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Marx e a Filosofia:

elementos para a discussão ainda necessária

Ester Vaisman
Professora do Departamento de Filosofia
da Universidade Federal de Minas Gerais

Palavras-chave Resumo Abstract


filosofia marxiana, O objetivo principal do artigo é resgatar uma The main objective of this article is to reexamine
metodologia marxiana, velha questão polêmica entre os intérpretes an old controversy between analysts of Marx: the
marxismo e Filosofia. de Marx: a relação do pensamento marxiano relationship between Marxist thought and
Classificação JEL B40, B51. com a filosofia, e também com a questão me- philosophy, as well as the issue of methodology.
todológica, mas sem pretensão de esgotar tal The purpose is not to reach a final conclusion on
instigante assunto. Em verdade, trata-se de such an intriguing topic, but rather to point out
indicar alguns elementos para evidenciar que some elements that will show that this topic is
não se quer dizer que esse é um tema “esgo- far from “worn out.” To the contrary. After
tado”. Ao contrário. Assim, após esboçar outlining the critical relationship between Marx
a relação crítica de Marx com a tradição clás- and the classical German tradition, which is
sica alemã, responsável, talvez, pelo surgi- perhaps responsible for so much confusion, the
mento de tantos embaraços, o artigo procura article seeks to clarify how Marx understands
esclarecer o modo como Marx entende e and conceives the operative functions of reason,
concebe as funções operativas da razão, bem as well as the role that objectivity plays in his
como o estatuto que a objetividade possui theoretical path. In addition, this article raises
em sua trajetória teórica. Ademais, proble- the issue of the character that knowledge
matiza-se o caráter mesmo que o saber assu- assumes in his theoretical corpus: is it
Key words me em seu corpus teórico: seria um saber es- speculative knowledge or the knowledge of
peculativo ou um saber da transformação? transformation? Finally, the article examines
marxist philosophy, marxist
methodology, marxism and
Por fim, intenta-se esclarecer o caráter do the character of the materialism initiated by
Philosophy. materialismo instaurado por Marx, como tam- Marx, as well as references made in Capital to
bém referências feitas em O capital à dialé- Hegelian dialectic.
JEL Classification B40, B51. tica hegeliana.

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1_ Objetivo geral 2_ A relação crítica de Marx


O tema em pauta, ou seja, Marx e a Filo- com a tradição clássica alemã
sofia, mereceu e tem merecido a atenção Talvez a fonte de tantos dilemas tenha si-
de um sem-número de intérpretes, poden- do a controvertida relação crítica de Marx
do ser considerado, assim, uma das mais com a tradição clássica alemã, que resul-
polêmicas discussões travadas em torno tou para alguns em uma extensão não
da obra marxiana. Mas vale a pena lem- percebida de parâmetros idealistas em
brar Gramsci (1972, p. 116) de modo su- sua propalada “fase juvenil”. Contudo,
cinto, com o objetivo de tornar claro o detendo-se com rigor nas obras de seu
clima que orienta nossa exposição: período inicial, constataremos que a fa-
se rigorosamente idealista não passa de
É preciso ser justo com os adversários, meados de 1843. Ou seja, o acerto de
no sentido de que é necessário esforçar-se contas, a rejeição da “substância mística”
por compreender o que estes quiseram di- hegeliana, do seu “misticismo lógico, pan-
zer realmente, e não se deter maliciosa- teísta” se realiza nas afamadas Glosas de
mente nos significados superficiais e ime- Kreuznach. Já nesse período é possível
diatos de suas expressões. identificar em seus contornos mais de-
Dito isso, é imperioso ressaltar que cisivos a opção gnosiológica de Marx,
o nosso objetivo aqui não é o de esgotar que rejeita qualquer tipo de construtivismo
tal polêmico tema, mas, antes de tudo, especulativo, seja este resultante de alguma
chamar a atenção para alguns pontos, tentativa de correção sofisticada – mas,
que, talvez, até hoje, não tenham sido le- sempre formalizante – dos limites das
ciências do entendimento, seja ele – o
vados devidamente em consideração nas
que vem a ser tão unilateral e equivocado
acirradas disputas teóricas sobre o cará-
– qualquer tipo de edificação, por mais
ter da relação entre Marx e a Filosofia.
elevada ou tortuosa que seja, de algum co-
O objetivo é, portanto, indicar algumas gito transcendental. Esses dois caminhos equi-
chaves analíticas, sem a preocupação de vocados não elidem, por mais diferentes
tomar para exame crítico esse ou aquele que sejam entre si, a distância essencial
intérprete como objeto de contenda teó- que os separa da formulação marxiana,
rica. Considera-se que antes dessa tarefa, visto que ambos não ultrapassam a dação
sem dúvida imprescindível, é necessário de sentido pela razão, com a única distinção
indicar o perfil geral da questão. cabível de um a priori para um a posteriori.

