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Catequ

ese -Nosso”
Sobre o “Pai

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Importância da Oração:

Os Evangelhos transmitiram-nos alguns retratos muito vivos de Jesus


como homem de oração: Jesus rezava. Os Evangelhos nos apresentam sempre nos
momentos mais importantes da sua vida Jesus a rezar: antes de escolher os 12, ano
Getsemani, antes de iniciar sua vida pública... Jesus é o Deus próximo, o Deus que nos
liberta.

As últimas palavras de Jesus, antes de expirar na cruz, foram palavras dos


salmos, isto é da oração, da prece dos judeus: rezava com as orações que a mãe lhe
ensinara.

Mais do que falar de Deus aos homens, é necessário falar dos homens a Deus.

Mesmo se rezamos há muitos anos, devemos aprender sempre! A Bíblia dá-nos


inclusive testemunho de orações inoportunas, que no fim são recusadas por Deus: é
suficiente recordar a parábola do fariseu e do publicano. Somente este último, o
publicano, volta justificado do templo para casa, porque o fariseu era orgulhoso e
gostava que as pessoas o vissem rezar e fingia que orava: o coração era frio. E Jesus
disse: este não é justificado «porque quem se exalta será humilhado e quem se
humilha será exaltado» (Lc 18, 14). O primeiro passo para rezar é ser humilde, ir ter
com o Pai e dizer: “Olha para mim, sou pecador, débil, malvado”, cada um sabe o que
dizer. Mas começa-se sempre com a humildade, e o Senhor ouve. A prece humilde é
ouvida pelo Senhor. Jesus vai lutar sempre contra a hipocrisia.

Todos deveríamos ser como o Bartimeu do Evangelho (cf. Mc 10, 46-52) —


recordemos aquele excerto do Evangelho, Bartimeu, o filho de Timeu — aquele
homem cego que mendigava às portas de Jericó. Tinha à sua volta tantas pessoas
bondosas que lhe impunham o silêncio: “Cala-te! O Senhor passa. Cala-te. Não
incomodes. O Mestre tem muitas coisas a fazer; não o aborreças. Tu importunas com
os teus gritos. Não perturbes”. Mas ele não ouvia aqueles conselhos: com santa
insistência, pretendia que a sua mísera condição pudesse finalmente encontrar Jesus.
E bradava mais alto! E as pessoas educadas: “Não, é o Mestre, por favor! Ficas mal
visto!”. E ele bradava porque queria ver, queria ser curado: «Jesus, tem piedade de
mim!» (v. 47). Jesus restitui-lhe a vista e diz-lhe: «A tua fé te salvou» (v. 52), como
que para explicar que o mais decisivo para a sua cura foi aquela prece,
aquela invocação bradada com fé, mais forte que o “bom senso” de muitas pessoas
que queriam que ele se calasse. A oração não só precede a salvação, mas de certa
forma já a contém, pois liberta do desespero de quem não acredita numa saída para
tantas situações insuportáveis.

Mas nenhum de nós é obrigado a aceitar a teoria que no passado alguém


propôs, isto é, que a oração de pedido seja uma forma tíbia da fé, enquanto que a
oração mais autêntica seria o louvor puro, aquele que procura Deus sem o peso de
pedido algum. Não, isto não é verdade. A prece de pedido é autêntica, espontânea, é
um ato de fé em Deus que é Pai, que é bom, omnipotente.

A oração do Pai-Nosso contém o resumo de tudo o que temos que pedir a


Deus. O Pai Nosso é o centro de todas as escrituras e a síntese de toda oração. Por
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isso não é uma simples fórmula, mas é uma pérola preciosa. As 7 petições do Pai
Nosso, são com as 7 notas musicais. Com as 7 notas podes compor qualquer sinfonia,
assim com as 7 petições do Pai Nosso podes compor qualquer oração.

