Você está na página 1de 38

João Fernandes da Silva Júnior

MITOLOGIA
O Despertar da Consciência
Introdução
O ser humano surgiu em um planeta repleto de água, mundo com vegetação exuberante e envolto no mistério que
cerca a gênese das primitivas formas de vida; já que antes só havia o movimento das forças da Natureza,
direcionando o aparente caos planetário, depois do caos se fez ordem, e com ela os rudimentos de matéria
organizada em permanente mutação começaram a surgir.
E assim o milagre da vida aconteceu em uma confluência do passado remotíssimo, no cenário dos primitivos
mananciais de água tépida que propiciaram o surgimento de substâncias orgânicas responsáveis pela formação dos
primeiros seres vivos unicelulares. Os quais, com os correr dos séculos e milênios se desdobraram em miríades de
seres protozoários que pouco a pouco dominaram o cenário da vida no planeta Terra.
A partir de um dado momento foi desencadeado o processo de evolução das espécies, seguindo os vetores das leis de
seleção natural e de mutação genética, fato que deu como resultado, a proliferação de seres vivos que iam, mais e
mais, se complexando, até que em um dado momento, houve a culminância do aparecimento dos primeiros seres
humanos (como a expressão máxima da vida no planeta Terra, em razão do elevado potencial de inteligência que
desenvolveriam, e utilizariam para transformar o orbe).
Nos primórdios da luta pela sobrevivência, uma forma incipiente de consciência se manifestara através de um
psiquismo ainda rudimentar.
Percepções e memória foram utilizadas para que novos recursos técnicos fossem colocados em prática para a
melhoria da vida, ajudando na superação de obstáculos naturais em um meio ambiente adverso e hostil.
Aos poucos a consciência foi se ampliando para estágios mais avançados, norteando a evolução das espécies através
dos mecanismos psicológicos responsáveis pelo aperfeiçoamento das estruturas físicas dos seres humanos que
tinham de vencer permanentes desafios para a sua adaptação às intempéries.
Quando ainda no período da Pré-História os homens conseguiram a proeza de se erguer e passaram a caminhar
eretos, puderam contemplar as estrelas do firmamento e começaram a buscar o entendimento acerca dos enigmas
profundos do Universo.
Apesar de o mito e a Filosofia terem sido considerados antagônicos durante muito tempo, hodiernamente está
ocorrendo uma reaproximação entre ambos. Desde os primórdios da Humanidade que a Filosofia tem buscado o
saber explicando-o através de um discurso racional sobre o Homem, a Natureza e a Criação; o conhecimento
filosófico foi contraposto ao pensamento mítico surgido na Grécia antiga.
Nos poemas de Hesíodo houve a tentativa de realizar uma síntese do conhecimento mitológico vinculado a uma
conexão causal. Ligando deuses dos tempos mais remotos à transitoriedade dos seres humanos, ele tentou
racionalizar antigas ideias.
Com o transcorrer do tempo o modelo mítico foi sendo gradualmente substituído, pois a evolução social exigia essa
tomada de posição em razão da criação da democracia, das invenções, da invenção do calendário e da moeda, etc., a
mitologia foi perdendo espaço para uma forma de pensar que exigia critérios diferenciados para a elaboração de
argumentos, de questionamentos, etc.
Embora utilizando uma metodologia empírica, a Filosofia surgiu como uma busca de interpretação dos fenômenos,
colocando-os de maneira sistemática e com validade universal.
Indiscutivelmente, de Aristóteles (384-322 a.C.) a Descartes (1596-1650) a Filosofia adquiriu uma conotação de
conhecimento seguro, e até mesmo, infalível (noção que perdurou até o Século XIX. Aquilo que antes era
considerado assistemático ganhou um papel especial na formação das culturas.
O ser humano é sempre dependente do aperfeiçoamento de técnicas e de métodos para que possa conhecer o mundo
macro e microcósmico com maior profundidade. Em razão disso o Mito, a Filosofia e a Ciência possuem entre si
uma relação de intercomplementaridade.
Em grego antigo a palavra mithós significava uma narrativa de caráter simbólico que se relacionava a uma cultura
específica, buscando explicar a realidade, os acontecimentos principais da vida, os fenômenos da Natureza, as
origens dos seres humanos e do mundo por meio da ação de deuses, semideuses e heróis.
Ou seja, o mito é um relato de um dado acontecimento ocorrido em épocas remotas, mediante a intervenção direta
de entidades não-físicas, narrando a criação de algo que foi criado por entidades imateriais. Por ter sido transmitido
através de várias gerações, o mito é uma representação coletiva de como e porque alguma coisa aconteceu,
circunscrevendo um acontecimento.
Carl Gustav Jung (1875-1961) interpretou o mito como sendo:
A conscientização de arquétipos do inconsciente coletivo; um elo entre o consciente e o inconsciente coletivo.
Em grego antigo, arkhétypos tinha o significado de modelo primitivo, ideias inatas.
O conceito de inconsciente coletivo é interpretado como a herança das vivências das gerações anteriores, uma
tradição cuja idade é impossível de determinar com precisão, expressando a identidade de todos os homens atuais.
Os arquétipos pertencem a um tempo passado, cujas exigências espirituais são bem semelhantes às que nós podemos
observar entre aquelas culturas primitivas ainda existentes.
A definição que foi dada por Jung é precisa para explicar bem o sentido deste conceito:
Os conteúdos do inconsciente pessoal são aquisições da existência individual, enquanto que os conteúdos do
inconsciente coletivo são arquétipos que existem a priori.
O inconsciente coletivo não é verbal, ele se manifesta por meio de símbolos (sinais de reconhecimento, um objeto
dividido em duas partes cujo ajuste permite aos portadores de ambas as partes se reconhecerem e interpretarem um
ao outro, interagindo de maneira a um aprender algo com o outro). Assim, o símbolo é antes de qualquer coisa
conceito de equivalência, e o mito é uma conjunção que representa mais do que o seu significado evidente e
imediato.
A mitologia é a soma dos elementos antigos que foram transmitidos pela tradição oral.
Apresentamos aqui um estudo sobre a mitologia, analisando-a sob uma ótica holística, reinterpretando-a e buscando
entender suas representações e simbolismos.
João Fernandes da Silva Júnior
Capítulo I
Passeio pelo Tempo
I – Antiga Religião Egípcia
A antiga religião egípcia ou mitologia egípcia era a religião praticada no Egito desde o período pré-dinástico (3.000
a.C.) até o surgimento do Cristianismo.
O politeísmo era comum entre os antigos habitantes das terras do Egito, cada uma das diversas divindades era
responsável por algo no mundo físico ou no mundo espiritual.
Com o passar do tempo os egípcios passaram a acreditar em uma única divindade criadora, cuja vontade era
executada pelos Neteru (plural de Neter – o deus da Criação), ou “deuses menores”; entre eles temos: 1º) – Osíris
era o deus associado à vegetação e a vida no além (ele foi sempre o deus mais popular por ser conhecido também
como o “deus da ressurreição”).
Era marido de Ísis e pai de Hórus, era Osíris quem julgava os mortos na “Sala das Duas Verdades” (naquela sala era
realizado o ritual da pesagem do coração dos mortos, selecionando aqueles que iam para o paraíso, onde só havia
fartura); 2º) – Amon era representado geralmente como um homem com a cabeça de um carneiro.
I. 1 – Cosmologia e Criação segundo os Egípcios
O princípio do Universo é a formação única de Deus, que criou a si mesmo.
Tudo teve início em um líquido cósmico chamado Nun. Atom criou uma massa única universal.
Oração para a transformação de Atom:
Saudamos a vós, Atom!
Saudamos a vós, aquele que torna a si mesmo
Vós sois em vosso nome o altíssimo!
Vos tornais em vosso nome Khepri, aquele que se torna si mesmo!
Khepri era o nome dado ao primeiro Neter da Terra, e Rá era uma outra forma de Atom.
I. 2 – A Criação da Terra segundo os Egípcios
Efetuando uma análise sobre a antiga ideia egípcia da Criação, observamos que existia o Mundo Primordial (que era
composto por um oceano primitivo: as águas primevas) chamado de Nun, e nele flutuava um botão de Lótus que
continha o deus Rá (o deus-sol), e quando Rá se libertou iluminou então todo o caos existente e imediatamente
gerou um casal de filhos: Chu (deus do ar) e Tefnet (deusa da umidade). Da união desses dois irmãos nasceram Gheb
(deus da terra) e Nuth (deusa do céu). Esses dois deuses também se uniram e tiveram quatro filhos, Osíris, Seth, Ísis
e Néftis.
No “Papiro de Hunefer” encontramos:
Rendo homenagem a ti que és Rá, quando te levantas e temo quando te pões. Tu és o senhor do Céu, e és o Senhor
da Terra; és o Criador daqueles que habitam nas alturas e dos que moram nas profundezas. Tu és o Deus Uno que
nasceste no princípio dos tempos, criaste a Terra, modelaste o homem, fizeste o grande aquífero do céu, formaste
Hapi – o rio Nilo –, criaste o grande mar e dás vida a quantos existem dentre dele. Tu juntaste as montanhas umas
às outras, produziste o gênero humano e os animais do campo, fizeste os céus e a terra, oh tu que pariste a ti
mesmo. Salve único Ser Poderoso de miríades de formas e aspectos, rei do mundo. Homenageio a ti Amon-Rá que
descansas sobre Maât. És desconhecido pelos homens e nenhuma língua é capaz de descrever o teu aspecto; só tu
mesmo, que és Uno. Os homens te exaltam e juram por ti, pois és o Senhor deles. Milhões de anos já passaram pelo
mundo.
No “Papiro de Nesi Amsu”:
Rá, o deus solar evolveu do grande abismo primevo por obra do deus Quépera que produziu esse resultado pelo
simples pronunciar do próprio nome e que se nome é Osíris, a matéria primeva, sendo Osíris como resultado disso,
idêntico a Quépera no que diz respeito às suas evoluções.
Analisando o texto acima reproduzido não é nada difícil perceber a semelhança entre ele e outros textos cabalísticos
como os contidos na obra “O Zohar”, os quais informam que: “Ao pronunciar o seu próprio nome o senhor Yeweh
criou a Terra e os Céus”.
O aparecimento do gênero humano e dos animais inferiores ao mesmo tempo era um conceito claramente
criacionista que havia sido adotado pelos egípcios, todavia a ideia deles de a vida na Terra ter surgido das águas
primevas encontra hoje respaldo nas modernas teorias científicas de que a vida aqui no planeta teve início no meio
líquido, sob a forma de seres unicelulares.
I. 3 – A Dádiva do Nilo
O grande historiador grego Heródoto (484-444 a. C.) escreveu que “o Egito era uma dádiva do Nilo”, já que desde
o início de sua história eles criaram uma sociedade que estava baseada no aproveitamento das águas do rio Nilo para
a agricultura.
É interessante que os deuses egípcios tinham muitos pontos em comum com os homens: eles nasciam, envelheciam
e morriam, no entanto, o corpo de cada um daqueles deuses era composto por metais preciosos, dotados de poder de
transmutação.
O verdadeiro título de “O Livro Egípcio dos Mortos” é “Saída para a Luz do Dia”. Nele estão apresentados temas
de fundo metafísico, como:
a) ressurreição;
b) a vida futura;
c) imortalidade da alma;
d) natureza divina;
e) o julgamento moral dos mortos.
Conforme os historiadores descreveram, durante o reinado do faraó Menés era muito comum a crença em uma vida
post-mortem junto aos deuses, e também a prática da mumificação era bem difundida entre a população.
I. 4 – Mumificação
O cérebro do cadáver era extraído pelas narinas; os intestinos pelo ânus; e, por fim, o coração era retirado e
substituído por um escaravelho de pedra. Então, o cadáver era levado e posteriormente submetido a uma solução de
salmoura durante o período de um mês.
Depois o cadáver passava por um processo de secagem e era recheado com argila e também com ervas aromáticas.
Durante milênios este processo foi utilizado para preservar os cadáveres dos faraós, faraonas, e importantes
membros da corte.
De acordo com o conhecimento iniciático egípcio o ser humano era composto por oito partes distintas:
1 - Cat (corpo humano);
2 - Kha (duplo);
3 - Ba (alma);
4 - Ab (coração);
5 - Khu (inteligência espiritual);
6 - Sequem (força vital);
7 - Caibit (a sombra);
8 - Ren (o nome).
Durante a execução dos rituais de mumificação procurava-se manter preso no cadáver dois itens que seriam muito
importantes para a futura ressurreição do morto: a sombra e a força vital. Após a morte, o duplo e a alma de cada
pessoa deveriam cruzar 21 pilares; passar por 15 entradas, e atravessar 7 salas até chegar em frente a Osíris, e aos 42
juízes, para serem julgados e poderem atingir o Campo da Paz, no qual gozariam os prazeres da vida entre os deuses.
I. 5 – O Livro Egípcio dos Mortos
“O Livro Egípcio dos Mortos” era uma coletânea de fórmulas rituais, orações e hinos, escritos em rolos de papiros e
colocados junto com as múmias nos túmulos. E tinha por objetivo principal ajudar o morto em sua peregrinação no
Além.
No livro em questão era apresentado o conceito de que no Além de nada valiam as riquezas materiais ou a posição
social ocupada na Terra, somente os atos de bondade, de justiça, de tolerância, etc., eram levados em conta
favorecendo a estadia do morto no Além.
Em outras palavras a conduta moral da pessoa no planeta Terra era determinante para a sua futura estadia no mundo
dos mortos, favorecendo ou atrapalhando seu julgamento pelos 42 juízes.
O julgamento dos mortos por seus atos era algo que realmente preocupava a população, e por isso eles buscavam
seguir os ensinamentos escritos por Toth em “O Livro Egípcio dos Mortos”. As fórmulas que estavam contidas
naqueles papiros eram importantes, por garantir ao morto uma viagem tranquila para o Campo da Paz.
“O Livro Egípcio dos Mortos” tinha como uma de suas funções ajudar a alma a refazer-se do impacto causado pela
desencarnação.
No Amenti – a morada de Osíris – o deus Anphu (Anúbis) era o responsável pela tarefa de verificar o fiel da balança
e pesar o coração do morto. Ali, perante os 42 juízes, a alma tinha de declarar não ter cometido nenhum pecado
durante a vida física, para poder ir então viver e desfrutar da fartura no Campo da Paz.
No “Papiro de Nu”:
Nada surja para se opor a mim no julgamento, que não haja oposição a mim em presença dos príncipes soberanos,
não haja separação entre mim e ti na presença do que guarda a balança. Não deixe os funcionários da corte de
Osíris que estipulam as condições da vida dos homens, que meu nome cheire mal.
Seja o julgamento satisfatório para mim, seja a audiência satisfatória para mim e tenha eu alegria de coração na
pesagem das palavras. Não se permita que o falso se profira contra mim perante o Grande Deus, Senhor do Amenti.
I. 6 – Osíris
Osíris era o Neter que criara o ciclo de vida e morte, e por causa disso governava a Terra. Movido pela inveja Seth
resolver matar Osíris, trancafiando-o em uma grande caixa e o jogando no rio Nilo, para que nunca mais fosse
achado. Néftis percebeu a situação e avisou Ísis, e logo encontraram aquela caixa, recuperando Osíris.
Como vingança Seth esquartejou Osíris em 40 pedaços e espalhou-os pelo deserto e no Nilo. Depois de muito tempo
Ísis encontrou todos os pedaços, menos o pênis (que fora devorado por três peixes). Osíris se uniu a Ísis e gerou um
filho chamado Hórus. Foi essa a primeira ideia de “concepção imaculada” (que seria adotada também pelo
Catolicismo, muitos milênios depois).
I. 7 – O Templo e os Cultos Religiosos
Os templos no antigo Egito eram tidos como a “casa da divindade”, locais onde residiam os deuses acompanhados
de sua família e também por outras divindades.
Infelizmente os templos dos períodos do Império antigo e do Império Médio não estão hoje em bom estado, todavia
os que são construções realizadas durante o Império Novo e os da época ptolomaica estão em bom estado e
permitem que se conheça melhor a estrutura dos mesmos.
Existem diferenças de construção entre os períodos: os templos mais antigos apresentam três partes distintas: o pátio
(zona acessível ao público, onde ficava uma estátua da divindade mostrada nos dias de festas).
O pátio também era rodeado por colunas e, em alguns casos, tinha também um altar (no qual eram realizados os
sacrifícios), as salas hipostilas (ou seja, uma sala com diversas colunas, e pouco iluminada. Ela antecedia as outras
salas nas quais eram guardadas a mesa de oferendas e a barca sagrada) e o santuário.
A entrada de tais templos possuía obeliscos e estátuas de porte gigantesco, que antecediam o pilone (porta de grande
tamanho, composta por duas torres nas quais geralmente era representada a cena de o faraó estar atacando seus
inimigos).
As duas torres eram feitas em forma de trapézio, entre as quais estava situada a entrada. Já os templos do Império
Novo apresentam geralmente uma avenida de acesso ladeada por diversas esfinges com o corpo de leão e a cabeça
de carneiro (que tinham a função – segundo a crença – de proteger o templo e o deus a ele dedicado). Tal avenida
era usada durante os desfiles da procissão nos dias de festividades.
Os templos também possuíam armazéns e casas para os sacerdotes.
Rezava a tradição que o faraó tinha o dever real de realizar a liturgia em cada templo, entretanto como era
impossível o faraó estar em dezenas de lugares ao mesmo tempo, ele nomeava alguns representantes para a
realização de tais cerimônias.
O faraó somente ia visitar os templos em ocasiões especiais.
Antes do nascer do sol os animais que seriam oferecidos para os deuses eram abatidos; os sacerdotes faziam ablução
com água corrente, vestiam seus trajes brancos e encabeçavam a procissão no templo.
Quando chegavam ao pátio do templo as oferendas eram apresentadas pelos sacerdotes e logo depois era queimado
incenso.
O sacerdote-mor ia até o santuário do deus (uma sala especialmente consagrada) e lá acendia um archote e abria o
tabernáculo onde estava guardada a estátua do deus daquele templo, então ele se apresentava para a Divindade, e ia
cumprir seus outros deveres, como: limpar o tabernáculo, queimar incenso, lavar a estátua, etc., terminado o ritual o
sacerdote recolocava a estátua dentro do tabernáculo, apagava o archote e as pegadas que havia feito na sala.
Cada deus possuía um grupo de pessoas (homens e mulheres) dedicadas ao seu culto, eram os chamados “Servos de
Deus”. Cada sacerdote trabalhava um mês de três em três meses, e nos oito meses livres eles levavam uma vida
comum junto com sua família.
I. 8 – Mitologia Egípcia
Segundo E. A. Wallis Budge, os deuses do antigo Egito foram em verdade os primeiros faraós – aqueles que viveram
no período pré-dinástico – e, assim toda a mitologia foi justamente inspirada em histórias que aconteceram há
milhares de anos. Osíris foi o primeiro faraó, e foi divinizado com o transcorrer do tempo, por ter seu reinado se
dado em uma época de prosperidade.
As principais divindades eram:
Rá – O criador de todos os deuses e da ordem divina. Ele se esforçou para terminar o trabalho da criação, depois
chorou, e de suas lágrimas – que banharam o solo – nasceram os seres humanos (masculinos e femininos). A sede se
seu culto era em Heliópolis.
Rá era a principal divindade da mitologia egípcia. Era um deus com a cabeça de falcão, chamado também de deus do
sol, por causa da grande importância da luz solar no crescimento dos vegetais e na produção de alimentos. Ao
amanhecer ele era visto como uma criança recém-nascida que saia de uma vaca celeste (recebendo o nome de
Khepri).
