovidos de indícios tangíveis (alakshna) e o Boddhisattva, então,
conquista todos os seis Paramitas.

Tsongkhapa diz sobre a consciência da metempsicose e seus influxos no


Prajna-Paramita (The Great Treatise on the Stages of the Path to the
Enlightenment, vol. i, p. 349):

"A maneira de eliminar as aflições é a seguinte, começando com as seis aflições de


raiz. Entre os grandes erros, a ignorância é a mais tenaz e serve de base para todas
as outras aflições. Portanto, como remédio para a ignorância, tu deves meditar
bastante sobre o surgimento dos [elementos] dependentes e tornar-se conhecedor
da progressão e cessação da existência cíclica. Se tu sóis cultivá-lo, nenhuma das
visões ruins, como as cinco afetadas, ocorrer-te-á.".

Sakya Pandita, no seu "Tshad ma rigs pa'i gter", p. 3, diz que a cognição
(khyem-pa) é formulada a partir do nosso entendimento a respeito não só
da disposição das coisas como elas são, mas de como elas agem e operam
perante a moção do Grande Alento do universo (thruk-pa). Portanto,
inferimos a propriedade eternal e auto-evidente do Mahasatta (viz. o
Absoluto). Gompapa assevera sobre um dos aspectos imprescindíveis do
Buddhahood, que corrobora a nossa noção de alêntono como igualmente
imprescindível (The Jewel Ornament of Liberation, p. 31):

"Quando edificamos nosso caminho em direção à insuperável iluminação e


estamos indo ao nível espiritual do Samkhyasabuddha, (...) e se caminhamos com

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um amigo espiritual como guia, então não havendo perigo, chegamos à cidade do
Onisciente.".

Caso investiguemos a priori a natureza humana em sua mais nobre


essência, deveremos manter em mente que a magia, enquanto a ciência das
idades e da sabedoria absoluta, é inerente a todo e a qualquer homem, pois
dele é unicidade integrante e base de sua consciência suprema; desta
forma, verificamos que a sensibilidade do homem, enquanto ser operante
da magia, tende invariavelmente a ter conhecença do alêntono, e não do
pseudôno esta última característica somente remete à matéria; aos
demais planos cósmicos, prevalece o alêntono com íntegra soberania.
Tommaso Companella no-la ratifica (De Sensu Rerum et Magia, lib. iv,
pp. 263-264):

"Primi homines deum manifeste pene agnoscebant, quoniam creationis opus


recens erat, & continua beneficia ac adparitionis illius habebant. Quapropter qui
Deo familliarissimus erat, sapientissumus omnium erat. Cum sapientia sic ipse
cultus divinus, hoc est, religio, teste Iob. Qui ergo purius ac obedientibus colebat
Deum, illi magis obediebant creaturae operaque miraculosa petrabat.".

Em progressão ao nosso raciocínio, o Aurora Tesaurusque


Philosophoroum, p. 16, no-la assegura também:

"Magiam per suam sapientia affirmarunt, omnes creature ad Unitam substantiam


adducendas, qua suis mundationibus & purgationibus assertunt subtilitatem
ascendere, divinanique naturam, & occultam proprietate, ut opertetur
admiranda.".

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Alquimistas filósofos, como Giovanni Battista Agnello, Cornélio Agrippa,
Paracelso, Edward Kelley, John Dee, Thomas Charnock, Jacob Böhme,
Adam van Bodenstein, Salomão Trismosin, Basílio Valentino, Pierre Jean-
Fabre e etc., sempre salientaram que aquele que domina as forças do
alêntono, igualmente domina seus poderes divinos e demoníacos 3. O ardor
da magia presume ser a nossa própria instintividade, na qual coordenamos
nossas ações e nossos predicados de poder e de possibilidade do usufruto
do mesmo; logo, o alêntono é plena e ampla satisfação das capacidades
psíquicas, enquanto que o pseudônio é sua latência e correspondentes
obscuridades e desuso. No-lo avalia Oswald Croll em sua práxis, i.e. nas
operações mágicas (Basilica Chymica, p. 66):

"Hic vet Magus seu sapiens, Astroru operatione attrahere potest, in imagines,
lapides metalla et eande cum Astris exerceant vim atque potentiam.".

A definição de alquimia é, basicamente, a mesma do alêntono, apesar de


tê-la em sua própria linguagem e simbologia; daí, agregando o pseudôno, a
alquimia torna-se o próprio conhecimento de anótato; eis as palavras de
Andreas Libavius (Alchmyia, p. 1):

"Alchemia est ars perficiendi magisteria, & essentia puras è mistis separato
corpore, extrahendi.".

Eis, pois, a analogia de Giulio Vanini (Amphiteatrum Aeternae, p. 237):

3
daemons, i.e.
os seres que protegem e zelam pela sabedoria do Ser Supremo e Absoluto; anoto isto para
evitar más interpretações.

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"Non Deus actioni nostrae, quia creatura magis assimilatu creatori & effectus
cause, qua creator creaturae, & causa effectu assimiletur.".

Com estas considerações até aqui designadas, devo dizer que a pátria
humana é, praticamente, a suma condição de existência do alêntono, em
uníssono com o anótato e desprovida das influências do pseudôno, exceto
no seu período derradeiro e cataclísmico; a ciência da pátria humana, pela
qual ela progredia espiritual e materialmente, sempre foi, conforme o que
asseguramos, a magia.

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§3.

A expressão religiosa convém àqueles que prezam pelo bem próprio, não
pelo comum; a religião, enquanto instituição pormenorizadamente
estratificada, é nociva e doentia. Determinemos, com isso, que suas
fundações são basicamente incutidas na coerção de crença e na ciência
aleivosa do mendaz e contrafeito preconício; a religião, sob esse viés, ser-
nos-á extremamente imprudente, falaz e pavonesca. No entretanto,
existem certas crenças e atividades hieráticas que, agregadas a outras
culturas, ser-nos-ão deveras verdades e axiomas absolutos; mesmo assim, a
religiosidade hierarquizada permanece horrenda e insidiosa. Rabindranath
Tagore, em seu ensaio "O Desenvolvimento da Teologia e da Religião",
no-los ratifica:

"O expressionismo não se cria em sua totalidade, mas está gradualmente


emergindo. Ao mesmo tempo, pensou-se que isso atingisse a raiz da religião, de
modo que os sacerdotes ficassem apreensivos. Mas gradualmente foi tolerado,
todos concordaram, mas a essência da religião permaneceu inalterada. As pessoas
começaram a perceber o divino na criação infalível mais do que subitamente. A
crença de um grupo de pessoas é a religiosidade de nossas mentes, a ideia de Deus
é simples autoconfiança. (...) A diferença visível entre a semente e a árvore não
está em mais nada, mas o propósito de ser uma árvore está presente nela. A
expressão do sistema solar a partir do vapor não significa que o sistema solar faça
parte do vapor. Antes, o mal e o bem, Satanás e Deus foram colocados em duas
categorias opostas. Agora, do expressionismo, temos em nossa mente que a
verdade surge da mentira e o bem do mal.".

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Sabemos que Abraão cultuou o Senhor através dos altares erigidos e, neles,
fazia sacrifícios e oblações abomináveis; além disso, concedia um bocado
de dízimos para o ícone de Malquisedesque. Ademais, conforme nos diz
Sr. Priestley (History of the Corruptions of the Christianity, vol. ii, p. 25),
os elementos eucarísticos constituíam, mormente, em mergulhar o pão
num vinho consagrado; notamo-los particularmente no 11º concílio de
Toledo em 675, e outro em Braga na Galícia, em que um decreto foi dado
para interromper esta prática; apesar disso, os armênios e os moscovitas
continuaram a fazê-lo e estes últimos colocavam tanto o pão como o vinho
numa colher. Não obstante, conhecemos o fato de que o título de Papa ou
Pontífice Máximo é estritamente pagão; no-lo assegura o mesmo Sr.
Priestley (Op. cit., vol. ii, p. 295) que tal denominação se nivela em
práticas absolutamente anticristãs. Na Boêmia, a floresta de Miriquidu é,
por vezes, referida nos Eddas e nas tradições teutônicas e, consoante nos
diz Sr. Mone (Symbolik und Mythologie der alten Völker, vol. v, p. 157),
oferecia-se-lhe oferendas, tendo em mente que os boêmios criam nas
divindades lá existentes; os cultos do tipo mitraísta do cristianismo são,
justamente, reflexos destes falicismos e adorações às divindades pagãs da
natureza; exemplos disso, temos as tradicionais festas da Páscoa e do Natal.
Discorreremos, doravante, sobre este assunto, na nossa teoria sobre os
dogmas religiosos; a pátria humana não é secular, e nem demasiado teísta
ela é sagrada por si só. E, assim, todas as religiões do mundo se
desenvolveram de suas tradições, embora, através do tempo, fossem
separadas pelo egoísmo e preconceitos ignorantes do homem; é nesta ideia
que vo-las mostraremos e correlacioná-las-emos com a nossa teoria dos
dogmas religiosos.

Os dogmas religiosos se bifurcam em três graus de transmissão; a escala é


considerada pela maior aproximação com o anótato, i.e. o Universo todo-
poderoso e divino e sua Lei suprema com o respectivo entendimento ou
percepção. Desta forma, tê-los-emos nas seguintes classificações:

16
1) Literal. O dogma literal se caracteriza pela sua denotação, i.e. o
que se enuncia, é o que se pretende enunciar e, portanto, é o que
se deve fazer conforme o que é dito ipsis litteris. A maior parte dos
teólogos cristãos, desde Clemente, Justino, Tertuliano, Lactâncio,
Santo Agostinho, Eusébio, João Cristósomo e Pacômio até Caspar
Batholin, Laurentinus Gothus, Nicolas-Sylvestre Bergier, Anton
Christian Bang e Andreas Jungmann, deliberaram acerca do
simbolismo translatício bíblico no modelo dogmático literal de
interpretação, o que é, evidentemente, errôneo e até burlesco e
enfatuado. Sr. Mosheim (Ecclesiastical History, vol. i, p. 523)
aponta que o cristianismo, em seu tempo e, até mesmo,
atualmente, se vale de ritos e cerimônias exteriores; a devoção é
supersticiosa e a administração do sacramento do repasto do
Senhor (fé científica) não só foi ajaezada com indecoro, mas
também foi deturpada; isto demonstra que o misticismo cristão do
Messias foi se transformando, paulatinamente, em fanatismo,
sectarismo e chauvinismo completos, reduzindo-se, basicamente, a
uma nuga infida e impróspera. Tais hediondezas são resultantes,
sobretudo, da interpretação puramente direcionada à credulidade
injudiciosa, incauta e obtusa e pela literalidade insipiente do
simbolismo sagrado da doutrina original e secreta, pois, consoante
Sr. Du Choul (De Varia Quercus Historia, p. 106), tal
entendimento pode desdobrar uma consciência malfeitora e
distante do escopo de verdadeira e absoluta bem-aventurança dos
Adeptos (viz. Iluminados). Portanto, o dogma literal não consiste
em apenas interpretar um determinado simbolismo esotérico ou
exotérico mediante a uma designação percipiente dos termos nele
empregados em sua modalidade denotativa, mas, também, contrai
o maior dos errantes partidarismos e dos jingoísmos engajados em
extremos detrimento e insularidade; desta forma, não só necessita
evitá-lo, mas prevenir-se de qualquer pensamento similar ou igual.
2) Alegórico. O dogma alegórico é quando existe uma parcial
revelação do simbolismo e um simbolismo completo e claro;

17
entende-se aí toda a manifestação evocativa e emblemática da
alegoria, mas não se apreendem os seus verdadeiros e inefáveis
arcanos. Tebas, o centro civilizado do Antigo Egito, muitíssimos
séculos mais antiga que Abraão, com templos de material similar
aos de Karnak e contendo 74 sepulcros régios, tinha dois
principais obeliscos a demonstrarem os tesouros e os territórios por
ela conquistados, defronte do templo de Ammon e um arco
esplêndido para o oráculo de cedro dourado externamente e
prateado internamente (Historical Researches, vol. ii, p. 309); os
cultos tebanos eram conhecidos por suas alegorias e por seus
grandes arcanos também sem embargo, apesar de seus empíreos
santuários, tabernáculos, templos e utensílios ritualísticos e dos
próprios gigantescos portões de pilones a levar o iniciado ao mais
inacessível sacrário, não podemos negar que a iniciação tebana, ao
se utilizar de sacrifícios e de demasiada estima ao candelabro e ao
lehem panim, era um tanto apegada aos objetos de sentidos,
malgrado os sacerdotes verdadeiramente Adeptos mais
preocupavam-se com a sabedoria absoluta dos ancestrais e meditar
a respeito do que com a tradição deiforme estabelecida na própria
Tebas. Eles, então, buscavam o dogma místico, pertinente à
civilização-mãe de Tebas, o qual elucidaremos posteriormente, e
não a alegoria, pertinente à Tebas; ao passo que a alegoria conduz
a uma parte da verdade, o misticismo fá-lo para a verdade íntegra e
perfeita. E isto é o que verificaremos.
3) Místico. O dogma místico se caracteriza por estar diretamente
em uníssono com o anótato e ser, conseguintemente, um axioma
universal e verdadeiro por si só, ou a grande sabedoria das idades e
dos mundos; possui seu simbolismo deveras todavia, para quem
interpreta o dogma ao seu viés místico, conforme cá delineado,
não existe mais simbologia nem nos relatos mais alegóricos; existe
somente, portanto, a verdade contada em sua forma mais objetiva
e apodítica. Sr. Carlyle (Past and Present, p. 61) nos diz que a
religião, sob o sobredito dogma místico, reclina-se sobre um todo-

18
envolvente pálio celeste, como uma atmosfera e um elemento vital,
de que nada se fala, e que, justaposta em todas as coisas, parece não
ter algum discurso devidamente falado; chamamos esta
propriedade de "simbologia mística suprema" ou, simplesmente,
"arcano"; continua Sr. Carlyle (Op. cit., p. 113) afirmando que,
corroborando a tese de que o silêncio é a chave para a mais sábia e
transcendente iluminação, o Abade Samson, regressando de sua
estólida peregrinação, sentou-se aos pés do santuário do Santo
Edmundo e contemplou-o em silêncio, passando a ficar, alguns
momentos depois, em íntegro transe. Vemos, inclusive, o dogma
místico incutido na numerologia e na matemática, tradições
arcanas tão sagradas quanto às alquímicas e filosóficas; Sr. Ralston
Skinner (The Source of Measures, p. 217) no-lo assegura no
sentido de que a origem da medida 20612, onde são trabalhados
os valores de pé e cúbito valendo, respectivamente, 206¹² e 120,
para obter a forma da medida de regular os trabalhos interiores da
Grande Pirâmide, tendo referência a comparação do tempo lunar
com o solar e da correlação da medida de distância prossegue ele,
claramente, falando que são exatidões de sabedoria cósmica e de
ajustamento divino. Tal asserção ratifica o fato de que os
construtores da Grande Pirâmide (e, provavelmente, das outras
duas) usaram do dogma místico (ou dos princípios basilares da
filosofia perene) para edificarem-nas com perfeição evidentemente
extramundana, cuja antiguidade vai de tempos imemoriais, que
nem mesmo o Antigo Egito alentava a sua existência.

O anótato, em que pese a sua supremacia completa no Todo da Lei


Cósmica, possui uma voragem energética na qual ele se manifesta na
periferia da consciência dos seres e deposita toda sua força a fim de reger e
regular a moção do Grande Alento da vida no universo; chamamos este
fenômeno de biônio ou energia vital. Conforme nos assegura Zenão de
λεῦκα) fomenta toda a essência sutil ôntica
(ιε ηοκερέζηαηολ) pela qual se superintende o núcleo existencial

19
(σ άρτεη) de cada ser vivo em sua fenomenologia de expressão e impressão
ῦρ de Heráclito, diz que
λεῦκα (ou biônio), complementando as elaborações filosóficas de Zenão,
governa a todo o universo permeado ao passo que seus predicados são
indivisíveis (ἄηοκος) e essenciais (οὐζία). Galeno designa o corpus
magnitudine fundando- λεῦκα, e com base nessas
opiniões estoicas, nos diz (Defintiones Rerum Medicarum, p. 6):

"Anima, secundum Stoicos est corpus subitilissimis ptibus constans, quae


volunatrio se motu exercet ratione geniturae. Vel: Anima est actus primus et
perfectus corporis organici potestate vitam habentis, secundum Aristotelis
sententiae.".

De acordo com o Bhagavad Gita, 4: 27, as funções dos sentidos e da


vitalidade (i..e, Prana, biônio ou energia vital) são, pelos Adeptos,
sacrificadas no fogo do Yoga exortado pela Grande Sabedoria.
Shankacharya comenta que as funções do Prana, viz. o ar vital no corpo do
indivíduo, são espécies de contração, expansão e etc. Prossegue
Shankachraya dizendo que as funções dos sentidos são, por sua vez,
completamente dissolvidas ao passo que o yogin concentra sua mente no
seu Eu superior. De acordo com o Kailasamhita, embutido no Shiva
Purana, cap. iii, 3: 14-15, o Pranava é o grande alento de todos os seres
vivos desde Brahma até os seres inanimados. Tendo em mente que o Prana
cumpre este dever, logo ele próprio é o Pranava. Consistindo o mesmo das
letras A, U e M no meio e de Bindu e Nada no fim, logo ele é "OM", o
som da criação e do universo.

Segundo o Alcorão, sura 2, vers. 253, diz que a Jesus, foram-lhe dados
"sinais" (clarividência) por meio do desenvolvimento de seu espírito
sagrado (i.e. biônio, energia vital ou, nos ditames do islã, ‫ال قدس روح‬
{ruh al-qudus} ou, simplesmente, ‫{ روح‬ruh}). Al-Suhrawardi, no seu

20
"Awarif Al-Maarif" (p. 49) diz que ruh, a energia vital, é o predicado da
verdade ( haqq) e, por isso, o meio pelo qual se contempla os
mistérios da alma em estado de plena e sapiente liberdade, conforme a
unidade suprema do Mukashafa.

Eis uma das célebres frases do Neiye, incorporado ao Guanzi, que define
claramente o que é qi (energia vital): "凡物之精,此則為生." (Fán wù
ǐ zé wéi sh ng.)4. Agora, deixo convosco o texto do mesmo
discurso que fala claramente a respeito do biônio, sc. qi5:

"Liú yú ǐshén; cáng yú xi ngzh ng, wèi zh shèngrén.


Shì gù mínqì, gǎo h rú d ng yú ti n, yǎo h rú rù yú yu n, nào h rú zàiyú hǎi,
zú h rú zàiyú jǐ. Shì gùcǐ qì y , bùk zhǐ yǐ lì, ér k n yǐ dé; bùk h yǐ sh ng, ér
k yíng yǐ y n. Jìng shǒu wù sh , shì
guǒ dé. (...)".

Os melanésios, como todas as culturas até agora mencionadas, conforme


os dizeres do Sr. Codrington (The Melanesians: Studies in their
Antropology and Folklore, pp. 120-122) acreditavam também no biônio,
com todas as propriedades "extraordinárias" e "preternaturais" impostas a
este, e chamavam-no de mana; ademais, cria o mesmo povo que seres
dotados de ubíqua inteligência, com corpos sutis, etéreos e superlunares,
tinham o seu mana desperto e sumamente desenvolvido, denominados por
convenção antropológica de tamate', consoante as atribuições do Sr.
Hazelwood e do Sr. Brenchley.

4
"A essência de todas as coisas é viva."
5
"Fluindo entre o céu e a terra, é chamado de espectro; oculto no peito, é chamado de
santo. É o sentimento de todos, é como estar no céu, é como estar no abismo, é como o
mar e é como tu. É por isso que o qi não pode ser interrompido forçosamente, mas pode
ser preservado com virtude; não pode ser bradado, mas pode ser percebido com som.".

21
Sr. Hewitt, num artigo intitulado "Orenda and a Definition of Religion",
na revista acadêmica American Anthropologist em 1902, preliminarmente
considera que o Conselho de Condolência Iroquoiano era uma instituição
designada a dar vida e estabilidade à comunidade amplamente pelo
exercício da potência mística. Malgrado o autor adjetive preconceituosa e
inescrupulosamente os povos ameríndios de "bestas" e "selvagens", ele faz,
em compensação, uma descrição fida dos conceitos sagrados destas
culturas. Ele ressalta o uso extensivo da música nas práticas místicas nos
sobreditos povos e a importância do som para estimular a potência mística
e espiritual do ser humano, cuja acepção é compartilhada praticamente
por todos os povos antigos na história. Orenda é um terno iroqouiano
para "energia vital", enquanto, e.g., wadk, mahópa e sube são utilizados
pelos siouanos, manitowi pelos algonquianos e pokunt pelos shosheanos.
Os xamãs, ou os hatirendiowa'né, i.e. os Adeptos e sábios das tribos
ameríndias, são aqueles que, efetivamente, dominaram as influências da
orenda, e neste grupo, incluem-se, v.g., os ratendrats, ou profetas. A
mesma tradição, a propósito, enfatiza que, através do exercício e da
estimulação da orenda, é provável que o ser tenha uma realização plena, a
preservação completa de sua vida e a liberação de consciência como
irrevogáveis consequências.

Essas concepções universais e indubitáveis de biônio até agora referidas são


de natureza filosófico-religiosa; aquelas pertinentes a psicológico-científica,
elucidarei mais tarde. Destarte, a pátria humana tinha como uma de suas
tradições filosóficas perenes, a ideia de biônio; e, sob esta mesma ideia,
prosperou espiritualmente em todos os sentidos e caminhos possíveis.

22
§4.

As faculdades de projeção astral despertadas é um glorioso secret estoupé


para o homem, onde ele se reinventa, se renova e retorna para sua
verdadeira essência, ante o serenismo e a infinda evolução en marchant
par-dessus et devant. Pierre Piobb escreve a respeito do fenômeno com
grande perspicácia (Formulário de Alta Magia, p. 215):

"Dá-se mais ou menos o nome de meditação, a toda tentativa volitiva de


exteriorização do corpo astral. Reserva-se, então, o nome de êxtase para as
mesmas tentativas, quando involuntárias. O corpo astral é capaz de exteriorizar-
se:

1º Totalmente, daí os fenômenos de ubiquidade ou de aparecimento da mesma


pessoa em dois lugares diferentes da Terra e bastante distanciados um do outro;
daí também o êxtase ou morte momentânea (trata-se, então, de uma espécie de
viagem do "corpo astral" ao que se denomina "planos" mais ou menos
"superiores");

2º Parcialmente, daí os fenômenos de telepatia, volitivos ou não (que podem


ser comparados à ubiquidade) e de vidência involuntária (em certa medida,
correspondendo ao êxtase).

Um método de exercício meditativo é o seguinte:

Operar todas as manhãs, à mesma hora, durante dez, quinze ou vinte minutos;

Permanecer no leito, em semiobscuridade, sentado, com a cabeça e os ombros


cobertos;

Fazer, assim, o pensamento viajar, concentrando-o e exteriorizando-o.".

23
Conforme dizia Srta. Flarr, em seu admirável trabalho sobre magia egípcia,
a projeção astral, como iniciaticamente pressuposta, é produzida a partir
de presumíveis três estágios, sobre os quais teorizaremos com certa base no
trabalho da supracitada Srta. Flarr:

1º Cultivo do germe côncavo de Ab (vontade), cujo fenômeno estimula,


imprescindivelmente, a desconsciência holossomática, a separação de
Crookall ou o fenômeno físico mais elevado do Dr. Carrington.

2º A progressão do influxo quintessencial com Ka, ou o Ego


fundamental, em conluio com a entidade primaz, ou Hammemit.

3º A aspiração de cultivo ao pensamento e à vontade a fomentar o todo-


penetrante Baie, ou espírito ou espírito sagrado.

O Baie contém, ademais, através do princípio do ovo, as forças de Ab e Ka


mediante a sua infiltração no princípio côncavo.

Comovida por uma experiência projetiva prolongada, a pessoa,


incentivada pelo desejo de manter o evento somente para si mesma ou
para a gente de muita confiança sua, temendo a represália da sociedade,
passa pelo processo de recéxis, i.e. as lembranças vívidas da projeção
consciente que, quando acumuladas em uma gama de circunstâncias
anamnésicas, acabam se transformando em uma espécie "traumática" com
sequelas para a vida toda; assim aconteceu com Arisdeu de Soles, o qual,
por sua vez, relatou sua experiência para Prótegenes e Plutarco que,
inclusive, escreveu a respeito; quando estavam a enterrar o corpo de
Arisdeu, este imediatamente retornou a ele em três dias. Tal fenômeno é
muito importante para a casuística das recéxis, pois ele é singular e,
algumas vezes, inexplicável até para os mais versados parapsicólogos.

Dean Shiels, em 1978, fez um estudo antropológico sobre 60 culturas do


mundo com o objetivo de examinar as suas crenças em projeção astral e
concluiu, cientificamente, que 95% acreditava peremptoriamente no
fenômeno extrafísico e, o que é mais arrebatador da pesquisa, suas

24
tradições reportavam-na uniformemente. Sabemos que o domínio íntegro
tanto do deuterossoma quanto do holossoma resulta na apoteose da
consciência humana, cujo fenômeno Guilmot compara à ressureição de
Osíris, i.e. o raio zenital do Baie (The Initiatory Process in Ancient Egypt,
pp. 34-35). Os grivenxes conscienciológicos, viz. as novas gerações de nova
consciência, conforme nos assegura Sr. Fodor, quando relata que o Sr. Z.
passou por uma experiência projetiva sem acalmia e comunicação
telepática à trois, ao longo do seu livro "Between Two Worlds", no qual
relata casos que se estendem desde Greason e Nijinsky até Ferecenzi e
Jung, e muitos outros ocultistas e parapsicólogos da projeciologia (como,
v.g., Muldoon, Fox e Holzer), será de pessoas com habilidades mediúnicas
plenamente desenvolvidas e dos sensitivos predispostos naturalmente à
ectoplasmias e outros grandes fenômenos parapsíquicos; disto, os mestres
da sabedoria ou os Adeptos nos alertaram nimiamente e, devido a isso, não
podemos negar a sua perceptível veracidade.

Corrobora esta afirmação (viz. a de que o futuro da humanidade será de


paranormais e médiuns) a Madame Steiger, quando em seu livro
"Superhumanity", clamou que ter-se-ia uma nova raça humana de poderes
psíquicos totalmente despertos e ativos, com base em sua clarividência e
nos axiomas da doutrina secreta da Ordem Hermética da Golden Dawn, a
qual ela pertencia. A lucidez dos fenômenos extrafísicos, conforme nos
afirma Geley, se origina da evolução extraterrestre do ser subconsciente
(L'Être Subconscient, p. 132). No Genji, clássico livro japonês, temos o
fenômeno de ikisudama (ou ikiriyo, i.e. projeção astral ou experiência
extracorpórea) no tumulto psíquico de Kashigawi e Rokujo, os quais
passam pela experiência de seu corpo sutil (ou alma) estar "vagando solta",
i.e. a alma se desdobra errabunda (tamashii).

Daí, eis que nos introduz Inardi, a fenomenologia da projeção astral supra-
holofótica ou ectoplasmia (L'Ignoto in Noi, pp. 235-236):

25
"Neste tipo de fenomenologia, verificar-se-ia o escapamento do corpo do
médium de uma substância diferenciada, amorfa: ora pastosa, ora elástica, de cor
cinzenta ou intensamente branca: ás vezes luminescente, dotada de movimento,
ás vezes rapidíssimo, e sensibilíssima ao tato, mas sobretudo à luz, que teria para
esta um notável poder segregativo (é a razão pela qual as sessões sempre se
envolvem no obscuro ou em tenuíssima luz vermelha). Tal substância surgiria das
cavidades naturais do médium (...) e ás vezes dissolver-se-ia no ar, ao passo que
em reentraria no corpo do médium do mesmo modo como surgira.".

Sr. Kettelkamp nos relata que Ingo Swann, um grande viajante astral, teve
sua primeira experiência aos dois anos e meio de idade, quando estava
numa sala de operação a fim de retirar as suas tonsilas palatinas e, de
repente, ele se separou do corpo físico e viu toda a extração do órgão;
depois de retornar, consciente de sua experiência, gritou:

Eu quero minhas tonsilas!

Vivendo nas Montanhas Rochosas, continuou a ter experiências


extracorpóreas, cada vez mais frequentes, nas quais ninguém de sua família
acreditava, exceto a sua avó que lhe dava mais atenção e, deveras, nele
acreditava. Na adolescência, querendo ser como seus pares, teve suas
experiências psíquicas reduzidas; a despeito disso, elas não desapareceram.
Ele também conseguia ver as auras das pessoas e era dotado de certos
poderes paranormais, conforme comprovado pela Sociedade Americana
para Pesquisas Psíquicas em 1972. Também pintava extraordinários
quadros mediante a sua paranormalidade e, ademais, tais obras eram
expostas em galerias famosas do mundo inteiro6.

Em três casos de EFCs7 com parapsicólogos, temos, v.g., Bayless, em seu


caso, soía ter suas experiências de projeção astral após praticar o
pranayama e estar simplesmente reclinado e parado, ao passo que Paul as

6
Investigating Psychics -47
7
experiências fora do corpo

26
tinha simplesmente por deitar em sua cama e Rogo, por sua vez,
conscientemente as induzia e se projetava. Na Antiguidade, como vemos
na Bíblia, Ezequiel (11: 1) relata a sua experiência de viagem astral com o
auxílio de seu espírito-guia:

"Ao depois me elevou o espírito, e me introduziu na porta oriental da casa do


Senhor, que olha para a nascente (...)".

João diz sobre o mesmo fenômeno em Apocalipse (1: 10; 4: 2):

"Eu fui arrebatado em espírito um dia de domingo, e ouvi por detrás de mim
uma grande voz como de trombeta.".

"E logo fui arrebatado em espírito: e vi imediatamente um trono, que estava


posto no céu, e sobre o trono estava um assentado.".

Paulo também fá-lo em II Coríntios (12: 2):

"Conheço a um homem em Cristo, que catorze anos há foi arrebatado, se foi no


corpo não o sei, ou se fora do corpo, também não sei, Deus o sabe, até o terceiro
céu.".

Sr. Delanne (Le Phenómene Spirite, p. 168) comprova que as experiências


de Zoëlnner são relativas à separação da matéria (i.e. projeção astral) e,
inclusive, deu-se no intercurso dela comunicação com entidades meta-

27
humanas, o que corrobora que, quando se está no corpo sutil, as sutilezas
espirituais do universo poderão, portanto, ser testemunhadas. Verifica-no-
la (viz., a separação da matéria ou projeção astral) a saga irlandesa da Visão
de Adamnán (vers. 3):

"Finalmente, para Adamnán u Thinne, o Sumo Erudito do Mundo Ocidental,


foram reveladas as coisas que estão aqui registradas; pois sua alma saiu de seu
corpo no banquete de João Batista e foi levada ao reino celestial, onde os anjos
celestiais estão, e ao inferno, com seu povaréu numa assuada. Não muito depois,
sua alma foi lançada para fora de seu corpo, ao passo que o anjo que era seu
guardião apareceu ainda na carne, e transportou-a, primeiramente, ao Reino dos
Céus.".

Reporta o mesmo fenômeno o Visio Tgnudali:

"Quando Tundale entrou em colapso, seu espírito rapidamente saiu de seu


corpo. E assim que ele morreu, sua alma entrou em um lugar escuro, sozinho e
miserável chorou e ficou muito angustiado. Tundale pensou que havia chegado
ao lugar de eterna dor e condenação! Ele pensou que nunca mais existiria em seu
corpo, por causa dos pecados que sua carne havia cometido e que ele não seria
capaz de ocultar. Ele preferiria que à Terra pudesse ter retornado! Mas ele deveria
sofrer e testemunhar muitas coisas hediondas e entender o leque de alegrias e
punições que esperam por todos nós, pois essa história devê-los-á testemunhar.".

Valmiki, no seu Vasistha Maharamayana (vol. iv, cap. clxxxviii, vers. 11-
14) assume que o corpo intelectual (ou racional) é formado por um vácuo
intelectual, que é mais raro do que o próprio ar rarefeito. Daí, ele
prossegue, corroborando a nossa tese de que o corpo é suscetível a separar-
se de si e converter-se em alma:

28
"Este corpo intelectual observa o universo, tanto do seu interno quanto do seu
externo; assim como o vidro reflete e refrata, as imagens externas e internas são as
mesmas fora e dentro; e o ar aberto reflete e nos mostra os céus superiores.".

Sentindo uma estranha sensação abaixo da base da espinha, entrando em


meditação profunda, tendo a iluminação cada vez mais cintilante, Gopi
Krishna saiu do seu corpo e entrou numa experiência consciente de
projeção astral8. No entretanto, adverte Sr. Lancelin sobre algumas
propriedades atribuladas da viagem astral em suas primeiras manifestações
(Méthode de Dédoublement Personnel, p. 135):

"As primeiras viagens astrais são bastante difíceis de controlar, porque em muitas
pessoas eles não deixam outras lembranças além daquilo que é comumente
chamado sono de chumbo. Outros, pelo contrário, acordam no dia seguinte com
um cansaço geral mais ou menos pronunciado que chega a um ponto de rigidez
como se durante a noite tivessem se envolvido em um ótimo trabalho físico,
menos sonâmbulos, porque sua memória não registrou nenhuma outra
lembrança da noite a não ser a de um sono profundo, contínuo e calmo. Alguns,
finalmente, acordando no dia seguinte em um estado de nervosismo mais ou
menos pronunciado, acompanhado por um leve desconforto (dor de cabeça
etc.)".

