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Aula 01

Professor: Vicente Camillo


Microeconomia
Analista (Área 3) – BACEN
Teoria e exercícios comentados
Prof. Vicente Camillo

Aula 01: Teoria Do Consumidor – Parte 2


(Preferências, Utilidade)

SUMÁRIO PÁGINA
1. Preferências: Conceitos Iniciais e 03
Pressupostos

2. Curvas de Indiferença 06

3. Taxa Marginal de Substituição 16

4. Preferências Bem Comportadas 21

5. Utilidade: Conceitos Iniciais 36

6. Utilidade Marginal e Taxa Marginal de 41


Substituição

7. Funções de Utilidade e Curvas de 49


Indiferença

8. A Escolha Ótima do Consumidor 57

9. Demanda Ótima do Consumidor 63

10. Lista de Questões Comentadas e Gabarito 86

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1. PREFERÊNCIAS: CONCEITOS INICIAIS E PRESSUPOSTOS

As preferências do consumidor consistem no aspecto psicológico da


demanda.

Nada adianta o consumidor apresentar restrição orçamentária


compatível com cesta de bens disponível para consumo se ele não se
interessar (não preferir) a referida cesta.

É interessante notar que a preferência do consumidor deve ser


analisada por diversos ângulos. O mesmo bem possui funções
distintas dependendo da localização em que se encontra, do período
em que é demandado etc. Em resumo, as preferências são
circunstanciais, visto que os consumidores podem valorizar o
mesmo de modo distinto a depender da circunstância presente.

Um simples exemplo pode ser citado. Imagine a diferença de


utilidade de um guarda chuva em Londres/Reino Unido e no Deserto
do Saara. No primeiro lugar é certamente um bem de extremo valor;
no segundo, nem tanto.

Para padronizar a questão e permitir a análise, existem maneiras de


se representar as preferências assim como certos pressupostos
lógicos.

Continuamos com nosso consumidor, só que, desta vez, ele pode


demandar duas (ou mais) cestas de bens distintas, representadas por
X = (x1, x2) e Y = (y1, y2). É necessário ao menos duas cestas, visto
que precisamos compará-las para saber a preferência do consumidor.

A comparação entre cestas é feita por meio dos seguintes símbolos:

 O símbolo representa o conceito estritamente preferido.


Assim, se X Y, o consumidor prefere estritamente X a Y (ele deseja
a cesta X ao invés da Y).

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 O símbolo quer dizer indiferente. Se para o consumidor X


Y, ele se mostra indiferente entre escolher uma ou outra. Ou seja,
para ele tanto faz, visto que as duas cestas o atendem igualmente.

 O símbolo quer dizer fracamente preferível. O significado


deste conceito é simples: quer dizer que o consumidor prefere ambas
as cestas ou mostra-se indiferente na escolha de ambas. Desta
forma, a preferência de uma cesta por outra é fraca.

As provas tentam, em certos momentos, confundir os candidatos.


Assim, relacionam estes conceitos entre duas cestas.

Por exemplo, digamos que a prova indique que X Y e que Y X. Se


uma cesta é fracamente preferível a outra de maneira recíproca, que
dizer que elas são indiferentes. Assim, X Y (o consumidor considera
X tão boa quanto Y e também considera Y tão boa quanto X: ou seja,
as cestas são indiferentes).

Do mesmo modo, caso X Y e não X não indiferente à Y, podemos


concluir que X é estritamente preferível a Y (X Y).

Quase sempre estes tipos de relação são logicamente inferidos.


Afinal, a teoria do consumidor é construída também sobre preceitos
lógicos.

Continuando, há que se analisar alguns pressupostos feitos sobre as


preferências. De certa maneiras, as preferências precisam ser
consistentes, caso contrário a teoria perde o valor.

Não seria muito razoável afirmar que o consumidor prefere consumir


frutos do mar à pão francês, e pão francês à salada, mas prefere
salada à frutos do mar. Este tipo de escolha não apresenta muita
consistência, além de complicar a análise.

Existem 3 pressupostos que são considerados axiomas da teoria do


consumidor:

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1. Completa O mais fundamental dos pressupostos. A


completude de uma preferência indica a possibilidade de comparação
entre cestas de consumo, ou seja, indica que o consumidor pode
escolher. Sendo completa, uma escolha (cesta de bens) é passível de
ser comparada com outra.

2. Reflexiva A preferência é reflexiva quando uma cesta de


consumo é tão boa quanto ela mesma. Até parece bobagem
apresentar este pressuposto, mas é isto mesmo. Se uma cesta é tão
boa quanto ela mesma, o consumidor tem garantia que irá a escolher
na ausência de outras cestas.

3. Transitiva A transitividade de uma preferência é o exemplo


citado acima. Se o consumidor prefere frutos do mar à pão francês e
este à salada, provavelmente irá preferir frutos do mar à salada.

A representação deste pressuposto é feita da seguinte forma: se X


YeY Z, então X Z.

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2. CURVAS DE INDIFERENÇA

Os conceitos iniciais e pressupostos apresentados podem ser


descritos da forma gráfica.

Dito de outro modo, as preferências podem ser apresentadas de


maneira gráfica, o que facilita (e muito!) nossa análise, além de
servir de bom demonstrativo da ideia de “matematizar” a teoria
microeconômica.

Assim, é comum utilizarmos as curvas de indiferença.

Seguindo o conceito de indiferença, a curva de indiferença apresenta


as cestas em que o consumidor apresenta indiferença. Tanto faz uma,
ou outra. Mais adiante, no tópico sobre utilidade, veremos que cada
curva de indiferença apresenta uma utilidade ao consumidor, ou seja,
elas podem ser quantificadas.

No momento, cabe-nos compreender as formas e propriedades das


curvas de indiferença.

Vamos iniciar a partir da curva de indiferença clássica


(negativamente inclinada e de formato convexo):

x2

A
B
Curva de Indiferença

x1

O eixo vertical do gráfico apresenta as quantidades demandadas de


x1.O eixo horizontal, quantidades demandas de x2.

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Desta forma, os pontos A e B são cestas que apresentam


combinações distintas, mas indiferentes ao consumidor. É perceptível
que a cesta B apresenta quantidade superior de x1 e quantidade
inferior de x2, quando comparada à cesta A.

Os pontos acima e à direita da curva de indiferença apresentam


cestas fracamente preferíveis às cestas da curva. Evidente que,
abaixo e à esquerda, estão situadas cestas não preferíveis, afinal elas
representam quantidades inferiores de bens (conferem menor
utilidade ao consumidor).

Bom, podemos concluir um ponto apenas com estas ideias básicas.


Se a curva de indiferença apresenta cestas indiferentes ao
consumidor, duas curvas não podem se cruzar.

Ora, se isto ocorresse, as duas curvas conteriam cesta de consumo


que apresentam utilidades diferentes, mas mesmo assim são
indiferentes. É um caso sem lógica.

Portanto, atenção ao fato: curvas de indiferença não se cruzam!


Esta evidente contradição pode ser apresentada graficamente como
segue:

x2

A B

x1

A cesta de consumo (x1, x2) indicada no ponto A apresenta a


contradição. Se isto fosse possível, as cestas B e C teriam todas de

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ser indiferentes umas às outras, mesmo se situando em curvas de


indiferença diferentes, que apresentam níveis de utilidade distintos.

Continuando, temos que a curva apresentada acima é a forma


padrão, mas não única, de curva de indiferença. Ela indica
preferências convexas (que veremos logo mais o significado),
demonstrando que, para obter mais de 1 bem, o consumidor
precisa abrir mão do outro à taxa decrescente.

Ou seja, a taxa de troca entre os bens é negativa (mais de um bem


requer menos do outro), implicando em curva negativamente
inclinada. No entanto, a taxa de troca entre os bens é decrescente à
medida que nos deslocamos à direita a curva. Este pressuposto é
lógico: se você possui muitas quantidades de x2 e poucas de x1, por
exemplo, está disposto a abrir mão do bem 2 por unidades do bem 1.
Mas, à medida que passar a ter cada vez menos unidades de 2,
precisa de mais unidades do bem 1 para continuar com as trocas. Ou
seja, sua disposição em abrir mão do bem 2 é decrescente.

Um simples numérico pode ajudar a compreender. Digamos que no


início das trocas, o consumidor troca 1 unidade de bem 2 por 1
2
unidade do bem 1 (a taxa de troca é 1). Após já ter realizado
1

algumas trocas, ficando, portanto, com menos do bem 2 e mais do


bem 1, o consumidor passa a exigir mais unidades do bem 1 para
abrir mão do bem 2. Digamos que agora ele troque 1 unidade do bem
2
2 por 2 unidades do bem 1(a taxa de troca é 0,5).
1

No limite, ele irá exigir infinitas unidades do bem 1 para abrir mão de
mais 1 unidade do bem 1. Como, por definição, os bens são escassos
(não infinitos), a taxa de troca será zero neste caso.

Já deu para perceber, neste caso, o porquê a taxa de troca é


decrescente, não é?!

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Continuando, podemos citar 3 formas de curvas de indiferença, que


além de serem as cobradas em provas, indicam como os bens se
relacionam entre si.

Vejamos.

01. CESPE - Analista Legislativo (CAM DEP)/Área


III/Consultor Legislativo/2014/

Julgue o item seguinte, acerca dos fundamentos de economia


e da microeconomia.

As curvas de indiferenças correspondem às infinitas


combinações de bens e representam as preferências dos
consumidores, porque os bens e serviços são contáveis e os
gastos pessoais finitos.

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Como assim?

As curvas de indiferenças correspondem às FINITAS combinações de


bens e representam as preferências dos consumidores, porque os
bens e serviços são contáveis e os gastos pessoais finitos.

As questões com pegadinhas são as piores, não acha?! A banca acha


que vai enganar quem? Você que não, óbvio!

GABARITO: ERRADO

Substitutos Perfeitos

Um bem é perfeitamente substituível por outro quando ambos


possuem as mesmas finalidades (servem ao mesmo objetivo).
Assim, o consumidor troca um por outro sem quaisquer problemas.

Substitutos perfeitos possuem curva de indiferença com


inclinação constante. Ou seja, o consumidor substitui um bem pelo
outro à taxa constante. Assim como no exemplo acima citado, a
curva de indiferença possui inclinação negativa, afinal mais de um
bem resulta em menos do outro sempre na mesma taxa.

Digamos que o consumidor não se importa com as cores de camisa


que utiliza. Assim, para ele, tanto faz consumir 1 unidade de camisa
preta, ou 1 unidade de camisa branca. Assim, ele substitui 1 unidade
de uma delas por 1 unidade da outra (taxa de substituição constante
de 1). O gráfico tem a seguinte forma:

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x2

(20,0)

(10,10)

x1
(0,20)

No caso acima apresentado, nosso consumidor demanda 20 camisas.


Ele pode escolher 10 unidades da camisa preta (x2) com 10 unidades
da camisa branca (x1), escolher 20 de apenas uma cor, ou mesmo
distribuir seu consumo por, digamos, 11 unidades de camisas brancas
e 9 unidades de camisas pretas.

É importante notar que ele sempre troca as camisas à taxa de


1. Ou seja, os dois bens são substitutos perfeitos pois a taxa de troca
é constante por toda a análise.

Mas, não se engane: a taxa não precisa ser de 1; ela pode ser
qualquer número, desde que constante!

Complementares Perfeitos

Os bens complementares são aqueles, como o nome sugere, cuja


demanda de um é complementar a demanda do outro. Dito de
outro modo, um bem é complementar a outro, quando são
consumidos juntamente em proporções fixas.

É o caso clássico dos pares de sapato. Em geral, a demanda do pé


direito de sapato é feita juntamente ao pé esquerdo. Ou seja, para
cada 1 pé direito demandado, demanda-se também 1 unidade do pé
esquerdo.

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Consumir 2 pés direitos e 1 pé esquerdo, por exemplo, não traz


qualquer aumento de utilidade para o consumidor. Desta forma, a
curva de indiferença que representa bens complementares perfeitos
possui formato em L, sendo o ponto de demanda o vértice da curva.

Vejamos:

x2

(20,20)

(10,10)

x1

Só faz sentido ao consumidor consumir, por exemplo, 10 pés direitos


juntamente com 10 pés esquerdos (ou seja, 10 pares de sapato). Se
ele desejar aumentar o consumo, nada adianta demanda 12 pés
direito e 10 pés esquerdo. Ele deve, necessariamente, demandar uma
combinação lógica que redunde em número de pares de sapato,
como, por exemplo, 20 unidades de cada pé.

Desta forma, apenas os vértices apresentam solução interessante ao


consumidor, demonstrando o ponto em que ele se situa quando
demanda bens perfeitamente complementares. Afinal, como
afirmado, a demanda é feita conjuntamente em proporções fixas.

Cabe ressaltar que não é necessário que a proporção fixa seja de 1:1.
Ela pode ser, digamos, de 2:1 (a cada 2 unidades de x2 é consumida
1 unidade de x1). O importante é que apresenta estas proporções
fixas por toda a análise.

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02. CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015

Em relação a preferências e curvas de indiferença do


consumidor racional, julgue o item a seguir.

Se o consumidor sempre tomar uma xícara de café adoçado


com uma colher de açúcar, então as curvas de indiferença do
consumidor apresentarão o formato de linhas retas no espaço
de bens.

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Sendo objetivo, a preferência representada pela questão indica bens


complementares, pois o consumidor demanda em proporções fixas os
bens xícara de café e colher de açúcar (na proporção 1:1)

O gráfico que representa este tipo de preferência, como vimos, possui


a forma de L.

Curvas de indiferença representadas por linhas retas indicam bens


substitutos perfeitos, que são trocados à taxa constante pelo
consumidor.

GABARITO: ERRADO

Neutros

Um bem neutro é aquele que o consumidor não em importa


em consumidor. Assim, se ele deseja demandar 10 unidades de
cerveja, tanto faz a quantidade de refrigerantes que acompanha a
demanda por cervejas.

O consumidor se importa apenas com a demanda por cervejas, se


mostrando neutro frente ao refrigerante.

