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-comportam elementos suficientes para que as consideremos (embora alguns o pressentissem) a admiravel fonte de ver-
·necessarias ... dades essenciais que é o inconsciente.
A poesia encontra igualmente esses escolhos diante de E como não lhe conhecíamos a importancia não podía-
si. Eis porque Baudelaire pedia a Deus lhe inspirasse um mos apreender o valor de suas manifestações nos indivíduos
·só "beau vers" que fosse, diariamente. Um verso belo não libertados da coerção social. Desenhos ·de loucos eram ga·
-era para ele o resultado de um malabartlsmo linguístico; era ratujas impenetraveis, quando muito divertidas. Orgulhosos
um acorde suscetível .de resolver ·de repente um pouco do de um racionalismo seco, perdemos o sentido da revelação.
lodo da alma ou de despertar na consciencia uma nesga do Entregues á prepotencia dos tecnicos limitados e dos frios
-.céu. -cientistas, envergonhamo-nos de tudo o que não obedecia ao
Ventos exaustos e bandos de pombos jogo futil da logica. Assim nos distanciamos do homem
proclamam a primavera. na sua miseria e na sua grandeza.
Os :progressos da psicologia e as pesquisas da etnografia
Eis uma dessas soluções que realment~ estabelecem a trouxeram-nos ·de volta, ao bom caminho. Foi na companhia
presença de um plano inedito e repercutem longamente em .dos primitivos que a duvida nasceu em nossa mente, e foi
.ondas ·que vão morrer ás ma11gens de nossa sensibilidade, com a psiéanalise que outra certeza desabrochou: a da ri-
nela deixa.m sua marca umida, lenta a secar, demorada em queza esclarecedora do inconsciente. A mensagem dos .lou·
desaparecer. cos passou então a ser analisada ·com interesse e houve mes·
Outro exemplo? Aqui o temos: mo quem visse nela o ponto de partida para a compreensão
Concavo azul, tão .'?roximo da essencia mais precisa do humano.
tua, e sem emhargo Paralelamente, os trabalhos sobre arte puseram em evi-
campo de passaras . .. dencia 'ª realidade das permanentes esteticas, das "invarian·
tes", como .diz André Lhote, o que veio contradizer em :parte
O lirismo assume um estranho ritmo, ou melhor, aban- os sociologos e "in totum" os requintados relativistas do se-
-dona o ritmo que o ligaria· á tribo e se desenvolve numa 'CUlo XIX.
melodia caprichosa, extremamente pessoal, que isola do Uma :frase de Remy de Gourmont, que pontificou ele-
mundo ·o cantor, e o eleva. gantemente dur:ante tantos anos, me vem á memoria e me
O poeta é, ademais, um magico, um alquimista. Anda faz sorrir: "Se há uma es~etica, isso nos obriga a admitir
á descoberta de pedra filosofal, esse amago da materia que a existencia de um belo· absoluto e a reconhecer que as
é preciso despojar de todas as impurezas. Não o atinge, mas obras são julgadas belas na proporção de sua semelhança
das reações nascem metais preciosm, perfumes e tambem vene- ·com esse ideal". Não, não ha um belo absoluto, ·que o belo
nos. E fica de tudo o angustiado orgulho de haver imitado varia de conformidade com a cultura, mas ha coisa mais im-
os deuses, ele se ter com eles ombreado mais de uma vez. portante ·do rqne o belo e que constitui o alicerce perene da
De ter tocado os misterios da criação! obr:a de arte: a euritmia, o equilíbrio das partes do todo.
