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FITOTERAPIA NA ANSIEDADE E DEPRESSÃO

Sula de Camargo
SULA DE CAMARGO

Nutricionista, docente e palestrante.

Mestre em Ciências. Pós-graduada em Nutrição Clínica; em Educação e Formação em Saúde; em Gestão em
Saúde; em Fitoterapia clínica e em Prescrição de Fitoterápicos e Suplementação Nutricional na Nutrição
Clínica e Esportiva.

Atuou como nutricionista hospitalar, ambulatorial e em consultório, bem como membro de comitê de ética e
pesquisa, centro interdisciplinar de formação e pesquisa, consultora de artigos técnicos e na elaboração de
questões para concursos públicos em nutrição e como Diretora de Gestão Estratégica de Pessoas de
hospitais e equipamentos de saúde.

Foi membro do Grupo de Trabalho (GT) de Fitoterapia do CFN e do GT do título de especialista em fitoterapia
da ASBRAN. É consultora técnica da ASBRAN e do CRN3 e vice-presidente da APFIT (Associação Paulista de
Fitoterapia).
Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

Transtorno mais comum dentro dos transtornos de ansiedade.



Preocupação excessiva, irritabilidade, alterações de sono, fadiga,
tensão muscular, distúrbios de concentração, dedos inquietos.

Diagnóstico médico. Efeito somático autônomo (↑ adrenalina).

Diagnóstico diferencial. MEDICAMENTOS UTILIZADOS:

Pode estar associado com outros IRSN – Inibidores da recaptura de serotonina e norepinefrina.
transtornos mentais.
BZD – Benzodiazepínicos.

ISRS – Inibidores seletivos da recaptura de serotonina.

Antagonista β-adrenérgicos.
Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)
MEDICAMENTOS UTILIZADOS

Tratamento por antidepressivos.
↑ serotonina nas regiões centrais da amígdala e outras regiões específicas.
Serotonina e NA regulam a ansiedade.

Início do efeito: 2, 4, 6 semanas.
Psicoterapia
↑ NA apesar de parecer contraditório auxiliam na melhora do quadro.

BZD: LEMBRAR QUE NÃO TRATAM A DOENÇA.
Tempo de resposta - Controle dos sintomas autonômicos.
Retirada posterior – Efeito antidepressivo.

Cuidado com transtorno bipolar: Agravamento fase eufórica, piora do curso da doença.
Psicoterapia é fundamental
ANSIOLÍTICOS
Benzodiazepínico
Receptor GABA (BZD)
Ao se ligar em sua subunidade potencializa
ligação do GABA.

Abertura do canal, entrada de Cl- na célula,


hiperpolarização.
↓ atividade neuronal e sintomas:
↓ ansiedade, agitação, dor. ↑ sono,
relaxamento muscular e bem-estar.

Efeitos indesejáveis: perturbação destreza
intelectual e destreza manual, potencial
dependência, tolerância, amnésia, convulsão
na retirada, risco de queda em idosos,
interações...
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Farmacologia%20da%20neurotransmissao%20gabaergica
Ansiolítico Exige prescrição médica

Piper methysticum – Kava Kava



Partes usadas: Rizomas
Marcadores: kavalactonas
Efeito terapêutico: 6 principais kavalactonas lipofílicas.
Kavaína e di-hidrokavaína atividade ansiolítica mais forte.


Ação: Ansiolítica e hipnótica.

Efeitos adversos: Distúrbios gastrointestinais e musculoesqueléticos, dores de cabeça e fadiga.
Doses altas: sedação acentuada.
Contraindicada na gravidez, lactação e hepatopatas, alcoólatras e em uso de drogas hepatotóxicas.

Kava-Kava extract LI 150 is as effective as Opipramol and Buspirone in Generalised Anxiety Disorder--an 8-week randomized, double-blind multi-centre clinical trial in 129 out-
patients. Scherer J. Kava-kava extract in anxiety disorders: an outpatient observational study. Adv Ther. (1998). Malsch U, Kieser M.
Efficacy of kava-kava in the treatment of non-psychotic anxiety, following pretreatment with benzodiazepines. Psychopharmacology (Berl). (2001). ALONSO J. Tratado de
fitofármacos e nutracêuticos. 1 ed. São Paulo: AC Farmacêutica, 2016. The effectiveness and safety of Kava Kava for treating anxiety symptoms: A systematic reviewand analysis
of randomized clinical trials. Complement Ther Clin Pract. 2018 Nov;33:107-117.
Ansiolítico

Ação

Modulação dos receptores do GABA via bloqueio dos canais iônicos de sódio voltagem dependentes.
↓ liberação de NT excitatórios via bloqueio dos canais iônicos de cálcio.
Reforço da ligação do ligante aos receptores GABA tipo A.

