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Fisiologia

2ª edição

Resistência dos Materiais

Paulo César Oliveira Carvalho

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Resistência dos Materiais
DIREÇÃO SUPERIOR
Chanceler Joaquim de Oliveira
Reitora Marlene Salgado de Oliveira
Presidente da Mantenedora Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira
Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira
Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira
Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves

DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA


Gerência Nacional do EAD Bruno Mello Ferreira
Gestor Acadêmico Diogo Pereira da Silva

FICHA TÉCNICA
Direção Editorial: Diogo Pereira da Silva e Patrícia Figueiredo Pereira Salgado
Texto: Paulo César Oliveira Carvalho
Revisão Ortográfica: Rafael Dias de Carvalho Moraes & Christina Corrêa da Fonseca
Projeto Gráfico e Editoração: Antonia Machado, Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos
Supervisão de Materiais Instrucionais: Antonia Machado
Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos
Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos

COORDENAÇÃO GERAL:
Departamento de Ensino a Distância
Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus Niterói

C331r Carvalho, Paulo César Oliveira.


Resistência dos materiais / Paulo César Oliveira Carvalho; revisão de
Rafael Dias de Carvalho Moraes e Christina Corrêa da Fonseca. 2. ed. –
Niterói, RJ: UNIVERSO: Departamento de Ensino a Distância, 2018.
161 p. : il.

1. Resistência dos materiais. 2. Tenacidade dos materiais. 3. Peças


de máquinas. 4. Dimensionamento de estruturas. 5. Fadiga dos
materiais. 6. Segurança estrutural. 7. Cisalhamento. 8. Ensino à
distância. I. Moraes, Rafael Dias de Carvalho. II. Fonseca, Christina
Corrêa da. III. Título.
CDD 620.1123

Bibliotecária responsável: Elizabeth Franco Martins – CRB 7/4990

Informamos que é de única e exclusiva responsabilidade do autor a originalidade desta obra, não se responsabilizando a ASOEC
pelo conteúdo do texto formulado.
© Departamento de Ensi no a Dist ância - Universidade Salgado de Oliveira
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma
ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora
da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO).
Resistência dos Materiais

Palavra da Reitora

Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo,


exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de
Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO EAD, que reúne os diferentes
segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi
desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero
bem-sucedidas mundialmente.

São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio


dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço
presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio
tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se
responsável pela própria aprendizagem.

O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que


permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo
momento ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de
nossa plataforma.

Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores


especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são
fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos.

A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a


distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-
sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo
de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização,
graduação ou pós-graduação.

Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando


as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o
programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona.

Seja bem-vindo à UNIVERSO EAD!

Professora Marlene Salgado de Oliveira

Reitora.
Resistência dos Materiais

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Resistência dos Materiais

Sumário

Apresentação da disciplina ................................................................................................ 07

Plano da disciplina .............................................................................................................. 08

Unidade 1 – Determinação dos Esforços......................................................................... 11

Unidade 2 – Tensão x Deformação .................................................................................. 29

Unidade 3 – Verificação da Segurança ............................................................................ 59

Unidade 4 – Dimensionamento de Peças ....................................................................... 71

Unidade 5 – Cisalhamento Puro........................................................................................ 87

Unidade 6 – Flexão Normal nas Vigas Isostáticas (Diagrama de Momentos Fletor e

Forças Cortantes)................................................................................................................. 119

Considerações finais ........................................................................................................... 135

Conhecendo as autoras...................................................................................................... 136

Referências ........................................................................................................................... 137

Anexos .................................................................................................................................. 139

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Resistência dos Materiais

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Resistência dos Materiais

Apresentação da disciplina

Caros alunos,

Preparem-se para uma jornada interessante no mundo dos materiais e suas


aplicações no campo da Engenharia. A Resistência dos Materiais é uma disciplina
do ramo da mecânica que estuda as relações entre cargas externas aplicadas a um
corpo deformável e a intensidade das forças internas que atuam dentro do corpo.
Serão abordados também o cálculo da deformação do corpo e o estudo da sua
estabilidade quando este está submetido a forças externas. No projeto de qualquer
estrutura ou máquina é fundamental que sejam estudadas não somente as forças
atuantes, mas também o comportamento do material diante das situações de
carregamento. Essa conjuntura é essencial para a escolha do material mais
adequado para uma determinada situação de projeto. As dimensões dos
elementos, sua deflexão e sua estabilidade dependem não só das cargas internas
como também do tipo de material do qual esses elementos são feitos.
Este livro foi preparado com intuito de ser um importante aliado para o
enriquecimento do seu conhecimento, contribuindo para sua formação e atuação
profissional!
Ao final, seguem as principais referências bibliográficas, que você, nobre
estudante, deverá consultar caso queira ampliar seus conhecimentos na disciplina.

Sucesso na sua jornada!

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Resistência dos Materiais

Plano da disciplina

Uma nova etapa se inicia e com ela vamos conquistar novos horizontes. Nesta
disciplina você terá a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as relações
entre cargas externas aplicadas a um corpo deformável e a intensidade das forças
internas que atuam dentro do corpo, abrangendo também o cálculo das
deformações do corpo e o estudo da sua estabilidade, quando submetido a
solicitações externas.

Em resumo, a Resistência dos Materiais é a divisão da Mecânica dos Corpos


Sólidos no qual se estuda o equilíbrio dos referidos corpos, considerando os efeitos
internos, produzidos pela ação das forças externas.

A origem da resistência dos materiais remonta ao início do século XVII, época


em que Galileu realizou experiências para estudar os efeitos de cargas em hastes e
vigas feitas de vários materiais.

Os métodos para tais descrições foram consideravelmente melhorados no


início do século XVIII. Na época, estudos foram realizados, principalmente na
França, baseados em aplicações da mecânica a corpos materiais, denominando-se
o estudo de Resistência dos Materiais. Atualmente, no entanto, refere-se a esses
estudos como mecânica dos corpos deformáveis ou simplesmente mecânica dos
materiais.

O conteúdo será abordado na seguinte ordem:

 Unidade 1: Determinação dos esforços;

 Unidade 2: Determinação das tensões e das deformações a que estão


sujeitos os corpos sólidos devido à ação dos esforços atuantes;

 Unidade 3: Verificação da segurança;

 Unidade 4: Dimensionamento;

 Unidade 5: Cisalhamento Puro;

 Unidade 6: Força Cortante e momento Fletor.

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Resistência dos Materiais

Os objetivos deste estudo são:

Determinação dos esforços, das tensões e das deformações a que estão


sujeitos os corpos sólidos (barras, vigas, chapas, etc.) devido à ação dos
carregamentos atuantes. Esta disciplina visa proporcionar o desenvolvimento da
habilidade do acadêmico na análise crítica e resolução de problemas concretos,
integrando conhecimentos multidisciplinares e viabilizando o estudo de modelos
abstratos e sua extensão genérica a novos padrões e técnicas de solução.

Objetivos fundamentais da Resistência dos Materiais:

 Hipóteses fundamentais.

 Sistema real e esquema de análise.

 Forças Internas.

 Conceito de Tensão e de Deformação.

 Tração-Compressão.

 Critérios de Resistência e Rigidez.

 Sistemas Isostáticos. Sistemas Estaticamente Indeterminados.

 Teoria do Cisalhamento Puro.

 Critérios de Cálculo.

 Rebites e Juntas Soldadas.

 Torção.

 Critérios de Rigidez.

 Flexão.

Portanto, esperamos que, ao final desta disciplina, você esteja habilitado a


identificar os conceitos básicos de Resistências dos Materiais, suas aplicações
cotidianas e a solução de exercícios que envolvam este assunto.
Para que os objetivos sejam alcançados você terá condições de, numa carga de
trabalho de 60 horas, desenvolver todo o conteúdo teórico da disciplina e
aplicarem os conhecimentos adquiridos na solução de exercícios.

Então, dedique tempo para fazer a leitura, as atividades e retirar suas dúvidas.

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Resistência dos Materiais

Sempre que considerar necessário, volte ao texto e refaça as atividades. Não se


limite a este material, procurando sempre complementar os estudos com a
bibliografia indicada ao final do material.

Bons estudos!

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Resistência dos Materiais

1 Determinação dos
Esforços

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Resistência dos Materiais

O projeto da estrutura de qualquer edificação, máquina ou outro elemento


qualquer é um estudo através do qual a estrutura em si e suas partes componentes
são dimensionadas de forma que tenham resistência suficiente para suportar os
esforços para as condições de uso a que serão submetidas.

Este processo envolve a análise de tensões das partes componentes da


estrutura e considerações a respeito das propriedades mecânicas dos materiais. A
análise de tensões, esforços e as propriedades mecânicas dos materiais são os
principais aspectos da resistência dos materiais.

A determinação dos esforços e as deformações da estrutura quando as


mesmas são solicitadas por agentes externos (cargas, variações térmicas,
movimentos de seus apoios, etc.) são os principais aspectos da análise estrutural.

Objetivos da unidade:
Nesta unidade, faremos uma revisão dos princípios importantes da estática e
mostraremos como eles são usados para determinar as cargas resultantes internas
em um corpo.

Plano da unidade:

 Cargas externas.

 Reações do apoio.

 Equações de equilíbrio.

 Cargas resultantes internas.

Vamos começar!

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Resistência dos Materiais

Tipos de Ações

Cargas externas. Um corpo pode ser submetido a vários tipos de cargas


externas; todavia, qualquer uma delas pode ser classificada como uma força de
superfície ou uma força de corpo (Figura 1).
Forças de superfície são causadas pelo contato direto de um corpo com a
superfície de outro. Em todos os casos, tais forças estão distribuídas pela área de
contato entre os corpos, logo a força de superfície pode ser idealizada como sendo
uma única força concentrada, aplicada a um ponto do corpo.

Figura 1 – Equilíbrio de um corpo deformável.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

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Resistência dos Materiais
Por exemplo, a força do solo sobre as rodas de uma bicicleta pode ser
considerada uma força concentrada quando estudamos a carga que age sobre a
bicicleta. Se a carga de superfície for aplicada ao longo de uma área estreita, ela
pode ser idealizada como uma carga distribuída linear, w(s). Neste caso, a carga é
medida como se tivesse uma intensidade de força/comprimento ao longo da área,
e é representada graficamente por uma série de setas ao longo da linha s.

A força resultante FR de w(s) é equivalente à área sob a curva da carga


distribuída, e essa resultante age no centroide C ou centro geométrico dessa área.
A carga ao longo do comprimento de uma viga é um exemplo típico de aplicação
frequente dessa idealização.
Figura 2

Fonte: Autor

Reações do apoio. As forças de superfície que se desenvolvem nos apoios ou


pontos de contato entre corpos são denominadas reações. Para problemas
bidimensionais, isto é, corpos sujeitos a sistemas de forças coplanares, os apoios
mais comuns são mostrados na Tabela 1. Observe cuidadosamente o símbolo
usado para representar cada apoio e o tipo de reações que cada um exerce sobre o
elemento de contato. Em geral, sempre podemos determinar o tipo de reação do
apoio imaginando que o elemento a ele acoplado está sendo transladado ou está
girando em uma determinada direção. Se o apoio impedir a translação em uma
determinada direção, então uma força deve ser desenvolvida no elemento naquela
direção. Da mesma forma, se o apoio impedir a rotação, um momento deve ser
exercido no elemento. Por exemplo, um apoio de rolete só pode impedir
translação na direção do contato, perpendicular ou normal à superfície. Por

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Resistência dos Materiais
consequência, o rolete exerce uma força normal F sobre o elemento no ponto de
contato. Como o elemento pode girar livremente ao redor do rolete, não é possível
desenvolver um momento sobre ele.
Tabela 1

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

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Resistência dos Materiais
Equações de equilíbrio. O equilíbrio de um corpo exige um equilíbrio de
forças, para impedir a translação ou um movimento acelerado do corpo ao longo
de uma trajetória reta ou curva, e um equilíbrio de momentos, para impedir que o
corpo gire. Essas condições podem ser expressas matematicamente pelas duas
equações vetoriais.


Nessas fórmulas, ΣF representa a soma de todas as forças que agem sobre o corpo,

e ΣM0 é a soma dos momentos de todas as forças em torno de qualquer ponto O

dentro ou fora do corpo.

Na prática da engenharia, muitas vezes a carga sobre um corpo pode ser


representada como um sistema de forças coplanares. Se for esse o caso, e se as
forças encontrarem-se no plano x-y, então as condições de equilíbrio do corpo
podem ser especificadas por apenas três equações de equilíbrio escalares, isto é,



A aplicação correta das equações de equilíbrio exige a especificação completa


de todas as forças conhecidas ou desconhecidas que agem sobre o corpo. A
melhor maneira de levar em conta essas forças é desenhar o diagrama de corpo
livre do corpo. Certamente, se o diagrama de corpo livre for desenhado de maneira
correta, os efeitos de todas as forças e momentos binários aplicados poderão ser
levados em conta quando as equações de equilíbrio forem escritas.
Cargas resultantes internas. Uma das mais importantes aplicações da estática na
análise de problemas de resistência dos materiais é poder determinar a força e o

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Resistência dos Materiais
momento resultantes que agem no interior de um corpo e que são necessários
para manter a integridade do corpo quando submetido a cargas externas.
Podemos ver que há, na verdade, uma distribuição de força interna agindo
sobre a área "exposta" da seção. Essas forças representam os efeitos do material
que está na parte superior do corpo agindo no material adjacente na parte inferior.

