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VIRTUDE OU VÍCIO

VIRTUDE OU VÍCIO

Justiça é uma constante e perpétua vontade de viver honestamente, não prejudicar a outrem e
dar a cada um o que lhe pertence (Justiniano, Imperador Bizantino – 483/565 d.C.).

Levantam-se templos à virtude e cavam-se masmorras ao vício!

Temos realmente uma responsabilidade muito grande ao sermos Maçons. Levantar templos à
Virtude significa preservar os bons costumes, manter a liberdade a todo custo, sermos sempre
iguais em todos os momentos e viver a fraternidade no dia-a-dia.

A virtude e o vício estão ao alcance de qualquer ser humano. Aqui, dentro da Maçonaria,
somos colocados de frente com os vícios e com as virtudes.

No mundo profano, dificilmente temos essa oportunidade. E já que essa chance nos apareceu
hoje, procuremos então estudá-la.

Devemos estar sempre unidos e compartilharmos todos os momentos de nossas vidas com
nossos Irmãos. Temos vários vícios, essa é uma verdade!

Analisando, assim, reconheçamos que temos de conviver com os vícios dos Irmãos! É um
tolerando o outro, pelo menos até que haja uma disposição interior de cada Irmão para se
dominar e superar esse ou aquele vício.

O que dizer de um Irmão que tenha o vício da vaidade? Digo que a vaidade nos move a fazer
as coisas somente para aparecermos.

A vaidade é o alicerce de todo egoísta. Ele quer ser sempre o centro das atenções, quer todas
as honras para si próprio.

E do Irmão que tenha falsidade? Que a falsidade é a ponta de um iceberg, que é a mentira. No
fundo, toda pessoa falsa é uma mentirosa. Mente para si e para os outros. Nunca podemos
confiar em uma pessoa falsa.

O que podemos falar de um Irmão que tenha inveja? É uma pessoa desestruturada, fracassada
ou até mesmo desestimulada. Essa pessoa deseja obter tudo que os outros conseguem, mas
quer realizar tal desejo sem esforço algum. Tudo que os outros fazem dá por mal-empregado.
Quando vê alguém se saindo bem, deseja o mal e que o outro também sinta o que ele já
sentiu, ou seja, o gosto do fracasso.

O que dizer de um rancoroso? É uma pessoa má. Não se perdoa e não perdoa a ninguém. Por
ser muito exigente, não aceita que os outros possam errar, principalmente se errar contra ele. É
muito difícil conviver com uma pessoa assim, pois temos a preocupação de estarmos sempre
como que “pisando em ovos”. Com certeza, seremos seu próximo inimigo se tivermos qualquer
deslize de atitude com essa pessoa, engordando assim sua longa lista de inimizades.

E um Irmão que é crítico? O crítico sempre tenta comparar as pessoas. Procura


constantemente falha nas atitudes dos outros. É incapaz de ajudar a solucionar um problema
sequer. Jamais soma esforços com os irmãos, mas está sempre pronto a atirar farpas para
destruir qualquer iniciativa que venha a surgir de qualquer irmão que seja.

Podemos analisar também o tagarela. Esse não é confiável. Temos sempre a preocupação
com o que passa em sua cabeça, pois tudo o que ele venha a saber será logo levado como
notícia a todos que encontrar. Sua língua não cabe em sua boca. Por ser assim, sempre
evitamos discutir assunto sigiloso em sua presença.

Esses são alguns vícios que temos, eu e vocês!

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Passemos a analisar as virtudes. Sabemos também que temos várias virtudes e, portanto,
devemos preservá-las, custe o que custar.

O que dizer de um Irmão que seja humilde? Esse é um obreiro sereno e pacato. Reconhece o
seu lugar e não complica o bom andamento da vida dos companheiros.

O humilde sempre cabe em qualquer lugar, aceita a todos como são e busca em qualquer
ocasião estar em sintonia com todos os que o rodeiam.

Quem dera se cada um de nós fosse humilde. Certamente teríamos poucos problemas e atritos
em nossas vidas e também dentro de nossas Lojas.

O que podemos dizer de um Irmão autêntico? É um companheiro fiel em quem podemos


confiar, visto que o autêntico não se esforça para dizer a verdade.

Tem sempre uma amizade sincera e notadamente será destacado como um ótimo
companheiro por ser leal.

O que dizer de um Irmão que tenha a mansidão? A mansidão é um dom da serenidade com a
qual temos a tranqüilidade para resolver os problemas existentes. Esse irmão não se deixa
abalar pelas adversidades. Ele será sempre um conciliador e um amigo fácil de se conviver.

E o Irmão que possui a sabedoria? A sabedoria, juntamente com uma boa dose de mansidão,
falará o que vê de errado e não causará constrangimentos. A sabedoria vem com o passar dos
anos. Ela consiste em saber sair das adversidades que a vida nos traz.

Sabedoria não é ser inteligente e passar os outros para trás, mas é contornar todas as
situações fazendo com que a vida tenha mais alegrias e menos contrariedades.

É o dom mais sublime, pois todos querem ouvir sábios conselhos nos momentos de
contrariedades. O sábio sempre facilita a compreensão das dificuldades e mantém a harmonia.

Parece que nada o abala, pois consegue tirar o melhor das piores situações que possam surgir.

Esse Irmão não critica ninguém, colocando-se sempre na posição de defesa da fraqueza
humana.

Devemos, pois, meus Irmãos, continuar a levantarmos templos às virtudes e procurar acabar
com os vícios. Somente assim seremos verdadeiros Irmãos e poderemos, neste momento,
expandir o verdadeiro amor que existe na nossa Maçonaria.

Ir. Amacio Rosenvaldo do Couto


Loja Monte das Acácias nº 161

GLMEMG

SEM OSTENTAÇÃO
SEM OSTENTAÇÃO

A Maçonaria é uma instituição humanitária de caráter fraternal e filosófico. Logo, torna-se


desnecessário ponderar que ninguém poderá conhecer filosofia sem estudar, sem ler muito.

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O verdadeiro Maçom deve ser devotado à leitura de livros Maçônicos e não um simples
repetidor de coisas, nas Sessões Maçônicas, nem sempre proferidas com acerto. Por vezes,
elas são ditas também por quem ouviu de outrem, de fonte pouco merecedora de crédito.

A Maçonaria não se limita a despertar o pensamento e a incentivar o sentimento. Seu fim é agir
sobre a conduta real do homem, impondo-lhe a fiscalização de si próprio.

O homem está exposto a agir mal, pensando estar fazendo o bem. O sentimentalismo
confessional protege a ignorância e engendra o vício. O rigorismo protestante exalta a fé, mas,
muitas vezes, é falho de sinceridade e de generosidade. Há homens políticos que, sonhando
com a perfeição, se enxovalham na lama da vaidade e da concupiscência.

Existe, também, um sentimentalismo Maçônico. Para muitos Maçons, o desinteresse é um


princípio abstrato ou a liberalidade não influi em seus atos; sua virtude é um ideal sem vida;
tem, como o poeta, transportes viris, mas são luzes fugazes que iluminam, por instantes, sua
imaginação e nada mais. Para esses, não há vitória nem progresso sobre si mesmos. Assim,
ficam toda a vida ocupando um lugar nos banquetes das Lojas, mas nunca serão Maçons
melhores do que no dia de sua iniciação de aprendiz. Para esses, o mundo verdadeiro não
passa de um espetáculo, sua vida é inconsciente e a Verdade é um jogo de palavras. Todos
têm sentimentos; poucos possuem princípios. O sentimento é uma impressão passageira,
banal, facilmente refletida, raramente dominada.

A Maçonaria só se preocupa com princípios. Aplaudir o direito e sentir o erro é a história do


homem. Quem, pois, preconiza a injustiça, a opressão, a avareza ou a inveja? Ninguém!
Quantos, porém, são injustos, opressores, avarentos e invejosos?

Todos falam, em termos, indignados da concupiscência, da infâmia! Quantos, entretanto, são


covardes diante de um sacrifício do menor prazer e avarentos se lhes pedir a menor parcela de
seus bens? Dir-se-á, com razão, que procuram ocultar a consciência em um invólucro de
palavras.

Sensuais e egoístas, exprimimos, sinceramente, nossa aversão ao vício e ao egoísmo, mas


nós mesmos justificamos nossas evidentes contradições.

O Maçom saberá fazer o bem sem  ostentação, mas não sem utilidade para todos. É proibido a
ele fechar os olhos, assim como ao soldado ocultar sua bandeira diante do inimigo que passa.
A vida do simples cidadão tem, às vezes, necessidade de tanta bravura como a do soldado nos
campos de batalha.

A Maçonaria honra os heróis, embora desconfiando um pouco, por que sabe que os
verdadeiros heróis são raros. Ela conhece a história da vida real; sabe que os bons Obreiros
são os que trabalham sem esmorecer: na calma, no silêncio e sem glória.

São inúmeros os que passam os dias a produzir pequenos, mas sólidos resultados; os que
foram verdadeiramente agentes do progresso, os operários manuais, os arquitetos, os
engenheiros, os subalternos, os Obreiros modestos da ciência diante dos quais os ilustres
reconheceriam haver usurpado o renome e roubada a glória de suas obras.

Uns e outros morrem e são, na aparência, muito indiferentes à fama ou ao esquecimento de


seus nomes. Mas, os verdadeiros trabalhadores tiveram, durante a vida, a alegria profunda da
verdade por eles descoberta e da obra saída de suas mãos e, talvez, a única admiração de
uma esposa, de um filho ou de um amigo lhes fez a alma rejubilar-se deliciosamente, como não
puderam sentir todos os triunfadores da terra.

A vida é curta, ainda que dure um século; mas a vida do homem laborioso é sempre longa. O
trabalho prova a verdadeira coragem e encerra os verdadeiros prazeres.

Aquele que não cultivar a inteligência fará de si mesmo um animal incapaz de se ocupar de
outra coisa a não ser daquela em que consiste o destino dos animais.

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Tende, pois, o bom senso de procurar a felicidade onde ela está. Nisso consiste a sabedoria
que Deus, o Grande Arquiteto do Universo, levou aos homens e cujas verdades ninguém
poderá ouvir sem profunda admiração.

Desgraçado o Maçom que não as compreender!

Se a Maçonaria é uma escola de aperfeiçoamento, torna-se inadmissível a existência de uma


escola sem estudos e desprovida de estudantes.

Ir.´. Benedito Araújo Manso


Parintins - AM

POSIÇÃO DO COMPASSO

POSIÇÃO DO COMPASSO

Questão que faz o Respeitável Irmão Celso Mendes de Oliveira, Loja Pioneiros de Mauá,
2.000, REAA, GOB-RJ, Bairro Mauá, Oriente de Magé, Estado do Rio de Janeiro.
celso.mendes.oliveira@outlook.com 

Com mais de 35 anos de Ordem me deparei com uma duvida, isso após a pergunta de um
Mestre recente sobre a posição do esquadro e compasso na Loja de Companheiro. E que a
descrição no ritual dá a entender diferente do que eu aprendi então eu tive duvidas se mudou
algo e eu não havia me atentado. Bom eu aprendi assim: A posição do aprendiz - Compasso
em baixo do esquadro. A posição de Mestre - Compasso em cima do esquadro. A minha
duvida é a seguinte: A posição do Companheiro: Compasso com a sua haste esquerda em
cima do esquadro, ou seja, é o lado que os companheiros se assentam em Loja o lado sul do
Templo. Estando o Orador de frete ao livro da lei como em um espelho e o lado da mão direita
do Orador, assim como mostra no Painel de Loja de Companheiro publicado no ritual? O posto
está errado e em algumas literaturas antigas diz ser loja fechada. Sabendo que serei atendido
desde já agradeço. 

CONSIDERAÇÕES

O que exara corretamente o Ritual conforme o Painel da Loja de Companheiro que a ponta
direita do Compasso agora libertada é colocada sobre o ramo direito do Esquadro. A questão
contraditória me parece que está no ponto de vista. Obviamente esse ponto é do Orador ao
abrir o Livro da Lei e posicionar as demais Grandes Luzes Emblemáticas. Nesse caso a “ponta
direita” da haste do Compasso é a de quem do Ocidente olha para o Oriente, já que no Rito
Escocês o Compasso tem suas hastes voltadas para o Ocidente e o Esquadro seus ramos
voltados para o Oriente, ambos sobre o Livro da Lei aberto em posição de quem faz a leitura do
trecho apropriado. Nesse pormenor o lado direito é tomado da posição de quem lê o Livro da
Lei, fato que em linhas gerais, dá a conotação da ponta liberta do instrumento apontada para o
quadrante sul da Loja.

Não entendi bem o último parágrafo da vossa questão no tocante ao que está errado e as
literaturas que apontam Loja fechada. Se a questão estiver sugerindo alguma posição dos
instrumentos em Loja fechada ela simplesmente não existe, pois o próprio termo “Loja fechada”
não implica em qualquer posição para as Grandes Luzes Emblemáticas. Finalizando: Nesse
aspecto, não existe nada de errado no Ritual, pois a relação direita ou esquerda será sempre
tomada a partir do pondo de vista daquele que abre o Livro da Lei 

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T.F.A. PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com – SET/2013
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.195 – terça-feira, 10 de dezembro de 2013

SER OU ESTAR MAÇOM?


SER OU ESTAR MAÇOM?
Atualmente podemos afirmar que “Ser ou Estar alguma coisa” vem se tornando uma expressão
bastante difundida; é utilizada para identificar se uma pessoa assumiu ou não posicionamento
correto com respeito a qualquer organização da qual participa, como por exemplo, quando
desempenha um cargo público ou legislativo, tal qual o de “Estar Ministro”, entre outros
exemplos (sendo inclusive utilizado como personagens em programas humorísticos).

Absorvendo-se esse conceito e aplicando-o no seio de nossa fraternidade, percebemos que


todos nós “Estamos Maçons” ao procedermos à nossa iniciação.”Estamos Maçons” ao
freqüentarmos a Loja e pagarmos as suas mensalidades e taxas. “Estamos Maçons” quando
participamos de uma atividade organizada pela Loja, atividade filantrópica, uma visita à outra
Loja, ou, até mesmo, quando meditamos sobre o nosso papel e partimos em busca da
ponderação interior à procura da verdade.

Mas o que é “Ser Maçom”? O Ser não pode ser considerado sinônimo do verbo Estar. A
caracterização mais expressiva de estar é de um verbo que indica um certo estado. Portanto,
há como que embutido em seu conteúdo uma certa passividade, enquanto o verbo ser é ativo,
ou seja, representa ação, dinamismo.

“Ser Maçom” é um estado de espírito que caracteriza o indivíduo presente em todas as


situações quando pode ajudar a cooperar para um mundo. “Ser Maçom” é compreender que
por mais poderosas que sejam as forças externas, elas podem ser dominadas pela energia
sediada em sua própria personalidade.

“Ser Maçom” é ter consciência de que sua presença discreta pode apoiar novos projetos úteis à
comunidade e constituir-se num poderoso pilar de sustentação dos valores mais nobres do
indivíduo.

“Ser Maçom” é ser o eterno estudante em busca do ensinamento diário, tirando de cada
situação uma lição e aplicando com êxito os princípios adquiridos. Desenvolve, em toda
oportunidade de sua intuição, sua força de vontade, sua capacidade de ouvir e entender os
outros.

Temos que considerar que o “Ser Maçom” deve, como livre pensador, questionar o porquê de
determinados acontecimentos entendendo e vivenciando, nos nossos ensinamentos, que
palmilhamos lentamente com passos firmes para não tropeçarmos nos erros e nos vícios do
passado, mesmo que em alguns momentos saiamos da trajetória para poder compreender o
mundo com uma visão holística de suas nuances.

O Maçom que se limita a ler ou a estudar as instruções dos graus ou a literatura disponível e
não procura aplicar no dia-a-dia conceitos que lhe são transmitidos, para o desbastar da Pedra
Bruta e erigir o Templo Interno, perde excelentes oportunidades de ampliar seus
conhecimentos e de verificar como o saber do aprendizado da Arte Real pode ser útil para o
seu bem-estar na busca de seu retorno ao Cósmico.

O “Ser Maçom” é aquele estado em que, sem abandonar os hábitos de uma disciplina racional,
a mente busca uma abrangência do universo, o conhecimento intrínseco dos fenômenos que
estão ocorrendo, procurando desenvolver a sensibilidade e a compreensão das razões dos

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estudos. O Maçom que desenvolveu sua mente para estar atento e acompanhar a evolução
dos fatos sabe como conhecer as sutilezas que envolvem suas origens. É como um oleiro que
dá formas sutis ao barro bruto, enquanto o Maçom modela sua própria consciência num
confronto com sua própria personalidade.

Vivemos juntos e cruzamos com diferentes seres humanos que pensam e agem de maneira
diversa da nossa. Isso nos propicia excelentes oportunidades para nos adaptarmos
mutuamente e, sobretudo, para aprimorarmos as formas de inter-relacionamento. A sabedoria
do bem viver é despertada quando nos conscientizamos dessas diferenças e procuramos
compreender o indivíduo através de suas particularidades. “Ser Maçom” é despertar o sentido
de compreensão do indivíduo e estar preparado para assisti-lo nos momentos de necessidade.

O exemplo de uma atitude mental moderada, sincera e cooperativa caracteriza muito o “Ser
Maçom”. E todos notam que, sob muitos aspectos, o “Ser Maçom” diferencia-se entre todos os
outros indivíduos. No grau de aprendiz nos é ensinado que além dos sinais, toques e palavra o
Maçom deve ser reconhecido pelos atos e posturas dentro da sociedade e no meio onde vive,
traduzindo de maneira diuturna os nossos conhecimentos e a filosofia da Arte Real. Sentimos
que temos a desempenhar um papel mais relevante na sociedade e contribuir positivamente
para o seu engrandecimento.

“Ser Maçom” implica algumas renúncias, mas a compensação que advém desse estado de
espírito é muito agradável. Sentimo-nos como se fôssemos os autores da novela e não apenas
os personagens passivos, criadas pelos mesmos. Temos uma participação presente e atuante,
embora aparentemente o Maçom apresente-se um tanto reservado.

Já se disse que nos colocamos muito mais em evidência quanto nos mantemos como
observadores e damos a colaboração somente quando é solicitada pelos outros do que
aqueles no momento em que procuram apresentar-se como os donos da festa.

Considerem, sobretudo, que encontramos muitas pessoas evoluídas e que podem ser
consideradas possuidoras de elevado espírito maçônico. Têm expressiva vivência das coisas
do mundo e utilizam grande sabedoria em suas decisões, mesmo nunca tendo sido Maçons.

Nós Estamos Maçons ao entrarmos na Ordem, e Somos Maçons quando o espírito dela entra
em nós. A diferença é muito grande, mas facilmente perceptível.

Irmãos, unamo-nos na trilha que leva ao Templo ideal e tomemos o cuidado para não
“Estarmos Maçons”, para não trilharmos a Maçonaria simplesmente cumprindo rituais e
envergando-nos à mera condição de um “Profano de Avental”. Desejo que todos avaliem como
é bom “Ser Maçom”.

Ir.´. João Lages Neto


ARLS Jacques De Molay nº 33
Vitória - ES

É SIGILO OU É SEGREDO?
É Sigilo ou é Segredo?

Todos nós Maçons aprendemos a desenvolver uma qualidade fundamental: a discrição do


segredo e do sigilo(silêncio). Para preservar os conhecimentos técnicos da arte de construir, a
Maçonaria Operativa guardou seus segredos. 

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Na atualidade, a Maçonaria Especulativa ou Simbólica herdou este costume, mas hoje, com
tantos livros e Internet ao alcance de qualquer pessoa, praticamente não existe mais nenhum
“segredo” na Maçonaria. 

Mesmo assim, para o mundo profano continuamos a ter nosso segredo. Qual seria então este
segredo? Concebido por alguns como um estado de iluminação interior, o segredo da
Maçonaria só seria alcançado depois de muito estudo e reflexão, podendo ser adivinhado por
aqueles que se tornam verdadeiros maçons. Os que ficarem esperando  que alguém lhes
revele  este segredo passarão pela Maçonaria sem terem aprendido a reconhecê-lo. 

Mas, se não existe um segredo coletivo, então porque a exigência do mais absoluto sigilo
(silêncio)? 

É que para podermos entender a linguagem simbólica no seu conteúdo interior, é essencial
aprender a ouvir. Ouvir é uma ciência a ser desenvolvida. No silêncio, o Aprendiz e
Companheiro aprenderão a meditar, a estudar o que lhe desagrada nos irmãos, podendo desta
forma eliminar seus próprios defeitos que muitas vezes são semelhantes. Aprenderão, assim, a
serem tolerantes diante das opiniões e atos dos outros. 

Sendo atento e assíduo, o Maçom mede muito depressa, quantos esforços, de tempo e
explicações, são necessários para compreender tantos conceitos simbólicos que habitam um
templo. E isso certamente não seria fácil de ser explicado aos nossos familiares e amigos em
breves palavras. 

Esta mesma lei do sigilo nos ensina a refrear o desejo de falar, praticando o Maçom desta
forma, a conservação de forças que seriam desperdiçadas, controlando, pouco a pouco seus
impulsos. E todo este esforço tem por objetivo desenvolver a VONTADE e o DOMÍNIO DE SI
MESMO. 

São estas reflexões, profundas e verdadeiras, que nos fazem concluir, que na arte do sigilo
(silêncio), aprende-se a arte de ouvir, do refletir, do concluir. 

Desta forma, o Maçom aperfeiçoa-se na arte de entender o ensinamento maçônico que nos é
transmitido em loja e pela atuação diária dos irmãos também no mundo profano. 

Resume-se nestes princípios de sigilo e segredo um dos mais profundos ensinamentos da


Maçonaria e para nós, que trabalhamos no constante aperfeiçoamento do Templo Interno
existente dentro de cada um de nós, este ensinamento torna-se uma ferramenta fundamental
para que possamos continuar nossa obra.

(Desconheço o autor)

A IMPORTÂNCIA DA RITUALÍSTICA
A IMPORTÂNCIA DA RITUALÍSTICA

Em maçonaria, rito é o conjunto de regras e preceitos, com os quais praticam-se as cerimônias,


comunicam-se os sinais, toques, palavras e todas as instruções secretas, necessárias para o
bom desempenho dos trabalhos.

Cada passagem, no desenvolver do ritual, vai desencadeando forças gregárias, careando e


despertando energias latentes, para o engrandecimento litúrgico.

Ritualismo também significa organização, estabelecimento de metas a cumprir. Nos trabalhos


maçônicos, o ritualismo deve começar na sala dos passos perdidos. A postura dos presentes

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deverá ser do maior respeito. Não é permitido comportamento antimaçônico. Assuntos de baixo
conteúdo, anedotas, zombarias e gracejos não são permitidos.

A formação dos cortejos será de acordo com o ritual. Ao adentrar ao Templo, devemos estar
concentrados na liturgia que se vai realizar. A mente deve estar limpa, sem vestígios de álcool.
É expressamente proibido portar armas de uso profano. Enquanto os irmãos se dirigem aos
seus lugares, deverá ser ouvida música adequada e em volume suave, iniciando a harmonia
dos trabalhos.

É muito importante a postura em pé ou sentados. Em pé está orientado no ritual. Sentados


devemos estar, também em conexão com as correntes magnéticas da terra, que passam entre
os Pólos e o Equador, e as que perpendicularmente se cruzam ao redor da terra.

Manter a coluna vertebral ereta, sola dos pés afastados e em contato com o chão. Respiração
suave, fisionomia tranquila e serena, mantendo comunhão com a Filosofia Maçônica. Estando
assim posicionados estaremos muito bem assistidos e recebendo os fluídos magnéticos e
benéficos, liberados pela Egregora Mística, no Plano Sideral. Ao terminarmos o trabalho
Litúrgico-Ritualístico, sairemos revitalizados física e mentalmente. 

No nosso dia-a-dia, poderemos, também, estabelecer nosso próprio ritual. Ao despertarmos,


pela manhã, meditemos um pouco, nas nossas metas para o dia que está iniciando,
mentalmente nos preparando para executa-las. Antes de levantarmos, façamos várias
inspirações profundas e lentas, nos enchendo de energia vital. Não levante-se duma vez.
Alongue-se, distendendo-se, sentido seu corpo físico. Ao chegar ao banheiro, olhe-se no
espelho e deseje a você mesmo um bom dia e sorria. Um sorriso harmonioso e feliz cultiva o
bom humor. Faça suas evacuações necessárias, eliminando as impurezas. Tome um banho
não muito longo e massageie seu corpo físico, estimulando a circulação sanguínea, linfática e
energética.

Faça um desjejum, principalmente com frutas e alimentos naturais. Cumprimente afavelmente


quem encontrar no seu caminho, mantendo um semblante agradável, sem carranca. Uma
fisionomia aberta e receptiva não deixa o estresse penetrar.

Dirija com cuidado. Respeito às regras e os direitos dos cidadãos. Procure desenvolver
trabalho ativo e honesto. Não prejudique ninguém. No almoço, ingira o mais natural possível e
coma com frugalidade. Se possível, relaxe um pouco após a refeição. Mantenha a postura no
segundo expediente, jante com mais frugalidade ainda. Segundo os orientais devemos quebrar
o jejum como um rei, almoçar como um príncipe e jantar como um mendigo.

Para o repouso noturno, evite filmes e leituras de baixa qualidade e de violências. Prepare seu
ritual de dormir. Poucas roupas, mantenha o corpo livre de pressões. Luz reduzida, música
suave. Afaste a mente de preocupações e problemas. Corte a ligação com o mundo exterior,
deixando lá fora as tensões e a irritabilidade. Pense nos bons momentos já vividos e medite
sobre um tema que lhe agrade.

Com essas observações, terá um sono profundo, reparador e um despertar harmonioso e feliz.

Ir.´. João Batista de Lima Ferreira


In Mosaico – Ano X, nº 46, abril de 1997
Academia Maçônica de Letras do Estado do Ceará

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA LEGISLAÇÃO


MAÇÔNICA
A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA LEGISLAÇÃO MAÇÔNICA 

A nossa intenção não é ensinar legislação, mesmo porque, isso implicaria em horas de debates

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e para que se possa alcançar um resultado positivo, há que se programar uma escala de
estudos começando pelo preâmbulo da Constituição, depois seus capítulos, artigos,
parágrafos, etc., o mesmo acontecendo com os demais documentos.

O que pretendemos nesse modesto trabalho é demonstrar, do que se constitui a Legislação


Maçônica e a necessidade que temos de estudá-la. Se todos se preocupassem em procurar
interpretar e respeitar as nossas leis, acreditamos que o número de cisões, brigas internas,
desavenças dentro da Ordem seria bem menor.

Na realidade, dentro dos princípios de nossa Sublime Instituição não haveria nem a
necessidade de leis escritas.

A maçonaria a nosso ver é uma escola como qualquer outra do mundo profano, por exemplo:
medicina, engenharia, direito, etc.. No decorrer do curso cada aluno vai definindo sua tendência
para esta ou aquela especialidade e na maçonaria não poderia ser diferente, uns tendem para
a Ritualística, outros para a Simbologia, outros partem para a Filosofia, outros ainda para a
História e raramente ouvimos dizer que alguém se preocupou com a Legislação Maçônica.
Vocês podem notar e já deve ter ocorrido em suas Lojas, que um dos cargos de maior
importância em uma administração é o Orador, que é o guarda da lei, o advogado do diabo, o
responsável por tudo que é legal dentro de uma Loja. E como é feita a escolha do Ir.'. Orador?
Via de regra o escolhido é aquele que tem uma oratória fluente, facilidade de falar, que
empolga a platéia, mas que de leis maçônicas não entende quase nada ou absolutamente
nada.

Temos afirmado que a instrução na Sublime Ordem é mínima, salvo engano, pouco mais de 6
horas para o grau de aprendiz, que corresponde se for o caso a 44 sessões no grau se todas
durante o ano forem realizadas no primeiro grau; para o companheiro menos de 3 horas que
corresponde mais ou menos a 11 sessões no grau se realizadas e para o Mestre, com raras e
honrosas exceções nada, considerando-se quinze minutos por sessão, tempo que as vezes é
contestado por irmãos, preocupados com o bate papo após as reuniões.

Esse pequeno espaço de tempo é sempre ocupado com ritualística, simbologia, história e
assuntos profanos na maior parte das vezes, jamais se cogitando em discutir legislação. Em
visita a uma Loja, vimos um aprendiz que no mundo profano ocupava o cargo de diretor do
Departamento de Água e Esgotos da Prefeitura Municipal, apresentar um trabalho sobre os
problemas dessa área e sua atuação para a solução. Interrogado pelo Venerável Mestre sobre
o trabalho, o Ir.´. Orador concluiu que considerava o trabalho válido para aumento de salário,
pois o mesmo tinha relação com a prova da água na iniciação. O Orador era advogado
militante. Absurdo, mas é verdade. Onde está o conhecimento sobre Legislação do Orador e do
próprio Venerável?

Constantemente ouvimos aquela pergunta: Para que estudar legislação se a matéria é mais de
consulta?

A verdade que mesmo sendo matéria de consulta, é mister que se saiba interpretá-la e que se
a conheça em todos os seus detalhes.

Do que se constitui a Legislação Maçônica?

Os Landmarks, considerados como as mais antigas leis que regem a maçonaria universal, pelo
que se caracteriza pela sua antiguidade. Os regulamentos, estatutos e outras leis podem ser
revogados, modificados ou anulados, porém os Landmarks jamais poderão sofrer qualquer
modificação ou alteração.

A Constituição que é a Lei Magna da Obediência; no sentido restrito, é a lei básica de uma
Potência.

O Regulamento Geral da Federação do GOB, sabendo-se que cada Potência dá o nome que
convém, que são as normas estabelecidas para o governo de uma Potência Maçônica. É
elaborado com base na Constituição, dando uma elasticidade maior, procurando prever todas

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as situações possíveis dentro da Ordem. O Regulamento interpreta e disciplina a aplicação da
Constituição.

Lei Penal Maçônica que são as disposições de direito penal corporativo ou associativo, que
pretende apenas resguardar e regular as relações internas da Instituição. Indica as sanções em
que incidem os obreiros vinculados, por deslize de conduta, por ações e por omissões que
atinjam aos princípios da moral e da ética defendidas pela Ordem.

Código Penal Maçônico que reúne as normas que regem o procedimento na aplicação da Lei
Penal e trata da sistemática processual a que se sujeitarão os que forem enquadrados nas
penas capituladas na parte subjetiva do Código Penal.

Regimento Interno, que são as normas estabelecidas para o funcionamento interno de cada
Loja, devendo ser baseado na Constituição e no Regulamento Geral, não perdendo jamais o
seu caráter essencialmente maçônico.

Estatuto Social da Loja, com redação profana, que possibilita através de seu registro em
cartório, dar-lhe personalidade jurídica.

Regimento de Recompensas que prevê as condecorações por mérito de Irmãos, das Lojas e
mesmo de profanos.

A tradição, usos e costumes, na falta de lei expressa já consagrados pela Ordem. Para a
solução de problemas e possíveis casos que surjam em virtude da ausência de uma legislação
especifica, de um código disciplinar e outras leis complementares.

Atos e Decretos emanados do Poder Executivo, leis do Poder Legislativo e finalmente os rituais
que disciplinam a ritualística e liturgia aplicados aos diversos tipos de cerimônias, tais como:
sessões ordinárias ou econômicas, eleições, finanças, magnas de iniciação, elevação,
exaltação, posse, sagração de Templo, regularização de Lojas, banquetes, Magnas Públicas,
Adoção de Lowtons, Pompas Fúnebres e Confirmação Matrimonial.

É da mais alta importância que o maçom desde a sua iniciação procure conhecer
detalhadamente as leis que nos regem, pois um dia poderá ser um possível candidato a cargos
de expressão na oficina e evitará cometer certas barbaridades que poderão levar uma Loja ao
caos. Para exemplificar trago ao conhecimento dos irmãos, uma consulta que recebemos de
uma Loja de um Grande Oriente, a respeito da Adoção de Lowtons. Omitiremos o nome da
Loja por uma questão de ética. Diz na PR.´. do Venerável daquela Loja, que fizeram a adoção
de diversos sobrinhos e já tinham elevado quase todos ao grau de companheiro, porém não
sabiam como exaltá-los ao 3º grau e como ministrar o sinais, toques e palavras, na evolução
maçônica deles até atingirem os 18 anos. Vejam o absurdo. Isso nada mais é do que
desconhecimento de nossas leis. Observa-se que o Venerável está imbuído da melhor das
intenções, mas por ignorância está cometendo perjúrio, revelando aos meninos, segredos da
ordem, sem se dar conta que a maior parte deles não chegarão a serem iniciados na Ordem.
Imaginem ainda se também fizessem a adoção de meninas, absurdo, mas que já tem
acontecido.

O estudo de Legislação deve ser iniciada pelos Landmarks.

Em maçonaria, a palavra landmark designa os usos, práticas e tradições, que se consideram


fundamentais da Instituição. São os antigos e universais costumes da Ordem, os quais pouco a
pouco ficaram estabelecidos como regras de ação. Constituem a lei não escrita da maçonaria .
A Lei tradicional. Eles delimitam o que é maçonaria e o que não é maçonaria. Há divergência
entre os tratadistas maçônicos quanto ao número de Landmarks. A mais conhecida é a de
Alberto Mackey de 1858. Temos ainda a de Findel, Pound e Grant. Existem entre eles alguns
pontos comuns, entre outros: a crença em Deus; o Sigilo; a existência do Livro da Lei; a Lenda
do 3º Grau.

A seguir temos a Constituição, onde o maçom terá conhecimentos dos Princípios Gerais da
Maçonaria; dos requisitos essenciais para a iniciação de um profano; dos direitos e deveres

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individuais; das várias classes de maçons; da perda e suspensão dos direitos; da
administração de uma Loja; do Patrimônio; dos direitos e deveres de uma Loja; dos Órgãos
administrativos; da Assembléia Legislativa, sua organização, atribuições e leis; do Grão
Mestrado e suas atribuições, competência e limitações; do Conselho Federal; das Delegacias;
do Tribunal do Júri e Conselho de Família; das incompatibilidades e das inelegibilidades.

Gostaria de frisar que conhecer a legislação maçônica não significa sabê-la de cor: significa
conhecer quais são os corpos de leis e seu conteúdo genericamente considerado. Assim
conhecer a Constituição da Obediência é saber quais as relações que disciplina e,
genericamente, de que maneira. Deve o maçom saber que ela institui e disciplina a
competência de cada um dos Poderes (Executivo,Legislativo e Judiciário), saber encontrar no
seu texto as disposições sobre os direitos,os deveres e as obrigações que assistem e incidem
sobre o maçom em suas relações com os irmãos e com as Lojas, bem como as relações das
Lojas entre si. Este é o conhecimento que deve ter todo o maçom para identificar basicamente
sua posição na Ordem e na sociedade profana.

Meus irmãos, o Regulamento Geral é outro documento importante. Como já dissemos ele é
elaborado com base na Constituição, dando uma elasticidade maior e prevê as mais diversas
situações na Ordem. Ali encontramos de forma ampla o procedimento para a admissão do
candidato, desde a sua apresentação até o seu julgamento. Da iniciação à colação dos graus
simbólicos. O direito de licença, eliminação, como se processa a filiação e a regularização, a
fundação de Lojas e Triângulos, fusão de Lojas, enfim ainda orienta a parte burocrática desses
atos.

E o que é mais importante, a função de cada cargo em Loja, desde o Venerável até o Cobridor
Externo. Falando mais especificamente de alguns cargos, veremos quanto é importante o
conhecimento da legislação.
O Venerável, por exemplo, ao se dispor a candidatar-se deverá conhecer detalhadamente suas
futuras atribuições para não ser um mero batedor de malhete. É necessário que tenha
estudado a ciência maçônica e desempenhado os postos e dignidades inferiores. Que possua
um conhecimento profundo do homem e da sociedade, além de um caráter firme, mas
razoável. As atribuições e deveres dos Veneráveis são muitos e de várias índoles e acham-se
definidos e detalhados com precisão, de acordo com o Rito, a Constituição da Potência de sua
jurisdição e do Regulamento Geral principalmente.

Não deve ser escolhido apenas por simpatia, é necessário que seja analisada uma série de
fatores, entre outras: se tem equilíbrio, bom senso, imparcialidade, liderança entre os irmãos e
também no mundo profano. É comum nas sessões, vermos veneráveis que têm dificuldade até
na destinação das propostas e informações encaminhadas através da Bolsa. Outros
apresentam conclusões antes do Orador, dando às vezes interpretações erradas quando algum
assunto levantado implica em legalidade ou não da matéria apresentada. O que é isso. Falta de
conhecimento de legislação. Acrescentamos ainda como informação, que o verdadeiro
candidato para o posto de guia de seus irmãos é o maçom que não pede o cargo; não o cobiça
e que, aspirando essa exaltação como um ideal não se julga merecedor dela. Sentir-se sem
mérito para o posto de preeminência é apreciar a dignidade do cargo e começar a ser
merecedor do mesmo.

A função dos Vigilantes e a responsabilidade de cada um. São os eventuais substitutos do


Venerável. Uma das obrigações dos mesmos é instruir os irmãos de suas colunas e propor
aumento de salário dos aprendizes e companheiros. Confesso que até hoje, com raríssimas
exceções, não vi em uma única Loja, um Vigilante dar as instruções aos obreiros de sua coluna
como determina o Regulamento. Via de regra, pouco conhecem de maçonaria. Segundo Nicola
Aslan , antigamente os maçons operativos escolhiam esses oficiais entre os mais inteligentes e
peritos, vindo a sua denominação do fato deles terem a seu cargo a tarefa de vigiar os obreiros
reunidos, velando pela ordem e pela compostura e para que os trabalhos não sejam
perturbados.

Outro cargo que o Regulamento define bem é o Orador, e como dissemos no inicio requer
muito cuidado na sua escolha. Deve conhecer muito bem nossas leis e regulamentos, não

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importando que não saiba fazer discursos, o importante é conhecer, para que quando chamado
a intervir fale com segurança sobre a legalidade da matéria em pauta.

Depois temos a Lei Penal e o Código de Processo Penal, onde encontramos a classificação
das infrações segundo suas conseqüências e as penas cabíveis, catalogando os deslizes
disciplinares e as penas a serem aplicadas.

Interessante meus irmãos, que a quebra do sigilo maçônico está enquadrada em todos os
delitos, ou seja, simples, grave e gravíssimo, dependendo da menor ou maior gravidade do que
foi revelado. É em todas as Lojas, acreditamos, sem exceção a quebra do sigilo uma constante,
porque é comum ou já se tornou praxe, o irmão após a reunião revelar aos ausentes o que se
passou na sessão.

Temos ainda o Código Eleitoral Maçônico que trata das eleições e que segundo nossa ótica
carece de uma revisão, pois a eleição é uma sessão ritualística, com abertura normal e na
Ordem do Dia proceder-se ao ato eleitoral, proclamar os eleitos e depois circular o Tronco de
Beneficência e o encerramento ritualístico. Nada de abrir e fechar com um só golpe de malhete.
Para não alongarmos mais daremos uma ideia de Conselho de Família e do Tribunal do Júri.

O Conselho de Família, embora disciplinado na Lei Penal, não tem função judiciária mas
administrativa. Reúne-se para dirimir pendências entre irmãos e para apreciar o
comportamento de algum irmão dissoluto. É composto pelo Venerável da Loja a que pertencem
os irmãos discordantes e dois árbitros indicados pelos mesmos. A presença dos irmãos
discordantes é indispensável, mas a presença de outros irmãos dependerá do consenso dos
irmãos discordantes. Quando aprecia comportamento dissoluto de um irmão, tem a função de
comissão de sindicância. Compete-lhe promover a reconciliação ou a correção do
comportamento dissoluto, ou ainda encaminhar a questão ao Tribunal do Júri Maçônico.

O Tribunal do Júri se instala para julgamento do irmão que infringiu disposição da Lei Penal.
Para que isso ocorra deve a Loja reunir-se no Grau de Mestre e decidir que assim seja feito. O
Tribunal é presidido pelo Venerável da Loja, servindo o Secretário de Escrivão, cabendo ao
Orador, como representante do Ministério Público Maçônico em primeira instância, proceder à
acusação, o M.´. de CCer.´. e o Experto são os oficiais de justiça; o réu poderá produzir sua
defesa ou indicar um irmão Mestre Maçom para produzi-la; o corpo de jurados compõe-se de
sete Mestres pertencentes ao quadro da Loja. O funcionamento desse Tribunal é semelhante
ao do Júri profano e da decisão caberá recurso voluntário pelo Ministério Público ou pelo Réu,
ou ainda, recurso de oficio pelo Presidente do Tribunal do Júri.

Meus Irmãos, como puderam perceber nosso objetivo foi tentar demonstrar a importância de se
conhecer as leis que nos regem, pois a matéria é grande e complexa, mas temos absoluta
certeza de que se os Irmãos se empenharem nesse estudo, acabarão gostando e estejam
convictos que aliando o estudo da simbologia e filosofia da Ordem com a Legislação, grande
parte dos desentendimentos, das picuinhas, dos mal entendidos desaparecerão e a maçonaria
hoje em regime de concordata, voltará a ser pujante e altaneira como sempre o foi.

VAMOS ESTUDAR LEGISLAÇÃO MEUS IRMÃOS.


Álvaro Gomes dos Santos - M.'. I.'.
Ex - Gr.'.Secr.'.Geral de Orientação Ritualística do GOB.
Obs:- Resumo da Palestra realizada no 1º Encontro Maçônico no Oriente de Paranavai, Estado
Paraná em 17.06.1984.

SINAL E O INSTRUMENTO
SINAL E O INSTRUMENTO

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Dúvida apresentada pelo Respeitável Irmão Osni Adres Lopes, Loja Fraternidade
Londrinense, sem declinar o nome do Rito e Obediência, Oriente de Londrina,
Estado do Paraná. -osnilopes7@hotmail.com

Solicito vossos costumeiros bons préstimos no sentido de esclarecer o seguinte:


Estando a empunhar um instrumento, o Irmão não faz sinal de ordem, até porque
assim o sinal ficaria "pela metade". É isso mesmo? Pois bem. E quando ao proceder
a uma leitura, e para isso estiver utilizando ao menos uma das mãos? (refiro-me
especificamente à abertura e encerramento dos trabalhos).

CONSIDERAÇÕES: 

A questão está mesmo relacionada em não se usar um instrumento de trabalho


para compor um Sinal Penal. Trocando em miúdos, significa que o Obreiro que
estiver empunhando (segurando) um objeto, não faz com ele o Sinal. 

Se na oportunidade o instrumento, como é o caso da espada, estiver embainhado, o


Sinal é feito normalmente com a mão (ou mãos se forem ocaso). 

A questão tem se confundido por um costume de se intitular um Sinal Penal como


“sinal de Ordem”. 

À bem da verdade o que existe mesmo é o ato de se “estar à Ordem”, o que


significa que aquele que estiver em Loja aberta em pé e parado, estará com o corpo
ereto e os pés em esquadria. Em qualquer situação nesse caso o Obreiro compõe o
Sinal Penal. 

Essa regra se aplica então a todos os presentes em Loja aberta. Por exemplo, o
Venerável e os Vigilantes à Ordem pousam os respectivos malhetes e compõem o
Sinal na forma de costume. 

Se por dever de ofício o titular estiver empunhando (segurando) o instrumento de


trabalho e não tiver como repousá-lo, ou mesmo cumprindo o que exara o Ritual,
ele mantém o corpo ereto e os pés em esquadria sem fazer o Sinal, já que nessa
oportunidade ele está ocupando a(s) mão(s) por dever de ofício. 

Isso geralmente acontece com o Mestre de Cerimônias e o bastão e a bolsa; com


Cobridor e a espada; com o Hospitaleiro e a bolsa; com as comissões de recepção e
guarda de honra, dentre outros e conforme alguns rituais. 

No caso de um Obreiro carecer de ler um texto, é recomendável que ele, com o


corpo ereto e os pés em esquadria, o segure com as duas mãos. 

Se o Irmão estiver se referindo à abertura dos trabalhos da Loja no tocante a leitura


do texto bíblico, esse seria o procedimento correto – segurar o Livro da Lei com as
duas mãos. Não existem Sinais pela metade. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com 
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.104- Florianópolis (SC) – terça-feira, 10 de
setembro de 2013

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MUDANÇA DE RITUAL
MUDANÇA DE RITUAL
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Dalmo Luiz, Primeiro Vigilante da Loja
Concórdia 0368, GOB, sem declinar o nome do Rito, Oriente (cidade) e Estado da
Federação, apresenta a questão que segue:
dalmo.luiz@imcopa.com.br

Em conversa com Irmão Renê da nossa Loja, informou que estão sendo elaboradas
várias mudanças na ritualística. Hoje em nossa Loja o Primeiro Vigilante é que dá as
instruções para os Aprendizes e o Segundo Vigilante dá as instruções para o
Companheiro. Tal procedimento está correto?

CONSIDERAÇÕES:

A questão não é de nenhuma mudança na ritualística, porém o seu aprimoramento


e consertos em contradições, além de algumas explicações necessárias. 

Na questão da instrução, se for o caso do Rito Escocês Antigo e Aceito, o Segundo


Vigilante instrui os Aprendizes e o Primeiro os Companheiros conforme disposto do
Ritual de Aprendiz em vigência – está correto! 

O Rito Escocês Antigo e Aceito é um dos Ritos que conserva na sua tradição essa
regra haurida da Maçonaria Operativa, quando nos tempos dantes o Iniciado era
recepcionado pelo Segundo Vigilante que o instruía nos procedimentos. 

Infelizmente na Moderna Maçonaria (Especulativa) alguns Irmãos não entendem


esse costume conservado e acham que pelo Aprendiz tomar lugar na Coluna do
Norte essa obrigação é do Primeiro Vigilante. 

A regra é de tradição, uso e costume, levando-se em conta de que qualquer Mestre


Maçom tem o direito, ou mesmo obrigação de instruir, não importando o espaço
que ele ocupe no Canteiro (Loja). 

Ainda na questão de hierarquia, também essa obrigação está dividida entre os


Vigilantes – Primeiro Vigilante para os Companheiros e Segundo para os
Aprendizes. 

É comum nos Ritos Maçônicos oriundos de vertentes nascidas no Hemisfério Norte


encontrarmos também os Vigilantes invertidos, porém Aprendizes em qualquer
situação sempre tomam assento no Norte, enquanto que os Companheiros no Sul. 

Na questão do Ritual de Aprendiz em vigência no GOB e relacionado ao Rito


Escocês, a questão é bastante clara no tocante a quem instrui, muito embora as
justificativas sejam as que mereçam uma correção, pois as constantes no texto
(ficar de frente para os Aprendizes, por exemplo) são pobres e desprovidas de uma
afirmativa acadêmica. 

Finalizando vossa questão, se vossa Loja estiver praticando o Rito Escocês Antigo e
Aceito, o procedimento citado está incorreto e desrespeitando o que exara o Ritual
legalmente aprovado. 

Carece ao Orador da Oficina fazer cumprir a Lei. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com 
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.102- Florianópolis (SC) – domingo, 08 de
setembro de 2013

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MUDANÇA DE ESTANDARTE

MUDANÇA DE ESTANDARTE

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Álvaro Gabriel D. Fonseca, Orador da Loja
Apóstolos da Galileia, 2.412, GOB, sem declinar o nome do Rito, Oriente de Montes Claros,
Estado de Minas Gerais.

freitasteodoro@bol.com.br

teodorofreitas19@gmail.com

gabyjuny@hotmail.com

Inicialmente, intercedemos desculpas por importuná-lo sobre o assunto abaixo e que não diz
respeito à questão de ordem ritualística. Entretanto, cientes do seu conhecimento e da sua
pronta disposição, encaminhamos nossa dúvida a seguir: O Estandarte da nossa Loja foi
confeccionado há 25 anos e, em razão do tempo de uso e dos recursos (serigrafia, bordados e
informática) da época, encontra-se totalmente desbotado e suas alegorias insuficientes e
inadequadas para com o nosso Rito e os ensinamentos da Ordem. Com a participação de toda
a Oficina, criamos um novo Estandarte, porém indagamos se existe alguma norma ou
regulamento referente ao assunto, pois não consta das nossas orientações sobre a
substituição do antigo, tendo em vista que o mesmo foi "sagrado/sacralizado" em tempos
passados.

CONSIDERAÇÕES:

Existe a questão da história da Loja e, por conseguinte, a descrição heráldica do respectivo


Estandarte.

Entendo que se houver alteração no conteúdo representativo do mesmo conforme aprovação


pelo Quadro, essa informação detalhada deverá compor uma emenda na documentação da

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Ata de Fundação, informando a data, motivo da alteração e um documento descritivo do
mesmo para fundamentar a alteração como composição da própria história da Loja.

Entendo também que se existe alteração no Estandarte é o caso de substituição, não do


elemento velho pelo novo, porém de um novo Estandarte alterado pelos motivos descritos na
aprovação do mesmo.

Assim como é o caso de um novo Estandarte, diferente do antigo há necessidade de sagração


para lhe dar dignidade com símbolo da corporação.

Quanto à norma ou regulamento o principal critério é acompanhar a arte ou ciência dos


brasões nesse conjunto emblemático (heráldica).

T.F.A. PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.101- Florianópolis (SC) – sábado, 07 de setembro de 2013

SESSÃO PÚBLICA

SESSÃO PÚBLICA

Questão que faz o Respeitável Irmão Gilmar Dietrich, Venerável Mestre da Loja Perseverança e
Vigor, 2.638, REAA, GOB, sem declinar o nome do Oriente (Cidade) e Estado da Federação
apresenta o seguinte pedido de orientação:

gil@cr.cnt.br

Nossa próxima sessão 02/07/2013, será Magna Pública. Pesquisamos e não encontramos
nenhum Ritual ou roteiro para este tipo de Sessão. Gostaríamos de saber qual a forma correta
de proceder este tipo de reunião, para que não incorramos em erros, e por isso contamos com

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o vossa orientação. “Devemos abrir a Loja ritualisticamente em Grau de Aprendiz, e em
seguida suspender os sinais e palavras, dar entradas aos visitantes “profanos”, dar entrada ao
pavilhão nacional, proceder à palestra e atos objetos da sessão, saudação ao pavilhão
nacional, saída dos visitantes, finalizando com o Tronco e encerramento ritualístico”. Fico no
aguardo de um retorno.