Hoje está de moda várias técnicas de oração: Yoga... etc. Formas de alienar-se.
Budismo (alcançar o nirvana). Formas de alienar-se dos problemas. Oração: diz o Papa
Francisco: “Muitas das nossas preces não obtêm resultado algum. Quantas vezes
pedimos e não fomos atendidos... Jesus recomenda-nos para insistir e não desistir. A
oração transforma sempre a realidade. Se não mudam as coisas ao nosso redor, pelo
menos nós mudamos, o nosso coração muda”

Pai Nosso - Introdução

Teve muita importância esta oração na Igreja Primitiva. Era uma oração que
não se entregava nem ensinava a todos. Reza-la era um privilégio concedido aos já
batizados (Filhos de Deus). Era última coisa que se ensinava aos catecúmenos, na
própria véspera do Batismo. Era a maior joia da fé. Todos estavam ansiosos por poder
rezar esta oração no momento mais solene da missa, fazendo-se preceder de fórmulas
que assinalavam o seu respeito (por isso o Sacerdote hoje antes da oração do Pai-
Nosso diz: Fiéis aos ensinamentos do Salvador, ousamos dizer :”)

Hoje em dia, aprendemos e até fazemos a festa do Pai Nosso, porém se calhar
nem sequer sabemos o que estamos a dizer... não temos consciência da importância
dessa oração.

Disse J.M Cabodevilla (Sacerdote Espanhol, Teólogo e Escritor):

“Digo: “Deus é meu Pai” e é como se dissesse: ”Paris é a capital da França”. Digo-o
com o mesmo tom de voz, com a mesma rotina com que se enunciam as verdades
escolares, com a mesma irresponsabilidade, com a mesma convicção. Digo: “Deus é
meu Pai” e não experimento comoção alguma. Nem ternura, nem agradecimento, nem
alegria nem orgulho”.

Acontece com o Pai Nosso como com a casa onde nascemos: de tanto a ver,
nunca a vimos. Já não nos diz nada. É assim que a “Pérola Preciosa” dos primeiros
cristãos se converteu na oração rotineira...

O Pai Nosso está dividido em duas partes: a primeira diz respeito à causa de
Deus: o Pai, a Santificação do seu nome, o seu reino, a sua vontade. A segunda parte
diz respeito à causa do homem: o pão necessário, o perdão indispensável, a tentação
sempre presente e o mal continuamente ameaçador. As duas partes constituem a
mesma e única oração de Jesus. Deus não se interessa apenas com o que é seu (o
nome, o reino a sua santa vontade), mas também com o que é do homem (o pão, o
perdão, a tentação e o mal). Assim também o homem não deve se preocupar apenas
com o que é seu.

O evangelho de Mateus coloca o texto do “Pai-Nosso” num ponto estratégico,


no centro do sermão da montanha (cf. 6, 9-13). Entretanto observemos o cenário:
Jesus sobe à colina junto do lago, senta-se; em seu redor, em círculo, estão os seus
discípulos mais íntimos, e depois uma grande multidão de rostos anónimos. É esta
assembleia heterogénea a primeira que recebe a recomendação do “Pai-Nosso”.
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Eis o grande segredo que está na base de todo o sermão da montanha: sede
filhos do vosso Pai que está nos céus . Aparentemente estes capítulos do Evangelho de
Mateus parecem ser um sermão moral, parecem evocar uma ética tão exigente
impossível de praticar, mas ao contrário descobrimos que são sobretudo um discurso
teológico. O cristão não é alguém que se compromete a ser mais bondoso que os
outros: sabe que é pecador como todos. O cristão é simplesmente um homem que
pára diante da nova Sarça Ardente, da revelação de um Deus que não inclui o enigma
de um nome impronunciável, mas que pede aos seus filhos que o invoquem com o
nome de “Pai”, que se deixem renovar pelo seu poder e que reflitam um raio da sua
bondade para este mundo tão sedento de bem, à espera de boas novas.

