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As obras de Marx e Engels, influenciada pelos seus antecessores utópicos, socialistas e

anarquistas, abrirão caminho para novas formas de se constituir o marxismo, que se inspirará
principalmente nas obras finais de Marx referentes a crítica da economia política, onde Marx
busca, através de variados meios, tecer refutações às teorias econômicas clássicas fundadas por
David Ricardo e Adam Smith. A ação comunista florescerá novamente – após o fracasso da
comuna de Paris – na Alemanha, na França e, sobretudo, na Rússia, com as revoluções de 1905 e
1917.

Marcadas por divergências, protagonizadas por Stalin e Trotsky, as revoluções russas


demonstram o ápice da nova forma da teoria marxista. Destacam-se três linhas: a ortodoxa (com
predomínio na Alemanha e França), a reformista e a revisionista. A disputa dos ortodoxos contra
os reformistas e revisionistas vai se manifestar principalmente na cisão bolcheviques versus
mencheviques. A questão da classe, as revoluções e o profundo amadurecimento industrial-
político das sociedades do séc. XIX dará luz para a sociologia na virada do século – isto é, no
início do séc. XX.

Enquanto na Era das Luzes o lento nascimento da sociologia e do processo científico foi
marcado pelas publicações de Newton e pela ascensão das revoluções burguesas e do liberalismo
como um todo, não é errôneo dizer que as gêneses sociológicas do séc. XX operam quase que em
caráter inverso – com a publicação de A Origem das Espécies de Charles Darwin, abundam
correntes que se inspiram no natural para aplicar fatores deterministas e naturalistas à sociologia
– no que mais tarde irá evoluir para linhas como o darwinismo social, o organicismo e o
evolucionismo – e com as grandes críticas a economia política clássica por parte de Marx, a
descrença na aristocracia e na burguesia se apresenta vertiginosamente crescente – o que somado
a alguns fracassos e falhas da ação comunista gerará diversas correntes que buscam superar tanto
o capitalismo como o marxismo.

As obras do organicismo/evolucionismo de Spencer, todavia, abrirão espaço para que


Durkheim, influenciado por este, abandone os aspectos fortemente individualistas da sociologia
da época para gerar o solidarismo, embasado no contrato social e na moralidade, rompendo,
portanto, tanto com o organicismo quanto com outras linhas que buscavam superá-lo – como o
internacionalismo – para enfim se colocar como escola destaque da França, fazendo,
simultaneamente, um esforço para delimitar a sociologia como ciência independente.
As escolas alemãs, com significativo atraso e heterogeneidade, conseguem se constituir,
mesmo que tardiamente, pautadas em duas grandes linhas – a sistemática (Tönnies e Simmel)
que assume a responsabilidade de apresentar a priori categorias fundadoras da atividade social e
da sociedade; e a histórica, que se aplica a estudos mais históricos dos fenômenos sociais. A
escola sistemática, com Tönnies e a vontade orgânica versus vontade refletida; e Simmel com a
refutação das leis da história e a análise da forma social (isto é, nem a sociedade nem o
indivíduo, mas as interações entre esses polos) serão fortes influencias, mais tarde, para a escola
de Chicago. As escolas alemãs que fogem do “sistematismo”, com Vierkandt e von Wiese se
baseiam, principalmente, em posturas fenomenológicas.

Além dos três países-destaque (Reino Unido, França e Alemanha) outras contribuições
significativas nesse período histórico da sociologia foram feitas por Bélgica (com Guillaume de
Greef, fortemente influenciado por Proudhon) e Itália – que, apesar de ter se afastado da
sociologia com sua postura antipositivista, teve grandes avanços principalmente sob a guia de
Vilfredo Pareto. Pareto se destaca principalmente por sua tentativa de cisão “definitiva” entre a
sociologia e economia através da diferenciação de ação lógica e ação não lógica, em Tratado de
sociologia geral, além de refutar postulados deterministas ao expressas que fatos sociais são
mutuamente dependentes, de forma que a composição de tais forças múltiplas gera os
equilíbrios/desequilíbrios que guiam a evolução social.

Nos Estados Unidos, constitui-se a Escola de Chicago em fins do séc. XIX, precedida
por trabalhos de antropólogos, o que leva a uma ciência dedicada principalmente nos temas da
raça, da etnia e da estrutura urbana. O desenvolvimento da sociologia americana foi
notavelmente mais acelerado que o da europeia, tendo em vista que no início do séc. XX, mais
de duzentas instituições de ensino superior já se dedicavam ao seu ensino – aqui vê-se a
influência de Darwin, Spencer, Simmel, Tarde e outros, com preocupações microssociológicas
não compartilhadas com a escola durkheimiana. Destaca-se como método o estudo de campo.

Das teorias desenvolvidas, fale citar os três tipos de personalidades por Thomas, onde
este investiga os padrões comportamentais que levam a evolução ou a cristalização da
personalidade do indivíduo na sociedade, e os estudos da cidade de Robert E. Park, que aponta a
contradição da estrutura urbana que propicia, simultaneamente, caos e planejamento, através da
possibilidade de se estruturar a cidade física e economicamente e o fato de sua ocupação resultar,
ao longo do tempo, em uma configuração heterogênea. Outra escola de fundamental importância
é o interacionismo por H. Cooley e H. Mead, que trabalham o processo da socialização do
indivíduo – isto é, como este adquire seus costumes e sua personalidade – através de seu meio
microssocial imediato.

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