O encanto das palavras Isso é que faz o belo e que, juntado á invençfo e á sensi-
e as horas incendicks bilidade, transforma o desenho em obra de arte.
tivemos, e é o que fica. Retomando uma classificação de Lalo, pode-se dizer que
toda manifestação artística comporta elementos esteticos (per-
Outubro, 15 - O desprezo e a incompreensão, senão a manentes) e elementos "anesteticos" ( sociologicos, psicologi·
ironia e o medo, eis os sentimentos que sempre fixaram o cos, etc.). Uma catedral gotica é, pelo equilíbrio, a inven·
nosso angulo de apreciação dos loucos. Antes das desco· ção e a sensibilidade de sua arquitetura, uma obra de arte
hertas da psicanalise, nós, pobres civilizados, ignoravamos (permanentes esteticas), mas, pelos motivos .de sua decora·

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ídolos, são inumeras vezes apenas objetos necessarios á vida


ção, pelos objetivos que visa, pelo seu vàlor de representação cultural da tribo; mas ocorre se carregarem tam<hem de valor
coletiva, pelos sentimentos que suscita, é o produto de um estetico e constituírem então verdadeiras obras de arte.
clima social. O mesmo se dirá de um poema de Mallarmé Entre os loucos, tão curiosos nas suas manifestações gra·
ou de uma pintura de louco. ficas ,pictoricas ou plasticas, encontramos verdadeiros artis-
Há, portanto, que separar no julgamento o estetico do tas que não são artistas porque são loucos, mas apesar de
anestetico, estudá-los em particular não confundi-los em um loucos, e que por serem loucos e artistas gozam de uma li-
tod?, so_b pena de estabelecer a maior confusão, porque nos berdade de expressão, possuem uma força emocional tão
arriscarrnmos de outra manei11a e julgar como obra .de arte profunda e soluções de tal maneira perfeitas que alcançam
aquilo que tão somente apresenta valores "anesteticos" ou não raro a ohra-prima. Estou pensando nesse extraordina·
vice-versa. rio Rafael, matissiano nos seus desenhos de grande pureza,
Eis um quadro feito sob encomenda, a fim de celebrar no sensível Emídio, pariente proximo de Bonnard, em Lucio,
um fato historico que nos toca de perto. Cabe averiguar escultor ·capaz de estilizações harmoniosas, em Carlos que se
(desde que espelhe realmente o nosso sentimento) se con- ex·prime pela composiçã!o abstrata perfeita e o bom gosto de
tem os elementos esteticos caracter,isticos da obra de arte. um colorido sohrio e quente. Mas estou ;pensando tambem
Sem o que não será obra de arte, embora possa por motivos nos outros cinco, menos artistas, conquanto igualmente ex-
de ordem psicologica ou sociologica apresenta~ uma consi- pressivos e curiosos.
deravel soma de valores. E' o caso d~ certas estatuas nas Do comovido prefacio do catalogo, escrito pela doutora
pra~as publicas de todos os países do mundo. Agora o con-
Nise Silveira, destaco esta frase:
trarw, uma tela abstr1ata, sem tema, sem ressonancia social, "Talvez muitas das ob~as aqui apresentadas causem a
se1?' objetivo, mas inteiramente obediente ás grandes leis es- impressão de estranheza inquietante que acompanha a ma·
tetxcas, será o'bra de arte ainda que de nenhum interesse nifestação de coisas conhecidas no passado, porem que ja·
anestetico. ziam ocultas (conceito de sinistro, segundo Shelling e Freu) .
