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3/30/2020 Uma Visão Reformada: A ICAR e o intervencionismo estatal

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Uma Visão Reformada


"Estar em silêncio em um tempo como este é negar o Senhor, abandonar a fé e ceder ao inimigo." [Rushdoony]

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A ICAR e o intervencionismo estatal.

[O presente artigo deve muito ao trabalho de John Robbins.]


O meio conservador brasileiro possui uma grande porcentagem de católicos romanos. Esses
católicos têm lutado contra o socialismo e também contra o intervencionismo estatal e apoiado o
sistema de livre mercado. Mas será que eles conhecem a Doutrina Social de sua Igreja? Será que
eles conhecem o real posicionamento da Igreja Católica Apostólica Romana e como ela participou
da construção do intervencionismo estatal no século XX?  
 


Eles não esquecem de lembrar comumente, cheios de orgulho, que o papa João Paulo II combateu
o comunismo especialmente na Polônia e na URSS [Nota: sem a política conservadora e o
nacionalismo americano, que é essencialmente protestante, nada disso seria possível]. Isso é um
fato. Mas não sabem eles que o catolicismo também condena o capitalismo?  

Querem alguns deles também jogar toda a culpa dos posicionamentos errados assumidos pela
Igreja no século XX na infiltração de agentes inimigos em seu meio. Mas esta é a verdade?
Mostraremos que não. 
 


“O destino universal dos bens”. Esta é a expressão de João Paulo II (o mesmo que combateu o
comunismo) em sua encíclica “A Preocupação Social”. 
 


“Está nisto uma das razões por que a doutrina social da Igreja adopta uma atitude
crítica, quer em relação ao capitalismo liberalista, quer em relação ao colectivismo
marxista.”[1]

“É necessário recordar mais uma vez o princípio típico da doutrina social cristã: os bens
deste mundo são originariamente destinados a todos. O direito à propriedade privada é
válido e necessário, mas não anula o valor de tal princípio. Sobre a propriedade, de
facto, grava ‘uma hipoteca social’, quer dizer, nela é reconhecida, como qualidade
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intrínseca, uma função social, fundada e justificada precisamente pelo princípio da
destinação universal dos bens. Nem se há de descurar, neste empenhamento pelos
pobres, aquela forma especial de pobreza que é a privação dos direitos fundamentais da
pessoa, em particular, do direito à liberdade religiosa e, ainda, do direito à iniciativa
econômica.” 
 [1]


Alguns católicos romanos mais teimosos e menos instruídos podem alegar que esse posicionamento
do Papa João Paulo II está errado, mas que a Igreja antes não era assim. Tal objeção seria
simplesmente ridícula. Eis o que diz  a bula “Alegria e Esperança”, da Constituição do Vaticano II: 


“Aquele, porém, que se encontra em extrema necessidade, tem direito de tomar, dos
bens dos outros, o que necessita. Sendo tão numerosos os que no mundo padecem fome,
o sagrado Concílio insiste com todos, indivíduos e autoridades, para que, recordados
daquela palavra dos Padres - 'alimenta o que padece fome, porque, se o não
alimentaste, mataste-o’ - repartam realmente e distribuam os seus bens, procurando
sobretudo prover esses indivíduos e povos daqueles auxílios que lhes permitam ajudar-se
e desenvolver-se a si mesmos.” [2]

João XXIII, em “Mãe e Mestra”, na sessão “Iniciativa pessoal e intervenção dos poderes públicos em
matéria econômica”, escreveu: 


“Mas nele, pelas razões já aduzidas pelos nossos predecessores, devem intervir também
os poderes públicos com o fim de promoverem devidamente o acréscimo de produção
para o progresso social e em beneficio de todos os cidadãos.” [3]

Incrível, não? Os católicos acreditam que existem situações onde o roubo é lícito e por isso
defendem que as forças públicas intervenham em matéria econômica.  
 
Agora, comparemos o que
o papa João Paulo II disse com o que afirmou Lyndon Johnson, que assumiu a presidência nos EUA
após a morte de Kennedy (e começou a criar programas de assistencialismo estatal que geraram
verdadeiros monstros econômicos criticados por Ronald Reagan, queridinho até pelos
conservadores católicos romanos) no contexto de seu projeto “Great Society”: 
 


“Direitos Humanos são mais importantes que a propriedade privada… Nós precisamos
tirar de quem tem para dar a quem não tem.” 