ORIENTAÇÃO:

Como essas Sessões Magnas Públicas estão previstas, em linhas gerais orienta-se da seguinte
maneira:

1. Os convidados não iniciados aguardam na Sala dos Passos Perdidos em companhia de um


Irmão Mestre previamente designado (dependendo pode ser o Cobridor Externo).

2. Abrem-se os trabalhos no Grau de Aprendiz, ficando suspensa a leitura da Ata assim como a
circulação do Saco de Propostas e Informações.

3. O Venerável Mestre procede à abertura da Ordem do Dia na forma de costume informando


o motivo da Sessão Pública, orientando que ficam abolidos os Sinais pelo tempo que se fizer
necessário.

4. Dá-se então a entrada aos convidados. O Mestre de Cerimônias conduz primeiro as do sexo
feminino que se posicionam na Coluna do Sul (Beleza). Ato seguido entram os de sexo
masculino e tomam lugar na Coluna do Norte (Força).

5. Dado ingresso aos convidados, o Venerável solicita os procedimentos para o ingresso do


Pavilhão Nacional. Tudo pronto há o ingresso do Lábaro no modo costumeiro.

6. Tudo concluído, o Venerável dá prosseguimento nos afins da Sessão.

7. Concluída a finalidade do trabalho, o Venerável concede a palavra sobre o ato.

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8. Ato seguido o Orador faz a saudação aos convidados e procede-se a retirada do Pavilhão
Nacional na forma de costume.

9. Conduzidos pelo Mestre de Cerimônias, retiram-se então os convidados a partir da Coluna


do Sul e aguardam na Sala dos Passos Perdidos. Nessa oportunidade o mesmo Irmão
designado para companhia permanece com os convidados.

10. Findados esses procedimentos, o Venerável encerra a Ordem do Dia, retornando a prática
dos Sinais e, no modo costumeiro, faz circular o Tronco de Beneficência.

11. O Tronco é lacrado em respeito à presença dos convidados que ainda aguardam o
encerramento dos trabalhos.

12. Finalizado o objeto da Sessão, o Venerável encerra ritualisticamente os trabalhos da Loja.


Todos se retiram e dirigem-se para a Sala dos Passos Perdidos para os cumprimentos e
despedidas pessoais aos convidados, ou outros destinos programados.

Outras recomendações:

1. Levando-se em consideração que a Sessão Magna Pública é realizada em Loja aberta, em


hipótese alguma não iniciados (profanos) ocupam o Oriente, mesmo estando presentes
autoridades civis, religiosas ou militares.

2. O Oriente é privativo dos maçons que atingiram a plenitude maçônica (Mestres Maçons).

3. Caso haja palestra proferida por um não iniciado este a proferirá no Ocidente.

4. São desnecessárias e de péssima geometria pronunciamentos e leitura pelos Irmãos de


textos e afins que façam referência aos trabalhos maçônicos tentando explicar aos convidados
os nossos procedimentos litúrgicos e ritualísticos. Dentre outras, só para citar como exemplo,
aquela que fica justificando que nos nossos trabalhos sempre está presente a Bíblia e que
“DEUS” é o Grande Arquiteto do Universo. A Maçonaria não carece dessas afirmativas aos
olhos dos convidados.

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5. É bastante salutar que os pronunciamentos dos Irmãos em geral por ocasião do uso da
palavra, se restrinjam ao ato com brevidade e quando realmente for necessário.

6. Durante o uso da palavra sobre o ato, os Vigilantes devem orientar os visitantes que
queiram falar. Estes geralmente não conhecem as nossas formalidades e necessitam às vezes
de incentivo e orientação.

7. Nas Colunas, os Irmãos devem dar preferência dos lugares frontais aos convidados.

Cabe aqui oportunamente uma explicação sobre o “Tronco Lacrado”. À bem da verdade esse
procedimento somente tem lugar nessa ocasião e nunca nas sessões maçônicas que não sejam
públicas. Essa maneira “lacrar o tronco” dá-se para não deixar os convidados que ainda
esperam o encerramento da Sessão aguardando excessivamente, o que resulta em abreviar o
tempo com a virtude de educação. Infelizmente, esse formato acabou por ingressar
equivocadamente e indistintamente nas sessões maçônicas normais com a tal “em
homenagem aos Irmãos visitantes vamos lacrar o Tronco”. Confundiram uma ocasião em que
visitantes não iniciados aguardam com Irmãos visitantes. Para meter caroço no angu, ainda
inseriram o termo “homenagem”. Ora, que homenagem seria essa para os Irmãos que nos
visitam? Não revelar o produto auferido? Qual seria a razão? Mera invencionice e
despropósito.

T.F.A. PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com JUNHO/2013

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.100- Florianópolis (SC) – sexta-feira, 06 de setembro de


2013

ESPADA: MÃO DIREITA OU ESQUERDA?

ESPADA: MÃO DIREITA OU ESQUERDA?

Questão que faz o Respeitável Irmão Sidney Salomão Meneguetti, Loja Obreiros
Adonhiramitas, 104, Rito Adonhiramita, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de
Maringá, Estado do Paraná:

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salomao@usacucar.com.br

Gostaria de valer-me do vosso conhecimento para sanar-me uma dúvida: Na Sessão Magna de
Iniciação, quando do momento do recebimento da luz, no momento em que os irmãos
formam uma “meia-lua” ao redor do neófito para apontarem as espadas em sua direção;
tenho duvida acerca de com qual das mãos deve-se apontar a espada ao neófito, se com a
direita, esquerda, ou qualquer uma das mãos ou não existe determinação alguma a este
respeito, eu sempre seguro com a mão esquerda nestas ocasiões, mas observo que não há
esta prática entre os irmãos, por isso solicito a sua ajuda para esclarecer-me esta dúvida.

Considerações:

A questão deve ser sempre observada no que exara o ritual legalmente aprovado e em
vigência. Não quero me intrometer onde não devo. Na minha vivência maçônica parto sempre
daquilo que é racional.

No caso do Rito Adonhiramita onde tradicionalmente todos os Mestres Maçons devem portar
espadas e essas ficam presas à faixa do Mestre (originária dos talabartes franceses) vestida do
ombro direito para o quadril esquerdo, implica que aquele que precisar empunhar a espada, o
faz com a mão direita.

No caso da meia-lua formada por ocasião da Iniciação, os portadores da espada se apresentam


como defensores daquele que acaba de ingressar na Ordem. Nesse sentido e pelo modo
prático, a espada é empunhada com a mão direita.

Dadas essas assertivas, existem alguns pensamentos e opiniões místicas e até ocultas,
conforme a doutrina do Rito em que a espada é empunhada com a mão esquerda. Não vou
entrar nesse mérito, porque essa não é área de meu conhecimento. Parto sempre da
praticidade e pela posição na qual a espada está embainhada, ou presa no talabarte (lado
esquerdo que dá mobilidade à mão direita).

Efetivamente é salutar não misturar as coisas. Procedimento de se empunhar a espada com a


mão esquerda, somente para ritos que porventura assim apregoem com base na sua doutrina.
Assim, essa não é uma regra universal.

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No Rito Escocês, por exemplo, a espada é sempre empunhada com a mão direita, salvo aquela
dita Flamejante usada na consagração do Candidato que pelo óbvio motivo do ato iniciático
demanda de empunhadura pelo Venerável com a mão esquerda.

Finalizando. O costume de uso indiscriminado da espada não é prática unânime na ritualística


de toda a Maçonaria Universal. Existem costumes e mais costumes, assim como também
existem tradições e tradições.

Nesse particular a Maçonaria é composta por ritos que não raramente se diferenciam pelas
suas próprias origens culturais.

T.F.A.

PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.099- Florianópolis (SC) – quinta-feira, 05 de setembro de


2013

DIÁCONO E O SECRETÁRIO

DIÁCONO E O SECRETÁRIO

Dúvida apresentada pelo Respeitável Irmão Celso Mendes de Oliveira Júnior, Loja Pioneiros de
Mauá, 2.000, REAA, GOB-RJ, Oriente de Magé, Estado do Rio de Janeiro.

celso.mendes.junior@hotmail.com

Venho por meio desta pedir-lhe que tire-me umas duvida. Sou um grande admirador do seu
trabalho de remir as duvidas dos irmãos, ou seja, trazendo a luz aonde há trevas, as trevas da
duvida e lendo o seus atritos na revista A Trolha e no Jornal JB News o Irmão menciona que no
nosso rito o Secretario substitui o 1º Diácono na transmissão da palavra sagrada gostaria de
obter maiores explicação, pois eu assumi no dia 21/06/13 meu primeiro cargo eleito e
justamente é o de Secretario, sei das minhas obrigações burocráticas porque estão explicitas
no RGF e o meu antecessor que é o atual venerável já ocupou esse cargo dezenas de vezes e é
um excelente tutor, mas após ler esses artigos fiquei com varias duvidas de ritualística
referente ao meu cargo poderia me dar maiores orientações litúrgicas sobre com mais

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detalhe? E se além do 1º Diácono Há outros cargos que devo substituir tal como, Porta Espada,
Porta Estandarte e Porta Bandeira? Sabendo que serei atendido desde já agradeço.

Considerações:

A questão é apenas de precariedade e não de obrigação do Secretário substituir o Primeiro


Diácono. Na ausência de outros Mestres, além dos sete obrigatórios o Secretário pode, apenas
no momento da transmissão da Palavra, exercer o ofício do Primeiro Diácono.

A orientação é dada por uma questão de necessidade. Senão vejamos: As Luzes da Loja têm
função direta na abertura e encerramento dos trabalhos, não podendo pela dialética se
ausentar dos seus lugares.

O Orador é o representante do Ministério Público. O Cobridor também não pode se ausentar


do seu lugar em Loja pelo seu dever de ofício – cobrir o Templo.

Assim para a função da transmissão sobraria apenas o Mestre de Cerimônias. Como o ato
requer ofício dos dois Diáconos, um será preenchido momentaneamente pelo Mestre de
Cerimônias e o seguinte pelo Secretário, já que os ocupantes dos outros cargos, por dever de
ofício, não podem se ausentar dos seus lugares.

Isso não diminui a Dignidade do Secretário, senão uma forma adotada para se abrir e fechar os
trabalhos de uma Loja com apenas sete Mestres.

Quanto aos outros cargos eles não estão nesse caso previstos, pois a questão é de
precariedade em uma Sessão Ordinária, nunca uma Magna.

T.F.A.

PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.098- Florianópolis (SC) – quarta-feira, 04 de setembro de


2013

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DIÁLOGO DO COBRIDOR
DIÁLOGO DO COBRIDOR
O Respeitável Irmão José Augusto Diefenthaeler, Mestre Instalado da Loja
Cidade de Viamão, 99, sem declinar o nome do Rito, Grande Loja
Maçônica do Rio Grande do Sul, Oriente de Viamão, Estado do Rio Grande
do Sul, apresenta a questão seguinte:
diefenthaeler@via-rs.net

Caro Irmão Pedro, eu preciso de uma resposta para as seguintes perguntas: Por
qual a razão que o Irmão Guarda do Templo fala direto com o Irmão Primeiro
Vigilante, uma vez que ele está sentando na Coluna do Sul? E, por qual a razão que
ele pede a palavra ao Irmão Segundo Vigilante? O assunto surgiu em discussão
entre Irmãos sobre a ritualística do Grau de Aprendiz Maçom. Ficarei grato com as
respostas

Considerações: 
Na questão da cobertura do Templo ele revive uma antiga tradição de estar no extremo do
Ocidente, portanto mais próximo do Primeiro Vigilante (entrada da Oficina), relevando-se
de que a Loja representa simbolicamente um canteiro de obra dos tempos operativos. 

Na Moderna Maçonaria, quando ele deseja fazer uso da Palavra, isto é, não está
cumprindo a obrigação de ofício ele pede a palavra ao Vigilante da sua Coluna. 

Ainda existe um procedimento de Iniciação durante a respectiva cerimônia, quando


mesmo no exercício do ofício, nessa oportunidade, o Cobridor Interno se dirige ao
Segundo Vigilante. 

Esse modo também revela uma antiga tradição do canteiro quando o iniciando era
entregue primeiramente ao Segundo Vigilante para lhe ensinar os procedimentos. 

Essa também é uma das razões pela qual o Segundo Vigilante é quem instrui os
Aprendizes, embora esses tomem assento sempre na banda Norte da Loja. 

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.097 - Florianópolis (SC) – terça-feira, 03 de
setembro de 2013

RÉGUA GRADUADA E NÃO GRADUADA

RÉGUA GRADUADA E NÃO GRADUADA

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O Respeitável Irmão Paulo A. Valduga, Loja Luz Invisível, REAA, COMAB, GORGS, Oriente de
São Borja, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão:

paulovalduga@gmail.com

Li tempos atrás um traçado, creio que no JB NEWS, de autoria do querido Irmão José Ronaldo
Viegas Alves, gaúcho de Santana do Livramento, no qual fazia distinção sobre a Régua de 24
Polegadas para o Aprendiz e para o Companheiro, mas por obra de minha imensa capacidade
de guardar os trabalhos em local incerto e não sabido, não consigo o encontrar. Nesse
trabalho, recordo-me, ele afirmava que a Régua do Aprendiz não tem graduação como tem a
do Companheiro; como não encontrei na literatura maçônica algo que tomasse robusta esta
teoria estou recorrendo ao querido Irmão para solucionar este problema: realmente as réguas
são distintas pra o Aprendiz e o Companheiro Maçom? Se forem diferentes, qual a Régua que
o Aprendiz deverá portar na sua Elevação? A graduada ou a não graduada?

Considerações:

Dentre as tantas miscelâneas maçônicas que se apresentam, sobretudo na Maçonaria


praticada no Brasil, a história da Régua para o Aprendiz não viria fugir a regra.

No Rito Escocês Antigo e Aceito a Régua de 24 Polegadas é instrumento de trabalho do


Segundo Grau. Já no Craft inglês (Trabalhos Ingleses) a Régua pertence também ao Aprendiz.
Nesse pormenor, no Brasil, por influência do Craft inglês, por extensão, o norte americano,
alguns rituais escoceses sofreram essa influência, fazendo com que instruções abarcassem
numa regra alienígena no simbolismo escocês que, só lembrando, é de vertente francesa.

Corretamente o Aprendiz no Rito Escocês não usa Régua graduada. O que acontece é que na
cerimônia de Elevação, é costume o aspirante ao Segundo Grau trazer apoiada no obro
esquerdo uma régua sem graduação, ou lisa no momento em que, ainda Aprendiz e conduzido
pelo Experto ingressando na Loja.

Explica-se assim: esse é um costume muito antigo nas tradições operativas quando não existia
grau maçônico, senão classe de trabalhadores. Havia assim o Aprendiz Júnior e o Sênior(1)
além do Companheiro do Craft.

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Nas classes operativas dos Aprendizes, o Júnior usava uma régua não graduada para conferir o
desbaste de modo que quando as pedras ficassem justapostas não existissem arestas. Assim,
essa régua lisa não possuía a conotação de medidas, senão a da verificação da superfície.

Já o Aprendiz Sênior, cujo conhecimento era bem mais acurado, detinha como também
instrumento, uma régua graduada que servia para, além de conferir medidas, também à de
marcar o cordel com nós na razão três, quatro e cinco para o esquadrejamento da obra a partir
da pedra angular. Esse propósito era aplicado na aferição dos passos dados e baseados na
pedra angular colocada no canto nordeste da construção – três passos para o Sul, quatro
passos para o Ocidente e o fechamento dos extremos com cinco passos.

É essa a prática da 47ª Proposição de Euclides, ou o Teorema de Pitágoras, cujo fechamento do


perímetro desse triângulo retângulo dá exatamente o canto de 90º composto pelos
respectivos catetos.

Assim, essa régua graduada servia para aferição dessas medidas oriundas dos passos aqui
mencionados.

Em linhas gerais é essa a existências da régua lisa e da graduada e, oportunamente lembrando,


que à época operativa não existia grau de Mestre, senão um Companheiro preparado para ser
o Mestre da Obra.

Cabe também aqui a seguinte consideração: a régua que era graduada obedecia aos padrões
de medidas dos rincões terrenos onde se localizava o canteiro e estas poderiam ser em
polegadas, pés, sistema métrico decimal, etc.

O que verdadeiramente não existia era o número exato da medida “24”, pois este se limitava
ao tamanho da régua para o conforto do seu manuseio. O número “24” ingressou na
Maçonaria mais tarde como símbolo especulativo e relacionado aos catecismos e instruções
no arcabouço doutrinário dos diversos ritos maçônicos da Moderna Maçonaria.

É também oportuno salientar que essas três classes de trabalhadores operativos – Aprendiz
Júnior, Sênior e Companheiro - passariam paulatinamente na Maçonaria Especulativa a
adequar-se a um sistema de grau simbólico tão bem conhecido atualmente como Aprendiz
(antigo júnior), Companheiro (antigo sênior) e Mestre (antigo companheiro).

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Por essa conjuntura, o Rito Escocês Antigo e Aceito (vertente francesa) revive no seu
simbolismo essa prática no momento da cerimônia de Elevação quando o Aprendiz adentra
com a Régua lisa e posteriormente é substituída pela Régua graduada.

Poder-se-ia então perguntar se o sistema inglês (Craft), por extensão o norte americano, não
revive essa tradição com a régua lisa? Em alguns casos a tradição é revivida nas instruções
(geralmente as Lições Prestonianas), todavia existe uma particularidade nesse sistema.

É comum um Aprendiz recém-iniciado ter a abeta do avental levantada. Assim que um novo
Aprendiz ingresse, a abeta do mais antigo é abaixada, fato que revive a tradição do Júnior e do
Sênior, já que no Craft inglês geralmente o Companheiro possui um avental branco, sem
rosetas e debruado em seu contorno por uma fita de cor azul.

Existe ainda nesse sistema um costume de dobras de avental que diferencia o Aprendiz do
Companheiro. Nesse particular (no Craft), o Aprendiz indistintamente tem como instrumento
de trabalho a Régua Graduada, ou em Maçonaria, a de 24 Polegadas.

Ainda em se tratando do diferencial dos aventais, na regra latina o Aprendiz traz sempre a
abeta do avental levantada e a do Companheiro abaixada. Como se pode notar, para tudo
existe uma explicação, a despeito de que objetos simbólicos não raras vezes possuem elos
entre si, fato que se bem compreendida a arte, lhes dá uma definição satisfatória e racional.

Infelizmente, muitos ritualistas apenas “acham bonito” e acabam inserindo práticas em ritos
de costumes diferentes.

Não me canso de comentar que a aglomeração de práticas maçônicas está em desacordo com
a razão e explicação das nossas tradições históricas. Continuo insistindo que a Moderna
Maçonaria não é um Rito, todavia um sistema composto por vários ritos e, que estes, possuem
as suas particularidades doutrinárias e culturais de acordo com as vertentes principais (inglesa
e francesa).

Não raramente nos deparamos no Brasil por falta de uma depuração - do que é e do que não é
- com costumes enxertados não só de sistemas, mas também de práticas ritualísticas.

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Assim vemos um Rito Escocês muito parecido com uma colcha de retalhos onde rituais ainda
apregoam Régua de 24 Polegadas para o Aprendiz, formação de Pálio, o tal de Painel Alegórico
(Tábua de Delinear inglesa), leitura do Salmo 133, Altar de Juramentos no centro do Ocidente,
colunetas sobre o Altar ocupado pelo Venerável e mesas dos Vigilantes, acendimento de luzes,
etc., etc.

Depois de tanto “bla, bla, bla” ratifico: no Rito Escocês Antigo e Aceito os instrumentos de
trabalho são o Maço e o Cinzel, embora este reviva pelo caráter “antigo” a régua lisa durante o
ingresso no Canteiro por ocasião do seu aumento de salário.

Já no Craft, tomando como exemplo mais conhecido o Trabalho de Emulação, os instrumentos


de trabalho são efetivamente o Maço, o Cinzel e a Régua de 24 Polegadas.

(1) Júnior e Sênior – Classe dos canteiros medievais da Franco-Maçonaria geralmente


denominados como Rough Masons e Stone Masons – Classes operárias daqueles que eram
apenas os cortadores da pedra calcária e dos que eram, além de cortadores, também
assentadores da pedra.

T.F.A.

PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.096 - Florianópolis (SC) – segunda-feira, 02 de setembro de


2013

MARCHA DO APRENDIZ

MARCHA DO APRENDIZ

Um Respeitável Irmão que solicita a não divulgação do seu nome e Loja a que pertence, REAA,
Oriente de Curitiba, Estado do Paraná apresenta a questão seguinte:

Aprendemos, há muitos anos, que no REAA o Aprendiz não deve levantar o pé do chão durante
a marcha, e sim arrastá-lo, porque ainda está ligado à matéria, ao material, a Terra. Não sabe
andar, não sabe falar (apenas soletrar...), também ainda não se acostumou à luz que acabou
de receber, por isso vai “tateando”. Arrasta o pé esquerdo para frente e depois une o
calcanhar direito, sem tirá-lo do chão, ao calcanhar esquerdo, formando um esquadro. No

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último ERAC, um dos trabalhos apresentados criticou o arrastar de pés na Marcha do Aprendiz.
Fomos consultar o Manual do Grau 1 e o Manual de Procedimentos Ritualísticos, e
efetivamente nenhum deles aborda o arrastar de pés. Com isso ficamos em dúvida e já não
temos a mesma segurança para transmitir aos Aprendizes as considerações esotéricas que nos
foram passadas. Estamos a tanto tempo repetindo um erro?

Considerações:

Essa prática do arrastar dos pés fez parte por muito tempo na concepção da Marcha do
Aprendiz e a sua idade. Puríssima invenção. O Aprendiz tradicionalmente dá os passos normais
unindo-os pelos calcanhares em esquadria iniciando com o pé esquerdo ou direito conforme o
Rito.

De fato a idade do Aprendiz de Maçonaria em alguns arcabouços doutrinários, como é o caso


do Rito Escocês, está associado à infância, porém longe de ser distinguida pelo arrastar dos pés
ou ligações com a matéria.

O titubear dos passos com a dificuldade de locomoção figurada está diretamente ligada à
Primeira Viagem e nunca à Marcha.

Já no primeiro Ritual Escocês do simbolismo datado de 1.804 os passos se apresentam como


normais e nunca arrastando os pés. Por esse sentido é que o Ritual, bem como o Manual de
Procedimentos não preconiza o arrastar dos pés.

O ato de juntar os pés em esquadria está ligado diretamente à tradição operativa e a pedra
angular da obra, onde era ensinada ao Aprendiz iniciado a colocação dos pés junto à pedra
esquadrejada no canto nordeste da construção, fato que viria formar a esquadria com os pés
unidos pelos calcanhares.

É dessa antiga prática que está à associação com a 47ª Proposição de Euclides ou o Teorema
de Pitágoras. Davam-se a partir da pedra angular três passos em direção ao Sul; dela davam-se
outros quatro em direção do Ocidente. A união desses dois extremos deveria ser fechada com
cinco passos. O resultado preciso desse triângulo retângulo dava, e ainda dá o canto em
esquadria (square). Daí se esquadrejava o canto, nivelava-se e aprumava-se. Aliás, essa é
prática atual nas atuais marcações das construções.

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A Loja é um canteiro e nele se constrói um novo Homem. Nesse particular não cabem
definições ocultistas e místicas, a despeito que esse pensamento não pode ser unânime em
um espaço que a grande arte está na convivência e não opiniões pessoais e dogmáticas.

Se ainda existem ritos que preconizem o arrastar dos pés, o que não é o caso do Rito Escocês
Antigo e Aceito seria necessária à compreensão da sua proposta doutrinária para elucidar o
ato.

T.F.A.

PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.095 - Florianópolis (SC) – domingo, 01 de setembro de 2013

COBRIDOR E A ESPADA

COBRIDOR E A ESPADA

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Matheus Casado Martins por solicitação do
Respeitável Irmão Roberto Ribeiro membro da Loja Conceição de Macabi, GOB, REAA, Estado
do Rio de Janeiro.

mcmartins07@yahoo.com.br - drribeiroroberto@hotmail.com

Durante a sessão quando o Cobridor Interno está sentado, como ele deve segurar a espada?
Existem três orientações completamente divergentes dadas em Loja e em momentos
diferentes. Uma pelo Coordenador do GOB/RJ; outra pelo Delegado de Ritualística do Supremo
Conselho (São Cristóvão) e outra por mim. Para evitar que o pobre do Cobridor fique de seca à
Meca, entendi que o melhor seria consultar-te, pois desde cedo aprendi que, para aprender
devemos falar com quem sabe.

Considerações:

O Cobridor sentado, isto é, sem o exercício do ofício empunhando a espada a detém


embainhada, ou presa na faixa de Mestre cuja orientação está no Ritual de Mestre onde pela
parte interna próxima a joia existe um dispositivo para prender a espada (está escrito no Ritual
em vigência – 2.009).

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Também é possível a confecção de uma bainha presa a um talabarte vestido a tiracolo da
direita para a esquerda cuja finalidade é a de carregar a espada embainhada. Aliás, a origem da
faixa do Mestre nos ritos filhos espirituais da França era o talabarte que prendia, ou
acondicionava a espada.

Existe também a maneira comum de existir um dispositivo preso atrás do encosto da cadeira
onde a espada permanece quando não está sendo empunhada.

O que deve se evitar é que o Cobridor sentado apoie a espada no piso (chão) ou mesmo sobre
as coxas.

Essa da espada apoiada no chão tem dado margem às esdruxulas orientações de se


descarregar energia como se o Cobridor fosse uma espécie de para-raios.

É oportuno também aqui salientar respeitosamente que o Delegado de Ritualística do


Supremo Conselho não opina nem orienta o simbolismo, já que o seu campo de atuação é
como dito no Supremo Conselho – simbolismo em hipótese alguma interfere nos ditos graus
superiores, assim como estes em nada podem interferir na ritualística do Franco Maçônico
básico (Aprendiz, Companheiro e Mestre).

T.F.A.

PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.093 - Florianópolis (SC) – sexta-feira, 30 de agosto de 2013

MARCHA DO APRENDIZ
MARCHA DO APRENDIZ
O Respeitável Irmão João Soares Miranda, Loja Saldanha Marinho, REAA,
GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná apresenta a questão
seguinte:
joaomiranda@trt9.jus.br

Aprendemos, há muitos anos, que no REAA o Aprendiz não deve levantar o


pé do chão durante a marcha, e sim arrastá-lo, porque ainda está ligado à
matéria, ao material, a Terra. Não sabe andar, não sabe falar (apenas

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soletrar...), também ainda não se acostumou à luz que acabou de receber,
por isso vai “tateando”. Arrasta o pé esquerdo para frente e depois une o
calcanhar direito, sem tirá-lo do chão, ao calcanhar esquerdo, formando um
esquadro. No último ERAC, um dos trabalhos apresentados criticou o
arrastar de pés na Marcha do Aprendiz. Fomos consultar o Manual do Grau
1 e o Manual de Procedimentos Ritualísticos, e efetivamente nenhum deles
aborda o arrastar de pés. Com isso ficamos em dúvida e já não temos a
mesma segurança para transmitir aos Aprendizes as considerações
esotéricas que nos foram passadas. Estamos a tanto tempo repetindo um
erro?

Considerações:

Essa prática do arrastar dos pés fez parte por muito tempo na concepção da
Marcha do Aprendiz e a sua idade. Puríssima invenção. O Aprendiz
tradicionalmente dá os passos normais unindo-os pelos calcanhares em
esquadria iniciando com o pé esquerdo ou direito conforme o Rito. 

De fato a idade do Aprendiz de Maçonaria em alguns arcabouços


doutrinários, como é o caso do Rito Escocês, está associado à infância,
porém longe de ser distinguida pelo arrastar dos pés ou ligações com a
matéria. O titubear dos passos com a dificuldade de locomoção figurada
está diretamente ligada à Primeira Viagem e nunca à Marcha. 

Já no primeiro Ritual Escocês do simbolismo datado de 1.804 os passos se


apresentam como normais e nunca arrastando os pés. Por esse sentido é
que o Ritual, bem como o Manual de Procedimentos não preconiza o
arrastar dos pés. 

O ato de juntar os pés em esquadria está ligado diretamente à tradição


operativa e a pedra angular da obra, onde era ensinada ao Aprendiz iniciado
a colocação dos pés junto à pedra esquadrejada no canto nordeste da
construção, fato que viria formar a esquadria com os pés unidos pelos
calcanhares. 

É dessa antiga prática que está à associação com a 47ª Proposição de


Euclides ou o Teorema de Pitágoras. Davam-se a partir da pedra angular
três passos em direção ao Sul; dela davam-se outros quatro em direção do
Ocidente. A união desses dois extremos deveria ser fechada com cinco
passos. 

O resultado preciso desse triângulo retângulo dava, e ainda dá o canto em


esquadria (square).  Daí se esquadrejava o canto, nivelava-se e aprumava-
se. Aliás, essa é prática atual nas atuais marcações das construções. 

A Loja é um canteiro e nele se constrói um novo Homem. Nesse particular


não cabem definições ocultistas e místicas, a despeito que esse pensamento
não pode ser unânime em um espaço que a grande arte está na convivência
e não opiniões pessoais e dogmáticas. 

Se ainda existem ritos que preconizem o arrastar dos pés, o que não é o
caso do Rito Escocês Antigo e Aceito seria necessária à compreensão da sua
proposta doutrinária para elucidar o ato. 

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T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.090 - Florianópolis (SC) – terça-feira, 27 de agosto
de 2013

QUESTÕES SOBRE RITUALÍSTICA

QUESTÕES SOBRE RITUALÍSTICA

O Respeitável Irmão Bartholomeo Freitas, sem declinar o nome da Loja e Obediência, Oriente
de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, apresenta as questões seguintes:

bartholomeofreitas@gmail.com

Inicialmente parabenizo pelo essencial trabalho de orientação que vem exercendo, pois se não
fosse ele, as divergências e a ciência do "achismo" já tinham criado um rito sobrenatural. Para
discernir algumas dúvidas pergunto o seguinte: a) Qual a forma correta de segurar a espada,
tanto a ordem como ao andar em loja e quando fazer? b) É possível durante a fala de um
Irmão que está de pé e a ordem que esse sinal tenha seu desfazimento autorizado pelos
Vigilantes, quando nas Colunas, e o Venerável, quando o Irmão estiver no Oriente? c) Ao sair
do Oriente e depois de saudar o Venerável para descer os degraus deve o Irmão que está a
descer e depois de desfazer o sinal, virar sua frente para o Ocidente girando sua fronte que
está voltada para o Venerável sempre no sentido para sua direita? d) O Irmão que está no
Oriente pode falar sentado? e) Como deve ser usado o Saco de Proposta e Informações?
Pergunto por que na Palavra ao Bem da Ordem é frequente se ver em Lojas o uso para diversos
pedidos de pranchas de pesar, congratulações de entrega de documentos e outros pleitos para
a Secretaria. f) O Irmão que chegar atrasado e após o início da sessão pode entrar em qual
momento? E quando e como o Irmão Primeiro Vigilante deve proceder para avisar o Venerável
sobre a presença do Irmão fora do templo? Nessa ocasião o Cobridor Interno avisa com Loja
aberta diretamente ao 1º Vigilante? Se existir Cobridor Externo o Irmão atrasado por ele visto
espera o Cobridor Externo avisar o 1º Vigilante quando entrar? g) Se a sessão existir
vícios/defeitos de ritualística e/ou legais como o Orador deve proceder? Ele ao final pode
deixar de concluir que a sessão foi "justa e perfeita"? h) O 1º Vigilante, como responsável pela
instrução dos Companheiros e o 2º Vigilante, como responsável pela instrução dos Aprendizes,
podem, durante determinados atos da sessão e sem atrapalhar a palavra de outros Irmãos,
falar livremente com Aprendizes ou Companheiros explicando o ato ou dar outras
orientações?  i) Na ausência de Metre de Harmonia, o Cobridor Interno pode auxiliar na
sonorização da sessão?

Considerações:

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a) A espada é empunhada pela mão direita com o punho junto ao quadril direito com o braço e
antebraço afastados do corpo e a lâmina em riste (verticalmente apontada para cima). Tanto
estando em pé e parado (pés em esquadria) ou em deslocamento. Formas diferenciadas
somente aquelas que estiverem previstas no Ritual (apresentando armas ao Pavilhão Nacional,
bateria na porta, etc.). Situação que não esteja prevista para o ato de empunhar a espada, esta
deve estar embainhada, ou mesmo presa a um dispositivo geralmente colocado atrás do
encosto da cadeira. No Ritual de Mestre está previsto junto à fita com a joia um dispositivo
para prender a espada. Não está previsto o ato de o Cobridor sentado manter a espada sobre
as coxas e nem mesmo apoiá-la pelo punho com a ponta no piso.

b) Vigilantes não autorizam ninguém a desfazer o Sinal. Isso é prerrogativa apenas do


Venerável somente quando realmente houver necessidade. Por exemplo: durante a leitura de
um texto. Essa regra deve ser rigorosamente observada para não atentar contra a ritualística e
prevenir certos discursos providos de extenso e rançoso lirismo, bem como manifestações
repetitivas. O Obreiro compondo o Sinal atende a exigência da prática ritualística e não
prolonga pronunciamentos pelo desconforto da posição assumida.

c) O Obreiro saúda o Venerável na forma de costume de frente para o mesmo. Terminada a


saudação ele se vira normalmente para o Ocidente para dar continuidade ao seu trajeto. Ao se
voltar para o Ocidente, não está previsto pelo qual lado ele deve girar. Tanto faz. Ele procede
da maneira que melhor lhe convenha. O ato de girar no sentido horário apenas está previsto
durante a circulação no Ocidente apenas ao se cruzar a linha imaginária do equador.

d) Esse costume aleatório de se falar sentado no Oriente caiu em desuso. Quem fala sentado
no Oriente, salvo quando o ritual determinar o contrário é o Venerável, o Orador e o
Secretário, todavia se os mesmos resolverem falar em pé, estes se posicionam à Ordem,
inclusive o Venerável que deixa pousado o respectivo malhete sobre o Altar. Aproveitando: no
Ocidente somente falam sentados os Vigilantes quando o ritual não determinar o contrário,
porém se resolverem falar em pé, se posicionam à Ordem (também deixam os malhetes sobre
suas respetivas mesas).

e) Por si só o título já determina: colhem-se propostas e informações. A questão é a de que se


as propostas e as informações sejam realmente passíveis de assim serem definidas. O Orador
deve observar se o conteúdo está de acordo com os princípios e leis da Maçonaria.

f) O bom mesmo é que ninguém chegue atrasado. Um atrasado não ingressa no Templo
durante a abertura dos trabalhos ou em andamento de um procedimento. O Cobridor Interno

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ao ouvir a bateria maçônica (de Aprendiz), em qualquer grau que a Loja esteja trabalhando, se
o momento for propício, ele anuncia ao Primeiro Vigilante que por sua vez anuncia ao
Venerável dando-se o andamento dos métodos necessários. Se no momento estiver ainda
presente no átrio o Cobridor Externo, ele bate na porta. Em qualquer situação quem bate na
porta pelo lado externo aguarda. Se o momento não for propício para entrada o Cobridor
Interno responde pela bateria de Aprendiz o que significa que se deve aguardar e nunca elevar
a bateria para outro Grau. Dada essa prática, ninguém mais bate na porta. Havendo Cobridor
externo ele verifica se o “atrasado” tem qualidade de Grau para adentar na Loja. Não havendo
Cobridor Externo, no momento apropriado o Interno devidamente autorizado faz a verificação
entreabrindo a porta. Outras observações. Após a circulação do Tronco ninguém mais ingressa
no Templo. Da mesma forma em Sessões que demandem do ingresso formal do Pavilhão
Nacional, após a sua entrada ninguém mais adentra na Loja.

g) Isso seria um verdadeiro contrassenso. Se o Orador está presente como fiscal da Lei e, em
havendo descumprimento da mesma, o Guarda da Lei interfere imediatamente e não espera o
final para declarar uma sessão injusta e imperfeita. Se ele assim proceder estará incorrendo no
mesmo erro. Afinal o mal deve ser cortado pela raiz.

h) Obviamente que sim. Existe a regra formal que se embasa nas tradições, usos e costumes da
Maçonaria, todavia isso não impede que outros Mestres ocupem o período de instrução
contribuído para a formação de Aprendizes, Companheiros e de outros Mestres, todavia com
bem disse o Irmão, esse processo deve ser preparado e organizado para que realmente atinja
o objetivo.

i) No caso do Cobridor preencher esse ofício, na atualidade ele é perfeitamente exequível,


posto que os aparelhos eletrônicos de som sejam geralmente acionados por controle remoto.
No caso do Cobridor, há que observar que ele auxilia do seu lugar em Loja, nunca o
abandonando para o exercício do ofício deficitário. Essa precariedade não é recomendável nas
Sessões Magnas de Iniciação, dado que nessa cerimônia é imprescindível a presença do Mestre
de Harmonia.

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.088 - Florianópolis (SC) – segunda-feira, 26 de agosto de


2013

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SAUDAÇÃO
SAUDAÇÃO
O Respeitável Irmão Luiz Antonio Cunha Barreto, Secretário, sem declinar o
nome da Loja, GOIPE (COMAB), Oriente de Recife, Estado de Pernambuco,
apresenta a questão que segue:
luizantonio2005@hotmail.com

Gostaria da ajuda do Irmão para uma dúvida que surgiu em Loja no dia de
ontem. Ontem houve a apresentação, por parte de um Aprendiz, de uma
Peça de Arquitetura. Ocorre que, ao ser colocado entre Colunas, o Irmão foi
instruído por mim, previamente, a fazer a saudação (em silêncio)
encarando o Oriente, repetir a saudação voltando à cabeça (só a cabeça e
não o corpo - em silêncio) energicamente para a direita; repetir a
saudação, voltando à cabeça energicamente para a esquerda - em silêncio,
olhando em cada uma delas ao Venerável Mestre, 1º Vigilante e 2º
Vigilante, respectivamente. Considerando que o Ritual é omisso com
relação à apresentação de Peça de Arquitetura, ao instruí-lo tomei por base
o princípio da analogia, pois levei em consideração que o mesmo já se
encontrava entre Colunas, e usei por base a instrução da marcha do Grau.
Fui questionado com relação ao silêncio na saudação, pois alguns Irmãos
foram incisivos dizendo que devia se falar os cargos (Venerável Mestre, 1º
Vigilante, 2º Vigilante) no instante da saudação. Gostaria de um momento
de luz para a dissolução deste impasse.

Considerações: 

Um obreiro ao fazer o uso da palavra, primeiramente menciona: Venerável


Mestre, Irmãos Primeiro e Segundo Vigilantes, meus Irmãos. Ele pode
também proferir: Luzes, meus Irmãos. 

Um Irmão em pé em Loja aberta estará à Ordem (corpo ereto, pés em


esquadria, compondo o Sinal com a mão, ou mãos se for o caso). Caso ele
precise ler um texto ele não comporá o Sinal, todavia segura o texto escrito
com as duas mãos, porém com o corpo ereto e os pés em
esquadria. Primeiro ele faz menção às Luzes e demais Irmãos e lê o
escrito. 

Quem faz a apresentação de uma Peça de Arquitetura não precisa


necessariamente se posicionar entre Colunas. É sempre preferível que o
procedimento seja feito do seu próprio lugar. O protagonista se preferir
mencionar os cargos das Luzes da Loja dirige discretamente o olhar a cada
um deles sem qualquer movimento enérgico. Estando com o Sinal composto
ele não o desfaz a cada citação senão ao término de sua fala. 

Como descreve o Irmão com movimento enérgico e em silêncio não faz


parte dos nossos costumes no momento do uso da palavra. O movimento
de virar o olhar para a saudação de entrada às Luzes é apenas aquela feita
por ocasião da Marcha do Grau. 

O que realmente existe é a distinção de procedimentos, ou seja: aquele


referente ao ingresso pela Macha onde existe a saudação pelo Sinal feito às
Luzes da Loja imediatamente após o encerramento da Marcha quando o
Obreiro na forma de costume executa o procedimento pelo Sinal girando o

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pescoço na direção daquele que está sendo saudado, enquanto que o outro
se refere não a saudação, porém a prática de mencionar os cargos estando
à Ordem o que não pode ser confundido com saudação. 

Finalizando a questão: não existe na ocasião mencionada esse movimento


“enérgico”. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.087 - Florianópolis (SC) – domingo, 25 de agosto
de 2013

APLAUSOS
APLAUSOS
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Marco Henry Cacciacarro, Mestre
Instalado da Loja Concórdia e Caridade, 3.790, REAA, GOB, Oriente de Capão
Bonito, Estado de São Paulo.
mhcvideo@ig.com.br

Mais uma vez recorro os seus conhecimentos, me desculpando desde já


pela frequência das minhas consultas. Em nossa Loja tínhamos como
tradição aplaudir com bateria incessante após a apresentação (leitura) da
Peça de Arquitetura no Tempo de Estudos das Sessões Ordinário-
administrativas da Loja. Esse assunto foi colocado por um Venerável Mestre
suprimindo essa Bateria. Pergunto para elucidação dos Irmãos que
compõem a nossa Loja: “A bateria após a apresentação da Peça de
Arquitetura é legal, ou trata-se de lei consuetudinária (usos e costumes de
cada Loja ou Rito)”?
Considerações: 

Em relação ao ritual esse costume não está previsto, todavia no meu ponto
de vista, desde que isso não seja uma obrigação e não comporte as raias do
exagero, penso ser perfeitamente exequível. 

Esse é um costume antigo haurido dos primórdios da Maçonaria


Especulativa, hoje praticamente em desuso. Tudo é uma questão de bom
senso, relegando-se ao ato ao aplauso, não a bateria. Existiu também o
costume de se estalar os dedos, hoje também procedimento superado.

Às vezes penso que o aplauso seria muito mais próprio do que ouvir certos
Irmãos pedindo a palavra em pronunciamentos repetitivos no afã de saudar
o autor da Peça de Arquitetura. Esses pronunciamentos não raras vezes são
desprovidos de conteúdo, não acrescentam nada, dão trabalho ao
Secretário e são providos de longo lirismo que se bem observado, em
muitas oportunidades, nada tem a ver com o tema exposto. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.086 - Florianópolis (SC) – sábado, 24 de agosto de
2013

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HIERARQUIA NA CIRCULAÇÃO
HIERARQUIA NA CIRCULAÇÃO
O Respeitável Irmão Washington Luiz Tarnowski, Mestre de Cerimônias da
Loja Estrela Mística,3.929, REAA, GOB-SC, Oriente de Itajaí, Estado de Santa
Catarina, apresenta a questão seguinte.
wlt@univali.br

Em nossa última sessão, passei algumas orientações ritualísticas e surgiu


uma discussão em torno da circulação do Primeiro e Segundo Diácono
sendo: No início da Sessão, Segundo Diácono deve ou não circular o Painel
do Grau na busca da Palavra Sagrada e ao levar a Palavra ao Segundo.
Vigilante? No início da Sessão, o Primeiro Diácono deve ou não, antes de
sair e entrar no Oriente, fazer reverência ao Venerável Mestre.
Considerações: 

A partir do momento em que o Venerável Mestre toma assento e profere:


“Meus Irmãos, ajudai-me a abrir a Loja”, fica abolido apenas o Sinal, salvo
aquele inerente ao reconhecimento perpetrado pelo Vigilante, ou os
Vigilantes conforme o caso antes da abertura da Loja. Assim, os outros
procedimentos, como é o caso da circulação, prevalecem na forma de
costume.

Durante a abertura dos trabalhos na transmissão da Palavra seguem os


seguintes apontamentos. O primeiro Diácono recebe regularmente a Palavra
do Venerável saindo do Oriente pelo seu lado sudeste, sem saudação, passa
pela Coluna do Sul, cruza o eixo entre o Painel da Loja e a porta do Templo,
abordando então o Primeiro Vigilante. Transmitida a Palavra o Primeiro
Diácono de retorno passa diretamente pela Coluna do Norte, ingressa no
Oriente sem saudação pelo lado nordeste e se dirige até o seu lugar. 

O Segundo Diácono do seu lugar se dirige diretamente até o Primeiro


Vigilante, recebe a Palavra e em seguida vai até o Segundo Vigilante
passando pelo Norte, cruza o eixo entre o Painel da Loja e a entrada do
Oriente, abordando em seguida o Segundo Vigilante quando lhe transmite a
Palavra. Transmitida esta o Segundo Diácono passa do Sul para o Norte
cruzando o eixo entre o Painel e a porta do Templo até o seu lugar em
Loja. 

Pelo exposto, a Loja está ainda em procedimento de abertura assim o


Primeiro Diácono ao entrar e sair do Oriente não faz saudação pelo Sinal -
não existe o termo “reverência”. Quem saúda, saúda sempre pelo Sinal. Em
Loja aberta quem ingressa no Oriente saúda o Venerável. 

No caso em que aquele que ingressar estiver empunhando (segurando um


objeto de trabalho) ele fará uma parada rápida e informal, sem inclinação
do corpo ou mesmo maneio de cabeça. 

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Durante o encerramento dos trabalhos a Loja está aberta, assim o
procedimento de circulação é análogo ao da entrada, todavia quando
necessário compõe-se o Sinal. 

Ainda em relação à abertura dos trabalhos, a regra serve também para o


Mestre de Cerimônias no que trata o seu deslocamento em Loja. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.085 - Florianópolis (SC) – sexta-feira, 23 de
agosto de 2013

HIERARQUIA NA CIRCULAÇÃO
HIERARQUIA NA CIRCULAÇÃO
Questão que faz o Respeitável Irmão Marcos Vinicius Garcia Joaquim,
Loja Fraternidade Josefense, 30, Grande Loja de Santa Catarina, REAA,
Oriente de São José, Estado de Santa Catarina.
marcosgarcia@cardiol.br

Em que momento no Rito Escocês Antigo e Aceito, o irmão Guarda do


Templo deve fazer o seu “depósito”, seja na Bolsa de Propostas e
Informações, seja na Bolsa para ou Tronco de Solidariedade? A dúvida é se
o depósito deve ocorrer no final da circulação pela Coluna do Sul após a
coleta dos Mestres, ou se ela deve ser realizada ou pode ser realizada após
a coleta dos Companheiros e Aprendizes, ou seja, no final efetivo da
circulação antecedendo somente o próprio Mestre de Cerimonias ou o
Hospitaleiro.
Considerações: 

Aqui existe primeiramente um apontamento necessário. Guarda do Templo


– geralmente esse título é dado ao Guarda Externo, ou aquele que por
dever de Ofício exerce temporariamente o seu ofício no Átrio. Já o oficial
que milita na interior do Templo e toma assento junto à porta na Coluna do
Sul é o Cobridor Interno.

Sendo o Cobridor Interno ele é o sexto cargo abordado quando das


Propostas e Informações e do Tronco de Beneficência. Sem qualquer
conotação sobre a inventiva “estrela”, a regra é a de que se abordam pela
ordem, primeiro as Luzes da Loja (Venerável, Primeiro e Segundo
Vigilantes), as outras duas Dignidades (Orador e Secretário) e o Cobridor
Interno. Ato seguido os demais Mestres do Oriente, Mestres da Coluna do
Sul, Mestres da Coluna do Norte, Companheiros, Aprendizes e por fim
o próprio oficial circulante ajudado pelo Cobridor Interno. 

Alguns rituais, como é o caso do GOB, preconizam que logo após o Cobridor
Interno, seja feita a colheita do Cobridor Externo que após o ingresso no
Templo toma assento junto à porta na Coluna do Norte. Essa não é uma
atitude dentro da tradição do Rito, posto que o Cobridor Externo devesse
depositar no momento em que os Mestres do Norte estivessem sendo

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abordados. Após os seis primeiros cargos já mencionados, não por uma
questão de hierarquia, porém por ordem dos trabalhos, em qualquer
circunstância, o último a depositar na bolsa será sempre o oficial circulante. 

Cabe aqui uma explicação oportuna. A regra dos seis primeiros cargos não
se prende a justificativa capenga do formato de uma estrela, até porque no
Rito Escocês não existe qualquer referência à estrela de seis pontas. 

A concepção verdadeira do ato está na regra de que nenhuma Loja poderá


ser aberta sem a presença mínima de “sete” Mestres. Numa situação com
essa presença mínima no Rito Escocês, o oficial circulante será sempre o
Mestre de Cerimônias como sétimo Mestre na composição precária da Loja. 

Reforçando essa tradição está a de que em caso precário (sete Mestres) a


Loja no Rito em questão será composta pelas cinco Dignidades (Três Luzes
mais o Orador e o Secretário), um Cobridor e o Mestre de Cerimônias. 

Como genuinamente os Diáconos não portam bastão no escocesismo e nem


existe formação de pálio, nesse caso precário o Mestre de Cerimônias
suprirá o Segundo Diácono e o Secretário o Primeiro por ocasião da
transmissão da Palavra. 

Na circulação do Tronco de Beneficência o Mestre de Cerimônias exercerá o


ofício do Hospitaleiro. O Cobridor em hipótese alguma deixa o seu posto. O
Orador do seu lugar em Loja exercerá o cargo do Tesoureiro e de modo
análogo o Secretário o do Chanceler. 

