Você está na página 1de 18

Adaptação (2006), Campos, D. (1998). O teste do desenho como instrumento de diagnóstico da personalidade.

Petrópolis:
Editora Vozes.
ÍNDICE

O DESENHO COMO PROVA ...................................................................................... 3

TESTE DO DESENHO DA CASA ......................................................................... 4

1. APLICAÇÃO ....................................................................................................... 4

2. INTERPRETAÇÃO GERAL DO DESENHO DA CASA ............................................ 4

3. INTERPRETAÇÃO DE ALGUNS ASPECTOS GERAIS DO DESENHO ........................ 5

4. INTERPRETAÇÕES ESPECÍFICAS RELATIVAS ÀS VÁRIAS PARTES DA CASA... 10

5. SIGNIFICAÇÃO DAS CORES ................................................................................ 16

BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................ 17

2
O DESENHO COMO PROVA

Factores Instrumentais: quando o nível do traço é inferior ao das outras provas.

Perturbações na estruturação espacial.

Factores Afectivos: por vezes o nível é semelhante à idade cronológica, mas podem

observar-se sinais de regressão importantes.

Impulsividade: traço mal controlado, falta de proporção, comportamento negligente.

Ansiedade: traço inseguro ou carregado, conteúdos agressivos ou assustadores.

Dificuldades Relacionais: recusa do todo ou de partes, má posição relativa ou

desproporção dum elemento em relação aos outros.

Traços Psicóticos: empobrecimento do desenho ou indução de atributos sexuais.

Bizarrias ou desorganização. Desvitalização. Retorno a temas arcaicos. Preenchimento

dos espaços brancos com formas estereotipadas com significado muito pessoal.

Traços Fóbicos: inibição, desenho pequeno, traço pouco nítido, ausência de dinamismo,

conteúdos pobres ou regressivos, fascinação por certos elementos super investidos,

situações de desequilíbrio, quedas, sensibilização ao que está escondido.

Traços Obsessivos: meticulosidade, escrupuloso, detalhes numerosos. Tentativas de

integração num todo. Apagar e recomeçar. Simetria. Exagero nos elementos da parte

superior do corpo que podem lembrar dificuldades nas identificações. Escolha de

situações onde há deslocamento da agressividade. Expressão simbólica das defesas.

Traços Histéricos: valorização de detalhes. Sexualização de elementos neutros.

3
TESTE DO DESENHO DA CASA

1. Aplicação
O teste do desenho da casa é geralmente bem aceite o que favorece a

projecção da pessoa.

O psicólogo entrega uma folha branca A4, um lápis e uma borracha, sendo de

seguida solicitado o desenho de uma casa, através da consigne: "Nesta folha vais

desenhar uma casa. Faz o desenho melhor que puderes. Dispõe de todo o tempo que

necessitares". A aplicação da prova deve ser em ambiente adequado, não interferindo

durante a execução da mesma. A folha deve ser apresentada com o eixo maior em

posição vertical. A qualquer pergunta do examinando o psicólogo deve responder: “Faz

como quiseres” “Como gostares mais...”

Em relação às eventuais dúvidas sobre as capacidades artísticas para desenhar o

psicólogo deverá responder: “Não estamos interessados em ver se desenhas bem, mas

apenas em que desenhes o que foi pedido”.

Depois de terminado o desenho pode proceder-se à análise de associações que

poderá conter as seguintes questões, entre outras:

1) É a tua casa?

2) De quem é esta casa?

3) Esta casa tem escadas?

4) Gostavas de morar nela? Porquê?

5) Que quarto escolhias para ti? Porquê?

6) Com quem gostarias de morar nesta casa?

7) O que achas que faz falta nesta casa?

2. Interpretação Geral do desenho da Casa


O desenho da casa assume, na maioria das vezes, duas significações:

a) Constitui um auto-retrato, expressando as fantasias, o ego, a realidade, os

contactos, a acessibilidade, a ênfase oral, anal ou fálica como elementos.

b) Expressa a percepção da situação no lar-residência, presente, desejada para o

futuro, ou uma combinação de todas as três formas.