Ironicamente, os conservadores católicos romanos no Brasil condenam o intervencionismo estatal


que é defendido pela Igreja de Roma por uma dedução lógica de sua cosmovisão. 
 
Mas será possível
estabelecer, a partir dessas citações, alguma relação real entre a Igreja Católica Romana e a
execução de políticas econômicas intervencionistas  em países desenvolvidos?  
 
Sim. E os próprios
papas respondem a essa pergunta. 
 


RERUM NOVARUM E O CINISMO DA SÉ ROMANA. 

Tantas vezes citada pelo cômico e famoso padre Paulo Ricardo, a bula Rerum Novarum (que
significa “Inovações”) foi a voz da autoridade moral necessária para resolver a interferência
efetiva de todos os governos do século XX. Na Encíclica Quadragesimo Anno (Comemorando o 40º
aniversário da Rerum Novarum), Pio XI escreveu: 

“Não é pois de admirar, que muitos sábios quer eclesiásticos quer leigos se aplicassem
diligentemente, seguindo a orientação dada pela Igreja, a desenvolver a ciência social e

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econômica, conforme as exigências do nosso tempo, levados sobretudo do desejo de
tornar a doutrina inalterada e inalterável da Igreja mais eficaz para remediar as
necessidades modernas. Foi assim que à luz e sob o impulso da encíclica de Leão XIII
nasceu uma verdadeira ciência social católica, cultivada e enriquecida continuamente
pela indefessa aplicação d'aqueles varões escolhidos, que chamamos ‘cooperadores da
Igreja’. (…) A doutrina ensinada na encíclica  “Rerum novarum”  impôs-se
insensivelmente à atenção d'aqueles mesmos que, separados da unidade católica, não
reconhecem a autoridade da Igreja ; e assim os princípios de sociologia católica entraram
pouco a pouco no patrimônio de toda a sociedade humana ; e as verdades eternas, tão
altamente proclamadas pela santa memória do Nosso Predecessor, vemo-las
frequentemente citadas e defendidas não só em jornais e livros mesmo católicos, mas
até nos parlamentos e tribunais.” 
 
[4]

Percebem como eles orgulham-se de enfiar sua doutrina distorcida nas mentes protestantes?
“Aqueles separados da unidade católica”, que com suor e sangue desenvolveram estruturas
políticas capazes de produzir oportunidade e mercado propício para a melhoria na qualidade de
vida de seus cidadãos agora deixaram-se infestar pelas ideias daquela que, repreendendo a
cosmovisão cristã reformada (evangélica), sustentaram países econômica e politicamente
anêmicos. A primeira causa da diferença entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, entre os
EUA e a América Latina, é uma só: a diferença entre a visão de mundo evangélica e a visão de
mundo católico-romana.

Com a força da Inquisição na luta contra a “heresia luterana”, a Contrarreforma instalou-se nos
países da América Espanhola e criou sociedades estruturalmente desiguais e esse foi o terreno
fértil pro avanço do Iluminismo. Finalmente, o catolicismo só sobreviveu na Europa e nos países
latinos através da defesa militar e da  instalação de ditaduras, ao contrário dos países
protestantes, que conservaram-se muito melhor, atrasando as garras Revolução em cerca de 200
anos. Os princípios reformados, especialmente calvinistas, reestruturaram a sociedade de uma
perspectiva genuinamente cristã, criando sociedades menos suscetíveis às ideias revolucionárias. A
Reforma Protestante foi, portanto, uma antítese ao humanismo como visão de mundo. Nietzsche
chegou a dizer: 
 


“Se Lutero tivesse sido queimado, como Hus, o início do Iluminismo talvez teria ocorrido
um pouco antes, e mais esplendidamente do que podemos imaginar agora.” [5]  

O próprio Olavo de Carvalho reconhece esse caráter contrarrevolucionário da Reforma


Protestante: 

“A Reforma Luterana, sobrevindo no rastro dessa avalanche, foi no fim das contas o
contra-movimento que deteu a revolução e permitiu que o cristianismo sobrevivesse em
algumas áreas onde ele ameaçava reduzir-se, com quatro séculos de antecedência, em
uma espécie de teologia da libertação, com padres enfurecidos pregando a revolução
permanente e matança geral dos ricos.” [6]. 
 