Reações em Vigas

As vigas são estruturas que podem ser classificadas como:

Vigas Hipostáticas: são aquelas que não possuem equilíbrio estático (não são
estáveis), tendo por isso algum movimento (grau de liberdade) não restringido.

Fonte: autor

Obs :Caso o carregamento exterior seja apenas vertical a estrutura pode estar em
equilíbrio.
Vigas Isostáticas: são aquelas que têm o número de reações estritamente
necessário para impedir qualquer movimento.

Fonte: autor

Na primeira figura acima (à esquerda), temos o caso de uma estrutura


isostática com o número de reações de apoio igual ao número de equações de

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Resistência dos Materiais

equilíbrio estático. Já na segunda figura, a estrutura tem um número de reações de


apoio superior ao número de equações de equilíbrio estático e com uma libertação
interna garantida pela rótula. A introdução desta rótula garante a isostaticidade
desta estrutura.
Vigas Hiperestáticas: são aquelas que têm um número de reações superior ao
estritamente necessário para impedir qualquer movimento.

Fonte: autor

Observações importantes:
Resistência dos Materiais é um estudo da relação entre as cargas externas que
agem sobre um corpo e a intensidade das cargas internas no interior do corpo.

Forças externas podem ser aplicadas a um corpo como cargas de superfície


distribuídas ou concentradas ou como forças de corpo que agem em todo o
volume do corpo.

Ao aplicarmos as equações de equilíbrio, é importante desenhar o diagrama de


corpo livre antes, de modo a considerar todos Os termos presentes nas equações.

Um apoio produz uma força em uma determinada direção sobre o elemento a ele
apoiado se ele impedir a translação do elemento naquela direção e produz um
momento sobre o elemento se ele impedir a rotação.

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Resistência dos Materiais
Exemplos para reforçar a aprendizagem.

1) Determinar as reações nos apoios das vigas a, b, c, d, carregadas conforme


mostram as figuras a seguir.
a) Viga solicitada por carga perpendicular.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Obs.: O símbolo à esquerda da figura representa a convenção de sinal adotada


para calcular o Momento (torque).

∑ ∑
. .

b)Viga solicitada por carga inclinada.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

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Resistência dos Materiais
A primeira providência a ser tomada, para solucionar este exemplo, é
decompor a carga de 10kN, visando obter as componentes vertical e horizontal. A
componente horizontal será obtida através de 10 cos. 53° = 6kN, e a componente
vertical é obtida através de 10 sen. 53° = 8kN.
Agora, já temos condição de utilizar as equações do equilíbrio para
solucionar o exemplo.

∑ ∑ ∑

≅ , ,

Resultante no apoio A

≅ ,

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Viga solicitada por carga paralela ao suporte principal.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

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Resistência dos Materiais

∑ ∑ Resultante no apoio A


,

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

b) Viga solicitada por torque.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

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Resistência dos Materiais
O binário da figura A pode ser representado conforme a figura acima.

∑ ∑

Ao finalizar está unidade, esperamos que você estudante tenha compreendido os


tópicos dos assuntos abordados, lembrando que o referencial bibliográfico é um
forte aliado para complementação dos seus estudos.

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão ajudá-lo


a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-
aprendizagem.

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Resistência dos Materiais

Exercícios – unidade 1

1.Calcule as reações de apoio da viga de aço abaixo.

Dado: gs = 77 kN/m3

2.Determine as cargas internas resultantes que agem na seção transversal em


C da viga mostrada na Figura abaixo.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

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Resistência dos Materiais

3.Calcule V e M nos pontos B e D da viga abaixo.

4.Determine a força normal, o esforço cortante interno e o momento fletor nos


pontos C e D na viga. Assuma que o apoio em B seja um rolete. O ponto C está
localizado logo à direita da carga de 40 kN.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

a)NC=0N; ND = 0N;VC=-3,333kN;VD=-3,333kN; MC=73,33kN.m; MD=66,67kN.m

b) NC=10N; ND = 0N;VC=-6,666kN;VD=-3,333kN; MC=73,33kN.m; MD=66,67kN.m

c) NC=0N; ND = 10N;VC=-3,333kN;VD=-3,333kN; MC=78,33kN.m; MD=66,67kN.m

d) NC=10N; ND = 0N;VC=-3,333kN;VD=-3,333kN; MC=13,33kN.m; MD=66,67kN.m

e) NC=0N; ND = 10N;VC=-3,333kN;VD=-13,333kN; MC=13,33kN.m; MD=66,67kN.m

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Resistência dos Materiais

5. Calcule a força de tração nos dois cabos da figura.

a)T1 = 2269,2N; T2 = 3730,8N

b) T1 = 1.000 N; T2 = 5.000 N

c)T1 = 5.000 N; T2 = 1.000 N

d) T1 = 3269,2N; T2 = 2730,8N

6.Calcule as reações no apoio da viga em balanço (ou viga cantilever).

a) Hb = 10N ; Vb = 3.000 N; Mb = 1.000N.m

b) Hb = 0; Vb = 0 N; Mb = 3.000N.m

c) Hb = 0; Vb = 1000 N; Mb = 3.000N.m

d) Hb = 0; Vb = 4.000 N; Mb = 3.000N.m

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Resistência dos Materiais

7.etermine as reações de apoio da viga abaixo.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

a) RB = 3,3 kN; RA = 16,7 kN

b) RA = 6,6 kN; RB =13,4 kN

c) RB = 13,3 kN; RA = 6,7 kN

d) RA = 36,7 kN; RB = 3,3 kN

8.classifique corretamente as vigas abaixo, quanto ao seu tipo de apoio e a


estaticidade.

a)

b)

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Resistência dos Materiais

9.Dada a viga abaixo submetida ao carregamento mostrado, determine as


reações de apoio.

A B

a) RAH = 1,6 kN; RAV = 1,6 kN; RBV = 1,9 kN


b) RAH = 2,6 kN; RAV = 0,6 kN; RBV = 0,9 kN
c) RAH = 0,6 kN; RAV = 1,6 kN; RBV = 1,9 kN
d) RAH = 2,6 kN; RAV = 3,6 kN; RBV = 0,9 kN

10.Qual das vigas abaixo é hiperestática?

a) c)

b) d)

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Resistência dos Materiais

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Resistência dos Materiais

2 Tensão x Deformação

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Resistência dos Materiais
Sempre que uma força é aplicada a um corpo, esta tende a mudar a forma e o
tamanho dele. Essas mudanças são denominadas deformações e podem ser
altamente visíveis ou praticamente imperceptíveis se não forem utilizados
equipamentos que façam medições precisas. Por exemplo, uma tira de borracha
sofrerá uma grande deformação quando esticada. Por outro lado, os elementos
estruturais de um edifício sofrem apenas leves deformações quando há muitas
pessoas anelando dentro dele. Também pode ocorrer deformação em um corpo
quando há mudança de temperatura. Um exemplo típico é a expansão ou
contração térmica de um telhado causada pelas condições atmosféricas.

Objetivos da unidade:

Capacitar o estudante a resolver problemas específicos de dimensionamento


de peças estruturais, tanto relativamente aos esforços quanto às deformações,
obedecendo às hipóteses e teorias apresentadas para os tópicos estudados no
período. Introduzir no estudante o entendimento do funcionamento físico das
estruturas de engenharia, levando em consideração as condições de carga
aplicadas. Em engenharia, a deformação de um corpo é especificada pelo conceito
da deformação normal e por cisalhamento.
Nesta unidade, definiremos essas quantidades e mostraremos como elas
podem ser determinadas para vários tipos de problemas.

Plano da unidade:

 Estudo das Tensões.

 Tipos de Tensão.

 Unidade de Tensão.

 Deformação.

Bons estudos!

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Resistência dos Materiais

Estudo das Tensões

Na primeira unidade, dissemos que a força e o momento que agem em um


ponto específico da área secionada de um corpo (Figura 3a) representam os efeitos
resultantes da distribuição de forças que agem sobre a área secionada (Figura 3b).
Obter essa distribuição da carga interna é de suma importância na resistência
dos materiais.
Para resolver esse problema, é necessário estabelecer o conceito de tensão.
Figura 3a Figura 3b

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

Tipos de tensão

Tensão normal. A intensidade da força ou força por unidade de área, que age
perpendicularmente à ΔA, é definida como tensão normal, a σ (sigma). Visto
que ΔFz é normal à área, então:


∆ → ∆

31
Resistência dos Materiais
Se a força normal ou tensão tracionar o elemento de área ΔA, como mostra a
Figura 3a, ela será denominada tensão de tração, ao passo que, se comprimir o
elemento ΔA, ela será denominada tensão de compressão. Simplificando-se esta
ideia através das figuras 4 e 5, abaixo representadas.

Figura 4 – Tensão de Tração Figura 5 – Tensão de Compressão

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

Unidades de Tensão.

No Sistema Internacional de Unidades de Medidas, ou Sistema SI, os valores


da tensão normal e da tensão de cisalhamento são especificadas nas unidades
básicas de newtons por metro quadrado (N/m2).
Essa unidade, denominada 1 pascal (1 Pa = 1N/m2), é muito pequena, e, em
trabalhos de engenharia, são usados prefixos como quilo (103), simbolizado por k,
mega (106), simbolizado por M, ou giga (109), simbolizado por G, para representar
valores de tensão maiores, mais realistas. Às vezes, a tensão é expressa em
unidades de N/mm2, em que 1 mm = 10-3 m. Todavia, o SI não permite prefixos no
denominador de uma fração, portanto é melhor usar a unidade equivalente 1
N/mm2 = 1 MN/m' = 1 MPa.

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Resistência dos Materiais

Tensão Normal Média em uma barra com carga axial.


Geralmente, elementos estruturais ou mecânicos são compridos e delgados.
Além disso, estão sujeitos a cargas axiais (cargas que passam pelo eixo da peça)
que normalmente são aplicadas às extremidades do elemento. Pendurais,
parafusos e elementos de treliças são exemplos típicos. Nesta seção,
determinaremos a distribuição de tensão média que age na seção transversal de
uma barra com carga axial, como aquela cuja forma geral é mostrada na Figura 6a.
Esta seção define a área da seção transversal da barra e, como todas as outras
seções transversais são iguais, a barra é denominada prismática. Se desprezarmos o
peso da barra e da seção conforme é indicado, então, para o equilíbrio do
segmento inferior (Figura 6b), a força resultante interna que age na área da seção
transversal deve ter valor igual, direção oposta e ser colinear à força externa que
age na parte inferior da barra.
Figura 6 – Tensão Normal Média em Barra com Carga Axial.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

33
Resistência dos Materiais
Antes de determinarmos a distribuição da tensão média que age sobre a área
da seção transversal da barra, é necessário adotar duas premissas simplificadoras
em relação à descrição do material e à aplicação específica da carga.

 Primeira. É necessário que a barra permaneça reta antes e depois da


aplicação da carga; além disso, a seção transversal deve permanecer achatada
ou plana durante a deformação, isto é, durante o tempo em que ocorrer a
mudança no volume e na forma da barra. Se isso acontecer, as linhas
horizontais e verticais da grade aplicada à barra se deformarão uniformemente
quando a barra for submetida à carga (Figura 6c). Não consideraremos aqui as
regiões da barra próximas às suas extremidades, onde a aplicação das cargas
externas pode provocar distorções localizadas. Em vez disso, focalizaremos
somente a distribuição de tensão no interior da seção média da barra.

 Segunda. Para que a barra sofra deformação uniforme é necessário que P


seja aplicada ao longo do eixo do centroide da seção transversal e que o
material seja homogêneo e isotrópico. Materiais homogêneos têm as mesmas
propriedades físicas e mecânicas em todo o seu volume e materiais isotrópicos
têm as mesmas propriedades em todas as direções.

 Muitos materiais de engenharia podem ser considerados homogêneos e


isotrópicos por aproximação, como fazemos neste livro. O aço, por exemplo,
contém milhares de cristais orientados aleatoriamente em cada milímetro
cúbico de seu volume, e, visto que a maioria dos problemas que envolvem esse
material tem um tamanho físico muito maior do que um único cristal, a
premissa adotada em relação à composição desse material é bem realista.

