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Ministério da Educação

Departamento do Ensino Secundário

Projecto de Programa de

Biologia
12 º Ano

Curso Geral de Ciências Naturais

Autores:
Alcina M. P. Mendes (Coordenadora)
Dorinda H. V. Rebelo
Eduardo J. G. Pinheiro
Colaboradores:

Ilda S. Sanches
Jorge M. Cunha

Dezembro de 2002
Índice
1. Introdução ................................................................................................................................................... 2

2. Apresentação do Programa ......................................................................................................................... 4

2.1 Finalidades .............................................................................................................................................. 4

2.2. Competências e objectivos gerais .............................................................................................................. 4

2.3 Visão geral do programa ......................................................................................................................... 5

2.5 Sugestões metodológicas gerais.............................................................................................................. 7

2.6 Avaliação ................................................................................................................................................ 8

2.7 Recursos.................................................................................................................................................. 9

3. Desenvolvimento do programa ................................................................................................................. 13

Unidade 1 — REPRODUÇÃO E MANIPULAÇÃO DA FERTILIDADE................................................ 14

Unidade 1 — REPRODUÇÃO E MANIPULAÇÃO DA FERTILIDADE................................................ 15

Unidade 2 — PATRIMÓNIO GENÉTICO................................................................................................ 18

Unidade 3 — IMUNIDADE E CONTROLO DE DOENÇAS................................................................... 21

Unidade 4 — PRODUÇÃO DE ALIMENTOS E SUSTENTABILIDADE .............................................. 24

Unidade 5 — PRESERVAR E RECUPERAR O MEIO AMBIENTE ...................................................... 27

4. Bibliografia ............................................................................................................................................... 30

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1. Introdução

A disciplina de Biologia para o 12º ano constitui uma das opções de formação específica do Curso Geral de
Ciências Naturais. De acordo com os Princípios Orientadores da Revisão do Ensino Secundário, trata-se de uma disci-
plina de especificação curricular, com programa nacional. Visa o aprofundamento dos saberes construídos nas discipli-
nas estruturantes do curso, de modo a alargar o espectro de conhecimentos e competências dos alunos, perspectivando
também as suas opções de prosseguimento de estudos a nível superior.

O programa destina-se a alunos já familiarizados com o objecto de estudo da Biologia. As aprendizagens reali-
zadas nos anos anteriores — nomeadamente na disciplina de Biologia e Geologia — ter-lhes-ão permitido compreender
que existe uma unidade biológica subjacente às mais diversas soluções funcionais encontradas pelas espécies, tanto para
fazer face às condições do meio ambiente, como para rentabilizar as potencialidades susceptíveis de conferir vantagens
imediatas ou evolutivas.

A forma como o Homem tem utilizado os conhecimentos de Biologia ao longo dos tempos determinou o modo
como se relacionou com a sua própria espécie e com o meio ambiente. Actualmente, os recursos naturais que suportam
a vida no nosso planeta estão a ser continuamente afectados pelos sistemas sócio-económicos. O crescimento acentuado
da população humana e os seus engenhos tecnológicos têm-se traduzido numa capacidade crescente de condicionar,
senão mesmo alterar de modo irreversível, aspectos tão diversos como a circulação biogeoquímica de elementos essen-
ciais à vida, como o carbono e o azoto, a composição de solos, ar e recursos hídricos, e a própria biodiversidade.

Também, no presente, as sociedades vêem-se cada vez mais confrontadas com questões sócio-científicas com
impacto imediato na integridade física, ética e moral dos cidadãos. São disso exemplo as polémicas que rodeiam a ma-
nipulação de embriões humanos ou a clonagem, a utilização da informação genética dos indivíduos por entidades em-
pregadoras e seguradoras, o consumo de alimentos transgénicos, a utilização de medicamentos experimentais ou a se-
lecção dos processos de tratamento de resíduos.

Neste quadro geral de expectativas e apreensões, considera-se que os propósitos da educação em Biologia de-
vem ser dirigidos para a educação científica dos cidadãos. Importa que os jovens fiquem preparados para enfrentar com
confiança as questões científico-tecnológicas que a sociedade lhes coloca, que sejam capazes de ponderar criticamente
os argumentos em jogo, de modo a formularem juízos responsáveis e, assim, participarem nos processos de tomada de
decisão. A disciplina de Biologia do 12º ano pretende ter em conta estes desafios e dar um contributo válido para a
formação científica dos alunos.

Conforme o plano curricular do Curso Geral de Ciências Naturais, a disciplina de Biologia do 12º ano dispõe
de 4,5 horas semanais, tempo este que se prevê distribuído em três sessões de noventa minutos. Esta organização consi-
dera-se a mais adequada para desenvolver dinâmicas de aprendizagem diversificadas e centradas nos alunos, nomeada-
mente as que pressupõem a experimentação, a pesquisa e análise de informação, a argumentação e o debate.

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A concretização deste programa exige que a gestão das dimensões teórica e prática do processo de ensino-
aprendizagem seja feita de forma integrada, o que justifica a opção de não ser apresentada qualquer proposta de distri-
buição ou compartimentação de tempos lectivos para uma e outra componente. No entanto, a natureza prática de algu-
mas abordagens propostas exige que a turma esteja dividida em turnos, numa das sessões de noventa minutos, e dispo-
nha de um espaço devidamente adaptado e equipado. Estas condições serão indispensáveis para que todos os alunos
tenham idênticas oportunidades na concretização das actividades que exigem meios laboratoriais, informáticos ou bibli-
ográficos específicos e/ou requeiram uma supervisão mais detalhada e individualizada por parte do professor. Reco-
menda-se, ainda, que o funcionamento dos turnos se concretize num mesmo dia da semana de modo a igualar a situação
dos alunos.

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2. Apresentação do Programa

2.1 Finalidades

As finalidades do programa de Biologia do 12º ano decorrem das definidas para o próprio ensino secundá-
rio, da adopção de referenciais de valor relativos a princípios orientadores do ensino das ciências e, também, do papel
dos conhecimentos de Biologia no mundo actual.

Assim, pretende-se que o programa desta disciplina permita aos alunos:

• a construção e o aprofundamento de conhecimentos de Biologia úteis para o desenvolvimento de com-


petências que permitam o exercício de uma cidadania responsável, a aprendizagem ao longo da vida e a
decisão sobre prosseguimento de estudos relacionados com esta área do saber;

• a compreensão do valor da ciência enquanto corpo de conhecimentos, que evolui sempre que soluções
mais explicativas são encontradas, enquanto processo, que engloba o que os cientistas fazem e como o
fazem, enquanto forma de entender a realidade e, sobretudo, enquanto actividade humana, que não
pode ser considerada neutra ou isenta das influências sociais inerentes a cada época e a cada contexto;

• o reconhecimento da relevância da Biologia e da Biotecnologia nos dias de hoje, uma vez que influen-
ciam a qualidade de vida das pessoas e a organização das sociedades, ao apresentarem alternativas e
originarem questões que exigem tomadas de decisão a nível tecno-científico, político e sócio-ético.

2.2. Competências e objectivos gerais

As competências a desenvolver devem contemplar os seguintes domínios:

• Ao nível conceptual visam o conhecimento, a compreensão e a aplicação de conceitos, factos, princípi-


os e teorias.

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• As de nível procedimental dizem respeito à compreensão de processos, leis ou fenómenos, bem como a
aspectos que geram no aluno habilidades e destrezas.

• A nível atitudinal pretende-se que os alunos desenvolvam atitudes face aos conhecimentos e aos traba-
lhos científicos (rigor, curiosidade, objectividade, perseverança,...) e às implicações que daí decorrem
para a forma como perspectivam a sua própria vida e a dos outros.

Em articulação com as finalidades definidas espera-se que no final do 12º ano os alunos tenham atingido os
seguintes objectivos gerais:

- Utilizar conceitos da Biologia para interpretar cientificamente aspectos de funcionamento do corpo


humano, fenómenos naturais e resultantes da interacção Homem – Ambiente;

- Aplicar estratégias pessoais na resolução de situações problemáticas, o que inclui a formulação de hipó-
teses, o planeamento e realização de actividades práticas, a sistematização e a análise de resultados, as-
sim como a comunicação e discussão dessas estratégias e resultados obtidos;

- Desenvolver capacidades de pesquisa, análise, organização e avaliação crítica de informação, obtida em


fontes diversificadas, assim como a sua comunicação com recurso a diferentes suportes;

- Construir valores e atitudes conducentes à tomada de decisões fundamentadas relativas a problemas


que envolvam interacções Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente;

- Reconhecer implicações do desenvolvimento da Biologia e das suas aplicações tecnológicas na quali-


dade de vida dos seres humanos;

- Valorizar o conhecimento científico como um processo de construção ligado às características e neces-


sidades da sociedade num determinado momento histórico e, como tal, sujeito a constante reformulação
e evolução.

2.3 Visão geral do programa

Como melhorar a qualidade de vida das pessoas sem pôr em risco os recursos naturais?
Que contributos científico-tecnológicos deveremos aceitar?
Decidir com base em que critérios e com que argumentos?

Encontrar respostas para estes problemas pressupõe que as sociedades disponham não só de soluções científi-
co-tecnológicas adequadas, como também cidadãos capazes de participar de forma consciente nos processos que regu-
lem a sua utilização.

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Neste sentido a educação em Biologia deverá ter em vista a preparação dos jovens para utilizarem racional-
mente conhecimentos de Biologia e de Biotecnologia na análise das questões que se colocam à sociedade. Em causa
está a necessidade de ponderar argumentos e tomar decisões.

Em articulação com estes pontos de vista, “A BIOLOGIA E OS DESAFIOS DA ACTUALIDADE” é o tema


central do programa de Biologia do 12º ano. A selecção das temáticas e a sua organização conceptual tiveram em conta
as finalidades e objectivos previamente apresentados, assim como referências recentes relativas à educação em ciências,
em particular à educação em biologia.

O estudo de aspectos biotecnológicos será transversal a todas as unidades distanciando-se, porém, da tradicio-
nal oposição ciência-básica e ciência-aplicada. Pretende-se enfatizar a influência que as ciências e a tecnologia exercem
sobre a vida das pessoas, visando-se, por isso, tanto o conhecimento de exemplos de produtos e serviços, como a refle-
xão sobre aspectos de natureza social, económica e ética que contextualizaram a sua génese e/ou a sua aplicabilidade.