Penso nesses princípios e os comento tendo em vista a Presumimos obscuramente possuir no fundo de nós mesmos
exposição das obras de nove artistas de Engenho de Dentro imagens semelhantes. Exemplos deste tipo são os desenhos
realizada no Museu de Arte Moderna. ' evocadores de figuras míticas que acreditavamos mperadas
Estamos acostumados a vei1 desenhos, pintura e escultu- ou os que representam desdobramentos da personalidade,
ras de. louc~s até certo ponto como vemos exposições de l'eveladores de epocas psíquicas primitivas nas quais o ego
obras mfantis. Atentando sobretudo para o valor psicolo- ainda não se havia nitidamente .delimitado em relação ao
gico. Para a revelação capaz de orientar-nos sobre a educa- mundo exterior. Se certas figuras angustiam, a beleza de ou-
ção ou a tera·peutica convenientes. O aspecto estetico é tras .formas fascina. Ressaltam estruturas concentricas, cír-
q~ase. sempre prejudicado por esse interesse social quando culos ou aneis magicos, denominados em sanscrito "mandalas"
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nao simplesmente pelo nosso sentimentalismo. M}ts acontece imagens primordiais da totalidade ·psiquica. Místicos hindus
que em meio á enxunada de desenhos, pinturas e escultu- e chineses utilizam "mandal·as" de riCo valor artístico como
ras, ha alguns cuja execução exige que os encaremos pelos instrumento de contemplação. Ima.gens de identica configu-
seus valores esteticos e outros que não· solicitam de nós essa ração surgem nas mind pi.-::tures de jovens e sadias inglesas
critica. Nem toda a arte infantil ou de aliena1dos é estetica· que as vêm de ofüos fechados, num estado de repouso pro-
mente valiosa, embora seja sempre "anesteticamente" impor- ximo ao que precede o sono, em experiencias feitas nas aul.as
tante.
de pintura .de uma escola secundaria feminina (Herbert
Entre os primitivos, através dos quais chegamos a en- Head), símbolos ete1nos .da humanidade, aparecem tambem
tender melhor essa dissociação do estetico com o "anesteti-
pintados por doentes mentais europeus (Jung) e por esqui·
co", observa-se o mesmo: instrumentos musicais decorações
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sofrenicos brasileiros completamente desconhecedores do sim- fim de que reintegre o rebanho materialista e mesquinho?"
ho~o religio~o oriental. ~s. que se debruçam sobre si pro-· Goethe preferia a ordem á j11stiça, e 'l -:-i?:nt1Qta. ª" s'lnto
pr10s estarao sempre sujeitos a encontrar ima""ens dessa sem duvida. Acontece que sua ordem levou o mundo a uma
categoria, deposita-tias de inumeraveis vivencias Índividuais. civilfaação de produção em serie, á. comida em conserva, aos
através dos milenios. Dai as analogias inevitaveis entre a esquemas ideologicos, .ás convenções incolores, estupidas, va-
pintura dos artistas que preferem os modelos do reino do so- zias, aos tecnicos e á morte. E o santo dos primeiros se-
nho e da fantasia e a pintura .daqueles que se desgarraram culos levou á realização do individuo, á felicidade da pleni--
pelos -desfiladeiros de tais mundos". tude, ao amor, á vida.
~ artista, mediante a capacidade de mergulhar no sub- Eu prefiro o santo . . . e o louco.
consciente, tra~ á .tona imagens literarias ou plasticas que Outubro, 19 - A pintura dita primitiva apresenta sem-
nos parecem Ilummar o conhecimento das coisas. Mas 0 pi1C um interesse qualquer e merece estudo. Por vezes é ela
artista rarament~ desce ao inconsciente, ao reino obscuro~ a-penas um valioso -documento psicologico, mas· acontece tam-
c?nfuso e essencial das ve11dades e instintos da especie, cole- bem revela-r um talento artístico que as circunstancias não
tivos portanto, mas já tão inacessíveis ao homem condicio- permitiram se desenvolvesse - ou se destruisse nas escolas
nado pela sociedade. O louco vai até lá~ liberto inteiramen- de Belas Artes. Terá porem a literatura primitiva igual
te d~s leis: ~vadido da logica consciente, do silogismo, e atê atrativo? A julgar pelo folclore sim. Este, porem, é obra
~as 1mpos1çoes das exterioridades perturbirdoras. Por isso anonima, quase de realização coletiva, revista, -corrigida, au-
e que desce ao fundo do poço e traz de sua incursão alguma mentada, adaptada, á proporção que se expande e se torna
-r~velaç~o t~mivel e como"."ente. Se alem de louco esse indi- uma. expressão real .de determinado grupo ou classe. Mas a
v1du? e artista, os resultados são os mais estranhos· e admi- juJ.gar pelas ·pequenas brochuiias de novelas mais ou menos
raveis. grotescas que inundam as bancas de engraxates, não tem ela,
Referi-me especialmente a Rafael. Um historico de sua senão rarissimamente, o menor valor artístico. Atrai ás vezes
vida explicará melhor do que quaisquer comentarias as suas pelo pitoresco e pelo que consegue condensar de tolice, mau-
r~~izações. Esse ·doente era pintor, .pintor academico e ha- gosto, impropriedades divertidas. Não é obra de arte e me-
bilidoso, antes de ser internado. Recolhido ao hospício de nos ainda documentaria util. E' mesmo curiosa essa dife-
Engenho de. Dentro, ai ficou inativo durante 12 anos. De rença entre as manifestações artísticas plasticas e literaria~.
