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ALIMENTOS ANTI-INFLAMATÓRIOS

Os alimentos anti-inflamatórios aumentam a nossa imunidade por meio de


algumas substâncias que têm a capacidade de aumentar a liberação de
hormônios que inibem ou até mesmo bloqueiam a ação inflamatória para
reparar uma lesão.

Entre essas substâncias estão o ácido graxo ômega 3, a alicina, a antocianina


e a vitamina C. Por outro lado, as carnes gordurosas, o açúcar em excesso,
o fast-food e as guloseimas aumentam a inflamação no organismo, por causa
das gorduras ruins (trans e saturadas) usadas no preparo e no processamento
destes alimentos.

Gengibre: É usado internamente contra náuseas, indigestão, cólicas, contra


gripes, tosses e para problemas circulatórios. Como planta medicinal, o
gengibre é uma das mais antigas e populares do mundo. Suas propriedades
terapêuticas são resultado da ação de várias substâncias, especialmente do
óleo essencial que contém canfeno, felandreno, zingibereno e zingerona. Tem
sido largamente empregado na culinária como condimento, em bebidas e na
medicina popular. As plantas da família Zingiberaceae, em geral, apresentam
ingredientes pungentes. O gengibre apresenta compostos como 6-gingerol e 6-
paradol, os quais possuem efeito antitumoral. Nenhum efeito tóxico foi
reportado. Algumas pessoas podem ter efeitos colaterais leves, incluindo azia,
diarreia e desconforto gástrico. Evitar o uso concomitante a anticoagulantes,
especialmente próximo a procedimentos cirúrgicos. O gengibre pode reduzir a
glicose sérica. Pacientes com uso de hipoglicemiantes devem acompanhar os
níveis de glicose.

Possui efeito quimiopreventivo, devido ao composto fenólico gingerol,


responsável pelo sabor picante do gengibre (Zinziber officinale Roscoe) que
inibe a ativação de AP1 induzida por fator de crescimento epidermoide. Além
de ser usado por seus efeitos hepatoprotetores, antioxidantes, antidiabético,
anti-hiperlipidêmico e antiobesidade.
Cúrcuma (Açafrão da Terra): Possui flavonoides e alcaloides que tem efeito
anti-inflamatório e antioxidante. Para além da sua forte atividade antioxidante,
a curcumina tem sido intensivamente estudada como agente anticancerígeno.

A curcumina participa da ativação de células do sistema imunitário (defesa do


corpo), atividade antiparasitária, além da sua reconhecida ação antitumoral
(anticancerígena). Uma estratégia comum para aumentar a biodisponibilidade
da curcumina (aumentando o seu efeito no organismo) é a utilização de
adjuvantes que bloqueiam a sua biotransformação, como é o caso da piperina,
um alcaloide extraído das sementes de pimenta do reino (Pipper nigrum L.).

Alho: O Alho pertence à família Liliaceae. O principal composto sulfuroso,


produto de degradação de aminoácidos sulfurosos, é a alicina, um provável
quimioprotetor. A ciência investiga seus efeitos nas doenças cardiovasculares,
câncer, inflamação e infecção. Cerca de 30 ingredientes com potenciais efeitos
biológicos foram identificados no alho, entre eles os efeitos hipotensor,
hipoglicemiante, antiviral, antitumoral, hipocolesterolêmico, antifúngico e
antioxidante.

Brócolis: Alimentos sulfurados e nitrogenados são compostos orgânicos


usados na proteção contra o câncer, sendo ativadores de enzimas de
destoxificação do fígado. Há indícios que o consumo dessa classe de alimentos
(alho, cebola, alho-poró, cebolinha, brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas,
repolho, agrião, nabo e rabanete) ricos em compostos sulfurosos pode diminuir
a pressão sanguínea e aumentar a defesa imunológica, também tem sido
demonstrado o potencial de proteger as células de lesões ao DNA e do câncer.

Frutas vermelhas: Os flavonoides são o principal grupo de compostos


fenólicos encontrados em plantas. Eles apresentam uma série de atividades
biológicas antioxidante, quimioprotetora, anticarcinogênica, anti-inflamatória.
Algumas fontes de flavonoides são uva, amora, framboesa, frutas cítricas,
romã, mirtilo, entre outras.

Peixes ricos em ômega-3: A família dos ácidos graxos ômega-3 participa da


síntese dos eicosanoides anti-inflamatórios. Juntamente com o azeite de oliva,
fazem parte do tratamento dietético de indivíduos com dislipidemias e outras
doenças. Estudos epidemiológicos têm demonstrado que a ingestão regular de
peixe (sardinha, atum, truta, cascudo, arenque) na dieta (3vezes/semana) tem
efeito favorável sobre os níveis de triglicerídeos, pressão sanguínea, o
mecanismo de coagulação e o ritmo cardíaco, na prevenção de câncer colônico
e na redução da incidência de aterosclerose.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

COSTA, N. M. B.; ROSA, C. O. B. Alimentos Funcionais: Componentes


bioativos e efeitos fisiológicos. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2010.

ANA PAULA PUJOL. Fotoproteção Oral. In: Ana Paula Pujol (org). Nutrição
Aplicada à Estética. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011. 281-299.

ELROKH EL-SM, YASSIN NA, EL-SHENAWY SM, IBRAHIM BM.


Antihypercholesterolaemic effect of ginger rhizome (Zingiber officinale) in
rats. Inflammopharmacology. 2010;18:309–15

CAMELLIA SINENSIS

Tomar um bom chá, seja ele qual for, é um hábito primariamente ligado ao
prazer, ao conforto e ao convívio social. O chá é uma das bebidas mais
consumidas no mundo, rico em flavonoides e pode ser amplamente utilizados
por suas propriedades terapêuticas, desde que se saiba quando e quanto
utilizar. Cada planta tem princípios ativos diferentes, fazendo com que a ação
farmacológica dependa de sua correta utilização e preparação.
Os chás produzidos a partir da planta Camellia sinensis tem ganhado fama
devido ao seu conteúdo, aroma e associação cultural, além dos benefícios para
a saúde, confirmados em estudos, que vão desde remissão de tumores até a
perda de peso.

O chá preto, verde e oolong são produzidos a partir das folhas da Camellia
sinensis, uma árvore que pode alcançar vários metros de altura e é encontrada
em locais com alta umidade e temperaturas não extremas. As folhas colhidas
de diferentes partes da planta e a forma de processamento determinam os
vários tipos de chás disponíveis.

O chá verde representa 80 – 90% da produção chinesa. As folhas são


colocadas sob vapor, e depois secas. Assim, os ingredientes naturais não são
oxidados e preservam os nutrientes. A constituição do chá varia de acordo com
o processamento ao qual ele é submetido. Os princípios constituintes são os
polifenois, apresentando também proteínas, aminoácidos (teanina ou glutamina
5-N-etil, ácido glutâmico, triptofano, glicina, serina, ácido aspártico, tirosina,
valina, leucina, treonina, arginina e lisina), carboidratos (celulose, pectinas,
glicose, frutose e sacarose), minerais e oligoelementos (cálcio, magnésio,
cromo, manganês, ferro, cobre, zinco, molibdênio, selênio, sódio, fósforo,
cobalto, estrôncio, níquel, potássio, flúor e alumínio), vestígios de esterois
(estigmasterol), vitaminas (B, C, E, K), metilxantinas (cafeína, teofilina),
pigmentos (clorofila e carotenoides) e compostos voláteis (aldeídos, álcoois,
ésteres, lactonas, hidrocarbonetos).

Alguns estudos têm demonstrado que a administração de chá verde para o


emagrecimento. Os efeitos antiobesogênicos têm sido mais comumente
atribuídos ao seu conteúdo de catequinas. O maior teor de catequinas explica o
maior papel do chá verde na perda de peso do que o chá oolong e o chá preto,
considerando que esses dois tenham 50% do teor de catequinas presentes no
chá verde.

Os efeitos do chá verde na perda de peso são muitas vezes atribuídos ao seu
conteúdo de cafeína, já que a mesma é reconhecida por ser lipolítica e
termogênica. Porém, tem estudos que demonstram que apenas a cafeína
isolada não gera grande perda de peso quando consumida em longo prazo,
mas, quando associada à catequinas a redução de peso e na circunferência da
cintura é significativamente maior quando comparada à cafeína isolada.

Há estudos também que mostram que o consumo de catequinas isoladamente


também não resulta em perda de peso, indicando assim que o sinergismo entre
esses dois compostos é o responsável pelos efeitos na redução de peso
corporal em humanos.

Os mecanismos pelos quais as catequina do chá verde influenciam a


composição e o peso corporal ainda estão em investigação. A hipótese mais
aceita é a estimulação do sistema nervoso simpático (SNS) com uma liberação
noradrenérgica que resulta em um estímulo à lipólise. Alguns outros estudos
relacionam as catequinas à modulação do apetite, regulação de enzimas que
participam da beta oxidação e redução de absorção de nutrientes.

Estudos têm investigado os efeitos do chá verde e do chá preto em vários tipos
de cânceres. O chá verde demonstrou ser mais eficaz contra vários tipos de
cânceres que o chá preto. O chá verde é capaz de modular a resposta celular
de diferentes tipos de tumor à quimioterapia.

Os efeitos antitumorigênicos são mediados pela epigalocatequina galato


(EGCG). Essa catequina tem capacidade de induzir a apoptose em células de
tumor, inibir a atividade de receptores específicos como tirosina kinase, alterar
a expressão gênica de proteínas regulatórias de ciclo celular, ativar caspases e
suprimir fatores de transcrição de oncogênese.

Huang et al. (2016) em um estudo de meta-análise investigou se há uma


associação entre o consumo de chá verde e o risco de câncer de fígado. O
risco relativo (RR) indicou uma associação significativa entre o maior consumo
de chá verde e redução do risco de câncer de fígado. Quando estratificados por
sexo, observou-se o efeito protetor do consumo de chá verde sobre o risco
para câncer de fígado apenas no grupo de mulheres. No entanto, são
necessários mais estudos para verificar essa associação.

Porém, todos os efeitos do chá no organismo dependem de sua


biodisponibilidade, a qual é definida como a proporção do
componente/substância que é realmente absorvida e aproveitada pelo
organismo. Em humanos, os níveis de catequinas podem atingir seu pico no
plasma de 2 a 4 horas após a ingestão do chá verde. Além disso, as absorções
das catequinas do chá verde também podem variar de indivíduo para indivíduo
e sofrer alterações pela presença de outras substâncias.

A presença de taninos do chá verde pode afetar a assimilação dos nutrientes


(ferro, por exemplo) pelo aparelho digestivo. Elevadas quantidades de chá
verde ou preto não devem ser administradas durante a gestação e lactação,
por que a cafeína pode ultrapassar a barreira placentária e ser também
secretada, em pequenas quantidades, no leite materno. Portadores de
hipertensão, úlceras gástricas, insônia e diabetes devem ter cuidado antes de
tomar doses excessivas de chá verde ou preto.

Indivíduos com distúrbios gástricos (ex: gastrite, úlcera péptica), devido ao


conteúdo taninico e o ácido clorogênico presentes nas preparações, podem
apresentar efeitos adversos mesmo em dosagens usuais. Quadros de
hiperacidez e irritação gástrica, redução do apetite, constipação severa e
diarreia, poderiam resultar do consumo excessivo do chá verde.

O uso do chá verde associado a drogas vegetais tranquilizantes ou


estimulantes é desaconselhado. O chá verde interfere na ação farmacológica
de alguns medicamentos. Potencializa a hiperexcitabilidade produzida pelos
inibidores da monoaminaoxidase (IMAOS), aumenta hiperexcitabilidade
produzida pelos inibidores da receptação de serotonina (fluoxetina, paroxetina,
sibutramina, sertralina, fluvoxamina e citalopram).

Sendo assim, o uso de forma contínua deve ser feito com cautela, pois ainda
são necessários mais estudos a cerca da dose recomendada para o consumo
diário, pois há evidências de toxicidade em altas doses.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P


Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIA:

HUANG, Y. Q. et al. Green tea and liver cancer risk: A meta-analysis of


prospective cohort studies in Asian populations. Nutrition. 2016 Jan;32(1):3-8.

SEIXAS, D. F. Nutrição Clínica Funcional: Compostos bioativos dos alimentos.


São Paulo: VP Editora, 2015.

KALLUF, L. Fitoterapia Funcional: dos princípios ativos á prescrição de


fitoterápicos. São Paulo: Ação Set, 2015.

INTESTINO

O intestino é o maior órgão endócrino. Possui 10 vezes mais bactérias e 100


vezes mais material genético do que o número total de células do organismo.
Embora já se conheça de longa data o papel que os hormônios sintetizados no
trato gastrointestinal exercem sobre o mesmo, hoje há grandes evidências
comprobatórias de que o intestino também é o responsável pelo
comportamento alimentar.

A busca por esse tipo de evidência surgiu a partir da motivação de se


desenvolver novas estratégias para combater a epidemia de obesidade. O
conhecimento científico sobre a importância da microbiota intestinal para a
saúde humana é recente.

A colonização dessas bactérias não se dá de maneira uniforme ao longo de


todo o intestino, visto que elas apresentam diferentes atividades, dependendo
do local onde colonizam.
A microbiota intestinal influencia no estado imunológico, e existem duas
maneiras de substâncias patogênicas ou tóxicas penetrarem no organismo
através do intestino:

1) através da veia porta, chegando ao fígado e sofrendo destoxificação;

2) pela circulação linfática, onde os nutrientes são coletados na membrana


basolateral, movem-se pelos canais linfáticos e encontram a circulação
sanguínea no ducto torácico, evitando o chamado “metabolismo de primeira
passagem” hepático.

As bactérias intestinais desempenham uma função clínica importante na


proteção do hospedeiro. Para proteger a área de exposição, o intestino dispõe
de três eficientes linhas de defesas que se comunicam entre si: a microbiota
intestinal, a barreira mucosa e o sistema imune entérico.

A barreira mucosa também contribui para a imunidade dos indivíduos, pois age
fisicamente como uma barreira celular e atua como sítio principal de interação
com substâncias do meio externo e microrganismos. É uma complexa estrutura
físico-química que depende da integridade da mucosa para sua adequada
função, formada por componentes celulares que dependem do fluxo sanguíneo
adequado na mucosa, da função das células epiteliais, de uma estrutura
hidrofóbica e da produção de defensinas.

A primeira fonte de microrganismos para a colonização do trato gastrointestinal


(TGI) é o parto, principalmente o normal, por ter contato direto com a
microbiota fecal da mãe, os bebês de parto normal entram em contato com
bactérias mais rápido do que crianças de parto cesáreo. Em contrapartida, no
parto cesáreo a fonte inicial de contaminação é o meio ambiente, retardando
assim o estabelecimento da microbiota, sendo mais comum a colonização por
bactérias anaeróbia - Bacteroides e Clostridium. Seguido do meio ambiente
temos a amamentação, que por sua vez sofre grande influência pelo uso de
leite humano ou leite industrializado.
Os antibióticos em excesso ou administrados de forma incorreta induzem a
uma seleção natural, diversas enfermidades diarreicas são causadas por essa
assimetria bacteriana no intestino.

A atividade de algumas bactérias intestinais sobre uma categoria de nutrientes


permite um melhor desempenho intestinal. Esse processo acontece
normalmente com substratos que não foram digeridos e chegam ao lúmen do
cólon, especialmente os carboidratos, que são fermentados e formam ácidos
absorvidos pela mucosa. Esse mecanismo é denominado salvamento
energético e forma os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) tais como o
buritato e propionato, que são a principal fonte nutritiva dos colonócitos e
apresentam efeito trófico no epitélio do intestino.

Os AGCC são dependentes de substratos disponíveis e estão em maiores


concentrações do lado direito do cólon. Dentre os substratos mais comuns
podemos citar o amido que é butirogênico. Os butiratos atuam como fatores
tróficos para as células dos tecidos intactos e diminuem as chances de câncer
do cólon. Estudos apontam, também, os efeitos dos butiratos sobre os
mediadores de inflamação, pela capacidade de inibir a expressão das citocinas
pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6 e IL-1β) por meio da inibição da ativação do fator
nuclear κB (NF- κB). A microbiota intestinal também faz síntese de algumas
vitaminas, como a vitamina K e vitaminas do complexo B que desempenham
papel importante no metabolismo.

O desequilíbrio da microbiota pode acarretar perda de efeitos imunes


importantes e que são reguladores na mucosa do intestino, estando associada
a um número de doenças inflamatórias e imuno medidadas. A disbiose
apresenta um agravante quando associada com outros distúrbios, como
aumento da permeabilidade intestinal e constipação.

Quando a microbiota está em desequilíbrio, a quebra de peptídeos e


reabsorção de toxinas ocorre de maneira inadequada, induzindo o surgimento
de patologias pelo não funcionamento das funções da microbiota intestinal.

Entre as possíveis causas da disbiose estão a idade, o estresse, a


disponibilidade de material fermentável, a má digestão, o tempo de trânsito
intestinal, o pH intestinal e o estado imunológico do hospedeiro. Seu tratamento
abrange duas linhas, uma dietética, por meio da ingestão de alimentos que
beneficiam a constituição da microbiota intestinal, e outra usando
medicamentos.

Dentre muitos alimentos funcionais, os prebióticos e os probióticos vêm


tomando espaço cada vez maior no cotidiano das pessoas. Definem-se os
prebióticos como substâncias fermentáveis, não digeríveis que promovem o
desenvolvimento seletivo e, ativa o metabolismo de bactérias benéficas no trato
intestinal, especialmente as bifidobactérias. Já os probióticos são definidos
como microrganismos vivos, que atribuem benefícios à saúde se administrados
adequadamente. A agregação entre prebióticos e probióticos constituem os
simbióticos, sendo indicados por favorecer o desenvolvimento de
microrganismos benéficos.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

COSTA, N. M. B.; ROSA, C. O. B. Alimentos Funcionais: Componentes


Bioativos e Efeitos Fisiológicos. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2010.

NAVES, A. Nutrição Clínica Funcional: Modulação Hormonal. 1ed. São Paulo:


Valéria Paschoal Editora Ltda., 2010.

NAVES, A. Nutrição Clínica Funcional: Obesidade. 2ed. São Paulo: Valeria


Paschoal Editora Ltda., 2014.
PASCHOAL, V.; NAVES, A.; FONSECA, A. B. B. L. Nutrição Clínica Funcional:
dos princípios à prática clínica. 1ed. São Paulo: Valeria Paschoal Editora Ltda.,
2007.

PAIXÃO, L. A. Colonização da microbiota intestinal e sua influência na Saúde


do hospedeiro. Trabalho de Conclusão de curso, Bacharelado em Biomedicina.
Centro Universitário de Brasília – UniCeub, Brasília, 2015.

ALMEIDA, et al. Disbiose intestinal. Rev Bras Nutr Clin. v. 24, n. 1, p. 58-65,
2009.

SEQUEIRA, T. C. G. O.; RIBEIRO, C. M.; GOMES, M. I. F. V. Potencial


bioterapêutico dos probióticos nas parasitoses intestinais. Ciência Rural. v. 38,
n. 9, p. 2670-2679. 2008.

TSUTSUMI, S. H.; VIANA, R. C. B.; VIANA, V. S.; CAVALCANTE, R. M. S. Uso


de simbiótico em idosos politraumatizados com obstipação crônica. Geriatria &
Gerontologia. v. 5, n. 1, p. 8-13. 2011.

DISBIOSE E ESTEATOSE HEPÁTICA

A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é uma condição clínica


compreendida pela existência de depósitos de lipídios nos hepatócitos com
percentual >5% do peso total do fígado em indivíduos sem ingestão etílica
significativa e na ausência de outras etiologias de doenças hepáticas.

A DHGNA inclui, em seu espectro, desde a esteatose simples e apenas


acúmulo de gordura no fígado, até esteato-hepatite com componente
necroinflamatório, com ou sem fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. Está
comumente associada à obesidade, ao diabetes mellitus tipo 2, à dislipidemia e
à resistência à insulina, de tal forma que aproximadamente 90% dos pacientes
afetados apresentam pelo menos um dos componentes da síndrome
metabólica (SM).
Quando se pensa na questão embriológica, pode-se perceber que o intestino e
o fígado estão intrinsecamente ligados, sendo o fígado um brotamento
diretamente do intestino anterior durante o desenvolvimento.

A evidência crescente é que o intestino e fígado têm vários níveis de


interdependência associada, e a perturbação do eixo intestino-hepática tem
sido implicada numa série de condições relacionadas com a obesidade,
incluindo DHGNA. Esta evidência inclui as observações que a permeabilidade
intestinal é aumentada em pacientes com esteatose hepática em comparação
com aqueles sem a doença, de associação de doença hepática com alterações
da flora microbiana e os efeitos da manipulação da flora na lesão hepática.

O termo disbiose refere-se a uma perturbação da microbiota intestinal normal.


E isto pode resultar em uma ampla gama de fatores ambientais, imunológicos,
bem como alterações no fluxo biliar, no pH gástrico ou problemas de motilidade
intestinal.

No intestino há proteínas chamadas de tight junction, e as zonas ocludentes,


que normalmente vedam a junção entre as células endoteliais intestinais e,
assim, tem um papel fundamental na prevenção de translocação de
substâncias nocivas a partir do intestino para o sistema portal. A disbiose pode
perturbar estas tight junction, aumentando a permeabilidade da mucosa e
expondo tanto as células da mucosa do intestino e fígado a produtos
bacterianos potencialmente pró-inflamatórios, os quais podem contribuir para a
patogênese da doença hepática gordurosa por vários mecanismos.

Um dos mecanismos é através de receptores Toll-like (TLRs) que reconhecem


produtos bacterianos derivados do intestino, especialmente os
lipopolissacarídeos (LPS). Há evidência de que as alterações de
permeabilidade induzida pela disbiose possam aumentar os níveis portais de
ligações ao TLR derivadas do intestino, que ativam TLR4 em células
de Kupffer hepáticas e as células estreladas de estimular as vias pró-
inflamatórias e profibróticas através de uma variedade de citocinas, incluindo
IL-1, IL- 6 e TNF.
FATORES DIETÉTICOS

A gordura dietética e colesterol parecem interagir sinergicamente para induzir


as características metabólicas e hepáticas de DHGNA.

A frutose dietética também tem sido fortemente associada na progressão da


DHGNA. Estudos apontam que animais expostos à frutose tiveram um
aumento considerável na contagem de macrófagos intestinais e a expressão da
proteína ocludina das tight junction, associada a um aumento da endotoxina e
translocação bacteriana, aumento da expressão de TLR1, TLR2, TLR3, TLR4,
TLR6 e TLR8 no fígado.

Muito se tem falado sobre associação do consumo de bebidas açucaradas e o


risco aumentado para DHGNA, especialmente em indivíduos acima do peso.
Porém, avaliar com precisão o consumo de açúcar ainda é desafiador. Além
desses fatores, a predisposição genética pode ter um papel importante em
crianças alimentadas com uma dieta alta em frutose, sendo que essa faixa
etária é mais propensa a desenvolver DHGNA, quando os seus pais já tem a
diabetes mellitus instalada.

Outro fator dietético importante é a colina, a qual é componente de membranas


celulares, sendo encontrada em carnes, ovos e produzida endogenamente. No
fígado a colina é usada na síntese de VLDL, portanto a deficiência de colina
impede a síntese e a excreção de VLDL, levando ao acúmulo de triglicerídeos
no fígado.

Podemos citar também o AGES (Advanced Glycation end-products), os quais


são formados nos alimentos quando os açúcares redutores reagem não
enzimaticamente com os grupos amino em proteínas. As células estreladas
hepáticas expressam RAGE (receptores de AGES), e os AGES demonstram
aumentar a proliferação e expressão de colágeno no fígado, sendo assim uma
dieta rica em AGES (dietas ocidentais) aumentam a esteatose hepática, o
estresse oxidativo e fibrose.

Os adoçantes artificiais são amplamente usados por pacientes com obesidade


e desordens metabólicas. Evidências sugerem que os adoçantes, como são
popularmente conhecidos, contribuem para o desenvolvimento de intolerância
a glicose por produzir alterações de composição e funcionais na microbiota
intestinal, porém a literatura sugere que sejam feitos mais estudos para
comprovar sua relação com a DHGNA.

SONO

A qualidade do sono e um ciclo circadiano adequado promovem efeitos


benéficos no metabolismo. O sono inadequado em pacientes obesos promove
dificuldades na perda de gordura e reduz a massa magra, além de níveis
séricos aumentados de grelina acilada, redução do gasto energético e aumento
da produção de glicose hepática.

A alteração do ciclo circadiano aumenta a permeabilidade intestinal e promove


a esteatose hepática em modelos experimentais, porém esse mecanismo ainda
não está bem elucidado.

PROBIÓTICOS, PREBIÓTICOS E SIMBIÓTICOS

O uso de prebióticos, probióticos e simbióticos são estratégias favoráveis na


modulação da microbiota intestinal.

O uso de probióticos promovem inúmeros benefícios importantes na DHGNA


como propriedades antimicrobianas, aumento da integridade da barreira
mucosa intestinal e a modulação da imunidade.

Malaguarnera e colaboradores em 2012 relataram que pacientes adultos com


DHGNA o tratamento com Bifidobacterium longum e oligossacarídeos, além da
modificação do estilo de vida, obtiveram redução acentuada dos níveis de TNF,
proteína C reativa, AST e HOMA-IR, endozina sérica e esteatose após 24
semanas quando comparadas apenas com alterações no estilo de vida.

Já os prebióticos, possuem propriedades de reduzir o colesterol, triglicerídeos e


aumentar as concentrações de HDL. Além disso, a suplementação com
simbióticos demonstrou redução da insulina de jejum plasmática e de
triglicerídeos em pacientes diabéticos.

Diante do exposto, pode-se concluir que a DHGNA tem inúmeras causas e


mecanismos como o aumento da permeabilidade intestinal, a ativação de LPS
e TLR, inflamação, diminuição da disponibilidade de colina, além dos fatores
dietéticos dentre os quais podemos citar a composição lipídica, o excesso de
frutose. As evidências sugerem que um estilo de vida saudável como sono de
qualidade, exercícios, uso de prebióticos, probióticos e simbióticos podem
influenciar beneficamente no tratamento e progressão da DHGNA.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

LEUNG, C. et al. The role of the gut microbiota in NAFLD. Nature reviews,
gastroenterology & hepatology advance online publication, 13, 412-425 (2016).

CRUZ, J. F. et al. Relação entre a esteatose hepática não alcoólica e as


alterações dos componentes da síndrome metabólica e resistência à insulina.
Rev Soc Bras Clin Med. 2016 abr-jun;14(2):79-83.

Malaguarnera, M. et al. Bifidobacterium longum with fructo-oligosaccharides in


patients with non alcoholic steatohepatitis. Dig. Dis. Sci. 57, 545–553 (2012)

BENEFÍCIOS DA PRÓPOLIS
De origem grega, a palavra própolis resulta da combinação entre as
expressões pró (defesa) e polis (cidade). As abelhas têm na própolis a garantia
de assepsia no interior da colmeia onde convivem em espaço restrito mais de
setenta mil indivíduos com as crias e seu estoque de alimentos.

A própolis é um composto resultado da mistura de várias substâncias tais como


vitaminas, sais minerais, compostos fenólicos como flavonoides, ácidos graxos,
ácidos cinâmicos, ácidos cafêicos, aminoácidos, álcoois aromáticos e ésteres,
além de ceras, pólen, substâncias voláteis e substâncias desconhecidas.

A própolis tem se destacado devido à sua aplicabilidade na indústria de


alimentos e cosméticos, por ser utilizada como princípio ativo em vários
produtos, dentre os quais os dentifrícios e os cremes para pele. Isso se deve às
suas diversas propriedades terapêuticas quais sejam: antimicrobiana,
antitumoral, anestésica, anti-inflamatória e antiviral.

Um estudo publicado em 2015 na revista científica PLoS One teve como


objetivo avaliar se a Própolis Vermelha Brasileira (BRP) atenua o efeito
inflamatório do lipopolissacarídeo (LPS) sobre os macrófagos e investigar seus
mecanismos subjacentes. Os resultados encontrados foram que a BRP inibe
múltiplas vias de sinalização em macrófagos envolvidos no processo
inflamatório ativados por LPS, indicando que a BRP é um alimento de fonte
notável para a descoberta de novos compostos bioativos e um candidato
potencial para atenuar doenças inflamatórias exacerbadas.

Em outro estudo publicado em 2015 na BMC - Complementary and Alternative


Medicine foi avaliado o mecanismo de proteção da pele mediada por extrato
aquoso de própolis verde e o possível envolvimento de Nrf2 / vias de resposta
de elementos antioxidantes, e obtiveram como resultados o indicativos de que
o extrato aquoso de própolis verde atua como um indutor precoce de HO-1 e
ativador rápido de Nrf2 para proteger contra o estresse oxidativo induzido por
radiação UVA.

As abelhas de várias espécies coletam a própolis de diversas partes das


plantas como brotos, botões florais e exsudatos resinosos, e a enriquece com
secreções salivares, principalmente, pela presença da enzima glicosidase,
responsável pela hidrólise dos flavonoides glicosilados em agliconas.

As propriedades da própolis estão diretamente relacionadas à sua composição


química, o que se constitui no principal desafio para o seu uso em fitoterapia,
tendo em vista que a sua composição varia de acordo com a vegetação da
região, a época da coleta e a técnica empregada, bem como em função da
espécie da abelha e do grau de africanização da Apis mellifera no Brasil,
fatores importantes na definição das suas propriedades físicas, químicas e
biológicas.

Além de ser efetiva frente às bactérias, a própolis se mostrou bastante eficaz


contra leveduras. Um estudo avaliou a ação de diferentes extratos de própolis,
em vários tipos de leveduras incluindo a Candida albicans. Os resultados
mostraram que os extratos alcoólicos podem inibir leveduras mesmo em
concentrações muito pequenas 1:256, porém a concentração inibitória mínima
(CIM) para 100% das leveduras testadas foi 0,58mg/ml de extrato alcoólico a
30% da própolis verde.

Um estudo publicado em 2016 no Brazilian Journal of Microbiology analisando


a própolis vermelha a fim de determinar sua atividade microbiana
especialmente contra a Candida spp. Encontraram dois compostos principais: a
formononetina e pinocembrina. A formononetina foi detectada em todos os
extratos e frações testadas, exceto para a fração metanólica. A isoflavona
isolada de formononetina inibiu o crescimento de todos os microrganismos
testados, e também apresentou atividade fungicida contra cinco das seis
leveduras testadas. Os resultados demonstram que a isoflavona formononetina
está implicada na atividade antimicrobiana relatada da própolis vermelha.

Contudo, uma das propriedades mais estudadas da própolis é com relação ao


sistema imunológico, ao qual devemos a capacidade de defesa do organismo
contra focos infecciosos e inflamatórios, sejam estes, nos intestinos, nos
tecidos conectivos, ou na corrente sanguínea e linfática, produzido por
qualquer tipo de célula cancerígena, defeituosa, envelhecida, moribunda,
mutante, gerada pela desnutrição, pela mudança de pH do meio ambiente, pelo
ataque de radicais livres, micro-organismos disbióticos, patógenos e parasitas.
A dose recomendada varia de acordo com a idade. Não se recomenda o
uso de própolis para crianças menores de 1 ano de idade.

Quadro 1 – Doses de própolis mais frequentemente utilizadas.

Doses apiprofiláticas mais utilizadas para prevenção

Adultos – estrato alcoólico a 30% 30 – 40 gotas diluídas em água ou suco de


frutas.

Crianças – extrato aquoso a 20% 1 – 10 anos: metade do peso corporal em


gotas diluídas em água ou suco de frutas.

Ex.: criança de 20kg = 10 gotas

Fonte: Adaptado de Kalluf, 2015

Cuidado! Há relatos de alergias aos produtos de abelha, por isso recomenda-


se atenção quanto à administração da própolis.

Procure um profissional habilitado!

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
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G12 ethanol extract on Cryptococcus neoformans. Rev. Inst. Med. Trop. S.
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concentrações de extratos de própolis frente aos microrganismos presentes na
saliva de humanos. Revista Brasileira de Farmacognosia Brazilian Journal of
Pharmacognosy 18(1): 84-89, Jan./Mar. 2008.

COMUNICADO: PRESCRIÇÃO DE
FITOTERÁPICOS

A prescrição de fitoterápicos pelo nutricionista ainda é tema de muitas dúvidas


entre os profissionais e acadêmicos de nutrição, especialmente devido à
revogação das Resoluções CFN nº. 525/2013 e 402/2007 pela Resolução CFN
nº. 556/2015 em maio de 2015.

Conforme resolução vigente, a partir de 2018 só poderão prescrever


medicamentos fitoterápicos, produtos tradicionais fitoterápicos e preparações
magistrais de fitoterápicos, nutricionistas que sejam portadores do Título de
Especialista em Fitoterapia pela Associação Brasileira de Nutrição
(ASBRAN).

A prescrição de plantas e chás medicinais continuará sendo permitida a


todos os nutricionistas, ainda que sem título de especialista, mesmo a partir de
2018.

O Título de Especialista em Nutrição de áreas regulamentadas é


conferido somente pela ASBRAN, conforme a Resolução CFN n° 416/2008.
Quando um aluno conclui uma pós-graduação lato sensu ou stricto sensu em
Fitoterapia, por exemplo, ele poderá intitular-se “Pós graduado em Fitoterapia ”
e não “Especialista em Fitoterapia”.

A prescrição de medicamentos fitoterápicos, produtos tradicionais fitoterápicos


e preparações magistrais de fitoterápicos, como complemento de prescrição
dietética também poderá ser feita por profissionais que iniciaram ou
concluíram a pós-graduação na área de fitoterapiaantes do dia 14 de
maio de 2015, data da publicação da Resolução CFN nº. 556/2015.

Desta forma, entende-se que, atualmente a prescrição de fitoterápicos (chás,


plantas medicinais, medicamentos fitoterápicos, produtos tradicionais
fitoterápicos e preparações magistrais de fitoterápicos) está autorizada a
todos os nutricionistas. E que, a partir de 2018, somente o nutricionista que
for portador do título de Especialista em Nutrição em Fitoterapia pela
ASBRAN poderá prescrevê-los.

Ressaltamos que o Título de Especialista só pode ser outorgado pelo


ASBRAN e que não é de competência de nenhuma Instituição de Ensino
Superior que oferte curso de Pós-graduação Latu senso em Fitoterapia conferir
o título de Especialista em Fitoterapia ao nutricionista.

Entretanto, considera-se de extrema importância que o nutricionista busque


titulação e conhecimentos na área de Fitoterapia para obtenção do Título de
Especialista em Fitoterapia pela ASBRAN.
Para a outorga do Título de Especialista da área de Fitoterapia a ASBRAN
adotará regulamentação própria, a ser divulgada futuramente.

REFERÊNCIAS:

http://www.asbran.org.br/noticias.php?dsid=1338

http://www.cfn.org.br/index.php/alerta-sobre-cursos-de-especializacao-em-
fitoterapia/

www.cfn.org.br/eficiente/repositorio/legislacao/resolucoes/583.pdf

www.cfn.org.br/novosite/pdf/res/2008/res416.pdf

www.cfn.org.br/wp-content/uploads/2015/06/Resol-CFN-556.pdf

www.cfn.org.br/novosite/pdf/res/2007/res402.pdf

PARECER TÉCNICO - JEJUM


INTERMITENTE

O primeiro estudo científico que avaliou a influência da restrição calórica na


longevidade foi conduzido há quase 80 anos em ratos. Aplicados em vários
animais de laboratório e, especificamente, em roedores, os estudos
demonstraram que a restrição dietética do tipo intermitente (restrição calórica
ou jejum) pode aumentar a expectativa de vida e proteger contra ou suprimir
processos de doenças responsáveis por doença cardiovascular (DCV), câncer,
diabetes, e distúrbios neurodegenerativos.
Estudos mais atuais mostraram efeitos benéficos do jejum intermitente na
pressão arterial, redução de peso e gordura corporal, Síndrome dos Ovários
Micropolicísticos, artrite reumatoide, metabolismo da glicose, resistência de
células cardíacas, musculares e cerebrais ao estresse e alteração favorável na
microbiota intestinal.

De forma geral, os estudos em humanos, indicam que o jejum pode fornecer


estratégias eficazes para reduzir o peso, retardar o envelhecimento e promover
a saúde em geral, principalmente, pelo mecanismo de indução da autofagia.

Especula-se que, em mamíferos noturnos, restringir a alimentação noturna


melhore os perfis metabólicos e reduz o risco de obesidade e condições
relacionadas à patologia, como a doença hepática gordurosa não alcoólica e
doenças crônicas, além de doenças como diabetes e câncer.

Os protocolos de jejum intermitente realizados em estudos em animais e


humanos não possuem um único padrão estabelecido. Eles podem ser
aplicados com restrição de tempo para o consumo das refeições e/ou redução
do consumo energético do tipo intermitente.

Dentre os protocolos citados nos estudos destacam-se:

1) 20 a 24 horas de jejum ou restrição calórica severa (até 25% da NET),


alternados com 24 a 28 horas de período de alimentação com consumo
irrestrito (ad libitum);

2) Restrição calórica leve (20 a 30% da NET), alternada com restrição calórica
severa (50% da NET);

3) Protocolo 5:2 - cinco dias por semana de consumo alimentar irrestrito,


conforme NET ou 15% de restrição calóricas e dois dias sequentes ou
intervalados de restrição severa (consumo de até 30% da NET);

4) Protocolo 6:1 – seis dias por semana com restrição calórica de 30% do VET
e 1 dia por semana com restrição severa (consumo de 10% a 25% da NET);
5) Jejum diário de 16 horas, com janela alimentar de oito horas;

6) Restrição calórica de cinco dias por mês: cinco dias com dieta de 700 a 1100
kcal hipoproteica e 25 dias de consumo alimentar regular, no mínimo três
ciclos, com duração total de três meses.

Em adultos saudáveis, de peso normal, com excesso de peso ou obesos, há


pouca evidência de que os protocolos de jejum intermitente sejam prejudiciais à
saúde, ao menos, em curto prazo.

Entretanto, apesar de inúmeros efeitos benéficos citados na literatura e ser um


tema a bastante tempo estudado, nos dois últimos anos, alguns estudos
realizados em animais foram publicados, evidenciando possíveis
intercorrências e efeitos adversos decorrentes da prática de jejum/restrição
calórica intermitente. Entre estes, o aumento do estresse oxidativo, elevação
de cortisol, imunossupressão, anovulação, redução da expectativa de vida (em
ratos velhos), impactos profundos sobre o desenvolvimento fetal e placentário
em gestantes, resistência à insulina, alteração de neurotransmissores
associados com o aumento do apetite e distúrbios do comportamento
alimentar. Esses estudos foram associados a jejuns realizados em longo prazo,
podendo não se traduzir na resposta equivalente em humanos.

Na maioria dos estudos publicados, a orientação para o consumo alimentar nos


dias ou horas permitidos era do tipo “ad libitum”, o que pode impossibilitar as
adequações nutricionais individuais, culminando em longo prazo em
deficiências nutricionais.

Adicionalmente, na pesquisa científica, ainda há inúmeras limitações para a


prática do jejum intermitente, entre elas:

1) A maioria dos estudos foi realizado em ratos. Os estudos em humanos são


heterogêneos com pequeno número de participantes e de curta duração (até
seis meses).

2) O jejum de 20 a 24 horas em dias alternados parece resultar em perda de


peso, bem como reduções nas concentrações de glicose e insulina. No
entanto, esse padrão pode não ser prático, devido à fome intensa nos dias de
jejum.

3) A pesquisa até o momento não demonstrou que o jejum de dias alternados


produze perda de peso superior, em comparação com planos de perda de peso
com restrição calórica diária ou contínua.

4) Não há dados suficientes para determinar um protocolo ótimo de jejum,


incluindo a duração do jejum, o número de dias de "jejum" por semana, o grau
de restrição de energia necessária nos dias de jejum e as recomendações
nutricionais em dias ou períodos de alimentação.

5) Quase a totalidade de estudos publicados em humanos carecem de follow-


up. Dessa forma, não há certeza das respostas neuroendócrinas e metabólicas
após o término de distintas intervenções de jejum ou restrição calórica
intermitente.

6) Há limitação de dados científicos de alta qualidade para informar aderência,


benefícios e danos da restrição calórica/jejum intermitente comparada com a
restrição calórica contínua.

Um aspecto limitante a ser considerado é a adesão ao tratamento, levando em


conta que poucas pessoas se adaptam a longos períodos de jejum devido aos
efeitos colaterais agravados, conforme o protocolo de jejum escolhido.

Apesar do jejum/restrição calórica intermitente apresentar benefícios em


humanos, esses aspectos supracitados colocam em dúvida a segurança da
utilização de distintos protocolos de jejum/restrição calórica intermitente em
longo prazo.

*Este parecer trata-se de uma opinião profissional baseada em estudos


científicos, utilizando distintas metodologias e publicados em periódicos
de alto fator de impacto e Qualis A1, A2, B1 e B2
Elaborado por: Nutricionista Dra. Ana Paula Pujol- CRN 10 – 0559 em
06/04/17, Camboriú, SC

JEJUM INTERMITENTE – Referências consultadas

Referência Fator de Impacto Qualis

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PARECER TÉCNICO - DIETAS “LOW


CARB”

Apesar de não haver um consenso, Low carb diet (LCD) ou Dieta Restrita em
Carboidratos pode ser definida como uma intervenção dietética que preconiza
o consumo de carboidratos abaixo das recomendações estabelecidas pelas
diretrizes nutricionais internacionais, ou seja, ≤ 44% do Valor Energético Total
(VET) em carboidratos.

Publicações científicas que consideraram uma intervenção dietética LCD


realizaram estudos experimentais que utilizaram de 20g a 130g de carboidratos
ao dia ou de 5 a 44% do VET. Entretanto, não existe um consenso científico
definido sobre o que constitui precisamente uma LCD ou, tampouco, a
distinção entre LCD e Dieta Muito Restrita em Carboidratos (VLCD) ou Dieta
Cetogênica (KD). Essa ambiguidade nas definições tem gerado, na atualidade,
uma barreira persistente para comunicação.

As LCD, VLCD e KD normalmente são utilizadas com o objetivo de reduzir


peso, sendo, por muitas vezes, disseminadas em mídias sociais por pessoas
que não são habilitadas para a prescrição dietética, gerando polêmica entre
profissionais acerca da eficácia dessa abordagem, por muitos considerada
como uma “dieta da moda”.
As “dietas da moda” podem ser definidas como padrões de comportamento
alimentar não usuais, adotados entusiasticamente por seus seguidores.
Segundo Longo e Navarro (2002), as modas dietéticas podem ser chamadas
dessa forma, porque são práticas alimentares populares e temporárias que
promovem resultados rápidos e atraentes, mas carecem de um fundamento
científico.

Dietas com restrição de gorduras hipocalóricas – documentadas há quase 90


anos - são eficazes na perda de peso. Porém, parece haver certos casos em
que a menor ingestão de carboidratos promove a perda de peso com
vantagens metabólicas, quando comparados à restrição calórica convencional.

A eficácia de dietas KD para o tratamento da epilepsia está documentada


desde 1924 em um artigo de Peterman, M.G. publicado no periódico The
Journal of Nervous and Mental Disease, e são utilizados com esse objetivo até
a atualidade.

Em 1958, Richard Mackarness MD publicou o livro Eat Fat and Grow Slim, no
qual propôs uma dieta baixa em carboidratos. Ele também desafiou a "teoria de
calorias" e referenciou dietas primitivas como a dos Inuit, como exemplos de
dietas saudáveis com uma composição de baixo carboidrato e alto teor de
gordura. Uma década mais tarde, Robert Atkins promulgou orientações muito
similares e baseadas nas mesmas teorias.

O período de 1990 a 2000 foi regido pelo maior número de estudos clínicos
publicados sobre a eficácia e segurança de dietas de baixo carboidrato e,
atualmente, observa-se, nas bases de dados científicas internacionais, um
crescente número de publicações associadas aos benefícios da LCD,
especialmente na redução do peso, tratamento do diabetes e prevenção de
doenças cardíacas.

Muitos indivíduos com sobrepeso ou obesidade possuem risco aumentado para


o desenvolvimento de doença cardíaca, havendo evidências científicas
concretas de que dietas ricas em carboidratos podem levar a mudanças
desfavoráveis nos fatores de risco cardiovascular, principalmente, em um
contexto em que haja consumo excessivo de calorias, carboidratos refinados e
adição de açúcar. Para esses indivíduos, pode ser favorável instituir uma dieta
que conduza efetivamente à perda de peso ao mesmo tempo em que melhore
os perfis dos fatores de risco de doenças cardíacas.

As alterações lipídicas séricas mais comumente associadas ao sobrepeso são


o aumento dos triglicerídeos e redução do colesterol HDL, entretanto,
coincidem com a provável melhora desses níveis após a adoção de uma LCD,
mesmo na ausência de perda de peso.

Alterações na utilização da glicose, que podem evoluir para resistência à


insulina e diabetes, estão associadas ao aumento do risco para o
desenvolvimento do Diabetes, Doenças Cardiovasculares (DCV), Esteatose
Hepática Não Alcóolica, Obesidade e Hipertensão Arterial.

Existe um apoio experimental significativo para a afirmação de que a ingestão


de carboidratos deve ser reduzida em indivíduos com resistência à insulina. Ou
seja, nesses indivíduos, uma dieta rica em carboidratos aumenta a
suscetibilidade ao estresse em diversos receptores, resultando em níveis
sanguíneos ainda mais altos de glicose e insulina. Isso, por sua vez, pode
exacerbar as anormalidades lipídicas do sangue mencionadas acima e
aumentar a predisposição à hipertensão arterial sistêmica.

Além da importância de perder o excesso de peso e gordura corporal - que


melhora significativamente a resistência à insulina - uma menor ingestão de
carboidratos pode ajudar a minimizar as flutuações anormais da glicemia e da
insulina que ocorreriam com o consumo de dose excessiva de carboidratos e
que, em última instância, levam a um aumento do risco de doença
cardiovascular.

Dezenas de estudos clínicos têm investigado o sucesso de planos com LCD,


VLCD e cetogênicos na redução de peso corporal. Embora a maioria deles
tenha envolvido um período de tempo relativamente curto (a maioria de até seis
meses), esses estudos foram realizados em homens e mulheres, incluindo
distintas raças, idades, diferentes níveis de obesidade, hiperlipidêmicos ou com
níveis normais de lipídios, diabéticos e não diabéticos. Esses estudos se
concentram principalmente nos planos inicialmente cetogênicos (muito baixos
carboidratos), seguidos pela restrição leve à severa de carboidratos, sendo que
a maioria são conduzidos em uma base ambulatorial.

Os mecanismos para a vantagem da restrição de carboidratos em detrimento


da restrição de gorduras e energia para a perda de peso estão continuamente
sendo investigados em estudos clínicos randomizados e, mais atualmente,
utilizando metodologia de enfermaria metabólica a fim de reduzir o viés e
fatores de confusão dos resultados apresentados.

Apesar de dietas com baixo teor de gordura e com restrição calórica serem
claramente eficazes para redução de peso corporal, a maioria dos estudos
mostrou perda de peso superior nos grupos de baixo carboidrato, mesmo
quando as dietas são isocalóricas, provavelmente devido ao aumento da
saciedade, preferência alimentar, adesão à dieta, redução espontânea do
consumo de calorias, diminuição da queda metabólica basal durante a redução
ponderal.

Um dos aspectos cotados para contribuir para o resultado da perda de peso é a


adesão ao tratamento e preferência por dietas com maior teor de gordura e
proteínas em comparação às dietas com restrição de energia e gorduras,
considerando que a gordura confere sabor aos alimentos, e as proteínas,
saciedade.

Sabe-se que o apetite é um fenômeno complexo, influenciado por


características comportamentais e biológicas, sendo que a composição de
macronutrientes da dieta também pode influenciá-lo. Esses resultados são
avaliados nos estudos por percepção autorrelatada e por análise de hormônios
associados à fome e à saciedade em estudos experimentais. Entretanto, os
mecanismos detalhados envolvidos na promoção da saciedade ainda são
pouco explorados na literatura.

Algumas linhas de pesquisas centram a investigação no papel da insulina na


modulação da fome e saciedade pelo provável aumento da sensibilidade à
leptina. Uma dieta com menor teor de carboidratos e menor carga glicêmica
promoverá menor pico de insulina pós-prandial. Subsequentes declínios na
concentração de glicose no sangue, induzida pela hiperinsulinemia reativa de
uma dieta com alta carga glicêmica, também têm sido propostos para induzir
fome excessiva e aumento do consumo alimentar.

Outro mecanismo pode estar envolvido com o apetite como uma variedade de
peptídeos sintetizados e liberados do trato gastrointestinal, especialmente após
as refeições com maior teor de proteína e menor de carboidratos. O peptídeo
YY, por exemplo, é liberado do intestino delgado distal e do cólon após as
refeições, reduzindo o apetite e aumentando a saciedade. Por outro lado, a
perda de peso aumenta o apetite por meio da redução de PYY e aumento do
hormônio orexígeno grelina. Dietas com menor teor de carboidratos e maior
teor de proteína têm demonstrando suprimir a elevação de grelina inerente à
redução de peso corporal em intervenções nutricionais que objetivam o
emagrecimento.

A limitação das escolhas alimentares, também, pode levar a uma redução


espontânea na ingestão de alimentos, contribuindo assim para uma baixa
ingestão calórica. O “fator da monotomia” alimentar normalmente ocorre em
dietas muito restritas em carboidratos.

Outro aspecto cotado para o efeito superior de dietas com restrição de


carboidratos é a possível vantagem metabólica. Ou seja, devido à necessidade
de fornecer glicose para os tecidos chave com uma exigência maior de glicose
obrigatória (incluindo cérebro e eritrócitos), há uma taxa mais elevada de
gliconeogênese. Isso provoca provavelmente um aumento do turnover de
proteína para fornecer os aminoácidos necessários para a síntese de glicose.
O aumento do turnoverproteico pode se traduzir em aumento do gasto
energético, e a vantagem metabólica poderia estar atrelada à retenção de
massa magra na perda ponderal.

Não só o peso corporal, mas também a composição corporal deve ser um


importante alvo da intervenção dietética. Dietas com teores mais elevados de
proteínas estão associadas à manutenção da massa livre de gordura e peso
corporal por inibir a proteólise muscular e estimular a taxa de síntese proteica.
A redução de gordura corporal e manutenção de massa livre de gordura estão
atreladas ao nível de restrição de carboidratos, exercício físico e consumo
proteico. Dietas muito restritas em carboidratos podem gerar maior perda de
peso inicial, quando comparadas à dietas com menor restrição do
macronutriente, devido à perda de água ocasionada pela mobilização de
glicogênio hepático. Especula-se que para cada grama de glicogênio hepático
mobiliza-se 2-3g de água, enquanto a degradação de cada grama de
glicogênio muscular corresponde à perda de 3-4g de água. Portanto, quando
as reservas de glicogênio diminuem, a perda de água conduz a perda imediata
de peso corporal.

Apesar de uma perda de peso proveniente de água ser esperada durante uma
LCD ou VLCDK ou VLCD, no período inicial, alguns trabalhos têm demonstrado
que há retenção de massa muscular quando combinado a um adequado
consumo proteico e exercício de força.

A LCD reduz além do peso, a gordura corporal, especialmente gordura visceral,


gordura na região do tronco e relação cintura/quadril. Embora o excesso de
adiposidade em qualquer distribuição corporal seja prejudicial para a saúde do
paciente, evidência sólida aponta para o tecido adiposo visceral como o
principal fator para aumentar o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e
até mesmo câncer.

Esse efeito na redução de gordura corporal poderia estar atrelado ao menor


consumo energético, expressão de enzimas e fatores de transcrição de genes
lipolíticos em detrimento dos antilipolíticos, lipogênicos ou antiadipogênicos,
mediado ou não pela insulina.

A redução no consumo de carboidrato pode potencializar a biogênese e a


função mitocondrial, já que há aumento da necessidade energética durante a
restrição de carboidratos. Com isso, a oxidação dos ácidos graxos é mais
efetiva, fazendo com que os resultados relacionados à redução do porcentual
de gordura sejam expressivos.

Uma deficiência relativa na ingestão de carboidratos e aumento na ingestão de


gorduras, mesmo na ausência de privação calórica, pode ativar a rede sensor
de energia celular AMPK-SIRT1-PGC1α, no músculo esquelético humano, em
pessoas eutróficas ou com sobrepeso. A ativação dessa rede contribui para
estimular a biogênese mitocondrial e aumentar produção de energia a partir da
oxidação de gordura.

Entretanto, uma dieta com menor teor de carboidratos inevitavelmente está


associada ao aumento do percentual de lipídios e/ou proteínas dietéticas. Por
isso, fazem-se necessárias pesquisas adicionais para avaliar se a redução de
peso, gordura corporal e promoção da saciedade estariam atribuídos à redução
dos carboidratos ou o aumento da ingestão de proteínas.

Especula-se que a perda e manutenção de peso corporal estaria atrelada ao


fator `alta proteína’, e não ao componente dietético 'low-carb', enquanto o teor
de gordura concomitante da dieta teria efeito neutro. Todavia, a retenção de
massa magra observada em estudos que utilizaram dieta cetogênica com um
perfil adequado de proteínas contradizem essa hipótese.

Outro dado importante é que dietas restritas em carboidratos associadas ao um


teor elevado de proteínas, particularmente de origem animal, em longo prazo,
estão associadas ao aumento do risco de mortalidade por todas as causa e
diversos tipos de câncer. Porém, as consequências metabólicas das dietas de
alto teor de proteína são controversas, sendo que maioria dos especialistas
concorda que a ingestão de proteínas em longo prazo não deve exceder 2g/kg
de peso corporal ou 30% do total de energia por dia.

Dietas com restrição de carboidratos podem estar relacionadas a um maior


consumo de gordura dietética. Apesar de não haver consenso de que a
gordura dietética está atrelada a um risco aumentado de doença cardíaca
coronária ou DCV, e que o consumo de gordura saturada poderia promover um
perfil lipídico favorável, o consumo de gordura dietética total superior a 50%,
especialmente em estados normo ou hipercalóricos estão ligados ao aumento
do risco para Esteatose Hepática Não Alcóolica, alteração desfavorável na
microbiota intestinal, aumento do risco para Câncer e Diabetes. Esses fatores
ocorrem, especialmente, se na distribuição de gorduras, as saturadas e trans
forem priorizadas em detrimento de mono e poli-insaturadas. Dessa forma,
sugere-se que, mesmo em LCD, as recomendações limites para o consumo de
gordura saturada sejam mantidas em no máximo 10%, conforme diretrizes
atuais.
Algumas limitações nos estudos que comparam LCD com restrição de calorias
e/ou gordura se justificam pelo fato dos ensaios serem altamente heterogêneos
com relação ao design e ao teor de carboidratos. Outra limitação é que os
estudos, em sua maioria, envolvem um período de tempo relativamente curto,
de até seis meses. Porém, este pode ser considerado o tempo máximo em que
a maioria dos indivíduos permanece em uma dieta.

A variabilidade individual na perda de peso em LCD também está sendo


investigada para examinar interações entre a dieta, genótipo e metabolismo
(por exemplo, resistência à insulina). Uma das hipóteses é que o sucesso da
perda com dietas de restrição de carboidratos é maior nas pessoas que são
mais resistentes à insulina, do que em pessoas com sensibilidade normal à
insulina.

Embora a diferença média na perda de peso entre dietas pareça um tanto


modesta, a possibilidade de impacto significativo na saúde pública não deve
ser descartada, particularmente se tal efeito puder ser sustentado em longo
prazo em uma grande população.

Dietas Muito restritas em Carboidratos (VLCD) ou cetogênicas (KD)

Apesar de nos estudos, VLCD e KD demonstrarem ser eficazes na redução de


peso corporal e promover em curto prazo perfis glicídicos e lipídicos mais
favoráveis, os riscos potenciais para a saúde e a aderência da dieta em longo
prazo são questionáveis.

VLCD ou KD reduz o peso de fezes e diminui a produção intestinal de vários


compostos protetores que são derivados de carboidratos não digeríveis. As
principais fontes de carboidratos não digeríveis são fibras dietéticas e amido
resistente. A fermentação colônica desses carboidratos leva à produção de
ácidos graxos de cadeia curta (acetato, propionato e butirato), o que parece
contribuir de forma importante para a função colônica e para a saúde da
mucosa intestinal. Tanto o menor peso das fezes, quanto a diminuição da
produção de compostos protetores derivados da fermentação, têm sido
associados a um risco aumentado de desenvolver distúrbios do trato
gastrointestinal. Entretanto, em pessoas com intolerância à FODMAPS
(Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides e Polyols),
como portadores da Síndrome do Cólon Irritável, podem se beneficiar com
dietas que reduzam a fermentação colônica.

Com a restrição severa de carboidratos em longo prazo, a neoglicogênese


mediada pelo aumento do cortisol pode ser estimulada de forma exacerbada,
ultrapassando a necessidade de glicose produzida para o momento. Essa
hiperglicemia gera hiperinsulinemia, podendo desencadear alterações que
envolvem o metabolismo glicídio, como a resistência à insulina.

Dietas com muito baixo teor de carboidratos são normalmente muito elevadas
em proteínas e/ou gorduras, que - combinadas com uma baixa ingestão de
frutas e vegetais contendo potássio, micronutrientes, fitoquímicos e compostos
bioativos - podem exercer um efeito negativo sobre a microbiota intestinal.

A associação de teor elevados de proteínas e baixo consumo de frutas e


vegetais estão relacionados à redução da integridade óssea. Dietas ricas em
proteínas geram uma quantidade significativa de compostos ácidos devido à
degradação de certos aminoácidos. Essa chamada "carga ácida" poderia
aumentar o risco para formação de nefrolitíase e levar à perda óssea
excessiva, resultando em um risco aumentado de osteoporose. A produção de
corpos cetônicos é acompanhada por maior excreção desses compostos e de
sódio nos rins, culminando para um aumento da diurtese e redução do pH
sanguíneo.

Outro efeito potencialmente negativo de dietas muito reduzidas em


carboidratos é o esgotamento das reservas de glicogênio do corpo. Isto é,
como a glicose é uma fonte de energia primária para o exercício muscular,
estoques de baixo glicogênio podem comprometer a capacidade de um
indivíduo para realizar qualquer tipo de exercício prolongado, aumentando
fadiga durante o exercício e redução no desempenho. Entretanto, o aumento
da atividade física é um componente importante de qualquer programa de
perda de peso bem-concebido, e exercício tem sido mostrado para ser crítico
em termos de manutenção bem-sucedida da perda de peso.
Além disso, essas dietas normalmente são deficientes em fibras, vitamina E,
vitamina A, tiamina, vitamina B6, folato, cálcio, magnésio, ferro e potássio e
elevadas em colesterol dietético. Apesar de não ser unânime, uma pequena
minoria da população, com fenótipo B, são mais propensos ao aumento do
colesterol sérico proveniente do consumo dietético de colesterol.

Devido à falta de apoio à investigação para uma maior eficácia e segurança


das dietas cetogênicas para a perda de peso, essas dietas não devem
promovidas com esse fim, ao menos, em períodos superiores a seis semanas.
Isto é, os estudos científicos não têm abordado se essas dietas extremamente
restritivas de carboidratos promoveriam a saúde, qualidade de vida e aumento
da longevidade. Além disso, muitos indivíduos provavelmente acham esses
tipos de dietas muito difíceis de aderir, em longos períodos de tempo,
especialmente, pelo impacto psicossocial da restrição. Sendo assim, até que
os efeitos benéficos em longo prazo dessas dietas de baixo carboidrato mais
restritivas tenham sido documentados, as evidências científicas atuais apontam
que os potenciais efeitos negativos e a baixa segurança contraindicam a sua
adoção pela população em geral.

Por outro lado, uma restrição moderada de carboidratos, que forneça 26 a 44%
das calorias de carboidratos, pode ser um intervalo ideal para contribuir para a
redução dos fatores de risco cardiovascular, pois permite que haja suficiente
ênfase em fontes alimentares de alta qualidade como grãos integrais,
leguminosas, frutas, verduras e legumes para garantir que a dieta também
forneça um nível suficiente de fibra alimentar, micronutrientes e fitoquímicos.

Mesmo que as intervenções dietéticas que objetivam a perda ponderal


obtenham sucesso, a maior limitação é manter o peso reduzido em longo
prazo. Uma explicação para o mau prognóstico de longo prazo de dietas de
perda de peso se refere ao comportamento, no qual a motivação para aderir a
dietas restritivas, tipicamente, diminui com o tempo.

Sob uma perspectiva ampla, os hábitos alimentares estão intimamente


relacionados aos aspectos culturais, antropológicos, socioeconômicos e
psicológicos que envolvem o ambiente das pessoas. Nesse cenário, a
prescrição dietética não pode ser restringida à mera quantificação dos
nutrientes consumidos, mas a uma intervenção nutricional que contribua para a
adesão em longo prazo.

Portanto, a manutenção de perda de peso bem-sucedida demanda


intervenções comportamentais e ambientais que facilitem a aderência dietética
em longo prazo. Todavia, tais intervenções serão mais eficazes se promoverem
um padrão dietético que melhore as mudanças biológicas adversas que
acompanham a perda de peso. Além disso, o componente satisfação, prazer,
social e cultural precisam estar presentes na escolha da estratégia mais
coerente para cada paciente, pois, apesar de estarem relacionadas ao
emagrecimento e possíveis vantagens metabólicas, dietas com restrição de
carboidratos não podem ser tomadas como um padrão estabelecido.

*Este parecer trata-se de uma opinião profissional baseada em estudos


científicos, utilizando distintas metodologias e publicados em periódicos
de alto fator de impacto e Qualis A1, A2, B1 e B2

Elaborado por: Nutricionista Dra. Ana Paula Pujol- CRN 10 – 0559 em


06/04/17, Camboriú, SC

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DIABETES

A diabetes é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por


hiperglicemia resultante de defeitos na secreção de insulina, a ação da insulina,
ou ambos. A hiperglicemia crônica do diabetes está associada com danos em
longo prazo, disfunção e falência de vários órgãos, especialmente os olhos,
rins, nervos, coração e vasos sanguíneos.

Vários processos patogênicos estão envolvidos no desenvolvimento da


diabetes. Estas vão desde a destruição autoimune das células beta do
pâncreas com consequente deficiência de insulina para anormalidades que
resultam da resistência à ação da insulina.

Os sintomas de hiperglicemia acentuada incluem poliúria, polidipsia, perda de


peso, às vezes com polifagia, e visão turva. Prejuízo ao crescimento e
susceptibilidade a certas infecções também podem acompanhar hiperglicemia
crônica. Consequências graves, com risco de vida do diabetes não controlado
é a hiperglicemia, a cetoacidose ou a síndrome hiperosmolar.

Atualmente são três os critérios aceitos para o diagnóstico de diabetes mellitus


(DM):

- Sintomas de poliúria, polidipsia e perda ponderal acrescidos de glicemia


casual acima de 200mg/dL;

- Glicemia de jejum ≥ 126mg/dL (em caso de pequenas elevações da glicemia,


o diagnóstico deve ser confirmado pela repetição do teste em outro dia);

- Glicemia de 2 horas pós-sobrecarga de 75g de glicose acima de 200mg/dL.

A diabetes pode ser classificada em dois tipos, a diabetes tipo 1 e a tipo 2.

A Diabetes tipo 1 é imuno mediada e representa apenas 5 a 10% das pessoas


com diabetes, previamente englobado pelos termos diabetes dependente de
insulina ou diabetes de início juvenil, resulta de uma destruição autoimune
celular mediada das células beta do pâncreas. Nesta forma, a taxa de
destruição das células beta é bastante variável, sendo rápida em alguns
indivíduos (principalmente bebês e crianças) e lento em outros (principalmente
adultos).

Alguns pacientes, especialmente crianças e adolescentes, podem apresentar


cetoacidose como primeira manifestação da doença. Outros têm hiperglicemia
em jejum modesta que podem mudar rapidamente para hiperglicemia grave
e/ou para cetoacidose na presença de infecção ou de outras formas de
estresse.

Também existe a diabetes idiopática. Algumas formas de diabetes tipo 1 não


tem etiologias conhecidas. Alguns destes doentes têm insulinopenia
permanente e são propensos à cetoacidose, mas não temos nenhuma
evidência de autoimunidade. Os indivíduos com este tipo de diabetes sofrem
de cetoacidose episódica e apresentam diferentes graus de deficiência de
insulina entre os episódios.

Os marcadores de autoimunidade são os anticorpos: anti-insulina,


antidescarboxilase do ácido glutâmico (GAD) e antitirosina fosfatases (IA2 e
IA2B). Já foram apontados gatilhos ambientais e nutricionais para a desordem
imunológica que pode culminar com a destruição das células produtoras de
insulina, dentre os quais se destacam a introdução precoce (antes dos 4
meses) do leite de vaca e infecções por enterovírus.

O diabetes tipo 2, representa 90-95% das pessoas com diabetes,


anteriormente referido como diabetes não insulino dependente, diabetes tipo 2
ou diabetes de adultos. Existem provavelmente muitas causas diferentes desta
forma de diabetes. Embora as etiologias específicas não sejam conhecidas, a
destruição autoimune das células beta não ocorre, e os pacientes não têm
qualquer das outras causas da diabetes listadas acima.

A maioria dos pacientes com este tipo de diabetes são obesos, e a própria
obesidade provoca algum grau de resistência à insulina. Os doentes que não
são obesos, pelos critérios tradicionais podem ter uma maior percentagem de
gordura corporal distribuída predominantemente na região abdominal.
O aumento do tecido adiposo, sobretudo visceral e seus hormônios, estão na
base do processo de resistência à insulina. A obesidade e a resistência à
insulina têm sido apontadas como os pontos-chave para a sequência de
anormalidades metabólicas, inflamatórias e hemodinâmicas que contribuem
para um maior risco de desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2 (DM tipo 2),
hipertensão arterial sistêmica (HAS), dislipidemia, aterosclerose, níveis
aumentados de ácido úrico, alterações dos fatores fibrinolíticos, entre outras
desordens.

Nos últimos anos, ficou evidente que inúmeros fatores podem regular
negativamente a ação da insulina, agindo tanto no receptor de insulina quanto
em moléculas pós receptor. Assim diversos fatore produzidos por adipócitos
podem promover a ativação de serinas quinases, especialmente a IKK e a JNK,
capazes de forforilar moléculas da via em resíduos de serina, como IRS-1 e
IRS-2, inibindo a sinalização da insulina.

Essas alterações, além de explicarem a resistência à insulina em tecidos


periféricos, podem também estar envolvidas na redução da massa de célula
beta por acelerarem a apoptose das mesmas. Assim, é possível que
mecanismos comuns possam explicar a resistência e a alteração de secreção
de insulina, processos essenciais na patogênese da DM tipo 2.Naturalmente,
polimorfismos genéticos podem facilitar o efeito da obesidade, da
inatividade física e do envelhecimento nessa regulação, justificando a
base poligênica e ambiental da DM tipo 2.

Indivíduos obesos que não desenvolvem diabetes apresentam um aumento de


massa das células beta, que parece compensar a maior necessidade
metabólica da resistência à insulina associada à obesidade. Essa adaptação da
célula beta não ocorre de maneira apropriada em obesos que desenvolvem
diabetes. Nesse sentido, a maioria dos pacientes com DM2, magros ou obesos,
apresenta uma redução de massa de célula beta.

A resistência à insulina é manifestada pela redução do transporte e


metabolismo da glicose, que são estimulados pela insulina, principalmente no
adipócito e músculo esquelético, e aumento da liberação hepática de glicose.
Diversos mecanismos parecem estar envolvidos na resistência à insulina.
Na resistência à insulina, a ligação da insulina ao seu receptor, bem como a
fosforilação e a atividade quinase desse receptor, estão reduzidas tanto no
músculo esquelético quanto no tecido adiposo.

Há diferentes estágios de resistência à insulina e a expressão do GLUT4 é


regulada diferentemente nesses tecidos (muscular e adiposo). Nos adipócitos
de indivíduos obesos, as concentrações de GLUT4 encontram-se reduzidas,
enquanto que no músculo as concentrações não se encontram alteradas.
Desse modo, em indivíduos obesos e com diabetes mellitus (DM), a redução
na captação de glicose no músculo esquelético é atribuída a uma menor
translocação das vesículas contendo GLUT4 à membrana da célula.

Além disso, a formação de espécies reativas de oxigênio (EROS), fatores


genéticos, envelhecimento, tipo de dieta e o aumento da obesidade visceral
estão relacionados à disfunção mitocondrial. As alterações estruturais e
funcionais da mitocôndria também têm sido implicadas como causa e/ou
consequência da resistência periférica à ação da insulina.

Outro fator que também pode estar relacionado com a resistência à insulina é a
hipovitaminose D a qual foi relatada por diminuir secreção de insulina das
ilhotas e aumentar a resistência periférica à insulina, dois importantes fatores
de risco para a progressão da Diabetes tipo 2; Além disso, hipovitaminose D é
preditiva de anormalidades na maioria das variáveis controladas nos pacientes
com síndromes metabólicas, incluindo a própria DM2.

Dada a importância dos níveis de vitamina D para a manutenção de um fígado


e pâncreas fisiologicamente saudáveis, juntamente com o envolvimento
conhecido da fisiopatologia hepático e pancreática da patogênese da DM2, a
vitamina D e o receptor de vitamina D (VDR) representam uma área de grande
interesse terapêutico.

A identificação de agentes que podem reduzir a anormalidades do metabolismo


hepático e ilhotas simultaneamente poderia produzir um avanço substancial na
prevenção e tratamento da obesidade e risco de diabetes mellitus tipo 2
relacionados com a obesidade. Para este fim, tem havido uma onda de
interesse nos benefícios da manutenção de um nível de vitamina D adequada.
O estudo concluiu então que a vitamina D pode ter influências antidiabéticas
duplas:

1 - a modulação de glicose hepática e o metabolismo de lipídeos; e

2 - a promoção da função e sobrevivência de ilhotas pancreáticas.

A vitamina D pode melhorar de glicose hepática e anormalidades no


metabolismo lipídico, in vitroe in vivo através da ativação de sinalização de Ca2
+ / CaMKKβ / AMPK.

Além disso, a vitamina D pode ter uma influência supressora de RAS que pode
beneficiar a função das células beta. Porém, os resultados foram obtidos
através de modelos animais, os quais devem ser interpretados com cautela,
uma vez que nem sempre são prontamente traduzidas para humano.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

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ALIMENTOS QUE MELHORAM O


HUMOR

Os transtornos de humor são severos, crônicos e muitas vezes ameaçadores


de vida. Sua prevalência e a incidência vêm aumentando nos últimos anos.
Eles estão associados com alterações cognitivas e comportamentais e com
modificações em várias regiões cerebrais.

Estão associados com alterações cognitivas e comportamentais e com


modificações em várias regiões cerebrais. A etiologia e a fisiopatologia dos
transtornos de humor ainda não estão completamente elucidadas, mas é
sabido que são multifatoriais, envolvendo fatores ambientais, genéticos e
epigenéticos. Podem ser expressos de diversas maneiras de acordo com o
indivíduo, sendo que essa variabilidade acontece principalmente devido as
manifestações regidas por comorbidades, frequência, gravidade e duração dos
sintomas e pelos efeitos dos genes nos fenótipos.

Os transtornos de humor são classificados em:

Transtorno depressivo: incluem episódio de depressão maior, transtorno de


depressão maior e transtorno distímico.

Transtorno bipolar: episódio bipolar, transtorno bipolar ou transtorno


ciclomítico.

Quais nutrientes podem auxiliar na melhora do humor?


Triptofano

É um aminoácido essencial, ou seja, é necessário ingeri-lo através da


alimentação. É encontrado no arroz, amaranto, flocos de milho, banana,
feijão, lentilha, nozes, abacate, leite, entre outros e/ou suplementos.

Embora o triptofano seja encontrado em pequena proporção no plasma e em


proteínas, ele é importante para várias funções do organismo, incluindo
regulação do humor, do sono, do apetite, das funções gastrintestinais e das
funções hemodinâmicas. Parte dessas ações ocorre pelo fato de que o
triptofano pode sofrer reações químicas e originar a serotonina, a melatonina e
a niacina.

Ômega-3

Níveis adequados de ômega-3 são de extrema importância para o correto


funcionamento do sistema nervoso central, sendo várias doenças psiquiátricas
relacionadas com esse ácido graxo.Pode ser encontrado em fontes vegetais
como linhaça e chia, ou em fontes animais com peixes de águas frias e
profundas como salmão, atum e sardinha. Foi demonstrado que indivíduos
com depressão apresentavam níveis mais baixos de ômega-3.

Zinco

O zinco teria papel na depressão principalmente por influenciar no estresse


oxidativo, inflamação e vias de neuroplasticidade e neurogênese, amplamente
relacionados com a fisiopatologia da depressão. Níveis adequados de zinco
são de extrema importância para a saúde humana e para pacientes com
depressão. Entretanto, o que se observa é uma alta prevalência de deficiência
nutricional desse mineral na população. Dessa forma, é de extrema importância
a avaliação laboratorial de zinco de pacientes com pressão sendo fundamental
a suplementação desse mineral em caso de deficiência.

Vitaminas do complexo B
Dentre as vitaminas do complexo B a que possui mais estudos com depressão
é o ácido fólico, também chamado de folato ou vitamina B9. Ele é obtido por
meio dos alimentos como vegetais de folhas verdes escuras, legumes,
feijões, fruta cítricas, fígado e grãos integrais ou pode ser suplementado
através de ácido fólico (forma sintética dessa vitamina). A deficiência de
folato, avaliada pela diminuição na ingestão alimentar ou pela diminuição dos
níveis séricos, é uma característica presente em pessoas com depressão e que
não respondem ao tratamento clássico com antidepressivos.

Vitamina D

É lipossolúvel e pode ser sintetizada quando os raios solares ultravioletas B


incidem sobre a pele, transformando o 7-de-hidrocolesterol em vitamina D, ou
pode ser ingerida por meio de alimentos de origem vegetal (na forma de
ergocalciferol) ou de alimentos de origem animal (na forma de
colecalciferol). Após ser ingerida ou produzida, a vitamina D precisa sofrer
duas hidroxilações (uma no fígado e outra nos rins) para originar sua forma
ativa 1,25-di-hidroxi vitamina D. O cérebro também possui a capacidade de
transformar a vitamina D em 1,25-di-hidroxi vitamina D. Existem um grande
número de receptores de vitamina D dentro do sistema nervoso central e que
essa desempenha um papel neuroprotetor e que também consegue interagir
com várias vias de sinalização intracelular que estão envolvidas na
fisiopatologia da depressão. Além disso, a vitamina D parece regular a
expressão de vários neurotransmissores, incluindo neurotransmissores
envolvidos na patogênese da depressão.

Outros nutrientes importantes para os transtornos de humor são: vitamina C, E,


creatina, fosfatidilserina e inositol. Desta forma, a alimentação é uma aliada
para que possamos ingerir esses nutrientes todos os dias, dando destaque à
dieta anti-inflamatória. Essa dieta é composta por vegetais, frutas, peixes,
ervas e temperos, sendo rica em antioxidantes e ômega-3, sendo, ainda, pobre
em ácidos graxos saturados e gorduras trans.

Por meio de algumas abordagens nutricionais associadas ao tratamento com


antidepressivos, é possível melhorar os sintomas do paciente e a qualidade de
vida das pessoas acometidas com esses transtornos psiquiátricos.
Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

NEFROLITÍASE RENAL E NUTRIÇÃO

A nefrolitíase constitui uma das afecções urológicas mais comuns na


população geral, correspondendo a uma prevalência de aproximadamente 3%,
afetando em maior proporção homens jovens, entre 20 e 40 anos. De 25 a 55%
das pessoas que apresentam litíase renal são filhos de pais com a mesma
patologia. A obesidade também aumenta as chances de produção de cálculos
de ácido úrico.

Apesar de ser influenciada por outros fatores, a composição da urina é


grandemente determinada pela composição da dieta do indivíduo. Vários
estudos evidenciaram que a dieta típica dos países industrializados, rica em
sódio, em proteínas de origem animal e bebidas adoçadas com açúcar e
frutose, tem como consequência uma elevada excreção de cálcio, ácido úrico,
oxalato e fósforo e uma diminuição do citrato e pH urinários, favorecendo,
assim, a formação dos cálculos.

