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CATÓLICA PORTO

FACULDADE DE EDUCAÇÃO E PSICOLOGIA

Curso de Pós-Graduação em Administração Educativa – 2ª edição


Ano Letivo 2013/2014

UNIDADE CURRICULAR: Gestão e Liderança


Professor Doutor Joaquim Machado

LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR


UMA EXPERIÊNCIA DE LIDERANÇA

JUNHO DE 2014

Formandos:
Cândida Natália Sousa Duarte
José Pedro Salgado Rosa Negrão
Zara Cristina Sarmento Castelhano Dias Coimbra
LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR ÍNDICE

ÍNDICE

I- Introdução ...........................................................................................................1

II - Noções de liderança ............................................................................................2

III - Estilos de liderança ..............................................................................................4

IV - Gestor versus líder ...............................................................................................5

V- Liderança emocional ...........................................................................................7

VI - Satisfação de vontades e necessidades ..............................................................9

VII - Liderança ao estilo cristão .................................................................................11

VIII - Liderança intermédia: coordenação artística no CNSA.....................................14

IX - Conclusão ..........................................................................................................17

Referências Bibliográficas..................................................................................18

UCP PORTO I
LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR INTRODUÇÃO

I - INTRODUÇÃO

Mais do que elaborar um trabalho para uma disciplina universitária e colocá-


lo “na prateleira”, a preocupação fundamental foi a leitura, entre outros, de alguns dos
subsídios bibliográficos propostos pelo professor e fazer uma aprendizagem
complementar ao que nos foi ministrado nas aulas.
Este trabalho representa um desafio: refletir sobre a grande responsabilidade
de ser líder. Nas nossas escolas, os nossos alunos e colegas passam parte do dia a
trabalhar e a estudar no ambiente que nós criamos como líderes. Há muita coisa em
jogo e as crianças e adultos contam connosco. O papel de líder é extremamente
exigente.
Os conceitos de gestor e de líder são, com alguma frequência, confundidos e
tornados convergentes por pessoas que não têm a menor noção do que é uma
liderança impregnada e uma gestão implícita.
Numa primeira parte do nosso trabalho, iremos abordar as noções de líder, e
outros conteúdos relativos à missão de liderança, adaptando algumas reflexões feitas
em contexto empresarial à nossa realidade escolar. Utilizaremos como referências
fundamentais as obras “O monge e o executivo” e a “Arte de Liderar”, propostas pelo
professor responsável da disciplina “Gestão e liderança”.
Na segunda parte, faremos uma abordagem reflexiva sobre uma das
lideranças (intermédias) do nosso Colégio, no qual se exerce o múnus de líder em
contexto escolar, neste caso no “departamento” artístico.

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR NOÇÕES DE LIDERANÇA

II - NOÇÕES DE LIDERANÇA

A liderança é uma arte. É a arte de conduzir as pessoas para que façam o que
é necessário por livre e espontânea vontade. Uma boa liderança não procura apenas
ter seguidores mas, numa perspetiva mais aberta e profunda, gera outros líderes.
(Jordão 2004: 12)
Um bom líder colabora, orienta, desenvolve conhecimentos e habilidades,
reconhecendo o esforço e o mérito pessoal daqueles a quem lidera. As pessoas são o
que mais importante existe no seu trabalho, as pessoas estão em primeiro lugar.
Sempre que duas ou mais pessoas se reúnem com um propósito, há uma
oportunidade para exercer uma verdadeira liderança, exercer influência sobre os
outros, estando disponível para todos, o que requer uma enorme doação pessoal. A
liderança é a habilidade de influenciar as pessoas para trabalharem entusiasticamente,
visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem-comum. A chave
para a liderança é executar as tarefas enquanto se constroem relacionamentos (Cf.
Hunter, 2004: 28). Daí que um bom líder deve desenvolver uma série de qualidades,
tais como, conhecer a própria função, ter um bom relacionamento interpessoal,
aceitar as responsabilidades do cargo, ser aberto a mudanças, conseguir extrair o
melhor de cada pessoa dando-lhes autoridade para que possam ter as suas próprias
ideias e agir de acordo com elas e ter a coragem de encarar a realidade, questioná-la e
mudá-la levando as outras pessoas a fazerem o mesmo (Jordão, 2007: 13).
As qualidades do líder são fundamentais para o sucesso. Também é
fundamental encontrar as melhores pessoas para as funções, motivá-las para que
façam o trabalho da melhor forma possível e com o seu cunho pessoal. É necessário
dar poderes específicos e limitados aos colaboradores e definir o que é prioritário.
Um líder deve ser capaz de desafiar a sua equipa a ir mais além. Quer o líder,
quer os seus colaboradores, necessitam de saber tomar decisões, pois nem sempre o
líder estará por perto: fortalecendo a autoconfiança, potenciando o entusiasmo e
fazendo crescer na integridade. Um líder que começa a exercer funções numa escola,