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Resumidamente, o construto muda sentido imanente; portanto, o método


simplesmente de lugar: antecede ou sucede o aqui tem a função de buscar e captar esse
golpe de vista que se dirige ao mundo; dá sentido. A razão, em contrapartida, en-
sentido à entificação antes ou depois de to- tendida como uma figura histórica e soci-
cá-la. Mas é sempre a razão a doadora de almente constituída, reproduz esse mes-
significação a um mundo, imanentemen- mo sentido. É, por isso, reprodutora de
te carente de sentido. Condição mesma sentido, e nunca sua usina originária, co-
de existência de sentido, no primeiro ca- mo ocorre, na atualidade, em que se vive
so; aproximação genérica, emulsão sig- no interior de um verdadeiro imperialis-
nificativa em meio a um campo homo- mo da subjetividade. O objeto que é pas-
geneizado, no segundo, ambos tomam a sado, conquanto concreto, a uma forma
operação mental como constituinte de de pensamento, ou seja, não é o pensa-
sentido, divergindo entre si na forma e mento que dá forma ao objeto, recortan-
na extensão com que tudo se realiza. Di- do-o na pletora caótica do mundo feno-
ferença importante, mas radicalmente di- mênico. Já, em artigo de finais de 1843,
versa daquela que opõe ambas à posição Marx se posiciona a respeito, ao demons-
marxiana: a razão descobre, reproduz – trar os limites da crítica à religião operada
“na forma única pela qual a cabeça é ca- por Feuerbach. Marx (1972, p. 2) afirma
paz de fazê-lo” pelo conceito o sentido que a “missão da filosofia a serviço da his-
das coisas. tória/.../ consiste em desmascarar a au-
to-alienação em suas formas profanas”.
Em Teorias da mais-valia, por exem-
3_ A posição de Marx a respeito plo, tem-se a presença dessa mesma posi-
do estatuto da razão: ção num momento mais adiantado do iti-
seu caráter operativo nerário intelectual de Marx. Criticando
Ao revés, para os dois caminhos anteri- James Mill, que pretende conferir a Ri-
ormente apontados, em primeiro lugar, cardo coerência lógica, formal, é afirma-
as coisas são desprovidas de sentido e, do o que se segue: “A contradição entre a
em segundo, a razão é, digamos, a oficina lei geral e os desenvolvimentos concre-
ou a linha de montagem do significado. tos têm de ser feita por meio da descoberta
Para Marx, contudo, as coisas do dos elos intermediários”. Ademais, pros-
mundo humano têm elas mesmas um segue, Mill erra ao pretender a “subsun-

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ção direta e o ajustamento do concreto São variantes epistemológicas que,


ao abstrato” (Marx, 1985, p. 1142). pela segunda vez, voltam as costas às pro-
Vale dizer, é um erro afirmar, de posituras marxianas: aqui em relação a
acordo com Marx, o movimento autôno- um saber que se prova quando capaz de
mo dos conceitos, regidos simplesmente intenção transformadora. E isso não é
por sua lógica interna. O procedimento nenhum pragmatismo.
correto é o movimento que vai do abstrato
ao concreto pela descoberta das determi-
nações intermediárias do próprio movi- 4_ O reconhecimento da objetividade
mento concreto. Tais elos intermediários Trata-se, em verdade, de uma nova con-
devem ser considerados como elos de es- cepção de objetividade, que não guarda
pecificação, produzidos pela própria reali- nenhum parentesco nem com a solução
dade e ainda não conhecidos, mas passíveis kantiana nem com a hegeliana. Em pala-
de cognição. vras bem simples e diretas – como con-
Reconhecendo o caráter operativo vém em determinados momentos –, não
da razão, em Marx, no entanto, a razão se trata de organizar o mundo pela cabe-
não comparece como critério de si mes-
ça, mas organizar a cabeça pelo mundo.
ma, pois, deixada a si – especula – o que é
A organização do mundo pela ca-
também por seu turno uma determina-
beça, pela razão, pelo entendimento, ou
ção histórica – acabando por acolher,
coisa que o valha, seja em que variante for
quando busca dar a encarnação do finito
– de Kant a Husserl –, pode ser feita de
– as mazelas deste último.1
Em suma, uma razão doadora de vários modos; em todas, no entanto, res-
sentido oscila entre a aproximação gené- tará algo de fora do mundo – seja o nou-
rica, vaga, unilateral e a imputação arbi- menon, seja uma opacidade intransponí-
trária de significados. Oscila, portanto, vel, e a cabeça organiza o mundo apenas
entre um quase nada formal e um quase em parte, restando ela própria limitada.
tudo suposto. Como pontos de partida Marx reivindica a organização da
de uma prática, podem ir num gradiente cabeça regida pelo mundo, mas não o
do nada ao tudo se pode. Depende, con- mundo das notas ou manchas empíricas,
quanto epistemologia de direita, de que mas como todo existente e significado
ética será colada a elas; e a arbitrariedade por si porque é (Não é o caso nesse mo-
principia desde logo – a ética de qualquer mento discutir a importante questão da 1 A esse propósito, ver
cor poderá vesti-las. gênese.). O pensamento deixa de falar Miséria da Filosofia.

