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Instituto Superior de Ciências e Educação à Distância

CENTRO DE RECURSOS DE CHIMOIO


2º ano 2020

1. O estudante:

Nome: . Ana Assucena de Alma Alegria Laquene Majenje

Curso: Administração Pública Código do Estudante: 51190211

Ano de Frequência: 2o ANO/2020

2. O trabalho
Trabalho de: Teoria Organizacional Código da Disciplina:

Tutor: MSC João Cossa Nº de Páginas: 12

Data da Entrega: 10 de Abril de 2020


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3. A correcção:

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Cotação (0 – 20):

4. Feedback do Tutor:
Índice
1.Introdução .................................................................................................................................................. 1
1.1.Objectivos ............................................................................................................................................... 1
1.1.1.Objectivo Geral .................................................................................................................................... 1
1.1.2.Objectivos específicos ......................................................................................................................... 1
1.2.Metodologia ............................................................................................................................................ 1
2.1.O contributo dos estudos sociológicos no desempenho das organizações em ........................................ 2
2.1.Organizacoes ........................................................................................................................................... 2
2.2.Sociologia das organizações ................................................................................................................... 3
2.2.1.Importância da Sociologia das organizações ....................................................................................... 5
2.4.Estudos sociológicos sobre as organizações ........................................................................................... 5
3.O contributo dos estudos sociológicos no desempenho das organizações em Moçambique ..................... 7
Conclusão...................................................................................................................................................... 9
Referências bibliográficas ........................................................................................................................... 10
1.Introdução
A necessidade de promover a satisfação organizacional é, porventura, uma das ideias-chave mais
vezes repetida nos discursos sobre a problemática dos recursos humanos, sobretudo a partir do
momento em que se começa a questionar o modelo Taylorista consubstanciado na organização
científica do trabalho, passando a privilegiar-se o factor humano - como elemento preponderante
na organização - no binómio explicitado pela produtividade da empresa e pela realização pessoal
dos empregados. A sua importância actual deriva do facto de, cada vez mais, se considerar a não
existência de modelos de gestão excelentes. Na verdade, sendo o «meio» cada vez mais
turbulento, instável e contingente, caracterizado por uma concorrência acrescida com contornos
de "salve-se quem puder", o factor humano assume, em grande parte, uma importância
estratégica e quiçá determinante, no sucesso da organização.

Partindo desses pressupostos, vê-se a necessidade de trazer a abordagem de alguns sociólogos


sobre o desempenho das organizações e fazer uma relação entre essas abordagens e a realidade
das organizações moçambicanas.

1.1.Objectivos

1.1.1.Objectivo Geral

• Conhecer o contributo de alguns sociólogos acerca das organizações;

1.1.2.Objectivos específicos

• Identificar as diferentes formas de abordagem sobre as organizações;


• Ilustrar as transformações que as organizações sofreram no decorrer do tempo;
• Compreender a actuação das organizações moçambicanas

1.2.Metodologia
Para a realização do presente trabalho, optou-se pelas pesquisas bibliográficas, onde leram-se
diversificados manuais que abordam sobre a temática organizações.

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2.1.O contributo dos estudos sociológicos no desempenho das organizações em
Moçambique

2.1.Organizacoes
Nas sociedades contemporâneas, quase toda a nossa vida se desenvolve no seio de organizações
de variados tipos; de facto, um dos fenómenos mais característicos a que a humanidade tem
assistido desde a descoberta da máquina a vapor é o notável aumento – em número, tamanho e
complexidade – das estruturas organizacionais. (GÓMEZ e RIVAS, 1989).

Como discorre CHIAVENATO (1994: 54), “o homem moderno passa a maior parte do seu
tempo dentro de organizações, das quais depende para nascer, viver, aprender, trabalhar, ganhar
seu salário, curar suas doenças, obter todos os produtos e serviços de que necessita (...) ”. Sejam
quais forem os objectivos que perseguem – educacionais, religiosos, económicos, políticos,
sociais, as organizações envolvem os indivíduos em “redes”, tornando-os cada vez mais
dependentes das actividades que levam a cabo.

Uma das razões que explicarão a sua enorme proliferação e variedade no mundo moderno é o
facto de só através destas estruturas poder ser satisfeita a maioria das necessidades humanas: é
mediante a cooperação e a conjugação de esforços que é possível, ou pelo menos mais fácil,
atingir objectivos

O conceito de organização tem como ponto de partida a sociologia, mas tem vínculos com outras
disciplinas, tanto em termos de estudo quanto aplicação, que correspondem basicamente às
ciências sociais e do comportamento (Sociologia, Antropologia e Psicologia) e ao económico
empresarial (administração, economia).

