Você está na página 1de 6

Entre estudos e pesquisas, que renderam mais de 20 mil páginas, um

FACULDADE CATHEDRAL DE BARRA DO GARÇAS-MT


CURSO DE PEDAGOGIA conceito perpassa toda a sua obra: a ideia do sujeito epistêmico. Segundo
DISCIPLINA: PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA Piaget, esse "sujeito" expressa aspectos presentes em todas as pessoas.
APRENDIZAGEM Suas características conferem a todos nós a possibilidade de construir
PROFESSORA: MARTA GAMA
conhecimento, desde o aprendizado das primeiras letras na alfabetização
DISCENTE:__________________
até a estruturação das mais sofisticadas teorias científicas. 
SUJEITO EPISTÊMICO INATISMO, EMPIRISMO E
CONSTRUTIVISMO: Que características tão especiais são essas? "Basicamente, a capacidade
TRÊS IDEIAS SOBRE A APRENDIZAGEM
mental de construir relações", explica Zélia Ramozzi-Chiarottino,
Platão, Aristóteles e Jean Piaget pensaram em diferentes concepções sobre professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).
a aquisição dos conhecimentos. Conheça as bases de cada uma Por: Essa habilidade permite o desenvolvimento de uma gama de operações
Beatriz Santomauro essenciais para a aquisição do saber: observar, classificar, organizar,
explicar, provar, abstrair, reconstruir, fazer conexões, antecipar e concluir
Seja bem-vindo a uma investigação que já dura mais de 2 mil anos e não
- ações que, de fato, todos temos o potencial de realizar. Um esquimó, por
tem data para acabar. Em torno das indagações que ela provoca, estudiosos
exemplo, é capaz de diferenciar a paisagem fria e se localizar no gelo
das mais diversas áreas de conhecimento humano gastaram toneladas de
saliva, montanhas de papel e enorme esforço intelectual. O desafio de dois assim como um índio brasileiro sabe caminhar pela Floresta Amazônica
milênios pode ser resumido em duas perguntas: como o ser humano sem se perder. Em ambos os casos, o modo de classificar (no caso,
aprende? E como criar as melhores condições possíveis para que o mapear) e reconhecer o espaço geográfico é o mesmo. O que muda é a
aprendizado ocorra na escola?  coisa classificada, que varia de acordo com o meio. 
O SUJEITO EPISTÊMICO DE PIAGET
Para explicar como todos podem aprender e o desenvolvimento da O conceito de sujeito epistêmico (leia um resumo no quadro abaixo)
inteligência, Jean Piaget reuniu saberes da Biologia, da Psicologia e da começou a tomar forma quando Piaget iniciou seus estudos sobre o
Filosofia no conceito do sujeito epistêmico. Por: Elisângela Fernandes processo de construção de conhecimentos de Matemática e Física na
criança pequena. "Ele é considerado o inaugurador da epistemologia
Mesmo sem ser pedagogo, o cientista suíço Jean Piaget (1896-1980) foi genética, teoria que investiga a gênese do conhecimento, tema que estava
um dos pensadores mais influentes da Educação. Sua atualidade e ausente das pesquisas até o fim do século 19", diz Lino de Macedo,
repercussão na sala de aula devem-se, principalmente, ao incessante também do Instituto de Psicologia da USP. Até então, as formulações
trabalho em compreender como se desenvolve a inteligência humana. sobre o desenvolvimento da inteligência eram uma exclusividade dos
filósofos. As ideias de um deles, o alemão Immanuel Kant (1724-1804), pensador suíço terminou por se contrapor a vários pontos da filosofia de
tiveram grande impacto na obra de Piaget. Kant foi um dos primeiros a Kant, argumentando que as estruturas cognitivas não nascem com o
sugerir que o conhecimento vem da interação do sujeito com o meio - uma indivíduo. À exceção da habilidade de construir relações (para Piaget, essa
alternativa ao inatismo, que considerava o saber como algo congênito, e ao é a única característica pré-formada no ser humano), as demais são
empirismo, que encarava o saber como um elemento externo que só podia construídas e reelaboradas ao longo do tempo. Cada nova informação
ser adquirido pela experiência (leia mais no quadro).  atualiza não só o que se aprende mas também as formas por meio das
quais se aprende. 
