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PROJETO DE EXTENSÃO
FORMAÇÃO DE REVISORES DE TEXTO

COLOCAÇÃO PRONOMINAL
A colocação pronominal diz respeito
ao local ocupado pelos pronomes oblíquos
átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos - e
variações) em relação ao verbo.

Exemplos

A professora enviou-LHES alguns exercícios


sobre colocação pronominal.
PRONOMINAIS
A professora LHES enviou alguns exercícios Dê-me um cigarro
sobre colocação pronominal. Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom
Você conhece o poema Pronominais, de Oswald de branco
Da Nação Brasileira
Andrade, que tematiza essa questão?
Dizem todos os dias
O texto debate a orientação dada nas gramáticas em Deixa disso camarada
relação à norma culta: nunca se inicia uma frase Me dá um cigarro.
com pronome átono.
Com essa abordagem, o poeta observa a distância (ANDRADE, 1972)
que há entre a linguagem falada e a escrita e entre
o português europeu e o português brasileiro.

Bechara (2009) observa que a colocação dos pronomes pessoais átonos e do demonstrativo o é
questão de fonética sintática:

Durante muito tempo viu-se o problema apenas pelo aspecto sintático, criando-se a falsa teoria da “atração”
vocabular do não, do quê, de certas conjunções e tantos outros vocábulos. Graças a notáveis pesquisadores, e
principalmente a Said Ali, passou‐se a considerar o assunto pelo aspecto fonético‐sintático. Abriram‐se com
isso os horizontes, estudou‐se a questão dos vocábulos átonos e tônicos, e chegou‐se à conclusão de que muitas
das regras estabelecidas pelos puristas ou estavam erradas, ou se aplicavam em especial atenção ao falar
lusitano (BECHARA, 2009, p. 587).
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Abaixo, apresentamos os pronomes


pessoais oblíquos átonos, com a
seguinte legenda no que tange à
sua função sintática (conforme a
gramática normativa):

Atua apenas como objeto direto.


Atua apenas como objeto indireto.
Atua como objeto direto ou indireto.

singular plural
1ª PESSOA

ME NOS
S
singular plural
2ª PESSOA

TE VOS

singular plural
SE SE

O A OS AS
3ª PESSOA

LO LA LOS LAS

NO NA NOS NAS

LHE LHES
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O pronome átono pode assumir três


posições na oração em relação ao verbo:

O pronome aparece ANTES do


PRÓCLISE

verbo:

Nós nos conhecemos na Unioeste.


No português brasileiro, a tendência é o
uso da PRÓCLISE, que, segundo a
gramática normativa, é sempre válida,
O pronome aparece DEPOIS do (desde que o verbo não apareça no
ÊNCLISES

verbo: início da oração e nem haja pausa antes


dele).
Dei-lhe aula no curso de Revisores.
Conforme a gramática normativa, não
se pode iniciar a oração com pronome
O pronome aparece NO MEIO oblíquo:
“Lhe dei uma gramática do
do verbo:
MESÓCLISE

português”.
No entanto, no português do Brasil,
Explicar-te-ei essa construção arcaica. esta é a construção mais comum na
modalidade oral.

O uso da MESÓCLISE tem baixa frequência no português brasileiro atual, inclusive em textos
formais.
Vilela (2005) observa que dois fatores podem explicar a baixa frequência da construção
mesoclítica em textos acadêmicos analisado em sua pesquisa: a baixa frequência dos
pronomes oblíquos átonos e o fato de a ocorrência da mesóclise estar vinculada a apenas um
contexto sintático obrigatório, que pode ser facilmente desfeito.
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Vejamos quais são os critérios para a


colocação dos pronomes pessoais átonos (e
do demonstrativo o).
Como o uso da mesóclise é demasiado
formal e cada vez mais raro, citaremos
apenas as regras relativas à PRÓCLISE e à
ÊNCLISE.

Comecemos pela PRÓCLISE, que é


usada nos seguintes casos:

Com palavras e expressões negativas:


não, nunca, jamais, nada, ninguém, nem, de modo algum etc.

Eu não ME preocupo com a colocação pronominal na oralidade.

Com conjunções subordinativas:


quando, se, porque, que, conforme, embora, logo, que etc.:
Quando SE trata de norma culta, é preciso cuidar das regras de colocação pronominal.

Com certos advérbios (não seguidos de vírgula):


aqui, ali, cá, lá, muito, pouco, bem, mal, sempre, somente, depois, antes etc.:

Aqui SE tem ensino de qualidade.

* Se houver vírgula depois do advérbio, este deixa de atrair o pronome:


Aqui, tem-SE ensino de qualidade.
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Com pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos:


que, o qual, quem, onde, cujo e suas variações.

O aluno que ME entrega a revisão com antecedência facilita a preparação da aula.

Isso ME deixa muito satisfeita. DEMONSTRATIVO

Todos ME entregaram os trabalhos dentro do prazo. INDEFINIDO

Com o numeral ambos indicando reciprocidade:

Indico sempre dois revisores. Ambos SE ajudam no trabalho.

Em orações iniciadas por palavra interrogativa ou exclamativa:

Quando ME enviou o texto revisado? Ver regra no caso


de verbo no infinitivo
(página 8)
Como SE superou nesta revisão!

Em orações exclamativas ou optativas (com verbo no subjuntivo e


sujeito anteposto ao verbo):

Deus ME livre de textos sem coerência!