Minhas escusas pelo abuso do elemento prolixo, porém uma ponderação


muitas vezes carece do esclarecimento sobre a razão de outros
procedimentos. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.084 - Florianópolis (SC) – quinta-feira, 22 de
agosto de 2013

JUSTIFICATIVA E O ÓBOLO
JUSTIFICATIVA E O ÓBOLO
Questão apresentado pelo Respeitável Irmão Afonso Barros Machado, Loja União
Fraternal nº 12, REAA, Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, Oriente de Belo
Horizonte, Estado de Minas Gerais. 
abmachado1950@gmail.com

Recorro ao seu vasto conhecimento maçônico para dirimir uma dúvida. O


Regulamento Geral da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais estabelece
em seu artigo 31, Parágrafo 1º que trata das justificativas de faltas que: “O
pedido de justificativa de falta acompanhada do óbolo correspondente, deve
ser escrito e encaminhado ao Venerável Mestre, pelo próprio requerente, na

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primeira sessão a que comparecer após as ausências, sob pena de
prescrição do direito”. Os irmãos têm, portanto, feito às justificativas,
juntado o óbolo, colocando-os na Bolsa de Proposta e Informações, quando
da circulação da mesma. Aí vêm os questionamentos: quanto à colocação
da prancha com a justificativa nessa Bolsa, não há dúvida. O que suscita a
nossa consulta é, se o óbolo é colocado junto com a prancha, além de estar
na Bolsa errada o mesmo ocorre com a mão que o colocou. Ao conferir o
seu conteúdo todos os Irmão próximos ao Venerável Mestre tomam
conhecimento de quem colocou e quanto, quebrando o sigilo e o simbolismo
do ato, além de ferir o princípio da espontaneidade, intrínseco no espírito
da doação. Há, portanto, em meu entendimento, uma quebra das normas
ritualísticas em detrimento de uma regulamentação administrativa
interferente, quiçá mal redigida.  Entendo, ainda, que dentro de um Templo
com uma Loja aberta, naquele instante, prevalecem às normas ritualísticas
do Rito em comento. Conto com a análise do Irmão sobre o conflito em tela
para subsidiar o meu entendimento.

Considerações: 

Quero primeiro salientar que as minhas ponderações que seguem não tem o
intuito de incentivar o desrespeito a um Regulamento legalmente
constituído. Se estiver escrito, cumpra-se a lei. Agora sobre o ponto de
vista da tradição maçônica, sinceramente esse é mais um dos absurdos até
aqui apresentados. 

Primeiro – Na tradição maçônica não existe esse feitio de justificar falta.


Quem faltou, faltou e nada mais. Os motivos não importam, mesmo sendo
eles passíveis de explicação, porém não de justificativa. Nem é muito
recomendável, porém não seria melhor o Irmão na Palavra a Bem da
Ordem em Geral e do Quadro em Particular sucintamente comentasse a sua
falta? 

Segundo – Depositar óbolo na Bolsa de Propostas e Informações. Ora, se o


Irmão por qualquer motivo não esteve presente não há deposito da sua
doação. Essa atitude em primeira instância cerceia o direito daquele que
pode ou não doar na oportunidade. Ninguém é obrigado a depositar o óbolo,
senão colocar a mão fechada e retirá-la aberta do recipiente. A questão é se
o Irmão pode ou não doar. Em segunda instância é a colocação de valor
monetário na Bolsa de Propostas e Informações quando existe um
recipiente próprio para tal, além do momento apropriado. Em terceira
instância é como disse o Irmão: com as testemunhas do Orador e do Secretário,
além do Venerável que recebe o conteúdo da bolsa de Propostas todos ficam
sabendo quanto foi depositado, lembrando também que o Venerável deve decifrar
as colunas gravadas. 

Nesse caso não seria melhor o faltoso quando da sua presença reforçar a
sua doação? O que posso comentar? Somente se for o caso de apontar uma
sequência de afronta às verdadeiras tradições maçônicas. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com 


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.082 - Florianópolis (SC) – terça-feira, 20 de agosto
de 2013

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LEITURA DO LIVRO DA LEI
LEITURA DO LIVRO DA LEI
Questão que faz o Respeitável Irmão Paulo Afonso Fernandes de Carvalho,
Loja Abolição, nº 6, GLUPI, REAA, Oriente de Teresina, Estado do Piauí.
paafc2010@hotmail.com

Venho a solicitar que me ajudem a conhecer algo que julgo inusitado, pois, nunca
me fora perguntado sobre o presente fato que passarei a relatar.
1 Numa Loja de Companheiro Maçom, sendo aberto o Livro da Lei deverá estar
numa determinada passagem específica do mesmo. Isso ocorre no mundo
ocidental. Imaginemos no mundo oriental, primeiramente, num país muçulmano.
No caso citado, o Livro da Lei será o Al Corão ou simplesmente o Corão. Pergunto:
qual a passagem que o Livro da Lei (Corão) será aberto? A que se refere à dita
passagem?
Em seguida, vamos para outra colocação.
2 Nas mesmas condições do item 1; Imaginemos, também, no mundo oriental, no
país Judaico, onde o Livro da Lei será o Torá. Pergunto: qual a passagem que o Livro
da Lei (Torá) será aberto? A que se refere à dita passagem?
Considerações: 

É rara, mais rara mesmo a prática do Rito Escocês em países que não sejam
latinos. Dai a assertiva de que o Trabalho Maçônico mais praticado no
mundo é o do Craft inglês e deste os Trabalhos de Emulação. É então
oportuno salientar nesses costumes não existe leitura na abertura dos
trabalhos. 

É bom salientar que existem espalhados pelo mundo inúmeros ritos


maçônicos o que sugere a sua prática conforme a cultura e a religião dos
povos. 

Nos países latinos geralmente o Livro da Lei tem sido a Bíblia e se por
ocasião um Iniciando não seja cristão, ele prestará obrigação sobre o seu
próprio Livro. Ademais, no juramento não existe leitura do Livro da Lei. 

Quando raramente possa existir iniciação no Rito Escocês em países


muçulmanos pode ser adaptado um texto de leitura, já que a raiz cristã e
muçulmana é hebraica. Nessa concepção também está no judaísmo e a
genuflexão. 

Não sendo permitida essa nessa cultura, existe adaptação para não ferir
costumes religiosos. Para cada situação o bom senso reflete no andamento
das coisas. 

Finalizando. Essas questões nos auxiliam a compreender e refletir,


sobretudo aqui no Brasil, que o Rito Escocês Antigo e Aceito é quase
unânime apenas no nosso País, todavia o universo maçônico é composto
por inúmeros ritos e rituais. Maçonaria não é apenas o Rito em questão. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com MAIO/2013.


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.081 - Florianópolis (SC) – segunda-feira, 19 de
agosto de 2013

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VIGILANTES E AS INSTRUÇÕES

VIGILANTES E AS INSTRUÇÕES

Questão que faz o Irmão Tarciso Rodrigues de Alcântara, Companheiro Maçom da Loja Estrela
de Araçuaí, 1.962, REAA, GOB-MG, Oriente de Araçuaí, Estado de Minas Gerais.

alcantar@uai.com.br

Estimado Irmão, inicialmente gostaria de lhe parabenizar pela sua disponibilidade e boa
vontade de nos instruir, socorrendo-nos nas nossas dúvidas. Dúvida: Responsável pela
instrução do Aprendiz e do Companheiro. Este assunto já foi tratado pelo Irmão no ano
passado, mas o Irmão Primeiro Vigilante da minha Loja continua na dúvida e ele argumenta na
defesa de sua posição, os seguintes diálogos do ritual de Companheiro, contidos nas paginas
74 e 88. Página 74 - “Venerável – Irmão Primeiro Vigilante, o Irmão Aprendiz que deseja passar
ao Segundo Grau preencheu seu tempo e tem condições de ser elevado?”. Página 88 – “Irmão
Mestre de Cerimônias, conduzi o novo Irmão Companheiro ao Segundo Vigilante para que o
ensine a trabalhar na Pedra Cúbica e dar os passos do seu Grau”. O questionamento do Irmão
Primeiro Vigilante é o seguinte: 1 - Se é o Segundo Vigilante responsável pela instrução do
Aprendiz, por que o Venerável pergunta ao Primeiro Vigilante se o Aprendiz “preencheu seu
tempo e tem condições de ser elevado?”. 2 – Sendo o Primeiro Vigilante responsável pela
instrução do Companheiro por que o Venerável instrui o Mestre de Cerimônias para: “conduzir
o novo Irmão Companheiro ao Segundo Vigilante para que o ensine a trabalhar na Pedra
Cúbica e dar os passos do seu Grau.”?

Considerações:

Como bem disse o Irmão já expliquei inúmeras vezes que a questão é de hierarquia e o
tradicional recebimento do Aprendiz pelo Segundo Vigilante nos canteiros medievais da
Franco-Maçonaria.

Em relação à questão primeira as instruções de aperfeiçoamento são dadas pelo Segundo


Vigilante, todavia como o Aprendiz toma assento na Coluna do Norte e o Primeiro Vigilante
auxilia o Venerável na condução dos trabalhos naquela Coluna, depois de instruído o Aprendiz

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é natural à pergunta ao Primeiro Vigilante, até porque mesmo instruído pelo Segundo
Vigilante, simbolicamente o Aprendiz trabalha na Pedra Bruta.

Quanto à questão dois é mais ou menos o mesmo caso. As instruções de aperfeiçoamento no


tempo de trabalho são dadas pelo Primeiro Vigilante, todavia a presença da Pedra Cúbica está
localizada na Coluna do Sul, lugar de trabalho do Companheiro.

Ensinar a Marcha não significa todo o aperfeiçoamento do Companheiro. Note que a Marcha
do Aprendiz é ensinada pelo Mestre de Cerimônias e não pelo Vigilante. Assim também o
Aprendiz executa o seu primeiro trabalho na Pedra Cúbica na presença do Primeiro Vigilante.

As respectivas marchas são idealizadas como segredos do Grau, assim também são percutidas
as baterias sobre as pedras. Esses segredos são comunicados, enquanto que de acordo com o
Grau cada Vigilante deve ao longo do tempo de aperfeiçoamento explicar o seu verdadeiro
significado (instruções).

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.075 - Florianópolis (SC) – terça-feira, 13 de agosto de 2013

QUESTÕES DE INSTALAÇÃO
QUESTÕES DE INSTALAÇÃO
O Respeitável Irmão Marcilio Marchi Testa, Loja Crivo da Razão, GOSP - GOB, REAA,
Oriente de São Paulo, Estado de São Paulo apresente a seguinte questão:
mmtesta@uol.com.br

1) No Ritual de Cerimônia de Instalação de Venerável edição 2001, aprovado e


adotado pelo GOB, no qual fui Instalado, consta: Na Página 17 - Apresento-vos, meu
Irmão, os utensílios de um Mestre Maçom. São o CORDEL, o LÁPIS, e o COMPASSO...
Na Página 18 - Apresento-vos, meu Irmão, os utensílios de um Companheiro. São o
ESQUADRO, o NÍVEL, e o PRUMO... Na Página 19 - Apresento-vos, meu Irmão, os
utensílios de um Aprendiz. São a RÉGUA DE 24 POLEGADAS, o MAÇO, e o CINZEL...
2) No Ritual de Instalação e Posse de Venerável edição de 2010(em vigor), consta:
Na Página 74 - Apresento-vos, meu Venerável Irmão os utensílios de um Mestre
Maçom: o CORDEL, o LÁPIS e o COMPASSO... Na Página 79 - Apresento-vos, meu
Venerável Irmão os utensílios de um Companheiro: a ALAVANCA, o ESQUADRO, o
COMPASSO e a RÉGUA DE 24 POLEGADAS... Na Página 86 - Apresento-vos, meu
Venerável Irmão os utensílios de um Aprendiz: o MAÇO, e o CINZEL... PERGUNTO:
Por que no Ritual atual de 2010, se entregam duas vezes o COMPASSO, em Mestre
e em Companheiro? E não se entregam mais o NIVEL e o PRUMO como
antigamente? Alteraram-se os utensílios de trabalho ou eliminaram os de 1º e 2º
Vigilantes?

Considerações:

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Essas são as contradições que aparecem pelo ato de Instalação em um Rito que não
possui genuinamente esse costume. Como o GOB adota esse costume desde 1.968,
as controvérsias permanecem, mesmo tendo um ritual atualizado. 

Acho oportuno salientar que esses rituais são privativos da Obediência e dele não
tomei na oportunidade parte como consultor, bem como na sua confecção. Penso
que como arrumaram Instalação para o Rito Escocês no Brasil e essa virou um regra
consuetudinária o ritual mereceria uma séria adaptação. Senão vejamos: 

No Rito em questão os instrumentos de trabalho do Aprendiz são apenas e tão


somente o Maço e o Cinzel. Para o Companheiro, retira-se o Cinzel, permanece o
Maço e acrescentam-se os demais utensílios de trabalho – Régua de 24 Polegadas,
Alavanca, Esquadro, Compasso. 

Nesse sentido pelo menos haveria coerência com as cinco viagens na Elevação e a
utilização dos instrumentos de trabalho. 

Ainda por questão de tradição por ser o grau mais genuíno da Maçonaria (de onde
resultou o Grau de Mestre a partir de 1.725) estariam incluídos o Nível e o Prumo
como instrumentos imprescindíveis para a “Elevação da Obra”. 

Quanto ao Mestre este permaneceria com o Lápis e o Cordel além do próprio


Compasso como justa medida. 

Como se pode notar as minhas considerações são apenas levadas a coerência com
a doutrina. Assim não leve essa assertiva como laudatória, pois a elaboração de um
ritual coerente merece muito estudo sobre a doutrina do Rito. 

À bem da verdade essa coerência merece inclusive em acertos nos três rituais
simbólicos que em não raras vezes também se contradizem, principalmente o do
Segundo Grau, como por exemplo, a Régua apoiada no ombro esquerdo que o
Aprendiz ingressa no Templo durante a cerimônia de Elevação – essa régua não
possuir graduação. 

É preciso explicar esse pormenor. A própria Lenda do Terceiro Grau dá instrumentos


controversos para o Rito Escocês que se baseia nas leis naturais determinando
quinze Companheiros quando a Natureza se divide em doze ciclos – nove luzes
acesas que somadas às outras três faltantes (inverno) perfazem doze e não quinze. 

A Terra fica viúva do Sol durante os três meses de inverno. Isso significa que para a
criação de um Ritual de Instalação para o Rito Escocês esses pormenores devem
ser criteriosamente observados e levados em consideração. 

Por fim, embora de contra gosto, sou obrigado a me curvar a qualquer ritual
legalmente aprovado e em vigência, como é o caso do aqui mencionado. 

Quem sabe futuramente as coisas estejam nos seus devidos lugares. Por fim acho
oportuno salientar que o ritual anterior também era repleto de falhas não o
tornando melhor do que o atual. 

É sempre bom lembrar que a Maçonaria constitui-se por ritos e cada qual desses
obedece a uma doutrina que possui elo particular com a sua vertente. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com 


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.073 - Florianópolis (SC) – domingo, 11 de agosto
de 2013

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ESTRELAS E CIRCULAÇÃO

ESTRELAS E CIRCULAÇÃO

O Respeitável Irmão Marcelo Tietböhl Guazzelli, sem declinar o nome da Loja, Rito e
Obediência, apresenta a questão seguinte:

mguazzelli@agrale.com.br

Lendo há pouco o JB News 992, deparei-me com um texto sobre o Tronco de Solidariedade.
Resumindo a parte que interessa nessa mensagem reproduzo abaixo: “A circulação ritualística
da bolsa de solidariedade obedece ao formato de duas estrelas de seis pontas, que por sua vez
são compostas cada uma por dois triângulos um dentro do outro, em posição invertida”. “A
marcha inicia no ocidente, entre colunas, em direção ao oriente. O irmão hospitaleiro coloca a
bolsa colada a sua cintura, ao lado esquerdo do corpo e inicia a marcha. Sem olhar para o que
é depositado na bolsa vai passando por todos os obreiros em loja. O venerável mestre,
primeiro vigilante e segundo vigilante definem o primeiro triângulo; orador, secretário e
guarda do templo definem o segundo triângulo, o que resulta na primeira estrela; depois passa
pelos oficiais e obreiros do oriente, pelos mestres e oficiais da coluna do sul e pelos mestres e
oficiais da coluna do norte, definindo o terceiro triângulo; companheiros, aprendizes e o
cobridor externo formam o quarto triângulo e completam a segunda estrela. E por fim, o
cobridor externo segura a bolsa, e o próprio hospitaleiro deposita seu óbolo na bolsa, retoma a
bolsa, lacra-a e conclui o giro da bolsa postando-se entre colunas. Comunica ao venerável
mestre que a tarefa está cumprida e recebe instruções do que deve fazer em seguida”. Pois
bem. Como fica a primeira estrela se o Primeiro Vigilante estiver na Coluna do Norte? (estou
falando de uma loja do REAA do GORGS). Saindo do Venerável, o Mestre de Cerimônias vai até
ele e, seguindo o sentido horário, cruza pela frente do Oriente para chegar ao Segundo
Vigilante na Coluna do Sul. A linha imaginária vira um “nó” e o triângulo não existe. Ou essa
estrela é apenas simbólica ou me parece que não há muita lógica. A lógica no meu ponto de
vista é seguir a hierarquia dentro da lógica. O que lhe parece?

Considerações:

Sem qualquer intenção de crítica ou contestação, eu não compactuo com opiniões de


formação de estrelas relacionadas às circulações em Loja.

Primeiro porque nos ritos de vertente latina (francesa) e, nesse particular o Rito Escocês Antigo
e Aceito, a única estrela abordada na sua doutrina é a Hominal, ou Pitagórica representada

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pela Estrela Flamejante (cinco pontas) que é objeto de estudo do Grau de Companheiro como
Luz intermediária.

Segundo, porque estrela de seis pontas é alegoria simbólica do Craft inglês e nos Trabalhos
ingleses não existe circulação de bolsas.

Terceiro é a carência de um bom exercício de imaginação na interligação de cargos e o


desenho, pelo menos lógico, de uma estrela.

Quarto é que dos diversos ritos existentes, nem sempre a localização topográfica dos cargos,
coincidem uns com os outros.

À bem da verdade o primeiro conjunto de circulação resume-se às Luzes da Loja, às Dignidades


do Orador e Secretário e por fim ao Cobridor, ou Cobridores conforme o caso.

Essa regra é apenas e tão somente aplicada aos cargos principais e nela inclui-se o do Cobridor
pela sua importância na constituição de uma Loja (uso, costume e tradição).

Assim, nesses primeiros cargos fica difícil se ordenar o símbolo de uma estrela. Mesmo
levando-se em conta na disposição das Luzes da Loja conforme os rituais do da COMAB do
estado do Rio Grande do Sul que ainda mantém esses cargos posicionados conforme as
extintas Lojas Capitulares.

Essa constituição vem apenas reforçar a desigualdade de posição em Loja que se contrapõe à
tese estelar generalizada não se levando em conta outros rituais e ritos.

Muito mais contraditória é a referência a outras estrelas formadas além dos primeiros cargos.
Sem qualquer conotação mística ou oculta, a primeira fase da circulação simplesmente
obedece à importância dos seis primeiros cargos (às vezes sete dependendo da presença do
Guarda Externo).

Composta essa primeira etapa, são abordados os do Oriente, os Mestres do Sul, os Mestres do
Norte, Companheiros e Aprendizes.

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O próprio oficial circulante longe de qualquer hierarquia é o último a depositar a proposta ou o
óbolo.

É bem verdade que esse conceito de formação de estrela povoa o imaginário maçônico de há
muito tempo já inserido na própria França por escritores de feição mística e oculta.

Deixo aqui os meus respeitos a esses pensadores, todavia não me atenho às convicções
contrárias à autenticidade.

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.072 - Florianópolis (SC) – sábado, 10 de agosto de 2013

CIRCULAÇÃO DAS BOLSAS


CIRCULAÇÃO DAS BOLSAS
O Respeitável Irmão Valério Trevisan, Mestre de Cerimônias da Loja Gralha Azul,
REAA, GOB-PR, Oriente de São José dos Pinhais, Estado do Paraná, apresenta a
questão que segue:
valeriopaidamaricler@gmail.com

Acredito ser um bom estudioso (talvez não o necessário) de assuntos relacionados


à Maçonaria, principalmente no que diz respeito à ritualística, também concordo
com você quando diz que na Maçonaria existem muitos Irmãos falando e
inventando muitas barbaridades sobre o assunto. Não quero desrespeitar o
Venerável Mestre da Loja, muito menos desrespeitar a ritualística Maçônica.
Quando faço o giro do Saco de Propostas e Informações o Venerável Mestre ordena
que eu passe o Saco de Propostas e Informações para o Mestre Instalado mais
recente, que fica sentado na cadeira ao seu lado esquerdo, antes de chegar ao
Primeiro Vigilante. No que diz o "Ritual do Primeiro Grau Aprendiz-Maçom do Rito
Escocês Antigo e Aceito" pag. 42 a circulação far-se-á na seguinte ordem: "...
Venerável, Primeiro e Segundo Vigilantes, Orador, Secretário, Cobridores, Mestres
do Oriente, Mestres das Colunas do Sul e Norte, Companheiros, Aprendizes e
finalmente o portador ajudado pelo Cobridor Interno. Minha pergunta é:

a) Devo acatar o ordem do Venerável Mestre e ter a proposta recolhida desse


Mestre Instalado mais recente, juntamente com a do Venerável Mestre antes de
recolher dos Vigilantes, Orador, Secretário e Cobridores, dando a esse
Mestre  Instalado status de "autoridade do simbolismo" sito linha 4, pag. 28 do
"PROCEDIMENTOS RITUALISTICOS, 1 GRAU REAA, 2009"; ou: 

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b) Devo recolher a proposta desse Irmão logo depois que tenha feito o recolhimento
da proposta ou informação do Cobridor como esta descrita nos manuais. Meu temor
é ofender de alguma maneira o Venerável Mestre da Loja. Acreditando em seu
imenso conhecimento, peço que me ajude a fazer a "coisa" certa!

Considerações: 

Não quero entrar no mérito de obedecer ou não ao Venerável. A questão aqui é a


de cargos detentores dos malhetes na dirigência da Loja. Assim, seguem as
recomendações: 

No Rito Escocês Antigo e Aceito a circulação da bolsa (que não tem nada a ver com
uma esdrúxula e pretensa estrela) por primeiro os detentores dos malhetes por
ordem hierárquica – Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes. 

Ato seguido as Dignidades do Orador e Secretário e por fim o Cobridor, ou


Cobridores se ambos estiverem presentes. O cargo de Cobridor assume uma
importância ímpar na constituição de uma Loja na sua tradição, uso e costume. 

Posterior a esse circuito colhe-se os que estiverem no Oriente começando pelos que
porventura ocupem lugar ao lado esquerdo e direito do Venerável, Mestres do Sul,
do Norte, Companheiros e Aprendizes. Por fim o próprio oficial circulante ajudado
pelo Cobridor. 

Nesse particular existe a carência de se corrigir os Procedimentos Ritualísticos do


GOB-PR que exara a colheita das autoridades presentes no Altar. Sob qualquer
hipótese não se justifica colher, mesmo de autoridades ao lado do Venerável (Grão-
Mestre Geral e Estadual), antes dos cargos aqui já anteriormente mencionados. 

Da mesma forma, estando presente o ex-Venerável imediato no lado esquerdo do


Venerável, este somente será abordado após os seis primeiros cargos aludidos. 

É sempre salutar a compreensão de que o ato começa por quem está literalmente
dirigindo a Loja e seguido dos seus auxiliares imediatos (Vigilantes). 

Simplificando: Abordam-se autoridades, começando pelos presentes ao lado do


Venerável, somente após o Cobridor, ou Cobridores. Nesse interim, embora não seja
autoridade, também o ex-Venerável mais recente. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com MAIO/2013


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.070 - Florianópolis (SC) – quinta-feira, 08 de
agosto de 2013

JOIA DO MESTRE DE CERIMÔNIAS


JOIA DO MESTRE DE CERIMÔNIAS
O Respeitável Irmão Petrus Cassoli, sem declinar o nome da Loja, Rito, Obediência,
Oriente (cidade), Estado de São Paulo apresenta a questão seguinte:
petrus.cassoli@hotmail.com

Estou com dificuldade em achar o porquê do triangulo ser substituído pela régua na
joia do Mestre de cerimônias?

Considerações: 

48
O que acontece principalmente na Maçonaria brasileira são as colchas de retalhos
que os ritos se submetem pela inserção de práticas, costumes e símbolos de uns
em outros ritos. Assim, se vossa questão estiver relacionada à prática do Rito
Escocês Antigo e Aceito, rito de origem latina, não se trata se substituição, porém
da joia correta, que sempre foi a régua graduada como objeto distintivo do Mestre
de Cerimônias. 

Perdurou por muito tempo a joia composta por um triângulo, todavia essa não é
aquela tradicional no Rito Escocês. O que foi feito então fora a colocação do trem
nos trilhos. O símbolo da Régua graduada (não confundir com a de 24 Polegadas)
para o Mestre de Cerimônias no Rito Escocês exprime o sentido de organização no
trabalho e na condução do seu ofício com garbo, perfeição e conhecimento (medida
de ações). 

O ofício do Mestre de Cerimônias comparado à beleza dos trabalhos exprime pela


régua graduada um objeto próprio que traça linhas ao infinito, cujo significado está
em não medir esforços na execução da sua missão. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com 


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.068 - Florianópolis (SC) – terça-feira, 06 de agosto
de 2013

SUBSTITUIÇÃO DE CARGO
SUBSTITUIÇÃO DE CARGO
Questão que faz o Respeitável Irmão Juliano Francisco Martinho, Secretário da Loja
Igualdade, 1.647, GOSP – GOB, sem declinar o Oriente (Cidade), Estado de São
Paulo.
juliano.martinho@ig.com.br

Quando há a necessidade de um Irmão que ocupa cargo ter que se retirar durante
os trabalhos (exemplo: Irmão Chanceler). Para que outro Irmão ocupe seu lugar, é
necessário que ele saída da Loja, junto ao Chanceler Oficial, e retorne novamente,
agora com a joia do cargo?

Considerações: 

Esse é mais um dos costumes eivados de equívocos que povoam a nossa


Maçonaria.

Com uma total perda de tempo ainda alguns insistem em meros atos que não
possuem qualquer sustentação. À bem da verdade esse costume surgiu daqueles
que querem justificar o ato com a proibição de se paramentar dentro da sala da
Loja. Ora, isso não é regra mundial, pois muitos em muitos costumes
maçônicos, como é o caso do Craft inglês e americano, os Irmãos se paramentam
dentro do Templo sem qualquer cerimônia antes do início dos trabalhos. 

Alguns ritos de vertente latina costumam se paramentar na Sala dos Passos


Perdidos para se reunirem no átrio antes de ingressar no Templo. Até aí tudo bem,
pois o procedimento cumpre uma organização e nada mais. 

Aliás, no modo latino, isso evita reuniões desnecessárias e bate papos no interior do
recinto, cuja pretensão é apenas a de asseverar respeito pela prática maçônica. 

49
Obviamente no Craft não há desrespeito algum, todavia a questão é cultural.
Infelizmente alguns Irmãos tomam a sala da Loja como um templo religioso
achando que a consagração do espaço como costume maçônico torna a Loja um
solo sagrado (religioso), fato que tem levado esses ao ponto de apregoar que é um
verdadeiro sacrilégio se paramentar dentro do Canteiro. 

A consagração nesse caso dá dignidade para a realização dos trabalhos maçônicos


e nunca a santidade do ambiente. 

Com base nessas ilações, é que viria aparecer essa orientação temerária de que
ninguém pode se paramentar dentro da Loja. Ora se vestir avental, colar com joia
distintiva ou faixa de Mestre fosse dessa maneira proibida, então ter-se-ia que
suspender os trabalhos para vestir o avental do Aprendiz na Iniciação e dos
Companheiros na Exaltação. O que se diria então na Instalação do Venerável e na
posse das Dignidades e Oficiais de uma Loja? 

No tocante ainda à vossa questão, em havendo necessidade de uma substituição,


faz-se a mesma dentro da Loja no momento necessário e sem a necessidade do
substituto e substituído precisarem se retirar do recinto para cumprir essa
“importante proeza”. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com 


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.066 - Florianópolis (SC) – domingo, 04 de agosto
de 2013

POSTURA DO COBRIDOR INTERNO


POSTURA DO COBRIDOR INTERNO
Questão que faz o Respeitável Irmão Lelio Geraldo da Silva, Loja Estrela de
Bragança, 3.375, GOSP – GOB, sem declinar o nome do Rito, Oriente de Bragança
Paulista, Estado de São Paulo.
professorlelio@ig.com.br

Gostaria de saber como deve ser a postura do Irmão Cobridor Interno no inicio,
durante e no fim das sessões com relação ao seu instrumento de trabalho (espada).

Considerações: 

Salvo quando o Ritual determinar o contrário (procedimento na Iniciação),


geralmente a espada será empunhada em riste ou fica presa ao dispositivo
colocado na faixa do Mestre, ou ainda em um aparelho preso atrás do encosto da
cadeira. É também recomendável que a Loja providencie um talabarte com um
dispositivo (bainha) para manter a espada embainhada.

Empunhando a espada – geralmente na entrada e saída dos obreiros, quando do


ingresso ou retirada de alguém – com a mão direita, lado direito do corpo,
lâmina apontada para cima junto ao corpo e punho colado ao quadril direito. Braço,
antebraço e cotovelo afastado do corpo. Nas demais situações, salvo se orientado
pelo ritual ao contrário, o Cobridor manterá a espada embainhada, ou presa à faixa,
ou no suporte disposto na cadeira. 

Ratificando: durante a abertura e encerramento dos trabalhos o Cobridor não


necessita de empunhar a espada, senão na abertura quando do procedimento de
verificação se o Templo acha-se coberto. 

50
Cobridor com a espada embainhada faz sinal com a mão, ou mãos se for o caso. A
regra de não se fazer sinal com o instrumento de trabalho se prende ao fato de não
usar o instrumento para com ele compor o Sinal. Com as mãos livres o Sinal é
composto na forma de costume. 

Finalizando fica a recomendação de que o Cobridor sentado faça uso dos artifícios
aqui anteriormente apresentados. 

É de péssima geometria o Oficial dispor a espada sobre as coxas ou apoiá-la com a


lâmina no piso com certas alegações ocultistas como é o caso da tal “descarregar
energias”. 

A espada em Maçonaria é uma reminiscência de arma para a cobertura dos


trabalhos. O Cobridor cobre simbolicamente os trabalhos da presença de
bisbilhoteiros. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com 


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.065 - Florianópolis (SC) – sábado, 03 de agosto de
2013

DÚVIDAS
DÚVIDAS
O Respeitável Irmão João dos Reis Neto, sem declinar o nome da Loja, GOB, Oriente
de Brasília, Distrito Federal.
jreisneto@ig.com.br

1 - Como trabalhar na "PEDRA POLIDA" ou "PEDRA CÚBICA"? 2 - Com qual


instrumento? 3 - Como receber três visitantes (Aprendiz, Companheiro e Mestre)
que bateu na porta de uma Loja REAA, como Aprendiz e a Loja estava Trabalhando
no Grau III?

Considerações: 

Primeiramente gostaria de salientar que o termo “pedra cúbica” é o mais próprio no


conceito doutrinário maçônico, dada à explicação de que o trato da obra está na
elevação da construção por pedras justapostas. Assim a pedra cúbica se aplica
melhor para o nivelamento e a aprumada. No meu entendimento uma pedra polida
pode assumir diversas características de formato, todavia não próprias para a
aplicação das ferramentas simbólicas.

Quem trabalha na Pedra Cúbica é o Companheiro, dado o simbolismo de


aperfeiçoamento por aquele que aprendeu a desbastar a Pedra Bruta. Os
instrumentos de trabalho do Companheiro no Rito Escocês Antigo e Aceito são o
Maço e a Régua de 24 Polegadas (ver a alegoria do Companheiro). 

O Companheiro de idade mais apurada assenta a Pedra percutindo com o Maço o


que em linhas gerais representa que pelo aprendizado ele não esfacela a pedra –
note o primeiro trabalho do Companheiro com o Maço. 

Melhor evoluído ele pode também melhor medir o tempo para o aproveitamento e
aperfeiçoamento do trabalho (Régua de 24 Polegadas). 

Ainda outros instrumentos de trabalho estão previstos e podem ser mais bem
perscrutados nas cinco viagens na cerimônia de Elevação assim como no Painel do

51
Segundo Grau (esse corolário está ligado diretamente aos cinco anos de
aperfeiçoamento). 

Nesse sentido há então que se considerar que esse Grau é o mais genuíno da
Maçonaria historicamente se comentando. 

Cabe aqui uma consideração. Alguns rituais brasileiros do Rito em questão


apregoam a Régua de 24 Polegadas como instrumento de trabalho do Aprendiz. Há
nesse procedimento um equívoco, pois a Régua é instrumento de trabalho do
Primeiro Grau no Craft (inglês), ou da Maçonaria de vertente inglesa. 

Os objetivos são os mesmos, todavia o método doutrinário é outro. O Rito Escocês é


de vertente latina (francesa). 

Em relação ao ingresso em Loja de Mestre após a abertura dos trabalhos (irmãos


atrasados), o único que terá franqueado o ingresso obviamente será o Mestre.
Havendo Cobridor Externo esse informará o grau de trabalho da Loja aos
retardatários. Não havendo Cobridor Externo em qualquer situação somente se dá
na porta a bateria universal (Aprendiz). 

Compete ao Cobridor Interno verificar pelos paramentos se os retardatários têm


grau suficiente para adentrar. Não existe o repicar de baterias na porta. Baterias do
Grau dadas da porta somente são praticadas quando o ritual assim determinar. 

Como não há institucionalização de atraso, a regra é bater como Aprendiz. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com MAIO/2013
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.064 - Florianópolis (SC) – sexta-feira, 02 de
agosto de 2013

PROCEDIMENTOS DE ENTRADA
PROCEDIMENTOS DE ENTRADA
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Edison Carlos Ortiga, Rito
Adonhiramita, COMAB, sem declinara o Oriente (Cidade) e Estado da Federação:
capituloadonhiramita@gmail.com

Estamos elaborando uma coletânea de procedimentos para o Rito Adonhiramita


(COMAB), e no tocante a parte de cerimonial o rito, seja qual for, pouco dita as
normas e sim a Potência, mas como é um assunto que gostaria que constasse
nessa coletânea, e normalizar e uniformizar procedimentos sobre um fato muito
corriqueiro entre nós, solicito uma ajuda do Irmão através de seu parecer. Trata-se
de uma Loja incorporada em visita a outra loja, não sendo sessão conjunta, apenas
visita. Penso que a Loja visitante entra em comitiva, tendo a frente seu Venerável,
seguido pelos Mestres, Companheiros e Aprendizes. Estando a Loja aberta poderia
apenas o Venerável, representando toda a delegação, fazer a marcha do grau e as
respectivas saudações, ou todos, individualmente executarem este procedimento?
Este assunto fica sob malhete até vossa opinião.

Considerações: 

Não sou muito a favor dessas incorporações de Loja. Se elas existem como
previstas nos respectivos regulamentos, o jeito é cumprir. Entendo sempre que na
tradição maçônica existe mesmo a visita.

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Seguindo a regra de que a maior autoridade geralmente entra por último
considerando a Loja visitante, o primeiro que entra é o que se submete ao
telhamento e a entrada formal. Nesse caso o Venerável é o último a entrar. 

Agora existem as entradas em família após a Ordem do Dia. Aí é o Venerável que


entra por primeiro acompanhado do séquito. Nesse caso, embora na contramão,
seria o Venerável que sujeitaria à formalidade. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com MAIO/2013
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.063 - Florianópolis (SC) – quinta-feira, 01 de
agosto de 2013

NE VARIETUR
NE VARIETUR
Questão que faz o Respeitável Irmão Antonio Raia, GOB, Oriente de Recife, Estado
de Pernambuco.
antonio_raia@hotmail.com

Havendo sido iniciado na Ordem no ano de 1.982, na Loja Jesus de Nazaré 33,
2.422 onde recebi as instruções necessárias para aumentos de salários, etc.,
lembro que primeira sessão após a iniciação, ao chegar à Sala dos Passos Perdidos
encontrei o Livro de presenças. Por falta de experiência fui logo querendo assinar o
dito cujo, onde o Irmão Chanceler me disse que eu só poderia assinar o livro
quando já estivessem assinados sete Mestres, pois a Loja estaria completa.
Explicou-me que o Senhor edificou Sete Colunas, etc. Neófito então aceitei as
explicações do Irmão Chanceler e do Irmão Segundo Vigilante e guardei para o
futuro. Daí então, já Mestre em 1.984 comecei a instruir os novos Irmãos
Aprendizes até a data de hoje. Confiante no ensinamento do aprendizado, então,
instruindo os neófitos na Sala dos Passos Perdidos que o Irmão Aprendiz só pode
assinar o referido Livro após a assinatura de sete Irmãos, quando de repente o
Irmão Chanceler, hoje e Segundo Vigilante em 1.982 havia me complementado as
explicações disse-me que o Irmão Aprendiz pode e deve assinar independente de
assinaturas. Indaguei do Irmão Chanceler que lembro do fato por ter sido uma das
primeiras lições que havia recebido dos amados  Irmãos e o mesmo me disse que
não lembrava. Procurei livros, rituais e fiz várias pesquisas onde nada encontrei.
Poderia o amado Irmão dar-me uma luz? Então aprendi errado? Por favor, me tire
essa dúvida.

Considerações: 

Mera filigrana do Chanceler da época. Não existe qualquer hierarquia para


assinatura no Livro de Presenças, já que neste existe sim espaço para que o
assinante decline o seu grau simbólico.

Verdadeiramente o Chanceler só deve abrir o Livro no momento em que se


certificar da existência de no mínimo sete Mestres na Sala dos Passos Perdidos, pois
se constatar um número de Mestres inferior a sete, não existirá sessão em Loja
aberta – uma Loja será aberta com a presença mínima de sete Mestres. 

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O que deve mesmo ser observado é que o Venerável, em qualquer circunstância,
seja o último a assinar, fato que se recomenda que ele assine o Livro após estarem
encerrados os trabalhos. Pode ocorrer que existam visitantes que não entrarão em
família ou mesmo retardatários – estes firmam o seu “ne varietur” somente após
ingressarem nos trabalhos. 

Se o Venerável é o último que assina, então que “estória” é essa de hierarquia no


rol de presenças da Loja? Um Venerável assina por último para constatar a lisura
dos trabalhos ao mesmo tempo em que o procedimento evita “arranjos” para certas
presenças “tenebrosas” que por ventura possam existir (arranjos para cálculo de
presença). 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com MAIO/2013
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.062 - Florianópolis (SC) – quarta-feira, 31 de julho
de 2013

ENTRADA FORMAL

ENTRADA FORMAL

O Respeitável Irmão Edison Carlos Ortiga, sem declinar o nome da Loja, Obediência, Oriente
(Cidade) e Estado da Federação, apresenta a questão abaixo:

capituloadonhiramita@gmail.com

Sempre aprendi e sempre ensinei - independente de rito - que em loja aberta se entra
ritualisticamente. Eu, como autoridade, com frequência sou recebido com as honras
protocolares e faço a minha entrada ritualisticamente. Mas tenho notado que autoridades do
simbolismo, Grão-Mestre e Grão-Mestre Adjunto, quando são recebidos protocolarmente,
entram no templo com os passos normais, não saúdam a ninguém e aguardam, em seus
devidos lugares - entre colunas ou à entrada do Oriente, a chegada do Venerável que lhes
passa o malhete. E quando está em comitiva, toda a comitiva adentra "profanamente". Fui
questionar tais autoridades e eles disseram serem prerrogativas deles. Eles são realmente
dispensados da entrada ritualística? Os protocolos de recepção são omissos quanto ao
procedimento da entrada da autoridade. E como ficamos?

Considerações:

Esses procedimentos têm estado geralmente presos aos Regulamentos das Obediências. No
Grande Oriente do Brasil, por exemplo, existe a possibilidade de o Grão-Mestre entrar em
família, se esse for o seu desejo, acompanhado pelas demais autoridades.

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Uma autoridade reconhecida não entra executando marcha, até porque em sendo ele
autoridade é reconhecidamente portador do Grau de Mestre Maçom.

Geralmente entradas formais são para visitantes de outras Lojas, assim, o bom senso proclama
não exigir de um Grão-Mestre entrada pela marcha e saudação.

No Grande Oriente do Brasil existe um protocolo de recepção de acordo com as respectivas


faixas dos portadores. Esse protocolo se diferencia pelo número de componentes da abóbada
de aço e em sendo o Grão-Mestre ainda a entrega do malhete.

T.F.A. PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com MAIO/2013

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.061 - Florianópolis (SC) – terça-feira, 30 de julho de 2013

RITUALÍSTICA
RITUALÍSTICA
O Respeitável Irmão Hiroshi Murakami, Loja Antonio Vieira de Macedo, REAA, GOB,
Oriente de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, questiona resposta apresentada sobre
a verificação dos presentes em Loja de Companheiro quando da abertura dos
trabalhos.
hiroshi.himura@gmail.com

Acho que o assunto abordado tem equivoco de ambas as partes. Senão Vejamos:
Fala do Venerável Mestre - Em pé e à Ordem, meus Irmãos (isso quer dizer todos)
Aí vem a observação - Todos nas colunas e no Oriente levantam-se, ficam à Ordem
e voltam-se para o Oriente (isso é para que ninguém a não ser os Vigilantes vejam
o que ocorre no momento do telhamento - caso contrário quem estiver a ser
telhado poderá copiar de quem está sendo telhado) essa é a única razão para que
se virem de costas ou seja todos voltados para o Oriente. Os Vigilantes percorrem
as Colunas (colunas só existem no Oriente) O Ritual é claro. Não dá todas as
explicações mas é claro.

Considerações:

Meu Irmão. Vou tentar mais uma vez esclarecer. O verdadeiro equívoco está no
Ritual onde na página 29 está escrito que “Todos nas Colunas e no Oriente
levantam-se (...)”. No Oriente não existe telhamento em nenhum dos graus
simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceito. 

Há que se notar que no texto explicativo seguinte é exarado que os Vigilantes


percorrem as suas Colunas (o grifo é meu). Ainda no mesmo explicativo: “Os

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Oficiais da Loja não serão examinados assim como os que se encontram no
Oriente”. 

Dando sequência, já na página 30 o Venerável proclama: “Eu respondo pelos do


Oriente. Sentai-vos”. Assim se a questão for contradição e equívoco como
ficaríamos: apenas os do Ocidente devem sentar? E os do Oriente? Permanecem em
pé? 

Vamos às explicações: Sabemos perfeitamente que os Irmãos das Colunas se


voltam para o Oriente para que ninguém possa ver o que se passa na sua
retaguarda. Todavia esse procedimento somente é executado no Ocidente (Colunas
do Norte e do Sul) tendo como protagonistas os Vigilantes e aqueles que não
exercem cargo, pois os que exercem ofício são Mestres. 

Assim, em primeira análise, seria redundante examiná-los, pois o Mestre de


Cerimônias ao compor a Loja tem esse cuidado. Agora no Oriente, todos os que ali
ocupam lugar, são também necessariamente Mestres de tal maneira que o
Venerável em qualquer grau simbólico sempre proclama que responde pelos ali
presentes. 

Se no Oriente só existem Mestres, o que deveria ser ocultado destes no


telhamento? Remeto o Irmão ao ritual do Grau de Mestre para observar que ali os
procedimentos já estão de acordo. Ninguém se vira para a parede Oriental no
Oriente da Loja, dado que nesse espaço em Loja aberta e em qualquer grau
simbólico não existe telhamento e, por conseguinte, nada nesse particular é vedado
ao Mestre que atingiu a plenitude maçônica - como dito, em qualquer grau, e isso
se aplica obviamente para o de Companheiro. 

O equívoco mesmo é o do ritual em questão e não vejo nele tanta clareza, pois
manda todo mundo ficar em pé e posteriormente exara que uma parte tome
assento novamente. E a outra? 

Essa “estória” de se ficar de costas para o Ocidente no quadrante oriental é prática


equivocada de mistura de procedimentos com outros Ritos e Trabalhos que não
possuem Oriente elevado. O próprio Rito Escocês nos seus rituais primitivos não
possuíam oriente elevado, senão após a criação das Lojas Capitulares no início do
Século XIX. 

Essas Lojas seriam posteriormente extintas, todavia deixaram como marca o


Oriente elevado no simbolismo, constatando-se a partir de então esses
procedimentos altamente contraditórios. 

Ao longo dos tempos esse erro crasso acabou por ser consuetudinário no Rito,
porém aos olhos da razão ele jamais deveria ser considerado como “evolução de
rituais” – tese que alguns ainda teimam em defender. 

Ora, o ato de evoluir merece uma justificativa clara e acadêmica, nunca embasada
em certos rituais ultrapassados e sem qualquer merecimento de crédito. 

Ritos e Trabalhos (Craft) que não possuem o Oriente elevado e dividido por
balaustrada, têm como Oriente apenas a parede de fundo e onde toma na cátedra
por três degraus assento o Venerável, ou Mestre da Loja, bem como aqueles que
simetricamente ao seu lado direito e esquerdo, porém abaixo do sólio, ali tem
direito de permanecer. 

No exercício e prática desses costumes é que, exceto os encostados na parede


Oriental, todos se voltam para o Leste nas oportunidades de telhamento.

Agora, geralmente ritos que possuem orientes elevados e demarcados pela


balaustrada, como é o caso consuetudinário do simbolismo escocês, existe

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diferença de procedimentos, pois nesse limite existem apenas e tão somente
Mestres Maçons. 

Ainda na questão o ritual Companheiro abordado, que justificativa seria aquela de


que apenas os Vigilantes possam vislumbrar o que acontece? Teriam eles um posto
mais elevado do que o Venerável? Penso que também há num equívoco, se não um
erro de digitação, quando o Irmão afirma em seu escrito que “Colunas só existem
no Oriente” (sic).  Colunas do Norte e do Sul são partes representativas espaciais do
Ocidente. 

Finalizando. O que merece e certamente será arrumado é o Ritual adequando-se à


essência do Rito. A prática em questão é do Rito Escocês Antigo e Aceito e nunca
produto de enxertia de outros procedimentos que não digam a ele respeito. 

Sabemos perfeitamente que a Maçonaria é composta por Ritos e Trabalhos do Craft,


todavia cada costume possui o seu arcabouço doutrinário, litúrgico e ritualístico,
desde que conferido o discernimento de que mistura de procedimentos não é
evolução dos rituais. Um rito é uma parte integrante da Maçonaria Universal. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com MAIO/2013
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.060 - Florianópolis (SC) – segunda-feira, 29 de
julho de 2013

CIRCULAÇÃO E RETÁBULO DO ORIENTE

CIRCULAÇÃO E RETÁBULO DO ORIENTE

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Ruy Mar Nunes, Mestre de Cerimônias da Loja
Amor e Luz 1.159, REAA, GOB, Oriente de Pires do Rio, Estado de Goiás.

ruymarnunes@yahoo.com.br

Gostaria da ajuda do Irmão para esclarecer duas dúvidas: 1 - A circulação no Ocidente é feita
no sentido horário, logo após a entrada do cortejo ou somente depois da abertura ritualista? O
ritual na pag. 42 não especifica quando deve iniciar a circulação ritualista. 2-O Ritual na pag. 14
diz "Na parede do fundo, no Oriente, em um painel, são representados os astros do dia e da
noite (Sol e Lua), ficando o Sol à direita do V.M. e a Lua, em quarto crescente, à esquerda do
V.M.” Pesquisei a respeito e encontrei em Rituais antigos ora o Sol à esquerda e a Lua à direita
do V.M. ora o contrario. Acho estranho o Sol está no Lado Norte o lado escuro do Templo,
onde tem assento os Irmãos Aprendizes e onde fica a Pedra Bruta. Qual seria a posição
correta?

Considerações:

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1 – Assim que o Venerável Mestre tomar assento e pronunciar – Irmãos; ajudai-me a abrir a
Loja – os procedimentos para a abertura obedecem à ritualística. O que é na oportunidade
abolido é apenas o Sinal, salvo aquele previsto no reconhecimento pelo Primeiro Vigilante, ou
pelos Vigilantes conforme o Grau. Assim, procede-se normalmente com a circulação horária no
Ocidente, bem como se faz o ingresso no Oriente pelo seu lado nordeste e a sua saída pala
banda sudeste.

2 – O Painel que o Irmão se refere trata-se do Retábulo do Oriente. O Sol do Retábulo se refere
ao cargo do Orador donde emanam as Leis, enquanto que a Lua ao Secretário como luz reflexa
que absorve as anotações.

Essas duas luminárias são correspondentes às duas outras verdadeiras Dignidades no Rito
Escocês Antigo e Aceito que em conjunto com as Três Luzes compõem as “cinco Dignidades”.

Cabe aqui então uma pequena consideração. Infelizmente no GOB, as Dignidades de uma Loja
são confundidas com cargos eletivos, no que é dado o equivoco de considerar os cargos como
Dignidades alterando a tradição de cinco para sete. Se assim está escrito e aprovado temos
que cumprir, porém não nos impede de apontar o engano.

Quanto ao “estranho” pela sua referência do lado Norte e o Sol, este nada tem a ver com a
Coluna do Norte e os Aprendizes, pois nesse particular a referida Coluna está posicionada no
Ocidente (da balaustrada até a parede ocidental), enquanto que a banda do Oriente é um
quadrante de onde vem a Luz.

No tocante aos rituais antigos, devo salientar que em não raras vezes antiguidade não é
sinônimo de qualidade verdadeira, pois esses rituais às vezes estão equivocados e por outras
vezes pertencem a outro Rito.

Tradicionalmente a Dignidade do Orador toma assento no Oriente à sua esquerda do ponto de


vista de quem entra. A

Ainda em relação ao Sol e a Lua, a posição disposta no Retábulo, também se apresenta análoga
a do Painel da Loja.

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Finalizando e registrando um esclarecimento o Sol e a Lua do Retábulo não possuem a mesma
representação alegórica do Astro e do Satélite dispostos na abóbada celeste.

T.F.A. PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com MAIO/2013

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.059 - Florianópolis (SC) – domingo, 28 de julho de 2013

BATERIA NA PORTA DO TEMPLO

BATERIA NA PORTA DO TEMPLO

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Carlos Alberto de Souza Santos, GOB, Oriente do
Rio de Janeiro.

carlossantos1309@yahoo.com.br

Aqui no Rio de Janeiro existe uma prática utilizada que gostaria de sua resposta: A Loja está
aberta em sessão de Mestre, porém um irmão (da Loja ou visitante, não importa) chega com
os trabalhos já iniciados. E este irmão (Mestre) bate a porta do templo como Aprendiz, porém
o irmão Cobridor Interno repete a batida, aí ele bate como Companheiro o irmão Cobridor
Interno repete à batida, daí ele bate como Mestre e o Irmão Cobridor aí então anuncia ao 1º
Vigilante, maçonicamente batem à porta do templo e este ao Ven. Mestre e depois
procedimentos normais etc. A pergunta em questão é se estes repiques e subidas de graus
estão corretos ou não passam de mais um achismo ou vício de costumes?

