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Possibilidade de organização numérica (SN).

Num estudo efectuado


táctica para momentos especiais por Sanz et al (2003), tendo como
do jogo de andebol: Ataque em amostra as cinco primeiras equipas
Superioridade e Inferioridade classificadas da liga ASOBAL da época
Numérica. 2002/03 num total de 14 jogos,
concluiu-se que mesmo sem significado
estatístico, existiu maior êxito em
situação de igualdade numérica ofensiva
que em superioridade. Este resultado é
Paulo Jorge de Moura Pereira confirmado pelo estudo de Aguilar
(1998) que refere uma eficácia em SN
de 49.3%. Ainda quanto à eficácia do
ataque em SN, estudos mais antigos
Introdução (Antón, 1994 e Leon, 1998) apresentam
melhores resultados: 58.18% e 55.14%
respectivamente. Por outro lado,
também refere que quando as equipas
Frequentemente, no Andebol, atacam em SN existe um aumento de
“produzem-se duelos que não são erros, cuja causa pode estar,
simétricos, dando-se uma situação de provavelmente, na tendência para
vantagem numérica por parte dos finalizar mais rápido. A maior
grupos enfrentados” (Antón, 1998) facilidade em conseguir uma situação
resultantes da exclusão temporária por de finalização mais cómoda pode
um período de dois minutos de um ou também estar na base de uma eficácia
vários jogadores por aplicação da regra de remate abaixo do esperado.
16 do regulamento do jogo de Andebol
da Federação Internacional (IHF). Devemos também notar que
quando a defesa se encontra em
Existem diferentes estudos que inferioridade numérica (IN),
ajudam a compreender o que ocorre normalmente assume um
nestas circunstâncias, testemunhando comportamento mais agressivo
que se verificam de 4 a 7 exclusões por procurando mesmo conquistar a posse
jogo (Enriquez e Falkowski, 1988; de bola com acções sistemáticas e
Aguilar, 1998; Rocha, 2001; Sanz et al, coordenadas de dissuasão e intercepção
2004). Nos estudos de assimetria a atacantes pares e sobretudo ímpares.
(desigualdade numérica) também se Deste modo, o facto de os sistemas
analisam a eficácia e zonas de defensivos adquirirem outra
lançamento, número de posses de bola, plasticidade com um funcionamento
tipos de sistemas defensivos e mais activo na sua essência, correndo
ofensivos, diferenças relativas ao mais riscos do que em situação de
momento do jogo e ao resultado, por igualdade numérica, pode também
exemplo, ou seja, motivos de sobra para contribuir para um resultado do ataque
se tratar este tema que se insere nas abaixo do normalmente esperado. A
situações especiais de jogo com a maior maior concentração dos Guarda-Redes
responsabilidade. Corroborando a também pode contribuir para que a
importância que deve ser atribuída aos finalização possa estar mais dificultada.
momentos de jogo em que é necessário
jogar em desigualdade, existem Um estudo de Rocha (2001)
treinadores que referem que em jogos tendo como amostra 24 jogos do
igualados a diferença pode mesmo estar Campeonato Nacional de Portugal da 1ª
na eficácia em situação de superioridade