Reprodução e Imunidade e Produção de Preservar e


Manipulação da Património
controlo de alimentos e recuperar o
Genético
Fertilidade doenças sustentabilidade meio ambiente

Unidade 1 Unidade 2 Unidade 3 Unidade 4 Unidade 5

Figura 1. Esquema Conceptual do Programa

Conforme se ilustra no esquema conceptual acima apresentado o programa está organizado nas 5 unidades que
seguidamente se apresentam:

• a UNIDADE 1 visa o estudo da reprodução humana e a compreensão de alguns processos biotecnoló-


gicos que permitem a sua manipulação, perspectivando a sua importância no controlo de natalidade das
populações humanas e a resolução de problemas de infertilidade;

• a UNIDADE 2 é centrada no estudo dos genes, nomeadamente a sua natureza e carácter hereditário, a
sua regulação e alteração, com implicações ao nível da qualidade de vida dos indivíduos e biodiversi-
dade, contempla ainda, a perspectiva dos genes como património evolutivo das espécies ou campo de
intervenção biotecnológica;

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• a UNIDADE 3 aborda o estudo do sistema imunitário, enfatizando as principais reacções de defesa do
organismo, bem como algumas soluções biotecnológicas no diagnóstico e terapêutica de doenças;

• na UNIDADE 4 estuda-se o papel de microrganismos e de processos enzimáticos na produção de ali-


mentos, assim como a criação e o melhoramento de espécies, o que permite a exploração das potencia-
lidades da Biosfera;

• a UNIDADE 5 tem por base a problemática associada à poluição e degradação de recursos naturais,
perspectivando a recuperação e preservação do meio ambiente, face ao crescimento da população hu-
mana.

A secção Desenvolvimento do Programa inicia-se com um mapa geral de exploração. Nesse esquema as uni-
dades de ensino têm por base uma situação-problema e questões centrais que acentuam as suas possíveis interrelações e
interdependências.

Para cada unidade apresenta-se um quadro, onde conteúdos conceptuais, procedimentais e atitudinais estão or-
ganizados em colunas contíguas o que permite tanto a sua exploração específica (na vertical) como a sua análise articu-
lada (horizontal).

Por motivos pragmáticos, que se prendem com a gestão adequada do tempo disponível, o programa explicita,
também, nesses quadros, os aspectos que devem ser enfatizados e aqueles que, pelo contrário, devem ser evitados. Para
auxiliar a exploração dos conteúdos apresenta-se uma listagem de conceitos fundamentais e um conjunto lexical (pala-
vras /expressões-chave) considerado mínimo para a compreensão desses mesmos conceitos. A título meramente orien-
tador sugere-se, também, o número de tempos lectivos, cuja duração será de 90 minutos.

2.5 Sugestões metodológicas gerais

No que respeita aos aspectos metodológicos, assume-se que professores, alunos e a escola, como um todo, de-
vem desempenhar um papel central na selecção das melhores opções para o cumprimento do programa. No entanto,
salienta-se que esta autonomia de gestão das abordagens metodológicas deverá ponderar os aspectos que se seguem.

1- Centrar os processos de ensino nos alunos, o que implica estar atento aos seus conhecimentos prévios, bem
como valorizar as suas vivências e objectivos, pois estes são aspectos que condicionam de modo decisivo
as suas aprendizagens.

2- Valorizar a realização de actividades práticas como parte integrante e fundamental dos processos de en-
sino e aprendizagem dos conteúdos de cada unidade. Trabalho prático deve ser entendido como um con-
ceito abrangente que engloba actividades de natureza diversa, que vão desde as que se concretizam com
recurso a papel e lápis, às que exigem um laboratório ou uma saída de campo. Os alunos poderão desen-
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volver e/ou aperfeiçoar competências tão diversificadas como, a utilização de instrumentos ópticos e de
sistemas automáticos para recolha de dados (ex. sensores), a apresentação e interpretação gráfica de dados,
a execução de relatórios de actividades práticas, a pesquisa autónoma de informações em diferentes supor-
tes,..., sem esquecer o reforço das capacidades de expressão e o recurso às novas tecnologias da informa-
ção. Atribui-se especial importância ao desenvolvimento de actividades que impliquem os alunos na plani-
ficação de percursos experimentais (com manipulação e controlo de variáveis e decisão sobre a utilização
de réplicas). Estas abordagens exigem a integração das dimensões teórica e prática da Biologia , assim
como o trabalho cooperativo entre os alunos. Ao professor caberá decidir o grau de abertura das tarefas,
ponderando as competências que os alunos já possuem, o tempo e os recursos disponíveis.

3- Explorar relações explícitas e recíprocas entre Ciência, Tecnologia e Sociedade. Situações do dia-a-dia
dos alunos ou aplicações científicas com interesse social poderão ser utilizadas para contextualizar as
aprendizagens. São consideradas razões de ordem motivacional, mas, principalmente, razões ligadas aos
aspectos sociais, éticos e morais que advêm da compreensão do impacto das aplicações científico-
tecnológicas na vida dos cidadãos e dos seres vivos em geral.

4- Promover a identificação de situações problemáticas abertas, com significado para os alunos, cuja com-
preensão suponha a formulação de questões progressivamente mais simples e susceptíveis de orientar
processos de pesquisa, com planificação e execução de percursos de aprendizagem intencionais, envol-
vendo, sempre que possível, a confrontação e avaliação de argumentos, assim como a síntese de informa-
ção.

5- Integrar aspectos da história da ciência pode envolver a recapitulação de fases essenciais da construção
dos conhecimentos científicos, agindo assim como instrumento de mudança conceptual; pode também ser-
vir para apresentar a Ciência como um empreendimento que envolve processos pessoais e sociais. Em cau-
sa não deverá estar a reconstrução de elevado número de factos históricos para um determinado conceito
nem, tão pouco, a exploração de narrativas ou descrições empíricas sem qualquer critério.

6- Rentabilizar situações de aprendizagem não formal vivenciadas pelos alunos, tais como visitas realiza-
das a parques temáticos ou museus, a exploração da informação veiculada por livros e revistas de divulga-
ção científica para o público em geral, ou pela imprensa e media electrónicos, pode contribuir para mostrar
a importância da ciência na vida diária das pessoas, desenvolvendo hábitos de análise crítica da informa-
ção.

2.6 Avaliação

As actividades de avaliação deverão ser entendidas como parte integrante dos processos educativos e, nesse
sentido, perfeitamente articulados com as estratégias didácticas utilizadas, pois ensinar, aprender e avaliar são, na reali-
dade, três processos interdependentes e inseparáveis.

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De acordo com as propostas do programa, os processos de avaliação deverão integrar as dimensões teórica e
prática do ensino da Biologia. Deste modo o objecto da avaliação não poderá ficar limitado ao domínio conceptual, mas
integrar, necessariamente, os dados relativos aos aspectos procedimentais e atitudinais da aprendizagem dos alunos.

Em permanente articulação com as estratégias didácticas utilizadas pelos professores, as actividades de avalia-
ção das aprendizagens deverão ser concebidas de modo a averiguar não só as construções conceptuais alcançadas pelos
alunos mas, também, a forma como tal aconteceu, os procedimentos realizados, as destrezas desenvolvidas e as atitudes
reveladas.

Nesta perspectiva, avaliar é uma tarefa permanente e complexa que supõe o uso de diferentes técnicas e ins-
trumentos. Valorizam-se os processos de observação e, para além de testes e questionários, sugere-se o recurso a relató-
rios de actividades, ensaios, portfolios, mapas conceptuais, V de Gowin, listas de verificação, entre outros.

À semelhança do que foi dito acerca das sugestões metodológicas, considera-se que a escola, como um todo,
desempenha um papel central na monitorização dos processos de avaliação dos seus alunos, no entanto, salienta-se que
as opções tomadas deverão, sempre, salvaguardar os seguintes aspectos:

1. a avaliação, sendo parte integrante dos processos educacionais, deverá revestir-se de funções diagnóstica,
formativa e sumativa interdependentes e devidamente articuladas com as actividades de ensino-aprendizagem;

2. a avaliação, permitindo diagnosticar o ponto de partida dos alunos, orientará o professor na análise crítica
das propostas do programa e na selecção das estratégias mais adequadas para a sua implementação;

3. a avaliação formativa possibilitará o acompanhamento permanente da qualidade dos processos de ensino e


de aprendizagem, fornecendo elementos que o professor deverá utilizar para reforçar, corrigir e incentivar a aprendiza-
gem dos alunos que, deste modo, são considerados parte activa em todo o processo;

4. a avaliação com funções formativas deverá prevalecer durante todo o processo educativo, porém, será fun-
damental criar momentos para a avaliação sumativa. Também neste caso os alunos deverão receber feedback relativo ao
seu desempenho, bem como informações que os ajudem a identificar dificuldades e potencialidades.

2.7 Recursos

Para a consecução das actividades práticas que são parte integrante deste programa, a Escola deverá dispor de
recursos adequados. Esses recursos incluem tanto materiais destinados aos trabalhos de laboratório e/ ou de campo
como aqueles que permitem a realização de actividades de papel e lápis, pesquisas e debates.

As listagens de recursos que em seguida se apresentam têm um carácter orientador podendo, pois, ser enrique-
cidas pelos utilizadores do programa de acordo com as necessidades decorrentes da sua implementação no contexto
específico de cada escola.

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2.6.1 Material básico de laboratório

Recomenda-se a consulta das listas de materiais publicadas pela Direcção-Geral de Administração Escolar
(DGAE).

Sensores de temperatura, pH, humidade relativa, oxigénio, se possível aqueles que permitem a utilização autó-
noma no campo e posterior tratamento de dados recolhidos.

2.6.2 Material básico para trabalho de campo

- caderno de campo - caixa de primeiros socorros


- frascos para colheitas diversas - sacos plásticos (c/ e s/ fecho)
- etiquetas - marcadores indeléveis
- tabuleiros para triagem - luvas

2.6.3 Colecções, mapas e preparações definitivas

A aquisição de materiais deverá ser ponderada face aos recursos já disponíveis na escola e às necessidades
efectivamente sentidas.

