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Temóteo José Gabriel

Nível de conhecimento que os técnicos de saúde do distrito de Marara têm sobre os


efeitos da Trichomonas vaginalis na saúde humana.

Curso de Licenciatura em ensino de Biologia com habilitações em ensino de Química.

Universidade Púngue
Tete
2020

Temóteo José Gabriel


Índice
1. Introdução.......................................................................................................................5

1.1 Tema:.......................................................................................................................6

1.2 Objectivos................................................................................................................6

1.2.1 Objectivo geral.................................................................................................6

1.2.2 Objectivos específicos......................................................................................6

1.3 Hipóteses.................................................................................................................6

1.4 Problematização......................................................................................................7

1.5 Justificativa..............................................................................................................7

1.6 Delimitação do tema................................................................................................8

1.7 Enquadramento do tema..........................................................................................8

2 Metodologias..................................................................................................................8

2.1 Tipo de pesquisa......................................................................................................8

2.2 Definição de variáveis a testar.................................................................................9

2.2.1 Variáveis quantitativas.....................................................................................9

2.2.2 Variáveis qualitativas.......................................................................................9

2.3 Técnicas de recolha de dados..................................................................................9

2.3.1 Questionário.....................................................................................................9

2.4 Aspectos éticos........................................................................................................9

2.5 Método Bibliográfico............................................................................................10

2.6 Pesquisa documental.............................................................................................10

2.7 População alvo ou universo...................................................................................10

2.8 Tipo de Amostragem e Amostra............................................................................10

2.9 Amostra.................................................................................................................10

3 Fundamentação teórica.................................................................................................11

3.1 Tricomoníase - definição.......................................................................................11


3.2 T. vaginalis............................................................................................................11

3.3 Sinais e sintomas...................................................................................................11

3.3.1 Sinais e sintomas nas mulheres......................................................................11

3.3.2 Sinais e sintomas nos homens........................................................................11

3.4 Diagnóstico............................................................................................................12

3.4.1 Exame microscópico......................................................................................12

3.4.2 Testes rápidos de fluxo immunocromográfico ou NAAT..............................12

3.4.3 Cultura da urina ou swabs uretrais.................................................................13

3.5 Formas de transmissão..........................................................................................13

3.6 Formas de prevenção.............................................................................................13

3.7 Tratamento.............................................................................................................13

3.8 Efeitos negativos causados pela tricomoníase em caso de não ser tratada............14

4 Bibliografia...................................................................................................................15

5 Apêndice.......................................................................................................................16

5.1 Guião de entrevista dirigido aos técnicos de saúde da área clínica.......................16


iv

Resumo

O presente trabalho tem como objectivo analisar o nível de conhecimento que os técnicos de saúde
têm sobre os efeitos da Trichomonas vaginalis na saúde humana. Este faz uma abordagem teórica –
científica sobre o tema, onde são abordados os seguintes aspectos: definição do conceito
Trichomonas vaginalis, Tricomoníase, Factores que influenciam para a tricomoníase, aborda-se
também as formas de prevenção, diagnostico e tratamento, as principais causas e as suas
respectivas consequências em caso de não ser tratada.
Para efetivação dos objectivos o autor irá se basear na observação directa, questionário, método
bibliográfico e pesquisa documental. O estudo será realizado no distrito de Marara concretamente
nos centros de saúde. Serão utilizados como variáveis: tempo de serviço; numero de formações em
trabalho nos últimos três anos; sexo; categoria, formas de diagnóstico da tricomoníase; formas de
transmissão e de prevenção; grupos vulneráveis; formas de coleta de amostra; conduta a tomar
perante um caso positivo a Tricomoníase; formas de tratamento e o conhecimento sobre as
consequências da tricomoníase quando não tratada com antecedência.

Palavras – chave: Análise do nível de conhecimento, factores, Trichomonas vaginalis,


Tricomoníase, formas de diagnóstico e tratamento.
5

1. Introdução
Dados da OMS-2016 estimam que do total de novos casos que ocorrem anualmente, cerca
de 357 milhões correspondem a ITS curáveis como Sífilis (5.6 milhões), Clamídia (131
milhões), Gonorreia (78 milhões) e Tricomoníase (143 milhões). Adicionalmente, estima-
se que 536 milhões de pessoas vivem com HSV2 e aproximadamente 291 milhões de
mulheres adquirem a infecção pelo HPV. Apesar da estimativa anual para tricomoníase ser
de 200 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo, (7) a literatura científica vem
registrando em alguns países uma considerável diminuição na prevalência.