Ao retrabalhar as proposições de Kant, Piaget concordou com a ideia da
interação sujeito/meio - mas foi além, afirmando que o desenvolvimento Um exemplo ajuda a ilustrar essa ideia. Para a Ciência, a noção do espaço
das estruturas mentais se inicia no nascimento, quando o indivíduo começa (e) como resultado do produto da velocidade (v) pelo tempo (t) é uma
o processo de troca com o universo ao seu redor. Ele também destacou a verdade universal, expressa pela fórmula e = v X t. Mesmo quem ignora
necessidade de uma postura ativa para aprender. Imagine, por exemplo, essa equação sabe que percorrerá uma distância maior num mesmo
uma pessoa que more a vida inteira numa montanha. Ela pode nunca saber intervalo de tempo caso decida correr, em vez de andar, certo? Isso é uma
que existem terras baixas, planícies e vales de rio. Por outro lado, se forma de conhecimento, ainda que não formalizada. Já indivíduos que
decidir fazer uma viagem morro abaixo, vai conhecer a paisagem de seu conhecem a fórmula podem prever a velocidade necessária para cobrir
entorno e, por meio das relações (comparação e classificação, por determinada distância no tempo estipulado, ou imaginar se uma equação
exemplo), vai entender que a montanha é um elemento natural diferente semelhante pode explicar outros processos e fenômenos da natureza. 
dos demais. "Para que o processo de estruturação cognitiva ocorra, é
fundamental a ação do sujeito sobre o meio em que vive. Sem isso, não há O conhecimento avança, mas num processo não cumulativo 
conhecimento", completa Zélia (leia mais no quadro da página seguinte). Para o indivíduo que aprende, esse avanço de um nível de menor
conhecimento para outro maior inclui o questionamento constante do que
A cada nova informação, uma constante reelaboração já se sabe, revendo certezas e admitindo a validade de determinadas
A Filosofia não foi a única disciplina com a qual Piaget dialogou. Da afirmações apenas em alguns casos. Estudantes das séries iniciais, por
Biologia, o pesquisador considerou as ideias evolutivas do naturalista exemplo, geralmente supõem que, ao multiplicar um número por outro, o
francês Jean-Baptiste de Lamarck (1744-1829). Da Psicologia, continuou resultado será invariavelmente maior. Entretanto, quando se deparam com
os estudos pioneiros de seu mestre, o suíço Édouard Claparède (1873- os números racionais (frações e decimais menores que 1), percebem que
1940), sobre o pensamento infantil. Armado com o conhecimento dessas nem sempre a regra é verdadeira. "O conhecimento não é cumulativo. Ao
três áreas (e de décadas de observação e entrevistas com crianças), o mesmo tempo que alguns saberes são adquiridos, outros podem ser
modificados ou superados", afirma Adrian Oscar Dongo Montoya, Outra concepção diretamente derivada da obra de Jean Piaget é a noção de
professor da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquista Filho" que, se todos têm as mesmas possibilidades de construir conhecimento,
(Unesp), campus de Marília. então todos podem aprender. A essa altura, uma questão parece inevitável:
o que explica as diferenças de conhecimento - por vezes tão acentuadas -
No terreno da Educação, a concepção de sujeito epistêmico continua entre os indivíduos? Por que algumas pessoas chegam à idade adulta com
válida. Contribuiu, aliás, para transformar definitivamente as ideias sobre um amplo domínio dos conteúdos científicos e outras não? 