Em países desenvolvidos, a doença litiásica é mais comum em adultos,


geralmente, com acometimento do trato superior por cálculos compostos por
oxalato de cálcio. Por outro lado, nos países subdesenvolvidos é mais
prevalente em crianças, apresentando-se como cálculos vesicais compostos de
ácido úrico.

Desta forma, um aconselhamento nutricional para a prevenção da ocorrência e


também da recorrência dos cálculos é uma estratégia conveniente tanto para
profissionais como para os pacientes por ser economicamente acessível e
segura. É importante observar que, para a obtenção de melhores resultados,
preconiza-se que as recomendações dietéticas devem ser estabelecidas de
acordo com o tipo de cálculo e as características da análise de urina de 24h.
Os cálculos de ácido úrico podem ocorrer por hiperuricemia e hiperuricosúria,
mas metade deles é idiopático e decorrente da acidez urinária ou de defeito
renal na reabsorção tubular de ácido úrico.

Considera-se hiperuricosúria para níveis urinários de ácido úrico superiores a


700 mg/dia. É o mecanismo mais comum para a formação de litíase devido o
meio estar supersaturado de oxalato de cálcio e de ácido úrico que removem
as substâncias inibidoras da formação de cálculos cálcicos.

Tendo em vista que as condições predisponentes mais importantes constituem


fatores ambientais ou comportamentais, ou seja, passíveis de intervenção, o
controle na ocorrência desta entidade se faz possível. A profilaxia de litíase
urinária é, portanto, fundamental para o controle dos indivíduos predispostos
bem como para a redução do índice de recidivas. O âmbito populacional,
visando à prevenção deste problema, o incentivo à alimentação equilibrada
parece ser a estratégia mais adequada.

Uma publicação recente que avaliou a associação entre hábito alimentar e o


risco de nefrolitíase em mais de 50 mil pessoas concluiu que os principais
fatores protetores foram o alto consumo de magnésio, de frutas frescas e de
fibras provenientes dos cereais integrais. Além disso, quando comparados aos
participantes que apresentavam um consumo elevado de carnes (> 100 g/dia),
os que tinham um consumo moderado (50-99 g/dia) ou baixo (< 50 g/dia)
tiveram 20% e 48% menor chance de ocorrência de litíase, respectivamente.
Um consumo adequado de frutas, legumes e verduras parece ser um fator
protetor para a formação dos cálculos, por estar diretamente relacionado à
ingestão de fatores antilitogênicos como potássio, magnésio, citrato e fitato.

No âmbito da genética há investigações sobre o gene do Receptor de Vitamina


D (VDR), o qual tem vários polimorfismos, e alguns deles têm sido associados
com a formação de cálculos urinários em algumas populações. Um estudo
publicado em 2016 no Urology Journal teve como objetivo investigar a possível
relação entre o desenvolvimento de litíase renal e cinco polimorfismos comuns
[BsmI (rs1544410), ApaI (rs7975232), Taq (rs731236), Tru9I (rs757343) e FokI
(rs2228570)] do gene VDR em pacientes e controles da população turca.
Concluíram então que o alelo "B" do polimorfismo Bsml do gene VDR pode
aumentar o risco de desenvolvimento de pedra.

Compreender a tendência genética para o desenvolvimento de litíase renal e


sua recorrência, pode proporcionar uma oportunidade para o diagnóstico
precoce e também pode ser útil para o acompanhamento clínico dos pacientes
que possuem litíase renal.

Estes achados reforçam a importância do aconselhamento e acompanhamento


nutricionais dos indivíduos acometidos por este problema que, além de poder
comprometer a qualidade de vida, pode ter como consequência a perda
irreversível da função renal.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

SIMONETI, F. L. et al. CONSIDERAÇÕES ATUAIS SOBRE A


CIRURGIAABERTA EM NEFROLITÍASE EM NÍVEL URETERO PÉLVICO E
URETERAL INFERIOR. Rev. Fac. Ciênc. Méd. Sorocaba, v. 17, n. 1, p. 48 - 49,
2015.

Turney BW, Appleby PN, Reynard JM, Noble JG, Key TJ, Allen NE. Diet and
risk of kidney stones in the Oxford cohort of the European Prospective
Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC). Eur J Epidemiol 2014;29:363-9.
RAMOS, A. P. et al. Prevenção de litíase renal através de mudanças de hábitos
de vida e dietéticos. Brazilian Journal of Health v. 3, n.2, p. 22-31, Maio/Agosto
2012.

CAKIR, O. O. et al. Association of the BsmI, ApaI, TaqI, Tru9I and FokI
Polymorphisms of the Vitamin D Receptor Gene with Nephrolithiasis in the
Turkish Population. Urology Journal, v. 13, n. 01, 2016.

SÍNDROME METABÓLICA

As transformações ocorridas nos padrões socioeconômicos e culturais a partir


da segunda metade do século XX alteraram de forma significativa o estilo de
vida da população. Essas mudanças contribuíram para o aumento da
obesidade e de outros fatores de risco cardiovasculares.

A obesidade é uma doença multifatorial resultante do acúmulo de tecido


adiposo que afeta praticamente todas as idades e grupos socioeconômicos. É
definida como doença crônica e progressiva por causa das numerosas
comorbidades associadas. Dentre essas, destaca-se a síndrome metabólica
(SM), um complexo distúrbio decorrente da perda da homeostase corporal, que
envolve o metabolismo dos glicídios, lipídeos e proteínas, assim como a
programação e a predisposição genética.

Diversos estudos nas últimas décadas têm sugerido que exposições


nutricionais, ambientais e padrões de crescimento durante a vida intrauterina e
nos primeiros anos de vida podem ter efeitos importantes sobre as condições
de saúde do adulto, sendo janelas de oportunidade fatais para o
desenvolvimento de doenças.

O retardo do crescimento intrauterino e o ganho de peso excessivo nos


primeiros anos de vida têm sido associados com o aumento do risco para
obesidade, hipertensão, síndrome metabólica, resistência insulínica e doenças
cardiovasculares na vida adulta.
Assim, as condições pré-gestacionais e gestacionais (principalmente aquelas
relacionadas à nutrição materna) às quais um indivíduo é exposto podem
“programar” o desenvolvimento de doenças crônicas na sua vida adulta.

A SM tem prevalência estimada entre 20-25% na população geral, com


comportamento crescente nas últimas décadas. Essa prevalência é ainda
maior em homens e mulheres mais velhos, chegando a 42% em indivíduos >60
anos. Indivíduos com SM apresentam risco duas a três vezes maiores de
doenças cardiovasculares. Assim, há um enorme apelo médico e
socioeconômico para se identificar os marcadores da SM que possam auxiliar
no combate à progressão da atual epidemia.

Segundo o National Cholesterol Education Program’s Adult Treatment Panel


III (NCEP-ATP III), para diagnosticar a SM é necessário o indivíduo apresentar
pelo menos três dos seguintes fatores: obesidade central por meio da
circunferência da cintura (CC) (homens >102 cm e mulheres >88 cm);
dislipidemia (DSL) (triglicerídeos (TG) ≥150 mg/dL ou HDL <40 mg/dL para
homens e <50 mg/dL para mulheres); pressão arterial (PA) sistólica ≥130
mmHg ou PA diastólica ≥85 mmHg; e hiperglicemia de jejum (glicemia de jejum
(GJ) ≥110 mg/dL).

Sabe-se que no tratamento de indivíduos obesos com ou sem SM, a perda


ponderal é bastante relevante. Dados da literatura apontam que a perda de 7-
10% do peso inicial já é suficiente para promover melhora na circunferência
abdominal, no perfil lipídico e na glicemia. Portanto, a adesão a tratamento
dietoterápico e à prática de exercícios físicos é fundamental no tratamento da
SM, bem como da obesidade.

Dados crescentes mostram a associação da síndrome metabólica (SM) ou


seus componentes com o desenvolvimento de câncer e mortalidade
relacionada ao câncer. Sugere-se que na SM em associação de câncer, a
resistência à insulina e sistema de insulin-like growth factor 1desempenham um
papel fundamental, especialmente as adipocinas secretados pelos adipócitos
viscerais, ácidos graxos livres e atividade da aromatase contribuem para este
processo.
Também está relatado que a SM tem uma ligação com câncer de colo-retal, de
mama, de endométrio, de pâncreas, de fígado primário e, apesar de
controvérsias, câncer de próstata. A abordagem primária em relação SM e o
câncer é evitar os fatores de risco.

Mudanças no estilo de vida, incluindo a perda de peso e uma dieta saudável é


fundamental para diminuir o risco de câncer na população normal. O plano
alimentar proposto deve ser individualizado, no qual inicialmente se devem
estabelecer as necessidades do indivíduo a partir da avaliação nutricional,
incluindo a determinação do índice de massa corporal, circunferência do
abdômen e, quando possível, a composição corpórea, o que permitirá uma
adequada conduta nutricional.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

SANTOS, H. C. M. et al. Síndrome Metabólica e Outros Fatores de Risco para


Doença Cardiovascular em População de Obesos. Rev Bras Cardiol.
2013;26(6):442-49.

UZUNLULU, M. et al. Association between Metabolic Syndrome and Cancer.


Ann Nutr Metab 2016;68:173–179.

NAVES, A. Nutrição Clínica Funcional: Obesidade. São Paulo: VP Editora,


2014.
TIPOS DE ÓLEO

A estabilidade dos óleos depende da resistência à oxidação durante o


processamento e armazenamento. A oxidação pode ser minimizada pela
remoção de pró-oxidantes e oxigênio, proteção contra a luz ou inativação de
enzimas e de íons metálicos. Antioxidantes são adicionados aos óleos na
tentativa de minimizar os efeitos da oxidação e aumentar a estabilidade dos
lipídeos.

O perfil de ácidos graxos presentes no óleo vegetal afeta diretamente a


estabilidade à oxidação. Aqueles com maior grau de insaturação são os mais
susceptíveis às reações oxidativas.

Saturados: Presentes em carnes gordas, banha, manteiga, palma, cacau,


laticínios, coco, entre outros. Deve ser limitada a menos de 10% do total de
ingestão calórica. Aumentam o colesterol total e a LDL-colesterol.

Monoinsaturados: Presentes no azeite de oliva, canola, açaí, abacate e frutas


oleaginosas (amendoim, castanhas, entre outros). Diminui o LDL-colesterol e o
colesterol total.

Poli-insaturados: Presentes nos peixes, óleos vegetais (girassol, soja, milho,


canola, açafrão, algodão, gergelim) e nas frutas oleaginosas (castanhas,
nozes, avelãs).

Você sabe a diferença entre os tipos de óleos existentes no mercado?

Óleo de coco: é rico em gorduras saturadas, principalmente TCM (triglicerídeos


de cadeia média), os quais são rapidamente metabolizados no fígado, além de
não participarem na síntese de colesterol. Este óleo também possui alta
estabilidade ao calor, sendo a melhor opção para utilizar na hora de untar e
refogar outros alimentos.

Óleo de soja: quando aquecido, forma compostos tóxicos ao organismo. Possui


grande quantidade de ácidos-graxos Omega-6, o qual quando em excesso
resulta em inflamação crônica, que é um fator de risco para muitas doenças.
Óleo de linhaça: fonte de ômega-3 (ácido alfalinolênico) contribui na prevenção
do desenvolvimento da resistência à insulina e possui efeitos benéficos na
saúde cardiovascular e cognitiva.

Azeite de oliva extravirgem: é rico em ácido oleico (ômega-9), sendo associado


com melhora no sistema cardiovascular, bem como possui ação
anticancerígena, anti-inflamatória, além de atenuar o Mal de Alzheimer. Na
hora da compra, atente-se a algumas características essenciais: escolha uma
marca que seja de azeite extravirgem, que tenha a embalagem de vidro escura,
prensado a frio e com acidez máxima de 0,5%.

É preciso atentar-se que os efeitos saudáveis dos óleos comestíveis podem ser
suscetíveis a alterações segundo o método culinário utilizado (frituras em
profundidade ou superficiais) e em cocções de longo tempo o que gera
mudanças físico-químicas que podem repercutir na saúde devido à produção
de substâncias indesejáveis ou tóxicas (acroleína).

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

TOLENTINO, M. C. et al. Avaliação da estabilidade foto-oxidativa dos óleos de


canola e de milho em presença de antioxidantes sintéticos. Ciência Rural, v.44,
n.4, abr, 2014.

POLEDNE, R. A new atherogenic effect of saturated fatty acids. Physiol Res, v.


62, n.2, p. 139-43, 2013.
NG, C.Y.; KAMISAH, Y.; FAIZAH, O. et al. The role of repeatedly heated
soybean oil in the development of hypertension in rats: association with
vascular inflammation. Int J Exp Pathol, v. 93, n.5, p.377-87, 2012.

TEIXEIRA, L.G. Efeito experimental do óleo de coco no ganho de peso e


lipídeos corporais. Nutrire, vol.38, p.149-149, 2013.

NUTRIÇÃO E ESTÉTICA – ACNE

A acne é uma afecção crônica, universal, multifatorial, inflamatória ou não


inflamatória, que surge na puberdade, podendo surgir na mulher adulta com
endocrinopatias. Caso não seja tratada, pode perdurar por toda adolescência e
se estender até a fase adulta.

Esse distúrbio tem importante impacto econômico e social, assim como no


efeito negativo à autoimagem e ao padrão de beleza, em especial durante o
período emocional crítico da adolescência. Pessoas com acne podem julgar-se
com menor valor que as outras e socialmente inaceitáveis, pois a acne grave
pode causar desfiguração e cicatrizes, agravando o quadro psicossocial já
presente nessa condição.

São quatro os principais fatores implicados na patogênese da acne, todos


bastante inter-relacionados: produção excessiva de sebo, favorecendo a
infecção bacteriana; hiperqueratinização folicular; colonização bacteriana do
folículo; liberação de mediadores da inflamação no folículo.

A testosterona é fundamental para o crescimento e desenvolvimento da


glândula sebácea. A inflamação da acne aumenta quando há uma grande
secreção de hormônios na adolescência. Em mulheres é a causa de 50% dos
casos de acne que persistem até a idade adulta. O excesso de androgênio
nessas mulheres se dá em particular pela síndrome do ovário policístico.
A ceratinização do canal folicular pode ficar latente e gerar comedões abertos e
fechados, seguidos ou não da inflamação do folículo. Dessa maneira, existem
três tipos de acne: a comedonal, a papilopustular e a nodular. Cada uma
resulta de um processo de fisiopatologia multifatorial na unidade pilossebácia:
produção de sebo, hiperceratinização folicular, proliferação e colonização
por Propionibacterium acnes, e liberação de mediadores inflamatórios.

As lesões incluem comedões abertos (cravos pretos) e fechados (cravos


brancos) não inflamatórios. A gravidade da acne é diagnosticada segundo a
Classificação da Severidade da Acne, que classifica em branda, moderada e
grave, com base no número e tipo da lesão.

Além da terapia medicamentosa, pode-se realizar uma conduta nutricional,


porém a discussão acerca dos alimentos que agravam o quadro acneico ainda
é controversa. Os alimentos mais relacionados são o chocolate, nozes,
produtos lácteos, alimentos gordurosos e condimentados, carboidratos simples,
algumas vitaminas e sais minerais.

A modificação dos hábitos alimentares, com a substituição de consumo de


alimentos naturais pelos processados e industrializados parece contribuir para
o desencadeamento da acne. A prevalência de acne é baixa e muito menor em
áreas rurais e sociedades não industrializadas que na população moderna
ocidental.

Essa evolução dos hábitos alimentares modificou a composição da dieta,


promovendo o aumento gradativo do consumo de alimentos pró-inflamatórios e
o aumento da relação ômega-6 para ômega-3. A adoção desses novos hábitos
alimentares ocidentais fez disseminar silenciosamente uma inflamação anormal
crônica e maléfica entre a população mundial.

Da mesma forma que certos nutrientes causam inflamação, há outros, como


por exemplo, os ácidos graxos ômega-3, são capazes de sintetizar os
hormônios (prostaglandinas e leucotrienos), que inibem ou ao menos os
controlam. Como esses nutrientes não podem ser sintetizados pelo organismo,
deve ser estimulado com base na dieta anti-inflamatória, promovendo um
equilíbrio entre os hormônios da família eicosanoide e priorizando, dessa
maneira, o consumo de fontes ômega-3 ao ômega-6.

Com relação a uma dieta hiperlipídica sugere-se que há um aumento na


produção de sebo, pela ingestão de gorduras, e que uma dieta hiperlipídica
pioraria as lesões em razão da secreção gordurosa das glândulas sebáceas
em indivíduos de pele oleosa, com tendência a acne.

Algumas evidências mostram que a dieta induz mudanças hormonais no que


concerne à liberação de prostaglandinas e citocinas inflamatórias que estão
direta ou indiretamente relacionadas com o desencadeamento da acne.

Parece evidente que a composição dos ácidos graxos que formam a fração
lipídica da dieta poderia influenciar no agravo da acne, favorecendo o processo
inflamatório.

Alguns fatores, como a má digestão (déficit de enzimas digestivas),


hipocloridria, ausência de fatores de proteção à mucosa intestinal, déficit nos
fatores de crescimento da mucosa, toxinas bacterianas, irritantes químicos,
radicais livres e disbiose, podem causar e/ou agravar a permeabilidade
intestinal.

Com o aumento da permeabilidade intestinal, há absorção de macromoléculas


tóxicas e antígenos e consequente liberação de self de anticorpos, gerando
uma hipersensibilidade imunológica. O aumento da permeabilidade intestinal
leva a uma maior incidência de perda de vitaminas e outros nutrientes, e sabe-
se que carência de micronutrientes está relacionada com lesões acneicas.

Acredita-se que basta manter a constante integridade da flora intestinal por


meio de uma alimentação adepta de nutrientes tróficos e imunomoduladores,
como fibras solúveis e insolúveis, ácidos graxos de cadeia curta (AGCC),
prebióticos probióticos, para acabar com danos maiores à mucosa intestinal e,
como consequência, afastar desordens futuras ao organismo e à pele, como a
acne vulgar.

Outro fator a ser levado em consideração é o índice glicêmico da dieta. A dieta


de alto índice glicêmico poderia estar envolvida na fisiopatologia da acne, pois
é importante contribuinte para o desenvolvimento da hiperinsulinemia, a qual
tem estreita relação com o desencadeamento da acne.

O aumento da insulina pode mediar aspectos patológicos da acne,


considerando que uma dieta de baixo IG previne e reduz ação dos andrógenos,
como a testosterona livre e o sulfato dehidroepiandroesterona (DHEA-S),
importantes desencadeadores da produção sebácea. Portanto, uma dieta de
baixo IG pode ser benéfica para o controle da acne.

Tem se observado que o déficit de alguns minerais e vitaminas podem


provocar desordens como a acne vulgar. Um dos nutrientes mais citados é o
zinco, o qual tem cerca de 20% detido na pele. Sua deficiência pode ser
decorrente de doenças intestinais (como a constipação e hiperpermeabilidade
intestinal), estando associada a lesões da pele, cicatrização retardada e
resposta imunológica alterada. Dietas que otimizam a ingestão de fontes de
zinco (ostra, farelo de arroz, germe de trigo, castanha-do-pará, frango, alho,
semente de abóbora, entre outros) auxiliam na diminuição da acne e do sebo,
reforçando sua ação cicatrizante, ceratolítica e anti-inflamatória sobre
comedões abertos e fechados por inibição da síntese das prostaglandnas.

A vitamina B5 (ácido pantotênico) é fundamental para a síntese de hormônios


sexuais e sua deficiência pode promover o desequilíbrio do metabolismo dos
ácidos graxos, aumentando a probabilidade de ocasionar acne.

Os alimentos influenciam na causa e/ou no tratamento da acne. No âmbito


nutricional tais indícios seriam a utilização de fontes de ômega-3 e a
suplementação de alguns micronutrientes específicos na reconstituição da
microbiota intestinal desequilibrada, bem como no combate da inflamação por
conta de suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, além de
alimentos com baixo índice glicêmico.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
PUJOL, A. P. Nutrição Aplicada à Estética. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011.

ALIMENTOS ANTIESTRESSE

O estresse é definido como um estado de desequilíbrio da homeostase


orgânica, após exposição a fatores estressores, extrínsecos ou intrínsecos.
Após o indivíduo ser submetido a um evento estressor, acontece uma resposta
adaptativa ao estresse, na qual ocorre aumento da atenção e direcionamento
das funções cerebrais para a ameaça percebida. Perifericamente, ocorre um
aumento do débito cardíaco, uma aceleração da respiração e direcionamento
do fluxo sanguíneo para o coração, cérebro e músculos esqueléticos. Essas
respostas normalmente são transitórias e objetiva fazer o indivíduo sobreviver
ao fator estressor. Entretanto, quando cronicamente estimulada, a resposta
adaptativa ao estresse pode se tornar mal adaptativa, trazendo consequências
prejudiciais ao organismo. É importante ressaltar que a capacidade de
responder aos estressores é individualizada e sofre influência tanto de fatores
genéticos, quanto de fatores ambientais.

O estresse (agudo ou crônico) traz inúmeras consequências ao sistema


nervoso central (SNC). Várias regiões cerebrais, como o hipocampo, córtex
pré-frontal e amígdala respondem a ambos os tipos de estresse, podendo
alterar a morfologia e a química/função dessas estruturas, que são em grande
parte reversíveis, caso o estresse crônico dure apenas algumas semanas. No
entanto, não está claro se o estresse prolongado, durante muitos meses ou
anos, pode ter efeitos irreversíveis no cérebro.

Vários nutrientes e fitoterápicos podem auxiliar na melhora do estresse e no


controle do eixo HPA. Podemos citar a vitamina C, a qual pode ser útil na
modulação do estresse, agindo como cofator de enzimas importantes para a
síntese de neurotransmissores monoaminérgicos. Doses de vitamina C acima
da RDA podem auxiliar no funcionamento da adrenal e diminuir os níveis de
cortisol.

As vitaminas do complexo B, como a B1, por exemplo, podem auxiliar direta ou


indiretamente na modulação do estresse. A vitamina B1 quando administrada
em alta dose a indivíduos submetidos a procedimentos cirúrgicos na cavidade
abdominal alguns dias ou até 1,5 a 2h antes da cirurgia, foi efetiva em reduzir a
reação do cortisol.

A deficiência de vitamina B5 compromete o funcionamento do córtex da


adrenal. Em ratos, a administração de pantetina parece melhorar a função da
adrenal. Em humanos estudos sugerem que a pantetina pode diminuir a
hipersecreção de cortisol induzida por situações altamente estressantes.

A vitamina B6 parece atuar de forma mais indireta sobre a modulação do


estresse. Essa vitamina é importante, pois serve de cofator para enzimas
envolvidas na síntese de alguns neurotransmissores como a serotonina,
dopamina e o ácido y aminobutírico (GABA), que pode influenciar nos sinais e
sintomas do estresse.

A tirosina, que é um aminoácido precursor das catecolaminas, aprece auxiliar


no declínio de norepinefrina induzido pelo estresse e melhorar o desempenho
sob uma variedade de circunstâncias, incluindo a privação de sono,
treinamento de combate, exposição ao frio e exposição a ruídos/barulhos
desagradáveis.

A teanina é um aminoácido encontrado na Camellia sinensis, mais conhecido


como chá verde. Este aminoácido possui inúmeros efeitos no cérebro sobre o
metabolismo de neurotransmissores como o glutamato, glicina e GABA, além
de modificar a secreção de monoaminas.

O consumo de ω3 também parece influenciar os níveis de cortisol. Em estudo


realizado durante 6 semanas o consumo de 4g/dia de óleo de peixe rico em ω3
propiciou o aumento na massa magra, uma diminuição na massa gorda e uma
tendência a diminuição do cortisol salivar.

A fosfatidilserina é eficaz em diminuir o cortisol principalmente o aumento


induzido pela atividade física. Um estudo demonstrou que 800mg de
fosfatidilserina foi capaz de diminuir a resposta do cortisol ao exercício bem
como os níveis de ACTH, sugerindo que a fosfatidilserina é interessante como
estratégia para conter a ativação do eixo HPA induzido pelo estresse.

O β-sitosterol é o mais conhecido fitoesterol produzido pelas plantas, sendo


encontrado em algumas plantas e alimentos, como o abacate e a semente de
abóbora. Esse composto parece auxiliar na modulação do cortisol,
normalizando a relação de hidroepiandros-terona:cortisol.

Algumas alterações na dieta são significativas na alteração do cortisol. Uma


baixa ingestão calórica pode ser capaz de aumentar os níveis de cortisol
salivar. A quantidade de proteína da refeição também pode influenciar, uma
refeição com alto teor de proteína aumenta os níveis de cortisol e uma refeição
com baixo teor de proteína não exerceu o mesmo efeito.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
MORITZ, B.; MANOSSO, L. M. Nutrição Clínica Funcional: Neurologia. São
Paulo: Vp editora, 2015.

BENEFÍCIOS DO CAFÉ

O café é uma das bebidas mais apreciadas em todo o mundo, não só pelas
características organolépticas, mas pelo seu efeito estimulante. Os potenciais
efeitos na saúde causados por essa bebida provocaram o interesse da
comunidade científica.

A composição química do grão verde de café é bastante complexa. Durante o


processo de torrefação ocorrem diversas reações químicas, através das quais
se formam diversos compostos químicos. Sendo assim, os efeitos do consumo
de café irão depender da qualidade e quantidade dos compostos químicos.
Além do tipo de processamento que os grãos são submetidos (via seca, úmida
ou mista, descafeinização) o grau de torra e de moagem, assim como o de
preparação da bebida (filtro, expresso, cafeteira, fervido) e respectivo volume,
irá contribuir para a variação química final da bebida.

O principal componente psicoativo do café é, sem dúvida, a cafeína. Os efeitos


comportamentais mais notáveis ocorrem após a ingestão de doses baixas a
moderadas (50 – 300mg) deste composto, podendo ser observada uma
melhora na performance cognitiva e psicomotora do consumidor (melhoria do
estado de alerta, da energia, da capacidade de concentração, do desempenho
em tarefas simples, vigilância auditiva, do tempo de retenção visual e
diminuição da sonolência e do cansaço).

A cafeína é um nutriente amplamente utilizado por atletas que desejam


otimizar seu desempenho e está presente em diversos alimentos e bebidas. O
consumo de cafeína ocorre principalmente em competições onde predomina o
metabolismo aeróbico. Dentre os diversos mecanismos fisiológicos pelos quais
a cafeína poderia melhorar o desempenho, os mais estudados são o aumento
no catabolismo de lipídios e o antagonismo dos receptores da adenosina
monofosfato cíclica (AMP-c).

Essa substância afeta a termogênese pela inbição da enzima fosfodiesterase.


Essa enzima degrada o aminomofosfato clínico intracelular. A fosfodiesterase
usualmente hidrolisa o AMPc a AMP, mas após o consumo da cafeína, a
concentração de AMPc eleva-se e a atividade do SNS aumenta e a lipase
hormônio sensível inativa é ativada, promovendo a lipólise.

A atividade do SNS e a lipólise são dependentes do AMPc, visto que este ativa
a proteína quinase A (PKA). Além da inibição da fosfodiesterase, a cafeína
também afeta a termogênese por meio do estímulo de ciclos, tais como o ciclo
de Cori e o ciclo do FFA-triacilglicerol.

No ciclo de Cori, o lactato move-se do músculo para o fígado, onde é


convertido a piruvato. O piruvato pode ser convertido à glicose por meio da
enzima lactato desidrogenase e circula de volta ao músculo através do sangue.
Foi mostrado que o turnover dos ácidos graxos livres e a oxidação lipídica são
aumentados após o consumo de cafeína, mas isso necessita de um grande
aumento na oxidação lipídica. O turnover lipídico não oxidativo, a hidrólise e a
re-esterificação do triacilglicerol são aumentados em maior grau em
comparação a oxidação lipídica. Além disso, a cafeína antagoniza os efeitos
inibitórios da adenosina sobre a lipólise pela adenilil ciclase.

Além disso, a cafeína parece ser benéfica aos indivíduos com Doença de
Parkinson (DP), além de prevenir o aparecimento da doença. A cafeína tem
grande semelhança à adenosina, ligando-se aos seus receptores, o que
impede a ação da mesma no SNC. A adenosina, por sua vez, bloqueia a
dopamina. Dessa forma, o consumo de alimentos ricos em cafeína como o
café, chocolate amargo, chá preto, chá mate, pode levar ao bloqueio da
adenosina e ao aumento das concentrações de dopamina, que estão
diminuídas no indivíduo com DP.

Porém deve-se ficar atento à ingestão de café pelas grávidas. O metabolismo


da cafeína é mais lento nas mulheres grávidas e no feto, resultando numa
exposição a este composto mais longa e, possivelmente, em teores mais
elevados. Uma vez que a cafeína atravessa facilmente a placenta e muitas
mulheres consomem cafeína durante a gravidez, grande parte dos recém-
nascidos possui níveis farmacologicamente ativos de cafeína no plasma. Por
precaução, e porque são necessários ainda mais estudos sobre estas
questões, recomenda-se a interrupção ou redução da ingestão diária de
cafeína para o equivalente a uma ou duas xícaras de café (<150 mg), durante a
gravidez. Algumas investigações demonstram um ligeiro aumento do risco de
aborto espontâneo devido ao consumo deste composto (através do café ou
outras fontes), especialmente quando a sua ingestão excede os 300 mg/dia.

O consumo moderado de cafeína não parece de um modo geral, acarretar


riscos para a saúde. Porém, doses elevadas podem induzir efeitos negativos
tais como taquicardia, palpitações, insônias, ansiedade, tremores, dores de
cabeça e náuseas. Estes efeitos indesejáveis podem manifestar-se,
igualmente, em alguns indivíduos sensíveis à cafeína, mesmo sem o consumo
de elevadas quantidades de café.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

ALVES, R. C.; CASAL, S.; OLIVEIRA, B. Benefícios do café na saúde: mito ou


realidade?. Quim. Nova, Vol. 32, No. 8, 2169-2180, 2009.

MORITZ, B.; MANOSSO, L. M. Nutrição Clínica Funcional: Neurologia. São


Paulo: VP Editora, 2015.
PONCHE FUNCIONAL SEM ÁLCOOL

Ingredientes:

• 1 colher de sopa de açúcar mascavo (ou demerara)


• 100 ml de sumo de laranja
• 1 colher sopa de sumo de limão
• 1 fatia de laranja
• 1 fatia de limão
• ½ maçã em cubos pequenos
• 150 ml de sumo de uva
• 50 ml de sumo de maçã

Modo de preparo:

Em uma jarra adicione o açúcar, o sumo de limão, e o sumo de laranja, e


misture até o açúcar dissolver. Acrescente as fatias de laranja e limão, a maçã
cortada em cubos e os sumos de uva e maçã. Despeje em uma tigela e sirva
em seguida. Para ficar mais fresco, junte cubos de gelo e misture.

Receita adaptada.

Propriedades nutricionais

Suco de laranja:

Os sucos de frutas cítricas como a laranja são excelentes fontes de vitamina C,


carotenoides e compostos fenólicos. O suco de laranja está associado com
uma dieta de melhor qualidade e nutrientes, redução do risco de obesidade,
IMC, níveis de colesterol e LDL. Possui ainda ação anti-inflamatória e
antioxidante. Os carotenoides são pigmentos naturais responsáveis pelas cores
de amarelo a laranja ou vermelho de algumas frutas, hortaliças, gema de ovo,
crustáceos cozidos e alguns peixes. Além disso, os carotenoides estão
envolvidos com a redução do risco de contrair doenças crônicas degenerativas,
como câncer, doenças cardiovasculares, catarata e degeneração macular
relacionada à idade.

Uva:

A uva é uma das maiores fontes de compostos fenólicos, possui elevadas


concentrações quando comparado com outras frutas e vegetais. As uvas são
fontes de resveratrol quercetina, que favorecem a produção pelo fígado de
HDL-colesterol e a redução de LDL-colesterol, reduzindo os riscos de
problemas vasculares e a proliferação de células tumorais. Contém também,
antocianinas que tem como função diminuir a oxidação celular evitando assim
câncer e alergias. Possui ainda propriedades anti-inflamatórias.

Elaborado por Letícia Weber. Estagiária de Nutrição do Instituto Ana Paula


Pujol.

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS:

RODRIGUEZ-AMAYA, Delia; KIMURA, Mieko; AMAYA-FARFAN, Jaime.


Fontes brasileiras de carotenoides: Tabela Brasileira de Composição de
Carotenoides em Alimentos. Ministério do Meio Ambiente. Brasília, 2008.
VIDAL, Andressa Meirelles; et al. A ingestão de alimentos funcionais e sua
contribuição para a diminuição da incidência de doenças. Ciências Biológicas
e da Saúde. v. 1, n.15, p. 43-52, out. 2012.

SANTILLO, Amanda Galassi. Efeitos da radiação ionizante nas


propriedades nutricionais das uvas de mesa benitaka e uvas passas
escuras. Dissertação - São Paulo, 2011.

SEIXAS, Daniela. Compostos Bioativos dos Alimentos. 1º ed. São Paulo:


Valéria Paschoal Editora Ltda. 340p, 2015.

PANETONE FUNCIONAL

Ingredientes:

• 02 xícaras de farinha de arroz integral


• 20 g de fermento instantâneo seco
• 01 copo de água quente
• 01 xícara de polvilho doce
• ½ xícara de fécula de batata
• 01 xícara de açúcar demerara
• 02 ovos orgânicos
• 200 ml de leite de coco
• 02 colheres de sopa de chia ou linhaça
• ½ xícara de cranberries desidratadas
• ½ xícara de uvas passas
• ½ xícara de chocolate 70% cacau
• 01 xícara de amêndoas picadas (ou outra castanha de sua preferência)

Modo de Preparo:
Misture bem a farinha de arroz com o fermento seco, acrescentando aos
poucos a água quente. Mexa delicadamente com as mãos até ficar com uma
consistência de mingau, um pouco mais firme. Deixe descansar a massa por
10 minutos.

Em outro recipiente adicione o polvilho doce, a fécula de batata, o açúcar


demerara e misture. Acrescente os ovos e o leite de coco. Misture com a mão
um pouco mais até encorpar a massa.

Junte com a outra massa que estava descansando e mexa com as mãos
delicadamente. Por último acrescente a linhaça, as amêndoas, as cranberries,
as uvas passas e o chocolate, reservando uma colher de cada para decorar.

Coloque a massa na forma ou no papel de panetone e deixe descansar por


uma hora antes de levar ao forno, coloque a linhaça, as amêndoas,
o cranberry, as uvas passas e o chocolate que reservou e leve ao forno pré-
aquecido por 40 minutos a 180°.

Fonte.

Propriedades nutricionais

Chia:

A chia (Salvia hispânica L.) é uma semente com alto valor nutricional, que
possui elevado teor de ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 e ômega-6,
contêm também proteínas, minerais como cálcio, magnésio, ferro, potássio,
antioxidantes e fibras alimentares. Quando em contato com água forma um gel
mucilaginoso que é rico em fibras dietéticas.

Leite de coco:

O leite de coco é uma ótima opção para as pessoas que são alérgicas ou
intolerantes à lactose presente no leite de vaca. Essa bebida é rica em
proteínas, carboidratos e minerais como fósforo. Devido ao seu alto teor de
selênio ajuda a diminuir o risco de inflamação nas articulações.

Oleaginosas:

São ricas em ácidos graxos insaturados (ácido oleico, ácido linoleico e ácido
alfalinolênico) e pobres em ácidos graxos saturados. São ótimas fonte de
proteínas vegetal, fibra alimentar, vitaminas antioxidantes, minerais e
fitoquímicos. Entre os fitoquímicos, os fitoesterois presentes nas oleaginosas
podem conferir efeitos protetores contra o câncer e doenças cardiovasculares.

Elaborado por Letícia Weber. Estagiária de Nutrição do Instituto Ana Paula


Pujol.

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

BELEWU, M.A.; et al. Rice- Coconut Yoghurt: Preparation, Nutritional and


Sensory Qualities.Asian Journal of Agriculture and Rural Development. v.3,
n.12, p. 924-928, 2013.

COSTA, N.M.B.; ROSA, C.O.B. Alimentos Funcionais: Componentes


bioativos e efeitos fisiológicos. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2010.
MARINA, A.M.; NURULAZIZAH, S. Use of Coconut Versus Dairy Milk Products
in Malaysian Dishes: Comparison of Nutritional Composition and Sensory
Evaluation. Journal of Food and Nutrition Research. v.2, n.4, p.204-208,
2014.

NAIKA, A.; et al. Dehydration of coconut skim milk and evaluation of functional
properties. CyTA - Journal of Food. v.12, n.3, p. 227-234, 2014.

PEREIRA, B.S.; et al. Análise físico-química e sensorial do pão de batata isento


de glúten enriquecido com farinha de chia. Demetra: Alimentação, Nutrição e
Saúde. v.8, n.2, p.125-136, 2013.

SOUZA, A.; et al. Desenvolvimento de um molho à base de linhaça (linum


Usitatissimum l.) E chia (salvia hispânica l.). Anais VI SIMPAC. v.6, n.1, p. 255-
260, 2014.

OPÇÕES DE LANCHES PARA COMER


NA PRAIA

Está chegando o final do ano, época de férias e descanso e com isso muitas
pessoas vão em direção ao litoral para aproveitar a praia. A pergunta é:

Quais as opções de lanches saudáveis para levar à praia?

Para quem fica o dia todo aproveitando o sol e o mar, levar o lanche de casa é
uma ótima opção.

Além de garantir a procedência desses alimentos, essa é uma atitude


econômica e saudável!

Desta forma, é possível aproveitar a praia sem cometer exageros e cair nas
tentações dos alimentos calóricos, não pondo a perder todo o esforço do ano.
Para preservar os alimentos sempre frescos, é necessário uma bolsa térmica
para manter a temperatura correta e garantir a qualidade dos mesmos,
evitando contaminações e/ou intoxicações alimentares.
Devido ao intenso calor na praia, o ideal é realizar refeições leves e de mais
fácil digestibilidade. Se quiser aproveitar as opções que os estabelecimentos
oferecem, escolha sempre os alimentos assados, cozidos ou grelhados, evite
as frituras e bebidas alcoólicas em excesso. Prefira alimentos como o milho
verde cozido; picolé e sorvetes de frutas e água de coco natural. Consumir
sempre bastante água durante o dia é sempre uma ótima opção para manter-
se saudável!

Confira abaixo algumas sugestões de lanches para comer na praia:

• Frutas frescas: maçã, banana, tangerina, uva Thompson congelada;


• Frutas desidratadas: maçã, abacaxi, mirtilo, cranberry, goji berry;
• Salada de frutas;
• Oleaginosas: castanha do Brasil, amêndoas, castanha de caju,
sementes de abóbora; Ou um mix com várias oleaginosas e sementes
sem sal;
• Cookies integrais;
• Biscoito salgado integral;
• Sanduíche natural (sem maionese) opções: Patê de atum com creme de
ricota + cebolinha + tomate cereja; Frango desfiado + queijo cottage +
rúcula + cenoura ralada; Maionese de abacate + pepino + broto de
alfafa; Tahine com mel;
• Vegetais: cenoura e pepino cortado em cubos ou tiras finas, tomate-
cereja;
• Milho verde cozido;
• Picolé de frutas;
• Barrinha de cereal caseira;
• Água;
• Água de coco;
• Água saborizada;
• Suco natural;
• Chá gelado.

Receitas:
1- Barrinha de cereal caseira

Ingredientes:

• 2 xícaras (chá) de aveia em flocos


• ¼ xícara (chá) de gergelim
• ½ xícara (chá) de açúcar mascavo
• ¼ de melado de cana
• ¼ xícara (chá) de amêndoa
• ¼ xícara (chá) de castanha de caju
• ¼ xícara (chá) de castanha-do-pará
• 2 bananas d’água amassadas
• 1 colher (café) de canela em pó
• 1 colher (sopa) de óleo de coco
• Um pouco mais de óleo de coco para untar a forma

Modo de preparo:

Misture todos os ingredientes numa tigela até formar uma massa homogênea.
Despejar a massa na forma untada com óleo de coco, alisando com uma
espátula molhada para não grudar. Pré-aquecer o forno por cinco minutos a
180ºC e assar a massa por 30 minutos. Ainda quente, marcar o tamanho das
barrinhas e esperar esfriar para cortar.

Fonte.

2- Águas saborizadas:

Opção 1: Água + rodelas de limão siciliano + kiwi + folhas de hortelã

Opção 2: Água + rodelas de laranja + amoras + morangos

Opção 3: Água + rodelas de gengibre + carambola + pau de canela + cravo

Modo de preparo:
Lave e higienize as frutas e as folhas, acrescente na água em uma garrafa de
vidro. Preservar na térmica para gelar.

3- Cookies de quinua e mel

Ingredientes:

• 1 xíc. (chá) de quinua em flocos


• 1 xíc. (chá) de farinha de trigo integral (ou de arroz)
• ½ xíc. (chá) de açúcar mascavo
• 1 col. (chá) de fermento em pó
• 2 col. (sopa) de mel
• 1 col. (sopa) de óleo de coco derretido ou outro
• 1 ovo
• 2 col. (sopa) de água

Modo de preparo:

Em uma tigela funda, misture a quinua, a farinha, o açúcar, o fermento, o mel, o


óleo, o ovo e a água. Mexa até obter uma massa grossa. Molde os cookies
com as mãos e coloque sobre uma fôrma forrada com papel alumínio. Se
preferir, faça bolinhas com o auxílio da colher. Asse em forno pré-aquecido a
180 °C por aproximadamente 25 minutos ou até dourar. Retire do forno, espere
esfriar totalmente e guarde em um vidro bem fechado.

Rendimento: 20 cookies

Fonte.

Elaborado por Letícia Weber. Estagiária de Nutrição do Instituto Ana Paula


Pujol.
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719
PETISCO DE GRÃO-DE-BICO

Ingredientes:

• 400g de grão-de-bico
• 2 colheres de sopa de azeite de oliva extravirgem
• Condimentos a gosto (orégano, lemon pepper, chilli, pimenta caiena,
pimenta-do-reino, alecrim, tomilho, páprica picante, alho, cebola)
• 1 pitada de sal rosa

Modo de Preparo:

Deixe o grão-de-bico de molho por 3 horas. Escorra e cozinhe na panela de


pressão com água e sal, mas deixe al dente. Escorra e reserve. Unte um
tabuleiro com azeite e coloque o grão de bico. Salpique os condimentos que
preferir. Misture bem para envolver os grãos e leve ao forno pré-aquecido, a
230⁰C, por 45 minutos ou até que fiquem corados e crocantes. Mexa de vez em
quando para os grãos dourem por igual.

Propriedades nutricionais

Grão-de-bico:

O grão-de-bico é fonte de proteínas, carboidratos, minerais, vitaminas e fibras.


Diferencia-se das outras leguminosas por sua digestibilidade, baixo teor de
substâncias antinutricionais, além de apresentar a melhor disponibilidade de
ferro. Dentre as diversas leguminosas pesquisadas (feijão comum, feijão-
branco, feijão-preto, ervilha, soja, lentilha e grão-de-bico) foi descoberto que o
grão-de-bico possui melhor disponibilidade de ferro. Ele é uma leguminosa que
tem, nutricionalmente, grande potencial a ser explorado, a fim de minimizar as
deficiências proteicas e minerais da população, uma vez que o grão-de-bico é
boa fonte de minerais (P, Mg, Fe, K, Co, Mn). O consumo do grão-de-bico
ainda é muito limitado no Brasil, quando comparado a outras leguminosas
como o feijão. As sementes de grão-de-bico apresentam considerável
quantidade de óleo, cujos valores variam de 3,8 a 10,2%. Seu óleo tem alto
teor de ácidos graxos insaturados, particularmente linoleico e oleico. O grão-
de-bico é excelente fonte de carboidratos e de proteínas, que abrangem cerca
de 80% do peso total das sementes secas. A proteína do grão-de-bico tem sido
considerada de melhor valor nutricional entre as leguminosas.

REFERÊNCIAS

CANNIATTI–BRAZACA, S.G.; SILVA, F.C. da. Enhancers and inhibitors of iron


availability in legumes. Plant Food for Human Nutrition, v. 58, p. 1-8, 2004.

AVANCINI, S.R.; SALES, A.M.; AGUIRRE, M.; MANTOVANI, D.M.B.


Composição química e valor nutricional de cultivares de grão-de-bico
produzidos no Estado de São Paulo. Coletânea do Instituto de Tecnologia de
Alimentos, v. 22, n. 2, p. 145-53, jul./dez. 1992.

BRAGA, N.R. Possibilidades da cultura do grão-de-bico (Cicer arietinum L.) na


microrregião de Viçosa, Minas Gerais: competição entre cultivares e nutrição
mineral. Viçosa, 1997. 101 p. Tese (doutorado). Universidade Federal de
Viçosa.

TAVANO, O.L. Avaliação nutricional de frações protéicas do grão-de-bico


(Cicer arietinum L.) var. IAC- Marrocos: estudo in vivo e in vitro. Araraquara,
2002. 94 p. Dissertação (mestrado) – Faculdade de Ciências Farmacêuticas.
Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

PRINCÍPIOS DO COMER INTUITIVO


1.Rejeitar a mentalidade de dieta
Quando refere-se a palavra dieta, esta sendo referido a dieta como restrição
alimentar, entendida como alterações restritivas, autoimpostas, que mudam a
quantidade e/ou a qualidade dos alimentos ingeridos, com o intuito de controlar
ou alterar o peso corporal. Tal conceito inclui pular refeições, jejuar, diminuir a
quantidade ingerida, restringir grupos alimentares considerados “engordativos”,
contar calorias dos alimentos, consumir apenas alimentos diet e/ou lights e
todas as dietas da moda.
Essas dietas desregulam as funções de fome, apetite, saciedade, causam
ganho e reganho de peso, aumentam a susceptibilidade aos exageros e
compulsões alimentares.
As recomendações para ajudar a rejeitar a mentalidade de dieta envolvem:
jogar fora os livros, revistas e informações sobre dietas e calorias e outras
“medidas” que oferecem uma falsa esperança de perder peso de forma rápida,
fácil e permanente.
A fim de propor uma mudança de comportamento, a proposta do Comer
Intuitivo (CI), troca, portanto, a rigidez pela flexibilidade, a culpa por prazer e
satisfação e propõe que os indivíduos sejam responsáveis por sua alimentação
de forma flexível e harmônica, e não rígida e controladora; pois seguir regras
impostas por outros não se sustenta em longo prazo.

2.Honrar a fome
Para honrar a fome, é preciso ter horários padronizados e perceber os sinais
de fome (perda de energia, desatenção, dor de cabeça, “ronco na barriga”).
É importante evitar ficar faminto, pois os sinais físicos neste momento estão tão
intensos que haverá dificuldade em identificar o que se quer comer e/ou
quando está saciado. Portanto, comer a cada três ou quatro horas pode ser
importante, mesmo quando a pessoa refere não sentir os sinais de fome. De
qualquer forma, as pessoas são diferentes em suas sensações, por isso
recomendações de horários não devem ser “exatas” ou “rígidas”. Deve-se estar
aberto e sem julgamento para perceber e sentir que os sinais do corpo não são
sempre iguais (por exemplo, quando estamos doentes ou estressados) – as
estratégias do comer com atenção plena são muito úteis para essa percepção
sem julgamento.
3.Fazer as pazes com a comida
Um dos pilares centrais e um passo essencial do CI é a permissão
incondicional para comer, algo muitas vezes mal compreendido, pelos
indivíduos e também pelos profissionais da área da saúde. Permitir-se comer
de maneira incondicional não quer dizer que a pessoa deve comer o que
quiser, em qualquer momento e sem nenhum critério para fazer suas escolhas.
Mas que se deva incentivar perguntas como: “eu realmente quero comer
macarrão?”; “eu vou curtir uma torta de morango ou uma salada de frutas
agora?”; “você se sente seguro para comer sem culpa e comer pela
experiência e ver como se sente fisicamente?”. Nesse sentido, a permissão
incondicional para comer deve considerar o que realmente a pessoa gosta de
comer.
É muito comum pessoas habituadas a fazerem dieta dizerem: “não gosto tanto
desse queijinho ou dessa barrinha de lanche da tarde, mas tudo bem, já estou
acostumada” – ignorando que existe a possibilidade de escolher algo que
realmente gosta e que supra sua fome e vontade ao mesmo tempo e que não
tem uma “regra” a ser seguida.
Não é adequado considerar que as comidas tenham que ter classificação do
tipo “mais ou menos saudável” ou que “deveriam ou não ser consumidas”, e
sim dar um peso equivalente a todos os alimentos (alface, brigadeiro, carne,
azeitona, manga...), pois só assim é possível que a escolha seja
verdadeiramente baseada na vontade.

4.Desafiar o policial alimentar


Esse princípio sugere que algumas pessoas possuem dentro de suas mentes
uma “delegacia de polícia”. Ou seja, funcionam como se houvesse sempre um
policial de plantão avaliando se as “regras” determinadas pela mentalidade de
dieta estão ou não sendo cumpridas. A partir disso, as sensações de estar
“roubando” ou “mentindo” geram um sentimento de culpa.
Outra questão é que não basta livrar-se das influências internas, pois muitos se
deparam com o policial externo – amigos, família e profissionais de saúde que
atuam como juízes para garantir o cumprimento das “leis”. Portanto, frases do
tipo “como você vai comer esse bolo, pensei que estava tentando perder
peso?” de uma mãe para uma filha, podem ter um efeito devastador.
Os princípios até aqui citados: mentalidade de dieta (“não posso comer doce
porque engorda”), não honrar a fome e a vontade (“posso comer, mas não
devo”), policial interno (“esse bolo é muito calórico”) e externo (“assim você não
vai emagrecer”) precisam ser desafiados de forma conjunta até que se consiga
comer uma simples fatia de bolo sem culpa.

5.Sentir saciedade
Sentir a saciedade envolve aprender a escutar os sinais internos do corpo de
que a fome já foi atendida e entender o que é estar confortavelmente saciado.
Os sinais só podem ser percebidos quando se permite comer de maneira
incondicional, e também quando a fome é honrada (evitar comer com fome
exagerada ou insuficiente). Pausas e questionamentos ao longo da refeição
também são importantes para avaliar essa sensação.
Aumentar a atenção ao comer e a consciência ajuda a identificar a saciedade:
comer sem distrações, ter foco na refeição, fazer pausas para avaliar o sabor e
o paladar, perceber os sinais físicos e praticar um “começar a parar” (ou
desacelerar) durante a refeição. Para tanto, é bom saber que é permitido deixar
comida no prato quando se está satisfeito, ou quando a comida não está
prazerosa – e que não é preciso parar só quando o pacote ou o prato acaba,
construindo um processo de aprendizagem da escolha. Muitas vezes, a
refeição vai chegando ao fim sem que o indivíduo se dê conta.
Aprender a sentir a saciedade e os outros sinais internos do corpo é um
processo que pode precisar de treino. Utilizar-se de instrumentos de
automonitorização pode ajudar no reconhecimento da fome e da saciedade, e a
prática de atender à fome antes que ela atinja um nível perigoso garante
também que se atinja a saciedade.

6.Descobrir o fator de satisfação


A importância de descobrir a satisfação, é que quando ela é considerada (e
satisfeita), come-se menos. Para tanto, é fundamental identificar “o que”
realmente se quer comer, prestando atenção nas sensações que a comida
desperta (que são diferentes para cada pessoa) – sabor, textura, aroma,
aparência, temperatura, volume – e pensar na sensação corporal que uma
comida pode provocar, de boa (sentir-se pleno e feliz) a ruim (sentir-se
estufado).
Claro que nem sempre conseguimos atender ou ter plena satisfação, todos
com certeza, já viveram momentos em que, embora fosse possível perceber a
saciedade, o estômago cheio e a ausência de fome, persistia uma sensação de
insatisfação do tipo “não era bem isso que eu queria ter comido”. Várias
situações estão fora de nosso alcance, como comer na casa de alguém, ser
levado a algum restaurante específico – e ser servido de algo que não agrada.
É importante ressaltar o quanto, muitas vezes, estamos com fome, mas o que
temos disponível para comer não desperta a vontade de comer.
O importante é que, no dia a dia, quando é possível escolher, o fator satisfação
deve ser considerado com honrar a fome e atender à saciedade. Em
consonância com uma alimentação que atenda aos aspectos
biopsicossocioculturais, o objetivo do comer não pode ser apenas satisfazer as
necessidades físicas, mas também as socioculturais e emocionais – incluindo
ficar feliz e satisfeito com o que se comeu.
Além de permissão incondicional para comer, é preciso criar também um
ambiente agradável, que influencia nossa satisfação (desde decoração, música
e companhia).

7.Lidar com as emoções sem usar comida


A conexão entre comida, emoções e comportamentos é, em geral, muito forte e
complexa. É fácil concluir isso quando se observa que: preparar comida para
alguém é uma maneira de demonstrar amor; receber comida nos faz sentir
amados; dar e receber comida estão relacionados a rituais e celebrações;
alguns alimentos – como doces – são usados como recompensas; deixar de
comer os alimentos preferidos causa uma sensação de privação.
A comida é muitas vezes usada para reduzir ou cessar emoções negativas e
prolongar as positivas. O estado emocional influencia o desejo de comer de
diferentes formas: alguns comem menos, outros sentem um desejo exagerado
de comer.
É preciso, portanto, aprender a encontrar uma maneira de se confortar, nutrir,
distrair e resolver questões sem usar a comida. Ansiedade, solidão, tristeza,
raiva e muitos outros sentimentos acontecerão durante a vida toda. A comida
não “conserta” nem “resolve” esses sentimentos, pode apenas distrair,
anestesiar ou mudar o foco. Mas, no fim, até piora o problema. Quando se
percebe que a busca por comida não está ligada a fome, recomenda-se para e
identificar os sentimentos, questionando-se o que realmente pode aliviá-los e
se perguntar: “do que eu preciso?”; “será comida ou um abraço, carinho,
companhia, afeto, estímulo intelectual?”; “como faço para atender o que eu
realmente preciso?”. Assim, deve-se então pensar em como e de quem pode
receber o que necessita, sendo que muitas vezes é preciso pedir.

8.Respeitar o seu corpo


Imagem corporal é definida como a figura que temos em nossas mentes do
tamanho e forma dos nossos corpos, mas não é apenas como um indivíduo se
vê; o conceito envolve ainda os sentimentos associados a tais características e
às partes que constituem nosso corpo – ou seja, o que uma pessoa sente,
pensa e faz pelo seu corpo.
Infelizmente, o que predomina hoje é a insatisfação corporal, considerada uma
questão praticamente unânime – sobretudo entre as mulheres. A insatisfação é
considerada um distúrbio de imagem corporal; isso não acontece apenas
quando a pessoa se vê maior ou menor do que ela de fato é (distorção).
Juntamente à depreciação corporal, a evitação corporal, a preocupação e a
valorização extremas do corpo, a insatisfação corporal é muito prevalente e
amplificada por uma cultura que prega a modificação dos corpos a um padrão
específico – que não valoriza a biodiversidade e diferenças naturais de cada
pessoa.
Respeitar o corpo começa com o fato de aceitar a genética e aprender a
abandonar a ideia de que o corpo é maleável (não podemos mudar o tamanho
de nossos pés ou nossa altura).
É muito difícil rejeitar a mentalidade de dieta quando se é muito crítico com
relação a forma e tamanho do corpo – quando se acredita que “tem algo a ser
mudado e que pode melhorar”. É preciso apreciar as partes do corpo de que
gosta em vez de evidenciar as de que não gosta; aceitar o tipo corporal e
buscar um peso equilibrado (condizente com os comportamentos alimentares e
de atividade física).

9.Exercitar-se – sentindo a diferença


O foco do exercício físico deve ser como fonte de bem-estar corporal e não
para queimar calorias. Para isso, é preciso buscar atividade prazerosa,
incluindo as formais e também as não formais (como para o carro mais longe,
subir escada, fazer faxina, etc.). De qualquer forma, a prática de atividade física
deve ser considerada uma prioridade não negociável, ou seja, deve-se dar
prioridade para sua prática.

10.Honrar a saúde – praticar uma “nutrição gentil”


A proposta é que as escolhas sejam feitas de forma a honrar a saúde e o
paladar, fazendo com que as pessoas se sintam bem. Isso é o que as autoras
chamam de “nutrição gentil”. Na nutrição comportamental, gostamos muito
deste adendo: praticar a nutrição gentil é exatamente o contrário do
“nutricionismo”, da nutrição terrorista, do nutricionista policial. Sim, nós
honramos e respeitamos as diretrizes nutricionais e queremos que nossos
pacientes sejam saudáveis, mas entendemos que saúde como o bem-estar
não apenas físico, mas também emocional e social – conforme a definição da
Organização Mundial da Saúde (OMS).

O comer intuitivo apresenta uma série de benefícios e associações compatíveis


com IMC e saúde psicológica. Há evidência de redução de fatores de risco
para transtornos alimentares e redução de compulsões alimentares; menor
internalização dos ideais de magreza. Associação com aumento do prazer em
comer, menos prática de dieta e menor ansiedade com relação à comida;
menor IMC; e menores níveis de triglicérides e risco cardíaco.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
ALVARENGA, M. et al. Nutrição Comportamental. São Paulo: Editora Manole
Ltda, 2015.

NUTRIÇÃO E CÂNCER DE MAMA


Com as crescentes industrialização e globalização, as neoplasias malignas
ganharam importância crescente no perfil de mortalidade mundial; no Brasil,
elas ocupam segundo lugar como causa de óbito. Dentre as neoplasias, as que
atingem maior número de pessoas, excetuando-se os tumores de pele não
melanoma, são as de próstata e de pulmão no sexo masculino, e os cânceres
de mama e colo do útero no sexo feminino.

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil,


depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 25% dos casos
novos a cada ano. Ele, também, pode acometer homens, porém é raro,
representando apenas 1% do total de casos de tumores.

A neoplasia mamária é relativamente rara antes dos 35 anos, acima desta


idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos.
Estatísticas indicam aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos
quanto nos em desenvolvimento.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) a estimativa de novos casos de


câncer de mama para 2016 é de 57.960. E em 2013 o número de mortes foi de
14.388, sendo 181 homens e 14.206 mulheres. Existem vários tipos de câncer
de mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, não. A maioria dos casos
tem bom prognóstico.

O câncer pode ser definido como uma enfermidade multicausal crônica,


caracterizada pelo crescimento descontrolado de células. Seu desenvolvimento
envolve alterações do DNA celular, que se acumulam com o tempo. Quando
essas células lesadas escapam dos mecanismos envolvidos na proteção do
organismo contra o crescimento e a disseminação de tais células, é
estabelecida uma neoplasia.

O câncer de mama está entre as neoplasias com maior ocorrência no mundo e


é uma doença caracterizada por um crescimento de células mamárias de
maneira desenfreada e desorganizada que se tornam anormais e podem
invadir tecidos e órgãos circunvizinhos ou espalhar-se para regiões mais
distantes. Ele resulta de uma proliferação incontrolável de células anormais que
surgem em função de alterações genéticas, sejam elas hereditárias ou
adquiridas por exposição a fatores ambientais ou fisiológicos. Tais alterações
genéticas podem provocar mudanças no crescimento celular ou na morte
celular programada, levando ao surgimento do tumor.

Considerado problema de saúde pública, o câncer de mama é um grupo


heterogêneo de doenças, com comportamentos distintos. A heterogeneidade
do câncer de mama se manifesta pelas diferentes apresentações clínicas e
morfológicas, variadas assinaturas genéticas e consequente variação nas
respostas terapêuticas.

A densidade do seio é um marcador do risco de câncer de mama, pois têm


forte associação com câncer da área. A densidade da mama também tem sido
demonstrada como fator de risco para mulheres com predisposição genética
para câncer desta localização anatômica, incluindo as com mutações nos
genes BRCA1 e BRCA2.

Existem diversos fatores de risco para o desenvolvimento da neoplasia


mamária, onde se destacam fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher,
como por exemplo: história familiar de câncer, consumo de álcool, tabagismo,
excesso de peso, sedentarismo, maus hábitos alimentares e a idade que ainda
é considerado o fator de risco mais importante. Além destes, os hormônios
femininos também contribuem para a etiologia da doença, o que leva a maior
incidência da neoplasia mamária em mulheres de até 50 anos.

Altos níveis de estrógeno endógeno após a menopausa são um fator de risco


conhecido pelo aumento do desenvolvimento desse tipo de câncer, pois a
gordura da dieta é um fator bem estabelecido no aumento da produção desse
hormônio.

Se sabe que atualmente a prevalência de sobrepeso e obesidade está


aumentando rapidamente em todo o mundo, especialmente em países em
desenvolvimento e países sob transição econômica. Estudos epidemiológicos
tem demostrado que a obesidade é fator de risco para diversas doenças
crônicas não transmissíveis, particularmente o câncer. Evidências científicas
apontam para forte associação entre obesidade e risco aumentando de câncer
de mama, endométrio, cólon, rins e adenomas esofágicos malignos. Os
indivíduos obesos tem 1,5 a 3,5 vezes mais chances para desenvolver estes
cânceres quando comparados com sujeitos eutróficos.

Os prováveis mecanismos que relacionam a obesidade ao risco de câncer


envolvem a resistência à insulina, a hiperinsulinemia crônica resultante, a
produção aumentada de fator de crescimento semelhante à insulina (insulin-like
growth fator 1, IGF-1) e biodisponibilidade aumentada de hormônios
esteroides.

Em um estudo publicado em 2016 a análise multivariada indicou que a


resistência à insulina foi independentemente correlacionada com a obesidade,
maior tamanho do tumor, e o fator luminal B / de crescimento epidérmico
humano subtipo de receptor-2-negativo na pós-menopausa, mas não na pré-
menopausa. A resistência à insulina foi significativamente associada com
tumores maiores e em câncer luminal proliferativo subtipo B apenas em
mulheres pós-menopáusicas. Estes resultados sugerem que a resistência à
insulina poderia mecanicamente induzir a progressão do tumor e pode ser um
bom fator prognóstico, e que poderia representar um alvo terapêutico em
pacientes na pós-menopausa com câncer de mama.

Pesquisas recentes sugerem que hormônios derivados do tecido adiposo e


adipocinas (leptina e adiponectina) e marcadores inflamatórios, podem refletir
os mecanismos ligados à tumorigênese nos indivíduos obesos.

A obesidade tem sido consistentemente associada ao risco de câncer de mama


na fase pós-menopausa e as proteínas que são secretadas pelo tecido
adiposo, ou que estão envolvidas na regulação da massa corporal, podem ter
um importante efeito no desenvolvimento do tumor de mama.

O período pós-menopausa é marcado por alterações importantes nos


hormônios sexuais, fatores de crescimento e citocinas. O tecido adiposo
expressa enzimas metabolizadoras de esteroides sexuais presentes na gordura
subcutânea (aromatases P450). O aumento da transcrição deste complexo
enzimático promove a formação de estrogênio quase que exclusivamente a
partir de precursores andorgênicos secretados pelas glândulas adrenais.
Por outro lado, a hiperinsulinemia relacionada à obesidade inibe a secreção
hepática de globulinas ligadoras de hormônios sexuais (SHBG), fazendo com
que haja um aumento na biodisponibilidade do estradiol previamente
sintetizado e da testosterona livre. Os níveis séricos destes hormônios sexuais
estão positivamente estimular a proliferação celular, inibir a apoptose e iniciar o
processo de tumorigênese.

Outras evidências também demonstram que além da adiponectina, a leptina,


também esteja relacionada ao desenvolvimento do câncer de mama.
Geralmente os níveis plasmáticos de adiponectina estão reduzidos em
mulheres com diagnósticos de câncer de mama. Estudo recente demonstrou
que a relação adiponectina:leptina apresentou-se reduzida em mulheres com
câncer de mama e especula-se que a relação entre essas duas adipocinas seja
mais importante na fisiopatologia desse câncer, do que as suas concentrações
absolutas.

A amamentação, os hábitos saudáveis, como alimentação adequada e


balanceada com a prática de atividade física e manutenção do peso corporal
ideal, está associada a um menor risco de desenvolver câncer de mama.

A existência do câncer de mama resulta em mudanças dietéticas. As


sobreviventes do câncer de mama aumentam voluntariamente o consumo de
frutas e legumes e diminuem a ingestão de gordura, mostrando que as
mesmas são motivadas às alterações no seu estilo de vida. Isto melhora o
prognóstico de câncer de mama e diminui a reincidência, o que mostra que a
alimentação é componente fundamental do tratamento.

A nutrição pode modificar o processo carcinogênico em qualquer estágio,


inclusive o metabolismo carcinogênico, defesa celular e do hospedeiro,
diferenciação celular e crescimento do tumor. A nutrição propriamente dita
também é afetada tanto pelo câncer como pela modalidade de tratamento
prescrito.

A terapia nutricional entra com o papel de minimizar os efeitos colaterais,


prevenir e tratar a desnutrição, garantindo a oferta adequada de nutrientes para
minimizar o catabolismo proteico e a perda nitrogenada; manter a atividade do
sistema imune; melhorar a qualidade de vida; reduzir o número de
complicações provenientes dos tratamentos e prevenir as suas possíveis
interrupções.

Há um efeito protetor no consumo de verduras e frutas, pois nelas contem


grande número de agentes potencialmente anticancerígenos com mecanismos
complementares. As carnes vermelhas, especialmente as processadas estão
vinculadas a causas de cânceres. Os cereais com alto teor de fibras são
associados o menor risco de câncer.

Uma dieta rica em frutas e vegetais e pobre em gorduras é conjecturada por


melhorar o prognóstico de câncer de mama e diminuir o risco de reincidência.
Já Valenzuela (2011) traz os benefícios de consumo do ômega 3 para a
prevenção do câncer de mama, onde uma dieta enriquecida com esse nutriente
induziu a redução de tumores mamários, aumento de 60% os níveis
plasmáticos da proteína supressora de tumores, além de melhorar a eficácia
dos fármacos que são utilizados para inibir o crescimento tumoral.

Atualmente, é cada vez mais crescente, as evidências científicas sobre os


efeitos do consumo da soja, pós diagnóstico, em indivíduos com câncer de
mama ou seus sobreviventes. Ao longo da última década, existiu uma grande
preocupação em relação aos efeitos da ingestão de soja em indivíduos com
diagnóstico de câncer de mama justificado pelo potencial de atividade
estrogênica dos isoflavonóides da soja, os quais podem estimular a
proliferação e diferenciação de células mamárias cancerígenas, ou interferir na
eficácia de medicação, a depender do ambiente em que estas se encontram,
como: concentração de estrógeno, positividade ou negatividade para receptor
de estrogênio e progesterona, tempo de exposição, pré ou pós menopausa.

Sobre os suplementos isolados de isoflavonóides, não há evidência sobre sua


segurança ou eficácia, por isso não se recomenda o uso desses suplementos
para prevenção do câncer de mama ou consumo destes fitohormônios pelas
sobreviventes dessa neoplasia.

A decisão de introduzir ou não alimentos derivados da soja para pacientes com


alto risco de desenvolver ou já com o diagnóstico de câncer de mama, deve ser
baseada nas considerações que permeiam a nutrição funcional, como respeito
à individualidade biológica, caráter potencialmente alergênico deste alimento e
possibilidade de contaminação com resíduos e pesticidas e outros
contaminantes.

Sobre os alimentos com possível poder protetor, podemos citar as brássicas.


Os produtos de hidrólise dos glicosinolatos presentes nas brássicas, podem
atual na prevenção do câncer por meio de indução de vias de eliminação de
metabólitos carcinogênicos antes que eles possam danificar o DNA, ou por
meio de alteração de vias de sinalização, prevenindo a transformação de
células saudáveis em carcinogênicas.

Um estudo caso-controle avaliando cânceres de cavidade oral, esôfago,


estômago, colorretal, fígado, pâncreas, laringe, mama, endométrio, ovário,
próstata e rins, revelou que o consumo de vegetais brássicos pelo menos uma
vez na semana teve efeito protetor em comparação ao consumo nulo ou
inferior a uma vez por semana. O efeito foi benéfico para câncer de trato
digestório superior, colorretal, mama e rins.

Além disso, o consumo de frutas e verduras que contêm diversos


micronutrientes, fitoquímicos e princípios bioativos, o que, associado à restrição
calórica e atividade física regular pode ser benéfico na prevenção dos
cânceres.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
NAM, S. et al. Association Between Insulin Resistance and Luminal B Subtype
Breast Cancer in Postmenopausal Women. Medicine (Baltimore). 2016
Mar;95(9):e2825.

INCA. Instituto Nacional de Câncer. Disponível em:


<http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama>.
Acesso em: 22/03/16.

MARSICANO, A. P. Câncer de Mama. IV Jornada Científica de Enfermagem


2014. Faculdade Santa Cruz, 2014.

TEIXEIRA, A. G. M. S. Câncer de mama e alimentação: percepções de


mulheres com histórico de câncer de mama sobre o papel da alimentação na
prevenção e no tratamento. 43f. UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA.
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE. DEPARTAMENTO DE NUTRIÇÃO.
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Nutrição da
Universidade Federal da Paraíba, 2014.

SAMPAIO, H. A. C. ET AL. Consumo alimentar de mulheres sobreviventes de


câncer de mama: análise em dois períodos de tempo. Rev. Nutr. vol.25 no.5
Campinas Sept./Oct. 2012

NAVES, A. Nutrição Clínica Funcional: Obesidade. São Paulo: VP Editora,


2014.

DAL BOSCO, S. M. Nutrição da Mulher: Uma abordagem Nutricional da Saúde


à Doença. São Paulo: Editora Mentha, 2010.

BOSETTI, C.; FILOMENO, M.; RISO, P. et al. Cruciferous vegetable and


câncer risk in a network of case-control studies. Ann Oncol; 1-6, 2012.
Com as crescentes industrialização e globalização, as neoplasias malignas
ganharam importância crescente no perfil de mortalidade mundial; no Brasil, elas
ocupam segundo lugar como causa de óbito. Dentre as neoplasias, as que atingem
maior número de pessoas, excetuando-se os tumores de pele não melanoma, são as
de próstata e de pulmão no sexo masculino, e os cânceres de mama e colo do útero
no sexo feminino.

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil,


depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a
cada ano. Ele, também, pode acometer homens, porém é raro, representando apenas
1% do total de casos de tumores.
A neoplasia mamária é relativamente rara antes dos 35 anos, acima desta idade
sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Estatísticas
indicam aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em
desenvolvimento.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) a estimativa de novos casos de
câncer de mama para 2016 é de 57.960. E em 2013 o número de mortes foi de
14.388, sendo 181 homens e 14.206 mulheres. Existem vários tipos de câncer de
mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, não. A maioria dos casos tem bom
prognóstico.

O câncer pode ser definido como uma enfermidade multicausal crônica,


caracterizada pelo crescimento descontrolado de células. Seu desenvolvimento
envolve alterações do DNA celular, que se acumulam com o tempo. Quando essas
células lesadas escapam dos mecanismos envolvidos na proteção do organismo contra
o crescimento e a disseminação de tais células, é estabelecida uma neoplasia.
O câncer de mama está entre as neoplasias com maior ocorrência no mundo e
é uma doença caracterizada por um crescimento de células mamárias de maneira
desenfreada e desorganizada que se tornam anormais e podem invadir tecidos e
órgãos circunvizinhos ou espalhar-se para regiões mais distantes. Ele resulta de uma
proliferação incontrolável de células anormais que surgem em função de alterações
genéticas, sejam elas hereditárias ou adquiridas por exposição a fatores ambientais ou
fisiológicos. Tais alterações genéticas podem provocar mudanças no crescimento
celular ou na morte celular programada, levando ao surgimento do tumor.
Considerado problema de saúde pública, o câncer de mama é um grupo
heterogêneo de doenças, com comportamentos distintos. A heterogeneidade do
câncer de mama se manifesta pelas diferentes apresentações clínicas e morfológicas,
variadas assinaturas genéticas e consequente variação nas respostas terapêuticas.
A densidade do seio é um marcador do risco de câncer de mama, pois têm
forte associação com câncer da área. A densidade da mama também tem sido
demonstrada como fator de risco para mulheres com predisposição genética para
câncer desta localização anatômica, incluindo as com mutações nos genes BRCA1 e
BRCA2.

Existem diversos fatores de risco para o desenvolvimento da neoplasia


mamária, onde se destacam fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher, como
por exemplo: história familiar de câncer, consumo de álcool, tabagismo, excesso de
peso, sedentarismo, maus hábitos alimentares e a idade que ainda é considerado o
fator de risco mais importante. Além destes, os hormônios femininos também
contribuem para a etiologia da doença, o que leva a maior incidência da neoplasia
mamária em mulheres de até 50 anos.

Altos níveis de estrógeno endógeno após a menopausa são um fator de risco


conhecido pelo aumento do desenvolvimento desse tipo de câncer, pois a gordura da
dieta é um fator bem estabelecido no aumento da produção desse hormônio.

Se sabe que atualmente a prevalência de sobrepeso e obesidade está


aumentando rapidamente em todo o mundo, especialmente em países em
desenvolvimento e países sob transição econômica. Estudos epidemiológicos tem
demostrado que a obesidade é fator de risco para diversas doenças crônicas não
transmissíveis, particularmente o câncer. Evidências científicas apontam para forte
associação entre obesidade e risco aumentando de câncer de mama, endométrio,
cólon, rins e adenomas esofágicos malignos. Os indivíduos obesos tem 1,5 a 3,5
vezes mais chances para desenvolver estes cânceres quando comparados com
sujeitos eutróficos.

Os prováveis mecanismos que relacionam a obesidade ao risco de câncer


envolvem a resistência à insulina, a hiperinsulinemia crônica resultante, a produção
aumentada de fator de crescimento semelhante à insulina (insulin-like growth fator 1,
IGF-1) e biodisponibilidade aumentada de hormônios esteroides.

Em um estudo publicado em 2016 a análise multivariada indicou que a


resistência à insulina foi independentemente correlacionada com a obesidade, maior
tamanho do tumor, e o fator luminal B / de crescimento epidérmico humano subtipo de
receptor-2-negativo na pós-menopausa, mas não na pré-menopausa. A resistência à
insulina foi significativamente associada com tumores maiores e em câncer luminal
proliferativo subtipo B apenas em mulheres pós-menopáusicas. Estes resultados
sugerem que a resistência à insulina poderia mecanicamente induzir a progressão do
tumor e pode ser um bom fator prognóstico, e que poderia representar um alvo
terapêutico em pacientes na pós-menopausa com câncer de mama.

Pesquisas recentes sugerem que hormônios derivados do tecido adiposo e


adipocinas (leptina e adiponectina) e marcadores inflamatórios, podem refletir os
mecanismos ligados à tumorigênese nos indivíduos obesos.

A obesidade tem sido consistentemente associada ao risco de câncer de


mama na fase pós-menopausa e as proteínas que são secretadas pelo tecido adiposo,
ou que estão envolvidas na regulação da massa corporal, podem ter um importante
efeito no desenvolvimento do tumor de mama.

O período pós-menopausa é marcado por alterações importantes nos


hormônios sexuais, fatores de crescimento e citocinas. O tecido adiposo expressa
enzimas metabolizadoras de esteroides sexuais presentes na gordura subcutânea
(aromatases P450). O aumento da transcrição deste complexo enzimático promove a
formação de estrogênio quase que exclusivamente a partir de precursores
andorgênicos secretados pelas glândulas adrenais.

Por outro lado, a hiperinsulinemia relacionada à obesidade inibe a secreção


hepática de globulinas ligadoras de hormônios sexuais (SHBG), fazendo com que haja
um aumento na biodisponibilidade do estradiol previamente sintetizado e da
testosterona livre. Os níveis séricos destes hormônios sexuais estão positivamente
estimular a proliferação celular, inibir a apoptose e iniciar o processo de tumorigênese.

Outras evidências também demonstram que além da adiponectina, a leptina,


também esteja relacionada ao desenvolvimento do câncer de mama. Geralmente os
níveis plasmáticos de adiponectina estão reduzidos em mulheres com diagnósticos de
câncer de mama. Estudo recente demonstrou que a relação adiponectina:leptina
apresentou-se reduzida em mulheres com câncer de mama e especula-se que a
relação entre essas duas adipocinas seja mais importante na fisiopatologia desse
câncer, do que as suas concentrações absolutas.

A amamentação, os hábitos saudáveis, como alimentação adequada e


balanceada com a prática de atividade física e manutenção do peso corporal ideal,
está associada a um menor risco de desenvolver câncer de mama.

