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Razoes da interpretação Consequências jurídicas da subordinação

hierárquica
Linguagem vaga: os vários sentidos que as palavras
podem ter de acordo com a pessoa que está a ler. As normas infraconstitucionais não podem contraria
Existe abstracção do julgamento legal: as normas a constituição sob pena de inconstitucionalidade; o
não surgem para resolver problemas especificas ( DL não pode contrariar a CRM sob pena de
abstracção e generalidade) por isso deve haver ilegalidade; as leis de hierarquia igual podem
interprete. Conflitos de interesse: sempre que contrariar a outra – Revogação; A lei nova revoga a
houver litígios há dois interesses em conflitos. lei antiga; A lei de hierarquia inferior não pode
contrariar a lei superior – estaríamos perante uma
Tipos de interpretação: Autentica: feita de uma ilegalidade.
fonte de hierarquia não inferior; tem força
vinculativa da própria lei; feita pelo órgão que Processo legislativo.
produziu ou de hierarquia igual, a lei interpretativa e
a interpretada é igual. Doutrinária: é feita por Elaboração (deputados, bancadas parlamentares, as
qualquer um, incluindo os não juristas, não é comissões da AR= Projecto; PR e Gov- Proposta );
vinculativa. Tem a força persuasiva. Judicial: feita Aprovação; Promulgação – 162 CRM, Publicação
pelos tribunais num processo; só tem valor 143CRM e 5CC.
vinculativo na decisão de um caso concreto. Oficial:
feita por fonte de valor inferior a da norma Aplicacao da lei no tempo
interpretada, vincula em termos de obediência
hierárquica. Direito transitório- solução arranjada pelo legislador
para resolver conflitos que eram trazidos pela lei
O legislador moçambicano adopta a teoria objectiva antiga. Formal – a lei nova determina qual a lei
tendo o ponto de partida a letra da lei. Objectiva: o aplicável, se a lei antiga ou nova. Material – temos
espirito da lei, sentido da lei separada da vontade do que aplicar soluções que o legislador dá.
legislador. Histórica: atribui ao texto o sentido
invariável; actualista: o sentido pode variar Retroactividade de grau máximo: a lei nova aplica-se
consoante a evolução social. Subjectiva: vontade e a todas as situações passadas sem qualquer limite
intenção do legislador, procura determinar a pondo em causa todos os efeitos dos factos passados
vontade histórica do legislador; actualista: procura produzidos ao abrigo da lei antiga, incluindo
determinar a vontade do legislador no momento da situações definitivas de sentenças transitadas em
resolução do caso concreto. Moderna: procura julgado.
determinar a vontade do legislador com um mínimo
de apoio no texto legal; extrema: procura R.Quase extrema: a lei nova aplica-se a todas
determinar a vontade do legislador, mesmo sem situações passadas com excepção de todas as
apoio da letra da lei. situações das sentenças transitadas em julgado.

Elementos da interpretação: são um conjunto de R.Agravada: a lei nova aplica-se a todas situações
critérios que devem orientar a actividade do passadas com excepção do caso julgado e outras
intérprete como forma de evitar o arbítrio do situações análogas. 13CC.
julgado. Gramatical: é o texto, a letra da lei; é o
ponto de partida da interpretação e seu limite; é R.Ordinária: a lei nova aplica-se a todas situações
irremovível da interpretação, mas não é suficiente. mas respeita todos efeitos jurídicos já produzidos
Histórico: precedentes normativos; trabalhos pelos factos que se destina a regular. 2ª parte do n 1
preparatórios; accasio legis; Sistemático: deve se art 12CC
interpretar a norma inserindo- a um sistema jurídico,
que obviamente está marcado pela unidade e
coerência. (subordinação, conexão, analogia);
Teleológico – ratio legis, a razão de ser da lei,
justificação social da lei. Ela permite que percebamos
qual é o fim da lei ( ex. lei penal, lei cambial );

Interpretação declarativa: a letra da lei está


conforme o espirito da lei. Correspondência entre o
pensamento do legislador e o que subsumimos da
lei. Extensiva: o interprete conclui que o legislador
disse menos do que queria dizer pelo ao interpretar
alargar o seu alcance, para conciliar com o espirito
que extrai da lei. Restritiva: o interprete conclui que
o que o legislador disse mais do que pretendia dizer,
assim restringe o seu texto. Ab-rogante: quando há
duas disposições legais existir contradição insanável
ou incongruência no regime.

Posição do CC Consagra a letra como o ponto de


partida da interpretação (9/1) e reconhece a sua
função positiva e negativa ( 9/2 e 3); apresenta duas
presunções: o legislador consagrou as soluções mais
acertadas e a de que soube exprimir o seu
pensamento em termos adequados ( 9/3);

Lacunas: Distinção entre lacuna e situação extra


jurídico Razoes: imprevisibilidade; convivência;
utilidade Lacuna de colisão: resulta de interpretação
ab-rogante, duas normas regulam a mesma matéria,
se forem contraditórias. Não tendo solução dentro
do sistema essas normas anulam-se
simultaneamente. Patente: o legislador não previu a
determinada matéria que devia ter regulado.

Analogia: a integração ocorre com base em


semelhança entre um caso já disciplinado e o caso
lacunoso; assenta-se em dois elementos
importantes a igualdade e a segurança. Só há
analogia se existe dois elementos que distinguem as
duas realidades.