34
Resistência dos Materiais
Entretanto, devemos mencionar que o aço pode ser transformado em
anisotrópico por laminação a frio (isto é, se for laminado ou forjado em
temperaturas subcríticas). Materiais anisotrópicos têm propriedades diferentes em
direções diferentes e, ainda que seja esse o caso, se a anisotropia for orientada ao
longo do eixo da barra, então a barra também se deformará uniformemente
quando sujeita a uma carga axial. Por exemplo, a madeira, por causa de seus grãos
ou fibras, é um material de engenharia homogêneo e anisotrópico e, como possui
uma orientação padronizada de suas fibras, ela se presta perfeitamente à análise
que faremos a seguir. Distribuição da tensão normal média. Contanto que a barra
esteja submetida a uma deformação uniforme e constante como já observamos,

essa deformação é o resultado d e uma tensão normal constante σ Figura 6d. O


resultado é que cada área ΔA na seção transversal está submetida a uma força ΔF =

σ.ΔA, e a soma dessas forças que agem em toda a área da seção transversal deve
ser equivalente à força resultante interna P na seção. Se fizermos ΔA dA e,

portanto, ΔF dF, então, reconhecendo que σ é constante, tem-se:

↑ ∑ ;

Logo: σ = P/A
Onde:

σ = tensão normal média em qualquer ponto na área da seção transversal.


P = força normal interna resultante, que é aplicada no centroide da área da seção
transversal. P é determinada pelo método das seções e pelas equações de
equilíbrio.
A = área da seção transversal da barra.

35
Resistência dos Materiais
A equação σ = P/A dá a tensão normal média na área da seção transversal de
um elemento quando a seção é submetida a uma força normal resultante interna
P. Para elementos com carga axial, a aplicação dessa equação exige as etapas
descritas a seguir:
Carga interna
 Secione o elemento perpendicularmente a seu eixo longitudinal no ponto
onde a tensão normal deve ser determinada e use o diagrama de corpo livre
e as equações de equilíbrio de forças necessárias para obter a força axial
interna P na seção.

Tensão normal média

 Determine a área da seção transversal do elemento na seção analisada e


calcule a tensão normal média σ = P/A.

 Sugerimos que a ação de σ seja mostrada sobre um pequeno elemento de


volume do material localizado em um ponto na seção onde a tensão é
calculada. Para isso, em primeiro lugar, desenhe-a na face do elemento
coincidente com a área secionada A. Aqui, σ age na mesma direção que a
força interna P, uma vez que todas as tensões normais na seção transversal
agem nessa direção para desenvolverem essa resultante. A tensão normal σ
que age na face oposta do elemento pode ser desenhada em sua direção
adequada.

Tensão de cisalhamento
A intensidade da força, ou força por unidade de área, que age tangente a ΔA, é
denominada tensão de cisalhamento, τ (tau). Aqui estão as componentes da
tensão de cisalhamento:

Observe que a notação do índice z em σz é usada para indicar a direção da


reta normal dirigida para fora, que especifica a orientação da área ΔA (Figura 7).
São usados dois índices para as componentes da tensão de cisalhamento, τzx e τ zy

36
Resistência dos Materiais
O eixo z especifica a orientação da área e x e y referem-se às retas que indicam a
direção das tensões de cisalhamento.
Figura 7 – Índices de tensões de cisalhamento.

Tensão de cisalhamento média

A tensão de cisalhamento foi definida anteriormente como a componente da


tensão que age no plano da área secionada. Para mostrar como essa tensão pode
desenvolver-se, consideraremos o efeito da aplicação de uma força F à barra na
Figura 8. Se considerarmos apoios rígidos e F suficientemente grande, o material
da barra irá deformar-se e falhar ao longo dos planos identificados por AB e CD. Um
diagrama de corpo livre do segmento central não apoiado da barra (Figura 9)
indica que a força de cisalhamento V = F/2 deve ser aplicada a cada seção para
manter o segmento em equilíbrio. A tensão de cisalhamento média distribuída
sobre cada área secionada que desenvolve essa força de cisalhamento é definida
por:

Onde, τmédia = tensão de cisalhamento média na seção, que consideramos ser a

mesma em cada ponto localizado na seção.


V = força de cisalhamento interna resultante na seção determinada pelas equações
de equilíbrio.
A = área na seção.

37
Resistência dos Materiais

Figura 8 – Barra submetida à tensão de cisalhamento.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

Figura 9 – Diagrama de Corpo Livre do segmento central da barra.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

A ação da distribuição da tensão de cisalhamento média sobre as seções é

mostrada na Figura 10. Observe que τmédia está na mesma direção de V, uma vez
que a tensão de cisalhamento deve criar forças associadas e que todas elas
contribuem para a força resultante interna V na seção analisada.

O caso de carregamento discutido nas Figuras 8, 9 e 10 é um exemplo de


cisalhamento simples ou direto, visto que o cisalhamento é causado pela ação
direta da carga aplicada F. Esse tipo de cisalhamento ocorre frequentemente em
vários tipos de acoplamentos simples que utilizam parafusos, pinos, material de

38
Resistência dos Materiais
solda etc. Os acoplamentos mostrados na Figura 11 abaixo ilustram perfeitamente
isto.

Figura 10 - Diversos tipos de acoplamento que sofrem cisalhamento

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

.
Figura 11 – Diversos tipos de acoplamento que sofrem cisalhamento.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

Quando a junta é construída como mostra a Figura 12.a ou 12.c, duas superfícies de
cisalhamento devem ser consideradas. Esses tipos de acoplamentos são
normalmente denominados juntas de dupla superposição. Se fizermos um corte
entre cada um dos elementos, os diagramas de corpo livre do elemento central
serão como os mostrados na Figura 12.b e 12.d. Temos, neste caso, uma condição
de cisalhamento duplo. Por consequência, V = F/2 age sobre cada área secionada,
e esse cisalhamento deve ser considerado quando aplicarmos τmédia = V/A.

39
Resistência dos Materiais

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010.

Deformação

Em física e engenharia, a deformação de um corpo contínuo (ou de uma


estrutura) é qualquer mudança da configuração geométrica do corpo que leve a
uma variação da sua forma ou das suas dimensões após a aplicação de uma ação
externa (solicitação), a exemplo de uma tensão ou variação térmica que altere a
forma de um corpo.

Sempre que uma força é aplicada a um corpo, esta tende a mudar a forma e o
tamanho dele. Essas mudanças são denominadas deformações e podem ser

40
Resistência dos Materiais

altamente visíveis ou praticamente imperceptíveis se não forem utilizados


equipamentos que façam medições precisas. Por exemplo, uma tira de borracha
sofrerá uma grande deformação quando esticada. Por outro lado, os elementos
estruturais de um edifício sofrem apenas leves deformações quando há muitas
pessoas anelando dentro dele. Também pode ocorrer deformação em um corpo
quando há mudança de temperatura. Um exemplo típico é a expansão ou
contração térmica de um telhado causada pelas condições atmosféricas.
As deformações por tensão podem ser classificadas basicamente em três
tipos:

 Deformação transitória ou elástica.


 Deformação permanente ou plástica.
 Ruptura.

Na deformação elástica, o corpo retorna ao seu estado original após cessar o


efeito da tensão. Isso acontece quando o corpo é submetido a uma força que não
supere a sua tensão de elasticidade (Lei de Hooke).

Lei de Hooke

Após uma série de experiências, o cientista inglês, Robert Hooke, no ano de


1678, constatou que uma série de materiais, quando submetidos à ação de carga
normal, sofre variação na sua dimensão linear inicial, bem como na área da seção
transversal inicial.

Ao fenômeno da variação linear, Hooke denominou alongamento,


constatando que:

Quanto maior a carga normal aplicada, e o comprimento inicial da peça, maior


o alongamento, e que, quanto maior a área da seção transversal e a rigidez do
material, medido através do seu módulo de elasticidade, menor o alongamento,
resultando daí a equação:

41
Resistência dos Materiais

.

.

Como σ = F/A podemos escrever a Lei de Hooke:

.

Na deformação permanente, o corpo não retorna ao seu estado original,


permanece deformado permanentemente. Isso acontece quando o corpo é
submetido à tensão de plasticidade, que é maior daquela que produz a deformação
elástica.

Onde:
Δl - alongamento da peça [m];

σ - tensão normal [Pa];

F - carga normal aplicada [N];

A - área da seção transversal [m2];

E - módulo de elasticidade do material [Pa];

L - comprimento inicial da peça [m];

O alongamento será positivo, quando a carga aplicada tracionar a peça, e será


negativo quando a carga aplicada comprimir a peça.

É importante observar que a carga se distribui por toda área da seção


transversal da peça.

42
Resistência dos Materiais

Figura 13 – Alongamento.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Onde:
lf - comprimento final da peça [m; mm...]
l - comprimento inicial da peça [m; mm...]
Δl - alongamento [m; mm...]

A lei de Hooke, em toda a sua amplitude, abrange a deformação longitudinal () e

a deformação transversal (t).

43
Resistência dos Materiais

Deformação longitudinal ()

Consiste na deformação que ocorre em uma unidade de comprimento (u.c)


de uma peça submetida à ação de carga axial.
Sendo definida através das relações:

Figura 14 – Deformação longitudinal.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Deformação transversal ( t)

Determina-se através do produto entre a deformação unitária () e o


coeficiente de Poisson ( ).

Figura 15 – Deformação transversal.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

44
Resistência dos Materiais

Como  = Δl/l = σ / E, podemos escrever:


ou

Onde:
 t - deformação transversal adimensional

σ - tensão normal atuante [Pa; MPa , GPa ]


E - módulo de elasticidade do material [P a;...]

t - deformação longitudinal adimensional (sem dimensão).


- coeficiente de Poisson adimensional
Δl - alongamento [m; cm; mm]
l - comprimento inicial [m; cm;...]
Na deformação por ruptura o corpo rompe-se em duas ou mais partes. A
ruptura acontece quando um corpo recebe uma tensão inicialmente maior
daquela que produz a deformação plástica; essa tensão tende a diminuir após o
início do processo.
A forma de aplicação das tensões varia em relação à reação de apoio ou inércia
do corpo; elas podem ocorrer por tração, compressão, cisalhamento, flexão e
torção:

Tração: Solicitação que tende a alongar o corpo e ocorre no sentido inverso ao


apoio ou inércia resultante do sistema de forças (semelhante aos cabos de aço de
um guindaste);
Compressão: Solicitação que tende a encurtar o corpo e ocorre no mesmo sentido
da reação de apoio ou inércia resultante do sistema de forças (semelhante às
colunas de uma construção);

45
Resistência dos Materiais
Cisalhamento ou corte: Solicitação que tende a cortar o corpo e ocorre com o
deslocamento paralelo em sentido oposto de duas seções contíguas (semelhante
ao corte de uma tesoura ou guilhotina);

Flexão: Solicitação que tende a girar um corpo e ocorre quando a tensão tende a
uma rotação angular no eixo geométrico do corpo e tangencial ao apoio ou inércia
(semelhante a um trampolim de piscina);

Torção: Solicitação que tende a torcer o corpo; ocorre quando a tensão tende a
uma rotação angular sobre o eixo geométrico do corpo e axial ao apoio ou inércia
(semelhante ao eixo cardã dos caminhões).

Diagrama Tensão X Deformação

A resistência de um material depende da sua capacidade de suportar carga


sem deformações excessivas ou ruptura. Essa propriedade é própria do material e
deve ser determinada experimentalmente. O teste mais importante para a
obtenção de propriedades mecânicas do material é o teste de tração ou
compressão axial.

Esse teste é utilizado principalmente para a obtenção da relação entre a


tensão média e a deformação normal média. O teste é realizado através da
conformação do material selecionado em corpos de prova de dimensões
padronizadas por normas. Uma máquina de teste, especialmente projetada para
tal função, é utilizada para aplicar-se uma carga de compressão ou tração no corpo
de prova em teste. Essa carga é aplicada a uma taxa muito lenta e constante até
que o material atinja o ponto de ruptura.

Os dados da carga aplicada são registrados sem intervalos frequentes assim


como o alongamento ou encurtamento do corpo de prova. O valor desse
alongamento é utilizando então para calcular a deformação do corpo de prova e a
carga aplicada, juntamente com propriedades da seção transversal do corpo de
prova, para calcular a tensão, obtendo-se assim, ao final do teste, o diagrama
tensão-deformação para o material ensaiado.

46
Resistência dos Materiais
O diagrama tensão-deformação é um gráfico bidimensional no qual se relacionam

a tensão σ, ordenada, com a deformação , abscissa, obtidos pelo ensaio. Cada


ponto do gráfico identifica uma leitura de tensão-deformação feita pela máquina
de testes durante o ensaio. O último ponto caracteriza a ruptura do material.

Exemplo:
Seja o Diagrama Tensão deformação do aço ABNT 1020, mostrado abaixo,
ensaiado conforme normas específicas.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Onde:
Ponto O- Início de ensaio carga nula;
Ponto A - Limite de proporcionalidade;
Ponto B - Limite superior de escoamento;
Ponto C - Limite inferior de escoamento;
Ponto D - Final de escoamento início da recuperação do material;
Ponto E - Limite máximo de resistência;
Ponto F - Limite de ruptura do material.