A existência do câncer de mama resulta em mudanças dietéticas. As


sobreviventes do câncer de mama aumentam voluntariamente o consumo de frutas e
legumes e diminuem a ingestão de gordura, mostrando que as mesmas são motivadas
às alterações no seu estilo de vida. Isto melhora o prognóstico de câncer de mama e
diminui a reincidência, o que mostra que a alimentação é componente fundamental do
tratamento.

A nutrição pode modificar o processo carcinogênico em qualquer estágio,


inclusive o metabolismo carcinogênico, defesa celular e do hospedeiro, diferenciação
celular e crescimento do tumor. A nutrição propriamente dita também é afetada tanto
pelo câncer como pela modalidade de tratamento prescrito.

A terapia nutricional entra com o papel de minimizar os efeitos colaterais,


prevenir e tratar a desnutrição, garantindo a oferta adequada de nutrientes para
minimizar o catabolismo proteico e a perda nitrogenada; manter a atividade do sistema
imune; melhorar a qualidade de vida; reduzir o número de complicações provenientes
dos tratamentos e prevenir as suas possíveis interrupções.

Há um efeito protetor no consumo de verduras e frutas, pois nelas contem


grande número de agentes potencialmente anticancerígenos com mecanismos
complementares. As carnes vermelhas, especialmente as processadas estão
vinculadas a causas de cânceres. Os cereais com alto teor de fibras são associados o
menor risco de câncer.

Uma dieta rica em frutas e vegetais e pobre em gorduras é conjecturada por


melhorar o prognóstico de câncer de mama e diminuir o risco de reincidência. Já
Valenzuela (2011) traz os benefícios de consumo do ômega 3 para a prevenção do
câncer de mama, onde uma dieta enriquecida com esse nutriente induziu a redução de
tumores mamários, aumento de 60% os níveis plasmáticos da proteína supressora de
tumores, além de melhorar a eficácia dos fármacos que são utilizados para inibir o
crescimento tumoral.

Atualmente, é cada vez mais crescente, as evidências científicas sobre os


efeitos do consumo da soja, pós diagnóstico, em indivíduos com câncer de mama ou
seus sobreviventes. Ao longo da última década, existiu uma grande preocupação em
relação aos efeitos da ingestão de soja em indivíduos com diagnóstico de câncer de
mama justificado pelo potencial de atividade estrogênica dos isoflavonóides da soja,
os quais podem estimular a proliferação e diferenciação de células mamárias
cancerígenas, ou interferir na eficácia de medicação, a depender do ambiente em que
estas se encontram, como: concentração de estrógeno, positividade ou negatividade
para receptor de estrogênio e progesterona, tempo de exposição, pré ou pós
menopausa.
Sobre os suplementos isolados de isoflavonóides, não há evidência sobre sua
segurança ou eficácia, por isso não se recomenda o uso desses suplementos para
prevenção do câncer de mama ou consumo destes fitohormônios pelas sobreviventes
dessa neoplasia.

A decisão de introduzir ou não alimentos derivados da soja para pacientes com


alto risco de desenvolver ou já com o diagnóstico de câncer de mama, deve ser
baseada nas considerações que permeiam a nutrição funcional, como respeito à
individualidade biológica, caráter potencialmente alergênico deste alimento e
possibilidade de contaminação com resíduos e pesticidas e outros contaminantes.

Sobre os alimentos com possível poder protetor, podemos citar as brássicas.


Os produtos de hidrólise dos glicosinolatos presentes nas brássicas, podem atual na
prevenção do câncer por meio de indução de vias de eliminação de metabólitos
carcinogênicos antes que eles possam danificar o DNA, ou por meio de alteração de
vias de sinalização, prevenindo a transformação de células saudáveis em
carcinogênicas.

Um estudo caso-controle avaliando cânceres de cavidade oral, esôfago,


estômago, colorretal, fígado, pâncreas, laringe, mama, endométrio, ovário, próstata e
rins, revelou que o consumo de vegetais brássicos pelo menos uma vez na semana
teve efeito protetor em comparação ao consumo nulo ou inferior a uma vez por
semana. O efeito foi benéfico para câncer de trato digestório superior, colorretal,
mama e rins.

Além disso, o consumo de frutas e verduras que contêm diversos


micronutrientes, fitoquímicos e princípios bioativos, o que, associado à restrição
calórica e atividade física regular pode ser benéfico na prevenção dos cânceres.

Escrito por:

Mariane Caroline Meuer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
NAM, S. et al. Association Between Insulin Resistance and Luminal B Subtype Breast
Cancer in Postmenopausal Women. Medicine (Baltimore). 2016 Mar;95(9):e2825.
INCA. Instituto Nacional de Câncer. Disponível em:
<http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama>.
Acesso em: 22/03/16.
MARSICANO, A. P. Câncer de Mama. IV Jornada Científica de Enfermagem 2014.
Faculdade Santa Cruz, 2014.

TEIXEIRA, A. G. M. S. Câncer de mama e alimentação: percepções de mulheres com


histórico de câncer de mama sobre o papel da alimentação na prevenção e no
tratamento. 43f. UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA. CENTRO DE CIÊNCIAS
DA SAÚDE. DEPARTAMENTO DE NUTRIÇÃO. Trabalho de conclusão de curso
apresentado ao Departamento de Nutrição da Universidade Federal da Paraíba, 2014.

SAMPAIO, H. A. C. ET AL. Consumo alimentar de mulheres sobreviventes de câncer de


mama: análise em dois períodos de tempo. Rev.
Nutr. vol.25 no.5 Campinas Sept./Oct. 2012

NAVES, A. Nutrição Clínica Funcional: Obesidade. São Paulo: VP Editora, 2014.

DAL BOSCO, S. M. Nutrição da Mulher: Uma abordagem Nutricional da Saúde à


Doença. São Paulo: Editora Mentha, 2010.

BOSETTI, C.; FILOMENO, M.; RISO, P. et al. Cruciferous vegetable and câncer risk in
a network of case-control studies. Ann Oncol; 1-6, 2012.

COMER INTUITIVO

O termo intuição vem do latim intuitione, da união de “in” (em, dentro) e “tuere”
(olhar para, guardar); é também, provavelmente, uma inflexão do
francês intuition: contemplação, conhecimento imediato, pressentimento que
nos permite adivinhar o que é ou deve ser. Intuição é definida, portanto, como
capacidade para entender, identificar ou pressupor coisas que não dependem
de um conhecimento empírico, ou de conceitos racionais; sem uma avaliação
mais específica e auxílio do raciocínio.

Comer intuitivo (CI), ou intuitive eating, é um conceito criado por duas


nutricionistas americanas Evelyn Tribole e Elyse Resch. É uma abordagem
baseada em evidências – mais de 35 trabalhos científicos publicados – que
ensinam as pessoas a terem uma relação saudável com a comida e se
tornarem experts dos seus próprios corpos. A proposta é que as pessoas
aprendam a confiar na sua habilidade de distinguir suas sensações físicas e
emocionais e desenvolvam uma “sabedoria corporal” para atender suas várias
necessidades.

O CI propõe que o indivíduo mantenha uma sintonia com a comida, a mente e


o corpo. Para tanto, baseia-se em três pilares:

- Permissão incondicional para comer;

- Comer para atender as necessidades fisiológicas e não emocionais;

- Apoiar-se nos sinais internos de fome e saciedade para determinar o que,


quanto e quando comer.

O desafio do CI é atingir uma sintonia entre os sistemas internos e externos;


Esse modelo proposto conceitua a integração dos sistemas internos e externos
de um indivíduo, representando seu autêntico “eu”: visto como a integração do
sistema interno – pensamentos, emoções e necessidades fisiológicas do
sistema interno – família, comunidade e cultura. O equilíbrio e a saúde se
desenvolvem quando o indivíduo incorpora práticas que promovem
crescimento e saúde, que ocorrem em sintonia com fatores externos (ecologia).

A conexão com o sistema interno envolve: os pensamentos (rejeitar a


mentalidade de dieta, fazer as pazes com a comida, desafiar o policial
alimentar e respeitar o corpo); os sentimentos (honrar as emoções sem usar a
comida); e o fisiológico (honrar a fome, respeitar a saciedade, descobrir a
satisfação, exercitar-se, honrar a saúde por meio de uma nutrição gentil).

Os modelos atuais de beleza, as tradições e crenças alimentares, as


recomendações nutricionais e de saúde, os modismos alimentares, entre
outros, influenciam o sistema externo. Os dois últimos princípios do CI –
exercitar-se e praticar uma nutrição gentil – são componentes dos sistemas
interno e externo e também exemplos da integração dinâmica entre os dois
sistemas, necessária para se obter um bom estado de saúde.

Confira na tabela abaixo a comparação entre o Comer Intuitivo e o Comer


Disfuncional:

Comer intuitivo Comer disfuncional

Padrão alimentar Intervalos regulares entre Intervalos irregulares,


as refeições; beliscadas, restrição
(comer menos) ou
Refeições principais e compulsão (comer mais)
lanches; do que o corpo quer ou
precisa;
Satisfaz sua fome.
Comer com pressa.

Como o comer é regulado Pelos sinais internos de Por controles internos e


fome, apetite e saciedade; externos inapropriados:
dieta, contar calorias,
Atende-se a fome, e para- eventos emocionais,
se de comer quando se comer somente “com os
está satisfeito. olhos” ou “nariz”.

Propósito do comer Para satisfazer a saúde, Comer ou restringir para


crescimento e bem-estar emagrecer, para aliviar
(prazer e razões sociais). ansiedade ou estresse;
Sentir-se bem depois de
comer. Sentir-se muito “cheio”
depois de comer, ou
sentir remorso, culpa ou
vergonha.

Prevalência Crianças pequenas, Mais frequente em


pessoas que não meninas e mulheres,
interferem em seus porém vem aumentando
mecanismos de regulação em meninos e homens.
natural, mais homens do
que mulheres.

Físico Promove energia, saúde, Sensação de cansaço,


crescimento e tontura, frio; puberdade
desenvolvimento das atrasada ou precoce. O
crianças. O peso é peso é instável, com altos
geralmente normal e e baixos.
estável, e expressa os
fatores genéticos e
ambientais.

Mental Pensamento claro, Diminui alerta mental e


habilidade de concentração.
concentração. Os Preocupação com comida
pensamentos sobre e pensamentos focados
comida não tomam muito no planejamento
tempo do dia e se alimentar e imagem
concentram na hora das corporal, ocupando muito
refeições. tempo do dia.

Emocional Humor estável, não se Grande instabilidade de


afeta pela comida. humor, chateação,
irritação, ansiedade, baixa
autoestima, preocupações
com imagem corporal que
são descontados na
comida.

Social Relacionamentos Menor integração social,


saudáveis com a família e isolamento, capacidade
amigos e com o contexto de afeto e generosidade
alimentar (quando, onde, diminuída;
como).
Dificuldade em
compartilhar refeições.

Fonte: Livro Nutrição Comportamental, 2015.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

ALVARENGA, M. et al. Nutrição Comportamental. São Paulo: Editora Manole


Ltda, 2015.

TIPOS DE FARINHAS SEM GLÚTEN

O glúten é uma proteína que se encontra no trigo, aveia, centeio, cevada e


malte. O trigo é a maior e mais consumida fonte de glúten representando 80%
das suas proteínas e é composta de gliadina e glutenina. O glúten é
responsável pela elasticidade das massas a base de farinha, o que permite sua
fermentação, assim como a consistência elástica esponjosa dos pães e bolos.

A Doença Celíaca (DC) é uma enteropatia medida por linfócitos T, induzida


pelo glúten, que acomete indivíduos geneticamente predispostos. O tratamento
da DC consiste na total e definitiva exclusão do glúten da dieta. A exclusão do
glúten da dieta deve ser realizada tanto por pacientes sintomáticos quanto por
assintomáticos, para melhorar a qualidade de vida e reduzir os riscos futuros
de morbidade e mortalidade. O glúten está presente nos seguintes cereais:
trigo, centeio, cevada, malte, aveia e derivados. A dieta isenta de glúten deve
satisfazer as necessidades nutricionais do paciente com DC, proporcionando
nutrição adequada por atender as necessidades de energia, de
macronutrientes, de minerais e de oligoelementos.

Evidentemente, obediência à dieta isenta de glúten requer uma marcante


mudança no hábito alimentar dos pacientes com DC. Estudos mostraram que a
adesão dietética por parte dos pacientes com DC nem sempre é rigorosa,
ocorrendo transgressões frequentes, principalmente na adolescência.

A exclusão do glúten pode levar à ingestão de alimentos hipercalóricos e


consequentemente ao sobrepeso secundário. O acompanhamento dietético e a
avaliação nutricional devem ser realizados desde o início do tratamento a fim
de se evitar ganho de peso excessivo ou insatisfatório.

E você sabe quais farinhas podem substituir o trigo, o centeio, a cevada, o


malte e a aveia e derivados das preparações? Conheça abaixo algumas delas:

Amido de Milho:

O amido de milho possui consistência gelatinosa e sabor neutro, podendo ser


incluído em receitas de molhos, cremes e mingaus.

Farinha de Amaranto:
Rica em proteínas, tem mais fibra e ferro que a aveia. Tem uma cor mais
escura. Pode ser encontrada em grãos, flocos e farinha.

Farinha de Quinoa:

É rica em minerais, vitaminas e aminoácidos. Tem sabor acentuado, devendo


ser misturada com outras farinhas.

Farinha de Arroz Integral:

É rica em sais minerais, carboidratos, proteínas e fibras. Tem textura granulada


devido a moagem dos grãos integrais para sua obtenção.
Farinha de Banana Verde:
É obtida através da banana verde. É um alimento prebiótico, servindo de
substrato para as bactérias intestinais. Tem coloração escura, sabor forte e
promove bastante liga na receita devendo ser usada em menor quantidade (no
máximo ¼ de xícara).

Farinha de Grão de bico:

Fonte de proteína e triptofano, utilizado para a produção de serotonina. Possui


vitaminas, minerais, fibras solúveis.

Farinha de linhaça dourada:


Rica em fibras solúveis, ômegas 3 e 6, minerais e vitaminas.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

GONÇALVES, C. B. C. D. et al. Estudo da prevalência da doença celíaca em


crianças e adolescentes com diabetes melito tipo 1: resultado de 10 anos de
acompanhamento. Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57/5.

ANDREOLI, C. S. et al. Avaliação nutricional e consumo alimentar de pacientes


com doença celíaca com e sem transgressão alimentar. Rev.
Nutr. vol.26 no.3 Campinas May/June 2013.

FLAVONOIDES
Os fitoquímicos são compostos químicos bioativos presentes nas plantas,
tendo como função a pigmentação, e a proteção natural contra a radiação
ultravioleta e agressões de insetos e patógenos. No organismo humano estes
compostos, derivados do metabolismo secundário das plantas, podem
apresentar diversas ações, entre elas a atividade antioxidante e anti-
inflamatória, sendo agrupados de acordo com a sua função protetora e
características químicas, e tendo três principais classes: terpenos, fenois e
tiois.

Dentre a classe dos fenois, existe uma subclasse que representa o grupo mais
importante e diversificado, os flavonoides, que são compostos polifenólicos
biossintetizados, sendo responsáveis pela pigmentação das plantas, pela
função de raptar radicais livres, ligar-se a íons metálicos e atuar como agente
bloqueador e supressor no organismo humano, tendo assim, como principais
atribuições a prevenção contra doenças cardiovasculares e neoplasias.

Neste grupo dos flavonoides existe ainda outra subdivisão onde se encontram:
as isoflavonas, flavonas, flavononas, antocianinas, flavonols e flavonois.
Ocorrendo ainda outras subdivisões a partir destas.

Os flavonoides são compostos fenólicos encontrados em alimentos de origem


vegetal, estando presente em quantidades significantes em frutas, verduras,
legumes e grãos. Nestes estão envolvidos em funções que vão desde o
crescimento e reprodução à proteção contra predadores, patógenos e radiação
ultravioleta.

A absorção e metabolismo dos flavonoides no trato digestório determina a


propriedade biológica dos mesmos. Os flavonoides ocorrem naturalmente nos
alimentos principalmente na forma de ésteres, glicosídeos e polímeros, cuja
biodisponibilidade é menor que seus produtos de hidrólise. Apenas os
flavonoides que ocorre na forma de aglicona são capazes de passar através
das membranas biológicas por serem altamente lipofílicos.

Entre os principais podemos citar a quercetina, a qual é o flavonoide mais


abundante, encontrada em muitos alimentos de origem vegetal (maçã, cebola,
frutas cítricas, frutas vermelhas, brócolis). A sua biodisponibilidade é
dependente da forma em que é ingerida, da matriz alimentar na qual o
flavonoide em questão está inserido e das diferenças individuais da microbiota,
mas no geral a forma glicosídeo resulta em uma melhor absorção que a
aglicona. Todas as isoformas da quercetina (aglicona e associada a
glicosídeos) são absorvidas no cólon e intestino delgado.

Outro flavonoide são as flavanonas. Os sucos de frutas cítricas como a laranja,


tangerina e toranja são fontes de vitamina C, carotenoides e compostos
fenólicos, e de flavanona. Dentre as mais abundantes estão a hesperitina e a
naringenina presentes principalmente nas formas glicosiladas: hesperidina e
naringina.

A hesperidina pode representar até 90% do total de flavonoides presentes no


suco de laranja. Tem sido atribuído a ela os efeitos antioxidantes e anti-
inflamatórios por meio da redução de espécies reativas de oxigênio (EROs),
supressão da expressão de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, ILl-1β, entre
outras), entre outros.

A naringenina também está presente no suco da laranja, mas em


concentrações inferiores à hesperidina. Dentre os efeitos anti-inflamatórios a
ela atribuídos estão a inibição da resposta inflamatória induzida por LPS, da
enzima pró-inflamatória COX-2, e da secreção de citocinas por CD4.

A epicatequina também é um flavonol, o qual é encontrado no cacau. O teor de


total de flavonoides por porção do cacau é muito superior ao encontrado nos
chás, desta forma, é considerado como um dos alimentos com mais potente
atividade antioxidante.

Em um estudo publicado no Journal of Diabetes & Metabolic Disorders em


2014 demonstrou um efeito benéfico do cacau na prevenção da peroxidação
lipídica e marcadores inflamatórios em doentes diabéticos tipo 2. Os compostos
do cacau podem bloquear a ativação de COX-2 e uma diminuição da síntese
de prostaglandinas inflamatórias.

A aparição dos metabólitos de flavanois na circulação sistêmica após ingestão


de alimentos ricos em flavanois, como o cacau, é influenciada por inúmeros
fatores, como processamento, ingestão, idade, gênero, polimorfismos
genéticos, entre outros. Mas o principal fator que afeta de forma significativa a
absorção é a matriz alimentar. Pode ter como aplicação clínica na função
cognitiva, no sistema cardiovascular e na fotoproteção.

Já a isoflavona encontrada na soja é um flavonoide que ocorre naturalmente


nas plantas, tendo como a soja a única que fornece quantidades
fisiologicamente relevantes de isoflavonas. A genisteína, daidzeína e gliciteína
correspondem a aproximadamente 50%, 40% e 10%, respectivamente, do
conteúdo total de isoflavonas no grão da soja. A biodisponibilidade das
isoflavonas é dependente da microbiota intestinal, uma vez que enzimas
bacterianas presentes no intestino transformam as isoflavonas em diferentes
metabólitos. A meia-vida destes flavonoides é de 4 a 8 horas.

As principais funções exercidas pelas isoflavonas relacionam-se com o seu


efeito como fitoestrógeno por apresentar estrutura semelhante ao 17-β-
estradiol. Tem como indicação de aplicação clínica a menopausa (fogachos),
osteoporose, saúde cardiovascular, redução dos lipídios sanguíneos e câncer
de mama.

As antocianinas também são uma classe de flavonoides responsáveis pela


coloração azul, roxa e vermelha de muitas frutas, flores e folhas. No organismo
humano, as antocianinas podem ser absorvidas a partir do estômago por
transportadores ativos.

Refere-se que o intestino é o principal órgão responsável pela metabolização


dessas substâncias, uma vez que, ao atingir a microbiota intestinal, as
antocianinas são biotransformadas em seus metabólitos por enzimas presentes
no intestino delgado e cólon, que são absorvidas por difusão passiva e assim
atingem a circulação sistêmica. Sobre a biodisponibilidade, as antocianinas
atingem um pico de concentração máxima de cerca de 3 horas e baixa
biodisponibilidade, os níveis de antocianinas totais absorvidas e excretadas são
muito baixos em comparação à dose ingerida (<2%). Clinicamente podem ser
aplicadas com ação prebiótica e nas doenças crônicas não transmissíveis.
Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

CHAVES, D. F. S. Nutrição Clínica Funcional: Compostos Bioativos dos


Alimentos. São Paulo: VP Editora, 2015.

MARQUES, L. S. G.; NEVES, P. B. O. A EFICÁCIA DA INGESTÃO DE


FLAVONÓIDES NA PREVENÇÃO DE NEOPLASIAS: UMA REVISÃO.
Estudos, Goiânia, v. 40, n. 4, p. 585-594, out./dez. 2013.

PARSAEYAN, N. Beneficial effects of cocoa on lipid peroxidation and


inflammatory markers in type 2 diabetic patients and investigation of probable
interactions of cocoa active ingredients with prostaglandin synthase-2 (PTGS-
2/COX-2) using virtual analysis. J Diabetes Metab Disord. 2014 Feb 4;13(1):30.

DIFERENÇAS ENTRE ÍNDICE


GLICÊMICO E CARGA GLICÊMICA

O diabetes melito (DM) é uma doença metabólica caracterizada por


hiperglicemia, que ocorre por defeitos na ação e/ou secreção de insulina e está
associada ao surgimento de complicações crônicas microvasculares
(nefropatia, retinopatia) e macrovasculares (doença arterial coronariana,
acidente vascular cerebral e doença macrovascular periférica), além de
neuropatia diabética.
Atingir e manter as concentrações plasmáticas de glicose o mais próximo
possível da normalidade é crucial para prevenir e/ou retardar o aparecimento
das complicações crônicas do DM.

Diferentes fontes de carboidrato variam quanto às suas taxas de absorção e,


consequentemente, são também variáveis seus efeitos sob as concentrações
plasmáticas de glicose e insulina. Essas variações na resposta dos
carboidratos da dieta podem ser quantificadas por meio do índice glicêmico
(IG) e da carga glicêmica (CG) dos alimentos.

O IG foi proposto para avaliar e classificar os alimentos com base nas


respostas glicêmicas, ou seja, na capacidade que o carboidrato contido em um
alimento tem em aumentar a glicemia.

O IG é uma medida do impacto relativo do carboidrato presente nos alimentos


na concentração de glicose plasmática. Ele é determinado pela relação entre a
área abaixo da curva de resposta glicêmica duas horas após o consumo de
uma porção do alimento teste e a área abaixo da curva de resposta glicêmica
correspondente ao consumo de uma porção do alimento referência (com a
mesma quantidade de carboidrato que a porção do alimento teste). O valor
obtido nessa relação é multiplicado por cem e o IG é expresso em
porcentagem.

A CG quantifica o efeito total de uma determinada quantidade de carboidrato


sobre a glicose plasmática, representando o produto do IG de um alimento pelo
seu conteúdo de carboidrato disponível. O conceito de CG envolve tanto a
quantidade como a qualidade do carboidrato consumido, o que a torna mais
relevante do que o IG, quando um alimento é avaliado isoladamente.

Uma variedade de fatores intrínsecos e extrínsecos ao alimento pode


determinar o seu impacto na glicemia e, consequentemente, influenciar o seu
IG. Entre os fatores que reduzem o IG do alimento temos o tipo de amido
(razão amilose/amilopectina elevada); monossacarídeo (IG frutose < IG
glicose); interações (gorduras lentificam o esvaziamento gástrico); amido
versus nutrientes; aprisionamento físico (revestimento fibroso age como uma
barreira física e retarda o acesso das enzimas ao amido interior); fibras
solúveis aumentam a viscosidade do conteúdo intestinal. O aumento no IG do
alimento pode ter relação com a sua forma física (mudanças nas partículas de
alguns alimentos; exemplo: purê de batata versus batata inteira);
processamento que a afeta a integridade dos grânulos de amido e tamanho da
partícula facilitando o acesso das enzimas digestivas ao amido interior (moer,
triturar, cozinhar).

A Organização Mundial da Saúde, a Associação Americana de Diabetes e a


Associação Canadense de Diabetes apoiam a relevância do IG na conduta
dietoterápica direcionada ao paciente diabético II, na obesidade e na
prevenção de doenças cardiovasculares. Porém, ainda há controvérsias da
eficácia e é um instrumento que muitos profissionais da saúde o consideram
complexo e variável para uso na prática clínica.

Assim, gordura, proteína e fibras associadas ao carboidrato no trato


gastrointestinal fazem com que a velocidade de esvaziamento gástrico e de
absorção seja mais lenta, prolongando a curva glicêmica. Sugere-se controlar o
índice glicêmico e a carga glicêmica, pois os altos níveis destes têm sido
associados a ganho de peso e anormalidades metabólicas.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

SILVA, F. M. et al. Papel do índice glicêmico e da carga glicêmica na


prevenção e no controle metabólico de pacientes com diabetes melito tipo 2.
Arq Bras Endocrinol Metab. 2009;53/5.
LEITE, L. H. M.; SAMPAIO, A. B. M. M. Índice glicêmico, carga glicêmica e sua
associação com componentes da síndrome metabólica em indivíduos com
HIV/AIDS sob terapia antirretroviral. Rev. Assoc. Bras. Nutr.: Vol.2, N.1, Jan-
Jul/2009.

CANADIAN DIABETES ASSOCIATION: Guidelines for the nutritional


management of diabetes mellitus in the new millennium. A position statement
by the Canadian Diabetes Association. Diabetes Care. v. 23, p. 56 – 69, 2000.

BRAND-MILLER, J. C.; FOSTER-POWELL, K.; COLAGIURI, S. A nova


revolução da glicose. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

NUTRACÊUTICOS E ALIMENTOS
FUNCIONAIS

É incontestável que o Brasil e diversos países da América Latina estão


experimentando nos últimos vinte anos uma rápida transição demográfica,
epidemiológica e nutricional. As características e os estágios de
desenvolvimento da transição diferem para os vários países da América Latina.
No entanto, um ponto chama a atenção, o marcante aumento na prevalência
de obesidade nos diversos subgrupos populacionais para quase todos os
países latino-americanos. Dentro desse contexto, a obesidade se consolidou
como agravo nutricional associado a uma alta incidência de doenças
cardiovasculares, câncer e diabetes, influenciando desta maneira, no perfil de
morbimortalidade das populações.

A sociedade moderna tem se tornado cada vez mais complexa, modificando os


padrões de vida. As pessoas frequentemente mostram sintomas de cansaço,
depressão e irritação, ou mais comumente uma forma de estresse.

A industrialização e urbanização trouxeram aumento da ingestão de calorias e


diminuição da atividade física, estabelecendo o princípio do sobrepeso, ou seja,
maior ingestão calórica e menor gasto energético, com acúmulo de gordura. Na
população infanto-juvenil, outros fatores agravam o problema, como o
desmame precoce e introdução de alimentos altamente calóricos desde o inicio
da vida. Crianças e jovens tem cada vez menos espaços gratuitos para praticar
atividades físicas e incorporam formas de lazer sedentárias, como
computadores e televisão. As refeições rápidas e fora de casa com
refrigerantes, salgadinhos, sanduíches e biscoitos substituíram o arroz, feijão,
carne e verdura, até mesmo a merenda escolar.

A evolução da ciência da nutrição permitiu que, na atualidade, muito mais se


saiba sobre a ação de cada nutriente no organismo e, além disso, vem
demonstrando que algumas substâncias normalmente presentes nos
alimentos, denominadas compostos bioativos (CB), mas ainda não
consideradas como nutrientes, podem ser importantes, principalmente para
redução do risco de doenças.

A utilização de alimentos com finalidade de redução do risco de doenças teve


início no Japão, na década de 1980, por incentivo de cientistas do Ministério da
Saúde e Bem Estar daquele país, que, em 1990, criaram a categoria de
alimentos denominada FOSHU (Foods for Specified Health Use), que tinha
como princípio a promoção de alimentos que conferissem mais saúde à
população. A definição proposta para essa nova categoria de alimentos foi:
“Alimentos projetados e processados para suprir funções relacionadas aos
mecanismos de defesa do organismo, controle do ritmo corporal e prevenção e
recuperação de doenças”.

Um alimento pode ser considerado funcional se for demonstrado que o


mesmo pode afetar beneficamente uma ou mais funções alvo no corpo,
além de possuir os adequados efeitos nutricionais, de maneira que seja tanto
relevante para o bem-estar e a saúde quanto para a redução do risco de uma
doença.

Os alimentos funcionais, além das propriedades benéficas, possuem


propriedades nutricionais básicas, sendo apresentados na forma de alimentos
comuns. Seus benefícios são decorrentes de vários efeitos metabólicos e
fisiológicos que contribuem para um melhor desempenho do organismo do
indivíduo que os ingere. São consumidos em dietas convencionais, mas
demonstram capacidade de regular funções corporais e auxiliar na
proteção contra doenças.

Já o nutracêutico é um alimento ou parte de um alimento que proporciona


benefícios médicos e de saúde, incluindo a prevenção e/ou tratamento da
doença. Tais produtos podem abranger desde os nutrientes isolados,
suplementos dietéticos na forma de cápsulas e dietas até os produtos
beneficamente projetados, produtos herbais e alimentos processados tais como
cereais, sopas e bebidas.

Alguns dos ingredientes funcionais são: alicinas presentes no alho, os


carotenoides e flavonoides encontrados em frutas e vegetais, os glucosinolatos
encontrados nos vegetais crucíferos os ácidos graxos poli-insaturados
presentes em óleos vegetais e óleo de peixe. Estes ingredientes podem ser
consumidos juntamente com os alimentos dos quais são provenientes, sendo
estes alimentos considerados alimentos funcionais, ou individualmente, como
nutracêuticos.

Em suma, os alimentos funcionais e os nutracêuticos devem ter adequado


perfil de segurança, demonstrando a segurança para o consumo humano. Não
devem apresentam risco de toxicidade ou efeitos adversos de drogas
medicinais.

O registro de um alimento funcional só pode ser realizado após comprovada a


alegação de propriedades funcionais ou de saúde com base no consumo
previsto ou recomendado pelo fabricante, na finalidade, condições de uso e
valor nutricional, quando for o caso ou na(s) evidência(s) científica(s):
composição química ou caracterização molecular, quando for o caso, e ou
formulação do produto; ensaios bioquímicos; ensaios nutricionais e ou
fisiológicos e ou toxicológicos em animais de experimentação; estudos
epidemiológicos; ensaios clínicos; evidências abrangentes da literatura
científica, organismos internacionais de saúde e legislação internacionalmente
reconhecidas sob propriedades e características do produto e comprovação de
uso tradicional, observado na população, sem associação de danos à saúde.
Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIA

MORAES, F. P.; COLLA, L. M. Alimentos funcionais e nutracêuticos:


definições, legislação e benefícios à saúde. Revista Eletrônica de Farmácia Vol
3(2), 109-122, 2006.

KAC, G.; VELÁSQUEZ-MELÉNDEZ, G. A transição nutricional e a


epidemiologia da obesidade na América Latina. Cad. Saúde Pública, Rio de
Janeiro, 19(Sup. 1):S4-S5, 2003.

TARDIDO, A. P.; FALCÃO, M. C. O impacto da modernização na transição


nutricional e obesidade. Rev Bras Nutr Clin 2006; 21(2):117-24.

COZZOLINO, S. Nutracêuticos: o que Significa? ABESO 55 – 5. Fevereiro,


2012.

AÇÚCAR E HIPERATIVIDADE

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), com


prevalência de 3 a 5% em crianças, é classificado como neurobiológico, porém
também pode apresentar etiologia genética e ambiental. Dessa forma, diz-se
que o indivíduo nasce com o transtorno e apenas o desenvolve na primeira
infância, sendo descoberto, frequentemente, com o ingresso da criança à
escola, onde ela pode ser comparada com as outras da mesma faixa etária.
Em relação à etiologia, alguns estudos sugerem reduzido fluxo sanguíneo para
lobos frontais; história familiar de doenças psiquiátricas e de
neurodesenvolvimento; exposição a chumbo, mercúrio, pesticidas e tabaco;
hipersensibilidades alimentares e aditivos alimentares.

O TDAH caracteriza-se por alterações dos sistemas motores, perceptivos,


cognitivos e do comportamento, com lesão cerebral mínima, comprometendo o
processo de aprendizagem, sendo nítidas as alterações nos déficits de atenção
e memória. Também há quadros com características de desatenção,
impulsividade, distúrbios emocionais e hiperatividade.

Há evidências entre comportamento hiperativo em associação ao aumento do


consumo de alimentos açucarados em indivíduos com TDAH. Isso ocorre
devido à hipótese de que o açúcar pode levar a alterações na sinalização de
dopamina, concentração no plasma de epinefrina e norepinefrina que
contribuem para os sintomas característicos de TDAH.

Outra hipótese seria a redução no metabolismo da glicose, tanto global como


regional, nesses indivíduos, com resultados indicando que o córtex pré-motor e
córtex pré-frontal superiores, envolvidos no controle da atenção e atividade
motora, são os mais afetados. De modo geral, pode-se deduzir que indivíduos
com TDAH possuem dificuldades na regulação de hormônios e
neurotransmissores, que podem ser agravados com o consumo de açúcar
refinado.

Se por um lado alguns trabalhos evidenciam um aumento da prevalência de


obesidade entre indivíduos portadores de TDAH, por outro, estudos também
vem demonstrando uma maior prevalência de TDAH entre indivíduos obesos.

Há cientistas que propõe que o mediador da associação ente obesidade e


transtorno de hiperatividade seja o consumo excessivo crônico de açúcar. A
hipótese central neste caso é de que o consumo excessivo de açúcar resultaria
em um aumento da liberação de dopamina, que a médio/longo prazo (semanas
a meses) poderia promover uma redução no número de receptores D2 no
sistema mesolímbico, o que favoreceria o surgimento dos sintomas de TDAH.
Outros autores defendem que o TDAH leva à obesidade, principalmente a
impulsividade estando correlacionados com o comportamento alimentar
anormal, incluindo “binge eating”, alimentação emocionalmente-induzida,
acordar a noite para comer e comer “escondido”, o que levaria a um consumo
excessivo de alimentos e consequentemente, à obesidade.

Além disso, o controle inibitório, típico de pacientes portadores de TDAH,


poderia levar à falta de planejamento e dificuldade de monitorizar o próprio
comportamento, promovendo um consumo alimentar aumentado, mesmo que o
indivíduo não esteja com fome.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS:

VIUDES, D. R. et al. NUTRIÇÃO NO TRANSTORNO DE DÉFICIT DE


ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH). Revista Funec Científica – Nutrição,
Santa Fé do Sul (SP), v.2, n.3, p. 16-31, jul./dez., 2014.

MINDFUL EATING

Mindfulness, cuja tradução mais aceita para o português é atenção plena, pode
ser definida como a capacidade intencional de trazer atenção ao momento
presente, sem julgamentos ou críticas, com uma atitude de abertura e
curiosidade. Embora haja diferentes definições paramindfulness, por parte de
diversos autores, o não julgamento é sempre um componente presente e de
suma importância no desenvolvimento do comer com atenção plena (mindful
eating).

A atenção plena pode ser considerada uma capacidade inata do ser humano.
Como exemplo, podemos citar uma criança tomando um sorvete, onde ela
consegue estar totalmente envolvida na experiência de saborear e sentir a
textura e a temperatura gelada do sorvete em sua língua; mas não está
tentando deliberadamente prestar atenção ao momento presente, ela age
naturalmente com as características da atenção plena, ou seja, sem críticas ou
julgamentos.

Ao longo dos anos, geralmente perdemos contato com o nosso frescor e


curiosidade inatos ao passo que as experiências de vida nos trazem
expectativas, regras, planos, preocupações, fantasias. Isso se aplica
perfeitamente às nossas experiências alimentares, que passam a serem
vividas sob influência das regras ditadas pela mídia, dietas, recomendações de
profissionais de saúde e familiares, entre outras.

A atenção plena, portanto, também pode ser considerada um princípio de vida,


no sentido de que é possível praticá-la em quase tudo o que se faz, como
andar (parar e apreciar a paisagem ou pensar e sentir onde se está pisando),
conversar e se relacionar (prestar atenção no outro, olhando nos olhos e
mostrando real interesse na interação com ele), e, claro, comer.

O comer com atenção plena é uma experiência que engaja todas as partes do
nosso ser (corpo, mente e coração) na escolha e preparo da comida, bem
como no ato de comê-la em si. Envolve todos os sentidos. O comer com
atenção plena nos imerge nas cores, texturas, aromas, sabores e até mesmo
sons do comer e beber. Permite que sejamos curiosos e até lúdicos enquanto
investigamos nossas respostas à comida e nossos sinais internos de fome e
saciedade.

Aqueles que comem com atenção plena são, portanto, não julgadores, e estão
atentos ao sabor, textura e processo de comer. Eles checam em seus corpos
os sentimentos e pensamentos que lhes dizem se estão ou não com fome e
satisfeitos, tanto física quanto emocionalmente. Dessa forma, o comer com
atenção plena é muito mais amplo e complexo do que simplesmente comer
devagar, prestando atenção ao que se está comendo.

A atenção plena está enraizada na noção de que, se ignoramos algo que


estamos vendo, tocando ou comendo, é como se este algo não existisse.
Portanto, se comemos distraídos, assistindo à televisão, por exemplo, não
estamos de fato saboreando o que estamos comendo; nós continuaremos com
fome, insatisfeitos e sairemos em breve procurando por algo que nutra e
satisfaça.

Algumas características da mente em atenção plena:

Não julgamento: É fundamento essencial para se tornar “testemunha imparcial


de sua própria experiência” e parte de observar de forma neutra sobre o que
está acontecendo internamente e ao redor de você, sem julgamento de valor,
como “bom ou mau”, “certo ou errado”. É comum na nossa vida diária o
julgamento e a caracterização automática de tudo, inclusive de nossos
pensamentos e sentimentos. Na prática da atenção plena, é importante
reconhecer quando eles aparecem e intencionalmente colocar-se como uma
testemunha imparcial, lembrando-se de somente observá-los. Não se deve
também “julgar seus julgamentos”, ou seja, se perceber que está se julgando,
não se criticar ou se culpar por estar fazendo isso.

Paciência: Permitir e aceitar que se aprenda e se desenvolva por meio da


meditação em seu próprio ritmo. Devemos intencionalmente nos lembrar de
que não devemos ficar impacientes, por exemplo, por percebermos que
estamos julgando algum pensamento, ou porque estamos praticando
meditação há algum tempo e não observamos ainda nenhum benefício. Essas
experiências fazem parte do processo.

Confiança: Acreditar em si mesmo e confiar na sua intuição, reconhecendo


que você é a maior autoridade no que diz respeito ao seu corpo e aos seus
sentimentos. Mesmo quando se busca ajuda profissional, é importante confiar
em si mesmo e na sua autoridade, mesmo que cometa “erros”. É por meio dos
erros que adquirimos novos aprendizados e reconhecemos melhor nosso
funcionamento.
Aceitação: Ver as coisas como elas realmente são no presente, não
importando o que estiver acontecendo ou como você estiver se sentindo. Isso
não significa que devemos gostar de tudo ou ter uma atitude passiva, mas
simplesmente aceitar ser o que se é. O não julgamento e a aceitação não
significam passividade, e sim uma atitude de tentar tomar consciência mais
clara e menos reativa da realidade e, assim, responder de maneira mais
adequada às situações.

Desapego: Não se agarrar ou não resistir a determinados pensamentos ou


sentimentos. Em meditação, praticamos intencionalmente deixar de lado a
tendência de elevar alguns aspectos de nossa experiência e rejeitar outros.
Desapegar é uma forma de deixar estar, de aceitar as coisas como elas são.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

ALVARENGA, M. et al. Nutrição Comportamental. São Paulo: Manole, 2015.

DIFERENÇA ENTRE INFECÇÃO


INTESTINAL E INTOXICAÇÃO
ALIMENTAR
Tendo em vista o grande número de estabelecimentos processadores de
alimentos é necessária a realização de análises que garantam a qualidade dos
alimentos para que dessa forma não causem doenças aos consumidores.

A produção de alimentos seguros que não prejudiquem a saúde do consumidor


é um dos desafios da atualidade. As empresas estão engajadas em aumentar a
competitividade por meio da utilização de novas tecnologias melhorando a
qualidade dos produtos e a segurança dos alimentos.

A contaminação pode ocorrer em toda a cadeia alimentar, desde a produção


primária até o consumo (plantio, manuseio, transporte, cozimento,
acondicionamento, etc.). Destacam-se como os maiores responsáveis por
surtos os alimentos de origem animal e os preparados para consumo coletivo.
Um alimento de origem animal altamente consumido é o ovo, o qual é
considerado um alimento nutritivo, fonte de proteínas e apresenta baixo custo.
Na sua composição estão presentes diversos nutrientes necessários para o
desenvolvimento humano. O consumo diário de um ovo por crianças de três
anos atende 50% das necessidades diárias de proteína, no entanto, os ovos
são frequentemente associados a salmonelose, sendo o cozimento inadequado
o principal fator de contaminação deste alimento.

Frente a isto, a legislação estabelece parâmetros que nos possibilitam avaliar


se os alimentos produzidos apresentam condições para serem consumidos. A
RDC n 12 de 02 de janeiro de 2001 estabelece padrões microbiológicos
sanitários para alimentos destinados ao consumo humano.

Mas você sabe a diferença entre intoxicação e infecção alimentar?

As infecções são causadas pela ingestão de micro-organismos patogênicos,


denominados invasivos, com capacidade de penetrar e invadir tecidos,
originando quadro clínico característico como as infecções por Salmonella spp,
Shigella spp, Yersinia enterocolitica e Campylobacter jejuni. Estes quadros
geralmente são associados a diarreias frequentes, mas não volumosas,
contendo sangue e pus, dores abdominais intensas, febre e desidratação leve,
sugerindo infecção do intestino grosso por bactérias invasivas. Agentes virais,
protozoários e helmintos também estão envolvidos com DTA, cujo mecanismo
de ação é a invasão tecidual, embora o quadro clínico geralmente não tenha as
mesmas características discutidas anteriormente.

Já as intoxicações são provocadas pela ingestão de toxinas formadas em


decorrência da intensa proliferação do micro-organismo patogênico no
alimento. Os mecanismos de ação dessas toxinas em humanos não estão bem
esclarecidos. Observações em animais sugerem alterações na permeabilidade
vascular e inibição da absorção de água e sódio levando às diarreias. Os
vômitos possivelmente estão associados a uma ação das toxinas sobre o
sistema nervoso central. Exemplos clássicos deste processo são as
intoxicações causadas por Staphylococcus aureus, Bacillus cereus (cepa
emética) e Clostridium botulinum.

Durante a investigação clínico-epidemiológica de um paciente com Doença


Transmitida por Alimento (DTA) é importante valorizar dados sobre: hábitos
alimentares; consumo de alimentos suspeitos ou refeições incrimináveis; tempo
de doença clínica; existência de outros familiares ou comensais com a mesma
sintomatologia.

É importante ficar atento ao aparecimento de desidratação, vômitos intensos,


convulsões, letargia, inconsciência, presença de sangue nas fezes, febre.
Deve-se então procurar auxílio médico o mais rápido possível.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

ROSSI, P.; BAMPI, G. B. Qualidade microbiológica de produtos de origem


animal produzidos e comercializados no Oeste Catarinense. Segurança
Alimentar e Nutricional, Campinas, 22(2):748-757, 2015.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Aprova o Regulamento
Técnico sobre padrões microbiológicos para alimentos. Resolução RDC n 12,
de 02/01/2001 Diário Oficial da União. 2001. Seção I, 2001.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de
Vigilância Epidemiológica. Manual Integrado de Vigilância, Prevenção e
Controle de Doenças Transmitidas por Alimentos. Brasília – DF, 2010.

FRUTAS DA ESTAÇÃO – PRIMAVERA

A primavera é a estação do ano marcada pelo fim do inverno e inicio do verão.


No Brasil, a primavera inicia no dia 23 de setembro e termina dia 21 de
dezembro. Durante esses meses existem alguns alimentos que se destacam
dos produtos comercializados no mercado. Consumir alimentos de época é
ideal para quem deseja qualidade e economia. Hoje em dia devido a novas
tecnologias no campo é possível comprar qualquer produto em qualquer época
do ano. Contudo, é essencial levar em consideração a sazonalidade – período
onde o produto tem maior produção. Consumir alimentos da época apresenta
várias vantagens entre elas: maior produção do alimento, tendência de custos
mais baixos, plantação sustentável e alimentos mais saborosos e nutritivos.
Prefira sempre as frutas orgânicas!

Conheça agora algumas das frutas que estão em alta durante a primavera:

Abacaxi Pérola:
A bromelina é o nome genérico dado ao conjunto de enzimas proteolíticas
encontradas nos vegetais da família Bromeliáceas, da qual o abacaxi é o mais
conhecido. Essa enzima tem diversos usos nas indústrias alimentícias e
farmacêuticas, todos baseados em sua atividade proteolítica. Pode-se
mencionar o uso no tratamento de distúrbios digestivos e a quebra de gorduras
depois da alimentação, pois quebra as proteínas em peptídeos e aminoácidos
que auxilia na digestão.

Mamão:
O mamoeiro é uma planta cultivada nas regiões de clima tropical, sendo que no
Brasil encontra condições climáticas favoráveis para sua exploração
econômica. O mamão é uma fruta que contém nutrientes como betacaroteno,
cálcio, magnésio, fósforo, potássio e vitamina A, B e C. Além disso, o mamão
possui ainda uma enzima: a papaína. A papaína possui propriedades
digestivas e ação semelhante à pepsina (enzima do estômago), transformando
as proteínas dos alimentos em aminoácidos. O mamão tem características
laxantes que agem contra a fermentação intestinal, evitando assim, a
constipação intestinal e formação de gases.

Acerola:
A acerola tem polpa carnosa, suculenta e de cor alaranjada. A coloração
externa varia do laranja ao vermelho intenso quando maduro. É a fruta mais
rica em vitamina C, bastam quatro unidades por dia para suprir toda a
necessidade de vitamina C de uma pessoa adulta saudável. Devido ao elevado
teor de ácido ascórbico, a acerola é amplamente recomendada para a
manutenção da saúde, melhoria do apetite, prevenção de irritabilidade e fadiga.
A acerola é rica também em outros nutrientes como carotenoides, tiamina,
riboflavina e niacina.

Banana:
A banana é a segunda fruta mais produzida no Brasil, atrás da laranja. Essa
estatística coloca o país como o terceiro maior produtor mundial de banana,
com 6,4 milhões de toneladas. A banana apresenta uma ampla variedade:
banana-da-terra, banana ouro, banana prata, banana nanica e banana maçã.
Ainda possui nutrientes como ferro, cálcio, magnésio, fósforo, potássio, zinco,
cobre, iodo, enxofre, manganês, carboidratos e vitaminas do complexo B.

Laranja:
A laranja é uma fruta que possui propriedades antioxidantes que combatem os
radicais livres e mantem a saúde da pele, o que auxilia no retardo do
envelhecimento. Os principais nutrientes da laranja são a vitamina B, potássio
e as fibras. A laranja é ainda uma excelente fonte de vitamina C. A vitamina C é
uma vitamina hidrossolúvel e termolábil, sendo rapidamente oxidada quando
exposta ao ar. Ela é indicada ainda para controle do colesterol e reforço das
defesas do corpo.

Confira algumas receitas utilizando as frutas da estação:


Frapê fresh
(Manual de Nutricosméticos)

Ingredientes:
1 laranja
6 acerolas
3 folhas de couve-manteiga
1 colher (sobremesa) de mel
Gelo a gosto

Modo de fazer:
Higienizar a laranja, acerolas e a couve. Bater todos os ingredientes no
liquidificador. Beber imediatamente.
Rendimento: 2 porções

Salada de frutas com cubos de Frozen


(Manual de Nutricosméticos)

Ingredientes:
1 pires (chá) de mamão picado
1 pires (chá) de abacaxi picado
5 unidades de morango picado
1 unidade de iogurte tipo frozen natural gelado
3 sachês de chá de morango

Modo de fazer:
Picar as frutas. Acomodá-las em taças de sobremesa e congelar. Preparar um
chá bem concentrado com 100 ml de água fervente para 3 unidades de sachê.
Deixar em infusão por 5 minutos. Esfriar. Bater no liquidificador o chá com o
iogurte tipo frozen natural congelado. Acondicionar em formas de gelo e
congelar novamente. Retirar a taça com as frutas picadas e adicionar 4 cubos
de frozen de morango. Servir em seguida.
Rendimento: 2 porções
Abacaxi com creme de coco
(http://www.curvasideais.com.br/abacaxi-com-creme-de-coco/)

Ingredientes:
1 abacaxi cortado em quadradinhos
250ml de leite de coco
125gr de biomassa de banana verde
2 colheres de sopa de açúcar de coco
Coco ralado para decorar

Modo de fazer:
Numa panela, misture 200ml de leite de coco, a biomassa, e o açúcar de coco.
Misture em fogo baixo até formar um creme homogêneo. Deixe o creme esfriar
e sirva um pouco em cada taça. Coloque o abacaxi cortado em cada taça e
complete com mais creme de coco. Para decorar, use o restante do leite de
coco e o coco ralado.
Rendimento: 4 porções

*Elaborado por Letícia Weber. Estagiária de Nutrição do Instituto Ana Paula


Pujol.

REFERÊNCIAS

DANIELI, Flávia.; et al. Determinação de vitamina C em amostras de suco de


laranja in natura e amostras comerciais de suco de laranja pasteurizado e
envazado em embalagem Tetra Pak. Rev Inst Ciênc Saúde. v.27, n.4, p.361-
365, 2009.
FERREIRA, Juliana Ferrari; TAMBOURGI, Elias Basile. Caracterização e
purificação da enzima bromelina em sistema de duas fazes aquosas
PEG/Fosfato. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007.
MARTINS, Gabriela Neves.; et al. Influência do repouso pós-colheita de frutos
na qualidade fisiológica de sementes de mamão. Revista Brasileira de
Sementes, vol. 28, nº 2, p.142-146, 2006.
OLIVEIRA, Lenice Freiman de. Os Avanços da Bromelina na Área de
Alimentação e da Saúde. Alimentação e Nutrição. v.12, nº. 1, 2000.
QUEIROZ, Ronialison Fernandes. Desenvolvimento de mamão formosa
‘tainung 01’ cultivado em russas-ceará. Universidade Federal Rural do
SemiÁrido (UFERSA) [dissertação]. Mossoró-RN, 2009.
YAMASHITA, Fábio.; BENASSI, Marta de Toledo.; TONZAR, Anamaria Caldo.;
MORIYA, Suely.; FERNANDES, Joicelena Georgetti. Produtos de acerola:
Estudo da estabilidade de vitamina C. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, n.23,
v.1, p.92-94, jan.-abr. 2003.
Fonte: Tabela de sazonalidade dos alimentos – CEASA Campinas. Disponível
em: <http://www.ceasacampinas.com.br/novo/Serv_Alimentos_Epoca.asp>
Acesso em: 24/05/2016.
Fonte: Tabela de sazonalidade dos alimentos – CEAGESP São Paulo.
Disponível em:
<http://www.ceagesp.gov.br/entrepostos/servicos/produtos/sazonalidade-de-
compras/> Acesso em: 25/05/2016.
Fonte: https://lar-natural.com.br/quais-frutas-da-estacao/. Acesso em:
27/05/2016.

NUTRIÇÃO X CORTISOL

O cortisol é encontrado em fluidos corporais e segue um ritmo circadiano tanto


no plasma, quanto na urina e saliva: é máximo pela manhã, declina ao longo do
dia, encontra-se em baixa concentração próximo à meia noite, e aumenta nas
primeiras horas após dormir. A dosagem do cortisol salivar, que avalia a fração
livre do hormônio, tem se tornado cada vez mais utilizado, devido à sua fácil
coleta e baixo custo, se comparada a outros métodos.

Esta técnica tem se mostrado útil para avaliar o eixo Hipotálamo-hipófise-


adrenal (HPA) em alterações da função cognitiva, em situações de estresse,
ansiedade, depressão, síndrome do pânico, na avaliação da privação de sono
em trabalhadores noturnos e naqueles com fadiga crônica.
Dentre as alterações fisiológicas desencadeadas pelo estresse está a liberação
de cortisol, hormônio glicocorticoide secretado e liberado pela suprarrenal,
como consequência da ativação do eixo HPA, que tem a função de preparar o
organismo para desafios fisiológicos ou ambientais, e é um importante
marcador biológico da resposta ao estresse.

Sobre a atividade alterada do eixo HPA na presença de obesidade, a literatura


mostra que este se encontra hiperresponsivo, o que pode contribuir para o
aumento da liberação de cortisol em pacientes obesos. Esse hormônio é
secretado na forma inativa, como cortisona e é ativado pela enzima 11β-
hidroxiesteroide desidrogenase tipo 1 (11β-HSD1), atuando em resposta ao
estresse oxidativo, com efeito anti-inflamatório e imunossupressor. Entretanto,
os distúrbios na produção do cortisol no fígado e no tecido adiposo favorecem
aumento da expressão da 11β-HSD1, o que pode potencializar a inflamação
crônica de baixo grau presente na obesidade.

A 11β-HSD1 é considerada uma enzima importante no metabolismo do cortisol


em nível de tecido periférico. Essa enzima facilita a ação de glicocorticoides em
tecidos-alvo, como o fígado e tecido adiposo, pela ativação dos receptores
desse hormônio. O aumento da expressão da enzima 11β-HSD1 tem sido
implicado na patogênese da obesidade central, síndrome metabólica e
desregulação do metabolismo da glicose e dos lipídios.

O eixo HPA responde à inflamação crônica e aguda. Na inflamação aguda, o


HPA é ativado pela liberação de citocinas específicas como a IL-6, tendo como
consequência a elevação do cortisol plasmático. Por outro lado, na inflamação
crônica, ocorre ativação crônica do eixo HPA, levando a concentrações
elevadas de cortisol plasmático, como um mecanismo de proteção adaptativo.

Os glicocorticoides promovem a diferenciação e proliferação de adipócitos, por


meio dos receptores de glicocorticoides, que são mais expressos no tecido
adiposo visceral do que no subcutâneo. Ainda que o cortisol tenha ação
lipolítica, a hipercotisolemia crônica pode resultar em aumento de massa gorda,
particularmente nos depósitos viscerais. Esse hormônio tem papel significativo
na regulação da homeostase dos triglicerídeos e pode modular tanto a
lipogênese quanto a lipólise.
Em um estudo publicado em 2015 pelo Journal of Clinical Endocrinology &
Metabolism constatou que há conversão de cortisona em cortisol através da via
enzima 11β-HSD1 em depósitos de gordura abdominal em participantes com
sobrepeso / obesidade com diabetes mellitus tipo 2. Esta observação tem
implicações significativas para o desenvolvimento de inibidores específicos de
tecidos 11β-HSD-1 em pacientes com diabetes mellitus tipo 2.

Nessa perspectiva, diversos estudos têm mostrado a participação do cortisol


sobre o metabolismo de vários nutrientes, a exemplo do zinco. Esse hormônio
pode influenciar, de forma indireta, as concentrações intracelulares e
plasmáticas desse mineral por induzir a expressão da metalotioneína, proteína
que participa da homeostase do zinco, atuando de forma relevante na sua
distribuição no organismo.

Alguns alimentos funcionam como moduladores nutricional do cortisol, como é


o caso dos ácidos graxos ômega-3 que possuem efeitos inibitórios na ativação
do eixo HPA via atuação direta no sistema nervoso central (SNC). Em um
estudo a suplementação com 7,2g de óleo de peixe / dia, durante 3 semanas,
reduziu significativamente as concentrações plasmáticas de cortisol, epinefrina
e o gasto energético de ácidos graxos não esterificados em resposta a um
evento estressante (induzido em laboratório) em indivíduos saudáveis.

A L-teanina é capaz de modular diversos aspectos da função cerebral, por


meio de um aumento na frequência das ondas alfas (8 – 14Hz), o que causa
relaxamento sem causar sonolência. O chá preto pode ter efeito benéfico na
recuperação do estresse. O consumo de chá preto reduziu os níveis de cortisol
pós-estresse e ocasionou uma sensação subjetiva de relaxamento, podendo
assim exercer efeito em indivíduos altamente estressados. Porém, deve-se ter
atenção, pois a mesma possui efeitos redutores na pressão arterial, pelo
motivo de potencializar efeitos de diversos medicamentos anti-hipertensivos.

Baixos níveis de triptofano foram encontrados em mulheres com níveis


elevados de cortisol. Dietas ricas em carboidratos e pobres em proteínas
aumentam a quantidade de serotonina, pois os carboidratos aumentam a
captação de serotonina pelo cérebro, de um modo indireto, por meio da
redução das concentrações de aminoácidos grandes e neutros que competem
com o triptofano pela entrada na barreira hemato-encefálica. Porém, ainda são
necessários mais estudos que comprovem os efeitos do triptofano (via dieta)
nos níveis de cortisol em humanos.

Como visto, o cortisol é um hormônio que exerce função essencial na


manutenção do bom funcionamento do organismo, porém, quando
cronicamente elevado, possui diversos efeitos no organismo. Via alimentação é
possível modular os níveis e os efeitos do cortisol, por meio do fracionamento
adequado, refeições equilibradas em diversos compostos anti-inflamatórios e
antioxidantes, favorecendo o equilíbrio fisiológico e bioquímico do organismo.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

TAVARES, J. P. Relação entre as dimensões do modelo desequilíbrio esforço-


recompensa, resiliência e níveis de cortisol salivar em policiais militares. Pós-
Graduação em Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Porto Alegre, 2015.

MARTINS, L. M. et al. Considerações sobre a Influência do Cortisol no


Metabolismo do Zinco na Obesidade. Nutr. clín. diet. hosp. 2015; 35(3):83-88.

DUBE, S. et al. 11β-hydroxysteroid dehydrogenase types 1 and 2 activity in


subcutaneous adipose tissue in humans: implications in obesity and diabetes. J
Clin Endocrinol Metab. 2015 Jan;100(1)
BHATHENA, S. J. Relationship between fatty acids and the endocrine system.
Biofactors; 13(1-4):35-9, 2000.

NAVES, A. Nutrição clínica funcional: modulação hormonal. 1ed. São Paulo:


Valeria Paschoal Editora Ltda., 2010.

SUSTENTABILIDADE E NUTRIÇÃO

A sustentabilidade tem como objetivo manter a diversidade biológica de uma


população a fim de possibilitar a sua sobrevivência ao longo dos anos e baseia-
se em disponibilizar recursos naturais para os descendentes de maneira
socialmente equilibrada ao desenvolvimento econômico da sociedade.

O conceito de sustentabilidade é algo que vem sendo inserido na cultura,


sendo um assunto atual e que pode ser compreendido por ações de
desenvolvimento que satisfazem as precisões atuais de modo que as gerações
futuras tenham a garantia de que suas necessidades não serão comprometidas
e comporta sete aspectos principais:

1. Sustentabilidade social, onde há melhoria na qualidade de vida da


população, equidade na distribuição de renda;

2. Sustentabilidade econômica, onde o poder público e privado regularizam o


fluxo de investimentos, equilíbrio de balanço de pagamento;

3. Sustentabilidade ecológica, onde o uso de recursos naturais deve minimizar


danos aos sistemas de sustentação da vida;

4. Sustentabilidade cultural, gerando respeito aos diferentes valores entre os


povos;

5. Sustentabilidade espacial, levando ao equilíbrio entre rural e urbano;


6. Sustentabilidade política, construção de espaços públicos comunitários,
descentralização da gestão de recursos;

7. Sustentabilidade ambienta, promovendo equilíbrio de ecossistemas e


conservação geográfica.

Nesse contexto, na produção de alimentos devemos considerar não apenas a


produção de alimentos qualitativa e quantitativamente adequados, nem
tampouco somente o desenvolvimento econômico e material, mas também o
sistema de produção que seja viável para o meio ambiente, de forma a
assegurar e sustentar a qualidade de vida humana.

O padrão de dieta ocidental é preocupantemente insustentável decorrente do


sistema alimentar atual marcado pela desenfreada utilização de combustíveis
fósseis, energia e recursos hídricos em todas suas etapas. A produção agrícola
é responsável por 10 a 12% do total de emissões de gases estufa mundial,
enquanto a pecuária contribui com 80% das emissões.

O desenvolvimento tecnológico influencia de modo importante, diversos


aspectos da vida contemporânea. Com isso, questões básicas como os
padrões de consumo alimentar e suas consequências tornam-se objetos de
reflexão. Os impactos ambientais da produção de alimentos são determinados
inicialmente pela produção agrícola. Os métodos convencionais incluem
tecnologias desenvolvidas com vistas a aumentar a produção para atender a
demanda de padrões exacerbados de consumo.

Assim, em nome da alta produtividade, há o uso intensivo de recursos


tecnológicos, como pesticidas, herbicidas, fungicidas, inseticidas e fertilizantes
sintéticos que se associam a maiores níveis de contaminação de alimentos.
Além disso, estas mesmas práticas de agricultura apresentam notáveis
consequências sociais, econômicas e ambientais. Alguns impactos são a
poluição do ar, da água, do solo, erosão, perda de biodiversidade, aumento do
consumo de energia e desperdício de alimentos.

A cada ano, 17 milhões de hectares de floresta tropical são destruídos, e a


tendência é o aumento desta prática. Segundo o Instituto de Pesquisas
Espaciais do governo brasileiro, houve um aumento de 40% no
desflorestamento entre 2002 e 2003. Mesmo que nem toda a terra seja
utilizada para a criação de gado, 88% da terra desmatada da Floresta
Amazônica têm sido usadas para pastagem. Desta forma, o aumento do
consumo de proteína animal em várias partes do mundo tem se constituído em
uma mola propulsora para o aumento da ocorrência destes impactos
ambientais.

Outra questão é a disponibilidade de alimentos fora de sua sazonalidade pelo


mercado globalizado que faz com que ocorra aumento da necessidade de
energia, especialmente para o transporte dos alimentos. Desta forma, os
combustíveis fósseis se tornam uma das principais fontes de energia da
agropecuária industrial, sendo que a produção de carne é o setor que mais
demanda energia, cerca de 2,5 a 5,0 vezes mais que as plantações.

As evidências apontam que as mudanças climáticas e o aumento do preço dos


alimentos, devido à variação do preço do petróleo, aumentarão o número de
pessoas em países em desenvolvimento que passam por algum tipo de
privação alimentar. Ou seja, trata-se de um grande e insustentável sistema
global que traz danos não só ao meio ambiente, mas à sociedade e à saúde.

O aumento no consumo de frituras é uma preocupação constante, não


somente pelos problemas de saúde gerados, mas devido a geração de resíduo
de óleo utilizado nas preparações e produz danos ao meio ambiente quando
descartado em locais inadequados. Os resíduos orgânicos dispostos
inadequadamente podem provocar contaminação do lençol freático por meio da
infiltração do chorume e/ou representar um grande prejuízo financeiro, pois
poderia ser convertido em biogás ou adubação orgânica.

As embalagens utilizadas para transporte e armazenamento dos produtos


antes do consumo podem também gerar problemas ambientais se não
encaminhadas ao destino apropriado.

Desse modo, torna-se de suma importância identificar os pontos geradores de


resíduos, para uma futura tomada de decisão e implantação de métodos para
seu controle e redução. Grande relevância deve ser dada à definição de
estratégias que visem sua minimização, uso consciente de energia e água,
assim também como educação e monitoramento dos envolvidos no processo,
com o objetivo de enfrentar a problemática, tornar realidade a política ambiental
e garantir o aspecto de qualidade higiênico-sanitária das refeições.

O ato de comer é permeado por cultura, nele há uma trama complexa não
composta apenas por fatores nutricionais, mas também por aspectos sociais,
históricos, econômicos, políticos, geográficos, psicológicos; desvinculá-los
reduz a profundidade do debate da questão alimentar atual e limita qualquer
tentativa de pensar políticas públicas que tenham como objetivo a promoção da
SAN, da Saúde Coletiva e Ambiental.

Entretanto, para que tal transição venha à tona, são necessárias proposições
de mudanças rumo a padrões dietéticos mais adequados ao ambiente, como,
por exemplo, a diminuição do consumo de produtos de origem animal,
especialmente da carne bovina. Além disso, é imprescindível o apoio à
pesquisa para que métodos sustentáveis de produção de alimentos sejam
desenvolvidos, resgatados e valorizados, em especial as experiências
agroecológicas e práticas de agricultura urbana e periurbana.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

HAINES, A.; ALLEYNE, G.; KICKBUSCH, I.; DORA, C. From the Earth Summit
to Rio+20: integration of health and sustainable development. Lancet, vol 379.
2189–97 p. 2012.
CATALISA. O Conceito de Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável.
Disponível em: < http://www.catalisa.org.br/recursos/textoteca/30 >. Acesso
em: 14/03/2016.
TAKEUTI, D.; OLIVEIRA, J. M. Para além dos aspectos nutricionais: uma visão
ambiental do sistema alimentar. Segurança Alimentar e Nutricional, Campinas,
20(2):194-203, 2013.

FALTA DE APETITE E SELEÇÃO


ALIMENTAR NAS CRIANÇAS

As queixas sobre os distúrbios do apetite na infância, representadas


comumente pelas mães como: "Meu filho(a) não come" e/ou "só come
besteiras", tornam-se cada vez mais frequentes nos consultórios. Afetando a
todos os níveis socioeconômicos e culturais, merecendo desta forma, uma
análise cuidadosa do caso, a fim de se propor uma conduta mais adequada.

Dados norte-americanos mostram que 10 a 25% das crianças têm algum


transtorno alimentar. Este índice pode atingir cerca de 80%, quando é
analisada a rejeição alimentar mediante comportamento aprendido. Um dos
mais frequentes distúrbios alimentares é a seletividade alimentar, que não
alcançou, ainda, uniformização de conceito nos colegiados médicos e de
nutricionistas. São reconhecidas suas principais características clínicas, na
tríade de recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento.

Para conceituar e compreender adequadamente a seletividade alimentar é


necessário reconhecer outros distúrbios alimentares, com os quais pode
assemelhar-se.

Anorexia fisiológica: não é um distúrbio verdadeiro, porém por vezes é


relatado como tal pelos responsáveis. Instala-se na maior parte das vezes
entre 6 e 12 meses de idade, acentuando-se ao final do 1º ano de vida; pode
durar cerca de 4 a 5 anos. A criança apresenta uma diminuição do apetite,
devido à desaceleração no seu crescimento. Além disso, o interesse pelo
alimento é substituído pela enormidade de estímulos e descobertas que a
criança faz no meio ambiente. A redução do apetite é global, a queixa não tem
desencadeante e início bem determinados, não há outros dados referentes a
distúrbios psíquicos da criança, da mãe, do vínculo entre mãe e filho,
problemas sociais relevantes. A criança não apresenta alteração do estado
nutricional.

Anorexia infantil ou anorexia verdadeira: a criança que não consome,


espontaneamente, uma quantidade de alimentos suficiente para o adequado
crescimento e desenvolvimento. As condições desfavoráveis à aceitação
alimentar podem ser de origem orgânica ou comportamental.

Falsa anorexia: a criança come pouco na opinião dos familiares, porém


apresenta crescimento dentro do considerado normal e esperado. O quadro
sobrepõe-se ao da anorexia fisiológica, exceto pelo posicionamento dos pais
ou responsáveis.

Pseudo-anorexia: recusa alimentar determinada por dificuldade de


mastigação e/ou deglutição, presença de aftas, fissura palatina, estomatite,
dores dentárias ou outras condições que provoquem dor e sofrimento.

Anorexia seletiva ou seletividade alimentar: a criança que apresenta recusa


total ou parcial a determinado(s) tipo(s) de alimento(s). No seu extremo o
quadro é bastante característico, porém, a existência de paladar e de
preferências alimentares entre as crianças saudáveis, torna o quadro algo
impreciso. Uma ampla maioria das crianças é descrita pelos pais e
responsáveis como seletivos, apesar de não apresentarem prejuízo ao estado
nutricional, nos horários e práticas alimentares. Os alimentos mais rejeitados
são verduras, legumes e frutas.

A criança seletiva manifesta a tríade: recusa alimentar, pouco apetite (relatado)


e desinteresse pelo alimento. De modo geral, passa a desgostar da
alimentação. Pode ocorrer tanto em crianças saudáveis quanto naquelas com
necessidades especiais, como é o caso das crianças prematuras, com
problemas neurológicos, ou outras doenças. São afetadas crianças de todos os
níveis socioeconômicos, culturais, e etnias; contudo este comportamento é
mais comum nos hiperativos.
Algumas vezes distúrbios alimentares são confundidos com distúrbios de
crescimento. Para os familiares, problemas de desenvolvimento reais ou
imaginários seriam decorrentes de distúrbios alimentares, mesmo quando não
há alterações qualitativas e quantitativas. Uma vez que os distúrbios
alimentares são estabelecidos essencialmente a partir das observações dos
responsáveis, esta diferenciação deve ser estabelecida.

A psicologia fisiológica mostrou, inicialmente, que a sugestão interna de fome e


saciedade seria responsável pela alimentação, ao mesmo tempo em que surgiu
o modelo da homeostase, definido como o equilíbrio fisiológico interno do corpo
para sua manutenção. No modelo da homeostase, a alimentação é uma
resposta não aprendida em relação à sugestão da fome.

A aprendizagem na alimentação tem revelado métodos baseados no


paradigma do condicionamento, para aumentar as preferências alimentares
como a aprendizagem pela exposição repetida e pela mera exposição,
aprendizagem sabor-sabor, e aprendizagem nutriente-sabor.

Aprendizagem pela exposição repetida e mera exposição: A exposição


repetida e/ou mera exposição são os processos de familiarização com
alimentos que se iniciam com o desmame e a introdução dos alimentos sólidos,
durante o primeiro ano de vida da criança. Gradativamente, a criança recebe a
alimentação dos pais, que têm a responsabilidade de oferecer uma
alimentação variada para que a criança aprenda sobre os diversos sabores,
desenvolvendo e exercitando seu paladar.

Em um estudo sobre a extensão da exposição repetida de novos


alimentos/sabores com crianças pré-escolares, os resultados indicaram que o
alimento não pode ser apenas percebido visualmente ou pelo odor, a criança
necessita provar o alimento, mesmo que inicialmente em quantidade mínima,
para que se produza o condicionamento, aumentando a aceitação do alimento.

Aprendizagem sabor-sabor: Estudos com animais e humanos têm


demonstrado que associando açúcar ou sabor preferido com um sabor
desconhecido ou menos preferido, aumenta a aceitação do sabor menos
preferido pela associação dos sabores. A percepção dos sabores compreende
a sensação do doce, salgado, azedo e amargo e alguns outros associados a
aminoácidos. A sensibilidade ao sabor doce já aparece na fase pré-natal,
sendo, portanto, uma preferência inata. Possivelmente, devido a esta
sensibilidade ao doce estimulada pelas substâncias químicas do líquido
amniótico durante a fase pré-natal, verifica-se um aumento da aceitação de
alimentos desconhecidos, quando estes estão associados ao açúcar ou a
alimentos naturalmente adocicados. Neste tipo de aprendizagem, o sabor está
associado ao prazer e provavelmente por esta razão se mantém ao longo do
tempo, ou seja, é durável e sua modificação só é possível quando outra
experiência aprendida substitua ou neutralize a experiência anterior.

Aprendizagem nutriente-sabor: Uma substância nutritiva com mais calorias


promove uma consequência fisiológica de saciedade que, associada à
sugestão do sabor, aumenta a aceitação do alimento desconhecido. Como
existe um atraso entre a sugestão sensória percebida e a consequência
nutricional, os alimentos mais calóricos são os mais aceitos, devido à maior
sensação de saciedade que ocorre logo após a ingesta. Além disso, a gordura,
como ingrediente no preparo de alimentos, empresta uma textura cremosa e
fofa, o que provavelmente conquista a preferência da criança. Possivelmente,
tanto pelas consequências fisiológicas de saciedade quanto pelo sabor, a
aprendizagem nutriente-sabor vai produzir preferência para alimentos que têm
mais calorias.

A participação da mãe no processo da alimentação é de fundamental


importância, embora as ações de outros familiares - pais e avós tenham
repercussões igualmente importantes para a criança. Mães com histórico de
depressão e transtornos alimentares e pais exigentes tendem a apresentar
filhos com maior risco de padrões alimentares inadequados. Outras vezes, pais
autoritários - que controlam horários, quantidades e qualidade das refeições,
induzem-nos a uma relação de dependência, com dificuldade em experimentar
novos desafios e, entre eles, experimentar novos alimentos.

Verifica-se, também, a influência das estratégias utilizadas pelos pais nos


padrões de alimentação da criança e constata-se que a maior preocupação dos
pais centra-se na quantidade de alimento, e não em desenvolver hábitos e
atitudes direcionados a padrões de alimentação mais adequados do ponto de
vista qualitativo.

Cada caso de seletividade alimentar tem suas peculiaridades, requer


orientação individualizada, segundo as características específicas da criança,
da família e do meio. Os múltiplos fatores determinantes da seletividade da
criança têm seu impacto nutricional melhor avaliado através da ação do
pediatra e da nutricionista. Casos graves podem demandar, também, uma
assistência psicológica especializada, visto que muitos problemas alimentares
são decorrentes de conflitos intra familiares que se explicitam no âmbito
alimentar.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

RAMOS, M; STEIN, LM. Desenvolvimento do comportamento alimentar infantil.


Jornal de Pediatria, Vol. 76, Supl.3, S229-S237, 2000.
KACHANI, AT; ABREU, CLM; LISBOAS, BH; FISBERG, M. Seletividade
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ABREU, CLM, FISBERG M. A inapetência na infância. Recusa alimentar: o
que fazer com a criança que não come? Alimentação na Infância 2003;2:1-8
PHILIPPI, Sonia Tucunduva; CRUZ, Ana Teresa Rodrigues and COLUCCI,
Ana Carolina Almada. Pirâmide alimentar para crianças de 2 a 3 anos. Rev.
Nutr. 2003, vol.16, n.1, pp. 5-19.

TABAGISMO
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, estima-se que existam
mais de 1,3 bilhões de fumantes no mundo, sendo o tabagismo responsável
por aproximadamente 5 milhões de mortes anuais. Em 2020, o número de
mortes anuais atingirá 10 milhões de pessoas.

A dependência do tabaco associa-se a uma maior predisposição para doenças


e incapacidades com alta morbidade e mortalidade, resultando em piora da
saúde e da qualidade de vida da população em geral.

Hoje existem mais de 50 doenças relacionadas ao tabagismo, atingindo


principalmente os aparelhos respiratório (doença pulmonar obstrutiva crônica -
DPOC, algumas doenças intersticiais, agravamento da asma), cardiovascular
(aterosclerose, arterial coronariana, acidente vascular cerebral, aneurisma,
tromboangeite obliterante, associação tabaco-anovulatório), digestivo (refluxo
gastroesofágico, úlcera péptica, doença de Crohn, cirrose hepática),
genitourinário (disfunção erétil, infertilidade, hipogonadismo, nefrite), neoplasias
malignas (cavidade oral, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, cólon, reto,
fígado e vias biliares, rins, bexiga, mama, colo de útero, vulva, leucemia
mieloide), entre outras.

Em um estudo publicado em 2014 avaliando 22 estudantes do nono ano


identificou que conhecimento a respeito dos efeitos danosos que o tabagismo
pode trazer à saúde humana era relativamente baixo ou quase desconhecido
para uma parcela dos estudantes que participaram deste estudo. Os efeitos
mais conhecidos tais como câncer, escurecimento de dente, envelhecimento
precoce, entre outros, podem estar associados à divulgação obrigatória destes
efeitos nas embalagens dos cigarros. Entretanto, os efeitos na fertilidade
humana e os riscos ósseos eram praticamente desconhecidos pela maioria dos
entrevistados.

Na queima de um cigarro há produção de 4.720 substâncias, em 15 funções


químicas, das quais 60 apresentam atividade cancerígena, e outras são
reconhecidamente tóxicas. Além da nicotina, monóxido de carbono e
hidrocarbonetos aromáticos, citam-se amidas, imidas, ácidos carboxílicos,
lactonas, ésteres, aldeídos, cetonas, alcoois, fenois, aminas, nitritos,
carboidratos, anidritos, metais pesados e substâncias radioativas com origem
nos fertilizantes fosfatados.

