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Resumos História (teste 2)

1.Caracterizar a sociedade e o poder em Portugal, no século XVII e início


do século XVIII:
- A sociedade portuguesa, no século XVII e início do século XVIII,
apresentava uma estrutura de ordens hierarquizada e estratificada, típica
do antigo regime.
- À semelhança do resto da europa, a nobreza, enquanto proprietária de
terras, continuava a afirmar-se como uma ordem privilegiada.
Era a esta nobreza antiga e de linhagem que cabiam os principais cargos,
distinções, títulos e a maior parte das propriedades.
- Após a perda da independência em 1580 e a ascensão de Filipe II ao
trono de Portugal, a corte deslocou-se para Madrid, o que fez com que a
nobreza portuguesa diminuísse significativamente durante o período
Filipino.
- Após a restauração da independência, em 1640 e durante os reinados de
D. João IV e D. João V, assistiu-se a uma reestruturação e renovação da
nobreza.
- A corte da nova dinastia, sediada em Lisboa, implicou a criação de uma
nobreza de corte, cujos elementos eram disciplinados, obedientes e
cumpridores eficientes das suas funções tanto a nível judicial, como
militar, ou administrativo, tanto no reinado como nos domínios
ultramarinos.
- As guerras da restauração serviram como um fator de renovação da
nobreza, pois era fundamental assegurar meios para a defesa das
fronteiras portuguesas.
- Ainda em consequências da restauração, a nova dinastia precisou de
fazer-se reconhecer no exterior, pelo que foi importante o contributo dos
altos dignatários da nobreza e do clero, para promover a diplomacia junto
das cortes europeias, a fim de obter o reconhecimento internacional da
independência do reino e da legitimidade da nova dinastia, além de
negociar a recuperação de parte dos territórios perdidos durante o
domínio filipino.
- A nível interno do reino, desde o final do século XVII e início do século
XVIII, no norte de Portugal, o alargamento da cultura do vinho no Porto,
impulsionado pela procura do mercado inglês, contribuiu para proventos
aumentados com a vitivinicultura.
- A prática do comércio foi sempre encarada pela nobreza como uma
fonte de rendimentos suplementar, destinada a equilibrar as quebras dos
seus rendimentos tradicionais.
- Esta nobreza mercantilizada, composta por fidalgos-mercadores contou
com o apoio régio e com um regime de proteção económica que impediu
o desenvolvimento de uma burguesia forte, ao contrário do que acontecia
no norte da europa, onde a burguesia tinha um papel ativo no
desenvolvimento comercial.
- Ao longo da segunda metade do século XVII e XVIII, o sistema de doações
régias e a monopolização de argos, por parte da nobreza portuguesa,
consolidaram a ordem nobiliárquica e eclesiástica no topo da hierarquia
social. A nobreza estava então dependente das doações e mercês régias e,
por isso, uma ameaça ao poder régio.