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Divisão de Seniores Masculinos refere apresenta um pior resultado com 44.4%
que em SN defensiva, a maioria das contra 63.6% do Ciudad Real. Estes
equipas altera o sistema defensivo dados sugerem que um dos factores que
optando por formatos mistos também poderá ter contribuído para a
(normalmente o sistema 5+1) e se não o vitória do Ciudad Real da liga dos
faz, o sistema utilizado adquire Campeões de 2007/08 terá sido a
normalmente maior profundidade. capacidade para solucionar problemas
nas relações de assimetria que ambos os
Este comportamento defensivo jogos apresentaram.
obriga à planificação de diferentes tipos
de actividades no sentido de dar uma
maior versatilidade ao processo
ofensivo, de forma a que os jogadores Ataque em inferioridade numérica
possam estar preparados para solucionar
problemas decorrentes da utilização
destes formatos defensivos, que
procuram reduzir o tempo de Como referem Luís e Ignácio
finalização e a recuperação da posse da Chirosa (1999), se considerarmos que
bola. Actualmente, a evolução do jogo uma equipa tem cerca de 5 exclusões
não permite somente conservar a posse por jogo, isso significa estar em
de bola até recuperar o jogador ou inferioridade numérica perto de 20% do
jogadores excluídos, pelo que é total do tempo de jogo (sempre que o
necessário, pelo menos, conseguir adversário não tenha nenhum jogador
igualdade numérica numa determinada excluído). Por esta razão, é razoável
zona do campo e condições para pensar que deveríamos então dedicar ao
finalizar com possibilidades obter golo. treino cerca de 20% de trabalho
destinado a preparar acções ofensivas
Se considerarmos a final da liga nesta circunstância.
dos Campeões deste ano (2007/08), Vários são os factores que
entre o Ciudad Real e o Kiel podemos podem condicionar a planificação
constatar que no primeiro jogo houve 10 quanto ao modelo de jogo a seguir, tais
exclusões e no segundo 6, o que sugere como a experiência do treinador ou as
que é necessário garantir um elevado características dos jogadores que
nível de eficiência em jogo, compõem a equipa, no entanto as
independentemente da configuração opções devem sempre ter como
numérica em que nos encontramos. Por objectivo, conquistar espaços de jogo
outro lado, planificar o trabalho dos eficazes e pelo menos uma situação de
sistemas defensivos mais adequados igualdade numérica em determinado
para actuar com ou sem vantagem espaço do campo respeitando
numérica assume uma importância sistematicamente princípios do jogo
decisiva para a conquista de um como a continuidade, profundidade,
resultado positivo. De facto, amplitude e a mudança de ritmo
considerando o total de vezes em que se necessária e muito importante para
produziu assimetria em ambos os jogos, poder gerar desequilíbrios. Neste
o Ciudad Real apresenta uma eficácia cenário, é necessário também contar
global de 61.9% superando o Kiel com com factores chave para se atingir um
45.4%, demonstrando também em SN bom resultado como podem ser o tempo
ofensiva 60% de eficácia contra 46.1% de jogo ou o resultado de forma a poder
do Kiel; do mesmo modo, em situação optar por estratégias mais ou menos
de IN ofensiva, o Kiel também arriscadas. Por outro lado, o modelo de

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jogo deve ser construído em função do Se a opção for iniciar o ataque sem
sistema defensivo a atacar. jogador pivot, ainda que posteriormente
se possa jogar transformando o sistema,
Este trabalho não pretende surge um formato ofensivo como
explanar o processo de construção das mostra a figura 2.
acções ofensivas relativamente aos
factores que a condicionam, mas sim
apresentar um conjunto de ideias como
resultado final tendo em conta o ataque
a sistemas defensivos habituais como
são a defesa mista 5+1, o sistema 6:0 ou
5:1.

Ataque a defesa mista 5+1

O primeiro passo para atacar Fig.2 – Sistema ofensivo 3:2 sem jogador pivot.
qualquer dos sistemas defensivos
referidos será decidir com que sistema
ofensivo vamos iniciar, sem ou com Estes formatos ofensivos podem
jogador pivot; neste caso podemos ser trabalhados contra qualquer sistema
encontrar diferentes possibilidades, por defensivo, sendo no entanto importante
exemplo um sistema 2:3 (2 laterais 1 perceber qual o que melhor se adapta ao
pivot e dois extremos) ou um sistema sistema defensivo a atacar. É
3:2 (3 primeiras linhas 1 extremo e 1 fundamental que o potencial de
pivot) como mostra a figura 1. determinadas características ofensivas
seja aproveitado ao máximo,
nomeadamente os pontos fortes de cada
jogador. Como exemplo do
anteriormente exposto, se não temos
extremos que saibam jogar fora do seu
posto específico, seja como jogador
pivot (por razões antropométricas) ou
na 1ª linha ofensiva, o melhor será optar
por manter esses jogadores no seu posto
específico, procurando outro tipo de
soluções.
Conhecer o modelo de jogo das
equipas adversárias quanto aos sistemas
defensivos que habitualmente utiliza,
permitem uma planificação do jogo
mais precisa, no entanto, é mais
importante o domínio de meios técnicos
e tácticos individuais e de grupo a
utilizar, em espaços mais ou menos
reduzidos, do que ter demasiadas acções
ofensivas pré-fabricadas. Neste sentido
Fig.1 – Exemplos de sistemas ofensivos em não podemos ignorar a crescente
inferioridade numérica com jogador pivot. actividade dos sistemas defensivos que