Este tipo de curva de indiferença possui a seguinte forma:

x2

x1

Em nosso exemplo, x1 representa unidades de cervejas e x2,


refrigerantes. O consumidor quer mesmo é saber de cervejas e a

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curva de indiferença denota isto, visto que a quantidade fixada está


no eixo horizontal. A quantidade de refrigerantes pouco importa

Evidente que, caso ele preferisse refrigerantes, a curva seria


horizontal, demonstrando indiferença por qualquer quantidade de
cerveja.

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3. TAXA MARGINAL DE SUBSTITUIÇÃO

O conceito de taxa marginal de substituição está implícito por toda a


aula.

Os consumidores, via de regra, pretendem consumir bens diferentes,


ou seja, apresentam cestas de consumos balanceadas (não
especializadas) entre os bens disponíveis. Isto é algo trivial: você
prefere gastar toda sua renda com verduras, ou dividir entre
legumes, verduras, carnes, grãos e outros alimentos?

Evidente que a cesta balanceada é preferível à especializada somente


em verduras.

No então, o consumidor não possui recursos ilimitados para


demandar o que bem entender. Ou mesmo os bens não possuem
dotações infinitas para serem demandados.

Dito de outro modo, ao balancear sua cesta de consumo, o


consumidor necessita trocar um bem pelo outro. O valor
numérico desta taxa é a taxa marginal de substituição.

Definindo, taxa marginal de substituição do bem 2 pelo bem 1 é


a medida que representa quantas unidades do bem 2 o
consumidor precisa abrir mão para demandar uma unidade
adicional do bem 1, respeitando a mesma curva de indiferença
(atenção para o fato que continuamos utilizando a cesta de bens
(x1,x2) na análise).

Dito de outro modo, a taxa mede quantas unidades do bem 1 o


consumidor precisa ganhar para ser recompensado pelo sacrifício em
demandar menores quantidades do bem 2. É importante ter em
mente que, na microeconomia, consumo representa utilidade (assim,
abrir mão do consumo é prejudicial ao consumidor).

Podemos visualizar este conceito através do gráfico:

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x2

A
B

x1

A passagem do ponto A para o ponto B indica o que acabamos de


tratar. O consumidor deixa de consumir certas quantidades do bem 2,
sendo compensado pela demanda adicional do bem 1. A
manutenção na mesma curva de indiferença indica que a
situação do consumidor permanece a mesma (mesma
utilidade antes e depois da troca).

Neste exemplo podemos calcular a taxa marginal de substituição da


seguinte forma:

, =

Primeiro comentário: a TMS é negativa, pois adquirir mais unidades


do bem 1 requer abrir mão de unidades do bem 2; ou seja, os dois
bens estão relacionados negativamente nesta escolha.

Segundo comentário: abrir mão do bem 2 para adquirir uma unidade


marginal adicional do bem 1 é representado pelo índice (2,1); se
quiséssemos saber o contrário, o índice se inverteria para (1,2),

assim como a expressão, ficando: , = .

Terceiro comentário: a taxa é marginal, pois representa quanto


preciso abrir mão de um bem para obter um consumo adicional

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marginal de outro (como bens, em regra, são medidos através de


unidades, o termo marginal indica 1 unidade adicional, ou 1 grama
adicional, ou 1 litro adicional e assim por diante, dependendo da
unidade de medida utilizada.)

Que tal dois exemplos?

Exemplo 1: O consumidor demanda 50 unidades de bebidas/mês e


10 unidades de alimentos no mesmo período. Se quiser demandar 12
unidades de alimentos, reduz seu consumo de bebidas em 10
unidades. Qual a TMS entre bebidas e alimentos?

, =

, =

, =

Graficamente:

-10

+2

Exemplo 2: Considerando os mesmos dados do item anterior, qual a


TMS entre alimentos e bebidas?

, =

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, =

, =

Ou seja, a taxa marginal de substituição entre alimentos e bebidas é


igual ao inverso da taxa marginal de substituição entre bebidas e
alimentos.

Ou seja:

, =
,

Agora, vamos continuar no exemplo 1. Digamos que o consumidor


queira abrir mão de um pouco mais de bebidas para obter alimentos.
No entanto, ele faz este procedimento a uma taxa de substituição
menor. Afinal, ele já possui mais alimentos e, mesmo querendo mais,
está disposto a abrir mão de menor quantidade de bebidas para obter
uma unidade marginal adicional de alimentos.

Numericamente, ele está disposto a abrir mão de 3 unidades de


bebidas para obter 1 unidade adicional de alimentos. A TMS é a
seguinte:

, =

, =

Percebe que a TMS diminuiu? Pois bem, esta é uma característica de


TMS para curvas de indiferença estritamente convexas, como
veremos no tópico a seguir.

Nestes casos, a TMS é decrescente. À medida que o consumidor


demanda menos bebida, ele precisa de quantidades maiores de
alimento para deixar de consumir uma unidade adicional de bebida.

Este fato pode ser percebido através da forma da curva de


indiferença. Repare que, quando o consumidor se desloca da

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esquerda para a direita, ele parte de trecho da curva altamente


inclinado (vertical) para outro pouco inclinado (horizontal).

Trechos verticais de curvas possuem inclinação muito elevada, ao


passo que trechos horizontais possuem inclinação próxima de zero.
desta forma, consumidor sair de um ponto com inclinação elevada e
se dirige a outro com inclinação próxima de zero. ou seja, a
inclinação, assim como a TMS, é decrescente

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4. PREFERÊNCIAS BEM COMPORTADAS

Mesmo sabendo da existência de diversas preferências,


representadas por várias formas de curvas de indiferença, os
economistas gostam de tentar achar um padrão para facilitar a vida.

Para tanto, alguns pressupostos são assumidos para delinear


preferências bem comportadas, que são aquelas que
representam certa razoabilidade. Mesmo que as curvas de
indiferença apresentem formatos distintos, alguma razoabilidade
deve existir. E, estas preferências razoáveis, podem ser chamadas de
preferências bem comportadas.

Preferências bem comportadas devem atender, ao menos, dois


pressupostos:

 Mais é melhor do que menos Acho que já captou a ideia,


não é?! Cestas que representam mais bens são preferíveis a outras
que representam menos.

Esta suposição é chamada de monotonicidade, ou de preferências


monotônicas.

Apesar do difícil nome, a essência é simples. Se o consumidor tiver a


chance de consumir duas cestas (x1,x2) e (y1,y2), sendo que esta
apresenta mais bens do que aquela, ele irá demandar (y1,y2). Assim,
(y1,y2) (x1,x2).

Preferências monotônicas resultam em curva de indiferença com


inclinação negativa. Afinal, à direita e acima da curva estão cestas
preferidas, enquanto abaixo e à esquerda, curvas preferidas (se a
curva fosse positivamente inclinada – formato ascendente – esta
relação não seria possível).

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x2

Cestas

Cestas Preferidas

Preteridas

x1

 Cestas médias são preferíveis a cestas extremas O


consumidor prefere consumir uma cesta que apresenta uma
combinação de itens a consumir outra que representa quantidades de
apenas 1 bem (cestas especializadas).

Este pressuposto é muito intuitivo. Em nosso consumo cotidiano, não


consumimos apenas unidades de 1 alimento. Quase sempre
preferimos cestas com vários itens de alimentos. Esta é a ideia.

Assim, podemos representar as cestas de consumo de maneira


ponderada: quanto é gasto em cada bem. Digamos que a ponderação
é dada por t. Assim, considerando as cestas especializadas (x1,x2) e
(y1,y2), o consumidor prefere o consumo ponderado entre as duas
cestas, ao invés do consumo especializado de apenas 1 delas. Este
fato é comumente representado como segue:

(tx1 + (1 - t)y1 ; tx2 + (1 - t)y2) (x1,x2)

(tx1 + (1 - t)y1 ; tx2 + (1 - t)y2) (y1,y2)

Como já afirmado, t representa o peso na cesta. Assim, se t = 0,5,


podemos afirmar que o consumidor prefere as cestas médias do que
a cestas especializadas. Graficamente:

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(x1,x2)
x2

(x1,x2)

x1

A cesta média está representada pelo ponto, sendo preferível às


cestas (x1,x2) e (y1,y2).

Este pressuposto indica que, do ponto de vista geométrico, as


curvas de indiferença são convexas.

Do contrário (se côncavas), o ponto médio estaria abaixo da curva de


indiferença, representando uma cesta preterida, conforme explicado
no pressuposto anterior.

Deste modo, a curva de indiferença bem comportada é convexa. Este


fato é totalmente compatível com a ideia de consumo conjunto de
bens, sendo normal ao consumidor demandar um pouco de cada
bem, ao invés de desejar tudo de um e nada de outro.

Por fim, cabe citar a existência de dois tipos de convexidade: a


convexidade estrita (gráfico que acabamos de analisar) e a
convexidade comum (curva de bens substitutos).

Na primeira delas, a cesta média é estritamente preferível às


cestas especializadas. É o caso de curva de indiferença com
inclinação negativa e decrescente em todo seu formato, como a
apresentada acima. Como afirmado, em toda a curva, a cesta média
é preferível.

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Já a curva de convexidade comum é aquela que apresenta


determinadas partes planas, como no caso da curva de indiferença
para bens substitutos perfeitos. Assim, a preferência entre bens
substitutos perfeitos, mesmo que convexas, podem acarretar em
consumo especializado. Se, por exemplo, o preço de um dos bens
aumenta, o consumidor irá se especializar no outro. Mas, se o preço
dos dois permanece igual, talvez ele prefira uma combinação de
ambos.

Evidente que, no caso de curva de indiferença côncava (como a


mostrada abaixo), a TMS é crescente, o consumidor não prefere
cestas balanceadas e, consequentemente, ele tende a se especializar
no consumo (consumir apenas 1 bem na cesta de consumo). Neste
caso, adicionalmente, considera-se a inexistência de saciedade. Ou
seja, se pudesse, o consumidor abriria mão de mais unidades do bem
preterido para poder obter mais unidades do item desejado. Mas,
como é impossível ele possuir quantidades negativas de qualquer
bem, a troca de um bem pelo outro possui um limite: quando ele
atinge zero unidade do bem indesejado. Neste sentido, o consumidor
em geral se situa sobre o eixo que apresenta o bem por ele desejado.

(x1,x2)
x2

(x1,x2)

x1

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03. CESPE - Analista do Ministério Público da


União/Perícia/Economia/2013/

No que se refere às escolhas do consumidor, às preferências e


à teoria da utilidade, julgue o item a seguir.

A hipótese de taxa marginal de substituição decrescente


implica que, no consumo de bens, o consumidor tem
preferência pela diversificação.

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A hipótese da diversificação é relacionada à convexidade da curva de


indiferença, como salientado anteriormente. Desta forma, curvas de
indiferença convexas indicam que o consumidor prefere consumir
uma cesta de bens balanceada (combinação dos dois bens) a outra
especializada (com apenas 1 bem).

E, curvas convexas possuem taxa marginal de substituição


decrescente (a inclinação da curva diminuiu à medida que nos
deslocamos da esquerda para a direita).

GABARITO: CERTO

04. CESPE - Especialista em Regulação de Serviços de


Transporte Aquaviário/Economico-Financeira/2014/

No que diz respeito à teoria microeconômica, julgue o item


que se segue.

Considere que um consumidor, após avaliar diversas cestas de


bens, localizadas em diferentes curvas de indiferença, conclua
que uma delas é a melhor do conjunto todo e a escolha. Nessa
situação, é correto afirmar que as preferências desse
consumidor foram saciadas.

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Microeconomia
Analista (Área 3) – BACEN
Teoria e exercícios comentados
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Questão direta.

Ao escolher uma cesta em relação a outras disponíveis, o consumidor


prefere esta escolhida às demais. Ou seja, ele sacia sua preferência
em relação ao consumo.

GABARITO: CERTO

05. CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015

Em relação a preferências e curvas de indiferença do


consumidor racional, julgue o item a seguir.

As curvas de indiferença são côncavas em relação à origem no


espaço de bens.

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Analista (Área 3) – BACEN
Teoria e exercícios comentados
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O formato das curvas de indiferença depende das preferências que


representam

Sendo objetivo1, curvas convexas são aquelas que se “abrem” em


direção oposta à origem. Isto é, se traçarmos uma reta ligando dois
pontos de uma curva convexa, elas se situará acima dos pontos sobre
a curva. O exemplo abaixo denota uma curva estritamente convexa:

Como já afirmado, t representa o peso na cesta. Assim, se t = 0,5,


podemos afirmar que o consumidor prefere as cestas médias do que
a cestas especializadas. Graficamente:

(x1,x2)
x2

(x1,x2)

x1

Já as curvas côncavas possuem formato inverso, ou seja, “abertas”


no sentido da origem.

Assim, é possível existir curvas côncavas e convexas no espaço de


bens, bem como algumas derivações de ambas.

GABARITO: ERRADO

1
Não é preciso uma definição formal matemática sobre concavidade ou convexidade para provas de
concursos.

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Analista (Área 3) – BACEN
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06. CESPE - Auditor Governamental (CGE PI)/Geral/2015/

Julgue o seguinte item, relativo aos axiomas e às hipóteses


que regem as preferências do consumidor.

As curvas de indiferença apresentam inclinação positiva e


densidade em todo o espaço de bens.

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Analista (Área 3) – BACEN
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Questão parecida à anterior, mas cobrada em outro concurso. A


resposta já sabemos. Apenas é preciso considerar que nesta questão
o CESPE considera a inclinação da curva de indiferença, ao invés de
denomina-la côncava ou convexa.

Curvas estritamente convexas possuem inclinação decrescente


quando nos deslocamos na esquerda para à direita (a taxa de troca
entre os bens é decrescente). Já as curvas côncavas possuem
inclinação crescente quando nos deslocamos da esquerda para a
direita, o que significa que a taxa de troca entre os bens aumenta
nesta direção.

Bom, como explicitado na questão anterior, existem diversos tipos de


curvas de indiferença, com inclinação crescente e decrescente.