Em torno do meio-dia ele era observado como um barco navegando; e no pôr-do-sol Rá era visualizado como um
homem velho conhecido como Atum, que descia para a terra dos mortos.
No período noturno Rá, na forma de barco, navegava na direção leste através do mundo dos mortos, preparando-se
para a sua ascensão no dia seguinte, durante aquela jornada ele tinha de lutar contra Apep (a grande serpente do
mundo inferior que sempre queria devorá-lo). Ele utilizava a magia para se proteger e auxiliá-lo em sua luta contra
Apep para assim poder garantir a volta do sol no dia seguinte.
Sua esposa era a deusa Ret, e com ela teve seis filhos: Hathor, Osíris, Seth, Hórus e Maet. Sua filha Ísis lançou um
feitiço contra ele, e ele ficou muito doente; mas como ela depois fez uma promessa de curá-lo ele acabou revelando
seu nome secreto para ela, e isso fez com que Ísis tivesse acesso a alguns dos poderes mágicos de seu pai.
Nun – A divindade mais antiga do panteão de Heliópolis (o maior centro comercial do Egito, na época).
Personificava o abismo líquido – as águas primevas –, era representado como um homem barbado, com uma pena
na cabeça e segurando um cajado.
Ele não tinha pais, mas era o pai de tudo, a origem das coisas. Sua mulher era Naunet, na verdade ela era sua
metade, eles compunham duas essências primitivas que deram origem a todas as coisas. Seus filhos foram: Rá, Atum
e Amon. Outros nomes de Nun: águas primordiais, caos da origem, grande pai de pais, e, grande mãe de mães.
Antes de existir a terra e os céus, os deuses, as estrelas, só existia Nun que era a representação do caos primordial, da
matéria-mãe de todas as coisas dos céus e da terra. Ele foi a matéria da qual surgiram os deuses, e o primeiro deles
foi Rá que emergiu das águas primevas.
Segundo a mitologia egípcia Nun era o caos que gerava o movimento criativo, mantendo todas as coisas em ordem e
com vida. Ele permanecia perfeito em seu estado original.
Os antigos tinham a crença de que no futuro ele exigiria o término de todas as coisas que criara. Antes de tudo ser
criado só havia uma grande massa escura plena de caos, na qual vivia a Ogdoad de Iunu, quatro deuses que tinham a
forma de sapo e quatro deusas em forma de serpente. Esses deuses formavam casais: Nun e Naunet representavam as
águas primordiais; Amum e Amaunet, a invisibilidade; Heh e Hauhet, o infinito; Kek e Kauket, a escuridão.
Nun deu origem a Atum (que mais tarde foi substituído por Rá). Posteriormente surgiu Amon, que depois de passar a
fazer parte da Ogdoad no Reino Médio passou a ser conhecido como Amon-Rá. Rá se cria saindo de Nun com toda a
majestade solar do primeiro pedaço de terra surgido: o Monte Benben. No cume daquele monte nasceu uma flor de
lótus e dela sai um ovo dourado do qual sai Rá na forma do pássaro Bennu, o pássaro pousa sobre o monte e se
transforma no poderoso deus falcão solar. Rá deu origem à deusa Maât, a qual fez a barreira entre a ordem e o caos
primordial.
Por ser o pai e a mãe de todos os deuses, Nun sempre foi nomeado de Pai dos Deuses.
O deus Nun era entendido também como as águas que estavam no subsolo, fontes das cheias anuais do rio Nilo.
Uma das lendas conta que Shu e Tefnet (filhos de Rá), passaram a explorar as águas de Nun, e depois de algum
tempo Rá pensou que seus filhos tinham se perdido nas águas, ele retirou um de seus olhos e o mandou em busca
deles, o olho de Rá encontrou os dois e os trouxe de volta, ao vê-los Rá chorou e de suas lágrimas nasceram os
primeiros seres humanos da Terra.
A partir desse dia o deus Nun se tornou o protetor de Shu e Tefnet. Tempos depois Nun sugeriu que Rá enviasse
aquele olho para destruir a corrompida e dissoluta humanidade que vivia na Terra. Foi quando a deusa Hathor se
transformou em Shekmet, a deusa da destruição. O deus Rá desistiu de governar os seres humanos e deu seu trono
para seu filho Shu.
O deus Nun era visto como compondo cada gota de água do rio Nilo, e o Nilo era entendido como escoadouro das
águas primevas de Nun, e com isso ele era diretamente ligado ao deus Hapi. Todo templo que fosse construído em
terras Kemitas tinha obrigatoriamente as suas fundações encharcadas com as águas do rio Nilo para que dessa forma
a força primordial e o poder de Nun os mantivessem de pé.
Às vezes Nun era retratado como um homem com a cabeça de sapo. Outras vezes ele era representado como um
homem que erguia seus braços para os céus, segurando a barca solar de Rá, elevando-a acima de seu corpo e das
águas primevas. Nun simbolizava o caos em sua forma pura, benéfica. Nos templos ele quase sempre era
representado como um lago que continha as águas sagradas do rio Nilo.
Os antigos sacerdotes acreditavam que o local no qual os deuses primordiais morreram teria sido em Iunu –
Heliópolis – e por isso eles tinham um lago sagrado dedicado àqueles deuses. Era o “Mar das duas Facas” e no
centro dele existia uma pequena ilha denominada de “A Ilha das Chamas”, naquela ilha fora construído um templo
que representava o local no qual o deus Rá tinha surgido do ovo dourado que nascera dentro da flor de lótus. Na
cidade de Abydos, o deus Nun era representado como um canal subterrâneo no Osireion (ou Osireu, descoberto
pelos arqueólogos Flinders Petrie e Margaret Murray em 1903. Ele está anexado aos fundos do Templo de Seti II –
que reinou entre 1294 e 1279 a. C.).
Na cidade de Mêmphis, o deus Nun era ligado ao deus Ptah, sendo então chamado de Ptah-Nun, pai do deus solar
Atum, mas os sacerdotes de Amon diziam que Amon fazia parte dos Oito Criadores de Tudo.
A deusa Naunet era vista como uma forma ou face mais obscura que seu marido Nun. Ela era representada na forma
de uma serpente com a cabeça de mulher. Ela era considerada a mãe de tudo, a origem material de todas as coisas.
Atom – Era uma das diversas manifestações do deus-sol. Era o mesmo deus Rá. Akhenaton e sua mulher Nefertiti
foram os personagens principais do profundo cisma que aconteceu no Egito. Eles destituíram o todo poderoso clero
de Amon e impuseram a existência de um deus único: Atom (não confundir com o deus Atum). Atom era o novo
deus-sol, era uma tentativa de impor o monoteísmo no antigo Egito.
Naquela época, o Egito vivia um período de apoteose, opulência, fartura e refinamento. Era um momento de paz
após as guerras e vitórias do faraó Tutmósis III.
O deus Amon passou a ser venerado apesar de os componentes do clero estar insatisfeitos, enquanto isso o faraó se
deixou absorver completamente pela sua devoção ao deus solar Atom, e descuidou um pouco da administração do
Egito, tendo Ave e o general Horemheb se incumbido de cuidar dos aspectos práticos da administração do Estado.
Akhenaton ordenou que os nomes dos antigos deuses fossem retirados de todas as inscrições.
O Egito desintegrava-se aos poucos com o pacifismo do faraó Akhenaton, ele não atendeu aos pedidos de ajuda de
seus aliados no Oriente Médio que estavam sendo ameaçados pelos hititas, os quais tomaram os portos da Fenícia;
os mitâmios que eram aliados dos egípcios foram varridos do mapa. Enquanto isso povos beduínos invadiram a
Palestina, conquistando Jerusalém e Megido. Ao mesmo tempo em que o Egito perdeu o controle sobre as minas de
ouro na Núbia.
Amon – Patrono dos faraós, senhor dos templos de Luxor e Karnac. Era o rei dos deuses. Marido de Mut e pai de
Khonsu. Associado a Rá, ele usava o nome de Amon-Rá, o Sol que dava vida àquele país. Era frequentemente
representado na forma de um homem vestido com uma túnica real e duas plumas do lado direito da cabeça.
Shu – Deus do ar e da luz. Era marido da deusa Tefnut, pai de Nut e Geb. Sua descrição era a de um homem que
usava penas de avestruz em sua cabeça. A principal função do deus Shu era a de sustentar o céu.
Tefnut – É a deusa da umidade vivificante. É o símbolo das dádivas e da generosidade. Irmã e mulher do deus Shu.
Era a deusa que personificava a umidade e as nuvens. Era representada como uma mulher com a cabeça de leoa.
Nut – Deusa do céu que acolhe os mortos em seu império.
Junto com a múmia do faraó Tutankhamon foi encontrado um peitoral com uma evocação à deusa Nut:
Nut, minha divina mãe, abre as tuas asas sobre mim enquanto brilharem as imorredouras estrelas no céu.
Nut era representada por uma mulher muito bela que portava na cabeça um disco solar.
Geb – Deus da Terra, irmão e marido da deusa Nut. Responsável pela fertilidade e pelas boas colheitas. Os antigos
egípcios acreditavam que ele aprisionava os espíritos maus para que eles não conseguissem ir para o céu. Era sempre
representado com um ganso sobre a cabeça.
Osíris – Irmão e marido de Ísis. Representava a morte e o renascimento dos seres. Acredita-se que ele tenha sido o
primeiro faraó e que tenha ensinado as artes da agricultura para o povo.
Osíris era um dos mais importantes deuses egípcios, casado com Ísis (a deusa da magia e do amor) e pai de Hórus
(deus do céu). Osíris tinha uma importante missão: ele era o responsável pelo julgamento dos mortos no “Tribunal
de Osíris”. Ele pesava o coração dos mortos para assim avaliar se mereciam entrar na vida do além.
Ele era retratado como um homem mumificado que usava uma barba postiça.
Ísis – A deusa da família. Utilizava a magia para ajudar aos necessitados, e a adoração a essa deusa se estendeu por
todas as partes do mundo greco-romano. Era um modelo ideal de mãe e de esposa. Protetora da natureza e da magia.
Amiga dos escravos, artesãos e pescadores. A maternidade e a fertilidade estavam também associadas a ela.
Os primeiros registros de sua adoração surgiram após 2.500 a. C., no período da Vª dinastia. Ísis teria contribuído
para a ressurreição de Osíris quando ele foi esquartejado por Seth.
Com as habilidades mágicas dela, ela reuniu as diferentes partes do corpo de seu marido devolvendo-lhe a vida. Este
mito tornou-se deveras importante para todas as crenças religiosas egípcias, por tratar da ressurreição do reino dos
mortos. Durante algum tempo ela foi conhecida também como a deusa da simplicidade, protetora dos mortos e das
crianças.
Na Península Itálica era muito difundido o culto a essa deusa; em Pompéia também havia o culto à Ísis.
Na ilha de Filas, no Alto Egito, até meados do Século VI existia o culto à deusa Ísis. Em Biblos o culto à Ísis tomou
o lugar da deusa Astarte.
Através do mundo greco-romano ela se tornou uma deusa adorada em várias partes, com templos espalhados além
do Egito.
Ísis assimilou a personificação da estrela Sírius (que nasce no horizonte pouco antes da cheia no rio Nilo) e foi
interpretado como uma fonte de fertilidade.
Seth – Deus da guerra. Personificava a ambição e o mal. A ele era atribuída a violência, a desordem, a traição, o
ciúme, a inveja, a guerra, etc. era também o deus da tempestade. Era irmão e marido de Néftis. Ele ficou com inveja
de Osíris e auxiliado por 72 conspiradores convidou-o para um banquete, durante o qual foi apresentado um
sarcófago que Seth prometeu entregar para quem nele coubesse. Todos os convidados experimentaram mais nenhum
deles cabia naquela caixa – que havia sido construída para as medidas de Osíris, e este quando entrou nela foi
fechado nela e atirado no rio Nilo por Seth e os conspiradores. A correnteza do rio levou a caixa até o Mar
Mediterrâneo, acabando por atingir a cidade de Biblios (Fenícia).
Depois de muita procura ela conseguiu encontrar a caixa e escondeu-a em uma plantação de papiros. Seth, furioso,
encontrou a caixa e esquartejou o corpo em 42 pedaços. Indignado o deus Hórus – filho de Osíris e de Ísis –
conseguiu matar Seth.
Em “O Livro Egípcio dos Mortos”, Seth é denominado de “O Senhor dos Céus do Norte” e era considerado como
sendo responsável pelas tempestades e pela mudança do tempo.
Néftis – Deusa que protege os mortos, os sarcófagos e dos vasos canopos. Era a esposa de Seth. Ela teria ajudado Ísis
a recolher os pedaços de Osíris espalhados por seu marido Seth.
Hátor – Era a personificação das forças benéficas do céu. Uma das deusas mais veneradas do Antigo Egito. Era a
legítima portadora do sistro (instrumento de percussão e era muito utilizado pelas mulheres da nobreza e pelas
sacerdotisas). Foi representada de diversas formas durante o transcurso do tempo: 1ª) como uma mulher com chifres
e portando o disco solar; 2ª) como uma mulher que tinha orelhas de vaca; 3ª) como uma mulher com a cabeça de
vaca e portando o disco solar; 4ª) como uma vaca que tinha o disco solar e duas plumas entre os chifres.
Hórus – Deus do céu, que guiava as almas até o Reino dos Mortos. Tinha os olhos de falcão e seus olhos
representavam o sol e a lua. Vingou seu pai Osíris, matando Seth. Durante a luta perdeu um o olho esquerdo que foi
substituído por um amuleto em forma de serpente (amuleto que foi muito difundido em todas as épocas).
Anúbis – Era o mestre dos cemitérios e patrono dos embalsamadores. Durante algum tempo foi considerado também
o deus do submundo. Era ele quem guiava a alma dos mortos no Além.
Thoth – Deus do conhecimento, revelador das disciplinas intelectuais, da escrita, da aritmética, das ciências em geral
e da magia. É um deus que concebeu a si próprio sobre uma flor de lótus no início dos tempos, ou seja, é um dos
deuses primordiais. Na verdade, o deus Thoth é mais um dos personagens do passado que foi incorporado pela
mitologia. Ele foi adorado pelos gregos como Mercúrio. Responsável pela transmissão de conhecimentos herméticos
para a civilização que sobreviveu aos cataclismos.
Segundo a tradição ele era um participante de quase todas as principais cenas que envolviam o julgamento dos
mortos. Era um homem com a cabeça de uma Íbis, portando uma pena e um papiro no qual ele escrevia todas as
coisas. Ele era o mensageiro dos deuses. A ele é creditada a autoria de “O Livro Egípcio dos Mortos”. Ele também
era conhecido como Hermes Trismegisto.

Maât - Deusa da justiça, da verdade, do equilíbrio e da harmonia do Universo. Em torno de 2.700 a. C. Maât estava
associada ao deus-sol Rá, ao faraó, à administração do Estado egípcio; etc. O símbolo dela era a pluma. Maât era a
concepção egípcia da verdade, da ordem divina na sociedade e na natureza. Todos os deuses egípcios agiam de
acordo com a ordem estabelecida de Maât.
O morto tinha de recitar a chamada “Confissão de Maât” – presente em “O Livro Egípcio dos Mortos”, ela servia
para ele conseguir um lugar na vida futura, ele tinha de confessar que não havia cometido nenhum erro, fazendo uma
declaração de inocência.

Ptah – Deus de Mêmphis (que foi a capital do Egito no Antigo Império). Concebeu o mundo em pensamento e o
criou por sua palavra. Ele é um deus construtor associado às obras em pedras. Era marido da deusa Sekhmet.
Representado como um homem mumificado que segurava um cetro com símbolos da vida, da força e da
estabilidade.
Sekhmet – Deusa da guerra, das batalhas e das doenças. O centro de seu culto era na cidade de Mêmphis. Era
representada como uma mulher coberta por um véu e com a cabeça de uma leoa encimada pelo disco solar.
Simbolizava também os poderes destrutivos do sol, era muito temida por ser considerada aquela que trazia a
destruição para todos os inimigos de Rá.
Basthet – Deus que representava os poderes benéficos do sol.
Khnum – Era um dos deuses relacionados com a Criação. Representado como um homem com a cabeça de carneiro.
Sebek – Era venerado nas cidades que dependiam da água. Originalmente ele era considerado um demônio, em razão
do medo que as pessoas tinham dos crocodilos (eles eram muito dependentes do rio Nilo para a sua sobrevivência), e
iniciaram esse culto como uma tentativa de pacificar aqueles animais para que deixassem de atacar as pessoas, o
gado e as embarcações.
Com o passar do tempo Sebek passou a ser um símbolo para a produtividade do rio Nilo. O culto a esse deus
floresceu na época da XIIª Dinastia. Na cidade de Al Fayum as pessoas mantinham crocodilos domesticados,
ornamentados com joias e pedras preciosas, sendo alimentados no pátio das casas.
Tuéris – Deusa que protegia as mulheres grávidas e os nascimentos. Ela assegurava fertilidade e partos sem perigos.
Era retratada na forma de um hipopótamo fêmea, com uma peruca, patas de leoa, ventre generoso, mamas pendentes
e nas costas uma cauda semelhante à de um crocodilo. Era adorada na cidade de Tebas.
A aparência da deusa Tuéris tinha a função de espantar os espíritos malignos e proteger as mães e os filhos.
Simbolizava a fecundidade, velando sempre pelas parturientes e auxiliando os nascimentos. Para esta divindade as
grávidas se dirigiam em preces solicitando um parto feliz. Era cultuada em altares domésticos, e sua imagem era
reproduzida em objetos de toalete e de uso familiar.
Era a deusa Tuéris que acompanhava os mortos em seu renascimento. Tendo sido reverenciada em todos os períodos
da história egípcia, desde os mais humildes até a família real, todos a reverenciavam.

Khepra – Era o deus que tinha a função de movimentar o sol. Associado à ideia de ressurreição. Retratado como um
homem barbado que usava a coroa dupla do faraó, e às vezes era representado também como um homem com um
escaravelho no lugar da cabeça. Os escaravelhos em todos os tempos do Egito antigo foram associados à ideia de
ressurreição. Todo morto que levasse consigo uma imagem de escaravelho tinha garantida a certeza de renascer.
Ápis – O boi sagrado dos antigos egípcios. Simbolizava a força vital da natureza e sua força geradora. Era também
conhecido como Hap, Hapi ou Hape (o boi sagrado de cor negra que tinha de possuir um triângulo de pelo branco
na testa). O boi ápis foi também adorado pelos gregos e romanos.
Babuíno – Era um grande macaco africano, com a cabeça semelhante à de um cão. No antigo Egito estava associado
à Thoth.
Íbis – Considerada pelos antigos egípcios como a encarnação do deus Thoth, já que Thoth – segundo a mitologia
egípcia – era o criador de todas as coisas. Juntamente com o deus Babuíno a Íbis era adorada em Hermópolis, onde
havia um santuário para a adoração desses deuses.
Apófis – Líder das serpentes que habitavam o além-túmulo. Em sua passagem diária pelo reino das sombras, à noite,
o deus-sol tinha de enfrentar vários adversários, dentre eles os mais perigosos eram as serpentes, cujo líder era a
serpente Apópis que tinha mais de 16 metros de comprimento. Apópis era associado à escuridão, aos eclipses
solares, às tempestades e aos terremotos.
II – Asatrú
É um movimento religioso neopagão que tenta reviver o paganismo nórdico da época dos vikings, antes da chegada
do Cristianismo. O nome do culto foi retirado dos deuses nórdicos Vanires, que se tornaram aliados dos Aesires.
As “Sagas” e as “Edas” são livros nos quais existem os registros nórdicos que retratam a história desde o início do
mundo, revelando como o deus Odin descobriu a magia.
