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AVICULTURA

Manual Prático
Gilberto Malavazzi

rtnn Biblioteca Rural


Livraria Nobel SA
índice

INTRODUÇÃO 19

PRIMEIRAPARTE
HISTÓRICO
1. Períodos de desenvolvimento 23
2. Aves industrializáveis
O PORQUÊ DA AVICULTURA 26
3. Atividadeideal 27
4. Fome. Alimentos. Avicultura 27
ZONEAMENTO AGROPECUÁRIO

SEGUNDAPARTE
ESCOLHADA PROPRIEDADE 33
1. Escoamento da produção 33
2. Condições ambientes 34
3. Valor das terras
4. Vias de acesso 35

Material coin direitos autoras


5. Proximidade de grandes centros
6. Fornecedores de pintos e rações
7. Abastecimento de água
8. Energia elétrica
9. Regiões não saturadas 37
10. Aproveitamento ou venda do esterco 37
11. Roubos
12. Regiões de cultura básica
13. Tipo de solo
14. Topografia do terreno 39
15. Exposição do terreno 39
FINALIDADE DA EXPLORAÇÃO 39
1. Frangos de corte
2. Aves poedeiras 41

TERCEIRA PARTE
FRANGOS DE CORTE
1. Localização da empresa 45
2. Volume da produção
2.1. Interesse dos abatedouros . 47
2.2. Sugestão para iniciação 47
3. Construções
3.1. Material das construções 49
3.2. Dimensionamento técnico
3.3. Orientação dos abrigos 51
3.4. Espaçamento 52
3.5. Manutenção dos abrigos 53
4. Equipamentos e outros 53
4.1. Fontes de aquecimento 53
4.2. Termômetros
4.3. Anteparo de proteçao
4.4. Quebra-canto .
4.5. Cortinado
4.6. Lâmpadas 56
4.7. Cama
4.8. Comedouros 57
4.9. Bebedouros
4.10. Estrados para bebedouros
4.11. Triturador. Misturador. Balança 61

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5. Sistemas de criaçao 61
5.1. Preconizado na época 62
5.2. Sistema do futuro 63
6. Escolha da Linhagem 63
6.1. Aspectos a considerar numa escolha
7. Alimentaçao
7.1. Fábricas de raçôes 66
7.2. Tipos de raçôes encontradas 67
8. Manejo 68
8.1. Manejo da raçao
8.2. Manejo da água 70
8.3. Manejo das aves 71
8.4. Normas gerais de manejo 75
9. Aspectos de sanidade 78
9.1. Medidas profiláticas
9.2. Roteiro de limpeza e desinfecção 81
IO. Produto acabado
10.1. Engradamento e transporte
10.2. Recepçao e processamento
10.3. Comercializaçao

QUARTA PARTE
GALINHAS POEDEIRAS 91
1. Localizaçaoda empresa . 91
2. Volume da produçao 91
2.1. Sugestao para iniciaçao 92
3. Construçoes 93
3.1. Material das construçôes
3.2. Dimensionamento técnico
3.3. Orientação dos abrigos 97
3.4. Espacamento e escalonamento dos abrigos 97
4. Implementos e outros 98
4.1. Ninhos 101
5. Sistemas de criaçao 102
5.1. Sistema do futuro 103
6. Escolha da linhagem 104
6.1. Aspectos a considerar numa escolha 104
7. Alimentaçao 104
7.1. Tipos de raçôes encontradas 105
8. Manejo 105

Material coin direitos autoras


9. Aspectos de sanidade 107
IO. Produto acabado 109

QUINTAPARTE
DOENÇAS 117
1. Aspergilose 118
2. Bouba das aves 118
3. Coccidiose 121
4. Cólera 122
5. Colibacilose . 123
6. Complexo leucótico 124
7. Congestão pulmonar 125
8. Conza 126
9. Doença crónica respiratória 127
10. Ectoparasitose 128
11. Encefalomielite 130
12. Marek 130
13. Newcastle 132
14. Pulorose 133
15. Tifo 135
16. Verminoses 136

SEXTA PARTE
DADOS ÚTEIS AO AVICULTOR 141
1. Revistas 141
1.1. Especializadas 141
1.2. Agropecuárias 141
2. Endereços 142
2.1. Entidades avícolas 142
2.2. Matrizeiros 142
2.3. Produtores de pintos industriais 144
2.4. Fabricantes de rações 145
2.5. Material e implementos avícolas 146
2.6. Fabricantes de produtos veterinários 148
2.7. Compradores de ovos e aves 149
2.8. Abatedouros avícolas 149
2.9. Laboratórios: exames e análises 150