GABARITO: ERRADO

07. CESPE - Auditor Governamental (CGE PI)/Geral/2015/

Julgue o seguinte item, relativo aos axiomas e às hipóteses


que regem as preferências do consumidor.

Se, na comparação entre os bens A, B e C, o bem B for pelo


menos tão bom quanto o bem A, e o bem C for estritamente
preferível ao bem A, então, sob convexidade, qualquer
combinação linear dos bens B e C será preferível ao bem A.

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Microeconomia
Analista (Área 3) – BACEN
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A questão relaciona alguns axiomas das preferências do consumidor,


a saber a convexidade (cestas médias preferíveis a cestas
especializadas) e a transitividade.

A transitividade está de acordo com a suposição de que se o bem B é


pelo menos preferível a A e o bem C é estritamente preferível a A,
então B e C são preferíveis a A.

Em relação à convexidade, elas nos diz que cestas balanceadas (que


contém quantidades médias dos dois bens) são preferíveis a cestas
especializadas (que possuem um bem ou outro).

Desta forma, ao atender ambos os axiomas, o consumidor prefere


uma combinação dos bens B e C ao bem A.

GABARITO: CERTO

08. CESPE - Analista Legislativo (CAM DEP)/Área IX/Consultor


Legislativo/2014/

A caixa de Edgeworth exposta acima representa as dotações


dos bens 1 e 2 e as preferências das pessoas A e B pelo
consumo desses bens. As escolhas de consumo da pessoa A
são medidas a partir do canto inferior esquerdo, enquanto as
da pessoa B são medidas a partir do canto superior direito. As
preferências de consumo de A e B são representadas por
curvas de indiferença de linha cheia e de linha tracejada,

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Microeconomia
Analista (Área 3) – BACEN
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respectivamente. As preferências de consumo de B são bem


comportadas, ao passo que as de A são bem comportadas em
torno da curva de contrato e entre os pontos X e Y e entre os
pontos W e Z das curvas UA e U’A, respectivamente. Fora
desses intervalos, as preferências de A são monotônicas e
côncavas. O ponto W representa a dotação inicial, e M e N são
pontos de tangência de curvas de indiferença de A e de B. No
ponto S, a pessoa A não consome quantidade alguma dos bens
1 e 2.

Com base na situação apresentada acima, julgue o item a


seguir.

A pessoa A apresenta uma taxa marginal de substituição


crescente no ponto N.

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O conceito de Caixa de Edgeworth será trabalhado em aula futura.


Por ora, basta olhar para a figura apresentada pela questão e verifica
que se trata de dois gráficos cartesianos, sendo o ponto S a origem
do consumidor que iremos analisar.

Desta forma fica simples. As curvas destacadas são as curvas de


indiferença do consumidor e os pontos Y, M, X e N estão sobre a
curva de indiferença que retorna o nível de utilidade UA ao
consumidor.

Bom, especificamente no ponto N, a curva de indiferença é côncava.


Podemos verificar este conceito ao ver que ela está aberta no sentido
da origem. E, se traçarmos uma reta ligando dois pontos da curva de
indiferença, os pontos sobre esta reta estarão em posição abaixo da
curva de indiferença.

E, como já citado anteriormente, curvas de indiferença côncavas


apresentam taxa marginal de substituição crescente quando nos
deslocamos da esquerda para a direita.

Assim, a questão está correta.

GABARITO: CERTO

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09. CESPE - Analista Legislativo (CAM DEP)/Área IX/Consultor


Legislativo/2014/

A caixa de Edgeworth exposta acima representa as dotações


dos bens 1 e 2 e as preferências das pessoas A e B pelo
consumo desses bens. As escolhas de consumo da pessoa A
são medidas a partir do canto inferior esquerdo, enquanto as
da pessoa B são medidas a partir do canto superior direito. As
preferências de consumo de A e B são representadas por
curvas de indiferença de linha cheia e de linha tracejada,
respectivamente. As preferências de consumo de B são bem
comportadas, ao passo que as de A são bem comportadas em
torno da curva de contrato e entre os pontos X e Y e entre os
pontos W e Z das curvas UA e U’A, respectivamente. Fora
desses intervalos, as preferências de A são monotônicas e
côncavas. O ponto W representa a dotação inicial, e M e N são
pontos de tangência de curvas de indiferença de A e de B. No
ponto S, a pessoa A não consome quantidade alguma dos bens
1 e 2.

Com base na situação apresentada acima, julgue o item a


seguir.

X é um ponto de saciedade para a pessoa A.

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As mesmas observações feitas anteriormente se aplicam a esta


questão. Ou seja, as curvas destacadas são as curvas de indiferença
do consumidor e os pontos Y, M, X e N estão sobre a curva de
indiferença que retorna o nível de utilidade UA ao consumidor.

O ponto X está situado sobre o trecho côncavo da curva de


indiferença. Além das observações já feitas acima sobre curvas de
indiferença côncavas (TMS crescente), precisamos saber que este
tipo de curva não apresenta ponto de saciedade (características das
curvas convexas). É muito simples de entender o porquê.

Nas curvas côncavas não há intenção de diversificação da cesta de


consumo, mas sim especialização. Ou seja, como ela apresenta TMS
crescente, o consumidor sempre irá desejar mais de um bem e
menos do outro. Assim, ele irá se especializar neste bem preferido,
preferindo-o em relação ao outro bem. Em resumo, o consumidor não
irá ficar saciado, pois, se pudesse, consumiria mais unidades do bem
desejado.

GABARITO: ERRADO

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5. UTILIDADE: CONCEITOS INICIAIS

O conceito de utilidade está intrinsecamente ligado ao conceito de


preferências.

De acordo com o princípio da monotonicidade (preferências


monotônicas), uma cesta com mais consumo é preferível a outra com
menos: a cesta com mais bens representa mais utilidade.

Desta forma, a utilidade pode ser vista como uma forma de


descrever as preferências.

A relação entre preferências e utilidades pode ser encarada da


seguinte forma:

1. O consumidor faz suas escolhas de consumo de acordo com


suas preferências – as preferências são o aspecto fundamental na
determinação do consumo

2. A utilidade do consumidor é uma maneira (mas não a única) de


determinar diretamente a preferência do consumidor e,
indiretamente, sua escolha

E como calculamos a utilidade?

Ora, através da função utilidade!

A função utilidade é um modo de atribui um valor numérico a


cada cesta de consumo. Evidentemente, cestas com maior
utilidade são preferíveis às cestas com menor utilidade.

De forma simples e objetiva:

(x1,x2) é preferível à (y1,y2) se e somente se ( , )


( , )

É possível ler a afirmação acima do seguinte modo: a cesta com os


bens x1 e x2 é preferível à cesta com os bens y1 e y2, se a
utilidade proporcionada pelo consumo dos bens x1 e x2 é

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superior à utilidade derivada através do consumo dos bens y1


e y2.

Assim, é de grande importância saber que a utilidade hierarquiza as


preferências. Cestas com mais utilidade, de acordo com o princípio da
monotonicidade, são preferíveis a outras com menos: as cestas
podem ser ordenadas (utilidade ordinal).

Para nossos fins não é necessário saber qual a magnitude de


diferença desta ordenação. Não importa saber, por exemplo, o
quanto mais elevada é a preferência de uma cesta que confere 10
unidades de utilidade à outra que confere 5. Dito de outro modo, a
utilidade cardinal não nos interessa, pois o que vale é a ordenação
das cestas para fins de preferência.

Que tal um exemplo para ilustra estes primeiros conceitos?

Vamos tomar a tabela abaixo com dois exemplos de preferências:

CESTAS U1 U2

A 10 -2

B 8 -3

C 6 -4

Os dois exemplos de utilidade U1 e U2 são maneiras corretas de


descrever as preferências. Digamos que U1 representa utilidades para
João, enquanto U2 tem o mesmo significado para Pedro.

Nos dois casos a cesta A é preferível à cesta B, assim como B é


preferível à C (pois uA>uB>uC).

Cabe notar que, para Pedro, as cestas conferem utilidades negativas.


É o caso, por exemplo, de cestas que contém bens que representam
males para Pedro – por exemplo, poluição. Como a cesta A
representa uma utilidade negativa inferior às outras, ela é preferível.

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É também importante notar também o conceito de transformação


monotônica. Utilizando a ordenação de João, podemos multiplicar as
utilidades por 2. O valor da utilidade aumenta, mas a ordenação das
cestas é mantida. Caso haja variação no valor das utilidades,
mas se mantenha a ordenação das cestas, haverá
transformação monotônica.

Pela tabela:

CESTAS U1 2(U1)

A 10 20

B 8 16

C 6 12

A transformação monotônica das utilidades de João resultou no


aumento em 2 vezes nos valores, mas a ordenação das cestas
permaneceu, ou seja, uA>uB>uC se manteve.

As bancas costumam tentar confundir os candidatos sobre este


conceito. Portanto, segue apresentada a forma geral de uma
transformação monotônica, assim como uma explicação definitiva
sobre o tema:

1. Se u1> u2, então f(u1) > f(u2)

2. Desta forma, f(u(x1,x2) > f(u(y1,y2) se, e somente se,


( , ) ( , ), de modo que a função f(u)represente as
preferências da mesma forma (e na mesma ordem) que a
função original u(x1,x2)

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10. CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015

Considerando a restrição orçamentária linear do consumidor


no espaço de bens, em que a quantidade do bem x é
representada no eixo das abscissas, e a do bem y, no eixo das
ordenadas, julgue o próximo item.

Se os preços e a renda forem multiplicados pelo mesmo


escalar positivo, então a utilidade do consumidor não será
alterada.

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Questão correta.

A utilidade do consumidor é determinada pela quantidade de bens por


consumida. No entanto, a quantidade de bens consumida é função
dos preços dos bens e da renda do consumidor.

Se considerarmos, por exemplo, que o aumento do preço do bem


reduz o seu consumo, provavelmente haverá redução na utilidade do
consumidor.

Mas, se os preços aumentarem no mesmo grau que o aumento da


renda, nada será modificado em termos de utilidade, pois o
consumidor continuará a demanda a mesma cesta.

É uma consequência estritamente lógica: se dobramos o preço dos


bens e também dobramos a renda, o consumidor continuará a
consumir a mesma quantidade de bens anteriormente consumida, de
modo que sua utilidade não será modificada.

GABARITO: CERTO

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6. UTILIDADE MARGINAL E TAXA MARGINAL DE


SUBSTITUIÇÃO

A utilidade, por si, apresenta importância na microeconomia. Mas,


mais relevante ainda, é analisar a variação da utilidade quando
adicionamos uma unidade adicional de um dos bens à cesta.

Este conceito é chamado de utilidade marginal.

Ou seja, a utilidade marginal mede a variação na utilidade dada


uma variação na margem de um dos bens que compõem a
cesta de consumo.

Podemos escrever isto matematicamente para cada bem.

Vejamos:
+ ; ,
Bem 1: = =

; + ,
Bem 2: = =

Perceba que nos dois casos calculou-se o aumento na utilidade total


derivado da variação do consumo do bem correspondente.

Desta forma, a variação na utilidade pode ser assim representada:

Bem 1: = ×

Bem 2: = ×

As expressões acima calculam o valor da variação na utilidade total


em função da variação do consumo do bem correspondente.

É interessante notar que, ao passo que o consumidor deseja mais


quantidades do bem 1, ele precisa abrir mão proporcionalmente mais
de unidades do bem 2 (no caso de preferências bem comportadas,
quando a TMS é decrescente).

Assim, se ele estiver disposto a abrir mão da mesma quantidade do


bem 2, ele passa a obter cada vez menos do bem 1. Assim, =

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× é menor à medida que mais unidades do bem 1 são


consumidas.

Este fato resulta na famosa afirmação de que a utilidade marginal


de determinado bem é decrescentequanto mais unidades
deste bem são consumidas.

O exemplo do copo de água é clássico e autoexplicativo. O primeiro


copo de água de um indivíduo com muita sede traz a ele mais
utilidade do que o quarto copo, por exemplo. Ou seja, o aumento na
utilidade total do indivíduo (a utilidade marginal) no primeiro copo
d´água é mais elevado que o aumento no quarto copo de água.

Em outras palavras, a utilidade marginal é decrescente!

Esta ideia é basilar e fundamenta quase tudo em economia. Para


você ter uma ideia, muitas teorias que se encontram na fronteira do
conhecimento são simplesmente descartadas por violar esta simples
hipótese de utilidade marginal decrescente.

Mas, isto não é assunto para este momento.

O que nos cabe no momento é saber que a utilidade marginal


também serve de instrumento para calcular a Taxa Marginal
de Substituição (TMS).

Lembrando que a TMS mede a taxa de troca entre dois bens em uma
mesma curva de indiferença, ou seja, à utilidade constante. Além
disto, ela é obtida pela inclinação da curva de indiferença, como já
salientado no tópico específico.

Desta forma, a variação na utilidade tem de ser zero. Utilizando a


expressão que usamos acima, temos que:

× + × =

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Mas, sabemos que , = .

Então: , = =

Note que na razão entre quantidades o bem 1 está no numerador


(em cima), enquanto o bem 2 está no denominador (em baixo). Na
razão de utilidades marginais acontece o contrário. Mas, é assim
mesmo: não se assuste.

Portanto, podemos interpretar a taxa marginal de substituição do


bem 2 pelo bem 1 através da razão entre as utilidades marginais do
bem 1 pelo bem 2.

11. FGV - Analista da Defensoria Pública (DPE RO)/Analista


em Economia/2015/

Suponha que um consumidor tenha que escolher entre três


bens: A, B e C. Assuma as seguintes nomenclaturas:

pA, pB, pC são os preços dos bens A, B e C, respectivamente.

UmgA, UmgB, UmgC são as utilidades marginais dos bens A, B


e C, respectivamente.

TMSAB, TMSBC, TMSCA são as taxas marginais de substituição


entre os bens A e B, B e C, e C e A, respectivamente.