III – Bruxaria
O termo bruxaria designa a utilização de ritos mágicos por uma pessoa dotada de faculdades sobrenaturais. Tal uso
pode ser benigno (magia branca) ou maligno (magia negra). Designa também práticas de curandeirismo, oráculos,
feitiçarias, etc.
Para os atuais bruxos, a bruxaria é o culto à Deusa e ao Deus, em sistemas que variam de uma única deidade
hermafrodita ou feminina.
A bruxaria tradicional tem as suas raízes no período da Pré-História, oriunda de antigas práticas rituais e dos cultos
xamânicos.
Historicamente, o papel que era desempenhado pelas bruxas era o de prestação de auxílio na cura de doenças, e no
contato com os espíritos dos mortos e dos deuses, além da previsão de eventos futuros. Dentro do contexto atual, a
bruxaria ressurgiu com força após Gerald Gardner ter criado a Wicca no ano de 1950. Ele adotou novos elementos e
incorporou novos conhecimentos nas bases fundamentais da Wicca.
A bruxaria é caracterizada principalmente pela liberdade de pensamento, apresenta um amplo leque de linhas de
pensamento e de vertentes distintas. Os dois conceitos mais importantes dentro da bruxaria moderna são:
1º - Nenhum bruxo ou bruxa tenta doutrinar aqueles que têm outro credo. A fé é uma escolha individual e
espontânea. O respeito ao livre-arbítrio é fundamental. Não se deve realizar nenhum tipo de magia para benefício
próprio prejudicando a terceiros.
2º - O verdadeiro bruxo respeita a natureza (ou seja, tudo aquilo que não foi feito pelo homem) por entender-se
como parte integrante dela.
No final da Idade Média teve início o período de caça às bruxas (perseguição religiosa e social efetuada contra todos
aqueles que eram considerados nocivos ao Estado).
Em 1484 foi publicado o livro mais famoso daquela época: “Malleus Maleficarum” (“O Martelo da Bruxaria”)
escrito por Heinrich Kraemer (1430-1505) e James Sprenger (1435-1495).
IV – Bruxaria Ancestral
Na verdade, todas as sociedades até aquele período reconheciam o poder das bruxas, e justamente por isso não
pensaram duas vezes em formular leis especificas visando a proibição da prática da magia para que crimes não
fossem cometidos através de rituais mágicos.
Por volta do ano 1300 começaram a surgir na Europa Central rumores sobre conspirações políticas que tentavam
destruir os reinos cristãos através de práticas mágicas e de envenenamento por poções.
E depois da chamada “peste negra” (que dizimou cerca de 1/3 de população europeia entre os anos de 1347 e 1350)
os rumores aumentaram, creditando às bruxas a responsabilidade sobre aquele trágico evento. Os casos de processos
por prática de bruxaria foram gradativamente aumentando até que no Século XV foram iniciados os julgamentos em
massa.
V – Celtas
Os celtas compunham múltiplas tribos (bretões, gauleses, escotos, eburões, batavos, belgas, gálatas, trinovantes e os
caledônios) que viveram no Oeste da Europa no período de 2000 a. C.
A maioria dos povos celtas foi conquistada pelos romanos.
Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Europa, e também do uso de calças compridas
na indumentária masculina. Eles exaltavam as forças da Natureza em seus rituais por entenderem que a própria
Natureza era a expressão máxima da Deusa Mãe. A religião celta era politeísta com características animistas, sendo
os seus rituais realizados quase sempre ao ar livre.
Entre as divindades mitológicas celtas havia as femininas: Tailtiu e Macha (as deusas da natureza), e Epona (a deusa
dos cavalos); e as masculinas: Goibiniu (fabricante de cerveja) e Tan Hill (divindade do fogo).
As crenças religiosas dos celtas também originaram muitos dos mitos europeus, e entre os mais conhecidos está o
mito de Cernunnos.
Com o contato e a assimilação da cultura de Roma os deuses celtas foram gradualmente perdendo as suas
características originais, passando assim a ser identificados com as divindades romanas correspondentes.
Posteriormente, com o advento do Cristianismo a mitologia celta foi sendo abandonada.
São muito ricas as narrativas mitológicas celtas, como a do herói irlandês Cu Chulainn em “O Roubo de Gado em
Cooley”.
O herói irlandês enfrentou as forças da rainha Maeva para defender o seu condado.
VI – Deusa Mãe
A Deusa Mãe é representada como Mãe Terra, uma deidade da fertilidade. Refere-se a um mito universal de
divindade feminina diretamente relacionada com a Natureza e com a fertilidade (como a famosa Vênus Pré-
Histórica).
As estatuetas de Vênus compõem uma série de divindades pré-históricas (do Período Paleolítico Superior)
representando mulheres obesas ou grávidas. Feitas de argila e depois aquecidas, elas foram encontradas da Europa
Oriental até a Sibéria. Outras foram feitas em cerâmica. A maioria dos arqueólogos acredita que elas representam
deidades da fertilidade.
Na Frígia era conhecida como Cibele, e os gregos denominavam-na de Reia.
As deidades que se encaixam na concepção moderna de deusa mães são adoradas em diversas sociedades.
VII – Divindade
Ao longo dos séculos o conceito de divindade assumiu as mais diversas concepções.
A divindade é um ser de origem sobrenatural, imortal e que normalmente tem poderes para agir sobre os elementos
da Natureza e sobre os seres humanos. Segundo as crenças antigas, as divindades apresentam características
humanas e divinas ao mesmo tempo.
As primeiras concepções sobre divindades surgiram no Período Paleolítico, possivelmente manifestadas pelo
sentimento humano de ligação com a própria Terra, com a Natureza, e com os ciclos de fertilidade.
Os povos antigos cultuavam as manifestações da Natureza e atribuíam a cada uma delas à ação de uma determinada
divindade, advindo daí a prática ritualística de cerimônias, de sacrifícios, etc., as quais objetivavam agradecer e
agradar as divindades.
VIII – Druidismo
A filosofia druida ensinava que a luz da inteligência iria sobressair e dissolver a sombra da superstição e da
ignorância cega. Os druidas buscavam preservar a Natureza em todas as suas expressões: mineral, vegetal e animal;
porque eles respeitavam aquela que lhes dava o sustento.
A Mãe Terra era venerada pelos druidas em seu dia a dia e em seus rituais. As árvores – principalmente o carvalho –
eram o elo entre os homens com os deuses.
IX – Fenícia
O centro da Fenícia se situava na planície do Líbano. A civilização fenícia floresceu do Século X ao V a. C.,
estabelecendo diversas colônias em todo o Norte da África e Sul da Europa. Eles tinham sua base centralizada no
comércio com os outros povos e para isso criaram entrepostos comerciais ao longo de todo o Mediterrâneo. Os
principais adversários comerciais eram os gregos.
Os fenícios eram politeístas e utilizavam sacrifícios humanos em seus rituais.
Baal era a divindade maior para os fenícios. Era o deus associado ao sol e as chuvas. E Astarte era a deusa da
riqueza e da fecundidade.
A maioria dos rituais fenícios era realizada ao ar livre, com sacrifícios de crianças (em particular dos primogênitos).
X – Folclore Brasileiro
O folclore brasileiro é constituído por um conjunto de mitos, de lendas, de usos e costumes transmitidos oralmente
através das gerações com a finalidade de passar ensinamentos.
Algumas das figuras do folclore brasileiro são:
Boitatá – Uma cobra de fogo, ou fogo que corre, que protege as matas e os animais, tendo a capacidade de perseguir
e de matar os que não respeitam a Natureza.
Boto – Surgiu na região amazônica, ele representa um jovem homem bonito que encanta as mulheres e depois da
conquista leva as moças para a beira de um rio e as engravida. Antes de chegar a madrugada ele mergulha nas águas
do rio e se transforma em um boto.
Caipora – Entidade mitológica tupi-guarani. É representado como um pequeno índio de pele escura que anda nu
fuma cachimbo e aprecia beber cachaça.
Chupa-Cabra – O nome desse animal desconhecido se deve ao fato de se ter descoberto um grande número de cabras
mortas na região de Porto Rico. As cabras tinham marcas de dentadas no pescoço e seu sangue tinha sido sugado.
Essa lenda não é de origem brasileira, mas foi assimilada pelo folclore do Brasil.
Cuca – A cuca era uma velha bem feia na forma de um jacaré que roubava as crianças que não obedeciam aos pais.
Curupira – É um protetor das matas e dos animais silvestres. É representado por um anão de cabelos compridos e
com os pés virados para trás. Ele persegue todos os que desrespeitam a Natureza.
Lobisomem – Mito que aparece em diversas regiões do mundo: um homem foi atacado por um lobo em uma noite
de lua cheia e não morreu, entretanto desenvolveu a estranha capacidade de se transformar em lobo nas noites de lua
cheia. Reza a lenda que somente um tiro com uma bala de prata em seu coração é capaz de matar o lobisomem.
Iara – A sereia mãe d’água. Metade mulher metade peixe, com seu canto consegue encantar os homens e levá-los
para o fundo das águas.
Mula-sem-cabeça – Reza a lenda que uma mulher que tivesse relações sexuais com um padre se transformaria em
mula-sem-cabeça.
Negrinho do Pastoreio – Segundo a lenda, havia um menino negro de quatorze anos, escravo, que possuía a tarefa de
cuidar do pasto e dos cavalos de um fazendeiro muito rico. Um dia o menino foi acusado pelo patrão de ter perdido
um dos cavalos, e o fazendeiro mandou açoitar o menino, depois de apanhar muito o menino teve de voltar para
procurar o cavalo, mas não o encontrou. O patrão mandou açoitar novamente o garoto e colocá-lo amarrado e nu em
cima de um formigueiro. No dia seguinte o menino estava ileso e livre, montado no cavalo que havia desaparecido.
Saci Pererê – Lenda originária das tribos indígenas do Sul do Brasil. Possui uma perna só, usa um gorro vermelho e
sempre está com um cachimbo na boca.
Corpo Seco – Diz a lenda que o corpo seco é uma assombração que fica assustando as pessoas na estrada.
Pisadeira – É uma velha de chinelos que aparece nas madrugadas e pisa na barriga das pessoas para provocar falta
de ar. Segundo a lenda ela costuma aparecer quando as pessoas vão dormir de estômago muito cheio.
Mapinguari – Uma criatura coberta com um longo pelo vermelho que vive na floresta amazônica.
Mãe-de-Ouro – É representada por uma mulher ou por uma bola de fogo que indica os locais nos quais existem
jazidas de ouro.
XI – Idade Média e a Inquisição
A Idade Média foi o período delimitado entre a desintegração do Império Romano do Ocidente (476 d. C.) e a queda
de Constantinopla (1453 d. C.).
A partir do Século V os pensadores cristãos perceberam que havia a necessidade de um aprofundamento da fé, com
a intenção dela se harmonizar com as exigências do pensamento filosófico. Desse modo a Filosofia passou a receber
fortes influências da cultura judaica e cristã.
No Século IX a chamada filosofia Escolástica se desenvolveu e ganhou acentos cristãos, surgidos da necessidade de
responder as exigências da fé ensinadas pela Igreja Católica. A Escolástica teve uma constante de natureza
neoplatônica que combinava diversos elementos do pensamento de Platão com elementos de ordem espiritual. No
Século XIII, Tomás de Aquino incorporou vários elementos da filosofia de Aristóteles ao pensamento escolástico.
A maior parte da arte medieval que chegou aos dias de hoje tem foco religioso ligado ao Cristianismo.
Com a invasão dos povos bárbaros em Roma, a maioria das pessoas foi para o campo, onde se sentiram mais
seguras. Os grandes proprietários passaram a construir castelos com altas muralhas para se proteger da invasão dos
bárbaros.
A pintura medieval era predominantemente bidimensional, e as personagens eram retratadas maiores ou menores
segundo a sua importância.
Bem antes de sua oficialização a Inquisição já existia e perseguia os chamados demônios da heresia (clérigos que
desejavam reformar tudo aquilo que eles consideravam excessivo dentro da Igreja, e que desejavam a volta da
piedade e da humildade de Jesus e de seus discípulos, enquanto isso a Igreja envolvia-se cada vez mais nas intrigas e
questões de ordem política).
Os reformistas da época consideravam que a Igreja era indispensável a todos, e eles acreditavam também que o
Reino de Deus estava presente no coração de todas as pessoas, entretanto, como revide foi organizado o “Primeiro
Grande tribunal Público Medieval contra a Heresia” no ano de 1022 em Orleans.
Os primeiros réus foram evidentemente aqueles reformistas que pregavam ideias consideradas não cristãs. A
acusação era um sinônimo de condenação, e esta, resultava na morte dos acusados.
As vítimas eram flageladas, estupradas, mutiladas, e em razão disso elas confessavam qualquer coisa para que
cessasse a tortura que sofriam. As vítimas sentenciadas à morte agonizavam enquanto eram queimadas em fogueira
de madeira verde para que a agonia fosse prolongada ao máximo e servisse de exemplo para os “outros”.
Os inquisidores se aperfeiçoaram muito nas técnicas de tortura. Para que houvesse um contraste com a morte pelo
fogo, eles praticavam também a tortura pela água.
Eles amarravam as mãos e os pés do prisioneiro com uma grossa corda que rasgava a pele do mesmo, forçavam a
vítima a abrir a boca e à força iam despejando água para o prisioneiro beber até que este sufocasse ou fizesse uma
confissão.
Uma das figuras mais odiadas daquela época foi o frade dominicano Tomás de Torquemada (1420- 498), o Grande
Inquisidor, que realizou intensa campanha contra os muçulmanos convertidos da Espanha e os judeus. Atualmente
acredita-se que ele tenha mandado para a morte cerca de 2.200 pessoas.
Milhares de pessoas foram impiedosamente mortas durante os 300 anos de Inquisição.
XII – Magia
A magia era conhecida como A Grande Ciência Sagrada, por estudar os segredos da Natureza e sua relação com os
seres humanos, criando um conjunto de conhecimentos e de práticas que tinham por objetivo o desenvolvimento das
faculdades ocultas dos seres humanos visando à obtenção de um domínio total sobre si mesmo e sobre as
manifestações da Natureza.
As características ritualísticas e os cerimoniais mágicos visavam possibilitar que os magos entrassem em contato
com as deidades e tivessem acesso aos aspectos ocultos do Universo.
No “Novo Testamento” são três reis magos que vão saudar Jesus recém-nascido. E no “Velho Testamento” é
descrita a disputa entre Moisés e os magos do faraó.
Na moderna concepção a magia é uma ciência que estuda os aspectos e potenciais latentes em todos os seres
humanos, e também as manifestações da Natureza, tratando diretamente com as forças sobrenaturais, e justamente
por isso, a prática da magia requer o aprendizado de técnicas diversas.
Capítulo II
Buscando Compreender a Mitologia
I – Mitologia
A mitologia é o conjunto de mitos – lendas – de uma cultura, tais mitos são considerados como verdadeiros,
explicando o porquê de alguns acontecimentos antes pouco conhecidos dos seres humanos, como a criação do
Universo, da Terra, os fenômenos da Natureza, etc., no entanto existem mitos que somente envolvem a ação de uma
força sobrenatural ou mesmo de uma divindade específica.
II – Mitologia Asteca
Os astecas habitaram o centro-sul do México. E sua mitologia era bastante rica, repleta de deuses e criaturas
sobrenaturais, além disso, eles incorporavam à sua religião as divindades dos povos que conquistavam (semelhante
aos romanos). Eram, portanto, politeístas, sendo que algumas de suas deidades eram elementos naturais como a
água, o fogo, a terra, o vento, a lua, o sol, etc.
Os astecas acreditavam que antes do presente existiam outros mundos: eram quatro sóis, cada um com um tipo de
habitantes: gigantes, que foram mortos por jaguares enviados pelo “deus” Tezcatlipoca; humanos que foram
assomados por um grande vento feito por Quetzacoalt, e então eles precisaram agarrar-se a árvores, transformando-
se em macacos; Hmanos que viraram pássaros para não morrerem na chuva de fogo enviada por Tlaloc; humanos
que viraram peixe para não morrerem no dilúvio causado pela deusa Chalchiuhtlicue; e nos humanos atuais, que vão
acabar por motivo do Deus do sol que nos destruirá com terremotos.
No quinto sol, tudo era negro e morto. Os deuses se reuniram em Teotihuacan para discutir a quem caberia a missão
de recriar o mundo, tarefa que exigia que um deles teria que se jogar dentro de uma fogueira. O selecionado para
esse sacrifício foi Tecuciztecatl.
No momento fatídico, Tecuciztecatl retrocedeu ante o fogo; mas o segundo, um pequeno deus, humilde e pobre
(usado como metáfora do povo asteca sobre suas origens), Nanahuatzin, se lançou sem vacilar a fogueira,
convertendo-se no sol. E ao ver isto, o primeiro deus, sentindo coragem, decidiu jogar-se transformando-se na Lua.
Ainda assim, os dois astros continuam inertes e é indispensável alimentá-los continuamente para que se movam.
Então outros deuses decidiram sacrificar-se e dar a “água preciosa”, necessária para criar o sangue. Por isso os
homens são obrigados a recriar eternamente o sacrifício divino original.
Eles acreditavam que os deuses gostavam destes sacrifícios. Eles eram geralmente praticados com prisioneiros de
guerras. Para eles era uma honra dar a vida por um deus.
Os astecas assim como outras civilizações da mesoamérica capturavam pessoas de tribos, aldeias ou até mesmo de
civilizações inimigas para o sacrifício.
Geralmente eles chegavam às aldeias, cidades ou tribos no meio da noite ou no amanhecer para atacar. Eles
primeiramente entravam em silêncio matam os animais, entravam na cabana do chefe e em seguida o matavam.
Depois de matar o chefe inimigo eles atacavam as outras pessoas que estavam dormindo ou distraídas, os que
resistiram levavam golpes na cabeça para ficarem inconscientes, logo em seguida eles pegaram outras pessoas para
serem capturadas. Por último eles vendiam as mulheres, homens fracos e crianças para nobres e só os com saúde e
fortes iriam para sacrifício.
Era comum a representação de deuses através de templos e obras gigantescas. Eles acreditavam que quanto maior a
obra ou o templo maior era a adoração que esse deus considerava. Para representar os deuses também eram criadas
máscaras e objetos de cerâmica. Todo o conhecimento religioso era registrado em livros chamados de “Códices” que
também continham imagens que representavam os deuses.
III – Mitologia Chinesa
A mitologia chinesa e o conjunto de histórias, lendas e ritos passados de geração para geração de forma oral ou
escrita. Há diversos temas na mitologia chinesa, incluindo mitos envolvendo a própria fundação da cultura chinesa e
do Estado chinês.
Como em muitas mitologias, acredita-se que ela seja uma forma de rememoração de fatos passados. Os historiadores
supõem que a mitologia chinesa teve início por volta de 1100 a. C. Os mitos e lendas foram passados de forma oral
durante aproximadamente mil anos antes de serem escritos nos primeiros livros como o “Shui Jing Zhu” e o “Shan
Hai Jing”. Outros mitos continuaram a ser passados através de tradições orais tais como o teatro e canções, antes de
serem escritos em livros como no “Fengshen Yanyi”.
Uma característica original da cultura chinesa é a aparição relativamente tardia na literatura de mitos envolvendo a
criação. Aqueles que existem, aparecem bem depois da fundação do Confucionismo, do Taoísmo, e de religiões
populares.