Eis portanto como Jesus introduz o ensinamento da oração do “Pai-Nosso”. Fá-


lo afastando-se de dois grupos do seu tempo. Antes de tudo os hipócritas: «não sejais
como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas,
para serem vistos pelos homens» ( Mt 6, 5). Há pessoas capazes de tecer orações
ateias, sem Deus e fazem-no para serem admirados pelos homens. E quantas vezes
nós vemos o escândalo daquelas pessoas que vão à Igreja e ficam lá o dia inteiro ou
vão todos os dias e depois vivem odiando os demais ou falando mal das pessoas. Isto
é um escândalo! É melhor não ir à igreja: vives assim, como se fosses ateu. Mas se
vais à igreja, vive como filho, como irmão e dá um verdadeiro testemunho, não um
contratestemunho. Ao contrário, a oração não tem outro testemunho crível a não ser a
própria consciência, na qual se entrelaça um contínuo diálogo muito intenso com o Pai:
«Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em
segredo a teu Pai» (Mt 6, 6).

Pai Nosso – Invocação Inicial

Deus não é um patrão nem um padrasto: é Pai.

Nós podemos chamar a Deus de Pai, não só porque nos fez e nos criou.
Dizemos que o carpinteiro é o autor da mesa que faz, mas não o seu pai. O artista não
pode chamar de filhos as obras que criou. Não são filhos de Deus os astros, os
animais, nem os anjos. Deus nos faz a nós, seus filhos, gratuitamente, nós que somos
desobedientes. Jesus Cristo, o Filho de Deus fez-se homem não só para nos regenerar,
para nos perdoar os pecados, mas para algo ainda mais grandioso: para gerar-nos
como Filhos de Deus. Quando adotas um filho, não podes dar teu código genético. O
máximo que podes dar ao teu filho é um apelido, mas em Jesus, Deus nos fez
participar da sua natureza divina.

Um Deus que é próximo a nós. Nesta primeira invocação, vemos a intimidade


como Jesus rezava ao Pai, e que nos dá a nós poder participar desta intimidade. Nesta
expressão, Cristo manifesta sua total confiança que tinha no Pai. Por isso é necessário
fazer-nos como crianças para entrarmos no Reino dos Céus. Como uma criança que se
lança aos braços do Pai.

Abá: Ouvimos o que São Paulo escreve na Carta aos Romanos: «Porquanto não
recebestes um espírito de escravidão, para viverdes ainda no temor, mas recebestes o
espírito de adoção pelo qual clamamos: “Aba! Pai!”» (8, 15). E aos Gálatas, o Apóstolo
diz: «A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito do
seu Filho, que clama: “Aba, Pai!’’» ( Gl 4, 6). O cristão já não considera Deus como um
tirano que se deve temer, já não tem medo mas sente florescer no seu coração a

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confiança n’Ele: pode falar com o Criador chamando-o “Pai”! A expressão é tão
importante para os cristãos, que muitas vezes se conservou intacta na sua forma
originária: “Aba”! 

Dizer “Aba” é algo muito mais íntimo e mais comovedor do que simplesmente
chamar a Deus “Pai”. Eis por que motivo alguém propôs traduzir esta palavra aramaica
original, “Aba” com “Papá” ou “Paizinho”. Em vez de dizer “Pai nosso”, dizer “Papá,
Paizinho”. Nós continuamos a dizer “Pai nosso”, mas com o coração somos convidados
a dizer “Papá”, a ter com Deus um relacionamento como o de uma criança com o seu
pai, que diz “papá”, diz “paizinho”. Com efeito, estas expressões evocam afeto e calor,
algo que nos projeta no contexto da infância: a imagem de uma criança
completamente envolvida pelo abraço de um pai que sente ternura infinita por ela. E
por isso, caros irmãos e irmãs, para rezar bem é necessário chegar a ter um coração
de criança! Não um coração suficiente: assim não se pode rezar bem. Como uma
criança no colo do seu pai, do seu papá, do seu paizinho.

Há uma ausência impressionante no texto do “Pai-Nosso”. Falta uma palavra.