Em Moçambique os dados epidemiológicos das ITS a nível populacional são insuficientes


para serem usados como indicadores de impacto das intervenções implementadas pelo
programa de ITS-HIV/SIDA (MISAU 2018). Dados do IMASIDA 2015 indicam auto
declaração de ITS e/ou sintomas de ITS, de 7,1% entre mulheres e 7,3% em homens na
faixa etária dos 15-49 anos de idade que já tiveram relações sexuais nos últimos 12 meses.

A tricomoníase é uma parasitose sexualmente transmissível que exemplifica os fatos


supracitados, inclusive no tocante a existência de diversas cepas patogênicas do agente
etiológico Trichomonas vaginalis. (3) O parasito coloniza os epitélios do trato
genitourinário de homens e mulheres (4) e o trofozoíto, forma evolutiva infecciosa, é
transmitido preferencialmente pelo contato sexual.(3,5) No trato genital feminino, o
parasito é frequentemente relatado colonizando a vagina e ectocérvice. Indivíduos com
inflamação severa (vaginite) geralmente apresentam corrimento devido à infiltração de
leucócitos, odor anormal e prurido vulvar. A vagina e a cérvice podem apresentar lesões e
pontos hemorrágicos que produzem um aspecto de morango. O relato de dor abdominal
sugere tricomoníase urogenital superior.(5,6).

É relevante ressaltar que essa parasitose sexualmente transmissível está presente em 39%
das mulheres com neoplasia intra-epitelial cervical, provoca infertilidade em 20% dos
casos devido à adesão e oclusão tubária, induz o parto prematuro, baixo peso ao nascer,
endometrite pós-parto, feto natimorto e morte.(5,6) Os indivíduos com tricomoníase
desenvolvem infiltração maciça de leucócitos e pontos hemorrágicos nos tecidos genitais
que favorecem a transmissão do vírus HIV. (5) É importante acrescentar o aumento na
secreção de citocinas que favorecem a suscetibilidade ao HIV.(6)
6

O objetivo deste estudo é de avaliar o nível de conhecimento que os técnicos de saúde do


distrito de Marara têm sobre os efeitos da Trichomonas vaginalis na saúde humana.

1.1 Tema:
 Nível de conhecimento que os técnicos de saúde do distrito de Marara têm
sobre os efeitos da Trichomonas vaginalis na saúde humana.

1.2 Objectivos

1.2.1 Objectivo geral


 Avaliar o nível de conhecimento que os técnicos de saúde do distrito de marara têm
sobre os efeitos da Trichomonas vaginalis na saúde humana.

1.2.2 Objectivos específicos.


 Analisar o nível de conhecimento que os técnicos de saúde têm sobre as formas de
diagnóstico da Tricomoníase.
 Colher as diferentes maneiras de pensar sobre as formas de transmissão da
tricomoníase.
 Analisar nível conhecimento que os técnicos de saúde têm sobre as formas de
prevenção, conduta e tratamento da tricomoníase.

1.3 Hipóteses
Segundo BALOI, Hipóteses são soluções provisórias para o problema
formulado. Dentre as diversas hipóteses preliminares, o pesquisador opta pela mais
provável para submetê-la a testes de experiência. Para o problema em causa, o
pesquisador teve como hipóteses:
 Existência de várias fontes de infecção (diferentes fluídos corporais) pode
influenciar para o fraco conhecimento da Trichomonas vaginalis.
 Existência de vários modos de transmissão (uso de droga injectável e transfusão
sanguínea) pode influenciar para o fraco conhecimento da Trichomonas vaginalis.
 As infecções assintomáticas da Trichomonas vaginalis podem influenciar para
baixa procura de informação sobre a doença.
 A falta de um programa de abordagem especifica da tricomoníase pode levar ao
fraco conhecimento das formas de diagnóstico desta patologia.
 A Baixa colecta de amostras para o processamento no laboratório pode ser
influenciado pelo fraco conhecimento dos efeitos da Trichomonas vaginalis.
7

 O tempo de serviço pode influenciar no aumento ou diminuição do nível de


conhecimento sobre esta doença.