As histórias têm diversas versões, não raro opostas entre si, com a criação dos primeiros seres humanos sendo
atribuída a Shangdi, ao Céu, a Nu Kua, a Pan Ku ou Yu Huang. As versões mais comuns da história da criação são
as seguintes, em ordem cronológica aproximada:
• Shangdi, aparecendo na literatura em aproximadamente 700 a. C, ou antes, (a datação destas ocorrências depende
da data do Shujing). Não há narrativas orientadas no sentido de dar a Shangdi a autoria da “criação”, embora o papel
de criador seja uma interpretação possível. Embora Shangdi pareça ter os atributos de uma “pessoa”, referências a
ele como o criador não são explicitadas até a Dinastia Han.
• Tian, aparecendo na literatura em cerca de 700 a. C, ou antes, (a datação destas ocorrências depende da data do
Shujing).
Igualmente, não existe um papel de criador para o Céu, embora essa interpretação seja possível. As qualidades do
Céu e de Shangdi parecem se fundir em uma literatura posterior (sendo, por isso, adorados como uma entidade
única, por exemplo, no Templo do Céu em Pequim). A extensão da distinção (se houver alguma) entre eles é
debatida.
• Nu Kua, aparecendo na literatura não antes de 350 a. C, diz-se que recriou ou criou a humanidade. Seu
companheiro – irmão e marido – era Fu Xi. Estes dois seres às vezes são adorados como os primeiros antepassados
dos seres humanos. Eles são muitas vezes representados como criaturas metade-serpente, metade-humanas. Nuwa
também foi a responsável por consertar o céu depois que Gong Gong danificou uma das colunas que suportam o
céu. Ha muito tempo atrás houve um grande dilúvio e os únicos sobreviventes foram Nu Kua e Fu Xi. Quando as
águas baixaram, eles se transformaram num casal de serpentes de cabeça humana. Seus filhos foram as plantas e
animais do mundo. Em outro boato diz-se que Nu Wa formou as pessoas com bolas de lama.
• Pan Ku, aparecendo na literatura não antes de 200 a. C, foi o primeiro ser consciente e criador. No começo não
havia nada além do Caos. Fora desse Caos um ovo foi chocado por 18 mil anos. Quando as forças do Yin yang se
igualaram, Pan Ku emergiu do ovo e empreendeu a tarefa de criar o mundo. Ele separou o Yin Yang com um golpe
de seu machado. O Yang, mais pesado, afundou e transformou-se na Terra, enquanto o Yin, mais leve, elevou-se
para formar os céus. Pan Ku ficou entre eles e empurrou o céu. Ao fim de 18 mil anos, Pan Ku descansou. Sua
respiração tornou-se o vento, sua voz o trovão, o olho esquerdo o Sol e o direito a Lua. Seu corpo transformou-se
nas montanhas e extremos do mundo, seu sangue formou os rios, seus músculos as terras férteis, sua barba as
estrelas e a Via Láctea, sua pele os arbustos e as florestas, seus ossos os minerais preciosos, sua medula diamantes
sagrados, seu suor caiu como chuva e as pequenas criaturas em seu corpo (em algumas versões, pulgas), carregadas
pelo vento, tornaram-se os seres humanos sobre todo o mundo.
• Yu Huang, incluindo representações como Yuanshi Tianzun, Huangtian Shangdi, aparece na literatura bem depois
do estabelecimento do Taoísmo na China.
Após a era de Nu Kua e de Fu Xi (ou contemporaneamente em algumas versões) veio a Idade dos Três Augustos e
dos Cinco Imperadores, um grupo de legisladores lendários que governou entre 2.850 a. C. e 2.205 a. C, período
anterior a Dinastia Xia.
A lista de nomes que compreende os Três Augustos e os Cinco Imperadores varia bastante entre as fontes, mas a
versão mais conhecida e de maior circulação e:
• Os Três Augustos:
• Fu Xi – Companheiro de Nu Kua.
• Shennong – Shennong, que significa “Fazendeiro Divino”, ensinou a agricultura e a medicina aos antigos.
• Huangdi – Huangdi, significando, e conhecido como, o “Imperador Amarelo”, considerado o primeiro soberano da
China.
• Os Cinco Imperadores:
• Shaohao – Líder dos Dongyi ou “Bárbaros do Leste”, sua tumba piramidal está localizada na província de
Shandong.
• Zhuanxu – Neto do Imperador Amarelo.
• Ku – Bisneto do Imperador Amarelo e sobrinho de Zhuanxu.
• Yao – Filho de Ku. Seu irmão mais velho sucedeu Ku, mas abdicou ao sentir-se um legislador ineficaz.
• Shun – Yao deixou sua posição para Shun em detrimento de seu próprio filho por causa da habilidade e moral de
Shun.
Estes legisladores foram considerados como extremamente morais e benevolentes, exemplos a serem seguidos por
reis e imperadores posteriores. Quando Qin Shihuang uniu a China em 221 a. C, sentiu que suas realizações
ultrapassavam as de todos os soberanos que o haviam precedido. Por isso ele combinou os antigos títulos Huang e
Di para criar um novo, Huangdi, normalmente traduzido como Imperador.
A mitologia chinesa compartilha com as mitologias sumeriana, grega, maia e com o Judaísmo e centenas de
tradições, um período conhecido como Dilúvio ou Grande Enchente. O soberano chinês Da Yu, com a ajuda da
deusa Nu Kua, ajudou a escavar os canais que controlaram a inundação e permitiram a população o cultivo da terra.
Houve muito intercâmbio entre a mitologia chinesa, o Confucionismo, o Taoísmo e o Budismo. Por um lado,
elementos preexistentes da mitologia foram fundidos com essas religiões à medida que eles se desenvolviam (no
caso do Taoísmo), ou eram assimilados pela cultura chinesa (no caso do Budismo). Por outro lado, elementos dos
ensinamentos e das crenças destes sistemas foram incorporados a mitologia chinesa. Por exemplo, a crença Taoísta
em um paraíso foi incorporada pela mitologia, como o lugar no qual os imortais e divindades residem. Entrementes,
os mitos dos governantes benevolentes do passado, na forma dos Três Augustos e Cinco Imperadores tornaram-se
parte da filosofia política confucionista do Primitivismo.
Acredita-se que o Imperador de Jade seja o deus mais importante. As origens do Imperador de Jade e como ele veio
a ser considerado uma divindade são desconhecidas.
Também conhecido como Yu Huang Shang-ti, seu nome significa “a Augusta Personalidade de Jade”. É considerado
o primeiro deus e o responsável por todos os deuses e deusas.
Em sua maioria os mitos chineses envolvem temas morais que informam o povo de sua cultura e de seus valores. Há
muitas histórias que podem ser estudadas ou coletadas na China.
Divindades de origem Taoísta
• Os Três Puros — Os Três Puros são a trindade Taoísta de deuses representando os princípios supremos.
• Quatro Imperadores – Reis celestes do Taoísmo.
• Imperador de Jade – O Imperador de Jade e o governante supremo de tudo, contado entre as principais divindades
Taoístas.
• Beiji Dadi — Governante das estrelas.
• Tianhuang Dadi — Governante dos deuses.
• Imperatriz da Terra.
• Xi Wangmu — Xi Wangmu ou Rainha Mãe do Oeste e a deusa que detém o segredo da vida eterna e a entrada para
o paraíso. Originalmente era uma deusa feroz com dentes de tigre e que enviava pragas ao mundo, mas ao ser
incorporada ao panteão Taoísta, transformou-se em uma divindade benigna. Na mitologia chinesa popular, Xi
Wangmu vive em um palácio de jade e, por isso, e considerada a patrona dos mineiros de jade. Ela também possui
um pessegueiro que a cada três mil anos produz um pêssego que concede a imortalidade.
• Pak Tai ou Bei Di — Deus Taoísta do Norte, Pak Tai e um dos Cinco Imperadores que desde a Dinastia Han são
associados a cada um dos pontos cardeais (Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro) segundo a teoria dos Cinco Elementos.
Em Hong Kong e Macau, são considerados divindades do vento. Pak Tai e também o deus das águas, elemento
associado ao norte como a cor preta. Seu animal totem e a tartaruga negra.
• Xuan Nu – Xuan Nu foi a deusa que ajudou Huangdi a subjugar Chi You na guerra travada entre os dois. Depois de
enfrentarem-se nove vezes em uma guerra cíclica sem que nenhum dos dois vencesse, o Imperador Amarelo retirou-
se para o Monte Tai que ficou envolto em neblina durante três dias. Então apareceu Xuan Nu, que tinha cabeça de
pessoa e corpo de ave, e aproximou-se do Imperador comunicando-lhe uma estratégia para vencer a guerra.
• Oito Imortais – Os Oito Imortais são uma crença taoísta descrita pela primeira vez na Dinastia Yuan. O poder de
cada Imortal pode ser transferido para uma ferramenta que pode dar vida e destruir o mal. A maioria nasceu nas
Dinastias Tang ou Sung. Eles não só são venerados pelos Taoístas como são elementos da cultura chinesa. Vivem na
Montanha Penglai.
• He Xiangu
• Cao Guojiu
• Tie Guaili
• Lan Caihe
• Lu Donagbin
• Han Xiang Zi
• Zhang Guo Lao
• Zhongli Quan
Divindades de origem Budista
• Guan Yin, também Kuan Yin – Guan Yin e a deusa da compaixão e piedade.
• Hotei – É uma divindade budista popular. Deus da alegria e fortuna.
• Dizang – É aquele que salva da morte.
• Yanluo – O governante do Inferno (forma abreviada do sânscrito Yama Raja).
• Shi Tennô – Os Quatro Reis Celestes são deuses guardiões budistas.
Outras divindades:
• Erlang Shen – É um deus chinês com um terceiro olho na testa que vê a verdade. E uma divindade beligerante e
sempre empunha uma espada de três pontas e mantém seu fiel “Cão Celestial Sagrado” ao seu lado, o qual o ajuda a
subjugar espíritos malignos. Sua origem varia, sendo por vezes tido como segundo filho do Rei Celestial do Norte,
Vaishravana. E por vezes como sobrinho do Imperador de Jade (no conto “A Jornada para o Oeste”).
• Lei Gong – O deus do trovão. Este deus começou sua existência como mortal, mas encontrou um pessegueiro que
vinha dos céus. Quando ele comeu um de seus pêssegos, tornou-se um humano com asas e logo recebeu uma maça e
um martelo que poderia criar trovões. E assim transformou-se no deus dos trovões.
• Nezha – Também chamado San Taizi, é o terceiro filho de Li Jing, general da Dinastia Tang e chefe do exército
celeste, encarregado de pôr os espíritos malfeitores que contrariam as vontades divinas e atormentam os homens no
caminho correto. Nezha comanda uma parte do exército. Diz-se que ele nasceu após três anos de gravidez em uma
bola de carne que seu pai, furioso, partiu com uma espada.
Nezha surgiu então totalmente armado. Ele tem a aparência e o temperamento caprichoso de uma criança. Flutua no
ar graças a rodas de fogo sob seus pés, leva o anel cósmico com o qual matou os filhos do rei Dragão e tem em mãos
uma lança. Ele pode ter membros e cabeças suplementares. Talvez seja inspirado no deus védico Nalakuvara.
• Guan Yu – O deus das irmandades, das artes marciais e, quando estas ocorrem, também deus da guerra.
• Zhao Gongming – Deus da fortuna que monta um tigre.
• Bi Gan – Também é um deus da fortuna. E muitas vezes confundido com “Wu Cai Shen” que monta um tigre e usa
uma vara de pescar.
• Kui Xing – Deus dos exames e auxiliar do deus da literatura, Wen Chang. Kui Xing era um feio, mas inteligente,
anão que se tornou patrono daqueles prestando os exames imperiais. E retratado sobre uma tartaruga segurando um
pincel de escrever.
• Sun Wukong – É o deus macaco da lenda Jornada para o Oeste.
• Daoji – Era um monge budista durante a Dinastia Sung e se tornou um deus devido a suas práticas em vida.
• Matsu – Deusa do Oceano, também conhecida como Rainha do Paraíso. De acordo com a lenda, ela nasceu em 960
(durante a Dinastia Sung) como a sétima filha de Lim Goān na Ilha Meizhou, Fujian. Há muitas lendas envolvendo
ela e o mar. Ainda que tenha começado a nadar tarde, com 15 anos, logo virou uma ótima nadadora. Usava um
vestido vermelho para guiar os barcos de pescadores para a costa, mesmo durante tempestades. Existem pelo menos
duas versões envolvendo sua morte. Em uma delas, ela morreu em 987 com 28 anos, quando escalou uma montanha,
subiu aos céus e tornou-se uma deusa. Outra versão da lenda diz que ela morreu de cansaço após nadar muito em
busca de seu pai aos 16 anos. Depois sua morte, as famílias de muitos pescadores e marinheiros começaram a rezar
em honra de seus atos de bravura tentando salvar aqueles ao mar. Sua adoração espalhou-se rapidamente. E
representada normalmente usando um vestido vermelho e sentada em um trono.
• Zao Jun – É um deus popular da cozinha. E o mais importante de uma miríade de deuses domésticos chineses
(deuses do pátio interno, poços, vãos da porta, entre outros). Acredita-se que anualmente ele leva um relatório ao
Imperador Jade das atividades de cada casa para que sejam recompensadas ou punidas de acordo com elas.
• Tu Di Gong – É o deus da terra no Taoísmo e nas religiões populares chinesas. As pessoas recorrem a ele quando
desejam boas colheitas, saúde e quando enterram seus entes queridos. Cada vila da China tem um templo dedicado a
ele, mas ele não é um deus todo poderoso, assemelha-se mais a um burocrata.
• Shing Wong – Deus responsável pelo comercio em uma cidade.
• Zhong Kui ou Jung Kwa – Ser mitológica famoso por subjugar demônios. Foi aprovado nos exames imperiais, mas
o imperador não permitiu que ele assumisse sua posição por ser muito feio. Com raiva, Zhong Kui suicidou-se e foi
enterrado por seu amigo. Após tornar-se rei dos espíritos do inferno, ele voltou para agradecer pela gentileza do
amigo.
• Long Mu – É conhecida por ter criado cinco dragões e por isso é também chamada de Mãe dos Dragões. Long Mu
morava com sua família na margem de um rio, aonde lavava roupas e pescava. Certo dia encontrou um ovo nas
margens desse rio do qual nasceram cinco serpentes (ou uma, segunda algumas versões). Mesmo sendo pobre, Long
Mu deu o melhor de sua comida para alimentar as serpentes e elas ajudavam-na pegando peixes no rio. Com o tempo
elas cresceram e tornou-se claro que não eram serpentes, mas sim dragões.
Os chineses acreditam que os dragões têm o poder de controlar o tempo e assim, durante uma seca, Long Um pediu a
eles que fizessem chover e isso deixou os aldeões satisfeitos, por isso deram-lhe o nome de “Mãe dos Dragões”. A
notícia desse feito chegou ao imperador Qin Shihuang que lhe enviou presentes e solicitou sua presença na capital.
Mas ela já estava muito velha e morreu antes de conseguir ir.
• Hung Shing – Foi um funcionário nomeado para administrar a província de Pun Yue, presentemente Guangdong.
Ele estimulou os estudos de geografia e astronomia e melhorou as condições de vida da população, em especial dos
pescadores. Por isso, após a sua morte, a população construiu vários templos em honra dele.
• Tam Kung – É o deus do mar venerado em Macau e Hong Kong. Diz-se que pode controlar o tempo e curar
doenças de crianças.
• Wong Tai Sin – Wong Tai Sin nasceu Wong Cho Ping em 338 na moderna cidade de Lanxi. Começou a praticar o
Taoísmo aos 15 anos e quarenta anos depois podia transformar pedras em ovelhas.
• Meng Po – É a deusa do esquecimento. Ela prepara um chá chamado Chá de Cinco Sabores do Esquecimento,
dado para as almas das pessoas que vão reencarnar para esquecerem suas vidas anteriores.
• Os Três Augustos e os Cinco Imperadores – grupo de soberanos lendários.
• Zhu Rong – Deus do fogo. Venceu Gong Gong.
• Gong Gong – Deus da água, durante a luta com o deus do fogo, ele partiu o Monte Buzhou, quebrou o céu, que foi
em seguida consertado por Nuwa. E o responsável pelas enchentes. Conta-se que envergonhado por ter perdido a
batalha pelo trono do Paraíso, ele bateu sua cabeça contra o Monte Buzhou, um dos pilares do céu. O pilar ficou
muito avariado o que levou o céu a inclinar-se para nordeste e a terra para sudeste, causando grandes enchentes e
sofrimento para as pessoas. Nuwa cortou a perna de uma tartaruga gigante e a usou para reparar o estrago, sem
consegui-lo de todo e isso explica porque a Lua, o Sol e as estrelas se movem para nordeste e os rios na China para
sudeste.
• Chi You – Deus da guerra. Inventor das armas de metal. Adversário de Huangdi.
• Da Yu – Da Yu ou Yu o Grande regula o curso dos rios, para controlar as enchentes. Foi o primeiro imperador da
Dinastia Xia e é venerado por ter ensinado o povo da China a controlar as enchentes, tendo passado sua vida a
procura da solução para o problema. Sua perseverança foi tanta que impressionou Shun e este lhe cedeu o trono. No
local onde morreu durante uma caçada, foi erguido um mausoléu.
• Kua Fu – É um gigante que persegue o Sol. Um dia ele decidiu descobrir para onde o Sol ia à noite e pega-lo sem
nunca conseguir.
• Cangjie – Criou os caracteres chineses.
• Houyi – Houyi ou apenas Yi e um grande arqueiro, famoso por ter derrubado nove sóis. Conta à lenda que em
tempos antigos, havia dez sóis na terra que se substituíam saindo um a cada dia. Um dia, cansados de suas rotinas,
resolveram sair todos de uma vez e o calor foi tanto que as pedras derretiam, as pessoas morriam e as plantas
secavam. Por isso, o imperador, Yao, implorou ao pai dos sois, Dijun, que os controlasse. Os sois não deram ouvidos
ao seu pai e por isso ele enviou Houyi para a Terra com um arco mágico e flechas. Dijun esperava que Houyi apenas
assustasse os sóis, mas quando Houyi viu a devastação causada por aqueles foi tomado por um acesso de fúria e
derrubou nove deles, restando apenas o atual. Dijun por sua vez ficou furioso e baniu Houyi para a Terra para passar
o resto de seus dias como um mortal.
• Chang’e – Chang’e é a esposa de Yi e deusa da Lua. Há pelo menos três versões de sua história.
• Qi Xi – É a lenda conhecida no Japão como Tanabata. Ela diz que um jovem pastor chamado Niulang viu certa vez
sete fadas a banharem-se em um lago. Encorajado por um boi, ele pegou as roupas delas e esperou. As fadas
escolheram a mais jovem e bela dentre elas Zhinu (para pegar as roupas de volta. Ela o faz, mas como Niulang a viu
nua, ela precisava concordar em casar-se com ele. Ela aceita e torna-se uma boa esposa, bem como ele um bom
marido. Mas a Deusa do Céu, em algumas versões a mãe de Zhinu, descobre que um mero mortal se casou com uma
das fadas e fica furiosa. Tirando a presilha de seu cabelo, a Deusa cria um rio no céu para separá-los para sempre (ou
seja, a Via Láctea que separa Altair de Vega). Mas uma vez por ano, pássaros apiedam-se dos dois e formam uma
ponte no céu sobre Deneb na constelação de Cygnus e por isso eles ficam juntos durante uma noite, a sétima noite
do sétimo mês.
• Han Ba– É uma antiga deusa da seca.
• Gao Yao – Gao Yao é o deus da justiça e do julgamento.
• Fenghuang – O Fenghuang é considerado a fênix chinesa.
• Jian – É uma ave mítica que se acredita so tenha um olho e uma asa: um par dessas aves depende um do outro, e
inseparável, daí representar o marido e a mulher.
