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Inventário Participativo

Sumário

Apresentação........................................................................................................... 3

Mobilização da Comunidade..................................................................................... 6

Construção do Objeto e do Recorte da Pesquisa....................................................... 6

Elaboração do Plano de Trabalho..............................................................................8

Formação de Equipes e Capacitação.........................................................................9

Levantamento e Qualificação de dados Secundários............................................... 10

Definição da Metodologia e dos Instrumentos de Pesquisa..................................... 11

Pesquisa de Campo................................................................................................ 20

Organização e Difusão do Inventário Participativo ................................................. 22

Referências............................................................................................................ 27

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Apresentação
Olá!

Neste módulo de encerramento do curso, compartilharemos algumas considerações


para o planejamento, organização, desenvolvimento e conclusão de um processo de
inventário participativo.

Reforçamos que não se trata de uma fórmula ou receita para ser prontamente aplica-
da em distintas realidades, mas de um conjunto de sugestões que poderão ser apro-
priadas e reelaboradas de acordo com os diferentes contextos socioculturais em que
os processos de inventariação serão desenvolvidos.

Vamos em frente?

Como vimos nos módulos anteriores, para a realização de um inventário participativo,


é fundamental construir um planejamento coletivo de todas as etapas necessárias
para o desenvolvimento satisfatório dos trabalhos.

Isso nos leva, de imediato, a pensar sobre:

§§ Como se dará a mobilização dos agentes, pesquisadores, grupos e organizações


locais?
§§ Que instrumentais serão utilizados para a coleta e sistematização das infor-
mações?
§§ Quais serão as categorias e o recorte temático da pesquisa?
§§ O que devemos levar em consideração para delimitar o território que será in-
ventariado?

Todas essas decisões devem levar em consideração o número de agentes e pesqui-


sadores que participarão ativamente do processo, o tempo previsto e os recursos
disponíveis para realização de cada etapa do trabalho. Esses procedimentos ajudam
a organizar as ações de pesquisa e a dimensionar a abrangência do que será inven-
tariado e dos produtos finais que se pretende obter com o inventário.

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Os inventários participativos podem ser divididos em etapas de trabalho complemen-


tares entre si, cujos objetivos buscam o planejamento e a construção coletiva de ha-
bilidades relacionadas à prática da pesquisa, à produção de registros, à sistematiza-
ção e à comunicação das informações produzidas.

Pela importância da ampla participação, nessa tipologia de inventário é a comunidade


e seus representantes que conduzem e protagonizam todas as etapas do processo:
a mobilização, a seleção dos instrumentais de pesquisa, a escolha da área e do que
será inventariado, o trabalho de campo, os registros etc.

Caso haja uma equipe profissional envolvida (ligada a um museu ou a uma instituição
de ensino e pesquisa, por exemplo), ela deve estar atenta às necessidades e seguir
as orientações dadas pelas lideranças do processo na comunidade, povo, grupo ou
coletivo em questão.

A seguir, vamos conhecer as atividades sugeridas para cada etapa do processo de


inventariação.

Etapa Inicial

§§ MOBILIZAÇÃO DA COMUNIDADE
§§ CONSTRUÇÃO DO OBJETO E DO RECORTE DA PESQUISA
§§ ELABORAÇÃO DE PLANO DE TRABALHO
§§ FORMAÇÃO DAS EQUIPES E CAPACITAÇÃO
§§ LEVANTAMENTO E QUALIFICAÇÃO DE DADOS SECUNDÁRIOS
§§ PREPARAÇÃO DE METODOLOGIA E DE INSTRUMENTOS DE PESQUISA.
• Categorias de classificação do inventário participativo
• Delimitação do território
• Instrumentos de Pesquisa

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

A etapa inicial é destinada à organização das equipes e comunidade a partir da


elaboração de um plano de trabalho para a execução do inventário.

Nesta fase inicial, deve-se priorizar ainda a formação/capacitação da equipe e a


elaboração ou adequação de instrumentais e técnicas de pesquisa para que nas
etapas seguintes os pesquisadores já estejam familiarizados com a metodologia
e demais instrumentais de produção, registro e sistematização de informações.
(IPHAN, 2016b, p.53)

Etapa de Desenvolvimento

§§ PESQUISA DE CAMPO
• Aplicação dos instrumentos de pesquisa e registros
Na etapa de desenvolvimento, iniciam-se as pesquisas de campo, as entrevistas,
os registros e a documentação das fontes primárias do processo de inventariação.

Etapa de Conclusão

§§ ORGANIZAÇÃO E DIFUSÃO DO INVENTÁRIO PARTICIPATIVO


• Sistematização e validação dos dados
• Ações devolutivas para as comunidades
• Promoção e divulgação dos resultados

Na etapa de conclusão, será realizada a sistematização dos resultados das


pesquisas e conclusão da confecção dos produtos finais dos inventários.