1.4 Problematização
As infecções sexualmente transmissíveis constituem uma das cinco categorias de doenças
infecciosas que trazem mais pacientes as redes médicas em países desenvolvidos. (1) São
doenças de difícil detecção porque os indivíduos, principalmente os homens, são na
maioria das vezes portadores assintomáticos ou oligossintomáticos. Essa realidade,
resultante de um longo processo de coevolução patógeno-hospedeiro, se agrava devido ao
acometimento de grande número de indivíduos e pelo uso indiscriminado de recursos
terapêuticos convencionais e alternativos, muitas vezes sem o respaldo do diagnóstico e/ou
prescrição médica. Essa conduta contribui sobremaneira para a indução e seleção de cepas
resistentes dos microrganismos patogênicos e geralmente potencializa os sinais e sintomas
principalmente em indivíduos suscetíveis. (2). Para melhor analise da problemática,
levanta-se a seguinte questão:

Qual é o nível de conhecimento que os técnicos de saúde do distrito de marara têm sobre
os efeitos da Trichomonas vaginalis na saúde humana?

1.5 Justificativa
As Infecções de Transmissão Sexual (ITS) encontram-se entre as infecções de mais alta
incidência no mundo causando complicações graves, afectando gravemente, de forma
inaceitável, aspectos da saúde física, mental e social das pessoas e suas famílias (OMS
2016). Dentre elas, a Sífilis, Clamídia e a Gonorreia permanecem entre as maiores causas
de morbilidade, apesar de curáveis com antibióticos. Outras, como as causadas por vírus
como o da imunodeficiência humana (HIV), Herpes simples (HSV), Papiloma vírus
humano (HPV) e Hepatite B (VHB) são incuráveis e de maior prevalência mundial (OMS
2016). A transmissão de mãe para filho pode resultar em morte fetal, morte neonatal, baixo
peso ao nascer e prematuridade, pneumonia, conjuntivite neonatal e deformidades
congénitas. A cada ano mais de 900 000 mulheres grávidas são infectadas com sífilis,
resultando em aproximadamente 350 000 desfechos de nascimento adversos, incluindo
natimortos (MISAU 2018).

As ITS como gonorreia e clamídia são as principais causas de doença inflamatória pélvica
(PID) e infertilidade em mulheres. Ademais, a maioria das Infecções de Transmissão
Sexual ocorrem em longo prazo resultando em complicações para a saúde que acarretam
8

custos directos despendidos com o seu manejo, além de causarem também grande impacto
psicossocial que se traduz em custos indiretos para a economia do País (MISAU 2018).

Avaliar o nível de conhecimento que os técnicos de saúde têm sobre os efeitos da


Trichomonas vaginalis na saúde humana poderá ajudar na elevação do plano estratégico
para o combate deste problema de saúde pública.

1.6 Delimitação do tema


De acordo com AMORIM (1998, p.6) "delimitação do tema é estabelecimento de limites
para a investigação. A pesquisa pode ser limitada em relação ao assunto selecionando um
tópico, a fim de impedir que se torne muito extenso ou muito complexo; a extensão–
porque nem sempre se pode abranger todo o âmbito onde o facto se desenrola". No
presente trabalho pretende-se estudar o nível de conhecimento que os técnicos de saúde do
distrito de marara têm sobre os efeitos da Trichomonas vaginalis na saúde humana. Este irá
abranger a todos técnicos de saúde do distrito de Marara que trabalham na área clinica.

1.7 Enquadramento do tema


Este tema está enquadrado nas cadeiras curriculares da Universidade Púngue
nomeadamente Educação Ambiental e Saúde Pública, Anatomia e Fisiologia Animal e
Humana e Microbiologia.

2 Metodologias
Segundo Barros (1986, 01), a metodologia consiste em estudar e avaliar os vários métodos
disponíveis, identificando suas limitações ou não ao nível das implicações de suas
utilizações. A metodologia, num nível aplicado, examina e avalia as técnicas de pesquisa
bem como a geração ou verificação de novos métodos que conduzem a adaptação e
processamento de informações com vista a resolução de problemas de investigação.

