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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 

Disciplina: ZOO III 
Professor: W. Samay 
 

SISTEMAS DE ACASALAMENTO: MONTA NATURAL, CONTROLADA E IA

1 – Monta Natural ou em Campo

- Touros permanecem c/ fêmeas

- Relação touro:vaca (de 1:10; 1:15 até 1:40, média: 1:25)

. depende:
idade, saúde e estado nutricional dos touros;
área e topografia do terreno.

- Vantagens:
. elimina necessidade de identificação de fêmeas em cio e condução das
fêmeas ao local p/ cobrição

- Classificação:
* Acasalamento Múltiplo: Vários touros no mesmo pasto c/ as fêmeas

Desvantagens:
desconhecimento da paternidade das crias;
impossibilidade de comparação do desempenho reprodutivo e produtivo
dos diferentes touros;
desgaste dos touros por poderem repetir cobrições numa mesma fêmea;
desgaste dos touros provocado por competição entre eles.

Vantagens:
economia de mão-de-obra;
maior probabalidade de a maioria das fêmeas conceber durante período
de acasalamento.

* Acasalamento Simples: Um único touro p/ cada lote de fêmeas


Vantagem:
conhecimento da paternidade das crias a menor custo que monta
controlada

Desvantagem:
fertilidade do touro assume papel primordial.
2 – Monta Controlada ou Dirigida

- Touros permanecem separados das fêmeas (são utilizados p/ servir


apenas quando fêmeas são detectadas em cio)

- Relação touro:vaca (média: 1:50)

- Vantagens:
. permite conhecimento da paternidade das crias;
. menor desgaste dos touros.

- Desvantagens:
. possibilidade de erros na identificação das fêmeas em cio;
. maior necessidade mão-de-obra p/ separar e conduzir fêmeas p/ monta

3 – Inseminação Artificial

- Utilização de sêmen de reprodutores de alto potencial genético

- Vantagens:

. melhoria do padrão genético do rebanho

. aumento número de descendentes de reprodutor superior

.elimina custos c/ aquisição e manutenção de reprodutores na propriedade

. controle de doenças reprodutivas

. possibilita uso de machos de raças européias sem que tenham que se


adaptar às condições de clima tropical

- Desvantagens:

. custos elevados na implantação do processo

. dificuldade na identificação do cio em sistema extensivo de exploração

. necessidade de apartar, conduzir, conter e inseminar fêmeas

. dependência da eficiência do operador


EFICIÊNCIA REPRODUTIVA EM BOVINOS DE CORTE

1 – Introdução

 Inclui todas as fases da vida do animal

 Do ponto de vista zootécnico a ER:

- É um fator do qual dependem:


. rendimento econômico da criação
. melhoramento genético do rebanho

- É indicativo da adaptabilidade de animais submetidos a ambientes


diferentes dos de origem

Idade à puberdade
Idade à primeira cria
Eficiência reprodutiva Período de serviço
Fertilidade
IEP

2 – Eficiência reprodutiva do touro

 Importância: touro cobre, no mínimo, 25 vacas

 Mensurada por:

- capacidade de serviço
- quantidade e qualidade do sêmen
- libido

 Programa de seleção do touro quanto:

- Sanidade (testes de: brucelose, tuberculose, leptospirose, tricomoníase,


etc.)

- Desenvolvimento corporal (nutrição)

- Aprumos

- Exame andrológico:

A) Avaliação da genitália externa, isento de:


a) anorquidismo – ausência congênita de testículos

b) criptorquidismo:

- unilateral ou monorquidismo: presença de um testículo na bolsa escrotal e


do outro na cavidade abdominal (fertilidade reduzida)

- bilateral : presença dos dois testículos na cavidade abdominal (estéril)

c) hiperplasia testicular (Tabela 1) – testículos excessivamente grandes


em relação ao tamanho normal

d) hipoplasia testicular (Tabela 1) – tamanho dos testículos pequeno


em relação ao normal

e) orquite – inflamação dos testículos devido a traumatismos ou a


agentes infecciosos

f) epididimite – inflamação do epidídimo ( maturação dos sptz)

g) mal-formações no pênis (pênis infantil) e prepúcio e lesões

TABELA 1 – Classificação andrológica de touros zebu baseada no perímetro


escrotal (cm)

