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RESUMO FÍSICA III

Capitulo 28 - Energia Potencial Elétrica e Potencial Elétrico

A Energia Potencial Elétrica é definida como a energia configuracional de um sistema de


partículas que interagem através de um campo de força conservativo. A força que dá origem à
interação entre as partículas com compõem o sistema deve ser conservativa, caso contrário não
se pode definir a energia potencial associada a este sistema. Dizer que uma força é conservativa
significa dizer que a energia mecânica (cinética + potencial) se conserva, ou seja, não há
dissipação de energia.

Dada uma força conservativa F ,⃗ a diferença de energia potencial entre duas configurações a e b
do sistema pode ser obtida como

b
F ⃗ ⋅ d s

∫a
ΔU = Ub − Ua = − Wab = −

F ⃗=
1 | q1 | | q2 |
A força eletrostática , é conservativa. Desse modo, pode-se definir uma
4πϵ0 r2
energia potencial associada a cada configuração espacial de um sistema que interage via força
de Coulomb.

A diferença de energia potencial entre duas configurações a e b de um sistema que interage


através de uma força conservativa independe do caminho que é usado para levar o sistema de a
para b.

Em geral, para um sistema de partículas, a energia potencial para a situação em que as partículas
não interagem, ou seja, quando a separação entre elas é infinita, é definida como zero.
Assumindo então que U∞ = 0, podemos definir a energia potencial de uma configuração em que
duas partículas carregadas q1 e q2 interagem via força eletrostática como:

a
F ⃗ ⋅ d s⃗ =
1 q1q2
∫∞
U = − W∞a = −

4πϵ0 r12

A energia potencial de N cargas pontuais interagindo via força eletrostática é dada pela soma
simples das energias de interação de cada par de cargas

N N qq
1 i j
∑ ∑ rij
U=

4πϵ0 i>j=1 j

Vê-se então que é necessário ao menos duas partículas carregadas para que a energia potencial
eletrostática seja definida.

Pode-se definir uma quantidade auxiliar, que depende de somente uma carga pontual, chamada
de Potencial Eletrostático. Dada uma carga q na origem das coordenadas, ao trazer-se uma
carga de prova q0 do infinito até uma distância r da carga q, o sistema formado pelas duas
cargas terá uma variação na energia potencial dada por

1 qq0
ΔU =

4πϵ0 r
Se dobrássemos o valor da carga de prova, q0 → 2q0, a variação na energia potencial também
dobraria. Entretanto, qualquer que seja o valor da carga de prova, a quantidade ΔU/q0
permanece constante. Defini-se então a quantidade escalar Diferença de {\it Potencial Elétrico},
ΔV, como a diferença de energia potencial por unidade de carga de prova

ΔU Ub − Ua W
ΔV = ; Vb − Va = = − ab

q0 q0 q0

Se o ponto b é escolhido no infinito (separação infinita das cargas), podemos definir o Potencial
Elétrico como

U
V=

q0
Pode-se determinar o potencial elétrico a partir do conhecimento do campo elétrico. Vejamos:

− ∫a F ⃗ ⋅ d s ⃗ − ∫a q0 E ⃗ ⋅ d s ⃗
b b
b
E ⃗ ⋅ d s

−Wab
∫a
ΔV = = = =−
q0 q0 q0
O potencial elétrico de um conjunto de cargas pontuais num dado ponto do espaço é dado pela
soma do potencial gerado por cada carga pontual

1 q
N n

4πϵ0 ∑
V = V1 + V2 + ⋯ + VN =
i=1
rn

onde rn é a distância do ponto em que está se calculando o potencial elétrico até a carga qn.

O potencial de distribuições contínuas de carga pode ser determinado utilizando-se o conceito


de densidade linear, superficial e volumétrica de cargas. Escreve-se a diferencial de potencial
elétrico como

1 dq
dV =

4πϵ0 r
e as diferenciais de carga como

d q = λ d x ou d q = σd A ou d q = ρdV

onde λ, σ e ρ são as densidades linear, superficial e volumétrica de carga.

O potencial elétrico é obtido integrando-se sobre a região que contém as densidades de carga

1 dq
4πϵ0 ∫ r
V=

Assim como pode-se calcular a diferença de potencial a partir do campo elétrico, o cálculo do
campo elétrico a partir da diferença de potencial também é possível. A expressão que permite o
cálculo do campo elétrico a partir da diferença de potencial é:

dV
Es = −

ds
Regiões espaciais contíguas que possuem o mesmo valor de potencial são chamadas de
superfícies equipotenciais. Ou seja, são superfícies em que todos os pontos possuem o mesmo
valor de potencial elétrico.