A partir do diagrama tensão-deformação é possível se obter diversas


propriedades do material ensaiado.

47
Resistência dos Materiais
Os materiais são classificados como dúcteis e frágeis, dependendo das suas
características de tensão e deformação.
Materiais dúcteis são aqueles que apresentam grandes deformações antes de
se romperem como, por exemplo, o aço, borracha, alumínio. A madeira pode ser
considerada como um material moderadamente dúctil, pois suas características
variam muito de uma espécie para outra.

Materiais frágeis são aqueles que se rompem bruscamente apresentando


pequenas deformações como, por exemplo, o concreto. Outra característica é que
não possuem tensão de ruptura à tração bem definida e sua resistência a esse
esforço normalmente é baixa. Essa indefinição é causada pela existência de
imperfeições e microtrincas no material. A consequência é que o aparecimento de
trincas iniciais seja bem aleatório. Essas imperfeições ou microtrincas são próprias
da natureza do material.
O material é classificado como frágil, quando submetido a ensaio de tração não
apresenta deformação plástica, passando da deformação elástica para o
rompimento.
Ex.: concreto, vidro, porcelana, cerâmica, gesso, cristal, acrílico, baquelite etc.
Diagrama tensão deformação do material frágil

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

48
Resistência dos Materiais

Onde:
Ponto O - Início de ensaio carga nula;
Ponto A - limite máximo de resistência, ponto de ruptura do material.

Figura 16 – Tensão X Deformação para vários tipos de materiais.

Fonte: adaptado.

Conforme os gráficos da figura 16 observam-se em: a vê-se um material dúctil


típico, como um aço de baixo carbono recozido. Entre os materiais dúcteis existem
aqueles que não mostram claramente o patamar de escoamento, como em b. As
figuras c e d mostram possíveis curvas de comportamento para materiais frágeis.
No caso c aparece um comportamento não linear em baixos níveis de tensão, que é
característica dos ferros fundidos. Já em d o comportamento é elástico e linear até
próximo da ruptura, característica de materiais cerâmicos e ligas fundidas de
elevada dureza.

49
Resistência dos Materiais

Figura 17.a – Fratura de material frágil. Figura 17.b – Fratura de material dúctil

Fonte: adaptado.

Importante!

Observação: a classificação de materiais dúcteis e frágeis não é rígida, pois um


material pode mudar suas características de comportamento, por influência de
vários fatores como, por exemplo, a temperatura de trabalho. Altas temperaturas
tendem a promover o comportamento dúctil. Baixas temperaturas tendem a
promover o comportamento frágil. Então um material de comportamento frágil em
temperatura ambiente poderá se tornar dúctil em altas temperaturas, ou um
material dúctil se tornar frágil em baixas temperaturas.

No ensaio de tração, à medida que aumentamos a intensidade de carga normal


aplicada, observamos que a peça apresenta alongamento na sua direção
longitudinal e uma redução na seção transversal.
Na fase de deformação plástica do material, essa redução da seção transversal
começa a se acentuar, apresentando estrangulamento da seção na região de
ruptura. Essa propriedade mecânica é denominada estricção, sendo determinada
através da expressão:

50
Resistência dos Materiais

. %

Onde: φ - estricção [%]

Ao - área da seção transversal inicial [mm2; cm2; ]

Af - área da secção transversal final [mm2; cm2; ]

Estamos encerrando a unidade. Sempre que tiver uma dúvida entre em contato
com seu tutor virtual através do ambiente virtual de aprendizagem e consulte
sempre a biblioteca do seu polo.

É hora de se avaliar
Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão
ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

51
Resistência dos Materiais

Exercícios – unidade 2

1.Um fio de cobre possui uma tensão de ruptura de 30 kgf/mm2 e apresenta uma
estricção de 77%. Calcule:

a) a tensão verdadeira de ruptura;

b) a deformação verdadeira εv na ruptura.

2.Em uma haste de latão, são marcados dois traços, que distam entre si 50,0
mm. A haste e tensionada, de forma que a distancia entre os traços passa a ser 56,7
mm. Calcule a deformação sofrida pela haste de latão.

3.Uma barra de ferro de 4 m de comprimento e 0,5 cm2 de seção transversal e


esticada 1 mm quando uma massa de 225 kg e pendurada em sua extremidade
inferior. Considerando g = 9,8 m/s2, calcule o modulo de Young para a barra.
a) 1,76 x 1011 N/m2
b) 176 x 1013 N/mm2
c) 0,176 x 1011 N/mm2
d) 1,76 x 106 N/m2
e) 3,76 x 1011 N/m2

52
Resistência dos Materiais

4. A haste ABCD, mostrada na figura abaixo, é feita de alumínio, com E = 70 GPa.


Determinar, para as cargas indicadas, desprezando o peso próprio:
a) O deslocamento do ponto B.
b) O deslocamento do ponto D.

Fone: HIBBELER, R. C. 2010.

a) B = 5,71mm e D = 0,781mm
b) B = 0,781mm e D = 5,71mm
c) B = 1,781mm e B = 5,71mm
d) B = 0,57mm e B 0,781mm
e) B = 0,781mm e B = 3,81mm.

53
Resistência dos Materiais

5. Uma barra circular possui d = 32 mm, e o seu comprimento l = 1,6 m. Ao ser


tracionada por uma carga axial de 4kN, apresenta um alongamento l = 114 µm.
Qual o material da barra? Consulte o quadro abaixo para dar a resposta.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Módulo de Módulo de
Material elasticidade Material elasticidade
E [GPa] E [GPa]
Aço 210 Latão 117
Alumínio 70 Ligas de alumínio 73
Bronze 112 Ligas de chumbo 17
Cobre 112 Ligas de estanho 41
Chumbo 17 Ligas de magnésio 45
Estanho 40 Ligas de titânio 114
Fofo 100 Magnésio 43
Fofo Modular 137 Monel (liga níquel) 179
Ferro 200 Zinco 96

a)Bronze
b) aço
c) Alumínio
d) Cobre
e) Ferro.

54
Resistência dos Materiais

6.Uma barra de AI possui seção transversal quadrada com 60 mm de lado e, o


seu comprimento é de 0,8 m. A carga axial aplicada na barra é de 36 kN. Determinar
a tensão normal atuante na barra e o seu alongamento.

a) 5 MPa e 114 mm

b) 10 MPa e 11,4 mm

c) 10 MPa e 114μm

d) 10 GPa

e)1,14 mm.

7.Determinar a tensão de tração e a deformação específica de uma barra


prismática de comprimento L= 5,0m, seção transversal circular com diâmetro φ=5
cm e Módulo de Elasticidade E=20.000 kN/cm2 , submetida a uma força axial de
tração P=30 kN.

a) 15,3 MPa e 0,0764 %


b) 7,15 MPa e 7,64 %
c) 30,6 MPa e 0,00764%
d) 5,30 MPa e 1,0764%

55
Resistência dos Materiais

8. No diagrama de ensaio de tração (tensão x deformação) para materiais dúcteis, o


limite superior de escoamento, representa o ponto de:

a) Ruptura
b) O início da deformação plástica
c) Limite máximo de resistência
d) Limite de proporcionalidade
e) O início da estricção

56
Resistência dos Materiais
9.Dado o gráfico Tensão x Deformação abaixo, indicar o que significa a etapa 1
do mesmo, definindo-a corretamente conforme a teoria estudada.

Tensão

Deformação

a)Ruptura
b) Estricção
c) Início da região plástica
d) Tensão máxima.

10. Determine a deformação da barra de aço sob a ação das cargas indicadas.

Dado: E=210 GPa.

a) δ=2,75×10-3m = 2,75 mm

b) δ=5,50 ×10-3m = 4,75 mm

c) δ=27,5×10-3m = 275 mm

d) δ=2,75×106m = 27,5 mm

57
Resistência dos Materiais

58
Resistência dos Materiais

3 Verificação da Segurança

59
Resistência dos Materiais

O engenheiro responsável pelo projeto de elementos estruturais ou


mecânicos deve restringir a tensão do material a um nível seguro, portanto, deve
usar uma tensão segura ou admissível.

Em Engenharia, uma estrutura ou máquina em uso contínuo deve ser


analisada periodicamente para que se verifiquem quais ·cargas adicionais seus
elementos ou partes podem suportar. Portanto, vale ressaltar, é necessário fazer os
cálculos usando-se uma tensão segura ou admissível.

Objetivos da unidade:

Ao final desta unidade, o aluno (a) conhecerá a utilização do coeficiente de


segurança e sua aplicação no dimensionamento dos elementos de construção,
visando assegurar o equilíbrio entre a qualidade da construção e seu custo.

Plano da unidade:

 Coeficiente de Segurança

 Carga Estática

 Carga Intermitente

 Carga Alternada

 Tensão Admissível

Bons estudos!

60
Resistência dos Materiais

Coeficiente de Segurança.

Para se garantir a segurança, é preciso escolher uma tensão admissível que


restrinja a carga aplicada a um valor menor do que a carga que o elemento pode
suportar totalmente. Há várias razões para isso. Por exemplo, a carga para a qual o
elemento é projetado pode ser diferente das cargas realmente aplicadas. As
dimensões estipuladas no projeto de uma estrutura ou máquina podem não ser
exatos por causa de erros de fabricação ou cometidos na montagem de seus
componentes. É possível ocorrer problemas com vibrações, impactos ou cargas
acidentais desconhecidas, que não tenham sido contemplados no projeto.

Corrosão atmosférica, deterioração ou desgaste provocado por exposição a


intempéries tendem a deteriorar os materiais em serviço.

Coeficiente de Segurança k

O coeficiente de segurança é utilizado no dimensionamento dos elementos de


construção, visando assegurar o equilíbrio entre a qualidade da construção e seu
custo.

O projetista poderá obter o coeficiente em normas ou calcular em função das


circunstâncias apresentadas.
Os esforços são classificados em 3 tipos:

61
Resistência dos Materiais

Carga Estática

A carga é aplicada na peça e permanece constante; como exemplos, podemos


citar:

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Um parafuso prendendo uma luminária.

Uma corrente suportando um lustre.

Carga Intermitente

Neste caso, a carga é aplicada gradativamente na peça, fazendo com que o seu
esforço atinja o máximo, utilizando para isso um determinado intervalo de tempo.
Ao atingir o ponto máximo, a carga é retirada gradativamente no mesmo intervalo
de tempo utilizado para se atingir o máximo, fazendo com que a tensão atuante
volte à zero. E assim sucessivamente.

62
Resistência dos Materiais

Ex.: o dente de uma engrenagem.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Carga Alternada

Neste tipo de solicitação, a carga aplicada na peça (f(tensão) varia de máximo


positivo para máximo negativo ou vice-versa, constituindo-se na pior situação para
o material).

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Ex.: eixos, molas, amortecedores etc.

Obs.: para cisalhamento substituir σ por τ.

63
Resistência dos Materiais

Para determinar o coeficiente de segurança em função das circunstâncias


apresentadas, deverá ser utilizada a expressão a seguir:
. . .

Onde:
x é o fator do tipo de material.
Ex. x = 2; para materiais comuns.
x = 1,5; para aços de qualidade e aços liga.
y é o fator do tipo de solicitação.
y = 1 para carga constante
y = 2 para carga intermitente
y = 3 para carga alternada.

.z é o fator do tipo de carga.


z = 1 para carga gradual
z = 1,5 para cargas leves
z = 2,0 para cargas bruscas.

.w é o fator que prevê possíveis falhas de fabricação.


w = 1,0 a 1,5 para aços.
w = 1,5 a 2,0 para ferro fundido.

OBS: Para carga estática, normalmente utiliza-se 2 ≤ k ≤ 3 aplicado a σe (tensão de

escoamento do material), para o material dúctil e ou aplicado a σr para o material


frágil.

Onde σr é a tensão de ruptura do material.

A tensão admissível é a ideal de trabalho para o material nas circunstâncias


apresentadas. Geralmente, essa tensão deverá ser mantida na região de
deformação elástica do material.

64
Resistência dos Materiais

A tensão admissível é determinada através da relação σe (tensão de


escoamento) coeficiente de segurança para os materiais dúcteis, σr (tensão de
ruptura) coeficiente de segurança para os materiais frágeis.

Para materiais dúcteis.

Para materiais dúcteis.

Para materiais frágeis.

Para materiais frágeis.

Em projetos de porte, é necessário levar em conta, no dimensionamento dos


elementos de construção, o peso próprio do material, que será determinado
através do produto entre o peso específico do material e o volume da peça,
conforme nos mostra o estudo a seguir.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

0≤ y≤ℓ
Pp = γAy

65
Resistência dos Materiais
Na secção AA
Y = 0  Pp = 0
Na secção BB
Y = ℓ  Pp = Máx.
á . .

Ao final desta unidade, lembramos a você, querido aluno(a), de revisar os


conteúdos aqui abordados, resolvendo outros exercícios do referencial
bibliográfico recomendados.

