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GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Texto I para as questões de 01 a 15


Mundo sem sacolas
Em 1955 meu pai conseguiu realizar em Araraquara o projeto de sua vida, depois de ter trabalhado durante 35
anos na estrada de ferro, sem uma única falta. Chovesse, ventasse, estivesse doente, ele saía de manhã e ia para a
Contadoria, escritório central. Uma imagem que guardo até hoje é a do velho Antonio de galocha, capa e guarda-chuva,
chegando do trabalho, tomando banho e desfrutando uma gemada quente. Ao deixar a ferrovia, ele recebeu uma boa
quantia, relativa à licença-prêmio, e com esse dinheiro abriu sua fábrica de sacos de papel, a primeira da cidade. Ele
tinha percebido que nos armazéns (estava distante ainda o primeiro supermercado) e quitandas, os fregueses
reclamavam da mercadoria embrulhada em jornal. Os donos respondiam: “Então, tragam suas sacolas, vou fazer o
quê?”
A fábrica Brandão foi bem-sucedida. Começou na garagem de um médico tradicional, o doutor Aufiero (hoje
pronto-socorro), cresceu, mudou para a Rua Cinco, a mais bela da cidade, com seus oitis que sofrem, constantemente,
a ação impiedosa de podadores da prefeitura que os mutilam. Depois, outro pioneirismo, a fábrica se mudou para o
bairro de Quitandinha (por que se chama assim? Influência do velho hotel de Petrópolis?), num tempo em que ninguém
construía nada por ali. Meu pai acreditava nos sacos de papel e tinha em mente, no futuro, criar sacolas com alças. “Um
dia vão ser de plástico”, garantia. Porém o comércio reagia contrariamente à ideia, alegava custos.
Mais tarde, quando meu pai já tinha vendido a fábrica ao sócio (na altura dos seus 75, 76 anos), as mentalidades
mudaram, chegaram os supermercados, adotaram-se as sacolas, veio o plástico e hoje não há quem o dispense, em
Araraquara, no Brasil e no mundo. Meu pai e seus sonhos envolvendo sacos de papel e sacolas de plástico me vieram à
cabeça quando fui morar em Berlim. Passei a notar forte relação entre alemães e suas sacolas. Via amigos guardando
cuidadosamente as sacolinhas sempre que chegavam de alguma compra. Até que fui apanhado desprevenido num
supermercado. A caixa perguntou se eu queria sacola, disse que sim e ela me cobrou. Aprendi então que, sempre que a
sacola não trazia publicidade, era vendida. Se trazia anúncio, era de graça. Alemão se recusa a ser objeto de
merchandising e ainda pagar por isso (como essa gente que paga para usar camiseta de Coca-Cola, por exemplo).
Porém, o que eu mais notava é que 9 entre 10 alemães andavam com sacola na mão. Feliz, considerei que tinha feito
uma grande observação. Até o dia em que, aqui no Brasil, meu filho me olhou e perguntou: “Pai, por que o senhor está
sempre com uma sacolinha na mão?”
Era verdade. Mais do que isso. Não somente eu. Passei a observar as ruas, contar o número de pessoas que
carregam sacolas, sacolinhas, sacoletas. Podia ver o que algumas continham: verduras, revistas, remédios, filmes de
vídeo, livros, roupas, presentes, cosméticos (esta é uma das palavras mais feias da língua portuguesa). Portanto, não só
na Alemanha, é no Brasil, no mundo. Somos todos sacoleiros. Universais. Pois não existem até os “sacolões” de frutas e
verduras? Que tanta coisa temos a carregar? Eu já me senti estranho ao perceber que estava de mãos vazias. Quantas
vezes não voltei a algum lugar para ver se tinha esquecido alguma coisa? Não tinha.
(...)
E me veio, subitamente, a imagem de que no mundo moderno é impossível viver sem a sacola. Mais do que
necessidade, a sacola é o novo membro do corpo humano. No futuro, teremos uma raça humana diferente
anatomicamente. As pessoas vão nascer com a sacola do lado, grudada ao ombro por uma alça, ou presa à cintura,
uma raça prática. (Brandão, Ignácio de Loyola, 1936.Coleção Melhores Crônicas – 1ª edição, Global Editora, São Paulo, 2004)

01) “Depois, outro pioneirismo...” O outro pioneirismo a que o autor se refere é


a) fabricar sacolas com alças.
b) instalar a fábrica numa rua repleta de oitis.
c) trabalhar por 35 anos sem faltar um dia sequer.
d) instalar a fábrica num local onde ninguém construía.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

Para se chegar a essa resposta basta somente uma leitura atenta, pois essa informação está bem clara. O primeiro
exemplo de pioneirismo citado é abrir uma fábrica de saco de papel, que foi a primeira, como explícito no texto: “Ao
deixar a ferrovia, ele recebeu uma boa quantia, relativa à licença-prêmio, e com esse dinheiro abriu sua fábrica de sacos
de papel, a primeira da cidade.” O segundo exemplo de pioneirismo foi mudar a fábrica de sacos de papel para um lugar
onde ninguém construía. Essa informação pode ser encontrada na seguinte parte do texto: “Depois, outro pioneirismo, a
fábrica se mudou para o bairro de Quitandinha (por que se chama assim? Influência do velho hotel de Petrópolis?), num
tempo em que ninguém construía nada por ali.”
Fonte: O próprio texto.

- 1 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


02) “(...) adotaram-se as sacolas, veio o plástico e hoje não há quem o dispense, em Araraquara, no Brasil e no mundo.”
O excerto anterior contém um exemplo de figura de estilo denominada
a) anacoluto.
b) gradação.
c) perífrase.
d) sinédoque.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

O excerto usado para esta questão é um exemplo da figura de estilo designada gradação que, segundo Faraco & Moura
– é uma figura que consiste em apresentar ideias em andamento crescente ou decrescente, por meio de palavras
diferentes, de diferentes significados. No entanto, a gradação não se confunde com a simples enumeração, que não é
uma figura. Na enumeração, não ocorre a ideia de intensificação ou decréscimo progressivo de significados como no
período: 1 “(...) adotaram-se as sacolas, veio o plástico e hoje não há quem o dispense, em Araraquara, no Brasil e no
mundo.” Trata-se de um exemplo de gradação em andamento crescente (cidade, país, mundo).
Fonte: FARACO, Carlos Emílio; MOURA, Francisco Marto. Gramática. pág.577-20. ed. São Paulo: Ática, 2006.

03) O fato de o funcionário trabalhar, por 35 anos, na estrada de ferro, sem uma única falta, demonstra que ele era um
profissional
a) aturado.
b) cabotino.
c) irascível.
d) solerte.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

Dizer que o profissional trabalhou por 35 anos sem uma falta, denota que o mesmo era “assíduo” no trabalho. O
vocábulo “assíduo” tem, segundo o dicionário Aurélio o sinônimo de aturado.
Fonte: Novo Dicionário AURÉLIO da Língua Portuguesa – Nova Ediçao Revista e Ampliada – pág.184 – Assíduo (do
Lat. assidu) –Adj. – 4 – Constante, contínuo, aturado, initerrupto. Labor Assíduo.

04) Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma em relação ao texto. A seguir, indique a opção com a
sequência correta.
( ) Ao se referir ao pai como “velho Antonio” o autor deixa transparecer o carinho filial.
( ) A ideia de construir uma fábrica de sacolas se deu porque seu criador sentiu a necessidade do mercado.
( ) “Um dia vão ser de plástico”, garantia. A afirmação do pai é um vaticínio equivocado.
( ) Os alemães são intolerantes ao merchandising, a não ser que atuem como objeto do mesmo.
a) F – F – V – V
b) V – F – F – V
c) F – V – V – F
d) V – V – F – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

A primeira frase é verdadeira e pode ser comprovada com a seguinte passagem do texto: “Uma imagem que guardo até
hoje é a do velho Antonio de galocha, capa e guarda-chuva, chegando do trabalho, tomando banho e desfrutando uma
gemada quente. Ora, se o autor confessa guardar essa imagem do pai e o trata usando a anteposição do adjetivo ao
substantivo demonstra um carinho de filho. Diferente se tivesse sido usado Antonio velho. A segunda frase também é
verdadeira e pode ser comprovada com a seguinte passagem do texto: “Ao deixar a ferrovia, ele recebeu uma boa
quantia, relativa à licença-prêmio, e com esse dinheiro abriu sua fábrica de sacos de papel, a primeira da cidade. Ele
tinha percebido que nos armazéns (estava distante ainda o primeiro supermercado) e quitandas, os fregueses
reclamavam da mercadoria embrulhada em jornal. Os donos respondiam: “Então, tragam suas sacolas, vou fazer o
quê?” A terceira frase é falsa, pois como se comprova na atualidade as sacolas são de plástico e hoje existem as
campanhas para se reduzir o número das mesmas, pois o plástico é um material que leva anos para se deteriorar e
apresenta riscos ao meio-ambiente. A quarta frase é falsa e pode ser comprovada com a seguinte passagem do texto:
“Alemão se recusa a ser objeto de merchandising e ainda pagar por isso (como essa gente que paga para usar camiseta
de Coca-Cola, por exemplo).”
Fonte: O próprio texto

- 2 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


05) “Mais do que isso...” (4º§)
O termo em destaque refere-se de forma anafórica
a) à pergunta do filho sobre o motivo do pai andar sempre com sacola nas mãos.
b) ao número excessivo de pessoas que sempre carregam sacolas no território brasileiro.
c) ao fato do autor ter feito uma grande descoberta sobre o uso de sacolas em países distantes.
d) à rotina esdrúxula dos alemães de andar com grandes sacolas e guardá-las em lugares seguros.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

O pronome isso recupera no texto a informação dada anteriormente pelo autor. Até o dia em que, aqui no Brasil, meu
filho me olhou e perguntou: “Pai, por que o senhor está sempre com uma sacolinha na mão?”. Era verdade. Mais do que
isso. Não somente eu. O período posterior ao “isso” ratifica que este se refere à pergunta do filho. Se fôssemos ampliar
essa frase ficaria assim: Não somente eu estou sempre com uma sacolinha na mão.
Fonte: O próprio texto

06) As palavras “até”, “saía” e “há” são acentuadas por serem, respectivamente
a) paroxítona terminada em ditongo, monossílabo tônico em “a”, oxítona terminada em “a”.
b) paroxítona terminada em “e”, oxítona terminada em “a”, monossílabo tônico terminado em “a”.
c) oxítona terminada em “e”, a letra “i” como segunda vogal do hiato, monossílabo tônico terminado em “a”.
d) monossílabo tônico terminado em “e”, a letra “i” como segunda vogal do hiato, oxítona terminada em “a”.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Todas as palavras oxítonas terminadas em “a(s)” “e(s)”, “o(s)”, “em”, “ens” são acentuadas. Quando a segunda vogal do
hiato for “i” ou “u” tônicos, acompanhados ou não de “s”, haverá acento. Os monossílabos tônicos terminados em “a(s)”,
“e(s)”, “o(s)” são acentuados.
Fonte: Gramática da Língua Portuguesa – pág. 55 - 1ª edição-1999- Pasquale & Ulisses – Editora Scipione.

07) Considerando o processo de formação de palavras, relacione a coluna da direita com a da esquerda e, em seguida,
assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
(1) Derivação regressiva ( ) sacola.
(2) Parassíntese ( ) guarda-chuva.
(3) Sufixação ( ) esclarecer.
(4) Composição por justaposição ( ) compra.
a) 4 – 3 – 2 – 1
b) 2 – 3 – 1 – 4
c) 1 – 2 – 3 – 4
d) 3 – 4 – 2 – 1

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

A palavra “sacola” foi formada através do processo de sufixação. Foi acrescentado o sufixo “ola” à palavra “saco”. A
palavra “guarda-chuva” foi formada através do processo de composição por justaposição, pois as palavras “guarda” e
“chuva” foram colocadas lado a lado (justapostas) sem qualquer alteração fonética em nenhum deles. A palavra
“esclarecer” foi formada através do processo de “parassíntese” que ocorre quando a palavra derivada resulta do
acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. A palavra “compra” foi formada através da derivação
regressiva que ocorre quando se retira a parte final de uma palavra primitiva, obtendo por essa redução uma palavra
derivada.
Fonte: Gramática da Língua Portuguesa – pág.68- 1ª edição- 1999 -Pasquale & Ulisses – Editora Scipione.

08) “...hoje pronto-socorro...” (2º§). A palavra que faz o plural como “pronto-socorro” é
a) bem-sucedido.
b) ex-namorado.
c) guarda-chuva.
d) licença-prêmio.

- 3 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

A palavra “licença-prêmio” é a única palavra dessa questão que faz o plural como “pronto-socorro”:”prontos-socorros” e
“licenças-prêmios”.
Fonte: Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa – pág. 1029- Nova Edição Revista e Ampliada – Editora Nova
Fronteira.

09) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas da seguinte frase: “_____ alguns anos _____ sacolas
passaram a ser indispensáveis _____ vida das pessoas.”
a) a / as / a
b) a / há / à
c) há / à / a
d) há / as / à

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

“Há” – emprego do verbo “haver” indicando “tempo decorrido”; “as” é um artigo definido; “a” usa-se a preposição antes
de verbo; “à” preposição + artigo = crase. A palavra “indispensáveis” rege a preposição “a” e a palavra “vida” exige o
artigo “a”.
Fonte: Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – pág 450 – 45ª edição – 2002 - Domingos Paschoal Cegalla –
Companhia Editora Nacional

10) A frase que admite transposição para a voz passiva é


a) ”Meu pai acreditava nos sacos de papel...”
b) “... ele saía de manhã e ia para a Contadoria...”
c) “... ele recebeu uma boa quantia, relativa à licença-prêmio...”
d) “Pai, porque o senhor está sempre com uma sacolinha na mão?”

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Essa frase é formada pelo verbo “recebeu” que é transitivo direto, portanto, pode ser transposta para a voz passiva.
Fonte: Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Vozes do Verbo – pág. 205 – Domingos Paschoal Cegalla – 45ª
edição – 2002 - Companhia Editora Nacional.

11) Quanto às orações grifadas nas frases, informe se é verdadeiro ( V ) ou falso ( F ) o que se afirma abaixo e depois
assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
( ) “Uma imagem que guardo até hoje é a do velho Antonio...” (1º§) – oração adjetiva restritiva
( ) “Ao deixar a ferrovia, ele recebeu uma boa quantia...” (1º§) – oração principal
( ) “A caixa perguntou se eu queria sacola...” (3º§) – oração subordinada adverbial condicional
( ) “Feliz, considerei que tinha feito uma grande observação.” (3º§) – oração subordinada substantiva objetiva
direta
( ) “Começou na garagem de um médico tradicional (...) cresceu, mudou para a Rua Cinco...” (2º§) – oração
coordenada assindética
a) V – F – V – V – F
b) F – V – V – F – F
c) V – F – F – V – V
d) V – F – V – F – V

- 4 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

“Uma imagem que guardo até hoje é a do velho Antonio...” é uma oração subordinada adjetiva restritiva porque é
iniciada pelo pronome relativo “que”. Portanto, a afirmativa é verdadeira. “Ao deixar a ferrovia, ele recebeu uma boa
quantia...” É uma oração reduzida de infinitivo funcionando como subordinada adverbial temporal e não uma oração
principal, portanto essa afirmativa é falsa. “A caixa perguntou se eu queria sacola...” Essa oração está sendo iniciada
pela conjunção integrante “se”, portanto é uma oração subordinada substantiva objetiva direta e não uma adverbial
condicional. Essa afirmativa é falsa. “Feliz, considerei que tinha feito uma grande observação.” Essa é uma oração
subordinada substantiva objetiva direta. A afirmativa é verdadeira.
“Começou na garagem de um médico tradicional (...) cresceu, mudou para a Rua Cinco...”
Essa oração é uma coordenada assindética. A afirmativa é verdadeira.
Fonte: Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Período Composto – pág. 339 – 45ª edição – 2002 – Domingos
Paschoal Cegalla – Companhia Editora Nacional.

12) Assinale a alternativa em que a expressão grifada apresenta, na frase correspondente, um exemplo de linguagem
figurada.
a) “Eu já me senti estranho ao perceber que estava de mãos vazias.” / Diante daquela discussão viu-se de mãos
vazias.
b) ”Aprendi então que, sempre que a sacola não trazia publicidade, era vendida.” / À medida que não era vendida, a
produção trazia-lhe prejuízo.
c) “Meu pai acreditava nos sacos de papel e tinha em mente, no futuro, criar sacolas com alças.” / No futuro,
teremos orgulho desta nação.
d) “E me veio, subitamente, a imagem de que no mundo moderno é impossível viver sem a sacola.” / No mundo
moderno, a tecnologia traz mais conforto à raça humana.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A expressão “de mãos vazias” está em linguagem figurada na segunda frase: Diante daquela discussão viu-se destituído
de tudo, sem nada. As demais expressões estão todas em linguagem denotativa.
Fonte: Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Figuras de Linguagem – pág. 569 – Domingos Paschoal Cegalla –
Companhia Editora Nacional – 45ª edição – 2002

13) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase: “Fazia alguns anos que se ____________
iniciado a fabricação das sacolas na fábrica de meu pai quando ____________ o primeiro supermercado em
Araraquara.”
a) havia / instalou
b) havia / instalaram
c) haviam / instalara
d) haviam / instalaram

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

O verbo “haver” está concordando com “fabricação”, portanto, no singular; O verbo “instalaram” está no plural porque
está se referindo a um sujeito indeterminado.
Fonte: Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Concordância Verbal – pág. 414 – 45ª edição – 2002 – Domingos
Paschoal Cegalla - Companhia Editora Nacional.

14) “Podia ver o que algumas continham: verduras, revistas, remédios, filmes de vídeo, livros, roupas, presentes,
cosméticos (esta é uma das palavras mais feias da língua portuguesa).”
O uso dos parênteses, nesse excerto, serviu para
a) evidenciar os acontecimentos pertinentes à narrativa, mas sem valor literário.
b) exemplificar uma opinião do autor, que foge ao cerne da narrativa, sem interferir no texto.
c) aludir a uma opinião do autor, acrescentando ao texto uma particularidade narrativa, própria de texto descritivo.
d) demonstrar a opinião do autor sobre questões alheias à narrativa, mas pertinentes ao texto dissertativo-argumentativo.

- 5 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

“Podia ver o que algumas continham: verduras, revistas, remédios, filmes de vídeo, livros, roupas, presentes, cosméticos
(esta é uma das palavras mais feias da língua portuguesa)”. Os parênteses usados nesse trecho foram para isolar um
comentário do autor que não diz respeito a nada do que ele vem discorrendo no texto. Ele faz um comentário sobre a
palavra “cosméticos”, assunto não pertinente ao tema da crônica que é sobre o uso de sacolas por todos.
Fonte: Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Pontuação. pág. 393 – Domingos Paschoal Cegalla – Companhia
Editora Nacional – 45ª edição – 2002.

15) Considerando os verbos destacados nas frases, relacione a coluna da esquerda com a da direita. Depois marque a
sequência numérica que corresponde à resposta correta.
(1) Imperfeito do Subjuntivo ( ) Ele garantia que um dia as sacolas seriam de plástico.
(2) Infinitivo Pessoal ( ) Mesmo se estivesse doente ele saía para o trabalho.
(3) Imperativo Afirmativo ( ) “meu filho me olhou e perguntou...”
(4) Futuro do Pretérito do Indicativo ( ) “Ao deixar a ferrovia...”
(5) Pretérito Perfeito do Indicativo ( ) “Somos todos sacoleiros.”
(6) Presente do Indicativo ( ) Pegue suas sacolas e saia daqui.
a) 4 – 1 – 5 – 2 – 6 – 3
b) 4 – 2 – 1 – 5 – 3 – 6
c) 2 – 6 – 1 – 3 – 4 – 5
d) 1 – 4 – 5 – 2 – 3 – 6

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

“Seriam” está flexionado no Futuro do Pretérito do Indicativo. / “Estivesse” está no Imperfeito do Subjuntivo. / “olhou”
está no Pretérito Perfeito do Indicativo. / “Deixar” está no Infinitivo pessoal. / “Somos” está no Presente do Indicativo. /
“Pegue” está no Imperativo Afirmativo.
Fonte: Moderna Gramática Portuguesa – Evanildo Bechara – Estudo dos Verbos – pág. 209 – 37ª edição – 2004 –
Editora Lucerna.

Texto II para as questões de 16 a 30

Sacolas plásticas na mira


Calcula-se que 14 bilhões de sacolinhas sejam distribuídas nos estabelecimentos comerciais do país
a cada ano – para então serem descartadas pelos fregueses e se transformarem em um dos mais
danosos elementos da poluição ambiental.
1º§ Antiecológicas da matéria-prima ao processo de produção, elas levam ainda centenas de anos para se degradar.
Criam montanhas nos aterros sanitários, entopem córregos e transformam mares em lixões. Por isso, várias cidades
estão abrindo guerra contra as sacolas plásticas e criando leis que limitam ou proíbem seu uso no comércio. No início de
2012, deve ser a vez de São Paulo, com regras que prometem mudar a rotina dos consumidores. Os detalhes da
regulamentação serão definidos nos próximos meses. Mas, por enquanto, além de banir a venda e a distribuição dessas
pestes, o texto da lei proíbe que fabricantes imprimam nelas frases sobre supostas vantagens ecológicas.
2º§ Isso porque existem embalagens feitas de materiais renováveis, como cana-de-açúcar e milho, que seriam,
assim, mais sustentáveis. Mas ainda há informação escondida nas entrelinhas. “Matéria-prima renovável não é garantia
de um produto biodegradável”, explica o engenheiro químico Helio Wiebeck, da Universidade de São Paulo.

Restringir o uso de sacolas plásticas tem impacto significativo no ambiente?


3º§ Sim, pois atualmente não há uso consciente nem descarte adequado desse tipo de embalagem. Embora
fabricadas com material reciclável, estima-se que oito em cada dez sacolas plásticas sejam usadas como saco de lixo e,
assim, tenham como destino os aterros sanitários. “Estimular o uso de embalagens duráveis é a principal vantagem
dessas medidas, pois uma sociedade sustentável não pode se desenvolver com base em produtos descartáveis”, diz
Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. Em Belo Horizonte, depois que a lei que restringe
o uso das sacolas plásticas entrou em vigor, em abril deste ano, 75% dos consumidores passaram a levar ao
supermercado suas próprias sacolas reutilizáveis. (Veja – 01/06/2011 / com adaptações)

- 6 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


16) Ao citar algumas características das sacolas plásticas, a construção textual: “... elas levam ainda centenas de anos
para se degradar.”, indica que
a) há uma conformação da sociedade quanto ao fato de que as sacolas plásticas se degradem tão lentamente.
b) a expressão “levam ainda” indica um tempo específico e definido, confirmado pela expressão numérica “centenas
de anos”.
c) o uso do termo “ainda” mostra que há uma oposição entre o processo de degradação e o processo de produção
das sacolas plásticas.
d) o lento processo de degradação das sacolas plásticas demonstra um dos principais motivos que impulsionam a
descontinuação de seu uso.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

A expressão “levam ainda” indica a intensidade com a qual tal processo de degradação das sacolas é feito.
(PASQUALE, Cipro Neto; Infante, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 1ª edição – 1999 – São Paulo – Editora
Scipione). Sendo esse, dentro do contexto, um dos principais motivos para que as sacolas de plástico não sejam mais
usadas; já que após a citação deste principal motivo dentre outros, o texto apresenta como consequência o evento
“guerra contra as sacolas”.

17) De acordo com o texto, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma abaixo e marque a alternativa que
apresenta a sequência correta.
( ) No primeiro parágrafo, a principal informação está relacionada à lentidão burocrática pela qual passam leis e
regulamentações.
( ) No segundo parágrafo, diante de uma citação de autoridade, é feito um esclarecimento identificando os reais
benefícios das sacolas de plástico sustentáveis.
( ) No terceiro parágrafo, é feita uma afirmação que responde à pergunta anterior, justificada com base em dados
concretos da realidade.
a) V – V – F
b) V – F – F
c) F – F – V
d) F – V – V

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A primeira afirmativa é falsa. No 1º §, a principal informação é a apresentação do motivo pelo qual as sacolas de plástico
são um problema. A segunda afirmativa é falsa. No 2º §, a citação do engenheiro: "Matéria-prima renovável não é
garantia de um produto biodegradável" informa que as sacolas de plástico chamadas “sustentáveis” na verdade, não
oferecem os benefícios de degradação esperados. A terceira afirmativa é verdadeira. A pergunta anterior a que a
afirmativa se refere é: “restringir o uso de sacolas plásticas tem impacto significativo no ambiente?” e sua resposta inicia
o 3º§: “Sim”. Tal resposta está baseada em fatos reais tais como: porcentagem, citação de autoridade e estimativa.
Fonte: O próprio texto

18) Com base no período em destaque, responda à questão.


“Por isso, várias cidades estão abrindo guerra contra as sacolas plásticas e criando leis que limitam ou proíbem seu
uso no comércio.”
No fragmento, é possível identificar o uso de uma linguagem figurada. O mesmo ocorre em
a) “Antiecológicas da matéria-prima ao processo de produção, ...”
b) “Isso porque existem embalagens feitas de materiais renováveis, ...”
c) “Os detalhes da regulamentação serão definidos nos próximos meses.”
d) “Mas, por enquanto, além de banir a venda e a distribuição dessas pestes, ...”

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

A expressão “dessas pestes” refere-se metaforicamente a sacolas de plástico. Em síntese – didática –, pode-se definir a
metáfora como a figura de significação (tropo) que consiste em dizer que uma coisa (A) é outra (B), em virtude de
qualquer semelhança percebida pelo espírito entre um traço característico de A e o atributo predominante, atributo por
excelência de B, feita a exclusão de outros, secundários por não convenientes à caracterização do termo próprio
Fonte: A. Comunicação em Prosa Moderna – Metáfora – pág. 106 – 26ª edição – Editora FGV - Othon M. Garcia.

- 7 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


19) Considerando-se o contexto, a expressão em destaque tem seu significado corretamente identificado em
a) “... escondida nas entrelinhas ...” = de aspecto irrelevante.
b) “... supostas vantagens ecológicas ...” = benefícios ecológicos desejáveis.
c) “Sacolas plásticas na mira” = sacolas plásticas como ferramenta necessária.
d) “... e transformam mares em lixões.” = tornam os mares em ambientes poluídos.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

Lixões são, em seu primeiro significado, “vazadouros de lixo”, lugares que deveriam ser apropriados para depósito de
lixo, o que muitas vezes não ocorre. A construção “mares em lixões” faz uma alusão a tais depósitos. O mar jamais
poderia ser um lugar previamente determinado para depósito de lixo, mas devido às circunstâncias apresentadas no
texto acaba tornando-se um verdadeiro lixão. Desta forma, é feita uma comparação de significados devido à poluição
que se estende até os oceanos.
Fonte: O próprio texto

20) Considerando os aspectos funcionais e estruturais do texto, é correto afirmar, quanto às afirmativas acerca de
“Sacolas plásticas na mira”, que
• predomina no texto a linguagem denotativa.
• é um exemplo de relevância no plano da expressão.
• apresenta uma mensagem utilitária, cuja finalidade é informar.
• o texto não é intangível, pode ser sintetizado sem perda de informação importante.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas uma afirmativa é verdadeira.
b) Todas as afirmativas são verdadeiras.
c) Há somente duas afirmativas verdadeiras.
d) Três afirmativas são verdadeiras e uma é falsa.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

1ª afirmativa: verdadeira. “A relação existente entre o plano da expressão e o plano do conteúdo configura aquilo que
chamamos de denotação. Desse modo, significado denotativo é aquele conceito que um certo significante evoca no
receptor. Em outras palavras, é o conceito ao qual nos remete certo significante. Os dicionários descrevem geralmente
os vários conceitos que as palavras denotam.” (SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto:
leitura e redação.pág. 111 – 17. ed. São Paulo: Ática, 2008.)
2ª afirmativa: falsa. A mensagem do texto não tem como relevante o plano da expressão (os sons); antes atravessa-o e
vai direto ao conteúdo, à informação. (SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e
redação. pág.329 17. ed. São Paulo: Ática, 2008.)
3ª afirmativa: verdadeira. O texto não-literário tem uma função utilitária, neste caso, informar. No texto, o principal
objetivo é informar sobre a questão das sacolas plásticas. (SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para
entender o texto: leitura e redação. 17. ed. – pág.349 – São Paulo: Ática, 2008.)
4ª afirmativa: verdadeira. Quanto se faz um resumo do texto não-literário apreende-se o essencial, ou seja, não se trata
de um texto intocável. (SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação –
pág.420 – 17. ed. São Paulo: Ática, 2008.)

21) O valor da palavra, ou seu sentido, é determinado pelo contexto no qual está inserida. A partir dessa consideração, é
correto afirmar, quanto ao uso do vocábulo “vantagem” (3º§) e sua variação “vantagens” (1º§) nas expressões
“supostas vantagens” e “principal vantagem”, que
a) de acordo com o contexto, as expressões “supostas vantagens” e “principal vantagem” indicam benefícios
indiscutíveis.
b) as expressões apresentam variação de sentido já que, considerando o contexto, há um aspecto irônico em
“supostas vantagens” e em “principal vantagem” ocorre a denotação de um benefício real.
c) em “principal vantagem”, o sentido denotado é a expressão de um benefício de grande importância; já em
“supostas vantagens”, tal benefício perde esta relevância tratando-se de apenas uma vantagem dentre outras.
d) a variação de sentido nas expressões compostas pelo vocábulo “vantagem” e “vantagens” é determinada pela
especificidade atribuída em “principal vantagem” em oposição à generalização atribuída em “supostas vantagens”.

- 8 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

A palavra “vantagens” de acordo com o dicionário da língua portuguesa apresenta o seguinte significado: 1. Qualidade
do que está adiante ou é superior. 2. Benefício, favor. A expressão “supostas vantagens ecológicas” traz o substantivo
“vantagens” caracterizado por dois adjetivos distintos: supostas e ecológicas. “Supostas” indica aquilo que é hipotético,
ou atribuído falsamente a alguém. Desta forma, cabe aqui dizer que tal expressão possui um caráter irônico, já que
ironia é um modo de expressão em que se diz o contrário do que se pensa. Já a expressão “principal vantagem” traz o
substantivo “vantagem” acrescido da característica “principal”, que, por sua vez, indica aquilo que está em primeiro
lugar, fundamental, essencial.
Fonte: Pasquale & Ulisses – Gramática da Língua Portuguesa: Substantivo e Adjetivo – Capítulo 9 – pág. 211 e 11 pág.
244 – 1ª edição – Editora Scipione – mais o próprio texto.