O professor também reconhece o desenvolvimento raquítico dos países católicos: 

“O Papado, assustado com a rebelião protestante, atormentado de suspeitas contra tudo


e contra todos, e ao mesmo tempo fortalecido pela súbita ascensão das monarquias
católicas que as navegações haviam enriquecido, fechou-se numa hierarquia rígida e
numa reivindicação de poder absoluto, eliminando o que restava do pluralismo medieval
e sufocando a iniciativa de auto-organização da sociedade. (…) Em contrapartida, o
autoritarismo papal e monárquico criou sociedades anêmicas, desfibradas, intimidadas e
corrompidas pela subserviência à burocracia onipotente.” [7]  
 


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Vemos então com quão grande cinismo os papas têm tratado o problema da desigualdade entre os
países desenvolvidos e subdesenvolvidos, como se a igreja de Roma não fosse corresponsável por
essa desigualdade. 
 
[Nota: Quanto às incoerências do Olavo a respeito da Reforma, elas são fruto,
em primeiro lugar de uma visão idealizada do catolicismo produzido por sua Eclesiologia sofística e
também pela ausência do pensamento reformado entre os estudos do professor. A refutação aos
comentários do professor a esse respeito serão tratados em um local apropriado, pois não é esse o
nosso foco.]  
 
Mas além da confissão orgulhosa dos próprios católicos a respeito de sua
interferência nas diretrizes econômicas dos países desenvolvidos, podemos averiguar algumas
associações vergonhosas, como o acordo entre a Santa Sé e Mussolini. 
 


A ICAR E O FASCISMO. 

Quando o rei Vitor Emanuell II invadiu Roma em 1870, sepultava-se o poder secular do papa. A
Igreja Romana perdia até mesmo os Estados Pontifícios, conseguidos mediante a doação do rei
Pepino, o Breve, em 756. (Inclusive, os historiadores entendem que foi nesse período que começou
a circular o documento falso chamado “Falsa Doação de Constantino” [8] que a Igreja Católica
usou durante toda a Idade Média para manter seu poder sobre os reis no Império e conseguir
propriedades; os Estados Papais foram conseguidos e sustentados em cima desses documentos
falsos). O papa negava-se a aceitar a situação que nasceu no processo de unificação da Itália e
assim começava a conhecida “Questão Romana”. 

Décadas depois, embora tenha negado as primeiras propostas do governo italiano, em 1929 a Santa
Sé assinou o Tratado de Latrão, pelo qual oficializou a existência do Estado do Vaticano, além de
receber gordas indenizações (750 milhões de liras em dinheiro e 1 bilhão em títulos) e uma renda
anual de 4 milhões e meio de dólares. Em troca, o Vaticano reconheceria a legitimidade do
governo italiano. Segundo o historiador John Pollard, esse dinheiro foi fundamental para que o
Vaticano se consolidasse financeiramente, tendo investido em ações e propriedades, que são
chamados de “Patrimônio Mundial da Santa Sé”. Mas, a despeito dos muitos interesses envolvidos
no Pacto Lateranense, podemos ver um pouco mais nessa aliança. 
 


No dia 15 de fevereiro de 1929, o jornal da Igreja Católica chamado “Osservatore Romano”


publicou um discurso do papa Pio XI que dizia: “Devemos dizer que fomos também da outra parte
nobremente acompanhados. Um homem era necessário como aquele que a Providência colocou em
nosso caminho: um homem que não partilhasse da escola liberal […] é então com grande satisfação
que cremos com isso ter dado a Deus à Itália e a Itália a Deus.” 
 
Ora, esse discurso deixa claro que
existia uma concordância entre a visão da Sé Romana e do fascismo no que diz respeito à
economia. Ainda que posteriormente e com justiça a Igreja de Roma tenha se pronunciado contra
os crimes do fascismo, e tenha tentado evitar os abusos do governo italiano, eles têm uma história
em comum e pontos de concordância e a benção papal foi importante para a consolidação inicial
de Mussolini. 
 [9]

Devemos perguntar-nos: qual é a origem do posicionamento católico a esse respeito? Não há


incoerência nas afirmações citadas anteriormente com a teologia católica oficial. Ela na verdade é
coerente com o ensino oficial, e a origem da Doutrina Social da igreja romana firmou-se em Tomás
de Aquino. 
 


TOMÁS DE AQUINO E ROBIN HOOD. 
 


Henry William Spiegel escreveu:

“Tomás de Aquino não escreveu nenhum tratado econômico, mas seu pensamento,
baseado em Aristóteles, é fundamental para a compreensão do pensamento econômico
da Igreja Católica Romana.”[8]

Busquemos então a raiz da Doutrina Social romanista.