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

66
Resistência dos Materiais

Exercícios – unidade 3

1.O tirante está apoiado em sua extremidade por um disco circular fixo como
mostrado na figura. Se a haste passa por um furo de 40 mm de diâmetro,
determinar o diâmetro mínimo requerido da haste e a espessura mínima do
disco necessários para suportar uma carga de 20 kN. A tensão normal
admissível da haste é σadm = 60 MPa, e a tensão de cisalhamento admissível
do disco é τadm = 35 MPa.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010 adaptado.

67
Resistência dos Materiais

2.Determine o coeficiente de segurança para uma situação em que se

Pretende fabricar um tirante de aço que irá suportar uma carga constante de
tração, aplicada gradualmente quando ao final da montagem.

Nota: O tirante é uma peça estrutural composta por um ou mais elementos, e que tem por
função resistir a esforços, forças ou tensões, de tração. Geralmente são feitos com aço
comum.

3.A coluna está submetida a uma força axial de 8 kN no seu topo. Supondo
que a seção transversal tenha as dimensões mostradas na figura, determinar a
tensão normal média que atua sobre a seção a-a. Mostrar essa distribuição de
tensão atuando sobre a área da seção transversal.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010 adaptado.

68
Resistência dos Materiais

4.O punção circular B exerce uma força de 2 kN no topo da chapa A


Determinar a tensão de cisalhamento média na chapa devida a esse carregamento.

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010 adaptado.

69
Resistência dos Materiais

70
Resistência dos Materiais

4
Dimensionamento de Peças

71
Resistência dos Materiais

Durante aplicações práticas, em engenharia, a determinação de tensões é um


importante passo para o desenvolvimento de dois estudos relacionados a:

Análise de estruturas e máquinas existentes, com o objetivo de prever o seu


comportamento sob condições de cargas especificadas.

Projeto de novas máquinas e estruturas, que deverão cumprir determinadas


funções de maneira segura e econômica.

Objetivos da unidade:

Ao final desta unidade, o aluno (a) deverá prever o comportamento de uma


estrutura ou equipamentos, quando estes estiverem sob condições de
carregamento ou tensões repentinas, de modo a projetá-los corretamente.

Plano da unidade:

 Peças de Secção Transversal

 Peças de Secção Transversal Qualquer

 Peças de Secção Transversal Circular.

 Dimensão de correntes.

Bons estudos!

72
Resistência dos Materiais

Peças de Seção Transversal

Peças de Seção Transversal Qualquer

Área Mínima.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.


Onde:

Amin - Área mínima da secção transversal [m2: ... ].

F - Carga axial aplicada [N].

- Tensão admissível do material [Pa].

73
Resistência dos Materiais

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.


Peças de Seção Transversal Circular
Diâmetro da Peça

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

= F/A como a área do círculo é A =  d2/4, temos que:

= 4 F/ d2, portanto,

Onde:

D - Diâmetro da peça [m].

74
Resistência dos Materiais

F - Carga axial aplicada [N].

- Tensão admissível do material [Pa].

 - Constante trigonométrica 3,141516...

Dimensionamento de Correntes.

A carga axial em uma corrente se divide na metade para cada seção


transversal do elo, conforme demonstrado na figura abaixo:

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Tem-se então que:

Como a área do círculo é A =  d2/4, temos que:

portanto,

75
Resistência dos Materiais
Onde:
d - diâmetro da barra do elo [m).
Fc - Força na corrente [N).
 - Constante trigonométrica 3, 1415....
0= - Tensão admissível [Pa).

Tabelas de algumas propriedades mecânicas.

Tabela 1 - Coeficiente de Poisson (v)

Material v Material v
Aço 0,25 - 0,33 Latão 0,32 - 0,42
Alumínio 0,32 - 0,36 Madeira compensada 0,07
Bronze 0,32 - 0,35 Pedra 0,16 - 0,34
Cobre 0,31 - 0,34 Vidro 0,25
Fofo -0,23 - 0,27 Zinco 0,21
Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Obs: A sigla “fofo” significa ferro fundido.

Tabela 2 - Características elásticas dos materiais.

Módulo de Módulo de
Material elasticidade Material elasticidade
E [GPa] E [GPa]
Aço 210 Latão 117
Alumínio 70 Ligas de alumínio 73
Bronze 112 Ligas de chumbo 17
Cobre 112 Ligas de estanho 41
Chumbo 17 Ligas de magnésio 45
Estanho 40 Ligas de titânio 114
Fofo 100 Magnésio 43
Fofo Modular 137 Monel (liga níquel) 179
Ferro 200 Zinco 96
Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

76
Resistência dos Materiais

Obs.: É comum encontrar-se o módulo de elasticidade em MPa (megapascal)

Exemplos:

Eaço 5 = 2,1 x 10 MPa

EAl= 7,0 X 104 MPa

ECu= 1,12 x 105 MPa

Tabela 3 - Peso especí fico dos materiais.


Peso Específico Peso Específico
Material Material
[ N / m3 ] [ N / m3 ]
Aço 7,70 x 104 Gasolina 15ºC 8,3 x 103
3
Água destilada 4ºC 9,8 x 10 Gelo 8,8 x 103
Alvenaria tijolo 1,47 x 104 Graxa 9,0 x 103
Alumínio 2,55 x 104 Latão 8,63 x 104
Bronze 8,63 x 104 Leite (15ºC) 1,02 x 104
Borracha 9,3 x 103 Magnésio 1,72 x 104
Cal hidratado 1,18 x 104 Níquel 8,50 x 104
Cerveja 1,00 x 104 Ouro 1,895 x 105
Cimento em pó 1,47 x 104 Papel 9,8 x 103
Concreto 2,00 x 104 Peroba 7,8 x 103
Cobre 8,63 x 104 Pinho 5,9 x 103
Cortiça 2,4 x 103 Platina 2,08 x 105
Chumbo 1,1 x 105 Porcelana 2,35 x 104
Diamante 3,43 x 104 Prata 9,80 x 104
Estanho 7,10 x 104 Talco 2,65 x 104
Ferro 7,70 x 104 Zinco 6,90 x 104

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

77
Resistência dos Materiais

Tabela 4 - Coeficiente de dilatação linear dos materiais.


Coeficiente de Coeficiente de
Material Material
dilatação linear dilatação linear
[ºC]-1 [ºC]-1
Aço 1,2 x 10-5 Latão 1,87 x 10-5
-5
Alumínio 2,3 x 10 Magnésio 2,6 x 10-5
Baquelite 2,9 x 10-5 Níquel 1,3 x 10-5
-5
Bronze 1,87 x 10 Ouro 1,4 x 10-5
Borracha [20ºC] 7,7 x 10-5 Platina 9 x 10-6
-5
Chumbo 2,9 x 10 Prata 2 x 10-5
Constantan 1,5 x 10-5 Tijolo 6 x 10-6
-5
Cobre 1,67 x 10 Porcelana 3 x 10-6
Estanho 2,6 x 10-5 Vidro 8 x 10-6
-5
Ferro 1,2 x 10 Zinco 1,7 x 10-5
Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Tabela 5 - Módulo de Elasticidade Transversal.

Módulo de Elasticidade
Material
Transversal G [GPa]
Aço 80
Alumínio 26
Bronze 50
Cobre 45
Duralumínio 14 28
Fofo 88
Magnésio 17
Nylon 10
Titânio 45
Zinco 32

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

78
Resistência dos Materiais

Tabela 6 – Tensões.
Tensão de Tensão de Tensão de Tensão de
Materiais escoamento ruptura Materiais escoament ruptura
de [Mpa] [Mpa] o de [Mpa] [Mpa]
Aço Carbono Materiais
ABNT 1010 - L 220 não ferrosos

-T 380 Alumínio 30 – 120 70 – 230


ABNT 1020 - L 280 Duralumínio 14 100 – 420 200 – 500
-T 480 Cobre Telúrio 60 – 320 230 – 350
ABNT 1030 - L 300 Bronze de níquel 120 – 650 300 – 750
-T 500 Magnésio 140 – 200 210 – 300
ABNT 1040 - L 360 Titãnio 520 600
-T 600 Zinco - 290
ABNT 1050 - L 400 Materiais
não metálicos
Aço Liga
Borracha - 20 – 80
ABNT 4140 - L 650
-T 700 Concreto - 0,8 – 7

ABNT 8620 - L 440 Madeiras

-T 700 Peroba - 100 – 200


Ferro Fundido Pinho - 100 – 120
Cinzento - Eucalipto - 100 – 150

Branco - Plásticos

Preto -F - Nylon - 80
-P - Vidro
Modular - Vidro plano - 5 – 10

L - laminado T - trefilado F - ferrítico P - perlítico


Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Finalizamos mais uma unidade, novamente não se esqueça de refazer os


exercícios do referencial recomendado.

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

79
Resistência dos Materiais

Exercícios – unidade 4

1.A barra circular representada na figura é de aço, possui d = 20 mm e


comprimento l =0,8m. Encontra-se submetida à ação de uma carga axial de 7,2 kN.
Pede-se determinar para a barra:

a) Tensão normal atuante ().

b) O alongamento (l).

c) A deformação longitudinal ().

d) A deformação transversal ( t).

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

80
Resistência dos Materiais

2.Determinar o diâmetro da barra 1 da construção representada na figura. O

material da barra é o ABNT 1010L com  e = 220 MPa, e o coeficiente de segurança


indicado para o caso é k=2.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.


3.A figura dada representa duas barras de aço soldadas na seção BB. A carga
de tração que atua na peça é 4,5 kN. A seção 1 da peça possui d1 = 15 mm e
comprimento. l 1 = 0,6 m, sendo que a seção 2 possui d2 = 25 mm e l 2 = 0,9 m.
Desprezando o efeito do peso próprio do material, pede-se determinar para as
seções 1 e 2.

a) A tensão normal (1 e 2)

b) O alongamento (l 1 e l 2)

c) A deformação longitudinal (1 e 2)

d) A deformação transversal (t1 e t2)

e) O alongamento total da peça (l)

Dados: Eaço = 210 GPa aço = 0,3

81
Resistência dos Materiais

4.Uma barra circular possui d = 32 mm, e o seu comprimento l = 1,6 m. Ao ser


tracionada por uma carga axial de 4kN, apresenta um alongamento l = 114μm.
Qual o material da barra?

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.


5.O lustre da figura pesa 120N, estará preso ao teto através do ponto A, por
uma corrente de aço. Determinar o diâmetro do arame da corrente, para que
suporte com segurança K = 5, o peso do lustre. O material do arame é o ABNT
1010L com e = 220 MPa.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

82
Resistência dos Materiais

6.Uma barra de AI possui secção transversal quadrada com 60mm de lado e, o


seu comprimento é de 0,8 m. A carga axial aplicada na barra é de 36 kN. Determinar
a tensão normal atuante na barra e o seu alongamento.

EAl = 0,7 X 105 MPa

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

7.A coluna da figura dada suporta uma carga de 240 kN. Considerando o peso
próprio do material, determinar as tensões atuantes nas seções AA; SS; CC. A
coluna é de concreto, sendo que o bloco 1 tem h1 = 2m e área da seção transversal
A1 = 0,24 m2, o bloco 2 tem h2 = 2m e área da seção transversal A2 = 0,36 m2.
Dados:  concreto = 2 x 104 N/ m3

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

83
Resistência dos Materiais

8.A viga AB absolutamente rígida suporta o carregamento da figura, suspensa


através dos pontos AB, pelas barras 1 e 2 respectivamente. A barra 1 é de aço,
possui comprimento l e área de seção transversal A1. A barra 2 é de Al, possui
também comprimento l e área de seção transversal A2. Determinar a relação entre
as áreas das secções transversais das barras, sabendo-se que a viga AB permanece
na horizontal após a aplicação das cargas. Dados: Eaço = 210 GPa ; EAl = 70 GPa.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

9.Uma barra de ferro de 4 m de comprimento e 0,5 cm2 de seção transversal e


esticada 1 mm quando uma massa de 225 kg e pendurada em sua extremidade
inferior. Considerando g = 9,8m/s2, calcule o modulo de Young para a barra.

84
Resistência dos Materiais

10.Uma peça que pesa 123.000 kgf apoia-se sobre quatro peças de aço de baixa
estatura, como indicado no desenho abaixo. Identifique as dimensões que a peça
deve ter. As peças de apoio têm as seguintes medidas a x 5a.

Fone: BOTELHO, M. H. C. 2013.

Obs.: O peso próprio da estrutura só deve ser considerado nos cálculos


quando o seu valor for significativo. No caso deste problema não será considerado.

85
Resistência dos Materiais

86
Resistência dos Materiais

5 Cisalhamento Puro

87
Resistência dos Materiais

Um elemento de construção submete-se a esforço de cisalhamento, quando


sofre a ação de uma força cortante. Além de provocar cisalhamento, a força
cortante dá origem a um momento fletor, que por ser de baixíssima intensidade,
será desconsiderado neste capítulo.

