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Instituto Politécnico de Viana do Castelo

Escola Superior de Tecnologia e Gestão

Turismo

Sociologia do Lazer

Turismo Cultural

Rui Miguel Teixeira Gouveia nº 6639

Data de Entrega: 8 de Maio de 2009

1º Ano

Ano Lectivo 2008/2009

Professor Paulo Rodrigues


Instituto Politécnico de Viana do Castelo

Escola Superior de Tecnologia e Gestão

Turismo Cultural

Rui Miguel Teixeira Gouveia nº 6639

Data de Entrega: 8 de Maio de 2009

1º Ano

Ano Lectivo 2008/2009

Professor Paulo Rodrigues


Resumo Analítico

A cultura tem sido, ao longo dos anos, a principal motivação das viagens realizadas
para a Europa e daí, resultou não só uma tipologia, mas também um produto turístico. Mas
recentemente concluiu-se que a nova tendência será a do “novo turista” que quer participar da
experiência que é a viagem e “sujar as mãos” e não só “ver monumentos e museus”. De
acordo com as previsões da Organização Mundial do Turismo, a Europa vai perder quota de
mercado, relativamente a outras sub-regiões.
Tendo assim ameaçada a sua principal fonte de atracção por novas tendências, surgem
planos estratégicos com novas directrizes, como é o caso do Plano Estratégico Nacional do
Turismo, implementado no nosso país, onde são mencionados 10 produtos turísticos
estratégicos nos quais o Governo vai apostar, onde entre eles consta o Touring Cultural e
Paisagístico.
Assim, de forma a compreender a importância deste produto, aspectos como a sua
definição, as motivações inerentes a este e os principais impactos positivos e negativos, são
abordados ao longo deste trabalho.

Abstract

Culture has been, for the past few years, the main motivation for travels to Europe and
gave origin, not only to a type, but also a touristic product. But recently a new trend surfaced,
where the “new tourist” wants to be part of the travelling experience and to get his hands
“dirty” and not only to watch monuments and museums. According to the World Tourism
Organization, Europe is going to lose market share, comparing to other sub-regions.
Having its main source of attraction threatened by new trends, strategic plans with new
guidelines have been surfacing, like Plano Estratégico Nacional do Turismo, implemented in
our country. In the plan, there are 10 strategic products in which the government will invest
on, where we can find among them the Cultural and Landscape Touring.
In order to understand the relevance of this product, aspects like its definition, its main
motivations and the main impacts, positive and negative, are approached during this work.
Índice

1 - Introdução......................................................................................................................... 1

2 - Metodologia...................................................................................................................... 2

3 - O Turismo numa perspectiva sociológica .......................................................................... 3

4 - Turismo Cultural: Uma definição ...................................................................................... 4

5 - O problema do Turismo Cultural....................................................................................... 5

6 - As motivações inerentes.................................................................................................... 6

7 - Impactos sociais do Turismo ............................................................................................. 8

8 - Impactos sociais do Turismo ......................................................................................... 8

8.1. - Impactos Negativos ............................................................................................... 9

8.2. - Impactos Positivos .............................................................................................. 10

9 - Touring Cultural, um produto estratégico para o país e para a Europa ............................. 12

10 - Conclusão ..................................................................................................................... 13

11 - Bibliografia ................................................................................................................... 15

Anexos
Índice de figuras

Pirâmide da hierarquia das necessidades de Maslow…………………………………………..6

Divisão das motivações para a viagem………………………………………………………...7


Introdução

A análise do Turismo Cultural como parte do estudo da Sociologia, surge no âmbito