Inibição reversível da MAOB (feniletilamina, NA, DA).

Combinação de modulação do GABA e ↑ ativação noradrenérgica contribui para sensações de relaxamento físico
com aumento do tônus hedônico, sem efeitos deletérios na cognição.

Karen M. Savage, Con K. Stough, Gerard J. Byrne, Andrew Scholey, Chad Bousman, Jenifer Murphy, Patricia Macdonald, Chao Suo, Matthew Hughes, Stuart
Thomas, Rolf Teschke, Chengguo Xing and Jerome Sarris. Kava for the treatment of generalised anxiety disorder (K-GAD): study protocol for a randomised
controlled trial. Savage et al. Trials (2015) 16:493. SAAD, G. 2016.
Pittler MH, Ernst EE. Efficacy of kava extract for treating anxiety: systematic review and meta-
analysis. J Clin Psychopharm. 2000;20(1):84–9.


Revisão Cochrane e meta-análise de 7 ensaios clínicos randomizados usando mono-preparações de
kava kava (60-280 mg de kavalactonas) para o tratamento de sintomas de ansiedade generalizada
encontraram uma redução significativa da ansiedade na Escala de Avaliação de Ansiedade de
Hamilton para kava kava comparado com placebo (P = 0,01) .
Efeito ansiolítico não é agudo como
os BZD. Mas são eficazes na
atenuação da ansiedade ao longo do
tempo.

Dose ideal e esquema de dosagem ainda não foram determinados.


+ estudos para avaliação de misturas de kavapironas (diferentes métodos de extração), impacto no efeito.

Interação especialmente com drogas que são metabolizadas pelo CYP1A2, CYP2C19 e CYP3A, eliminadas pela
glicoproteína P ou que tenham efeitos sedativos ou hepatotóxicos sobrepostos.

Incidência e intensidade da hepatotoxicidade no início de 2000: Uso de cultivares menos desejáveis, partes erradas
da planta, adulteração ou contaminação dos produtos.
No passado, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) emitiu uma declaração alertando contra o uso
prolongado e intensivo de kava kava.

Porém, hoje são feitos extratos utilizando técnicas de extração não-alcoólicas para reduzir a quantidade de
kavalactonas tóxicas que se acredita que induzam eventos adversos.

Introdução de métodos de extração aquosos e não polares diminuem concentração de kavalactonas tóxicas em
produtos comerciais.

Análise de subgrupos sugere que a raiz de kava seca e prensada em um extrato aquoso é tão eficaz quanto os extratos
alcoólicos utilizados em estudos anteriores.
Diminui sintomatologia da
ansiedade.
Nomenclatura botânica Piper methysticum G. Forst.

Nome popular Kava-kava

Parte usada Rizoma

Padronização /marcador Kavalactonas

Formas de uso Extratos

Ações terapêuticas Ansiolítico e insônia

Dose diária 60 a 210 mg de kavalactonas


Restrição de uso Venda sob prescrição médica

ANVISA IN 2 DE 2014.
Ansiolítico Exige prescrição médica

Valeriana officinalis - Valeriana



Partes usadas: Raízes
Marcadores: Ácidos sesquiterpênicos totais expressos em ácido valerênico.

Ação: Ansiolítica e hipnótica.
Melhora memória (animais).
Khom S, et al. Valerenic acid potentiates and inhibits GABA(A) receptors: molecular mechanism and subunit specificity. Neuropharmacology. (2007). Benke D, et al.
GABA A receptors as in vivo substrate for the anxiolytic action of valerenic acid, a major constituent of valerian root extracts. Neuropharmacology. (2009). Miyasaka LS, Atallah AN,
Soares BG. Valerian for anxiety disorders. Cochrane Database Syst Rev. (2006). Felgentreff F, et al.
Valerian extract characterized by high valerenic acid and low acetoxy valerenic acid contents demonstrates anxiolytic activity. Phytomedicine. (2012). ALONSO J. Tratado de
f i t o f á r m a c o s e n u t r a c ê u t i c o s . 1 e d . S ã o P a u l o : A C F a r m a c ê u t i c a , 2 0 1 6 . N a m S M , e t a l .
Valeriana officinalis extract and its main component, valerenic acid, ameliorate d-galactose-induced reductions in memory, cell proliferation, and neuroblast differentiation by reducing
corticosterone levels and lipid peroxidation. Exp Gerontol. (2013) . Nunes A, Sousa M. Utilização da valeriana nas perturbações de ansiedade e do sono qual a melhor evidência? Acta
Med Port 2011; 24: 961-966.
Valeriana officinalis - Valeriana
Possíveis mecanismos de ação:

Atuação nos receptores de adenosina (NT inibitório):


-  ↓ atividade motora
↑enzima -  Induz sono
formadora de -  Alivia ansiedade
↑ liberação
GABA GABA para a
(presença de fenda sináptica Tem altos níveis de glutamina, passa BHE, captada pelo
B6 – cofator) terminal nervoso e é convertida em GABA.

K h o m S , e t a l .
Valerenic acid potentiates and inhibits GABA(A) receptors: molecular mechanism and
subunit specificity. Neuropharmacology. (2007). Benke D, et al.
↓ recaptura GABA GABA A receptors as in vivo substrate for the anxiolytic action of valerenic acid, a major
constituent of valerian root extracts. Neuropharmacology. (2009). Miyasaka LS, Atallah AN,
↓ degradação GABA Soares BG. Valerian for anxiety disorders. Cochrane Database Syst Rev. (2006). Felgentreff
F , e t a l .
Valerian extract characterized by high valerenic acid and low acetoxy valerenic acid
contents demonstrates anxiolytic activity. Phytomedicine. (2012). ALONSO J. Tratado de
fitofármacos e nutracêuticos. 1 ed. São Paulo: AC Farmacêutica, 2016.
Ansiolítico

Valeriana officinalis - Valeriana




Outros usos terapêuticos:
Antiespasmódico, tensão nervosa (TPM, menopausa), síndromes motoras e espasmos musculares, anticonvulsivante.

Khom S, et al. Valerenic acid potentiates and inhibits GABA(A) receptors: molecular mechanism and subunit specificity. Neuropharmacology. (2007). Benke D, et al.
GABA A receptors as in vivo substrate for the anxiolytic action of valerenic acid, a major constituent of valerian root extracts. Neuropharmacology. (2009). Miyasaka LS, Atallah AN,
Soares BG. Valerian for anxiety disorders. Cochrane Database Syst Rev. (2006). Felgentreff F, et al.
Valerian extract characterized by high valerenic acid and low acetoxy valerenic acid contents demonstrates anxiolytic activity. Phytomedicine. (2012). ALONSO J. Tratado de
f i t o f á r m a c o s e n u t r a c ê u t i c o s . 1 e d . S ã o P a u l o : A C F a r m a c ê u t i c a , 2 0 1 6 . N a m S M , e t a l .
Valeriana officinalis extract and its main component, valerenic acid, ameliorate d-galactose-induced reductions in memory, cell proliferation, and neuroblast differentiation by reducing
corticosterone levels and lipid peroxidation. Exp Gerontol. (2013)
Valeriana e ansiedade
Valeriana e ansiedade
Pequeno estudo estava disponível -
evidências insuficientes para conclusões Evidência insuficiente para tratamento de
sobre a eficácia ou segurança da valeriana transtornos de ansiedade.
comparada ao diazepam nos transtornos de
ansiedade.
Estudo randomizado, duplo cego, placebo controle,
multicêntrico Dressing et al, 1992
Pacientes saudáveis, 20 a 70a. 30 dias de tratamento.
Efeito positivo sobre a qualidade do
360mg extrato seco de valeriana (4.5:1) + 240mg extrato seco sono em indivíduos com má qualidade
melissa (5:1), 30 min. antes de dormir. de forma semelhante a 0,125mg de
Triazolam.
Melhora significativa na qualidade do sono.
Meta-análise: Valeriana pode melhorar a Nem extratos etanólicos nem os aquosos mostraram
insônia inicial mas a evidência é de baixa eficácia nas medidas objetivas ou subjetivas de insônia.
qualidade.
Valepotriatos pareceram ter um ligeiro efeito na insônia,
mas os resultados foram contraditórios.
É um dos fitoterápicos mais procurados
para melhorar a dificuldade de dormir,
entretanto são necessárias mais
pesquisas em dose terapêutica, tipos de
preparações e período ótimo de uso
para efeito terapêutico.

