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Unidade I: Evolução Histórica e Semântica do Lexema Literatura

A questão sobre o termo literatura remete para uma pluralidade de conceitos complexos
e não raro ambíguos. De forma simples pode dizer se que a literatura pertence ao campo
das artes neste caso as artes verbais.
A palava lexema deriva do latim literatura, a partir de littera, letra, aparentemente. O
conceito de literatura parece estar implicitamente ligado a palavra escrita ou impressa a
arte de escrever, a erudição.
Ate ao século XVIII, a palavra literatura designava o saber, conhecimento, as artes e as
ciências em geral, neste período “poesia”, “verso” e “prosa” eram o corpus textual.
Ainda neste século a literatura ganha aceção mais especializado, referindo as “belas
artes” daí foi designado a arte que exprime palavras.
Na segunda metade do seculo XVIII, que Voltaire (1827), descreve a literatura como
forma particular de conhecimentos que implica valores estéticos e uma particular
relação com as letras. Na mesma linha Diderot (1751) define como arte e como o
conjunto das manifestações dessa arte os textos impregnados de valor estéticos.
Diderot emprega dois novos significados da literatura: específico fenómeno estético,
específica forma de produção, de expressão e de comunicação artísticas e corpus de
objetos ˗ os textos literários ˗ resultante daquela particular actividade de criação estética.
A literatura ganha novos significados ao longos dos tempos:
Para o século XVIII, neste caso a literatura Vitoriana ou de uma região: olha para a
literatura como o conjunto da produção literária de uma época;
Conjunto de obras que se particularizam e ganham feição especial quer pela sua origem,
quer pela sua temática ou pela sua intenção: literatura feminina, literatura de terror,
literatura revolucionária, literatura de evasão, etc.
Retorica, expressão artificial. Identifica de forma pejorativa “literatura” e falsidade
retorica isso no final do seculo XIX e é de origem francesa.
Por elipse, emprega se literatura ao em vez de historia da literatura, por metonímia
literatura historia da literatura.
Enfim a literatura é uma palavra polissémica pois apresenta vários significados.
Unidade II: A Problemática de uma definição referencial do conceito de literatura
Muitos são os autores que buscaram uma definição solida dentre eles destacam-se:
Tolstoi buscando definir “oque é arte?”, Jakobson “oque é poesia?”, Charles Du Bois
Jean-Paul Sartre buscando a definir “o que é literatura?”.
Depois de várias tentativas de vários autores em varias épocas na definição da literatura
e muitos olhares sobre o mesmo termo, para acabar com a quebra cabeça impossível de
solucionar Barthes conclui “Literatura é aquilo que se ensina, e ponto final”
Contudo deve se considerar por um lado a literatura como sistema semiótico de
significação de comunicação e por outo lado como conjunto das obras ou textos
literários.
Vejamos que os autores tentando responder as questões levantados acabavam
caracterizando a obra literária.
Cada obra literária é uma obra, portanto torna-se difícil ou impossível estabelecer u
conceito rigorosamente delimitado, isto porque:
 Inexistem traços peculiares a certo texto de modo a distingui-los dos textos não-
literários, isto é, não há uma “essência” da literatura;
 Não se observa um denominador comum para todas as obras literárias, não obstante
o emprego da linguagem;
 O critério do seu género literário não é literário nem teórico, mas ético, social e
ideológico.
 A definição de literatura não depende da natureza do que é lido, mas da maneira pela
qual as pessoas leem um texto.
Unidade III: Ficcionalidade e intertextualidade na obra literária
O texto é feito de várias modalidades, na verdade um intercambio, discursivo onde
entrecruzam, as metamorfoseiam, se corroboram ou se contestam outros textos, outras
vozes e outras consciências.
Ficcionalidade e semântica do texto literário
A Ficcionalidade sendo o conjunto de regras pragmáticas que prescrevem como
estabelecer as possíveis e relações entre o mundo construído pelo texto literário e o
mundo empírico, actual.
A literatura é chamada de ficção, isto é, imaginação de algo que não existe
particularizado na realidade, mas no espirito de seu criador.