da unidade curricular Sociologia do Lazer e da importância da elaboração de um trabalho de
cariz individual. Assim sendo e, consequentemente, surgiu a necessidade de clarificar tópicos
relevantes ao conceito de Turismo Cultural.
Em primeiro lugar, e numa forma de contextualização, apresenta-se uma perspectiva
sociológica do Turismo, mostrando o porquê do estudo deste sector por parte da sociologia.
Após a contextualização, é apresentada uma definição do conceito de Turismo Cultural, como
forma de introduzir o tema do trabalho, seguindo-se a apresentação dos problemas que não só
o Turismo Cultural, mas também a indústria turística enfrentam de uma forma geral.
De forma a compreender o porquê da designação atribuída a esta tipologia de Turismo,
são demonstrados os motivos inerentes à escolha de uma viagem com um propósito cultural.
De forma conclusiva, são apresentados os impactos sociais do Turismo, de forma a
demonstrar os impactos e os impactos que o Turismo tem na sociedade.
Este trabalho culmina com a apresentação de um caso prático no nosso país,
nomeadamente de um produto turístico integrado no Plano Estratégico Nacional do Turismo
(PENT), o Touring Cultural, demonstrando alguns dados estatísticos e perspectivas futuras
para este mesmo, e com uma análise conclusiva de todos os tópicos abordados ao longo do
trabalho por parte do autor.

1
Metodologia

Com o propósito de levar a cabo a elaboração deste trabalho, procedeu-se em primeiro


lugar à selecção do tema a abordar, através do programa da unidade curricular de Sociologia
do Lazer. Em seguida, dividiu-se o tema em tópicos de interesse, de forma a contextualizar o
assunto abordado e a facilitar a leitura.
Dividido o trabalho em tópicos, levou-se a cabo uma pesquisa em livros de interesse
para a área do Turismo e da Sociologia, bem como em alguns sites da Internet, também estes
de organismos internacionais relacionados com o sector.
É importante salientar que ao longo da pesquisa bibliográfica e em sua função, foram
sendo acrescentados novos tópicos e a ordem de alguns foi sendo alterada, conforme a o seu
grau de generalidade e/ou especificidade. Ainda durante o desenvolvimento do trabalho, a
conselho do docente, procedeu-se a uma pesquisa bibliográfica relativamente aos
apontamentos da matéria leccionada nas aulas, de forma a complementar o trabalho e a
corrigir algumas falhas. Findo o desenvolvimento do trabalho, procedeu-se à apresentação de
um caso prático e de uma análise de todos os tópicos abordados por parte do autor.

2
O Turismo numa perspectiva sociológica

De forma a contextualizar o Turismo como área de estudo da sociologia, devemos em


primeiro lugar, ter a noção que o Turismo:

… apresenta-se como um sistema, isto é, como um conjunto de elementos que estabelecem conexões
interdependentes entre si de carácter funcional e espacial como sejam as zonas de proveniência dos
visitantes (emissoras), as zonas de destino (receptoras), as rotas de trânsito e todas as actividades que
produzem os bens e serviços turísticos (actividade turística). (Cunha;2001:111)

Assim, após se ter presente que o Turismo é um fenómeno que estabelece relações
com outras áreas – “O Turismo não é um sector isolado (…)” (Cunha;2001:124) – tem que se
considerar duas variáveis diferentes antes de se partir para a explicação das várias abordagens
do Turismo, o sistema social e a cultura. Em primeiro lugar: “É o sistema social que
determina as vocações, os desejos, as atitudes e os comportamentos dos grupos sociais que
constituem o elemento básico da propensão a viajar (...)” (Cunha;2001:120). Em segundo
lugar: “A cultura foi desde sempre um dos mais importantes factores de desenvolvimento do
turismo (…): grande parte das viagens realizam-se para destinos (…) tais como os locais
históricos, monumentos, centros arqueológicos, centros de peregrinação, concentrações de
carácter étnico e muitos outros.” (Cunha;2001:120)
Assim, após compreender estes dois conceitos: “…é necessária uma abordagem
horizontal do turismo, isto é, a sua análise em função de todas as áreas de conhecimento com
as quais está em íntima relação.” (Cunha;2001:124). Assim sendo, relativamente à abordagem
social, podemos dizer que:

O turismo é, cada vez mais, uma actividade social que atrai a atenção dos sociólogos que estudam o
comportamento dos indivíduos e grupos de pessoas bem como o impacto do turismo na sociedade. Esta
abordagem examina as classes sociais, os hábitos, os costumes, os modos de vida e as influências que
sobre eles exerce o turismo.
Como fenómeno eminentemente social o turismo preocupa o sociólogo sob diferentes aspectos
(Guibilato, 1983):

- Como migração temporário;


- Como consumidor de tempo e de espaço;
- Enquanto acto simbólico porque reflecte o status da sociedade;
- Enquanto intercâmbio de valores;
- Comunicação e relação humana;
- Enquanto recuperação de forças produtivas;
- Enquanto sonho e mito. (Cunha; 2001:126)