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR NOÇÕES DE LIDERANÇA

procura, numa primeira fase, executar várias tarefas (por exemplo, vigiar intervalos,
estar na cantina, substituir professores, tirar cópias na reprografia, etc.), ou seja, ajuda
a comunidade educativa onde for necessário: serve a escola, na proximidade aos seus
funcionários e alunos, conquistando-os progressivamente e mostrando que podem
contar com ele, dando o exemplo de como algo deve ser feito e não, simplesmente,
mandando fazer (Cf. Jordão, 2007: 15).
As escolas são instituições cada vez mais exigentes na perspetiva dos alunos e
dos encarregados de educação. Mais do que nunca, no ensino particular exige-se
qualidade e resultados.
No esquema de organização piramidal, o aluno deveria estar no topo da
pirâmide e não, a classe dirigente (diretores, coordenadores de departamento,
professores…) que, com frequência, ocupam a posição cimeira e de protagonismo.
Seria bom imaginarmos escolas onde o foco principal fosse o serviço aos
alunos.
Uma das ideias centrais da obra “O monge e o executivo” é que um líder deve
ser alguém que identifica e satisfaz as necessidades legítimas dos que lidera e remove
todas as barreiras que possam impedir os alunos de crescerem nas suas diferentes
dimensões.
O estilo quase romanceado da obra, que conta as peripécias dos participantes
num retiro-formação, apresenta múltiplas abordagens sobre a liderança, sobretudo no
campo empresarial e introduz-nos, de uma forma leve e descontraída, em alguns dos
novos paradigmas da liderança.
Reafirma-se, a cada passo, a liderança enquanto habilidade de influenciar as
pessoas para que trabalhem na busca dos objetivos identificados como sendo para o
bem comum (Cf. Hunter, 2004: 49).

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR ESTILOS DE LIDERANÇA

III - ESTILOS DE LIDERANÇA

Existem vários estilos de liderança. Em determinadas circunstâncias um deles


poderá ser mais vantajoso do que o outro, dependendo da situação com que nos
deparamos:
- Líder facilitador: ajuda as pessoas a identificarem os seus valores e os seus
interesses.
- Líder avaliador: avisa com clareza os critérios pelos quais os colaboradores
serão julgados, informa como é o seu desempenho e indica propostas para
a melhoria.
- Líder conselheiro: ajuda o colaborador a identificar metas que se relacionam
com o seu trabalho, estimulando e facilitando o acesso aos recursos que
possibilitam e fomentem o desenvolvimento do mesmo.
- Líder participativo: os colaboradores contribuem nas decisões.
- Líder autocrático: determina as ideias e o que é executado pelo grupo,
exigindo obediência dos mesmos.
- Estilo democrático: toda a equipa participa nas decisões.
- Líder servidor: aquele que é representado como uma boa mãe que orienta
os seus filhos; prescinde de alguma coisa para si em função das
necessidades dos seus filhos; efetivamente consegue influenciar as
atitudes dos seus filhos para que eles façam aquilo que ela deseja (Jordão,
2007: 15).