Considerações:

Essa tem sido uma prática extremamente contraditória na ritualística maçônica brasileira. O
fato é que nenhum ritual será escrito prevendo o “atraso”, todavia sabemos que ele
verdadeiramente acontece.

59
Nesse sentido, se um obreiro chegar atrasado, ele dará na porta a bateria universal maçônica
que é a de Aprendiz. Se o momento for oportuno para o ingresso o Cobridor fará a
comunicação de costume, dando-se em seguida os procedimentos de ingresso. Se o momento
não for oportuno, o Cobridor dará pelo lado de dentro da porta à mesma bateria. Isso significa
que o que estiver pedindo ingresso deverá aguardar o momento propício para entrada.

É procedimento completamente equivocado o “atrasado” elevar a bateria para o grau


subsequente e assim por diante. Isso é mesmo prática inexistente, nem mesmo com alegação
de que a Loja esteja trabalhando em outro Grau.

Compete ao Cobridor Interno verificar (pelo avental) e comunicar se o atrasado do quadro tem
qualidade para ingressar. Se for Irmão desconhecido, ainda existem outros procedimentos de
verificação obviamente.

Não existe esse festival de bateria, como também não existe a institucionalização do “atraso”.
Penso que a preocupação deveria ser com a entrada formal do atrasado – Macha do Grau de
trabalho da Loja.

Outro aspecto a se considerar é de que como um “atrasado” consegue ingressar no prédio e


ter acesso até a porta da Sala da Loja após o início dos trabalhos.

T.F.A. PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com MAIO/2013

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.058 - Florianópolis (SC) – sábado, 27 de julho de 2013

JÓIAS DISTINTAS
JÓIAS DISTINTAS
Questão apresentada em 02 de novembro de 2.010 e recuperada em 07 de abril de
2.013. O Respeitável Irmão Marcos A. P. Noronha, Venerável Mestre da Loja
Universitária, Ordem, Luz e Amor, 3.848, GOB-PR, Oriente de Foz do Iguaçu, Estado
do Paraná, apresenta a questão seguinte:
mn.luola@gmail.com

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Às vezes, por questão de treinamento ou ainda por falta de Mestre Maçom na
Sessão, salientando que a Loja para estar Justa e Perfeita necessita para ser aberta
de tão-somente sete Mestres, é designado algum Companheiro para exercer cargos
de oficiais em uma das Colunas, como por exemplo, 2º Diácono, Mestre de
Harmonia. Nestas ocasiões o Irmão (Companheiro), que estará portando o avental
de seu grau, deve usar a faixa (o certo seria colar) com a joia do cargo? Adianto
minha opinião, sem querer com isso interferir em sua resposta: consoante com o
trabalho que escrevi com o título "O Mestre Instalado" e publicado pela Editora
Maçônica "A Trolha Ltda" na Coletânea de Trabalhos nº 8, de setembro de 2009,
quando o 1º Vigilante substitui o Venerável na presidência de uma Sessão, aquele
não pode utilizar o avental de Mestre Instalado (se não o for), mas ele utiliza o colar
de Venerável, entendo que o Companheiro não pode, por óbvio, utilizar o avental
de Mestre, mas deve utilizar a faixa (colar) do cargo que estiver exercendo "ad
hoc", ou seja, ele não estará usando a faixa de Mestre e sim a faixa (colar) com a
joia do cargo.  Meu entendimento, data vênia, é robustecido pelo que prescreve o
Ritual do 3º Grau (Mestre Maçom) do GOB, Ed. 2009, pg. 22, se não vejamos: "Além
do respectivo Avental, o Mestre quando não estiver exercendo o cargo de Vigilante,
de Dignidade ou de Oficial usa uma faixa em material acetinado (...) e, em sua
extremidade a joia de Mestre em metal dourado." (destaque da transcrição). Ou
seja, o Companheiro não deve portar a faixa de Mestre, pois ele não é Mestre, mas
deve portar o colar com a joia do cargo, quando estiver "ad hoc" exercendo cargo
de oficial ou até mesmo de dignidade, por exemplo, de tesoureiro ou chanceler,
haja vista que um Companheiro não deve exercer cargo no Oriente e muito menos
de Vigilante. Entendo que nosso parecer está consoante, também, com o que
prescreve o citado Ritual à pg. 30 quando trata dos paramentos de Dignidades e
Oficiais. Desde já sou mui grato pela atenção dispensada.

Considerações: 

Isso seria o mesmo que tapar o sol com a peneira, pois cargos em Loja somente
serão exercidos por Mestres Maçons. Entretanto entendo perfeitamente que na
realidade das Lojas isso não acontece, geralmente pela falta de Mestres em número
suficiente para pelo menos ocupar alguns cargos. 

Assim, como a boca se entorta de acordo com o hábito do cachimbo, pelo menos
que um Companheiro não ocupe, além dos Vigilantes, do Mestre de Cerimônias e
outros que exercem ofício no Oriente, o cargo de Cobridor também, ele deve usar a
joia distintiva correspondente ao cargo que ele precariamente estiver assumindo. 

Como bem disse o Irmão, a faixa é alfaia do Mestre e esta em hipótese alguma
deve ser vestida pelo Companheiro. O avental então não merece nem mesmo
comentário. Assim, tolera-se no caso precário, o uso do colar com a joia distintiva e
nada mais.

T.F.A. PEDRO JUK


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.057 - Florianópolis (SC) – sexta-feira, 26 de julho
de 2013

COMO PEDIR A PALAVRA


COMO PEDIR A PALAVRA
Questão apresentada em 28 de outubro de 2.010 e recuperada em 07 de abril de
2.013. Dúvidas apresentadas pelo Respeitável Irmão André Soares, Loja Sol e
Liberdade, 2.897, GOB, sem declinar o nome do Rito, Oriente (cidade) e Estado da
Federação.
prof_andresoares@hotmail.com

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Recentemente surgiu uma dúvida de como se pede a palavra em Loja. Observando
o Ritual e Apostilas de normas ritualísticas, eu não encontrei nenhuma informação.
Alguns falam para bater palmas e sinalizar com o braço estendido, outros falam que
é apenas para estender o braço, e outros falam que é para ficar em pé e a ordem.
Qual é a forma correta de se pedir a palavra em Loja? Outra dúvida, a palavra pode
voltar para as Colunas caso algum irmão assim o solicitar?

Considerações: 

A forma mais comum de se pedir a palavra no Rito Escocês Antigo e Aceito é aquela
em que o obreiro bate com a mão direita no dorso da mão esquerda e estende o
braço direito para frente com a palma da mão virada para baixo chamando atenção
daquele que concede a palavra. 

Ficar à Ordem nunca. Esse procedimento somente é adotado após ser concedida a
palavra àquele que dela solicitou. 

Os Vigilantes pedem a palavra diretamente ao Venerável por um golpe de malhete.


Retorno da palavra – criteriosamente o Venerável pode assim proceder, todavia
nesse caso a palavra deve obedecer novamente ao giro a partir da Coluna do Sul.
Na hipótese de um obreiro nas Colunas desejar o retorno da mesma, ele a solicita
na forma de costume ao Vigilante da sua Coluna. Este por sua vez pede ao
Venerável que ao seu critério poderá ou não concedê-la.

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com Abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.056 - Florianópolis (SC) – quinta-feira, 25 de julho
de 2013

CIRCULAÇÃO
CIRCULAÇÃO
Questão apresentada em 08 de novembro de 2.010 e recuperada em 07 de abril de
2.013. O Respeitável Irmão Paulo R. Carvalho, Mestre de Cerimônias da Loja
Caratinga Livre, 922, GOB, REAA, sem declinar o nome do Oriente (Cidade) e Estado
da Federação.
pcarvalho49@uol.com.br

Referente à circulação do Saco de Propostas e do Tronco de Beneficência, tenho


feito conforme determina o Ritual 2009 pag. 42. A frequência média na nossa Loja,
por reunião, é de sessenta e cinco Irmãos, com a idade média maçônica acima de
19 anos, motivo de muitas dúvidas ritualística, e usando sempre o jargão "mais
antes era assim". Pergunto: Como deve ser o recolhimento no Altar com os três
assentos ocupados? Se possível com justificativa.

A circulação da bolsa (propostas ou beneficência) segue sempre o critério dos seis


cargos por ordem de importância para uma Loja escocesa no seu simbolismo. Por
ordem hierárquica são sempre abordadas as Luzes da Loja (Venerável, Primeiro e
Segundo Vigilante), as outras duas Dignidades (Orador e Secretário) e por fim o
Cobridor Interno. 

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Essa circulação nada tem a ver com a invenção de uma suposta “estrela de seis
pontas” que além de inexistente no Rito Escocês, ainda ficaria toda deformada
conforme a posição dos cargos citados.

Nesse sentido, os primeiros a serem abordados, mesmo estando o Altar ocupado


nos seus três lugares previsto, serão sempre aqueles que estiverem detendo o
malhete (primeiro o Venerável; segundo o Primeiro Vigilante, e por terceiro o
Segundo Vigilante). 

A partir daí completa-se o giro até o Orador, ato seguido ao Secretário e por fim o
Cobridor. Completado esse percurso, seguem-se pelos demais que estiverem no
Oriente, se iniciando por aqueles que estiverem ocupando as cadeiras ao lado do
Venerável. 

No embalo dessas “estórias” de que “antes era assim” é que chegamos aos
absurdos ritualísticos ainda comuns na nossa Maçonaria. Derrubar o edifício até não
parece muito difícil, o grande problema é dar fim aos entulhos.

T.F.A. PEDRO JUK jukirm@hotmail.com Abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.055 - Florianópolis (SC) – quarta-feira, 24 de julho
de 2013

APRENDIZES PORTAM ESPADAS?


APRENDIZES PORTAM ESPADAS?
RECONSIDERAÇÃO - EQUÍVOCO NA RESPOSTA. RESPOSTA PUBLICADA NO JB NEWS
1.052 E 1.053– 21 E 22/07/2013. Como ser humano que sou e passível
aprimoramento cometi um deslize na resposta dada ao Respeitável Irmão Fabrício
Gentil da Silva publicada no JB NEWS nº 1.052 e repetida no nº 1.053 datados de 21
e 22 de junho de 2.013 respectivamente.
A questão: Enviei há algum tempo uma consulta para o e-mail do Irmão sobre se no
Rito Escocês Antigo e Aceito, Aprendizes podem portar espadas. Eu aprendi que
não, mas numa Iniciação, o Delegado Distrital, que presidia a Sessão, autorizou os
Aprendizes a comporem a abóbada de aço. Isto está correto? 

Resposta publicada com o equívoco (destacado em amarelo) da minha parte:

CONSIDERAÇÕES: No Rito Escocês Antigo e Aceito na sua tradição apenas aos


Mestres e dado o direito de empunhar espada ou no caso de alguns Oficiais
(Cobridores e Expertos) portarem espadas. Como existe a passagem ritualística na
Iniciação, os Mestres em dado momento apontam espadas para o Iniciando.
Também existem as comissões de recepção para a abóbada de aço e a guarda de
honra do Pavilhão Nacional, cujos componentes destas são Mestres Maçons.  A
questão às vezes é de bom senso – nem tanto ao santo e nem tanto ao diabo. A
situação sempre merece uma avaliação, daí de modo precário, para completar um
procedimento, é possível pedir auxílio de Aprendizes e Companheiros na
inexistência de número suficiente de Mestres para compor a abóbada – questão de
bom senso. Já no caso de substituição de Oficiais (Cobridores e Expertos) isso é
completamente inadequado, pois cargos em Loja são prerrogativas de Mestres
Maçons. T.F.A. PEDRO JUK jukirm@hotmail.com abril/2013. 

RECONSIDERAÇÃO: CONSIDERAÇÕES: No Rito Escocês Antigo e Aceito na sua


tradição apenas aos Mestres é dado o direito de empunhar espada, ou no caso por
dever de ofício, alguns Oficiais - Cobridores e Expertos (cargos em Loja são
privativos de Mestres Maçons). Além do dever de ofício de alguns, ainda existe a
passagem ritualística na Iniciação quando em dado momento apontam-se espadas

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para o Iniciando, também existem as comissões de recepção para executar a
abóbada de aço e a guarda de honra do Pavilhão Nacional, cujos protagonistas,
pelo uso da espada, devem ser Mestres Maçons. Assim, pelo considerado,
Aprendizes e Companheiros não podem participar desses procedimentos. Na
questão do bom senso e para não se ferir a concepção iniciática, nas oportunidades
em que possa existir número de Mestres reduzidos, seria de melhor geometria
reduzir o número de componentes nos procedimentos, nunca completa-las com
Aprendizes e Companheiros. 

Quero externar aqui os meus agradecimentos aos Irmãos Nilson do GOB-GO e


Pasolini do GOB-ES que atentos às orientações, imediatamente me questionaram
pelo equívoco (destaque em amarelo) por mim cometido. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com 


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.054 - Florianópolis (SC) – terça-feira, 23 de julho
de 2013

APRENDIZES USAM ESPADAS?

APRENDIZES USAM ESPADAS?

Questão apresentada em 2.010 e recuperada em 06 de abril de 2.013. O Respeitável Irmão


Fabrício Gentil da Silva, Loja Caridade e Segredo, nº 03, sem declinar o nome da Obediência,
Oriente de Cachoeira, Estado da Bahia apresenta a seguinte questão:

feradoradio@gmail.com

Enviei há algum tempo uma consulta para o e-mail do Irmão sobre se no Rito Escocês Antigo e
Aceito, Aprendizes podem portar espadas. Eu aprendi que não, mas numa Iniciação, o
Delegado Distrital, que presidia a Sessão, autorizou os Aprendizes a comporem a abóbada de
aço. Isto está correto?

CONSIDERAÇÕES:

No Rito Escocês Antigo e Aceito na sua tradição apenas aos Mestres e dado o direito de
empunhar espada ou no caso de alguns Oficiais (Cobridores e Expertos) portarem espadas.
Como existe a passagem ritualística na Iniciação, os Mestres em dado momento apontam
espadas para o Iniciando. Também existem as comissões de recepção para a abóbada de aço e
a guarda de honra do Pavilhão Nacional, cujos componentes destas são Mestres Maçons.

A questão às vezes é de bom senso – nem tanto ao santo e nem tanto ao diabo. A situação
sempre merece uma avaliação, daí de modo precário, para completar um procedimento, é

64
possível pedir auxílio de Aprendizes e Companheiros na inexistência de número suficiente de
Mestres para compor a abóbada – questão de bom senso.

Já no caso de substituição de Oficiais (Cobridores e Expertos) isso é completamente


inadequado, pois cargos em Loja são prerrogativas de Mestres Maçons.

T.F.A.

PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com abril/2013.

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.052 - Florianópolis (SC) – domingo, 21 de julho de 2013

APRENDIZES USAM ESPADAS? II


APRENDIZES USAM ESPADAS? II 
Questão apresentada em 2.011 e recuperada em 06 de abril de 2.013. O
Respeitável Irmão Fabrício Gentil da Silva, Loja Caridade e Segredo, nº 03, sem
declinar o nome da Obediência, Oriente de Cachoeira, Estado da Bahia apresenta a
seguinte questão:
feradoradio@gmail.com

Enviei há algum tempo uma consulta para o e-mail do Irmão sobre se no Rito
Escocês Antigo e Aceito, Aprendizes podem portar espadas. Eu aprendi que não,
mas numa Iniciação, o Delegado Distrital, que presidia a Sessão, autorizou os
Aprendizes a comporem a abóbada de aço. Isto está correto?

CONSIDERAÇÕES: 

No Rito Escocês Antigo e Aceito na sua tradição apenas aos Mestres e dado o direito
de empunhar espada ou no caso de alguns Oficiais (Cobridores e Expertos)
portarem espadas. Como existe a passagem ritualística na Iniciação, os Mestres em
dado momento apontam espadas para o Iniciando. Também existem as comissões
de recepção para a abóbada de aço e a guarda de honra do Pavilhão Nacional, cujos
componentes destas são Mestres Maçons. 

A questão às vezes é de bom senso – nem tanto ao santo e nem tanto ao diabo. A
situação sempre merece uma avaliação, daí de modo precário, para completar um
procedimento, é possível pedir auxílio de Aprendizes e Companheiros na
inexistência de número suficiente de Mestres para compor a abóbada – questão de
bom senso. 

Já no caso de substituição de Oficiais (Cobridores e Expertos) isso é completamente


inadequado, pois cargos em Loja são prerrogativas de Mestres Maçons. 

T.F.A. 
PEDRO JUK
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.053 - Florianópolis (SC) – segunda-feira, 22 de
julho de 2013

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DÚVIDAS RITUALÍSTICAS

DÚVIDAS RITUALÍSTICAS

Questão apresentada em outubro de 2.010 e recuperada em 06 de abril de 2.013. O


Respeitável Irmão Wagner José Costa, Mestre Maçom da Loja Sinarchia 52, sem declinar o
nome da Obediência e do Rito praticado, Oriente de Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul,
apresenta a seguinte questão.

wagner.j.costa@pfizer.com

Gostaria de esclarecimento sobre dúvidas que presenciei em Loja: 1 - Quando da apresentação


de trabalhos dos Irmãos Aprendizes e/ou Irmãos Companheiros, o Venerável Mestre deve
descobrir-se

2-Quando houver decifração de Decretos, todos os Irmãos deverão estar de Pé e a Ordem?

CONSIDERAÇÕES:

Vou tentar dar uma resposta genérica, já que não me foi informado a Obediência. Nesse
sentido, às vezes os procedimentos se diferenciam de Obediência para Obediência, todavia
geralmente ocorre o seguinte:

1 – Não existe razão alguma para o Venerável se descobrir quando da apresentação de Peças
de Arquitetura. A atitude de se descobrir está no ato da leitura do Livro da Lei e durante os
juramentos. Fora isso, é mera invenção. É oportuno aqui salientar que em muitos rituais em
vigência no Brasil não está prevista a cobertura do Venerável. Todavia, no caso do Rito Escocês
Antigo e Aceito, tradicionalmente apenas o Venerável usa chapéu negro desabado nos graus
de Aprendiz e Companheiro enquanto que no de Mestre todos devem usá-lo. Existem ritos
que usam a cartola, enquanto que em outro, todos usam chapéu desabado, inclusive
Aprendizes e Companheiros.

2 – Como dito, algumas Obediências assim procedem. No Grande Oriente do Brasil, por
exemplo, esse costume não é observado mais.

T.F.A.

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PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com abril/2013.

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.051 - Florianópolis (SC) – sábado, 20 de julho de 2013

QUESTÕES DE RITUALÍSTICA
QUESTÕES DE RITUALÍSTICA 
Questão apresentada em 31 de agosto de 2.010 e recuperada em 06
de abril de 2.013. O Respeitável Irmão Joaquim (sem declinar o nome
completo) Mestre Instalado, sem declinar o nome da Loja, Obediência,
Rito e Oriente (cidade) apresenta a seguinte questão:
jsouz@santiagonet.com.br 

Falando com o Irmão Colombo e o mesmo forneceu-me o seu e-mail


como conhecedor de ritualística maçônica e como gosto do assunto
venho a vossa presença para sanar as seguintes dúvidas: 1 - Quando
o 1º diácono com a palavra sagrada desce do Oriente faz o Sinal ou
não; 2 - Existe o termo Loja Aberta e Loja Fechada; 3 - O Guarda
Interno só usa a espada quando necessário ou fica, como
antigamente, com a espada sobre os joelhos; 4 - Se houver algum
compendio relatando (ritualística) desde o átrio até o termino da
sessão, gostaria de receber.

CONSIDERAÇÕES:  

1 – Se a Loja estiver aberta, isto é, no encerramento dos Trabalhos o


Diácono antes de sair do Oriente, vira-se de frente para o Venerável e
o saúda pelo Sinal. Quando da abertura dos trabalhos a Loja não está
ainda declarada aberta, o Diácono desce normalmente sem Sinal. Os
Sinais são previstos apenas em Loja aberta, ou quando da verificação
se todos os presentes são Maçons. 

2 – Uma Loja estará aberta após a abertura do Livro da Lei,


compostas as Luzes Emblemáticas conforme o Grau e assim
declarada pelo Venerável Mestre. Uma Loja estará fechada depois de
declarada no final dos trabalhos pelo Primeiro Vigilante. Uma Loja
estará em processo de abertura quando obviamente fechada, estiver
cumprindo a ritualística de abertura. Ainda. Loja fechada significa
aquela que ainda não foi aberta ou que tenha já encerrados os seus
trabalhos. Isso não significa “fechar a porta do recinto”. 

3 – O Cobridor fará uso do seu objeto de trabalho quando o ritual


assim determinar, ou por dever de ofício. Outras situações a espada
estará embainhada ou presa a um dispositivo localizado na faixa do
Mestre conforme se apresenta na explicação das alfaias do Mestre e
ritual correspondente. É ainda tolerada a colocação da espada em um

67
aparelho fixo atrás do encosto da cadeira. Cobridor não fica com a
espada sobre as coxas e muito menos com a ponta cravada no piso
apoiada pelas mãos em sua guarnição. É sempre bom lembrar que
cargos em Loja são privativos de Mestres Maçons e, dentre as
indumentárias dos Mestres está a faixa com a joia. 

4 – Está previsto para os três rituais um manual de procedimentos,


porém após uma revisão minuciosa desses rituais. 

T.F.A. PEDRO JUK- jukirm@hotmail.com abril/2013.


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.050 - Florianópolis (SC) – sexta-
feira, 19 de julho de 2013

QUESTÕES MAÇÔNICAS
QUESTÕES MAÇÔNICAS 
Questão apresentada em 21 de outubro de 2.010 e recuperada em 06
de abril de 2.013. O Respeitável Irmão Anselmo Scacchetti Neto, GOB,
sem declinar o nome da Loja, Oriente (Cidade) e Estado da Federação
apresenta a seguinte questão:
asneto@cednet.com.br 

Como proceder quando após a leitura da Ata e a palavra estiver nas


Colunas, sabendo que o Irmão presente na reunião atual esteve
ausente na reunião anterior? Esta gerando dúvida no procedimento,
pois alguns Irmãos acham que os ausentes tem que ficar de pé e à
Ordem. Outros acham que os mesmos devem se comportar como se
estivessem presentes. 

CONSIDERAÇÕES: 

Para o REAA. Se dela não houver discussão, reinando silêncio nas


Colunas e Oriente, é prerrogativa do Venerável declarar a Ata
aprovada conforme explicitado no Ritual em vigência (2009), página
53. Se dela houve discussão resultando em emendas ou explicações
estas serão submetidas à votação. Está também explícito no Ritual
em vigência que dela somente participam aqueles que estiveram
presentes na sessão a que se refere à ata. Os que não estiveram
presentes permanecem à Ordem. Cabe aqui um esclarecimento. Os
que não estiveram presentes ficam à Ordem apenas durante a
votação. No momento da discussão, eles simplesmente permanecem
sentados sem dela participarem.

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com abril/2013.


 Fonte: JB News – Informativo nr. 1.049 - Florianópolis (SC) – quinta-
feira, 18 de julho de 2013

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QUESTÕES MAÇÔNICAS

QUESTÕES MAÇÔNICAS

Questão apresentada em 01 de novembro de 2.010 e recuperada em 07 de abril de 2.013. O


Respeitável Irmão Joaquim da Loja Bento Gonçalves, 2.450, GOB-RS, sem declinar o nome do
Rito, Oriente de Santiago, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão:

jsouza@santiagonet.com.br

Volto novamente à presença do Irmão para, novamente, receber a "luz" sobre assuntos
delicados nos Grandes Orientes... 1 - O Grão-Mestre Estadual pode "passar por cima" da
Constituição do GOB ou do Regulamento Geral da Ordem? 2 - No oriente (cidade) onde já
funcionar Loja do GOB, consta no regulamento geral que só poderá ser aberta outra Loja com
o mínimo de 21 mestres assíduos, o Grão-Mestre Estadual pode suprir esse número? 3 -
Membros de uma Loja da mesma cidade (oriente) fundam uma Loja... Funcionando a Loja mais
antiga as 5ª e a nova Loja em outro dia... Os Irmãos dissidentes estão há mais de nove meses
sem frequentar a Loja mãe... Pergunto: a frequência na nova Loja justifica as faltas?

CONSIDERAÇÕES:

Sobre as duas primeiras questões o que tenho a dizer é que a ninguém é dado o direito de
descumprir Leis em vigência legalmente constituídas.

Sobre a terceira questão primeiro é de se questionar se os “dissidentes” que fundaram a nova


Loja estavam legalizados perante a Obediência para fundar uma nova Loja – portadores do
Quite-Placet. Fundada a nova Loja por Irmãos legalizados, eles têm o direito de visitação. A
frequência da nova Loja passa a ser contado a partir do momento em que é lhe autorizado o
funcionamento. Portadores de Quite-Placet dentro do prazo de cento e oitenta dias são
passíveis de filiação, enquanto que vencido o prazo legal, são passíveis de regularização.

T.F.A.

PEDRO JUK- jukirm@hotmail.com abril/2013.

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.048- Florianópolis (SC) – quarta-feira, 17 de julho de 2013

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VENERÁVEL E AS CONCLUSÕES DO ORADOR

VENERÁVEL E AS CONCLUSÕES DO ORADOR

Questão apresentada em 01 de novembro de 2.010 e recuperada em 07 de abril de 2.013.


Questão que faz o Respeitável Irmão Luis Carlos Cebrian, Orador da Loja União e Perseverança,
2.373, REAA, GOB, Oriente de Poá, Estado de São Paulo.

luiscebrian@uol.com.br

Gostaria se possível, que o Eminente Irmão, me esclarecesse uma dúvida, a fim de podermos
discuti-la em Loja com o Venerável e demais Irmãos. Na Palavra a Bem da Ordem em Geral e
do Quadro em Particular, após o Venerável Mestre conceder a palavra ao Irmão Orador para
as suas conclusões como Guarda da Lei. Se o Orador faz a análise dos trabalhos realizados,
saúda os visitantes, faz algumas considerações que julga necessárias para promover o
cumprimento da Lei, e dá a sessão como Justa e Perfeita, e volta assim à palavra ao Venerável
Mestre para o encerramento ritualístico. Pode o Venerável Mestre ao invés de proceder ao
encerramento ritualístico, como esta previsto em nosso Ritual, supondo não estar presente o
Grão-Mestre ou Grão-Mestre Geral, se manifestar sobre as considerações feitas pelo Irmão
Orador, mesmo não estando previsto em nosso Ritual, ou deveria deixar para se manifestar na
próxima sessão prosseguindo com o encerramento ritualístico, como determinar no Ritual. Eu
considero estar claro em nosso Ritual, embora alguns irmãos discordem por não estar escrito,
que o Venerável Mestre não pode se manifestar, pois não esta prevista no Ritual, e conforme
esta escrito no item 1.2 – Interpretação Deste Ritual, “Nos trabalhos litúrgicos, em qualquer
Sessão, é proibida a inclusão de cerimônias, palavras, expressões atos, procedimentos ou
permissões que aqui não constem ou não estejam previstos, assim como é vedada a exclusão
de cerimônias, palavras, expressões, atos, procedimentos ou permissões que aqui constem ou
estejam previstos, sendo que a transgressão destas advertências configura ilícito maçônico
severo e como tal será tratado.”

CONSIDERAÇÕES:

Esse procedimento do Venerável conforme citado pelo Irmão é completamente ilegal. O


Venerável não tem que tecer nenhuma consideração sobre as conclusões da oratória. A
palavra fica disposta ao Venerável antes das conclusões finais, fato que está inclusive expresso
no Ritual em vigência – “Venerável – Não havendo mais quem queira usar da palavra (inclusive

70
ele – a observação é minha), será concedida ao Irmão Orador para as suas conclusões, como
Guarda da Lei”. Ainda no próprio explicativo logo abaixo está descrito: “(...) voltando assim à
palavra ao Venerável Mestre, para o encerramento ritualístico (o grifo é meu)”.

Como está claro, limpo e cristalino, o Venerável já teve oportunidade para usar da palavra –
avisos e comentários necessários. Dado a isso ele passa a palavra ao Orador que faz as suas
conclusões e imediatamente após, o Venerável faz o encerramento ritualístico.

Ora, além do Venerável não mais usar a palavra, pior ainda é querer comentar as conclusões
do Orador. Se o Orador já informou que a Sessão ocorreu dentro dos princípios e Leis estando
tudo Justo e Perfeito, que comentário teria ainda o Venerável para fazer?

Como está previsto no Ritual, o único que tem o direito de usar a palavra após as conclusões
do Guarda da Lei é o Grão-Mestre, em estando obviamente ele presente.

T.F.A. PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com abril/2013.

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.047- Florianópolis (SC) – terça-feira, 16 de julho de 2013

TRANSMISSÃO DA PALAVRA SEMESTRAL


TRANSMISSÃO DA PALAVRA SEMESTRAL 
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Antonio Raia, GOB,
Oriente de Recife, Estado de Pernambuco.
antonio_raia@hotmail.com 

Aconteceu no Oriente de Recife, após o comunicado pelo Venerável,


na Ordem do Dia, que iria transmitir a Palavra Semestral, e conforme
anunciado foi feita a Cadeia de União, transmissão da Palavra certa,
incinerada, retiro como manda o ritual. Na reunião seguinte, após a
leitura da Ata onde o Irmão Secretário leu que a palavra semestral
havia sido dada, o Irmão Orador falou que não era para constar em
ata, pois se tratava de um ato “litúrgico” e não administrativo. Em
71
continuidade do Ritual, quando a Palavra a Bem da Ordem em Geral
foi dada, em uma das Colunas um Irmão que não estava presente na
reunião em que foi dada a Palavra, solicitou para recebê-la. O
Venerável, sendo o Primeiro Vigilante, pois o titular não estava
presente, e não sendo Mestre Instalado, pediu ao Irmão Orador sua
opinião como Guarda da Lei, a qual foi autorizada pelo Irmão Orador,
explicando que o Irmão Vigilante poderia transmiti-la, pois estava
representando o Venerável Metre. Estaria o Irmão Orador certo nos
dois fatos? 

CONSIDERAÇÕES:

 A Cadeia de União no Rito Escocês Antigo e Aceito é formada


exclusivamente para a transmissão da Palavra Semestral que é
transmitida apenas e tão somente para os Irmãos do quadro da Loja.
Nesse sentido ela é realizada após o encerramento dos trabalhos. 

Esse procedimento é dado para que visitantes já tenham se retirado e


o Cobridor possa dela participar (um Cobridor em Loja aberta nunca
deixa o seu posto). Assim, mesmo a Cadeia sendo realizada após o
encerramento dos trabalhos, o Secretário ao elaborar a Ata da Sessão
deve fazer uma observação. Exemplo: “Após o encerramento dos
trabalhos foi transmitida a Palavra Semestral na forma de costume”. 

 Entendo que o Orador nesse caso está equivocado, pois à bem da


Ordem e da história da Loja os acontecimentos devem ser fielmente
registrados, mesmo que sucintos.  

No caso da sessão seguinte quando o Primeiro Vigilante substituía


precariamente o Venerável o ato é perfeitamente exequível, posto
que a Palavra já seja de domínio da Loja devido a sua transmissão
anterior.

Assim nada impede que o substituto do Venerável dessa maneira


proceda, todavia ele deve observar que a Palavra somente é
transmitida nesse caso através da Cadeia de União. 

Nesse sentido, após o encerramento dos trabalhos, forma-se


novamente a Cadeia para transmissão da Palavra ao Irmão que
esteve ausente, com a diferença de que não haverá incineração da
mesma por motivos óbvios. 

A transmissão da Palavra Semestral em Cadeia de União tem o


objetivo de dar conhecimento sigiloso da mesma àquele que, tendo
direito, ainda não a conhece, o que se diferencia de se pedir a Palavra
em um telhamento para receber a sua transmissão de maneira a
contento.  

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com abril/2013.


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.046- Florianópolis (SC) – segunda-
feira, 15 de julho de 2013

72
TEMPO DE ESTUDOS E LOJA EM FAMÍLIA
TEMPO DE ESTUDOS E LOJA EM FAMÍLIA
O Respeitável Irmão Claudio Rodrigues, Grande Loja Maçônica de
Minas Gerais, Oriente de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais
solicita comentário sobre texto publicado denominado “Pílula
Maçônica” abordando o Tempo de Estudos e Loja em Família.
voclarodrix@yahoo.com.br 

Loja “em família” no Tempo de Estudos. No R.:E.:A.:A.: está virando


tradição, no Tempo de Estudos, quando se faz a apresentação das
peças de arquitetura, os Obreiros da Loja se reunirem no Ocidente.
Ali, o palestrante apresenta seu Trabalho, ao fim do qual, perguntas e
comentários são feitos a respeito do tema apresentado. Desse modo,
de maneira mais racional e com melhor aproveitamento de tempo, o
Venerável Mestre bate o Malhete e declara estar a Loja “em família”
a partir daquele momento. Nessa situação, os Obreiros podem pedir a
palavra diretamente ao Venerável Mestre para comentar o Trabalho,
sem ter que cumprimentar as Autoridades Maçônicas e os Vigilantes.
Permite também, que a palavra volte ao mesmo Obreiro, quantas
vezes o Venerável Mestre desejar. O debate torna-se fecundo e todos
aproveitam muito mais, pois não há perda de tempo com os
cumprimentos. Considerando que, para determinados assuntos, 30 a
45 minutos é muito pouco para um bom aproveitamento, nessa
alternativa tem-se um melhor rendimento. Findo o debate, o
Venerável bate o Malhete, dizendo estar “em Loja”, novamente.
Devemos deixar claro que é diferente de colocar a Loja “em
recreação”, típico do Rito de York, onde os Obreiros saem da Loja e
há uma “ritualística” controlando todo o acontecimento. Inclusive, as
finalidades são diferentes. (a) M.'.I.'. Alfério Di Giaimo Neto.  

CONSIDERAÇÕES:

Esse termo “em família” é inexistente e enxertado para tentar


justificar um desrespeito àquilo que exara um ritual regularmente
aprovado. Mesmo na tradição do Rito Escocês Antigo e Aceito o tal
termo não é regular. O engraçado mesmo da designação “em família”
é a justificativa para um ato como se os Irmãos reunidos em Loja
aberta e procedendo com as práticas litúrgicas e ritualísticas não
fossem considerados como uma família maçônica. Uma Loja Maçônica
somente seria uma família quando fosse declarada em família? Ou
estar em família significa não cumprir o ritual? 

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Regra e costume de um Rito devem ser implacavelmente cumpridos.
Mesmo no debate, se ele exige o giro da palavra, esta tem o objetivo
de disciplinar as ações em Loja. Ninguém ao solicitar a palavra
precisa necessariamente “cumprimentar” as Luzes e autoridades
presentes, até porque esse procedimento costumeiro não é
cumprimento, senão a menção clássica de alguns cargos ocupados. 

Nesse particular o usuário da palavra não precisa mencionar uma


infinidade de nomes e cargos antes do seu pronunciamento. Para tal
bastaria a seguinte menção: “Luzes, autoridades presentes, meus
Irmãos”. 

Em assim se procedendo, certamente haveria uma ampla restrição na


tal “grande perda de tempo” - não devemos entortar a boca pelo mau
hábito do uso do cachimbo. 

Penso que assuntos e peças de arquitetura que mereçam debate


deveriam ser previamente agendados e se possível com precedentes
em reuniões sem abrir a Loja. Poder-se-ia decorrer ao debate em uma
Sessão Administrativa, ou de Instrução. 

Se as instruções e os debates venham porventura merecer votação,


então que o resultado destes seja apresentado na Ordem do Dia de
uma sessão em Loja aberta para a competente aprovação. Agora,
descumprir ritual para melhor aproveitamento tempo é o mesmo que
dar mais valor ao molho do que à carne. 

Outro aspecto interessante na “pílula” é o termo “está virando


tradição”. Esse é um pensamento equivocado no meu entendimento,
até porque não é de boa geometria considerar descumprimento de
ritual com virar tradição. Se no rito existe o giro da palavra,
certamente nele há um conteúdo doutrinário. 

Para não se ferir esse princípio em nome da “perda de tempo”, basta


que a instrução, ou dela outros afins, seja minuciosamente
programada. Existem as instruções do grau que em merecendo
explicações que as completem podem ser perfeitamente divididas e
programadas por tópico para o debate em várias sessões, porém
obedecendo sempre a forma de costume. 

Ainda na questão de “perda de tempo” o que tem contribuído, e


muito, para esse acontecimento são os intermináveis assuntos mal
conduzidos e mal colocados nas Ordens do Dia das nossas sessões.
Palavreados inócuos e repetitivos, isso quando o assunto nem mesmo
é peculiar ao período. Geralmente o resultado dessa sim “perda de
tempo” é aquele monstrinho – pelo adiantado da hora vamos
suspender o período de instrução.

No que diz respeito à abordagem do Rito de York, cujo nome correto


seria o Trabalho de Emulação, este de fato possui outro
procedimento. Aliás, não só esse Trabalho, porém todo o“working” do

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Craft inglês (na Inglaterra não se reconhecem “ritos”, senão
“trabalhos”), pois o costume é completamente diferente sendo que lá
não existe o giro da palavra e as sessões somente são abertas por
finalidade. 

Os assuntos são apresentados nos respectivos “levantamentos”.


Quando há uma instrução sobre a “tracing board” (Tábua de
Delinear), por exemplo, a Loja é colocada “em descanso” pelo Mestre
da Loja, ilustrando-se que o Esquadro e o Compasso colocados sobre
o Livro da Lei Sagrada ficam posicionados sobre a página da direita,
não no centro do Livro. Nessa oportunidade, sem desfazer a
composição desses instrumentos, o Mestre da Loja fecha o Livro para
o período de descanso. Terminada a explanação o Livro é aberto
novamente para a continuidade dos trabalhos. 

Nesse caso tudo ocorre dentro da Sala da Loja. Já para a “recreação”


existe outra forma de procedimento, quando os Irmãos se retiram
temporariamente da Sala por um tempo pré-determinado para
diversos afins, inclusive debates instrutivos acompanhados por uma
refeição. 

Ratificando: 1 - Os ritos que demandam nos seus costumes do giro da


palavra, devem rigorosamente cumpri-lo, inclusive nos períodos de
instrução, de tal modo que se houver necessidade da volta da
mesma, o Venerável tem essa prerrogativa, desde que o seu retorno
obedeça novamente ao giro completo (sul, norte e oriente). 

2 – O termo “em família” é inexistente no Rito Escocês Antigo e


Aceito. É prática ilegal e deve ser coibida pelo Orador. 

3 – Práticas equivocadas não devem ser observadas sob a alegação


de “está se tornando tradição”. O erro sem reparo acaba sim por se
tornar consuetudinário, todavia quando dele se exige uma explicação
na “tradição, uso e costume do Rito” a resposta é muito pouco
satisfatória - “para melhor aproveitamento de tempo”. 

4 – O melhor aproveitamento de uma instrução está na forma de


como organiza-la e, maçonicamente, seja desprovida de opiniões
pessoais. 

5 – No mérito, há que se considerar se a instrução é verdadeiramente


maçônica, ou mesmo se o assunto é de interesse da Sublime
Instituição. Finalizando: a regra principal é cumprir aquilo que está
legalmente aprovado. Se porventura existirem rituais em vigência
que preveem “Loja em família”, mesmo não mudando as minhas
convicções, reitero a sua irrestrita observação. Infelizmente, dentre
tantos, equívoco como esse tem contribuído ao longo dos tempos
para que o belíssimo Rito Escocês Antigo e Aceito tenha sido
figuradamente denominado como uma colcha de retalhos. 

T.F.A. PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com 

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JULHO/2013.
Fonte: B News – Informativo nr. 1.045- Florianópolis (SC) – domingo,
14 de julho de 2013

POSTURA COM AS ESPADAS


POSTURA COM AS ESPADAS
O Respeitável Irmão Celso Mendes de Oliveira Junior, Loja Pioneiros
de Mauá, 2.000, GOB, sem declinara o nome do Rito, Oriente de
Magé, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a questão seguinte:
celso.mendes.junior@hotmail.com 

Venho por meio desta pedir-lhe que tire-me algumas duvida. Duvida
essa que no meu ponto de vista são extremamente complicadas isso
talvez porque nosso rito é deísta, está duvida e como relação a
Espada, quais são as posições e movimentos delas em relação aos
expertos, cobridor interno e cobridor externo. Quando eu tenho
duvida eu copio os teístas, por exemplo, não tinha uma bainha ou
lugar para colocar a espada então eu a aterrei não sei se fiz certo.
Peço a compreensão do Irmão, sei que esse tema e grande porem é
pouco abordado infelizmente essa liturgia com as espadas até
mesmo o ritual peca em não trazer os procedimentos com as
mesmas, assim gerando duvidas e procedimento de outros ritos. 
CONSIDERAÇÕES:  

O uso generalizado de espadas teve origem na galante Maçonaria


Francesa que a partir do Século XVIII procurando dar um sentido de
igualdade introduziu a arma para todos os membros da Loja – à época
a espada era também um símbolo de nobreza, sobretudo na França.
Nesse sentido, nunca é demais lembrar que essa prática não é
universal em Maçonaria. No caso do Rito Escocês Antigo e Aceito, rito
originário da vertente francesa, a espada é simplesmente o objeto de
trabalho dos Cobridores (interno e externo), além dos Expertos em
cerimônias que deles são necessários os ofícios.

Há ainda a Espada Flamejante usada apenas nas consagrações,


porém de utilidade restrita ao Venerável Mestre. 

Retomando: a espada como objeto de ofício dos Oficiais citados, elas


rigorosamente deveriam estar embainhadas, cujas respectivas
bainhas, vão presas a um talabarte colocado do ombro direito para a
cintura esquerda (essa é a origem da faixa do Mestre, cuja joia
distintiva substitui a espada). 

Ainda nesse sentido, o Ritual de Mestre do REAA em vigência prevê


na descrição das alfaias no tocante à faixa, um dispositivo para
prender a espada. Assim, entendo que o ritual não é assim tão
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omisso, dado que cargos em Loja são exclusivos dos Mestres
Maçons. 

Seria sempre de boa geometria que a Loja possuísse para os


Cobridores e Expertos, também um dispositivo preso a um talabarte
para acondicionamento da espada. 

Como dizem que a boca se entorta de acordo com o hábito do


cachimbo, muitos Mestres não usam a faixa e quando a Loja não
possui bainhas, o mais comum e paliativo é se colocar a espada presa
a um dispositivo atrás do encosto da cadeira, dado o conceito de que
o Oficial que da espada faz uso, assim o faz apenas por dever de
ofício, nunca indiscriminadamente. 

Quando ao “aterramento”, isso é costume inexistente no Rito Escocês


Antigo e Aceito, portanto é prática completamente equivocada. 

Ainda outras espadas: como no Rito em questão também está


prevista a abóbada de aço e guarda de honra em ocasiões de
recepção, bem como nas cerimônias iniciáticas, essas espadas
geralmente ficam presas a dispositivos colocados atrás dos assentos,
ou em um aparelho no Átrio da Loja. 

Posicionamento com a espada – o Obreiro que estiver empunhando


(segurando) a espada, parado ou andando, mantém a mesma segura
sempre pela mão direita, lâmina em riste, tendo o punho junto ao
quadril direito e o respectivo cotovelo afastado do corpo. Em
complemento: se ele estiver parado, terá o corpo aprumado e os pés
em esquadria. 

O Oficial que estiver em pé e parado com a espada embainhada


compõe normalmente o Sinal com a mão, ou mãos se for o caso. A
regra é de não fazer sinal com o objeto de trabalho, isto é, usá-lo
para fazer um Sinal. 

Via de regra não existe no Rito Escocês Antigo e Aceito o costume de


se ficar girando o antebraço direito da direita para a esquerda e vice
versa empunhando a espada, sob alegação de postura e sinal
maçônico – a espada quando empunhada, salvo quando o ritual
determinar o contrário estará sempre em riste (lâmina para cima) no
lado direito do corpo. 

No Rito em questão as espadas lisas tem apenas a finalidade de ofício


para os Cobridores como uma arma simbólica, e para os demais no
cumprimento da liturgia e ritualística sem qualquer conotação
ocultista. 

Finalizando. Existem ritos maçônicos que fazem uso da espada com


outras finalidades, porém esse é procedimento tradicional desses
ritos em particular e nunca um aspecto generalizado da sua prática
em toda a Maçonaria. Por exemplo: no Rito Adonhiramita, é original a

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formação de pálio com espadas para a abertura dos trabalhos,
também é verdadeiro nesse Rito que todos os Mestres portem
espadas – essa minha observação é de caráter elucidativo e
comparativo, todavia jamais crítica ao belo Rito Adonhiramita. 

T.F.A. Pedro Juk -


 jukirm@hotmail.com - abril/2013
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.044- Florianópolis (SC) – sábado, 13
de julho de 2013

DIÁCONOS E MESTRE DE CERIMÔNIAS


DIÁCONOS E MESTRE DE CERIMÔNIAS  
O Respeitável Irmão Nilson Ricarto, Loja Professor Hermínio
Blackman, 1.761, GOB-ES, REAA, Oriente de Vila Velha, Estado do
Espírito Santo, formula a questão seguinte: 
ricarto.nilson@gmail.com 

Gostaria de seus comentários sobre a verdadeira função de Diáconos


e Mestre Cerimônia. Seria o Mestre de Cerimônias o exclusivo
encarregado de transitar em Loja, levando e trazendo documentos e
recados ou esta função também cabe aos Diáconos? 

CONSIDERAÇÕES:  

A origem dos Diáconos está relacionada aos antigos oficiais de chão.


Esses na sua origem eram os mensageiros dos canteiros de obra que
levavam ordens do Mestre da Obra aos Wardens(zeladores),
posteriormente, os Vigilantes. 

A Maçonaria de então não possuía graus especulativos, senão o


Aprendiz Admitido e o Companheiro do Ofício. À época também era
inexiste o cargo de Mestre de Cerimônias, ou Diretor de Cerimonial,
pois não se trata aqui ainda de Lojas especulativas, senão dos
canteiros de obra. Os antigos oficiais de chão mais tarde passariam
por influência da Igreja a serem rotulados como Diáconos. 

Com o advento do Especulativo a partir do ano de 1.600 e


posteriormente a Moderna Maçonaria com a fundação da Primeira
Grande Loja em Londres (1.717) esse formato maçônico
paulatinamente ficaria restrito às Lojas e, sobretudo no Século XVIII
com os ritos maçônicos, ou os trabalhos do Craft. 

Assim, tomando por base a antiga tradição dos mensageiros, o Rito


Escocês Antigo e Aceito revive simbolicamente essa tradição na
transmissão da Palavra Sagrada, onde essa representação é feita no
começo e no final dos trabalhos de maneira especulativa e que em

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linhas gerais sugere a marcação, esquadrejamento e aprumada no
início da construção e ao final, a sua verificação. Assim os Diáconos
representam os mensageiros que levavam as ordens do Mestre da
Obra. 

Em termos especulativos essa prática sugere pelo uso de uma


palavra transmitida de maneira correta a situação Justa e Perfeita,
tanto para iniciar, como para encerrar a jornada. 

Assim os Diáconos no Rito Escocês Antigo e Aceito são transmissores


de ordens como bem descreve o Ritual e não Oficiais de serviço que
transportam correspondências, escritos e outros afins. 

Para essas obrigações, existe o Mestre de Cerimônias. É erro crasso


no Rito em questão Veneráveis que fazem uso, principalmente do
Primeiro Diácono, para entregar correspondências, recados escritos,
mensagens, etc. 

O Mestre de Cerimônias é o Oficial que tem livre trânsito pela sala da


Loja e, dentre outros, ele está ali para auxiliar nos trabalhos litúrgicos
e ritualísticos de uma Sessão Maçônica. 

Essas considerações não se coadunam com Trabalhos do Craft inglês,


pois nessa vertente maçônica, os Diáconos têm outras funções, assim
como é inexistente o Mestre de Cerimônias, senão um Diretor de
Cerimonial que geralmente trabalha nas induções e procissões. 

T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.042- Florianópolis (SC) – sexta--
feira, 12 de julho de 2013

SALMO 133 OU JOÃO


SALMO 133 OU JOÃO 
Questão apresentada pelo Irmão Marcelo Tieböhl Guazzelli, Aprendiz
Maçom da Loja Fraternidade VII, REAA, Grande Oriente do Rio Grande
do Sul (COMAB), Oriente de Caxias do Sul, Estado do Rio Grande do
Sul.
mguazzelli@agrale.com.br 

Troquei alguns e-mails com o Irmão Aquilino Leal que escreve na


Folha Maçônica e foi dele a sugestão de que eu lhe fizesse esse
questionamento. Assim, de posse do seu endereço tomei a liberdade
de escrever-lhe. Como Aprendiz, tenho muitos questionamentos e
dúvidas que não são respondidas pelos Mestres e, apesar de ler
muito, também não encontro às respostas nos livros. Ultimamente
tenho uma dúvida, boba confesso, que está me atormentando. No

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nosso Manual consta que na abertura do Livro da Lei deve ser lido
João 1, 1-5 (No princípio era o verbo...). Assim também afirma José
Castellani (infelizmente não anotei em qual obra eu li isso, porém
tenho certeza que ele afirma categoricamente, dizendo que qualquer
outra invenção é bobagem e que o Rito Escocês assim determina).
Porém, ao ler “Os Painéis da Loja de Aprendiz” de Rizzardo Da
Camino, o mesmo afirma na página 128 que é prematuro iniciar os
trabalhos para Aprendizes com palavras tão místicas e entende ser
mais coerente o Salmo 133, um louvor ao amor fraterno, mais
condizente com a Maçonaria. Devo confessar que meus esforços para
polir a pedra bruta nesse momento independem e não percebo como
podem ser afetados pelo texto A ou B ou C. Parece-me, fazendo uma
análise dentro das minhas capacidades que Castellani é conservador
e Camino um pouco mais liberal (mas não sempre, vide sua crítica na
mesma obra a postura desleixada de alguns ao fazer o sinal). Apenas
isso. Dentro das suas possibilidades de tempo e não atrapalhando
seu dia-a-dia, apreciaria muitíssimo sua opinião a respeito deste
assunto

CONSIDERAÇÕES:  

É tradicional e verdadeira a abertura do Livro da Lei no Grau de


Aprendiz no Rito Escocês Antigo e Aceito em João, Cap. 1, versículos 1
a 5. Essa sugestiva abertura tem o desiderato de indicar ao Primeiro
Grau a prevalência da Luz sobre as trevas - (...) “e as trevas não a
compreenderam”. 