Nessa fase, deve-se prever ainda um momento público para o encerramento


e devolutiva de todo conhecimento que foi produzido durante o processo de
inventário à comunidade, organizações e instituições envolvidas. (IPHAN, 2016b,
p. 53).

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Mobilização da Comunidade
A primeira ação para iniciar a realização de um inventário participativo deve ser a
constituição de um grupo impulsionador da ideia na comunidade1 e/ou território onde
o trabalho será desenvolvido.

Esse coletivo irá animar as atividades, bem como articular o processo de sensibilização
e participação comunitária necessária para a concretização do objetivo almejado. Ou
seja: um inventário que seja, de fato, participativo.

Avaliamos essa atividade inicial como de grande importância para o desenvolvimento


satisfatório do trabalho, pois, como já foi sinalizado, é fundamental a participação
social em todas as etapas do processo de inventariação.

Construção do Objeto e do Recorte da Pesquisa


Iniciar um processo de inventariação requer tomar decisões e estabelecer direciona-
mentos que influenciarão todo o processo de pesquisa. Deste modo, definir o mais
previamente possível o universo de bens culturais que se pretende inventariar, esta-
belecer problemáticas e um recorte para a pesquisa, mediante o tempo e os recursos
humanos, financeiros e materiais disponíveis, ajuda a evitar surpresas desagradáveis
e a conduzir de maneira satisfatória o desenvolvimento de todo trabalho.

Pergunta
O que de fato pretendemos inventariar?

A resposta para essa indagação define o objeto de inventariação, o ponto para onde
o olhar e o agir da pesquisa se direcionarão.

Dentre os diversos universos simbólicos que surgirão como resposta, é preciso buscar
um consenso e avaliar a possibilidade concreta de se iniciar a pesquisa. Muitas vezes,
pode ser necessário priorizar um determinado recorte para que o projeto se adeque
ao tempo e aos recursos disponíveis.

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Entendemos por comunidade o grupo social, ou conjunto de grupos sociais, que habita o território que será inventariado
e que protagonizará o processo de inventariação. Por exemplo: povos indígenas, quilombolas, comunidades extrativistas,
comunidade LGBT, os moradores de um bairro e outros grupos compostos por indivíduos que se identificam entre si.

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Assista
Festa de Iemanjá – Fortaleza/CE

Os povos de terreiro de Fortaleza, contando com poucos recursos e equipe


reduzida, resolveram inventariar apenas a Festa de Iemanjá dentro de um
universo maior de celebrações por eles vivenciadas.

Leia a reportagem: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/edi-


torias/metro/festa-de-iemanja-e-reconhecida-como-patrimonio-cultu-
ral-1.1828586

Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi

O povo Wajãpi decidiu realizar um inventário participativo de sua Arte


Kusiwa, que é um sistema de representação gráfica própria dos povos
indígenas Wajãpi, do Amapá, que sintetiza seu modo particular de
conhecer, conceber e agir sobre o universo.

Assista: https://www.youtube.com/watch?time_continue=18&v=lBmCxT-
QGMX0

Acesse: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/54

Quilombo Evaristo

Os quilombolas da Serra do Evaristo ganharam o edital Pontos de Memória


e optaram por fazer uma pesquisa ampla sobre as referências culturais
que consideram mais significativas em seu território.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=wwaJMAetNPA&feature=–
youtu.be

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inventário participativo

Em relação às questões apresentadas, poderíamos mais uma vez nos questionar:

Diante do tempo e dos recursos disponíveis para realização do inventário, é possível


inventariar todos os saberes e modos de fazer, celebrações, lugares e formas de expres-
são existentes no território que será inventariado?

É preferível realizar um recorte e selecionar apenas uma dessas categorias?

Ou, diante de condições observadas, não seria o caso de elegermos apenas um bem
cultural de relevância para determinada comunidade e proceder da melhor maneira
possível a sua documentação?

Seja qual for a resposta, é razoável ponderar todas as possibilidades antes do início
do processo para que haja sucesso na empreitada.

Elaboração do Plano de Trabalho


Como as demais atividades previstas para
a realização do trabalho de inventariação,
o planejamento deve ser construído de
maneira participativa e os seus resultados
materializados em um plano de trabalho.

O plano de trabalho é uma ferramenta que


permite ordenar e sistematizar as atividades
consideradas relevantes para realização
do inventário participativo. Ele deve prever
as ações que serão executadas em todas
as etapas, de maneira a correlacionar os
recursos humanos, financeiros, materiais e
tecnológicos disponíveis.

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inventário participativo

Por meio do plano de trabalho é criado um cronograma de ações, são nomeados os


responsáveis e são estabelecidas metas e objetivos a serem alcançados em cada
etapa do inventário.