o papel do aluno em sala de aula. Se o conhecimento nasce da interação
com o meio, não é mais possível pensar numa criança que só escuta, Para o grande pensador suíço, salvo nos casos de indivíduos com algum
passivamente, a exposição dos conteúdos. Estudos recentes vêm dano cerebral, a capacidade de aprender está diretamente relacionada às
confirmando os efeitos do meio ambiente sobre o funcionamento do oportunidades de troca. A explicação para os distintos níveis de
cérebro, assim como o valor de um comportamento ativo como motor da aprendizagem passa por aí: hoje sabe-se, por exemplo, que crianças que
evolução. "Todo estudante precisa enfrentar problemas para avançar. Não possuem contato com livros em casa chegam à escola com mais facilidade
adianta o professor dizer como se resolve. Faz parte do aprendizado tentar para se alfabetizar do que as que vivem em famílias que não têm o hábito
soluções e experimentar hipóteses para superar desafios", explica Lino de da leitura. "Tais defasagens, porém, são transitórias. Se tiverem mais
Macedo.  oportunidades, essas crianças podem perfeitamente superar as diferenças",
completa Zélia.
Justamente nesse ponto, aparece outra ressalva à teoria piagetiana. Trecho de livro
Segundo alguns críticos, ele teria dado pouca atenção às interações sociais "As coordenações de todos os sistemas de ação traduzem, assim, o que há
(como as que ocorrem com colegas e professores), como se para adquirir de comum em todos os sujeitos e se referem, portanto, a um sujeito
conhecimento bastasse o indivíduo interagir individualmente com o meio. universal, ou seja, sujeito epistêmico e não ao sujeito individual." 
"Não é isso o que Piaget defende. É um equívoco dizer que ele fechou os Jean Piaget e Beth Evert, no livro Épistémologie Mathématique et
olhos para as trocas sociais", acredita Macedo. "A cobrança de um colega Psychologie. 
por argumentos ou o pedido para que explique melhor o que pensa sobre
determinado tema faz com que o indivíduo se desenvolva. O sujeito Comentário 
epistêmico é um sujeito social, que compartilha e debate hipóteses", Para chegar ao conceito do sujeito epistêmico, Piaget investigou
conclui. características comuns a todas as pessoas no processo do desenvolvimento
Na Educação, a importância de testar hipóteses e soluções  da inteligência. De acordo com ele, "o que há de comum em todos os
sujeitos" é a maneira como elas estruturam e organizam as coisas que
conhecem: a capacidade de relacionar, classificar, abstrair, separar e naturalmente carregam certas aptidões, habilidades, conceitos,
conhecimentos e qualidades em sua bagagem hereditária. Tal concepção
agrupar, entre outras, que o autor chama de "coordenações de sistemas de
motivou um tipo de ensino que acredita que o educador deve interferir o
ação". O sujeito individual, por outro lado, é único: vive em época e
mínimo possível, apenas trazendo o saber à consciência e organizando-o.
cultura específicas, que influenciam suas crenças e opiniões. "Em resumo, o estudante aprende por si mesmo", escreve Fernando
Questão de concurso: Prefeitura Municipal Campina Grande, PB, Becker, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do
2002 ( Processo seletivo para professor de Educação Básica I ) Rio Grande do Sul (UFRGS) no livro Educação e Construção do
No âmbito educacional, a mudança do foco das discussões dos métodos de Conhecimento.
ensino para o processo de aprendizagem da criança, entendendo-a como
sujeito cognoscente, foi promovida pelo pensamento:  Mesmo que a noção de aprendizado como reminiscência não encontre eco
na ciência contemporânea, algumas ideias inatistas ainda pipocam nas
salas de aula. Para o bem e para o mal: se por um lado é interessante levar
a) Inatista  os alunos a procurar respostas para suas inquietações com independência
b) Marxista  crescente, por outro é lamentável que muitos docentes sigam explicando o
c) Crítico social  baixo rendimento escolar de certos estudantes (sobretudo os de "lares
d) Construtivista  desestruturados") porque eles "não têm habilidade para aprender".
e) Estruturalista  Precursor: Platão (427-347 a.C.)