22) Indique, a seguir, o fragmento em que a ideia principal do texto é apresentada.


a) "Matéria-prima renovável não é garantia de um produto biodegradável”, explica o engenheiro químico Helio
Wiebeck, da Universidade de São Paulo.
b) Embora fabricadas com material reciclável, estima-se que oito em cada dez sacolas plásticas sejam usadas como
saco de lixo e, assim, tenham como destino os aterros sanitários.
c) Isso porque existem embalagens feitas de materiais renováveis, como cana-de-açúcar e milho, que seriam, assim,
mais sustentáveis. Mas ainda há informação escondida nas entrelinhas.
d) Antiecológicas da matéria-prima ao processo de produção, elas levam ainda centenas de anos para se degradar.
(...) Por isso, várias cidades estão abrindo guerra contra as sacolas plásticas e criando leis que limitam ou
proíbem seu uso no comércio.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

O texto apresenta como tema, assunto principal, o problema das sacolas plásticas, que não se degradam facilmente
poluindo o meio ambiente. Diante disso, possíveis soluções são apresentadas.
Fonte: O próprio texto

23) Tendo em vista que os elementos de coesão conferem clareza e unidade, indique a opção correta referente ao seu
adequado uso no texto.
a) Em “seu uso no comércio” (1º§), “seu” refere-se a “lei de várias cidades”.
b) Em “dessas pestes” (1º§), “dessas” refere-se a “embalagens renováveis”.
c) A expressão “por isso” (1º§) estabelece uma relação de causa e consequência.
d) O conectivo “isso” (2º§) introduz uma ideia contrária ao que se afirmou anteriormente.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A expressão “por isso” no 1º§ estabelece uma relação de causa e consequência. A guerra que as cidades estão abrindo
contra as sacolas plásticas são uma consequência da poluição gerada por elas em decorrência de sua lenta
degradação.
Fonte: O próprio texto

24) Para que a afirmativa a seguir esteja correta, assinale a opção que completa adequadamente a lacuna.
Em “Em Belo Horizonte, depois que a lei que restringe o uso das sacolas plásticas entrou em vigor, ...”, a primeira
ocorrência de vírgula justifica-se por separar ____________________________.
a) elementos de uma enumeração
b) o adjunto adverbial antecipado
c) oração coordenada assindética
d) o vocativo do resto da oração

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

As justificativas para o emprego da vírgula são de ordem sintática, e não de pronúncia. Emprega-se a vírgula entre os
termos de uma oração e entre orações. Neste caso, a vírgula foi usada para separar o adjunto adverbial antecipado que
indica lugar “Em Belo Horizonte”.
Fonte: FARACO, Carlos Emílio; MOURA, Francisco Marto. Gramática. Pontuação – 499 – 16ª ed. São Paulo: Ática,
1998.

- 9 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


25) Considerando as palavras sublinhadas a seguir e o que indicam, relacione a coluna da direita com a da esquerda e
depois marque a sequência correta. (Os números serão utilizados mais de uma vez.)
( ) “para então serem descartadas ...”
(1) Limite temporal
( ) “... seriam, assim, mais sustentáveis.”
( ) “Sim, pois atualmente não há uso ...”
(2) Circunstância modal
( ) “... serão definidos nos próximos meses”.
a) 1 – 2 – 1 – 1
b) 1 – 1 – 2 – 2
c) 2 – 1 – 2 – 1
d) 2 – 2 – 1 – 2

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

Os advérbios são classificados de acordo com as circunstâncias que expressam. Entre os que indicam circunstância de
tempo estão: então, atualmente a locução adverbial: “nos próximos meses”. Entre os que indicam circunstância de modo
está: assim.
Fonte: PASQUALE, Cipro Neto; Infante, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. Estudo dos advérbios – pág. 269 –
1ª edição – 1999 – São Paulo: Scipione.

26) Preencha os parênteses com o número correspondente ao sentido que o termo em destaque confere ao período.
Depois assinale a alternativa que contém a sequência correta.
(1) Relação de explicação Sim, pois ( ) atualmente não há uso consciente nem ( ) descarte adequado desse
(2) Indicação de modo tipo de embalagem. Embora ( ) fabricadas com material reciclável, estima-se que
(3) Relação de contradição oito em cada dez sacolas plásticas sejam usadas como ( ) saco de lixo e, assim,
tenham como destino os aterros sanitários.
(4) Soma de informações
a) 1 – 4 – 3 – 2
b) 4 – 1 – 2 – 3
c) 2 – 4 – 3 – 1
d) 4 – 3 – 2 – 1

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

As conjunções coordenativas são classificadas de acordo com as relações que estabelecem entre as orações ou
termos. Entre elas estão as explicativas, como exemplo temos a conjunção “pois” que estabelece uma relação de
explicação, neste caso o “pois” é anteposto ao verbo. As aditivas estabelecem uma relação de soma ou adição entre
dois termos ou duas orações de função idêntica, entre elas está “nem”, empregada em orações negativas. As
conjunções subordinativas ligam orações dependentes, isto é, subordinam uma oração à outra, entre elas temos as
concessivas que iniciam uma oração que indica contradição em relação a outro fato. Essa contradição, no entanto, não
impede que o fato se realize, é o caso de “embora”. Os advérbios são classificados de acordo com as circunstâncias que
expressam. Entre os que indicam circunstância de modo está o “como”.
Fonte: FARACO, Carlos Emílio; MOURA, Francisco Marto. Gramática. – Conjunções – pág. 412 – 16ª ed. São Paulo:
Ática, 1998.

27) Considerando-se a regência nominal e verbal empregada no texto, indique verdadeiro (V) ou falso (F) e marque a
sequência correta.
( ) Em “Criam montanhas nos aterros sanitários ...”, a substituição do termo “nos” por “de” manteria o sentido
original e a correção gramatical do período.
( ) Substituindo o termo “mudar” por “mudança” em “... prometem mudar a rotina dos consumidores.”, torna-se
obrigatório o uso do sinal indicativo de crase no termo que antecede “rotina”.
( ) O uso do sinal indicativo de crase é facultativo no primeiro “a” do segmento “Mas, por enquanto, além de banir
a venda e a distribuição dessas pestes ...”
a) F – F – F
b) V – F – V
c) F – V – F
d) V – V – V

- 10 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

1ª afirmação = falsa. O termo “nos” trata-se de uma combinação em que a preposição “em” combina-se com o artigo “os”
formando um vocábulo único: “nos”. A preposição “em” estabelece entre o termo regente e o termo regido uma relação
de lugar. Já a preposição “de” estabeleceria, neste caso, uma relação de matéria, assim como no exemplo a seguir:
“Quebraram o meu vaso de porcelana.”
2ª afirmação = verdadeira. Em “prometem mudança à rotina dos consumidores.”, o acento grave indicador de crase
torna-se obrigatório já que o substantivo “mudança” exige o uso da preposição, “mudança a alguma coisa”.
3ª afirmação = falsa. Em “banir a venda” o uso do sinal indicativo de crase estaria incorreto. O verbo “banir” é transitivo
direto, portanto não admite preposição.
Fonte: FARACO, Carlos Emílio; MOURA, Francisco Marto. Gramática. Regência – pág. 512 e 520-16ª ed. São Paulo:
Ática, 1998.

28) No 2º§, a forma verbal “seriam” no período “Isso porque existem embalagens feitas de materiais renováveis, como
cana-de-açúcar e milho, que seriam, assim, mais sustentáveis.” expressa ________________________.
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna do enunciado.
a) uma possibilidade incerta
b) um fato habitual ou repetido
c) a certeza de uma ação futura
d) um fato não concluído no passado

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A forma verbal “seriam” está no futuro do pretérito do indicativo. O futuro do pretérito, em relação ao momento em que
se fala, é atemporal, pois tanto pode indicar passado como futuro. Neste caso, há a expressão de uma possibilidade
incerta, já que as embalagens poderiam ser mais sustentáveis, mas na verdade não o são.
Fonte: Gramática da Língua Portuguesa – Pasquale & Ulisses – Editora Scipione São Paulo – Estudo dos verbos – pág.
120 a 204 – 1ª edição – 1999.

29) O texto apresenta várias informações a respeito do uso das sacolas plásticas dando ênfase a leis e regulamentações
que LIMITAM, PROÍBEM e RESTRINGEM seu uso. Acerca dos vocábulos destacados anteriormente, marque a
alternativa que completa as lacunas a seguir de acordo com o sentido de cada um apresentado no contexto.
As formas verbais LIMITAM e PROÍBEM possuem sentidos _____________ no texto. Limitar tem seu sentido
equivalente a _____________. Já _____________ exclui qualquer possibilidade de ocorrência da referida ação.
a) opostos / impedir / restringir
b) múltiplos / obrigar / restringir
c) diferentes / restringir / proibir
d) equivalentes / restringir / proibir

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

De acordo com o dicionário da Língua Portuguesa, apresentam-se desta forma os significados das palavras a seguir:
• Limitam/ limitar = Determinar os limites de, ou servir de limite a. Restringir, diminuir. Restringir, circunscrever.
• Proíbem/ proibir = Impedir que se faça. Não permitir. Vedar.
• Restringem/ restringir = Limitar, delimitar.
Deste modo, é correto afirmar que entre “limitam” e “restringem” há uma relação de sinonímia. Já “proíbem” é um
vocábulo que tem seu sentido diferente de limitam e/ou restringem de acordo com o descrito pelo
dhttp://www.rjnet.com.br/1velocimetro.phpicionário.
Fonte: Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa – Nova edição revista e ampliada – Editora Nova Fronteira,
páginas 1032, 1399, 1498.

- 11 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


30) Associe as duas colunas, relacionando o vocábulo ao sentido do elemento em destaque que o compõe e, em
seguida, marque a sequência correta desta classificação. (Alguns números não serão utilizados.)
(1) Oposição
( ) antiecológicas.
(2) Anterioridade
(3) De si mesmo ( ) biodegradável.
(4) Vida
(5) Grande ( ) supermercado.
(6) Ação conjunta
(7) Repetição ( ) reutilizáveis.
(8) Movimento através

a) 1 – 4 – 5 – 7
b) 2 – 3 – 7 – 8
c) 2 – 5 – 6 – 8
d) 8 – 4 – 5 – 1

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

Afixos são morfemas gramaticais que se acrescentam ao radical ou à palavra, atribuindo-lhe uma ideia acessória ou
modificando-lhe o sentido. Anti = prefixo de origem grega que significa oposição, ação contrária. Radical é o morfema
que contém a significação lexical da palavra, um exemplo de radical grego é “bio” que significa “vida”. O prefixo “super”,
com substantivos, significa “grande”. O prefixo de origem latina “re” tem o sentido de repetição.
Fonte: FARACO, Carlos Emílio; MOURA, Francisco Marto. Gramática. Estrutura das palavras – Pág. 152 a 171- 16ª ed.
São Paulo: Ática, 1998.

- 12 - CADAR Gramática e Interpretação de Texto Versão A


CADAR 2012 – GABARITO OFICIAL
ESPECIALIDADE: GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

VERSÃO A VERSÃO B VERSÃO C


QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO
01 D 01 A 01 A
02 B 02 D 02 C
03 A 03 B 03 A
04 D 04 A 04 C
05 A 05 C 05 A
06 C 06 C 06 A
07 D 07 D 07 B
08 D 08 D 08 C
09 D 09 D 09 D
10 C 10 C 10 B
11 C 11 A 11 D
12 A 12 D 12 D
13 B 13 A 13 D
14 D 14 B 14 C
15 A 15 D 15 D
16 D 16 A 16 A
17 C 17 C 17 D
18 D 18 A 18 B
19 D 19 C 19 A
20 D 20 A 20 C
21 B 21 A 21 C
22 D 22 B 22 D
23 C 23 C 23 D
24 B 24 D 24 D
25 A 25 B 25 C
26 A 26 D 26 A
27 C 27 D 27 D
28 A 28 D 28 A
29 C 29 C 29 B
30 A 30 D 30 D

• As questões com # foram anuladas;


• As questões em sublinhado tiveram a alternativa de resposta alterada;
• As demais questões permaneceram inalteradas.
GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Texto I para as questões de 1 a 15


O novo inimigo do clima
Pela primeira vez, buraco na camada de ozônio é ligado a mudanças climáticas.
Para ambientalistas e pesquisadores preocupados com as mudanças climáticas, o Judas dos últimos sábados de
Aleluia foram os gases-estufa. Controlar sua ______________ é a única forma de impedir que o clima atinja patamares
incontroláveis. Mas a edição de hoje da revista “Science” traz um novo obstáculo à tona. A circulação atmosférica e o
índice de chuvas também são influenciados pelo buraco da camada de ozônio – um problema já dado como resolvido,
com a proibição, respeitada internacionalmente, da produção industrial de compostos químicos que aumentariam a
abertura da camada protetora do planeta.
Segundo um estudo da Universidade de Columbia, de Nova York, os efeitos provocados pelo buraco da camada de
ozônio sobre a Antártica podem aumentar em até 10%, a ______________ em diversos pontos do Hemisfério Sul –
incluindo o Centro-Sul do Brasil, no trecho que se estende até Brasília. Os pesquisadores, porém, ainda consideram
leviano usar este fenômeno para explicar recentes ______________ climáticos, como a tempestade na Região Serrana,
em janeiro.
Ainda de acordo com os autores da pesquisa, o buraco na camada de ozônio provocou uma mudança na direção
dos ventos que passavam pela Antártica. Uma área marcada pela menor umidade, que existia mais ao norte do
continente gelado foi deslocada para o sul. Com isso, uma região sobre este cinturão seco e próximo ao Equador ficou
exposta a chuvas.
Esta é a primeira vez que um levantamento relaciona o buraco na camada de ozônio às mudanças climáticas.
– O buraco sequer é mencionado no sumário para formuladores de políticas públicas escrito pelo Painel
Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, da ONU) – destaca Lourenzo Polvani, coautor da pesquisa da
Universidade de Columbia. – Mostramos, no entanto, que a camada de ozônio tem muito impacto no sistema do clima. É
um jogador que deve ser observado.
Autora principal do levantamento, Sarah Kang também se admira com a relação em cadeia provocada pelo buraco.
– É realmente impressionante que o buraco na camada de ozônio, localizado tão alto na atmosfera sobre a
Antártica (a até 30 quilômetros de distância) possa ter um impacto sobre os trópicos, aumentando o nível de chuvas por
lá. É um efeito dominó – compara a pesquisadora.
Polvani e Sarah atribuíram ao buraco as mudanças na circulação atmosférica observadas no Hemisfério Sul
durante a segunda metade do século passado. Com isso, os acordos internacionais para mitigar as mudanças climáticas
não farão sentido se ficarem restritos ao controle das emissões de carbono. O ozônio, a partir de agora terá de ser
considerado.
No Ártico, ozônio teve redução recorde.
Localizada na estratosfera, logo acima da troposfera (cujo início é na superfície terrestre), a camada de ozônio
absorve boa parte dos raios ultravioleta emitidos pelo sol. Durante a última metade do século XX, o uso em larga escala
de compostos químicos pelo homem, especialmente aerossóis contendo clorofluorcarbono (CFC), provocaram danos
significativos na camada a tal ponto que um buraco sobre a Antártica foi descoberto em meados da década de 80.
Com o protocolo de Montreal, assinado em 1989 e que agora conta com a assinatura de 196 países, a produção
global de CFC foi cancelada. A iniciativa já colhe frutos: na década passada a destruição da camada foi quase
totalmente interrompida. Espera-se que a sua recuperação prossiga até meados do século, quando o buraco deve enfim
ser fechado.
A comunidade internacional, portanto já via o buraco como um problema resolvido. Mas, de acordo com o estudo de
Polvani e Sarah, mesmo quando coberto, ele provocará um impacto considerável no clima.
A dupla tirou suas conclusões baseada na construção de dois modelos: um em que projetaram a evolução da
abertura na camada de ozônio; outro onde analisaram eventos climáticos das últimas décadas no Hemisfério Sul. A
associação entre os resultados permitiu-os responsabilizar o ozônio por algumas das mudanças do clima observadas
naquela região – com uma contribuição menor dos gases-estufa.
A camada de ozônio não inspira preocupação apenas na Antártica. No início do mês, a Organização Meteorológica
Mundial (OMM) divulgou que aquele escudo natural sofreu uma redução recorde de 46% sobre o Ártico entre o fim de
2010 e março deste ano.
A OMM atribuiu o fenômeno à persistência de CFC na atmosfera e ao inverno muito frio na estratosfera. Junto ao
motivo veio um alerta aos países nórdicos:
“Como a elevação do sol vai aumentar nas próximas semanas, as regiões afetadas pelo buraco na camada de
ozônio terão que vigiar as radiações ultravioletas que serão superiores ao normal”, advertiu a organização em
comunicado.
A redução é ainda mais preocupante porque, no Ártico, ela não é um fenômeno frequente como no Sul – na
Antártica, o mesmo episódio ocorre todos os anos, sempre no inverno e na primavera, também devido às temperaturas
baixas da estratosfera. (Jornal “O Globo” / Ciência – sexta-feira, 22 de abril de 2011)

EAOEAR 2012 Gabarito Comentado Gramática e Interpretação de Texto Versão A -1-


01) A expressão “à tona” (1º§), contextualmente, significa
a) ao lume.
b) à superfície.
c) à baila.
d) à disputa.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: C)

A expressão “à tona”, contextualmente, significa “à baila”, segundo o Dicionário HOUAISS da Língua Portuguesa, à
pagina 2733, coluna 01, em sua acepção 2 (em suas conversas, o futebol sempre vem à tona).

02) Relacione a segunda coluna de acordo com a primeira, estabelecendo a correspondência entre os encontros
consonantais e vocálicos com as palavras que os contêm e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a
sequência correta.

( 1 ) Climáticas ( ) Ditongo nasal decrescente.


( 2 ) Edição ( ) Hiato.
( 3 ) Meados ( ) Ditongo oral decrescente.
( 4 ) Sofreu ( ) Encontro consonantal.
a) 2 – 3 – 1 – 4
b) 3 – 2 – 4 – 1
c) 3 – 4 – 1 – 2
d) 2 – 3 – 4 – 1

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: D)

De acordo com a Gramática da Língua Portuguesa – Pasquale & Ulisses, Editora Scipione,

• climáticas possui um encontro consonantal – cl.


• edição possui um ditongo nasal decrescente – ao.
• meados é formada por um hiato – e-a.
• sofreu possui um ditongo oral decrescente – eu.

03) Assinale a alternativa que preenche os espaços, no texto, com as palavras grafadas corretamente.
a) emição / pluviozidade / desastres
b) emisão / pluviosidade / dezastres
c) emissão / pluviosidade / desastres
d) emisão / pluviozidade / dezastres

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: C)

As palavras foram grafadas corretamente segundo o Dicionário HOUAISS da Língua Portuguesa, Editora Objetiva – Rio
de Janeiro / 2007 – 2ª reimpressão com alterações.

04) Considere os excertos do texto:


I. “Para ambientalistas e pesquisadores preocupados com as mudanças climáticas, o Judas dos últimos sábados
de Aleluia foram os gases-estufa”.
II. “Segundo um estudo da Universidade de Columbia, de Nova York, os efeitos provocados pelo buraco da camada
de ozônio sobre a Antártica podem aumentar em até 10% a pluviosidade em diversos pontos do Hemisfério Sul”.
III. “Mostramos, no entanto, que a camada de ozônio tem muito impacto no sistema do clima. É um jogador que
deve ser observado”.
IV. “Localizada na estratosfera, logo acima da troposfera (cujo início é na superfície terrestre), a camada de ozônio
absorve boa parte dos raios ultravioleta emitidos pelo sol”.
A alternativa que contém exemplos de linguagem conotativa é

a) I – II – III – IV
b) III – IV
c) II – IV
d) I – III

EAOEAR 2012 Gabarito Comentado Gramática e Interpretação de Texto Versão A -2-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: D)

As expressões “o Judas dos últimos sábados” (afirmativa I) e “É um jogador que deve ser observado” (afirmativa III)
constituem exemplos de linguagem conotativa no texto em questão.

05) De acordo com o conteúdo do texto, classifique as afirmativas em Verdadeiras (V) ou Falsas (F). Depois, assinale a
alternativa que completa correta e respectivamente, de cima para baixo, os parênteses.
( ) O buraco na camada de ozônio foi, efetivamente, o responsável pelas alterações climáticas tanto no
Hemisfério Norte quanto no Hemisfério Sul, na década passada.
( ) A atribuição dos efeitos provocados pelo buraco na camada de ozônio aos recentes desastres climáticos
mundiais parece ser uma imprudência.
( ) A camada de ozônio não é preocupação apenas de uma região do Planeta Terra.
( ) É absurdo achar que o buraco na camada de ozônio, localizado até 30 km, na atmosfera, possa aumentar o
nível de chuvas sobre os trópicos.

a) F – V – V – F
b) V – F – V – V
c) F – V – F – F
d) V – F – F – V

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: A)

Afirmativa I: o texto faz referência exclusivamente ao Hemisfério Sul, agregado às informações adicionais da afirmativa.
Portanto, a afirmativa é falsa.
Afirmativa II: para os pesquisadores, é leviano, ou seja, imprudente, dizer ou atribuir aos efeitos provocados pelo buraco
na camada de ozônio recentes desastres climáticos. Portanto, a afirmativa é verdadeira.
Afirmativa III: no texto, são citadas diferentes regiões que estão em estado de alerta quanto à camada de ozônio.
Portanto, a afirmativa é verdadeira.
Afirmativa IV: a palavra “absurdo” faz oposição semanticamente ao vocábulo “impressionante” usado no texto. Desta
forma, o sentido da afirmativa é exatamente o contrário do que foi dito no texto. Portanto, a afirmativa é falsa.

06) Em “Segundo um estudo da Universidade de Columbia (…) os efeitos provocados…” (2º§), a palavra sublinhada tem
valor semântico de

a) causa.
b) conformidade.
c) concessão.
d) condição.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: B)

De acordo com a Gramática da Língua Portuguesa – Pasquale & Ulisses, Editora Scipione, a palavra “segundo” no início
da frase, exprime uma circunstância de conformidade com o restante da oração. De acordo com a Novíssima Gramática
da Língua Portuguesa – Domingos Paschoal Cegalla – Companhia Editora Nacional, 45ª edição).

07) Assinale a alternativa que complete correta e respectivamente as lacunas do trecho a seguir “A pesquisa feita pelos
cientistas _____________ tema foi o buraco na camada de ozônio, constata ____________ esse fato tem
provocado mudanças climáticas no planeta.”

a) de cujo / o qual
b) onde o / que
c) cujo / que
d) em cujo / como

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: C)

O pronome relativo “cujo” estabelece uma relação de posse entre o antecedente “pesquisa” e a palavra “tema” que é o
termo que especifica.
Aqui a conjunção integrante “que” inicia a oração subordinada substantiva objetiva direta “que esse fato tem
provocado...”
(Gramática da Língua Portuguesa – Pasquale & Ulisses – Editora Scipione)

EAOEAR 2012 Gabarito Comentado Gramática e Interpretação de Texto Versão A -3-


08) Associe as duas colunas de acordo com o significado das palavras empregadas no texto. Em seguida, assinale a
alternativa que contém a sequência correta.
( 1 ) Leviano (2º§) ( ) Abrandar
( 2 ) Sumário (5º§) ( ) Fato
( 3 ) Impacto (5º§) ( ) Resumo
( 4 ) Mitigar (8º§) ( ) Precipitado
( 5 ) Episódio(16º§) ( ) Choque

a) 5 – 2 – 4 – 3 – 1
b) 4 – 5 – 2 – 1 – 3
c) 4 – 5 – 1 – 2 – 3
d) 3 – 4 – 5 – 1 – 2

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: B)

O significado dessas palavras empregadas no texto está de acordo com o Dicionário HOUAISS da Língua Portuguesa,
Editora Objetiva – Rio de Janeiro/ 2007 – 2ª reimpressão com alterações.

09) A respeito da classificação sintática dos termos grifados, informe se é falso (F) ou verdadeiro (V) e depois assinale a
alternativa que completa correta e respectivamente os parênteses.
( ) A palavra “patamares” em “... o clima atinja patamares incontroláveis...” (1º§) classifica-se como objeto
indireto.
( ) “ ... A circulação atmosférica e o índice de chuvas são influenciados ...” (1º§) – predicativo.
( ) “... ficou exposta a chuvas” (3º§) – complemento nominal.
( ) “É um efeito dominó – compara a pesquisadora” (7º§) – objeto direto.
( ) “... que a sua recuperação prossiga até meados do século...” (10º§) – sujeito.

a) F – V – V – F – V
b) F – V – F – F – F
c) F – F – V – V – V
d) V – F – V – F – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: A)

A palavra “patamares” é objeto direto; “influenciados” é predicativo; a expressão “a chuvas” é complemento nominal; “a
pesquisadora” é sujeito; “a sua recuperação” é sujeito.
(Gramática da Língua Portuguesa – Pasquale & Ulisses – Editora Scipione).

10) Numere a coluna da direita, relacionando com a da esquerda, pelo significado do prefixo. Em seguida assinale a
alternativa correta.
( 1 ) Incontrolável ( ) Anterioridade
( 2 ) Exposta ( ) Posição além de
( 3 ) Coautor ( ) Privação, negação
( 4 ) Ultravioleta ( ) Movimento para frente
( 5 ) Projetar ( ) Movimento para fora
( 6 ) Preocupação ( ) Companhia

a) 5 – 4 – 1 – 3 – 2 – 6
b) 6 – 2 – 3 – 4 – 5 – 1
c) 6 – 4 – 1 – 5 – 2 – 3
d) 5 – 4 – 6 – 1 – 3 – 2

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: C)

Segundo a Gramática da Língua Portuguesa – Pasquale & Ulisses – Editora Scipione, os prefixos:
• In significa: privação, negação.
• Ex significa: movimento para fora.
• Co significa: companhia.
• Ultra significa: posição além de.
• Pro significa: movimento para frente.
• Pré significa: anterioridade.

EAOEAR 2012 Gabarito Comentado Gramática e Interpretação de Texto Versão A -4-


11) As lacunas da frase: “Se tu __________ até aqui e ___________ a edição de hoje da revista ‘Science’ __________
bem informado a respeito das mudanças climáticas,” são preenchidas, corretamente, por

a) vieres / veres / ficarás


b) vires / ver / ficareis
c) vires / vir / ficarás
d) vieres / vires / ficarás

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: D)

De acordo com a Novíssima Gramática da Língua Portuguesa – Domingos Paschoal Cegalla – Companhia Editora
Nacional, 45ª edição:
• a segunda pessoa do singular do futuro do subjuntivo do verbo “VIR” é “VIERES”.
• a segunda pessoa do singular do futuro do subjuntivo do verbo “VER” é “VIRES”.
• a segunda pessoa do singular do verbo “FICAR” é “FICARÁS”.

12) Há erro de regência verbal no seguinte trecho do texto.

a) “Mas a edição de hoje da revista ‘Science’ traz um novo obstáculo à tona.” (1º§)
b) “... o buraco na camada de ozônio provocou uma mudança na direção dos ventos...” (3º§)
c) “Polvani e Sarah atribuíram ao buraco as mudanças na circulação atmosférica...” (8º§)
d) “A associação entre os resultados permitiu-os responsabilizar o ozônio por algumas das mudanças do clima
observadas naquela região...” (12º§)

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: D)

O verbo “permitir”, nessa frase, é transitivo direto e indireto, sendo que o objeto direto é “responsabilizar o ozônio” e o
objeto indireto deveria ser “lhe” e não “os” como foi empregado.

13) “No Ártico, ozônio teve redução recorde.” A palavra sublinhada no subtítulo do texto em questão admite dupla
pronúncia.
Analise os pares abaixo, classificando-os em (V) verdadeiro para o(s) que apresenta(m) dupla pronúncia e (F) falso
para aquele(s) em que isso não ocorre.
( ) acrobata / hieroglifo
( ) xerox / projetil
( ) nobel / rubrica
( ) alopata / reptil
A sequência correta e respectiva de alternativas verdadeiras e falsas, de cima para baixo, é

a) V – V – F – V
b) V – F – F – V
c) F – V – V – V
d) F – V – F – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: A)

De acordo com a Gramática da Língua Portuguesa – Pasquale & Ulisses – Editora Scipione e também com os
Dicionários HOUAISS da Língua Portuguesa – Editora Objetiva e o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, Nova
Edição Revista e Ampliada – Editora Nova Fronteira, as palavras “nobel “ e “rubrica” não possuem dupla pronúncia.

14) O tom predominante na reportagem pode ser identificado como

a) alerta.
b) tragédia.
c) prevenção.
d) apelo.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: A)

Sendo o buraco na camada de ozônio mais um item para ser levado em conta em relação ao clima, segundo os
pesquisadores da Universidade de Columbia, de Nova York, o texto constitui, portanto, de forma implícita uma “alerta”
para que se leve em conta e que se procure minimizar ao máximo o efeito de poluentes nessa camada.

EAOEAR 2012 Gabarito Comentado Gramática e Interpretação de Texto Versão A -5-


15) “A iniciativa já colhe frutos: na década passada a destruição da camada foi quase totalmente interrompida.”
A expressão destacada anteriormente

a) tem sentido ambíguo.


b) é metafórica.
c) é pejorativa.
d) é irônica.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: B)

A expressão “já colhe frutos”, nesse contexto, é metafórica (figurada) já que entendê-la de forma literal seria absurdo e
sem sentido.

Texto II para as questões de 16 a 18

Mas a natureza não mata apenas com enchentes, deslizamentos, terremotos e tsunamis. Mata pela mão dos
humanos, o que pode parecer um fato em escala menor, mas é bem mais preocupante. Homens, mulheres e meninos-
bomba quase diariamente se explodem levando consigo dezenas de vidas inocentes: pais de família, mães ou crianças,
mulheres fazendo a feira, jovens indo para a escola. Bandidos incendeiam um ônibus com passageiros dentro: dois
morrem logo, outros vários curtem em hospitais o grave sofrimento dos queimados. Não tinham nada a ver com a
bandidagem, estavam apenas indo para o trabalho, ou vindo dele. Assaltantes explodem bancos em cidades do interior
antes tranquilas. Criminosos sequestram casais ou famílias inteiras e os submetem aos maiores vexames e terror. Como
está virando costume, a gente agradece por escapar com vida.
(Lya Luft Revista Veja – Edição 2156 / 17 de março de 2010, fragmento)

16) Sabendo que o texto revela a visão de mundo de seu autor, pode-se dizer que a autora mostra através de seu ponto
de vista, que
a) toda tragédia, seja ela um fenômeno da natureza ou não, está sempre relacionada à ação humana.
b) a violência advinda do próprio homem, presente nos dias atuais, torna-se cada vez mais grave.
c) a crescente criminalidade está diretamente ligada ao comodismo da sociedade que considera tal violência como
um costume, algo rotineiro.
d) a natureza com suas enchentes, deslizamentos, terremotos e tsunamis é inofensiva se comparada à ação do
homem através de seus atos de violência.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: B)

Todo texto contém um pronunciamento dentro de um debate de escala mais ampla. Nenhum texto é uma peça isolada,
nem a manifestação da individualidade de quem o produziu. De uma forma ou de outra, constrói-se um texto para,
através dele, marcar uma posição ou participar de um debate de escala mais ampla que está sendo travado na
sociedade. Todo texto revela a visão de mundo de quem o produziu. (Platão & Fiorin – Para entender o texto) É possível
inferir no texto que o conceito a respeito da violência humana é estabelecido em todo o texto, inclusive através do
trecho: Mata pela mão dos humanos, o que pode parecer um fato em escala menor, mas é bem mais preocupante. As
expressões grifadas mostram claramente o grau da violência humana de que fala o texto.