• Jingwei – É o pássaro mítico que tenta encher o oceano com gravetos e seixos. Na verdade, o Jingwei era a filha do
imperador Yandi, mas morreu jovem, afogada no Mar do Leste. Após sua morte ela decidiu renascer como um
pássaro para vingar-se do mar trazendo gravetos e seixos das montanhas próximas tentando enchê-lo a fim de evitar
que sua tragédia aconteça a outros.
• Jiu Tou Niao – É uma ave de nove cabeças usada para assustar crianças. Conta à lenda que ela sequestra jovens
meninas e as leva para sua caverna onde ficam até ser salvas por um herói.
• Peng – A Peng é uma ave mitológica gigante e de impressionante poder de voo. Também conhecida como roc
chinesa.
• Qing Niao – Qing Niao o mensageiro de Xi Wangmu.
• Zhu — A ave Zhu é tida como um mal presságio. O dragão chinês é uma criatura legendária das mais importantes
da mitologia chinesa. E considerada a mais poderosa e divina criatura e acredita-se que seja o regulador de todas as
águas do planeta. O dragão simbolizava grande poder e era apoio de heróis e deuses. Um dos mais famosos na
mitologia chinesa é Yinglong. Diz-se ser o deus da chuva. Pessoas de diferentes lugares rezam para ele a fim de
receber chuva. Na mitologia chinesa, acredita-se que os dragões possam criar nuvens com sua respiração. O povo
chinês usa muitas vezes a expressão “Descendentes do Dragão” como um símbolo de sua identidade étnica.
• Huanglong – Dragão Amarelo conhecido pela sua sabedoria.
• Yinglong – É um servo poderoso de Huangdi. Uma lenda diz que ele ajudou um homem chamado Yu a parar uma
enchente do Rio Amarelo abrindo canais com sua cauda.
• Reis Dragões – Os reis dragões são os quatro governantes dos quatro oceanos (cada um corresponde a um ponto
cardeal). Eles vivem em palácios de cristal no fundo do mar de onde governam a vida animal.
• Fucanglong – É um dragão do mundo subterrâneo que guarda os tesouros enterrados. Sua saída da terra provoca a
erupção de vulcões.
• Shenlong – Um dragão que pode controlar os ventos e as chuvas.
• Dilong – Dragão da terra.
• Tianlong – São os dragões celestiais que puxam as carruagens dos deuses e guardam seus palácios.
• Li – O Li é um dragão dos mares menor. Não tem chifres.
• Jiao – É outro dragão sem chifres que vive em pântanos. É um dragão um inferior.
• Ba She –A Ba She é uma cobra conhecida por engolir elefantes.
• Qilin – Um animal quimérico que traz boa sorte. Originalmente, sua aparência remete a girafa.
• Long Ma – Long Ma é um animal semelhante ao Qilin.
• Kui – Monstro mitológico semelhante a um boi com uma perna só.
• Kun – Monstruoso peixe gigante. Diz-se que pode se transformar em aves e assim é capaz de viajar seis meses sem
descanso, pois com um bater de asas, percorre várias milhas.
• Jiang Shi – Conhecidos como vampiros chineses, são corpos ressuscitados de pessoas cuja alma não conseguiu
deixar o corpo e que sugam a essência vital (o Ki) de outros seres.
• Luduan – Um Luduan é uma fera capaz de pressentir a verdade. Por causa desse poder, os imperadores da Dinastia
Qing como Qianlong colocavam diversas figuras desses animais em seus tronos.
• Yaoguai São espíritos malignos. Geralmente o espirito de um animal que ganhou poderes através da prática do
Taoísmo e que pretende obter a imortalidade e ser cultuado. Muitos são animais de estimação dos deuses e outros
têm poder o bastante para controlar um número pequeno de outros Yaoguai. O Di Yu é o local de habitação de
muitos deles.
• Hulijing – São espíritos de raposa. Podem tomar forma humana e ser bons ou maus.
• Nian – A Nian é uma fera que vive no fundo do mar e que vem a Terra no ano novo para devorar as pessoas, as
quais tentam assustá-la dançando, estourando fogos de artifício e batendo em tambores, além de decorar tudo com
vermelho, pois a fera não gosta dessa cor.
• Cabeça de Boi – Cabeça de Boi e Cara de Cavalo são jovens mensageiros do Inferno. São as primeiras pessoas que
um morto encontra após chegar ao mundo inferior. Em muitas histórias, eles escoltam o morto para o mundo inferior
(aparentemente, algumas pessoas tentam fugir). No clássico conto Jornada para o Oeste, os dois são enviados para
capturar Sun Wukong, mas são vencidos por ele. Depois disso, Sun Wukong vai ao mundo inferior e risca seu nome e
o de seus entes da lista de pessoas vivas, obtendo, assim, a imortalidade para todos.
• Pi Xie – Um Pi Xie ou Pixiu é uma criatura semelhante ao Rui Shi, é descendente de dragões capaz de atrair boa
sorte e fortuna. Tem enorme apetite por ouro e prata.
• Rui Shi – Rui Shi são os leões que protegem a entrada de lugares específicos, em especial, palácios, tumbas e
templos imperiais. Em geral, aparecem em casais, o macho tem sob sua pata um globo e protege a propriedade e a
fêmea um filhote e protege as pessoas.
• Tao Tie – O Tao Tie é uma figura mitológica semelhante à gárgula, muitas vezes encontrada em vasilhas de bronze
antigas, representando a ganância. Diz-se ser o quinto filho de um dragão e tem tamanho apetite que come a sua
própria cabeça.
• Xiao – O Xiao é o espírito de uma montanha.
• Xiezhi – O Xiezhi é uma fera de um chifre.
• Xing Tian – Xing Tian é um gigante sem cabeça. Foi decapitado pelo Imperador Amarelo como punição por
desafiá-lo. Como não tem cabeça, seu rosto fica em suas costas. Ele perambula pelos campos e estradas e é
normalmente representado carregando um escudo e um machado e fazendo uma feroz dança de guerra.
• Xuanpu – Uma terra encantada na montanha Kunlun.
• Yaochi – Morada dos imortais onde Xiwangmu habita.
• Fusang – Ilha mitológica, muitas vezes interpretada como o Japão.
• Que Qiao – A ponte formada por pássaros ao longo da Via Láctea.
• Penglai – O paraíso, uma ilha lendária no mar da China.
• Longmen – O portão do dragão onde uma carpa pode torna-se um dragão.
• Di Yu – O inferno chinês.
Em sua forma estabelecida, a maioria dos mitos conhecidos hoje é derivada de sua documentação nos seguintes
textos:
• Shan Hai Jing – Significando literalmente Pergaminho da Montanha e do Mar, o Shan Hai Jing descreve os mitos,
a magia e a religião da China Antiga em detalhes e também documenta a geografia “do mar e da montanha”, a
História, a medicina, os costumes e etnias em tempos antigos. É também conhecido como uma das primeiras
enciclopédias da China.
• Shui Jing Zhu – Significando literalmente Comentários sobre o Pergaminho da Água, este texto começou a ser
escrito como um conjunto de comentários sobre o Pergaminho da Água, mas tornou-se famoso pela novidade de sua
extensiva documentação da geografia, história e lendas associadas.
• Hei’an Zhuan – O Épico da Escuridão, é a única coleção de lendas em forma de poesia épica preservada por uma
comunidade dos Han da China, mais precisamente, os habitantes da área montanhosa de Shennongjia em Hubei,
contendo relatos que vão desde o nascimento de Pan Ku até a era histórica.
• Documentos históricos imperiais e livros filosóficos como o Shangshu, o Shiji, o Liji, Lushi Chunqiu e outros.
IV – Mitologia Céltica
De modo geral, o termo celta aplica-se aos povos que viveram na Grã-Bretanha e na Europa Ocidental entre 2000 a.
C. e 400 d. C. Eram civilizações da Idade do Ferro, habitantes, sobretudo de pequenas aldeias lideradas por chefes
guerreiros. Os celtas da Europa continental não deixaram registos por escrito, mas conhecemos seus deuses através
dos conquistadores romanos, que estabeleceram elos entre muitas dessas divindades e seus próprios deuses. Por
exemplo, o deus do trovão Taranis era o equivalente ao Júpiter romano, e várias outras divindades locais eram
equiparadas a Marte, Mercúrio e Apolo. Os povos do País de Gales e da Irlanda também deixaram uma mitologia
muito rica e muitas de suas lendas foram escritas durante a Idade Média.
A Mitologia Celta pode ser dividida em três subgrupos principais de crenças relacionadas.
• Goidélica – irlandesa e escocesa;
• Britânica Insular – galesa e da Cornualha;
• Britânica Continental – Europa continental.
É importante ter em mente que a cultura celta (e suas religiões) não são tão contiguas ou homogêneas quanto foram
a cultura romana e grega. Nossos conhecimentos atuais determinam que cada tribo ao longo da vasta área de
influência céltica tinha suas próprias divindades. Dos mais de trezentos deuses celtas, poucos efetivamente eram
adorados em comum.
Principais Deuses Celtas
• Dagda
• Danu
• Belenus
• Lug
• Sucellus
Os celtas adoravam um grande número de deuses dos quais sabemos pouco mais que os nomes. Entre eles deusas da
natureza como Tailtiu e Macha, e Epona, deusa dos cavalos. Figuras masculinas incluíam deuses associados a uma
enorme variedade de coisas, como Goibiniu, o fabricante de cerveja. Havia também Tan Hill, a divindade do Fogo.
Cernunnos (também chamado de Slough Feg, ou na forma latinizada ‘Cornífero’) é comprovadamente um dos mitos
mais antigos, mas do qual pouquíssimo se sabe. O escritor romano Lucano fez várias menções a deuses celtas como
Taranis, Teutates e Esus que, curiosamente, não parecem ter sido amplamente adorados ou relevantes.
Vários deuses eram formas variantes de outros. A deusa galo-romana Epona parece ser uma variante da deusa
Rhiannon, adorada em Gales, ou ainda Macha, adorada na região do Ulster. Povos politeístas raramente se
importam em manter seus panteões da forma organizada na qual os pesquisadores gostariam de encontrar.
Frequentemente se diz que os povos celtas não construíam templos, adorando seus deuses apenas em altares em
bosques. A arqueologia já provou que isto está incorreto, e várias estruturas de templos antigos já foram encontradas
em regiões célticas. Depois das conquistas de Roma sobre partes das regiões celtas, um tipo distinto de templo celto-
romano foi desenvolvido.
Sabe-se que os primeiros celtas não construíam templos para a adoração de seus deuses, mas eles mantinham altares
em bosques de (Nemeton) dedicados a serem locais de adoração. Algumas árvores eram consideradas elas próprias
sagradas. A importância das árvores na religião celta pode ser mostrada pelo fato que o nome da tribo dos Eburonios
contém uma referência a yew tree, e nomes como Mac Cuillin (filho de acebo), e Mac Ibar (filho de yew) aparecem
nos mitos irlandeses. Apenas durante o período de influência romana os celtas começaram a construir templos, um
hábito que foi passado às tribos germânicas que os suplantaram com o tempo.
Escritores romanos insistiam que o sacrifício humano era praticado pelos celtas em larga escala e há indícios dessa
possibilidade vindos de achados na Irlanda, no entanto a maior parte da informação sobre isso veio de rumores de
que chegavam a Roma. São poucas as descobertas arqueológicas que substanciam o processo de sacrifício e assim
os historiadores modernos consideram que os sacrifícios humanos eram um acontecimento extremamente raro nas
culturas celtas. Mas havia também, no entanto, um culto guerreiro centrado nas cabeças cortadas de seus inimigos.
Os celtas muniam seus mortos de armas e outros pertences, o que indica que acreditavam na vida após a morte.
Depois do funeral, eles também cortavam a cabeça do morto e esmagavam seu crânio para evitar que seu espírito
permanecesse preso ao corpo em putrefação.
Nenhuma menção aos cultos celtas pode deixar de descrever os druidas (lembremos que o professor Rivail foi um
sacerdote druida de nome Allan Kardec, e adotou esse pseudônimo para assinar as obras da Codificação Espírita. Ele
obteve essa informação de um espírito chamado Zéfiro, que fora companheiro dele naquela época). Esses sacerdotes
representavam a classe mais ou menos hereditária de xamãs, característica de todas as sociedades indo-europeias
antigas. Em outras palavras, eles são o equivalente a casta brâmane indiana ou aos magi persas, e como estes um
especialista nas práticas de magia, sacrifício e augúrio. Eram conhecidos por ser particularmente associados a
carvalhos e trufas; essas últimas usadas na confecção de medicamentos ou alucinógenos. Outra figura importante na
manutenção das lendas célticas era o bardo; aquele que através de suas músicas, difundia os feitos de bravura dos
heróis do passado. Desse ponto de vista a cultura celta não foi uma cultura histórica – do ponto de vista que não teve
história escrita (ainda que os celtas possuíssem formas rudimentares de escrita, baseadas em traços verticais e
horizontais).
Suas histórias eram transmitidas oralmente, e os bardos eram particularmente bons nisso já que, uma vez que suas
histórias eram musicadas, tornava-se fácil se lembrar das palavras exatas que a compunham. Além disso, eles podem
ter sido considerados uma espécie de profetas. O historiador Estrabo descreveu-os como “vates”, palavra que
significa inspirado, extasiado. É bem possível que a sociedade céltica tivesse além da religião taumatúrgica e
ritualística dos druidas, um elemento de comunicação com o Além-Túmulo.
O Cristianismo se espalhou com muita facilidade pelas regiões célticas como a Gália, Bretanha, Grã-Bretanha e
Irlanda. A presença se faz notar desde o Século II, mas bem mais intensamente a partir do Século IV. Vários
mosteiros são abertos. São Colombano fundou mosteiros em Annegray no Vosges, em Luxeit na Borgonha, e até em
Bobbio na Lombardia. São Patrick (ou São Patrício) e o santo padroeiro da Irlanda. Vários manuscritos da Idade
Média contam a sua lenda. Nascido possivelmente em 390 ou 415 (não há certeza sobre as datas), ele não tem
origem irlandesa, mas grã-bretã. Quando jovem, foi raptado por piratas e tornado escravo na Irlanda. Liberto, seis
anos depois, se tornou sacerdote e depois bispo, quando decidiu responder a um chamado divino para converter os
seus sequestradores. Desembarcou em Ulster. Querendo implantar uma rede de discípulos, se dirigiu às escolas
druidas e subtraiu os melhores alunos para transformá-los em bispos. Em geral, isso acontecia tranquilamente, mas
se encontrou oposição de algum sacerdote celta, São Patrick lhe propõe um combate singular de práticas mágicas
para ver qual é o mais forte. Evidentemente com a ajuda de Deus, ele sempre ganhava. Um dia, ele sobe ao topo de
uma montanha no condado de Mayo e ordenou que todas as serpentes abandonassem a Irlanda e elas jamais
voltaram para lá. E, desde então, oficialmente, em cada último domingo do mês de julho, multidões de irlandeses
galgam o monte Croagh Patrick para render homenagem ao santo fundador.
Os modos e as crenças celtas tiveram um grande impacto na atualidade das regiões em que se encontravam.
Conhecimentos sobre a religião pré-cristã ainda são comuns nas regiões que foram habitadas pelos celtas, apesar de
agora estarem diminuindo. Adicionalmente, muitos santos não-oficiais são adorados na Escócia, como Saint Brid na
Escócia (Brigid, na Irlanda), uma adaptação cristã da deusa de mesmo nome. Vários ritos envolvendo peregrinações
a vales e poucos considerados sagrados aos quais creditam propriedades curativas têm origem celta.
V – Mitologia Eslava
A mitologia eslava e religião eslávica evoluiu por mais de 3000 anos. Acredita-se que algumas partes dela são do
período neolítico e talvez até do mesolítico. A religião possui vários traços comuns com outras religiões indo-
europeias. São conhecidos poucos registros escritos que sobreviveram dos séculos antes da cristianização. Alguns
acreditam que o controverso Livro de Veles e um texto sagrado dessa religião. O Saxo Grammaticus é outra fonte de
autenticidade disputada. O Chronicon Slavorum por Helmold e em geral aceito como uma fonte genuína, tratando de
cultura e eventos do final do primeiro milênio depois de Cristo. Uma fonte de maneira não aceitável subestimada e
bastante enigmática e o Veda Slovena – uma compilação de canções rituais arcaicos búlgaros, que preservou
importantes fragmentos do folclore pagão eslavo.
De acordo com o Livro de Veles, a religião eslava reconhece três reinos, que possuem ênfase particularmente dos
neopaganistas que se baseiam no Livro de Veles. O principal símbolo das ideias cosmogônicas dos eslavos era a
Árvore do Mundo, ou Yggdrasil como era também conhecida pelos escandinavos. Os eslavos imaginavam que todos
os três reinos eram situados verticalmente numa gigantesca árvore de carvalho, que segurava todo o universo. Em
sua copa estava o céu/paraíso eslavo, conhecido como Svarga, residência de Svarog ou Iriy. Nas raízes do carvalho
estava o inferno, residência de Chernobog, Morena e Zmey.
VI – Mitologia Etrusca
A civilização etrusca era uma raça de origem desconhecida do Norte da Península Itálica que esteve diretamente
ligada à história de Roma e que seria, mais tarde, integrada nas fundações do Império Romano. Muitas das suas
divindades foram também adotadas para a mitologia romana. Dado que não existem fontes literárias etruscas, mas
apenas dois pequenos e incompletos textos, e apenas um modesto número de inscrições, a língua etrusca não e
completamente compreendida. Os trabalhos de autores latinos sobre os sobreviventes religiosos etruscos teriam
preenchido essa lacuna se, porventura, tivessem sobrevivido.
Qualquer discussão atual sobre a mitologia etrusca deve ser considerada na base da publicação “Prenestina Cistae”,
cerca de duas dúzias de fascículos do “Corpus Speculorum Etruscorum” que surgiram recentemente. Mais
especificamente, a mitologia etrusca e o culto de figuras surgem referidos no “Lexicon Iconographicum Mythologiae
Classicae”.
VII – Mitologia Greco-Romana
Mitologia greco-romana é o conjunto de mitos e lendas das tradições gregas e romanas da antiguidade que se
fundiram com a conquista da Grécia pelo império romano.
Os gregos e os romanos construíram diversos templos para seus deuses, locais em que faziam orações e rituais, entre
os quais se incluíam sacrifícios de animais. Os deuses gregos eram semelhantes aos deuses romanos. O que muda
são apenas os nomes. Na religião grega, os nomes são em grego. Na romana, em latim.
VIII – Mitologia Hindu
A mitologia hindu é provavelmente uma das mais antigas do mundo. Seus primeiros mitos remontam a cerca de
9000 anos e nasceram numa conhecida como Vale do Indo (no atual Paquistão). Desde que os primeiros tempos em
que os humanos se sentiam protegidos dentro de uma caverna e se sentavam em volta de uma fogueira, a vontade de
contar os seus feitos para os demais, fez surgir a mitologia. Contar histórias sempre foi um dos principais
passatempos dos seres humanos.
O panteão hindu constitui uma tentativa formidável de criar máscaras pelas quais o ser humano tenta falar dos seus
sonhos e medos.
A mitologia hindu inicia com o imanifestado (Adhinatha), que se manifesta na trimurti Brahma, Vishnu e Shiva,
unidade na pluralidade.
Na mitologia hindu incluem-se todas as possibilidades: deuses, semideuses, seres celestiais, anjos, demônios e
vampiros cujas sagas e peripécias serviram desde antiguidade para alimentar o imaginário e os ideais do ser humano.
O hinduísmo tem uma base filosófica dividida em Dharshanas (pontos de vista), mas até certo ponto termina a
lógica e começa o imaginário de difícil determinação. Vale a pena ressaltar que, para os indianos não é mitologia, e
sim fé.