3
Apesar do facto de:

“Para alguns autores (Goeldner, Leiper), não há dúvida que os estudos turísticos
constituem uma disciplina, para outros constitui uma ciência (Gunn, Hoerner), mas para
outros trata-se de um domínio de conhecimentos multidisciplinares (Tribe).” (Idem)
Assim, a sociologia como disciplina ligada ao sector do Turismo: “…, interessa-se
pelo turismo enquanto fenómeno social que se desenvolve de modo contínuo, pela emergência
do turismo de massa, pela mudança dos destinos preferidos devido à moda: concentra o seu
estudo em certas variáveis como a nacionalidade, a formação, a idade, o sexo, etc., que são
fundamentais para a segmentação do mercado turístico.” (Cunha;2001:130)

Turismo Cultural: Uma definição

De acordo com a Organização Mundial do Turismo, o Turismo Cultural pode ser


definido como: “Tourist activities that have, as their main motivation, the enjoyment of the
cultural resources of a certain location, town, or village.”, ou seja, todas as actividades
turísticas que tenham como principal motivação o usufruto de recursos culturais de uma
determinada região, vila ou aldeia.
Completando um pouco mais esta definição, conforme Licínio Cunha: “… incluímos
no turismo cultural as viagens provocadas pelo desejo de ver coisas novas, de aumentar os
conhecimentos, conhecer particularidades e os hábitos doutros povos, conhecer civilizações e
culturas diferentes, do passado e do presente, ou ainda a satisfação de necessidades espirituais
(religião).” (2001:49)
Em suma, o Turismo funciona como um acto e forma de cultura e o turismo cultural é
um meio que permite o acesso às várias formas de expressão cultural (Cunha, 2006), mas nem
sempre assim foi. Foi apenas no séc. XX que os conceitos Turismo e Cultura foram
aglutinados e deram origem a uma tipologia e a um produto turístico:

During most of the 20th century, tourism and culture were viewed as largely separate aspects of
destinations. Cultural resources were seen as part of the cultural heritage of destinations, largely
related to the education of the local population and the underpinning of local or national cultural
identities. Tourism, on the other hand, was largely viewed as a leisure-related activity separate from
everyday life and the culture of the local population. This gradually changed towards the end of the
century, as the role of cultural assets in attracting tourists and distinguishing destestations [sic] from

4
one another become more obvious. In particular, from the 1980´s onwards “cultural tourism” became
viewed as a major source of economic development for many destinations. (OCDE;2009:19)

Actualmente a cultura é uma das principais ferramentas do Turismo e um dos maiores


beneficiários do seu desenvolvimento: “In most cases, culture is a major asset for tourism
development as well as one of the major beneficiaries of this development.” (OCDE;2009:19)

O problema do Turismo Cultural

Apesar de parecer muito simples a implementação e desenvolvimento do sector do


Turismo numa determinada região, não é assim que acontece, pois existem várias
preocupações a ter em conta – “But in many ways, tourism development is not so simple as it
appears, for it entails a great deal more than conventional business concerns.”
(Cogswell;1996:1) – como é o caso da preservação do património – “…, and this includes
looking after the health of the cultural resources that provide its foundation.” (Idem).
Considera-se assim, necessária uma mudança de mentalidades no que se refere ao
Turismo Cultural e aos “empresários do Turismo”, pois para estes, os aspectos que concernem
a preservação e alternativas não favorecem muito o desenvolvimento: “Business people can
be extremely touchy about the prospects of alternatives, and some of them are prone to
dismiss the perspectives of cultural specialists as being “antidevelopment”. The gap between
the tourism business and various cultural fields is one that will have to be better bridged as
the cultural tourism industry matures.” (Cogswell;1996:2)
Se um aspecto tão importante como é a preservação e o desenvolvimento sustentável
do Turismo numa dada região for ignorado, em vez de se fortalecer e amadurecer o sector, de
forma a que este seja proveitoso a longo-prazo, corre-se o sério risco desse proveito ser
grande, mas a muito curto-prazo – “More short-sighted approaches to seizing cultural
tourism opportunities may risk “killing the goose that lays the golden egg.”
(Cogswell;1996:13)