Supondo solução interior, na sua escolha ótima:

a) UmgA=UmgB=UmgC;

b)pA/pB=UmgA/UmgB e pB/pC=UmgB/UmgC e
pA/pC=UmgA/UmgC;

c) pA/pB= pB/pC= pA/pC e TMSAB = TMSBC=TMSCA;

d) UmgB/UmgA=TMSAB e UmgC/UmgB=TMSBC e
UmgA/UmgC=TMSCA;

e) pA/pB=TMSAB ou pB/pC=TMSBC ou pC/pA=TMSCA.

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Como citado, no ponto ótimo o consumidor consome quantidades de


x1 e x2 que atendem a:

1 2
=
1 2

Desenvolvendo:

1 1
=
2 2

Trazendo à realidade da questão (com os bens A, B e C), isto significa

que a escolha ótima entre A e B se dá quando = ; entre B e c

se dá quando = ; e entre A e C se dá quando = .

GABARITO: LETRA B

12. FCC - Analista Desenvolvimento Gestão Júnior (METRO


SP)/Economia/2014/

A respeito do conceito de “utilidade” é correto afirmar:

a) A função utilidade permite calcular, precisamente, a


utilidade atribuída por um consumidor a um determinado bem.

b) A transformação monotônica de uma função de utilidade é


uma função de utilidade que representa as mesmas
preferências da função de utilidade original.

c) Todos os tipos de preferência podem ser representados pela


função de utilidade.

d) A inclinação de uma determinada curva de indiferença, em


dado ponto, é chamada de taxa de substituição de utilidade.

e) A função de utilidade marginal depende apenas do


comportamento do consumidor, não guardando qualquer
relação com a função de utilidade escolhida para se descrever
esse comportamento.

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Ponto que acabamos de ver. Cestas que representam mais bens são
preferíveis a outras que representam menos. Esta suposição é
chamada de monotonicidade, ou de preferências monotônicas.

Apesar do difícil nome, a essência é simples. Se o consumidor tiver a


chance de consumir duas cestas (x1,x2) e (y1,y2), sendo que esta
apresenta mais bens do que aquela, ele irá demandar (y1,y2). Assim,
(y1,y2) (x1,x2).

Quando uma função de utilidade sofre uma transformação


monotônica isto indica que ela representa um nível mais elevado de
utilidade. No entanto, a função continua a representar o mesmo tipo
de preferência, pois a cesta de consumo continuam a apresentar a
mesma proporção entre os bens (a quantidade de bens aumenta,
mantendo a proporção que possuem na cesta) e a preferência do
consumidor se mantém.

Sendo assim, A transformação monotônica de uma função de


utilidade é uma função de utilidade que representa as mesmas
preferências da função de utilidade original, como apresentado na
alternativa B.

Abaixo, os erros das demais:

a) A função de utilidade calcula o total de utilidade derivado do


consumo de determinada cesta de bens. Perceba que é exatamente o
contrário do que apresentado pela questão.

c) Nem todas. Por exemplo, preferências não transitivas não podem


ser representadas por funções de utilidade. Em geral, as preferências
que podem ser representadas por funções de utilidade são aquelas
que atendem aos axiomas apresentados na aula.

d) É chamada de taxa marginal de substituição

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e) Evidente que não. A utilidade marginal é obtida pela derivada da


função de utilidade em relação ao bem. Sendo assim, a função de
utilidade importa.

GABARITO: LETRA B

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7. FUNÇÕES DE UTILIDADE E CURVAS DE INDIFERENÇA

Sabendo que a utilidade serve de instrumento para ordenar as


preferências, e estas podem ser representadas por curvas de
indiferenças, nada mais natural do que afirmar que as curvas de
indiferença representam níveis de utilidade. Mais propriamente,
a cada curva de indiferença pode ser atribuída uma utilidade.

Esta afirmação é compatível com os pressupostos de preferências


anteriormente apresentados. Por exemplo, curvas de indiferença mais
distantes da origem são preferíveis às mais próximas, de modo que
apresentam utilidade maior.

Quem tal analisarmos um exemplo de função de utilidade e


construção da curva de indiferença? Vejamos!

Podemos supor que a função de utilidade pode ser representada por


( , ) = × .

Bom, sabemos que cada curva de indiferença indica cestas de bens


com a mesma utilidade, ou seja,ué constante. Há um recurso
matemático para estabelecer que u é constante. Basta tirá-la do lado
esquerdo da equação e colocá-la do direito (ademais, estamos
chamando a utilidade de c – símbolo de constante):

, = ×

Agora, pense comigo: o que acontece com x1, caso x2 aumente


(lembrando que a utilidade é constante, não varia)? Ora, x1 diminui!

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Assim, a curva de indiferença já pode ser construída, possuindo a


seguinte forma:

x2

c=4

c=2

x1

As curvas acima representam dois valores de utilidade: 2 e 4.


Evidente que a curva de indiferença que apresenta maior utilidade
(=4) está acima e à direita da outra.

Agora, vamos pensar um pouco mais. O que aconteceria se ocorresse


uma transformação monotônica nas duas curvas acima
apresentadas?

Vejamos um exemplo na forma de função e na forma gráfica.

Considere a seguinte função de utilidade:

, = × =( × ) = ,

Ou seja, nossa nova função de utilidade , nada mais é do que a


função anterior , ao quadrado. Há aqui uma transformação
monotônica (elevar ao quadrado a função de utilidade), de modo que
a nova função de utilidade possui a mesma forma e ordenação das
curvas de indiferença do exemplo anterior.

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Assim:

x2

c=8

c=4

x1

Pronto! A curva de indiferença está construída a partir de uma função


de utilidade. Para facilitar sua vida, segue adiante exemplos das
funções de utilidade e das curvas de indiferença resultantes mais
cobradas em concursos: substitutos perfeitos, complementares
perfeitos e Cobb-Douglas.

Substitutos Perfeitos

Como bem sabemos, bens substitutos perfeitos são aqueles que se


prestam à mesma finalidade. O consumidor pode tranquilamente
trocar um pelo outro e, assim, obter a mesma utilidade.

Este fato resulta em uma função de utilidade que possui, geralmente,


a seguinte forma básica:

, = +

Esta é a forma básica, mas não indica que seja a única. Por exemplo,
transformações monotônicas desta função resultam em outras. No
entanto, a ideia básica prevalece, assim como o ordenamento das
preferências.

Importa-nos compreender o significado dos parâmetros a e b.

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Eles medem o grau de relevância do bem para o consumidor. Por


exemplo, se a = 2 e b =1, significa dizer que o consumidor deseja
consumir 2 unidades do bem 1 para cada unidade do bem 2 na cesta
de consumo.

Dito de outro modo, o bem 1 vale duas vezes mais que o bem 2
neste exemplo.

E, lembrando que a curva de indiferença possui inclinação constante,


a razão entre a e b ( )fornece, em módulo, o valor da inclinação da

curva de indiferença – que é o valor da TMS.

O formato da curva de indiferença é o seguinte:

x2

-a/b

x1

A taxa de troca entre o bem 2 pelo bem 1 (TMS2,1) é dada por –a/b.
assim, no caso de a =2 e b =1 , temos TMS = -2.

Complementares Perfeitos

Os complementares perfeitos são os bens consumidos conjuntamente


em proporções fixas.Ao consumidor interessa tão somente o consumo
na combinação fixada. O caso clássico dos pares de sapato indica que
o consumo de 1 pé direito só faz sentido quando feito em conjunto
com 1 pé esquerdo. Ou seja, a proporção fixa é de 1:1.

Matematicamente isto pode ser representado pela chamada função


mínimo. Se a proporção é de 1:1, o consumidor não deseja 2 pés

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direito e 1 pé esquerdo. Ele deseja a combinação mínima, que é 1:1.


Dito de outro modo, consumir 2:1 deixa o indivíduo na mesma curva
de indiferença que está com 1:1.

Em geral, a função de utilidade deste caso possui a seguinte forma:


, = { , }

Sendo a e b os números que indicam a proporção que os bens são


consumidos conjuntamente.

Graficamente:

x2

U1

U0
x1

O consumo é estabelecido nos vértices do L, como já observado. E,


adicionalmente, curvas à direita e acima representam maior utilidade
(U1 > U0).

13. (CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015)

Considere que a função utilidade do consumidor do tipo Cobb-


Douglas seja expressa na forma u=x1ax21−a, em que x1 e x2
são as quantidades, respectivamente, dos bens 1 e 2, a (0,1)
é um escalar e p1 e p2 são os preços dos bens 1 e 2
respectivamente. Considerando que w seja a renda do
consumidor, julgue o item que se segue, relativo à teoria do
consumidor.

Os bens x1 e x2 são perfeitamente complementares.

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Microeconomia
Analista (Área 3) – BACEN
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Questão muito simples de se resolver.

Como vimos, a utilidade derivada do consumo de bens


complementares é representada pela seguinte forma:

1, 2 = { 1, 2}

A expressão citada pela questão indica uma função Cobb-Douglas de


utilidade.

GABARITO: ERRADO

Cobb-Douglas

A função de utilidade Cobb-Douglas é muito importante em todo o


curso de microeconomia, sobretudo na teoria da produção.
Apresentada por dois economistas, Paul Douglas e Charles Cobb, esta
função apresenta em seus expoentes o peso de cada bem na cesta do
consumidor.

Vejamos:

, = ×

Sendo a + b = 1.

Desta forma, o valor do parâmetro a indica o peso do bem 1 na cesta


de consumo, assim como b indica o peso do bem 2. Por exemplo, se
a = 0,5 e b= 0,5, cada bem representa 50% da cesta de consumo.

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O gráfico deste caso pode ser apresentado da forma que segue:

x2

U2

U1

U0

x1

E, qual será a TMS para o caso Cobb-Douglas?

A seguinte:

= ×

Vamos descobrir como?

Simples. Como vimos acima: , = . Sendo assim, basta

aplicar a derivada à função Cobb-Douglas. Primeiro derivamos a


função de utilidade em relação ao bem 1 (resultando na utilidade
marginal em relação ao bem 1), após em relação ao bem 2
(resultando na utilidade marginal em relação ao bem 2), para
obtermos a razão entre as duas utilidades marginais.

Segue abaixo o processo:

,
= = ×

,
= = ×

×
, =
×

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, = ×

Obviamente que não é necessário saber o processo matemático por


trás da taxa marginal de substituição. Basta saber a expressão para
calculá-la, como mostrado acima.

14. FGV - Analista Judiciário (TJ RO)/Economista/2015

Considere que u(x,y) = 10x0,2y0,8 é a representação da função


utilidade de Maria Antônia, que consome apenas dois bens, x e
y. Se a cesta de consumo é (x, y) = (100, 400), a taxa
marginal de substituição de x por y é:

a) 0,25;

b) 0,5;

Xc) 1,00;

d) 1,25;

e) 2,00.

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Anteriormente provamos que a TMS para uma função de utilidade


Cobb-Douglas é:

= ×

Substituindo os valores fornecidos pela questão:

0,2 400
= ×
0,8 100

=1

GABARITO: LETRA C

15. CESPE - Analista do Ministério Público da


União/Perícia/Economia/2013/

No que se refere às escolhas do consumidor, às preferências e


à teoria da utilidade, julgue o item a seguir.

As funções utilidade U(x, y) = x0,5y0,5 e W(x, y) = 2xy – 10, em


que x e y são os únicos bens da economia, descrevem,
segundo a teoria ordinal do consumidor, as mesmas
preferências.

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Certamente incorreto!

A primeira função de utilidade é do estilo Cobb-Douglas, enquanto


que a segunda possui outro tipo de preferência distinto.

Para ser mais preciso, não é possível operar uma transformação


monotônica da função de utilidade U para a função W.

GABARITO: ERRADO

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8. A ESCOLHA ÓTIMA DO CONSUMIDOR

Finalmente cá estamos para derivar a escolha do consumidor.


Finalmente chegamos ao nosso objetivo!

Sabemos que o consumidor escolhe o melhor, tendo em vista suas


preferências e respeitando seu conjunto orçamentário (restrição
orçamentária).

Dito de outro modo, o consumidor prefere a cesta de consumo


que fornece mais utilidade (situada na curva de indiferença
mais distante da origem, no caso de preferências bem
comportadas), respeitando a restrição de orçamento que
possui.

Vejamos abaixo a demonstração gráfica com os devidos comentários:

x2

x2a

x*2

x1a x*1 x1

O gráfico acima apresenta 3 curvas de indiferença, cada uma


representando um nível de utilidade distinto. Evidente que a curva
mais distante da origem apresenta a maior utilidade do ponto de
vista do consumidor. A reta orçamentária é apresentada com
inclinação negativa.

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A escolha ótima do consumidor é dada no ponto em que a reta


orçamentária tangencia a curva de indiferença mais distante da
origem. Este ponto indica a cesta de consumo (x*1,x*2). Esta cesta é
a escolha do consumidor, pois indica o consumo que proporciona
maior utilidade e respeita a restrição orçamentária imposta.

As cestas à direita, que indicam maior utilidade, não estão


disponíveis, visto que o orçamento do consumidor não as suporta. As
escolhas à esquerda são possíveis, mas o consumidor pode escolher
outras com maior utilidade com a renda que possui.

Vejamos o exemplo dado pela cesta (x1a,x2a). A cesta se encontra em


um ponto de intersecção entre a curva de indiferença e a reta
orçamentária. Mas, por qual motivo ela não é escolhida?

Se o consumidor se mover para a direita sobre a reta orçamentária,


ele encontrará outro ponto de intersecção (tangência) entre a reta de
orçamento e uma curva de indiferença que fornece mais utilidade. A
escolha dele é clara: ele prefere a curva de indiferença com mais
utilidade.

Além deste fato, interessa saber se sempre será assim. Ou seja, o


consumidor escolherá sempre a cesta de bens situada na tangência
entre a restrição orçamentária e a curva de indiferença com maior
utilidade?

Não! Toda regra possui sua exceção.

