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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITO

TRIBUTÁRIO

AGUINALDO MATHEUS ALVES BURATI

MÓDULO III

SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO,


MANDADO DE SEGURANÇA E LIMINARES

SEMINÁRIO II

PRESIDENTE
Paulo de Barros Carvalho

COORDENADOR
Marcelo de Lima Castro Diniz

LONDRINA-PR, 30 DE ABRIL DE 2019


Questões
1. No art. 151 do CTN, que significa o termo “exigibilidade”? Quando surge
essa “exigibilidade”? E qual o efeito da suspensão da exigibilidade? Impede-
se (i) o lançamento, (ii) a inscrição na dívida ativa, (iii) a execução fiscal;
(iv) todos estes atos? (vide anexo I a IV).
R: De acordo com o artigo 151 do CTN, o termo exigibilidade significa “cobrança do
tributo”, uma possibilidade de sua exigência do crédito tributário, e essa
exigência se dá por meio de um lançamento.

A exigibilidade é um atributo do crédito tributário, possui dois consequentes,


sendo eles, o inicio do prazo para o contribuinte extinguir o crédito (pagar)
tributário ou suspendê-lo; e por outro lado, para a Fazenda Pública, o busca pela
exigibilidade, caso o contribuinte não pague ou suspenda o crédito, resultando na
inscrição de dívida ativa, o que transforma a exigibilidade em exequibilidade do
crédito.

No que diz respeito aos efeitos da suspensão da exigibilidade, estes são operados
para frente, ou seja, atinge somente atos futuros, e dessa forma, o lançamento que
é anterior à exigibilidade não é atingido pela suspensão, mas por outro lado, a
inscrição da dívida ativa e a execução fiscal ficam comprometidas pela suspenção
da obrigação tributária.

2. Em que sentido a expressão “crédito tributário” foi utilizada no art. 151 do


CTN? Essa expressão congrega também liames decorrentes da prática de
atos ilícitos (e.g. multa por desrespeito aos deveres instrumentais)?

No sentido de destacar o “exigibilidade”, e não o “crédito tributário” que se


suspende. O próprio art. 151 CTN, relaciona as hipóteses que “suspendem a
exigibilidade do crédito tributário”, dispondo sobre os efeitos das situações
fáticas que indica: moratória, depósito do montante integral do crédito tributário,
concessão de medida liminar em mandado de segurança, concessão de medida
liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de
ação judicial e parcelamento. Tais fatores não atingem o crédito em si, mas
somente sua exigibilidade. Assim sendo, a expressão crédito tributário no art. 151
do CTN foi utilizada no sentido de que se suspende apenas a obrigação principal,
não atingindo as obrigações acessórias.

3. As hipóteses de “suspensão da exigibilidade do crédito tributário” previstas


no art. 151 do CTN são taxativas? (vide anexo V). Considerando que não
houve alteração nos art. 151 do CTN, pergunta-se:

Inicialmente o rol de hipóteses do art. 151 do CTN são taxativas e exaustivas.


No entanto, diante da leitura de cada possibilitada do rol taxativo, existe a
possiblidade de expandir a literalidade do texto dentro dos limites semânticos do
próprio ordenamento.
Vejamos, no CPC/15 extraímos do inciso V do art. 151 do CTN que sofreu
ampliação do seu alcance, havendo avanços na temática das tutelas provisórias.

a) A equiparação, prescrita pelo §2º do art. 835 do CPC/15, a dinheiro da


fiança bancária e do seguro garantia, tem o condão de consagrar a hipótese
de suspensão do crédito tributário prevista no art. 151, II, do CTN?

Existe possibilidade de aplicar-se um raciocínio hermenêutico, havendo


possibilidade de substituir a penhora por outros meios de garantia, hipótese
dada pelo §2º do art. 835 do CPC/2015.

b) As espécies de tutela provisória previstas no CPC/15 se aplicam ao


Processo Tributário? Tais medidas têm o condão de suspender a
exigibilidade do crédito tributário?

Sim, tais possiblidades de tutela provisória podem ser incorporadas ao direito


tributário e em especial, no inciso V, do art. 151 do CTN.

4. Sobre o depósito judicial efetuado nos autos de uma ação declaratória


proposta antes da constituição do crédito tributário, pergunta-se: trata-se
de faculdade do contribuinte? Há distinção entre depósito judicial para fins
do art. 151, II do CTN e prestação de caução? O levantamento do depósito
judicial pelo contribuinte vincula-se ao êxito (com trânsito em julgado) da
ação pelo contribuinte ou o juiz pode a qualquer tempo autorizar o
levantamento do depósito? (vide anexo VI).

Constitui uma faculdade do contribuinte o depósito judicial efetuado nos autos e


uma ação declaratória proposta antes da constituição do crédito tributário, pois,
haja vista que o crédito tributário só existe após o lançamento, sendo este o ato
dá existência ao crédito, não há que se falar em constituição e muito menos
exigibilidade e exequibilidade.

Porém, os efeitos pretendidos com este depósito podem ser atingidos, como por
exemplo, na disponibilidade de certidões. No entanto, não é uma exigência ou
uma obrigação do contribuinte quando este pleitear discutir a questão pela via
judicial.

