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14/06/2015 Derrida – Benoît Peeters | Livros abertos

Derrida – Benoît Peeters

“Toda leitura que procura compreender não é senão um passo num caminho que nunca tem fim. Qualquer um que envereda por esse
caminho sabe que nunca chegará ‘ao termo’ de seu texto; ele acusa esse golpe. Quando um texto poético o tocou a ponto de ele terminar
por ‘entrar’ nele e se reconhecer nele, isso não supõe nem a concordância nem a autoconfirmação. Entregamo-nos para nos encontrar.
Não me julgo tão distante de Derrida, quando aponto que nunca sabemos antecipadamente o que seremos quando nos encontrarmos.”
(Hans-Georg Gadamer) 

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Derrida é um ponto de interrogação excepcional em uma lista particular (e relativamente longa) de pontos de interrogação. Digo
que é, com o verbo no presente, mesmo depois de ter lido a biografia de mais de setecentas páginas escrita pelo francês Benoît
Peeters. Natural: o trabalho e as ideias de Derrida estão fora do alcance de uma pesquisa que pretende mesclar suas trajetórias
profissional e pessoal. Não é fácil, de qualquer forma, enxergar com nitidez tudo aquilo que o filósofo representou e representa. A
controvérsia permanece, e talvez seja isso o que se sobressai no livro de Peeters — o enorme conflito, jamais assentado, em torno
da figura e das propostas de Derrida. É possível que a faculdade de letras tenha alguma ressaca de seu pensamento,
exaustivamente repisado na década de oitenta. A de filosofia, com raras exceções, nunca o abraçou por completo. Derrida está

fora de moda (da forma como um pensamento entra e sai de moda), a Gramatologia acumula poeira em certas bibliotecas e muita
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gente acredita que já se discutiu tudo o que há para ser discutido sobre a desconstrução.

Assumo a hesitação, ou Derrida não seria esse ponto de interrogação que volta e meia me assombra com vontade. Talvez eu deva
confessar que sentia alguma simpatia pela figura do filósofo muito antes de poder situar seu pensamento em qualquer contexto —
o que me levou a dar umas voltas aleatórias, indiretas e normalmente improdutivas em torno de algumas das suas ideias.

As objeções em relação a Derrida não diferem muito do que Emmanuel Martineau, seu ex-aluno, escreveu em 1981. De acordo
com ele, o professor teria uma predileção por se entregar a “acrobacias verbais ‘astuciosas’, desprovidas de qualquer seriedade e
sentido filosófico”. Seus textos seriam “pura literatura” e nada teriam a ver “com a filosofia em geral, nem com a história da
filosofia em particular”. Sua produção pessoal constituiria “um dossiê tão tedioso quanto superabundante”. As queixas de
sempre: um pensador hermético, um herege, um profanador etc.

Isso não impediu que a desconstrução fizesse um enorme sucesso, em especial (e graças, em parte, a Paul de Man) nos Estados
Unidos. Um tanto duvidosa, essa glória atingiu níveis surreais. Peeters escreve que “algumas revistas de decoração convidavam
seus leitores a ‘desconstruir o conceito de jardim’, enquanto um super-herói de quadrinhos enfrentava o ‘Doutor desconstructo';
quanto à revista Crew, gabava o ‘paletó Derrida’ e o ‘terno desconstrutor’. Em pleno Monicagate, o próprio Bill Clinton fez uso da
desconstrução para se defender”. Derrida não fica satisfeito com essa popularização do seu trabalho (tampouco aprova o filme
que Woody Allen lançaria em 1997, Desconstruindo Harry).

Gostem ou não, esteja o pensamento derridiano em voga ou não, a curiosidade em torno de sua figura parece bem viva. É bem
possível que haja uma boa dose de malícia nesse interesse, uma vez que muitos dos que bradam contra a desconstrução não
escondem a vontade de conhecer a trajetória (e as polêmicas) de seu criador. No prefácio, o escritor, ensaísta e professor
universitário Evando Nascimento, que também assina a revisão técnica, faz uma análise certeira: “Certamente deve haver um
limite além do qual a vida de um filósofo ou escritor deixa de servir ao interesse público. Contudo, se tal limite nunca foi
nitidamente demarcado, hoje então, com toda a cultura das celebridades, a exposição da vida íntima virou mercadoria comum e
nada mais choca nem espanta”. Todos querem se aproximar dessa figura controversa. Evando continua: “A meu ver, Peteers
encontrou o justo equilíbrio entre os dois âmbitos por que passa sua pesquisa: o da atividade filosófica de Derrida, com sua
respectiva persona de homem público, e o de sua vida privada”.