17) Considerando o número de letras e fonemas das palavras a seguir, relacione a coluna da direita com a da esquerda
e depois marque a sequência correta a seguir.
( 1 ) natureza ( ) 8 letras e 8 fonemas
( 2 ) enchentes ( ) 8 letras e 7 fonemas
( 3 ) hospitais ( ) 9 letras e 6 fonemas
( 4 ) explodem ( ) 9 letras e 8 fonemas
a) 4 – 3 – 1 – 2
b) 1 – 3 – 4 – 2
c) 4 – 1 – 3 – 2
d) 1 – 4 – 2 – 3

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: D)

Os fonemas são os sons característicos de uma determinada língua. Não há necessariamente correspondência entre as
letras e os fonemas. Natureza = 8 letras e 8 fonemas / enchentes = 9 letras e 6 fonemas / hospitais = 9 letras e 8
fonemas / explodem = 8 letras e 7 fonemas.
(PASQUALE, Cipro Neto; Infante, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. /conforme o Acordo Ortográfico/ São Paulo:
Scipione, 2008)

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18) Preencha os parênteses com o número correspondente à classe gramatical das palavras grifadas.
Depois, assinale a alternativa que contém a sequência correta.
( 1 ) substantivo
( 2 ) artigo
( 3 ) adjetivo Assaltantes ( ) explodem bancos em cidades do interior antes tranquilas.
( 4 ) preposição Criminosos sequestram casais ou ( ) famílias inteiras ( ) e os ( ) submetem
( 5 ) pronome relativo aos maiores vexames e terror. Como está virando costume, a ( ) gente
( 6 ) pronome pessoal agradece por escapar com vida.
( 7 ) pronome demonstrativo
( 8 ) conjunção

a) 1 – 8 – 3 – 6 – 2
b) 3 – 4 – 1 – 5 – 4
c) 3 – 8 – 1 – 2 – 2
d) 1 – 4 – 3 – 7 – 5

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: A)

Em “Assaltantes ( ) explodem bancos em cidades do interior antes tranquilas. Criminosos sequestram casais ou ( )
famílias inteiras( ) e os( ) submetem aos maiores vexames e terror. Como está virando costume, a( ) gente agradece
por escapar com vida.” Temos: assaltantes = substantivo, ou = conjunção, inteiras = adjetivo, os = artigo.

Texto III para as questões de 19 a 23


Tsunami. Terremoto. Crise nuclear. Veio tudo de uma vez para os japoneses. Um tremor de 9.0 na escala Richter
sacudiu o Japão em 11 de março, e o país já contava quase 9 mil mortos até o fechamento desta edição. Outras 13 mil
pessoas ainda estavam desaparecidas.
A catástrofe chamou a atenção de todo o mundo não só pelas vidas perdidas e pelos dramáticos esforços de
resgate. O Japão é um dos países mais bem preparados para enfrentar desastres naturais, e ainda assim foi devastado
pela força da natureza. Um sinal de que nenhum país está a salvo.
Em 2010, desastres naturais mataram pelo menos 234 mil pessoas e afetaram quase outras 200 milhões no mundo.
Nenhum especialista é capaz de dizer se esse número vai diminuir ou aumentar daqui para a frente, mas já se sabe que
a intensidade das catástrofes vai crescer. O aquecimento global fará a temperatura subir - ela será até 3,5º C mais alta
até 2035, segundo a Agência Internacional de Energia. Isso significa mais secas, enchentes, erupções, furacões
destruidores e até terremotos. E, sim, pode existir uma ligação entre esses fenômenos e a ação humana.
(Superinteressante – 04/2011 fragmento)

19) Na re-escrita do período a seguir omitiu-se “o país”; assinale a opção que completa corretamente a lacuna.
“Um tremor de 9.0 na escala Richter sacudiu o Japão em 11 de março, e já _________________ até o fechamento
desta edição.”
a) contara-se quase 9 mil mortos
b) contavam-se quase 9 mil mortos
c) era contado quase 9 mil mortos
d) contou-se quase 9 mil mortos

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: B)

Quando atua como pronome apassivador, o “se” acompanha verbos transitivos diretos (que é o caso em questão) e
transitivos diretos e indiretos na formação da voz passiva sintética. Nesse caso, o verbo deve concordar com o sujeito
da oração (quase 9 mil mortos). (PASQUALE, Cipro Neto; Infante, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. /conforme
o Acordo Ortográfico/ São Paulo: Scipione, 2008)

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20) Quanto ao uso das preposições empregadas no texto II, classifique as afirmativas a seguir usando V para a(s)
verdadeira(s) e F para a(s) falsa(s).
( ) Em “...a atenção de todo o mundo...” (2º§), a preposição “de” expressa posse.
( ) Em “O Japão é um dos países mais bem preparados...” (2º§), “dos” está flexionado de acordo com “países”
tratando-se de uma contração em que a preposição “de” une-se ao artigo “os”.
( ) Em “...para enfrentar desastres naturais, ...” (2º§), a preposição “para” expressa causa ou motivo.
Está correta a classificação, de cima para baixo.

a) V – V – F
b) V – F – F
c) F – F – V
d) F – F – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: A)

A relação que as preposições estabelecem entre dois termos é chamada de regência. Portanto, quando ocorre uma
preposição, pode-se observar a seguinte sequência: termo regente (determinante) + preposição + termo regido. Termo
regente (determinante) é a palavra ou expressão que comanda, pede, solicita uma outra que depende dela. Pode-se
afirmar que é a palavra que “governa”. Termo regido (determinado) é o termo dependente, subordinado ao termo
regente. Pode-se afirmar que é o termo governado. As preposições estabelecem relações entre o termo regente e o
termo regido, entre elas: posse (preposição de), conformidade (segundo, conforme), finalidade (para). (FARACO, Carlos
Emílio; MOURA, Francisco Marto. Gramática. 20. ed. São Paulo: Ática, 2006)
Ocorre contração quando a preposição, ao unir-se a outra palavra, sofre modificações em sua estrutura fonológica.
(PASQUALE, Cipro Neto; Infante, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. /conforme o Acordo Ortográfico/ São Paulo:
Scipione, 2008)

Trecho em destaque a ser observado para resolução das questões 21 e 22:


“Nenhum especialista é capaz de dizer se esse número vai diminuir ou aumentar daqui para a frente, mas já se sabe
que a intensidade das catástrofes vai crescer.”

21) A respeito das ideias do período destacado (3º§), infere-se que

a) há uma contradição estabelecida pelas informações fornecidas.


b) o assunto principal do período, as catástrofes, é apresentado de forma ambígua.
c) há uma relação de oposição estabelecida entre os fatos mencionados.
d) a posição expressa dos especialistas compromete a confiabilidade do texto.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: C)

A relação de oposição pode ser identificada através do uso da conjunção “mas”. As conjunções adversativas podem
exprimir oposição, contraste, ressalva, compensação, são elas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, senão, ao
passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, apesar disso, em todo caso. (CEGALLA, Domingos
Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46.ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005)

22) Quanto ao uso dos recursos de coesão, pode-se afirmar que

a) há uma ligação do enunciado em questão com a informação anterior através da expressão “se esse número”.
b) o pronome “nenhum” serve para dar continuidade ao que foi dito anteriormente.
c) ao iniciar o período com o pronome “nenhum” estabelece-se uma relação de implicação causal entre o dado
anterior e o que vem a seguir.
d) o período em questão apresenta uma nova informação, não estabelecendo qualquer ligação com o que foi dito
anteriormente.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: A)

A coesão de um texto, isto é, a conexão entre os vários enunciados obviamente não é fruto do acaso, mas das relações
de sentido que existem entre eles. Essas relações de sentido são manifestadas, sobretudo por certa categoria de
palavras, as quais são chamadas conectivos ou elementos de coesão. Sua função no texto é exatamente a de pôr em
evidência as várias relações de sentido que existem entre os enunciados. São várias as palavras que, num texto,
assumem a função de conectivo ou de elemento de coesão, entre elas estão os pronomes: ele, ela, seu, sua, este, esse,
aquele, que, o qual, etc. (Para entender o texto: leitura e redação, de Platão & Fiorin). A expressão em destaque “se
esse número” faz uma referência direta ao dado numérico citado no período anterior.

EAOEAR 2012 Gabarito Comentado Gramática e Interpretação de Texto Versão A -8-


23) Associe as duas colunas relacionando o vocábulo à regra que justifica o uso do acento gráfico correspondente.

( 1 ) país ( ) Acentuam-se todas as palavras proparoxítonas.


( 2 ) já ( ) Acentuam-se as oxítonas terminadas em: a, as, e, es, o, os, em, ens.
( ) São acentuados os monossílabos tônicos terminados em: a, as, e, es, o, os.
( 3 ) catástrofe
( ) Quando a segunda vogal do hiato for i ou u tônicos, acompanhados ou não de s,
( 4 ) fará haverá acento.
A sequência correta desta classificação, de cima para baixo, é

a) 1 – 2 – 3 – 4
b) 4 – 3 – 1 – 2
c) 3 – 4 – 2 – 1
d) 2 – 1 – 3 – 4

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: C)

Regras de acentuação para as palavras:


• país = quando a segunda vogal do hiato for i ou u, tônicos, acompanhados ou não de s, haverá acento;
• já = são acentuados os monossílabos tônicos terminados em: a,as, e,es, o,os;
• catástrofe = acentuam-se todas as palavras proparoxítonas;
• fará = acentuam-se as oxítonas terminadas em: a, as, e, es, o, os, em, ens.
(CEGALLA, Domingos Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46.ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2005)

Texto IV para as questões de 24 a 30


Tsunami
No Japão, os quebra-mares construídos para conter as ondas gigantes não deram nem para o começo. E a maior
parte das casas não estava pronta para resistir à força das águas. “Faltam investimentos”, diz o professor Synolakis.
_______ ele, pouco foi feito ________ o desastre na Indonésia, em 2004, _____ deixou 230 mil vítimas. Os principais
problemas são a falta de mapeamento de quais áreas podem ser atingidas e o número limitado de tsunamógrafos –
______ seu nome sugere, são os aparelhos que medem a frequência e o tamanho das ondas.
Mas a pedra maior no caminho é a falta de informação, como no desastre das ilhas Samoa, em 2009, que deixou
189 vítimas. Muitas tentaram fugir de carro e, com o trânsito, morreram afogadas dentro deles. O correto teria sido
caminhar até os terrenos altos nas redondezas e esperar o aguaceiro passar.
Para aliviar as tragédias, o aviso precisa ser rápido e eficaz. Na Indonésia, em 2004, muitos dos 230 mil mortos não
chegaram a ver o alerta emitido pela televisão local. A razão: eles viviam em vilas sem energia elétrica. Mas em muitos
casos não há sequer tempo para divulgar a informação: um tsunami formado perto da costa pode chegar a ela em
menos de 10 minutos. No caso recente do Japão, o problema de comunicação foi agravado porque o terremoto havia
sido tão forte que cortou até a internet.
Outra medida necessária é investir em uma arquitetura antitsunami. Um bom exemplo é o dos templos islâmicos na
Indonésia, que passaram ilesos pela avalanche de ondas. Suas grandes colunas circulares, que sustentavam os
andares superiores, permitiram que a água fluísse livremente. Moral da história: se não pode vencê-lo, adapte-se a ele.
(Superinteressante – 04/2011)
24) No 1º §, o período introduzido pela conjunção “e” indica, no texto
a) acréscimo de informação de caráter relevante na construção textual, tendo em vista que trata-se de um texto
predominantemente informativo.
b) acréscimo de argumento de aspecto subjetivo indicando ser o texto, predominantemente, argumentativo.
c) acréscimo de refutação de argumento contrário ao que foi dito anteriormente.
d) acréscimo de informação irrelevante já que se trata de uma repetição a respeito da informação anterior.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: A)

As conjunções aditivas dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas também, mas ainda, senão também, como
também, bem como. O texto informativo tem por objetivo a transmissão clara, ordenada e objetiva de informações e
indicações que digam respeito a fatos concretos e referências reais. É bastante objetivo e é capaz de apresentar e
explicar assuntos, situações e ideias. No tratamento de um texto informativo-expositivo merecem atenção os fatos e os
elementos referenciais, a sequência lógica ou cronológica, a explicação e a sua justificação documental.
O texto informativo-expositivo deve ser estruturado nos três momentos essenciais de introdução, desenvolvimento e
conclusão. Na introdução, deve ser feita a apresentação do assunto e estabelecido o propósito da sua realização,
captando a atenção do receptor, com uma definição, descrição, ou com outros dados ou questões de interesse. No
desenvolvimento, faz-se a explicação do tema, mediante definições, análises, classificações, comparações e contrastes.
Na conclusão, resume-se o assunto, focando os pontos mais importantes, e procura-se envolver o receptor numa
chamada de atenção para o assunto. (<URL: http://www.infopedia.pt/$texto-informativo-expositivo>)

EAOEAR 2012 Gabarito Comentado Gramática e Interpretação de Texto Versão A -9-


25) Em “... para resistir à força das águas.” o acento grave indicador da ocorrência de crase justifica-se pelo mesmo
motivo identificado em
a) As decisões foram tomadas às escondidas.
b) Pode-se notar que foi um discurso à Rui Barbosa.
c) Refiro-me à direção do evento.
d) Sempre está à procura de jovens talentos.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: C)

Em “... para resistir à força das águas.” o verbo é transitivo indireto (resistir à algo) e rege a preposição a , portanto
ocorre a crase já que o termo seguinte é feminino e admite o artigo “a”. O mesmo ocorre em: Refiro-me à direção do
evento. (PASQUALE, Cipro Neto; Infante, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. /conforme o Acordo Ortográfico/
São Paulo: Scipione, 2008)

26) O 2º § inicia-se com uma expressão intertextual fazendo uma referência ao texto poético de Carlos Drummond de
Andrade “No meio do caminho havia uma pedra / havia uma pedra no meio do caminho”. No texto em questão é
correto afirmar que
a) a “pedra maior no caminho” é uma expressão usada metaforicamente na referência feita ao problema da falta de
informação quanto aos tsunamis.
b) o uso da expressão “pedra maior no caminho” pretende atenuar o problema da falta de informação referente aos
tsunamis.
c) de acordo com o contexto, a expressão “pedra maior no caminho” deve ser entendida como um elemento de
ironia.
d) a expressão “pedra maior no caminho” produz um efeito cumulativo quando agregada ao problema da falta de
informação.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: A)

Em síntese – didática –, pode-se definir a metáfora como a figura de significação (tropo) que consiste em dizer que uma
coisa (A) é outra (B), em virtude de qualquer semelhança percebida pelo espírito entre um traço característico de A e o
atributo predominante, atributo por excelência de B, feita a exclusão de outros, secundários por não convenientes à
caracterização do termo próprio A. (Comunicação em Prosa Moderna – Othon M. Garcia)

27) “Mas a pedra maior no caminho é a falta de informação, como no desastre das ilhas Samoa, em 2009, que deixou
189 vítimas. Muitas tentaram fugir de carro e, com o trânsito, morreram afogadas dentro deles. O correto teria sido
caminhar até os terrenos altos nas redondezas e esperar o aguaceiro passar.”
Sobre o trecho acima considere as afirmativas a seguir e assinale a opção correta.
I. Em “... que deixou 189 vítimas.” o “que” tem a função de sujeito simples.
II. Em “Muitas tentaram fugir de carro e, com o trânsito, morreram afogadas dentro deles.” os vocábulos “muitas” e
“afogadas” estão diretamente ligados ao vocábulo “vítimas”.
III. O termo “muitas” indica indeterminação do sujeito.
IV. A locução verbal “teria sido” tem mantido o mesmo tempo verbal substituindo-a por “era”.
a) Há duas afirmativas falsas e duas verdadeiras.
b) Três afirmativas são falsas e uma é verdadeira.
c) Apenas uma afirmativa é falsa.
d) Todas as afirmativas são verdadeiras.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: A)

• Em “... que deixou 189 vítimas.” o “que” tem a função de sujeito simples. = O sujeito pode ser representado, entre
outros, por pronome relativo. Ex.: Lemos os jornais que noticiaram o fato. (que = sujeito de noticiar). (FARACO, Carlos
Emílio; MOURA, Francisco Marto. Gramática. 20.ed. São Paulo: Ática, 2006.)
• Em “Muitas tentaram fugir de carro e, com o trânsito, morreram afogadas dentro deles.” os vocábulos “muitas” e
“afogadas” estão diretamente ligados ao vocábulo “vítimas”. = o pronome indefinido e o adjetivo são palavras variáveis
que acompanham o substantivo vítimas. (FARACO, Carlos Emílio; MOURA, Francisco Marto. Gramática. 20.ed. São Paulo: Ática, 2006.)
• O termo “muitas” indica indeterminação do sujeito. = Não é correta esta afirmativa. Para que o sujeito seja
indeterminado há duas formas: a) com verbos na 3ª pessoa do plural, desde que o contexto não permita identificá-lo.
B) com verbos na 3ª pessoa do singular acompanhados da partícula “se”. (FARACO, Carlos Emílio; MOURA, Francisco Marto.
Gramática. 20.ed. São Paulo: Ática, 2006.)
• A locução verbal “teria sido” tem mantido o mesmo tempo verbal substituindo-a por “era”. Não é correta esta
afirmativa. “teria sido” trata-se do futuro do pretérito composto do modo indicativo, substituindo apenas pelo verbo “ser”
teríamos a forma correspondente “ seria”. (FARACO, Carlos Emílio; MOURA, Francisco Marto. Gramática. 20.ed. São Paulo: Ática, 2006.)

EAOEAR 2012 Gabarito Comentado Gramática e Interpretação de Texto Versão A - 10 -


28) A respeito do uso da partícula “se” no trecho: “Moral da história: se não pode vencê-lo, adapte-se a ele.” complete as
lacunas a seguir.
No período acima há dois registros do vocábulo “se”. É possível identificar que de acordo com as unidades
linguísticas com que se acha combinado e conforme o entorno situacional, tal vocábulo terá significados diversos. O
primeiro registro trata-se de ____________________, já o segundo registro trata-se de __________________.
Completam corretamente as lacunas, respectivamente
a) preposição / pronome reflexivo
b) conjunção / pronome reflexivo
c) pronome / conjunção condicional
d) pronome / conjunção consecutiva

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: B)

“Moral da história: se não pode vencê-lo, adapte-se a ele.” complete as lacunas a seguir:
• 1º se = conjunção = A língua possui unidades que têm por missão reunir orações num mesmo enunciado. Estas
unidades são tradicionalmente chamadas conjunções.
• 2º se = pronome reflexivo = É o pronome oblíquo da mesma pessoa do pronome reto, significando a ele mesmo.
(BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.)

29) Há lacunas no texto em que foram retirados conectivos responsáveis pela coesão. Tal coesão pode ser estabelecida
de forma correta, respectivamente, por

a) por / assim que / porque / segundo


b) com / pelo / que / embora
c) para / desde / que / como
d) como / conforme / ainda que / já que

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: C)

Para ele, pouco foi feito desde o desastre na Indonésia, em 2004, que deixou 230 mil vítimas. Os principais problemas
são a falta de mapeamento de quais áreas podem ser atingidas e o número limitado de tsunamógrafos – como seu
nome sugere, são os aparelhos que medem a frequência e o tamanho das ondas.

30) “Tsunami é substantivo masculino, o tsunami, palavra de origem japonesa que deveria levar acento por ser
paroxítona terminada em i: tsu (porto); nami (onda, mar). A palavra é registrada como estrangeirismo, na 5ª edição
do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, de 2009.” (Revista Língua Portuguesa – nº. 66 – abril de 2011).
No texto aparecem duas palavras formadas a partir do vocábulo “tsunami”: tsunamógrafos e antitsunami. Indique (V)
verdadeiro ou (F) falso para as afirmações abaixo.
( ) O prefixo “anti” em antitsunami tem o mesmo significado que o prefixo “ante” em antepor.
( ) Antitsunami e antagonista possuem prefixo com o mesmo significado.
( ) Tsunamógrafo é formado por dois radicais e o segundo elemento (-grafo) tem o mesmo significado
apresentado em calígrafo.
A sequência correta é

a) V – V – F
b) F – F – F
c) V – F – V
d) F – V – V

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA: D)

• O prefixo “anti” em antitsunami não tem o mesmo significado que o prefixo “ante” em antepor. Ant(i)i = prefixo grego =
oposição, contra. Ex.: antibiótico, antítese.
Ante = prefixo latino = antes, anterioridade, antecedência. Ex.: antepor, antevéspera.
• Antitsunami e antagonista possuem prefixo com o mesmo significado.
Ant(i) = prefixo grego = oposição, contra. Ex.: antibiótico, antítese, antagonista. (PASQUALE, Cipro Neto; Infante,
Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. /conforme o Acordo Ortográfico/ São Paulo: Scipione, 2008)
• Tsunamógrafo é formado por dois radicais e o segundo elemento (– grafo) tem o mesmo significado de que em
calígrafo.
Grápho = radical grego = escrevo.

EAOEAR 2012 Gabarito Comentado Gramática e Interpretação de Texto Versão A - 11 -


EAOEAR 2012 – GABARITO OFICIAL
GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

VERSÃO A VERSÃO B VERSÃO C


QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO
01 C 01 A 01 #
02 D 02 C 02 #
03 C 03 A 03 C
04 D 04 A 04 A
05 A 05 B 05 C
06 B 06 C 06 A
07 C 07 D 07 C
08 B 08 # 08 A
09 # 09 # 09 A
10 C 10 C 10 B
11 D 11 A 11 C
12 D 12 C 12 D
13 A 13 B 13 C
14 A 14 D 14 D
15 B 15 A 15 C
16 B 16 C 16 D
17 D 17 D 17 A
18 A 18 C 18 B
19 # 19 D 19 C
20 # 20 A 20 B
21 C 21 B 21 #
22 A 22 C 22 C
23 C 23 B 23 D
24 A 24 # 24 D
25 C 25 C 25 A
26 A 26 D 26 A
27 A 27 D 27 B
28 B 28 A 28 B
29 C 29 A 29 D
30 D 30 B 30 A

 As questões com # foram anuladas;


 As questões em sublinhado tiveram a alternativa de resposta alterada;
 As demais questões permaneceram inalteradas.
GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Restos do carnaval
Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-
feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu
cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o
outro ano. E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o
mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate.Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem
para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em
mim. Carnaval era meu, meu.
No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam
fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde
morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com
avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever.
Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal
modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.
E as máscaras? Eu tinha medo mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais
profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um
mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só
de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era
essencial para mim.
Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para
carnaval de criança. Mas eu pedia a uma das minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam
tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três
dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça – eu mal podia esperar pela saída de uma
infância vulnerável – e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me
sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.
Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse
dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da
fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho,
pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando.
Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais
belas que jamais vira.
Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga
– talvez atendendo a meu mudo apelo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara
papel – resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois,
pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.
Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha
amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse
pelo menos estaríamos de algum modo vestidas – à ideia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos
pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha – mas ah! Deus nos
ajudaria! Não choveria! Quanto ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma
dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola.
Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no
domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não
passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu
me vesti de rosa.
Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer
entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom
todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge – minha mãe de súbito piorou muito de saúde,
um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo
vestida de rosa – mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil – fui
correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me
espantava.
Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa
tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas,
eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era
uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar
alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.
Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um
menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa
mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos de confete: por um instante
ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que
enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.
(Lispector, Clarice. Felicidade clandestina: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998)

CAMAR 2013 – Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – Versão A -1-


01) “Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para
carnaval de criança.” (4º§)
O excerto anterior apresenta uma figura de estilo denominada
a) perífrase.
b) anacoluto.
c) metonímia.
d) antonomásia.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)


A metonímia é a figura de linguagem que consiste na substituição de uma palavra por outra em razão de haver entre
elas uma relação de interdependência, de inclusão, de implicação. Ocorre metonímia quando se emprega a parte pelo
todo, o efeito pela causa e vice-versa, o nome do autor pela obra, etc. No excerto há um exemplo claro de metonímia
com o emprego da parte pelo todo.

Fonte: Cereja, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação. 3ª Ed.
São Paulo: Atual, 2009, página 399.

02) Os “restos do carnaval” a que se refere a autora, no título do texto, pode ser entendido como um(a)
a) referência à fantasia feita para ela com as sobras de papel crepom da fantasia da amiga.
b) encantamento pela atmosfera que tomava toda a cidade após as festividades carnavalescas.
c) referência à festa simples e pouco alegre que era destinada à narradora em épocas carnavalescas.
d) referência às migalhas de felicidades às quais ela se agarrava para viver diante da crueldade mundana.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)


O título está diretamente ligado às sobras do papel crepom da fantasia da amiga. Em se tratando de um texto literário, o
deslocamento da expressão “restos de papel” se deu por um sentido figurado, pois a fantasia da narradora foi
confeccionada com os restos do crepom, restos do papel. Nesse caso específico, Carnaval foi substituído pela parte,
fantasia.

Fonte: O próprio texto.

03) “… Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e
ruge – minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me
comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa – mas o rosto ainda nu não tinha a
máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil – fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre
serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.” (9º§)
Todo esse segmento é uma exemplificação do período anterior, através do termo
a) orgulho.
b) irracional.
c) impiedoso.
d) jogo de dados.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)


Todo esse segmento é a exemplificação do termo “impiedoso”, pois a narradora relata o que aconteceu, estando ela não
vestida completamente com a fantasia. E ali, naquele momento, sair “meio” fantasiada pela rua afora, significou para ela,
criança, uma afronta do destino e das circunstâncias em que se encontrava, com a mãe acamada e severamente
doente.

Fonte: O próprio texto.

04) O trecho que inicia a história principal da narrativa é


a) “Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância…” (1º§)
b) “Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar.”
(11º§)
c) “Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse
dado, eu, que já aprendera a pedir pouco.” (5º§)
d) “Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era
de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.” (2º§)

CAMAR 2013 – Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – Versão A -2-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)
Ao longo da narrativa, a autora relata sobre o carnaval e suas recordações. No entanto, a história que a motivou
escrever foi sobre aquele carnaval que “ganhou” uma fantasia, feita com as sobras de papel da fantasia de sua amiga. O
trecho que marca o início dessa narrativa é “Mas houve um carnaval.” A história que ela narra justifica, também o título
do texto.

Fonte: O próprio texto.

05) Relacione as colunas de acordo com o sinônimo das palavras empregadas no texto e, em seguida, assinale a
alternativa que apresenta a sequência correta.
(1) Ávida (2º§) ( ) triste.
(2) Avareza (2º§) ( ) arrebatamento.
(3) Acedia (4º§) ( ) sôfrega.
(4) Melancólico (8º§) ( ) anuía.
(5) Êxtase (10º§) ( ) sovinice.
a) 4 – 1 – 5 – 2 – 3
b) 5 – 1 – 2 – 4 – 3
c) 1 – 4 – 3 – 5 – 2
d) 4 – 5 – 1 – 3 – 2

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)


A palavra “ávida” significa “sôfrega”; “avareza” significa “sovinice”; “acedia” significa “anuía”; “melancólico” significa
“triste”; “êxtase” significa “arrebatamento”.

Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (com a nova ortografia). 1ª Edição. Editora Objetiva, 2009, páginas 28,
228, 230, 861 e 1268.

06) No trecho “… economizava-as com avareza para durarem…” (2º§), o pronome destacado retoma o termo
a) várias fantasias.
b) altas horas da noite.
c) duas coisas preciosas.
d) máscaras de rosa escarlate.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)


O pronome “as” retoma, no texto, “as duas coisas preciosas”. Os pronomes são palavras que exercem papel
fundamental nas interações verbais. São eles que indicam as pessoas do discurso, expressam formas sociais de
tratamento e substituem, acompanham ou retomam palavras e orações já expressas.

Fonte: Cereja, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação. 3ª Ed.
São Paulo: Atual, 2009.

07) No excerto “Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e
praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a
capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.” (1º§), predomina a linguagem
a) coloquial.
b) pejorativa.
c) denotativa.
d) conotativa.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)


O excerto acima possui exemplos de figuras de linguagem com impressões subjetivas da narradora. Segundo Othon M.
Garcia, a conotação é constituída pelos elementos subjetivos, que variam segundo o contexto. É o que a significação
tem de particular para o indivíduo ou um dado grupo dentro da comunidade.

Fonte: Garcia, Moacyr Otton. Comunicação em prosa moderna. 27ª Ed. Rio de Janeiro. FGV, 2010, páginas 178 e 179.

CAMAR 2013 – Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – Versão A -3-


08) “Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave
de minha mãe e de novo eu morria.” (10º§)
Os termos sublinhados anteriormente exercem entre si uma ação
a) similar.
b) antitética.
c) recíproca.
d) qualitativa.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)


Os termos sublinhados, dentro do contexto, exercem entre si uma ação de oposição, uma antítese que consiste em opor
a uma ideia outra de sentido contrário. No excerto em questão essa relação se dá pela inferência do leitor, pois o
entendimento está implícito nas expressões “começava a ficar alegre” X “de novo eu morria”. O verbo morrer,
empregado de forma conotativa, tem o valor de tristeza.

Fonte: Garcia, Moacyr Otton. Comunicação em prosa moderna. 27ª Ed. Rio de Janeiro. FGV, 2010, página 99.

09) “Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias
mais belas que jamais vira.” (5º§)
A hipótese mais provável da narradora ter achado a fantasia a mais bela, apesar de não corresponder à real
imagem, se explica pelo(a)
a) carinho dos adultos.
b) encantamento pueril.
c) máscara carnavalesca.
d) melancolia da narradora.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)


A narradora conta um episódio que aconteceu com ela aos 8 anos de idade. Ela, que nunca era fantasiada em épocas
carnavalescas, ficou maravilhada com sua primeira fantasia. Esse excerto comprova seu encantamento, ratificado pela
ressalva “Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse...”.

Fonte: O próprio texto.

10) O segmento que apresenta adjetivo sem variação de grau é


a) “Duas coisas preciosas eu ganhava então...” (2º§)
b) “... atravessando a rua tão extremamente vazia...” (1º§)
c) “... uma das fantasias mais belas que jamais vira...” (5º§)
d) “... à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano...” (3º§)

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)


O grau do adjetivo exprime a intensidade das qualidades dos seres. São dois os graus do adjetivo: o comparativo e o
superlativo. A frase dessa alternativa apresenta o adjetivo “preciosas” sem nenhuma intensificação ou comparação.

Fonte: Cegalla, Domingos Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46ª Ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2005.