No cronograma deve ser considerado o tempo disponível da equipe, bem como o ca-
lendário local (reuniões, celebrações, feriados etc.), para evitar choques de atividades
e paralização das ações.

Importante

O plano de trabalho deve conter


o período de execução de todas as etapas do inventário;

os objetivos que se pretende conseguir em cada uma delas;

os obstáculos que serão necessários superar para sua realização;

os recursos humanos e materiais disponíveis;

os resultados e produtos pretendidos na conclusão dos trabalhos.

Formação de Equipes e Capacitação


A escolha da equipe e dos pesquisadores é feita, de forma participativa, pelos mem-
bros da comunidade que protagonizará o inventário. Para isso, é possível fazer uso
de diferentes estratégias, como editais, convocatórias públicas, indicações de lide-
ranças locais etc.

É importante garantir que esse processo seja conduzido por pessoas da própria co-
munidade, pois isso legitima a atuação da equipe e dos pesquisadores junto às orga-
nizações sociais e políticas locais.

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A participação ativa de membros da comunidade na elaboração, execução e gestão


dos inventários muitas vezes pressupõe o estabelecimento de estratégias para sua
formação e capacitação enquanto pesquisadores.

Uma das possibilidades é a contratação de consultores e especialistas para a


formação dos pesquisadores ou mesmo composição da equipe. Também pode-se
buscar parceria com universidades, museus ou outras instituições para a facilitação
de algum conteúdo.

Outra alternativa é a realização de estudos coletivos objetivando a apropriação de


metodologias e instrumentais disponíveis na internet para a realização de inventários
participativos. Indicaremos ao longo deste módulo algumas ferramentas com esta
finalidade.

A opção por qualquer dessas alternativas, obviamente, dependerá de variáveis


concretas na execução do projeto, como recursos financeiros, disponibilidade de
profissionais na própria comunidade, tempo etc.

Dica
Sugerimos algumas temáticas para as oficinas de formação. São elas:
educação patrimonial, introdução a pesquisas participativas, produção
de texto, fotografia, audiovisual etc.

No que se refere às funções exercidas por membros das comunidades


durante o processo de inventariação, sugerimos: coordenador geral, pes-
quisador, articulador comunitário, fotógrafo, técnico em audiovisual,
dentre outras.

Levantamento e Qualificação de dados Secundários


Antes de iniciarmos as atividades inerentes à pesquisa de campo, é essencial proceder
a um levantamento prévio em busca de conhecimentos já produzidos por outros
grupos e pesquisadores sobre a temática a ser inventariada. A essas informações,
damos o nome de dados secundários.

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inventário participativo

Realizar um levantamento de dados secundários envolve pesquisa e consulta em


diferentes fontes, como livros, associações, jornais, institutos de pesquisa, internet
etc.

Por meio da investigação atenta ao máximo de fontes disponíveis, é possível produzir


levantamentos bibliográficos, documentais, estatísticos, entre outros, que auxiliarão
e complementarão os conhecimentos produzidos no processo de inventário (dados
primários da pesquisa).

Investir no levantamento de dados secundários possibilita realizar um mapeamento


prévio dos bens culturais que serão inventariados e por meio dele tomar decisões
sobre as problematizações e recortes que possam ser necessários.

Dica
Algumas fontes de dados secundários são o IBGE, o IPEA, bancos de teses
e dissertações das universidades, sites de internet, institutos diversos de
pesquisa, como arquivos, museus e bibliotecas.

Definição da Metodologia e dos Instrumentos de Pesquisa


Categorias de classificação do inventário participativo

Categorias são formas de classificação dos bens culturais que serão inventariados.
Cada tipologia de inventário faz uso de classificações específicas e apropriadas aos
seus objetivos e métodos de documentação.

Por exemplo, o Inventário Nacional das Referências Culturais (INRC), que é uma
metodologia de pesquisa desenvolvida pelo IPHAN com o objetivo de produzir
conhecimento sobre as referências culturais de diferentes grupos sociais, se organiza
a partir das seguintes categorias: celebrações, formas de expressão, ofícios e modos
de fazer, edificações e lugares.

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inventário participativo

Importante
O Manual de Aplicação do INRC apresenta a definição conceitual das
cinco categorias que o compõem, com exemplos de bens culturais
representativos de cada uma delas.

Essas definições podem contribuir para a discussão sobre a formulação


de categorizações para os seus inventários participativos. (IPHAN, 2000,
p. 31-32).

