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Faculdades Integradas de São Paulo (FISP) – Acionamentos Elétricos

CAPÍTULO II – PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE O ELETROMAGNETISMO

2.1 – Introdução

As máquinas elétricas têm seu princípio de funcionamento calcado nas leis da


indução e do conjugado eletromagnético. Este texto apresenta, de forma simplificada,
algumas das leis e fenômenos aplicados ao seu estudo. Um estudo pormenorizado de tais
fenômenos será visto na disciplina sobre eletromagnetismo.

2.2 – Tensão induzida

Sempre que existe um movimento relativo entre um campo magnético e um condutor


será induzida uma tensão elétrica nos terminais do condutor. Matematicamente isso pode
ser expresso pela equação seguinte:

e = v.L.B.sen(θ) (2.1)

sendo:
e = tensão induzida nos terminais do condutor [V];
v = velocidade relativa entre o campo magnético e o condutor [m/s];
L = comprimento do condutor imerso no campo magnético [m];
B = indução magnética [Wb/m2];
θ = ângulo formado entre o campo magnético e a velocidade instantânea do condutor,
tomando-se B como referência.

A Figura 2.1 ilustra o exposto, supondo um campo magnético uniforme (ou seja, B
possui o mesmo valor em qualquer ponto).

Figura 2.1: Efeito motor e gerador de uma máquina elétrica.

Na Figura 2.1 o sentido da tensão induzida é determinado pela regra de Fleming


(regra da mão direita):
a) o sentido de v é representado pelo dedo indicador da mão direita;
b) o sentido de B é representado pelo dedo médio da mão direita;
c) o sentido da tensão induzida é determinado pelo polegar da mão direita.
Pelo exposto, para que haja um aumento ou diminuição da tensão induzida nos
terminais a-b do condutor deve-se alterar as grandezas relacionadas na expressão (2.1).
Assim, para uma modificação na velocidade do condutor deve-se atuar mecanicamente
nele; já a variação do campo magnético pode ser obtida a partir da utilização de um
eletroimã, que permite o controle do campo. Em relação ao comprimento imerso no campo,
pode-se adotar a hipótese de aumentar o comprimento através da inserção de mais
condutores em série com o primeiro. Desta forma, se houvesse N condutores em série tem-
se:

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e = N.v.L.B.sen(θ) (2.2)

Por outro lado, supondo-se que o condutor execute um movimento circular uniforme,
como esquematizado na Figura 2.2.

Figura 2.2: Condutor imerso em um campo magnético desenvolvendo um movimento


circular uniforme.

Tem-se:

θ = ω.t (2.3)

sendo:
ω = velocidade angular [rad/s];
t = tempo [s].

Da Física (movimento circular uniforme) tem-se:

v = ω.R (2.4)

Substituindo 2.3 e 2.4 em 2.2, resulta:

e = N.ω.R.L.B.sen(ω.t) (2.5)

Fazendo:

N.ω.R.L.B = emáx (2.6)

Tem-se:

e = emax.sen(ω.t) (2.7)

A expressão 2.7 permite afirmar que a tensão induzida nos terminais de um condutor
em movimento circular uniforme, imerso em um campo magnético também uniforme, é
alternada e senoidal.

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2.3 – Campo magnético criado por corrente.

Uma corrente elétrica circulando em um condutor cria um campo magnético cuja


intensidade é determinada pela lei de Bio-Savart e o sentido pela regra de Ampere.
A lei de Bio-Savart é dada por:

H.L = N.I = Re.φ (2.8)

sendo:
H = intensidade do campo [A/m];
L = comprimento do circuito magnético [m];
I = corrente elétrica [A];
N = número de espiras de uma bobina;
Re = relutância do circuito magnético.
φ = fluxo magnético.

A Figura 2.3 ilustra o surgimento de um campo magnético em função de um condutor


ser percorrido por uma corrente elétrica.

Figura 2.3: Campo magnético criado por corrente elétrica.

2.4 – Força e conjugado eletromagnético.

Um condutor percorrido por corrente elétrica e estando imerso em um campo


magnético, fica submetido a uma força de origem eletromagnética (força de Lorentz),
conforme ilustrado na Figura 2.4.

Figura 2.4: Força eletromagnética agindo sobre um condutor.

F B
I

Se o condutor percorrido por uma corrente elétrica for uma espira, tem-se a situação
mostrada na Figura 2.5.

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Figura 2.5: Força eletromagnética sobre uma espira percorrida por uma corrente
elétrica inserida em um campo magnético.

Observa-se pela Figura 2.5 que surgem forças sobre ambos os lados da espira,
separados por uma distância “d”, caracterizando a existência de um conjugado, ou seja:

M = F.d (2.9)

De forma simplificada, pode-se dizer que a força de Lorentz é dada por:

F = B.I.L.sen(θ) (2.10)

Então, o conjugado desenvolvido por uma espira com um condutor apenas é:

M = B.I.L.d.sen(θ) (2.11)

Fazendo:

B.L.d = φ (2.12)

Tem-se:

M = φ.I.sen(θ) (2.13)

Sendo:
φ = fluxo magnético;
θ = ângulo entre a normal ao plano da espira e o fluxo magnético.

Desta forma, pode-se concluir que o conjugado eletromecânico resulta da interação


entre fluxo magnético e a corrente da parte que gira.

2.5 – Ação motora e ação geradora

Uma máquina elétrica é um dispositivo capaz de converter energia, seja na forma de


mecânica para elétrica (efeito gerador) ou na forma de elétrica para mecânica (efeito motor),
conforme mostrado na Figura 2.6.

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Figura 2.6: Efeito motor e gerador de uma máquina elétrica


Efeito motor

Máquina
Energia elétrica Elétrica Energia mecânica

Efeito gerador

Assim, pode-se dividir as máquinas elétricas em duas grandes famílias: a família dos
motores elétricos (converte energia elétrica em energia mecânica) e a família dos geradores
elétricos (converte energia mecânica em energia elétrica). Porém, sob certas condições, um
motor pode funcionar como um gerador, sendo o contrário também válido.

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