5
As motivações inerentes

Sabendo que um motivo é um factor interno que faz parte e guia o comportamento das
pessoas e leva-as a actuar com o intuito de satisfazer uma necessidade (Iso-Ahola cit. In
Cunha), são necessárias, em qualquer destino turístico, condições que consigam dar resposta
às necessidades de um turista (Cunha, 2006). Em suma, a motivação, é: “…um processo que
começa com uma deficiência, necessidade física ou psicológica, que activa um
comportamento que estará direccionado para um objectivo ou incentivo” (Luthans;1998:161)
Considerando uma entre as várias Teorias das Necessidades: “Abraham H. Maslow
apresentou uma teoria da motivação, que deveria ter um longo percurso, na sua obra
Motivation and Personality, em 1954.” (Rosa;1994:190). Esta teoria “… pressupõe que as
pessoas no local de trabalho, como na vida em geral, são motivadas para procurar a satisfação
de um conjunto de necessidades internas. Estas (…) estão organizadas segundo uma
hierarquia de valor ou de pressão sobre os mecanismos psicológicos que desencadeiam o
comportamento, apresentando-se como se constituíssem uma pirâmide de prioridades.”
(Rosa;1994:190) e, apresenta assim, uma forma lógica, simples e de relativa compreensão das
necessidades dos indivíduos (Rosa,1994).

Figura 1 – Pirâmide da hierarquia das


necessidades de Maslow
Fonte: Rosa (1994: 191)

Atentando agora mais especificamente às motivações para as viagens, a forma mais


comummente utilizada para conhecer as motivações de um turista para realizar uma

6
determinada viagem: “...deriva dos inquéritos realizados junto dos consumidores em geral, e
em particular, dos próprios turistas através dos quais se obtém informações sobre os seus
desejos, necessidades, gostos e preferências...” (Cunha;1997:47)
As motivações que levam as pessoas a viajarem podem-se dividir em 3 tipos de
motivações, como é possível verificar na imagem que se segue.

1 - MOTIVAÇÕES 2 - MOTIVAÇÕES 3 - MOTIVAÇÕES

CONSTRANGEDORAS LIBERTADORAS MISTAS

Na medida em que, quem se

desloca para participar em

reuniões, missões ou mesmo

por razões de saúde,

frequentemente aproveita

Negócios, reuniões, Férias, desportos, os seus tempos livres, para,

missões, saúde, estudos. repouso, cultura. durante o dia, ou fim-de-

semana, praticar desporto,

ver monumentos, ou,

mesmo, aproveitar a viagem

para fazer alguns dias de

férias.

Fig.2 – Divisão das motivações para a viagem


Fonte: (Cunha;1997)

É possível verificar claramente que o Turismo Cultural se insere nas motivações


libertadoras. Num âmbito mais específico e “Agrupando por afinidades os diversos motivos
que levam as pessoas a viajar podemos obter a seguinte sistematização:” (Cunha;1997:50)

“1. Motivos culturais e educativos

a) Ver como vivem as pessoas de outros países e locais;


b) Ver curiosidades e coisas novas;
c) Melhor compreender a actualidade;
d) Assistir a manifestações especiais;
e) Ver monumentos, museus, centros arqueológicos e outras civilizações;
f) Estudar: tirar cursos.” (Cunha;1997:50)
7
Em suma, as motivações do Turismo Cultural prendem-se principalmente com a
necessidade de conhecer novas culturas, nas suas mais diversas perspectivas, sejam elas
históricas, monumentais ou artísticas: “…parten de un perfil basado en un tipo medio y alto
de formación y nivel cultural, inquietud por las manifestaciones cultureles, artísticas e
históricas, etc.” (Montjano;1996:150)