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“A comunhão de bens é pertencente à lei natural; não que a lei natural dite que todas as
coisas sejam possuídas em comunhão e que nada possa ser propriedade individual
(privada), mas porque a divisão dos bens não se dá de acordo com a lei natural, mas é
oriunda do acordo humano, que pertence à lei positiva (…) Portanto, a posse de bens é
não contrária à lei natural, mas adicionada a ela pela razão humana.” [10] 
 


Com essa citação vemos a compreensão tomista da propriedade e dos bens. Vejamos, a seguir,
algum bem controverso: 
 

 
“A necessidade torna todas as coisas comuns. E, portanto parece não cometer pecado
quem se apodera da coisa de outrem levado pela necessidade, que lhe tornou essa coisa
comum.“ 
[10] 


“É legal para um homem socorrer sua própria necessidade por meio de propriedade
alheia, tomando-a tanto abertamente quanto secretamente. Isso não é, tecnicamente
falando, roubo ou furto, tomar secretamente e fazer uso de propriedade alheia em razão
da extrema necessidade. Porque aquilo que o homem toma para preservar a própria vida
torna-se sua própria propriedade em razão da necessidade… E no caso da necessidade de
um homem, o seu próximo pode tomar a propriedade de um terceiro no intuito de
socorrer a necessidade de seu próximo”. 
 [10] 


Uau, Robin Hood! O conceito de necessidade não foi bem definido, já que os papas defendem que
o acesso a bens manufaturados produzidos nos países desenvolvidos deveriam ser distribuídos aos
países subdesenvolvidos; e isso é bem mais do que apenas um caso de fome imediata.
Relembremos as palavras do Concílio Vaticano II: 
 


“Aquele, porém, que se encontra em extrema necessidade, tem direito de tomar, dos
bens dos outros, o que necessita. Sendo tão numerosos os que no mundo padecem fome,
o sagrado Concílio insiste com todos, indivíduos e autoridades, para que, recordados
daquela palavra dos Padres - 'alimenta o que padece fome, porque, se o não
alimentaste, mataste-o’ - repartam realmente e distribuam os seus bens, procurando
sobretudo prover esses indivíduos e povos daqueles auxílios que lhes permitam ajudar-se
e desenvolver-se a si mesmos.” 
 


Há, portanto, total coerência no posicionamento da igreja romana sobre o intervencionismo


estatal.  
 


Mas Tomás de Aquino está certo? 
 

CRÍTICAS A TOMÁS DE AQUINO 
 


Em primeiro lugar, é questionável todo o posicionamento de Tomás de Aquino em relação à


propriedade. Tomás de Aquino baseia sua opinião nas especulações a respeito da suposta “lei
natural”. Mas a Bíblia mostra que Deus reconhece indefectivelmente a propriedade. A Lei de Deus
é clara: não roubarás nem cobiçarás os pertences do teu próximo. Deus não abre exceções. Está
implícito que Deus reconhece a propriedade privada como sendo real, legítima, e não há qualquer
alusão a uma mera convenção positiva feita por acordo dos homens. As especulações tomistas
nesse sentido demonstram o erro básico de Tomás de Aquino: o método. Tomás de Aquino,
buscando apoiar no caso específico as leis meramente na razão e na ontologia, negligencia os
pressupostos revelados. 
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É claro que, em relação à propriedade privada, a Lei Mosaica, ao mesmo tempo em que a
reconhece, impõe-lhe limites. Ela preceitua, por exemplo, que os grandes donos de terra deveriam
reservar uma área periférica de suas propriedades para que os pobres pudessem cultivar seus
próprios alimentos. Mas existe uma grande diferença entre limitar a propriedade privada e roubá-
la, como Aquino defende. O próprio Agostinho de Hipona, por exemplo, discorda da legalidade do
roubo para auxiliar um necessitado.  
 


Curiosamente, Aquino diz simplesmente: “A necessidade torna todas as coisas comuns”. É uma
afirmação ridícula. Calvino tavlez dissesse que o erro de Aquino aconteceu porque o mesmo não
exercitava-se nas Escrituras. Vejamos um provérbio numa tradução dos próprios católicos romanos:




"Não se despreza o ladrão quando furta para satisfazer os apetites, quando tem fome; se for preso,
restituirá sete vezes mais e restituirá todos os bens de sua casa.”(Provérbios 6:30-31; Bíblia Ave
Maria) 

Está claro que o ladrão não é justificável quando rouba pra saciar sua fome, como Aquino
erroneamente defende. O ladrão não é “desprezado”. Como assevera ainda meu amigo Leonardo
Bruno Galdino em seu blog [11], o contexto mostra que o autor do provérbio compara tal furto com
as consequências do adultério, que, na tradução católica, condena o adúltero a despeito de
qualquer situação que lhe seja imposta. 