As pesquisas de Tart9 e Morris10 demonstraram que houve diminuição


substancial no movimento rápido dos olhos durante as experiências fora

8
Kundalini: the Evoltutionary Energy of Man -13
9
A Parapsychological Study in Out-of-Body-Experiences in Selected Subjects Journal
of the American Society for Psychic Research (1968)
10
Studies of Communication in Out-of-Body-Experiences Journal of the American
Society for Psychic Research (1978)

29
do corpo. Spencer Shermann11 fez um estudo experimental e
eletroencefalográfico para examinar os padrões e as características de
pessoas em hipnose muito profunda e concluiu que houve amostras de
valorosa correlação com aqueles dos viajantes astrais. Os registros
eletroencefalográficos de Swann12 de ambos seus hemisférios cerebrais
atestaram que houve perda de atividade elétrica e diminuição na
frequência alfa durante a EFC; contudo, a taxa de batimento cardíaco e as
funções do sistema autonômico permaneceram normais. Diante de todos
estes arrebatadores esclarecimentos, deverei encerrar este capítulo com a
brilhante frase de Lord Byron, exposta logo abaixo:

"A verdade é estranha, sempre mais estranha que a ficção.".

11
Brief Report: Very Deep Hypnosis Journal of Transpersonal Psychology (1972)
12
Vede p. 26 e nota 6.

30
§5.

Quando Salomão venerado por Deus, construtor da Grande Loja de


Jerusalém e da Eterna Casa ascendeu ao trono de Davi, seu pai, ele
consagrou sua vida à edificação de um templo para o Todo-Poderoso e um
paço para os reis de Israel. O fiel amigo de Davi, Hirão, rei de Tiro, ao
ouvir que um filho de Davi estava sentado no trono de Israel, enviou
mensagens de felicitações e ofertas de assistência ao novo governante. O I
Livro dos Reis no-lo justifica (5: 1):

"Enviou também Hirão de Tiro servos a Salomão: pois ouviu que ele tinha sido
ungido rei em lugar de seu pai: porque Hirão sempre fora amigo de Davi.".

Salomão fez um acordo com Hirão de Tiro prometendo grandes


quantidades de cevada, trigo, milho, vinho e óleo como salário para os
pedreiros e carpinteiros de Tiro, que deveriam ajudar os judeus na
construção do templo. Hirão também forneceu cedros e outras árvores
finas, que foram transformadas em jangadas e flutuaram no mar até Jope,
de onde foram levados para o interior pelos trabalhadores de Salomão para
o local do templo. Daí, segue a asserção do I Livro dos Reis (5: 12):

"Deu o Senhor também a sabedoria a Salomão, conforme lho tinha prometido: e


havia paz entre Hirão e Salomão, e fizeram ambos entre si aliança.".

31
Salomão iniciou a construção de seu imperioso templo no seu quarto ano
de reinado, no segundo mês, no que se chamava o Jur hebraico13;
Salomão, porém, dizia em seus augúrios: "Sobre os estrangeiros, não
podemos interferir nestes, desde não façam-no conosco; igualmente, se eles
interferirem uns nos outros, deixemos com que eles o façam. Sobre a
concessão do terço, a qual alguns desdenham, deve ser compreendida
tanto como."14. Os relatos talmúdicos nos contam que Salomão escreveu
um livro sagrado chamado Sepher Dekhenet, ou Biblion Iamaton, no qual
apresentava fórmulas mágicas e de invocação minuciosas 15. Sobre tal
sabedoria divina e secreta, eis o que diz o I Livro dos Reis (4: 30-31):

"E a sabedoria de Salomão excedia a sabedoria de todos os orientais e egípcios, e


era mais sábio do que todos os homens; mais sábio do que Etan ezraíta, e do que
Herman, e do que Calcol, e do que Dorda, filhos de Maol: era nomeado por
todas as nações circunvizinhas.".

Retornando ao assunto da Aliança, por causa de seu grande amor por


Salomão, Hirão de Tiro enviou também o grão-mestre dos arquitetos
dionisíacos, Hirão Abiff, filho de uma viúva, que não tinha igual entre os
artesãos da terra. Ele era tirano por castigo, mas descendente de israelitas e
um segundo Bezaleel, homenageado por seu rei com o título de pai. Ele
era o trabalhador mais astuto, hábil e curioso que já existiu, cujas
habilidades não se limitavam a construir sozinho, mas estendiam-se a todo
tipo de trabalho, seja em ouro, prata, latão ou ferro; seja em linho,
tapeçaria ou bordado; considerado como arquiteto, estatuário; construtor
ou engenheiro, separadamente ou em conjunto, ele também se destacou. A
partir de seus desígnios e sob sua direção, todos os móveis ricos e

13
Antiquities of Jews
14
Synagoga Judaica
15
Geschichte der Juden vol. i, p. 701

32
esplêndidos do Templo e seus vários anexos foram iniciados, continuados
e finalizados. Salomão o nomeou, na sua ausência, para ocupar a cadeira,
como vice-grão-mestre; e em sua presença, Mestre de Obra e
superintendente geral de todos os artistas, bem como aqueles que Davi
havia anteriormente adquirido de Tiro e Sidon, como os que Hirão agora
deveria enviar.

Sr. Oliver observa (Historical Landmarks, vol. i, p. 83) que Salomão


ordenara a todos os chefes das tribos de Israel para levarem o Arco de Sião
a um templo que estava sendo construído; tendo este concluído, os levitas
o deram para os sacerdotes que fixaram-no no centro do santum
sanctorum; malgrado todos os sacerdotes pudessem entrar no local do
santum sanctorum, ao longo do tempo, só pôde o Sumo Sacerdote
desfrutar deste elevado privilégio, no qual, ademais, no grande dia da
expiação, realizava lavagens e ritos de purificação, cuja prática, nos ditames
da lei mosaica, tornava a carne limpa, pois, sem esta, ela continuaria
eternamente suja. Além disso, temos as célebres colunas de Jaquin e Booz
posicionadas no pórtico do templo, o qual, acima delas, pôs-se um lavor a
modo de açucena. A frase formada pelas palavras Jaquin e Booz significa:

"Deus dá estabilidade com força.".

Na edificação do Oráculo, fizeram-no com um cubo exato, cada dimensão


tendo vinte cúbitos, demonstrando influência clara da simbólica egípcia.
Os edifícios do templo foram ornamentados com 1453 colunas de
mármore pariano, esculpidas magnificamente e 2906 pilastras decoradas
com capitéis. Segundo a tradição, os vários edifícios e pátios podiam
acomodar todas as 300.000 pessoas. Tanto o Santuário quanto o santum
sanctorum estavam inteiramente revestidos com placas de ouro maciço
incrustadas de joias. Em seu "Freemason's Guide", p. 209, Daniel Sickels
nos informa de que, um ano após a construção do Templo, as cerimônias

33
dedicatórias começaram numa sexta-feira, 30 de outubro, e duraram por
14 dias, até 12 de novembro; elucida, outrossim, que 7 dias do festival
eram devotados exclusivamente à dedicação e o restante aos subsequentes
Banquetes do Tabernáculo. Eis o que diz o I Livro dos Reis sobre a
dedicação do templo (8: 2-4):

"E todo o Israel concorreu ao Rei Salomão num solene dia do mês de Etanim,
que é o sétimo mês. E vieram todos os anciãos de Israel, e tomaram os sacerdotes
a Arca, e levaram a arca do Senhor e o tabernáculo do concerto, e todos os vasos
do santuário, que havia no tabernáculo: e os sacerdotes, e levitas os levavam.".

Figura 1: Avental maçônico com figuras simbólicas (Retirado de um avental maçônico


pintado à mão)

34
Enquanto o simbolismo místico da Maçonaria decreta que o avental deve ser um
simples quadrado de pele de cordeiro branco com aba apropriada, os aventais
maçônicos são frequentemente decorados com figuras curiosas e impressionantes.
Para Marte, o antigo plano de energia cósmica, os "observadores de estrelas"
atlantes e caldeus designaram Áries como trono diurno e Escorpião como trono
noturno. Aqueles que não foram ressuscitados para a vida espiritual pela iniciação
são descritos como "mortos pela picada de um escorpião", pois vagam no lado
noturno do poder divino. Através do mistério do Cordeiro Pascal, ou da
conquista do Tosão de Ouro, essas almas são elevadas ao dia construtivo Poder
de Marte em Áries o símbolo do Criador.

Quando usada sobre a área relacionada às paixões animais, a pele de cordeiro


pura significa a regeneração das forças procriadoras e sua consagração ao serviço
da Deidade. O tamanho do avental, exclusivo da aba, faz dele o símbolo da
salvação, pois os Mistérios declaram que deve consistir em 144 polegadas
quadradas.

O avental mostrado acima contém uma riqueza de simbolismo: a colmeia,


emblemática da loja maçônica em si, a espátula, o martelo e a carga; os silhares
ásperos e verdadeiros; as pirâmides e colinas do Líbano; os pilares, o templo e o
tabuleiro de xadrez; a estrela ardente e as ferramentas do ofício. O centro do
avental é ocupado pela bússola e pelo quadrado, representativos do macrocosmo
e do microcosmo, e pela serpente alternadamente preta e branca da luz astral.
Abaixo está um ramo de acácia com sete ramos, significando os Centros de vida
do homem superior e inferior. O crânio e os ossos cruzados são um lembrete
contínuo de que a natureza espiritual só alcança a libertação após a morte
filosófica da personalidade sensível do homem16.

Enquanto todos foram classificados de acordo com seus méritos, alguns


ficaram insatisfeitos, pois desejavam uma posição mais elevada do que
eram capazes de preencher. Por fim, três companheiros artesãos, mais
ousados que seus companheiros, decidiram forçar Hirão a revelar-lhes a
Palavra do Mestre. Sabendo que Hirão sempre entrava no sanctum
16
The Symbolism of
Freemasonry Moral and Dogma The Secret Teachings of All
Ages

35
sanctorum inacabado ao meio-dia para orar, esses bandidos cujos nomes
eram Jubela, Jubelo e Jubelum esperavam por ele, um em cada um dos
principais portões do templo. Hirão, prestes a deixar o templo pelo portão
sul, foi subitamente confrontado por Jubela armado com um medidor de
vinte e quatro polegadas. Com a recusa de Hirão em revelar a Palavra do
Mestre, o rufião o golpeou na garganta com a regra, e o Mestre ferido
correu para o portão oeste, onde Jubelo, armado com um esquadro, o
esperava e fez uma exigência semelhante. Mais uma vez, Hirão ficou
calado, e o segundo assassino o atingiu no peito com o esquadro. Hirão
então cambaleou até o portão leste, apenas para ser encontrado por
Jubelum, armado com um maul. Quando Hirão recusou a Palavra do
Mestre, Jubelum golpeou o Mestre entre os olhos com o martelo e Hirão
caiu morto.

Salomão fez Jerusalém ficar abundante em prata tanto quanto as estradas


de pedra; multiplicou tanto, ademais, as árvores de cedro nas chanuras de
Judá, que não se desenvolviam antes, que ficaram tão comuns quanto as
de sicômoro17. Além disso, eis o que é dito sobre as riquezas de Salomão
no I Livro dos Reis (10: 14; 17):

"E o peso de ouro, que se trazia a Salomão cada ano, era de seiscentos e sessenta e
seis talentos de ouro. (...) E trezentos broquéis de ouro fino: trezentas minas de
ouro revestiam cada broquel: e o rei os pôs na casa do Bosque do Líbano.".

Ao contrário de Samaria, cujo santuário javeístico era ofuscado pelos


templos de Dan e Bethel, Jerusalém tornou-se paulatinamente o centro da
vida judaica, com a prosperidade exímia dos cultos e das cerimônias do

17
Op. cit., Flávio Josefo, vol. i, lib. viii, cap. 7, p. 599

36
Templo de Salomão18. Salomão, quando trouxe três quartos da produção
do globo para seu reino, encorajou as relações comerciais com as nações
estrangeiras como, e.g., Ophir, na costa oeste da Índia, e Tartessus, na
Espanha19. Eis o que é dito sobre o domínio territorial de Salomão no I
Livro dos Reis (4: 21):

"E tinha Salomão debaixo do seu domínio todos os reinos desde o rio do país dos
filisteus até a fronteira do Egito: e lhe ofereciam presentes, e lhe estiveram sujeitos
por todos os dias de sua vida.".

Figura 2: Ilustração do Templo de Salomão

18
The Social and Religious History of the Jews Salo Wittmayer Baron, vol. i, p.
68
19
The Religion of Israel to the Fall of the Jewish State
pp. 342-343

37
Eis uma descrição de II Crônicas (3: 4-5) da opulência do Templo de
Salomão:

"E o pórtico da frontaria, era do comprimento em correspondência da largura da


casa, de vinte côvados: mas a altura era de cento e vinte côvados: e Salomão o fez
dourar todo por dentro de ouro puríssimo. Fez também forrar a parte maior do
Templo de madeira de faia, e fez chapear tudo de lâminas de puríssimo ouro: e
gravou nela palmas, e umas como cadeiazinhas, que se enlaçavam umas com as
outras.".

É conhecido que Salomão idolatrava divindades como Astarte, Chemosh e


Milcom; tais ações foram vistas com dura penalidade em sua época, mas,
na posteridade, foram perdoadas20 ambas as visões são levianas em certo
ponto. Salomão não viveu, porém, num estado de próspera e jucunda
pujança durante sua vida inteira; devido ao fato de contrair esposais com
as mulheres dos reinos comarcões 21 e os sacrifícios idólatras realizados no
Gibeão, p. ex., e as vítimas dos mesmos22, daí, transgredindo a lei mosaica,
suscitou o Senhor as rebeliões de Adad, Razon e Jeroboão, acelerando, por
conseguinte, sua morte, conforme relata o I Livro dos Reis (11: 9-40).
Apesar destas abominações, Salomão possuiu uma sabedoria oculta
inestimável e sobre o seu impressionante e grandioso sistema de magia,
base do misticismo cabalístico em grande parte, falaremos mais tarde com
profundidade. Neste capítulo, vo-las mostramos apenas em suas
circunstâncias mais introdutórias, mas sem sermos, em nenhum momento,
supérfluos e rasos.

20
Op. cit., Abraham Kuenen, vol. i, p. 331
21
Op. cit., Flávio Josefo, vol. i, lib. viii, cap. 7, p. 600
22
Die Religiösen Alterthümer der Bibel", Daniel Bonifacius von Haneberg, p. 214

38
§6.

Encontramos afinidades linguísticas, religiosas e etc. entre, sobretudo, os


povos da Ásia Setentrional e a América Antiga; entre os próprios povos da
América Antiga, reinou uma similaridade muito significativa entre os
idiomas, os credos e as urbes, cujo fenômeno nos permite concluir que
devia haver, de feito, uma paridade de origem entre todos os povos do
continente23.

Platão conservou em Crítias a história de Atlântida, o elo primitivo e


verdadeiro da humanidade, que foi quase esquecida; Netuno, segundo o
que se conta, dividiu a ilha em 10 reinos para cada um de seus filhos, cuja
zona geográfico-política foi chamada de Império das Terras Flutuantes,
segundo o que Volaterranius dizia; a partilha foi dada da seguinte forma: a
Atlas, lhe foi dada a parte da Atlântida ou Vênus, a Gadirum, lhe foi dada
a atual Cádiz; ao restante, i.e. os outros oito filhos, partilhou-lhes Netuno
em espécies de "capitanias" as possessões, sobre cujo modelo
governamental prosperaram por éons o território conectava desde o
Haiti e a República Dominicana até o Egito, a Itália e a Espanha. Os incas
deram o nome ao seu criador de Viracocha Pachayachachi; o dilúvio foi
chamado uñu pachacuti; das memórias antediluvianas, tinha-se, citando
caso análogo, os edifícios de Pucara, a 60 léguas de Cuzco; tal história,
conforme a tradição no-la rastreia, é correlacionada à de Netuno, pois, este
era cultuado em Atlântida como criador bem como Viracocha o era pelos
incas24.

23
De Originibus Americanus -37; 42
24
History of the Incas -23; 29-30. Desconsiderai,
ao lerdes, ou se lerdes, a petulância fanática do cristianismo exacerbado do autor ao

39
Há, ainda, evidências de costumes similares entre os povos pré-
colombianos e as dez tribos de Israel; vemo-las, v.g., no costume dos
sumos sacerdotes dos povos americanos se ungirem dum certo licor como
Vlii, ou Olei, o qual se mesclava com o sangue das crianças que
circundavam-nos, e dispunham-se ainda de largos cabelos, cujo hábito era
muito parecido com o dos nazarenos25. A história do cataclismo universal
foi compartilhada, praticamente, em todas as memórias e tradições das
civilizações do passado; Amiano Marcelino alcunhava a terra natal de sua
civilização de insula Europaeo orbe spatiosor além disso, prova de
submersões e emersões repentinas no mundo, temos nos casos de
Arcanânia e Acaia, Propôntida e Ponto Euxino. Uma lenda haitiana,
conservada pelo irmão Romaine Pane, atribuiu a formação das Antilhas a
uma inundação. Os Quichés contavam, igualmente, o devastador
cataclismo e os povos de Orenoque chamavam-no de catenamanoa. Eis
que infere-se-nos que a Atlântida foi, de fato, um intermediário
antediluviano entre a Europa e a América. Continuamos a discorrer neste
mesmo raciocínio26.

Houve, num passado remoto, uma grande ínsula, a qual era próspera,
estável e habitável e, depois de uma série de cataclismos violentos, imergiu
no Oceano Atlântico corroboram-no-lo Silvester Giraldus, Plínio, o
Velho, São Lourenço, Platão, Athanasius Kircher e outras autoridades; tal
ilha chamava-se Atlântida e compreendia, conforme de antanho
averiguado, a maior parte da área oceânica hoje existente e englobava,
outrossim, as Canárias e os Açores27.

-cristã amplamente
refutada por todos os antropólogos, arqueólogos, biólogos, ocultistas e etc. no mundo.
25
Origen de los Indios del Nuevo Mundo e Indias Occidentales
García, p. 262
26
Étude sur les Rapports de L'Amérique et de l'Ancien Continent
p. 1; p. 8; p. 11; pp. 26-27
27
Historia Orbis Terrarum -110

40
Nas doutrinas hieráticas, vemos o Föe da China, o La do Tibete, o Amida
do Japão e o Sommonocodon dos siameses, cujos ramos uniformes de
antropomorfismo derivam de um mesmo corpo doutrinário que, através
do tempo, se degenerou; igualmente, aplica-se tal comparação ao Buda dos
indianos, Tauth dos egípcios e Mercúrio Trimigesto dos gregos, que, nas
suas nações, foram figuras de sumo destaque ou mestres divinos. Afora a
descoberta dos sincronismos na astronomia durante a Era Moderna para
medir o tempo, que já eram usados com profusão muito sofisticadamente
pelos atlantes. Ademais, o império da Atlântida se estendeu até Tirrenia, a
Etrúscia dos antigos e, ainda, comercializava com os egípcios e os gregos28.

Arnóbio comenta a respeito de Atlântida e o legado no período pós-


cataclísmico, malgrado no-lo ressalte em aspectos um tanto negativos; mas
não deixa de falar a respeito de sua grandeza também (Adversus Gentes,
lib. i, p. 5):

"Ut ante millia annorum decem, ab insula quae perhibetur Atlantica Neptuni,
sicut Plato demonstrat, magna erumperet vis hominum & innumeras sunditus
deleret atque extingueret nationes, nos suimus causa? Ut inter Assyrios &
Bactrianus Nino quondam Zoroatresque ductoribus non tantum ferro
dimicaretur & viribus, verum etiam magicis & Chaeldeorum ex reconditis
disciplinis, invidia nostra haec suit?".

Eis que sugere, por conseguinte, Sr. Rudbeck (Atlantica, tom. i, p. 57):

"Orbis igitur terrarum in locis ab invicem longe distantibus, maxime prope


flumina & lacus piscibus abundantes, habitatores illo tempore accepit.".

28
Histoire Nouvelle de Tous les Peuples du Monde
19-20, pp. 262-263

41
Sr. Guest, investigando a palavra basca ezpaña (borda), nos assevera que os
vascones, ancestrais dos bascos, eram a tribo que ficava confinada à Gália
e, ademais, o nome ezpaña era familiar às tribos gaulesas no norte de
Pirrenes, e no curso do tempo ei-la designando o país como um todo; daí,
o nome Espanha para o país ibérico; além disso, os iberes, ancestrais dos
vascones, cuja palavra deve ter igualdade a Tiberenoi, portanto, conectam-
se aos vascones, aos bascos e aos gauleses, demonstrando, daí, uma origem
comum para tais povos29.

Após exaustivo registro dos eventos transcorridos na América, Gomara


conclui que, tendo em consideração o conhecimento adquirido dos povos
americanos durante a conquista europeia do novo continente, não há
dúvidas de que a Atlântida realmente existiu.

Ele no-lo evidencia, analogamente, em a) a palavra mexicana " Atl" quer


dizer "água", o que demonstra correlação com a localização insular
atribuída a Atlântida e b) a obra de São Jerônimo, conhecedor sumo da
língua hebraica, que afirmava que os profetas reportavam a miúdo que
Tarsos afundara no mar em remota antiguidade sem deixar vestígios,
corroborando o relato do cataclismo atlante e etc30.

Lyell inferiu que a migração das plantas na conexão entre América e


Europa, cujo fenômeno é amplamente verificado, ocorreu numa época
pré-glacial (ou, como denominamos em filosofia oculta, antediluviana)31.
Encontrando uma flora muito similar entre a Europa e a América, como,
v.g., os antracites e a flora ad utrumque carbono, Dr. Heer conclui, pois,
que, ao menos na Era Terciária, Europa e América deveriam ter tido a
mesma porção geológica32; Dr. Unger conclui o mesmo sob exames
similares e, outrossim, descobre peremptoriamente analogias entre a

29
Origines Celticae -63
30
Histoire Generelle des Indes Occidentales
31
The Antiquity of Man p. 440
32
Flora Fossilis Helvetiae -13

42
armazenagem de carvão e a provisão e a cultura de plantas da Europa e as
da América33.

A latitude e a longitude do Templo Colossal de Atlântida tinham acurada


colinearidade, e ei-lo coligido nas palavras de Platão, expostas por
Eurennis34, no qual havia adornos de ouro, prata e oricalco e pavimentava-
se, igualmente, por estátuas douradas, muito mais opulento e avançado
que o Templo Hierosolimitano; a comparação entre o Templo Colossal de
Atlântida e o Hierosolimitano é ridícula o de Atlântida era muito
35
maior , muito mais luxuriante e muito mais difícil de se construir, e crê-se
que nem a arquitetura moderna conseguiria realizar tal proeza, nem que se
lhe custasse demasiados éons para tal e Kircher no-lo prova com
argumentos sólidos36, apesar de este ter vivido no século XVI.

Urano foi o primeiro rei do Império Atlante em seus primórdios; casou-se


com Gaia e teve 45 filhos; os seus mais ilustres filhos foram Netuno e
Saturno. Apuleio deu às estrelas o nome de Coeligonae, i.e. os 45 filhos de
Urano37. Urano foi um grande astrônomo e Netuno, um grande
astrólogo38; Atlas foi a junção de ambas as sagradas ciências, sendo este,
por conseguinte, o mais venerado dos reis na Atlântida. Wachter diz que a
palavra Adel é, sob a geral comunicação gótica, pronunciado como Atta e
significa "genus paternum" ou "nobilitas"39; os góticos, os vândalos e os
longobardos, ademais, soíam vocalizar Atala; tal palavra está diretamente
associada à Atlântida que era, no mundo antediluviano, considerada o

33
Die Versunkene Insel Atlantis 3-5
34
Atlantica Orientalis -22
35
Transformai a medida de estádios utilizadas por Platão e outros autores da Antiguidade
e convertai-lo em metros para verdes as proporções do Templo.
36
Vede os argumentos de Petrie, Hörbiger, Colville, Asahel e Dunn.
37
République des Champs Elysées -8
38
De Grave se refere erroneamente a Atlas como filho de Urano; ei-lo corrigido na
passagem marcada por esta nota de rodapé.
39
Glossarium Germanicum 69

43
"genus paternum" ou a personificação de "nobilitas"; Ihre no-lo
corrobora40.

Diodoro diz sobre a influência do Dilúvio no Egito Antigo, conforme o


seu povo lho relatara, além das inundações no próprio território egípcio
(Op. cit., vol. i, cap. 10, pp. 19-20):

maioria dos seres vivos foi destruída, é provável que os habitantes do sul do Egito
tenham sobrevivido a outros do que qualquer outro, já que seu país não tem
chuva; ou se, como alguns sustentam, a destruição das coisas vivas foi completa e
a terra trouxe novamente novas formas de animais; mesmo assim, mesmo com
essa suposição, a primeira gênese das coisas vivas atribui apropriadamente a este
país. Pois quando a umidade das chuvas abundantes, que caíam entre outros
povos, se misturava com o intenso calor que prevalece no próprio Egito, é
razoável supor que o ar tenha se tornado muito bem temperado para a primeira
geração de todos os seres vivos. De fato, mesmo em nossos dias durante as
inundações do Egito, a geração de formas de vida animal pode ser vista
claramente ocorrendo nas bacias que permanecem as mais longas; pois, sempre
que o rio começa a retroceder e o sol secar completamente a superfície do lodo,
os animais vivos, se diz, tomam forma, alguns deles completamente formados,

Também se menciona a Atlântida no " De Rebus Samothraciae" de


Dionísio Heracleota:

"In Samothracia habitat Electra, Atlantis filia, ibique ab indigines apellanantur


Strategis.".

40
Glossarium Suiogothicum -14

44
Pausânia, aliás, nos diz sobre Poseidonis, a última ilha de Atlântida das dez
iniciais que, segundo ele, a sua capital fora fundada por Aécio, i.e.
Poseidonia41. Heródoro também fala a respeito de Atlântida:

"Herculem, vaticinandi artem et rerum naturalium scientia imbutum, apud


Atlantem barbarum Phrygium mundi columnas excepisse dici, significante ita
fabula disciplina coelesti scientiam.".

Heródoto42 menciona o Grande Labirinto, dizendo, sobretudo, que sua


circunferência media seis esquenos, viz. a medida da região litorânea do
Egito e em sua quina, localizava-se uma pirâmide de quarenta braças, com
várias figuras encravadas nela; seu trabalho era mais colossal que as três
pirâmides de Gizé agrupadas; atualmente, conforme relataram a
Heródoto, fica nas profundezas do Lago Moeris; a sua origem, com
certeza, não é egípcia, senão for, então, construída pelos citados
"crocodilos sagrados" na câmara ínfera que, presumivelmente, vieram de
Ath-Men-Ptah que, por sua vez, significa Atlântida; eis o que no-lo diz,
portanto, o Zodíaco de Dendera e outros artefatos egípcios acerca de sua
terra natal atlante.

41
The Description of Greece vol. i, p. 413
42
The History i, pp. 190-192

45
§7.

Entende-se a palavra yoga (vede Panini, Adhayvasti, lib. vi, sutra 94) pela
distinção entre yuj samadhau, no qual yuj é empregado no sentido de
concentração, e yujir yoge, no qual yujir é utilizado como significando
"conexão". Eis, pois, uma raiz imaginária para a palavra yoga. Goldstücker
afirma que o vocábulo yoga, para Panini, tinha os derivativos yogya e
yaugika43. Temos exemplos da prática do yoga jus a sua etimologia, tanto
para o corpo quanto para os sentimentos e a mente, no Maha Satipatthana
Sutta44; vejamo-los:

"Dessa maneira, ele permanece focado internamente no corpo em si mesmo, ou


externamente no corpo em si mesmo, ou ambos internamente e externamente no
corpo em si mesmo. Ou ele permanece focado no fenômeno da origem em
relação ao corpo, no fenômeno da morte em relação ao corpo, ou no fenômeno
da origem e no desaparecimento em relação ao corpo. Ou a consciência de que
"existe um corpo" é mantida na medida do conhecimento e da lembrança. E ele
permanece independente, insustentável por [não se apegar] a nada no mundo. É
assim que um monge permanece focado no corpo em si mesmo.".

focado internamente nos sentimentos em si


mesmos, ou externamente nos sentimentos em si mesmos, ou tanto interna
quanto externamente nos sentimentos em si mesmos. Ou ele permanece focado
no fenômeno da origem em relação aos sentimentos, no fenômeno da morte em
relação aos sentimentos, ou no fenômeno da origem e no desaparecimento em

43
Panini: His Place in Sanskrit Literature
44
Conforme defendem os Vedas, os Upanishads e etc., é visto nos trechos selecionados
(vide supra) o apoio às práticas de tapas (asceticismo) e brahmacharya (abnegação).

46
relação aos sentimentos. Ou a consciência de que "existem sentimentos" é
mantida na medida do conhecimento e da lembrança. E ele permanece
independente, insustentável por [não se apegar] a nada no mundo. É assim que
um monge permanece focado nos sentimentos em si mesmos.".

externamente na mente em si mesma, ou tanto interna quanto externamente na


mente em si mesma. Ou ele permanece focado no fenômeno da origem em
relação à mente, no fenômeno da morte em relação à mente, ou no fenômeno da
origem e na morte em relação à mente. Ou a consciência de que "existe uma
mente" é mantida na medida do conhecimento e da lembrança. E ele permanece
independente, insustentável por [não se apegar] a nada no mundo. É assim que
um monge permanece focado na mente em si mesmo.".

Vijnana Bhikshu define yoga como "a supressão das funções do princípio
pensante (mente) que leva para a permanência absoluta do agente
(Purusha) na sua verdadeira natureza.". Com base nas asserções do próprio
Vijnana Bhiksu, a liberação total (ou iluminação), mediante a prática da
yoga, dá-se através da associação entre samprajnata samadhi (meditação
cônscia ou concreta) e asamprajnata samadhi (meditação abstrata ou
incônscia). De acordo com Vachaspati, nas atividades do yoga, a supressão
da ansiedade direcionada aos objetos sensíveis (vasikara sanjna) é a mais
elevada das supressões, pois ela anula todas as formas de desejo45, tanto
para os objetos védicos quanto os perceptíveis.

Segundo o Advaya-Taraka Upanishad, sob os princípios do Taraka Yoga,


ao conceber a forma da consciência (Cit), com os olhos bem fechados, ou
com os olhos ligeiramente abertos, ver-se-á através da introspecção,
portanto, o Brahma transcendente, acima do meio das sombrancelhas,

45
Por desejo, entende-se cobiça e por cobiça, entende-se vontade egoica ou egoísmo.

47
como tendo forma da efulgência de Sat, Cit e Ananda (Ser, Consciência e
Felicidade). O Vahopanishad divide o yoga em três gêneros de prática:

1) Laya (Suave). É o repouso no Nada46.


2) Hatha (Mediano). É o meio para atingir-se o Nada.
3) Mantra (Místico). É a meditação no Nada.

O Vahopanishad subidivide o yoga em oito elementos: Yama


(autocontrole), Niyama (observância), Asana (postura), Pranayama
(rarefação do alento), Pratyahara (exalação ou respiração), Dharana
(estabilidade da respiração), Dhyana (meditação) e Samadhi (absorção).

O Yoga Sikhopanishad ainda aponta um quarto gênero iogue, que se


chama Raja Yoga. Descreve-no-lo como estando situado no grande ponto
do meio das genitais de todas as criaturas; Rajas significa fluido menstrual
isto posto, prossegue-se assegurando que este associa as flores de Japa e
Bandhuka em cor, é bem protegido e representa o princípio Devi, i.e. o
feminino sagrado e supremo. Pela conjunção de Rajas e Retas, o órgão
masculino (logo, Shakti e Shiva), ter-se-á o Raja Yoga, ou a aquisição de
todos os poderes psíquicos integralmente ativados e potencializados. O
Yoga Sikhopanishad nos esclarece de que também, somente o Abasha
Yoga (prática preliminar ao yoga) pode derrotar as forças malditas e
enganosas do Kaka-mata (o controle do mundo sob Maya, i.e. a Ilusão, a
Ignorância) e oferecer a liberação da consciência divina ao seu praticante.
Segundo o Hamsopanishad, o Yoga é a maneira mais apropriada de se
alcançar o Hamsa (o Turya Atman superior, interno e individual do
microcosmo), cuja estimulação se dá mediante o fluxo de energia para e
suso do Muladhara, circumambulando e vagueando com ímpeto e elo
divino os canais de energia (chakras) desde o Manipuraka, An-ahata até o
Ajna e o Sahasrara, alcançando, destarte, o Nir-vikalkapa-samadhi e
entrando, ademais, na cervice de Brahma, atingindo, por conseguinte, o

46
Nada
Supremo, o Alento Divino.

48
Parama-hansa (Paramatma), o qual envolve todo o cosmos em sua
absoluta radiação.

Destaca o Rig Veda (surta v, cap. xlviii, vers. 10), as propriedades dos
Ushas como provedor do alento de todas as criaturas; vemo-lo (viz. a
mesma opinião) outrossim no Srauta Sutra (vol. iii, p. 306).

