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Educação:

teoria e prática

Revista do Departamento de Educação


e do Programa de Pós-Graduação em Educação – IB

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA


Campus de Rio Claro

Educação Rio Claro Volume 20 Número 36 Suplemento 1


Educação: teoria e prática / Revista publicada pelo Depto. de
Educação e pelo Programa de Pós-Graduação em Educação
do IB. – Vol. 1, no. 1 (1993)- . – Rio Claro : Unesp,
Instituto de Biociências, 1993-

Semestral
Título disponível também on-line desde 2007
http://cecemca.rc.unesp.br/ojs/index.php/educacao
Indexado por: BBE – Bibliografia Brasileira de Educação
(MEC-INEP) e pela Edubase (Faculdade de Educação –
UNICAMP – Campinas/SP - Brasil)
ISSN 1517-9869 (versão impressa), ISSN 1981-8106 (on-line)

1. Educação - Periódicos. I. Universidade Estadual Paulista.


II. Departamento de Educação. III. Programa de Pós-Graduação
em Educação do Instituto de Biociências. IV. Título.

CDD 370
Ficha Catalográfica elaborada pela STATI – Biblioteca da UNESP
Campus de Rio Claro/SP
NOTAS DE EDIÇÃO
O conteúdo dos trabalhos publicados é de inteira responsabilidade dos autores.
DADOS SOBRE A REVISTA
Capa: Ronaldo Bella
Fundação: 8 de dezembro de 1993
Tiragem: 300 exemplares
COMISSÃO EDITORIAL
Profª Dra. Aurea Maria de Oliveira
Profª Dra. Flávia Medeiros Sarti
Profª Dra. Leila M. Ferreira Salles
Profª Dra. Márcia Reami Pechula
Profª Dra. Maria Rosa Rodrigues M. de Camargo
Profª Dra. Regiane Helena Bertagna
Prof. Dr. Samuel de Souza Neto
Profª Dra. Silvia Marina Anaruma
EDITOR RESPONSÁVEL
Profª Dra. Márcia Reami Pechula
SECRETÁRIA EXECUTIVA
Marisa Alves Galli
CONSELHO EDITORIAL
Prof. Dr. Afrânio Garcia Júnior (CRBC-EHESS/Paris)
Prof. Dr. Alfredo Astorga ( UNESCO/CL)
Prof Dr. Antonio Gomes Alves Ferreira (Universidade de Coimbra)
Prof. Dr. Antônio Joaquim Severino (FE/USP)
Profª Dra. Bernardete A. Gatti (Fundação Carlos Chagas)
Profª Dra. Cecília Maria Aldigueri Goulart (Universidade Federal Fluminense)
Profª Dra. Clementina Marques Cardoso (University of London)
Profª Dra. Concepción Fernandez Villa Nueva (Universidad Complutense de Madrid)
Profª Dra. Dair A. F.de Camargo (Unesp-Rio Claro)
Profª Dra. Lisete Regina Gomes Arelaro (FE/ USP)
Profª Dra. Maria Cecília de O. Micotti (Unesp- Rio Claro)
Profª Dra. Maria Inês Ghilardi Lucena (CLC/PUC-Campinas)
Prof. Dr. Mario Martins Bris (Universidade de Alcalá)
Profª Dra. Sandra Zákia Lian de Souza (FE/USP)
Prof. Dr. Sílvio Gallo (FE/UNICAMP)
AUXÍLIO PARA EDIÇÃO
Instituto de Biociências – Unesp – Rio Claro
Departamento de Educação
Programa de Pós-Graduação em Educação

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Se solicita canje
Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

APRESENTAÇÃO

O EVENTO que ora se apresenta (I Congresso Internacional de Formação Profissional e V Seminário de Estudos e
Pesquisas em Formação Profissional no Campo da Educação Física – Explorando os Referenciais Teóricos e
Metodológicos na Formação e Intervenção, a realizar-se de 12 a 14 de novembro de 2010, na UNESP – Campus
de Rio Claro, no Anfiteatro do Instituto de Biociências) originou-se a partir da criação, bem como das propostas de
trabalhos, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Formação Profissional no Campo da Educação Física – NEPEF –
em 2002.

Neste ano, no mês de fevereiro, um grupo de professores e alunos reuniu-se, tendo como preocupação sedimentar
a produção acadêmica e científica circunscrita à formação inicial e continuada, a relação Universidade – Sociedade
e aos aspectos curriculares, socioculturais e históricos deste itinerário pedagógico, visando revigorar a práxis
profissional. Em 28 de junho de 2002, o NEPEF teve homologado a sua inscrição na Plataforma LATTES do CNPq.
Considerando as perspectivas que foram arroladas, o núcleo buscou estabelecer desde o seu início uma conexão
entre o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Motricidade, a Área de Concentração: Pedagogia da
Motricidade Humana e a Linha de Pesquisa: Formação Profissional e Campo de Trabalho na Educação Física, da
qual o núcleo deveria ser a sua expressão mais sistematizada de trabalho coletivo com vistas à produção de
conhecimento.

Porém, visando ampliar os seus horizontes criou, inicialmente, o Seminário de Estudos e Pesquisas em Formação
Profissional no Campo da Educação Física (SEPEF – 2002, 2004, 2007, 2008) e posteriormente o Congresso
Internacional de Formação Profissional (CIFP - 2010), tendo o seu início nesse ano com vistas a
Internacionalização do Evento (que já teve o seu início em 2007), bem como mirando a possibilidade de doutorado
co-tutela, doutorado com estágio no exterior ou no próprio Brasil.

No âmbito desse processo o CIFP e o SEPEF têm como OBJETIVOS não só criar um espaço de reflexão, mas
também de produção material, assim como formar uma rede nacional de pesquisadores que estivessem dispostos
a ter objetivos comuns com vistas a fortalecer esta área de conhecimento [pois dialoga com cinco programas de
pós-graduação em território nacional (UNESP/Rio Claro, UFSC, FEF/UNICAMP; FE-USP; UEM-UEL) e dois no
exterior (UMontreal-Canadá e ISMAI- Portugal)], criar um banco de dados (todos os SEPEF foram filmados),
publicar artigos (38 de 2008 a 2010 na Revista MOTRIZ decorrentes do IV SEPEF ) e livros (um em 2006 e outro
em 2010), assim como favorecer o intercâmbio nacional (2002, 2004, 2007, 2008) e internacional (2007, 2010).

Como JUSTIFICATIVA para tal empreendimento, alem daquelas que foram elucidadas, apresentamos o itinerário
histórico do evento no qual se observa uma história em construção, sendo escrita nos eixos temáticos de cada
evento.

No ano de 2002, o I Seminário de Estudos e Pesquisas em Formação Profissional no Campo da Educação Física
abordou "As Novas Diretrizes Curriculares e a Formação profissional em Educação Física : Ruptura,
Progresso ou Continuísmo" , nos dias 1 e 2 de novembro. Em 2004 concretizou-se o II Seminário de Estudos e
Pesquisas em Formação Profissional no Campo da Educação Física com o tema "A Formação Profissional no
Campo da Educação Física: Limites e Possibilidades" , nos dias 31 de outubro e 1 de novembro. Em 2007
ocorreu o III Seminário de Estudos e Pesquisas em Formação Profissional no Campo da Educação Física, tendo
como eixo "A Docência Universitária e a Educação Física" , de 29 a 31 de março. Dos dois primeiros seminários
originou-se o livro "Formação Profissional em Educação Física : Estudos e Pesquisas" (SOUZA NETO, S. e
HUNGER, D., 2006), o qual apresenta o início de um esforço coletivo, formado por pesquisadores, professores e
estudantes de diferentes instituições, na tentativa de se materializar uma produção na área e campo da formação
profissional.

No ano de 2008, o IV Seminário de Estudos e Pesquisas em Formação Profissional no Campo da Educação Física
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abordou "Das Escolas de Ofício à Profissão Educação Física" , realizado nos dias 20, 21, 22, 23 de novembro,
na cidade de Bauru, tendo como promotores UNESP/Rio Claro e UNESP/Bauru e co-promotores – colaboradores -
participantes ativos - pesquisadores provenientes das instituições universitárias: USP, UNICAMP, UFSCar, UFSC,
UEM e UEL, tendo como eixo de discussão a mediação entre universidade e mercado de trabalho, no campo da
formação profissional em Educação Física , atentando-se para a saúde, o esporte, o lazer, as artes marciais, a
dança e a educação física adaptada.

Como produção material, a exemplo dos outros SEPEF (s), sedimentou-se o encaminhamento de artigos (resumos
e relatos de experiência apresentados no evento) que foram publicados na Revista MOTRIZ, sendo que a
Comissão Científica foi formada por representantes das Universidades: UNESP, UNICAMP, USP, UFSCar, UFSC,
UEM, UEL, entre outras.

Para 2010, o I Congresso Internacional de Formação Profissional e V Seminário de Estudos e Pesquisas em


Formação Profissional no Campo da Educação Física, tendo como tema “Explorando os Referenciais Teóricos e
Metodológicos na Formação e Intervenção”, a realizar-se de 12 a 14 de novembro de 2010, buscará fomentar uma
discussão a respeito da profissão, considerando o processo de formação e a intervenção no campo de trabalho,
com vistas a avançar concretamente nesta reflexão com os grupos de pesquisas e demais.

Porém, neste ano, alem do grupo de diálogo (UNESP, UNICAMP, USP, UFSCar, UFSC, UEM, UEL) há a entrada
da UFPel e como novidade as parcerias com a Université de Montréal (Canadá), o Centre de Recherche
Interuniversitaire sur la Formation et la Profession Enseignante (CRIFPE-Canadá), o Instituto de Ensino Superior de
Maia (Portugal) e a University of Maryland (EUA), dando início a um novo tempo que sem duvida ficará mais rico
com a sua presença.

Este evento é uma promoção (em colaboração com os parceiros citados) do Núcleo de Estudos e Pesquisas em
Formação Profissional no Campo da Educação Física (NEPEF), Grupo de Pesquisa Docência, Práticas Escolares e
Formação de Professores, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Motricidade, Programa de Pós-Graduação
em Educação e Departamento de Educação, tendo como co-promotores UFSC, UNICAMP, USP, UFSCar, UEM,
UFPEL, Université de Montréal e apoio do Instituto de Biociências da UNESP – Campus de Rio Claro, Pró-Reitoria
de Pós-Graduação da UNESP, FUNDUNESP, Pró-Reitoria de Pesquisas da UNESP, Revista Educação: teoria e
Prática, Revista Motriz e Conselho de Curso de Graduação em Educação Física.

Atenciosamente,

Samuel de Souza Neto


Alexandre Janotta Drigo
Dagmar Hunger
Larissa Cerignoni Benites

Coordenação Central do Evento


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COMISSÕES:

1) Coordenação Central

Prof. Adj. Samuel de Souza Neto


Prof. Dr. Alexandre Janotta Drigo
Profa. Adja. Dagmar Hunger
Profa. Dtda. Larissa Cerignoni Benites

2) Comissão Científica:

Presidente: Prof. Adj. Samuel de Souza Neto (UNESP/Rio Claro)

Presidente Externo: Prof. Dr. Juarez Vieira do Nascimento (UFSC/Florianópolis)

Suplente: Prof. Dr. Marcos Neira (USP/São Paulo)

Prof. Dr. Alexandre Janotta Drigo (FAM/ IB-Unesp RC-NEPEF)

Profa. Dra. Cátia Mary Volp (UNESP/Rio Claro)

Profa. Adja. Dagmar Hunger (UNESP/Bauru)

Profa. Dra. Dijnane F. V. Iza (UNICEP/São Carlos)

Profa. Dra. Flávia Medeiros Sarti (UNESP/Rio Claro)

Prof. Dr. Glauco Nunes Souto Ramos (UFSCar/São Carlos)

Profa. Dra. Jeane Barcelos Soriano (UEL/Londrina)

Prof. Dr. José Carlos de Almeida Moreno (Faculdades Integradas Fafibe/Bebedouro e UNIFEB/Barretos)

Profa. Dra. Lílian Aparecida Ferreira (UNESP/Bauru)

Profa. Dra. Luciene Ferreira da Silva (UNESP/Bauru)

Profa. Dra. Márcia Reami Pechula (UNESP/Rio Claro)

Profa. Dra. Maria Cecília Lieth Machado Bonacelli (Faculdades Integradas Einstein/Limeira)

Prof. Dr. Paulo César Montagner (UNICAMP/Campinas)

Profa. Dra. Rita de Cássia Garcia Verenguer (Universidade Presbiteriana Mackenzie/São Paulo)

Prof. Dr. Roberto Iochite (UNESP/Rio Claro)

Profa. Dra. Sandra Lia do Amaral (UNESP/Bauru)

Prof. Dr. Sebastião Gobbi (UNESP/Rio Claro)

Profa. Dra. Sheila Aparecida Pereira dos Santos Silva (Universidade São Judas Tadeu/São Paulo)

3) Organização
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o Profa. Ana Célia Araújo Silva

o Profa. Mtda. Bruna Varoto da Costa

o Profa. Ms. Caroline Valderramas

o Profa. Ms. Camila Borges

o Prof. Mtdo. Cláudio Silvério da Silva

o Profa. Ms. Elisangela Venâncio

o Profa. Mtda. Esther Vieira Brum

o Prof. Ms. Evandro Antonio Corrêa

o Prof. Ms. Fábio Tomio Fuzii

o Profa. Dtda. Fernanda Rossi

o Prof. Ms. Fernando Paulo Rosa de Freitas

o Prof. Dtdo. Flavio Ismael de Oliveira

o Profa. Mtda. Joice Nozaki

o Profa. Dtda. Juliana Cesana

o Profa. Ms. Juliana Frâncica Figueiredo

o Profa. Kelcilene Gisela Persegueiro

o Profa. Mtda. Luciana Ceregatto

o Prof. Dtdo. Luiz Sanches Neto

o Prof. Mtdo. Marcelo Vieira

o Profa. Dra. Maria Cecília Lieth Machado Bonacelli

o Profa. Mtda. Marina Cyrino

o Profa. Dtda. Mellissa F. G. da Silva

o Prof. Ms. Narciso Mauricio dos Santos

o Profa. Mtda. Nilza Coqueiro Pires de Sousa

o Prof. Mtdo. Rodrigo Hirai

o Prof. Mtdo. Reinaldo Naia Cavasani

o Prof. Ms. Thiago Vieira de Souza


Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

PROGRAMAÇÃO

12/11/2010- SEXTA-FEIRA

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13/11/2010- SÁBADO

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14/11/2010- DOMINGO

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SUMÁRIO

PALESTRANTES ............................................................................................. 20

MESA REDONDA: EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR ....................................... 20

Educação física na perspectiva cultural ........................................................... 20

PROJETO HIP-HOP ........................................................................................ 22

PROJETO CAPOEIRA..................................................................................... 23

MESA REDONDA: FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL EM


EDUCAÇÃO FÍSICA ........................................................................................ 25

Formação e Desenvolvimento Profissional em Educação Física: .................... 25

estudos e evidências ........................................................................................ 25

MESA REDONDA: ESTUDOS DE FENEMENOLOGIA E EDUCAÇÃO FÍSICA


......................................................................................................................... 26

RESUMOS DO EVENTO-EIXOS ..................................................................... 29

CAPOEIRA....................................................................................................... 29

Paralelos entre a capoeira regional e os métodos ginásticos do século


dezenove.......................................................................................................... 29

A Capoeira e o uso das tecnologias de informação e comunicação em seu


processo de ensino/aprendizagem e formação acadêmica ............................. 30
Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Capoeira Angola: Um Estudo Sobre Seus Saberes ......................................... 32

CURRÍCULO .................................................................................................... 33

Currículo e Complexidade: Novos Princípios para a Formação Profissional em


Educação Física............................................................................................... 33

“As novas diretrizes curriculares e a formação do professor de ciências


biologicas, pedagogia e educação física na UNESP - campus de Rio Claro” .. 34

Formação profissional em educação física: um estudo do perfil dos cursos da


região de Bauru –SP ........................................................................................ 35

A formação do professor de Educação Física na UNESP/RC na perspectiva


dos modelos de formação em alternância........................................................ 36

DANÇA............................................................................................................. 38

Dança na educação física escolar: aproximações entre formação e atuação


profissional ....................................................................................................... 38

Benefícios das danças de salão para o desenvolvimento global dos alunos. .. 39

Formação profissional em educação física: o movimento comunicativo na


ressignificação do conteúdo dança .................................................................. 39

A dança como atividade curricular na educação física do ensino fundamental ii


nas escolas públicas de Apodi-RN................................................................... 41

DOCÊNCIA ...................................................................................................... 42

A presença de René Descartes na educação física: o corpo em evidência. .... 42

As relações de poder na docência universitária a partir dos modelos de jogos


de Norbert Elias................................................................................................ 43

Sociologia no ensino superior: perspectivas dos acadêmicos da área de saúde


......................................................................................................................... 43

Habilidades Sociais dos docentes de uma escola pública da cidade de Porto


Velho ................................................................................................................ 45

Encontros e Desencontros na Educação Física: uma análise sobre o corpo


docente feminino .............................................................................................. 46

Percepções dos professores de Educação Física relativamente às aulas mistas


e ao conceito de coeducação........................................................................... 47
Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

A percepção dos professores de educação física de escolas estaduais em


relação à EJA ................................................................................................... 48

Do direito a ternura a "pedagogia do amor": um estudo sobre a identidade do


professor em sua dimensão (sócio-) afetiva..................................................... 50

Os saberes docentes na história de vida de professores de educação física. . 51

A manifestação dos saberes docentes na prática pedagógica de professores de


educação física iniciantes e experientes .......................................................... 52

EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA .................................................................... 53

Educação Física Adaptada: algumas (res)significações sobre a formação


profissional ....................................................................................................... 53

A disciplina educação física adaptada nas instituições públicas e privadas de


ensino superior no estado de são paulo: um estudo pela internet. .................. 54

O profissional de educação física: competências e inclusão dos alunos com


deficiência ........................................................................................................ 55

EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR ...................................................................... 56

Educação Física Escolar e o processo de formação Inicial: o olhar de uma


graduanda ........................................................................................................ 56

A prática pedagógica do professor de educação física frente ao ensino do


handebol nas escolas públicas de Catalão-GO................................................ 57

Educação física escolar: um caminho para a inclusão..................................... 59

Influencias do pluriemprego nas condições de vida do trabalhador docente em


educação física do sul do Brasil ....................................................................... 60

A visão docente no âmbito escolar : educação física como área de


conhecimento - um estudo de caso.................................................................. 61

Material didático e temas transversais nas aulas de Educação Física:


perspectivas dos alunos e do professor. .......................................................... 62

Contribuições do cinema à prática esportiva: registros de uma experiência na


escola ............................................................................................................... 63

Livro didático e pluralidade cultural na educação física escolar: análise da


produção dos alunos. ....................................................................................... 64

A disciplina de Atletismo no curso de Licenciatura em Educação Física: o olhar


dos acadêmicos do 8º período da Universidade Federal de Goiás .................. 65
Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

A educação física escolar e a base de conhecimento discente: contribuições


para o 1º ciclo do ensino fundamental.............................................................. 67

Transformando teoria em prática: trabalhando os conceitos e práticas da


aptidão física, atividade física e saúde com os alunos do ensino médio do
Instituto Federal de Educação de Mato Grosso campus Juína ........................ 68

Educação Física Escolar no Ensino Médio: saberes, práticas e habitus.......... 69

Desporto Escolar – um estudo de caso numa escola de referência desportiva


portuguesa ....................................................................................................... 70

Índices de actividade física habitual na escola, desporto e lazer – um estudo


realizado em alunos de ambos os sexos, do 3º ciclo e do ensino secundário . 71

Influência parental na actividade física dos alunos – um estudo realizado em


alunos de ambos os sexos, dos ensinos básico e secundário ......................... 72

Tema transversal ética e livro didático: possibilidades para a educação física


escolar.............................................................................................................. 73

A compreensão e utilização do PCN meio ambiente pelos professores de


educação física escolar. ................................................................................... 75

O processo coletivo de formação permanente de dois professores-


pesquisadores de educação física: projeto piloto de investigação colaborativa76

Prática pedagógica de um professor de Educação Física no ensino médio:


sucessos e dificuldades ................................................................................... 77

Mulheres na docência da educação física escolar: olhares e desafios nas


questões de gênero e estereótipos. ................................................................. 78

O atual processo avaliativo na educação física escolar: conceitos e


perspectivas ..................................................................................................... 80

Uma busca pela sensibilidade e criatividade nas aulas de educação física


escolar.............................................................................................................. 81

Cultura e práticas corporais: conteúdos e metodologias para o componente


curricular educação física................................................................................. 82

Educação física, escola, dimensões do conteúdo e formação do cidadão ...... 84

Sistematização dos conteúdos de ensino da educação física escolar: a seleção


dos objetivos e conteúdos – um estudo de caso.............................................. 84

Corpo, cultura e subjetividade: a educação física escolar na constituição


identitária dos sujeitos ...................................................................................... 86
Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

A constituição identitária dos sujeitos ao longo da educação básica:


contribuições do currículo multicultural da educação física na educação infantil
......................................................................................................................... 87

ESPORTE ........................................................................................................ 88

Velocidade x drible, relação verificada em escolares futebolistas do salesiano


dom helvécio Ponte Nova – MG....................................................................... 88

Perfil do profissional que atua nas escolas de futebol...................................... 90

Analise do perfil de formação dos treinadores de futebol da copa do Mundo de


2010 ................................................................................................................. 91

Formação profissional no esporte a vela: buscando desempenho na classe


hobie cat........................................................................................................... 92

FORMAÇÃO INICIAL, CONTINUADA E INTERVENÇÃO PROFISSIONAL .... 93

Universidade e educação física: um estudo dos grupos de pesquisa da


ESEF/UFPel ..................................................................................................... 93

O voleibol na formação docente: algumas reflexões........................................ 94

Proposta de formação de professores-colaboradores na educação física para o


acompanhamento do estágio curricular supervisionado .................................. 96

A construção dos saberes, sobre as práticas avaliativas na trajetória dos


professores de educação física........................................................................ 97

Análise da formação docente e da atuação dos profissionais que lecionam a


educação física na rede municipal de João Câmara – RN............................... 98

Formação inicial de professores de educação física: saber, significado e


memória da prática pedagógica, da docência e da orientação científica. ...... 100

Educação a distância: formação em Educação Física ................................... 101

Reestruturação curricular dos cursos de licenciatura: depois das diretrizes de


formação de professores, um novo perfil profissional? .................................. 102

Ensino dos esportes de aventura em instituições de ensino superior na cidade


de Maringá – Paraná...................................................................................... 103

Grupo de estudos do lazer: 10 anos de contribuição à formação humana .... 105

Reflexão coletiva e partilhada no processo de formação permanente em


educação física .............................................................................................. 106
Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Constituição do grupo-aprendente no processo de formação permanente de


professores de educação física...................................................................... 107

Opinião de alunos-estagiários de licenciatura em educação física sobre os


estágios curriculares obrigatórios................................................................... 109

Formação Inicial em educação física: foco nas 400 horas de estágio curricular
supervisionado ............................................................................................... 110

A Extensão Universitária e suas implicações para a formação do professor de


Educação Física que atua na escola.............................................................. 112

A graduação em educação física e suas vertentes quanto à inserção ao


mercado de trabalho. ..................................................................................... 113

A formação continuada dos professores de educação física: um estudo


comparativo entre início e fim de carreira ...................................................... 114

O poder dos professores de Educação Física escolar na construção da


formação continuada: uma análise à luz da teoria de Norbert Elias............... 116

Desafios da prática profissional com ginástica em academias: o que dizem


profissionais iniciantes e experientes? ........................................................... 117

A formação do professor e implicações nas aulas de educação física infantil 119

Autoeficácia docente em situações de estágio curricular supervisonado e


prática de ensino em Educação Física........................................................... 120

A prática como lócus da formação inicial e continuada para a docência: novas


modalidades de orientação e supervisão para a “Prática de Ensino”............. 121

GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO ...................................................................... 122

Gestão Universitária em Educação Física: ações da coordenação de curso


alinhadas ao planejamento estratégico institucional ...................................... 123

GINÁSTICA .................................................................................................... 124

A ginástica na educação física escolar: o olhar do professor......................... 124

Saberes necessários à prática profissional na ginástica em academias........ 125

LAZER E RECREAÇÃO................................................................................. 127

Formação do Monitor em Atividades de Aventura.......................................... 127

Construção de saberes de professores universitários do campo do lazer ..... 127


Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

A inserção da dança na perspectiva do lazer- educação na educação infantil


....................................................................................................................... 129

A disciplina lazer nos currículos de educação física: um estudo sobre os


saberes dos professores nas universidades públicas do estado de São Paulo
....................................................................................................................... 130

LUTAS, ARTES MARCIAIS E ESPORTE DE COMBATE.............................. 131

Educação Física e atuação profissional na área de saúde: um relato de


experiência com a utilização do judô em população idosa, com baixa
Densidade Mineral Óssea. ............................................................................. 131

Aprendendo lutas na educação física escolar: uma análise à luz dos


referenciais para o ensino fundamental e médio............................................ 132

A relação entre a formação profissional dos técnicos de judô e longevidade do


desempenho competitivo de atletas precoces................................................ 133

Pensando na formação de profissionais de educação física para desenvolver


sistemas computacionais no ensino de gestos esportivos ............................. 134

Lutas, artes marciais e as aulas de educação física: nuanças dessa relação na


práxis dos professores de educação física em um escola ............................. 135

Proposta pedagógica no trato do conteúdo lutas no ensino superior............. 136

PRÁTICAS CORPORAIS ALTERNATIVAS ................................................... 137

As práticas corporais alternativas na área da saúde: seus usos e terminologias


....................................................................................................................... 137

Parkour na escola: rompendo padrões na relação do corpo com o ambiente 139

PROJETOS SOCIAIS .................................................................................... 140

As práticas corporais como forma de promoção de saúde no presídio: um olhar


sobre o centro de inserção social de Catalão-GO.......................................... 140

Projeto arte da paz ......................................................................................... 141

Contraturno: novos desafios na atuação e nas relações entre o professor de


educação física e gestores da educação ....................................................... 143

Educação física: alternativa pedagógica para crianças e adolescentes em


situação de vulnerabilidade ............................................................................ 144

SAÚDE........................................................................................................... 145
Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Promoção da saúde em escolares: uma experiência na educação de jovens e


adultos............................................................................................................ 145

Atividade física para promoção da saúde de idosos com doença de Alzheimer


....................................................................................................................... 146

Índices antropométricos e níveis de aptidão física relacionados á saúde em


escolares da zona rural de Rondônia............................................................. 147

Relação entre sintomatologia depressiva e nível de atividade física em idosas.


....................................................................................................................... 148
Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

PALESTRANTES

MESA REDONDA: EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Educação física na perspectiva cultural

Marcos Garcia Neira


Grupo de Pesquisas em Educação Física escolar da FEUSP
www.gpef.fe.usp.br

Com a democratização do acesso, adentraram à escola representantes


de grupos culturais, até então, alijados desse direito. Se outrora, os
conhecimentos socializados pelo currículo advinham dos grupos situados em
condições privilegiadas sem qualquer questionamento, neste momento, tal
perspectiva enfrenta o desafio da sociedade multicultural. É lícito que as
políticas em torno da reconfiguração social atravessam inevitavelmente o
debate curricular. A partir daí, foi gerado um certo consenso que afirma a
democratização dos conhecimentos no currículo como ação em prol do
reconhecimento das diversas culturas que compõem a sociedade. Alinhando-
se a esse movimento, uma transformação curricular da Educação Física
implicará não somente no estudo do patrimônio cultural corporal dos grupos
desprovidos de poder, como também, na desconstrução crítica dos
conhecimentos oriundos da cultura corporal hegemônica. O debate curricular
atual sugere a elaboração de propostas multiculturais como alternativas para o
enfrentamento das investidas de homogeneização e controle presentes tanto
nas práticas escolares como nas políticas. A presente pesquisa de cunho
teórico-prático foi realizada a partir de um diálogo entre a teorização crítica e
pós-crítica da educação e do currículo e a pedagogia cultural da Educação
Física, objetivando a elaboração de uma argumentação que fundamenta um
desenho curricular compromissado com a transformação social.
A eclosão das teorias críticas da educação na segunda metade do
século XX retirou-nos a inocência do olhar sobre as intenções formativas das
propostas curriculares até então conhecidas. Fundamentadas no marxismo, as
análises empreendidas por diversos autores sobre o currículo tecnocrático da
escola capitalista nos proporcionaram uma nova visão sobre os reais efeitos
das promessas de ascensão e igualdade social através da educação. Dentre
as inúmeras contribuições, pudemos extrair a idéia de que, em cada época, o
currículo configurou-se como um espaço privilegiado onde determinados
setores da sociedade imprimiram sua marca, formatando homens e mulheres
para servir e perpetuar seus interesses.
Mais recentemente surgiu um outro movimento na área educacional
denominado teorização pós-crítica com a pretensão de questionar as noções
estruturalistas que as críticas marxistas sobre o currículo apresentaram.
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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Tomando como referências as categorias de cultura, ideologia e poder,


investigações advindas de campos diversos de estudo como os Estudos
Culturais e a Nova Sociologia da Educação redimensionaram os olhares sobre
o currículo, agregando àquelas novas categorias como etnia, raça e gênero.
Sob esta perspectiva chega-se à conclusão que qualquer proposta curricular
“fechada” incorrerá em valorização de determinados saberes/conhecimentos
em detrimento de outros. Assim, quaisquer que sejam os conteúdos e métodos
contemplados, haverá, sempre, outros de igual importância e valor que
deixarão de constar. Isto significa que qualquer proposta implicará em uma
tomada de decisão sobre o que merece ou não fazer parte do currículo, ou
seja, do que se concebe como conhecimentos válidos ou não. Em outras
palavras, a elaboração do currículo refletirá uma ação política sempre em meio
às oposições e resistências, não existindo sem luta e, nem tampouco, isenta de
relações de poder. Assim, o pano de fundo para qualquer proposta curricular é
saber qual conhecimento deve ser ensinado. De uma forma mais sintética, a
questão central é: O que ensinar?
Currículos, como construções sociais que são, sofrem as influências
das concepções de aprendizagem que advogam, dos conhecimentos que
ensinam, da cultura da sociedade na qual estão inseridos. Aliás, é a ênfase que
dão a esses elementos, que os diferencia. A pergunta “o que ensinar?” nunca
está separada de outras importantes questões: “O que eles ou elas devem
ser?” ou melhor, “O que eles ou elas devem se tornar?”. Afinal, um currículo
busca precisamente modificar as pessoas que vão “seguir” aquele currículo.
No fundo das propostas curriculares está, pois, uma questão de
“identidade” ou de “subjetividade”. Nas discussões cotidianas, quando
pensamos em currículo pensamos apenas em conhecimento, esquecendo-nos
de que o conhecimento que constitui o currículo está inextricavelmente
envolvido naquilo que somos, naquilo que nos tornamos: na nossa identidade,
na nossa subjetividade. É possível, portanto, afirmar que, além de uma questão
de conhecimento, o currículo é também uma questão de identidade.
Não há dúvidas de que o projeto hegemônico, neste momento, é um
projeto neoliberal: centralizado na primazia do mercado, nos valores puramente
econômicos, nos interesses dos grandes grupos industriais e financeiros. Os
significados privilegiados desse discurso são: competitividade, flexibilização,
ajuste, globalização, privatização, desregulamentação, consumidor e mercado.
Nesse projeto, a educação é vista como um instrumento para obtenção de
metas econômicas que sejam compatíveis com esses interesses.
É fácil constatar que essa educação produziu de um lado, um grupo
de indivíduos privilegiados, selecionados, adaptados ao ambiente
supostamente competitivo do cenário ideal imaginado pelos teóricos da
excelência do mecanismo de mercado e, de outro lado, a grande massa de
indivíduos dispensáveis, relegados a trabalhos repetitivos e rotineiros ou à
fileira, cada vez maior, de desempregados, vítimas das diversas formas de
exclusão experimentadas no sistema educacional.
É exatamente esse cenário, reforçado pelos meios de comunicação
de massa, que se articula com as intenções educativas da escola e fornece ao
professor condições para um “primeiro olhar” sobre suas decisões curriculares:
“A escola onde atuo é do primeiro tipo, compromissada, portanto com a
manutenção das condições sociais vigentes?” Ou: “A escola onde atuo é do

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

segundo tipo, compromissada com as transformações das condições sociais


vigentes?”
A partir daí é possível dizer que currículos de Educação Física com
ênfase na melhoria dos aspectos motores, sociais, cognitivos e afetivos ou
aqueles que priorizam o desenvolvimento motor dos alunos, contemplam as
necessidades educacionais em pleno acordo com o projeto de continuidade da
sociedade neoliberal.
Por outro lado, caso a escola assuma juntamente com a
comunidade, um compromisso com a transformação social, o currículo deverá
prestigiar, desde seu planejamento, o comportamento democrático para a
decisão dos conteúdos e métodos e valorizar experiências de ressignificação
das práticas sociais da cultura corporal, presentes, num primeiro momento, no
universo vivencial dos alunos para, em seguida, ampliá-las com o estudo crítico
de outras experiências corporais.

PROJETO HIP-HOP

Jacqueline Cristina Jesus Martins


Grupo de Pesquisas em Educação Física escolar da FEUSP
www.gpef.fe.usp.br

O trabalho com o Hip–Hop foi realizado em 2009 na EMEF Tte. Alípio Andrada
Serpa com as 4ª séries. O objetivo foi ampliar a leitura dessa manifestação corporal,
tentando superar estereótipos e preconceitos que acompanham essas práticas.
A manifestação corporal foi escolhida a partir das discussões do Projeto
Pedagógico da escola, que focou uma concepção de aluno como leitor e escritor do
mundo e do desdobramento do Projeto Especial de Ação (PEA) que tinha como
objetivo a aproximação entre a escola e a comunidade.
Após essas decisões e tomando como base as observações realizadas no ano
anterior, onde percebi que alunos e a comunidade tinham as danças como um
momento de lazer e diversão, escolhi as danças como manifestação corporal a ser
estudada.
Logo no início dos estudos, vimos os diferentes ritmos, o entendimento do que
era dançar, para que dançar e onde dançar. Mas com o decorrer do trabalho percebi
que deveríamos focar os estudos em um ritmo específico, e a escolha foi pelo ritmo
inicialmente chamado pelos alunos de black ou de Hip – Hop.
O trabalho tomou esse rumo, pois percebi que para que os alunos
entendessem mais sobre as danças e para que pudessem fazer leituras do mundo,
como o proposto no nosso projeto pedagógico era necessário ampliar e aprofundar
mais os conhecimentos de determinadas práticas corporais, para tanto, as
observações e anotações que fiz no início do trabalho me mostraram que o ritmo que
mais dialogava com o grupo de alunos e com as propostas da escola era o Break, até
então chamado de black ou hip – hop.
Para iniciar essa discussão apresentei um texto que explicava o que era a
black music e o que era o movimento hip–hop. Ficou entendido que o hip-hop não era
apenas a dança, mas um movimento cultural que englobava outras formas de
manifestações artísticas, como o grafite, o RAP, o MC, o DJ, o Streetball além do

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próprio Break. Decidimos que estudaríamos o movimento Hip – Hop, e não apenas o
Break.
Para alcançar os objetivos propostos organizei as atividades didáticas sempre
pensando em ampliar o olhar dos alunos sobre aquelas práticas. Para isso, além das
vivências, assistimos a alguns vídeos sobre as práticas, realizamos leituras de textos,
analisamos letras de músicas, comparamos as nossas práticas com outras
possibilidades de realização daquelas manifestações.
Essas ações foram propostas a partir de questões que emergiam durante as
nossas vivências e nos ajudaram entender e superar visões preconceituosas das
práticas relacionadas ao movimento hip-hop. Por exemplo, os alunos diziam que o
break é uma prática masculina, e após assistirmos vídeos com o break praticado por
mulheres e lermos um texto sobre as b-girls (dançarinas do break), as meninas
encorajaram-se e construíram suas próprias formas de dançar o break, superando o
preconceito do break como uma prática masculina.
Nas construções das danças pelos alunos, observamos momentos de
ressignificação, isto é, eles passaram a construir as suas próprias práticas através das
interpretações que fizeram sobre a leitura do movimento hip-hop. Inicialmente eles
perceberam que nos desafios era preciso “provocar” o outro, mostrar que você
consegue fazer alguns movimentos que o outro não consegue. Para isso, os alunos
começaram a usar movimentos e gestos de outras práticas corporais como o espacate
da ginástica artística, o aú quebrado da capoeira, mímicas, passos de outras danças,
entre outros gestos. Essa nova forma de desafios, continuou sendo o break, mas a
partir do olhar daquele grupo.
Para um melhor entendimento do movimento hip-hop, não ficamos apenas no
estudo do break, estudamos, também, os outros elementos do hip-hop: o MC, o DJ, o
Grafite, o RAP e o Streetball. Dessa forma, proporcionamos um espaço de ampliação
e aprofundamento dos conhecimentos em torno do hip-hop. Sobre todos os
elementos, fizemos diferentes práticas de leituras e de interpretações sobre as
manifestações corporais, entendendo-as como formas de expressão. A partir dessas
atividades, construímos as nossas formas de realizar esses elementos dentro do
espaço escolar.
Percebi que as atividades realizadas contribuíram para a mudança de
discursos de alunos, professores e gestores que circulavam na escola. Esses
discursos apontavam o break como práticas exclusivamente masculinas, o RAP como
a música de “maloqueiros” e o grafite não era reconhecido como uma arte. Notei que
esses discursos foram desestabilizados, abrindo espaços para que essas práticas
entrassem na escola e fossem apreciadas inclusive por aqueles que a rejeitavam.

PROJETO CAPOEIRA

Marcos Ribeiro das Neves


Grupo de Pesquisas em Educação Física escolar da FEUSP
www.gpef.fe.usp.br

O presente resumo relata um trabalho desenvolvido nas aulas de Educação


Física do colégio Maxwell, localizado na Zona Norte de São Paulo, durante o segundo
semestre de 2010 com uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental II. A escola
busca dentro do seu Plano Político influenciar na formação de sujeitos que possa

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transitar de forma crítica e participativa na sociedade. Assim, a escolha do objeto de


estudo capoeira deu-se por alguns motivos, primeiro, ao transitar em um clube no
entorno da escola durante o estudo de outra manifestação corporal os estudantes
visualisaram pessoas negras e capoeiristas conversando e se referiram a estes
sujeitos como pessoas fedidas, pobres e macumbeiras, segundo, durante os anos de
escolarização eles nunca tiveram contato com outras manifestações corporais que não
fossem o esporte, terceiro, a apostila adotada pela escola estava convidando todos os
componentes curriculares a estudarem os conhecimentos da cultura negra no Brasil e
na África justificando sua escolha pela Lei 10.639/03.
Depois de anunciar na sala de aula o que estudariam naquele momento, lancei
algumas questões para mapear os saberes e a representação que eles tinham sobre a
capoeira e, ao questioná-los sobre o que é capoeira, quem são as pessoas que
praticam, o que eles sabem sobre estes grupos culturais, os/as alunos responderam
que capoeira era coisa de negro, que negro é maloqueiro, fedido e pobre e que pouco
sabiam sobre ela (a capoeira).
Na primeira atividades de ensino, em posse de alguma revistas de capoeira
pedi para eles extrairem do texto diferentes definições sobre a capoeira, observarem
os diferentes grupos que praticavam a luta assim como se apropriarem dos diferentes
golpes que estavam descritos ali.
Durante as vivências práticas procurei explorar os diferentes espaços da
escola, sala de aula, quadra e sala de informática utilizando variados mecanismos de
diferenciação pedagógica para ampliarem seus saberes e se apropriarem da
gestualidade como filmes de capoeira, videos na internet e jogos disponivéis on-line
como o Fight 3.
No decorrer do projeto, analisamos vídeos de capoeira regional e angola seus
Mestres e toda sua história entrelaçada com a escravidão dos negros no Brasil, e
durante uma saída pedagógica assistimos o filme de capoeira que estava em cartaz
chamado Besouro, durante este momento foi pedido a eles uma resenha e depois de
assistirem o filme eles/as pontuaram a condição do negro na sociedade e puderam se
posicionar melhor quando surgiram comentários sobre a religião caracteristica
daquele grupo cultural.
A fala dos/as alunos e suas dúvidas durante o projeto me possibilitou por meio
de um método de avaliação (registro diário) organizar diarimante minhas atividades de
ensino e assim dialogar com as expectativas de aprendizagem escolhidas para este
projeto.
Depois de construirem uma música e um dicionário com as palavras da
capoeira, ter contato com o berimbau, diferentes toques, abada e outros elementos
característicos da luta, pedi para eles construirem um questionário com todas as
questões que ainda geravam dúvidas, na aula seguinte, depois de conversar com o
professor de capoeira fomos entrevistar aquelas pessoas que eles disseram ser
maloqueiras e fedidas, depois da entrevista, percebi através de seus comentários um
respeito maior com aquele grupo cultural.
Como avaliação final, eles tiveram que registrar todo o caminho percorrido
durante o projeto utilizando telefone celular e Ipods e o caderno de Educação Física, e
construirem um portifólio digital com este material colhido, este método de avaliação
foi escolhido pelo fato de que a escola não estava possibilitando a entrada deles/as
portando estes materiais, motivo que gerava grandes discussões entre direção, familia
e alunos.
Por fim, depois de se apropriarem do gestualidade da capoeira, analisarem
diferentes fontes midiáticas e entrevistarem as pessoas que estavam naquele local, o
trabalho possibilitou identificar a produção de novas subjetividades e um
reconhecimento melhor sobre a capoeira, as pessoas negras e o processo de
construção da negritude construído pela sociedade, caminhando em busca de um
ensino que esteja atento a diversidade e o reconhecimento do Outro.

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MESA REDONDA: FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO


PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Formação e Desenvolvimento Profissional em Educação Física:


estudos e evidências

Juarez Vieira do Nascimento


Gelcemar Oliveira Farias
Júlio Cesar Scmidt Rocha
Jorge Both
Alexandra Folle

Na tentativa de contribuir para melhoria da qualidade da formação inicial, de


compreender como o professor se desenvolve profissionalmente e de auxiliar na
construção da identidade profissional docente em Educação Física, algumas
investigações foram realizadas contemplando as preocupações pedagógicas, as
condições de vida e ciclos da carreira docente em Educação Física. As preocupações
pedagógicas de estudantes-estagiários em Educação Física foram investigadas a
partir do modelo teórico desenvolvido por Fuller (1969) e Fuller e Bown (1975), o qual
contempla as preocupações consigo próprio (Self), com a tarefa (Task) e com o
impacto (Impact). As investigações descritivas, com abordagem quantitativa dos
dados, apontam que as preocupações com Impacto estão presentes ao longo de todo
o período de estágio, assumindo também o protagonismo deste período,
especialmente entre as estudantes-estagiárias mais jovens (até 21 anos). Por outro
lado, as pesquisas sobre os ciclos ou estágios da carreira docente em Educação
Física geralmente são de natureza qualitativa, principalmente os estudos de caso e
histórias de vida. O modelo de Huberman (1995) tem sido empregado para analisar os
avanços e recuos profissionais e pessoais na carreira docente como um todo. A partir
da análise das competências, crenças e expectativas profissionais foi possível
distinguir cinco ciclos na carreira docente em Educação Física, nomeadamente
entrada, consolidação, afirmação e diversificação, renovação e maturidade. As
investigações de caráter descritivo exploratório, com abordagem quantitativa dos
dados, sobre as condições de vida do trabalhador docente em Educação Física têm
abordado tanto parâmetros sócio-ambientais ligados à esfera do trabalho, quanto
parâmetros individuais vinculados ao estilo de vida do professor. As evidências
destacam o elevado descontentamento dos professores de Educação Física com a
remuneração e as condições de trabalho. Aliado a estes fatores, há também outros
pontos de insatisfação relacionados à integração social no ambiente de trabalho e o
tempo equilibrado entre lazer e trabalho. Entretanto, aspectos associados à
oportunidade de promoção, autonomia no trabalho pedagógico, leis que regem o
trabalho docente e relevância social da vida no trabalho são fatores positivos da
profissão docente. Para se compreender o processo de saúde e doença dos
professores de Educação Física, novas investigações quantitativas e qualitativas são

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sugeridas para avaliar como ocorre o desencadeamento da doença, bem como


necessitam avaliar as associações que as patologias apresentam com os parâmetros
sócio-ambientais e individuais das condições de vida do trabalhador docente. Ao
identificar que o professor passa por diferentes fases, ciclos e estágios que
caracterizam a sua trajetória profissional, há necessidade de realizar estudos
longitudinais para melhor delinear a carreira docente de professores brasileiros de
Educação Física.

MESA REDONDA: ESTUDOS DE FENEMENOLOGIA E


EDUCAÇÃO FÍSICA

NÚCLEO DE ESTUDOS DE FENOMENOLOGIA EM EDUCAÇÃO FÍSICA:


14 ANOS DE DIÁLOGO E PESQUISA

Glauco Nunes Souto Ramos


Cae Rodrigues
Fábio Ricardo Mizuno Lemos

O Núcleo de Estudos de Fenomenologia em Educação Física


(NEFEF) iniciou seus trabalhos em junho de 1996, vinculado ao Departamento
de Educação Física e Motricidade Humana (DEFMH) da Universidade Federal
de São Carlos (UFSCar) e com a participação de alguns(mas) docentes e
alunos(as) da graduação em Educação Física. A motivação inicial para a
formação do grupo era a criação de um espaço para a construção de diálogos
que ultrapassassem o discurso dicotômico da área, no caso, especificamente
através do estudo da fenomenologia: fundadores, precursores, estudiosos
contemporâneos, procedimentos de pesquisa, ação didática em ambiente
escolar e não escolar. Durante um bom período de sua existência, o NEFEF
procurou desenvolver estudos e pesquisas exclusivamente com a abordagem
fenomenológica, modalidade Fenômeno Situado, pois estava diretamente
relacionada aos seus objetivos e à formação pós-graduada dos professores
fundadores. A fenomenologia tem em seus fundamentos a idéia da
compreensão, uma forma de cognição que diverge da explicação causal.
Compreender é tomar o objeto a ser investigado na sua intenção total, é
experimentar o acordo entre aquilo que visamos e aquilo que é dado, alertando
que o significado não está nas coisas, mas na compreensão do humano sobre
as coisas. Isso significa que compreender está associado ao ver o modo
peculiar específico de um fenômeno, enquanto explicá-lo é tomá-lo na sua
relação de causa e efeito. Em busca da compreensão do fenômeno, o(a)
pesquisador(a) está imbuído em “ir à coisa mesma”, um dos princípios
fundamentais da fenomenologia. Neste percurso, “a coisa” é compreendida a
partir de sua perspectividade, inacabamento e inesgotável possibilidade. A

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pesquisa fenomenológica, ao propor “ir à coisa mesma”, alude àqueles que


experienciam a coisa e podem falar sobre ela, permitindo-se assim que, na
variação eidética (do grego eidos, que significa essência), capte-se na
perspectividade um sentido que permita alcançar na coisa uma essência. É,
pois, devido ao respeito à perspectividade do fenômeno que o interrogar na
pesquisa fenômeno situado é propositadamente abrangente. Não há
formulação de hipóteses sobre o buscado, mas a visualização do fenômeno tal
como se mostra, através de descrições ingênuas (genuínas), não se partindo
de a prioris ou se impondo ao sujeito um questionário com uma série de
perguntas que costumeiramente estimulam o indivíduo a respostas mecânicas.
Na abordagem fenômeno situado é usual fazer apenas uma interrogação e
deixar os depoentes falarem livremente, preferencialmente gravando seus
discursos. Neste contexto, um projeto de extensão universitária com capoeira
para crianças da comunidade e uma disciplina optativa na graduação em
Educação Física foram estruturados sob tal perspectiva na cidade de São
Carlos, tendo passado pelo NEFEF inúmeros(as) alunos(as) de graduação,
com ou sem bolsas de estudos (atividade, extensão, treinamento e iniciação
científica) oferecidas pela universidade e órgãos de fomento. A partir das
leituras, discussões e reflexões do grupo começamos a produzir os primeiros
trabalhos: relatórios de pesquisa, monografias de graduação, material didático,
resumos para apresentações em congressos/simpósios e artigos para
publicação em periódicos. Com o desenvolvimento do grupo, adesão de novos
pesquisadores (da Educação Física e de outras áreas acadêmicas) e
dinamização de interesses e adequação metodológica a diferentes objetos de
estudo, ampliamos nossas investigações para outras abordagens qualitativas,
como etnografia, iconografia, história oral, sociologia da vida cotidiana e
pesquisa-ação. A partir desta diversificação de interesses metodológicos
dos(as) pesquisadores(as) vinculados(as) ao NEFEF, originou-se, em junho de
2003, a Sociedade de Pesquisa Qualitativa em Motricidade Humana (SPQMH),
uma associação civil sem fins lucrativos, com fins educativos e de investigação
científica, que tem como objetivos centrais: desenvolver estudos com pesquisa
qualitativa; desenvolver estudos na área de motricidade humana; organizar
eventos bianuais de pesquisa qualitativa e motricidade humana; publicar
anualmente trabalhos desenvolvidos; agrupar e capacitar jovens em processo
de iniciação cientifica aos procedimentos de pesquisa qualitativa em
motricidade humana. Amparados(as) pelo caráter jurídico da SPQMH,
pudemos realizar eventos nos quais a pesquisa fenomenológica fez-se
presente: I Colóquio de Pesquisa Qualitativa em Motricidade Humana (2003);
Simpósio sobre o Ensino de Graduação em Educação Física/II Colóquio de
Pesquisa Qualitativa em Motricidade Humana (2004); III Colóquio de Pesquisa
Qualitativa em Motricidade Humana: o Lazer em uma Perspectiva Latino-
Americana (2007); IV Colóquio de Pesquisa Qualitativa em Motricidade
Humana: as lutas no contexto da motricidade/III Simpósio sobre o Ensino de
Graduação em Educação Física: 15 anos do Curso de Educação Física da
UFSCar/V ShotoWorkshop (2009). Além dos referidos eventos, a parceria entre
NEFEF e SPQMH foi responsável pela publicação, no ano de 2008, do livro
Interfaces do lazer: educação, trabalho e urbanização, que procurou discutir
algumas das interfaces do lazer, a partir de metodologias qualitativas, entre
elas, a fenomenologia. O NEFEF, que é devidamente registrado na Plataforma

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Lattes do CNPq, tem como praxe a realização de uma reunião por semana
durante o período letivo, no caso, sexta-feira, entre 10 e 12h. Atualmente, estão
em desenvolvimento estudos nas seguintes linhas de pesquisa: Currículos e
Formação Profissional em Educação Física; Estudos Socioculturais do Lazer;
Expressão Corporal, Criatividade e Dança; Práticas Sociais e Processos
Educativos Processos de Ensino e Aprendizagem em Diferentes. Após 14 anos
de existência, o NEFEF continua desenvolvendo seus trabalhos,
particularmente em torno da congregação de jovens pesquisadores que se
interessam pela fundamentação e desenvolvimento/apresentação de estudos
com abordagens da pesquisa qualitativa, o que está contribuindo,
decisivamente, para a escolha e trajetória acadêmico-profissional de vários de
seus membros.