2.6.4 Equipamento multimédia

Os laboratórios de Biologia deverão dispor de meios de obtenção de imagem adequados para a recolha de in-
formação em saídas de campo ou outras actividades. Assim, o mais adequado será o recurso a câmaras de vídeo e câma-
ras fotográficas SLR digitais dispondo de capacidade de teleobjectiva (mínimo 6X) e de macrofotografia.

A Internet possibilita o acesso, em tempo real, a conteúdos interactivos, ricos e relevantes pelo que nos labora-
tórios de Biologia deverão existir computadores, ligados em rede e à Internet, em número suficiente para garantir uma
distribuição desejável de dois alunos por posto de trabalho.

Nos laboratórios devem existir sistemas de projecção capazes de funcionar com luz ambiente, nomeadamente
os que permitem partilha com gravador vídeo ou leitor/gravador DVD.

2.6.5 Recursos multimédia

A título exemplificativo, indicam-se alguns sites (activos em Dezembro de 2002) que podem servir de ponto de
partida para a busca, recolha e análise critica de informação útil para a consecução do programa.

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Sites
BIOREDE, informação sobre Biologia com interesse didáctico e científico, Departamento de Biologia da Universidade
de Aveiro:
http://www.biorede.pt/
Endereço oficial de Biological Sciences Curriculum Study:
http://www.bscs.org/
The Virtual Library (Biblioteca virtual de Ciências da Vida) artigos sobre problemáticas abordadas no programa:
http://vlib.org/Biosciences.html
Cells Alive (site dedicado ao ensino da biologia celular, com excelentes imagens):
http://www.cellsalive.com/
The Franklin Institute Science Museum (com diversos links úteis para alunos e professores):
http://www.fi.edu/tfi/units/life/
BUBL LINK / 5:15 (excelente catálogo de recursos na Internet):
http://bubl.ac.uk/link/lif.html
Secondary Education Resources-Science-Biology (catálogo de recursos da University of Pittsburgh):
http://www.pitt.edu/~poole/biology.html
Endereços com artigos sobre reprodução humana:
http://humrep.oupjournals.org
http://medlib.med.utah.edu/kw/human_reprod
http://www.bioethics.org.uk
http://www.hc-sc.gc.ca/english/protection/reproduction
Endereços com informação útil relativamente a engenharia genética:
http://www.esb.ucp.pt
http://www.fcm.unl.pt
Endereços úteis para temas de Biologia celular, com informações teóricas e ligações a outros sites
http://www.cells.de/index_e.htm
http://www.biology.arizona.edu/cell_bio/cell_bio.html
Dicionário on-line de biologia celular e molecular (em língua inglesa).
http://www.mblab.gla.ac.uk/dictionary/
Sugestão de actividade prática para quantificação de actividade enzimática
http://www.zoo.utoronto.ca/able/volumes/vol-12/6-nichol/6nichol.htm
“Tudo sobre vírus” – Versão muito completa com caracterização de virús.
http://www.tulane.edu/~dmsander/garryfavwebindex.html
Ideias para professores e alunos, para actividades experimentais, foruns de discussão e ligações a outras páginas na área
de Biotecnologia
http://www.accessexcellenge.org/
http://www.rdg.ac.uk/EIBE/
Aspectos de genética, agrobiotecnologia e regulamentação, com questões actuais no campo da bioética.
http://www.nhgri.nhi.gov/About_NHGRI/Der/Elsi/
http://nbiap.biochem.vt.edu/

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2.6.6 Recursos bibliográficos

Revistas
- National Geographic Magazine, National Geographic Magazine, Washington (existe edição portuguesa).

- Science & Vie, Science & Vie, Excelsior Publications S.A., Paris.

- Scientific American, Scientific American, inc., Nova Iorque.

- Pour la Science, (ed. francesa de Scientific American), Éditions Belin, Paris.

- La Recherche, La Société D’Éditions Scientifiques, Paris.

- Enseñanza de las Ciencias, I C E de la Universitat Autónoma de Barcelona.

- Alambique – Didáctica de las Ciencias Experimentales, Graó, Barcelona.

- Journal of Biological Education, Institute of Biology, London.

- The American Biology Teacher, National Association of Biology Teachers, Reston, VA

Livros
(ver bibliografia)

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3. Desenvolvimento do programa

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MAPA DE EXPLORAÇÃO DO PROGRAMA DE BIOLOGA 12º ANO

TEMA CENTRAL A Biologia e os desafios da actualidade

Como melhorar a qualidade de vida dos seres humanos?


SITUAÇÃO
PROBLEMA

Que soluções para


O que pode ser feito ao nível dos processos reprodutivos? Como resolver os efeitos da acti-
QUESTÃO
Que desafios se colocam à genética? problemas de ali- vidade humana
CENTRAL
E ao controlo de doenças? mentação? sobre o ambiente?

1. Reprodução 1 Património Genéti- 1. Sistema 1. Microrganismos e 1. Poluição e degradação


Humana co Imunitário industria alimentar de recursos
1.1. Gametogéne- 1.1 Transmissão de 1.1 Defesas especí- 1.1 Fermentação e activi- 1.1 Contaminantes da a-
se e fecunda- características here- ficas e não es- dade enzimática tmosfera, solo e água
CONTEÚDOS ção ditárias pecíficas 1.2 Conservação, melho- e seus efeitos fisioló-
1.2. Controlo 1.2 Organização e regu- 1.2 Desequilíbrios ramento e produção gicos
CONCEPTUAIS
hormonal lação do material e doenças de novos alimentos 1.2 Tratamento de resídu-
1.3. Desenvolvi- genético 2. Biotecnologia 2. Exploração das poten- os
mento embri- 2 Alterações do mate- no diagnóstico cialidades da Biosfera 2. Crescimento da popu-
onário e ges- rial genético e terapêutica 2.1 Cultivo de plantas e lação humana e sus-
tação 2.1 Mutações criação de animais tentabilidade
2. Manipulação 2.2 Fundamentos de 2.2 Controlo de pragas
da fertilidade engenharia genética

Unidade 1 Unidade 2 14 Unidade 3 Unidade 4 Unidade 5


Unidade 1 — REPRODUÇÃO E MANIPULAÇÃO DA FERTILIDADE

Como melhorar a qualidade de vida dos seres humanos? O que pode ser feito ao nível dos processos reprodutivos?
Número
Conteúdos
Conteúdos Procedimentais Conteúdos Atitudinais Enfatizar Evitar Conceitos / Palavras Chave de aulas
Conceptuais previstas
1. Reprodução • Compreensão da morfo- • Valorização dos conhe- • A morfofisiologia dos • Estudo detalhado Gametogénese
Humana fisiologia dos sistemas repro- cimentos sobre reprodu- sistemas reprodutores fe- do desenvolvimento Espermatogénese
1.1. Gametogé- dutores. ção para compreender o minino e masculino. embrionário huma- Oogénese 10
nese e fe- • Observação e interpretação funcionamento do próprio • As fases da gametogé- no. Testículo:
cundação de imagens microscópicas re- corpo e adoptar compor- nese (multiplicação, cres- Tubulos seminíferos
1.2. Controlo lativas à histologia de góna- tamentos promotores de cimento, maturação e di- Espermatogónia
hormonal das e estrutura de gâmetas. saúde. ferenciação) no ciclo de Espermatídeo,
1.3. Desenvol- • Integração de conhecimen- • Disponibilidade para vida dos indivíduos, com Espermatozoide
vimento tos relativos a processos de analisar criticamente os destaque para a divisão Células de Sertoli e Leydig
embrionário divisão celular e gametogéne- mitos e/ou concepções meiótica e a conclusão da Ovário:
e gestação se. pessoais relacionadas com oogénese no momento da Folículos primordiais
• Análise e interpretação de aspectos da reprodução fecundação. Folículos de Graaf
dados em formatos diversos humana. • A importância da reac- Corpo amarelo
relativos à regulação hormo- • Reconhecimento da ção acrossómica. Ovulação
nal da reprodução, estados importância e interdepen- • A regulação hormonal Testosterona
iniciais do desenvolvimento dência das dimensões bio- no funcionamento das gó- Estrogénio
embrionário, nidação e fenó- lógica, psicológica e ética nadas e nos processos de Progesterona
menos fisiológicos associa- da sexualidade humana. nidação e gestação. Hormonas hipofisárias
dos. • Os processos de retroa- Hormonas hipotalâmicas
• Avaliação das condições limentação que envolvem Retroalimentação
necessárias ao encontro dos o funcionamento do hipo- Ciclo ovárico e uterino
gâmetas. tálamo, hipófise e góna- Reacção acrossómica
• Problematização e planifi- das. Fecundação
cação de actividades experi- Nidação
mentais destinadas ao estudo Desenvolvimento embrioná-
da influência de factores am- rio: crescimento, morfogé-
bientais na reprodução de se- nese e diferenciação celular
res vivos. Embrião
Feto
• Compreensão da função
Anexos embrionários
dos anexos embrionários.
Oxitocina
Prolactina

15
Número
Conteúdos
Conteúdos Procedimentais Conteúdos Atitudinais Enfatizar Evitar Conceitos / Palavras Chave de aulas
Conceptuais previstas
• Discussão dos contributos
da gametogénese e fecunda-
ção na transmissão de carac-
terísticas entre as gerações e
diversidade das populações
humanas.
2. Manipulação • Recolha, organização e • Desenvolvimento de • As causas da infertili- • O estudo exausti- Contracepção
da fertilidade interpretação de informação opiniões críticas e infor- dade humana podem ter vo e/ou descontrex- Métodos contraceptivos
relacionada com métodos madas face à utilização de origem masculina ou fe- tualizado de méto-
contraceptivos, causas de in- contraceptivos e de pro- minina (ex. imobilidade dos contraceptivos. Infertilidade
fertilidade e técnicas de re- cessos de reprodução as- do esperma, infecções, • A emissão de
produção assistida. sistida e manipulação de malformações congénitas, juízos de valor sobre Reprodução assistida
• Compreensão dos princípi- embriões. disfunções hormonais, ...) a adopção dos dife-
os biológicos subjacentes a • Reconhecimento que os • A reprodução assistida rentes métodos con- Crioconservação de gâmetas
diferentes métodos contracep- avanços sobre estrutura como um meio de ultra- traceptivos e técni- / embriões
tivos e técnicas de reprodução molecular e actuação das passar a infertilidade hu- cas de reprodução
assistida. hormonas são um marco mana (ex. fecundação in assistida.
importante no controlo e vitro, microinjecção e im-
indução da fertilidade. plantação de embriões,
• Reflexão sobre as im- ...).
plicações biológicas e só-
cio-éticas que decorrem
da utilização de processos
de manipulação da repro-
dução humana, no que
respeita à qualidade de
vida dos indivíduos e des-
envolvimento das popula-
ções.