Uma vez que todos os pontos em uma superfície equipotencial têm o mesmo valor de potencial
elétrico, obviamente não há diferença de potencial entre quaisquer dois pontos de uma superfície
equipotencial. Desse modo, não há componentes de campo elétrico que sejam paralelas a uma
superfície equipotencial. Outra forma de se dizer isso é afirmando que o vetor campo elétrico é
sempre perpendicular a uma superfície equipotencial.

Como as linhas de campo elétrico determinam a direção do campo elétrico em qualquer ponto
do espaço, temos então que as linhas de campo elétrico serão sempre perpendiculares às
superficies equipotenciais.

Em um material condutor que tenha carga resultante diferente de zero, esta carga resultante
sempre se posicionará sobre sua superfície externa. Essa é uma maneira de minimizar a repulsão
Coulombiana entre as cargas em excesso no material. Em situações de equilíbrio eletrostático, as
cargas não mais se moverão, o que significa que a força resultante agindo sobre estas mesmas
cargas é zero. Como as cargas em excesso no condutor estarão sobre sua superfície externa,
esta superfície externa constituirá uma superfície equipotencial. Caso contrário, haveria diferença
de potencial entre pontos na superfície e as cargas se deslocariam sob a ação do campo elétrico.
Como a situação de equilíbrio eletrostático pressupõe que não haja movimento de cargas, os
pontos sobre a superfície de um condutor carregado deverão constituir uma superfície
equipotencial. O campo elétrico então será perpendicular à superfície de um condutor carregado
em equilíbrio eletrostático.

Como já foi discutido quando apresentou-se a lei de Gauss, o campo elétrico no interior de um
condutor carregado é zero. Se o campo elétrico é zero, não há diferença de potencial. Desse
modo, o potencial elétrico no interior de um condutor carregado é constante e igual ao valor do
potencial em sua superfície. (Ver figura 28-20 do livro texto.)

Capítulo 29 - As Propriedades Elétricas dos Materiais

Os materiais podem ser classificados de diferentes maneiras. Uma das maneiras é através de seu
comportamento quando sujeito a um campo elétrico externo. Materiais sujeitos a campos
elétricos externos podem ser caracterizados como:

1. Metais: Neste caso, sempre que sujeito a um campo elétrico externo se originará uma
corrente elétrica no interior do material. Isso significa que há elétrons livres para se
movimentar no material, mesmo para campos elétricos bastante pequenos. A condutividade
dos metais pode variar bastante, mas sempre haverá corrente elétrica. Isso ocorre pois alguns
elétrons da valência atômica dos átomos componentes do material não ficam presos a seus
átomos de origem, mas são compartilhados entre todos os átomos do material.

2. Isolantes: Os materiais isolantes quando sujeitos a campos elétricos externos não


apresentam corrente elétrica em seu interior. As cargas elétricas, elétrons, estão fortemente
ligados aos núcleos. O campo elétrico polariza a carga atômica mas não consegue fazer com
que os elétrons saiam do campo atrativo nuclear. Somente com campos elétricos muito
intensos pode se conseguir uma pequena corrente interna.

3. Semicondutores: Os materiais semicondutores são, em essência, isolantes. Porém, o


aumento da temperatura nestes materiais faz com que alguns elétrons que antes estavam
presos aos seus núcleos, se desprendam da atração atômica e passem a se movimentar por
todo o material. Quanto maior a temperatura, maior o número de elétrons que se movimentam
por todo o material. Entretanto, a densidade de corrente elétrica nestes materiais é sempre
menor que num metal.

4. Supercondutores: Alguns materiais metálicos, quando sujeitos a baixíssimas temperaturas,


exigem corrente elétrica sem resistência. A explicação deste fenômeno vai além do escopo
deste curso.