Ei-las, pois, compondo os Vayus, e um deles é o Prana, i.e. a energia vital,


fundamental para a prática do yoga. O Ayama é dito ser o Kumbhaka
(pressão sob controle). Combinados, formam o Pranayama. As
propriedade dos Kumbhakas, conforme o Yoga-Kundaly-Upanishad nos
demonstra, são:

1) Surya-Kumbhaka. Destrói os quatro tipos de desordem


emergentes do Vata e os vermes intestinais.
2) Ujjayi-Kumbhaka. Destrói o calor produzido na cabeça, o
catarro da garganta, a tropesia dos Nadi-s e as enfermidades que
atacam os humores.
3) Sitali-Kumbhaka. Destrói a dispepsia, o dilatamento do baço e
iguais maladias.
4) Bhastra-Kumbhaka. Estimula a Kundali (ou Kundalini), destrói
o catarro e outras obstruções na boca do Brahma-nadi.

O Hatha Yoga Pradipika nos certifica de que os Asanas são um meio de


ganhar estabilidade de posição e ajudar a obter sucesso na contemplação,
sem qualquer distração da mente. Ressalta, outrossim, que entre vários
métodos de concentração da mente, a repetição do Pranava ou Ajapa Japa
e a contemplação são os melhores. O Yoga Nidra é induzido e encorajado
por tais práticas e, por conseguinte, a mente se preenche com pensamentos
sagrados e divinos com ubiquidade. O Siddi Siddhanta Paddhanti no-los
chama de pensamento da criação (Pabhavana), em conjunção sempre com
a concepção criativa (Bhavayati). Para o corpo doutrinário do
Hatharatnavali e do Yogacitanamani, o asana, tal como originalmente
desenvolvido, consiste, na verdade, somente em meditação, repetição de

49
mantra e controle da respiração. Segundo o Gheranda Samhita, trazendo-
se o Atma ao Kha (Éter), e Kha ao Atma, logo, obter-se-á o Paramatma em
comunhão com Brahma, e ei-lo o Samadhi ou Mukti. Estudando todos os
Vedas e os Shastras e praticando assiduamente o yoga, consoante as
categóricas asserções do Shiva Samhita, a Doutrina Secreta, Única,
Suprema e Verdadeira do Yoga é revelada ao Adepto. Eis,
consequentemente, a essência real do yoga.

50
§8.

A potência da tríade "nem talam muir", no Táin Bó Cúailn, no Togail


Bruidne Da Derga, no Talland Étair e etc. é uma cosmovisão fundamental
da religião e da mitologia irlandesas antigas, na qual se lhe faz uma
interpretação de que representa o colapso do universo concebido de tal
forma que pode ameaçar terrivelmente a raça humana 47. Um dos
elementos da sobredita tradição que vos disponho se fixa na concepção de
além-mundo; vemo-la, sobretudo, no Immram Brain. Os seres do além-
mundo são descritos como habitando o interior de outeiros, o fundo dos
lagos ou do mar, as ilhas nos lagos, ou além da costa; há também contos
de salas que são vistas à noite e que desaparecem durante o dia. Malgrado
em muitas destas histórias o herói de Immran Brain apenas visite uma das
abadias de áes síde, há também casos que as passagens subterrâneas ou
subaquáticas garantem acesso a uma terra sobrenatural de abundância48.

Estrabão49 nos assegura que os celtas50 (afora os germânicos) procederam


batalhas contra os romanos em pauis, em florestas sem saída e em desertos
e fizeram, neste sentido, os adversários do Lácio parecerem ignorantes, i.e.
no que estes eram os mais fortes. A tradição celta é maravilhosa e isso nem
se critica; os romanos, ironicamente, eram os verdadeiros bárbaros. No
entretanto, Carve 51 e Keating52 nos evidenciam, apesar de seu evidente
partidarismo aos cristãos, como a dominação da cristandade na Irlanda
desmantelou e perverteu maliciosamente as tradições celtas da nação; tal

47
Irish Perceptions of the Cosmos Celtica (1999)
48
The Location of the Otheworld in Irish Tradition Éigse (1983)
49
Geography i, cap. 17, p. 37
50
Incluem-se aí os irlandeses.
51
Anacephalaeosis Hibernica
52
Foras Feasa ar Éirinn

51
análise pode ser feita mediante a designações éticas, históricas ou
historiográficas e teosóficas de exame e pensamento subsequente.

Se examinarmos profundamente as lendas dos umorianos, fumorianos,


nomedianos, Firbolgs, Tuatha Dé Danands, milesianos e etc. que
constituem a história mítica da Irlanda, conforme o grande historiador
O'Curry nos diz53, além de possuírem um núcleo autêntico de verdade,
caso removamos o seu invólucro de fábula, consistirão unicamente numa
verdade absoluta e inefável 54. O andaime mitológico da afinidade dos
vocábulos "pináculo-cabelo-grão", no Caillech Bérre, consigna um prólogo
para o martirologia de Oengus, que nos assegura que, à altura, havia ainda
reminiscências dum Deus bucólico pré-cristão na Irlanda, remotamente
cultuado pelo seu povo55; as cerimônias, as tradições e a sabedoria dos
celtas, dessarte, fazem parte do espírito irlandês (e também do britânico) e
tal condição é atemporal, atravessa os séculos e as almas humanas. Para se
ter uma noção da suma importância da cultura celta, o seu idioma fora
uma das dois únicos que subsistiram após o cataclismo atlante, juntamente
com o árabe, do qual Jó falara profusamente no Antigo Testamento56.

Stukeley já associara o Stonehenge a fins hieráticos dos druidas, o que se


lhe configurara como um templo esplendoroso vastamente comentado de
ser deveras da época deste povo, conforme, sobretudo, os manuscritos de
Ninnius reportavam; os eclesiásticos, ademais, escreviam que estes
mostravam Aurélio Ambrósio, um rei cristão dos bretões, construindo
Stonehenge, no tempo do ancestral supremo Hangist, com o auxílio de
Merlim Ambrósio57; acredito que tal história seja lendária sob o aspecto
historiográfico, mas pode ter realmente acontecido, sob um mesmo
entrecho, terminus ad quem; os antigos historiadores chamavam o

53
On the Manner and Customs of Ancient Irish
54
Tal asserção corrobora o que expomos no cap. i, p. 6 deste livro.
55
Irische in der Edda Ériu (1966)
56
The Celtic Druids p. 266
57
Stonehenge

52
Stonehege de Gigantum Chorea Cadmen ficou sem palavras quando
viu-o pelo primeira vez58. Segundo White e Hawkins59, os alinhamentos
do Stonehenge eram côngruos com as declinações de +/- 23.9º do Sol e
+/- 29.0º e +/- 18.7º da Lua. A. Thom e A. S. Thom60 escrevem que o fato
de que os orifícios Y e Z estabelecidos nas linhas radiais desenhadas através
do centro das pedras areníticas no anel principal mostra o quão próximos
eram almejados os orifícios para estarem próximos dos anéis; destarte, eles
se indagam: "Eles carregaram uma escada helicoidal para terem acessos aos
lintéis?" Afora a configuração assegurada mediante a um complexo sistema
de mortagem e cavilha, os seixos, conforme Hoyle 61 nos diz, foram
asseados em blocos próximos do confinamento, especialmente o maior dos
trilítonos erigidos; outrossim, o levantamento das pedras, dadas as
proporções colossais dos megalitos, seriam impossíveis de serem
transportados por técnicas primitivas deve ter tido, portanto, uma
tecnologia muito avançada que os druidas atlantes-celtas usaram na época
com abundância.

Figura 3: Fotografia do Stonehenge

58
Britannia
59
Stonehenge Decoded
60
Megalithic Remains in Britain and Brittany
61
On Stonehenge

53
Tuatha Dé Danands, conforme é descrito no ciclo de Cúchulainn, eram
deuses ou demônios que ajudaram a humanidade a se desenvolver e, ao
mesmo tempo, a aprisionaram no medo e na ignorância, e isto também
está assinalado no ciclo de Fionn62. Malgrado tal mito se assemelhe ao
Oannes na Caldeia, a Quetzalcoatl nos povos mesoamericanos, a
Viracocha nos povos incas, a Thoth no Egito, aos devarishis na Índia, a
Enki na Suméria, a Prometeu na Grécia Antiga, ser-nos-ia mais coerente
constatá-lo como tendo afinidade com o dos arcontes ou hebdomads dos
gnósticos, dos annunaki na Suméria, dos asuras na Índia e do Budismo em
geral, do Demorgogon grego, do Camazotz dos maias e dos quichés e etc.
Conforme Diefenbach63 nos diz, com base nas copiosas tradições dos
antigos, os celtas seriam, na verdade, a raiz de todas as tribos germânicas e
subsequentes nações, cuja tradição deveria ser, destarte, preservada com
circunspecção pelos mesmos.

Figura 4: Pintura dos Theuta Dé Danands

62
The Religion of Ancient Celts
63
Origines Europae

54
Parthalon, segundo o Anal dos Quatros Mestres, é considerado o pai
fundador da Irlanda 278 anos após o dilúvio. Nos ditames historiográficos
de O'Halloran e Fhirbhisigh, a Irlanda foi um grande império e colonizou
vários povos, incluindo os africanos, neimedianos, belgas, damoninos e
etc. Sobre os outros povos celtas, discutirei mais tarde, mas os irlandeses
foram realmente os mais destacados entre eles.

55
§9.

Cada qual com sua experiência transcorrida no disco espacial eterno e


imaculado do Pralaya deverá imantar-se pelos mancomunados sistemas
arcaicos de emanação cósmica, designados a propagarem perpetuamente a
Energia criadora e culminante da Natureza. A Unidade, da qual se
procede, se verte e se dimana a Alma Universal, circunvalada pela abstrata
e incognoscente presença do Pensamento Divino64, é, por preceito e
manejo evolucionários e clarividentes, a indicação simbólica do único
conhecimento demonstrado pela essência constitutiva do Manvantara, na
qual o Pralaya traça e desempenha as suas versatilidade atemporal e
periodicidade, urdidas na cadência teúrgica do Abhautika, isto é, a
dimensão fundadora de todos os pretextos teoréticos das cosmogonias e
das teogonias até agora formuladas.

Os marçanos no ocultismo deverão compreender que a única vitalidade


que há de ser debruada pela onipresença eternal e invisível é aquela que
reside, quer de modo subjugado, quer doutro marroaz, na todo-poderosa
lei da consciência regular e plenamente manifestada no reino periódico,
absoluto e auto-existente do Kutastha, o imutável princípio do Kaos e do
Kosmos. As propriedades que daí podem ser aferidas são, em grande parte,

64
Quer assinale-se determinadas conjurações da Unidade, quer das derivadas substâncias
dela, consoante nos transmite Sr. Vaihinger, são, por conjectura propínqua, reflexos
subjacentes do mundo externo, i.e., substratos de uma ficção psiquicamente útil,
geralmente manutenidas pelas aparências das coisas, o que nos leva a corroboração do
conceito de "seres sublunares", viz., toda aquela entidade viva que, através das
extremidades de suas balizas raciocinativas, consagra, por mais picaresco que possa
parecer, uma plêiade de débeis concepções como a verdadeira fonte da intuição e da razão
da Sabedoria Absoluta, ou Mahaprajna, como os vedantinos no-la definiriam.

56
examinadas meticulosamente por sábios homens que, com efeito,
procuram saber rigorosa e obstinadamente a causativa identidade não-
imagética e extramundana do "Grande Sopro", no qual o espaço é
ilimitado e invariavelmente ensejado em companhia da moção
incondicional e incessante do universo. Não há nada imoto na ordem, a
não ser a própria inércia provedora da Alma Universal65.

No século VI a.C., Confúcio ensinou ao seu discípulo Fan Ch'ih que a


sabedoria era constituída de devoção à que de antanho denominamos
Alma Universal, mais especificamente, a sua intercessão nos planos
materiais ou preternaturais, e, outrossim, de respeito para com as
entidades incorpóreas (ou Dhyani Chohans) que superintendem a
evolução planetária. Xun Kuang e Yan Hui praticamente ensinaram o
mesmo desígnio ideacional, sem desencadear de modo meandroso alguma
unilateralidade na linha de pensamento, mas sim a sempre desdobrar uma
rotatividade nos seus agregados elocutivos; tal ensinança é incorporada nas
estruturas mais profundas do encólpio do ocultismo, ainda a desvelar-se
com integridade.

O homem efetivamente herda a conjuntura das colisões entre as deidades


arquitetas que geraram o mundo em que vive, as quais coordenam o
movimento universal e o Grande Alento por ela confiado, numa espécie de
revelação que se reclina sobre seus aspectos filosóficos recte dicitur; o

65
O organismo mental, conforme sabemos, mormente, é fomentado por estados de
consciência complexos e da variabilidade nas sensações e na duração dos pensamentos e
respectiva intensidade de trabalho; portanto, a sensação, inerente a Manas (ou mente,
como dissera), é perscrutada e comedida com profundidade por Laukika que, por sua vez,
implica imprescindivelmente Maya, a ilusão, a ignorância, as trevas. O deus Javé da
Bíblia, um livro severamente profano, como hodiernamente editado e publicado, é
diretamente afetado por reações eliciadas mediante as impensáveis externalidades (para
um ser divinal e supremo) nas quais são presididas as flutuações emotivas e facilmente
atribuíveis aos mundanos estímulos aí postulados e envolvidos; tais conceitos não
somente são anti-psicológicos, anticientíficos, mas também passam longe de serem algum
razoável sistema filosófico.

57
ocultismo é, em suma, a fundamentação do conhecimento absoluto e
existencial direcionado, pois, para o fogo arcano e vivaz, sobre o qual as
eternas testemunhas dessa presença invisível são agentes desenvolvedores
dos henômenos veiculados no Lingangasamarasya. O fluxo intracósmico é
deveras contínuo e ilimitado; o cósmico, por outro lado, subordinado à
percepção e aos sentidos, é finito e intermitente. O Cosmos, i.e., o
perficiente remate numenal do Parabrahman, em nada se relaciona com os
eventos do mundo fenomenal. No tocante ao âmbito de organização
cósmica, malgrado não se possa dizer que teve uma prístina ou que terá
uma perimida e ultimada edificação, a propósito, ter-se-á a cada nova fase
do Manvantara, uma organização estipulada como a primeira e a última
no seu mesmo sortimento, a fim de que esta desenvolva invariavelmente
em planos superiores.

Dependendo das revoluções e das alterações periódicas do eixo terreno, ou


da própria moção instável da natureza material, com efeito, poder-se-ão
desdobrar dilúvios ou tribulações ecossistêmicas. É daí que se resultam
criaturas bestiais e medonhas, como monstros, meio-animais e meio-
humanos, todos com aspecto pertinazmente selvagem. Os processos pelos
quais tais fenômenos são desdobrados são divididos em três parcelas
temporais, ou Triyugam. Quanto maior o Prasadi daquele que é
conduzido por estes ciclos, igualmente aumentará a sua chance de
transcender seu aspecto sublunar e tornar-se, deveras, uma entidade divina
e extracorpórea, em direto contato com o Mulaprakriti ou o Devachan. O
Rig Veda, por exemplo, no-lo demonstra na sua sublime e precisa
interpretação dos predicados naturais do Svatantra-tattva, i.e., a
idiossincrasia fundamental do Parabrahman, o Absoluto, a própria
Unidade. Nas tábuas mitológicas de Cutha, sobre as quais Heródoto e o
Sr. Rawlinson comentaram exaustivamente, temos menções ao deus
Armanny, cujas características e a própria identidade fálica seriam mui
parecidas (ou idênticas) ao teutônico Herman ou Arminius. Isto
demonstra que, ante ao Mahapralaya optingens, as criaturas se
transformam (κεηεκορθώζε) sobre diversos modelos de manifestação e

58
deixam como legado, mitos e lendas a respeito destas mesmas etapas de
mudança e evolução. Ei-las o andaime basilar dos ciclos da natureza. O
ρῶηος), conforme o Livro dos Mortos e o Relato Caldeu
da Gênese nos evidenciam, é suscitado justamente pelo que denominamos,
nas ciências ocultas, de Mahayama, ou o Veículo Cósmico; por
conseguinte, aferimos as suas propriedades consumadas tanto no Arupa
quanto no Rupa, viz., tanto na forma astral, sutil e incorpórea quanto
naquela densa, rígida e corpórea.

Nada é alegórico; para o iniciado, todo código oculto é explícito e patente.


No Pimandro ou Peime-nte-rê, "a sabedoria de Re ou Rá", i.e., o
conhecimento arcano propriamente dito, a prisca theologia de Ficino e
Pico della Mirandola e a religião-sabedoria dos teosofistas, diz-se que
"entre os homens, há sempre o nome do Bem". Denota, pois, que a
configuração da natureza das coisas sempre possui carga equilibrada e de
grandioso aprumo divino, em todas as suas volutas energéticas. Na
tradução duma invocação caldeia do Sr. Lenormant, vemos o vocábulo
"uruk" como significando uma suposta classe de demônios. Sem embargo,
vemos no "Materials for a Sumerian Lexicon" do Sr. Prince, uma
referência primária no tocante ao léxico mesopotâmico, "ur" designando
"criação", "fonte" ou "fundação" ao passo que "uk" está exprimindo
"poder" ou "força"; "uruk", portanto, teria o mesmo significado que
Dhyani-Chohans, i.e., os espíritos da mais alta hierarquia planetária que
comandam a escada evolutiva da Terra; assim, pretende-se invocar,
basicamente, um Kumara, um Mestre da Luz que, com sua consciência
cósmica ubíqua, deverá fornecer ao mago as informações sobre os
princípios e o simbolismo essencial do Gupta Vidya, i.e., a Sabedoria
Oculta e Universal.

Beroso enuncia:

59
"Ante aquarum cladem famosam qua universus periit orbis, multa praeterierunt
saecula, quae à nostris Chaldaeis sia deliter suerunt seruata.".

Ele incontinenti prossegue:

"Scribut illis temporis circa Lybannum suisse Enos urbem maximam gigantum,
qui universum dominabantur, ab occasu solis ad ortum.".

Beroso fala, na verdade, da Quarta Raça Raiz (ou Atlântida) e sua


influência onipresente no mundo pós-diluviano; Apolodoro corrobora ao
momento em que diz que os deuses egípcios e gregos foram gerados duma
mesma fonte (se permitis-me parafrasear) que é chamada de
"Hyperboreorum Atlante", em cuja asserção, ademais, se designa que os
atlantes prestigiaram e também se deixaram levar pelos costumes e
atividades culturais da Segunda Raça Raiz (ou Hiperbórea). Eusébio, em
Prepaeratio Evangelica passagem de Hesíodo que fala
unicamente da Atlântida, assevera66:

"Κάδκος κελ ο Σεκέιες αηήρ ε η Λσγθέφς ες Θήβας έρτεηαη θαη ηφλ


Διιεληθώλ γρακκάηφλ εσρεηής γίλεηαη. Τρηό ας δε ζσγτρολεί Ίζηδη, έβδόκε
γελεά α ό Ιλάτοσ. Τρηό ας δε ζσγτρολεί Ίζηδη, έβδόκε γελεά α ό Ιλάτοσ. Δηζη
δε οη ηελ Ιώ θαζη, δηά ηο ηέλαη ασηήλ δηά άζες ηες γες ιαλφκέλελ. Ταύηελ
δ' Ιζηρος ελ ηώ ερί ηες Αηγσ ηίφλ α οηθίας Προκεζέφς ζσγαηέρα θεζί. Προ
κεζεύς δε θαηά Τρηό αλ, έβδόκε γελεά κεηά Μφζέα ώζηε θαη ρο ηες θαζ'
Έιιελας αλζρφ ογολίας ο Μφζες. Λέφλ δε ο ηά ερί ηφλ θαη' Αίγσ ηολ

66
Eis, pois, uma parte da linha sucessória dos reis da Atlântida, malgrado reportado de
forma mítica.

60
ζεώλ ραγκαηεσζάκελος, ηελ Ίζηλ σ ό Διιήλφλ Γήκεηραλ θαιείζζαί θεζηλ,
ή θαηά Λσγθέα γίλεηαη ελδεθάηε ύζηερολ γελεά Μφζέφς.".

Os paradoxos concernentes à eternidade indivisível e subjetiva são


consagrados de maneira integral pela filosofia esotérica; são estes o objeto
de exame pelo qual o ocultismo reitera as suas premissas primordiais. A
duração ilimitada da consciência de Parajati é configurada nos aspectos
condicionais (Kandhakala) e incondicionais (Kala) da extensão substratal
do espaço. O Mahat é amplamente conhecido como sendo a raiz do
Mulaprakriti; logo, concebemos a infinitude na qual se designam tanto
Buddha quanto Maya. É dito no Pancaratra Raska, de Vedanta Desika,
que "os arcanos das formas são informes"; parece estruturalmente
antitético, mas o simbolismo arcaico e universal aí empreendido
demonstra que toda a substância etérea, sublime e incorpórea (Akasha)
fomenta, como instrumento de manifestação de seu poder e persença,
aquela material, profana e corpórea (Rupaskandha). Yamunacharya, no
seu Agama Pramanya, alega peremptoriamente que o "conhecimento
correto deriva daquilo que se discerne por Spanda (vibração, i.e., sintonia
da consciência com relação ao Prabrahman, o Absoluto, o Azoth de
Éliphas Levi), não por Sraddha (a fé, a crença, a não-razão, a
ilogicidade).". Nirguna se dissemina tanto em Purusha quanto em
Prakriti, sendo a distinção entre ambos, o fato de que Purusha é o númeno
(o evento por si só) e Prakriti é o fenômeno (o testemunho ou o fio
condutor do evento). É pelo evento que deliberaremos, não pelo seu fio
condutor ou testemunho pois, se fizermos por este último, ir-nos-emos
iludir, cair na depravação e na ignorância do Sthulacit, a Consciência Vã e
Mundana.

Oannes, ou Dagon, personifica o sentido cosmogônico da natureza, cujas


peculiaridades fruem de certos predicados conduzidos por várias
combinações de seres míticos e iniciáticos. Tallath, a Água, o Mar, o
princípio feminino, v.g., foi conquistado e uniu-se definitivamente com

61
Belus, o masculino; daí, resulta a quarta lei cósmica do Kaybalion, i.e., a
da polaridade. Isaac Myer, no mesmo assunto, escreve que a coluna de
Yakheen representa a graça e a justiça e, sobremais, representa o princípio
masculino, ativo e positivo, ao passo que a da esquerda, viz., Bohaz,
representa a punição e o rigor, além de ser o princípio feminino, passivo e
negativo67. Eis, pois, o perfazimento do Zi, o Espírito Absoluto das Coisas,
perfeitamente harmonizado.

67
Vede Qabalah . 253

62
§10.

As mônadas que emanam da realidade única, a verdade absoluta por


essência, se subjazem aos ciclos de construção e reconstrução da
quadratura do cosmos, em uma gama de variações de manifestação
espectrais ou perfeitamente "picturais", ao passo que são observadas sob o
viés eidético; não obstante isto, efetivamente, as mônadas são eternas,
imutáveis, incessantes e não conhecem limites para sua dispersão nas
infinitas dimensões do espaço-tempo. Exemplo desta condição, temos o
onipotente criador de três olhos do Parameshthin, engendrando, pois,
Brahma nas propriedades do Rajoguna e Vishnu nas do Sattvaguna;
chamamos tal divindade de "protogono" ou a energia primordial do
universo que, anteriormente à sua produção decisiva, já reinava nas Trevas
e na Luz. Dir-nos-á Sr. Beausbore, com o auxílio referencial de Santo
Irineu e de São Jerônimo, que as operações dos mistérios antigos do Egito,
de qualquer forma, por mais que relutem em afirmar o contrário,
contribuíram definitivamente para a verdadeira mística do cristianismo.
Esta mesma é, sob hierática edificação, assim como de todas as religiões,
por substrato doutrinal, algo completamente monádico. As determinantes
desta mesma grandeza perscrutam com perseverança, em rondas
periódicas, o Pralaya da designação espontânea das linhas evolutivas do
próprio Nirvana de cada revolução orbital concernente aos próprios corpos
celícolas, quer físicos, quer etéreos. É dito no Kitab al-Zabur que a
magnitude dos poderes incumbidos a Deus é, com efeito, o escopo do
motor perpétuo e do artifício atemporal de sacramento. A Coroa Sefirotal,
ou a expressão da Mônada, se aplica nesta questão como, justamente, o
Atma-Buddhi dos "poderes incumbidos a Deus" e a geratriz moderadora,
consumada então a fim de que não se cometa abusos a desdobrarem-se em
abomináveis intencionalidades seguidamente aprazadas; e, portanto, a
constituição progressiva e impulsiva de toda entidade viva se sumariza,
63
basicamente, nas agregações vivificadoras da Monas Universal largamente
estabelecida no Mulaprakriti da circulação da Deidade Universal.

Observa-se en passant que a natureza sutil das coisas é projetada em


detrimento da densa, mas jamais configurada em total dissonância com
esta; é necessário o entrelaçamento ou a soma das forças tanto
microcósmicas quanto macrocósmicas para que a unidade divina se
preserve e se mostre intacta numa espécie autogerada de consciência
sublime, suspensa diretamente no desvelar e no atrair dos fenômenos
cósmicos originados tanto do Manasa-Dhyanis quanto dos Chhayas do
Pitris lunar. No-los evidencia Sr. Hyde, assaz destramente 68:

"Sed ut hominum corrupta et depravata natura in pejorem partem semper


vergit & propensior est, & paulatim in degenerat & prolabitur; sic & isti
suam Religionem, quam primo intemeratam & immixtam servaverant,
processu temporis deinde corruperunt & multi nugis interpolarunt, Dei
notitiam cum plurimis Superstionibus tenentes, & lucem cum tenebris
commiscentes.".

Ocupam-se certas modalidades de extensão do desenvolvimento espiritual,


mutatis mutandis, numa dinâmica injetora ou num ciclo introdutório de
ordenações causativas no Atma, a fim de prover-lhe a suma continuidade e
o equilíbrio otimamente consolidado 69. Todavia, ceteris paribus, a

68
Vede Veterum Persarum et Parthorum et Medorum Relgionis Historia
Thomas, p. 2
69
Consoante o Bhagavata Purana afirma, o Homem Supremo não se passa de uma causa
aparente, ao passo que o Deus Supremo detém a energia divina, controla o universo sob
agentes atemporais e extrafísicos e destrói-o ao seu próprio líbito sem ser de fato
destruidor. O mais alto Dhyan Chohan, sob estas circunstâncias até aqui descritas, não
reside mais nas leis do Karma, senão nas do sacro Dharma. Orientalistas, concentrados,
sobretudo nas tradições indianas, como Thomas Maurice, William Jones, Peter van

64
disposição dos elementos de correlações premeditadas no próprio cerne do
Atma, suprime essencialmente o aparecimento das forças do lapsus calami;
malgrado isso, de vez em quando, permite-se a sua encetadura nos meios
de existência a serem consequentemente rondados com propósitos
metempsicóticos e restauradores, em fases cataclísmicas ou apáticas do
nosso Globo ou de qualquer orbe alvejado. No-las assevera, portanto, Sr.
Sinnett70:

"Behind the human harvest of the life impulse, there lay the harvest of mere
animal forms, as every one realizes; behind that, the harvest or growths of mere
vegetable forms for some of these undoubtedly preceded the appearance of the
earliest animal life on the planet. Then, before the vegetable organizations, there
were mineral organizations, for even a mineral is a product of Nature, an
evolution from something behind it, as every imaginable manifestation of Nature
must be, until in the vast series of manifestations, the mind travels back to the
unmanifested beginning of all things. On pure metaphysics of that sort we are
not now engaged. It is enough to show that we may as reasonably and that we
must if we would talk about these matters at all conceive a life impulse giving
birth to mineral forms, as of the same sort of impulse concerned to raise a race of
apes into a race of rudimentary men. Indeed, occult science travels back even
further in its exhaustive analysis of evolution than the period at which minerals
began to assume existence. In the process of developing worlds from fiery
nebulae, Nature begins with something earlier than minerals with the
elemental forces that underlie the phenomena of Nature as visible now and
perceptible to the senses of man. But that branch of the subject may be left alone
for the present.".

Bohlen, Albrecht Weber e &c., bem como outros estudiosos em diversas tradições ao
redor do mundo, afirmam que esta concepção da dualidade do funcionamento da
natureza em dois níveis díspares de consciência é tão universal, difundida e
exaustivamente registrada que, com efeito, pode ser uma verdade arquetípica irrefutável,
ou até mesmo, um vetor primordial para o entendimento lídimo das leis que regem o
universo.
70
Esoteric Buddhism -47

65
Analogamente, Sr. Pratt salienta71:

"The divine, while passing through spirit and matter into nature, and then by
natural process through the inorganic, the organic and the animated, into the
human, loses sight of its own divinity; so loses sight thereof that it may re-pass
from the create to the increate, should the instruments through association with
which it has sought evolution ulti mately fail to fit themselves for the final
transition for which it had sought to prepare them.".

Sophia Achamoth, a personificação do Éter, quando elevada à sua máxima


competência de superintendência de Sofia (ou a Divina Sabedoria), pode
nos assinalar peremptoriamente uma noção imagética, subtendida no
Arupa estelar, de Ilda Baoth. A palavra

-se-á dizer que Ilda Baoth cumpre a mesma


função que Brahma ou desempenha o próprio númeno do Prajapati na
cosmogênese e na evolução concebida após o seu íntegro empreendimento
(i.e., tanto das forças sutis quanto das densas pari passu).

O sistema consciencial latente em cada entidade viva é plenamente dotado


de ubiquidade caso seja desenvolvido apropriadamente e, incontinenti,
despertado em todas as suas unidades naturais de potencialidade e
manifestação. O Logos platônico, copiosamente mencionado nos
"Diálogos", é a substância mirífica que, todo o poder muscular de
expressão monádica percipiente, possui em excelsa quantidade, sendo,
pois, a própria ponte ou o retilíneo cruzamento com as regiões célicas ou
terrestres do Tsanagi-Tsanami. O simbolismo concernente aos Jivas do

71
Vede New Aspects of Life and Religion

66
agente hospedeiro do próprio Chitta é diretamente associado aos
homogêneos e numenais elementos da Criação, os quais são a miúdo
organizados tricotomicamente (Atma-Buddhi-Manas ou Rupa, as três
esferas da consciência cósmica ou a Tríade Absoluta). Isaac Luria, no seu
Hibur be-Kabbalah, afirma peremptoriamente que, metafisicamente, o
Pitris é a progênie intrínseca dos Ancestrais da tradição dos Dhyanis
terrestres. O célebre apoftegma grego "γλῶζη ζεασηόλ" nos ordena a
desvendar o nosso Ruach, não nosso Nephesch. Clama firmemente o
Codex Nazaraeus:

"Illuminatus quisque meis verbis eodem loci inter Genius reputabitur.".

A sombra das formas astrais será devorada, pois, pelos quarto e quinto
princípios da mente consuetudinariamente relativa à chama da alma-
pássaro72. Tal é este fenômeno, algo deveras intrigante, porquanto toda
forma astral se estabelece em tão arrazoada sutileza que quaisquer veículos
de transportação que a assinalem no Iao (como os caldeus diriam), podem
diretamente influir em seu material divino. As alusões a esta ocorrência do
cosmos no Livro dos Mortos ao Tiaou são indiscretas e mui elucidativas;
tais referências, socioculturamente falando, podem ser derivadas da
sabedoria dos Chitra-Sikhandinas da quarta raça, viz., a Atlântida ou Mo-
Uru. É dito no Dankmoe que a integração de Osíris à geração essencial da
concepção da magnitude celícola ou terrestre é suscitada no
Conhecimento Oculto por ele próprio engendrado. Sr. Seldem no-lo
ratifica73:

72
Eis, pois, o formato não-predatório do Buda da iniciação, nas criptas mais reveladoras
do círculo do Buddhahood, donde é promanada a Gênesis primeva das leis do Gupta
Vidya.
73
Vede De Diis Syris

67
"Utcumque autem, non sine singulari & ob hanc rem imprimis admirada Dei
Opt. Max. providentia.".

A entidade sobrevivente da biogênese planetária formou com caráter


elohístico, a todas as raças humanas e espécies da terra. No tocante às raças
humanas, dir-vos-ei que estas possuem uma fonte original, donde surgiu a
seminal procriação de todas as suas etnias e nações, sendo a condição
suprema de cada prole, variada a cada humanidade, agrupada então em
ciclos septenários. Com clareza, por exemplo, Baily, numa carta dirigida a
Voltaire, após extensa pesquisa, diz que o conhecimento das artes e das
ciências mundialmente considerado (da Raça Ária), em preposição
genérica, derivaram da Tartária, a qual, por sua vez, provinha da Atlântida,
ou a Raça Atlante. No mesmo diapasão, assegura-se que tanto os tártaros,
quando os hindus e os árabes, étnica e biologicamente, originaram-se de
uma fonte ancestral compartilhada 74. Pressupõe-se, pois, que seja uma
mistura dhyiânica entre as emanações vitais e raciais tanto da Terceira
Raça (Lemúria) quanto da Quarta Raça (Atlântida). Destarte, gera-se todo
o nosso dispositivo mnemônico geosófico ou a própria consciência de
Bhumi ou Prithivi.