O hábito de fumar leva a doenças coronarianas por meio de vários


mecanismos. A nicotina, substância presente no cigarro, estimula a liberação
de adrenalina, catecolaminas, vasopressina e outros hormônios, causando um
aumento na frequência cardíaca e da pressão arterial, e também a
vasoconstrição (diminuição do calibre do vaso sanguíneo).

O monóxido de carbono inalado reduz a disponibilidade de oxigênio para os


tecidos do coração e consequentemente o aumento da frequência cardíaca.
Somando a isso existe também o efeito do tabaco sobre as lipoproteínas
(transportadoras de colesterol pela corrente sanguínea), diminuindo o
colesterol bom (HDL) e o efeito trombogênico por aumentar a agregação
plaquetária.

A relação entre o ato de fumar e o câncer de boca (CB) é bem estabelecida. O


tabaco é usado em todo o mundo em diversas formas; contudo, o fumo de
cigarros manufaturados é a forma mais prevalente. O uso de cachimbo e
charutos é também considerado um importante fator de risco em cânceres
bucal e da faringe. Um aumento da permeabilidade da mucosa bucal facilita a
passagem da N-nitrosonornicotina, uma das nitrosaminas carcinogênicas do
cigarro.

Além disso, o cigarro contém substâncias oxidantes e pró-oxidantes


(promovem o envelhecimento do organismo) que atuam na indução das
doenças cardiovasculares (DCV) por promoverem e propagarem o aumento do
estresse oxidativo. A produção de espécies reativas de oxigênio (ou radicais
livres) com o consumo de cigarro excede a capacidade antioxidante do
organismo, comprometendo o status antioxidante do indivíduo, podendo
ocorrer dano oxidativo nos lipídios plasmáticos e de membranas, propiciando o
surgimento da aterosclerose (placas de gorduras nas artérias).

Dentre as DCV, a aterosclerose coronariana constitui uma forma frequente e


potencialmente letal. A sua instalação anatomopatológica precede, em
décadas, o surgimento das manifestações clínicas. Como a incidência da
doença vem aumentando a cada ano tem-se detectado, a partir da
adolescência, uma relação direta entre a progressão das lesões
ateroscleróticas e a baixa concentração sérica de HDL e a alta concentração
de triglicerídeos nesses indivíduos, podendo também correlacionar o tabagismo
e a ocorrência de alterações como a hipertensão arterial e obesidade.

Em um estudo publicado na Revista de Nutrição em 2009, avaliando 68


indivíduos, de 18 a 26 anos, emparelhados por sexo e idade, divididos em dois
grupos: fumantes (n=34) e não fumantes (n=34), os resultados demonstraram
que o grupo de fumantes possui hábito alimentar inadequado, principalmente
para alimentos diretamente associados aos fatores de risco para dislipidemias.
Além disso, o tabagismo associado ao consumo de álcool, verificado no grupo
estudado, agrava este risco. Os valores encontrados para o parâmetro de
avaliação do sistema antioxidante dos jovens reforça que o tempo de
tabagismo foi mais relevante do que o número de cigarros fumados por dia.

Os antioxidantes são compostos químicos que podem prevenir ou diminuir os


danos oxidativos de lipídios, proteínas e ácidos nucleicos causados por
espécies reativas de oxigênio, que incluem os radicais livres, ou seja, os
antioxidantes possuem a capacidade de reagir com os radicais livres e assim
restringir os efeitos maléficos ao organismo. Os citros, assim como muitas
frutas, são ricos em substâncias antioxidantes que ajudam a diminuir a
incidência de doenças degenerativas, como o câncer, as doenças
cardiovasculares, inflamações, disfunções cerebrais, e a retardar o
envelhecimento precoce.

As frutas e vegetais contêm muitos compostos com potencial atividade


antioxidante, como vitaminas C e E, carotenoides, clorofilas, e uma variedade
de antioxidantes fitoquímicos como compostos fenólicos simples, glicosídeos e
flavonoides.

Como os fumantes estão mais susceptíveis ao processo de peroxidação


lipídica, a manutenção de níveis elevados de antioxidantes torna-se
imprescindível para a prevenção das doenças cardiovasculares. Dentre eles
podemos citar a vitamina C. A vitamina C atua como potente agente
antioxidante hidrossolúvel por meio da variação fisiológica das espécies
reativas de oxigênio e nitrogênio.

Além disso, a vitamina C tem a capacidade de proteger a função pulmonar.


Desta forma, a insuficiência respiratória pode ser decorrente da deficiência
dessa vitamina, a qual é muito comum na população de fumantes. Estudos
indicam que o consumo adequado de vitamina C melhora os sintomas e a
duração das infecções do trato respiratório, incluindo o resfriado comum; além
disso, também reduz a incidência de pneumonia.

Os fumantes tem uma necessidade de vitamina C e zinco aumentada, devido a


um maior desequilíbrio do estresse oxidativo, principal fator responsável pelos
processos inflamatórios nas afecções pulmonares.

O tabagismo também pode provocar alterações na pele. Os efeitos fisiológicos


dessas alterações são complexos. Dentre as milhares de substâncias tóxicas
na fumaça do cigarro, a nicotina apresenta-se como composto mais nocivo por
ser responsável pela diminuição do fluxo sanguíneo.

Acredita-se que isso seja causado por uma estimulação da vasopressina,


hormônio vasoconstritor. Ao levar à isquemia crônica dos tecidos, gera lesões
nas fibras elásticas, diminuição da síntese de colágeno, razão pela qual as
rugas são bem marcadas.

Aqui também entra a vitamina C, a qual também participa na formação de


colágeno, substância proteica que une as células. O colágeno contém os
aminoácidos hidroxiprolina e hidroxilisina, formados no organismo a partir dos
aminoácidos prolina e lisina, e parece que o ácido ascórbico (vitamina C) é
necessário para essa conversão. Isso justifica a característica enrugada e
envelhecida da pele dos indivíduos fumantes.

A melhor fórmula que se conhece para diminuir os efeitos nocivos do cigarro na


pele “é parar de fumar”. Enfatizar os benefícios para a saúde da pele pode ser
o argumento definitivo na decisão de abandonar o tabagismo.
Além disso, nicotina atua principalmente no sistema nervoso central, no
cérebro ela age nos receptores nicotínicos da acetilcolina, promovendo
excitação neuronal e maior liberação de neurotransmissores. Na medula, inibe
os reflexos espinhais e causa relaxamento do músculo esquelético.

Os efeitos neuroquímicos da nicotina incluem a liberação de dopamina,


noradrenalina e serotonina, semelhantes aos efeitos de alguns antidepressivos
Por isso, alguns fumantes revelam que fumar ajuda a aliviar o estresse e a
depressão.

Neste sentido, a nutrição pode auxiliar na cessação do tabagismo no sentido


de modulação do estresse, ansiedade e depressão. Reduzindo os efeitos
negativos da abstinência.

Com relação à serotonina, hormônio “da felicidade”, sabe-se que o aminoácido


triptofano é precursor de serotonina, sendo um componente importante desta
molécula, e os estudos mostram que o consumo aumentado deste estimula a
produção da serotonina, assim, é importante incluir na dieta banana, feijão,
oleaginosas como castanhas, nozes, amendoim e a aveia.

Na produção deste hormônio as vitaminas do complexo B são essenciais,


assim o consumo de vegetais verdes escuros, os ovos, as castanhas, cereais
integrais (aveia, trigo integral, quinoa) e leguminosas (feijão, lentilha, ervilha e
grão-de-bico), frutas como banana, abacate, uva, ameixa e pêssegos e carnes
deve ser diário.

Se você deseja cessar o uso do cigarro, procure ajudar de profissionais


habilitados e que possam fazer um trabalho multidisciplinar para que você
consiga seguir e se manter afastado do vício.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719


REFERÊNCIAS

BATISTA, E. L. et al. Hábito alimentar, níveis de lipídios sanguíneos e o status


antioxidante de adultos jovens fumantes e não fumantes. Rev. Nutr. vol.22 no.3
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DIRETRIZES CLÍNICAS NA SAÚDE SUPLEMENTAR. Tabagismo. Associação


Médica Brasileira e Agência Nacional de Saúde Suplementar, 2011.

LEITE, A. C. E. et al. Fatores de risco relacionados com o desenvolvimento do


câncer bucal: revisão. Rev. de Clín. Pesq. Odontol., v.1, n.3, jan./mar. 2005.

REVISTA DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO. Americana, Ano XVI, v. 02, n. 31, p.


113-128, jul-dez 2014. PROCHNOW, T.; FARIAS, M.E.; DAL-FARRA,
R.;LOPES, P. Ações de prevenção ao tabagismo em ambiente escolar na
cidade de Canoas, Rio Grande do Sul: a importância do envolvimento escola,
universidade e comunidade.

PASCHOAL, V. et al. Nutrição Clínica Funcional: Suplementação Volume I. São


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COSTA, N. M. B.; ROSA, C. O. B. Alimentos Funcionais: Componentes


Bioativos e Efeitos Fisiológicos. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2010.
NUTRIÇÃO E GESTAÇÃO

O período gestacional é constituído por 40 semanas, sendo heterogêneo em


seus aspectos fisiológicos, metabólicos e nutricionais. O primeiro trimestre
gestacional caracteriza-se por grandes modificações biológicas devidas à
intensa divisão celular que ocorre nesse período. A saúde do embrião vai
depender da condição nutricional da mãe antes da concepção, não apenas
quanto às reservas energéticas, mas também quanto às reservas de vitaminas,
minerais e oligoelementos.

O segundo e o terceiro trimestre integram outra fase para a gestante, em que o


meio externo vai exercer influência direta na condição nutricional do feto. O
ganho de peso adequado, a ingestão de energia e nutrientes, o fator emocional
e o estilo de vida vão ser determinantes para o crescimento e desenvolvimento
normais do feto.

Durante a gestação ocorrem várias adaptações fisiológicas que afetam o


sistema orgânico materno e as vias metabólicas. Por esse motivo, os
parâmetros laboratoriais plasmáticos, e urinários apresentam-se alterados em
relação aos de mulheres não grávidas, principalmente nos dois últimos
trimestres.

A anamnese nutricional da gestante inclui avaliação antropométrica, alimentar,


bioquímica e clínica. O diagnóstico nutricional abrange a análise conjunta de
todos esses aspectos e a adequada interpretação dos resultados depende
inteiramente do profissional, que, no seu processo de avaliação, deve utilizar
as diretrizes recomendadas como meio e não como fim.

Quanto às recomendações energéticas da gestante, no primeiro trimestre a


gestante deve manter sua ingestão energética semelhante ao período pré-
gestacional considerando-se que não há acréscimos nesse período. Entretanto,
sintomas comuns durante esse período, tais como enjoo e vômitos limitam a
capacidade de manter a ingestão energética elevada. Deve-se ter atenção às
gestantes durante o último trimestre que necessitam de repouso absoluto ou
estão internadas, as mesmas devem receber orientação para consumirem a
quantidade de energia necessária ao seu metabolismo basal, considerando-se
o seu peso real.

A ingestão proteica no primeiro trimestre é de 0,6g chegando à 6,1g no terceiro


trimestre. Sabe-se, porém que o aproveitamento da proteína ingerida não é de
100%, sendo assim, a recomendação é de 10g diários adicionais.

Com relação aos micronutrientes as modificações hormonais presentes na


gestação promovem ajustes no metabolismo de cálcio, incluindo aumento na
taxa de utilização pelos ossos, diminuição do processo de reabsorção óssea e
aumento na absorção intestinal. Esses ajustes possibilitam aumentar o
aproveitamento do cálcio ingerido durante esse período.

Durante as 40 semanas de gestação o feto acumula 30g de cálcio sendo a


maior parte obtida no último trimestre, onde cerca de 300mg/dia são
transportados para o feto pela circulação placentária.

As recomendações de cálcio para gestantes são as mesmas para mulheres


adultas e/ou adolescentes, cerca de 1.000mg/dia dos 19 aos 50 anos e
1.300mg/dia dos 14 aos 18 anos.

As necessidades de folato aumentam substancialmente durante a gestação,


por que o folato é precursor de vários e importantes co-fatores enzimáticos
envolvidos na transferência de unidade de carbono, tais como os necessários
para a síntese de nucleotídeos durante a divisão celular. As recomendações
para gestantes são de 600mcg/dia, valor esse difícil de ser alcançado pela
alimentação básica.

O ferro é um elemento importante na gestação, no último trimestre da gestação


é onde ocorre o maior requerimento de ferro pela gestante, devido ao aumento
da massa eritrocitária para suprir as necessidades do feto. Nesse período o
feto adquiri a maior parte das suas reservas que atingem o valor aproximado
de 340mg ao nascimento. O valor recomendado de ferro para gestantes é de
27mg/dia no segundo e terceiro trimestre.
A vitamina A é outro micronutriente essencial na gestação, sua recomendação
é em torno de 770mcg/dia muito próximo aos valores recomendados para as
mulheres não grávidas. A função antioxidante da vitamina A é de grande
importância ao nascimento, período o qual o recém-nascido produz grande
quantidade de radicais livres em resposta à exposição a elevadas
concentrações de oxigênio. Lembrando que a vitamina A parece ser
teratogênica e tóxica quando utilizadas altas doses nos primeiros meses
gestacionais, principalmente se a dose ultrapassar 25.000UI.

A deficiência de vitamina D durante a gestação reflete no ganho de peso


insuficiente; além disso, evidências bioquímicas mostram distúrbios na
homeostase óssea na criança, e em situações extremas tal deficiência reduz a
mineralização óssea e aumenta o risco de fraturas. A AI para vitamina D em
gestantes não difere daquela recomendada para não gestantes que é de
5µ/dia.

Deve-se ter atenção também às patologias que podem ocorrer como é o caso
da diabetes gestacional o qual se caracteriza pela intolerância à glicose, de
graus variáveis, identificada no segundo ou terceiro trimestre de gestação,
geralmente sendo revertida para tolerância normal no período pós-parto, mas
com possibilidade de persistir após o nascimento.

Sabe-se que uma gestação complicada pelo diabetes mellitus (DM) representa
uma das principais causas de morbimortalidade materna e fetal. A assistência
pré-natal de alto risco tem a finalidade de identificar os fatores de risco, por
meio do planejamento da gestação, rastreamento para o DMG e o
acompanhamento com uma equipe multidisciplinar, para ter um precoce e
adequado diagnóstico do diabetes e, assim, prevenir complicações na
gravidez, no parto e no puerpério.

O estado nutricional da mulher no período pré-gravídico e gestacional está


diretamente relacionado à ocorrência de desfechos adversos perinatais. O
apoio de uma equipe multidisciplinar no pré-natal, enfatizando o
acompanhamento nutricional, é de fundamental importância em todas as
gestantes, principalmente nas que possuem DMG, garantindo uma intervenção
apropriada por atuar no controle glicêmico e no ganho de peso adequado.
Um estudo publicado em 2014 pela Revista Brasileira de Promoção de Saúde o
estado nutricional pré-gravídico inadequado, como sobrepeso e obesidade, e o
ganho de peso superior ao recomendado na gestação são fatores que
influenciam positivamente na dificuldade de se obter o controle glicêmico ideal
da gestante com diabetes, o que mostra a importância da terapia nutricional
desde o pré-natal.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIA
VITOLO, M. R. Aspectos Fisiológicos e Nutricionais na Gestação. In: VITOLO,
M. R. Nutrição: da Gestação ao Envelhecimento. 1ed. Rio de Janeiro: Ed.
Rubio, 2008. Capítulo 5, 6, 7, 8, 9 e 10.
SOUSA, V. B. G. Gestação e diabetes: relação entre estado nutricional e o
controle glicêmico. Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza, 27(4): 541-549,
out./dez., 2014

BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA


PARA AS CRIANÇAS

Os níveis de obesidade têm aumentado globalmente. Por uma estimativa da


Organização Mundial de Saúde em 2005 pelo menos 20 milhões de crianças
com idade inferior a cinco anos tinham sobrepeso/obesidade. As principais
causas da obesidade são os fatores genéticos, o consumo excessivo de
alimentos processados e o sedentarismo.

Infelizmente os limites impostos pelos mais diversos problemas sociais, conduz


a criança nas atividades do cotidiano, a convergir-se a um mundo em que as
atividades são delineadas em função do tempo e disponibilidade dos adultos.
Isto faz com que o ato de brincar ainda presente na criança, a faça viver
antecipadamente a vida futura, ou seja, “ser adulto”.
A atividade física, a nutrição adequada e a estimulação ambiental favorável
contribuem para que a criança atinja saúde plena e seu potencial máximo de
crescimento e desenvolvimento.

A inatividade física na infância e na adolescência está associada a um pior


estado de saúde na idade adulta. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (PNAD) mostraram que 30,3% da população brasileira acima de 15
anos de idade é portadora de pelo menos uma doença crônica, o que
representa cerca de 66% dos custos de tratamento de doenças no Brasil, cujos
fatores de risco estão diretamente relacionados ao estilo de vida, como má
qualidade da alimentação, inatividade física e o excesso de peso, que têm
aumentado na população brasileira.

O estilo de vida sedentário está relacionado à maior chance de


desenvolvimento de doenças crônicas em idades cada vez mais precoces.
Estudos já identificaram a presença de fatores de risco para a doença
cardiovascular em crianças de 5 anos de idade.

Tanto a desnutrição quanto a obesidade interferem negativamente na


potencialidade da aptidão física. Crianças obesas e desnutridas apresentam
níveis menores de atividade física que crianças eutróficas em todas as faixas
etárias. Além disso, o gasto energético decorrente da atividade física em
crianças com excesso de peso é maior quando comparado a crianças com
peso adequado.

Os programas de exercícios devem ser dirigidos, individualizados, envolver os


pais, professores e pares e ser economicamente acessíveis, privilegiando
atividades de baixa a moderada intensidade com aumento gradativo da
duração. Esportes competitivos não são uma estratégia apropriada para o
estímulo da atividade física em crianças, pois podem promover lesões e piorar
problemas psicológicos decorrentes de estigmatizações, provocações e
exclusões.

Antes de iniciar qualquer atividade física é necessário conhecer as condições


físicas da criança e/ou adolescente, com avaliação clínica e nutricional
adequadas, além de considerar seu estágio de desenvolvimento físico,
evitando uma indicação inadequada de atividade para o estágio de
desenvolvimento da criança.

As atividades desportivas podem ser utilizadas para incrementar a atividade


física em crianças e adolescentes, desde que o componente competitivo
inerente a elas não seja maximizado, nem seja estimulada a especialização
precoce. O esporte é benéfico se respeitar os limites fisiológicos de cada faixa
etária, sempre priorizando o componente lúdico.

A prática de atividade física visa o condicionamento cardiorrespiratório, à


tonificação muscular, à manutenção do peso adequado, à promoção da saúde
óssea e à prevenção das doenças crônicas não transmissíveis (diabetes,
obesidade, aterosclerose, hipertensão arterial e osteoporose), além de
proporcionar bem-estar mental, integração social, oportunidade para o lazer e
desenvolvimento de aptidões que levam a uma maior autoestima e confiança.

Depois de aprender todos esses benefícios que a atividade física pode


proporcionar para as crianças que tal tirar o dia dos pais para fazer uma
atividade dinâmica e divertida ao ar livre com seu filho? Assim será possível
estreitar os laços entre vocês, que ficam esquecidos durante a semana devido
a correria, e de quebra proporcionar saúde e bem-estar.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

WEFFORT, V. R. S.; LAMOUNIER, J. A. Nutrição em Pediatria: da


neonatologia à adolescência. São Paulo: Manole, 2009.

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LOPES, V. P. et al. Proficiência Motora, Atividade Física e Excesso de peso em


crianças, que relação?. 2013.

FORMAS DE PREPARO DE CHÁS

O chá! Quem nunca ouviu falar desta bebida que está sempre em alta? Seja
pelas lembranças na casa da vovó ou por aquele velho médico amigo da
família. Sejam quais forem às razões os chás estão cada vez mais sendo
introduzidos na cultura ocidental.

E você sabe de onde surgiu, porque e como utilizá-los?

Abaixo estão algumas informações sobre a origem, utilização modos de


preparo dos chás.

Em português moderno, a palavra “chá” denota qualquer bebida preparada a


partir da infusão em água quente; fala-se em “chá de hortelã”, “chá de erva-
mate”, “chá de maçã”, entre outros.

Mas, originalmente a palavra referia-se a uma planta específica, a planta do


chá Camellia sinensis, um arbusto ou pequena árvore da família das camélias
de cujas folhas se produz o chá preto da Inglaterra, o chá verde do Japão, o
chá oolong (烏龍 wūlóng) da China e várias outras bebidas. A planta possui
cafeína, estimulante suave também presente no café, guaraná e chimarrão,
dentre outras. Muitas sociedades desenvolveram estruturas sociais específicas
para o consumo em grupo de bebidas derivadas de plantas cafeinadas: o chá
das cinco inglês, a roda de chimarrão gaúcha, os cafés de Paris, os ritos
amazônicos do guaraná… Mas provavelmente nenhuma dessas estruturas é
tão sofisticada e codificada em detalhes quanto a cerimônia japonesa do chá.

Atualmente, o chá continua a deliciar gerações de povos espalhados por todo o


mundo, sendo ainda mais popular do que o café! No início do século XX, e com
a invenção dos saquinhos de chá nos Estados Unidos, houve uma “revolução
pacífica” na forma como esta infusão era consumida. Porém, alguns adeptos
do chá continuaram a preferir a sua preparação com folhas e ervas, que foi o
caso dos britânicos, apenas adotaram os saquinhos na década de 70. Com
sabores para todos os gostos e benefícios ao nível da saúde e do bem-estar
geral de quem bebe, o chá das cinco vai, certamente, continuar a fazer história!

Mas você sabia que há um preparo correto dos chás para que se consiga
extrair todos os seus benefícios? Leia as dicas abaixo e prepare o seu chá:

As plantas frescas devem ser lavadas rapidamente em água corrente antes de


se fazer uso destas. Utilizar vasilhas de vidro, porcelana, barro ou inox para
aquecer a água. Evitar o uso de vasilhas de alumínio ou ferro (risco de reagir
com os ativos vegetais). Utilizar água tratada e/ou filtrada. O chá deve ser
utilizado no mesmo dia do preparo.

• Fazer infuso para: folhas, flores e plantas aromáticas;


• Fazer decocção para: cascas, raízes e sementes.

Infusão: Conhecida popularmente como chá caseiro e, em várias citações


científicas, como extrato aquoso por infusão.

Modo de preparo:

• Colocar a planta seca ou fresca em vasilha de porcelana, barro ou vidro,


adicionar água fervente e tampar. Após, no mínimo, 2 minutos (depende
da planta), coar e tomar.
• Usar em flores, folhas e estigmas.

Decocção: É o processo de cozimento das plantas medicinais que são


colocadas em recipiente adequado (não-metálico). Essa técnica é utilizada
para plantas que contêm princípios mais compactados e de natureza lenhosa,
tais como casca, raiz e folhas muito duras.

Modo de preparo:

• Modo de preparo: colocar as plantas secas ou frescas, divididas


grosseiramente, em um recipiente esmaltado, de aço inox ou de vidro
com água fria. Aquecer até a ebulição em recipiente fechado, deixando
ferver por, aproximadamente, de 10 a 15 minutos, em fogo brando.
Deixar em repouso por alguns minutos, coar e tomar o chá.

Maceração: É uma preparação líquida de requer longa imersão. Aplica-se a


qualquer parte da planta. A droga vegetal fica em contato com um solvente
(água/álcool/vinho/vinagre) durante um intervalo de tempo que pode variar de
30 minutos a vários dias.

Modo de preparo:

• Modo de preparo: Colocar a planta amassada ou picada de molho.


Cobrir o recipiente e deixar repousar à temperatura ambiente em local
fresco, por um período de 6 a 12 horas, dependendo da parte utilizada.
• Folhas, sementes e partes tenras deixar descansando por 6 horas.
Talos, cascas e raízes duras devem descansar por 12 horas. Após o
tempo determinado, coar.

Os chás devem ser ingeridos longo após ficarem prontos, pois assim se evita a
destruição dos componentes ativos presentes na bebida. Porém, as
propriedades do chá permanecem preservadas até 24h após a preparação
desde que bem acondicionado longe do alcance da luz e de alterações de
temperatura.
O recipiente escolhido para acondicionar o chá deve ser de preferência de
vidro, garrafa térmica ou mesmo o aço inox. Recipientes de plástico ou
alumínio não são indicados, pois o material pode alterar os componentes ativos
presentes no chá.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

BOIKO, L. Breve história do chá no Japão. São Paulo, 2011.

NISHIYAMA, M. F. et al. Chá verde brasileiro (Camellia sinensis var assamica):


efeitos do tempo de infusão, acondicionamento da erva e forma de preparo
sobre a eficiência de extração dos bioativos e sobre a estabilidade da bebida.
Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 30(Supl.1): 191-196, maio 2010.

NUTRIÇÃO E ALCOOLISMO

Alcoolismo é um tópico importante, uma vez que dados revelam que até 12%
da população pode ser afetada com o consumo excessivo de álcool ao longo
da vida. Cada dia o consumo do álcool fica mais frequente: estima-se que 74,6
% da população brasileira consome álcool.

O alcoolismo é caracterizado pelo estado físico e psicológico que resulta do


consumo de álcool, com o aparecimento de reações comportamentais que
abrangem a compulsão pela ingestão contínua ou periódica de álcool tendo
como objetivo experimentar os efeitos psíquicos ocasionados pela ingestão da
bebida.

Atualmente existe uma dificuldade em diminuir o consumo do álcool, pois ele


não é visto na sociedade como uma droga. Para a maioria das pessoas, ele
possui conotação diferente: o fato de ser lícito e acessível gera aceitação social
que se difunde por meio das tradições religiosas, regionais e rituais sociais.
Além disso, a quantidade de propaganda e campanhas criadas pela indústria
do álcool acaba estimulando ainda mais o consumo, dificultando a percepção
da sociedade do álcool como um problema de saúde pública que possui o mais
elevado índice mundial de utilização dentre as substâncias psicoativas.

O consumo abusivo do álcool conforma um assunto delicado. O percentual de


alcoolismo no Brasil varia de 3% a 6% de toda a população. É o terceiro maior
motivo de faltas no trabalho, acarretando em aposentadorias antes do tempo,
acidentes de trabalho e acidentes de trânsito. Além de ocupar uma quantidade
relevante dos leitos em hospitais públicos.

A mortalidade por cirrose hepática é considerada o principal indicador de


complicações do alcoolismo, na população em geral. A doença hepática
crônica resulta em grande impacto nutricional, independente de sua etiologia,
pelo fato do fígado responsabilizar-se por inúmeras vias bioquímicas na
produção, modificação e utilização de nutrientes e de outras substâncias
metabolicamente importantes. A presença do álcool constitui por si só
agravante por promover desvios de vias metabólicas aumentando o consumo
energético, a produção de H+ e das formas ativas do oxigênio. Mesmo sem o
álcool, a presença de desnutrição é elevada nessa doença e pode ter valor
prognóstico.

O fornecimento de terapia nutricional específica (enteral/parenteral) melhora


alguns parâmetros de função hepática, em pacientes com doença hepática
grave descompensada. No entanto, não se pode concluir que a terapia
nutricional diminua a mortalidade desses pacientes ou reverta o avanço da
doença.

Pacientes com cirrose hepática apresentam desnutrição proteico-calórica


(DPE) caracterizada por depleção dos estoques de gordura e/ou massa
muscular. Uma das causas da DPE pode ser o déficit de ingestão de substratos
energéticos (carboidratos e gorduras), particularmente nos alcoolistas com
hepatite grave.

Em função da participação do fígado no metabolismo das proteínas


plasmáticas e de uma série de aminoácidos, a doença hepática resulta,
invariavelmente, em desnutrição proteica, que ocorre em maior frequência que
a desnutrição energética.

Há de se considerar a diversidade metodológica empregada, a intensidade da


doença e o grau de “shunt” portossistêmico do paciente avaliado, o estado
nutricional e a presença ou não do alcoolismo. Na ausência do álcool, os
pacientes com insuficiência hepática leve (Child A) são normometabólicos por
unidade de peso corporal nas condições de jejum e alimentado, enquanto os
pacientes com insuficiência hepática moderada e grave (Child B e C)
apresentam comportamento hipermetabólico por unidade de massa magra, na
situação de jejum.

Quanto à prevalência de depleção proteica visceral, verificada pelos baixos


níveis das proteínas plasmáticas, há unanimidade entre os autores, visto que o
fígado é responsável pela síntese da maioria delas incluindo albumina,
transferrina, transtiretina (TTR), proteína ligadora do retinol (RBP),
lipoproteínas, fatores de coagulação, etc. A albumina sérica é, inclusive,
utilizada no cálculo do escore de gravidade da insuficiência hepática.

As deficiências de micronutrientes ocorrem, com frequência, em pacientes com


doença hepática alcoólica, ou em alcoolistas sem evidências de doença
hepática, estando, neste caso, relacionadas ao consumo do álcool. Como
consequência destas deficiências, esses pacientes apresentam, usualmente,
anemia, esteatose hepática, estresse oxidativo e imunossupressão.

Níveis circulantes reduzidos de vitamina B6 (piridoxal-5-fosfato) também


constituem achado comum nesses pacientes. Além de participar do
metabolismo do triptofano na formação de niacina, a vitamina B6 atua
juntamente com o folato e a vitamina B12, na metabolização da homocisteína.
A utilização da homocisteína ocorre via remetilação à metionina com
participação de folato e vitamina B12 (metionina sintetase) ou via
transulfuração à cisteína e taurina com participação da vitamina B6 (cistationina
sintetase). Todas essas vitaminas podem estar diminuídas no alcoolismo
crônico. O acúmulo de homocisteína é o principal indicador isolado de
aterogênese. A falta de metionina e dos demais fatores lipotrópicos (folato,
B12, colina) pode ser responsabilizada pela esteatose hepática.
O efeito do álcool sobre os níveis das vitaminas antioxidantes (betacaroteno,
vitaminas C e E) pode depender ou não do estado nutricional do paciente. Nos
alcoolistas, além da má absorção intestinal, os níveis de alfatocoferol são
influenciados pela desnutrição proteico-energética, menor estocagem hepática
e degradação aumentada pelo hipermetabolismo hepático ou pela peroxidação
lipídica. Portanto, no geral, o álcool favorece o estresse oxidativo com
peroxidação dos lipídios da membrana dos eritrócitos (provocando anemia) e
dos hepatócitos, perpetuando a doença hepática.

Algumas proteínas transportadoras de origem hepática sofrem modulação de


micronutrientes, como Fe (transferrina), Zn, retinol (TTR e RBP), hormônios
tireoidianos, corticosteróides ou estrógenos (TTR e RBP) ou mais fortemente
das citocinas, particularmente as IL-1 e IL- 6.

A deficiência de micronutrientes, dentre os hepatopatas crônicos, pode ser


atribuída à anorexia, má absorção e às ações metabólicas do álcool. A
presença do álcool agrava a anorexia e má absorção, estimula o
hipermetabolismo, o estresse oxidativo e a maior excreção urinária de
micronutrientes hidrossolúveis. Como consequências têm-se anemia, esteatose
hepática, pelagra, aterosclerose e imunossupressão.

A DPE do cirrótico pode ser consequente aos distúrbios metabólicos da


hipofunção hepatocelular isolada ou associadamente à presença do álcool ou
de dietas restritivas. O paciente pode apresentar-se hipermetabólico em
presença do alcoolismo ou de complicações (ascite), sendo que a
hiperamoniemia associada ao padrão de aminoácidos séricos pode precipitar
encefalopatia. A intervenção nutricional deve obedecer aos desvios
metabólicos de carboidratos, lipídios e, principalmente, de aminoácidos e
eletrólitos.

É preciso salientar que as consequências negativas do abuso de drogas e


alcoolismo afetam não apenas os indivíduos que abusam dessas substâncias,
mas também as suas famílias e amigos e recursos de várias empresas e
governo. Embora muitos desses efeitos não possam ser quantificados, o custo
econômico do abuso pode aumentar a necessidade de cuidados de saúde,
levar à perda de produtividade, mortes prematuras, criminalidade e acidentes
automobilísticos relacionados ao álcool e abuso de drogas. Sendo que, essas
mortes, doenças e deficiências poderiam ser evitadas.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

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ALIMENTOS ANTI-INFLAMATÓRIOS

Os alimentos anti-inflamatórios aumentam a nossa imunidade por meio de


algumas substâncias que têm a capacidade de aumentar a liberação de
hormônios que inibem ou até mesmo bloqueiam a ação inflamatória para
reparar uma lesão.

Entre essas substâncias estão o ácido graxo ômega 3, a alicina, a antocianina


e a vitamina C. Por outro lado, as carnes gordurosas, o açúcar em excesso,
o fast-food e as guloseimas aumentam a inflamação no organismo, por causa
das gorduras ruins (trans e saturadas) usadas no preparo e no processamento
destes alimentos.

Gengibre: É usado internamente contra náuseas, indigestão, cólicas, contra


gripes, tosses e para problemas circulatórios. Como planta medicinal, o
gengibre é uma das mais antigas e populares do mundo. Suas propriedades
terapêuticas são resultado da ação de várias substâncias, especialmente do
óleo essencial que contém canfeno, felandreno, zingibereno e zingerona. Tem
sido largamente empregado na culinária como condimento, em bebidas e na
medicina popular. As plantas da família Zingiberaceae, em geral, apresentam
ingredientes pungentes. O gengibre apresenta compostos como 6-gingerol e 6-
paradol, os quais possuem efeito antitumoral. Nenhum efeito tóxico foi
reportado. Algumas pessoas podem ter efeitos colaterais leves, incluindo azia,
diarreia e desconforto gástrico. Evitar o uso concomitante a anticoagulantes,
especialmente próximo a procedimentos cirúrgicos. O gengibre pode reduzir a
glicose sérica. Pacientes com uso de hipoglicemiantes devem acompanhar os
níveis de glicose.

Possui efeito quimiopreventivo, devido ao composto fenólico gingerol,


responsável pelo sabor picante do gengibre (Zinziber officinale Roscoe) que
inibe a ativação de AP1 induzida por fator de crescimento epidermoide. Além
de ser usado por seus efeitos hepatoprotetores, antioxidantes, antidiabético,
anti-hiperlipidêmico e antiobesidade.

Cúrcuma (Açafrão da Terra): Possui flavonoides e alcaloides que tem efeito


anti-inflamatório e antioxidante. Para além da sua forte atividade antioxidante,
a curcumina tem sido intensivamente estudada como agente anticancerígeno.

A curcumina participa da ativação de células do sistema imunitário (defesa do


corpo), atividade antiparasitária, além da sua reconhecida ação antitumoral
(anticancerígena). Uma estratégia comum para aumentar a biodisponibilidade
da curcumina (aumentando o seu efeito no organismo) é a utilização de
adjuvantes que bloqueiam a sua biotransformação, como é o caso da piperina,
um alcaloide extraído das sementes de pimenta do reino (Pipper nigrum L.).

Alho: O Alho pertence à família Liliaceae. O principal composto sulfuroso,


produto de degradação de aminoácidos sulfurosos, é a alicina, um provável
quimioprotetor. A ciência investiga seus efeitos nas doenças cardiovasculares,
câncer, inflamação e infecção. Cerca de 30 ingredientes com potenciais efeitos
biológicos foram identificados no alho, entre eles os efeitos hipotensor,
hipoglicemiante, antiviral, antitumoral, hipocolesterolêmico, antifúngico e
antioxidante.
Brócolis: Alimentos sulfurados e nitrogenados são compostos orgânicos
usados na proteção contra o câncer, sendo ativadores de enzimas de
destoxificação do fígado. Há indícios que o consumo dessa classe de alimentos
(alho, cebola, alho-poró, cebolinha, brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas,
repolho, agrião, nabo e rabanete) ricos em compostos sulfurosos pode diminuir
a pressão sanguínea e aumentar a defesa imunológica, também tem sido
demonstrado o potencial de proteger as células de lesões ao DNA e do câncer.

Frutas vermelhas: Os flavonoides são o principal grupo de compostos


fenólicos encontrados em plantas. Eles apresentam uma série de atividades
biológicas antioxidante, quimioprotetora, anticarcinogênica, anti-inflamatória.
Algumas fontes de flavonoides são uva, amora, framboesa, frutas cítricas,
romã, mirtilo, entre outras.

Peixes ricos em ômega-3: A família dos ácidos graxos ômega-3 participa da


síntese dos eicosanoides anti-inflamatórios. Juntamente com o azeite de oliva,
fazem parte do tratamento dietético de indivíduos com dislipidemias e outras
doenças. Estudos epidemiológicos têm demonstrado que a ingestão regular de
peixe (sardinha, atum, truta, cascudo, arenque) na dieta (3vezes/semana) tem
efeito favorável sobre os níveis de triglicerídeos, pressão sanguínea, o
mecanismo de coagulação e o ritmo cardíaco, na prevenção de câncer colônico
e na redução da incidência de aterosclerose.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

COSTA, N. M. B.; ROSA, C. O. B. Alimentos Funcionais: Componentes


bioativos e efeitos fisiológicos. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2010.
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Aplicada à Estética. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011. 281-299.

ELROKH EL-SM, YASSIN NA, EL-SHENAWY SM, IBRAHIM BM.


Antihypercholesterolaemic effect of ginger rhizome (Zingiber officinale) in
rats. Inflammopharmacology. 2010;18:309–15

ÔMEGA 3

Muitos estudos mostraram claramente os benefícios nutricionais do consumo


de peixes ou componentes específicos do peixe, como proteínas, vitaminas,
minerais, e especialmente o ômega 3, que podem proteger o corpo humano
contra vários problemas de saúde, inclusive doença cardiovascular (DCV) e
infarto.

Atualmente, sugere-se que o tipo de lipídio é mais importante que a quantidade


de lipídio ingerida. Assim a ingestão de ácidos graxos saturados (AGS) e
ácidos graxos trans aumenta, enquanto os ácidos graxos insaturados podem
diminuir o risco de DCV e as manifestações clínicas de síndrome metabólica.

O consumo de ácidos graxos de cadeia longa, presente nos peixes marinhos,


pode melhorar alguns componentes da síndrome metabólica e assim
consequentemente reduzir os riscos de diabetes mellitus e DCV.

Os ácidos graxos ômega 3 podem favorecer a sinalização insulínica e prevenir


alterações na homeostase glicídica e, em consequência, prevenir o
desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2. Porém, seus efeitos no perfil
lipídico dependem do tipo de paciente e da quantidade de AGS ingerida.

As recomendações dietéticas para uma adequada ingestão de AG ômega 3


incluem o consumo de ácidos alfalinolênicos (ALA), eicosapentanoico (EPA) e
decosa-hexaenoico (DHA), de modo que este nutriente possa atuar na
prevenção ou tratamento dietético nas DCV. Algumas evidências confirmam
que a recomendação de aproximadamente 500mg/dia de EPA e DHA pode
reduzir o risco de DCV e a ingestão de 1g/dia tem sido recomendada a
pacientes com DCV já é prevalente.

Efeitos da EPA sobre função / disfunção endotelial

Há provas substanciais que a EPA tem um efeito benéfico sobre a função


endotelial. A liberação do óxido nítrico (NO) pelas células endoteliais
vasculares serve para regular o tom vasomotor em resposta à acetilcolina e
outros agonistas vasoativos.

Em células endoteliais das veias umbilicais humanas (HUVECs) que foram


expostos à LDL-ox, EPA melhorou o equilíbrio entre NO e ONOO-1, atuando
sinergicamente com estatinas.

Efeitos da EPA sobre a inflamação e citocinas

Os eicosanoides são uma família de mediadores lipídicos que modulam as


respostas imunitárias e inflamatórias e desempenham um papel crítico na
agregação de plaquetas e a proliferação e diferenciação celular.

Os eicosanoides são derivados de PUFA encontrados em fosfolípidos de


membrana. Os PUFA servem como substratos para as enzimas ciclo-
oxigenase (COX), dando origem a prostanoides e lipoxigenase (LOX) enzimas
que produzem leucotrienos, lipoxinas, e outros produtos lipídicos.

O EPA pode reduzir eicosanoides derivados através de vários mecanismos


incluindo a competição com ácido aracdônico (AA) para a incorporação nos
fosfolípidos da membrana e pela inibição direta das enzimas COX-2 e 5-LOX
deslocando assim a produção de ómega-3 PUFA eicosanoides derivados.

Em um estudo publicado em 2013 pelo American Journal of Cardiovascular


Drugs foi demonstrado que o EPA tem impacto favorável sobre marcadores de
inflamação. Nos ensaios, 4g de EPA por dia durante 12 semanas reduziu
significativamente a proteína C-reativa ultra sensível (PCR-US) de 22% dos
doentes tratados com estatina e com triglicérides elevados e 36% em pacientes
com triglicérides muito elevado em comparação com o placebo.

A EPA tem efeitos benéficos em vários processos de aterosclerose incluindo a


função endotelial, estresse oxidativo, a formação de células de espuma,
inflamação / citocinas, a formação de placas / progressão, a agregação de
plaquetas, formação de trombos, e ruptura de placas. EPA reduz a dislipidemia
aterogênica incluindo triglicérides e RLPC, enquanto também tem outros efeitos
benéficos decorrentes da sua intercalação em fosfolipídios da membrana.
Curiosamente, os efeitos de EPA são mantidos quando adicionado ao
tratamento com estatina.

A inclusão de alimentos funcionais e naturais em uma dieta saudável pode ser


mais efetiva na melhora do estado metabólico, comparada aos alimentos
modificados que apresentam propriedades funcionais. Portanto, os peixes são
um importante componente de uma dieta balanceada. A combinação de
consumo regular de peixes de água fria (2 vezes/semana) com consumo
regular de outros alimentos (enriquecidos com EPA + DHA ou naturalmente
ricos em ômega 3) pode ser utilizada para se atingir a recomendação de
consumo de ácidos graxos ômega 3.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

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Bioativos e Efeitos Fisiológicos. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2010.

ALIMENTAÇÃO E CUIDADOS COM A


PELE

A pele é o maior órgão do corpo humano. É composta de anexos cutâneos (as


unhas, os pelos, e as glândulas – sebáceas e sudoríparas). Seu conceito de
pele corresponde a uma membrana de camada dupla que envolve toda a
superfície exterior do corpo, estendendo-se pelos vários orifícios naturais por
meio das membranas mucosas que revestem esses orifícios.

No organismo existem em essência dois tipos diferentes de pele: a pele glabra,


lisa sem pelos e com espessa camada ceratínica (palma das mãos e solas dos
pés) e a pele pilificada, mais fina, que apresenta sulcos e pregas
características (resto do organismo).

Ela constitui-se de diferentes células e estruturas que trabalham em harmonia,


garantindo assim suas funções:

- Proteção (função mecânica);

- Barreira hídrica;

- Regulação da temperatura corporal (conservação e dissipação de calor);

- Defesa não específica (barreira contra micro-organismos).


- Excreção de sais;

- Síntese de vitamina D ou colecalciferol (pré-vitamina D);

- Atuação como órgão sensorial;

- Sinalização sexual.

As diferentes áreas do organismo são recobertas por peles com características


diversificadas, observando-se variações na espessura das camadas, na
quantidade e no tipo de anexos cutâneos na região. A pele é dividida em três
camadas:

- Hipoderme: camada inferior contendo gordura;

- Epiderme: tecido epitelial mais externo;

- Derme: tecido conjuntivo a partir do qual a epiderme se origina.

Sem dúvidas a pele não é apenas o maior órgão do corpo humano, mas é
extremamente funcional por ser dotada de milhares de glândulas com as mais
variadas funções.

Em cada estrutura, camada ou anexos cutâneos há propriedades distintas e


específicas que conferem saúde à aparência cutânea. Pode-se considerar
também que, do ponto de vista estético, a aceitação das características da pele
pelos demais componentes de seu grupo social promove saúde psicossocial,
considerando que um indivíduo é dependente de sua aparência externa e da
aceitação do meio que pertence.

Assim, a pele é um tema presente na investigação científica com ênfase no


envelhecimento e nas alterações patológicas cutâneas.

Com frequência classifica-se o envelhecimento como um estado de “terceira


idade” ou mesmo de “quarta idade”. Contudo, o envelhecimento não é um
estado e sim um processo de degradação progressiva e diferencial, algo que
decorre do tempo, ou seja, um processo natural e imutável, onde todos nós
estamos submetidos. É o processo de morte do organismo.

O envelhecimento da pele é composto por dois processos didaticamente. O


promeiro representa o fator cronológico e afeta tanto a pele quanto os órgãos
internos. O segundo é o envelhecimento extrínseco, que é o resultado de
fatores externos e influência ambiental, principalmente a exposição crônica ao
sol (radiação ultravioleta), fumo, poluição, má qualidade de sono, estresse e
alimentação inadequada.

A prevenção é a melhor maneira e a mais eficaz de trabalhar contra os efeitos


extrínsecos do envelhecimento cutâneo. A melhor estratégia de prevenção
contra a ação nociva dos radicais livres é um estilo de vida equilibrado que
inclui a restrição calórica, cuidados com o corpo e exercício físico, baixos níveis
de estresse e uma dieta nutricionalmente balanceada, incluindo alimentos ricos
em antioxidantes.

Antioxidantes como carotenoides, tocoferol e flavonoides, vitaminas (A, C, D e


E), ácidos graxos ômega-3, algumas proteínas e lactobacilos, têm sido
referidos como agentes capazes de promover a saúde da pele e beleza. Outras
substâncias também são capazes de reorganizar a derme por meio do estímulo
da síntese de colágeno, elastina e glicosaminaglucanas, contribuindo para a
redução dos sulcos (rugas), melhora da elasticidade e hidratação da pele.

Dentre as proteínas podemos citar o colágeno hidrolisado. Com o passar do


tempo o colágeno da pele vai se tornando rígido, tendo um declínio
anualmente. As fibras elásticas perdem força, associada a uma redução da
água, que por sua vez diminui a adesão, migração e desenvolvimento celular.
O consumo do colágeno hidrolisado promove melhora da elasticidade,
hidratação e redução das rugas.

A vitamina A possui ação antioxidante age no gene da queratina, colágeno e


colagenase (manutenção do citoesqueleto), gene do fator de crescimento da
epiderme, formação de colágeno, ligação cruzada entre fibras de colágeno,
principalmente, quando associados a zinco, ferro, cobre e magnésio.
Já a vitamina C é um cofator pra a prolil e lisil hidroxilase que estabilizam a
estrutura helicoidal da tripla hélice do colágeno. Além disso, é um importante
antioxidante e contribui para a regeneração da vitamina E na membrana
celular. Pode-se optar pela prescrição nas formas de vitamina C, vitamina C
revestida (apresenta absorção gradativa) ou palmitato de ascorbila, um éster
formado pelo ácido ascórbico e pelo ácido palmítico, criando uma forma
lipossolúvel de vitamina C, que por ser lipofílica, consegue transpor barreiras
biológicas e satisfaz a demanda dos tecidos por ascorbato melhor do que a
forma hidrofílica.

A vitamina E por sua vez é um antioxidante que age em nível de membrana


celular, especialmente de oxigênio singlete, radical livre altamente reativo. As
vitaminas C e E agem sinergicamente. Quando a radiação ultravioleta oxida
componentes celulares, uma reação em cadeia da peroxidação lipídica nas
membranas ricas em ácidos graxos poli-insaturados é produzida. O
antioxidante D-α-tocoferol é oxidado para o radical tocopheroxyl neste processo
e é regenerado por ácido ascórbico a D- α-tocoferol. A vitamina E também
previne ligações cruzadas do colágeno. Os níveis de vitamina E são
dependentes da densidade das glândulas sebáceas na pele. Assim, peles mais
oleosas são mais suscetíveis ao armazenamento e ação da vitamina E
cutânea.

A vitamina D pode estar envolvida com a telomerase na prevenção do


encurtamento de telômeros. Em nível cutâneo a vitamina D tem um papel
importante na diferenciação epidérmica, inibindo a proliferação dos
queratinócitos ao mesmo tempo em que aumenta a sua diferenciação. A
vitamina D na forma ativa inibe a formação de células queimadas, induzidas
pela radiação UVB. Isso por que a vitamina D3 ativa induz a expressão de
metalotioneína, um potente pró-oxidante.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P


Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

PUJOL, A. P. Nutrição Aplicada à Estética. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011.

PUJOL, A. P. Manual de Nutricosméticos: Receitas e formulações para a


beleza. Camboriú-SC: Ed. Do Autor, 2012

FRUTAS DE INVERNO

Para comprar hortaliças (verduras e legumes) e frutas de boa qualidade


observe se os produtos estão em safra. Adquirir produtos na época de colheita
farta garante melhor qualidade, preços mais baixos, produtos mais frescos e
saborosos. Lembre-se sempre de preferir os orgânicos. Segue abaixo as frutas
do inverno:

Abacate: O abacate é uma das frutas que mais se destaca pela sua qualidade
nutricional. É rico em ácido oleico e b-sitosterol, uma gordura insaturada
utilizada como coadjuvante no tratamento de hiperlipidemias. O fitoesterol é
uma substância de origem vegetal cuja estrutura é muito similar a do colesterol.
São descritas numerosas propriedades fisiológicas para os fitoesterois, sendo o
efeito hipocolesterolêmico o melhor caracterizado e que se observa em
indivíduos alvo de moderada hipercolesterolemia. O mecanismo de efeito do
fitoesterol envolve a inibição intestinal de absorção do colesterol e diminuição
da síntese de colesterol hepático.

Laranja Lima: As partes comestíveis da laranja são: casca, suco e albedo.


Entre seus nutrientes estão a vitamina C, os flavonoides naringenina e
hesperidina (a naringenina diminui o colesterol total e o LDL- colesterol
plasmático, enquanto a hesperidina diminui o colesterol total e os níveis de
triglicerídeos) e a fibra pectina, que tem propriedade hipocolesterolêmica. O
ácido ascórbico (vitamina C) é essencial para seres humanos, age como
antioxidante removedor de radicais livres e nutre as células, protegendo-as de
danos causados pelos oxidantes, da mesma forma que o alfa-tocoferol e o
betacaroteno

Maçã: A composição nutricional da maçã merece destaque, principalmente


pelo seu alto valor de vitaminas do complexo B, vitamina C e E, além do
mineral potássio. Além disso, sua composição de fibras, principalmente da
pectina, fornece aproximadamente 10% das necessidades diárias de fibras. O
consumo regular da pectina tem se mostrado eficaz no controle da glicemia,
auxiliando os portadores de diabetes a manter a boa saúde. O consumo
aproximado de duas maçãs pequenas ao dia fornece a dose de pectina
necessária. A pectina auxilia também na redução do mau colesterol, pois forma
uma barreira de fibra na parede intestinal impedindo a absorção do colesterol e
de outras gorduras.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

MARIANO, E. J. et al. Avaliação dos parâmetros físico-químicos e sensoriais


da maçã desidratada para uso como aperitivo. Trabalho de conclusão de curso
em tecnologia dos alimentos. Universidade tecnológica federal do Paraná -
Campus Medianeira, 2011.

RAMÍREZ. E. J. A.; HÜBSCHER. G. H. Laranja: alimento funcional. Nutrire: rev.


Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 3,
p. 79-91, dez. 2011.
LOTEMBERG, A.M.P. Eficiência dos ésteres de fitoesteróis alimentares na
redução dos lipídios plasmáticos em hipercolesterolêmicos moderados.
Arquivos Brasileiros de cardiologia, 2002.

SOUZA, J. S. Efeitos da adição do abacate na alimentação de ratos wistar.


Caderno de Ciências Biológicas e da Saúde, n. 01, 2013.

SALGADO, J. M. Efeito do abacate (Persea americana Mill) variedade hass na


lipidemia de ratos hipercolesterolêmicos. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas,
28(4): 922-928, out.-dez. 2008.

HU, F. B. Plant-based foods and prevention of cardiovascular disease: an


overview. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 78, n. 3, p. 544-551,
2003.

TACO – Tabela Brasileira de Composição de Alimentos 4a. edição revisada e


ampliada, 2011.

RESISTÊNCIA INSULÍNICA

A obesidade e a resistência à insulina têm sido apontadas como os principais


fatores para a sequência de anormalidades metabólicas, inflamatórias e
hemodinâmicas que contribuem para um maior risco de desenvolvimento de
diabetes mellitus tipo 2 (DM tipo 2), hipertensão arterial sistêmica (HAS),
dislipidemia, aterosclerose, níveis aumentados de ácido úrico, alterações dos
fatores fibrinolíticos, entre outras desordens.

O termo resistência insulínica se refere a uma reduzida sensibilidade tecidual à


ação da insulina, gerando importantes implicações metabólicas. Para superar
essa resistência e buscar a manutenção da homeostase da glicose, o pâncreas
secreta quantidades cada vez maiores de insulina, resultando em
hiperinsulinemia. Quanto mais resistente à insulina o indivíduo for, maior seu
grau de hiperinsulinemia compensatória e maior será a oportunidade de o
indivíduo desenvolver anormalidades biológicas.

O tecido adiposo não é um órgão estático, mas um notável órgão endócrino


muito dinâmico, capaz de secretar uma série de citocinas com implicações
diretas e indiretas não só no processo de inflamação sistêmica, mas,
particularmente, no processo de inflamação vascular. Entre essas citocinas
encontram-se o angiotensinogênio, a interleucina-6 (IL-6), o fator de necrose
tumoral-α (TNF-α), o inibidor da ativação do plasminogênio (PAI-1), a leptina, a
resistina e a adiponectina.

A maioria dessas citocinas encontra-se elevada na obesidade, criando um


ambiente inflamatório crônico subclínico que deteriora a sensibilidade à insulina
(como o TNF-α), provoca distúrbios da fibrinólise (aumento do PAI-1), aumento
da adesão de moléculas ao endotélio, além de favorecer a elevação da
pressão arterial (angiotensinogênio). Por outro lado, o acúmulo de gordura
visceral provoca redução da única adipocina descrita até o presente que
melhora a sensibilidade à insulina – a adiponectina.

Sabe-se que o adipócito recebe a influência de diversos sinais, como insulina,


cortisol e catecolaminas, e, em resposta, secreta uma grande variedade de
substâncias que atuam tanto local quanto sistemicamente, participando da
regulação de diversos processos como a função endotelial, aterogênese,
sensibilidade à insulina e regulação do balanço energético.

Na obesidade, o tecido adiposo torna-se inflamado, devido tanto à infiltração de


macrófagos quanto à produção de citocinas inflamatórias pelas células
adiposas. A inflamação do tecido adiposo é uma etapa crucial no
desenvolvimento da resistência à insulina.

Doenças relacionadas com a Resistência à insulina

Em um estudo publicado em 2015 pelo International Journal of Clinical and


Experimental Medicine, procurou correlacionar o carcinoma colorretal (CRC)
com doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) e resistência à insulina
(IR), a qual tem papel importante em ambas às doenças. Tem sido especulado
que a prevalência de neoplasmas coloretais pode ser aumentada em pacientes
com DHGNA. No entanto, não está claro se DHGNA é um fator de risco real ou
qualquer associação é incidental à coexistência devido ao papel de IR em
ambas as doenças. Concluiu-se então que o risco de CRC pode aumentar em
indivíduos com IR, mas sem DHGNA. A ausência de DHGNA na presença de
IR pode prever o CRC.

Atualmente também há a correlação entre a RI e a doença de Alzheimer (DA).


Provas convergentes sugerem que a doença de Alzheimer envolve
comprometimento na sinalização de insulina. Estudos tem demonstrado que
pacientes com DA e indivíduos em situação de risco para a DA exibem o
metabolismo da glicose reduzido.

Estudo de Willet e colaboradores, publicado em 2015, indicaram resultados


maiores de HOMA-IR e foram associados com menor metabolismo global de
glicose e menor metabolismo da glicose regional em toda grande parte do lobo
frontal, parietal lateral, temporal, lateral, medial e lobos temporais. Esta
associação foi mais acentuada no lobo temporal esquerdo e está relacionada
com a pior performance da memória imediata e memória remota.

Portanto, este estudo mostrou que a resistência à insulina, uma condição


prevalente e cada vez mais comum em países desenvolvidos e em
desenvolvimento, está associada com menor metabolismo da glicose cerebral
regional, que por sua vez pode prever pior desempenho da memória. E
segundo os autores a meia-idade pode ser um período crítico para iniciar os
tratamentos para reduzir a resistência periférica à insulina e estabilizar o
metabolismo neuronal e função cognitiva.

Podemos citar, também, a síndrome do ovário policístico (SOP) que é uma


alteração endócrina comum em mulheres pré-menopausa, e já se sabe da
prevalência da resistência à insulina ou hiperinsulinemia é maior nessa
população.

O excesso de insulina parece estar envolvido com o aumento do pulso e da


amplitude de hormônio luteinizante (LH), levando ao aumento do tamanho do
ovário, que irá gerar maior produção de andrógenos. Além disso, a insulina, por
meio de seus próprios receptores e dos receptores de IGF-1, tem ação
sinérgica ao LH no estímulo da esteroidogênese nas células da teca,
aumentando significativamente a produção ovariana de androgênios em
mulheres com SOP, tanto obesas como magras.

As mulheres com SOP que desenvolvem obesidade apresentam complicações


no quadro clínico; isso por que a obesidade, entre outras alterações, pode
desencadear a hiperinsulinemia compensatória, que poderá levar ao
desenvolvimento de doenças ou alterações metabólicas como infertilidade,
hiperandrogenismo, hirsutismo, doenças cardiovasculares (DCV), DM, entre
outras.

Mudanças no estilo de vida que levam à perda de peso são capazes de


promover melhorias significativas na RI e disfunção endotelial em indivíduos
com obesidade. E existem evidências que os estados oxidativos e inflamatórios
desempenham papel fundamental na desordem hormonal do indivíduo obeso.
Diversos alimentos, fitoterápicos, micronutrientes e antioxidantes são
necessários para a correta sinalização da insulina, sendo assim, sua utilização
se torna de suma importância em indivíduos com deficiência como uma terapia
complementar, prevenindo e tratando a resistência à insulina.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

NAVES, A. Nutrição Clínica Funcional: Obesidade. 2 ed. São Paulo: Valéria


Paschoal Editora Ltda., 2014.
BASYIGIT, S. et al. Absence of non-alcoholic fatty liver disease in the presence
of insulin resistance is a strong predictor for colorectal carcinoma. Int J Clin Exp
Med. 2015 Oct 15;8(10):18601-10.

WILLETTE, A.A. et al. Association of Insulin Resistance With Cerebral Glucose


Uptake in Late Middle-Aged Adults at Risk for Alzheimer Disease. JAMA
Neurol. 2015 Jul 27.

SHIZE, L.I. et al. Expression of β-site APP-cleaving enzyme 1 in the


hippocampal tissue of an insulin-resistant rat model of Alzheimer's disease. Exp
Ther Med. 2015 Jun; 9(6): 2389–2393.

FAYH, A. P. T. et al. Resistência à insulina e disfunção endotelial na


obesidade: impacto da dieta e do treinamento físico. RBM rev. bras. med,
2015.

TERMOGÊNICOS

No Brasil observa-se um uso abusivo de suplementos alimentares com


finalidade estética ou ergogênica, entre praticantes de atividades físicas em
academias. Dentre esses suplementos, os denominados termogênicos são os
que trazem propostas tentadoras ao público que busca um corpo perfeito,
visando principalmente modificações na estética corporal.

Essa categoria de ergogênicos tem por objetivo induzir a termogênese que é


definida como uma produção de calor através da energia liberada por reações
químicas, controlada pelo sistema nervoso simpático e promovendo a liberação
de diversos hormônios.

Esses fatores podem estar relacionados a maior importância atribuída a os


aspectos estéticos, em grande parte estimulados pela mídia, através da
exposição de mulheres com o mínimo de gordura corporal e com maior
preocupação com a redução do percentual de gordura, contradizendo à
naturalidade do biotipo feminino.
Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte
(SBME), o consumo de suplementos cresceu 23% ao longo do último ano no
Brasil. Eles são utilizados por pelo menos 40% dos atletas, tanto competitivos
quanto recreacionais, muitas vezes em doses superiores às recomendadas.

As indústrias de suplementos dietéticos vêm mostrando expansão, segundo a


Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos (Brasnutri). Dos R$ 150
milhões faturados em 2008, houve um aumento para R$ 600 milhões em 2012,
com uma média de crescimento de 15% ao ano.

Conheça os principais mecanismos envolvidos na indução da termogênese

Como estimular a termogênese?

1) Ativando o sistema nervoso simpático (SNS) que produz hormônios


estimulantes da lipólise, as catecolaminas.

2) Ativando a lipólise dos triglicerídeos armazenados nos adipócitos por meio


do(a):

• Ativação dos receptores beta adrenérgicos;


• Inibição da fosfodiesterase;
• Inibição da catecolmetiltransferase;
• Estímulo da Lipase Hormônio Sensível (LHS);
• Estímulo do AMPc.
• Estimulando a glicogenólise;

3) Expondo ao frio;

4) Regulando genes associados á lipólise;

5) Induzindo a síntese de ATP nas mitocôndrias;

6) Ativando os hormônios tireoidianos (que induzem a lipólise);

7) Ativando as UCPs.
Alguns alimentos e fitoterápicos têm a capacidade de estimular a termogênese,
como por exemplo, os compostos extraídos de plantas, como a cafeína, a
capsaicina e catequinas.

Capsicum annuum ou Pimenta

O princípio bioativo das pimentas (capsinoide capsiate) ativa os receptores


beta-adrenérgicos e estimula o SNS por meio do aumento na produção das
catecolaminas. Alguns estudos sugerem que a capsaicina adicionalmente ativa
o tecido adiposo marrom e aumenta o gasto energético pós-prandial. Os efeitos
colaterais podem incluir irritação do estômago, sudorese, rubor e corrimento
nasal. Contraindicado em casos de hipersensibilidade a alguns componentes
para a preparação dos capsinoides. Altas doses com componentes
concentrados de capsaicina, administrados por longos períodos, podem causar
gastrite crônica e úlcera duodenal, hepatotoxidade, prejuízo na função renal e
efeitos neurotóxicos. Pode interferir na absorção de medicamentos inibidores
da MAO (monoamina oxidase) e de anti-hipertensivos.

Camellia sinensis ou Chá verde

Apresenta atividade lipolítica por ser estimulador beta-adrenérgico e aumentar


a liberação de catecolaminas ativando o SNS, além de inibir a
catecolmetiltransferase e aumentar o AMPc por meio da inibição de
fosfodiesterase. A substância ativa de destaque é a epigalocatequina galato
(EGCG) que é potencializada com a cafeína. Contra indicado em nervosismo,
insônia e taquicardia. Os taninos podem provocar moléstias gástricas, náuseas
e vômitos, principalmente em infusões concentradas. É contraindicado o uso
em pacientes que possuam gastrite, úlceras gastroduodenais, ansiedade,
insônia, taquicardia e aumento da pressão arterial sistólica. A presença de
taninos no chá também pode interferir a absorção do ferro ou com as
atividades de enzimas digestivas.

Carthamus Tinctorius ou Óleo de Cártamo

A ingestão desse óleo (rico em gorduras poli-insaturadas) eleva a termogênese


por aumentar a atividade simpática do tecido marrom. Além disso, ativa o
receptor PPAR-alfa o qual regula a expressão de genes envolvidos na
oxidação lipídica. Em longo prazo pode promover aumento da resistência à
insulina, elevação da glicose e insulina de jejum, elevação da peroxidação
lipídica e redução de HDL colesterol em indivíduos com síndrome metabólica
(dislipidemia, hipertensão).

Cafeína

Possui estrutura muito similar à molécula de adenosina e, por isso, consegue


ligar-se a receptores de adenosina na membrana celular e estimular a ação da
adenosina monofosfato cíclica (AMPc), o que permite maior atividade do
hormônio lipase sensível e prolongamento do efeito estimulador sobre a
lipólise. A estimulação do SNS pode promover também maior liberação de
catecolaminas. Pode causar insônia, taquicardia, sudorese, tremor, dilatação
dos brônquios, inquietação e irritação gástrica. Sendo contraindicado para
portadores de doença cardíaca grave, disfunção hepática, úlcera péptica,
hipertensão, ansiedade crônica, hiperatividade e insônia. A cafeína não deve
ser associada a levotiroxina, pois pode reduzir a absorção do fármaco.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

E-book Termogênicos. Instituto Ana Paula Pujol. 2014.

PUJOL, A. P. Manual de Nutricosméticos: Receitas e formulações para a


beleza. 1 ed. Camboriú, SC. IEPN- Insituto de Ensino e Pesquisa em Nutrição,
2012.
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA
E ESTRESSE

Algumas patologias, como por exemplo, hipertensão arterial, gastrite, úlcera,


dermatites, infarto do miocárdio, câncer, entre outras, são encontradas em
nosso mundo devido às exigências diárias, a globalização e inúmeras horas
que nos expomos a elementos estressores. Diversas pessoas apresentam
doenças que são sentidas no corpo, mas provenientes da mente, essas são
tidas como doenças psicossomáticas.

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial


caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA).
Associa-se frequentemente a alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-
alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas,
com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não
fatais.

A HAS é uma condição de alta prevalência e, por isso, um problema de saúde


pública. Mesmo considerando um significativo número de drogas anti-
hipertensivas, seu controle adequado está longe de ser obtido. Em países onde
são aplicados maiores recursos financeiros em campanhas institucionais,
recomendando a identificação e tratamento precoce do hipertenso, o
percentual de pacientes sob controle adequado ainda está longe do ideal,
apesar da maioria de hipertensos estarem sob alguma forma de tratamento.
Portanto, é preciso melhorar o reconhecimento e a eficiência do tratamento da
HAS.

Inquéritos populacionais em cidades brasileiras nos últimos 20 anos apontaram


uma prevalência de HAS acima de 30%. Considerando-se valores de PA ≥
140/90 mmHg, 22 estudos encontraram prevalências entre 22,3% e 43,9%,
(média de 32,5%), com mais de 50% entre 60 e 69 anos e 75% acima de 70
anos.
Entre os gêneros, a prevalência foi de 35,8% nos homens e de 30% em
mulheres, semelhante à de outros países. Revisão sistemática quantitativa de
2003 a 2008, de 44 estudos em 35 países, revelou uma prevalência global de
37,8% em homens e 32,1% em mulheres.

Estudos clínicos demonstraram que a detecção, o tratamento e o controle da


HAS são fundamentais para a redução dos eventos cardiovasculares. No
Brasil, 14 estudos populacionais realizados nos últimos quinze anos com
14.783 indivíduos (PA < 140/90 mmHg) revelaram baixos níveis de controle da
PA (19,6%). Estima-se que essas taxas devem estar superestimadas, devido,
principalmente, à heterogeneidade dos trabalhos realizados. A comparação das
frequências, respectivamente, de conhecimento, tratamento e controle nos
estudos brasileiros com as obtidas em 44 estudos de 35 países, revelou taxas
semelhantes em relação ao conhecimento (52,3% vs. 59,1%), mas
significativamente superiores no Brasil em relação ao tratamento e controle
(34,9% e 13,7% vs. 67,3% e 26,1%) em especial em municípios do interior com
ampla cobertura do Programa de Saúde da Família (PSF).

A prevalência global de HAS entre homens e mulheres é semelhante, embora


ela seja mais elevada nos homens até os 50 anos, invertendo-se a partir da 5a
década, tendo como fatores de risco o excesso de peso e obesidade, ingestão
de sal, ingestão de álcool, sedentarismo, fatores socioeconômicos, genética e
problemas cardiovasculares.

O estresse mental crônico apresenta relação direta com a hipertensão arterial,


principalmente entre homens de baixo nível socioeconômicos submetidos a
trabalhos com pouco poder de decisão. O grande fator desencadeante da
hipertensão é exatamente a tensão exercida por momentos de estresse e
ansiedade que alteram toda a configuração hormonal e sistemática do
organismo.

Nesse mesmo aspecto, a ansiedade através do hipotálamo libera


catecolaminas e corticosteroides, pelo sistema simpático ou por ação indireta
das suprarrenais. Essas substâncias interferem no sistema cardiovascular:
elevação da frequência cardíaca, da pressão arterial, aumento do débito
cardíaco, do consumo de oxigênio, da excitabilidade cardíaca, lesão celular por
entrada de sódio, saída de potássio, magnésio, injúria endotelial, aumento da
adesividade plaquetária, vasoconstrição periférica, retenção de sódio e água,
hemoconcentração, aumento da coagulação sanguínea, da glicose, do ácido
lático, aumento dos ácidos graxos e do colesterol. Isso significa que a liberação
excessiva ou prolongada de catecolaminas e corticosteroides provocam
hipertensão arterial.

Estudos apontam que determinados grupos populacionais são mais vulneráveis


à hipertensão arterial em razão de sua ocupação. Entre esses, estão os
caminhoneiros, pois, além das longas e exaustivas jornadas de trabalho a que
se sujeitam, também enfrentam outros problemas, como: percorrem longas
distâncias diariamente, dormem mal, alimentam-se de forma inadequada,
incluindo em seu cardápio diário o consumo exagerado de refrigerantes, sal,
gorduras e cafeína; e, o mais grave, muitos fazem uso indiscriminado de
anfetaminas para se manter acordados.

A orientação alimentar realizada pelo nutricionista deve ser encorajada, já que


é um dos fatores importantes do tratamento não farmacológico, que tem como
principal objetivo diminuir a morbidade e mortalidade cardiovascular. A conduta
dietoterápica tem como objetivo a perda e manutenção do peso e deve ser
realizada por meio de alterações no estilo de vida, com ênfase em reeducação
alimentar associada à atividade física. Essa ferramenta traduz-se na prescrição
de um plano alimentar individualizado segundo guias de recomendações
nutricionais e cardápios diários, com sugestões de substituição por
equivalentes calóricos. As principais recomendações não medicamentosas
para prevenção primária da HAS são: alimentação saudável, consumo
controlado de sódio e álcool, ingestão de potássio, combate ao sedentarismo e
ao tabagismo.

A orientação nutricional do paciente consiste em carboidratos complexos,


fibras, proteínas, frutas, verduras, leite e derivados desnatados, água e baixo
teor de gordura. Essas mudanças podem ser uma das causas da não
persistência no tratamento nutricional. Esse tipo de alimentação favorece o
suprimento de cálcio, potássio e magnésio, responsáveis pelo controle da PA.
A suplementação só é recomendada nas situações de hipocalcemia e
hipomagnesemia.
A atividade física regular é recomendada, pois, além de ajudar na perda de
peso, diminui a PA e os riscos cardiovasculares e a mortalidade em geral. É
considerada prática regular quando praticada trinta minutos por dia em pelo
menos cinco dias da semana, com intensidade moderada de forma que possa
ser realizada mantendo-se a conversação.

Quanto ao tabagismo, o risco para HAS aumenta gradualmente conforme o


número de cigarros e a profundidade da inalação. Mulheres fumantes
apresentam maior chance de complicações do que homens. Assim como o
tabaco, o álcool está relacionado com a HAS; por isso, as VI Diretrizes
Brasileiras de Hipertensão Arterial limitam a ingestão em 30ml/dia para homens
e 15ml/dia para mulheres.

O fato da hipertensão se caracterizar como uma doença crônica de


manifestação silenciosa pode ser um dos motivos pelos quais os hipertensos
não sentem a necessidade de adequações ao estilo de vida, o que sugere que
a preocupação advém mediante sintomas. Outro fator relevante que pode ser
destacado como motivo de tal descuido está relacionado ao tratamento
medicamentoso, pois a crença de que a regulação da pressão é obtida através
de fármacos mantém, de certo modo, os hipertensos em uma zona de conforto,
fazendo que não alterem seus hábitos.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
Sociedade Brasileira de Cardiologia/Sociedade Brasileira de
Hipertensão/Sociedade Brasileira de Nefrologia. VI Diretrizes Brasileiras de
Hipertensão. Arq Bras Cardiol 2010; 95(1 supl.1): 1-51.

ARAÚJO, T. M. E. et al. Prevalência da hipertensão arterial sistólica entre


caminhoneiros que trafegam pela cidade de Teresina. S A N A R E, Sobral,
V.14, n.01, p.38-45, jan./jun. – 2015.

MASSING, L. T.; PORTELLA, M. R. Fatores determinantes da adesão de


hipertensos a conduta dietoterápica. Revista de Atenção à Saúde, v. 13, no
43, jan./mar. 2015, p.37-45.

ALEITAMENTO MATERNO

Amamentar é uma estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para


a criança. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho,
com repercussões no desenvolvimento fisiológico, cognitivo e emocional,
proporcionando vantagens no estado nutricional e imunológico da criança, que
além de contribuir para a redução da morbimortalidade infantil, traz vários
benefícios para a saúde da mãe e da criança.

A proteção, a promoção e o apoio ao aleitamento materno têm sido uma


estratégia mundialmente relevante no setor de saúde e outros setores sociais
para, entre outros esforços, melhorar as condições de saúde das crianças.

A convicção de que o aleitamento materno é o melhor alimento para a criança


é defendida por várias organizações de saúde, em busca da redução da
morbimortalidade infantil. Órgãos internacionais da saúde, como a Organização
Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância
(UNICEF), estabeleceram a nutrição infantil como uma de suas prioridades. As
práticas alimentares têm impacto significativo no estado nutricional,
crescimento e desenvolvimento, saúde e sobrevivência das crianças.
Os benefícios do aleitamento materno para as crianças têm sido relacionados
às menores taxas de diarreia, infecções do trato respiratório, otite média e
outras infecções e menor mortalidade por essas doenças em crianças
amamentadas quando comparadas às não amamentadas.

O leite humano contém várias moléculas bioativas que modulam o sistema


imunológico, bem como moléculas com atividades antimicrobianas diretas e
indiretas que evitam o supercrescimento de micro-organismos possivelmente
patogênicos. A combinação de fatores imunomoduladores e antimicrobianos
ajuda a criança a evitar o desenvolvimento de doenças inflamatórias e infecção
infantil.

Em um estudo publicado no Jornal de Pediatria em 2015, apresenta evidências


do papel potencial do peptídeo beta-defensina-2 (hBD- 2) do leite materno na
proteção antimicrobiana contra infecções entéricas e também potencialmente
contra outras infecções.

Além das vantagens para o bebê, o aleitamento traz vantagens para a saúde
da mulher, a redução de estresse e mau humor, mediada pela ocitocina, a
sensação de bem-estar, devido à liberação endógena de beta endorfina, a
promoção da contração uterina pela ocitocina liberada com a sucção do bebê,
entre outras, além de indicar que, em longo prazo, a amamentação materna
reduz o risco de diversos tipos de doenças, como câncer, artrite reumatoide e
osteoporose.

A prática do aleitamento materno no Brasil está aquém da recomendação da


Organização Mundial da Saúde (OMS), de que o aleitamento materno deve ser
exclusivo até os seis meses, e complementado com outros alimentos até os
dois anos ou mais da criança.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P


Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS:

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SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO

A síndrome do ovário policístico (SOP) é de importância clínica e de saúde


pública, afetando até uma em cada cinco mulheres em idade reprodutiva. Ela
tem implicações clínicas significativas e diversificadas, incluindo reprodutiva,
metabólicas e características psicológicas.

Também conhecida como Síndrome de Stein Leventhal é a endocrinopatia de


maior incidência entre as mulheres que estão em fase reprodutiva. Foi relatada
pela primeira vez por Stein e Leventhal, onde estes observaram uma
correlação entre amenorreia, hirsutismo e obesidade com ovários de aspectos
policísticos.
Sua etiologia ainda é pouco conhecida, no entanto, há várias hipóteses, como
alteração de produção de gonadotrofinas (GnRH), na liberação hipofisária dos
hormônios luteinizantes (LH) e folículo estimulante (FSH), nas funções
ovarianas e suprarrenal e mais recentemente a resistência insulínica.

As concentrações séricas de testosterona e androstenediona em mulheres com


SOP estão de 50% a 150% maiores quando comparadas com mulheres que
não apresentam SOP. O clearancee a biodisponibilidade de testosterona (mas
não de androstenediona) são afetados pelas concentrações séricas de SHBG.
Os esteroides sexuais são os maiores reguladores dos níveis de SHBG, mas já
se sabe, também, que os níveis de insulina igualmente podem determinar a
produção de SHBG e, então, o clearance de andrógenos. Assim, a resistência
à insulina/hipersinulinemia e o aumento dos níveis de andrógenos
(característicos da SOP) inibem a produção de SHBG resultando no aumento
das concentrações sérias de testosterona livre.