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sobre si mesmo para falar sobre as coisas, mentos de sua obra. Poderíamos dizer que
ou seja, deixa que as coisas “falem” e “fa- Marx, assim, se move, no campo originá-
çam” o pensamento, já que este, em Marx, rio de significação da filosofia conquanto
é histórica e socialmente constituído, como amor (carência) de saber. Logo, em lugar
aludimos acima. Nesse sentido, a razão do saber, da filosofia especulativa, tem-se
é transcendida pelo mundo, condiciona o saber, a filosofia transformadora.
a visão sobre ele, porque é condiciona- Assim, a eliminação pura e sim-
da antes pelo próprio mundo. Ou me- ples da filosofia do pensamento marxia-
lhor, nesse processo, ora transcende, ora no, e a definição também pura e simples
é transcendida – condiciona por ter sido por uma ciência, a aproximação de algu-
condicionada, isto é, quando o faz, já o ma versão kantiana do conhecimento, ou
faz como resultado. Atente-se que, para seja, a substituição – de novo – pura
Marx, qualquer disjunção aqui é uma for- e simples da complexa questão da causa-
ma de renúncia da razão histórica e a for- lidade, substituindo-a, de algum modo,
ma pela qual ela pode ser edificada. pela mera interligação empírico/analítica
da convergência ou não da empiria, aca-
ba por desobrigar da revolução; esta pas-
sa a ser um mero apelo desiderativo, e
4_ Ciência “versus” Filosofia
não uma necessidade real.
ou saber especulativo “versus”
Num mundo inamovível e onde
saber da transformação? graça a inamovibilidade, essa desobriga-
É necessário ressaltar, ainda, passando ção conforta, um reconforto utópico sub-
para outro item, mas que guarda relação jetivo. Em outras palavras, quando o mun-
direta com o anterior, que a contraposi- do aparece incapaz de se mexer, e, em
ção que se pode encontrar em Marx, bem grande medida não se mexe, a única coisa
entendido, não é entre Ciência e Filoso- que se agita é o espírito. Aqui o espírito
fia, como querem alguns, mas a contra- volta a ser a revolução do mundo, tal co-
posição entre “saber” especulativo e sa- mo os neohegelianos de quem Marx nos
ber da transformação. Ou seja, um saber fala criticamente não apenas em A ideolo-
que saiba das coisas, para que estas pos- gia alemã, mas também, como é sabido,
sam ser alteradas; portanto, não é uma em outras obras do mesmo período.
ciência anormativa, digamos, que ele rei- Quando a solução materialista não
vindica por várias vezes e em vários mo- é capaz de dar conta do lado ativo, o idea-

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lismo assume a cena e se expande para desse espaço de investigação, a tal ponto
entusiasmo da maioria. Não é sobre ques- que se tornou quase assustador nele aden-
tões dessa ordem que Marx se pronuncia trar, implicando, acima de tudo, uma pos-
na primeira tese Ad Feuerbach? tura irredutivelmente ambígua, feita de
Mas, retornando ao tema central cautela e ousadia. Assim, estas notas cons-
do presente artigo, depois desse necessá- tituem esforço de circunstância(s), mas
rio volteio, é preciso que fique claro que de uma circunstância, em especial, da
metodologia marxiana é objeto de uma vontade, até aqui muitas vezes contraria-
antiga preocupação, cifrada, grosso mo- da, de voltar-se longa e sistematicamente
do, na dupla convicção de que se trata de sobre o método de Marx. Sobre o tempo
um assunto decisivo, e de que é imperioso – inelástico – recai a responsabilidade,
saldar um antigo débito: atingir a elevação uma vez que o trabalho acadêmico e in-
de seu tratamento global e sistemático. telectual tem sua própria lógica e urgên-
Não será ainda, é óbvio, desta vez. cias; em especial, se o intelectual não po-
E não se trata de mera e simples limita- de fazer de seu próprio paladar e prefe-
ção de fôlego ou de tempo dos intelectu- rências a urgência maior. Daí porque,
ais que se voltaram sobre a questão. Para nessas notas, as questões apareçam, como
além disso, é fato que deve ser assumido disse Sartre em Questão de método, “abor-
em sua inteireza: versa sobre a reconheci- dadas de viés”. Mas esse viés não é des-
da complexidade do problema que, ao vio – com base em outro assunto tomado
longo do tempo, só fez complicar-se. como centro – nem aproximação fortui-
ta, imprópria ou casual – como um tro-
peço acidental sob o empuxo do objeto
5_ O materialismo marxiano: tratado –, mas, ao contrário, é proposta
as teses Ad Feuerbach de elevação imprescindível ao essencial,
Da promessa não cumprida de Marx, de sem o que o que está sendo feito não se
um dia “escrever um breve estudo sobre faz. O viés é, pois, remissão ao decisivo,
a lógica de Hegel”, aos nossos dias, me- é o recolher-se, por um momento que se-
deia mais de um século de interpretações, ja, à pedra de toque que motiva, em su-
imputações, polêmicas, ataques, contra- ma, toda iniciativa intelectual de alguma
propostas, simbioses e tenebrosas sim- seriedade, pois, valendo-me novamente
plificações, que acabaram por tomar conta das palavras de Sartre:

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Toda filosofia é prática, mesmo aquela 1. o ponto de vista, a perspectiva, o


que parece, de início, a mais contemplati- ponto de observação, ou seja, a
va; o método é uma arma social e política posição, a base ou plataforma é re-
(Sartre, 1960, p. 10).
ferida pelo termo Standpunkt, no
Bem, dito isso, tomemos para exa- qual se tem o pretérito de stehen,
me algumas referências diretas da obra de isto é, estar de pé;
Marx em momentos diversos de seu iti- 2. donde a posição do velho materia-
nerário intelectual: na X Tese Ad Feuer- lismo é a apreensão ou tem por
bach, tem-se explicitamente que: base os indivíduos isolados – as
singularidades tomadas uma a
O ponto de vista [perspectiva, ponto de ob-
servação] do velho materialismo é a socie- uma – e enquanto tais presentes
dade civil (bürgerliche Gessellschaft); na sociedade civil, lugar onde se
o ponto de vista do novo é a sociedade hu- defrontam. Isto é, sem apreender
mana (menschliche Geesellschaft) ou a gênese histórica das individua-
a humanidade social (gesellschaftliche lidades e da sociedade civil, não
Menschheit) (Marx e Engels, 1976, p. 526). se apreende a individualidade hu-
Examine-se agora a IX Tese, já mana pela interatividade dos sin-
que nela é caracterizado o teor e os limi- gulares, não se alcança a indivi-
tes do ponto de vista da sociedade civil: dualidade social. Por isso, em
Feuerbach, indivíduo e essência
O máximo (Das Höchste) a que chega o humana são naturais, “pressupon-
materialismo intuitivo (anschauende) [con-
do um indivíduo humano abstra-
templativo, empírico], isto é, o materialis-
to, isolado” e “a essência só pode
mo que não apreende o sensível como ati-
vidade prática (praktische Tätigkeit), é
ser compreendida como ‘gênero’,
a intuição (Anschauung) dos indivíduos como generalidade interna, muda,
isolados [singulares] (einzelnen Individu- que liga de modo natural os múlti-
en) e da sociedade civil (bürgerliche Ge- plos indivíduos” (Teses VI e ÍI)
sellschaft) (Marx e Engels, 1976, p. 527). (Marx e Engels, 1976, p. 526-527).
Os aspectos que devem ser sinte- Ter por base indivíduos isolados
ticamente ressaltados da citação acima que se defrontam – é partir da sociedade
são os seguintes: civil, ou seja, acriticamente, da ordem hu-

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mano-societária do capital, sem compre- cial constituem uma relação fundante, só