Acesse: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Manual_
do_INRC.pdf`

A seguir, vamos ver a definição conceitual das cinco categorias de bens culturais que
compõem o Manual de Aplicação do INRC:

Celebrações

Nesta categoria, incluem-se os principais ritos e festividades associados à


religião, à civilidade, aos ciclos do calendário etc. São ocasiões diferenciadas de
sociabilidade, envolvendo práticas complexas com suas regras específicas de
distribuição de papéis, a preparação e o consumo de comidas, bebidas, a produção
de um vestuário específico, a ornamentação de determinados lugares, o uso de
objetos especiais, a execução de música, orações, danças etc. São atividades
que participam fortemente da produção de sentidos específicos de lugar e de
território. São exemplos festas como as de São Sebastião, do Divino Espírito
Santo, de Iemanjá, de São João e o Carnaval, que se realizam com variações em
inúmeras regiões do Brasil; ou outras mais localizadas como o Círio de Nazaré
em Belém (PA), a Lavagem do Bonfim e a Romaria de Bom Jesus da Lapa na
Bahia ou, no estado de Goiás, a Cavalhada (Pirenópolis) e a Procissão do Fogaréu
(Goiás).

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inventário participativo

Formas de expressão

Formas não-linguísticas de comunicação associadas a determinado grupo social


ou região, desenvolvidas por atores sociais (individuais ou grupos) reconhecidos
pela comunidade e em relação às quais o costume define normas, expectativas,
padrões de qualidade etc. Incluem-se nesta categoria o cordel, a cantoria e a
xilogravura no Nordeste, diversas variantes do Boi (o boi bumbá, o boi duro, o
bumba meu boi etc.) em várias regiões do Brasil, a moda de viola e a catira no
centro-sul, a ciranda no litoral pernambucano, a cerâmica figurativa no vale do
Jequitinhonha etc. Neste caso, serão inventariadas não as linguagens em abstrato,
mas o modo como elas são postas em prática por determinados executantes.

Ofícios e modos de fazer

Atividades desenvolvidas por atores sociais (especialistas) reconhecidos como


conhecedores de técnicas e de matérias-primas que identifiquem um grupo so-
cial ou uma localidade. Este item refere-se à produção de objetos e à prestação
de serviços que tenham sentidos práticos ou rituais, indistintamente. São exem-
plos: a carpintaria no sul da Bahia, a confecção de panelas de barro no Espírito
Santo, a manipulação de plantas medicinais na Amazônia, a culinária em Goiás
Velho, o benzimento nas várias regiões do país, as variantes regionais de técnicas
construtivas, do processamento da mandioca ou da destilação da cana, entre
muitos outros. Tal como no caso anterior, os modos de fazer não serão inventa-
riados em abstrato, mas por meio da prática de determinados executantes.

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inventário participativo

Edificações

Em diversos casos, estruturas de pedra e cal estão associadas a determinados


usos, a significações históricas e de memória ou às imagens que se tem de cer-
tos lugares. Essas representações as tornam bens de interesse diferenciado para
determinado grupo social, muitas vezes independentemente de sua qualidade
arquitetônica ou artística. Nesses casos, além dos aspectos físico-arquitetôni-
cos, são relevantes do ponto de vista do patrimônio as representações sociais a
eles associadas, as narrativas que se conservam a seu respeito, eventualmente
os bens móveis que eles abrigam, determinados usos que neles se desenvolvem.
Esta categoria integra tanto edifícios emblemáticos do porte das igrejas de Nos-
sa Senhora Aparecida (SP) e de Nosso Senhor do Bonfim ou do Terreiro da Casa
Branca em Salvador (BA), como outros de significação mais localizada como são
a casa de Cora Coralina, em Goiás, as sedes da Lira Popular de Belmonte (BA), ou
da Banda Carlos Gomes, em Campinas (SP).

Lugares

Toda atividade humana produz sentidos de lugar. Neste inventário, serão incluí-
dos especificamente aqueles que possuem sentido cultural diferenciado para a
população local. São espaços apropriados por práticas e atividades de naturezas
variadas (exemplo: trabalho, comércio, lazer, religião, política etc.), tanto cotidianas
quanto excepcionais, tanto vernáculas quanto oficiais. Essa densidade diferencia-
da quanto a atividades e sentidos abrigados por esses lugares constitui a sua cen-
tralidade ou excepcionalidade para a cultura local, atributos que são reconhecidos
e tematizados em representações simbólicas e narrativas. Do ponto de vista físi-
co, arquitetônico e urbanístico, esses lugares podem ser identificados e delimita-
dos pelos marcos e trajetos desenvolvidos pela população nas atividades que lhes
são próprias. Eles podem ser conceituados como lugares focais da vida social de
uma localidade. Entre eles, podem ser citados a Feira de Caruaru (PE) ou de São
Cristóvão, no Rio de Janeiro, o mercado Ver-o-peso, em Belém (PA), o Quadrado
de Trancoso, no sul da Bahia, a Praça da Sé, em São Paulo, a Lagoa do Abaeté, em
Salvador (BA), a sede de um time de futebol, a quadra de uma escola de samba,
uma área urbana, como o Pelourinho em Salvador ou o Bairro do Recife (PE).