Nos casos mais comuns, sim – o consumidor escolhe o ponto de


tangência. No entanto, há alguns exemplos em que isto não
acontece, como quando o consumidor se especializa.

O melhor exemplo é o caso de substitutos perfeitos. Sabemos que a


curva de indiferença deste exemplo possui inclinação constante, da
forma que segue:

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x2

x2a

Curva de Indiferença

x*2

Reta Orçamentária

x*1 x1a x1

A inclinação constante da curva de orçamento indica que o


consumidor troca os dois bens a uma taxa constante – TMS
constante. Se o preço de um dos bens se elevar, o consumidor
especializa seu consumo no outro.

Por exemplo, se x2 subir de preço, o consumidor se especializa em x1.


A cesta de consumo, neste caso, é dada por x1a.

Aqui há o chamado ótimo de fronteira (ou solução de canto). A


cesta ótima indica o consumo de apenas 1 dos bens, estando situada
na fronteira do exemplo (e não no interior). Perceba que neste caso
não há tangência entre curva de indiferença e reta orçamentária.

Há ainda mais uma exceção. Imagine o que ocorre quando há dois


(ou mais) pontos de tangência no gráfico. Qual seria o ponto ótimo
do consumidor?

É o caso de curvas de indiferença convexas (não estritamente


convexas), que podem possuir partes planas, ou até mesmo
convexas. Vejamos o exemplo abaixo:

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x2

x1

Já considerando a falta de habilidade do professor em desenhos,


perceba a existência de 3 pontos de tangência, sendo 2 deles na
curva de indiferença que representa mais utilidade e o outro, na
curva de menor utilidade. Considerando este fato, um dos pontos já
pode ser desconsiderado de antemão, pois está na curva de
indiferença de utilidade inferior. Os outros dois pontos estão situados
na mesma curva de indiferença (indicando a mesma utilidade) e
possíveis do ponto de vista orçamentário. Desta forma, a tangência
entre a curva de indiferença e a reta orçamentária não determina
qual a cesta escolhida.

Ou seja, mesmo que condição necessária, a tangência entre a


curva de indiferença e a reta orçamentária não é suficiente
para determinar a cesta escolhida.

Portanto, recorde dos 3 casos como seguem:

 Ótimo InteriorNo caso de preferências bem comportadas


(monotônicas e estritamente convexas), a escolha ótima do
consumidor é dada pelo ponto de tangência entre a restrição
orçamentária e a curva de indiferença que confere mais utilidade.

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Diz-se que o ponto de tangência é condição necessária e suficiente


para a escolha ótima.

 Ótimo Interior (curvas de indiferença não estritamente


convexas)Para curvas de indiferença convexas (não estritamente
convexas), a existência de partes planas (ou até mesmo côncavas),
possibilita que a reta orçamentária tangencie a curva de indiferença
em mais de 1 ponto, havendo mais de 1 cesta passível de escolha.
Neste caso, o ponto de tangência é apenas condição necessária para
achar a escolha ótima, mas não suficiente.

 Ótimo de Fronteira Não há tangência entre a reta


orçamentária e a curva de indiferença. O consumidor se especializa
no consumo de 1 dos bens, como no caso dos substitutos perfeitos

E, finalmente, quais outros significados econômicos possuem os


pontos ótimos do consumidor?

Fazendo algumas manipulações matemáticas na condição de ponto


ótimo (ponto de tangência entre reta orçamentária e curva de
indiferença), que omitimos aqui pois não é nosso objetivo
compreender, chegamos à seguinte condição:

A expressão acima que, no ponto de escolha ótima do consumidor, o


aumento marginal na utilidade derivada do consumo do bem 1 para o

gasto adicional no mesmo bem é igual ao aumento marginal na

utilidade derivada do consumo do bem 2 para o gasto adicional neste

bem .

A igualdade obtida entre estes dois termos indica que o consumo


marginal adicional do bem 1 traz tanta utilidade quanto o consumo
marginal adicional do bem 2, pelo que o consumidor consome em sua
cesta uma quantidade diversificada destes bens.

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Imagine que isto não ocorre. Por exemplo:

>

O aumento marginal na utilidade derivada do consumo do bem 1 para

o gasto adicional no mesmo bem é maior ao aumento marginal

na utilidade derivada do consumo do bem 2 para o gasto adicional

neste bem .

Neste caso, o consumidor escolheria especializar no bem 1, pois este


traz utilidade marginal superior ao bem 2. Ou seja, aqui haveria uma
solução de canto (ótimo de fronteira) em que a cesta seria especializa
no consumo do bem 1.

Saber fazer comparações como esta, entre utilidades marginais e


preços dos bens é vital na microeconomia.

Mas, a lógica é simples. Se o benefício derivado do consumo adicional


de 1 bem (utilidade marginal) é superior ao custo marginal em se
consumir este mesmo bem (preço), o indivíduo provavelmente irá
consumir mais deste bem. Ora, ele obtém mais benefício do que
custo neste caso.

A igualdade na situação indica que o consumidor está satisfeito com


uma cesta de consumo balanceada – algo implícito na situação de
preferência bem comportada.

Como as bancas, ora ou outra, fazem questionamentos sobre estes


raciocínios, é importante que você se recorde dele.

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9. DEMANDA ÓTIMA DO CONSUMIDOR

Sabendo que a condição de escolha ótima do consumidor, é um passo


para sabermos quanto de cada bem é consumido.

Ou seja, considerando que o consumidor demanda a cesta ótima


(x*1,x*2) ao respeitar a condição de escolha ótima (no caso de
preferências bem comportadas, o ponto de tangência entre a reta
orçamentária e a curva de indiferença com maior utilidade), só resta
saber a quantidade de cada bem demandada.

A função de demanda é a função que relaciona a escolha ótima


considerando a renda do consumidor e o preço dos bens.

É muito comum as bancas solicitarem (geralmente com exemplos


sem números) este conhecimento. Apesar de aparentemente
complexo, pois envolve um pouco de álgebra, a notação final é de
simples assimilação. E, é ela que devemos guardar para a prova!

Nos 3 exemplos citados abaixo é considerado que a quantidade


demandada do bem é função do preço do mesmo bem, do preço do
outro bem e da renda. A notação para este fato é a seguinte:

X1 (p1,p2,m) Para cada conjunto de preços (p1, p2) e renda (m) haverá
uma combinação diferente de bens que corresponderá à
X2 escolha ótima do consumidor

(p1,p2,m)

Seguimos com o exemplo das três principais formas de preferências:


Bens Substitutos Perfeitos, Bens Complementares Perfeitos e
Cobb-Douglas.

Bens Substitutos Perfeitos

É sabido que bens substitutos perfeitos são aqueles que se prestam à


mesma finalidade, podendo ser substituídos um pelo outro sem
qualquer prejuízo ao consumidor.

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A existência de substitutos perfeitos resulta em 3 situações de


demanda para o consumidor. Se o bem 1 é mais barato que o bem 2,
o consumidor se especializa no bem 1 (gasta toda sua renda em 1).
Se o bem 2 é o mais barato, a especialização é no bem 2 (gasta toda
sua renda em 2). Se os dois bens possuem preços iguais, o
consumidor não sem importa com qual irá consumir.

E, qual a forma da função de demanda para ambos os bens?


Vejamos:

Bem 1 (x1):

 Se p1 < p2:

= (toda a renda é gasta no bem 1)

 Se p1 > p2:
= (o consumidor não demanda nenhuma unidade do bem
1)
 Se p1 = p2:

(o consumidor demanda uma quantidade entre

zero unidades e todas as unidades possíveis com sua renda)

Bem 2 (x2):

 Se p2 < p1:

= (toda a renda é gasta no bem 2)

 Se p2 > p1:
= (o consumidor não demanda nenhuma unidade do bem
2)
 Se p2 = p1:

(o consumidor demanda uma quantidade entre

zero unidades e todas as unidades possíveis com sua renda).

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Graficamente, esta situação específica pode assim ser apresentada:

x2

m/x2 Escolha ótima se p2 < p1

Curva de Indiferença

Reta Orçamentária
Escolha ótima se p1 < p2
m/x1 x1

16. FGV - Analista Judiciário (TJ RO)/Economista/2015

Suponha que Antônio tenha renda dada por M unidades


monetárias, e deva gastá-la fazendo escolhas apenas entre
dois bens: A e B. Se os preços dos bens são dados,
respectivamente, por pA e pB, e se sua função utilidade for
U(A,B) = A + 10B, é correto afirmar que Antônio:

a) se especializará no consumo de A se pB>10pA;

b) se especializará no consumo de B se pA<10pB;

c) se especializará no consumo de A se pA>10pB;

d) necessariamente se especializará no consumo de B se


pA=10pB;

e) necessariamente se especializará no consumo de A se


pA=10pB.

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A função de utilidade apresenta o caso dos bens substitutos perfeitos.


Como apresentado acima, a demanda por estes bens segue as
seguintes regras:

Bem 1 (x1):

 Se p1 < p2:

1 = (toda a renda é gasta no bem 1)


1

 Se p1 > p2:

1 = 0 (o consumidor não demanda nenhuma unidade do bem


1)
 Se p1 = p2:

0 1 (o consumidor demanda uma quantidade entre


1

zero unidades e todas as unidades possíveis com sua renda)

Bem 2 (x2):

 Se p2 < p1:

2 = (toda a renda é gasta no bem 2)


2

 Se p2 > p1:

2 = 0 (o consumidor não demanda nenhuma unidade do bem


2)
 Se p2 = p1:

0 2 (o consumidor demanda uma quantidade entre


2

zero unidades e todas as unidades possíveis com sua renda).

Analisando a expressão fornecida (U(A,B) = A + 10B), é possível


notar que 1 unidade a mais do bem B eleva a utilidade do consumidor
em 10 unidades e 1 unidade adicional do bem A eleva a utilidade do
consumidor em 1 unidade. Sendo assim, a relação entre os preços
deve refletir esta proporção. Ou seja, se o preço do bem B for até 10
vezes maior que o preço do bem A, o consumidor escolhe o bem B;

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ao contrário, se o preço do bem B for superior a 10 vezes o preço do


Bem A, o consumidor escolhe A.

Este conceito está exposto na Alternativa A.

GABARITO: LETRA A

Bens Complementares Perfeitos

No caso de complementares perfeitos, o consumidor buscará


consumir ambos os bens conjuntamente em proporções fixas.
Digamos, por exemplo, que o preço de x1 é reduzido, indicando
aumento na demanda do mesmo. Se a proporção de consumo entre o
bem 1 e o bem 2 é de 1:1, o aumento na demanda do bem 1 em q
unidades provoca o mesmo aumento na demanda pelo bem 2 (afinal,
eles são consumidos na mesma proporção).

Esta ideia é facilmente representável na relação a seguir:

× =

çã ã

Se, por exemplo, considerarmos que os dois bens são consumidor na


proporção de 1:1 (a = 1 e b = 1), podemos afirmar que:

= =
+

Ou seja, a quantidade demandada pelo bem 1 é igual à quantidade


demandada pelo bem 2 (a quantidade ótima é dada pela divisão
entre a renda do consumidor a soma dos preços dos dois bens).

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Graficamente, temos que:

x2

x1

As cestas ótimas são indicadas pelos vértices das curvas de


indiferença.

Cobb-Douglas

A função de utilidade Cobb-Douglas apresenta em seus expoentes o


peso de cada bem na cesta do consumidor.

Vejamos:

, = ×

Sendo a + b = 1.

Desta forma, o valor do parâmetro a indica o peso do bem 1 na cesta


de consumo, assim como b indica o peso do bem 2. Por exemplo, se
a = 0,5 e b= 0,5, cada bem representa 50% da cesta de consumo.

O gráfico deste caso pode ser apresentado da forma que segue:

x2

U2

U1

x1
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E, qual será a TMS para o caso Cobb-Douglas? Como já mostramos


anteriormente, a seguinte:

= ×

E a função de demanda?

Aqui entra um interessante processo para descobri-la, chamado de


processo de Lagrange, em homenagem ao matemático Joseph-Louis
Lagrange, responsável pela sua formalização.

Como sabemos, a escolha ótima do consumidor passa pela


maximização da utilidade condicionada à restrição orçamentária. Pois
bem, é exatamente este o resultado do processo de Lagrange, isto é,
otimizar de maneira condicionada uma função. Para nossos fins, será
preciso encontrar o máximo da função utilidade (nosso objetivo),
sujeito à restrição orçamentária (nossa condição).

Matematicamente:

: , = ×

à: + =

Para montarmos a expressão de Lagrange é preciso proceder da


seguinte forma:

= × + ( )

Note que a função a ser maximizada vem primeiro do lado esquerdo


da expressão. Após ela aparece o multiplicador de Lagrange ( ) e,
por fim, a função que condiciona a escolha, a restrição orçamentária
( ).

Agora, é preciso derivar a função de Lagrange em relação à x1 e x2:

= ×

= ×

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Por fim, é preciso obter a razão entre as expressões da forma que


segue:

×
=
×

Obtendo em função de x2:

Substituindo este resultado na restrição orçamentária:

+ =

+ =

( + )=

+
=

= ×
+

O mesmo processo também é aplicado para descobrir a função de


demanda de x2, de modo que ficamos com:

= ×
+

Sendo assim, as funções de demanda para x1 e x2 respectivamente:

= ×
+

= ×
+

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Eu concordo: o procedimento é complexo e longo demais para você


resolver em uma prova de concurso público. Por isto, guarde as
funções de demanda apresentadas (substitutos perfeitos,
complementares perfeitos e Cobb-Douglas) que é mais do que
suficiente.

Que tal analisarmos um exemplo do certame de 2013 do Bacen? O


exemplo é dos mais complexos possíveis e está aqui para você
perceber o quão longe poder ir a banca. Mesmo que complexo, para
achar o resultado basta usar as igualdades matemáticas
apresentadas.

Vejamos.

17. CESPE/ANALISTA DO BANCO CENTRAL (AREA 6)/2013

Considerando que o problema do consumidor seja resolvido

por meio da função utilidade , julgue


o item a seguir. Nesse sentido, as demandas marshallianas
dos bens 1 e 2, xi (p1 , p2 , w), em que p1 é o preço do bem 1,
p2 é o preço do bem 2 e w é a riqueza do consumidor.