repe~te entregam-lhe papel, lapis, tubos de "gouache". Ele estas sem muita signiíiocação e aquelas tão ricas de descober-
se poe ~ desenhar e a pintar. E como se esqueceu das regras tas e de acertos esteticos. Oponha-se um ·desenho de criança·
ap~endidas :na academia, dá livre curso á inspiração. Ex- a uma composição infantil e ter-se-á a evidencia do que afirmo.
prime-se. E o que faz pode ser comparado ao que de mais Entretanto a publicação da obra de um primitivo que-
b~lo e sensível se conseguiu entre os modernos, os Matisse, tenha tido uma vida cheia de peripecias, de um primitivo
Picasso, Dufy. excepcionalmente dotado para a literatura, pode justificar-se.
. ~hserva a doutora Nise da Silveira que a atividade Não é esse pcrem o caso de José Antonio da Silva, (Ro-
artishca (desse~ loucos) poderá mesmo adquirir 0 sentido. mance de minha vida) pintor sensível, com soluções típicas
d.e um verdadeiro· processo curativo. Talvez. E para a so· da melhor pintura inf.antil, mas homem de vida pobre, mo-
c1edade ta~to m_elhor. T- Entretanto me inquieta um pouco notona e desprovida -de poder de obsenvaç.ão ou de expressão
essa volta a razao. Nao perderá com ela o artista a sua ]iteraria.
força ~xpressiva? Não perdeuemos nós alguma pareela do Quando analisamos, ha tempos, a exposição -desse cabo'."
~onhecnnento do mundo e ·de nós mesmos que ele nos traz elo de Rio Preto, insistimos em apontar nos qua·dros as qua•
ue dentro de sua anormalidade? E valera' a pena arrancar lidades que faziam deles obras de arte, não obstante a im-
d o sonho, da poesia da metafisica, um .pobre sêr humano a perícia e a ignorancia do artista. Instintivamente, porque
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nasceu pintor, José Antonio da Silva encontrava quase se.m· O abuso dos superlativos e a repetição incessante dos
pre a composição certa, o tom necessario uma grande in- mais vulgares, os "lindíssima", "belissima", "verdíssima",
venção tematfoa e pictorica. Na sua literatura é amiude o demonstram uma pobreza vocabular que a carencia de in·
contrario que se verifica: falta de invenção, ausencia de venção !iteraria acentua. Entretanto deparo subitamente
construção, valores errados, pobreza, simplismo. com uma expressão aguda pela sua logica interior: "humil-
Contudo o livro - Romance de minha vida - ha de des camponeses 1utavam com a V1.ºd a" . N'*ao l u t avam " pel a"
interessar por dois motivos: po11que prova a inocencia do vida, mas "com" (ou contra)' comirmando as palavras do
pintor e assim lhe valori11a a obra; - porque informa até filosofo francês: ,pmletario é quem trabalha contra a coisa,
certo ponto (na medida em que o egocentrismo - quase em contato com ela, qile luta fisicamente contra ela.