A literatura cria seu próprio universo, semântico autónomo em relação ao mundo em
que vive o autor, com seus seres ficcionais, seu ambiente imaginário, seu código
ideológico, sua própria verdade usando várias linguagens do seu mundo. Mesmo a
literatura mais realista é fruto de imaginação, pois o caracter ficcional é uma
prerrogativa indeclinável da obra literária.
A obra literária, devido aa potencia especial da linguagem poética, cria uma
objectualidde própria, um heterocosmo contextualmente fechado.
A Ficcionalidade não caracteriza de modo suficiente o texto literário- existem ficções
não literárias, desde as mitológicas até as lindarias.
A Ficcionalidade manifeste no testo de duas maneiras: no enunciação ou no nível dos
referentes textuais.
Para os autores como Aguiar e Silva não concordam quando se diz que a firmação de
um texto carece de referentes fora entender como objectos do mundo real.
Texto, intertextualidade e intertexto
Tendo em conta que o texto verbal é de dimensão construtiva múltiplas com relações
com outros textos prossupõem a langue neste caso que possibilita e garante a
interindivualidade dos signos ao nível da enunciação e, por conseguinte, a produção
textual.
A intertextualidade é a interação semiótica de um texto com outros e por sua vez
intertexto é oque mantem o texto ou a estrutura textual numa interação. Michael
Riffaterre ele olha para intertextualidade como uma relação regida por uma identidade
estrutural.
Contudo afirma-se que desempenha quer na produção, na recepção literárias, uma
função relevante como desqualificar, de contestar e destruir a tradição literária, o código
literário vigente, porem por outro lado representa a força, a autoridade e o prestigio da
memoria do sistema, da tradição literária
Quer na função contestatária, quer como corroboradora a função da intertextualidade
depende da linguagem da metalinguagem literária.
Unidade 4: do conceito da Literatura ao conceito da Literariedade
Do conceito da Literatura ao conceito da Literariedade
Depois de varias discussões relativamente ao termo literatura, já no inicio do século
XX, um grupo de teóricos da literatura, mais tarde denominados formalistas russos
imaginou que seria possível determinar uma propriedade, presente nas obras literárias,
que as caracterizaria como pertencente à literatura. Para traduzi-lo para língua
portuguesa como literiedade.
Surge com esta teoria dos russos uma questão relevante: será que existe de facto este
denominador comum, ou seja, a tal propriedade?
Quanto a resposta houveram dois grupos sendo alguns autores argumentando a favor,
afirmando existir esta propriedade e outro grupo contra existência desta propriedade.
A argumentação positiva sustentava a literiedade porque podemos verificar
objectivamente a existência desta propriedade ou característica que quando presente
numa obra qualquer, permite nos não so classifica-la como literária, como também
inscrevelo num estilo de época. Sendo “literiedade” propriedade, caracteristicamente u
“universal” do literário, que se manifestaria no “particular”, em ada obra literária. Mas
contudo não discarta a possibilidade da mesma “literiedade” ser um partícula que se
pretende umiversal, passando a ser literieade um rotulo que recebe os critérios
socialmente estabelecidos para se considerar uma obra como pertencente à literatura. O
pesquisador seria desafiado a selecionar todas as obras dentre as verbais que possuíssem
tal literiedade para compor as literárias.
Para o grupo que argumentava contra existência de tal propriedade afirma que
“literiedade” não teria um conteúdo permanente, variaria de acordo com o momento.
Deste grupo surgiram questões como: a literiedade não significaria que não podemos
mais determinar com precisão, o que vem a ser literatura? Sem a delimitação precisa
como ficariam os estudos literários?
Vejamos que a literatura foi seguindo uma linha ou ordem cronológica, isto é uma
evolução no que tange o próprio termo literatura, os modos de produção, a formação
social dele. Será que essas mudanças duvidaríamos do objecto do estudo da literatura?
A resposta é não, pois a mudança não implica necessariamente caos ou anomia porque
para cada época temos uma certa ordem podendo estabelecer com maior ou menor
rigidez, as fronteiras o literário.
Unidade 5: Arte e Estética
O termo arte provem do latim ars que corresponde ao termo techne (técnica),
significando: o que é ordenado ou toda espécie de actividade humana submetida a
regras.
