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Pontifícia Universidade Católica de São Paulo


Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção

TEOLOGIA DA GRAÇA: A SUA COMPREENSÃO HOJE

(Apostila em construção e de uso restrito em aula)!


INTRODUÇÃO

Ao se voltar para a teologia da graça, não é muito difícil perceber que se está
diante de um tema de teor místico. Sabe-se que o grande desafio consiste em entender
que “a graça é a essência mesma da solicitude divina para com o homem, tal como se
encarna em Jesus Cristo e se comunica ao mais profundo da natureza humana com o dom
do Espírito Santo. Resume igualmente a relação que, a partir desse dom, se instaura entre
Deus e um homem, que terá ainda necessidade da graça para corresponder à graça”
(FABER, 2014, p. 777). A partir da teologia cristã, é possível argumentar que a graça é
uma das realidades centrais e definidoras da fé cristã. As sondagens filosóficas remetem
à origem latina do termo gratia, para designar a noção de favor. “Na linguagem teológica,
dom gratuito concedido por Deus a um crente concernente à sua salvação, à remissão de
seus pecados ou à sua constância na provação — graça natural, quando o eleva ao estado
sobrenatural; graça atual, quando lhe permite praticar o bem e evitar o mal. Foi a propósito
da graça que se desenvolveu a querela da casuística1” (JAPIASSU; MARCONDES, 2006,
p.123).
Antes de qualquer outra ponderação sobre a teologia da graça, é importante
entender que a graça divina se efetiva na história mediante a sua acolhida pelo ser
humano, como ser propriamente histórico. A graça não é uma realidade etérea, mas uma
ação divina na vida humana. A mística cristã possibilita entender que a boa ação humana
é sempre um ato segundo, pois desprovido da graça divina ele é incapaz do bem. Ao tratar
da doutrina da graça, portanto, transita-se efetivamente na seara antropológica. O dom da
graça divina perpassa também o dinamismo histórico e precisa se captado, interpretado,
notado e atualizado ao longo dos tempos. “O ser humano é um ser histórico. Esta simples
afirmação, confirmada por nossa própria experiência, implica que ele mantém sua
identidade ao longo das mudanças ocasionadas no decorrer do tempo. Identidade

1
“Parte da moral que tem por finalidade aplicar princípios éticos às diversas situações concretas da vida
real dos indivíduos com o objetivo de procurar resolver seus casos de consciência” (JAPIASSU;
MARCONDES, 2006, p. 40
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caracterizada por sua razão e sua liberdade, mas também por seus anseios mais
profundos” (MIRANDA, 2004, p. 9).

I- Experiência bíblica e linguagem da graça no Antigo e no Novo Testamento

Sabe-se que a experiência fundadora de Israel é a da aliança com YHWH. A


aliança entre Deus e a sua criatura é a base de toda a teologia da graça e salvação no
Antigo Testamento. A esse respeito é possível comprovar no texto a seguir:

A graça é um elemento essencial da PREGAÇÃO bíblica. Trata-se de um


conceito-chave, porque exprime a relação fundamental entre Deus e o homem.
Para dizer a verdade, a Bíblia não conhece uma “doutrina da graça”. No entanto,
o anúncio da graça aparece como atitude de doação salvífica de Deus para com o
homem. É verdade que nisto o N.T. supera muito o A.T. embora persista na linha
de pensamento traçada no A.T. (HERMANN,1983, p. 254).