ender que esses indivíduos isolados são há homens em sociedade, e são as for-
produto da história, e “não sujeitos inde- mas desta que constituem a essência dos
pendentes por natureza”, que são toma- homens: “A essência humana não é uma
dos “como um ideal, que teria existido abstração inerente ao indivíduo singular.
no passado”, ou seja, como expressão do Em sua realidade, é o conjunto das rela-
“naturalismo que é a aparência das robin- ções sociais” (Tese VI).
sonadas /.../ uma antecipação da socieda- Numa palavra, “[...] o ser dos ho-
de burguesa” (Marx, 1974, p. 109). mens é o seu processo de vida real” (Marx
Ao passo que o materialismo mar- e Engels, 1974, p. 25).
xiano, o materialismo genético, proces-
sual ou histórico, o materialismo histórico
imanente parte do sujeito e objeto con- 6_ A resolução metodológica
quanto atividade sensível, parte da intera- de Marx em “O capital”
tividade sensível dos indivíduos, parte do e em “A ideologia alemã”
trabalho, por isso da “sociedade humana”
A partir deste item, serão tomados para
ou “humanidade social”, isto é, da humani-
análise alguns fragmentos de O capital,
dade como sociabilidade, para a qual essas
bastante conhecidos, mas, na maioria das
duas dimensões são indissociáveis.
vezes, apresentam alguns problemas de
Em suma, o ponto de vista do ve-
lho materialismo é a visão dos indivíduos tradução que podem vedar o acesso ao
isolados se contrapondo na arena de con- espírito da letra marxiana. Além disso, é
tradições da sociedade civil, ou seja, a so- imprescindível observar que as caracte-
ciabilidade é universalizada como o lugar rísticas principais das afirmações que se
dos confrontos e choque de interesses seguem guardam estreita relação com a
particulares dos indivíduos, isto é, a so- crítica dirigida à filosofia especulativa já
ciedade é um conjunto contraposto à in- em meados de 1843, como foi ressaltado
dividualidade, a sociabilidade é exterior à no início do artigo:
individualidade; numa palavra, no velho Por seu fundamento (Grundlage) meu mé-
materialismo, indivíduo e sociedade são todo dialético não só se diferencia do hege-
extrínsecos e contrapostos. liano, mas também é seu oposto direto
Ao passo que, no novo materialis- (direktes Gegenteil). Para Hegel, o
mo reivindicado por Marx, humano e so- processo de pensamento, que ele,

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sob o nome de idéia, transforma num uma questão ontológica fundamental – o


sujeito autônomo, é o demiurgo do que é o verdadeiramente real, as coisas
real, real que constitui apenas a sua ou o pensamento? e não um dilema me-
manifestação externa. Para mim, pelo todológico. E a resposta marxiana, como
contrário, o ideal não é nada mais é evidente, não deixa margens para dúvi-
que o material, transposto e tradu-
das. E a frase prossegue, narrando:
zido na cabeça do homem (Marx, 1983,
p. 20; 1971, p. 27). Quando elaborava o primeiro volume de
O Capital, epígonos aborrecidos, arrogan-
Note-se que “método dialético”
tes e medíocres que agora pontificam na
não diz respeito a qualquer observação Alemanha culta, se permitiam tratar He-
de caráter simplesmente gnosiológico, mas gel /.../ como um cachorro morto. Por
a modos de conceber o real e o pensa- isso, confessei-me abertamente discípulo
mento: quem é o demiurgo de quem? daquele grande pensador e, no capítulo so-
“Método dialético” pode ou deve ser com- bre o valor, até andei namorando (koket-
preendido não pela letra da expressão, tierte) aqui e acolá os seus modos pecu-
mas por seu conteúdo, como posição dialé- liares de expressão.
tica, e, como tal, como duas posições A mistificação que a dialética sofre nas
opostas: a de Hegel e a de Marx. mãos de Hegel não impede, de modo al-
A seguir, confirma a Crítica de Kre- gum, que ele tenha sido o primeiro a expor
uznach e desenvolve a argumentação: as suas formas gerais de movimen-
to, de maneira ampla e consciente. Em
[...] Há quase trinta anos (janeiro de Hegel a dialética está assentada (repousa,
73/meados de 43), numa época em que está posta) sobre a cabeça (Sie steht bei
ela ainda estava na moda, critiquei o lado ihm auf dem Kopf).
mistificador da dialética hegeliana.
É importante notar que, na edição
Essa afirmação de Marx endossa da Abril Cultural, a última frase foi eli-
a crítica à especulação contida naquele minada, e, na edição da DIFEL/Civiliza-
texto primígeno. Especulação para Marx ção Brasileira, comparece na tradicional e
significa, antes de qualquer coisa, con- distorcida versão pela qual temos que
verter o pensamento em “demiurgo do “em Hegel, a dialética está de cabeça para
real”, modo pelo qual esse é reduzido a baixo”. Esta última versão simplesmente
ser apenas a “manifestação externa” do toma a frase como metáfora, apontando
pensamento”, isto é, aqui está em jogo abstrata e simplesmente para uma inver-