4
3. Interpretação de alguns aspectos gerais do desenho

I. Localização no papel
Indica pessoa ajustada, crianças mais auto-
No meio da página 1 dirigidas, auto-centradas. O desenho não levado a
grandes extremos da página indica segurança.
Desenhos fora do centro da Pessoas mais descontroladas e dependentes.
2
página
Pode indicar fuga ou desajustamento do indivíduo ao
Desenho num dos cantos 3
ambiente.
No eixo horizontal, desenho Comportamento controlado, desejando satisfazer as
mais para a direita do centro 4 suas necessidades e impulsos, prefere satisfações
horizontal intelectuais às emocionais.
No eixo horizontal, mais para
Comportamento impulsivo, procura satisfação
a esquerda do centro 5
imediata das suas necessidades e impulsos.
horizontal
Lado esquerdo da página 6 Indica inibição ou controlo intelectual, introversão.
Extroversão e procura de satisfação imediata.
Lado direito 7 O desenho no canto superior direito é menos grave
que no canto esquerdo.
Desajustamento com possibilidade de reagir ao
mesmo. Acha que está a lutar muito, mas que o seu
Na linha vertical, acima do
8 objectivo é inatingível; tende a procurar satisfação
ponto médio
na fantasia, em vez de na realidade; tende a manter-
se alheio e inacessível.
O indivíduo sente-se inseguro e desajustado, em
depressão, preso à realidade e ao concreto, firme e
Abaixo do ponto médio da sólido. As crianças da escola primária tendem a
9
página preferir a parte de cima esquerda, mas quando
atingem o 8º ano escolar voltam gradualmente para o
centro.
Abaixo, mas quase no centro 10 Desajustamento, fragilidade física e fuga.
Fora da margem do papel 11 Deficiência mental ou fraco índice de socialização
Figuras dependuradas nas
margens do papel (como Reflectem necessidade de apoio, medo de agir com
12
janelas dependuradas dos independência, falta de auto-afirmação do sujeito.
bordos das paredes)

5
II. Pressão no Desenhar
Dá indicações sobre o nível de energia do sujeito.
Baixo nível de energia, repressão e restrições.
NEUROSES FÓBICAS, ESQUIZOFRÉNICOS exibem pouca pressão,
Pouca pressão,
1 linhas quase desvanecidas.
traço leve
Indivíduos DEPRIMIDOS e com sentimentos de inadequação
também usam traços muito leves, quase apagados.
Sujeitos extremamente tensos.
PSICOPATAS, CASOS ORGÂNICOS, EPILÉPTICOS E ENCEFALÍTICOS
Muita pressão, empregam forte pressão. Foi encontrada variação na pressão nos
2
traço forte doentes mais flexíveis, adaptáveis, em contraste com a grande
uniformidade de pressão exibida pelos catatónicos e pelos
deficientes mentais.

III. Caracterização do Traço


Forte 1 Medo, insegurança, agressividade sádica, dissimulação.
Leve normal 2 Equilíbrio emocional e mental.
Dissimulação da agressividade, medo de revelar os seus
Apagado 3
problemas, fragilidade física, inibição, timidez, discrição.
Insegurança; doenças cerebrais; disritmia, esgotamento
Trémulo 4
nervoso.
Recto com
Pessoa que contorna a situação. Dissimulação do problema.
interrupções; recta 5
Repressão da agressividade, com tendência à introspecção.
partida
Interrompido,
Dissimulação do carácter. Não aceitação do meio ambiente.
mudando de 6
Oposição.
direcção
Personalidade primitiva, age mais pelo instinto do que pela
Peludo 7
razão. Quase sempre relacionado com disritmia.
Ondulado, dentro
8 Disritmia. Doença cerebral.
do tipo ciclotímico
Em negrito 9 Em conflito.
Pontilhado 10 Dissimulação acentuada.
Apagado e
emendado; Passado 11 Conflito na zona onde aparecer. Dissimulação.
e repassado
Pessoa sonhadora. Pode ser descuidada (nomeadamente com a
Sombreado 12 aparência), sádica, que mascara os seus conflitos. Medo e
insegurança. Fixação na fase anal.
Repetido – uso de Insegurança, sentimento de perda afectiva, imaturidade
muitos traços no 13 sexual, homossexualidade. Agressividade relativamente ao
desenho problema encontrado.

6
Anguloso 14 Tendência à introversão, ao isolamento.
Traço anguloso com Indica rejeição de si próprio. É indicativo duma problemática
reforço do 15 muito grave frequente em pessoas que foram violadas na
contorno e negrito infância ou adolescência.

IV. Simetria do desenho


Falta de simetria 1 Insegurança emocional.
Rigidez. Sistema obsessivo-compulsivo de controlo emocional, e
Simetria bilateral 2 que pode ser expresso por repressão e intelectualização.
Também pode indicar depressão.