Com verbo no gerúndio antecedido de preposição EM:

Em SE tratando de projeto de extensão, este curso está cumprindo com seu objetivo.
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Com infinitivo flexionado regido de preposição:

E, por NOS empenharmos em estudar sempre, conseguimos entregar uma revisão


primorosa ao cliente.

* A posição é facultativa quando o infinitivo não flexionado estiver


precedido de preposição:

E, por ME empenhar em estudar sempre, consigo entregar uma revisão primorosa


ao cliente.

E, por empenhar-ME em estudar sempre, consigo entregar uma revisão primorosa


ao cliente.
* Mas, se o infinitivo vier antecedido da preposição A, recomenda-se a
ênclise:
Comecei a devolver-LHES os trabalhos de revisão com anotações.
* Se o pronome que acompanha o verbo no infinitivo for O ou A (e suas
variações), recomenda-se a ênclise:
Não recomendo entregar o trabalho sem revisá-LO antes.

Em geral, não se pospõe pronome átono a verbo flexionado em oração


subordinada:
Confesso que a estrutura da língua ME encanta.
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Vejamos agora as regras de uso da ÊNCLISE,


que deve ser observada:

Nas orações iniciadas por verbo:


Lê-SE muito no curso de Letras.

Após pausa – silêncio, na fala; sinal de pontuação na escrita:


Nos dias atuais, revisa-SE mais no computador do que em documentos impressos.

Com verbo no gerúndio, sem partícula atrativa:


A professora ensinava regras gramaticais, referindo-SE à língua culta.

Com verbo no imperativo afirmativo:


Avalie o trabalho e envie-ME o orçamento, por favor!

Com verbo no infinitivo, regido da preposição A:


Comecei a devolver-LHES os trabalhos de revisão com anotações.

Com verbo no infinitivo precedido de artigo:


O revisar-SE é também uma atividade fundamental na formação do revisor.

Nas orações interrogativas, estando o verbo no infinitivo, embora


antecedido de palavra ou locução que obrigue a próclise:
Como apressar-ME se o texto está com diversos problemas de escrita?

Segundo a gramática normativa, a ênclise de verbo no futuro e particípio


(ver página 9) está sempre errada:
* Os alunos tinham entregado-ME o texto revisado.

* Eu tornarei-ME revisora em breve.


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Vejamos agora as regras de colocacao


pronominal quando temos uma locucao verbal:

AUXILIAR + INFINITIVO

Há quatro possibilidades.

Enclítico ao AUXILIAR:
* O revisor precisou-LHE devolver o texto
com antecedência.
Enclítico ao INFINITIVO:
* O revisor precisou devolver-LHE o texto com antecedência.
Proclítico ao AUXILIAR:
* O revisor LHE precisou devolver o texto com antecedência.

Proclítico ou enclítico ao INFINITIVO precedido de preposição:


O cliente não se lembrou de LHE enviar o texto para revisão.

O cliente não se lembrou de enviar-LHE o texto para revisão.

Bechara (2009) observa que é frequente entre os brasileiros, na modalidade oral ou escrita, o uso
do pronome proclítico ao verbo principal, sem hífen: EU QUERO LHE DEVOLVER O TEXTO CORRIGIDO.
Essa construção, segundo o autor, não é vista com bons olhos pela gramática normativa (salvo se o
infinitivo for precedido de preposição): COMECEI A LHE ENVIAR AS PARTES DO TEXTO CORRIGIDO ou
COMECEI A ENVIAR-LHE AS PARTES DO TEXTO CORRIGIDO.
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AUXILIAR + GERÚNDIO

Há três possibilidades.
Enclítico ao AUXILIAR:
A professora estava-LHE ensinando tudo sobre colocação pronominal.

Enclítico ao GERÚNDIO:
A professora estava ensinando-LHE tudo sobre colocação pronominal.

Proclítico ao AUXILIAR:
A professora LHE estava ensinando tudo sobre colocação pronominal.

AUXILIAR + PARTICÍPIO

Há duas possibilidades.
Proclítico ao AUXILIAR:
O revisor LHE tinha informado o valor do serviço.

Enclítico ao AUXILIAR (ligado por hífen):


O revisor tinha-LHE informado o valor do serviço.

Bechara (2009) observa que, entre os brasileiros, também ocorre a próclise ao particípio:

O REVISOR TINHA LHE INFORMADO O VALOR DO SERVIÇO.


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Se você é revisor de textos acadêmicos,


deve ter observado que algumas regras
citadas não dizem respeito a esse universo,
pois consideram estruturas que não são
comuns nesse tipo de texto, como frases
optativas e exclamativas, por exemplo.

ANDRADE, Oswald. Obras completas.


Volumes 6-7. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 1972.

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática


portuguesa. 37. ed. ver., ampl. e atual. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

BRASIL. Congresso. Câmara dos Deputados. Manual de redação. Brasília:


Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2004.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português


contemporâneo. 5. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.

MARTINS, Eduardo. Manual de redação e estilo de O Estado de S. Paulo.


3. ed. São Paulo: O Estado de S. Paulo, 1997.

VILELA, Ana Carolina. A mesóclise em textos acadêmicos: freqüência e


avaliação. Signum: Estud. Ling., Londrina, n. 8/2, p. 149-163, dez. 2005.

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