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RESUMOS DO EVENTO-EIXOS

CAPOEIRA

Paralelos entre a capoeira regional e os métodos ginásticos do século


dezenove

Cressoni, F.E.G.; Martins, C.J.


Unesp-IB-Depto de Educação Física

Os séculos XIX e XX as práticas corporais da modernidade viram-se


influenciadas pelo pensamento racional e científico que vigorava na época em
ressonância com fenômenos sociais daquele período histórico, tais como o
movimento Positivista e a insurgência de influentes vertentes da medicina
como técnicas políticas na sociedade ocidental. Os especialistas em atividades
físicas passaram a visar resultados mensuráveis buscando principalmente
torná-la um instrumento eugenista e higienista com o objetivo de fortalecer os
corpos, desenvolver e preservar a saúde da espécie, em suma, disciplinar o
corpo e a mente dos cidadãos para integrar e preservar a ordem social. Tal
movimento teve início na Europa com os sistemas ginásticos desenvolvidos
principalmente na Inglaterra, França e Alemanha. Estes sistemas buscaram
como base para seu desenvolvimento expressões de proeza física cujos
benefícios fossem observáveis através de seus praticantes. Assim sendo, suas
principais influências foram os artistas circenses em geral, bem como os
exercícios militares existentes até então. Pormenorizadas através de método
científico, estas manifestações foram transformadas nos métodos ginásticos. O
fenômeno esportivo desse período conjugou-se com a influência dos sistemas
ginásticos europeus e a visão positivista de corpo. Tal modelo consolidou-se
como dominante no século XX e a Capoeira não foi exceção. No Brasil do fim
do século XIX e começo do século XX, com a declaração da independência e a
influência do positivismo que se instalou na época em solo nacional, o
sentimento de patriotismo passou a vigorar com mais força gerando, entre
outros fenômenos, uma busca pelas características que identificassem os
brasileiros como cidadãos de uma mesma nação. Ao questionamento das
identidades nacionais ligava-se extensa lista de temáticas estando entre elas a
possibilidade de reconhecimento ou desenvolvimento de um método ginástico,
tal qual aqueles presentes na Europa, mas que se mostrassem como uma
expressão da identidade brasileira na cultura corporal. Até então, a capoeira
era uma atividade ilegal praticada principalmente nas cidades, na maioria das
vezes por negros e mulatos e frequentemente associada à violência urbana no
Rio de Janeiro, então capital do país. No entanto, no ínicio do século XX os
praticantes da capoeira chamaram a atenção daqueles que estudavam a
questão da ginástica nacional, de forma assemelhada ao modo como os

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artistas de rua o fizeram na Europa, demonstrando grande aptidão e proeza


física. Assim despontou na época um interesse por parte de alguns autores que
discutiram a questão da capoeira e chegaram a publicar alguns trabalhos e
textos a respeito. Mas é somente com o baiano Manuel dos Reis Machado, o
Mestre Bimba, que a Capoeira vê uma verdadeira possibilidade de legalização,
reconhecimento como ginástica, ou esporte, e assim possível ascensão social.
Mestre Bimba desenvolve uma metodologia de ensino através de sequências
de golpes repetidos dois a dois e instaura também uma hierarquização de
proficiência concreta na forma de cordões de cores diferentes. A capoeira de
Mestre Bimba também passa a ter um objetivo disciplinador e de inserção civil,
tornando os capoeiras, não praticantes ilegais e violentos, mas sim esportistas
e até professores de educação física. Portanto, ela é finalmente adequada de
forma a atender tanto aos sistemas ginásticos de origem européia, como às
demandas de construção de uma identidade nacional e, por conseguinte,
nomeada Capoeira Regional Baiana e concedida sua legalização em 1932. A
partir de estudos atuais acerca da capoeira urbana do século XIX, hoje
podemos ter uma boa imagem de como ela era e compará-la com a capoeira
desenvolvida no século seguinte, quando passa a ser melhor documentada.
Com isso, torna-se possível melhor enxergar as mudanças sofridas, que
fatores levaram a tal e sobretudo inseri-la no contexto social vigente na época
em que a transição ocorreu. Neste trabalho abordaremos a Capoeira no
contexto da constituição dos campos da ginástica e do esporte ocidentais do
fim do século XIX e começo do século XX apresentando as influências que
levaram à criação da Capoeira Regional a partir da antiga Capoeira de Angola.
Estudaremos sua adequação aos modelos ginásticos europeus para sua
legalização, os detalhes de tal adequação e as consequências na formação de
mestres e professores.
E-mail: fcressoni@gmail.com

A Capoeira e o uso das tecnologias de informação e comunicação em seu


processo de ensino/aprendizagem e formação acadêmica
Silva, LM
UFC-Instituto de Educação Física e Esportes

A Capoeira, como um dos ícones da identidade cultural brasileira e tema da


cultura corporal, torna-se uma demanda emergente de exploração científica
visto que o número de Instituições de Ensino Superior que a incluem em sua
integralização curricular e a quantidade de pessoas interessadas em sua
prática é cada vez maior, inclusive internacionalmente. É objetivo deste estudo,
investigar a utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação no
processo de ensino e aprendizagem desta temática, tendo como lócus de
intervenção e análise o projeto de extensão “UFCapoeira”, da Universidade
Federal do Ceará. Os objetivos do projeto consistem em viabilizar um espaço
de ensino, pesquisa e extensão, através da vivência dos fundamentos
históricos, instrumentais e de movimentação deste esporte; fomentar sua
disseminação e contribuir para a formação acadêmica e intervenção
profissional, oferecendo aos alunos do curso de Educação Física do Instituto

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

de Educação Física e Esportes a oportunidade de vivenciar esta intervenção


propiciando a melhor inter-relação entre a teoria e a prática de forma
indissociada, através do planejamento, preparação e execução de aulas de
Capoeira, no que diz respeito à organização do ensino desta luta-arte em
espaços formais e não formais de educação. O desenvolvimento da pesquisa
encontra-se dividido em dois momentos, nos quais se buscou a realização de
pesquisa bibliográfica, tanto no que se refere à Capoeira e suas diferentes
propostas, bem como sobre os estudos acerca das Tecnologias de Informação
e Comunicação; outro momento realizado se deu por meio da pesquisa-
intervenção, no qual viabilizou-se a promoção de uma articulação entre a
utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação para o ensino e
aprendizagem da Capoeira. Optou-se pela realização de uma pesquisa
qualitativa com foco num processo de análise da intervenção. Na práxis da
pesquisa vivenciou-se a utilização da linguagem digital contemporânea, unindo
imagens, sons e movimentos, para potencializar o ensino da Capoeira através
da associação destes recursos, tornando o aprendizado mais atrativo, dinâmico
e eficiente. Neste sentido, a partir de filmagens dos alunos realizando os
movimentos inerentes à arte-luta, solicitados pelo professor, ora de olhos
vendados, ora com um referencial estático (cones) e ora jogando em duplas, foi
possibilitado a eles que assistissem aos vídeos com o objetivo primeiro de
autoanalisar-se. Em seguida, a proposta foi que os mesmos se avaliassem
coletivamente, em um processo dialógico entre alunos/alunos e
alunos/professor, observando suas performances em busca de aprimorar os
fundamentos até ali vivenciados, assim como a investigação das possíveis
causas das inadequações ao gesto motor em desequilíbrio, por exemplo. Os
resultados evidenciados até o momento, por meio dos relatórios e dos diários
de campo, foram positivos no que diz respeito à potencialização da
aprendizagem, através de uma ferramenta pedagógica atrativa que possibilita
informações de variados tipos ao aluno. Assim ele tem a oportunidade de
examinar a si próprio realizando movimentos sob vários ângulos, com imagens
fixas e dinâmicas, além de cores e sons, provocando o aprendizado por
diferentes vias. Da mesma forma foi possível perceber momentos que
propiciaram o desenvolvimento e o estabelecimento de vínculos afetivos
advindos das emoções positivas de satisfação e prazer proporcionadas por um
ambiente descontraído e favorável ao aprendizado. Os vídeos também foram
disponibilizados aos alunos para aprofundarem sua autoanálise. Até o
momento, em virtude ainda do andamento da pesquisa, o que apresenta-se
como resultado não permite que análises completas sejam demonstradas, no
entanto, já se denotam observações importantes que irão desencadear
instrumentos de análise, que possibilitem a inferência positiva no que se refere
ao uso das Tecnologias de Informação e Comunicação, no processo didático
da Capoeira. Estas contribuem para a diversificação de metodologias que
facilitarão o surgimento de novas reflexões e variados caminhos para um
aprendizado significativo, proporcionando aos alunos usufruírem dos benefícios
advindos da prática multifacetada, através de sua corporeidade, da Capoeira.
Palavras-Chave: Capoeira.Novas Tecnologias de Informação e
Comunicação.Formação Profissional.
E-mail: lcavati@yahoo.com.br

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Capoeira Angola: Um Estudo Sobre Seus Saberes


Souza, T. V ; Silva, M. F. G. .
UNESP – RC

Este trabalho é o resultado da dissertação de mestrado em Ciências da


Motricidade – UNESP - RC, que se propôs a investigar os saberes presentes
na formação do mestre de capoeira Angola, considerando os valores, artefatos
e atitudes presentes neste âmbito. Dotada de uma emergente riqueza de
significações, esta vertente apresentou elementos que guardam aspectos de
grande importância na composição de um vasto campo de conhecimentos e
saberes. Neste recorte buscou-se investigar a partir das representações sociais
acerca da capoeira Angola, quais os saberes constitutivos deste universo, bem
como uma possível tipologia para tais conhecimentos. Nesta investigação de
natureza qualitativa, descritiva, buscamos encontrar como ocorre o tratamento
com este conhecimento (específico) que emerge da prática e para a prática.
Entre as técnicas escolhidas optou-se pela entrevista narrativa semi
estruturada, sendo complementada pelo método de análise de conteúdo sob a
ótica das representações sociais para proceder à análise e interpretação dos
depoimentos de 7 mestres tradicionais de capoeira Angola da cidade de
Salvador - BA. Neste contexto os depoimentos apontaram para a existência de
um conjunto elementos tais como a música, o canto, o toque, os movimentos e
a roda que se configuraram em saberes, sendo constituídos e pautados em um
saber-fazer adquiridos ao longo da vivencia na capoeira Angola, nos quais
possuem uma estrutura e organização dotados de valores e rituais a ela
específicos. Desta forma, a partir deste panorama podemos estabelecer uma
correlação com a seguinte tipologia: Saberes Institucionais da Capoeira
Angola; Saberes da Vadiação; Saberes Instrucionais-Programáticos (ou
didáticos) e Saberes da Experiência. Assim os resultados dessa investigação
contribuíram para um delineamento mais significativo sobre os saberes que
constituem o universo da capoeira Angola, além de fornecer abertura de novas
possibilidades de pesquisa acerca desta temática.
Palavras-Chave: Capoeira Angola, Saberes, Representações Sociais,
Formação do Mestre.
E-mail: thiagovieiradesouza@yahoo.com.br

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CURRÍCULO

Currículo e Complexidade: Novos Princípios para a Formação


Profissional em Educação Física

CARBINATTO, MV; NUNOMURA, M; WEY, MOREIRA


UFTM

Entendemos que o currículo norteia as escolhas, caminhos, percursos e


traçados a serem vivenciados durante a formação do futuro profissional.
Independente dos rótulos elencados pelos curriculistas, advogamos com esse
trabalho, repensar questões relativas ao currículo na formação profissional em
Educação Física através das argumentações pautadas na Teoria da
Complexidade- especialmente nos pressupostos de Edgar Morin. Nosso
enfoque dar-se-á em elencar princípios considerados emergentes à formação
profissional, tais quais: pluralidade cultural, unidade e diversidade, ordem e
desordem, contexto dos conhecimentos e, por fim, disciplinar e transdisciplinar.
Assim, propomos o currículo dito “multirreferencial”, ou seja, assente na
“solidariedade epistêmica”, no qual é inerente ao processo de ensino-
aprendizagem a construção do conhecimento com todos os envolvidos. Essa
visão pressupõe, por sua vez, novas e aprofundadas interpretações sobre seus
componentes- conteúdos, avaliação e estratégias metodológicas (como, por
exemplo, perguntas mediadoras, projetos temáticos e situações problemas).
Enquanto uma área científica constituída historicamente pelo engajamento de
áreas diversas- tal qual o discurso biologicista e pedagogicista- pensamos que
a EF poderia, com mais agilidade do que as áreas ditas “puras/básicas”,
elucidar essa nova epistemologia, possibilitando ao futuro profissional melhor
aplicação de seus conhecimentos na prática cotidiana. É quase unânime ao
analisarmos os currículos dos cursos de ensino superior em EF sua formatação
tradicional, porém o mesmo não tem acontecido em áreas nos quais as
discussões contemporâneas para uma educação que favoreça a capacidade
de reflexão e maior consciência da realidade global aos futuros profissionais,
como a Medicina, Enfermagem e Ciências da Saúde . Apoiar-se na Teoria da
Complexidade quando na elaboração do currículo é concebê-lo enquanto verbo
de ação, em constante movimento, incentivando o fluxo de idéias e
informações que circulam os sujeitos aprendentes. Certamente essa mudança
demandará esforços para quebrarmos hábitos e ampliarmos debates e
diálogos entre todos os envolvidos na sua construção, especialmente
professores e alunos.
E-mail: mcarbinatto@hotmail.com

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“As novas diretrizes curriculares e a formação do professor de ciências


biologicas, pedagogia e educação física na UNESP - campus de Rio
Claro”
Silva, J.B; Brum, E.V
Unesp-IB-Depto de Educação

Esta pesquisa foi elaborada tendo como perspectiva a importância de uma


formação inicial de qualidade, escolhendo como lócus o campus da UNESP-
Rio Claro-SP, pois seus cursos sofreram nos últimos anos mudanças em seus
currículos, visando adequar-se aos novos normativos legais. Embora houvesse
esta compreensão não se sabe até que ponto estas alterações trouxeram
contribuições, nos levando a realizar esta investigação com vistas a apresentar
um diagnóstico sobre o assunto, assim como apontar para os possíveis
desenhos curriculares. Portanto objetivou-se refletir sobre o assunto,
considerando os novos desenhos curriculares e concepções de professor.
Como opção metodológica adotou-se a abordagem qualitativa, do tipo
construtivismo social, como meio para se chegar às respostas pretendidas.
Entre as técnicas escolheu-se a fonte documental (consulta aos Projetos
Pedagógicos dos cursos de Educação Física, Pedagogia e Ciências
Biológicas), as entrevistas (com estudantes, professores e coordenadores dos
cursos mencionados, permitindo o contato com o papel dos mesmos para a
construção da identidade do professor e seus conhecimentos) e a análise de
conteúdo. Neste contexto, a análise dos projetos pedagógicos dos três cursos
de formação de professores da UNESP/RC (Ciências Biológicas, Pedagogia e
Educação Física), bem como a entrevista com os estudantes e professores
permitiu visualizar a existência de modelos de alternância que perpassam o
processo de formação dos estudantes de tais cursos. Entre os modelos de
alternância observou-se que (a) a Alternância Justaposta exclui-se por não
permitir ser proposta pelos projetos pedagógicos, pois trata da desarticulação
entre teoria e prática; (b) a Alternância Implícita que se caracteriza pela
ausência de intervenção dos professores na tentativa de vincular a teoria e a
prática, não podendo também ser prevista pelo projeto pedagógico dos cursos;
(c) o modelo de Formação em Estágios de Inserção apesar de serem previstos
e possuírem o envolvimento dos estudantes carecem de temas mais amplos;
(d) o modelo de Formação Associação/ Articulação de Componentes perpassa
apenas a formação em Pedagogia, pois somente o projeto pedagógico deste
curso sugere que os estudantes podem atuar como docentes durante a
graduação, sendo que as experiências surgidas serão consideradas no
contexto da formação; (e) o modelo de formação em Alternância Interativa
apesar de ser previsto pelos projetos pedagógicos no contexto de aula não se
realiza efetivamente, pois, de acordo com os relatos dos sujeitos, os docentes
não incentivam a investigação de questões, não estabelecem a interação entre
a teoria e a prática e (f) o modelo de formação em Alternância Estágios de
Aplicação Prática de Conhecimentos em que o estágio curricular
supervisionado é o foco da interação entre teoria e prática, mas que carece de
uma atenção maior em relação ao seu andamento. Deste modo, a formação
em alternância visa fornecer momentos de imersão na prática com o objetivo
explícito de formação pela prática, porém vinculada a espaços partilhados de
significação das experiências vivenciadas na prática capaz de produzir vínculos

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

entre as teorias, colocando-as a serviço da prática e vice-versa. De modo que


na área da formação de professores os saberes docentes tem se destacado
como um dos pontos centrais para se compreender a profissão docente, bem
como o processo de formação que deveria orientar os cursos de formação de
professores e os modelos de alternância. Porém, entre os saberes que se
destacaram no processo de formação dos estudantes a ênfase está no saber
da experiência, confirmando a existência dos modelos de formação em
alternância. Enquanto, que os professores (coordenadores) vão confirmar os
eixos temáticos de cada proposta curricular, não ignorando as dificuldades
desse processo, como na falta de diálogo entre os docentes. Assim, os
professores (disciplinas) vão corroborar com o apontamento desse problema
ao identificarem como dificuldade a falta de dialogo entre as disciplinas (os
conteúdos).
Palavras-Chave: Currículo, Modelo de Alternância, UNESP-RC, formação
docente.
Apoio Trabalho: CNPq/PIBIC
E-mail: bsjujuba@hotmail.com

Formação profissional em educação física: um estudo do perfil dos


cursos da região de Bauru –SP

SILVA, LF; MORENO, JCA; HUNGER, D.; ROSSI, F; SILVÉRIO, C;


CORRÊA, EA; COQUEIRO, N
UNESP - FC - Depto de Educação

Introdução: Esta pesquisa realizada por membros do NEPEF (Núcleo de


Estudos em Preparação Profissional em Educação Física) do IB/UNESP/CNPq,
teve como intuito compreender o perfil dos cursos de Educação Física da
região de Bauru/ SP. Tal necessidade foi vislumbrada pelo grupo, tendo em
vista as alterações significativas que ocorreram nos últimos anos no Ensino
Superior, sobretudo, ao processo que culminou com a elaboração e
implementação das Diretrizes Curriculares para os cursos de nível superior no
país. Como este momento histórico coincide com a fase em que os cursos de
Educação Física introduzem no meio social, as primeiras turmas formadas a
partir da legislação, se verificou necessário o desenvolvimento do estudo, pois,
desde as determinações oriundas das Resoluções n. 01 e n. 02 de 2002 do
CNE/CP (BRASIL, 2002), relativas à formação de professores, e das Diretrizes
para o Curso de Graduação/Bacharelado em Educação Física, Resolução n.
07/2004 do CNE/CSE (BRASIL, 2004), novos arranjos curriculares foram
implementados. Objetivo A problemática teve a ver com os vários espaços que
se criaram para uma formação que tanto poderia se caracterizar de forma
delimitada (Licenciados e Bacharéis) como “híbrida”. Porém, se tomou como
hipótese que os cursos tentaram se adequar às DCNs de uma forma mais
burocrática ou instrumental (cargas horárias) do que favorecendo o
desenvolvimento da formação. O objetivo do estudo foi o de analisar o
processo de formação na área da Educação Física, numa região geográfica,
composta por cursos com caracterizações diferenciadas. Metodologia Assim se

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optou por uma pesquisa exploratória quali-quantitativa, com análise


documental. Foi desenvolvido um roteiro de análise baseado no documento de
avaliação de IES do INEP/MEC. Foram analisados os Projetos Pedagógicos
dos Cursos acessados pelos pesquisadores. Posteriormente, diante da
dificuldade de recolhimento dos documentos, foram coletados dados por meio
dos sítios das IES. Os documentos que foram priorizados continuaram sendo
os Projetos Pedagógicos, porém, em alguns casos pela indisponibilidade
completa destes, se decidiu por analisar os dados disponíveis que são de
domínio público em sítios institucionais e que, se constituem em fontes
fidedignas para qualquer cidadão que a elas tiver acesso. A região de
Bauru/SP é composta por cidades de pequeno e médio porte, sendo que Bauru
se constitui em região administrativa e possui maior número de habitantes. Há
na região a necessidade de formação de licenciados, dada a demanda de
escolas públicas municipais, estaduais e privadas. Também possui expansão
dos espaços ligados à atividade física orientada para a saúde e estética
(Clubes, Academias, Clínicas, Spas e Hotéis). Há espaço de atuação em
Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, Educação, Turismo, Lazer e
Esporte. A amostra se constituiu de seis IES, sendo que quatro eram privadas,
uma confessional e uma pública estadual. Os documentos coletados foram
submetidos a uma análise inicial (triagem) e teste do instrumento (pesquisa
piloto). Após, alguns ajustes houve a inclusão de novos elementos no roteiro de
análise documental, devido à riqueza existente nos materiais coletados.
Resultados Os cursos investigados apresentavam explicitamente ou não as
Diretrizes como documentos norteadores de sua elaboração. No entanto, a
análise dos documentos permitiu afirmar que os cursos, independentemente de
serem bacharelados ou licenciaturas se apresentavam pouco caracterizados.
Não foi possível identificar coesão entre objetivo e perfil do egresso em 84%
dos cursos das IES, sendo que apenas um mostrou articulação entre os itens.
Também em relação aos conteúdos, 84% se mostraram inadequados para a
formação desejada, sobretudo, quando se tratavam de cursos híbridos. Um
curso demonstrou esta articulação. Nos documentos evidenciou-se que 84%
buscavam atendimento do mercado de maneira a atender um público único, em
um só curso. Um curso de uma IES demonstrou ter objetivo de formar
licenciados unicamente, embora as cargas horárias da área da saúde se
mostrassem elevadas em relação às da área de ciências humanas.
Considerações Finais Se verificou que na região de Bauru/SP os cursos pouco
se diferenciaram após a implementação das DCNs, sendo que o curso da IES
pública estadual foi o que mostrou mais articulação entre os itens investigados
em seu PPC.
E-mail: lucienebtos@g.com.br

A formação do professor de Educação Física na UNESP/RC na


perspectiva dos modelos de formação em alternância

Souza, E.
Unesp IB - Depto de Educação Rio Claro

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

O currículo nos remete a um documento de identidade (SILVA, 1999),


especificamente no que se refere à formação profissional, abarcando
disciplinas, metodologias, experiências, assim como a desenhos curriculares
que podem envolver a presença dos modelos de formação em alternância na
perspectiva de se superar o difícil diálogo entre teoria e prática, dependendo da
concepção adotada, formação no local de trabalho e na universidade.
Nascimento (2006) assinala que os modelos de formação em alternância na
Educação Física representam uma ruptura entre processos pedagógicos, isto
é, uma alternância entre teoria e prática e o contexto da sala de aula e a
situação de trabalho. Portanto, se coloca como possibilidade a aproximação
destes dois contextos capazes de auxiliar no processo maturacional do
estudante que está em formação, além de contribuir na aquisição de
competências profissionais. Neste processo, Nascimento (2002) e Marcon
(2005), com base nos estudos de Pedroso (1996), afirmam que os cursos de
Educação Física podem ser perpassados pela alternância implícita –
independe do que a formação propõe o estudante pode realizar a ponte entre a
teoria e as suas experiências; alternância de estágios de inserção – com
projetos de extensão universitária, correspondendo a uma iniciativa da
formação profissional universitária; alternância estágio de aplicação prática de
conhecimentos - estágios profissionais propostos pelo projeto pedagógico do
curso; alternância justaposta - há uma situação de trabalho que ocorre por
iniciativa do estudante; Com exceção dos modelos seguintes que são
abarcados apenas por Pedroso (1996): alternância interativa - existe a busca
pela aproximação entre os estudos teóricos de sala de aula e as experiências
de trabalho através de estratégia centrada na solução de problemas e na
realização de projetos e em atividades que simulam a prática; alternância por
associação/articulação de componentes - prevê que ocorra espontaneamente
na alternância implícita e na alternância justaposta uma articulação, mediação,
na forma de uma pedagogia de projetos em que estes integrem as
aprendizagens. Assim, estas perspectivas nos desafiaram a estudar o processo
de formação inicial do professor a partir das novas diretrizes, bem como
tomando como referência a proposta do curso de Educação Física da UNESP
– Rio Claro, tendo como objetivo identificar não só a concepção de currículo
adotada, mas também os modelos de formação em alternância, visando
entender esta “pedagogia da alternância”. Como opção metodológica escolheu-
se a pesquisa qualitativa, do tipo estudo de caso, utilizando como técnicas a
fonte documental, na fase preliminar e entrevista semi-estruturada, na fase de
desenvolvimento mais adiantada da pesquisa, sendo complementada pela
análise de conteúdo. Entre os resultados encontrados realizando um
mapeamento do que se obteve através da análise da fonte documental
observou-se que os modelos de formação em alternância não aparecerem
textualmente no projeto pedagógico do curso, mas de forma implícita, podendo-
se identificar a perspectiva da alternância nos projetos de extensão, estágios
profissionais, solução de problemas, havendo a prevalência de alguns modelos
em detrimento de outros. Destacando-se deste modo, o modelo de formação
em alternância Estágios de inserção, Estágio de aplicação prática de
conhecimentos e alternância Interativa. Porém de modo geral, podemos
considerar que uma articulação entre teoria e prática no curso em questão é
estabelecida.

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Palavras-chave: Currículo, Formação de professores, Modelos de formação


em alternância.
E-mail: esthervieira@gmail.com

DANÇA

Dança na educação física escolar: aproximações entre formação e


atuação profissional

Caldas Ehrenberg, M.
USP - Faculdade de Educação

A Educação Física possui conhecimentos específicos a serem tratados


pedagogicamente no contexto escolar. Entre esses conhecimentos, encontra-
se a dança. Esse elemento da cultura corporal não é exclusivo do profissional
de Educação Física, sendo compartilhado, em outros âmbitos de atuação além
da escola, por profissionais das Artes Cênicas, Artes Plásticas, além dos
bacharéis e licenciados em Dança. O que se percebe com freqüência no
âmbito escolar é a ausência desse conhecimento, ou o desenvolvimento de um
trabalho superficial que se caracteriza por apresentações coreográficas de
caráter festivo. A pesquisa que ora se apresenta, considerou a escola como
campo de atuação profissional da Educação Física a ser investigado. Para
conduzir tal investigação, observou a metodologia utilizada na formação de
professores de Educação Física da FEF – Unicamp, junto à disciplina MH 304
– Pedagogia do Movimento II, que possibilita a vivência de diferentes
conhecimentos da cultura corporal, na unidade correspondente à dança. O
objetivo dessa observação era verificar se tal metodologia poderia, de fato, ser
desenvolvida nas escolas de Educação Básica e quais seriam os
conhecimentos necessários para possíveis modificações ou retificações a fim
de minimizar possíveis distanciamentos entre formação e atuação profissional.
Para atingir nosso objetivo, foi realizada uma pesquisa qualitativa do tipo
pesquisa-ação, cuja intervenção se deu em aulas práticas no ambiente escolar.
Como técnica de coleta de dados, realizamos entrevistas semi- estruturadas
aos professores que participaram da pesquisa, em dois momentos: antes e
depois da nossa aplicação prática. Através da análise de conteúdo, foi possível
refletir sobre a realidade em que se encontra a dança no universo escolar
pesquisado e assim concluir que a proposta implementada mostrou-se
adequada para subsidiar os conhecimentos da dança na escola, mas
ressaltamos ser necessário que a preparação profissional vincule teoria e
prática não só como conceitos, mas fundamentalmente na melhor
caracterização dos fenômenos reais do cotidiano profissional.
Palavras-Chave: Dança; Educação Física Escolar; Formação Profissional
E-mail: monica.ce@terra.com.br

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Benefícios das danças de salão para o desenvolvimento global dos


alunos.

Fernandes, R.C.; Alcades, T. R.; Rocha, A. J. de A.


Academia de Ensino Superior

O presente trabalho teve como objetivos investigar os benefícios das danças


de salão na formação global dos alunos, além de analisar o seu contexto
histórico, buscando mapear os significados desta prática corporal como
vivência no âmbito do lazer. Para isso, realizamos uma pesquisa bibliográfica e
de campo de natureza qualitativa, a pesquisa-ação. O local escolhido refere-se
a uma associação atlética localizada na cidade de Itu/SP. Foram pesquisados
vinte alunos de ambos os sexos, praticantes de danças de salão há pelo
menos um ano, escolhidos de forma aleatória. O instrumento de coleta de
dados utilizado foi a observação participante. A forma de tratamento dos dados
foi a análise de conteúdo proposta por Bardin (1977). Como resultados da
pesquisa, pudemos verificar que a maioria dos alunos buscam a prática das
danças de salão a fim de aprenderem a dançar, como forma de lazer, saúde e
bem-estar. Em relação aos benefícios e mudanças ocorridas, muitos deles
relataram que aprenderam a apreciar a dança, melhoraram a coordenação
motora global além da auto-estima. Dessa forma, reafirmamos a importância do
trato pedagógico com as danças de salão também na esfera do lazer, a fim de
contribuirmos para a formação crítica, criativa e sensível dos nossos alunos.
E-mail: rita.fernandes@aes.edu.br

Formação profissional em educação física: o movimento comunicativo na


ressignificação do conteúdo dança

Florêncio, SQN; Silva, PPC; Araújo Júnior, IF; Gomes-da-Silva, PN


Universidade de Pernambuco/ Universidade Federal da Paraíba

Pensar o ser humano em sua completude é compreendê-lo em seu


fenômeno natural. Um ser que existe num tempo e espaço a partir do diálogo
consigo mesmo, com o outro e com o mundo, de tal maneira que essa troca,
permite que o homem se complete de sentidos e significados, tomando sua
singularidade. Essa troca do homem com o mundo, esse dar-se revela a
construção do ser histórico, que se transforma cotidianamente na experiência
do diálogo. O ser em contato com um mundo que existe, mas ao mesmo tempo
constrói e é construído, modificado, re-significado nas experiências do ver,
tocar, ouvir, saborear e cheirar. Segundo Gomes da Silva (2001) o sentido do
movimento se expressa por sua relação com o mundo, com as coisas, com os
outros. Essa relação na dança é permitida a partir de seu diálogo criativo, no
qual o corpo cria por meio de suas experiências vividas. Assim, compreende-se
que o ensino da dança deve perpassar uma experiência puramente motriz, sem

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fins educativos, logo o estudo objetiva analisar o processo de ressignificação


do ensino da dança-educação na formação inicial dos professores de
Educação Física. Trata-se de uma pesquisa participante, tendo como técnicas
de coleta o balanço do saber e o grupo focal. Os sujeitos pesquisados foram 10
alunos de graduação do curso de Educação Física, de uma universidade
particular da Bahia, na cidade de Bonfim, participantes da disciplina pedagogia
da dança, com faixa etária entre 23 e 30 anos, professores que já atuavam na
escola sem formação profissional. Como técnica de análise foi utilizada a
hermenêutica em Ricoeur (1978). Os sujeitos apontam a dança como relevante
na formação do ser humano por ser uma atividade divertida que traz felicidade,
desenvolve a consciência corporal, coordenação motora, o desenvolvimento
corporal e o movimento, estimulam as crianças, envolvem as pessoas,
diminuem a timidez e aprimoram a expressão, assim como, desenvolve o
espírito participativo, o senso crítico e criativo. Como fragilidades foram
apontadas a falta de conhecimento teórico/prático dos professores que
ministram esse conteúdo, o reconhecimento da escola, condições materiais e
capacitações para os professores. Mediante discussão sobre propostas para o
ensino da dança como Marques (2003), Barreto (2004), Nanni (2001) e
Scarpato (2004), refletiu-se sobre as divergências e similitudes das mesmas,
analisando a relevância dos conteúdos apresentados para a formação do
aluno. Os sujeitos identificaram como conteúdos relevantes a serem
vivenciados, a) fruição e apreciação estética; b) Fruição e apreciação de
experiências do cotidiano; c) Estudo do movimento (no corpo, com o outro e
com o espaço); d) consciência corporal e; e) conhecimentos sobre a dança
(improvisação, repertórios e composição coreográfica). Ao final do processo
considera-se que houve uma re-significação no processo de tratar o conteúdo
de dança nas aulas de Educação Física, uma vez que, os sujeitos
apresentaram outra concepção sobre a sua pedagogização. Além disso,
afirmam que ampliaram ao compreender que ensinar dança na escola não é
apenas dançar, como pode ser percebido na fala da aluna 3: “pensei que a
dança fosse pouca coisa, mas percebi que é muito mais que dançar, tem muita
coisa para ajudar na formação do aluno”, assim como identificaram a sua
relevância na formação do aluno, pensada de forma comunicativa, criativa e
pedagógica, como relata a aluna 2: “eu trabalho com dança a 20 anos e
pensava que sabia dar aula de dança, sempre montava as coreografias e
queria que minhas alunas fizessem do meu jeito, agora vi que ensinar dança é
muito mais que dançar, e que a dança pode contribuir de outras formas para a
vida do ser humano”. Em suma, considera-se que foi ampliado a concepção do
ensino de dança-educação favorecendo não só na produção do conhecimento
nesta área, mas sobretudo nas implicações pedagógicas para o tratamento
deste conteúdo como recurso na formação do ser humano, transcendendo seu
caráter motor, artístico-estético, e valorizando também seus aspectos cognitivo,
social e afetivo. Sugere-se que novas pesquisas ampliem o conhecimento
tratando autores específicos da área da Educação Física, para que se possa
afirmar a relevância desse conteúdo em suas aulas, firmando-se por
perspectivas que amplia uma visão reprodutivista, diminuindo críticas
realizadas diretamente a área.
Palavras-Chave: Dança-educação. Formação profissional. Educação Física.
E-mail: samara.qnf@gmail.com

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A dança como atividade curricular na educação física do ensino


fundamental ii nas escolas públicas de Apodi-RN

Silva, M. I.; Góis, F. J. S.


UERN – CAMEAM - Depto de Educação Física

A dança enquanto expressão corporal esteve sempre junta a história de vida


do homem, pois antes do surgimento da linguagem o homem se comunicava
através da expressão corporal. Através da dança conseguimos expressar
nossos sentimentos, emoções, bem como nossa história de vida. No contexto
escolar enquanto conteúdo curricular a dança poderá proporcionar um
desenvolvimento integral do aluno, neste sentido o presente estudo objetivou
analisar a dança como atividade curricular na Educação Física do Ensino
Fundamental II das escolas publicas do município de Apodi do estado do Rio
Grande do Norte. O estudo teve características qualitativas de corte transversal
e o método utilizado foi o descritivo. O grupo amostral contou com a
participação de 17 professores de escolas públicas do ensino fundamental II .
Para a coleta dos dados foi utilizado um questionário composto de questões
fechadas, pelo qual buscou identificar a inserção do conteúdo dança no
currículo escolar da disciplina de educação física. Os resultados mostraram
que a dança é desvinculada do currículo escolar da rede de ensino pública e
que o corpo docente desconsidera a dança como conteúdo da educação física
e como um meio formador, com sentido e significado inerente ao processo
ensino-aprendizagem, sendo vislumbrada apenas como forma de
entretenimento nas datas comemorativas do calendário escolar. Conclui-se
então que apesar de estarem inerentes à formação do cidadão, os olhares
direcionados a dança escolar precisam ser mais profundas fazendo com que se
utilize dessa arte como um meio facilitador do desenvolvimento e formação do
ser.
E-mail: isasoeiro@yahoo.com.br

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

DOCÊNCIA

A presença de René Descartes na educação física: o corpo em evidência.

Silva, A. C. A.
FEFISA - Faculdades Integradas de Santo André

Este estudo é um recorte da dissertação de mestrado em educação


finalizado em 2009, nesta dissertação o empenho foi tratar o corpo na
formação docente, com foco histórico trazendo o mecanicismo apresentado por
René Descartes até a motricidade humana. O recorte realizado foi justamente
sobre a presença de René Descartes na Educação Física elucidando o corpo
estudado por este filosofo que na educação Física foi enaltecido posto como
objeto de estudo. A reflexão tem como objetivo pensar nas intersecções de
René Descarte na formação docente em Educação Física. Para a explanação
foi selecionado um estudo bibliográfico, cujo empenho é apontar os estudos de
René Descartes sobre o corpo, mecanicismo, dicotomia corpo e alma, num
segundo momento entender a Educação Física dentro deste contexto. Num
entrelaçamento podemos pensar em alguns pontos ao longo da história da
Educação Física, como a marca do mecanicismo, do instrumentalismo, o corpo
como centro dos estudos, salvo que para Descartes o corpo só vem ter valor
pela sua funcionalidade “a máquina”, e a mente, o mentor das ações desse
corpo. Na Educação Física podemos verificar na sua trajetória enquanto uma
área que buscou espaço, enquanto ciência, a luta foi pelo corpo, por eliminar
essa dicotomia impregnada pela história, mas o que fizemos foi uma nova
dicotomia enaltecemos o corpo e a mente? Trabalhamos e estudamos o corpo
e travamos uma batalha para entender esse sujeito na sua inteireza, durante a
formação docente as disciplinas que permeia a grade curricular estão voltadas
para o corpo e pensar como esse sujeito vai se inteirar das ações aprendidas,
salvo ressaltar que primeiramente pensamos nas ações do corpo, aqui está a
marca do mecanicismo presente de forma camuflada na formação docente
atual. Para pensarmos nessa presença mecanicista na formação docente e na
atuação desses profissionais nas escolas, devemos sempre nos remeter a
quem estamos formando, o sujeito ou seu corpo. Assim, este estudo deixa uma
lacuna para novas reflexões, qual é formação que estamos a fazer?
Palavras-chave: Mecanicismo, Educação física, Formação docente, Corpo
E-mail: anac_as@ibest.com.br

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

As relações de poder na docência universitária a partir dos modelos de


jogos de Norbert Elias

BORGES, C.; HUNGER, D.


Uninove- Depto de Educação

Ao abordar o tema docência universitária em Educação Física é possível


inferir que outros aspectos caminham paralelamente a prática pedagógica.
Com a massificação do ensino superior a partir da década de 90, houve a
necessidade de formar professores universitários para atender o aumento da
demanda de alunos neste nível de ensino. Além do ensino, cabe ao professor
ainda a pesquisa, a extensão, a gestão e o business corroborando com os
diferentes perfis docentes (professor, conscientizador, pesquisador, professor-
pesquisador, pesquisador-professor) que se moldam pelas exigências das
instituições em que atuam. Na perspectiva de compreender como se
estabelecem os critérios para o exercício e ordenamento dessas atividades, o
presente estudo analisou o depoimento de 13 docentes da área de Educação
Física oriundos do programa de pós-graduação de uma universidade pública
do Estado de São Paulo utilizando os modelos de jogos apresentados na
sociologia processual de Nobert Elias. Os depoimentos passaram pelo crivo da
análise do conteúdo, pautando-se na análise categorial que apontaram para
duas categorias: atuação e formação docente. Quanto à atuação docente há
uma relação direta entre dois grupos, docentes e instituição, estabelecendo um
jogo de muitas pessoas a um só nível ao pensar nessa relação direta entre
docente e universidade como determinante das funções destes professores.
Entretanto, quando se refere à formação de futuros docentes nos programas de
pós-graduação, se evidencia um jogo de dois níveis do tipo oligárquico, cujo
poder maior se encontra na CAPES, órgão que coordena e fomenta os cursos.
Os mestrandos e doutorandos atuam como integrantes do nível secundário, em
que para ingressar, permanecer e obter a titulação, devem pesquisar e publicar
agindo diretamente entre docentes, universidade e agência de fomentação. A
questão crucial a que se refere o estudo, refletir sobre as relações de poder,
possibilitam repensar a atuação de docentes universitários da pós-graduação,
bem como de futuros professores. Concluiu-se que o enfoque dado à pesquisa,
determinado pela poder atribuído a um grupo, relega características
fundamentais da ação docente, o ensino, na perspectiva da permissão de
acesso ao conhecimento. Desse modo, sente-se a necessidade de aprofundar
as investigações acerca das relações de poder estabelecidas nas instituições
de ensino na tentativa de repensar a profissão como possuidora de alternativas
para um modelo de jogo mais democrático, havendo equilíbrio de poder entre
as diferentes instâncias.
E-mail: camilaborges@hotmail.com

Sociologia no ensino superior: perspectivas dos acadêmicos da área de


saúde

Freire, I.A.; Cárdenas, R.N.; Pinho, S.T.

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Fundação Universidade Federal de Rondônia/UNIR/DEF

INTRODUÇÃO Os currículos atuais dos cursos de formação inicial,


elaborados segundo as orientações do MEC devem propor uma formação
abrangente, com um “forte embasamento humanístico” que envolve os
conhecimentos filosóficos, do ser humano e da sociedade. Em um artigo
“Reforma da Educação Superior Brasileira”, publicado no portal do MEC
(BRASIL, 2005), revelava há cinco anos atrás uma preocupação crescente em
se investir na formação de profissionais com características mais humanistas,
sinalizando para uma carência neste processo formativo. Daí a necessidade de
se investir em estudos voltados a esta temática. O estudo ora apresentado
objetivou identificar os principais temas ou conceitos estudados pelos alunos
na disciplina Sociologia nos cursos de formação inicial; forma de estruturação
dos conteúdos; e âmbitos ou áreas de abordagens, levantar a importância que
acadêmicos atribuem à disciplina na sua formação na universidade. Espera-se
que os resultados venham fornecer subsídios para discussões, análises e
apresentação de propostas dos projetos de ensino das disciplinas humanistas
nos cursos de formação inicial. De alguma forma, espera-se contribuir para a
evolução dos conceitos que envolvem a aprendizagem das disciplinas
humanísticas, em especial de sociologia no ensino superior. METODOLOGIA A
pesquisa é caracterizada como descritiva, qualitativa e exploratória. Foi
realizada com universitários de 05 cursos de graduação da área de saúde da
UNIR: Educação Física, Medicina, Enfermagem, Biologia e Psicologia.
Participaram do estudo 458 universitários de diversos períodos letivos. Para
coleta de dados aplicou-se um questionário com questões abertas. Para
organização dos dados e posterior análise dos conteúdos, realizou-se uma
classificação adaptada de Fávero et all (2004) quanto a estruturação dos
conteúdos. RESULTADOS Verificou-se que 19% não recordam nenhum
conteúdo ou tema estudado na disciplina; 22% não responderam. Daqueles
que indicaram recordar de algum conteúdo, tema ou assunto, verificou-se
diversidade nas respostas, sem detalhamento. Sobre a importância da
disciplina de para formação, obteve-se como síntese: a) A maioria dos alunos
enfatiza que a disciplina pouco ou nada contribuiu para sua formação
profissional ou pessoal. b) Alguns disseram ser importante, embora não
justificassem; c) Outros afirmaram não saber dizer a importância da disciplina
no curso; d) Não consideram uma disciplina importante, por isso não justifica
ser obrigatória no curso; e) As principais justificativas da disciplina no curso
estavam em torno do conhecimento que esta propicia sobre a sociedade e os
fenômenos sociais; f) Uma minoria reconhece sua importância. Destes, alguns
apontaram o pouco aproveitamento na disciplina; g) Um indivíduo justificou sua
resposta afirmativa argumentando que a disciplina torna o indivíduo crítico;
CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados da pesquisa indicam que o
conhecimento sociológico não é considerado um componente fundamental na
formação dos estudantes da área de saúde, independente do curso. De modo
mais específico, o estudo concluiu: - Excesso de conteúdos e/ou temas
abordados com pouca ou nenhuma relação com os principais postulados que
fundamentam a Sociologia como ciência e como disciplina acadêmica. - A
estrutura dos conteúdos identifica-se pela abordagem de sub-temas
sociológicos; - Fragmentação dos conhecimentos explorados; - Não foi possível

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

identificar nas respostas dos informantes visão de uma disciplina que fomente
a ação dos indivíduos rumo a uma formação crítica e cidadã; aspectos relativos
a disciplina Sociologia com relação a estrutura, organização do currículo e
programas das disciplinas. Não se sabe se a disciplina em questão é
ministrada de forma compartimentalizada ou integrada a uma proposta
pedagógica; Sugere-se uma revisão nos projetos de ensino de cada curso
buscando conhecer o papel das disciplinas humanísticas, em especial, da
Sociologia, no currículo; uma proposta pedagógica que articule todas as
disciplinas do curso, possibilitando uma visão de unidade entre teoria e prática.
Os conhecimentos sociológicos devem estar articulados com os da área
técnica e com o objeto de estudo de cada área de conhecimento dos distintos
cursos sem perder de vista a ciência afim: saúde.
Apoio Trabalho: Grupo de Estudo do desenvolvimento da Cultura Corporal
E-mail: ivete_aquino@hotmail.com

Habilidades Sociais dos docentes de uma escola pública da cidade de


Porto Velho

Freire, I.A.; Pereira, E.G.; Pinho, S.T.; Cárdenas, R.N.


