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PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e todos nós,
pessoas físicas ou pessoas jurídicas, segundo a Constituição Federal em seus
artigos 145 a 156, temos o dever de pagar impostos, levando em conta a
capacidade econômica de cada um.
No entanto o contribuinte, principalmente as empresas que arcam com a
maior parte dessa carga tributária, dentro dos parâmetros legais, tem o direito
de estruturar seu negócio, planejar e administrar suas atividades da melhor
forma que lhe convir, a fim de reduzir, retardar ou até mesmo eliminar a
exigência da carga tributária que lhe é imposta.
Para usufruir desse direito, ele pode recorrer às práticas do
Planejamento Tributário, que tem como principal objetivo, contribuir para a
gestão e administração dos tributos da empresa de modo a adotar medidas
que deixem a carga tributária da empresa menos onerosa, reduzindo,
postergando ou até mesmo evitando os custos fiscais que incidem sobre suas
atividades.
O Planejamento Tributário tem fundamento legal e encontra amparo para
sua execução nos princípios constitucionalmente previstos tais como as
“liberdades” previstas no artigo 5º, incisos II, XIII, XIV, artigo 170, incisos II, IV,
e também a liberdade de iniciativa prevista no artigo 1º, IV e 170 caput, que
segundo o ponto de vista tributário expressa que o contribuinte tem a livre
manifestação de vontade para lhe dissolver de situações que lhe onerem.
Assim sendo, todos esses princípios demonstram que o contribuinte, dentro
dos parâmetros legais, tem a liberdade de ir e vir e planejar suas atividades.
No entanto os direitos previstos no planejamento tributário não são
absolutos e encontram seu limite no princípio da Legalidade, no qual entende-
se que todos podem exercer seus negócios pelas mais diversas formas, desde
que não incorram em violação às leis e à Constituição Federal; deixando claro
que a base do Planejamento Tributário é a licitude.
Isso posto, as práticas do Planejamento Tributário podem ser
classificadas quanto à licitude em três tipos:
• A Elisão Fiscal, que nada mais é que a prática, pelo
contribuinte, de atos lícitos, geralmente ocorridos antes do fato gerador,
que lhe permitem diminuir a incidência de tributos sobre suas atividades;
• A Evasão Fiscal que é a prática ilícita e fraudulenta de atos,
normalmente ocorridos após o fato gerador, com a finalidade de sonegar
impostos;
• Elusão Fiscal que é uma manobra de planejamento
tributário, no qual o contribuinte de forma fraudulenta, simula
determinado negócio jurídico com a finalidade de dissimular a ocorrência
do fato gerador, acobertando ou escondendo um fato gerador
efetivamente ocorrido.
Logo, com o intuito de desconsiderar e coibir a prática de atos
fraudulentos, momento em que contribuinte se utiliza do planejamento tributário
de forma ilícita, extrapolando os limites legais, incorrendo em sonegação e
fraudes fiscais, foi criada a Norma Geral Antielisiva, introduzida ao Código
Tributário Nacional no parágrafo único do artigo 116, por meio da Lei
Complementar nº 104/2001.
A Norma Geral Antielisiva tem a finalidade de dar o embasamento legal
para que o Fisco possa identificar e desconsiderar um ato abusivo tributário
praticado pelos contribuintes.
Neste sentido, podemos concluir que o Planejamento Tributário é de
suma importância para a sobrevivência de uma empresa, visto que contribui
para a diminuição da carga tributária e para estabilidade econômica da
empresa, já a Norma Geral Antielisiva foi criada com o intuito de dar ao Fisco
maior poder de controle fiscal sobre os atos ilícitos, sem eliminar a
possibilidade do contribuinte fazer uso de um Planejamento Tributário correto,
para diminuir a tributação incidente sobre suas atividades.
REFERÊNCIAS:

ELISÃO E EVASÃO FISCAL: OS LIMITES DO PLANEJAMENTO

TRIBUTÁRIO. Disponível em: <https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-

tributario/elisao-e-evasao-fiscal-os-limites-do-planejamento-tributario/>. Acesso

em: 22/04/2020.

NORMA ANTIELISIVA. Disponível em:

<https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-tributario/a-norma-antielisiva-do-

paragrafo-unico-do-artigo-116-do-codigo-tributario-nacional-como-norma-

antievasao/>. Acesso em: 22/04/2020.

O PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO E OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

TRIBUTÁRIOS. Disponível em: <

http://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/51359/o-planejamento-

tributario-e-os-principios-constitucionais-tributarios>. Acesso em: 22/04/2020.

OS LIMITES CONSTITUCIONAIS AO PLANEJAMENTO. Disponível em: <

www.uel.br › revistas › uel › index.php › iuris › article › download>. Acesso em:

22/04/2020.