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são, sem dizer do que consiste e qual é de-se atinar com o caroço racional da-
sua natureza, o que é feito pela elimina- quela: pelo estudo das coisas se encontra
ção do conteúdo preciso da frase, qual o coágulo racional da lógica hegeliana, ou
seja – a de que a dialética hegeliana é uma dia- seja, “as formas gerais do movimento”,
lética da cabeça, ou baseada na cabeça, do ou ba- porque “no entendimento positivo do
seado no pensamento, razão, faculdade de pen- existente /.../ [se] apreende cada forma
sar, entendimento, etc. Vale dizer, Marx não existente no fluxo do movimento” – ou
refere de imediato uma inversão, mas seja, quando se apreende o movimento
aponta ou denuncia antes, criticamente, das coisas pode-se expor “as formas ge-
o caráter, ou melhor, o elemento do qual rais do movimento”. De modo que o que
é extraída, melhor ainda, diz que a dialéti- Hegel supõe sejam os movimentos da
ca hegeliana, repousando sobre a cabeça, idéia nada mais são do que os movimen-
seria uma exposição das “formas gerais tos gerais das coisas, que ele expõe de mo-
do movimento do pensamento”, e con- do mistificado, lógico, especulativo. Essa
quanto tal se apresenta sob invólucro mistificação, logicismo ou especulativida-
mistificado. Na seqüência de seu raciocí- de está em supor que seja do pensamento
nio é que aparece uma proposta de inver- aquilo que é das coisas, dos seres. A inver-
são, não propriamente uma constatação são exigida por Marx é, portanto, de or-
de inversão: “É necessário virá-la, para dem ontológica. E o verdadeiro território
descobrir o caroço racional dentro do ôntico se deixa ver pelos apontamentos
envoltório místico” (Man muß sie umstül- da seqüência da exposição marxiana:
pen, um den rationellen Kern in der mystischen
Em sua forma mistificada, a dialéti-
Hülle zu entdecken) (Marx, 1983, p. 21). ca foi moda alemã, porque ela parecia glo-
Passar da cabeça às coisas, eis a rificar o existente. Em sua configura-
proposta de inversão; não se trata de fa- ção racional é um incômodo e um horror
zer inversões [...] na dialética hegeliana, para a burguesia e para os seus porta-vozes
mas passar da plataforma do pensamento à doutrinários, porque, no entendimen-
plataforma das coisas para descobrir o caro- to positivo do existente (positiven
ço racional na dialética de Hegel; não é Verständnis des Bestehenden), ela
uma proposta de correção da dialética inclui ao mesmo tempo o entendimento da
hegeliana para a passagem do ideal para o sua negação, da sua desaparição inevitá-
material e real, mas, a partir deste, po- vel; porque apreende cada forma existente
no fluxo do movimento, portanto também

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com seu lado transitório; porque não se dei- tes conceitos e idéias particulares como
xa impressionar por nada e é, em sua essên- ‘autodeterminação’ de o conceito que se
cia, crítica e revolucionária (Marx, 1983, p. 21). desenvolve na história. É então também
natural que todas as relações dos homens
Note-se aqui a emergência a con-
possam ser deduzidas do conceito de ho-
cepção de ser em sua dinâmica proces-
mem, do homem representado, da essência
sual, origem, desenvolvimento que desem- do homem, de o homem. Assim proce-
boca em sua “desaparição inevitável”, ou deu a filosofia especulativa. O pró-
seja, em sua morte. Desaparição por con- prio Hegel confessa no final da Filo-
ta da própria lógica ou dinâmica das coi- sofia da História (1830) que ‘só consi-
sas, não por um pretendido movimento dera o progresso do conceito’ e que
dissolutivo da consciência como dialéti- expõe na história a ‘verdadeira teo-
ca negativa.2 dicéia’ (Marx e Engels, 1996, p. 76).
2 O ser, portanto, não é Podem-se encontrar antecedentes Na mesma obra, como reforço do
eterno, nem imutável como na textuais ao acima referido de crítica à es- exposto, sob o aspecto da recusa do espí-
metafísica – substância peculatividade mistificadora de Hegel, por rito de sistema em Filosofia, tem-se o se-
aristotélica. É interessante exemplo, em A ideologia alemã, nos se-
observar que o “ser para a guinte fragmento:
morte” é a exageração ou
guintes termos: Até em seus últimos esforços, a crítica ale-
absolutização do momento de Toda essa aparência, a aparência de que a mã não abandonou o terreno da filosofia.
extinção do ser mutável; nessa dominação de uma classe determinada é Longe de examinar seus pressupostos filo-
transgressão é conferida ao ser somente a dominação de certas idéias, de- sóficos gerais, todas as suas questões bro-
uma essência de algo quando
saparece natural, por si mesma, tão logo a taram de um sistema filosófico determina-
já não é ser; o ser é destacado
pelo momento em que deixa a dominação de classe deixe de ser a forma do, o sistema hegeliano. Não apenas em suas
forma de – ser, de ser da ordem social, tão logo não seja mais ne- respostas, mas já nas próprias questões ha-
humano, regredindo na escala cessário apresentar um interesse particu- via uma mistificação. Essa dependência de
do ser; o ser é ser pelo seu lar como geral ou ‘o geral’ como domi- Hegel é a razão pela qual nenhum desses
devir em não-ser. Em Hegel nante.3 Uma vez que as idéias dominan- novos críticos tentou uma crítica de con-
vai-se do nada ao ser; em
tes tenham sido separadas dos indivíduos junto do sistema hegeliano, embora cada
Heiddegger, do ser ao nada.
3 Como variante desse
dominantes e, principalmente, das rela- um deles afirme ter ultrapassado Hegel.
ções que nascem de uma dada fase do modo Em suas polêmicas contra Hegel, e entre
trecho, poder-se-ia ter: de
apresentar um interesse de produção, e que com isso se chegue ao re- eles a isto se limitavam, cada qual isola
particular, no plano prático, sultado de que na história as idéias sem- um aspecto do sistema hegeliano e o volta,
como interesse comum a pre dominam, é muito fácil abstrair dessas ao mesmo tempo, contra o sistema inteiro e
todos e, no plano teórico, idéias ‘a idéia’ etc. como o dominante na contra os aspectos isolados pelos outros.
como interesse geral. história e nesta medida conceber todos es- Inicialmente, tomam-se categorias hegelia-