Impactos sociais do Turismo

Impactos sociais do Turismo

Após compreender os tópicos referentes ao Turismo Cultural apresentados


anteriormente, é necessário compreender também quais os impactos que o Turismo tem na
Sociedade.
Em primeiro lugar, a análise dos impactos do Turismo na sociedade advém dos
impactos que acompanham o crescimento do sector em determinada região: “Although the
economic benefits accruing form tourism are well recognised, there is mounting criticism of
the negative social impacts which often accompany development in the tourism sector.”
(Jenkins;1997:12)
Apesar de haver dois tipos de impactos, negativos e positvos: “Unfortunately much of
the existing literature on the social impacts of tourism concentrates on negative issues.”
(Idem) – muito dos documentos existentes concentram-se mais nos impactos negativos. Mas a
verdade é que nem todos os impactos do Turismo são negativos: “Not all these impacts are
negative.” (Idem). Os benefícios económicos, novas infra-estruturas, empregabilidade e a
oportunidade de mostrar a cultura do local de acolhimento são alguns dos benefícios do
Turismo:

The economic benefits arising from tourism through job creation and income generation, from
improvements in infrastructure and government revenues, have been well recognized in many countries.
These benefits have also helped to diversify and redistribute incomes. (…) For people living in these
areas, tourism activities provides a means to improve their living standards through employment and
related entrepreneurial activity, (…) The opportunity to demonstrate host culture to visitors is often a
source of considerable pride for a community. (Idem)

8
Impactos Negativos

Assim, em suma, os impactos sociais negativos são:


- Imagem do destino: Podem-se verificar alguns conflitos de objectivos entre a imagem
que o governo quer transmitir e a imagem que os operadores turísticos crêem que se pode
vender:

It is probable that there will be some conflict of objectives between what image a government (and the
host tourism sector) may want to Project and what the foreign tour operators believe they can sell. (…)
This is potentially the case where development of the tourism sector is seen as being demeaning to the
host community or is based on exploitative concepts. If this type of publicity is not controlled it can lead
to the attraction of undesirable tourists; sex tourism being a glaring example. (Jenkins;1997:12)

- Exploração: é um facto que se verifica quando um turista de um país rico viaja para um
país pobre. Os locais sentem-se explorados na medida em que acreditam que os serviços que
oferecem são muito baratos: “…local peoples feel exploited by the relative cheapness at
which they offer their services (…)” (Jenkins;1997:13). Infelizmente, pode também atrair
providenciadores de serviços indesejáveis, como tráfico de droga e prostituição: “Where
seeminlgy affluent tourists have money to spend they attract the providers of undesirable
services, particularly drug suppliers and prostitutes.” (Idem)

- Deterioração Cultural: factor que leva muitas vezes à imitação daquilo que os turistas
vestem e comem: “…imitating what foreigner visitors do, wear and eat (…)”
(Jenkins;1997:16), a modificação de alguns valores na estrutura social e familiar do local de
acolhimento, como por exemplo a entrada da mulher no mundo do trabalho: “The employment
of women in tourism which is generally seen as a liberalising factor (…); it can (…) be
viewed as a source of undermining traditional family structures and values.” (Idem). Também
pode gerar a criação de “costumes falsos”, como festivais, artesanato, etc.: “There are many
examples to be given here, eg. poor quality handicrafts, unethical trading practices, fake
‘antiques’ and much more. Much international attention has been given to the deterioration
of cultural presentations of dance, music and festivals.” (Idem)

- Consideração de capacidades: o Turismo, apesar dos benefícios económicos que traz,


coloca pressão nos recursos existentes: “… tourism has brought many economic benefits to
countries but has also, in many cases, put pressure on existing resources” (Idem), e acaba

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muitas vezes por colocar à frente as necessidades do turista em vez dos habitantes do local de
acolhimento: “Where priority is given to the needs of the tourism sector this may often be at
the expense of local people.” (Idem)

- Relação visitante-habitante: o contacto entre o visitante e o habitante do local de visita é


talvez o principal ponto da experiência da viagem: “The point of contact between visitor and
host is perhaps potentially the most important in the holiday experience;” (Jenkins;1997:17).
Mas por vezes, surgem alguns problemas, tanto por parte dos visitantes – “Among the main
problems in this area is the fact that most visitors have little or no appreciation of the local
culture.” (Idem) – como por parte dos habitants do local de acolhimento – “…also that local
communities may also have little or no understanding of foreign visitor cultures.” (Idem)