De fato, o trabalho de Peteers, em rigor e harmonia, é notável. O biógrafo consultou “deveres escolares, cadernos pessoais,
manuscritos de livros, aulas e seminários inéditos, transcrições de palestras e mesas-redondas, artigos de imprensa e,
naturalmente, a correspondência”. Peeters diz ter optado “menos por uma biografia derridiana do que por uma biografia de
Derrida”.

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“Durante três anos, Benoît Peteers mergulhou na vida e obra de Derrida, lendo e relendo seus textos fundamentais, a fim de dar
uma fundamentação teórica à investigação, evitando assim meramente narrar os fatos de uma existência sem dúvida
excepcional”, escreve Evando no prefácio. A pesquisa foi iniciada em 2007 e publicada em 2010, quando Derrida completaria 80
anos — aqui, Derrida – Biografia saiu há poucos meses pela Civilização Brasileira. Trois ans avec Derrida (Três anos com Derrida),
um diário da escrita do livro mencionado no prefácio e na introdução, não foi incluído na edição brasileira.

Judeu nascido na Argélia, Derrida enfrentou as adversidades da segregação e da guerra da independência; além disso, conheceu
bem a sensação de se sentir um estrangeiro na França e em seu próprio país. Descobre cedo a paixão pela literatura, mas acaba
optando pela filosofia. Já em Paris, demora a ingressar na École Normale Supérieure.

Peeters define Derrida como um homem “excessivo e íntegro (…) tanto nos entusiasmos como nos ressentimentos”. Derrida
podia ser afetuoso ou áspero. “A gentileza, a disponibilidade e sua escuta amiga às vezes sofrem guinadas bruscas e cóleras
intensas. Basta uma discordância ou indelicadeza para se cair em desgraça e passar para o lado dos inimigos”, escreve Peeters.

Seu temperamento é difícil, mas nem sempre Derrida é o único culpado por um rompimento. É notável (questionável?) a
fidelidade demonstrada em relação a Paul de Man e a Louis Althusser quando, em diferentes momentos, tiveram seus nomes
envolvidos em polêmicas. A de Paul de Man, póstuma, acontece quando vêm a tona uma boa quantidade de artigos antissemitas
que ele teria escrito quando jovem. Já Louis Althusser, que tinha frequentes crises e passou boa parte da vida internado em
clínicas de repouso, assassinou a mulher durante um surto psicótico. Ciente das falhas dos dois amigos, Derrida não os abandona.
Preserva a memória de Paul de Man como pode, ainda que isso lhe custe algumas inimizades; contrata um advogado para
defender Althusser e oferece sua solidariedade em visitas regulares ao amigo.

A biografia tangencia o maio de 1968, no qual Derrida se envolveu menos do que alguns poderiam esperar. Peeters não se esquiva
das polêmicas: aborda o rompimento de Derrida com Philippe Sollers, Julia Kristeva e a equipe da revista Tel Quel; narra, em
linhas gerais, a briga com Michel Foucault; menciona a troca de socos e empurrões com Bernard-Henri Lévy no anfiteatro da
Sorbonne, durante o que ficou conhecido como “estados gerais da filosofia”; conta em detalhes a sua prisão em Praga, quando
drogas foram supostamente encontradas em sua mala (o que, é claro, não passou de uma armação do governo local).

Demonstrando grande respeito (e comparando a situação à de Heidegger e Hanna Arendt), Benoît Peeters menciona o longo
romance de Derrida e Sylviane Agacinski. Os dois tiveram um filho na década de 1980, ainda que Jacques, que nunca se separou da
mulher, Marguerite, não acompanhe o crescimento do garoto e deixe de encontrar a amante por ocasião de sua gravidez. A
situação parece ainda mais delicada quando se sabe que Sylviane, que supostamente guarda uma enorme quantidades de cartas de
Derrida, se recusou a colaborar com Benoît Peeters. Marguerite, ao contrário, facilitou o acesso do biógrafo à vida íntima do
marido.

De qualquer forma, o grande foco do autor de Derrida – Biografia parece ser o desenvolvimento do pensamento derridiano — e
todas as barreiras que este enfrentou ao longo das décadas, especialmente na França. As barreiras são conhecidas: com uma ou
outra alteração, são as mesmas que levantou seu ex-aluno — citadas alguns parágrafos acima. Os entraves e represálias vão
surgindo na medida em que o trabalho de Derrida ganha corpo e consistência — o que começa a acontecer no período de suas
discussões em torno de Husserl. Cartas, trechos de seminários e livros e pedaços de entrevistas e são usados para explicar, tanto
quanto possível em uma biografia, o jogo paralelo de Derrida e seus detratores.