IX – Mitologia Inca
A base da estrutura cosmológica e religiosa dos Incas, mesmo antes do surgimento do império restava na existência
do Camaquem, uma força vital presente em todos os fatos da existência. Através dele sãos sustentadas todas as
coisas da Natureza, inclusive os seres vivos.
A mitologia inca diz que o sol enviou seu filho, Manco Capac e Mama Ocllo, filha da lua, sua mulher e irmã, para
uma Terra caótica e escura. Eles chegaram erguendo-se das águas do lago Titicaca e, em busca de um lugar para
estabelecer seu reino, seguiram em direção noroeste, até o vale do rio Huatanay. Ali, Manco revirou a terra com seu
cajado, encontrou solo espesso e fértil e chamou o local de Cuzco (umbigo do mundo). A cidade se tornou o centro
do poder, da religião e da cultura inca.
Uma rede de estradas ligava Cuzco ao resto do império que, em seu apogeu, se estendia do centro do Equador até a
região central do Chile, ao Sul, e da costa do oceano Pacífico até as encostas orientais dos Andes. O apogeu do
império teria ocorrido entre 1435 e 1471 no reinado do líder inca Pachacutec.
O Império Inca (Tawantinsuyo) parece ter tido como base uma confederação de cidades-estados que incluía Cuzco e
vilas como Ollantaytambo e Pisac, nos vales dos rios Vilcanota e Urubamba. Deuses locais foram incorporados a
religião inca e os filhos dos chefes regionais eram levados para Cuzco, onde eram educados para, mais tarde, voltar e
governar suas províncias natais.
Quase todos os aspectos da vida do povo inca eram controlados pelo Estado, desde o tipo de roupas que podiam usar
até o tamanho de suas casas. As pessoas eram obrigadas a trabalhar na construção de estradas e no cultivo da terra.
O abastecimento garantido de alimentos era um dos pilares da dominação do povo inca pelo Estado, uma
organização eficiente, estável e baseada em um rígido sistema de castas.
Em 1532, quando uma guerra civil dividia o império inca, o conquistador espanhol Francisco Pizarro, um soldado
rude e analfabeto, marchou sobre os Andes sem enfrentar oposição. Sua experiente força de mais ou menos 150
soldados e uns vinte cavalos incluía veteranos da conquista dos astecas na America Central. Em um ano as tropas de
Pizarro ocuparam Cuzco e instalaram um governante inca de sua escolha que, no entanto, mais tarde liderou uma
fracassada rebelião contra os espanhóis.
X – Mitologia Iorubá
A mitologia dos Iorubás engloba toda a visão de mundo. As religiões dos iorubás, tanto na África (principalmente
na Nigéria e na República do Benin) quanto no Novo Mundo, onde influenciou ou deu nascimento várias religiões,
tais como a Santeria em Cuba e o Candomblé no Brasil em acréscimo ao transplante das religiões trazidas da terra
natal. A mitologia iorubá é definida por Itans de Ifa.
Na mitologia iorubá o deus supremo é Olorun, chamado também de Olodumaré. Não aceita oferendas, pois tudo o
que existe e pode ser ofertado já lhe pertence, na qualidade de criador de tudo o que existe, em todos os nove
espaços do Orun. Olorum criou o mundo, todas as águas e terras e todos os filhos das águas e do seio das terras.
Criou plantas e animais de todas as cores e tamanhos. Até que ordenou que Oxalá criasse o homem. Oxalá criou o
homem a partir do ferro e depois da madeira, mas ambos eram rígidos demais. Criou o homem de pedra – era muito
frio. Tentou a agua, mas o ser não tomava forma definida. Tentou o fogo, mas a criatura se consumiu no próprio
fogo. Fez um ser de ar que depois de pronto retornou ao que era, ou seja, apenas ar. Tentou, ainda, o azeite e o vinho
sem êxito. Triste pelas suas tentativas infecundas, Oxalá sentou-se a beira do rio, de onde Nanã emergiu indagando-
o sobre a sua preocupação. Oxalá fala sobre o seu insucesso. Nanã mergulha e retorna da profundeza do rio e lhe
entrega lama. Mergulha novamente e lhe traz mais lama. Oxalá, então, cria o homem e percebe que ele é flexível,
capaz de mover os olhos, os braços, as pernas e, então, sopra-lhe a vida.
Na mitologia iorubá, Olodumaré também chamado de Olorun é o deus supremo do povo Yorubá, que criou as
divindades, chamadas de Orixás no Brasil e Irunmole na Nigéria, para representar todos os seus domínios aqui na
Terra, mas não são considerados deuses, são considerados ancestrais divinizados após a morte.
XI – Mitologia Khoi
De acordo com a linguística, não é muito clara a denominação deste grupo; no entanto, é provável que os princípios
desta mitologia sejam comuns a todos os povos khoisan.
O deus supremo dos khoikhoi e Gamab, deus do céu e do destino. Do céu, ele dispara flechas contra os mortais,
tirando-lhes a vida. Tsui (ou Tsui’goab) é o deus da magia, da chuva e do trovão. Gunab é um deus maligno. Um
dos mais famosos heróis dos khoikhoi foi Heitsi-eibib (também conhecido simplesmente como Heitsi), que era a
progênie de uma vaca e a relva mágica que ela comeu. Ele era um caçador, feiticeiro e guerreiro lendário, que matou
de maneira notável o Ga-gorib. Ele também era uma figura de vida/morte/renascimento, tendo ele mesmo morrido e
ressuscitado em diversas ocasiões; seus cairns funerais são encontrados em muitas localizações na África do Sul.
Ele é venerado como um deus da caça.
Ga-gorib era um monstro lendário que se sentava num buraco profundo no chão e desafiava os passantes a jogar
pedras nele. As pedras rebatiam e matavam o passante, que então caíam no buraco. Heitsi-eibib distraiu Ga-gorib e
acertou embaixo de sua orelha com uma pedra; ela caiu dentro do fosso. Numa versão alternativa, Heitsi-eibib foi
perseguido ao redor do buraco até que escorregou e caiu dentro dele. Mais tarde ele acabou escapando e empurrou
Ga-gorib no fosso.
Outro monstro é chamado de Hai-uri, uma criatura saltadora com apenas um lado do corpo (um braço, uma perna,
etc.). Ele devora seres humanos. Ainda outro monstro é Aigamuxa, uma criatura que mora nas dunas cujos olhos
estão no peito dos pés e por isso ele precisa levantá-los no ar para ver onde está indo.
XII – Mitologia Maia
A mitologia maia se refere às extensivas crenças politeístas da civilização maia pré-colombiana. Esta cultura
mesoamericana seguiu com as tradições de sua religião há 3.000 anos até o Século IX, e inclusive algumas destas
tradições continuam sendo contadas como histórias inventadas pelos maias modernos. São somente três textos maias
completos sobreviveram através dos anos. A maioria fora queimada pelos espanhóis durante sua invasão da
América. Portanto, o conhecimento da mitologia maia disponível na atualidade é bastante limitado.
• O “Popol Vuh” (ou “Livro do Conselho dos Indianos Quiche”) relata os mitos da criação da Terra, as aventuras dos
deuses gêmeos, e a criação do primeiro homem.
• Os livros de “Chilam Balam” também contém informações sobre a mitologia maia, geralmente descrevem as
tradições desta cultura.
• “As Crônicas de Chacxulubchen” é outro texto importante para a compreensão da mitologia maia.
A história maia da criação dos quiche e o “Popol Vuh”. Neste se descreve a criação do mundo a partir do nada pela
vontade do panteão maia de deuses. O homem foi criado da lama sem muito sucesso, posteriormente se cria o
homem a partir de madeira com resultados igualmente infrutuosos, depois dos dois fracassos se cria o homem em
uma terceira tentativa, esta ocasião a partir do milho e se lhe atribuem tarefas que elogiaram a deuses: Herrero,
cortador de gemas, talhador de pedras, etc. Alguns acham que os maias não apreciavam a arte por si mesmo, mas
todos seus trabalhos eram para exaltação dos deuses.
Depois da história da criação, o “Popol Vuh” apresenta uma narrativa sobre as aventuras dos heróis gêmeos
legendários, Hunahpu e Ixbalanque, que consistiram em derrotar aos Senhores de Xibalba, do mundo terreno. Estes
são dois pontos focais da mitologia maia e amiúde se encontraram representados em arte maia.
Na mitologia maia, Tepeu e Gucumatz (o Quetzalcoatl dos astecas) são referidos como os criadores, os fabricantes, e
os antepassados. Eram dois dos primeiros seres a existir e se diz que foram tão sábios como antigos. Huracan, ou o
‘Coração do Céu’, também existiu e se lhe dá menos personificação. Ele atua mais como uma tempestade, da qual
ele é o deus. Tepeu e Gucumatz levam a cabo uma conferência e decidem que, para preservar sua herança, devem
criar uma raça de seres que possam adorá-los. Huracan realiza o processo de criação enquanto que Tepeu e
Gucumatz dirigem o processo. A Terra é criada, junto com os animais. O homem é criado primeiro de lama, mas
este se desfaz. Convocam a outros deuses e formam o homem a partir da madeira, mas este não possui nenhuma
alma. Finalmente o homem é criado a partir do milho por uma quantidade maior de deuses e seu trabalho é
completo.
XIII – Mitologia Nórdica
A mitologia nórdica, também chamada de mitologia germânica, mitologia viking ou mitologia escandinava se refere
a uma religião pré-cristã. As crenças e lendas dos povos escandinavos, incluindo aqueles que se estabeleceram na
Islândia, onde a maioria das fontes escritas para a mitologia nórdica foi construída. Esta é a versão mais conhecida
da mitologia comum germânica antiga, que inclui também relações próximas com a mitologia anglo-saxônica. Por
sua vez, a mitologia germânica evoluiu a partir da antiga mitologia indo-europeia.
A mitologia nórdica é na verdade uma coleção de crenças e histórias que foram compartilhadas por tribos do norte
da Germânia (atual Alemanha), sendo que sua estrutura não designa uma religião no sentido comum da palavra, pois
não havia nenhuma reivindicação de escrituras que fossem inspirados por algum ser divino. A mitologia foi
transmitida oralmente principalmente durante a Era Viking, e o atual conhecimento sobre ela é baseado
especialmente nos “Eddas” e outros textos medievais escritos pouco depois da cristianização dos mesmos.
No folclore escandinavo estas crenças permaneceram por mais tempo, e em áreas rurais algumas tradições são
mantidas até hoje, recentemente revividas ou reinventadas e conhecidas como Asatru ou Odinismo. A mitologia
remanesce também como uma inspiração na literatura assim como no teatro e no cinema. A família é o centro da
comunidade, podendo ser estreitamente relacionada com a fertilidade-fecundidade quanto com a agressividade de
um povo hostil e habituado às guerras, em uma sociedade totalmente rural que visa à prosperidade e a paz para si.
Deste modo, a religião é mais baseada no culto do que no dogmatismo ou na metafísica, uma religiosidade baseada
em atos, gestos e ritos significativos, muitas vezes girando em torno de festividades a certos deuses, como Odin e
Tiwaz (identificado por alguns estudiosos como sendo o predecessor de Odin).
Pode-se dizer que a religião viking não existia sem um ritual e abordava exclusivamente o culto aos ancestrais; era
uma religião que ignorava o suicídio, o desespero, a revolta e mais do que tudo, a dúvida e o absurdo. Segundo
alguns autores, era uma religião da vida.
A maior parte desta mitologia foi passada adiante oralmente, sendo que grande parte dela foi perdida. Há também o
“Gesta Danorum”, desenvolvido pelo dinamarquês “Saxo Grammaticus” onde, entretanto, os deuses nórdicos estão
descaracterizados fortemente.
“A Prose of Younger Edda” foi escrita no início do Século XIII. À primeira vista, ele parece um manual para
aspirantes a poetas, que descreve os contos tradicionais que deram forma a base de expressões poéticas
padronizadas, tais como os kennings. O autor é reconhecido como sendo Snorri Sturluson, o renomado chefe, poeta
e diplomata da Islândia.
O “Elder Edda” (também conhecido como o Edda Poético) foi escrito aproximadamente 50 anos mais tarde.
Contém 29 poemas longos, sendo que 11 tratam sobre as divindades germânicas e o resto se refere aos heróis
legendários como Sigurd, da Saga de Volsunga (o Siegfried da versão alemã do poema Nibelungenlied). Embora os
estudiosos acreditem que esta coleção de poemas tenha sido desenvolvida mais tarde do que o Younger Edda, e
creditado o nome de Elder Edda para esta obra por causa da antiguidade atribuída aos textos.
Além destas fontes, há diversas lendas que sobrevivem no folclore escandinavo, e há centenas de nomes de lugares
na Escandinávia cuja origem se encontra nos deuses da mitologia nórdica. Algumas inscrições rúnicas, tais como
Rok Runestone e o amuleto de Kvinneby fazem referências a mitologia. Há também diversas imagens entalhadas na
pedra que descrevem cenas da mitologia nórdica, tais como a viagem de pesca de Thor, cenas da saga de Volsunga,
Odin e Sleipnir, Odin sendo devorado por Fenrir, e Hyrrokkin viajando ao funeral de Balder. Há também imagens
menores, tais como as figuras que descrevem os deuses Odin (com somente um olho), Thor (com seu martelo) e
Freyr.
Na mitologia nórdica, se acreditava que a Terra era formada por um enorme disco liso. Asgard, onde os deuses
viviam, era situada no centro do disco e poderia ser alcançado somente atravessando um enorme arco-íris (a ponte
de Bifrost). Os gigantes viviam em um domicílio equivalente chamado Jotunheim (Casa dos Gigantes). Uma enorme
abadia no subsolo escuro e frio formava o Niflheim, que era governada pela deusa Hel. Este era a moradia eventual
da maioria dos mortos. Situado em algum lugar no Sul ficava o reino impetuoso de Musphelhein, repouso dos
gigantes do fogo. Outros reinos adicionais da mitologia nórdica incluem o Alfheim, repouso dos elfos luminosos
(Ljosalfar), Svartalfheim, repouso dos elfos escuros, e Nidavellir, as minas dos anões. Entre Asgard e Niflheim
estava Midgard, o mundo dos homens.
Não há uma clara definição sobre quais seriam os mundos da mitologia nórdica, pois muitos se sobrepõem e vários
nomes são utilizados, designando, normalmente, o mesmo lugar. Diferentemente de outras culturas mitológicas, na
nórdica não há uma clara definição sobre os lugares que, às vezes, são separados por mares ou oceanos, não
constituindo mundos separados na acepção da palavra. Deste modo, podemos verificar a existência de nove mundos,
conhecidos como os Nove Mundos da Mitologia Nórdica, que podem ser considerados os principais:
• Asgard
• Midgard
• Jotunheim
• Vanaheim
• Alfheim
• Musphelhein
• Svartalfheim
• Nidavellir
• Niflheim
Há três clãs de divindades: os Asir, os Vanir e os Iotnar. A distinção entre o Asir e o Vanir é relativa, pois na
mitologia os dois finalmente fizeram a paz após uma guerra prolongada, vencida pelos Asir. Entre os embates houve
diversas trocas de reféns, casamentos entre os clãs e períodos onde os dois clãs reinavam conjuntamente. Alguns
deuses pertencem a ambos os clãs. Alguns estudiosos especulam que esta divisão simboliza a maneira como os
deuses das tribos invasoras indo-europeias suplantaram as divindades naturais antigas dos povos aborígenes, embora
seja importante notar que esta afirmação é apenas uma conjectura. Outros pesquisadores consideram a divisão entre
Asir/Vanir simplesmente a expressão dos nórdicos acerca da divisão comum indo-europeia acerca das divindades,
paralela aos deuses olímpicos e os Titãs da mitologia grega, e algumas partes do “Mahabharata”.
O Asir e o Vanir são geralmente inimigos dos Iotnar. São comparáveis ao Titãs e aos gigantes da mitologia grega e
traduzidos geralmente como gigantes, embora trolls e demônios sejam sugeridos como alternativas apropriadas.
Entretanto, os Asir são descendentes dos Iotnar e tanto os Asir como os Vanir realizaram diversos casamentos entre
eles. Alguns dos gigantes são mencionados pelo nome no Eddas, e parecem ser representações de forças naturais.
Há dois tipos gerais de gigante: gigantes da neve e gigantes do fogo. Havia também elfos e anões e, apesar de seu
papel na mitologia ser bastante obscuro, normalmente são apresentados tomando o partido dos deuses. Além destes,
há muitos outros seres sobrenaturais: Fenris (ou Fenrir) o lobo gigantesco, e Jormungard, a serpente do mar que
circula o mundo inteiro. Estes dois monstros são descritos como primogênitos de Loki, o deus da mentira, e de um
gigante. Hugin e Munin (pensamento e memória) são criaturas mais benevolentes, representadas por dois corvos que
mantém Odin, o deus principal, informado do que está acontecendo na Terra; Ratatosk, o esquilo que atua como
mensageiro entre os deuses e Yggdrasil, a árvore da vida, figura central na concepção deste mundo.
Assim como muitas outras religiões politeístas, esta mitologia não apresenta o característico dualismo entre o bem e
o mal da tradição do Oriente Médio. Assim, Loki não é primeiramente um adversário dos deuses, embora se
comporte frequentemente nas histórias como o adversário primoroso contra o protagonista Thor, e os gigantes não
são fundamentalmente malignos, apesar de normalmente rudes e incivilizados. O dualismo que existe não é o mal
contra o bem, mas a ordem contra o caos. Os deuses representam a ordem e a estrutura visto que os gigantes e os
monstros representam o caos e a desordem.
Um problema complexo ao interpretar esta mitologia é que, frequentemente, os testemunhos mais próximos que
existem das épocas mais remotas foram escritos por cristãos. Como um exemplo de caso, o “Younger Edda” e o
“Heimskringla” foram escritos por Snorri Sturluson no Século XIII, quase duas centenas de anos depois que a
Islândia se tornou cristã, em torno do ano 1000, em um momento histórico sob intenso clima político antipagão na
Escandinávia. Virtualmente, toda a literatura sobre as sagas vikings se originou na Islândia, uma ilha relativamente
pequena e remota. Mesmo contando com o clima de tolerância religiosa que permanecia naquela época nesta região,
Sturluson foi guiado por um ponto de vista essencialmente cristão. O Heimskringla, cujas cópias são tão difundidas
na Noruega atual quanto a “Bíblia”, fornece algumas introspecções interessantes nesta direção.
Snorri Sturluson introduz Odin como um lorde guerreiro mortal da Ásia que adquire poderes mágicos, se estabelece
na Suécia, e se torna um semideus após sua morte. Ao remover a divindade de Odin, Sturluson fornece então a
história de um pacto do rei sueco Aun com o Odin para prolongar sua vida, sacrificando seus filhos. Mais tarde, no
“Heimskringla”, Sturluson apresenta em detalhes como o Santo Olaf Haroldsson converteu brutalmente os
escandinavos ao Cristianismo. Na Islândia, tentando evitar a guerra civil, o parlamento votou a favor da
cristianização, mas tolerou a prática de cultos pagãos na privacidade dos lares. A atmosfera mais tolerante permitiu o
desenvolvimento da literatura acerca das sagas, que foi uma janela vital para auxiliar a compreender a era pagã. Por
outro lado, a Suécia teve uma série de guerras civis durante o Século XI, que terminou com a queima do templo em
Uppsala. A conversão não aconteceu rapidamente, independente se a nova fé fosse mais ou menos imposta pela
força. O clérigo trabalhou fortemente no sentindo de ensinar a população que os deuses nórdicos eram, mas seu
sucesso era limitado e os deuses nunca se tornaram realmente malignos na mente popular. Dois achados
arqueológicos extremamente isolados podem ilustrar quanto tempo à cristianização levou para atingir toda a região.