Defende que as pessoas nascem com saberes adormecidos que precisam
INATISMO, O SABER CONGÊNITO ser organizados para se tornar conhecimentos verdadeiros. O professor só
A busca por respostas começa na Antiguidade grega, com o nascimento do auxilia o aluno a acessar as informações.
pensamento racional, que busca explicações baseadas em conceitos (e não
mais em mitos) como uma forma de entender o mundo. Para os primeiros Trecho de livro comentado
filósofos, a dúvida consistia em saber se as pessoas possuem saberes inatos "Mas o deus que vos modelou, àqueles dentre vós que eram aptos para
ou é se possível ensinar alguma coisa a alguém.  governar, misturou-lhes ouro na sua composição, motivo por que são
mais preciosos; aos auxiliares, prata; ferro e bronze aos lavradores e
Platão (427-347 a.C.) firmou posição a favor das ideias congênitas. demais artífices."  Platão, no livro A República 
Defendendo a tese de que a alma precede o corpo e que, antes de encarnar,
tem acesso ao conhecimento, o discípulo de Sócrates (469-399 a.C.) Comentário 
afirmou que conhecer é relembrar, pois a pessoa já domina determinados Platão diz que o homem nasce com certas características físicas e que elas
conceitos desde que nasce. justificam a posição social de cada um. Ser apto a governar ou trabalhar
como auxiliar é resultado de uma vontade divina. Não se considera
Chamada de inatismo, essa perspectiva sustenta que as pessoas nenhuma possibilidade de mudança.
 
Apesar dos séculos de distância, o fato é que algumas práticas empiristas
EMPIRISMO, A ABSORÇÃO DO CONHECIMENTO EXTERNO  seguem presentes no dia a dia das escolas. "Até hoje, o conhecimento é
visto por muitos como um produto que pertence ao professor", explica
Aristóteles (384-322 a.C.) apresentou uma perspectiva contrária à de
Becker. Os especialistas formulam outra crítica à corrente: nem sempre
Platão (como se vê no quadro resumo, abaixo). Segundo ele, embora as
ideias simples dão elementos para compreender as mais complexas. Dito
pessoas nasçam com capacidade de aprender, elas precisam de
de outra forma, não basta acumular informações para aprender.
experiências ao longo da vida para que se desenvolvam. A fonte do
Precursor: Aristóteles (384-322 a.C.)
conhecimento são as informações captadas do meio exterior pelos
Sustenta que o conhecimento está na realidade exterior e é absorvido por
sentidos. Ideias como essa impulsionaram o empirismo, corrente favorável
nossos sentidos. O professor é quem detém o saber. O aprendizado é
a um ensino pela imitação - na escola, as atividades propostas são as que
obtido por meio da cópia, seguida de memorização.
facilitam a memorização, como a repetição e a cópia. 
Trecho de livro comentado
"As virtudes, portanto, não são geradas em nós nem através da natureza
"Os empiristas acreditavam que as informações se transformam em
nem contra a natureza. A natureza nos confere a capacidade de recebê-
conhecimento quando passam a fazer parte do hábito de uma pessoa",
las, e essa capacidade é aprimorada e amadurecida pelo
explica Clenio Lago, professor de Filosofia da Educação na Universidade
hábito." Aristóteles, no livro Ética a Nicômaco 
do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), em São Miguel do Oeste.
Absorvidos tal como uma esponja retém líquido, os dados aprendidos são
Comentário 
acumulados e fixados - e podem ser rearranjados quando outros conteúdos
O autor critica o inatismo, chamando a atenção para o fato de que não é a
mais complexos aparecem. A mente humana é definida como uma tábula
"natureza" a responsável por nossos saberes (no trecho, chamados de
rasa, um espaço vazio a ser preenchido. "A criança é comparada à água,
"virtudes"). Para Aristóteles, os conhecimentos são absorvidos como
que pode ser canalizada na direção desejada", diz Lago. 
resultado da prática - quando se tornam hábito.