SÉTIMA PARTE
LITERATURACONSULTADA 155

Malenal dirui:o:•autorais
Histórico

O Porquê da
Avicultura

Zoneamento
Agropecuário

tutatenalcom direitos autoras


AVICULTURA MANUAL PRATICO 23

HISTORICO
Criaçao do mundo: Gênesis 1:21, as aves foram criadas no
5.0dia da criação do mundo e os outros animais e o homem
posteriormente. Se você aceitar o Livro Sagrado verá que a his-
tória da Avicultura é mais antiga do que a própria humanidade.
Muitos séculos se passaram e provavelmente um tanto de
cousas aconteceram e marcaram os períodos; porém, outro tanto
de cousas se apagaram ou se esqueceram com o passar do tempo.
No momento queremos transmitir apenas uma noção geral
de nossa história para que, então, melhor nos situemos, princi-
palmente em termos de produção sócio-econômicade aves no
Brasil.

1. Pesodos de
Segundo SILVA 17 , a exploração econômica de aves no Brasil
se iniciou no começo deste século. Dessa época até os dias pre-
sentes poderíamos esboçar os seguintes períodos de desenvolvi-
mento:
1900 a 1930 — período romântico
1930 a 1960 — período comercial
1960 em diante — período industrial
Relembremos que, no final do século passado, foram impor-
tados os primeiros galos e galinhas de raça pura. A partir de
então os primeiros acasalamentos começaram a processar-se e o
homem passou a criar aves mais como "hobby" do que como
meio de obter lucros. Talvez haja quem se lembre de alguma
pessoa que importava determinada raça pura no afã 'de, num
dado momento, mostrar a grupos de amigos o produto obtido
pelo acasalamento de ave macho e fêmea daquela respectiva raça.
Realmente foi esse o período romântico de nossa avicultura.
Contudo, pouco antes de 1930, os avicultores deixaram o
romantismo da exibição para iniciarem uma avicultura em bases
comerciais, vindo assim a constituir o novo período, no qual os
criadores já pensavam de certa forma em auferir lucros, tanto em
relação à produção de ovos, como à de carne.

(17) Procure os núngros final do livro.

Material coin ditei'Losautora;s


24 GILBERTO MALAVAZZI

Período comercial de nossa avicultura

Diversos fatos marcaram esse período na consolidação da


avicultura brasileira: a criação do Instituto Biológico, dando
início ao preparo de vacinas contra a bouba e a cólera; o Governo
Federal, dando permissão para a importação de material avícola,
como incubadoras automáticas, e permitindo aos interessados
iniciarem a venda de pintos de um dia em bases comerciais.
Outros ainda: as Fábricas de Rações começando a atender à
procura crescente dos avicultoresquanto a misturas balanceadas;
os técnicos iniciando o ensino de medidas profiláticas, ao invés
do uso de medicamentoscaros e importados; as primeiras Asso-
ciaçôese CooperativasAvícolasdando início a suas operaçõesem
prol do setor.
Finalmente, veio a transformação dinâmica desse segundo
período a constituir o terceiro denominado período industrial.
Certamente este vem caracterizando-se pelo senso econômico em
todas as atividades avícolas. Na verdade, a introdução no país
das diferentes linhagens estrangeiras é fato que tem contribuído
para a rápida evoluçãode nossa avicultura. Cremos mais ainda
estarmos atravessando, atualmente, o período mais importante
de sua história, a ser contada no futuro, graças à consolidação
propriamente dita da explotaçãoavícolaeconômico-industrial.

Materialcorn autoras
AVICULTURA — MANUAL PRÁTICO 25

Ho#, o Brasilé indústria


wícol•

2. Aves industrializáveis

Há cerca de três dezenas de anos, de acordo com PEN-


TEAD0 12, tínhamos conhecimento somente de raças puras, as
quais eram empregadas na produção de ovos e carne com resul-
tados bons na época, mas suas produções atualmente seriam
insignificantes face às poedeiras ou frangos de corte encontrados
hoje nos meios avícolas.
Naquele tempo as raças mais utilizadas na produção de ovos
eram: Leghorn Branca, Plymouth Rock Barrada, NewHampshire
e algumas linhagens de Rhode Island Red. Já na produção de
corte citavam-se, entre outras. a New Hampshire, a Plymouth
Rock Barrada. a Rhode Island Red, etc..