O início dos estudos sociológicos sobre a empresa pode pois situar-se na primeira metade do
século XIX, quando a euforia inicial relativamente ao desenvolvimento industrial deu origem a
algum cepticismo e desencanto face aos problemas sociais decorrentes da organização fabril.

Esta temática começa a preocupar os investigadores sociais, e vem a materializar-se em


produções teóricas de autores como Auguste Comte (1798-1857) ou Herbert Spencer (1820-
1903), cujas linhas de orientação se vocacionaram para o estudo da divisão do trabalho,
considerada por estes autores como “ um factor decisivo na evolução social, e que contribuía
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eficazmente para a criação de sentimentos de dependência recíproca entre os indivíduos, além do
inegável incremento da produção, MATIAS (s/d).

As primeiras abordagens tiveram como foco principal a racionalização do processo de trabalho,


deixando num segundo plano (e até ignorando) o ambiente externo da organização e o papel dos
grupos informais no processo de trabalho, destacando-se nesse período os trabalhos de Taylor e
Fayol. As análises e conclusões de Weber sobre as transformações no sistema administrativo das
administrações governamentais, e a importância que deu ao sistema administrativo racional-
legal, contribuíram para reforçar as proposições desse conjunto de autores reunidos no que
denominamos de Escola Clássica.

2.2.Sociologia das organizações


A Sociologia, por estudar a relação entre os indivíduos e o meio em que se encontram inseridos,
contribuirá para o entendimento melhor de certas atitudes individuais, além do que entender
sobre as políticas económicas tão estudadas na Sociologia ajudará ao profissional planejar
melhor as acções que a empresa que encontra-se sob sua responsabilidade deverá executar em
um mercado tão dinâmico, SILVA (1996).

A sociologia das organizações, integrante do campo das ciências sociais, surge e se desenvolve
directamente vinculada às profundas transformações causadas pela Revolução Industrial e pelo
papel relevante desempenhado nesta pelas empresas industriais. O processo de industrialização
foi marcado pela transformação das sociedades tradicionais, baseadas principalmente na
produção agrícola, em outras de novo tipo, em que a organização e a produção industrial têm
uma importância fundamental na articulação de novas formas de convivência que predominaram
no último século e que constituem em sua essência o arcabouço da sociedade que denominamos
capitalista.
A Sociologia das Organizações começa com o trabalho do sociólogo alemão Max Weber (1864-
1.920), que abordou a burocracia. Embora Weber tenha estudado a burocracia sob a perspectiva
histórica e focado principalmente a mudança dos padrões da autoridade política e organizações
governamentais, a maioria das pesquisas que se seguiram — e baseadas em seus estudos —
tinham como foco as empresas e apresentavam pouco interesse nas comparações históricas que o
motivaram. No entanto, as ideias de Weber constituem uma contribuição fundamental com

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muitas implicações, e não foram questionadas em sua essência por estudos posteriores. (Handel,
2003,p.5) apud MATIAS (s/d).

Para alguns autores, a Sociologia das Organizações tem como conteúdo central o estudo de cinco
grandes características que são encontradas em todas as organizações:

• Alguns objectivos específicos que orientam os outros aspectos estruturais e funcionais;


• Uma rede de posições ocupadas por indivíduos substituíveis;
• Uma dedicação responsável às tarefas de sua posição por parte dos indivíduos que a
ocupam;
• Uma estrutura ou sistema estável e coordenado de relações entre as diferentes posições; e
• Um ou mais centros de poder que controlam a actividade da organização e a dirigem para
a realização de seus objectivos.

Nesse contexto, a sociologia pode abordar o fenómeno organizacional de três modos distintos,
tendo como referência básica:
• O indivíduo;
• A organização e
• A acção da organização na sociedade.