No que diz respeito a diferenciação entre depósito judicial e caução para fins de
suspensão da exigibilidade do crédito tributário temos a súmula 112 que diz o
seguinte:
Súmula 112 - "o depósito somente suspende a exigibilidade do crédito
tributário se for integral e em dinheiro."
Desta forma, o texto da súmula 112 pacifica quaisquer dúvidas sobre a
possibilidade de que o depósito tem que ser em dinheiro, de modo que a ele não
equivale o oferecimento de caução ou outra forma de garantia. Essas outras
formas de garantia, que não o depósito em dinheiro do montante integral, não
estão arroladas como causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário.
Diante do entendimento sumulado e reiterado em várias decisões é possível
constatar de que existem distinções entre o depósito em dinheiro e a caução

Por conseguinte, sobre o questionamento a respeito do levantamento dos


depósitos judiciais pelo contribuinte, este está condicionado ao êxito e nos dem
ais casos poderão serconvertidos em renda pela Fazenda Pública. Esse é o
entendimento do STJ e de outrostribunais sobre o tema em reiteradas decisões.
Tais decisões estão fundamentadas no princípioda legalidade que fixa que
somente por lei se pode suspender a exigência do crédito tributário

5. A partir da vigência do CPC/15 foi instituído um novo fundamento para a


concessão de tutela provisória, a evidência do direito, tal como preveem os
arts. 294 e 311. Pergunta-se:
a) Identifique a diferença entre tutela antecipada e tutela cautelar. É
possível a concessão de tutela provisória antecipada em mandado de
segurança? Ou em mandado de segurança tão somente é admissível
medidas provisórias de natureza cautelar?

A diferenciação entre tutela provisória antecipada e a tutela cautelar estão


contidas nos requisitos para a concessão de cada medida, bem como nos seus
efeitos. Dessa forma, a tutela cautelar pretende conservar o direito, possuindo
como requisitos o recurso processual contra um dano irreparável
ou de difícil reparação e detém o caráter temporário, por outro lado, a tutela
antecipada visa satisfazer o direito da parte, contra a perigo da demora e detém
a característica de provisoriedade.

b) É cabível o requerimento de liminar em mandado de segurança fundada


na evidência do direito a partir da vigência do CPC/15? Ou diante das
disposições da Lei Federal n. 12.016/09, apenas é cabível o requerimento
de liminares fundadas em urgência, a outra espécie de tutela provisória
prevista no CPC/15?

Existe a possibilidade de aplicação da tutela antecipada(provisória) pela via do


mandado de segurança, do mesmo modo que também existe
a possibilidade de medidas de natureza cautelar, como por exemplo, repetição d
e indébito e outros casos. Sobre a hipótese de concessão de tutela provisória na
modalidade evidência (art. 311do CPC/2015) entendemos existir tal
possibilidade, já que, nesse específico caso não é necessário demostrar o perigo
da demora, mas sim a evidência do direito, o que para o direito tributário, o
inciso II do aludido artigo parece ser esclarecedor quanto a essa possibilidade.
Por outro lado, a possibilidade da tutela de urgência em sede de mandado de
segurança, o art. 7º §2º da Lei nº 12016/2009 traz uma série de vedações a
concessão de tutela de urgência, porém, pode haver possibilidade de cabimento
da tutela de urgência em matéria tributária pela via do mandado de segurança a
partir da análise caso a caso, pois, a tautologia das tutelas provisórias, em especial
a tutela de urgência, convergente ao instituto do mandado de segurança
configuram uma garantia constitucional do cidadão exigir seus direito.

6. Dado o seguinte caso concreto: Gênesis Waves Ltda. obteve liminar em


Mandado de Segurança para suspender a exigibilidade do crédito tributário
que posteriormente foi “cassada” pela sentença de denegação da segurança.
Pergunta-se:
a) na hipótese de a empresa apelar da sentença que “cassou” a liminar, o
recebimento de sua apelação, nos efeitos suspensivo e devolutivo, tem o
condão de afastar os efeitos da sentença e reconstituir os efeitos da liminar?
Responder a pergunta considerando as disposições do CPC/15 a respeito
dos efeitos da apelação (vide anexo VII).

O recurso de apelação com duplo efeito (suspensivo e devolutivo) tem o objetivo de


reestabelecer a liminar anteriormente deferida, importante frisar que o efeito
suspensivo incide sobre a decisão, assim, volta-se para a decisão provisória que
vigorava antes da decisão definitiva.

b) Há incidência de multa e juros moratórios em relação ao período em que


o crédito tributário esteve com sua exigibilidade suspensa, por força de
liminar concedida em Mandado de Segurança, posteriormente cassada por
ocasião da sentença? E se a liminar foi concedida depois de vencido o prazo
para pagamento do tributo? (vide anexos VIII e IX).

O período que o crédito tributário estava suspenso em decorrência de liminar


concedida em Mandado de Segurança, não há que se falar em juros e multa, sabe-se
que a decisão, mesmo em caráter provisório, durante aquele decurso de tempo,
suspende os efeitos acessórios de juros e multas.

Por outro lado, caso a liminar seja concedida após o vencimento, os juros cobrados e
a multa terão o interstício liminar como um período de suspensão, porém, após cassada
a liminar, os juros voltam a correr da data que a liminar foi deferida

7. Primeiramente distinga tutela antecipada e tutela cautelar. Fixados esses


conceitos, responda à seguinte pergunta: diante do novo cenário das tutelas
provisórias do código de processo civil de 2015, a ordem judicial suspensiva
da exigibilidade da obrigação tributária, tenha fundamento na urgência ou na
evidência, assume natureza antecipada ou cautelar?
A tutela antecipada e a tutela cautelar, mesmo seguindo a linha comum da
provisoriedade, existe uma diferença relevante quanto a finalidade: a primeira, de
natureza satisfativa, que expressa à antecipação os efeitos que adviriam apenas ao
termo da ação, com o ato decisório final; em segundo lugar, a natureza conservativa,
destina-se a garantir a eficácia da prestação jurisdicional, acautelando o resultado útil
do processo.