Qualidade dos produtos comercializados.


Investigação limitada sugeriu que a potência pode ser devido à presença de valepotriatos (encontrados
principalmente em extratos alcoólicos) ou sesquiterpenos (encontrados em soluções aquosas). E existem outros
compostos com ação.

Acredita-se que os valepotriatos reduzam a ansiedade e tenham um efeito mais tranquilizante que sedativo,
enquanto os sesquiterpenos podem ser mais sedativos que ansiolíticos.
Estudo randomizado, controlado por placebo, multicêntrico.
121 pacientes.

600 mg extrato etanólico a 70% da raiz de Valeriana officinalis padronizado em 0,4 a 0,6% de ácido
valerênico (n = 61) ou placebo (n = 60).

1h antes de dormir por 28 noites consecutivas.


Dois questionários sobre a qualidade do sono.

66% dos pacientes que utilizaram Valeriana - Efeito terapêutico bom ou muito bom ao final do tratamento,
comparado a 29% igualmente positivos do placebo.

PDR. Phisicians desk reference for herbal medicines. 2a ed. 2000.


Estudo randomizado, duplo-cego, placebo, controle, paralelo.
300 mg extrato Valeriana (0.8% total valerinic acid),
80 mg extrato Passiflora (4% isovitexin)
Insônia primária 30 mg extrato de Humulus (0.35% rutin).
Zolpidem 10mg cada comprimido.
Valeriana officinalis
Passiflora incarnata
Humulus lupulus 91 indivíduos. Tomaram 1 comprimido ao dormir por 2 semanas.
Versus Zolpidem
Avaliação do sono baseou-se apenas no diário do sono, embora a
polissonografia possa fornecer resultados mais precisos.
Melhora significativa no tempo total de sono, latência do sono, número de despertares noturnos e escores do
índice de gravidade da insônia em ambos os grupos.

Eventos adversos principais nos dois grupos: Sonolência.

NSF-3 é uma alternativa segura e eficaz a curto prazo ao zolpidem na insônia primária.

É preciso avaliar se os benefícios são sustentados e se há responsabilidade de dependência com esta formulação
no uso a longo prazo.
Valeriana officinalis - Valeriana
Derivado de droga vegetal Dose
Infusão 1 colher de chá por xícara. Infusão 15min. 3
xícaras por dia.
Corretores de sabor: Hortelã, Melissa, Tilia,
gotas de anis.
Tintura 20% 50 a 100 gotas, 1 a 3 vezes por dia.
Extrato seco (5:1) 300 a 1200 mg/d, em 2 a 3 tomadas.
ALONSO J. Tratado de fitofármacos e nutracêuticos. 1 ed. São Paulo: AC Farmacêutica, 2016.

Sabor e cheiro...
Nomenclatura botânica Valeriana officinalis L.

Nome popular Valeriana


Parte usada Raízes

Padronização /marcador Ácidos sesquiterpênicos expressos em ácido valerênico

Formas de uso Extratos


Sedativo moderado, hipnótico e no tratamento de distúrbios do sono
Ações terapêuticas
associados à ansiedade

Dose diária 1 a 7,5 mg de ácidos sesquiterpênicos expressos em ácido valerênico


Restrição de uso Venda sob prescrição médica

ANVISA IN 2 DE 2014.
CONCENTRAÇÃO

225,75 mg de extrato seco de raiz de Valeriana officinalis por comprimido
revestido (correspondente a 1,806 mg de ácidos sesquiterpênicos (ácido
hidroxivalerênico, ácido acetoxivalerênico e ácido valerênico)/comprimido
revestido).

CONCENTRAÇÃO DE PRINCÍPIO ATIVO
Extrato seco está padronizado em 0,8 % de ácidos sesquiterpênicos (ácido
hidroxivalerênico, ácido acetoxivalerênico e ácido valerênico).
Cada comprimido revestido contém 1,806 mg de ácidos sesquiterpênicos
(ácido hidroxivalerênico, ácido acetoxivalerênico e ácido valerênico).

POSOLOGIA E MODO DE USAR
1 comprimido revestido, 2 vezes ao dia.

Como indutor de sono, recomenda-se ingerir o medicamento de 30 minutos a
2 horas antes de dormir.

Ingerir no máximo 4 comprimidos por dia.
Obrigada!