Do ponto de vista do indivíduo, os problemas objecto de estudo são aqueles que dizem respeito
às pessoas que pertencem à organização, ao tipo e grau de participação, seu comportamento,
motivação, cultura adquirida, identificação com a organização etc.
Quanto à organização, trata-se de considerá-la um todo complexo, e o seu estudo foca a estrutura
(hierárquica, física, de dominação, das relações de poder), os diversos subsistemas que contém
(técnico, de normas, entre outros), a ideologia, os fins, objectivos e metas. Incluem-se nesse
referencial, também, os processos de cooperação, os conflitos, a comunicação, a influência do
ambiente externo na organização, entre outros.
O terceiro modo de se abordarem as organizações é considerá-las enquanto atores sociais,
partindo-se do pressuposto de que são agentes activos de transformações (sociais, económicas,
culturas etc.) que podem incluir tantas mudanças como manutenção de determinado status quo.
Trata-se, em resumo, da acção organizacional no seio da sociedade, da relação com seu público

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externo, com as instituições públicas, privadas e do terceiro sector, e da comunidade que vive em
seu entorno imediato.

2.2.1.Importância da Sociologia das organizações

A importância da socialização organizacional deriva do facto de, como nota SAINSAULIEU


(s/d) se tornar necessário para a sobrevivência da empresa, saber como é que os objectivos
individuais ou de grupos podem convergir sobre o objectivo terminal que é o nível e a qualidade
da produção.
2.3.Desempenho das organizações

A partir da Revolução Industrial as organizações passaram a exercer um papel fundamental na


vida humana, a tal ponto que hoje seria inconcebível pensar o quotidiano sem elas. De facto,
estão presentes ao longo de toda nossa vida e nos relacionamos com diversas organizações ao
longo de um único dia. Constituem exemplos: as empresas, os sindicatos, as cooperativas, os
clubes desportivos, os bancos, os partidos políticos, as escolas, as organizações não
governamentais, as penitenciárias, os hospitais, entre outras.
Dentro da administração a Sociologia pode contribuir também para o estudo da natureza das
organizações ajudando ao administrador a manter o grupo em equilíbrio, principalmente por
existirem diferenças de personalidade.

2.4.Estudos sociológicos sobre as organizações


O papel de Weber é destacado por vários autores, entre os quais Morgan, que considera que a
teoria abrangente de organização e administração recebeu uma importante contribuição desse
sociólogo, que observou paralelos entre a mecanização da indústria e a proliferação de formas
burocráticas de organização. Identificou que “as formas burocráticas rotinizam os processos de
administração exactamente como a máquina rotiniza a produção”. (MORGAN 1996,p.26).

No entanto, como um campo reconhecido de estudo das ciências sociais, o estudo das
organizações emerge, com vigor durante a década de 1950, caracterizando-se no início pela
interdisciplinaridade. Nessa década, a Sociologia das organizações tem os seus conteúdos e

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orientação estabelecidos; e nas décadas de 60 e 70 se institucionaliza marcada pelo
funcionalismo, isto graças ao desenvolvimento de pesquisas e a inúmeras publicações. Nos anos
posteriores houve uma dispersão em correntes teóricas muito diferentes. [De acordo com Burrell
e Morgan (1979) e Clegg, Hardy e Nord (1996), apud SILVA (1996)

ETZIONI considerava que a Sociologia Organizacional focalizava o estudo das organizações de


acordo com quatro pontos de vista:

1. As organizações são analisadas como unidades sociais, e o interesse se divide


entre o estudo da estrutura formal e o da não formal.

2. O estudo das organizações aborda a relação de uma estrutura organizacional,


como unidade, com outras estruturas de organizações, e com unidades sociais
que não são organizações (colectividades), tais como: família, comunidades,
grupos étnicos, classes sociais e a própria sociedade.

3. As organizações são analisadas do ponto de vista de suas relações com a


personalidade e a cultura. Quanto à personalidade, relacionam-se com as
necessidades da estrutura organizacional e as necessidades das personalidades
dos participantes. O estudo das relações da organização com sistemas culturais
abrange, por um lado, as orientações de valor, as fontes de legitimação da
autoridade e as relações dinâmicas entre os ideais e objectivos da organização e
as necessidades da própria estrutura organizacional, e por outro lado envolve os
meios pelos quais o conhecimento é adquirido e institucionalizado dentro das
organizações.

4. A relação entre as organizações e o meio ambiente incluiria o estudo do


comportamento das organizações relacionado com a capacidade biológica e
fisiológica, inclusive as necessidades dos participantes e o estudo das
respectivas adaptações entre a organização e o ambiente geográfico e físico.

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Actualmente, podemos afirmar que, especificamente, a sociologia organizacional se preocupa em
estudar as formas organizacionais como sistemas sociais em contínua interacção com o seu
ambiente externo, que gera efeitos em seus processos internos (os indivíduos, suas interacções,
comportamentos, processos sociais básicos, relações de poder etc.) e na organização como um
todo.