11) Assinale a alternativa em que todas as palavras apresentem a semivogal “u”.


a) Outra – meu – pouco.
b) Rua – quando – resolveu.
c) Último – que – transportou.
d) Possuir – sobrou – ocupada.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)


As semivogais são os fonemas /i/ e /u/ átonos que se unem a uma vogal, formando com esta uma só sílaba. Nas
palavras “outra”, “meu” e “pouco”, a semivogal /u/ forma sílaba com a vogal “o”, “e” e “o”, respectivamente.

Fonte: Cegalla, Domingos Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46ª Ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2005.

CAMAR 2013 – Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – Versão A -4-


12) Observe as palavras a seguir.
I. es – sen – ci – al
II. at – mos – fe – ra
III. fan – ta – sia
A separação das sílabas está correta somente em
a) I.
b) I e II.
c) I e III.
d) II e III.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)


Separam-se o dígrafo “ss” e as letras que representam o hiato “i-a” : es-sen-ci-al.
Separam-se os encontros consonantais separáveis, obedecendo-se ao princípio da silabação: at-mos-fe-ra.

Fonte: Cegalla, Domingos Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46ª Ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2005.

13) Preencha as lacunas e, em seguida, assinale a alternativa correta.


A ______________ possibilidade de me vestir de Rosa, deixava-me ______________ e _______________ feliz.
a) iminente / anciosa / estremamente
b) iminente / ansiosa / extremamente
c) eminente / ansiosa / estremamente
d) eminente / ansioza / extremamente

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)


As palavras foram grafadas de acordo com o dicionário e o sentido da frase.

Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (com a nova ortografia). 1ª Edição. Editora Objetiva, 2009, páginas
141, 863 e 1050.

14) “Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde
morávamos, olhando ávida os outros se divertirem.” (2º§)
O uso do artigo indefinido no excerto anterior significa
a) proximidade.
b) familiaridade.
c) pontualidade.
d) especificidade.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)


O artigo indefinido plural anteposto aos numerais pode significar aproximadamente.

Fonte: Cegalla, Domingos Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46ª Ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2005.

15) Acerca da acentuação das palavras, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma e, em seguida, assinale
a alternativa que apresenta a sequência correta.
( ) A palavra “indispensável” é acentuada por ser paroxítona terminada em l.
( ) A mesma regra de acentuação que vale para “pé” vale também para “até”.
( ) A palavra “rainha” deve receber acento no “i” porque é a 2ª vogal do hiato.
( ) “Máscaras” e “calculávamos” recebem acento porque são vocábulos proparoxítonos.
a) F – F – V – F
b) V – F – F – V
c) F – V – F – V
d) V – V – F – F

CAMAR 2013 – Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – Versão A -5-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

“Indispensável” – paroxítona terminada em l. (V)


“Pé” – monossílabo tônico terminado em “e” e “até” – oxítona terminada em “e”. (F)
“Rainha” – apesar do “i” ser a 2ª vogal do hiato não recebe acento porque está seguido de “nh”. (F)
“Máscaras e calculávamos” – são palavras proparoxítonas e todas devem ser acentuadas. (V)

Fonte: Cereja, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação. 3. Ed.
São Paulo: Atual, 2009. P. 80 e 81

16) As palavras “infância”, “viesse”, “folha” e “lembrava” apresentam, respectivamente, a seguinte sequência de letras e
fonemas.
a) 8 e 6 – 6 e 5 – 5 e 4 – 8 e 7
b) 7 e 6 – 6 e 5 – 4 e 4 – 8 e 8
c) 8 e 5 – 6 e 6 – 5 e 3 – 8 e 7
d) 8 e 7 – 5 e 6 – 4 e 5 – 8 e 6

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)


Os dígrafos vocálicos “an”, “en” e “in” representam um só fonema, assim como os dígrafos consonantais “ss” e “lh”. O
encontro consonantal “br” representa dois fonemas.

Fonte: Pasquale, Cipro Neto; Infante, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. (conforme o acordo ortográfico). São
Paulo: Scipione, 2008.

17) O segmento do texto que tem o antecedente do pronome relativo “que” erroneamente indicado é
a) “... que me tomava?” (1º§) – agitação
b) “... que sempre fora feroz,...” (7º§) – dor
c) “... que cobriria minha tão exposta vida infantil...” (9º§) – máscara
d) “... que não era feito só de duendes e príncipes encantados,...” (3º§) – mundo

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)


Os pronomes relativos se referem a um termo anterior – chamado antecedente – projetando-o na oração seguinte,
subordinada a esse antecedente.
Na frase “... que sempre fora feroz...” o “que” se refere à palavra “orgulho” e não à “dor”.

Fonte: Pasquale, Cipro Neto; Infante, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. (conforme o acordo ortográfico). São
Paulo: Scipione, 2008.

18) “Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se
segue ao carnaval.” (1º§)
Na frase anterior, as palavras sublinhadas apresentam, respectivamente,
a) hiato – dígrafo – ditongo – dígrafo.
b) hiato – ditongo – encontro consonantal – dígrafo.
c) dígrafo – hiato – encontro consonantal – ditongo.
d) ditongo – hiato – dígrafo – encontro consonantal.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)


Beata – hiato é o encontro de duas vogais pronunciadas em dois impulsos distintos, formando sílabas diferentes.
Véu – ditongo é a combinação de uma vogal + uma semivogal, ou vice-versa na mesma sílaba.
Igreja – encontro consonantal é a sequência de dois ou mais fonemas consonânticos num vocábulo.
Segue – dígrafo é o grupo de duas letras representando um só fonema.

Fonte: Cegalla, Domingos Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46ª Ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2005.

CAMAR 2013 – Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – Versão A -6-


19) “Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para
não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.” (8º§)
A relação lógica existente, nas orações sublinhadas, no período anterior é de
a) condição e ação.
b) motivação e ação.
c) concessão e ação.
d) causa e consequência.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

O advérbio “enfim” significa “finalmente”. Infere-se pela expressão exclamativa “Enfim, enfim! Chegaram três horas da
tarde”, que havia uma condição, um tempo determinado, para algo acontecer ou se fazer. Nesse caso, chegar três horas
da tarde era a condição para vestir (ação) a fantasia.

Fonte: O próprio texto.

20) A formação da expressão destacada no segmento “... eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava
uma menina feliz.” (2º§) é
a) derivação sufixal.
b) derivação imprópria.
c) derivação regressiva.
d) composição por justaposição.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

Derivação imprópria consiste na mudança de classe gramatical da palavra, sem alteração da forma primitiva. Neste caso
ocorre a substantivação. A expressão “quase nada” (advérbio e pronome) antecedida do artigo “um” transformou a
expressão em um substantivo.

Fonte: Cereja, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação. 3. Ed.
São Paulo: Atual, 2009, página 101.

21) “No entanto, na realidade, eu dele pouco participava.” (2º§)


“Mas houve um carnaval diferente dos outros.” (5º§)
Os vocábulos, que iniciam os parágrafos 2 e 5, colaboram para que se estabeleça entre os parágrafos que a eles
antecedem a
a) coesão textual.
b) coesão temporal.
c) coerência descritiva.
d) coerência argumentativa.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A coesão de um texto, isto é, a conexão entre vários enunciados obviamente não é fruto do acaso, mas das relações de
sentido que existem entre eles. Essas relações de sentido são manifestações, sobretudo por certa categoria de
palavras, as quais são chamadas de conectivos ou elementos de coesão. Sua função no texto é exatamente a de pôr
em evidência as várias relações de sentido que existem entre os enunciados. Considera-se como elementos de coesão
todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer elos, para criar relações entre segmentos do discurso,
tais como: então, portanto, já que, com efeito, porque, mas, assim, no entanto, embora, entre tantas outras.

Fonte: Savioli, Francisco Platão; Fiorin, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª Ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

22) Considerando o sentido que estabelece a palavra “até” nos segmentos a seguir, relacione a coluna da direita com a
da esquerda e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
( ) “Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.” (3º§)
(1) Inclusão ( ) “Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade.” (7º§)
(2) Limite de tempo
( ) “Até que viesse o outro ano.” (1º§)
(3) Limite de espaço
( ) “Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor...” (10º§)
a) 3 – 2 – 1 – 3
b) 2 – 1 – 1 – 3
c) 1 – 1 – 2 – 3
d) 1 – 3 – 2 – 2
CAMAR 2013 – Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – Versão A -7-
JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)
A palavra “até”, como preposição, pode indicar limite de tempo e espaço. E pode ser, também, palavra denotativa de
inclusão.

Fonte:
 Cegalla, Domingos Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46ª Ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2005, página 251.
 Bechara, Evanildo. Gramática Escolar da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001, página 311.

23) Em relação à classificação das orações, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma e, em seguida,
assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
( ) “Tão milagroso que eu não conseguia acreditar...” (5º§) – Oração subordinada adverbial consecutiva.
( ) “Eu tinha medo mas era um medo vital e necessário...” (3º§) – Oração coordenada sindética aditiva.
( ) “... eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas...” (5º§) – Oração subordinada adjetiva
restritiva.
( ) “Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou...” (10º§) – Oração subordinada
adverbial temporal.
a) V – F – F – V
b) F – V – V – F
c) F – V – F – V
d) V – F – V – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)


“Tão milagroso que eu não conseguia acreditar...” – Oração subordinada adverbial consecutiva, expressa um efeito do
fato mencionado na oração principal. (V)
“Eu tinha medo mas era um medo vital e necessário...” – Oração coordenada sindética adversativa, estabelece em
relação à oração anterior uma ideia de oposição, contraste. (F)
“... eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas...” – Oração subordinada substantiva objetiva direta. (F)
“Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou...” – Oração subordinada adverbial
temporal. (V)

Fonte: Cereja, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação. 3ª Ed.
São Paulo: Atual, 2009, páginas 276, 296, 297 e 305.

24) Preencha os parênteses com a letra correspondente à classe gramatical das palavras grifadas. Depois assinale a
alternativa que contém a sequência correta. (Alguns números poderão não ser usados.)
(1) Adjetivo
(2) Advérbio “... fui correndo ( ), correndo, perplexa, atônita ( ), entre ( ) serpentinas, confetes
(3) Preposição e ( ) gritos ( ) de carnaval.” (9º§)
(4) Substantivo
(5) Verbo
(6) Conjunção
a) 1 – 5 – 2 – 4 – 6
b) 3 – 1 – 4 – 6 – 5
c) 5 – 4 – 2 – 3 – 6
d) 5 – 1 – 3 – 6 – 4

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)


Correndo – verbo; atônita – adjetivo; entre – preposição; e – conjunção; gritos – substantivo.

Fonte: Cegalla, Domingos Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46ª Ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2005.

25) Indique a alternativa em que o sinal indicativo de crase é facultativo.


a) “À porta do meu pé de escada...”
b) À noite, eu ficava olhando os blocos na rua.
c) Eu fiquei grata à minha amiga pelo presente recebido.
d) As pessoas sempre vão à igreja na quarta-feira de cinzas.

CAMAR 2013 – Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – Versão A -8-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)
A crase é facultativa diante de pronomes possessivos femininos.
Fonte: Cereja, William Roberto; Magalhães, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação. 3ª Ed.
São Paulo: Atual, 2009, página 360.

26) Relacione as frases cujos verbos estão no mesmo tempo, modo e pessoa gramatical e, em seguida, assinale a
alternativa que apresenta a sequência correta.
(1) “E quando a festa ia se aproximando...” (1º§) ( ) “... minha irmã me penteou e pintou-me.” (10º§)
(2) “Até que viesse o outro ano.” (1º§) ( ) “... uma das fantasias mais belas que jamais vira.”
(3) “... este me transportou para a minha infância...” (1º§) (5º§)
(4) “Nunca me sentira tão ocupada...” (7º§) ( ) “... se um mascarado falava comigo...” (3º§)
(5) “... engoli com alguma dor meu orgulho...” (7º§) ( ) “Desci até a rua e ali de pé...” (10º§)
( ) “... uma chuva que de repente nos deixasse, nos
nossos pudores...” (7º§)
a) 3 – 4 – 1 – 5 – 2
b) 4 – 1 – 3 – 2 – 5
c) 2 – 4 – 1 – 5 – 3
d) 3 – 5 – 1 – 2 – 4

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)


1) Ia e falava – Pretérito Imperfeito do Indicativo – 3ª pessoa do singular
2) Viesse e deixasse – Pretérito Imperfeito do Subjuntivo – 3ª pessoa do singular
3) Transportou e penteou – Pretérito Perfeito do Indicativo – 3ª pessoa do singular
4) Sentira e vira – Pretérito Mais Que Perfeito do Indicativo – 1ª pessoa do singular
5) Engoli e desci – Pretérito Perfeito do Indicativo – 1ª pessoa do singular

Fonte Pasquale, Cipro Neto; Infante, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. (conforme o acordo ortográfico). São
Paulo: Scipione, 2008.

27) Acerca da classificação dos termos grifados a seguir, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma e, em
seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
( ) “Mas houve um carnaval diferente dos outros.” (5º§) – objeto direto.
( ) “... olhando ávida os outros se divertirem.” (2º§) – adjunto adverbial de modo.
( ) “... e o nome da fantasia era no figurino Rosa.” (5º§) – predicativo.
( ) “Nunca tinha ido a um baile infantil...” (2º§) – objeto indireto.
a) V – F – F – F
b) F – V – F – V
c) F – F – V – V
d) V – F – V – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)


A palavra “carnaval” classifica-se como objeto direto. (V)
“Olhando ávida os outros se divertirem.” Nessa frase tem-se predicado verbo-nominal e é predicativo do sujeito (“ávida”).
(F)
A palavra “Rosa” nessa frase é predicativo. (V)
“Um baile infantil” é adjunto adverbial de lugar. (F)

Fonte: Pasquale, Cipro Neto; Infante, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. (conforme o acordo ortográfico). São
Paulo: Scipione, 2008.

28) “E a mãe de minha amiga – talvez atendendo a meu mudo apelo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por
pura bondade, já que sobrara papel – resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de
material.” (6º§)
O verbo “fazer”, ao ser substituído por outro de sentido específico, de acordo com o contexto em que está
empregado, será
a) arrumar.
b) preparar.
c) construir.
d) confeccionar.

CAMAR 2013 – Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – Versão A -9-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)
O verbo “fazer”, como outros verbos, é empregado com uma série de significados distintos. Nessa alternativa, ele pode
ser substituído por outro de sentido específico e de acordo com o contexto pelo verbo “confeccionar”.

Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (com a nova ortografia). 1ª Edição. Editora Objetiva, 2009, páginas 518
e 879.

29) Na construção de uma das alternativas a seguir foi empregada uma forma verbal que segue o mesmo tipo de uso do
verbo “haver” em “Mas houve um carnaval diferente dos outros.” (5º§) Indique-a.
a) “... nunca me haviam fantasiado”.
b) Faz muito tempo que tudo aconteceu.
c) Ela faz questão de se fantasiar no carnaval.
d) A menina já havia observado as fantasias das amigas.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)


O verbo “haver” no sentido de “existir” e quando indica ideia de tempo é impessoal, devendo focar na 3ª pessoa do
singular. Isso também ocorre com o verbo “fazer”.

Fonte: Cegalla, Domingos Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46ª Ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2005.

30) Preencha as lacunas e, em seguida, assinale a alternativa correta.


Não ____________ triste. ____________ a fantasia e ____________ para a rua.
a) fica / Veste / vem
b) fiques / Veste / vem
c) fiques / Vista / venha
d) ficas / Vesti / venhas

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)


O verbo “ficar” na 2ª pessoa do singular do Imperativo Negativo é “não fiques”.
O verbo “vestir” na 2ª pessoa do singular do Imperativo Afirmativo é “veste”.
O verbo “vir” na 2ª pessoa do singular do Imperativo Afirmativo é “vem”.

Fonte: Cegalla, Domingos Pascoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46ª Ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2005.

CAMAR 2013 – Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – Versão A - 10 -


EA - EAOEAR 2013 – GABARITO OFICIAL
ESPECIALIDADE: GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

VERSÃO A VERSÃO B
QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO
01 C 01 A
02 D 02 A
03 C 03 B
04 C 04 D
05 D 05 B
06 C 06 A
07 D 07 B
08 B 08 C
09 B 09 D
10 A 10 C
11 A 11 C
12 B 12 C
13 B 13 D
14 A 14 #
15 B 15 A
16 A 16 A
17 B 17 B
18 B 18 B
19 A 19 C
20 B 20 B
21 A 21 C
22 C 22 A
23 A 23 B
24 D 24 #
25 C 25 D
26 A 26 A
27 # 27 B
28 D 28 D
29 # 29 B
30 B 30 A

 As questões com # foram anuladas;


 A questão sublinhada teve o gabarito alterado;
 As demais questões permaneceram inalteradas.

JUSTIFICATIVA DA BANCA EXAMINADORA PARA ANULAÇÃO DAS QUESTÕES


27 VERSÃO A / 14 VERSÃO B
RECURSO PROCEDENTE – QUESTÃO ANULADA
Na oração "Nunca tinha ido a um baile infantil...” (2º§) o termo sublinhado é objeto indireto. Portanto, por não haver
alternativa que corresponda à sequência correta (V - F - V - V), a questão deve ser anulada.
Fonte: PASQUALE, Cipro Neto; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa (conforme o Acordo Ortográfico).
São Paulo: Scipione . Página 509
29 VERSÃO A / 24 VERSÃO B
RECURSO PROCEDENTE – QUESTÃO ANULADA
O verbo "haver", nessa questão, foi usado no sentido de "existir". Em nenhuma alternativa há um verbo com essa
mesma acepção. Na alternativa "b", o verbo "fazer foi utilizado no sentido de tempo decorrido.
Fonte: CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 46ª ed. São Paulo: Companhia
Editora Nacional, 2005. Página 606
JUSTIFICATIVA DA BANCA EXAMINADORA PARA MUDANÇA DE GABARITO
02 VERSÃO A / 09 VERSÃO B
GABARITO ALTERADO PARA ALTERNATIVA “D”.
As alternativas A, B e C apresentam significados restritos. A crônica de Clarice, por ser um texto literário, explora o
sentido figurado amplo.
A alternativa D, ao se referir às migalhas de felicidades, tem um sentido polissêmico, pois migalhas podem significar os
restos do carnaval, os episódios felizes, as poucas horas de alegria. Portanto, tem um sentido amplo que condiz com o
sentido figurado do texto em questão.
Fonte: O próprio texto.
GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Texto I para responder às questões de 01 a 15.

O mito do tempo real


O descompasso entre a velocidade das máquinas e a capacidade de compreensão de seus usuários leva a um
quadro de ansiedade social sem precedentes. Em blogs, redes sociais, podcasts e mensagens eletrônicas diversas
todos pedem desculpas pela demora em responder às demandas de seus interlocutores, impacientes como nunca.
E-mails que não sejam atendidos em algumas horas acabam encaminhados para outras redes, em um apelo público
por uma resposta.
No desespero por contato instantâneo, telefones chamam repetidamente em horas impróprias, mensagens de
texto são trocadas madrugada adentro, conversas multiplicam-se por comunicadores instantâneos e toda ocasião –
do trânsito ao banheiro, do elevador à cama, da hora do almoço ao fim de semana – parece uma lacuna propícia
para se resolver uma pendência.
A resposta imediata a uma requisição é chamada tecnicamente de “tempo real”, mesmo que não haja nada
verdadeiramente real nem humano nessa velocidade. O tempo imediato, sem pausas nem espera, em que tudo
acontece num estalar de dedos é uma ficção. Desejá-lo não aumenta a eficiência. Pelo contrário, pode ser
extremamente prejudicial.
O contato estabelecido com o mundo real é marcado por demoras e esperas, tempos aparentemente perdidos
em que boa parte da reflexão e do aprendizado acontecem. Entupir cada pausa com textos, músicas, jogos, vídeos e
atividades multitarefa leva a uma sobrecarga cognitiva que só aumenta o estresse e a frustração. Conectados por
tempo integral, todos parecem estar cada vez mais tensos, divididos, esquartejados entre várias demandas, muitas
delas desnecessárias.
A dependência da conexão é tamanha que leva usuários de smartphones a sofrerem uma espécie de síndrome
de abstinência cada vez que são submetidos ao extremo desconforto cada vez que os esquecem ou veem sua
bateria esgotar.
Muitos combatem a superficialidade nas relações digitais pelos motivos errados, questionando a validade dos
“amigos” no Facebook ou “seguidores” no Twitter ao compará-los com seus equivalentes analógicos. O problema não
está na tecnologia, mas na intensidade dispensada em cada interação. Seja qual for o meio em que ele se dê, o
contato entre indivíduos demanda tempo, e nesse tempo não é só a informação pura e simples que se troca. Festas,
conversas, leituras, relacionamentos, músicas e filmes de qualidade não podem ser acelerados ou resumidos a
sinopses. Conversas, ao vivo ou mediadas por qualquer tecnologia, perdem boa parte de sua intensidade com a
segmentação. O tempo empenhado em cada uma delas é muito valioso, não faz sentido economizá-lo, empilhá-lo ou
segmentá-lo. O tempo humano (que talvez seja irreal, se o “outro” for provado real) é bem mais devagar. Nossas
vidas são marcadas tanto pela velocidade quanto pela lentidão.
Acelerado, multitarefa e disponível em páginas e bases de dados cada vez maiores e interligadas, o conteúdo da
rede é congelado em prateleiras cada vez maiores e mais complexas. Se por um lado essa compilação FÁCILita o
acesso à informação, por outro ela achata a percepção de continuidade, tempos e processos. Na grande biblioteca
digital tudo acontece no presente contínuo. O passado é achatado, o futuro vem por mágica.
Essa quebra da sequência histórica faz com que muitos processos pareçam herméticos ou misteriosos demais.
Quando não há uma compreensão das etapas componentes de um processo, não há como intervir nelas, propondo
correções, adaptações ou melhorias. Tal impotência leva a uma apatia, em que as condições impostas são aceitas
por falta de alternativa. Escondidos seus processos industriais, os produtos adquirem uma aura quase divina,
transformando seus usuários em consumidores vorazes, que se estapeiam em lojas à procura do último aparelho
eletrônico que se proponha a preencher o vazio que sentem.
Incapazes de propor alternativas ou sugerir mudanças, os consumidores bovinos são estimulados pela
publicidade a um gigantesco hedonismo e pragmatismo. A FÁCILidade de acesso à abundância leva a uma
passividade e a um pensamento pragmático que defende a ideia de “vamos aproveitar agora, pois quando acontecer
um problema alguém terá descoberto a solução”, visível na forma com que se abordam problemas de saúde,
obesidade, consumo, lixo eletrônico, esgotamento de recursos e poluição ambiental.
Em alta velocidade há pouco espaço para a reflexão. Reduzidos a impulsos e reflexos, corremos o risco de
deixar para trás tudo aquilo que nos diferencia das outras espécies.
(Luli Radfahrer. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luliradfahrer/1191007-o-mito-do-tempo-real.shtml.)

01) O tema de um texto é o seu tópico central, em torno do qual todas as informações convergem para que o texto
tenha unidade. Em vista desse aspecto, assinale a alternativa que apresenta o tema sobre o qual o texto versa.
a) A falta de paciência em esperar por respostas.
b) A dinâmica das interações na contemporaneidade.
c) O excesso de informações disponíveis no mundo virtual.
d) O esvaziamento das relações humanas nos dias de hoje.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A -1-


Como um típico artigo de opinião, o texto divide-se em proposição, sustentação e conclusão. A primeira parte desses
textos serve exatamente para introduzir o tema que será debatido e firmar uma tese acerca desse tema. Os três
primeiros parágrafos constituem essa parte do texto em questão e é sobre a dinâmica das interações na
contemporaneidade que ela se atém. Os conteúdos sinalizados pelas demais alternativas são levados ao texto no
decorrer do seu desenvolvimento, sendo articulados ao tema de modo a atuarem como argumentos para sustentar a
tese defendida.

Fontes:
 O próprio texto.
 GARCIA, Moacyr Otton et. al. Comunicação em prosa moderna. Aprenda a escrever aprendendo a pensar. 27 ed.
Rio de Janeiro: FGV, 2010.

02) Em vista de sua estruturação e proposição semântica, o texto tem um caráter argumentativo, visando sustentar a
pertinência de determinado ponto de vista acerca de um tema. Assinale a alternativa que apresenta a proposição,
ou seja, a tese do autor sobre o tema sendo debatido.
a) As redes sociais prejudicam as relações humanas.
b) O desejo por velocidade nas interações é nocivo e irreal.
c) A frustração e o estresse são frutos de uma sobrecarga cognitiva.
d) Os smartphones e outras ferramentas digitais são um novo tipo de droga.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

O ponto de vista do autor acerca do tema é sinalizado em diversos momentos da introdução do texto (que
corresponde aos três primeiros parágrafos do mesmo). No entanto, a tese é formalizada ao final do 3º parágrafo,
quando o autor afirma: “O tempo imediato, sem pausas nem espera, em que tudo acontece num estalar de dedos é
uma ficção. Desejá-lo não aumenta a eficiência. Pelo contrário, pode ser extremamente prejudicial”. Os termos
sublinhados indicam, respectivamente, as ideias de “desejo de velocidade”, “irrealidade” e “nocividade”.

Fonte: O próprio texto.

03) No terceiro parágrafo, o autor afirma: “Desejá-lo [o tempo imediato] não aumenta a eficiência. Pelo contrário,
pode ser extremamente prejudicial”. De acordo com o texto, assinale a alternativa cujo conteúdo não pode ser
considerado como uma justificativa a essa asserção.
a) A necessidade de conexão decorrente do imediatismo, que causa sentimentos danosos (4º§ e 5º§).
b) O vasto conteúdo contido na rede, que limita a apreensão de continuidade, tempos e processos (7º§).
c) O misticismo dos processos históricos, que fragmentam a compreensão das etapas envolvidas na comunicação
(8º§).
d) A falta de vigor das relações digitais, que não permite o necessário aprofundamento para a criação de relações
interpessoais saudáveis (6º§).

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

O trecho apresentado no enunciado da questão apresenta-se, no texto, como a formalização da tese, do ponto de
vista que o autor busca sustentar em sua argumentação (que compreende o trecho que vai do início do 4º parágrafo
ao final do 9º parágrafo). O conteúdo das alternativas A, B e D visa sustentar a tese supracitada, no entanto, o
conteúdo da alternativa C é uma distorção do sentido proposto no 8º parágrafo, portanto, não se configura como um
argumento apresentado pelo autor para sustentar a tese.

Fonte: O próprio texto.

04) Releia o primeiro período do penúltimo parágrafo, observando o sentido que os termos destacados assumem no
trecho: “Incapazes de propor alternativas ou sugerir mudanças, os consumidores bovinos são estimulados pela
publicidade a um gigantesco hedonismo e pragmatismo”. Em seguida, analise os itens abaixo.
I. O termo “bovinos” atribui a característica de passividade ao termo que qualifica.
II. O termo “hedonismo” suscita a ideia de busca incessante por prazer.
III. O termo “pragmatismo” evoca a noção de ingenuidade.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
a) I, II e III.
b) I, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A -2-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

O adjetivo “bovinos” é utilizado no texto como uma metonímia para passividade, uma das características do
comportamento do animal cujo radical da palavra remete, o boi. Já o termo “hedonismo” é uma metonímia para a
busca incessante do prazer, uma vez que, originalmente, esse termo remete a uma corrente filosófica que considera
a busca do prazer como o bem supremo, o principal objetivo da vida moral. No entanto, o termo “pragmatismo”
remete justamente ao oposto à noção de ingenuidade, funciona como metonímia para comportamento ou atitude, de
pessoa ou grupo, que sempre busca resultados práticos, materiais, concretos.

Fontes:
 O próprio texto.
 HOUAISS, Antônio. Novo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Nova ortografia). Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

05) Na introdução do sexto parágrafo do texto, o autor afirma que “Muitos combatem a superficialidade nas relações
digitais pelos motivos errados, questionando a validade dos „amigos‟ no Facebook ou „seguidores‟ no Twitter ao
compará-los com seus equivalentes analógicos”. O disposto a seguir nesse parágrafo se configura, em termos da
estratégia de argumentação do autor, como
a) contra-argumentação.
b) elaboração de argumento.
c) reformulação de argumento alheio.
d) reorganização de argumento já apresentado.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Ao afirmar que “O problema não está na tecnologia, mas na intensidade dispensada em cada interação” (sentença
que sucede ao trecho apresentado no enunciado), o autor está reformulando o argumento de outrem, uma vez que
não está discordando que as relações digitais são superficiais, o autor apenas entende que a justificativa dessa
asserção não procede. Para que se configurasse como contra-argumentação, seria preciso uma indicação explícita
de discordância do ponto de vista, e, definitivamente, não é isso que ocorre. Da mesma forma, não se trata de
elaboração de argumento, visto que o próprio autor atribui a terceiros, através da palavra “muitos”, o “combate às
relações digitais”. Por fim, também não pode se tratar de reorganização de argumento já apresentado, pois o tópico
ainda não havia sido apresentado.

Fonte: O próprio texto.

06) O texto argumentativo “O mito do tempo real” apresenta proposição, sustentação (ou formulação dos argumentos) e
conclusão. Analisando a natureza dos argumentos usados no texto para sustentarem a tese, é correto afirmar que
a) amparam-se basicamente em fatos.
b) apoiam-se principalmente em exemplos.
c) valem-se fundamentalmente de analogias.
d) sustentam-se primariamente em testemunhos.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A observação do conteúdo do trecho que vai do 3º ao 9º parágrafo (que engloba a formulação dos argumentos)
revela que os pontos que o autor utiliza para sustentar o seu posicionamento frente ao tema são apresentados como
fatos. Não há a construção de exemplos (prova disso é a ausência de termos e expressões que os estruturam), nem
analogias (ausência de estruturas comparativas). Da mesma maneira, não há a apresentação de testemunhos
(ausência de introdutores de discursos, discursos diretos e indiretos).

Fonte: O próprio texto.

07) No primeiro parágrafo do texto, o autor lança mão de um pronome para conferir ênfase à problematização do
tema, ampliando, assim, o alcance do enunciado. Que termo é esse?
a) “que”.
b) “seus”.
c) “todos”.
d) “algumas”.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A -3-


Dos pronomes apresentados nas alternativas, apenas “todos” é capaz de atender à função de enfatizar algo,
ampliando o abarcamento do enunciado que participa. No caso, o autor vale-se da palavra “todos” para tornar
indefinidos os agentes do enunciado em questão, e, com isso, amplifica o enunciado construído. A rigor, não são
“todos [que] pedem desculpas pela demora em responder às demandas de seus interlocutores, impacientes como
nunca”, mas uma parte. Assim, embora o problema seja, de fato, amplo e atinja a muitas pessoas, não são todas que
passam por isso, mesmo porque o autor não tem como aferir isso. Dessa forma, o uso do pronome serve a um
recurso mais retórico do que factual.