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nas puras, isentas de falsificação, tais os jovens hegelianos têm que lutar apenas
como as de substância e autoconsciência; contra essas ilusões da consciência. Uma
depois, as categorias são profanadas com vez que, segundo suas fantasias, as rela-
nomes mais mundanos, tais como os de ções humanas, toda a sua atividade, seus
Gênero, o Único, o Homem etc. (Marx e grilhões e seus limites são produtos de sua
Engels, 1996, p. 23-24). consciência, os jovens hegelianos, conse-
E depois de denunciar de Strauss a qüentemente, propõem aos homens este
postulado moral: trocar sua consciência
Stirner por se terem limitado à crítica das
atual pela consciência humana, crítica ou
representações religiosas, que passaram a
egoísta, removendo com isso seus limites.
englobar todas as formas de representa-
Assim, exigir a transformação da cons-
ção, de tal sorte que “toda relação domi- ciência vem a ser o mesmo que interpretar
nante era uma relação religiosa /.../ e o diferentemente o existente, isto é, reconhe-
mundo se viu canonizado”, Marx conduz cê-lo mediante outra interpretação. /.../
uma reflexão particularmente significativa: Os mais jovens dentre eles descobriram a
Os velhos hegelianos haviam compreen- expressão exata para qualificar sua ativi-
dido tudo, desde que tudo fora reduzido dade quando afirmam que lutam unica-
a uma categoria da lógica hegeliana. Os jo- mente contra ‘fraseologias’. Esquecem
vens hegelianos criticaram tudo, intro- apenas que opõem a estas fraseologias nada
duzindo sorrateiramente representações re- mais do que fraseologias e que, ao comba-
ligiosas por baixo de tudo ou proclamando terem as fraseologias deste mundo, não
tudo como algo teológico. Jovens e velhos he- combatem de forma alguma o mundo real
gelianos concordavam na crença no domínio existente. /.../ A nenhum destes filósofos
da religião, dos conceitos e do universal no ocorreu perguntar qual era a conexão en-
mundo existente. A única diferença era que tre a filosofia alemã e a realidade alemã, a
uns combatiam como usurpação o domínio conexão entre a sua crítica e o seu próprio
que os outros aclamavam como legítimo. meio material (Marx e Engels, 1996, p. 25-26).
Desde que os jovens hegelianos considera-
Esse longo extrato faz lembrar da
vam as representações, os pensamentos, os
conceitos – em uma palavra, os produtos
herança iluminista: contra o espírito de
da consciência, por eles tornada autônoma sistema em Filosofia, contra a especulati-
– como os verdadeiros grilhões dos homens vidade e o propósito prático do saber,
(exatamente da mesma maneira que os ve- marcando uma posição teórica ativa e
lhos hegelianos neles viam os autênticos la- operativa, que parte do reconhecimento
ços da sociedade humana), é evidente que do mundo e para este se volta.