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inventário participativo

Os inventários participativos, devido à sua abertura metodológica, podem fazer uso


das classificações já utilizadas pelas instituições de preservação do patrimônio, como
as apresentadas anteriormente, ou reelaborar novas a partir das formas com as quais
os grupos organizam e classificam sua realidade, as chamadas “categorias nativas”.

Exemplo
Inventários participativos e a construção de categorias nativas

Inventário do Ponto de Memória do Grande Bom Jardim (CE)

O Ponto de Memória do Grande Bom Jardim fez uso das categorias do


INRC na realização do seu inventário. No entanto, elas foram consideradas
insuficientes para registrar uma referência significativa para aqueles que
protagonizaram o processo de pesquisa: as diversas lutas e resistências
que marcaram e marcam a formação histórica do bairro e a memória
coletiva de seus moradores.

Diante desta situação, fizeram a inclusão da categoria “lutas e resistências”


para a elaboração do Inventário Participativo dos Bens Culturais do Grande
Bom Jardim (Organização dos Estados Ibero-americanos, 2016).

Inventário Participativo do Povo Indigena Kanindé (CE)

Já o povo indígena Kanindé ao realizar seu inventário participativo, optou


por construir categorias próprias de classificação fundamentadas na sua
cosmovisão de mundo. Deste modo, organizou seu processo de inventa-
riação a partir das seguintes categorias:

• Coisas dos Índios - “aquilo que os Kanindé atribuem como


pertencente aos índios, seja do passado ou do presente”;
• Coisas dos velhos – “aquilo que os Kanindé atribuem ser dos
seus antepassados: parentes, pais, tios, avós e bisavós, aquilo
que traz a reinterpretação da indianidade que fazem das gerações
anteriores que não se declaravam índios”;
• Coisas das Matas – “usada para classificar o que é proveniente,
literal e simbolicamente das matas, da natureza, da floresta”;

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inventário participativo

• Coisas do Mar – “aquilo que é proveniente, procedente das


viagens, intercâmbios realizados junto ao Tremembé de Almofala,
através da aproximação da luta indígena”;
• Novidades – “coisas antigas que não conheciam (...) que trazem
algo de outro tempo, que podem ser conhecidas através dos
objetos” (GOMES, 2012, p. 199-200).

Delimitação do território

Na elaboração de um inventário participativo, além da


definição do objeto, das problemáticas e do recorte da
pesquisa, é necessário delimitar o território onde a refe-
rência ou bem cultural está inserido.

Na delimitação de uma área, sítio ou configuração so-


cioespacial para a realização de um inventário partici-
pativo, devemos considerar a fluidez geográfica que ca-
racteriza as referências culturais, bem como as relações
sociais existentes entre elas num determinado território,
seja ele físico ou simbólico.

Quanto à delimitação física, o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial diz


que a demarcação da área do Inventário deve ocorrer em função das referências
culturais presentes no território:

“Essas áreas podem ser reconhecidas em diferentes escalas, ou seja, podem


corresponder a uma vila, a um bairro, a uma zona ou mancha urbana, a uma
região geográfica culturalmente diferenciada ou a um conjunto de segmentos
territoriais” (IPHAN, 2000b, p. 04).

Seja qual for a escala a ser definida, devemos considerar que a relação entre as refe-
rências culturais e o território toma a forma de um processo em movimento, que se
constitui ao longo do tempo tendo como principal elemento o sentido de pertenci-
mento do indivíduo ou grupo com o seu espaço de vivência.

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Importante
Nos casos em que o objeto e os objetivos do inventário estiverem rela-
cionados a uma comunidade fisicamente dispersa, cuja identidade e cul-
tura não se estabelece a partir da partilha de um território, pode-se ainda
assim adotar o recorte geográfico, combinado com outros critérios, de
acordo com o objetivo da pesquisa. Nesses casos, vale enfocar o recorte
simbólico da pesquisa para construir seus limites.

Por exemplo, no caso do pajubá, linguagem dos LGBTTQ+, pode-se deli-


mitar que a pesquisa se dará em alguns núcleos, que possibilitem registrar
as recorrências e as variações das palavras e seus usos. Assim sendo, é
importante ter atenção à disposição dos recursos (humanos, financeiros
e tecnológicos) para entrevistar pessoas em diferentes estados, consultar
fontes dispersas e outros esforços que podem ser necessários.

Instrumentos de pesquisa

A organização e utilização de instrumentos de pesquisa para realização de um inventário


é indispensável. Eles são fundamentais para auxiliar o registro e sistematização das
informações coletadas durante a etapa de pesquisa de campo.