A demanda do consumidor pelo bem 1 é dada por

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A questão tenta complicar se utilizando de termos mais complexos


(demanda marshalliana) e funções de utilidade mais complicadas. No
entanto, a demanda marshalliana é a função de demanda como
vimos.

A questão pode ser resolvida de duas formas. Primeiro, iremos


analisar sob o prisma do método de Lagrange, demonstrado
anteriormente. Após, será elaborada uma versão alternativa de
resolução.

A função de utilidade possui a seguinte forma:


1/2 1/2
=2 1 +4 2

E a restrição orçamentária possui a seguinte forma:

= 1 1+ 2 2

Montando a lagrangeana, temos:


1/2 1/2
=2 1 +4 2 + ( 1 1 2 2)

Note que a função a ser maximizada vem primeiro do lado esquerdo


da expressão. Após ela aparece o multiplicador de Lagrange ( ) e,
por fim, a função que condiciona a escolha, a restrição orçamentária
( 1 1 2 2 ).

Agora, é preciso derivar a função de Lagrange em relação à x1 e x2:

1/2
= 1 1
1

1/2
=2 2 2
2

Por fim, é preciso obter a razão entre as expressões da forma que


segue:
1/2
1 1
= 1/2
2 2 2

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1/2
1 1 2
= 1/2
2 2
1

Obtendo em função de x2:

1/2 1 1/2
1 1= 2 2
2
1
1/2 2
1
2 =2 1 2
2
1
2 =4 1
2

Substituindo este resultado na restrição orçamentária:

1 1 + 2 2 =
2
1
1 1 + 4 1 2=
2

12
1 1 + 4 1 =
2

2 1 12
1 +4 =
2 2

2
1 =
2 1 + 4 12

Agora, podemos encontrar x2 se utilizando dos mesmos realizados


nesta última parte das contas. Precisamos, no entanto, obter a
expressão de x1 em função de x2 e de p1 e p2. Vejamos:

1/2 1 1/2
1 1= 2 2
2
1
1/2 1 2
2
1 = 2
2 1
2
1 2
1 = 2
4 1

Substituindo este resultado na restrição orçamentária:

1 1 + 2 2 =

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2
1 2
1 2 + 2 2 =
4 1

1 22
2 + 2 2 =
4 1

1 22
2 + 2 =
4 1

1 22 2 1
2 + =
4 1 1

4 1
2 = 2
2 + 2 1

A forma alternativa de resolução segue adiante. Primeiro, é


necessário compreender que, no equilíbrio, o consumidor se encontra
na seguinte situação:

Ou seja, a razão entre as utilidades marginais dos bens 1 e 2 é igual


a razão de preços destes mesmos bens.

Agora, faz-se necessário encontrar as utilidades marginais (derivadas


parciais de primeira ordem da função de utilidade) e colocar na
expressão acima.

Abaixo, segue passo a passo.

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Colocando os valores das utilidades marginais na expressão de


equilíbrio do consumidor, temos que:

Por fim, devemos saber que o consumidor esgota sua renda (w) com
a demanda pelos bens. Isto é, sua restrição orçamentária nos diz que
o valor demandado pelo bem 1 mais o valor demandado pelo bem 2 é
igual á renda: 1 1 + 2 2 =

Substituindo x2 na expressão de restrição orçamentária acima, temos


que:

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Desta forma, a expressão de demanda do consumidor pelo Bem 1


apresentada pela questão está incorreta.

GABARITO: ERRADO

18. CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015

Considere que a função utilidade do consumidor do tipo Cobb-


Douglas seja expressa na forma u=x1ax21−a, em que x1 e x2
são as quantidades, respectivamente, dos bens 1 e 2, a (0,1)
é um escalar e p1 e p2 são os preços dos bens 1 e 2
respectivamente. Considerando que w seja a renda do
consumidor, julgue o item que se segue, relativo à teoria do
consumidor.

Nessa situação, a função demanda walrasiana do bem x1 é


igual a

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Analista (Área 3) – BACEN
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A expressão de demanda do bem de um individuo que apresenta


função de utilidade Cobb-Douglas foi apresentada anteriormente.

Como visto, temos as seguintes funções de demanda ótimas


(walrasianas) para x1 e x2:

1 = × = ×
+ (1 ) 1 1

1
2 = × = (1 )×
+ (1 ) 2 2

Desta forma, a questão está correta, já que a função demanda


walrasiana do bem x1 é igual a .
1

Se quisermos verificar através do cálculo, podemos aplicar a


langrangeana, como mostrado na parte teórica.

Para montarmos a expressão de Lagrange é preciso proceder da


seguinte forma:

= × + ( )

Note que a função a ser maximizada vem primeiro do lado esquerdo


da expressão. Após ela aparece o multiplicador de Lagrange ( ) e,
por fim, a função que condiciona a escolha, a restrição orçamentária
( ).

Agora, é preciso derivar a função de Lagrange em relação à x1 e x2:

= ×

=( ) ×

Por fim, é preciso obter a razão entre as expressões da forma que


segue:

×
=
( ) ×

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Obtendo em função de x2:

Substituindo este resultado na restrição orçamentária:

+ =

+ =

( + )=

= ×
1

GABARITO: CERTO

19. CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015

Considere que a função utilidade do consumidor do tipo Cobb-


Douglas seja expressa na forma u=x1ax21−a, em que x1 e x2
são as quantidades, respectivamente, dos bens 1 e 2, a (0,1)
é um escalar e p1 e p2 são os preços dos bens 1 e 2
respectivamente. Considerando que w seja a renda do
consumidor, julgue o item que se segue, relativo à teoria do
consumidor.

A função utilidade indireta do consumidor é expressa por

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Questão muito importante para complementar o conteúdo visto na


parte teórica.

O item solicita a função de utilidade indireta do consumidor (tema


raro em provas). Mas, o que seria isto?

Sabemos que a função de utilidade é encontrada a partir da


quantidade de bens presente na cesta de consumo do consumidor.
No entanto, para consumir, é preciso considerar o preço dos bens e a
renda do consumidor.

Pois bem, quando encontramos a utilidade do consumidor a partir do


preço dos bens e da renda do consumidor estamos encontrando sua
utilidade de forma indireta, ou seja, estamos encontrando a utilidade
indireta do consumidor.

Para poupar espaço, vamos considerar os cálculos feitos


anteriormente. Nele encontramos as quantidades ótimas demandas
de x1 e x2 através das seguintes funções:

1 = × = ×
+ (1 ) 1 1

1
2 = × = (1 )×
+ (1 ) 2 2

Para achar a função de utilidade indireta(V), basta substituir x1* e


x2* na função original de utilidade. Assim:
1
= 1 2

Substituindo:
1

= × 1 ×
2 2

1
= 1 × 1 )
1 × 2

GABARITO: CERTO

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20. FGV - Agente de Fiscalização (TCM SP)/Economia/2015/

Considere um consumidor que consome apenas dois bens:


pão, X, e leite, Y. Os preços de uma unidade desses bens são,
respectivamente, PX = ½ e PY = 2. Se esse consumidor tem
renda mensal dada por 40 e se sua função utilidade é
representada por U(X,Y) = 5X1/2Y1/2, a cesta ótima que pode
ser comprada por esse consumidor que maximiza sua utilidade
sujeita a sua restrição orçamentária é:

a) X = 0 e Y = 20;

b) X = 20 e Y = 15;

c) X = 40 e Y = 10;

d) X = 60 e Y = 5;

e) X = 80 e Y = 0.

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Mais uma função de utilidade no formato Cobb-Douglas. Como já


sabemos, as cestas ótimas são:

1 = ×
+ 1

2 = ×
+ 2

O que precisamos fazer é substituir os valores fornecidos pela


questão para encontrarmos a quantidade ótima de demanda:

1 = ×
+ 1
1
2 40
1 = 1 1 × 1
+2
2 2

1 = 40

2 = ×
+ 2
1
2 40
2 = 1 1 ×
+2 2
2

2 = 10

Portanto, x = 40 e y= 10.

GABARITO: LETRA C

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21. FGV - Analista (DPE MT)/Economista/2015/

Assuma que um consumidor tenha uma função utilidade do


tipo U (x,y) = x4 y, e um nível de renda igual a w. O preço dos
bens x e y são respectivamente iguais a px e py.

Na escolha ótima, o consumidor irá gastar

a) metade da renda no bem x e a outra metade, no bem y.

b) 60% da renda no bem x e 40% no bem y.

Xc) 80% da renda no bem x e 20% no bem y.

d) 75% da renda no bem x e 25% no bem y.

e) 40% da renda no bem x e 60% no bem y.

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Mais uma vez outra questão solicitando a expressão de demanda de


um consumidor com utilidade a laCobb-Douglas. Como já sabemos:

= ×
+

= ×
+

Substituindo os valores informados pela questão:

4
= ×
5

1
= ×
5

Ou seja, o consumidor gasta 4/5 da renda com a demanda do bem X


(=80%) e 1/5 da renda com a demanda do bem y (=20%).

GABARITO: LETRA C

22. CESPE - Auditor Governamental (CGE PI)/Geral/2015/

No que se refere às funções de produção e suas propriedades,


julgue o item subsequente, considerando os insumos x e y e a
produção Q.

A função Q = x0,5y0,5 é do tipo Cobb-Douglas, e a taxa marginal

de substituição entre os bens x e y é dada pela razão .

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Como visto agora, a TMS para uma função Cobb-Doulgas é:

2
= ×
1

Substituindo:

0,5
= ×
0,5

É possível provar este resultando se utilizando das ferramentas do


cálculo. A TMS é também obtida pela razão das derivadas da função
em relação a y e a x. Ou seja:

0,5 1 0,5
0,5 ×
= 0,5 0,5 1 )
0,5 × (
0,5 1 0,5
= 0,5 0,5 1 )
(

GABARITO: CERTO

23. CESPE - Analista do Ministério Público da


União/Perícia/Economia/2013/

A função utilidade de cada consumidor em uma economia com


os bens x e y é expressa por U(x, y) = 2x + y + xy. Com base
nessa função utilidade, julgue o próximo item.

A demanda individual pelo bem x independe do preço do bem


y.

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Para calcular a quantidade de demanda do bem x a partir da função


de utilidade, é preciso aplicar o lagrangeano.

Como já vimos, o processo consiste em maximizar a função utilidade,


limitado à restrição orçamentária do consumidor.

A seguir seguem os cálculos:

= + + + ( )

= +

= +

+
=
+

( + )= ( + )

Já podemos responder a questão neste momento. Como visto na


expressão acima, há 4 variáveis consideradas (x, y, px e py). Isto
significa que para encontrarmos, por exemplo, a quantidade
demandada de x é preciso considerar os preços dos bens x e y (px e
py). Sendo assim, a questão está incorreta.

A demanda individual pelo bem x depende do preço do bem y.

GABARITO: ERRADO

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10. LISTA DE QUESTÕES E GABARITO

01. CESPE - Analista Legislativo (CAM DEP)/Área


III/Consultor Legislativo/2014/

Julgue o item seguinte, acerca dos fundamentos de economia


e da microeconomia.

As curvas de indiferenças correspondem às infinitas


combinações de bens e representam as preferências dos
consumidores, porque os bens e serviços são contáveis e os
gastos pessoais finitos.

Como assim?

As curvas de indiferenças correspondem às FINITAS combinações de


bens e representam as preferências dos consumidores, porque os
bens e serviços são contáveis e os gastos pessoais finitos.

As questões com pegadinhas são as piores, não acha?! A banca acha


que vai enganar quem? Você que não, óbvio!

GABARITO: ERRADO

02. CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015

Em relação a preferências e curvas de indiferença do


consumidor racional, julgue o item a seguir.

Se o consumidor sempre tomar uma xícara de café adoçado


com uma colher de açúcar, então as curvas de indiferença do
consumidor apresentarão o formato de linhas retas no espaço
de bens.

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Sendo objetivo, a preferência representada pela questão indica bens


complementares, pois o consumidor demanda em proporções fixas os
bens xícara de café e colher de açúcar (na proporção 1:1)

O gráfico que representa este tipo de preferência, como vimos, possui


a forma de L.

Curvas de indiferença representadas por linhas retas indicam bens


substitutos perfeitos, que são trocados à taxa constante pelo
consumidor.

GABARITO: ERRADO

03. CESPE - Analista do Ministério Público da


União/Perícia/Economia/2013/

No que se refere às escolhas do consumidor, às preferências e


à teoria da utilidade, julgue o item a seguir.

A hipótese de taxa marginal de substituição decrescente


implica que, no consumo de bens, o consumidor tem
preferência pela diversificação.

A hipótese da diversificação é relacionada à convexidade da curva de


indiferença, como salientado anteriormente. Desta forma, curvas de
indiferença convexas indicam que o consumidor prefere consumir
uma cesta de bens balanceada (combinação dos dois bens) a outra
especializada (com apenas 1 bem).

E, curvas convexas possuem taxa marginal de substituição


decrescente (a inclinação da curva diminuiu à medida que nos
deslocamos da esquerda para a direita).

GABARITO: CERTO

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04. CESPE - Especialista em Regulação de Serviços de


Transporte Aquaviário/Economico-Financeira/2014/

No que diz respeito à teoria microeconômica, julgue o item


que se segue.

Considere que um consumidor, após avaliar diversas cestas de


bens, localizadas em diferentes curvas de indiferença, conclua
que uma delas é a melhor do conjunto todo e a escolha. Nessa
situação, é correto afirmar que as preferências desse
consumidor foram saciadas.

Questão direta.

Ao escolher uma cesta em relação a outras disponíveis, o consumidor


prefere esta escolhida às demais. Ou seja, ele sacia sua preferência
em relação ao consumo.

GABARITO: CERTO

05. CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015

Em relação a preferências e curvas de indiferença do


consumidor racional, julgue o item a seguir.