V. Detalhes do Desenho
Detalhes
1 Tendência ao evitamento.
inadequados
Falta de
Sentimento de vazio e energia reduzida, característica de
detalhes 2
indivíduos evitantes e, às vezes, depressão.
adequados

Crianças ou adultos com sentimento de que o mundo é incerto,


imprevisível, ou perigoso, tendem a procurar defender-se contra o
caos externo ou interno criando um mundo rigidamente organizado e
altamente estruturado. Os seus desenhos são muito exactos. Criam
elementos rígidos e repetidos, não havendo nenhuma linha fora do
lugar, ou relaxada nos seus desenhos. É tudo ajustado com precisão
e esforço pois sentem que sem pressão tudo se desagregará. Esta
rigidez defensiva é frequentemente acompanhado de detalhes
Detalhes
excessivos. Expressam uma atitude muito defensiva.
excessivo:
3
Obsessivo-
É típico de OBSESSIVO-COMPULSIVOS E ESQUIZOFRÉNICOS
compulsivo
incipientes ou orgânicos. Têm desempenhos muito perfeitos,
executados com excessivo cuidado e controle que indicam um eu
muito frágil. Têm medo de não controlar os impulsos e, por isso,
exercem grande controlo/vigilância.
Para estas pessoas, as relações espontâneas com outros e o mundo
exterior representam uma grande ameaça. São incapazes de relaxar
ou de agir impulsivamente. Agem sempre, precavidamente, sob
pressão do dever. Esta rigidez defensiva impede a espontaneidade e
auto-afirmação.

7
VI. Movimentos nos Desenhos
Quase todos os desenhos sugerem alguma forma de tensão cinestésica, desde a rigidez até
à extrema mobilidade. As pessoas jovens mostram mais movimentos, fruto das suas
fantasias. O movimento está associado à inteligência e à energia vital.
Indica histerismo latente, excitação. Também pode ser necessidade
Movimento de comunicação (se os traços tendem a sair da margem trata-se de
1
excessivo aspectos negativos). Um indivíduo inquieto, uma pessoa muito activa,
produz desenhos que contêm considerável movimento.
Movimento
2 Pode corresponder a uma apatia.
monótono
Movimento
3 Insegurança, dissimulação, fraco controlo sobre as reacções.
hesitante
Figura sem
4 Repressão, inibição
movimento

VII. Tamanho da Figura


A relação entre o tamanho do desenho e o espaço disponível na folha de papel pode
estabelecer um paralelo com a relação dinâmica entre o sujeito e o seu ambiente, ou entre
o sujeito e as figuras parentais. O tamanho reflecte a forma como o sujeito reage à
pressão do meio.
O tamanho da figura contém, portanto, indicações sobre a auto-estima, auto-expansão, ou
fantasias de auto-superação (aumento da valorização própria).

Entretanto, importa definir o critério para a diferenciação do que se deve considerar como
desenho grande, ou como desenho pequeno, o que se pode fazer pela definição do desenho
considerado como médio. O desenho médio de uma figura completa é aproximadamente de
7 polegadas de comprimento, ou dois terços do espaço disponível.
Inteligência, capacidade de abstracção espacial e equilíbrio
Tamanho normal 1
emocional.
Pode ser um indivíduo com inteligência elevada, mas com
problemas emocionais. Pode indicar inibição da personalidade,
Tamanho reduzido 2
desajustamento ao meio, repressão da agressividade, problema
somático (desnutrição). Timidez e sentimento de inferioridade.
Fantasia. Se está bem centrada, pode ser ambições que serão
Tamanho grande 3
alcançadas.
Sentimento de constrição do ambiente, com concomitante
acção super-compensatória ou fantasia (uma pessoa pequena
Tamanho que se desenha grande, por exemplo).
exageradamente Deficiência mental, não tem noção de tamanho.
grande (atingindo 4 Poderá revelar ainda tendências narcisistas, ou exibicionistas
quase os limites da (egocentrismo).
página) Também revela forte agressividade.
Uma casa desmezuradamente grande em todas as direcções
pode remeter para estados maníacos.
8
VIII. Uso da Borracha
Uso normal 1 Autocrítica.
Ausência total, quando a 2 Falta de crítica.
borracha está presente
Uso exagerado da 3 Autocrítica já consumada e estruturada. Incerteza,
borracha indecisão e insatisfação consigo mesmo.
Ainda pode indicar dissimulação, falta de controlo e
fuga.