A influência de Aquino não se fez negativa apenas por causa disso. Seguindo a tradição do
moralismo medieval, Aquino considerava qualquer acúmulo de riquezas como avareza, ou seja,
pecado. Especificamente esse julgamento de Aquino foi criticado pelo cardeal Caetano [12], um
dos pioneiros na ciência econômica e pós-escolástico estudioso do próprio Aquino. Caetano
considerava a condenação de Tomás exagerada. A condenação que Aquino também sustentou
contra a usura foi uma das principais razões para o atraso dos países católicos em relação ao
desenvolvimento do capitalismo e, portanto, do atraso econômico desses países, que mantiveram-
se ainda dependentes do colonialismo. Nos países protestantes, a interpretação de João Calvino
sobre a usura (contra a interpretação católica) abriu espaço para o desenvolvimento do livre
mercado em alguns países do norte da Europa. 

Portanto, a base que sustenta o posicionamento do intervencionismo estatal do catolicismo


romano é falsa. A Bíblia não dá direito a tocar na propriedade privada de outrem, ainda que
condene quem não pratique caridade. Deus considera a vontade do proprietário e o condena pela
falta de caridade, mas não legitima o intervencionismo estatal ou o roubo. Quando os católicos
conservadores brasileiros defendem o liberalismo na economia e combatem o intervencionismo
estatal, estão claramente indo contra o ensinamento do Magistério que advogam!

É inegável, pois, como diz John Robbins, a participação da ICAR, e seus “homens escolhidos,
chamados de ‘auxiliares da Igreja’ [referência a uma expressão usada na 'Quadragésimo Ano’], que
têm sido importantes para o fim do sistema de livres empresas do século XIX e substituído pelo
sistema de interferência estatal no século XX.” [13]

FONTES:

[1] http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-
ii_enc_30121987_sollicitudo-rei-socialis_po.html 
 


[2] http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-
ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html 
 


[3] http://w2.vatican.va/content/john-xxiii/pt/encyclicals/documents/hf_j-
xxiii_enc_15051961_mater.html 


[4] http://w2.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-

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xi_enc_19310515_quadragesimo-anno.html 
 

[5] Nietzsches Werke, Lipzig, 1889-1904, I, ii, pp. 224-225

[6] Olavo de Carvalho, “A Autoridade Religiosa do Mal”.

[7] Olavo de Carvalho, “Cultura e desenvolvimento econômico”

[8] http://conhecereis-a-verdade.blogspot.com.br/2012/10/a-doacao-de-constantino-e-
outras.html e http://www.historiadomundo.com.br/idade-antiga/a-doacao-de-constantino.htm

[9] http://www.osservatoreromano.va/pt/news/e-pio-xi-escreveu-a-mussolini-os-judeus-doaram-
nos

[10] Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, Q. 66, art. 7º;


http://www.permanencia.org.br/drupal/node/5108 

[11] http://lbgaldino.tumblr.com/

[12] http://www.ubirataniorio.org/index.php/occasional/217-esc2

[13] John W. Robbins, Ecclesiastical Megalomania. 

Postado por Antonio Vitor às 12:12

4 comentários:

Gustavo 20 de fevereiro de 2019 04:47


Vitor,tem um artigo de crítica
a Chesterton que eu não consigo acessar,poderia dar uma pincelada sobre o assunto.
Responder

Matheus 19 de maio de 2019 20:58


Vitor, você tem visão uma liber
tária?

Responder

Respostas

Antonio Vitor 2 de agosto de 2019 19:13


Não um libertarianismo como o de Rothbard, que considero tão anti-cristão quanto o marxismo, mas uma espécie de
libertarianismo cristão. Talvez seja um pouco difícil para você entender, sem conhecer exatamente os pressupostos reformados.
Em resumo, minha visão assume a ciência econômica como legítima, admitindo as leis de mercado dentro do que o filósofo
Herman Dooyeweerd chamava de "soberania das esferas". A esfera econômica tem sua dinâmica própria dentro da criação de
Deus. A visão calvinista-reformada é a mais próxima do libertarianismo.

Responder

Matheus 19 de maio de 2019 21:02

Seu blog foi uma luz, para entender melhor o protestantismo, apologista católicos são vorazes
Responder

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