2.Sintetizar/caracterizar o aparelho burocrático do estado absoluto em


Portugal (joanino):
- Numa época marcada pelo reforço da centralização do poder régio, em
Portugal a estruturação do aparelho burocrático encontra suas raízes no
domínio filipino, que promoveu uma reforma do sistema administrativo.
Foi importante o contributo das ordenações Filipinas, publicadas em 1603,
que reuniam a obra legislativa do reino. Destacou-se a criação da Casa da
Relação do Porto, um tribunal com funções judiciais e jurídico-
administrativas, e a fixação da Casa da Suplicação, em Lisboa, um tribunal
de justiça da corte.
- Com a restauração e a subida ao trono de D. João IV, a necessidade de
reconstituir a administração central e de recompensar a nobreza, levaram
o monarca a atribuir-lhes cargos políticos. Esta partilha de poder entre o
Rei e a Aristocracia assumiu uma expressão na criação dos conselhos. O
conselho da guerra (1640), a junta dos 3 estados (1642), o conselho da
fazenda e o conselho ultramarino (1643).
- Foi sob o reinado de D. João IV que o cargo de escrivão de puridade foi
extinto e que surgiu o Secretário de Estado, responsável pela coordenação
das tarefas do governo. O rei procedeu à criação de duas secretarias: a
secretaria das Mercês e Expediente e a Secretaria da Assinatura. Esta
estrutura administrativa era sobretudo consultiva, cabendo sempre ao
monarca a decisão suprema dos assuntos do estado.
- Depois da morte de D. João IV, a sua mulher assumiu a regência. Durante
este período, o conselho de estado assumiu um papel preponderante na
governação. O governo de D. Afonso VI foi marcado pelo declínio dos
conselhos e dos secretários. Estes deixaram de interferir na condução dos
assuntos políticos, devido à restauração do cargo de escrivão da puridade,
que se afirmava como principal figura politica e administrativa do reino.
Esta situação provocou descontentamento, pois significava a concertação
do poder da administração central numa figura que não a do rei, com a
consequente exclusão da aristocracia. Assim, D.Afonso VI pôs fim ao cargo
de secretário particular do rei.
- A instabilidade política marcou o reinado de D.Afonso VI que foi
declarado incapaz, acabando por ser deposto. Durante o reinado de
D.Pedro II, seu irmão, as Cortes foram convocadas por três vezes, apenas
com caracter simbólico. O rei retomou o governo dos Conselhos.
- O governo de D.João V ficou também marcado pelo facto do monarca
controlar todos os assuntos de Estado. Assistiu-se ao declínio do governo,
apoiado por conselhos, e das competências dos secretários de Estado.
Não foram convocadas cortes, o que concentrou o poder nas mãos do rei.
Criou-se o Gabinete da Abertura, destinado a abrir a correspondência, de
modo a que o monarca tivesse conhecimento de todos os assuntos do
reino. A decisão suprema cabia sempre e só ao monarca.
- Durante o reinado joanino procedeu-se a uma reforma administrativa.
Criou-se um corpo de altos funcionários, onde a nobreza de corte
desempenhava os cargos político-administrativos. Reformou-se as
secretarias de Estado: a Secretaria de Estado dos Negócios do reino, a
Secretaria de Estado da Guerra e Negócios Estrangeiros e a Secretaria da
Marinha e do Ultramar.

3.Analisar e explicar o contributo de D. João V na promoção das artes e da


cultura e da ciência:
- Uma forma de D. João V espelhar e simbolizar o seu poder e a sua
magnificência foi o patrocínio das letras e das artes.
- Como símbolos desta atividade destacaram-se a criação da Academia
Real de História Portuguesa, a criação da Biblioteca da Universidade de
Coimbra, conhecida como a biblioteca Joanina e ainda alguns núcleos da
biblioteca da Ajuda, em Lisboa, onde D. João V foi responsável pela
edificação de um teatro real para a ópera, considerando-o o promotor da
ópera italiana em Portugal.
- No campo da ciência, para além de ter promovido a instalação de um
gabinete de observatório astronómico, destacou-se o interesse de D. João
V na divulgação de curiosidades. Foi o caso da experiência que ficou
conhecida pelo nome da “passarola”, cuja fama atravessou a europa,
sendo considera uma das pioneiras nas chamadas “máquinas voadoras”.
- No domínio das obras públicas, procedeu a reformas no paço da ribeira e
deu início à construção do aqueduto das águas livres.
- Por todo o reino se edificaram igrejas decoradas com talha dourada,
palácios e mansões, como a capela de São João Baptista e uma das nove
capelas da igreja de São Roque, em Lisboa.
- O símbolo do seu reinado foi sem dúvida a construção do palácio-
convento de Mafra, iniciada em 1711, numa clara demonstração de
grandeza Joanina.

4.Caracterizar o governo das cidades das províncias unidas:


- As Províncias Unidas nasceram da revolta dos Países Básicos do Norte,
sob domínio espanhol, numa luta liderada por Guilherme, Conde de
Nassau e Príncipe de Orange.
- Em 1579, em Utrecht, sete províncias assinaram um tratado que as
unificava.
- A paz só surgiu em 1648, data em que a independência das Províncias
Unidas foi reconhecida como tratado de Münster.
- As províncias unidas beneficiavam de uma localização geográfica
privilegiada, uma vez que se situavam no cruzamento de rotas comerciais
internacionais, onde, nas cidades costeiras, afluíam mercadorias, tanto do
Norte, como do sul da europa. Assim, alcançaram uma notável
prosperidade, tornando-se uma das principais potências comerciais
europeias, deslocando o eixo comercial do Sul (Portugal e Espanha).
- A sua notável prosperidade ficou a dever-se a um conjunto de
circunstâncias que tonaram o país num polo atrativo para uma massa de
gente que fugia à perseguições políticas e religiosas, bem como de
beneficiar do desenvolvimento comercial e cultural.
- As Províncias Unidas recusaram a monarquia e constituíram-se como
uma República, o que levou intelectuais e artistas, comerciantes e
artesãos a procurarem refúgio num estado politicamente mais tolerante e
descentralizado, no qual o sucesso permitia uma fácil ascensão social.
- Com efeito, depois da separação da coroa espanhola, as Províncias
Unidas reforçaram a autonomia e afirmaram-se, no contexto da europa
monárquica e absolutista do século XVII, como um exemplo de regime
político distinto: a república, designada república das Províncias Unidas
dos Países Baixos do Norte, oligárquica e não democrática, é certo, mas
em que a prosperidade, a diversidade e a tolerância faziam parte da
vivência política e social, e onde a burguesia assumiu um papel
preponderante.