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SUGESTÕES METODOLÓGICAS:
Os conceitos básicos relativos aos sistemas reprodutores feminino e masculino foram já abordados em anos anteriores, como tal, as actividades de ensino-aprendizagem de-
vem ser desenvolvidas no sentido de permitirem ao aluno clarificar, enriquecer e aprofundar os conteúdos desta unidade.
“De que modo os processos reprodutivos interferem na qualidade de vida dos seres humanos?; Em que difere a morfofisiologia dos sistemas reprodutores feminino e mascu-
lino? Que mecanismos regulam o seu funcionamento?; Que procedimentos tecnológicos permitem, actualmente, controlar a gametogénese, a fecundação e gestação?; Quais as possí-
veis causas da infertilidade humana?” Questões como estas poderão orientar actividades como as que se seguem:
- análise de imagens (esquemas, fotografias ou vídeo) relativas à histologia das gónadas e estrutura dos gâmetas, diferentes estádios da gestação e anexos embrionários;
observação e interpretação de preparações definitivas ao M.O.C. de gâmetas e/ou cortes de testículo e ovário de mamíferos; planificação e realização de actividades la-
boratoriais que permitam observar processos de fecundação e, eventualmente, fases iniciais do desenvolvimento embrionário de seres com fecundação externa (ex. ouri-
ço-do-mar);
- síntese de informação sobre situações que envolvam aspectos de regulação hormonal da reprodução, por exemplo, o uso de contraceptivos orais, a terapia hormonal de
substituição ou estimulação da ovulação em casos de esterilidade; a interpretação destes casos exige que os alunos mobilizem conhecimentos de retroalimentação hor-
monal (estudados no 10º ano) e compreendam as interacções que se estabelecem entre hipotálamo, hipófise e gónadas;
- organização de trabalhos de pesquisa, por parte de pequenos grupos de alunos, sobre métodos contraceptivos, causas de infertilidade e técnicas de reprodução assistida;
posteriormente sugere-se a realização de debate, alargado à turma, mobilizando não só os aspectos biológicos que permitem compreender os processos em estudo, como
também as suas implicações sociais, nomeadamente os possíveis contributos para a melhoria da qualidade de vida das populações humanas. Estes trabalhos podem ser
enriquecidos com a análise de documentários videogravados e/ou com a organização de sessões onde possam estar presentes especialistas.

17
Unidade 2 — PATRIMÓNIO GENÉTICO

Como melhorar a qualidade de vida dos seres humanos? Que desafios se colocam à genética?
Conteúdos Conceitos / Palavras Número
Conteúdos Procedimentais Conteúdos Atitudinais Enfatizar Evitar de aulas
Conceptuais Chave previstas
1 Património • Integração de conhecimen- • Consciencialização da • A pertinência das leis • A descrição detalhada Fenótipo 12
Genético tos sobre meiose, gametogé- importância dos contex- de Mendel e suas limita- dos trabalhos de Mendel. Genótipo
1.1 Transmissão nese e hereditariedade. tos (sociais, tecnológicos, ções. • A resolução de exercí- Homozigótico
de característi- • Compreensão global dos ...) na construção do co- • O estudo de alguns cios que envolvam três ou Heterozigótico
cas hereditári- contributos dos trabalhos de nhecimento científico. casos de mono e di- mais pares de alelos. Alelo recessivo, domi-
as Mendel e Morgan. • Desenvolvimento de hibridismo. • A resolução de exercí- nante, codominante
• Resolução de exercícios atitudes que promovam o • A importância dos da- cios sobre epistasia, cál- Alelos múltiplos, letais
sobre a transmissão hereditá- respeito pela diversidade dos fornecidos por retro- culo de distância entre Árvore genealógica
ria de caracteres. fenotípica dos indivíduos cruzamentos. genes e mapa cromossó-
• Interpretação e construção • Valorização dos conhe- • A ligação ao sexo de mico.
de árvores genealógicas. cimentos sobre genética algumas características.
• Reconhecimento da exis- no sentido de desenvol- • A previsão de propor-
tência de características cuja ver uma atitude respon- ções feno e genotípicas
expressão fenotípica resulta sável face ao seu papel numa descendência.
de interacção génica. no melhoramento da qua- • O carácter hereditário
• Interpretação de evidências lidade de vida do indiví- de algumas patologias
que permitem inferir a locali- duo. humanas (ex. daltonismo,
zação de dois genes num fenilcetonúria, hemofilia,
mesmo cromossoma. surdez...)
1.2 Organização e • Conhecimento da organiza- • Reflexão sobre aspectos • Os cromossomas como • Abordagens que envol- Genoma
regulação do ção geral do material nuclear biológicos, éticos e soci- entidades que contém os vam estruturas químicas Gene
material gené- e localização da informação ais relacionados com a genes. complexas. Cromatina
tico genética. descodificação do geno- • O cariótipo humano e a • A exploração das técni- Cromossoma
• Análise dos aspectos que ma humano. determinação genética do cas utilizadas para estudo Autossoma
caracterizam o cariótipo hu- • Reconhecimento do sexo. da estrutura de cromos- Heterossoma
mano e permitem compará-lo carácter provisório do • A existência de material somas e visualização de Operão
com o de outras espécies. conhecimento científico. genético extra-nuclear. cariótipos. Regulão
• Reconhecimento da impor- • O carácter selectivo da • O estudo detalhado de Promotor
tância dos mecanismos de expressão de alguns ge- processos de regulação Operador
regulação génica e sua rela- nes. génica. Gene estrutural
ção com a diferenciação ce- • A influência de agentes Gene regulador
lular e ontogenia dos indiví- endógenos e exógenos na Repressor
duos. expressão génica. Indutor

18
Número
Conteúdos Conceitos / Palavras
Conteúdos Procedimentais Conteúdos Atitudinais Enfatizar Evitar de aulas
Conceptuais Chave previstas
• Interpretação de processos • A importância dos
de regulação da expressão operões nos seres proca-
génica. riontes.
2 Alterações do • Compreensão global da • Atitude responsável e • O carácter espontâneo • A descrição detalhada Mutação
material gené- diversidade de processos que crítica face aos argumen- de algumas alterações gé- dos aspectos que caracte- Delecção
tico podem explicar o apareci- tos que suportam os de- nicas e cromossómicas. rizam as patologias hu- Duplicação
2.1 Mutações mento de mutações. bates sobre a utilização • O efeito mutagénico de manas relacionadas com Translocação
• Análise e interpretação de dos processos de clona- radiações (ex. ionizantes, alterações cromossómi- Inversão
casos de mutações, sua géne- gem e engenharia genéti- ultra-violeta,...) e sub- cas. Haploidia /Poliploidia
se e consequências. ca aplicados aos seres stâncias químicas (ex. gás • O estudo exaustivo de Monossomia
• Avaliação de efeitos de humanos. mostarda). hipóteses que explicam a Polissomia
mutações ocorridas em célu- • A exploração de exem- activação de oncogenes. Nulissomia
las somáticas e germinativas. plos de mutações cromos- Agente mutagénico
• Interpretação de casos sómicas em humanos (ex. Oncogene
relacionados com a activação síndromes de Down, Tur-
de oncogenes por mutações. ner, Klinefelter, ...).
2.2 Fundamentos • Compreensão global de • Apreciação crítica do • A possibilidade de obter • A descrição aprofunda- Enzima de restrição
de engenharia processos biotecnológicos papel desempenhado pe- cadeias de DNA partindo da de técnicas de obten- Ligase do DNA
genética envolvidos na manipulação los media na divulgação de um molde de RNA. ção de DNA recombinan- Transcriptase reversa
do DNA. dos avanços da ciência e • A importância das en- te (rDNA). Plasmídio /Vector
• Interpretação de esquemas da tecnologia. zimas de restrição e das • A exploração dos siste- rDNA
/modelos explicativos da ob- • Reflexão sobre implica- ligases como ferramentas mas restrição / modifica- cDNA
tenção de cópias de genes ções biológicas e sócio- de engenharia genética. ção. OGM
(cDNA) a partir do mRNA éticas que decorrem da • A obtenção de organis-
correspondente. obtenção de organismos mos geneticamente modi-
• Avaliação da importância geneticamente modifica- ficados (OGM) por pro-
biológica das endonucleases dos. cessos de manipulação
de restrição. de DNA.