Arte por sua vez é um conjunto de regras para dirigir uma actividade uma humana
qualquer. Referimo-nos a arte médicas, poética politica, bélica, retorica entre outs artes.
Plantão não as distinguia da ciência nem da filosofia, uma vez que, como a arte, estas
são actividades ordenadas. Aristóteles estabelece uma distinção entre acção (práxis), e
fabricação (poiesis). A politica e a estética são ciência de acção ao passo que as artes ou
técnicas são as actividades de fabricação.
Plotino distingue arte e técnica cuja finalidade é auxiliar a Natureza (medicina,
agricultura) daquelas cujo o fim é o fabrico de objecto. Distingue também técnicas que
não se relacionam com a natureza por exemplo (musica e retórica).
O historiador romano varrão classificou em artes liberais (gramatica, retórica, lógica,
geometria, astronomia, e música- próprias do homem) e artes mecânicas (medicina,
arquitetura, agricultura, pitura, escultura, olaria, tecelagem- própria do trabalho
manual).
Perdorou do séc. II d.C. ao séc. XV, e esta justificado por Santos Tomas de Aquino na
idade média diferenciando as artes em dois grupos: os do trabalho da razão e das mãos.
Estabelecendo como superiores as artes liberais as artes mecânicas.
No final do século XVII e a partir do século XVIII, distinguiram-se as artes mecânicas:
com utilidade ao Homem (medicina, agricultura, culinária, artesanatos) e aquelas que
tem como fim o belo (pintura, escultura, arquitetura, música, poesia, teatro, dança).
Com a ideia do belo surge as sete artes. Oque torna arte como acção individual vinda do
criador.
Com a criação do belo torna se indispensável a figura do público, aquele que julga e
avalia. Surge o conceito juízo de gosto, estudado amplamente por Kant.
No final do séc. XIX e durante o XX, modifica-se a relação entre arte e estética. As
artes consideradas como transfiguração do visível, sonoro, do movimento, da
linguagem.
Obras de arte: sensibiliza; emociona; atrai; choca; chama atenção; desperta curiosidade;
identidade; cria abstração; deleita.
Estética
A beleza e natureza foram objectos de reflexão desde a origem do pensar filosófico, já
no séc. XVIII com a obra de Kant a estética aparece como disciplina filosófica
independente.
Os primeiros teóricos foram os gregos “como ciência” aparecendo pela 1ª vez numa
obra do filósofo alemão Alexander Baumgarten e desta restringiu-se ate a chegar a
referir-se à reflexão e à pesquisa sobre os problemas da criação e da percepção
estética.
O objecto da estética, segundo Hebel, ee o belo artístico, criado pelo homem. O valor ou
o significado da arte é proporcional ao grau de adequação entre a ideia e a forma
proporção que permite a divisão e classificação das artes.
Unidade 6: Texto literário vs texto não-literário.
O texto literário distingue-se, nomeadamente, pelo facto de transformar a realidade,
servindo dela como modelo para arquitetar o mundo “fantásticos”, que só existem
textualmente e que estabelece através da metáfora, da caricatura, da alegria e pela
verossemelhança. Com esta perspetiva propõe se delimitar o conceito texto literário.
O ritmo que caracteriza o texto, a natureza do que se comunica e, até chegar a nos por
escrito, a distribuição das palavras no espaço do papel.
Texto literário ela não produz uma realidade imediata, vai alem do real concreto e que
passa existir em função do conjunto em que palavra se encontra, os versos remetem a
uma realidade dos homens e do mundo, mas muito mais profunda do que a realidade
imediatamente percetível e traduzida no discurso comum das pessoas. É o que acontece
com essa modalidade de linguagem, a linguagem literatura, tanto na prosa, como nas
manifestações em verso.
Existe uma relação estreita entre a dimensão linguística e a dimensão literária que
envolve a significação das palavras quando estas integram o sistema semiótico que é o
texto literário.