Fundação Universidade Federal de Rondônia/UNIR

INTRODUÇÃO O papel do professor, enquanto educador, além de estimular


a descoberta e a produção de conhecimento, é de mediar, às interações
educativas e sociais. Dentre o repertório de habilidades, destacam-se as
Habilidades Sociais/HS. Entende-se como HS “Conjunto de condutas emitidas
por um indivíduo num contexto interpessoal que expressa os sentimentos,
atitudes, desejos, opiniões ou direitos desse indivíduo de um modo adequado à
situação, respeitando essas condutas nos demais, e que geralmente resolve os
problemas imediatos da situação, por enquanto minimiza a probabilidade de
futuros problemas” (CABALLO, APUD NYARDI & BOAS, 2008, p. 8). A
pesquisa teve como objetivo geral mapear o perfil das HS de professores.
Buscou-se analisar as habilidades de enfrentamento e auto-afirmação; estudar
a capacidade de auto-afirmação na expressão de sentimentos positivos;
identificar os níveis de habilidades referentes à conversação e desenvoltura
social; e verificar as habilidades de auto-exposição a desconhecidos e
situações novas. METODOLOGIA A investigação de caráter descritivo-
exploratório levantou o nível de HS de professores na cidade de Porto Velho,
no estado de Rondônia. A população estudada constou de 12 professores de
5º ao 8º ano de uma escola pública. Os professores informantes da pesquisa
compõem todo o quadro de docentes deste ciclo de ensino da referida
instituição escolar. Para a coleta de dados, utilizou-se o Inventário de HS Del-
Prette, de Del Prette e Del Prette (2001) adaptado segundo Carneiro e Falcone
(2007); e Murta e Magalhães (2003). RESULTADOS E DISCUSSÕES A
maioria dos informantes apresentou baixo repertório de HS em situações que
envolvem “Enfrentamento e auto-afirmação” (conversar com desconhecidos;
cobrar dinheiro emprestado; expor ponto de vista; iniciar conversação;
expressar discordância; devolver mercadorias); (dificuldade em “se enturmar”;

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

mesmo contrariado aceita; dificuldade em iniciar conversação). Por outro lado,


neste mesmo fator, verificou-se em apenas um dos itens (pedir esclarecimento)
um repertório bem elaborado de HS. Quanto ao repertório em habilidades de
“Auto-afirmação na expressão de sentimentos positivos” os participantes
tiveram um repertório que se situa entre os níveis que vão de “razoável” a
“baixo” de HS em todos os itens (agradecer elogio; quando alguém faz algo de
bom o elogia; expressa sentimento de carinho a familiares; quando gosta de
alguém lhe expressa sentimentos; elogia sucesso de familiares; reage em
defesa de injustiça). No fator “Conversação e desenvoltura social”, verificou-se
um repertório de habilidades razoável com relevância nos itens negativos
(concordo em fazer sexo sem camisinha; na fila, se um estranho passa a
frente, fica calado; interromper conversa ao telefone; colocar nomes de
terceiros em trabalho; ao receber elogio fica encabulado; dificuldade em
encerrar conversa com amigo). Relacionando estes dados com os estudos de
Silva (2004), verificam-se resultados semelhantes. Os professores demonstram
disposição aceitável de lidar com situações neutras de aproximação. A
possibilidade de reação indesejável é mínima e demanda traquejo social na
conversação. CONCLUSÃO O estudo concluiu que: os professores
apresentaram fragilidade no repertório relativo às habilidades de
“Enfrentamento e auto-afirmação”; na capacidade de “Auto-afirmação na
expressão de sentimentos positivos”, verificou-se um repertório que se situa
entre os níveis que vão de “razoável” a “baixo”; demonstraram insuficiência na
habilidade referente à “Conversação e desenvoltura social”. No fator “Auto-
exposição a desconhecidos e situações novas”, que inclui abordagem de
pessoas não conhecidas, os professores se posicionaram de modo que se
encontram vulneráveis a reações não desejáveis do indivíduo abordado.
Constatou-se desse modo carência dos informantes na habilidade de colocar-
se em circunstância de revelação pessoal, situação constantemente exigida na
rotina de um professor. No aspecto geral constatou-se a necessidade de
melhoria do nível de HS dos professores, o que pode ser conquistado através
de treinamento específico conforme recomenda a literatura sobre o tema.
Apoio Trabalho: Grupo de Estudo do desenvolvimento da Cultura Corporal
E-mail: ivete_aquino@hotmail.com

Encontros e Desencontros na Educação Física: uma análise sobre o


corpo docente feminino

Lopes, C.B.
Faculdades Integradas Torricelli

O presente estudo faz parte de um dos capítulos elaborados no trabalho de


dissertação de mestrado, finalizado em abril de 2009, onde o objeto de estudo
centrou-se no corpo da mulher enquanto um corpo sempre pronto a servir sua
casa, seus filhos e marido, passa a ter também a responsabilidade da
educação e posteriormente, o da educação de outros corpos, esta atribuição
enquadra-se na função docente em Educação Física. O estudo elencado foi
sobre as condições em que o corpo mulher somatiza suas atividades ditas

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

familiares à responsabilidade de educar outros corpos a partir do seu próprio


corpo. A reflexão desta pesquisa tem como objetivo pensar na formação
docente da mulher de Educação Física. Para tal, foi selecionado um estudo
bibliográfico, cujo interesse foi destacar os estudos e evoluções apontados
sobre a profissão de professora de Educação Física exercida pelo gênero
mulher. Neste contexto devemos pensar em alguns pontos da história da
Educação Física, como a sua cientificidade, assim como a instrumentalização
desta prática entre os corpos femininos e masculinos. Podemos dizer que a
transformação da ginástica para a atual Educação Física traz consigo, dentro
dos estudos específicos de gênero uma evolução masculinizada e adaptada
para o corpo feminino. Será que o corpo feminino necessita de uma prática
masculinizada da Educação Física? Será por isso que o corpo mulher
consegue educar por meio da Educação Física um corpo feminino e
masculino? Para pensarmos na educação dos corpos, masculino e feminino
devemos pensar na formação docente, o que compete ao professor e a
professora? Será necessário diferenciarmos os gêneros, afim de uma
educação condizente com o século XXI? Desta forma, a discussão sobre a
formação docente de professores e professoras está muito além das
necessidades atuais, mas também da herança que nos foi deixada e marcada
pela estória da formação docente em Educação Física. Com este estudo
podemos evidenciar que a graduação em Educação Física até final do século
XX foi marcada por disciplinas que diferenciavam as possíveis práticas
femininas e masculinas, onde os homens eram preparados para trabalhar
apenas com corpos masculinos, e as mulheres com os corpos femininos.
Atualmente as graduações apresentam salas heterogêneas (homens e
mulheres), na qual estudam as mesmas disciplinas, e teoricamente irão atuar
sem distinção de gênero. Destarte fica a reflexão para a formação docente em
relação aos corpos assexuados dos professores e novos estudos na Educação
Física.
Palavras-chave: Formação Docente, Educação Física, Corpo, Gênero.
E-mail: carmen-lopes@uol.com.br

Percepções dos professores de Educação Física relativamente às aulas


mistas e ao conceito de coeducação

Pinheiro, C; Cardoso, A; Resende, R


Instituto Superior de Maia (ISMAI) Portugal

Introdução: As aulas mistas na Educação Física têm o intuito de


proporcionar a aprendizagem das mesmas actividades para ambos os géneros.
Porém, nem sempre as aulas mistas são coeducativas, pois a coeducação tem
como objectivo levar o(a) aluno(a) a vivenciar as mesmas
experiências/possibilidades e oportunidades independentemente das
diferenças e semelhanças dos actores/alunos. Segundo Gomes (2001), no
caso da Educação Física, a coeducação significa valorizar práticas motoras e
vivências, associadas ao modelo cultural feminino, de modo a que todas as
alunas e alunos as experimentem, sem tornar o modelo masculino como único

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

ou prevalecente. O presente estudo teve como objectivo analisar as


percepções de professores de Educação Física relativamente às aulas mistas e
ao conceito de coeducação. Metodologia: o grupo de estudo foi constituído por
8 professores de Educação Física (4 com mais de 20 anos de serviço e 4 até
10 anos de serviço) em actividade de funções no ano lectivo 2009/2010 em 3
escolas públicas e a leccionarem o 3º ciclo do ensino básico na concelho da
Maia, distrito do Porto/Portugal. Para a recolha de dados foi utilizada a
entrevista semi-estruturada tendo sido elaborado um guião contendo questões
ligadas à formação inicial do professor e questões relacionadas com o
conhecimento dos conceitos de coeducação e aulas mistas. As informações
recolhidas foram submetidas à técnica de análise de conteúdo, tendo sido
criadas à priori as seguintes categorias: aulas mistas/aulas separadas e
coeducação. Discussão e Conclusões: Após análise dos dados recolhidos
verificamos que a maioria dos professores de Educação Física prefere as aulas
mistas em relação às aulas separadas, referindo que as alunas nas aulas
mistas proporcionam um ambiente de acalmia e os alunos um maior
dinamismo. No que respeita ao conceito de coeducação, verificamos existir
alguma confusão a nível conceptual, havendo mesmo alguns professores a não
conseguirem efectuar a distinção entre coeducação e aula mista. Os
professores definem coeducar como educar de uma forma igual ambos os
géneros. Dar as mesmas oportunidades sem limitar, transmitindo os conteúdos
de uma mesma forma para um género e para o outro. Os professores com
mais de 20 anos de serviço são aqueles que melhor conhecem este conceito.
Palavras-chave: coeducação; aulas mistas; professores de Educação Física
Apoio Trabalho: Centro de Investigação em Desporto, Saúde e
Desenvolvimento Humano (CIDESD)
E-mail: ruiresende@ismai.com

A percepção dos professores de educação física de escolas estaduais em


relação à EJA

Pinho, S. T.; Freire, I. A.; Cárdenas, R. N.


Unir - Depto Educação Física

Considerando-se a importância da Educação Física escolar na promoção da


saúde dos indivíduos observa-se contradição entre os aspectos legais que
facultam a disciplina em situações específicas com as políticas do Ministério da
Saúde, que estimula prática de exercícios físicos. O presente estudo objetivou
descrever o cotidiano escolar dos professores de Educação Física de escolas
estaduais que ministram aulas na EJA. Fizeram parte da amostra 5 professores
de Educação Física, vinculados a 5 escolas Estaduais da cidade de Porto
Velho do Estado de Rondônia. Para a coleta de dados foi utilizada uma
entrevista do tipo semi-estruturada. Os dados foram organizados a partir o
roteiro das entrevistas. Para análise, utilizou-se estatística descritiva através do
programa SPSS 12. Os resultados mostraram referente a importância da EJA,
que 80% dos professores acreditam que a EJA é muito importante pois
favorece a conclusão dos estudos daqueles indivíduos que por algum motivo

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

não tiveram acesso a escola em outra época. Quanto aos aspectos negativos
20% dos professores acreditam que os conteúdos são prensados, ou seja, a
grade curricular é muito extensa e o tempo é curto para ministrar a quantidade
de conteúdos existentes. Essa dificuldade causa para os alunos um rendimento
e um aproveitamento considerado insatisfatório. E 20% dos professores
informaram que há uma freqüente desistência dos alunos da EJA no horário
noturno. Os resultados mostraram que 80% dos professores trabalham na EJA
com aulas teóricas e práticas. Neste contexto, 20% dos professores relatam
que abordam em uma semana o conteúdo de forma teórica e em outra de
forma prática, demonstrando que atua em atividades teórico-práticas
organizadas semanalmente. As atividades práticas de todos os professores
investigados são realizadas na quadra da escola. Ainda 20% dos professores
acreditam que é importante organizar as turmas considerando-se a faixa etária
dos alunos, a fim de favorecer a escolha das atividades de acordo com os
diferentes interesses. Sobre a motivação dos alunos para participar das aulas
de Educação Física, 60% dos professores dizem que os alunos matriculados,
na EJA têm interesse em participar das aulas de Educação Física. Acreditam
que é muito importante a prática de atividade física e o esporte para evitar os
fatores de risco à saúde. No entanto, 40% dos professores dizem que os
alunos matriculados na EJA não demonstram nenhuma motivação em
participar das aulas de Educação Física. A seguir apresenta-se a síntese do
relato das experiências dos professores junto à turma da EJA: - Os alunos
demonstram motivação quando o assunto lhes desperta interesse. A exemplo
de conteúdo ministrado relativo a DST (Doenças Sexualmente Transmissível) e
sexualidade. O mesmo ocorreu quando o tema foi voltado a história do futebol.
Verifica-se que a motivação aumenta a motivação da turma. - As atividades
recreativas apresentam-se de modo diferenciado na motivação desta clientela.
Foi diagnosticado por um professor que os alunos se envolveram e ministraram
os jogos internos de sua escola, gerando resultados satisfatórios na
participação dos mesmos. Em um processo de auto-avaliação, os professores
reconhecem a necessidade de desenvolverem aulas atrativas e motivadoras
para esta clientela. Entre estas atividades destacam-se as seguintes: Trabalhar
com avaliação física, planejar conforme a realidade local, realizar diagnósticos
junto aos alunos, priorizar atividades que desenvolvam maior integração entre
os grupos e promover aulas teóricas sobre a importância dos exercícios físicos,
alimentação, e outros aspectos para aquisição de uma vida saudável. Sobre as
diferenças entre ministrar aulas de Educação Física para alunos de Ensino
Regular e alunos da EJA, todos professores relataram que os alunos do ensino
regular apresentam mais interesse nas atividades propostas. E 20% dos
professores justificam essa diferença considerando que os alunos da EJA são
trabalhadores se mostrando cansados para a prática da atividade física.
Através deste estudo foi possível verificar que os professores de Educação
Física têm uma grande dificuldade em, ministrar e abordar os conteúdos em
suas aulas. Justificam que os alunos não demonstram interesse nas aulas de
Educação Física. Por outro lado, ao analisarem suas experiências destacam
que reconhecem que algumas atividades são mais motivadoras que outras, ou
seja, deve ser dada ênfase ao planejamento das aulas.
E-mail: silvia_esef@yahoo.com.br

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Do direito a ternura a "pedagogia do amor": um estudo sobre a identidade


do professor em sua dimensão (sócio-) afetiva.

Possobom Arnosti, R; Gimenez da Costa, M; Souza da Silva, J


Unesp-IB-Depto da Educação

Na sociedade atual, a complexidade dos processos, subjetivos e objetivos,


envolvidos na construção das identidades singulares e culturais exige pensar
como o sujeito da atualidade sofre, experimenta, vivencia e sintetiza a
diversidade de influências culturais nas quais está imerso. Torna-se também
imprescindível resgatar os diversos espaços e linguagens, para que todos
possam contribuir para a transformação de indivíduos-objetos em cidadãos-
sujeitos responsáveis por sua posição no mundo, pois esta perpassa as
categorias da obrigação moral, compromisso com a comunidade e a
competência profissional, lembradas por Contreras (2002) como dimensões da
profissionalidade docente. Neste contexto esta pesquisa teve como foco de
estudo a dimensão (sócio-) afetiva de professores participantes de um curso de
extensão realizado na UNESP – Campus de Rio Claro em que trabalhavam
aspectos afetivos e humanísticos do fazer docente, tendo como desafios o mal
estar docente, a proletarização do magistério, mas também a
profissionalização. Embora se reconheça que os elementos constituintes da
Dimensão Afetiva são os que mais contribuem com a construção da identidade
do professor no exercício de sua profissionalidade docente parte-se do
pressuposto, da hipótese, de que as propostas curriculares, vinculadas as
políticas públicas de formação de professores, não contemplam a dimensão
afetiva na construção de identidade do professor; assim como a sua crise de
identidade vincula-se mais à crise da educação. Neste processo assinala-se
também que os problemas políticas foram transformados em problemas
pedagógicas e estes de responsabilização individual, colocando o professor
como responsável pelo “fracasso escolar”. Portanto, esta pesquisa teve como
objetivos (a) averiguar nas práticas dos professores, participantes do curso de
extensão, os aspectos que constituem a dimensão afetiva na sua identidade; e
(b) elucidar os elementos presentes na prática destes professores, que compõe
o seu processo identitário, abarcando a dimensão profissional e pessoal. Como
caminho escolheu-se a pesquisa qualitativa, do tipo descritivo, tendo como
técnicas: observação, fonte documental, entrevista e análise dos dados ou
conteúdo. Para a observação individual da prática docente foram selecionadas
seis professoras concluintes do módulo I ou II do curso de extensão, de modo
que uma destas possui formação em educação física. Posteriormente foram
realizadas as entrevistas, sendo que optou-se pela entrevista semi-estruturada,
seguindo um roteiro de questões elaboradas previamente e orientadas pelo
objeto de estudo, mas com a flexibilidade de adicionar outras questões,
permitindo que os entrevistados façam suas observações e sugestões. O
estudo realizado confirmou as hipóteses levantadas e verificou-se que a
dimensão afetiva está presente na prática docente e não pode ser
desconsiderada na relação professor-aluno, observando-se também que as

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

dimensões pessoal e profissional são indissociadas da identidade profissional.


A possibilidade de dialogar com dados referentes a uma profissional da
Educação Física ampliou a perspectiva do trabalho, já que esta trouxe grandes
contribuições, relacionando o desenvolvimento motor ao desenvolvimento
afetivo e social do indivíduo, mostrando que nenhuma dessas dimensões atua
isoladamente no sujeito, mas uma influência nas outras e vice-versa. Percebe-
se ainda que é imprescindível levar em consideração esses aspectos na
formação inicial e continuada, levando os docentes a se abrirem ao diálogo e à
reflexão sobre sua própria prática.
Apoio Trabalho: CNPq / PIBIC
E-mail: rebk_pa@hotmail.com

Os saberes docentes na história de vida de professores de educação


física.

Silva, M F G
UNESP - Rio Claro

Esta pesquisa buscou delimitar os saberes que estão presentes nas


trajetórias de vida pessoal e profissional do professor, formando a identidade
docente. Neste contexto, a partir das leituras de Tardif (2002), Borges (2004),
Nóvoa (1999) e Bourdieu (1989) constituiu-se um quadro teórico em que o
habitus que emerge é portador de uma cultura de saberes plurais que se
materializa na historia de cada sujeito. Portanto objetivou-se (a) apontar os
elementos constitutivos da docência que auxiliam na delimitação da identidade
do professor e (b) identificar os saberes docentes presentes nas trajetórias de
vida pessoal e profissional do professor de educação física. Trata-se de uma
pesquisa qualitativa, descritiva, utilizando como técnica a história de vida na
forma de entrevista narrativa e a análise de conteúdo para o tratamento dos
depoimentos colhidos de quatro professores da educação básica (ensino
fundamental I e II) da rede pública e privada da cidade de Rio Claro – SP - BR.
Os elementos constitutivos da docência abarcaram práticas culturais (sociais,
pedagógicas, morais) e práticas docentes decorrentes da socialização pré-
profissional e da socialização profissional. Estas geraram um habitus social que
está vinculado a um corpo de saberes que perpassa o processo de
escolarização, formando o habitus de aluno e, posteriormente, o habitus de
professor composto pelas ações didáticas, héxis corporal e postura profissional
constituintes da própria identidade do professor. Neste percurso curricular de
vida e educação a incorporação dos saberes abarcou a socialização primária e
a socialização secundária, tendo como conteúdos os saberes pedagógicos,
específicos, curriculares e da experiência. Da análise dos dados ficou a
compreensão de que a escolha profissional não foi clara para três dos quatro
professores, mas não impediu que permanecessem na carreira docente. As
trajetórias ocorreram dentro de um fluxo de vida em que o cotidiano, as
experiências da infância e da adolescência e o processo de profissionalização
configuraram um conjunto de conhecimentos que dão sentido e constituem a
tessitura de cada ser humano na formação de um habitus. Concluiu-se que o

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

sucesso na carreira docente pode ter sabor de “fracasso”; a escolha consciente


pela profissão pode ser uma conquista e, que, o magistério, como alternativa
profissional, pode ter significativo para quem tem uma perspectiva.
E-mail: mellissa_fernanda@yahoo.com.br

A manifestação dos saberes docentes na prática pedagógica de


professores de educação física iniciantes e experientes

Varoto da Costa, B
Unesp-IB-Depto de Educação

Introdução: na atualidade o tema “saberes docentes” tem sido alvo de muitas


discussões no âmbito acadêmico, existindo diferentes olhares e autores que
debatem sobre seus ideais no universo da docência, da prática pedagógica e
da construção da identidade. Estudos sobre a aquisição e a mobilização
desses saberes na perspectiva da vivência profissional têm despertado o
interesse de muitos pesquisadores, preocupados com a formação e com o
desenvolvimento profissional dos docentes. Desse modo, o presente trabalho
investigou a manifestação dos saberes docentes na prática pedagógica de
professores de Educação Física. Objetivo: averiguar na docência de
professores de Educação Física iniciantes e experientes a mobilização dos
saberes docentes, considerando o processo de construção do conhecimento.
Nesse contexto, foi considerado como objeto de estudo aspectos das
trajetórias sociais desses professores, trazendo subjacente a elas a perspectiva
de um habitus, como uma identidade que vai se constituindo. Métodologia:
optou-se pelo estudo descritivo de natureza qualitativa, tendo como técnicas:
observação, fonte documental e entrevista semi-estruturada. Os participantes
foram quatro professores de Educação Física, classificados em iniciantes e
experientes de acordo com o tempo de docência na área, sendo o trabalho de
campo realizado em escolas públicas da rede municipal de uma cidade do
interior do estado de São Paulo. Resultados: os dados foram apresentados em
três eixos temáticos - “A escola como espaço social de formação, produção de
sentidos e reprodução de estruturas pedagógicas”; “Entre o habitus de aluno e
o habitus de professor: a manifestação dos saberes docentes”, “O habitus
profissional do professor de Educação Física. Mediante tais eixos, constatou-se
que na constituição docente as vivências percebidas na socialização primária
com a Educação Física escolar e o esporte influenciaram a escolha pela
profissão. Contudo, o ingresso no magistério foi justificado pela estima aos
professores universitários, disciplinas específicas do curso e estágios. Na
constituição do habitus professoral, as ações didáticas, a hexis corporal, e a
postura revelaram um habitus social e uma manifestação plural dos saberes
docentes (profissionais, disciplinares, curriculares e experiências). Sobre o
tempo de carreira no magistério, averiguou-se que, no caso dos iniciantes, as
referências mais relevantes relacionaram-se aos saberes profissionais,
disciplinares e curriculares, enquanto que com os experientes, a
preponderância centrou-se no saber experiencial. Considerações finais:
concluiu-se que as diferentes fases da carreira docente estão atreladas à ação

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

pedagógica do professor no tocante ao discurso de sua prática, evidenciando


as fontes mais salientes de seus saberes. Percebeu-se, ainda, que as
trajetórias sociais foram determinantes para a constituição do habitus social e,
no caso do magistério, por meio da prática pedagógica do professor (expressa
no habitus professoral), observando-se a manifestação dos saberes plurais dos
docentes, exteriorizados no processo de construção de suas identidades.
Palavras-Chave: Professores, Saberes Docentes, Prática Pedagógica,
Habitus
E-mail: brunavaroto@hotmail.com

EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA

Educação Física Adaptada: algumas (res)significações sobre a formação


profissional

FERREIRA, E; LOPES, RGB; FERREIRA, R; SOUZA, IC; NISTA-PICCOLO,


VL
GEPEFE

Há muitos anos os profissionais de diferentes áreas da saúde têm discutido


a adequação do tratamento dedicado às pessoas com deficiência. Algumas
dessas iniciativas culminaram na publicação de manuais de classificação,
organizados pela Organização Mundial da Saúde, que descrevem e classificam
as deficiências, visando a adequação das intervenções dos profissionais
dessas áreas. Enquadrado nesse grupo está o profissional de Educação Física,
cuja formação deve contemplar os conhecimentos acerca dos aspectos das
deficiências e as adaptações necessárias para a intervenção junto a essa
população. Conhecimentos que costumam ser discutidos em uma disciplina
específica. Assim, dada a necessidade de investigar com qual perfil estão
sendo formados os profissionais graduados em Educação Física no que tange
a essas questões, este estudo tem o objetivo de verificar como estão sendo
tratadas as questões referentes ao atendimento às pessoas com deficiência
nos cursos de graduação em Educação Física das Instituições públicas
(estaduais e federais) de Ensino Superior do estado de São Paulo. Essa
pesquisa configura-se como documental, cujo universo do estudo foi composto
por 10 cursos de Educação Física. Os dados foram constituídos dos planos de
ensino das disciplinas que discutem a temática das pessoas com deficiência,
coletados nos websites das instituições. Esses dados foram analisados a partir
da descrição, redução e interpretação, seguindo as etapas propostas por
Martins e Bicudo (2003). Os resultados indicam que todos os cursos oferecem
pelo menos uma disciplina dedicada a discutir a temática das pessoas com
deficiência em contextos de atividade física, cuja carga horária varia entre 60 e

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

180 horas. A maioria dessas disciplinas tem o objetivo de subsidiar o aluno


para caracterizar, intervir e refletir sobre a atuação profissional junto às
pessoas com deficiência. Para atingir esses objetivos, as disciplinas se
ocuparam com a conceituação e caracterização da Educação Física Adaptada,
das pessoas com deficiência e dos esportes adaptados, discutindo os
procedimentos pedagógicos mais adequados para a intervenção. Desse modo,
percebe-se a prevalência dos conteúdos conceituais e procedimentais nas
disciplinas específicas, em conformidade com alguns pressupostos teóricos
acerca do desenvolvimento dos conteúdos típicos da Educação Física
Adaptada. Para o desenvolvimento desses conteúdos, foram adotadas aulas
expositivas, discussões de leituras e de vídeos, práticas simuladas e visitações
técnicas. A partir desses resultados, consideramos que há coerência entre os
objetivos traçados para a disciplina que trata desta temática e os conteúdos e
métodos utilizados para o seu desenvolvimento. A oferta de atividades
complementares em todos os cursos contrapõe-se aos dados existentes na
literatura, que indicam a escassez dessas atividades nas Instituições de Ensino
Superior. Consideramos que os cursos analisados buscam atender às
discussões travadas com relação à temática das pessoas com deficiência,
embora exista a necessidade de repensar a organização dessas disciplinas,
principalmente com relação à inclusão de conteúdos atitudinais, oferecendo ao
futuro profissional uma possibilidade para superar a barreira do relacionamento
com essas pessoas.
Palavras-chave: Educação Física, Formação Profissional, Pessoas com
Deficiência.
Apoio Trabalho: GEPEFE–USJT – CAPES/ INEP – MEC
E-mail: alemontbr@uol.com.br

A disciplina educação física adaptada nas instituições públicas e privadas


de ensino superior no estado de são paulo: um estudo pela internet.

Silva, C. S. .; Drigo, A.J.


Unesp - IB - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Motricidade

A disciplina Educação Física Adaptada nas Instituições públicas e privadas


de Ensino Superior no estado de São Paulo: um estudo pela internet. No Brasil,
uma das contribuições para a inserção de uma disciplina em um curso superior
que tratasse sobre a participação das pessoas com deficiências em aulas de
Educação Física e prática desportiva, foi quando se escolheu o ano de 1981
como o Ano Internacional da Pessoa Deficiente. No entanto, o ingresso nos
cursos superiores de Educação Física da disciplina denominada de Educação
Física Adaptada ou Especial, veio a ocorrer no ano de 1987 por meio do
Parecer 215/87 e da Resolução CFE 03/87. A partir do exposto, o objetivo
deste estudo foi averiguar como a disciplina Educação Física Adaptada se
apresenta nos currículos dos cursos de Educação Física de licenciatura e
bacharelado, de Instituições públicas e privadas de Ensino Superior no estado
de São Paulo. Adotou-se a pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo
exploratória e descritiva, utilizando a internet como instrumento para a coleta

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

de dados, no período de março a setembro de 2010. Dos dados coletados


foram quantificados 172 instituições entre públicas e privadas de ensino
superior no estado de São Paulo com cursos de Educação Física, e com
registro no Ministério da Educação (MEC), sendo 154 privadas, 9 públicas
municipais, 7 públicas estaduais e 2 federais. São 270 cursos de Educação
Física em todo o estado, sendo 200 de licenciatura e bacharelado, 50 apenas
de licenciatura e 20 de bacharelado. Estavam disponibilizadas nos sites das
instituições de ensino superior 165 matrizes curriculares com a disciplina
curricular Educação Física Adaptada ou similar. Selecionamos das matrizes, 17
conteúdos programáticos de instituições que oferecem licenciatura e
bacharelado em Educação Física na mesma instituição. Deste total
encontramos 8 conteúdos de 8 instituições (1 pública e 7 privadas ) que
apresentavam a mesma terminologia para a disciplina e ministrada no mesmo
ano ou semestre, e 4 instituições( 2 públicas e 2 privadas) apresentando 9
conteúdos com terminologias, ementas e objetivos distintos para a disciplina na
licenciatura e no bacharelado. A partir dos resultados que apresentam a
disciplina com a mesma terminologia e ministrada no mesmo ano, semestre e
na mesma instituição, se infere que a proposta curricular no que tange à
especificidade da disciplina parece não estar sendo contemplada, podendo
estar ocorrendo no mínimo o aproveitamento da mesma na licenciatura ou no
bacharelado. No entanto, na verificação dos conteúdos programáticos que
apresentam uma distinção nas terminologias, nas ementas e nos objetivos da
disciplina, entendemos que há uma coerência curricular quanto à sua
especificidade. Dentro deste contexto, conclui-se que a Educação Física
Adaptada esta presente em todos os currículos das Instituições públicas e
privadas no estado de São Paulo com cursos de Educação Física em
licenciatura e bacharelado no estado de São Paulo, o que significa uma
consolidação da disciplina. Quanto aos documentos verificamos que, poucas
instituições apresentam conteúdos, terminologias, ementas e objetivos distintos
para a disciplina na licenciatura e no bacharelado em Educação Física,
enquanto cursos oferecidos pela mesma instituição, o que é preocupante
quando se trata da formação profissional do licenciado e do bacharel em
Educação Física para a intervenção em Educação Física Adaptada.
Palavras-chave: Educação Física Adaptada; Currículo; Formação
Profissional;
E-mail: clausilver@hotmail.com

O profissional de educação física: competências e inclusão dos alunos


com deficiência

Silva, M. A.; Costa, J. C. S.


IFRN – CAMPUS APODI

Competências de inclusão no ensino da educação física escolar não é uma


tarefa fácil, quando se tem como objetivo a competição seletiva, ou mesmo se
prioriza o conteúdo esporte, realidade constatada em várias pesquisas
brasileiras. A luz desse olhar, como incluir o deficiente? Neste sentido seria

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

uma tarefa árdua pensar em limitações quando se projeta superações. Nesta


perspectiva o adaptar necessitaria de um olhar profundo que busque perceber
o ser enquanto cidadão que tem seus direitos e deveres. Desta forma, o
presente estudo teve como objetivo analisar a inclusão de alunos deficientes
nas aulas de educação física escolar nas escolas da zona norte de Natal/RN. A
pesquisa caracterizou-se como descritiva de corte transversal (MAIA ET
AL.,OLIVEIRA 2005, p131) e realizada com professores de educação física das
escolas de ensino fundamental II, distribuídas na região central da zona norte
da cidade de Natal (situados nos bairros de Igapó, Panatis, Santa Catarina e
Soledade), sendo oito da rede pública (sete escolas da rede municipal de
ensino e uma da rede estadual de ensino) e uma escola da rede particular de
ensino e com a amostra composta por 15 professores de educação física,
sendo oito deles do sexo masculino e sete do sexo feminino. Foi utilizado um
questionário de perguntas abertas e fechadas um instrumento constituído por
uma série ordenada de questões, respondido por escrito, sem a necessidade
da presença do pesquisador (MAIA et al.,OLIVEIRA 2005,p131) além de
material bibliográfico referente ao tema estudado. De acordo com os dados
coletados nas escolas, identificamos que a inclusão de alunos deficientes nas
aulas de educação física está sendo gradativa, onde os resultados evidenciam
que há uma preocupação com estes alunos nas aulas de educação física
escolar. Os professores reconhecem as dificuldades de inclusão dos alunos
com deficiência, como por exemplo a falta de estrutura física das escolas e de
material didático adequado. Mesmo as escolas disponibilizando acesso ao
deficiente por meio da matricula, ainda precisamos incluí-los de fato e direito no
seio de todas as áreas de conhecimento, tornando-o um agente
participativo/ativo. Conseqüentemente isso reflete na disciplina de educação
física onde os profissionais da área estão tentando na medida das suas
possibilidade e dificuldades incluir os alunos deficientes em suas aulas e nas
suas práticas pedagógicas, tentando assim, atender os anseios destes alunos
no sentido que tenham uma participação efetiva.
E-mail: isasoeiro@yahoo.com.br

EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Educação Física Escolar e o processo de formação Inicial: o olhar de uma


graduanda

Alves, I. F.C
Faculdade Dom Bosco

A presente comunicação trata-se de um relato de experiência de uma ex-


atleta de Handebol, hoje no 4º. Período de Licenciatura em Educação Física.
.Ao entrar para o curso de Educação Física, como a grande maioria dos

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

ingressantes, as expectativas eram de um curso sem muitas exigências do


ponto de vista acadêmico, de continuidade na vida de atleta e posterior atuação
como técnica da mesma modalidade praticada desde a adolescência, além da
determinação de não ter a escola como área de possível atuação. Hoje após
quatro semestres de curso, abriu-se um leque de opções para a atuação na
área de Educação Física, além do desafio de articular minha experiência do
handebol não só ao ambiente dos treinamentos , mas sim ao cotidiano escolar,
numa perspectiva de apresentar os esportes coletivos como conteúdo da
Educação Física Escolar, que proporciona aos alunos conhecerem a si próprios
e aos colegas, através do reconhecimento de seus limites e possibilidades,
situarem as diferentes modalidades esportivas no contexto social em que
vivem. A modalidade por ser coletiva também trabalha e agrega valores de
grupo, essência nas relações sociais as quais os indivíduos estão habituados
corriqueiramente. Portanto ideais e perspectivas de mudança todos almejamos,
falta-nos a determinação para agir sem desistir no primeiro não que
recebemos. Parece uma utopia, uma ideologia ultrapassada, mais um discurso
que é repetido por várias gerações e que não reverte a história da educação
física. Mas precisamos acreditar que podemos ser a diferença dentro das
escolas, dentro das academias, nos clubes ou em qualquer outra área de
atuação que nos é designada, este pode ser o primeiro passo para o respeito e
nossa afirmação enquanto educadores.
Palavras chave: Esporte, formação inicial, mudança
E-mail: iza.dora.alves@hotmail.com

A prática pedagógica do professor de educação física frente ao ensino do


handebol nas escolas públicas de Catalão-GO

ARRUDA, L. C.; PRIMO, K. A.


UFG-CAC-Curso de Educação Física

INTRODUÇÃO: O presente texto refere-se à pesquisa desenvolvida no ano


de 2008 enquanto atividade de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do
Curso de Educação Física da Universidade Federal de Goiás – Campus
Catalão (UFG-CAC), e apresenta como objeto de estudo a Prática Pedagógica
dos Professores da Rede Pública Escolar da cidade de Catalão-GO, frente ao
ensino do handebol. A presente pesquisa apresentou como eixo norteador a
seguinte questão problema: como se configura a prática pedagógica do
professor de Educação Física no processo de ensino e aprendizagem do
handebol na rede pública de Catalão-GO? OBJETIVOS: Assim se estabeleceu
como objetivo geral compreender a prática pedagógica que fundamenta a ação
dos professores de Educação Física para o ensino e aprendizagem do
handebol nas escolas públicas da cidade de Catalão – Goiás. E mais
especificamente pretendeu-se: a) analisar a prática pedagógica dos
professores, frente ao ensino e aprendizagem do handebol desenvolvido nas
escolas. b) identificar a compreensão dos professores de Educação Física
sobre a importância do handebol para a formação do aluno no processo
pedagógico. MÉTODO: Num primeiro momento, nossa pesquisa procurou

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

estabelecer um diálogo com a literatura da Educação Física e áreas afins sobre


Educação Física Escolar, Prática Pedagógica/Educação Física e Handebol
Escolar, utilizando autores que têm como objeto de estudo as temática
supracitadas, dos quais destacamos: Shigunov & Shigunov Neto (2002), Bracht
(2003), Vaz (2002), Stramann (2003), Jaeger (1996), Borges (2005), Santos
(2002), Silva (1983), Knijnik (2004), Zamberlam (1999), Gonsalves (2003),
Mascarenhas (2005), Caparroz e Bracht (2007) entre outros que nos
forneceram subsídios para a fundamentação teórica. Num segundo momento,
explicitamos o procedimento metodológico da pesquisa. Na terceira e última
etapa, procedemos à análise dos dados coletados, dialogando com os autores
pesquisados a fim de alcançarmos os objetivos apresentados acima. Esta
pesquisa se caracteriza como uma pesquisa de campo de caráter exploratório
e analítico. A população correspondente deste trabalho foi composta por 11
professores de Educação Física que atuaram com o handebol na rede pública
estadual e municipal de Catalão-GO no ano de 2008, sendo nossa amostra
composta por 08 professores que retornaram o questionário para a presente
pesquisa. Priorizou-se por uma na análise qualitativa. RESULTADO: Através
dos dados analisados detectou-se que existe uma conscientização por parte da
maioria dos professores da disciplina de Educação Física das escolas públicas
estaduais e municipais em buscar alternativas complementares para a prática
pedagógica da disciplina em questão, e mais especificamente do ensino do
handebol escolar. Os docentes estão preocupados em criar um espaço mais
adequado para a prática do mesmo, em utilizar meios tecnológicos mais
modernos que auxiliem em pesquisas que irão enriquecer os planejamentos de
suas aulas, em incentivar seus alunos a terem uma consciência crítica-
reflexiva-participativa e observadora voltada para valores de interesses
coletivos, que é de suma importância para a formação de um cidadão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Percebeu-se no geral que os professores têm
procurado uma formação continuada, embora ainda careçam de uma formação
continuada que focalize especificamente a área de metodologia de ensino do
handebol escolar. Porém sua prática pedagógica ainda se configura em discutir
com os alunos somente o histórico e as técnicas da modalidade, mesmo eles
pontuando que procuram formar um cidadão crítico. Formação esta que não se
tem conseguido garantir no seu dia-a-dia e na sua própria prática pedagógica,
pois precisam caracterizar tais elementos na sua prática através de novas
discussões que também englobam os esportes. Defendemos que o professor
busque parcerias com a comunidade escolar, órgãos governamentais e outros
apoios, para melhorar seu ambiente escolar, adquirir materiais adequados para
que seu trabalho seja valorizado, garantir cursos de capacitação e formação,
pois tais fatores influenciam muito na prática do professor e ele deve ter essa
consciência de que professor e escola têm que trabalhar juntos em prol da
educação dos alunos.
Palavras-Chave: Educação Física Escolar. Handebol Escolar. Prática
Pedagógica
E-mail: leocardoso_2005@hotmail.com

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Educação física escolar: um caminho para a inclusão

Balbino da Costa, V.
Universidade Federal de São Carlos

Introdução Este resumo é resultado da convivência numa escola da rede


pública da cidade de São Carlos na qual foram observados estudantes
deficientes no ensino fundamental. O contexto educacional das pessoas
deficientes, aponta que mesmo diante dos esforços de docentes e instituições
há na escola regular processos excludentes. Objetivo Investigar a prática
docente dos profissionais da educação física com os estudantes deficientes no
processo de inclusão. Metodologia Optou-se pela pesquisa qualitativa que de
acordo com Negrine (2004, p. 61) observa que esta “[...] se centra na
descrição, análise e interpretação das informações recolhidas durante o
processo investigatório [...]”. Ancorada na observação participante que segundo
Spink (2007, pp.10-11) significa: “que a observação participante é realizada de
dentro de uma dada situação. Senão como membro nato da situação
observada, pelo menos como membro aceito pelos demais partícipes”, os
instrumentos utilizados para a coleta dos dados foram diários e notas de
campo. Resultados e discussões Os direitos das pessoas com deficiência ou
mobilidade reduzida devem ser assegurados, especialmente no espaço escolar
onde verificam-se barreiras físicas, sistêmicas e atitudinais. As barreiras físicas
são as que impedem as pessoas deficientes irem e virem para um determinado
local. Estas ainda podem ser arquitetônicas e urbanísticas no que se refere ao
transporte coletivo e à comunicação. Há também as de caráter sistêmico
encontradas, por exemplo, nas escolas que não oferecem apoio em sala de
aula, planejamento flexíveis, recursos didáticos acessíveis, currículos
adaptados às mais diferentes deficiências, garantindo não só o ingresso, mas
também a permanência e o sucesso no ensino regular. Finalmente, as
atitudinais são manifestadas por preconceitos, esteriótipos e estigmas acerca
dos deficientes com mobilidade reduzida. Neste aspecto, Costa ( 2009, p.234)
afirma: Nas escolas, em que observamos estudantes com deficiência, verificou-
se que não estavam sendo incluídos nas atividades físicas, esportivas e de
lazer. Uma docente de Educação Física, salientou não estimular os estudantes
com deficiência a realizarem atividades físicas, esportivas e de lazer, pois não
tem habilitação para exercer essa função. Contrariamente à afirmação,
Rodrigues (2003, pp.77-78) observa: “(...) a EF seria uma área curricular mais
facilmente inclusiva devido à flexibilidade inerente aos seus conteúdos.”
Finalmente, verificou-se que há uma lacuna nos cursos de formação sobre a
temática da inclusão escolar na Educação Física. Vitaliano (2007, p.400)
afirma: A inclusão dos estudantes com necessidades educacionais especiais
(NEE), nos diversos níveis de ensino, dependem de inúmeros fatores,
especialmente, da capacidade de seus professores de promover sua
aprendizagem e participação. Um dos entraves ao processo de inclusão é a
precária formação docente nos cursos de licenciatura. A Educação Física
Escolar é de grande relevância ao processo de Inclusão, uma vez que permite
por si só promover entre todos os estudantes o conhecimento do corpo, seus
limites e necessidades de superação, configurando-se como um recurso eficaz
de incluir sem excluir e marginalizar. Considerações finais Um dos limites que

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

ainda perdura no sistema educacional, é o modelo integrativo, que


notadamente criou na escola dois tipos de estudantes: os com necessidades
educativas normais e os com necessidades educativas especiais. É relevante
pensar na necessidade que todos os cursos de formação dos docentes têm de
implantar uma ou mais disciplinas que os habilitem para trabalhar com as
diversas deficiências. Entretanto, o que temos é uma escola homogênea que
enaltece o valor da normalidade ao invés de ressaltar o valor da diferença. Os
docentes da EF muito podem contribuir para o desafio da inclusão dos
estudantes com NEEs. Rodrigues (2003, p.83) observa: “Com criatividade,
podem usar o corpo, o movimento, o jogo, a expressão e o desporto como
oportunidades de celebrar a diferença e proporcionar aos alunos experiências
que realcem a cooperação e a solidariedade (...)”. Essa premissa nos faz
refletir sobre a possibilidade de fazer uma escola na qual é possível acontecer
aquilo que Freire, 1987afirmava: "a unidade na diversidade”. Palavras-chave:
educação física. inclusão escolar. formação docente
E-mail: vanderleibalbino@yahoo.com.br

Influencias do pluriemprego nas condições de vida do trabalhador


docente em educação física do sul do Brasil

Both, J; Nascimento, JV; Sonoo, CN; Lemos, CAF; Borgatto, AF


Prefeitura Municipal de Florianópolis/Universidade Federal de Santa Catarina

O objetivo do trabalho foi de avaliar a relação entre o pluriemprego e os


parâmetros sócio-ambiental e individual das condições de vida do trabalhador
docente em Educação Física da região sul do Brasil. A população era
composta por 13.892 professores efetivos nos magistérios públicos estaduais
(Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina). A seleção da amostra obedeceu
três estágios. O primeiro estágio estratificou a região sul do Brasil considerando
cada estado que a compõem, o segundo estágio buscou estratificar cada
estado em mesoregiões e o terceiro estágio considerou os Núcleos Regionais
de Ensino como conglomerados das mesoregiões. Foram enviados 3.985
instrumentos de pesquisa. A taxa de retorno foi de 28,69%, o que
correspondeu a 1.645 docentes, (654 professores do Paraná, 580 de Santa
Catarina e 411 do Rio Grande do Sul). O instrumento de coleta de dados foi
composto por um questionário que indagava sobre os aspectos sócio-
demográfico e profissional dos docentes, o QVT-PEF (Both et al., 2006), e o
PEVI (Nahas et al., 2000; Both et al., 2008). Na análise estatística o teste Qui-
quadrado foi utilizado para encontrar possíveis associações entre o
Pluriemprego e os Aspectos Sócio-Demográficos e Profissionais, Qualidade de
Vida no Trabalho e Estilo de Vida, e a análise de tendência da variável
Pluriemprego foi verificada por meio do teste Qui-quadrado para grupo único,
tendo como referência 50,0%. Os testes estatísticos foram realizados no
programa SPSS, versão 15.0, tendo como nível de significância de 5%. As
evidências deste estudo descrevem que a maioria dos professores que
possuem o pluriemprego é do sexo masculino, possui até 39 anos de idade,
cursaram pós-graduação, encontram-se nas fases intermediárias (consolidação

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

e diversificação) dos ciclos de desenvolvimento profissional, estão no começo


da carreira docente do magistério público estadual do seu respectivo estado, e
atuam em regime de tempo parcial nas escolas, ou seja, até 20 horas
semanais. Em relação aos aspectos ligados à qualidade de vida no trabalho
docente, constatou-se que baixos níveis de satisfação foram evidenciados em
relação aos salários, as condições de trabalho, a integração social com a
comunidade escolar, e o tempo equilibrado entre lazer e o trabalho. Quando
avaliada a associação entre a qualidade de vida no trabalho com o
pluriemprego, constatou-se que os docentes que trabalham em apenas um
posto de trabalho estão mais satisfeitos com a possibilidade de progressão na
carreira e com o tempo equilibrado entre o lazer e o trabalho que os docentes
que desempenham suas funções laborais em dois ou mais postos de trabalho.
No que diz respeito ao estilo de vida dos professores de Educação Física
investigados, enquanto que os comportamentos positivos mais freqüentes
foram observados nos componentes Comportamento Preventivo e
Relacionamentos, a Alimentação e o Controle do Estresse foram os
componentes que evidenciaram os resultados mais preocupantes em relação
ao estilo de vida saudável. Sobre a associação evidenciada no componente
Atividade Física, constatou-se que o pluriemprego pode interferir tanto
positivamente, quanto negativamente o nível de atividade física. Em relação à
avaliação global do estilo de vida e o pluriemprego, constatou-se que os
professores que não possuem o pluriemprego relataram a adoção mais
freqüente de comportamentos negativos que os colegas que atuam em dois ou
mais postos de trabalho. Finalmente, a realização de novos estudos
quantitativos e qualitativos é sugerida para constatar possíveis relações entre
os fatores que interferem na vida do trabalhador docente. Da mesma forma,
recomenda-se a implementação de ações e políticas públicas macro e micro
organizacionais que busquem favorecer: melhores salários, condições de
trabalho, integração social do professor com a comunidade escolar, tempo
equilibrado entre o lazer e trabalho, bons hábitos alimentares, atividade física
regular e controle do estresse.
E-mail: jorgeboth@yahoo.com.br

A visão docente no âmbito escolar : educação física como área de


conhecimento - um estudo de caso

Buzatto Gilioli, C.; Martins Frazzato, N.; Luis Vecchi, R.


Faculdades Veris - Metrocamp - Ed. Física e Esporte

A Educação Física Escolar como uma área de conhecimento, em sua


complexidade, apresenta como particularidades, a necessidade de formar
indivíduos críticos e reflexivos no que se refere à cultura corporal de
movimento. Com isso, buscamos nesse estudo analisar a visão dos
coordenadores, diretores e docentes dentro do ambiente escolar bem como os
docentes da disciplina de Educação Física. Tratando-se de um estudo de caso
com abordagem qualitativa, em que o instrumento de coleta de dados utilizado
foi à entrevista semi-estruturada com perguntas geradoras, definimos como

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

amostra, 1 coordenadora, 1 diretora e 12 professores, dos quais 2 professores


atuam na área de Educação Física de uma escola pública no município de
Campinas. Após análise dos discursos dos sujeitos entrevistados realizada em
três momentos processuais: descrição, redução e interpretação; pudemos
constatar que a visão da área de Educação Física está totalmente vinculada à
experiência dos entrevistados que por sua vez não foi significativa. Podemos
perceber isso ao analisarmos o discurso dos sujeitos, onde um sujeito afirmar
que: “Na minha experiência como aluna, como eu já disse era bem mecânico,
sem saber o porquê estava fazendo as ginásticas.” E de outro sujeito:
“Péssima, como não sou boa com esporte. Quem tinha habilidade jogava,
quem não tinha ficava olhando, e eu ficava olhando.” Na nossa concepção,
essa visão restrita de uma Educação Física apenas prática, demonstra uma
limitação no que se refere à variedade de contextos que a mesma pode
influenciar. Quando questionados os professores de Educação Física,
pudemos perceber que estes vêem a área como de conhecimento que possui
muito a se trabalhar, porém esta visão não é a mesma se comparados aos
demais docentes. Vale ressaltar que, nossas experiências como discentes
contribuem muito para o que acreditamos ser uma “certeza”, porém devemos
considerar que esse conhecimento absoluto, deve dar lugar a um olhar
processual. Uma Educação Física escolar que signifique através de seus
conteúdos e métodos, precisa trabalhar para que o aluno atribua significado ao
que está sendo proposto, contextualizando, fazendo com que ele reflita,
compreenda, interprete e reconstrua seu conhecimento. Só assim, os alunos
conseguiram pensarem na Educação Física como uma área de conhecimento
atribuindo valor a ela. Ao discutirmos o âmbito escolar, é importante salientar
que esses profissionais que lá atuam, independentes da disciplina, formam
indivíduos, e isso, os tornam educadores, responsáveis por consolidar opiniões
que ampliem a visão dos alunos. Com isso, poderemos contribuir para que eles
se conscientizem, e quem sabe, possam perceber no futuro, o quanto a
Educação Física é importante e significativa, ampliando e construindo um novo
olhar paradigmático, ou seja, consolidando-a como uma “área de
conhecimento” na perspectiva da cultura corporal de movimento.
Palavras-chave: Educação Física; Educação Física Escolar; Área de
Conhecimento; Docentes.
E-mail: camila.gilioli@hotmail.com

Material didático e temas transversais nas aulas de Educação Física:


perspectivas dos alunos e do professor.

Canciglieri, F; Toledo, P; Darido, S


Unesp-IB-Depto de Educação Física

No ano de 2009, foi iniciado um projeto de elaboração de materiais didáticos,


a fim de fornecer uma ferramenta de auxílio para o professor e os alunos a
respeito dos Temas Transversais. Os Temas Transversais foram propostos em
1997 nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e são classificados em:
Ética, Pluralidade cultural, Trabalho e Consumo, Meio Ambiente, Orientação

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Sexual e Saúde. Objetivo. O objetivo do projeto foi elaborar, implementar e


avaliar um material didático destinado aos alunos relacionando os Temas
Transversais aos conteúdos da Educação Física na escola. Os materiais
produzidos para esse estudo foram divididos em material do professor e
material do aluno. O material destinado ao professor também continha os
conteúdos do material do aluno. Materiais e Métodos. Os materiais elaborados
foram aplicados numa Escola Estadual com os alunos do sexto ano do ensino
fundamental, durante três semanas consecutivas no ano de 2009. Para a
avaliação do conhecimento dos alunos foi utilizada uma entrevista semi-
estruturada realizada após o período de aplicação dos cadernos. Esta foi
realizada de modo particular e gravada em áudio e transcrita posteriormente.
Também foi utilizada uma entrevista semi-estruturada para analisar a
perspectiva do professor responsável em relação aos materiais didáticos
elaborados. Resultados. Em relação aos alunos, houve uma boa receptividade
dos primeiros materiais aplicados, que eram responsáveis por abordar os
temas Ética e Saúde. Houve uma baixa porcentagem de realização das tarefas
destinadas para casa, e em relação alguns temas específicos, os alunos
tiveram uma baixa absorção do conhecimento. Em relação a perspectiva do
professor, os resultados apontam que ele considera que os conteúdos foram
adequados para a faixa etária dos alunos, pontua de uma forma positiva a
organização dos conteúdos e a escolha das atividades para relacionar os
Temas Transversais. Para o docente responsável, esta intervenção permitiu
uma ampliação de sua concepção sobre tais temáticas, no sentido de serem
desenvolvidos em suas aulas. Conclusão. Os resultados mostraram a
necessidade da Educação Física e de seus pesquisadores refletirem com mais
profundidade em relação à produção de materiais didáticos e a sua
organização, sobretudo no que diz respeito aos temas transversais e as suas
interfaces com a Educação Física na escola.
E-mail: vn_cansas@hotmail.com

Contribuições do cinema à prática esportiva: registros de uma


experiência na escola

Costa, J.M.
Universidade Federal de Goiás - Faculdade de Educação Física

Este estudo apresenta os resultados de uma investigação exploratória, fruto


da consecução do processo de qualificação do projeto de pesquisa
apresentado ao Programa de Pós-graduação Stricto-Sensu da Faculdade de
Educação Física da Universidade de Brasília - PGEF/UnB no ano de 2009. Na
ocasião, o objetivo foi o de tentar experienciar uma prática pedagógica com
alunos adolescentes de uma equipe de basquetebol escolar. A proposta
implementou uma intervenção por meio do uso deliberado do cinema como
recurso pedagógico e que, posteriormente a exibição fílmica aos discentes,
pôde promover reflexões sobre a prática pedagógica, o desenvolvimento
esportivo e as inter-relações do grupo de alunos-atletas baseadas no conteúdo
dos filmes. Utilizando-se de elementos da metodologia da pesquisa-ação, o

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

estudo foi realizado numa escola particular da cidade de Brasília-DF, tendo


como sujeitos o professor-técnico e seus alunos-atletas. Objetivamente, o foco
de análise foi o da intervenção pedagógica, investigada por meio de registros
de diário de campo, gravação em meio audiovisual e entrevistas não-diretivas.
O trabalho está balizado na perspectiva da interface do cinema com a
educação, de maneira que foi possível perceber que a experiência de uma
prática pedagógica orientada por meio da apreciação fílmica, contribuiu no
sentido de criar um espaço de reflexão e debate entre os alunos-atletas, que
por sua vez, identificam nos assuntos retratados nos filmes aspectos
concernentes a sua própria realidade e, desta forma, conseguem perceber que
o desenvolvimento esportivo no âmbito escolar deve ir muito além do mero
aprimoramento técnico-físico.
E-mail: jonatascosta01@gmail.com

Livro didático e pluralidade cultural na educação física escolar: análise da


produção dos alunos.