É possível dizer que a maior penetração da desconstrução se deu nos departamentos de literatura comparada nos Estados Unidos.
Nem na América, no entanto, Derrida escapou dos críticos. Um bom exemplo da desconfiança que orbitava o pensamento
derridiano é este artigo amargo publicado na The New York Times Magazine: “Desde o fim dos anos 1970, um grupo, apelidado por
alguns de ‘máfia hermenêutica’, viu a sua influência insinuar-se cada vez mais nos estudos literários de Yale. […] Lá, vários
críticos mais em voga adoram a maneira de pensar de Derrida, buscando disseminar seu nome e seu estilo ao mesmo tempo que
os deles próprios”.

As mudanças que ocorrem a partir de 1980 estão bem marcadas: a dissolução da Escola Freudiana de Paris por Lacan (outra figura
por quem Derrida não morria de amores, e vice-versa); a morte de Roland Barthes; a morte de Sartre, cujo cortejo fúnebre foi
acompanhado por mais de 50 mil pessoas; a paulatina substituição do marxismo dominante por um liberalismo cego. É nesse
ponto que o trabalho de Derrida começa a se modificar e a se tornar mais politizado — ou, em outras palavras, é nesse ponto que
a sua posição política se torna mais clara. A transformação, que já vinha se anunciando há algum tempo, parece inevitável.

É marcante (e premonitório) o trecho que cita as palavras que um dos examinadores da banca da École Normale Supérieure
profere depois da apresentação de Derrida: “Enfim, esse texto é muito simples; o senhor não fez senão complicá-lo e carregá-lo e
torná-lo pesado ao introduzir algo de seu”. Era apenas o começo.

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Há outros trechos cômicos. 1) Peeters descobriu que a mãe de Derrida se recusou a interromper uma partida de pôquer quando
entrou em trabalho de parto. 2) O autor relata as dificuldades que Derrida, que adorava papéis e não jogava nada fora, enfrenta
quando decide utilizar um computador. 3) Há a clássica história envolvendo a guerra que Ruth Barcan Marcus move contra a
escola de Yale (que abraçou com força o pensamento derridiano). Irada, ela escreve a Laurent Fabius, ministro da Indústria e da
Pesquisa, para protestar contra a nomeação do autor da Gramatologia para um dos maiores cargos do Colégio Internacional de
Filosofia. É aqui que entra a conhecida frase do ministro, que, junto com uma cópia da missiva, envia a Derrida a recomendação
de “nunca descer uma escada à frente dessa dama”. 4) Peeters conta que a mãe de Derrida, quando ouve o filho falar do sucesso de
alguns de seus trabalhos, fica horrorizada ao ver que ele escreveu différance com a. 5) Derrida é apresentado ao jazzman Ornette
Coleman, e este o convida para tomar a palavra durante um concerto que dará no festival de jazz de La Villette. Derrida faz (é
claro) uma intervenção derridiana, longa e não muito clara, é vaiado e fica sem entender o que aconteceu.

Destaque para o trecho em que Jacques Taminiaux, fenomenólogo belga, faz uma visita a Heidegger após um seminário deste
último. Eis a definição de saia justa: Heidegger pede que Taminiaux explique rapidamente o trabalho de Derrida. Difícil não rir ao
imaginar Taminiaux gaguejar e suar frio diante da tarefa. “Eu não podia falar em ‘desconstrução’ sem cair em uma armadilha, pois o
uso por parte dele, anterior e diferente, da palavra Destruktion, me impedia. Quanto à différance com a, tente, sem pedantismo,
quando o seu pensamento é romano, traduzir isso em alemão e, como se não bastasse, perante o pensador da diferença ontológica. Uma
vez que, na véspera, ele tratara de sua relação com Husserl via as Pesquisas lógicas, investi de cabeça baixa num possível resumo de A
voz e o fenômeno. […] Precipitei-me num balizamento bem esquemático das questões detectadas na distinção husserliana da
expressão e do indício. Logo compreendi pela reação de Heidegger que eu errara o alvo: Ach so! Sehr interessant! Ele reagiu,
apressando-se a acrescentar: ‘Mas no que escrevo, creio que há coisas bem próximas do que o senhor acaba de me dizer.’ Como a sra.
Heidegger entrava para pôr fim à conversa, mal consegui balbuciar: ‘Sim, sim, sem dúvida, ele lhe deve muito, mas ainda assim é
completamente diferente'”.