As cargas num material condutor (metal) sujeito a um campo elétrico externo irão se movimentar
e se reposicionar de modo a anular o campo elétrico em seu interior. Ao final deste movimento de
cargas no interior do condutor sob a ação de um campo elétrico externo, será atingido o
equilíbrio eletrostático e o campo no interior se anulará. Pode-se enxergar isso imaginando que o
deslocamento das cargas no condutor irá gerar um campo elétrico, E ′⃗ , que se contrapõe
exatamente ao campo externo, E 0⃗ , em seu interior, resultando num campo total dentro do
condutor, E, que será nulo, ou seja,

E ⃗ = E 0⃗ + E ′⃗ = 0

Um material condutor num circuito elétrico, com uma fonte de diferença de potencial que
impulsiona os elétrons através do circuito, irá gerar uma corrente elétrica que não cessa, ou seja,
não se estabelece um equilíbrio eletrostático, mas somente um equilíbrio dinâmico. As cargas
elétricas móveis percorrem o circuito de forma permanente, com um fluxo de cargas móveis
constante através do circuito. Dessa maneira, através de seções retas do circuito elétrico irá
passar uma corrente elétrica i, que é definida como

i = q/t

onde q representa a carga e t o tempo.

A carga que passa através de qualquer seção reta do circuito num certo intervalo de tempo pode
ser calculada como


q = idt

A corrente tem um sentido bem definido, que é dado pelo sentido do movimento das cargas
positivas quando sujeitas a um campo externo. Entretanto, a corrente elétrica não é uma
quantidade vetorial, dado que não obedece as regras de adição vetorial.

Por outro lado, podemos definir uma quantidade vetorial, a densidade de corrente, j ,⃗ que é a
corrente por unidade de área. Seu módulo é dado por:

i = j ⃗ ⋅ d A


j = i /A com

O movimento de cargas num circuito elétrico não se dá sem resistência. Na verdade, as


imperfeições na estrutura do material condutor coloca obstáculos ao movimento das cargas ao
longo do circuito. O resultado deste movimento das cargas ao longo do circuito, impulsionadas
pela diferença de potencial, e obstaculizadas pelas imperfeições do material é um movimento
cuja velocidade é denominada de velocidade de deriva, v d⃗ .

A densidade de corrente é o resultado do movimento de cargas elétricas que se deslocam ao


longo do circuito com uma velocidade igual à velocidade de deriva. O número de cargas por
unidade de volume, ou seja a densidade de cargas é dada por n. Multiplicando n pelo valor da
carga elementar e, teremos o valor da carga por unidade de volume que está sendo transportada
ao longo do circuito. Dessa maneira, a densidade de corrente no circuito elétrico será

j ⃗ = − en v d⃗

O sinal negativo refere-se ao fato de os elétrons, que são as cargas móveis em circuitos
eletrônicos, se deslocarem no sentido contrário ao atribuído como o sentido positivo da
velocidade de deriva.

A densidade de corrente está ainda relacionada diretamente ao campo elétrico que atua nas
cargas que se deslocam no circuito, ou seja, quanto maior o campo elétrico que atua sobre as
cargas móveis do sistema, maior será a densidade de corrente no circuito

j ⃗ = σ E

A constante de proporcionalidade, σ, é a condutividade elétrica do material, que é medida em


siemens. 1 siemens = 1 ampère/volt. Comumente utiliza-se o inverso do condutividade,

ρ = 1/σ,

que é chamada de resistividade. Em termos da resistividade, a relação entre o campo elétrico e a


densidade de corrente pode ser escrita como

E ⃗ = ρ j

A unidade de resistividade é o ohm, Ω. 1 ohm = 1 volt/ampère.

A resistividade está relacionada ao conceito mais comum de resistência elétrica, senão vejamos,
para um elemento de circuito de comprimento L e seção reta A, a resistividade pode ser escrita
como

E ΔV/L
ρ= =

j i /A

Se agora definirmos a resistência através da relação V = Ri, teremos

L
R=ρ

A
Materiais ôhmicos são aqueles em que a resistência oferecida à passagem da corrente elétrica,
não depende da intensidade ou do sinal da diferença de potencial aplicada, ou seja, R é
praticamente constante.

É importante lembrar que a relação V = Ri é válida mesmo quando a resistência varia em função
da diferença de potencial aplicada. Nesses casos, o materiais são não-ôhmicos.

A grandezas, R, ΔV e i são grandezas macroscópicas, enquanto as grandezas ρ, E ⃗ e j ⃗ são


grandezas microscópicas, definidas para cada ponto do material.