Diniz, I.K.S.; Ferreira, A.F.; Darido, S.C.


Unesp-IB-Depto de Educação Física

Introdução Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), tem como objetivo


básico estabelecer diretrizes para o ensino fundamental, envolvendo todas as
disciplinas do currículo escolar. Além disso, algumas propostas indicaram a
necessidade do tratamento transversal de temáticas sociais na escola, como
forma de contemplá-las, na sua complexidade, sem restringi-las à abordagem
de uma única área (BRASIL, 1997). A partir de tais propostas os PCNs
sugeriram os Temas Transversais, que compreendem: Ética, Pluralidade
Cultural, Meio Ambiente, Saúde, Orientação Sexual e Trabalho e Consumo. A
proposta é que tais temáticas sejam abordadas em todas as áreas de
conhecimentos atingindo uma educação para a cidadania utilizando estratégias
de ensino que visem formar pessoas críticas e reflexivas. Os professores de
Educação Física são convidados a tematizar, em suas aulas, os temas
transversais a partir da especificidade desse componente curricular,
contemplando as práticas da cultura corporal. Apesar da clareza da proposta
os professores vêm enfrentando algumas dificuldades na efetivação desse tipo
de trabalho. Assim, pensar em elaborar livros didáticos se torna necessário
para estes formularem estratégias de ensino e refletirem sobre o
desenvolvimento de suas práticas. Partindo destas considerações, o
Laboratório de Estudos e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física
(LETPEF) da UNESP de Rio Claro, em 2009 iniciou um trabalho visando a
produção de materiais didáticos destinado ao professor e ao aluno,
especificamente para as aulas de Educação Física a fim de desenvolver os
Temas Transversais nesta área do conhecimento. Para avaliar o andamento do
projeto, este material foi aplicado em uma escola pública do município de Rio
Claro pelos alunos que compõe o grupo de estudos. Objetivo O objetivo deste
trabalho foi avaliar nos cadernos de Pluralidade Cultural, a quantidade de

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

tarefas para casa que foram realizadas, quais foram e se os alunos atenderam
ao objetivo de cada uma delas. Método O estudo foi realizado numa escola
pública estadual, localizada no município de Rio Claro-SP, durante 3 semanas
com alunos do 6° ano do Ensino Fundamental. A cada semana 2 Temas
Transversais eram abordados pelos alunos-pesquisadores. O tema Pluralidade
Cultural foi o último a ser tratado com os alunos. As atividades que foram
realizadas em sala de aula obtiveram um acompanhamento direto, construindo
as respostas conjuntamente com os alunos. Na quadra poliesportiva os
mesmos puderam vivenciar a transversalidade dentro de atividades da cultura
corporal que aproximava a Pluralidade Cultural da realidade dos alunos. O
caderno ainda possuía “tarefas para casa” que por determinação deveriam ser
entregues na semana seguinte. A partir dos cadernos devolvidos analisamos
quantitativamente e qualitativamente as questões respondidas por estes
alunos. Resultados Retornaram apenas 50% do total de cadernos entregues
aos alunos. Deste número, somente dois responderam as atividades, sendo
que um respondeu quatro e o outro uma das cinco questões propostas. Em
uma análise quantitativa isto representa apenas 5,26% das atividades totais.
Dentro de uma análise qualitativa, as questões estavam dentro dos objetivos
gerais propostos pelas mesmas. Contudo é importante ressaltar que a
quantidade de cadernos devolvidos para análise foi extremamente baixa o que
impede uma conclusão mais significativa acerca da relevância destas questões
na escola. Porém, estes resultados podem estar associados à falta de tradição
da Educação Física com relação tanto a livros didáticos quanto a “tarefas para
a casa”. De acordo com Darido et al. (2010), falta uma construção desse tipo
de material no interior da Educação Física. Além disso, o próprio contexto
histórico em que a área se desenvolveu estava estritamente ligado à realização
dos movimentos. Considerações finais Consideramos a partir deste estudo,
que a baixa efetividade tanto do retorno dos livros quanto da realização das
tarefas podem estar atrelados à falta de tradição de materiais de Educação
Física para os alunos, assim como um cansaço, uma vez que o material de
Pluralidade Cultural foi o último a ser aplicado, o que pode ter ocasionado uma
desmotivação dos alunos em função da alta carga de atividades propostas. A
experiência extraída deste trabalho ressalta a importância dos materiais
didáticos para os alunos, visto que em sala de aula eles se mostraram
interessados e motivados diante da nova proposta.
E-mail: irllakarla@yahoo.com.br

A disciplina de Atletismo no curso de Licenciatura em Educação Física: o


olhar dos acadêmicos do 8º período da Universidade Federal de Goiás

Faganello Gemente, FR; Arruda, GS; Silva, JM; Xavier, JF; Silva, JA; Santos,
JE; Machado, KC; Jacob, TC
UFG – Goiânia

INTRODUÇÃO: Com base nos levantamentos realizados no início da


disciplina Metodologia do Ensino e Pesquisa em Atletismo, constatamos que
grande parte dos acadêmicos matriculados não vivenciou o atletismo na

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

educação básica, sendo o primeiro contato com essa modalidade esportiva


durante a nossa formação profissional. Nesse sentido, passamos a refletir
quais os fatores que levam a escassez do ensino de atletismo na escola, sobre
a importância de uma boa formação profissional e também se a formação
acadêmica tem possibilitado conhecimento suficiente para que os futuros
professores de Educação Física se sintam preparados para trabalhar com o
atletismo nas escolas. Partindo desses questionamentos, nossa pesquisa
procurou investigar se os formandos, do ano de 2010, do curso de Licenciatura
em Educação Física da Universidade Federal de Goiás/Goiânia, acreditam que
os conhecimentos, adquiridos durante a graduação, sobre o atletismo e seu
ensino, possibilitam o trabalho com o atletismo nas escolas e também qual a
perspectiva de trabalho com o atletismo após a formação. METODOLOGIA: A
pesquisa qualitativa foi realizada com 46 acadêmicos do 8o período de
licenciatura em Educação Física da UFG - Goiânia. Como coleta de dados foi
utilizado o questionário, com perguntas abertas. RESULTADOS: Através da
análise dos dados observamos que apenas 13 (28,2%) dos acadêmicos
vivenciaram o atletismo no período escolar; somente 12 (26%) trabalharam
com o atletismo no período de estágio; 39 (84,7%) afirmaram que a disciplina
de Atletismo na graduação ofereceu conhecimentos necessários para trabalhar
com o atletismo na escola; 31 (67,3%) afirmaram que o tempo da disciplina na
graduação não foi suficiente para uma aprendizagem mais aprofundada, que
acreditam ser necessária; 11 (24%) dos acadêmicos acreditam que irão
encontrar dificuldades de trabalhar com atletismo na escola, devido à falta de
materiais, espaço físico e resistência por parte dos alunos; 35 (76%) acreditam
que as dificuldades que poderão encontrar, não impossibilitam de trabalhar
com o atletismo na escola; 28 (60,8%) acreditam na necessidade de uma
formação continuada em atletismo para um melhor aprofundamento dos
conhecimentos adquiridos na universidade. Ao serem questionados sobre as
mudanças que deveriam ocorrer na disciplina de atletismo 10 (21,7%)
declararam que não mudariam nada; já 28 (60,8%) passariam a disciplina para
anual; 2 (4,3%) gostariam que fosse oferecida no estágio e 6 (13%) gostariam
que as fossem mais voltadas para aproximação com a realidade escolar.
CONCLUSÃO: Os resultados da pesquisa apontam que embora o primeiro
contato com o atletismo ter acontecido durante a formação profissional, a
maioria dos formandos acreditam que a disciplina ofereceu conhecimentos
necessários para trabalhar com essa modalidade esportiva na escola. Mas ao
mesmo tempo revelam que o tempo destinado a disciplina de Metodologia de
Ensino e Pesquisa em Atletismo deveria ser maior, para possibilitar uma
aprendizagem mais aprofundada do amplo conteúdo da modalidade. Sobre as
dificuldades em trabalhar com o atletismo na escola, apenas 11 (24%)
acreditam que irão encontrar dificuldades como a falta de materiais, espaço
físico e desinteresse dos alunos, mas que essas dificuldades não
impossibilitarão o desenvolvimento desse esporte na escola. Desse modo,
podemos considerar que a disciplina de Metodologia de Ensino e Pesquisa em
Atletismo, possibilitou, aos futuros professores de Educação Física,
conhecimentos necessários para o trabalho com o atletismo na escola, o que
poderá contribuir para a difusão dessa modalidade esportiva.
E-mail: florencefaganello@yahoo.com.br

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

A educação física escolar e a base de conhecimento discente:


contribuições para o 1º ciclo do ensino fundamental

Leal, P. H.; Reali, A. M. M. R.


UFSCar-PPGE

Dentre as investigações que se dispõem a contribuir com o campo da


Formação de Professoras e Professores, encontram-se aquelas direcionadas à
base de conhecimento docente (SHULMAN, 1989). Constituída, conforme o
autor, pelos conhecimentos pedagógico geral, do conteúdo e do conteúdo
específico, tal base é entendida como um conjunto de compreensões, saberes
e disposições que docentes necessitam aprender – institucionalmente, em
cursos de Formação Inicial – para transformarem o conhecimento que
possuem do conteúdo em formas de atuação que sejam pedagogicamente
eficazes e adaptáveis à heterogeneidade de saberes apresentada pelos alunos
e pelas alunas (MIZUKAMI, 2000; SHULMAN, 2005). Cingindo-se ao panorama
da Educação Física (EF) escolar, observa-se que ainda são ínfimos os estudos
que se debruçam ao tema. Igualmente, uma das dificuldades da área incide em
sistematizar os conteúdos a serem desenvolvidos ao longo da vida escolar das
alunas e dos alunos (OLIVEIRA, 2002). Estima-se, contudo, que ações/estudos
que articulem a base de conhecimento docente com aquilo que alunas e alunos
devem aprender sobre cada componente curricular na Educação Básica – a
base de conhecimento discente – também podem auxiliar os processos de
ensino, aprendizagem, desenvolvimento profissional da docência e o exercício
reflexivo para a monitoração/avaliação sobre tais processos, visando o sucesso
escolar discente (REALI, 2001; REALI e cols., 2004). Oriundo desse ensejo, o
presente estudo circunscreveu-se ao objetivo de identificar quais
conhecimentos/conteúdos sobre a EF são ensinados às alunas e aos alunos do
1º ciclo do Ensino Fundamental (2ª e 3ª anos) por um docente em uma escola
municipal. Para tanto, participou do estudo um professor de EF considerado
experiente na docência (LEAL e FERREIRA, 2006; LEAL, 2007; LEAL e
FERREIRA, 2008), pois, concebendo a aprendizagem na docência como um
processo (MIZUKAMI, 2002; REALI e cols., 2004; FERREIRA, 2006), entende-
se que com a experiência, aliada a Formação Inicial qualificada, professoras e
professores aprendem a desenvolver e mobilizar saberes durante o exercício
na docência, além de aprenderem a observar e compreender melhor seus
alunos, suas alunas e o contexto educativo (BETTI e MIZUKAMI, 1997;
BENITES e SOUZA NETO, 2007). O estudo caracterizou-se como uma
pesquisa qualitativa, de natureza descritivo-analítica, sendo a entrevista semi-
estruturada a técnica de coleta. Os resultados demonstraram que o conjunto de
conhecimentos ensinado ao 1º ciclo, no que tange à EF, proporciona uma
rica/viva experiência de movimento, pois é pedagogicamente planejado e
mediado pelo docente. O professor afirmou que se configura como uma tarefa
precoce a conceituação dos temas (em sala de aula) nesse ciclo, bem como o
desenvolvimento de conteúdos esportivos e/ou performáticos. Assim, ministra
aulas almejando que os alunos e as alunas explorem as possibilidades de

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

movimento, conhecendo, se apropriando e participando nos jogos e dinâmicas


desenvolvidas. Para o entrevistado, “[...] a Educação Física escolar não é só
bola: existe uma gama de atividades que eles [alunos e alunas] precisam
participar, desenvolver, pra que futuramente possam adquirir outros
conhecimentos, do ponto de vista motor e intelectual”. Corroborando com os
Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), cita que suas aulas
procuram favorecer a autonomia e o conhecimento do corpo na
relação/interação e organização entre alunas e alunos, através de atividades
em pequenos e grandes grupos, com o auxílio de materiais e
espaços/ambientes variados. Para tanto, planeja as atividades otimizando o
tempo e recursos disponíveis em função das alunas e dos alunos, para que
maximize a efetiva participação destes e destas nas aulas. Em linhas gerais, o
estudo demonstrou algumas dificuldades existentes para a
sistematização/definição dos conteúdos para a EF escolar: quando ocorrem,
geralmente são feitas isolada e tacitamente pelas professoras e pelos
professores, por meio da tentativa e erro. O mesmo aparenta ocorrer com o
que e em que grau de proficiência docentes devem aprender/saber para
ensinar os conteúdos ao longo de cada ano letivo nas aulas. Reflexões dessa
natureza oferecem relevo para ações pedagógicas e estudos voltados às bases
de conhecimento discente e docente em função de cada realidade educativa,
contemplando a sistematização coletiva dos conteúdos na EF escolar e,
sobretudo, concebendo as alunas e os alunos como o centro do processo
educativo.
Apoio Trabalho: CAPES
E-mail: paulinho@fc.unesp.br

Transformando teoria em prática: trabalhando os conceitos e práticas da


aptidão física, atividade física e saúde com os alunos do ensino médio do
Instituto Federal de Educação de Mato Grosso campus Juína

Lumina Pupatto Júnior, G. L.


IFMT - Campus Juína

A Educação Física escolar no decorrer de sua história passou por um


processo de transformação crítica de seus conteúdos pedagógicos. Essas
transformações são muito significativas, principalmente quando se refere à
Educação Física escolar para o ensino médio. Os Parâmetros Curriculares
Nacionais do ensino médio têm como objetivo aproximar o aluno do ensino
médio da disciplina de Educação Física, visto a dificuldade de compreender a
disciplina nesse nível de ensino, seja pela repetição de conteúdos do ensino
fundamental ou mesmo pela dificuldade dos professores em desenvolver
atividades que atraiam tais alunos. Dessa forma, surge a seguinte indagação,
como desenvolver aulas que permitam atingir os objetivos da Educação Física
ao mesmo tempo contemplando as finalidades do Ensino Médio apresentadas
pela Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96, dentre as quais destacamos o
aprimoramento da pessoa humano, o desenvolvimento da autonomia e
formação do pensamento crítico, além de compreender fundamentos científicos

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

e tecnológicos que existem atualmente? Portanto, o objetivo do presente


trabalho é trabalhar os conteúdos de aptidão física, atividade física e saúde, no
ensino médio, a partir do desenvolvimento de conteúdos teóricos e práticos nas
aulas de forma participativa, avaliando os resultados por meio dos relatos de
experiência dos alunos. Para tanto, utilizamos os pressupostos teóricos do
planejamento participativo. O estudo se caracteriza como uma pesquisa
descritiva de abordagem qualitativa e foi desenvolvido no IFMT – Campus
Juína, no período de 12 aulas correspondente ao terceiro bimestre do ano
vigente, com os alunos do primeiro ano do curso técnico em meio ambiente,
Turma 1. Foram realizadas seis aulas para o trabalho teórico com pesquisa na
internet, em apostila elaborada pelo professor e pesquisa na biblioteca. Através
dos levantamentos teóricos, chegamos aos diversos testes práticos de aptidão
física existentes na literatura. Assim, os alunos propuseram a realização dos
seguintes testes: Teste Cooper - doze minutos, teste de resistência abdominal,
teste de salto horizontal, teste de flexão e o teste de barra fixa, seguindo os
protocolos já existentes dos mesmos num total de seis aulas práticas. Através
do relato de experiência dos trinta alunos que realizaram as aulas, 10%
observaram algum aspecto negativo, as reclamações foram relacionadas ao
cansaço, tais como exercícios cansativos e difíceis. Porém os 90% restantes
gostaram muito das aulas, principalmente pelo aspecto participativo e o
trabalho conjunto da teoria com a prática. Com isso pôde-se constatar que é
possível trabalhar teoria e prática no ensino da Educação Física, partindo da
idéia de um planejamento participativo, desenvolvendo autonomia intelectual e
o pensamento crítico dos alunos.
E-mail: guilherme.pupatto@jna.ifmt.edu.br

Educação Física Escolar no Ensino Médio: saberes, práticas e habitus.

Nascimento, F.S.T.; Baldino, J.M.


IFG- Campus Inhumas/ PUC - Goiás

A Educação Física Escolar analisada sob o olhar da construção dos saberes


e práticas propiciadas pelas ações pedagógicas dos professores não tem sido
investigada na atualidade conforme revisão de trabalhos disponibilizados nos
bancos de dissertações e teses do CNPQ/CAPES. No entanto, as discussões
em âmbito das relações entre cultura e culturas escolares presenteia nos
estudos atuais no campo educação, tendo estimulado novos olhares do
potencial da Educação Física, objetivando investigar as práticas de ensino
desenvolvidas pelos docentes no cotidiano escolar. Partindo do pressuposto
que a Educação Física Escolar não se reduz à noção histórico-militar-higienista
de adestramento do corpo submetido a uma sequência intensiva de exercícios,
mas produtora de saberes e práticas culturais que se interagem com os demais
saberes disciplinares e transversais cotidianamente construídos nos espaços
escolares, surgiu o interesse em pesquisar como alunos do ensino médio e
seus professores compreendem e internalizam tais conhecimentos como
habitus. Assim, buscaremos neste estudo investigar se há, e como ocorre a
produção do conhecimento nas práticas cotidianas nas atividades de Educação

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Física do ensino médio goiano na perspectiva dos professores e dos alunos,


bem como, nos propondo a identificar possíveis aspectos que influenciam na
construção dos saberes que estes mobilizam no seu cotidiano escolar, situando
esse diálogo e fazendo aproximações/interpretações fundamentando-nos no
conceito de habitus de Pierre Bourdieu, dos saberes e práticas oriundos da
experiência de Tardif e das possibilidades de construção de habitus
professorais construídos nos processos de formação e profissionalização
docente apontados por Perrenoud. Para isso, pretendemos realizar uma
pesquisa de cunho crítico-qualitativa, que utilizará como instrumentos de coleta
de informações: análise de documentos (fontes: leis de orientação curricular
para o ensino médio; projeto político-pedagógico das instituições pesquisadas;
e resoluções do Conselho Estadual de Educação (CEE) para orientação
curricular do ensino médio), observação não participante (com registro em
diário de campo de como ocorre a atividade escolar na instituição escolhida,
servindo de base referencial empírica) e dois grupos de discussão norteados
por meio de um roteiro prévio sendo um composto por alunos e outro por
professores das instituições selecionadas, ambos do ensino médio). Vale
salientar que esta pesquisa encontra-se em fase inicial, e conta com o auxílio
da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG).
E-mail: fabiola.takayama@gmail.com

Desporto Escolar – um estudo de caso numa escola de referência


desportiva portuguesa

Póvoas, S; Moreira, D; Nunes, J; Almeida, M; Martins, C; Albuquerque, A;


Resende, R
Instituto Superior da Maia (ISMAI), Portugal

O Desporto Escolar constitui-se como uma actividade de enriquecimento do


currículo de carácter voluntário, desenvolvida sob a orientação pedagógica de
professores, permitindo aos alunos a participação regular em quadros
competitivos internos e externos à escola, bem como o acesso aos valores
educativos do desporto. Os objectivos deste estudo foram i) caracterizar o
Desporto Escolar numa escola de referência desportiva portuguesa e ii)
conhecer as opiniões dos alunos e professores envolvidos no Desporto Escolar
sobre a actividade desenvolvida nas dimensões importância do Desporto
Escolar, satisfação com a participação, organização e desempenho dos
professores nos treinos e relacionamento do grupo/equipa, acrescentando-se,
unicamente no caso dos alunos, a dimensão conciliação com os estudos, iii)
comparar as dimensões seleccionadas quanto ao sexo dos alunos e tipo de
modalidade desportiva praticada iv) comparar as opiniões de professores e
alunos quanto à dimensão satisfação com o desempenho do professor no
treino e v) determinar quais os motivos de participação e objectivos definidos
por professores e alunos neste âmbito. Foram inquiridos 136 alunos e 14
docentes através de um questionário especificamente desenvolvido para o
efeito. Determinaram-se as frequências absolutas e relativas, desvio padrão e
médias. Para averiguar a existência de diferenças significativas entre grupos

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

distintos da amostra foi utilizado o t-teste de student de medidas


independentes, sendo o nível de significância mantido em 5%. Tanto nos
docentes como nos discentes, a existência de um bom relacionamento do
grupo/equipa é a dimensão mais frequentemente referida, sendo o principal
motivo da participação no Desporto Escolar o gosto pela modalidade e o
objectivo primordial participar no Desporto Escolar. Os alunos apresentam
níveis de satisfação com a sua participação no Desporto Escolar superiores
aos das alunas. Os professores responsáveis por modalidades colectivas
encontram-se mais satisfeitos com a organização da actividade do que os
professores que leccionam modalidades individuais. Relativamente à satisfação
com o desempenho do professor nos treinos, docentes e discentes apresentam
opiniões convergentes em todas as questões (tendem para “muitas vezes”), à
excepção das que se referem ao encorajamento da progressão dos alunos e à
preparação antecipada dos treinos, que apresentam valores mais elevados nos
professores.
Apoio Trabalho: Centro de Investigação em Desporto, Saúde e
Desenvolvimento Humano (CIDESD)
E-mail: ruiresende@ismai.com

Índices de actividade física habitual na escola, desporto e lazer – um


estudo realizado em alunos de ambos os sexos, do 3º ciclo e do ensino
secundário

Póvoas, S; Moreira, E; Monteiro, F; Carvalho, J; Resende, R; Martins, C;


Alburquerque, A
Instituto Superior da Maia (ISMAI), Portugal

O interesse mundial nas questões relacionadas com a Actividade Física


(Act.F) tem conduzido à proliferação do número de estudos científicos, devido
fundamentalmente, à inter-relação estabelecida entre esta, a aptidão física e a
saúde. Com o aumento da idade observa-se um decréscimo dos níveis de
Act.F pelo que se torna necessário estudar a sua evolução no decorrer da
existência do indivíduo. Contudo, enquanto constructo multidimensional
justifica-se também a caracterização das várias dimensões da Act.F e da
possibilidade de uma expressão diferenciada em ambos os sexos. Assim,
constituíram-se como objectivos deste estudo i) descrever os diferentes índices
de actividade física de alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade e ii) analisar
os resultados em função do sexo, ano de escolaridade e dimensão da Act.F
estudada. A versão portuguesa do questionário proposto por Baecke et al.
(1982) foi administrada a 267 alunos, dos 11 aos 20 anos, abrangendo. Foram
calculadas as estatísticas descritivas mais importantes: média, desvio padrão e
amplitude de variação. O significado estatístico das diferenças entre ambos os
sexos foi determinado através do t-test student de medidas independentes,
enquanto que para os diferentes anos de escolaridade e índices de actividade
física habitual analisados foi realizada a análise da variância a 1 factor, sendo
as múltiplas comparações efectuadas a posteriori recorrendo ao teste de
Bonferroni. O nível de significância foi estabelecido em 5%. Observou-se que

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

os alunos e alunas apresentam uma expressão diferenciada da Act.F habitual


do 7º ao 12º ano, com predominância dos alunos. Quando se analisa
separadamente as três dimensões da Act.F habitual, a tendência mantém-se,
i.e., os alunos tendem a evidenciar valores superiores na Act.F no trabalho, i.e,
na escola (IAFT), desporto (IAFD) e tempo livre (IAFTL) aos demonstrados
pelas alunas, em todos os anos de escolaridade com excepção no 11º e no 12º
anos nos quais os elementos do sexo feminino tendem a superar os do sexo
masculino, embora apenas no IAFT e no IAFD, respectivamente. A única
dimensão em que os rapazes são significativamente diferentes das raparigas é
a Act.F no desporto, embora apenas nos 7º, 9º e 11º anos. As maiores
diferenças entre ambos os sexos situam-se no IAFD, seguido do IAFTL e do
IAFT. Nos vários anos de escolaridade analisados ambos os sexos tendem a
ser mais activos nos tempos livres que no desporto, tendendo a escola a
apresentar os valores mais baixos. Os níveis de Act.F dos alunos são
significativamente inferiores no 8º relativamente ao 7º ano, observando-se uma
estabilização nos anos de escolaridade subsequentes. Por seu lado, as alunas
evidenciam uma estabilidade nos anos de escolaridade estudados, excepção
feita ao 10º ano no qual os valores se elevam marcadamente, com excepção
do IAFTL.
Apoio Trabalho: Centro de Investigação em Desporto, Saúde e
Desenvolvimento Humano (CIDESD)
E-mail: ruiresende@ismai.com

Influência parental na actividade física dos alunos – um estudo realizado


em alunos de ambos os sexos, dos ensinos básico e secundário

Póvoas, S; Silva, A; Morais, I; Silva, M; Resende, R; Martins, C;


Alburquerque, A
Instituto Superior da Maia (ISMAI), Portugal

A família assume-se, frequentemente, como o primeiro contexto social da


vida do praticante desportivo, tendo uma influência marcante sobre o
desenvolvimento emocional e psicológico das crianças e jovens. Nesse
sentido, pretendeu-se determinar qual a influência parental na actividade
desportiva dos alunos. Especificamente visou-se caracterizar o grau de
influência do pai e da mãe na actividade desportiva do seu educando e analisá-
lo em função do sexo, do ano de escolaridade e da modalidade desportiva
praticada pelos alunos (colectiva ou individual) e ainda de acordo com as
habilitações literárias dos encarregados de educação. O Questionário de
Comportamentos Parentais no Desporto (QCPD) - versão para pais e atletas
(Gomes & Zão, 2007) foi administrado a 203 alunos (115 e 88 ),
pertencentes ao 2º ciclo do ensino básico e ao ensino secundário, e a 133
encarregados de educação (pais biológicos ou adoptivos) dos alunos
estudados, com habilitações literárias entre o 1º ciclo e o ensino superior. As
duas versões do questionário possuem 3 dimensões em comum - apoio
desportivo, influência técnico-desportiva e insatisfação face ao rendimento
desportivo. Na versão para pais acrescenta-se a dimensão expectativas face

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

ao futuro e na versão para atletas a dimensão acompanhamento do


treino/competição. Na análise dos dados determinaram-se as estatísticas
descritivas, média, desvio-padrão, frequências absolutas e relativas e
amplitude de variação. A análise do significado estatístico das diferenças entre
os sexos, tipo de modalidade e entre ambos os pais foi realizada através do t¬
test de student de medidas independentes. O significado estatístico das
diferenças entre o grau de habilitações literárias dos progenitores e entre os
diferentes níveis de escolaridade dos alunos foi realizada através da análise da
variância a 1 factor, sendo as múltiplas comparações efectuadas a posteriori
recorrendo ao teste de Bonferroni. O nível de significância foi mantido em 5%.
Em todas as dimensões estudadas os alunos atribuíram valores superiores aos
pais, do que as raparigas, apresentando os pais dos alunos valores mais
elevados do que as mães. Os alunos sentem maior insatisfação face ao
rendimento desportivo por parte da mãe que as alunas. Os praticantes de
modalidades colectivas sentem maior apoio desportivo por parte do pai do que
pela mãe. Em todas as dimensões analisadas os pais dos alunos praticantes
de modalidades colectivas apresentam valores superiores aos dos pais dos
alunos que praticam modalidades individuais, excepto no apoio desportivo,
dimensão na qual ocorre o inverso no que diz respeito às mães. Os filhos de
pais com o ensino superior sentem-se mais apoiados do que os filhos de pais
que detêm apenas o 1º ciclo de escolaridade. Os alunos do ensino secundário
percepcionam menor apoio por parte da mãe do que os do ensino básico (2º e
3º ciclos). Quanto à influência técnico-desportiva, verificou-se que os alunos
pertencentes ao 3º ciclo sentem maior influência do pai do que os que
pertencem ao 2º ciclo. Os alunos pertencentes ao 2º ciclo percepcionam um
maior acompanhamento ao treino/competição por parte das mães do que os
alunos do 3º ciclo e do ensino secundário. Os encarregados de educação dos
alunos praticantes de modalidades colectivas têm maiores expectativas
relativamente ao futuro dos seus educandos do que os encarregados de
educação dos alunos praticantes de modalidades individuais. Os pais que
detêm um curso superior têm menores expectativas relativamente aos seus
educandos do que os pais que detêm o 1º ou o 3º ciclo do ensino básico. Os
pais com o 1º ciclo de ensino acompanham menos os seus educandos que os
pais com o 3º ciclo, ensino secundário ou superior.
Apoio Trabalho: Centro de Investigação em Desporto, Saúde e
Desenvolvimento Humano (CIDESD)
E-mail: ruiresende@ismai.com

Tema transversal ética e livro didático: possibilidades para a educação


física escolar

Rufino, L.G; Darido, S


Instituição: UNESP - Rio Claro

Introdução: O livro didático para a Educação Física escolar é objeto de


muitas divergências tendo, por um lado, aqueles que apóiam e concordam com
sua utilização, enquanto que outros criticam sua implementação. Baseado na

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

lacuna existente na aplicação de livros didáticos nas aulas de Educação Física,


elaborou-se um livro didático de Educação Física para os alunos do ensino
fundamental, baseado no tema transversal da ética. Objetivo: o objetivo desse
trabalho foi verificar o impacto de um livro didático sobre ética nas aulas de
Educação Física. Métodos: o material foi elaborado e aplicado em um grupo de
31 alunos do sexto ano do ensino fundamental de uma escola pública estadual
da cidade de Rio Claro - SP, em uma aula de Educação Física. Após a
aplicação, foram analisados os dados referentes às atividades do material,
computando-se as respostas dos alunos, a frequência de realização das
atividades e as opiniões deles sobre os temas propostos no material.
Resultados e Discussão: Os materiais ficaram com os alunos durante o período
de uma semana, devido às atividades para casa que havia neles. Dos 31 livros
entregues a cada um dos alunos, 21 foram devolvidos e, portanto, utilizados na
análise. O livro consistia de: capa, texto introdutório com pergunta inicial,
atividade de verdadeiro ou falso, imagens sobre ética com perguntas, caça-
palavras, imagens de ética nos esportes com perguntas, tirinha de gibi com
pergunta, atividade de assinalar, notícias relacionando o tema da ética e dos
esportes, tarefas para casa com desafio prático, leitura, espaço para anotações
de atitudes éticas e não-éticas, atividade de recortar e colar e sugestão de
filmes e pesquisa de músicas sobre a temática da ética. Após o texto
introdutório e a reflexão inicial, houve a realização da atividade de verdadeiro
ou falso. Todos os alunos a realizaram, sendo corrigida durante a própria aula.
Sobre as três imagens de charges que havia no material foi perguntado se
havia ética nelas e se os alunos já tinham se deparado com atitudes similares
na escola. Todos responderam que não havia ética nas imagens e, 16 alunos
(76%) relataram já ter visto na escola situações semelhantes, enquanto que 5
alunos (24%) afirmaram nunca terem passado por tais situações. Quinze
alunos (71%) realizaram a atividade de caça-palavras, que objetivava encontrar
algumas palavras relacionadas com o tema da ética. Sobre as imagens de
ética e falta de ética nos esportes, havia a possibilidade dos alunos comentá-
las por escrito. Do total de 21 alunos, 20 alunos realizaram alguns comentários
sobre as imagens. Com relação à tirinha de gibi, havia também uma pergunta,
baseada na compreensão da situação apresentada pela história. 20 alunos
responderam a pergunta. Com relação às tarefas para casa, muitos alunos às
realizaram, porém não foram muitos alunos que fizeram todas as atividades,
selecionando aquelas que eles consideraram mais relevantes. Muitas
atividades foram novidade para os alunos o que ocasionou dificuldades para a
compreensão do tema no início. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)
abordam a temática da ética por meio de quatro blocos de conteúdos: diálogo,
respeito mútuo, justiça e solidariedade. Didaticamente, essa divisão facilita a
forma de abordá-los, embora na prática não seja possível tratá-los de maneira
separada. Por isso, o livro tratou os conteúdos da temática da ética de acordo
com essa divisão. Com relação ao livro elaborado, deve-se destacar que as
atividades com imagens e charges tiveram uma aceitação maior dos alunos do
que as atividades de leitura, por exemplo. Sendo assim, este tipo de atividade
deve fazer parte dos materiais didáticos voltados para os alunos.
Considerações Finais: O impacto do livro sobre o tema transversal ética para
as aulas de Educação Física foi positivo, pois possibilitou que os alunos
refletissem sobre essa temática. Muitos alunos jamais haviam trabalhado com

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

os temas transversais nas aulas de Educação Física o que causou certa


estranheza no início, devido ao teor de novidade que os livros tiveram para os
alunos. Considera-se ainda ser necessária a revisão do material, sobretudo no
que diz respeito a uma maior aproximação com as questões específicas da
Educação Física.
E-mail: gustavo_rufino_6@hotmail.com

A compreensão e utilização do PCN meio ambiente pelos professores de


educação física escolar.

Ruiz, E; Dezan, F
Unesp-IB-Depto de Educação Física

Para que ocorra o desenvolvimento social, é necessário que a educação


ambiental se dê de maneira contínua e em todas as áreas do conhecimento.
Essa integração dos conteúdos sobre meio ambiente nas diversas áreas de
ensino favorece a compreensão da complexidade e amplitude da realidade
ambiental, que envolve além do ambiente biofísico, as condições sociais,
econômicas, políticas, históricas e culturais. A partir de 1994, o Ministério da
Educação e do Desporto, pela Secretaria de Ensino Fundamental mobilizou um
grupo de professores para elaborar os Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCNs). Em 1997, foi lançado o PCN da Educação Física para 1os e 2os ciclos
e em 1998, o PCN para 3os e 4os ciclos com a temática relacionada ao meio
ambiente, juntamente com ética, saúde, orientação sexual, pluralidade cultural,
sexualidade e trabalho e consumo. A Educação Física, na perspectiva dos
PCNs, assume o compromisso de contribuir para a formação da cidadania,
elegendo a cultura corporal de movimento como o objeto da Educação Física,
pela reflexão e instrumentalização para uma ação mais participativa em relação
às temáticas emergentes, utilizando-se do princípio da transversalidade,
sugerindo que todas as disciplinas escolares discutam essas temáticas. Sendo
assim o presente estudo buscou analisar a compreensão e utilização do PCN
Meio Ambiente pelos Professores de Educação Física Escolar em seus
conteúdos nas dimensões conceituais, procedimentais e atitudinais. Para tanto
foram entregues aleatoriamente cinquenta questionários contendo duas
questões para professores de educação física participantes do 3º Congresso
Estadual de Educação Física Escolar, realizado nos dias 3, 4 e 5 de junho de
2010 na Unesp de Rio Claro, a primeira questão tratava das dimensões
conceituais e procedimentais indagando ao entrevistado: “Que relações você
enxerga entre a educação física escolar e o meio ambiente?” Já a segunda
questão abordou a dimensão atitudinal: “De exemplos na sua prática de como
você aplica essas relações”. As respostas foram analisadas qualitativamente
levando-se em conta o PCN de meio ambiente. Do total de vinte e seis
questionários devolvidos a grande maioria tinham respostas coerentes com os
conceitos de meio ambiente e também deste com as relações humanas. As
dimensões conceituais e procedimentais foram bem compreendidas por esses
profissionais e diferentes exemplos “do que saber” e “do que se deve saber
fazer” em relação ao meio ambiente foram dados. A dimensão atitudinal foi a

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

menos entendida e, portanto, menos realizada sendo em alguns casos


confundida com a dimensão procedimental. Poucas foram as respostas que
deram exemplos práticos do que os professores fazem em suas aulas de
educação física para contemplar a questão ambiental, podendo-se citar ações
relativas a jogos de reciclagem e a esportes de aventura praticados na
natureza.
E-mail: eduardo11072@hotmail.com

O processo coletivo de formação permanente de dois professores-


pesquisadores de educação física: projeto piloto de investigação
colaborativa

Sanches Neto, L.
Unesp-IB-Depto de Educação Física

Nas últimas décadas percebeu-se uma preocupação diferenciada com a


prática docente no Brasil, principalmente no que se refere a como os
professores organizam e sistematizam o seu fazer pedagógico no cotidiano do
trabalho. Tal preocupação pode estar atrelada às atuais demandas da
profissão docente e a própria qualidade dos processos educativos na
escolarização. Trabalhos que investigam as características de professores-
pesquisadores ou que se situam no rumo de uma etnografia da prática docente
são alusivos dessa preocupação.Preconiza-se que os professores são os
responsáveis pelo próprio fazer docente, precisam estabelecer e compreender
as necessidades do mundo contemporâneo, devem ter preocupação com o
estabelecimento de parcerias colaborativas, reivindicar melhores condições de
trabalho e salários adequados com as funções desempenhadas, sem contar a
sua razão essencial de trabalhar na escola: o ensino. Trabalhos que apontam
limites e contradições do processo de profissionalização do magistério são
alusivos dessa constatação. No entanto, percebe-se também que os discursos
acadêmicos veiculados pelas instituições de Ensino Superior, evidenciados por
publicações sobre a temática em livros e periódicos, ao esmo tempo em que
tecem críticas aos saberes do professor que trabalha na Educação Básica,
pouco se preocupam com a prática efetiva dos professores no cotidiano do
trabalho na Educação Básica. Até que ponto as realidades da formação
docente se sobrepõem, e como a realidade discursiva do Ensino Superior
influencia ou precariza o aprofundamento da compreensão sobre a realidade
pragmática da Educação Básica? Há necessidade de descobrir, identificar,
analisar e interpretar como e porque os professores de Educação Física
organizam e sistematizam seu trabalho no ambiente escolar. Com essa
premissa, um projeto piloto de investigação foi conduzido, inicialmente à luz do
referencial da pesquisa-ação, e tem por objetivo problematizar, explicitar e
interpretar como um grupo de professores, que se autodenomina “professores-
pesquisadores”, organiza e sistematiza os princípios curriculares no cotidiano
de seu trabalho com a Educação Física. Como as problemáticas levantadas
pelos professores eram variadas, o método da pesquisa-ação permitiu avançar
no sentido de evidenciar encaminhamentos de suas práticas pedagógicas, com

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

pontos comuns e discrepantes. Dois professores com uma problemática


comum foram analisados mais detidamente e entrevistados no primeiro
semestre de 2008, ambos com jornada de trabalho na rede estadual paulista,
em escolas na região metropolitana da capital de São Paulo, por ocasião da
implantação da Proposta Pedagógica Curricular na área de Educação Física
(PPC-EF). Houve análise descritiva e interpretativa de suas respostas, e fora
estabelecido diálogo contínuo, com encontros mensais no grupo, no sentido de
aprofundar os problemas levantados pelos professores no trato com a PPC-EF.
As categorias levantadas com os resultados apontaram que ambos professores
vislumbraram sua problemática comum de modo rigoroso e independente,
embora tenham compartilhado certas expectativas e conclusões, pesquisando-
a posteriormente em trabalhos originais, incluindo uma Dissertação de
Mestrado em andamento e participação em eventos acadêmicos da área. A
partir dessa experiência, o projeto piloto de pesquisa voltou à preocupação
inicial de atentar ao processo coletivo de formação vivenciado pelo grupo de
professores, e a investigação passou a ser fundamentada por pressupostos da
pesquisa-colaborativa. O foco recai, assim, na colaboração que se estabelece
com cada professor no trato de seus problemas cotidianos ao buscar pesquisar
sua própria prática. Ressalta-se que não é uma busca do pesquisador em
fomentar o desejo da pesquisa no professor que trabalha na Educação Básica,
mas sim como o pesquisador pode colaborar com professores que já o fazem e
requerem para si um aprofundamento de rigor metodológico em suas
pesquisas. A contrapartida é que ao pesquisador também interessa o aumento
de rigor em sua própria pesquisa e a investigação colaborativa assume um
caráter dialógico, com sujeitos concretos que compartilham pressupostos
comuns acerca da pertinência da Educação Física na escolarização e que tem
a preocupação em estreitar relações ou minimizar a distância entre a
Universidade e os cotidianos concretos e singulares da Educação Básica.
E-mail: luizitosanches@yahoo.com

Prática pedagógica de um professor de Educação Física no ensino médio:


sucessos e dificuldades

Santana, A.A.; Ramos, G.N.S.


Redes municipal e estadual de ensino de São Paulo

A Educação Física escolar tem sido alvo de muitos estudos que buscam,
através da produção de conhecimento, colaborar com seu desenvolvimento
acadêmico e profissional. A prática pedagógica docente no ensino médio
parece estar aquém de tais estudos, visto que ainda existe uma quantidade
reduzida de produções sobre esta temática. Partindo deste princípio e
acreditando em processos de mudança, o objetivo deste estudo de caso
qualitativo foi analisar a prática pedagógica de um professor de Educação
Física do ensino médio, que atua em escola pública no estado de São Paulo,
identificando seus sucessos e suas dificuldades. Para tanto foram analisados
os diários de aula elaborados pelo professor-pesquisador e as auto-avaliações
realizadas pelos alunos ao final de cada semestre. Após a análise dos dados,

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

foram identificadas as seguintes categorias de análise: a) estratégias


diversificadas nas aulas conceituais, preocupação,por parte do docente, em
diversificar as estratégias e os instrumentos nas aulas conceituais buscando
formas de participação dos alunos através da discussão, além de construir as
informações e o conhecimento de uma forma mais agradável estabelecendo
ligações com o cotidiano; b) práticas corporais e princípios norteadores:
motivação, o enfoque lúdico e a participação de todos, o professor de
educação física mantinha dinamismo ao se dirigir aos alunos mantendo-os
envolvidos e motivados e aulas alicerçadas na inclusão, na interação de uns
com os outros e na oportunidade de igualdade, uma vez que o docente primava
pela participação de todos, sobretudo os que se mostravam mais introspectivos
ou com pouca habilidade; c) percepção, conflitos e dificuldades do professor
em relação às aulas, desvincular a visão de alguns discentes quanto ao
componente curricular ser exclusivamente “prático” e sem contribuições ao
cotidiano; conteúdos e temas que pudessem satisfazer aos anseios de um
maior número de alunos-participantes, além de estabelecer reflexões, pois os
mesmos concebiam a educação física como meramente prática, sem a
necessidade de se pensar, compreender e estudar os elementos da cultura
corporal de movimento, foram alguns dos entraves cotidianos do docente; d)
relacionamento entre o professor e os alunos, o bom relacionamento, contribuiu
para um melhor desenvolvimento das aulas, conseguido à base da
variabilidade dos conteúdos, do clima descontraído no decorrer das aulas, da
dinamicidade por parte do professor e da interação ocorrida entre ambos além
de ser percebida a figura do professor como incentivador, valorizando a
participação de todos os alunos; e) a aprendizagem manifestada pelos alunos e
contribuições para o cotidiano, os alunos elencaram a execução correta dos
exercícios corporais e sua importância, maior percepção sobre seu corpo, a
detecção da aprendizagem de atitudes e valores no que se refere à melhor
conduta em grupo, contribuições da área da saúde para o dia-a-dia, além da
autonomia na tomada de decisões sobre o próprio corpo. Verificou-se que a
prática pedagógica investigada possui peculiaridades e elementos que a
diferencia de uma Educação Física exclusivamente esportivista, excludente e
descompromissada com a aprendizagem dos alunos. Houve por parte dos
discentes uma grande aceitação das novas práticas, sendo identificada a figura
do professor como um dos pontos diferenciais de incentivo e motivação. O
estudo aponta ainda para a importância da construção, discussão e reflexão de
temas relacionados à prática pedagógica nos cursos de formação inicial e
continuada, em especial nos cursos de licenciatura em Educação Física,
buscando propiciar a formação de profissionais engajados, atentos, reflexivos e
melhores preparados para atuação na escola, principalmente, na Educação
Física no ensino médio.
E-mail: antonioedfisica@yahoo.com.br

Mulheres na docência da educação física escolar: olhares e desafios nas


questões de gênero e estereótipos.

Santos, N.M.

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Universidade Metodista de São Paulo - UMESP - Faculdade de


Humanidades e Direito

Formar profissionais para a Educação é assunto polêmico discutido por


muitos autores, dentre eles, referencio, Alarcão (1996), Fischmann (1986) e
Gatti (1997), os quais expõem através dos estudos, direcionamentos que
consideram pertinentes para questões formativas nos conteúdos teóricos
discutidos, indicando necessidades emergentes para constituir um profissional
de caráter amplo, com pleno domínio e compreensão da realidade do seu
tempo, onde a prioridade tende a consciência crítica reflexiva, permitindo
interferir de forma significativa, transformando situações inusitadas, tanto na
escola, no cenário educacional, ou quem sabe na sociedade onde está
inserido. Ter a docência como base de sua identidade seria o ideal ao
profissional ligado a educação, onde, independente desse item como requisito,
teria ainda que dominar bem o conhecimento específico de sua área de
atuação, articulado aos conhecimentos pedagógicos e práticos para exercer
sua função. Sendo assim, a formação do professor, precisa intencionalmente
possibilitar de maneira geral e especifica, seu desenvolvimento como pessoa,
profissional e principalmente cidadão. Depois destas primeiras aproximações,
exponho uma discussão que complemente o tema até aqui revisto, discorrendo
com mais intensidade e objetividade sobre a formação e docência do
profissional de Educação Física, seja na licenciatura ou bacharelado e as
relações de gênero que permeiam esse campo durante seu trajeto, tendo em
vista que a área carrega em sua história, uma herança enraizada no perfil
militar, onde o processo formativo se remetia especificamente numa estrutura
de dois anos com ênfase nos aspectos biológicos e técnicos, ou seja,
conhecimentos sobre o corpo humano e os relacionados às ginásticas e aos
esportes, tudo isso caracterizando a figura masculina como prioridade nos
cursos. Nesta perspectiva, cabe ainda recordar que o processo para formação
inicial de profissionais de Educação Física no Brasil, encontrava-se ligado à
Marinha, à Força Pública e principalmente ao Exército, onde, estes órgãos se
apropriavam de diferentes Métodos Ginásticos para a efetivação dessa
formação, ou seja, uma educação de caráter especificamente técnico e prático.
Neste contexto, é que surge em 1933, com o Decreto Lei nº 23. 252 a Escola
de Educação Física do Exército, no Rio de Janeiro, com nova organização e
com os currículos e objetivos atualizados. No âmbito deste contexto, os
objetivos desta pesquisa tiveram como ênfase (a) Pensar sobre o corpo e as
práticas educativas da Educação Física Escolar direcionadas por professoras
(sexo feminino) e suas possíveis relações na construção dos estereótipos
masculinos e femininos. (b) Averiguar e apontar como que os corpos são
construídos sob o olhar de referências, atributos e culturas advindas das
relações de gênero. (c) Investigar se as questões de gênero imbricadas no
campo dessa formação profissional, até por conta da herança militarista que a
Educação Física carrega, tem relevância para a criação de estereótipos
masculino/feminino, tendo em vista através de dados teóricos que a área
possui uma forte tendência a masculinização. Assim, a pesquisa teve como
eixo metodológico, um estudo descritivo de análise qualitativa com técnicas de
entrevistas semi-estruturadas para a obtenção de dados empíricos; neste caso
específico priorizaram-se somente professoras de Educação Física que atuam

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

diretamente nos quatro níveis escolares (educação infantil, ensino fundamental


I, ensino fundamental II e ensino médio), e também algumas observações de
aulas das mesmas. O foco nas entrevistas emergiu com as seguintes
problemáticas: - A escola e as práticas educativas da Educação Física escolar
contribuem para reforçar os estereótipos masculinos e femininos? - Como que
as professoras de Educação Física percebem suas práticas educativas,
lecionando para meninos e meninas? Pensando nas questões destacadas, o
referencial teórico se valeu dos escritos sobre gênero, da crítica teórica
feminista e das atuais publicações na área da Educação e especificamente da
Educação Física escolar para justificar os possíveis apontamentos
investigados. As contribuições da pesquisa pautaram-se na apresentação de
dados sustentáveis que reforçam a importância da discussão sobre questões
de gênero no espaço escolar, prioritariamente na formação e durante a
docência da profissional de Educação Física, pois denunciam preferências em
trabalhar o masculino pensando nos resultados alcançados.
Apoio Trabalho: Secretaria Estadual de Educação
E-mail: narcisomauricio@bol.com.br

O atual processo avaliativo na educação física escolar: conceitos e


perspectivas

SILVA, B. B.; MORAES, D. A.; MONTEIRO, R. A. C.