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR GESTOR VERSUS LÍDER

IV - GESTOR versus LÍDER

A profissão de gestor caracteriza-se por estar mais envolvido no planeamento


e na calendarização de uma empresa, isto é, coloca-se numa ótica mais central na
orgânica da empresa, de forma a adotar as melhores medidas para alcançar os
objetivos propostos através dos recursos existentes. O papel de um líder é de carácter
bem mais humano, na medida em que está perto das pessoas para conseguir a sua
confiança e faz com que estas percebam o que é esperado delas, além de serem
profissionais estratégicos, sempre em busca da melhor forma de alcançar A através de
B. Apesar desta distinção inicial, existem pontos em que, de facto, as competências de
um se cruzam com as de outro. Assim, ambos terão que ser obrigatoriamente dois
visionários e acreditar piamente nas suas capacidades, pois estão em posições que,
ocasionalmente, lhes irão trazer a solidão própria de alguém que exerce funções num
alto cargo. Tal facto leva-nos à constatação de que todos os líderes são gestores mas
nem todos os gestores são líderes. Estamos perante uma situação em que o gestor se
aproxima das funções de um líder quando, no planeamento de um evento, por
exemplo, cria uma lista de improbabilidades, mas não impossíveis, e consegue
encontrar resposta para as mesmas, de forma a ganhar tempo, a ser eficaz e a não ser
apanhado desprevenido; esta representação antecipada, o ver mais à frente do que
todos os outros, faz o gestor aproximar-se da liderança.
Segue-se um esquema que sintetiza a distinção entre líder e gestor.

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR GESTOR VERSUS LÍDER

GESTOR LÍDER

Planeamento e controlo do Mobiliza e cria uma


orçamento, organização e mudança, motiva e inspira,
gestão do staff e controlo e estabelece uma direção a
resolução de problemas. seguir e alinha as pessoas.

…Origina …Promove

PREDICTIBILIDADE
MUDANÇA
E ORDEM

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR LIDERANÇA EMOCIONAL

V - LIDERANÇA EMOCIONAL

Os líderes funcionam como guias emocionais do grupo. De uma forma simples


em todos os grupos, os líderes têm o poder (muitas vezes inconsciente) de dirigir
emoções dos outros. Se as emoções forem orientadas para o entusiasmo, o
desempenho pode melhorar muito; se as pessoas forem encaminhadas para o rancor e
para a ansiedade, ficam desorientadas e paralisadas. Ao primeiro estilo de liderança
chama-se “Ressonância” e ao segundo “Dissonância”.
A palavra ressonância tem origem em “ressoar”, fazer eco, aumentar o
volume ou som. Quando um grupo de seguidores vibra com a animação e energia do
líder, é sinal que há liderança com ressonância; a ressonância é uma capacidade dos
líderes emocionalmente inteligentes.
Por outro lado, se o líder não tem ressonância, as pessoas seguem as rotinas
de trabalho, mas fazem apenas o essencial, em vez de darem o seu melhor, pois agem
apenas em função do dever. Se não usarem os sentimentos pode dirigir-se mas nunca
liderar.
Certamente, que os líderes precisam de capacidade intelectual para
aprenderem tarefas e desafios com que se defrontam. A clareza e a capacidade
intelectual são características que “levam” qualquer pessoa até à porta da liderança,
contudo o intelecto, por si, não faz um líder. Os líderes concretizam visões, criam
motivação, orientam, inspiram, ouvem, convencem, geram ressonância.
A inteligência emocional tem quatro domínios interligados entre si, e cada um
deles proporciona diferentes aptidões à liderança com ressonância.
 Autoconsciência – é a base de tudo. Se não tivermos consciência das
nossas emoções, não seremos capazes de as gerir, nem aprender as dos
outros. Engloba:
· Auto consciência emocional (ser capaz de ler as próprias emoções e
reconhecer os seus efeitos)
· Autoavaliação – Conhecer as forças próprias e os seus limites.

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR LIDERANÇA EMOCIONAL

· Autoconfiança – Ter noção do seu valor.

 Autogestão – Esta engloba:


· Autodomínio emocional,
· Transparência,
· Capacidade de adaptação,
· Capacidade de realização,
· Capacidade de iniciativa,
· Otimismo.

 Competências Sociais – Determinam a gestão das relações e gestão


inspiradora, capacidade de influência, capacidade de desenvolver os
outros, capacidade para catalisar a mudança, capacidade para gerir
conflitos, espírito de equipa.

 Consciência Social – Refere-se à empatia, consciência organizacional e


espírito de serviço.
(Costa, s.d., http://dinamicasecoaching.webnode.pt/liderança/liderança%20emocional)

Analisando as relações entre o clima de trabalho associado a cada estilo de


liderança e os resultados obtidos, pode chegar-se à conclusão de que os líderes que
usam uma liderança positiva ou “ressonante” conseguem melhores resultados. Mas os
líderes com melhores resultados não recorrem apenas a um estilo de liderança.
É interessante verificar que dentro da liderança emocional existem estilos
diversos, quer na liderança ressoante (visionário, conselheiro, relacional e
democrático) quer na liderança dissonante (pressionador e coercivo/dirigista). Estes
seis estilos de liderança têm características bem diferentes e impactos diversificados
sobre o desempenho organizacional, com vários níveis de sucesso previsível,
dependendo, também da forma como são aplicados na prática.