A ideação cósmica constitui-se por inúmeras facetas da Substância


Absoluta, sendo a mesma, o Alfa e o Ômega, cuja morfologia é soída a
endereçar-se para as seletas regiões do substrato da Verdade Eterna. Em
matéria um tanto mais metafísica, especula-se sobejamente acerca dos
mistérios da sabedoria das eras, por mais caricatas que possam parecer suas
estremes intenções! Contudo, ao manejar este assunto com percuciência,
as asas idealistas aparadas pelos produtos da liberdade de pensamento,
invariavelmente, deverão surtir o temperamento da gnose oculta tanto da
coletividade quanto da individualidade. Cultuara-se na Quarta Raça

74
Asiatic Researches , pp. 23-24

68
inicial, o Espírito da manifestação dos mistérios e tal liturgia manteve-se
até os dias prósperos dos Helenos. As carruagens simbólicas, avistadas nas
constelações imagéticas do pensamento oculto, são estruturadas pelos mais
variados gêneros de fenomenologias manvatáricas coevas e co-eternas.
Desde a moção molecular até os passos perniciosos ou santos do Homem,
existe uma diferenciação mui expressiva; vo-lo saliento a fim de que possais
estabelecer em vossas próprias mentes o conceito de que Fohat, i.e. a
Energia Cósmica, é sustentado por um processo transcendental de
veiculação praláyica com os espelhos do Gupta Vidya, cujo funcionamento
é deveras incompreensível para a Consciência Física Humana. Destarte, é
necessário entender que a heterogeneidade do Prakriti, conforme os graus
de visualização dos planos de percepção, é consuetudinariamente definida
pelos prótilos substanciais da complexa natureza do estado pré-Material. O
plano da consciência metafísica coopera com os númenos das faculdades
perceptivas, numa industriosa intuição das realidades concretas e
experimentáveis das Entidades que, então, residem no agregado septenário
do Eu subjetivo-objetivo.75

A consciência pura, como escopo e meio de vivência, é desconhecida para


nós, vulgos e meros mortais, deste Mundo tridimensional. São barreiras
que temos de superar conforme nos aproximamos do mais alto Dhyan
Chohan, resguardado em silêncio e mágica sageza no Prabrahman, como
os vedantinos no-lo definiriam. Nada obstante, não deixemos com que o
Princípio Incognoscível degrada este fenômeno per se; daí, segue-se a pré-
diferenciação do substrato cosmogônico da susbtância primeva, o "arché"
dos pré-socráticos e a "prima materia" ou "hyle" dos alquimistas, na qual
se delineia, porventura, o Mahat cíclico e procedente da conjunção
vinculativa de Theos-Kosmos-Caos; a fuga ilusória do Proteus, bem como
a profanação de Ichthus, devem, pois, ser extirpadas do Atma humano. Os
Puranas indianos e o Livro dos Mortos egípcio falam da emanação do Éter

75
O Manas é o fundamento desta condição intelectiva. A Ideação Cósmica é, portanto, o
upadhi desta Mente-Consciência, em graus de manifestação sublimemente espirituais, os
quais são derivados dos estados hipnopômpicos da Entidade.

69
ou da gradação de sua geratriz "Pater Omnipotens Aether" nas balizas do
mito enigmático da "Substância Indivisível", ou άηοκο. As injunções sobre
os estados regidos por "absque forma et figura" sempre resultam numa
indicação sobre a eternidade sintética do Akasha no tocante ao Éter.
Locupleta Pselo76:

""Παζα γαρ ε κεηαβεηητε θηλεζεης, ταλ αζοκαηολ εζηηλ οσζηολ ελεργεηα,


ζσλεγεσγκελολ ετεη ηολ θρολολ ασηε, θαί γάρ ή υζτέ κεηαβαηητος ηούζ οροσ
λοέη (...), θαη εζηηλ ασηε εθ ηολ γελολ ηοσ οληος ζσγτεηκέλε, ούζίας, ηασηοσ,
ζαηεροσ.".

Encontra, ó, Lanoo, o protótipo das Ideias Universais nas Ordenanças do


Manu Vaivasvata. Eu to evidencio, leitor, como caráter essencial de
remoção do Espírito seminal das Trevas. Logo, surgem as porções não-
manifestas e manifestas do Ovo Primordial no Local Perpétuo ou o
Firmamento, viz., "os ornatos do céu"77. O Atmanah frutífero engendra, a
miúdo, a vontade eterna de Brahma, o que, para os Orientalistas e alguns
acadêmicos especializados, é simbolismo do Decano Unificado no qual,
purânica e cabalisticamente, se dividem seus ciclos de manifestação, cujo
númeno pode ser representado (ou seu Logos ilimitado e genuíno) por
ou 10. Assevera o Manusmriti:

"Que os grandes elementos entrem, juntamente com suas funções e a mente,


através das suas partes miúdas, e separem o criador de todos os seres.".

76
Vede Τνπ Ψειινπ Μηραει εἰο ηελ ςπρνγνληαλ ηνπ Πιαησλνο
12
77
Alusão a Gênesis 2.1.

70
O Criador, sabemos, é Atmamatrasu, interpolado numa ordem filosófica
de sentido e ação gerada pelo próprio Maha-Buddhi, no centro de todas as
cousas, cujo organismo é provido por imensurável esplendor criativo. As
Criaturas não possuem essas propriedades; elas podem se conectar e se
designarem como seres mui propínquos do Todo-Poderoso Criador, mas,
jamais, efetivamente, igualar-se a ele; conseguintemente, Dele, devem ser
separadas. Corrobora, então, o Vishnu Smriti:

"A noite em que Brahman terminou, e o Deus brotou do lótus (Brahman), tendo
acordado de seu sono, Vishnu se propondo a criar seres vivos e percebendo a
terra coberta de água. Assumiu a forma de um javali, deliciando-se dum esporte
na água, como no início de cada Kalpa, e levantou a terra (da água). Seus pés
eram os Vedas; suas presas as estacas de sacrifício; em seus dentes estavam as
ofertas; sua boca era a pira; sua língua era o fogo; seus cabelos eram a grama do
sacrifício; os textos sagrados eram sua cabeça; e ele era (dotado do poder
milagroso de) um grande asceta. Seus olhos eram dia e noite; ele era de natureza
sobre-humana; seus ouvidos eram os dois feixes de grama Kura (para os ishtis, ou
sacrifícios menores, e para oferendas de animais); seus brincos eram as
extremidades daqueles maços de grama Kura (usados para limpar a concha e
outros instrumentos de sacrifício); o nariz (o recipiente que contém) a manteiga
clarificada; seu focinho era a concha das oblações; sua voz era semelhante ao som
do canto do Sama-veda; e ele era de tamanho enorme.".

Lançando-se da honra precípua de Protologoi, a licenciosa Dionísia se


estabelece e se arca. Portanto, esta mesma pode exercer funções
desconhecidas do Eixo Cultor da Falsa Deidade, exceto para aquele da
Verdadeira; até mesmo os Vallabacharyas de Mumbai e os magos inefáveis
da egrégora da deusa Inanna ou de similares produções ítifálicas agem de
maneira equivocada quanto a este ponto. No entanto, vo-lo tão-somente
enfatizo para que fixais em mente que nem todo o mago é, de fato, um
invocador dos númenos da Natureza dos Tanmantras; por vezes, ele pode

71
agir em oposição a estes, gerando a Desarmonia Universal como efeito
primaz.

72
§11.

O culto impetrado deveras tem um gênero de fé e devoção que não se


aproxima dos atos mais amansados e subjugados; pelo contrário, tem o
tipo de comportamento de consagração mais agitado e arrebatado. Os
sequazes de Beelsephon acostumaram-se a estabelecer seus locais de
adoração perto de taludes, praticando nestas sortilégios em sublimados
motins. Este é um modelo de como os idólatras entusiasmam-se e
espicaçam-se em seus ritos e solenidades epifânicas. Assim, deve-se dizer
que seu comportamento consiste, basicamente, em emoções impulsionadas
e pensamentos velozes e aguilhoados, geralmente produzidos em facetas
metafísicas da consciência. Tartária, o império mais rico que Estrabão já
relatara, tinha, na região ocidental, algumas pessoas pagãs que assolavam a
Polônia; a idolatria das pessoas com efeito, qualquer que seja a lealdade
desta vasta pátria à questão de Deus, levou as nações à sua destruição
moral e espiritual, e a história está aqui para no-lo provar.

Sr. Duret78 afirma que a idolatria, configurada em sacrifício e supérflua


sinceridade religiosa, exceto para os egípcios e caldeus iniciados, é um
indício terrível de injustiça, dogmatismo e fanatismo. Portanto, como os
sagans hebreus aconselharam com perspicácia astuta a seus sumos
sacerdotes, devemos abnegar essas performances idólatras hediondas e
repugnantes se quisermos ser realmente purificados e conectados à
natureza sagrada do universo.

O Sr. Vallencey79 nos oferece um exemplo da China, onde o culto a Fo foi


introduzido em troca de outros deuses e semideuses. Suas superstições

78
Vede Discours de la Verité des Causes et des Effects des Decadences
79
Vede De Rebus Hibernicis ii, p. 132

73
tenazes nos fazem ver que os Saceswaras80 do mundo e seus elevados
deveres falharam inteiramente; a humanidade permanece ignorante, muito
desventurada, briguenta e desprovida de consciência espiritual e divina.
(Vós, devotos maçantes, sois diretamente responsáveis por esse caos.) Além
disso, as posições contraditórias e fingidas dos idólatras são explicadas de
forma concisa pelo Sr. Tod81:

"In the struggle for empire amongst the sons of Shah Jehan, consequent upon
this illness, the importance of the Rajpoot princes and the fidelity we have often
had occasion to depict, were exhibited in the strongest light. While Raja Jey Sing
was commanded to oppose prince Shuja, who advanced from his viceroyalty of
Bengal, Jeswunt was entrusted with means to quash the designs of Arungzéb,
then commanding in the south, who had long cloaked, under the garb of
hypocrisy and religion, views upon the empire.".

Os sistemas de comportamento e conduta dos idólatras são muitas vezes


concebidos em formas desenfreadas e intemperantes de atos; eles não têm
uma mente de ideias amplas, avançadas, cultivadas e tolerantes; eles são o
oposto disso. Georgius mostra-no-lo abundantemente nas venerações
oraculares romanas, persas e gregas, nas quais havia imolações e rituais
estranhos82. A lealdade e devoção aos dogmas efetivamente superestimados
não são apenas perigosos, mas também são agentes aniquiladores dos
arcanos da sabedoria. A polaridade do verbum e da sapientia em

80
Estes são os profetas, os homens divinos e místicos que vêm à Terra para resgatar as
almas fracas para torná-las despertadas, embora sejam convocadas seletivamente para
cumprir esta missão; além disso, são dotados de uma consciência cósmica onisciente,
completa e consumada. Esse predicado, assim, os caracteriza.
81
Antiquities of Rajasthan ii, p. 48
82
Acropolitae Chronicon -2

74
Parashakti, bem como o mistério do significado sagrado entre o ‫( כמ‬kme)
e o Kama-Deva, são todos ignorados pelos idólatras. Assim, no sentido de
que a idolatria fora atenuada nos tempos primitivos e prototípicos, diz
Dupuis83:

"Mais le berceau de ce culte semble devoir être placé en Egypte; où les animaux

principe astrologique, sur lequel-


sacrés, dont la consécration caractérise la religion des Egyptiens; le culte du Bouc

même source. Aussi Manethon, dans ses dynasties Egyptiennes, fixe-t-il au même

l'origine de celui qui fut établi en honneur du Bouc à Mendés, Il attribue au


même Roi la consécration de ces animaux? dont les images unies, dans le même

reconditée donée à la Nature.".

Os cultos fálicos e mágicos são conhecidos pelos idólatras como algo


lucrativo e elegante para suas verdades e opiniões, porque, eles acreditam,
esses são os atributos pelos quais os sublimes ídolos podem transmitir sua
sabedoria cósmica e interagir com os seres sublunares. Não obstante,
sabemos: a cegueira não promove a iluminação, assim como o fanatismo
não amadurece a conexão com os seres mais elevados; pelo contrário, as
contradiz. Ratifica, em outra variedade de evidências impressionantes, o
Sr. Bochart84:

83
Religion Universelle
84
Vede Geographia Sacra

75
"Jam si probare contendam totam Bacchi fabulam ex eodem fonte manasse,
vidcbor actum agere post Belgarum par eximium, Heinsium dico & Voíssium,
viros íummos, qui eo argumento laborarunt tanto successum. Nobis tamen ne sit
nesas illorum vestigiis sic insistere, ut non pauca de nostro addamus. De veris
Bacchi natalibus fuit inter Veteres lis acerrima , tanto scilicet cive multis certatim
gloriantibus. In his Graeci fabulatores non alia de causa volunt Cadmum esse
Semeles & Bacchi patrem, quàm quia is Bacchi cultum ex Oriente allatum in
Graeciam prirnus invexit. De caetero Cadmo Bacchum esse multòantiquiorem
ipsi Graeci non
Baccharum fit mentio in epitaphio Nini, qui Cadmi aevum antecessit annis
minimum sexcentis. Et in Bacchis Euripidis ipse Cadmus id apertè significat,
cùm cultum illum Graecis ex antiquitate commcedat, & ex patrum traditione
tuetur.".

Os idólatras adulam a devassidão das palavras sagradas ao seu jargão


religioso e, portanto, exercem-na como um código iniciático em seus ritos
e atividades teístas. Por exemplo, no bacanal anteriormente afirmado, era
profusamente empregada a palavra Βοηρσς, que ultraja o lexema Buda,
que significa Sabedoria Alta ou Suprema. Heeren85 afirma que a adoração
de Amon era agnata aos deuses olímpicos da Grécia; além disso, ele afirma
que Amon era o deus oráculo original da África. Eu uno as alegações do
Sr. Heeren às minhas, que relatam que a religião egípcia gerou a grega e
que elas tinham uma fonte idêntica e homóloga: a Atlântida.

As divindades são invocadas, de acordo com o que os idólatras alegam,


através da fé não mitigada e da consagração do dogma. O ponto de vista
da natureza universal, apoiado pelos bajuladores e apoiadores da idolatria,
é sempre forçado e histriônico e, além disso, valioso de uma louvação
absurda, embelezada e bordada, abundante em roupas e aparatos ridículos
e extravagantes, apenas para reverência às divindades exaltadas. Os
Avatares, ou as forças de renovação de Tur, o Pai, porventura poderiam

85
Historical Researches ii, p. 209

76
desviar os idólatras e atestar: "Vós todos estais invocando a mais grosseira e
obscena blasfêmia que existe!". Citando Diodoro, o Sr. Rocher 86 examina
meticulosamente o culto a Sabacon, devido à sua piedade impressionante,
como uma divindade, especialmente em virtude de suas boas obras na vila
de Bubaste, onde havia um templo dedicado a ele e os registros mais
memoráveis de suas ações; por que isso acontece? É, então, explicado com
cautela confiável no primeiro trecho deste parágrafo. Nas explicações até
agora esboçadas, diremos que as manifestações cerimoniais dos idólatras
são frequentemente processadas pelas suposta vigilância e maravilha
natural das ofertas de seus ídolos; analogamente, eles presumem
erroneamente que a manifestação de sua Palavra é a única digna de mérito.

Para cristãos e judeus, prefiro afirmar impetuosamente que Noé é de fato


observado e destrinchado no Nannacus dos Frígios, que, segundo o
próprio Sudas, disse a ele que havia pressagiado o dilúvio e, com isso, ele
conduziu seu povo a um sagrado e secreto refúgio, uma vez que a idolatria
de Sibilas tinha como princípio cultuar o Monte Il-Avarata, na própria
Frígia. O mito e a idolatria correspondente são realmente universais, como
até agora evidenciado.

86
Vede Histoire Véritable

77
§12.

A piedade e o conhecimento são cultivados de maneira sucinta na tríade


"Kwan-Shan-Yin", numa teologia referta de simbolismos do Logos, no
qual Shakti, ou Energia, alegoriza a forma oculta e suprema do
Avalokiteshwara, cujo processo os seguidores e comentaristas dos Vedas,
como, v.g., Madhidara e Sayana, chamariam de Daiviprakriti. As célicas
abadias, efetivamente, engendram doravante aos acontecimentos
supracitados, um som melodioso e paradisíaco ou uma voz divina, i.e., o
próprio Silêncio; outrossim, o grandioso Vach forma, abstrata e
conceitualmente, uma espécie de hierarquia teogônica enquanto manifesta
os seres no Cosmos. Os Kerhebs, ao escreverem seus textos ritualístico-
religiosos, quiçá, recebessem inspiração das potências adjacentes ao Vach.
Os pantáculos de Enchridion, mais especificamente, o Laburum, advindo
da Cabala, o grande Monograma mágico, é um receptáculo excelente para
a liberação do Fohat ou dos princípios cósmicos supramencionados. Por
conseguinte, analogamente, Adam Kadmon e Bath-Kol não são somente
complementares, senão forem os mesmos o Par Perfeito ou a União e a
Razão da existência do Cosmos; ei-la, pois, como o almo e o sustento de
todas as obras criadas e suas criaturas. Eu, então, vo-los realço em
detrimento das blasfêmias contra os magos Lapland (por exemplo), os
quais dominaram o Logos e tornaram-se, subsequentemente, matrizes de
Adi Budas; Scheffer descreveu-os com acuidade em sua "Lapponia".

Os anjos da escuridão, os geradores espirituais das hierarquias planetárias e


os seres sobrenaturais desempenhando papéis dhyânicos, denominamos
Lhas. Os espíritos guardiões deste Globo são, com efeito, encadeamentos
subordinativos dos ciclos septenários dos Gênios Célicos ou Terrenos lhes
inerentes. Este Kyriel de deuses, mesclado com os mistérios solares de
Demiurgo, porventura, no-los elucide de uma maneira que satisfaça as

78
condições de interpretação aspectual da metafísica e da autoridade infalível
dos Lhas nos quais estão incutidos. Todos eles tampouco passaram pelo
sofrimento dos Sanjoyanas, i.e., os obstáculos da Iluminação da
Consciência Cósmica; por assim dizer, faço a asserção de que a substância
fibrosa que determina as potencialidades místicas de cada um está
internamente localizada na exaltação da Sabedoria Oculta nela
comissionada. É, claramente, um simbolismo mui importante para este
gênero de alegoria esotérica.

Os supervisores divinais que modelaram o Espírito Terrenal serviram-se de


germe para a Árvore Ástrea ou a Astrolatria in ipso. Os Kosmoscratores,
bem como a situação favorável do fogo para a pasta candente e oleenta ser
causticada, são as matrizes sumas dos arcanos de Christos dos arianos, dos
egípcios, dos herméticos, dos caldeus, e inclusive dos judeus. O cinturão
energético difuso, desde a cosmogênese, dos Bne' Alhim, evidencia, sem
sombra de dúvida, que, desde Soma e Sin até Ísis e Diana, existe uma
intercambiável referência poderosa e invisível da Lua sobre a Terra,
sustentada pelos avançados materiais dos Kumaras de vários sistemas
galácticos, sobretudo, do Sistema Solar, v.g., Brihaspati e civilizações
planetárias próximas da Via Láctea. É, sob um ponto de vista da antiga
cosmogonia, algo de extensiva alusão ao fundamento reitor do Logos, com
ativa e objetiva potência, sempre direcionando as hierarquias universais.
No-lo condensa Sr. Fioravanti no contexto alquímico 87:

"Et si alcuno intendere gli occulti secreti di tal'arte (alchimia), potrá vedere il
compendio di secreti (Gupta Vidya o Kumaras), dove ha rivelatto totto
(Logos)."88

87
Dello Specchio di Scientia Universale
88
Os grifos são do próprio autor, para facilitar as associações das ideias e o entendimento
do leitor.

79
O Logos, efetivamente, é o ápice do triângulo pitagórico em todos os seus
polos de mensurabilidade. É o tríplice raio do Mulaprakriti, manifestado,
principalmente, nos númenos sublimes e parabrâhmicos, a despertar os
poderes ocultos do Homem, do Tetragrammaton, o supra-cônscio
pensamento da Substância Primordial.

Os Sete Elementos, durante o Mahapralaya, são circunscritos numa esfera


de análoga e peremptória renovação, a partir do momento em que são
examinadas pelas supremas sentenças das Ciências Ocultas. Estamos,
agora, na segunda metade da Quarta Ronda, i.e., a mais densa e física;
enfatizado isso, deveremos diferenciar a Alma do Mundo da Super-Alma,
a qual, por sua vez, se apresenta como a Neblina de Fogo Cósmica.
Sobremais, teremos o Jivatma associado às propriedades nirvânicas do
endereçamento da atividade das Forças do Universo, que são
indecomponíveis e plenamente garantidas. Através das sombras dos ciclos
de vida e da latência elemental das Divinas Antiguidades,
compreenderemos, pois, que Akasha é luminoso até mesmo no reino da
negatividade; assim, dever-se-á enunciar que, de fato, volvam ao seu plano
original, as manifestações, quando potencializadas as suas características de
limiar equiparadas ao prísitino fluxo destinatório e manvatárico do Fohat
sui generis. No-lo assevera Timeu de Lócrida89:

"Γσο φλ αηδε αρταη ελαληίας. αλ ηε κσ εηδο ιογολ ετεη αρρελος ηε αδοζ α δ΄


σια, ζειεος ηε θαη καηευοζ. ηεηδα δε εη ηα θα δαηηολ εργολα.".

A imaculada e arcaica acumulação de penetrantes


processos metafísicos que designam, num andaime de alumiosos
ancenúbios, a eternidade e o re-despertamento crebro da bulida Energia
emanada do Verbo Universal, é, pois, o perficiente disco do espaço eterno

89
Da Alma do Mundo

80
relativo à periodicidade sem lindes do Pralaya. Nos mitos hieráticos persas,
temos o relato duma árvore dupla sendo, conforme o Bundahesh nos
evidencia, a sacra provedora da bebida da imortalidade (haoma) e do
conhecimento espiritual, invariavelmente atiçados ao seu ápice. As
configurações de grandeza preternatural, firmadas em onipotente
Natureza, são examinadas com percuciência pela magia, a qual, por meio
de extramundanas e supra-cônscias faculdades, desvela os segredos e os
prodígios de seus arcanos incutidos, claramente, na ciência iniciática e
incognoscível, por canais sencientes, do divinorum interpres et cultor. Eis,
então, a ordenada dimensão do pensamento manvatárico que assentou
todas as antigas, presentes e, até mesmo, porvindouras distribuições
ideacionais cosmogônicas e teogônicas; assim, analogamente, nos Eddas,
observamos o deus Iddhun a guardar as maçãs da imortalidade, ao passo
que na árvore cósmica de Yggadrasil, encontramos o símbolo central,
ascendendo antes da fonte de Mimir, onde contém os princípios de todas
as sabedorias. Orfeu dizia que tais mecanismos ocultos eram uma espécie
paradigmática do Cultus Dei, no qual, esotericamente, fazia-se a genuína
reverência divina e, exotericamente, fazia-se uma replicação dela e de seus
atributos soberanos.
A vida primeva, eterna e invisível está sucinta em sua própria unicidade;
logo, suas manifestações regulares hão de provir dos reinos obscuros e
enigmáticos do Não-Ser, malgrado isto possa parecer, in abstracto, algo
antitético; a Consciência absoluta é, ainda, a inconsciência; inconcebível,
ei-la como a auto-existente realidade do Eu; por conseguinte, todo o caos
tem senso e contrassenso e todo o cosmos tem razão e intuição. A
propriedade absoluta lhes intrínseca, consoante o movimento eterno e
incessante da Natureza, é, em linguagem mística, o "Grande Sopro", i.e., o
fluxo perpétuo do universo, se considerarmos o Espaço como ilimitado e
sempre a presenciar seus eventos. O que é imoto, com efeito, não se
enquadra, em alguma hipótese, nas características estremes da Divindade.
Vo-lo realço para que tenhais em mente que não há nada de factual e real
integralmente inerte dentro da normatividade constitutiva da Alma
Universal. A simbologia dessas concepções, por sinal, mui raciocinativas,

81
podem ser presentadas, hermeticamente, de acordo com os ditames
filosóficos de Bernardo de Treviso, no símbolo do dragão "Ouroboros", o
qual exprime o Todo. Ele personifica Mercúrio, ou o primordial
fundamento do Opus alquímico, equânime a Água da Vida, que concede
a ressurreição aos mortos e iluminados filhos de Hermes ou, ainda, pode
traduzir a insígnia alegórica da "Dama dos Filósofos". Outrossim, ei-la
capaz de retratar o Dragão, viz., o poder dissolvente ou que mata. Prof.
Malaq no-los propôs:

"Labia Sacerdotis costediunt scieriam, et legem exquirunt de ore ipsius.".

As ciências ocultas, isto é, os arcanos do testemunho e pensamento


divinos, encenam a contemplação dos númenos e fenômenos que não são
de comum percebimento do vulgo; de fato, como julga-se a miúdo, não
existe magia natural, tampouco magia sobrenatural; a magia é a invocação
das sensações pertinentes ao respiro criativo da Natureza Cósmica, que
abrange tanto os desencarnados quanto os encarnados e, assim, sê-lo-á.

A miríada encontrada dos pontos de vista cabalistas confessa-se


instruídos pelos vãos e amadores estudantes esotéricos da Cabala, que
sequer possuem consistência na própria adquisição dos ensinamentos,
deverá ser assaz vária e ambivalente nas inferências sintéticas daí
postuladas. A verdadeira marca do Zohar reside, incondicionalmente, nos
amplos ditames da preciosa ciência exata neste ensaiados. Filalethes,
Thomas Browne, Robert Fludd, Arthur Dee, Della Porta, Paracelso,
Agrippa, Reuchlin, Trithemius e &c. viam o uníssono da Cabala com a
tradição original do Judaísmo como um verdadeiro poço de Sabedoria
Oculta e Universal; jurava-se, doravante, que sob esta fonte que poder-se-
ia guardar o conhecimento secreto acerca dos mistérios da Natureza e
relevantes inclinações metafísicas e divinas. O Zohar consiste,
basicamente, em apresentar-nos um compêndio vastíssimo de léxico

82
esotérico sinonímico relativo a todos os arcanos dos evangelhos cristãos;
enquanto isso, o Sepher Yetzirah é a luz que brilha em todas as trevas e o
recipiente das chaves para abrir todos os segredos da ordenação e do
pensamento cósmicos. Tal linguagem mística, tão-somente contemptada
pelos renomados ocultistas do Século das Luzes, era copiosamente
empregada pelos alquimistas, para protegerem-se das ameaças da
Inquisição, distinta, por conseguinte, do idioma iniciático dos Adeptos
pagãos, o qual os alquimistas traduziram novamente e revelaram da mesma
forma. Em outras vias de explicação deste mesmo númeno, v.g., temos a
fabricação de um copo de vidro que foi trazido por um exilado a Roma
durante o reinado de Tibério, um copo o qual, segundo os mais célebres
historiadores, "foi atirado sobre a calçada de mármore e não foi esmagado
nem quebrado pela queda" e que, de fato, era facilmente moldado
novamente com um martelo, é um evento histórico. Caso se duvide agora,
é apenas porque os homens da modernidade da Quarta Revolução
Industrial não conseguem, em hipótese alguma, reproduzir semelhante
prodígio preternatural. E, sem embargo, em Samarcanda e em algumas
abadias do Tibete, tais xícaras e utensílios de vidro podem ser encontrados
até hoje; antes, há pessoas que afirmam que podem fazer o mesmo em
virtude de seu conhecimento do alkahest - o solvente universal.

Os antigos, bem como os homens modernos, possuíam uma forma


peculiar de desejar bem-aventurança a outrem, imprimindo, pois, o
conceito de perpetuam felititatem; sem embargo disso, os festivais cristãos
que temos hoje são, na verdade, azougadas cópias das celebrações pagãs
orgíacas e idólatras. No-las afirma Sr. Fauchet90:

"Taint de fiance auoyent auex lieux Saincts les gens de ce temps la, & ne
pouuoient ſitoſt oublier le ſoulagement qui leur ſembloit venir des oracles des
Dieux, pour la conſolation des affligez, ou l'aſſeurance des entrepreneurs de

90
Vede Les Antiquitez Gauloises et Françoises

83
quelque grand affaire: ce qui teſmoigne en partie , comme nos premiers
Chreſtiens approprioyent le Paganiſme au Chriſtianiſme: car il eſt certain que les
anciens Payens ont vſé des ſorts tirez des liures d'Homere & de Vir quand ils
vouloyent ſçauoir les choſesauenir : & un article du Concile d'Affrique,
deffendant les ſorts diuins, ſe peut entendre des liures du nouveau Teſtament.".

Prossegue, no mesmo raciocínio, Polydore Vergil91:

"For the xvij. yeare before the arrivall of the Englishe Saxons, the Pelagien heresie
as a festering canker hadde crepte throwghe the Ilonde, which bie tyrannie of the
Romaine Emperours was confirmed emonge Christians, to the greate
endamaginge of the true Christian secte.".

O festival de Martinmas foi uma imitação exata da festa dos romanos e os


gregos chamavam-no Pitegie, que significa a abertura dos barris de vinho,
que atualmente é praticada pelos cristãos. Daí, seguir-se-á a asserção de
Barônio92:

"In eodem sensu etiamaccipienda sunt verba Tertulliani libro decoronamilicis,


dumait: Chrirtianum hominem milicia? Asscriptum eadem pro Chrsti nomine
(...) quar (inquit) fides Pagana condixit : ac si dicerct: istiani hominis militantis
cum illa quod fuerat ibi prescripta; cum adhuc Paganus nondum inter «(...) eßfet
adniimeratus. (...) Nec enim deliicorum impunitatem, martyriorum
immunitatem militia promittit. Et paulé psft: Apud hunc (Chriftum feilicet) (...)
miles eft Paganus fidelis; quàm Paganus est miles infidel is, &c. quz verba male à
Rhenanoeí Teinterpretata, quisque facile intelliget: miramurque Pamelium virum

91
Vede English History p. 118
92
Vede Martyriologium Romanum

84
eruditum eum (...) secutummullo enim pació Paganus illic pro Ethnico, sed pro
eo tantum (...), quodautem Pagani portea appellati sunt & huiusmodi non sunt
Chriftiani, sed Gentiles: non quidem antiqua, sed recens fuit eayocis significatio:
quar licet reperiatur in eo sensu posita in nonnullis vitisfanorum martyrum;
tamen non ex illorum Aöis olim conferiptis, fed ab iis qui poftmodum eadem
paraphrasticèdescripferunt (...) usurpatum scias, utapparethicin Metrano,
dequohac dieagiturin Martyrologiis (...).".

Os alquimistas, sob alegoria simbólica, nos ofereceram a chave para o


entendimento absoluto de seus escritos; todavia, os mistérios lhe inerentes
incrustaram-se em enigmas ainda mais arrebatadores a respeito do mesmo
fenômeno. O Kahalak, sob a influência da nada judiciosa dogmatologia
cristã, foi interpretado com uma máscara teológica que distorceu
completamente seus autênticos ensinamentos místicos; sob a cristologia
coagida, pois, é simples que qualquer esotérico entre nossos modernos
propagadores do movimento da Nova Era e do espiritismo renovado à luz
da consciensciologia, interprete esta gnosiologia arcana à sua maneira. O
dogma cristão místico é o turbilhão central que envolve todos os antigos
símbolos pagãos; o gênero de cristianismo que se opõe com veemência aos
trabalhos iniciáticos do primitivo gnosticismo é a nova réplica do
alambique alquimista; consequentemente, toda aquela representação da
poderosa barba do Macroprosopos menciona, na verdade, somente a
carreira terrenal de Jesus Cristo, não a sua ascensa ou espiritual; assim, far-
se-á notável que a Cabala mística é o suporte substancial dos arcanos da
Maçonaria. Contudo, o sistema maçônico hodierno é um reflexo sombrio
e aviltado da Maçonaria Oculta primitiva, i.e., os ensinamentos daqueles
maçons que restauraram em plenitude os mistérios dos templos de
iniciação antediluvianos e pré-históricos. Outrossim, voltando à questão
da Cabala, os legítimos Adeptos ratificam que a linguagem cabalística
instrui ao estudante, verdades universais e não um dogma religioso
repleto de proselitismo e catequização forçada, como no caso do
cristianismo atual.

85
§13.

Vishnu era louvado, mormente, pelo seu Zero-Ana, cujo simbolismo


jamais poderia ser tão-somente explanado ou evidenciado sobre a gloriosa
natureza da Deidade, tendo em mente em que a circunferência ilimitada
possui um ponto central que se associa com as regiões consideradas
"vórtices de energia do universo". A Deidade invisível é a unidade sintética
da sabedoria suprema dos setes Rishis, ou Dhyan-Chohans; daí, segue-se a
lei dhármica do Homem. A matriz dos chakras trans-himalaia é
representada por / / ; portanto, temos a revelação suprema,
em que os numerais 13514 e o seu respectivo anagrama 31415 estão
designados, que é . Eis, então, o significado oculto de
Dhyani-Budas, dos Gebers, dos Geborim, dos Kabeiri e dos Elohim, todos
significando "grandes homens", "Titãs", "Homens Celestiais "e, na Terra,"
os "gigantes".