Algumas instituições de preservação do patrimônio disponibilizam instrumentais


para a realização de inventários participativos em suas plataformas na internet. Fazer
uso dessas ferramentas para inspirar os processos de pesquisa pode poupar tempo
e recursos.

No entanto, quando procedermos com o uso das categorias, sugerimos que os referidos
instrumentais não sejam simplesmente copiados tais quais foram concebidos. É
importante que sejam recriados, ou ajustados de acordo com a realidade local e os
objetivos da pesquisa. Em outras palavras, eles devem ser apropriados e reelaborados
pelas pessoas, grupos ou coletivos que vão utilizá-los no processo de inventariação.

Apresentaremos a seguir dois instrumentais para realização de inventários participa-


tivos.

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inventário participativo

Educação Patrimonial no Programa Mais Educação - Manual de aplicação

A partir do conceito de espaço educativo, com a aplicação de uma metodologia que


considera os diferentes contextos culturais do Brasil, a proposta desse manual é
orientar o mapeamento inicial das referências culturais e potencialidades educativas
imersas na realidade escolar – um inventário pedagógico do patrimônio cultural local.

O manual traz um conjunto de fichas para organizar e reunir informações, a partir


do olhar dos estudantes. As categorias utilizadas para classificar os diversos bens
culturais baseiam-se nas que o IPHAN adota em seus trabalhos de identificação e
reconhecimento do Patrimônio Cultural Brasileiro.

Fichas das categorias:

Lugares ................................................................................

Objetos .................................................................................

Celebrações ........................................................................

Formas de Expressão .......................................................

Saberes ................................................................................

Saiba mais
Educação Patrimonial no Programa Mais Educação - Fascículo 1

A Educação Patrimonial no Mais Educação


propõe uma forma dinâmica e criativa da es-
cola se relacionar com o patrimônio cultural
de sua região e, a partir dessa ação, ampliar o
entendimento dos vários aspectos que cons-
tituem o Patrimônio Cultural Brasileiro.

Acesse:

http://portal.iphan.gov.br/uploads/publica-
cao/EduPat_EducPatrimonialProgramaMaisEducacao_fas1_m.pdf

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Educação Patrimonial no Programa Mais Educação - Manual de Aplicação

As orientações para elaboração do inventário do


patrimônio cultural, uma forma de pesquisar, co-
letar e organizar informações sobre algo que se
quer conhecer melhor estão reunidas em mais
uma publicação sobre Educação Patrimonial.
Nesta atividade, é necessário um olhar ao redor
dos espaços da vida, inclusive os que podem es-
tar junto à escola, buscando identificar as referên-
cias culturais que formam o patrimônio cultural
do local.

Acesse:

http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/EduPat_EducPatrimonial-
ProgramaMaisEducacao_m.pdf

Kit de recolha de património imaterial

O Kit de Recolha de Patrimônio Imaterial é um instrumental elaborado a partir de uma


parceria entre a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e a Direção-Geral da
Educação (DGE) do Governo Português.

Trata-se de uma ferramenta educativa destinada à sensibilização e salvaguarda do


Patrimônio Cultural Imaterial (PCI). Com uma linguagem destinada ao público juvenil,
está à disposição de todos os países de Língua Portuguesa.

Os instrumentais disponíveis no Kit de Recolha de Patrimônio Imaterial promovem


uma abordagem integrada da realidade cultural das comunidades locais por meio da
utilização de diversas fichas destinadas ao registro do patrimônio imaterial (“Fichas
dos Saberes e Ofícios Tradicionais”, “Ficha das Tradições Festivas” e “Fichas das
Tradições Orais”), e do patrimônio material (“Ficha dos Lugares”, “Ficha dos Edifícios”
e “Ficha dos Objetos”).

Para além das Fichas para registo de manifestações de PCI, o Kit integra igualmente
fichas para documentar a relação dessas pessoas, grupos e detentores com os bens
culturais registrados. Deste modo, o instrumental conta ainda com as “Fichas de

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Pessoas”, “Ficha de Entrevista/ História de Vida”. Para facilitar a sua utilização, cada
ficha é acompanhada de instruções para seu respectivo preenchimento.

Dica

A edição eletrônica do Kit de Recolha de Patrimônio Ima-


terial com todas suas fichas está disponível gratuitamen-
te no link: http://educacaoartistica.dge.mec.pt/kit-de-re-
colha.html

Pesquisa de Campo
Aplicação dos instrumentos de pesquisa e registros

A pesquisa de campo é a etapa do inventário que corresponde à observação, coleta,


análise e interpretação dos dados primários da investigação. É nessa fase que rea-
lizaremos as entrevistas, visitaremos os lugares e iniciaremos o processo de docu-
mentação das referências culturais identificadas por meio de anotações, filmagens,
desenhos e fotografias etc.