2.1 Tipo de pesquisa


Esta pesquisa enquadra-se no paradigma interpretativo, abordagem qualiquantitativa na
modalidade do estudo do caso e pesquisa empírica. A escolha de pesquisa empírica vem
como recurso para alcançar resultados de natureza analítica.

2.2 Definição de variáveis a testar

2.2.1 Variáveis quantitativas


 Tempo de serviço;
9

 Número de formações em trabalho nos últimos três anos.

2.2.2 Variáveis qualitativas


 Categoria;
 Formas de diagnostico da tricomoníase;
 Formas de transmissão e de prevenção;
 Grupos vulneráveis;
 Formas de coleta de amostra;
 Conduta a tomar perante um caso positivo a tricomoníase;
 Formas de tratamento;
 Conhecimentos sobre as consequências da tricomoníase quando não tratada com
antecedência.

2.3 Técnicas de recolha de dados


As técnicas (instrumentos) utilizadas para recolha de dados serão: O questionário e
observação directa.

2.3.1 Questionário
Segundo GIL, Antônio Carlos (2008), Questionário é um instrumento de coleta de dados,
constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e
sem a presença do entrevistador.

O questionário será dirigido a todos técnicos de saúde da área clinica do distrito de Marara.

2.4 Aspectos éticos


Para a efectivação desta pesquisa, serão tomados em consideração todos os aspectos éticos.
As identidades dos questionados não serão reveladas e a apresentação dos resultados do
trabalho será exclusivamente para a universidade Púngue e o serviço distrital de saúde,
mulher e acção social de Marara caso este necessite. Os manuais e documentos a usar nesta
pesquisa constam e irão constar nas referências bibliográficas e os trechos retirados dos
mesmos serão devidamente citados.

2.5 Método Bibliográfico


Através deste método, o autor fará a selecção cautelosa de algumas obras literárias de
diferentes autores e alguns manuais de saúde. Para tal, serão selecionados manuais com
conceitos de Tricomoníase, ITS/HIV-SIDA e de situação epidemiológica da tricomoníase
10

mundial e em Moçambique com objectivo de recolha de informação para a fundamentação


e sustentação teórica da pesquisa.

2.6 Pesquisa documental


Com esta técnica far-se-á a recolha de dados referente ao número de amostras recebidas de
pacientes com suspeita da tricomoníase nos laboratórios do distrito de Marara durante o
ano 2019.

2.7 População alvo ou universo


Para esta pesquisa, a população é constituída por técnicos de saúde da área clinica do
distrito de Marara. A escolha destes deve-se ao facto de ser o potencial alvo na
identificação e diagnostico dos pacientes com a tricomoníase.

2.8 Tipo de Amostragem e Amostra


O tipo de amostragem utilizado para esta pesquisa será a Amostragem probabilística
aleatória simples. De acordo com Antunes, R. (2011), uma amostra aleatória simples é um
subconjunto de indivíduos (a amostra) selecionado totalmente ao acaso a partir de um
conjunto maior (a população) por um processo que garanta que todos os indivíduos da
população têm a mesma probabilidade de ser escolhidos para a amostra.

2.9 Amostra
O estudo será desenvolvido com a utilização de uma amostra probabilística, isto é,
aleatória simples, tomando-se um grupo composto por 48 técnicos da área clinica dum total
de 55 técnicos existentes no distrito, tendo sido reservado o índice de confiança de 95%. A
escolha destes deveu-se pelo facto de serem os responsáveis na identificação e diagnostico
das doenças. Utilizando-se um procedimento aleatório, sorteia-se um elemento da
população, repete-se o processo até que sejam sorteadas as 48 unidades na amostra. Este
grupo será identificado nas unidades sanitárias do distrito de marara.

3 Fundamentação teórica

3.1 Tricomoníase - definição


Tricomoníase é a infecção da vagina ou do trato genital masculino causada
por Trichomonas vaginalis. Pode ser assintomática ou produzir uretrite, vaginite ou,
ocasionalmente, cistite, epididimite ou prostatite. O diagnóstico é feito por meio de exame
11

microscópico direto, testes de tira reagente ou testes de amplificação de ácido nucleico das
secreções vaginais, por urina ou cultura uretral.