O texto literário é um objecto da linguagem ao qual se associa uma representação de
realidades físicas, sociais e emocionais mediatizadas pelas palavras da língua na
configuração de um objecto estético.
a percepção do que se comunica no texto literário passa a ser proporcional ao nosso
repertorio cultural.
Um discurso literário remente a um espaço vago, como se estivesse a faltar alguma
informação, uma opacidade abrindo um espaço de descodificação que esta ligado ax a
capacidade e ao universo cultural do receptor.
unidade 7: Função da literatura
os conhecidos versos horacio que assinalam com finalidade da poesia aut prodesse aut
delectare, não implicam um conceito de poesia autonomo, de uma poesia
exclusaivamente fiel a valores poéticos, ao lado de uma poesia pedagigica. O prazer, o
dulce referido por horacio conduz a uma concepção hedonista da poesia, oque torna
dpendente, e quantas vezes de subalternizar lastmavelmente, a obra literária.
Para meados do séc. XVIII confere-se à literatura como finalidade hedonista ou
pedagógica-moralista. O Calímaco na figura representante da cultura helenística,
todavia procura e cultiva uma poesia original, que tempos depois transforam sua arte
religião da arte. Um fino conhecedor da literatura, o Prof. Viscard, e escreveu “O que
conta é a fé nova da arte, em todos observam e praticam com devoção sincera”, nasce o
sentido trovadoresco e deles “A arte pela arte”.
A evasão que significa a fuga do eu a determinadas condições da vida e do mundo, de
um mundo imaginário, diverso daquele de que se foge, que funciona como sedativo,
como ideal compensação, como objetivação dos sonhos e de aspirações.
A evasão é verificável tanta para o escritor tanto para leitor.
Vários são os motivos que dão origem a evasão, dentre elas destacam –se:
a) Conflito com a sociedade: a medicriotivdade, a vileza e a injustica da sociedade
que o rodeia, e numa atitude de amargura e de desprezo refugiando-se a
literatura.
b) Problema e sofrimentos íntimos que torturam a alma do escritor e aos quais foge
pelo caminho da evasão. O tédio, o sentimento de abandono e de solidão, a
angustia de um destino frustrado constituem outros tantos motivos que abrem
a porta da evasão.
c) Recusa de um universo finito, absurda e radicalmente imperfeito, um dos
episódios a revolta dos românticos ante o mundo finito, ou a fuga dos
surrealistas de um mundo falsificação pela razão.
A evasão do escritor pode realizar-se, no plano da criação literária, de diferentes modos:
i) Transformando a literatura numa autêntica religião;
ii) A evasão no espaço, buscando em épocas remotas a beleza, a grandiosidade
e o encanto que o presente é incapaz de oferecer.
iii) Evasão no espaço, manifestando-se pelo gosto das passagens, de figuras e de
costumes exóticos.
iv) A infância constitui num privilegiado da evasão literário: perante aos
tormentos, as desilusões e as derrocadas da idade adulta, evocando os
escritores todas suas fantasias e mitos fascinantes.
v) A criação de personagens: a personagem, plasmado segundo os mais
secretos desejos e desígnios do artista, apresenta as qualidades e vive as
aventuras dele.
vi) O sonho, o paraíso artificias provocados pelas drogas e pelas bebidas, a
origia são processos de evasão.

Função da literatura segundo Platão e Aristóteles


Na estética platónica aparece o problema da literatura como conhecimento, embora o
filosofo conclua pela impossibilidade de a obra poética poder ser um adequado veiculo
de conhecimento.
Segundo Platão a imitação poética não constitui um processo revelador da verdade,
assim opondo se a filosofia querendo dizer que a poesia é uma imitação de imitações e
criadoras de vãs aparências.
Este mesmo problema assume excecional em Aristóteles, pois na Poética claramente se
afirma que “a poesia e mais filosófica e mais elevada que a Historia, pois a Poesia conta
de preferência o geral e, a Historia, o particular”.
O Platão condena a mimese como instrumento para chegar a verdade e segundo
Aristóteles é o instrumento valido sob o ponto de vista gnosiológico sendo que o poeta
cria um mundo coerente, diferindo-se do historiador, na medida em que ele só apresenta
factos ou situações particulares.