A SOP é um dos exemplos em que parece que a hiperinsulinemia


compensatória (secundária á resistência à insulina em músculo e tecido
adiposo) agiria normalmente em outros tecidos, incluindo o ovário. O excesso
de insulina parece estar envolvido com o aumento do pulso e da amplitude de
hormônio luteinizante (LH), levando ao aumento do tamanho do ovário, que irá
gerar maior produção de andrógenos. Além disso, a insulina, por meio de seus
próprios receptores e dos receptores da IGF-1, tem ação sinérgica ao LH no
estímulo da esteroidogênese nas células da teca, aumentando
significativamente a produção ovariana de androgênios em mulheres com SOP,
tanto obesas como magras.

Baseado nas alterações hormonais, na resistência insulínica presente na


grande maioria das portadoras da síndrome, a terapia medicamentosa de
escolha, tem sido os anticoncepcionais orais e metformina para normalizar o
ciclo menstrual, tratar o hirsutismo, a acne e a resistência insulínica, restaurar o
ciclo ovulatório e reduzir as manifestações do hiperandrogenismo.

Ferreira et al., (2008) para diagnostico da SOP, segue-se o determinado no


Consenso de Rotterdam em 2003 as pacientes devem apresentar pelo menos
duas destas três condições: 1) Oligovulação ou anovulação; 2)
Hiperandrogenismo clínico e/ou bioquímico (hiperandrogenemia); 3) Ovários
policísticos determinados pela ultrassonografia. Entretanto outras patologias
que possam gerar anovulação crônica e excesso de androgênios, como
hiperplasias adrenais congênitas, distúrbios da tireoide, tumores secretores de
androgênios e Síndrome de Cushing devem ser excluídas.

Sabe-se que por meio de uma dieta adequada pode-se modular a resposta
hormonal. A orientação de dietas hiperproteicas em mulheres pode estimular a
produção de testosterona e ser potencialmente prejudicial naquelas com
suscetibilidade para o desenvolvimento de SOP. No entanto, estudos
demonstram que em mulheres com SOP, a ingestão de proteínas e a restrição
de carboidratos de alto índice glicêmico podem ser benéficas para a redução
do peso corporal e, consequentemente, melhora das alterações associadas
com a SOP como resistência à insulina, infertilidade e hirsutismo.

Em um estudo publicado no Journal of Obesity & Weight Loss Therapy em


2015 revelou que uma intervenção dietética de 8 semanas pobre em amido e
leite promoveu a perda de peso, melhorou a sensibilidade insulínica e reduziu
testosterona em mulheres com SOP.

Uma dieta pobre em gordura e rica em fibras, caracterizada pela baixa ingestão
de produtos animais e alta ingestão de vegetais pode influenciar na circulação
enterohepática e reduzir as concentrações hormonais através de três
mecanismos principais:

1) Alguns tipos de fibras dietéticas têm demonstrado se ligar aos esteroides e


excretá-los pela bile. Estudos demonstram que a ingestão de fibras em
mulheres aumenta a excreção fecal e reduz a excreção urinária de esteroides.

2) Um aumento do bolo fecal diminui o trânsito intestinal resultando em maior


proporção de esteroides sendo excretados pelas fezes o que resulta em menor
reabsorção enterohepática.

3) Uma dieta rica em fibras altera a flora bacteriana fecal diminuindo a atividade
da betaglicuronidase no intestino. Esse processo resultará em redução da
reabsorção dos esteroides não conjugados na circulação.
Estudo publicado em 2010, demonstrou que o consumo de 2 xícaras/dia de chá
de hortelã, durante um mês, promoveu efeitos antiandrogênicos devido á
redução dos níveis de testosterona, em mulheres com SOP. Além disso, o chá
de hortelã possui propriedades no tratamento do hirsutismo e um trabalho em
ratos demonstrou que, além da redução dos níveis de testosterona, níveis de
FSH e LH aumentaram.

Deve-se ter atenção com a quantidade de AGEs da dieta. Os AGEs são um


grupo diversificado de moléculas reativas que são formados por reações
endogenamente não enzimática do grupo carbonila de hidratos de carbono
com grupos amino livres de proteínas, ácidos nucleicos ou lípidos. Esta reação
de glicoxidação é chamada de escurecimento ou reação de Maillard. Além de
sua formação endógena, os AGEs existem em quantidades elevadas em dietas
ricas em fast-food. Elevados níveis séricos de AGEs têm sido observados em
pacientes com hiperglicemia, a resistência à insulina, diabetes, insuficiência
renal, aterosclerose, envelhecimento, artrite reumatoide e recentemente SOP.
Estes níveis elevados de circulação de AGEs pode causar danos celulares
após a deposição em tecidos diferentes.

Concluiu-se que, cada vez mais, observa-se que a síndrome do ovário


policístico deve ser vista fortemente como uma doença metabólica e não
apenas uma alteração hormonal. Dessa forma, é necessária uma abordagem
multidisciplinar e direcionada ao controle dos fatores de risco cardiovasculares,
a fim de minimizar as complicações em longo prazo.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
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HIPO E HIPERTIREOIDISMO

Os hormônios tireoidianos exercem importantes funções fisiológicas com


atuação em todos os órgãos e vias metabólicas e seus principais efeitos
incluem o desenvolvimento de vários tecidos como o sistema nervoso central,
consumo de oxigênio, regulação da temperatura corporal, frequência cardíaca
e metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras. Além disso, participam
da síntese e degradação de muitos outros fatores de crescimento e hormônios.

A fonte de hormônio tireoidiano é a glândula tireoide, que secreta,


predominantemente, tiroxina (T4) da qual deriva, por deiodinação, a maior
parte do triiodotironina (T3) circulante. O T3 apresenta atividade biológica no
mínimo 5 vezes maior do que o T4. Assim, como todos os tecidos do
organismo possuem receptores para T3, todos são dependentes da sua
atividade biológica, que só acontece quando esse hormônio se liga a esses
receptores.

Os hormônios tireoidianos T3 e T4 regulam o metabolismo corporal, atuando


de forma direta ou indireta sobre vários sistemas orgânicos. A deficiência na
produção desses hormônios caracteriza o hipotireoidismo e provoca
consequências adversas sobre a saúde.

Os hormônios tireoidianos tem importante impacto no metabolismo do


colesterol. Os receptores de hormônios tireoidianos (TR) e as SREBP-2
(proteínas de ligação ao elemento de resposta dos esterois) estimulam a
expressão gênica dos receptores de LDL (LDL-R), que realizam o transporte do
LDL hepático para os tecidos periféricos, ocasionando redução dos níveis de
LDL. De fato, pacientes com hipotireoidismo apresentam hipercolesterolemia e
acúmulo de LDL no fígado.

Em um estudo de meta-análise publicado na revista Medical Science


Monitor em 2014, sugere que os níveis de colesterol total, triglicerídeos (CT) e
lipoproteína de baixa densidade (LDL-C), foram significativamente aumentados
em pacientes com hipotireoidismo subclínico comparados a indivíduos com
eutireoidismo.
Já o hipertireoidismo ocorre quando há excesso de hormônio produzido pela
glândula tireoide. Sua principal causa é o bócio difuso tóxico, mais conhecido
como doença de Graves ou doença de Basedow-Graves, síndrome
caracterizada por hipertireoidismo associado à oftalmopatia específica e
mixedema pré-tibial. Outras causas de hipertireoidismo são o bócio
multinodular tóxico e o adenoma tóxico.

A doença de Graves é uma doença autoimune, na qual o sistema imunológico


passa a produzir anticorpos que estimulam o receptor do hormônio estimulante
da tireoide (TSH) nas células foliculares tireoidianas, induzindo hiperplasia e
hiperfunção da tireoide. Laboratorialmente, a tireotoxicose se caracteriza pela
elevação dos hormônios tireoidianos, tiroxina (T4) e triiodotironina (T3) e pela
diminuição, geralmente supressão, do hormônio hipofisário regulador da
tireoide, o TSH sendo que o nível de T4 livre fornece estimativa da gravidade
da doença.

Como manifestações clínicas do hipertireoidismo podemos citar o nervosismo,


sudorese excessiva, intolerância ao calor, palpitação, fadiga, perda de peso,
dispneia, fraqueza, aumento do apetite, queixas oculares, edema de membros
inferiores, hiperdefecação, diarreia, distúrbios menstruais, anorexia, ganho
ponderal, taquicardia, bócio, tremor, pele quente e úmida, sopro na tireoide,
alterações oculares, fibrilação atrial, ginecomastia e eritema palmar.

Em um estudo publicado em 2015 pela revista Nutrición Hospitalaria vinte e


nove pacientes foram estudados (idade de 69,5 ± 11,5; 75,9% mulheres; IMC
de 27,1 ± 5,7 kg/m²; TSH sérico (TSH) 0,20 ± 0,21 μUI/ml; soro tiroxina livre
(T4) 1,01 ± 0,19 ng/dL), 17 pertencentes ao grupo de tratamento e 12 ao grupo
controle. Os grupos de estudo foram comparáveis, embora tenha havido uma
tendência para o grupo de tratamento ter mais massa gorda. Não ocorreram
alterações longitudinais na composição corporal em ambos os grupos, com
exceção de uma tendência a ganhar massa gorda. No entanto, quando os
indivíduos com idade >65 anos foram selecionados, apenas os pacientes que
receberam radioiodoterapia mostraram um aumento significativo no peso
corporal (de 64,1 ± 10,0-66,9 ± 9,2 kg), o IMC (de 27,3 ± 4,8 para 28,7 ± 4,5
kg/m²), massa gorda (de 26,1 ± 8,5-27,8 ± 7,9 kg), massa magra (de 36,3 ± 0,4
para 37,4 ± 0,4 kg) e índice de massa músculo esquelética (SMI) (de 6,0 ± 0,6
para 6,3 ± 0,6 kg/m²). O tratamento de hipertireoidismo subclínico tem impacto
sobre a composição corporal em indivíduos com mais de 65 anos. O ganho de
peso reflete aumento de gordura e, mais interessante, na massa magra.

O estado nutricional em relação aos excessos ou carência de micronutrientes,


assim como a exposição a algumas substâncias bociogênicas pode interferir na
regulação da tireoide e na produção hormonal periférica comprometendo o
equilíbrio funcional dos hormônios tireoidianos.

O iodo tem como única função conhecida o metabolismo dos hormônios


tireoidianos. Ele é ingerido tanto na sua forma orgânica quanto inorgânica, mas
sua absorção intestinal acontece na forma inorgânica, a qual tem o iodeto
como forma biologicamente livre. Tem como maior fonte alimentar os peixes
marinhos e algas. Dependendo da disponibilidade do iodo a tireoide é capaz de
aumentar ou limitar a utilização dessa substância para a produção dos
hormônios tireoidianos. Assistido por diversos mecanismos, até mesmo um
baixo fornecimento de iodo é suficiente para manter a função da tireoide num
nível onde não há comprometimento para a saúde e sobrevivência humana.

O selênio também tem função importante na regulação do funcionamento da


tireoide. Ele é ingerido e absorvido como selenita, selenato e selenometionina.
A tireoide contem a maior concentração de selênio entre todos os tecidos. Em
pacientes geneticamente suscetíveis a deficiência branda ou moderada de
selênio pode iniciar ou progredir uma autoimunidade para a tireoide. A
deficiência de selênio está relacionada com aumento dos níveis circulantes de
anticorpos antitireoidianos (anti-TPO: antitireoperoxidase), e a suplementação
de selênio pode reduzir a atividade inflamatória contra a tireoide, mas não cura
a tireoidite de Hashimoto.

Outros micronutrientes também influenciam na regulação tireoidiana, como é o


caso da vitamina A, que em casos de deficiência aumenta a produção de TSH,
de tireoglobulina e o tamanho do bócio em indivíduos com deficiência severa
de iodo. O cálcio, que se ingerido em excesso pode ser bociogênico. O Bromo,
que fica concentrado na tireoide e interfere na captação de iodo pela glândula.
O Flúor, que inibe o transporte de iodo para a glândula tireoide. O Cobalto que
tem sua deficiência associada a redução da atividade da D1 e queda na
produção de T3.

Alguns alimentos mais eficazes para ajudar na destoxificação incluem


brássicas, representadas pelo repolho, brócolis, mostarda, couve-flor, couve-
de-Bruxelas, rúcula, rabanete, agrião, nabo; os curcuminoides (cúrcuma e
curry), chá verde, alimentos que contém enxofre como alho e cebola, alecrim,
própolis, aloe vera, entre outros. Nota-se que vários desses alimentos podem
conter substâncias bociogênicas e a orientação de consumo, além da forma de
preparação, devem ser levadas em consideração em pacientes com
suscetibilidade genética para as desordens tireoidianas.

A maneira mais segura para a saúde tireoidiana seria a redução da exposição


tóxica, reduzindo o consumo de produtos industrializados e dando preferência
aos alimentos orgânicos, que conferem maior proteção destoxificante,
antioxidante e de fitonutrientes anti-inflamatórios; reciclar e reutilizar materiais
cuja decomposição no meio ambiente é lenta e fonte de liberação de diversos
disruptores endócrinos também representa uma medida importante.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

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NAVES, A. Nutrição Clínica Funcional: Modulação Hormonal. 1ed. São Paulo:


Valeria Paschoal Editora Ltda., 2010.

DISTÚRBIOS ALIMENTARES

Nos transtornos alimentares, o consumo, a estrutura e as atitudes alimentares


estão seriamente comprometidos. Do ponde de vista alimentar, os transtornos
alimentares são caracterizados por dietas restritivas severas, ingestão
alimentar irregular, aversões alimentares, compulsões e comportamentos de
purgação.
Algumas atitudes alimentares disfuncionais são: ter pensamentos obsessivos
com alimento e calorias, ter raiva de sentir fome, ser incompetente para
selecionar o que comer, procurar os alimentos para compensar problemas
psicológicos, comer até sentir dor, apresentar crenças e mitos radicais sobre
alimentação e peso, entre outros.

O consumo e a estrutura alimentar inadequados têm uma relação direta com as


atitudes alimentares disfuncionais próprias dos transtornos alimentares. Os
indivíduos estabelecem um padrão irregular e não saudável, com consumo
inadequado de energia e nutrientes porque possuem uma relação complicada
com o alimento, crenças extremas ou radicais sobre nutrição, sentimentos
confusos sobre o ato de se alimentar e sobre os alimentos (raiva, desejo, culpa,
negação) e, ainda, pensamentos obsessivos com a alimentação e seus
possíveis efeitos no peso e no corpo e com o significado de comer
(controle vesus descontrole, por exemplo).

A anorexia nervosa (AN) é caracterizada por restrição, quantitativa e também


qualitativa. O quadro tem início tipicamente com dietas restritivas, mas nem
sempre com dietas da moda.

• Recuperação do peso:

Recomenda-se que a recuperação do peso deva ser feita de forma gradual,


aumentando-se aos poucos o conteúdo da dieta, a fim de alcançar as
necessidades de energia e de nutrientes.

Devem-se respeitar limites fisiológicos, estabelecer metas graduais de ganho


de peso é menos assustador para o paciente. Inicialmente é recomendável
estabelecer como meta um peso minimamente saudável, que é superior ao
índice de massa corporal (IMC) 18,5Kg/m².

O paciente deve se sentir confiante de que, ao longo do tratamento, o


terapeuta nutricional o guiará para a obtenção de um peso saudável e não para
o excesso de peso. Os pacientes tem medo de que, uma vez que comecem a
ganhar peso, não consigam mais parar de ganhá-lo.
• Planejamento dietético no tratamento da Anorexia nervosa:

No planejamento nutricional, deve-se ter como meta a normalização da


estrutura alimentar e a promoção de mudanças de comportamento para com os
alimentos e, portanto, a realimentação por via oral deve ser a primeira escolha
para a restauração do estado nutricional.

Por envolver planejamento e contato real com os alimentos, acredita-se que a


alimentação “real” é mais bem-sucedida na recuperação em longo prazo por
permitir aprendizagem e aquisição de comportamento saudável com os
alimentos. A alimentação via sonda deve ser vista como último recurso e de
forma limitada, como uma intervenção para salvar a vida do paciente.

Uma alternativa é a utilização de suplementos hipercalóricos por via oral.


Nestes casos os suplementos devem ser oferecidos entre as refeições
principais e não em seu lugar, para, assim, complementar a necessidade
energética e garantir a recuperação de peso; e devem ser substituídos por
alimentos reais assim que a situação nutricional do paciente permitir.

Em todas as vias de realimentação devem-se considerar os riscos associados


à reabilitação nutricional mais intensa. A realimentação excessivamente rápida
e mesmo a alimentação nasogástrica ou parenteral podem acarretar
complicações perigosas, conhecidas como “síndrome da realimentação”, que
consiste em vários distúrbios metabólicos como alteração de fluídos e
eletrólitos, edema, complicações neurológicas, entre outras complicações.

Deve-se avaliar que alimentos o paciente está aceitando no momento, e


discutir as possibilidades de “cardápios” para essas refeições, utilizando os
alimentos que a paciente aceita, dentro do possível.

No momento inicial da realimentação, os pacientes devem comer alimentos


mais fibrosos e volumosos apenas no final da refeição, depois de terem comido
os demais alimentos planejados. Da mesma forma, líquidos junto ás refeições
causam dilatação e sensação de “estufamento” e devem ser evitados.
Alimentos de difícil digestão como as frituras, devem ser evitados no início,
assim como alimentos que causam fermentação excessiva e aqueles muito
volumosos. É comum que o paciente enfrente uma digestão difícil no ínicio,
referindo náuseas, regurgitação, ânsias, deve-se então lembra-lo das
consequências que o seu corpo está sofrendo por causa da desnutrição.

É importante ficar atento à questão intestinal e orientar o paciente quanto à


isso. Tipicamente eles terão um intestino irregular devido à ausência de
alimentos e que pode ficar ainda pior no início da realimentação. A ingestão de
água deve ser estimulada (sempre nos intervalos das refeições), assim como a
presença de gorduras, fibras (nos alimentos e na presença de suplementos) e
prebióticos devem ser orientada.

No primeiro momento, talvez não seja possível garantir a presença de


alimentos de todos os grupos, e seja necessário aguardar um tempo para a
inclusão. Os alimentos mais evitados são os carboidratos e as gorduras de
adição, e a inclusão deve-se respeitar as preferências do paciente dentro do
possível. Sobre os carboidratos é mais fácil incluir alimentos do grupo do arroz
e batata na forma de salada do que em uma preparação quente.

O objetivo nutricional é alcançar uma dieta adequada e balanceada, mas isto


não é o suficiente. Muitos pacientes depois de um tempo estabelecem uma
estrutura e padrão minimamente adequado e com quantidades insatisfatórias
de energia e nutrientes sem conseguir fazer alterações ou flexibilizar em
situações sociais. Cabe então ao terapeuta nutricional trabalhar com o paciente
e elucidar o que é verdadeiramente uma alimentação saudável e que não se
trata de comer uma “ração” com nutrientes adequados apenas, mas de saber
lidar com a comida no mundo real.

A bulimia nervosa (BN) é caracterizada por um ciclo restrição-compulsão-


purgação. De maneira típica, o quadro também tem início com uma dieta,
frequentemente com uma “dieta da moda”. A restrição alimentar tem, portanto,
papel iniciador e perpetuador do quadro, e embora muitas vezes seja entendida
como uma síndrome compulsiva, a BN, na verdade, é caracterizada por ciclos
de restrição e compulsão.
A terapia nutricional para pacientes com Bulimia Nervosa (BN) é um trabalho
diferenciado das abordagens nutricionais para pacientes com outras condições
clínicas.

As principais metas do tratamento são aprender a comer de modo “normal”


outra vez e cessar as compulsões alimentares e os métodos compensatórios.
Aprender a comer normalmente é muito complicado para pacientes que
acreditam que sabem tudo sobre alimentos e calorias. Eles realmente sabem
bastante, mas o conhecimento desses pacientes tende a ser bastante rígido.

O tratamento nutricional especializado para BN deve ser planejado de modo a


ajudar os pacientes a entender e estarem aptos a colocar os alimentos e os
nutrientes em um perspectiva apropriada.

Além disso a terapia nutricional para pacientes com BN não se fixa tanto à
prescrição dietoterápica e seus métodos, como cálculo de necessidades
energéticas, recomendações nutricionais, lista de substitutos, entre outros. Os
pilares da terapia nutricional para pacientes com BN são o aconselhamento
nutricional, o trabalho com a imagem corporal, a educação nutricional e o
planejamento alimentar.

• Terapia Nutricional

Um ponto fundamental é a abordagem utilizada pelo terapeuta nutricional. É


importante que ele entenda os aspectos psicológicos e socioculturais
envolvidos na alimentação e nos transtornos alimentares e que não promova
posturas e comportamentos restritivos e lipofóbicos.

É relevante considerar que a terapia nutricional envolve mudanças de atitudes


alimentares e imagem corporal e que as mudanças comportamentais obtidas
pro meio da terapia nutricional não são sustentadas se não ocorrer também um
desenvolvimento pessoal, por meio da psicoterapia. Por isso a importância da
atuação da equipe interdisciplinar.

A terapia nutricional para pacientes com BN deve ter componentes individuais,


sessões em que o terapeuta nutricional atende o paciente individualmente e
realiza a avaliação nutricional, a educação nutricional, o aconselhamento
nutricional e o planejamento alimentar.

• Educação nutricional

Pode ser feito em grupos de pacientes com o mesmo diagnóstico, desde que
os outros componentes sejam feitos individualmente. As sessões em grupo são
interessantes para que o paciente perceba que os outros também têm os
mesmos medos e angústias, para que não se sinta isolado em seu problema e
para que soluções possam ser discutidas.

Alguns cuidados devem ser tomados quando tais grupos são conduzidos, pois
alguns pacientes, especialmente os que apresentam transtornos de
personalidade, tendem a competir para ver quem é o paciente mais grave e/ou
que mobiliza mais atenção do grupo de profissionais. Deve-se ficar atento a
esse tipo de situação e procurar a supervisão de psiquiatras e/ou psicólogos da
equipe.

• Planejamento Alimentar

O estabelecimento de um plano alimentar também faz parte das ações do


terapeuta nutricional no tratamento de pacientes com BN. Tal plano deve ser
feito individualmente com cada paciente e com base no diário alimentar.

O terapeuta nutricional, ao analisar o diário alimentar do paciente, constata


quais são as dificuldades do paciente e as inadequações de estrutura,
consumo e comportamento alimentar. Com base nisso, ele elabora um plano
para reverter tais inadequações. Portanto existem alguns pontos nessa
elaboração.

O plano alimentar não é uma dieta e não deve ser proposto como tal. Isso
significa que o plano alimentar é menos restritivo, mais gradual e flexível.
Também significa que o plano alimentar não deve ter o seu valo energético
calculado, pois as fórmulas geralmente obtêm resultados não confiáveis
quando aplicadas a pacientes com BN.
No início do tratamento não é produtivo elaborar um plano alimentar “perfeito”
em que todas as inadequações deixam de existir, por que os pacientes não
conseguirão segui-lo. Devem-se propor poucas mudanças por vez, sempre
começando pelas mais urgentes e fáceis.

O plano alimentar é um processo contínuo, que é sempre modificado e


intensificado. Por isso é interessante trabalhar com metas. O paciente deve
estar ciente que, ao longo do tratamento, sua alimentação melhorará
progressivamente.

É importante que o paciente participe da elaboração do plano, pois assim ele


aprenderá a fazer escolhas alimentares e não se tornará dependente do
terapeuta nutricional. Além de que essa participação aumenta a adesão ao
plano.

O plano alimentar deve ser simples e o paciente deve tê-lo por escrito. O uso
de listas de substituições é desencorajado, pois algumas listas indicam o valor
energético dos grupos alimentares e determinam o tamanho da porção em
função disso, mesmo que essa abordagem resulte em porções não usuais (Ex:
¾ de pote de iogurte, 15 folhas de alface ou 18 bagos de uva). É melhor
estimular o paciente a pensar em substituições de acordo com o conhecimento
nutricional que ele está adquirindo no tratamento.

As recomendações nutricionais para pacientes com BN são as mesmas


indicadas para populações saudáveis do mesmo sexo e faixa etária, com
algumas poucas diferenças. Sabe-se que pacientes com BN tem grande
suscetibilidade à osteoporose e osteopenia e que, portanto sua alimentação
deve ser rica em cálcio. Também pode ser interessante planejar uma refeição
rica em proteínas e fibras em um horário que o paciente tende a ter compulsão,
já que estes podem promover mais saciedade.

O terapeuta nutricional também deve considerar e valorizar as funções sociais


e emocionais da alimentação no plano alimentar. Além disso, o plano alimentar
não deve ter aspectos restritivos, como abundância de alimentos diet, light ou
com teor reduzido de gorduras. Após um tempo de tratamento, é extremamente
produtivo incluir no plano alimentar alguns alimentos cuja função é de prazer,
como doces, guloseimas, dentre outros. Os pacientes costumam ter muito
medo desses alimentos e evitam o que acaba levando à compulsão pelos
mesmos.

• Aconselhamento Nutricional

Pacientes com BN têm grande preocupação corporal e essa é uma questão


que aparece com frequência nas consultas nutricionais. É importante que os
pacientes entendam que o objetivo do tratamento não é o ganho de peso e que
uma alimentação adequada diminui as compulsões alimentares e contribui para
o bom funcionamento do organismo, até mesmo do metabolismo, ao contrário
da restrição alimentar.

Pacientes com BN que normalizam sua alimentação e diminuem as


compulsões alimentares podem perder um pouco de peso, mas o
emagrecimento não é um objetivo do tratamento. O paciente deve ser
informado que enquanto os sintomas bulímicos não estiverem controlados
estratégias de perda de peso (mesmo saudáveis) impedirão a recuperação.

Na elaboração do plano alimentar o terapeuta deve estabelecer junto com o


paciente, metas de redução das compulsões alimentares e das purgações, pois
não se espera uma cessação imediata desse comportamento. O terapeuta
deve informar isso para o paciente, pois muitos ficam com essa expectativa e
frustram-se com o tratamento.

Algumas medidas comportamentais podem ser orientadas para o paciente,


como: não fazer outras atividades enquanto come, limitar o acesso a porções
adicionais quando come (não manter a panela cheia de comida em frente ao
prato), evitar o estoque de grande quantidade de comida em casa, comer
alimentos que precisam ser preparados, andar com pouco dinheiro quando for
comprar comida, preferir alimentos embalados em porções individuais. Tais
medidas são puramente comportamentais e não serão benéficas se as
estratégias realmente necessárias (diminuição da restrição, cessação das
purgações, mudanças de crenças e pensamentos, crescimento pessoal) não
forem empregadas.
Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

Informações retiradas do livro: Nutrição e Transtornos Alimentares – Avaliação


e Tratamento, escrito por Marle Alvaregna, Fernanda Baeza Scagliusi e Sonia
Tucunduva Philippi no ano de 2011.

NUTRIÇÃO DO IDOSO

O envelhecimento é um desafio do mundo atual, pois afeta tanto os países


desenvolvidos quanto os em desenvolvimento. O processo de envelhecimento
da população mundial tem suas origens enraizadas nas transformações
socioeconômicas vividas no século passado pelas nações desenvolvidas, e
que, no entanto, só produziram modificações significativas nas suas variáveis
demográficas na virada no século XX.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) prevê que, em 2025, existirá 1,2


bilhão de pessoas com mais de 60 anos, sendo que os muito idosos (com 80
anos ou mais anos) devem constituir o grupo etário de maior crescimento, e a
maioria dessas pessoas (aproximadamente 75%) viverá nos países em
desenvolvimento. Assim, estima-se que, em 2025, o crescimento desse
segmento populacional situará o Brasil na sexta posição dentre os países com
maiores índices de envelhecimento humano.
A intervenção nutricional em geriatria deve ser realizada de maneira
individualizada, em função do estado nutricional e das múltiplas doenças que
acometem essa população; das mudanças biológicas e psicológicas
associadas ao envelhecimento; da capacidade funcional e das necessidades
nutricionais próprias de cada indivíduo. Seu objetivo é proporcionar todos os
nutrientes necessários em quantidades adequadas, para manter um bom
estado nutricional, considerando os aspectos biopsicossociais. Alguns
condicionantes são as alterações fisiológicas próprias do envelhecimento,
outros as doenças crônicas e fatores relacionados à condição socioeconômica
e familiar.

A menopausa é um fenômeno que influi no estado nutricional, com aumento de


peso e do tecido adiposo. No decorrer de sua vida, a mulher perde 40% do
cálcio dos ossos, aproximadamente metade nos primeiros cinco anos após a
menopausa, e a manutenção é baixa ao longo da vida. Essas alterações
podem ainda ser acentuadas por diminuição da altura, osteoporose e
mudanças na quantidade e na distribuição da adiposidade subcutânea nos
tecidos, e também por modificações na elasticidade e na flexibilidade da pele.

A ingestão inadequada de alimentos constitui um fator de risco nutricional no


que se refere tanto à obtenção quanto ao preparo dos alimentos. Entre idosos
de 80 anos, 10% dos homens consumiam 890kcal ou menos por dia e 10% das
mulheres consumiam 750kcal por dia. O hábito alimentar do idoso não é
determinado somente por preferências ou mudanças fisiológicas, mas também
por questões de integração social como solidão, isolamento social, acesso ao
transporte, condição financeira e supressão de refeições. Isso faz com que o
idoso não se preocupe consigo mesmo, fazendo com que se alimente de
maneira inadequada em termos de quantidade e qualidade.

A depressão, o luto pela perda de amigos, ou de entes queridos e a ausência


de um papel social que o valorize são fatores que podem afetar o estado
nutricional do idoso, e esses fatores devem ser avaliados pelo nutricionista. É
preciso verificar se a falta de apetite é um sintoma de depressão, a qual muitas
vezes está associada à redução da ingestão de nutrientes e sua abordagem
deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar.
Outro fator que altera o estado nutricional do idoso é a saúde oral,
principalmente pelo aumento da prevalência de cáries dentárias, por infecções
periodontais, pela utilização de próteses mal ajustadas e pela xerostomia
(diminuição da saliva). A sensibilidade a sabores e odores diminui com a idade,
o que pode alterar a ingestão alimentar. Isso pode ser devido à redução do
número e das funções das papilas gustativas na língua, que leva a perda do
prazer de preparar e variar os alimentos consumidos.

O envelhecimento também afeta o esvaziamento gástrico de uma refeição,


tornando-o mais lento. Os idosos apresentam o esvaziamento gástrico
demorado para refeições fartas, com mais de 500kcal, mas não para pequenas
refeições.

A constipação intestinal é frequente entre os idosos, e está, muitas vezes,


relacionada com baixa ingestão de líquidos e fibras e sedentarismo. O estado
de hidratação é fator desencadeador de outras doenças, como enfermidades
infecciosas e cerebrovasculares. A redução da sensação de sede é atribuída à
disfunção cerebral e diminuição de sensibilidade dos osmorreceptores.

Os idosos apresentam multiplicidade de doenças e utilizam maior número de


medicamentos. A polifarmácia aumenta a incidência de efeitos colaterais e a
interação medicamentosa, e o uso inadequado de medicamentos
frequentemente provoca complicações graves.

A mudança do comportamento alimentar do idoso é um trabalho árduo, mas


que pode ser eficiente. Mudanças bruscas na alimentação não são
recomendadas, qualquer modificação deve ser feitas aos poucos.

O local das refeições deve ser tranquilo, evitar televisão ligada ou muitos
ruídos, pois distraem facilmente. O uso de utensílios pode ser adaptado para
possibilitar uma alimentação independente, caso note-se que os idosos não
sabem o que fazer diante do alimento, deve-se verbalizar o comando e esperar
que o mesmo tome a iniciativa. Líquidos devem ser evitados 30min antes ou
durante as refeições, pois podem prejudicar a ingestão fazendo com que o
idoso coma menos. Deve-se oferecer a cada 1 ou 2h, entre as refeições.
Para idosos com perda de peso, deve-se aumentar a densidade energética da
dieta. Se o idoso só consegue ingerir pequenos volumes, aumente a densidade
energética dos alimentos. Um exemplo é acrescentar uma colher de sopa de
óleo na refeição depois de pronta (caso o paciente não apresente
dislipidemias). Além de reduzir o uso de sal, o qual pode ser substituído por
ervas, deve-se aumentar a ingestão de verduras que reduzem o risco de
câncer.

Fontes proteicas de alto valor biológico devem estar presentes na prescrição


dietética, como carnes, miúdos, ovos, leites e seus derivados. Proteínas de
origem vegetal como feijão e soja são complementares. Se houver alterações
de função renal, a dieta deve ser apropriada para a doença seguida as
mesmas diretrizes referentes ao adulto, usando até 0,6g de proteína por quilo
de peso. Já a quantidade de gordura é a mesma recomendada para adultos
saudáveis.

O cálcio é um micronutriente importante devido ao risco de osteoporose, a


recomendação de ingestão adequada para indivíduos saudáveis é de 1200mg
para homens e mulheres de 51 a 70 anos e acima de 70 anos. A vitamina D é
importante também para reduzir o risco de osteoporose. Deve-se ficar atento à
deficiência de vitamina D em pacientes com intolerância a lactose.

A ingestão inadequada de ferro pode ser associada à anemia, no entanto,


como afirmamos anteriormente, a prevalência em pessoas acima de 70 anos
de idade decorre em geral da incidência de doenças que causam perdas
sanguíneas, que devem ser investigadas.

A vitamina C é fácil de atingir a recomendação consumindo os alimentos-fonte


diariamente. O consumo diário de 2 frutas e 1 porção de verduras que sejam
fonte de vitamina C é suficiente para se alcançar a RDA do idoso.

A vitamina B12 pode ser prejudicada pela menor absorção da proteína ligante
de vitamina B12. Em idosos há alteração na absorção de proteína ligante de
B12, e em muitos casos causada por atrofia gástrica, que reduz a acidez
estomacal e possibilita a proliferação de bactérias.
O zinco é um micronutriente presente em várias enzimas importantes na
expressão gênica, na função imunológica e em várias funções fisiológicas.

No atendimento a pessoa idosa sugere-se uma visão multiprofissional. Além


disso, incentiva-se a realização de mais estudos sobre a temática a fim de
contribuir para a produção de conhecimentos que possam refletir em melhores
práticas de saúde no âmbito da atenção primária, com vistas a uma assistência
integral e resolutiva à pessoa idosa.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

PFRIMER, K.; FERRIOLI, E. Recomendações Nutricionais para idosos. In:


VITOLO, M. R. Nutrição: da Gestação ao Envelhecimento. 1ed. Rio de Janeiro:
Ed. Rubio, 2008. Capítulo 46.

BORREGO, C. C. H. Causas da má nutrição, sarcopenia e fragilidade em


idosos. Rev. Assoc. Bras. Nutr.: Vol.4, N.5, jan-jun 2012.

CLARES, J. W. B.; FREITAS, M. C. Diagnósticos de enfermagem do domínio


Nutrição identificados em idosos da comunidade. Rev. Eletr. Enf. [Internet].
2013 out/dez.

DISBIOSE
organismo humano precisa que os mecanismos de defesa estejam
funcionando de maneira eficaz. O intestino é um órgão extremamente
importante para o funcionamento do organismo humano, sob diversos
aspectos. Este órgão divide-se em duas partes, anatomicamente bastante
diferentes e com funções também diversas: o intestino delgado e o grosso,
também denominado cólon. Apesar das funções digestiva e absortiva serem as
mais difundidas deste órgão, o intestino desempenha também funções
hormonais, motora, nervosa e imune. Relacionada a esta última função está a
capacidade do intestino em, conjuntamente a todo o Sistema Imunológico,
evitar que agentes nocivos (são aqueles que podem trazer ou ocasionar danos
à saúde ou à integridade física), como o estresse fisiológico (que leva a
distúrbios transitórios ou a doenças graves) ou psicológico, os micro-
organismos patogênicos e os corpos estranhos, prejudiquem a saúde.

Disbiose é uma disfunção do intestino devido, entre outros fatores, ao


desequilíbrio quantitativo de diferentes micro-organismos (bactérias benéficas e
maléficas) que participam da microbiota intestinal. Quando a nossa microbiota
intestinal está saudável ela forma uma barreira contra micro-organismos
invasores, potencializando as defesas do hospedeiro (indivíduo) e estimulando
a resposta imune local. Além dessa função, ela também compete por
combustíveis no lúmen intestinal (interior do intestino), prevenindo o
estabelecimento das bactérias patogênicas (maléficas).

A aquisição da microbiota intestinal ocorre no primeiro ano de vida e é


influenciada por vários fatores, como a idade gestacional, o tipo de parto (parto
vaginal versus parto cesariano) e a dieta, tendo efeitos significantes sobre a
microbiota intestinal. Estudos indicam que os bebês adquirem a sua microbiota
inicial a partir da vagina e fezes da mãe. Devido a diferenças na composição
entre o leite humano e as fórmulas lácteas utilizadas para a alimentação de
lactentes (bebês), a composição da microbiota difere consideravelmente nos
lactentes alimentados com leite materno e naqueles alimentados com fórmulas,
sendo mais saudável naqueles que são amamentados no peito.

Outros fatores que levam o indivíduo a desenvolver disbiose podem estar


associados a carências de vitaminas (principalmente deficiência de B12)
através de uma alimentação pobre em nutrientes, com excesso de alimentos
industrializados, açúcar, gordura e com baixa ingestão de fibras; Estresse;
Intoxicação por agrotóxicos e metais pesados; Uso abusivo de álcool e cigarro;
Uso indiscriminado de certos fármacos, como antibióticos, anti-
inflamatórios, antiácidos e corticoides. A sucessão de maus tratos com o
intestino afeta o equilíbrio necessário para a microbiota, fazendo com que as
bactérias nocivas aumentem levando a uma situação de risco, pois algumas
dessas bactérias podem colonizar o intestino delgado e gerar uma má
absorção de nutrientes e combinações de toxinas com proteínas gerando
substâncias perigosas, gerando a então citada disbiose.

A microbiota benéfica ajuda a digerir os alimentos e a produzir substâncias


(ácidos graxos de cadeia curta e proteínas) que são parcialmente absorvidos e
utilizados pelo hospedeiro (indivíduo). Essa microbiota continua a digestão de
alguns materiais ou substâncias que resistiram à atividade digestiva anterior.
Nesse processo, vários nutrientes são formados como vitamina K, vitamina
B12, tiamina e riboflavina.

Um estudo realizado por Johnson e colaboradores em 2015, investigaram se a


suplementação dietética (outro método usado para modular a composição e
função do intestino) poderia ser usado para melhorar os efeitos secundários
dos antibióticos. O estudo foi realizado in vitro onde as bactérias anaeróbicas
foram tratadas com gentamicina e ampicilina. As culturas foram suplementadas
com pectina (fibra não fermentável), inulina (um prebiótico geralmente utilizado
que promove o crescimento de bactérias benéficas) ou não. Embora os
antibióticos neguem os efeitos benéficos da suplementação dietética, em certas
combinações de tratamento, notavelmente a ampicilina e a inulina, a
suplementação dietética melhoraram os efeitos dos antibióticos. Há assim, por
conseguinte o potencial para a utilização de suplementos para diminuir os
efeitos adversos dos antibióticos.

O diagnóstico da disbiose é realizado através de uma investigação de algumas


condições: história de constipação intestinal crônica, flatulência (gases) e
distensão abdominal, mudanças de humor, entre outros desconfortos. O
tratamento da disbiose consiste na abordagem dietética e medicamentosa. A
abordagem dietética se dá por meio da ingestão de alimentos que contenham
probióticos, prebióticos e/ou simbióticos. Em casos mais graves há a
necessidade de outras intervenções.

Os probióticos, micro-organismos vivos, em quantidades adequadas promovem


benefícios, os que se destacam são os grupos das Bifidobacterium e
os Lactobacillus. Já os prebióticos, são componentes alimentares não
digeríveis e também são benéficos por estimular seletivamente o crescimento
das bactérias desejáveis no cólon. Exemplos de prebióticos são fibras e amido
resistente, o qual resiste a digestão (por isso seu nome) no intestino delgado
chegando ao cólon e servindo de substrato (combustível) para a microbiota
intestinal, se comportando de forma parecida com as fibras. Os simbióticos são
combinações apropriadas de prebióticos e probióticos. Um produto simbiótico
exerce um efeito tanto prebiótico como probiótico.

O intestino é o melhor indicador para a avaliação da saúde de uma pessoa.


Cuidando melhor do sistema gastrointestinal, conseguimos melhorar o sistema
imunológico gerando assim mais qualidade de vida.

Escrito por:

Mariane Caroline Meuer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, et al. Disbiose intestinal. Rev Bras Nutr Clin 2009; 24 (1): 58-65.

BASSO, et al. Elevação dos níveis de amido resistente: efeito sobre a glicemia
e na aceitabilidade do alimento. Rev Inst Adolfo Lutz. 2011; 70(3):276-82
JOHNSON, et al. Prebiotics Modulate the Effects of Antibiotics on Gut Microbial
Diversity and Functioningin Vitro. Nutrients 2015, 7, 4480-4497.

DIRETRIZES MUNDIAIS DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE


GASTROENTEROLOGIA. Probióticos e prebióticos. 2011.

SANTOS, et al. PROBIÓTICOS: MICRORGANISMOS FUNCIONAIS. Ciência


Equatorial, v.1, n. 2, p. 26-38, 2011.

VANDENPLAS Y, VEEREMAN-WAUTERS G, DEGREEF E, et al. Probiotcs


and prebiotics in prevention and treatment of diseases in infants and children. J
Pediatr (Rio J) 2011; 87(4):292-300.

KOSIEWICZ MM, ZIRNHELD A L, ALARD P. Gut microbiota, immunity, and


disease: a complex relationship. www.frontiersin.org. Front Microbial 2011,
2:1-11.

LEY RE, PETERSON DA, GORDON JI. Ecological and evolutionary forces
shaping microbial diversity in the human intestine. Cell 2006; 124:837-848.

HARMSEN HJM, WILDEBOER-VELOO ACM, RAANGS GC et al. Analysis of


Intestinal Flora Development in Breast-Fed and Formula-Fed Infants by Using
Molecular Identification and Detection Methods. J Pediatr Gastroenterol
Nutr 2000; 30:61-7.

COMO MONTAR UMA LANCHEIRA


SAUDÁVEL

Atualmente que a obesidade infantil é um grande problema de saúde pública


não só no Brasil como a nível mundial. A prevalência da obesidade infantil vem
mostrando um rápido aumento nas últimas décadas em todo o mundo. Dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram os
resultados da POF 2008/2009 que apresentou o aumento de excesso de peso
e obesidade entre as crianças brasileiras.

O esquema alimentar correto torna possível o aporte de nutrientes necessários


ao crescimento e desenvolvimento adequando da criança. Contudo, várias
circunstâncias podem impossibilitar que isso ocorra: erros alimentares, mau
aproveitamento de nutrientes, hiperatividade, metabolismo individual e
depleção de reservas. Com isso é importante considerar que a alimentação é
imprescindível para prevenir as deficiências nutricionais.

Alguns fatores que interferem de forma negativa na alimentação dos escolares


são: omissão da refeição matinal ou desjejum incompleto; baixo consumo de
leite, hortaliças e frutas e excessiva ingestão de balas, doces e refrigerantes; e
seleção de alimentos a escolha da criança.

Deixar que a própria criança escolha o seu lanche não é a melhor opção, pois
pode resultar em escolhas alimentares erradas. Uma das estratégias para
tentar evitar isso é levar o lanche pronto de casa. Para isso é importante
principalmente organização e planejamento dos pais para o preparo das
refeições dos seus filhos.

A alimentação saudável deve proporcionar crescimento e desenvolvimento


adequados, otimizar o funcionamento do organismo e contribuir na prevenção
de doenças em curto e longo prazo. Somente uma alimentação variada e
colorida oferece à criança quantidade de vitaminas e nutrientes que ela
necessita, além de contribuir para evitar anorexia crônica e baixa ingestão de
energia. É importante sempre oferecer às crianças diferentes alimentos
estimulando o consumo diário de frutas, verduras e legumes em todas as
refeições.

A idade escolar é um período de atividade física intensa e de crescimento


constante, com ganho de peso mais acentuado próximo ao início da
adolescência. Observa-se também crescente independência da criança, sendo
o momento em que ela começa a formar novos laços sociais com indivíduos da
mesma idade. Essas transformações são decisivas para o aprendizado e o
estabelecimento de novos hábitos. A família e a escola desempenham uma
grande importância na manutenção da saúde física e psíquica da criança.

As práticas alimentares da criança hoje constituem um marco importante na


formação dos hábitos futuros. A alimentação adequada, em quantidade e
qualidade, oferece as crianças os nutrientes necessários para a manutenção
da saúde. Portanto, essa é uma fase que solicita dos pais uma atenção e
cuidado maior.

Tendo em vista a importância da alimentação na capacidade de desempenho


do aluno nas atividades, selecionamos abaixo algumas orientações do que
colocar ou não na lancheiras das crianças:

O que pode colocar na lancheira?

• Frutas;
• Sucos naturais;
• Água de coco;
• Bolachas e bolos integrais feito em casa;
• Sanduíche natural com pão integral;
• Iogurte natural ou batido com alguma fruta;
• Pudim de chia.

O que evitar colocar na lancheira?

• Sucos de caixinha;
• Refrigerante;
• Salgadinhos;
• Bolachas recheadas;
• Balas;
• Pirulitos;
• Chicletes;
• Chocolates.

Confira algumas sugestões para uma lancheira saudável:

Cupcake de banana sem glúten e sem lactose

Ingredientes:

• 2 bananas
• 3 ovos
• ½ xíc óleo vegetal
• 1 xíc de farinha de arroz
• ½ xíc açúcar mascavo
• 2 col de sopa de cacau em pó
• 1 col de sopa de fermento químico em pó
• ½ xíc de água
• Canela em pó a gosto
• Castanhas do Pará picadas a gosto

Modo de Preparo:

Juntar no liquidificador os ovos, as bananas, o açúcar e o óleo. Bata bem.


Acrescente aos poucos a farinha de arroz, o cacau e canela. Bata bem.
Colocar a água e bater novamente. Por último, acrescentar o fermento e as
castanhas, mexer devagar com o auxílio de uma colher. Colocar em forminhas
de cupcake e assar em forno pré-aquecido por 30-40 min ou até passar no
teste do palito.

Pudim de chia

Ingredientes:

• 2 col. de sopa de semente de chia


• 150 ml de leite vegetal (coco, amêndoas, aveia, arroz)
• Frutas de sua preferência (morango, banana, amora, manga, mamão,
entre outras)

Modo de Preparo:

Deixar as sementes de chia de molho com no leite vegetal por


aproximadamente 2 horas. Esperar as sementes incharem e ganhar
consistência. Na hora de servir picar e colocar a fruta escolhida.

Elaborado por Letícia Weber. Estagiária de Nutrição do Instituto Ana Paula


Pujol.

Referências:

VITOLO, M.R. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. – Rio de Janeiro: Ed.


Rubio, 2008.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para a alimentação do


lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola/Sociedade
Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia, 3ª. ed. Rio de Janeiro, RJ:
SBP, 2012. 148 p.

DOURADO, E.G. A importância da merenda escolar no cotidiano escolar.


Universidade Federal de Goiás. Faculdade de educação física. Goiânia-Go,
2013.

Pesquisa de Orçamentos Familiares (2008/2009). Instituto Brasileiro de


Geografia e Estatística (IBGE).

DIFERENÇA ENTRE OS TIPOS DE


CHOCOLATE
Muitos estudos em humanos e animais têm sugerido que o cacau e outros
nutrientes ricos em flavonoides podem ter efeitos protetores cardiovasculares.
Um corpo crescente de estudos demonstra os efeitos favoráveis do chocolate
70% cacau é rico em flavonoide, principalmente na doença da artéria coronária,
hipertensão, insuficiência cardíaca, hiperlipidemia, inflamação, estresse
oxidativo, resistência à insulina e funções das plaquetas através de vários
mecanismos.

Polifenois derivados de plantas têm sido considerados por muito tempo como
antioxidantes fisiológicos. Flavonois presentes na circulação e estruturas
vasculares podem aumentar a concentração vascular de NO (óxido nítrico) por
interferir em reações entre NO e superoxidos. A inibição da produção de
superóxido NADPH dependente, produção de NO através NOS e atividade
sequestradora contra os radicais superóxido, H2O2 e outros oxidantes
envolvidos em danos às células desempenham papeis críticos neste processo.

Flavonoides de cacau e procianidinas têm efeitos diretos sobre a expressão e a


atividade da eNOS e tem propriedades antioxidantes potentes. Polifenois do
cacau reduziu a oxidação de LDL. Em um estudo realizado por Serafini et al, as
melhorias na capacidade antioxidante total do plasma e níveis de epicatequina
no plasma foram observados após a ingestão de 100 g de chocolate escuro em
indivíduos saudáveis. Uma descoberta surpreendente foi que estes efeitos
foram marcadamente reduzidos quando o chocolate 70% cacau foi adicionado
de leite.

Mas você sabe a diferença entre os chocolates e qual é o melhor para sua
saúde? Vamos te ajudar a encontrar a resposta:

O chocolate amargo, ou mais conhecido como 70% cacau contém uma maior
concentração de cacau associada a menores teores de açúcar e gordura, além
de ser rico em flavonoides como já vimos anteriormente.

Já o chocolate branco é basicamente a manteiga de cacau misturado com leite


e açúcar, ou seja, riquíssimo em gordura.
O chocolate ao leite, leva em sua composição leite em pó ou leite condensado,
tornando-o mais doce e cremoso, porém com maiores teores de açúcar e
gordura.

Portanto na hora de escolher um chocolate, prefira sempre os mais amargos


(70% cacau para cima) que além de terem menos teores de açúcar e gordura,
serão ricos em flavonoides e auxiliaram na redução da compulsão alimentar,
evitando que você devore a barra inteira e fique com a consciência pesada.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

KANG, H. J.; SOH, Y.; KIM, M. S.; LEE, E. J.; SURH, Y. J; KIM, H. R., et al.
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transformed human breast epithelial cells. Int. J. Cancer 2003; 103:475-82.

FLAMMER AJ, HERMANN F, SUDANO I, SPIEKER L, HERMANN M,


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platelet reactivity. Circulation 2007;116:2376-82

SERAFINI M, BUGIANESI R, MAIANI G, VALTUENA S, DE SANTIS S,


CROZIER A. Plasma antioxidants from chocolate. Nature 2003;424:1013.

AKHANI SP, VISHWAKARMA SL, GOYAL RK. Anti-diabetic activity of Zingiber


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MAHMOUD RH, ELNOUR WA. Comparative evaluation of the efficacy of ginger


and orlistat on obesity management, pancreatic lipase and liver peroxisomal
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JANSSENS, et al. Acute Effects of Capsaicin on Energy Expenditure and Fat


Oxidation in Negative Energy Balance. PLOS ONE, July 2013, Volume 8.

ALIMENTOS TRANSGÊNICOS

Transgênico ou Organismos Geneticamente Modificados (OGM) são plantas,


animais ou micro-organismos cujo código genético foi mudado através da
transformação. Como o código genético é universal, isto é, idêntico para todos
os seres vivos, os genes transferidos de uma espécie para outra, vão produzir
as mesmas características que produziram na espécie doadora.

De acordo com a Organização Não-Governamental ESPLAR - Centro de


Pesquisa e Assessoria (2012), os transgênicos, são aqueles que tiveram genes
estranhos, de qualquer outro ser vivo inserido em seu código genético. O
processo consiste na transferência de um ou mais genes responsáveis por
determinada característica num organismo para outro organismo ao qual se
pretende incorporar esta característica.

Com essa tecnologia, é possível produzir plantas resistentes a pragas, adaptar


plantas para cultivo em terras inóspitas, adaptá-las a condições climáticas
adversas, enriquecer plantas alimentícias com nutrientes especiais, usar as
plantas como produtoras de substâncias para fins terapêuticos entre outras
possibilidades.
Entre os alimentos transgênicos, o exemplo mais comum é o do milho que
recebe o gene de uma bactéria para produzir uma substância que destrói o
sistema digestivo de uma praga de inseto, evitando, assim, o uso de
agrotóxicos.

Essas modificações começaram a ser feitas pelo Homem desde o início da


agricultura: há dez mil anos atrás as populações existentes utilizavam métodos
empíricos para melhorar geneticamente as plantações. Esses estudos foram
evoluindo ao longo dos anos até que o homem conseguiu descobrir novas
regras genéticas. Com essas descobertas começaram a utilizar métodos
racionais de melhoramento genético e não mais empíricos.

No entanto, a questão da inocuidade dos alimentos transgênicos faz parte de


uma discussão técnica que pede uma resposta experimental e científica aberta.
Ela está no centro de um debate internacional, cuja resolução envolve a saúde
dos consumidores, a economia dos produtores e a orientação política dos
governos.

Pesquisas alertam para as principais desvantagens do consumo de tais


produtos geneticamente modificados que são: aumento de alergias,
desenvolvimento de resistência bacteriana, com redução da eficácia de
remédios à base de antibióticos, e o aumento de resíduos tóxicos.

A inserção da tecnologia de GMO's no mercado acarreta debates polêmicos


que envolvem, desde implicações éticas a impactos socioeconômicos, uma vez
que pode possibilitar a reprogramação da vida, inclusive a do ser humano,
afetar a segurança alimentar da população, com reflexos imprevisíveis no
campo da saúde, afetar drasticamente o meio ambiente em que vivemos, com
a introdução de espécies invasoras e acentuando drástica diminuição na
biodiversidade e a intensificar os monopólios associados à produção de
alimentos, que estão adotando novas estratégias de apropriação dos
conhecimentos gerados, mediadas por acordos internacionais de propriedade
intelectual, e de acesso aos recursos genéticos, o que na prática implica no
patenteamento de formas de vida e no controle absoluto, por umas poucas
companhias, da produção de alimentos a nível mundial.
Os organismos geneticamente modificados (OGM), sobretudo as plantas
transgênicas – cujas pesquisas se encontram em estágios mais avançados,
quando comparadas com as conduzidas com animais – e seus derivados, vêm
suscitando muita polêmica, tanto em âmbito nacional como internacional, uma
vez que vários cientistas argumentam que as pesquisas com alimentos
modificados estão ainda em fase incipiente e defendem a necessidade de
estudos mais aprofundados para uma melhor avaliação das consequências, no
longo prazo, das manipulações genéticas, sobretudo no campo da agricultura.

Recentemente uma pesquisa realizada por cientistas e estudantes da


Universidade de Caen, na França, divulgou resultados alarmantes, que
trouxeram à tona a discussão sobre os possíveis efeitos dos OGM. Neste
estudo os ratos alimentados com alimentos transgênicos morreram antes do
previsto e desenvolveram câncer com mais frequência do que os outros
animais da espécie. O estudo mencionado comprovou uma mortalidade duas
ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com organismos geneticamente
modificados.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

SOUZA, J. V. S. Percepção dos consumidores do distrito federal sobre


alimentos transgênicos. 2013. 11f. Mestrado em Agronegócios - Universidade
de Brasília, Brasília – DF.

SANTOS, S. C. R. Avaliação do conteúdo alimentos transgênicos, nos livros de


biologia do ensino médio adotados pela rede pública no município de Cascavel
– PR em 2012. 41f. Monografia de Especialização. Universidade Tecnológica
Federal do Paraná, Medianeira – PR.
FARIAS, S. C. G. Percepção dos Alunos da Universidade do Rio de Janeiro
sobre a Produção e o Consumo de Transgênicos no Brasil. REDE - Revista
Eletrônica do Prodema, v.8, n.1, p. 84-94, abr. 2014.

SERALINI, G. et al. Long term toxicity of a Roundup herbicide and a Roundup-


tolerant genetically modified maize. Food and Chemical Toxicology. V. 50, n.
11, Nov. 2012, P. 4221–4231.

RECEITA DE SUCHÁ

Ingredientes:
• 1 xícara de infusão de chá de hibisco gelado
• 1 fatia de melancia
• 5 morangos
• Folhas de hortelã a gosto
• Cubos de gelo a gosto

Modo de Preparo:
• Bater tudo no liquidificador. Sirva em seguida.

Propriedades:
Hibisco:
O hibisco é um alimento funcional nos países da Ásia e a parte mais importante
se encontra nos cálices, utilizados mundialmente para a produção de bebidas,
alimentos, conservantes e antioxidantes. É uma planta pertencente à classe
das Dicotyledonae, família das Malváceas e gênero Hibiscus. Nativo do
continente africano encontra-se amplamente distribuído nas regiões tropicais e
subtropicais do globo terrestre. Muitas aplicações medicinais da planta têm sido
relatadas tais como, combate a hipertensão, redução dos níveis de colesterol e
prevenção de câncer (leucemia). É utilizado também como diurético, para
tratamento de desordens gastrointestinais e infecções hepáticas. Estudos
recentes têm mostrado ainda a presença de propriedades interessantes como
a atividade antioxidante e antimicrobiana desta planta. A Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da Portaria nº 519, de 1998, considera
que as flores do hibisco podem ser consumidas como chá, preparadas por
meio de infusão ou decocção.

Hortelã:
O gênero Mentha (Lamiaceae), conhecido como hortelãs, destaca-se pelo uso
culinário e de chás com efeito medicinal, sendo conhecido pelo seu sabor
característico e aroma refrescante. A espécie Mentha piperita L., chamada de
menta, hortelã-pimenta e peppermint (inglês) é uma planta produtora de óleo
essencial rico em mentol e flavonoides. O óleo é extraído das folhas semi-
secas, através da destilação a vapor. Atualmente, existe um interesse
crescente entre os cientistas e pesquisadores para a preparação de novos
medicamentos derivados de plantas medicinais. Ao mesmo tempo, o seu
interesse é em caules e folhas para isolar e identificar alguns compostos
bioativos da planta que podem ser utilizados como um medicamento para o
tratamento de doenças.

A hortelã-pimenta é uma associação natural principalmente para o tratamento


da síndrome funcional espástica do abdômen superior, já que reúnem as
atividades espasmolítica, colagoga, carminativa e antibacteriana, podendo ser
usada sozinha ou em associação com outros agentes terapêuticos com ação
sobre o estômago e o intestino, representando assim, um agente curativo
vegetal comprovado. É especialmente indicada quando ocorrem náuseas e
vômitos, bem como dores espásticas como sintomas principais. Deve-se ter
cuidado quando há muita acidificação do estômago, que pode ser intensificada
pela hortelã-pimenta.

Morango:
A importância das frutas na alimentação está amplamente documentada na
literatura, tendo sido um dos principais aspectos na diferenciação das dietas de
populações com menor risco ou incidência de doenças crônicas. Em algumas
frutas, encontram-se as antocianinas, uma classe de polifenois vermelhos,
roxos ou azuis que conferem pigmentação aos morangos, frutas do bosque,
ameixas e uvas. Nos morangos, além das antocianinas, as elagitaninas
compõem o segundo maior grupo de polifenois. O morango (Fragaria x
ananassa Duch.) é um fruto de consumo humano frequente, apresenta ampla
aceitação pela população brasileira e, graças ao desenvolvimento de novas
variedades, pode ser produzido o ano inteiro. Ao lado de cor e sabor atrativos,
o morango é também uma boa fonte de vitamina C e outros compostos
antioxidantes, tais como flavonoides e outros fenólicos. Além disso, a
composição em flavonoides do morango, caracterizada pelo alto teor de
antocianinas, e a presença de derivados de ácido elágico, compostos com alto
teor potencial biológico e distribuição mais limitada, o torna especialmente
interessante.
Consuma morangos orgânicos!

Elaborado por Letícia Weber. Estagiária de Nutrição do Instituto Ana Paula


Pujol.

Referências:
VICENTE, J.; NASCIMENTO, K.O.; SALDANHA, T.; BARBOSA, M.I.M.J.;
JÚNIOR, J.L.B. Composição química, aspectos microbiológicos e nutricionais
de geleias de carambola e de hibisco orgânicas. Revista Verde de
Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. v 9, n. 3 , p. 137 - 143, jul-set,
2014.
MACIEL, M.J.; PAIM, M.P.; CARVALHO, H.H.C.; WIEST, J.M. Avaliação do
extrato alcoólico de hibisco (Hibiscus sabdariffa L.) como fator de proteção
antibacteriana e antioxidante. Rev. Inst. Adolfo Lutz. 2012; 71(3): 462-70.
BLANK A.F.; OLIVEIRA A.S.; ARRIGONI-BLANK MF; FAQUIN V. 2006. Efeitos
da adubação química e da calagem na nutrição de melissa e hortelã-pimenta.
Horticultura Brasileira, v. 24, n. 2, abr.-jun. p. 195-198, 2006.
NEUWIRTH, A.; CHAVES, A.L.R.; BETTEGA, J.M.R. Propriedades dos óleos
essenciais de cipreste, lavanda e hortelã-pimenta. Artigo Científico – Curso de
Tecnologia em Cosmetologia e Estética, Universidade do Vale do Itajaí. p.1-13,
Santa Catarina, 2008.
HOSSAIN, M.A.; AL-HDHRAMI, S.S. WELI, A.M. AL-RIYAMI, Q.; ALSABAHI,
J.N. Isolation, fractionation and identification of chemical constituents from the
leaves crude extracts of Mentha piperita L grown in Sultanate of Oman. Asian
Pacific Journal of Tropical Biomedicine. 2014; 4 (Suppl 1): S368-S372.
COSTA, N.M.B.; ROSA, C.O.B. Alimentos Funcionais: Componentes bioativos
e efeitos fisiológicos. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2010.
PINTO, M.S. Compostos bioativos de cultivares brasileiras de morango
(Fragaria x ananassa Duch.): caracterização e estudo da biodisponibilidade dos
derivados de ácido elágico [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo,
Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Programa de Pós-graduação em
Ciência dos Alimentos; 2008.
FINTELMANN,V.; WEISS, R.F.; Manual de Fitoterapia. 11º ed. Rio de Janeiro,
RJ: Guanabara Koogan, 2010.

ALIMENTAÇÃO X LIBIDO

Existe uma grande polêmica em torno dos afrodisíacos. De um lado estão


aqueles que acreditam no seu papel fisiológico e do outro os que acham que
não passam de mero “efeito psicológico”. Embora algumas virtudes dos
afrodisíacos ainda não sejam comprovadas cientificamente, muitos estudos
vêm sendo feitos na busca de explicações convincentes para os efeitos que
determinados alimentos exercem sobre o organismo humano.
Existem alimentos que podem promover o controle de hormônios
sexuais/prazer, aumentam a vasodilatação e favorecem a saúde dos óvulos e
espermatozoides.

Entre esses hormônios podemos citar a serotonina, a qual tem produção no


trato gastrointestinal, neurônios serotoninérgicos, glândula pineal e pode estar
ao redor dos vasos sanguíneos. A serotonina está envolvida em diferentes
funções, incluindo a regulação do sono, do apetite, da temperatura corporal, da
ansiedade, da atividade motora, do ritmo biológico, da aprendizagem e da
memória. Como precursor da serotonina temos o triptofano que pode ser
encontrado em alimentos como a banana, abacaxi, abacate e em especial nas
oleaginosas. A serotonina é dependente de Vitamina B6, C e ácido fólico.
Outro hormônio que podemos citar é a ocitocina a qual tem o papel de
melhorar a libido, a vasodilatação, a potência sexual, aumentar o prazer.
Estudos realizados em humanos mostraram que nos homens a ocitocina pode
ser encontrada no corpo cavernoso e epidídimo do pênis indicando que a
ligação dela nesta região pode afetar a contratilidade e posteriormente a
ejaculação. Os níveis plasmáticos deste hormônio podem aumentar durante as
relações sexuais no orgasmo, principalmente nos homens.

Confira abaixo alguns alimentos que podem ser introduzidos na dieta e que
agem nos hormônios favorecendo a libido:

Frutos do mar: Por serem ricos em zinco, os frutos do mar, principalmente as


ostras, auxiliam na produção de testosterona e esperma, aumentando o desejo
e fertilidade naturalmente.

Ovos de codorna: É fonte natural de testosterona. Excelente para as pessoas


que apresentam queda desse hormônio.

Licopeno: Além de proteger contra o câncer de próstata, o licopeno melhora a


fertilidade em homens. Dica: para a ativação desse nutriente o ideal é aquecê-
lo e combinar com uma gordura boa (azeite de oliva).

Cacau: Os flavonois do cacau aumentam a formação de óxido nítrico


endotelial, promovendo a vasodilatação, e também aumenta o desejo sexual e
o prazer, por elevar os neurotransmissores do bem-estar.

Mel e própolis: É tão afrodisíaco que deu origem ao termo “Lua de mel”. É rico
em boro, mineral que auxilia na fertilidade e aumento de testosterona.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
VIGNOZZI, L.; FILIPPI, S.; LUCONI, M.; MORELLI, A.; MANCINA, R.; MARINI,
M.; VANNELLI, G. B.; GRANCHI, S.; ORLANDO, C.; GELMINI, S.; LEDDA, F.;
FORTI, G.; MAGGI, M. Oxytocin receptor is expressed in the penis and
mediates an estrogendependent smooth muscle contractility. Endocrinology. V.
145, p. 1823-1834, 2004.
NAVES, A. et al. Nutrição Clínica Funcional: Modulação Hormonal. São Paulo:
VP Editora, 2010

RELAÇÃO ENTRE O AUTISMO E O


CONSUMO DO GLÚTEN E CASEÍNA

O autismo é um distúrbio neurológico que afeta a capacidade


de comunicação do indivíduo, de socialização (estabelecer relacionamentos) e
de comportamento (responder apropriadamente ao ambiente).

Para que a criança seja diagnosticada como autista obrigatoriamente os


distúrbios devem se manifestar nos primeiros três anos de vida, nas áreas de
interação social, comunicação e interesses restritos, além de alteração nos
padrões de comportamento. O diagnóstico é feito por avaliação clínica
associada à aplicação de critérios diagnósticos específicos para autismo.

Existem diversos estudos com evidências sobre tratamentos psicossociais,


cognitivos e terapias, porém outro tratamento bastante discutido é em relação à
alimentação do paciente com Transtorno do espectro autista (TEA). A
frequente presença de sintomas gastrointestinais, alergias alimentares e de
peptídeos urinários têm sido relacionadas ao consumo de alimentos com glúten
e caseína.

Glúten é o termo utilizado para descrever frações proteicas encontradas no


trigo, centeio, cevada, aveia e malte e em seus derivados. A caseína é a
proteína de ocorrência natural e mais abundante do leite, dividida entre as
proteínas β-lactoglobulina, α-lactoalbumina, imunoglobulinas e albumina. Ainda
sem causa conhecida, esta desordem apresenta anormalidades no controle
motor e emocional do ser humano. Além desta anormalidade, observa-se
também, alterações metabólicas direcionadas para a importância de alguns
nutrientes da alimentação do paciente autista.

A dieta sem glúten e sem caseína (SGSC) é proposta por PANKSEPP,


baseada na “Teoria do Excesso de Opioides”, que sugere o desencadeamento
da ação opioide no Sistema Nervoso Central (SNC), pela presença de
peptídeos, por meio de uma permeabilidade intestinal existente e possível
infiltração pela barreira hematoencefálica. Como resultado, observam-se
comportamentos ou atividades anormais.

A integridade da parede intestinal desempenha um papel importante na


absorção de nutrientes, bloqueio de toxinas, bactérias, alérgenos e peptídeos
provenientes de alimentos que podem ser prejudiciais e, ao entrarem na
circulação sistêmica, produzem uma anormalidade na conduta descrita no
autismo.

O sistema opioide é formado por um conjunto de receptores e peptídeos


endógenos que estão distribuídos no SNC, e por tecidos periféricos, como
sistema imune, cardiovascular, endócrino e digestivo. Este sistema regula
diversas respostas fisiológicas, níveis de ansiedade e depressão, sistema
locomotor e comportamental. Algumas proteínas contidas em alimentos, como
no leite e trigo, apresentam quantidade significativa de peptídeos ativos,
denominados peptídeos opioides.

A intervenção dietética como uma ferramenta para manter e melhorar a saúde


física e bem-estar é um tópico amplamente estudado e discutido. Especulações
de que a dieta pode afetar de forma semelhante à saúde mental e o bem-estar
particularmente em casos de sintomatologia psiquiátrica e comportamental
abre várias vertentes para potencialmente melhorar a qualidade de vida.

Evidências sugerem que uma dieta livre de glúten (GF), livre de caseína (CF),
ou livre da combinação glúten e caseína (FBCF) podem melhorar sintomas
centrais e periféricos e melhorar os resultados do desenvolvimento em alguns
casos de condições do espectro do autismo. Embora não seja totalmente
afirmativo, a maioria dos estudos publicados indicam mudanças positivas,
estatisticamente significativas, para a apresentação dos sintomas seguintes a
intervenção dietética.

O uso de uma dieta livre de glúten e caseína carrega uma série de riscos
potenciais. Evidências sugerem que os efeitos da intervenção dietética pode
em grande parte ser evidentes durante o primeiro ano de intervenção, mas
parece haver uma necessidade para a continuidade da dieta por muito mais
tempo.

Enquanto potenciais deficiências nutricionais em autistas são uma das


principais causas de preocupação - por exemplo, a ingestão de cálcio na
sequência da exclusão de produtos lácteos - as investigações limitadas
concluídas até agora sugerem que, com o apoio adequado, a ingestão dietética
não precisa ser negativamente afetada pela introdução de tal dieta.

Como acontece com qualquer possível intervenção para autistas, é necessário


se pensar bem e verificar a real "necessidade" de uma tal intervenção, ao
contrário de condições mais tradicionais em que tais intervenções dietéticas
são empregadas, pessoas com autismo pode não ser capaz de entender
facilmente por que uma dieta está sendo usada ou comunicar qualquer
preferência sobre a sua aplicação ou não.

Na verdade, alimentos e padrões de alimentação estabelecidos podem ser


grande fonte de conforto, estabilidade, rotina e facilidade de se lidar com o
paciente autista; O uso de uma dieta livre de glúten e caseína, provavelmente,
pode perturbar algumas pessoas com autismo especialmente durante os
primeiros dias da intervenção. Em tais casos, é necessário um grande cuidado
de envolver todas as pessoas potencialmente afetadas por essas mudanças na
dieta (o indivíduo, a família, a escola, o serviços de apoio, entre outros) para
assegurar um acompanhamento adequado que respeita a eficácia e a
segurança.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P


Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

WHITELEY, P. et al. The ScanBrit randomised, controlled, single-blind study of


a gluten- and casein-free dietary intervention for children with autism spectrum
disorders. Nutr Neurosci, v. 13, n. 2, p. 87-100, abr., 2010.

WHITELEY, P. et al. Gluten- and casein-free dietary intervention for autism


spectrum conditions. Front Hum Neurosci. 2012; 6: 344.

PRODUTOS ALIMENTÍCIOS X
ALIMENTOS

Você sabe a diferença entre alimento e produtos alimentícios? Confira abaixo e


faça melhores escolhas alimentares.

Alimentos in natura ou minimente processados:

Alimentos in natura são obtidos diretamente de plantas ou de animais e não


sofrem qualquer alteração após deixar a natureza.

Alimentos minimamente processados correspondem a alimentos in natura que


foram submetidos a processos de limpeza, remoção de partes não comestíveis
ou indesejáveis, fracionamento, moagem, secagem, fermentação,
pasteurização, refrigeração, congelamento e processos similares que não
envolvam agregação de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias ao
alimento original.

Exemplos: Legumes, verduras, frutas, batata, mandioca e outras raízes e


tubérculos in natura ou embalados, fracionados, refrigerados ou congelados;
arroz branco, integral ou parboilizado, a granel ou embalado; milho em grão ou
na espiga, grãos de trigo e de outros cereais; feijão de todas as cores, lentilhas,
grão de bico e outras leguminosas; cogumelos frescos ou secos; frutas secas,
sucos de frutas e sucos de frutas pasteurizados e sem adição de açúcar ou
outras substâncias; castanhas, nozes, amendoim e outras oleaginosas sem sal
ou açúcar; cravo, canela, especiarias em geral e ervas frescas ou secas;
farinhas de mandioca, de milho ou de trigo e macarrão ou massas frescas ou
secas feitas com essas farinhas e água; carnes de gado, de porco e de aves e
pescados frescos, resfriados ou congelados; leite pasteurizado,
ultrapasteurizado (‘longa vida’) ou em pó, iogurte (sem adição de açúcar); ovos;
chá, café, e água potável.

Produtos prontos para o consumo processados:

Produtos processados são fabricados pela indústria com a adição de sal ou


açúcar em alimentos para torná-los duráveis e mais palatáveis e atraentes. São
produtos derivados diretamente de alimentos e são reconhecidos como
versões dos alimentos originais. São usualmente consumidos com alimentos,
como parte de refeições, mas podem também ser consumidos com outros
produtos prontos para consumo, na forma de “lanches” ou como alternativa a
refeições baseadas em alimentos.

Exemplos: Alimentos em geral preservados em salmoura ou em solução de sal


e vinagre (cenoura, pepino, ervilhas, palmito, cebola, couve-flor); frutas
preservadas em açúcar (compotas de frutas e frutas cristalizadas); carnes
salgadas eventualmente defumadas como presunto, toucinho e carne seca;
peixes conservados em sal e sal e óleo e eventualmente defumados; queijos
feitos exclusivamente de leite, micro-organismos e sal; pães feitos de farinha
de trigo, leveduras, água e sal.

Produtos prontos para o consumo ultra processados:

Alimentos ultra processados são formulações industriais feitas inteiramente ou


majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras,
açúcar, amido, proteínas), derivadas de constituintes de alimentos (gorduras
hidrogenadas, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório com base em
matérias orgânicas como petróleo e carvão (corantes, aromatizantes,
realçadores de sabor e vários tipos de aditivos usados para dotar os produtos
de propriedades sensoriais atraentes). Técnicas de manufatura incluem
extrusão, moldagem, e pré-processamento por fritura ou cozimento.

Exemplos: Vários tipos de biscoitos, sorvetes, balas e guloseimas em geral,


cereais açucarados para o desjejum matinal, bolos e misturas para bolo, barras
de cereal, sopas, macarrão e temperos ‘instantâneos’, molhos, salgadinhos “de
pacote”, refrescos e refrigerantes, iogurtes e bebidas lácteas adoçadas e
aromatizados, bebidas energéticas, produtos congelados e prontos para
aquecimento como pratos de massas, pizzas, hambúrgueres e extratos de
carne de frango ou peixe empanado do tipo nuggets, salsichas e outros
embutidos, pães de forma, pães para hambúrguer ou hot dog, pães doces e
produtos panificados cujos ingredientes incluem substâncias como gordura
vegetal hidrogenada, açúcar, amido, soro de leite, emulsificantes e outros
aditivos.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS:

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2 ed.


Brasília – DF, 2014.

NUTRIGENÔMICA

O genótipo, que representa todos os genes de um indivíduo, mais a ação do


meio ambiente, é o fenótipo. O meio pode mudar ao longo do tempo, assim, a
sua ação sobre os genes também muda, resultando numa alteração do
fenótipo, conhecido como a variabilidade genotípica e fenotípica.
O impacto ambiental pode ser externo e/ou interno; o efeito externo é
determinado pela temperatura, quantidade de luz, umidade, quantidade de
gases de efeito estufa, pressão atmosférica, entre outros. O efeito interno é
determinado principalmente pela dieta. A dieta tem efeitos diferentes em
diferentes indivíduos e estudo destes efeitos conduziu ao desenvolvimento da
ciência como a genômica, o que levou o "genoma" que posteriormente levou à
"transcriptoma", os "proteômica" e "metabolômica" e que, juntos, aplicado a
nutrição é se tornou conhecida por "nutrigenômica".

A Nutrigenômica envolve a compreensão de como os componentes


alimentares afetam a expressão de genes, ou seja, que genes são induzidos ou
reprimidos frente para um determinado nutriente. A Nutrigenética é a
compreensão de como genes respondem frente uma dieta especial, tendo em
conta a variação da população e, especialmente individual. Neste ponto,
levando em conta o papel que o polimorfismo de nucleotídeo único e os efeitos
epigenéticos em segundo lugar, o que certamente influenciará em todos os
níveis, ou seja, transcriptômica, proteômica e metabolômica.