Universidade Nove de Julho - Diretoria de Educação

A avaliação é um assunto relevante dentro da educação e extremamente


complexo na Educação Física. Atualmente dá-se a impressão de omissão e
negligência sobre sua prática, isto é, a sensação é de esquecimento da sua
real função: avaliação do ensino e aprendizagem e seu contexto como
elemento constitutivo do projeto pedagógico. Através de revisão bibliográfica
dentro dos pressupostos de Severino (2007), buscou-se identificar diferentes
formas de avaliação para a Educação Física Escolar e discutir sobre sua
relevância para o processo de formação do indivíduo. A avaliação deve ser um
meio de auxiliar o processo de ensino e aprendizagem para averiguar ou
detectar os avanços ou falhas, tanto do desempenho de alunos quanto de
professores, de modo a corrigi-los ou reforçá-los. Avaliar pode se constituir
num processo qualitativo e dialético, com perspectivas diagnósticas, somativa e
formativa. O critério de aprovação e reprovação na Educação Física Escolar
está visando à presença em aula, ou então, através de medidas
antropométricas, execução de gestos técnicos e qualidades físicas. Para
Mattos e Neira (2003) a avaliação tem buscado, freqüentemente, o
atendimento as normas burocráticas da instituição, geralmente, levando-se em
conta a presença do aluno em aula, o uso de roupas adequadas para a
realização da prática e a execução dos movimentos. Essa postura avaliativa
indica a desconsideração da reflexão em relação ao papel que a avaliação
assume enquanto elemento constitutivo de um projeto pedagógico. Soares
(1992) afirma também que os alunos são avaliados e observados apenas no
seu aspecto motor, enfatizando os talentos esportivos. Os Parâmetros

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998) consideram que a avaliação deva ser


de utilidade, tanto para o aluno como para o professor, para que ambos
possam dimensionar os avanços e as dificuldades dentro do processo,
tornando-se mais produtivo, atingindo sua real função. Importante também é a
clareza dos instrumentos de avaliação para o aluno, a fim de sua participação e
entendimento ampliados no processo de ensino aprendizagem. O professor de
Educação Física encontra-se em uma posição privilegiada para avaliar a partir
de critérios informais, como o interesse, a participação, a organização para o
trabalho cooperativo, o respeito aos materiais e aos colegas, pois esses
aspectos tornam-se bastante evidentes nas situações de aula (BRASIL, 1998).
Dessa forma, consideramos que existe a necessidade de um constante
repensar sobre o processo avaliativo, levando-se em conta a quebra do
paradigma das questões de aptidão física ou técnicas, valorizando a formação
para a cidadania num contexto qualitativo e participativo.
Palavras-chave: Avaliação; Educação Física; Ensino e Aprendizagem.
E-mail: ruianderson@ig.com.br

Uma busca pela sensibilidade e criatividade nas aulas de educação física


escolar

Silva, M.
UFS-Departamento de Educação Física

A perspectiva biológica que influenciou as bases pedagógicas da Educação


Física, definia que o corpo humano era um conjunto de ossos, músculos e
articulações, ou seja, apenas um organismo. Para esta perspectiva todos os
corpos são iguais por possuírem os mesmos componentes. Infelizmente ainda
é assim que muitas escolas tratam à prática pedagógica da Educação Física.
Todavia, o professor de Educação Física deve envolver a escola e o aluno em
uma nova forma de se aplicar o ensino do Movimento Humano, pois assim ele
poderá conscientizar seus alunos da importância de conhecer o ser humano
em sua totalidade. Aprender sobre o seu próprio corpo significa que os alunos
podem conhecer, usufruir, ultrapassar limites e estabelecer novas
possibilidades. A partir dessa nova perspectiva, os alunos poderão apreciar e
realizar os movimentos conforme sua compreensão e possibilidade, além de
ficarem conscientes de que eles expressam diferentes maneiras de ser,
evitando a padronização de gestos e comportamentos. Podemos observar que
cresce a cada dia estudos e pesquisas relacionados com a consciência
corporal, apontando a necessidade de observação do corpo, e principalmente a
divulgação de uma nova maneira de vê-lo. Esta “nova” abordagem do corpo
requer uma amplitude de conhecimentos para entendermos a complexidade
humana e o significado da palavra corpo num sentido mais amplo. Somos
corpos fazedores e transformadores de um mundo, corpos vivos, num tempo e
num espaço experimentando todas as possibilidades emergentes e que nos
são de direito. É imprescindível uma educação corporal, que considere o corpo
como uma ligação homem-mundo, que esteja presente na cultura, no trabalho,
nas relações. Uma educação que considere importante que nossos corpos se

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

movimentem, e se transformem, para que possamos transformar as coisas do


mundo e ao mesmo tempo estar desorganizando e reorganizando a sua auto-
imagem. Neste sentido, de acordo com Melo (2005) esta busca por um corpo
sensível, uma consciência corporal, acarreta uma organização do corpo, o que
nos faz refletir sobre nossa existência corporal no mundo e de que forma estes
podem se relacionar. Seguindo esta linha de pensamento, nota-se que tal
entendimento acarreta a necessidade de um esclarecimento acerca da
realidade na qual somos inseridos, onde na maioria das vezes esta gera
mecanismos de controle e disciplinação de corpos, possibilitando desta forma
refletir acerca das impregnações sociais que ditam nossa maneira de ser e
agir. Este texto se refere a um relato de experiência pedagógica proporcionado
por uma atividade acadêmica desenvolvida durante o transcorrer da disciplina
Educação Física Escolar I do departamento de Educação Física da UFS. Tal
relato traz consigo problematizações e reflexões acerca da abordagem do
conteúdo “sensibilidade e criatividade”, trabalhado na turma de 2º Ano do
ensino fundamental I do Colégio Estadual Lourival Batista, situado no município
de Aracaju. Desta forma, buscamos através de práticas motivantes,
problematizadoras e que envolvesse o ensino-aprendizagem, ampliar os
horizontes dos alunos para tal conteúdo, tendo em vista sua relevância para a
formação dos sujeitos que compõem a educação formal. Neste sentido,
utilizamos como recurso didático-pedagógico práticas que envolvessem os
alunos e os estimulassem para a percepção corporal, seja através das próprias
práticas corporais, ou nas pesquisas, nos vídeos e na confecção de trabalhos
pelos alunos. Estes durante as atividades pedagógicas tiveram a oportunidade
de sentir o seu corpo e os dos colegas, trabalhar com mais afinco os seus
sentidos corporais no tocante a sua percepção, realizar práticas que
estimulassem a consciência corporal, como também que pudessem se
expressar nas suas emoções, percepções e anseios, isto é, o corpo como
instrumento de linguagem. Segundo Santos et al. (2009) a expressão corporal
é uma maneira utilizada, organizada, onde o sujeito se expressa para o outro
ou com o outro através do seu corpo, reafirmando seu estar no mundo, isto é,
uma linguagem na qual possibilita o indivíduo a sentir-se, perceber-se,
conhecer-se e manifestar-se. É um aprendizado em si mesmo: o que o
indivíduo sente, o que quer dizer e como quer dizê-lo.
E-mail: markusilva@hotmail.com

Cultura e práticas corporais: conteúdos e metodologias para o


componente curricular educação física

Silva, M.; Santos, L.


UFS-Departamento de Educação Física

A característica da Educação Física escolar há tempos foi centro de


discussões e reflexões, seja acerca da sua legalidade e “legitimidade”, ou em
torno da sua especificidade. Buscaremos neste estudo oferecer pontos de
referência que subsidiem a razão de considerar a Educação Física como
componente curricular, ou seja, um componente que tenha como meta o

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

ensino-aprendizagem, integrada a Educação Básica e realmente comprometida


com a educação formal de nossos alunos. Para tanto, os dados apresentados
durante o transcorrer do texto pautou-se no desenvolvimento do “Projeto de
Extensão Cultura e Movimento: divulgação de conteúdos e metodologias para
o componente curricular Educação Física” aprovado pelo PIBIX (Programa
Institucional de Bolsa de Iniciação à Extensão), que foi realizado no período de
01 de junho de 2009 a 31 de maio de 2010. Teve como principal característica
apresentar parâmetros para operacionalização da Educação Física a partir da
aplicação de conteúdos propostos para este componente curricular. Os
conteúdos adotados pelo projeto se basearam principalmente no livro
“Proposta de Sistematização de Conteúdos para a Educação Básica:
componente curricular Educação Física”, elaborado pelos professores do
Departamento de Educação Física da UFS. Situamos o desenvolvimento do
projeto na consolidação de conteúdos específicos para Educação Física
Escolar a partir da concepção da Cultura Corporal, em viabilizar aos
acadêmicos uma experiência didático-metodológica que possibilite o exercício
da docência, no estabelecimento de relações entre a educação integral do
indivíduo e as diferentes condutas corporais aprendidas culturalmente de forma
mecânica, como também em possibilitar a interligação entre a pesquisa, o
ensino e a extensão na aplicação de métodos que estimulem a experimentação
de elementos científicos na sistematização de práticas corporais aplicadas ao
estudo do movimento. Logo, para o estabelecimento dos objetivos acima
descritos, participaram das atividades desenvolvidas pelo projeto cem (100)
alunos do ensino fundamental I do Colégio Estadual José de Alencar Cardoso,
situado na cidade de Aracaju, como também outras trinta (30) instituições
estaduais de ensino, onde fizemos a divulgação, através de reuniões, com os
responsáveis pelo estabelecimento, relatando os resultados obtidos pelo
projeto, como também entregando-lhes um exemplar da proposta curricular da
Educação Física adotada pelo projeto. As atividades desenvolvidas no projeto
envolveram: a reciclagem de diversos materiais para os fins didático-
pedagógicos, tendo em vista a escassez dos mesmos na instituição; o
diagnóstico motor dos alunos; intervenções pedagógicas e registro áudio-visual
das aulas ministradas, oportunizando a ampliação das aprendizagens dos
alunos, fato manifestado ao final das atividades realizadas. Organizamos as
intervenções em unidades de ensino, onde cada unidade tratava de uma
temática com conteúdos afins e específicos: o conhecimento do corpo, as
manifestações culturais de movimento, atividades rítmicas e expressivas,
sensibilidade e criatividade, corpo e saúde, corpo e valores humanos.
Ressaltamos durante o transcorrer do projeto a possibilidade dos acadêmicos e
professores em criar materiais didáticos a partir de recursos que estavam em
desuso, a receptividade dos alunos frente à proposta, tanto no sentido
motivacional, como também na efetivação de suas aprendizagens, a difusão
dos resultados alcançados, seja nas reuniões com outros professores em
outras instituições de ensino, como também nos eventos acadêmicos e nos
registros áudios-visuais das aulas aplicadas o que resultou na publicação do
DVD “Projeto de Extensão Cultura e Movimento”. Na compreensão de Neira
(2006), a Educação Física, como disciplina integrada à educação básica, deve
permitir que os alunos superem o saber construído e vivido para além da
escola, ou seja, ela deverá contribuir para que os alunos questionem de forma

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

que esses saberes consolidem um projeto de vida. Não basta fazer, o fazer é
importante, no entanto, é imprescindível que o mesmo caminhe associado ao
refletir, ao questionar e ao compreender sobre estas práticas corporais, direção
esta que enfocamos em nossas intervenções pedagógicas.
E-mail: markusilva@hotmail.com

Educação física, escola, dimensões do conteúdo e formação do cidadão

SILVA, P.N.
Unesp-IB-Depto de Educação Física

Dentre as várias instituições das quais o ser humano participa, a escola é


uma das mais importantes responsáveis pela construção da representação de
quem somos. O educando é o objetivo maior da escola, mas na especificidade
da Educação Física o que se vê é que esta, em geral, é totalmente
desvinculada do projeto educacional das escolas e muito pouco tem sido feito,
na prática, no sentido de educar os alunos “para a vida" Assim, este trabalho
tem como finalidade implementar aulas de Educação Física que contribuam
para a formação do cidadão, e para isto foram elaboradas e desenvolvidas
aulas que abordem o conteúdo handebol nas três dimensões do conteúdo:
conceitual, procedimental e atitudinal. O método utilizado foi o da pesquisa-
ação, que de natureza qualitativa tem como característica o inter-
relacionamento entre o pesquisador e as pessoas participantes do estudo. As
principais dificuldades foram: trabalhar novos conteúdos, o número elevado de
alunos e trabalhar a dimensão procedimental. Porém os momentos de trabalhar
as dimensões conceituais e atitudinais foram muito bem sucedidos.
E-mail: priscilla_nascimento@yahoo.com.br
Área: Educação Física Escolar

Sistematização dos conteúdos de ensino da educação física escolar: a


seleção dos objetivos e conteúdos – um estudo de caso

Sousa, M.P.; Ramos, G.N.S.


UNINOVE

A sistematização dos conteúdos em Educação Física Escolar é um assunto


emergente porém ainda parece não existir critérios bem definidos para a
organização curricular da área. Sistematizar os conteúdos em uma disciplina
seria o ato de organizá-los de forma coerente em seus diferentes níveis de
ensino. Tal fato parece inquietar professores, sendo este um problema
metodológico básico não só da Educação Física como também dos outros
componentes curriculares. A Educação Física brasileira passou por várias
mudanças de objetivos ao longo dos anos; estas diferentes identidades
conceituais surgiram de acordo com as necessidades de distintos momentos
históricos. Os conteúdos escolares também possuem um caráter histórico e, de

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

acordo com cada momento e necessidades, há uma reelaboração e


reorganização dos mesmos. Portanto, os professores atuantes no Ensino
Fundamental e Médio carecem realizar as suas próprias sistematizações, a fim
de adequá-las aos seus objetivos e aos seus alunos promovendo uma relação
entre o contexto do aluno com a sua sistematização. Deste modo, este
trabalho, teve como objetivo analisar como uma professora atuante no Ensino
Fundamental sistematiza os conteúdos de ensino da educação física. A
referência metodológica que orientou este estudo foi a pesquisa qualitativa por
meio de um estudo de caso. A coleta envolveu análise documental e uma
entrevista semi-estruturada. A proposta de sistematização produzida pela
professora pesquisada parece ter surgido de uma necessidade pessoal para
nortear sua própria ação docente. Tal indício sugere que uma organização
sequencial, pautada numa seleção, divisão e contextualização dos conteúdos
na Educação Física pode ser importante para subsidiar o trabalho no âmbito
escolar na busca de sua autonomia profissional. Outro ponto considerado, é
que na sistematização apresentada pela professora pesquisada, a concepção
parece estar pautada no ensino da cultura corporal de movimento, na qual o
aluno deve vivenciar e refletir a maior variedade possível de elementos da
cultura entendendo-os de forma crítica. Quando questionada sobre os objetivos
da Educação Física Escolar, a professora entrevistada atribuiu primeiro um
sentido mais amplo à área atrelando-o aos objetivos da educação de forma
geral. Além disso, a professora preconiza uma flexibilização entre os conteúdos
e os objetivos escolhidos com as necessidades dos alunos. Desta forma, o
modo como a docente concebe a educação parece estar baseado em um
modelo humanista espontaneísta, no qual os conteúdos a serem trabalhados
partem dos interesses e motivações dos alunos. Para ela, a escolha das
manifestações presentes no universo da cultura corporal de movimento, deve
partir do conhecimento prévio e do patrimônio cultural dos estudantes. Deste
modo, a sua sistematização está relacionada ao seu contexto sócio-cultural
local fazendo com que seu planejamento pedagógico também seja
desenvolvido a partir deste, ou seja, a escolha dos objetivos e dos conteúdos
da Educação Física está pautada nas perspectivas dos sujeitos participantes
da ação pedagógica. Com base nisso, acredita-se que mesmo em um país
extenso e repleto de diferenças culturais como o nosso Brasil, uma proposta de
sistematização traria inúmeros benefícios aos professores e alunos de
Educação Física, dentre os quais é possível citar: maior reflexão sobre a
atuação docente, melhoria no planejamento e inclusão de diversos elementos
da cultura corporal. Assim,conclui-se que a partir da análise da sistematização
dos conteúdos de ensino de uma professora de Educação Física do Ensino
Fundamental, que o processo de organização curricular da área deve ser
pensado de forma a estruturar os diferentes elementos da cultura corporal de
movimento de modo dinâmico, considerando a realidade escolar envolvida e os
sujeitos da ação, sendo constantemente refletida e re-significada de valor ao
contexto no qual será aplicada.
E-mail: manuela-sousa@hotmail.com

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Corpo, cultura e subjetividade: a educação física escolar na constituição


identitária dos sujeitos

Souza, MMN
Instituição: USP-FE-Propgrama de Pós-graduação

Este estudo foi desenvolvido junto à disciplina Corpo, cultura e subjetividade


do Programa de Pós-graduação em Educação da FEUSP. Trata-se de
reflexões iniciais acerca de discussões em torno das compreensões sobre o
corpo humano e sua relação com a constituição da subjetividade dos sujeitos,
através de práticas educativas no âmbito da Educação Física escolar. O
objetivo é, a partir dessas discussões que nos apontam para uma perspectiva
do corpo relacional, identificar desafios que se expõem para o ensino dessa
disciplina, uma vez que lida especificamente com questões afetas ao corpo e
ao movimento num contexto que tem sua função social associada à
constituição de subjetividades/identidades: a escola. Iniciei as reflexões com
algumas considerações sobre a configuração da Educação Física no contexto
escolar, bem como o que caracteriza esse contexto na contemporaneidade.
Segui buscando a relação entre corpo e subjetividade, apoiando-me nas
discussões de Caminha (2009), ao apontar as contribuições de Merleau-Ponty
e Freud na crítica ao corpo concebido apenas como instância biológica, e de
Hall (2005), em relação à constituição de identidade dos sujeitos na sociedade
global contemporânea. A partir desse estudo, foi possível apontar desafios que
se colocam para o ensino da Educação Física na Educação Básica, uma vez
que historicamente este se constituiu pautado numa compreensão do corpo
enquanto organismo, reduzido à sua dimensão biológica. Nesse sentido, as
práticas que visavam, em geral, o aperfeiçoamento desse funcionamento
através da repetição estereotipada de movimentos organizados a partir de
critérios biomecânicos e fisiológicos, influenciaram a constituição de
subjetividades passivas e padronizadas em torno de uma identidade
hegemônica. A Educação Física, enquanto componente curricular obrigatório,
que lida especificamente com as questões afetas ao corpo e ao movimento,
não pode se furtar, ou melhor, furtar dos estudantes o direito de compreender
essas questões de maneira mais ampla e complexa, em sua relação com o
contexto cultural. Nessa perspectiva é possível viabilizar a esses sujeitos
compreenderem a si mesmos na realidade que os constitui enquanto seres
humanos que se movimentam no mundo e com os outros. Experiências
relatadas por autores com o currículo multicultural da Educação Física tem
mostrado efeitos reflexos na formação dos sujeitos envolvidos que respondem
a esse desafio, ao valorizar a pluralidade cultural como eixo norteador da
constituição identitária a ser influenciada pelo currículo (NEIRA e NUNES,
2009). Sugiro, assim, que o trabalho pedagógico dessa disciplina pode tornar-
se mais coerente ao tematizar, criticar, contextualizar, problematizar, apropriar
e ressignificar essas questões no âmbito da cultural corporal, abordada numa
perspectiva multicultural de caráter crítico.
E-mail: lilamenezes@yahoo.com.br

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

A constituição identitária dos sujeitos ao longo da educação básica:


contribuições do currículo multicultural da educação física na educação
infantil
Souza, MMN; Neira, MG
USP - FE - Pós-graduação em Educação
Esse estudo refere-se à pesquisa em desenvolvimento junto ao Programa de
Pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. A
perspectiva multicultural do currículo na Educação Física, apresentada por
Neira e Nunes (2006), baseada no campo teórico dos Estudos Culturais e nas
teorizações pós-críticas valoriza a diversidade cultural do mundo
contemporâneo nas práticas escolares e reconhece a tendência
homogeneizante do atual contexto. Diante de tal perspectiva, não é possível
separar questões culturais como a educação, o ensino e seus conteúdos, de
questões de poder que tendem a fortalecer as culturas, identidades e
perspectivas de grupos que se apresentam hegemônicos em detrimento de
toda diversidade. Ao confrontarmos a configuração da Educação Física no
contexto escolar no município de Aracaju (SE) com as necessidades
educacionais na contemporaneidade, percebemos a urgência da realização de
pesquisas que subsidiem a construção de uma perspectiva curricular crítica e
contextualizada do componente na Educação Básica. Nesse sentido, estamos
realizando uma investigação junto a uma turma de Educação Infantil, onde já
se desenvolvem práticas educativas com os diferentes conhecimentos que
permeiam o currículo escolar, a partir de uma preocupação com a constituição
identitária dos/das estudantes, sem que haja a mesma orientação para a
abordagem das práticas corporais. Percebemos que valores subjetivos da
professora que retratam perspectivas da cultura hegemônica atravessam as
práticas e contradizem a constituição identitária almejada. O objetivo desse
estudo é identificar, evidenciar e analisar os aspectos que demarcam a prática
pedagógica da Educação Física multiculturalmente orientada, ao longo do
processo de elaboração e implementação do currículo. Para tanto, realizamos
uma pesquisa-ação crítico-colaborativa que emprega para a coleta de dados
entrevistas (aberta, com a professora e coordenador e de grupo focal, com
os/as estudantes), observações seguidas de anotações em diário de campo e
registros das reuniões com os sujeitos envolvidos. Participam desse estudo a
professora da turma “oficina II”, os vinte e três estudantes com idade entre 5 e
6 anos, o coordenador da escola e outra professora que coordena junto à
professora da turma em questão um projeto intitulado “Identidade”,
desenvolvido ao longo do ano letivo de 2010 por ambas na prática junto a seus
estudantes. Nesse momento, já realizamos observações iniciais das práticas
realizadas. Identificamos um ensino articulado às questões culturais da
comunidade envolvida, mas que se reduz à abordagem de conhecimentos
hegemônicos no currículo escolar, quais sejam aqueles relativos às habilidades
matemáticas e de leitura e escrita. Em relação às práticas corporais, a
brincadeira que se apresenta em diversos momentos da rotina escolar, ora
como recreação livre, com sentido, conforme a professora, de favorecer a
expressão corporal, desenvolver habilidades motoras, descontração e

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

compensação ao trabalho cognitivo, ora como instrumento para trabalhar


outros conteúdos e habilidades matemáticas, de leitura e de escrita. Também
foi possível notar que no intento de respeitar e valorizar a diversidade cultural,
alguns padrões identitários, especialmente em relação à questão de gênero,
são reforçados pelas perspectivas e valores culturais da professora e se
materializam através das práticas fixando identidades em relação ao ser
menino e ser menina e as brincadeiras pertinentes a cada gênero. As crianças
já expressam discursos e comportamentos em que estigmatizam aqueles que
atravessam a fronteira das identidades construídas acerca do ser menino ou
menina e a relação com a brincadeira. Diante disso, em parceria com as
professoras, estamos imergindo em estudos que viabilizem o aprofundamento
e discussão dos temas cultura; escola e cultura; Identidade e cultura;
identidade e diferença; currículo; Educação Física na Educação Básica; e
currículo multicultural da educação Física a partir da fundamentação dos
Estudos Culturais. A partir desse estudo, seguiremos ao processo de
elaboração e implementação de um projeto de tematização das práticas
corporais na Educação Infantil preocupado com a constituição de identidades
democráticas. Os dados serão confrontados com os referenciais teóricos dos
Estudos Culturais e analisados mediante procedimentos de descrição crítica
com inferências.
Apoio Trabalho: CAPES
E-mail: lilamenezes@yahoo.com.br

ESPORTE

Velocidade x drible, relação verificada em escolares futebolistas do


salesiano dom helvécio Ponte Nova – MG

Costa, R.J.; Perez, E.C.


Facultad de Cultura Física de Matanzas - Cuba

A concorrência no meio esportivo gera necessidade de pesquisas e evolução


científico-tecnológica no futebol. Porém estas mudanças estão acontecendo
somente na categoria adulto, não atingindo as categorias de base e nem o
futebol em nível escolar. Velocidade é uma das principais qualidades físicas
levada em consideração, quando vamos analisar o potencial do futuro atleta de
futebol. Segundo weineck, apud Benedek/Palfai (1980, 10) “a velocidade do
jogador de futebol é uma capacidade verdadeiramente múltipla, qual pertencem
não somente o reagir e agir rápido, a saída e a corrida rápidas, a velocidade no
tratamento com a bola, o sprint e parada, mas também o reconhecimento e a
utilização rápida de certa situação de jogo”. Segundo León Torre (2008), dentro
do conjunto de processos que regulam a qualidade das ações motrizes
encontramos as sensações proprioceptivas que são consideradas base da

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

coordenação motora, já que regulam a diferenciação dos esforços de cada um


dos planos musculares que interferem na ação proposta, em um determinado
gesto motor, quer seja no futebol ou não. Além de ser essencial para se
conseguir êxito dentro do mundo do futebol, o drible deixa o jogo mais atrativo,
interessante para quem for assisti-lo e mais fácil de ser comercializado, quando
se tem jogadores rápidos e habilidosos. Objetivo: O presente estudo tem como
objetivo principal fazer correlação entre velocidade em curta distância e o
fundamento técnico drible em futebolistas escolares, na faixa etária de 11 a 15
anos do Colégio Salesiano Dom Helvécio Ponte Nova MG. Metodologia:
Participaram do estudo 81 alunos, com idade entre 11 e 15 anos com média
12,94 e desvio padrão (1,1507), peso médio de 52,49 kg, com desvio padrão
(12,96), altura média de 162,74 cm, com desvio padrão (9,17033), como
critérios de inclusão no estudo os participantes deveriam estar matriculados e
freqüentes às aulas de educação física. O estudo seguiu as diretrizes e normas
que regulamentam a pesquisa com seres humanos (lei 196/96), sendo
informado aos participantes todos os propósitos e métodos utilizados no
estudo, ressaltando o direito dos mesmos desistirem do experimento a
qualquer momento. Após estas providências deram-se início as avaliações. Os
alunos foram submetidos a duas etapas de coleta de dados que incluíram
testes de habilidade específica do futebol (drible Mor & Christian) e teste de
velocidade (20m PROESP). A escolha destes testes se deu pela facilidade de
aplicação, pois não requerem equipamento especial e apresentam coeficientes
de validade aceitáveis. A coleta de dados foi realizada num período de 15 dias,
com intervalos de um a três dias entre as etapas, sendo realizadas no mesmo
horário, pelo mesmo avaliador. Para caracterização da amostra foram
realizadas medidas de peso corporal em balança mecânica, marca filizola com
precisão de 100 gramas. A estatura foi tomada na mesma balança, em apnéia
respiratória pelo avaliado. Resultados: As duas variáveis (velocidade e drible)
estão dadas em segundos (parte inteira) e centésimos de segundos (parte
decimal). Para determinar a inter-relação entre as variáveis drible e velocidade,
foi adotado o coeficiente de correlação de Pearson (r). Após coleta e análise
estatística dos dados, verificou-se um coeficiente de Pearson (r) = 0,4847232,
levando à conclusão que as variáveis velocidade e drible estão correlacionadas
positivamente e de forma moderada, pois r= 0,4847232 está entre 0,30 e 0,49
e de acordo com a literatura indica uma relação baixa. Considerações Gerais:
Observou-se durante a aplicação do teste específico do fundamento drible, que
alunos não praticantes assíduos do futebol, tiveram muita dificuldade em
manter a bola sob controle, acarretando um desempenho débil neste quesito.
Recomenda-se que outros estudos sejam feitos preferencialmente em
indivíduos praticantes assíduos do futebol, para que se possa comprovar ou
não, uma correlação alta entre drible e velocidade.
Palavras chave: Futebol, escolares, velocidade, drible.
E-mail: rivisontocantins@yahoo.com.br

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Perfil do profissional que atua nas escolas de futebol

dos-Santos, JW; Bianchini, F


Departamento de Educação Física, UNESP, Bauru

Introdução: O futebol é o esporte mais popular do Brasil e por isso, dentre


outros fatores, é comum encontrarmos escolas, ou “escolinhas”, de futebol na
maior parte das cidades do Brasil, sejam estas, escolas particulares ou
públicas, de prefeituras. Além disso, o futebol é um esporte com uma tradição
de valorizar os ex-atletas para atuarem como profissionais da “bola”, tanto com
jogadores profissionais ou com jovens que estão na iniciação do futebol. Por
outro lado, ainda não é bem conhecido o perfil formação dos profissionais que
atuam no nas escolas de futebol com o ensino de crianças e jovens e se esses
profissionais realmente são ex-atletas. Objetivo: Fazer um levantamento sobre
a formação educacional, experiência prática com futebol e percepção da
necessidade de formação para atuar no ensino do futebol. Métodos: o estudo
caracterizou-se como descritivo onde foi feita uma análise quantitativa sobre o
perfil dos profissionais que atuam em escolas de futebol. Quarenta e sete
profissionais de 27 escolas de futebol (13 particulares e 14 prefeituras), de 12
cidades da região nordeste do estado de São Paulo, responderam a um
questionário composto por 11 questões fechadas. Informações sobre a idade,
tempo de atuação com futebol, escolaridade, formação profissional e a
percepção da necessidade da formação acadêmica para exercer a função de
professor de futebol foram levantadas. Resultados: os entrevistados tinham
média de idade de 34,2 anos e 6,5 anos de experiência no ensino do futebol.
Não foi verificada nenhuma mulher atuando nas escolas. Os formados em
educação física (EF) foram 42,6%, enquanto que 23,4% eram alunos de EF,
23,4% tinham o ensino médio (EM) completo e 6,3% ainda não havia
completado o EM. Todos tiveram experiência prática como jogador de futebol,
amador (67,4%) ou profissional (32,6%). Estágios em clubes ou escolas de
futebol foram feitos por 65,2% dos participantes e 57,4% fizeram algum curso
de curta duração. Um grande número dos entrevistados participantes do estudo
(88,8%) sente falta de cursos específicos para atuarem no futebol e 77,7%
consideraram necessário ser formado em EF para trabalhar com o futebol.
Considerações Finais: Apesar do esporte, especificamente o futebol, ser um
dos campos de atuação do profissional de EF, considerando a amostra
estudada, os profissionais de EF formados são minoria nas escolas de futebol.
A valorização da experiência prática com a modalidade para atuar nas escolas
de futebol parece ser muito importante, uma vez que todos os profissionais
tiveram experiência prática com o futebol, seja como jogador amador ou
profissional. Por outro lado, essa experiência não da total segurança para eles
atuarem como profissionais no ensino do futebol com crianças e jovens
iniciantes, pois a grande maioria dos participantes do estudo sente falta de
cursos específicos de atualização e julga necessária a formação em EF para
exercer a função de “professor” em escolas de futebol. A maioria dos
profissionais que atuam nas escolinhas de futebol não são formados em EF e

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

tem formação baseada na experiência prática, como ex-jogador de futebol, e


em estágios realizados em clubes e escolas de futebol.
Palavras-chave: Escola, Formação, Futebol, Profissional.
E-mail: santos@fc.unesp.br

Analise do perfil de formação dos treinadores de futebol da copa do


Mundo de 2010

Silva, A. A. S.; Thiengo, C.; Teixeira, E.; Talamoni, G.; Morceli, H.; Cavazani,
R. N.; Silva, R. N. B.
Fam/Nepef

A copa do mundo de futebol reúne os 32 melhores times da atualidade com


técnicos de grande prestigio que defendem seu país ou outra nação. As vagas
para a Copa do Mundo ficaram distribuídas da seguinte forma: America do Sul
(Conmebol) 5, America Central (Concacaf) 3, África (CAF) 6, Europa (UEFA)
13, Ásia (AFC) 4 e Oceania (OFC) 1. Este trabalho tem como objetivo
apresentar a relação entre os treinadores, a formação apresentada oficialmente
pela FIFA e a distribuição destes em relação ao mercado. Como método foi
utilizado a análise de documentos disponíveis no site oficial da FIFA sobre o
mundial de 2010. Como resultados foram encontrados em relação à
distribuição dos treinadores que: a) 7 são da America do Sul, 2 da America
Central, 1 África, 18 Europa, 3 Asia e 1 Oceania; b) os treinadores que
defenderam as seleções de seu país foram 20 e; 12 treinaram seleções
estrangeiras. Em relação aos elementos de formação foi percebido que dos 32
técnicos 2 são formados em educação física e não constam informações no
currículos referente a formação dos demais. 29 são ex-jogadores tendo atuado
profissionalmente, 1 atuou em equipes amadoras e 2 não tem passagem como
jogadores. Os treinadores europeus para atuarem profissionalmente têm que
passar pelo curso de formação da UEFA que é dividido em quatro etapas: a)
licença C, esta licença é destinada para quem trabalhar nas áreas de juniores e
seniores que da direito a atuação a nível nacional; b) licença B, conhecimento
mais aprofundado sobre a preparação Junior; c) licença A, esta possui ação
superior a atuação de nível nacional e d) formação de professores de futebol.
Deve-se ressaltar que estes módulos podem sofres algumas mudanças de
acordo com a legislação de cada pais. Alem dos cursos ao final de temporada
é organizado encontro dos treinadores para debates sobre a competição e
troca de experiências. As demais confederações não disponibilizaram dados
referentes a preparação. Os técnicos que não foram jogadores(2) possuem
graduação e pós-graduação em educação física e são da America do Sul. Em
relação ao mercado de treinadores foi observado que o continente europeu foi
o que mais exportou treinadores (8/12) e em seguida foi a America do Sul
(4/12). Em relação aos dados coletados podemos considerar que quando
valorizamos a formação profissional e incentivamos a propagação do
conhecimento adquirido, criamos um ambiente com profissionais melhores
preparados e capacitados a estenderem seus conhecimentos alem de suas
fronteiras.

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

E-mail: andre.asilva@bol.com.br

Formação profissional no esporte a vela: buscando desempenho na


classe hobie cat

Silva, P. P. C.; Silva, E. P. C.; Florêncio, S. Q. N.; Moura, P. V.; Freitas, C.


M. S. M.
UPE/UFPB

A formação profissional em educação física torna-se um desafio, no que diz


respeito às dificuldades encontradas na área, em especial ao que recai nas
práticas na natureza, especificando o esporte a vela. Tal prática se caracteriza
pela propulsão, direção e equilíbrio envolvendo elementos naturais como o
vento e a água em constante interação com o velejador. Com o crescimento e
popularização das práticas na natureza, precisa-se de um crescimento no
número de profissional para atender a demanda das práticas. No entanto, as
práticas na natureza vem recebendo instrutores de diferentes ramos de
atuação de atuação profissional, o que tange ao respaldo e conhecimentos
necessários para uma atuação prática com qualidade, que possa favorecer
experiências corporais significativas. Desta forma, é necessário desenvolver
uma postura profissional, capaz de responder aos interesses dos praticantes,
dando eficácia à potencialidade, ressaltando os que procuram desempenho. O
objetivo do estudo foi analisar a atuação profissional no esporte a vela na
classe Hobie Cat. Trata-se de uma pesquisa descritiva, de abordagem
qualitativa, envolvendo atletas e ex-atletas na classe Hobie Cat 14 e Hobie Cat
16, totalizando 12 velejadores do Iate Clube da Paraíba, sendo apenas um do
sexo feminino. Como instrumento utilizou-se um questionário para
caracterização dos sujeitos e uma entrevista semi-estruturada, além de um
roteiro observacional. As coletas foram realizadas no período de abril a junho
de 2010, no Iate Clube da Paraíba. Para análise dos dados foi utilizado o soft
AQUAD 6, para obtenção da frequência absoluta, o soft GoDiagram 2.6.2, para
a construção dos diagramas, e a análise de conteúdo para as categorias
analíticas. Foram estabelecidas três categorias analíticas que discutiram a
respeito do desenvolvimento da classe Hobie Cat. A primeira categoria refere
aos professores de educação física, constituindo 3 profissionais, que exercem
suas profissões paralelas e tem a vela como prática esportiva. A segunda
categoria, diz respeito aos instrutores do esporte a vela, encontrando 2 sujeitos
que dão aulas de iniciação de vela, contudo não tem formação em educação
física, e praticam a vela há mais de 18 anos. A terceira categoria, faz referência
as regatas, uma vez que o Estado da Paraíba se destaca na categoria Hobie
Cat 14 e Hobie Cat 16, conquistando vários campeonatos brasileiros, além das
regatas da REFENO (Regata Recife – Fernando de Noronha). As várias
conquistas dos velejadores da Paraíba, são justificadas, por eles, pelo fato da
região ter ótimas condições climáticas, um mar tranquilo, sol e vento favorável
a prática, aspectos que em outras regiões brasileiras não se destacam,
variando as condições climáticas, o que dificulta o treinamento, sendo um
ponto negativo para os velejadores de outras regiões, do ponto de vista dos

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

velejadores entrevistados. É importante destacar que os atletas participantes


da pesquisa não tem um treinamento acompanhado por profissionais
especializados, eles constroem seus treinamentos seguindo o calendário de
regatas, envolvendo treinamento aeróbio e anaeróbio, e alguns se preparam
psicologicamente quando se aproxima das competições. Diante deste cenário,
é possível destacar que se os atletas do Iate Clube da Paraíba tiverem um
treinamento qualificado por profissionais da área, bem como uma equipe, que
oferece um treinamento específico, orientação nutricional, psicológica entre
outros, capaz de trazer melhorias no desempenho dos atletas, e
consequentemente a obtenção de melhores resultados, abrangendo um maior
número de conquistas e atletas, o que poderia também, aumentar o interesse
pelo esporte por novos praticantes.
Palavras-chave: Esporte a vela. Formação Profissional. Desempenho.
E-mail: laprisci@gmail.com

FORMAÇÃO INICIAL, CONTINUADA E


INTERVENÇÃO PROFISSIONAL

Universidade e educação física: um estudo dos grupos de pesquisa da


ESEF/UFPel

Afonso, MR; Montiel, FC; Nascimento, FM; Andrade, DM; Rodrigues, CN;
Santos, LL; Pereira, FM
Universidade Federal de Pelotas - Escola Superior de Educação Física

Hoje no espaço universitário a produção do conhecimento precisa acontecer


pela via das redes de pesquisadores, buscando a valorização de grupos
institucionais que facilitem a produção do conhecimento, assim as pesquisas
na universidade devem privilegiar a constituição de grupos, onde docentes e
pesquisadores questionem-se e façam suas discussões com os pares. Tem-se
clareza que um dos mecanismos de visualização da produção científica
docente está disponibilizada na Plataforma Lattes, criada pelo CNPq, um banco
de dados onde estão disponibilizados os Currículos Lattes. Dentro desta base
estão as informações sobre o processo de formação, o desenvolvimento da
carreira, e a inserção dos docentes no Diretório de Grupos de Pesquisa do
Brasil (DGPB). De acordo com o CNPq Grupo de Pesquisa se constitui num
conjunto de indivíduos organizados hierarquicamente, cujos fundamentos
organizadores são, a experiência, o destaque e a liderança no terreno científico
ou tecnológico, com linhas comuns de pesquisa e onde possam ser
compartilhadas instalações e equipamentos. Buscou-se nesta pesquisa
analisar a inserção dos docentes no DGPB considerando: a liderança de Grupo

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

de Pesquisa; ano de criação do grupo; status do grupo; linhas de pesquisa;


número de alunos e pesquisadores envolvidos; participação em outros grupos;
indicadores de produção nos três últimos anos. Fizeram parte deste estudo 17
docentes, escolhidos intencionalmente, do Programa de Pós-Graduação, stricto
sensu, da Escola Superior de Educação Física (ESEF) da Universidade
Federal de Pelotas (UFPel). Tratou-se de um estudo descritivo do tipo análise
documental, utilizando-se para análise o Currículo Lattes dos docentes, mais
precisamente o DGPB. Os resultados apontaram para a existência de onze
Grupos de Pesquisa, todos certificados pelo CNPq, tendo como líderes os
docentes do referido Programa. Cabe ressaltar que dois grupos não estavam
atualizados a mais de doze meses. Nestes grupos estão inseridos um número
expressivo de estudantes e pesquisadores, acenando para uma provável
disseminação da pesquisa e do conhecimento na área da Educação Física. Em
relação aos indicadores de produção, analisando os três últimos anos,
verificou-se que os docentes que possuem uma maior produção bibliográfica
são aqueles que atuam como líderes e pesquisadores, demonstrando que a
organização e as parcerias criadas pelos Grupos de Pesquisa tendem a
alimentar as redes de conhecimento, e por fim aumentar a produção científica.
Percebeu-se que a inserção nos Grupos de Pesquisa aumenta a produtividade
docente e discente, contribuindo para a qualificação do Programa de Pós-
Graduação da ESEF/UFPel, assim como para a formação profissional tanto
dos docentes e quanto dos discentes. Ficou evidenciado, através da análise
documental que embora o docente participe de grupos, ainda há dificuldades
quanto ao registro nos diretórios, devido à falta de informações sobre a
importância do cadastramento, não só para seu reconhecimento profissional,
mas também como forma de qualificação do Programa em que estão
vinculados. Constatou-se ainda que na ESEF/UFPel existe uma
heterogeneidade em relação a produção bibliográfica dos professores.
Confirmando que a organização e as parcerias criadas pelos Grupos de
Pesquisa tendem a alimentar as redes de conhecimento, e por fim aumentar a
produção científica. Foi possível perceber que os docentes da ESEF/UFPel,
assim como em outras áreas de conhecimento, vivem as tensões da própria
área, não raras vezes impregnada de corporativismo, acrescidas das tensões
das demais áreas na luta por espaços e reconhecimento dos pares. Ressalta-
se então a importância da participação docente e discente em Grupos de
Pesquisa, o que poderá auxiliar para uma formação mais qualificada. Acredita-
se que o cadastramento junto ao CNPq possa dar maior visibilidade ao
conhecimento produzido internamente na Universidade, de forma que a
comunidade externa, possibilitando trocas e o crescimento da área da
Educação Física, assim como para dar uma maior visibilidade as pesquisas
que estão sendo realizadas.
Palavras-chave: docente; diretório de pesquisa; ensino superior.
E-mail: montielfabi@msn.com

O voleibol na formação docente: algumas reflexões

Almeida, R.; Ferreira, L.

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Universidade Federal de São Carlos- UFSCar

A temática formação de professores de Educação Física passou a ser mais


estudada após a década de 1980, ainda que o currículo em Educação Física
tenha sido questionado, discutido e reformulado desde a criação de seu
primeiro curso. As atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para cursos de
formação docente estão presentes no Parecer do Conselho Nacional de
Educação (CNE) 009/2001 e nas Resoluções CNE/CP 01 e 02/2002. Com tais
legislações, os cursos de Licenciatura passaram a ter um currículo com
projetos específicos que deveriam focalizar os problemas e as especificidades
das diferentes modalidades da educação básica. Partindo do pressuposto que
existem diferenças entre ensinar determinado esporte na escola se comparado
a outros ambientes que não a escola como: clubes, escolinhas, equipes, etc,
nos interessou investigar se houve alteração, de fato, no ensino das disciplinas
esportivas, especificamente o voleibol, nos cursos de Licenciatura em
Educação Física, tendo como “pano de fundo” as Diretrizes Curriculares
Nacionais que orientam atualmente as Licenciaturas. Portanto, o objetivo desta
pesquisa foi analisar a disciplina voleibol em cursos de Licenciatura em
educação física frente à legislação em vigor. A presente pesquisa foi pautada
pela abordagem qualitativa, tendo analisado quatro Instituições de Ensino
Superior (IES) do interior do Estado de São Paulo. As técnicas de coletas de
dados adotadas foram: entrevista semi-estruturada, realizada junto aos
docentes responsáveis pela disciplina voleibol nas IES analisadas;
questionários aplicados para trinta e oito discentes que estavam cursando ou já
haviam cursado a referida disciplina; e análise documental, via Plano de Ensino
da disciplina. Os dados revelaram que as atuais legislações estão contribuindo
para um discurso mais atento às questões escolares, tanto da parte dos
docentes como dos alunos. Dois docentes tiveram contato profundo com as
atuais Diretrizes Curriculares Nacionais, quando reestruturaram o currículo das
IES em que atuam, enquanto dois conhecem tais legislações de maneira
superficial, o suficiente para responder às dúvidas dos alunos. Com relação ao
ensino da modalidade, há indicativos, demonstrados pelas entrevistas e pela
análise dos planos de ensino, de superação de um ensino genuinamente
técnico-tático, mas mesmo assim tais elementos ainda são mais valorizados
que aspectos históricos, políticos, filosóficos e sociológicos. A valorização
desses elementos está relacionada às trajetórias de vida dos professores e à
escassez de pesquisas sobre o tema, principalmente ao ensino do voleibol na
escola, fatores esses que vão além da legislação ora em voga. Os professores
entrevistados articulam a disciplina ao contexto escolar de acordo com o que
eles consideram relevantes, visto que não há uma distinção clara, ou uma
concordância de ideias na própria área sobre o que se ensinar na Licenciatura
com relação ao voleibol. Boa parte dos alunos questionados (14 dos 38) não
pretende atuar em escolas. Uma explicação pode ser que esses alunos se
matriculam nos cursos de Licenciatura sem saber exatamente o que esta
escolha significa em termos de atuação profissional.Por formar profissionais
que atuarão sob a perspectiva da atual legislação, torna-se imprescindível que
docentes que lecionam em cursos de formação de professores tenham o
conhecimento da legislação vigente. O Ensino Superior no Brasil passa por um
momento de experimentação das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais, e a

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Educação Física ainda busca a especificidade dos conteúdos a serem


ensinados nos cursos de Licenciatura. O voleibol, por fazer parte dos
conteúdos a serem ensinados tanto nos cursos de formação de professores de
Educação Física como na Educação Física escolar, torna-se um importante
objeto de investigação em prol da nossa compreensão/reflexão do ensino das
disciplinas esportivas nestes espaços formativos.
Palavras-chave: Licenciatura em Educação Física; Formação de
professores; Voleibol.
E-mail: rafaelquezada@fc.unesp.br

Proposta de formação de professores-colaboradores na educação física


para o acompanhamento do estágio curricular supervisionado

Benites, LC; Cyrino, M; Souza Neto, SS


UNESP-RIO CLARO

Observando a questão da formação inicial de professores e sua relação com


a escola, percebeu-se a necessidade de olhar de maneira mais atenta para a
questão do estágio supervisionado em função de sua grande importância para
a constituição do ser-professor. Os professores-colaboradores, que se
encontram no ambiente escolar e recebem estagiários, são imprescindíveis
para a formação do futuro-professor em função de serem aqueles que
acompanham os estagiários no lócal de trabalho. Neste contexto realizou-se
um curso de extensão (universidade/secretaria municipal) para professores-
colaboradores e outros professores de Educação Física, com o intuito de
discutir, refletir e repensar aspectos da formação, como saberes, prática
pedagógica e o entendimento sobre ser-professor, bem como sobre a co-
responsabilidade pela formação de futuros professores. Desta forma, os
objetivos do estudo foram: (a) apresentar a proposta de um curso de extensão
para professores colaboradores; (b) analisar os pontos positivos e negativos
dessa articulação; (c) identificar o processo de acompanhamento do estágio
por parte de alguns professores; e (d) compreender como os professores
entendem a noção de prática pedagógica e os saberes utilizados pelo “bom
professor”. A opção metodológica foi pelo estudo exploratório, qualitativo, tendo
como técnicas a fonte documental e a análise de conteúdo. Portanto foi
utilizado como dados a análise do protocolo de avaliação sobre o
desenvolvimento do curso de extensão, preenchido pelos participantes no que
se refere aos blocos de questões abertas. Como resultado aponta-se que a
proposta do curso foi vista pelos participantes como coerente, destacando-se
entre os pontos positivos a questão das leituras que falavam sobre o ser
professor e o exercício da profissionalidade, mini-cursos confeccionados ao
longo do curso e trocas de experiências sobre o exercício docente. Os pontos
negativos recaíram sobre a reestruturação e encaminhamento de algumas
tarefas. Sobre o acompanhamento do estágio os participantes registram que se
trata de um processo delicado não existindo uma formação “própria” para este
tipo de situação, comentando sobre o comportamento do estagiário e não
sobre o processo de intervenção ou preocupação com a formação. Assim

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

entendeu-se também que esta proposta precisaria ser revista. No âmbito da


compreensão dos conceitos, de maneira geral, o bom professor foi visto como
aquele que agrega teoria, prática, experiências, faz auto-reflexão, domina a
metodologias/conteúdos e se mantêm atualizado, considerando que seus
saberes advêm de conteúdos da universidade, das experiências e vivencias;
sendo prática pedagógica vista como a realização do cotidiano do professor.
Como conclusão aponta-se que o curso se mostrou como uma iniciativa
positiva no que diz respeito a formação de professores, numa dimensão
continuada, apontando uma perspectiva reflexiva sobre as práticas, bem como
ao processo de colaboração nos momentos do estágio curricular. Entre as
propostas surgiu a necessidade de continuidade de trabalho na forma de outro
curso ou de um grupo de estudo formado por professores, coordenadores
pedagógicos, diretores, visando fomentar diretrizes para o estágio no que se
refere a escola e professor colaborador.
Palavras chaves: educação física, formação de professores, estágio
curricular supervisionado, professor colaborador.
E-mail: lbenites@rc.unesp.br

A construção dos saberes, sobre as práticas avaliativas na trajetória dos


professores de educação física

Bermudes, R; Afonso, M; Ost, M


UFPel-Escola Superior de Educação Física

Introdução: Pensar em avaliação implica buscar um novo olhar sobre o


paradigma dos testes, provas e notas, metodologias que privilegiam questões
quantitativas, que ainda constituem-se no modelo padrão de avaliação seguido
pela grande maioria das escolas. Libâneo (1994) afirma que a prática da
avaliação nas escolas tem sido criticada, principalmente por reduzir-se à sua
função de controle, preconizando o aspecto quantitativo. A função da
avaliação, segundo Souza (1993, p.148) significa "diagnosticar qual a posição
do aluno em determinado momento em relação aos objetivos fixados e por que
tem ou não dificuldades de progredir". Portanto, se a proposta é diagnosticar a
posição do aluno em determinado momento em relação aos objetivos fixados, a
avaliação serve como instrumento de revisão do planejamento, o que significa
revisar os conteúdos, a metodologia e a prática do docente, evidenciando a
importante utilização da avaliação no processo de ensino e aprendizagem. De
fato a avaliação se torna importante, visto que tem como objetivo mediar o
ensino e a aprendizagem, porém os professores, em alguns momentos, não
têm conseguido usar seus procedimentos de avaliação para atender a sua
função educativa. Objetivo: Este trabalho teve como objetivo geral investigar a
trajetória das práticas avaliativas, a partir dos saberes, dos professores de
Educação Física, das Escolas da Rede Municipal de Pelotas – RS, que estão
inseridas no projeto de implementação do ensino fundamental de 9 anos de
duração. Métodos: Foram entrevistados professores de Educação Física do
Ensino Fundamental, das Escolas da Rede Municipal de Pelotas – RS,
inseridas no projeto de implementação do ensino fundamental de 9 anos de

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

duração. A pesquisa classificou-se como um estudo de caso, com utilização de


entrevistas semi-estruturadas e a partir das análises de conteúdo foi realizada
a construção de um cenário de vida de cada entrevistado, onde o professor era
convidado a refletir e descrever sua trajetória. Resultados: e considerações
finais Ao refletirmos sobre a construção das práticas avaliativas na trajetória
dos Professores Entrevistados percebemos que a construção é a própria
cultura avaliativa de cada um, visto que eles a utilizam com autonomia,
articulando à prática, o seu estilo, seus conhecimentos, habilidades e atitudes.
Concluímos que, os professores foram ao longo do percurso profissional
construindo gradualmente a sua ação pedagógica, através da mobilização dos
seus saberes; as estratégias de formação continuada, utilizadas pelos
professores, aliada às vivências da formação inicial, às experiências anteriores
a esta formação, juntamente com o que construíram até a fase atual
possibilitaram aos professores as competências necessárias para o
desenvolvimento de sua prática avaliativa. Foi possível detectar, também, que
os professores apresentaram dúvidas e inseguranças na forma de avaliar,
durante cada fase de sua carreira docente, visto que, as suas avaliações se
ancoraram com sentimentos e emoções para avaliar, alterando a sua avaliação
de formal para a informal, deixando-a mais suscetível a incertezas.
Percebemos ainda que, os docentes estavam percorrendo o caminho certo,
visto que, a partir de suas preocupações em mudar, transformar maneiras de
melhorar a sua forma de avaliar, é que geram às suas construções, revelando
que suas avaliações possuem uma finalidade, um sentido e uma forma. Então,
a partir das construções da investigação fomos levados a interpretar cada
história narrada, buscando compreender como que os saberes são
construídos. Dessa forma percebemos que, as histórias de cada professor e
seus saberes encontrados são a própria essência do saber, aliás, seu habitus é
a essência do saber, saber-ser e saber-fazer. Seguindo essa linha, a essência
do saber está presente dentro de cada professor, através de seu habitus
docente, que deixa marcas e significados que ficam guardadas em nossa
memória e ninguém consegue apagar. Através do seu habitus docente, que é a
essência do saber-fazer de cada professor, eles ajudam a construir o
conhecimento, para a edificação de um mundo repleto de descobertas entre
professor, alunos, direção e comunidade escolar.
Palavras-chave: Avaliação; Práticas avaliativas; Saberes profissionais;
Educação Física Escolar.
E-mail: marianaost@ig.com.br

Análise da formação docente e da atuação dos profissionais que


lecionam a educação física na rede municipal de João Câmara – RN

Cardoso, F. T. F.; Soeiro, M. I. P.