3.2 T. vaginalis 
T. vaginalis  é um protozoário que foi descrito pelo médico francês Alfred Donné, em
1836. Ele é considerado o agente etiológico da tricomoníase, é um protozoário flagelado
sexualmente transmitido que infecta homens com menos frequência do que mulheres
(aproximadamente 20% das mulheres em idade fértil), (Rein, 1995). A infecção pode ser
assintomática em ambos os sexos, mas assintomática é a regra para homens. Em homens, o
organismo pode persistir por longos períodos no trato geniturinário sem provocar sintomas
e pode ser transmitido involuntariamente a parceiros sexuais. Tricomoníase pode responder
por 5 a 15% das uretrites masculinas não gonocócicas e não clamídicas em algumas áreas.

3.3 Sinais e sintomas

3.3.1 Sinais e sintomas nas mulheres


Mulheres podem apresentar sintomas que variam de nenhuma secreção vaginal à secreção
vaginal copiosa amarelo-esverdeada e espumosa com sensibilidade na vulva e no períneo,
coceira, odor forte e desagradável, irritação vulvar, dor, dificuldade de urinar. Uma
infecção previamente assintomática pode se tornar sintomática a qualquer momento, com
inflamação da vulva e do períneo e edema de lábios. As paredes vaginais e a superfície da
cérvice podem apresentar lesões puntiformes, em tom “vermelho-morango”. Uretrite e,
possivelmente, cistite também podem ocorrer.

3.3.2 Sinais e sintomas nos homens


Homens normalmente são assintomáticos; porém, algumas vezes, a uretrite resulta em uma
secreção que pode ser passageira, espumosa ou purulenta, ou causar disúria e polaciúria,
em geral no início da manhã. Com frequência, a uretrite é leve e causa apenas irritação
uretral mínima e umidade ocasional no meato uretral, sob o prepúcio, ou em ambos.
Epididimite e prostatite são complicações raras.

3.4 Diagnóstico
Exame microscópico das secreções vaginais, testes de tira reagente ou testes de
amplificação de ácido nucleico (NAATs) e Cultura da urina ou swabs uretrais de homens.
12

Suspeita-se de tricomoníase em mulheres com vaginite, em homens com uretrite e em seus


parceiros. A suspeita é forte se os sintomas persistirem após avaliação e tratamento para
outras infecções como gonorreia e infecções por clamídia, micoplasma e Ureaplasma.

Em mulheres, o diagnóstico é baseado em critérios clínicos e testes em pontos de


atendimento. Um dos seguintes testes feitos em pontos de atendimento pode ser feito
exame microscópico direto das secreções vaginais e testes rápidos de fluxo
Imunocromográfico.

3.4.1 Exame microscópico 


Exame microscópico é o método mais simples e permite que os médicos testem a
tricomoníase e a vaginose bacteriana ao mesmo tempo. Os testes para as duas infecções
devem ser feitos porque elas causam sintomas semelhantes e/ou podem coexistir. Secreção
vaginal é obtida do fórnix posterior. O pH é medido. Em seguida, as secreções são
colocadas entre 2 lâminas e diluídas com hidróxido de potássio a 10% em uma lâmina
(exame a fresco com KOH) e com cloreto de sódio a 0,9% na outra (exame a fresco com
soro fisiológico). Para o teste do cheiro, a amostra de KOH é marcada por odor de peixe,
decorrente das aminas produzidas na vaginite por tricomonas ou vaginite bacteriana. A
lâmina úmida com solução salina é examinada ao microscópio óptico o mais rápido
possível para detectar tricomonas, que podem se tornar imóveis e mais difíceis de
reconhecer minutos após a preparação da lâmina. (Os tricomonas tem a forma de pera com
flagelos, muitas vezes móveis, e em média têm 7 a 10 μm — aproximadamente o tamanho
dos leucócitos, mas ocasionalmente alcançam 25 μm.) Se houver tricomoníase, haverá
também numerosos neutrófilos. Tricomoníase também é comumente diagnosticada
visualizando o organismo quando o teste de Papanicolaou (Pap) é feito.