Idade (meses) Classificação PE


Excelente Muito bom Bom Questionável
7 - 12 21 19,5 – 21 17,5 – 19,5 Menos 17,5
12 - 18 26 24 – 26 21,5 – 24 Menos 21,5
18 - 24 31,5 28,5 – 31,5 26 – 28,5 Menos 26
24 - 36 35 32 – 35 29 – 32 Menos 29
36 - 48 37 33,5 – 37 30,5 – 33,5 30,5
Maior 48 39 36 – 39 33 – 36 Menos 33

B) Avaliação das características do sêmen (volume, aspecto, cor, pH,


motilidade, vigor, turbilhonamento, concentração e porcentagem de
sptz vivos e mortos), isento de:

a) aspermia – ausência de ejaculação

b) azoospermia – ausência de sptz no líquido seminal

c) oligospermia – baixa concentração de sptz no líquido seminal

d) necrospermia – presença de sptz mortos ou c/ baixa vitalidade no


líquido seminal

- Avaliação da libido - desejo de procurar a fêmea e completar a monta


3 – Eficiência reprodutiva da fêmea

- Desempenho máximo: 1 cria/ano

. concepção
. perfeito desenvolvimento da gestação;
. bom parto;
. bom puerpério e c/ duração máxima de 40 dias;
. manifestação de cio fértil pós-parto;
. sobrevivência do produto;
. bom desenvolvimento do produto ao desmame.

- Desenvolvimento e vida produtiva de uma fêmea zebuína: (FIGURA 1)

- Fatores que influenciam a ocorrência de cio pós-parto:


a) hereditários;
b) sanitários;
c) idade (anestro pós-parto maior em primíparas e vacas velhas);
d) nutrição x condição corporal
e) presença do macho (rufião) no lote de fêmeas em pós-parto (Andrade,
1999)
f) presença de fêmeas em cio no lote de fêmeas em pós-parto (Andrade,
1999)
g) presença de muco cervical de vacas em cio no lote de fêmeas em pós-
parto (Andrade, 1999)
h) relacionamento mãe x cria (amamentação).

d) Nutrição x Condição Corporal (CC)

TABELA 2 - Sistema de escore visual para avaliação da condição corporal das


vacas de cria

Escore CC Observações
1a3 muito magra Falta de musculatura. Espinhas dorsais agudas ao tato. Iílios,
ísquios, inserção da cauda e costelas proeminentes
4 magra Costelas, ancas e ísquios ainda visíveis. Garupa ligeiramente
côncava
5 moderada Paleta, coxão e garupa com cobertura muscular média. Últimas
costelas visíveis, boa musculação s/ acúmulo de gordura
6 boa Espinhas dorsais não podem ser vistas, mas podem ser sentidas. As
pontas da anca não são mais visíveis. Boa musculatura e alguma
gordura na inserção da cauda. Aparência lisa.
7 gorda Animal suavemente coberto de musculatura, mas os depósitos de
gordura não são acentuados.
8a9 muito gorda Acúmulo de gordura visível, principalmente na inserção da cauda,
úbere, peito e linha de dorso. Espinhas dorsais, costelas, pontas da
anca e ísquios cobertos de musculatura, não podem ser sentidos,
mesmo c/ pressão firme.
Fonte: Nicholson e Butterworth (1986), citados por Valle et al. (1998)

 Alta correlação CC e desempenho reprodutivo pós-parto:

- monitoramento no terço final da gestação ajustes níveis nutricionais p/


melhor CC ao parto

- vacas c/ boa CC ao parto retornam ao cio mais cedo e apresentam maiores


índices de concepção

- Alta % vacas e novilhas prenhes no início do período de monta: CC 5 a 6 ao


parto

- Escore maior 7 ao parto desperdício de energia e redução dos índices de


concepção

TABELA 3 - Porcentagem de vacas em cio aos 40, 50 e 60 dias pós-parto, de


acordo com CC ao parto
% de cio
CC ao parto
40 dias 50 dias 60 dias
Magra 19 34 46
Moderada 21 45 61
Boa 31 42 91

e) Presença do macho no lote de fêmeas em pós-parto

TABELA 4 – Efeito da presença do macho sobre o reinício da atividade reprodutiva


no pós-parto e taxa de concepção (88 fêmeas/tipo de manejo)

Dias pós-parto Vacas em cio (%) Vacas gestantes (%)


Expostas Não expostas Expostas Não expostas
26 – 33 25 a 21,2 b 4,5 a 0,0 b
34 – 50 43,2 a 11,8 b 23,9 a 0,0 b
Maior que 50 31,8 a 76 b 25 a 48,2 b
f) Presença de fêmeas em cio no lote de fêmeas em pós-parto