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR SATISFAÇÃO DE VONTADES E DE NECESSIDADES

VI - SATISFAÇÃO DE VONTADES E DE NECESSIDADES

Há uma distinção muito importante que se faz na obra “O monge e o


executivo”: a distinção entre o líder que satisfaz vontades e que satisfaz necessidades.
Servir significa identificar e satisfazer as necessidades daqueles a quem se lidera e
atender as pessoas, não identificar e satisfazer as vontades das pessoas tornando-se
escravos delas. Há uma imensa diferença entre satisfazer vontades e satisfazer
necessidades (Cf. Hunter, 2004: 34).
Um ambiente que proporcione na escola só o que os alunos querem, poderia
gerar uma certa “anarquia”, estando seguros que não daríamos o que elas,
efetivamente, precisam. As crianças e os adultos necessitam de um ambiente
educativo com limites, onde exista padrões estabelecidos e onde todos os
intervenientes sejam responsáveis: os alunos podem não querer limites e
responsabilidade mas precisam de limites e responsabilidade.
É importante, também a clarificação dos termos vontade e necessidade. Uma
vontade toma-se como um anseio que não considera as consequências físicas ou
psicológicas daquilo que se deseja. Uma necessidade é uma legítima exigência física ou
psicológica para o bem-estar humano.
Uma “aberração” da liderança é o de querer transmitir que todos podem ser
presidentes de uma empresa ou o melhor aluno da turma. A melhor liderança é aquela
que incentiva cada um a ser o melhor empregado ou aluno possível, ou seja, incentivar
e dar as condições para que as pessoas se tornem o melhor que podem ser: as pessoas
têm que poder alcançar a sua própria excelência.
Um tema “quente” é o que diz respeito às pessoas que têm uma opinião
contrária. As pessoas que pensam diferente de nós ajudam-nos a manter o equilíbrio.
Habitualmente, os líderes gostam de se rodear de pessoas que dizem “ámen” a tudo
ou pessoas muito iguais a eles.
É decisivo o esforço por construir uma liderança que se exerça a longo prazo,
que suporte o teste do tempo, construída sobre a autoridade. O líder deve procurar a

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR SATISFAÇÃO DE VONTADES E DE NECESSIDADES

resposta para as perguntas: Como construir influência sobre as pessoas? Como


conseguir que as pessoas realizem, de bom grado, o nosso desejo? Como envolver as
pessoas e fazer com que se comprometam com o que o líder diz? Sobre o que se
constrói a autoridade?
A autoridade constrói-se, sempre, sobre o serviço e sacrifício. Escolhemos,
frequentemente, como exemplos de verdadeiros líderes, aqueles que se sacrificam por
nós e nos servem. Não é por acaso que se apontam como líderes exemplares o caso de
Jesus Cristo, Gandhi, Martin Luther King ou Madre Teresa de Calcutá. A liderança é o
processo de satisfazer necessidades daqueles a quem se serve. Colhemos, sobretudo,
o que semeamos: se semearmos serviço, colheremos serviço, se arriscarmos pelos
outros, eles arriscarão por nós.
No processo de liderança, surge um destaque especial para as fórmulas de
Ken Blachard, na sua obra “O Gerente Minuto” (Autor citado em Hunter, 2004: 55).
- Intenções – ações = nada
- Intenções + ações = vontade
Todas as boas intenções de um líder nada significam se não forem
acompanhadas pelas suas ações. São alguns os líderes que dizem considerar os seus
colaboradores como a sua mais valiosa fortuna sem, no entanto, as suas ações
corresponderem às suas palavras. O principal para este tipo de líderes reside em que
as pessoas se limitem a fazer com que as tarefas sejam cumpridas e o relacionamento
com elas fica para segundo plano. Um líder coerente é uma pessoa harmoniosa: as
suas intenções estão de acordo com as suas ações.