Momento decisivona avicultura: mistura da new hgnpshire com outras r%as, tim dos parques
e do sistemade

Mater:a;com ã'teltosautoras
26 GILBERTO MALAVAZZI

Sabemos que, no campo da produção de ovos, a única raça


pura com situação definida era a Leghorn Branca, sendo as
outras raças consideradas de dupla finalidade ou melhor, aves de
raça mista. Hoje, este conceitode raça mista não é mais conside-
rado em Zootecnia e as raças devem ser definidas para uma única
finalidade: ovos ou carne. Igualmente o número de raças mini-
mizou-se com o passar do tempo e praticamente poucas delas são
exploradas. Assim, para a produção de ovos exploramos somente
os cruzamentos de linhagens de Leghorn Branca. Em relação à
produção de carne, são utilizadas duas raças: Cornish Branco e
Plymouth Rock Barrada.
Naquelas primeiras, as aves são sempre selecionadas e reali-
zados seus cruzamentos com a finalidade de aumento de produ-
tividade, melhoria da conversão por dúzia de ovos, viabilidade e
qualidade de ovos postos. Há algumas "marcas" entre nós, sendo
que elas praticamente se eqüivalem quanto à qualidade, depen-
dendo sua produção, em muito, da adequação e dos cuidados de
manejo do produtor de pintos de um dia; muito mais do que do
valor genético das linhagens.
Na produção de carne, o progresso foi surpreendente, pois se
levava mais de treze semanas para atingir um peso de 1850 g e
hoje esse mesmo peso é alcançado em menos de nove semanas.
Graças ao cruzamento da Cornish Branco e Plymouth Rock
Barrada obtém-se, no seu produto, a heterozigose e, como conse-
qüência, uma melhoria das qualidades dos pais.
Empresas estrangeiras, estabelecidas em nosso meio, fazem
com que tenhamos os melhores pintos de corte existentes no
mundo no presente momento, destacando-se, dentre outras,
Arbor Acress, Shaver's e Cobb's. Sabemos que qualquer uma
dessas "marcas" de aves nos dá pintos de grande rendimento
econômico, alta viabilidade, bom empenamento, excelente con-
versão, embora tudo dependa da adequação do trato recebido, da
ração utilizada, tipo de instalações e condições climáticas da
região.

O PORQUE DA AVICULTURA
A importância da Avicultura para o desenvolvimentode um
país pode ser exemplificadapela conversão de grãos e outros
produtos em ovos e carne, para a alimentação do homem. Repe-
timos, então, as palavras de Charles Wickard, secretário da Agri-
cultura dos EE.UU. em 1944:

Material com õ•reitosautoras


AVICULTURA — MANUAL PRÁTICO 27

"Pode-se medir o grau de civilização de um país pelo desen-


volvimentoapresentado pela sua avicultura".
3. Atividade ideal
Desnecessário se torna alongar a justificativa da atividade
avícola em questão. Preferível recordar a opinião de autores,
como RAIM0 16 e BARBOSA2, que consideram a Avicultura
como um dos mais indicados setores da produção para a fixação
e ocupação do homem ao campo, segundo estas condições
essenciais:
a) pequena área de terra a ser usada na instalação do aviá-
rio;
b) localizaçãoem regiões de terras fracas e desvalorizadas.
concorrendo para a recuperação das mesmas, pelo uso do esterco
produzido pelas aves;
c) implantação em áreas onde a agricultura mecanizada é
impraticável em função de sua topografia;
d) alta capacidade de rendimento por área coberta de abrigo
e a exigir trabalho moderado da família e da mão-de-obra ociosa,
inclusive das crianças e dos velhos de ambos os sexos.
e) giro rápido do capital empregado, principalmente consi-
derando a criação de aves para abate.
4. Fome. Alimentos. Avicultura.
Salientamos que a explosão demográfica no mundo tem
gerado problemas de carências alimentares de ordem protéica. Se
encararmos as regiões subdesenvolvidas. ficaremos estarrecidos
diante dos fatos. Note-se o seguinte:

hoteínas, vitaminas, sais


nerais Imprescindíveisi ali-
humana.