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SUGESTÕES METODOLÓGICAS:
“De que modo os conhecimentos de genética podem ser utilizados para melhorar a qualidade de vida das pessoas?; Que meios são utilizados para estudar o património gené-
tico dos organismos?; Como prever o aparecimento de uma certa característica na geração seguinte?; Como saber se uma doença tem ou não carácter hereditário?; Até que ponto
genes determinam o nosso fenótipo? Questões como estas poderão ser ponto de partida para as actividades de aprendizagem sobre hereditariedade e genética.
Salienta-se que a resolução de exercícios não deverá ser tomada como um fim em si mesmo, mas apenas um meio para ajudar os alunos a compreenderem como é possível
interpretar e prever a transmissão de algumas características.
Sugere-se que as referências aos trabalhos de Mendel e Morgan sejam contextualizadas em termos históricos, sociais e tecnológicos, pois tal é indispensável à compreensão
da sua importância; nesse sentido, será também pertinente reflectir sobre as dificuldades e as expectativas que actualmente desafiam e controlam a investigação em genética (opinião
pública, interesses económicos, posições políticas e/ou religiosas, meios tecnológicos, ...).
Importa diagnosticar e modificar eventuais concepções fixistas de gene e alelo, pelo que poderá ser útil ajudar os alunos a revisitarem alguns dos seus conhecimentos de
evolução (relativos ao 11º ano). Cuidado semelhante deverá ser tido acerca de concepções relativas à unidade do genoma das diversas células de um mesmo organismo. O tratamento
destes aspectos poderá levar ao levantamento de novas questões relativas aos demais conteúdos desta unidade: “Em que medida é que os genes explicam a ontogenia e a filogenia
dos indivíduos?; Por que é que os genes não possuem todos um mesmo número de alelos? Como podem ser alterados os alelos que herdamos ? Com que consequências?; De que
forma se explica que células com um mesmo genoma sejam diferentes? Como se pode manipula a regulação dos genes?; E corrigir defeitos genéticos?”
Relativamente ao estudo da organização, regulação e alteração do material genético é indispensável que os alunos mobilizem e integrem, de forma responsável e crítica, os
saberes que possuem sobre ácidos nucleicos, sua localização e organização nos seres procariontes e eucariontes, processos de replicação e tradução, bem como divisão celular; tal
poderá supor tarefas, mais ou menos orientadas, de pesquisa para revisão e aprofundamento. Sugere-se, também, que, na medida do possível, as abordagens sejam feitas de forma
integrada e contextualizada, pelo que se apresentam algumas sugestões:
- análise, interpretação e comparação de imagens de cariótipos humanos normais e com mutações cromossómicas (ex. síndromas de Down, Turner, Cri-du-chat, ...);
- exploração de aspectos relativos à regulação génica e activação de oncogenes por mutações e de casos relativos ao efeito mutagénico de radiações e substâncias quími-
cas.
- avaliação das potencialidades da tecnologia do DNA recombinante para estudar a expressão de genes humanos em laboratório;
- interpretação de documentos / documentários sobre a utilização de técnicas de PCR (reacções de polimerização em cadeia), seus fundamentos biológicos e requisitos
tecnológicos; análise das suas potencialidades (ex. aplicações às ciências forenses), limitações e questões éticas associadas.
- discussão de casos com impacto social sobre a produção de OGM.

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Unidade 3 — IMUNIDADE E CONTROLO DE DOENÇAS

Como melhorar a qualidade de vida dos seres humanos? Que desafios se colocam ao controlo de doenças?
Número
Conteúdos Conceitos/
Conteúdos Procedimentais Conteúdos Atitudinais Enfatizar Evitar de aulas
Conceptuais Palavras Chave previstas
1. Sistema Imunitá- • Conhecimento dos proces- • Valorização dos conhe- • Os processos de defesa • A exploração da estru- Defesas específicas e 12
rio sos e das estruturas biológi- cimentos relativos a in- específica e não específi- tura química das imuno- não específicas
1.1 Defesas espe- cas que asseguram os meca- fecções e imunidade ca do organismo. globulinas.
cíficas e não nismos de defesa específica como meio de promoção • As diferenças morfoló- • O estudo dos processos Reacção inflamatória
específicas e não específica do organis- da saúde individual, es- gicas e funcionais dos que regulam a produção Quimiotaxia
1.2 Desequilíbrios mo. colar e pública, em geral. diversos tipos de leucóci- dos diferentes tipos de Diapedese
e doenças • Compreensão geral dos tos. leucócitos. Fagocitose
acontecimentos biológicos • As diferenças biológi- • A exploração exaustiva Linfócitos (B e T),
que caracterizam os proces- cas entre vírus e bactéri- das interacções existen- Monocitos / Macrofa-
sos de infecção e inflamação as e respectivos proces- tes entre linfócitos B e T gos
de tecidos. sos de proliferação no • O estudo das diferentes Eosinófilos
• Análise de dados laborato- organismo. classes de linfócitos T. Basófilos
riais relacionados com o sis- • Os principais aconteci- • A descrição detalhada Neutrófilos,
tema imunitário. mentos que caracterizam dos mecanismos de in-
• Distinção de processos de um processo inflamató- fecção e rejeição Célula de memória
imunidade humoral e imuni- rio. Imunidade inata e
dade mediada por células. • A especificidade da adquirida
• Interpretação dos aconte- resposta imunológica. Antigénio
cimentos imunitários envol- • A existência de diferen- Anticorpo
vidos nas reacções de hiper- tes classes de imunoglo- Imunoglobulina
sensibilidade e dano tecidu- bulinas.
Interferão
lar (alergias e doenças auto- • Os conceitos de imuni-
imunes). dade inata e adquirida.
• Análise de situações causa- Imunodeficiência
• A memória imunitária.
doras de imunodeficiência e • A interpretação biológi-
suas consequências. Vacina
ca dos processos de va-
Hipersensibilidade
• Aplicação de conhecimen- cinação, incompatibili-
Alergia
tos para interpretar aconte- dades sanguíneas e rejei-
Histaminas
cimentos do dia-a-dia. ção de tecidos transplan-
tados.
Autoimunidade
• As causas e os efeitos
dos estados de imunode-
ficiência.

21
Número
Conteúdos Conceitos/
Conteúdos Procedimentais Conteúdos Atitudinais Enfatizar Evitar de aulas
Conceptuais Palavras Chave previstas
2 Biotecnologia • Compreensão geral de • Desenvolvimento de • A distinção entre anti- • As abordagens bioquí- Anticorpos poli e
no diagnóstico processos biotecnológicos opiniões fundamentadas corpos poli e monoclo- micas dos processos em monoclonais
e terapêutica envolvidos na produção de sobre as questões que nais. estudo. Hibridoma
anticorpos monoclonais. envolvem a utilização de • A utilização biomédica Mieloma
• Interpretação de exemplos animais na experimenta- dos anticorpos monoclo-
que ilustrem as potenciali- ção biomédica. nais.
dades da utilização dos anti- • As vantagens da utiliza- Bioconversão
corpos monoclonais no dia- ção de substâncias tera-
gnóstico e terapêutica de do- pêuticas produzidas bio-
enças. tecnologicamente.
• Recolha, organização e • A utilização de proces-
interpretação de informação sos de bioconversão na
relacionada com a utilização produção de antibióticos
de procedimentos biotecno- e esteróides.
lógicos na produção de sub-
stâncias com fins terapêuti-
cos.

22
SUGESTÕES METODOLÓGICAS:
“Em que medida a qualidade de vida dos seres humanos depende da capacidade que estes possuem para controlar as doenças?; De que forma poderá o organismo humano
defender-se das agressões externas? Que situações poderão comprometer o funcionamento eficaz do sistema imunitário? E que implicações advêm para a saúde?” São exemplos de
questões susceptíveis de orientar actividades que permitam aos alunos a construçãouma visão integrada do funcionamento do sistema imunitário e dos problemas associados ao seu
desequilíbrio. Entre outras actividades, sugere-se:
- a observação e interpretação de esquemas e/ou fotografias (ou de preparações definitivas ao MOC) de diferentes agentes patogénicos e tecidos danificados por esses
agentes (particular atenção aos aspectos que se relacionam com a escala e os meios tecnológicos utilizados para a obtenção das imagens);
- a exploração de resultados de análises clínicas ao sangue que contenham contagem de leucócitos e pesquisa de imunoglobulinas;
- a pesquisa e sistematização de informação relativa a reacções de hipersensibilidade (ex. provocada por ácaros, latex, alimentos...), autoimunidade (ex. glomerulonefrite,
febre reumática,...) e imunodeficiencias (ex. SIDA, deficiência de desaminase de adenosina - ADA), vacinação, incompatibilidades de trasnplantes.
Relativamente aos aspectos de Biotecnologia no diagnóstico e terapêutica sugere-se a organização de trabalhos de pesquisa e discussão orientados por questões do tipo: “De
que modo a Ciência e a Tecnologia podem contribuir para prevenir, detectar ou resolver desequilíbrios imunológicos?;
Sistematização por aluno ou grupo de alunos, seguida de debate alargado à turma dos seguintes tópicos:
- utilização de anticorpos monoclonais (ex. na localização e diagnóstico de tumores, tratamento de doenças autoimunes, testes de gravidez,antídotos para drogas e vene-
nos,...);
- engenharia genética na produção de substâncias (ex. insulina, hormona de crescimento, factor VIII anti-hemofílico, interferon,...), no diagnóstico pré-natal de doenças,
avaliação da compatibilidade de órgãos para transplante, teste de paternidade...;
- bioconversão na produção de antibióticos (vantagens relativas à via de administração, ao espectro de acção e redução de reacções alérgicas) e esteróides (contraceptivos
orais e anabolizantes)

23
Unidade 4 — PRODUÇÃO DE ALIMENTOS E SUSTENTABILIDADE

Como resolver problemas de alimentação?


Número
Conteúdos Conceitos/
Conteúdos Procedimentais Conteúdos Atitudinais Enfatizar Evitar de aulas
Conceptuais Palavras Chave previstas
1 Microrganis- • Organização e interpretação • Valorização dos conhe- • As enzimas como bio- • As abordagens que Fermentação láctea, 12
mos e indus- de dados de natureza diversa cimentos sobre os pro- catalisadores indispensá- incluam estruturas quí- alcoólica e acética
tria alimentar (laboratoriais, bibliográfi- cessos metabólicos de veis ao metabolismo ce- micas complexas. Via metabólica
1.1 Fermentação e cos, internet, ... ) sobre a uti- alguns organismos, na lular. • O estudo detalhado de Catalisador
actividade en- lização de microrganismos perspectiva da sua utili- • Os factores que afectam procedimentos biotecno- Biocatalisador
zimática na produção de alimentos zação no fabrico, proces- a actividade enzimática. lógicos. Enzima
1.2 Conservação, (ex. iogurte, queijo, vinagre, samento e conservação • A especificidade enzi- Centro activo
melhoramento picles...) de alimentos. ma-substrato. Apoenzima, holoen-
e produção de • Reconhecimento da impor- • Construção de opiniões • O conceito de via meta- zima
novos alimen- tância biológica das enzi- informadas sobre a utili- bólica e controlo pelo Substrato
tos mas. zação de alimentos obti- produto final. Complexo enzima/
• Concepção e realização de dos/ modificados por • Os fundamentos bioló- substrato
actividades laboratoriais/ processos biotecnológi- gicos subjacentes à uti- Especificidade relati-
experimentais que evidenci- cos. lização de métodos de va , absoluta
em processos envolvidos na conservação de alimen- Inactivação, desnatu-
produção e conservação de tos (pasteurização, crio- ração
alimentos. conservação, irradiação, Inibidor
• Interpretação de dados liofilização, aditivos...) Inibição competitiva,
experimentais de modo a • Alguns exemplos que alostérica
compreender os factores permitam compreender Cofactor, coenzima
que afectam a actividade as potencialidades da
enzimática. biotecnologia na produ- Aditivos alimentares
• Discussão dos fundamentos ção, melhoramento e
biológicos subjacentes a di- conservação de alimen-
ferentes técnicas de conser- tos.
vação de alimentos.
• Interpretação de exemplos
de aplicações biotecnológi-
cas na industria alimentar,
nomeadamente, imobiliza-
ção de enzimas, aditivos e
novas fontes de nutrientes.