3.4.2 Testes rápidos de fluxo immunocromográfico ou NAAT


Testes rápidos de fluxo immunocromográfico ou NAAT,que estão disponíveis a partir de
alguns laboratórios, podem ser feitos. Em mulheres, esses testes são mais sensíveis do que
microscopia ou cultura. Além disso, NAAT pode ser configurado para detectar
simultaneamente outros organismos ou outras doenças sexualmente transmissíveis como
gonorreia ou infecção por clamídia.
13

3.4.3 Cultura da urina ou swabs uretrais


 É o único teste validado para detectar T. vaginalis em homens. Em homens, a microscopia
da urina é insensível, e testes rápidos não foram rigorosamente validados; mas estudos
epidemiológicos sugerem que, para swabs uretrais são melhores do que urina.

Assim como no diagnóstico de qualquer DST, pacientes com tricomoníase devem realizar
testes a fim de excluir outras DST comuns, como gonorreia e infecção por clamídia.

3.5 Formas de transmissão

A transmissão da tricomoníase ocorre, comumente, via contato sexual. São raros os casos
de contágio por meio de objetos contaminados, como assentos de vasos sanitários. A
doença atinge a parte externa do aparelho genital feminino, como vulva e uretra, causando
ardência, coceira, dor abdominal, ao urinar e durante a relação sexual e corrimento
amarelado ou esverdeado com mau cheiro.

3.6 Formas de prevenção

Sendo uma doença sexualmente transmissível, a melhor forma de prevenção é o uso de


preservativo em todas as relações sexuais.

3.7 Tratamento
Metronidazol ou tinidazol oral

Tratamento dos parceiros sexuais

Metronidazol ou tinidazol, 2 g, VO, em dose única, cura até 95% das mulheres quando os
parceiros sexuais são tratados simultaneamente. A efetividade de esquemas de única dose
em homens não é evidente, de modo que o tratamento em geral é feito com metronidazol
ou tinidazol, 500 mg, VO, 2 vezes/dia, durante 5 a 7 dias.

Se a infecção persistir nas mulheres e a reinfecção por parceiros sexuais foi excluída, as
mulheres são retratadas primeiro com metronidazol ou tinidazol 2 g VO uma vez ou
metronidazol 500 mg 2 vezes ao dia, por 7 dias. Se o esquema inicial de retratamento
falhar, metronidazol ou tinidazol 2 g 1 vez/dia durante 5 dias pode ser eficaz.

O metronidazol pode causar leucopenia, reações semelhantes às de dissulfiram com álcool,


ou superinfecções por Cândida. É relativamente contraindicado no início da gestação,
14

embora possa não apresentar risco ao feto após o 1º trimestre. A segurança do tinidazol na
gestação não foi comprovada e, portanto, este não é utilizado.

Parceiros sexuais devem ser vistos e tratados para tricomoníase com tinidazol 2 g em dose
única ou metronidazol 500 mg 2 vezes ao dia por 5 dias e devem ser examinados para
outras doenças sexualmente transmissíveis. Se houver probabilidade de má aderência ao
acompanhamento clínico pelos parceiros sexuais, o tratamento pode ser iniciado em
parceiros sexuais de pacientes com tricomoníase documentada, sem confirmação de
diagnóstico no parceiro.

3.8 Efeitos negativos causados pela tricomoníase em caso de não ser tratada
É relevante ressaltar que essa parasitose sexualmente transmissível está presente em 39%
das mulheres com neoplasia intra-epitelial cervical, provoca infertilidade em 20% dos
casos devido à adesão e oclusão tubária, induz o parto prematuro, baixo peso ao nascer,
endometrite pós-parto, feto natimorto e morte. (5,6) Os indivíduos com tricomoníase
desenvolvem infiltração maciça de leucócitos e pontos hemorrágicos nos tecidos genitais
que favorecem a transmissão do vírus HIV.
15

4 Bibliografia
1. Dollabetta G, Lyn M, Laga M, Islam M. DST: impacto global do problema e
desafios para o controle. In: Dollabetta G, Laga M, Lamptey P. Dallabetta G, Laga
M, Lamptey P. Controle de doenças sexualmente transmissíveis: manual de
planejamento e coordenação de programas. Belo Horizonte: Te Corá; 1997. p.1-22.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Coordenação Nacional de DST e AIDS. Manual de
controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). 4a ed. Brasília (DF):
Ministério da Saúde; 2006.
3. Tucci V, Toney JF. Not so benign: the clinical manifestations, diagnosis and
treatment of trichomoniasis in men. Asian Biomed. 2008;2(2):91-100.