Contanto que combinemos esta questão com a de antanho tratada,


falemos que lei do movimento vortical na matéria primordial é uma das
mais antigas concepções da filosofia grega, cujos primeiros sábios
históricos foram todos os iniciados nos mistérios. Os gregos o tinham dos
egípcios e o último dos caldeus, que haviam sido os alunos dos brâmanes
da escola esotérica. Leucipo e Demócrito de Abdera o aluno dos Magos
ensinaram que esse movimento giratório dos átomos e esferas surgiu da
eternidade. Hicetas, Heráclides, Ecfanto, Pitágoras e todos os seus alunos
ensinaram a rotação da terra; e Aryabhata da Índia, Aristarco, Seleuco e
Arquimedes calcularam sua revolução tão cientificamente quanto os
astrônomos agora. Todo esse conhecimento, se a justiça for feita apenas a
ele, é o eco da doutrina arcaica, a tentativa de explicar o que está sendo
feito agora. Como os homens dos últimos séculos chegaram às mesmas
ideias e conclusões que foram ensinadas no segredo da Adyta dezenas de
milênios atrás, é uma questão tratada separadamente. O progresso natural

86
da ciência física e observação independente; outros como Copérnico,
Swedenborg e alguns outros apesar de seu grande aprendizado, devido
ao seu conhecimento muito mais intuitivo do que as ideias adquiridas,
desenvolvidas da maneira usual por um curso de estudo.

Contudo, ainda, sabemos que pode ser difícil para a mente moderna
conceber a prioridade primitiva (pois é que em vez de supremacia no
sentido de Bachofen) da Mulher; a prioridade da filiação à instituição da
paternidade; do sobrinho para o filho do pai; e dos tipos de pensamento,
as leis e cerimônias deixadas como depósito de tais primitivos costumes.
Tais fatos, e outros igualmente importantes, são refletidos no espelho da
mitologia. A geratriz como Ta-
(ciclos do tempo), Mãe dos campos do
céu" e a "Mãe dos deuses e dos homens". A prioridade da geratriz como
produtora típica foi claramente demonstrada por Tesas-Neith, a Grande
Mãe, em Sais. Após essa enunciação da prioridade feminina, descobrimos
que Seb, o pai dos deuses, também é designado o "mais novo dos deuses".

Os deuses anteriores, Sut (ou Sevekh), Shu, Isso e o primeiro Hórus, eram
filhos da mãe sozinhos. Eles foram criados antes de qualquer pai no céu,
não havendo paternidade ainda individualizada na terra. Tanto na terra
como no céu, o pai foi precedido pelos anciãos e pais totêmicos, os míticos
Pitris. O espelho kemitológico se nos permitem o neologismo nos
mostra que, quando a paternidade se tornou individualizada na família
humana, ela foi primeiro refletida por Seb como Deus. Seb, o Deus da
terra e do tempo planetário, que seguiu os deuses estelares anteriores,
divindades da lua e elementares, foi então denominado "Pai dos Deuses".
Quando a paternidade foi individualizada, foi aplicada retrospectivamente,
o que muitas vezes dá uma aparência falsa de início e descida do pai no
lugar da mãe. Mas a mitologia começa com o cálculo da fêmea, como no
sistema totêmico da mais antiga raça. Embora os hotentotes tenham
alcançado a paternidade individualizada e elevado o pai divino dos
próprios pais para o lugar supremo, mas suas línguas mostram que a raça,

87
clã ou tribo sempre foi chamada após a mãe, nunca depois do pai. Assim,
os Namas, Amas, Khaxas, e Gaminus têm todo e qualquer terminal
feminino como sua denominação. O viés na linha feminina foi universal
nos primeiros tempos e a condição mais arcaica da sociedade; os gens ou
parentes sendo compostos de um ancestral feminino e seus filhos. A
paternidade é desconhecida do grupo primário, e esse status da família
humana originou a figura da Grande Mãe e seus filhos nos céus. Também
em certos relatos chineses dos fundadores de dinastias nos tempos mais
antigos, muito antes de 2000 a.C., eles eram invariavelmente nascido do
pai. Uma empregada, ou a Mãe Virgem, sonhou que ela abraçou o sol.
Outro sonho que de repente ela sentiu um vento forte na forma de um
ovo. Então a Virgem Mãe, tipificada pelo abutre, Mu (Lemúria; por
exemplo), é impregnada pelo vento sozinho sem o macho. A tradição dizia
que o primeiro rei do norte de Gaoli tinha uma escrava criada que estava
grávida. O rei desejou a morte do menino que nasceu, mas a mãe disse que
ela o havia concebido por uma influência que veio sobre ela, e que ela
sentia como o ar, como se estivesse na forma de um ovo.

E, decerto, a missão de Jesus não poderia ter mais bem sido sucedida
tirante o fato de que no Oriente, o mundo já estava em constantes fluxos
de ascensão ou declínio. Entretanto, no século VI d.C., surge, então, o
profeta Maomé, trazendo um bocado profuso de paz para os elementos
dissonantes de sua época; não obstante os seus augúrios sagrados, Maomé
era tão suscetível ao fracasso quanto os homens comuns. A supressão de
certos equívocos de conduta na mente dos primeiros quatro califas, &c., se
as histórias introduzidas no segundo Alcorão foram empregadas para
atenuar algum vitupério sarraceno sob o exemplo maometano, deve ter
tido algum interesse na personagem reportada do próprio Maomé. Caso
atribuamos segundo Alcorão a alteração aspectual parcial de Maomé, ou a
quizília dos sarracenos posteriores, para justificar a conquista do mundo,
conseguintemente, pode ser que, em nacadas, houve um estado de paz e
segurança relativo das nações sobre o governo maometano. Não obstante,
nos parece, mesmo assim, que as terras pagas de Asthera e Zacal ao califa,

88
que era o único proprietário do solo, bem como Júlio César na sua
ditadura e o pontífice egípcio na época faraônica. Com a questão religiosa
associada, no-la convenciona Sr. Ockley93:

"Ziyad an swered angrily, that he knew he was indisposed as to his Religion,


Heart and Understanding, adding with an Oath that if he dared to raise any
Commotion, he should have an Eye over him. Another time when Ziyad was
making a Speech to the People, he stood so long that the Hour of Prayer was
come. Hejer, who was the strictest Man alive in all things belonging to the
exercise of his Religion, cryed out Salat, to Prayers: Ziyad took no notice of it,
but still went on with his Discourse. Hejer, searing lest; the time should be past,
began the Prayers in the Congregation himself, upon which Ziyad was forced to
break off, and come down and joyn with them. This Affront he never for gave,
looking upon it as a great Diminution of his Character, but wrote a long Letter
to Moawiyah, aggravating the Matter, and desiring that he might put him in
Irons, and fend him to him. This last Time Ziyad was forced to take a Journey
on purpose from Basorah to Cufah, upon Information that Hejer and the
Company had refused to acknowledge his Lieutenant there, and used to throw
Dust at him when he was in his Pulpit. This obliged Ziyad to come back. (...) He
should make but a very insignificant Figure in his Post if he suffered his
Authority to be thus set at nought and trampled upon, without making an
Example of Hejer.".

93
History of Saracens ii, pp. 104-105

89
§14.

Deve-se argumentar que nem todo gênero de análise empírica, em termos


diretos ou implícitos, é apodítico e com julgamento na inegável e
totalmente elucidada composição das ideias, uma vez que são as
integrações projetais de elementos empíricos que limitam a dimensão
espiritual e são cegas para a consciência humana e apenas encaram as
impressões como dados do conhecimento, o que é bastante enganador
quando analisamos a essência dos atributos universais e particulares de
cada ser ou objeto e resumimos a estrutura multimodal e complexa
cósmica na qual estão inseridos. A imprecisão das correntes empíricas da
filosofia reside no fato de considerar apenas as sensações e a tangibilidade
dos objetos como o instrumento suficiente para estabelecer uma ideia da
realidade do mundo. Qualquer sabedoria ou tradição antiga que seja
incrivelmente viva e estabelecida com base no mais alto conhecimento da
tradição humana, tanto espiritual quanto psicológica e fisicamente, inclui
o fenômeno associado às dimensões extrassensoriais e extraterrestres da
consciência. Estes são os termos totalmente explicativos, não abstratos,
verdadeiramente puros e totalmente estruturados, de acordo com o estado
mental cósmico ou os dados incondicionais do conhecimento, adequados
para todos os mecanismos perceptíveis de entendimento e são, aliás,
extremamente corretos e universalmente reconhecíveis. A transmissão de
ideias empíricas é completamente configurada em uma razão de
consciência não natural quando examinamos os objetivos essenciais de
toda pessoa na Terra que se reconhece através do eu interior e supremo,
observando os elementos axiomáticos e não axiomáticos da tese ou a
antinomia com relação à consciência de tudo o que existe e do que vai
existir; sobre isso, o corpo material e sem forma, se considerarmos do
ponto de vista divino dentro da fenomenologia volátil e conjuntiva dos
eventos naturais, torna-se universalmente eficaz, excitado (ou extático) e

90
alcança a orientação absoluta em torno do núcleo da consumação
organizacional e representativo dos elementos nas operações cósmicas e
fundamentos doutrinários, cujo advento denominou o grande filósofo
tântrico Abhinavagupta, o estado de Turiya.

O pensamento crítico da filosofia, baseado apenas na medição da


proporcionalidade e determinação mundanas, está errado não apenas do
ponto de vista da metodologia estratégica na demonstração de valores
formadores de opinião e arbitrários, mas também da discussão formal
sobre a qual está o posicionamento intelectual no raciocínio e na lógica no
que diz respeito à aproximação dos eventos ao predicado mais real e
intuitivo das ideias básicas, baseado em evidências. Portanto, deve-se dizer
que a avaliação, baseada na maneira como somos agregados
intelectualmente e envolvidos em questões de aquisição de conhecimento
através de canais metafísicos, é a correta para definir o que é razoável ou o
que está na diretiva experimental de toda a nossa consciência ao passo que
no-lo penetrou inadequadamente. Incluindo o eu divino ao não
reconhecimento de si mesmo. Nos termos filosóficos do Sr. Brentano,
encontramos os princípios do conhecimento desenvolvimental em
harmonia com as condições impressionantes e o significado e a sinalização
meramente dianoéticos do estabelecimento, que podem ser facilmente
desenvolvidos no decorrer de seu trabalho. Sem dúvida, não é viável em
conexão com intervenções de construção de conhecimento ou gêneros de
consolidação. É refutável que a base dianoética de todos não possa explicar
o mundo, se não uma pequena parte do que é matéria ou do substrato
físico. Não faz sentido evitar "tocar" no método único de percepção e
expressão para descrever o mundo nas áreas periféricas e centrais da
dimensionalidade. Empiristas ou racionalistas como Hume, Hartley,
Wolff, Karpe, Kant etc. nunca consideraram o princípio da circulação de
energia vital em todos os seres que programam e interagem nas seções
subjacentes das imortalidade espiritual e incorruptibilidade. Portanto, é
desnecessário dizer que seu cânone epistemológico científico e materialista
é impreciso e também enganoso.

91
A vontade, a dor, o desgosto, o disfarce e assim por diante são sentimentos
mais íntimos como emoções tangíveis. Se teorizar e realizar um
refinamento postulado apenas por meio da pesquisa psicológica
materialmente, verá não apenas um estímulo sem sentido e uma produção
demasiado idealista, mas uma apologia incoerente em todos os sentidos
que podem ser imaginados e aceitos, sejam lógicos, antitéticos ou
eroteáticos. A simetria das ideias é iluminada não apenas pelo fato de que
elas participam ativamente, mas também por seu estado extra-tático,
supersensível e metafísico do alcance e significado do signo composicional
sofístico. Não obstante o fato de que quando examinarmos a essência da
matéria, descobrirmos sua formação espiritual, a tornaremos prototípica,
não completa, mas em parte que a emanação do cosmos forma a unidade.
Em parte porque a unidade é realmente derivada da unidade; a emanação
do cosmos é na verdade a conclusão sistemática de habilidades cognitivas
que são relevantes para todos os seres criados. Essa é realmente a origem
do conhecimento projetivo e do escopo experimental e parapsíquico em
termos das variantes universais da manifestação ôntica na inteligência e
nos atos. Mesmo que alguns relutem em discordar, acredito que todo ser
ou não ser inevitavelmente tem uma peculiaridade sobrenatural, segundo a
qual os potenciais e o fio condutor devem ser acelerados, ampliados e
disseminados em abundância em todos os pontos de sua parametrização
no fundo real e na posição em que lhe é geralmente entendida.

Por exemplo, se comentarmos a epistemologia do Sutra de Avatamsaka,


podemos descobrir algumas ideias que dão a impressão de que, nos tempos
antigos, "um bilhão de luzes brilhantes eram emitidas das rodas no chão
dos pés dos reverenciados pelo mundo, iluminando os três mil mil
mundos e um bilhão de Jambudvipas, um bilhão de Purva-Videhas, um
bilhão de Apara-Godaniyas e um bilhão de Uttarakurus para nascer, um
bilhão de Bodhisattvas para sair de casa, um bilhão de como chegar à
iluminação certa, um bilhão de como chegar um para girar a roda do
Dharma e um bilhão chegando ao nirvana, um bilhão de sumeru, reis das
montanhas, um bilhão de céus dos quatro reis, um bilhão de céus de trinta

92
e três e um bilhão de céus de suyama" mas pode ser que a iluminação e os
poderes psíquicos do bilhão se expressem por Tathagathas ou, porventura,
diz-se que os Tathagathas são potencializados no pico mais alto de
consciência da realidade. Destacarei esse fato abrangente, que está sendo
avaliado desde o início deste capítulo. O Mahavaicorana Tantra enfatiza
ontológica e ontosoficamente que "a principal causa de entoar o Qi não é
apenas para os seres vivos, mas também para o despertar. Não há memória
para a piedade e há memória para as coisas vivas"; a transmissão do Qi
sempre leva a uma extraordinária liberação e ao manuseio completo da
essência divina do ser, e a despertar todos os movimentos e emissões
energéticos, sinergéticos e entelecéticos. Penso que os sinais e suas
atividades motoras são sempre determinados por um número de forças
endógenas e pneumatológicas. Portanto, deve-se afirmar que tudo o que é
dito na unidade, no simbolismo não-dual e na viabilidade categórica
natural da formação cognitiva deve não apenas conduzir a mente sempre
fluente, mas também a determinação gnosiológica da resolução da alma.
Posteriormente, deve-se dizer que, de acordo com quais aspectos o
Abhisamayalankara, a consciência da memória ou a realização estereótica
da aquisição metacognitiva e cognitiva, pode se perfazer, por exemplo,
através das práticas de Sravakas e Pratyeakabuddhas, "a ajuda (fornecida
pelo poder da perfeita sabedoria e habilidade), a ausência (nela) um prazer
(para todos os meus termos e para mim e para todos os outros Dharmas)"
é um dos fatores indispensáveis para reconhecer e aderir ao conhecimento
e interpretação dos principais indicadores cósmicos do Absoluto. Ó,
estudante, tu és tu mesmo, tat tvam asi.

Se apenas precisássemos de impressões e sensações para determinar a


classificação filosófica dos dados, não apenas deixaríamos de modelar
topologicamente nosso conhecimento em sua substância real de realização
espiritual, como também estimularíamos a definição das coisas que fluem
e a promoveriam mais naturalmente e no sentido curvo em harmonia com
o próprio divino. Tu fazes ao seu mentor algumas perguntas sobre os
limites do espaço sublime em seu desenvolvimento e expansão, além do

93
véu da matéria, e quando diz que está errado, pois não é confirmado
empiricamente, refuta-o imediatamente e dize que não há motivo para
explicar as questões mais abstratas e metafísicas que excedem nossa
compreensão carnal, intrínseca e física, como "O que sou", "O que é
Deus" e "De onde nós viemos"," Onde o homem e seu ser viverão de
acordo com o Cosmos", "Qual é a origem do Absoluto" e assim por
diante. Se usares isso, provavelmente o surpreenderás muito. Muitas
pessoas afirmam que têm experiência de vida porque viveram tantos anos e
experimentaram tantos eventos que aprenderam como é a vida. Então
pergunta a elas de onde vêm essas ocorrências. Por que tu és
recompensado com essas consequências? Por que eles deveriam suportar
todas essas experiências? Se eles não têm a resposta exata (porque é
impossível expandir e tornar perfeitas e supra-cônscias suas memórias
material e empiricamente), eles não têm, portanto, uma experiência válida
e bem fundamentada da própria vida ou da vida como um todo. Dize isso,
e elas serão estúpidas, obstinadas, orgulhosas e loucas, demonstrando sua
completa ignorância da vida e de si mesmos. Se o Sr. Meinong afirma que
os objetos perceptivos têm a não-condição a ser comprovada com base e a
condição imperativa a ser confirmada empiricamente, podemos ver que há
ignorância predominante ou mesmo inocência, no que concerne ao
enunciado que assegura que apenas as coisas ou objetos "científicos" do
conhecimento podem ser estipuladas como verdadeiras, apesar de serem
claramente reconhecidas pela putrefação, vulnerabilidade e perecibilidade
das sentenças e métodos sistêmicos da matéria. O método puramente
científico a posteriori ou o raciocínio empírico da filosofia, definido como
um mecanismo único para todos os tipos de conhecimento importantes
hoje em dia, devem ser obtidos desde suas raízes até seus agentes auxiliares.

Uma dialética ascética e perenialista, um método eletivo ou um método de


trabalho espiritualmente analítico é a doutrina certa para descobrir a
fenomenologia dos caracteres cósmicos componentes que podem ser
observados ou compreendidos em todo o mundo. Da mesma forma,
vamos assumir um certo objeto de conhecimento próximo de nossos

94
sentimentos, pelo qual podemos medir e delinear uma disquisição precisa
e inegável em relação a ele. Se eu analisar de acordo com os pontos de vista
sistêmicos acima mencionados, não apenas revelarei suas propriedades
visíveis e táteis, mas também suas propriedades psicológicas, diversas e
cósmicas e esotéricas unimodais ou especiais. Pelo que defini até agora,
direi que a maneira correta de praticar nossos talentos naturais está
centralizada na consciência interior do que somos e por que operamos no
nível terreno. Se descobrirmos esse fato tautologicamente,
desenvolveremos nossas fundações completa e perfeitamente. O
conhecimento empírico trata o homem como uma máquina, ou seja, um
dispositivo de fabricação que é definido com uma função específica e
executa uma tarefa específica para terceiros. Tu te vês assim ou tu te
consideras um ser espiritual destinado a alcançar a verdadeira sabedoria e
os valores corretos da consciência cósmica e cercado por uma vontade
ilimitada? Tu queres desenvolver tua alma ou desejas deixar tua vida
inteira seguindo ordens contra suas intenções honestas e úteis para tua
própria vida? Os empiristas, racionalistas, materialistas, cientistas, céticos e
outros filósofos e teóricos estúpidos e desconhecidos acreditam que tu és
um idiota condenado à carne, que não foi criado por impressões,
sentimentos e comandos de obediência, nem por ideias esotéricas nem por
boas ideias para o desenvolvimento da humanidade e também para
contribuir em prol duma posse clara do sublime e perfeito ornamento
cognitivo, que é fornecido pela natureza divina da estrutura
universalmente distribuída do Absoluto. Se houver uma resposta para os
políticos que veem o homem como um mero subordinado das proibições e
obrigações, e não para o ser supremo que ele é, enquadrando os planos
celestes nos quais ele é permeado e sempre se encaixa, eu faria dizem que
são as verdadeiras vítimas do caos, do caos acidental e do pandemônio,
cujo conteúdo atribuem ao mesmo estado da sociedade que eles mesmos
forçaram e se infiltraram desde o dilúvio de Ath-Men-Ptah.

Por exemplo, no Nihsvasatattvasamhita, podemos encontrar algumas


considerações esotéricas sobre a natureza humana energeticamente e

95
através do fluxo. O tantra é a chave para tudo o que podemos conhecer
como a parte mais interna da folha de lótus, ou seja, seu principal núcleo e
componente principal de funções, atributos, propriedades, habilidades e
propriedades da planta. No sistema Kalachakra, de acordo com o Tantra
Ṣaṭ-Cakra- ṇa, todas as direções do homem
essencial são consideradas. O divino, o próprio homem que procura a si
mesmo e alcança o Amithaba, escapa dos ciclos do Samsara e volta para
sempre ao céu em que esteve, permanece e sempre permanecerá. Por que
os materialistas não olham para os canais de energia humana? "Não está
cientificamente comprovado!", todos mo direis. No entretanto, prova
cientificamente, de acordo com tuas próprias ideias, que apenas importa é
a realidade do mundo, mas não só nas ciências naturais, como no
raciocínio indutivo e dedutivo, levando também em consideração as
identidades ontológicas. O que vós todos respondereis? Não há resposta
convencional. As mentiras teóricas e doutrinárias que os cientistas, os
céticos, os racionalistas etc. exercitaram no desenvolvimento do
conhecimento esotérico, arcano, interno, supremo, moral, compreensível e
emocional do ser humano o foram a flux. Nem Descartes, Malebranche,
Holbach ou La Mettrie (o pior) seriam capazes de instalar uma sabedoria
sólida e razoavelmente plausível para os graus espectrais astral, sutil e
etéreo (Eidolon) da consciência humana.

Vamos formar nossas ideias sobre o tópico muito mencionado, por


exemplo, com uma equação famosa, estabelecida por De Moivre:

| | )) | | ( ) ))

Matematicamente, como diz, pode explicar o estabelecimento de números


complexos usando os fundamentos trigonométricos. No entretanto, é
apropriado explicar as mesmas situações, mas não a mesma existência, em

96
outras dimensões? Ou não é uma forma de presunção resolver um
problema que só pode ser sugerido na realidade material e mensurável?
Imagina-te em uma colina cheia de bétulas e salgueiros, uma paisagem
paradisíaca. Com uma visualização detalhada e destacada, é primeiro e
depois importante descrever esse fenômeno com suposições matemáticas.
Normalmente tu dirias: "É impossível!" De fato, também é impraticável e
irrelevante expressar a ordem das coisas desde o início apenas por métodos
de expressão matemático-sintética ou, se apoditicamente garantido, a
posteriori como sine qua non ou um pré-requisito indispensável. Se tu não
imaginas a possibilidade de um cálculo numérico nos salgueiros e nas
bétulas, não se pode propor um sistema de equações diferenciais ou
integrais para explicar sua estrutura, pelo contrário, é impossível em
termos sensoriais ou extrassensoriais. A matemática pode explicar coisas
adequadas para quantificação. Agora, pergunto: "Todas as coisas podem
ser quantificadas por unidades padronizadas ou avaliadas por um
dispositivo matemático?". É muito claro que elas não podem. A partir
disso, devo concluir que a matemática, como um gênero cognitivo válido
de julgar ou estimar medidas, é uma mentira enorme e subjaz às
aparências.

O ensino inicial do conhecimento empírico é baseado na premissa falsa e


de fato inconsistente de que qualquer coisa que possa acontecer pode ser
classificada como permanente. Se desejas definir uma natureza real do
assunto, precisa analisar seu ciclo eterno, não mortal. Vossa mercê
procuraria um famoso sábio egípcio como Imothep ou Manetho, por suas
obras ou por seu discurso durante sua vida? Vossa mercê dirá: "O discurso
dele é impossível de dizer o que era. Naquela época, não havia
instrumento de gravação!". Para a ciência empírica, esse seria o discurso na
medida em que as obras são questionadas, porque não possuem a mesma
evidência metodológica que o aparato da tradição moderna atualmente.
Os cientistas são arrogantes e blasonadores apenas porque se consideram
apenas como determinismo da verdade, se consideram a única fonte da
realidade, se definem como a mente única, para medir o espaço e os

97
processos evolutivos do tempo conjugados com a realidade da história
humana. É ético, é certo? É epistemologicamente adequado? Vossa mercê
acha que existe uma visão para pensar, adivinhar e solucionar? Como
sabemos, a verdade é única, mas os meios são muitos. A diversidade e a
multimodalidade dos centros são de grande importância, pois apoiam a
descoberta de várias facetas em relação à verdade universal. A ciência olha
para uma das miríades de partes da verdade que são as mais vulneráveis e
deficientes a serem degradadas e cortadas porque a dinâmica material
requer apenas significado hipotético e a matéria não. Eles resistem à
multidimensionalidade ou a diversidade dos gêneros de conhecimento e à
verdadeira aparência da consciência cósmica, o que significa que as
impressões das coisas não podem ser pensadas universalmente, mas
pessoalmente. Existem várias ideias na ciência, mas apenas algumas são as
reais. Por causa dessa falta de veracidade, eles consideram o pensamento
dogmático em vez do pensamento de mente aberta e pluralista, porque
não querem perder tempo pensando, questionando, buscando
minuciosamente o núcleo dos objetos de percepção, material ou mental;
por causa dessa falta de consideração e atenção, eles preferem criar um
conhecimento convencional, corporativo e ortodoxo do que estudar todos
os existentes e derivar seu padrão comum ou fonte original com base em
seus pontos semelhantes de geração de reportagem e concepção. Em
seguida, o modo de pensar mais perigoso foi criado na humanidade: a
homogeneidade, ou a perversão da verdadeira natureza do conhecimento,
que é a revelação ilimitada da lei deste.

Em seus tratados, Hume distingue idéias de impressões. De fato, eles são


separados. No entretanto, ele diz que as impressões são os construtores e a
principal causa dos dados de conhecimento e as ideias são derivadas deles.
Vossa mercê deve ter em mente que esse conceito de Hume é totalmente
desonesto de qualquer ponto de vista realmente sábio. Impressões são
apenas sentimentos, não percepções. O fato de eu tocar, ver algo e concluir
a partir disso não necessariamente torna minha ilusão realidade. O
empirismo de Hume, bem como de Locke, Telesio e Bacon, é

98
completamente inconsequente, um non sequitur. Suas causas
preposicionais implicam necessariamente uma consequência do mesmo
tipo e da mesma faixa qualitativa. Vossa mercê deve saber que existe um
mal-entendido em todo sistema lógico, de Aristóteles e Ibn Sina a
Dharmakiti e Gotama. No entretanto, qualquer cientista ou professor de
filosofia é cego a esse fato irrefutável e apenas reproduz o que vê nos livros
que representam os mesmos erros e falácias de qualquer conhecimento
empírico contestado, não apenas o empirismo britânico e sistemas
semelhantes de pensamento. Nyayakusumanjali afirma: "O argumento
mais viável para provar a existência do princípio onisciente da estrutura
cósmica é que ele é harmoniosamente organizado tanto na idéia quanto na
orientação prática; agarramos para que notemos as autoridades nos
registros antigos, pode nos dar uma base tão lexical para a construção das
próprias premissas, conjuntiva ou abjuntiva, a partir da qual podemos
resumir todo o conhecimento sobre onisciência e seu significado realista
nas condições de existência sobrenatural ou mundana. a menos que
provemos a contração errônea da ordem e orientação de todos os corpos
ideias cristãs, judaicas e islâmicas de Deus
são míticas, fabulosas e imaginativas, e há muitas evidências para apoiar
essa afirmação a curto ou a longo prazo, apesar do fato de que existe uma
lei de um, um princípio onipresente, todas as coisas são derivados e vai
voltar. Tudo o que somos é um porque fomos criados através da
manifestação única que também irradia, molda e inventou toda a estrutura
cósmica.

A consciência de se libertar por dentro, e não por fora, é para as entidades


vivas do cosmos, o acesso ao mais alto grau de sabedoria. Será examinado,
como algo que deseja alcançar as condições acima da apreensão cognitiva
ou obter entendimento em enigma extramundano para deliberar sobre as
substâncias verdadeiras e substratais nas quais o mundo inteiro designa sua
estrutura monádica sem nenhuma explicação para a liberação de
informações relativas ao fenômeno. O Deus univocamente prodigioso
chama de discernimento do espírito essencial, mas, o vulnerável,

99
decomponível e corrupto fita-no-lo para a realidade, cresce fora das
condições e provocações refertas de sabedoria e inteligência, opostas ao
agente de desobstrução. Portanto, a aquisição de conhecimento representa
um pico, eterno e imortal, ou seja, a capacidade do poder supremo. No
entretanto, o Papiro Ipuwer, o Livro dos Mortos, Thoth, Pitágoras diziam
que os efeitos da moção universal parecem ter encontrado uma grandeza
hierática completa. Seus ditames são os segredos mais íntimos da Esfinge
de Gizé e das pirâmides que não estão nos extremos externos ou nos
etxernos não-extremos de sua estrutura. Pitágoras, ele mesmo, encontrou
um lugar em que isso está sujeito aos estratos subterrâneos e o Egito até
agora permanece sagrado para prosseguir como uma civilização oculta
nestas camadas adjacentes. Estávamos sempre conscientes de que os
veículos não nos tiravam a durabilidade. O grande segredo que os
cientistas Trithemio e Kirchner concretizaram em, respectivamente,
Steganographia e Musurgia, fora uma linguagem universal sobre a qual
não deve ter dúvidas de que a mente sacrossanta embutida nela tem um
código secreto ou privado cujo significado deve ser iniciado e desenterrado
nos antigos e autênticos aspirantes ou penetrantes e benignas turbulências
kármicas da iluminação, ou mesmo meditação. Por isso, apesar de me
desenrolar no corpo, nos sentidos, eu, mesmo assim, serei o maior da alma
e do espírito, de um gênero ou de um senso crescente da perenidade
universal.

O organismo humano é um mistério... ou talvez não. Penso que a


natureza do homem é eficiente, nos casos relativos a assuntos seculares, aos
seus cuidados, mas não é capaz de descobrir isso pelo tipo de todo o
mundo, sempre que ocorre uma investigação desse tipo. Eu direi, no
entretanto, que transcender a compreensão das leis mundanas não permite
que o espírito se liberte do mundo material de objetos físicos e seja inócuo.
Além disso, é necessário dizer que, se pudermos encontrar um universo
dentro de nós, é preciso procurá-lo. Certo? Como? Sobre as reflexões de
nossos sábios da Índia que, a palavra meditação, chamavam, assim
como os gregos denominavam δηαιογηζκό e os tibetanos - གམ, no entanto,

100
acho que far-se-á, assim, a contemplação do mundo em que veremos
(como um metafísico hindu dir-nos-ia) e far-nos-á olhar através
dos registros de toda a infinidade de nossa existência, no passado e no
presente e no futuro. D. Peter Deunov, a quem Einstein admirava, e
Robert Fludd haviam expressado o espírito do homem, espalhando suas
preposições e outras que nem sempre são a mesma coisa que se diz "para
ocultar sua própria vida: para eles manteve segredo, o espírito do seu
espírito é seu: a partir de então ele, para que eu guarde o seu espírito em
sua vida, oxalá seja mantido em segredo, pelo que foi ordenado". D. Scot
disse: "O mesmo deve acontecer com aqueles que não conhecem bem, mas
tudo é transmitido rapidamente e com grandeza". Isso não quer dizer que
tudo sinta; tal coisa é intactilis intelligibile, isto é, não é percebida no
corpo. Agora, o movimento de uma coisa não é humano. É divino. E
então, como o é, verdadeiramente, eis o que pude dizer, agir e não agir; e
inibe o mesmo que ele começou. Atuar no mundo é comum; a liberação é
específica. Tudo, no entretanto, tinha que ser mantido, no que é
específico, mas aprendemos a julgar todas as coisas, ou as coisas que são e
as coisas que não devemos aprender que são comuns a todos.

Devemos ter em mente que a consciência do mundo está passando por um


processo de renovação. Embora existam relações obstrutivas entre as
nações e ocorrências bélicas, algum gênero neotérico, mas espirituoso e
formidável de filosofia espiritual está se disseminando amplamente, a fim
de fazer a humanidade evoluir e alterar seus poderes ocultos, que a
formarão em um arquétipo divino da civilização planetária. Além disso,
deve ser a forma Pasyanti da nutrição das forças cósmicas tornar próspera e
feliz a síntese da genuína manifestação humana, que, no sentido de
pangênese, foi erigida pelo próprio Vaikhari-Vach. Atualmente, estamos
retomando e reencenando essa Verdade Eterna nos movimentos da Nova
Era; eles são, portanto, a coalizão dos seguidores de Eswara, isto é, os
autênticos partidários do Poder Eterno ou a sagacidade sem limites do
Buda Adi. Esse avanço metafísico despertará os escolhidos ou incendiados
pela lei da inteligência primordial ou pelo estado de coisas meta-senciente

101
e melhorará o contexto ambiental (esotérico e exotérico) dos planos
mundanos, gerando, assim, o ciclo da Terra de Satya Yuga ou seja, o
estado dimensional inefável, perfeito e primitivo da consciência terrena. A
Terra, neste momento, será realmente semelhante ao céu; seja o que for,
neste momento, você vive no plano terrestre ou no plano supremo e
celestial. O Ilus primitivo, portanto, superintenderá a Luz Astral Divina,
ou seja, o Jivatma, ou a "Alma do Mundo", reclinando-se assim em Laya.
Embora o estado calamitoso do mundo até então estipulado, afirmaremos,
por meio disto, que, como uma antítese benigna, o mundo está se
tornando mais espiritual e, assim, melhorando.