Matellul autoras
28 GILBERTO MALAVAZI

Na composição química de um ovo são encontradas pro-


teínas, vitaminas, minerais, gorduras e água. As proteínas são de
ótima qualidade, possuindo todos os aminoácidos essenciais ao
crescimento e manutençao do organismo. As vitaminas exis-
tentes, do complexo B, bem como as vitaminas A, D, K e E, são
de valor excepcional. A riqueza em sais minerais é enorme, apre-
sentando cálcio, zinco, fósforo, sódio, potássio, enxôfre, magné-
sio, ferro, cloro, cobre, manganês e iodo. Ê um alimento vitali-
zador que tem a capacidade de equilibrar um regime alimentar,
geralmente rico em amido, açúcares e gorduras, porém deficiente
nos demais princípios nutritivos. Apresenta alto valor alimentar,
aliado a comprovado coeficiente de digestibilidade com cerca de
97% dos seus componentes utilizados pelo organismo. Resu-
mindo, considera-se o ovo a mais completa cápsula vitamínica
fornecida pela natureza.
Quadro I —Compodçio mo
Clara Gema aara e prna ovo
inteiro
873 490 73,7 65S
Proteínas 16,7 13,4 11,9
Matérias Graxas 0,50 316 10,5 9,3
0,50 1,5 0,9
Hidrates de carbono 0,50 12,2@ca)
Fonte: R. V. Boudter, do Coléõo do E.stadoda Pulsavinia.

U— e da
Clara % Genu %
23,56 a 3293 5,12a 6,57
27$6 a 28,45 8,05 a 893
a 2,90 '12,21 a 12,28
1,0. 1,17 207a 2,11
Ferro ou a 0,55 1,19a 1,45
Cloro 23,85 a 28,56
Fósforo (em "do fosfórico) 3,16. 4,83 63,81 a 66,70
Enxofre(em "ido adfídrico) 1,32 a 2,63
Silício (em "do silícico) 0,28 a 049 o,S5a 1,74
Flúor
Fonte: poleck e Weber.
Se analisamos, então, a came de frango, vê-se que as pro-
teínas existentes são também do mais alto teor biológicoporque
possuem todos os aminoácidos essenciais ao organismo. Pela
qualidade de suas proteínas, a carne do frango deve ser conside-
rada como alimento superior e em condições de bem atender a

Material carn diteitos autoras


AVICULTURA — MANUAL PRÁTICO 29

quase todas as exigências nutritivas do homem nesse aspecto. A


mesma apresenta pequena quantidade de gordura mais nutritiva
e de fácil digestão e composta de ácidos graxos não saturados. A
carne do frango contém vitaminas do complexo B (vit. BI, B2 e
niacina), que são elementos essenciais para o desenvolvimento,
vigor e boa saúde. Também a carne do frango é fonte importante
de minerais como cálcio, fósforo e ferro. Alia-se ainda o valor
dietético, o qual se fundamenta no fato de as gorduras da carne
de frango possuírem ácidos graxos não saturados, de modo que
as taxas sangüíneas de colesterol poderão ser reduzidas, mediante
uma simples dieta à base de frango.
COMPOSIÇÃODA CARNE DE FRANGO

Vitaminas Sais Minerais


100 gramas de carne 20 gramas de proteínas Cálcio
de frango contém: Fósforo
Niacina Ferro

CONTRIBUIÇÃO DA CARNE DE AVES AS NECESSIDADES


NUrRITIVAS DIÁRIAS

NUTRIENTES
% de necessidadediária
100 gramas contém de um adulto núlio

Caloria 115 cal 5%


20 g 29%
1%
Fósforo 218 mg 18%
Ferro 1,4 mg 14%
Tiamina 05 mg 5%
Riboflavina 16 mg
Niacina 7,4 mg 44%

Pelo exposto, ressaltamos a contribuição que a avicultura


poderá propiciar à amenizaçao da deficiência protéica existente
entre nós. Aí, a razão de os nossos dirigentes darem importância
relevante aos setores da produção de carne e ovos deste tipo da
exploração pecuária industrial.

ZONEAMENTOAGROPECUÁRIO
Não se desconhece que as atividades agropecuáriasestão
sujeitas a uma série de riscos, de natureza intrínseca à própria