A Nutrigenômica nos permitir uma melhor compreensão de como a nutrição


influência as vias metabólicas e o controle homeostático. Macronutrientes,
micronutrientes e componentes bioativos que não são nutrientes (flavonoides,
polifenois, antioxidantes), podem participar em associação com fatores
endócrinos e parácrinos na regulação da expressão gênica em resposta a
mudanças na quantidade e/ou tipo de nutrientes da dieta consumida com
efeitos benéficos ou prejudiciais para à saúde.

Nutrigenômica e Obesidade

Em relação aos nutrientes regularem a expressão gênica, os ácidos graxos


podem exercer um efeito de regulação através do NF-kB. O EPA modula
diferencialmente a adipogênese e reduz o tamanho da gota de gordura nos
adipócitos, devido à diminuição da expressão de PPARγ e um aumento da
expressão do gene da enzima lipase, o que acelera mobilização de
triglicerídeos de adipócitos.
A deposição de gordura é acompanhada pelo aumento de biomarcadores para
a inflamação e estresse oxidativo, que por sua vez podem afetar a função do
tecido adiposo. Biomarcadores associados à obesidade podem ser úteis para a
identificação precoce de indivíduos suscetíveis a essa doença, bem como
predizer o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes.

Estes biomarcadores interagem com fatores de risco que podem se


desenvolver mais tarde, levando a manifestações de doenças
cardiovasculares. Assim, os biomarcadores envolvidos na obesidade e que
podem atuar como fator de risco para doenças cardiovasculares são ECA,
PADR, CRP, C3, GPx, HDL, IL-6, IL-18 LDL, oxLDL, PAI-1, PPAR-γ, O TNF-α ,
VCAM.

Nutrigenômica e Desordens cardiovasculares

Estudos epidemiológicos e prospectivos apontam os nutrientes e compostos


bioativos como importantes fatores modificáveis determinantes de doenças
crônicas, como as doenças cardiovasculares. Dentre estes nutrientes e
compostos bioativos moduladores do metabolismo lipídico destacam-se os
ácidos graxos essenciais e os polifenois.

Inúmeros trabalhos de pesquisa a respeito da interação entre ácidos graxos e


genes avaliam a família de PPAR (PPARα, PPARβ e PPARγ), os quais são
ativados por ácidos graxos de cadeia longa, com destaque para PPARα. A
PPARα regula genes envolvidos no metabolismo de lipídeos e glicose, bem
como no desencadeamento da aterosclerose, e são responsivos a ácidos
graxos de cadeia longa poli-insaturados, de modo especial aos ácidos graxos
essenciais.

Pesquisas envolvendo a interação entre genes e doenças cardiovasculares são


cada vez mais frequentes. Estas pesquisas significam um potencial para a
redução do risco de desordem cardiovascular em nível do genótipo individual.
Entretanto é essencial mais pesquisas para entender as limitações e superar
os desafios da complexidade das interações entre nutrientes e genes.
Nutrigenômica e Diabetes

Os polimorfismos genéticos associados ao diabetes DMT2 incluem genes que


participam dos metabolismos bioquímicos, regulatórios e sinais de transdução
do DNA, sendo capazes de produzir fenótipos associados com essa doença. A
via que liga a obesidade e resistência à insulina com a síndrome metabólica e
DMT2 representa um fenótipo progressivo.

A presença do polimorfismo de TNF-α -308 G/A foram associadas a uma


resposta mais favorável ao metabolismo da glicose após intervenção no estilo
de vida (consultas médicas periódicas, dieta saudável, atividade física e
redução estresse psicossocial) apesar de mudar de maneira não significativa a
adiposidade. Neste caso, a presença de polimorfismo produz uma resposta
positiva ao indivíduo.

A literatura descreve que certas variantes do gene da proteína associada à


obesidade e ao tecido adiposo (FTO) parecem estar correlacionadas com a
obesidade em seres humanos. Um estudo, publicado em 2009, avaliando a
variante FTO rs9939609 e dieta de baixo valor energético variando o conteúdo
de carboidratos e lipídeos mostraram que embora não tenham encontrado
nenhum efeito da variante de FTO rs9939609 na perda de peso, nem nas
diferentes combinações da dieta, os indivíduos com a variante FTO rs9939609
portadores do alelo A e dieta LF parecem ter um menor risco de abandono da
intervenção.

Nutrigenômica e Câncer

Câncer é uma doença de natureza multifatorial e complexa. Pesquisas sobre


os efeitos dos componentes alimentares e seus efeitos sobre o câncer tem
mostrado que estes podem potencialmente fornecer proteção em várias fases
durante o desenvolvimento do câncer.
Os efeitos da nutrição sobre a metilação do DNA e do papel dos eventos
epigenéticos na prevenção do câncer foram destacados na revisão de Manson
(2005). Estudos de prevenção do câncer têm mostrado que todas as principais
vias de sinalização desreguladas em diferentes tipos de câncer são afetadas
por nutrientes. As vias estudadas incluem: metabolismo carcinogênico, reparo
de DNA, proliferação celular/ apoptose, diferenciação, inflamação, desequilíbrio
da razão oxidante/antioxidante e angiogênese.

Até o momento, mais de 1000 diferentes tipos de fitoquímicos foram


identificados com atividades de prevenção de câncer. Com base em estudos
epidemiológicos, as dietas ricas em frutas e vegetais podem oferecer proteção
contra o desenvolvimento de câncer.

Componentes bioativos presentes nestes alimentos podem prevenir a


carcinogênese por vários mecanismos, tais como bloqueio de ativação
metabólica e do aumento de desintoxicação. Estudos in vitro e modelos pré-
clínicos têm demonstrado que muitos constituintes de alimentos de origem
vegetal como os flavonoides, quercetina, rutina e genisteína, fenois, curcumina,
epigalocatequina-3-galato e resveratrol, isotiocianatos, compostos de alil,
enxofre, indois e selênio, podem modular enzimas de desintoxicação.

Conclui-se, portanto, que componentes alimentares bioativos podem afetar


eventos celulares e moleculares que são importantes na prevenção do câncer.
Em um futuro próximo os estudos de componentes dietéticos, utilizando
sistemas modelo de tecido / célula podem ajudar a ter uma melhor
compreensão das inter-relações entre nutrigenética, epigenômica nutricional,
transcriptômica nutricional, proteômica e metabolômica. Como o avanço no
campo da nutrição molecular e a melhor compreensão das funções do genoma
humano, haverá uma maior compreensão de como os alimentos e seus
componentes influenciam o câncer.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P


Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

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ABACATE E SEUS BENEFÍCIOS

Uma alimentação equilibrada e saudável resulta em um ótimo nível de saúde e


nutrição. Estudos mostram que o consumo de dietas ricas em gorduras
monoinsaturadas (ácido oleico), em substituição a gorduras saturadas, exerce
seletivos efeitos fisiológicos sobre humanos, reduzindo os níveis de colesterol
total, de triglicerídios e de LDL (Low Density Lipoproteins), sem alterar a fração
HDL (High-Density Lipoprotein) do plasma.

A concentração de colesterol no plasma pode ser diminuída pela constante


ingestão de ácidos graxos poli-insaturados e redução de ácidos graxos
saturados da dieta. Em animais, os estudos apontam que a alimentação
hiperlipídica é um componente importante na etiologia da obesidade, já que
dietas hiperlipídicas comprovadamente levaram ao excesso de gordura
corporal em macacos, cães, suínos, esquilos, hamsters e ratos.

O abacate é uma das frutas que mais se destaca pela sua qualidade
nutricional. É rico em ácido oleico e b-sitosterol, uma gordura insaturada
utilizada como coadjuvante no tratamento de hiperlipidemias. Em um estudo,
realizado em 2002, com dieta enriquecida com 1,68 g de fitosterois por dia,
observou-se a redução da concentração de colesterol total e o LDL em 10 e
12%, respectivamente.

O fitoesterol é uma substância de origem vegetal cuja estrutura é muito similar


a do colesterol. São descritas numerosas propriedades fisiológicas para os
fitoesterois, sendo o efeito hipocolesterolêmico o melhor caracterizado e que se
observa em indivíduos alvo de moderada hipercolesterolemia. O mecanismo de
efeito do fitoesterol envolve a inibição intestinal de absorção do colesterol e
diminuição da síntese de colesterol hepático.
Em 100g do alimento podemos encontrar 96 Kcal, 1,2g de proteína, 8,4g
lipídeos, 6,0g carboidrato, 6,3g fibra alimentar e 8mg de cálcio, além de ser rico
em vitaminas do complexo B, e vitaminas A, C, E, minerais como potássio,
ferro e magnésio, confirmando o seu poder nutricional perante outras frutas.

Hu em 2003 observou efeitos benéficos do consumo de gordura


monoinsaturada de origem vegetal como óleos de oliva, canola, nozes e
abacate, com uma significante redução do risco de desenvolver doenças
cardiovasculares.

Em um estudo realizado por Salgado e colaboradores em 2008 foram


investigados os padrões hipercolesterolêmicos, em ratos Wistar, durante 30 e
60 dias de experimento. Ao final de 30 dias, a dieta com 15% de abacate
mostrou ser mais efetiva para reduzir os níveis de colesterol total e LDL e
aumentar o HDL em comparação ao controle. Foi observado que para o teor de
colesterol excretado a melhor dieta foi a de 25% de abacate, pois quanto maior
a concentração de abacate, maior a excreção de colesterol. A dieta com 15% e
25% de abacate, foram as que mais influenciaram nos níveis de colesterol
hepático. Isso demonstra que a dieta tem papel fundamental na redução dos
níveis de colesterol.

Que tal uma receitinha com abacate?

Receita:

Maionese de abacate

Ingredientes:

- 1 abacate
- 1 dente de alho
- ½ limão
- 1 punhado de manjericão

Modo de Preparo:
Amasse o abacate e o dente de alho. Misture o manjericão picadinho e
adicione o limão.

REFERÊNCIAS

LOTEMBERG, A.M.P. Eficiência dos ésteres de fitoesteróis alimentares na


redução dos lipídios plasmáticos em hipercolesterolêmicos moderados.
Arquivos Brasileiros de cardiologia, 2002.

SOUZA, J. S. Efeitos da adição do abacate na alimentação de ratos wistar.


Caderno de Ciências Biológicas e da Saúde, n. 01, 2013.

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TACO – Tabela Brasileira de Composição de Alimentos 4a. edição revisada e


ampliada, 2011.

RECEITA - MAIONESE DE ABACATE

Ingredientes:

- 1 abacate maduro;

- Suco de 1 limão;
- Salsinha a gosto;

- 2 colheres de sopa de azeite de oliva;

- 2 dentes de alho;

- ¼ de cebola.

Modo de preparo: Bata tudo no liquidificador e sirva gelado.

Abacate: É rico em ácido oleico e b-sitosterol, uma gordura insaturada. O


fitoesterol é uma substância de origem vegetal cuja estrutura é muito similar a
do colesterol. São descritas numerosas propriedades fisiológicas para os
fitoesterois, sendo o efeito hipocolesterolêmico o melhor caracterizado e que se
observa em indivíduos alvo de moderada hipercolesterolemia. O mecanismo de
efeito do fitoesterol envolve a inibição intestinal de absorção do colesterol e
diminuição da síntese de colesterol hepático.

Alho: Atualmente há na literatura diversas publicações que confirmam a


utilização do alho para o tratamento de desordens gastrointestinais, infecções
respiratórias, doenças de pele, tratamento de feridas, entre outros. Vários
estudos clínicos sugerem efeitos benéficos do consumo do alho como alimento,
ou mesmo o uso de diversos suplementos contendo princípios ativos derivados
do alho. O alho e seus derivados têm sido estudados devido aos seus efeitos
benéficos na saúde cardiovascular, com potencial hipocolesterolemiante, anti-
hipertensivo, antidiabético, antitrombótico e como agente adjuvante na redução
da hiper-homocisteinemia. Além de outros efeitos como antimicrobiano,
antioxidante, anticarcinogênico, antimutagênico, antiasmático, ação
imunomodulatória e efeito probiótico.

Azeite de oliva: O azeite de oliva é considerado um alimento funcional, que,


além de conter alto teor de ácidos graxos monoinsaturados (AGMI), o ácido
graxo oleico, apresenta muitos componentes com propriedades biológicas.
Evidências científicas têm confirmado o papel benéfico das dietas com teor
relativamente alto de AGMI sobre os fatores de risco para doenças
cardiovasculares, obesidade e diabetes mellitus.

Cebola: É uma das principais fontes de flavonoides e compostos sulfurados da


alimentação. Apresentam dois diferentes flavonoides em sua composição, a
quercetina 4-O-betaglicosídio (Q4G) e a quercetina 3,4-O-betaglicosídio (Q3,
4G). A quercetina é um composto flavonoide do grupo flavonois. Possui um
potente poder antioxidante que parece aumentar a atividade enzimática e atua
na atividade anti-inflamatória. A absorção da quercetina da cebola, quando
comparada com a quercetina da maçã, é cerca de 30% maior, o que pode ser
explicado pelo componente de açúcares presentes na molécula da cebola.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

LOTEMBERG, A.M.P. Eficiência dos ésteres de fitoesterois alimentares na


redução dos lipídios plasmáticos em hipercolesterolêmicos moderados.
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SEIXAS, D. Compostos Bioativos dos Alimentos: Coleção Nutrição Clínica


Funcional. São Paulo: VP editora, 2015.
PROTEÍNA VEGETAL X PROTEÍNA
ANIMAL

As proteínas são consideradas um macronutriente importante para o ser


humano. É o material de construção que consiste a estrutura básica do nosso
corpo, possuem papel importantíssimo de construção e manutenção dos
tecidos, atuam como enzimas, ajudam na coagulação do sangue, no sistema
imunológico, na construção e reparo do DNA, além de realizar muitas outras
funções. O interesse no potencial de utilização das proteínas a partir de fontes
de biomassa subutilizado tais como farinhas e leguminosas, tem aumentado
nos últimos anos.

Os valores nutricionais de proteínas diferem substancialmente, dependendo de


sua composição de aminoácidos e digestibilidade. Com efeito, o valor nutritivo
ou de qualidade de proteínas estruturalmente diferentes é variável e é regulada
pela composição de aminoácidos, proporção de aminoácidos essenciais, a
susceptibilidade à hidrólise durante a digestão, pureza e efeitos de
processamento, tais como o tratamento térmico.

No entanto, existe uma necessidade crescente para substituir proteínas


animais com proteína vegetal, por causa do aumento do custo e fornecimento
limitado de proteínas de origem animal. Uma vez que o farelo de arroz é uma
fonte de proteína nutricional econômico e está disponível em grandes
quantidades, os seus isolados de proteína podia ser usado como novas fontes
de proteína de valor nutricional e econômico.

Em um estudo comparando a proteína de arroz (RBP) com a proteína animal e


mostrou que a qualidade nutricional da RBP foi superior em comparação com
outras proteínas de origem vegetal, mas a disponibilidade biológica de RBP é
ainda mais baixa do que a de fontes de proteína animal. Mostrou também que
a digestibilidade verdadeira de RBP (94,8%) foi significativamente mais elevada
do que a da proteína do endosperma do arroz (REP) (90,8%), proteína de soja
(ISP) (91,7%) e Whey Protein (WPI) (92,8%) e a mesma que a da caseína.
Pontuação de aminoácidos corrigida e digestibilidade da proteína (PDCAAS) da
RBP foi de 0,90. Estes resultados sugerem que a proteína do farelo de arroz
parece ser uma fonte de proteína promissora com bons valores biológicos e
digestibilidade.

Um estudo publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition


(2015) demonstrou que a suplementação de proteína pode exacerbar possíveis
adaptações induzidas pelo treinamento de resistência. O consumo de proteína
de ervilha promove ganhos de espessura bíceps braquial e, especialmente, em
iniciantes ou pessoas que regressam ao treinamento com pesos. Esta
superioridade estatística em comparação com o placebo e os resultados
comparáveis com os obtidos da ingestão de Whey Protein faz da proteína de
ervilha uma alternativa aos produtos alimentares à base de soro de leite para
atletas de diferentes níveis e esportes. Tais proteínas também devem ser de
uso interessante em outras populações, como idosos para retardar o processo
de envelhecimento e manter a massa muscular.

Em outro estudo publicado no Nutrition Journal de 2013, analisaram 24


indivíduos, do sexo masculino, treinados em resistência, em idade universitária.
Foram aleatoriamente divididos igualmente em dois grupos, que consumiram
48 g de arroz ou de proteína de soro isolado (isocalóricas e isonitrogenadas)
em dias de treino, durante 8 semanas. Os resultados obtidos foram que não
houve diferenças detectáveis presentes na pontuação psicométricas da
percepção de recuperação, dor, ou a prontidão para treinar (p> 0,05). Efeitos
temporais significativas foram observados com o aumento da massa magra,
massa muscular, força e poder e redução de massa gorda diminuiu; No
entanto, nenhuma condição por interações do tempo foi observada (p> 0,05).
Os resultados sugerem então que ambas as proteínas, soro de leite e proteína
de arroz isoladas, administradas após exercício de resistência melhoraram os
índices de composição corporal e desempenho do exercício; No entanto, não
houve diferença entre os dois grupos.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719
REFERÊNCIA
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CONSUMO DE CARNE VERMELHA

No Brasil, o câncer em geral configura-se como problema de saúde pública de


dimensões nacionais. Com o aumento da expectativa de vida do povo brasileiro
e com a progressiva industrialização e globalização, as neoplasias ganharam
importância crescente no perfil de mortalidade do país, ocupando o segundo
lugar de causa de óbito. O câncer color-retal encontra-se entre os cinco
primeiros cânceres mais frequentes e sua incidência não é homogênea em
todo o país, prevalente nas regiões Sul e Sudeste, particularmente nos Estados
de São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

O câncer de cólon e reto (CCR) envolve os tumores malignos localizados no


intestino grosso formado pelo cólon, reto e ânus, é uma doença tratável e
curável quando não apresenta metástases para outros órgãos. Os fatores de
risco tendentes ao desenvolvimento de CCR incluem: história familiar de CCR,
dieta baseada em gorduras animais, baixa ingestão de frutas, vegetais e
cereais integrais; assim como, etilismo, tabagismo, obesidade e sedentarismo.

Um aspecto desfavorável ao CCR trata-se do seu desenvolvimento silencioso e


o seu diagnóstico tardio, devido ao longo período em que as lesões e o tumor
permanecem assintomáticos. Geralmente, quando a localização da neoplasia
situa-se no cólon direito, mais tardio será o surgimento dos primeiros sintomas.

Estudos experimentais e epidemiológicos têm demonstrado uma associação


entre a nutrição e os alimentos no risco de câncer colorretal. Evidências
científicas têm sido avaliadas e sumarizadas em recomendações por diferentes
grupos de especialistas, nas quais concluíram que o consumo de carne
vermelha está relacionado ao aumento do risco de câncer color-retal.

A constatação de que o consumo elevado de carne vermelha, mas não de


frango ou peixe, pode estar associado com um risco aumentado de câncer de
cólon foi primeiramente relatada em estudos prospectivos em 1990.

Há evidências da associação entre consumo excessivo de carne vermelha e


processada e DCV, diabetes, câncer de cólon e reto, ganho de peso, infarto e
maior risco de mortalidade, possivelmente devido a seus altos teores de ferro,
gorduras saturadas, colesterol e substâncias potencialmente carcinogênicas
formadas no preparo culinário, como as aminas heterocíclicas e
hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, além de sódio e nitritos, adicionados
nas carnes processadas.

Estudos recentes demonstraram associações entre a ingestão de carne


vermelha e o aumento do risco para CCR em 28% a 35%. As evidências
indicam a carne vermelha e a carne processada como fatores de risco para o
desenvolvimento de pólipos e CCR.

Na Irlanda, o alto consumo de carne vermelha e processada foi associado com


menor ingestão de frutas e hortaliças, cereais integrais e peixes, e maior
consumo de refrigerantes. Em mulheres japonesas, o maior consumo de carne
vermelha em relação à carne branca foi negativamente relacionado com
consumo de frutas, hortaliças e leite, e positivamente associado com
refrigerante, óleos e gorduras. O World Cancer Research Fund recomenda um
consumo máximo de 500g/semana de carne vermelha e processada.

A carne é uma fonte primária de proteína, rica em vários minerais e vitaminas,


e um fornecedor de gordura. Há vários mecanismos possíveis para explicar os
efeitos cancerígenos de carne.

Primeiro, o ferro heme na carne vermelha tem mostrado relação com o


aumento dos compostos endógenos N-nitrosos (NOCs) conhecidas como
multisite cancerígenos. O ferro heme também pode induzir danos no DNA, o
qual está envolvido na carcinogênese, e catalisam a formação de aldeídos
citotóxicos e genotóxicos.

Além disso, NOCs são produzidas quando a carne é processada, levando ao


aumento do risco de câncer. Em segundo lugar, os compostos cancerígenos
como aminas heterocíclicas (HCAs) e os hidrocarbonetos aromáticos
policíclicos (HAP) se formam durante o cozimento da carne a uma temperatura
elevada ou em chama aberta. Em terceiro lugar, o consumo elevado de
gorduras totais e saturadas em carne tem sido sugerida para aumentar o risco
de CCR, aumentando a excreção de ácidos biliares, os produtos das quais têm
sido mostrados para promover a carcinogênese.

Um estudo publicado em 2013 possui resultados que apontam que há uma


baixa ingestão de alimentos considerados protetores contra o CCR, como
cereais integrais, hortaliças, frutas, legumes e peixe. Dessa forma, é
necessário desenvolver políticas públicas para conscientizar a população sobre
os fatores de risco associados ao desenvolvimento do CCR, tornando-se
imprescindível a atuação do nutricionista.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

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PROBIÓTICOS

A relevância da composição e da função da microbiota gastrointestinal (GI) foi


negligenciada durante muito tempo. A flora GI, ou microbiota GI, de um adulto
consiste em mais de 1.000 espécies. Microbiota se refere a uma população de
organismos microscópicos que habitam um órgão do corpo ou uma parte do
corpo de uma pessoa. Microbioma humano se refere a uma única população
inteira de micro-organismos, e os seus elementos genéticos completos, que
habitam o corpo de um indivíduo. Um adulto possui um trilhão de bactérias no
intestino, ou seja, 10 a 100 vezes mais bactérias do que suas próprias células
humanas. Porém, no nascimento, o trato GI é estéril.

A presença de bactérias no intestino é obrigatória para o desenvolvimento de


diversas funções do trato GI. Se os animais viverem em um ambiente estéril, o
movimento de peristalse não se desenvolve adequadamente. Em outras
palavras, na ausência da microbiota intestinal, a função motora do intestino é
comprometida. As bactérias são necessárias para o desenvolvimento do tecido
linfoide associado ao intestino.

A microbiota intestinal é um dos principais determinantes do desenvolvimento


do sistema de defesa da mucosa intestinal. Acredita-se que a ocorrência de
muitas doenças, tanto intestinais quanto não intestinais, possa estar
relacionada a desregulações ou interferências no desenvolvimento inicial do
sistema de defesa da mucosa intestinal. Essas doenças podem ser atópicas ou
autoimunes. Embora a predisposição genética seja o principal fator
determinante, a microbiota GI tem um papel fundamental. Os produtos da
decomposição provenientes da dieta, tais como nucleóticos e oligossacarídeos,
e as bactérias intestinais orientam o amadurecimento dos linfócitos T, que são
necessários para o desenvolvimento do sistema imunológico, tanto do
adquirido quanto do inato.

A microbiota residual é considerada potencialmente patogênica e é mantida em


níveis mais baixos, graças à ação inibitória exercida pelas bactérias não
patogênicas como Bifidobactérias e Lactobacillus. No funcionamento ótimo do
intestino, as bactérias que são patogênicas coexistem com as bactérias
benéficas e as duas populações se equilibram.

O termo probiótico deriva do grego e significa “pró-vida”, sendo o antônimo de


antibiótico, que significa “contra a vida”. Probióticos são definidos como
microrganismos vivos administrados em quantidades adequadas que promove
benefícios a saúde do hospedeiro, favorecendo no equilíbrio microbiano
intestinal. Entre os diversos gêneros que integram este grupo destacam se
oBifidobacterium e Lactobacillus que têm sido os probióticos mais utilizados em
alimentos com alegação de propriedades funcionais e ou de saúde.

O uso de organismos probióticos surgiu no Oriente médio, onde médicos


prescreviam que iogurtes e outros fermentados serviam como terapia para
infecções do trato gastrintestinal e também como estimulante para o apetite.

Os probióticos, assim como os prebióticos, enquadram-se no conceito de


alimentos funcionais. O conceito diz que alimento funcional é aquele que além
de fornecer a nutrição básica, promove a saúde do hospedeiro. A classificação
de um alimento funcional pode ser dada de acordo com o alimento em si ou
conforme a presença de componentes bioativos presentes neles, como
exemplo probióticos.

Os probióticos devem ser inócuos, manter-se viáveis por longo tempo durante
a estocagem e transporte, tolerar o baixo pH do suco gástrico e resistir à ação
da bile e das secreções pancreática e intestinal, não transportar genes
transmissores de resistência a antibióticos e possuir propriedades anti-
mutagênicas e anticarcinogênicas, assim como resistir a fagos e ao oxigênio.
O modo de ação dos probióticos não foi ainda completamente esclarecido,
embora tenham sido sugeridos vários processos que podem atuar
independentemente ou associados. Um deles é a exclusão competitiva, em que
o probiótico competiria com os patógenos por sítios de fixação e nutrientes,
impedindo sua ação transitoriamente.

Seus efeitos anti-carcinogênicos podem ser atribuídos à inibição de enzimas


pro-carcinogênicas ou a estimulação do sistema imunitário do hospedeiro. A
administração de Lactobacillus caseifoi relacionada com a indução de uma
resposta antitumoral mediada por células T e a ativação de macrófagos, assim
como a supressão da formação de tumores de cólon em camundongos e a
inibição de metástases pulmonares.

Em um estudo publicado em 2011 pela revista Brazilian Journal of


Otorhinolaryngology foi encontrado que que os probióticos, Lactobacillus e
Bifidobacterium, parecem prevenir as recorrências alérgicas, aliviar a
severidade dos sintomas e promover melhora da qualidade de vida dos
pacientes com rinite alérgica. Estes efeitos ocorrem devido à modulação do
sistema imunológico através da indução da produção de citocinas que
promovem uma resposta TH1 dominante em alérgicos, através do efeito da
modulação no balanço TH1/TH2.

A partir das propriedades e efeitos de suas bactérias constituintes, a microbiota


intestinal realiza três funções vitais para a sobrevivência dos seres humanos:

Função antibacteriana: As bactérias autóctones exercem proteção ecológica


intestinal, impedindo o estabelecimento das bactérias patogênicas. O
mecanismo principal desempenhado pela microflora é conhecido como
resistência à colonização pelo efeito barreira. Esta barreira mecânica à
colonização ocorre pela ocupação dos sítios de adesão celulares da
mucosa, pela flora autóctone. Há outros mecanismos de proteção adicionais
como a competição pelos nutrientes disponíveis no meio, a produção de
substâncias restritivas ao crescimento de bactérias alóctones (ácidos e
metabólitos tóxicos) e as produções in vivo de substâncias com ação
antimicrobianas.
Função imunomoduladora: A flora bacteriana interage com as células do
epitélio intestinal do hospedeiro e provoca uma resposta contínua do sistema
imune; este, por sua vez, tende a desenvolver-se, fortificando o mecanismo de
defesa do indivíduo. Como partes do sistema imunológico, o trato
gastrointestinal com a microflora é considerado importante para a tolerância
imunológica. Evidências da importância da microflora intestinal para o
desenvolvimento do sistema imune foram obtidas através de estudos
realizados nos animais germfree. Nestes animais observou-se que a mucosa
intestinal apresentava baixa densidade de células linfoides, as Placas de Peyer
eram pequenas e pouco numerosas, e era reduzida a concentração das
imunoglobulinas circulantes. Após a colonização destes animais por micro-
organismos, os linfócitos intraepiteliais expandiram-se, os centros germinativos
com células produtoras de imunoglobulinas rapidamente proliferaram nas
Placas de Peyer e na lâmina própria, e a concentração de imunoglobulinas
circulantes aumentou. O desenvolvimento do sistema imune local e sistêmico
com o estimulo da microflora matura o sistema imune, e impede a estruturação
de resposta alérgica.

Contribuição nutricional: As bactérias intestinais atuam na produção de certas


vitaminas (complexo B) e na digestão de alimentos, principalmente hidratos de
carbonos não digeridos no trato gastrointestinal superior, formando ácidos
graxos de cadeia curta – FOS, que constituem a fonte alimentar energética das
células intestinais.

As informações geradas ao longo dos últimos anos indicam que vários


probióticos têm, além de sua atividade como promotores de crescimento e
reguladores da microbiota das mucosas, efeito imunomodulador, embora a
forma de ação seja pouco conhecida. As evidências acumuladas sobre os
benefícios decorrentes do uso dos probióticos justificam o aprofundamento dos
estudos sobre seu modo de ação, a fim de aperfeiçoar sua utilização como
profiláticos, promotores de crescimento e imunomoduladores.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P


Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

NOGUEIRA, J. C. R.; GONÇALVES, M. C. R. Probiotics in allergic rhinitis. Braz


J Otorhinolaryngol. 2011;77(1):129-34.

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Monografia. 39f. Universidade do estado do rio de janeiro. Instituto de nutrição.
Curso de especialização em terapia nutricional. Rio de Janeiro, 2010.

SANTOS, R. B.; BARBOSA, L. P. J. L.; BARBOSA, F. H. F. PROBIÓTICOS:


MICRORGANISMOS FUNCIONAIS. Ciência Equatorial, v. 1, n. 2, 2011.

VANDENPLAS, Y., et al. Probiotics and prebiotics in prevention and treatment


of diseases in infants and children. Jornal de Pediatria - Vol. 87, Nº 4, 2011.

Diretrizes Mundiais da Organização Mundial de Gastroenterologia. Probióticos


e prebióticos. Outubro, 2011.

COPPOLA, M. M.; TURNES, C. G. Probióticos e resposta imune. Ciência


Rural, Santa Maria, v.34, n.4, p.1297-1303, jul-ago, 2004.

JOHNSON, L. P. Prebiotics Modulate the Effects of Antibiotics on Gut Microbial

Diversity and Functioningin Vitro. Nutrients 2015, 7, 4480-4497.

PEIXOTO, L. L.; SILVA, R. P. P. Os efeitos dos probióticos e prebióticos na

Promoção de um organismo saudável. Monografia. 45f. Bacharel em Nutrição.


2008.

BURITI, F. C. A.; SAAD, S. M. I. Bactérias do grupo Lactobacillus casei:


caracterização, viabilidade como probióticos em alimentos e sua importância
para a saúde humana. ARCHIVOS LATINOAMERICANOS DE NUTRICION,
Vol. 57 Nº 4, 2007.
DETOX PÓS CARNAVAL

O carnaval é a época mais esperada do ano, e é comum o uso abusivo de


álcool e comidas gordurosas sobrecarregando assim o organismo,
principalmente o fígado que é responsável por eliminar todas as toxinas.

O termo “detox” vem do inglês detoxification, que em português, quer dizer


destoxificação. O processo de destoxificação ocorre em todas as células, mas
principalmente nas do fígado (60 – 65%) e do intestino (20%), sendo estes dois
órgãos de fundamental importância.

A dieta detox consiste na eliminação de toxinas acumuladas no corpo via


alimentos, ar poluído, medicamentos, álcool, corantes, aditivos químicos e até
nos cosméticos, como cremes e perfumes.

Confira abaixo alguns sinais e sintomas da intoxicação:

• Hipersensibilidades químicas múltiplas: produtos de limpeza,


maquiagem, metais, perfumes;
• Disfunção cognitiva, dificuldade na fala e na escrita, déficit de memória;
• Edema recorrente;
• Reações a medicamentos e suplementos;
• Uso abundante e constante de medicamentos ou químicos
potencialmente tóxicos em casa ou no trabalho;
• Problemas visuais;
• Depressão;
• Fadiga generalizada;
• Dor de cabeça/Enxaqueca.

Uma dieta detox deve sempre ser acompanhada e orientada pelo profissional
habilitado que é o Nutricionista. Nessa dieta existirão alimentos proibidos e
alimentos permitidos.
Confira abaixo quais são eles:

Alimentos proibidos: industrializados, farinha branca, açúcar, sal, café,


carnes vermelhas, defumados, laticínios, embutidos, massas, bebidas
alcoólicas e alimentos que contêm glúten. Também é recomendável não utilizar
papel filme e papel alumínio, descartar medicamentos que não sejam
estritamente necessários, dormir bem, não se estressar, não fumar, evitar o
uso do micro-ondas e de produtos de limpeza e cosméticos muito fortes.

Alimentos permitidos: frutas, legumes e verduras 100% orgânicos, grãos


integrais, castanhas, sementes, leguminosas, ovos caipiras, azeite, óleos
extravirgem e chás. Além de beber muita água, sempre, e praticar exercícios
físicos. “O ideal é fazer um período de desintoxicação entre sete e 10 dias”.
No início é natural que haja enjoo, acne, dermatite e dor de cabeça. Isso
acontece porque há muitas toxinas saindo do corpo. Passada essa primeira
fase, não é preciso ser tão radical, mas apenas manter a boa alimentação com
moderação e equilíbrio.

Procure o profissional nutricionista de sua confiança para realizar o Detox pós-


carnaval. Faça escolhas alimentares melhores. Cuide de sua saúde.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS:
Apostila do Curso de Detox do Instituto Ana Paula Pujol.

NUTRIÇÃO ESTÉTICA - CELULITE


Os padrões de beleza da humanidade sofrem mudanças significativas com o
passar dos anos. Antigamente, a sociedade presava a corpulência, uma mulher
acima do peso era valorizada por estar relacionada à fecundidade. Hoje há
padrões estéticos bem distintos daquela época, onde a magreza e o corpo
perfeito são alvos de obsessão, principalmente pelo fato de a mídia incentivar
esse pensamento.

Devido aos seus hormônios característicos, a sua disposição adiposa e o fato


de terem seus corpos modificados durante a gestação, as mulheres tendem a
ter mais dificuldade em controlar o seu peso e as irregularidades que vão
aparecendo na pele, as quais apesar de tão características e de estarem
presentes em quase toda a população feminina ainda são pouco aceitas. Uma
dessas irregularidades é a celulite, que afeta milhões de mulheres no mundo
inteiro.

A celulite, palavra de origem latina Cellulite, teve sua descrição feita pela
primeira vez em 1920, e ao passar dos anos foi recebendo diferentes
terminologias por diferentes autores os quais tentavam adequar as alterações
histomorfológicas encontradas com a sua denominação, sendo elas:
Lipodistrofia, Lipoedema, Fibroedema Geloide, Hidrolipodistrofia, entre outras.

O fibroedema geloide, conceito mais adequado, traduz em retração irregular da


superfície cutânea, gerando o clássico aspecto de casca de laranja. Esse tipo
de retração pode ocorrer em qualquer parte do corpo, exceto as palmas das
mãos, as plantas dos pés e o couro cabeludo. A porção superior das coxas,
interna e externamente, é atingida com maior frequência, seguida da porção
interna dos joelhos, da região abdominal, da região glútea e da porção superior
dos braços, antero e posteriormente.

O fibroedema geloide pode ser dividido em três ou quatro graus sempre de


acordo com o aspecto clínico e histopatológico. O 1º grau ou branda é de
aspecto notório à palpação ou é visível sob contração muscular voluntária, não
tem fibrose e aspecto de casca de laranja. O 2º grau ou média é de aspecto
visível em algumas regiões e apresenta fibroses sem predominância. É
também visível quando ocorre incidência de luz lateralmente, as margens ficam
delimitadas com facilidade. O 3º grau ou grave há fibrose com predominância,
aspecto de casca de nozes, o paciente apresenta sensibilidade à dor
aumentada.

Sempre que a mulher sofre um aumento excessivo de peso em virtude de uma


alimentação hipercalórica, as áreas ginoides são as mais atingidas, antes de se
estender ao resto do corpo, e preferenciais ao desenvolvimento da celulite.
Uma dieta rica em gorduras e carboidratos ou, mesmo, o baixo consumo
hídrico e o excesso de sal agravam o quadro microcirculatório, com aumento
da resistência capilar. Açúcares refinados, alimentos gordurosos, chocolates e
refrigerantes são alimentos que agravam o quadro metabólico do fibroedema
geloide.

Sugere-se assim uma dieta aplicada a prevenção e tratamento, podemos citar


a dieta anti-inflamatória a qual é capaz de reduzir os níves de marcadores
inflamatórios, favorecendo a produção de citocinas anti-inflamatórias e
contribuindo para a prevenção ou o controle da resistência insulínica, das
dislipidemias, e outras condições metabólicas. Pode-se também citar a dieta
destoxificante, a fim de eliminar as toxinas cumulativas que geram danos ao
organismo, dieta normo ou hipossódica, para se evitar a retenção de líquido o
que pode agravar ainda mais o fibroedema geloide aumentado a saturação do
tecido conjuntivo, e a dieta de baixo índice glicêmico, pois a hiperinsulinemia
pode favorecer a hipertrofia dos adipócitos inibir a lipólise pode contribuir para
elevar os níveis de estrogênio, hormônio desencadeador no fibroedema
geloide.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERENCIAS
ANA PAULA PUJOL. Fatores nutricionais e sua correlação com a proeminência
abdominal em mulheres. In: Ana Paula Pujol (org). Nutrição Aplicada à
Estética. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011. 281-299.
SCHNEIDER, A. P. Nutrição Estética. São Paulo: Editora Atheneu, 2009.
RECEITA – SHAKE ANTIOXIDANTE DE
FRUTAS VERMELHAS

Ingredientes:
- 200ml de leite vegetal
- 1 banana
- 1 xícara de frutas vermelhas congeladas (mirtilo, framboesa, morango, amora,
de preferência orgânicos)
- 1 colher de chá de cacau em pó

Modo de preparo: Bata todos os ingredientes no liquidificador e sirva gelado.


Receita retirada do livro: Receitas Funcionais: Preparações práticas para sua
saúde e beleza da autora Luisa Amábile Wolpe Simas.

PROPRIEDADES DOS INGREDIENTES:

Frutas vermelhas: Os flavonoides são um potente grupo de antioxidantes que


ocorrem naturalmente em frutas frescas (especialmente laranja, morango,
jabuticaba e uva rosada), vegetais (especialmente alho, cebola roxa, repolho
roxo, berinjela, batata-doce e soja), nos chás e nos vinhos tintos. Os
flavonoides das frutas e vegetais têm extensivas propriedades biológicas que
possivelmente reduzem o risco para Doenças Cardiovasculares, através de
ação antioxidante na LDL-c e modesta atividade antiplaquetária e anti-
inflamatória. Acredita-se ainda que alguns compostos fenólicos possam ter
ação hipocolesterolêmica mediada por redução na absorção de colesterol no
intestino e aumento na excreção de ácidos biliares. O teor de flavonoides de
um alimento depende do solo, processamento, parte da planta e grau de
maturação; a casca contém oito a 10 vezes mais teor de flavonoides que a
polpa.

Amora preta: Os extratos de amora-preta apresentam um grande potencial na


prevenção e combate ao câncer, doença crônica não transmissível.
Morango: Uma das principais atividades estudadas do extrato de morangos é
a sua capacidade antioxidante. Vários estudos in vitro, utilizando diferentes
metodologias reporta que o extrato de morango está dentre aqueles com maior
atividade antioxidante.

Mirtilo: Compostos bioativos encontrados em mirtilo, como as antocianinas e


os ácidos hidroxicinâmicos, apresentam atividade antioxidante tanto in vitro
com in vivo, conseguindo proteger células do endotélio do estresse oxidativo e
inflamação induzida.

Cacau: Muitos estudos em humanos e animais têm sugerido que o cacau e


outros nutrientes ricos em flavonoides podem ter efeitos protetores
cardiovasculares. Um corpo crescente de estudos demonstra os efeitos
favoráveis do chocolate escuro rico em flavonoide, principalmente na doença
da artéria coronária, hipertensão, insuficiência cardíaca, a hiperlipidemia, a
inflamação, o estresse oxidativo, a resistência à insulina e as funções das
plaquetas através de vários mecanismos.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS:
RIQUE, A. B. R. et al. Nutrição e exercício na prevenção e controle das
doenças cardiovasculares. Rev Bras Med Esporte. Vol. 8, Nº 6 – Nov/Dez,
2002.
VIZZOTTO, M. Propriedades funcionais das pequenas frutas. Informe
agropecuário, v. 33, n. 268, p. 84-88, maio/jun. 2012.

ADOÇANTES ARTIFICIAIS
A preferência pelo sabor doce é uma característica inata ao ser humano, está
presente desde o nascimento e persiste durante toda a vida, sendo fortemente
influenciada pela frequente exposição a substâncias doces.

O primeiro produto utilizado para conferir sabor doce às preparações foi o mel,
consumido desde as antigas culturas da Grécia e da China, sendo mais tarde
substituído pela sacarose, o açúcar comum, obtido originalmente a partir da
cana-de-açúcar. Com o passar dos anos e avanço da tecnologia surgiram
outros produtos com essa finalidade, chamados de edulcorantes.

Com o aumento da prevalência de obesidade, diabetes e problemas de saúde


associados, o uso de adoçantes está sendo cada vez mais discutido em
relação à segurança do seu consumo e possíveis efeitos indesejáveis,
principalmente quando utilizado de forma exclusiva, sem a associação com
outros métodos para a perda de peso.

A regulamentação do uso de edulcorantes é de responsabilidade do Ministério


da Saúde, por meio da ANVISA, que permite a utilização de quinze
edulcorantes no Brasil, incluindo sacarina sódica, ciclamato de sódio,
aspartame, sucralose e esteviosídeo.

Os receptores de doces estão presentes na boca e nas células


enteroendócrinas intestinais, e são responsáveis pela percepção do gosto
doce, sendo estimulados por adoçantes nutritivos. Estes se ligam aos
receptores, induzindo a liberação de hormônios como o peptídeo 1 semelhante
ao glucagon (GLP-1), em alguns modelos experimentais.

Um adoçante artificial bastante consumido é o ciclamato de sódio ou ácido


ciclâmico. Seu poder adoçante é cerca de 40 vezes maior que a sacarose e é
isento de caloria. A sacarina é o mais antigo dos edulcorantes e tem poder
adoçante cerca de 400-500 vezes maior que a sacarose, sendo, também,
isenta de calorias. Em altas concentrações deixa sabor residual amargo, é de
fácil solubilidade e estável em altas temperaturas. Pelo fato da sacarina deixar
sabor residual perceptível, geralmente é utilizada pela indústria, juntamente
com algum outro adoçante, dentre eles o ciclamato, que possui a vantagem
particular de reduzir o gosto amargo residual da sacarina, quando associado a
ela.

O Aspartame (E-951) é um dos mais frequentemente utilizado na indústria


alimentar, encontrando-se em mais de 6000 alimentos e bebidas devido às
suas qualidades sensoriais. Apesar de apresentar um valor calórico de 4Kcal/g,
oferece um poder adoçante 180-200 vezes superior à sacarose, sendo por isso
necessário um volume muito menor de aspartame para a obtenção do mesmo
efeito da sacarose.

A Sucralose é obtida pela cloração seletiva de sacarose. Até agora tem sido
aceito que a sucralose é livre de calorias e é simplesmente excretado para fora
sem ser digerida ou sendo absorvida pelo corpo. De qualquer maneira, estudos
que envolvem o uso exclusivo de sucralose durante um período de tempo
significativo mostraram alguns efeitos secundários graves que são explicados
pelo conhecimento de que a sucralose é uma chlorocabon e tais compostos
clorados são a base para os pesticidas, tais como o DDT.

Em Novembro de 2011, um novo edulcorante surgiu, a Stevia, derivado das


folhas de Estevia (Stevia Rebaudiana Bertoni). Como ingrediente adoçante em
alimentos e bebidas, oferece os benefícios de zero calorias, sendo, ao mesmo
tempo, de origem natural. Os componentes doces dentro das folhas da stevia
são um grupo de compostos chamados glicosídeos de esteviol. Os glicosídeos
de esteviol são pouco absorvidos no corpo, o que é, em grande parte,
responsável pela segurança da stevia, assim como pelo seu impacto de zero
calorias. Apresenta um poder adoçante entre 200-300 vezes superior à
sacarose. Depois de se considerarem todos os dados sobre a estabilidade,
metabolismo e toxicologia, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar,
estabeleceu a (IDA) para 0-4mg/kg/dia.

O uso dos adoçantes artificiais ou edulcorantes tem sido objeto de muitas


polêmicas a respeito de sua segurança. Entretanto, estudos têm sido
realizados para avaliar o possível risco e a vantagem que os adoçantes
oferecem como a redução das calorias ingeridas, além de verificar o efeito na
redução de risco e controle de determinados problemas de saúde.
Um estudo publicado no Journal of Morphological Science em 2014, foi
desenhado para determinar a avaliar e comparar as alterações histológicas da
sucralose nas ilhotas de pâncreas em ratos albinos. Foram utilizados 12 ratos
albinos Wistar em número de doze, pesando 150-200 gramas. Os ratos foram
divididos em dois grupos de 6 ratos, onde o Grupo 1 foi o experimental e o
Grupo 2, controle.

Os ratos foram mantidos em gaiolas separadas em condições normais de


iluminação. Eles receberam comida e água ad libitum. Ao Grupo 1 foi dada a
sucralose por sonda oral na dose de 3g / kg / dia, dissolvido em água destilada
durante 30 dias. Grupo 2 recebeu, também, igual quantidade de água destilada
pela mesma via e com o mesmo período de tempo. Os animais de ambos os
grupos foram sacrificados em 24 horas após a administração da última dose e
foram perfundidos com solução salina formal, sob anestesia com éter. Todo o
pâncreas foi dissecado e dividido em uma cabeça e uma parte da cauda. O
pâncreas foi dissecado e verificado macroscopicamente. Em seguida, o tecido
foi processado, embebido em cera de parafina e 8 micra secções de ambos, a
cauda e as peças de cabeça do pâncreas foram cortadas. Estes cortes foram
corados pela hematoxilina e eosina (H & E) e hematoxilina cromo alum e
phyloxine manchas de Gomori. Foram estudadas as secções marcadas para
alterações histomorfológicas.

O uso de Sucralose causa a morte das células β exibindo efeito diabetogênico


no pâncreas. Após a obtenção destes resultados, o uso de sucralose pode não
ser satisfatório, e a sua utilização como uma forma de tratamento em
diabéticos permanece questionável e aponta para uma aparente lacuna no
conhecimento. Assim, a sucralose deve ser usada com cautela e o uso
contínuo não é apreciado.

Uma revisão da literatura publicada na Archives of Public Health em 2015


descreve que os estudos disponíveis, enquanto numerosos, não fornecem
provas de que o consumo de adoçantes artificiais como substitutos do açúcar é
benéfico em termos de gestão de peso, a regulação da glicose no sangue em
diabéticos ou a incidência de diabetes tipo 2.
Em relação aos riscos nutricionais (incidência de diabetes tipo 2, a habituação
a doçura em adultos, cancros, entre outros), não é possível, com base nos
dados disponíveis para estabelecer uma ligação entre a ocorrência desses
riscos e o consumo de adoçantes artificiais. No entanto, alguns estudos
salientam a necessidade de melhorar o conhecimento da relação entre o
consumo excessivo de adoçantes e determinados riscos.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
SHILS, M.; OLSON, J.; SHIKE, M.; ROSS, C. Tratado de nutrição moderna na
saúde na doença. 10 ed. São Paulo: Manole, 2009. 2256p.
GUPTA, S. et al. Sucralose induced pancreatic toxicity in albino rats:
Histomorphological evidence. J. Morphol. Sci., 2014, vol. 31, no. 2, p. 123-127.
MELO, S. et al. Efeitos dos diferentes tipos de adoçantes dietéticos isolados
nos parâmetros nutricionais e bioquímicos de ratos. Nutrire. 2015
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OLIVIER, B. et al. Review of the nutritional benefits and risks related to intense
sweeteners. Arch Public Health. 2015 Oct 1;73:41.

MÁ DIGESTÃO

O primeiro ano de vida é um período caracterizado por rápido crescimento e


desenvolvimento. Até dois anos, o crescimento reflete as condições da vida
intrauterina e de fatores ambientais, dentre os quais se destaca o estado
nutricional. Dessa forma, alterações de crescimento nesse período têm como
causa mais provável o déficit nutricional pregresso ou atual.

A Desnutrição Energético-Proteica (DEP) não tem mais relevância


epidemiológica no Brasil, mas em virtude das suas formas clássicas e da
importância da adequada intervenção na vigência de um criança com baixo
peso, ela deve ser abordada.

A definição clássica da OMS para a DEP é: um conjunto das condições


patológicas decorrentes da deficiência simultânea, em proporções variadas de
proteínas e calorias que ocorre mais frequentemente em lactentes e crianças
pequenas e que geralmente se associa a infecções. Suas manifestações
clínicas podem ser classificadas em Kwashiorkor (deficiência predominante de
proteína), Marasmo (deficiência energético-proteica equilibrada), Kwashiorkor-
marasmático (forma mista, em que existe a deficiência energética e proteica,
porém desequilibrada).

A alimentação está profundamente associada à saúde, nutrição, crescimento e


desenvolvimento infantil, sendo os primeiros anos de vida um período essencial
para o estabelecimento de práticas alimentares adequadas.

Nos últimos anos vários estudos vêm demonstrando os agravos significativos


quando a amamentação não acontece. Na fase inicial da vida, o leite humano é
indiscutivelmente o alimento que reúne as características nutricionais ideais,
com balanceamento adequado de nutrientes, além de favorecer inúmeras
vantagens imunológicas e psicológicas importantes na diminuição da
morbidade e mortalidade infantil.

A amamentação é, então, fundamental para a criança, para a mãe, para a


família e a sociedade em geral. O principal argumento contra a introdução
precoce dos alimentos complementares é o aumento dos riscos de
morbimortalidade, especialmente em regiões com condições precárias de
higiene.
Oferecer à criança outros alimentos além do leite materno antes do sexto mês
de vida pode tornar a criança mais vulnerável a diarreias, a infecções
respiratórias e gastrintestinais e a desnutrição, levando ao comprometimento
do crescimento e desenvolvimento adequados.

Tem-se demonstrado, ainda, que a introdução precoce de alimentos aumenta a


morbimortalidade infantil como consequência de uma menor ingestão dos
fatores de proteção do leite materno.
A introdução precoce de alimentos altamente energéticos e de baixo valor
nutricional, bem como o abandono do aleitamento materno, contribui para o
comprometimento do crescimento e desenvolvimento da criança, além de
propiciar a diminuição da proteção imunológica e o desencadeamento de
processos alérgicos e distúrbios nutricionais.

Dessa forma, atingir a alimentação adequada das crianças na primeira infância


deve ser um componente essencial da estratégia global para a segurança
alimentar.

Atualmente, o que percebemos é uma transição nutricional, onde a desnutrição


infantil sai de cena e dá lugar à obesidade infantil, considerada atualmente uma
patologia, a qual há algum tempo atrás estava estigmatizada, a questão da
obesidade não era considerada como realidade que implicasse de tratamento
porque era considerada por uma grande parcela da sociedade como
consequência de maus hábitos alimentares, inatividade física e descuido.
Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF 2008-2009) realizada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve um aumento no
número de pessoas obesas e com excesso de peso em todo o Brasil. O
sobrepeso atinge mais de 30% das crianças na faixa etária de 5 a 9 anos,
cerca de 20% dos adolescentes entre 10 a 19 anos e nada menos que 48%
das mulheres e 50,1% dos homens acima de 20 anos.

A obesidade em idades pediátricas potencia inúmeras complicações na saúde


da população infanto-juvenil. As consequências impostas por esta doença são
diversificadas e extensas, afetando inúmeros sistemas orgânicos, causando
distúrbios cardiovasculares, respiratórios, dermatológicos, metabólicos, de
crescimento, dermatológicos, ortopédicos e psicossociais, como diabetes
melittus tipo 2, hipercolesterolemia, hipertensão arterial, doenças
cardiovasculares, síndrome de apneia obstrutiva do sono, comprometimentos
osteomioarticulares e diversos tipos de cânceres.

Estas complicações inerentes à doença residem na persistência do


comportamento em idade adulta. A doença e as suas complicações provocam
um impacto econômico já que conduz a custos diretos e indiretos que podiam
ser diminuídos pela sua prevenção baseada numa alimentação saudável e na
prática de atividade física.

Um estudo publicado na revista Preventive Medicine relatou que o exercício


físico é capaz de reduzir as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) em até
35% e os triacilglicerois em 40%, além de aumentar as lipoproteínas de alta
densidade (HDL) em até 25%. Dessa maneira, o exercício físico é considerado
por diversos autores como a principal ferramenta para atenuar os danos
associados à obesidade infantil.

As crianças estão cada vez mais envolvidas pela mídia, nos shoppings, e pelas
marcas e noutras atividades de consumo, fazendo aumentar o marketing para
esta faixa etária principalmente direcionada para a alimentação, (categoria de
produtos com maiores gastos e publicidade) o que tem coincidido com a
diminuição significativa de hábitos saudáveis e o aumento de obesidade infantil
pela influência negativa que afeta o consumo de alimentos de elevada
densidade energética e pobre em nutrientes.

A crescente prevalência da obesidade infantil requer a tomada de medidas de


controle ao marketing associado aos alimentos direcionados para as crianças,
como já existe em muitos países da Europa, onde existe legislação que
regulamenta a publicidade alimentar infantil, sendo necessário agir de uma
forma multidisciplinar, para contribuir para um ambiente mais saudável.

Entende-se que as Políticas Públicas de intervenção na obesidade infantil, por


exemplo, não devem ser pautadas apenas na perspectiva da saúde. Defende-
se a importância de seu caráter intersetorial de forma a abranger o máximo de
setores do serviço público. Desta forma, a discussão relacionada ao caráter
intersetorial das políticas públicas torna-se uma questão urgente na atualidade
como forma de alcance de maiores e melhores resultados. Assim, reforça-se a
busca por uma política de promoção da saúde, prevenção e controle das
doenças de forma ampliada, integrada e conectada aos mais diversos setores
da sociedade.

Podemos afirmar que o acompanhamento multiprofissional através de grupos é


extremamente importante para que as crianças e os adolescentes possam ser
assistidos integralmente, considerando não somente sua saúde física, mas
também seu bem-estar mental, psicoemocional e social.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
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das doenças da idade adulta”. Revista Factores de Risco. 21, pp. 34-4.

NUTRIÇÃO INFANTIL
O primeiro ano de vida é um período caracterizado por rápido crescimento e
desenvolvimento. Até dois anos, o crescimento reflete as condições da vida
intrauterina e de fatores ambientais, dentre os quais se destaca o estado
nutricional. Dessa forma, alterações de crescimento nesse período têm como
causa mais provável o déficit nutricional pregresso ou atual.

A Desnutrição Energético-Proteica (DEP) não tem mais relevância


epidemiológica no Brasil, mas em virtude das suas formas clássicas e da
importância da adequada intervenção na vigência de um criança com baixo
peso, ela deve ser abordada.

A definição clássica da OMS para a DEP é: um conjunto das condições


patológicas decorrentes da deficiência simultânea, em proporções variadas de
proteínas e calorias que ocorre mais frequentemente em lactentes e crianças
pequenas e que geralmente se associa a infecções. Suas manifestações
clínicas podem ser classificadas em Kwashiorkor (deficiência predominante de
proteína), Marasmo (deficiência energético-proteica equilibrada), Kwashiorkor-
marasmático (forma mista, em que existe a deficiência energética e proteica,
porém desequilibrada).

A alimentação está profundamente associada à saúde, nutrição, crescimento e


desenvolvimento infantil, sendo os primeiros anos de vida um período essencial
para o estabelecimento de práticas alimentares adequadas.

Nos últimos anos vários estudos vêm demonstrando os agravos significativos


quando a amamentação não acontece. Na fase inicial da vida, o leite humano é
indiscutivelmente o alimento que reúne as características nutricionais ideais,
com balanceamento adequado de nutrientes, além de favorecer inúmeras
vantagens imunológicas e psicológicas importantes na diminuição da
morbidade e mortalidade infantil.

A amamentação é, então, fundamental para a criança, para a mãe, para a


família e a sociedade em geral. O principal argumento contra a introdução
precoce dos alimentos complementares é o aumento dos riscos de
morbimortalidade, especialmente em regiões com condições precárias de
higiene.
Oferecer à criança outros alimentos além do leite materno antes do sexto mês
de vida pode tornar a criança mais vulnerável a diarreias, a infecções
respiratórias e gastrintestinais e a desnutrição, levando ao comprometimento
do crescimento e desenvolvimento adequados.

Tem-se demonstrado, ainda, que a introdução precoce de alimentos aumenta a


morbimortalidade infantil como consequência de uma menor ingestão dos
fatores de proteção do leite materno.

A introdução precoce de alimentos altamente energéticos e de baixo valor


nutricional, bem como o abandono do aleitamento materno, contribui para o
comprometimento do crescimento e desenvolvimento da criança, além de
propiciar a diminuição da proteção imunológica e o desencadeamento de
processos alérgicos e distúrbios nutricionais.

Dessa forma, atingir a alimentação adequada das crianças na primeira infância


deve ser um componente essencial da estratégia global para a segurança
alimentar.

Atualmente, o que percebemos é uma transição nutricional, onde a desnutrição


infantil sai de cena e dá lugar à obesidade infantil, considerada atualmente uma
patologia, a qual há algum tempo atrás estava estigmatizada, a questão da
obesidade não era considerada como realidade que implicasse de tratamento
porque era considerada por uma grande parcela da sociedade como
consequência de maus hábitos alimentares, inatividade física e descuido.
Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF 2008-2009) realizada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve um aumento no
número de pessoas obesas e com excesso de peso em todo o Brasil. O
sobrepeso atinge mais de 30% das crianças na faixa etária de 5 a 9 anos,
cerca de 20% dos adolescentes entre 10 a 19 anos e nada menos que 48%
das mulheres e 50,1% dos homens acima de 20 anos.

A obesidade em idades pediátricas potencia inúmeras complicações na saúde


da população infanto-juvenil. As consequências impostas por esta doença são
diversificadas e extensas, afetando inúmeros sistemas orgânicos, causando
distúrbios cardiovasculares, respiratórios, dermatológicos, metabólicos, de
crescimento, dermatológicos, ortopédicos e psicossociais, como diabetes
melittus tipo 2, hipercolesterolemia, hipertensão arterial, doenças
cardiovasculares, síndrome de apneia obstrutiva do sono, comprometimentos
osteomioarticulares e diversos tipos de cânceres.

Estas complicações inerentes à doença residem na persistência do


comportamento em idade adulta. A doença e as suas complicações provocam
um impacto econômico já que conduz a custos diretos e indiretos que podiam
ser diminuídos pela sua prevenção baseada numa alimentação saudável e na
prática de atividade física.

Um estudo publicado na revista Preventive Medicine relatou que o exercício


físico é capaz de reduzir as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) em até
35% e os triacilglicerois em 40%, além de aumentar as lipoproteínas de alta
densidade (HDL) em até 25%. Dessa maneira, o exercício físico é considerado
por diversos autores como a principal ferramenta para atenuar os danos
associados à obesidade infantil.

As crianças estão cada vez mais envolvidas pela mídia, nos shoppings, e pelas
marcas e noutras atividades de consumo, fazendo aumentar o marketing para
esta faixa etária principalmente direcionada para a alimentação, (categoria de
produtos com maiores gastos e publicidade) o que tem coincidido com a
diminuição significativa de hábitos saudáveis e o aumento de obesidade infantil
pela influência negativa que afeta o consumo de alimentos de elevada
densidade energética e pobre em nutrientes.

A crescente prevalência da obesidade infantil requer a tomada de medidas de


controle ao marketing associado aos alimentos direcionados para as crianças,
como já existe em muitos países da Europa, onde existe legislação que
regulamenta a publicidade alimentar infantil, sendo necessário agir de uma
forma multidisciplinar, para contribuir para um ambiente mais saudável.

Entende-se que as Políticas Públicas de intervenção na obesidade infantil, por


exemplo, não devem ser pautadas apenas na perspectiva da saúde. Defende-
se a importância de seu caráter intersetorial de forma a abranger o máximo de
setores do serviço público. Desta forma, a discussão relacionada ao caráter
intersetorial das políticas públicas torna-se uma questão urgente na atualidade
como forma de alcance de maiores e melhores resultados. Assim, reforça-se a
busca por uma política de promoção da saúde, prevenção e controle das
doenças de forma ampliada, integrada e conectada aos mais diversos setores
da sociedade.

Podemos afirmar que o acompanhamento multiprofissional através de grupos é


extremamente importante para que as crianças e os adolescentes possam ser
assistidos integralmente, considerando não somente sua saúde física, mas
também seu bem-estar mental, psicoemocional e social.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
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RÊGO, C. (2010). “Influência das experiências nutricionais precoces na génese
das doenças da idade adulta”. Revista Factores de Risco. 21, pp. 34-4.

COMO ESCOLHER A MELHOR ÁGUA

Considerando a área total terrestre, dois terços são constituídos por água.
Desse volume imenso, a grande parte, que totaliza 97,5%, é salgada e
encontrada em oceanos e mares. Apenas 2,493% é doce, mas possui difícil
acesso, localizando-se em geleiras e aquíferos. Somente 0,007% são doce e
disponível para consumo humano através de rios, lagos e na atmosfera.

As reservas de água doce são distribuídas desigualmente no mundo e vêm


sendo exauridas e poluídas por substâncias químicas e biológicas de forma
bruta. A Organização das Nações Unidas (ONU) indica que a população
mundial se elevará muito até o ano de 2050, atingindo cerca de 11,2 bilhões de
pessoas. Devido a isso, ela considera de grande preocupação o crescimento
demográfico a essas taxas em relação à disponibilidade futura de recursos
hídricos.

O setor de água mineral vem se desenvolvendo a altas taxas nas últimas


décadas e se tornando o segmento de bebidas que mais cresce, atingindo 20%
ao ano. Esse potencial trouxe para nosso país grandes investimentos de
empresas, sejam elas nacionais ou internacionais. O volume de consumo de
água mineral é o quinto maior entre as bebidas, ficando atrás de refrigerantes,
leite, cerveja e café solúvel e à frente de sucos.

Apesar de apresentar altas taxas de crescimento e deter o sétimo lugar entre


os maiores produtores mundiais, o Brasil ainda tem um dos mais baixos índices
de consumo de água mineral per capita, da ordem de 35 litros/ano. Esse
número nos revela um grande potencial de crescimento e desenvolvimento de
mercado, com taxas acima das que estamos vivenciando hoje. Identificamos aí,
a razão da proposta das empresas em buscar a mudança do hábito do
consumidor, estimulando-o a um maior consumo diário, principalmente através
de ações de marketing e comunicação no varejo.

Mas no que devemos prestar atenção na hora de escolher uma água mineral?

Devemos observar 3 aspectos:

- pH (ácida/alcalina);

- Teor de Sódio;

- Embalagem na qual está acondicionada (plástico ou vidro);

pH:

A alcalinidade total de uma água é dada pelo somatório das diferentes formas
de alcalinidade existentes, ou seja, é a concentração de hidróxidos, carbonatos
e bicarbonatos, expressa em termos de carbonato de cálcio, pois a alcalinidade
mede a capacidade da água em neutralizar os ácidos.

Normalmente as águas superficiais possuem alcalinidade natural em


concentração suficiente para reagir com o sulfato de alumínio nos processos de
tratamento. Quando a alcalinidade é muito baixa ou inexistente, há a
necessidade de se provocar uma alcalinidade artificial com aplicação de
substâncias alcalinas, tal como cal hidratada ou barrilha (carbonato de sódio)
para que o objetivo seja alcançado, em casos de alcalinidade elevada,
procede-se ao contrário, acidificando-se a água até que se obtenha um teor de
alcalinidade suficiente para reagir com o sulfato de alumínio ou outro produto
utilizado no tratamento da água.

Seria então interessante procurar águas com pH acima de 7,5. A explicação é


que nosso sangue tem um pH médio de 7,4, se há ingestão de alimentos com
pH menor que esse, o corpo deverá se esforçar muito para equilibrar a acidez
que isso gera, deixando órgãos mais ácidos e favorecendo o processo de
envelhecimento.
Teor de sódio:

A grande maioria dos sais minerais são benéficos à saúde, mas deve-se ficar
atento à quantidade ingerida. Atualmente o consumo de alimentos
industrializados está em alta e os mesmo contêm altas quantidades de sódio. O
excesso de sódio na alimentação causa retenção de líquidos, o que leva ao
aumento da pressão arterial. Por isso, o alerta serve principalmente para as
pessoas que sofrem com hipertensão, problemas cardiovasculares e renais,
que são potencializados com o alto consumo desse elemento. Por que então
ingerir mais desse mineral na água? Devemos tê-la como fonte de hidratação e
não como mais um meio de ingerir sódio e prejudicar a saúde.

A ANVISA regulamenta que os rótulos das águas com mais de 200mg/l de


sódio deve vir destacado “contém sódio”. E ainda destaca que não pode
exceder a quantidade de sódio de 60mg/100ml.

Portanto, devemos priorizar águas com teor de sódio ainda mais baixo que o
permitido. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) deve-se consumir
menos de 2g de sódio ou menos de 5g de sal por dia. Por exemplo, se você
beber um litro de água mineral com 103,06mg de sódio, já estará consumindo
cerca de 5% da sua cota diária.

Embalagem a qual está acondicionada (plástico ou vidro):

Atualmente, há preocupações em relação à exposição de humanos e outros


animais aos agentes e substâncias químicas, que promovem alterações no
sistema endócrino e nos hormônios, denominados desreguladores endócrinos
(DE).

Dentre as várias substâncias capazes de afetar o sistema endócrino, destaca-


se o bisfenol A (BFA). É uma substância química produzida em grandes
quantidades para uso principalmente na produção de plásticos policarbonato e
resinas epóxi. A produção mundial foi estimada em 2,5 milhões de toneladas
em 2001. O policarbonato, composto de monômeros de BFA, possui várias
qualidades comerciais desejáveis, como transparência, moldabilidade e alta
força de impacto.
A exposição humana ao BFA não é insignificante, considerando que
policarbonatos e resinas epóxi, tendo como base o BFA, apresentam várias
aplicações, como, por exemplo, garrafas de bebidas, potes de comida para
bebês, revestimento anticorrosivo em latas de alimento, fabricação de discos
compactos, selantes dentários, equipamentos de segurança e dispositivos
médicos.

Desde o reconhecimento de que o BFA possui propriedades estrogênicas


fracas, muitos estudos foram feitos para estimar a exposição humana e as
concentrações ambientais do composto. O BFA migra em níveis de pg.μL-
1 dos produtos do policarbonato ou de revestimento epóxi em latas à água
durante processos térmicos.

O BFA migra também das mangueiras de PVC (cloreto de polivinila) à água em


temperatura ambiente e pH neutro. Tal composto tem sido recentemente
relatado como o mais potente mimetizador antropogênico. Análises do BFA
demonstraram que este composto induz proliferação, alteração na região
reprodutiva da fêmea, bem como câncer no testículo e na próstata, redução de
esperma, desmasculinização, feminilização, alteração nas funções de
imunidade e diminuição de fertilidade em pássaros, peixes e mamíferos.

O consumo de águas engarrafadas tem crescido muito nos últimos tempos,


sendo a maioria das garrafas feita de polietileno tereftalato (PET) - um plástico
derivado do petróleo -, das quais podem migrar determinadas substâncias,
como o BFA.

Por isso devemos escolher o produto cuja fonte é mais próxima do local de
consumo. Pois as garrafas de água são transportadas de caminhão e
costumam pegar muito sol, o que leva ao aquecimento do plástico favorecendo
a liberação de BFA para a água. Outra opção é escolher as águas que são
acondicionadas em garrafas de vidro.

DIFERENTES TIPOS DE ÁGUA E BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE

Nome Benefício
Sulfurosa Indicada para problemas articulares, do
aparelho digestivo e doenças de pele.
É também cicatrizante.

Ferruginosa Ajuda a combater a anemia e estimula


o apetite. É indicada também para a
parasitose.

Carbogasosa Eficaz contra a hipertensão arterial e


repõe energia. É também diurética e
digestiva.

Radioativa Ajuda a dissolver cálculos renais,


favorece a digestão, alivia cólicas
estomacais e intestinais. Também atua
como calmante.

Alcalina-bicarbonatada É digestiva e diurética. Auxilia no


tratamento de úlceras e esofagite.

Magnesiana Laxante, contribui para o bom


funcionamento do estômago e do
intestino. Em excesso pode provocar
diarreia.

Carbônica Reduz o apetite e auxilia na hidratação


da pele.

Iodetada Apropriada para inflamações de


faringe, insuficiência da tireoide,
reumatismo e problemas no fígado e
nos rins.

Litinada Auxilia na depuração do ácido úrico.


Também é calmante devido ao efeito
sedativo do lítio.

Alcalino-terrosa cálcica Ajuda a repor deficiências de cálcio no


corpo.

Cloretadas Indicadas para moléstias


gastrointestinais e gastrites.

Fonte: ABINAM – Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

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AGROTÓXICO E AUTISMO

Casos de Distúrbios do espectro do autismo (ASDs) vem aumentando em


muitas partes do mundo e muitos casos são atribuídos a exposições
ambientais. Resultados replicados conclusivos ainda têm de aparecer em
qualquer exposição específica; no entanto, evidências sugerem exposições a
pesticidas ainda na gestação são fortes candidatos. Como vários processos de
desenvolvimento estão implicados no desenvolvimento de ASDs durante a
gestação e início da vida, a plausibilidade biológica mais provável é que estes
agentes podem afetar aspectos fisiopatológicos fundamentais.

Um corpo pequeno, mas crescente da literatura relata associação entre


exposição a pesticidas durante a gravidez e as características de transtornos
do espectro autista (ASD) ou diagnóstico de autismo real. Um estudo publicado
no Environmental Health Perspectives aumenta o peso desta evidência,
relatando um aumento do risco de diagnóstico de ASD nas crianças cujas
mães viviam durante a gravidez perto dos campos onde foram aplicados
pesticidas.

Um estudo de caso-controle, lançado em 2003, incluiu 486 crianças


diagnosticadas com um ASD, 168 diagnosticado com atraso no
desenvolvimento, e 316 crianças autistas com riscos ambientais e genéticos
(CHARGE). Os pesquisadores avaliaram época e extensão das aplicações de
pesticidas em 1,75 km da residência de cada mãe de 3 meses antes da
concepção. Estes dados vieram de California’s Pesticide Use Report, que
desde 1990 tem documentado aplicações de pesticidas em campos agrícolas,
campos de golfe, cemitérios e outros locais.

O estudo examinou a associação entre o período pré-natal e a proximidade aos


campos onde organofosforado, piretroide, ou carbamatos foram aplicados e
posteriormente o diagnóstico de transtornos de neurodesenvolvimento,
incluindo ASDs e atrasos de desenvolvimento. Os autores encontraram as
associações mais fortes entre ASDs e aplicação de organofosfatos não
especificados durante o terceiro trimestre, bem como um organofosforado
específico, clorpirifos, durante o segundo trimestre. Eles também relatam
associação estatisticamente significativa entre ASDs e aplicação piretroide
tanto na pré-concepção e durante o terceiro trimestre, bem como uma
associação entre a aplicação carbamato e atraso no desenvolvimento, embora
esta estimativa fosse baseada em um pequeno número de casos.

Em outro estudo publicado no Journal of Environmental and Public Health em


2015, teve como objetivo determinar se os produtos químicos orgânicos
(pesticidas, plásticos ou medicamentos) detectados anteriormente em uma
amostra de crianças com desenvolvimento típico poderia ser detectado em
uma amostra de dentes de crianças com autismo. Oitenta e três dentes
decíduos de crianças com transtornos do espectro do autismo (ASD) foram
escolhidos a partir do repositório de dente. Foi encontrado metabolitos do
inseticida organofosforado TCPy e Impy em 71 dentes.

A exposição pré-natal aos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, pesticidas,


fumo, fitalatos diéster, e éteres difenil-polibromados estão ligados ao
crescimento fetal reduzido e problemas de desenvolvimento em crianças
pequenas. Da mesma forma, estudos anteriores relatam uma ligação entre a
exposição intrauterina a pesticidas organoclorados e neurodesenvolvimento
prejudicado na infância, existindo também evidências emergentes de
consequências neurocomportamentais para lactentes e crianças que foram
expostas a níveis ainda mais baixos de pesticidas. Tomados em conjunto,
estes estudos sugerem que existem vários produtos químicos que podem estar
associados a um maior risco de ASD.

Uma variedade de modelos animais tem sido desenvolvida para ajudar na


compreensão dos mecanismos que pode induzir a uma ou várias das
características nucleares do autismo. GABA é conhecido por regular muitos
aspectos da proliferação de células estaminais neurais, diferenciação,
migração, e alongamento. Por causa de déficits observados no comportamento
social e exploratório, o rato com deficiência de receptores do gene GABA-β3
tem sido sugerida como um modelo animal de transtorno do espectro do
autismo.

As perturbações do sistema GABA (Gamma-AminoButyric Acid) têm sido


relatados para ser associado ao autismo em estudos de densidade do receptor
a partir de tecido cerebral, bem como em estudos de associação genética. Em
ratos, a exposição pré-natal aos pesticidas dieldrin, OC e lindano reduz a
capacidade de ligação do receptor GABAA no tronco cerebral.

Em outro estudo com ratos, a exposição pré-natal ao dieldrin promoveu


alteração na expressão de mRNA e composição de subunidades dos
receptores GABA.

Os resultados obtidos em culturas neuronais corticais in vitro têm mostrado que


os pesticidas endosulfan e OC estão relacionados com o aumento da
fosforilação de Akt, um efeito mediado pela ativação de RpE, e para ativar a
ERK1/2 através de um mecanismo que envolve a GABA A e receptores de
glutamato. Nos seres humanos, a capacidade diminuída para se ligar a GABA
contribui para o tónus muscular pobre, o que é observado em mais de metade
das pessoas com autismo, e induz estados hiperexcitáveis como pode ser visto
no tratamento da epilepsia, um co-morbidade em cerca de 20% dos casos de
autismo.

Os pesticidas são compostos de um produto principal, ingredientes inertes, e


em alguns casos, agonistas que aumentam a funcionalidade do composto de
origem, e todos estes ingredientes podem ser degradados a metabolitos que
também se distribuem por todo o corpo.

Embora os pesticidas sejam um contribuinte biologicamente plausível para o


autismo, pesquisas em várias áreas críticas são necessárias para entender as
consequências cognitivas e comportamentais de exposição gestacional em
seres humanos.

Embora tenha sido descrito vários caminhos possíveis por que a exposição a
pesticidas podem influenciar o autismo, a escassez de estudos sobre grandes
grupos ocupacionais e de gravidez com a avaliação da exposição adequada
impede nossa compreensão de:

a) se os pesticidas são consistentemente associados com o risco de autismo;

b em caso afirmativo, que pesticidas e compostos desses componentes pode


realmente contribuir para o risco de autismo.

Há a hipótese de que a nossa exposição a produtos químicos que não tenham


sido devidamente testados para a neurotoxicidade levou ao desenvolvimento
de uma pandemia silenciosa. Mais pesquisas são necessárias para fornecer
evidências que podem levar à redução ou eliminação desses riscos
potencialmente prejudiciais através de alterações na política de
regulamentação, comportamento do consumidor, ou escolhas alimentares.

Confira na tabela abaixo os mecanismos pelos quais a exposição gestacional a


determinadas classes de pesticidas podem induzir sintomas fisiopatológicos
observados de autismo:

Mecanismo de Os efeitos Pesticidas específicos Classe de


ação/Rota para o observados pesticida
autismo fisiopatologia

Desenvolvimento de neurotoxicidade

A alteração da excitação/ Diminuição de Dieldrina (exposição OCs Bra


Mecanismos de inibição receptores GABA pré-natal em ratos)

A inibição de GABA Função geral de OC, OC, pyrethroid


pesticidas piretróides.

A inibição da AChE Função geral do OP, OPs, CBs


pesticidas CB.