O cisalhamento está mais presente em nossas vidas do que se imaginamos: ao


cortar uma folha, um pedaço de queijo ou aparas do papel com guilhotina, entre
muitos outros exemplos. No caso de metais, podemos praticar o cisalhamento com
tesouras, prensas de corte, dispositivos especiais ou simplesmente aplicando
esforços que resultem em forças cortantes. Ao ocorrer o corte, as partes se
movimentam paralelamente, por escorregamento, uma sobre a outra, separando-
se. A esse fenômeno damos o nome de cisalhamento.

Objetivos da unidade:

Ao final desta unidade, o aluno (a) deverá compreender os esforços de


cisalhamento em um elemento de junta (rebite, parafusos, solda ou pinos), quando
esta junta estiver sob tração ou compressão.

Plano da unidade:

 Força Cortante Q

 Tensão de Cisalhamento ()

 Deformação do Cisalhamento

Bons estudos!

88
Resistência dos Materiais

Tensão de cisalhamento

Tensão de cisalhamento ou tensão tangencial, ou ainda tensão de corte ou


tensão cortante é um tipo de tensão gerado por forças aplicadas em sentidos
iguais ou opostos, em direções semelhantes, mas com intensidades diferentes no
material analisado. Um exemplo disso é a aplicação de forças paralelas, mas em
sentidos opostos, ou a típica tensão que gera o corte em tesouras.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Força Cortante Q.

Denomina-se força cortante, a carga que atua tangencialmente sobre a área


de seção transversal da peça.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

89
Resistência dos Materiais

Tensão de Cisalhamento ().

A ação da carga cortante sobre a área da seção transversal da peça causa nesta
uma tensão de cisalhamento, que é definida através da relação entre a intensidade
da carga aplicada e a área da secção transversal da peça sujeita a cisalhamento.

Para o caso de mais de um elemento estar submetido a cisalhamento, utiliza-


se o somatório das áreas das seções transversais para o dimensionamento. Se os
elementos possuírem a mesma área de seção transversal, basta multiplicar a área
de seção transversal pelo número de elementos(n).

Tem-se então:

onde:

 = tensão de cisalhamento [Pa, ...]


Q = carga cortante [N]

Acis = área da seção transversal da peça [m2]

n - número de elementos submetidos a cisalhamento [adimensional].

Se as áreas das seções transversais forem desiguais, o esforço atuante em


cada elemento será proporcional a sua área de seção transversal.

90
Resistência dos Materiais

Deformação do Cisalhamento

Supondo-se o caso da seção transversal retangular da figura, observa-se o


seguinte:

Ao receber a ação da carga cortante, o ponto C desloca-se para a posição C', e


o ponto D para a posição D', gerando o ângulo denominado distorção. A distorção
é medida em radianos (portanto adimensional), através da relação entre a tensão
de cisalhamento atuante e o módulo de elasticidade.
A distorção é medida em radianos (portanto adimensional), através da relação
entre a tensão de cisalhamento atuante () e o módulo de elasticidade transversal
do material (G).

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.


Onde:

 - distorção [rad.];

 - tensão de cisalhamento atuante [Pa];

G - módulo de elasticidade transversal do material [Pa].

91
Resistência dos Materiais

Tensão Normal () e Tensão de Cisalhamento ()

A tensão normal atua na direção do eixo longitudinal da peça, ou seja,


perpendicular à seção transversal, enquanto que a tensão de cisalhamento é
tangencial à seção transversal da peça.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Pressão de Contato  d

No dimensionamento das juntas rebitadas, parafusadas, pinos, chavetas etc.,


torna-se necessária a verificação da pressão de contato entre o elemento e a
parede do furo na chapa (nas juntas).

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

A carga Q atuando na junta tende a cisalhar a secção AA (ver figura acima).

Ao mesmo tempo, cria um esforço de compressão entre o elemento (parafuso


ou rebite) e a parede do furo (região AB ou AC). A pressão de contato, que pode

92
Resistência dos Materiais

acarretar esmagamento do elemento e da parede do furo, é definida através da


relação entre a carga de compressão atuante e a área da seção longitudinal do
elemento, que é projetada na parede do furo.
Tem-se então que: Região de contato AB e AC.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Pressão de Contato (Esmagamento).

Quando houver mais de um elemento (parafuso ou rebite) utiliza-se:

93
Resistência dos Materiais

Onde:

( d) - pressão de contato [Pa]

Q - carga cortante aplicada na junta [N]

n - número de elementos [adimensional]

d - diâmetro dos elementos [m]

t - espessura da chapa [m]

Distribuição ABNT NB14 (Norma).

As distâncias mínimas estabelecidas pela norma e que deverão ser observadas


no projeto de juntas são:

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

a) Na região intermediária, a distância mínima entre centros dos rebites deverá


ser três vezes o diâmetro do rebite.

b) Da lateral da chapa até o centro do primeiro furo, a distância deverá ter


duas vezes o diâmetro do rebite na direção da carga.

c) Da lateral da chapa até o centro do primeiro furo, no sentido transversal da


carga, a distância deverá ter 1,5 (uma vez e meia) o diâmetro do rebite.

94
Resistência dos Materiais
Para o caso de bordas laminadas, permite-se reduzir as distâncias d + 6mm
para rebites com d < 26mm; d + 10mm para rebites com d > 26mm.

Tensão Admissível e Pressão Média de Contato ABNT NB14- Material Aço


ABNT 1020.

Rebites

Tração: = 140 MPa

Corte: ̅ = 105 MPa

Pressão média de contato (cisalhamento duplo):

d = 280 MPa

Pressão média de contato (cisalhamento simples):

d = 105 MPa

Parafusos

Tração:  =140 MPa

Corte: parafusos não ajustados ̅= 80 MPa

Parafusos ajustados ̅= 105 MPa

Pressão de contato média (cisalhamento simples):

d = 225 MPa

Pressão de contato média (cisalhamento duplo):

d = 280 Mpa

95
Resistência dos Materiais

Pinos

Flexão: = 210 MPa

Corte: ̅ = 105 MPa

Pressão média de contato (cisalhamento simples):

d = 225MPa

Pressão média de contato (cisalhamento duplo):

d = 280 MPa

Em geral, a tensão admissível de cisalhamento é recomendável em torno de


0,6 a 0,8 da tensão admissível normal.

, ,
Exemplos

1) Determinar a tensão de cisalhamento que atua no plano A da figura.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.


Solução:

A tensão de cisalhamento atuante no plano A, é definida através da


componente horizontal da carga de 300 kN, e área da seção A.

96
Resistência dos Materiais
Tem-se então que:

2) O conjunto representado na figura é formado por:

a) Parafuso sextavado M12.

b) Garfo com haste de espessura 6 mm.

c) Arruela de pressão.

d) Chapa de aço ABNT 1020 espessura 8 mm.

e) Porca M12.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Supor que não haja rosca no parafuso, nas regiões de cisalhamento e


esmagamento.

A carga Q que atuará no conjunto é de 6 kN. Determinar:

a) a tensão de cisalhamento atuante.

97
Resistência dos Materiais
b) a pressão de contato na chapa intermediária.

c) a pressão de contato nas hastes do garfo.

Solução:

a) Tensão de cisalhamento atuante.

O parafuso tende a ser cisalhado nas seções AA e BB, portanto a tensão de


cisalhamento será determinada por:

b) Pressão de contato na chapa intermediária.

A carga de compressão que causa a pressão de contato entre a chapa


intermediária e o parafuso é de 6kN, portanto, a pressão de contato é determinada
por:

98
Resistência dos Materiais

c) Pressão de contato nas hastes do garfo

A carga de compressão que causa a pressão de contato entre o furo da haste


do garfo e o parafuso é de 3 kN, pois a carga de 6kN divide-se na mesma
intensidade para cada haste, portanto a pressão de contato será:

3) Projetar a junta rebitada para que suporte uma carga de 125 kN aplicada

conforme a figura. Ajunta deverá contar com 5 rebites. : = 105 MPa;  d = 225 MPa;

tch = 8mm (espessura das chapas).

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

99
Resistência dos Materiais

Solução:

a) Cisalhamento nos Rebites

Observa-se na figura, que a junta é simplesmente cisalhada, ou seja, cada


rebite sofre cisalhamento na sua respectiva seção M. Tem-se então que:

Como os rebites possuem seção transversal circular e a área do círculo é dada


por:

A fórmula da tensão do cisalhamento passa a ser:

donde:

100
Resistência dos Materiais
b) Pressão de contato (esmagamento)

O rebite é dimensionado através da pressão de contato, para que não sofra


esmagamento.

Aplica-se a fórmula


. . . .

Prevalece sempre o diâmetro maior para que as duas condições estejam


satisfeitas. Portanto, os rebites a serem utilizados na junta terão d = 18 mm (DIN
123 e 124).

Para que possa ser mantida e reforçada a segurança da construção, o diâmetro


normalizado do rebite deverá ser igual ou maior ao valor obtido nos cálculos.
a)Distribuição

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

101
Resistência dos Materiais

Os espaços entre os rebites desta distribuição são os mínimos que poderão ser
utilizados.

As cotas de 38 mm representadas na junta são determinadas da seguinte


forma:

Tem-se então que:

Supõe-se que as cotas sejam iguais no sentido longitudinal e transversal.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

4.Projetar a junta rebitada para que suporte a carga de 100 kN aplicada


conforme a figura.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

102
Resistência dos Materiais
Solução:

O dimensionamento deste tipo de junta efetua-se através da análise de sua


metade, pois a sua outra metade estará dimensionada por analogia. Tem-se,
portanto que:

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

a) Cisalhamento

Cada rebite possui duas áreas cisalhadas, portanto o dimensionamento ao


cisalhamento será efetuado através de:


.

b) Pressão de contato (esmagamento)

103
Resistência dos Materiais
A possibilidade maior de esmagamento ocorre no contato entre a chapa
intermediária e os rebites, pois nos cobre-juntas a carga atuante é inferior à carga
da chapa intermediária.

Tem-se então que:

. . . .

Os rebites a serem utilizados devem satisfazer as duas condições ao mesmo


tempo, portanto o diâmetro será d = 14 mm (DIN 123 e 124) valor normalizado
imediatamente superior, adotado para reforçar a segurança.

c) Distribuição

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

b) Verificação da resistência à tração na chapa

A chapa intermediária é a que sofre a maior carga, portanto, se esta suportar a


tração, automaticamente os cobre-juntas suportarão.

Chapa intermediária

104
Resistência dos Materiais

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Supondo furos de 15 mm, ou seja, 1 mm de folga, tem-se que:

A = (84 - 2 x 15)x10

A = 540 mm2 ou 540 x 10-6 m2

Tensão normal atuante na chapa

 = 100.000/540x10-6

 = 185 MPa

Como a  atuante > , conclui-se que a seção transversal deverá ser reforçada.

c)Dimensionamento da secção transversal da chapa

105
Resistência dos Materiais

Para que suporte a tração com segurança, a largura mínima da chapa será e =
102 mm.

Distribuição final da chapa

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Ligações Soldadas

a) Solda de Topo

Indicada somente para esforços de tração ou compressão.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Área do cordão de solda submetida à ação da carga axial (F), A = l x t.

106
Resistência dos Materiais
Tensão normal do cordão:

Para dimensionar o cordão, utiliza-se a tensão admissível especificada para o


caso.

A SAS (Sociedade Americana de Solda) especifica para estruturas


 tração (solda de topo) = 90 MPa
 cisalhamento (solda lateral) = 70 MPa
 compressão = 130 MPa
 Portanto, Q é definido por:

Onde:
comprimento do cordão [m ...]
F- carga axial aplicada [N ]
t - espessura da chapa [m ]
- tensão admissível da solda [Pa... ]
Exemplos

1)A junta de topo representada na figura é composta por duas chapas com
largura, = 200 mm e espessura t = 6 mm. A tensão admissível indicada pela SAS
(Sociedade Americana de Solda) para solda de topo é = 90 MPa. Determinar a
carga máxima que poderá ser suportada pela junta.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

107
Resistência dos Materiais
Solução:

Na solda de topo, considera-se para efeito de dimensionamento, somente a


seção transversal da chapa, admitindo-se como desprezível o acabamento do
cordão.
Tem-se então que:

Lembrando que o prefixo k = 103 = 1000

Solda Lateral

Duas chapas unidas através de solda lateral têm os cordões dimensionados


através de o estudo a seguir.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

108
Resistência dos Materiais

Na seção transversal do cordão, tem-se:

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

No dimensionamento do cordão, despreza-se o acabamento da solda,


considerando-se somente o  AOB.

Observa-se na figura, que a área mínima de cisalhamento ocorre a 45°, sendo


expressa por:

Amin = a x

Como a = t cos 45° tem-se:

Amin = a x t cos 45°

A tensão de cisalhamento no cordão é dada por:

. .