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fazem com que o imprevisto seja uma O objectivo será o de fixar o defensor
constante obrigando a uma necessária e central com ou sem apoio do extremo
permanente adaptabilidade dos para tentar desequilibrar com um
comportamentos ofensivos. O drible aclaramento por parte do extremo
(utilizado de forma apropriada), a contrário. Apenas há que definir por
fixação, o bloqueio e o ecrã, o onde começar. Neste exemplo o
cruzamento e o aclaramento, ou a extremo direito (ED) procura fixar o
circulação de jogadores são os meios ímpar para posteriormente o lateral
técnicos e tácticos mais utilizados no direito (LD) fixar o central. Esta
andebol actual. Estes meios tácticos intenção pode ser limitada por dissuasão
podem surgir isoladamente ou em do defensor que está no exterior
conjugação, de forma premeditada ou (quando a bola está no LD) ou pelo
mesmo espontânea em determinados defensor central (quando a bola está no
momentos do jogo. Só o treino poderá ED). Neste caso a gestão das distâncias,
fazer com que os elementos do jogo a desmarcação para receber e a
possam ser reconhecidos pelos utilização apropriada do drible são
intervenientes em proveito próprio. determinantes para se poder atingir o
Constatamos em qualquer das objectivo.
figuras, a possibilidade de estabelecer
relações ofensivas, sobretudo entre
postos contíguos em determinadas
zonas do campo (Fig.3), ao mesmo
tempo que se percebe que a distribuição
do espaço também muda quando
comparamos com o jogo em igualdade
numérica. Agora existem zonas que
devem ser compartidas por diferentes
jogadores e em permanente
reajustamento.

Fig.4 – Fixação do defensor central seguido de


aclaramento efectuado pelo extremo do lado
oposto.

Após fixação do defensor central


consegue-se produzir uma igualdade
numérica à esquerda cumprindo um
primeiro objectivo. Em continuidade, o
extremo esquerdo (EE) desmarca-se
para o interior (aclaramento) libertando
Fig.3 – Defesa mista com marcação ao central,
o espaço exterior para o Lateral
permite estabelecer relações 2X3 próximo da Esquerdo (LE) beneficiar recebendo do
bola e 2X2 longe da bola. LD que fixou ao centro. Conseguir fixar
defensores ímpares na zona da bola e
explorar o escalonamento dos
Considerando a situação defensores longe da bola, são factores
anterior, e no caso de existir espaço chave para se conseguir chegar a zonas
entre linhas defensivas por marcação de finalização eficazes.
estrita ao central, a proposta de Por outro lado, é necessário
exercício surge representada na figura 4. delinear e prever acções de continuidade