a) O Antigo Testamento.
A autorizada palavra de Deus que se revela a Moisés, a qual introduz a
renovação do pacto com Israel e a entrega dos dez mandamentos, está encerrada
na frase de Ex 34,6 “Javé, Deus clemente e misericordioso, generoso, grande na
benevolência e na fidelidade”. Esta imagem de Deus permite que ele possa ser
visto como senhor leal do pacto e soberano clemente (cfr. Jl 2,13; Jn 4,2; Sl 86,15;
103,8). Todos os conceitos do A.T. que compõe aquilo que nós chamamos
“graça”, coincidem ao indicar a atitude de doação pessoal de Deus ao seu povo.
Aquele Deus que é cheio de cuidados e benevolência para com todas as suas
criaturas, faz resplandecer o sol da sua bondade (hen) sobre ISRAEL; e, o seu
amor para com o ser humano leva-o justamente a concluir com ele um pacto de
ALIANÇA e a respeitar este pacto na confiança e fidelidade (hesed), não obstante
deva opor sempre de novo uma benévola compaixão (rahamim) à falta de
fidelidade de Israel, sua esposa (Is 54,7s; Os 2,21s). “A graça de Deus, portanto,
é, antes de tudo, um gesto de benevolência, um animus [coração], fundado no ser
do Deus que se revela (cf. Ex 34,6)”. Como o favor de um rei pode cair sobre um
homem (Est 2,9) ou a benevolência dos reis persas sobre Israel (Esd 9,9), assim a
graça de Deus cai sobre o povo. O ser humano que chama Javé “seu Deus” pode
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viver num clima de amor e de adoção da parte de Deus. Ele encontra esta
mentalidade divina nos caminhos da sua vida; sobretudo a encontra confirmada
na história de Israel. “De fato, a graça não é só um animus [coação], mas é também
um agir divino” (HERMANN, 1983, p. 255). O fato de que Deus conclua com
Abraão o pacto da PROMESSA; que ele faça sair o seu povo da escravidão (cf.
Ex 3,7ss); que ele reforce e estenda o pacto com Moisés; que ele acompanhe Israel
pela estrada através da História (Ex 15, 13); que ele perdoe as culpas. (Num 14,
18-20); que dê a vida e fertilidade (Sl 136, 1-9), tudo isto é expressão e
demonstração da sua graça. Sobretudo o “pacto” da aliança e os favores da graça
de Deus forma um todo (1Rs 8, 23; Dt 7,12).
A pregação dos PROFETAS atribui constantemente o pacto de paz entre Javé
e Israel ao amor do Senhor de pacto: “com amor eterno te amei: por isso conservei
por tão longo tempo a minha benevolência para contigo” (Jr 31,3). Este amor é
firme: o pacto não é colocado em discussão e a benevolência de Deus nunca
abandona Israel (Is 54,10; Sl 89, 29; 106,45). Por isso o ser humano piedoso pode
apelar para esta benevolência divina (2 Cr 6, 42; Ne 13,22; Sl 6,5): “recorda-te
das tuas misericórdias que estão presentes desde todos os tempos (Sl 25,6). E Javé
responde perdoando todas as culpas conforme a grandeza de sua benevolência
(Nm 14, 19; Jr 3,12; Mq 7,19). A única consequência de uma benevolência tão
significativa e inequívoca é que Deus tenha como meta libertar definitivamente o
ser humano de todas as dificuldades. A ação salvífica de Deus tem um fim
escatológico (Is 54,8; 55,3; Jr 31). Israel deve, pois, esperar à obra escatológica
de Javé: “Esperar Israel no Senhor, porque no Senhor está toda a graça, toda a
redenção está nele” (Sl 130,7). Por esta relação escatológica de fidelidade e de
vontade salvífica divina, a SALVAÇÃO é estendida de Israel a todos os povos
(NÃO-CRISTÃOS) (Is 42; 45; 49). Na vontade de salvação escatológica vê-se
também a diferença fundamental entre a religião judaica e a representação do
divino das outras religiões antigas. “Também os deuses urbanos suméricos,
também Shamash e Marduk demonstravam benevolência e piedade. Mas a
adivinhação e a magia eram necessárias para que estivesse seguro da sua graça, e
nunca havia a certeza firme de uma salvação, historicamente constatável e
definitiva da CRIAÇÃO (Walther Eichordt)” (HERMANN, 1983, p. 255).
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As afirmações do A.T. sobre Deus, sobre o seu ser e o seu agir incluem, por
isto, as seguintes propriedades de sua graça:

Enquanto benevolência misericordiosa e ação fiel, a graça parece sempre como


uma livre doação pessoal de Deus ao seu povo, e em geral, ao homem. Esta
doação encontra a sua expressão na incondicional fidelidade ao pacto uma vez
concluído e à palavra dada uma vez por todas, a qual não pode ser retirada nem
mesmo no caso de culpa por parte do homem e de punição divina, mas que se
renova no PERDÃO. De outra parte, todo o agir salvífico, sobretudo a salvação
escatológica, é a lógica manifestação da interna e benévola graça divina
(HERMANN, 1983, p. 255).