- Benefícios e custos localizados: apesar dos benefícios que o sector turístico traz para um
país, de forma geral, a actividade em si é localizada – “Although tourism does provide macro-
benefits to a country (…), tourism activity is localised.” (Idem) – o que obriga a comunidade
de acolhimento a lidar com a sobre-lotação e com a pressão que é exercida sobre os seus
recursos: “This means that host communities will have to absorb (…) the over-crowding,
pressure on resources, challenge tos established culture and the related demands which
tourism makes on communities.” (Idem). Este é um problema que se deve ter em
consideração, visto que a sua consequência mais grave seria a perda de apoio por parte da
comunidade de acolhimento para o desenvolvimento do turismo no local: “This is a potencial
problem area which tourist planners have to consider if they want to avoid losing support of
the host community for tourism development.” (Idem)

Impactos Positivos

- Intercâmbio Cultural: muitas das viagens ocorrem com o propósito de conhecer culturas
novas e diferentes – “Many tourist are travelling in part to experience different cultures.”
(Jenkins;1997:19) – e durante este intercâmbio de culturas, ambos os lados beneficiam, de
uma forma cultural e económico-financeira: “The cultural exchange can benefit both parties
and of course, generates economic and financial advantages for the host community.” (Idem)

10
- Reavivar de ofícios e cerimónias tradicionais: em muitos países o Turismo tem sido uma
forma de reavivar alguns ofícios e festivais: “Tourism has in many host countries been the
main catalyst for reviving crafts and sometimes festivals which were moribund.” (Idem)

- Desenvolvimento rural: com o facto de muitas vezes ocorrer turismo fora das áreas
urbanas, pode ter efeitos, nomeadamente ao nível de rendimentos, que podem ajudar a
estabilizar a comunidade local e a impedir o chamado êxodo rural: “As tourism often takes
place outside urban locations, it can have the effect of providing an alternative source of
employment and income generation for rural communities. This additional income may help
to stabilise rural communities and prevent drift to the urban areas.” (Idem)

- Oportunidades de empreendedorismo: O Turismo não só gera emprego, como também


oportunidades para iniciativas empreendedoras: “…it is not only a job creator but also
provides opportunities for entrepreneurial initiative.” (Idem)

- Qualidade de vida: apesar de se criarem infra-estruturas para o sector, essas infra-


estruturas, são muitas das vezes, benéficas e úteis para as comunidades locais: “As
infrastructure has been provided for tourism development, most planners have sought to spill-
over these benefits to local communities. For example, provision of road, water, sewerage,
and electricity services (…). (Jenkins;1997:20)

11
Touring Cultural, um produto estratégico para o país e para a Europa

“Tendo por base a análise das grandes tendências da procura internacional, o Plano
Estratégico Nacional do Turismo (PENT) definiu 10 produtos seleccionados em função da sua
quota de mercado e potencial de crescimento, bem como da aptidão e potencial competitivo
de Portugal, nos quais deverão assentar as políticas de desenvolvimento e capacitação da
nossa oferta turística.” (Turismo de Portugal, 2006) – encontra-se demonstrada nesta citação a
importância do planeamento e definição de produtos estratégicos para o nosso país,
nomeadamente do Turismo Cultural.
Após a realização do estudo que resultou na elaboração do documento “Touring
Cultural e Paisagístico”, parte integrante do PENT, concluiu-se que o Touring é “Um sector
de 44 milhões de viagens internacionais ao ano na Europa” e que “Cresce a um ritmo de 5 a
7% anual” (Idem, 2006), e onde “Itália e França são os principais mercados emissores das
viagens de Touring” (Ibidem, 2006). Foi definida também, de forma genérica, a motivação
principal do Touring – “Descobrir, conhecer e explorar os atractivos de uma região.”
(Turismo de Portugal, 2006). A ”França, Espanha, Itália e Alemanha são os principais
destinos das viagens europeias de touring” (Turismo de Portugal, 2006)1