Pensai todos: o que falta no “Pai-Nosso”? Pensai, o que falta? Uma palavra. Uma
palavra que nos nossos tempos — mas talvez sempre — todos têm em grande
consideração. Qual é a palavra que falta no “Pai-Nosso”, que recitamos todos os dias?
Para poupar tempo, di-la-ei: falta a palavra “eu”. Nunca se diz “eu”. Jesus ensina a
rezar, tendo nos lábios antes de tudo o “ Vós”, porque a oração cristã é diálogo:
“santificado seja o vosso  nome, venha o vosso  reino, seja feita a vossa  vontade”. Não
o meu  nome, o meu  reino, a minha  vontade. Eu  não, não funciona. E depois passa
para o “nós”. Toda a segunda parte do “Pai-Nosso” é declinada na primeira pessoa do
plural: “dai-nos  o nosso  pão de cada dia, perdoai- nos  as nossas  ofensas,
não nos  deixeis cair em tentação, livrai- nos  do mal”. Até os pedidos mais elementares
do homem — como aquele de ter alimento para saciar a fome — são todos no plural.
Na prece cristã, ninguém pede o pão para si mesmo: dai-me  o pão de cada dia,
não, dai-nos, suplica-o para todos, para todos os pobres do mundo. Não podemos
esquecer isto, falta a palavra “eu”. Reza-se com o vós e com o nós. É um bom
ensinamento de Jesus, não o esqueçais!

Porquê? Porque no diálogo com Deus não há espaço para o individualismo. Não
há ostentação dos próprios problemas, como se fôssemos os únicos que sofremos no
mundo. Não existe oração elevada a Deus, que não seja a prece de uma comunidade
de irmãos e irmãs, o nós: vivemos em comunidade, somos irmãos e irmãs,
constituímos um povo que reza, “nós”.

Dificuldade na nossa sociedade: falar de Deus como Pai, quando muitas


pessoas abandonadas, órfãs, que tiveram uma má experiência com seu pai “terrestre”
projeta essa sua experiência à Deus. Muitos veem o conceito de paternidade como
ausência, como vazio, como dor inexplicável. Por isso convém esclarecer que no pai-
nosso, falamos da paternidade tal como a viveu Cristo em relação a seu Pai. E viveu-a,
em primeiro lugar, como um homem maduro. Com a confiança das crianças, mas
também com a decisão dos adultos. E viveu-a como um homem livre. Também essa
ideia de paternidade não é um atributo à masculinidade da civilização que Jesus viveu.
Ao chamar Pai a Deus não estamos a divinizar o sexo masculino e a esquecer ou sub-
valorizar a feminidade. O essencial da paternidade de Deus não é a masculinidade,
mas o amor. Um amor que os próprios livros sagrados definem com frequência como
maternal: Como a um menino a quem sua mãe consola, assim os consolarei eu (Is.

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66,13) Pode porventura uma mãe esquecer-nos do filho que amamenta, não se
compadecer do filho das suas estranhas? Pois ainda que elas se esquecessem, Eu não
te esquecerei (Is. 49,14).

Que estais no Céu...

Essa expressão bíblica não significa um lugar “o espaço”, mas uma maneira de
ser; não é o alojamento de Deus mas a sua majestade e sua presença no coração dos
justos. O céu, a casa do Pai, constitui a verdadeira pátria para onde tendemos e a que
já pertencemos.

Papa Francisco: A expressão “nos céus” não exprime distância, mas uma
diversidade radical de amor, outra dimensão de amor, um amor incansável, um amor
que permanecerá para sempre, aliás, que está sempre ao alcance das mãos. É
suficiente dizer “Pai nosso que estais nos Céus”, e aquele amor chega. Ver Ef 2,6; Col
3,3: Se estais ressuscitados com Cristo...

1) Santificado seja o vosso nome

O nome para os judeus tem muita importância: é adefinição de uma pessoa.


Deus nos conhece pelo nome. Jesus: Salvação. Quando Moises Pergunta: quando for
ao Faraó, quem direi que és. Deus: Eu sou Aquele que sou.

Quem poderá santificar o que é a própria santidade? É Deus que santifica e nos
transforma com seu amor. Três vezes Santo: plenitude da Santidade. Pedimos que o
nome de Deus seja santificado em nós: para que possamos ser luz para o mundo
(coerência de vida entre a fé e a vida em concreto). Para que vejam as vossas boas
obras e glorifiquem o Pai que está nos céus!

Papa Francisco: “Deus é santo mas se nós, se a nossa vida não for santa,
haverá uma grande incoerência! A santidade de Deus deve refletir-se nas nossas
ações, na nossa vida. “Sou cristão, Deus é santo, mas faço muitas coisas negativas”,
não, isto não serve. Isto faz até mal; escandaliza e não ajuda.