102
§15.

A redenção e a salvação formam, por si só, uma dicotomia que rege todos
os mitos nesta incrustados desde José e Moisés até o Hari árabe; temos de
manter em mente que até mesmo os mestres iniciados ficaram envolvidos
com tal acepção, mas, justamente, em sua posição de mestres iniciados,
nunca admitiram tal classificação, passando a rejeitá-la peremptoriamente
e somente abalizando-se na sua missão profética. Abraão, segundo
Eutípio94, carregara um viático a prover-lhe as riquezas em sua jornada,
uma vez que fora expulso das terras de Yathreb e Yaman, para equilibrar-se
com a matéria, ao passo que seu espírito se transformava em luz pura.
Moisés, ademais, fora instruído na ciência e na sabedoria do Egito 95, a
nação onde a Grande Loja da Fraternidade Branca um dia residira e a
Atlântida pôde depositar a maior parte dos seus tesouros e segredos. A
simbólica da teologia judaica consiste em, basicamente, conforme São
Clemente dir-nos-ia, na translação do verbo profético em consueto e
honorífico clamor divino, revelado invariavelmente, em épocas certas e
determinadas, pelos vates e iniciados96.

Vemos não somente nos versos de Orfeu, os postulados esotéricos de


Baco; outrossim, o observamos em Heródoto e na lexicografia de
Gesenius, cujos estudos nos fizeram associá-lo a Moisés, indubitavelmente;
isto demonstra que o mito mosaico está incutido em várias culturas ao
redor do mundo, corroborando com a afirmação de que, por trás de todo
relato fabuloso, existe uma verdade absoluta querendo ser expelida no dia
da revelação anacalíptica.

94
Annales
95
Op. cit., Du Rocher, vol. iv, p. 65
96
Theologia Iudaeorum

103
A ideia de divindade do homem, consoante o que se pode observar
socialmente, perdura como um enigma até os dias de hoje. Tentar
desvendar seus respectivos escopos é, efetivamente, algo ainda mais
impenetrável. Sem embargo, conquanto duvidemos dos insignes mestres
do passado, trajados nos mistérios sacrossantos do oculto e do hermético,
eles são que, proeminentemente, obtiveram êxito na busca pelo
conhecimento dos arcanos celestes sob a égide de seres espirituais que os
escoltaram com magistral tutela. O impulso manvantárico, então,
começará com o despertar da Ideação Cósmica (a "Mente Universal")
simultaneamente e paralelamente ao surgimento primário da Substância
Cósmica sendo o último o veículo manvantarico do primeiro a partir
de seu estado praláyico indiferenciado. Então, a sabedoria absoluta se
reflete em sua Ideação; que, por um processo transcendental, superior e
incompreensível pela consciência humana, resulta em energia cósmica
(Fohat). Emocionante no seio da substância inerte, Fohat a impele à
atividade e guia suas diferenciações primárias em todos os Sete planos da
Consciência Cósmica. Existem, portanto, sete prótilos (como são agora
chamados), enquanto a antiguidade ariana os chamava de sete Prakriti, ou
naturezas, servindo, de várias formas, como base relativamente
homogênea, que no curso da crescente heterogeneidade (na evolução do
Universo) diferenciam-se na maravilhosa complexidade apresentada pelos
fenômenos nos planos de percepção. Outrossim, se refletirmos um tanto
mais afundo, a essência real da natureza humana está atrelada de algum
modo aos estados deiformes da consciência e, ademais, tal afirmação é
impreterivelmente algo veraz; face aos que os mestres e sábios iluminados
do passado diziam, como Buda, Jesus, Lao Tzé, Zoroastro, Krishna,
Tiruvalluvar, Nagarjuna, Chandrakirti, Shankacharya, Kapila e &c., o
itinerário inequívoco para atingir as condições supremas e universais da
mente está localizado dentro do próprio ser. A fim de alcançar tal
realidade, deve o homem, por conseguinte, possuir uma apurada
autoconsciência do que seu ontos é de verdade, saber para onde ele se
guiará, descobrir qual o seu múnus fundamental na existência terrena,
desfrutar de um conhecimento inefável de suas experiências anteriores e

104
assim por diante; além disso, deve trabalhar e proceder suas ações diárias
juntamente ao seu Paratman, i.e., o seu Eu superior, a Alma absoluta de
sua espécie ôntica, com o propósito de que os resultados da busca pela
iluminação tenham preclara fortaleza para com o baluarte sagrado de
Ishvara. Conforme os legítimos Adeptos asseveram, o homem se origina
por uma fonte produtiva cuja geratriz tem como estro a beleza vista com
magnitude no cosmos; dessarte, coligimos que o homem, porventura,
sempre tenha caminhado junto tanto a Prakriti, a matriz de todos os
fenômenos, e quanto a Purusha, a testemunha dos fenômenos (malgrado
ambas sejam imprescindivelmente cósmicas, espirituais e divinas), as quais
são os dois pilares súperos de Brahma; o desvio da consciência do Eu
excelso do ente humano, como deve ser apontado incontinenti, aconteceu
na grande Queda da humanidade, quando o mesmo deixou de ser
clarividente e transcendente e passou a ser imanente e praticamente
obliterado da sua grandeza verdadeiramente celestial. Em suma, nós
somos, na realidade, deuses que perderam a sua divindade e converteram-
se em seres profanos e terrícolas; no entanto, estes estão, apesar de
inconscientemente, sempre à procura de caminhos para retornar a esta
sublime realidade, a qual sempre esteve conosco, embora não a vivamos
com intensidade em nossas vidas cotidianas. Tal enunciado configura-se
aqui de forma planejada, porque a própria existência de um processo desse
tipo, resultando nas segregações primárias da Substância Cósmica
indiferenciada em suas bases septenárias da evolução, nos obriga a
considerar o prótilo de cada plano como apenas uma fase intermediária
assumida por Substância em sua passagem do abstrato para a objetividade
plena. Diz-se que a Ideação Cósmica é inexistente durante os períodos do
Pralaya, pela simples razão de que não há ninguém e nada para perceber
seus efeitos. Não pode haver manifestação de Consciência,
semiconsciência ou mesmo "propósito inconsciente", exceto através do
veículo da matéria; isto é, neste nosso plano, em que a consciência humana
em seu estado normal não pode ultrapassar o que é conhecido como
metafísica transcendental, é somente através de alguma agregação

105
molecular ou tecido que o Espírito brota em uma corrente de
subjetividade individual ou subconsciente.

E como a Matéria existente à parte da percepção é uma mera abstração,


esses dois aspectos do Absoluto - Substância Cósmica e Ideação Cósmica
são mutuamente interdependentes. Com rigor estrito - para evitar
confusão e equívoco o termo "Matéria" deve ser aplicado ao agregado de
objetos de percepção possível, e "Substância" aonúmeno; pois, na medida
em que os fenômenos de nosso plano são a criação do Ego que percebe.
Como diriam os idealistas alemães, a cooperação do Sujeito e do Objeto
resulta no objeto-senso ou fenômeno. Mas isso não leva necessariamente à
conclusão de que é o mesmo em todos os outros planos; que a cooperação
dos dois nos planos de sua diferenciação septenária resulta em um
agregado septenário de fenômenos que também são inexistentes per se,
embora realidades concretas para as Entidades de cuja experiência fazem
parte, da mesma maneira que as rochas e os rios ao nosso redor são reais
do ponto de vista de um físico, embora ilusões irreais de sentido sejam as
do metafísico. Seria um erro dizer, ou mesmo conceber uma coisa dessas.
Do ponto de vista da mais alta metafísica, todo o universo, incluindo os
deuses, é uma ilusão; mas a ilusão daquele que é em si uma ilusão difere
em todos os planos da consciência; e não temos mais direito de dogmatizar
sobre a possível natureza das faculdades perceptivas de um Ego, digamos,
no sexto plano, do que precisamos identificar nossas percepções ou torná-
las um padrão para as de uma formiga e seu correspondente modo de
consciência. O objeto puro separado da consciência é desconhecido para
nós, enquanto vivemos no plano do nosso mundo tridimensional; como
conhecemos apenas os estados mentais, ele se excita na percepção do ego.

O fenômeno da transcendência porfia em crer que o homem é assaz ínclito


para incoar a cambiar seu assentamento ideário e sortir sua alma de
divindade arcana, a qual é involucrada por uma energia teúrgica decerto
ubíqua e súpera em todos os aspectos. Há-se de discernir que o que
estimula o denodo benfazejo das particularidades formadoras da

106
transcendência é, precipuamente, o esclarecimento metafísico o qual
consuma na quintessência e, porventura, a difunde em inteireza para o
indivíduo que desfruta de vontade inconcussa e irrefragável de obtê-la e,
outrossim, compreendê-la. Dessarte, devo assegurar que, em síntese,
anexando os componentes da fenomenologia transcendental ao lídimo
âmago ôntico, coligir-se-á que ambos consistirão, indeclinavelmente, de
um arcabouço inescurecível e indefectível tanto em suas idiossincrasias
principais quanto aquelas coadunares. Não obstante, tais declarações
suprimirão, quiçá, as cousas soezes e pusilânimes existentes no homem.
Isto posto, a transcendência liberta o homem de sua acídia e insciência e,
por conseguinte, deve transformá-lo, como deve ser anotado em nossa
ilação, em alguém demasiado sábio e fraterno com relação à natureza do
mundo. Deliberemos, à guisa de um ente proeminentemente ilibado,
sobre as balizas que gizam e designam a nossa vida como um organismo de
estrutura perficiente e exímia. Com isso salientado, a filosofia
transcendental, portanto, intentará sobrepujar o homem ínsito numa
submissão coagida pela matéria e encaminhá-lo para a mais sublime
extensão de sua constituição natural. Como resultado, a filosofia da
transcendência se consagra intemerata e nímia de cousas magníficas para
fortificar o homem de substrato espiritual, a fim de atingir a íntegra
iluminação, consoante o que pode ser averiguado em suas preposições
enxertadas concernente às suas noções prístinas de operação e
procedimento.

Agora, falarei sobre a natureza do ideal. Por isso pergunto: "Ei-lo utópico?
Ei-lo meramente fantasioso?". O ideal não é a realidade inconcebível e
inexequível, senão a suposição daquela mais correta e convergente com os
reais anseios da adquisição da perfeição organizacional humana que deve
estar ínsita e configurada integralmente no status quo do mundo. Todos
os ideais inclinados à sinarquia, isto é, o sistema completo de harmonia e
bem-estar espiritual, conjungem o homem em si e o homem por todos.
Não quisera, inicialmente, esclarecer a questão pretendida, mas farei. O
ideal é o meio pelo qual podemos nos conectar com nossa essência sem

107
contato com as coisas tangíveis, corporais e ilusórias na carne ou no estado
das coisas da matéria. De acordo com uma afirmação perfeitamente
apropriada, sistemicamente engendrada, por Nagarjuna, na qual se segue a
ideia de que todos os seres sencientes são condicionados por suas próprias
não-condições ou por preceitos da enganoso conteúdo e por ditos
injuntivos, inferirei que, se realmente desejamos transcender a ignorância e
alcançar sabedoria original e divina latente em nosso arcabouço psíquico
oculto, saberemos que devemos ter uma vontade infalível de buscá-la e
empregaremos as modalidades mais apropriadas epistemicamente e mais
eficazes onticamente de contemplação transcendental da natureza mais
íntima ou absoluta, então ensinadas pelo Djawl Khul num tempo remoto
e de incalculável idade, id est, o gênero mais amplo e mais elevado da
sageza de An existente. Muitos sufis como Gilani, Hujwiri, Awliya e &c.
afirmam que a sensação extática da consciência interdimensional é a
melhor e mais abençoada forma de viver e coexistir em uníssono com as
onipotentes forças do universo. Abhanavigupta chama esse poderoso
processo espiritual de Turiya e Asanga, por outro lado, classifica-o como

aderir aos tipos de consciência em desenvolvimento de Turiya ou


ividente e sobrenatural de toda a visão
da natureza universal, isto é, o Jivatma ou o entendimento total do Ab-
soo. O ideal do espírito é o ser individual, tanto predicado quanto sujeito
das atividades de desenvolvimento de seu despertamento e da sua teosofia;
deve-se observar, complementarmente, que a conversão do homem em um
Egiskmoioi, por exemplo, é o escopo para todos os seres que não-
egoisticamente desejam a presidência universal ou singular do Eu superior
e o zênite das potencialidades de seu Atma. Eu chamaria esse processo de
transmutação do Eu, a reforma mística ou o grande desenrolar do Irdhi
(isto é, o motor metafísico e supremo ontosoficamente).

O Eu Supremo é o caos dos antigos, o fogo sagrado zoroastriano ou o


Atash-Behram dos parses; o fogo de Hermes, o fogo do Elmes dos antigos
alemães; o raio de Cybele; a tocha acesa de Apolo; a chama no altar de

108
Pan; o fogo inextinguível no templo da Acrópole e no de Vesta; a chama
do leme de Plutão; as brilhantes faíscas nos chapéus dos Dioscuri, na
cabeça de Gorgon, no elmo de Pallas e no cajado de Mercúrio; o Phtha-Ra
egípcio; o Zeus grego Cataibates (descendente) de Pausanias; as línguas
pentacostais do fogo; a sarça ardente de Moisés; a coluna de fogo do
Êxodo e a "lâmpada acesa" de Abrão, o fogo eterno do "poço sem fundo";
os vapores orfóricos délficos; a luz sideral dos rosacruzes; o Akasha dos
adeptos hindus; a luz astral de Éliphas Levi; a aura nervosa e o fluido dos
magnetistas; o od do Reichenbach; a força ectênica de Thury; a força
psíquica do sargento Cox e o magnetismo atmosférico de alguns
naturalistas; galvanismo; e, finalmente, eletricidade todos esses são
apenas vários nomes para muitas manifestações ou efeitos diferentes da
mesma causa misteriosa e onipresente, o Archeus grego.

Portanto, nos templos internos foi ensinado que esse universo visível de
espírito e matéria é apenas a imagem concreta da abstração ideal; foi
construído sobre o modelo da primeira Ideação Divina. Assim, nosso
universo existia da Eternidade em um estado latente. A alma que anima
este universo puramente espiritual é o sol central, a mais alta divindade em
si. Não foi aquele que construiu a forma concreta da ideia, mas o
primogênito; e como foi construído sobre a figura geométrica do
dodecaedro, o primogênito 'teve o prazer de empregar doze mil anos em
sua criação'. O último número é expresso na cosmogonia clássica, que
mostra o homem criado no sexto milênio. Isso concorda com a teoria
egípcia de 6.000 'anos' e com a computação hebraica. Mas é a forma
exotérica disso. O cálculo secreto explica que os 'doze mil e os 6.000 anos'
são anos de Brahma - um dia de Brahma sendo igual a 4.320.000.000 de
anos. Sanchoniathon em sua Cosmogonia, declara que quando o vento
(espírito) se apaixonou por seus próprios princípios (o caos), ocorreu uma
união íntima, cuja conexão foi chamada pothos, e daí brotou a semente de
todos. E o caos não conhecia sua própria produção, pois era sem sentido;
mas do seu abraço com o vento foi gerado Mot, ou o ilus (lama). Disto
procederam os esporos da criação e a geração do universo.

109
Zeus-Zen (éter) e Chthonia (a terra caótica) e Metis (a água), suas esposas;
Osíris e Ísis-Latona o antigo deus que também representa o éter - a
primeira emanação da Deidade Suprema, Amon, a fonte primordial de
luz; a deusa terra e água novamente; Mitra, o deus nascido na rocha, o
símbolo do fogo mundano masculino, ou a luz primordial personificada, e
Mitra, a deusa do fogo, imediatamente sua mãe e sua esposa: o elemento
puro do fogo (o princípio ativo ou masculino) considerados luz e calor, em
conjunto com a terra e a água, ou a matéria (elementos femininos ou
passivos da geração cósmica).

Mitras é filho de Bord, a montanha mundana persa, da qual brilhou como


um raio radiante de luz. Brahma, o deus do fogo, e seu prolífico consorte;
e o hindu Agni, a divindade refulgente de cujo corpo emite mil correntes
de glória e sete línguas de fogo, e em cuja honra certos brâmanes
preservam até hoje um fogo perpétuo; Shiva, personificado pela montanha
mundana dos hindus, os Meru: esses deuses do fogo, que na lenda dizem
ter descido do céu, como o Jeová judeu, em uma coluna de fogo e uma
dúzia de outros arcaicos duplos divindades sexuadas, todas proclamam em
voz alta seu significado oculto. E o que esses mitos duplos poderiam
significar senão o princípio psicoquímico da criação primordial? A
primeira evolução em sua tripla manifestação de espírito, força e matéria; a
correção divina em seu ponto de partida, alegorizada como o casamento
do Fogo e da água, produtos do espírito eletrizante, união do princípio
ativo masculino com o elemento passivo feminino, que se tornam pais de
seu filho teluriano, matéria cósmica, prima materia, cuja alma é éter e cuja
sombra é a luz astral!

Em uma perspectiva mais percuciente da mesma matéria, devemos


conglomerar elementos que predizem o conteúdo da transcendência, pela
qual dirimimos com lisura as suas atividades e respectivos efeitos,
principalmente, ao encontroarmos com estas quando nos incumbidas
fundamentalmente. Inferimos, com efeito, que os fatores transcendentais
são poderes equiponderantes e unissonantes da consciência humana, cuja

110
natureza incita as condições de coordenação e regularidade. Homens de
caráter desapiedado, descaroável ou, ainda, pantagruélico se feitas as ações
alimentares de modo transgressor, não estão, de algum modo, afeiçoados a
transcenderem e desprenderem-se da tribulação que os acomete quase
vitaliciamente. Assim, o homem deve estar magníloquo psiquicamente
para adquirir os poderes mágicos da existência perscrutada pelas forças
transcendentais de comportamento e andança. Seria incôngruo asseverar
que a transcendência é absolutamente incontrita, pois, aquele que
transcende, é invulnerado à humanidade, todavia, devo dizer incontinenti
que a penitência lhe melindra face à natureza infortunosa das ocorrências
sempiternas da dualidade universal. Necessitar-se-ia, conseguintemente, da
adesão à magnitude escarmentada pela própria manifestação da cousa
sacrossanta na qual está aperaltada o cosmos: Deus. O homem, num
espaço e ambiente cuja destreza de indicação para os itinerários mais
propínquos de Deus é particularidade inimitável, sempre busca a
versatilidade perante a veemência perceptiva do magnetismo perpetrado
no panaroma supremo da natureza; desta maneira, desertando o cenário
insulado dele com a sua tenção deiforme e fomentar de forma hirta e
incorrutível a sua relação com o todo do cosmos, acompanhado de uma
jucunda finura e, igualmente, de encomiada beatitude, para com a
inviolabilidade das leis cósmicas vigorantes.

Levemos em conta a verdade natural dos seres e coisas, e, igualmente,


deixemos que esta seja muito mais substancial em nossas vidas do que as
singularidades puramente filosóficas das inquirições mundanas, no que
concerne aos fenômenos os quais examinamos amiúde; destarte, as nossas
sentenças que demonstraremos nesta obra não serão meramente divagações
aleatórias, todavia, fórmulas elementares que servirão de alicerce às
condições de uso do pensamento humano e correspondentes efeitos na
realidade. Devo assinalar incontinenti que o que projetamos como
imaginário hoje, quer seja por meios oníricos, quer seja por meios
tangíveis, pode tornar-se verdade absoluta amanhã; conseguintemente,
devemos estar em processo constante de renovação e transformação, seja

111
no que diz respeito a nossa personalidade, seja no que diz respeito a nossas
ideias, enfatizando, ademais, aquelas que estão mais radicadas na
consciência humana.

Portanto, como ratifica Aristóteles, "Πάληες αλζρώ οη ηοσ είδελαη


ορέγοληαη θύςεη; [Todo homem por natureza deseja saber], Metafísica,
Livro Α, part. 1"; logo, é inegável ao homem conceder-lhe apanágios o
assaz visando, invariavelmente, elevar-se na escala da sapiência universal e,
daí, segue-se que é inadmissível obstá-lo de adquirir conhecimentos, dado
que todo o homem é um sábio per natura; malgrado não o seja
explicitamente, há de convir que ele deva desfrutar de mecanismos de
entendimento pelos quais substancialmente atinja os graus mais sublimes
de sabedoria, a qual é emoldurada sobejamente em todos os reinos
existenciais, quer sejam físicos, quer sejam metafísicos.

As modalidades de raciocínio oculto as quais reverenciamos são, decerto, a


raiz elaboradora dos conceitos filosóficos que vigem na percepção humana;
os preceptores das Escolas de Mistérios assumem, como resultado, que a
filosofia é a ciência suprema dos atributos do saber (cósmico ou terreno), e
este, de fato, é ubíquo, prístino e arcano; ambas as áreas maiores do saber
do homem, viz., a ciência e o ocultismo devem, assim, embasar-se numa
espécie de fundamento providencialmente filosófico que fortaleçam suas
balizas de aplicação, juízo e discernimento, com o propósito de serem
probas, precisas e válidas ante ao saber universal instituído na planificação
do perfil da natureza unívoca do Todo, desde as formas de vida mais
materiais até as etéreas e, ainda, as ascensas (ou iluminadas).

Dessarte, tenhamos em mente que uma existência devotada à busca pela


verdade, aos grandes empreendimentos calcados na envergadura divina do
ser humano, é, em suma, uma vida em essência apoteótica; pois, em
primeira instância, o filósofo pondera reflexões esteadas na estrutura lógica
da gnose do Universo; em segunda instância, ele medita a respeito e se
deixa insuflar pelas energias advindas de seu verdadeiro ser e ao momento
de tal descoberta, incute-se na prática de um autoconhecimento profundo

112
dum limiar cuja sumidade é objeto de seus escrutínios mais esotéricos; em
última instância, armazena todos os seus esclarecimentos aí logrados e,
mesmo repentinamente, os proclama em seus escritos ou discursos,
dadivando à humanidade conhecimentos de elevada e magnificente
importância, cujo nível de préstimo é mui inestimável.

Considerai que sois, inevitavelmente, pensadores, filósofos e profetas, mas


este último, porventura apenas hipotético; doravante às estas afirmações,
podemos, portanto, definir traçados e itinerários de razão e de princípio,
tal que estes nos convoquem a elucidar as suas respectivas extensões e
métodos de funcionamento no mundo. Devo, sem embargo, constatar
que, conquanto enuncieis que a filosofia é ociosidade nímia, a atividade e
o exercício da meditação em certos momentos do dia, onde libertamo-nos
mentalmente dos imbróglios cotidianos os quais nos atormentam com
frequência ininterrupta, é deveras revigorante e gratificador; outrossim, tal
ação nos remete de modo lídimo à evolução, à transcendência, ao triunfo
espiritual e à iniciação ou iluminação, como soemo-nos a dissertar nos
textos das ciências ocultas (no tocante ao termo utilizado de antemão à

À guisa de tais declamações, nós, por conseguinte, deduzimos que para


chegar-se a uma ideia produtiva, devemos nos sentar, concentrarmos em
nós mesmos, ou em nossa alma interior, num momento de
improdutividade laboral, entretanto, de produtividade psíquica, a qual
gera, com excelsitude, a todas as outras categorias de produtividade
humana. É assim que os mestres nos ensinam, sem utilizar nenhum
prosélito dogmático, mas somente gozando da sabedoria do alto para
roborar aos homens o quão sofía é infinita e onipresente na existência de
todos nós, passageiros encarnados na Terra experimentando o esplêndido
fenômeno que é a vida.

O ser é um elemento vivo e partícipe da unidade. O ser é todo aquele ente


que integra o conjunto das cousas universais e correlata-se a este de modo
operante; outrossim, está apto a modificá-lo sob égide suprema de seu

113
próprio líbito interior, ou até mesmo, de sua essência. Dessarte, o ser é
alguém dotado de conhecimentos tanto materiais quanto anímicos e
espirituais, malgrado diante da corporeidade das substâncias, ao passo que
físico, perca significativamente a sua espiritualidade; contudo, é
auspiciosamente constatado que ele pode retomá-la e vivenciá-la
ativamente sem embargo de estar fixado à imanência material. Por
conseguinte, devo crer que o ser, em suma, é uma partícula demasiado
importante da ordem universal que vive nesta sob modalidades atuantes
d'existência, e, doravante, é capaz de lograr o entendimento lhano e pleno
de suas fundamentações primordiais caso desperta e expandida em
completude a sua psique. Deliberando que uma parcela dos seres o fez de
antanho, e tendo em mente que existe deveras essa possibilidade, portanto,
todo o ser possuirá apanágios o bastante para atingir a supremacia de sua
própria mente. Este, de feito, é o ser, como todos que vivem o são.

Com efeito, após o deslinde realizado na resposta, confirmo que o ser


enquanto ser não é desairoso, tampouco aleivoso ou pérfido naturalmente.
Na realidade, se ele está, em gênese, conectado em concórdia com a
unidade, portanto, ele é alguém que está arrimado pelo bem (θαιό), belo
(όκνξθν) e justo (δίθαηε) súperos e primordiais existentes.

A definição de inteligência é, com efeito, um trabalho digno de infindo


esforço. Portanto, não tentaremos dar um ultimato peremptório para esta
questão, visto que ela é nimiamente multiforme e constituída por diversas
condições de efetiva emanação num ser. Nós nos diligenciaremos a
somente conceder algumas preposições a fim de que, futuramente, o
conceito de inteligência possa ser aperfeiçoado e deveras sistematizado.
Preliminarmente, deve-se compreender que o ser inteligente não é
meramente aquele que possui uma capacidade cognitiva mui destacada
entre os seus pares; é toda aquela faculdade de obtenção de conhecimento,
quer elevada, quer ínfima. A inteligência, como se sabe na psicologia, com
evidente unanimidade, é multifatorial. Por conseguinte, a demonstração
de uma determinada inteligência está em uníssono com a ideia de que esta

114
é uma habilidade relacionada ao motor consciencial do ser, alicerçada por
certas propriedades representativas do saber e da percepção, as quais
podem se caracterizar como diversificadas em vários âmbitos de
manifestação. Jñanasrimitra, analogamente, afirma que as relações de
garantia de inferência entre duas entidades distintas devem ser fenômenos
conectivos de causa e efeito, e que a presença destas só pode ser detectada
através de uma sequência específica de assimilação cognitiva e não-
apreensão. Em resumo, a inteligência é apenas sumamente assegurada se
houver uma correlação eficaz e intensa entre o afeto, a agnição e a volição,
i.e., as três funções mentais que operam ativamente nos processos da
aprendizagem humana.

Examinemos, pois, o conteúdo normativo e atualizado da inteligência


consoante é fixada no próprio homem, porque caso queiramos estudar as
suas origens, devemos nos preocupar com sua forma originada.
Efetivamente, o potencial intelectivo do homem é inestimável sob
quaisquer parâmetros, por mais que os seus enunciados de mensuração
sejam matematicamente preciosíssimos. Entretanto, salienta-se, com
firmeza, que a inteligência é uma característica mental ou espiritual do ser
que é simplesmente indeterminável e impensável, caso consideremos a
ótica quantitativa. Muitos psicólogos do mundo contemporâneo, como,
v.g., Alfred Binet, David Wechsler, Lewis Terman, Raymond Cattell e
&c., creram que era, sob qualquer guisa, estabelecer padrões de
determinação das dimensões ou dos valores de grandeza de inteligência.
Sem embargo, é absolutamente errôneo assumir que a capacidade
cognitiva de alguém pode ser unicamente convertida em graus aritméticos
instituídos por designação numerativa, sendo tal pensamento contrário à
própria natureza da inteligência, a qual é multímoda e variável. A despeito
disso, podemos falar que a inteligência, malgrado seja, como falado de
antanho, multímoda e variável, possui um manancial uniforme e regular, o
que chamamos de substrato psicogenético, viz., é o conjunto dos atributos
essenciais e unívocos presentes na origem cósmica, os quais modelaram o
princípio vital do norteamento do raciocínio dos entes gerados. Tal

115
substrato psicogenético é oriundo de uma formulação onírica de
conhecença, a qual, associada ao juízo cognitivo dos seres e nele infiltrada,
passa a assumir função de ordenadora dos elementos formadores da psique
e desenvolver, com percuciência, o que geralmente denominamos sonhos.
Conforme dir-nos-á Jayanta Battha, os objetos de cognição humana
podem ser dados pelas ligações racionais entre o ponto de partida da
percepção e a inferência dela consumada por meio da assimilação dos
dados cognoscíveis feita de maneira adequada à extensão indutiva do
próprio objeto de cognição. Logo, o que poder-se-á extrair da substância
procedida da psicogênese como escopo cognoscente é, pois, instrumento
bastante para desempenhar quaisquer formas de esclarecimento acerca da
realidade da sapiência humana.

É condenável a heresia de que todo o tipo de bruxaria saboreia criminosos


sortilégios; tal ciência é a prístina sabedoria das eras celestes ou terrenas e a
que está mais em uníssono com as forças cósmicas; vituperá-la é o mesmo
que limitar o próprio crescimento espiritual do ser humano e,
consequentemente, formar balizas inderrogáveis no entendimento dos
fundamentos e das válvulas de manifestação da Energia Criadora e Divina.
Mister conviver com as disparidades, sem nenhuma censura a crítica, mas
nunca a sua exclusão total, insultuosa repreensão ou, mesmo, em casos
extremos, a separação sistemática do caráter destas perante o resto da
sociedade. A Igreja Católica fê-los, e ainda faz, desde a sua gênese
doutrinal; agora, não somente a religião, mas como todas as autoridades
declaradas no protótipo dos mecanismos de operabilidade da civilização
humana, fazem-nos com seus mais ávidos e sagazes questionadores e,
também, com uma miríada de pessoas verdadeiramente conscientes da
tirania e do infando jugo que são aplicados por elas.

O homem neurastênico ipsis-verbis não pode ser acatassolado de modo


algum pelos matizes sisudos da transcendência, ao passo que sua própria
natureza é adversária a esta. Verifiquemos, sem embargo, que conquanto o
homem concerna atributos negativos sobejamente, é putativo certificar

116
que o mesmo pode ser o suficiente intrépido para auferir resultados os
quais, de tão gloriosos, subsequentemente conceder-lhe-ão as
características inerentes ao ser transcendental in essentia. Oportuno seria
mostrar-vos que aqueles de comportamento pronóstico também não estão
inclinados a alcançarem a transcendência, malgrado propugnem por esta.
A propósito, articulemos que o propugnáculo do homem atinente à
pudicícia transcendental está situado em seu baluarte primordial e,
equitativamente, natural, do princípio ao fim: Deus.

Eusébio reconhece que as doutrinas dos cristãos, como descritas no


primeiro capítulo de João, são perfeitamente concordantes com as dos
platonistas, que aderem a tudo nela. Este parece ser quase o único ponto
em que os dois sistemas diferem. Os filósofos não conseguiram acreditar
que o Logos, no sentido grosseiro e literal dos cristãos, deixou o seio de
Deus, para sofrer os eventos tristes e degradantes atribuídos a ele. Isso lhes
parecia uma degradação da Deidade. Eusébio permite o que não se pode
negar, que essa doutrina existisse muito antes de Platão; e que também
fazia parte dos dogmas de Filo e de outros teólogos hebreus. Ele poderia
ter acrescentado também, se soubesse, aos sacerdotes do Egito e aos
filósofos da Índia.

A origem do verbum caro factum atualmente encontraremos no Oriente.


Não era novo, mas provavelmente tão antigo quanto o restante do sistema.
Sua grosseria era suficiente para homens como Justino, Papias e Ireneu.
Pela mesma razão que lhes convinha, não era adequado a homens como
Platão e Porfírio.

Nas doutrinas dos hindus e persas, a terceira pessoa na Trindade é


chamada de Destruidor e Regenerador. Embora na Trindade Cristã o
Destruidor esteja perdido de vista, o Regenerador é encontrado no
Espírito Santo. Diz-se que o neófito é regenerado, ou nascido de novo, por
meio desse espírito ou espírito santo. Plutarco diz que Mitra ou
Oromasdes eram frequentemente levados para o Shu, ou Toda-Divindade,
e que Mitra é a miúdo chamado de segunda mente.