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Ester Vaisman 339

No que diz respeito às relações en- 7_ Conclusão


tre conceito e categoria no universo do Levando em conta as considerações aci-
pensamento de Marx, é necessário adu- ma, poder-se-ia afirmar, a título de uma
zir algumas palavras a respeito, baseadas, breve aproximação, que:
principalmente – mas não só –, em im-
1. O conceito, de um lado, afirma, es-
portantes passagens da chamada Intro-
tabelece, põe uma determinação;
dução de 57, quando Marx, ao examinar
opera, pois, uma representação.
criticamente o método da Economia Po-
2. Simultaneamente, o conceito se
lítica, fala-nos da necessidade do “cami-
mantém como abstração, isto é,
nho de volta”, inexistente, é claro, no
incompleto, aberto assim, para se
procedimento dos economistas ingleses.
articular com outros conceitos,
Ademais, é bom lembrar que, nesse mes-
formando assim, permitindo as-
mo escrito, Marx volta a falar também
sim, ou ainda, “pedindo” assim,
criticamente da posição especulativa he- o concurso de outros conceitos
geliana, ao salientar que: com os quais forma então um fei-
No primeiro método [o dos economistas xe de abstrações que possui a
E.V.], a representação plena volatiza-se função da determinação, da espe-
em determinações abstratas, no segundo [o cificação. Tal abertura e articula-
caminho de volta E.V.], as determinações ção não são “livres”, ou caóticas.
abstratas conduzem à reprodução do con- O processo aqui é conjunto dos
creto por meio do pensamento. Por isso é momentos aproximativos, e o or-
que Hegel caiu na ilusão de conceber o real denamento remete à matrização
como resultado do pensamento que se sin-
do ser que ele busca tornar um
tetiza em si, se aprofunda em si, e se move
“concreto pensado”.
por si mesmo; enquanto que o método que
consiste em elevar-se do abstrato ao concre- Na medida em que cada categoria
to não é senão a maneira de proce- é, pois, ao mesmo tempo, determinação
der do pensamento para se apropriar e abstração, isto é, conteúdo limitado e
do concreto, para reproduzi-lo em concreto aberto, não é, pois, definição (no sentido
pensado. Mas este não é de modo ne- de limitar e fechar), mas é determinação
nhum o processo da gênese do próprio que limita e abre: abre para – ganhando
concreto (Marx, 1974, p. 122-123). novo conteúdo – ser novamente limita-

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340 Marx e a Filosofia

da. Conquanto relação conceitual, pas- Portanto, método é meio, razão


sam a ser indiscerníveis: concretam pelo porque, diante de cada objeto, tem de ser
conceito o concreto real. Sem esse tipo, edificado (Giannotti, 1972, p. 118).
por assim dizer, de mútua flexibilidade, Em suma, o pensamento de Marx
não pode haver concreção. Estão elimina- não é um modelo, uma vez que seu itine-
dos, portanto, quaisquer tipos de concei- rário filosófico-científico é a apreensão
to/categoria ou procedimento formais. É da lógica objetiva dos seres e dos proces-
evidente que se o método de que nos fala sos, é a concreção conceitual da regência
Marx é o método da concreção, suas ca- imanente das existências, e não a logifica-
tegorias ou conceitos deverão mostrar-se ção da pletora fenomênica pela adjudica-
capazes de promover esse processo de- ção a ela de um nexo exterior a ela adrede-
terminativo e especificador, impensável mente construído, não importante aqui se
como combinatória de noções abstratas. este construto seja uma inferência a par-
De sorte que o dado empírico é dado pa- tir de uma saturação empírica, em face da
ra a superação pelo processo determina- qual, na seqüência, se independentiza.
tivo e especificador (a concreção), e não
para ser enquadrado pela noção formal.
A abstração aqui compreendida é o pri-
meiro momento da concreção, não é um
contorno fixo, mas um nódulo elementar
pronto a se transfigurar no roteiro espe-
cificador, singularizador, o da concreção,
como já referido. Não acolhe, por via de
conseqüência, nem é posta para acolher
os dados empíricos, mas é posta como
ponto de partida significativo, fundindo-
se com novas determinações que vão sen-
do extraídas e estabelecidas a partir do
próprio real. Vale dizer, não se trata de um
procedimento regido por regras formais
ou por uma normatividade arbitrária.

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Ester Vaisman 341

Referências biliográficas

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Versão ampliada e modificada
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de Ciências Humanas. São Paulo: da Comunicação apresentada
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da Associação Nacional
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e outros textos escolhidos.
de Pós-Graduação em Filosofia
São Paulo: Abril Cultural, 1974. (ANPOF), Salvador (BA),
(Os Pensadores). outubro de 2004.
MARX, K. Posfácio à segunda
Artigo recebido em janeiro de 2006
edição. O capital. São Paulo: e aprovado em maio de 2006.
Abril Cultural, 1983.
MARX, K. Teorias da mais-valia. E-mail de contato da autora:
emjchasin@uol.com.br
(Tomo III). São Paulo: DIFEL,
1985.
MARX, K.; ENGELS, F.
A ideologia alemã. Lisboa:
Presença/Martins Fontes, 1974.

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