Os estudos arqueológicos das sepulturas na ilha sueca de Lovon mostraram que a cristianização levou entre 150 a
200 anos. Do mesmo modo, na cidade comercial de Bergen, duas inscrições rúnicas do Século XIII foram
encontradas, onde a primeira diz: “Pode Thor o receber, pode Odin possuí-lo”. A segunda inscrição é um galdra que
diz: “Eu entalhei runas de cura, eu entalhei runas de salvação, uma vez contra os elfos, duas vezes contra os trolls,
três vezes contra os thurs”. A segunda menciona também a perigosa valquíria Skogul. Apesar de haver poucos
testemunhos do Século XIV até o XVIII, o clérigo Olaus Magnus escreveu sobre as dificuldades de extinguir a
opinião antiga sobre os deuses antigos. O Trymskvida parece ter sido uma das raras canções que resistiram ao tempo,
como a romântica Hagbard e o Signy. As versões conhecidas de ambas foram registradas nos Séculos XVII e XIX.
No Século XIX e no início do XX, os folcloristas suecos documentaram o que o povo comum acreditava, e o que
eles deduziram era que muitas tradições dos deuses da mitologia nórdica haviam sobrevivido. Entretanto, as
tradições estavam muito longe do sistema coeso desenvolvido por Snorri. A maioria dos deuses tinha sido esquecida
e somente o caçador Odin e a figura de matador de gigantes de Thor apareciam em numerosas lendas. Freya era
mencionado algumas vezes e Balder sobrevivia somente nas lendas sobre nomes de lugares.
Outros elementos da mitologia nórdica sobreviveram sem serem percebidos como tais, em especial a respeito dos
seres sobrenaturais no folclore escandinavo. Além disso, a opinião dos nórdicos sobre o destino foi muito firme até
épocas modernas. Desde que o inferno cristão se assemelhou ao domicílio dos mortos na mitologia nórdica, um dos
nomes foi aproveitado da fé antiga, Helvite, isto e, punição de Hel. Alguns elementos das tradições de Yule foram
preservados, como a tradição sueca de matar um porco durante o Natal, que era originalmente parte do sacrifício a
Frey.
XIV – Mitologia Persa
A mitologia persa e a reunião de crenças e práticas do povo que habitava o Planalto do Irã e suas imediações, como
áreas da Ásia Central do Mar Negro ao Hotan (a moderna Hetian, China) e tinha origens linguísticas e culturais
comuns. Sua essência e a da existência de dois princípios básicos em guerra entre si. Suas fontes estão no
Zoroastrismo e também no Masdeísmo.
A principal coletânea da mitologia persa é o “Shahnameh de Ferdowsi”, escrito mil anos atrás, aproximadamente. A
obra de Ferdowsi tem por base as histórias e personagens do Zoroastrismo e do Masdeísmo, não apenas o “Avesta”,
mas também o Bundahishn e o Denkard.
A mitologia persa é simultaneamente muito próxima e diferente da hindu. Elas são próximas, porque os iranianos
são um povo indo-europeu cuja língua tem grande semelhança com o sânscrito e foi um povo que estabeleceu
constantes relações com os arianos da Índia. E são diferentes, pois a religião dos antigos persas adquiriu um aspecto
mais moral que mitológico.
Os personagens da mitologia persa podem, em sua maioria, ser classificados em dois tipos: os bons e os maus. Isso
espelha o antigo conflito baseado no conceito do Zoroastrismo da dupla origem em Ahura Mazda. Spenta Mainyu é
a fonte da luz, da fertilidade e das energias construtivas, enquanto Angra Mainyu é e a fonte da escuridão, da
destruição, da esterilidade e da morte. Ormuzd e o mestre e criador do mundo. Ele é soberano, onisciente, deus da
ordem. O Sol e seu olho, o céu suas vestes bordadas de estrelas. Atar, o relâmpago, e seu cílio. Apo, as águas, são
suas esposas. Ahura Mazda é o criador de outras sete divindades supremas, os Amesha Spenta, que reinam cada um,
sobre uma parte da criação e que parecem ser desdobramentos de Ahura Mazda. Sob Ahura Mazda e os seis Amesha
Spenta a mitologia persa coloca, como divindades benéficas: Mitra, o mestre do espaço livre; Tistrya, o deus das
trovoadas; Verethraghna, o deus da vitória; ela admitia, além disso, um grande número de deuses do mesmo
elemento, os Izeds. Assim como Ahura Mazda estava cercado por seis Amesha Spenta e de outras divindades, Angra
Mainyu (Ahriman) – o deus malfazejo que invade a criação para perturbar a ordem e que é concebido como uma
serpente – e acompanhado de seis demônios procedentes das trevas cósmicas e de um grande número de outras
divindades malignas. Além disso, Angra Mainyu, epitome do mal no Zoroastrismo, perdeu sua identidade
zoroastrista e masdeísta original na posterior literatura persa sendo finalmente descrito como um Dev.
Representações religiosas de Angra Mainyu posteriores a conquista islâmica o mostram como um gigante com o
corpo manchado e dois chifres.
Os Devs significando celestial ou radiante são muito comuns na mitologia persa. Estes seres eram adorados no
Zoroastrismo anterior a difusão do Masdeísmo na Pérsia e, como nas religiões védicas, os adeptos do zoroastrismo
consideravam os devs seres sagrados. Somente após a reforma religiosa de Zaratustra o termo dev foi associado com
demônios. Mesmo assim os persas que habitavam a região ao sul do Mar Cáspio continuaram a adorar os devs e
resistiram a pressão para aceitar o Zoroastrismo e as lendas em torno dos devs sobreviveram até os dias atuais. Por
exemplo, a lenda do Dev-e Sepid (Dev branco) de Mazandaran.
O mito mais importante da religião persa e o da disputa entre Ahura Mazda e Ahriman que consiste na luta de dois
tipos de seres divinos. Esta luta nos aparece sob uma dupla forma: a material e a espiritual. No caso da luta material,
Ahriman quer invadir o céu, mas é repelido para o inferno; na luta espiritual ou mística, Ahriman, princípio da
obscuridade, da desordem, do mal, e repelido por Ormuzd, deus da luz, da ordem e do bem. No primeiro caso, a
arma de Ormuzd e Atar, o relâmpago; no segundo caso, a piedade ou a oração, personificada sob o nome Vohu
Mano. A personagem mais importante nos épicos persas e Rostam.
Sua contraparte é Zahhak, um símbolo do despotismo que foi finalmente derrotado por Kaveh que liderou um
levante popular contra ele. Zahhak era protegido por duas serpentes que cresciam de seus ombros e não importava
quantas vezes elas fossem decapitadas suas cabeças cresciam novamente para protegê-lo. A serpente, como em
muitas outras mitologias orientais, representava o mal, mas aparecem muitos outros animais na mitologia persa; os
pássaros, em especial, eram sinal de boa sorte. Os mais famosos deles são Simorgh, um grande pássaro bonito e
poderoso, Homa, o pássaro real da vitória cujas plumas adornavam as coroas e Samandar, a fênix.
Peri (avéstico: Pairika), considerada uma mulher bonita, porém má na mitologia mais antiga, tornou-se
gradualmente menos má e mais bonita até transformar-se em um símbolo de beleza no período islâmico similar aos
houri – espécie de anjos – do Paraiso. Entretanto uma outra mulher má, Patiareh, atualmente simboliza a
prostituição.
XV – Mitologia Romana
A mitologia romana pode ser dividida em duas partes: a primeira, tardia e mais literária, consiste na quase total
apropriação da grega; a segunda, antiga e ritualística, funcionava diferentemente da correlata grega. O romano, que
impregnava a sua vida pelo numen, uma força divina indefinido presente em todas as coisas, estabeleceu com os
deuses romanos um respeito escrupuloso pelo rito religioso – o Pax deorum – que consistia muitas vezes em danças,
invocações ou sacrifícios. Ao lado dos deuses domésticos, os romanos possuíam diversas tríades divinas, adaptadas
várias vezes ao longo das várias fases da história. Assim, a tríade primitiva constituída por Júpiter (senhor do
Universo), Marte (deus da guerra) e Quirino (fundador de Roma, ou Rômulo), os etruscos inseriram o culto das
deusas Minerva (deusa da inteligência e sabedoria) e Juno (rainha do céu e esposa de Júpiter). Com a república
surge Ceres (deusa da Terra e dos cereais), Liber e Libera. Mais tarde, a influência grega inseria uma adaptação para
o panteão romano do seu deus do comércio e da eloquência (Mercúrio) sob as feições de Hermes, e o deus do vinho
(Baco), como Dionísio.
Da natureza dos primeiros mitos romanos consistia de um sistema bastante desenvolvido de rituais, escolas de
sacerdócio e grupos relacionados a deuses. Também apresentava um conjunto de mitos históricos acerca da glória e
da fundação de Roma envolvendo personagens humanos com ocasionais intervenções divinas. Os deuses
estabeleciam uma benevolência para com os homens.
O modelo romano consistia de uma maneira não muito diversa de pensar e definir os deuses da dos gregos, sendo
alguns dos deuses romanos inspirados claramente nos deuses gregos.
Principais deuses romanos:
• Baco; deus das festas, do vinho, do lazer e do prazer;
• Cupido; deus do amor;
• Diana; deusa da caça muitas vezes relacionada com os ciclos da Lua;
• Esculápio; deus da medicina;
• Fortuna; deusa da riqueza e da sorte;
• Juno; deusa da forca vital, deusa dos deuses;
• Júpiter; deus dos deuses, senhor do Universo;
• Marte; deus da guerra;
• Mercúrio; deus mensageiro;
• Minerva; deusa da sabedoria;
• Netuno; deus dos mares;
• Plutão; deus do submundo e das riquezas dos mortos;
• Tellus; deusa da terra – Mãe Terra;
• Vênus; deusa da beleza e do amor;
• Vulcano; deus do fogo;
• Saturno; deus da agricultura.
XVI – Mitologia Suméria
Os sumérios eram adeptos de uma religião politeísta caracterizada por deuses e deusas antropomórficos
representando forças ou presenças no mundo material, noção está bastante presente na posterior mitologia grega. Os
deuses originalmente criaram humanos como servos para si mesmos, mas os libertaram quando se tornaram difíceis
demais de se lidar. Muitas histórias na religião suméria aparecem homólogas às histórias em outras religiões do
Oriente Médio. Por exemplo, a ideia bíblica da criação do homem, bem como o diluvio de Noé, estão intimamente
ligados aos contos sumérios. Os deuses e deusas da Suméria têm representações similares nas religiões dos Acádios,
Cananitas e outros. Da mesma forma, um número de histórias relacionadas a divindades tem paralelos gregos; por
exemplo, a descida de Inanna ao submundo está ligada ao mito de Perséfone.
O universo surgiu quando Nammu, um abismo sem forma, enrolou-se em si mesmo num ato de auto procriação,
gerando An, deus do céu, e Antu (Ki), deusa da terra. A união entre An e Ki produziu Enlil, senhor dos ventos, que
eventualmente tornou-se líder do panteão dos deuses. Após o banimento de Enlil de Dilmun (a morada dos deuses)
por violentar Ninlil, a deusa teve um filho, Nanna, o deus da lua (mais tarde chamado de Sin (ou Sinnu). Da união
posterior entre Sin e Ningal nasceram Inanna (deusa do amor e da guerra) e Utu (deus do sol, depois passou a ser
chamado de Shamash). Também durante o banimento de Enlil, o deus tornou-se pai de três divindades do submundo
junto a Ninlil. O mais famoso foi Nergal. Nammu também teve um filho, chamado Enki, deus do abismo aquático ou
Absu. Enki controlava também os Me, decretos sagrados que governavam coisas básicas como a física, e complexas
como a ordem social e a lei.
XVII – Mitologia Árabe
Mitologia árabe engloba às antigas crenças pré-islâmicas dos árabes. Antes do Islã na Península Arábica em 622, o
centro físico do Islã, a Caaba de Meca, estava coberto de símbolos que representavam os diversos demônios, djinn,
semideuses e outras criaturas que representavam o ambiente profundamente politeísta pré-islâmica da antiga Arábia.
Podemos inferir a partir desta pluralidade um contexto excepcionalmente amplo em que a mitologia pode florescer.
Histórias de gênios, ghouls, lâmpadas mágicas, tapetes voadores, e os desejos contidos nos contos das “Mil e Uma
Noites” e outras obras foram transmitidos através das gerações. O conceito de mau-olhado é mencionado no
“Alcorão”, em “Surat al-Falaq”.
XVIII – Paganismo
Paganismo é um termo usado para se referir a várias religiões não judaico-cristãs, no entanto, existem várias
definições entre diferentes religiões entre o que pode realmente ser definido como sendo paganismo, sem consenso
quanto ao que é correto. Um grupo mantém o paganismo como um termo que inclui todas as religiões não-
abraâmicas. Outros sustentam que o Catolicismo romano tem suas raízes no paganismo, enquanto outros sustentam
que o paganismo deve referir-se exclusivamente as religiões politeístas, incluindo a maioria das religiões orientais,
as religiões e mitologias dos povos nativos americanos, assim como as não-abraâmicas e religiões folk em geral.
Outras definições mais estreitas não incluem nenhuma das religiões mundiais e restringem o termo às correntes
locais ou rurais não organizadas em religiões civis. Característico de tradições pagãs e a ausência de proselitismo e a
presença de uma mitologia de vida que explica a prática religiosa.
O termo pagão é uma adaptação cristã do gentio do judaísmo, e como tal tem um viés abraâmico inerente, com
todas as conotações pejorativas entre monoteístas ocidentais, comparáveis aos pagãos e infiéis também conhecidos
como kafir e mushrik no Islã. Por esta razão, etnólogos evitam o termo paganismo, por seus significados incertos e
variados, referindo-se a fé tradicional ou histórica, preferindo categorias mais precisas, tais como o politeísmo,
xamanismo, panteísmo ou mesmo o animismo.
Desde o Século XX, os termos pagão e paganismo tornaram-se amplamente utilizados como uma autodesignação
por adeptos do neopaganismo. Como tal, vários estudiosos modernos têm começado a aplicar o termo de três grupos
distintos de crenças: Politeísmo Histórico, Folk/étnica/religiões indígenas e o neopaganismo.
O primeiro registro histórico da palavra data do Século IV a. C. e deve-se aos judeus que distinguiam entre judeus e
não-judeus, ou os que não cultuavam o deus Yahweh, viviam sem a “Torá” e conduziam uma vida
desregrada. O termo teve origem na necessidade de os judeus construírem uma identidade e uma nação que
excluísse todos os que não respeitavam a Lei. Patriarcado é uma palavra herdada da cultura judaica e derivada do
grego pater, e se refere a um território ou jurisdição governada por um patriarca; de onde a palavra pátria. Pátria
relaciona-se ao conceito de país, do italiano paese, por sua vez originário do latim pagus, aldeia, donde também vem
pagão. País, pátria, patriarcado e pagão têm a mesma raiz.
Nos estudos acadêmicos acerca do Paganismo, têm sido discriminados alguns conceitos de referência:
Paleopaganismo. Incluem-se neste conceito as religiões do antigo Egito, do mundo greco-romano da Antiguidade
Clássica, a antiga religião dos celtas (Druidismo), a religião Norse ou mitologia nórdica, Mitraísmo, bem como as
religiões das populações nativas das Américas, como a religião asteca, etc.
Na Europa há um tronco da religiosidade pagã, com as suas ramificações germânicas e célticas, que se mostram
lineares quanto a algumas características:
• a sua raiz paleolítica, dos tempos de grupos nômades de caçadores-coletores, a principal característica é uma forte
ligação a terra, sendo a Natureza considerada como sagrada e viva.
• a sua origem matriarca há um sentimento de corresponsabilidade entre todos os membros da comunidade, ligados
por laços de parentesco a um ancestral comum.
• esse sentimento de ancestralidade é partilhado também com a Natureza e particularmente com os seres vivos,
levando a um fundamental respeito a todas as formas de vida e existência.
• por isso, a cultura pagã tem uma relação mágica com a Natureza.
• noção cíclica do tempo, a partir da ciclicidade dos fenômenos naturais (estações do ano, lunação, movimentos do
sol, etc.), em contraste a noção linear das culturas de matriz abraâmica.
• o consequente sentimento de profunda responsabilidade e parceria com a Natureza, tornando os humanos
corresponsáveis pela continuidade do círculo.
• o que, por outro lado, também leva a um profundo respeito pelos antepassados, que sacrificaram suas vidas para
que cada comunidade continuasse a existir.
• desenvolvimento de uma medicina natural, baseada nas propriedades curativas das ervas, e xamânica, baseada no
poder da Natureza e na relação mágica com a realidade.
Havendo uma enorme diversidade entre as muitas religiões pagãs no mundo, estas características ilustram apenas as
mais significativas ramificações europeias, não sendo escopo desse livro tal tipo de estudo, apresentamos aqui
somente noções gerais para posteriormente inserirmos a visão espírita sobre o tema.
Dos pontos comuns a todas as sociedades da cultura pagã, surgem as características das religiões pagãs, ou seja, dos
esquemas que dão forma e concretude à espiritualidade pagã. Algumas delas são:
• a principal característica da religiosidade pagã é a radical imanência divina, ou seja, a divindade se encontra
exatamente na própria Natureza (o que inclui os humanos), manifestando-se através dos seus fenômenos naturais;
• a ausência da noção de pecado, inferno e mal absoluto. Como a relação com os deuses e sempre pessoal e bem
direta, a ideia de uma afronta à divindade é tratada também pessoalmente, ou seja, entre o cidadão e a divindade
ofendida. Assim, sem noção de pecado, também não há noção de inferno, ou seja, de um lugar destinado aos que
foram maus na Terra;
• a sacralidade da Terra também levou a ausência de templos, o que, todavia, não impede a noção de Sítios ou
Locais Sagrados, em geral bosques, poços ou montanhas.
Os templos pagãos foram um desenvolvimento bem posterior.
• a imanência dos deuses e a ideologia da ancestralidade divina conferem à divindade características
antropomórficas e as relações tendem a ser estreitadas ao longo da vivência religiosa.
• o calendário religioso se confunde com o calendário sazonal e agrícola, o que lhe confere um caráter de fertilidade.
As festividades acontecem nos momentos de mudança e auge de ciclos naturais anuais.
• essas relações pessoais humanos/deuses levam a ausência de dogmatismos ou estruturas religiosas padronizadas,
havendo uma grande liberdade de culto: cada cidadão tem a liberdade de cultuar os deuses em sua casa, da forma
que desejar.
Basicamente, é uma religiosidade doméstica ou de pequenos grupos com laços sanguíneos ou de compromisso. No
entanto, os Grandes Festivais são sempre rituais comunitários, pois comprometem todos os membros da
comunidade.
• a relação mágica com a Natureza obviamente se traduz em uma religiosidade mágica.
• a sacralidade da Natureza torna assim todas as religiões pagãs em religiões de comunhão, elas não têm o propósito
de dominar a Natureza, mas harmonizar-se com ela, e por isso, também são religiões intuitivas e emocionais. Em
geral, os pagãos valorizam mais a vivência da religiosidade em detrimento das infindáveis discussões metafísicas.
• o respeito aos ancestrais e o tradicionalismo que isso implica, faz das religiões pagãs uma experiência de
continuidade da egrégora ancestral, ou seja, a repetição dos mesmos ritos, na mesma época, cria a união mística
com todos aqueles que já a celebraram antes. Nesse momento, o tempo é rompido e se estabelece uma relação
mágica com ele também: a repetição do rito torna presente o momento primitivo da sua realização e todos aqueles
que, ao longo dos séculos, dele também tenham participado.