4. Almeida MS, Argôlo DS, Almeida Júnior JS, Pinheiro MS, Brito AM.
[Trichomoniasis: prevalence in the female gender in 2004-2005 in Sergipe State,
Brazil]. Cien Saude Coletiva. 2010;15 Suppl 1:1417-21. Portuguese.

5. Sood S, Kapil A. An update on Trichomonas vaginalis. Indian J Sex Dis. 2008;29:7-


14

6. Maciel GP, Tasca T, De Carli GA. [Clinical features, pathogenesis and diagnosis of
Trichomonas vaginalis]. J Bras Patol Med Lab. 2004;40(3):152-160.Portuguese.

7. World Health Organization. Strategies and laboratory methods for strengthening


surveillance of sexually transmitted infection. Geneva: WHO; 2011.

8. dyspareunia associated with vaginal infection]. Rev Mex Patol Clin. 2011;58(4):201-
3. Spanish.

9. GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo : Atlas,
2008.

10. Rein MF. Trichomonas vaginalis. In: Mandell GL, Bennet JE, Dolin R,
editors. Principles and practice of infectious diseases. New York: Churchill
Livingstone; 1995. p. 2493-2497. 

11. Lima, Geraldo Rodrigues de; Girão, Manoel J.B.C.; Baracat, Edmund Chada.
Doenças Sexualmente Transmissíveis. In: Ginecologia de Consultório. 2003.1ª
Edição. P.193-210. Editora de Projetos Médicos. São Paulo-SP.
16

5 Apêndice

5.1 Guião de entrevista dirigido aos técnicos de saúde da área clínica


Caro funcionário da saúde, pedimos para que preencha o questionário que é lhe dirigido
sem colocar a sua identificação pessoal. Este questionário será utilizado para fins
exclusivamente pré-estabelecidos e o mesmo conta com autorização do serviço distrital de
saúde, mulher e acção social de Marara.

Coloque “X” no espaço em branco que lhe achar conveniente com a sua resposta e
responda nos espaços onde for necessário para responder.

Nome da US: Sexo: Tempo de serviço Categoria


___________
F M 0 a 2anos >2 anos Médico TMG ESMI Enfermeiro/a
____________
__ __ ___ __ ____ _____ ____ _____

1. Já ouviu falar da tricomoníase?


Sim___________, um pouco__________, Nunca___________________________
2. Tem alguma noção do agente etiológico desta patologia?
Sim_______, Não_____, se sim qual é?___________________________________
3. Tem alguma noção dos sinais e sintomas desta doença?
Sim___, Não___, se sim mencione pelo menos
dois_______________________________________________________________
4. Sabe como esta doença pode ser transmitida?
Sim___, Não______, se sim mencione pelo menos duas formas:
___________________________________________________________________
5. Tem alguma noção sobre as formas de prevenção desta doença?
Sim___, Não___, se sim mencione pelo menos duas formas de
prevenção___________________________________________________________
6. Tem alguma noção sobre quais são as pessoas vulneráveis para esta doença?
Sim____, Não____, se sim mencione pelo menos
dois:_______________________________________________________________
7. Tem alguma informação sobre as formas de coleta de amostra para o diagnóstico
desta doença?
Sim_____, não_____, Mencione pelo menos uma___________________________
8. Quantas amostras enviou ao Laboratório para o diagnóstico durante o ano 2019?
17

1 a 5____, mais que 5___, nenhuma____, já não me lembro___, Não aplicável______

9. Sabe qual é a conduta a tomar perante um caso positivo a tricomoníase?


Sim____, Não______, se sim, mencione pelo menos
uma:_______________________________________________________________

10. Tem alguma noção sobre os medicamentos usados para o tratamento da


tricomoníase?
Sim______, Não_____, se sim mencione-os_______________________________
11. Tem alguma noção sobre os perigos causados pela tricomoníase na saúde humana
quando não tratada?
Sim____, Não______, Se sim, mencione pelo menos
dois_______________________________________________________________.
12. Quantas formações em trabalho ligadas a ITS ou ITS/HIV-SIDA você teve nos
últimos três anos?

1 a 3 ____________, > 3 a 5___________, > 5____________nenhuma____________.

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