2) Venha a nós o vosso Reino

O crente expressa o desejo de que se apresse a vinda do seu Reino. Este


desejo brotou, por assim dizer, do próprio coração de Cristo, que deu início à sua
pregação na Galileia proclamando: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está
próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho» ( Mc 1, 15). Estas palavras não são
minimamente uma ameaça, ao contrário, são um feliz anúncio, uma mensagem de
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alegria. Jesus não quer forçar as pessoas a converter-se semeando o medo do juízo
iminente de Deus ou o sentimento de culpa pelo mal cometido. Jesus não faz
proselitismo: simplesmente anuncia. Ao contrário, a que Ele traz é a Boa Nova da
salvação, e a partir dela chama a converter-se. Cada um é convidado a acreditar no
“evangelho”: o senhorio de Deus tornou-se próximo dos seus filhos. Este é o
Evangelho: o senhorio de Deus fez-se próximo dos seus filhos. E Jesus anuncia esta
maravilha, esta graça: Deus, o Pai, ama-nos, está próximo de nós e ensina-nos a
andar pelo caminho da santidade.

Os sinais da vinda deste Reino são numerosos e todos positivos. Jesus começa
o seu ministério cuidando dos doentes, quer no corpo quer no espírito, de quantos
viviam uma exclusão social — por exemplo os leprosos — dos pecadores desprezados
por todos, até por aqueles que eram mais pecadores do que eles mas se fingiam
justos. E como os chama Jesus? “Hipócritas”. O próprio Jesus indica estes sinais, os
sinais do Reino de Deus: «Os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos
e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres»
(Mt 11, 5).

Por vezes perguntamo-nos: porque este Reino se realiza tão lentamente? Jesus
gosta de falar da sua vitória com a linguagem das parábolas. Por exemplo, diz que o
Reino de Deus é semelhante a um campo no qual crescem juntos o trigo e o joio: o
pior erro seria querer intervir imediatamente extirpando do mundo aquelas que nos
parecem ervas daninhas. Deus não é como nós, Deus tem paciência. Não é com a
violência que se instaura o Reino no mundo: o seu estilo de propagação é a mansidão
(cf. Mt13, 24-30).

Ou seja que os homens sejam a ser celestes (paroquianos). O Reino de Deus já


chegou: era Cristo em Pessoa.... Mas tem de se chegar à sua perfeição (esperamos a
segunda vinda de Cristo em que ira instaurar de modo definitivo o seu Reino). Entre
esse já e o ainda não, somos chamados a ser colaboradores de Deus no anúncio do
seu Reino: de amor de Justiça e de paz (Rm 14,17).

Ao mesmo tempo está aqui e está para vir. Dizia por um lado: o meu Reino
está dentro de vós, no meio de vós. Mas ao mesmo tempo dizia que o seu Reino não é
deste mundo. Descrevia por um lado o Reino cuja semente tinha começado já a
germinar, e noutras apresentava-o como um grande banquete que só se celebrará
quando acabarem de chegar todos os convidados.

3) Seja Feita a vossa vontade

Esta é a mais difícil das petições do Pai Nosso. Nós temos o costume de atribuir
à vontade de Deus as desgraças que nos acontecem: Deus assim o quis, dizemos. Em
troca, ninguém atribui a Deus que as coisas corram bem; parece-nos ou coisa natural
ou mérito nosso. Pelos vistos, seria vontade de Deus que tudo nos corresse mal.
Talvez por isso pensamos que pedir a Deus que se faça a Sua vontade é como pôr-nos
no pior. Na realidade, o que pedimos é que se faça a vontade de quem é Pai, de quem
nos ama mais do que nós próprios.