• a perspectiva cíclica do tempo dá a certeza do eterno retorno. Embora alguns povos tenham desenvolvido a ideia
de um Outro Mundo, a vida post-mortem nunca foi um ideal pagão, porque isso significaria ficar fora do ciclo e,
portanto, da comunidade. Assim, o Outro Mundo para aqueles que desenvolveram essa ideia será apenas uma
passagem entre uma vida e o renascimento. O encontro com a deidade se dá sempre na comunhão com a Natureza, e
não no Outro Mundo.
Obviamente, diferentes povos pagãos desenvolveram suas liturgias e costumes religiosos típicos, locais e ancestrais,
o que pode aparecer como diferenças entre religiões. No entanto, essas características básicas permanecem, pois são
típicas mesmo do Paganismo.
O Neopaganismo inclui religiões reconstruídas como o reconstrucionismo do Politeísmo Helênico, Celta ou
Germânico, bem como modernas tradições ecléticas como Discordianismo, ou Wicca e suas muitas correntes.
Muitas delas como a Wicca e Neo-druidismo em particular, têm suas raízes no Romantismo do Século XIX e reter
os elementos visíveis do ocultismo ou teosofia que estavam em curso, então, que os distingue religião e folclore
histórico rural.
XIX – Paganismo Nórdico
Paganismo nórdico é um termo utilizado para descrever as tradições religiosas comuns às tribos germânicas que
habitavam os países nórdicos antes e durante a cristianização da Europa do Norte. O paganismo nórdico é um
subconjunto do paganismo germânico, praticado nas terras habitadas por estas tribos germânicas em toda a Europa
Central e Setentrional. O conhecimento atual do paganismo nórdico foi em sua maior parte adquirido através dos
estudos dos indícios arqueológicos, etimológicos, e dos poucos materiais escritos daquele período. Como a tradição
textual naquela região só foi iniciada com a cristianização, é difícil uma compreensão total da forma original da
religião, contando-se apenas com o filtro da transmissão oral. Podem-se encontrar, portanto, diversas associações
com outras mitologias – como a que costumeiramente é feita entre as nornas e as parcas, personagens da mitologia
romana. As histórias narradas pelas Eddas são episódios concebidos de maneira literária, com deuses nos seus
papeis principais; representam, nas palavras do germanista e cientista religioso Jan de Vries, mais especulação e
imaginação poética do que necessariamente representação da consciência coletiva. Geograficamente estas tradições
se estenderam do Norte da Noruega até a Europa Central; porém enquanto alguns destes cultos foram disseminados
por todo este território, outros parecem ter sido extremamente localizados, restringindo-se a determinadas áreas. Não
existe qualquer topografia dos cultos ou história regional religiosa compilada a partir dos dados disponíveis, e
qualquer generalização abrangente que envolva apenas alguns locais de culto em particular devem ser vistos com
alguma cautela.
XX – Wicca
Wicca é uma religião neopagã fundamentada nos cultos da fertilidade que se originaram na Europa antiga. Gerald B.
Gardner impulsionou o renascimento do culto, com o nome de Wicca, junto com outros bruxos e bruxas, em meados
dos anos 40 e 50. Embora essa fundação tenha ocorrido provavelmente na década de 40, ela só foi revelada
publicamente em 1954, quando da época da sanção da última das leis contra a bruxaria na Inglaterra. A tradição
Wicca e seus termos são baseados em diversas culturas do paganismo antigo, modificadas pelo que, segundo
Gardner, era uma tradição sobrevivente da bruxaria medieval, mas da qual o conhecimento que temos é bastante
obscuro. Desde seu renascimento, várias tradições da Wicca surgiram, algumas se afastando consideravelmente dos
conceitos da década de 50. A tradição que segue os ensinamentos e práticas específicas, conforme estabelecidos por
Gardner é denominada de Tradição Gardneriana. Além dela, muitas outras tradições da Wicca se desenvolveram e
também existem muitos praticantes que não pertencem a nenhuma tradição estabelecida, mas criam a sua própria
forma de culto aos Antigos Deuses. Os wiccanos de hoje são solitários, isto é, não participam de um coven (grupo de
bruxos). Embora isso não os impeça de se reunirem com outros para realizarem juntos os rituais. É importante frisar
que a Wicca não é uma religião mantida ininterruptamente desde a antiguidade, ou seja, ela – como toda a Natureza
– evoluiu e ainda evolui com o passar do tempo. Mas, sem dúvida ela tem suas bases fincadas em crenças e rituais
antigos.
Os ritos da Wicca reverenciam a ligação da vida dos praticantes e das divindades com a Terra. Essa reverência se
expressa, principalmente, através de rituais cuja liturgia celebra as lunações e as mudanças das estações do ano,
através de um antigo calendário agrícola (Roda do Ano).
Os praticantes da Wicca realizam rituais em honra a deusa nas noites de lua cheia. Esses rituais são normalmente
denominados Esbats. Algumas tradições chamam também de Esbbat rituais realizados nas demais fases da lua.
Esses rituais são celebrações onde se acredita que a deusa se manifesta na Suma Sacerdotisa através do ritual de
puxar a lua para baixo, e através dela revela a sua sabedoria. Da mesma forma, existe também o ritual de puxar o
sol para baixo, realizado pelo Sumo Sacerdote. Vale ressaltar que, no caso de um ritual realizado em um coven,
apenas a Alta Sacerdotisa e o Alto Sacerdote realizam tal ritual. O culto a Deusa é vivenciado através das suas
variadas fases:
• a Donzela, que representa a pureza feminina, o vigor, a inocência e a sedução (Lua Crescente);
• a Mãe, fonte da vida e protetora (Lua Cheia);
• a Anciã, velha e sábia, conhecedora dos maiores mistérios da vida e da morte (Lua Minguante);
• a Iniciadora, seu lado misterioso, sedutor e envolvente (Lua Negra).
O culto ao deus também é vivenciado através das suas variadas fases:
• a Criança da promessa, que representa a esperança, a inocência e o início (cultuado no ritual de Yule – solstício de
inverno);
• o Caçador, representando a fertilidade, a força, coragem e proteção (principalmente cultuado no Beltane – ritual do
meio da primavera);
• o Grande Pai, seu lado paternal é símbolo do amor entre o Casal Divino e seus seguidores (em rituais solares).
• o Ancião, velho e sábio, o deus do oculto, conhecedor dos maiores mistérios da vida, da morte e da reencarnação; e
vale alertar que não há espaço em nenhuma tradição que esteja inserida no neopaganismo para o conceito de Mal
Absoluto. Caem por terra, dessa feita, as tentativas por parte de outras religiões de ligarem o paganismo, antigo ou
moderno, a entidades como do Diabo da mitologia cristã. Os pagãos não seguem essas entidades e também não
acreditam na existência das mesmas.
A Roda do Ano
• o ano se inicia em Samhain (também conhecido como Halloween). Quando o deus, filho e consorte da deusa,
morre.
• do útero da deusa mãe, ele renasce em Yule, representando assim o eterno ciclo da reencarnação.
• passa sua infância em Imbolc, quando é alimentado pelo seio sagrado da senhora, que agora descansa do parto;
• em Ostara é a deusa renascida que surge, trazendo sua força. Ela é a donzela e ele o jovem galhudo (representado
por kernunos/cernunos – deus da fertilidade);
• em Beltane ele se une a deusa donzela, e da sua união tudo surgira;
• em Litha ele é pleno em seu poder, o implacável Senhor das Florestas, o Grande Pai, e a Donzela já se tornou a
Grande Mãe;
• em Lammas ele começa sua rota ao declínio. Ele é o deus do oculto, enquanto a deusa segue sua trilha para dar a
luz novamente ao seu filho, a Criança da Promessa;
• em Mabon ele é o sábio deus verde, e está se preparando para sua passagem, enquanto a deusa percebe que seu
amado está partindo;
• volta a morrer em Samhain, realizando a grande espiral do renascimento, ou simplesmente a Roda do Ano.
Quatro Sabbats, chamados Maiores por algumas tradições, celebram o auge das estações. São eles: Samhain
(Outono), Beltane (Primavera), Imbolc (Inverno) e Lammas ou Lughnasadh (Verão). Os demais, chamados por
vezes de Sabbats Menores, comemoram os solstícios: Litha (Verão), Yule (Inverno) e Equinócios: Ostara
(Primavera) e Mabon (Outono).
Os rituais são realizados no interior de um Círculo Mágico, que é traçado de forma ritualística, após a limpeza e
consagração do local, que em geral é realizado em casa ou em pequenos espaços como quartos, salas, quintais etc.
Preces ao deus e a deusa são proferidas, a evocação dos guardiões dos pontos cardeais é realizada e muitas vezes são
feitos feitiços adequados ao rito em condução (o qual é o ponto focal da celebração), e então é realizado o Cone de
Poder, que concentra e envia as energias do círculo até o objetivo almejado por todos. No final, é tradicional a
partilha de pão e vinho em certos rituais e celebrações. A maioria dos wiccanos usa um conjunto de instrumentos de
altar em seus rituais. Esses instrumentos incluem, dentre infinitos outros, vassouras, caldeirões, cálices, bastões,
athames (uma espécie de punhal de dois gumes, que não é usado para sacrifícios de qualquer espécie), facas ou
foices (chamadas bolline, usada para cortar ervas, flores, e gravar símbolos e velas), velas, incensos, etc.
Representações da deusa e do deus são também comuns, seja de forma direta, representativa, simbólica ou abstrata,
e são mais usados os símbolos do cálice para a deusa, que é o símbolo de seu útero, e o Athame para o deus, que é a
representação de seu falo. Os instrumentos são apenas isso, instrumentos, e não têm poderes próprios ou inerentes.
Apesar disso, eles são normalmente dedicados com um propósito específico, e usados apenas nesse contexto. É
considerado extremamente rude tocar os instrumentos de um bruxo ou bruxa sem sua permissão. O pentáculo – um
pentagrama, estrela de cinco pontas, inscrito em um círculo – é um dos símbolos mais utilizados por praticantes para
representar sua fé. É usado para representar os cinco elementos componentes da Natureza: terra, ar, água e fogo –
mais o espirito.
Os praticantes acreditam que cada um deve cultuar a divindade de sua própria maneira. Sem imposições ou leis
escritas, mas com consciência em relação à cidadania, a autoestima e a preservação ambiental, repudiando qualquer
forma de preconceito e proselitismo, e incentivando a igualdade de gênero e a liberdade sexual.
Os praticantes da Wicca, quando passam pelo ritual de iniciação na religião, ao se apresentarem aos deuses, utilizam
um nome mágico que será de conhecimento dele mesmo e dos deuses (da mesma forma que era comum na época de
Jesus os judeus terem um nome de uso familiar e outro na vida social). Mas também ganham um novo nome,
diferente do apresentado aos deuses, ao entrarem em um Coven, para ser chamado assim dentro do grupo ou dentro
da comunidade pagã; alguns preferem usar um outro nome para ser conhecido entre outros pagãos, diferente dos
outros dois: o do Coven e o apresentado aos deuses. Outros, porém, utilizam um mesmo nome para todas as
situações. O mais importante é saber que o real significado do nome e que ele é um dos símbolos de uma mudança
que se iniciou em sua vida, de acordo com sua própria vontade. Por isso, o nome escolhido, na maioria das vezes,
representa aquilo que o iniciado mais deseja em sua nova vida, ou até mesmo o nome de um deus ou deusa que
possua aquela característica.
A iniciação da Wicca corresponde ao mesmo tempo ao sacerdócio, ou seja, todo wiccano iniciado é considerado um
sacerdote, podendo assim realizar e dirigir rituais. A diferença dos sacerdotes da Wicca para os da maioria das
religiões monoteístas é a presença de sacerdotisas, sendo que uma das características da religião é a igualdade de
direitos entre mulheres e homens. A Alta Sacerdotisa desempenha o papel de líder do Coven junto com o Alto
Sacerdote. O Alto Sacerdote desempenha o papel de líder do Coven junto com a Alta Sacerdotisa. Ancião/Anciã é o
nome dado aos membros mais velhos de um Coven (embora algumas tradições usem o termo inglês Elder). São eles
que decidem as questões cruciais e tiram as dúvidas sobre questões polêmicas. São muitos respeitados pelos
wiccanos.
XXI – Mitologia e Espiritismo
Conforme vimos, a cultura dos povos antigos produziu inumerável conjunto de informações sobre a criação do
universo, dos planetas, da Terra, do homem, etc. As forças da Natureza eram interpretadas como sendo
manifestações de ‘deuses’ e “O Livro dos Espíritos” nos informa exatamente que existem espíritos comandando a
ação dos elementos, conforme as questões de número 536 a 540 do livro citado acima.
Os ‘deuses’ antigos eram espíritos em diferentes graus evolutivos e que exerceram importantes papeis no contexto
sociocultural humano. Isso já é uma clara demonstração de que desde a mais remota antiguidade os homens
acreditavam na existência e na ação de entidades situadas além do plano material. De uma maneira geral eram os
chamados ‘deuses menores’ que executavam o papel de intermediários entre os homens e a Divindade Maior.
Em nenhum outro lugar do planeta o paganismo exerceu e exerce tão forte influência como na Europa, mas devemos
entender isso dentro de uma visão abrangente, holística, sobre a realidade daqueles povos pastores do pretérito que
adoravam as divindades que proporcionavam boas colheitas, a reprodução dos rebanhos, a fertilidade, etc.
A mitologia representa um conjunto de lendas que retratam a ação de entidades situadas fora da realidade material
na qual os seres humanos vivem e se movimentam.
Os mitos referentes à criação do homem adotam o princípio do “sopro vital” para dar vida a um corpo antes
inanimado, e o conhecimento disso foi exatamente a fonte milenar de documentos antigos a qual Moisés teve acesso
durante a sua vida no Egito. Todos os povos acreditavam que um deus específico havia soprado nas narinas do
primeiro homem e assim dado à vida a ele.
Quem pode garantir que não tenham existido no passado seres que detinham algum tipo de ação sobre determinados
fenômenos? Quem pode garantir que a Terra não tenha sido visitada por criaturas semelhantes aos terrestres e
portadoras de conhecimentos avançados que proporcionaram a criação de pirâmides, templos, etc.? E que
posteriormente tenham sido elevados à posição de ‘deuses’. As pinturas encontradas em cavernas de todos os
recantos da Terra indicam seres com roupas estranhas para a época, aparelhos desconhecidos, etc.
A mitologia explicava em linhas alegóricas fatos que os homens da época não conseguiam esclarecer em razão do
bem rudimentar avanço científico de então.
O certo é que a mitologia versava sobre deuses que podiam conviver com os homens. E havia também aqueles seres
que residiam em locais inacessíveis aos encarnados. Eles lidavam com forças tidas como sobrenaturais, com os
elementos da Natureza, vinham e voltavam do Mundo dos Mortos atestando um número quase infindável de
fenômenos espirituais.
Biografia do Autor
João Fernandes da Silva Júnior nasceu em 6 de setembro, na cidade de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e reside
desde 2009 em Biguaçu, Santa Catarina.
Desde muito jovem apresentou interesse pelo estudo da química.
Já foi editor do:
a) Boletim GEPU INFORME;
b) Boletim ADRIAC;
c) Boletim MÊMPHIS;
d) Jornal O CORREIO;
e) Jornal CIÊNCIA ESPÍRITA.
Editou a “REVISTA ANO-LUZ”.
Foi um dos fundadores do G. E. P. U. (Grupo Espírita de Pesquisa Ufológica) e do NECIESP (Núcleo de Estudos
Científicos do Espiritismo).
Escreveu semanalmente um artigo intitulado “Cultura e Espiritismo” no Jornal Biguaçu em Foco.
Divorciado, tem dois filhos: João Carlos Fernandes dos Santos Silva, e Joane Fernandes da Silva. Casado com Kátia
Eli Pereira, com ela escreveu os romances espíritas “O Preço de uma Traição”, e “Sempre te Amarei”, e tem outros
livros em parceria com ela em andamento. Foi contemplado juntamente com sua esposa no projeto “Cem Cópias
sem Custo” com o romance infantojuvenil “As Aventuras de Queno e Guará”.
Junto com o ex-presidente da Mocidade Espírita André Luiz, Paulo José das Chagas Machado (desencarnado em
1997) criou:
a) Movimento Renascer (1994/1995);
b) Visita Fraterna (1995);
c) Tarde Fraterna (em 1996), sendo que esta última ainda acontece no Grupo Espírita Barão de Cotegipe, em Nova
Iguaçu, Rio de Janeiro.
Participou do movimento AMAR – Associação das Mocidades Allankardecistas em Regeneração – criado por seu
amigo Marco Antônio Vieira, em 1994.
Junto com Mauri Modesto reestruturou o programa de estudos da Palestra da Vida, em 1994, no Grupo Espírita
Barão de Cotegipe, e criou o Jornal O Correio.
Participou do Grupo Espírita da Fraternidade Irmã Scheilla, em Nova Iguaçu, de 1988 até 2008.
Iniciou no Espiritismo com a ajuda do grande amigo – já desencarnado – Eugênio Bouvallet, presidente do Grupo
Espírita Pioneiros da Verdade, em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro.
Atuou como palestrante no Curso de Médiuns, realizado na antiga USEERJ, em Niterói, em 1995.
Foi membro do Conselho Superior do:
Grupo Espírita da Fraternidade Irmã Scheilla (1988/1996);
Grupo Espírita da Fraternidade Irmão José (em Barra de Guaratiba, 1994/1995);
Grupo Espírita da Fraternidade Meu Reino não é deste Mundo (na Ilha de Guaratiba, 1995).
Poliglota, fala inglês, francês, espanhol, italiano e Esperanto (trabalhando como tradutor de textos universitários
sobre química e eletrônica).
Traduziu livros de Trigueirinho para o Esperanto.
É astrônomo amador filiado ao CARJ (Clube de Astronomia do Rio de Janeiro).
Presentemente está envolvido com a divulgação de temas científicos relacionados ao Espiritismo, e com a gravação
de DVDs com músicas instrumentais de sua autoria (ele é compositor, arranjador e produtor musical). Além de fazer
trabalhos gráficos (diagramação, revisão, copydesk, capas de livros e de revistas, etc.).
É editor da Sphera Projetos Editoriais.
Está gravando DVDs com palestras sobre temas científicos (astronomia, ufologia, exobiologia, etc.).
Cursou Filosofia, Metodologia do Ensino Superior, Metodologia de Pesquisa, Gestão de Tecnologia da Informação,
e Ciência e Tecnologia pela Fundação Getúlio Vargas.
Bibliografia
Blavatsky, H. P.
- A Doutrina Secreta, Tomo III, Pensamento, São Paulo, 2001
Bulfinch. T.
- O Livro de Ouro da Mitologia, Editora Landy, São Paulo, 2000
Greimas, A. J.
- Of Gods and Men: Studies in Lithuanian Mythology, Indiana Univ. Press, USA, 1992
Kury, M. da Gama
- Dicionário de Mitologia Grega e Romana, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 2009
Langer, J.
- Deuses, Monstros, Heróis: Ensaios de Mitologia e Religião Vicking, Editora da UNB, Brasília, 2009
Tamen, P. (Tradutor)
- Gilgamesh, Editora Nova Veja, Lisboa, 2007
Vários Autores
- Homem, Mito e Magia, Editora Três, São Paulo, 1980
- Mitologia Chinesa – Mitologia Primitiva 4000 Anos de História Através das Lendas, Editora Landy, São Paulo,
2006
W. Philip/ P. Neil
- Guia Ilustrado Zahar de Mitologia, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 2009