É oportuno salientar que nem todos os ritos maçônicos ou trabalhos


do Craft fazem leitura de trecho do Livro da Lei na abertura dos
trabalhos maçônicos. Assim, a leitura não é uma prática universal.
Infelizmente, aqui no Brasil existe o equivoco em algumas
Obediências de perpetrar na abertura do Livro da Lei a leitura do
Salmo 133, prática essa sem qualquer tradição no Rito Escocês. 

À bem da verdade o Salmo 133 nem mesmo faz parte de leitura de


abertura, senão de uma passagem ritualística na iniciação das Lojas
Azuis Norte Americanas (Craft Americano), comumente chamado de
Rito de York (não confundir com o Trabalho de Emulação do Craft
Inglês, equivocadamente aqui também chamado de York). 

Provavelmente o costume do Salmo, fora adquirido por ocasião da


busca de reconhecimento nas Grandes Lojas Americanas, quando da
fundação em 1.927 das Grandes Lojas Estatuais no Brasil. 

As Grandes Lojas Americanas praticam o Craft Americano e aí, dentre


outras práticas, essa acabou fazendo parte enganosamente do Rito
Escocês Antigo e Aceito espalhando-se por algumas Obediências
Maçônicas no nosso País. 

No tocante ao que disse o saudoso Irmão Castellani, ele estava


correto ao defender a tradição, ao contrário do outro autor que

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achava mística e prematura o uso do procedimento correto. A
questão não é do místico nem do prematuro, porém a expressão da
Verdade. 

As Lojas de São João ganharam esse título ao longo da história,


quando os Canteiros Medievais, no período ainda Operativo e
posteriormente o Especulativo – Séculos XIV e XV – quando ainda não
existiam ritos maçônicos, senão os arremedos dos primeiros
catecismos, ao admitirem um Aprendiz do ofício, este prestava a sua
obrigação, por influência da igreja, sobre o evangelho de São João. 

À época, a Bíblia era propriedade da Igreja, além da inexistência da


imprensa, os escritos ocupavam um imenso volume difícil de ser
conduzido. Assim adquiriu-se o costume se escrever em uma folha de
papel o título “Evangelho de São João” onde o recipiendário prestava
a sua obrigação.

Obviamente não havia leitura de texto, porém as confrarias de


construtores geralmente se reuniam nas datas solsticiais – verão para
rever e marcar os planos da Obra, iniciar novos membros e, no
inverno, para fazer as medições, pagar os obreiros, etc. Assim os
solstícios de verão 24 de junho e inverno 21 de dezembro (hemisfério
norte) viriam a coincidir com as datas comemorativas dos Santos
padroeiros – João, o Batista, e João, o Evangelista respectivamente. 

O Rito Escocês Antigo e Aceito, fundado em 1.801, teria o seu


primeiro ritual simbólico em 1804 na França. Ao longo do Século XIX
esse ritual receberia aperfeiçoamentos e práticas hauridas dos
antigos Canteiros, dentre outras, a abertura do Livro da Lei em João,
Capítulo I, versículos 1 a 5, alusivos às ditas antigas Lojas de São
João. 

Há que se notar que o arcabouço doutrinário do Rito Escocês é


embasado na investigação da Natureza (o movimento diário e anual
do Sol, seus solstícios e equinócios, as Colunas Zodiacais, as Colunas
do Norte e do Sul, os pilares solsticiais ou Colunas B e J, etc.). 

Já sobre o Salmo 133 revendo obras espúrias, fragmentos, antigos


catecismos, revelações e outros elementos primários de pesquisa,
não aparece como marco de abertura e citação litúrgica e alegórica
importante, senão na passagem ritualística de iniciação do Craft
Americano organizado por Thomas Smith Web com base os Antigos
de 1.751 de Lawrence Dermott na Inglaterra. 

Assim, por primeiro a questão não é de ser prematura ou mística,


porém de realidade doutrinária. Por segundo, a questão também não
é de se pesquisar em rituais passados e publicados no Brasil
confundindo-os por documentação primária como fazem “certos
articulistas” que se acham doutos apenas por copiarem e citarem
erros de textos ritualísticos ultrapassados. 

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Nesse sentido, devo salientar que a questão é complexa e merece
uma atenção acadêmica minuciosa, ponderada e qualificada. 

Por fim, independente do escrito e indicado, os rituais legalmente


aprovados e em vigência devem ser rigorosamente respeitados. 

Cumprir um ritual não é questão de identificar o certo ou o errado,


porém é de boa geometria identificar a contradição, ou o equívoco
para propor uma posterior correção que se identifique com a razão
dos fatos

T.F.A. 
Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.042- Florianópolis (SC) – quinta-
feira, 11 de julho de 2013

MÃOS NA CADEIA DE UNIÃO


MÃOS NA CADEIA DE UNIÃO  
O Respeitável Irmão Edison Carlos Ortiga, Rito Adonhiramita, sem
declinar o nome da Loja, Obediência, Oriente (Cidade) e Estado da
Federação apresenta a seguinte questão:
capituloadonhiramita@gmail.com

Estamos elaborando um manual de procedimentos que pretendemos


distribuir a todo o mestre por ocasião de sua exaltação. Trata desde a
ornamentação do templo, deveres dos Irmãos em cada função, etc. É
uma espécie do "livro do professor" que guiará em suas instruções
para Aprendizes e Companheiros, já que é comum vermos Mestre
saber de tal coisa ou procedimento sem saber das razões ou motivos
para tal. Surgiu-me uma dúvida. Por ocasião da realização da Cadeia
de União como é a posição das mãos? Como se segura na mão do
Irmão ao lado? É palma da mão encostada em palma da mão ou os
"dedos em gancho" (se posso assim dizer) enganchado nos dedos em
gancho do Irmão ao lado. Sempre fui da teoria da palma com palma e
os dedos segurando firmemente as mãos e quando fui corrigir a
postura dos "dedos em gancho" pediram uma justificativa alegando
que se as energias fluem mais pelas pontas dos dedos, seria esta
posição (dedos em gancho) a mais apropriada. O que tem o Ir a falar
sobre o assunto? 
CONSIDERAÇÕES: 

É Até onde eu conheço a prática da Cadeia de União peculiar em


alguns ritos maçônicos e até com finalidades distintas, os Irmãos
formam o círculo e cada qual cruza os braços e antebraços, o direito

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sobre o esquerdo, dando as mãos normalmente àqueles que
estiverem imediatamente à sua direita e à sua esquerda. As mãos são
dadas como um aperto de mão, só desfazendo o círculo após o
encerramento da Cadeia. 

A rigor, essa cadeia deveria ser feita apenas por ocasião da


transmissão da palavra semestral, todavia alguns ritos preconizam
outros afins para a ocasião, fato que eu não quero entrar no mérito
desse procedimento. No Rito Escocês ela é feita somente quando
houver a necessidade de se transmitir a palavra e nada mais. 

O costume de cruzar os braços não é particular no Rito Schröeder


onde originalmente a Cadeia é realizada no final de todas as sessões
onde cada qual dá as mãos normalmente (sem cruzar os braços) a
cada qual que estiver imediatamente ao seu lado. 

Quanto ao Rito Adonhiramita pesquisando alguns documentos e


rituais antigos, apenas encontrei referência à Cadeia de União sim,
porém sem nenhuma alusão sobre energias que fluem pela ponta dos
dedos, dedos em gancho, etc. 

Finalizando, devo recomendar a restrita observância aos Rituais em


vigência legalmente aprovados.  

T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.041- Florianópolis (SC) – quarta-
feira, 10 de julho de 2013

BOLSA: MÃO ABERTA OU FECHADA


BOLSA: MÃO ABERTA OU FECHADA 
O Respeitável Irmão Léris Luiz Cambrussi, Loja Willy Bart, REAA, e
Loja Orvalho do Hermon, Rito Brasileiro, Grande Oriente do Paraná
(COMAB), Oriente de Toledo, Estado do Paraná, apresenta a seguinte
questão: 
stellacres_@hotmail.com 

Nossa duvida e pedido de colaboração: é a respeito de ao colocarmos


uma mensagem na bolsa de Propostas e Informações ou no uso de
colocar valor na bolsa do Tronco de Beneficência coloca-se mão
fechada (é óbvio), mas ao retirarmos a mão das bolsas, é como a mão
aberta ou com a mão fechada? Pois já ouvimos vários tipos de fatos
que querem justificar uma atitude ou a outra, mas e o correto? 
CONSIDERAÇÕES: 

É tradição, uso e costume nos Ritos que possuem a circulação e


oferecimento da bolsa é que o Obreiro, sem sinal, coloca a mão

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direita fechada e retira-a aberta do recipiente. Todos os Irmãos
abordados pelo Oficial circulante permanecem sentados para
depositar a proposta, ou o óbolo, conforme o caso. 

O único Irmão que deposita em pé – por dever de ofício – e auxiliado


pelo Cobridor é o Oficial que conduz a bolsa no término da
circulação. 

A finalidade do procedimento da mão aberta é simbólica, mais ética.


Mostra que o Irmão nada tirou de dentro da bolsa. Assim, o correto é
retirar a mão aberta. 

T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013 


JB News – Informativo nr. 1.040 - Campo Grande (MS – terça-feira, 09
de julho de 2013 

MUDANÇA DE COLUNAS E O USO DA PALAVRA


MUDANÇA DE COLUNAS E O USO DA PALAVRA 
O Respeitável Irmão Antonio Raia, GOB-PE, REAA, Oriente de Recife,
Estado de Pernambuco, apresenta a questão seguinte.
antonio_raia@hotmail.com 

Lembrei-me de mais um caso acontecido em uma Loja aqui em Recife


em uma Sessão Magna de Iniciação. Na Palavra sobre o Ato, silêncio
na Coluna do Sul, passado para a Coluna do Norte, após alguns
Irmãos usarem da palavra, foi solicitado pelo Primeiro Vigilante ao
Venerável Mestre para que um Irmão sentado na Coluna do Sul
passasse para a Coluna do Norte para usar da palavra, o qual foi
autorizado e o Irmão Mestre de Cerimônias passou o referido Irmão e
o mesmo usou da palavra. Como foi pela primeira vez que assisti tal
fato, já vi Vigilante solicitar que a palavra volte às Colunas, mais
Irmãos passarem de colunas é a primeira vez. Isso é possível?

CONSIDERAÇÕES: 

Irmão passar de uma para outra Coluna para fazer uso da Palavra é
procedimento totalmente equivocado, portanto, impossível. Reinando
silêncio no Sul, a palavra é passada para o Norte. Reinando silêncio
em ambas as Colunas a palavra vai ao Oriente. 

Se acontecer de que um Irmão queira fazer uso novamente da


mesma, fica a critério do Venerável concedê-la ou não. Se e ele
permitir, assim o faz pelo giro completo da palavra novamente (Sul,
Norte e Oriente). 

Não existe esse inventivo procedimento de deslocamento para uso da

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palavra (nem de Coluna para coluna e nem de Coluna para o Oriente).
Cada qual a usa a partir do lugar que estiver ocupando em Loja. 

Ainda nesse particular, o Venerável deve aquilatar bem a razão para


a volta da palavra, merecendo apenas esse procedimento se a
necessidade for verdadeiramente premente. 

T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.039- Florianópolis (SC) – segunda-
feira, 08 de julho de 2013

LOCALIZAÇÃO DO PAINEL
LOCALIZAÇÃO DO PAINEL 
O respeitável Irmão José Augusto Diefenthaeler, Mestre Instalado da
Loja Cidade de Viamão, 99, REAA.'., Grande Loja Maçônica do Rio
Grande do Sul, Oriente de Viamão, Estado do Rio Grande do Sul,
apresenta a questão que segue:
diefenthaeler@via-rs.net 

Surgiu uma dúvida em relação ao Painel da Loja (AM.'.,CM.'. e MM.'.).


Sabemos que em Loja Aberta à localização dele é junto ao Altar de
Juramentos - (REAA). Porém antes de abrir a Loja o Painel tem algum
lugar apropriado para ficar? Os nossos estão colocados no Ocidente
junto a Grade do Oriente ao lado do Mestre de Cerimônias.

CONSIDERAÇÕES: 

Geralmente existe um dispositivo que abriga os três respectivos


Painéis, ficando apenas virado para o Ocidente aquele que estiver de
acordo com o Grau em que a Loja estiver trabalhando. Esse móvel
receptáculo, fica sempre posicionado no centro do Ocidente sobre o
eixo da Loja. Assim, originalmente ele não fica junto ao Altar dos
Juramentos que é na verdade uma extensão do Altar ocupado pelo
Venerável. 

Assim, o Altar dos Juramentos corretamente do Rito Escocês Antigo e


Aceito fica no Oriente, na frente do Altar mencionado. O Painel da
Loja (que é o único do Rito Escocês) fica no centro do Ocidente,
exposto pelo Mestre de Cerimônias quando a Loja estiver aberta. 

Não existe também no Rito em questão outro painel geralmente


denominado “painel alegórico”. Esse Painel na verdade é um enxerto
conforme alguns rituais, posto que o Painel Alegórico nada mais seja
do que a Tábua de Delinear do Craft inglês e, por extensão do Craft

85
americano – isso não existe no Rito Escocês. 

Infelizmente o que ocorre no Brasil, é uma mistura de procedimentos


e costumes de outros Ritos. Não quero com isso incentivar
desrespeito aos rituais legalmente aprovados por algumas
Obediências brasileiras.

Entendo perfeitamente que existem rituais que ainda apregoam a


colocação do Altar dos Juramentos no centro da Loja, formam pálio,
colocam um painel junto ao Altar dos Juramentos e outro no Oriente,
etc. Se assim está escrito e aprovado, o jeito é cumprir a Lei, todavia
não me impede de apontar esses gravíssimos erros que ainda
povoam o Rito Escocês Antigo e Aceito. 

Finalizando, espero que minhas considerações não sejam


interpretadas por defender esse ou aquele ritual aprovado nas
Obediências do Brasil. Estas versam apenas e tão somente no que é
puro e verdadeiro no Rito Escocês. 

T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.038 – Campo Grande (MS)  –
domingo, 07 de julho de 2013

PALAVRA SEMESTRAL
PALAVRA SEMESTRAL 
O Respeitável Irmão Valquir Longarai, Membro da Loja Duque de
Caxias, 29, Grande Oriente de Santa Catarina (COMAB), sem declinar
nome do Oriente (Cidade), Estado de Santa Catarina, apresenta a
seguinte questão:
vlongarai@yahoo.com.br 

Tenho uma dúvida sobre a Palavra Semestral. Minha Loja é da


COMAB e a Palavra Semestral recebida é válida somente na COMAB,
ou nas três Obediências – GOB, Grandes Lojas (CMSB), Grandes
Orientes Independentes (COMAB) por um consenso entre os Grão-
Mestres ou existe outra Palavra de convivência entre as Potências?
CONSIDERAÇÕES: 

Cada Obediência brasileira possui a sua própria palavra. Em relação


ao Grande Oriente do Brasil ela é uma só emitida pelo Poder Central
para todas as Lojas da federação. Em relação à COMAB e CMSB que
possui seus Grandes Orientes (estaduais) e Grandes Lojas (estaduais)
respectivamente eu não sei bem qual é o processo no tocante a que
cada Grande Oriente ou Grande Loja estadual possua a sua própria

86
palavra. 

No tocante ao Grande Oriente do Brasil oficialmente não existe troca


da palavra semestral com outros Grandes Orientes ou Grandes Lojas
estaduais. Já em relação às outras duas Obediências se existem entre
elas essa reciprocidade eu não posso informar já que pertenço aos
quadros do G.'.O.'.B.'.. Se existe outra palavra de “conveniência”
entre as Obediências, ao que parece, porém sem uma afirmativa, em
alguns Estados brasileiros existem certos tratados para esse afim,
todavia eu não poderia informar o aspecto legal da prática.

Em minha opinião, como dito, pessoal e não oficial, sou defensor de


que houvesse um consenso entre os dirigentes da Maçonaria
brasileira de se haver apenas uma Palavra Semestral para todo o
território brasileiro que viesse a suprir as três Obediências
conhecidas. 

Não sei até que ponto isso seria possível, todavia se assim fosse,
certamente o objetivo da Palavra seria verdadeiramente atingido.
Sabemos perfeitamente que há entre nós Maçons a intervisitação -
GOB, CMSB e COMAB, porém cada uma das Obediências possuindo
veladamente a sua própria Palavra. Nesse caso, se a questão for à
regularidade do Irmão visitante e a palavra for distinta, o objetivo fica
totalmente prejudicado. 

Assim, salvo melhor juízo, o que me parece é que a Palavra Semestral


cumpre a sua missão apenas no seio de uma Obediência distinta, isso
se obviamente, as Lojas fizerem dela, a Palavra Semestral, uma
obrigação legal. 

Na hipótese de que no futuro venha prevalecer uma só Palavra


Semestral para as três Obediências reconhecidas (GOB, COMAB E
CMSB), indubitavelmente haveria um melhor controle daqueles
obreiros que realmente viessem pertencer a essas Obediências. 

Trocando em miúdos, elementos pertencentes a certos grupos que


vem se proliferando como ervas daninha e que autointitulam como
maçons regulares, não teriam mais a oportunidade de vez por outra
bater nas portas da verdadeira Maçonaria Regular. Bom também
seria se as três Obediências regulares unificassem os seus rituais dos
diversos ritos por elas praticados.

T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.037- Florianópolis (SC) – sábado, 06
de julho de 2013

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ENTRADA NO FINAL DA SESSAO
ENTRADA NO FINAL DA SESSÃO 
Solicitação que faz o Respeitável Irmão Matheus Casado Martins
pedindo minha opinião sobre o assunto que segue: 
mcmartins07@yahoo.com.br 

Entrada no Templo após início da Sessão e posteriormente a


circulação do Tronco de Solidariedade/Beneficência. Assunto
discutido por Irmãos de um grupo denominado Palácio do Lavradio
palacio_lavradio@yahoogrupos.com.br, Oriente da Cidade do Rio de
Janeiro, sobre quando um Irmão pedia ingresso após a circulação do
Tronco de Beneficência.

CONSIDERAÇÕES: 

Eu diria que essa entrada estaria mais bem denominada se fosse


colocada com “entrada no final dos trabalhos da Loja”. 

Entendo que atrasado é aquele que chega logo após a abertura dos
trabalhos. Agora, no final dos trabalhos, no meu modesto
entendimento já não é atraso. 

Ora, é norma consuetudinária na vertente maçônica que adota a


coleta do Tronco de Solidariedade – todo o obreiro em Sessão
obrigatoriamente tem que colocar a mão fechada e retirá-la aberta do
recipiente (bolsa ou saco). 

Nesse sentido, ninguém mais pode entrar em Loja após a circulação


do Tronco e declarado que ele fez o seu giro e está suspenso. Após
estar o trajeto suspenso, não se oferece mais a bolsa para ninguém. 

Assim só existe uma conferência do conteúdo e ela deve ser feita na


Sessão para mostrar a transparência e a lisura dos Trabalhos. Aliás, é
devido a esse procedimento que não existe o tal de “lacrar o tronco
em homenagem aos visitantes” – o Ritual de Aprendiz em vigência
para REAA.'. é bem claro nesse sentido: exara a apuração do
resultado. 

Agora, que procedimento seria esse posto em discussão de que existe


o direito de se entrar na Loja após a circulação do Tronco? 

Essa “estória” de onde está escrito isso ou aquilo é uma questão


subjetiva. Tradições, usos e costumes da Sublime Instituição nem
sempre precisam de textos afirmativos. 

O que verdadeiramente se faz cogente é conhecer profundamente os


costumes maçônicos. Não se pode institucionalizar o atraso. Um ritual
é escrito para ser cumprido – nele está previsto o início o meio e o
final dos trabalhos e nunca a preocupação com quem chega
atrasado. 

88
Ações que demandem entradas após o Início dos trabalhos são
previstas para os visitantes que não entrem em família, ou os
protocolares de autoridades que desse costume tenham direito.
Porém isso não pode ser considerado como atraso, se não daqueles
que aguardam o momento propício para ingressar na Loja. 

Eu orientaria um Orador que fosse questionado da legalidade de não


se deixar entrar alguém que possa porventura chegar atrasado e
ainda no final da Sessão, que respondesse também onde está escrito
que pode se chegar atrasado - não confundir com o previsto de que
ninguém entra nos períodos de votação ou abertura dos trabalhos. 

Essa observação é feita para aqueles que aguardam legalmente o


momento propício de entrada, o que implica que estão aguardando e
não chegando atrasados. 

Obviamente que nas nossas práticas acontecem atrasos, todavia aí


prevalece o bom-senso dependendo do caso (tolerância, não
indulgência), porém nunca a regra de se tolerar que alguém peça
ingresso após a circulação do Tronco. Isso se bem avaliado não é
atraso.

Li atentamente os pareceres dos Irmãos integrantes do grupo de


discussão. Fala-se em fraternidade, convivência, tolerância,
egrégora1 (sic), etc. Não é bem o caso. O fato é o de se cumprir a
prática maçônica. Se a moda pega e do jeito que temos visto alguns
produtos auferidos pelos Troncos (o Hospitaleiro morre de vergonha e
o carente de raiva), alguns usariam a prática para reforçar o pão-
durismo maçônico. 

Por outro lado a questão também não é só a de que um Irmão


compareça à Loja para fazer donativo no Tronco. É verdade. Ele
comparece à Loja efetivamente para participar dos trabalhos. Destes
existem as práticas litúrgicas, as discussões, as votações, a
apresentação de propostas e informações, a participação no quarto
de hora de estudos, o Tronco e não só a Palavra a Bem da Ordem e
do Quadro em Particular que antecede o encerramento dos
trabalhos. 

Finalizando. Após o Tronco de Beneficência ninguém deve ingressar


nos trabalhos de uma Loja. Dentre a justificativa apresentada,
também existe o bom-senso daquele que porventura queira assim
proceder, senão antes medir no que ele próprio acrescentaria nos
trabalhos em que ele praticamente nem mesmo participou. 

É interessante se notar que no ágape ninguém chega após a cozinha


estar praticamente fechada. Aliás, já percebi sim alguns se retirarem
antes (do pagamento da conta). 

T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013

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Fonte: JB News – Informativo nr. 1.036- Florianópolis (SC) – sexta-
feira, 05 de julho de 2013

GRAVATA BORBOLETA NO RITO BRASILEIRO


GRAVATA BORBOLETA NO RITO BRASILEIRO 
O Irmão Carlos Roberto Castro Alves, Companheiro Maçom da Loja 5
de Novembro, Rito Brasileiro, Oriente de Eunápolis, Estado da Bahia,
sem declinar o nome da Obediência, apresenta a questão seguinte: 

carlosrcalves@outlook.com 

Tenho uma dúvida no nosso Rito Brasileiro, permite-se a utilização de


gravata borboleta bordô também. Isso pode ser feito por qualquer
Grau ou apenas o Grau de Mestre pode utiliza-la? Minha dúvida
acontece porque foi em uma Iniciação de outro Rito e o Mestre de
Cerimônias me questionou porque eu estava utilizando. Fiquei na
dúvida. Já tinha utilizado em minha Loja mãe e nada me foi dito sobre
isso.
CONSIDERAÇÕES: 

Penso que esses formatos de gravata devem estar de acordo com o


que prevê a Obediência. De verdadeiro mesmo que eu sei é que a cor
da mesma é bordô e normalmente lisa. Se é borboleta ou não,
sinceramente não vejo no que pode o fato influenciar nos trabalhos
do Rito. Também nunca vi formatos diferentes de gravatas conforme
o grau. Normalmente ela é igual para todos. Ratifico que o Irmão
consulte a orientação ritualística do Rito Brasileiro da sua Obediência
para melhores esclarecimentos. Quem sabe um dia deixaremos de
dar mais valor à carne do que ao molho. 

T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.036- Florianópolis (SC) – quinta-
feira, 04 de julho de 2013 

MEDIDA DAS COLUNAS


MEDIDA DAS COLUNAS   
O Respeitável Irmão Cleber Barros Cunha, Orador da Loja Acácia de
Acesita, 2.229, GOB, REAA, sem declinar o nome do Oriente (Cidade)
e Estado da Federação, apresenta a seguinte questão:

90
cleberbcunha@uol.com.br 

Aproveito para fazer-lhe outra pergunta que sempre tive: nas


instruções para o Aprendiz, constante no ritual, referente às colunas
B e J, cita-se as dimensões destas. Existe algum motivo em especial
citar tais dimensões?

CONSIDERAÇÕES: 

Mano Cleber vou lhe repassar uma resposta que dei em junho do ano
de 2.010. Acredito que essa resposta suprirá um pouco os vossos
anseios. A consulta: 

Espero que tudo esteja muito bem contigo e que a paz de nosso
Divino Mestre reine sempre em vosso coração. Sou assinante da
Revista Maçônica "A TROLHA", e estou necessitando do seu auxílio
quanto há uma divergência séria que encontrei na 2ª Instrução do
Grau de Companheiro Maçom, pág. 108, Ritual do GOB, que é a
seguinte: “Ven.'. - Que altura tinham as CCol.'. J.'. e B.'. colocadas à
entrada do Templo de Salomão? 1º Vig.'. - Trinta e cinco côvados,
com um capitel de cinco côvados, que faziam quarenta côvados de
altura”. Gostaria de saber em que se baseou o ritual para encontrar
essas medidas, haja vista os seguintes motivos: Existe divergência
tanto com o relato Bíblico quanto ao relato feito por Flavius Josephus,
que confirma o relato Bíblico: Em I Reis 7:15, as medidas dessas
colunas são as seguintes: “18 côvados de altura; a sua periferia
media-se com um fio de 12 côvados. Tinham quatro dedos de
espessura e eram ocas; os dois capitéis tinham cinco côvados de
altura”; Veja que até com relação aos capitéis a Bíblia relata que são
dois com cinco côvados de altura e o ritual diz que um capitel media
5 côvados. Flavius Josephus, em sua obra "A História dos Hebreus",
Ed. Madras. 2005 se omitem sobre os capitéis ou se refere a eles
como "cornijas em forma de lírios", mas deixa claro que tais colunas
tinham as mesmas medidas relatadas na Bíblia, senão vejamos:
“Esse homem (referindo-se a Hiran Abif) construiu duas colunas de
bronze, de quatro dedos de espessura, dezoito côvados de altura e
doze côvados de circunferência, sobre as quais se elevavam cornijas
em forma de lírios, de cinco côvados de altura. Havia, ao redor dessas
colunas, folhagens de ouro que cobriam os lírios, e pendiam, em duas
fileiras, duzentas romãs também fundidas. As colunas colocadas na
entrada do pórtico do templo foram chamadas de Jaquin, à direita, e
Boaz, à esquerda". Apenas para ilustrar, devo esclarecer que o
historiador Flavius Josephus é citado por vários especialistas em
matéria de Antigo e Novo Testamento, tais como Geza Vermes, John
Alegro (especialistas nos Manuscritos do Mar Morto), Bhart Herman e
tantos outros, que utilizam essa fonte como fiel à História do Povo
Hebreu. Seria possível explicar essa divergência? Qual o correto? 

As considerações dadas naquela oportunidade:  

91
CONSIDERAÇÕES: Essa é uma questão que se arrasta por um longo
tempo, não só no que tange o emblemático sistema da Maçonaria,
assim como aos exegetas bíblicos. 

Em termos de Maçonaria, necessário é se lembrar de que as Colunas


fazem parte da grande alegoria simbólica da Maçonaria,
independente do Rito ou Trabalho, que é o Templo de Jerusalém, ou
de Salomão nas lendas maçônicas tradicionais. 

Em relação ao Templo na tradição maçônica, dentro de uma


sequência cronológica por primeiro se apresentam as “Velhas
Instruções” cujo caráter era operativo, porém com implicações
sutilmente especulativas, compreendidas entre os séculos XIV e XVII. 

Por segundo, há que se considerarem os “Primeiros Catecismos”, cuja


grande maioria era de caráter operativo, entretanto de incipiente
feitio especulativo e que predominariam do último quartel do século
XVII e a primeira metade do século XVIII, constituindo-se
efetivamente na continuação das “Velhas Instruções”. 

Como referência significativa aproximadamente uns dezoito desses


Catecismos foram colecionados e publicados com o título de “The
Early Masonic Catechims” (Manchester, 1943), arranjados por Knoop,
Jones e Hamer, com publicação pela Loja Quatuor Coronati 2.076.
Essa publicação é indubitavelmente a evolução progressista dos
nossos rituais.

Por fim e parafraseando Alex Horne, enforquilhando o período que


encerrou a estação das “Velhas Instruções” e abriu o dos “Primeiros
Catecismos”, apresenta-se com a primeira e segunda edição do Livro
das Constituições organizado por Anderson em 1.723 e 1.738
respectivamente. 

É dessa miscelânea que resultou a crença equivocada que a


Instituição Maçônica teve a sua origem no Templo do Rei Salomão e
reforçada pela fantasia de Anderson nas primeiras páginas do Livro
das Constituições de 1.723. 

Essa crença está presa principalmente ao seguinte texto da mais


antiga das “Velhas Instruções” – o Manuscrito Cooke de cerca de
1.410 que expressa o seguinte trecho: “...na feitura do Templo de
Salomão o Rei Davi encetou... Salomão tinha 80.000 maçons (o grifo
é meu) trabalhando para ele; e... Salomão confirmou as Instruções de
Davi, seu pai, dera aos Maçons (o grifo é meu). E o próprio Salomão
ensinou-lhes a sua maneira (costumes e práticas), que pouco diferem
das maneiras ora em uso”. 

Ainda, outro exemplo dessa idade primitiva, o Manuscrito Beswicke-


Royds do início do século XVI apontava: “foi a venerável confraria dos
Maçons confirmada no país de Jerusalém”. 

92
Já a velha Loja de corpo puramente operativo – a Loja Swalwell – onde
se lê o seguinte: “o Rei Davi e seu filho, o Rei Salomão, na construção
do Templo de Jerusalém... não somente promoveram a fama das 7
Ciências Liberais, mas também formaram Lojas e deram e
outorgaram suas Comissões e Diplomas aos da ciência da Maçonaria
ou a ela pertencentes... a fim de fazerem Maçons dentro dos seus
domínios, quando e onde lhes aprouvesse”. 

Na sequência dos catecismos, dos quais o mais primitivo – “o


Manuscrito Edinburg Register House” datado de 1.696 apresenta a
seguinte pergunta: “Onde era a Primeira Loja? Resposta: No pórtico
do Templo de Salomão”. 

Obviamente existe uma centena de relatos com essas expressões


que eram realmente tomadas ao pé da letra pelos antigos Maçons e
ainda por alguns hoje em dia, apesar da História autêntica e a
pesquisa acadêmica já tenham provado e desmentido que essas
afirmativas fantasiosas apenas faziam parte de um sistema alegórico
que não cabe aqui consideração por não ser o mote desse escrito,
todavia esse condensado pretende apenas mostrar as suas origens
na Maçonaria. 

Antes de entrar na questão propriamente dita, também é imperativo


salientar que na época das “velhas instruções” apesar do conjunto
arquitetônico lendário se apresentar como um todo, nesse antigo
período raramente se tratava de aspectos relativos às duas Colunas B
e J senão ao que se refere à lenda das Colunas Antediluvianas, no
entanto, paulatinamente as Colunas do Pórtico do Templo, tomariam
feição a partir dos primeiros catecismos, pósteros das velhas
instruções. 

Ainda, nesse período antigo, o Primeiro Templo de Jerusalém nem


sempre ocupou posição de destaque, já que alguns manuscritos
faziam referência à Torre de Babel e o Rei Ninrod – Manuscrito
Halliwell, ou Poema Regius datado de 1.390 e ainda o mais recente
daquele grupo o Manuscrito Thistle datado de 1.756. 

Esses colocavam formas lendárias de que foi o Rei Ninrod e não o Rei
Salomão que em seu tempo deu as “primeiras” instruções para que
pudessem os pedreiros se distinguir do resto da humanidade. As
Colunas B e J e as suas respectivas alturas conforme as narrativas
bíblicas.

As citações mais conhecidas estão reportadas sobre as seguintes


colocações (consulta in Bíblia Sagrada – Edição 1977 – Edição
Ecumênica – Barsa, Copyright Enciclopaedia Britannica Publishers,
Inc.). Terceiro Livro dos Reis (Primeiro dos Reis), 7, 15 – 17 “E fundiu
duas colunas de bronze; cada uma delas era de dezoito côvados de
altura; e a ambas as colunas dava voltas uma linha de doze côvados.
Fez também dois capitéis de bronze fundido para os pôr sobre o alto

93
das colunas: Um capitel tinha cinco côvados de altura, e o outro
capitel tinha também a altura de cinco côvados”.; Segundo Livro dos
Paralipômenos (ou das Crônicas), 3, 15 “E fez diante da porta do
Templo duas colunas que tinham trinta e cinco côvados de altura: e
os seus capitéis eram de cinco côvados”; Quarto Livro dos Reis
(Segundo dos Reis), 25, 17 “Cada coluna tinha dezoito côvados de
altura: e sobre si um capitel de bronze, de três (o grifo é meu)
côvados de alto”; Jeremias, 52,21-22 “E quanto às colunas, cada uma
delas tinha dezoito côvados de alto, e a cercava um cordão de doze
côvados. Ora a sua grossura era de quatro dedos, e era oca
pordentro. E os capitéis sobre uma e outra eram de bronze: a altura
de cada capitel de cinco côvados. 

Essa discrepância de medidas já rendeu centenas de opiniões sem


que se chegasse até agora a um denominador comum. 

A dificuldade está no relato e na condição de que a referência é feita


em relação ao Primeiro Templo construído, o de Salomão, que fora
concluído por volta de 986 a.C. sob a inspiração e as ordens do mais
conhecido rei dos hebreus. 

Esse Templo seria destruído em 586 a.C. por ocasião da conquista de


Jerusalém pelos babilônios de Nabucodonosor II. 

Depois deste ainda viriam outros dois Templos reconstruídos – o de


Zorobabel que começou a ser construído no retorno dos hebreus do
exílio na Babilônia e, 538 a. C. e por fim o de Herodes Magno,
preposto de Roma que reinou sobre Jerusalém de 37 a 4 a. C. e que
fez demolir o Templo de Zorobabel, para começar a edificar o novo
Templo em 19 a.C., sendo que este seria destruído pelos romanos no
ano 70 da era atual. 

Nessas condições, além do relato um tanto quanto confuso feito pelo


escriba bíblico, e os exageros correspondentes, não existe ainda o
elemento primário para que se possa emitir uma conclusão efetiva. 

O que se poderia dizer é de que os maiores relatos se prendem a


altura referendada aos dezoitos côvados assim abordada por três
vezes, enquanto que aquela que se refere aos trinta e cinco côvados
se apresenta por apenas uma vez. Já nos capitéis três apresentam
cinco côvados e ainda um relato de três côvados. 

Emitir uma opinião do que é certo ou errado seria uma forma


conclusiva equivocada e irresponsável. Ainda, não será aqui tomada
a explicação das medidas do tipo de côvado aplicado, muito embora
as cifras dos côvados conforme as ocasiões eram geralmente de
diferentes espécies. 

Levando-se em conta as contradições sobre a verdadeira altura das


colunas nos relatos bíblicos assomando-se ainda a medida do côvado
usado aumentaria a possibilidade de um arremate temerário. 

94
As Colunas, os Rituais e as Lojas - dentro desse desenvolvimento
histórico da Maçonaria, os primeiros catecismos e posteriormente os
rituais com seus esboços doutrinários adotaram conforme a Bíblia,
esta ou aquela medida (35 ou 18 côvados). 

É fato de que essas Colunas são agora, como o foram durante muito
tempo, particularidades familiares nas Salas de muitas Lojas,
inclusive não possuindo o uso unânime, salvo aquelas Obediências
que adotam rituais específicos e que normatizam a sua metodologia. 

Dadas essas considerações, a altura das Colunas B e J na moderna


Maçonaria nada têm de especial e doutrinário, além de escusas
ilações. 

É realmente importante o saber da sua razão de existência de acordo


com o perfil da vertente doutrinária. Na vertente inglesa, desde o
tempo antanho a relação do Templo de Jerusalém é tomado como
uma alegoria moral da construção estratificado em um alicerce
doutrinário embasado na Lenda da Construção do Templo, quando
não na Torre de Babel. 

Em assim sendo, essa vertente aplica toda a sua doutrina


especulativa conforme a lenda e a disposição dos seus Templos.
Tanto no Rito de York (americano) como nos Trabalhos Ingleses, é
perfeitamente palpável esse conceito em se observando os
procedimentos litúrgicos do primeiro e as explanações sobre a Tábua
de Delinear do último. 

Por exemplo, nas Lições Prestonianas há um esforço em se somar às


medidas da Coluna para que estas se igualem com o número 47. Diz
a preleção: “a sua altura é de dezoito côvados de altura, doze de
base e doze de circunferência e cinco nos capitéis” – o esforço de se
chegar ao número 47 é para se fazer uma referência à 47ª Proposição
de Euclides, ou o Teorema de Pitágoras, creio eu. 

A soma desses fatores cujo resultado é falaz tem apenas a intenção


de se apoiar na verdadeira pedra colocada no canto nordeste do
canteiro operativo, chamada de Pedra Angular.

Ainda sobre as explanações da Tábua de Delinear do Companheiro de


Ofício, o Painel inglês trata das duas Colunas colocadas no Sul diante
da entrada da Escada em Caracol por onde se tem acesso
lendariamente para a Câmara do Meio (essa é uma descrição que
possui um elo bíblico). 

Nessa alocução as Colunas B e J são tratadas com a altura de 35


côvados e 5 nos capitéis correspondentes. 

Ainda outro aspecto para ser considerado é que a topografia das


Lojas inglesas e americanas, por extensão, é diferente daquelas de

95
origem francesa. Nos Trabalhos de Emulação, por exemplo, a porta
de entrada é lateral e pelo lado noroeste com as respectivas Colunas
Gêmeas (B e J). 

No Rito de York (verdadeiramente americano) existem duas portas de


entrada na parede ocidental, porém uma pelo lado noroeste e outra
pelo sudoeste. Na do lado noroeste estão colocadas as Colunas B e J. 

No sistema francês a maioria dos ritos conhecidos e, dentre eles o


Rito Escocês Antigo e Aceito, a topografia da sala da Loja é diferente,
possuindo um Átrio que dá acesso para a porta de entrada que fica
no centro da parede ocidental, cujas Colunas Vestibulares, no Rito
Escocês, tal qual a descrita para o Templo de Jerusalém, se
encontram verdadeiramente no lado de fora. 

Ocorre que o sistema doutrinário especulativo francês busca um


sentido relacionado mais ao Deísmo e trás essa concepção baseada
nas Leis da Natureza criada pelo “Grande Arquiteto do Universo”. 

Daí o seu formato simbólico dotado de elementos como as Colunas


Zodiacais que orientam o Ciclo da Natureza com as estações do ano;
do equador e seus hemisférios a qual chamamos em Maçonaria de
Colunas do Norte e do Sul; das constelações do Zodíaco e os
alinhamentos do Sol; da Câmara de Reflexão com relação a prova da
Terra; dos cultos e mitos solares da Antiguidade como base das
religiões; do Meio-Dia à Meia-Noite; das Marchas nos três Graus; etc. 

Essas são características da doutrina francesa, dentre outros. Nesse


sentido as Colunas B e J, são chamadas de Colunas Solsticiais por
marcarem a passagem dos trópicos indicando os solstícios de verão e
inverno, cuja relação também está disposta ao tempo de trabalho dos
canteiros do passado e suas reuniões solsticiais e equinociais para
rever os planos da obra, contratar, iniciar, enfim tudo aquilo que era
previsto nos costumes operativos. 

Para a vertente inglesa as Colunas Gêmeas estão diretamente


relacionadas ao sentido da divindade “Ele (YAVÉ) estabelecerá (Jakin)
com força (Boaz) o reino de Israel” – é sempre bom lembrar que a
alegoria do Templo está na Obra Perfeita dedicada à “Deus”. 

Agora, para a ilharga francesa, as Colunas Gêmeas dentre outros,


representam pela sua posição no extremo do Ocidente ao lado de
fora da porta de entrada os pontos de visão do Sol (Oriente) e a sua
marcha diária (daí a circulação). 

Assim na Antiguidade as civilizações observavam o movimento anual


do astro rei, notando os dias longos e as noites curtas (verão); dias
curtos e as noites longas (inverno) e dias e noites iguais na sua
duração (primavera e outono). 

Meio-Dia igual a Sul do ponto de vista do hemisfério Norte são

96
reflexos inclusive bíblicos nos seus escritos. A Lenda de Hiran no Rito
Escocês, sob esse aspecto revive todo esse teatro da evolução da
Natureza com a sua morte e renovação, exemplo esse aplicado na
morte simbólica do iniciado para o seu renascimento e
aprimoramento. 

As Colunas J e B marcam esse movimento do Sol se deslocando de


Norte para o Sul e a sua volta – Natalis Invicti Solis – Igne Natura
Renovatur Integra (obviamente a ciência explica o movimento da
Terra e a sua inclinação relacionada ao seu plano de órbita em torno
do Sol). 

Em relação ao apontado por Flavius Josephus, inquestionavelmente


ele é um historiador respeitado e altamente considerado por ser
contemporâneo de muitos fatos bíblicos e históricos, entretanto, no
meu modesto parecer ele, em relação às Colunas, apenas descreveu
os relatos bíblicos dos livros do Velho Testamento, como nós assim o
fazemos até hoje, dada à consideração de que os relatos estão
apontados para o Primeiro Templo acabado em 986 a. C. e destruído
em 586 a. C. o que dá uma diferença de tempo considerável até os
apontamentos de Josephus.

Finalizando, pouco pude ajudar no que tange a altura das Colunas e o


descrito nos nossos rituais, entretanto a única base é aquela aqui
citada nas Sagradas Escrituras. Medidas são realmente importantes
quando tratamos de arquitetura, porém essas ficam relegadas aos
diversos sistemas de medida por onde grandes obras são
construídas. 

Vejo que para a Maçonaria a mais importante medida é aquela que


parte da pedra angular da obra situada hoje de forma abstrata no
canto nordeste dos nossos Canteiros, donde três medidas iguais, não
importando o sistema de medida, dela em direção ao Sul e quatro
outros análogos dela em direção ao Ocidente, unidas às duas
estações finais por cinco medidas iguais, o canto da Obra estará
realmente esquadrejado, portanto “Justo e Perfeito”, tanto para
iniciar a construção, quanto para pagar os obreiros e despedi-los
contentes e satisfeitos (47ª Proposição de Euclides – representação
pictográfica pendente no colar do Mestre Passado no sistema Inglês). 

Para melhores esclarecimentos, recomendo a obra de Alex Horne sob


o título original de King Salomon’s Temple in the Masonic Tradition,
1.972, obra traduzida e editada pela Editora Pensamento Ltda., 14ª
edição, São Paulo, 1995. Essa obra possui a indicação de uma
extensa bibliografia a respeito – O Templo de Salomão na Tradição
Maçônica. (Pedro Juk – junho de 2.010).  

Acredito que o contido nessa resposta possa auxiliar a compreender


as nossas tradições e também as nossas contradições. 

T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013

97
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.035- Florianópolis (SC) – quarta-
feira, 03 de julho de 2013 

DÚVIDA NO SINAL DE A.'.


DÚVIDA NO SINAL DE A.'. 
Questão apresentada em 15 de setembro de 2.010 e recuperada em
06 de abril de 2.013. O Respeitável Irmão Sidney Torrecilha Basso,
Loja Tupy, 955, GOB, Oriente de Araçatuba, Estado de São Paulo,
apresenta a questão que segue:
lojatupy@vivax.com.br

Para que possamos dirimir duvidas, solicitamos o especial obséquio


no esclarecimento do S.'. no G.'. de A.'. poder ser desfeito na g.'.?
CONSIDERAÇÕES: 

Para o R.'.E.'.A.'.A.'. Todo Sinal Penal é composto por duas partes


distintas. A primeira é a composição do Sinal e a segunda é a
execução simbólica da pena. O sinal somente estará completo se for
executado nas suas duas partes – composição e execução.

Todo Sinal Penal será feito pelo obreiro que estiver em pé e parado,
corpo ereto e os pés em esquadria (à Ordem). Não se anda com o
Sinal composto, exceto durante a Marcha do Grau. 

Compor e desfazer o Sinal Penal não significa efetivamente que é


uma saudação, porém toda saudação maçônica é feita pelo Sinal
Penal. 

Assim, em relação a vossa questão, nenhum Sinal Penal é desfeito


sem a execução da pena, o que vale dizer que não é desfeito
diretamente da garganta. Isso acontece principalmente na execução
das Marchas dos respectivos graus simbólicos. 

O termo geralmente aplicado “diretamente”, não significa


interromper um Sinal e compor o outro sem executá-lo por completo.
O termo “diretamente” nesse caso significa que no momento da troca
não se faz a saudação às Luzes da Loja, senão no final da Marcha. 

Infelizmente, muitos entendem a expressão como mudança direta de


Sinal. É regra: o obreiro que compõe um Sinal, para desfazê-lo,
sempre o fará pela execução simbólica da Pena. 

Aproveitando o ensejo, acho oportuno esclarecer uma situação que se


tornou consuetudinária nos nossos rituais, todavia ela não condiz com
a verdade. É a questão do tal “Sinal de Ordem”. À bem da verdade
não existe “Sinal de Ordem”, porém Sinal Penal que só se executa em

98
se estando à Ordem. 

Estar à Ordem significa que o obreiro estará em pé, parado, com o


corpo ereto e os pés em esquadria. O obreiro assim postado cumpre a
regra de que aquele que estiver à Ordem compõe o Sinal Penal do
Grau inerente ao trabalho da Loja. É o caso do “de pé e à Ordem”.
Acaso alguém ficaria à Ordem sentado? Também nunca vi nem ouvi
um Venerável comandar “de pé com o Sinal de Ordem”. 

T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr. 1.033 - Florianópolis (SC) – terça-
feira, 02 de julho de 2013

JÓIAS, PARAMENTOS E SUBSTITUIÇÃO

JÓIAS, PARAMENTOS E SUBSTITUIÇÃO

Questão apresentada em 12 de outubro de 2.010 e recuperada em 06 de abril de 2.013. O


Respeitável Irmão Cleber Barros Cunha, Orador da Loja Acácia de Acesita, 2.229, GOB, REAA,
sem declinar o nome do Oriente (Cidade) e Estado da Federação, apresenta a seguinte
questão:

cleberbcunha@uol.com.br

Foi-me perguntado sobre quais paramentos o Vigilante usaria no caso de substituir o


Venerável em uma sessão normal (não Magna). A princípio, poderíamos dizer que o 1º
Vigilante usaria os paramentos do Venerável, o 2º Vigilante usaria os paramentos do 1º
Vigilante e o Experto usaria os do 2º Vigilante. Entretanto, lendo e relendo os rituais,
especificamente no ritual de Grau 3, à página 35, lemos que os paramentos de Venerável
Mestre e Respeitabilíssimo Mestre são sempre usados pelo titular do cargo em sua Loja ou em
visita. Sabemos também que o Esquadro é a joia específica do Venerável. Assim sendo,
partindo destas colocações, no caso da ausência do Venerável, o 1º Vigilante em o
substituindo, usaria os seus próprios paramentos e joia correspondente a ele (Nível). O 2º
Vigilante substituiria o 1º Vigilante usando os seus paramentos (2º Vigilante) e sua joia
(Prumo). O Experto substituiria o 2º Vigilante utilizando seus próprios paramentos e sua
própria joia (o Punhal). Complica quanto ao substituto do Experto: qual paramento e joia este
utilizaria? Isto também vale para somente o caso das substituições dos Vigilantes pelos
Expertos? Resumindo: quem substitui, leva consigo os seus paramentos e joias (para este caso
específico). Correto?

99
CONSIDERAÇÕES:

Embora eu tenha recuperado essa questão perdida em 2.010, recentemente respondi uma
questão parecida com essa e acabei recebendo alguns questionamentos pelo que acabei
revendo a minha posição.

Por tudo que foi dito e debatido, penso que de acordo com as tradições da Maçonaria, o que
primeiramente identificava o cargo era a joia distintiva. Nesse embrolho todo adquirido com
paramentos distintos, Mestres Instalados em ritos que não possuem o costume, mas que
foram impostos por Lei, aventais diferenciados para Vigilantes, etc., seria mais prudente
idealizar o seguinte: nas eventuais substituições precárias, a joia deve permanecer como
identificadora do cargo, já que para aquele lugar em Loja ela é a conhecida correspondente.

Bem sei que isso até é contraditório, porém em uma escala de valores, o fato é pelo menos de
menor contradição. O que eu não posso concordar é que o Primeiro Vigilante não seja o
substituto imediato do Venerável como alguns Irmãos assim defendem, achando que somente
um Mestre Instalado pode fazer isso.

Ora, Mestres Instalados originalmente não existem no Rito Escocês Antigo e Aceito. Essa
norma foi copiada do Craft inglês e americano e enxertada no GOB a partir de 1.968. Na França
(origem do rito em questão) instalação significa simplesmente posse, enquanto que um
Venerável que deixa o veneralato é simplesmente o ex-Venerável.

Aqui no Brasil alguns ainda defendem que o Mestre Instalado é uma espécie de Grau. Ledo
engando, ele é apenas um título distintivo.