Função da literatura no Romantismo
Com o romantismo e a época contemporâneo voltou a ser debatido, com profundida e
ampliação, o problema da literatura como conhecimento. Na estética romântica, a poesia
é concebida como a única via de conhecimento da realidade profunda do ser, pois o
universo aparece povoado de coisas e de formas que, aparentemente inertes e
desprovidas de significado, constituem a presença simbólica de uma realidade
misteriosa e invisível. Shelling afirma que a “natureza ee um poema de sinais secretos e
misteriosa” e Von Armin refere-se à poesia como a forma a forma de conhecimento da
realidade intima do universo.
A poesia identifica-se com a experiencia magica e a linguagem poética se transforma
em um vinculo de conhecimento absoluto, ou se envolve mesmo, por força encantatório,
em criadora da realidade.
A intuição segundo Breton, fornece o fio que ensina o caminho da gnose, isto é, o
conhecimento da realidade suprassensível, “invisivelmente visível num eterno
mistério”.
Função da literatura na época contemporânea
Como já referenciamos que no romantismo e a época contemporâneo voltou a ser
debatido literatura como conhecimento e essa problemática preocupada a chamada
estética simbólica semântica- representado por Ernest Cassier e Susane Lnger-, para a
qual a literatura, longe de construir uma diversão ou actividade lúdica, representa a
revelação, através das formas ou atividade lúdica, representa a revelação, através das
formas simbólicas da linguagem, das infinitas potencialidades obscuramente
pressentidas na alma do homem. Cassier vai longe afirmando que “a revelecao da nossa
vida pessoal” e que toda a arte proporciona um conhecimento da vida interior e Susanne
igualmente considera a literatura como revelação “do caracter da subjetividade”.
Longe de ser um divertimento de diletantes, a literatura afirma-se como meio
privilegiado de exploração e de conhecimento da realidade de interior, do eu profundo
que as convecções sociais, hábitos e as exigências pragmáticas mascaram
continuamente.
Unidade 08: Semiose Literária: Sistema, Código (s) e Texto literário
Semiótica
Os semioticistas soviéticos concebem as línguas naturais como sistemas modelizantes
primários, e os sistemas semióticos culturais (arte, religião, mito, folclore, etc.), que se
instituem, se organizam e desenvolvem sobre os sistemas modelizantes primários,
como sistemas modelizantes secundários.
O sistema semiótico literário representa assim um peculiar sistema modelizante
secundário. Construindo-se sobre as línguas natural, só podendo existir e desenvolver-se
em indissolúvel interação com a expressão e o conteúdo da língua natural, a literatura
tem um sistema seu de signos e de regras para a sintaxe de tais signos.
A existência deste sistema semiótico, desta langue, é que possibilita a produção de
textos literários e é que fundamenta a capacidade de estes mesmos textos funcionarem
como objectivos comunicativos no âmbito de uma determinada cultura.
O texto literário é sempre codificado pluralmente: é codificado numa determinada
língua natural, de acordo com as normas que regulam esse sistema semiótico, e é
codificado em conformidade com outro sistema semiótico, com outros códigos
actuantes na cultura colectividade em que se integra o seu autor ou emissor: códigos
métricos, códigos estilísticos, códigos retóricos, códigos ideológicos, etc. esta
pluricodificação gera um texto de informação altamente concentrada.
O código literário configura-se com um policódigo que resulta da dinâmica
intersistémica e intra-sistémica de uma pluralidade de códigos e subcódigos pertencente
ao sistema modelizante secundário.
Unidade 9: Divisão Tripartida dos géneros Literários
Este capitulo procura discutir a existência do género literário, da sua função e o seu
valor.
O problema dos géneros literários relaciona-se intimamente com outros problemas de
fundamental magnitude, como as relações do individual e do universal, as relações entre
visão do mundo e forma artista, a existência de regras, etc.
Platão, no livro III de A republica estabeleceu uma fundamentação dos géneros
literários que, tanto pela sua relevância intrínseca como pela sua influencia ulterior,
devem ser consideradas como um dos marcos fundamentais da genologia, isto e, da
teoria dos géneros literários.