Diferentemente do materiais condutores, os materiais isolantes, quando sujeitos a um campo


elétrico externo, E 0⃗ , não anulam o campo elétrico em seu interior. Em isolantes, não há cargas
móveis, dessa maneira. Entretanto, os átomos ou moléculas que compõem o material isolante
serão polarizados pelo campo elétrico externo. Essa polarização do material isolante reduz (mas
não anula) o campo elétrico no interior do material (ver figura 29-11 do livro texto). Se E ′⃗ é o
campo elétrico gerado internamente ao material isolante devido à polarização do material, então
o campo resultante no interior do material isolante, E ,⃗ será dado por

E ⃗ = E 0⃗ + E ′⃗

Como E ′⃗ tem sentido contrário ao campo externo, teremos

E = E0 − E′.

O efeito da polarização do material isolante é o surgimento de cargas superficiais induzidas. É


esta configuração de cargas induzidas que gera o campo contrário ao que está sendo aplicado
externamente ao sistema.

Esse efeito de polarização do meio e a consequente redução do campo no interior do material


isolante pode ser descrito através de uma grandeza chamada constante dielétrica, κe. A
constante dielétrica mede a capacidade que o meio possui de blindar o material isolante da ação
de um campo elétrico externo. O campo no interior do material pode ser determinado
conhecendo-se a constante dielétrica do meio e o campo elétrico externo,

1
E= E0, onde κe é um número sempre maior do que 1 (ver tabela 29-2 do livro texto).

κe

Pode-se definir ainda a permissividade elétrica de um meio através, ϵ, da seguinte relação

ϵ = κeϵo

Onde ϵ0 é a permissividade elétrica do vácuo.

Capítulo 30 - Capacitância

O capacitor é um dispositivo que armazena energia em um campo eletrostático. Um capacitor é


constituído por dois condutores, que são chamados de placas do capacitor. O capacitor é dito
estar carregado quando suas placas possuem cargas iguais e de sinais opostos, +q e −q. (Veja
figura 30-1 do livro texto).

Quando as placas de um capacitou estão sujeitas a uma diferença de potencial, cargas são
transportadas da fonte de tensão para as placas do capacitor até que o capacitor esteja
carregado. Neste momento cessa o movimento de cargas da fonte de tensão para o capacitor.

A carga armazenada em um dado capacitor depende da diferença de potencial a que suas placas
estão sujeitas. Na verdade, para um dado capacitor, a carga armazenada varia linearmente com a
diferença de potencial, ou seja

q = CΔV

A constante de proporcionalidade,C, entre a carga armazenada no capacitor e a diferença de


potencial é chamada de capacitância. A unidade de medida da capacitância é o farad, F.

Um farad = 1 coulomb/volt.

Apesar da capacitância de um dado capacitor poder ser obtida através de C = q/ΔV, o valor da
capacitância de um dado dispositivo não depende da diferença de potencial ou da carga
armazenada. A capacitância depende unicamente da forma e tamanho do capacitor, assim como
do meio material entre suas placas, se o vácuo ou outro isolante.

O cálculo da capacitância pode ser realizado utilizando-se a relação

+
E ⃗ ⋅ d s

∫−
ΔV = −

Sabendo-se que o campo elétrico é gerado a partir de uma distribuição de cargas, pode-se então
expressar E em função das cargas que geram e obter uma relação entre a diferença de potencial
e a carga armazenada nas placas do capacitor. Isso permite obter C através de cálculos
analíticos. Estes cálculos tornam-se simples quando o sistema de placas tem alta simetria, o que
facilita o cálculo de integração.

Há dois tipos gerais de associação de capacitores em circuitos elétricos: (i) em série e (ii) em
paralelo. Em geral, procura-se descrever a ação conjunta de associações de capacitores num
circuito elétrico substituindo-se a associação toda por um capacitor denominado equivalente,
que produz o mesmo efeito que toda a associação em conjunto. Dessa maneira, precisamos
saber como obter a capacitância deste capacitor equivalente. Faz-se isso a partir da
determinação da capacitância equivalente de associações de capacitores em série e em paralelo.

Para capacitores em paralelo (ver figura 30-7 no livro texto), a diferença de potencial é a mesma
para todos os capacitores, enquanto a carga armazenada em cada capacitor é diferente. No
capacitor equivalente, a diferença de potencial será a mesma que nos capacitores em paralelo, e
a carga será dada pela soma das cargas nos diferentes capacitores em paralelo.