Retomando e sem a intenção laudatória, parto do seguinte raciocínio: um substituto eventual


deve usar a joia do cargo que ele está substituindo. O Segundo Vigilante assumindo o cargo do
Primeiro, usa a joia do Primeiro; o Primeiro Vigilante substituindo o Venerável usa a joia de
Venerável; o Experto assumindo o cargo do Segundo Vigilante, usa a joia do cargo que está
sendo substituído. Um substituto do Orador usa a joia do Orador; do Tesoureiro, a do
Tesoureiro; do Cobridor, a do Cobridor, e assim por diante se for o caso.

Se eu estou correto, não sei, todavia penso ser a intenção mais adequada. Se a joia for
efetivamente privativa do eleito, ou do nomeado, na eventual falta do titular, dependendo do
caso, não existirá sessão.

100
T.F.A. Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013

Fonte: JB News – Informativo nr. 1.032 - Florianópolis (SC) – segunda-feira, 01 de julho de 2013

IDENTIFICAÇÃO DA ESTRELA
IDENTIFICAÇÃO DA ESTRELA 
Questão apresentada em 06 de outubro de 2.010 e recuperada em
06 de abril de 2.013. O Respeitável Irmão Lourival Neves Figueiredo,
Loja Cidade Azul, 2.779, GOB, REAA, Oriente de Tubarão, Estado de
Santa Catarina, apresenta a questão que segue:
lourivalfigueiredo@hotmail.com

Poderia me identificar a estrela no desenho (Ritual do REAA-pagina


26) da Abóbada Celeste de cor laranja (ou vermelha),
aproximadamente sobre a mesa do 2º Vigilante? Seria a Estrela
Flamejante? 
CONSIDERAÇÕES: 

Das estrelas que aparecem no firmamento da Loja, dela não faz parte
a Estrela Flamejante. A que está colocada conforme o ritual e citada
pelo Irmão ali está posicionada por engano. À bem da verdade essa
tal estrela não existe. A Estrela Flamejante é um símbolo pitagórico
como Estrela Hominal e fica pendente do teto (abóbada) sobre o
Segundo Vigilante. Assim, a Estrela relacionada ao Segundo Grau não
faz parte do conjunto astronômico representado na abóbada. A
Estrela Flamejante, ou Famígera com a letra G no centro é tida como
uma luz intermediária e fica entre o Sol e a Lua representados no
firmamento (meridiano do Meio-Dia). 
Houve tempos em que a Estrela Flamejante também viria aparecer no
alto e frente do dossel sobre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre.
Esse costume acabou em desuso pelo fato de que alguns “achistas”
acabaram por coloca-la dentro do Delta Radiante, ou Luminoso, tudo
ao gosto do que “ficava mais bonito” e por estar entre o Sol e a Lua
no retábulo do Oriente, esquecendo-se estes de que o Sol e a Lua do
Retábulo (parede oriental) representam respectivamente apenas o
Orador e o Secretário no Rito Escocês Antigo e Aceito. 

Ratificando, a estrela que aparece na abóbada segundo o Ritual


citado, não existe e está em desacordo com a simbologia do Rito.
Também a Estrela Flamejante não é tida como elemento astronômico,
senão como símbolo distintivo de estudo do Companheiro - E´.V.´.A.

101
´.E.´.F.´.. 

T.F.A. Pedro Juk -


jukirm@hotmail.com - abril/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1031, Florianópolis (SC) - domingo, 30
de junho de 2013

AUMENTO DE SALÁRIO
AUMENTO DE SALÁRIO
Questão apresentada em 05 de outubro de 2.010 e recuperada em 06
de abril de 2.013. O Respeitável Irmão Thiers A. P. Ribeiro, Loja Deus
e Liberdade, 062, REAA, COMAB, Oriente de Montes Claros, Estado de
Minas Gerais, apresenta a questão que segue:
t.penalva@uol.com.br 
No nosso "novo" regulamento geral diz que os aprendizes e
companheiros para solicitarem aumento de salário, têm que fazer um
requerimento dirigido à Loja, acompanhado de um trabalho escrito,
que deverá ser colocado na Bolsa de Propostas e Informações. O
conhecimento que tenho é que o Aprendiz solicita seu aumento de
salário ao Irmão 2º Vigilante e o Companheiro solicita ao Irmão 1º
Vigilante. Qual é o procedimento correto?
CONSIDERAÇÕES: (para a COMAB) 

Sem querer ferir regulamentos esse procedimento não está de acordo


com as nossas tradições, usos e costumes. Aprendizes e
Companheiros não deveriam solicitar aumento de salário enviando
pedidos e peças de arquitetura na bolsa de Propostas e Informações. 

Essa atribuição é do Vigilante que os instrui. Cabe ao Vigilante


observar também os dispositivos legais para promover pedido de
mudança de grau. Cumpridas as exigências através da peça de
arquitetura, visitas, tempo e merecimento, o pedido é encaminhado
para votação na Ordem do Dia. Aprovada a questão, o Venerável
marcará a data da Sessão Magna para efetivar o intento. 

No caso de um Aprendiz ou um Companheiro se sentir prejudicado


por ser esquecido no grau depois de cumprido o seu interstício, não
sendo lhe pedido à apresentação da peça de arquitetura inerente, ele
pode veladamente (sem pronunciamento em Sessão) solicitar
esclarecimentos ao Guarda da Lei do por que da demora. 

Assim o Orador providenciará o esclarecimento se ele houver, pelo


motivo, ou intercederá para o cumprimento da Lei. 

Certo mesmo é que quem instrui os Aprendizes é o Segundo Vigilante


e os Companheiros o Primeiro, indistintamente de que os Aprendizes

102
sempre têm lugar no topo do Norte e os Companheiros no topo do
Sul. T.F.A.

Pedro Juk - jukirm@hotmail.com - abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr.1030, Florianópolis (SC) - sábado, 29
de junho de 2013

ABERTURA DA LOJA E O NÚMERO DE IRMÃOS


ABERTURA DA LOJA E O NÚMERO DE IRMÃOS 
Questão apresentada em 05 de outubro de 2.010 e recuperada em 06
de abril de 2.013. O Irmão Günter G. Resener, Loja Eduardo Teixeira
II, 80, Grande Loja de Santa Catarina, Oriente de Camboriú, Estado de
Santa Catarina, apresenta a questão seguinte:
gunterresener@yahoo.com.br

Em primeiro lugar, meus parabéns pela sua seção Consultório


Maçônicos da Revista na Revista A Trolha (é a primeira que leio ao
receber a Revista). Bem, minha dúvida é a seguinte: na seção
Consultório Maçônico da Revista A Trolha nº 287 - Setembro/2010, ao
responder o questionamento do Ir.´. Sílvio Rogério Hauer sobre
"Aprendiz no Oriente", o Senhor diz: "[...] para abrir uma Loja de
forma regular, precisamos no mínimo 7 Mestres Maçons ...". Desculpe
minha ignorância, pois como Aprendiz, tenho a vontade de aprender,
e como no nosso Ritual (Grande Loja de Santa Catarina), consta:
"Venerável – Irmão Orador, o que se torna preciso para a abertura
dos trabalhos?” “Orador - Que estejam presentes, no mínimo, sete
Irmãos, dos quaispelo menos três Mestres e que todos estejam
revestidos de suas insígnias." (grifo meu) Inclusive, questionei
diversos Irmãos Mestres e Mestres Instalados e todos responderam
que seriam necessários apenas três Mestres, sendo um deles Mestre
Instalado. Diante do acima exposto, gostaria que, se possível,
elucidasses essa minha dúvida. 

CONSIDERAÇÕES: 

(Questão da Obediência Grande Loja de Santa Catarina): As


considerações que seguem estão embasadas na tradição e não na
interpretação de rituais e regulamentos. Nesse sentido também esses
apontamentos não têm o escopo de desrespeitar escritos legalmente
aprovados.

Nem tudo que reluz é ouro. O que tem acontecido é a má


interpretação da tradição. Senão vejamos: Três governam a Loja,
cinco a compõe e sete a completam. Infelizmente alguns tratadistas
confundem o número mínimo presente com o Landmark de que uma
Loja será sempre governada por três Luzes. Dado a esse feitio surgiu
103
a falsa interpretação de que uma Loja precisa de apenas três Mestres,
dois Companheiros e dois Aprendizes. 

Ora isso é especialmente inviável, já que os cargos em Loja conforme


os Ritos e Trabalhos maçônicos serão sempre preenchidos por
Mestres Maçons na Moderna Maçonaria. 

Vejamos em particular o Rito Escocês Antigo e Aceito, filho espiritual


da França: respeitando o Landmark que uma Loja será sempre
dirigida por três Luzes (Venerável, Primeiro e Segundo Vigilantes –
Mestres Maçons), quem seria o Orador, o Secretário, o Cobridor
Interno e o Mestre de Cerimônias? Companheiros e Aprendizes?
Obviamente que não, pois cargos em Loja são preenchidos por
Mestres. Ainda mais, Aprendizes e Companheiros exercendo o cargo
de Orador e Secretário no Oriente? E o Cobridor Interno em se
obrigando a fazer o Telhamento? Isso seria possível ser realizado por
um Aprendiz ou um Companheiro? Como ficaria a situação se por
dever de ofício esse Oficial carecesse telhar um Mestre retardatário?
E no caso do Mestre de Cerimônias que carece se deslocar por dever
de ofício pelos quatro pontos cardeais da Sala da Loja? Sendo um
Companheiro e um Aprendiz haveria essa possibilidade no Oriente? 

Nunca é demais lembrar que em Loja aberta o Oriente é privativo dos


Mestres. Por essas razões que uma Loja precisa ser aberta no mínimo
por sete Mestres – Três Luzes (Venerável e os Vigilantes), cinco
Dignidades que a compõe (as Três Luzes mais o Orador e o
Secretário) e sete que a completam (as cinco Dignidades mais o
Mestre de Cerimônias e o Cobridor). No caso do Rito Escocês sem
esse mínimo de Mestres não há possibilidade de se abrir uma Loja. 

Cabe aqui uma observação no caso do Rito Escocês – como


originariamente os Diáconos no rito em questão não usam bastão e
não existe formação de pálio, para a abertura e encerramento dos
trabalhos no tocante a transmissão da Palavra Sagrada, o Mestre de
Cerimônias e o Secretário preenchem esses cargos precariamente no
ato ritualístico. 

Agora para rituais que preveem o pálio, deixamos a palavra com


quem “inventou” esse procedimento no Rito em questão. 

T.F.A. Pedro Juk -


jukirm@hotmail.com abril/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1029, Florianópolis (SC ) - sexta-feira,
28 de junho de 2013

104
POSICIONAMENTO IRMÃOS E LUVAS PARA AS
CUNHADAS
POSICIONAMENTO IRMÃOS E LUVAS PARA AS CUNHADAS 
Questão apresentada em 04 de outubro de 2.010 e recuperada em 06
de abril de 2.013. O Respeitável Irmão Antônio Raia, GOB, sem
declinar o nome da Loja, Oriente (cidade), Estado de Pernambuco,
apresenta a questão que segue:
antonio_raia@hotmail.com 

Na página 45 do Ritual de Aprendiz, na verificação pelo Primeiro


Vigilante - “Em pé e a Ordem em ambas as Colunas (todos se
levantam à Ordem e o Primeiro Vigilante faz a verificação do seu
lugar)”. Os Irmãos ficam voltados para onde? Para o eixo da Loja?
Para o Oriente? Pagina 29 do Ritual de Companheiro, na verificação
se todos os Irmãos são Companheiros (Todos nas Colunas e no
Oriente levantam-se, ficam à Ordem e voltam-se para o Oriente)?
Pagina 50/51 do Ritual de Mestre também na verificação se os Irmãos
são Mestres (os Irmãos das Colunas voltam-se para o Oriente de sorte
que nenhum veja o que se passa à sua retaguarda). E os Irmãos do
Oriente ficam sentados? Ficam em pé e a Ordem?.... Como ficam?
Nas Iniciações é dado ao Irmão Aprendiz um par de luvas destinadas
àquela que mais direito tiver a vossa estima e o vosso afeto. E é
explicado que: (em caso de emergência) que as portadoras dessas
luvas colocariam o par de luvas no antebraço esquerdo e assim
ficariam posicionadas até que um Irmão viesse em vosso socorro.
Como também, algumas Lojas ensinam que a portadora deveria
vestir a luva na mão esquerda e levantar o braço para o alto na
espera que algum Irmão viesse ao vosso socorro. Qual a explicação
correta?
CONSIDERAÇÕES:

No caso da Loja de Aprendiz não existe necessidade alguma de todos


os Irmãos se voltarem para o Oriente. Quando da verificação do
Vigilante, os Irmãos do Ocidente simplesmente se levantam, ficam à
Ordem de acordo como esteja posicionado o assento. Em linhas
gerais representa que aquele que estiver em pé nessa oportunidade,
terá logo atrás de si o assento. Assim nos assentos ocupados e que
fiquem de frente para o eixo da Loja, os Irmãos assim se posicionam.
Nos assentos voltados para o Oriente, os Irmãos assim se distribuem. 

Na Loja de Companheiro apenas os Irmãos do Ocidente se levantam e


ficam de frente para o Oriente. No Oriente não existe telhamento.
Todos ficam sentados – o Ritual será arrumado. Estamos orientando
que o procedimento seja igual ao do Mestre. Note que no próprio
Ritual do Grau de Companheiro, o Venerável comanda “sentai-vos” e
não “sentemo-nos”. No Ritual de Mestre as coisas já estão nos seus
devidos lugares. Telhamento só no Ocidente. No Oriente todos
permanecem sentados e nunca em pé e voltados para a parede
ocidental. 

105
Quanto à questão das Luvas. Sinceramente eu não sei onde está
escrita essa “aberração”. O texto do Ritual é claro (...) àquela que
mais direito tiver a vossa estima e o vosso afeto. Nada mais. A lição é
a de liberdade e não de libertinagem. Ao Aprendiz é dado o direito de
escolher para quem entregar o par. Isso não implica que o
recipiendário possa entrega-lo a uma amante, ou concubina, já que o
mesmo passou por um processo de avaliação e sindicância e seria de
uma inconsequência monstruosa a Loja que iniciasse alguém dado a
pratica da imoralidade. 

Nesse sentido, o novo Irmão poderá optar em entregar, por exemplo,


à esposa (se ele for casado), à mãe, à madrinha ou outra que lhe
aprouver à vontade. Agora ainda por cima inventar procedimento de
socorro para as Cunhadas expondo-as ao ridículo é mero produto de
imaginação e desrespeito ao Ritual. 

Na sua questão do que seria correto, o correto mesmo é não usar


prática inexistente. Destas, nenhuma das duas – “não existe sinal de
socorro para as cunhadas!”. Aliás, também não existe nenhuma
cerimônia de “entrega de luvas” para cunhadas. 

T.F.A. Pedro Juk -


jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr.1028, Florianópolis (SC ) - quinta-
feira, 27 de junho de 2013

A JÓIA DISTINTIVA DO VENERÁVEL


A JÓIA DISTINTIVA DO VENERÁVEL 
O Respeitável Irmão Elmo Nélio Moreira, Mestre Instalado da Loja
Itaúna Livre, sem declinar o nome da Obediência e do Rito, Oriente de
Itaúna, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte: 
elmonelio@nwnet.com.br 

Sou apreciador de seus escritos na Trolha e sempre os levo para a


Loja no Período de Instrução. Na última Trolha (no 317 março) não
entendi bem uma resposta sua, na página 7, a qual segue em anexo.
A dúvida está na parte reproduzida a seguir e meu comentário está
de vermelho: O Primeiro Vigilante é substituto em caráter precário no
caso do Venerável faltar. Assim, se ele não for um Mestre Instalado,
ele assume normalmente para dirigir os trabalhos naquela Sessão
sem a necessidade de usar a joia distintiva, pois ela é privativa
daquele que foi instalado. Sendo o caráter precário, não faz diferença
alguma. A expressão “sem a necessidade de usar a joia distintiva” significa
que não é necessário usar a joia, mas poderá usá-la. Porém, em
seguida vem“pois ela é privativa daquele que foi instalado”. Se a joia é

106
privativa do Mestre Instalado então o Primeiro Vigilante, não o sendo,
NÃO poderá usá-la. Dessa forma, creio que deveria ser: “Assim, se ele
não for um Mestre Instalado, ele assume normalmente para dirigir os
trabalhos naquela Sessão, mas sem poder usar a joia distintiva, pois ela
é privativa daquele que foi instalado”. Estou correto? E depois tem: “Sendo
o caráter precário, não faz diferença alguma”. O que o Irmão quis dizer
com não faz diferença alguma? Seria que já que o caráter é precário,
então o Primeiro Vigilante (mesmo não sendo instalado) poderá usar
ou não a joia? Aproveito para fazer uma pergunta: Aqui em nossa
Loja, o Primeiro Vigilante não é Mestre Instalado e quando
eventualmente ele substitui o Venerável ele senta-se na cadeira ao
lado da cadeira do Venerável, que fica vazia. Se o Primeiro Vigilante
for Mestre Instalado, ele poderá sentar-se na cadeira do Venerável
durante a substituição? Por fim, agradeço muito a atenção e o
parabenizo pela sua competência e sabedoria.

CONSIDERAÇÕES: 

Realmente não posso discordar da sua pessoa. A minha resposta é


contraditória. Talvez o fruto da pressa, ou da minha própria ignorância,
acabei por “embananar” a resposta. Quanto me referi a joia distintiva ser
privativa do Venerável eu acabei generalizando uma situação
anômala (precária). 

Revendo o meu conceito, penso que o Primeiro Vigilante ao assumir a


precariedade do cargo, terá pelo menos que usar a joia distintiva do
cargo, já que todos os cargos ocupados são distinguidos por uma joia.
Seria contraditório o Primeiro Vigilante dirigir os trabalhos da Loja
usando a sua própria joia, já que alguém teria que substituí-lo no
Ocidente e então qual joia o substituto usaria? Isso implicaria em
prolongar a contradição. 

Nesse sentido, não de maneira laudatória, mas de modo a conter a


contradição, realmente melhor seria que os eventuais substitutos
usassem a joia correspondente ao cargo assumido. 

Deixemos então, no caso do Venerável, que o Primeiro Vigilante não


possa usar apenas o avental e os punhos daquele eleito para dirigir
os trabalhos de uma Loja. 

Se pensarmos em tradição maçônica, os cargos assumidos em uma


Loja sempre foram distinguidos pela joia. Assim com base no
costume, que os substitutos usem a joia inerente ao cargo assumido. 

Sob essa óptica, o mesmo se dá na questão do lugar. No caso do


Venerável, o substituto toma assento no trono e não na cadeira ao
lado. No caso do GOB, a cadeira da direita é reservada ao Grão-
Mestre Geral e a da esquerda ao Grão-Mestre Estadual. Ambos não
estando presentes e nem seus respectivos adjuntos a da esquerda

107
fica vazia e a da direita a critério do Venerável esse pode convidar o
ex-Venerável mais recente a ocupar o lugar. 

Assim o dirigente dos trabalhos ocupa a cadeira central (a Lei 114 foi
declarada inconstitucional conforme acordão publicado no Boletim de
20 de novembro de 2012). 

Sem a intenção de dourar a pílula ou de arrumar justificativas, todo


esse mistifório partiu de meras “invenções” que acabariam por se tornarem
legais e consuetudinárias na Maçonaria brasileira. 

Se cumpríssemos a tradição de que Mestre Instalado é prática do


Craft (inglês e americano) e nunca da Maçonaria francesa,
particularmente no Rito Escocês Antigo e Aceito não haveria esse
processo de instalação. 

Inventaram no GOB essa prática desde 1.968 e com ela seguem as


dúvidas e acomodações. Pior ainda é que muitos Irmãos ainda “acham”
que Mestre Instalado é grau.  

T.F.A. Pedro Juk -jukirm@hotmail.com abril/2013


Fonte: JB News – Informativo nr.1027, ( Florianópolis SC ) - quarta-
feira, 26 de junho de 2013

POSIÇÃO DA BOLSA
POSIÇÃO DA BOLSA
Questão apresentada em 04 de outubro de 2.010 e recuperada em 06
de abril de 2.010. Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Luis
Augusto Barbieri, GOB, sem declinar o nome da Loja, Rito, Oriente
(cidade) e Estado da Federação:
guto1961@gmail.com

Solicito esclarecimento se, a posição do saco para colher as Propostas


ou o Tronco de Beneficência, deve ser do lado esquerdo ou direito do
Ir que faz o giro. Outra dúvida sobre a ritualística é se na circulação
do Saco de Proposta e no Tronco é necessário fazer a circulação
quando não se tem Companheiros nas Colunas para atendimento aos
Aprendizes.

 
CONSIDERAÇÕES:

É sempre do lado esquerdo. O caráter fora adquirido nas igrejas


medievais quando um integrante (Esmoler) aguardava no lado de fora
da porta de entrada oferecendo aos fiéis uma bolsa que ia presa a
tiracolo da direita para a esquerda onde eram depositados donativos

108
que seriam destinados aos carentes da paróquia. 

A Maçonaria latina adquiriu esse costume com base nessa prática e


somou o procedimento também para a coleta das propostas e
informações. Esse giro feito em Loja não é prática universal da
Maçonaria, cabendo o costume apenas aos ritos maçônicos que assim
procedem. Explico: dependendo da vertente maçônica, inglesa, por
exemplo, não existe essa forma de coleta, seja ela de colheita de
propostas ou de beneficência. 

Quanto à circulação nas propostas e no tronco, o Oficial circulante


depois de cumprir os seis primeiros cargos (Luzes da Loja, Orador,
Secretário e Cobridor Interno), o Oficial aborda todos os demais do
Oriente. Ato seguido passa pela Coluna do Sul, recolhendo dos
respectivos Mestres, vai para a Coluna do Norte e ali procede da
mesma forma. 

Em havendo Companheiros no Topo do Sul ele para lá se desloca para


cumprir o ofício. Presentes Aprendizes no Topo do Norte o Oficial fará
a abordagem após os Companheiros. 

Finalizando o giro ele se desloca até o Cobridor Interno para que esse
o auxilie a depositar a sua própria proposta, ou o óbolo se for o caso e
em seguida posiciona-se entre as Colunas do Norte e do Sul no
extremo do Ocidente (próximo à porta) e aguarda. 

No caso de não estar presente nenhum Companheiro e ele estando


no Norte, não precisa voltar ao Sul para cumprir ofício. Nesse caso ele
faz, após os Mestres, a coleta dos Aprendizes. Em resumo ele faz a
coleta apenas dos que estão presentes, pois como ele abordaria
Irmãos não estão presentes? 

T.F.A. Pedro Juk


jukirm@hotmail.com abril/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1026, ( Florianópolis SC ) - terça-feira,
25 de junho de 2013

REGULARIZAÇÃO OU FILIAÇÃO
REGULARIZAÇÃO OU FILIAÇÃO 
Questão apresentada em 12/03/2011 e recuperada em 06.04.2013. O
respeitável Irmão Juvenal Alves de Moura, Loja João Braz, GOB,
Oriente de Trindade, Estado de Goiás, apresenta a seguinte questão:
jmoura57@gmail.com

109
Estamos com uma duvida em nossa Oficina. Já foi motivo de
discussão em mais de uma sessão e não sabemos como proceder,
pois o material disponível (Constituição, Regulamento, Rituais) não e
claro. É o seguinte: um Irmão do quadro solicitou seu Quite-Placet em
caráter irrevogável, o que foi atendido pela Loja, esse placet foi
expedido pelo GOB, publicado no Boletim Oficial, isso já faz quatro
meses, portanto é um ir regular, pois não completou ainda seis
meses. Fizemos uma comissão recentemente, fomos à casa do Irmão
solicitando seu retorno a Loja, que felizmente aceitou. A nossa duvida
e é como realizar o seu retorno. É filiação? Ou? Regularização. Seu
placet não esta vencido. Diante do exposto gostaria que o Irmão nos
desse uma luz o mais rápido possível.

CONSIDERAÇÕES: 

Se o Quite Placet não está vencido, isto é dentro do prazo


regulamentar de cento e oitenta dias e o portador deseje seu retorno,
a Loja procederá a sua filiação. Já a regularização está prevista para
os portadores, nesse caso, de Placet vencido. 

T.F.A. Pedro Juk


jukirm@hotmail.com abril/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1025, ( Florianópolis SC ) - segunda-
feira, 24 de junho de 2013

DÚVIDAS ENTRE COLUNAS E O COBRIDOR


DÚVIDAS ENTRE COLUNAS E O COBRIDOR 
O Respeitável Irmão José Luiz Horner Silveira, membro da Loja
Renovação, 3.387, REAA, GOB-SC, Oriente de Florianópolis, Estado de
Santa Catarina, apresenta a questão seguinte:
joseluiz.silveira@eletrosul.gov.br

Em primeiro lugar gostaria de parabenizar o Jornal JB News pelo


valoroso trabalho que prestam diariamente para os Irmãos
interessados em atualizações e informações tão valiosas que se
encontram no jornal. Prezado Irmão Pedro Juk, gostaria de lhe
parabenizar pelo maravilhoso bloco de perguntas e respostas e pelas
colunas escritas para este jornal. Minha dúvida é em relação ao
Cobridor Interno e a posição das Colunas na Loja. Na planta da Loja,
contida no ritual, as Colunas ficam pelo lado de fora do templo. No
ritual diz que o Mestre de Cerimônias ou o Mestre Hospitaleiro ficam
entre Colunas antes de iniciar o giro do Saco de Propostas e do
Tronco de Beneficência. Como ficar entre Colunas se as Colunas
estão pelo lado de fora? A segunda dúvida é em relação ao Cobridor.
Gostaria que o Sr. explanasse sobre a chegada de Irmãos atrasados
110
na reunião; como devem bater na porta do templo e como o Cobridor
deve responder através de batidas na porta. O cobridor deve se
levantar ou permanece sentado para se comunicar com o Irmão que
está pelo lado de fora. Se possível explanar as várias situações que
podem ocorrer para esta comunicação entre Cobridor e Irmão que
chegou atrasado.  

 
CONSIDERAÇÕES: 

1 - Entre Colunas – o termo não se trata de se estar entre as Colunas


B e J, já que elas no Rito Escocês são vestibulares e, por assim ser se
posicionam no Átrio (vestíbulo da Loja). 

Entre Colunas no caso, é aquele que se posiciona entre as Colunas do


Norte e do Sul e, para o procedimento da circulação da bolsa, no
extremo do Ocidente sobre o eixo longitudinal do Templo, também
conhecido como Equador. 

Coluna do Norte – por definição é todo o espaço localizado sob o


ponto de vista daquele que entra no Templo (esquerdo), limitado em
seu comprimento pela grade e entrada do Oriente até a parede
ocidental. Na sua largura (altura) a partir do eixo do Templo até a
parede Norte. 

Coluna do Sul - por definição é todo o espaço localizado sob o ponto


de vista daquele que entra no Templo (direito), limitado em seu
comprimento pela grade e saída do Oriente até a parede ocidental.
Na sua largura (altura) a partir do eixo do Templo até a parede Sul. 

Assim, no caso da questão, todo o Obreiro que estiver no Ocidente e


posicionado sobre o eixo longitudinal ou equador do Templo estará
“Entre Colunas”. Convenciona-se geralmente que um Obreiro entre
Colunas se posiciona na forma mencionada o mais próximo possível
da porta de entrada. 

Como o espaço da Sala da Loja do Rito Escocês (vertente latina)


representa um canteiro sob a abóbada o seu eixo longitudinal é o
Equador, cujos pilares solsticiais ou as Colunas B e J (no átrio)
marcam simbolicamente a passagem dos trópicos de Câncer ao Norte
e Capricórnio ao Sul. 

Assim, as linhas imaginárias dos trópicos são paralelas ao Equador da


Loja (análogos ao disposto no Globo Terrestre). 

2 – O Atrasado. O fato é que nenhum ritual será escrito prevendo o


“atraso”, todavia sabemos que ele verdadeiramente acontece. Nesse
sentido, se um obreiro chegar atrasado, ele dará na porta a bateria
universal maçônica que é a de Aprendiz. Se o momento for oportuno
para o ingresso o Cobridor fará a comunicação de costume, dando-se
em seguida os procedimentos de ingresso. Se o momento não for

111
oportuno, o Cobridor dará pelo lado de dentro da porta à mesma
bateria. Isso significa que o que estiver pedindo ingresso deverá
aguardar o momento propício para entrada. 

É procedimento completamente equivocado o “atrasado” elevar a


bateria para o grau subsequente e assim por diante. Isso é mesmo
prática inexistente, nem mesmo com alegação de que a Loja esteja
trabalhando em outro Grau. 

Compete ao Cobridor Interno verificar (pelo avental) e comunicar se o


atrasado do quadro tem qualidade para ingressar. Se for Irmão
desconhecido, ainda existem outros procedimentos de verificação
obviamente. 

Não existe esse festival de bateria, como também não existe a


institucionalização do “atraso”. Penso que a preocupação deveria ser
com a entrada formal do atrasado – Marcha do Grau de trabalho da
Loja. 

Outro aspecto a se considerar é de que como um “atrasado”


consegue ingressar no prédio e ter acesso até a porta da Sala da Loja
após o início dos trabalhos. 

T.F.A. Pedro Juk


jukirm@hotmail.com Junho/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1024,  ( Florianópolis SC ) domingo, 23
de junho de 2013

BOAZ OU BOOZ
BOAZ OU BOOZ
Questão apresentada em 04 de novembro de 2.010 e recuperada em
07 de abril de 2.013. Duvida apresentada pelo Respeitável Irmão
Sangelo Rossano, Secretário Estadual de Orientação Ritualística do
GOB/AC, Oriente de Rio Branco, Estado do Acre.
sangeloros@hotmail.com 
Mais uma vez trago indagações de nossos Amados Irmãos, essa
semana foi feita a leitura de um artigo com a palavra sagrada B.´. e
as contradições surgiram acerca da pronuncia BOAZ ou BOOZ, e
vários pontos de vista foram citados. De plano visualizamos que o
Rito Brasileiro adota BOOZ e como o chancelador de ambos foi o
Soberano chegamos ao entendimento de BOOZ, mas foram sugeridas
por Irmãos erros nas traduções do séculos, inclusive um chegou a
citar que não se fala BOOZ, mais não se repetem as vogais juntas
naquele idioma. Outro ponto seria que seguindo o entendimento

112
católico na tradução de São Jerônimo que adotou BOOZ. Pergunto ao
Amado Irmão. Qual maneira é adotada no GOB: BOOZ ou BOAZ? 

 
CONSIDERAÇÕES: 

Geralmente na Maçonaria brasileira por ser filha espiritual da França


ainda existe o costume de se adotar BOOZ que, a bem da verdade, é
uma corruptela de BOAZ. De fato, o termo BOOZ é inexistente no
idioma hebraico, senão BOAZ.

Essa anomalia surgiu na tradução bíblica da Vulgata de São Jerônimo


onde inadvertidamente o tradutor escreveu BOOZ e a igreja em
respeito à tradição resolveu assim manter a expressão.

Como essa tradução é latina, provavelmente os ritos maçônicos dessa


vertente, na sua grande maioria acompanham a descrição bíblica da
Vulgata. 

Já na mais antiga tradução bíblica do hebraico e aramaico para o


grego por judeus helenísticos a versão Septuaginta (dos Setenta)
mantém a tradição do termo de maneira correta – BOAZ. 

O rótulo de BOAZ é mantido na tradição maçônica da vertente


inglesa, tanto no Craft inglês quanto no americano. 

A vertente bíblica protestante do cristianismo também adota na sua


tradução a palavra BOAZ. 

Assim o GOB ainda permanece no uso da corruptela BOOZ, fato que


deveria até ser revisto, já que essa descrição está em desacordo com
o que é fato e direito no idioma donde provém a verdadeira palavra
que é BOAZ. 

T.F.A. PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com ABRIL/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1023, Florianópolis (SC) – sábado, 22
de junho de 2013

DÚVIDAS SOBRE SINAL E MARCHA


DÚVIDAS SOBRE SINAL E MARCHA  
Questão apresentada em 01 de setembro de 2.010 e recuperada em
06 de abril de 2.013. Questão que faz o Respeitável Irmão Diego
Denardi, Loja Obreiros da Arte Real, 3.932, REAA, GOB-RS, Oriente de
Santiago, Estado do Rio Grande do Sul.
113
denardidiego@gmail.com
Gostaria de saber se poderia contar com a ajuda dessa Grande
Secretaria para uma discussão interna de nossa loja sobre dois
temas: Na marcha de Companheiro, alguns interpretam a orientação
do ritual de passar diretamente do Sinal de Aprendiz para o Sinal de
Companheiro como devendo haver a saudação do Aprendiz entre os
dois, isto é, desfazendo o Sinal de Aprendiz para depois fazer o Sinal
de Companheiro. Outros interpretam a mesma orientação como
passando de um Sinal a outro sem Saudação (ou desfazer o Sinal de
Aprendiz), fazendo-se somente a saudação de Companheiro no final.
Pergunta-se, então como deve ser feita a Marcha de Companheiro?
Ainda outra questão refere-se à necessidade de fazer-se ou não o
Sinal ao cruzar o eixo do templo quando a Loja estiver aberta. Há
autores que dizem ser necessária a saudação pelo irmão que está
circulando e outros que afirmam o contrário. Qual é a orientação do
Grande Oriente do Brasil nesse assunto? Ainda uma última questão:
qual seria a literatura mais indicada para resolver essas e outras
questões que porventura venham a ocorrer caso o Ritual apresente
dúvidas a esse respeito.

 
CONSIDERAÇÕES: Para o Rito Escocês Antigo e Aceito.

Questão do Sinal quando da Marcha – Um Sinal Penal completo é o


ato de compor o Sinal e desfazê-lo pela pena simbólica. No caso da
Marcha em questão, dão-se os três primeiros passos compondo o
Sinal de Aprendiz. Ato seguido desfaz-se o mesmo pela pena
simbólica (o que não quer dizer que está se saudando), compõe-se o
de Companheiro e prossegue-se a Marcha. Ao final se saúdam as três
Luzes pelo Sinal do Companheiro. 

Compor um Sinal e desfazê-lo pela Pena não significa irrestritamente


que está se saudando alguém, todavia ao se saudar alguém se saúda
pelo sinal. Existe uma regra: Quem compõe o Sinal Penal para
desfazê-lo, somente o faz pela pena simbólica. Não existe regra de se
passar de um Sinal diretamente para outro. É regra também que
saudações em Loja aberta são feitas pelo Sinal Penal. 

É certo também que nem todo aquele que compõe o Sinal esteja
necessariamente fazendo uso da saudação – exemplo: um obreiro ao
fazer o uso da palavra, devidamente autorizado fica em pé e compõe
o Sinal (à Ordem) e se pronuncia. Ao término da fala, desfaz o Sinal
pela pena simbólica e toma assento novamente. 

Outra regra: O Obreiro que estiver em pé e parado em Loja aberta


sem estar empunhando (segurando) um objeto de trabalho fica à
Ordem – pés em esquadria, corpo ereto, compondo o Sinal Penal. Não
se anda com o Sinal composto, salvo na execução da Marcha do
Grau. 

Na questão de se cruzar o eixo – esse costume está em desuso e não


114
mais é previsto no Grande Oriente do Brasil. Conforme exara o ritual,
as saudações são feitas ao Venerável Mestre quando da entrada e
saída do Oriente e às Luzes da Loja quando da entrada e saída do
Templo. 

A referência à entrada é aquela formal após a execução da Marcha,


enquanto que à saída se refere àquela prevista antes do término dos
Trabalhos – página 42 do Ritual de Aprendiz em vigência. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com ABRIL/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1022, Florianópolis (SC) – sexta-feira,
21 de junho de 2013.

QUESTÕES: CONSTITUIÇÃO - RGF - CÓDIGO


ELEITORAL (GOB)
QUESTÕES: CONSTITUIÇÃO - RGF - CÓDIGO ELEITORAL (GOB) 
O Respeitável Irmão Álvaro Gabriel D. Fonseca, Orador da Loja
Apóstolos da Galileia, 2.412, GOB, Oriente de Montes Claros, Estado
de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:
gabyjuny@hotmail.com

Sabedor das suas atribuições como Orientador Ritualístico para o


REAA, entretanto, plenamente convicto do seu elevado conhecimento
em todos os assuntos maçônicos (acompanho seu bloco/publicações
no “JB News”), venho propor os seguintes questionamentos, cujo tal,
intercedo sua orientação: 1º - Na Constituição do Grande Oriente do
Brasil consta: Cap. II – Das Inelegibilidades Art. 123 – É Inelegível IV –
Para o cargo de Venerável da Loja, o Mestre Maçom: b) Que não
tenha..., no mínimo, nos dois anos anteriores a eleição, 50% de
frequência como membro efetivo da Loja que pretenda presidir... 2º -
No Regulamento Geral da Federação consta: Seção IV – Da falta de
frequência Art. 76 – O Maçom ativo terá seus direitos suspensos...
50% das sessões da Loja no período de 12 meses. (Nova redação
dada pela Lei nº 104, de 26.03.09). 3º - No Código Eleitoral Maçônico
consta: Art. 7º- São eleitores, todos os Maçons..., os seguintes
requisitos: c) Tenha frequentado, nos 12 meses anteriores, pelo
menos 50% das sessões ordinárias realizadas pela Loja a que estiver
filiado, e nas Lojas de outros Orientes, computando-se apenas uma
sessão por semana. Art. 45º – São Inelegíveis: III – Para Venerável
Mestre b) O Maçom que não houver exercido, como titular, cargo de
Vigilante, Orador ou Secretário da Loja. Minhas dúvidas:

115
 
1 - Com relação à Constituição do Grande Oriente do Brasil e o
Regulamento Geral da Federação não existe dúvidas na interpretação
dos Artigos 123º e 76º. Porém, no Código Eleitoral Maçônico (Art. 7º),
faculta ao Irmão a possibilidade de justificar suas ausências através
de comprovantes de visitas a Lojas de outros Oriente (da mesma
Potência?) e computar uma sessão por semana (entende-se que o
Irmão poderá faltar a todas as sessões da sua Loja, pois todas as
Lojas realizam uma sessão por semana e proceder à comprovação da
sua regularidade através de visitas em outras Lojas?); 

2 - O Código Eleitoral Maçônico prevê ainda, que para concorrer ao


cargo de Venerável Mestre, o Mestre Maçom deverá ter exercido,
como titular, o cargo de Vigilante, Orador ou Secretário da Loja, fato
este que não consta da Constituição e nem do R.G.F. Indago: Diante
do contido nos Artigos 7º e 45º do C.E.M., com relação a
Constituição/R.G.F., como proceder? 

CONSIDERAÇÕES: 

Essas contradições só tendem a aumentar as nossas dúvidas. Eu


mesmo não gosto de proceder a informações sobre essas questões,
principalmente porque elas não dizem respeito diretamente às
tradições dos Ritos. De qualquer maneira penso que nesse caso
prevalece a Constituição do Grande Oriente do Brasil e a sua
regulamentação através do Regulamento Geral da Federação. 

Pelo que parece o Código Eleitoral Maçônico está precisando se


adequar aos Diplomas Legais citados. No entanto reza o Artigo 136 do
Regulamento Geral da Federação que as eleições serão realizadas
conforme preceitua a Constituição do Grande Oriente do Brasil, o
Código Eleitoral Maçônico e demais normas regulamentares
correlatas. 

Realmente fica difícil conjugar as intenções onde existem


contradições entre às Leis, como é o caso da do Venerável eleito
tenha que ter sido antes Vigilante (qual?), Orador ou Secretário. Aqui
se pergunta: e onde fica a tradição de um Rito que muitas vezes não
prevê essa prática? 

Na questão de frequência a coisa me parece mais complicada ainda


no tocante a tal “uma vez por semana”. Quanto ao Oriente, entendo
que seja aquele pertencente ao Grande Oriente do Brasil. 

Mano. Peço desculpas, mas realmente eu não gosto de me meter


nesse embrolho, assim remeto o Irmão a uma consulta junto aos
Tribunais Eleitorais Maçônicos. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com

116
Fonte: JB News – Informativo nr.1021, Florianópolis (SC) – quinta-feira,
20 de junho de 2013.

ESCLARECIMENTO SOBRE RESPOSTA


ESCLARECIMENTO SOBRE RESPOSTA  
O Respeitável Irmão Dener Carvalho Gersanti, membro da Loja
Fraternos da Conceição, nº 11, REAA, GLMMG, Oriente de Conceição
de Aparecida, Estado de Minas Gerais com base em resposta dada e
publicada no JB NEWS, solicita esclarecimento.
dener.gersanti@ymail.com 

Estimado Irmão: Lendo a resposta dada pelo Irmão Pedro Juk no JB


News 1.016, gostaria de perguntar como se pede para "cobrir o
Templo", ou como seria o certo de se fazer, mencionado no texto
abaixo pelo Irmão. Ainda na questão de estar cobertos, ou a coberto,
muitos rituais e manuais ainda insistem no engano de se referir
"cobrir o Templo" para aqueles que porventura precisem se retirar
dos trabalhos. É comum observarmos ainda a chula manifestação:
"Irmão Mestre de Cerimônias fazei os Aprendizes cobrirem o Templo,
ou fazei com que o Irmão Fulano de Tal cubra o Templo". Ora, os que
precisem se retirar pela ocasião momentânea não cobrem o Templo,
porém eles terão o Templo a eles coberto. Quem cobre o Templo, é o
Cobridor. Se os Aprendizes cobrissem o Templo, então os demais é
que deveriam sair do recinto e eles ficariam diante da porta pelo lado
interno cobrindo o Templo! Veja se isso faz sentido. 
 
ESCLARECIMENTO: 

Quando um obreiro tiver a necessidade premente de se retirar dos


trabalhos, estando ele nas Colunas, em momento oportuno ele pede
ao Vigilante da sua Coluna que por sua vez solicita ao Venerável. Se o
obreiro estiver posicionado no Oriente ele pede diretamente ao
Venerável. 

Nesse sentido o solicitante se faz anunciar pela forma de costume e,


autorizado a falar ele assim se pronuncia informando a razão: “(...)
que o Templo me seja coberto
temporariamente oudefinitivamente” se for o caso.  

“No caso da ordem partir do Venerável para que o Templo seja


coberto a algum obreiro ele assim ordena: Irmão Mestre de
Cerimônias. Fazei com que o Templo seja coberto ao Irmão Fulano de
Tal”, definitivamente ou temporariamente. 

Dados esses procedimentos o Irmão Mestre de Cerimônias em


qualquer dos casos conduz o retirante. O Cobridor Interno abre a
117
porta para passagem. Concluído o ato o Cobridor fecha a porta
cobrindo o Templo. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com JUNHO/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1020, Florianópolis (SC) – quarta-feira,
19 de junho de 2013.

SUSPENSÃO DO TEMPO DE ESTUDOS


SUSPENSÃO DO TEMPO DE ESTUDOS  
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Waldyr Brandão, Loja
Sol e Liberdade, 2 .889, GOB, REAA, Oriente de Tupã, Estado de São
Paulo.
waldyrbrandao@ig.com.br 

Estimado Irmão: Assinante da "A TROLHA" acompanho na medida do


possível, todas as consultas. Tenho uma dúvida: É comum a
suspensão do momento do "Tempo de Estudos" em Lojas (GOB-
REAA). Na Revista "A Trolha", n.º 184, pág. 33 tem um artigo
excelente sobre o tema, mas não esclarece sobre a obrigatoriedade
deste momento. Diz o artigo mencionado que o tempo de estudo é
"... proposto...". Entendo que se o item está no ritual as Lojas
deveriam seguir à risca, sem suprimir ou substituir pelo assunto da
Ordem do Dia (ex. quando tem trabalho de irmão para elevação
/exaltação), inclusive com o tema do Tempo de Estudos ser
apresentado pelo Venerável Mestre e eventualmente indicado um
outro irmão para apresentar uma peça, como manda o ritual.
Todavia, a "regra geral" tem sido um irmão (geralmente o mesmo de
sempre) levar um tema e pedir para apresentar ficando a condução
do Tempo pelo Venerável Mestre, como uma exceção. Pergunto: Pode
ou não ser suprimido o Tempo de Estudo? 
 
CONSIDERAÇÕES  

O Tempo de Estudos incluído nos rituais tem o objetivo de obrigar às


Lojas a ministrar instruções de acordo com o Grau. Peças de
Arquitetura apresentadas na Ordem do Dia são somente àquelas que
objetivam o aumento de salário e, por conseguinte merecem votação.
Outros estudos de interesse da Ordem, além das instruções contidas
nos rituais têm o período específico e programadas para esse espaço
previsto (Tempo de Estudos). 

Essa “estória” de Irmãos ficarem apresentando trabalhos na Ordem


do Dia que não sejam aquelas previstas conforme especificado acima

118
não fazem sentido algum, já que Ordem do Dia é prevista para
assuntos que deles mereçam votação. 

Pior ainda é o tal do “pelo adiantado da hora, vamos suspender o


período de instrução”. Se o período está previsto no Ritual em
vigência, ele deve ser rigorosamente cumprido, cabendo ao Orador
fiscalizar a sua realização.  

Também não existe a alegação de que a Ordem do Dia já tenha sido


uma instrução para se suprimir o tempo de estudos. Ordem do Dia é
Ordem do Dia e Período de Instrução é Período de Instrução.

Quanto a quem faz uso do período instrutivo há que se observarem as


instruções oficiais ministradas conforme o Grau pelos Vigilantes e
outras programadas pelo Venerável, pelo Orador ou ainda por um
Irmão previamente designado dando oportunidade à apresentação de
temas relevantes sobre ritualística, cultura, história, filosofia, etc.,
mas de interesse maçônico – página 72 e seguinte do Ritual de
Aprendiz em vigor. 

Ratificando: o que está escrito no Ritual é para ser rigorosamente


cumprido – página 12, segundo parágrafo do Ritual de Aprendiz em
vigência. 

 T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com ABRIL/2013.
Fonte: JB News – Informativo nr.1019, Florianópolis (SC) – terça-feira,
18 de junho de 2013.

BOOZ OU BOAZ?
BOOZ OU BOAZ? 
Questão que faz o Respeitável Irmão José Ferreira Rocha, Mestre Instalado da Loja Seg.´.
(Segredo?) e Paz, 3.587, REAA, GOB-PB, João Pessoa, Estado da Paraíba.
jofero1@ig.com.br 

Estou precisando de uma ajuda sobre a Palavra Sagrada REAA - Aprendiz. Desde que iniciei
na Loja Segredo e Harmonia Petrolinense, 1.958 – GOB/PE - Oriente de Petrolina/PE, aprendi
que a Palavra Sagrada é BOOZ (REAA – APRENDIZ). Depois que me filiei a Loja Seg.´. e Paz
- Oriente de João Pessoa/PB – os Mestres dizem BOAZ. Já li que BOOZ deriva de BOAZ, só
que o GOB adotou BOOZ. Preciso tirar esta dúvida. Qual é a Palavra certa? Existe algum
documento do GOB orientando a respeito?

CONSIDERAÇÕES 

Muitos já escreveram a respeito da diferença de escrita da palavra. Alguns trabalhos dignos de


apreciação e outros repletos de opiniões pessoais sem qualquer contribuição para o tema. 

A diferença da escrita se apresenta de acordo com as duas principais versões bíblicas – a


Septuaginta (Dos Setenta) e a Vulgata. Septuaginta - Versão dos "Setenta" ou "Alexandrina" é

119
provavelmente a principal versão grega por sua antiguidade e autoridade. Sua redação deu-se
a partir da Bíblia hebraica no período de 275 - 100 a. C., sendo usada pelos judeus de língua
grega ao invés do texto hebreu. 

O nome "Setenta" se deve ao fato de que a tradição judaica atribui sua tradução a 70 sábios
judeus helenistas, enquanto que "Alexandrina" por ter sido feita em Alexandria. Em relação à
questão, particularmente nessa versão bíblica a palavra tem a grafia de BOAZ.  

Vulgata - No sentido em curso, Vulgata é a tradução para o latim da


Bíblia, escrita entre fins do século IV início do século V, por São
Jerônimo por determinação do Papa Dâmaso I, que foi usada pela
Igreja Cristã.

Nos seus primeiros séculos, a Igreja serviu-se, sobretudo da língua


grega, passando após a tradução latina denominada Vulgata a
consolidar-se, sobretudo a partir da edição da Bíblia de 1532. No
tocante à questão, nessa versão a palavra é rotulada como BOOZ. 

Ainda não menos importante citar é que por ocasião da Reforma


Protestante que quebraria o monopólio latino da língua, está à
tradução da Bíblia por Martinho Lutero para a língua alemã. 

Nessa tradução, no tocante particular ao termo, encontra-se a palavra


BOAZ. Na concepção protestante inglesa de tradução bíblica o termo
BOOZ é desconhecido, senão identificado como BOAZ. 

Outro aspecto para ser considerado é que o termo BOOZ é


desconhecido no vernáculo hebraico, senão a palavra BOAZ. Sob esse
prisma a palavra correta deveria ser BOAZ, já que BOOZ é
considerada uma corruptela da palavra apropriada adquirida por
equivoco de São Jerônimo por ocasião da tradução para a Vulgata. 

Em linhas gerais a conservação dessa corruptela deu-se pela Igreja


Católica alegando respeito ao tradutor bíblico (São Jerônimo) e
resolveu manter a tradição da Vulgata. 

Em termos de Maçonaria é facilmente compreensível o uso dessa


palavra dependendo da sua vertente. No Craft inglês e, por
conseguinte no Americano, dentre outros costumes anglo-saxônicos,
a dita é tida como BOAZ, enquanto que na vertente latina (francesa)
da qual pertence o REAA.´., não na sua totalidade, porém na sua
grande maioria, o termo é compreendido como BOOZ, provavelmente
influenciado pela Vulgata (latina por excelência). 

A Maçonaria brasileira – filha espiritual da França – acabaria nos ritos


de origem francesa por adquirir o costume de uso da corruptela
(BOOZ), tornando-se um elemento consuetudinário, sobretudo no Rito
Escocês Antigo e Aceito. 