IX. Riscar o Papel


Indica dificuldade de adaptação, fraco índice de controlo.

9
4. Interpretação Específicas Relativas às várias parte da Casa

I. Tecto: simboliza a área ocupada pela fantasia.


Imersão na fantasia e relativa introversão no contacto
Tecto exageradamente
interpessoal; imaturidade afectiva; ambição maior que a
grande e o resto da 1
capacidade de realização; narcisismo se combinado com
casa diminuído
outros indícios no desenho da figura humana.
Deforma o mundo ambiente, o sujeito está a cortar o
contacto com o mundo exterior. É mais frequente em
Ausência de tecto 2 deficientes mentais, indivíduos a quem falta a fantasia e
em personalidades de orientação concreta. Suspeita de
esquizofrenia.
Tecto ligeiramente
afastado ou deslocado 3 Indica dificuldade de aprendizagem.
da parede
Tecto muito elaborado 4 Compulsividade, enfrenta os problemas.
Tecto um pouco solto 5 Pessoas asmáticas (sofrendo de sufocação); disrítmicas.
Tecto terminado em
6 Simbolismo sexual.
pontas
Tectos sombreados, Deficiência, dificuldade de aprendizagem, ideias de fuga de
7
buracos ambiente, problema somático.
Portas e janelas dentro
do contorno do tecto Indicam, predominantemente, uma existência de fantasia.
de maneira que resulta 8 Encontrada entre os pacientes esquizofrénicos ou
uma casa totalmente esquizóides.
constituída pelo tecto
Sujeitos que estão a tentar defender-se contra a ameaça
Tecto reforçado por
de ruptura no controle da fantasia. Ocorre, mais
forte pressão do traço
frequentemente, nos desenhos de pré-psicóticos, embora
ou por repetidas linhas
também apareça, em menor escala, nos portadores de
sobrepostas no
9 neurose de ansiedade. De qualquer maneira indica
desenho do contorno
acentuada preocupação e medo de que aqueles impulsos,
(quando isto não ocorre
actualmente, descarregados na fantasia, se manifestem
nas outras partes da
num comportamento aberto, ou distorçam a percepção da
casa)
realidade.

II. Telha
Telhas com muitos Inteligência inferior, problemas de gaguez, perturbações
1
traços da fala.

10
III. Paredes
A força e a correcção do desenho das paredes da casa relacionam-se com o grau de força
do ego na personalidade.
Paredes Têm ocorrido em sujeitos com acentuada desorganização de
1
desconjuntadas personalidade.
Contorno reforçado Aparece frequentemente em psicóticos hipervigilantes e
2
das paredes que, muitas vezes, lutam para manter a integridade do ego.
Reflecte um sentimento de iminente crise da personalidade
e fraco controle de ego sem, sequer, empregar defesas
compensatórias. Os sujeitos que apresentam estes
Contorno das paredes contornos defeituosos das paredes estão mais conformados
com traço fraco e 3 com a sua patologia iminente (aceitam o mal como inevitável
inadequado e desistem de lutar) do que os sujeitos que reforçam
abertamente o contorno das paredes. Ao invés de tentarem
livrar-se do estado patológico, adoptam uma atitude passiva
de submissão às forças desintegradoras que os ameaçam.
Paredes transparentes Em adultos, revela comprometimento da avaliação da
(que permitem ver os realidade. É frequente em deficiências graves e em
4
objectos no interior da crianças psicóticas. Indica imaturidade ao nível da
casa) capacidade conceptual.

IV. Porta: é o detalhe da casa através do qual é feito o contacto com a ambiente.
Reflecte uma relutância em estabelecer contacto com o
Porta muito pequena
meio, com evitamento dos relacionamentos interpessoais. A
em relação às janelas,
1 sua instabilidade emocional nos relacionamentos causa
em particular, e à casa,
sofrimento e o sujeito mostra-se relutante em voltar a
em geral
expor-se.
Porta bem acima da É outra forma revelada pelos sujeitos que tentam
linha que representa o conservar inacessível a sua personalidade. É comum
2
chão da casa, sem que naqueles que procuram estabelecer contacto com os que o
apareçam degraus rodeiam unicamente segundo as suas conveniências.
Porta excessivamente
3 Indivíduos muito dependentes dos outros.
grande
Raramente aparece. Revela uma necessidade interna de
receber afecto do exterior (se no inquérito posterior ao
Porta aberta 4 desenho a casa estiver ocupada). Se declara que a casa
está vazia, a porta aberta indica um sentimento de extrema
vulnerabilidade, uma desadequação das defesas do Ego.
Porta Fechada 5 Autodefesa, aspecto de regressão, defesa contra o mundo.
Duas portas 6 Ambivalência, está em casa a pensar noutra casa.
Porta aberta e um
7 Pessoa equilibrada ou que procura novos caminhos.
caminho à vista