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que deverão acontecer no caso de não assumindo assim a responsabilidade do
resultar a primeira opção táctica LE (troca de marcação) que teria como
descrita. Sabemos que o tempo que intenção a exploração do exterior (zona
demora a finalizar uma sequência aclarada pelo EE).
ofensiva, está associado ao formato
utilizado pelo ataque. Um ataque
transformado para obter níveis de
eficácia elevados, normalmente demora
menos tempo a ser concluído (Garcia et
al. 2003). As razões que podem explicar
este acontecimento são, os possíveis
desequilíbrios provocados pelas trocas
de oponente e o facto de ocorrer um
aplanar (diminuição da profundidade)
natural dos defensores durante a
transformação, permitindo finalizações Fig. 6 – Cruzamento do ED com LD
de média e longa distância com maior após o regresso ao dispositivo inicial.
comodidade. Da mesma forma, ainda
que, em situação de IN ofensiva,
introduzir um jogador ou jogadores Depois de todos regressarem à posição
próximo da linha de seis metros pode inicial, produz-se um cruzamento entre
favorecer uma finalização mais rápida, o LD e o ED com o objectivo de fazer
necessária após a utilização do primeiro circular o ED. Ao observarmos a figura
sistema (fixar o central e aclarar do lado 6, poderemos imaginar diversas formas
oposto). Neste caso, está previsto uma de continuidade, esta é apenas uma
acção táctica encadeada com outra, de delas e mais do que um movimento
forma sequencial. ofensivo fechado, é um ponto de partida
A fig.5 mostra um sistema de para culminar o ataque.
continuidade possível tendo em conta as
considerações anteriores.

Fig.7 – Possíveis soluções para


culminar o ataque utilizando o sistema de
continuidade.

Fig.5 – Sistema de continuidade com circulação O ED após cruzamento com o


do ED cruzando com o LD.
LD deve procurar espaços que possam
gerar perigo antes ou depois de passar a
bola ao LE. Normalmente, os extremos
Como podemos observar, não se
são jogadores com maior mobilidade
produziu qualquer tipo de desequilíbrio
que os defensores centrais ou laterais
dado que o defensor do exterior não
pelo que é um factor a explorar nesta
permitiu a penetração do EE colocando-
circunstância. Assim, deve observar a
-o na frente do defensor lateral

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disposição dos defensores, procurando a defensor avançado activo pode provocar
melhor trajectória e orientação para erros de passe ou faltas de atacante e
poder seleccionar a melhor opção dificulta a fixação do defensor central
(tendo condições, o remate da 1ªlinha previsto no movimento inicial.
não deve ser excluído). De entre as Consequentemente, se o defensor
possíveis opções, destaca-se um ecrã avançado iniciar profundo com defesa
sobre o central ou o defensor lateral (se estrita ao central para posteriormente
estão pouco profundos), para o LE cooperar com a 1ª linha defensiva, é
beneficiar com remate da 1ª linha, necessário encontrar soluções de
mudança de direcção para o exterior continuidade em que o central possa
para encontrar relação com o LD (que intervir, seja como apoio, mantendo a
sai para o exterior ou cruza), após passe estrutura do movimento, ou como
ao LE introduz-se na defesa entre os possível finalizador.
defensores central e lateral, ou entre o
lateral e o exterior, a cortina do ED
pode proporcionar também remate da 1ª
linha do LE. Se a bola entra no EE e
dependendo da colocação do ED (agora
como pivot) as relações multiplicam-se.
O sucesso deste tipo de acções depende
do grau de relação existente entre os
jogadores para reconhecerem os
indícios associados aos diferentes
comportamentos. O saber usar o drible e
a capacidade para mudar de ritmo são
ferramentas fundamentais para criar Fig.8 – A profundidade natural dos
reais desequilíbrios. Trabalhar estes ou defensores, gera espaços que devem ser
explorados.
outros elementos tácticos de forma
sequencial, permite a partir de ideias
base construir um jogo sustentado
quanto ao modo e tempo. Não deve ser
excluído o jogo aéreo com o EE ou
mesmo com o LE.
A figura 8 mostra (para além da
relação de passe possível entre o EE e o
ED agora a pivot) que a reposição do
ED após o movimento de continuidade,
pode abrir mais possibilidades
resultantes do natural incremento de
profundidade do sistema defensivo.
Recordemos que neste caso, sempre
consideramos uma marcação estrita ao
central, existindo muito espaço entre
linhas defensivas, no entanto, se o
defensor avançado cooperar com a
primeira linha defensiva com dissuasão
do passe ou procurando criar duelos
2X1, devem ser planificados outro tipo
de movimentos e relações ofensivas
para chegar ao golo, até porque um

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Ataque a defesa 5:1 movimento conseguir uma relação
temporária de igualdade à direita. Se o
LE não encontra possibilidades de
O sistema defensivo 5:1 finalização, deve continuar com passe
apresenta menos espaço entre linhas para a direita ou para o EE, agora a
defensivas que o diferenciam do caso actuar como jogador pivot.
anterior (5+1) definindo-o como um
sistema mais fechado, no entanto, a sua
estrutura pode ter também
características de funcionamento activo
procurando a conquista da bola e a
diminuição do tempo de finalização do
ataque.