TABELA 5 – Percentual de fêmeas em cio aos 50 e 90 dias pós-parto, quando


expostas, ou não, à fêmeas em cio

Fêmeas em cio no lote


Fêmeas em cio (%)
Presente Ausente
Aos 50 dias pós-parto 44,4 42,1
Aos 91 dias pós-parto 88,8 a 57,9 b

g) Presença de muco cervical de vacas em cio no lote de fêmeas em pós-parto


(exposição 2x/semana)

TABELA 6 – Percentual de fêmeas em cio aos 50 e 90 dias pós-parto, quando


expostas, ou não, ao muco cervical de vacas em cio

Exposição ao muco cervical de vacas em cio


Fêmeas em cio (%)
Sim Não
Aos 70 dias pós-parto 47,6 41,7
Aos 130 dias pós-parto 85,7 58,3

h) Relacionamento mãe-cria

 Amamentação causa efeito negativo na reprodução anestro pós-parto

A) Diminuição reservas corporais

Produção 1L leite/dia durante 30 dias extrai, aproximadamente:

. 36 g Ca
. 27 g P
.1050 g de proteína
.1050 g de lipídeos 22.000 cal/mês
.1500 g de carboidratos
. hormônios
. vitaminas

B) Inibição dos centros hipotalâmicos responsáveis pela liberação do GnRH


desencadeamento atividade ovariana pós-parto

- Hipóteses:
a) presença do bezerro níveis vasopressina, pela excessiva ativação supra-
renal, produção de progestágenos (FIGURA 2)

b) aumento opióides endógenos - OE (encefalinas, endorfinas e dinorfinas)


presentes no hipotálamo, hipófise, adrenal e células foliculares dos ovários
(Fonseca, 1991; Andrade, 1999)

. antagonistas: nalaxone, naltrexone, haloperidol e diprenorfina

. Connor et al. (1990), citado por Fonseca (1991) e Andrade (1999):

OE inversamente proporcional à energia na dieta no pré e pós-parto


NUTRIÇÃO (maior evidência em vacas subutridas)

C) Alternativas

a) amamentação controlada
. amamentação 1 ou 2 x/dia
. uso de tabuletas nasais

b) “shang” (separação temporária: 48 – 72 h a cada 30 dias)

c) desmame precoce

TABELA 7 – Proporção de vacas c/ atividade ovariana e período médio de


inatividade ovariana em vacas que apresentaram estro até a 13a
semana pós-parto, de acordo com a CC ao parto e o tipo de
amamentação

Item Proporção e % de animais c/ Período de inatividade


atividade ovariana ovariana (dias)
Condição corporal
- inferior 19/33 (57,5) a 78,2  13 A
- boa 24/39 (61,5) a 63,2  20 B
Amamentação
- contínua 16/35 (45,7) a 75,2  13 A
- restrita 27/37 (72,9) b 63,7  22 B

TABELA 8 – Efeito do relacionamento mãe/cria sobre manifestação de cios e tx. de


gestação
Tipo de relacionamento n % em cio % gestante
T1 = bezerro ao pé 34 58,8 41,2
T2 = idem T1 + shang 33 72,7 39,2
T3 = 2 amamentações/dia 34 76,5 58,8
T4 = idem T3 + shang 34 91,2 64,7
T5 = 1 amamentação/dia 33 90,1 72,7
T6 = idem T5 + shang 34 88,2 67,7

TABELA 9 – Pesos médios e ganhos em peso dos bezerros (kg), em diferentes


idades, de acordo c/ tipo de relacionamento mãe/cria

Idade do bezerro (meses) Ganho


Tipo de relacionamento 2,5 5,0 12,0 24,0 em peso
(desmame)
T1 = bezerro ao pé 73,9 159,6 195,6 420,7 346,8
T2 = idem T1 + shang 72,2 146,6 188,9 427,7 355,5
T3 = 2 amamentações/dia 69,9 144,5 186,8 413,5 343,6
T4 = idem T3 + shang 64,7 151,4 190,9 429,5 364,8
T5 = 1 amamentação/dia (67,0 129,1 176,0 408,0 341,0
T6 = idem T5 + shang 68,8 130,2 171,7 430,7 361,9)
(Pode ter havido ganho compensatório após desmame e/ou adaptação mais precoce
dos bezerros ao pastejo)

4 – Cálculo da ER de uma fêmea

ER = 365 (N – 1) x 100 (%),


D
em que:

N = número total de partos

D = número de dias compreendidos entre o primeiro e o último parto

5 - Recomendações para melhoria da ER de um rebanho:

- Identificação e registros rigorosos dos animais

- manejo condizente com o ambiente

- instalações adequadas

- nutrição adequada

- adoção de medidas sanitárias e profiláticas


- seleção rigorosa de matrizes e reprodutores c/ descarte de animais c/
comprovada sub-fecundidade e/ou sub-fertilidade

- adoção de estação de monta

6) Estação de monta

- Época em que ocorrem os acasalamentos

- Objetivos:
. concentrar época de nascimentos, desmame e comercialização
. racionalizar atividades da propriedade
. melhorar seleção de matrizes e reprodutores
. possibilitar descanso dos reprodutores na época crítica de disponibilidade
de alimentos
. facilitar uso de IA

- Duração
. ideal: 75 dias ou 3 meses
. máxima quando estabilizada: 120 dias
. início: 180 dias c/ redução em torno de 21 - 30 dias/ano, até estabilização

- Época de implementação (variável)


. disponibilidade de alimentos de qualidade para matrizes e reprodutores
(MEIO)

TABELA 10 – Estimativas de heritabilidade para características ligadas à ER

Características Herdabilidade
- IEP 0,00 – 0,10
- PS 0,01 – 0,10
- Serviços/concepção 0,03 – 0,07
- Longevidade 0,05 – 0,10
Fonte: Pereira (1999), citado por Andrade (1999)

 Exigências nutricionais de fêmeas em lactação são maiores que em gestação

 Produção de leite de vacas de corte pequena (NRC, 1996)

Zebuínas: 5 kg/dia no pico ( 30 dias), constante até 90 dias, baixa p/ 2,7 kg


Taurinas: 8 L/dia no pico, baixa p/ 5 L/dia, constante até 120 dias

Não atende exigências do bezerro

TABELA 11 – Necessidade nutricional do bezerro (Mcal de ED/dia)

Idade Necessidade do bezerro


Déficit para o bezerro
(meses) total suprida pelo leite (%)
1 3,28 100 -
2 5,12 70 1,54
3 6,93 63 2,56
4 8,08 44 4,52
5 8,98 36 5,75
6 11,86 27 8,66

 Novilhas de primeira cria:

- 30 dias antes da EM partos ocorram mais cedo durante estação de


nascimento p/ recuperação dos estresse da gestação T1

- mesma época que as vacas (EM tradicional) T2

- 30 dias depois da EM tradicional cio e concepção ocorram


rapidamente, evitando parições na seca T3

TABELA 12 – Frequência de novilhas em cio e gestantes em EM diferenciadas, com


duração de 90 dias

Cio Gestantes
Tratamento n
N % N %
T1 37 30 81,8 28 93,3
T2 37 28 75,6 27 96,4
T3 30 25 83,3 24 96
Total 104 83 79,8 79 95,2

TABELA 13 – Frequência de novilhas em cio e gestantes durante a Segunda EM,


com duração de 120 dias

Cio Gestantes
Tratamento n
N % N %
T1 22 22 100 a 18 81,8 a
T2 25 21 84 b 14 66,7 b
T3 21 16 76,2 c 12 75,0 c
Total 68 59 86,8 44 74,6

TABELA 14 – Frequência de cios durante a Segunda EM (120 dias), em novilhas


submetidas a EM diferenciadas, durante sua primeira EM (40 dias
pós-parto)

Ocorrência de cio pós-parto (%)


Tratamento
N Até 60 dias 60 – 90 dias 120 dias
T1 22 3,8 a 11,5 a 100 a
T2 25 16,6 b 45,8 b 84 b
T3 21 10,5 c 37,9 c 76,2 c
Total 68 10,1 26,1 86,8

SUPLEMENTAÇÃO0
 Programa de seleção de fêmeas:

- Eliminação:
. velhas
. com problemas de aprumo
. com genitália externa pouco ou muito desenvolvida
. com anomalias uterinas e ovarianas
. com pouca habilidade materna
. todas as fêmeas vazias por 2 anos consecutivos, ou não

- identificação de novilhas expostas ao touro pela primeira vez e que


estavam vazias após sua primeira EM

 Distribuição de touros na vacada

- Iniciar EM c/ touros mais velhos para posterior substituição por outros mais
jovens

- Evitar uso de machos c/ diferentes idades no mesmo lote de vacas

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