Fontes:
 O próprio texto.
 CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

08) Analise o trecho “A resposta imediata a uma requisição é chamada tecnicamente de „tempo real‟, mesmo que não
haja nada verdadeiramente real nem humano nessa velocidade” (3º§). Assinale a alternativa que apresenta uma
classificação adequada do período.
a) Período simples.
b) Período composto por coordenação.
c) Período composto por subordinação.
d) Período composto por coordenação e subordinação.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

No trecho citado, a oração “mesmo que não haja nada verdadeiramente real nem humano nessa velocidade”
apresenta uma concessão à oração principal “A resposta imediata a uma requisição é chamada tecnicamente de
„tempo real‟”. Portanto, trata-se de período composto por subordinação, uma vez que a oração que informa a
concessão é uma subordinada adverbial consecutiva.

Fontes:
 O próprio texto.
 CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

09) No trecho “Muitos combatem a superficialidade nas relações digitais pelos motivos errados, questionando a
validade dos „amigos‟ no Facebook ou „seguidores‟ no Twitter ao compará-los com seus equivalentes
analógicos.” (6º§), o uso de aspas nos termos destacados serve para
a) marcar uma citação direta.
b) assinalar que as palavras são gírias.
c) apontar que as palavras são estrangeirismos.
d) indicar um sentido particular para as palavras.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

No trecho apresentado no enunciado, o uso de aspas nas palavras destacadas serve para sugerir um sentido
particular e contextual para as mesmas. Nesse caso, usa-se aspas para relativizar os termos, sugerindo que os
“amigos” do Facebook não são, ao pé da letra, amigos, do mesmo modo que os “seguidores” do Twitter não são, no
rigor da palavra, seguidores.

Fontes:
 O próprio texto.
 BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37 ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009.

10) Em relação à voz verbal da oração, assinale a alternativa que não apresenta uma classificação adequada.
a) “O tempo empenhado em cada uma delas é muito valioso [...]” (6º§) – voz ativa
b) “[...] conversas multiplicam-se por comunicadores instantâneos [...]” (2º§) – voz reflexiva
c) “O contato estabelecido com o mundo real é marcado por demoras e esperas [...]” (4º§) – voz passiva
d) “Muitos combatem a superficialidade nas relações digitais pelos motivos errados [...]” (6º§) – voz ativa

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

A oração apresentada na alternativa B é passiva sintética com sujeito anteposto ao verbo, logo, a oração está na voz
passiva, e não na voz reflexiva.

Fonte: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37 ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009.
Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A -4-
11) No período “O tempo humano (que talvez seja irreal, se o „outro‟ for provado real) é bem mais devagar.” (6º§), o
termo destacado atua gramaticalmente como
a) partícula integrante do verbo.
b) conjunção subordinativa integrante.
c) índice de indeterminação do sujeito.
d) conjunção subordinativa condicional.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

No trecho em questão a palavra “se” introduz uma condição ao enunciado, apresentada na oração que imediata-
mente a antecede. Logo, trata-se de uma conjunção subordinativa condicional.

Fontes:
 O próprio texto.
 CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

12) Julgue os itens abaixo, de acordo com a recomendação de gramáticas de referência da Língua Portuguesa.
I. A anteposição do pronome oblíquo no trecho “Desejá-lo não aumenta a eficiência.” (3º§) torná-lo-ia inaceitável.
II. A passagem do pronome destacado em “[...] cada vez que os esquecem ou veem sua bateria esgotar.” (5º§)
para a posição de ênclise não acarretaria problemas de ordem normativo-gramaticais.
III. Em “Muitos combatem a superficialidade nas relações digitais pelos motivos errados, questionando a validade
dos “amigos” no Facebook ou “seguidores” no Twitter ao compará-los com seus equivalentes analógicos.”
(6º§), a colocação do pronome na posição de próclise alteraria tanto a forma do verbo quanto do pronome.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
a) I.
b) I e II.
c) I e III.
d) II e III.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Analisando as afirmativas, percebe-se que:


 I está correta, pois não se deve iniciar um período com pronome pessoal oblíquo.
 II está incorreta, porque a palavra “que” aglutina pronomes, logo, a mudança de posição acarretaria um problema
de colocação.
 III está correta, pois a mudança de posição do pronome faria com que a forma do verbo ao qual ele está ligado
passasse a ser sua forma infinitiva (“comparar”) e a do pronome “os”, ficando “[...] os comparar [...]”.

Fontes:
 O próprio texto.
 BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37 ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009.

13) Analise sintaticamente a oração “No desespero por contato instantâneo, telefones chamam repetidamente em
horas impróprias [...]” (2º§) e informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma abaixo.
( ) “No desespero por contato instantâneo” funciona como adjunto adnominal.
( ) O termo “telefones” atua como sujeito da oração.
( ) O termo “repetidamente” opera como adjunto adverbial.
( ) O trecho “em horas impróprias” é objeto indireto do verbo chamar.
a) V – V – F – F
b) V – F – F – V
c) F – F – V – V
d) F – V – V – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

O constituinte “No desespero por contato instantâneo” não atua como adjunto adnominal, mas como adjunto
adverbial, assim como “em horas impróprias”. Portanto, a primeira e a quarta afirmativas são falsas.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A -5-


Fontes:
 O próprio texto.
 CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

14) No período “E-mails que não sejam atendidos em algumas horas acabam encaminhados para outras redes, em
um apelo público por uma resposta.” (1º§), o trecho destacado é uma oração subordinada
a) adverbial causal.
b) adjetiva restritiva.
c) adjetiva explicativa.
d) adverbial consecutiva.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

A oração destacada indica uma característica, uma qualidade dos “e-mails”, logo, apresenta-se como uma oração
subordinada adjetiva. Devido à ausência de vírgulas, que configura tal oração como uma restrição elementar ao
enunciado, trata-se de uma oração subordinada adjetiva restritiva.

Fontes:
 O próprio texto.
 CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

15) Assinale a alternativa que contenha apenas palavras que apresentem segmentação silábica correta.
a) abs-ti-nên-cia / er-ra-dos / dê / si-nop-ses
b) ba-nhe-i-ro / fim / tec-ni-ca-men-te / fic-ção
c) multi-ta-re-fa / es-tres-se / co-nec-ta-dos / es-quar-te-ja-dos
d) des-com-pas-so / preen-cher / en-ca-mi-nha-dos / ad-en-tro

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A alternativa A é a única que apresenta todas as palavras com segmentação silábica correta.
As demais alternativas apresentam, respectivamente, as seguintes inconsistências:
 divisão silábica da palavra “banheiro” (o correto é “ba-nhei-ro”);
 divisão silábica da palavra “multitarefa” (o correto é “mul-ti-ta-re-fa”);
 divisão silábica da palavra “preencher” (o correto é “pre-en-cher”).

Fonte: CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

Texto II para responder às questões de 16 a 23.

Milionária chinesa trabalha como faxineira para “dar exemplo” aos filhos
Uma milionária chinesa de 53 anos, proprietária de 17 imóveis, trabalha como faxineira seis dias por semana para,
segundo ela, ensinar aos seus filhos as virtudes do trabalho, relata nesta quinta-feira o diário “South China Morning
Post”.
Yu Youzhen, que vive na cidade de Wuhan e cujas propriedades estão avaliadas em milhões de dólares, trabalha
há 15 anos na limpeza do Birô de Administração Urbana por um salário de 1.420 iuanes (US$ 228).
“Quero ser um exemplo para meus filhos. Não quero me sentar ociosamente e dilapidar minha fortuna”, assinalou
Yu em entrevista ao diário.
Seguindo o exemplo de sua mãe, seus filhos trabalham em atividades comuns, pelo que um deles é motorista e
ganha 2 mil iuanes mensais (US$ 320), enquanto outra, cujo emprego não foi revelado, recebe 3 mil iuanes (US$ 481).
Yu se queixa de que muitos vizinhos não entendem sua forma de vida, e alguns já chegaram a insultá-la
publicamente por isso.
Durante sua juventude, trabalhou como agricultora e carregou diariamente sacos de hortaliças para vender nos
mercados da cidade.
Mais tarde, na década de 1980, economizou o dinheiro com o qual construiria três casas de cinco andares nos
arredores de Wuhan, que depois começou a alugar e iniciou um “império” que controla enquanto varre três quilômetros
de ruas por dia.
(Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2013/01/03/milionaria-chinesa-trabalha-como-faxineira-para-dar-
exemplo-aos-filhos.htm)

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A -6-


16) Considerando as informações contidas no texto e a maneira como elas são apresentadas, é correto afirmar que o
principal objetivo do texto é
a) discutir o valor de uma vida simples.
b) discorrer acerca dos baixos salários na China.
c) relatar o curioso estilo de vida de uma chinesa.
d) argumentar em favor da importância do trabalho.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

O objetivo do autor, tendo em vista o conteúdo do texto e a articulação das informações apresentadas, é relatar um
caso curioso que envolve uma milionária chinesa. Ao fazer isso, pode ser que o autor pontue, propositalmente ou
não, os tópicos presentes nas demais alternativas. Reiterando, por suas características gramático-semântico-textuais
configura-se como um relato.

Fontes:
 O próprio texto.
 PIMENTEL, Carlos. Redação Descomplicada. 2 ed. São Paulo: Saraiva Editora, 2012.

17) Releia o trecho a seguir, observando as palavras destacadas: “Quero ser um exemplo para meus filhos. Não
quero me sentar ociosamente e dilapidar minha fortuna”. Assinale a alternativa que apresenta palavras ou
expressões que possam substituir as palavras destacadas no contexto apresentado, mantendo o sentido
proposto pelo texto.
a) à toa / estragar
b) inutilmente / poupar
c) indolentemente / gastar
d) desocupadamente / resguardar

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

“Resguardar” e “poupar” são o oposto de “dilapidar”. “Estragar”, por sua vez, embora não possa ser considerado
antônimo de “dilapidar” não pode corresponder ao sentido que essa palavra veicula no enunciado, pois indica “tornar
algo inútil”, ao passo que “dilapidar”, no contexto indicado, remete a “usar até o fim”.

Fontes:
 O próprio texto.
 HOUAISS, Antônio. Novo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Nova ortografia). Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

18) Em “Seguindo o exemplo de sua mãe, seus filhos trabalham em atividades comuns, pelo que um deles é
motorista e ganha 2 mil iuanes mensais (US$ 320), enquanto outra, cujo emprego não foi revelado, recebe 3 mil
iuanes (US$ 481)”, o trecho destacado atua como um importante recurso coesivo. Sua função no texto é
a) retomar uma informação prévia.
b) substituir um termo já apresentado.
c) apresentar a causa de uma consequência.
d) dar continuidade a um grupo de informações.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

O sintagma destacado visa dar continuidade ao tópico que vinha sendo relatado. Funciona, assim, como um recurso
de coesão sequencial, preparando o leitor para novas informações dentro de um tópico já introduzido.

Fontes:
 O próprio texto.
 SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17 ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A -7-


19) Assinale a alternativa cuja alteração na pontuação não acarreta problemas à composição do trecho apresentado
e/ou alteração do sentido proposto no texto.
a) “Quero ser um exemplo para meus filhos, não quero me sentar ociosamente e dilapidar minha fortuna” (3º§).
b) “Uma milionária chinesa de 53 anos proprietária de 17 imóveis trabalha como faxineira seis dias por semana
[...]” (1º§).
c) “Durante sua juventude trabalhou, como agricultora, e carregou diariamente sacos de hortaliças para vender
nos mercados da cidade” (6º§).
d) “Seguindo o exemplo de sua mãe seus filhos trabalham em atividades comuns, pelo que um deles é motorista
e ganha 2 mil iuanes mensais (US$ 320), enquanto outra, cujo emprego não foi revelado, recebe 3 mil iuanes
(US$ 481)” (4º§).

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A troca do ponto pela vírgula na alternativa A não acarreta problemas para o enunciado, pois, além de não haver
orações subordinadas no trecho, a separação entre os enunciados não é perdida. Por outro lado, nas demais
alternativas a alteração da pontuação torna alguns trechos truncados ou sintagmas soltos.

Fontes:
 O próprio texto.
 BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37 ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009.

20) Em “Mais tarde, na década de 1980, economizou o dinheiro com o qual construiria três casas de cinco andares
nos arredores de Wuhan, que depois começou a alugar e iniciou um „império‟ que controla enquanto varre três
quilômetros de ruas por dia.” (7º§), qual é a relação entre a oração introduzida pelo termo destacado e a oração
principal?
a) Finalidade.
b) Comparação.
c) Conformidade.
d) Temporalidade.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

A oração introduzida está inserida em um contexto mais complexo de subordinação que envolve o seguinte trecho:
“iniciou um „império‟ / que controla / enquanto varre três quilômetros de ruas por dia”. Assim, a oração à qual a oração
introduzida pela palavra destacada está subordinada é “que controla”. Aquela oração indica justamente o tempo em
que algo é controlado, logo, trata-se de uma oração subordinada adverbial temporal, por isso a relação estabelecida
entre a oração introduzida por “enquanto” e a sua principal é de temporalidade.

Fontes:
 O próprio texto.
 CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

21) Assinale a alternativa cuja passagem para o plural apresenta problemas de composição, de acordo com a modali-
dade escrita formal da língua.
a) Durante a juventude, trabalharam como agricultoras e carregaram diariamente sacos de hortaliças para vender
nos mercados da cidade. (6º§)
b) Economizaram o dinheiro com o qual construiriam três casas de cinco andares nos arredores de Wuhan, que
depois começaram a alugar e iniciaram um “império” que controlam enquanto varrem as ruas. (7º§)
c) As milionárias, que vivem na cidade de Wuhan e cujas propriedades estão avaliadas em milhões de dólares,
trabalham há 15 anos na limpeza do Birô de Administração Urbana por um salário de 1.420 iuanes (US$ 228). (2º§)
d) Milionárias chinesas, proprietárias de 17 imóveis, trabalham como faxineiras seis dias por semana para, segundo
elas, ensinarem aos seus filhos as virtudes do trabalho, relatam nesta quinta-feira o diário “South China Morning
Post”. (1º§)

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

Na alternativa D, o verbo “relatar” deveria estar na forma “relata” (e não “relatam”), já que trata-se apenas de um jornal.

Fonte: CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A -8-


22) Em qual das alternativas a alteração de uma preposição por outra não acarreta mudança drástica de sentido e/ou
problema na composição do trecho?
a) “ensinar aos seus filhos as virtudes do trabalho” (1º§) – “ensinar sobre seus filhos as virtudes do trabalho”
b) “trabalha [...] por um salário de 1.420 iuanes (US$ 228)” (2º§) – “trabalha [...] ao salário de 1.420 iuanes (US$ 228)”
c) “Durante sua juventude, trabalhou como agricultora [...]” (6º§) – “Em sua juventude, trabalhou como agricultora [...]”
d) “[...] trabalha há 15 anos na limpeza do Birô de Administração Urbana” (2º§) – “[...] trabalha há 15 anos com a
limpeza do Birô de Administração Urbana”

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Na alternativa C, tanto a preposição “durante” quanto a preposição “em” mantêm a ideia de que se trata de um
período de tempo específico em que a chinesa trabalhou como agricultora. Nas demais alternativas, quando a
alternação não acarreta a gramaticalidade (casos de A e B), altera-se o sentido da proposição inicial (D).

Fontes:
 O próprio texto.
 CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

23) Observe a palavra destacada no trecho a seguir: “Mais tarde, na década de 1980, economizou o dinheiro com o
qual construiria três casas de cinco andares nos arredores de Wuhan, que depois começou a alugar e iniciou um
„império‟ que controla enquanto varre três quilômetros de ruas por dia” (7º§). Acerca do seu uso no texto só é
possível afirmar que fora utilizada para
a) aludir à magnitude do negócio administrado pela mulher.
b) sugerir as barreiras físicas dos imóveis pertencentes à faxineira.
c) indicar a natureza política do espaço desenvolvido pela chinesa.
d) mencionar o poder político adquirido pela administradora dos bens.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

Em vista das informações apresentadas no texto, apenas a alternativa A pode ser inferida, pois permite relacionar-se
às informações exibidas. Não há nenhuma indicação no texto que remeta à natureza política do negócio e nem das
barreiras físicas dos edifícios erigidos por ela. Embora, também, não haja nenhuma referência a algum poder político
que a mulher possa ter vindo a adquirir com seus empreendimentos para relacionar à palavra “império”, essa não
pode sinalizar tal informação, uma vez que são informadas as ofensas que ela recebe de alguns vizinhos, o que
indica uma posição social baixa, apesar de gozar de uma posição econômica privilegiada.

Fonte: O próprio texto.

Texto III para responder às questões de 24 a 27.

(Charles Schulz. Disponível em: http://casadosnoopy.blogspot.com.br/.)

24) A tira é, de maneira geral, um texto narrativo, estruturado por “enunciados curtos, [que] traz um conteúdo em que
predomina a crítica, com humor, a modos de comportamento, valores, sentimentos, destacando-se, portanto, nessa
composição, códigos verbais e não-verbais”. A construção de seu humor nem sempre se dá de forma explícita,
sendo, muitas vezes, necessária uma análise linguística e contextual do texto para ser aferido. Considerando essas
características, indique a alternativa cujo conteúdo apresenta aquilo de que fundamentalmente decorre o humor da
tira.
a) A polissemia da palavra “louca”, que permite uma série de interpretações dúbias acerca da cena retratada.
b) A natureza semântica das provocações de Lucy (personagem feminina) a Charlie Brown (personagem masculina).
c) A explícita insatisfação de Lucy (personagem feminina) ante a inércia de Charlie Brown (personagem masculina)
às suas provocações.
d) O fato de pessoas que leem muito (simbolizadas por Charlie Brown, personagem masculina) não se importarem
com provocações estúpidas.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A -9-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Apesar de construir um humor mais sutil, como todo texto humorístico (piadas, anedotas etc.) a tira reserva a
consolidação do humor quase sempre para o seu final. Assim, tendo em vista os eventos que antecederam a cena
final, é a explícita insatisfação de Lucy ante a ausência de respostas por parte de Charlie Brown às suas provocações
que causa o humor. Afinal, as provocações que direcionou, nos quadros iniciais, simplesmente não surtiram efeito e,
pior, o “ofendido” mostrara-se resignado com aquilo que deveria ofendê-lo.

Fontes:
 O próprio texto.
 SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17 ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

25) Acerca do uso da palavra “louca”, no último quadro, é correto afirmar que
a) é utilizada com um sentido denotativo, explicitando a consequência da atitude de Charlie Brown sobre Lucy.
b) é empregada conotativamente, de modo a sugerir o estado vivenciado por Lucy ante a reação de Charlie Brown.
c) aponta para o sentido mais abstrato da palavra, indicando a patologia causada pela reação de Charlie Brown em
Lucy.
d) sugere a acepção mais concreta da palavra, revelando a confusão mental que a reação de Charlie Brown causou
em Lucy.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

O uso da palavra “louca” é conotativo, já que não se trata de seu sentido mais literal (que indica um ser em estado de
insanidade mental permanente ou temporário), mas, simplesmente, que a pessoa vivencia um estado de irritabilidade.

Fonte: O próprio texto.

26) Em relação ao emprego da palavra “disso”, utilizada em dois momentos na tira, no primeiro e no terceiro quadros,
não é correto afirmar que
a) retoma um conteúdo apresentado previamente aos seus usos.
b) em ambos os casos atua como objeto indireto dos verbos com os quais se relaciona.
c) revela, em si, o descaso da personagem que dela faz uso ante a fala de sua interlocutora.
d) no primeiro quadro, o conteúdo que indica é relacionado pelo falante, através do verbo que complementa, à
ouvinte, enquanto, no terceiro quadro, ao próprio falante.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Não há nada, na semântica sugerida vinculada a essa palavra, que possa revelar descaso. Mesmo que retomasse
um termo que pudesse sugerir desdém, a palavra em si não poderia indicar isso, afinal trata-se de um termo que
funciona como anafórico, servindo basicamente à construção da coesão textual, especialmente a coesão referencial.

Fontes:
 O próprio texto.
 CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

27) Analise a fala da personagem Lucy van Pelt no segundo quadro: “O meu pai ganha mais dinheiro que o seu pai...
nossa casa é bem melhor que a sua, também”. Em seguida, analise os itens abaixo.
I. A palavra “que” atua, nas duas ocasiões em que é usada, como conjunção comparativa.
II. A elipse (supressão de termos) é um recurso recorrente nesse trecho.
III. O uso de reticências serve para indicar a incompletude de uma ideia.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
a) I.
b) III.
c) I e II.
d) II e III.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 10 -


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

O uso de reticências, no trecho em questão, marca apenas uma pausa mais longa. Elas não marcam a incompletude
de uma ideia, pois não há ausência de constituintes essenciais para o entendimento do enunciado. Os elementos
ausentes elípticos podem facilmente ser aferidos (“O meu pai ganha mais dinheiro [do] que o seu pai [ganha]... nossa
casa é bem melhor que a sua [é], também”) e não interferem na compreensão do enunciado.

Fontes:
 O próprio texto.
 BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37 ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009.

28) Leia o texto abaixo e, em seguida, assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas.
Jovem liga para a polícia chateada após bronca da mãe e é presa
Uma jovem de 19 anos, moradora de Vero Beach, na Flórida (EUA), acabou presa depois de ligar duas vezes
para ______ polícia ao ficar chateada por tomar uma bronca da própria mãe.
Amanda Valvo ligou para o serviço de emergência alegando que não tinha gostado da forma como a mãe havia
se dirigido ______ uma amiga e a ela, de acordo com um relatório da polícia do condado de Indian River. Por volta
das 4h 30min, um policial foi até a casa de Amanda para responder ______ chamada e prender a jovem.
A garota acabou presa por abuso do serviço de emergência, e solta após pagar fiança de R$ 1 mil. Não ______
informações sobre o tipo de coisas que a mulher teria falado ______ filha.
(Disponível em: http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2013/04/jovem-chateado-liga-para-policia-apos-bronca-da-mae-e-e-
preso.html – Adaptado.)

a) a – à – à – a – a
b) à – à – a – a – a
c) a – a – à – há – à
d) à – a – há – há – à

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A presença da preposição “para” antes da primeira lacuna é indício da ausência do artigo “a”, logo “a” deve completar
essa lacuna. Posterior à segunda lacuna está o artigo “uma”, o que indica que o artigo “a” não pode antecedê-lo,
então “a” novamente deve preencher a lacuna. A terceira lacuna, diferentemente, deve ser preenchida por “à”, uma
vez que o verbo “responder” demanda um complemento preposicionado para completar o seu sentido e o termo
“chamada” necessitar do artigo “a” para ser definido. A quarta lacuna, por sua vez, deve ser preenchida pela forma
“há”, já que é necessário um verbo que indique pertencimento para que a sentença faça sentido. Por fim, como o
verbo “falar” requer um complemento regido por preposição e o substantivo “filha” precisa de um artigo definido para
compor uma referenciação definida e constituir anáfora, “à” deve preencher a quinta e última lacuna.

Fontes:
 O próprio texto.
 CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

29) Releia o título da notícia apresentada na questão anterior: “Jovem liga para a polícia chateada após bronca da mãe
e é presa”. Há nesta sentença uma ambiguidade. Das alternativas a seguir, assinale a única cuja reorganização dos
elementos da sentença não elimina a ambiguidade.
a) Jovem chateada liga para a polícia após bronca da mãe e é presa.
b) Jovem liga chateada para a polícia após bronca da mãe e é presa.
c) Após bronca da mãe, jovem liga para a polícia chateada e é presa.
d) Chateada, jovem liga para a polícia após bronca da mãe e é presa.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Na alternativa C, o adjetivo “chateada” ainda pode ser ligado tanto à jovem quanto à polícia, portanto, o deslocamento
do adjunto adverbial não elimina a ambiguidade como ocorre nas demais alternativas.

Fontes:
 O próprio texto.
 CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 11 -


30) Assinale a alternativa em que o grupo de palavras não apresenta problema de ortografia e/ou acentuação.
a) Antebraço, doar, repôr, trazer.
b) Embaçado, muçulmano, trás, viagem.
c) Antipatia, ameixa, coordenação, viuvês.
d) Atráz, companhia, encher, heterossexual.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

A única alternativa que não apresenta problemas de ortografia e/ou acentuação é a B. As demais apresentam,
respectivamente, as seguintes inconsistências:
 “repôr” não tem o acento circunflexo (“repor” é a forma correta);
 “viuvês” não possui o acento e se escreve com “z” no lugar do “s” (“viuvez” é a forma correta);
 “atráz” deve ter o “z” substituído por “s” (“atrás” é a forma correta).

Fonte: CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2 ed. São Paulo: Scipione, 2004.

CONHECIMENTOS ESPECIALIZADOS

31) De acordo com Código de Ética Médica é vedado ao médico, exceto:


a) deixar de guardar o sigilo profissional na cobrança de honorários por meio judicial ou extrajudicial.
b) deixar de fornecer laudo médico ao paciente ou a seu representante legal quando aquele for encaminhado ou
transferido para continuação do tratamento ou em caso de solicitação de alta.
c) prestar informações a empresas seguradoras sobre as circunstâncias da morte do paciente sob seus cuidados,
além das contidas na declaração de óbito, salvo por expresso consentimento do seu representante legal.
d) revelar sigilo profissional relacionado a paciente menor de idade, inclusive a seus pais ou representantes
legais, desde que o menor tenha capacidade de discernimento, salvo quando a não revelação possa acarretar
dano ao paciente.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A Resolução CFM nº 1.997/2012 (publicada no D.O.U. de 16 de agosto de 2012, Seção I, p. 149), altera a redação
do art. 77 do Código de Ética Médica, aprovado pela Resolução CFM nº 1.931, de 17 de setembro de 2009,
publicada no D.O.U. de 24 de setembro de 2009, Seção I, p. 90, que veda ao médico, segundo a nova redação:
“Art. 77. Prestar informações a empresas seguradoras sobre as circunstâncias da morte do paciente sob seus
cuidados, além das contidas na declaração de óbito”.

Fonte: Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica.

32) “Quando os Conselhos de Medicina analisam determinado comportamento ético-profissional com a finalidade de
concluir se houve imperícia, imprudência ou negligência como fatores relacionados ao mau resultado denunciado, o
que buscam é verificar se aquele médico, naquele caso específico, não agiu com o zelo indispensável à
preservação da saúde de seu paciente, merecendo punição. Além de responder à denúncia em tela, esse tipo de
análise, profunda, realizada por pares do profissional averiguado, tenta evitar que fatos semelhantes voltem a
ocorrer pelos mesmos motivos e, acima de tudo, divulgar e propagar aos médicos e à sociedade o conteúdo
pedagógico que dela emana.”
De acordo com o texto, leia o trecho abaixo e, em seguida, assinale a alternativa que preenche corretamente a
lacuna.
A _____________ ocorre quando o médico revela, em sua atitude, falta ou deficiência de conhecimentos técnicos
da profissão. É a falta de observação das normas, deficiência de conhecimentos técnicos da profissão, o
despreparo prático.
a) culpa
b) imperícia
c) negligência
d) imprudência

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 12 -


A imperícia ocorre quando o médico revela, em sua atitude, falta ou deficiência de conhecimentos técnicos da profissão.
É a falta de observação das normas, deficiência de conhecimentos técnicos da profissão, o despreparo prático. Não é
imperito quem não sabe, mas aquele que não sabe aquilo que um médico, ordinariamente, deveria saber; não é
negligente quem descura alguma norma técnica, mas quem descura aquela norma que todos os outros observam; não
é imprudente quem usa experimentos terapêuticos perigosos, mas aquele que os utiliza sem necessidade.

Fonte: Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica.

33) As doenças respiratórias crônicas representam um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, afetando
a qualidade de vida das pessoas e gerando incapacidade física e grande impacto socioeconômico. A Doença
Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é caracterizada pelo desenvolvimento progressivo de limitação ao fluxo
aéreo que não é totalmente reversível. Sobre a DPOC, indique a alternativa incorreta.
a) Os corticoides sistêmicos são recomendados nas exacerbações da DPOC, e os corticoides inalados na doença
estável, em algumas situações.
b) A dosagem de alfa-1 antitripsina é indicada nos casos de aparecimento de enfisema pulmonar em pacientes com
idade superior a cinquenta anos.
c) A espirometria, com obtenção das curvas fluxo-volume e volume-tempo, é obrigatória frente à suspeita clínica de
DPOC, devendo ser realizada antes e após administração de broncodilatador, de preferência em fase estável.
d) A avaliação eletro e ecocardiográfica é indicada nos casos em que há suspeita de hipertensão pulmonar e cor
pulmonale, geralmente em fases avançadas da doença, e no diagnóstico diferencial com cardiopatias primárias.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

O paciente com suspeita clínica de DPOC deverá ser submetido a radiograma de tórax, avaliação espirométrica e
oximetria de pulso. A avaliação funcional confirma a suspeita clínica da doença, quantifica o grau de comprometimento,
avalia o prognóstico e auxilia no acompanhamento evolutivo da mesma. A avaliação funcional pode ser dividida em:
espirométrica e gasométrica. A avaliação da oxigenação deve ser feita inicialmente de maneira não invasiva pela
oximetria de pulso. Se for identificada uma saturação periférica de oxigênio (SpO2) igual ou inferior a 90%, está
indicada, então, a realização de gasometria arterial para avaliação da PaO2 e PaCO2. A realização de outros testes da
avaliação respiratória no paciente com DPOC não é rotineira, podendo, porém, ser considerada em condições
especiais, tais como a dosagem de alfa-1 antitripsina indicada nos casos de aparecimento de enfisema pulmonar em
pacientes com idade inferior a cinquenta anos.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/042.pdf.

34) As hepatites causadas pelos vírus B, C e D, também conhecidos como vírus delta, são transmitidas por via
parenteral. Não são altamente contagiosas. De fato, raramente ocasionam surtos e são capazes de levar ao
desenvolvimento de doença crônica e complicações evolutivas. Na hepatite C, o objetivo do tratamento é inibir a
reprodução viral e, com isso, interromper ou amenizar a evolução das lesões histopatológicas, melhorar a função
hepática, reduzir o risco de evolução para cirrose e carcinoma hepatocelular, reduzir a demanda por transplante
de fígado, prevenir outras complicações e morte. As contraindicações absolutas ao tratamento antiviral da
hepatite crônica pelo vírus C incluem, exceto:
a) doença psiquiátrica não controlada e anemia falciforme.
b) transplante de órgão sólido não hepático e anemia perniciosa.
c) cirrose hepática descompensada (Child C) e anemia de Cooley.
d) doença neoplásica não controlada e doença coronariana sintomática.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

As contraindicações absolutas ao tratamento antiviral da hepatite crônica pelo vírus C são: doença neoplásica não
controlada; doença coronariana sintomática; doença pulmonar grave; hemoglobinopatias (anemia falciforme e
talassemia ou anemia de Cooley); doença psiquiátrica não controlada; gestação; cirrose hepática descompensada,
Child C; doenças autoimunes não controladas; transplante de órgão sólido não hepático.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Hepatite C Crônica: Tratamento.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/8_volume/35-Hepatite.pdf.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 13 -


35) A hipertensão arterial sistêmica é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados
de pressão arterial. Associa-se, frequentemente, a alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo e a
alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais. Em
relação à abordagem da hipertensão arterial em situações especiais, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que
se afirma abaixo. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
( ) Nos idosos: reduzir a pressão arterial abaixo de 140/90 mmHg, se necessário usar diuréticos tiazídicos,
betabloqueadores, antagonistas de canal de cálcio, inibidores da enzima conversora da angiotensina ou
antagonistas do receptor AT1 angiotensina II.
( ) Na depressão: alguns agentes hipotensores, como metildopa e clonidina, podem causar depressão.
Antidepressivos tricíclicos, inibidores da enzima monoamina oxidase e venlafaxina exigem atenção com a
pressão arterial.
( ) No diabetes mellitus: reduzir a pressão arterial abaixo de 130/85 mmHg e 125/75 mmHg se a proteinúria
estiver > 0,5g/24h. Betabloqueadores podem mascarar sintomas de hipoglicemia. Inibidores da enzima
conversora da angiotensina, como antagonistas do receptor AT1 da angiotensina II, reduzem o risco de
eventos cardiovasculares e exercem proteção renal direta.
( ) Na apneia obstrutiva do sono: a apneia do sono pode causar hipertensão e o tratamento consiste em
suporte ventilatório de pressão positiva contínua durante o sono.
a) F – F – V – V
b) V – F – V – F
c) V – V – F – V
d) F – V – F – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A única afirmativa falsa é a terceira, pois em pacientes com diabetes mellitus deve-se reduzir a pressão arterial
abaixo de 130/85 mmHg e 125/75 mmHg, se a proteinúria > 1g/24h.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Hipertensão Arterial – Situações Especiais.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/060.pdf.