Fig.10 – Igualdade numérica temporária

À imagem do exemplo anterior,


de ataque em IN contra 5+1, será
necessário ter um sistema de
continuidade que permita seguir em
Fig.9 – Circulação do EE seguido de jogo integrando acções de forma
cruzamento duplo na 1ª linha ofensiva. sequencial com o objectivo de produzir
desequilíbrios e prolongar o ataque
evitando a sanção por jogo passivo. O
O exemplo proposto na figura 9
primeiro movimento, implica que os
mostra uma circulação de extremo (que
jogadores da 1ª linha ofensiva saibam
pode ser um jogador pivot), seguida de
jogar noutras zonas que não a que
um movimento na 1ª linha ofensiva.
habitualmente lhe está destinada. Se não
Esta simultaneidade de movimentos tem
se conseguiu finalizar, o LD reposiciona
como objectivo fundamental, gerar
na posição de LE, o Central está agora
erros nas trocas de marcação ao mesmo
na posição do LD que está ao centro. Se
tempo que procura aplanar a defesa para
não quisermos ter nunca o LD na
possível finalização da 1ª linha ofensiva
posição de LE, deveremos optar por
durante o desenvolvimento do
iniciar o movimento pelo ED, pois desta
cruzamento duplo. Existem muitos
forma, o sistema de continuidade inicia
detalhes de execução do movimento, de
com o central na posição do LE (agora a
forma a maximizar os problemas
LD), e o LD ao centro. Cabe ao
colocados à defesa, sendo para isso
treinador planificar as actividades em
importante conhecer o comportamento
função das necessidades da equipa.
dos defensores. Se o defensor avançado
Tomando como exemplo, o primeiro
actuar com pouca profundidade, o LD
caso (inicio do movimento pelo EE),
pode cruzar com o LE, proporcionando-
uma solução de continuidade possível, é
lhe um ecrã (aplana o defensor
fazer circular o central (agora a LD) que
avançado e reposiciona posteriormente
procura apoio do ED, para entrar e sair
a LE). Como podemos perceber pela
a LE (transformação falsa). O LE (ao
observação da fig.10, é possível com o

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centro), recebe do ED devendo verificar relacionados com a memória, pecando
se existem condições para finalizar, ou por insuficiência, tendo em conta que o
passa ao LD que recebe ao centro jogo é um meio sistematicamente em
(figura 11). O LD pode a partir daqui mudança, exigindo dos intervenientes
estimular uma permuta na 1ª linha e uma adaptação constante com tomadas
assim regressar à sua posição inicial. de decisão sucessivas. No
Enquanto isto, o EE deve reposicionar desenvolvimento destas acções é
aproveitando os espaços que importante nunca perder de vista o
habitualmente se criam com o aumento objectivo fundamental que significa
de profundidade dos defensores. encontrar espaço e tempo para
conseguir finalizar nas melhores
condições para conseguir o golo. Os
jogadores devem ter presente quais são
as ideias básicas dos movimentos a
aplicar, mas o que sustenta o jogo
fortificando-o são os princípios que lhe
estão associados. Sabemos qual a
C sequência mas em qualquer momento
podemos encontrar outra solução, que,
LD
LE
isso sim, deve ser identificada por
todos, daí a importância decisiva do
treino na busca das diferentes
Fig. 11 – Sistema de continuidade após a possibilidades.
circulação do EE e cruzamento duplo na 1ª
linha.
Ataque a defesa 6:0

O movimento seleccionado para


Uma possível variante poderia ser um
atacar esta defesa, é idêntico ao
bloqueio do Central (a LD) ao defensor
utilizado contra o sistema defensivo 5:1,
avançado para o LE (ao centro)
pelo que o objectivo a atingir é
beneficiar e finalizar com remate da 1ª
facilmente perceptível.
linha como mostra a figura 12.
Circula um extremo (que pode
ser um jogador pivot) após cruzamento
com o lateral contíguo e produz-se um
movimento na 1ª linha ofensiva de
cruzamento entre laterais e troca de
posto do central que ocupa o posto de
LD (figura 13).

