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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

LETRAS – LÍNGUA E LITERATURA PORTUGUESA

LARISSA GIOVANNA DA SILVA LEITE

FICHAMENTO

O PORTUGUÊS DA GENTE - RODOLFO ILARI E RENATO BASSO

MANAUS

2013
ILARI, Rodolfo. BASSO, Renato. O português da gente: a língua que
estudamos a língua que falamos - São Paulo: Contexto, 2006 - p. 9 a 48.

Larissa Giovanna da Silva Leite

"[...] Procuramos desenvolver uma reflexão que nos ajudasse a compreender


melhor os problemas e conflitos que surgem no ensino e na visão corrente
sobre a língua e chegamos assim a três objetivos que nos pareceram
absolutamente prioritários: recuperar as principais etapas da história da língua
[...]; convencer o leitor de que é possível olhar para o português brasileiro sem
se prender a representações prontas; e mostrar que a variabilidade linguística
deve ser aceita como um fato natural." (ILARI, BASSO. 2006 - p. 9)

O texto de Rodolfo Ilari e Renato Basso "O português da gente: a língua


que estudamos a língua que falamos", faz uma abordagem acerca dos
problemas e conflitos que em geral surgem no ensino e na visão que se tem da
língua. Para tanto, eles fazem um sucinto retorno às etapas históricas que
construíram o que nós chamamos de português brasileiro. Através dessa
citação os autores deixam claros seus objetivos.

"Hoje sabemos que as línguas não morrem [...]; sendo entidades dinâmicas, as
línguas estão sempre mudando. Não há ruptura entre a língua que os
brasileiros falam hoje e a língua falada em Portugal antes dos descobrimentos.
[...] não é possível contar a história do português brasileiro desconsiderando o
período que vai do início do segundo milênio ate 1.500." (ILARI, BASSO. 2006
- p. 14)

Esta citação é do primeiro capítulo, no qual é feito um breve histórico da


origem e da expansão do português. Pode-se pensar como uma data arbitrária
da origem do português meados do século 1000, no entanto pode-se admitir
certa arbitrariedade nesta data, pois nessa época nasce de fato a nação
portuguesa. Segundo o autor ainda, não seria possível traçar as origens do
português sem considerar o período de antes de 1500, visto que foi durante
esse período que ocorreram importantes acontecimentos para a língua
portuguesa, o português nessa época já tinha uma ortografia bem definida,
bem como algumas características fonológicas e sintáticas, além de já possuir
uma literatura rica. Foi ainda nesta época que ocorreram mudanças que os
linguístas dividem em história interna e história externa. Para a primeira eles
consideravam as mudanças que ocorriam dentro do sistema linguístico, isto é,
dentro da estrutura da língua, e para a segunda considerava os fatores não-
linguísticos que influenciaram e ocasionaram mudanças na língua, tendo assim
um peso em sua evolução.

"[...] embora o português derive do latim, não basta saber português para
entender os textos da literatura latina, na verdade, o latim da literatura foi criado
pelo esforço consciente de várias gerações de escritores e tinha fins estéticos."
(ILARI, BASSO. 2006 - p. 17)

É sabido que o português deriva do latim, no entanto não é do latim das


grandes obras literárias que ele provém. O português se originou de uma
variedade do latim chamada “latim vulgar”, esta variedade se refere ao latim
falado pelos comerciantes, o latim de fato utilizado pela população da época.
Em decorrência disso, pode-se dizer que esse latim é vernáculo, isto é, foi
aprendido de forma inconsciente, espontânea. Este é um dos fatores que
diferenciam o latim vulgar das demais variedades do latim, a saber, o
eclesiástico e o clássico. Estas variedades eram apoiadas pela escrita, ao
passo que o latim vulgar se apoiava na fala, sendo assim mais real e
espontâneo. Com o tempo algumas variações derivadas do latim vulgar
ganharam espaço e prestígio na sociedade, tornando-se assim as chamadas
línguas românicas, o português é uma delas.