As curvas de indiferença são côncavas em relação à origem no


espaço de bens.

O formato das curvas de indiferença depende das preferências que


representam

Sendo objetivo2, curvas convexas são aquelas que se “abrem” em


direção oposta à origem. Isto é, se traçarmos uma reta ligando dois

2
Não é preciso uma definição formal matemática sobre concavidade ou convexidade para provas de
concursos.

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pontos de uma curva convexa, elas se situará acima dos pontos sobre
a curva. O exemplo abaixo denota uma curva estritamente convexa:

Como já afirmado, t representa o peso na cesta. Assim, se t = 0,5,


podemos afirmar que o consumidor prefere as cestas médias do que
a cestas especializadas. Graficamente:

(x1,x2)
x2

(x1,x2)

x1

Já as curvas côncavas possuem formato inverso, ou seja, “abertas”


no sentido da origem.

Assim, é possível existir curvas côncavas e convexas no espaço de


bens, bem como algumas derivações de ambas.

GABARITO: ERRADO

06. CESPE - Auditor Governamental (CGE PI)/Geral/2015/

Julgue o seguinte item, relativo aos axiomas e às hipóteses


que regem as preferências do consumidor.

As curvas de indiferença apresentam inclinação positiva e


densidade em todo o espaço de bens.

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Questão parecida à anterior, mas cobrada em outro concurso. A


resposta já sabemos. Apenas é preciso considerar que nesta questão
o CESPE considera a inclinação da curva de indiferença, ao invés de
denomina-la côncava ou convexa.

Curvas estritamente convexas possuem inclinação decrescente


quando nos deslocamos na esquerda para à direita (a taxa de troca
entre os bens é decrescente). Já as curvas côncavas possuem
inclinação crescente quando nos deslocamos da esquerda para a
direita, o que significa que a taxa de troca entre os bens aumenta
nesta direção.

Bom, como explicitado na questão anterior, existem diversos tipos de


curvas de indiferença, com inclinação crescente e decrescente.

GABARITO: ERRADO

07. CESPE - Auditor Governamental (CGE PI)/Geral/2015/

Julgue o seguinte item, relativo aos axiomas e às hipóteses


que regem as preferências do consumidor.

Se, na comparação entre os bens A, B e C, o bem B for pelo


menos tão bom quanto o bem A, e o bem C for estritamente
preferível ao bem A, então, sob convexidade, qualquer
combinação linear dos bens B e C será preferível ao bem A.

A questão relaciona alguns axiomas das preferências do consumidor,


a saber a convexidade (cestas médias preferíveis a cestas
especializadas) e a transitividade.

A transitividade está de acordo com a suposição de que se o bem B é


pelo menos preferível a A e o bem C é estritamente preferível a A,
então B e C são preferíveis a A.

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Em relação à convexidade, elas nos diz que cestas balanceadas (que


contém quantidades médias dos dois bens) são preferíveis a cestas
especializadas (que possuem um bem ou outro).

Desta forma, ao atender ambos os axiomas, o consumidor prefere


uma combinação dos bens B e C ao bem A.

GABARITO: CERTO

08. CESPE - Analista Legislativo (CAM DEP)/Área IX/Consultor


Legislativo/2014/

A caixa de Edgeworth exposta acima representa as dotações


dos bens 1 e 2 e as preferências das pessoas A e B pelo
consumo desses bens. As escolhas de consumo da pessoa A
são medidas a partir do canto inferior esquerdo, enquanto as
da pessoa B são medidas a partir do canto superior direito. As
preferências de consumo de A e B são representadas por
curvas de indiferença de linha cheia e de linha tracejada,
respectivamente. As preferências de consumo de B são bem
comportadas, ao passo que as de A são bem comportadas em
torno da curva de contrato e entre os pontos X e Y e entre os
pontos W e Z das curvas UA e U’A, respectivamente. Fora
desses intervalos, as preferências de A são monotônicas e
côncavas. O ponto W representa a dotação inicial, e M e N são

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pontos de tangência de curvas de indiferença de A e de B. No


ponto S, a pessoa A não consome quantidade alguma dos bens
1 e 2.

Com base na situação apresentada acima, julgue o item a


seguir.

A pessoa A apresenta uma taxa marginal de substituição


crescente no ponto N.

O conceito de Caixa de Edgeworth será trabalhado em aula futura.


Por ora, basta olhar para a figura apresentada pela questão e verifica
que se trata de dois gráficos cartesianos, sendo o ponto S a origem
do consumidor que iremos analisar.

Desta forma fica simples. As curvas destacadas são as curvas de


indiferença do consumidor e os pontos Y, M, X e N estão sobre a
curva de indiferença que retorna o nível de utilidade UA ao
consumidor.

Bom, especificamente no ponto N, a curva de indiferença é côncava.


Podemos verificar este conceito ao ver que ela está aberta no sentido
da origem. E, se traçarmos uma reta ligando dois pontos da curva de
indiferença, os pontos sobre esta reta estarão em posição abaixo da
curva de indiferença.

E, como já citado anteriormente, curvas de indiferença côncavas


apresentam taxa marginal de substituição crescente quando nos
deslocamos da esquerda para a direita.

Assim, a questão está correta.

GABARITO: CERTO

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09. CESPE - Analista Legislativo (CAM DEP)/Área IX/Consultor


Legislativo/2014/

A caixa de Edgeworth exposta acima representa as dotações


dos bens 1 e 2 e as preferências das pessoas A e B pelo
consumo desses bens. As escolhas de consumo da pessoa A
são medidas a partir do canto inferior esquerdo, enquanto as
da pessoa B são medidas a partir do canto superior direito. As
preferências de consumo de A e B são representadas por
curvas de indiferença de linha cheia e de linha tracejada,
respectivamente. As preferências de consumo de B são bem
comportadas, ao passo que as de A são bem comportadas em
torno da curva de contrato e entre os pontos X e Y e entre os
pontos W e Z das curvas UA e U’A, respectivamente. Fora
desses intervalos, as preferências de A são monotônicas e
côncavas. O ponto W representa a dotação inicial, e M e N são
pontos de tangência de curvas de indiferença de A e de B. No
ponto S, a pessoa A não consome quantidade alguma dos bens
1 e 2.

Com base na situação apresentada acima, julgue o item a


seguir.

X é um ponto de saciedade para a pessoa A.

As mesmas observações feitas anteriormente se aplicam a esta


questão. Ou seja, as curvas destacadas são as curvas de

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indiferençado consumidor e os pontos Y, M, X e N estão sobre a curva


de indiferença que retorna o nível de utilidade UA ao consumidor.

O ponto X está situado sobre o trecho côncavo da curva de


indiferença. Além das observações já feitas acima sobre curvas de
indiferença côncavas (TMS crescente), precisamos saber que este
tipo de curva não apresenta ponto de saciedade (características das
curvas convexas). É muito simples de entender o porquê.

Nas curvas côncavas não há intenção de diversificação da cesta de


consumo, mas sim especialização. Ou seja, como ela apresenta TMS
crescente, o consumidor sempre irá desejar mais de um bem e
menos do outro. Assim, ele irá se especializar neste bem preferido,
preferindo-o em relação ao outro bem. Em resumo, o consumidor não
irá ficar saciado, pois, se pudesse, consumiria mais unidades do bem
desejado.

GABARITO: ERRADO

10. CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015

Considerando a restrição orçamentária linear do consumidor


no espaço de bens, em que a quantidade do bem x é
representada no eixo das abscissas, e a do bem y, no eixo das
ordenadas, julgue o próximo item.

Se os preços e a renda forem multiplicados pelo mesmo


escalar positivo, então a utilidade do consumidor não será
alterada.

Questão correta.

A utilidade do consumidor é determinada pela quantidade de bens por


consumida. No entanto, a quantidade de bens consumida é função
dos preços dos bens e da renda do consumidor.

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Se considerarmos, por exemplo, que o aumento do preço do bem


reduz o seu consumo, provavelmente haverá redução na utilidade do
consumidor.

Mas, se os preços aumentarem no mesmo grau que o aumento da


renda, nada será modificado em termos de utilidade, pois o
consumidor continuará a demanda a mesma cesta.

É uma consequência estritamente lógica: se dobramos o preço dos


bens e também dobramos a renda, o consumidor continuará a
consumir a mesma quantidade de bens anteriormente consumida, de
modo que sua utilidade não será modificada.

GABARITO: CERTO

11. FGV - Analista da Defensoria Pública (DPE RO)/Analista


em Economia/2015/

Suponha que um consumidor tenha que escolher entre três


bens: A, B e C. Assuma as seguintes nomenclaturas:

pA, pB, pC são os preços dos bens A, B e C, respectivamente.

UmgA, UmgB, UmgC são as utilidades marginais dos bens A, B


e C, respectivamente.

TMSAB, TMSBC, TMSCA são as taxas marginais de substituição


entre os bens A e B, B e C, e C e A, respectivamente.

Supondo solução interior, na sua escolha ótima:

a) UmgA=UmgB=UmgC;

b)pA/pB=UmgA/UmgB e pB/pC=UmgB/UmgC e
pA/pC=UmgA/UmgC;

c) pA/pB= pB/pC= pA/pC e TMSAB = TMSBC=TMSCA;

d) UmgB/UmgA=TMSAB e UmgC/UmgB=TMSBC e
UmgA/UmgC=TMSCA;

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e) pA/pB=TMSAB ou pB/pC=TMSBC ou pC/pA=TMSCA.

Como citado, no ponto ótimo o consumidor consome quantidades de


x1 e x2 que atendem a:

1 2
=
1 2

Desenvolvendo:

1 1
=
2 2

Trazendo à realidade da questão (com os bens A, B e C), isto significa

que a escolha ótima entre A e B se dá quando = ; entre B e c

se dá quando = ; e entre A e C se dá quando = .

GABARITO: LETRA B

12. FCC - Analista Desenvolvimento Gestão Júnior (METRO


SP)/Economia/2014/

A respeito do conceito de “utilidade” é correto afirmar:

a) A função utilidade permite calcular, precisamente, a


utilidade atribuída por um consumidor a um determinado bem.

b) A transformação monotônica de uma função de utilidade é


uma função de utilidade que representa as mesmas
preferências da função de utilidade original.

c) Todos os tipos de preferência podem ser representados pela


função de utilidade.

d) A inclinação de uma determinada curva de indiferença, em


dado ponto, é chamada de taxa de substituição de utilidade.

e) A função de utilidade marginal depende apenas do


comportamento do consumidor, não guardando qualquer

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relação com a função de utilidade escolhida para se descrever


esse comportamento.

Ponto que acabamos de ver. Cestas que representam mais bens são
preferíveis a outras que representam menos. Esta suposição é
chamada de monotonicidade, ou de preferências monotônicas.

Apesar do difícil nome, a essência é simples. Se o consumidor tiver a


chance de consumir duas cestas (x1,x2) e (y1,y2), sendo que esta
apresenta mais bens do que aquela, ele irá demandar (y1,y2). Assim,
(y1,y2) (x1,x2).

Quando uma função de utilidade sofre uma transformação


monotônica isto indica que ela representa um nível mais elevado de
utilidade. No entanto, a função continua a representar o mesmo tipo
de preferência, pois a cesta de consumo continuam a apresentar a
mesma proporção entre os bens (a quantidade de bens aumenta,
mantendo a proporção que possuem na cesta) e a preferência do
consumidor se mantém.

Sendo assim, A transformação monotônica de uma função de


utilidade é uma função de utilidade que representa as mesmas
preferências da função de utilidade original, como apresentado na
alternativa B.

Abaixo, os erros das demais:

a) A função de utilidade calcula o total de utilidade derivado do


consumo de determinada cesta de bens. Perceba que é exatamente o
contrário do que apresentado pela questão.

c) Nem todas. Por exemplo, preferências não transitivas não podem


ser representadas por funções de utilidade. Em geral, as preferências
que podem ser representadas por funções de utilidade são aquelas
que atendem aos axiomas apresentados na aula.

d) É chamada de taxa marginal de substituição

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e) Evidente que não. A utilidade marginal é obtida pela derivada da


função de utilidade em relação ao bem. Sendo assim, a função de
utilidade importa.

GABARITO: LETRA B

13. (CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015)

Considere que a função utilidade do consumidor do tipo Cobb-


Douglas seja expressa na forma u=x1ax21−a, em que x1 e x2
são as quantidades, respectivamente, dos bens 1 e 2, a (0,1)
é um escalar e p1 e p2 são os preços dos bens 1 e 2
respectivamente. Considerando que w seja a renda do
consumidor, julgue o item que se segue, relativo à teoria do
consumidor.

Os bens x1 e x2 são perfeitamente complementares.

Questão muito simples de se resolver.

Como vimos, a utilidade derivada do consumo de bens


complementares é representada pela seguinte forma:

1, 2 = { 1, 2}

A expressão citada pela questão indica uma função Cobb-Douglas de


utilidade.

GABARITO: ERRADO

14. FGV - Analista Judiciário (TJ RO)/Economista/2015

Considere que u(x,y) = 10x0,2y0,8 é a representação da função


utilidade de Maria Antônia, que consome apenas dois bens, x e
y. Se a cesta de consumo é (x, y) = (100, 400), a taxa
marginal de substituição de x por y é:

a) 0,25;

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b) 0,5;

Xc) 1,00;

d) 1,25;

e) 2,00.

Anteriormente provamos que a TMS para uma função de utilidade


Cobb-Douglas é:

= ×

Substituindo os valores fornecidos pela questão:

0,2 400
= ×
0,8 100

=1

GABARITO: LETRA C

15. CESPE - Analista do Ministério Público da


União/Perícia/Economia/2013/

No que se refere às escolhas do consumidor, às preferências e


à teoria da utilidade, julgue o item a seguir.

As funções utilidade U(x, y) = x0,5y0,5 e W(x, y) = 2xy – 10, em


que x e y são os únicos bens da economia, descrevem,
segundo a teoria ordinal do consumidor, as mesmas
preferências.

Certamente incorreto!