Disfunção mitocondrial

Oxidative stress A apoptose de Dichlorvos (cérebro de OPs


células neuronais rato)

A inibição da Metoxicloro (ratos OCs


respiração cérebro)
mitocondrial
K
S

Toxicidade imune

Imunossupressão A diminuição da Atrazina (exposição Triazine Ro


produção de gestacional a ratos)
anticorpos e DTH

A activação de Ciflutrina, clorpirifos Pyrethroid, OPs


astrócitos fetais (fetal humana primária
Neuroinflamação humanos aumentou astrócitos) M
a expressão de
citocinas pró-
inflamatórias

Hipotiroxinemia materna

Faltam hormônios Diminuição de T4, a Acetochlor, alacloro, OCs, thiocyanates, C


gestacionais da tireoide inibição de T4 para mancozeb, tiocianatos, OPs
deiodinação Go
2,4-D, aminotriazole, Ra
T3, prevenção de
captação de iodo endosulfan, malathion

(vários estudos animais)

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317PEscrito por:

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

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HIPERTROFIA MUSCULAR

A prática regular de exercícios físicos, unida à alimentação saudável, está cada


vez mais associada a melhor qualidade de vida, uma vez que promove
benefícios fisiológicos e psicológicos aos indivíduos. Nos dias atuais, é possível
observar crescente interesse pela busca da qualidade de vida,
condicionamento físico e estética.

Para a prática da musculação, os exercícios com peso são os mais utilizados,


exigindo a força como principal capacidade motora, ocorrendo assim o
aumento da força muscular que apresenta como principal modificação
morfológica a hipertrofia muscular, a qual é definida como um aumento do
volume de um determinado músculo ocorrido em consequência do aumento da
área de secção transversa das fibras que o constituem.

Portanto, sabendo-se que a prática do exercício físico ocasiona um aumento do


gasto energético e das necessidades calóricas, pode-se dizer que o melhor
desempenho irá depender da alimentação, visto que uma dieta balanceada,
adequada em quantidade e qualidade, de acordo com as recomendações
dadas à população em geral, é importante para a formação, reparação e
reconstituição dos tecidos, mantendo sua estrutura e suas funções,
possibilitando assim a realização dos exercícios.

Não restam dúvidas quanto às mudanças favoráveis da composição corporal e


a influencia positiva sobre o desempenho esportivo de atletas após o manejo
dietético, através do uso da suplementação alimentar para casos específicos.
Para os indivíduos que praticam exercícios físicos sem maiores preocupações
com o desempenho, uma dieta balanceada, que atenda às recomendações
dadas à população em geral, é suficiente para a manutenção da saúde e
possibilita bom desempenho físico.

Já a alimentação de um atleta é diferenciada dos demais indivíduos, em função


do gasto energético relevantemente elevado e da necessidade de nutrientes
que varia de acordo com o tipo de atividade, da fase de treinamento e do
momento de ingestão. Pesquisas apontam que a alimentação é a peça
fundamental para o ganho da massa muscular, podendo chegar a 60% em
importância.

Existe uma crença popular antiga, entre os atletas, de que proteína (PTN)
adicional aumenta a força e melhora o desempenho, mas pesquisas não
apoiam esta teoria e discorrem que o excesso (>2,0g/kg de peso) não tem
proporcionado melhor desempenho, todavia não promove a construção
muscular, sendo metabolizado no organismo e eliminado pela urina, o que
pode causar sobrecarga nos rins e fígado. Observa-se que a pequena
quantidade de proteína necessária para o desenvolvimento muscular durante o
treinamento é facilmente atingida por uma alimentação balanceada regular.

Para os fisiculturistas ou pessoas interessadas em aumentar a massa corporal,


a mitologia das necessidades aumentadas de proteínas na dieta é assustadora.
Os levantadores de peso consomem algo ente 1 e 3,5g de proteína por
quilograma de peso corporal por dia e a maioria desta proteína está na forma
de suplemento.

Os suplementos alimentares caracterizam-se pelo consumo de nutrientes com


grau de eficiência extremamente variável, proporcionando adaptações
fisiológicas e melhora do desempenho físico. Com isso, alguns suplementos
alimentares podem ser recursos ergogênicos que, em sua maioria, são
utilizados para a melhoria do desempenho nas atividades físicas esportivas
efitness.

O objetivo principal desses produtos é aumentar o desempenho físico


intensificando a potência física, a força mental e/ou o limite mecânico e, dessa
forma, ocasionar uma prevenção ou retardar a fadiga. A suplementação
alimentar é motivo de grande controvérsia científica, pois o consumo excessivo
de suplementos pode trazer efeitos deletérios à saúde, como cãibras, cansaço
muscular, náuseas, diarreias, entre outros.

A musculação realizada dentro dos princípios do treinamento de força (volume,


intensidade, intervalo de recuperação entre as séries, ordem dos exercícios,
entre outros) pode ocasionar ganhos substanciais na força e na hipertrofia
muscular. Os aumentos observados no volume muscular são derivados dos
aumentos agudos e crônicos no turnover (catabolismo e anabolismo) proteico
muscular, de forma que a síntese exceda a degradação proteica.

A síntese proteica muscular é um processo complexo e fundamental, pois


consiste na capacidade do músculo captar aminoácidos promovendo a
manutenção e/ou o crescimento das células musculares. A sua regulação
recebeu atenção significativa ao longo das últimas décadas devido a sua
importância no envelhecimento, processos patológicos e hipertrofia muscular.

O mTOR funciona como uma chave reguladora no controle da síntese proteica.


Essa proteína é encontrada dentro de dois complexos: mTORC1 e mTORC2.
Além do mTOR, duas proteínas também estão presentes no complexo: a
subunidade proteica Beta G mTORC1(GBL) e a proteína reguladora da
associação mTOR, mais conhecida como “Raptor”. O mTORC1 tem sido
implicado no reforço da biogênese ribossomal, aumentando a atividade dos
ribossomos no citosol, por meio da proteína de associação c-Myc “C-Myc”.

O complexo de esclerose tuberosa (TSC2) é um inibidor da proteína


denominada “homólogo RAS enriquecido no cérebro” (Rheb), o qual vem
sendo estudado como um regulador frequente de estímulos ao mTORC1.
Recentemente foi proposta a suplementação do ácido graxo ômega 3 para
estímulo da síntese proteica por meio dessa proteína.

Além do Rheb, uma proteína tem sido implicada na mediação dos sinais
provenientes do ômega 3 para estímulo do mTORC1 – a proteína humana
vacuolar de ordenação 34 (HVps34). É possível que o ômega 3 participe da
sinalização do mTOR por meio dessa proteína pela sua ativação.
Consequentemente, ocorre a fosforilação do mTOR, dando início à síntese
proteica.

O ômega 3 pode ser mais uma opção para indivíduos que buscam hipertrofia –
os estudos analisados demonstram que a suplementação na dieta aumenta a
sinalização anabólica muscular mediada por aminoácidos e insulina em adultos
e idosos. Os mecanismos pelos quais o ômega 3 estimula a síntese proteica
ainda não foram totalmente elucidados, sugere-se que atuam na fosforilação do
mTOR, por meio de estímulos através do Rheb e HVps34.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

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CORANTES E CONSERVANTES

Os alimentos sofreram muitas modificações ao passar do tempo devido à


correria do dia-a-dia, que criou a necessidade de alimentos práticos, rápidos e
que durem mais. Para isso foram empregadas novas tecnologias a fim de
suprir essa necessidade como é o caso dos aditivos alimentares (corantes,
conservantes, flavorizantes, entre outros) o que tem levantado
questionamentos sobre a segurança e impacto na saúde humana.

A segurança da adição alimentar é feita pelo controle da IDA (Ingestão Diária


Aceitável) desenvolvida pelo Joint FAO/WHO Expert Committee on Food
Additives (JECFA). No Brasil essa regulação se dá pela Agência de Vigilância
Sanitária (ANVISA), que define os aditivos alimentares como qualquer
substância adicionada intencionalmente nos alimentos e que tem como objetivo
modificar as características e aumentar a vida útil dos alimentos.

Pesquisas tem mostrado que os aditivos alimentares provocam reações


tóxicas, agudas ou crônicas, desencadeando alergias, alterações
neurocomportamentais e, em longo prazo, até câncer.
Os corantes alimentares são considerados os aditivos mais genotóxicos
existentes, principalmente os pertencentes ao grupo “Azo”, capaz de gerar
reações de hipersensibilidade e tem sido foco de muitos estudos sobre
mutagênese e carcinogênese por produzir, após ser metabolizado pela
microflora intestinal, compostos com alto potencial cancerígeno.

Piasini e colaboradores em 2014 realizaram uma pesquisa para analisar a


concentração de tartrazina em alimentos consumidos por crianças e
adolescentes e observou uma média significativa em grande parte dos
alimentos industrializados comuns nessa faixa etária e também que as
quantidades de tartrazina encontrada em sucos em pó e em gelatina em pó
que se encontravam acima dos valores preconizados pela legislação.

Há algum tempo pesquisas tem associado o consumo de alguns corantes


alimentares (tartrazina, vermelho ponceau 4R, eritrosina, e outros) com o
surgimento de hiperatividade em crianças as quais apresentam hipercinesia
(excesso de movimentação), irritabilidade, impulsividade, déficit de atenção e
consequentemente dificuldade de aprendizagem e excesso de distração.

Sobre os conservantes, os que mais apresentam reações são os nitritos,


nitratos e sulfitos, presentes nos embutidos cárneos. O nitrito é bem mais
tóxico que o nitrato, porém o nitrato se reduz a nitrito na corrente sanguínea. O
nitrito gera nitrosamina, produto carcinogênico que desencadeia neoplasias
gastrointestinais, além de poder agir sobre a hemoglobina impedindo a função
normal do transporte de oxigênio.

O BHA e BHT são compostos antioxidantes encontrados em produtos ricos em


gorduras. Estudos em animais apresentaram que doses elevadas de BHT
podem desencadear problemas hepáticos, gastrointestinais e levar ao
aparecimento de tumores. O BHA estimula a excreção urinária de vitamina C,
retardo do crescimento infantil e elevação da mortalidade perinatal. São
também considerados fatores de risco para o transtorno do déficit de atenção e
hiperatividade de crianças, danos no DNA de células estomacais, do cólon,
bexiga e cérebro causando neoplasias a longo prazo.
O glutamato monossódico, usado como flavorizante em altas doses pode ser
tóxico ao sistema nervoso central ocasionando disfunção sexual, obesidade,
diabetes, distúrbios de comportamento (hiperatividade, autismo, déficit de
atenção e desenvolvimento) e em longo prazo podem desenvolver distúrbios
mais sérios como Alzheimer, Parkinson e Mal de Lou Gehrig.

Podemos perceber que as crianças são as mais afetadas pelos aditivos


alimentares, devido aos alimentos voltados para essa faixa etária serem os que
mais possuem esses produtos na composição. Como apresentado acima os
efeitos em longo prazo podem ser devastadores, por isso é importante
estratégias de educação alimentar não só voltada para essa população, mas
para a população em geral, alertando dos perigos dessas substâncias e os
benefícios que uma alimentação saudável traz.

Veja alguns tipos de corantes artificiais mais utilizados e seus efeitos


conhecidos:

TARTRAZINA – Urticária; reação anafilactoide (reação alérgica sem a


presença de anticorpos (sistema imune de defesa), o qual é semelhante
anafilaxia causada por reação alérgica de origem imunológica (o qual pode
causar a morte por asfixia devido ao inchaço na região da glote (ou da
garganta);

ERITROSINA - Fotosensibilidade, eritrodermia, descamação, broncoespasmo,


elevação dos níveis totais de hormônios tireoideanos.

AMARELO CREPÚSCULO – Urticária, angioedema, congestão nasal,


broncoespasmo, reação não imunológica (anafilactoide), vasculite, vômitos, dor
abdominal, náuseas, eructações, indigestão, púrpura, eosinofilia, reação
cruzada com AAS, paracetamol, benzoato de sódio.

AMARELO QUINOLINA – Dermatite de contato, broncoespasmo, reação não


imunológica (anafilactoide).

VERMELHO 40 – Broncoespasmo, reação não imunológica (anafilactoide)


VERMELHO PONCEAU – Broncoespasmo, reação não imunológica
(anafilactóide)

AZUL BRILHANTE - Broncoespasmo, reação não imunológica (anafilactoide)

AZUL ÍNDIGO CARMIM – Dermatite de contato, Broncoespasmo, reação não


imunológica (anafilactoide).

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

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Curitiba, v. 12, n. 01, p. 53-60, Jan./Jun. 2011;

ALIMENTOS E PELE BRONZEADA

A sociedade modificou seu conceito de beleza, passando a valorizar um corpo


cada vez mais bronzeado. Entretanto, os profissionais da área da saúde tem
contestado esse modelo estético, apontando os numerosos malefícios da
exposição solar exagerada, o que apesar de toda a informação que se tem hoje
em dia, não impede o crescimento do número de casos de câncer de pele.

A luz solar consiste em radiações de diferentes comprimentos de onda (raios


gama, raios X, o UV, o infravermelho (IV), micro-ondas, e ondas de rádio). De
todas essas que atingem a Terra a que está intimamente ligada com o
bronzeado da pele é a UV, a porção mais energética, a qual é dividida em
UVA, UVB e UVC.

Os raios UVA são os menos energéticos, mas são capazes de acionar os


mecanismos de bronzeamento e pode ser responsável por alguns efeitos
nocivos na pele. Os UVB são associados à vermelhidão das queimaduras
solares e também um dos grandes causadores de alguns tipos de câncer. Já o
UVC são os mais nocivos aos tecidos vivos.

Diversos fatores podem iniciar ou contribuir para alterações no equilíbrio


antioxidante na pele, sendo que muitos aceleram o envelhecimento cutâneo,
sendo a exposição solar um dos fatores mais importantes, por seus efeitos
cumulativos, podendo ter como consequência o câncer de pele.

Os danos da radiação solar causados à pele são consideráveis, pois, ao


ultrapassar a epiderme e chegar à derme, a hidratação da pele e a nutrição
ficam comprometidas, atingindo o colágeno afetando assim a elasticidade,
deixando a pele com pouca luminosidade, favorecendo o aparecimento de
rugas e envelhecimento precoce.
Assim como qualquer tecido a pele necessita do fornecimento apropriado de
componentes nutricionais, os quais chamamos de antioxidantes dietéticos. Os
alimentos contem compostos antioxidantes, os quais podem existir com
naturalidade ou ser introduzido durante o processo para o consumo. Pode-se
citar aqui as frutas vermelhas, os legumes, que possuem naturalmente em sua
composição vitamina C, E e A, clorofila, flavonoides e carotenoides.

Carotenoides: Um dos mais importantes grupos da natureza. O betacaroteno


age de modo ativo na recuperação da pele e é responsável por protegê-la dos
raios solares e conferir bronzeamento. Quando ingerida, deposita-se sobre a
pele e as mucosas, conferindo-lhes sua cor, amarelada. Além do betacaroteno,
temos também o licopeno como um carotenoide, possui um papel protetor, pois
além de acelerar o processo de bronzeamento ele protege a pele dos raios
solares e evita a vermelhidão. As principais fontes de betacaroteno incluem
cenoura, batata-doce, abóbora, buriti e a maioria dos vegetais verde escuros,
como brócolis e espinafre. Já as fontes de licopeno são tomate, cenoura e
pimenta verde.

Vitamina E: Por sua capacidade antioxidante comprovada, essa vitamina é


muito utilizada na prevenção do fotoenvelhecimento da pele. As fontes de
vitamina E são germe de cereais, óleos vegetais, nozes, castanhas, folhas
verde escuras, semente de girassol, ovos, manteiga, fígado, entre outros.

Vitamina C: A vitamina C participa de vários processos metabólicos, entre eles


a formação do colágeno. Como a exposição solar atua na desestruturação das
fibras colágenas e elásticas, a vitamina C tem papel fundamental na
fotoproteção. As fontes de vitamina C são abacaxi, acerola, laranja, limão,
morango, entre outros.

Flavonoides: Principal grupo de compostos fenólicos encontrado em plantas, os


flavonoides apresentam uma série de atividades biológicas antioxidante,
quimioprotetora, anticarcinogênica, anti-inflamatória. Algumas fontes de
flavonoides são uva, amora, framboesa, frutas cítricas, brócolis, repolho, chá
verde, romã, mirtilo, entre outras.
Ômega-3: A primeira resposta observada na pele após a exposição ao sol é a
inflamação, que se caracteriza por eritema, edema e calor. Há uma alteração
no sistema imunológico, diminuindo sua capacidade de eliminar células
alteradas. Isso é ocasionado pelas alterações na produção de citocinas pelas
células cutâneas gerando perda na função celular. O ômega-3 diminui a
formação de inflamação na pele induzida por UVB.

Uma boa conduta alimentar à base de vitaminas e minerais pode contribuir de


modo significativo para um bronzeado saudável e duradouro. A utilização de
alimentos como agentes antioxidantes representa uma nova abordagem na
inibição dos danos ocasionados pela exposição solar. É importante destacar
que a fotoproteção através dos alimentos é complementar à fotoproteção tópica
(uso de bloqueadores solares).

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS
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Aplicada à Estética. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011. 281-299.

CIRURGIA BARIÁTRICA

A Obesidade se tornou um problema de saúde pública mundial, afetando


diversas classes sociais. Dados esses preocupantes, pois o excesso de peso
aumentam as taxas de morbi-mortalidade e o risco de desenvolvimento de
doenças coronarianas, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo II, doença
pulmonar obstrutiva, osteoartrite, certos tipos de câncer, dentre outras.

A cirurgia bariátrica é uma opção terapêutica para o tratamento da


obesidade grave, IMC >40kg/m2, ou IMC 35-40kg/m2 com comorbidades
associadas ou IMC 30-35kg/m2 com comorbidade classificada como grave por
médico especialista. Co-morbidades como: diabetes tipo 2, doença
cardiovascular, apneia do sono grave, hipertensão, dislipidemias, refluxo
gastroesofágico, hérnia abdominal entre outras. Nos quais de obtém melhora
após o procedimento cirúrgico.

A cirurgia só é indicada quando não há perda de peso significativa após terapia


nutricional, mudança de hábitos e tratamento farmacológico específico. A idade
mínima e máxima de segurança para este tipo de procedimento é de 18 a 65
anos de idade. Em casos extremos e de risco/benefício comprovado e havendo
consenso entre a família e equipe multidisciplinar, pode ser realizado em
adolescentes de 16 a 18 anos ou idosos com mais de 65. Para menores de 16
anos ainda não há estudos suficientes que apoiem esta indicação, com
exceção aos casos de Prader-Willi ou outras síndromes genéticas similares.

Existem três formas básicas de tratamento por cirurgia bariátrica: através das
técnicas restritivas, que restringem o volume de alimento ingerido nas refeições
(balão intragástrico e banda gástrica ajustável); das técnicas disabsortivas, que
permitem ao paciente comer, mas atrapalham a absorção dos nutrientes
levando o obeso ao emagrecimento (Scopinaro, derivação biliopancreática); e
das técnicas mistas, que juntam os princípios das duas opções já citadas (Y de
Roux e Fobi-Capella).

Os riscos da cirurgia incluem: surgimento de hérnias abdominais é o mais


comum, vazamentos através de suturas ou grampos, úlceras, vômito
persistente, dor abdominal e inflamação da vesícula biliar são complicações
raras. A síndrome de dumping pela passagem muito rápida dos alimentos pelo
tubo digestivo é comum também, inclui sintomas como diarreia, náuseas,
cefaleia, rubor, redução da consciência, dentre outros. Além de deficiências
nutricionais, que serão abordadas mais a frente.

Para o preparo do paciente para cirurgia bariátrica é necessária a atuação de


uma equipe multiprofissional, desde o pré-operatório até o pós-cirúrgico,
conduzindo a avaliação, o diagnóstico e o tratamento mais adequado,
individual ou familiar, com orientações sobre a cirurgia.
A atuação do nutricionista dentro da equipe multidisciplinar é muito importante
desde o período pré-operatório para assim aumentar o sucesso no pós-
operatório, preparando o paciente clinicamente e nutricionalmente para a
realização da cirurgia.

Os pacientes que se submetem ao procedimento cirúrgico devem estar


preparados para a reeducação alimentar, diminuindo a quantidade de
alimentos ingeridos para uma perda de peso duradoura e estar conscientes de
possíveis complicações por causa da cirurgia.

A mudança nos hábitos alimentares na fase pós-cirúrgica é um fator que


contribui para o surgimento de algumas carências de micronutrientes. As
deficiências nutricionais são mais comuns nas técnicas que promovem a má-
absorção do que nos procedimentos restritivos, devido às alterações
fisiológicas promovidas. As mais comuns são deficiências relacionadas a
proteínas, folato, vitamina B12, ferro, zinco, cálcio e vitamina D.

Tendo isso em vista, um estudo de coorte publicado este ano (2015), de Chan
et al., na revista Obesity Surgery determinou a prevalência e os preditores da
deficiência de vitamina D em 134 pacientes obesos submetidos à cirurgia de
bypass gástrico em Y-de-roux que residem no clima do norte, e para avaliar a
eficácia de uma dose de manutenção diária de vitamina D 2000 UI na
prevenção da hipovitaminose D no prazo de 1 ano após a cirurgia bariátrica .

A hipovitaminose D foi identificada em 64% dos pacientes e foi


significativamente influenciada pela mudança sazonal e o número de co-
morbidades presentes. A suficiência de vitamina D sérica foi atingida em 62,5%
dos pacientes com insuficiência de linha de base de vitamina D (<30ng/mL).
Foi observada uma relação dose-resposta de ingestão de vitamina D, com o
aumento mais significativo em 25 (OH) D associado com a ingestão diária de
vitamina D ≥ 2.000 UI.

Outro estudo de Guesguiere e colaboradores (2014) com 164 pacientes, de 43


anos em média, que se submeteram a cirurgia Y de Roux, relatou que após o
procedimento Y de Roux, 52 pacientes do sexo feminino (42,3%) e 9 do sexo
masculino (22,0%) desenvolveram deficiência de ferro (ferritina sérica
concentração ≤ 20 mg/L). A prevalência de deficiência de ferro foi
significativamente maior no sexo feminino do que do sexo masculino. Ser mais
jovem, baixos níveis ferro no pré-operatório, vitamina B12, e cada vez mais
tempo após a cirurgia também foram associados com deficiência de ferro. Foi
realizado teste de provocação oral de ferro (100 mg de FeSO4) em 23
pacientes e apenas um mostrou absorção de ferro suficiente.

Os autores concluíram que a deficiência de ferro é extremamente frequente


após Y de Roux e está ligado com diferentes fatores de risco. A suplementação
de ferro parece ser essencial, mas o efeito de comprimidos de suplementos
orais pode ter a absorção de ferro limitada e insuficiente em indivíduos
submetidos a cirurgia Y de Roux.

Lo Menzo e colaboradores em 2014 apontam que o sucesso da cirurgia


bariátrica, em longo prazo, é o seguimento das orientações dietéticas, ou seja,
aumentar a consistência dos alimentos gradualmente, ao longo de um período
de 1 a 2 meses, avançando de líquidos para uma dieta leve e, finalmente, uma
dieta regular com o objetivo de evitar deficiências nutricionais.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

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COSTA, M.O. Caracterização da perda de peso, da ingestão dietética e
implicações clínico-nutricionais decorrentes da cirurgia bariátrica. 2007.
(Dissertação), Mestrado em Ciência da Nutrição, Universidade Federal de
Viçosa, Viçosa, 2007.

ALIMENTOS DO VERÃO

Com a chegada do verão os cuidados com o corpo e a pele devem ser


redobrados! Confira algumas dicas para se manter saudável e curtir muito essa
deliciosa estação.

Consuma à vontade folhas verdes e legumes (de preferência crus). Cuidado


apenas com o tempero das saladas: evite a maionese e os molhos prontos
preferindo o azeite, o limão, o vinagre e os molhos a base de mostarda e
iogurte.

Os cereais integrais também são boas opções para o verão já que combinam
com saladas e pratos frios em geral. Na hora de comprar, opte pelos pães,
cereais matinais e arroz integral no lugar de doces, massas e arroz refinado.
As carnes magras são as mais indicadas para esta época, pois são mais
facilmente digeridas evitando desconfortos além de serem mais saudáveis.
Opte pelas carnes brancas de aves, peixes, e cortes de carne vermelhas
magras. Por outro lado, evite as carnes das aves com a pele, a carne de porco
e carnes vermelhas como a picanha. Quanto à forma de preparo varie entre
cozidos, grelhados e assados deixando de lado as frituras que não combinam
com o clima quente do verão, além de serem extremamente calóricas.

As sobremesas mais refrescantes são as melhores opções para o verão: opte


sempre por frutas ou doces à base de frutas, tais como: sorvetes de frutas no
palito, compotas geladas de frutas, saladas de frutas, flans de frutas, etc.

Aumente o consumo de líquidos!


As altas temperaturas do verão favorecem a perda hídrica por meio do suor.
Dessa forma, a recuperação com água deve ser constante já que o
resfriamento do corpo é realizado por meio da produção do suor, que aumenta
à medida que nos movimentamos, andamos e também na prática de atividades
físicas em geral. Vale lembrar que a sede é um sinal de que já estamos
desidratados, devendo a água ser oferecida antes que esse sinal se
desencadeie.

Os líquidos devem ser oferecidos para que possamos manter a hidratação do


corpo. No verão, o chá e o suco também auxiliam na hidratação, mas vale
lembrar que este último, além de água também contém calorias (para torná-los
menos calóricos, procure não acrescentar açúcar). Com relação aos chás, opte
pelos de ervas ou chá descafeínado, que são bons hidratantes.

É preciso repor os nutrientes!


Com a transpiração excessiva perdem-se muitos líquidos e minerais. Para se
manter por mais tempo hidratado, os minerais e os eletrólitos são
fundamentais. As fontes destes minerais e eletrólitos (sódio, potássio) são as
frutas e os legumes. Por isso, uma ótima forma de se hidratar é utilizar sucos
de frutas, preferindo até o melão e a melancia que além de serem fontes de
potássio, são frutas com alto índice de água, não precisando de mais água
para o suco e nem de açúcar adicionado.

Fotoproteção também nos alimentos!


Através da alimentação podemos reduzir os efeitos maléficos do sol como
eritema, câncer e envelhecimento.
Os principais nutrientes envolvidos são:
• Antioxidantes (Vitamina C, Vitamina E e Selênio)
• Carotenóides (Betacaroteno e Licopeno)
• Flavonóides (Catequinas e Antocianinas)

ALGUNS ALIMENTOS FOTOPROTETORES


• Cenoura (Β-caroteno)
• Açaí (Flavonóides (Antocianinas)
• Laranja (Vitamina C)
• Chá verde (Catequinas)
• Molho de tomate (Licopeno)
• Espinafre (Clorofilins)
• Castanha do Brasil (Selênio)
• Romã (Ácido elágico)

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

VITAMINA D

A deficiência de vitamina D tem sido considerada um problema de saúde


pública mundial, atingindo um bilhão de indivíduos. No Brasil, há elevada
deficiência desta vitamina nos diversos estudos regionais realizados. A
vitamina D é um hormônio esteroidal, cuja principal função consiste na
regulação da homeostase do cálcio e fósforo, formação e reabsorção óssea,
além da interação com as paratireoides, rins, intestinos, tireoide e fígado.

Sua absorção é mais efetiva no intestino delgado por difusão passiva. Após
sua incorporação pelos lipídios, a vitamina D entra no sistema linfático e
plasma, ao chegar à circulação sanguínea, é incorporada por uma proteína
ligadora, que transporta a vitamina e seus metabólitos para os tecidos-alvos. É
ativada pelos rins e fígado, onde ocorre um pequeno armazenamento. Dados
mostram que 50 a 80% da vitamina D ingerida é absorvida.

A forma 1,25-dihidroxilada da vitamina D3(1,25(OH)2D3, calcitriol), que é o


metabólito ativo da vitamina D, deveria ser mais apropriadamente considerada
um hormônio do que uma vitamina, visto que sua produção é rigorosamente
controlada pelo paratormônio (PTH) e pelas concentrações circulantes de
cálcio e de fosfato. Por sua vez, existe uma alça de retroalimentação negativa,
em que o calcitriol inibe a secreção de PTH.

A ingestão excessiva de vitamina D pode gerar intoxicações (>100-150 ng/ml),


caracterizada por hipercalcemia e hiperfosfatemia, levando à calcificação de
tecidos moles (rins, pulmões, coração e vasos sanguíneos). Os sintomas da
hipervitaminose D percebidos são câimbras, diarreias, dor de cabeça, náusea,
perda de apetite, vômito e depressão.

Em crianças, a deficiência, pode se manifestar como raquitismo. Já em adultos,


essa deficiência pode levar a osteomalacia e, em idosos, osteopenia,
osteoporose, doenças caracterizadas pela ineficiência de mineralização óssea
com maior risco de fraturas ósseas.

Embora a deficiência de vitamina D esteja relacionada classicamente com o


raquitismo e a osteomalácia, atualmente tem-se estudado sua associação com
o desenvolvimento de diversas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT),
entre elas, diabetes mellitus (DM), obesidade e hipertensão arterial (HA).

A deficiência de vitamina D (< 20 ng/ml) é um fenômeno mundial e está


incluída entre as principais epidemias que afligem a humanidade. Está
envolvida, primariamente, no funcionamento do sistema musculoesquelético,
regulando o metabolismo do cálcio e do fósforo, juntamente com o
paratormônio e a calcitonina (tiroide). Sua produção depende basicamente da
exposição solar (radiação ultravioleta B – UVB). Mais de 90% da vitamina D
provem da síntese cutânea.

Os efeitos não calcêmicos da vitamina D estão sendo investigados mais


recentemente e incluem a sua ação no controle da diferenciação celular,
modulação imunológica e tônus vascular. Vários estudos observacionais têm
demonstrado efeito protetor da vitamina D no desenvolvimento de câncer de
cólon, mama, próstata e ovário.

Um estudo publicado no Jornal de Pediatria em 2014, com 50 participantes de


10 a 16 anos, os quais foram divididos em dois grupos: 21 pacientes no grupo
da vitamina D (300.000 UI) e 22 no grupo placebo completaram o ensaio. Os
pesquisadores não encontraram diferença significativa nas características
basais dos dois grupos. Após o ensaio, no grupo da vitamina D, as
concentrações séricas de insulina e triglicerídeos, bem como HOMA -IR e C-
SM diminuiu significativamente, tanto quando comparada com a linha de base
e com o grupo do placebo. Nenhuma diferença significativa foi observada na
comparação entre o colesterol total, LDL-C, HDL-C, glicemia de jejum e
pressão arterial. Os resultados atuais suportam os efeitos favoráveis da
suplementação de vitamina D na redução da resistência à insulina e fatores de
risco cardiometabólico em crianças obesas.

A revisão bibliográfica publicada na Revista Paulista de Pediatria em 2015, teve


como objetivo avaliar a associação entre a ingestão de cálcio e os níveis
séricos de vitamina D e obesidade na infância. Os estudos analisados
encontraram uma associação entre a ingestão de cálcio e obesidade,
especialmente quando a idade e o sexo foram considerados. Relação inversa
entre níveis séricos de vitamina D e medidas de adiposidade em crianças foi
observada e essa associação foi influenciada pelo sexo do paciente e pelas
estações do ano.

Os estudos revisados mostraram uma associação entre cálcio e vitamina D


com a obesidade infantil. Considerando-se o possível efeito protetor desses
micronutrientes em relação à obesidade infantil, as ações preventivas de saúde
pública devem ser projetadas, com ênfase na educação nutricional. Outro
estudo publicado na revista Chilena de Pediatria neste ano teve como objetivo
estudar a prevalência de deficiência de vitamina D e do efeito do suplemento
de colecalciferol (D3) em crianças saudáveis de Punta Arenas, Chile, e avaliar
uma possível associação com o estado nutricional.

Foi encontrada uma deficiência grave em 62% (<12 ng / ml). Avaliação


nutricional mostrou que 39% tinham peso normal, 46% estavam acima do peso,
e 15% eram obesos. Após suplementação, a mediana de 25OHD foi de 17,5
ng/ml: 62% tinham deficiência, 36% insuficiência, e 2% suficiência (> 30 ng /
mL). Crianças com excesso de peso tiveram aumento significativamente menor
em 25OHD do que crianças com peso normal, sugerindo que crianças com
excesso de peso podem exigir doses de vitamina D 32% maior do que crianças
com peso normal para atingir a mesma concentração 25OHD.

Conclui-se então que escolares chilenos de Punta Arenas tem alta prevalência
de deficiência de vitamina D, excesso de peso e, com uma maioria na faixa de
deficiência de vitamina D grave. O excesso de peso interfere na resposta à
suplementação vitamina D, levando a um aumento inferior em 25OHD.

O déficit de vitamina D também é uma condição clínica bastante comum em


idosos. Baixa ingestão, reduzida exposição aos raios solares, dentre outros
fatores podem, por exemplo, elevar a secreção de PTH, aumentar a
remodelação óssea, predispor à instalação de quadros de osteoporose e
aumentar as chances de fratura de quadril.

Aspectos nutricionais são importantes, pois contribuem para modulação das


mudanças fisiológicas relacionadas à idade e para reduzir o risco no
desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade,
osteoporose e diabetes. Destaca-se a vitamina D, que tem um papel
fundamental no aumento da força muscular e também no equilíbrio postural e
dinâmico. Diante da complexidade dos fatores relacionados à capacidade
funcional de idosos, torna-se necessário buscar conhecer a realidade dos
idosos.
Um estudo publicado na Revista Interdisciplinar Ciências e Saúde em 2014
buscou avaliar o perfil antropométrico e níveis séricos de vitamina D em idosos
da comunidade de Teresina – Piauí. Como resultado obtiveram a variável
antropométrica relacionada a média do peso e altura maior no sexo masculino
que no sexo feminino, entretanto no IMC as mulheres apresentaram valores
médios superiores aos dos homens. Os níveis séricos de Vitamina D
mostraram-se baixo entre os idosos, contudo foi mais elevado nas mulheres.

Neste contexto, sugerem-se estratégias para mudança do perfil desses fatores


principalmente relacionado ao elevado IMC nas mulheres e a deficiência de
vitamina D que pode provocar o hiperparatireoidismo secundário e o aumento
do risco de fraturas.

Outro grupo em que há necessidade de maior cuidado com os níveis de


vitamina D é o das gestantes. A deficiência de vitamina D pode ser um fator de
risco para o resultado negativo na gravidez, como parto pré-termo, baixo peso
ao nascer, restrição do crescimento intrauterino e diabetes gestacional.

A gravidez é um período de vida da mulher, no qual ocorrem profundas


transformações endócrinas, somáticas e psicológicas que repercutem em sua
vida. Essas alterações tornam a gestante susceptível a mudanças no
organismo, tanto fisiológicas quanto patológicas.

Atualmente há grande preocupação em relação à deficiência da vitamina D e a


atenção a esta vitamina deve ser dada especialmente no período pré-
concepcional e durante o primeiro trimestre da gestação, além do segundo e
terceiro trimestres e no período de amamentação.

A vitamina D pode interferir em muitos mecanismos envolvidos na patogênese


da pré-eclâmpsia, incluindo invasão trofoblástica e imunomodulação, bem
como o controle da pressão arterial e proteinuria. A ocorrência de pré-
eclâmpsia e diabetes gestacional parece estar ligada à deficiência (< 20ng/mL)
de vitamina D, mas os dados da literatura são contraditórios.

Para Shim et al. (2010) a adequada ingestão de vitamina D é essencial para a


saúde materna e fetal durante a gravidez, e os dados epidemiológicos indicam
que muitas mulheres grávidas têm níveis sub-ótimos de vitamina D.
Notavelmente, a deficiência (< 20ng/mL) de vitamina D se correlaciona com
pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, vaginose bacteriana, e um risco
aumentado para parto pré-termo.

A prevenção da deficiência de vitamina D é essencial nessas 3 populações


(crianças, idosos e gestantes). Por tanto se recomenda sempre uma avaliação
bioquímica detalhada, bem como um plano alimentar específico e o uso de
suplementação com responsabilidade para reduzir os riscos de deficiências e
melhorar a qualidade de vida.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS

KELISHADI, R. et al. Effects of vitamin D supplementation on insulin resistance


and cardiometabolic risk factors in children with metabolic syndrome: a triple-
masked controlled trial. J Pediatr (Rio J). 2014 Jan-Feb;90(1):28-34.
KURIHAYASHI, A. Y. Estado nutricional de vitaminas A e D em crianças
participantes de programa de suplementação alimentar. Cad. Saúde Pública
vol.31 no.3 Rio de Janeiro Mar. 2015.
RUIZ, F. S. et al. Associação entre deficiência de vitamina D, adiposidade e
exposição solar em participantes do sistema de hipertensão arterial e diabetes
melito. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 35, n. 2, p. 103-
114, jul./dez. 2014.
BASILE, L. H. Gestante e necessidade da vitamina D. International Journal of
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TAO, M.; SHAO, H.; GU, J.; ZHEN, Z. Vitamin D status of pregnant women in
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CUNHA, K. A. Calcium intake, serum vitamin D and obesity in children: is there
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BRINKMANN, K. et al. Deficiencia severa de vitamina D en niños de Punta
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suplementación. Rev Chil Pediatr. 2015;86(3):182—188.
SHIN, J.S.; CHOI, M.Y.; LONGTINE, M.S.; NELSON, D.M. Vitamin D effects on
pregnancy and the placenta. Placenta., v. 31, n. 12, p. 1027-1034, 2010.
ABEDI, P.; MOHAGHEGH, Z.; AFSHARY, P.; LATIFI, M. The relationship of
serum vitamin D with pre-eclampsia in the Iranian women. Matern Child Nutr.
2013 Jun 18.

OVERTRAINING

Síndrome de overtraining (OVT) foi descrita como fadiga crônica e cansaço,


onde ocorre um desequilíbrio entre a treino/competição, contra a recuperação.
Treinar sozinho raramente é a causa primária. Na maioria dos casos, a
quantidade total de estresse sobre o atleta excede a sua capacidade de lidar
com isso. Um evento estressante desencadeante, juntamente com uma
síndrome OVT crônica, conduz o atleta para o desenvolvimento de sintomas da
síndrome de OVT, a qual é muito pior do que OVT clássico. Treinar
excessivamente pode ser parte de um treino saudável, se feito apenas por um
curto período de tempo. A síndrome do OVT crônica é o que leva a problemas
de saúde graves, incluindo insuficiência adrenal.

O diagnóstico de overtraining seria fácil se houvesse um biomarcador


adequado disponível, mas infelizmente não existe nenhum capaz de
diagnosticar as disfunções causadas pelo overtraining. Enquanto o diagnóstico
preciso não pode ser realizado, existem poucos marcadores que podem ser
considerados em atletas.

Overtraining trata-se de uma síndrome multifatorial, descrita como uma


combinação de sinais e sintomas que normalmente causa fadiga mental e
física, a qual ocasiona prejuízo no desempenho. A sintomatologia do
OVT abrange alterações fisiológicas, psicológicas, imunológicas e bioquímicas
referidas em diversas modalidades esportivas que se apresentam isoladas ou
agrupadas de acordo com cada indivíduo.

Entre as patologias envolvidas, podem-se citar a hiper-reatividade à asma


brônquica, distúrbios da tireoide, transtornos de humos, doença adrenal,
diabetes mellitus, deficiência de ferro, infecções, desnutrição, doenças
oncológicas, reumatológicas, renais ou hepáticas, entre outras.

Segundo Rogero e Tirapegui (2003), existem dois tipos distintos de OVT:


simpática e parassimpática. A síndrome simpática provoca o aumento da
atividade simpática em repouso (frequência cardíaca e pressão arterial). Porém
a síndrome parassimpática gera a diminuição da atividade simpática e
predomínio da atividade parassimpática em repouso e durante o exercício
(regulando e estabilizando).

Uma sessão aguda de exercício, como é o caso do OVT, dependendo do tipo,


intensidade e duração, provoca lesão do tecido, provocando uma inflamação
local e sistêmica com liberação de citocinas pró e anti-inflamatórias, enquanto
que a atividade física regular parece atenuar a resposta inflamatória que
promove um ambiente anti-inflamatório no organismo.

Muitas alterações na função das células do sistema imunológico têm sido


notadas. Entre essas, podemos citar: supressão da função neutrofílica,
supressão da quantidade e proliferação de linfócitos, supressão da quantidade
e atividade das células NK, modificação na funcionalidade de células
polimorfonucleares e diminuição de imunoglobulinas sérica, nasal e salivar.
Outras mudanças em fatores relacionados à imunossupressão, como
hormônios relacionados a estresse e citocinas, também são relatados, apesar
de nem todos os autores concordarem que estas alterações são detectáveis no
OVT e/ou representem relevantes alterações associadas à imunossupressão.

Um estudo publicado em 2014 pela Iranian Journal of Basic Medical Sciences,


onde foram analisados ratos wistar macho, os quais foram divididos em grupo
controle sedentários (C), moderadamente treinados (MT), overtraining (OT) e
recuperado overtraining (RO). Após as sessões de treinamento, foram
coletadas as concentrações plasmáticas de TNF, IL-6, IL-10, IL-4 e IFN. Como
resultado foi observado que as concentrações de IL-6, TNFa e IL-10
aumentada em OT e grupos OR em comparação com o controle. O nível sérico
de IL-4 diminuiu, mas o IFN aumentou no grupo de MT em comparação com o
grupo controle. Além disso, os níveis circulatórios de TNFa, IL-6, IL-10 e IL-4
foram superiores, mas as concentrações de IFN foram menores nos grupos OR
e OT que do eu no grupo MT. A razão E / IL4 IFN-γ foi significativamente
aumentada em MT, enquanto que diminuiu em grupo OT. Não houve
diferenças estatísticas em TNF, IL-6 e níveis de IFN entre diferentes intervalos
de tempo após o exercício entre os grupos MT, OT e OR. Pode-se concluir que
os exercícios prolongados e o overtraining causam inúmeras mudanças na
imunidade o que possivelmente reflete o estresse fisiológico e
imunossupressão.

Conhecendo a importância da nutrição, faz-se necessário uma alimentação


saudável e balanceada para praticantes de atividades físicas, fornecendo todos
os nutrientes para o fortalecimento do sistema imunológico. Nutrientes como
zinco, glutamina, beta-glucanas, entre outros podem auxiliar nesse processo!

O exercício físico vigoroso, bem como programas de treinamento exaustivos


podem levar a depleção de glutamina devido a síntese reduzida e absorção
aumentada pelo fígado e células do sistema imunológico. Evidências sugerem
que a depleção de glutamina pós-exercício está associada com
imunodepressão.

Depois do exercício, uma disponibilidade de glutamina reduzida pode ser


considerada como um marcador de excesso de treinamento. Maior
disponibilidade de glutamina pode contribuir para a diminuição da inflamação e
benefícios para a saúde associados com o treinamento ideal. Assim, a
suplementação de glutamina pode aumentar a imunocompetencia após o
exercício extenuante.

O uso de marcadores específicos para o diagnóstico do overtraining, como


ureia, eletrólitos, atividades de enzimas musculares, hemoglobina, albumina,
globulina, ferro e ferritina, permanence em discussão.
Aspectos fisiológicos, bioquímicos, imunológicos e nutricionais devem ser
monitorados de forma complementar. A compreensão do processo
imunológico, e as implicações nutricionais sobre essa resposta imume é
importante para entender o processo da síndrome do overtraining e melhorar
ou minimizear seus impactos ao longo prazo.

Escrito por:

Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P

Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

REFERÊNCIAS:

AGOSTINI, F.; BIOLO, G. Effect of physical activity on glutamine


metabolism. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2010 Jan;13(1):58-64.

GHOLAMNEZHAD, Z.; BOSKABADY M. H.; HOSSEINI, M.; SANKIAN,


M.; KHAJAVI RAD, A. Evaluation of immune response after moderate
and overtraining exercise in wistar rat. Iran J Basic Med Sci. 2014 Jan;17(1):1-
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BROOKS, K. A.; CARTER, J. G. Overtraining, Exercise, and Adrenal


Insufficiency. J. Nov. Physiother, v. 3, n. 125, 2013.

ANGELI, A.; MINETTO, M.; DOVIO, A et al. The overtraining syndrome in


athletes: a stress-related disorder. Journal of Endocrinology Investigation.,
v. 27, p. 03-612, 2004.

ROGERO, M. M.; TIRAPEGUI, J. Overtraining - Excesso de Treinamento:


Conceitos Atuais.Revista Nutrição em Pauta, n. 60, v. ?, p. ?, 2003.
RADOM-AIZIK, S et al. A brief bout of exercise alters gene expression. and
distinct gene pathways in peripheral blood mononuclear cells of early- and late-
pubertal females. J Appl Physiol, v.107, n.1, p.168–75, 2009.

SMITH, L.L. Overtraining, excessive exercise and altered immunity – Is this a T


helper-1 versus T helper-2 lymphocyte response?. Sports Medicine, v.33,
p.347-64, 2003.

NAVES, A. Tratado de nutrição esportiva funcional. São Paulo: Editora Roca,


2014.

RECEITA DE SUCO ANTIOXIDANTE

Suco antioxidante

Ingredientes:
½ cenoura
1 kiwi médio
1 copo de água de coco de 240ml
1 colher de sopa de colágeno hidrolisado em pó e sem sabor

Modo de fazer: Higienizar as frutas e vegetais. Bater no liquidificador com


água de coco. Acrescentar 1 colher de sopa de colágeno hidrolisado sem
sabor. Consumir imediatamente após o preparo.

Propriedades:
Betacaroteno: Atua como precursor biodisponível de vitamina A em nosso
organismo. Age ativamente na recuperação da pele e é responsável por
protegê-la dos raios solares, além de estimular a melanogênese.

Colágeno hidrolisado: Com o passar do tempo, o colágeno vai tornando-se


mais rígido, tendo um declínio anualmente. As fibras elásticas perdem força,
associada a uma redução da água, que por sua vez diminui a adesão,
migração e desenvolvimento celular. O consumo do colágeno hidrolisado
promove melhora da elasticidade, hidratação e redução das rugas.

Vitamina C: É um cofator para a prolil e lisil hidroxilase que estabilizam a


estrutura helicoidal da tripla hélice do colágeno. Além disso, é um importante
antioxidante e contribui para regeneração da vitamina E na membrana celular.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN10.4719

REFERÊNCIAS:
PUJOL, A. P. Manual de Nutricosméticos: Receitas e formulações para a
beleza. 1 ed. Camboriú, SC. IEPN- Insituto de Ensino e Pesquisa em Nutrição,
2012.

GORDURA LOCALIZADA

A obesidade é uma doença que representa encargos elevados quer para os


indivíduos quer para os sistemas de saúde. Num contexto em que as taxas de
obesidade aumentam de forma generalizada em todos os países, tornou-se um
problema de saúde pública. A obesidade entre crianças e jovens é um
problema crescente em muitos países e o seu combate é alvo de várias
medidas de saúde pública.

A alimentação ocidental mudou de alimentos frescos e vegetarianos para uma


dieta farta de alimentos processados, refinados e de origem animal. Isso tem
levado a população a ingerir em excesso calorias e gorduras, além de um alto
consumo de açúcar refinado, sal e poucas fibras.

Outro aspecto importante é o avanço da tecnologia, o qual facilitou o cotidiano


fazendo com que se poupe mais energia. Esses dois fatores (transição
nutricional e tecnologia) resultaram em ganho de peso pela população na
maioria dos países.

O excesso de peso é mais prevalente no público feminino. O aumento da


gordura visceral abdominal acompanha a menopausa, estando assim
associada à redução dos níveis de atividade física habitual e gera na mulher o
surgimento de doença da inatividade física, caracterizada pela manifestação de
um conjunto de patologias entre as quais se incluem a diabetes mellitus tipo 2,
as doenças cardiovasculares, a depressão, a demência, algumas formas de
câncer como os de mama, ovário e endométrio.

A proeminência abdominal pode ser determinada pelos fatores suscetíveis a


alterar um ou mais desses compartimentos. Dentre eles, podemos destacar a
dieta hipercalórica, hiperglicídica, hiperlipídica, consumo de alimentos de alto
índice glicêmico e ricos em enxofre.

Sabe-se que os nutrientes que compõe a dieta regulam a lipogênese no fígado


e no tecido adiposo, bem como o tipo de carboidrato. Se for fornecida apenas
frutose como carboidrato, há maior atividade das enzimas lipogênicas que se
for glicose. Ao contrário, a adição de gordura, em particular ácidos graxos poli-
insaturados, reduz a atividade enzimática lipogênica. Conclui-se então que não
dá modificar apenas em um componente da dieta sem modificar outros.

Um estudo com mulheres com obesidade visceral e subcutânea, os


pesquisadores demonstraram que a dieta de baixa caloria leva à maior perda
de gordura visceral que a de gordura subcutânea, fato mais evidente entre
aquelas com obesidade visceral. Assim, a gordura intra-abdominal visceral tem
maior facilidade de mobilização lipídica que a gordura subcutânea e tal
mobilização acarretaram em melhora concomitante da glicemia plasmática e do
metabolismo glicídico.

A diminuição da ingestão da quantidade de lipídio da dieta em geral leva à


redução da ingestão da energia total. Isso pode provocar perda da gordura, de
modo mais específico, redução da gordura visceral. Alimentos com alta razão
lipídios/carboidratos costumam ter maior densidade energética que alimentos
ricos em carboidratos, e, portanto promovem maior hiperfagia passiva
(consumo energético maior que o gasto, sem intenção de fazê-lo), com balanço
energético positivo e ganho de peso em indivíduos suscetíveis.

Já os alimentos de alto índice glicêmico desencadeiam uma sequência de


eventos hormonais, que limita a disponibilidade de combustível metabólico no
período pós-prandial, levando à fome e à ingestão alimentar excessiva. Essas
mudanças hormonais e metabólicas resultantes da ingestão de dietas
hiperglicídicas com alto índice glicêmico são a elevação da glicemia e da
hiperinsulinemia pós-prandiais, o que leva ao rápido armazenamento de
substratos na forma de gordura corporal, além de estimular a hiperfagia.

Os alimentos de baixo índice glicêmico são mais ricos em fibras e uma das
teorias atesta que as fibras – sobretudo as solúveis – favorecem uma maior
distensão gástrica, levando a uma maior secreção de colecistoquinina (CCK).
Assim, por outra via, os alimentos de baixo índice glicêmico induzem a
sensação de saciedade.

Sendo assim, deve-se estimular uma dieta rica em fibras, vegetais, legumes,
alimentos integrais e não refinados e limitar a ingestão de tubérculos,
carboidratos refinados e açúcar simples.

Ressalta-se a importância de estudos experimentais que investiguem os


fatores relacionados à proeminência abdominal como um meio de propor
tratamento dietoterápico para o controle da gordura abdominal em mulheres
em geral, possibilitando intervenções que auxiliem na promoção de hábitos
alimentares saudáveis para uma melhor redução de gordura abdominal.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

Referências
WIJNHOVEN, T. M. A., J. M. A. VAN RAAIJ, A. SPINELLI, A. I. RITO, R.
HOVENGEN, M. KUNESOVA, G. STARC, H. RUTTER, A. SJÖBERG, A.
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body mass index in 6–9-year-old children”, Pediatric Obesity, 8, pp. 79-97.
PITANGA, C. P. S. et al. Associação entre o nível de atividade física e a área
de gordura visceral em mulheres pós-menopáusicas. Rev Bras Med Esporte
vol.20 no.4 São Paulo July/Aug. 2014.
ANA PAULA PUJOL. Fatores nutricionais e sua correlação com a proeminência
abdominal em mulheres. In: Ana Paula Pujol (org). Nutrição Aplicada à
Estética. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011. 281-299.

ALIMENTOS CAUSADORES DE
ALERGIA ALIMENTAR

A alergia alimentar pode ser definida como uma reação adversa a um antígeno
alimentar mediada por mecanismos fundamentalmente imunológicos. É
considerado também um problema nutricional e vem se tornando um problema
de saúde em todo o mundo, causando impacto negativo e significativo na
qualidade de vida. O crescimento dos casos de alergias nas ultimas décadas
está associado a grande exposição da população a um número maior de
alérgenos alimentares disponíveis. Qualquer alimento pode causar alergia
alimentar, entretanto os alimentos mais citados como causadores de alergias
alimentares são: leite, ovos, amendoim, castanhas, camarão, peixe e soja.

Alérgenos são substâncias de origem natural (ambientais ou alimentares), que


podem induzir uma reação de hipersensibilidade (reação alérgica) em pessoas
suscetíveis, que entraram previamente em contato com o alérgeno. Esta
reação de hipersensibilidade envolve o reconhecimento do alérgeno como uma
substância “estranha” e alheia ao organismo no primeiro contato. Na exposição
posterior, o sistema imunológico reage a uma exposição excessiva, com a
libertação de substâncias que alteram a homeostase do organismo, resultando
em sintomas de alergia.
Os principais alérgenos alimentares identificados são de natureza proteica.
Muitas destas proteínas podem conter múltiplos alérgenos. Entretanto, na
maioria dos casos, um ou dois destes funcionam como alérgeno principal. Este
é definido como aquele alérgeno que afeta 50% ou mais dos indivíduos com
alergia. O leite de vaca é o alérgeno mais comum para a população infantil. A
habilidade do sistema imune em responder aos antígenos, como as proteínas
do leite de vaca dependem, entre outros fatores, do genótipo e idade do
indivíduo, da natureza, dose e frequência de administração do antígeno. No
caso do leite a α-lactoalbumina é considerada o principal alérgeno, enquanto a
ß-lactoglobulina e a caseína tem sido implicadas em menor escala. O leite de
outros animais também pode ser alergênico para os indivíduos com alergia ao
leite de vaca.

Entre as leguminosas, a soja constitui uma fonte alimentar. Estudos


encontraram vários alérgenos da soja com subunidades de peso molecular de
20 e 50 a 60 KDa. Observou-se, ainda, que as maiores frações das proteínas
de soja apresentavam atividade alergênica. A alergia à soja é mais comum em
crianças e jovens, podendo levar a cólicas e presença de sangue nas fezes.
Mais da metade de todas as alergias provocadas pela soja é causado por uma
proteína, chamada P34, amplamente disseminada entre grãos de soja
selvagens e cultivados.

O peixe quando contaminado por bactérias é altamente alergênico. Sua


contaminação por bactérias resulta em histamina, obtida a partir do aminoácido
histidina, e presente nos mastócitos e basófilos. A histamina está presente em
receptores H1 e H2 centrais e periféricos. Esta droga é um importante
mediador das respostas alérgicas na pele, nariz e olhos, e causa
vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular (edema) e contração da
musculatura lisa (brônquica e gastrointestinal), através da ativação dos
receptores H1. A histamina tem importantes papeis fisiológicos. Como a
histamina é um dos mediadores pré-formados e armazenados nos mastócitos,
a sua liberação como resultado da interação do antígeno com os anticorpos IgE
na superfície dos mastócitos, exerce um papel central nas reações de
hipersensibilidade imediata e nas respostas alérgicas.
As ações da histamina na musculatura lisa brônquica e nos vasos sanguíneos
são responsáveis, em parte, pelos sinais e sintomas da resposta alérgica. A
característica da histamina é provocar dilatação dos vasos sanguíneos menos
calibrosos, resultando em ruborização, resistência periférica total diminuída e
queda da pressão arterial sistêmica. Além disso, a histamina tende a aumentar
a permeabilidade capilar.

Alguns indivíduos apresentam reações alérgicas muito graves a alérgenos


potentes e específicos existentes em alimentos, especialmente no amendoim.
As nozes, castanhas, legumes, sementes, mariscos, também, possuem
potencial alergênico. Os indivíduos com este tipo de alergia alimentar podem
apresentar uma reação grave, mesmo quando consomem uma quantidade
mínima do alimento. Alguns sintomas citados são queda súbita da pressão
arterial que pode acarretar tontura e desmaio. Essa emergência potencialmente
letal é denominada anafilaxia, uma reação alérgica sistêmica, severa e rápida,
caracterizada pela diminuição da pressão arterial, taquicardia e distúrbios
gerais da circulação sanguínea, acompanhada ou não de edema de glote.

A principal substância causadora da reação alérgica são as aflatoxinas, que


consistem em um grupo de compostos tóxicos produzidos por certas cepas dos
fungos Aspergillus flavus ou Aspergillus parasiticus. Em condições favoráveis
de temperatura e umidade, estes fungos crescem em certas rações e
alimentos, resultando na produção das aflatoxinas. As contaminações ocorrem
com maior intensidade em nozes, amendoim e outras sementes oleosas,
incluindo o milho e sementes de algodão. As aflatoxinas são tóxicas, ligando-se
ao DNA das células e provocando uma inibição da replicação do DNA. O fungo
Aspergillus encontra-se bastante disseminado na natureza, afetando diversos
tipos de culturas agrícolas. Estas se tornam, então, uma fonte primária de
contaminação. A exposição a altas concentrações de aflatoxinas produz graves
danos ao fígado, tais como necrose, cirrose hepática, carcinoma ou edema. A
capacidade de absorção e processamento de nutrientes é gravemente
comprometida.

A ingestão de crustáceos ou frutos do mar, em algumas pessoas, pode


desencadear reações severas, sendo responsáveis, principalmente, pela
ocorrência em adultos. Segundo alguns autores o aparecimento de
manifestações alérgicas (mediadas pela IgE) após ingestão destes alimentos
pode ser causado por uma reação alérgica ao parasita Anisakis simplex,
provocando desde urticária, angioedema e, inclusive, choque anafilático. Esta
afirmação é confirmada através de exames laboratoriais (presença de IgE
específico para Anisakis simplex no soro do paciente).

Os camarões, caranguejos, siris e lagostas podem, eventualmente, tornarem-


se envenenados devido à ingestão de dinoflagelados tóxicos. Os crustáceos
(fêmeas), quando na época reprodutiva, podem provocar intoxicação devido a
grande quantidade de hormônios em seu organismo.

As proteínas dos ovos, juntamente com as do leite, são as que causam


maiores problemas alérgicos. A proteína da clara, a albumina ou, mais
especificamente, a ovoalbumina, é a causadora das alergias; a gema é
normalmente bem tolerada. Além da albumina, os principais alérgenos da clara
do ovo já identificados são o ovomucoide e a conalbuminal, que constituem,
respectivamente, 11% e 12% da proteína total da clara; a ovoalbumina constitui
54% da proteína total da clara.

A alergia ao ovo pode ser classificada como mediata ou tardia. As reações


imediatas envolvem mecanismos IgE mediados, sendo as mais comuns:
anafilaxia, hipotensão, urticária, broncoespasmo, laringoespamo ou síndrome
da alergia oral. A ovoalbumina pode estimular uma reação de
hipersensibilidade do tipo IgE mediada a alimentos, levando a liberação de
mediadores de células mastocitárias (histamina), que atuam sobre a pele,
nariz, pulmões e trato gastrointestinal. As alterações decorrentes do efeito da
histamina envolvem o aumento da permeabilidade capilar, a vasodilatação, a
contração de músculo liso e a secreção de muco.

A prevenção da alergia alimentar em pacientes com alto risco de desenvolvê-la


é uma das principais armas disponíveis. Sugere-se assim, uma atenção
especial à esse grupo de pessoas, bem como um cardápio bem planejado e de
fácil execução para maior adesão à dieta e melhora dos sintomas e qualidade
de vida. Alergia alimentar é coisa séria e deve ser tratada.
Veja abaixo a composição proteica dos alimentos mais comumente
responsabilizados pela alergia alimentar:

Leite de vaca:
Caseínas
αs-caseínas: αs1, αs2
β-caseínas
κ-caseínas
γ-caseínas
Proteínas do soro
β-lactoglobulina
α-lactoalbumina
Proteases e peptonas
Proteínas do sangue
Albumina
Imunoglobulina

Ovo de galinha:
Clara
Albumina
Ovalbumina
Ovomucoide
Ovotransferrina
Ovomucina
Lisozima

Gema
Grânulo
Lipovitelina Fosvitina
Lipoproteína de baixa densidade

Plasma:
Lipoproteína de baixa densidade Livetina

Soja:
Globulinas
7S: β-conglicinina
β-amilase Lipoxigenase Lecitina
11S: glicinina Proteínas do soro Hemaglutinina Inibidor de tripsina
Uréase

Peixe:
Parvalbuminas (alérgeno M)

Leguminosas:
Leguminas
Vicilinas

Trigo:
Albumina hidrossolúvel Globullinas solúveis Prolaminas Gliadinas α, β, γ, ω
Glutelinas Gluteninas

Crustáceos:
Tropomiosinas
Albuminas Aglutininas Glicoproteínas lecitino reativas
Inibidores de protease
Inibidores de α-amilase
Fosfolipases
Globulinas
Araquina
Conaraquina

*Adaptado do Consenso Brasileiro de Alergia Alimentar

Abaixo estão exemplificados os contaminantes, aditivos e agentes


farmacológicos que podem desencadear reações alérgicas:

CONTAMINANTES E ADITIVOS
Flavorizantes e conservantes:
Metabissulfito de sódio
Glutamato monossódico
Nitritos/nitratos
Corantes:
Tartrazina e outros azocorantes

Toxinas Bacterianas:
(Clostridium botulinum, Staphylococcus aureus)
Fúngicas (aflatoxinas, ergotamina)

Doenças associadas a produtos do mar:


Envenenamento pela histamina do peixe (atum, cavala)
Envenenamento pela ciguatera (garoupa, barracuda)
Saxitoxina (mariscos)

Agentes infecciosos:
Bactérias (Salmonella, Shiguella, Echerichia coli, Yersinia, Campylobacter)
Parasitas (Giardia, Trichinella, Anisakis simplex)
Vírus (hepatite, rotavirus, enterovirus) Contaminantes acidentais
Metais pesados (níquel, cobre)
Pesticidas
Antibióticos (penicilina)

AGENTES FARMACOLÓGICOS
Cafeína (café, refrigerantes)
Teobromina (chocolate, chá)
Histamina (peixes, chucrute)
Triptamina (tomate, ameixa)
Serotonina (banana, tomate)
Tiramina (queijos, arenque em conserva) Solanina (batatas)
Álcool

*Adaptado do Consenso Brasileiro de Alergia Alimentar.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719
Referências: CHAN, K. A.; PEREIRA, F. P.; JUNIOR, J. C. Alergia alimentar na
infância: análise de sua distribuição geográfica. Pediatria Moderna Set 13 V 49
N9
págs.: 369-376.
FOOD INGREDIENTS BRASIL Nº 27 – 2013.
KROGULSKA, A et al. Prevalence and Clinical Impact of IgE-Mediated Food
Allergy in School Children With Asthma: A Double-Blind Placebo Controlled
Food Challenge Study. Allergy Asthma Immunol Res. 2015 Nov;7(6):547-56.
Rev. bras. alerg. imunopatol. – Vol. 35. N° 6, 2012.
SUAINI, N. H. A. Immune Modulation by Vitamin D and Its Relevance to Food
Allergy. Nutrients. 2015 Aug; 7(8): 6088–6108.
VASSALLO, M. F.; CAMARGO, C. A JR. Potential mechanisms for the
hypothesized link between sunshine, vitamin D, and food allergy in children. J
Allergy Clin Immunol. 2010 Aug;126(2):217-22.
ZANIN, C. M.; MARCHINI, J. S.; CARVALHO, I. F.; Reações adversas a
alimentos e imunidade humoral: subclasses de IgG a antígenos alimentares.
Nutrire; rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP.
, v.24, p.125-134, dez., 2002.

CAFÉ DA MANHÃ

O café da manhã, ou desjejum, pode ser definido como a primeira refeição do


dia, sendo consumido antes ou no início das atividades diárias, comumente
antes das 10 horas, com ingestão calórica esperada entre 20 a 25% do total de
energia diária.

O café da manhã é considerado uma das refeições mais importantes do dia e


um comportamento alimentar saudável, uma vez que após um período
prolongado de jejum, tal refeição provê energia suficiente para a realização das
atividades matutinas e durante o dia. Muitas pesquisas internacionais têm
demonstrado a importância da prática desta refeição em relação ao aspecto
cognitivo, estado nutricional e qualidade total da dieta.
Os resultados positivos do consumo regular do café da manhã foram
observados em vários estudos. Algumas pesquisas apontam associação entre
o consumo habitual de café da manhã e o melhor rendimento escolar, ou seja,
a frequência e a qualidade (variedade de grupos alimentares e energia
adequada) do mesmo estão associadas à melhora do desempenho na escola.
Já outros estudos mostram que indivíduos que consomem café da manhã com
frequência tendem a apresentar menor Índice de Massa Corporal (IMC) em
relação àqueles que omitem tal refeição.

Uma das possíveis razões para esta relação inversa com o IMC é o fato de que
a omissão do café da manhã pode levar a uma “superalimentação” durante o
dia, ou seja, uma tendência a compensar o que não foi ingerido no café da
manhã nas refeições posteriores, principalmente com alimentos de alta
densidade energética.

É importante que nesta refeição sejam consumidos alimentos de alguns grupos


alimentares, como cereais, frutas, leite e derivados, que, além de contribuírem
para a adequação de nutrientes na dieta podem também atuar na redução de
excesso de peso.

Para um café da manhã completo e de qualidade, em uma dieta de 1700Kcal,


deve-se prestar atenção nos grupos alimentares que serão contemplados.
Abaixo segue exemplo:

1 porção do grupo dos pães, cereais e tubérculos: 2 fatias de pão integral;

1 porção dos óleos e gorduras: 1 colher de sopa de azeite de oliva;

1 porção do grupo dos leites e iogurtes: 1 unidade de iogurte, 1 copo de leite


(200ml);

1 porção do grupo das fibras: ½ colher de sopa de chia ou linhaça;

1 porção do grupo das frutas: ½ unidade de mamão papaia.


Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

Referências
TIMLIM, M. T.; PEREIRA, M. A. Breakfast frequency and quality in the etiology
of adult obesity and chronic diseases. Nutrition Reviews, New York, v. 65, n. 6,
p. 268- 281, 2007.
MULLAN, B. A.; SINGH, M. A systematic review of the quality, content, and
context of breakfast consumption. Nutrition & Food Science, Wallingford, v. 40,
n.1, p. 81- 114, 2010.
ADOLPHUS, K.; LAWTON, C. L.; DYE, L. The effects of breakfast on behavior
and academic performance in children and adolescents. Frontiers in Human
Neuroscience, Suiça, v. 7, n. 425, p. 1-28, 2013.
TRANCOSO, S. C.; CAVALLI, S. B.; PROENÇA, R. P. C. Café da manhã:
caracterização, consumo e importância para a saúde. Revista de Nutrição,
Campinas, v. 23, n. 5, p. 859-869, 2010.

BENEFÍCIOS E RISCOS DA DIETA


VEGETARIANA

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira “é considerado vegetariano todo


aquele que exclui de sua alimentação todos os tipos de carne, aves e peixes e
seus derivados podendo ou não utilizar laticínios ou ovos. O vegetarianismo
inclui o veganismo que é a prática de não utilizar produtos oriundos do reino
animal para nenhum fim (alimentar, higiênico ou de vestuário)”.

Há várias motivações que levam os indivíduos a se tornarem vegetarianos


incluindo questões éticas, de saúde, defesa do meio ambiente, familiares,
religiosas, filosofia e não aceitação de produtos de origem animal.

Quais os benefícios e riscos da adoção deste tipo de alimentação?


Estudos destas últimas décadas têm demonstrado que, em geral, vegetarianos
apresentam um risco menor de desenvolver sobrepeso/obesidade, doenças
cardiovasculares, hipertensão, diabetes, neoplasias, entre outras condições
que comprometem a qualidade de vida e a longevidade.

Numa pesquisa norte americana de corte realizada por Orlich e colegas (2015),
homens e mulheres membros da Igreja Adventista do Sétimo dia foram
acompanhados durante cinco anos.

Participaram 77.659 indivíduos e foram identificados 380 casos de câncer de


cólon e 110 casos de câncer retal. Em comparação com não vegetarianos, os
vegetarianos apresentaram um risco 22% menor de ocorrência para todos os
cânceres colorretais, 19% menor risco de câncer de cólon, e um risco 29%
menor de câncer retal.

Assim, eles concluíram que aqueles que consomem uma dieta vegetariana têm
um risco menor de desenvolver câncer colorretal quando comparado com os
participantes não vegetarianos. O que pode ter relação com o fato de a carne
vermelha estar associada a um risco mais elevado e os alimentos ricos em
fibra dietética estão associados a um risco reduzido da doença.

Além disso, a pesquisa mostrou que quando comparados com os participantes


não vegetarianos:

- Veganos tiveram um risco 16% menor de câncer colorretal;


- Lacto-vegetarianos (aqueles que também consomem leite e ovos) tinham um
risco 18% menor;
- Ictovegetarianos (aqueles que também comem peixes) teve 43% menos
risco;
- Semi-vegetarianos tinham um risco 8% inferior.

Os benefícios da dieta vegetariana podem estar associados a diferenças na


microbiota intestinal, como diz o estudo de revisão publicado na Revista
Nutrients em 2014 no qual os autores concluem que o perfil microbiótico
intestinal dos veganos parece ser único em várias características, incluindo
uma contagem reduzida de patobiontes (micro-organismos da microbiota
capazes de causar alguma patogênese em humanos), incluindo
Enterobacteriacea (família de bactérias gran-negativas, por exemplo a E. coli) e
uma maior abundância de espécies protetoras, tais como Faecalibacterium
prausnitzii, uma bactéria anti-inflamatória e produtora abundante de butirato.

Os veganos também parecem ter deficiência da microbiota intestinal que


converte a L-carnitina em N-óxido-de-trimetilamina (TMAO), um pró-
aterosclerótico. A redução dos níveis de inflamação pode ser o elemento-chave
que liga a microbiota intestinal vegana com benefícios para a saúde, conforme
a conclusão dos autores.

Os riscos da adoção desta dieta são mais relacionados a carências


nutricionais, pois estudos apontam deficiência no consumo e na concentração
sérica de alguns nutrientes, tais como:

Vitamina B12:
Os resultados do estudo EPIC-Oxford revelaram deficiência de vitamina B12
em 52% dos veganos, 7% dos vegetarianos e em 1% dos onívoros. Apesar de
a vitamina B12, antes limitada a alimentos de origem animal, ser encontrada
em alimentos vegetais como fungos, algas marinhas e vegetais fermentados,
não são considerados seguros, confiáveis e suficientes para suprir as
necessidades e evitar estados carenciais. Essas fontes alimentares alternativas
de vitamina B12 também foram responsabilizadas, em estudos, pela
disponibilização de formas inativas que interferem na absorção e no
metabolismo das formas ativas.
A macrocitose associada com a deficiência de vitamina B12 está associada à
doença fatal e não fatal coronária, enfarte do miocárdio, acidente vascular
cerebral e outros problemas circulatórios.

Ferro:
O ferro não heme encontrado em vegetais como legumes, grãos integrais,
frutas secas e folhas verde escuras apresenta absorção menor do que o ferro
heme encontrado em alimentos de origem animal.
Em geral, as dietas vegetarianas são ricas em ferro não heme e a ocorrência
de deficiência do íon não diferem da encontrada em indivíduos não
vegetarianos, apesar de os estoques serem menores nos vegetarianos.
Entretanto, estudo de 2013 demonstrou que a prevalência de deficiência de
ferro em uma amostra de indivíduos de 2 a 18 anos de idade foi maior em
vegetarianos comparado aos não vegetarianos. As concentrações de ferritina e
o volume corpuscular média das hemácias também foram menores em
vegetarianos.
Portanto, é necessário monitoramento dos estoques de ferro de indivíduos
vegetarianos, especialmente na população infantil.

Cálcio:
Estudos demonstram que a ingestão de cálcio em lacto-ovo vegetariana não
difere da ingestão de não vegetarianos, mas a ingestão de cálcio em veganos é
menor. Da mesma forma, a densidade mineral óssea não difere entre lacto-ovo
vegetarianos e não vegetarianos, mas em veganos é menor. O significado
clínico desses achados é contraditório, alguns estudos não encontraram
diferenças. Assim, em veganos seria interessante a suplementação de cálcio
com vitamina D e magnésio – visto que estes dois contribuem para absorção
do cálcio, o primeiro, em nível intestinal e o segundo em nível tecidual.

->

Referências:
BAENAI, R.C. Dieta vegetariana: riscos e benefícios. Diagn Tratamento.
2015;20(2):56-64.
ORLICH, M.J. et al. Vegetarian dietary patterns and the risk of colorectal
cancers. JAMA Intern Med. 2015;175:767-776.
GLICK-BAUER M.; YEH, M-C. The Health Advantage of a Vegan Diet:
Exploring the Gut Microbiota Connection. Nutrients. 2014;6(11):4822-4838.
PAWLAK, R. Is vitamin B12 deficiency a risk factor for cardiovascular disease in
vegetarians? Am J Prev Med. 2015 Jun;48(6):e11-26
GORCZYCA, D. Iron status and dietary iron intake of vegetarian children from
Poland. Ann Nutr Metab. 2013;62(4):291-7.
PERDER PESO É O MESMO QUE
EMAGRECER?

A palavra magro vem do latim “macru” e quer dizer falta de tecido adiposo ou
que tem pouca ou nenhuma gordura segundo dicionário Aurélio. E perda de
peso abrange o peso do corpo num todo contendo gordura, massa muscular,
órgãos, ossos e líquidos. Portanto, perder peso na balança nem sempre indica
emagrecimento.

Por isso esqueça um pouco o peso da balança, ele é constituído por massa
magra (engloba músculos, água, ossos e órgãos), e massa gorda (gordura
corporal, tanto a gordura subcutânea como a gordura visceral) e a redução do
peso pode se dar de diversas formas como perda de massa muscular, líquidos,
etc.

Somente o peso total não nos diz muita coisa. Sendo assim, verificamos a
importância de uma avaliação corporal completa, onde saberemos a
quantidade de gordura e de massa magra do indivíduo. Uma pessoa que
possui uma grande quantidade de gordura corporal tem maiores riscos de
desenvolver distúrbios endócrinos (hormonais), diabetes, resistência à insulina,
entre outras desordens, enquanto uma pessoa com maior massa muscular é
muito mais ativa metabolicamente facilitando assim o emagrecimento.

Mas então: devo perder peso ou emagrecer? Você deve emagrecer! Lembre-se
que acúmulo de gordura corporal é extremamente ruim para nosso organismo
e devemos reduzi-la aliando exercício físico com uma dieta balanceada para
não reduzir massa muscular.

Um estudo com 11 mulheres obesas teve como objetivo determinar se realizar


duas refeições por dia ou seis refeições por dia pode melhorar a composição
corporal. O estudo durou duas semanas e no final houve perda de peso nos
dois grupos, porém o grupo que realizou apenas duas refeições diárias perdeu
mais peso - 2,8kg, enquanto o grupo de seis refeições perdeu 1,9kg em média.
Entretanto, ao analisar a composição corporal, vemos que esse grupo de duas
refeições perdeu também mais massa magra (muscular), -3,3%, já o grupo de
seis refeições perdeu apenas 1,2% da massa magra. Portanto, você já tem
uma dica de como emagrecer: fracione sua alimentos em seis refeições.

Veja mais dicas para emagrecer de forma saudável e equilibrada:

- Não pule nenhuma refeição;


- Escolha lanches saudáveis e ricos em fibras como frutas, castanhas, nozes,
sementes, biscoitos integrais entre outros;
- Coma devagar e dê pausas durante a refeição para perceber os sinais de
saciedade do seu corpo;
- Substitua os alimentos ricos em gordura por opções como leite e iogurte
desnatados, frango ou bife grelhados e ovo cozido;
- Evite frituras;
- Coma primeiro a salada, e de preferência um pires cheio, assim terá menos
fome quando for comer o resto diminuindo a ingestão de carboidratos;
- Coma peixe com frequência, preferivelmente sardinha, atum e salmão, pois
são ricos em ômega 3 o que contribui para melhora da inflamação e contribui
para melhor desempenho cerebral;
- Beba muita água;
- Realize atividade física orientada por profissional habilitado;
- Consulte um nutricionista.

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

Referência
ALENCAR, M.K. et al. Increased meal frequency attenuates fat-free mass
losses and some markers of health status with a portion-controlled weight loss
diet. Nutr Res. 2015 May;35(5):375-83.
NUTRIÇÃO E PROGRAMAÇÃO
METABÓLICA

O termo metabolic programming ou programação metabólica foi introduzido na


literatura por Dörner em 1974. A programação metabólica é definida como a
indução, a deleção ou o prejuízo do desenvolvimento de uma estrutura
somática permanente ou o ajuste de um sistema fisiológico por um estímulo ou
agressão precoce, ocorrendo num período suscetível, resultando em
consequências de longo prazo para a função.