idolatria - do escritor o <autoriza) aieerca das condições Nesse livro ·de ·parco enredo, de reduzida e esquematica
economicas e sociais da população do interior no inicio deste documentação, o que mais vale são ainda as ilustrações, de-
seculo. Ocasionalmente interessará tambem pela sintaxe, liciosamente ingenuas. Embora bem menos "artísticas" do
pelas expressões idiomaticas que resistiram ao expurgo visi· .que suas pinturas, sem a intuitiva sabedoria espacial desta~,
vel do texto e tambem pelos vícios lexicologicos. E' diver· nem a sua minudencia, esses desenhos .assinalam uma sens1·
tido ver-se empregar o verbo adotar, .por duas vezes seguidas bilidade.
em sentidos diversos e ambos diferentes do ve11dadeiro: "lu-
gar muito bonito em que a nafure11a adotou todos os encan- Outubro, 20 - Encontro em Jules Lemaitre uma defi-
tos, etc. (p. 9)" e "um rebanho dos mais belos que pode nição da critica que me seduz e qile adoto: a arte de g.ozar
adotar (p. 10) ". E' divertido igualmente. o uso de "enten- os livros.
didos" para "que entendiam tudo", "bem ensinados": "os Lemaitre recusa-se a estabelecer qualquer diferença en·
bois. . . eram muito entendidos". Por vezes, raras aliás, o tre gostar e julgar. Não era outra a opinião de Mario de
sabor ·da sintaxe lembra o que de melhor se fez artificial- Andrade, que só admitia uma critica apologetica. Creio
mente na "língua bi1asileira" (Mario de Andrade, Osvaldo impossível a imparcialidade na critica. As tentativas que
de Andrade, de Serafim e trechos de Marco Zero, Mario fazemos para julgar sem amor, malogram d'e encontro á con-
Neme, (dos contos): "passando por uma mata que er·a uma dição humana. A objetividade só se admite em relação aos
floresta muito feia e muito escura, em que ali morava uma fatos concretos da ciencia. Desde que toca o homem, o juízo
onça pintada, de repente um mateiro bem criado atravessou carrega-se de paixão. E as palavras de sereno equilíbrio,
corriendo enfrente dó cavalo". que podemos por vezes proferir, são, no fundo, palavras de
Ignoro se certas expressões são peculiares ao linguajar orgulho, sublinhando um sentimento insopitavel de superio·
caipira. São porem pitorescas: "machuquei demais da con· ridade. Bem o sentem os criticados, que preferem a des·
ta", "Adelaide era uma verdadeira imagem de bonita", "Já compostura á irritante distancia do critico dito imparcial.
nos amavamos horrivelmente" "uma verdadeira solidão de
outrora passada", "machucou' um pouco bastante", "muito Outubro, 21 - A grande Í<orça enJCantadora da poesia
prazer ·de lhe conhecer a vossa pessoa". está na renovação ·do sentido dos vocahulos, mais ainda do
Como o selvagem e a criança, o que impressiona esse que no ineditismo sintaxico. E:m verdade, .deste pode ds-
escritor primitivo é o pormenor, e não o ·pormenor caracte· ~orrer aquela, porquanto uma 1palavra ·deslocada de seu lugar
ristico, o que faria de seus retvatos caricaturas ou desenhos na frase ad·quire de imediato novo valor. Tudo se resume,
expressionistas, mas sim esquemas como os que Von den Stei- portanto, na transposição, ou na sublimação do vocabulo.
nen obteve dos índios do Brasil central: "contava seus trinta E' um passe de magica pelo 1qual o poeta vira no avesso a
e cinco anos de idade, era claro e de boa altura e tinha os expressão normal, de modo a revelar o que ha de esP.ecifico
cabelos ·pretos e repartido o penteado de banda". e recondito nas emoções. Daí o amor .do poeta ao neologis·