"[...] variedades se impuseram a outras línguas vizinhas, que desapareceram,


e, em sua expansão para o sul, acabaram por suplantar também o moçárabe, a
língua falada pelos cristãos que lá viviam, no território dominado pelos árabes."
(ILARI, BASSO. 2006 - p. 19)

O português é resultado de um processo chamado Reconquista, que


consistiu na organização de movimentos de expansão de territórios, um desses
movimentos deu origem ao reino de Portugal. Mas esta não foi a única
influência dos movimentos de Reconquista. Em meados do ano 1000 as
línguas mais faladas eram: galego, castelhano e leonês, com a expansão para
o sul essas línguas faladas ao norte ganharam companhia com línguas como o
moçárabe. Além disso, no caso de Portugal um fator foi decisivo para a
separação entre o português e o galego: a mudança da capital do Estado para
Lisboa, transferindo assim a base da língua portuguesa para o sul.

"As periodizações ajudam-nos a organizar nossos conhecimentos de como a


língua foi mudando ao longo do tempo e têm um caráter de síntese, pois levam
em conta não só as mudanças estruturais[...], mas ainda as funções sociais
que a língua foi assumindo e os graus de estandardização pelos quais passou."
(ILARI, BASSO. 2006 - p. 20)

Partindo do uso da periodização da língua portuguesa, pode-se


reconhecer três fases: arcaica, clássica e moderna. A fase arcaica corresponde
ao período que vai desde a formação do Estado de Portugal até ao auge das
grandes navegações. O português arcaico seria o meio-termo entre o latim
vulgar e o português atual. Nesta fase o português ainda não possuía traços
fonéticos bem definidos, a ortografia por sua vez, teve um grande avanço com
a separação das palavras, pois até então se tinha dificuldade de fazer essa
segmentação. Nesse período um dos grandes desafios foi a representação na
escrita de sons que não existiam no latim, como exemplo disto tem-se os
ditongos.

"Comparado com o português dos documentos medievais, o português literário


do período clássico nos soa hoje bem mais familiar, e isso se deve, sobretudo,
a algumas modificações ocorridas no léxico e na sintaxe, que se completaram
no século XV." (ILARI, BASSO. 2006 - p. 28-29)

A fase clássica corresponde ao período em que após a culminância das


grandes navegações houve grande aquisição na cultura e nas artes em geral,
influenciando assim na língua. A escrita em português desse período teve duas
grandes tarefas: a primeira diz respeito à escolha das formas já existentes que
seriam ainda adequadas no uso da língua e a segunda corresponde ao
enriquecimento do léxico desta com a incorporação de novos termos a ela.
Assim sendo, o latim(clássico) assume o caráter de abstrato permanente.
"Com os descobrimentos, desencadeou-se o processo através do qual o
português foi levado às terras que iam sendo submetidas à Coroa portuguesa."
(ILARI, BASSO. 2006 - p. 37)

"Quanto às situações propriamente linguísticas criadas ao longo dos séculos


pela presença de falantes de português nos vários cantos do mundo, o mínimo
que se pode dizer é que foram extremamente diversificadas." (ILARI, BASSO.
2006 - p. 38)

Conforme a Coroa portuguesa descobria/conquistava novas terras o


português se propagava cada vez mais, visto que nessas terras o português
era a língua oficial. Com isso verificaram-se situações de bilinguismo,
multilinguismo e crioulização. Este último se opõe ao fenômeno denominado
descrioulização, no qual a gramática do crioulo é remontada por uma das duas
línguas que a compõe.

Conforme fora proposto inicialmente, Rodolfo Ilari traça um breve


histórico da história, no que se refere ainda à origem, do português.
Apresentando os elementos e as circunstâncias que formaram e/ou
modificaram o que hoje chamamos de língua portuguesa. É interessante
observar como os fatos históricos influenciaram na formação de nossa língua,
bem como é importante destacar que esta provém de um latim que era de fato
falado pelo povo, uma língua baseada na fala e não (a priori) na escrita.

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