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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR RELATOR, DA

COLENDA 4ª TURMA DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA


1ª REGIÃO

PROCESSO Nº:

JOSIANE ALMEIDA, brasileira, funcionária pública, inscrita no CPF sob nº ..., com
endereço na ..., endereço eletrônico ..., vem por meio de seu advogado, legalmente
constituído, perante Vossa Excelência, com fulcro no artigo 619 do Código de Processo
Penal, interpor:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Em face do Acórdão proferido pelos respeitáveis julgadores, pelas razões de fato e de


direito a seguir aduzidas.

PRELIMINARMENTE

a) Da Tempestividade, do Cabimento e legitimidade da parte embargante:


A embargante tomou conhecimento da publicação do Acórdão no dia
05/12/2018, sendo certo que até a data de hoje, dia 07/12/2018, não se passaram mais de
dois dias, com fulcro no art. 619 do Código de Processo Penal, in verbis:

Art. 619. Aos acórdãos proferidos pelos Tribunais de Apelação,


câmaras ou turmas, poderão ser opostos embargos de declaração, no
prazo de dois dias contados da sua publicação, quando houver na
sentença ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão.

Portanto, é tempestivo o presente recurso de embargos de declaração, ainda, é


cabível o presente recurso por se tratar de embargos opostos para sanar omissão de
acórdão proferido por tribunal de apelação, bem como é cabível por essas razões e a
parte embargante é legitima para opor a presente peça recursal, por se tratar da principal
interessada no presente julgamento.

I. DOS FATOS

A acusada, funcionária pública pela caixa econômica federal, foi imputada do


suposto crime de peculato, pois, segundo informações de uma cliente, a acusada efetuou
o requerimento de um cartão magnético em sua conta, bem como efetuou diversos
saques entre os meses de julho e agosto.

Diante tais alegações, estourou-se procedimento administrativo, em que foram


analisadas diversas supostas provas documentais e testemunhais e concluiu que a
acusada fez uso indevido de seu acesso para requisitar cartão e senha da conta da
referida cliente.

Conclusão que foi oferecida ao Ministério Público Federal, pelo relatório


emitido pela Caixa Econômica federal.

Oferecida a denúncia, o procedimento administrativo foi considerado suficiente


para a demonstrar indícios de materialidade e autoria da parte acusada.

Em r. sentença, foi afastada a tese de ausência de provas, dando total


provimento à denúncia, condenando a ré a uma pena de 6 (seis) anos de reclusão, sendo
considerado, para a fundamentação da sentença condenatória, supostos antecedentes
criminais como sendo a circunstância judicial necessária e suficiente para fixar a pena-
base de 6 anos, mesmo o suposto crime não ter trânsito em julgado.

Como consta, em apelação a acusada alegou falta de materialidade do crime e


nulidade do processo por cerceamento de defesa, porém, no r. Acórdão proferido, não
houve julgamento da nulidade processual, cabendo, portanto, essa peça recursal para
que ocorra o saneamento da omissão.

II. DA OMISSÃO
O r. Acórdão foi omisso quanto ao julgamento do pedido de nulidade
processual por cerceamento de defesa, visto que o Excelentíssimo juiz de primeiro grau,
indeferiu a oitiva das testemunhas arroladas pela defesa da embargante, para tal espécie
de defeito de julgamento, os embargos de declaração são perfeitamente cabíveis,
conforme jurisprudência:
PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL
NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. ART. 619 DO CPP. OMISSÃO. PRINCÍPIO
DA CORRELAÇÃO ENTRE DENÚNCIA E SENTENÇA DE
PRONÚNCIA. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA
DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO VIOLADO. SÚMULA 284/STF.
COTEJO NÃO REALIZADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
ACOLHIDOS, SEM EFEITOS MODIFICATIVOS. DEFERIDO O
PEDIDO PARA IMEDIATO JULGAMENTO PELO JÚRI. 1. Nos
termos do art. 619 do Código de Processo Penal, é cabível a
oposição de embargos de declaração quando houver, no acórdão,
ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão. 2. A ausência de
indicação do dispositivo legal, a que teria sido atribuído interpretação
divergente, implica o não conhecimento do recurso especial fundado no
art. 105, III, c, da Constituição Federal, caracterizando deficiência de
fundamentação, a atrair a incidência da Súmula 284/STF. 3. A
comprovação do dissídio jurisprudencial, nos termos exigidos pelo art.
255, § 1º, do RISTJ, requer a transcrição dos trechos dos acórdãos em
confronto, com o cotejo analítico das teses divergentes, não bastando
apenas a transcrição do voto condutor do aresto. 4. É firme a
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça de que O prosseguimento
da marcha processual perante o Tribunal do Júri não está condicionado
ao trânsito em julgado dos recursos extraordinários que desafiam a
decisão de pronúncia, uma vez que tais recursos não guardam efeito
suspensivo (AgRg no TutPrv no REsp 1709754/SP, Rel. Ministro
REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado
em 15/03/2018, DJe 23/03/2018). 5. Embargos de declaração acolhidos,
sem efeitos modificativos, e deferido o pedido para a imediata
realização do Júri. (STJ - EDcl nos EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp:
606606 RJ 2014/0283073-5, Relator: Ministro NEFI CORDEIRO, Data
de Julgamento: 13/12/2018, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação:
DJe 04/02/2019)

Portanto, com base no exposto, é direito da embargante ter todos os seus


pedidos julgados em qualquer instancia da justiça e, quanto isso não ocorre, opor
embargos para sanar os defeitos que ocorrem nas decisões.

III. A POSSIBILIDADE DE EFEITO MODIFICATIVO

Há portanto, a possibilidade de alteração do conclusão do julgamento em favor


da embargante, pois ao suprir a omissão poderá ocorrer a apreciação da nulidade
arguida, neste contexto, Antônio Carlos Araújo Cintra:
“...na potencialidade própria dos embargos de declaração está contida
a força de alterar a decisão embargada, na medida em que isto seja
necessário para atender à sua finalidade legal de esclarecer a
obscuridade, resolver a contradição ou suprir a omissão verificada
naquela decisão. Qualquer restrição que se oponha a essa força
modificativa dos embargos de declaração nos estritos limites
necessários à consecução de sua finalidade específica constituirá
artificialismo injustificável que produzirá a mutilação do instituto”

Cabe ressaltar que não existe qualquer empecilho à alteração de julgamento em


caso de acolhimento de embargos.

IV. DOS PEDIDOS

DIANTE DISSO, são opostos os presentes embargos de declaração para


sanar a omissão do r. Acórdão e merecem serem conhecidos, porque são tempestivos e a
parte embargante é legitima para argui-los em sede recursal.

Requer, portanto:

a) O reconhecimento da omissão quanto a ausência de julgamento da


nulidade processual arguida em sede de apelação;

Requer, ainda, que sejam emprestados efeitos modificativos aos embargos


declaratórios para que, no que for cabível, seja modificado o julgado condenatório em
benefício da apenada.

Termos que pede deferimento do presente recurso.

Local, 07 de dezembro de 2018

Advogado
Oab/uf

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