Material com direitos autorais


30 GILBERTO MALAVAZZI

cultura ou criação, como também, a uma série de riscos indi-


retos, provenientes das condições ambientes, infra-estrutura, etc..
Diz-se ainda que criar ou plantar o que quer que seja, em
determinada região ou local, sem conhecer 0 clima, 0 solo, ou
ignorar as condições de escoamento da produção é uma atitude
pouco inteligente. Conscientemente deve-se obter dados que
sirvam de apoio e uma atitude racional é atentar-se para aqueles
fornecidos pelos estudos do Zoneamento Agropecuário.
O ex-secretário da Agricultura de São Paulo, RUBENS
ARAÚJO DIAS 19, explicava que o objetivo do zoneamento era
contribuir para melhorar o desempenho das empresas rurais do
Estado com a obtenção de um sistema de referência que consi-
derasse as potencialidades ecológicas, os recursos naturais e os
sócio-econômicos, com o qual o Governo disporia de um eficiente
instrumento para definir políticas e programas agrícolas relativos
ao desenvolvimento regional, crédito rural, industrialização,
abastecimento, conservação do solo, etc..
Do programa que vem sendo desenvolvido por diversos Insti-
tutos de Pesquisa, consta também o Zoneamento Ecológico da
Pecuária Bovina, de Médios e Pequenos Animais. Nesse pro-
grama o objetivo é identificar as áreas de maior potencial eco-
lógico unitário para o cultivo, criação e exploração, respectiva-
mente, de forrageiras, bovinos de corte e de leite, bem como
identificar as áreas adequadas à avicultura, suinocultura e serici-
cultura.
Para completar: entre outros benefícios advindos do Projeto
do Zoneamento, ressalta-se o da futura regionalização da Assis-
tência Técnica, no sentido de concentrar as atividades do pessoal
das Casas de Agricultura no atendimento às explorações de maior
projeção econômica, assim caracterizadas pelo zoneamento.
Resultará, sem dúvida alguma, num "marco" valioso para o
futuro agropecuário do nosso Estado.

Material com aceitos autorais


Escolha da
Propriedade

Finalidade da
Exploração

Matenal com ditei'wosautorais


AVICULTURA — MANUAL PRATICO 33

ESCOLHA DA PROPRIEDADE

Em avicultura é fator de grande importância a escolha da


propriedade onde será instalado o aviário industrial. Isto vem
constituir a etapa inicial de um planejamento racional, pois não
podemos permitir que erros absurdos comprometam, no futuro,
o respectivo empreendimento. Analisemos rigorosamente os ítens
que se seguem.

1. da
A avicultura visa ao lucro. O primeiro requisito, portanto, é
garantir o escoamento da produção a preços condizentes com o
custo da mesma. Desnecessário é lembrar que uma pesquisa de
mercado, junto àquelas pessoas mais ligadas à atividade e de
certa influência na região, é o caminho mais acertado a per-
correr. Entre possíveis perguntas a serem formuladas, devem
constar as seguintes:
a) para quem, na região, os avicultores vendem normal-
mente sua produção;
b) se há limite mínimo ou máximo do número de aves e ovos
a serem vendidos;
c) se existem corretores de aves no local e se os mesmos são
dignos de confiança;
d) qual a possibilidade de se vender a outro comprador da
mesma região, ou a outro em local mais distante.

o escoamento da produção
cola é bá.sa

Malena' direitos autoras


34 GILBERTO MALAVAZZI

2. Condiçõesambientes
Na compra de uma propriedade é quase certo ignorar-se o
aspecto voltado aos fatores ambientes. Provavelmente, este é o
porquê de se encontrarem granjas em áreas inapropriadas dentro
do nosso Estado. O que se observa, então, é a queixa constante
de avicultores que não conseguem resultados econômicos satisfa-
tórios com as criações. Aliada a esta queixa, sempre existe outra:
a do elevado custo de medicamentos e aditivos.
Aconselhamos a aquisição de propriedade em regiões de
temperaturas, ventos e teores de umidade, não exagerados, a
ponto de prejudicarem o desenvolvimentoou crescimento normal
do lote.
Relembramos as palavras de MERCADANTE 8, quando fala
do porquê de não se aproveitarem às inegáveis vantagens que a
própria natureza oferece aos avicultores, quando da instalação de
aviários, em vez de se lutar contra as condições adversas do meio
ambiente.

R%óes do de Sb Pulo com ambkntespara a

3. Valor das terras


Considerando o tipo de empreendimento que se pretende
instalar, qual seja, o da exploração industrial da criação de aves,
de forma alguma se deve pensar em adquirir terras caras. Sa-
liente-se que o próprio desenvolvimento avícola no passar dos

COIOatellos autoras
AVICULTURA — MANUAL PRÁTICO 35

anos, mostrou serem geralmente indicadas aquelas regiões de


terras fracas e desvalorizadas, onde o uso racional do esterco
produzido pelas aves concorreria para a recuperação das mesmas.
Entretanto, não queremos dizer, com isso, da impossibili-
dade de aquisição de propriedades em áreas caras, provavelmente
férteis ou em proximidades de grandes centros. Acreditamos 1
que no bolso do empreendedor pesará este pomo de vista e,
talvez, veja a possibilidade da escolha da propriedade em outro
local, infra-estruturado e a preços de terras razoáveis.
4. Vias de acesso