117
A escola de Platão tem sido geralmente procurada pela origem da
Trindade Cristã, mas, como vimos, seria mais correto olhar para os
oráculos de Zoroastro. O cristianismo pode ter se retirado do platonismo,
mas não há dúvida de que Platão se retirou dos oráculos do Oriente. A
Segunda Mente, ou o Regenerador, corretamente o Espírito Santo, estava
nos oráculos de Zoroastro e será demonstrado que esteve no serviço

que os gentios veneravam a Trindade na Unidade, acreditavam no que era


perfeitamente verdadeiro. Não há dúvida de que os pagãos adoravam a
Trindade diante dos cristãos e não a copiavam do cristianismo. Se ambos
foram copiados, os cristãos devem ter copiado de seus antecessores pagãos.
Mas tudo isso tem uma forte tendência a provar que o que Amônio Sacas
disse era verdade, a saber, que as religiões dos cristãos e dos gentios eram o
mesmo, quando despojados dos ornamentos meretrizes com os quais o
ofício dos sacerdotes os carregara. Diz Sr. Cumberland97:

ſing (that which is agreed by the learned Bochart, and all others that I
know of) that theſe Caphtorim and Philistiins were firſt ſettled with their father
Mizraim in Egypt, I argue, that it was not poſſible, or at leaſt in no degree pro
bable, that they ſhould have gone out from thence into Colchis and Cappadocia,
in any time between the death of Mizraim, and the time when Abraham came
into Canaan, and there found the Philiſims ſettled in the Avim's country, and
ſojourn
Gerar and Beerſheba, when Iſaac was born: At Gerar in the year of the world
2107 ; and Iſaac was born the next year 2109, according to the Hebrew
chronology, well ſtated in Armagh's Annals. The text faith, that there he
ſ
mention'd, is not expreſ ſed; only it's certain, that he had been there ſo long, that
Abimelech and Phicol had opportunity to ſee that God was with him (or that he
proſper'd eminently) in all that he did from time of Mizraim's death is not ſo
certain, being not determin'd by Moſes; but we have in the former volume

97
Origines Gentiles I, pp. 46-48

118
determin'd it by help of other authors. Now, all the time, from Mizraim's death
to Abraham's league with Abimelech, and long (about 70 years) after, till near
the time of his death, A M. 2183, we have prov'd, that eſpecially the Lower
Egypt, out of which the Caphtorim muſt come, (if ever they went to
Cappadocia) was haraſs'd with perpetual wars of the Canaanites upon them, in
the reign of their fix kings; and, they all that time kept the paſs, by which only it
was poſſible to go out of Egypt into Aſia; and Joſephus aſ ſures us it was call'd by
them Abaris, which is a Canaanitiſh, or Hebrew word, (...): And he informs us
alſo, that, in relation to thoſe diſmal times to Egypt, it was call'd Sethron, and
Urbs Typhonia: Seth being (as Plutarch aſſures us) the Egyptian name of
Typhon, the great enemy of their Gods, or firſt kings.

Now it's plain, that, thoſe Egyptianſ, who dwelt about this paſs, before the
Canaanites, that were within, had taken it, or at the taking of it, might, either by
their own choice or agreement, go away, and ſeek new habitations, as the
Caphtorim did: but after the Canaanites had it, they would never ſuffer their
enemies to go out of Egypt that way: And if we ſhould grant that ſome Egyptians
did paſs this way to Cappadocia, let it be conſider'd what a long journey they
muſ ſarts, over how many mountains they muſt go.
They muſt go thro' all Ca maan, and there they ſhould meet with the kindred,
and friends of thoſe that had diſtreſs'd them in their own country. How unlikely
is it that they ſ ſeveral potent tribes of Canaanites,
there ſettled in wall'd cities? And that they ſhould conquer not only thoſe which
lay ſouth of Libamus, but thoſe alſo that lay farther northwards, which Joſhua
had no commiſſion to invade when he ſucceeded Moſ .

119
§16.

Bradava-se os clamores do "negrume" de Osíris na iniciação do Egito,


porquanto, para o mortal, ele era simplesmente "escuridão", sobretudo, na
forma de númeno. Aditi, Mãe Ísis e etc. seriam, pois, a parte líquida do
Firmamento enquanto Osíris seria a sólida. Os gérmens primordiais são
criados e despertados a partir dum sistema octonário, geratriz da matéria,
desde a compleição animal até o átomo. Purushottama, sob a égide dos
poderes espirituais e divinos do Narayana, lhes concedido
espontaneamente, frutifica e infunde o Sopro da Vida na disposição
parabrâhmica do "Ovo Mundano Dourado", no qual Brahma, em seu
aspecto masculino, é gerado e igualmente, a substância primordial do
Prajapati, o Senhor dos Seres, destinado a ser o progenitor da
humanidade. E, embora não seja ele, mas o Absoluto, que se diz conter o
Universo em Si Mesmo, é dever do Brahma masculino manifestá-lo de
forma visível. Bem como todos os deuses masculinos como, v.g., Jeová,
todos são antropomorfizados e cultuados sob credo integralmente fálico.
O "Deus Masculino", logo, é o Arquétipo Todo-Poderoso do Macho. Sem
embargo, se os cristãos o empregam como um meio de purificação
espiritual no batismo e na oração; se os hindus prestam reverências às suas
correntes sagradas em tanques e rios; se os parses, maometanos e cristãos
creem em sua eficácia, porventura, esse elemento deve ter algum
significado grande e oculto. No Ocultismo, está para o quinto princípio de
Kosmos, no setenário inferior: para todo o universo visível foi construído
pela água, dizem os cabalistas que conhecem a diferença entre as duas
águas as "Águas da Vida" e as da Salvação tão confusas em religiões
dogmáticas.

Para exemplificar o que esclarecerei agora, cito uma passagem do


Mahabharata, em um dos seus poemas épicos, no qual Vidura, primeiro-

120
ministro do reino de Kuru (como descrito no veda hindu) indaga a Kavya
com esta maravilhosa reflexão:

" , ह ह; ,
; , ; ,
"

As alegorias de Vidura representam uma fantástica alegoria ao Buddhi


Yoga, isto é, a suma fortuna da transcendência espiritual, o rumo autêntico
e miraculoso da Iluminação, da existência devotada ao laurel cósmico e
divino da Luz que nele também se desenvolve; igualmente, a salvação é
uma espécie de demão caridoso e benévolo, complacente à humanidade e à
preservação da misericórdia e da paz entre os homens, todavia, para tal
distinta proeza, há-se de desertar aquilo que perverte o seu fidedigno
âmago, que se situa nas dependências servis da matéria dual, a qual é
naturaliter, o adverso crível e verdadeiro do despertar da consciência é a
Moha das Mohas, o Mahabuddhi. Sendo assim, Vidura deslinda tais
problemáticas do caminho e das contendas ontológicas do homem, quippe
anceps quod est. Vidura, como um sábio e hábil administrador, conhece a
arte de persuadir, a retórica preclara e insigne, pois desilude e alumia com
onisciência as Trevas e leva aquele que o acompanha à perspicácia plena e
inequívoca do Adhidaivika, a Luz Celestial, o Substrato Etérico da Vida e
da Existência. Abnega o homem de todos os males que o afetavam e alveja
a sintonia do Purnam, a plenitude, a realização absoluta e, por
conseguinte, lida e pratica com frequência ininterrupta o supremo
Preman, o supremo Amor de Brahma. Vidura defende a abnegação e ao
abandono das coisas ruins, densas e profanas no mundo da matéria e o
despertar do homem com relação aos planos superiores como direção
certeira para a Iluminação, como de fato sempre foi, sempre é e sempre
será, qualubet.

121
Nenhum símbolo religioso pode escapar de profanação e mesmo de
escárnio em nossos dias de política e ciência. No sul da Índia, o escritor
viu um nativo convertido fazendo pujah com oferendas diante de uma
estátua de Jesus vestida com roupas de mulher e com um anel no nariz.
Quando perguntamos o significado da mascarada, fomos respondidos que
era Jesu-Maria misturada em uma e que era feita com a permissão dos
Padri, pois o zeloso convertido não tinha dinheiro para comprar duas
estátuas ou "ídolos", como eles, muito adequadamente, foram chamados
por uma testemunha - outra, mas um hindu não convertido. Blasfêmia!
Isso parecerá a um cristão dogmático, mas o ocultista deve conceder a
palma da lógica ao hindu convertido. O Christos esotérico na gnose é,
obviamente, sem sexo, mas na teologia exotérica ele é homem e mulher.
o
que o nome de Jeová em hebraico também seja Um, Echod." O nome dele
é Echod": dizem os rabinos. Os filólogos devem decidir qual dos dois é
derivado do outro - linguística e simbolicamente: certamente, não o
sânscrito? O "Um" e o Dragão são expressões usadas pelos antigos em
conexão com seus respectivos Logoi. Jeová esotericamente (como
Elohim) é também a Serpente ou Dragão que tentou Eva, e o "Dragão"
é um antigo glifo para "Luz Astral" (Princípio Primordial)", que é a
Sabedoria do Caos". Filosofia arcaica, que não reconhece nem o Bem nem
o Mal, i.e., um poder fundamental ou independente, mas a partir do
Tudo Absoluto (Perfeição Universal eternamente), traçado tanto pelo
curso da evolução natural até a Luz pura, condensando gradualmente a
forma, tornando-se Matéria ou Mal. Ficou com os pais cristãos primitivos
e ignorantes. degradar os aspectos filosóficos e a ideia científica desse
emblema (o Dragão) na superstição absurda chamada "Diabo". Mas os
pagãos sempre mostraram uma discriminação filosófica em seus símbolos.
O símbolo primitivo da serpente simbolizava Sabedoria e Perfeição
divinas, e sempre representara a Regeneração e Imortalidade psíquica. Por
isso Hermes, chamando a serpente de mais espiritual de todos os seres;
Moisés, iniciado na sabedoria de Hermes, seguindo o exemplo em
Gênesis; a serpente gnóstica com as sete vogais acima de sua cabeça, sendo

122
o emblema das sete hierarquias dos criadores septenários ou planetários.
Daí, também, a serpente hindu Sesha ou Ananta, "o Infinito", um nome
de Vishnu, cujo primeiro Vahan ou veículo nas águas primordiais é essa
serpente. Como o logoi e as Hierarquias de Poderes, no entanto, as
"Serpentes" devem ser distinguidas uma da outra. Sesha ou Ananta, "o
sofá de Vishnu", é uma abstração alegórica, simbolizando o infinito
Tempo no Espaço, que contém o germe e lança periodicamente a
eflorescência desse germe, o Universo manifestado; considerando que o
gnóstico Ophis continha em suas sete vogais o mesmo simbolismo triplo
que o Oeaohoo de uma, três e sete sílabas da doutrina arcaica; isto é, o
Logos Não-Manifestado, o Segundo manifestado, o triângulo se
concretizando no Quaternário ou Tetragrammaton e os raios deste último
no plano material.

Como estabelecido nestas linhas de pensamento, a alma é metafísica e


paranormal, apontando que a mesma abrange os princípios corpóreos e
incorpóreos do homem, a contradição existe e nos governa; matemáticos
estupendos como Euler, Gauss, Laplace, Legendre, Fermat, Lagrange,
Cantor, Galois, Faraday e diversos outros observavam o mundo como algo
lógico, empírico e concreto como também o é, porém somente neste
pensamento e limitava-se a isso, desprezando quaisquer outras dimensões e
grandezas sutis, astrais e espirituais nesta miríade de zimbórios estelares
espalhados em espantosa imensidão in questo spatium sidereum. Não se
pode refusar que a matemática é deveras prestigiosa no tocante à operação
do arrimo das moradias existentes e do arcabouço espacial dos planos
dimensionais, mas ela não satisfaz o absoluto destas dimensões e tampouco
é a principal razão pelas quais elas existem, senão ela intercederia por eles
com onipotência em todas as suas camadas e seria capaz de desvendar os
mistérios de todas elas com clareza e perícia excelsas, porém não o faz, pois
há planos superiores muito além daquilo que é de natureza concreta e
matemática, enim. René Descartes, um dos pioneiros a condensar os
pilares do Iluminismo, do logicismo e do cientificismo, inclusive, assegura
ao dizer 'primum praeceptum fuit, ut nusquam aliquid suscipere nisi

123
scirem quod talis est unum dubium' (O primeiro preceito era não aceitar
nada até que a soubesse com uma única duvida), demonstra um
entendimento epistemológico da natureza das coisas na qual se projeta
uma necessidade vultuosa e incoerente de unicamente provas empíricas e
materiais para desvendar o véu de tudo aquilo que é observado, porém o
homem só observa aquilo que é inerente a sua natureza densa e física e,
aquilo que é metafísico, sutil, ascenso e transcendental, simplesmente não
enxerga porque não possui habilidades psíquicas suficientes para tal e não
despertou suficientemente a sua consciência para este tipo de realidade;
Descartes, quoque, quando assevera que 'duas operationes intellectus
intuitio ratiocinatione qua sola niti oportere diximus cognitionem' (As
duas operações de nossa compreensão, intuição e dedução, sobre as quais
dissemos que devemos confiar em nosso conhecimento), provoca,
inevitavelmente, uma compreensão de que seu autor infere que apenas os
atos examináveis de deduzir e induzir confirmam todos os alicerces do
conhecimento e neles, estão confiados a sua descoberta, sendo que eles não
são infalíveis e seu método de pesquisa chega a ser duvidoso quando
implementado com rigor e restrições arrebatadoras no que concerne à
novas aquisições de novos tipos de conhecimento. Concluindo, dessa
forma, que a alma está muito além de qualquer raciocínio lógico, pois ela,
justamente, é a mãe prístina de qualquer raciocínio basilar do homem,
sendo este embasado em análises lógicas ou não, ut ita dicam.

Nas vias do céu, os deuses esbravejam seus sinais: é a Vida rugindo


tornando o mundo ativo mais uma vez. Sobre a vida, devo assegurar que
cada homem por natureza, deseja viver, pois tudo que ele constrói e
adorna em seu cintilante templo cardíaco é a mais pura e opima elação de
um Bashert (o súpero Bashert, por sinal). Tudo que se pode observar em
minúcias na índole mais inveterada do princípio vital provém de
intercessões sacras de Brahman, o Absoluto e, por conseguinte, os homens
iniciam a impulsionar seus anseios com o propósito de estudarem
profundamente o Adhidaiva-vidya, a ciência dos céus e do Paraíso. O
Dharmameghasamadhi é o múnus vital de cada um e compõe tanto a

124
síntese quanto a completude da Vida como um elemento primordial do
entendimento da θιεηδί ζηολ οσραλό, sabendo que ‫( ל יות ז ל יות‬o ser é
o ser), desprezando os empecilhos do itinerário, no qual urge a labareda
iniciática. Um diálogo que representa com excelsitude o fenômeno da
Iniciação e a rota da iniciação a consolidar-se a Grande e Afortunada Vida,
em Mateus 16:19, no Novo Testamento, quando Jesus Cristo entrega as
chaves para o céu para São Pedro e lhe faz uma advertência sobre seu uso;
eis o trecho da escritura bíblica logo abaixo:

Θα ζας δώζφ ηα θιεηδηά ηες βαζηιείας ηφλ οσραλώλ. ό, ηη δεζκεύεηε ζηε γε


ζα είλαη δεζκεσκέλος ζηολ οσραλό θαη οηηδή οηε τάλεηε ζηε γε ζα ταιαρφζεί
ζηολ οσραλό

A Vida nos ensina a demonstrar vivacidade naquilo que fazemos enquanto


vivos e, portanto, o viver é a 'chave', ou seja, ele nos conduz para a
sabedoria divina, o conhecimento eterno e a suprema vida, o Ein Sof; o
Ein Sof conjugado a vida é a verdadeira essência da criação, do universo e
de Javé, ou Deus. Quando Jesus diz "ηη δεζκεύεηε ζηε γε ζα είλαη
δεζκεσκέλος ζηολ οσραλό θαη οηηδή οηε τάλεηε ζηε γε ζα ταιαρφζεί
ζηολ οσραλό" para São Pedro, quer dizer se ele liberar a sapiência
registrada no mais elevado e supino da consciência do Divya, tal
conhecimento também será liberado àqueles que habitam os planos
terrenos que estarão, do mesmo modo, conscientes do Satya de Divya.
Agora, se bloquear tal Vidya de Divya e manter toda a ‫( חוכמ‬sabedoria)
de Deus recôndita nos confins do Paraíso, toda a humanidade
permanecerá nas Trevas, na grande ilusão, na escuridão, no Mahamitya e o
conhecimento genuíno e arcano ainda estará encarcerado no relicário de
οσραλό. Jesus lhe dá o caminho, Pedro então caminha. Praeceptor tribua
iter sed est discipulus quod incede.

125
Na Vida, não há só o viver como doutrina primordial e imprescindível,
mas o amor é necessário para preencher as lacunas que os outros princípios
não ofertam: a Infinidade e o Pacto. Pois, o Amor é o Todo, já que
fornece tudo para todos a troco de nada; a Vida por si mesma não o faz,
mas o Amor ampara tal inaptidão com magnificente primor, ademais, o
Amor é o primor do coração. Como Sanctus Augustinus nos informa: "In
mensura sine mensura est amor, ut amor." Complementaria a frase de
Sanctus Augustinus com este provérbio: "Amor non habet mensura, quia
amor propria mensura est." .
O Amor é a fonte de todos os prazeres e alegrias humanas, pois nós
amamos com prazer e com alegria sempre na humanidade; o Amor está
em todos os lugares pois ele é o Todo, o Absoluto, a essência absoluta de
Deus e foi justamente por amor que Deus criou a Terra. Sobre a natureza
do amor, ressalta-se seus atributos divinos, ou seja, pertence à psique de
Deus interno, ou da energia cósmica que vibra em todas as matrizes
esotéricas ou exotéricas e as cordas de entrelaçamento que conectam os
mundos ao Absoluto, o ‫( מוחלט‬Absoluto). Assim, devo estabelecer que a
verdade é transmitida do mesmo modo por intermédio do Amor mediante
aos seus atributos soberanos e universais, pois nele reside o âmago solar e o
próprio Sol em sua própria residência, o Cosmos. Devo acrescer que se o
Amor acabar, rui-se o Universo e o Caos cósmico se instaura de uma vez
por todas, pois Universo é a unidade do Amor e o Amor é sua unidade em
todo o Universo pelo todo do Amor Universal.

Sobre as proezas do amor, da misericórdia e da compaixão de Deus, em


suas operações e suas dimensões além do que se refere à benção e à
salvação, Santo Anselmo, em sua obra "Proslogion", argumenta com
capacidade absurdamente fantástica de alegoria, paralelismos e silogismos
com relação a esses atributos do Deus e do homem, pois um homem se
resume ao outro e o outro é ele mesmo resumido:

126
"Quomodo universae viae Domini misericordia et veritas, et tamen iustus
Dominus in omnibus viis suis:

Sed numquid etiam non est iustum secundum te, Domine, ut malos punias?
Iustum quippe est te sic esse iustum, ut iustior nequeas cogitari. Quod
nequaquam esses, si tantum bonis bona et non malis mala redderes. Iustior enim
est qui et bonis et malis, quam qui bonis tantum merita retribuit. Iustum igitur
est secundum te, iuste et benigne Deus, et cum punis et cum parcis. Vere igitur
"universae viae Domini misericordia et veritas" et tamen "iustus Dominus in
omnibus viis suis". Et utique sine repugnantia; quia quos vis punire, non est
iustum salvari, et quibus vis parcere, non est iustum damnari. Nam id solum
iustum est quod vis et non iustum quod non vis. Sic ergo nascitur de iustitia tua
misericordia tua, quia iustum est te sic esse bonum, ut et parcendo sis bonus. Et
hoc est forsitan, cur summe iustus potest velle bona malis. Sed si utcumque capi
potest, cur malos potes velle salvare: illud certe nulla ratione comprehendi potest,
cur de similibus malis hos magis salves quam illos per summam bonitatem, et
illos magis damnes quam istos per summam iustitiam.

Sic ergo vere es sensibilis, omnipotens, misericors et impassibilis, quemadmodum


vivens, sapiens, bonus, beatus, aeternus, et quidem melius esse quam non esse."

No entanto, a Sabedoria é primordial para captar tanto os ornamentos


auroreais do Amor quanto da Vida, considerando que na Sabedoria,
aplica-se tanto o amor pelo saber e o saber que se acumulou durante uma
vida inteira ou uma parte dela. Ademais, a natureza da Sabedoria é
indubitavelmente etérea, pois emana o Jnana de Brahma em sua pura
essência, inerrante e inesgotável. A Sabedoria é mágica e inextirpável,
inacabável e eterna; é a Roda da Paz Profunda e da Luz Perfeita e
Incondicional, é a grade mística do universo, a gigante canastra das
Memórias Cósmicas, o Maior Tesouro da Virtude de Deus; mediante à
concretização das faculdades e sentidos psíquicos do Jnanachakshu e a
consciência que cinge as propriedades absolutas do Hridaya de όιοσς ηοσς
τώροσς, o κεγάιο θόζκο. Desta maneira, o ser é histórico, dotado das
potências ubíquas da sabedoria, de seu conhecimento e de suas noções

127
místicas e iniciáticas, em uníssono com a Trindade Una do Universo:
Γεκηοσργός, Γσλαίθα e Αλδρας {Dimiourgós; Gynaíka; Andras -
Criador, Homem e Mulher}, respeitando os sete princípios do Gupta
Vidya: o Mentalismo, a Correspondência, a Vibração, a Polaridade, o
Ritmo, a Causa e o Efeito e o Gênero, cujos princípios explicaremos mais
adiante neste livro.

O Conhecimento é a base, a Iluminação é o meio e a Sabedoria é o fim;


portanto, pensamos que o engendramento de toda essa insistência da
filosofia em detectar regiões da natureza do erguimento de tipos de
consciência sábia não é tão notável e efetiva, pensamento que na medida
em que a Sabedoria se encaixa na hierarquia sagrada do Cosmos e, não
obstante, conclui-se que é a grande dádiva dada por Deus e é
absolutamente incompreensível aos não-iniciados. Eu penso que a
Sabedoria é uma conquista elevada e mística das dimensões celestiais, a
energia de todas as somas de cantos procedidas por anjos, a manifestação
do Absoluto e assim por diante.

Nos primeiros registros da literatura indiana, a Deidade Abstrata, ou a


sobredita manifestação do Absoluto, Não Revelada não tem nome. É
chamado geralmente de "That" (Tad em sânscrito) e significa tudo o que
é, foi e será, ou que pode ser recebido pela mente humana. Entre tais
apelações, dadas, é claro, apenas na filosofia esotérica, como a "Escuridão
Insondável", o "Turbilhão" etc. etc. também é chamada de "O da
Kalahansa, o Kala-ham-sa" e até o "Kali Hamsa". Aqui o m e o n são
conversíveis e, para obter uma percepção clara, é preciso primeiro admitir
o postulado de uma Deidade eterna, universalmente difusa, onipresente e
eterna na Natureza; segundo, ter entendido o mistério da eletricidade em
sua verdadeira essência; e terceiro, creditar ao homem o símbolo
septenário, no plano terrestre, da Única Grande Unidade (o Logos), que é
em si o signo das sete vogais, o sopro cristalizado na Palavra. Isso é
novamente semelhante à doutrina de Fichte e dos panteístas alemães. O
primeiro reverencia Jesus como o grande mestre que inculcou a unidade

128
do espírito do homem com o Deus-Espírito (a doutrina Advaita) ou
Princípio universal. É difícil encontrar uma única especulação na
metafísica ocidental que não tenha sido antecipada pela filosofia oriental
arcaica. De Kant a Herbert Spencer, trata-se de um eco mais ou menos
distorcido das doutrinas dos Dvaita, Advaita e Vedantinos em geral.
Aquele que acredita em tudo isso, também deve acreditar na combinação
múltipla dos sete planetas do Ocultismo e da Cabala, com os doze signos
zodiacais; atribuir, como fazemos, a cada planeta e a cada constelação uma
influência que, nas palavras de Ely Star (um ocultista francês), "lhe é
apropriada, benéfica ou maléfica, e isso, depois do Espírito planetário que
o governa, que, por sua vez, é capaz de influenciar homens e coisas que são
encontradas em harmonia com ele e com as quais ele tem alguma
afinidade.". Por essas razões, e como poucos acreditam no exposto, tudo o
que se pode agora dizer é que, em ambos os casos, o símbolo de Hansa é
um símbolo importante, representando, por exemplo, Sabedoria Divina,
Sabedoria nas trevas além do alcance dos homens. Para todos os propósitos
exotéricos, Hansa, como todo hindu sabe, é um pássaro fabuloso que,
quando recebe leite misturado com água como alimento (na alegoria),
separa os dois, bebendo o leite e deixando a água; mostrando assim a
sabedoria inerente - o leite simbolizando o espírito e a água a matéria.

A Alma, em segmentos, tipifica as partes integrantes, substanciadas na


sensibilidade do ente e sua aptidão motora elencada; alicerçado em tal
fenomenalidade, contempla-se a natureza multisciente da Alma, que sendo
o portal comunicativo das dimensões projetáveis do homem e dos animais,
subsequentemente, os órgãos, sejam eles membrados a um sistema
circulatório aberto ou fechado, operam mediante à participação de
potência una e arcana da Alma; Aristóteles diz que a fragmentação
corpórea e tecidual dos animais refuta a abrangência onipotente da Alma,
porém, não é verdade, uma vez que a Alma também seria segmentada a
partir de suas funções e dispositivos multiscientes. No caso dos anelídeos,
como uma sanguessuga, um poliqueto ou uma minhoca, γηα αράδεηγκα,
seu corpo cilíndrico, alongado e segmentada é uma forma mutável e

129
adaptativa da espécie da Alma, pois para cada ser, a Alma se manifesta de
uma forma distinta preenchendo suas lacunas e atuando no animal para
que o mesmo rasteje ou se movimente no solo, no que concerne ao Stuhla
Sahrira; a Alma conjunta o Todo, pois a) o Todo principia a natureza da
Alma, em suas grandezas multidimensionais, b) a Alma se manifesta em
todos os planos de manifestação do ser, desde o físico até o etéreo, b) a
Alma, sendo manifesta em todos os planos do ser e tendo grandezas
multidimensionais, é o próprio Todo. Quanto ao que aleguei, devo
acrescer que a Alma é o próprio Ser, pois por este ζώκα pelo qual existe e
pelo ser pela qual a υστή funciona.

Calor e frio, outrossim, são qualidades relativas e pertencem aos reinos dos
mundos manifestos, todos procedentes do Hyle manifestado, que, em seu
aspecto absolutamente latente, é chamado de "Virgem fria" e, quando
despertado para a vida, como o "Mãe." Os antigos mitos cosmogônicos
ocidentais afirmam que, a princípio, havia apenas uma névoa fria que era o
Pai, e o lodo prolífico (a Mãe, Ilus ou Hyle), a partir do qual rastejava o
mate de cobra mundano. A matéria primordial, então, antes de emergir do
plano do que nunca se manifesta e despertar para a emoção da ação sob o
impulso de Fohat, é apenas "um raio frio, incolor, sem forma, insípido e
desprovido de toda qualidade e aspecto." Mesmo assim, são os
primogênitos dela, os "quatro filhos", que "são um e se tornam sete" as
entidades, cujas qualificações e nomes os antigos ocultistas orientais
chamavam de quatro dos sete principais "centros de forças", "ou átomos,
que se desenvolvem posteriormente nos grandes Elementos Cósmicos",
agora divididos em cento e vinte oito elementos conhecidos pela ciência.
As quatro naturezas primordiais dos primeiros Dhyan Chohans, são as
chamadas (por falta de termos melhores) "etéreo", "ardente", "aguado",
respondendo, na terminologia do ocultismo prático, às definições
científicas de gases, que, para transmitir uma ideia clara aos ocultistas e aos
leigos, deve ser definido como Parahidrogênico, Paraoxigênico, Oxi-
hidrogênico e Ozônico, ou talvez Nitrozônico; as últimas forças ou gases
(no ocultismo, substâncias supersensíveis, porém atômicas) sendo as mais

130
eficazes e ativas ao energizar no plano de matéria mais grosseiramente
diferenciada.

Quando nos encontramos conosco, num estado de Samprajnata-samadhi,


harmonicamente ao Absoluto, realizamos o Dialogismo; dos bens
espirituais que nos envolvem, suscitado na prática do Dhyana, a
contemplação do todo, devo prezar pelo que é certo ser certo no Ser,
naquilo que ele existe, físico ou não-físico pois, de qualquer forma, somos
os agentes das coisas, modificamo-la e refletimos e, por coincidência, a
reflexão paira sobre nossas mentes de modo onipotente, consciente das
ações humanas e suas correlatas consequências. A meditação é o olhar
profundo, entranhando em todas as órbitas, em todas as rotas aparentes ou
testificáveis à literalidade nos planos cósmicos, sensíveis ou não, isto é, a
Anataclásia, a determinação lúcida e vívida do Dialogismo, experienciada
precisamente pela transcendência por intermédio do Sadhana, o qual é a
ferramenta capital para ventilar a completude psíquica, pneumática e
somática, denominando-se tal fenômeno de Plirotítase. A Plirotítase é o
pleno, aquilo que está realizado, em plena finalização, a suma situação, o
sumo Deus que entrou no homem, espumando com alegria, bem-estar no
todo, a felicidade absoluta, o todo agathón, a jubilosa pathós, a εσηστία;
destarte, o homem contatou-se consigo mesmo com excelsitude, religou-
se, retornou aos planos celestiais embora na matéria. A tríade para alcançar
tão maravilhoso estado da consciência, o estado átmico-búdico é formado
pelo Dialogismo (a meditação, a observação do todo, a concentração
visionária no Eu interior e superior no Atma do ser humano, o Dasein), a
Anataclásia (a prática espiritual, a contemplação da meditação, o culto ao
belo da existência, o 'Schönheit des göttlichen Lebens') e a Análipse (a
ascensão, o transcender das trevas, a chegada da Luz, quer dizer, a
Iluminação, o 'Boddhisattva' encarnado); nesta ocasião, o homem volta
aos zimbórios estelares e não precisa passar pela penúria lamuriosa
compulsória da palingenesía; ele ascensionou, é o Santo Milagre!

131
§17.

A ciência interdimensional deve transmitir os fatores desconhecidos e


invisíveis da criação e a energia criativa, assim que abordarmos
diretamente certos tipos de comparação e paralelos entre o entendimento
supremo e espiritual e a compatibilidade abstrata da ampla apresentação
universal, na qual estabelece os princípios construtores do material
completo sobre o invólucro psíquico mundial. No entanto, deve-se
afirmar que os aspectos dos ramos introspectivos do conhecimento são
invariavelmente gerados pelo intelecto progressivo e operacional dos
âmbitos objetivos da Verdade Eterna e Primeva. São de extrema
importância a estrutura das manifestações bióticas ou abióticas
interdimensionais e planetárias, promovendo, portanto, a sua vida. Essa
observação inteiramente ideacional deve ser elaborada adequadamente em
suas perspectivas genuínas. Examinando o estágio atual do
desenvolvimento da humanidade, deduzirei assim que as ciências até então
esquematizadas são unidas apenas em tipos estritamente mundanos ou
tridimensionais de bases funcionais, apesar de deverem refletir
profundamente nas fibras expressivas dos andaimes energéticos
interdimensionais, pelos quais as imutáveis leis dos recursos e produtos
supraconscientes universais são, sem sombra de dúvida, produzidas e
contornadas. Classificaremos, como a ciência declara, as oscilações como
fenômenos trocados em abismos polares positivo-negativos que
transmitem a linguagem informacional adiante em progresso, até os
padrões harmônicos subsequentes reavivados nela, conferindo e
encorajando, assim, as oscilações interdimensionais com as quais os links e
relinks sobre o cosmos são erguidos como uma efígie surpreendente da
Ilimitação.

132
A energia interdimensional flui semelhante a um fenômeno gravitacional
com condição de inversão de fase e oscilação no campo magnético da
Terra; por conseguinte, as polaridades que oscilam as frequências sempre
são emitidas até a suposição informacional, através da qual podemos
apreender a repolarização de um polo sul negativo em direção à atrativa
troca com a inclinação do polo norte e o reposicionamento ondulando
nele. Veremos, por exemplo, que uma pederneira no azinhão dotada de
um certo peso tem de fato uma mistura de estruturas atômicas trêmulas;
portanto, deve-se verificar que existe um fator subjacente mui importante
que oscila o sólido molecular volumoso, sob algum padrão de onda e
reações proporcionais inversas na radiação do arranjo atômico, e a
avaliação quantitativa do mesmo, cujo fio de medição é erroneamente
consignado como massa. A descrição desses procedimentos sensíveis deve
ser inserida no fato de que a matriz das mesmas formas de onda é
misturada, através de um elemento não fluido e tridimensional, com o
campo de energia irradiado. Além disso, deve-se evocar a estipulação em
que se atribui que, a qualquer distância ou tempo, o movimento dos
sólidos seja geralmente desenvolvido pelas principais amostras de
polaridade em um estabelecimento atômico que os campos magnético e
gravitacional provoquem seus próprios estímulos a isso. A energia é, deste
modo, proporcionalmente antitética e, em questão de aproximação, é
invertida em relação à energia quanta incluída no empreendimento
interdimensional da oscilação negativo-positiva. Portanto, deve-se afirmar
que os agentes expressivos desse processo, em estado expressivo, são
equivalentes ao complexo intergaláctico no alinhamento e na direção
cósmica interdimensional.