Nos séculos 16 e 17, em plena Idade Moderna, essa perspectiva ganha
 CONSTRUTIVISMO, A TENTATIVA DE CAMINHO DO MEIO
força com filósofos como Francis Bacon (1561-1626), Thomas Hobbes
Com inatismo e empirismo apontando para lados opostos ("O saber está no
(1588-1679) e John Locke (1632-1704). Do ponto de vista dos empiristas,
indivíduo" versus "O saber está na realidade exterior"), o século 20 nasceu
caberia à escola formar um sujeito capaz de conhecer, julgar e agir
com uma tentativa de caminho do meio para explicar o aprendizado: a
segundo os critérios da razão, substituindo as respostas "erradas"
perspectiva construtivista. De acordo com essa linha, o sujeito tem
absorvidas no contato com diversos meios (a religião, por exemplo) pelas
potencialidades e características próprias, mas, se o meio não favorece
"certas", já validadas pelos acadêmicos por seguirem os critérios
esse desenvolvimento (fornecendo objetos, abrindo espaços e organizando
científicos da época. 
ações), elas não se concretizam.
A presença ativa do sujeito diante do conteúdo é essencial - portanto, não
basta somente ter contato com o conhecimento para adquiri-lo. É preciso Ao pesquisar a maneira como a criança pensa, Piaget chamou a atenção
"agir sobre o objeto e transformá-lo", como diz Jean Piaget (1896-1980) para o papel da interação para explicar como o conhecimento se origina e
(leia o quadro abaixo). Foi o cientista suíço quem cunhou o termo se desenvolve. Por essa via, aproximou-se de pesquisadores como Lev
construtivismo, comparando a construção de conhecimento à de uma casa, Vygotsky (1896-1934) e Henri Wallon (1879-1962). Embora os registros
que deve ter materiais próprios e a ação de pessoas para que seja erguida. históricos indiquem que Wallon e Vygostky não conviveram diretamente
Embora seus estudos não tenham sido feitos para aplicação em sala de aula com Piaget, são muitos os pontos de contato entre o construtivismo
- por isso, é um equívoco falar em "método construtivista de ensino" -, piagetiano e a perspectiva defendida pela dupla, o sociointeracionismo.
suas teorias inspiraram as obras sobre Educação popular de Paulo Segundo ela, o processo de aprendizagem se dá pela relação do aprendiz
Freire (1921-1997), sobre Matemática de Constance Kamii, sobre ética com o meio (ambiente familiar e social, professores, colegas e o próprio
de Yves de la Taille e sobre a psicogênese da língua escrita de Emilia conteúdo). Você conhece mais detalhes sobre as duas perspectivas nas
Ferreiro e Ana Teberosky. Nas últimas três décadas, elas também têm próximas reportagens da série.
influenciado investigações nas chamadas didáticas específicas de cada
disciplina. Precursor: Jean Piaget (1896-1980)
Estabelece que a capacidade de aprender é desenvolvida e construída nas
Pela concepção construtivista, o professor deve criar contextos, conceber ações do sujeito por meio do contato ativo com o conhecimento, que é
ações e desafiar os alunos para que a aprendizagem ocorra. "O facilitado pelo professor.
conhecimento não é incorporado diretamente pelo sujeito: pressupõe uma Trecho de livro comentado
atividade, por parte de quem aprende que organize e integre os novos "Pensar não se reduz, acreditamos, em falar, classificar em categorias,
conhecimentos aos já existentes", escreve Teresa Mauri em O nem mesmo abstrair. Pensar é agir sobre o objeto e transformá-lo." 
Construtivismo na Sala de Aula.  Jean Piaget, no livro Problemas de Psicologia Genética 
Comentário 
É claro que nem tudo cabe debaixo do chapéu do construtivismo. Entre os Citando características do pensamento científico clássico (enunciação,
mal-entendidos, um dos mais comuns é considerar que o professor classificação e abstração), Piaget afirma que o aprendizado necessita
construtivista não apresenta conteúdos nem orienta seus alunos. "Professor também da ação de quem aprende (formulando hipóteses para entender o
que não ensina não é construtivista", afirma Becker. Para que haja o objeto de conhecimento, por exemplo).
avanço dos alunos, o docente precisa tomar muitas decisões: considerar as
demandas da turma, propor questões e desafios e pensar formas de Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/41/inatismo-empirismo-e-
promover ações que gerem aprendizado. "O educador deve dominar sua construtivismo-tres-ideias-sobre-a-aprendizagem
área e conhecer os processos pelos quais o aluno aprende os mais
diferentes conteúdos", diz.