3.O contributo dos estudos sociológicos no desempenho das organizações em Moçambique

Como já tivemos oportunidade de referir, a Revolução Industrial surgida na Inglaterra dos


meados do século XVIII opera profundas transformações na sociedade, na medida em que
transforma radicalmente a ciência, a tecnologia, as fontes de energia e, em consequência, o
funcionamento das organizações.

O facto de, a partir desse momento, ser possível produzir em larga escala, altera profundamente
hábitos de trabalho e de vida de produtores e consumidores. Surgem as fábricas, com base num
conceito não artesanal, como o que se verificava até à data. Máquinas cada vez mais sofisticadas
possibilitam um exponencial aumento da produção, e o consequente desenvolvimento do
comércio.

Alargam-se os mercados e incrementa-se a rede de transportes. Assiste-se à urbanização das


sociedades, o que leva ao florescimento de um conjunto de instituições com funções de
representatividade social, cultural e política, ou de gestão das infra-estruturas colectivas próprias
das cidades.

Nesta linha ideológica, Moçambique não manteve-se obstante a essas transformações, podendo
ter sido possível verificar no país essas mudanças causadas pela revolução industrial.

Tomando como referencias as abordagens sociológicos de autores como: Taylor que enfatizava o
método de planeamento, padronização, especialização, controle e remuneração, privilegiando as
tarefas de produção, e que trouxe a alienação das equipes de trabalho e solidariedade grupal, tão
importantes e vivas nos tempos da produção artesanal, e de Fayol que tinha como funções
principais: planear, comandar, organizar, controlar e coordenar e considerava a obsessão pelo
comando, a empresa como sistema fechado e a manipulação dos trabalhadores, privilegiando as

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tarefas de organização, surge a partir de 1940, Elton George Mayo, criador da Teoria das
Relações Humanas, que foi basicamente um movimento de reacção e oposição à Teoria Clássica
da Administração, com ênfase voltada para as pessoas, ISCED (2019)

Pode se verificar que as organizações moçambicanas ou que operam em Moçambique não se


distam dessas linhas ideológicas, podendo verificar que estas são regidas por estes princípios
com vista a melhorar a sua funcionalidade e melhor disposição e organização dos serviços para
os utentes das mesmas.

Nesse sentido, pode se afirmar que os diversos estudos que foram feitos por diferentes
sociólogos no concernente organizações e sua funcionalidade tem se feito sentir em Moçambique
nas diferentes organizações que operam neste país.

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Conclusão
A satisfação com o trabalho tem sido uma problemática recorrente, quer da psicologia social,
quer da sociologia, ao longo das últimas décadas. As diversas abordagens de que tem sido alvo e
a ausência de modelos explicativos acabados, permitem entrever a sua complexidade. Na
verdade, tratando-se de um fenómeno que se caracteriza pelo investimento intersubjectivo dos
actores, padece do principal defeito das ciências sociais, que é, ao mesmo, tempo a sua virtude
maior: a da indeterminação dos comportamentos sociais e a dificuldade da sua apreensão.
Predizer o comportamento humano é, como se sabe, um objectivo perseguido mas jamais
conseguido.

Desta feita no trabalho findo abordou-se acerca das sociologias das organizações onde verificou-
se a abordagem de alguns autores e o contributo que estas abordagens trouxeram para as
organizações em Moçambique.

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Referências bibliográficas
CHIAVENATO, Idalberto (1994). Teoria Geral da Administração (2vols.) São Paulo, Makron
Books.
GÓMEZ; Felipe; RIVAS, Pallete (1989). Estruturas Organizativas e Informação na Empresa.
Lisboa, Editorial Domingos Barreira.

MATIAS, Ana Mafalda, (s/d), compreender as organizações: contributos sociológicos e


modelos de gestão, s/l.

MORGAN, G. (1980) Paradigms, Metaphors, and Puzzle Solving in Organization theory,


in Administrative Science Quarterly, nº 25.

SAINSAULIEU, R. (s/d) - O Mundo do Trabalho, in Enciclopédia Sociológica Contemporânea

SILVA, Rui Brites Correia da, (1996), a sociologia das organizações e a problemática da
satisfação com o trabalho na sociedade da comunicação, s/l.

TAYLOR, Frederick Winslow (1965 [1911]). La Direction Scientifique des Entreprises. Paris,
Dunod.
WEBER, Max (s/d). Fundamentos da Sociologia. 2ª Edição, Porto, Rés -Editora.

ISCED (2019), módulo de teoria das organizações, Beira

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