As informações coletadas serão analisadas e sistematizadas pelo grupo a partir dos


instrumentais de pesquisa e fichas de campo. Para tornar as informações ainda mais
consistentes, é importante, como já dissemos, complementar ou comparar os dados
coletados com informações disponíveis em bibliotecas, museus, centros de memória,
casas de cultura, universidades, arquivos, páginas e sites na internet, dentre outros.

É fundamental que os pesquisadores estejam familiarizados com os instrumentos


de pesquisa antes do início das atividades de campo. O ideal é que os próprios
pesquisadores tenham participado da discussão para a definição dos instrumentais
ou de alguma formação/capacitação com a finalidade de facilitar o preenchimento
correto das fichas e demais instrumentos de pesquisa.

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Tome nota
Dicas de pesquisa:

Na publicação do IPHAN, Educação Patrimonial: inventários participativos,


encontramos também uma série de sugestões referentes a essa etapa da
pesquisa

• Organizem a equipe e a distribuição de tarefas.


• Levem cadernos para anotar as informações, especialmente aquelas
não solicitadas nas fichas.
• Organizem o material de campo para não perder os desenhos e as ano-
tações.
• Consultem antes as pessoas que vão entrevistar, para saber se elas
estarão disponíveis.
• Sempre que forem entrevistar alguém, expliquem antes os objetivos do
trabalho e procurem criar uma relação de confiança com o entrevista-
do.
• Se não conseguirem do entrevistado as informações que procuram,
paciência. Não se esqueçam de que as pessoas dão o tempo e os co-
nhecimentos de que dispõem e que, sem elas, é impossível realizar o
trabalho.
• Procurem entrevistar várias pessoas sobre a mesma referência cultu-
ral, para obter diversas opiniões, histórias e significados. A pesquisa
será até mais rica e intrigante quando as respostas forem diferentes ou
contraditórias.
• Entrevistem pessoas de diferentes idades. Jovens e idosos podem re-
velar informações sobre as transformações da referência cultural.
• Procurem entrevistar pessoas que tenham relações diferentes com a
mesma referência cultural: o mestre e o brincante, um proprietário de
imóvel e um mestre de obras, o grafiteiro e o morador da rua grafitada
etc.

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

• Documentem a pesquisa com os equipamentos sugeridos. Gravem as


entrevistas, façam anotações, desenhos, fotografias e filmagens.
• Procurem descobrir se há alguma pessoa no grupo ou na comunidade
que trabalha com audiovisual e que esteja disposta a participar. Ela
pode dar uma ajuda valiosa!

Organização e Difusão do Inventário Participativo


Sistematização e validação dos dados

Uma das etapas importantes de elaboração do inventário participativo é a organização


e sistematização das informações obtidas e a posterior comunicação dos seus
resultados. Difundir um inventário participativo é compartilhar os bens patrimoniais
identificados e registrados no território com a própria comunidade e com o mundo.

Após a sistematização e consolidação dos resultados da pesquisa, é imprescindível


organizar reuniões com o propósito de apresentar e validar as informações coletadas
na investigação.

Ações devolutivas para as comunidades

A validação dos dados junto à comunidade é um momento fundamental, onde todos


os que participaram do processo podem discutir e complementar os conhecimentos
produzidos, se apropriar dos resultados e do próprio inventário.

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Importante
As reuniões para a validação dos dados devem ocorrer antes da finaliza-
ção dos produtos, pois “esse processo pode implicar em mudanças con-
sideráveis na divulgação dos resultados da pesquisa” (IPHAN, 2016b,
p. 56).

Na prática, vale lembrar que isso significa que esta etapa precisa estar
prevista no cronograma e deve contar, idealmente, com toda a equipe par-
ticipante.

Promoção e divulgação dos produtos

Os produtos resultantes do inventário participativo podem ser organizados em di-


versos tipos de linguagens e interação. Seja a montagem de uma exposição, a ela-
boração de materiais didáticos, de plataformas digitais, sites ou documentários au-
diovisuais. O objetivo central dessa etapa é democratizar as informações obtidas,
valorizar e promover os bens culturais identificados e sensibilizar a sociedade civil
para a importância de preservação dos mesmos.

Outro aspecto que advém dessa etapa de inventariação é o reconhecimento de to-


dos os envolvidos na pesquisa, pois não só aqueles que investigaram, mas também
aqueles que contribuíram com as informações terão suas falas e nomes registrados,
aparecerão nos vídeos ou nas fotografias. Portanto, é de suma importância que, in-
dependente da linguagem escolhida para difusão, todos os participantes recebam o
produto final do inventário ou participem do momento de compartilhamento do mes-
mo.