A constatação da existência de vias de acesso, trafegáveis até


a propriedade, é um dos pontos de máxima importância a ser
considerado.Sabe-se que tanto o pinto, como a ave adulta e o
ovo, são produtos delicadose sua distribuição exige transporte
rápido, além dos devidos cuidados. Complementamos esta obser-
vaçao, afirmando que nada é mais desagradável do que presen-
ciarmos, num lote de aves, o efeito de "stress" sofrido, pura e
simplesmente, pela impossibilidade do fornecimento de ração ou
medicamento em tempo hábil.
Sugerimos a compra da propriedade em locais servidos por
vias de fácil acesso e transitáveis também nos períodos das chu-
vas. Nada melhv do que nos prevenirmos contra surpresas
quando da chegada dos pintos, da ração e no futuro escoamento
da produção.
5. Proximidade de grandes centros
Aliado a outros fatores também importantes para serem
considerados na escolha da propriedade está o que diz respeito à
possibilidade de se conseguir que ela se situe em distância ra-
zoável do centro de compra da produção.
Segundo RAIM0 14, para o caso da exploração de aves para
o abate, visa-se tanto à diminuição do custo do carreto, como à
preservação das aves contra a perda de peso e ferimentos que se
verificam dentro dos engradados durante o transporte. Para a
produção de ovos, a tolerância é maior quanto à distância dos
centros de triagem e de consumo.
Além disso, é bom não esquecermos que em determinadas
ocasiõeshavemosde precisar de algo ou de alguém para a so-
lução de qualquer emergência.

Material com direitos autoras


36 GILBERTO MALAVAZI

6. Fornecedoresde pintos e
Acreditamosque ninguém instalará uma granja industrial
sem ter a certeza da entrega de pintos e rações de boa qualidade
no local ou circunvizinhança. No caso de rações, sabemos de
empresas que, na maioria dos municípios do Estado, possuem
seus distribuidores, que atendem à região, com depósitos estra-
tegieamente situados.
Talvez haja quem pense que, na época atuai, não exista dic
tâneia a transpor, face aos modernos meios de transporte dispo-
niveis. Resta-nos saber até que ponto a mesma não se tornará um
problema econômico.
7. Abastecimento de água

Ponto de fundamental importância. Mas há quem o ignore


ou simplesmente não o considere. Se recordássemos a necessidade
dá mesma na manutenção da higiene geral do aviário, como
também, o fato de que as aves normalmente bebem o dobro do
que comem, com certeza daríamos mais atenção a este ponto.
Uma ressalva: de nada servirá a abundância de água se a
mesma não atender a uma condição básica, ou seja, a sua quali-
dade.

8. Energia elétrica
Sabemosda existência de granjas em locais aonde não che-
gou a rede elétrica. Sugerimos melhor atenção para este aspecto
a fim de não nos sujeitarmos aos seguintes problemas:

ImpreEmdfve1 contar com


rede elétric•

Material carn diteilos autoras


AVICULTURA — MANUAL PRATICO 37

a) impossibilidadede aquisição de comedouros automáticos


eletromecânicos;
b) maior período para obtenção de peso real das aves, em
virtude de não poderem as mesmas alimentar-se durante a noite;
c) exigênciade uma maior mão-de-obra, para atendimento
dos serviços de rotina da granja.
9. Regiõesnão saturadas
Relembramos neste item a grande vantagem da preservação
das aves contra eventuais surtos de doenças, nas regiôes de baixa
densidade populacional.
Certamente, encontrando-se o aviário em área mais isolada
e, o que é mais importante, longe de pequenas granjas onde a
técnica do manejo não é observada, com certeza, mais bem pro-
tegidos havemos de estar.

10. Aproveitamento ou venda do esterco


Alia-se, certas vezes, um empreendimento avícola a outro
agrícola como o caso da fruticultura. Nesse, predeterminamos
fazer uso próprio do esterco, ou seja, da cama dos abrigos cria-
tórios, ou ainda vendê-loa terceiros.
Supomos que, se os aviários estão localizados em terras
fracas e de tipo de solo silicoso, ou mesmo sílico-argiloso,prova-
velmente também as áreas circunvizinhas apresentem os mesmos
tipos de solos. O comprador da cama dará a esta o acertado

Remoçioda camade franpeiro, a reur•da du avese da limpeza.

com autotugs