O pecador Zaqueu sobe a uma árvore porque quer ver Jesus, mas não sabe
que, muito antes, Deus se tinha posto à sua procura. Jesus, quando chega, diz-lhe:
«Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa». E no final declara:
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«pois, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido» ( Lc 19, 5.10).
Eis a vontade de Deus, aquela que nós pedimos que seja feita. Qual é a vontade de
Deus encarnada em Jesus? Procurar e salvar o que está perdido. E nós, na oração,
pedimos que a busca de Deus tenha bom êxito, que o seu desígnio universal de
salvação se realize, primeiro, em cada um de nós e depois em todo o mundo.
Pensastes no que significa que Deus está à minha procura? Cada um de nós pode
dizer: “Como, Deus procura-me?” — “Sim!” Procura-te! Procura a mim”: procura cada
um de nós, pessoalmente. Deus é grande! Quanto amor há por detrás de tudo isto.

E São Paulo, na Primeira Carta a Timóteo, escreve: «Deus quer que todos os
homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (2, 4). Esta é, sem
dúvida alguma, a vontade de Deus: a salvação do homem, dos homens, de cada um
de nós.

Com efeito, o “Pai-Nosso” é a oração dos filhos, não dos escravos; mas dos
filhos que conhecem o coração do seu pai e têm a certeza do seu desígnio de amor

Foi assim para Jesus no jardim do Getsémani, quando experimentou a angústia


e rezou: «Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha
vontade, mas a tua» (Lc 22, 42).

4) O pão nosso de cada dia nos dai hoje

Nem só de pão vive o homem...

Pedir o pão a Deus significa reconhecer que é Ele quem no-lo dá. É reconhecer
que somos pobres e que tudo recebemos das suas mãos. Pão nosso (tudo é plral nesta
oração, não dá lgar ao individualismo.

Papa Francisco: Com efeito, só a Eucaristia é capaz de saciar a fome de infinito


e o desejo de Deus que anima cada homem, até na busca do pão de cada dia. 

Não vos preocupeis com o que comereis, com o que vos vestireis (Mt 6,31-33).
O principal motivo das nossas preocupações: dinheiro.

O Segredo dessa petição nos revela Cristo quando seus discípulos lhe dizem:
Rabi, come. Tenho para comer um alimento que não conheceis, meu alimento é fazer
a vontade daquele que me enviou. Assim como precisamos de ser alimentados, assim
também o nosso homem interior.

5) Perdoai-nos os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos


tem ofendido».

«Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos
perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o
vosso Pai não vos perdoará as vossas» (Mt 6, 14-15).

Perdoai-nos as nossas ofensas:

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Assim como precisamos do pão, também precisamos do perdão. E isto, todos os dias.

Papa Francisco: O cristão que reza, antes de tudo, pede a Deus que sejam perdoados
os seus pecados, ou seja, as suas faltas, as más ações que comete. Qual é a atitude
mais perigosa de cada vida cristã? É o orgulho. É a atitude de quem se coloca diante
de Deus pensando que tem sempre as contas em ordem com Ele: o orgulhoso pensa
que está tudo bem consigo.

O pecado divide a fraternidade, o pecado faz-nos presumir que somos melhores que os
outros, o pecado faz-nos crer que somos semelhantes a Deus.

São João, na sua primeira Carta, escreve: «Se dizemos que não temos pecado,
enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós» ( 1 Jo 1, 8). Se quiseres
enganar-te a ti mesmo, diz que não pecaste: assim estás a enganar-te. Dizia o Papa
Pio XII: “o maior pecado de hoje é perdido o sentido do pecado”.

Diz o Catecismo da Igreja Católica:

# 2839. Apesar de revestidos da veste batismal, não deixámos de pecar, de nos desviar


de Deus. Agora, nesta nova petição, voltamos para Ele, como o filho pródigo, e
reconhecemo-nos pecadores na sua presença, como o publicano. A nossa petição
começa por uma «confissão» na qual, ao mesmo tempo, confessamos a nossa miséria e
a sua misericórdia. A nossa esperança é firme, pois que em seu Filho «nós temos a
redenção, a remissão dos nossos pecados» (Cl 1, 14). E encontramos nos sacramentos
da sua Igreja o sinal eficaz e indubitável do seu perdão.

# 2840. Ora, e isso é temível, esta onda de misericórdia não pode penetrar nos nossos
corações enquanto não tivermos perdoado àqueles que nos ofenderam. O amor, como o
corpo de Cristo, é indivisível: nós não podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não
amarmos o irmão ou a irmã, que vemos (121). Recusando perdoar aos nossos irmãos ou
irmãs, o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-o impermeável ao amor
misericordioso do Pai. Na confissão do nosso pecado, o nosso coração abre-se à sua
graça.