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Importante
Ao analisar exemplos de materiais de difusão de inventários é possível ressal-
tar alguns cuidados e orientações:

Aqueles que estiverem na função de editoração do material devem estar cientes dos cuida-
dos éticos de publicação de imagem e informações pessoais dos entrevistados.

O produto de comunicação dos resultados deve ser decidido pelo grupo na etapa de elabo-
ração do plano de trabalho. Isso é fundamental porque, a depender do seu formato, a forma
de registro influencia diretamente o resultado da pesquisa. Por exemplo, caso seja um docu-
mentário, será necessário um material audiovisual com boa resolução e qualidade nas ima-
gens e captação sonora.

É importante ter clareza sobre o público-alvo do material. Por exemplo, se o interesse for
crianças, a linguagem deverá ser elaborada para atender ao público infantil.

Ter uma definição sobre os objetivos do produto a ser difundido é importante para que a
escolha da linguagem de comunicação ou de interação responda ao esperado.

O conteúdo do processo de inventariação que será difundido deverá ser decidido coletiva-
mente após a realização das pesquisas, pois muitos dos conhecimentos produzidos e des-
cobertos são inesperados.

O tempo, os recursos financeiro, humano e de conhecimentos técnicos, também são aspec-


tos a serem considerados na etapa de divulgação dos produtos.

Para a divulgação, é interessante também encaminhar exemplares dos produtos para as


instituições locais e aquelas que têm alguma convergência com o tema pesquisado. Deve-
-se buscar remeter e divulgar as ações e produtos junto a escolas, museus, universidades,
bibliotecas, secretarias de cultura, órgãos do patrimônio e afins.

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Confira alguns exemplos de produtos resultantes de processos de inventariação par-


ticipativa:

Exemplo
Vídeos documentários:

Inventário Nacional de Referências Culturais do Jongo no ES-2014

https://www.youtube.com/watch?v=gPjPt826Q6o

Inventário Cultural de Quilombos do Vale do Ribeira

https://www.youtube.com/watch?v=dS7kSj3VzhI

Plataformas digitais colaborativas do inventário participativo:

Museu do Patrimônio Vivo da Grande João Pessoa:

https://www.museudopatrimoniovivo.com/inventario

Inventário do Patrimônio Imaterial da Cultura Paulista:

http://abacai.org.br/patrimonio_imaterial/

Cartilhas/publicações:

Tiririca dos Crioulos: um quilombo indígena

http://afro.culturadigital.br/wp-content/uploads/2016/07/Tiririca_dos_
crioulos_um_quilombo_indi%CC%81gena-1.pdf

Inventário Cultural Pataxó - Tradições do povo Pataxó do Extremo Sul da


Bahia

http://lemad.fflch.usp.br/sites/lemad.fflch.usp.br/files/invent%C3%A-
1rio%20cultural%20patax%C3%B3.pdf

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Lembrem-se:

Observem os documentos, formulários, recomendações e os diversos produtos.


Organizem encontros com seus coletivos e comunidades para debater, amadurecer
o tema e estudar o conteúdo. Tenha determinação para iniciar o processo, e para
criar as soluções e metodologias que sua realidade precisar.

Desejamos que suas atividades fluam e que tragam os melhores frutos para a
salvaguarda de memórias e patrimônios culturais diversos, contribuindo com
toda a sociedade, para o exercício dos direitos culturais. Até a próxima!

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Módulo 4 – Etapas para a elaboração de um
inventário participativo

Referências
IPHAN. Inventário Nacional de Referências Culturais: Manual de aplicação / Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Brasília-DF, 2000.

______. Programa Nacional do Patrimônio Imaterial. Instituto do Patrimônio Histórico


e Artístico Nacional. Brasília-DF, 2000b. Disponível em: http://www.pontaojongo.uff.
br/sites/default/files/upload/documento_programa_nacional_do_patrimonio_imate-
rial.pdf. Acessado em: 03 de maio de 2019.

______. Educação Patrimonial: inventários participativos. Manual de aplicação / Insti-


tuto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Brasília-DF, 2016a.

______. Guia de pesquisa e documentação para o INDL: patrimônio cultural e diversi-


dade linguística / Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Brasília-DF,
2016b.

Organização dos Estados Ibero-americanos. Pontos de memória: metodologia e prá-


ticas em museologia social / Instituto Brasileiro de Museus, Organização dos Estados
Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura. – Brasília (DF): Phábrica,
2016.

GOMES, Alexandre Oliveira. Aquilo é Uma Coisa de Índio Objetos, Memória e Etnicida-
de entre Os Kanindé do Ceará. Recife: Dissertação Pós-Graduação em Antropologia,
Universidade de Pernambuco, 2012.

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