11
V. Fechaduras ou Dobradiças
Ênfase em fechaduras ou dobradiças demonstra sensibilidade defensiva encontrada, com
frequência, em paranóides. Medo hiperdefensivo do perigo externo. Também pode
significar problema sexual ou desejo de contacto sexual.

VI. Janelas
As janelas representam um meio secundário de interacção com o ambiente.
Janela no lugar normal,
simples, aberta, sem 1 Equilíbrio.
ênfase
Se tal reforço não aparece noutras partes do desenho,
Reforço no contorno
2 indica com frequência sujeitos com fixações orais, ou
das Janelas
traços orais de carácter. Pode indicar tendências anais.
Problema somático. O indivíduo sente-se cercado, não tem
Janela junto ao tecto 3 por onde fugir. Dificuldade de contacto sexual (se
desenhado por adulto). Pode indicar uma situação de facto.
Janelas completamente Indica indivíduos que se relacionam com os outros de forma
nuas, sem cortinas ou 4 demasiadamente rude e directa. Tem pouco tacto na forma
estores, ou caixilhos. como lidam com os outros.
Indivíduo sente-se cercado. Desejo de protecção. Controle
Janela com grades 5
sobre os impulsos.
Isolamento, desejo de protecção contra os estímulos
Janelas com vidraças 6
exteriores. Pode ser uma barreira.
Janela fechada com Autodefesa contra os estímulos exteriores. Insegurança.
7
trinco Situação de facto.
Dissimulação (vida através das cortinas). Problemas
Janela com persianas 8
somáticos. Exibicionismo. Narcisismo.
É convencional que a janela da casa de banho seja mais
pequena que as outras. Quando ocorrem mudanças nesta
regra devem-se a perturbações emocionais. Se as janelas
da casa de banho forem maiores do que as do resto da
Distorção nas
9 casa, tendem a reflectir uma severa educação relativa aos
proporções das janelas.
hábitos de higiene na infância do indivíduo. Também pode
reflectir sentimentos de culpa, por masturbação, e
sintomas obssessivo-compulsivos de higiene (lavar
compulsivamente as mãos).
Janelas da frente de
altura diferente das
Reflecte directamente uma dificuldade de organização e
janelas laterais 10
forma, que pode significar esquizofrenia precoce.
sugerindo que a altura
do chão não é a mesma)
Pessoa na janela 11 Família equilibrada, harmoniosa. Ansiedade

12
VII. Cortinas, Postigos ou Persianas
Postigos ou cortinas nas janelas Reflecte necessidade de isolamento e extrema
1
apresentadas como fechadas relutância à interacção com outros.
Postigos, venezianas, ou Atitudes de interacção controlada com o
cortinas colocadas nas janelas 2 ambiente. Há alguma ansiedade relativa aos
abertas total ou parcialmente relacionamentos interpessoais