Dadas essas considerações, devido ao caráter de segredo do Grau


imposto à palavra no Rito Escocês na sua forma de transmitir, não
existe oficialmente uma orientação para o uso da palavra BOAZ ou da

120
corruptela BOOZ no Grande Oriente do Brasil, senão o costume
consuetudinário do modo errado de escrever ou pronunciar a dita
palavra sagrada. 

Penso que a Maçonaria como investigadora da Verdade e dela


fazendo parte o Grande Oriente do Brasil, urge a necessidade de
revisão sobre esses conceitos amparados por tradições superadas. 

Se a palavra correta é BOAZ, que sentido teria o uso de uma


corruptela? Enquanto permanece o equívoco, sugiro que as Lojas pelo
menos ministrem uma instrução esclarecendo os fatos sobre o
assunto, ao mesmo em que tempo remeto o Irmão a consultar uma
excelente Peça de Arquitetura intitulada “Discussões Bíblicas – BOOZ
ou BOAZ” do respeitável Irmão Willian Almeida de Carvalho
(encontrada na Internet) que em minha opinião fecha o assunto, além
de dar subsídios para pesquisa sobre o tema. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com ABRIL/2013.
Fonte: JB News – Informativo nr.1018, Florianópolis (SC) – segunda-
feira, 17 de junho de 2013.

LIVRO DA LEI
LIVRO DA LEI 
O Respeitável Irmão Pasolini, Secretário Estadual de Orientação Ritualística do GOB-ES,
Oriente de Vitória, Estado do Espírito Santo, apresenta a seguinte questão: 

Irmão Pedro, boa noite. Hoje, dia 04/04/2013, recebi uma ligação de um Irmão me
questionando o seguinte: O Livro da Lei depois de aberto pelo Irmão Orador pode ser
manuseado? Um Aprendiz da sua Loja apresentou um trabalho, e continha uma referência a
uma passagem da Bíblia Sagrada. Dentro da Loja não existia uma reserva. O que fazer? Qual
o seu posicionamento? O Livro da Lei que abriu os trabalhos poderia ser consultado?
CONSIDERAÇÕES 

Como o Livro da Lei é parte integrante das Três Grandes Luzes


Emblemáticas, o conjunto além de representar um código de moral e
ética na Oficina (Livro da Lei, Esquadro e Compasso) indica que a Loja
está aberta e o seu grau de trabalho conforme a posição do Esquadro
e do Compasso sobre o Livro, dado o entendimento que o Esquadro e
o Compasso somente se apresentam unidos em Loja.

Assim, as situações previstas para o conjunto ternário no tocante ao


seu manuseio em Loja aberta seriam as seguintes: a) para a abertura
dos Trabalhos; b) para transformação dos Trabalhos em outro Grau;

121
c) para o retorno dos Trabalhos para o Grau de abertura; d) para o
encerramento dos Trabalhos. Outras situações não existem. 

No caso em que o Irmão cita na questão é procedimento altamente


equivocado. Essa situação implica no contraditório, pois a Loja está
aberta e um dos seus indicadores é que o Livro da Lei esteja aberto
sobre o Altar dos Juramentos. Retirá-lo para consulta implicaria em
desfazer a Loja. 

Para a boa geometria dos Trabalhos, uma Loja deveria ter outro
exemplar do Livro, para eventuais consultas como fora o caso citado.
Se a Loja não possuir outro volume, o Venerável deve marcar outra
ocasião para a discussão que envolva o exemplar, porém nunca
“desmanchar” a Loja. 

Finalizando. Após terem sidos os Trabalhos abertos, o Livro da Lei


deve permanecer aberto na página em tiver sido feita a leitura de
costume. Esse exemplar como integrante das Três Grandes Luzes, em
Loja aberta, não deve receber na oportunidade manuseio para
eventuais consultas. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com ABRIL/2013.
Fonte: JB News – Informativo nr.1017, Florianópolis (SC) – domingo,
16 de junho de 2013.

TELHAMENTO OU TROLHAMENTO
TELHAMENTO OU TROLHAMENTO  
O Respeitável Irmão Gutemberg L. N. Ribeiro, Loja Fraternidade
Universal, 70, Grande Loja do Paraná, REAA.´., Oriente de Curitiba,
Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:
gutalvar@ig.com.br 

Conheci-o pessoalmente em Itapoá-SC, quando se fazia acompanhar


do Irmão Paulo Guntowski, no clube Camboão. Peço sabedor de seu
tempo precioso e dedicado às pesquisas, algo a respeito de
trolhamento/telhamento, origem, significado, etc., a coberto, coberto,
etc. Nos dicionários de Aslan, Rizzardo, Gervásio Figueiredo, revistas
A Trolha, Rituais, Caderno de Pesquisas, normalmente, encontro
trolhamento. Também observei o Landmark comentado por Aslan e
sobre Trolhamento do autor Walter Pacheco Junior, este em seu livro
"Guia da Adm. Maçônica". 

 
CONSIDERAÇÕES 

122
A origem dos “trabalhos cobertos” vem dos canteiros medievais onde
os planos da obra, contratos de trabalho e o ensinamento da “arte”
eram sigilosos. Essa prática estendeu-se para a Maçonaria
Especulativa e por extensão a Moderna Maçonaria. 

Nesse caso a referência feita à “cobertura” significa exatamente o


sigilo no trato dos acontecimentos e assuntos maçônicos dentro da
Loja. Assim o rótulo assumiu o neologismo maçônico de “telhamento”
pela cobertura dos trabalhos – ninguém pode ver nem ouvir o que se
passa no canteiro. 

Desse costume apareceria o cargo do Cobridor como aquele que


figuradamente cobre os trabalhos na Loja. Dependendo da vertente
maçônica existe o Guarda Externo (francesa) e o Tyler(inglesa), assim
como os conhecidos Cobridores Internos.

Como o termo se refere ao sigilo, os sinais, toques e palavras


guardados como verdadeiros segredos da Ordem assumiram também
a característica de “cobridores do grau”, posto que além de afastar
bisbilhoteiros, preserva os segredos de cada grau, dando o caráter de
qualidade para o maçom participar ou não de uma sessão de acordo
com o seu nível de aprendizado. 

Assim o termo “cobertura” identifica-se com “telha” que, por


extensão dá o caráter de “telhamento” (neologismo – termo
encontrado no idioma vernáculo é telhadura). Também dessa
associação apareceria o uso da palavra “goteira” para um não
iniciado (costume adquirido pela má cobertura do recinto). 

Infelizmente, embora já exaustivamente explicado, alguns ainda


produzem o equívoco de confundir “telhamento” com “trolhamento”.
Essa interpretação enganosa foi inserida nos rituais brasileiros de há
muito tempo atrás e veio se reproduzindo como uma erva daninha,
embora alguns autores “tentem” achar uma justificativa para a
mesma. 

A palavra “trolha” rotula um instrumento usado pelo pedreiro no seu


ofício. Ela pode ser a “colher de pedreiro”, ou a “desempoladeira”
donde o artífice se serve da argamassa e alisa a superfície para
aparar arestas. 

Desse procedimento operativo, surgiria o termo figurado de


“trolhamento” sugerindo a ação de aparar rusgas por eventuais
desentendimentos entre os Irmãos. Assim, o ato do trolhamento
significa apaziguar, enquanto que telhamento implica em cobrir.
Afinal cobre-se um recinto com telhas ou com trolhas? 

Na questão dos Landmarks estes merecem uma observação profunda


e acurada, pois muitas das classificações que conhecemos
atualmente não são na sua totalidade verdadeiros Landmarks, dado
que para assim os classificarem é preciso que ele seja “autêntico,

123
imemorial e universalmente aceito”. 

Na questão do sigilo ele é realmente um Landmark – autêntico por


fazer parte das tradições, usos e costumes; imemorial porque se
desconhece o seu autor e universalmente aceito pelo fato dele fazer
parte de toda a Maçonaria Universal (Aprendiz, Companheiro e
Mestre). 

O que não faz sentido é fazer analogia do trolhamento com o sigilo e


o segredo maçônico, já que no Landmark específico o sigilo e o
segredo fazem parte da “cobertura dos trabalhos maçônicos”, e
nunca da digamos, trolhadura dos trabalhos. 

Ainda na questão de estar cobertos, ou a coberto, muitos rituais e


manuais ainda insistem no engado de se referir “cobrir o Templo”
para aqueles que porventura precisem se retirar dos trabalhos. 

É comum observarmos ainda a chula manifestação: “Irmão Mestre de


Cerimônias fazei os Aprendizes cobrirem o Templo, ou fazei com que
o Irmão Fulano de Tal cubra o Templo”.  

Ora, os que precisem se retirar pela ocasião momentânea não


cobrem o Templo, porém eles terão o Templo a eles coberto. Quem
cobre o Templo, é o Cobridor. Se os Aprendizes cobrissem o Templo,
então os demais é que deveriam sair do recinto e eles ficariam diante
da porta pelo lado interno cobrindo o Templo! Veja se isso faz
sentido. 

 T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com ABRIL/2013.
Fonte: JB News – Informativo nr.1016, Florianópolis (SC) – sábado, 15
de junho de 2013.

DÚVIDAS SOBRE O PAINEL


DÚVIDAS SOBRE O PAINEL
O Irmão Thiago Eorli Freitas Davi, Aprendiz Maçom da Loja Renovação, 2.628, REAA, GOB,
Oriente de Bayeux, Estado da Paraíba, apresenta a seguinte questão: 
thiagodmpb@hotmail.com 

124
Venho através deste e-mail, tentar sanar uma dúvida minha sobre o
Painel do Grau de Aprendiz. O Painel do Grau 1 me intrigou sobre uma questão em relação a
“lógica” da ritualística. Conforme a abertura ritualística dos trabalhos da Loja em sessão
ordinária, sabemos que o Irmão 2º Vigilante se senta ao sul para observar o SOL no seu
meridiano e chamar os obreiros para o trabalho e que o Irmão 1º Vigilante de senta no
ocidente, pois é lá onde o sol se oculta e a noite chega, tendo assim a missão de pagar os
Obreiros e despedi-los contentes e satisfeitos. O Painel do Ritual é assim: (NOTA DE PEDRO
JUK - o Irmão apresenta um Painel de Aprendiz cuja banda sul por inteira encontra-se com a
representação da noite estrelada – o Sol no lado do Orador e a Lua no do Secretário)
 

Porém já vi em alguns lugares ele da seguinte maneira, e


que é a que eu acredito que esteja certa (NOTA DE PEDRO JUK - o Irmão apresenta outro
painel de Aprendiz onde toda a banda norte por inteira encontra-se com a representação da
noite estrelada, a Lua no lado do Orador e o Sol no lado do Secretário).
 
E na própria Abóbada Celeste (página 26 do Ritual edição 2009) a lua é do lado esquerdo. As
minhas dúvidas são: Por que no Painel o Sol fica do lado esquerdo (lado da coluna do 1º
Vigilante) do painel se o 2º Vigilante é quem convoca os obreiros para o trabalho ao meio-dia?
Por que no Painel a Lua fica do lado direito (lado da coluna do 2º Vigilante) do painel se o 1º
Vigilante é quem fecha a loja, paga os obreiros e os despede contentes e satisfeitos a meia-
noite? Na minha lógica o correto seria o sol ficar no lado direito do painel, pois é o lado em que
o 2º Vigilante convoca os Aprendizes para o trabalho ao meio-dia. E a lua ficar do lado
esquerdo do painel uma vez que o 1º Vigilante paga os Obreiros e os despede contentes e
satisfeitos a meia-noite.

CONSIDERAÇÕES

Em primeira análise eu gostaria de salientar que o Painel da Loja de Aprendiz no Rito Escocês
Antigo e Aceito (rito de origem francesa) não possui fundo em dégradé como os dois
apresentados na questão. Aliás, tradicionalmente o fundo nem deveria apresentar cor.

O Painel adotado no GOB, página 84 do Ritual em vigência não expõe esse fundo apresentado
nos exemplos anexos inseridos na vossa questão, até porque tal fundo não representa a
abóbada celeste decorada comum no Rito em questão.

Embora até sugestiva a sua colocação, o Painel da Loja não represente essencialmente a
topografia da Sala da Loja (Templo). O lado mais claro sob o ponto de vista do Hemisfério
Norte no Painel está representado pela marcha do Sol com as três janelas – note que no Norte

125
elas não existem.

Quanto aos Vigilantes, a joia distintiva (nível) do Primeiro está no lado Norte, enquanto que a
do Segundo (prumo) está na banda Sul (Painel do GOG). Assim também estão as joias fixas –
Pedra Bruta no Norte e a Cúbica no Sul.

Quanto ao Sol e a Lua. No Painel correto o primeiro estará no lado nordeste em consonância
com o lugar do Orador (emana as Leis), enquanto que a segunda estará posicionada a sudeste
correspondendo ao Secretário (luz reflexa – anota as leis emanadas).

Nesse sentido o Sol e a Lua (luz ativa e luz passiva) expostos no Painel representam essas
duas Dignidades, nunca simbolizando o lado mais escuro ou mais claro do recinto.

Quanto à abóbada decorada que recobre a Sala da Loja, ela é no Rito Escocês a
representação do firmamento, onde o Sol é ali colocado para representar o Oriente (nascente)
e a Lua no Ocidente para simular o ocaso.

Nesse caso existe a analogia do Venerável com o Sol colocado no Oriente e do Primeiro
Vigilante com a Lua colocada no Ocidente. Painel da Loja e Abóbada Celeste são alegorias
distintas. 

Sem qualquer intuito de propaganda, sugiro ao Irmão a aquisição do livro Exegese Simbólica
para o Aprendiz Maçom – Tomo I de minha autoria – www.atrolha.com.br – onde dedico
estudos sobre os Painéis da Loja.

T.F.A. PEDRO JUK 


jukirm@hotmail.com ABRIL/2013. 
Fonte: JB News – Informativo nr.1015, Florianópolis (SC) – sexta-feira, 14 de junho de 2013.

PORTA FECHADA OU ABERTA?


PORTA FECHADA OU ABERTA?  
O Respeitável Irmão Pedro Barcelos, Mestre Instalado da Loja
Liberdade Criciumense, 55, Grande Loja de Santa Catarina, REAA,
Oriente de Criciúma, Estado de Santa Catarina apresenta
complemento de uma questão anterior como segue:
pedrovbarcellos@hotmail.com

Obrigado Irmão pelas informações valiosas quanto aos


procedimentos de entrada. O que quis perguntar, foi a seguinte
situação: A Loja já estava aberta e os trabalhos já transcorriam com a
leitura do balaústre quando um dos Irmãos do quadro bateu a porta
do Templo no que prontamente foi respondido pelo Guarda do
Templo que após fazer a comunicação ao Primeiro Vigilante e este ao
Venerável Mestre, foi aberta a porta do Templo para a entrada do
retardatário. Já no interior da Loja, o Irmão está postado para os
procedimentos ritualísticos do REAA. Pergunto: neste momento, antes
do início do ritual de entrada, a porta do Templo deve ser fechada?
Ou fecha-se a porta após a entrada ritualística? Esta é a dúvida que
ficou quando estava na companhia dos Aprendizes na Sala dos
Passos Perdidos enquanto eram apresentados os trabalhos de

126
Companheiros. Este momento (chegada do irmão retardatário)
registrou-se antes da Loja ser transformada para o Segundo Grau.
Esta pergunta veio de um dos irmãos Aprendizes. 

 
CONSIDERAÇÕES 

Agora melhor entendida a questão.

O retardatário, após pedir ingresso na forma de costume, sendo-lhe


franqueada a entrada, o mesmo adentra e se posiciona sem sinal no
extremo do Ocidente próximo à porta. Assim que ele esteja assim
posicionado, o Cobridor Interno fecha imediatamente a porta, pelo
que o ingressante compõe seguidamente o Sinal para dar
continuidade às formalidades de entrada (Marcha). 

Assim, o retardatário ao entrar, imediatamente fecha-se a porta, para


que o mesmo possa compor o Sinal do Grau, já que Sinais são feitos
em Loja que, por extensão trabalha coberta. Dentre outros, para que
uma Loja esteja coberta, a porta deve estar fechada. 

 T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com ABRIL/2013.
Fonte: JB News – Informativo nr.1014, Florianópolis (SC) – quinta-feira,
13 de junho de 2013.

ENTRADA NO TEMPLO
ENTRADA NO TEMPLO 
O Respeitável Irmão Pedro Barcellos, Loja Liberdade Criciumense, 55,
Grande Loja de Santa Catarina, sem declinar o nome do Rito, Oriente
de Criciúma, Estado de Santa Catarina, apresenta a questão
seguinte: pedrovbarcellos@hotmail.com

Quando de uma alteração do esquadro e compasso na Sessão de


terça-feira passada, quando a Loja foi transformada no Grau 2, quatro
dos nossos Irmãos Aprendizes passaram para a Sala dos Passos
Perdidos enquanto eram apresentados trabalhos de Companheiro.
Surgiu, dentre alguns assuntos um questionamento que não soube
responder corretamente. Como Mestre Instalado da Loja o Venerável
Mestre havia solicitado que acompanhasse os Aprendizes para
conversar sobre os mais diversos temas. Pois bem, um deles me fez o
seguinte questionamento: Quando da chegada de um Irmão, após a
abertura dos trabalhos de uma Loja, antes de o mesmo iniciar a
ritualística de entrada, a porta do Templo deve ser fechada ou pode-
se entrar ritualisticamente mesmo com ela aberta e só após os
procedimentos, o Irmão Guarda do Templo fecha a porta do Templo?

127
CONSIDERAÇÕES 

Mano, eu não sei se entendi bem a questão que sob a minha óptica
me parece confusa, todavia segue o meu juízo.

Estando os Irmãos prontos no Átrio, com os procedimentos de


costume, dá-se o ingresso na Sala da Loja. O último a entrar é o
Venerável Mestre acompanhando o Mestre de Cerimônias que o
conduz até o Sólio. Assim que o Venerável como último integrante
ingressar no espaço de trabalho, o Cobridor Interno fecha a porta. O
Venerável postado no seu lugar procede à abertura dos trabalhos. 

Chegando um retardatário e não havendo o Guarda Externo o mesmo


dá na porta a bateria maçônica universal que é a mesma do Aprendiz.
Imediatamente o Cobridor Interno dá pelo lado de dentro a mesma
bateria o que significa que o retardatário deve aguardar o momento
propício para a sua entrada após a verificação de quem assim bate
(posterior à abertura ritualística dos trabalhos). 

Havendo Guarda Externo, obviamente esse informará ao retardatário


que aguarde, pois a Loja está em processo de abertura. Nesse caso
no momento propício o Guarda Externo tomará as devidas
providências. 

Devo ressaltar que a bateria na porta nesse caso é a universal. O


retardatário não bate de outra forma, mesmo que a Loja esteja
trabalhando em outro Grau. Compete ao Guarda Externo verificar a
qualidade do retardatário e informa-lo, se for o caso. 

Em não havendo o Externo, o atrasado bate como o já relatado e


simplesmente aguarda, pois a resposta do Cobridor Interno à sua
bateria significa simplesmente que o momento não é propício para
entrada. 

Infelizmente muitos assim não compreendem e processam uma


verdadeira “batucada” na porta nessa ocasião. Nesse caso, se o
retardatário não possuir grau suficiente será informado e se retira do
Átrio. 

Agora, pelo que pude entender da questão, me parece até um


excesso de preciosismo alguém chegar atrasado ao momento em que
o Venerável acaba de entrar e não começou a abrir os trabalhos
ainda. 

Será que alguém não teria a oportunidade de enxergar o atrasado se


paramentando ou ingressando no prédio sem que pudesse aguardar o
mesmo se preparar para os trabalhos? 

Para que se evite uma situação dessa forma, melhor é fazer uma
verificação antes de se dar ingresso na Sala da Loja se algum Irmão

128
não acaba de ingressar no prédio. 

Aliás, o melhor mesmo seria que ninguém chegasse atrasado, salvo


fosse o motivo plenamente justificável. 

Assim, os atrasados que aguardem e que a porta seja regularmente


fechada imediatamente após o Venerável ingressar na Oficina. 

Em tempo, não gosto muito de usar o rótulo de Templo para o espaço


de trabalho de uma Loja, até porque essa referência pode dar uma
conotação de alguma coisa religiosa.  

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com ABRIL/2013.
Fonte: JB News – Informativo nr.1013, Florianópolis (SC) – quarta-feira,
12 de junho de 2013.

O NÚMERO DE MESTRES

O NÚMERO DE MESTRES

O Respeitável Irmão Aécio Speck Neves, Loja Nereu de Oliveira Ramos, 2.744, REAA, GOB-SC,
Oriente de Florianópolis, Estado de Santa Catarina apresenta a questão seguinte:

aeciospeckneves@hotmail.com

Acabo de ler o JB News, informativo 997, no qual o prezado Irmão fala do número de Mestres
Maçons necessários para abrir a Loja. Como o assunto da pergunta não era esse (mas sim o
Tronco de Beneficência), o mesmo não foi aprofundado. Ficou uma dúvida. No meu fraco
entendimento: Afinal quantos Mestres Maçons são necessários para se abrir os trabalhos?
Encareço uma resposta até 24 de junho, data em que assume a nova Administração da minha
Loja, na qual serei Orador.

CONSIDERAÇÕES

129
Uma Loja Maçônica somente pode ser aberta com o número mínimo de sete Mestres. No
Grande Oriente do Brasil, inclusive, está disposto no Regulamento Geral da Federação. Essa
assertiva faz parte da tradição, uso e costume da Maçonaria – Três Governam, Cinco a compõe
e Sete a completam.

O que aconteceu por muito tempo é que certos escritores “inventaram” a máxima de que
desse número de componentes, três seriam Mestres, dois Companheiros e dois Aprendizes –
mera ilação desprovida de qualquer sustentação que por muito tempo povoou e ainda povoa
(infelizmente) as instruções maçônicas.

Na Moderna Maçonaria onde aparecem os Ritos, ou Trabalhos Maçônicos, esse número está
geralmente associado aos cargos em Loja, a despeito de que uma Loja será sempre governada
por três Luzes, bem como haverá sempre pelo menos a presença de um Cobridor.

Para o Rito Escocês Antigo e Aceito no seu simbolismo, uma Loja com número mínimo
(precário) é composta pelo Venerável, Primeiro e Segundo Vigilantes, Orador, Secretário,
Cobridor e Mestre de Cerimônias.

No caso do Rito em questão, na Transmissão da Palavra o Mestre de Cerimônias supre


momentaneamente o Segundo Diácono e o Secretário o Primeiro Diácono.

É dessa regra que a Maçonaria de vertente francesa estipula o número de cinco Dignidades
para uma Loja – Três Luzes mais o Orador e o Secretário.

No GOB existe um equívoco que considera “cargos eletivos” como “dignidades”. Dignidades
são verdadeiramente compostas por “cinco Mestres” e nunca “sete”. Agora “sete” é sim o
número mínimo para a abertura dos trabalhos da Loja.

T.F.A. PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com JUNHO/2013.

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Fonte: JB News – Informativo nr.1012, Florianópolis (SC) – terça-feira, 11 de junho de 2013.

SAUDAÇÃO EM LOJA

SAUDAÇÃO EM LOJA  
O Respeitável Irmão Wesley Robert, Oriente de Telêmaco Borba,
Estado do Paraná, sem declinar o nome da Loja e Obediência,
apresenta a seguinte questão:
wroberting@yahoo.com.br

Gostaria por gentileza de algumas orientações. Desde iniciado (2010)


me deparei com a situação, onde na circulação dos Diáconos durante
o encerramento da Sessão, os mesmos fazem a saudação aos
Vigilantes no momento de receber e passar a palavra. Sempre achei
isso muito bonito, agora gostaria de saber se essa saudação
realmente se faz necessária? Bem como a que obreiro faz antes de
sentar-se e etc... Em todas as Lojas as quais visitei, todos procedem
dessa maneira, repito, acho muito bonito isso, apenas levantei essa
questão, pois em nossa loja talvez estejamos exagerando um pouco
nas saudações.

CONSIDERAÇÕES

A questão aqui não é saudação propriamente dita, porém um


procedimento ritualístico. 

Durante a transmissão da palavra no encerramento dos trabalhos o


Oficial (Diácono) que aborda as Luzes (o Venerável e os Vigilantes)
cumprindo a regra de que quem estiver de pé em Loja aberta manter-
se-á à Ordem, este, ao parar diante da respectiva Luz, compõe o
Sinal. Por sua vez o Venerável ou o Vigilante, se for o caso, também
estará compondo o Sinal. 

Assim para o ato da transmissão, ambos o desfazem na forma de


costume, pois não é próprio, além de incômodo e deselegante, se
transmitir a Palavra compondo o Sinal. Terminado o ato da
transmissão, ambos, parados e em pé, compõem novamente o Sinal e
o desfazem em seguida - O Diácono para romper o percurso (não se
anda com o Sinal, salvo na Marcha), enquanto que o outro
protagonista (Venerável ou Vigilante) para tomar posição no seu

131
lugar. Nesse caso as Luzes voltarão a ficar à Ordem, pois a Loja está
aberta. 

É oportuno salientar que os Diáconos abordam as Luzes pela direita


das mesmas, assim o Venerável ou o Vigilante deve sair do lugar,
porém sem descer, e se virar de frente para o Diácono. 

É oportuno salientar que em algumas oportunidades há controvérsia


de interpretação do termo “de frente para” normalmente inserido nos
rituais. De forma equivocada, em algumas Lojas os Diáconos ao
interpretarem o termo, acabam se posicionando na frente do Altar, no
caso do Venerável, para a transmissão, o que é errado, além de
completamente incômodo. 

Assim a Luz da Loja abordada é que deverá se virar “de frente para”
o Diácono que a abordará corretamente pela sua direita. 

No tocante a transmissão da palavra para a abertura da Loja não


existe o Sinal, pois a Oficina ainda está em processo de abertura, isto
é: Ainda não está aberta. 

Em relação ao procedimento fora da transmissão da palavra. Em Loja


aberta o Irmão que for fazer o uso da palavra, depois de autorizado,
fica em pé (com o corpo ereto e os pés em esquadria), compõe o
Sinal e, sem desfazê-lo, pronuncia-se. Terminada a sua fala, esse
desfaz o Sinal na forma de costume e retoma o seu assento – isso não
é saudação, porém é a regra daquele que estiver em pé e parado em
Loja aberta ficará à Ordem. 

Um Obreiro com a necessidade de deslocamento e devidamente


autorizado, ao levantar-se, antes de romper o trajeto compõe o Sinal
e em seguida o desfaz. Ato seguido e sem Sinal segue o percurso. De
retorno ao seu lugar, antes de sentar, compõe novamente o Sinal
desfazendo-o em seguida na forma de costume e toma o seu
assento. 

Nenhum desses casos o procedimento pode ser confundido com


saudação, todavia um ato que cumpre uma regra consuetudinária. 

É também salutar que não faz sinal aquele que estiver empunhando
(segurando) um objeto de trabalho. 

Finalizando: Essas considerações são inerentes àqueles rituais que


apregoam a tradição do Rito Escocês Antigo e Aceito, onde antes da
Loja estar completamente aberta (após a abertura do Livro da Lei)
não se faz Sinal, salvo aquele inerente do reconhecimento na
dialética da abertura entre as Luzes da Loja. 

Assim também como a inexistência de bastões ou espadas como


instrumento de trabalho dos Diáconos. 

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Essas considerações não têm qualquer intuito de criticar, se insurgir
ou desrespeitar qualquer ritual em vigência nas três Obediências
brasileiras.  

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com MARÇO/2013  
Fonte: JB News – Informativo nr.1009, Florianópolis (SC) – sábado, 08
de junho de 2013.

ESCRUTÍNIO SECRETO
ESCRUTÍNIO SECRETO 
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Pedro Bolis Júnior, sem
declinar o nome da Loja e do Oriente.
pedrobolis@oi.com.br

Um Irmão pode abster-se de votar em uma Sessão onde está sendo


realizado o Escrutínio Secreto? Não sei onde li que ele deveria se
retirar antes da leitura, mas se ficasse, teria a obrigação de votar.
Explico o porquê das dúvidas. Aqui na minha região teremos o ERAC
(Encontro Regional de Aprendizes e Companheiros) que fazemos duas
vezes por ano. Determinaram que o tema para os Aprendizes e
Companheiros de minha Loja desenvolvessem é o “Escrutínio
Secreto”. 

CONSIDERAÇÕES 

Em linhas gerais e particularmente no Grande Oriente do Brasil –


Artigo 17, § único – Regulamento Geral da Federação (dele só
participam os Obreiros do Quadro, inclusive Aprendizes e
Companheiros), não está prevista nenhuma abstenção. A regra de
depositar esferas brancas ou negras é uma opção de voto conforme
nos nossos costumes (ou deposita uma, ou deposita a outra). Essa é a
razão pela qual o número de esferas deve coincidir com o número de
votantes.

Previsão de Irmão se abster é um contra senso, já que o processo se


desenvolveu pelo tempo necessário para oposição. Se por motivo de
ordem particular um Obreiro não quiser manifestar o seu voto, o
melhor mesmo seria o seu não comparecimento à Sessão que será
realizado o escrutínio. 

A questão é tão redundante que se porventura um Irmão nessa


situação estando presente, ao pedir para lhe ter o templo coberto,
indubitavelmente se apresentaria aos demais como uma
manifestação de abstenção e que perderia o caráter velado do ato. 

133
A abstenção no escrutínio apenas está prevista para Irmãos visitantes
que porventura estejam presentes na oportunidade. Esses inclusive
nem mesmo recebem as esferas, o que em caráter precário, sugere
uma abstenção. 

 T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com MARÇO/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1008, Florianópolis (SC) – sexta-feira,
07 de junho de 2013.

ENTRADA E SAÍDA DO VENERÁVEL


ENTRADA E SAÍDA DO VENERÁVEL  
O Respeitável Irmão Fernando Robison Sampaio Dória, Loja Fé e
Perseverança, 426, GOB, Oriente de Jaboticabal, Estado de São Paulo,
apresenta a seguinte questão:
sacambu@yahoo.com.br

Após entrar ao Templo e transpor a balaustrada acompanhado do


Mestre de Cerimônias ele dirige-se ao Trono e assume o malhete,
adentrando pelo lado Norte ou Sul do Altar? Quando de sua saída no
encerramento dos trabalhos por qual lado ele deixa o Trono? 

CONSIDERAÇÕES 

O último a adentrar no Templo é o Venerável que acompanha o


Mestre de Cerimônias. O Mestre de Cerimônias sempre vai à frente,
conduzindo alguém. No caso da entrada do Venerável o Mestre de
Cerimônias à frente ingressa no Oriente pelo lado nordeste, se detém
antes dos três degraus que conduzem ao sólio pelo lado norte do
Altar. O Venerável que vinha o acompanhando passa e sobe pelo lado
norte até o seu lugar em Loja. Quando da sua retirada ele é o
primeiro a sair, descendo pelo lado sul do Altar, sai pelo lado sudeste
do Oriente, passa pelo Sul em direção à porta. Essas são apenas
regras para unificar os procedimentos, já que tanto na entrada
quanto na saída a Loja está fechada (trabalhos).  

T.F.A. PEDRO JUL


jukirm@hotmail.com MARÇO/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1007, Florianópolis (SC) – quinta-feira,
06 de junho de 2013.

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TESOURARIA - RGF E COBRANÇA
TESOURARIA - RGF E COBRANÇA 
O Respeitável Irmão Domingos Alexandre Meneghetti, sem declinar o
nome da Loja, Oriente (Cidade), Estado da Federação, Obediência
provável GOB, apresenta questões que seguem.
meneghetty@hotmail.com 

Estou lhe enviando este e-mail para sanar dúvidas referentes a dois
pontos, dente eles um está contido no RGF - Regulamento Geral da
Federação. O primeiro ponto versa sobre o art. 74, do RGF, ficou-me
obscuro saber se quando for enviada a notificação via correio esta
deve ser :
a) Realizada pela tesouraria? b) Deve ser anunciada em Loja que o
Irmão foi notificado sobre o débito? O segundo ponto é que preciso
saber se é admissível a um Irmão levantar-se no momento da Palavra
a Bem e da Ordem, e nesse momento cobrar dividas profanas e de
caráter empresarial de outro Irmão presente na ocasião?  

CONSIDERAÇÕES:

Embora esse não seja o meu “campo de atuação” vou tentar dar as
minhas “pinceladas”.

Na questão que se refere os itens “a” e “b” penso que de bom senso
o Tesoureiro comunica a Loja na Palavra a Bem da Ordem e do
Quadro em Particular que estará remetendo notificação ao
inadimplente de acordo com o que preceitua o Artigo 74 do RGF, sem
mencionar nome. Cumprida a notificação, o Tesoureiro informa que o
ato fora consumado e aguarda o prazo determinado por Lei. De
acordo com o resultado, dar-se-á prosseguimento conforme os
parágrafos inerentes ao Artigo 74. O nome do inadimplente somente
aparecerá se houver negociação, ou se ele não tiver atendido a
primeira notificação emitida pela Tesouraria da Loja. 

Ainda nessa questão, procuro vislumbrar o senso de praticidade.


Assim, compreendo que o ideal é que o Tesoureiro antes das medidas
cabíveis, embora ele não seja um “preposto das corveias”, contate o
devedor para tentar solucionar a questão. Verifique “in loco” com o
Irmão o que está acontecendo. Se o resultado não for satisfatório e
persistir a controvérsia, então ele se fará valer dos dispositivos
constitucionais. 

Na questão que se refere sobre o cobrador particular usando a


Maçonaria para tal seria um verdadeiro absurdo se isso viesse
acontecer em Loja. Questões extra Loja como no caso a cobrança de
dívida pessoal são casos que devem ser resolvidos entre os
protagonistas do fato. 

Penso que o período é para o Bem da Ordem em Geral (Maçonaria) e


do Quadro (Loja) em Particular. Dívidas pessoais entre Irmãos não
135
merecem discussão em Loja, salvo se do desencontro a Instituição
possa ser envolvida. 

Um Irmão que se sinta prejudicado por outro deve primeiro recorrer


em particular ao Orador da Loja para verificar perante a Ordem
Maçônica a legalidade de se tratar ou não o assunto na esfera
maçônica. Desse resultado provavelmente o Ministério Público
Maçônico se pronunciará. 

Assim, cada caso tem seu caso, porém não dá a nenhum Obreiro,
caso não esteja perfeitamente embasado na legalidade, de
simplesmente cobrar dívida pessoal em Loja. 

Finalizando devo salientar que não sou advogado nem jurista. Assim
nessa questão estou apenas emitindo a minha opinião, o que está
longe de ser laudatória.

PEDRO JUK jukirm@hotmail.com 41 3415-1140 MARÇO/2013


Fonte: JB News – Informativo nr.1006, Florianópolis (SC) – quarta-feira,
05 de junho de 2013.

SÍMBOLOS DOS DIÁCONOS


SÍMBOLOS DOS DIÁCONOS 
O Respeitável Irmão Helton Costa, Loja Templários da Nova Era,
REAA, GLSC, Oriente de Florianópolis, Estado de Santa Catarina,
apresenta a dúvida seguinte:
costahelton@hotmail.com 

O que realmente significa a pomba presa e a pomba solta no bastão


dos Diáconos? E porque em nossa potência temos uma presa e uma
solta e no GOB não?  

CONSIDERAÇÕES: 

Em relação a essa diferença ela não deveria existir, pois o símbolo


dos Diáconos como os antigos oficiais de chão, ou mensageiros, por
influência da igreja com o nome de Diácono é a figura de uma pomba
(símbolo adquirido da lenda da Arca de Noé e o Dilúvio).
Provavelmente alguém querendo diferenciar o primeiro do segundo
Diácono na Maçonaria tenha arranjado essa diferenciação colocando
uma delas dentro de um triângulo. A medida então deu essa
conotação de pomba presa e pomba solta que, cá entre nós, não faz
sentido algum senão a de uma definição cômica relativa à “pomba
estar presa ou não”. Alguns ainda fazem referência à “pomba
cercada”. 

136
No Grande Oriente do Brasil, seguindo a verdadeira tradição do Rito
Escocês, o símbolo dos Diáconos (a pomba) está apenas apenso ao
colar como joia distintiva não existindo qualquer diferença entre
ambas. Observando a pureza do rito, os Diáconos também não
portam bastão. 

À bem da verdade o Rito Escocês, pelo seu caráter “antigo”


rememora as antigas tradições dos canteiros medievais onde os
mensageiros do Mestre da Loja o informavam do caráter justo e
perfeito no tocante ao nivelamento e a aprumada para o início da
construção bem como a conferência da etapa concluída. 

Na Maçonaria Especulativa e relativa ao rito em questão essa alegoria


simbólica está na transmissão da Palavra entre o Venerável e os
Vigilantes e protagonizadas também pelos Diáconos. 

Nesse sentido é que no Rito Escocês Antigo e Aceito os Diáconos


rememoram esse antigo costume o que em linhas gerais significa que
o Canteiro está pronto para iniciar os trabalhos (Justo e Perfeito). Ao
final dos mesmos os Obreiros despedidos contentes e satisfeitos
dependem também de que a etapa construída esteja edificada de
acordo com os nossos princípios e costumes (Justo e Perfeito). 

Dentro dessa alegoria simbólica é que está à função dos Diáconos no


Rito Escocês. Assim na sua pureza eles não portam bastão, não
formam pálio e nem mesmo têm suas joias distintivas diferenciadas
(cercadas ou não).

É bem verdade que o Craft inglês e por extensão o americano faz uso
do cargo dos Diáconos, todavia com funções diferentes. Esses nessa
vertente portam “varas” e trabalham geralmente nas sessões de
Iniciação, Passagem e Elevação. No Craft não existe transmissão da
Palavra. Não quero com isso me arvorar contra rituais legalmente
aprovados que preconizem outros costumes, todavia na mão da
verdadeira tradição, busquei trazer esses poucos apontamentos. 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com - 41 3415-1140 - (MARÇO/2013)
Fonte: JB News – Informativo nr.1004, Florianópolis (SC) – segunda-
feira, 03 de junho de 2013.

QUESTÕES PRÁTICAS DE RITUALÍSTICA


QUESTÕES PRÁTICAS DE RITUALÍSTICA

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O Respeitável Irmão Celso Mendes de Oliveira Júnior, membro da Loja
Pioneiros de Mauá, 2.000, REAA, GOB-RJ, Oriente de Magé, Estado do
Rio de Janeiro, apresenta as questões que seguem:
celso.mendes.junior@hotmail.com 
Após o tempo de estudo fui incumbido pelo Venerável Mestre de
pesquisar e levar para a Loja um parecer. Peço que o irmão me ajude
nesta empreitada. Segue abaixo duvidas separada por tópicos. 
 
1 - Nas Lojas de Aprendiz, Companheiro e Mestre a faixa (fita) com a
joia de Mestre é de uso obrigatório para todos os Mestres sem cargo? 
2 - Os Mestres com cargo o uso da faixa (fita) juntamente com o colar
é opcional ou é para usar somente o colar do cargo sem a faixa
(fita)? 
3 - Conforme o RGF Art. 116 parágrafo XI Compete ao Venerável
Mestre conceder a palavra aos Maçons ou retirá-la, segundo o Rito
adotado; Bom no meu ponto de vista quando no Ritual o Venerável
Mestre diz que a palavra será concedida nas colunas pelos irmãos
Vigilantes para quem dela queira usar, ou seja, neste momento ele
delega essa função aos mesmos e os Vigilantes podem se aproveitar
disto, para não dar a palavra a um Irmão ou retirá-la, isso está
correto? 
4 - O Venerável Mestre pode conceder a palavra diretamente a um
irmão sem ter que concedê-las novamente nas Colunas? 
5 - Todo Irmão que não esta ocupando cargo administrativo deve
falar em pé e a Ordem e permanecer assim até concluir? 
6 - Apesar de o Venerável Mestre poder não se recomenda dar a
permissão de desfazer o Sinal Gutural? 
7 - Mesmos os Irmãos Vigilantes sendo responsáveis por suas colunas
eles têm autoridades para isso? 

CONSIDERAÇÕES:  

1 - Sim. A faixa (fita) faz parte da indumentária do Mestre Maçom e


está prevista do Ritual de Mestre Maçom em vigência. 

2 – Como cargos em Loja só podem ser exercidos por Mestres


Maçons, um Maçom ocupando cargo usa o colar com a respectiva joia
do cargo. O conjunto nesse caso indica o cargo e, como o cargo só
pode ser ocupado por Mestre à questão fica subentendida. Nada
impede que um Irmão nessa situação, desejando usar a faixa por
baixo do colar, assim o faça – haja penduricalho! Os Mestres
Instalados têm a sua própria indumentária.

3 – É clara a comunicação do Venerável que a palavra será concedida


pelos Vigilantes. Assim um Irmão que desejar fazer o uso da mesma,
pede ao Vigilante da sua Coluna que, por sua vez concede a mesma
sem pedir para o Venerável. A palavra já está na Coluna. É claro
também que o Vigilante concede a palavra e não julga se deve ou não
concedê-la. Da mesma forma ele não retira a palavra. Se o Venerável
achar necessário ele é que pode fazê-la, desde que não seja de modo

138
arbitrário ou contra os princípios e Leis. O Orador está presente para
avaliar a situação, se for o caso. 

4 – Se a palavra tiver já tiver feito o giro e algum Irmão tiver a


necessidade de falar novamente sobre o assunto que está sendo
discutido (Ordem do Dia), o Venerável ao seu critério poderá
concedê-la ou não. Se resolver concedê-la o faz através do Vigilante
pelo giro da palavra (começa pela Coluna do Sul). No caso da palavra
a Bem da Ordem não há discussão de assunto, todavia se o Obreiro
criteriosamente tiver a necessidade de usar da palavra novamente e
o Venerável resolver concedê-la, o faz da mesma forma utilizada na
Ordem do Dia. Nunca é demais lembrar que os ocupantes do Oriente
pedem a palavra diretamente ao Venerável, porém se o uso merecer
repetição e ele concordar recomeça-se o uso da mesma pela Coluna
do Sul. Em qualquer dos casos acima um Obreiro desejando o retorno
da palavra, faz o pedido ao respectivo Vigilante que por sua vez
comunica o desejo ao Venerável. É sempre bom lembrar que esses
casos são previstos na Ordem do Dia e na Palavra a Bem da Ordem.
Em ambos os casos existe uma súplica de alguém que quer usar
novamente a palavra. Outro aspecto é que o Venerável em alguma
oportunidade pode pedir uma explicação ou necessite se dirigir para
um Irmão. Nesse caso o Venerável a ele se dirige diretamente,
estando este no Oriente, ou nas Colunas. 

5 – No Ocidente, salvo quando o Ritual determinar o contrário, falam


sentados apenas os Vigilantes. Se o Irmão se referiu aos
“administrativos” no caso do Ocidente ao Chanceler e ao Tesoureiro,
esses falam em pé. No Oriente, os outros três cargos administrativos
(Venerável, Orador e Secretário) falam sentados, salvo se o ritual
determinar o contrário. Nunca é demais lembrar em Loja aberta
(declarada aberta pelo Venerável) o Obreiro em pé permanece à
Ordem – pés unidos pelos calcanhares formando a esquadria e corpo
ereto compondo o Sinal Penal conforme os trabalhos da Loja. As
Luzes deixam seus malhetes e compõem o Sinal com a(s) mão(s). 

6 – Dispensar o Sinal não é regra, salvo quando o bom senso


recomendar. Por exemplo: a apresentação de uma peça de
arquitetura, ou um pronunciamento que mereça ocupar um tempo
estendido. Caso contrário é de péssima geometria Veneráveis ficarem
dispensando o Sinal aleatoriamente como se esse procedimento fosse
uma norma. Aliás, mantendo o Obreiro à Ordem como está previsto,
certamente “alguns Irmãos” pretensos a fazer discursos longos e
providos muitas vezes de rançoso lirismo, certamente compondo o
Sinal que, a partir de um tempo causa desconforto, não se atreverão
a mexer com a paciência da assembleia. 

7 – O único que pode criteriosamente dispensar o Sinal é o Venerável.


É sempre bom lembrar que existe uma hierarquia no tocante às Luzes
da Loja. Os Vigilantes auxiliam o Venerável a dirigir a Loja, contudo
não estão dirigindo os trabalhos da Loja. Quem dirige a Loja é apenas

139
e tão somente o Venerável – “Pergunta: Onde é o lugar do Venerável
Mestre?” “Resposta: No Oriente”. “Pergunta: Para que, meu Irmão?”
“Resposta: (...) para abrir a Loja, dirigi-la (o grifo é meu) e esclarecê-
la (...)”.  

PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com - 41 3415-1140 - (MARÇO/2013)
Fonte: JB News – Informativo nr.1003, Florianópolis (SC) – domingo,
02 de junho de 2013.

A PALAVRA SEMESTRAL E A CADEIA DE UNIÃO


A PALAVRA SEMESTRAL E A CADEIA DE UNIÃO
O Respeitável Irmão Fabricio Zerial de Almeida, Loja Amizade
Fraterna, 3.919, GOB, REAA, Oriente de São Paulo, Estado de São
Paulo.
fzerial@gmail.com 

Sou do REAA, não encontrei no Ritual (págs. 82 e 83) e no RGF sobre


a proibição de visitante na Cadeia de União. Fui visitar uma loja do
GOB e dois Irmãos visitantes que lá estavam (de outra Loja do GOB),
receberam a Palavra Semestral. Essa palavra não é só pra quem é do
quadro de obreiros e esta em dia com presença e as mensalidades?
Pode tomar parte da Cadeia de União Irmãos que não são do Quadro
de Obreiro? Existe alguma punição para as Lojas que fornecem a
Palavra Semestral para Irmãos do quadro de outras Lojas mesmo
sendo do GOB?  

CONSIDERAÇÕES:

A Palavra Semestral prevista no RGF em seus Artigos 112 e 113 exara


que esta somente é remetida àquela Loja que estiver em dia com
todos os seus compromissos junto ao Grande Oriente do Brasil, por
extensão aos Grandes Orientes Estaduais. 

Entendo assim que se a Loja está em dia com as suas obrigações,


obviamente “todos” os seus Obreiros, conforme as Leis estarão em
dia com a Loja. Assim, tomam parte da Cadeia de União para receber
a Palavra Semestral apenas os membros do quadro da Loja. 

Visitantes, mesmo da mesma Obediência, dela não participam, já que


o Venerável no momento da transmissão, não teria possibilidade de
consultar se os visitantes pertencem a uma Loja que esteja em dia
com as suas obrigações. 

Não quero ser subjetivo, senão apelar para o bom senso. Nesse

140
sentido é que a Palavra Semestral é transmitida de maneira velada
através da Cadeia de União, após terem sido encerrados os trabalhos
da Loja. 

Note que o adendo inserido no Ritual em vigência está disposto dessa


maneira. É pelo sigilo da transmissão (para que alguém não a ouça)
que o Rito Escocês Antigo e Aceito se faz valer da Cadeia de União
que a rigor, só é feita para a transmissão da Palavra Semestral e nada
mais (assim está escrito no ritual). 

Quanto à punição o representante do Ministério Público (Orador da


Loja), antes de cair no campo da penalidade, deveria alertar que o
procedimento não seria correto. Agora, se ele existiu, cabe a ele, o
Orador, tomar as providências devidas. 

Finalizando. A prática em si, pelo seu objetivo, denota o


entendimento da uma atitude velada que, a meu ver, não precisa
estar escrito. 

 PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com 41 3415-1140 MARÇO/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1002, Florianópolis (SC) – sábado, 1º
de junho de 2013.

CADEIRAS NO SÓLIO
CADEIRAS NO SÓLIO  
Consulta que faz o Respeitável Irmão Ricardo Augusto Smarczewki,
Loja Luz e Esperança, 3.486, REAA, GOB-PR, Oriente de Cascavel,
Estado do Paraná. 
ras.cvl@terra.com.br 

Surgiu, em nossa Loja, uma questão acerca da ocupação da cadeira


ao lado do Venerável Mestre. Apesar da clareza descrita no ritual
para o Rito Escocês Antigo e Aceito, onde ao lado esquerdo do
Venerável Mestre deve ser ocupado pelo Grão-Mestre Estadual, seu
representante e na falta deles pelo ultimo Venerável Mestre (se não
me engano, página 15). Um Irmão, após a leitura de uma matéria da
revista “A Trolha” (em anexo a cópia do texto), entendeu que o
Venerável Mestre anterior não poderia ocupar mais aquele lugar.
Entramos então em contato, para que pudéssemos sanar essa
dúvida. Se o Venerável Mestre anterior pode ou não sentar-se ao lado
do Venerável Mestre atual. 

CONSIDERAÇÕES: 

De fato, muitas considerações nesse sentido têm sido contraditórias.

141
Não quero arrumar desculpas, mas essa inferência de ações que não
dizem respeito às verdadeiras tradições do Rito tem sido ultimamente
uma pedra de tropeço.

Sou sempre pelo que exara o ritual, esteja ele certo ou não em
relação à verdadeira ritualística. Infelizmente alguns procedimentos
acabam sendo inseridos no Rito para cumprir o disposto nos
regulamentos da Obediência. Já de algum tempo essa questão de
cadeiras ao lado do Venerável tem dado o que falar.

Primeiro, o ritual estava claro quando exarava que a cadeira de honra


ao lado direito do Venerável era exclusiva do Grão-Mestre Geral,
enquanto que a da esquerda para o Grão-Mestre Estadual. Em não
estando presentes os dois, a da direita ficaria vazia e a da esquerda
poderia ser ocupada pelo Ex-Venerável mais recente (apenas o mais
recente). 

Ainda em relação aos lugares dos Grão-Mestres em não estando estes


presentes, porém os seus Adjuntos, eles também têm direito de
ocupar os assentos. É bom esclarecer que os Grão-Mestres Adjuntos é
que são os substitutos legais, não “representantes do Grão-Mestre”.
Assim, representantes não sentariam nas cadeiras, porém os
“substitutos legais”. 

Da mesma maneira o Delegado do Grão-Mestre Geral em sua


jurisdição poderia tomar o assento da esquerda em não estando
presente o Soberano (o cargo de Delegado do Grão-Mestre Geral é
ocupado em um Estado da Federação onde porventura ainda não
exista Grande Oriente Estadual). 