É claro que nem todas as passagens são leves e levam ao riso fácil. Como maior parte da pesquisa de Benoît Peeters está atrelada
ao pensamento derridiano — as primeiras publicações, as tentativas de ingressar na École Normale Supérieure, as aulas, os
colóquios e os seminários —, não se pode falar em leitura simples. De qualquer forma, a biografia contribui para aumentar o
interesse e a discussão em torno de uma das personalidades mais geniais do século XX. É claro que Derrida continua controverso
— talvez o trabalho de Peeters tenha aumentado ainda mais a controvérsia. Há muita coisa esperando para ser discutida.

Não é o propósito de uma biografia situar, classificar e explicar o trabalho do biografado. Se fosse o caso, Benoît Peeters teria uma
tarefa ingrata pela frente. Nada impede, no entanto, que ele tangencie o assunto. Quatro trechos, sobre o trabalho de Derrida em
geral e a desconstrução em particular, me parecem significativos:

Nas palavras de Benoît Peeters, que cita uma entrevista que Derrida concedeu ao próprio Evando Nascimento (publicada em
agosto de 2004 na F. de São Paulo):

“Para Jacques Derrida, a desconstrução permanece acima de tudo uma maneira de pensar a filosofia. Não se trata de uma
doutrina, mas de uma maneira de analisar a genealogia da história da filosofia, ‘os seus conceitos, os seus pressupostos e a sua
axiomática, e de fazê-lo não apenas de maneira teórica mas igualmente interrogando as suas instituições, as suas práticas sociais
e políticas, em suma a cultura política do Ocidente'”.

Jean Lacroix, numa coluna no Le Monde, depois da publicação da Gramatologia

“A filosofia está em crise. Essa é igualmente uma renovação. Na França, uma plêiade de pensadores (relativamente) jovens a
transformaram: Foucault, Althusser, Deleuze etc. A esses nomes, convém doravante acrescentar o de Jacques Derrida. Conhecido por
um pequeno grupo de normalianos entusiastas, ele acaba de se revelar a um público mais vasto ao publicar três livros em seis meses, em
especial a Gramatologia. Pela atenção dispensada ao problema da linguagem, parece aproximar-se dos ‘estruturalistas’. Faz-lhes
justiça e reconhece que a reflexão universal recebe um formidável impulso de uma inquietude com relação à linguagem, que não pode ser
senão uma inquietude da linguagem e na linguagem. Contudo, afasta-se deles na medida em que esse iconoclasta, longe de se inspirar
num modelo científico, permanece às voltas com o demônio filosófico. […] O objetivo de Derrida não é a destruição, mas a
‘desconstrução’ da metafísica. Os conceitos fundadores da filosofia encerram o logos, a razão, numa espécie de ‘fechamento’. (…) É
preciso romper esse ‘fechamento’, intentando um arrombamento”.

O próprio Derrida, numa carta:

“Quando escolhi essa palavra, ou quando ela se impôs a mim, […] eu não pensava que lhe atribuiriam papel tão central no
discurso que me interessava na época. Entre outras coisas, eu desejava traduzir e adequar à minha proposta os termos

heideggerianos Destruktion e Abbau. Naquele contexto, ambos significavam uma operação que incide sobre a estrutura ou a
arquitetura tradicional dos conceitos fundadores da ontologia ou da metafísica ocidental. Em francês, porém, o termo
‘destruction’ implicava muito visivelmente uma aniquilação,
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‘destruction’ implicava muito visivelmente uma aniquilação, uma redução negativa mais próxima da ‘demolição’ nietzschiana,
talvez, do que da interpretação heideggeriana ou do tipo de leitura que eu propunha. Por conseguinte, descartei-o. Lembro-me de
ter pesquisado se a palavra ‘déconstruction’ era de fato francesa. Encontrei-a no Littré.”

Roland Barthes:

“Sou de uma geração diferente da de Derrida e provavelmente da de seus leitores; a obra de Derrida me pegou então no curso da
vida, no curso do trabalho; o projeto semiológico já estava bem delineado na minha cabeça e parcialmente executado, mas coria o
risco de permanecer confinado, encantado na fantasia da cientificidade: Derrida foi daqueles que me ajudaram a compreender o
que estava em jogo (do ponto de vista filosófico, ideológico) em meu próprio trabalho: ele desequilibrou a estrutura, abriu o
signo: para nós, ele é aquele que soltou a ponta da corrente. Suas intervenções literárias (a propósito de Artaud, de Mallarmé, de
Bataille) foram decisivas; quero dizer com isso: irreversíveis. Devemos-lhe palavras novas, palavras dinâmicas (aspecto em que
sua escritora é violenta, poética) e uma espécie de deterioração incessante de nosso conforto intelectual (esse e estado em que
nos reconfortamos com o que pensamos.) Há finalmente em seu trabalho alguma coisa de calado que é fascinante: sua solidão
advém do que ele vai dizer.”

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