24
Número
Conteúdos Conceitos/
Conteúdos Procedimentais Conteúdos Atitudinais Enfatizar Evitar de aulas
Conceptuais Palavras Chave previstas
2 Exploração • Interpretação e discussão • Desenvolvimento de • A importância para o Reprodução selectiva
das potenciali- de dados de natureza diver- atitudes responsáveis ambiente e para a saúde Transgénico
dades da Bios- sa sobre a intervenção do face à intervenção do da utilização de métodos Cultura de tecidos
fera homem nos ecossistemas homem no ecossistema. naturais no controlo de Micropropagação
2.1 Cultivo de para aumentar as reservas • Valorização dos conhe- pragas (ex. controlo ge- Tecido caloso
plantas e cria- alimentares. cimentos científicos (bi- nético, com químicos na- Implante /explante
ção de animais • Compreensão das potencia- oquímicos e sobre ciclos turais, ...). Protoplasma
2.2 Controlo de lidades das técnicas de cul- de vida) no controlo de • A importância das bio- Equilíbrio dinâmico
pragas tura de tecidos vegetais. pragas sem prejuízo para tecnologias na minimi-
• Avaliação de argumentos o ambiente. zação do problema da Ciclo reprodutor
sobre vantagens e preocu- • Posicionamento crítico fome no mundo. Esterilização
pações relativas à utilização e fundamentado sobre a Feromonas
de OGM na produção de utilização de diferentes Agentes biocidas
alimentos. biotecnologias na produ-
• Compreensão de métodos ção de alimentos. Espectro de acção
de clonagem aplicados à Persistência
agricultura/ criação de ani-
mais e debate sobre os as-
pectos relacionados com o
seu impacto ecológico,
económico e ético.
• Avaliação de benefícios/
prejuízos associados ao uso
de hormonas e reguladores
de crescimento no controlo
do desenvolvimento e ferti-
lidade de plantas e animais.
• Discussão sobre a proble-
mática do uso de biocidas e
de métodos alternativos no
controlo de pragas.
• Planificação de actividades
laboratoriais de cariz expe-
rimental.

25
SUGESTÕES METODOLÓGICAS:
Organização de actividades de pesquisa e discussão orientadas por questões do tipo: “Como produzir maior quantidade de alimentos?, Qual o contributo da industria na
produção, processamento e conservação de alimentos?; Em que medida as novas variedades de alimentos obtidas por engenharia genética podem ser uma solução?; Quais os efeitos
ambientais da produção intensiva de alimentos?”
A pesquisa de aspectos relativos à industria alimentar deve permitir ao aluno o planeamento e execução de actividades laboratoriais, de cariz experimental, que evidenciem
processos utilizados na produção e conservação de alimentos (ex. produção de vinagre, iogurte,...), bem como os factores que condicionam a actividade metabólica dos microrganis-
mos nela envolvidos, nomeadamente variações de temperatura, pH, ou concentração de substrato / enzimas. Sugere-se que estes processos de experimentação envolvam a utilização
de sensores e posterior tratamento informatizado de dados. Recomenda-se, também, a análise e interpretação de dados experimentais (gráficos e/ ou tabelas) existentes na bibliogra-
fia.
Sugere-se a mobilização dos saberes que os alunos possuam sobre a conservação de alimentos por métodos tradicionais, processos de distribuição de alimentos e a introdu-
ção de algumas aplicações da biotecnologia nesta área. Esta abordagem permitirá, por um lado, a compreensão de processos biológicos envolvidos e, por outro, perspectivar a evolu-
ção das técnicas usadas na conservação de alimentos ao longo do tempo.
Relativamente à intervenção do Homem na Ecosfera a informação recolhida pelos alunos deve ser sistematizada, interpretada e discutida (em pequenos grupos seguida de
debate plenário) tendo em conta os seguintes aspectos:
- Desflorestação, agricultura (cultivo excessivo, ...) e desertificação - será importante confrontar a agricultura familiar com a realizada por grandes empresas espe-
cializadas em monoculturas; reflectir sobre a importância da agricultura sustentável na preservação dos ecossistemas. A análise de tabelas/ gráficos, textos/ vídeos
ou outros documentos multimédia poderão ser recursos pertinentes para este tipo de abordagem;
- Cultura de tecidos vegetais, criação de animais e biodiversidade - recomenda-se a visita a uma exploração ou laboratório, pois considera-se que estes são espaços
privilegiados para o aluno compreender os princípios biológicos subjacentes à utilização de algumas técnicas usadas na agricultura / pecuária / aquacultura, reco-
nhecer as potencialidades desses processos e recolher dados para avaliar os seus impactos no meio ambiente;
- Controlo de pragas, equilíbrio dos ecossistemas e saúde do indivíduo - sugere-se o estudo de casos que permitam conhecer os efeitos de algumas pragas sobre as
culturas (ex. piolho do arroz, ...) e de diferentes soluções encontradas pelo homem para as combater (biocidas, controlo por inimigos naturais, controlo genético,
...); a interpretação de dados contidos na literatura relativos à toxicidade, efeitos e persistência de alguns biocidas será importante, tanto mais que permitirá aos
alunos problematizar situações do dia-a-dia que envolvam o uso deste tipo de substâncias.
Recomenda-se que na organização das actividades de ensino-aprendizagem, a desenvolver nesta unidade, sejam levantadas questões que sirvam de fio condutor para a uni-
dade seguinte. Os aspectos relacionados com a toxicidade de biocidas são facilmente articulavéis com o estudo dos efeitos dos poluentes e tratamento de resíduos que integram a
próxima unidade.

26
Unidade 5 — PRESERVAR E RECUPERAR O MEIO AMBIENTE

Que soluções para os efeitos da actividade humana sobre o ambiente?


Número
Conteúdos Conceitos/
Conteúdos Procedimentais Conteúdos Atitudinais Enfatizar Evitar de aulas
Conceptuais Palavras Chave previstas
1. Poluição e de- • Identificação dos principais • Reflexão e desenvolvi- • A relação existente • A referência a um ele- Poluição 10
gradação de recur- contaminantes ambientais e mento de atitudes críti- entre chuvas ácidas e vado número de conta- Poluente
sos suas fontes e avaliação dos cas, conducentes a to- efeito de estufa e a ac- minantes e seus efeitos. Contaminação
1.1 Contaminantes seus riscos para a saúde. madas de decisões fun- tividade humana. • O estudo pormenoriza- Eutrofização natural/
da atmosfera, • Compreensão das conse- damentadas, sobre pro- • Os contaminantes têm do dos processos quími- cultural
solo e água e quências dos contaminantes blemas ambientais cau- riscos para a saúde cos envolvidos no tra- Bioampliação
seus efeitos fi- nos ecossistemas (eutrofiza- sados pela actividade (efeitos crónicos, agu- tamento de resíduos. Sinergismo
siológicos ção, bioampliação, sinergis- humana. dos, cancerígenos, ...) e Chuvas ácidas
1.2 Tratamento de mo, ... ). • Consciencialização das degradam o meio ambi- Efeito de estufa
resíduos • Recolha e organização de vantagens da recicla- ente. Ozono atmosférico
dados de natureza diversa so- gem e reutilização de • A importância da reci- Carência bioquímica
bre sistemas utilizados para materiais como modo clagem de materiais e de oxigénio (CBO)
diminuir as emissões para a de evitar a contamina- do tratamento de resí- Toxicidade
atmosfera e tratamento de re- ção (ar, solo e água) e o duos. Dose letal
síduos. esgotamento dos recur- • A utilização de micror- Efeito agudo, crónico
• Compreensão do papel dos sos naturais. ganismos para a dimi- Agente mutagénico,
seres vivos (decompositores e • Valorização dos avan- nuição da matéria orgâ- teratogénico, cancerí-
saprófitas) na reciclagem de ços científico- nica presente nos resí- geno
materiais. tecnológicos na preser- duos.
• Discussão dos impedimen- vação do meio ambien- • Estação de tratamen-
tos e alternativas possíveis à te. to de águas residuais
reciclagem de produtos resi- • Apreciação crítica da (ETAR)
duais (contaminação com ma- informação veiculada Incineração
teriais tóxicos). pelos media. Aterro Sanitário
• Aplicação de conhecimen- Compostagem
tos para interpretar problemá- Biogás
ticas com impacto social. Biosólidos (lodos
tratados)
• Problematização de situa-
Biodegradável
ções do dia-a-dia.
Reciclável

27
Número
Conteúdos Conceitos/
Conteúdos Procedimentais Conteúdos Atitudinais Enfatizar Evitar de aulas
Conceptuais Palavras Chave previstas
2 Crescimento • Análise e interpretação de • Reconhecimento que o • Os factores que condi- Demografia
da população dados em diferentes formatos crescimento demográfi- cionam o desenvolvi- Mortalidade
humana e sus- (gráficos, tabelas, ...) relati- co, a degradação ambi- mento da população Natalidade
tentabilidade vos à evolução da população ental e os avanços cien- (reprodução e fertilida-
ao longo do tempo. tíficos e tecnológicos de, genética, imunidade
• Compreensão das causas e condicionam a qualida- e doenças, alimentação,
consequências da explosão de de vida do Homem. ...).
demográfica (efeitos ambien-
tais e sociais).
• Interpretação de padrões de
crescimento demográfico de
sociedades com diferentes ní-
veis de desenvolvimento.
• Discussão de medidas a
adoptar para solucionar os
problemas associados à explo-
são demográfica e degradação
ambiental.

