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ISAAC ELIAS

Psicólogo
Neuropsicólogo Fac. Medicina USP
Especialista em Psicologia Clínica Fac. Medicina USP
Especialista em Reabilitação Neuropsicológica Fac. de Medicina USP
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Fac Medicina USP
Colaborador Setor Doenças Desmielinizantes Esc. Pta Med. Unifesp
Pós-graduado em Administração de Empresas FAAP
CRP06/12209
Al. Joaquim Eugênio de Lima, 187 Cj 72
São Paulo – SP – CEP 01403-001
Telefones: (11) 2872 2159 / (11)3541-3200 / (11) 99132 6136
Email: isaacelias@hotmail.com
isaacelias@isaacelias.com.br

Gastamos muito dinheiro para tratar pessoas normais, diz


psiquiatra

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO
DATA11/09/2016

Milhões de pessoas sadias estão sendo prejudicadas com diagnósticos psiquiátricos


equivocados e tratamentos desnecessários enquanto os que têm doenças mentais
verdadeiras não têm acesso às terapias que precisam.
O alerta vem do psiquiatra norte-americano Allen Frances, 73, professor emérito
na Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), autor do livro "Voltando ao
normal" (Versal Editores), recém-traduzido para o português.
Frances, que participa na quinta (15) de palestras no Rio de Janeiro sobre a sua
obra, diz que a tendência atual é de uma sociedade em que todos, em algum
momento, sofrerão de algum transtorno.
Sua crítica é centrada particularmente no DSM-5 (Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais), de 2013, um guia tido como a "bíblia da
psiquiatria".
Frances liderou a versão anterior, o DSM-4, cuja diretriz foi tentar conter a
inflação de diagnósticos, que já se espalhava na psiquiatria e na medicina em geral.

O sr. diz que há uma tendência crescente de medicalização da vida, de excesso


ISAAC ELIAS
Psicólogo
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Especialista em Psicologia Clínica Fac. Medicina USP
Especialista em Reabilitação Neuropsicológica Fac. de Medicina USP
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Colaborador Setor Doenças Desmielinizantes Esc. Pta Med. Unifesp
Pós-graduado em Administração de Empresas FAAP
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de diagnósticos psiquiátricos. Como voltar ao normal?

Allen Frances - Temos de aceitar que nem toda angústia humana é transtorno
psiquiátrico e que não há uma pílula para cada problema. Muitas emoções e
comportamentos são simplesmente parte da natureza humana.
Por exemplo: as pessoas no Brasil estão enfrentando neste momento muitos
desafios na economia, na política, na saúde e nas questões sociais. Isso
compreensivelmente causa angústia e ansiedade. Mas as soluções estão em
melhores políticas, mais coesão social, menos corrupção e na nossa resiliência
natural, não na medicalização desnecessária ou em pílulas mágicas.

Qual é a sua maior preocupação com o DSM-5? Corremos o risco de todos


sermos considerados doentes mentais?

O DSM-5 expandiu ainda mais o que já era um sistema de diagnóstico muito


vagamente definido. Tristeza normal, como o luto, por exemplo, torna-se
transtorno depressivo maior; comer em excesso, torna-se transtorno da compulsão
alimentar; ataques de birras de crianças podem se tornar "transtorno do
temperamento irregular"; o esquecimento na velhice passa a ser transtorno
neurocognitivo leve; e as crianças normais são diagnosticadas com déficit de
atenção e hiperatividade.
ISAAC ELIAS
Psicólogo
Neuropsicólogo Fac. Medicina USP
Especialista em Psicologia Clínica Fac. Medicina USP
Especialista em Reabilitação Neuropsicológica Fac. de Medicina USP
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Qual a influência que as grandes farmacêuticas exercem nessa tendência?

As multinacionais farmacêuticas não têm qualquer influência direta sobre as


decisões do DSM, mas aproveitam qualquer oportunidade para criar novas
desordens psiquiátricas. Se existir brecha no DSM para alguma coisa ser mal
utilizada, isso vai acontecer. Eu acredito, por exemplo, que as farmacêuticas sejam
as responsáveis por essas falsas epidemias de TDAH (transtorno do déficit de
atenção e hiperatividade) e transtorno bipolar.

Como frear isso?

A indústria do tabaco foi domada quando o ultraje público se tornou mais poderoso
do que seus grandes lobbies e patrocínios a políticos. A ganância das farmacêuticas
está agora criando o mesmo tipo de indignação.
Essa nossa cultura hedonista, que busca o bem-estar a qualquer preço,
também não tem participação nessa tendência?
Os maiores contribuintes para a "cultura da pílula" são as farmacêuticas, que
empurram suas drogas, e os médicos descuidados ou com excesso de trabalho. Mas
os pacientes também são responsáveis porque esperam uma solução
medicamentosa rápida para os problemas da vida, que são complicados. A
medicação psiquiátrica é essencial para tratar os verdadeiros problemas
psiquiátricos, mas não são eficazes para os problemas cotidianos enfrentados pelas
ISAAC ELIAS
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pessoas e pela sociedade. Um diagnóstico psiquiátrico preciso pode melhorar


muito a vida de uma pessoa. Mas um impreciso provoca estigma e leva a
tratamentos desnecessários.

O sr. diz que as pessoas que têm transtornos psiquiátricos graves estão sendo
ignoradas. Como é isso?

Há um paradoxo preocupante. Gastamos muito dinheiro com tratamento para as


pessoas normais, os "doentes de preocupação", que vão ser prejudicados por essas
drogas, enquanto faltam recursos para quem está de fato doente e desesperado por
tratamento. Dois terços dos que têm depressão severa não são tratados, e muitos
dos que sofrem de esquizofrenia acabam na prisão ou nas ruas, sem moradia.
Remédios controlados são prescritos por médicos. Então, se há excesso ou má
indicação, eles são responsáveis...
Os médicos precisam ser extremamente cautelosos na prescrição de quaisquer
opiáceos ou benzodiazepínicos. Ele podem fornecer alívio de curto prazo da dor e
da ansiedade, mas com enorme risco de morte e invalidez.

São crescentes os diagnósticos de doença mental em crianças. Elas estão mais


perturbadas do que eram antes ou há excesso de diagnóstico?

A natureza humana é constante, os hábitos de diagnóstico é que são muito


ISAAC ELIAS
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inconstantes. As crianças são as mais difíceis de diagnosticar porque elas mudam


muito de semana para semana e respondem fortemente a circunstâncias externas.
O diagnóstico deve exigir um longo período de observação, muitos informantes, e
tentativas de aconselhamento antes de considerar a medicalização.