VIII. Chaminé
É um símbolo fálico que aparece com frequência nos desenhos de meninos, passando a
assumir um carácter sexual quando apresenta certas características especiais (por
exemplo: se o menino desenha a casa com cortinas, flores, etc.). Em indivíduos adaptadas a
chaminé indica apenas um detalhe necessário na representação duma casa. Se o sujeito
sofrer de conflitos psicossexuais o papel e saliência da chaminé é susceptível de reflectir
uma projecção do sujeito em relação ao seu pénis.
Chaminé “transparente”
Indica sentimentos de fragilidade do indivíduo em
(vê-se o telhado através 1
relação ao seu falo. Pode indicar perturbações sexuais.
da chaminé)
Chaminé a tombar sobre a Perturbação sexual (disfunção eréctil, ejaculação
2
beira do telhado precoce, etc.)
Chaminé em duas
Revela sentimentos de inadequação sexual, no sentido
dimensões numa casa
3 de haver uma desvalorização do falo em relação às
representada a três
outras partes da imagem corporal.
dimensões
Várias chaminés na mesma Perturbação sexual mascarada por um “capa” de esforço
4
casa viril compensatório; pelo desenho de várias chaminés.
Traduz sentimentos de inadequação sexual em sujeitos
Chaminé demasiado
com perturbações sexuais.
saliente: de tamanho
(A chaminé também pode ser enfatizada pela pressão
exagerado; alongada; de 5
do traço, por sombreado ou por coloração proeminente;
forma fálica, com a
ou quando se eleva desde o chão constituindo a parte
extremidade arredondada
central de todo o desenho)
Fumo em forma de
6 Conflito
“novelo” a sair da chaminé
Fumo em negrito 7 Problema mais grave.
Reflecte o sentimento de pressão ambiental. Em
crianças aparece, frequentemente, associado a
Fumo acentuadamente dificuldades de leitura, em que há uma forte pressão
dirigido para um lado, dos pais (quer seja como causa ou como reacção a essas
8
como se estivesse sobre o dificuldades). Também é frequente em adolescentes
efeito de vento forte que sentem uma forte pressão dos pais para que tenham
êxito, e em indivíduos que ingressaram no serviço
militar.

13
IX. Perspectiva da casa
Casa desenhada como se 1 Rejeição da situação doméstica e dos valores herdados.
fosse vista de cima Exibem, compensatoriamente, sentimentos de
superioridade, com uma revolta contra os valores
tradicionais, ensinados no lar. Sentimento de estar
acima das exigências de convenção e conformação.
Casa desenhada como se 2 Frequente em sujeitos que se sentem rejeitados e
fosse vista de baixo inferiores na situação doméstica. Sentimentos de
inferioridade, baixa auto-estima e inadequação à
realidade do lar.
Casa vista de longe, como 3 É frequente em dois tipos de sujeitos:
se estivesse distante do a) aqueles que projectam um auto-retrato no
observador desenho da casa, revelando os seus sentimentos
de evitamento e inacessibilidade
b) aqueles que revelam a sua percepção da situação
doméstica, mas que se sentem incapazes de
enfrentá-la. Neste caso, consideram inatingível
conseguir ter boas relações em casa.
Casa do tipo “perfil 4
absoluto” (casa desenhada Sujeitos retraídos, muito defensivos ou inacessíveis aos
apenas na lateral, não se contactos interpessoais. Aparece frequentemente em
vendo a frente, nem uma perturbações de tipo paranóide.
porta de entrada.)
Casa desenhada por trás 5 Não havendo indicação de “porta dos fundos” indica o
mesmo que casa de “perfil absoluto”, mas de forma
ainda mais acentuada; sujeito que está de costas
viradas para os outros. Hammer encontrou este tipo de
desenho apenas em esquizofrénicos paranóides nas
fases em que sentem forte necessidade de isolamento.

X. Linha representativa do solo


A relação entre o desenho e a linha do solo reflecte o grau de contacto do sujeito com a
realidade: “ter os pés assentes na terra”. Pessoas muito perturbadas ou esquizofrénicos,
têm, invariavelmente, dificuldade em apresentar nos seus desenhos uma indicação de firme
contacto com a realidade (representada pela linha do solo). Apresentam, ou um desenho
apoiando-se fragilmente sobre uma linha segmentada, ou irregular, ou sobre uma linha
amorfa, com aspecto de nuvens. Um desenho que paira todo ele, acima da linha que
representa o solo indica maior grau de patologia e afastamento da realidade com fuga para
a fantasia.