Segundo Platão, todos os textos literários são uma natureza de narrativa de
acontecimentos passados, presentes e futuros distinguindo em três modalidades: simples
narrativas, a imitação ou mimese e uma modalidade mista.
A simples narrativa, ou estreme ocorre quando «é o próprio poeta que fala e não tenta
voltar o nosso pensamento para outro lado, como se fosse outra pessoa que dissesse, e
não ele»; mimese o escritor oculta-se e fala na personagem de outra pessoa e mista
comporta segmentos de simples e segmentos de imitação.
Os fundamentos de uma divisão tripartida dos géneros literários segundo Platão:
i) O género imitativo em que incluem a tragedia e a comédia;
ii) O género narrativo puro, prevalentemente representado pelo ditirambo e
iii) O género misto, no qual avulta a epopeia.
Segundo Aristóteles a matriz e o fundamento da poesia consiste na imitação: parece
haver, em geral duas causas, e duas causas naturais na génese a poesia. Uma em que
imitar é uma qualidade congénita nos homens, desde a infância; a outra que todos
apreciam as imitações. A mimese poética, que não é uma literária e passiva copia da
realidade, uma vez que aprende o geral presente nos seres e nos eventos particulares.
Se se tomar em consideração a variedade dos objectos da mimese poética, isto é, dos
«homens em acção», géneros literários diversificar-se-ão conforme esses homens, sobre
o ponto de vista moral, forem superiores, inferiores ou semelhantes a media humana. Os
poemas épicos de Homero representam os homens melhores, as obras de Cleofonte
figuram-nos semelhantes e as parodias de Hegemão de Taso emitam-nos piores. A
tragedia tende a imitar os homens melhores do que os homens reais e a comedia tende a
imitar pior; a epopeia assemelha-se a tragedia por seu uma «imitação dos homens
superiores».
O modo narrativo permite que o poema épico tenha uma extensão superior à da
tragedia: nesta ultima, não é possível imitar varias partes da ação.
Unidade 10: Diversidade dos géneros literários: Teoria de Horácio
Horácio concebe o género literário como conformado por uma determinada tradição
formal, na qual avulta o metro, por uma determinada temática e por uma determinada
relação que, em função de fatores formais e temáticos, se estabelecem com recetores.

Horácio foi deste modo conduzido conceber os géneros como entidades perfeitamente
distintas, correspondendo a distintos movimentos psicológicos, pelo o poeta deve
mante-los rigorosamente separados, de modo a evitar hibridismos entre o género cómico
e o género trágico. Assim se fixava a famosa regra da unidade de tom, de tão larga
aceitação no classismo francês e na estética neoclássica, que prescreve a separação
absoluta de diversos géneros.
Horácio concebia por tanto os géneros literários como entidades perfeitamente
diferenciados entre si configurados distintos caracteres temática e formais, devendo o
poeta mante-los cuidadosamente separados, de modo a evitar qualquer hibridismo do
género cómico e o género trágico.
Unidade 11: Teoria romantismo
A teoria do romatica dos géneros literário diz respeito ax defesa do hibridismo de
género. O texto mais famoso sobre esta matéria, texto que representou pendão e revolta,
ee sem duvida o prefacio de Cromwell de hoggo. Nessas paginas agressivas e
tomultuasas hoggo condena a regra da unidade de tom e pureza do género literário em
nome da própria vida, de que a arte deve a expressão.
Nas ultimas décadas do secullo XIX foi novamente definda a substancionalidade dos
géneros literários, especialmente brunetiere 155), i7e545 , critico e professor
unversitario de francês.
Brunetiere nfluenciado pelo dogmatismo da doutrina clássica, concebe os géneros como
entidade substancionalmente existente, como essência literárias providas de um
significado e de amismo proprios, não como como simples ou categoria arbitrarias, e,
seduzido pelas troerias rnvolucionistas aplicadacas por dohvasbnm., ao domínio
biológico, procuar aproximar o género literário da especi biológico. Deste brutie
apresenta o genero lietrario como ium organismo que nasce, se desenvolve,
envelhece e morre, ou se transforma.