Alguns fatores que afetam a programação metabólica de forma negativa já são


bem conhecidos, tais como a desnutrição maternal, o uso de glicocorticoides e
diabetes gestacional. Tanto durante a gestação quanto 2 anos após o
nascimento, a criança pode ser afetada e como consequência podem surgir, na
vida adulta ou até na infância e adolescência, diversas doenças não
transmissíveis, tais como obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica,
doenças cardiovasculares, entre outras.

Em contrapartida, estudos recentes têm demonstrado efeitos positivos de


compostos bioativos e funcionais na programação epigenética, como é o caso
dos fitoesterois presentes em legumes, cereais, sementes, brócolis, cenoura,
abacate, laranjas e óleos vegetais.

Rideout et al. (2015) estudaram ratas geneticamente modificados para


apresentar hipercolesterolemia, e, alimentadas com dieta rica em colesterol
com ou sem suplementação de fitoesterois e os efeitos nas respectivas proles.
Os autores verificaram que as proles das ratas suplementadas com fitoesterois
apresentaram -25% no total de colesterol, -47% no LDL-c e -41% nos
triglicerídios comparado aos filhotes cujas mães não receberam a
suplementação.
Além disso, estudo recente, realizado por Tarry-Adkins e colaboradores, em
2014, demonstrou que ratos com baixo peso ao nascer e crescimento rápido de
recuperação está relacionado com menor concentração de Coenzima Q10
(CoQ10) no tecido aórtico e nos leucócitos, e que esta deficiência leva a
problemas cardiovasculares devido ao mecanismo de estresse oxidativo
aumentado e encurtamento dos telômeros acelerado. Os autores mostraram
que a suplementação precoce de CoQ10 (1mg/kg de peso corporal) reverteu
estes efeitos.

Já é bem estudado o efeito da suplementação de ômega 3 e consumo de


peixes ricos neste ácido graxo entre mães sobre o desenvolvimento cognitivo
dos bebês e a melhora nos pararâmetros de desenvolvimento motor e
intelectual. Porém, alguns estudos alertam para a contaminação de mercúrio e
o malefício que o omêga 3 contaminado ou apenas em excesso, consumido
pelas gestantes e lactantes, pode trazer nestes parâmetros em seus filhos.
Deve-se haver atenção ao que se consome e quanto se consome durante a
gestação e lactação, pois alguns alimentos e compostos bioativos
considerados benéficos, em excesso podem ser maléficos aos filhos de
gestantes e lactantes.

Neste sentido, há a hipótese de que a ingestão excessiva de linhaça durante a


lactação materna poderia induzir várias disfunções metabólicas em prole
adulta. Estudo brasileiro, publicado neste mês de setembro (2015) na revista
British Journal of Nutrition, testou o uso de linhaça (25% da dieta) em ratas
lactantes e sua influência na função adrenal dos filhos adultos.

Foram avaliados o peso corporal e a ingestão de alimentos durante o


desenvolvimento, corticosteronemia, conteúdo de catecolaminas adrenal,
colesterol hepático, conteúdo de triglicerídios e de glicogênio, e a expressão da
proteína de hormônio liberador de corticotropina (CRH), hormônio
adrenocorticotrófico (ACTH), 11-β-hidroxiesteroide desidrogenase tipo 1 (11β-
HSD1) e receptor β2 de adrenalina em 180 dias pós-natal.
Após o desmame, os filhotes do grupo Linhaça tiveram um peso corporal
superior (10%) e maior ingestão de alimentos (10%). Após 180 dias de vida, a
prole do grupo experimental exibiu maior concentração de corticosterona sérica
(48%) e menor conteúdo de catecolaminas adrenal (-23%), menor conteúdo de
glicogênio (-30%), maior de colesterol (aumento de 4 vezes) e triglicerídios (3
vezes de aumento ) e maior expressão de 11β-HSD1 (62%) hepáticos.
Embora, a expressão da proteína de CRH hipotalâmico não tenha sido afetada,
o grupo Linhaça teve menor expressão pituitária de ACTH (-34%). Por
conseguinte, a indução de hipercorticosteronemia por linhaça alimentar durante
a lactação pode ser devido a uma ativação hepática aumentada de 11β-HSD1
e supressão de ACTH. As alterações no conteúdo de gordura no fígado do
grupo da linhaça são sugestivas de esteatose, na qual a hipercorticosteronemia
pode desempenhar um papel importante. Assim, os autores recomendam que
as mulheres que amamentam restrinjam a ingestão de linhaça durante a
lactação.

Você pode entender melhor sobre os marcadores adrenais relacionados à


síndrome metabólica acessando o link deste artigo:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3427643/

Escrito por:
Mariane Caroline Meurer – CRN 10.5317P
Revisão: Gabriela Dors Wilke Rocha – CRN 10.4719

Referências:
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and Lactation Modulates Lipid and Lipoprotein Response in Offspring of apoE-
Deficient Mice. J. Nutr. vol. 145 no. 8 1728-1734 August 1, 2015.
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Tarry-Adkins JL, Fernandez-Twinn DS, Chen J-H, et al. Nutritional
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Mariana Sarto Figueiredo, Ellen Paula Santos da Conceição, Elaine de Oliveira,
Patricia Cristina Lisboa and Egberto Gaspar de Moura (2015). Maternal
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offspring. British Journal of Nutrition, 114, pp 1046-1053.
doi:10.1017/S0007114515002184.

SUPLEMENTAÇÃO ALIMENTAR
A busca por um “corpo perfeito” e da performance nos exercícios físicos tem
feito com que algumas pessoas adotem estratégias radicais nem sempre
associadas à promoção da saúde. Do ponto de vista alimentar, destaca-se o
surgimento de diversas “dietas milagrosas” bem como o crescimento do
consumo de suplementos nutricionais nos últimos 10 anos.

No lugar de uma nutrição adequada ao tipo de treino, a falta de conhecimento


sobre o assunto, assim como hábitos alimentares inadequados e a forte
influência dos treinadores e da mídia, acaba levando esses indivíduos a
utilizarem suplementos nutricionais e a adotarem um comportamento alimentar
que nem sempre atingem os objetivos esperados.

Suplementos alimentares são indicados para pessoas que necessitam de mais


calorias, proteínas e vitaminas além dos que são ingeridos via alimentação
diária. Há casos específicos, como os de atletas que passam a maior parte do
dia treinando e não conseguem suprir só com as refeições diárias normais
(café da manhã, lanches, almoço e jantar) as necessidades de todos os
nutrientes. Por isso, nesses casos em específicos, se indica o uso de
suplementos para complementar a alimentação base.

A suplementação tem o objetivo de complementar com outros nutrientes a dieta


diária de uma pessoa saudável, em casos onde sua ingestão, a partir da
alimentação, seja insuficiente não podendo substituir os alimentos e nem
serem considerados como dieta exclusiva.

O nutricionista é o profissional habilitado para investigar os hábitos alimentares


dos indivíduos, através de métodos específicos. A simples ingestão do alimento
ou do suplemento não garante que seus nutrientes estarão biodisponíveis, ou
seja, que serão utilizados para o fim esperado. É necessário analisar a real
necessidade de suplementar, qual suplemento utilizar e a qualidade da
matéria-prima que está sendo utilizada. E também ter condições químicas e
fisiológicas ideais para absorção, transporte, e utilização pelas células do
organismo. Essas etapas são essenciais para o metabolismo funcionar direito.

Deve-se ter muito cuidado ao fazer uso de suplementos, os quais se utilizados


sem necessidade podem ser prejudiciais à saúde do indivíduo, já que a
ingestão estará acima do que ele necessita diariamente. Podemos citar o
exemplo do uso excessivo de suplementos com carboidratos que pode levar a
um ganho de peso indesejado.

Um exemplo são os repositores hidroeletrolíticos, que são bebidas com


associação de carboidratos e eletrólitos (sódio, cloreto, potássio, vitaminas e
minerais) para a reposição de água e minerais durante o exercício, ou
repositores energéticos que são formulados principalmente com carboidratos
para alcançar ou manter o nível de energia necessário do atleta.

Podemos citar também os proteicos, onde há predominância de proteínas para


complementar as necessidades do esportista, os compensadores que possuem
uma formulação variada de nutrientes como carboidratos, proteínas, gorduras,
vitaminas e minerais. Há também os aminoácidos de cadeia ramificada, que
possuem concentrações variadas de valina, leucina e isoleucina como
fornecedores de energia, os quais estão relacionados com o processo
anabólico do metabolismo e à redução da fadiga em exercícios de longa
duração.

Na hora da compra de determinados suplementos deve-se estar atento.


Indivíduos que adquirem suplementos alimentares produzidos fora do Brasil
devem ter atenção redobrada, esses suplementos podem conter ingredientes
que não são seguros para serem consumidos como alimento ou podem possuir
substâncias com propriedades terapêuticas.

O uso indiscriminado desses suplementos alimentares tem sido relacionado na


literatura como causadores de danos graves à saúde do indivíduo, como:
dependência, efeitos tóxicos no fígado, insuficiência renal, alterações
metabólicas e do sistema nervoso central, podendo levar em alguns casos, o
indivíduo a morte.

Devido a isso é importante o acompanhamento com o nutricionista


especializado, que é o profissional qualificado que irá orientar quais
suplementos alimentares serão necessários e sugerir os de qualidade.
Referências
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ASSOCIATION – CDA; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE –
ACSM. Nutrition and athletic performance. Journal of the American Dietetic
Association, v. 100, n. 12, 2000.
AGÊNCIA NACIONAL DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Portaria nº 354/2006.
Dispõe sobre alimentos para atletas. Diário Oficial da União. Brasília, 2005.
CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS. Resolução CFN nº380/2005.
Dispõe sobre a definição das áreas de atuação do nutricionista e suas
atribuições, estabelece parâmetros numéricos de referência, por área de
atuação, e de outras providências. Brasília, 2005.
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W.D; KATCH, F.I; KATCH, V.L. Fisiologia do exercício. 5. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2003. p. 3-106.
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medications by Canadian athletes at the Atlanta and Sydney Olympic Games.
Clinical Journal of Sport Medicine, v. 16, n. 1, 2006.
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11, n. 2, p. 174-185, Jun. 2001.
RODRIGUES, T. As Principais Recomendações Nutricionais para as Atividades
Praticadas em Academias. Revista de Nutrição, Saúde e Performance –
Anuário de nutrição esportiva funcional., 2003.
SAPATA, K. B.; FAYH, A. P. T.; OLIVEIRA, A. R. Efeitos do consumo prévio de
carboidratos sobre a resposta glicêmica e desempenho. Revista Brasileira de
Medicina do Esporte, v. 12, n. 4, p. 189-194. Porto Alegre, 2006.
SCHNEIDER, A. P.; MACHADO, D. Z. Consumo de suplementos alimentares
entre freqüentadores de uma academia de ginástica de Porto Alegre/RS.
Revista Nutrição em Pauta. nº 78. São Paulo, 2006.
SILVA, L. M. L. Guia alimentar para atletas. In: BIESEK, S.; ALVES, L. A.;
GUERRA, I. (Ed.). Estratégias de nutrição e suplementação no esporte.
Barueri, SP: Manole, 2005. p. 169-189.
MARGARINA X MANTEIGA X AZEITE
DE OLIVA

A alimentação e a nutrição formam requisitos básicos para a promoção e a


proteção da saúde sendo que, uma das ações mais importantes para a
promoção da saúde da população é o desenvolvimento de hábitos saudáveis.
A escolha alimentar tem grande relação com a saúde do indivíduo. Sabendo
disso, qual sua escolha: Margarina, Manteiga ou Azeite de Oliva?

Em estudo publicado em 2014 na revista Ciência & Saúde Coletiva os


pesquisadores observaram que dentre os alimentos com alto teor de gordura
saturada, os mais consumidos diariamente foram o leite integral (45,6%), a
margarina (26,6%), os queijos (13,9%) e a manteiga (12,7%). O consumo
frequente e em grande quantidade de gorduras, principalmente de origem
animal, aumenta o risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)
como obesidade, dislipidemias e doenças do coração.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 80% a 90% das pessoas que


morrem de doença coronariana têm um ou mais fatores de risco diretamente
associados a estilo de vida, hábitos alimentares, atividade física e outros
passíveis de modificação. Dentre as gorduras mais utilizadas pela população
podemos citar a manteiga, a margarina e o azeite e oliva. Mas qual a diferença
entre eles?

A margarina e o creme vegetal são emulsões contínuas do tipo água em óleo


(A/O) resultantes da adição de uma fase aquosa em uma fase gorda sob
agitação. A fase gorda pode conter óleos hidrogenados ou não hidrogenados
ou ainda a mistura de ambos, os quais determinam as propriedades do produto
final.

Entretanto nas últimas décadas o uso da hidrogenação para se produzir


gorduras vegetais na indústria de alimentos tem sido cada vez mais
questionado. O problema associado à hidrogenação é que nas condições de
reação ocorre a reação paralela de isomerização de ligações duplas, ou seja,
parte dos isômeros cis é convertida em isômeros trans. Esta reação acontece
porque termodinamicamente os isômeros trans são mais estáveis.

No Brasil a hidrogenação de óleos vegetais teve uma ascensão significativa a


partir da década de 1950, quando os óleos vegetais processados rapidamente
substituíram as gorduras animais. Além do uso doméstico de gordura vegetal
culinária, margarinas e gorduras para frituras, diversos produtos alimentícios,
como biscoitos, produtos de panificação e batatas chips, dentre outros, são
ricos em ácidos graxos trans.

As gorduras trans estão no topo da lista quando se fala em alimentação


saudável e saúde cardiovascular. Esse tipo de gordura desperta o interesse da
indústria alimentícia por permitir maior prazo de validade, pela sua estabilidade
durante a fritura e, por ser uma gordura semissólida, poder melhorar a
palatabilidade de doces e manufaturados assados. Assim, esse assunto
envolve interesses econômicos volumosos, representados pelas empresas de
alimentação e pelas cadeias de fast-food.

O grande interesse em utilizar gorduras hidrogenadas na produção de


alimentos se deve ao desenvolvimento de gorduras cada vez mais específicas,
com o objetivo de melhorar as características físicas e sensoriais dos
alimentos. No Brasil, a utilização de gorduras hidrogenadas é ampla e muitas
vezes indiscriminada, envolvendo a produção de margarinas, cremes vegetais,
pães, biscoitos, batatas fritas, massas, sorvetes, pasteis, bolos, entre outros
alimentos.

Entre os óleos, se destaca o azeite de oliva extravirgem, o qual é o único azeite


de oliva que não é extraído por solventes, pois é obtido por compressão da
oliva a frio, o que não altera a natureza da semente. Esse azeite, durante o
amadurecimento, conserva melhor seus componentes, entre os quais estão os
polifenois agliconados, característicos pelo odor do azeite.

Contudo, quando o processo incluiu o uso de solventes (azeites refinados), boa


parte dos compostos fenólicos é perdida. Isso também ocorre quando o azeite
é alcalinizado para reduzir a acidez. As variedades de azeitonas mais comuns
destinadas à extração do azeite possuem até 80% em ácido oleico (C18: ω9), e
quantidades razoáveis de ácidos graxos considerados essenciais, compostos
sintetizados somente por vegetais sendo imprescindíveis para o organismo.
Outros constituintes importantes presentes no azeite de oliva incluem
tocoferois, compostos fenólicos, vários minerais e vitaminas do complexo B,
sendo uma fonte rica em antioxidantes naturais com elevado poder biológico.

Por conseguinte, os efeitos benéficos do azeite de oliva dependem do uso do


óleo extravirgem, especialmente por seu conteúdo de polifenois e com os
seguintes efeitos principais: 1) potente inibidor de radicais livres; 2) inibidores
da oxidação de LDL-colesterol; 3) inibidores de agregação plaquetária; 4)
antitrombóticos.

Em um estudo publicado pela revista Nutrition & Diabetes deste ano analisaram
a associação entre o uso de azeite de oliva extravirgem com o perfil glicêmico
pós-prandial e lipídico. Foram investigados 25 voluntários saudáveis,
distribuídos aleatoriamente em um delineamento cross-over com a refeição do
Mediterrâneo adicionada ou não de 10g de azeite de oliva. Foi realizado então
um segundo estudo comparando a dieta do mediterrâneo, adicionada de 10g
de azeite de oliva, com a adição de 10g de óleo de milho. Foram analisados
perfil glicêmico o qual inclui glicose, insulina-peptidase-4 dipeptidil (-4DPP),
GLP-1 e GIP, e perfil lipídico que inclui LDL-c, LDL oxidada (Ox-LDL),
triglicerídeos, HDL-c, antes e 2h após a refeição.

Os resultados encontrados foram que 2h após a refeição os indivíduos que


consumiram uma refeição com azeite de oliva (primeiro estudo) obteve
diminuição significativa da glicose sanguínea, -4DPP, LDL-c e Ox-LDL e mais
elevado de insulina, GLP-1 e GIP quando comparados com aqueles sem azeite
de oliva. O segundo estudo mostrou que em comparação com o óleo de milho
o azeite de oliva melhorou tanto o perfil glicêmico quanto o lipídico, aumento
significativamente menor de glicose, -4DPP e maior de insulina e GLP-1 e
menor aumento de LDL-c e Ox-LDL. Pode-se concluir então que o azeite de
oliva melhora o perfil glicêmico pós-prandial e LDL-c, o que pode explicar o
efeito protetor cardiovascular da dieta mediterrânea.

Já a manteiga, de acordo com a Portaria n° 146, “com o nome de manteiga


entende-se o produto gorduroso obtido exclusivamente pela bateção e
malaxagem, com ou sem modificação biológica do creme pasteurizado
derivado exclusivamente do leite de vaca, por processos tecnologicamente
adequados”. Em estudos com indivíduos hipercolesterolêmicos e com
síndrome metabólica que compararam diferentes tipos de margarina e
manteiga, o valor de LDL-c manteve-se inalterado ou pouco aumentado após
consumo de manteiga. Possui aproximadamente 98% de triacilglicerois.
diacilglicerois, monoacilglicerois, fosfolipídeos e esterois, principalmente o
colesterol, correspondem a cerca de 0,3%.

Em um estudo publicado pelo The American Journal of Clinical Nutrition em


2015, a ingestão moderada de manteiga resultou em aumento no colesterol
total e LDL-c em comparação com os efeitos da ingestão de azeite de oliva em
uma dieta habitual. Além disso, o consumo moderado de manteiga também foi
seguido por um aumento no colesterol HDL.

Conclui-se então que as pessoas com hipercolesterolemia devem evitar o


consumo de manteiga e margarina (preferir o azeite de oliva), enquanto que
ingestão moderada de manteiga pode ser considerada parte da dieta na
população normocolesterolêmicos.

Receita – Manteiga de Azeite de Oliva

Ingredientes:

Azeite de oliva

Ramos de alecrim

Ramos de tomilho

Ramos de manjericão

Modo de Preparo:
Adicione as ervas misturadas na forminha de gelo, cubra com azeite de oliva e
leve ao congelador. Desenforme e utilize como manteiga normalmente, após
uso retorne ao congelador.

Referências:

HISSANAGA et al. Ácidos graxos trans em produtos alimentícios brasileiros:


uma revisão sobre aspectos relacionados à saúde e à rotulagem nutricional.
Rev. Nutr. vol.25 no.4 Campinas July/Aug. 2012.

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prandial blood glucose and LDL cholesterol in healthy subjects. Nutr Diabetes.
2015 Jul 20;5:e172.

KLEN, T. J.; VODOPIVEC, B. M. The fate of olive fruit phenols during


commercial olive oil processing: Traditional press versus continuous two-and
three-phase centrifuge. Food Sciense and Tecnology, v.49, p.267-274, 2012.

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e saúde. Arq Gastroenterol, v.38, n.4, out./dez. 2001.

SILVA, M. S. et al. Risco de doenças crônicas não transmissíveis na população


atendida em Programa de Educação Nutricional em Goiânia (GO), Brasil.
Ciência & Saúde Coletiva, 19(5):1409-1418, 2014.

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ENGEL, S; THOLSTUP, T. Butter increased total and LDL cholestetol


compared with olive oil but resulted in higher HDL cholesterol compared with a
habitual diet. Am J Clin Nutr. v. 102, n. 2, p. 309-315, 2015.
MELLO, L.D; PINHEIRO, M.F. Aspectos físico-químicos de azeites de oliva e
de folhas de oliveira provenientes de cultivares do RS, Brasil. Alim. Nutr. v. 23,
n. 4, p. 537-548, 2012

PINHO, D.M.M; SUAREZ, P.A.Z. A hidrogenação de óleos e gorduras e suas


aplicações industriais. Rev. Virtual de Química, v. 5, n. 1, p. 47-62, 2013.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. I Diretriz sobre o consumo de


Gorduras e Saúde Cardiovascular. v. 100, n. 1. Rio de Janeiro, 2013.

DIETA E ENVELHECIMENTO

A pele ou cútis possui função de proteção, regulação da temperatura corporal,


defesa contra micro-organismos, excreção de sais através do suor, formação
de vitamina D3, dentre outras funções. Ela é dividida em 3 camadas:

• Hipoderme – camada mais profunda que contém gordura;


• Epiderme – camada do meio. É permeada por poros e glândulas
sebáceas e sudoríparas. Constituída de melanócitos, células
responsáveis pela pigmentação da pele e proteção contra raios UV; e
ceratinócitos, os quais protegem a pele do calor;
• Derme – Camada externa, onde há grande concentração de vasos
sanguíneos e linfáticos e nervos (proporcionando a sensibilidade ao
calor, frio, dor, coceira). Nesta camada se encontra as fibras elásticas e
colágenas.

O processo de envelhecimento ocorre tanto por causas genéticas, mudanças


hormonais associadas à menopausa (envelhecimento intrínseco – que vem de
dentro para fora), quanto por influências ambientais, como luz solar, vento,
umidade, doenças dermatológicas, fumo, álcool e alimentação.

As modificações naturais da pele que ocorrem pelo envelhecimento intrínseco


levam a ressecamento, flacidez, alterações vasculares, rugas e diminuição da
espessura da pele, afetando todas as suas camadas.
A exposição ao sol é um dos principais fatores ambientais relacionados com o
envelhecimento precoce conhecido como "foto envelhecimento" e conduz à
destruição das fibras elásticas e colágenas, ao aparecimento de manchas e à
ocorrência de lesões pré-malignas ou malignas (câncer).

A radiação UV propicia a formação dos radicais livres produzidos e, com isso,


eleva o número de lesões não reparadas, que alteram o metabolismo de
renovação da pele e são responsáveis pelo envelhecimento precoce, e elevam
o risco de aparecimento do câncer de pele.

O processo de envelhecimento precoce pode ser evitado com a ajuda de


alimentos fotoprotetores, antioxidantes e suplementos alimentares. Confira
alguns deles:

Nutrientes Fontes alimentares Ação na pele

Protege contra os raios UV;


Abacaxi, acerola, agrião, caju, goiaba, laranja,
Vitamina C limão, morango, salsão, tangerina, tomate, entre Preserva o colágeno – proteína
outros. responsável pela elasticidade d
evitando as temidas rugas.

Atua na renovação da pele.


Fígado, gema de ovo, iogurte natural, leite e
Vitamina A
derivados.

Abóbora, agrião, batata-doce, brócolis, cenoura,


Atua na renovação da pele.
couve, damasco, espinafre, entre outros
Betacaroteno
vegetais de cor alaranjada, amarelada e verde
escuro.

Protege as membranas das cé


Castanha do Brasil, cereais integrais, germe de
Vitamina E
trigo, pães integrais, repolho, etc.
Potencializa a ação da vitamin
Reduz as cicatrizes.

Protege as células dos radicais


(agentes oxidantes que acelera
celular e prejudicam a renovaç
Selênio Castanha do Brasil, grãos integrais, peixes. mesma);

Evita a flacidez e envelhecime


causados pelo sol.

Ajuda a combater os radicais li


Ostras, carnes vermelhas, algas, ostras, leite e
Zinco
derivados, grãos integrais.
Favorece a renovação celular.

Ação antioxidante – combate o


Frutas vermelhas, couve-flor, cebola, alho, livres, principais agentes nociv
Flavonoides
cacau, castanhas, feijão e outros. promovem o envelhecimento c
precoce.

Estimula a produção de coláge


pele melhorando a elasticidade
Colágeno
Suplemento hidratação.
hidrolisado

Faz parte da estrutura do colág


elastina, responsáveis pela ela
pele;
Silício
Suplemento (Exsynutriment®)
orgânico Evita danos como desidratação
rugas;

Otimiza o processo de cicatriza

Que tal um suco para combater o envelhecimento cutâneo?


1 xícara de folhas verde escuras

Frutas vermelhas (4 unidades de amora, 3 unidades de morango, 200ml de


suco de uva integral)

1 colher (sobremesa) rasa de colágeno hidrolisado em pó sem sabor

2 Castanhas do Brasil

Bater no liquidificador e consumir à noite.

Referências:

PUJOL, A.P.P. (org.). Nutrição aplicada à estética. Rio de Janeiro, RJ:


Editora Rúbio, 2011.

PUJOL, A.P.P. Manual de nutricosméticos: receitas e formulações para a


beleza. Camboriú, SC: IEPN, 2012.

REPROGRAME SEU CÉREBRO

O condicionamento das nossas preferências por certos alimentos começa


desde a infância e acredita-se que estas se fixam na vida adulta, tornando
dificultoso o processo de mudança durante esta fase. Entretanto, estudo
sugere que podemos mudar nossas preferências alimentares sem fazer
restrições e mantendo o prazer de comer.

Publicado em 2014 pela revista Nutrition & Diabetes, os autores observaram


que é possível mudar o sistema de recompensa no cérebro e as preferências
por alimentos, através de uma intervenção que combinou mudança de padrão
alimentar e mudança comportamental.

Para compreender o estudo vamos entender melhor sobre o sistema de


recompensa cerebral mediado por alimentos!

O sistema de recompensa dopaminérgico mesolímbico funciona como um


centro de recompensa onde vários mensageiros químicos, incluindo a
serotonina, encefalina, ácido -aminobutírico (GABA), dopamina (DA), a
acetilcolina (ACH), entre outros, atuam em conjunto para proporcionar uma
liberação de dopamina (“hormônio do prazer”) no chamado núcleo accumbens
o qual abrange principalmente a área tegmental ventral (ATV) e os neurônios
dopaminérgicos - núcleo estriado dorsal. Este circuito está implicado no prazer
desencadeado por recompensas naturais, como os alimentos, o sexo e o
relaxamento e constitui a base neural para os fenômenos relacionados ao vício
e dependência química.

A recompensa alimentar neural consiste num processo composto por 3


principais componentes: componente hedônico ou resposta hedônica,
componente de motivação ou incentivo e aprendizagem que permite fazer
associações e predições, fenômenos que podem ser aplicados tanto a
recompensas naturais como a recompensas artificiais causada por
substâncias químicas, como a própria nicotina.

O componente hedônico (liking) é o estado motivacional que se reflete, por


exemplo, na antecipação do prazer obtido através da ingestão de alimentos de
elevada palatabilidade, como gorduras e açúcares, os quais estão associados
à liberação de dopamina.

O componente motivacional (wanting) normalmente gerado por estímulos de


recompensa (por ex. visuais ou olfativos) induz a procura de alimentos
traduzindo-se em aumento do apetite, craving(significa compulsão, fissura), e
em outros comportamentos associados a uma motivação aumentada para
obter alimentos.
Ambos estão associados à aprendizagem, realizando associações dos
alimentos com mecanismos de recompensa e predições de prazer ao consumir
certos alimentos.

Estudos recentes mostram que a ingestão alimentar induzida pelo estresse


está relacionada com um aumento do wanting pós-prandial e também com uma
diminuição do liking após as refeições. As pontuações de liking pós-prandiais
são mais baixas em obesos do que em indivíduos eutróficos em situações de
estresse. O que sugere uma dificuldade na obtenção de prazer nestes
indivíduos que por sua vez leva a uma procura excessiva pela recompensa, o
que pode resultar num aumento do consumo alimentar e peso corporal.

Na obesidade parece existir uma menor capacidade de sinalização da


dopamina. Os indivíduos obesos apresentam uma disponibilidade do receptor
da mesma (D2R) inferior à de indivíduos eutróficos em resposta à ingestão de
alimentos de elevada palatabilidade. Simultaneamente, os obesos apresentam
maior ativação dopaminérgica em resposta a imagens de alimentos. Estes
dados sugerem que na obesidade há uma dificuldade na obtenção da
recompensa através da ingestão (resposta hedônica - prazer) e uma maior
sensibilidade aos estímulos sensoriais de alimentos (componente
motivacional).

Existem também evidências de que a ingestão de alimentos de elevada


palatabilidade reduzem a sinalização da dopamina. Em ratos, a ingestão
frequente de alimentos ricos em açúcar e gordura leva a uma diminuição dos
D2R, bem como diminuição da sensibilidade à recompensa. Estes resultados
foram confirmados em humanos, num estudo de ressonância magnética
funcional de imagem (RMFi): as mulheres que tinham aumentado de peso nos
últimos 6 meses mostraram uma redução na resposta dopaminérgica, em
resposta à ingestão de alimentos de elevada palatabilidade.

Com estes resultados, Wang et al. propuseram a teoria da hipofunção


dopaminérgica, a qual sugere que a hiperfagia resulta de uma adaptação do
cérebro dos indivíduos obesos para compensar a diminuição da função
dopaminérgica. Se uma atividade e disponibilidade dopaminérgica diminuída
promove a ingestão alimentar, então o aumento da dopamina cerebral deveria
produzir o efeito contrário, ou seja, inibir a ingestão. Portanto, o menor
consumo de alimentos gordurosos e açucarados pode melhorar a sensibilidade
à dopamina reduzindo a ingestão alimentar.

Neste contexto, o estudo de Roberts e sua equipe, com 13 homens e mulheres


apresentando sobrepeso e obesidade, os quais foram submetidos a seis meses
de intervenção em um programa de emagrecimento criado pela autora,
chamado The iDiet, cujo objetivo foi ajudar os participantes a alcançar uma
perda de peso sustentável de 0,5-1,0 kg por semana participando de um
programa comportamental em grupo projetado para facilitar a adesão às
recomendações a fim de reduzir o consumo de energia em -500 a -1000 kcal
calorias por dia. Sendo prescrito cerca de 25% de energia proveniente de
proteínas e gorduras, e 50% dos carboidratos de baixo e médio índice
glicêmico e 40g ou mais de fibra dietética por dia.

Para isso eles utilizaram de estratégias educacionais e de coaching para


facilitar a sustentabilidade de reduzir o consumo energético por meio da
redução da fome, utilizando alimentos e ingredientes capazes de aumentar a
saciedade, e desvalorização das associações existentes entre o consumo de
alimentos não saudáveis e recompensa e reforçando em paralelo com as
associações entre o consumo de alimentos saudáveis e recompensa.

Foi realizada ressonância magnética dos cérebros dos participantes antes e


depois da intervenção a fim de identificar a atividade do núcleo estriado dorsal.
Durante o exame os sujeitos visualizaram 40 imagens de comidas saudáveis e
40 não saudáveis e também 40 imagens de objetos similares de alguma forma
a cada um destes alimentos, os participantes classificaram as fotos usando
uma caixa de botão com uma escala de 1-4, onde 1 ‘não desejável 'e 4 era
‘extremamente desejável’ cada apresentação de fotos durou 5 segundos e foi
repetido 20 vezes.

O grupo de intervenção obteve, após os 6 meses, mudanças positivas no seu


sistema neurológico de recompensa, portanto, eles já não tinham mais tanto
desejo por itens calóricos, ocorrendo o contrário, esta área cerebral se tornou
sensível a alimentos de baixas calorias, tornando mais prazeroso o consumo
de alimentos saudáveis. Além disso, eles reduziram 6 kg de peso corporal.
Os autores concluíram que vários pontos da intervenção foram importantes,
incluindo a reeducação alimentar, mudança de comportamento e incentivo a
escolha por preparações e alimentos menos calóricos e ricos em fibras.
Mostrando que é possível treinar o cérebro a transformar a relação com os
alimentos adquirindo hábitos saudáveis sem restringir ou cortar alimentos e
sem abrir mão do prazer de comer.

Referências:

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e Metabolismo, v.8, n.2, 2013. Disponível
em: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1646343913000400.

WANG, G.J. et al. Brain dopamine and obesity. Lancet., v.357, n.9253, p.354–
7. 2001.

OS BENEFÍCIOS DA FITOTERAPIA NA
TPM

A Síndrome Pré-Menstrual (SPM) trata-se do conjunto de queixas somáticas


e/ou psicológicas recorrentes que ocorrem especificamente durante a fase
lútea do ciclo menstrual (tipicamente nas 2 últimas semanas do ciclo menstrual)
e que desaparecem logo após o surgimento da menstruação ou após o final
desta, sendo as alterações suficientemente intensas para interferir com o
normal funcionamento da mulher, com a sua qualidade de vida e as suas
relações interpessoais.

É considerada síndrome, pois engloba sintomas muito abrangentes, tanto


psíquicos como físicos. Os principais são: depressão, confusão, irritabilidade,
fadiga, dor nas mamas, distensão abdominal, dor de cabeça, edema, ganho de
peso e acne discreta.

O sistema endócrino, o reprodutor e o serotoninérgico tendem a realizar a


regulação do comportamento. As alterações nos níveis de estrógeno e de
progesterona, durante o ciclo menstrual, agem sobre a função serotoninérgica
e em mulheres mais sensíveis, podem ocorrer manifestações emocionais da
síndrome pré-menstrual.

A SPM possui sintomas com grande duração, número e intensidade, podendo


ser divididos em sintomas físicos ou somáticos e emocionais. Os sintomas
somáticos descritos referem-se à mastalgia, distensão abdominal, cefaleia e
inchaço de extremidades ou sensação de “inchaço geral”, oliguria, ganho de
peso, dor pélvica e aumento das mamas. Os sintomas emocionais relatados
são depressão, fúria, irritabilidade, ansiedade, confusão, isolamento social,
dificuldade de concentração, indecisão, transtornos de sono e agressividade.

O período menstrual influencia o tamanho das refeições e do apetite, o


consumo de macronutrientes consumidos, modificações na escolha de
produtos alimentícios e a compulsão por certos tipos de alimentos,
especialmente os doces.

As mulheres buscam maneiras mais naturais para reduzir os sintomas da SPM.


Desde que SPM foi considerada uma condição crônica, tem se observado
efeitos colaterais de alguns medicamentos utilizados para aliviar os sintomas. A
Fitoterapia tem sido reconhecida como um tratamento aceitável porque
normalmente provoca menos efeitos colaterais. Um estudo mostrou que o
tratamento mais comum realizado pelas mulheres Asiáticas são os hormônios
(32%) enquanto no grupo Europeu houve prevalência do uso de fitoterápicos
e vitaminas para amenizar a SPM (48%).
Foi demonstrado que o Crocus Sativus (Açafrão) em dose de 30 mg / dia (15
mg duas vezes por dia - manhã e à noite) foi significativamente eficaz em três
ciclos de quatro no total de sintomas pré-menstruais segundo
escala Hamilton Depression Rating Scale.

O óleo de prímula (Oenothera biennis), é obtido das sementes de Oenothera


biennis(Onagraceae), contém ácido gama linoleico e ácido linolênico,
constituintes das membranas dos tecidos e precursores das prostaglandinas.
É indicado no tratamento coadjuvante da SPM por ser rico em ácido linoleico,
precursor do ácido gama linolênico (DGLA).

Este auxilia na redução de prostaglandinas inflamatórias e aumento de


prostaglandinas anti-inflamatórias, as quais aliviam a cólica menstrual,
mastalgias e retenção hídrica. DGLA também pode estimular pequenas
quantidades de estrogênio, uma das causas da TPM devido à queda do
hormônio na fase lútea. Indicada 2 doses ao dia pela manhã a partir do 14º dia
do ciclo menstrual de Óleo de Prímula (Oenothera biennis) padronizado a 7%
de DGLA - 1g, tendo sua dose máxima diária de 6g.

A utilização de cálcio, também, demonstrou ter benefícios significativos em


estudos amplos e adequados metodologicamente. A suplementação de 1.200
mg/dia de Ca parece de fato ser efetiva no tratamento da SPM. Distúrbios no
metabolismo do cálcio resultam em efeitos colaterais, como formação de
litíase, insuficiência renal e síndrome da hipercalemia. Pacientes com
hiperparatireoidismo, doença renal crônica ou litíase renal não devem exceder
a suplementação de cálcio. Podem ocorrer relatos de obstipação e flatulência
com o uso de suplementos de cálcio.

A vitamina B6 atua como cofator na formação da serotonina e por esse motivo,


poderia exercer efeitos benéficos sobre os sintomas da SPM, principalmente
alterações de humor. Quando os níveis dessa vitamina estão baixos, pode
ocorrer aumento dos níveis de prolactina, que podem acarretar edema e os
sintomas psicológicos associados à SPM. Recomendado de 25 a 100 mg/ dia.
Não há nenhuma toxicidade associada com vitamina B6. Entretanto, quando
ingerida em altas doses, tem sido associada a efeitos que incluem
formigamento de mãos e pés, redução da coordenação muscular e dificuldade
de caminhar.

A vitamina E pode melhorar o humor e aliviar sintomas físicos, incluindo


ansiedade e mastalgia por meio da síntese de prostaglandinas e equilíbrio
hipotalâmico de neurotransmissores. Em estudo randomizado, duplo-cego, com
doses de 400 UI por dia, promoveram melhora significativa em certos sintomas
afetivos e físicos em algumas mulheres com SPM.

A NUTRIÇÃO COMO ALIADA NO


COMBATE AO TABAGISMO

O fumo é fator de risco para as quatro principais causas de morte em todo o


mundo: doença cardíaca e pulmonar obstrutiva crônica, câncer e acidente
vascular cerebral (AVC).

O cigarro é composto por aproximadamente 9 a 17 mg de nicotina de 800mg


de tabaco por cigarro, além de outros 3.000 ingredientes. Sua fumaça produz
gases como nitrogênio, dióxido de carbono, metano, entre outros. Além de
produzir um composto de substâncias químicas, sendo algumas
carcinogênicas, chamado alcatrão numa proporção de 17 a 40 mg por unidade.
Ainda, estudo encontrou 20,9 mg de mercúrio por cigarro, substância altamente
tóxica.

Portanto, você tem todos os motivos para acabar com o hábito de fumar!

Porém, o fato de a nicotina causar dependência química no organismo torna a


cessação do tabagismo uma tarefa difícil.

Vejamos primeiro qual é o mecanismo de atuação de dependência da nicotina


no corpo:

A nicotina atua principalmente no sistema nervoso central, no cérebro ela age


nos receptores nicotínicos da acetilcolina, promovendo excitação neuronal e
maior liberação de neurotransmissores. Na medula, inibe os reflexos espinhais
e causa relaxamento do músculo esquelético.

Os efeitos neuroquímicos da nicotina incluem a liberação de dopamina,


noradrenalina e serotonina, semelhantes aos efeitos de alguns antidepressivos
Por isso, alguns fumantes revelam que fumar ajuda a aliviar o estresse e a
depressão.

Neste sentido, a nutrição pode auxiliar na cessação do tabagismo no sentido


de modulação do estresse, ansiedade e depressão. Reduzindo os efeitos
negativos da abstinência.

Com relação à serotonina, hormônio “da felicidade”, sabe-se que o aminoácido


triptofano é precursor de serotonina, sendo um componente importante desta
molécula, e os estudos mostram que o consumo aumentado deste estimula a
produção da serotonina, assim, é importante incluir na dieta banana, feijão,
oleaginosas como castanhas, nozes e amendoins e a aveia.

->

Na produção deste hormônio as vitaminas do complexo B são essenciais,


assim o consumo de vegetais verdes escuros, os ovos, as castanhas, cereais
integrais (aveia, trigo integral, quinoa) e leguminosas (feijão, lentilha, ervilha e
grão-de-bico), frutas como banana, abacate, uva, ameixa e pêssegos e carnes
deve ser diário.

É interessante modular o cortisol, hormônio marcador do estresse, portanto, o


consumo de ômega 3 é interessante, visto que estudo demonstrou que a
suplementação de 2,5 g deste reduziu 20% da ocorrência de ansiedade nos
participantes. As fontes alimentares de ômega 3 são peixes como o salmão, a
sardinha, o atum e a truta e as fontes vegetais (em forma de ALA) são a chia, a
linhaça e vegetais como brócolis e couve.

Outros nutrientes que auxiliam, realizando a função da nicotina são o zinco,


com efeito antidepressivo e o magnésio com efeito relaxante da musculatura.
Presentes em frutos do mar, carnes, gérmen de trigo, grãos integrais, legumes
e hortaliças, frutas, entre outros. A vitamina D também é um importante
modulador do humor, a maior fonte são os raios solares sem uso de filtro,
suplementos, óleo de fígado de bacalhau, óleo de salmão e peixes.

Alguns fitoterápicos possuem efeitos na modulação do humor, vejamos alguns


exemplos: aGriffonia simplicifolia, o qual contém mais de 90% de 5-
hidroxitriptofano; a L-theanina, atua equilibrando o metabolismo da dopamina
e serotonina; a Melissa oficinalis, é calmante e ajuda a relaxar; a Passiflora
incarnata (maracujá) controla a ansiedade; a Rhodiola rosae auxilia na
tolerância ao estresse e equilibra o metabolismo de dopamina e serotonina;
entre outros. Estes devem ser prescritos por profissionais habilitados, como
nutricionistas especializados em fitoterapia ou médicos.

Saiba que os vilões do humor são a cafeína e o açúcar, principalmente


refinado, portanto fique o mais longe possível destes. E não adiante querer
substituir o cigarro por doces não, pois além de facilitar o ganho de peso
prejudica o metabolismo da serotonina e tem o mesmo poder viciante.

Quer parar de fumar? Procure a ajuda de profissionais habilitados que possam


auxiliar neste processo!

Referências:

ARAUJO, A.J. et al . Diretrizes para Cessação do Tabagismo. J. bras.


pneumol., São Paulo, v. 30, supl. 2, p. S1-S76, Aug. 2004.

CUNHA, G.H. et al. Nicotina e tabagismo. REPM. v.1, n.4, p.1-10, 2007.

PUJOL, Ana Paula. Manual de nutricosméticos: receitas e formulações para a


beleza. Camboriú, SC: IEPN, 2014.

COZZOLINO, S.M.F. Biodisponibilidade de nutrientes. 3 ed. Barueri, SP:


Manole, 2009
CHÁ DE HIBISCO E HIPERTENSÃO

O hibisco (Hibiscus sabdariffa L.) é uma das plantas nutracêuticas mais


procuradas e vendidas em todo o mundo pois possui propriedades diuréticas,
antioxidantes, anti-hipertensivas, antiparasitárias e de normalização intestinal
(ODORIZZI et al., 2014). A principal parte da planta de hibisco utilizada na
obtenção do chá são os cálices e as vagens das flores. Os cálices de cor
vermelho escarlata possuem um aroma característico e um gosto amargo
(PATEL, 2014). Os cálices frescos ou secos são utilizados para a preparação
de chás e em alguns lugares são utilizados como substitutos do café (DA-
COSTA-ROCHA et al., 2014). A Infusão de chá não só dá sabor e aroma
específicos como também traz muitos compostos essenciais para a saúde
humana, tais como: polifenóis, cafeína, aminoácidos, vitaminas, carboidratos e
oligoelementos (EL-SHAHAWI et al., 2012).

O Hibiscus sabdariffa L. foi introduzido no Brasil pelos antigos africanos e é


uma espécie que tem se mostrado promissora como fonte rápida de fibras
maleáveis e se detém de características que lhe conferem utilidades para
artesanato, alimento humano, cordoaria e cosméticos, fungicida, inseticida,
medicinal, ornamental para papel, tinturaria, dentre outros. As flores tem uma
diversidade de empregos alimentícios no preparo de picles, sucos, geleias e
para aromatizar bebidas dentre outros fins (PASTORE JR., 2011).

Conhecido popularmente como vinagreira, rosela, caruru-azedo, azedinha,


caruru-da-guiné, azeda-da-guiné, quiabo-azedo, quiabo-róseo, quiabo-roxo,
rosela, rosélia, groselha, quiabo-de-angola e groselheira (LORENZI E MATOS,
2002), o hibisco é uma espécie vegetal da famíliaMalvaceae proveniente da
África Oriental (Martins et al., 1994) e foi introduzido ao Brasil pelos escravos
(PANIZZA, 1997).

É um alimento funcional nos países da Ásia (Japão, China, Coréia e Taiwan)


(LIU et al., 2005). O interesse econômico está nos cálices desidratados
utilizados mundialmente para a produção de bebidas, alimentos (D’ HEUREX-
CALIX & BADRIE, 2004), conservantes (LIU et al., 2005) e antioxidantes
(WANG et al., 2000). As sementes do fruto do hibisco surgem como um
subproduto concomitante ao cultivo em larga escala e a exploração comercial
da planta (VILCHE et al., 2003). Estas estruturas vegetais podem ser uma fonte
de antioxidantes e, ao serem trituradas, servem na alimentação humana como
uma fonte expressiva de proteínas e, se torradas, são substitutas do café
(MORTON, 1987).

Alguns autores, como Chao & Yin (2009), relatam uma possível relação entre a
quantidade de antocianinas e a atividade antimicrobiana do hibisco.

Referências:

ALBORNOZ, S.L.M., PEREIRA, D., CARMINATTI, R., LUIZA, T., OLDONI, C.,
RODRIGUES, M.B. Extração, identificação e quantificação de cafeína em chá
composto (Camellia sinensis eHibiscus sabdariffa L.) por cromatografia líquida
de alta eficiência (CLAE). Synergismusscyentifica, Universidade Tecnológica
do Paraná (UTFPR), Pato Branco, 10 (1), 2015.

MACIEL, J.M. Avaliação do Extrato Alcoólico de hibisco (Hibiscus sabdariffa L.)


como fator de proteção antibacteriana e antioxidante em alimentos. Dissertação
(mestrado) – Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia de
Alimentos, Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos, Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

SANTOS, B.S.; BARRETTO, L.C.O.; SANTOS, J.A.B.; SILVA, G.F. Obtenção,


liofilização e caracterização de extrato de capim limão
(Cymbopogon citratus D.C.) e hibisco (Hibiscussabdariffa L.). Revista
GEINTEC. São Cristóvão/SE – 2013. Vol. 3/n. 5/ p.90-99.

KEFIR: DÚVIDAS E BENEFÍCIOS

O Kefir nada mais é que um conjunto de micro-organismos vivos que


condicionam uma cadeia de simbiose entre si e as células do organismo
humano. São aliados no combate de um número amplo de enfermidades e
disfunções e um iogurte poderoso e muito benéfico a saúde. Possuem a
aparência de “grãos” que variam de tamanho, aproximadamente 3 a 7
milímetros e de textura plástica, opaca, ligeiramente transparente que pode ser
de coloração branca ou amarelada.

Recebi os grãos de kefir e agora o que fazer?

Se recebeu seus grãos em mãos, geralmente uma colher de sopa de grãos,


coloque-os em 1 copo (200 a 250 ml) de leite, tampe-o e deixe fermentar em
temperatura ambiente por 24h. Após esse período pode coar e tomar o kefir
que deverá estar completamente coagulado.

Se recebeu seus grãos pelos correios precisa dar um tempo para que todas as
bactérias e fermentos voltem a trabalhar, esse tempo pode ser de 3 a 4 dias.
Neste período o leite pode talhar e ter cheiro de azedo, então, coe a cada 24h
e descarte o líquido, fazendo nova troca. Quando os grãos coagularem o leite e
este tiver cheiro similar a iogurte pode tomar, está pronto o kefir. O kefir do leite
elimina a lacote e por isso pode ser consumido por intolerantes.

Se a pessoa recebeu grãos de água eles reativam em menor tempo,


possivelmente no dia seguinte já possa coar e tomar o kefir, mas como
prevenção é prudente descartar o líquido de dois dias. Deve-se colocar os
grãos em um recipiente com água e alimentá-los com açúcas mascavo.

É aconselhável, inicialmente, começar a tomar pequena quantidade (100 ml)


para acostumar o organismo e ir aumentando aos poucos, com isso evitará
reações "bruscas". Não é necessário, nem ideal, coar todo o kefir antes de
adicionar leite fresco para seu próximo lote. É importante deixar algum kefir
(mais ou menos 1/3) ao adicionar leite fresco, o que fará bem aos grão os que
se reproduzem mais rápido e aceleram o processo de fermentação, pois reduz
o pH do leite fresco (tornando-o mais ácido) , o que pode ajudar a reduzir
microrganismos indesejáveis.

Porque doar grãos de Kefir?


Um dos pontos legais do Kefir é que, para conseguir, é apenas por doação. O
que ocorre é que esses micro-organismos do Kefir são benéficos ao
organismo, principalmente porque a grosso modo eles simplesmente
"devoram" os micro-organismos malignos que estão dentro do corpo.

Isso forma uma rede de solidariedade e compartilhamento de saúde e doação.

CORTAR O OVO DA DIETA É A


MELHOR SAÍDA PARA EVITAR
DOENÇAS CARDIOVASCULARES?

Esta indagação está em uma matéria da Revista Super Interessante:

Você saberia responder a esta pergunta?

O fato é que a discussão sobre o ovo fazer bem ou fazer mal ainda continua
sendo assunto e gerando dúvidas.

Nos últimos 40 anos, as pessoas formam orientadas a ficar longe de ovos por
causa de uma preocupação com risco de doença cardíaca coronariana. Esta
preocupação é baseada em três observações:

1. Os ovos são fonte de colesterol dietético;


2. Quando alimentados experimentalmente, o colesterol da dieta aumenta
o colesterol no soro e;
3. O colesterol sérico prediz o aparecimento de doença coronariana.

Antes, o limite do consumo de colesterol, era, no máximo, 300 miligramas por


dia. Um ovo possui 213 miligramas de colesterol. Portanto, era inviável
consumir o produto diariamente. Por isso, o ovo ganhou fama de ser maléfico
para a saúde, aumentando o risco de doenças do coração e derrame,
distúrbios diretamente ligados ao alto nível do colesterol no sangue.
Mas, atualmente, sabe-se que de vilão o ovo passou a ser o mocinho da
história. E, então, pesquisas apontam que o consumo de ovos não está mais
associado a níveis elevados de colesterol sérico.

Pensando nisso, foi que resolvemos buscar algumas informações para


compartilhar com vocês:

1º) O ovo é rico em nutrientes.

O ovo, além de conter proteína de alto valor biológico, possui diversos


micronutrientes importantes, como folato, riboflavina, selênio, colina e vitaminas
A, D, E, K e B12, além de ferro, fósforo, cálcio, magnésio, sódio, potássio,
cloro, iodo, manganês, enxofre, cobre e zinco. Também possui compostos
bioativos antioxidantes, como luteína e zeaxantina. Entretanto, também é fonte
de gorduras saturadas e colesterol. Ressalta-se que os lipídios, minerais e
vitaminas estão presentes quase que totalmente na gema, sendo a clara
constituída especialmente pelas proteínas (albumina). É considerado uma das
melhores fontes de colina, uma substância envolvida no transporte de
gordura no corpo. A colina é também importante para a fabricação de
fosfolipídios, que são os principais componentes estruturais das membranas
celulares.

2º) O colesterol do ovo não resulta em grande contribuição para os níveis de


colesterol no sangue.

De acordo com a I Diretriz sobre Gorduras e Saúde Cardiovascular da


Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o consumo de colesterol alimentar
deve ser menor que 300 mg/dia para auxiliar no controle da colesterolemia e
essa diretriz recomenda que a ingestão de ovo deve ser moderada (até 1 por
dia) para a população em geral.

As recomendações da American Heart Association (AHA), também, restringem


o consumo de ovo e limitam o consumo de colesterol em até 300 mg ao dia.
Segundo a SBC a recomendação sobre o consumo de ovos tem sido revista,
devido aos diferentes efeitos encontrados nos indivíduos.
Leia mais - I Diretriz sobre Gorduras e Saúde Cardiovascular:

3º) Pesquisas sugerem que a grande quantidade de nutrientes presentes no


ovo pode contribuir para controlar a colesterolemia.

Njike e colaboradores realizaram um estudo em 40 adultos hiperlipidêmicos


que não haviam sido tratados com medicamentos hipolipemiantes. Os
pesquisadores observaram que o consumo de dois ovos por dia durante seis
semanas não foram prejudiciais para a função endotelial e para o aumento de
lipídios séricos.

Outro estudo investigou em 60 indivíduos a relação entre o consumo adicional


de três ovos por dia em indivíduos com hiperlipidemia, tratados com
medicamentos hipolipemiantes. Os resultados dessa pesquisa sugerem que a
adição de três ovos por dia, dentro de um padrão alimentar considerado
saudável, aumentou os níveis sanguíneos de HDL-C (lipoproteína de alta
densidade) e diminuiu os níveis de LDL-C (lipoproteína de baixa densidade).

Existem padrões alimentares associados com boa saúde cardiovascular em


que os ovos têm um papel proeminente, como o que foi exposto por Okayama
e colaboradores. O Japão tem algumas das taxas mais baixas de doença
cardíaca coronária no mundo desenvolvido. Como o Japão tornou-se mais
afluente, as taxas de doença coronariana continuaram caindo. A Dieta
Japonesa frequentemente incorpora ovos, mas no contexto da uma dieta
relativamente com baixo teor de gordura total e gordura saturada.
Curiosamente, durante o período de declínio das taxas de doenças cardíacas
no Japão, o consumo de ovos aumentou. Assim, a experiência japonesa
sugere que o consumo de ovos é consistente com o baixo risco coronariano no
contexto de uma dieta saudável.

Leia mais a respeito acessando aqui.

4º) Há populações que podem se beneficiar da diminuição da ingestão de


colesterol dietético.
É o caso dos indivíduos com diabetes, por possuírem anormalidades no
mecanismo de transporte do colesterol. Uma metanálise publicada por Shin e
colaboradores demonstrou que o consumo maior que uma unidade de ovo por
dia esteve associado com um aumento da incidência de diabetes tipo 2 e
aumento de doença cardiovascular entre os pacientes diabéticos.

5º) Comer ovo diariamente não aumenta risco de doenças do coração e de


derrame.

Este foi o estudo citado na matéria sobre o ovo da Revista Super Interessante.
Lá diz que estudos conduzidos por Frank B. Hu da Escola de Saúde Pública de
Harvard, têm demonstrado que o consumo de até sete ovos por semana é
adequado, desde que em conjunto com uma dieta saudável, com exceção de
pacientes do sexo masculino com diabetes, que podem ter um risco maior de
doenças cardíacas ao consumir ovo frequentemente.

Os cientistas analisaram dados de dois estudos com mais de cem mil pessoas.
O primeiro foi feito com enfermeiras em 11 estados americanos, que foram
acompanhadas desde 1976. A Segunda pesquisa analisou dados sobre a
saúde de médicos durante os últimos 14 anos. Ambos os grupos foram
avaliados periodicamente através de questionários sobre a sua dieta e saúde.
Os pesquisadores ressaltaram que outros fatores de risco de doenças
cardíacas – como fumo, hábitos alimentares e sedentarismo – também foram
levados em conta na pesquisa. Segundo o pesquisador, o efeito do LDL-
colesterol sobre o organismo é contrabalançado pelos efeitos benéficos do
HDL-colesterol e de vitaminas do complexo B e da gordura insaturada, que
estão presentes no ovo e podem ajudar a prevenir distúrbios cardiovasculares.
Entretanto, ainda faltam pesquisas mais detalhadas para se chegar a uma
conclusão definitiva.De acordo com o pesquisador, os esforços para se
prevenir as doenças cardiovasculares devem se concentrar em outras
recomendações, como redução de consumo de gorduras saturadas.

Veja o estudo clicando aqui.

Portanto, dentro da comunidade de nutrição há um crescente reconhecimento


de que a saúde deriva de um padrão geral de dieta, e não de evitar
determindos alimentos. A Diretriz da American Heart Association sugere não
incluir uma recomendação para limitar o consumo de ovos, mas
recomendar a adoção de práticas alimentares associados com boa saúde.
Com base na evidência epidemiológica, não há nenhuma razão para pensar
que tal padrão de alimentação saudável não pode incluir ovos.

Segundo a AHA existem padrões alimentares associados com boa saúde


cardiovascular em que os ovos têm um papel proeminente:

A manutenção de um padrão alimentar saudável

● consumir uma grande variedade de frutas, legumes e grãos, incluindo cereais


integrais.

● Incluir produtos lácteos sem gordura e baixo teor de gordura, peixe, legumes,
aves e carne magra.

A manutenção de um peso corporal saudável

● Consumo para as necessidades energéticas; limitar o consumo de alimentos


com alta densidade calórica e / ou baixa qualidade nutricional, incluindo
aqueles com alto teor de açúcar.

● Manter um nível de atividade física para que se alcance a atividade aeróbica


e para equilibrar o gasto de energia com consumo de energia; para a redução
de peso, os gastos devem exceder a ingestão.

A manutenção de um colesterol no sangue e perfil lipoproteico desejáveis

● Limitar a ingestão de alimentos com alto teor de gordura saturada e


colesterol.

● Substituir grãos e ácidos graxos insaturados por vegetais, peixes, legumes e


nozes.

A manutenção de uma pressão arterial desejável


● Limitar a ingestão de sal a 6 g por dia.

● Limitar o consumo de álcool (não mais do que um drinque por dia para
mulheres e dois drinques por dia para homens).

● Manter um peso corporal saudável e padrão alimentar que enfatize vegetais,


frutas e baixo teor de gordura ou produtos lácteos sem gordura.

ALZHEIMER X RESISTÊNCIA
INSULÍNICA

De um lado a Doença de Alzheimer (DA), o qual se caracteriza como uma


enfermidade neurodegenerativa progressiva que causa perda da memória e
altera funções intelectuais superiores, levando, no curso de sua evolução, a
uma situação de incapacidade e total dependência. Sendo uma das formas
mais comuns de demência entre os idosos.

De outro lado a Resistência insulínica (RI), a qual pode surgir como


consequência da obesidade, acúmulo de gordura visceral e síndrome dos
ovários policísticos e induz um estado de RI no tecido adiposo, fígado e
músculo. Ela resulta de uma combinação das funções alteradas de células-alvo
ou receptores de insulina e no acúmulo de macrófagos que segregam
mediadores pró-inflamatórios. A RI é um forte fator de risco para o
desenvolvimento de Diabetes Mellitus tipo 2.

Mas qual a relação destes dois?

Provas convergentes sugerem que a doença de Alzheimer envolve


comprometimento na sinalização de insulina. Estudos tem demonstrado que
pacientes com DA e indivíduos em situação de risco para a DA exibem o
metabolismo da glicose reduzido.

Estudo de Willet e colaboradores, publicado este ano, indicou resultados


maiores de HOMA-IR e foram associados com menor metabolismo global de
glicose e menor metabolismo da glicose regional em toda grande parte do lobo
frontal, parietal lateral, temporal, lateral, medial e lobos temporais. Esta
associação foi mais acentuada no lobo temporal esquerdo e está relacionada
com a pior performance da memória imediata e memória remota.

Portanto, este estudo mostrou que a resistência à insulina, uma condição


prevalente e cada vez mais comum em países desenvolvidos e em
desenvolvimento, está associada com menor metabolismo da glicose cerebral
regional, que por sua vez pode prever pior desempenho da memória. E
segundo os autores a meia-idade pode ser um período crítico para iniciar os
tratamentos para reduzir a resistência periférica à insulina e estabilizar o
metabolismo neuronal e função cognitiva.

Se a doença de Alzheimer é consequência de uma resistência à insulina ou se


a DA causa RI cerebral, não se tem certeza ainda, mas pesquisas recentes tem
demonstrado haver mecanismos gênicos envolvidos.

Este ano foi publicada a pesquisa de SHIZE et al. na revista Experimental and
Therapeutic Medicine, em que foi investigada a expressão BACE1- Local da
enzima 1 de clivagem da proteína precursora da β amiloide no tecido do
hipocampo de um rato modelo de resistência à insulina, e, assim, exploradas
as funções do BACE1 e RI na patogênese da doença de Alzheimer. Um total
de 36 ratos Sprague-Dawley machos foram divididos ao acaso em três grupos.
Estes eram um grupo resistente à insulina (experimental), um grupo controle
com dieta hiperlipídica e um grupo de controle em branco.

Uma das alterações patológicas da DA é o aparecimento de placas senis,


devido ao acúmulo de β amiloide no cérebro.

Os ratos do grupo experimental (com RI) tiveram perda de memória e


aprendizagem evidente, com a diminuição significativa da memória de
aprendizagem. No entanto, não houve nenhuma característica patológica da
doença de Alzheimer como as placas senis.

Mas a expressão de BACE1 no tecido cerebral dos ratos do grupo experimental


foi significativamente mais elevada do que nos grupos controles. Os autores
concluíram que a expressão aumentada de BACE1 no tecido cerebral e a RI
dos ratos experimentais parece participar na patogênese da doença de
Alzheimer.

Visto que a resistência insulínica é um fator de risco para o desenvolvimento


da doença de Alzheimer é interessante lembrar alguns sinais e sintomas da RI:

Indivíduos com Resistência à Insulina frequentemente possuem sinais e


sintomas como:

• Craving por açúcar;


• Fadiga após as refeições;
• Gordura abdominal;
• Dificuldade para reduzir peso;
• Acantose nigrigans;
• Acne;
• Hirsutismo;
• Dislipidemias.

E a conduta nutricional se baseia na redução da carga e índice glicêmico da


dieta, uso de alimentos anti-inflamatórios evitando os pró inflamatórios, redução
dos produtos de glicação avançada (AGEs) através de mudanças no modo de
preparo dos alimentos e uso de alimentos funcionais como a biomassa de
banana verde, canela, yacon, chia, fibras dietéticas e probióticos, além da
suplementação de nutrientes como o cromo, magnésio, zinco, vitamina D e
ômega 3.

Referências:

WILLETTE, A.A. et al. Association of Insulin Resistance With Cerebral Glucose


Uptake in Late Middle-Aged Adults at Risk for Alzheimer Disease. JAMA
Neurol. 2015 Jul 27.

SHIZE, L.I. et al. Expression of β-site APP-cleaving enzyme 1 in the


hippocampal tissue of an insulin-resistant rat model of Alzheimer's disease. Exp
Ther Med. 2015 Jun; 9(6): 2389–2393.
DIETA DETOX

O nome detox, vem da palavra Detoxification, em inglês, que significa


desintoxicação ou comumente denominado “destoxificação”. Segundo
o dicionário Médico Dorland, destoxificação (ou detoxicação) é “redução das
propriedades tóxicas de uma substância” e “tratamento destinado a auxiliar na
recuperação dos efeitos tóxicos de uma droga”. A Nutrição Clínica Funcional se
utiliza da ideia de Destoxificação Metabólica, ou seja, redução da toxicidade de
uma substância por meio de alterações químicas induzidas no corpo,
produzindo um composto menos venenoso ou mais facilmente eliminadas.
Aceitas por muitos profissionais, e, criticada por outros, a dieta de
destoxificação tem como objetivo o aumento da polaridade (aumento da
hidrossolubilidade) dos xenobióticos e sua eliminação do organismo.

Os xenobióticos são substâncias químicas alheias ao sistema biológico com as


quais o homem tem contato, tais como migrantes de embalagens, tabacos,
metais tóxicos (arsênio, chumbo, mercúrio, cádmio, alumínio), poluentes do ar,
contaminantes da água, contaminantes do solo, contaminantes em alimentos
de origem animal, aditivos alimentares, medicamentos, pesticidas, cosméticos,
dentre outros.

Por serem substâncias estranhas ao organismo e para prevenir qualquer tipo


de dano que eventualmente podem causar, o organismo precisa transformá-las
em formas atóxicas e/ou eliminá-las, e, para isto, possuem uma série de
sistemas enzimáticos capazes de metabolizá-las, por meio de reações
bioquímicas.

A eliminação de um xenobiótico, frequentemente, depende de sua conversão


para compostos hidrossolúveis através de um processo conhecido como
biotransformação, o qual é catalisado por enzimas presentes no fígado e em
outros tecidos, possibilitando que o mesmo seja eliminado do organismo
através da urina e da bile. Suor, lágrimas, ar exalado e outras secreções
também são rotas de eliminação utilizadas pelo organismo.
Genes e proteínas relacionadas à metabolização/detoxificação de xenobióticos
são comumente utilizados como marcadores de susceptibilidade em diversas
doenças, entre elas o câncer, nas quais a etiologia está relacionada à
exposição a fatores ambientais.

Um dos principais grupos de genes responsáveis pela codificação dessas


enzimas que ajudam na excreção de xenobióticos é o grupo de genes do
"Sistema Citocromo P450".

O processo de destoxificação possui 3 fases, sendo que em cada uma delas


são necessários nutrientes e fitoquímicos específicos indispensáveis e
otimizadores desta função orgânica.

Fase 1 definida como a biotransformação ou bioativação, realizada por


enzimas presentes em nossas células, entre elas o Citocromo P450 (CYP).
Essas enzimas catalisam a biotransformação de vários xenobióticos e
endobióticos. A maioria das enzimas CYP envolvidas nesta biotransformação
de xenobióticos são induzíveis. Sendo a indução uma importante reação
adaptativa contra as toxinas ambientais.

Nutrientes Responsáveis pela Formação das Enzimas Citocromo P450:

- Ferro (marisco, ostras, fígado, tofu, carnes, semente de abóbora, etc.)

- Colina (ovos, leite e leveduras)

- Complexo B (cereais integrais, castanhas, nozes, amendoins, carnes, fígado,


iogurte, levedo de cerveja, morango, banana, feijão, lentilhas)

Fase 2 é a de conjugação onde as toxinas ativadas na fase 1 são


transformadas em moléculas hidrossolúveis favorecendo assim a
destoxificação. As Glutationa S-Transferases (GSTs) correspondem a
supergenes que codificam enzimas diméricas encontradas nas células de
diversos seres vivos. Tradicionalmente as GSTs são consideradas enzimas
destoxificantes de fase 2 que protegem as células contra metabólitos
endógenos e exógenos através da conjugação da glutationa reduzida com
diferentes compostos eletrolíticos.

Fase 3 corresponde ao transporte de toxinas (Fase 1 e 2) ao sítio excretor,


através da circulação, realizada pela enzima P-glicoproteína.

Alimentos que aumentam a expressão da P-Glicoproteína:

- Pimenta preta

- Alho

- Chá verde

- Curcumina (cúrcuma longa ou açafrão-da-terra)

- Brássicas (couve-flor, couve mineira, brócolis e repolho)

Vale destacar um estudo recente realizado na China em 2014, publicado pela


revista Cancer Prevention Research, no qual foi avaliado o uso de uma bebida
contendo extrato de broto de brócolis em uma dose diária de 100 ml do extrato
aquoso diluído em 330 ml de suco de abacaxi com limão e água, equivalente a
600 mmol de glucorafina e 40 mmol de sulforafano – compostos bioativos do
brócolis. Sendo este testado por 12 semanas em indivíduos adultos de uma
região da china onde há grande exposição aérea de xenobióticos
especificamente benzeno, acroleína e crotonaldeído, responsáveis pelo alto
índice de câncer pulmonar desta população local.

Os resultados mostraram que os participantes que tomaram a bebida de broto


de brócolis tiveram uma excreção urinária de benzeno 60,6% maior que o
placebo logo no primeiro dia de tratamento e sendo que a cada semana a
excreção foi aumentada para 2,5%. A excreção de acroleína foi 22,7% maior.
Os autores investigaram o mecanismo pelo qual houve essa maior excreção e
verificaram um potencial papel do gene NRF2 responsável pela modulação das
GSTs (Glutationa S-Transferases).
Sabe-se que alguns alimentos contém micronutrientes e fitoquímicos para
otimizar o processo natural de destoxificação. Veja alguns destes e seus
compostos bioativos possivelmente auxiliares da destoxificação:

Alimentos/fitoterápicos Compostos bioativos

Brássicas (couve, couve-flor, brócolis,


Glicosinalatos
repolho)

Cascas de limão e laranja d-limoneno e mormilina

Cebola e maçã Quercetina e rutina

Açafrão da terra ou curcuma longa curcumina

Ácido ursúlico, rosmanol, carnosol e


Alecrim
ácido carnosóico

Chá verde Epigalatocatequina-3-galato

Alho Sulfeto dialila

Própolis Flavonoides

Confira esta receita deliciosa de molho pesto! Ele pode ser apreciado com
macarrão ou como aperitivo em torradas, palitos de cenoura ou talos de aipo.

Molho Pesto Detox

Ingredientes:

- 1 maço de manjericão orgânico (higienizado e somente as folhas)


- 30g de nozes (1 punhado cheio)

- 100g de brócolis cozido

- 200ml de azeite de oliva

- 1 dente de alho pequeno

- Sal a gosto

- Pimenta a gosto

Modo de preparo:

1) Cozinhar o brócolis e resfriar.

2) Bater todos os ingredientes no liquidificador ou processador.

Referências:

AUDI, E.A. PUSSI, F.D Isoenzimas do CYP450 e biotransformação de drogas.


Acta Scientiarum. v. 22, n. 2, p. 599-604, 2000.

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família Citocromo P450 e carcinoma de células escamosas de cavidade oral,
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da determinação analítica de intermediários reativos e de seus produtos de
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São Paulo, 2014.

HOLLEY, S. L.; FRYER, A. A.; HAYCOCK, J.W.; GRUBB, S. E.; STRANGE, R.


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QUAL O MELHOR TIPO DE PANELA?

A preparação de um alimento de qualidade vai depender de algumas variáveis


como: ter uma boa receita, ingredientes selecionados, técnicas dietéticas
adequadas e habilidade na cozinha. Além de tudo isso, não podemos esquecer
de outra variável importante: a panela. Ela pode afetar a cor, o sabor do
alimento e a saúde de quem está ingerindo o alimento.

Mas será que existe a “panela perfeita”?


Perfeita talvez não, mas mais adequada para sua saúde sim! A maioria das
panelas podem liberar substâncias tóxicas em quantidades excessivas
passando para o alimento, com exceção da panela de vidro, esta é isenta de
materiais tóxicos. Esta é a número 1 de escolha se você quer cozinhar sem o
risco de prejudicar sua saúde, em segundo lugar está a panela de aço inox, o
qual libera quantidades mínimas de ferro, níquel e cromo.

Confira as vantagens e desvantagens dos variados tipos de panelas existentes


no mercado:

Panela de ferro

Vantagens: ótima condutora e retentora de calor. Indicada para pratos que


demoram muito no fogo. Estudo realizado pela Unicamp em 2003 comprova
que o mineral liberado durante o cozimento vai para o alimento e o deixa com
uma maior quantidade de ferro, auxiliando no combate a anemia. Porém, em
quantidades excessivas e diárias pode ser prejudicial, pois o acúmulo de ferro
no organismo gera espécies reativas de oxigênio responsáveis pelo
envelhecimento precoce e aumento do risco para doenças crônicas não
transmissíveis.

Desvantagens: é pesada e pode enferrujar. Na limpeza, se muito esfregada,


solta uma ferrugem prejudicial à saúde.

Dica: na hora da compra, escolha as de cabo de madeira que não esquentam.


Lavar sempre com sabão em barra ou pedra (glicerina, coco) e deixar secar
preferencialmente no fogo.

Panela de Alumínio

Vantagens: é o tipo de panela mais barato. As com fundo grosso são boas
para dourar carnes sem soltar água.

Desvantagens: o metal pode interferir na cor e até no sabor da comida. Não


distribui nem mantém a temperatura.
O nível de alumínio transmitido para o alimento varia de acordo com o tempo e
o teor de água da cocção e também depende do pH do alimento, sendo que
alimentos mais ácidos, açucarados e com muito sal são mais suscetíveis a
aderir o alumínio.

Estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) mostrou que, após 3
horas de fervura, alimentos cozidos em panelas de alumínio recebem cerca de
20mg desse material (6 mg acima do recomendado para consumo humano).
Além disso, a USP recomenda evitar o uso da esponja de aço para lavá-las e
acrescentar o sal só após o cozimento como formas de se diminuir essa
contaminação, que está associada ao mal de Alzheimer. Em contrapartida, a
Organização Mundial de Saúde (OMS) atesta que o metal é seguro e
adequado para fins culinários.

Panela de Vidro

Vantagens: versáteis e sem contraindicação, não retém sujeira e não eliminam


substâncias. Permite ver o cozimento e aquece rápido. Não passa resíduos
para a comida, conservam melhor os nutrientes dos alimentos e são mais
higiênicas.

Desvantagens: O alimento gruda facilmente. Quebra com facilidade.

Dica: Para que dure mais, envolva-a em um pano antes de guardá-la.

Panela de Teflon

Vantagens: é antiaderente, o alimento não gruda na panela e por isso usa-se


menos óleo, o que reduz em até 30% a gordura dos alimentos.

Desvantagens: Pode queimar a comida, já que esquenta rápido. Risca com


muita facilidade.

Estudo publicado na revista Chemosphere de 2015 demonstrou que o Teflon®


é primariamente composto por politetrafluoroetileno (PTFE) o qual, quando
aquecido, libera uma substância chamada ácido perfluoro-octanóico (PFOA).
Essa substância parece ser liberada após 1h em exposição ao calor a 230
graus Celsius ou mais, mas quando supera 260 graus a emissão desta
substância multiplica após 30 min. Os alimentos são contaminados em contato
com a panela aquecida, mas o pior é que ele é tóxico e acumula na corrente
sanguínea e além de ser carcinogênico e hepatotóxico (lesiona o fígado).

Segundo estudo publicado na revista Enveronmental Health


Perspectives (2013) esta substância é encontrada no sangue de cerca de 98%
de norte-americanos pois a própria água potável já está contaminada, ela é
encontrada em outros produtos além de panelas antiaderentes, tais como
sacos de pipocas de micro-ondas, tapetes, espumas de combate a incêndio e
tecidos a prova d’água.

Panela de Inox

Vantagens: é muito resistente e distribui igualmente o calor. Não altera sabor


ou cor dos alimentos.

Desvantagens: não é indicada para frituras, já que o óleo pode aquecer


demais. Por isso é importante ficar atendo para a comida não passar do ponto
e não queimar as mãos, pois as alças também esquentam. Mesmo tendo a
migração de níquel em baixa quantidade, há pesquisas que não recomendam o
material para pessoas sensíveis ao metal.

Dica: seque-a imediatamente após lavar caso contrário ela pode manchar
devido ao cloro presente na água. Para evitar que risque, lave-a após o uso
com esponja macia e seque bem.

Panela de barro

Vantagens: mantém o calor por muito tempo, permite servir à mesa na própria
panela. É interessante o uso de panelas de barro para preparar alimentos
aquosos como molhos, ensopados, feijão e sopas.
Desvantagens: demora para esquentar e exigem muito cuidado na limpeza.
Deve-se evitar fazer preparações com baixo teor de água, pois as panelas
tendem a desidratar e ressecar o alimento.

Dica: antes do uso doméstico, é aconselhável adicionar de 2 a 3 colheres de


sopa de óleo na panela e levar ao fogo. O óleo irá queimar e, quando começar
a formar uma fumaça escura, deve-se desligar o fogo. Este procedimento
garante uma melhor impermeabilização da panela e aumenta a durabilidade.
Devem ser guardadas secas e sem a tampa.

Panela Esmaltada (Ágata)

Vantagens: leva uma camada de esmalte especial de vários minerais para


resistir às altas temperaturas e evitar a contaminação por germes e bactérias.
Ela se aquece rapidamente e mantém bem o calor. É usada para cozinhar
pouca quantidade de alimentos, molhos e sopas.

Desvantagens: são superdelicadas. A camada de esmalte descasca


facilmente com pequenas batidas.

Dica: na hora da limpeza não use materiais ásperos e produtos químicos fortes.

Referências

QUINTAES KD, FARFAN JA, TOMAZINI FM, MORGANO MA. Migração de


ferro, manganês e zinco em panelas de ferro fundido e laminado. Nutr Brasil.
2003; 2(4):208-10.

QUINTAES, Késia Diego. Utensílios para alimentos e implicações


nutricionais. Rev. Nutr. [online]. 2000, vol.13, n.3, pp. 151-156.

Nicole W. PFOA and Cancer in a Highly Exposed Community: New Findings


from the C8 Science Panel. Environmental Health Perspectives. 2013;121(11-
12):A340. doi:10.1289/ehp.121-A340.
SCHLUMMER, M. et al. Emission of perfluoroalkyl carboxylic acids (PFCA)
from heated surfaces made of polytetrafluoroethylene (PTFE) applied in food
contact materials and consumer products. Chemosphere. 2015 Jun;129:46-53.