SUGESTÕES METODOLÓGICAS:
Partindo da questão central “Que soluções para os efeitos da actividade humana sobre o ambiente?” e de tópicos abordados na unidade anterior (ex. problemática da utiliza-
ção de biocidas), formular novas questões orientadoras das actividades de ensino-aprendizagem, tais como: “Que actividades humanas têm contribuído para a contaminação da at-
mosfera, solo e água?; Quais são os principais contaminantes ambientais? Que efeitos provocam nos ecossistemas? E na saúde das pessoas?; Por que é que as águas residuais são um
dos factores de contaminação ambiental com maior risco para a saúde pública?; De que modo se podem controlar as emissões para a atmosfera?; Como tratar os resíduos converten-
do-os em produtos úteis?; Que medidas adoptar no caso de materiais tóxicos?
A identificação e análise de situações de desequilíbrio ambiental de âmbito local ou regional, veiculadas pelos media ou retiradas da bibliografia permitirão um estudo con-
textualizado dos principais poluentes ambientais, suas fontes, efeitos para o meio ambiente e riscos para a saúde. Terá interesse a interpretação de dados em formatos diversos, como
por exemplo:
- quadros, gráficos e/ou tabelas sobre contaminantes, suas fontes e efeitos;

28
- esquemas relativos ao funcionamento de estações de tratamento de resíduos (se possível visitar uma ETAR, ou outro tipo de estação de tratamento de resíduos, para
que os alunos identifiquem os diferentes processos envolvidos no tratamento de resíduos, compreendam a importância dos seres vivos na reciclagem de materiais e
tomem consciência da quantidade de “lixos” urbanos que são produzidos diariamente);
- descrição de casos, suas causas, extensão espacial e temporal, consequências ambientais e humanas e soluções que foram ou não encontradas.
Para além destas actividades considera-se fundamental criar oportunidades de ensino aprendizagem que levem os alunos a problematizar situações que lhes são próximas e
envolvam a contaminação de recursos naturais e ambiente (ex. derrame de detergentes ou hidrocarbonetos em jardins, campos, lagos, rios ou oceanos); a concepção de desenhos
experimentais – e se possível a sua execução – são também actividades recomendadas.
Será importante reforçar a necessidade de promover a gestão equilibrada dos recursos (renováveis e não renováveis) e levar produtores e consumidores a adoptarem padrões
de produção e de consumo ecologicamente sustentáveis. Sugere-se que os alunos dinamizem actividades (colóquios, workshops, exposições, redacção de artigos para os media,...)
que promovam, por um lado, a divulgação das suas aprendizagens junto da comunidade – educativa ou local – mas, principalmente, que lhes proporcionem espaços de argumentação
e fundamentação de opiniões. Tratando-se de um exercício de cidadania responsável, recomenda-se especial cuidado de modo a excluir intervenções sensacionalistas.

Que factores têm condicionado o desenvolvimento da população ao longo do tempo?; O nível de desenvolvimento de uma sociedade condicionará o seu crescimento demo-
gráfico? Em que medida a Ciência e a Tecnologia têm contribuído para esse crescimento?; Quais as consequências para o meio ambiente da explosão demográfica? E para a qualida-
de de vida do indivíduo? Este tipo de questões podem enquadrar abordagens que visem a integração dos diversos temas estudados, nomeadamente no que diz respeito aos contributos
da biotecnologia ao nível da manipulação da fertilidade, das alterações do material genético, da imunidade e controlo de doenças e da alimentação, de modo a clarificar o seu contri-
buto para a resolução da situação – problema, “Como melhorar a qualidade de vida dos seres humanos?”, que serve de contexto ao programa.
Mais do que aprender novos conceitos importa articular e integrar conhecimentos. Este tipo de abordagem deve, no entanto, ser apoiada por actividades de pesquisa, siste-
matização e interpretação de informação, por aluno ou grupos de alunos, e promover o debate na turma.

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4. Bibliografia

- ALDERSON, P., ROWLAND, M. (1995) Making Use of Biology (2ªEd.), MacMillan Press Ldt, London.

Neste texto, a abordagem dos conceitos surge da necessidade de compreender aspectos sociais, económicos, tecnológicos ou éticos,
bem como explorar as influências culturais e as limitações associadas aos conhecimentos de Biologia. O livro está organizado em
duas partes, “Economic and Environmental Biology” e “Human and Social Biology”. São apresentados questionários (com solu-
ções) e exemplos de actividades práticas.

- AZEVEDO, C. (Coord.) (1999) Biologia Celular e Molecular (3ª Ed.), LIDEL – Edições Técnicas, Lis-
boa.

Texto em língua portuguesa, para o professor, com informação actualizada sobre aspectos de ultraestrutura e fisiologia celular.

- ALDRIDGE, S. (2001) Moléculas Mágicas – como actuam as drogas, Editora Replicação, Lisboa.

Obra com texto acessível para alunos e professores. Possui informação interessante sobre a forma como alguns fármacos e drogas
interagem com os seus alvos no organismo, de onde provêm e como foram desenvolvidos. São tratados, entre outros, aspectos rela-
cionados com mecanismos de infecção e abordagens médicas centradas nos genes.

- CAMPBELL, N. A.; MITCHEL, L. G., REECE, E. J. (1999) Biology (5ª Ed.), Benjamin/Cummings
Publishing Company, Menlo Park.

Obra organizada em torno dos grandes temas da Biologia (A química da Vida; A Célula; O Gene; Mecanismos de Evolução; ...;
Plantas: estrutura e função; Animais ...; Ecologia). A apresentação dos conteúdos é feita de forma clara e sintética, sem esquecer os
aspectos que caracterizam a natureza da Biologia como ciência e actividade humana. No final de cada unidade é apresentada uma
síntese dos principais conceitos, questionários de revisão, problemas e sugestões de aspectos que permitem enfatizar a dimensão ci-
ência-tecnologia-sociedade dos temas e conceitos estudados.

- CARVALHO, A., e outros (1984) Biologia Funcional – estrutural, molecular, dinâmica e fisiológica,
Almedina, Coimbra.

Livro de texto em que se tratam alguns aspectos fundamentais de Biologia Celular, Bioenergética, Bioquímica e Fisiologia. O nível
de aprofundamento não é excessivo pelo que a obra é acessível para os alunos deste nível de ensino.

- GRIFFITHS, A., MILLER, J., SUZUKI, D., LEWONTIN, R., GELBART, W. (1999) An Introduction to
Genetic Analysis (7th Ed.) Freeman, New York.

Livro para o professor. Texto claro apoiado por excelentes ilustrações. Apresenta aspectos gerais de hereditariedade e genética clás-
sica, sendo a maior parte da obra dedicada aos aspectos de genética molecular. Inclui CD-ROM que, entre outros aspectos, apresen-
ta sequências animadas dos processos de replicação, tradução, extracção de plasmídios e clonagem de genes.

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- GUYTON, A. (1991) Tratado de Fisiologia Medica (8ª Ed.), INTERAMERICANA – McGRAW-HILL,
Madrid.

Obra de aprofundamento bastante completa, para o professor. Aborda a fisiologia dos diferentes sistemas do corpo humano, bem
como alguns aspectos relativos à anatomia. O texto é acompanhado por esquemas, gráficos e tabelas.

- HERITAGE, J.; EVANS, G.; KILLINGTON, D. (2002). Microbiologia em Acção, Editora Replicação,
Lisboa.

O texto é enquadrado por uma série de perguntas (ex. De que modo os micróbios provocam doenças, e como nos defendemos da in-
fecção?; Como são utilizados os micróbios no controlo de pragas?; Como contribuem os micróbios para a indústria farmacêutica?),
cujas respostas ilustram diferentes interacções que os microrganismos estabelecem com os seres humanos. Embora a maior parte
do texto descreva a forma como os micróbios interferem no equilíbrio do corpo humano, os autores também fazem referência à mi-
crobiologia ambiental e ao papel dos micróbios na indústria. O livro é muito interessante para os professores e acessível aos alunos
sob supervisão do professor.

- JACOB, S.W.; FRANCONE, C. A.; LOSSOW, W. J. (1984) Anatomia e Fisiologia Humana (5ª Ed.)
Editora Guanabara, Rio de Janeiro.

Obra que reúne esquemas pormenorizados dos sistemas humanos, enfatizando a fisiologia dos mesmos. Nos finais de capítulo, sur-
gem resumos e questões de revisão. Existem várias referências bibliográficas agrupadas de acordo com a temática específica, o que
facilita a pesquisa a quem desejar maior aprofundamento de um tema.

- JUNQUEIRA, L.C. & CARNEIRO, J. (2000) Biologia Celular e Molecular (7ª Ed.), Editora Guanabara,
Rio de Janeiro.

Texto acessível e sintético acompanhado de esquemas e/ou fotografias. Apresenta, no inicio de cada capítulo, um roteiro dos prin-
cipais assuntos a abordar, o que facilita a sua utilização. Ainda que se trate de um texto com um grau aprofundamento superior pode
ser consultado pelos alunos com supervisão do professor.

- JUNQUEIRA, L.C. & CARNEIRO, J. (1990) Histologia Básica (7ª Ed.), Editora Guanabara, Rio de Ja-
neiro.

A obra apresenta de forma clara e concisa aspectos da histologia funcional. Aspectos de biologia celular e molecular, são mobiliza-
dos para a descrição do funcionamento dos tecidos e órgãos. O texto é acompanhado de esquemas e/ou fotografias. Ainda que se
trate de um texto com um grau aprofundamento superior ao âmbito do programa é acessível para os alunos deste nível de ensino.

- LEWIS, R. (1997) Human Genetics – Concepts and Applications (2ª Ed.), WCB Publishers, Dubuque.

Trata-se de um texto de aprofundamento para o professor. Aborda aspectos básicos de hereditariedade (DNA, genes e leis de Men-
del), genética de populações, genética relacionada com imunidade e cancro, bem como aplicações tecnológicas dos conhecimentos
de genética. O texto é acompanhado de esquemas e/ou fotografias a cores e frequentes quadros ou tabelas resumo; alguns capítulos
incluem dados de natureza histórica relativos a avanços científicos e tecnológicos;

- MINTZES, J. J.; WANDERSEE, J.H. e NOVAK, J.D. (Coords.) (2000). Ensinando ciência para a
compreensão – uma visão construtivista, Plátano, Lisboa.