b) O Novo Testamento
Se no AT, a aliança é a palavra que ressalta a benevolência de Deus e a sua
fidelidade incondicional para com os seus filhos, no NT, essa benevolência é evidenciada
pela forma como Jesus anunciou e tornou presente o Reino. Na sua compaixão e
misericórdia, emergem as atitudes do Deus da aliança. Paulo é o grande pregador da graça
divina no NT. E, indubitavelmente, toda a sua pregação advém de sua experiência pessoal
com a caridade e o amor de Deus para com ele. “‘Deus, que escolheu desde o ventre
materno’” (Gl 1,15; cfr. Is 49,16), chamou-o por meio da sua graça à Fé e ao apostolado
(APÓSTOLO) e ‘revelou’ nele seu Filho (Gl 1,16)” (HERMANN, 1983, p. 256). Com a
experiência forte da sua conversão, Paulo compreende aí a manifestação da graça divina
e também a descoberta do Filho de Deus revelando-se a ele de tal modo que a força da
sua graça é infundida fortemente na sua vida. Dito isto, ao falar da experiência de Paulo
com a graça divina, é possível entender que:
Toda graça divina aparece por ‘força da redenção através de Jesus Cristo’ (Rm
5,2). ‘Por meio de Cristo Paulo recebeu a graça e o apostolado’ (Rm 1,5),
enquanto que o Ressuscitado ‘depois de ter aparecido a todos os outros, apareceu
também a ele, e assim o tornou um TESTEMUNHO (Cfr. 1Cor 15,8). Como o
Apóstolo, também os crentes são chamados, ‘por meio da graça de Cristo’ (Gl
1,6; cfr.2cor,8,9). O motivo da posição central de Cristo na ação gratuita de Deus
é detalhadamente explicado em Rm, 5. Segundo este texto, ‘Deus demonstrou-
nos o seu amor na morte de Cristo por nós quando éramos ainda pecadores’ (Rm
5,8). Esta obra incompreensível de salvação significa, porém JUSTIFICAÇÃO
do pecador diante de Deus, e por isto, ‘acesso à graça’ (Rm 5,2), comunhão
vivificante com Ele (HERMANN, 1983, p. 256).

Com este fato é posta a descoberto toda a grandeza e a riqueza da graça divina
para o ser humano e torna-se um fato decisivo para a criatura humana, dado que a graça
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é necessária para a sua salvação que lhe é derramada abundantemente (cf. Rm 5,17b). a
obediência de Jesus que contrapõe a desobediência de Adão (Rm 5,12-21), como novo
Adão, constituindo uma nova raça torna-se o mediador por excelência da graça divina
“que comunica a nova VIDA. Esta é LIBERDAE do PECADO, da LEI e da MORTE
para toda a humanidade. Com este raciocínio, a experiência pessoal da graça do Apóstolo
é universalizada. Com a palavra ‘graça’ Paulo indica sobretudo que Deus, por sua ação
salvífica, voltou-se pessoalmente para o homem ‘por meio de Cristo’” (HERMANN,
1983, p. 256). Desta releitura da teologia da graça a partira da perspectiva da teologia
paulina, é possível entender que Jesus de Nazaré torna possível ao ser humano fazer a
experiência da graça, na medida em que a comunhão com ele uma nova vida se faz
presente pois que Cristo possibilita o acesso ao próprio Deus.
Em face disso indaga-se: como é possível estabelecer a comunhão com Cristo na
vida de cada um? E não há outra saída senão pela pneumatologia ao entender “que Cristo,
pela força divina do ESPÍRITO SANTO, se torna poderoso na vida do batizado”
(HERMANN, 1983, p. 257). Mediante o Espírito Santo que é Espírito de Deus (Rm 8,
9a) e também Espírito de Cristo (Rm 8,9b), é que, após a sua ascensão, Cristo insere-se
na existência do crente (cf. 6, 18-23). Nesse dinamismo é operada a vida na liberdade.
Isto é, prefigurada na justiça que produz frutos de purificação, de santificação e de graças
em Deus, livrando assim do pecado e da lei (Rm 6,18-23; Gl 4,21-31). “Esta presença
ativa da Cristo no íntimo do homem é uma manifestação da graça de Deus expressão do
seu AMOR. ‘O amor de Deus é infundido nos nossos corações por meio do Espírito Santo
que nos foi dado’ (Rm 5,5)” (HERMANN, 1983, p. 257). E com essa dádiva
pneumatológica é facultado também ao ser humano a criatividade, cujos carismas daí
eclodem todos pelos dons da graça. “Todos os dons da graça são assim ordenados ‘para
a edificação da comunidade’ (1Cor 14,22)” (HERMANN, 1983, p. 257).
Em outras palavras, o Espírito mediador da graça na vida da Igreja enquanto esta
é entendida em seu conjunto. isto é, o dom é concedido ao indivíduo não isoladamente,
egoisticamente, mas inserido no sei da Igreja, da comunidade. Desse entendimento é que
o crente se sabe como colaborador da Igreja, segundo as suas possibilidades e carismas,
para a implantação do Reino. “É no indivíduo, contudo, que a dádiva da graça à Igreja se
faz realidade (cfr. São Paulo, como existência exemplar) (Gl 2,9). Por isso a graça dada
por Deus ‘espera uma resposta’” (HERMANN, 1983, p. 257). Nesse sentido, como
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possuidor da graça o ser humano ou melhor dizendo, o crente se coloca a serviço pois
entende-se e reafirma-se que é impossível e ao ser humano de fé deparar-se com a graça
de Deus e permanecer inerte. Este modo de compreensão, esbarra-se na resposta humana
à graça divina. Como o ser humano não pode extinguir o Espírito que recebeu (1Ts 5,19)
e nem receber a graça inutilmente (1 Cor 5,10), a sua resposta consequentemente lhe
possibilita um enorme crescimento. Nesse sentido é assim que se torna mais claro que a
categorias da fé e da graça em profunda unidade entre o Espírito Santo e Jesus Cristo,
torna a compreensão da graça um mistério acessível à inteligência dos crentes de todos
os tempos e lugares; nesse sentido entende-se que:

A resposta do homem que equivale a ‘crescer na graça’ (Cfr. 2 Pd 3,18) tem lugar
na fé. Fé e graça formam um todo único (Rm 4,16) porque a manifestação da
benevolência de Deus, que procura a salvação, a justificação por meio de JESUS
CRISTO, é dada só e sempre em base à fé: ‘por meio da fé o homem é justificado’
(Rm 3,28). Mas, se somos salvos por meio da graça por causa da fé (cfr. Ef. 2,8),
a graça, em diálogo com a fé, dá lugar àquela nova realidade, na qual é superada
a potência contrária da lei e do pecado. De fato, quem procura a justificação por
meio da lei, se afasta da graça (Gl 5,4). Só no ‘Espírito e pela fé’ está a
ESPERANÇA da justificação (Gl 5,5). Só quem está na graça não é escravo do
pecado (Rm 6,14) (HERMANN, 1983, p. 257).

Sozinhos com os próprios esforços, o ser humano é incapaz se livrar do pecado,


ficando assim com a sua liberdade comprometida para se livrar da culpa (Rm 3,9ss) e se
deixar alcançar por Deus. Vale ressaltar que todo este entendimento da graça se completa
quando levada em consideração toda a trajetória e dinamismo da grande história da
salvação. Sabe-se que a belíssima história da salvação tem como fim a definitiva
soberania de Deus que busca sempre a perfeição da criação (Rm 8,21s). nesse sentido, é
de bom alvitre entender que:
Cada graça de Deus é - com o Espírito Santo – apenas um penhor em vista deste
fim (cfr. 2 Cor 1,22; 5,5). Já que a vontade salvífica de Deus e a ação redentor de
Cristo são aplicadas à existência humana por meio do Espírito, cada dádiva a
graça é um dom divino inserido no tempo presente, marcado pela angústia, um
dom, portanto, que coloca o homem no caminho da sua próxima realização
completa. Por isto, também na pregação do Apóstolo Paulo, a graça é um conceito
escatológico (HERMANN, 1983, p. 258).

Após um olhar sobre a experiência paulina acerca da graça divina, observa que
em Atos dos apóstolos (11,23) a graça é apresentada como favor divino que repousa sobre
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os que testemunham a Ressurreição de Cristo. E é encontrado também em (14,26) a