Onde:
= comprimento do cordão [m]
Q = carga de cisalhamento [N]
= espessura da chapa [m]

109
Resistência dos Materiais
s = tensão admissível da solda no cisalhamento [Pa]
Se a carga aplicada na junta for excêntrica, o comprimento dos cordões será
proporcional, conforme é demonstrado a seguir:

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Onde e é o afastamento da carga em relação à linha de Centro

Dimensionado o cordão total , distribui-se conforme segue:

. .

Onde:
comprimento total da solda [m]
- comprimento do cordão da lateral próximo da carga [m]
- comprimento do cordão da lateral afastado da carga [m]
e1 - afastamento maior da carga em relação à lateral da chapa [m]
e2 - afastamento menor da carga em relação à lateral da chapa [m]

110
Resistência dos Materiais
Exemplo

1) Dimensionar os cordões de solda da junta representada na fig. A carga


de tração que atuará na junta é 40kN, sendo que a espessura das chapas t = 6 mm.
Para este caso, a SAS (Sociedade Americana de Solda) indica: = 70MPa.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Solução:

Comprimento total da solda

. .

Obs.: utiliza-se Q, pois a carga de tração na junta transforma-se em cortante no


cordão.

≅ , ou

111
Resistência dos Materiais

2)Dimensionar os cordões (l1 e l2) da junta excêntrica representada na figura.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Condições do projeto:

Intensidade da carga 60 kn
Espessura das chapas t = 10 mm
Afastamento maior t1 = 200 mm
Afastamento menor t2 = 80mm

Para este caso a SAS (Sociedade Americana de Solda) indica =70 MPa.

Comprimento total da solda

. . ,

≅ , ou

112
Resistência dos Materiais
Comprimento dos cordões e .

. .

Como , conclui-se que:

Estamos encerrando a unidade. Sempre que tiver uma dúvida entre em


contato com seu tutor virtual através do ambiente virtual de aprendizagem e
consulte sempre a biblioteca do seu polo.

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

113
Resistência dos Materiais

Exercícios – unidade 5

1.Calcule a tensão de cisalhamento média que ocorre na cola.

Fonte: adaptado

2.Calcule a tensão de cisalhamento nos parafusos da ligação abaixo. Dados: F


=35.000 N; d = 19,05 mm.

Fonte: adaptado

3.Calcule a tensão de cisalhamento nos parafusos da ligação abaixo e a tensão


normal nas chapas. Dado: d = 12 mm.

114
Resistência dos Materiais

Fonte: adaptado

4.Considere o parafuso de 12,5 mm de diâmetro da junta da figura. A força P é


igual a 15kN. Admitida a distribuição uniforme das tensões de cisalhamento, qual é
o valor dessas tensões, em qualquer uma das seções transversais mn ou pq?

MELCONIAN, S. 1999. Adaptado

Observe que a força P é distribuída uniformemente nas seções mn e pq.

5.Uma prensa usada para fazer para fazer furos em placas de aço é mostrada na
Figura 6.a. Assuma que uma prensa com diâmetro de 0,75 in. É usada para fazer um
furo em uma placa de ¼ in., como mostrado na vista transversal (Figura 6.b). Se
uma força P=28000 lb é necessária para criar o furo, qual é a tensão de
cisalhamento média na placa e a tensão de compressão média na prensa?

115
Resistência dos Materiais

Fonte: HIBBELER, R. C. 2010. Adaptado

6.Um suporte para televisão é sustentado por um pino de 8 mm de diâmetro.


Calcule a tensão de cisalhamento média no pino, sabendo que a massa da
televisão é igual a 25kg.

Fonte: autor, adaptado.

116
Resistência dos Materiais

7.Um bloco está solicitado por uma força F = 112 kN. Calcule:

a) A tensão cisalhante média;

b) O deslocamento do ponto d considerando-se que a face inferior não se


desloca. Dados: E = 87,5 GPa; n = 0,25

8.Calcule a tensão de cisalhamento média no pino e a tensão normal de tração


média no cabo da estrutura abaixo.

Fonte: autor, adaptado.

117
Resistência dos Materiais

118
Resistência dos Materiais

6
Flexão Normal nas Vigas
Isostáticas (Diagrama de
Momentos Fletor e Forças
Cortantes).

119
Resistência dos Materiais

Além dos esforços de flexão, uma viga de concreto armado estará, praticamente
sempre, sujeita à ação de esforços cortantes. Com menos frequência, pode ainda
atuar sobre as vigas momentos torçores e forças normais, de tração ou
compressão, caracterizando estados de flexo-tração ou flexo-compressão, com ou
sem torção. Contudo, será objeto de estudo desse capítulo somente a ação dos
esforços de corte atuantes nas vigas.

Objetivos da unidade:

Ao final desta unidade o (a) estudante deverá prever os esforços que ocorrem
quando uma viga está submetida um carregamento, além de identificar este tipo
de carregamento.

Plano da unidade:

 Diagramas de esforços cortantes e Momento fletor.

 Convenção de Sinais

 Força Cortante Q

 Momento Fletor.

Bons estudos!

120
Resistência dos Materiais

Diagramas de Esforço Cortante e Momento Fletor

Iniciaremos esta unidade resolvendo várias vigas isostáticas, traçando-se seus


diagramas de momentos fletores (MF), forças tangenciais (Q) e forças Normais (N),
determinando assim os esforços internos solicitantes ponto a ponto. O traçado de
diagramas como mostrado a seguir pode ser feito também para estruturas
hiperestáticas após determinação das reações de apoio. O acompanhamento dos
exemplos a seguir será muito importante para o seu aprendizado.

Para começar, analise o seguinte exemplo:

Determine as reações de apoio e os respectivos diagramas da viga na figura


abaixo.

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

FH = 0, não aplicável, pois não existem forças horizontais aplicadas.

Obs.: Não ocorrem momentos fletores externos.

FV = 0

RA + RB – 380 = 0

RA + RB = 380 kgf

MB = 0

RA x 8,40 – 380 x 2,10 = 0

121
Resistência dos Materiais

RA = 95 kgf

RB = 380 -95

RB = 285 kgf

Logo:

MC = RA X 6,30 = 598,50 kgfm (momento fletor interno).

Obs.: O momento fletor interno em C pode ser calculado vindo pela direita. O
valor será o mesmo, mas de sinal contrário.

MC = - RB X 2,10 = - 598,50 kgfm

Diagramas de Q e MF (esforços internos).

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

Considerações:

122
Resistência dos Materiais

A maior força cortante na viga é de 285 kgf e não 380 kgf, que é a carga
externa.

No ponto C há duas forças cortantes, à esquerda (95 kgf) e à direita (285 kgf).
Se a força cortante for usada no dimensionamento em C, o valor será o maior (285
kgf em módulo).

No ponto C a força cortante passa de valores positivos para negativos.

Nesse ponto (C) ocorre o maior momento fletor.

Retornando a discussão do exemplo acima, temos:

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

A carga F está aplicada normal ao eixo longitudinal. As reações FA e FB, para dar
equilíbrio, estão no mesmo plano de F; portanto, toda a estrutura pode ser
representada em um plano que contém o eixo xy da viga.

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

123
Resistência dos Materiais

Observa-se que, se a força F estivesse aplicada fora do eixo de simetria da viga,


haveria torção e a estrutura não seria contida em um plano, como é mostrado a
seguir.

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

A viga com a força não centrada em relação ao eixo x torna-se uma estrutura
espacial e haverá torção na viga na viga causada pelo momento fletor MT = F x e.

Como toda a estrutura está contida em um plano, vamos resolver isto a partir
do seguinte esquema:

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

Onde:

F – força ativa em C.

124
Resistência dos Materiais

RA e RB – forças reativas em A e B.

Seja uma seção em D, indicada na figura acima. Essa estará em equilíbrio. Para
que esta seção em D esteja em equilíbrio é necessário:

Haver uma força interna RD, oposta em sentido a RA e com módulo de


intensidade igual a RA.

RD é tangencial à seção em D (força cortante).

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

Logo, à esquerda de D temos RA e à direita, RD.

Para que não haja giro em D, temos que vencer o momento RA x 2,40 = 95 x
2,40 = 228 kgfm.

Observa-se que, à esquerda e à direita de D:

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

125
Resistência dos Materiais

RA + RD = 0

MA + MD = 0

RD = - 95 kgf

MD = - 228 kgf

MA, RD e MD são esforços internos que equilibram o ponto D. Apesar de o ponto


D estar em equilíbrio, ocorrem nele esses esforços.

Analisando agora uma seção em E.

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

Para o equilíbrio do trecho AE temos:

ME = 0

95 x (6,30 + 0,40) – 3,80 x 0,40 - ME = 0

ME = 484,5 kgfm

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

126
Resistência dos Materiais

Logo, para o trecho AE estar em equilíbrio é necessário haver as reações


internas RE e ME. Os diagramas de Q e M representam os esforços à esquerda da
seção E.

Convenção de Sinais

Força Cortante Q

A força cortante será positiva, quando provocar na peça momento fletor


positivo.

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.

Vigas Horizontais

Convenciona-se a cortante como positiva aquela que atua à esquerda da


seção transversal estudada, de baixo para cima.

Vigas Verticais

Convenciona-se cortante positiva aquela que atua à esquerda da seção


estudada, com o sentido dirigido da esquerda para direita.

Momento Fletor M

Momento Positivo

O momento fletor é considerado positivo, quando as cargas cortantes


atuantes na peça tracionam as suas fibras inferiores.

127
Resistência dos Materiais

Fonte: MELCONIAN, S. 1999.


Momento Negativo
O momento fletor é considerado negativo quando as forças cortantes atuantes
na peça comprimirem as suas fibras inferiores.

MELCONIAN, S. 1999.

Para facilitar a orientação, convenciona-se o momento horário à esquerda da


seção transversal estudada, como positivo.

MELCONIAN, S. 1999.

128
Resistência dos Materiais

Força Cortante Q

Obtém-se a força cortante atuante em uma determinada seção transversal da


peça, através da resultante das forças cortantes atuantes à esquerda da seção
transversal estudada.

Exemplo:

MELCONIAN, S. 1999.

Momento Fletor M

O momento fletor atuante em uma determinada seção transversal da peça


obtém-se através da resultante dos momentos atuantes à esquerda da seção
estudada.

MELCONIAN, S. 1999.

129
Resistência dos Materiais

Secção AA M = RA . X

Seção BB M = RA . X – P1 (X – a)

Seção CC M = RA . X – P1(X – a) – P2 [X – (a+b)]


o
Observação: O símbolo  significa origem da variável “x”.
x

Finalizamos mais uma unidade. Sempre que tiver uma dúvida entre em
contato com seu tutor virtual através do ambiente virtual de aprendizagem e
consulte sempre a biblioteca do seu polo.

É hora de se avaliar

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem.

130
Resistência dos Materiais

Exercícios – unidade 6

1) Conhecida a tensão de cisalhamento de ruptura de uma placa de aço ( =


330 MPa), determinar:

a. A força P necessária para perfurar, por meio de um pino de 3 cm de


diâmetro, uma placa de 1 cm de espessura;
b.A correspondente tensão normal no pino.

2) Determine as reações na viga abaixo.

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

131
Resistência dos Materiais

3) Determinar as reações da viga a seguir:

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

4) Calcule as reações na viga:

Fonte: BOTELHO, M. H. C. 2013.

132
Resistência dos Materiais

5) Calcule a força de tração nos dois cabos da figura.

Fonte: adaptado.

6) Calcule as reações de apoio da viga de aço abaixo.

Dado: aço = 77 kN/m3 (peso específico do aço).

Fonte: adaptado.

133
Resistência dos Materiais

134
Resistência dos Materiais

Considerações finais

Caro (a) aluno (a).

Espera-se que, com este livro, você consiga se envolver na disciplina, entenda
como definir os conceitos básicos da resistência dos materiais, saiba as grandezas
envolvidas no estudo da resistência dos materiais, bem como desenvolver o
raciocínio lógico e saiba utilizar e aplicar as equações pertinentes aos vários
assuntos abordados e estudados nesta presente obra, no âmbito profissional e,
consequentemente, na sociedade em que se encontra inserido (a).

135
Resistência dos Materiais

Conhecendo o autor

Paulo César Oliveira Carvalho


Graduado em Engenharia de Operações (Modalidade Mecânica) pelo CENTRO
FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA (CEFET-RJ); Bacharel e Licenciado em
Química pelas Faculdades de Humanidades Pedro II (FAHUPE); pós-graduado em
Química, tendo obtido o título de Especialista em Ensino de Química pela
Universidade Federal Fluminense – Niterói; Mestre em Ciências dos Materiais pela
UERJ. Professor Docente I com duas matrículas obtidas através de concurso público
pela SEEDUC (Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro); Professor da
Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO); foi professor do Colégio de
Aplicação Dom Hélder Câmara – São Gonçalo/RJ; atua como responsável técnico
na Elegance Elevadores e Equipamentos – RJ, desde 2010.

136
Resistência dos Materiais

Referências

BEER, F.P. e JOHNSTON Jr., E.R. Resistência dos Materiais. Editora McGraw-Hill
Ltda, São Paulo: 1982.