Segundo, não tardaria, entretanto o apelo quase que geral se


arvorando em também ter o direito de tomar assento ao lado do
Venerável. Isso aconteceria com a promulgação da Lei 114 da
Soberana Assembleia Federal Legislativa datada de 18 de setembro
de 2.010 que alteraria o explicitado no Ritual. Em resumo essa Lei
dava direito a um imenso número de “autoridades” a tomar assento
ao lado do Venerável de acordo com a faixa. 

Terceiro, ocorreu, porém que houve entrada de ação de


inconstitucionalidade contra a Lei 114 no Superior Tribunal de Justiça
Maçônico que, após o trâmite legal foi publicada decisão no boletim
oficial do GOB sob o nº 20 datado de 08 de novembro de 2.012 que
exara através de acórdão a inconstitucionalidade da Lei 114. Assim,
de acordo com a decisão do STJM.´., continua a prevalecer o previsto
no Ritual. 

Na parte mais incisiva da vossa questão no tocante ao ex-Venerável


mais recente, conforme o ritual em vigência, ele tem o direito de
tomar assento ao lado esquerdo do Venerável, desde que a cadeira
esteja vazia pela não presença de nenhuma outra autoridade que ali
tenha direito de tomar assento. Esse procedimento é restrito apenas

142
e tão somente na Loja a que pertence o ex-Venerável mais recente. 

Ainda: o termo “mais recente” é bem claro. Não estando presente o


“mais recente”, ou mesmo que ele esteja ocupando cargo na sua
Loja, nesse caso, a cadeira fica vazia. Demais ex-Veneráveis tomam
assento no Oriente, todavia abaixo do sólio no local a eles destinado. 

Em resumo, ao lado direito e esquerdo do Venerável são admitidas


apenas e tão somente “duas cadeiras” – uma de cada lado. A
ocupação destas está de acordo com o ritual. Não existe qualquer
indicação de que sejam colocadas mais cadeiras no Altar. 

Ratificando - nesse espaço são colocadas apenas três cadeiras - a do


Venerável e as duas outras já explicitadas (ver planta do templo na
página 22 do ritual em vigência). Demais autoridades ocupam o
Oriente, porém abaixo do sólio. 

Enquanto não mudarem os fatos, acredito que esse é o procedimento


correto. Se as minhas respostas anteriores foram contraditórias, sem
querer me justificar, peço as minhas sinceras e humildes desculpas  

PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com 41 3415-1140 MARÇO/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1001, Florianópolis (SC) – sexta-feira,
31 de maio de 2013.

APRENDIZ VISITANTE
APRENDIZ VISITANTE
 O Respeitável Irmão Ilber Salgado, Venerável Mestre da Loja
Otaviano Bastos, 1.584, REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro,
apresenta a seguinte questão:
ilbersalgado@yahoo.com.br 

Venho por meio desta procurar saber se um Aprendiz visitante pode


presenciar o exame do Aprendiz da Loja visitada? 

CONSIDERAÇÕES:

A visita de Aprendizes de outra Loja (GOB) em uma Loja (GOB) que na


oportunidade fará exame ao seu Aprendiz, ou Aprendizes, se for o
caso, visando o aumento de salário, não existe qualquer óbice para
tal, posto que os visitantes sejam Aprendizes e a Loja visitada estará
trabalhando em Grau de Aprendiz. Mesmo em se tratando de exame,
o que importa é o Grau em que a Sessão estiver aberta, ou
trabalhando. 

143
O que não é permitido é que Aprendizes, visitantes ou não, assistam
uma Sessão Magna de Elevação, posto que essa obrigatoriamente
esteja trabalhando no Grau de Companheiro. Nesse pormenor só
participa mesmo o Aprendiz que receberá aumento de salário. 

Excessos de preciosismo às vezes se contrapõem ao bom senso. Se


essa regra prevalecesse, Aprendizes recém-iniciados em uma Loja
não poderiam visitar outra Loja que porventura estivesse ministrando
a segunda instrução aos Aprendizes do seu quadro?  

PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com 41 3415-1140 MARÇO/2013
Fonte: JB News – Informativo nr.1000, Florianópolis (SC) – quinta-feira,
30 de maio de 2013.

ESCRUTÍNIO SECRETO
ESCRUTÍNIO SECRETO  
Questão que faz o Respeitável Irmão Pedro Bolis Junior, sem declinar
o nome da Loja e rito, GOB, Oriente de Pirassununga, Estado de São
Paulo.
pedrobolis@oi.com.br 

A dúvida é: durante o escrutínio secreto, naquele momento em que o


Venerável Mestre acaba de ler as sindicâncias e passa palavra nas
Colunas... O Irmão pode se manifestar contra a Iniciação do
Candidato? Ele não já teve oportunidade antes? Um Irmão que não é
do quadro de obreiros da Loja pode se manifestar a favor ou contra? 

 
CONSIDERAÇÕES:

Embora no Ritual assim esteja prevista a manifestação sobre o


Candidato na Sessão que ocorrerá o ato do Escrutínio Secreto, penso
que oposições não cabem na ocasião. Oposições estão previstas no
Regulamento Geral da Federação em seus Artigos 13, 14 e 15 antes
de ser marcada a Sessão que realizará o Escrutínio.

No ato do Escrutínio Secreto dele só participam Irmãos do Quadro da


Loja, inclusive Aprendizes e Companheiros – Artigo 17, Parágrafo
Único do Regulamento Geral da Federação. 

Conforme especifica o Ritual de Aprendiz em vigência do R.´.E.´.A.´.A.


´., o Venerável dá entrada aos visitantes, todavia cumprindo o Artigo
17, estes apenas assistem o ato do escrutínio.

No caso da vossa questão final - Na Sessão que será executado o


escrutínio não. Nesse caso o opositor deveria ter se valido da

144
oportunidade mencionada nos Artigos 13, 14 e15 do RGF. 

Finalizando. Nunca é demais recomendar que a votação secreta pelas


esferas brancas e negras (apenas pelos membros da Loja), carece
atentar pelo previsto nos Artigos décimo sexto e seguintes até o
vigésimo nono do Regulamento Geral da Federação, até porque uma
oposição, ou mesmo aparecimento de esferas negras no escrutínio,
estão previstos princípios conforme os Artigos mencionados e
pertinentes ao Diploma Legal.  

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com - (41) 3415-1140 - MAR/2013
Fonte: JB News – Informativo nr. 0999, Florianópolis (SC) – quarta-
feira, 29 de maio de 2013.

CINCO NÓS
CINCO NÓS  
O Irmão Sergio Ricardo de Souza, Companheiro Maçom da Loja
Cavaleiros do Vale de Rio Negro, 106, sem declinar o nome do Rito e
Obediência, Oriente de Rio Negro, Estado do Paraná, apresenta a
questão que segue:
sergio@maxicarfiat.com.br 

Ao responder o questionário do Grau, o mesmo tinha uma pergunta


sobre a Corda de 5 Nós, corda esta que não encontrei nada à respeito
em nenhum lugar que pesquisei, nem mesmo no Google, li e reli o
manual de Companheiro no mínimo umas 3 vezes e não encontrei
nada. Conto com sua vasta experiência e sabedoria para sanar minha
dúvida. 

 
CONSIDERAÇÕES: 

Acho mesmo bastante difícil o Irmão achar algo a respeito. Embora


não tenha sido declinado o nome do Rito, a corda com nós é um
símbolo representativo dos limites dos canteiros operativos
medievais. Esses canteiros de construções eram cercados, ou
delimitados por uma corda presa por anéis de metal em paliçadas
com número compatível ao tamanho do espaço. Junto à entrada do
canteiro de obras existiam duas paliçadas maiores que delimitavam o
acesso. Como uma Loja Maçônica significa em linhas gerais
simbolicamente esse espaço operativo a corda em alguns ritos
maçônicos aparece sugestivamente como lembrança do passado. No
caso do Rito Escocês Antigo e Aceito ela é representada com oitenta
e um nós, cujos nós em seu número atendem as influências místicas
adquiridas provavelmente nos séculos XVIII e XIX. Alguns tratadistas
145
definem o formato desses nós como “laços do amor”. 

Agora, numero de nós que não sejam iguais a oitenta e um, somente
se alguns observadores encontraram algumas gravuras de painéis
antigos onde, pela falta de espaço para neles serem gravados um
número grande de nós, os artistas representaram a corda com um
número menor, porém sem relação com números alusivos a idade
simbólica dos respectivos graus do franco maçônico básico. Como em
Maçonaria o campo está aberto à fértil imaginação, provavelmente
alguém “achou” que seria plausível inserir nós nos painéis franceses
conforme a idade simbólica do Grau. Penso que isso não tardaria a
fazer parte de certas instruções, cujo resultado poderia ser a do
significado de uma pretensa corda de cinco nós. 

A única resposta que eu poderia dar a respeito da questão é que o


número cinco é do estudo do Companheiro. Agora, se o número
possui elo com a corda eu francamente não sei. 

Talvez, mas isso fica no campo da suposição, se os nós estiverem


relacionados a uma medida, eu diria que na representação da 47ª
Proposição de Euclides – Teorema de Pitágoras onde em um triângulo
retângulo a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da
hipotenusa, em se usando no cálculo as medidas três e quatro para
os respectivos catetos o resultado seria cinco para a hipotenusa.
Agora se os cinco nós representarem a hipotenusa é que são as
coisas. Note como é fácil viajar na maionese.

Se é que eu tenho uma vasta experiência com gentilmente o Mano se


refere à minha pessoa, acredito que nessa vastidão ainda não
cheguei à compreensão de algumas temerárias asseverações. Assim,
me junto ao Irmão para que ambos façamos um apelo: com a palavra
para uma explicação plausível, o autor dessa questão!

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com 41 3415-1140 MAR/2013
Fonte: JB News – Informativo nr. 0998, Florianópolis (SC) – terça-feira,
28 de maio de 2013.

CONFERÊNCIA DO TRONCO
CONFERÊNCIA DO TRONCO   
Questão que faz o Respeitável Irmão Odair Tomaz, Tesoureiro da Loja
Estrela de Morretes, 3.159, REAA, GOB-PR, Oriente de Morretes,
Estado do Paraná.  

Quando fui iniciado quem conferia o tronco era o Orador. Agora


aparece o Tesoureiro conferindo e comunicando direto ao Venerável.

146
Conversando com alguns Irmãos a respeito, alguns acham que é
porque o Tesoureiro é eleito. Outros também acham que por ele ter
sido eleito ele fala diretamente com o Venerável. Qual a sua opinião a
respeito?  

CONSIDERAÇÕES: 

Infelizmente alguns "iluminados" resolveram alterar a ordem dos


trabalhos no Rito. Genuinamente quem sempre conferiu o produto do
Tronco é o Orador. Penso que os "entendidos" “acharam” que em se
tratando de Tesoureiro, seria dele o ofício de conferir o Tronco. Ledo
engano. Essa tradição é antiga desde quando os Irmãos contribuíam
com metais preciosos para as obras de caridade. Era o Orador que
pesava os metais e informava quantos quilos, ou a unidade de peso
do país de origem dos trabalhos maçônicos da Loja. Essa expressão
imperou por um longo tempo quando o Orador comunicava que o
Tronco havia produzido a medalha cunhada de “tantos quilos”.
Também é a razão do ainda usado termo "metais" quando se faz
referência a um produto monetário apurado. Hoje os rituais já não
mais apregoam esse costume distintivo, recomendando inclusive que
o produto seja anunciado na moeda corrente no país. 

Como era genuinamente o Orador, este, por ser parte integrante do


Oriente, comunicava o resultado diretamente ao Venerável que por
sua vez comunicava a Loja o resultado e o destino do produto (... que
será entregue ao Irmão Tesoureiro para crédito do Hospitaleiro). 

Agora o que eu não sei é se os “inventores” sabiam desses


particulares inerentes aos usos, costumes e tradições. Penso que não.
Assim mexeram onde não deveria ser mexido e o resultado tem sido
esse elemento contraditório, já que não explicaram (mesmo contrário
à tradição) que em sendo o Tesoureiro o conferente, ele ao comunicar
à Loja, deveria usar o período da Palavra à Bem da Ordem na forma
de costume (pedindo antes a palavra ao Vigilante). Isso não tem
nada, mais nada mesmo, com cargos eletivos da Loja. 

Aliás, esses cargos eletivos também tem causado certo "frisson" -


Confundiram cargos eletivos com Dignidades. Dignidades de uma
Loja são sempre "cinco" - Venerável, Primeiro Vigilante, Segundo
Vigilante, Orador e Secretário. Chanceler e Tesoureiro são mesmo
Oficiais, todavia Oficiais eletivos em algumas Obediências. Três
governam, Cinco a compõe, e Sete a completam - a confusão
apareceu nos sete que a completam. Acham esses entendidos que
com sete mestres simplesmente a Loja pode ser aberta. Mais um
engano. Em qualquer circunstância uma Loja não pode trabalhar sem
um Cobridor e, no caso do Rito Escocês, também sem um Mestre de
Cerimônias. 

Nesse particular e usando a lei de menor esforço, ficou mais fácil


chamar todos os cargos eletivos de Dignidades. De fato, é mesmo
lamentável... 
147
 T.F.A. PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com 41 3415-1140 MAR/2013

Fonte: JB News – Informativo nr. 0997, Florianópolis (SC) – segunda-


feira, 27 de maio de 2013.

MANIFESTAÇÃO NA APROVAÇÃO DA ATA


MANIFESTAÇÃO NA APROVAÇÃO DA ATA
O Respeitável Irmão Mario Cesar Locatelli, Mestre Instalado da Loja
Três de Dezembro, REAA, GOP (COMAB), Oriente de Palotina, Estado
do Paraná, apresenta a seguinte questão:
mlocatelli@brturbo.com.br 

Pelo que sei, quando da leitura do Balaústre da última Sessão, os


Irmãos visitantes, se ouvirem algo que não concordam, têm o direito
e o dever de se manifestar (pode ser inclusive a indicação de um
Profano) ou outro assunto qualquer. Na hora da votação, também
acredito que eles, ou nós (como visitantes) devemos aprovar ou não
a Ata e não ficarmos em Pé e à Ordem. Qual é a forma correta, já que
fui questionado sobre essa minha posição. 

 
CONSIDERAÇÕES:

Penso haver um grande equívoco nas suas ponderações, todavia,


oriento ao Irmão que faça uma verificação nos procedimentos no
tocante ao que exara a constituição e regulamento da vossa
Obediência.

Sob o ponto de vista da tradição, usos e costumes seguem os meus


apontamentos:

Se os visitantes, ou não presentes, à sessão que se refere o Balaústre


é contraditório qualquer manifestação. Aprovam somente os
presentes à sessão que se refere o Balaústre, inclusive discussão e
emendas. Os ausentes permanecem sentados. Durante a aprovação,
estes se posicionam à Ordem o que significa nesse interim abstenção
no Rito Escocês. 

A questão pode se agravar ainda mais se os visitantes não fizerem


parte da Obediência a que pertence a Loja visitada. O bom senso trás
à luz da razão que esses não participam da votação de aprovação,
muito menos da discussão. 

148
Nunca é demais lembrar a contradição de que em respeito ao sigilo
(cobertura) dos trabalhos, somente poderiam ouvir o que se passara
na sessão a que se refere o Balaústre, apenas aqueles que dela
tomaram parte. 

Como a boca se entorta conforme o hábito do cachimbo, isso nunca


acontece, já que todos ingressam indistintamente na sessão. Assim,
pelo menos, já que em tese se quebra a lei do sigilo, que pelo menos
esses não participem da discussão, aprovação ou emendas se dela
resultarem. 

Obviamente esse particular se refere ao momento da leitura e


aprovação do Balaústre. Se um Irmão do quadro que não esteve
presente achar conveniente comentar algum fato referente ao
período, que ele emita sua consideração na Palavra à Bem da
Ordem. 

Penso que a questão é delicada quando um visitante não pertence ao


Quadro da Loja, e ainda mais delicada se ele não pertence à mesma
Obediência. Entra nesse caso a demanda da legalidade e o respeito
pelas Leis em vigência. 

Concluindo. O que verdadeiramente deve ser observado é o bom


senso das ações. Muitas vezes seria melhor observar o momento
propício para uma intervenção pela emissão de uma opinião. 

Assim, se o faltoso sentir necessidade de emitir parecer, que coloque


o assunto no Saco de Propostas para uma discussão na Ordem do
Dia. Isso seria de boa geometria ao contrário de interferir em
assuntos que ele nem mesmo esteve presente. 

Essa questão de emitir opinião sobre propostas de iniciação é outro


fato delicado e que deve ser medido antes de qualquer
pronunciamento, principalmente se o Obreiro não pertencer à
Obediência (Potência). 

Fatos dessa natureza merecem cautela e “modus operandi” nos


conformes. Penso que o melhor mesmo é não se precipitar. Em
havendo necessidade, o reclamante do quadro, ou não, pode dirigir-
se confidencialmente ao Venerável em oportunidade fora da sessão.
Se o Venerável achar procedente, antes de discussões inócuas, ele
orientará que se faça uma comunicação por escrito sobre o caso que
entrará na Ordem do Dia da próxima sessão da Loja. Assim o Orador,
como Guarda da Lei concluirá pela legalidade ou não do assunto.  

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com 41 3415-1140 MAR/2013 
Fonte: JB News – Informativo nr. 0996, Florianópolis (SC) – domingo,
26 de maio de 2013.

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QUESTÕES SOBRE A ATA
QUESTÕES SOBRE A ATA   
Questão que faz o Respeitável Irmão Marco Henry Cacciacarro, GOB,
sem declinar o nome da Loja, Oriente (cidade) e Estado da Federação:

mhcvideo@ig.com.br

Quando um irmão não comparece em uma sessão, na sessão


seguinte no caso de aprovação da ATA o mesmo deve ficar de pé e à
ordem? Caso ocorra alguma emenda esse irmão deverá ficar de pé e
à ordem ou não? Entendo que no caso da ATA ele deve ficar a ordem,
entretanto no caso da emenda não, uma vez que esta participando
da sessão na qual a ATA esta sendo emendada.  

CONSIDERAÇÕES: 

Esses pormenores tem rendido uma série de discussões. Meu


pensamento é que se a discussão da Ata ou emenda se refere à
sessão anterior, dela somente participam os que nela estiveram
presentes. 

No caso de um irmão ausente na sessão à que se refere à Ata e


presente na sessão que dela é dado o conhecimento, ele fica à Ordem
(abstenção, no caso) no momento da sua aprovação. Se dela
resultarem discussões, ele permanece sentado. Na aprovação das
emendas por atitude de bom senso, como ele não houvera
participado da sessão, então ele se abstém na forma de costume.  

No caso do ausente na sessão referida e presente na sessão que é


dado o conhecimento do conteúdo, merecer dele um comentário, ele
assim o fará na Palavra à Bem da Ordem, sendo consignada as suas
ponderações na ata da presente sessão. 

Em síntese, os ausentes não se manifestam sobre assuntos em que


eles não estiveram presentes. Aliás, cabe aqui até uma questão: ora,
se o que se passou em uma sessão é assunto “coberto”, como que
um nela não presente pode ouvir o que nela se passou? Se ele (em
tese) não poderia ouvir, então como desejaria emitir opinião? 

T.F.A. PEDRO JUK


jukirm@hotmail.com 41 3415-1140 MAR/2013

Fonte: JB News – Informativo nr. 0995, Florianópolis (SC) – sábado, 25


de maio de 2013.

150
DOS OPERATIVOS AOS ESPECULATIVOS: UM ELO
PERDIDO
Dos Operativos aos Especulativos: um elo perdido

Das várias teses sobre as origens da Maçonaria, a mais consensualmente


aceite é que esta, na sua forma atual, geralmente referida como Maçonaria
Especulativa, deriva das associações profissionais de construtores criadas
na Idade Média. A essas associações designamos hoje por Lojas Operativas
e ao conjunto de todas elas e regulamentos da profissão então instituídos
referimo-nos por Maçonaria Operativa..

A forma como a transição ocorreu é normalmente referida como tendo


decorrido da progressiva aceitação nas Lojas Operativas de elementos
alheios ao ofício de construtor (proprietários, intelectuais), os chamados
Maçons Aceites, que progressivamente foram aumentando de número até
dominarem as Lojas Operativas e as transformarem nos centros de debate,
estudo, fraternidade e aperfeiçoamento que hoje associamos ao conceito de
moderna Loja maçónica.

151
Não colocando em causa, genericamente, este entendimento, sempre
mantive algumas perplexidades sobre a forma de evolução e, sobretudo,
sobre a forma como a realidade antiga veio a gerar precisamente a nova
realidade, tal como a conhecemos. Desde logo, esta hipótese da evolução
dos factos, sendo possível para uma Loja, torna-se muito mais improvável
para um conjunto de Lojas, geograficamente dispersas. Quais as
probabilidades de o lento processo de integração de Maçons Aceites
originar, mais ou menos ao mesmo tempo, o domínio por estes de todas as
Lojas Operativas geograficamente dispersas? E de lhes ser conferidas, a
todas, precisamente as mesmas caraterísticas evolutivas? Parece óbvio que
a resposta deve ser um número muito próximo do zero... Algo falta. Falta,
seguramente, um elo na cadeia factual, algo que veio a possibilitar e a
favorecer a mudança. 

As associações profissionais medievais, após o fim da Idade Média, o


advento da imprensa e  aumento da possibilidade de circulação e aquisição
de conhecimentos, estavam em franco declínio. No início do século XVII, as
Lojas Operativas estavam em processo de enfraquecimento, que,
normalmente, levaria à sua extinção. As técnicas de construção e os
conhecimentos geométricos a elas subjacentes não eram já  monopólio dos
construtores associados. Muitos outros sabiam construir e construíam e
competiam pela obtenção de contratos com os profissionais associados.
Nesse clima, afigura-se-me que a aceitação de proprietários locais, de
burgueses de outros ofícios ou intelectuais com prestígio local foi uma
tentativa desesperada de procurar manter a máxima quota de mercado
possível na órbita das Lojas Operativas.  Mas tal dificilmente travaria o
declínio e o inexorável caminho para o baú que a História reserva para o
que perdeu a sua razão de existir. Com ou sem Aceites, as Lojas Operativas
estavam condenadas. 

Em toda a primeira metade do século XVII não há mudanças significativas


da situação. Em cada região, a respetiva Loja Operativa lutava pela
sobrevivência e procurava juntar a si elementos estranhos ao ofício. Era
através da convivialidade, da integração social que os Operativos
procuravam manter o seu mercado, sempre acossados por construtores não
associados, capazes e competitivos, designadamente, em matéria de preço.

Até que, na segunda metade do século XVII, algo muda! O que declinava,
passou a florescer. Não só as Lojas Operativas, agora essencialmente
conviviais, não desapareceram, como surgiram outras novas e os seus
objetivos mudaram: de meras organizações profissionais, passaram a, com
a marca distintiva da união e da fraternidade, centros de debate, estudo e
auxílio mútuo no aperfeiçoamento (desde logo cultural e, genericamente,

152
em matéria de aquisição de conhecimentos e competências). Mais:
florescem nas zonas urbanas mais desenvolvidas. As quatro Lojas de
Londres que decidiram unir-se na Grande Loja de Londres em 24 de junho
de 1717 não eram as únicas de Londres e Westminster. Em 1722, aquando
da aprovação das Constituições de Anderson publicadas em 1723, a Grande
Loja de Londres agregava já vinte Lojas. Era manifestamente impossível que
quatro Lojas lograssem quintuplicar o seu número em escassos cinco anos.
Logo, o que sucedeu foi a junção de outras Lojas, já existentes, ao projeto
iniciado pelas quatro pioneiras. O que nos conduz à conclusão de que,
seguramente, mais de uma dezena de Lojas existiam só na zona de
Londres, no início do século XVIII.

Em meio século, em duas gerações, a vereda do declínio transforma-se na


ampla estrada do crescimento. No entanto, o ambiente social era tudo
menos propício! Entre 1640 e 1650, trava-se em Inglaterra uma dura guerra
civil e religiosa, entre os católicos partidários dos Stuarts e os
parlamentares, maioritariamente protestantes, liderados por Oliver
Cromwell, no âmbito da qual Carlos I perde, literalmente, a cabeça e o seu
filho, Carlos II, é obrigado a exilar-se, para que não sofra idêntica, e
certamente inconveniente, perda. Em 1660, Carlos II logra retomar o poder
para os Stuarts, o qual mantém até à sua morte, em 1685, mas sempre em
confronto com os parlamentares. Em 1688-1689, dá-se a chamada
Revolução Gloriosa, pela qual o sucessor de Carlos II, o católico Jaime II, é
apeado do poder, em benefício de sua filha, Maria II e do seu genro, o
holandês e protestante Guilherme, príncipe de Orange. São cinquenta anos
de lutas, de tensão, de derramamento de sangue e de destruição, nada
propícios a uma pausada e lenta transformação de estruturas vindas da
idade Média!

Qual foi então o catalisador, o fator que transformou mais do mesmo – o


progressivo declínio das Lojas Operativas, afetadas do mal da irrelevância
pelo progresso e evolução sociais – numa nova e pujante realidade, como se
veio a revelar a Maçonaria, no meio de convulsão social, guerras e
revoluções?

Veremos isso nos próximos textos!

Bibliografia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_civil_inglesa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_II_de_Inglaterra
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Gloriosa

153
SEXO, ESPIONAGEM E MAÇONARIA

154
O lema do clube era Fay ce que vouldras (faça o que quiser), uma frase do
escritor François Rabelais.

Um assunto pouco estudado na literatura maçônica é o Clube do Fogo do


Inferno (Hell-Fire Club) na Inglaterra do século XVIII.

Estudiosos ingleses, no passado e no presente, não abordam o assunto seja


por pudor ou por manter uma aura de sacralidade nos assuntos referentes à
arte real. Quando muito falam do Duque de Wharton, visto não ter como
escamoteá-lo, pois foi o sexto Grão-Mestre da Grande Loja da Inglaterra.

Os norte-americanos desconhecem o assunto e os franceses estão mais


preocupados com seu umbigo do que com estas questões britânicas.

Vamos tocar num assunto, talvez pela primeira vez, no intuito duplo de
despertar os maçons sobre as questões de alta política e deixar um pouco a
nossa mania de tratar de assuntos supersticiosos e irrelevantes que povoam o
nosso imaginário maçônico.

Primórdios: Wharton

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O Clube do Inferno (inglês: Hellfire Club, clube do fogo do inferno)foi um
clube privado freqüentado pela elite inglesa do século XVIII. Foi em sua época
mais ilustre presidido por Sir Francis Dashwood. Presume-se que suas
reuniões se constituíam de pródigas bebedeiras e orgias sexuais e, segundo
crenças populares com menos fundamento, cultos satânicos e rituais de magia
negra. Os encontros do Clube do Inferno eram realizados na Abadia de
Medmenham, à margem do rio Tâmisa.

O Clube do Fogo do Inferno foi fundado ali pelo ano de 1719, pelo controverso
Philip, Duque de Wharton (1698-1731), um aristocrata, um proeminente político
Whig e maçom emérito, pois foi o sexto Grão-Mestre da Grande Loja de
Londres na molecagem dos seus 22 anos. O Duque de Wharton oscilava nos
primórdios de sua vida, entre um ateísmo que ridiculariza a religião, passando
por uma fase deísta na maçonaria e morrendo aos 33 anos, convertido ao
catolicismo, num convento franciscano na Espanha. Na sua juventude, presidia
reuniões festivas com vestes satânicas numa taverna perto da Praça St. James
em Londres.

O Clube do Inferno foi uma espécie de revival de um clube que existira


previamente, na década de 1720, e sua primeira reunião realizou-se na sede
desse clube, na Lombard Street, em Londres. Na inauguração, a associação
contava com apenas doze membros, mas cresceu rapidamente. A identidade
de apenas sete dos doze membros originais foi confirmada: Francis Dashwood,
Robert Vansittart, William Hogarth, Thomas Potter, Francis Duffield, Edward
Thompson e Paul Whitehead. Especula-se que outras figuras ilustres
participaram do clube e, embora não um membro oficial, Benjamin Franklin
compareceu a reuniões do Clube. Formações posteriores contariam com mais
de cem membros, entre nobres, burgueses e intelectuais.

Apesar do nome Clube do Inferno ter tido maior difusão, os membros


costumavam chamá-lo por outros nomes, a maioria sátiras de nomes de
confrarias religiosas, como Ordem dos Cavaleiros de West Wycombe,
Irmandade de Saint Wycombe e os Monges de Medmenham. Os membros
chamavam Sir Dashwood de Abade e uns aos outros de Irmãos; as
companhias femininas eram chamadas de freiras.

Outra distinta integrante do Clube era Lady Mary Wortley Montagu, mulher do
Embaixador Edward Wortley Montagu, de notável personalidade e inteligência
e, além do mais, amante de Wharton. Viajou longamente pela Europa
continental, quase sempre desacompanhada do marido, e corria a lenda que
teria se infiltrado no harém do Sultão em Constantinopla no intuito de descobrir
o segredo da vacina contra a varíola.

Outro ingrediente da trama que iremos viver foi o escândalo e a derrocada na


bolsa de valores das ações da Cia. Mares do Sul (South Sea Co.), em 1720,
que levou a quebra dos especuladores, entre eles, os nossos Wharton e James
Anderson.

Como se sabe, a Cia. foi fundada em 1711 para comercializar com a América
Espanhola, principalmente no tráfico de escravos. Tudo estava baseado na
Guerra da Sucessão Espanhola, pois a Cia. esperava lucrar com a guerra civil

156
na Espanha, na esperança de conseguir um tratado que permitisse o tráfico de
escravos.

O Tratado de Paz de Utrecht, contudo, firmado em 1713, foi menos favorável


do que o esperado, impondo uma taxa anual aos escravos importados e
permitindo à Cia. enviar somente um navio a cada ano para o tráfico.

O sucesso da primeira viagem, entretanto, em 1717 foi bastante moderado,


mas quando o rei Jorge I – reinou de 1714 a 1727 – tornou-se o presidente da
Cia., em 1718, criou-se uma confiança tão grande que as ações da Cia.
começaram a entrar em alta.

Além do mais, o Parlamento aprovou uma lei (South Sea Bill), uma duvidosa
peça legislativa que permitia à Cia. assumir todo o débito nacional para pagá-lo
com seus lucros.

Esta privatização avant la lettre resultou num boom no mercado de ações.


Todo mundo queria freneticamente comprar suas ações e a bolha estourou em
1720, levando de roldão não só as ações da Cia. como de todo o mercado.

Quando os investidores quebraram, como vimos acima, o Parlamento criou


uma comissão de inquérito, demonstrando cabalmente que, pelo menos, três
ministros foram corrompidos e mergulharam, também, na especulação. Tal fato
foi crucial na subida ao poder de Robert Walpole, que conseguiu salvar o
ministério Whig da derrocada.

Wharton sempre se opôs a este esquema de suporte político desde o começo.


Liderava uma coalizão confusa de Whigs e Tories contra o primeiro-ministro
Suderland e Robert Walpole.

Aqui convém esclarecer que a política britânica do século XVIII era dominada
pelo partido Whig e pelo partido Tory, cuja fundação tinha sido estabelecida no
século precedente, mas que, só se tornaram partidos, no sentido moderno do
termo, em 1784. As expressões Whig e Tory são palavras gaélicas cuja
tradução seria “ladrão de cavalos” e “foras da lei” que eram aplicadas pelos
partidários aos membros do campo oposto.

Os Tories eram basicamente conservadores, opunham-se à tolerância religiosa


e freqüentemente esposavam a crença no direito divino dos reis. Compunham-
se de membros da alta hierarquia da igreja anglicana e da nobreza de
província.

Os Whigs eram, nesta época, o partido majoritário, composto de aristocratas


latifundiários e da poderosa burguesia nascente. Eram partidários de uma
monarquia constitucional, do imperialismo inglês no exterior e do liberalismo
laissez faire.

A maioria Whig, quando se sentiu pressionada pela coalizão de Wharton, partiu


para o contra-ataque. Para desviar a atenção pública do escândalo da Bolha
dos Mares do Sul (South Sea Bubble) e minar a credibilidade política de
Wharton, Suderland e Walpole denunciaram, perante o Parlamento, as
atividades de Wharton no Clube do Fogo Inferno. Estas acusações de

157
imoralidade alienaram o apoio dos Tories conservadores e dos Whigs liberais e
o poder de Wharton foi quebrado.

Em 1762 o clube debandou, devido à tensão entre facções internas e


rivalidades políticas. Algumas brigas relacionadas ao Clube foram mesmo
travadas em público.

O Clube foi destroçado e daí a tentativa desesperada de Wharton em se tornar


Grão-Mestre da Grande Loja de Londres em 1722. Parte da descrição do
evento se encontra nas edições de 1723 e de 1738 das nossas Constituições
de James Anderson. Na primeira edição, que imortalizou Wharton, pois é citado
diversas vezes, Anderson tece tanto loas a Wharton quanto ao duque de
Montangu.

Na segunda – de 1738 – Anderson começa a apagar a imagem do doidivanas,


inclusive tecendo algumas críticas, pois os jacobitas estavam se tornando carta
fora do baralho na política britânica.

Wharton foi execrado por diversas razões:


i) pela sua imaturidade;
ii) pelo seu libertinismo e
iii) por ser jacobita, ou seja, partidário de Jaime (Jacobus em latim) II, rei
católico da dinastia Stuart deposto em 1688, numa época em que a dinastia
protestante alemã de Hanover buscava se firmar no trono inglês.

Dizem as más línguas que quando da cerimônia de instalação na Grande Loja,


a orquestra tocou um hino jacobita: “Let the King Enjoy His Own Again”.

Desnecessário dizer que o duque de Montagu, antecessor de Wharton no


Grão-Mestrado era afilhado do rei Jorge I. Wharton termina seus últimos anos
de vida viajando para Viena, tentando persuadir os austríacos habsburgos a
invadir a Inglaterra para reentronizar os Stuarts, na volta passa por Roma e
termina os seus dias, na maior penúria, num mosteiro franciscano em Madri,
após fundar a primeira loja maçônica na Espanha.

A Segunda Geração: Dashwood

A segunda fase do Clube do Fogo do Inferno tem como seu expoente máximo
Sir Francis Dashwood que nasceu em 1708 e era proveniente de uma linhagem
de ricos mercadores ‘turcos’ – ou seja, comerciantes que desde o século XVII
mercadejavam com o Império Otomano – que se infiltraram na nobreza inglesa
por meio de casamentos, dinheiro e política.

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Sir Francis Dashwood (1708–1781), notório “bon vivant” e fundador do
construtor de Hellfire Club, envergando o seu traje de jantar otomano.

Dashwood possuía uma personalidade complicada. Sua mãe faleceu quando


tinha dois anos, educou-se em Eton e quando seu pai expirou em 1724,
trancou-se numa cela durante uma semana para embebedar-se.

Em 1726, cansado do frio inglês, começou um turismo pelos mares mais


tépidos do Mediterrâneo, onde o bom vinho borbulhava e as mulheres eram
mais quentes.

Em Florença manteve contato com o abade Nicolini, maçom, católico jacobita,


participando da loja inglesa naquela cidade, tanto assim que, quando o conde
de Middlesex tornou-se venerável desta loja alguns anos mais tarde, uma
medalha foi cunhada sobre o evento.

Apresentava o deus egípcio Harpócrates (o deus Horus quando criança),


simbolizando o nascimento do eon, ou seja, uma criança com o dedo sobre os
lábios, exortando ao silêncio. Dashwood com o tempo tornou-se um apreciador
das artes e da arquitetura clássicas e ao retornar à Inglaterra fundou a
Sociedade dos Diletantes.

Este grupo discutia os clássicos em jantares opíparos regados a vinho de


qualidade, encorajando o estilo Paladiano de arquitetura na Inglaterra e chegou
mesmo a promover uma expedição à Ásia Menor. Coincidência ou não, Carlos,
o conde de Middlesex, era o filho mais novo de Lionel Sackville, duque de
Dorset, amigo íntimo de Wharton.

Ao retornar à Inglaterra não permaneceu por muito tempo, pois, após fundar a
Sociedade, partiu com Lorde Forbes para São Petersburgo, onde dizem,
seduziu a Imperatriz Ana disfarçado de Rei Carlos XII da Suécia que estava
morto nesta época.

Em 1730, vamos encontrá-lo viajando através da Grécia com John Montagu,


conde de Sandwich, em busca de questões esotéricas do Oriente. Fundaram,
então, o Clube Divã, dedicado a imitar o modo de vida turco.

Em 1739, já quase no final de sua longa viagem, parou em Florença para


visitar o abade Nicolini e onde encontrou a antiga amante de Wharton – Lady

159
Mary Wortley Montagu – que se integrou ao Clube do Divã e, a tradição afirma
que acabou prestando votos na futura Abadia de Medmenham.

As coisas não estavam indo bem para a maçonaria na Itália, pois em 1738 o
papa Clemente XII promulgou uma bula – In Eminenti Apostolatus Specula –
proibindo os católicos, sob pena de excomunhão, de pertencer à maçonaria.

Convém salientar que, nos Estados Papais, pertencer a uma loja era passível
de pena de morte e nos Estados não-papais, dava-se, livre curso para que a
inquisição tomasse as providências necessárias contra as lojas.

Em 1740, o papa estava morto e Dashwood encontrava-se em Roma para


assistir ao conclave que elegeria o novo papa. Lá assumiu a identidade do
Cardeal Ottiboni, um dos maiores perseguidores dos maçons, e o satirizou
publicamente num indecente ritual de zombaria.

Dashwood aprontou coisas mais graves que acabaram por estabelecer sua
infame reputação.

Na Sexta-feira Santa era costume da época que os penitentes se auto-


flagelassem defronte a Capela Sistina. Inspirado ou não, seja pelo eroticismo
da cena ou furioso pela perseguição infligida aos maçons, Dashwood, excitado
pelo vinho, meteu-se a açoitar os fiéis com o seu chicote do cavalo.

A tradição afirma, sem muitas provas, que este incidente levou a uma
conversão passageira de Dashwood que, após o incidente, bêbado, foi dormir
nos seus alojamentos. Teria sido acordado altas horas da noite por gritos
agudos inumanos e ficou estarrecido ao se deparar com quatro incandescentes
olhos verdes observando-o através da janela. Convencido de que tinha sido
visitado pelo demônio, arrependeu-se de seu comportamento sacrílego na
Sexta-feira Santa e converteu-se ao catolicismo.

Daquele momento em diante, assistiu à missa regularmente e era visto


constantemente, portanto um rosário. Este comportamento inusitado durou até
o momento que seu companheiro de viagem revelou que também tinha visto a
aparição e tudo não passava de um par de gatos, no cio, copulando. A
desconversão de Dashwood foi imediata e galvanizou ainda mais o seu anti-
catolicismo e contribuiu para o seu tão afamado satanismo.

Se esta história pode ser lenda, o apoio de Dashwood à causa jacobita não
pode ser colocado em dúvida. Teria entrado em contato com o príncipe Charles
Edward Stuart, pretendente do trono inglês que nessa época residia em Roma.

A conspiração de Dashwood só não progrediu por que faltaram a uma reunião


com o tutor do príncipe, o nosso maçom e católico: Cavaleiro André Ramsay.

Existia, naquela época, uma lenda que muito impressionou a Dashwood: o


Jovem Pretendente ao trono inglês – o Bom Príncipe Charles – seria o
Cavaleiro da Pena Vermelha, o “superior desconhecido” da Ordem Maçônica
do Templo.

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Esta lenda era fruto das histórias de Ramsay que dizia ser a ordem maçônica
descendentes dos Cavaleiros Templários e a Casa de Stuart, seu último
legítimo descendente.

Dashwood finalmente retornou à Inglaterra em 1741 e seu tio – o conde de


Westmore-land, tentou persuadi-lo a entrar na política. Naquele momento, o
eleitorado encolhia (o bairro de Old Sarum tinha um eleitor e contava com dois
assentos no Parlamento) e a corrupção (a compra de votos era artigo
corriqueiro) grassava nos arraiais políticos.

Walpole, finalmente, nomeado primeiro-ministro  pelo rei Jorge II, que sucedeu
seu pai em 1727, dominou o escândalo do South Sea com firmeza e suborno,
alçando-se a uma posição impar na política inglesa. O rei reinava, feliz, por
conseguir financiar os seus exércitos alemães com taxas inglesas, um dos
fatores que favoreceu a Guerra dos Sete Anos (1756-63).

O Clube do Fogo do Inferno

A tradição assegura que o Clube do Fogo do Inferno de Dashwood se reunia


originalmente em Londres na Taverna “Jorge e o Abutre”.

Dizia-se que Dashwood e seus epígonos, encontravam-se em locais públicos


para usufruir da Lei contra a Bruxaria, que tinha sido repelida pelo Parlamento
em 1736, ressuscitando o Clube do Fogo do Inferno de Wharton dentro de um
espírito de deboche.

É notório que no início do século XVIII, as tavernas eram os locais onde as


lojas se reuniam, pois inexistiam, ainda, os templos maçônicos. É, pois, bem
provável, que o renascente Clube fosse, também, um pretexto para que os
partidários jacobitas pudessem reunir-se sem apresentar muitas suspeitas.

Sede do Hellfire Club – West Wycombe

A primeira sede do clube, no pub George and Vulture foi destruída em 1749,
durante um incêndio provavelmente causado pelos excessos da reunião
daquela noite. Para substituí-la, Sir Dashwood construiu um templo na sua

161
residência, o West Wycombe Park, inaugurando-a durante a noite de Walpurgis
de 1752. Entretanto a estrutura se mostrou incapaz de suportar grandes
reuniões, passando a abrigar apenas pequenas sessões.

Dashwood adquiriu mais tarde o terreno onde se encontravam as ruínas da


Abadia de Medmenham, e começou uma restauração sui generis no ano
seguinte, que foi reconstruída pelo arquiteto Nicholas Revett.

A Abadia era originária do século XIII e tinha sido expandida no período Tudor.
Dashwood acrescentou uma torre em ruínas e um claustro para dar um charme
de atmosfera gótica, tão apreciado pelo satanistas, ao edifício. No frontão da
entrada, colocou o dístico famoso de François Rabelais: “Fay ce que voudras”
(Faça o que você quer). Esta frase foi cunhada por Rabelais quando descreve
a Abadia de Thélème no seu clássico Gargantua e Pantagruel. Curioso é que
duzentos anos depois, o ‘satânico’ Aleister Crowley e seu pessoal da OTO
iriam usar o mesmo dístico.

Comentava-se que a biblioteca da abadia continha invejáveis coleções de


erótica, uma Bíblia em latim publicada em 1714, uma hagiografia e uma cópia
da Conjectura Cabalística. As paredes estavam decoradas com retratos de reis
ingleses (o retrato de Henrique VIII com pedaços de papel colados no lugar dos
olhos); o deus Harpócrates, dedos nos lábios, pairava sobre o refeitório. A sala
do Capítulo era o local estratégico para entender as atividades dos monges.
Seus móveis ficaram desconhecidos para a posteridade, perdendo-se nas
brumas do mistério.

Autores mais sensacionalistas juravam ser um santuário para rituais satânicos,


hoje, supõe-se mais razoavelmente que eram usados para cerimônias
maçônicas.

John Wilkes (1725-1797), um jornalista e político populista inglês, membro do


Parlamento, xerife e prefeito de Londres, foi iniciado, elevado e exaltado
maçom em 1769 na prisão de King’s Bench; fato que o tornou célebre na
comunidade maçônica, pois era expressamente proibido iniciar um maçom que
estivesse preso ou confinado numa prisão, visto que, para ser iniciado, o
candidato deve “ser livre”.

Wilkes, outra personalidade controversa, participou de diversas lojas


maçônicas, tanto dos modernos como dos antigos, além de inúmeras
sociedades dos mais diversos feitios, foi, também, na sua juventude, fundador
e participante da Abadia de Medmenham. Wilkes, muitas vezes criticado como
oportunista, contribui, na sua época, para consolidar o direito da liberdade de
imprensa, forçou a Inglaterra a reexaminar suas regras sobre o sufrágio e
inspirou os colonos norte-americanos na sua demanda por liberdade.

Quando Wilkes rompe com o Clube do Fogo do Inferno, difamou-o num artigo
com as seguintes palavras: “Nenhum olho profano jamais ousou penetrar nos
mistérios dos Elêusis ingleses na sala do Capítulo, onde os monges reunidos
em solenes ocasiões praticavam os mais secretos ritos e libações eram
oferecidas, com muita pompa, à BOA DEUSA (BONA DEA)”.

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Alguns autores interpretavam esta menção de BOA DEUSA como significando
que eles praticavam ritos druídicos. Horácio, filho de Walpole, inimigo político
de Dashwood, ironizava-os da seguinte maneira: “Fosse qual fosse a sua
doutrina, o rito que praticavam era rigorosamente pagão: Baco e Vênus eram
as deidades a quem eles publicamente sacrificavam”. A única vista que os
profanos tinham da atividade da Abadia era a de ver os monges passeando de
bote sobre o Tâmisa.

Os membros mais famosos do grupo eram: o irmão de Dashwood, John


Dashwood-King; John Montagu, conde de Sandwich; John Wilkes; George
Bubb Dodington, barão de Melcombe; Paul Whitehead e outros membros
menos nobres e profissionais liberais.

As lendas da época falam de escândalos, orgias sexuais sado-masoquistas


que ocorriam no interior da Abadia.

O Clube não possuía uma agenda política única. Embora a maioria de seus
membros fosse Whig, o conde de Sandwich, que se tornou Primeiro Lorde do
Almirantado, tinha claras inclinações Tories e John Wilkes, como vimos, era um
populista inveterado.

O certo é que devido ao mote de Rabelais – faça o que você quer – eles
compartilhavam um ponto de vista comum na capacidade humana de se auto-
governar sem necessidade de um corpo de lei imposto de fora.

Dashwood, por exemplo, era politicamente independente, acreditando ser mais


importante votar de acordo com sua consciência do que seguindo diretrizes
partidárias. Durante sua longa e controversa carreira, teve assento nas duas
Casas do Parlamento, foi Ministro da Fazenda e diretor-geral dos Correios.

Propugnava pela formação de uma milícia nacional visando abolir o exército e


as tropas alemãs mercenários, em suma, desejava minar o poder real.

Dashwood logrou entrar no círculo do príncipe herdeiro Frederick, um maçom,


iniciado por Desaguliers em 1737, filho de Jorge II, que atraía muitos jacobitas
entre os seus acólitos. Chegou, mesmo, a ser confidente do Príncipe Fritz, mas
caiu, de novo, em desgraça com a morte do príncipe em 1751.

Quando o Gracioso Príncipe Carlos (Bonnie Prince Charles), o último stuart a


reivindicar o trono inglês, embarcou, na sua tentativa frustrada de invadir a
Inglaterra com apoio franco-escocês em 1744, a Casa dos Comuns foi tomada
de um frenesi patriótico. Votaram, então, um ato de lealdade a Jorge II.

Dashwood, ao tentar postular uma emenda a este ato no sentido de alertar o


soberano a não infringir a liberdade de seus súditos, foi apodado de jacobista
inveterado.

Outra curiosidade de Dashwood foi sua amizade com Benjamin Franklin. Em


1770, produziram um plano de reconciliação entre os britânicos e suas colônias
rebeldes na América do Norte. Ignorou-se o plano, e as conseqüências todos
nós conhecemos. Em 1773, revisaram o Livro de Preces (Book of Common

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Prayer) – livro de orações da Igreja Anglicana – o que, convenhamos, é uma
atividade pouco comum para um satanista.

Alguns historiadores especulam que os dois pretendiam, com isso, tentar trazer
a Igreja Anglicana para o deísmo maçônico.

As mudanças eram no sentido de remover todas as referências ao Antigo


Testamento, eliminar as múltiplas repetições de que prenhe o Livro de Orações
e trazer a Igreja Anglicana para uma postura mais ligada à comunidade e
menos portentosa. Esta liturgia ainda é utilizada por diversas seitas
protestantes nos EEUU.

Conclusão

Pode-se adotar a crença popular de que Dashwood era um satanista e ponto


final. Uma interpretação mais sofisticada, especularia sobre os rumores de
magia sexual, o livro de cabala da Abadia, a imagem de Harpócrates, as
ligações de Dashwood com a Ordem Maçônica do Templo e o lema da Abadia
de Thélème – Faça o que você quer – na Abadia de Medmenham, levaria-nos
a concluir que o Clube do Fogo do Inferno era uma manifestação avant la lettre
de uma sociedade satânica à la Aleister Crowley.

A nossa interpretação é a de que, tirante as manifestações pour épater le


bourgeois de uma espécie de um Clube dos Cafajestes de um bando de
aristocratas ingleses, a Abadia devia conter o Capítulo de um templo maçônico,
albergando envolvidos numa conspiração de jacobitas para recolocar os
Stuarts no trono da Inglaterra.

Conclui-se também que muitos dos associados maçônicos de Dashwood eram


católicos jacobitas.

Dashwood provinha de uma burguesia recém nobilitada, faltando-lhe uma


linhagem mais aristocrática. O glamour cavaleiresco das ordens ‘templárias’
jacobitas era um atrativo capitoso para pequena nobreza e os jesuítas sabiam
explorar isto muito bem.

Lembremo-nos do Cavaleiro Ramsey. A “conversão” de Dashwood em Roma,


que foi posteriormente tão ridicularizada, não teria sido uma conversão
verdadeira?

É bom recordar que os católicos não podiam exercer emprego público na


Inglaterra no final do século XVIII.

As paródias ridículas dos sacramentos, as “Missas Negras”, não seriam na


verdade missas católicas, impossíveis de serem realizadas numa Inglaterra
fundamentalisticamente protestante? Desde que Henrique VIII cortou os
vínculos com Roma, o catolicismo foi ‘demonologizado’ na Inglaterra. Os
monges satânicos eram figuras extremamente populares nos ‘romances
góticos’ da época. Na perspectiva britânica da época, tudo que fosse papista
devia ser satânico.

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A Bíblia em latim, a hagiografia, o retrato deformado de Henrique VIII, as
evasivas no Livro de Preces, não seria por isso, conclui finalmente Willens, que
Sir Francis Dashwood, o notório satanista, seria de fato um maçom jacobita e,
ainda por cima, católico?

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