expressão “confiar alguém à graça de Deus”. Isso vem evidenciar que a graça é
compreendida como benevolência cuidadosa de Deus para com a sua criatura e que nela
é perfeitamente possível confiar. “Paulo, por sua vez, escolheu Silas e partiu,
recomendado pelos irmãos à graça do Senhor” (At 15,40). Nos Atos dos Apóstolos é
possível observar ainda a atuação dos especiais dons da graça dados ao indivíduo em
proveito da comunidade, como, por exemplo, o dom da palavra de Apolo (18,27). Mas
encontra-se também o dom correlativo: a graça da conversão dada a toda uma comunidade
(11,21ss). Uma vez que a graça significa ajuda divina, favor e proximidade de Deus,
pode-se concluir que pela palavra ‘graça’ se pode indicar todo o novo estado salvífico do
cristão, no qual é preciso preservar (At 13,43); cfr também 1 pd 5,12; Jd 4).
O evangelista São João pondera que é possível “vê a graça de Deus tomar o
aspecto concreto na encarnação do Logos. ‘Da sua plenitude temos recebido graça sobre
graça (1,16); aquela graça que é o contrário da lei de Moisés e significa, portanto, vida
(1,4), LUZ (1,9) e esplendor do amor de Deus (cfr. 3,16) (HERMANN, 1983, p. 258).
Todo o Novo Testamento deixa entrever que o anúncio da graça tem em comum a verdade
de fé de que a graça divina é percebida e se torna História em Cristo. Nesse entendimento
é que se fundamenta aquela a expressão “agora é o tempo da salvação ( 2 Cor 6,2). “O
fundamento desta certeza de fé só pode ser o próprio Jesus. É verdade que Jesus não faz
uma teoria da graça; contudo, o conteúdo da sua mensagem é ação gratuita de Deus, que
nos aproximou do seu reino. O anúncio de Jesus de que o reino de Deus está perto de si,
já e a realidade da graça” (HERMANN, 1983, p. 258).
Enfim, se se observa as parábolas do reino a saber: (Mt 15, 4-32 do patrão da
vinha; a ovelha desgarrada; a dracma perdida, o filho pródigo (Lc 15,4-32), todas elas
evidenciam o amor gratuito de Deus. E, em se tratando da gratuidade divina a paritr do
evento Jesus Cristo, que é entendido como a plenitude dos tempos, já não é mais possível
colocar balizas pois que,
este amor já não conhece mais os confins de um povo eleito; pelo contrário,
manda os seus mensageiros – depois que os convidados se tinham negado a vi –
‘pelas ruas e encruzilhadas’ para convidar a todos sem distinção (parábola do
banquete nupcial: Mt 22,1-10; Lc 14, 15-24). As bem-aventuranças dos pobres,
dos famintos, dos que choram e são perseguidos (Lc 6,20-23) demonstram, antes
de tudo, que Jesus promete ao ser humano a salvação como graça escatológica
(HERMANN, 1983, p. 259).
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Vale ressaltar, que em Jesus Cristo está evidenciada e colocada a descoberto toda
a graça divina, não só pela sua pregação, mas principalmente pelo seu próprio modo de
agir. A sua expressão concreta e desconcertante da misericórdia de Deus para com todas
as criaturas, em especial a sua dedicação aos doentes e sofredores (Cfr. Mc 2,1-12) e
assim também com todas as demais classes de gente que eram desprezadas e
marginalizadas, ele não somente as acolhe com faz comunidade com eles (Lc 7, 36-50),
transforma tudo em graça universal.
Em Jesus de Nazaré, o sinal da graça eclode de forma clara e o Reino de Deus se
faz presente. Toda essa metanarrativa da graça divina e ou da gratuidade de Deus se firma
de uma vez por todas no evento sofrimento, cruxificção, Morte e ressureição (Rm 8,32).
“Todas as reflexões sobre a graça de Deus, como se manifestam na pregação apostólica,
não são, pois, outra coisa senão a interpretação da vontade salvífica divina, que se revela
em Jesus (Cfr. Ti 2,11) (HERMANN, 1983, p. 259). Tendo percorrido todo este caminho
acerca da teologia da graça e da sua riqueza ao longo da história da salvação, vale
olharmos mesmo que rapidamente, mas de forma sistematizada, a sua situação ou estado
da arte como assim é conhecido no mundo da pesquisa.

II- O Estado da Questão

III- A doutrina da graça: retrospectiva histórico-teológica até hoje

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS
FABER, Eva-Maria. Graça. In. LACOSTE, Jean-Yves. Dicionário crítico de teologia.
Trad. Paulo Menezes ... [et al]. 2ª ed. São Paulo: Edições Loyola: Paulinas, 2014.
HERMANN, I. Graça. In. FRIES, Heinrich. Dicionário de Teologia: conceitos
fundamentais da teologia atual. Vol II. São Paulo: Loyola, 1983.
JAPIASSU, Hilton. MARCONDES, Danilo. Graça/casuística. Dicionário Básico de
Filosofia. 5a ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
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MIRANDA, Mário de França. A salvação de Jesus Cristo: a doutrina da graça. São


Paulo: Loyola, 2004.

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