14
XI. Acessórios do desenho da casa
Casa com árvores, vegetais e 1 Insegurança, necessidade de cercar e proteger a
outros detalhes casa.
Muita vegetação 2 Expressão sexual feminina, desejo e repressão.
Casa desenhada com árvores ou 3 Pode ter um simbolismo sexual ou pode ser uma
folhagens englobadas situação de facto.
Casa com escadas 4 Típico de indivíduos gagos.
Flores, patos 5 Imaturidade emocional. Pode também ser ambição.
Caminho bem proporcionado 6 Controlo e tacto nos relacionamentos
conduzindo à porta interpessoais.
Caminho longo e sinuoso 7 Sujeitos inicialmente cautelosos a nível relacional,
mas capazes de estabelecer vínculos afectivos.
Caminho excessivamente largo 8
na extremidade voltada para o
Revela uma tentativa de encobrir o desejo de se
observador, mas diminuindo
manter afastado, usando uma afabilidade
significativamente de largura,
superficial.
de forma a ficar mais estreito
que a porta ao alcançá-la.
Cercas desenhadas à volta da 9
Comportamento defensivo.
casa
Caminhos bifurcados 10 Podem indicar indecisão, imaturidade emocional.
Pode também reflectir a vivência de uma situação
de facto (por exemplo: escolha de um emprego)
Porta aberta e caminho à vista 11 Pessoa equilibrada que procura novos caminhos.
Caminho de pedras 12 Pode indicar uma vida com dificuldades emocionais
(traumas) ou económicas. Dificuldade de contacto
com o mundo. Pode ser uma situação de facto.
Calçada em linha recta na 13
frente da casa ou caminho que Falta de energia para vencer os problemas.
acaba na montanha
Casa com sombra e água fresca 14 Comodismo. Mecanismo de compensação. Situação
ou a representar essa situação de facto.
Casa com varanda 15 Dificuldades relacionais. Mecanismo compensação.
Torres na casa 16 Isolamento, introversão
Torres cheias de janelas 17 Excitação sexual
Elevadores 18 Problema sexual. Fantasia de realização sexual.
Casa com dois andares 19 Solidão, depressão.
Igreja 20 Indica sublimação sexual, sublimação dos impulsos.
Hospital 21 Hipocondria. Situação de facto.
Escola 22 Simbolismo intelectual. Mecanismo compensatório.
Apartamento 23 Desejo de contacto sexual. Situação de facto.

15
5. Significação das cores

I. Quanto à variação
Branco 1 Oposição.
Preto 2 Morte, ódio, negativismo. Se é a única cor usada: tristeza, medo.
Preto e
3 Ansiedade, depressão, medos.
branco
Cinzento 4 Tristeza, insatisfação.
Azul 5 Depressão, calma, tristeza, desejo e afirmação e inibição.
Azul claro 6 Controle dos impulsos.
Azul celeste 7 Misticismo.
Azul e
8 Conflito e desejo de afirmação.
amarelo
Agressão, destruição, ódio, sensibilidade sexual, força e vigor. É a cor
mais emocional. O interesse pelo vermelho decresce, à medida que a
criança supera a fase impulsiva e ingressa na fase da razão e adquire
Vermelho 9 maior controle emocional.
Podem-se assinalar dois tipos de simbolismo:
• Simbolismo negativo – Roubo, guerra, destruição
• Simbolismo universal – cólera, paixão, sangue, medo sexual.
Vermelho e
10 Agressão e hostilidade.
amarelo
Vermelho e
11 Auto-agressividade, tendência ao suicídio.
preto
Criação, reprodução, indivíduo emocionalmente fragilizado,
Verde 12
imediatista, perturbações gastrointestinais, inibição.
Amarelo Sol 13 Força, energia, violência, estabilidade, euforia
Desejo atenção e simpatia, repressão da agressividade, mais fantasia
Laranja 14
que acção.
Lilás 15 Ansiedade.
Roxo 16 Paixão, depressão (símbolo intermediário), paz e realização.
Castanho 17 Culpabilidade relacionada com sexualidade. Fixação na fase anal.
Castanho,
violeta e 18 Depressão grave.
azul

16
II. Quanto à Intensidade e Frequência no uso das Cores
Vermelho 1 Medo da castração.
Amarelo 2 Vitalidade, alegria.
Recusa total da cor 3 Neuróticos graves e psicóticos retraídos.

III. Simbolismo Quanto à Disposição das Cores


Expansão, porém com emoções controladas ou dirigidas, desejo
Cores separadas 1
de ordem, equilíbrio.
Cores mescladas 2 Menor controlo emocional.
Regressão, conflito emocional agudo, conflito na relação “Eu-
Cores sobrepostas 3
Mundo”.
Cores
desordenadas,
Confusão mental, descontrolo, impulsividade, desorganização
justapostas de 4
psíquica.
modo confuso, com
negligência
Cores muito
separadas na área 5 Compulsividade, desejo de perfeição, rigidez.
disponível
Cores
cuidadosamente
6 Limitação e disciplina nas actividades.
dispostas, ocupando
a área disponível

17
BIBLIOGRAFIA

Campos, D. (1998). O teste do desenho como instrumento de diagnóstico da

personalidade. Petrópolis: Editora Vozes.

18