A capacitância equivalente Ceq de dois capacitores em paralelo, com capacitâncias C1 e C2, será
dada por


Ceq = C1 + C2; para N capacitores em paralelo ⟶ Ceq = Ci

i=1

Para capacitores em série, a carga de cada um dos capacitores será a mesma, enquanto a
diferença de potencial em cada um deles será diferente, sendo a soma das diferenças de
potencial em cada capacitor igual à diferença de potencial externo a que a associação em série
está submetida.

A capacitância equivalente de uma associação em série de dois capacitores com capacitâncias


C1 e C2 será dada por

N
1 1 1 1 1
Ceq ∑
= + ; para N capacitores em série ⟶ =

Ceq C1 C2 i=1
Ci

A energia armazenada num capacitor de capacitância C, sujeito a uma diferença de potencial


ΔV, carregado com uma carga q, é dada por

q2 1
U= = C(ΔV )2

2C 2
A energia total armazenada num capacitor é diretamente proporcional ao volume entre as placas
do capacitor. Entretanto, a densidade de energia, u, é independente do volume, sendo dada por

1
u= ϵ0 E 2,

2
onde E é o campo elétrico entre as placas do capacitor.

Ao introduzir-se uma material isolante, também chamado de dielétrico, entre as placas de um


capacitor, o campo elétrico entre as placas será reduzido devido à polarização do meio dielétrico
(conforme discutido anteriormente).

Se esse capacitor não estiver conectado a uma fonte de diferença de potencial (bateria), as
cargas nas placas do capacitor irão permanecer as mesmas, mas a diferença de potencial e o
campo elétrico entre as placas irão ser reduzidos. Chamando de q, ΔV, E e C as quantidades
antes de se introduzir o isolante entre as placas do capacitor e q′, ΔV′ e E′ estas mesmas
quantidades depois de se introduzir o isolante entre as placas do capacitor, teremos

q′ = q, ΔV′ = ΔV/κe, E′ = E /κe, C′ = C /κe

Se o capacitor estiver conectado a uma fonte de diferença de potencial quando o isolante for
introduzido entre suas placas, então a diferença de potencial entre as placas do capacitor
permanecerá constante. Para que isso seja possível, a carga entre as placas do capacitor devem
aumentar, pois a presença do meio dielétrico entre as placas do capacitor tende a reduzir a
diferença de potencial, e consequentemente o campo, entre as placas. Assim, as relações entre
as grandezas que caracterizam o capacitor antes e depois da introdução do isolante entre as
placas do capacitor ligado a uma fonte de diferença de potencial externa será

q′ = κeq, ΔV′ = ΔV, E′ = E, C′ = κeC

Note que a capacitância depois da introdução do isolante entre as placas, C′, não depende de se
o capacitor estava ligado a uma diferença de potencial ou não. Como foi dito anteriormente, a
capacitância só depende da forma, do tamanho e do material dielétrico entre suas placas.

O vácuo e o ar são meios isolantes com constantes dielétricas praticamente iguais a 1, κe = 1,


de modo que para o vácuo e o ar ϵ = κeϵ0 = ϵ0. Assim, pode-se mostrar que a lei de gauss para
materiais envolvidos por dielétricos outros que o ar pode ser escrita como

ϵ E ⃗ ⋅ d A ⃗ = ϵ0 κe E ⃗ ⋅ d A ⃗ = q

∫ ∫
Isso vale também para capacitores preenchidos por meio dielétricos.

Capítulo 31 - Circuitos CC

A força eletromotriz, ℰ, é definida como a quantidade de trabalho realizada para elevar o


potencial de uma carga elétrica

As duas Leis de Kirchhoff, a lei do nós e a lei das malhas são, respectivamente, consequências
da conservação de carga e da conservação da energia em circuitos elétricos.

A lei dos nós diz que: Em qualquer nó num circuito elétrico, a corrente total que entra no nó é
igual à corrente que sai do nó.

A lei das malhas diz: A soma algébrica de todas as diferenças de potencial ao percorrer a malha
completa de um circuito deve ser nula.