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR LIDERANÇA AO ESTILO CRISTÃO

VII - LIDERANÇA AO ESTILO CRISTÃO

Jesus Cristo tinha algumas características que todos os líderes deveriam


procurar ter: ser muito compreensivo e inspirador, ter o dom da oratória, ter um
discurso simples e claro, ser um grande conselheiro, possuir humildade e compaixão.
Naturalmente que uma das coisas mais importantes era o facto de Ele ser detentor da
confiança dos seus discípulos, ser acessível e comprometido. Para dar união e
profundidade a tudo o que fazia, a fé era a característica mais identificadora. (Cf.
Jordão, 2007: 21)
Na obra “O monge e o executivo” existe um capítulo muito singular, que
apresenta a liderança que se orienta numa visão cristã, correspondente ao capítulo
quatro, que se intitula “O verbo”. Este capítulo introduz um paradigma na liderança
decorrente da pregação de Jesus: a aplicação do amor “agapé”.
Na liderança, é de suma importância que se crie um ambiente seguro em que
as pessoas possam cometer erros sem terem medo de serem advertidas, de uma
forma grosseira, aos berros. O caminho do líder passa por fazer com que as pessoas se
responsabilizem pelas suas tarefas, apontando as suas deficiências, sobretudo sem
ferir a dignidade dos outros.
Um aumento de “produtividade” na escola, quer se trate de alunos ou
funcionários, tem uma relação direta com a atenção que se presta às pessoas, o que
habitualmente se conhece por “efeito Hawthorne” (Cf. Hunter, 2004: 65). Neste
âmbito, a “escuta ativa” passa por ouvir efetivamente as pessoas, um “ouvir ativo”,
que consiste na nossa autodisciplina e algum sacrifício, enquanto líderes, bloqueando
o mais possível o nosso “ruído interno” e entrando no mundo daquele que requer a
nossa atenção. A identificação com quem se comunica denomina-se empatia e requer
muito esforço. Nas quatro formas que utilizamos para comunicarmos com os outros –
ler, escrever, falar e ouvir – a menos treinada na escola é a prática de ouvir. Quantos
líderes fazem, simultaneamente, várias tarefas enquanto dizem estar a ouvir um aluno
ou um colega? Prestar atenção às pessoas é uma necessidade humana legítima, muito

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR LIDERANÇA AO ESTILO CRISTÃO

mais se se opera numa escola. No centro da personalidade humana está, certamente,


a necessidade de ser apreciado.
O líder deve estar dotado de uma “perceção seletiva” que o leva a procurar o
bem nos outros, ficando atento ao que as pessoas fazem de bem. Se o líder treinar
esta competência começará a notar coisas que nunca tinha visto antes.
Há pormenores que nos escapam na liderança, sobretudo por falta de
formação e de reflexão sobre alguns pormenores decisivos. Um desses pormenores diz
respeito aos elogios que o líder faz e que devem ser sinceros e específicos, ou seja,
apontar especificamente para o que foi bem realizado.
Uma das qualidades mais destacadas na liderança é exatamente a humildade:
o ego arrogante e “inchado” do líder cria barreiras com os seus subordinados. Será que
o líder consegue tratar os que lidera como se fossem todos presidentes de empresa,
chefes de estado, generais?
Pequenos grandes pormenores como os atrasos aos nossos compromissos
passam a mensagem de que o nosso tempo é mais importante do que o dos outros,
expressando uma certa arrogância.
A maior parte dos princípios ditos cristãos não são mais do que
comportamentos humanos que podem orientar qualquer líder mas que são
conjugados de forma original por Jesus.
Uma das palavras menos populares nos nossos dias e que diz da qualidade de
um líder é exatamente o compromisso. Há uma diferença substancial entre ser
comprometido e estar envolvido: o verdadeiro compromisso envolve o crescimento do
individuo e do grupo, implicando um crescimento constante. Um líder comprometido
dedica-se ao crescimento e aperfeiçoamento dos seus “liderados”.
A liderança não é um processo fácil. Os comportamentos como a paciência, a
bondade, a humildade, o respeito, a generosidade, a honestidade e compromisso
exigem, muitas vezes, o sacrifício do nosso ego, colocar de lado o nosso mau-humor ou
o desejo de explodir. Talvez a nossa liderança signifique o sacrifício para amar e doar-
nos a pessoas que nem apreciamos.
A nossa capacidade de influenciar as pessoas não se deve confundir com
manipulação, uma vez que a liderança não terá como propósito o nosso benefício
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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR LIDERANÇA AO ESTILO CRISTÃO

pessoal mas a procura de um benefício mútuo, procurando identificar e satisfazer as


necessidades legítimas das pessoas que lideramos. O nosso verdadeiro carácter de
líderes revela-se quando temos que nos doar aos agressivos e arrogantes, quando nos
colocam à prova e temos que amar as pessoas de que não gostamos. É, sobretudo,
nessas horas difíceis e probatórias que descobrimos o nosso grau de compromisso. (Cf.
Hunter, 2004: 57-90)