36) A síndrome da fibromialgia pode ser definida como uma síndrome dolorosa crônica, não inflamatória, de etiologia
desconhecida, que se manifesta no sistema músculo-esquelético, podendo apresentar sintomas em outros
aparelhos e sistemas. Não há evidência científica determinando que a síndrome da fibromialgia seja causada
pelo trabalho. O tratamento tem como objetivos: o alívio da dor, a melhora da qualidade do sono, a manutenção
ou restabelecimento do equilíbrio emocional, a melhora do condicionamento físico e da fadiga e o tratamento
específico de desordens associadas. A atitude do paciente é um fator determinante na evolução da doença.
Sobre o tratamento farmacológico da síndrome da fibromialgia, analise as afirmativas abaixo.
I. Os corticosteroides não fazem parte do arsenal terapêutico utilizado na síndrome da fibromialgia.
II. A ciclobenzaprina, um agente tricíclico com estrutura similar à da amitriptilina, é uma droga que não apresenta
efeitos antidepressivos, sendo utilizada como miorrelaxante, e possui eficácia e tolerabilidade superior à
amitriptilina.
III. A fluoxetina, quando usada em conjunto com um derivado tricíclico, pode amplificar a ação deste no alívio da
dor e do sono e no bem-estar global.
IV. O tratamento com hormônio de crescimento recombinante pode ser útil no alívio dos sintomas de pacientes
com síndrome da fibromialgia.
Estão corretas apenas as afirmativas
a) I e II.
b) III e IV.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

A ciclobenzaprina, um agente tricíclico com estrutura similar à da amitriptilina, é uma droga que não apresenta efeitos
antidepressivos, sendo utilizada como miorrelaxante. Doses de 10 a 30 mg, tomadas 2 a 4 horas antes de deitar,
apresentam eficácia significativa no alívio da maioria dos sintomas da síndrome da fibromialgia. A eficácia e a
tolerabilidade podem ser consideradas semelhantes.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Fibromialgia.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/052.pdf.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 14 -


37) O exame que deve ser utilizado para estabelecer o diagnóstico de hipotireoidismo primário é o hormônio tireoide
estimulante (TSH). Adicionalmente ao TSH, pode-se solicitar, exceto:
a) ultrassonografia da tireoide com Doppler colorido: deve ser solicitada sempre que for palpado um nódulo.
b) T4 livre: a concentração do T4 livre é a medida mais confortável para avaliar o status tireoidiano nos dois a
três primeiros meses do tratamento do hipotireoidismo, pois o TSH leva esse período para se reequilibrar com
o status tireoidiano atual.
c) T4 total: deve ser avaliado quando há discordância nos testes de T4 livre. A medida do hormônio total reflete
mais acuradamente o status tireoidiano, enquanto que as concentrações de T4 livre são dependentes das
proteínas transportadoras.
d) autoanticorpos tireoidianos-antiperoxidase: é o teste mais sensível para detectar doença tireoidiana autoimune
(DTA), porque está presente em 95% desses pacientes. É utilizado para: diagnóstico e fator de risco de DTA,
disfunção tireoidiana na gestação, pacientes em uso de amiodarona ou interferon e história de aborto.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A dosagem de T4 total deve ser avaliada quando há discordância nos testes de T4 livre. As concentrações de T4
total são dependentes das proteínas transportadoras, enquanto que a medida do hormônio livre reflete mais
acuradamente o status tireoidiano.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Hipotireoidismo.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/4_volume/17-Hipotireoidismo.pdf.

38) Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o perfil sanitário mundial está se alterando rapidamente,
especialmente nos países em desenvolvimento. Os conhecimentos sobre a natureza das doenças crônicas não
transmissíveis, sua ocorrência, seus fatores de risco e populações sob risco também estão em transformação.
Atualmente, doenças crônicas como o diabetes e a hipertensão arterial sistêmica representam um importante
problema de saúde pública para o Brasil. Especificamente sobre o diabetes mellitus (DM) tipo 2, marque a
alternativa incorreta.
a) Independente do controle glicêmico, pacientes obesos têm melhor desfecho se tratados com metformina.
b) Inibidores da enzima de conversão da angiotensina reduzem o risco de infarto do miocárdio e eventos
cardiovasculares em hipertensos.
c) O emprego de regime terapêutico com três agentes antidiabéticos orais pode ser uma alternativa para
pacientes não adequadamente controlados em regime com duas drogas e que tenham resistência ao início da
insulinização.
d) Somente as sulfanilureias e a metformina mostraram-se efetivas na redução das complicações vasculares ao
longo do tempo, sugerindo que elas devem ser consideradas como drogas de primeira escolha para iniciar o
tratamento medicamentoso.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

Somente as sulfanilureias, metformina e acarbose mostraram-se efetivas na redução das complicações vasculares
ao longo do tempo, sugerindo que elas devem ser consideradas como drogas de primeira escolha para iniciar o
tratamento medicamentoso de pacientes com diabetes tipo 2. Entretanto, a titulação da dose da acarbose deve ser
cuidadosa, para evitar o abandono do uso do medicamento, em virtude de seus conhecidos efeitos colaterais no
aparelho gastrintestinal, em especial, flatulência e diarreia.

Fontes:
 AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Diabetes Mellitus: Tratamento Medicamentoso.
Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/4_volume/13-Diabetes.pdf.
 AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Diabetes Mellitus: Tratamento da Hipertensão Arterial.
Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/4_volume/12-tratament.pdf.

39) A doença diverticular é uma doença benigna, de boa resposta ao tratamento clínico, instituído na mudança de
hábitos alimentares, maior consumo de fibras, antibioticoterapia potente nos processos inflamatórios mais
simples e uso da radiologia intervencionista nos abscessos. A diverticulite aguda do cólon é a complicação mais
frequente da doença diverticular. Dentre as condições clínicas abaixo relacionadas, indique a que não pode ser
considerada como diagnóstico diferencial da diverticulite aguda.
a) Câncer de cólon.
b) Apendicite epiploica.
c) Colite de Crohn aguda.
d) Síndrome do intestino irritável.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 15 -


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

Dor abdominal ou desconforto de origem gastrointestinal funcional surge da estimulação dos nervos viscerais: normal-
mente é difusa e mal localizada, muitas vezes no abdome inferior ou central. Quando solicitado para demonstrá-la, o
paciente pode usar uma mão estendida, colocada sobre a área. Dados que sugerem a origem gastrointestinal da dor
abdominal incluem exacerbação ao comer e alívio por defecação, sendo esta última parte dos critérios diagnósticos
para Síndrome do Intestino Irritável (SII). No entanto, apesar da alimentação aumentar a motilidade do cólon, pode
produzir desconforto por meia hora depois, sendo característica de muitas doenças gastrointestinais. Portanto, a dor
após as refeições não faz parte dos critérios diagnósticos para a SII. Quando a doença visceral está associada com a
estimulação dos neurônios somáticos, a dor é localizada mais precisamente. Diverticulite é um exemplo de doença
intra-abdominal que, inicialmente, é mal localizada, porque uma leve inflamação afeta apenas os neurônios viscerais.
No entanto, quando a inflamação progride e atinge o peritônio parietal, a dor abdominal somática mais precisamente
localizada é experimentada. A dor abdominal da SII é visceral por natureza e, geralmente, episódica e imprevisível.
Períodos de dor reaparecem durante uma mediana (intervalo) de 3 dias, intercalados com alguns dias sem dor. No
entanto, em alguns casos, períodos dolorosos podem ser mais prolongados. Uma característica crucial da dor
abdominal da SII é a associação temporal com hábito intestinal alterado.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Diverticulite: Diagnóstico e Tratamento.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/8_volume/21-Diverticulite.pdf.

40) A diverticulose do intestino grosso refere-se à presença de divertículos no cólon. A diverticulite significa a presença
de inflamação e de infecção associadas aos divertículos, mais frequentemente os localizados no cólon sigmoide. A
doença diverticular corresponde ao conjunto de manifestações associáveis à diverticulose, desde dor abdominal
inespecífica até a diverticulite complicada. De acordo com o exposto, marque a afirmativa incorreta.
a) A fístula anal é o tipo mais comum de fístula resultante de diverticulite aguda.
b) O tratamento conservador nos casos de diverticulite aguda com abscesso pequeno e pericólico é realizado por
meio da antibioticoterapia sistêmica, podendo o tratamento cirúrgico ser realizado em condições eletivas.
c) O tratamento para os casos de diverticulite aguda com abscessos maiores reservam-se à drenagem percutânea
ou ao tratamento cirúrgico. A punção percutânea habitualmente guiada por tomografia computadorizada com
colocação de cateter permite drenagem temporária da coleção e tratamento cirúrgico eletivo subsequente em
tempo único em 67% a 80% dos casos.
d) A perfuração não-bloqueada na diverticulite aguda, com peritonite difusa fecal ou purulenta resultantes,
representa grave ameaça à vida, com mortalidade de até 28%. O tratamento cirúrgico de urgência deve ser
realizado com a ressecção do segmento perfurado e colostomia (operação em dois tempos) em contraponto
às operações em três tempos, resultando em menor sepse residual, menor número de reoperações e menor
internação hospitalar associados à primeira opção.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A fístula colovesical é o tipo mais comum de fístula resultante de diverticulite aguda. Em uma revisão de 84 pacientes
com fístulas internas secundárias a diverticulite, atendidos durante 26 anos na Cleveland Clinic (Estados Unidos),
65% destas eram colovesicais. Houve predominância de 2:1 do sexo masculino sobre o feminino, que foi atribuída à
proteção à bexiga conferida pelo útero. Pneumatúria, fecalúria e infecção urinária de repetição ocorrem em mais da
metade dos pacientes.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Diverticulite: Diagnóstico e Tratamento.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/8_volume/21-Diverticulite.pdf.

41) A doença de Crohn é um processo inflamatório crônico de etiologia ainda desconhecida, não curável por
tratamento clínico ou cirúrgico e que acomete o trato gastrointestinal de forma uni ou multifocal, de intensidade
variável e transmural. A respeito da doença de Crohn, analise as afirmativas abaixo.
I. Os locais de acometimento, mais frequentes, são o intestino delgado e o grosso.
II. Manifestações perianais podem ocorrer em mais de 50% dos pacientes.
III. Manifestações extraintestinais associadas ou isoladas podem ocorrer e atingem, mais frequentemente, pele,
articulações, olhos, fígado e trato urinário.
IV. A dilatação aguda e tóxica do cólon pode representar uma apresentação comum, porém aguda e de elevada
gravidade.
V. A doença afeta indivíduos de qualquer idade, mas o diagnóstico é mais frequentemente realizado na segunda
ou terceira décadas.
Estão corretas apenas as afirmativas
a) I e IV.
b) I, III e V.
c) II, III e IV.
d) I, II, III e V.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 16 -


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

A única afirmativa incorreta é a IV, pois a dilatação aguda e tóxica do cólon (megacólon tóxico) pode representar uma
apresentação incomum, porém aguda e de elevada gravidade.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Doença de Crohn Intestinal: Manejo.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/8_volume/28-Doenca.pdf.

42) A fissura anal é uma lesão longitudinal ou área ulcerada no canal anal distal, que se estende desde a linha
pectínea até a borda anal. Nos últimos anos houve grandes progressos no tratamento das fissuras anais,
principalmente as crônicas. Sobre o tratamento desta patologia, assinale a alternativa incorreta.
a) O emprego tópico da nifedipina gel 0,2% produz cicatrização de fissuras anais em 95% dos casos.
b) Os compostos de nitratos mais utilizados no tratamento clínico da fissura anal são o gliceril trinitrato e o
dinitrato de isossorbida. A cefaleia é o principal efeito colateral do emprego de nitratos.
c) A toxina botulínica age bloqueando a terminação nervosa pré-sináptica na junção neuromuscular, causando
denervação temporária do esfíncter anal, que dura, aproximadamente, 3 meses. A toxina botulínica causa a
cicatrização da fissura anal ou abolição dos sintomas, porém sua eficácia é inferior ao nitrato tópico.
d) O tratamento da fissura anal aguda pode estar baseado na combinação de analgésicos orais e anestésicos
locais (na forma de cremes ou pomadas), banhos de assento com água morna e agentes formadores do bolo
fecal. Esse regime resulta em cicatrização das fissuras agudas após 3 semanas em até 80% dos casos.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A toxina botulínica age bloqueando a terminação nervosa pré-sináptica na junção neuromuscular, causando
denervação temporária do esfíncter anal, que dura, aproximadamente, 3 meses. Esta denervação química e não
permanente age levando à inibição da liberação de acetilcolina das terminações pré-sinápticas e, consequentemente,
da neurotransmissão, o que resulta em melhora do espasmo esfincteriano, que pode durar o suficiente para permitir a
cicatrização da fissura. O emprego da toxina botulínica requer a sua injeção no esfíncter anal, que pode ser realizada
com ou sem o auxílio do anuscópio. A toxina botulínica causa a cicatrização da fissura anal ou abolição dos sintomas
entre 73% e 96% dos casos, sendo sua eficácia superior ao nitrato tópico. Em ambas as experiências foram
utilizadas 20 unidades da toxina botulínica. Não há evidência satisfatória acerca da ocorrência de recidiva e, da
mesma forma, não se encontra estabelecida a dose ideal, bem como o sítio exato de injeção da toxina. Incontinência
transitória pode ser observada em 10% dos pacientes.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Fissura Anal: Manejo.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/8_volume/32-Fissue.pdf.

43) A hemorragia digestiva aguda, evidenciada clinicamente pela exteriorização de hematêmese, melena ou
enterorragia, é uma causa frequente de hospitalização de urgência. Habitualmente, a hemorragia digestiva alta
(HDA) se expressa por hematêmese e/ou melena, enquanto a enterorragia é a principal manifestação da
hemorragia digestiva baixa (HDB). Acerca das hemorragias digestivas, marque a alternativa incorreta.
a) O exame endoscópico é o método mais sensível e específico no diagnóstico da HDA (acurácia de 92% a 95%)
e deve ser realizado, preferencialmente, nas primeiras 24 horas de internação, já com o paciente hemodinami-
camente estável.
b) As HDAs de etiologia não varicosa são causadas, principalmente, por úlcera péptica gastroduodenal, lesão
aguda de mucosa gastroduodenal, laceração aguda da transição esôfago-gástrica (Mallory-Weiss), câncer
gástrico e esofagites.
c) A doença diverticular, apesar de predominar no cólon direito, tem a maioria dos sangramentos oriundos de
divertículos situados no cólon esquerdo. A hemorragia é súbita, discreta e habitualmente autolimitada, mas
profusa em algumas ocasiões.
d) A etiologia da HDB é variável segundo a faixa etária. Na criança, o divertículo de Meckel é a causa mais
comum de sangramento, ao passo que, no adulto, a doença diverticular dos cólons, as angiodisplasias e as
doenças proctológicas, sobretudo hemorroidárias, são mais relevantes.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A doença diverticular, apesar de predominar no cólon esquerdo, tem a maioria dos sangramentos oriundos de
divertículos situados no cólon direito. A hemorragia é súbita, volumosa, habitualmente autolimitada, mas profusa em
algumas ocasiões.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Hemorragias Digestivas.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/057.pdf.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 17 -


44) A úlcera péptica era, até recentemente, considerada uma doença de etiologia desconhecida, de evolução em geral
crônica, com surtos de ativação e períodos de acalmia, resultantes de perda circunscrita de tecido em regiões do
trato digestivo capazes de entrar em contato com a secreção cloridropéptica do estômago. Diferencia-se das
erosões pelo fato destas não atingirem a submucosa e, portanto, não deixarem cicatriz ao se curarem. Assinale a
alternativa que apresenta a condição clínica considerada a principal causa de úlcera péptica.
a) Uso de anti-inflamatórios.
b) Síndrome de Zollinger-Ellison.
c) Forma duodenal de doença de Crohn.
d) Infecção gástrica pelo Helicobacter pylori.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

A identificação e isolamento do Helicobacter pylori proporcionou um enorme desenvolvimento nos conhecimentos


acerca da úlcera péptica. A infecção gástrica pelo Helicobacter pylori é, atualmente responsável por mais de 95% dos
casos de úlcera duodenal e 80% dos portadores de úlcera gástrica. O uso de anti-inflamatórios constitui a segunda
causa, especialmente na população mais idosa e, mais raramente, outras etiologias podem estar associadas como
gastrinoma (Síndrome de Zollinger-Ellison) e forma duodenal de doença de Crohn.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Úlcera Péptica.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/106.pdf.

45) A doença hemorroidária pode ocorrer em ambos os sexos e tem prevalência entre as idades de 45-65 anos, com
decréscimo após os 65 anos de idade. O desenvolvimento de doença hemorroidária antes dos 20 anos de idade
não é comum. Em relação às entidades nosológicas que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial com
a doença hemorroidária, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma abaixo. A seguir, assinale a
alternativa que apresenta a sequência correta.
( ) Neoplasia retal.
( ) Condiloma acuminado perianal.
( ) Pólipo retal.
( ) Fístula anorretal.
( ) Fissura anal aguda ou crônica.
a) V – F – F – V – F
b) F – V – F – F – V
c) V – V – V – V – V
d) F – F – V – F – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

As principais entidades nosológicas que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial com a doença
hemorroidária são: neoplasia retal (adenocarcinoma é o mais frequente); neoplasia de canal anal (principalmente, o
carcinoma epidermoide e o melanoma); condiloma acuminado perianal; pólipo retal (pode sangrar e/ou prolapsar);
papila anal hipertrófica (sangramento, prolapso e desconforto anal); prolapso retal (desconforto local, prurido,
sangramento e prolapso); fístula anorretal (desconforto local, secreção e prurido); fissura anal aguda ou crônica (dor e
sangramento).

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Hemorroida: Diagnóstico.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/4_volume/14-Hemorroida-diagnostico.pdf.

46) A cervicalgia é uma síndrome dolorosa aguda ou crônica que acomete a região da coluna cervical, podendo ter
diversas etiologias, tais como alterações mecânico-posturais, artroses, hérnias e protusões discais, artrites,
espondilites ou espasmos musculares, causando repercussões ortopédicas, reumatológicas ou até neurológicas.
As cervicalgias são comuns em diversas faixas etárias de ambos os sexos, possuindo elevada predominância
nas síndromes dolorosas corporais, sendo a segunda maior causa de dor na coluna vertebral. Constituem sinais
de risco em cervicalgia, exceto:
a) fraqueza muscular.
b) instabilidade da região.
c) ansiedade e depressão.
d) perda progressiva de função.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 18 -


Há alguns sinais de alerta em cervicalgia, seja pela complexidade do diagnóstico ou pelo potencial de simulação, a
saber: ansiedade e depressão; interesse em afastamento do trabalho e aposentadoria; história anterior de
cervicalgia; sintomas gerais. Constituem sinais de risco em cervicalgia: instabilidade da região; fraqueza muscular;
perda progressiva de função.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Cervicalgia: Diagnóstico na Atenção Primária à Saúde.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/8_volume/17-Cervicalgia.pdf.

47) O câncer de mama, dentre as neoplasias malignas, tem sido o responsável pelos maiores índices de mortalidade
no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, por ano, ocorra mais de 1 milhão de casos
novos de neoplasia mamária em todo mundo, o que faz com que seja o tipo de câncer mais comum entre as
mulheres. As situações que aumentam a chance de uma mulher vir a apresentar câncer de mama denominam-se
fatores de risco. São conhecidos inúmeros fatores de risco, classificados em: muito elevado, medianamente
elevado e pouco elevado. Indique, dentre as alternativas abaixo, o fator de risco que não pode ser considerado
como de risco elevado.
a) Suscetibilidade genética comprovada.
b) Terapia de reposição hormonal por mais de 5 anos.
c) Mãe ou irmã com câncer de mama na pré-menopausa.
d) Antecedente de hiperplasia epitelial atípica ou neoplasia lobular in situ.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

As situações que aumentam a chance de uma mulher vir a apresentar câncer de mama são denominadas fatores de
risco. São conhecidos inúmeros fatores de risco, a saber:
 Risco muito elevado (RR ≥ 3.0): mãe ou irmã com câncer de mama na pré-menopausa; antecedente de hiperplasia
epitelial atípica ou neoplasia lobular in situ; suscetibilidade genética comprovada (mutação de BRCA1-2).
 Risco medianamente elevado (1.5 ≤ RR < 3.0): mãe ou irmã com câncer de mama na pós-menopausa; nuliparidade;
antecedente de hiperplasia epitelial sem atipia ou macrocistos apócrinos.
 Risco pouco elevado (1.0 ≤ RR < 1.5): menarca precoce (≤ 12 anos); menopausa tardia (≥ 55 anos); primeira
gestação de termo depois de 34 anos; obesidade; dieta gordurosa; sedentarismo; terapia de reposição hormonal
por mais de 5 anos; ingestão alcoólica excessiva.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Mama.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/024.pdf.

48) A dismenorreia, um dos problemas ginecológicos mais prevalentes entre adolescentes e adultas jovens, afeta
aproximadamente 50% das mulheres em idade reprodutiva, sendo que em 10% apresenta-se com intensidade
suficiente para interferir no cotidiano. Sobre a dismenorreia, assinale a alternativa incorreta.
a) Os casos de dismenorreia primária ocorrem somente durante ciclos ovulatórios e é diagnóstico de exclusão.
b) Os quadros de dismenorreia secundária podem ter diversas etiologias, sendo a mais frequente a síndrome dos
ovários policísticos.
c) O uso de dexibuprofeno nas doses de 200 mg/dia e 300 mg/dia ou ibuprofeno 400 mg/dia, no tratamento da
dismenorreia primária, apresenta equivalência no alívio da dor.
d) O emprego dos anti-inflamatórios não esteroidais (como ibuprofeno e naproxeno) apresenta-se como a
terapêutica principal da dismenorreia primária, sendo que a sua eficácia resulta, principalmente, da inibição da
ciclo-oxigenase-2.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

O quadro de dismenorreia classifica-se em: primário (sem doença orgânica subjacente) e secundário (em decorrência
de uma patologia de base). Os casos de dismenorreia primária ocorrem somente durante ciclos ovulatórios, e é
diagnóstico de exclusão. O conhecimento atual sugere que sua patofisiologia decorre de um desequilíbrio na
quantidade de prostaglandinas e leucotrienos (prostanoides e eicosanoides), liberados pelo endométrio durante o fluxo
menstrual que desencadeiam uma hipercontratilidade uterina, reduzindo o fluxo sanguíneo e aumentando a sensibili-
dade nervosa à dor. Alguns quadros mais severos têm sido associados a uma maior quantidade de prostaglandinas
liberadas preferencialmente nos primeiros dois dias de fluxo menstrual. Já os quadros de dismenorreia secundária
podem ter diversas etiologias, sendo a mais frequente a endometriose pélvica. Estima-se que esta afecção seja a
etiologia de 60 a 70% dos casos de dor pélvica crônica, embora também possa ter um curso oligo ou assintomático.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Dismenorreia Primária: Tratamento.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes2013/dismenorreia_primaria_tratamento.pdf

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 19 -


49) A sífilis é uma doença infecciosa crônica, de transmissão sexual e, eventualmente, transplacentária. Caracteriza-se
por longos períodos de silêncio clínico e pela capacidade de atingir múltiplos sistemas orgânicos, produzindo
lesões cutâneas, mucosas, cardiovasculares e nervosas. É uma doença universal que atinge todas as classes
sociais. A fonte de infecção é, exclusivamente, humana, sendo contagiosas as manifestações da sífilis primária e
secundária. Não confere imunidade, sendo, portanto, possível a reinfecção e as sobreinfecções. São mais
acometidos os jovens, principalmente entre 15 e 25 anos, por terem atividade sexual mais recorrente. O agente
etiológico da sífilis é
a) Treponema pallidum.
b) Chlamydia trachomatis.
c) Ureaplasma urealyticum.
d) Calymmatobacterium granulomatis.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A sífilis é uma doença infecciosa crônica, de transmissão sexual e eventualmente transplacentária. Caracteriza-se por
longos períodos de silêncio clínico e pela capacidade de atingir múltiplos sistemas orgânicos, produzindo lesões cutâ-
neas, mucosas, cardiovasculares e nervosas. A sífilis é causada pelo Treponema pallidum, que é um micro-organismo
desprovido de membrana celular, pequeno, fino, de espiras regulares e em número não superior a 12, com extremida-
des afiladas.

Fonte: Centers for disease control and prevention. Sexually Transmited Diseases, treatment MMWR Guidelines, 2010.
Disponível em: www.cdc.gov/std/treatment/2010/std-n5912.pdf.

50) A realização periódica do exame citopatológico continua sendo a estratégia mais adotada para o rastreamento do
câncer do colo do útero. Atingir a alta cobertura da população definida como alvo é o componente mais
importante no âmbito da atenção primária para que se obtenha significativa redução da incidência e da
mortalidade por esse tipo de câncer. Em relação ao rastreamento do câncer do colo do útero, em situações
especiais, é incorreto afirmar que
a) em mulheres na pós-menopausa deve ser de acordo com as orientações para as demais mulheres.
b) em mulheres sem história de atividade sexual deve ser de acordo com as orientações para as demais mulheres.
c) mulheres submetidas à histerectomia total por lesões benignas, sem história prévia de diagnóstico ou
tratamento de lesões cervicais de alto grau, podem ser excluídas desse rastreamento, desde que apresentem
exames anteriores normais.
d) em gestantes deve-se seguir as mesmas recomendações de periodicidade e faixa etária para as demais
mulheres, sendo que a procura ao serviço de saúde para realização de pré-natal deve sempre ser considerada
uma oportunidade para o rastreio.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

Considerando os conhecimentos atuais em relação ao papel do HPV na carcinogênese do câncer do colo uterino e
que a infecção viral ocorre por transmissão sexual, o risco de uma mulher que não tenha iniciado atividade sexual
desenvolver essa neoplasia é desprezível.

Fonte: BRASIL. Diretrizes para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero. Ministério da Saúde, INCA, Rio de Janeiro,
2011. Disponível em: http://www.saúde.gov.br/publicações/inca/rastreamento_cancer_colo_útero.pdf.

51) Tendo em vista as recomendações do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde,
para auxiliar o clínico e o ginecologista-obstetra no atendimento inicial de gestantes com diagnóstico de infecção
pelo HIV no pré-natal e parto, assinale a alternativa incorreta.
a) A vacina para hepatite B é recomendada para gestantes soropositivas para o HIV, suscetíveis (Anti-HBs
negativas) em situações de risco.
b) O tempo de ruptura das membranas amnióticas também está associado ao risco de transmissão vertical: quanto
maior o tempo de ruptura, maior será o risco de transmissão do HIV, particularmente quando superior a 4 horas.
c) Todas as gestantes, independentemente do tipo de parto, devem receber zidovudina (AZT) intravenoso no
período expulsivo do trabalho de parto ou imediatamente antes do início da cesárea eletiva, sendo mantido até
o clampeamento do cordão umbilical.
d) A cesariana eletiva, com o fim de reduzir a transmissão vertical do HIV, está indicada para as gestantes que, no
final da gestação (após 33-34 semanas), apresentem carga viral desconhecida ou superior a 1.000 cópias/ml.
Quando a carga viral for inferior a 1.000 cópias/ml, a via de parto será definida por critérios exclusivamente
obstétricos.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 20 -


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Todas as gestantes, independentemente do tipo de parto, devem receber AZT intravenoso desde o início do trabalho
de parto ou pelo menos 3 horas antes da cesárea eletiva, a ser mantido até o clampeamento do cordão umbilical.
Durante o trabalho de parto, ou no dia da cesárea programada, manter os medicamentos antirretrovirais orais
utilizados pela gestante, nos seus horários habituais, independentemente do jejum, ingeridos com pequena
quantidade de água, inclusive durante o período de infusão venosa da zidovudina (AZT). A única droga que deve ser
suspensa até 12 horas antes do início do AZT intravenoso é a d4T (estavudina). Gestantes com resistência ao AZT,
documentada previamente, e que não o tenham utilizado durante a gravidez, devem receber o AZT intravenoso (IV)
no parto (a menos que sejam alérgicas ao medicamento) e seus RN devem receber a solução oral, conforme o
esquema preconizado.

Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Recomendações para Profilaxia da Transmissão Vertical do HIV e Terapia
Retroviral em Gestantes. Brasília, 2004. (Manuais, 46).

52) A aloimunização Rh na gestação consiste na sensibilização ao antígeno D presente na superfície eritrocitária.