A inteligência celestial governa as virtudes mundanas e o transporte útil


das mesmas, por meio do qual é fornecida a concepção racional e
ascendente da Primeira Causa, em sua Onipotência motriz original, da
qual são traçadas as possibilidades criativas de coisas universalmente
consideradas em sua própria natureza. A atração pelos nossos poderes mais
íntimos anuncia que esse gênero de estímulo mágico, que gera

133
imediatamente a edificação mais elevada de nosso conhecimento oculto e
fontes cognitivas valiosas, pertinente às matizes psíquicas mais maduras.
De fato, a Coorte Iniciática até então estabelecida pode ser rastreada até a
Quarta Raça, em outras palavras, a Atlântida. As verdades mais elevadas
simbólicas, para começar, são finamente a síntese paradigmática mais
perfeita e brilhante da compreensão cósmica, enquanto o significado da
mesma é puramente intuitivo e suprassensível. Ostanes certa vez afirmou
que a ciência oculta foi iniciada e empreendida na criação terrena de onde
quer que realmente pudesse vir; além disso, deve-se afirmar que houve
excelentes ocultistas que alteraram efetivamente o curso da história
humana; exemplos disso, temos Numa Pompilius entre os romanos,
Zamolxis entre os trácios, Abbarius entre os hiperbóreos, Thoth entre os
egípcios e Budda entre os babilônios. Os modos essenciais e universais da
verdade revelada, extrínseca ou intrínseca, devem ser estabelecidos com
precisão no sistema atitudinal do Espírito Divino imutável, auto-formado
e ilimitado. Analogamente, portanto, o sistema regenerativo de Xaca-clo,
semelhante a uma escada, em uma emanação luminosa com efeito
absoluto, alude a uma cadeia mística de escalada espiritual, em estado de
salvação ou condenação, pela qual a humanidade passa desde a sua
formação.

Paradoxalmente, o péssimo fanatismo praticado em favor dos postulados


evolucionários é acompanhado e instigado pelas mentes estúpidas e
enclausuradas dos cientistas tradicionais e ortodoxos e também dos
religiosos a favor da fabulosa teoria criacionista. Além disso, considero
dizer que a ignorância asinina e egoísta dessas classes é fruto de um
estranho sistema supersticioso em relação ao arranjo humano-cósmico em
todas as facetas da vida. O culto bíblico é muito perpetuado por suas
linhas narrativas esmagadoras insanas e sucumbidas, cujo fenômeno rebita
até os ocultistas mais sagazes. O homem, de fato, foi gerado divinamente e
manteve suas principais características; no entanto, ele chegou ao estado
atual através do metabolismo evolutivo. Tem em mente que ainda existe
uma estrutura em forma de constante mudança no átomo de hidrogênio,

134
que se converte em hélio e promove a radiação solar; o conceito
dimensional não pode ser revogado no pacote religioso mais simples e
ordenado, mas nas leis espíritas, injunções e explicações garantidas. A
hipocrisia conspícua e cientista ou sacerdotal é bem conhecida pelos
seguidores da doutrina cósmica de todas as épocas; portanto, deve-se
verificar a efígie da sobreposição, impelindo os cismas em ascensão ao
ápice do poder destrutivo, representada por ódio e fio injustificável de
comportamento bélico pelos Estados Unidos; para impulsionar melhor a
escada espiritual evolucionária da humanidade e chegar ao auge de nossa
consciência cósmica, esse país de superintendência horrível e granulado de
fortaleza perniciosa deve ser completamente desmantelado e obliterado.
Não obstante essas declarações mui factuais, a promessa sentenciosa de
uma introspecção perseverada no despertar gerado e ponderado deve ser
ponderada, influenciada e cumprida não tão longe a partir deste momento
em que escrevo este livro.

O objetivo de qualquer evolução anterior era produzir o ego como uma


manifestação da mônada. Então o ego, por sua vez, evolui, colocando-se
em uma sucessão de personalidades. Os homens que não compreendem
essa visão da personalidade como eu e, portanto, vivem apenas para ele, e
tentam regular suas vidas pelo que parece ser uma vantagem temporária. O
homem que entende que a única coisa importante é a vida do ego e que
seu progresso é o objeto para o qual a personalidade temporária deve ser
usada. Então, quando ele tem que escolher entre dois caminhos possíveis,
ele não pensa, como o homem comum: "O que me trará mais prazer e
lucro como personalidade?", mas "O que me trará mais progresso como
ego?" A experiência rapidamente ensina a ele que nada pode ser realmente
bom para ele ou para ninguém, o que não é bom para todos, e hoje ele está
aprendendo a esquecer completamente e perguntar apenas o que será
melhor para a humanidade como um todo.

Obviamente, nesta fase da evolução, tudo o que tende à unidade, tudo o


que tende à espiritualidade está em conformidade com o plano da Deidade

135
para nós e, portanto, é bom para nós, enquanto o que o que tende à
separação ou à materialidade também é, certamente, ruim para nós.
Existem pensamentos e emoções que tendem a se unir, como amor,
simpatia, reverência, benevolência; há outros que tendem a desunir, como
ódio, ciúme, inveja, orgulho, crueldade, medo. Obviamente, o primeiro
grupo é bom para nós, o segundo grupo é ruim para nós. Em todos esses
pensamentos e sentimentos claramente falsos, reconhecemos uma nota
dominante, o auto-pensamento; enquanto em todos aqueles que estão
claramente certos, reconhecemos que o pensamento é direcionado para os
outros e que o eu pessoal é esquecido. Portanto, vemos que o egoísmo é o
único grande erro e que o altruísmo perfeito é a coroa de toda virtude. Ao
mesmo tempo, nos dá uma regra de vida. O homem que deseja cooperar
inteligentemente com a Vontade Divina deve deixar de lado qualquer
pensamento sobre a vantagem ou o prazer do eu pessoal e deve dedicar-se
exclusivamente a fazê-lo, trabalhando para o bem-estar e a felicidade dos
outros.

É um ideal alto e difícil de realizar, porque há uma longa história de


egoísmo por detrás de nós. Muitos de nós ainda estamos longe de uma
atitude puramente altruísta; como vamos trabalhar para chegar lá sem a
intensidade necessária em muitas das boas qualidades e tendo tantas que
não são desejáveis?

Aqui, a grande lei de causa e efeito entra em vigor. Assim como podemos
apelar com confiança para as leis da natureza no mundo físico, também
podemos apelar para essas leis no mundo superior. Se encontrarmos más
qualidades em nós, elas se desenvolveram lentamente, por ignorância e
complacência. Agora que a ignorância é dissipada pelo conhecimento,
agora que, portanto, reconhecemos a qualidade como um mal, o método
para se livrar dela está obviamente diante de nós.

Para cada um desses vícios há uma virtude contrária; se encontrarmos um


deles olhando para nós, imediatamente decidiremos desenvolver
deliberadamente a virtude oposta em nós mesmos. Se um homem percebe

136
que no passado ele era egoísta, significa que ele estabeleceu nele o hábito
de pensar primeiro em si mesmo e se divertir, de consultar sua
conveniência ou prazer, sem pensar acerca dos efeitos sobre os outros; que
ele comece a trabalhar com determinação para adotar o hábito exatamente
oposto, a praticar antes de pensar em como isso afetará todos ao seu redor;
acostuma-te a agradar aos outros, mesmo que isso ocorra à custa de
problemas ou dificuldades para si mesmo. Também se tornará um hábito
ao longo do tempo e, à medida que se desenvolver, matará o outro.

Se um homem se vê cheio de suspeitas, sempre pronto para atribuir


motivos ruins às ações daqueles que o rodeiam, prepare-se constantemente
para cultivar a confiança em seus companheiros e dar-lhes crédito pelas
maiores razões possíveis. Poderás dizer que um homem que faz isso se
abrirá para ser enganado e, em muitos casos, sua confiança será perdida. É
um pequeno problema; é muito melhor que ele às vezes seja enganado por
causa de sua confiança em seus companheiros do que ser salvo de tal
engano, mantendo uma atitude constante de suspeita. Além disso, a
confiança gera lealdade. Um homem de confiança geralmente se mostra
confiável, enquanto um homem suspeito provavelmente justifica suspeitas
no momento.

Pode-se perceber que olhar o mundo visível apresenta quebra-cabeças para


o homem que nunca podem ser resolvidos a partir dos fatos do próprio
mundo. Eles não serão resolvidos dessa maneira, mesmo que o
conhecimento ortodoxo-científico desses fatos seja o mais avançado
possível. Porque os fatos visíveis indicam claramente um mundo oculto
através de sua própria essência interior. Quem não vê isso bloqueia os
enigmas, que surgem claramente em toda parte a partir dos fatos do
mundo dos sentidos. Ele não quer ver certas perguntas e quebra-cabeças;
portanto, ele acredita que todas as perguntas podem ser respondidas pelos
fatos sensíveis. As perguntas que ele quer fazer devem realmente ser
respondidas pelos fatos que ele espera que sejam descobertos no futuro. Tu
poderás facilmente admiti-lo. Mas por que ele também deveria esperar

137
respostas em certas coisas que não fazem perguntas? Quem luta pela
ciência secreta não diz nada além de que tais questões são evidentes e que
devem ser reconhecidas como uma expressão totalmente justificada da
alma humana. Afinal, a ciência não pode ser restringida ao proibir as
pessoas de fazerem perguntas livremente.

No que diz respeito à opinião de que o homem tem limites de seu


conhecimento, que ele não pode exceder e que o obrigam a parar diante de
um mundo invisível, deve-se dizer: não há dúvida de que, pelo tipo de
conhecimento que se entende por lá não pode penetrar em um mundo
invisível. Quem considera esse tipo de conhecimento o único possível, não
pode chegar a um ponto de vista diferente daquele que foi negado às
pessoas o acesso a um mundo superior existente. Mas também se pode
dizer o seguinte: se é possível desenvolver outro tipo de conhecimento,
pode levar ao mundo supersensível. Se alguém considera esse tipo de
conhecimento impossível, chega-se a um ponto de vista do qual todas as
conversas sobre um mundo supersensível aparecem como pura bobagem.
Comparado a um julgamento imparcial, não pode haver outra razão para
essa opinião a não ser que o outro confessor desconheça esse outro tipo de
conhecimento, mas como alguém pode julgar tudo o que afirma não estar
familiarizado? O pensamento imparcial deve admitir o princípio de que se
fala apenas do que se sabe e de que não se encontra nada sobre o que não
se sabe. Esse pensamento só pode falar do direito de alguém comunicar
algo que ele experimentou, mas não do direito de alguém declarar
impossível o que ele não sabe ou não quer saber. Ninguém pode negar o
direito de não se importar com o sobrenatural; mas nunca pode haver uma
razão real para alguém se declarar autoritário não apenas pelo que pode
saber, mas também por tudo o que "um homem" não pode saber. Para
aqueles que declaram presunçoso penetrar na área supersensível, deve
haver uma consideração científica secreta de que alguém pode fazer isso e
que é um pecado contra as habilidades dadas ao homem, se ele as deixar
desoladas, em vez de desenvolvê-los e usá-los. Mas quem acredita que as
opiniões sobre o mundo supersensível devem pertencer inteiramente ao

138
meu significado e sentimento pessoal nega o comum em todos os seres
humanos. Certamente, é verdade que todos devem encontrar informações
sobre essas coisas por si mesmo. A diferença existe apenas enquanto as
pessoas não querem abordar as verdades mais elevadas de uma maneira
cientificamente comprovada, mas na arbitrariedade pessoal. Isso, no
entanto, deve ser admitido sem mais delongas, que apenas aqueles que
reconhecem a correção do caminho científico secreto podem entender a
peculiaridade dele. Qualquer um pode encontrar o caminho para a ciência
secreta no momento adequado para ele, que reconhece a presença de algo
oculto no aparente, ou até suspeita ou solerte, que, com base na
consciência de que os poderes do conhecimento são capazes de se
desenvolver, é levado ao sentimento de que o que está oculto pode lhe ser
revelado.

Heródoto alega em seus escritos que avistou inscrições de caracteres


cadmeus nos caldeirões do Templo do Apolo Ismeniano em Tebas, os
quais eram considerados os principais influenciadores da escrita jônica e
fundadores do alfabeto grego. Sanchoniaton demonstra, além das histórias
dos reinados de Cronus, Misor, Hípsistos, das lendas de Taautus, da
origem de Siton e Atlas, ele nos fala duma terra primordial chamada "terra
sagrada de Tira". Fala da concessão do Egito de Cronus a Taautus (Thoth)
e que seus descendentes, Isiris e o irmão de Chta foram, respectivamente, a
criadora do alfabeto fenício e o primeiro habitante da Fenícia, provindos,
então, de Tira (será ela a Atlântida?). Entrementes, não julgarei nada,
mas, analogamente, também digo que manterei uma postura muito bem
posicionada na minha teoria da origem dos números e das letras. Com
efeito, todos os sistemas escriturais do mundo, por serem similares no seu
pano de fundo, desde os seus traços mais rudimentares de representação
até sua fonação e composição fonotática, devem possuir, pois, uma origem
em comum. Sobre os números, também creio o mesmo. A diferença está
nas suas propriedades derivacionais, cujo caráter é gênico e de perpétua
tendência executiva, i.e., são as funções que passaram a desempenhar as
respectivas atividades a partir duma mesma significação e valor segmental.

139
O Apastabama, v.g., infere com certas ambiguidades a respeito da origem
das leis védicas, umas vezes dizendo serem originais, outras por seres mui
sábios doutros ancestrais territórios. O Sulba Sutra, antigo tratado indiano
de matemática, além de suas fórmulas sacrificiais e ritualísticas, em suas
doutrinas acerca das formas geométricas, de suas proporções e dimensões
de conteúdo, afirma que o mesmo é advindo, aparentemente, de uma
fonte antiquíssima para realizar seus cálculos, retomando seus conceitos e
aplicando-os na realidade instaurada no seu tempo. De onde era esta
sabedoria matemática antiquíssima? Será da Tira de Sanchiaton? Da
Atlântida de Platão? Do Aztlan dos astecas? Da ilha de Undal das Tábuas
Esmeraldas de Hermes (ou Thoth)? Pitágoras, Hiparco, Eudoxo,
Arquimedes, Euclides, Erastótenes, Cálipo e &c. tiveram seus
conhecimentos com fundamento em algo que já existia, que foi
fragmentado ao longo das eras e por eles, coletado e transformado em suas
ideias matemáticas, interpretando por si mesmos; entretanto, nunca
distorcendo a fonte original. Manetho, grande historiador egípcio, diz que
antes do grande dilúvio que assolou toda a humanidade em tempos
remotos, o Egito foi governado pelos semideuses, deuses e espíritos dos
mortos cultuados por seu povo por mais de 20.000 anos. Donde estes
semideuses, deuses e espíritos dos mortos vieram? William Cadmen falava
como origem da Bretanha, uma grande ilha para lá do oeste; ele, pois,
ratifica: "Et una cum illo Aristides et alii Graeci qui Britanniam θαη᾿
ἐμνρήλ ob magnitudinem κεγαιὴλ λῆζνλ, i. e. Insulam Magnam vere
dixerunt.". Este país dos zéfiros em relação ao Egito e à Bretanha seria
realmente mítico ou verdadeiro? Por tantas referências consagradas, desde
o Livro dos Mortos até Plutarco e Diodoro Sículo, por que ventura este
magnânimo império antediluviano do passado não poderia existir? Seria
ele a origem das letras e dos números da atual Raça Ária? Inda assim,
certifico-me de que necessito de mais evidências e explicações que vo-lo
prove.

O gramático latino Prisciano, referência para os estudiosos de seu idioma


na Era Medieval, dizia que tanto o idioma grego quanto o latino possuíam

140
uma origem em comum, cujo entendimento histórico, para sua época, era
mui escasso. Berosso afirma que, na Babilônia, antes do dilúvio,
governaram dez reis por vários saris, nomeadamente, centenas de milhares
de anos, instruídos pelos conhecimentos supremos, desde geometria até
agricultura, de Oannes. Políbio dizia que o conceito de império universal
já reinava na Antiguidade Helenística, malgrado não houvesse algo mui
factual para comprová-lo sob tão descomedidas magnitudes. Panini, ao
examinar o fenômeno da vocalização, tem em base, assim como todo seu
texto, uma interpretação fenomenológica dos dados linguísticos que já era
consolidada há muitas eras. Donde vinha este conhecimento? Barahrtri, no
momento em que analisava a performance do discurso, deve ter
pormenorizado a disposição das sentenças numa ciência de elóquio há
muito éons existentes, bem como Panini. Por que incorrem tais
influências? Por que são tão abundantemente mencionadas? Quer a
erística retórica de Cícero, quer o ceticismo de Pirro de Elis, não podemos
negar uma essência espiritual para todas essas coisas. São todos estes
elementos, portanto, arquétipos do conhecimento? Creio que, em verdade,
sempre existe uma forma de intentar buscar por parâmetros que elucidem
o suficiente tais questões, mas a eficaz vontade de fazê-lo é sempre de nossa
providência. Todos estes númenos a priori provam uma fonte originária
comum para os números e as letras. Os etruscos, citando caso análogo,
cujos textos liam-se da direita para a esquerda, na Tabula Cortonensis,
vemos, pois, uma referência litúrgica aos antepassados, os quais eram
celebrados com muita festividade, cujo fato também é descrito, inda com
mais minúcias, no Liber Linteus. Quem seriam estes antepassados? Donde
vieram? Os maias, ademais, nos Códices Dresden e Troano, falam sobre
uma terra original, da qual provieram e formularam todo seu sagrado e
vasto conhecimento, cuja representação escritural é efetivada por marcas
ideográficas lembrando a paisagem daquele lugar, que é, por vezes,
chamado de "terra de Kui" e, outras vezes, chamando de "Mu". Seria este
perdido continente, a primeira civilização do mundo, como Churchward,
Blavatsky, Buffon, Le Plongeon, Bourbourg, Higgins e Jacolliot atestam?
Bhaskara II, no seu Lilavati, parece soer com os seus tratados em

141
progressão e multiplicação aritméticas de algum período muito anterior e
de caráter assaz especial. O mesmo ocorreu com Euclides e com suas
fontes, como Pitágoras, Teateto, Hipócrates, Hiparco, Eudoxo e &c.
Podemos inferir que todo conhecimento matemático que temos hoje ou
que teremos, caso não hoje seja alcançado, como as civilizações
antediluvianas, são provindas de períodos mui remotos da terra,
relacionados aos povos de antanho mencionados. Por conseguinte, terei de
explicar-vos certos componentes teoréticos para que, então, seja
consolidada com determinação minha teoria sobre a origem dos números e
das letras.

Para demonstrar a minha teoria da história da matemática, primeiramente,


devo assegurar a história do mundo para com ela convergir. Por exemplo,
Leonard Woolley relata o achado dum substrato diluviano de 400 milhas
de largura e 100 milhas de soslaio num vale entre o rio Tigre e o Eufrates.
O Chilam Baham relata que os remanescentes do homem antediluviano se
refugiaram na Cartabona que é, atualmente, a península de Yucatán.
Numa das crônicas de Jeramel, havia um grande império, situado numa
ilha, chamado Achaya, cujo rei governante antes do dilúvio se chamava
Ogiges que construiu Eliozin. Albert Slosman examinou com incredível
profundidade o zodíaco de Dendera e concluiu que a catástrofe de
Atlântida deve ter ocorrido por volta de 27 de julho de 9792 a.C. O
Vishnu Purana diz que cada Yuga se estende por 22.000 anos; seu ciclo
completo se chama Manavantara que é disposto por 852.000 dias divinos
e 306.720.000 de anos humanos.

142
§18.

A consciência humana se inerva, incondicionalmente, nas bases hieráticas


do Kandhakala, designado, então, como a condição do Tempo eterno e
universal, proveniente da própria abstração numenal que o convergiu com
as demais forças cósmicas, i.e., Kala, cuja associação, tendo em mente a sua
periodicidade, fomenta o Mahat, viz., a Inteligência Divina e Universal
projetada e sobreposta sobre as demais pela duração manvatárica do
universo. O Pradhana, oriundo do Mulaprakriti, a raiz da natureza, ou de
sua indiferença, é caracterizado como Mara, a Ilusão, o Véu dos Arcanos
do Conhecimento Sagrado, porquanto esta é arraigada à densidade
material e não compreende, efetivamente, a natureza sutil e etérea das
energias cósmicas, uma vez que estão sintetizadas originalmente no âmago
uno e prístino do universo, i.e., Mulaprakriti, Prabrahman ou Anupadaka,
como dir-nos-iam as doutrinas das escolas vedantinas de Adwaita e de
Visishtadwaita, terminologicamente falando. Gnana (conhecimento,
gnose, supremo Logos ou Mahaprajna) é a reflexão simétrica e fiel de
Nirguna, o Absoluto, a pré-criação do Todo e da Vida Total, desprovida
de atributos e predicados. Portanto, o homem poderá lograr a excelsa
façanha de desvelar os mistérios crísticos da criação e sua mente divina
original se gozar de apanágios ocultos nos quais se projetaria a virtude de
corresponder-se às diretrizes seráficas e lapidares da Lei de Um Sagrada e
Universal em suma a própria Lei.

A Lei, de qualquer forma, é o verdadeiro âmago psicoespiritual do


homem, instituída em pilares teosóficos de grandeza arcana, na qual a
vontade não é mais condensada nos tormentos subversivos do Ego, todavia
para o Eu superior e à humanidade como ela é deveras. A Lei é o
mandamento fulcral e onipotente do Ser Divino e da existência (também)
divina, alcançada somente com a contemplação plena da engenhosidade

143
cíclica e móvel das coisas que existem na Natureza; além do primordial de
Tudo: a abrangência cósmica natural da Luz Astral e Universal, ademais
de sua uberdade e seus respectivos influxos e valimentos na vida das
criaturas que habitam o Universo, isto é, a força esplêndida e cintilante do
Absoluto, que esteve, está e estará infinita e perpetuamente. A expansão
"de dentro para fora" da mãe, em outros lugares chamada "água do
espaço", "matriz universal" etc. não se refere a uma expansão de um
pequeno centro ou foco, mas sem referência ao tamanho ou limitação ou
área significa o desenvolvimento uma subjetividade ilimitada a uma
objetividade ilimitada." A substância sempre (para nós) invisível e
imaterial presente na eternidade lança sua sombra periódica de seu próprio
plano para o colo de Maya". Isso implica que essa extensão, que não é um
aumento com aumento infinito não permite aumento uma mudança
de estado." Dos humanos aos ácaros, das enormes árvores às mais
pequenas folhas de grama. Tudo isso, ensina a ciência oculta, é apenas a
reflexão temporária, a sombra do eterno protótipo ideal no pensamento
divino a palavra "Eterno", novamente bom, aqui apenas no sentido de
"Aeon" como permanentemente permanente o aparentemente
interminável, mas sempre ainda limitado ciclo de atividade que chamamos
de Manvantara. Porque qual é o verdadeiro significado esotérico de
Manvantara ou melhor, de um Manu Antara? Esotericamente, significa
"entre dois manus", dos quais há catorze em cada "dia de Brahma", um
"dia", que consiste em 1.000 agregados de quatro idades ou mil "grandes
idades", Mahayugas.

144
Figura 5: O Logos é o próprio Mahayuga; vede e interpretai.

Os dois braços do mesmo corpo ainda afetam crucialmente a noosfera do


homem, isto é, os planos dimensionais existentes em sua Mente em-si.
Analogamente, entender-se-ia a quididade dual do homem enquanto
profano e não-iniciado, ainda inconsciente de sua fidedigna essência e
latente de suas capacidades psíquicas e metafísicas. Na cosmogênese, quer
dizer, no princípio sublime e impermisto da criação e da expansão da
mente cósmica, presenciávamos o apogeu do Samadhi, o nosso elo com o
Altíssimo de ruptura inverossímil; desta forma, a priori, somente o Bem
coexistia com os seres e, no entanto, o Mal era termo inexistente e
desconhecido. Quando o homem sustou tal vínculo, com atroz jactância,
sofreu a Queda e passou a viver nos ares maquiavélicos das Trevas a qual,
praticamente, é a representação legítima da dualidade, posto que nas
Trevas, o mal oprime o bem ad aeternum e o bem tenta derrotar o mal

145
etiam ad aeternum. Diz-se também que a mônada pitagórica mora na
solidão e na escuridão como o "germe". A ideia do "sopro" da Escuridão se
movendo sobre "as águas adormecidas da vida", que é matéria primordial
com o espírito latente, lembra o primeiro capítulo de Gênesis. Seu original
é o Narayana (o motor nas águas), que é a personificação da Respiração
eterna do Todo inconsciente (ou Parabraham) dos Ocultistas Orientais. As
Águas da Vida, ou Caos o princípio feminino do simbolismo são o
vácuo (para nossa visão mental) no qual repousam o Espírito e a matéria
latentes. Foi isso que fez Demócrito afirmar, após seu instrutor Leucipo,
que os princípios primordiais de todos eram átomos e um vácuo, no
sentido de espaço, mas não de espaço vazio, pois "a natureza abomina o
vácuo", de acordo com os peripatéticos, e todo filósofo da Antiguidade.
Em todas as cosmogonias, a "água" desempenha o mesmo papel
importante. É a base e a fonte da existência material. A dualidade,
notoriamente, é um fenômeno inerente apenas a mundos pertencentes a
Trevas, não da Luz; sendo a própria Luz, portentosa detentora da Sagrada
Unidade Cósmica, o Samadhi, a soberana Pramoda, a terra autêntica dos
Devas e Rishs, enquanto as Trevas mostra à tona a Dualidade Perversa
Universal, o Mahamaya, o reino de Ahamkara. Tendo estas questões em
mente, é necessário ao homem compreender profundamente tal verdade
para transcender a dualidade ou, propriamente dito: as Trevas!

O homem, abarcando no seu íntimo a unidade superior original arraigada


em seu αιεζηλό ηοσ λεύκα e compreendendo com fulgor a sua diadema
auspiciosa e chamejante em juízo etéreo e celestial, excede as máculas
facínoras e a atribulação perversa da dualidade, reconhecendo sua
ubiquidade cujo poder de criação e noções da sabedoria divina são imanes
e ubertosas, onde a consciência alvorece em paz e amizade com os pilares
inauditos e estremes do Absoluto e sua respectiva Lei coordenativa,
superintendendo seu gládio de dispositivos a conter imódica ilustração
sobre as leis ocultas do Universo quidem quod est; não obstante, remoça o
homem num estado triunfal do Chitta no pináculo de uma existência
consagrada ao Gandharva, o ser celestial, o devoto ao amor e livre da

146
ambiguidade do érebo suspendido na dualidade; o homem que lida
apropriadamente com aquilo que está esculpido no Ananta, qualquer
epigrama de Adherna não lhe afetará de modo algum. Com o Dharana
unido aos arcanos celestes adornados de éter, conseguirá transcender os
limites do próprio espaço-tempo e lhe será possível tramitar pelos
corredores dos palácios beatíficos do Senhor da Luz, que é o próprio
homem em seu estágio súpero; isso apenas lhe será totalmente
compreensível se o mesmo compreender a totalidade das coisas que são
tecidas na angra sagrada da própria Luz.

No homem, ou em todo homem, para ser mais objetivo, percorrem-se os


princípios opostos do espírito tanto em magnitude quanto em significado,
todavia, são eles os responsáveis por fixar e manter em funcionamento a
Unidade Sagrada do homem enquanto ser: o masculino e o feminino, o
Shiva e o Shakti, o Yin e Yang, o Ahriman e o Spenta Mainyu. É
necessário que eles existam, pois a supressão ou a predominância de algum
desses dois princípios desencadearia a instabilidade psíquica do ser. Desta
forma, suceder-se-ia uma alteração nímia das faculdades anímicas do
homem de natureza perversa e calamitosa que, quando fossem expelidas,
desgraçariam o eixo de manutenção e proteção da humanidade e, do
mesmo modo, as fortalezas da ética e probidade cósmicas que ainda
sustentavam com prominência a ordem terrestre seriam demolidas com
furor inimaginável; e, como resultado, o pior dos Caos se incutiria na
Terra. Explana-se, assim, a imprescindibilidade não só dos engenhos e
mecanismos como da força e do zelo infindáveis das polaridades do gênero
per se como égide mística e incorpórea do homem, haud dubie.
Diz o Kybalion:

«Τν θύιν είλαη ζε όια; όια έρνπλ ηηο αξζεληθέο θαη ζειπθέο αξρέο ηνπο; ην
θύιν εθδειώλεηαη ζε όια ηα αεξν ιάλα»

147
Prossegue o mesmo:

"(...) Η κεγάιε Εβδόκε Εξκεηηθή Αξρή - ε αξρή ηεο Φύζεο - ελζαξθώλεη ηελ
αιήζεηα όηη π άξρεη Φύιν νπ εθδειώλεηαη ζε όια - όηη νη Αξζεληθέο θαη
Γπλαηθηθέο αξρέο είλαη άληα αξνύζεο θαη ελεξγέο ζε όιεο ηηο θάζεηο ησλ
θαηλνκέλσλ, θαη θάζε ε ί εδν ηεο δσήο (...) Τν γξαθείν ηνπ Φύινπ είλαη κόλν
απηό ηεο δεκηνπξγίαο αξαγσγήο αξαγσγήο, θι θαη νη εθδειώζεηο ηνπ
είλαη νξαηέο ζε θάζε ε ί εδν ησλ θαηλνκέλσλ."

Assim, v.g., o "ovo mundano" [correlato à asserção supracitada do


Kybalion] será, quiçá, um dos símbolos mais difundidos, o que é muito
sugestivo tanto no sentido espiritual quanto no fisiológico e cosmológico.
Portanto, pode ser encontrado em todas as teorias do mundo em que está
amplamente associado ao símbolo da serpente; este último está em toda
parte, tanto na filosofia quanto no simbolismo religioso, um símbolo para
a eternidade, infinito, regeneração e rejuvenescimento, bem como para a
sabedoria. O mistério da aparente autogeração e evolução por meio de seu
próprio poder criativo, que reproduz em miniatura o processo de evolução
cósmica no ovo, devido ao calor e à umidade sob a saída do espírito
criativo invisível, justificou a seleção desse símbolo gráfico completamente.
O "Ovo Virgem" é o símbolo microcósmico do protótipo macrocósmico -
a "Mãe Virgem" caos ou profundidade primitiva. O criador masculino
(sob qualquer nome) vem da virgem, a raiz perfeita que é fertilizada pelo
raio. Se vossa mercê conhece a astronomia e as ciências naturais, quem não
pode reconhecer sua sugestão? O cosmos como natureza receptiva é um
ovo fertilizado, mas permanece imaculado. Uma vez visto como ilimitado,
não poderia ter outra representação senão um esferoide. O ovo de ouro
estava cercado por sete elementos naturais (éter, fogo, ar, água), "quatro
prontos, três secretos".

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A λοσς ou as faculdades ou metafísicas ou materiais da mente humana, no
atributo mais esotérico a ser constatado, desfruta de uma plêiade de
pensamentos a serem abordados com engenhosidade bem-aventurada ou o
oposto desta, dependendo da familiaridade do indivíduo com suas origens
estelares de esplendor místico e divino, e se feito, deve trabalhá-la com os
maiores esforços e dedicações possíveis, praticando tal arte cotidianamente,
para atingir o estado supremo de sua consciência. A mente é que age e que
reage, pois dela o homem pensa para agir e como reagir perante as
situações que o acercam, como agente ativo ou passivo destas; outrossim, a
realidade como observada no imo denso e físico, é, do mesmo que as
outras dimensões mais sutis e elevadas energeticamente, movida pela
mente, já que o que acontece é determinado pelas ações e reações da
humanidade diante dos fenômenos históricos que lhe acometem, e tais
funções são desempenhadas continuamente pela λοσς, interpelando a
ordem dos respectivos ofícios conforme a evolução das noções do
conhecimento da Luz pura e genuína dos αλζρώ φλ, nas circunstâncias
da doutrina iniciática de magnânimo fulgor intelectual da grandeza
psíquica dos σθηζηάκελφλ όληφλ.

As concepções gnosiológicas sobre a natureza legítima da mente sempre


foram bastante férteis; exempli gratia, a criatividade deslumbrante reunidas
no entendimento da natura ad rem do ambiente terreno foi
acentuadamente marcante no período pré-socrático da filosofia ocidental,
protagonizando tal movimento pensadores como Demócrito de Abdera,
Pitágoras de Samos, Anaxímenes de Mileto, Heráclito de Éfeso,
Anaxágoras e vários outros. Prosseguindo com esta reflexão, Demócrito,
em seu caso, pensava que o αρτή ηες θύζες ηφλ ραγκάηφλ se presumia
à uma unidade componente dos corpos móveis e existentes chamado
'átomo', que definira como uma substância indivisível espacialmente, mas
não geometricamente; além disso, assegurava que o mesmo se deslocava
num espaço vazio e desprovido de envoltório com grandezas físicas no que
se refere ao seu arranjo am sich, que o próprio denominara de 'vácuo'.
Com esta base que os demais também propuseram suas teses, que em

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Pitágoras, eram os números o αρτή e para Anaxímenes, seria o ar, a
unidade criadora. Formularam-se, assim, as estipulações acerca da gênesis
da mente em todo seu absoluto, desde o seu início até o estágio em que
atualmente se encontrava, pois todas as obras hoje emanadas em uma
infinidade de lugares pelo θόζκοσ é oriundo das ações, que provém das
ideias e a ideia é originada substancialmente pela mente, o âmago
onipotente do ser ativo e passivo, do ser e não-ser e dos arquétipos
universais condicionados com sublimidade em todas as espécies
imagináveis e inimagináveis de atmosferas a residir-se no ζύκ αλ.

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