BOTELHO, M. H. C. Resistência dos Materiais – para entender e gostar.


Editora Edgard Bluncher Ltda, 2013.

HIBBELER, R. C. Resistência dos Materiais. Editora Pearson Prentice Hall, 7.ed,


São Paulo: 2010.

MELCONIAN, S. Mecânica técnica e resistência dos materiais. Editora Érica


Ltda, 10 ed. São Paulo: 2008.

POPOV, E.P. Introdução à Mecânica dos Sólidos. Editora Edgard Blücher. São
Paulo: 1974.

SCHIEL, F. Introdução à Resistência dos Materiais. Editora Harper & Row do


Brasil, São Paulo: 1984.

TIMOSHENKO, S.P. e GERE, J.E. Mecânica dos Sólidos. Volume 1 e 2. Livros


Técnicos e Científicos Editora, São Paulo: 1983.

137
Resistência dos Materiais

138
Resistência dos Materiais

A nexos
 

139
Resistência dos Materiais

Gabaritos

Exercícios – Unidade 1

1. A carga q (N/m) é obtida multiplicando-se o peso específico pela área da


seção transversal:

A = 6x100x 2 + 6x300 = 3.000mm2

Ou: A = 3.000 (10-6)m2 = 3,0x10-3 m2

q = γ x A = 77000(N/m3 ) x 3,0x10-3 (m2 ) = 231 N/m

ΣFx = 0 HA = 0

ΣFy = 0  VA + VB = q x L

Então: VA + VB = 231x 9,0 = 2079 N

ΣMB = 0  VA x L - q x L x L / 2 = 0

VA = q x L / 2 VB = q x L / 2

2. Solução detalhada

140
Resistência dos Materiais

3. Resposta

4. a

5. a

6. c

7. d

8.a) Viga biapoiada Isostática com apoios de 2ª e 1ª ordem, respectivamente.

b) Viga engastada Isostática com o apoio de 3ª ordem.

9.b

10. b

Exercícios – Unidade 2

1.  = P/A0 Isolando a carga P e sendo  = 30 kgf/mm2


Temos:  = P/A0  P = .A0

Substituindo os valores, obtemos a expressão dada por:

 = P/A0  P = 30 kgf/mm2.A0

A área final após a estricção de 77% é dada pela relação:

Afinal = (1 – 0,77).A0

141
Resistência dos Materiais
A tensão verdadeira de ruptura é expressa por:

verdadeira = P/A0 = 30 . A0/(1 – 0,77).A0

verdadeira = P/A0 = 30/(0,23)

verdadeira = 130,43 kgf/mm2

b)Agora, vamos calcular a deformação verdadeira εv na ruptura. Lembre-

se de que a deformação instantânea e dada pela derivada dε; portanto,

temos:

dε = dl / l
A elongação verdadeira é dada pela integral:

Vamos resolver a integral. Lembre-se de que se trata de uma imediata em


ambos os membros.
A solução é:

Mas temos: A0.l0 = Af.lf e A0/Af = lf/l0 Portanto:

A área final será dada por: Af = (1-0,77).A0 = 0,23 . A0

Agora, vamos substituir o valor final obtido na deformação verdadeira:

1

0,23. 0,23
Em porcentagem, correspondem a:

verdadeira = 147%

142
Resistência dos Materiais

2. A variação do comprimento e dada por:


A deformação e dada pela equação:

Agora, vamos substituir os valores dados:


∆ 56,7 50,0
0,135
50,0

3.a

4 B = 0,781 mm e D = 5,71 mm

5. Alumínio.

6.  = 10 MPa e l = 114µm.

7. a 15,3 MPa e 0,0764%

8. b

9.d

10. a

143
Resistência dos Materiais

Exercícios – Unidade 3
.

Portanto:

.
,

. ,

A área seccionada é dada por:


. . .

Portanto:

, . .

,
. .

2. O primeiro passo é analisar o tipo de material, neste caso, o aço comum


apresenta o fator 2. Logo após, o tipo de carga, constante, ou seja, 1.

Então: k = x . y . z  k = 2 . 1 . 1  k = 2

144
Resistência dos Materiais

3.Solução:

Área da seção transversal:

Resposta: A tensão normal média que atua sobre a seção a-a é de 1,82Mpa
(tensão de compressão mostrada na cor vermelha atuando uniformemente sobre
toda a seção transversal).

4.méd = 79,6 Mpa

Exercícios – Unidade 4

1. Tensão normal atuante.

→ ≅ ,

Alongamento da barra (l).

, ,
∆ ∆ ,
ç
∆ ,
, , ∆

A deformação longitudinal ().

145
Resistência dos Materiais


,

Deformação transversal ( t).

ç .

, ≅

2.Carga axial na barra 1

MA =O
0,8F1= 0,8 x 10 sen 53°+1,6 x 4
F1 = 16kN

2.Dimensionamento da barra.

2.1 - Tensão admissível (),

= e/ k = -220/2 = 110MPa

2.2 - Diâmetro da barra.

, → ,

146
Resistência dos Materiais

A barra terá um diâmetro de aproximadamente 14 mm.

2. a) Tensão normal (1 e 2).


Secção 1 da barra tem-se:

≅ ,

Secção 2, da barra tem-se:

A carga F2 é a própria carga de 4.5kN, portanto, tem-se:

≅ ,

a) Alongamento da barra (l 1 e l 2).


Secção 1

, , , . ,
∆ .
ç

∆ ≅ ,
∆ ≅ ,
∆ ≅

147
Resistência dos Materiais

Secção dois

, , , . ,
∆ .
ç

∆ ≅ ,
∆ ≅ ,
∆ ≅

a) Deformação longitudinal (1 e 2).


Secção 1

∆ ≅
,

Secção 2



,

a) Deformação transversal ( t1 e t2)


Secção 1

ç .

, ≅ ,

Secção 2:

ç .

, ≅

b) Alongamento total da peça.

148
Resistência dos Materiais

∆ ∆ ∆

∆ ∆

1) Tensão normal na barra.

Módulo de elasticidade do material.


Pela lei de Hooke, tem-se:

Portanto, o módulo de elasticidade será:


,

Através da tabela de módulo de elasticidade dos materiais (página 58), conclui-


se que o material da barra é o alumínio, pois EAl = 70GPa.
1) Solução:

Dimensionamento do arame.

149
Resistência dos Materiais
Tensão admissível

Diâmetro do arame.

Como o elo não está soldado, conclui-se que a carga está sendo suportada por
uma única área de secção transversal. Portanto, o dimensionamento será
desenvolvido como se a corrente fosse um fio reto.

A corrente possuirá diâmetro do arame d = 2 mm.

6)a. Tensão atuante na barra.


Para calcular a tensão atuante na barra, devemos transformar a carga axial
atuante para Newton, tendo então F = 36000N.

150
Resistência dos Materiais
Como pode se observar, a unidade do lado da secção foi transformada para m
(60 mm = 60 x 10-3 m) para que pudéssemos obter a unidade de tensão no SI N/m2.
Lembrando: N/m2 (Pascal).
c) Alongamento na barra.


,
,
,

,

7) Solução:

a) Tensão na secção AA.

b) Tensão na secção BB.


A carga que atua na secção BB é de 240 KN mais o peso próprio do bloco 1.
a) Tensão na secção CC.
A tensão na secção CC será obtida através do somatório das cargas aplicadas
na referida secção transversal.
Pp2 = c.A2.h2

151
Resistência dos Materiais

, / ,

, / ,

8)Resolução:
A carga concentrada do carregamento é ql. A viga permanece na horizontal
após a aplicação das cargas. Conclui-se que:

(por simetria), e que,

∆ ∆
. .
ç

9) Os dados fornecidos pelo problema são:

ƒƒL = 4 m;

ƒƒA = 0,5 cm2;

152
Resistência dos Materiais

ƒƒΔL = 1m;

m = 225 kg.

Efetuando as conversões de unidades para o SI, temos:

, , . .

A deformação é dada por:


, .

A força resultante interna corresponde ao peso pendurado, ou seja:

. . ,

A tensão aplicada é dada por:

.
.

, .

10) Este é um problema de dimensionamento à compressão.

Logo: c = 1.000 kgf/cm2  Tensão admissível do aço (já com o coeficiente de


segurança).

Fórmula Geral: c = F/K e S (área) = F/c  123.000/1.000  123 cm2

Como são quatro peças de apoio, logo:

4 x (a x 5a2) = 123 cm2 a = 2,5 cm  os apoios têm dimensões 2,5 x 12,5 cm.

153
Resistência dos Materiais

Exercícios – Unidade 5

1)
.
→ , / ,
, ,

ou:
.
→ , / ,

2)
Neste caso n = 4 e nA= 1 (corte simples)

.
é → é , /
, ,

3)
1ª opção: F=15.000N; n=6; nA= 1

.
é → é , /
,
.
→ /

2ª opção: F=30.000N; n=6; nA= 2

.
é → é , /
,
.
→ /

154
Resistência dos Materiais

4)

Observe que a força P é distribuída uniformemente nas seções mn e pq.

Portanto, a força de cisalhamento corresponde a:

, ,

A área do parafuso é:
.

, . , .
, .

A tensão de cisalhamento  é:

, .
,

155
Resistência dos Materiais

5) Resposta: é . .

Observações: Resolver os exercícios resolvidos da seção de tensão


cisalhamento e tensão admissível do livro do Hibbeler.

6)
Observação: a força cisalhante no pino é provocada pelo binário exigido para o
equilíbrio de momentos fletores.

, → .
Cálculo da tensão cisalhante média no pino:
.
→ , /
,

7)

a)

.
→ /

156
Resistência dos Materiais

b)


≅ →∆

Lei de Hooke no cisalhamento:


,

,
/

/

∆ →∆ ,

8)
.
é → é , /
,
.
é → é , /
,

Exercícios – Unidade 6

1)
a) P = 311 kN
b)  = -440 MPa

157
Resistência dos Materiais

2)

Primeira condição:

FH = 0

F1 - HC = 0

3 - HC = 0 HC = 3tf

Segunda condição:

FV = 0

4tf + 4,2 x 3,6 - RB - RC = 0

RB + RC = 19,12tf

Terceira condição:
MF = 0

158
Resistência dos Materiais

Vamos aplicar esta condição para o ponto C. Substituindo a carga distribuída


pela sua resultante de intensidade 4,2 x 3,6 situada no ponto médio entre B e C.

Logo, para o ponto C:

- 0,4 x (0,8 + 3,6) + RB x 3,6 – 4,2 x 3,6 x 3,6/2 = 0

RB = 12,5 tf

RB + RC = 19,12 tf

RC = 19,2 – 12,5  RC 6,62 tf

3)

FH = 0

FV = 0

M = 0
(momento fletor)

RD = 830 kgf + 1.200 kgf x 1,4

RD = 2.510 kgf

O ponto D estará em equilíbrio se o momento fletor causado pelas forças


externas for igual ao momento fletor reativo MD, logo:
1,4
MD = 830(1,2+1,4+0,8)+1.200(1,4) 2+0,8

MD = 2.822+2.520 = 5.342kgfm

MD = 5.342kgfm

As forças externas causaram no encaixe um momento fletor externo de 5.342


kgfm, e o encaixe reage com um momento fletor contrário.

159
Resistência dos Materiais

4)

As três famosas condições da estática: FH = 0; FV = 0; MF = 0

Convenções:

FH = 0 cos 45º = 0,7

16 x cos45º - HA = 0

HA = 16 x 0,7 = 11,2tf

FV = 0

16 x cos45º + 8,0 + RA - RB = 0

RA + RB = 19,2tf

MF = 0 Seja o ponto B

RA x (0,6 + 0,4 + 0,4) – 16 cos 45º (0,4 + 0,4) – 8 x 0,4 = 0

RA = 8,7tf RB = 10,5tf

5)

160
Resistência dos Materiais

FV = 0 : F1 – 1.000 – 5.000 + F2 = 0 → F1 + F2 = 6.000

M1 = 0 : 1.000 x 0,7 + 5.000 x 1,8 - F2 x 2,6 = 0 → F2 = 3.730,8 N

M2 = 0 : F1 x 2,6 – 1.000 x 1,9 – 5.000 x 0,8 = 0 → F1 = 2.269,2 N

6)

A carga q (N/m) é obtida multiplicando-se o peso específico pela área da seção


transversal:

A = 6 x 100 x 2 + 6 x 300 = 3.000mm2

Ou: A = 3.000(10-6)m2 = 3,0 x 10-3m2

q = . A = 77000(N/m3) x 3,0 x 10-3(m2) = 231 N/m

FX = 0 → HA = 0

FY = 0 → VA + VB = q . L

Então: VA + VB = 231 x 9,0 = 2079N


L
MB = 0 → VA . L – q . L . = 0
2
qL qL
VA = → VB =
2 2

231 x 9,0
VA = VB = = 1039,5N
2

161