A tragedia francesa, por exemplo teria nascido com dzchjbbcxxcvb, atingiria a
maturidade co cornwell entraria em eclinio com Voltaire e morreria antes de Victor
hoggo. Como algumas espécies bilogicas desaparem vencidas por outras mais bem
fortes e mais bem apetrechadas, assim a;guns literários morreriam dominados por outros
mais vigorosos.
Unidade teorbia romântica dos géneros literários
O romance e uma forma literária relativamente moderna. Embora na literatura
helenista e na literaturaam latina aparecam narrativas de interesses literário, o romance
não tem verdadeiras raízes greco-latinas, diferentemente da tragedia, da epopeia,etc., e
pode considera-se como uma das mais ricas criações artísticas de cunho narrativo.
Na idade media, o vocábulo romance designou primeiramente a língua vulgar , a língua
românica que, embora resultado de uma trasformacao do latim, se apresentava já bem
diferente em relação a este idioma. Depois, a palavra romance ganhou um significado
literário, designado determinadas composições redigidas em língua vulgar e não na
língua latina, própria dos clérigos. A pesar das flutuações semânticas, o vocábulo
romance passou a denominar sobretudo composições literárias de cunho narrativo.no
período renascentista, alcançou grande voga o romance pastoril ,forma narrativa
impregnada da tradição bucólica de teocrito e de virgilio e fortemente influenciada por
duas obras de boccacio. O romance pastoril, no qual a prosa se mescla com o verco, e
uma narrativa marcadamente culta:os seus pastores movendo-se numa natureza
idealizada ou fabulosa, estão apenas nominalmente ligados a vida da pastorícia.
E no seculo XVII, porem, sobre pieno signo do barroco, que romance conhece uma
proliferac’ao extraordinaraia. O romance barroco apresenta-se estreitamente com o
romance medieval e carateriza-se geralmente pela imaginação exuberante, pela
abundacia de situações e aventuras excepcionais e inverosímeis: náufragos, duelos,
raptos, cofusoes de personagem, aparições de mostros e de gigantes,etc.
No concerto das literaturas europeias do seculo XVII, a espanhaola ocupa um lugar
cimeiro no domínios da criação românica.
O romance, como ficou exposto, e genero sem antepassados ilustres na literatura grego-
latinas e, por conseguite,sem modelos a imitar, nem regras a qui obedecer.
E inegável que o romance, ate ao seculo XVIII, constitui um genero literário
despritigiado sobre todos os pontos de vistas. Embora desde a muito se reconhessece o
singular poder da arte de narrar, o romance e toda via o como obra frívola, cultivado
apenas por espirito inferior e apreciado por leitores pouco exigente em matéria de
cultura literária. O romance medieval, renascentista e o barroco dirige-se,
fundamentalmente a um publico feminino, ao qual oferece motivados de entretenimente
e evasão.
Quando o romantismo se revela nas literaturas europeias, já o romance conquistara, por
direito próprio, a sua alforria e já era licito falar de uma tradição romanesca. Entre os
finais do seculo XVIII e as primeiras décadas no seculo XIX, o publico do romance
alargara-se desmedidamente e, para satisfazer a sua necessidade de leitura, escreveram-
se numerosos romance.
Com o romantismo, por conseguite, a narrativa romanesca afirma-se decisivamente
como uma grande forma literária, apta a exprimir os multiformes aspectos do homem e
do mundo.
Se o seculo XVII constitui a época da moderna tragedia, o seculo XIX constitui
inegavelmente o período mais esplendoroso da historia do romance.
Classificação tipológica do romance
Tem sido varias as tentativas para estabelecer uma classificação tipológica do romance.
Wolfang Kayser estabece a seguinte classificação.
a)RRomance de accao ou de acontecimentos romance caracterizado por uma imtriga
b)romance de personagem. Romance caracterizado pela existência de uma única
personagem central, que o autor desenha e estuda demoradamente e a qual obedece todo
o desenvolvimento do romance.
a)romance de espaco. Romance que se caracteriza-se pela primazia que concede a
pintura do meio histórico e dos ambiente sociais nos quais decorre a intriga. O meio
descrito pode ser geográfico ou telurico.

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