UERN-Núcleo de João Câmara- Depto de Educação Física

A formação profissional nos cursos de graduação em licenciatura é parte de


um processo importante para a atuação docente nas escolas de ensino básico,
mas ainda encontramos em algumas regiões do Brasil professores apenas com

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

a formação do magistério lecionando nas instituições escolares. No município


de João Câmara no estado do Rio Grande do Norte a formação de professores
de educação física para atuarem no ensino básico é recente, por muitos anos
grande parte das aulas de educação física era ministrada pelos professores
polivalentes. Apenas nesta década é que houve uma ampliação do número de
docentes formados na área, isso devido à implantação no município no ano de
2004, do curso de licenciatura em educação física pela Universidade do Estado
do Rio Grande do Norte através do Núcleo Avançado de Educação Superior e
ao curso de licenciatura em educação física da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte na cidade de Natal. Neste contexto, este trabalho objetivou
analisar a formação profissional e verificar os saberes docentes que permeiam
a atuação dos professores de educação física que lecionam no ensino
fundamental II, nas duas únicas escolas da rede municipal da zona urbana e
identificar as principais dificuldades enfrentadas na prática docente. Este
trabalho caracterizou-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa de
método descritivo, e foi utilizada uma amostra não probabilística composta por
quatro dos cinco docentes dessas instituições. Foi aplicado um questionário
aberto com oito questões sobre formação docente, tempo de atuação,
satisfação profissional, saberes presentes na formação e na atuação,
condições de trabalho e dificuldades enfrentadas no exercício da docência. Ao
serem questionados quanto ao tempo ministrando aulas de educação física as
respostas variam de cinco a vinte seis anos de profissão. Em relação ao tempo
de formação nos cursos de graduação em educação física as respostas variam
de dois a dezesseis anos, todos já atuavam na área antes de obter a formação
adequada para o exercício da função e apenas um não possui graduação em
educação física, a sua formação para a atuação docente foi realizada no
magistério. Quanto à satisfação com a profissão três professores estão
satisfeitos com o exercício da docência, apenas um professor respondeu que
está mais ou menos satisfeito com a profissão devido à baixa remuneração e
as condições inadequadas de trabalho. Esse grupo reconhece que o suporte
teórico oferecido pela formação acadêmica é extremamente relevante, já que
ela ampliou o conhecimento da área e ofereceu suporte à prática cotidiana. E
apenas um professor respondeu que a sua formação profissional foi razoável,
mas que mesmo assim garantiu segurança a sua prática docente. Entre os
conhecimentos mais importantes adquiridos na graduação, estão o
funcionamento e os limites do corpo e os conhecimentos de Fisiologia. Já todos
os saberes docentes, a ética, o domínio do conteúdo, a cinesiologia e o saber
ensinar são considerados necessários para atuar na escola. E entre as
principais dificuldades enfrentadas na atuação profissional está a insuficiência
de material didático e esportivo, o espaço físico inadequado, o desinteresse
dos alunos, a falta de compromisso de professores, do governo e da família
com a educação, a falta de compromisso com o esporte e com a Educação
Física e a falta de atualização e inovação dentro da escola. Pode-se concluir
que os professores pesquisados passaram por um período de prática docente
sem a formação adequada e específica para ministrarem as aulas de educação
física na escola, mas quando tiveram oportunidade, foram em busca dessa
qualificação e reconhecem que os conhecimentos adquiridos através dos
cursos de graduação são importantes para a sua atuação profissional
juntamente com os saberes docentes e que apesar dos problemas e

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

dificuldades enfrentados no cotidiano escolar estão satisfeitos com o exercício


da docência.
E-mail: isasoeiro@yahoo.com.br

Formação inicial de professores de educação física: saber, significado e


memória da prática pedagógica, da docência e da orientação científica.

Ceregatto, L; Souza Neto, S


Unesp-IB-Depto de Educação

No Brasil, a partir dos anos 90, as pesquisas educacionais passaram a


focalizar a prática docente e os saberes pedagógicos, pois eram temas pouco
explorados, colocando em cena o desenvolvimento pessoal e profissional dos
professores (NÓVOA, 1999). Nesse contexto, o saber da experiência foi
evidenciado como um saber próprio, influenciado por questões culturais e
pessoais, originário do cotidiano e do meio vivenciado pelo professor,
estudante ou professor iniciante. (TARDIF, 2002). Considerando o saber da
experiência um desafio a ser investigado, buscou-se identificar no saber
experiencial registrados nos agradecimentos de 150 Trabalhos de Conclusão
de Curso (TCC), os aspectos significativos desses fragmentos de histórias de
vidas que apontam para o desenvolvimento pessoal e para o exercício
profissional de professores e orientadores. Essa pesquisa foi realizada numa
universidade pública do interior do Estado de São Paulo com os egressos do
curso de Licenciatura em Educação Física. Metodologicamente optou-se por
um estudo de natureza qualitativa, tendo como paradigma o construtivismo
social e como técnicas a fonte documental (150 TCC), entrevista semi-
estruturada (10 estudantes) e análise de conteúdo. Porém, neste trabalho
estaremos apresentando apenas os dados da fonte documental no que se
refere a parte destinada aos agradecimentos em função de termos encontrado
nesse espaço micro-biografias reveladoras de um significativo período de
formação. Entre os resultados observaram-se apontamentos relacionados às
dimensões humanas (afetiva, social, moral, cognitiva e física) com destaque
para três grandes categorias: orientadores, professores específicos e professor
geral. Na categoria “orientadores” (referente aos professores que orientaram os
TCC) observou-se nas descrições nuances de uma relação mestre-aprendiz,
com destaque para ajuda, paciência, amizade - dimensão afetiva; orientação e
ensino - dimensão cognitiva; conselhos, admiração - dimensão moral;
conversas - dimensão social e massagem - dimensão física. Já na categoria
“professores específicos” (essa categoria reporta-se a alguns professores que
foram mencionados de maneira mais focal) foram encontradas características
como: paciência, amizade, carinho - dimensão afetiva; ensinamentos,
conhecimentos - dimensão cognitiva; conselhos, admiração - dimensão moral;
convivências, conversas - dimensão social e massagem - dimensão física;
enquanto que a categoria “professor geral” deu margem para apontamentos de
natureza geral do perfil docente, como: amizade, paciência, ajuda - dimensão
afetiva; conhecimentos, ensinamentos - dimensão cognitiva; compartilhar
experiências, convivência - dimensão social e a todos que fizeram parte de

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

minha formação - dimensão moral. Assim, dos resultados pode-se perceber


que na questão da dimensão afetiva tende a prevalecer na relação do
estudante com os orientadores e/ou professores os elementos de afetividade,
bem como de postura, moralidade, nos remetendo a aquilo que Contreras
(2002) denomina de “obrigação moral” no exercício da profissionalidade
docente. A obrigação moral abarca o comprometimento do professor com o
desenvolvimento dos alunos enquanto pessoas. Com relação a dimensão
cognitiva e dimensão social valorizaram-se tanto a “competência profissional”
como o “compromisso com a comunidade” presentes no exercício da
profissionalidade docente, pois parte-se do pressuposto de que educar não é
um problema da vida particular dos professores, mas, trata-se de uma
ocupação socialmente encomendada. Portanto, elas requerem do professor
uma competência profissional e esta significa mais do que o saber fazer e inclui
a obrigação moral e o compromisso com a comunidade (CONTRERAS, 2002).
De modo que esse profissional para ser competente prescinde, além da
competência técnica, um conjunto de saberes que são necessários para que o
ato de ensinar seja uma prática social. Portanto, percebemos que os resultados
apontam que em termos de perfil profissional, valoriza-se tanto nos
orientadores como nos professores (geral e específico) o exercício da
profissionalidade docente composto pela obrigação moral, compromisso com a
comunidade e competência profissional, parecendo-nos fundamental o
reconhecimento de uma prática docente afetivo-moral como portadora de
aprendizagens significativas.
Palavras-chave: Formação Inicial, Orientação, Docência.
Apoio Trabalho: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
E-mail: lceregat@yahoo.com.br

Educação a distância: formação em Educação Física

Corrêa, EAC
NEPEF - Unesp Rio Claro; Faculdade Anhaguera Bauru; FAEFI - Barra
Bonita

No mundo contemporâneo observamos o avanço do uso das tecnologias em


favor do processo educacional, entre eles a Educação a Distância (EaD),
mediadas por diferentes meios de comunicação, principalmente, a internet. A
fim de acompanhar o avanço das novas demandas e características sociais,
culturais e econômicas algumas Instituições de Ensino Superior (IES) oferecem
cursos de graduação, extensão, especialização, entre outros, na modalidade à
distância. Assim, na perspectiva educacional, o presente estudo visa analisar a
formação profissional em Educação Física no âmbito da EaD. A metodologia
adotada foi do tipo qualitativa, combinando a pesquisa bibliográfica e de
campo. No que se refere à pesquisa bibliográfica, desenvolveu-se a partir da
seleção e aprofundamento de textos que tratam da temática. Na pesquisa de
campo, utilizou-se o estudo exploratório por meio da internet, no qual realizou-
se um levantamento por meio do Google (site de busca) com as palavras “EaD
Educação Física”, identificando, a princípio nesta fase, 07 (sete) IES que

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

ofereciam o curso de formação profissional em Educação Física com


características a distância. Após essa verificação, houve a “visita” aos sites
(endereços eletrônicos) das IES com o intuito de averiguar informações acerca
do curso em questão, na modalidade EaD. Neste levantamento prévio foram
verificados os seguintes aspectos: o curso de formação em Educação Física à
distância é oferecido em regime parcial, aproximadamente 50%; de acordo com
os sites, a EaD visa atender as necessidades de um determinado público que
busca qualificação profissional associada à flexibilidade de horários e locais de
estudo; como se dá a organização dos momentos presenciais do curso; quais
são as ferramentas de comunicação utilizadas como, por exemplo, correio
eletrônico, salas de bate-papo e fóruns, biblioteca virtual etc.; quais seriam as
“dicas” para ser um estudante em EaD (ter acesso à Internet, equipamento
adequado para a participação nos cursos a distância, ter conhecimentos
básicos de Informática, ter flexibilidade e adaptação a novas ideias). Tendo em
vista os primeiros resultados apresentados pela pesquisa, buscar-se-á, a partir
desse estágio, a identificação e a análise aprofundada sobre os objetivos do
curso, perfil do egresso, relacionamento entre professores ou tutores e alunos,
metodologia, grade curricular, avaliação, entre outras possibilidades.
Palavras-chave: Educação a Distância. Formação. Educação Física.
E-mail: evandrocorrealazer@yahoo.com.br

Reestruturação curricular dos cursos de licenciatura: depois das


diretrizes de formação de professores, um novo perfil profissional?

Fuzii, FT; de Souza Neto, SS


UNESP/Rio Claro

No começo do século XXI, no Brasil, foram lançadas as novas diretrizes que


balizaram a formação inicial de professores (BRASIL, 2001, 2002) dando uma
configuração aos cursos de licenciatura. Com esses normativos legais pode-se
entender que na formação de professores foram valorizados os chamados
saberes curriculares, disciplinares, profissionais e experienciais (TARDIFF,
2002) ao mesmo tempo que assumiu características que identifica a docência
como profissão (FREIDSON, 1998). Deste modo, o objetivo desse trabalho foi
identificar em seis cursos de licenciatura de uma universidade pública como foi
proposto o perfil profissional (perfil de professor) após a reestruturação
curricular motivadas pelas novas diretrizes de formação de professores. Para
atingir tal finalidade usamos como metodologia a pesquisa de natureza
qualitativa do tipo Construcionismo Social, tendo como técnicas fonte
documental (seis projetos pedagógicos – Matemática, Física, Geografia,
Ciências Biológicas, Educação Física e Pedagogia), entrevistas semi-
estruturadas com os seis coordenadores de curso no momento da
reestruturação e análise de conteúdo acompanhada de uma atitude critica na
discussão dos dados. Dentre os principais resultados se destaca que os cursos
de Matemática, Física e Geografia não definem claramente o perfil desse
professor a ser formado, entretanto são enfáticos ao expressarem que se trata
de formar um profissional com domínio dos conteúdos de sua área de

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

conhecimento. Por sua vez o curso de Ciências Biológicas aponta como


premissa em formar o educador, um educador que tenha como
responsabilidade a formação do cidadão norteada por referenciais éticos. Já o
curso de Educação Física entende que a docência é a base obrigatória de sua
formação e identidade profissional, com conhecimentos do campo da
Educação Física e da educação formal, assim como o curso de Pedagogia que
aponta a formação docente como o eixo norteador do projeto pedagógico,
formando profissionais que irão atuar na docência na educação infantil e nas
séries iniciais do ensino fundamental. Após traçar os resultados, cabe uma
discussão que aponta para três modelos de licenciatura quando olhamos para
perfil profissional. Um modelo (Matemática, Física e Geografia) que se baseou
num profissional com domínio do conteúdo similar ao que Saviani (2009)
chama de modelo dos conteúdos culturais-cognitivos; um modelo que tem a
formação do educador onde fica a pergunta “se dentro dessa ideia se identifica
o educador poder-se-ia perguntar: onde está o professor?”; e, por fim, os
cursos de Educação Física e Pedagogia que conseguem delinear com nitidez
quem é o profissional que deseja formar, ou seja, tem a docência como a base
da identidade desse profissional. Ao falar dessa identidade profissional Pimenta
(1997) lembra que num processo de formação a construção de uma identidade
profissional passa pelos saberes constitutivos dessa profissão como a
experiência, o conhecimento específico e o saber pedagógico. Em outras
palavras, isso quer dizer que um curso de formação inicial de professores deve
estar atenta aos saberes docentes, o que Tardiff (2002) define como um saber
plural, formado pelo amálgama, mais ou menos coerente, de saberes oriundos
da formação profissional e de saberes disciplinares, curriculares e
experienciais. Finalizando, destacam-se como considerações finais, os cursos
de Pedagogia e Educação Física têm clareza que seus cursos têm na docência
a base de suas identidades profissionais. Entretanto, desvela-se que as novas
diretrizes de formação de professores não foram suficientes para que a
Matemática, Física e Geografia delineassem o perfil profissional pensando a
docência ou que o curso de Ciências Biológicas identificasse o professor e não
apenas o educador no seu projeto pedagógico. Portanto, é necessário que os
cursos de licenciatura, formação de professores, não percam de vista o objetivo
de se formar para a docência, valorizando esse profissional que possui um
corpo de conhecimentos específicos para desenhar novos projetos
pedagógicos e perfis profissionais.
Palavras-chave: Formação de Professores, professor, perfil profissional,
docência.
Apoio Trabalho: Bolsa Cnpq/CAPES
E-mail: fb_tomio@yahoo.com.br

Ensino dos esportes de aventura em instituições de ensino superior na


cidade de Maringá – Paraná

Gomes de Oliveira, C.; Gomes de Assis Pimentel, G.


UEM - GEL - Deptº de Educação Física

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

As atividades de aventura e, mais especificamente, os esportes de aventura


(em ambiente natural ou urbano) apresentam diferencial motriz, volume de
pesquisas, quantidade de praticantes e diversidade de modalidades suficientes
para esse conteúdo ser tratado na formação inicial em Educação Física.
Considerando que os esportes de aventura passaram a constituir-se como
mercado e conhecimento da área, este texto apresenta a experiência de
implantação de atividades de ensino ligada à aventura em duas instituições de
ensino superior na cidade de Maringá estado do Paraná: CESUMAR e UEM. O
objetivo deste relato de experiência é abordar a maneira como essas duas
instituições de ensino superior desenvolvem essa temática. Na UEM, as
atividades tiveram precedente na disciplina Lazer e Recreação (hoje Teorias do
Lazer) e por meio da atuação do Grupo de Estudos do Lazer (GEL), que
desenvolve pesquisas acampamentos temáticos e escolas de iniciação à
escalada em parede e skate (permitindo aos voluntários na extensão, o contato
com a prática de ensino da aventura esportiva). Atualmente, no currículo, são
ofertadas duas disciplinas optativas, denominadas: “Esportes terrestres de
aventura” e “Lazer e natureza”. Esta discute as atividades na natureza
(acampamentos, visitas ao meio, educação ambiental, esportes na natureza),
tratando das técnicas e fundamentos da animação sociocultural sobre ou no
meio natural. Já o conteúdo de Esportes trata das principais práticas (Skate,
Orientação, Escalada) e das estratégias de intervenção por meio desses
conteúdos no contexto do lazer e da escola. Tais disciplinas (2 horas
semanais) são oferecidas desde 2009, sendo que na sua avaliação para
obtenção das notas periódicas, os alunos desenvolvem uma apresentação de
seminário, uma prova escrita e uma avaliação final com uma prova escrita
sobre o conteúdo das referências básicas da disciplina. Na instituição privada,
CESUMAR, a abordagem acontece por meio de uma disciplina denominada
“Esportes radicais e de aventura” sendo que o enfoque principal acontece no
arvorismo, esportes radicais na água, rapel, escalada, skate, bungee jump e os
esportes radicais no ar. A disciplina foi implantada no ano de 2010 tendo (2
horas semanais). Os alunos passam por uma avaliação teórica que
compreende uma prova escrita dos textos trabalhados no bimestre e trabalhos
de pesquisa propostos e na avaliação prática os alunos organizam um evento
esportivo. Pode-se observar que as duas instituições já desenvolvem eventos
de forma conjunta através da intermediação do GEL e, assim, os alunos podem
de ambas IES podem desenvolver o Estágio obrigatório do bacharelado nas
“escolinhas” de skate e escalada (considerados educação não-formal). Essas
iniciativas visam a formação para o campo da aventura, seja tratando do
conhecimento sistematizado (pelas disciplinas), na produção de trabalhos
(linha específica no grupo de pesquisa) ou mesmo aprofundando esse
conhecimento na práxis (os estágios). Conclui-se que essas ações
desenvolvidas pelas IES desempenham papel fundamental na formação e
qualificação desse profissional que está sendo solicitado pelo novo mercado,
com um perfil inovador na busca de preencher os espaços deixados pela
Educação física formal.
Palavras-chave: Esportes, aventura, formação.
E-mail: carlosgomesrosa@uol.com.br

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Grupo de estudos do lazer: 10 anos de contribuição à formação humana

Gomes de Oliveira, C.; Ricardo Cássaro, E.; Gomes de Assis Pimentel, G.


UEM - GEL - Deptº de Educação Física

O objetivo ampliado deste trabalho é afirmar a importância dos grupos de


pesquisa para a formação, tendo como estudo de caso a história do Grupo de
Estudo do Lazer (GEL). O GEL iniciou suas atividades em março de 2000 no
Centro Universitário de Maringá (CESUMAR), com a abertura do curso de
Educação Física naquele ano. O enfoque inicial era a questão da atuação
profissional e das práticas de lazer da população, tendo trabalhos variados, que
iam do lazer da comunidade nipo-descendente até a recreação em eventos.
Uma das dificuldades foi criar uma cultura de pesquisas, pois a presença de
alunos do primeiro ano exigia uma formação suplementar para as questões
acadêmicas. Posteriormente, o GEL passou a integrar os acadêmicos dos
cursos de Psicologia e Turismo/Hotelaria, abordando questões pertinentes à
atuação na Recreação e Lazer no turismo rural, além de uma intervenção
sistemática sobre a formação do profissional e sua atuação no campo do lazer.
A busca da sistematização dos conhecimentos advindos da práxis, ligadas a
temáticas pontuais foi o foco dos trabalhos entre 2000-2004. A partir de 2004, o
grupo se transfere para a Universidade Estadual de Maringá, absorvendo mais
duas temáticas: a aventura; e o lúdico. Também nesse período se intensificam
as pesquisas sobre políticas de gestão dos espaços para o lazer e a atuação
profissional, especialmente na formulação de procedimentos de intervenção.
Entretanto, o período entre 2004-2007 é marcado pela inconsistência das
atividades por um erro estratégico: enquanto o coordenador realizava o
doutorado sem licença da UEM, os temas foram ampliados, perdendo o foco do
grupo. A partir de 2007, o GEL se reorganiza a partir da realidade da
fragmentação da formação inicial entre licenciatura e bacharelado, havendo
predominância de participantes discentes interessados em temáticas não-
escolares. Nesse terceiro período da história do grupo, os participantes já
possuem amadurecimento para conduzirem o GEL como integrantes ativos (o
coordenador deixa de ser o ator do processo e passa a exercer, de fato, a
coordenação), importando o modelo dos PET em termos de organização
interna. Nesse período aumenta a presença de egressos, reforçando a
maturidade e a interação do grupo com o mercado de trabalho.
Simultaneamente, começam a participar alunos do Mestrado; e editais (Rede
CEDES, Fundação Araucária, CNPq Universal, PIBIC) trazem recursos para a
realização das pesquisas. Assim o GEL possui duas linhas de pesquisa: a
primeira na Formação e Atuação Profissional e a segunda relacionada às
Práticas Corporais de Aventura. Esse é o estágio atual do grupo, o qual possui
alunos bolsistas, alunos iniciantes, profissionais (do campo da recreação e
lazer, tanto em hotéis, empresas e escolas) e docentes universitários (de
outras IES) realizando mestrado. Com isso há perspectiva de longevidade, com
autonomia dos participantes. Ainda assim, a realidade deste e de muitos
grupos de pesquisa é dependente da existência de seus coordenadores e
estes, de suas IES. O grupo de pesquisa, embora seja focado para a produção
de conhecimentos, possui um período crítico que diz respeito especialmente à
formação dos recursos humanos, sendo variáveis importantes: o apoio

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

institucional, a tradição de pesquisa na IES, a quantidade de pesquisadores, e


a formação do(s) coordenador(es). São indícios da consolidação do grupo: a
publicação coletiva, os participantes assumem e buscam responsabilidades,
externamente se identifica o grupo e não mais o coordenador, os egressos
retornam ou permanecem; as pesquisas são financiadas e há integrantes
bolsistas convivendo com outros voluntários. Enfim, um grupo se consolida
quando de sua institucionalização, com uma tradição autodeterminada,
consentida e buscada entre seus integrantes. Diante deste quadro, ainda são
desafios realizar pesquisas em rede e trabalhos longitudinais. Considerando o
estudo deste caso, traçando um paralelo com os demais grupos no lazer, se
evidencia a necessidade de realizar intercâmbios entre os grupos, a fim de
potencializar seus recursos para produção de excelência, considerando
especialmente o impacto que a consolidação dos grupos de pesquisa tem para
a formação diferenciada de recursos humanos.
Palavras-chave: Lazer, Formação; Grupos de pesquisa.
E-mail: carlosgomesrosa@uol.com.br

Reflexão coletiva e partilhada no processo de formação permanente em


educação física

Henrique da Silva, M; Pontes Junior, J; Martins, R


UFC - IEFES - Instituto de Educação Física e Esportes

Formação Permanente vinculada a processos de transformação, subsidiada


pela busca constante pelo ‘ser-mais’ do professor por meio do fortalecimento
da politicidade do ato formativo, capaz de viabilizar e estabelecer relações de
parceria, cooperação e propiciar processos de reflexão que potencializem a re-
descoberta de si, pela pesquisa da própria prática e, da trajetória de vida e
formação, não é mera utopia ou mesmo esperança vã, é uma realidade que
pode e precisa acontecer para renovar o que vimos chamando de formação
continuada. Optamos pela expressão formação permanente, em contraposição
a formação continuada, porque configura a idéia de constante continuidade,
durabilidade, permanência, amplitude e se insere como elemento de
qualificação profissional, para o aprimoramento dos professores em sua prática
pedagógica e suas funções como docentes (Imbernón, 2009). Nesta pesquisa
ao propor como objetivo analisar as contribuições que os professores atribuem
à reflexão coletiva e partilhada no e para o processo de formação permanente
em Educação Física - EF, apontamos possibilidades para novos pensares e
fazeres no cenário formativo, corroborando com o anuncio de mudanças
possíveis para agir-caminhar na direção de re-apreender a formação como um
processo de transformAção permanente. A perspectiva metodológica que se
utilizou para o desenvolvimento da pesquisa e, para melhor definição dos
instrumentos de investigação, foi o enfoque qualitativo, tendo em vista a
pertinência do mesmo para sua realização. O tipo de estudo que nos propomos
seguiu o caráter descritivo. Assim, buscou-se analisar os resultados das
contribuições da reflexão coletiva e partilhada para professores em processo
de formação permanente, trabalhando com o universo dos significados e

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

valores atribuídos pelos mesmos, e dando sentido às ‘falas’ dos interlocutores


envolvidos, dando-lhes visibilidade, características pertinentes ao estudo
qualitativo (Bogdan e Biklen, 1982). O percurso empreendido para o trabalho
de investigação, a práxis da pesquisa, ocorreu nos moldes da pesquisa-ação-
engajada (Barbier, 1985; Brandão, 1999; Figueiredo, 2004; Thiollent, 2004),
subsidiado pela Perspectiva Eco-Relacional, abordagem epistemo-
metodológica que fundamenta o curso de formação. A opção por este tipo de
pesquisa se fez necessário em virtude das intencionalidades do estudo que
direcionavam para uma abordagem que pensasse os envolvidos como autores-
aprendentes-participantes. A dinâmica da pesquisa foi realizada no contexto
dos encontros dos módulos II e III do curso de formação, no formato de
extensão, intitulado: tecendo saberes em movimento para o ensino da
educação, que vem sendo desenvolvido no Instituto de Educação Física e
esportes- IEFES da Universidade Federal do Ceará. O grupo investigativo foi
composto por 36 professores de Educação Física Escolar do município de
Fortaleza-Ce. A análise dos resultados teve por base os materiais advindos das
produções dos participantes, das observações interativas e do questionário
aplicado, utilizando-se a técnica de análise temática para determinação de
categorias. Como resultados, tecemos três categorias de análise que indicam
que a reflexão coletiva e partilhada no processo de formação permanente
permite: 1) aprender com a experiência ou história de vida do outro na partilha
da própria história; 2) Reconhecer-se e transformar-se na escuta da própria
história; 3) vivenciar uma importante prática para repensar a própria história.
Constatamos que os professores na busca em significar a reflexão coletiva e
partilhada atribuem à mesma a potencialidade para a redescoberta de si,
quando demarcam como principal significado aprender com o passado para
superá-lo e projetar o futuro e, apontam ainda a relação entre o passado e a
aprendizagem para a prática docente no presente. Acreditamos que a reflexão
coletiva que pode ser vivenciada em processos de formação permanente
permite a tomada de consciência das aprendizagens experienciais e da
constituição de projetos pessoais, profissionais, sociais, com vistas ao futuro e
à implementação de mudanças, pois como humanos trazemos o potencial de
nos trans-formarmos permanentemente. É importante ainda destacar o
potencial transformador advindo da consciência reflexiva sobre as experiências
para o processo formativo, que permite repensar idéias cristalizadas, superar o
modelo meramente reprodutivista de formação, abrindo-nos a inovações.
Apoio Trabalho: CAPES
E-mail: melenih@hotmail.com

Constituição do grupo-aprendente no processo de formação permanente


de professores de educação física

Henrique da Silva, ME
Universidade Federal do Ceara - UFC - Instituto de Educação Física e
Esportes - IEFES

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Este trabalho apresenta reflexões para pensar a formação permanente de


professores de educação física associada a uma perspectiva crítica, dialógica e
relacional. Historicamente, sabemos que em geral, a oferta de programas de
formação permanente é vivenciada de forma descontextualizada da realidade
escolar, sem levar em conta os interesses e necessidades dos professores e
de suas práticas, e proposta por ‘experts’ em assuntos educacionais que se
apresentam com a intenção de ofertar solução para todos os problemas porque
passam os professores em suas ações. Assim, o objetivo deste estudo foi
verificar os contributos da constituição do grupo-aprendente para o processo de
formação permanente de professores de educação física escolar, para
identificar os limites e as possibilidades que esta constituição oferece. A
abordagem metodológica da pesquisa seguiu o enfoque qualitativo, com
caráter descritivo (Bogdan e Biklen, 1982). O principal lócus da investigação foi
o curso de formação e qualificação docente ‘Tecendo Saberes em Movimento
para o ensino da educação física’, que vem sendo desenvolvido, em formato de
curso de extensão, pelo Instituto de Educação Física e Esportes da
Universidade Federal do Ceará, em parceria com a Secretaria Municipal de
Educação de Fortaleza. Este curso aponta como diferencial, a utilização da
Perspectiva Eco-Relacional (Figueiredo, 2003), uma proposta epistemo-
metodológica que fundamenta seus princípios com vistas a superar o velho
paradigma da formação cartesiana, cognitivista, conteudista, colonializante e
opressora. Esta proposta Inclui como fundamento da práxis formativa a lógica
eco-relacional, contextualizada, descolonializante, experiencial, crítica e
reflexiva (Figueiredo, 2008). Os colaboradores desta pesquisa foram os 45
autores-aprendentes que participam do curso de formação permanente. Para a
realização do trabalho de campo, utilizamos como técnica de coleta de dados a
aplicação de 02 questionários com questões abertas, anotações no diário de
campo e análise dos trabalhos desenvolvidos pelos professores ao longo dos
três módulos do curso que tinham por objetivo a constituição do grupo-
aprendente. A técnica de análise temática foi utilizada na determinação de
categorias para levantamento dos resultados, que nos conduziram a três
categorias que indicam que a constituição do grupo-aprendente no processo de
formação permanente potencializa: 1) a formação colaborativa e significativa;
2) a aprendizagem relacional; 3) a valorização dos diferentes saberes e modos
de ler a realidade. Verificamos que os professores reconhecem a pertinência e
relevância de um projeto de formação permanente que se tece de modo
compartilhado, colaborativo, parceiro e que considera os saberes que os
mesmos trazem. No que tange aos limites de constituição do grupo-
aprendente, destaque se faz para a dificuldade de vivenciar a escuta, o
respeito ao outro e diversidade de idéias e pensamentos apresentados pelos
autores-aprendentes, visto não estarem habituados a processos formativos nos
quais tenham uma participação efetiva e não apenas como meros
expectadores. As possibilidades apresentadas nos levam a compreensão de
que a formação permanente relacional viabiliza que os professores sejam
autores de seus percursos formativos, potencializando-os a uma aprendizagem
parceira e colaborativa, na qual a reflexão sobre suas práticas permite
possíveis reconfigurações e novas leituras acerca dos modos como percebem
suas ações e práticas pedagógicas. É possível concluir que a constituição do
grupo-aprendente contempla uma experiência inovadora e exitosa para a

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

formação permanente de professores, que supere os modelos mecanicista,


subalternizante, reprodutivista, e de transmissão de conteúdos e técnicas
descontextualizadas e que não levam em conta as necessidades das práticas
educativas dos professores. Esta proposta colabora para uma perspectiva
crítica, contextualizada, dialógica, reflexiva, que inclui e valoriza a dimensão
afetiva, o aspecto relacional, coletivo, participativo e partilhado de
conhecimentos, saberes e experiências no projeto formativo.
Apoio Trabalho: CAPES
E-mail: melenih@hotmail.com

Opinião de alunos-estagiários de licenciatura em educação física sobre


os estágios curriculares obrigatórios

Iza, D. F. V.; Ramos, G. N. S.


UNICEP - Depto. de Educação Física

Os licenciandos ao entrarem em contato formal com a realidade das escolas


públicas, através dos estágios curriculares obrigatórios, se deparam com várias
situações que explicitam aspectos positivos e/ou negativos tanto da prática
profissional docente quanto da organização/realização do estágio propriamente
dito. O distanciamento entre a universidade (formação inicial) e a escola
(intervenção profissional) que muitas vezes identificamos durante o nosso
trabalho como professores de estágios em Educação Física foi motivador para
esta pesquisa, que teve como objetivo investigar como o aluno do curso de
licenciatura em Educação Física compreende a disciplina estágio em sua
formação profissional. Para tanto, um questionário estruturado com questões
abertas e fechadas foi aplicado aos vinte alunos regularmente matriculados no
oitavo semestre do curso noturno de Licenciatura em Educação Física de uma
universidade pública do interior do estado de São Paulo. Todos os sujeitos
participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido
concordando em participar do estudo. Os dados coletados foram analisados
qualitativamente e três categorias de análise foram construídas: a)
CARACTERIZAÇÃO DO ALUNO-ESTAGIÁRIO: a idade dos participantes
variou de 21 a 31 anos, dos quais 13 (65%) foram mulheres e 7 (35%),
homens. 85% (17) haviam participado ou participavam de algum projeto de
extensão e/ou grupo de estudos dentro da instituição universitária. Apesar de
ainda não serem formados 55% (11 alunos) afirmaram já terem tido alguma
“experiência docente” ao longo da formação inicial, sendo que esta variou de 2
a 24 meses, em instituições escolares e não-escolares, públicas e particulares.
Oito sujeitos (40%) disseram que não possuíam experiência docente e 1 (5%)
não respondeu; b) ESTÁGIOS CURRICULARES OBRIGATÓRIOS: sobre a
sua importância, 18 alunos (90%) a enfatizaram através de afirmações
relacionadas ao conhecimento da realidade educacional, suas dificuldades e
forma de agir docente bem como o confronto entre teoria (característica da
universidade) e prática (intervenção profissional). 1 aluno (5%) disse serem
importantes, porém, cansativos, pouco participativos e que teve uma desilusão
ao conhecer a realidade e 1 aluno (5%) respondeu não ser importante, pois

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

“não é possível aprender sobre a atuação do professor, pois cada realidade é


diferente e não existem somente escolas públicas”, tecendo uma crítica à
limitação dos estágios às escolas públicas; c) RELAÇÃO ENTRE ESTÁGIOS E
DEMAIS DISCIPLINAS DO CURSO: além de terem indicado prioritariamente
as disciplinas de orientação pedagógica específicas deste curso de graduação
em Educação Física, apontam (90%) para suas relações com os estágios
curriculares obrigatórios: “se discute muito a situação do ensino de Educação
Física em todo o curso, porém, nas disciplinas citadas a discussão é mais
direcionada” ou “elas ajudam dando a base teórica para a prática nos estágios,
além de solucionar possíveis problemas durante os estágios”. E algumas
críticas: “chegam a ser repetitivas, falam sobre as criticas à educação, como
planejar aulas e as necessidades das escolas, porém, falta falar sobre como
resolver os problemas que vemos nos estágios”. Além da importância e da
distinção entre o que aprendem na universidade e o que acontece nas escolas,
os sujeitos pesquisados indicaram a necessidade de os estágios curriculares
obrigatórios serem mais dinâmicos já que possuem “carga horária extensa” e,
muitas vezes, as aulas nas escolas “são sempre iguais, repetitivas”, apontando
para um equilíbrio entre a carga horária de observações, participações e
regências exigida nos estágios do curso pesquisado. A partir da realização
deste estudo, entendemos que as críticas dos alunos sobre os estágios
curriculares obrigatórios, relacionadas às disciplinas do curso, são
fundamentais para que eventualmente os docentes revejam conteúdos e
estratégias, porém, percebemos ainda uma expectativa instrumental e
mecânica destas no que se refere às complexas e singulares situações
características da prática profissional. Com isso, a participação em projetos de
extensão e a “experiência docente” durante a formação inicial são
importantíssimas e significativas para o aluno-estagiário, pois proporcionam
contato efetivo com as diferentes realidades profissionais, bem como
aproximações com as questões que envolvem a práxis pedagógica, podendo
favorecer maior consciência sobre as possibilidades do trabalho docente na
escola.
E-mail: glaramos@terra.com.br

Formação Inicial em educação física: foco nas 400 horas de estágio


curricular supervisionado

Montiel, FCM; Pereira, FMP; Afonso, MRA


Instituto Esporte & Educação

O Estágio Curricular Supervisionado (ECS) é um componente curricular


importante na formação inicial do professor. Com a Resolução 02/2002 do
Conselho Nacional de Educação – Conselho Pleno (CNE/CP) este componente
sofre modificações em sua carga horária. Anteriormente o ECS tinha 300 horas
e atualmente são 400 horas, um aumento expressivo de mais de 30% na carga
horária em relação à antiga legislação. Este trabalho origina-se a partir da
dissertação de mestrado sobre o impacto das 400 horas de ECS nos cursos de
Licenciatura em Educação Física (EF) do Rio Grande do Sul (RS). O estudo foi

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

realizado a partir das mudanças curriculares decorrentes da Resolução


CNE/CP 02/2002, em relação ao ECS. Buscou-se analisar a configuração do
ECS nas Instituições de Ensino Superior (IES) que possuem curso de
Licenciatura em EF. Participaram deste estudo todos os criados até 2000 e
que, no passado, tiveram ECS com duração de 300 horas. Entre os objetivos
do estudo estavam: verificar o impacto das 400 horas de ECS; identificar os
problemas evidenciados na operacionalização desta carga horária; analisar se
as mudanças foram positivas ou negativas na visão dos coordenadores de
curso e os professores orientadores de estágio. A análise documental serviu
como método de investigação do projeto pedagógico de curso e grades
curriculares das IES. Utilizaram-se questionários como forma de coleta de
dados, afim de abordar os coordenadores de curso e professores orientadores
de estágio. Os resultados demonstram que a partir da Resolução CNE/CP
01/2002, a qual instituiu as diretrizes curriculares nacionais para os cursos de
Licenciatura e da Resolução CNE/CP 02/2002, os cursos apresentam um maior
equilíbrio entre teoria e prática, assim como uma preocupação em organizar
seus currículos de forma a atender as exigências destas Resoluções. Outro
fator importante identificado foi a elevação quantitativa de carga horária e a
vinculação objetiva com a realidade escolar, evitando, como anteriormente, que
os estudantes, somente no último semestre letivo, tivessem contato com a
escola. Os coordenadores e professores acreditam que, com o ECS a partir da
metade do curso, o aluno passe por experiências mais diversificadas e, ao final
de sua formação inicial, sinta-se mais preparado para atuar na escola, com
mais vivências, além de uma prática baseada na teoria. Embora as estruturas
curriculares, da metade dos cursos estudados, não apresentem mais pré-
requisitos para a realização do ECS, há um encaminhamento pedagógico para
que o aluno esteja preparado ao ingressar na escola. Outro fator salientado é
que ainda há a necessidade de uma maior parceria entre escola e
universidade, onde todos trabalhem juntos para a formação do futuro professor
de EF. É indispensável o estreitamento da relação entre as intuições, uma
maior colaboração do professor da escola na formação inicial do estagiário e
uma boa relação entre professor universitário e professor da escola, para que a
vivência do ECS aconteça de forma tranquila dentro do processo de formação
inicial. Verificou-se a partir dos questionários que os maiores impactos
percebidos pelos coordenadores de curso e professores orientadores estão
relacionados com: o grande número de estudantes em situação de ECS nas
escolas, dificultando o atendimento a estes por parte dos professores e maior
contato com o ambiente escolar, possibilitando ao estudante uma maior
vivência e aprendizagem de sua futura profissão. O estudo conclui que apesar
dos problemas evidenciados em relação ao ECS, detecta-se uma tentativa em
qualificar mais este momento da formação. Os professores estão preocupados
com seus alunos e estágios e com a relação que deve ser estabelecida entre
universidade e escola - fundamental para na formação inicial, já que os
estudantes estão em processo de construção de uma identidade profissional.
Entende-se que mudanças implicam processos, os quais levam certo tempo
para sua concretização. Mesmo assim, a partir das alterações estabelecidas
pelas Resoluções citadas, já foram percebidas mudanças positivas nos ECS
dos cursos de Licenciatura em EF. Estas alterações são positivas na medida

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

em que indicam o ideário, que, no caso, seria a interação entre teoria e prática
nos cursos de formação de professores de EF do RS.
Palavras-chave: educação física; estágio; formação.
E-mail: montielfabi@msn.com

A Extensão Universitária e suas implicações para a formação do


professor de Educação Física que atua na escola

Nozaki, J. M.; Ferreira, L. A.


Unesp-IB-Pós-graduação em Ciências da Motricidade/Formação Profissional

A formação de professores é um assunto muito discutido nos últimos


tempos, devido à grande dificuldade dos futuros docentes em relacionar: a
teoria com a prática, a refletir sobre a docência, a trabalhar em grupo, dentre
outras questões. Neste sentido, ela tem despertado um interesse grande por
parte dos pesquisadores. Uma significativa parte dessas recentes
investigações tem apresentado as limitações tanto da formação inicial quanto
da formação continuada, indicando novos rumos formativos. A partir dessas
preocupações e visualizando outras perspectivas de análise, interessa-nos
saber se as vivências da formação inicial proporcionadas a futuros professores
de Educação Física, por um específico projeto de extensão universitária,
resultaram em aprendizagens para eles que, hoje, atuam como professores de
Educação Física na escola. A extensão universitária é reconhecida como uma
das funções que compõe um dos pilares da universidade e tem assumido, no
decorrer da história, diferentes concepções teóricas e ideológicas. Ao longo
das últimas décadas, a extensão universitária tem se consolidado enquanto
espaço de aprendizagem reconhecido institucionalmente pela academia. Assim
sendo, este estudo teve como objetivo analisar as implicações do projeto de
extensão universitária “Ensinando e Aprendendo Handebol” na
formação/atuação do professor de Educação Física que atua em escolas.
Participaram deste estudo seis professores que, no período da graduação,
foram estagiários do projeto de extensão já citado. A referência metodológica
se pautou por uma pesquisa qualitativa, que utilizou o questionário como
técnica de coleta. Após intensa leitura dos dados coletados e da articulação
desta com a revisão de literatura relacionada à formação docente e à extensão
universitária, o material foi organizado em cinco categorias de análise, a saber:
1) Organização e construção da prática pedagógica; 2) Aprendizagens do
trabalho em grupo; 3) Aprender a ensinar handebol; 4) Dinâmicas de trabalho e
reflexões formativas e 5) Experiências levadas para o cotidiano escolar. De um
modo geral, os dados destacaram que os professores aprenderam: a elaborar
planos de aulas e a pensar em cada aula; a ouvir, trocar experiências, elaborar
aulas em conjunto, a discutir e refletir sobre a prática, a desenvolver a
responsabilidade, o compromisso e a trabalhar com o outro; a ensinar o
handebol conhecendo e aprimorando os seus conhecimentos, aprendendo
estratégias, desenvolvendo envolvimento e segurança para trabalhar com a
modalidade na escola; dinâmicas de trabalho e reflexões formativas que
proporcionaram o primeiro contato do professor com o aluno, a expor o

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

objetivo, a oferecer feedback na aula, a fazer avaliação diagnóstica, a lidar com


questões imprevisíveis, a ter uma visão mais crítica, a criar estratégias
dinâmicas e motivantes, a transmitir valores, a ter segurança para lecionar e
estimulou a aproximação da Universidade com a escola através de pesquisas
das práticas. O resultado da pesquisa aponta que estratégias formativas como
está são muito estimulantes e positivas, na opinião dos pesquisados para a
formação de professores. Tais experiências parecem complementar o ensino
da graduação, possibilitando maior aproximação da teoria com a prática, pois
permitem a vivência profissional e as reflexões dela advindas já na formação
inicial. É através dessa aproximação do conhecimento acadêmico com o
cotidiano do professor que surgem novas aprendizagens, habilidades,
conhecimentos e coragem para lidar com as diversas e inúmeras situações do
dia-a-dia de um profissional que atua no universo escolar. Não se trata de
aprender simplesmente pela prática, como em alguns momentos pode parecer,
os projetos de extensão precisam ter um compromisso explícito com a
aprendizagem dos futuros professores e, para isso, é necessário que sejam
elaboradas inúmeras dinâmicas/estratégias que favoreçam este processo
formativo. Como exemplo, podemos destacar: trabalhos em grupo, debates
constantes, planejamento e avaliação coletiva, diários de aulas, leituras de
apoio, entre outras.
E-mail: joicenozaki@yahoo.com.br

A graduação em educação física e suas vertentes quanto à inserção ao


mercado de trabalho.

Nunes, R. E. P.; Pereira, R. A.; Macedo, D. C.; Silvino, F. C.; Silva, A.C. A.
Fefisa – Faculdades Integradas de Santo André

A presente pesquisa teve como indagação inicial desvendar como ocorre a


escolha entre licenciatura e bacharelado no curso de Educação Física pelo
aluno ingressante, mas o questionamento estendeu aos alunos que estão
concluindo a licenciatura. Assim, o objetivo foi levantar as questões que
influenciam os ingressantes do 3º ano do Ensino Médio pela escolha no curso
de Educação Física, e se estes alunos conseguem distinguir a diferença entre
licenciatura e bacharelado, além de verificar por outro lado os alunos
egressantes do curso de licenciatura da Fefisa- Faculdades Integradas de
Santo André, quanto a sua escolha entre licenciatura e bacharelado e a sua
inserção no mercado de trabalho. A pesquisa foi delimitada com um estudo
teórico e empírico. No levantamento bibliográfico, enfatizamos um estudo sobre
a história da Educação Física, seguido pela formação profissional, na qual está
inserida a apresentação das grades curriculares da Fefisa – Faculdades
Integradas de Santo André ao longo dos 40 anos da instituição. A pesquisa
empírica foi dividida entre o momento da escolha na licenciatura ou
bacharelado e ao final do curso na inserção no mercado de trabalho, ou seja,
com os alunos do 3º ano do ensino médio que pretendem cursar Educação
Física, foram selecionadas 11 escolas, sendo 9 públicas e 2 particulares na
região do grande ABCDM – São Paulo e a outra parte foi realizada na

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

instituição Fefisa com os alunos do 3º ano de Educação Física do curso de


licenciatura. Para coleta de dados foi utilizado questionários com questões
abertas e fechadas, acompanhadas do termo de consentimento livre
esclarecido e o ofício de apresentação para as instituições públicas e privadas.
Na análise dos 57 questionários aplicados aos alunos do 3º Ano de Ensino
Médio, que desejam ingressar no curso de Educação Física, o objetivo foi
analisar o conhecimento prévio e informá-los sobre o curso nos dias atuais,
facilitando sua escolha. Nestes questionários foi verificado que o fator
determinante pela escolha do curso de Educação Física foi ter praticado
alguma modalidade esportiva, ser atleta ou ainda por se identificar com o
curso, porém não possuem quase nenhum conhecimento quanto às diferenças
entre Licenciatura e Bacharelado. Na análise dos 98 questionários dos
egressantes do curso de licenciatura, foi observado que ao concluírem o curso
pretendem atuar em escolas públicas, particulares e faculdades e que almejam
a complementação do Bacharelado, assim como especializações em Educação
Física escolar e iniciação esportiva como complemento, edificando o
aprimoramento acadêmico e profissional. O confronto das informações
possibilitou verificar que o aluno ingressante não tem o conhecimento da
distinção das grades curriculares, mas que ao decorrer do curso acabam se
identificando com o curso de licenciatura, visto que a maioria dos alunos
acabam escolhendo inicialmente a licenciatura. Destarte, a pesquisa colaborou
no esclarecimento quanto à distinção do curso de Educação Física entre
licenciatura e bacharelado aos sujeitos da pesquisa, e suas normalizações e
áreas de atuação, para que façam a escolha correta consolidando a sua
decisão na formação profissional de forma consciente, a pesquisa deixa
espaço para novos estudos e o crescimento no mercado de trabalho por
profissionais qualificados e satisfeitos com suas escolhas, dispostos a cumprir
com seu papel na sociedade.
Palavras-chave: Formação profissional, Egressantes e ingressantes,
Educação Física, Bacharelado, Licenciatura.
E-mail: educa1_@hotmail.com

A formação continuada dos professores de educação física: um estudo


comparativo entre início e fim de carreira

Ost, M; Afonso, M; Bermudes, R


UFPel-Escola Superior de Educação Física

Introdução: Na sociedade atual, a velocidade das mudanças, a quantidade


de novas informações e tecnologias que vem surgindo acabam por influenciar
em todos os domínios da vida humana, seja nas relações, no trabalho, na
família, na cultura, na economia e exige uma constante e contínua
transformação. Nesse contexto, a formação aparece como o instrumento mais
potente para democratizar o acesso à cultura, à informação e ao trabalho.
Assim, a formação continuada vem a ser um tema prioritário e com uma grande
potencialidade, o que justifica a necessidade crescente de investir em formação
(GARCIA, 1999). Logo é inegável a relevância da continuidade de estudos e a

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

busca pela formação docente, devido ao professor ser um indivíduo que


necessita estar sempre em movimento, atualizado, construindo saberes, para
qualidade de sua prática profissional. Essa busca faz parte da vida do
professor, sendo um processo que não tem fim. Desde o momento da escolha
pela profissão, o docente começa a escrever a trajetória de sua vida
profissional. Objetivos: O objetivo da investigação foi analisar o processo de
formação continuada de professores de Educação Física, que em sua trajetória
profissional encontravam-se em início e fim de carreira; e ainda realizar uma
análise comparativa entre estes dois diferentes momentos. Método A pesquisa
caracteriza-se sob a forma de estudo de casos comparativos, com abordagem
qualitativa. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas e aplicado um
questionário contendo questões abertas e fechadas. Foram investigados quatro
professores de Educação Física que atuam na Rede Municipal de Ensino de
Pelotas-RS. Os participantes foram escolhidos de forma intencional, a partir
dos anos de docência, conforme a proposta desenvolvida por Nascimento e
Graça (1998) dividindo a carreira docente em quatro fases de desenvolvimento
profissional: entrada, consolidação, diversificação e estabilização, sendo que
no estudo, foram investigados professores que se encontram nas fases de
entrada e estabilização. Na coleta de dados foi utilizado um questionário
contendo questões abertas e fechadas, e, por fim, utilizamos um roteiro de
entrevista semi-estruturada. Resultados e considerações finais Partindo da
análise dos dados obtidos, podemos dessa forma trazer alguns tópicos
conclusivos: - A escolha da Educação Física como profissão não foi apontada
como primeira opção para a maioria dos professores do estudo, porém nenhum
entrevistado demonstrou arrependimento da carreira escolhida; - A formação
inicial representou para todos os professores um processo significativo sendo
referenciados momentos tanto positivos, como negativos, relacionados à
qualidade docente, ao ensino, à pesquisa e à extensão; - A necessidade de
atualização, de buscar a formação continuada desde o momento da conclusão
da formação inicial, ficou evidenciada na trajetória dos professores iniciantes; -
Os saberes acumulados, permitiu aos professores em final de carreira tratar as
questões profissionais e de trajetória de vida com mais profundidade; - Os
professores mais experientes tiveram acesso facilitado para concretizar a
formação continuada pelo fato de conhecerem os caminhos institucionais para
alcançar seus objetivos quanto a isso. Ao concluir este estudo ficou
evidenciado que os caminhos ao longo da formação continuada são muitas
vezes dificultados pelo desconhecimento. Logo, fica evidente o desestímulo
para os novatos sendo muito expressivo nas falas, vindo a acarretar em um
possível distanciamento da continuidade da formação em serviço. Acreditamos
que, a partir da comparação entre os dois momentos da carreira em que se
encontravam os professores, foram muitas as dificuldades e barreiras
enfrentadas pelo professor iniciante para buscar a formação em serviço,
ocorrendo assim um distanciamento, causado pelo desestímulo oriundo de
inúmeros fatores. Em nosso estudo, os professores em fim de carreira
demonstraram muita vontade e disposição em realizar a formação continuada,
sinalizando ainda que é possível a busca por realização pessoal e profissional
mesmo em fase de estabilização e desinvestimento profissional. Por fim,
acreditamos que a motivação e o compromisso com a formação também são

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

intrínsecos, fazendo com que cada um busque suas referências teóricas e


caminhos a serem percorridos.
Palavras-chave: formação continuada, início e fim de carreira, educação
física.
E-mail: marianaost@ig.com.br

O poder dos professores de Educação Física escolar na construção da


formação continuada: uma análise à luz da teoria de Norbert Elias

Rossi, F.; Hunger, D.