1
Cf. Documento em anexo na pág. I

12
Conclusão

Após a análise do tema abordado no trabalho, foi possível concluir que o Turismo é
um sector que se relaciona com outros sectores e o seu estudo é abordado na perspectiva de
várias disciplinas. Claro que a mais relevante para este trabalho é a perspectiva sociológica,
que demonstra que são necessárias duas variáveis para compreender esta perspectiva. Em
primeiro lugar, o sistema social, que determina as vocações, comportamentos e motivações
para a viagem e, em segundo lugar, a cultura, que é uma das principais motivações para a
viagem e um dos principais factores de desenvolvimento do Turismo.
Em relação à definição da tipologia Turismo Cultural verifica-se que o Turismo, não
só funciona como um acto e forma de cultura, mas também como um meio para aceder às
várias formas culturais existentes.
Mas apesar dos conceitos Turismo e Cultura funcionarem em conjunto na actualidade,
durante grande parte do séc. XX era impensável juntar dois conceitos tão diferente como
Turismo e Cultura, visto que a sua ligação não era muito evidente. Mas actualmente, a Cultura
é uma das principais ferramentas do Turismo e também um dos principais beneficiários do
seu desenvolvimento.
Mas, mesmo este tipo de Turismo enfrente alguns problemas, relativamente à sua
implementação, e aos seus impactos pós-implementação. Em relação à sua implementação, é
necessário ter em consideração em primeiro lugar a preservação do património cultural, que
para muitos empresários, não é sinónimo de desenvolvimento, mas se for ignorado pode
destruir o usufruto do mesmo a longo-prazo, demonstrando ignorância por uma das
preocupações que actualmente é tida em conta, a sustentabilidade. Relativamente à sua pós-
implementação, advém impactos negativos, mas também advém impactos positivos. Nos
impactos negativos podemos encontrar a deterioração cultural, a má imagem que o destino
pode receber, a exploração, a falta de consideração de capacidades, o desenvolvimento de
uma má relação entre habitante do local de acolhimento e o visitante e benefícios e custos
localizados. Nos aspectos positivos, encontramos o intercâmbio cultural, o desenvolvimento
rural, o reavivar de alguns ofícios e cerimónias tradicionais, as oportunidades de
empreendedorismo e as melhorias na qualidade de vida das populações dos locais de
acolhimento.
Nos dias de hoje, a Europa, considerado o principal destino de Turismo Cultural, vai a
perder quota de mercado até 2020, segundo a Organização Mundial do Turismo. De forma a

13
combater um pouco este futuro, está em decurso a implementação, em Portugal, do Plano
Estratégico Nacional do Turismo, que, com as suas novas directrizes e os seus 10 produtos
estratégicos, pretende melhorar a organização e qualidade do sector turístico no país.
Mas apesar deste futuro incerto que a Europa enfrenta relativamente à perda da quota
de mercado, a verdade é que ninguém lhe pode tirar a sua principal fonte de atracção turística,
motivo pelos quais as pessoas viajam para o seu interior e imagem à qual as pessoas associam
este continente, a cultura.

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Bibliografia

Livros:

Cogswell, Robert (1996) “Doing Right by the Local Folks: Grassroots Issues in
Cultural Tourism” in Keys to the Marketplace: Problems and Issues in Cultural and Heritage
Tourism, Great Britain, Hisarlik Press

Cunha, Licínio (2001) Introdução ao Turismo, 2665ª ed., Lisboa, Editorial Verbo

Cunha, Licínio (2006) Economia e Política do Turismo, 3170ª ed., s.l., Editorial Verbo

Cunha, Licínio (1997) Economia e Política do Turismo, Alfragide, Editora Mcgraw-


Hill
Jenkins, C.L (1997) “Social Impacts of Tourism” in World Tourism Leader´s Meeting
on the Social Impacts of Tourism, Madrid, World Tourism Organization

Luthans, Fred (1998) Organizational Behavior, 8ª ed., New York, McGraw-Hill


International Edition

Montejano, Jordi Montaner (1996) Psicossociología del Turismo, Madrid, Editorial


Sintesis.

OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) (2009)


“Roles and Impact of Culture and Tourism on Attractiveness” in The Impact Of Culture On
Tourism, s.l., OCDE

Rosa, Luís (1994) Cultura Empresarial – Motivação e Liderança (Psicologia das


Organizações), Lisboa, Editorial Presença.

THR (Asesores en Turismo Hotelaria y Recreación, S.A.) (2006) Touring Cultural e


Paisagístico, Lisboa, Turismo de Portugal, i.p

15
Sites:

Organização Mundial do Turismo (acedido a 31.03.2009) TourisTerm, disponível em:


http://www.unwto.org/WebTerm6/UI/index.xsl

16
Anexos

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