5.Caracterizar os elementos responsáveis pelo governo das cidades das


Províncias Unidas:

- Nas Províncias Unidas, cada cidade dispunha de um poder municipal e os


seus delegados burgueses, juntamente com representantes da nobreza
formavam os estados Provinciais.
- As cidades tinham tribunais próprios e os notáveis escolhiam os seus
regentes que administravam cada cidade e eram detentores de um poder
quase ilimitado, no plano fiscal, judicial e ainda na atividade económica
local. O poder era exercido por um grupo restrito de ricas famílias
burguesas que, partilhavam estes vários poderes através de acordos que
garantiam a rotatividade dos cargos neste grupo social. Deste modo,
constituíam uma oligarquia, que governou as cidades e as províncias,
assegurando a sua preeminência.
-A responsabilidade governativa garantia a preservação do interesse geral.
- Em cada uma das províncias, o poder civil e militar dividia-se entre o
pensionário, encarregue do poder civil e Shathouder, encarregue do poder
militar e executivo.
- As províncias enviavam os delegados a Haia, para construir os Estados
Gerais, composta por deputados provinciais, encarregues de dirigir a
política externa e militar.
- O pensionário da Holanda, desempenhava um papel importante e
assumia o título de Grande Pensionário. Era nomeado por cinco anos e
podia ser reeleito, sendo considerado uma das principais figuras da
república.
- O cargo de Shathouder, era exercido com carácter hereditário, cujos
membros eram descendentes de Guilherme.

6.Enunciar as condições do sucesso holandês:


- O mar fez a riqueza da Holanda, que alcançou a superioridade na
construção naval e a sua frota tornou-se a maior do ocidente.
- Os Holandeses investiram muito na construção naval, havendo
“excedentes” o que permitia aos holandeses alugarem parte da sua frota,
tornando-os pioneiros na criação de empresas de transportes e sendo por
isso os “carreteiros” dos mares.

7.Analisar o papel de Grothius e a legitimação do domínio dos mares:


- As Provícnias Unidas, apetrechadas de uma frota poderosa, foram à
conquista de um império comercial. Criou-se assim a companhia das índias
orientais, com o intuito de se dedicar ao comércio das especiarias, até
então dominada pelos portugueses.
- Foi neste contexto de dinamismo comercial e de procura de afirmação
no domínio dos mares, que surgiram as teses de Hugo Grothius, que
contestavam o exclusivo comércio e dos territórios ultramarinos pelos
povos ibéricos.
- Grothius defendia a liberdade dos mares e o direito dos holandeses
poderem navegar e comercializar livremente.
- Grothius afirmava que não se podia garantir a exclusividade do mar, pois
este era território internacional, pondo assim fim ao princípio do Mare
Clausum.
- Defendia o livre acesso à navegação dos oceanos por parte de todas as
nações, ou seja, a teoria Mare Liberum.

8.Sintetizar a implementação do parlamentarismo em Inglaterra:


A recusa do absolutismo na sociedade inglesa:
- Entre 1603, data da morte da Rainha Isabel I, e 1688-1689, data da
revolução gloriosa, Inglaterra viveu um período politicamente conturbado,
oscilando entre o absolutismo e o parlamentarismo.
- Jaime I sucedeu a Isabel I, pondo fim à dinastia dos Tudor, e iniciando a
dos Stuart. Era um rei autoritário, adepto do catolicismo, o que
impossibilitou que dispusesse do apoio das elites, sobretudo das
representadas no parlamento.
- O fortalecimento do poder régio acentuou-se coma subida ao trono, em
1625, de Carlos I, que era católico e ampliou a cisão entre o rei e o
parlamento ao tomar medidas consideradas ilegais.
- A governação de Carlos I deu origem a protestos por parte do
parlamento.
- Em 1628, o parlamento apresentou ao rei a petição dos direitos, que
recomendava que os direitos dos súbditos fossem respeitados.
- Apesar de inicialmente não parecer, Carlos I governou de forma absoluta
e não respeitou a petição, no período que ficou conhecido como a tirania
dos onze anos.
- O descontentamento face ao rei aumentou, o que originou uma guerra
civil entre 1642-1649.
- A guerra civil: abolição da monarquia e proclamação da república:
- A guerra civil opôs os opositores do rei aos apoiantes do parlamento, os
parlamentaristas.
- Os opositores do rei eram liderados por Cromwell e derrotaram as tropas
realistas, e capturaram o rei que foi destruído, julgado por alta traição e
condenado à morte. Assim, o rei foi executado e Cromwell e os seus
partidários proclamaram a República.
- Cromwell tornou-se Lorde protetor da república, pela nova constituição
e assumiu o poder executivo, enquanto o parlamento se assumia como
órgão supremo legislativo. Porém, destituiu todos os que se lhe opunham
e acabou por dissolver o parlamento, começando a governar de forma
ditatorial.
- Neste contexto, em 1660, Carlos II ocupou o trono e assegurou a
restauração da monarquia.
- A restauração da monarquia em Inglaterra- Carlos II:
- As primeiras medidas de Carlos II que procuraram compensar as vítimas
da guerra civil foram:
 A devolução das terras conquistadas à igreja anglicana;
 Os regicidas foram condenados;
 Promulgação do Habeus Corpos, em 1769, onde ninguém poderia
ser preso, por mais de 24h sem culpaformada;
 Abolição da censura e garantia da liberdade de petição.
- Carlos II, devolveu ao parlamento a sua influência e importância, tendo
restabelecido a câmara dos Lordes, restaurando a Igreja Anglicana e o
poder dos tribunais.
- Mais tarde, este morre e o seu irmão, Jaime II, católico e também
defensor do absolutismo, o que suscitou outra crise com o parlamento e
com os seus súbditos.
- Em 1688, alguns membros do parlamento solicitaram a intervenção de
Guilherme de Orange e Nassau, Shathouder da Holanda, protestante e
casado com Maria, filha mais velha do rei Jaime II.
- Face a esta situação, Jaime II refugiou-se em França.
- Guilherme III e Maria II foram proclamados pelo parlamento, reis de
Inglaterra mediante a aceitação do Bill of Rights, a declaração de direitos,
tornando-os dependestes desse órgão. Os reis submetiam-se ao direito
comum, eram obrigados a reunir o parlamento, ficavam impedidos de
suspender as leis, sem o consentimento parlamentar, bem como
estabelecer a impossibilidade de lançar impostos e de recrutar um
exército permanente em tempo de paz, sem aprovação parlamentar.
- Guilherme III e Maria II assinaram o Bill of RIghts e partilharam a
soberania com o parlamento, o que levou à deposição de Jaime II e ao fim
do absolutismo régio de direito divino, em Inglaterra. Estava instituída
uma monarquia parlamentar, baseada na lei e na separação de poderes.
Como forma de garantir o sucesso protestante ao trono, o parlamento
votou ainda no Act of Settlement, segundo o qual só podia ascender ao
trono um príncipe anglicano. Afirmava-se o parlamentarismo e a recusa
do absolutismo em Inglaterra.

9.Fundamentar a implementação do parlamentarismo:


- Thomas Hobbes e John Locke são considerados fundamentais no âmbito
do debate entre a defesa do absolutismo e a afirmação do
parlamentarismo.
- John Locke foi determinante na formação dos sistemas políticos
modernos, bem como na afirmação do parlamentarismo. Justificado na
sua obra “Dois tratados do Governo Civil”. John Locke fundamentava a
autoridade do rei no consentimento popular, assente num contrato, entre
os monarcas e os seus súbditos, que visava a manutenção da paz e
garantia livre organização da sociedade.
- Neste sentido, o poder soberano, que não era absoluto, mas limitado por
princípios fundamentais, estabelecidos pela lei e pelo contrato, era
também partilhado.
- A teoria de John Locke defendia os direitos universais como a vida, a
liberdade e a propriedade. Os princípios enunciados por John Locke
influenciaram os sistemas políticos modernos e parlamentares.