Unesp-Rio Claro-IB - Doutoranda em Ciências da Motricidade

Desde a promulgação da LDBEN n.º 9.394/96 a formação continuada de


professores cada vez mais ganha relevo nos debates educacionais por ser
concebida como um meio para a mudança da prática pedagógica e
transformação da qualidade do ensino brasileiro, integrando praticamente todas
as reformas educativas em curso. Ressalta-se que a prática pedagógica
também se constitui num processo de aprendizagem no qual o professor faz
descobertas, aprende e reelabora seus conhecimentos e ações, (re)significa a
sua formação e a adapta à profissão. É preciso, portanto, dar um estatuto ao
saber da experiência e condições para que os professores façam suas
escolhas de formação. Diante desse quadro, o objetivo desta pesquisa
consistiu em analisar a participação dos professores de Educação Física
escolar na construção e implementação de propostas de formação continuada
sob a ótica do referencial teórico de Norbert Elias. De natureza qualitativa,
empregaram-se no estudo como técnicas de coleta de dados, fontes
documentais e orais, além da revisão da literatura. Por intermédio da entrevista
semi-estruturada foram coletados os depoimentos de oito professores do
ensino básico da rede pública estadual da cidade de Bauru/SP. Constatou-se
que os professores não têm participado da construção da formação continuada,
pois os entrevistados alegaram não haver espaço para se envolverem com as
fases de elaboração e implementação de ações formativas, sendo que essa
necessidade foi manifestada como forma de desenvolvimento de propostas que
correspondam à realidade escolar. Evidencia-se a despreocupação dos atores
responsáveis pelas práticas de formação atuais em reconhecer e valorizar os
saberes experienciais dos docentes, bem como em ouvir o que tem a dizer o
professorado sobre sua própria realidade. Tal fato pode ser confirmado nos
estudos teóricos, visto que nas propostas de formação contínua geralmente é
desconsiderada a necessidade de formação específica para cada etapa da
carreira docente. Assim como não são valorizados os saberes dos professores,
deixando de estabelecê-los como ponto de partida (e chegada) da formação,
ou seja, não existe espaço nos modelos vigentes para que o próprio professor
seja a pessoa principal do processo, sendo que é ele quem percebe as
dificuldades e necessidades do cotidiano escolar. Na ótica elisiana, os
processos humanos e sociais são representados por pessoas que estão
sujeitas a forças que as compelem. Não se tratam de forças exteriores às
pessoas, exercidas sobre elas como se fossem meros objetos. Mas, são forças

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

exercidas pelas pessoas sobre outras pessoas e sobre elas próprias. Verifica-
se a ampliação das configurações (que são formadas por grupos
interdependentes de pessoas e não por indivíduos singulares) que envolvem o
professor, com funções especializadas e específicas (professor, diretor,
coordenador, supervisor, acadêmico, ministro, pais, comunidade), grupos que
se tornam cada vez mais funcionalmente dependentes. Assim, as cadeias de
interdependência tornam-se mais diferenciadas, conseqüentemente mais
opacas e mais incontroláveis por parte de um grupo ou indivíduo. A análise do
lugar ocupado pelo professor no campo da formação continuada, construída a
partir da teoria de Elias, especialmente sob a luz dos conceitos de configuração
e poder, permitiu concluir que essa dimensão da formação docente representa
jogos de competição que constituem provas de forças maiores ou menores nas
relações entre professores, diretores, especialistas, governador etc., e a
distribuição de poder nesse jogo de forças apresenta-se desigual, ocupando os
professores o lugar de sujeitos passivos na sua própria formação, receptor de
conteúdos elaborados por outros, configurando-se as políticas de formação não
como processos compartilhados entre os grupos, mas como processos
elaborados unilateralmente. Nesse jogo de forças, a capacidade de controle irá
variar de acordo com as posições ocupadas pelas pessoas, a dependência
mútua existente entre os grupos e as tensões e conflitos inerentes à teia
entrelaçada. O resultado desta imbricada teia de relações implicará na
transformação ou não do professor no principal agente da sua formação e da
construção da sua profissionalidade docente, sendo que somente a partir de
uma percepção clara dos professores do que está em jogo poderá ocorrer uma
mudança de forças e mediante a organização consciente deles (de que são co-
responsáveis pela reconstrução da Educação) poderão ocorrer transformações.
Apoio Trabalho: CNPq
E-mail: fernandarossi_ef@hotmail.com

Desafios da prática profissional com ginástica em academias: o que


dizem profissionais iniciantes e experientes?

Sachimbombo, K.M.C.; Martins, F.M.; Iaochite, R.T.


Escola Superior de Cruzeiro

Introdução: Evidências de diferentes naturezas – produção e


comercialização de produtos, idéias e tendências, bem como a produção de
conhecimentos e de formação profissional na área de Fitness/Wellness –
delimitam o lugar de precursores que os norteamericanos vem ocupando ao
longo dos últimos quarenta anos no mercado relacionado às ginásticas em
academias. Pesquisas mercadológicas recentes nessa área apontam o cenário
brasileiro como o segundo maior do mundo no que tange ao número de
instalações, com mais de 4,7 milhões de brasileiros inscritos em academias e
clubes de ginástica. Diante de uma realidade tão expressiva e crescente do
ponto de vista mercadológico há que se questionar a formação de profissionais
para o atendimento a essa demanda. Dentre as diversas possibilidades de
investigação sobre a formação de profissionais para o mercado de trabalho em

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Educação Física, estabeleceu-se como foco de investigação no presente


estudo, as condições necessárias – formação inicial e desafios enfrentados –
para a atuação profissional com qualidade na área de ginástica em academias.
Objetivo: O objetivo desse estudo foi identificar, descrever e analisar alguns
dos aspectos relacionados à formação profissional e desafios enfrentados na
prática profissional na área de ginástica em academias por profissionais
iniciantes e experientes. Método: Participaram do estudo, seis profissionais
atuantes na área da ginástica em academias, sendo três profissionais com
tempo de experiência profissional de 1 a 3 anos e os outros três profissionais
com tempo acima de 5 anos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da
Universidade de Taubaté sob número 290/10. Todos os participantes
responderam, individualmente e numa única sessão, a uma entrevista semi-
estruturada composta por questões apontadas pela literatura pertinente acerca
dos saberes, competências, habilidades necessárias ao exercício profissional
com ginásticas em academias. Os dados foram transcritos e analisados
posteriormente sob o referencial da análise de conteúdo. Resultados: Os
professores iniciantes afirmaram que a graduação não supriu as exigências na
área de fitness e que buscam supri-las com cursos extra-curriculares desde o
período de formação e mesmo após. Um dos professores iniciantes apontou
para o estágio supervisionado no auxílio dessas demandas da prática
profissional. Para os professores iniciantes os principais desafios vivenciados
são a falta de consciência dos alunos sobre a relação saúde e estética
corporal, a falta de ética profissional, a baixa remuneração, a visão unilateral
dos proprietários de academia e o desafio de propor aos alunos uma aula que
progressivamente exija mais fisicamente. Para os professores experientes a
formação inicial também não supriu às demandas exigidas na prática
profissional. Afirmaram que é necessário buscar cursos de atualização e
extensão na área do fitness e que é necessário ter envolvimento prático nessa
área. Um dos participantes afirmou que o estágio teve papel fundamental na
formação inicial. Quanto aos desafios, afirmaram que a maior barreira é manter
o corpo em forma. Além disso, a baixa remuneração, as condições do local de
serviço (incluindo equipamentos apropriados), o preconceito racial e a intensa
atividade de criar aulas diversificadas são desafios constantes ao longo da
prática profissional. Conclusão: É possível destacar que, para os participantes,
a formação inicial ainda não responde às demandas presentes na prática
profissional. O mercado existente na área de cursos de formação continuada e
extensão tem se apropriado dessa tarefa de formar profissionais para atuar
nessa área, o que deve ser visto com muita cautela do ponto de vista de uma
formação para além das exigências puramente técnicas. Destaca-se aqui o
estágio curricular supervisionado como um momento que pode ser significativo
para diminuir as distâncias entre a formação e a prática profissional. Os
desafios vivenciados na prática profissional, tanto de professores iniciantes
quanto experientes, passam por aspectos ligados ao reconhecimento
profissional, bem como pelas exigências de se manter física e tecnicamente
preparados para a alta exigência que o desenvolvimento dessa área tem
alcançado nessa área de atuação. Assim, parece urgente colocar essas
questões na agenda de discussões, bem como no exercício de se refletir sobre
possíveis encaminhamentos durante a formação profissional para atuar nesse
segmento de mercado.

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

E-mail: iaochite@rc.unesp.br

A formação do professor e implicações nas aulas de educação física


infantil

Silva, T, F, R; Hunger, D, A, C, F
Unesp Bauru Departamento de Educação Física

Resumo: Literatura pertinente à área da Educação Física comprova a


importância do ensino e aprendizagem dos conteúdos da cultura corporal de
movimento e consequente desenvolvimento saudável da criança. A aplicação
sistematizada e bem orientada desses conteúdos provavelmente possibilitará
uma formação equilibrada e integral no que diz respeito aos aspectos
cognitivos, afetivos, sociais, culturais e motores dessa criança e futuro
adolescente, adulto e idoso. No entanto, observa-se ainda um despreparo
inicial dos professores do Ensino Infantil. Nesse sentido, na presente pesquisa
objetivou-se analisar a formação e dificuldades de professores escolares no
que diz respeito à Educação Física, bem como, as implicações que somente a
formação inicial em pedagogia ocasiona. Para tanto, realizou-se revisão da
literatura abordando-se o processo histórico da área; concepções de criança,
Educação Infantil e Educação Física. A investigação é de natureza qualitativa,
na qual o ambiente escolar - natural - foi a fonte direta da coleta de dados. Por
intermédio da técnica de entrevista semi-estruturada, a qual continha vinte
questões, coletaram-se depoimentos de dezesseis professoras da rede
municipal de ensino de Botucatu, São Paulo, que trabalham com o conteúdo da
Educação Física na Educação Infantil. Constatou-se que: a) as professoras
possuem graduação em Pedagogia, curso que não contempla, em sua maioria,
a área da Educação Física, sendo que a formação inicial inadequada tem
interferido na pratica profissional, afirmou 50% das professoras; b) quase 44%
delas apresentam um planejamento bimestral, porém não há uma reflexão
conjunta referente aos conteúdos a serem desenvolvidos com as crianças; c)
todas foram unânimes em afirmar sobre a importância da Educação Física
Escolar, bem como, consideram necessário um profissional especialista para
trabalhar com esse conteúdo, para que os objetivos da Educação Física sejam
plenamente desenvolvidos. Considerando as diversas leituras e entrevistas
realizadas, pôde-se constatar a importância do movimento para a Educação
Infantil. Movimentar-se significa adquirir um melhor repertório motor, uma
contribuição para a alfabetização (leitura, escrita, construção do pensamento
abstrato, entre outros), e a vivencia de experiências prazerosas, auxiliando
para formação completa da criança. O objetivo desse estudo não foi apenas de
apontar as dificuldades do ensino da Educação Física na Educação Infantil,
mas de retomar a reflexão acerca do assunto para que se possa repensar a
Educação que está sendo oferecida para as crianças nas escolas brasileiras no
que diz respeito aos conteúdos da cultura corporal de movimento. Acreditar
que a Educação Física pode contribuir para a formação global das crianças da
Educação Infantil é um ponto inicial para que a mudança aconteça na

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Educação, mas faz se necessário uma mudança de mentalidade no que se


refere à concepção de corpo.
Palavras-chave: Educação Física, Educação Infantil e Formação
Profissional.
E-mail: talitafabiana@hotmail.com

Autoeficácia docente em situações de estágio curricular supervisonado e


prática de ensino em Educação Física

Silveira, P.C.B.; Iaochite, R.T.


Unitau-IBB-Depto de Educação Física

Estudos sobre a preparação para a docência, bem como as diretrizes


curriculares para a formação na área de Educação Física tem enfatizado o
desenvolvimento de competências e habilidades que o futuro professor deve
adquirir ao longo de sua formação. Parte desses estudos corroboram com a
idéia de que as situações de prática de ensino são momentos importantes para
essa aquisição, uma vez que tais atividades podem permitir que o estudante-
professor reflita antes, durante e após as atividades que planeja, desenvolve e
avalia durante a realização dos estágios curriculares supervisionados. O
processo de reflexão sobre sua própria ação é composto por diferentes
variáveis e, dentre essas, as crenças de autoeficácia para ensinar assumem
um papel mediador nesse processo. Crenças de autoeficácia para ensinar são
julgamentos que o estudante-professor faz sobre suas próprias capacidades
para alcançar resultados de engajamento e aprendizagem dos alunos, inclusive
daqueles mais difíceis e/ou desmotivados, considerando os desafios presentes
no ambiente. As crenças de autoeficácia são constituídas por quatro fontes
principais sendo as experiências diretas de domínio, isto é, aquelas
vivenciadas diretamente pela prática de ensinar; as experiências vicárias, ou
aquelas relacionadas com a aprendizagem por meio da observação de
modelos e outras experiências presentes no ambiente; a persuasão social
caracterizada pela transmissão, geralmente verbal, de crenças; e estados
fisiológicos e afetivos vivenciados antes ou no decorrer das experiências
vividas e que levam à interpretação (avaliação) de capacidade sobre a ação de
ensinar. Considerando esses apontamentos preliminares, o presente estudo
investigou o nível de crenças de autoeficácia docente e suas fontes de
construção com formandos em Educação Física nas situações de prática de
ensino em estágio curricular supervisionado. A amostra foi composta por 114
estudantes de uma instituição de ensino na região do Vale do Paraíba, SP.
Após a apresentação dos objetivos do estudo e das orientações para a
participação, os estudantes-professores concordaram em participar da
investigação assinando o termo de compromisso livre e esclarecido. Foram
utilizados três instrumentos para a coleta de dados, sendo um questionário de
caracterização do participante e da atividade de estágio, uma escala de
autoeficácia docente e uma escala de fontes de autoeficácia docente. Os
dados foram coletados numa única sessão, de forma coletiva e foram
analisados por meio de estatística descritiva com apoio de software – SPSS,

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

v.15.0 – para análise dessa natureza. Como resultado foi encontrado que os
estudantes-professores apresentaram elevado nível de autoeficácia para o
ensino considerando os diferentes desafios presentes no instrumento relativo a
essa variável, de maneira que a fonte com maior pontuação na constituição
dessa crença, segundo os participantes, foi a experiência vicária. Esse
resultado, ainda que diferente daquele posto pela literatura revela
singularidades do contexto avaliado, isto é, situações de prática de ensino em
que o professor colaborador (responsável pelos alunos) parece servir como
modelo ou uma referência importante de condutas, para os estudantes-
professores. Esses resultados oferecem orientações importantes para o
processo de formação para a docência em Educação Física.
E-mail: iaochite@rc.unesp.br

A prática como lócus da formação inicial e continuada para a docência:


novas modalidades de orientação e supervisão para a “Prática de Ensino”

Souza Neto, S; Veiga, M; Bertolini, I; Falco, K; Hirooka, O; Abrucez, P;


Toledo, P; Abreu, R; Lima, T.
Univer Estadual Paulista – Depto de Educação – NEPEF e DFPPE / Rio
Claro

O Decreto No. 6775 /2009, que institui a “Política Nacional de Formação


Profissional do Magistério da Educação Básica”, estabelece como um de seus
princípios a formação docente comprometida com um projeto mais amplo, de
dimensões políticas, sociais e éticas que, de forma articulada, assegure a
todos, indistintamente, o direito à educação e ao ensino de qualidade,
promovendo, de fato, a emancipação dos indivíduos e dos grupos sociais.
Neste contexto surge, no âmbito da CAPES, o programa de Bolsa de Iniciação
a Docência (PIBID) na forma de projetos voltados para a valorização do ensino,
visando dar uma nova direção na captação de professores. Atentos a esta
perspectiva foi proposto o projeto “PARCERIA UNESP E ESCOLAS DE
ENSINO BÁSICO: ARTICULANDO A FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA
NAS CIÊNCIAS BIOLOGICAS, FÍSICA E EDUCAÇÃO FÍSICA”, tendo como
subtítulo o exposto nesta proposta para ser desenvolvido no período de 24
meses. Entre os objetivos busca-se (a) proporcionar a troca de experiências
entre bolsista, professor e a equipe pedagógica da escola; (b) identificar os
principais problemas relacionados ao ensino de Educação Física na educação
básica e (c) elaborar práticas educacionais inovadoras, visando propiciar a
produção de trabalhos ou de material didático-pedagógico em conjunto com os
professores. Trata-se, portanto, de um projeto envolvendo 24 estudantes, 3
professores supervisores (ensino fundamental – primeiro ciclo, ensino
fundamental – segundo ciclo e ensino médio profissionalizante) e 4
coordenadores - universidade. A equipe da Educação Física foi composta por
10 pessoas. Como opção metodológica considera-se este trabalho como
descritivo, qualitativo, podendo ser visto muito próximo da pesquisa
colaborativa. Porém, no trabalho de campo estamos partindo para a coleta de
dados com dois, dos três, aspectos que consideramos como fundamentais para

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esse primeiro momento: (1) as atividades de docência somente poderão ser


consideradas atividades humanas e entendidas como práxis pedagógica
quando essa prática apresentar as características de uma prática
intencionalizada, tendo presente, portanto, um dos seus elementos básicos,
qual seja, a reflexão teórica; e (2) o atual nível de elaboração teórica dos
modelos pedagógicos é ainda incipiente; porém não devemos desconsiderá-
los; ao contrário, isso deve nos incentivar a, partindo de hipóteses e de
modelos mais abertos, buscar possíveis teorias que possam orientar o nosso
olhar e a atividade prática. Assim, tendo como premissa a atenção na prática
intencionalizada e possíveis teorias que possam embasa-la partiu-se para o
trabalho de campo, escolhendo como técnicas a fonte documental e a “reflexão
crítica” (descrever, informar, confrontar, reconstruir). Como trabalho de campo
desses primeiros oito meses concentrou-se em duas frentes de atividades:
conhecimento da realidade das três escolas públicas que fazem parte do
projeto (dividindo a equipe em três grupos), elaborando para este fim um
dossiê de cada uma delas e oficinas pedagogias de reflexão e ação a cada
quinze dias, consistindo na leitura dos livros: “Os professores e a sua
formação”, “Vida de professores” e “Oficio de aluno”. Entre os resultados
preliminares estaremos falando dos dossiês das escolas na qual se fez um
inventário. Entre os destaques apontou-se para o conhecimento de como a
escola funciona, o acolhimento que tiveram por parte da direção, bem como
pelo ambiente de trabalho de determinadas escolas, lembrando que no
exercício da profissionalidade docente a afetividade é um dos aspectos que
acompanha a obrigação moral do professor no sentido de se querer bem aos
alunos ou tratar os estudantes com urbanidade, assim como de manifestar um
compromisso com a comunidade que significa primeiro com os pares e depois
com a sociedade. Porém, entre os aspectos não significativos alguns
estudantes se sentiram muito incomodados com professores que em final de
carreira que não apresentavam um compromisso com a aprendizagem das
crianças ou jovens e com a falta de valorização da profissão docente por parte
do estado e da sociedade. Como sugestão para atrair os jovens para a carreira
de professor os estudantes apontaram a necessidade do ensino estar mais
próxima da realidade cultural dos alunos, assim explorando mais a internet, a
web.
Apoio Trabalho: CAPES - PIBID
E-mail: samuelsn@rc.unesp.br

GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO

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Gestão Universitária em Educação Física: ações da coordenação de curso


alinhadas ao planejamento estratégico institucional

Verenguer, R.C.G.
Universidade Presbiteriana Mackenzie

Particularmente para as Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras, a


década de 1990 foi um grande marco e divisor de águas, visto que com a
definição de políticas para o ensino superior foi possível desenhar o papel do
estado e o da iniciativa privada no tocante ao arcabouço normativo, à expansão
de vagas e aos critérios de qualidade. Uma nova cultura, a da avaliação
periódica dos cursos e das instituições, passa a fazer parte do cotidiano
universitário e os resultados, amplamente divulgados pela impressa, passam a
fazer parte das conversas entre os jovens e suas famílias e a influenciar a
escolha da IES. Sobre as tendências que podem afetar as IES e, por
conseqüência a gestão, destacamos: entrada de investimentos estrangeiros
nas IES, maior acesso de discentes de baixa renda no ensino superior,
aumento do ensino a distância, consolidação de grandes grupos educacionais
via aquisição, aumento por educação continuada. Ainda que estejamos em um
processo de transição e consolidação, podemos afirmar que a gestão
universitária precisa mudar seu paradigma: deixar de priorizar as urgências do
cotidiano e passar a ser estratégica à medida que incorpora, às discussões, a
análise dos cenários e das tendências econômicas e sociais que influenciam e
impactam na sustentabilidade da instituição. Independentemente do nível
hierárquico que ocupa, o gestor universitário precisa desenvolver uma visão
estratégica e sistêmica que venha contribuir nos momentos de decisão.
Considerando, então, os desafios que os gestores universitários têm pela frente
é pertinente perguntar: Qual o papel do planejamento estratégico (PE) nas
IES?; O que os gestores, em qualquer posição, podem fazer para o alcance
das metas? Isto posto, definimos os seguintes objetivos para esse trabalho: a)
caracterizar o atual cenário no qual estão inseridas as IES e a importância do
planejamento estratégico; b) apresentar uma experiência de gestão de uma
coordenadora de curso de graduação alinhada com o planejamento estratégico
institucional. Metodologicamente este estudo caracteriza-se por uma pesquisa
de natureza qualitativa, notadamente um estudo de caso. Ainda sobre a
classificação, podemos considerá-lo do tipo pesquisa-ação, uma vez que, o
universo a ser investigado é aquele no qual o pesquisador está inserido e do
qual participa. A coleta de dados deu-se através das observações, relatos,
conversas formais e informais, registros das ações intencionalmente
planejadas e dos acontecimentos e resultados decorrentes delas. A estrutura
do PE em questão caracteriza-se pela formulação de 2 temas estratégicos
(“Excelência de Qualidade” e “Eficiência de Gestão”) e para cada um deles
foram definidos vários objetivos estratégicos (“manter o corpo docente
qualificado e motivado para o ensino”, “manter permanente avaliação do corpo
docente”, manter permanente canal de comunicação com os discentes”,
“aperfeiçoar a estrutura e aumentar eficiência e eficácia de gestão” e “implantar
e/ou aprimorar normas e procedimentos”). Sobre as ações desenvolvidas para
o primeiro tema estratégico podemos destacar: Curso de Aprimoramento sobre
a Docência Universitária, Reuniões Pedagógicas, Mostra de Extensão e

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Pesquisa dos Docentes do Curso, Curso de Introdução à Plataforma Moodle,


Avaliação Semestral das Disciplinas, Encontros e Visitas Periódicas às Salas
de Aulas e aos ambientes acadêmicos, Política de Acesso à Coordenação.
Como ações para o segundo tema estratégico podemos destacar: Reuniões
com os co-gestores de curso, Estudo e Aprimoramento sobre os temas
relacionados à gestão, Avaliação de desempenho da coordenação, Reuniões
com a equipe de funcionários e Definição de rotinas. Ainda existe potencial de
crescimento para as IES, mas apenas as que estiverem dispostas a rever suas
práticas usufruirão deste crescimento. Apostar no capital humano da instituição
e profissionalizar a gestão é condição mínima para permanecer, de forma
sustentável, no mercado. Ter clareza das metas e definir ações para alcançá-
las é tarefa que qualquer gestor tem que assumir e, por isso, o PE é, além de
fonte de inspiração, o indicativo de onde a IES quer chegar e que decisões ela
deve tomar para isso. No âmbito da coordenação de curso, o gestor precisa
planejar e desenvolver as ações de sua responsabilidade e que lhe são
próprias tendo consciência de que elas precisam estar alinhadas ao PE
institucional.
E-mail: ritaveren@uol.com.br

GINÁSTICA

A ginástica na educação física escolar: o olhar do professor

TSUKAMOTO, M.H.
Universidade do Grande ABC

A Ginástica, manifestação tão rica e diversa, é legitimada como um conteúdo


da educação física escolar, haja vista sua presença em referências para esta
área, como os Padrões Curriculares Nacionais e os Cadernos do Estado de
São Paulo. Em qualquer uma de suas vertentes, traz contribuições muito
significativas a seus praticantes, as quais ultrapassam as fronteiras do ato
motor. No entanto, apesar do exposto, ainda é comum observarmos nas
escolas a grande dificuldade apresentada pelos professores que devem
desenvolver as atividades relacionadas a esta temática, quando não a
completa ausência da ginástica nas aulas regulares de educação física. O
presente estudo tem como objetivo investigar como os professores de uma
instituição de ensino percebem o trabalho com a ginástica na educação física
escolar, no que ser refere a: (1) importância para a disciplina que lecionam, (2)
dificuldades e facilidades no trato com o conteúdo, (3) aplicabilidade do
conteúdo adquirido durante a graduação e (4) sugestões para o incremento do
trabalho da ginástica na instituição. Participaram do estudo 20 professores de
educação física de uma escola particular da cidade de São Paulo, dos quais 12

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

do sexo masculino e oito do sexo feminino. A média de idade do grupo foi de


34 anos e a média de tempo de trabalho na instituição de seis anos. Os dados
foram coletados através de questionário, composto por questões abertas, e
analisados através da técnica análise de conteúdo. Os resultados revelaram
que, apesar de considerarem a ginástica muito importante para a formação dos
alunos, o seu desenvolvimento dentro da instituição fica comprometido por
problemas de material e pela própria formação dos professores. Os conteúdos
relacionados a movimentos naturais e que demandam pouca utilização de
equipamentos foram aqueles considerados de mais fácil aplicabilidade,
enquanto outros, “mais complexos”, que envolvem inversão e que “colocam o
aluno em risco”, são classificados como conteúdos difíceis. Outras dificuldades
levantadas pelo grupo participante da pesquisa referem-se ao envolvimento
dos alunos com as aulas relacionadas à ginástica, especialmente por parte dos
meninos, e ao medo dos praticantes. Foi possível constatar também que,
apesar da grande maioria dos sujeitos terem cursado disciplinas relacionadas à
ginástica durante a graduação, muitos relatam que as mesmas pouco
contribuíram para a atuação com este conteúdo. Assim, sugerem o
oferecimento de cursos de capacitação e oficinas pedagógicas com o objetivo
de minimizar as dificuldades enfrentadas na aplicação do conteúdo, além da
diversificação e aumento da quantidade de material para o desenvolvimento da
ginástica. Os dados nos levam a refletir também sobre como a ginástica, em
toda sua variedade de manifestações, vem sendo abordada na graduação,
uma vez que o início do distanciamento entre o professor, sua prática e este
conteúdo pode estar na formação inicial.
E-mail: maharumi@usp.br

Saberes necessários à prática profissional na ginástica em academias

Sachimbombo, K; Martins, F; Iaochite, R; Galdino, M


Esc-esefic

Recentemente a revista ISTO É, publicou uma matéria intitulada “A


malhação do futuro”. Considerando os especialistas na área de ginástica de
academia, os estudos empíricos, bem como os profissionais no mercado de
trabalho, este estudo se propõe a identificar, descrever e analisar os saberes
necessários, à prática profissional na área de ginástica de academia. Contando
com a fundamentação teórica de autores como Shulman (1987), Gauthier et al
(1998) e Tardif (1998), que entendem por saberes, o conjunto de
conhecimentos, competências, habilidades que são essenciais para atuação do
docente. Foi realizada pesquisa descritiva com abordagem qualitativa de
análise que contou com a participação de dezesseis profissionais do fitness,
descritos da seguinte forma: quatro professores renomados nacionalmente,
denominados professores renomados; três professores docentes da ginástica
de academia em universidades, denominados professores formadores; três
professores atuantes a mais de cinco anos, denominados de professores
experientes; três professores atuantes a menos de cinco anos, denominados
professores iniciantes e três professores que atuam profissionalmente, mas

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

não são formados, denominados professores provisionados. Por meio de


entrevista semi-estruturada os participantes responderam as questões:
Caracterize o bom profissional na área de fitness? Pensando na atuação na
área de Fitness, e na área de ginástica, quais são as competências
necessárias para uma atuação com qualidade?. As respostas foram gravadas
em áudio e posteriormente transcritas na íntegra para obtenção de resultados.
Utilizou-se “Análise de Conteúdos” (BARDIN, 1997). Ressalta-se que, para os
professores renomados o bom profissional da área de fitness é caracterizado
pela Paixão pela docência, pela Credibilidade, Confiabilidade, Conhecimento
sobre comportamento humano, Versatilidade corporal, Capacidade de
aprimoramento, Preparação específica, Ética e possui Experiência prática.
Para os professores formadores ele deve ter Conhecimento Prático, ser
Atualizado, possuir Conhecimento teórico e específico, apresentar Boa relação
interpessoal, deve Acompanhar o mercado de trabalho, ser exemplo e saber
atender o público. Os professores experientes caracterizaram o bom
profissional da seguinte forma atualização, conhecimento técnico-científico, boa
formação, conhecimento geral e na área de humanas, deve ter desenvoltura e
ser comunicativo, deve ter postura, um bom relacionamento interpessoal e
saber o que fala. Para os professores iniciantes o bom profissional é
atualizado, zeloso, comprometido, dotado de conhecimento teórico-prático e
conhecedor do comportamento humano. Para os professores provisionados o
bom profissional é respeitoso, dedicado, responsável, carismático, preparado
físico e espiritualmente, atualizado, estudioso, conhece a modalidade, pontual,
ético e comprometido. Tais respostas indicam Competências relacionais,
técnicas e contextuais (FARIAS, s/d), Conhecimento da Matéria ensinada,
Conhecimento didático do conteúdo e Conhecimento dos alunos e da
Aprendizagem (SHULMAN, 1987, 2004); Conhecimento conceitual e
procedimental (FEITOSA; NASCIMENTO, 2003); Saberes da Experiência,
Saberes disciplinares e Saberes da Formação Profissional (TARDIF, 1998),
além do Saber da Ação Pedagógica (GAUTHIER et al, 1998). Com relação a
segunda categoria, os professores renomados indicaram como competência o
Conhecimento do conteúdo ensinado, as técnicas, ou seja, saber usar a
música, planejar a aula, alcançar objetivos grupo - individuo), saber ensinar,
saber motivar, dominar técnicas de expressão, ludicidade e teatralidade, ser
ético, saber sobre gestão de pessoas e de negócios, ser sutil e humilde. Já os
professores formadores indicaram o conhecimento teórico, a experiência
profissional, saber atender o público, o conhecimento prático, o
acompanhamento do mercado, o conhecimento técnico (ritmicidade) e o
conhecimento sobre o comportamento humano. Indica-se o saber sobre,
Ciência do Exercício, Programas de Exercício, Instrução Técnica difundidos
pelo ACE (COTON, 1997); Ressalta-se ainda, o saber ensinar, saber motivar,
dominar técnicas de expressão, indicando Habilidade de comunicação, de
incentivo e de gestão (FEITOSA; NASCIMENTO, 2003).
E-mail: keilasachi@hotmail.com

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LAZER E RECREAÇÃO

Formação do Monitor em Atividades de Aventura

Auricchio, J. R.
UNIFMU

Desde o final da década de 1980 os chamados esportes radicais vêm se


popularizando no Brasil, mais especificamente no Estado de São Paulo, onde
na década de 1990 surgiram muitas empresas na área de aventura.Tais
empresas são geridas por pessoas com experiência em determinadas
atividades que contratam mão de obra local muitas vezes com pouca ou
nenhuma experiência para auxiliar os guias ou instrutores nas atividades a
serem realizadas com clientes.Sabemos haver duas classes de pessoas para
as atividades de aventura, sendo eles os turistas e os
esportistas.Caracterizaremos turistas como as pessoas que buscam a prática
das atividades de aventura, ocasionalmente em alguma viagem ou passeio, e
esportistas as pessoas praticantes regularmente de uma ou mais
atividades.Ambas as classes buscam tais atividades para o seu próprio lazer e
de sua família e amigos, sendo que o mesmo possibilita a vivência das
atividades aventura, podendo esta reaproximar o contato do ser humano com a
natureza, resgatando valores esquecidos nas cidades.Segundo Freire in
(Schwartzs,2006) o monitor de atividades de aventura é também um
profissional do lazer e este deve buscar aprendizado contínuo para intervir de
forma construtiva, junto aos adeptos dessas atividades.Este estudo tem o
objetivo de averiguar a percepção dos proprietários e dirigentes de empresas
do ramo das atividades de aventura, valendo-se da formação e capacitação
dos respectivos monitores que atuam ou irão atuar neste campo profissional.
Pesquisa através de questionário com proprietários e dirigentes de empresas
de atividade de aventura e revisão de literatura específica.
E-mail: jrauricchio@hotmail.com

Construção de saberes de professores universitários do campo do lazer

Silva, A; Isayama, H
CEFET-MG Campus Curvelo

O saber não é aqui compreendido como um conceito distinto de


conhecimento, mas como conceito amplo que abarca o que é entendido por
alguns autores como conhecimento, e também a elaboração, obtenção e

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

representação deste pelos sujeitos; a atividade discursiva que se apropria de


argumentos e operações e que implica relações de poder. O saber que
interessa neste estudo é o saber que tem sido elaborado sobre o Lazer; as
reflexões, os discursos, argumentos, experiências, dialéticas que vêm sendo
desenvolvidos principalmente nas instituições universitárias que se dedicam ao
estudo do tema. Neste contexto, o docente e pesquisador que atua no campo
de estudos do Lazer tem sido peça fundamental no desenvolvimento da área.
Compreendendo que o saber desses sujeitos integra saberes pessoais aos
saberes provenientes da formação, do currículo das instituições e da sua
própria experiência, segundo a teoria de Maurice Tardif, este estudo buscou
compreender como os professores universitários do campo do Lazer constroem
seu saber docente. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar como se
constituiu a construção do saber docente de professores universitários do
campo do Lazer ao longo de suas trajetórias. Para tal, foi necessário: analisar a
trajetória profissional desses professores; compreender como os saberes
pessoais e os saberes provenientes da formação, do currículo das instituições
e da experiência são significados e construídos ao longo da trajetória de
professores universitários do campo do Lazer; e analisar se as experiências
pessoais de Lazer são incorporadas como saber sobre o lazer pelos docentes.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que utilizou a combinação de dois
procedimentos metodológicos, pesquisa bibliográfica e de campo. Os
resultados deste estudo apontam que a universidade, com suas possibilidades
e limitações, é o âmbito principal do percurso profissional desses docentes.
Mesmo a Educação Física tendo relação direta com a trajetória dos
entrevistados, o entendimento mais ampliado do Lazer como campo
interdisciplinar é consenso entre os professores. Todos os professores
entrevistados fazem parte de uma geração de pesquisadores que se envolvem
em intensos debates que expõem as ideologias nas quais a problemática do
Lazer está envolta, disseminando trabalhos de crítica à produção do
conhecimento e à matriz ideológica que a caracteriza. O discurso dos
professores sobre os saberes pedagógicos revela a carência na formação
pedagógica do professor universitário. Apesar da diversidade de conteúdos das
disciplinas apresentadas, elas se referem a saberes que colaboram na
compreensão do campo do Lazer e dos objetos de pesquisa dos professores,
assim como na metodologia da pesquisa científica. O currículo das
universidades, enquanto artefato cultural que produz modos de subjetivação e
é permeado por relações de poder-saber, tem de forma geral destaque para a
pesquisa. As experiências que marcaram a construção de saberes dos
professores se diversificam e são encontradas em diferentes ambientes e fases
da vida, dizem respeito a vivências positivas, bem como a angústias e barreiras
encontradas no percurso dos professores. Todos parecem mobilizar saberes a
partir de suas vivências pessoais de Lazer. Este trabalho fez algumas
provocações que convidam a pensar a formação profissional em lazer: a
formação pedagógica, o currículo, as disciplinas e que tipo de experiência os
professores universitários, assim como outros profissionais do campo do Lazer,
têm obtido.
E-mail: adriano@curvelo.cefetmg.br

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A inserção da dança na perspectiva do lazer- educação na educação


infantil

SILVA, LFS; SILVA, MGAS


FC/UNESP - Depto de Educação

A INSERÇÃO DA DANÇA NA PERSPECTIVA DO LAZER-EDUCAÇÃO NA


EDUCAÇÃO INFANTIL Marcela Gomez Alves da Silva¹; Luciene Ferreira da
Silva¹ Palavras-chave: Dança, lazer-educação, infância e formação profissional.
INTRODUÇÃO A presente pesquisa investigou a visão que professoras de uma
creche de Bauru-SP tinham sobre o lazer e a dança-educação, e o significado
que atribuíam à sua inclusão na educação das crianças. É importante ressaltar
a importância do desenvolvimento dos conteúdos expressivos e do despertar
das manifestações corporais, que façam parte do cotidiano infantil, para assim
proporcionar oportunidades de desenvolvimento por meio do lazer, o que se faz
mais apropriado com a presença de profissionais preparados para tal tarefa. A
inserção da Dança no contexto do Lazer-educação justifica-se, pois, criam
condições para a manifestação da alegria, do prazer lúdico e para o despertar
da criatividade. OBJETIVOS Objetivou-se, por meio de levantamento
bibliográfico na área, investigar os benefícios encontrados no ensino da dança
enquanto prática de lazer e desenvolvimento humano, bem como verificar a
visão que as professoras possuíam em inserir tais conteúdos, dado que não
recebem formação específica na área. METODOLOGIA Neste estudo, se
utilizou dos elementos da dança para a compreensão de um fenômeno cultural
e social, quais sejam os conhecimentos dos educadores sobre a dança e seu
papel na Educação Infantil. Tratou-se de um estudo qualitativo no qual se
considerou a pesquisa bibliográfica, como um subsídio necessário para a
reflexão e análise das diversas posições acerca do problema em questão. Para
dar conta de avançar na compreensão do problema em investigação, que se
tratou de uma realidade concreta, foi realizado um estudo de campo. Realizou-
se uma entrevista junto às professoras, com roteiro semi estruturado, com
questões abertas, tendo sido possível nortear a ‘conversa’ de maneira informal,
mas sem se distanciar do foco de interesse. As professoras foram
entrevistadas após concordância, através de termo de consentimento. Também
foi realizada pesquisa documental, visto que foi consultado o Estatuto da
Criança e do Adolescente (Lei n.8069, 1990), o Referencial Curricular Nacional
para a Educação Infantil (BRASIL, 1998), entre outros documentos relevantes.
RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS Sem perder de vista o objetivo
do estudo que foi o de verificar a visão de dança e Lazer – Educação das
participantes, constatou-se que embora haja interesse em saber como a dança
atua na educação das crianças, a expectativa foi a de que a dança-educação
proporciona apenas, e não menos importante, o desenvolvimento motor e a
socialização. Destacam-se algumas observações relevantes: em relação ao
entendimento do lazer, foi possível concluir idéias baseadas no senso comum,
pois o lazer foi encarado apenas como uma forma de descontração, não
demonstrando que o mesmo admite uma importância sociocultural e
humanizadora. Entretanto, percebeu-se a preocupação que as professoras
tinham quanto ao aprendizado via ludicidade, mesmo sem fundamentação
teórica sólida sobre o assunto, elas demonstraram valorizar através das

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

experiências vividas a importância de se atuar a partir do componente lúdico.


Verificou-se a fragilidade dos conceitos de dança e de sua relação com a
educação, o que é menos observado junto aos licenciados em Educação
Física, que tiveram oportunidade de acessarem conhecimentos relativos à
dança, ao lazer e ao lúdico. Enfim, o estudo realizado confirmou a hipótese de
que as professoras (pedagogas) necessitam de formação continuada, assim
vê-se necessário uma melhor educação para o lazer em cursos superiores de
Pedagogia, bem como em outros cursos de licenciatura, para inserção de uma
cultura educacional centrada no homem e em seu desenvolvimento,
proporcionando uma melhor formação e conseqüente desenvolvimento social,
pois é importante que, ao trabalharem com crianças, saibam desfrutar do
componente lúdico de forma educativa e transformadora.
E-mail: lucienebtos@g.com.br, marcelagomez@fc.unesp.br,
lucienebtos@ig.com.br

A disciplina lazer nos currículos de educação física: um estudo sobre os


saberes dos professores nas universidades públicas do estado de São
Paulo
Vieira, M.; Souza Neto, S.
UNESP-IB-DEPTO EDUCAÇÃO

O presente estudo abordou o tema lazer e recreação no âmbito da formação


profissional em Educação Física. Tomou como referência o pensamento do
professor universitário sobre esta questão, compreendido como plural, mas
tendo como recorte as experiências que este docente mobiliza tanto no âmbito
de uma perspectiva reflexiva, voltado para os saberes docentes que lhe dão
sustentação, quanto de sua trajetória de vida. Neste contexto teve como
questão de estudo: quais os saberes que fazem parte da trajetória de vida
pessoal e profissional do professor de Lazer ou Recreação e que estão
presentes no desenvolvimento das disciplinas que ministram em cursos de
graduação em Educação Física? Parte-se do pressuposto de que embora o
lazer e a recreação possam ter a sua especificidade na questão do saber
disciplinar eles podem ser precedidos pelos saberes da experiência
provenientes da socialização primária, sendo incorporados aos saberes
docentes em seu conjunto no momento em que o professor os mobiliza.
Portanto, entre objetivos desse estudo buscou-se (a) analisar a inserção dos
temas Lazer e/ou Recreação nas propostas de formação profissional, como
campo de intervenção e, na grade curricular, como disciplina ou conteúdo, em
Instituições Públicas do Ensino Superior no Estado de São Paulo; (b) Identificar
no profissional que trabalha com este tema/conteúdo a constituição desse
saber profissional em sua trajetória de vida, buscando dados sobre este saber,
campo de atuação, interações ocupacionais; e (c) apontar perspectiva em
relação ao processo de formação profissional. Como opção metodológica
escolheu-se a pesquisa qualitativa, do tipo estudo exploratória, utilizando como
técnicas para a coleta de dados fonte documental, entrevista e analise de
conteúdo. Entre os resultados, o lazer e recreação aparecem na universidade,

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

constituindo-se numa disciplina e/ou atrelados a ela nas grades curriculares


dos cursos de formação profissional em Educação Física. Sobre os
participantes da pesquisa, no que diz respeito aos saberes da profissão
apresentaram-se empenhados e preparados para cumprimento da função
docente. Com relação ao lazer e a recreação, identificamos que dos seis
profissionais entrevistados, apenas dois não tiveram essas práticas culturais
presentes em sua infância, devido às dificuldades econômicas e sociais que
enfrentaram. Os demais sujeitos tiveram as práticas recreativas e ludicas como
vivências ao longo de suas vidas. Desta forma, em dois participantes surgiu o
interesse pela Educação Física como futura profissão. Para outros dois a
possibilidade e interesse surgiram após oportunidade de atuar
profissionalmente nas instituições de nível superior com as disciplinas
correspondentes ao tema deste estudo. Com relação ao pressuposto
constatou-se que o lazer e a recreação, no âmbito da Educação Física,
mesclam os seus conteúdos não só com o saber disciplinar, mas também com
o saber curricular e da formação profissional, sendo acompanhados pelos
saberes da experiência provenientes da socialização primária e socialização
secundária.
E-mail: marceloevieira@hotmail.com

LUTAS, ARTES MARCIAIS E ESPORTE DE


COMBATE

Educação Física e atuação profissional na área de saúde: um relato de


experiência com a utilização do judô em população idosa, com baixa
Densidade Mineral Óssea.

Borba-Pinheiro, C.J; Carvalho, M.C.G.A; Dantas, E.H.M


Universidade do Estado do Pará (UEPA) Campus XIII, Laboratório de
Exercício Resistido com ênfase em Saúde (LERES)
Tucuruí-PA ; Instituto Federal do Pará (IFPA) Campus Tucuruí-PA;
Laboratório de Biociêcias

As atividades desportivas como o judô, têm sido tradicionalmente utilizadas


para prática competitiva, educacional e/ou para o tempo livre ou lazer, e as
referências da utilização do judô enquanto prática terapêutica é pouco
evidenciada na literatura. Devido a isto, este trabalho teve como objetivo
relacionar a experiência dos autores na utilização do judô enquanto prática que
proporcionou melhora na densidade mineral óssea (DMO), equilíbrio corporal e
qualidade de vida de um grupo de idosas. Participaram deste estudo 18

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

voluntárias, sendo que 11 praticaram o treinamento de Judô (52.2±5.3 anos) e


sete constituíram o grupo que não praticou exercícios físicos regulares
(53.8±4.4 anos). Vale ressaltar, que todas as voluntárias possuíam osteopenia
e/ou osteoporose e estavam submetidas a tratamento com alendronato de
sódio 70mg, utilizado no controle da doença. O programa foi baseado na
metodologia utilizada para aula de Judô que consiste em: cumprimentos
tradicionais; exercícios de alongamento; de condicionamento; amortecimentos
de quedas; aprendizagem e repetição de técnicas; troca de pegadas;
ataque/defesa (sem projeções), excluída a luta de treino (Handori), finalizando
com os cumprimentos. O treinamento foi periodizado em ciclos bimestrais de
diferentes intensidades, com três sessões semanais (60 mim/aula) em um
período de 12 meses. Utilizou-se um questionário de qualidade de vida
específico para osteoporose, um teste de equilíbrio estático e a absorsiometria
de dupla energia por raio X (DXA) para avaliar a DMO. Observou-se com os
resultados, que as voluntárias adquiriram um melhor equilíbrio, refletido em
uma maior auto-confiança em relação ao medo de cair, melhor qualidade de
vida, além da DMO que teve uma melhora significativa nos sítios ósseos
estudados quando comparadas ao grupo controle. É relevante considerar que
deste trabalho originou-se a dissertação de mestrado e várias publicações
científicas sobre o assunto, dentre elas: três com classificação no Qualis da
Capes (B4, B1 e B1). Além de mais quatro artigos em avaliação por revistas
classificadas no Qualis (B2, B1, A2 e A2) indexadas nas bases: Scielo,
Pubmed, Medline, ISI, Google Scholar, dentre outras. Com base no exposto,
pode-se concluir que a atividade com judô contribuiu para a melhora da DMO,
equilíbrio e qualidade de vida da população estudada, e que esta pesquisa
pode ainda, servir de referência para indicação desta modalidade de luta por
profissionais de outras áreas da saúde como prática alternativa orientada por
um profissional de educação física capacitado para trabalhar com a população
idosa.
Palavras-Chave: Judô, Densidade óssea, Equilíbrio, Qualidade de vida,
Idosos.
E-mail: borba.pinheiro@ifpa.edu.br

Aprendendo lutas na educação física escolar: uma análise à luz dos


referenciais para o ensino fundamental e médio

Câmara, EC; Goes, RGG


Centro Universitário Claretiano

Espera-se que, após sua formação inicial, os professores de Educação


Física Escolar, estejam preparados para planejar, implementar e avaliar aulas
utilizando qualquer elemento da cultura corporal ou de movimento, de acordo
com a proposta pedagógica da escola. De acordo com os Parâmetros
Curriculares Nacionais e com o Currículo elaborado pela Secretaria de
Educação do Estado de São Paulo, as lutas são conhecimentos a serem
discutidos e vivenciados enquanto conteúdos da educação física escolar. No
entanto, a atuação do professor tem se pautado, geralmente, na discussão

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conceitual de tal conhecimento, alegando um despreparo técnico para a


realização de vivências. Devido a dificuldade encontrada, por professores de
educação física, para se trabalhar com o conteúdo lutas na Educação Física
Escolar, questiona-se a situação de tal professor estar realmente apto para
trabalhar com este conhecimento em suas aulas. Por meio de um estudo de
revisão bibliográfica, este trabalho procurou levantar algumas reflexões iniciais
sobre o desenvolvimento deste conhecimento sem que, necessariamente, os
professores apresentem domínio técnico de determinadas lutas. Analisando
documentos como os Parâmetros Curriculares Nacionais e o Currículo da
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, apontamos algumas direções
para o trabalho do professor de Educação Física Escolar com o
desenvolvimento do conteúdo lutas, enfatizando o desenvolvimento de
competências para a formação do cidadão crítico e autônomo.
E-mail: coordeduca@claretiano.edu.br

A relação entre a formação profissional dos técnicos de judô e


longevidade do desempenho competitivo de atletas precoces.