Durante gestação e parto, pequenas quantidades de hemácias fetais podem atingir a circulação materna. Em
relação à aloimunização Rh na gestação, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma abaixo. A
seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
( ) Imunoglobulina anti-D deve ser administrada para todos os casos de abortamentos com intervenção cirúrgica,
independentemente da idade gestacional, e com o mesmo grau de evidência para os abortamentos completos
após 12 semanas de gestação. Para os abortamentos espontâneos completos abaixo de 12 semanas de
gestação, a recomendação em favor da administração é baseada em consensos e opiniões de especialistas.
( ) A administração de imunoglobulina anti-D em gestantes Rh negativas não sensibilizadas na 28ª semana ou
entre a 28ª e a 34ª semanas de gestação reduz o risco para a ocorrência de aloimunização Rh.
( ) A imunoglobulina anti-D administrada dentro do período de 72 horas após o parto demonstra significativa
redução no risco de aloimunização em puérperas Rh negativo. Em caso de omissão da administração até 72
horas, existe benefício em administrá-la até o trigésimo dia após o parto.
( ) A pesquisa de anticorpos irregulares deve ser solicitada na primeira consulta de pré-natal e, nos casos em
que a gestante não é sensibilizada, deverá ser repetida com 27 semanas, antes da administração da
imunoglobulina anti-D. Após a administração, os títulos de anti-D não devem ser solicitados com intervalos
menores do que 6 semanas. No caso de gestante sensibilizada, deve-se determinar os títulos de anticorpo
anti-D a cada 4 semanas e, após 28 semanas, a cada 2 semanas.
a) F – F – V – V
b) V – F – V – F
c) V – V – F – V
d) F – V – F – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A única afirmativa falsa é a terceira, pois a administração da imunoglobulina anti-D no período de pós-parto reduz
significativamente o risco de aloimunização materna. Todavia, recomenda-se que a administração da imunoglobulina
anti-D deva ser feita assim que o resultado da tipagem sanguínea do recém-nascido esteja disponível e dentro do
período de 72 horas de pós-parto. Nos casos em que a tipagem Rh do recém-nascido não esteja disponível até 72
horas, a imunoglobulina anti-D deve ser administrada, pois é preferível administrar desnecessariamente a imunoglo-
bulina anti-D do que deixar de prevenir uma sensibilização. Em caso de omissão da administração até 72 horas,
existe benefício em administrá-la até 13 dias após o parto. A administração é até o 28º dia após o parto, segundo
consensos e opiniões de especialistas.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Aloimunização Rh na Gestação.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/diretrizes11/aloimunizacao_rh_na_gestacao.pdf

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 21 -


53) São indicadores de pré-eclâmpsia grave, exceto:
a) proteinúria ≥ 1,5 g/24 horas.
b) creatinina sérica > 1,2 mg%.
c) pressão arterial ≥ 160 x 110 mmHg.
d) anemia hemolítica microangiopática.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

Pré-eclâmpsia é definida como a presença, após a 20ª semana de gestação (ou antes, nos casos de doença
trofoblástica gestacional), de hipertensão arterial acompanhada de proteinúria, em gestante sem história de
hipertensão arterial. Na ausência de proteinúria, considera-se pré-eclâmpsia quando o aumento da pressão arterial é
acompanhado de sintomas como cefaleia, borramento da visão e dor abdominal, ou por valores anormais de testes
laboratoriais, especialmente contagem baixa de plaquetas e aumento de enzimas hepáticas. A presença de um ou
mais dos critérios a seguir identifica um caso de pré-eclâmpsia grave:
 Pressão arterial ≥ 160 x 110 mmHg;
 Proteinúria ≥ 2 g/24 horas (ou > 2+ em amostra de urina);
 Creatinina sérica > 1,2 mg%;
 Sintomas de eclâmpsia iminente;
 Eclâmpsia (crise convulsiva);
 Dor epigástrica ou no hipocôndrio direito;
 Aumento de enzimas hepáticas (AST, ALT);
 Plaquetopenia (< 100.000/mm );
3

 Anemia hemolítica microangiopática.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Hipertensão Arterial – Situações Especiais.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/060.pdf.

54) Asma brônquica é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, na qual muitas células e elementos celulares
têm participação. A inflamação crônica está associada à hiperresponsividade das vias aéreas, que leva a episódios
recorrentes de sibilos, dispneia, opressão torácica e tosse, particularmente à noite ou no início da manhã. Esses
episódios são uma consequência da obstrução ao fluxo aéreo intrapulmonar, generalizada e variável, reversível
espontaneamente ou com tratamento. O diagnóstico diferencial da asma é amplo, particularmente em crianças
menores de cinco anos de idade. Cabe ressaltar que a determinação funcional de significativa variabilidade do fluxo
aéreo reduz em muito as dúvidas diagnósticas. Dentre as condições clínicas relacionadas, indique a que não deve
ser considerada no diagnóstico diferencial da asma em crianças menores de cinco anos de idade.
a) Cardiopatia.
b) Tuberculose.
c) Rinossinusite.
d) Disfunção das cordas vocais.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

Diagnóstico diferencial da asma:


 crianças menores de cinco de idade: rinossinusite; doença pulmonar crônica da prematuridade e malformações
congênitas; fibrose cística, bronquiectasias, bronquiolite obliterante pós-infecciosa e discinesia ciliar; síndromes
aspirativas (refluxo gastroesofágico, distúrbios de deglutição, fístula traqueoesofágica e aspiração de corpo
estranho); laringotraqueobroncomalácia, doenças congênitas da laringe (estenose e hemangioma) e anel vascular;
tuberculose; cardiopatias; imunodeficiências.
 crianças acima de cinco anos e adultos: rinossinusite; síndrome de hiperventilação alveolar e síndrome do pânico;
obstrução de vias aéreas superiores (neoplasias e aspiração de corpo estranho); disfunção das cordas vocais;
DPOC e outras doenças obstrutivas das vias aéreas inferiores (bronquiolites, bronquiectasias e fibrose cística);
doenças difusas do parênquima pulmonar; insuficiência cardíaca diastólica e sistólica; doenças da circulação
pulmonar (hipertensão e embolia).

Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o Manejo da Asma. J Bras Pneumol. Vol.
38. Suplemento 1. p. S1-S46. Abril 2012.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 22 -


55) O preparo para atender o recém-nascido na sala de parto consiste, inicialmente, na realização de anamnese
materna, na disponibilidade do material para atendimento e na presença de equipe treinada em reanimação
neonatal. Dentre as condições perinatais relacionadas, associadas à necessidade de reanimação neonatal, indique
a que não pode ser considerada como fator antenatal.
a) Polidrâmnio ou Oligoâmnio.
b) Líquido amniótico meconial.
c) Aloimunização ou anemia fetal.
d) Rotura prematura das membranas.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

Condições perinatais associadas à necessidade de reanimação neonatal:

Fatores antenatais
Idade < 16 anos ou > 35 anos Idade Gestacional < 39 ou > 41 semanas
Diabetes Gestação múltipla
Hipertensão na gestação Rotura prematura das membranas
Doenças maternas Polidrâmnio ou Oligoâmnio
Infecção materna Diminuição da atividade fetal
Aloimunização ou anemia fetal Sangramento no 2º ou 3º trimestres
Uso de medicações (Ex: magnésio e bloqueadores Discrepância entre idade gestacional e peso ao
adrenérgicos) nascer
Uso de drogas ilícitas Hidropsia fetal
Óbito fetal ou neonatal anterior Malformação ou anomalia fetal
Ausência de cuidado pré-natal

Fatores relacionados ao parto


Parto cesáreo Padrão anormal de FC fetal
Uso de fórcipe ou extração a vácuo Anestesia geral
Apresentação não cefálica Hipertonia uterina
Trabalho de parto prematuro Líquido amniótico meconial
Parto taquitócico Prolapso de cordão
Corioamnionite Uso de opioides 4h anteriores ao parto
Rotura de membranas > 18 horas Descolamento prematuro da placenta
Trabalho de parto > 24 horas Placenta prévia
Segundo estágio do parto > 2 horas Sangramento intraparto significante

Fonte: Lopez, F. Ancona; Campos Junior, D. (Org.). Tratado de Pediatria – Sociedade Brasileira de Pediatria. 2ª
edição. São Paulo: Manole, 2009.

56) A anafilaxia é conceituada como uma reação alérgica aguda grave, de início súbito e evolução rápida, sendo
potencialmente fatal. Os órgãos-alvo envolvidos incluem pele e mucosas, aparelho respiratório, trato gastrointes-
tinal, sistema cardiovascular e sistema nervoso central. As manifestações cutâneo-mucosas compreendem eritema
localizado ou difuso, prurido, rash, urticária e/ou angioedema. As manifestações cutâneas são as mais frequentes e,
habitualmente, surgem precocemente na anafilaxia. Sobre a anafilaxia, analise as afirmativas abaixo.
I. Os medicamentos são os agentes que mais frequentemente acarretam anafilaxia, sendo os mais comuns os
analgésicos, antitérmicos, anti-inflamatórios não-hormonais e os antibióticos.
II. O principal mecanismo imunológico envolvido na anafilaxia induzida como consequência de sensibilização
alergênica é mediado pela formação de anticorpos específicos da classe IgE, que culmina com a ativação de
mastócitos e basófilos, resultando na liberação rápida de mediadores pré-formados, como histamina, triptase,
carboxipeptidase A3, quimase e proteoglicanos.
III. O diagnóstico da anafilaxia habitualmente é clínico. A investigação é necessária para confirmar a suspeita
diagnóstica, identificar agente etiológico desconhecido e orientar a prevenção de novos episódios.
IV. Em pacientes com reação anafilática à ferroada de inseto, o diagnóstico da sensibilização alérgica é feito pela
caracterização da presença de anticorpos IgE específicos para o veneno de insetos. Isto pode ser realizado
por meio de testes cutâneos ou da determinação de IgE específica no soro. O método diagnóstico preferível é
o teste cutâneo com veneno, pela alta sensibilidade e segurança.
Estão corretas as afirmativas
a) I, II, III e IV.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II, III e IV, apenas.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 23 -


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A anafilaxia, conceituada como uma reação alérgica aguda grave, de início súbito e evolução rápida, é
potencialmente fatal. Os órgãos-alvo envolvidos incluem pele e mucosas, aparelho respiratório, trato gastrointestinal,
sistema cardiovascular e sistema nervoso central. As manifestações cutâneo-mucosas compreendem eritema
localizado ou difuso, prurido, rash, urticária e/ou angioedema. A reação anafilática costuma ocorrer dentro de
segundos a minutos após a exposição ao agente causal. Contudo, algumas reações ocorrem mais tardiamente.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Anafilaxia: Diagnóstico.


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/diretrizes11/anafilaxia_diagnostico.pdf.

57) Atualmente, o diagnóstico de febre reumática ainda se baseia em um grupo de critérios: os critérios de Jones,
relacionados como maiores ou menores. Estes critérios foram revistos a intervalos irregulares por associações
médicas norte-americanas – correntemente, a American Heart Association (AHA). De acordo com a AHA, ter-se-á
alta probabilidade de febre reumática quando, na evidência de infecção prévia pelo Streptococcus β-hemolítico do
grupo A, se preencher duas manifestações (ou critérios) maiores ou uma maior e duas menores. Assinale a
alternativa que apresenta o critério considerado como menor.
a) Coreia.
b) Cardite.
c) Artralgia.
d) Poliartrite.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Critérios de Jones (para suspeitos de 1º episódio de febre reumática):


Evidência de infecção prévia pelo Streptococcus β-hemolítico do grupo A (cultura positiva de orofaringe, positividade em
testes rápidos para detecção de antígenos estreptocócicos ou títulos elevados de anticorpos antiestreptocócicos), mais
2 maiores ou 1 maior e 2 menores:
Manifestações maiores: cardite, poliartrite, coreia, eritema marginado, nódulos subcutâneos.
Manifestações menores: artralgia, febre, VHS ou PCR elevados, intervalo P-R aumentado no ECG.
Exceção: coreia isolada, de etiologia não definida, é suficiente para o diagnóstico, mesmo na ausência das outras
manifestações.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Febre Reumática


Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/051.pdf

58) A deficiência de hormônio de crescimento caracteriza-se por uma combinação de anormalidades antropométricas,
clínicas, bioquímicas e metabólicas, causadas, diretamente, pela secreção deficiente do hormônio de crescimento
(GH) e, indiretamente, pela redução na geração de hormônios e fatores de crescimento GH dependentes, que são
corrigidas pela adequada reposição com GH recombinante humano (hGH). Em relação aos objetivos do tratamento
da baixa estatura por deficiência de GH, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma abaixo. A seguir,
assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
( ) Atingir boa altura na vida adulta.
( ) Permitir uma rápida normalização do crescimento.
( ) Atingir pico de massa óssea satisfatório.
( ) Permitir que a criança entre na puberdade (induzida ou espontaneamente) com uma altura normal, ou
atingir uma altura que permita uma puberdade normal.
a) F – F – F – V
b) V – F – F – F
c) V – V – V – V
d) F – V – V – F

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

O tratamento da baixa estatura por deficiência de hormônio de crescimento (DGH) tem como objetivo:
 atingir boa altura na vida adulta;
 permitir uma rápida normalização do crescimento;
 atingir pico de massa óssea satisfatório;
 permitir à criança qualidade de vida satisfatória;
 permitir que a criança entre na puberdade (induzida ou espontaneamente) com uma altura normal, ou atingir uma
altura que permita uma puberdade normal.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 24 -


Estes objetivos, atualmente considerados, não incluem outras condições importantes, como perfil lipídico e composição
corpórea.

Fonte: AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Baixa Estatura por Deficiência do Hormônio de Crescimento: Tratamento.
Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/4_volume/02-Baixaesta.pdf.

59) As ações de vacinação são coordenadas pelo Programa Nacional de Imunizações da Secretaria de Vigilância em
Saúde do Ministério da Saúde e têm o objetivo de erradicar, eliminar e controlar as doenças imunopreveníveis no
território brasileiro. O Programa coordena e define normas e procedimentos técnicos e científicos articulados às
secretarias de estado e estas com as secretarias municipais, mediante ações estratégicas sistemáticas de
vacinação da população, com base na vigilância epidemiológica de doenças imunopreveníveis e inovações
tecnológicas da área. Sobre a imunização na infância, marque a alternativa incorreta.
a) A vacina contra influenza é indicada anualmente no outono, a partir dos seis meses de idade, em pessoas com
risco aumentado de complicações devido à infecção pelo vírus influenza e naquelas que possam transmitir
influenza às de alto risco e aos trabalhadores sadios.
b) A vacina contra a caxumba, de acordo com o calendário do Programa Nacional de Imunizações, é aplicada a
partir dos 12 meses de idade, na forma combinada com a vacina contra o sarampo e a rubéola. É uma vacina
bem tolerada e pouco reatogênica. As manifestações locais são poucas e as principais manifestações
sistêmicas são: febre, parotidite, orquite e meningite.
c) De acordo com o Manual de Normas para o Controle de Tuberculose, os recém-nascidos devem ser
vacinados contra a tuberculose (vacina BCG) nas maternidades, desde que tenham peso igual ou superior a
1.500g e boas condições clínicas. Recém-nascidos filhos de mães HIV positivas e crianças soropositivas para
HIV poderão ser vacinados, desde que não apresentem sinais e sintomas de AIDS.
d) Os recém-nascidos de mães portadoras do vírus da hepatite B têm grande risco de adquirir a infecção ao
nascer e, destes, 90% evoluem para doença crônica. Para prevenir a transmissão para o recém-nascido é
muito importante que a vacina contra hepatite B seja aplicada universalmente em todos os recém-nascidos,
rotineiramente, logo após o nascimento, nas primeiras 12 a 24 horas de vida. É muito importante que o
esquema vacinal seja completado com mais duas doses, a serem aplicadas um e seis meses após a primeira.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

De acordo com o Manual de Normas para o Controle de Tuberculose, os recém-nascidos devem ser vacinados nas
maternidades, desde que tenham peso igual ou superior a 2 kg e boas condições clínicas. Recém-nascidos filhos de
mães HIV-positivas e crianças soropositivas para HIV poderão ser vacinados, desde que não apresentem sinais e
sintomas de AIDS. Os vacinados, nessas condições, deverão ser acompanhados nas unidades de referência para
AIDS. Os profissionais de saúde não reatores ao PPD e que entram em contato com pacientes com tuberculose e
AIDS também deverão ser vacinados.

Fontes:
 AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Vacina Contra – Caxumba.
Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/111.pdf.
 AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Vacina Contra - Hepatite B
Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/115.pdf.
 AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Vacina Contra a Tuberculose
Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/122.pdf.
 AMB-CFM. Projeto Diretrizes. Vacina Contra Influenza
Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/116.pdf.

60) A coleta de dados ocorre em todos os níveis de atuação do sistema de saúde. A força e o valor da informação
dependem da qualidade e fidedignidade com que ela é gerada. Para isso, faz-se necessário que as pessoas
responsáveis pela coleta estejam bem preparadas para diagnosticar corretamente o caso, como também para
realizar uma boa investigação epidemiológica, com anotações claras e confiáveis. Sobre a notificação dos casos
de AIDS, marque a alternativa incorreta.
a) Todas as crianças expostas verticalmente ao HIV têm sua notificação obrigatória.
b) A notificação após o uso de quimioprofilaxia para o HIV é obrigatória apenas a médicos e outros profissionais
de saúde no exercício da profissão.
c) A notificação de casos de AIDS (criança e adulto), gestante HIV positivo, sífilis em gestante e sífilis congênita
(dentre outros agravos/doenças) é obrigatória.
d) A notificação é obrigatória a médicos e outros profissionais de saúde no exercício da profissão, bem como aos
responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde em conformidade com a
lei e recomendações do Ministério da Saúde.

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 25 -


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

A notificação é obrigatória a médicos e outros profissionais de saúde no exercício da profissão, bem como aos
responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde em conformidade com a lei e
recomendações do Ministério da Saúde (Lei nº 6259 de 30/10/1975 e Portaria Ministerial nº 33 de 14/07/2005
publicada no BE/SMS/PMPA n° 27 de julho de 2005).

Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de tratamento clínico da infecção pelo HIV em pediatria. Brasília, DF.
2007. (Série A. Normas e Manuais Técnicos – 3ª edição).

Gabarito Comentado – CAMAR 2014 – Versão A - 26 -


EA CAMAR 2014 – GABARITO OFICIAL
GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

VERSÃO A VERSÃO B
QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO
1 B 1 C
2 B 2 D
3 C 3 C
4 C 4 D
5 C 5 D
6 A 6 C
7 C 7 A
8 C 8 A
9 D 9 C
10 B 10 C
11 D 11 B
12 C 12 C
13 D 13 C
14 B 14 C
15 A 15 B
16 C 16 B
17 C 17 B
18 D 18 A
19 A 19 C
20 D 20 C
21 D 21 C
22 C 22 C
23 A 23 C
24 C 24 C
25 B 25 D
26 C 26 D
27 C 27 D
28 C 28 B
29 C 29 B
30 B 30 A
GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Texto I para responder às questões de 01 a 15.

A maldição do esquerdo-direitismo
O esquerdo-direitismo é uma crença semirreligiosa que se tornou a ideologia dominante do mundo no último
século. Esquerdo-direitistas são pessoas que acreditam que todo o bem que existe no mundo provém de apenas
uma fonte. Há dois tipos de esquerdo-direitistas – aqueles que acham que a fonte de todo o bem é o mercado e
aqueles que acham que é o estado. A estes chamamos esquerdistas, aqueles são os direitistas.
No fundo, esquerdistas e direitistas são dois lados de uma mesma coisa. Ambos veem o mundo em apenas
duas dimensões, sem profundidade, dividido entre bons e maus. Não admira que esquerdistas transformem-se em
direitistas e vice-versa com tanta facilidade – alguns dos analistas mais ferrenhos da direita passaram a juventude
militando nas facções mais radicais da esquerda.
Nos últimos [...] meses, os dois maiores ícones desse jeito simplista de ver o mundo morreram: Hugo Chávez
(esquerda) e Margareth Thatcher (direita). Difícil imaginar dois personagens tão representativos desse modo
oitocentista de ver o mundo. Todos os esquerdo-direitistas concordam que, entre os mortos, havia um santo e um
demônio. Eles discordam apenas em relação a qual é qual.
A realidade é que nem Chávez nem Thatcher merecem a canonização. Ambos tiveram seus inegáveis méritos
como líderes carismáticos, mas as duas biografias estão cheias de erros crassos. É que, ao contrário do que eles
acreditavam, o esquerdo-direitismo está errado. A crença compartilhada por esquerdistas e direitistas de que o
mundo está dividido ao meio, entre virtuosos e cretinos, simplesmente não tem lastro na realidade. Há virtudes e
cretinices em cada um de nós e o mundo é muito mais cheio de sutilezas do que imaginavam nossos manuais
ideológicos publicados nos séculos 18 e 19.
Prova disso está numa reportagem de capa recente publicada pela tradicional revista The Economist, a Bíblia
liberal inglesa, que já foi um ícone esquerdo-direitista na época que essas coisas faziam sentido. A matéria de
Economist declara que o novo modelo para o planeta são os países nórdicos. “Se você tivesse que renascer em
algum lugar do mundo com talentos e renda médios, você ia querer ser um viking”, diz a revista.
Os países escandinavos, que nas décadas de 1970 e 1980 eram estados inchados, com impostos altíssimos,
baixa competitividade e serviços públicos de estado socialista, quem diria, viraram exemplo para a revista que os
liberais sempre adoraram. Isso porque, nos últimos anos, Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia fizeram várias
reformas e se tornaram países incríveis para se viver.
Para começar, o estado racionalizou seus gastos e criou as mais fantásticas políticas de transparência do
mundo, permitindo à população fiscalizar seus governantes e reduzir a gastança. Na Suécia, políticos de alto escalão
moram em quitinetes, lavam a própria louça e usam transporte público ou bicicleta. Além disso, a burocracia caiu
quase a zero e esses países viraram paraísos do empreendedorismo, de fazer inveja ao Vale do Silício com suas
histórias de sucesso (Skype, Angry Birds, Spotify).
Mas isso foi feito sem sucatear o estado nem prejudicar a população. As reformas do estado foram feitas com
um objetivo claro: manter a qualidade do serviço público, ou, se possível, aumentá-la. Essa lógica ajuda a entender o
que aconteceu com a saúde e a educação pública nesses países. O governo continua atuando, provendo serviços de
qualidade, mas empresas privadas também podem entrar na competição. Os cidadãos recebem do governo vouchers
de saúde e educação e podem decidir usá-los em escolas e hospitais públicos ou privados. Na Escandinávia, o
estado continua grande, mas uma coisa fundamental mudou: ele agora funciona.
O sucesso nórdico expõe a grande falácia do esquerdo-direitismo: a crença de que só há um caminho certo.
Para os esquerdistas, criar mais empresas estatais e ter impostos altos é sempre bom. Para os direitistas, é sempre
ruim. A verdade, como costuma ser o caso, está no meio: é possível, ao mesmo tempo, melhorar os serviços e
aumentar a eficiência. Basta para isso focar no cidadão, que é muito mais importante do que empresas e estado.
Essa é a mágica que os países nórdicos operaram nos últimos anos. Enquanto isso, o Brasil faz o contrário: por
aqui conseguimos combinar impostos altos com serviços ruins. E, em vez de focar em reduzir uns e melhorar outros,
continuamos desperdiçando tempo com Thatcher e Chávez.
(Denis Russo Burgierman. Disponível em: http://super.abril.com.br/blogs/mundo-novo/2013/04/15/a-maldicao-do-esquerdo-
direitismo/?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_super)

01) Considerando as informações levadas ao texto e a forma como são articuladas, é possível aferir que o principal
objetivo do texto é
a) discutir um tema político-ideológico relevante.
b) criticar a mentalidade política que predomina no Brasil.
c) exaltar os feitos políticos dos países nórdicos nos últimos anos.
d) expor os equívocos de ícones da política mundial falecidos recentemente.

Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A -1-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

O texto I é um texto argumentativo, isto é, visa se posicionar sobre um tema relevante, buscando sustentar um ponto
de vista com argumentos – fatos, analogias, estatísticas, dados oriundos de pesquisas, posicionamentos de
autoridades etc.
Um texto dessa natureza segue a seguinte ordenação: proposição – que contém uma breve apresentação do tema
que será debatido e a formalização da tese (o ponto de vista que será defendido); argumentação – defesa da
pertinência do ponto de vista através da articulação desse com fatos, analogias etc.; e, conclusão – que sintetiza,
conclui, aproxima a discussão a realidade etc.
Considerando esses aspectos, a resposta à questão é “discutir um tema político-ideológico relevante”, uma vez que
aquilo que é apresentado nos quatro primeiros parágrafos, que constituem a introdução do texto, é o tema esquerdo-
direitismo.
Observe-se que os feitos dos países nórdicos são utilizados como argumentos para defender a tese do autor. Prova
disso é que só aparecem após a formalização dessa: “É que, ao contrário do que eles acreditavam, o esquerdo-
direitismo está errado” (4º§). Embora recebam um grande espaço no texto, tais feitos servem apenas para sustentar
a visão do autor sobre algo mais amplo – o esquerdo-direitismo.
O conteúdo da alternativa B é apenas a conclusão da questão, que traz uma aproximação do tema com a nossa
realidade, ao passo que o conteúdo da D é utilizado apenas como eventos que aproximam o tema ao momento
histórico recente.

Fontes:
• O próprio texto.
• CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar; CILEY, Cleto. Interpretação de Textos. Ensino Médio.
Construindo competências e habilidades em leitura. 2ª ed. São Paulo: Atual Editora, 2012.
• PIMENTEL, Carlos. Redação Descomplicada. 2ª ed. São Paulo: Saraiva Editora, 2012.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

02) Um texto argumentativo é aquele em que o autor se posiciona em relação a um determinado tema, defendendo
tal posição com argumentos (de diferentes naturezas, como estatísticas, fatos, analogias) e concluindo-o com
uma reflexão, uma solução, dentre outros. Tendo em vista a organização das ideias, assinale a alternativa que
apresenta uma subdivisão adequada para as informações contidas no texto.
a) Introdução: 1º ao 4º parágrafo / Argumentação: 5º ao 9º parágrafo / Conclusão: 10º parágrafo.
b) Introdução: 1º ao 3º parágrafo / Argumentação: 4º ao 9º parágrafo / Conclusão: 10º parágrafo.
c) Introdução: 1º ao 3º parágrafo / Argumentação: 4º ao 8º parágrafo / Conclusão: 9º e 10º parágrafos.
d) Introdução: 1º ao 4º parágrafo / Argumentação: 5º ao 8º parágrafo / Conclusão: 9º e 10º parágrafos.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

A formalização da tese (“o esquerdo-direitismo está errado”) demarca o final da introdução, portanto, esta é composta
pelo conteúdo dos quatro primeiros parágrafos, em que é oferecida uma explanação básica sobre o tema (o que é e
com quais posturas/figuras estão associadas). A partir do 5º parágrafo inicia-se a argumentação, apresentando, no
caso, os fatos que fazem a visão do autor ser sustentada. Essa apresentação vai até o final do 8º parágrafo, visto
que ali se encontram os últimos fatos apresentados pelo autor, que sustentam o seu ponto de vista. O 9º parágrafo já
apresenta uma síntese dos argumentos que relaciona-os ao tema central, enquanto o 10º parágrafo relaciona o tema
à realidade sócio-política na qual está inserido o público leitor do texto, o Brasil. Dessa forma, esses dois últimos
parágrafos circunscrevem a conclusão.

Fontes:
• O próprio texto.
• CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar; CILEY, Cleto. Interpretação de Textos. Ensino Médio.
Construindo competências e habilidades em leitura. 2ª ed. São Paulo: Atual Editora, 2012.
• PIMENTEL, Carlos. Redação Descomplicada. 2ª ed. São Paulo: Saraiva Editora, 2012.

03) É possível aferir, em diversos momentos do texto, a perspectiva sobre o tema sendo discutido com a qual o autor
se alinha, no entanto isso não é estabelecido logo de princípio. Em qual parágrafo o autor apresenta de forma
explícita e direta a sua perspectiva sobre o tema?
a) Sexto parágrafo.
b) Quinto parágrafo.
c) Quarto parágrafo.
d) Terceiro parágrafo.

Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A -2-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Elementarmente, a forma como o autor caracteriza o esquerdo-direitismo (“crença semirreligiosa”, defasada por
intermédio de “oitocentista”, dentre outras coisas) demonstra que ele vê de maneira negativa a prevalência de tal
ideologia. No entanto, isso só é formalizado, apresentado de maneira direta, no quarto parágrafo, mais especificamente
em seu terceiro período: “É que, ao contrário do que eles acreditavam, o esquerdo-direitismo está errado”.

Fontes:
• O próprio texto.
• PIMENTEL, Carlos. Redação Descomplicada. 2ª ed. São Paulo: Saraiva Editora, 2012.

04) Acerca do conteúdo dos dois primeiros parágrafos, é correto afirmar que
a) ambos servem ao propósito de explicar, de maneira neutra, um conceito que será importante no decorrer do
texto.
b) compõem uma díade explicativa, em que o primeiro parágrafo introduz um tema e o segundo aprofunda-o,
sem, contudo, julgá-lo.
c) demarcam, de pronto, o ponto de vista do autor do texto, abordando de maneira exasperada e clara a
perspectiva que será defendida.
d) introduzem o tema que constitui o tópico que será discutido no decorrer do texto, explicando-o, embora já
revelando a perspectiva a ser sustentada.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

Os dois primeiros parágrafos são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma explanação do tema, buscando
explicá-lo em sua essência. Embora a caracterização da doutrina seja feita de modo a sugerir a perspectiva do autor,
ela não é enunciada de forma direta, visto que isso só ocorre no quarto parágrafo. Por caracterizá-la dessa maneira,
as alternativas A e B não podem estar corretas, uma vez que já existe um julgamento presente, principalmente, ao
definir a ideologia como “semirreligiosa”.

Fontes:
• O próprio texto.
• PIMENTEL, Carlos. Redação Descomplicada. 2ª ed. São Paulo: Saraiva Editora, 2012.

05) Assinale a alternativa cujo conteúdo não apresenta um argumento utilizado pelo autor do texto para sustentar o
seu ponto de vista.
a) O alto padrão do serviço público nos países escandinavos.
b) A adoção de políticas transparentes pelos países nórdicos.
c) Os “erros crassos” nas biografias políticas de Chávez e Thatcher.
d) A racionalização dos gastos promovida pelos países escandinavos.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

O autor utiliza como argumentos fatos ligados apenas aos países nórdicos, conforme pode ser observado do 5º ao 8º
parágrafos. Erros de Chávez e Thatcher sequer são listados, como também não estão presentes na argumentação e
não são relacionados a fatos que fortalecem o ponto de vista do autor. A menção aos dois políticos é apenas uma
forma de relacionar a ideologia sendo discutida a figuras públicas, cujas biografias tiveram seu capítulo derradeiro
recentemente.

Fontes:
• O próprio texto.
• PIMENTEL, Carlos. Redação Descomplicada. 2ª ed. São Paulo: Saraiva Editora, 2012.

06) Releia a primeira oração do penúltimo parágrafo do texto: “O sucesso nórdico expõe a grande falácia do
esquerdo-direitismo [...]”. Indique a alternativa que apresenta uma paráfrase adequada para a oração, que
mantém, em plenitude, o seu sentido.
a) “O episódio nórdico mostra o grande erro do esquerdo-direitismo [...]”
b) “O êxito escandinavo exibe o grande engano do esquerdo-direitismo [...]”
c) “O sucesso nórdico expõe a grande falcatrua do esquerdo-direitismo [...]”
d) “O acontecimento escandinavo traz à tona a grande mentira do esquerdo-direitismo [...]”

Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A -3-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

As palavras “episódio” e “acontecimento”, presentes nas alternativas A e D, referenciam os fatos citados nos
parágrafos anteriores de maneira neutra, diferentemente do termo “sucesso” utilizado pelo autor e perspectiviza tais
fatos como positivos.
Em C, por sua vez, é a palavra “falcatrua” que desvirtua o sentido original, uma vez que remete a ações ilícitas que
visam ludibriar, propositalmente, o que não se relaciona ao sentido proposto no texto, através da palavra “falácia”, já
que, como atesta o autor do texto, muitos esquerdo-direitistas são convictos de que estão certos.
Por outro lado, a palavra “êxito” mantém a avaliação positiva do original e “engano” remete à falsidade da pertinência
do esquerdo-direitismo, sem relacionar, porém, tal engano à vontade de alguém, ou de um grupo, de enganar.

Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.
• HOUAISS, Antonio. Novo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. (Nova ortografia). Rio de Janeiro: Objetiva,
2009.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

07) Releia o trecho a seguir, extraído do terceiro parágrafo do texto: “Difícil imaginar dois personagens tão
representativos desse modo oitocentista de ver o mundo.” A palavra destacada é utilizada com o intuito de
a) relacionar o pensamento político das figuras citadas a um tempo da História.
b) advertir um período de tempo em que as ideias sendo discutidas predominavam.
c) destacar o século de nascimento dos políticos referenciados no texto: o século XIX.
d) distinguir que o período da História em que os políticos buscavam suas ideias era o mesmo.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

No trecho, o termo “representativo” é fundamental para clarificar que o sintagma que referencia Chávez e Thatcher –
“dois personagens” – associa-se a uma maneira particular de ver o mundo, nesse caso, à maneira comum de
entender o mundo no século XIX, isto é, aquele período específico de tempo que remete aos anos que se passaram
entre 1800 e 1899 d. C.
Assim, o fato de serem representativos desse tempo impede que tal palavra destaque o século de nascimento dos
políticos – já que seriam oitocentistas (e não representativos de um modo oitocentista).
O sufixo “-ista”, presente na palavra sob debate, tem como uma de suas funções, na Língua Portuguesa, formar
palavras que relacionam um conceito, uma ideia, uma ideologia a uma pessoa, a um grupo etc. Assim, o “petista”, o
“pmdebista”, o “psdebista” são aqueles que possuem algum vínculo (formal ou não) com a ideologia política veiculada
por esses partidos. Seguindo essa lógica, “o modo oitocentista de ver o mundo”, nesse caso, está ligado àqueles que
possuem vínculos, nesse caso ideológicos, com o tempo da História em questão.
Dessa forma, caso fosse intenção do texto “advertir um período de tempo” ou “distinguir um período em comum da
História em que os políticos buscavam suas ideias” o período seria construído de maneira diferente, provavelmente
através de um estabelecimento direto do século que fomentava seus ideais, e a palavra com o sufixo “-ista”, em vista
do sentido a que remete, não lhe serviria a esses propósitos.

Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

08) Em “As reformas do estado foram feitas com um objetivo claro: manter a qualidade do serviço público, ou, se
possível, aumentá-la.” (8º§). O termo destacado é utilizado como um pronome anafórico, retomando um
termo/expressão já mencionado dentro do trecho recortado. Que termo ou expressão é essa?
a) “reformas”.
b) “qualidade”.
c) “serviço público”.
d) “manter a qualidade”.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

Em vista de sua flexão no gênero feminino, o pronome só pode retomar a única palavra/expressão, dentre as
disponíveis, que possui esse gênero: “qualidade”. Observa-se que o pronome “lá” não pode retomar a expressão
“manter qualidade”, pois o verbo que a rege – “aumentar” – entraria em conflito com o verbo “manter”.
Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A -4-
Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

09) Releia o excerto a seguir, extraído do segundo parágrafo do texto: “[...] alguns dos analistas mais ferrenhos da
direita passaram a juventude militando nas facções mais radicais da esquerda.” O trecho destacado apresenta uma
ambiguidade semântica (causada pelo(s) sentido(s) de uma ou mais palavras), embora a possibilidade de dupla
leitura só emirja se o trecho for isolado. Considerando esse aspecto, assinale a alternativa cujo conteúdo da
primeira parte não apresenta tal duplicidade de leitura, nem compromete o sentido do enunciado como um todo.
a) “[...] dos analistas mais severos da direita, alguns passaram a juventude militando nas facções mais radicais
da esquerda.”
b) “[...] da direita alguns dos analistas mais ferrenhos passaram a juventude militando nas facções mais radicais
da esquerda.”
c) “[...] alguns dos partidários mais ferrenhos da direita passaram a juventude militando nas facções mais radicais
da esquerda.”
d) “[...] alguns dos críticos mais ferrenhos com a direita passaram a juventude militando nas facções mais
radicais da esquerda.”

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A ambiguidade presente no trecho é causada pelo fato da expressão “analistas mais ferrenhos da direita” poder
remeter àqueles que analisam ferrenhamente à direita (seus membros, suas posturas) ou àqueles que analisam o
mundo de uma forma ferrenhamente direitista. O grande responsável pelo conflito é o substantivo “analistas”. Assim,
a única forma de eliminar a ambiguidade é substituí-lo por uma palavra que perspectivize apenas uma das leituras. A
única alternativa que realiza essa operação é a C. Em A e B, a ambiguidade mantém-se.
A alternativa A, ao substituir a preposição “de” por “com” inverte a lógica do texto, uma vez que utiliza a expressão
“analistas mais ferrenhos da direita” para dizer respeito àqueles que analisam o mundo de uma forma ferrenhamente
direitista (isso é, dedutível pela parte não destacada do trecho: se o tópico é que os membros de um lado passam
com facilidade ao outro, então aqueles a que passaram a juventude militando na esquerda, hoje eles só podem ser
direitistas).

Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

10) Ao finalizar o texto, o autor utiliza o seguinte trecho: “em vez de focar em reduzir uns e melhorar outros,
continuamos desperdiçando tempo com Thatcher e Chávez.” Uma paráfrase pertinente para o trecho destacado,
tendo em vista toda a discussão empreendida no texto, é
a) “[...] seguimos perdendo tempo pensando em políticos de outros países.”
b) “[...] persistimos não abrindo os olhos para aquilo que é, de fato, importante.”
c) “[...] prosseguimos despendendo tempo com a velha política direita-esquerda.”
d) “[...] continuamos gastando nossas energias com aquilo que não tem relevância.”

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Thatcher e Chávez, nesse trecho, atuam como uma metonímia para a ideologia política discutida no texto: utiliza-se
representantes da ideologia para remeter a ela propriamente. O último parágrafo situa o Brasil em relação à
discussão empreendida. Assim, ao dizer que “por aqui conseguimos combinar impostos altos com serviços ruins”,
remete ao fato de o país não conseguir fortalecer nem o que preza à direita nem à esquerda. Mas, apesar dessa
incompetência, tanto na área de um quanto na de outro, continuamos presos a essa dicotomia.
Dessa forma, o conteúdo da alternativa C é a única inferência possível para o trecho, tendo em vista o texto como um
todo. Além disso, não há nada que autorize no texto uma dedução de que Thatcher e Chávez remetem àquilo que
não tem relevância, ou não é importante.

Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.
Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A -5-
11) Ao final do sexto parágrafo, o autor enquadra Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia como aqueles países que
tomaram medidas políticas exemplares. No entanto, a partir daí, o mesmo autor se utiliza de expressões
substantivas no singular para se referir aos diferentes âmbitos desses países, como “o estado” (7º§ e 8º§), “a
burocracia” (7º§), “o governo” (8º§), “a população” (8º§). Considerando as informações disponíveis no texto,
assinale a alternativa que apresenta uma justificativa pertinente para esse modo de referenciação.
a) A referência construída nesses casos diz respeito unicamente à Suécia.
b) Ao utilizar as expressões no singular, o autor refere-se a apenas um dos países.
c) Os países que formam o grupo em questão possuem um governo comum e único.
d) As alusões realizadas dessa maneira referenciam todos os países de forma generalizante.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

O uso do singular para referir-se a todos os países é uma estratégia do autor – nomeada silepse, ou concordância
ideológica – para tratá-los de forma unitária e generalizante, mostrando que o que se aplica a um aplica-se, em
alguns casos, a todos. Além disso, nesses casos o verbo remete, de fato, aos quatro países, portanto, não
autorizando que A e B procedam. Sobre C, não há nada no texto que sugira que um governo comum seja
responsável pela administração de todos os países. Inclusive, há um caso que cita um exemplo de algo que ocorre
em um único país (os políticos dormirem em quitinetes na Suécia), além do uso, em determinados momentos, de
alguns dos verbos, que algumas vezes são empregados no singular, no plural, o que mostra a existência de governos
e não de um governo.

Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

12) Releia o trecho apresentado a seguir: “O esquerdo-direitismo é uma crença semirreligiosa [...].” (1º§) Julgue os
itens abaixo, tendo em vista o uso da palavra semirreligiosa no excerto apresentado.
I. Associada ao substantivo “crença” serve para caracterizar o sujeito da oração.
II. Atua como parâmetro para uma comparação explícita entre política e religião.
III. Serve também ao fim de construir uma avaliação do sujeito da oração.
Estão corretas as afirmativas
a) I, II e III.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A afirmativa II está incorreta, pois uma comparação explícita dá-se necessariamente através do uso de um
articulador, como a conjunção “como”.
Diferentemente, a afirmativa I procede, pois sintaticamente “crença semirreligiosa” é predicativo do sujeito e o que um
predicativo faz é enquadrar o sujeito em uma categoria, caracterizando-o como outros membros dessa mesma
categoria.
Da mesma forma procede III, pois, ao enquadrar um sistema político como (semi) religião, atribui-se ao primeiro
algumas características do segundo, que, embora normais para uma religião, não são bem vistas na política, como
fanatismo, adoração, crença com base em dogmas. Afinal, no ocidente, a política deve se pautar por aspectos mais
materiais, como as necessidades básicas de um povo (alimento, moradia, saneamento, lazer etc.). Dessa forma, uma
avaliação negativa está implícita nessa caracterização e deve ser notada pelo leitor, afinal ela já o encaminhará à
tese que o autor buscará defender no decorrer do texto.

Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A -6-


13) Sobre o uso da palavra “mágica” no trecho “Essa é a mágica que os países nórdicos operaram nos últimos anos.”
(10º§), é correto afirmar que o autor do texto lança mão dela para
a) exaltar os feitos dos países nórdicos.
b) indicar como certos países resolveram seus problemas.
c) sugerir como resolver problemas políticos de diferentes naturezas.
d) mostrar a impossibilidade de realização dos feitos dos países nórdicos.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A palavra “mágica” no trecho carrega, em vista do sentido construído no texto, uma avaliação positiva daquilo que
realizaram os países nórdicos, afinal, na ausência de um fato realmente extraordinário, sobrenatural, a leitura que se
pode fazer é que os países nórdicos atingiram feitos dificílimos de se obter, tão difíceis que, a olhos inocentes,
pareceriam mágica. Isso se caracteriza como uma exaltação a tais feitos.

Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

14) Os trechos abaixo tiveram sua pontuação (ou parte dela) alterada. Em qual deles essa alteração de pontuação
acarretou problema quanto ao sentido proposto?
a) “[...] manter a qualidade do serviço público ou, se possível, aumentá-la.” (linha 2, 8º§)
b) “No fundo esquerdistas e direitistas são dois lados de uma mesma coisa.” (linha 1, 2º§)
c) “Nos últimos [...] meses os dois maiores ícones desse jeito simplista de ver o mundo morreram: Hugo Chávez
(esquerda) e Margareth Thatcher (direita).” (linhas 1 e 2, 3º§)
d) Prova disso está numa reportagem de capa recente publicada pela tradicional revista The Economist a Bíblia
liberal inglesa que já foi um ícone esquerdo-direitista [...].” (linhas 1 e 2, 5º§)

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

A retirada das vírgulas nas alternativas A, B e C não acarretam problemas, são consideradas, inclusive, opcionais:
não é regra obrigatória isolar um adjunto adverbial deslocado para o início do período nem antes de uma conjunção
alternativa. No entanto, em D, a ausência de vírgulas separando “a Bíblia liberal inglesa”, deixa esse constituinte solto
no período, acarretando um problema na coerência do trecho, já esse sintagma não se relaciona sintaticamente a
nenhuma palavra. Seu vínculo com a expressão “The Economist” é exclusivamente semântico, não é à toa que,
sintaticamente, atua como um aposto, isto é, posto (sintaticamente) à parte.

Fontes:
• O próprio texto.
• BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009.

15) Analise os trechos abaixo e assinale a alternativa que apresenta a função correta para a forma “se”.
a) “Não admira que esquerdistas transformem-se em direitistas e vice-versa com tanta facilidade.” (2º§) –
pronome reflexivo
b) “Se você tivesse que renascer em algum lugar do mundo com talentos e renda médios, você ia querer ser um
viking.” (5º§) – pronome apassivador
c) “As reformas do estado foram feitas com um objetivo claro: manter a qualidade do serviço público, ou, se
possível, aumentá-la.” (8º§) – índice de indeterminação do sujeito
d) “Isso porque, nos últimos anos, Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia fizeram várias reformas e se
tornaram países incríveis para se viver.” (6º§) – pronome reflexivo/pronome apassivador

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

Nas afirmativas B e C, o “se” atua como conjunção subordinativa condicional, ao passo que em D a palavra atua, no
primeiro caso, como parte integrante do verbo (que é pronominal) e, no segundo caso, como partícula expletiva ou
realce. Apenas na alternativa A sua classificação está correta, pois o “se” serve para mostrar que a ação indicada
pelo verbo recai sobre o próprio sujeito.

Fontes:
• O próprio texto.
• BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009.
Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A -7-
Texto II para responder às questões de 16 a 25.

O padeiro
Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento –
mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera
sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lockout, greve dos patrões, que suspenderam
o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei
bem o que do governo.
Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me
lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele
apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
– Não é ninguém, é o padeiro!
Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
“Então você não é ninguém?”
Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a
campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá
de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é
o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém…
Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que
estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o
trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela
oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da
máquina, como pão saído do forno.
Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava
para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome.
O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade
daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”
E assobiava pelas escadas.
(Rubem Braga. Disponível em: http://www.sul21.com.br/jornal/2013/01/100-anos-do-mestre-da-cronica-rubem-braga/)

16) Tendo em vista o seu foco fundamental, é adequado afirmar que o texto visa
a) debater a pertinência da greve de padeiros.
b) discutir a postura de serviçais diante de seus pares.
c) propor uma reflexão sobre a atividade profissional do autor.
d) mostrar a importância de profissões consideradas menores.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A crônica apresentada no texto II, convencional ao gênero, parte de um fato cotidiano – a ausência de pães em vista
de um grave – para propor uma reflexão acerca de determinado tema – a atividade de jornalista. A função de padeiro
e jornalista são implícita e explicitamente comparadas – considerando a lembrança do narrador em relação a um
padeiro em especial –, para, ao final, sugerir que, assim como o padeiro da história, o jornalista não é “ninguém”, em
vista daquilo que é sugerido na história. Esse é o foco principal do texto, uma vez que todas as informações a ele
levadas convergem nesse ponto.

Fontes:
• O próprio texto.
• CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar; CILEY, Cleto. Interpretação de Textos. Ensino Médio.
Construindo competências e habilidades em leitura. 2ª ed. São Paulo: Atual Editora, 2012.

17) Embora não seja uma palavra muito utilizada no Português falado no Brasil, é possível, tendo em vista o
contexto, aferir o sentido da palavra “abluções”. Considerando que a escolha de uma palavra para compor um
texto não é algo aleatório, principalmente se tratando de um texto para ser publicado em um veículo da imprensa
(caso da crônica anterior), assinale a alternativa cujo conteúdo apresenta uma explicação plausível para a
escolha desse termo no texto.
a) Tornar o texto mais erudito.
b) Evitar um termo mais vulgar.
c) Exibir conhecimento acerca da língua.
d) Ostentar habilidades raras sobre o uso do idioma.

Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A -8-


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

As alternativas A, C e D mostram-se incoerentes, visto que, no decorrer do texto, o autor em nenhum momento lança
mãos de recursos raros e/ou eruditos no texto, ele se vale, como nas crônicas de maneira geral, de uma linguagem
culta informal. Dessa forma, o motivo de se usar uma palavra que destoa de modo geral do texto foi evitar um termo
pouco adequado para um texto publicado em um jornal e/ou livro.

Fontes:
• O próprio texto.
• CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar; CILEY, Cleto. Interpretação de Textos. Ensino Médio.
Construindo competências e habilidades em leitura. 2ª ed. São Paulo: Atual Editora, 2012.

18) A crônica, enquanto texto que flutua “entre o literário e o jornalístico”, faz uso tanto de uma linguagem mais
objetiva e direta (própria do jornalismo), quanto de uma linguagem mais figurativa e poética (comum a textos
literários). Tendo em vista tal aspecto, indique a alternativa cujo conteúdo faz uso de linguagem conotativa.
a) “Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno.” (7º§)
b) “[...] enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente.” (2º§)
c) “Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento
[...].” (1º§)
d) “O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de
humildade [...].” (8º§)

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

Apenas na alternativa D há a presença de palavra/expressão que tem a sua significação ampliada. A palavra
“coração” não se refere ao principal órgão do aparelho circulatório humano, mas à parte íntima e imaterial do ser,
lugar onde são armazenados os sentimentos e afins. Atua como uma metáfora para aquilo que normalmente é
chamado de alma.

Fontes:
• O próprio texto.
• CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar; CILEY, Cleto. Interpretação de Textos. Ensino Médio.
Construindo competências e habilidades em leitura. 2ª ed. São Paulo: Atual Editora, 2012.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

19) O trecho “De resto não é bem uma greve, é um lockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno;
acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do
governo.” (1º§), possui uma pequena controvérsia, que não prejudica o texto, ao contrário, contribui para o
entendimento de algo. Que controvérsia é essa?
a) A indicação de uma greve de patrões.
b) A fraqueza na argumentação dos empresários.
c) O descaso do autor com a reivindicação dos patrões.
d) O desdém do governo com aquilo que querem os patrões.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

A controvérsia está presente no trecho “a indicação de uma greve de patrões”, já que a palavra “greve” remete ao
contrário: a paralisação de funcionários, por não concordarem com os patrões. Apesar de tal contraversão, a
explicação é bastante elucidativa e útil àqueles que não sabem do que se trata um lockout. O conteúdo das demais
alternativas, como fraqueza na argumentação, descaso e desdém, apesar de poderem ser aferidas, não apresentam,
nem configuram, nos trechos, contradições.

Fontes:
• O próprio texto.
• CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar; CILEY, Cleto. Interpretação de Textos. Ensino Médio.
Construindo competências e habilidades em leitura. 2ª ed. São Paulo: Atual Editora, 2012.

Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A -9-


20) Releia o último parágrafo do texto: “Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava
importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar,
ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro
do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; ‘não é
ninguém, é o padeiro!’”. Analise o papel do trecho destacado e assinale a alternativa que responde à pergunta:
qual é a função desse excerto no parágrafo?
a) Acentuar a dignidade do padeiro-personagem.
b) Mostrar que, mais importante que o jornal, é o pão.
c) Relativizar a importância que o narrador atribui a si.
d) Equalizar o trabalho do jornalista com o do padeiro.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

O conteúdo desse parágrafo relata o orgulho pueril que o narrador sentia ao ver seu trabalho estampado no jornal,
que se contrasta com a rememoração da fala do padeiro. Ao fazer isso, o autor apresenta a conclusão de seu texto: o
escritor, assim como o padeiro, não é “ninguém”. Em vista daquilo que é levado ao texto, “ninguém” é aquele
profissional que, embora ofereça algo importante (alimento e conhecimento), serve sem ser notado, não é
“necessário ser recebido pelo dono da casa”. Sua posição na sociedade deve ser discreta, quase imperceptível.
Dessa forma, segundo o conteúdo do parágrafo e do texto como um todo, a fala do padeiro vem relativizar a
importância que o narrador se dava, levando-o à consciência de seu papel.

Fontes:
• O próprio texto.
• CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar; CILEY, Cleto. Interpretação de Textos. Ensino Médio.
Construindo competências e habilidades em leitura. 2ª ed. São Paulo: Atual Editora, 2012.

21) Julgue os itens abaixo.


I. Em “[...] como tivera a ideia de gritar aquilo?” (4º§) a palavra destacada funciona como advérbio interrogativo.
II. No trecho “[...] eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno.” (7º§), a forma “como” atua na função
de advérbio de modo.
III. No excerto “[...] o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.” (7º§), “como” é uma
conjunção coordenativa.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
a) I.
b) III.
c) I e II.
d) II e III.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

Nas afirmativas II e III, o vocábulo “como” atua, na verdade, como uma conjunção subordinativa de modo. Apenas na
afirmativa I sua função está corretamente estabelecida – pronome interrogativo –, uma vez que auxilia na construção
de uma interrogação, no caso direta.

Fontes:
• O próprio texto.
• BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009.

22) No primeiro parágrafo da crônica, o narrador se encontra fazendo a sua refeição e tem uma lembrança que
desencadeia outras, apresentadas nos parágrafos seguintes. Acerca dos eventos que constituem essas lembranças
só é correto afirmar, considerando os aspectos semântico-textuais, que
a) compartilham uma causa comum.
b) possuem uma relação de simultaneidade.
c) têm relação, direta ou indireta, com o governo.
d) desenvolvem-se parte em tempos distintos e parte simultaneamente.

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JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

Os eventos levados ao texto a partir do momento inicial são: o lockout dos patrões dos padeiros, a ocasião em que
conhecera o padeiro, o padeiro contando por que não era ninguém, o trabalho noturno e a saída do jornal. Sobre
esses eventos, considerando os indícios presentes no texto, a única coisa que se pode afirmar é que uma parte
compartilha um tempo comum e a outra parte não: o lockout está ligado a um tempo mais presente (em que o
narrador se encontrava); mais ao passado ele conheceu o padeiro; em um momento posterior àquele ouviu sua
explicação; no mesmo período ele trabalhava à noite, tempo em que chegara à conclusão de que seu orgulho era
infundado. Por isso, a afirmativa D está correta. Não há um desencadeador comum entre eles, pois: aquilo que
motivou o lockout não é o que motivou a ocasião em que conhecera o padeiro, que não tem relação com seu trabalho
noturno. Por fim, a única coisa que, segundo o texto, possui relação com o governo é o lockout, conforme consta no
primeiro parágrafo.

Fontes:
• O próprio texto.
• PIMENTEL, Carlos. Redação Descomplicada. 2ª ed. São Paulo: Saraiva Editora, 2012.

23) Tendo em vista a construção de sentido no texto, a alternativa cujo conteúdo melhor sintetiza a mensagem
proposta pelo texto é
a) o jornalista é um ninguém.
b) os jornalistas são humildes.
c) toda profissão é importante.
d) pão dormido não é algo ruim.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA A)

O texto propõe uma reflexão acerca da profissão de jornalista, estabelecendo uma comparação entre esse ofício e o
ofício de padeiro, aproximando as duas funções por oferecerem produtos elementares à sociedade – alimento e
informação –, mas seus agentes serem quase imperceptíveis, não demandando solenidades no seu trato – o padeiro
quando vai entregar o pão e o jornalista quando lê o que escreve. Após todo esse percurso, o autor conclui, frente a
um injustificado orgulho, que, assim como o padeiro da história, os jornalistas são “ninguém”, e, dentro da lógica do
texto, quer dizer aquele que serve sem ser notado.

Fontes:
• O próprio texto.
• CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar; CILEY, Cleto. Interpretação de Textos. Ensino Médio.
Construindo competências e habilidades em leitura. 2ª ed. São Paulo: Atual Editora, 2012.
• SAVIOLI, Francisco Platão; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto: leitura e redação. 17ª ed. São Paulo: Editora
Ática, 2007.

24) Releia o trecho: “Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos
importante.” (7º§)
Qual é a relação entre a oração introduzida pela expressão sublinhada e a oração imediatamente anterior?
a) Finalidade.
b) Proporção.
c) Concessão.
d) Conformidade.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

A informação introduzida pela expressão sublinhada apresenta uma concessão à informação presente na oração
principal, um consentimento, uma relativização dessa informação: embora ele não tenha querido detê-lo, a conversa
que tinha com o colega era menos importante do que a que estavam travando.

Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.

Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A - 11 -


25) Analise sintaticamente a oração a seguir: “[...] eu era rapaz naquele tempo!” (8º§). Assinale a alternativa que
apresenta a função, na oração anterior, desempenhada pela palavra destacada.
a) Sujeito.
b) Objeto direto.
c) Adjunto adnominal.
d) Predicativo do sujeito.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

O termo “rapaz” na oração é o termo responsável por caracterizar o sujeito, tendo, por intermediário, um verbo de
ligação. É exatamente essa a função do predicativo do sujeito.

Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.

26) Assinale a alternativa que completa, de forma adequada, as lacunas do texto.


Jovem chateado liga para a polícia após bronca da mãe e é preso
Um jovem de 19 anos, morador de Vero Beach, na Flórida (EUA), acabou preso depois de ligar duas vezes
para _____ polícia ao ficar chateado por tomar uma bronca da própria mãe.
Vicent Valvo ligou para o serviço de emergência alegando que não tinha gostado da forma como a mãe havia
se dirigido a ele, de acordo com um relatório da polícia do condado de Indian River. Por volta das 4h30m, um
policial foi _____ casa de Vicent para responder ao chamado e prender o jovem.
O rapaz acabou preso por abuso do serviço de emergência, e solto após pagar fiança de R$ 1 mil. Não _____
informações sobre o tipo de coisas que a mulher teria falado ao filho.
(Disponível em: http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2013/04/jovem-chateado-liga-para-policia-apos-bronca-da-mae-e-e-preso.html.
Adaptado.)

a) a – a – à
b) à – a – à
c) a – à – há
d) à – à – há

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA C)

Na primeira lacuna não há o encontro da preposição “a” com o artigo definido feminino singular “a”, pois há a
presença de outra preposição, “para”. Logo, essa lacuna só pode ser preenchida pela forma “a”. Por outro lado, na
segunda lacuna ocorre tal encontro, uma vez que o verbo “ir” rege seu complemento através da proposição “a” (e
também “em”, que não vem ao caso aqui) e, em tal complemento, o local para onde um policial se dirigiu é definido,
como o gênero da palavra casa é feminino, o artigo “a” deve antecedê-la. Na última lacuna, novamente, não há o
encontro entre essas palavras, além de não ser possível a lacuna ser preenchida ou pela preposição “a”, pois não há
palavra que rege complemento através dela a antecedendo, da mesma fora que não cabe o artigo “a”, já que o termo
que lhe sucede está na forma plural. Além disso, a presença de uma ou de outra palavra deixaria a oração principal
do período sem verbo e não existe período composto sem que a oração principal tenha verbo. Logo, a única forma de
preencher tal espaço é “há”.

Fontes:
• O próprio texto.
• CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.

27) Analise a frase: “Não sei como ela chegou até aqui”. Assinale a alternativa que apresenta a classificação correta
para o trecho destacado.
a) Oração coordenada conclusiva.
b) Oração coordenada explicativa.
c) Oração subordinada substantiva subjetiva.
d) Oração subordinada substantiva objetiva direta.

Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A - 12 -


JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA D)

O verbo “saber” para ter seu sentido completado seleciona um complemento do tipo objeto direto, que indica aquilo
que é sabido, ou não, se se tratar de uma frase negativa. É justamente essa informação que a oração destacada
recorta. A oração não pode ser coordenada, porque ele não é independente, mas sim dependente sintática e
semanticamente da outra oração presente no enunciado. Também não pode ser subordinada substantiva subjetiva,
pois não informa aquele que (não) sabe. Esse, embora não esteja formalizado, é aferido pela presença da desinência
número-pessoal presente no verbo “saber”.

Fonte: CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.

28) Indique a alternativa em que todas as palavras estão corretas quanto à separação de suas sílabas.
a) dúc-til / fran-cis-ca-no / a-xio-ma
b) lei-to / pa-ro-qui-a-no / pa-ri-si-en-se
c) fa-mi-li-ar / pa-ne-lei-ro / pa-ssa-re-la
d) co-a-du-nar / der-ra-de-i-ro / ge-ria-tra

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

Na alternativa A, a palavra “axioma” está separada de maneira equivocada, pois há um hiato entre o “i” e o “o”.
Mesmo problema ocorre na D, visto que há um hiato entre o “i” e o “a”, portanto, o certo seria “ge-ri-a-tra”. Na C, o
dígrafo “ss” de “passarela” não pertence à mesma sílaba. A alternativa B é a única em que todas as palavras
apresentam uma estruturação perfeita das sílabas que lhe compõem.

Fonte: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009.

29) Analise as afirmativas a seguir.


I. O verbo da frase “Vendem-se apartamentos na beira da praia” está na voz passiva.
II. Na frase “Era-se feliz naquele tempo” o verbo encontra-se na voz reflexiva, ou média.
III. Em “Nos abraçamos por um longo tempo” o verbo está na voz ativa.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
a) I, II e III.
b) I, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

O exemplo apresentado na afirmativa I é um caso clássico de passiva sintética, portanto, está correto.
Diferentemente, a II, “Era-se feliz...”, não possui verbo em voz reflexiva ou média, afinal, o verbo “ser” é de ligação,
portanto, não reflete uma ação ou estado; assim, o “se” atua como índice de indeterminação do sujeito. Na afirmativa
III há um equívoco, pois a frase apresentada está na voz reflexiva, visto que o ser a que o verbo se refere é, ao
mesmo tempo, agente e paciente do processo verbal.

Fonte: CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.

30) Assinale a alternativa cujo conteúdo apresenta problemas de concordância.


a) Havia muitos inscritos para concorrer às vagas disponíveis.
b) Cerca de cem pessoas morreu no acidente aéreo na África.
c) 35% dos candidatos foram aprovados no exame psicológico.
d) Metade da verba do município foi designada aos desabrigados.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA: (LETRA B)

Na afirmativa B o verbo “morrer” deveria concordar em número com “cem pessoas”, logo, deveria estar na forma
“morreram”. A presença da expressão “cerca de” não desfaz essa necessidade, já que não impõe um foco unitário ao
sujeito que é plural. Todos os demais casos estão em consonância com a norma culta do Português.

Fonte: CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2004.

Gabarito Comentado – Gramática e Interpretação de Texto – CADAR/CAFAR/EAOEAR 2014 – Versão A - 13 -


EA-CADAR / CAFAR / EAOEAR 2014 – GABARITO OFICIAL
GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

VERSÃO A VERSÃO B
QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO
1 A 1 A
2 D 2 C
3 C 3 D
4 D 4 D
5 C 5 A
6 B 6 C
7 A 7 B
8 B 8 D
9 C 9 A
10 C 10 C
11 D 11 C
12 C 12 B
13 A 13 B
14 D 14 B
15 A 15 D
16 C 16 D
17 B 17 A
18 D 18 D
19 A 19 C
20 C 20 B
21 A 21 A
22 D 22 C
23 A 23 B
24 C 24 A
25 D 25 D
26 C 26 A
27 D 27 C
28 B 28 C
29 B 29 D
30 B 30 C