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR LIDERANÇA INTERMÉDIA: COORDENAÇÃO ARTÍSTICA NO CNSA

VIII - LIDERANÇA INTERMÉDIA:


Coordenação Artística no CNSA

“Não tenho necessariamente que gostar dos meus jogadores e sócios,


mas como líder devo amá-los. O amor é lealdade, o amor é trabalho
de equipa, o amor respeita a dignidade e a individualidade. Esta é a
força de qualquer organização.”
Vince Lombardi

“Com uma vontade forte fazem-se grandes coisas.”


Ana Maria Javouhey (Fundadora da Congregação das Religiosas de S. José de Cluny)

Considerou-se a análise deste tipo de liderança intermédia na escola porque é


específica do nosso Colégio e menos vulgar nas escolas sem uma componente artística
curricular.
Esta coordenação artística foi criada há, sensivelmente, 10 anos, como
tentativa de liderar um conjunto significativo de pessoas e de gerir dezenas de
atividades, umas com mais envergadura logística, outras de caráter mais leve e
pontual.
Nesta liderança, não há uma formação específica do coordenador para este
âmbito. A sua formação limita-se à aprendizagem adquirida através de alguns anos de
experiência no mundo do espetáculo e através da organização de vários tipos de
eventos. As tarefas a executar são: a gestão logística de três coros (infantil, juvenil e
adulto), as audições de instrumentos e voz (guitarra, piano, violino, canto), as várias
atividades artísticas e pastorais que implicam a montagem e manuseamento de
multimédia, som, luz e cenografia (eucaristias, teatros, jornadas culturais,
espetáculos…) o funcionamento de uma rádio escolar (Rádio Cluny), três dias por
semana, com várias equipas de alunos, o apoio ao Clube de Teatro (Desafi’arte), à
formação de intérpretes (Vozes em Viagem) e às atividades do Ballet.

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR LIDERANÇA INTERMÉDIA: COORDENAÇÃO ARTÍSTICA NO CNSA

Esta liderança exige que haja um bom relacionamento entre os vários


membros, o que se exprime numa identificação destes docentes com a escola onde
trabalham: sem olharem a horários, com muita gratuidade, desempenhando muitas
tarefas ao fim de semana e em horário pós-laboral. Sem dúvida, que passa por aqui a
identidade de escola.
As estruturas e equipamentos profissionais disponibilizados pela
Congregação, com o contributo fundamental da Associação de Pais, fazem com que os
maiores eventos contem com uma audiência média de 900 pessoas, num anfiteatro
móvel. Todos os equipamentos são geridos com a participação de educadores
docentes, não-docentes e alunos.
Esta liderança intermédia conta muito com o relacionamento institucional
com a Diretora do Colégio, através da delegação de competências, no entendimento
de que este âmbito é fundamental numa escola em que se pretende formar os alunos
em todas as vertentes. Não sendo especificamente uma escola artística, a constituição
de tal coordenação depende da visão que a direção tem sobre este tipo de formação e
atividades para o envolvimento dos membros da comunidade educativa. Valoriza-se o
desenvolvimento de competências que não são necessária e diretamente do domínio
artístico: trabalho em equipa, autoconfiança, identidade com a escola, integração na
escola, reintegração social dos alunos, reforço dos vínculos familiares, despertar
vocacional, etc.
Também não se pode forçar a realização de muitas reuniões de planeamento
e de avaliação, o que é um handicap neste tipo de liderança. É um dado importante
não sobrecarregar ainda mais os que, naturalmente, já se encontram sobrecarregados.
Para reflexão sobre este tipo de liderança foram destacadas algumas
dificuldades e vantagens.