Cavazani, R. N.; Drigo, A. J.


UNESP-RC/ NEPEF

O presente estudo teve como objetivo investigar a relação entre a


longevidade competitiva de atletas da classe infantil e a formação profissional
dos técnicos em judô. O método utilizado nesta pesquisa qualitativa foi o
estudo de caso. Os dados partiram da observação dos resultados dos atletas
da classe infantil nos anos de 1999, 2000 e 2001 em estudo que acompanhou
as classificações dos mesmos durante o período de dez anos no campeonato
paulista de judô. Foram considerados a distribuição dos podiuns (dos quatro
primeiros lugares : campeão, vice, e dois terceiros), e aprofundado a análise
dos atletas que conquistaram cinco ou mais podiuns em relação a formação de
seus técnicos. Esses dados, foram obtidos através do banco de dados público,
no site da Federação Paulista de Judô e as informações complementares ao
estudo foram feitos através de entrevistas com os técnicos. Analisamos os
resultados de 103 atletas que foram medalhistas e constatamos que 53 atletas
(51,4 %) subiram no podium apenas neste campeonato, 18 atletas
conquistaram dois podium(17,4%), 16 apenas três vezes (15,5%), 5 atletas
quatro vezes (4,8%), 3 atletas cinco vezes (2,9%) , 2 atletas seis vezes (1,9%),
2 atletas sete vezes (1,9%), 1 atleta oito vezes (0,98%), 1 atleta nove vezes
(0,98%), e 1 atleta dez vezes (0,98%). Em relação aos técnicos encontramos
os seguintes resultados: dos dez atletas selecionados pelo estudo seis tiveram
técnicos sem a graduação em Educação Física, um não foi identificado se era
graduado e três eram formados em Educação Física. Considerações finais:
mais da metade (51,9%) dos atletas estudados, só apareceram uma vez no
período em dez anos e a grande maioria dos atletas estudados conquistaram
no máximo três podiuns (85,1%) . Os que são mais constantes, que aparecem
no mínimo em metade dos podiuns, correspondem apenas a 9,4% do total.

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Isso reflete que ser campeão precoce não necessariamente possibilita uma
continuidade no desempenho. Em relação aos técnicos, não foi percebido
diferenças pelos resultados encontrados em relação ao técnico formado e não
formado,.sendo que ambos valorizam a competição precoce apesar de que, as
federações internacionais das modalidades individuais como judô e natação ,
recomendam que o início das competições estaduais e nacionais ocorram a
partir dos 12 ou 13 anos.
E-mail: reinaldounesp@hotmail.com

Pensando na formação de profissionais de educação física para


desenvolver sistemas computacionais no ensino de gestos esportivos

Gurgel de Alencar Carvalho, MCGAC; Martins Carvalho, BMC; Leal de Paiva


Carvalho, FLPC; da Silva Nahum Junior, HSNJ; Henrique Martin Dantas,
EHMD; Gomes Cunha, GGC; Landau, LL
LACIMOVI-Colégio Pedro II, LABIMH-UNIRIO

Introdução: Com a evolução tecnológica, novas fronteiras estão sendo


desbravadas e diferentes metodologias de ensino aplicadas através de jogos
digitais educativos, livros digitais, livros aumentados e outros. Objetivo: O
presente estudo apresenta novas possibilidades tecnológicas para ensinar a
progressão pedagógica do ushiro-ukemi aplicando Realidade Virtual (RV) e
Aumentada (RA). Materiais e métodos: Foram usados os seguintes hardwares:
filmadora digital Samsung MiniDV SC–D371 NTSC com zoom ótico de 34x,
câmera fotográfica digital Samsung FE – 120 de 6.0 Megapixels, notebook HP
Pavilion dv6750BR com processador AMD Turion 64x2 Mobile tecnology TL-58,
1,90 GHz, 2,048 GB de RAM, 160 GB de HD, placa gráfica NVIDIA GeForce
7150M / nForce 630M e projetor (data-show) Epson Powerlite S6 LCD. Os
usados softwares foram: 3DS Max, Macromedia Director MX 2004, plataforma
DART, Dreamweaver, Adobe Photoshop, Adobe Acrobat 3D e Mr Planet lite.
Resultados: Os sistemas de RA e RV promoveram efetivamente a
aprendizagem teórica (ANOVA Kruskal-Wallis: H=79,28, gl=5, n=364,
p<0,0001) e prática (ANOVA Kruskal-Wallis: H=98,26, gl=5, n=357, p<0,001)
do gesto motor, mostrando evidências de validade para essas abordagens
metodológicas, quando seus resultados foram comparados ao do grupo
controle pela comparação múltipla (p<0,05). As abordagens foram muito bem
aceitas pelos alunos, mas, para tal, o profissional de Educação Física precisou
adquirir novas habilidades próprias do Desenho Industrial, Engenharia e
Computação, que vão além da Biomecânica, para: capturar movimentos, criar
modelos 3D, animar os modelos 3D, criar um site para validar o processo de
animação, criar uma história em quadrinhos e digitalizá-la, desenvolver
sistemas de converter arquivos 3D animados para formatos compatíveis com
os sistemas de RV e RA e associar esses arquivos aos sistemas.
Considerações finais: Dominar as habilidades necessárias para usar esses
materiais de forma competente demanda algum tempo. Portanto uma formação
adicional em programas de lato ou estrito senso se faz indispensável, pois esse

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corpo de conhecimento não compõe o grupo de disciplinas do curso de


Educação Física.
Palavra-chave: Realidade Virtual, Realidade Aumentada, Educação Física,
Esporte.
E-mail: maurogurgel@gmail.com

Lutas, artes marciais e as aulas de educação física: nuanças dessa


relação na práxis dos professores de educação física em um escola

Lima, JFL
Centro Universitário Jorge Amado - Unijorge

A iniciativa para a realização dessa pesquisa surgiu a partir de discussão em


sala de aula, na disciplina Metodologia da Luta em curso superior em
Educação Física, a respeito das lutas e artes marciais e sua relação com as
aulas de educação física. Para ultrapassarmos o âmbito da teoria, utilizamos
como palco de estudo uma escola próxima da comunidade acadêmica. Os
objetivos dessa investigação foram: saber se os professores da escola
estudada utilizam lutas ou artes marciais como conteúdo das aulas de
educação física; caso utilizem, de que forma isso ocorre; se não utilizam, quais
os motivos; segundo o ponto de vista dos professores, quais são os possíveis
benefícios e/ou conseqüências negativas da utilização de lutas ou artes
marciais como conteúdos das aulas de educação física. O empenho para sua
realização se justifica devido à importância da reflexão sobre a teoria e a
prática da experiência profissional, às lutas constarem como alguns dos
conteúdos de educação física, o sucesso dessas práticas em diversas faixas
etárias, e aos conteúdos relacionados às lutas e artes marciais na educação
física terem recebido atenção e começarem a fazer parte das discussões
acadêmicas. Para alcançarmos os objetivos propostos a metodologia constou
de realização de pesquisa bibliográfica e elaboração de questionário
(respondido pelos professores da escola estudada após permissão mediante
termo de consentimento livre e esclarecido) que possibilitou análise com base
nos textos estudados. Devido a sua natureza discursiva e à investigação ter
sido realizada em apenas uma escola e está ter em seu quadro somente três
professores de educação física a ênfase foi qualitativa. No desfecho,
encontramos que há preconceito em relação à utilização das lutas e artes
marciais, que são pouco exploradas como conteúdos da educação física, não
percebem a amplitude de benefícios possíveis por meio de vivência de tais
elementos, que existe preocupação com atitudes violentas por parte estudantes
a partir de práticas relacionadas a esses conteúdos na educação física. Ao final
desta investigação acreditamos que não está descartado o surgimento de
atitudes violentas, mas, isto não justifica a impossibilidade de utilização de
conteúdos relacionados às lutas e artes marciais no contexto escolar, no
entanto, é importante que os professores sejam preparados para aproveitar tais
conteúdos nas aulas de educação física. Dessa forma, entendemos que ainda
temos muito a explorar e investigar em relação a esses conteúdos, seja no

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

âmbito escolar ou fora dele, como meio para educar e/ou promover melhoria da
saúde e qualidade de vida.
Palavras-chave: artes marciais, educação física, lutas.
E-mail: joaofrancolima@gmail.com

Proposta pedagógica no trato do conteúdo lutas no ensino superior

Silva, L.H.; Lavoura, T.N.


Uesc - Dcsau - Curso de Licenciatura em Educação Física

Entende-se que as lutas, enquanto uma das dimensões do conteúdo da


cultura corporal construída historicamente pela humanidade, apresentando-se
como manifestação das mais diferentes culturas, civilizações e sociedades,
deva fazer parte de um conjunto de conhecimentos produzidos em âmbito
escolar pela Educação Física. Algumas abordagens pedagógicas apresentam
as lutas como conteúdo nas aulas de Educação Física Escolar (EFE), seja por
meio de brincadeiras as quais propiciem a manifestação da ludicidade humana,
por meio de vivências oportunizando diferentes expressões corporais deste
conteúdo, seus movimentos sistematizados realizados por meio de
determinadas técnicas e habilidades motoras, a apreensão de sua historicidade
e sua relação com movimentos sociopolíticos, econômicos e culturais de
diferentes períodos da humanidade, suas definições e classificações e, até
mesmo, a sua relação com determinados temas transversais (como violência,
sexualidade e gênero). Não obstante, alguns estudos têm evidenciado que a
presença das lutas na EFE tem acontecido por meio da abertura de turmas de
“escolinhas de iniciação” extracurriculares, desvinculadas da disciplina EFE e
do projeto político-pedagógico da escola. Os professores justificam esta
realidade em decorrência da inexistência de local e material adequados, a
associação com a violência, a falta de experiência dos professores com as
técnicas das lutas e a resistência dos alunos na diversificação dos conteúdos.
Entretanto, acredita-se que tais adversidades podem ser superadas por meio
do trato pedagógico deste conteúdo para que o mesmo seja vivenciado,
refletido, apreendido e modificado enquanto conteúdo da EFE. Entende-se que
a formação profissional seja um fator determinante nesta reflexão, pois não são
todos os cursos de Licenciatura em Educação Física (LEF) que possuem
disciplina específica a qual aborde o conteúdo lutas no ambiente escolar.
Quando há, na maioria das vezes, esta disciplina trata apenas uma modalidade
de luta, como o judô e/ou capoeira, por exemplo. Mediante este contexto, o
presente trabalho tem o objetivo de apresentar uma proposta pedagógica no
trato do conteúdo lutas nos cursos de LEF. Tal proposta se materializa por
meio da disciplina “Lutas em Ambiente Escolar” ofertada no curso de LEF da
UESC, relatando algumas intervenções realizadas em instituições do ensino
básico na região Sul da Bahia, no primeiro semestre de 2010. A referida
disciplina tem como objetivo fornecer ao futuro professor subsídios teórico-
práticos para o desenvolvimento do conteúdo lutas em ambiente escolar,
contemplando as três dimensões do conteúdo (procedimental, atitudinal e
conceitual). Esta disciplina, de caráter teórico-prático (carga horária 60

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horas/aula), é dividida em quatro momentos: 1) fundamentação teórica sobre o


tema “Lutas em Ambiente Escolar” por meio de leituras e pesquisas; 2) aulas
teórico-práticas de lutas possibilitando a vivência do conteúdo nas suas três
dimensões; as atividades são realizadas em sala de aula, quadra poliesportiva
e campo de futebol; são construídos materiais didático-pedagógicos não-
específicos para as aulas, como colchonetes, balões, prendedores, jornais,
dentre outros e; são abordadas atividades para todos os níveis de ensino
(infantil, fundamental e médio); 3) são formados grupos os quais,
conjuntamente com o professor da disciplina, estruturam planos de aula com o
conteúdo lutas para diferentes níveis de ensino e, por meio do diálogo com
unidades escolares, vivenciam a prática pedagógica do ensino das lutas no
ambiente escolar; 4) após o período das intervenções, os grupos relatam as
experiências vividas, apresentando os pontos positivos, entraves e a
possibilidades de superação. Foram ministradas aulas com os temas judô,
esgrima, boxe, capoeira, sumô, luta indígena e luta de braço. Houve certa
resistência inicial por parte dos alunos em algumas instituições, mas aos
poucos ocorreu adesão satisfatória das atividades. Algumas temáticas
apresentaram maior dificuldade na aplicação em função de requerer local
adequado e conhecimento técnico específico do professor, como as quedas do
judô, por exemplo. Houve, também, certa dificuldade de contemplar a
dimensão conceitual do conteúdo. Em função dos resultados das intervenções,
acredita-se que esta proposta pedagógica no trato do conteúdo lutas no curso
de LEF da UESC possibilitou a manifestação das lutas em ambiente escolar,
construindo com os futuros professores saberes e conhecimentos.
E-mail: professor_lhsilva@hotmail.com

PRÁTICAS CORPORAIS ALTERNATIVAS

As práticas corporais alternativas na área da saúde: seus usos e


terminologias

Cesana, J.; Tojal, J. B. A. G.


FEF-UNICAMP e NEPEF/ UNESP-RC

As práticas corporais alternativas (PCAs) podem ser definidas enquanto


práticas corporais relacionadas ao movimento humano cujo desenvolvimento
acontece de forma “não convencional” e/ou também denominada de “não
tradicional”. Em relação à Educação Física, as práticas consideradas
tradicionais são o esporte, as ginásticas e os exercícios resistidos, podendo ser
citadas como exemplos de alternativas as práticas que envolvem movimentos
mais lentos e contidos, tais como o tai-chi-chuan, o liang gong, e o lien ch’i, ou
até mesmo que envolvam exercícios de força, mas relacionados às contrações

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musculares isométricas como ioga, método pilates, eutonia e antiginástica. Sua


ascensão nos diversos âmbitos da sociedade ocidental se deu, principalmente,
pela emergência de um discurso de integração entre corpo e mente, nas
últimas décadas do século XX, no qual novas visões de homem e mundo
ocuparam um lugar peculiar nas atuações profissionais de áreas como a
medicina, a enfermagem, a fisioterapia e a educação física, entre outras,
representando que para todas essas profissões, pertencentes à Área da
Saúde, o Ser Humano é complexo, porém integral. Desta forma, o objetivo
deste trabalho é de apresentar a ramificação terminológica das PCAs e a sua
relação com as profissões da área da saúde como um reflexo da demarcação
dos diferentes campos de atuação profissionais. Para tanto, a investigação
baseou-se na observação atenta de propagandas de serviços e cursos
voltados para as PCAs, sua divulgação nas diferentes mídias, assim como dos
acervos, via internet, dos Conselhos Profissionais das diferentes profissões da
Área da Saúde, além de documentos do Ministério da Saúde que fazem
menção às terminologias derivadas das PCAs e sua aplicação nas áreas
específicas, com o intuito de estabelecer uma reflexão da relação entre a
criação/utilização de novas terminologias na área da PCAs e seus diferentes
usos pelas profissões da área da saúde. A observação indicou que as
diferentes profissões abordadas fazem uso de práticas “não
convencionais/tradicionais” de trabalho, regulamentadas pelos respectivos
Conselhos Profissionais, mas que apesar disto utilizam terminologias distintas
para discriminar as mesmas práticas. Um bom exemplo foi o da acupuntura
que, advinda da Medicina Tradicional Chinesa e adotada por todas as
profissões observadas como prática profissional é adjetivada de maneiras
distintas em cada uma delas como forma de localização nas respectivas
competências profissionais, a saber: a) Educação Física: outras práticas
corporais ou similares (acupuntura, ioga, método pilates, tai-chi-chuan, etc); b)
Fisioterapia e Terapia Ocupacional: terapias pelo movimento (acupuntura,
quiropraxia e osteopatia); c) Medicina: medicina holística e alternativa,
atividades de saúde complementares (acupuntura, homeopatia, terapeuta
holístico, iridologia); d) Enfermagem: terapias alternativas (acupuntura); e)
Psicologia: alternativas em psicologia e acupuntura como recurso
complementar; f) Odontologia: práticas integrativas e complementares
(acupuntura, fitoterapia, hipnose, terapia floral, homeopatia e laserterapia); g)
Biomedicina: acupuntura. Convém destacar que a capacitação para se
trabalhar com acupuntura é feita em cursos extracurriculares, na sua maioria
de especialização Latu Sensu. Vale ressaltar ainda que os termos “integrativas”
e “complementares” estão referendadas pelo Ministério da Saúde, na sua
“Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC)”
que destaca como atividades dos profissionais da área da saúde homeopatia,
medicina chinesa e acupuntura, plantas medicinais e fitoterapia, e termalismo
social/crenoterapia. Em face ao exposto identifica-se que, apesar de muitas
destas práticas terem sido introduzidas em meados do século XX como
alternativas aos tratamentos e atividades corporais tradicionais na sociedade
ocidental, passaram mais recentemente a ser consideradas como
complementares, ou integrativas por diversas profissões da área da saúde. Isto
denota a existência de uma tentativa de demarcação das respectivas áreas de
atuação destas, ao mesmo tempo em que restringem o seu escopo ao status

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de auxiliar nos processos de cura, ganho e manutenção da saúde. No caso


particular da Educação Física, o termo PCAs ainda é utilizado, sugerindo que
há uma aceitação pela área de opções de trabalhos corporais diferenciados do
que é tradicional.
Apoio Trabalho: Bolsista CNPq
E-mail: julianacesana@hotmail.com

Parkour na escola: rompendo padrões na relação do corpo com o


ambiente

Dias de Andrade, C.; Ribeiro de Lima, L.


Faculdade Dom Bosco Campus Mercês

O projeto de aulas periódicas de Parkour surge como uma prática corporal


alternativa que vem sendo difundida em diversos países e tem ganhado muitos
adeptos no Brasil. O Parkour surgiu na década de 80, no subúrbio de Lisses,
na França, baseado em técnicas do Parcours du combattant e Método Natural,
de Georges Hébert. Consiste em métodos que visam tornar o indivíduo capaz
de mover-se de forma eficaz, pelos mais diversos percursos, ultrapassando
qualquer tipo de obstáculo que possa impedi-lo de seguir a diante. A atividade
combina habilidades como correr, saltar e escalar, explorando muito o potencial
físico do praticante. O objetivo deste projeto foi introduzir na escola uma nova
possibilidade de desenvolvimento físico e mental, fugindo do padrão de aulas
que utilizam sempre as mesmas práticas, introduzindo uma atividade completa
que pode desenvolver tanto habilidades físicas quanto psicológicas. O
praticante avalia constantemente fatores externos (obstáculos, distância, altura
e riscos) e internos (medo, capacidades, condicionamento) na tentativa de
reconhecer suas limitações e explorar suas capacidades. Uma disciplina que
visa ser mais do que uma prática puramente corporal, podendo ser encarada
como filosofia, estilo de vida e caminho para o autoconhecimento. Seu meio e
fim é o movimento, porém encoraja os praticantes no caminho do
desenvolvimento pessoal. O método de aprendizagem baseia-se em repetições
de técnicas da prática, exploração da criatividade e capacidade de combinação
de movimentos, a fim de desenvolver a naturalidade da movimentação e o
aperfeiçoamento dos gestos. Além disso, o Parkour não é uma prática
competitiva, sendo assim, incentiva o aluno a ver si mesmo como seu maior
adversário, e encontrar formas de auto-superação. Ativar seu espírito altruísta,
ser e durar, ser forte para ser útil, alimentar-se bem, exercitar-se, ser
responsável pelos próprios atos, respeitar os próprios limites e respeitar o
próximo são alguns dos aspectos que o Parkour procura desenvolver,
formando um praticante consciente do seu papel na sociedade.
E-mail: juniorcassio1004@gmail.com

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PROJETOS SOCIAIS

As práticas corporais como forma de promoção de saúde no presídio: um


olhar sobre o centro de inserção social de Catalão-GO

ARRUDA, L. C.; SOUZA, M. J. G.


UFG-CAC-Curso de Educação Física

NTRODUÇÃO: O presente texto refere-se à pesquisa desenvolvida no ano


de 2009 enquanto atividade de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do
Curso de Educação Física da Universidade Federal de Goiás – Campus
Catalão (UFG-CAC), e apresenta como objeto de pesquisa as Práticas
Corporais como forma de promoção de saúde por parte dos detentos das
penitenciárias brasileiras, mais especificamente as políticas implementadas
para o acervo destas práticas corporais no Centro de Inserção Social de
Catalão-GO. A presente pesquisa apresentou como eixo norteador a seguinte
problemática: quais os direitos dos detentos, em relação ao acervo das práticas
corporais garantidos por lei, que estão presentes no Centro de Inserção Social
de Catalão-GO a partir do “olhar” do diretor e dos detentos? OBJETIVOS:
Assim, estabeleceu-se como objetivo geral deste trabalho identificar através
dos depoimentos dos sujeitos da pesquisa como se configura o acervo das
práticas corporais no Centro de Inserção Social (CIS) de Catalão/GO. Os
objetivos específicos que nortearam esta pesquisa foram: a) contextualizar o
surgimento do Sistema Prisional no Brasil; b) verificar o que prevê a LEP (Lei
de Execução Penal) frente ao acervo às práticas corporais por parte do
detento; c) conceituar Políticas Públicas, Práticas Corporais e Promoção Saúde
enquanto um direito do detento; e d) analisar se o CIS de Catalão-GO está de
acordo com o que reza a LEP no que tange as práticas corporais dos presos
através dos depoimentos coletados e observações realizadas. MÉTODO: Num
primeiro momento de nossa pesquisa apresentou-se o surgimento do sistema
penitenciário no mundo (Europa) e no Brasil. Logo após, verificamos o que diz
a LEP em relação às práticas corporais para detentos, a fim de aproximarmos
do nosso objeto de estudo. Num segundo momento, estabeleceu-se um
diálogo com a literatura da Educação Física e áreas afins sobre conceitos de
Políticas Públicas, Práticas Corporais e Promoção de Saúde. E por fim
apresentamos a análise dos dados coletados na pesquisa. O trabalho se
caracteriza como uma pesquisa de campo, sendo a população/universo de
nossa pesquisa os 119 detentos do CIS de Catalão-GO, sendo que desse total,
114 são do sexo masculino e apenas 05 são do sexo feminino. A amostra da
pesquisa são todos os detentos do sexo masculino, visto que, os detentos do
sexo masculino correspondiam à maioria e a partir disso poderíamos ter uma
visão ampliada das atividades físicas e corporais que são desenvolvidas na
entidade por parte deles. Para a coleta de dados foi desenvolvida uma

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entrevista semi-estruturada com o diretor do CIS de Catalão-GO, realizada no


dia 19/10/2009, e desenvolvida 08 observações durante o banho de sol dos
detentos, no período de 21/10 a 06/11/2009. A análise dos dados apresentou
um caráter qualitativo. RESULTADO: Na realização dessa pesquisa constatou-
se a transformação que o sistema prisional sofreu durante seu
desenvolvimento até os dias atuais, com seus regimes e leis. E em relação às
leis, o surgimento da LEP veio garantir espaços para que o detento possa
realizar suas práticas corporais, como foi observado nas sessões V e VI da
constituição penal que são a “assistência educacional e a assistência social”
respectivamente. Porém, essa apenas assegura o direito ao detento às práticas
corporais, mas não apresenta em que condições (físicas, profissional e
material) deveriam ter para serem desenvolvidas dentro das Casas de
Detenção do nosso país. No CIS de Catalão-GO, percebeu-se que é um direito
que carece de acompanhamentos, profissionais de Educação Física, projetos e
iniciativas governamentais e de outros segmentos da nossa sociedade, não há
espaço físico e nem materiais adequados para que todos os detentos dessa
instituição realizassem suas atividades físicas e corporais. CONSIDERAÇÕES
FINAIS: Portanto, concluímos que as políticas públicas e sociais em relação às
práticas corporais para promoção de saúde dentro do presídio, e
principalmente no CIS de Catalão-GO são escassas e ineficientes para a
demanda. Pois, não garantem condições para que as práticas corporais sejam
realizadas por todos, a fim de promover a saúde dos detentos. E ainda, as
práticas que acontecem apenas têm o objetivo de garantir o direito ao banho de
sol, e não sendo focado para o real objetivo do cárcere, que é ressocializar o
detento para retornar em condições de viver em sociedade.
Palavras-Chave: Estabelecimento Penal. Práticas Corporais. Promoção de
Saúde.
E-mail: leocardoso_2005@hotmail.com

Projeto arte da paz

Oliveira, S.F.
Faculdade Dom Bosco

O projeto Arte da Paz surgiu a partir da observação de educadores do


IDDEHA (Instituto de Defesa dos Direitos Humanos), que ao desenvolver um
trabalho com jovens em diferentes locais de Curitiba e Região Metropolitana,
identificaram uma manifestação artística comum nos diferentes locais, um estilo
de desenho, uma dança empolgante e uma musica de protesto, isso era o Hip
Hop, assim nasceu à idéia de desenvolver um trabalho que valorizasse essas
manifestações e potencializasse a ação social que o movimento propunha.
Selecionado em 2002 pela Petrobras, dentre mais de 3 mil projetos de todo o
Brasil, iniciou o desafio de implementar um projeto que se propunha a contribuir
com um movimento informal (Hip Hop), que resistia à organização e era alvo de
preconceito por grande parte da sociedade. Trazer os militantes e lideranças do
Hip Hop, dar qualificação em direitos humanos e formá-los para serem
educadores sociais foi à principal aposta no inicio desse processo. A

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coordenação do projeto identificou e mobilizou essas lideranças para uma


capacitação que focava a formação em Cidadania e Direitos Humanos e ainda
aperfeiçoamento artístico, trazendo profissionais de musica, dança, artes
plásticas, entre outros. Após essa capacitação é que foram selecionados os
educadores técnicos do Arte da Paz que são pessoas identificadas como
militantes e lideranças do Hip Hop, esses os quais os jovens em todas as
comunidades atendidas se identificam, despertando assim mais interesse na
participação, e todos alem de profissionais das expressões artísticas do Hip
Hop que desenvolvem, tem uma qualificação em Cidadania e Direitos
Humanos e cursos de formação para Educador Social (Arte Educador). As
oficinas do projeto são realizadas em escolas publicas, envolvendo alunos em
contra turno, professores e comunidade escolar. A receptividade das escolas
para sediar as oficinas do projeto foi crescendo a cada ano. Na parte de
formação técnica são ensinadas as expressões artísticas do MC, DJ,
GRAFFITI, BREAKING, cada jovem interessado em participar do projeto se
inscreve em uma oficina técnica. O conteúdo envolve aprendizado na pratica e
teoria de cada elemento do Hip Hop. Eles revezam os dias de encontros em
Oficina Técnica e Oficina de Cidadania, desenvolvendo artes em que
demonstravam o aprendizado de ambas às oficinas. Tem também a formação
em Cidadania e Direitos Humanos que foca a formação do jovem para
participação na sociedade, exercendo a cidadania, conhecendo seus deveres e
lutando por seus direitos, isso tudo é realizado nessa oficina. O método envolve
a produção de materiais que unem conhecimentos adquiridos nas duas
oficinas. Cada modulo aprovado e financiado do projeto tem a duração mínima
de 5 meses, esse tempo podendo variar de acordo com a verba que vem do
financiador, desses 5 meses o primeiro fica para definição dos locais das
oficinas, divulgação na comunidade e na escola, shows de divulgação com a
equipe técnica do projeto e inscrição e seleção dos alunos, os próximos 3
meses os jovens selecionados passam dentro de salas de aulas 4 vezes por
semana, alternando entre Oficina Técnica e Oficina de Cidadania e Direitos
Humanos, as aulas tem duração de 3 horas, o ultimo mês fica para divulgação
dos resultados obtidos nas oficinas. As atividades semanais geram produtos,
como letras de Rap, musicas, CDs, coreografias, desenhos e graffitis, sempre
valorizando temas ligados à promoção da paz. Ponto fundamental do projeto
são a multiplicação e disseminação dos conhecimentos, o que os adolescentes
aprendem nas oficinas tem sempre o foco de ser disseminado para a
sociedade e assim esses jovens passam a ser vistos como referencias
positivas, quebrando preconceitos com a juventude e o Hip Hop e levando
conscientização para a comunidade. O projeto valoriza a promoção de uma
Cultura de Paz, extravasando os limites das salas de aula onde ocorrem as
oficinas com os jovens. No papel de protagonistas, os jovens conseguiram
envolver suas famílias, comunidade e escola, com ações praticas e efetivas de
promoção da paz. Os espaços que o projeto teve na mídia também serviram
para contribuir com a conscientização da sociedade e com a quebra de
preconceitos. O projeto vem sendo executado desde 2002 e ao longo desse
período sensibilizou e mobilizou cerca de 200 mil pessoas de Curitiba e Região
Metropolitana. Os últimos municípios atendidos foram Curitiba, Campo Magro e
São José dos Pinhais, com recursos do Ministério da Cultura.
E-mail: sostris@hotmail.com

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Contraturno: novos desafios na atuação e nas relações entre o professor


de educação física e gestores da educação

Siqueira, S; Chaves, J; Martinez, T


Centro de Convivência Educacional Dra. Zilda Arns Neumann

Este trabalho tem como objetivo apresentar o papel do professor de


educação física em um centro de convivência educacional, como foi a criação
de uma sala de práticas corporais neste espaço, a diferença entre o trabalho
desenvolvido em uma escola e neste local, como também, a importância da
relação professor, estagiário, diretor, coordenador, entre outros profissionais
atuantes. A proposta do centro de convivência educacional é atender às
necessidades dos alunos matriculados em escolas municipais de
Hortolândia/SP. Visa à melhoria do seu desempenho escolar e à ampliação do
seu universo de experiências artísticas, culturais e esportivas, minimizando a
exposição das crianças às situações de risco social, otimizando o seu tempo
ocioso, contribuindo para a melhoria de sua auto-estima e valorizando o
desenvolvimento de capacidades e saberes. O Centro de Convivência
Educacional Dra. Zilda Arns Neumann tem por base visão integradora das
experiências vividas pelas crianças, nas quais se incluem os aspectos culturais
e históricos relacionados à educação da infância e ao conhecimento, assim
como, os domínios cognitivos, afetivos, sociais e físicos, promovendo o
desenvolvimento integral das crianças matriculadas na primeira etapa do
ensino fundamental da rede municipal de ensino, complementando a ação da
família, da comunidade e da escola em atividades em contraturno. A ampliação
desses tempos escolares será utilizada para a multiplicidade de conhecimentos
necessários à formação exigida pelo mundo contemporâneo. São nove
projetos: brinquedoteca; brincadeiras folclóricas; teatro; musicalização;
informática; xadrez; formação pessoal e social; estudo monitorado e atividades
esportivas. A programação das atividades esportivas foi elaborada a partir de
reunião com gestores. Cabe ressaltar que essa relação estreita entre o
professor de educação física e os gestores do Centro de Convivência traz
grandes benefícios para o processo de ensino-aprendizagem, pois possibilita
uma ampliação do olhar e um “refinamento” constante das ações planejadas. A
partir desta reunião, ficou definido a existência de uma sala para este projeto. A
ausência de uma quadra possibilitou diferentes olhares para os espaços
existentes no local, como também, para a criação deste espaço específico.
Uma sala temática onde cada objeto presente foi pensado com o propósito de
oferecer diversos estímulos e que possibilita também o desenvolvimento de
praticas corporais e momentos de acolhimento. A presença do professor de
educação física neste local deve assegurar o acesso ampliado a conteúdos já
trabalhados na escola, como também novos e variados conteúdos que
contribuam para o desenvolvimento da linguagem corporal e do conceito de
cidadania. Observa-se diante disto que a formação acadêmica inicial deste
profissional dá base para trabalhar neste local, porém é preciso que esteja
aberto a idéia da formação continuada pois é uma área que necessita de

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

profissionais atualizados e sensíveis ao seu contexto e as transformações


sociais pela qual ele passa.
Apoio Trabalho: Secretaria de Educação do Município de Hortolândia/SP.
E-mail: ssiqueira@ig.com.br

Educação física: alternativa pedagógica para crianças e adolescentes em


situação de vulnerabilidade

Vieira, C. A. L.; Duque, L. F.; Monteiro, R. A. C.


Universidade Nove de Julho - Diretoria de Educação

Atualmente é fato as conseqüências negativas causadas por uma sociedade


capitalista e competitiva, isto é, a caracterização acentuada das divisões de
classes tem gerado populações cada vez mais pobres e sem acesso. Com
isso, crianças e adolescentes acabam se encontrando em situação de
vulnerabilidade pessoal e social, tornando-se mais suscetíveis ao contato com
marginais e traficantes. Desprezadas e discriminadas pela sociedade,
conhecidas como futuros marginais, acabam por não enxergar perspectivas
melhores para suas vidas através da educação. O objetivo deste estudo foi
mostrar os benefícios da Educação Física no processo pedagógico através do
esporte, além de refletir sobre as possibilidades de mudanças no contexto de
vida através de momentos de lazer, alegria e motivação para a construção de
um futuro melhor a cada uma delas, tudo em conjunto com as propostas de
educação. Esta pesquisa consistiu em acompanhamento dos trabalhos
realizados por uma instituição social da Zona Leste de São Paulo e
fundamentada por revisão de literatura e documental. A Constituição Federal
(BRASIL, 1988), juntamente com o Estatuto da Criança e Adolescente
(BRASIL, 1990) garantem a proteção dos direitos fundamentais a fim de gerar
o melhor acesso a tudo que for necessidade básica para o ser humano. A
idade escolar é uma das fases de maior transformação na criança, seja física,
cognitiva ou social. Assim as atividades esportivas como projetos e/ou plano
pedagógico se destacam no desenvolvimento dessas crianças e adolescentes,
porque toda e qualquer experiência adquirida nesta fase da vida constitui uma
base para outras etapas. Desde dezembro de 2008 o trabalho realizado em um
centro sócio-educativo da Zona Leste, entidade conveniada a Secretaria
Municipal da Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo,
demonstra as possibilidades de utilização das práticas esportivas para
sociabilizar, interagir, proporcionar, alcançar e mostrar a essas crianças e
adolescentes o quanto é possível melhorar a perspectiva de vida, aumentando
o progresso do acervo motor e a rede de relacionamento social. A troca de
experiência proporciona um maior desenvolvimento, tanto para os profissionais
quanto para as crianças e adolescentes. Independente de qual seja o esporte
ou atividade praticada, o processo deve considerar as características dos seus
participantes. A fim de que os resultados sejam positivos, os profissionais de
Educação Física, precisam trabalhar de forma sociável e lúdica, buscando criar
nos alunos, valores e competências pessoais, sociais, produtivas e cognitivas.
“Nenhuma lei, nenhum método ou técnica, nenhum recurso logístico, nenhum

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dispositivo político-institucional pode substituir o frescor e o imediatismo da


presença solidária, aberta e construtiva do educador diante do educando”.
(COSTA, 1997, p. 23). Indubitavelmente é sabido da problemática que tem
assolado nosso país nos últimos anos, diferenças de classes, falta de acesso a
serviços básicos e problemas sociais que acarretam a vulnerabilidade de
crianças e adolescentes. Existe a necessidade de trabalho conjunto entre
Estado e todo tipo de organização da sociedade. Dentre as estratégias e
propostas neste tipo de trabalho o esporte e a Educação Física propriamente
dita aparecem como uma grande ferramenta de combate as diferenças e o
professor de Educação Física um promotor de serviço educacional e social.
Palavras-chave: Vulnerabilidade; Criança e Adolescente; Educação Física;
Esporte.
E-mail: ruianderson@ig.com.br

SAÚDE

Promoção da saúde em escolares: uma experiência na educação de


jovens e adultos

Bernaldino, E; Oliveira, J; Gonçalves, L


UNIR

O conceito de promoção da saúde vem evoluindo ao longo das últimas


décadas. Documentos internacionais (cartas de saúde), elaborados a partir de
um processo de discussão e construção coletiva sobre os conceitos
fundamentais abordados no contexto da promoção da saúde em diversas
partes do mundo, contribuíram para um entendimento mais holístico deste
tema. No ambiente escolar, uma das mais significativas conseqüências da
introdução do conceito de promoção da saúde na saúde coletiva, pode-se
enfatizar a constituição da Escola Promotora de Saúde. Isso representa uma
preocupação dos governos com o número crescente de pessoas adultas
desinformadas sobre os fatores negativos intervenientes no seu estilo de vida
(sedentarismo, dieta rica em gordura, fumo, álcool), que acabam refletindo
diretamente no aumento de indivíduos com doenças crônicas degenerativas,
caracterizadas um problema de saúde pública. Nesse estudo, pretende-se
enfatizar as temáticas relacionadas aos fatores de risco do estilo de vida e a
relação com a incidência de doenças crônico-degenerativas com objetivo de
analisar os efeitos sobre a promoção da saúde em alunos da EJA após a
participação na feira de saúde realizada em uma escola pública do município
de Porto Velho-RO. Este estudo caracteriza-se por ser uma pesquisa – ação
em caráter exploratório. A escolha por este tipo de pesquisa ocorreu devido à
necessidade proposta nesse estudo de estimular à participação dos alunos

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

envolvidos na pesquisa, ao mesmo em que se pretende ampliar o seu universo


de respostas e buscar as explicações dos próprios participantes que se situam,
assim, em situação de investigador. Constituíram grupo focal do projeto 54
alunos de ambos os sexos, idade entre 14 e 60 anos, matriculadas no 8º ano
da EJA. Para análise dos dados foi utilizada a análise de conteúdo proposta
por Bardim em que foram observados os relatos feitos pelos alunos,
identificando os conhecimentos adquiridos quanto à promoção da saúde e
definidas as categorias principais. Nos resultados verificou-se com relação aos
fatores de risco intervenientes no estilo de vida saudável, que dos 56 alunos
que participaram 52 (96,29%) obtiveram aprendizado e consciência no que se
refere à prática de exercício físico regular e alimentação saudável; 19 (35,18%)
alunos relataram que o evento também desencadeou uma auto-reflexão e
consciência acerca de uma possível mudança de hábito de vida pessoal e
familiar. A realização e participação dos alunos na feira de saúde evidenciaram
também uma reflexão e consciência acerca da de uma possível mudança de
hábito de vida pessoal e familiar. Em termos gerais, a Feira de Saúde
contribuiu de forma significativa para o aprendizado dos conteúdos propostos,
bem como se configura em uma possibilidade e modelo prático de
aplicabilidade de promoção da saúde no âmbito escolar. Desta forma, espera-
se que este estudo possa auxiliar os profissionais da Educação, em especial os
de Educação Física, quanto a aplicabilidade e efetividade prática de ações no
processo de construção da Educação em Saúde.
E-mail: luisgonga@yahoo.com.br

Atividade física para promoção da saúde de idosos com doença de


Alzheimer

Garuffi, M.; Hernandez, S.S.S.; Vital, T.M; Stein, A.M.; Pedroso, R.V; Paiva,
A.C.S.; Costa, J.L.R.; Stella, F.
UNESP - Univ Estadual Paulista, Departamento de Educação Física,
Laboratório de Atividade Física e Envelhecimento (LAFE)

Introdução: O grande crescimento da população idosa observado atualmente


deve-se, principalmente, ao aumento na expectativa de vida mundial
relacionado à evolução da ciência quanto à prevenção e diagnóstico de
doenças. Em decorrência deste expressivo aumento é cada vez maior o
número de casos de doenças crônico-degenerativas, sendo também maior o
número de pacientes com suspeitas de demências. Dentre os principais tipos
de demências a Doença de Alzheimer (DA) é a mais comum encontrada em
idosos. Do ponto de vista clínico a DA é uma doença caracterizada,
principalmente, pelo declínio progressivo da memória do individuo. Já do ponto
de vista neurobiológico é caracterizada por acúmulo de placas da proteína beta
amilóide e de emaranhados neurofibrilares no cérebro dos pacientes. O
acúmulo destas placas e emaranhados resultam em prejuízos nas vias
neurotransmissoras, o que determina a morte neuronal. Estes déficits
comprometem os processos cognitivos, como memória, atenção, alterações de
linguagem, e também propiciam o surgimento de alterações comportamentais,

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afetando também a funcionalidade motora como a execução das atividades de


vida diária destes pacientes, tornando-o mais dependente, acarretando na
necessidade de um cuidador para auxiliá-lo nas tarefas cotidianas. Cada vez
mais é discutida e analisada a relação entre a prática de Atividade Física (AF),
qualidade de vida e saúde. Em idosos cognitivamente preservados os
benefícios da prática de AF já estão bem evidenciados. Contudo ainda é
pequena a quantidade de estudos que evidenciam os benefícios da prática de
AF em idosos com DA. Objetivo: Promover a prática de Atividade Física regular
e sistematizada para idosos com doença de Alzheimer. Materiais e Métodos:
As sessões de AF são realizadas dentro do Programa de Cinesioterapia
Funcional e Cognitiva em Idosos com Doença de Alzheimer (PRO-CDA),
projeto de Extensão do departamento de Educação Física da UNESP –
Campus Rio Claro. O programa de AF é desenvolvido por uma equipe
multiprofissional, composta por profissionais de Educação Física, Fisioterapia,
Medicina, Psiquiatria e Psicologia, contando também com estagiários dos
cursos de graduação em Educação Física, Fisioterapia e Psicologia, que
buscam dentro do programa aquisição de conhecimentos através de vivência
prática dos conceitos adquiridos em sala de aula. Os idosos integrantes do
programa participam de diversos protocolos de AF dentre eles: Atividade Física
Generalizada, Tarefa Dupla e Treinamento com Pesos. As intervenções
motoras são realizadas três vezes na semana, em dias não consecutivos com
duração de 60 minutos cada. Resultados: Através da realização dos protocolos
de intervenção já desenvolvidos, citados anteriormente, o programa tem
evidenciado manutenção nos componentes da capacidade funcional (equilíbrio,
agilidade e capacidade aeróbia) e qualidade de vida além de melhora nas
funções cognitivas, funções executivas, sintomas depressivos e qualidade de
vida dos pacientes participantes. Conclusão: Dessa forma podemos concluir
que o PRO-CDA, através da realização de protocolos de AF regular e
sistematizada, contribui para melhora e manutenção da funcionalidade motora,
funções cognitivas, sintomas depressivos e qualidade de vida de pacientes
com DA. Assim sugere-se a implantação de tais programas de intervenção
motora para atenuação dos sintomas progressivos da doença.
Apoio Trabalho: FAPESP, LAFE, CAPES, CNPQ, PROEX-UNESP,
FUNDUNESP
E-mail: marcelo.garuffi@gmail.com

Índices antropométricos e níveis de aptidão física relacionados á saúde


em escolares da zona rural de Rondônia

Godoi Filho, J.R.M.; Rodrigues de Almeida, H.F.; Godoi, J.R.M.


Universidade Federal de Rondônia

Introdução: O mundo moderno tem cada vez mais afastado as pessoas em


especial as crianças do movimento, no tocante, tanto na qualidade, quanto na
quantidade. As perspectivas econômicas têm contribuído cada vez mais para
uma especialização precoce em vários seguimentos. Em contrapartida a
Educação Física com intuito de exercer a sua função tem contribuído com o

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levantamento de dados importantes como o de detectar a aptidão física


relacionada à saúde de grandes populações e grupos sociais. Com isso torna-
se relevante a comparação dos escolares em relação à necessidade de
conhecimento da realidade rural para o professor de Educação Física. Sendo
assim este trabalho pioneiro com essa população, apresentado como requisito
de dissertação de mestrado objetivou: 1) Determinar os índices
antropométricos (peso, estatura e dobras cutâneas tricipital e subescapular), os
níveis de aptidão física relacionada à saúde através dos testes motores de
abdominal modificado, flexibilidade (sentar e alcançar) e corrida/caminhada de
9 e 12 minutos, e o estilo de vida de 306 escolares da zona rural de 7 a 14
anos de ambos os sexos, pertencentes a comunidade rural de Triunfo-
Rondônia; 2) Comparar os resultados antropométricos e de aptidão física
relacionada à saúde, entre os sexos da mesma faixa etária; 3) Comparar os
resultados obtidos com outros estudos; 4) Verificar o estilo de vida dos
escolares de 13 e 14 anos de ambos os sexos pertencentes a comunidade
estudada. Os resultados mostraram que as meninas são mais altas, mais
pesadas e com maior índice de espessura nas duas dobras cutâneas, na
maioria das faixas etárias estudadas. Nos testes motores os resultados indicam
que os meninos apresentaram valores superiores em relação às meninas nos
testes de abdominal modificado, exceto aos oito anos de idade, de flexibilidade
(sentar e alcançar) exceto aos 10, 11 e 13 anos e na corrida/caminhada de 9 e
12 minutos em todas as idades. Foram analisados e comparados os resultados
deste estudo com diferentes estudos de aptidão físicos relacionados à saúde,
realizados no Brasil, apresentando resultados semelhantes a um estudo da
região norte com QUEIROZ (1992), superiores aos valores encontrados a um
estudo da região nordeste de DÓREA (1990) e inferiores aos resultados da
região sudeste e sul com estudos de BARBANTI (1982) e de GUEDES (1994)
e GLANER (2002) respectivamente. Levantamentos sobre estilo de vida
indicam que a falta de opções de lazer, sociais, culturais e esportivas no meio
rural, fazem com que o envolvimento de meninas e meninos em atividades
diferenciadas do cotidiano das crianças da zona urbana, propicie o convívio
com a natureza levando-os a uma vida saudável. Conclui-se que o professor de
Educação Física deve conhecer o ambiente que está trabalhando para
estimular as crianças da zona urbana a terem convívio com a natureza, bem
como as crianças da zona rural com praticas esportivas e exercícios físicos
como forma de aquisição e manutenção da saúde.
Palavras-chaves: antropometria, escolares da zona rural, aptidão física,
estilo de vida.
E-mail: jrmgfilho@yahoo.com.br

Relação entre sintomatologia depressiva e nível de atividade física em


idosas.

Santos, J.G.
UFV-CCB-Depto de Educação Física

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Suplemento I – I CIFP * V SEPEF – 12 a 14 de novembro de 2010

Envelhecer faz parte de um processo que provoca modificações em todas as


esferas da vida do homem. Porém, a dificuldade encontrada por alguns para se
adaptar a essas novas situações pode provocar o desencadeamento de
doenças psiquiátricas, como é o caso da depressão. Na velhice, o declínio da
saúde física constitui fator de risco para depressão devido à possibilidade da
perda de autonomia e pode agravar enfermidades já instaladas elevando a
mortalidade. O tratamento envolve psicoterapia, intervenção
psicofarmacológica e a atividade física regular como uma alternativa não-
farmacológica. A fim de compreender um pouco mais da relação entre
exercício físico e depressão foi realizado este estudo com o objetivo de verificar
a relação entre os sintomas depressivos e o nível de atividade física
apresentado por 25 mulheres com idade média de 66,52 anos, participantes do
projeto de ginástica “De Bem com a Vida” da Universidade Federal de Viçosa,
Minas Gerais, bem como verificar a importância dada por elas à participação no
projeto como auxílio no enfrentamento de eventos estressantes e
particularidades advindas do próprio envelhecimento. Para isso, aplicou-se
uma entrevista como forma de anamnese; a Escala para Depressão em
Geriatria (GDS) para investigar e avaliar a presença de sintomas depressivos
no grupo e o Questionário de Baecke Modificado para Idosos (QBMI) para
avaliar o nível de atividade física. Os dados foram analisados com base na
estatística descritiva e calculados pelo coeficiente de correlação de Spearman.
Os resultados da entrevista mostraram que para a maioria, a integração social
e o bem-estar psicológico proporcionados pelo programa eram mais relevantes
que os benefícios físicos. O teste estatístico apresentou como resultados r = -
0,131 e p = 0,267, sugerindo não haver correlação significativa entre GDS e o
QBMI. já que não se pode esperar que um item apenas exerça relação direta
com a sintomatologia depressiva. Conclui-se que baixos níveis de atividade
física podem ser considerados fator de risco para o desenvolvimento da
depressão no idoso, devido à possibilidade de declínio na saúde física que
pode resultar na diminuição ou perda da sua independência. No entanto, não
deve ser estabelecida entre eles uma relação de causa e efeito, já que não se
pode esperar que um item apenas exerça relação direta com a sintomatologia
depressiva.
E-mail: julimaraefi@yahoo.com.br

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