A primeira função de utilidade é do estilo Cobb-Douglas, enquanto


que a segunda possui outro tipo de preferência distinto.

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Para ser mais preciso, não é possível operar uma transformação


monotônica da função de utilidade U para a função W.

GABARITO: ERRADO

16. FGV - Analista Judiciário (TJ RO)/Economista/2015

Suponha que Antônio tenha renda dada por M unidades


monetárias, e deva gastá-la fazendo escolhas apenas entre
dois bens: A e B. Se os preços dos bens são dados,
respectivamente, por pA e pB, e se sua função utilidade for
U(A,B) = A + 10B, é correto afirmar que Antônio:

a) se especializará no consumo de A se pB>10pA;

b) se especializará no consumo de B se pA<10pB;

c) se especializará no consumo de A se pA>10pB;

d) necessariamente se especializará no consumo de B se


pA=10pB;

e) necessariamente se especializará no consumo de A se


pA=10pB.

A função de utilidade apresenta o caso dos bens substitutos perfeitos.


Como apresentado acima, a demanda por estes bens segue as
seguintes regras:

Bem 1 (x1):

 Se p1 < p2:

1 = (toda a renda é gasta no bem 1)


1

 Se p1 > p2:

1 = 0 (o consumidor não demanda nenhuma unidade do bem


1)
 Se p1 = p2:

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0 1 (o consumidor demanda uma quantidade entre


1

zero unidades e todas as unidades possíveis com sua renda)

Bem 2 (x2):

 Se p2 < p1:

2 = (toda a renda é gasta no bem 2)


2

 Se p2 > p1:

2 = 0 (o consumidor não demanda nenhuma unidade do bem


2)
 Se p2 = p1:

0 2 (o consumidor demanda uma quantidade entre


2

zero unidades e todas as unidades possíveis com sua renda).

Analisando a expressão fornecida (U(A,B) = A + 10B), é possível


notar que 1 unidade a mais do bem B eleva a utilidade do consumidor
em 10 unidades e 1 unidade adicional do bem A eleva a utilidade do
consumidor em 1 unidade. Sendo assim, a relação entre os preços
deve refletir esta proporção. Ou seja, se o preço do bem B for até 10
vezes maior que o preço do bem A, o consumidor escolhe o bem B;
ao contrário, se o preço do bem B for superior a 10 vezes o preço do
Bem A, o consumidor escolhe A.

Este conceito está exposto na Alternativa A.

GABARITO: LETRA A

17. CESPE/ANALISTA DO BANCO CENTRAL (AREA 6)/2013

Considerando que o problema do consumidor seja resolvido

por meio da função utilidade , julgue


o item a seguir. Nesse sentido, as demandas marshallianasdos

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bens 1 e 2, xi (p1 , p2 , w), em que p1 é o preço do bem 1, p2 é o


preço do bem 2 e w é a riqueza do consumidor.

A demanda do consumidor pelo bem 1 é dada por

A questão tenta complicar se utilizando de termos mais complexos


(demanda marshalliana) e funções de utilidade mais complicadas. No
entanto, a demanda marshalliana é a função de demanda como
vimos.

A questão pode ser resolvida de duas formas. Primeiro, iremos


analisar sob o prisma do método de Lagrange, demonstrado
anteriormente. Após, será elaborada uma versão alternativa de
resolução.

A função de utilidade possui a seguinte forma:


1/2 1/2
=2 1 +4 2

E a restrição orçamentária possui a seguinte forma:

= 1 1+ 2 2

Montando a lagrangeana, temos:


1/2 1/2
=2 1 +4 2 + ( 1 1 2 2)

Note que a função a ser maximizada vem primeiro do lado esquerdo


da expressão. Após ela aparece o multiplicador de Lagrange ( ) e,
por fim, a função que condiciona a escolha, a restrição orçamentária
( 1 1 2 2 ).

Agora, é preciso derivar a função de Lagrange em relação à x1 e x2:

1/2
= 1 1
1

1/2
=2 2 2
2

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Por fim, é preciso obter a razão entre as expressões da forma que


segue:
1/2
1 1
= 1/2
2 2 2

1/2
1 1 2
= 1/2
2 2
1

Obtendo em função de x2:

1/2 1 1/2
1 1= 2 2
2
1
1/2 2
1
2 =2 1 2
2
1
2 =4 1
2

Substituindo este resultado na restrição orçamentária:

1 1 + 2 2 =
2
1
1 1 + 4 1 2=
2

12
1 1+ 4 1 =
2

2 1 12
1 +4 =
2 2

2
1 =
2 1 + 4 12

Agora, podemos encontrar x2 se utilizando dos mesmos realizados


nesta última parte das contas. Precisamos, no entanto, obter a
expressão de x1 em função de x2 e de p1 e p2. Vejamos:

1/2 1 1/2
1 1= 2 2
2
1
1/2 1 2
2
1 = 2
2 1

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2
1 2
1 = 2
4 1

Substituindo este resultado na restrição orçamentária:

1 1 + 2 2 =
2
1 2
1 2 + 2 2 =
4 1

1 22
2 + 2 2 =
4 1

1 22
2 + 2 =
4 1

1 22 2 1
2 + =
4 1 1

4 1
2 = 2
2 + 2 1

A forma alternativa de resolução segue adiante. Primeiro, é


necessário compreender que, no equilíbrio, o consumidor se encontra
na seguinte situação:

Ou seja, a razão entre as utilidades marginais dos bens 1 e 2 é igual


a razão de preços destes mesmos bens.

Agora, faz-se necessário encontrar as utilidades marginais (derivadas


parciais de primeira ordem da função de utilidade) e colocar na
expressão acima.

Abaixo, segue passo a passo.

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Colocando os valores das utilidades marginais na expressão de


equilíbrio do consumidor, temos que:

Por fim, devemos saber que o consumidor esgota sua renda (w) com
a demanda pelos bens. Isto é, sua restrição orçamentária nos diz que
o valor demandado pelo bem 1 mais o valor demandado pelo bem 2 é
igual á renda: 1 1 + 2 2 =

Substituindo x2 na expressão de restrição orçamentária acima, temos


que:

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Desta forma, a expressão de demanda do consumidor pelo Bem 1


apresentada pela questão está incorreta.

GABARITO: ERRADO

18. CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015

Considere que a função utilidade do consumidor do tipo Cobb-


Douglas seja expressa na forma u=x1ax21−a, em que x1 e x2
são as quantidades, respectivamente, dos bens 1 e 2, a (0,1)
é um escalar e p1 e p2 são os preços dos bens 1 e 2
respectivamente. Considerando que w seja a renda do
consumidor, julgue o item que se segue, relativo à teoria do
consumidor.

Nessa situação, a função demanda walrasiana do bem x1 é


igual a

A expressão de demanda do bem de um individuo que apresenta


função de utilidade Cobb-Douglas foi apresentada anteriormente.

Como visto, temos as seguintes funções de demanda ótimas


(walrasianas) para x1 e x2:

1 = × = ×
+ (1 ) 1 1

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1
2 = × = (1 )×
+ (1 ) 2 2

Desta forma, a questão está correta, já que a função demanda


walrasiana do bem x1 é igual a .
1

Se quisermos verificar através do cálculo, podemos aplicar a


langrangeana, como mostrado na parte teórica.

Para montarmos a expressão de Lagrange é preciso proceder da


seguinte forma:

= × + ( )

Note que a função a ser maximizada vem primeiro do lado esquerdo


da expressão. Após ela aparece o multiplicador de Lagrange ( ) e,
por fim, a função que condiciona a escolha, a restrição orçamentária
( ).

Agora, é preciso derivar a função de Lagrange em relação à x1 e x2:

= ×

=( ) ×

Por fim, é preciso obter a razão entre as expressões da forma que


segue:

×
=
( ) ×

Obtendo em função de x2:

Substituindo este resultado na restrição orçamentária:

+ =

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+ =

( + )=

= ×
1

GABARITO: CERTO

19. CESPE - Economista (MPOG)/"PGCE (Especial)"/2015

Considere que a função utilidade do consumidor do tipo Cobb-


Douglas seja expressa na forma u=x1ax21−a, em que x1 e x2
são as quantidades, respectivamente, dos bens 1 e 2, a (0,1)
é um escalar e p1 e p2 são os preços dos bens 1 e 2
respectivamente. Considerando que w seja a renda do
consumidor, julgue o item que se segue, relativo à teoria do
consumidor.

A função utilidade indireta do consumidor é expressa por

Questão muito importante para complementar o conteúdo visto na


parte teórica.

O item solicita a função de utilidade indireta do consumidor (tema


raro em provas). Mas, o que seria isto?

Sabemos que a função de utilidade é encontrada a partir da


quantidade de bens presente na cesta de consumo do consumidor.
No entanto, para consumir, é preciso considerar o preço dos bens e a
renda do consumidor.

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Pois bem, quando encontramos a utilidade do consumidor a partir do


preço dos bens e da renda do consumidor estamos encontrando sua
utilidade de forma indireta, ou seja, estamos encontrando a utilidade
indireta do consumidor.

Para poupar espaço, vamos considerar os cálculos feitos


anteriormente. Nele encontramos as quantidades ótimas demandas
de x1 e x2 através das seguintes funções:

1 = × = ×
+ (1 ) 1 1

1
2 = × = (1 )×
+ (1 ) 2 2

Para achar a função de utilidade indireta (V), basta substituir x1* e


x2* na função original de utilidade. Assim:
1
= 1 2

Substituindo:
1

= × 1 ×
2 2

1
= 1 × 1 )
1 × 2

GABARITO: CERTO

20. FGV - Agente de Fiscalização (TCM SP)/Economia/2015/

Considere um consumidor que consome apenas dois bens:


pão, X, e leite, Y. Os preços de uma unidade desses bens são,
respectivamente, PX = ½ e PY = 2. Se esse consumidor tem
renda mensal dada por 40 e se sua função utilidade é
representada por U(X,Y) = 5X1/2Y1/2, a cesta ótima que pode
ser comprada por esse consumidor que maximiza sua utilidade
sujeita a sua restrição orçamentária é:

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a) X = 0 e Y = 20;

b) X = 20 e Y = 15;

c) X = 40 e Y = 10;

d) X = 60 e Y = 5;

e) X = 80 e Y = 0.

Mais uma função de utilidade no formato Cobb-Douglas. Como já


sabemos, as cestas ótimas são:

1 = ×
+ 1

2 = ×
+ 2

O que precisamos fazer é substituir os valores fornecidos pela


questão para encontrarmos a quantidade ótima de demanda:

1 = ×
+ 1
1
2 40
1 = 1 1 × 1
+2
2 2

1 = 40

2 = ×
+ 2
1
2 40
2 = 1 1 ×
+2 2
2

2 = 10

Portanto, x = 40 e y= 10.

GABARITO: LETRA C

21. FGV - Analista (DPE MT)/Economista/2015/

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Assuma que um consumidor tenha uma função utilidade do


tipo U (x,y) = x4 y, e um nível de renda igual a w. O preço dos
bens x e y são respectivamente iguais a px e py.

Na escolha ótima, o consumidor irá gastar

a) metade da renda no bem x e a outra metade, no bem y.

b) 60% da renda no bem x e 40% no bem y.

Xc) 80% da renda no bem x e 20% no bem y.

d) 75% da renda no bem x e 25% no bem y.

e) 40% da renda no bem x e 60% no bem y.

Mais uma vez outra questão solicitando a expressão de demanda de


um consumidor com utilidade a laCobb-Douglas. Como já sabemos:

= ×
+

= ×
+

Substituindo os valores informados pela questão:

4
= ×
5

1
= ×
5

Ou seja, o consumidor gasta 4/5 da renda com a demanda do bem X


(=80%) e 1/5 da renda com a demanda do bem y (=20%).

GABARITO: LETRA C

22. CESPE - Auditor Governamental (CGE PI)/Geral/2015/

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No que se refere às funções de produção e suas propriedades,


julgue o item subsequente, considerando os insumos x e y e a
produção Q.

A função Q = x0,5y0,5 é do tipo Cobb-Douglas, e a taxa marginal

de substituição entre os bens x e y é dada pela razão .

Como visto agora, a TMS para uma função Cobb-Doulgas é:

2
= ×
1

Substituindo:

0,5
= ×
0,5

É possível provar este resultando se utilizando das ferramentas do


cálculo. A TMS é também obtida pela razão das derivadas da função
em relação a y e a x. Ou seja:

0,5 1 0,5
0,5 ×
= 0,5 0,5 1 )
0,5 × (
0,5 1 0,5
= 0,5 0,5 1 )
(

GABARITO: CERTO

23. CESPE - Analista do Ministério Público da


União/Perícia/Economia/2013/

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A função utilidade de cada consumidor em uma economia com


os bens x e y é expressa por U(x, y) = 2x + y + xy. Com base
nessa função utilidade, julgue o próximo item.

A demanda individual pelo bem x independe do preço do bem


y.

Para calcular a quantidade de demanda do bem x a partir da função


de utilidade, é preciso aplicar o lagrangeano.

Como já vimos, o processo consiste em maximizar a função utilidade,


limitado à restrição orçamentária do consumidor.

A seguir seguem os cálculos:

= + + + ( )

= +

= +

+
=
+

( + )= ( + )

Já podemos responder a questão neste momento. Como visto na


expressão acima, há 4 variáveis consideradas (x, y, px e py). Isto
significa que para encontrarmos, por exemplo, a quantidade
demandada de x é preciso considerar os preços dos bens x e y (px e
py). Sendo assim, a questão está incorreta.

A demanda individual pelo bem x depende do preço do bem y.

GABARITO: ERRADO

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QUESTÃO GABARITO

1 ERRADO

2 ERRADO

3 CERTO

4 CERTO

5 ERRADO

6 ERRADO

7 CERTO

8 CERTO

9 ERRADO

10 CERTO

11 B

12 B

13 ERRADO

14 C

15 ERRADO

16 A

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17 ERRADO

18 CERTO

19 CERTO

20 C

21 C

22 CERTO

23 ERRADO

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