Dificuldades:
 Manter os níveis de motivação quando as pessoas envolvidas;
 Manter ou aumentar o número de voluntários quando o grupo que
prestam certo tipo de “serviços gratuitos” é formado por quase as mesmas
pessoas.
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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR LIDERANÇA INTERMÉDIA: COORDENAÇÃO ARTÍSTICA NO CNSA

 Que a comunidade educativa sinta que estas atividades não são


secundárias em relação à prática pedagógica regular (em sala de aula) e à
preponderância das disciplinas consideradas “mais importantes”.
 Fazer perceber aos professores que outras valências de formação que não
aquelas que receberam na sua formação específica (faculdades) são
importantes: por exemplo, produção e manuseamento de audiovisuais,
capacidade de falar em público, utilização do teatro como ferramenta
pedagógica, etc.
 Captar professores de áreas disciplinares que não estão ligados a este
âmbito (normalmente os implicados são os da área musical e de artes) para
trabalharem em áreas ligadas à multimédia, teatro, música, sonorização,
iluminação, programação de eventos.

Vantagens
 O trabalho em equipa;
 O trabalho em ambiente interdisciplinar e transdisciplinar (extracurricular
dos alunos);
 O desenvolvimento da formação fora do “contexto vertical”, ou seja
“formação horizontal”, entre colegas e entre alunos;
 O envolvimento nas equipas de alunos, sobretudo alguns dos que revelam
dificuldades de integração (por razões comportamentais e/ou de
aprendizagem) que são atraídos por tarefas “práticas” (montagem,
desmontagem e gestão de equipamentos…).
 A verificação testemunhal que os alunos fazem do envolvimento dos
professores na escola, sobretudo em tarefas de voluntariado e em
momentos de horário extralaboral.

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR CONCLUSÃO

IX - CONCLUSÃO

As obras estudadas permitiram-nos descobrir uma abordagem intensa ao


mundo da liderança. Mesmo que a tónica fosse a liderança empresarial ela não deixa
de ser facilmente adaptada à vida escolar.
Como refere o autor, qualquer pessoa pode exercer a capacidade de
liderança. No ambiente escolar, o vigilante, a diretora pedagógica, a rececionista, um
professor, cada um lidera no seu local de trabalho. Daí que tenha de ter bem
consciência do papel que desempenha como líder. Todas estas lideranças, intermédias,
devem ter no centro da sua missão a pessoa do aluno, o foco principal deve ser o
serviço aos alunos.
Para um bom líder, as pessoas são o que mais importante existe no seu
trabalho, as pessoas estão em primeiro lugar: daí que colabora, orienta, desenvolve
conhecimentos e habilidades e reconhece o esforço e o mérito pessoal daqueles a
quem lidera.
O caminho do líder passa por fazer com que as pessoas se responsabilizem
pelas suas tarefas, apontando as suas fragilidades, sem ferir a dignidade dos outros.
Na escola, o aumento de “produtividade”, particularmente, o
desenvolvimento integral do aluno, tem uma relação direta com a atenção que se
presta à pessoa.
Os comportamentos como a paciência, a bondade, a humildade, o respeito, a
generosidade, a honestidade e comprometimento exigem, muitas vezes, o sacrifício do
ego do líder. A liderança, enquanto habilidade de influenciar as pessoas para que
trabalhem na realização dos objetivos propostos, tem em vista, acima de tudo, o bem
comum. Neste caso, o bem da comunidade educativa tendo como foco principal, a
pessoa do aluno.

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LIDERAR EM CONTEXTO ESCOLAR REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Costa, R. M. G. (s.d.) Gestor vs Líder, obtido em 11 de junho de 2014


http://dinamicasecoaching.webnode.pt/liderança/gestor-vs-lider

Costa, R. M. G. (s.d.) Liderança emocional, obtido em 11 de junho de 2014


http://dinamicasecoaching.webnode.pt/liderança/liderança%20emocional

Goleman, D. et al (2002). Os novos líderes: inteligência emocional nas organizações.


Lisboa: Gradiva.

Hunter, J. C. (2004) O monge e o executivo – uma história sobre a exigência da


liderança. Rio de Janeiro: Sextante.

Jordão, S. (2007). A arte de liderar – vivenciando mudanças num mundo globalizado.


(edição especial – resumo do livro original). Santa Clara: Contagem.

Santos, E. V. M. D. (2007). Processos de Liderança e Desenvolvimento Curricular no 1º


Ciclo do Ensino Básico – um Estudo de Caso. Dissertação de Mestrado em Educação
– Área de Especialização em Desenvolvimento Curricular. Braga: Universidade do
Minho.

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