Ou seja, se eu não perdoo o meu irmão não serei perdoado. Frase dura... mas não
é porque Deus se assemelhe a nós, é porque ao não perdoar, estou a achar-me melhor
que o outro... e dessa forma não nos reconhecemos também pecadores, e se não nos
reconhecemos pecadores, Deus não nos perdoa...

Mt 18,21-35

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me


ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não te
digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Na verdade, o reino de Deus pode
comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo de começo,
apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar,
o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía,
para assim pagar a dívida. Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo:
'Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei'. Cheio de compaixão, o senhor daquele
servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus
companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o

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pescoço, dizendo: 'Paga o que me deves'. Então o companheiro caiu a seus pés e
suplicou-lhe, dizendo: 'Concede-me um prazo e pagar-te-ei'. Ele, porém, não conseguiu e
mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. Testemunhas desta cena,
os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia
sucedido. Então, o senhor mandou-o chamar e disse: 'Servo mau, perdoei-te, porque me
pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?' E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos,
até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste,
se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

6) Não nos deixeis cair em tentação

Devemos excluir que é Deus o protagonista das tentações que ameaçam o


caminho do homem. «Ninguém diga, quando for tentado pelo mal: “É Deus que me
tenta”. Porque Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém» (Tg. 1, 13). No
máximo é o contrário: o Pai não é o autor do mal, a nenhum filho que pede um peixe
ele dá uma serpente (cf. Lc 11, 11) — como ensina Jesus — e quando o mal se insinua
na vida do homem, combate ao seu lado, para que possa ser libertado. Um Deus que
combate sempre por nós, não contra nós. É o Pai! É neste sentido que rezamos o “Pai-
Nosso”.

Logo depois de ter recebido o batismo pelas mãos de João, no meio da


multidão dos pecadores, Jesus retira-se no deserto e é tentado por Satanás. Começa
assim a vida pública de Jesus, com as tentações que vêm de Satanás. Satanás estava
presente. Muitas pessoas dizem: “mas por que falar do diabo que é uma coisa antiga?
O diabo não existe”. Repara no que te ensina o Evangelho: Jesus confrontou-se com o
diabo, foi tentado por Satanás. Mas Jesus afasta qualquer tentação e sai vitorioso. O
Evangelho de Mateus tem um aspeto interessante que encerra o duelo entre Jesus e o
Inimigo: «Então, o diabo deixou-o e chegaram os anjos e serviram-no» (4, 11).

Não rezamos no Pai Nosso: Livranos da Tentação. Porque? Porque como diz um
Santo: Se não dás de cara com o demónio, é porque estás a seguir o mesmo caminho
que ele...

7) «Livrai-nos do mal»

Porque o mal existe. O Pai Nosso apresenta-nos duas paternidades. Invocamos


Inicialmente ao Pai do Céu... e acaba a pedir que nos livre de outra paternidade: do
demónio.

Jesus não anuncia só que que Deus é Pai dos que o amam. Fala também duma
paternidade diabólica: Vós – diz aos fariseus – sois de vosso pai, o diábo, e quereis
cumprir os desejos do vosso pai (Jo 8,44).

Quem comete pecado é escravo... Diziam os fariseus não terem pecados... não
acolheram Jesus como o Messias... estavam cheios de si mesmos. Diz Cristo: “Quem é
de Deus, ouve a palavra de Deus; por isso não ouvis: porque não sois de Deus.

Temos sempre diante de nós a escolha de um caminho: do bem ou do mal, do


amor ou do ódio, entre a paz e a guerra...
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Se podemos experimentar o Céu, já aqui, também o inferno... quando
experimentamos o pecado e nos fechamos ao outro... sim, o pecado interfere até nas
nossas relações com os demais... Por isso pedimos a Deus que nos tire desta
escravidão (do pecado) e que nos restitua a nossa dignidade de Filhos de Deus, a
verdadeira liberdade.

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