Quando levasse em conta a resistêcncia interna de uma fonte de força eletromotriz, pode-se
mostrar que a diferença de potencial entre os terminais da fonte de fem, ΔV, não será igual à
intensidade da fonte de fem, ℰ. No caso de um circuito simples com somente um resistor de
resistência R, e considerando-se a resistência interna da fonte de fem como sendo r, pode-se
verificar que a diferença de potencial entre os terminais de fonte de fem será dada por

R
ΔV = ℰ

R+r
Dessa equação pode se ver que quanto maior a resistência interna da fonte de fem, menor será a
diferença de potencial gerada entre os terminais da fonte de fem. Além disso, vê-se que a
diferença de potencial gerada pela fonte dependerá da resistência R presente no circuito.

Associação de resistires em série e em paralelo. Como no caso da associação de capacitores,


queremos substituir uma associação de resistores em um circuito elétrico por um resistor
equivalente que cause o mesmo efeito no sistema.

Para resistores em paralelo, os resistores estarão sujeitos à mesma diferença de potencial, mas a
corrente que passa por cada um dos resistores pode variar. A soma das correntes que passam
pelos resistores em paralelo deve ser igual à corrente total. Nestes casos, a resistência
equivalente, Req, para um conjunto de N resistores em paralelo será dada por:

N
1 1
Req ∑
=

i=1
Ri

Numa associação de resistores em série, a corrente que passa pelos resistores é a mesma para
todos os resistores. Já a variação no potencial elétrico ao se passar por cada resistor pode variar.
A variação do potencial elétrico de uma associação de N resistores em série será dado pela soma
das variações de potencial de cada um dos N resistores. A resistência equivalente para uma
associação de N resistores em série será dada por:


Req = Ri

i=1

A potência gerada por uma fonte de força eletromotriz de intensidade ℰ num circuito em que
circula uma corrente elétrica de intensidade i é dada por:

Pfem = ℰi

Já a potência dissipada por um resistor de resistência R em que passa uma corrente i e em que
há ocorre uma variação de potencial ΔV será dada por:

2 (ΔV )2
PR = i R =

R
Num circuito em que temos dois dispositivos, um resistor de resistência R e um capacitor de
capacitância C, em série, a corrente elétrica varia no tempo. Há duas situações distintas. Quando
se conecta estes dispositivos em série a uma fonte de fem de intensidade ℰ, a corrente é
inicialmente igual a i = ℰ/R, pois o capacitor está completamente descarregado. À medida que
o capacitor vai sendo carregado, a corrente que circula no circuito vai reduzindo sua intensidade,
pois a diferença de potencial entre as placas do capacitor vai aumentando gradualmente. A lei
das malhas aplicada a este circuito leva à seguinte equação

q
ℰ − iR − = 0

C
dq
Tomando i = , chega-se à seguinte equação diferencial

dt
dq q
ℰ=R +

dt C
A solução desta equação diferencial é

q(t) = Cℰ (1 − e −t/RC)

Esta solução descreve como a carga no capacitor varia em função do tempo. A quantidade RC
define uma escala de tempo, chamada constante de tempo capacitiva, τC = RC.

Derivando a carga em relação ao tempo, determina-se como a corrente varia no tempo, obtendo-
se

ℰ −t/RC
i(t) = e

R
Dessa maneira, as diferenças de potencial entre os terminais do resistor, ΔVR = Ri, e do
capacitor, ΔVC = q/C, serão dadas por

ΔVR = ℰe −t/RC (ver Figura 31-21b)

ΔVC = ℰ(1 − e −t/RC ) (ver Figura 31-21a)

Após o carregamento do capacitor, a corrente cessa. Se depois disso, o circuito for aberto, ou
seja, se desconectar-se a fonte de fem do circuito resistor + capacitor em série, o capacitor irá
ser descarregado através da passagem de uma corrente elétrica pelo resistor. Essa corrente
variará no tempo, passando de uma valor máximo no tempo inicial, até que a energia inicialmente
armazenada entre as placas do capacitor seja dissipada pelo resistor.

A aplicação da lei das malhas a este circuito, leva à seguinte equação diferencial

dq q
R + = 0

dt C
A solução desta equação é a seguinte

q(t) = q0e −t/RC

onde q0 é a carga entre as placas no capacitor no instante inicial

A corrente elétrica durante o descarregamento será dada por

ℰ −t/RC
i(t) = − e

R
As diferenças de potencial entre os terminais do resistor e do capacitor serão dadas por

ΔVR = − ℰe −t/RC (ver Figura 31-22b)

q0 −t/RC
ΔVC = e (ver Figura 31-22a)