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O texto apresenta, de modo acessível, aspectos de fundamentação teórica e empírica que suportam os modelos construtivistas de
ensino e de aprendizagem das ciências. Sugere estratégias de intervenção, baseadas na teoria, destinadas a promover a restruturação
dos conhecimentos a aprendizagem significativa. A última secção é especialmente destinada a ajudar os professores a reflectirem
sobre as suas próprias práticas e a avaliarem criticamente novas formas de ensinar ciências.

- NEBEL, B.J. & WRIGHT, R.T. (1999) Ciencias Ambientales – Ecología y desarrollo sostenible (6ªEd.),
Printice Hall, México.

Obra organizada em torno de temas ambientais e sustentabilidade. Cada capítulo inicia-se por uma exposição do tema e perguntas-
chave a que se segue o texto de desenvolvimento bastante claro, acompanhado por tabelas, mapas e de alguns sites da internet. Para
alguns temas existem, ainda, quadros que acrescentam informação relativa a aspectos particulares (A Terra em Observação), que
discutem problemas éticos associados (Ética) e que mostram o carácter universal e a extensão dos aspectos em estudo (Panorama
mundial). No final de cada capítulo, surgem questões de revisão e uma secção de actividades e questões (Pensamento ambientalista)
que permitem relacionar os conceitos abordados em cada um dos temas com outras áreas das ciências do ambiente, assim como a
sua aplicação a problemas ambientais concretos. Sugere que a sua consulta pelos alunos seja supervisionada pelo professor.

- OLIVEIRA, M. T. (Coord.) (1991) Didáctica da Biologia, Universidade Aberta, Lisboa.

Os vários autores apresentam, de forma sintética, alguns dos aspectos que nos últimos anos têm sido alvo de investigação didáctica
(p. ex., Concepções Alternativas, Mudança Conceptual, Modelos de Ensino, ...). Os textos fornecem elementos que podem ajudar
os professores a analisar criticamente as suas práticas.

- PIMENTEL, G.C. & COONROD, J. A. (1997). Oportunidades em Química – Hoje e Amanhã.

Este livro fornecerá leitura suplementar para o professor. O seu conteúdo foi extraído de breves ensaios escritos por cientistas e
descreve as fronteiras contemporâneas da investigação em Química e as oportunidades para as ciências químicas responderem às
necessidades da sociedade. Foca temas como a Alimentação, a Saúde, e as Biotecnologias, entre outros.

- POSTGATE, J. (2002). Os Micróbios e o Homem. Editora Replicação, Lisboa.

Obra com texto acessível, para alunos e professores. Introduz o leitor no mundo dos micróbios e mostra o seu impacto sobre a eco-
nomia e a sociedade. Aborda aspectos como, por exemplo, os micróbios na industria (alimentar, química e farmacêutica) os micró-
bios e as matérias-primas, os micróbios no controlo da poluição e no tratamento de resíduos, entre outros.

- PURVES, W. K., ORIANS G.H., HELLER E. H. (1998). Life, The Science of Biology. (5ª Ed.), Sunder-
land, Sinauer Associates.

Compêndios de Biologia que se evidencia pela clareza do seu texto e qualidade das ilustrações. Adequado para professores.

- MILLER Jr, G. (2002) Living in the Enviroment- principles, connections, and solutions (12th Ed.)
Wadsworth Group. Brooks / Cole, United States

- MILLER Jr G. (2002) Introduccíon a la ciencia ambiental – desarollo sostenible de la Tierra – un


enfoque integrado (5ª Ed.), THOMSON Editores Spain, Madrid.

Obra organizada com ênfase em temas que dizem respeito ao meio ambiente, às interacções da população humana com o ambiente
e sustentabilidade. O professor encontra suporte para abordagem das questões do programa, nomeadamente no que respeita a aspec-
tos de utilização e exploração dos recursos naturais, poluição e sustentabilidade face ao crescimento da população humana. Apre-

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senta casos, coloca questões e aponta algumas sugestões para minimizar efeitos nefastos, de modo prevenir a destruição ambiental e
o esgotamento dos recursos essenciais à sobrevivência no nosso planeta.

- NESTER, E., ROBERTS C., NESTER, M. (1995) Microbiology – a human perspective, WCB Publish-
ers, Dubuque (USA).

Embora se trate de um texto de aprofundamento, tem uma organização que facilita a consulta. O professor encontra informação per-
tinente para preparar a discussão de questões do dia-a-dia com os alunos. As duas primeiras partes do livro apresentam conceitos
básicos da biologia dos microrganismos. A terceira “Microorganisms and humans” trata aspectos de imunologia, epidemiologia e
infecções a diversos níveis ou sistemas do corpo humano. A última parte do livro refere-se a aplicações tecnológicas dos conheci-
mentos de microbiologia, nomeadamente no tratamento de resíduos, indústria alimentar, e aspectos de ecologia dos ambientes ter-
restres e aquáticos. O texto é acompanhado de esquemas e/ou fotografias a cores e frequentes quadros ou tabelas resumo; todos os
capítulos possuem contextualização histórica, por vezes com descrição das controvérsias que envolveram a descoberta de alguns
conhecimentos científicos; são discutidas algumas crenças/mitos comuns (por exemplo, “Does a cold temperature cause colds?”,
p.466).

- ODUM, E. (1996) Fundamentos de Ecologia (5ª Ed.) Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Texto básico de ecologia. Possui, entre outros, capítulos específicos sobre ecologia dos meios aquáticos de água doce, marinho e es-
tuários. Também existem capítulos relacionados com os “Recursos naturais” e “Poluição e saúde Ambiental” que podem apoiar a
leccionação de algumas rúbricas programáticas. Texto para o professor que pode ser, também, criteriosamente disponibilizado aos
alunos.

- RAMSDEN, E. (1996) Chemistry of the Enviroment, Stanley Thornes Publishers Ltd, Cheltenham.

Obra de química com interesse para os professores. A informação é apresentada de forma sintética, acessível e contextualizada.
Possui capítulos específicos sobre poluição do ar, poluição da água, tratamento de águas e poluição dos solos. Apresenta a descri-
ção de casos.

- ROBERTIS, E. & ROBERTIS, E. M. (1996) Biologia Celular e Molecular, Fundação Calouste Gul-
benkian, Lisboa.

Este livro trata das células e moléculas que integram a unidade do mundo vivo. Aborda os avanços mais recentes da biologia mole-
cular, sem deixar de fazer referência aos trabalhos dos citologistas clássicos. Cada capítulo contém uma introdução onde se menci-
onam os principais objectivos; sumários em que constam os pontos essenciais; uma lista de referências e leituras adicionais para
completar a informação. Livro acessível aos alunos sob supervisão do professor.

- STANSFIELD, W. D.; COLOMÉ, J. S.; CANO, R. J. (1998) Biologia Molecular e Celular , Editora Mc
Graw-Hill de Portugal Lda, Amadora.

Este livro apresenta um texto bastante acessível. Inclui questões de revisão e problemas resolvidos. Destaque para a preocupação
dos tradutores em clarificarem o sentido dos termos menos comuns com notas de rodapé. Interessante para professores.

- SEELEY, R. R.; STEPHENS, T. D.; TATE, P. (1997) Anatomia e Fisiologia (1ª Edição), Lusodidacta,
Lisboa.

Nesta obra a os conceitos são apresentados de forma simples. A relação entre a estrutura e função e a homeostase são os temas mais
realçados. Incluem-se, em cada capítulo, para além da apresentação clara dos temas, um resumo e questões.

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- SEQUEIRA, M. e outros (org.) Trabalho Prático e Experimental na Educação em Ciências, Braga, Uni-
versidade do Minho.

Actas do Congresso que decorreu de 22 a 24 de Março de 2000, na U. M. Contém vários contributos interessantes para conhecer e
aprofundar perspectivas didácticas actuais sobre a educação em ciências. Possui, também, diversos relatos de actividades práticas e
experimentais, desenvolvidas por professores com os alunos. Obra interessante para aprofundamento de saberes didácticos.

- TORRANCE, J. (coord.) (1999) Human Biology – higher grade Hodder & Stoughton, London

Texto simples e sintético acompanhado por muitos esquemas. Apresenta sugestões de actividades práticas e experimentais, bem
como exemplos de questionários de revisão ou avaliação. Adequado para alunos com domínio da língua inglesa.

- VERÍSSIMO, A., PEDROSA, A., RIBEIRO, R. (Coord.) (2001) Ensino Experimental das Ciências:
(re)pensar o ensino das ciências, Lisboa, Departamento do Ensino Secundário.

Publicação que reúne textos de diversos autores. Alguns são contributos interessantes para conhecer e aprofundar perspectivas di-
dácticas actuais sobre o papel das actividades práticas (nomeadamente as de natureza laboratorial, experimental e de campo) na
educação em ciência. Outros discutem a importância da educação científica nos tempos actuais, bem como o seu contributo para a
promoção da cultura e da cidadania. Obra interessante para aprofundamento de saberes didácticos.

- VIDEIRA, A. (Coord.) (2001) Engenharia Genética – Princípios e Aplicações, Lidel- Edições Técnicas,
Lisboa – Porto - Coimbra

Publicação que reúne textos de diversos autores, organizados em diferentes capítulos que incluem perguntas de revisão. Contributos
interessantes no que diz respeito às técnicas básicas utilizadas em engenharia genética, nomeadamente na manipulação de genes e
na sua incorporação em organismos procariontes e a produção de estirpes eucariontes geneticamente modificadas. Existe ainda um
capítulo que refere a aplicação de técnicas na detecção de anomalias genéticas na espécie humana e algumas correcções que podem
ser feitas por manipulação de DNA. Livro para o professor.

- VODOPICH, D. S., MOORE, R. (1996) Biology Laboratory Manual. (4ª Ed), Boston, McGraw-Hill,
Companies. Inc..

Manual de laboratório. Contém propostas que poderão ser úteis para a organização de actividades práticas.

- WHEATER, P., BURKITT, H., DANIELS, V. (1987) Histologia funcional – Texto y atlas en color, (2º
ed.) Editorial JIMS, Barcelona.

Apresenta imagens – esquemas e fotografias de microscopia óptica e electrónica – de muito boa qualidade acompanhadas de texto
interpretativo e breve enquadramento teórico.

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