C
LD
LE

Fig. 12 – Variante do sistema de continuidade.

A sequência das acções, deve ter


ideias condutoras, mas não deve ser
rígida, pelo que em vez de treinarmos
Fig. 13 – Circulação do EE seguido de
decisões treinaríamos somente factores cruzamento entre laterais.

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O EE procura posicionar-se O ecrã do Central (agora a LD) a
entre os defensores central e lateral um dos defensores centrais após passe
antes de passar a bola ao LD que recebe ao ED, pode possibilitar uma
em movimento e cruza com o LE. O finalização rápida do LE após receber a
central recebe do LE e tenta explorar bola do ED, constituindo uma possível
uma possível igualdade numérica variante do sistema de continuidade,
temporária à direita do ataque. O LD como se pode observar na figura 16.
reposiciona no posto de LE e este ao
centro. O sistema de continuidade é
semelhante ao descrito no ataque à
defesa 5:1, até por questões de redução
de conteúdos tácticos a conhecer
incluídos no modelo de jogo (figura 14).

LD
LE

C Fig. 16 – Variante do sistema de continuidade


para finalização do LE.
LD
LE
A rapidez na construção e
Fig. 14 – Sistema de continuidade utilizado após consolidação do modelo de jogo
o primeiro movimento. ofensivo de ataque em IN, juntamente
com a qualidade técnica e táctica dos
A reposição do extremo, está jogadores vai definir as possibilidades
dificultada pela presença de um maior da equipa atingir patamares mais
número de defensores, pelo que deve elevados de organização.
permanecer mais tempo como jogador
pivot, observando se existem espaços
para uma possível reposição (figura 15).

LD
LE

Fig. 15 – A reposição do EE agora está


dificultada pela presença de um maior número
de defensores na 1ª linha defensiva.

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Ataque em Superioridade numérica compreendido entre os defensores
lateral e central. Dessa localização, o
LE deve escolher a melhor solução em
Existem estudos que função das circunstâncias.
demonstram uma forte correlação entre
eficácia em situação de SN ofensiva e
resultado final do jogo (Prudente, et al,
2000; Silva, 1998), pelo que, garantir
boas condições de finalização deve ser
um objectivo essencial.
É importante considerar que
atacar nesta circunstância, significa ter
já uma vantagem adquirida, quer de
posição quer numérica, que deve ser
explorada conservando o mais possível
o posto específico, sem recorrer a meios
tácticos que impliquem o seu abandono.
Podem existir casos, determinados pelas
carências técnicas ou características dos
jogadores, em que os meios tácticos a
utilizar podem ser diferentes dos que
aqui vão ser propostos. Seria um erro
planificar acções ofensivas em SN,
destinadas a que determinado jogador
seja o centro da tomada de decisão sem
que este tenha ferramentas susceptíveis Fig. 17 – Tomada de Decisão do LE após
de gerar boas respostas tácticas. Da ataque ao espaço inter-defensores
mesma forma, prever soluções
garantidas por bloqueios do pivot não
sabendo este utilizar adequadamente Se a dissuasão do defensor
este meio táctico, conduziria certamente lateral não existir, o passe ao central
ao fracasso. seria outra possibilidade de
A figura 17 mostra uma acção continuidade.
que implica a tomada de decisão do LE Outro movimento com
após receber do jogador Central. A características semelhantes (figura 18),
aproximação do LE também pode define como protagonista da decisão a
ocorrer após drible. O que definirá o tomar, o jogador central.
êxito do movimento táctico, são
detalhes de operacionalidade e
concentração em todos os indícios, até
porque normalmente os defensores
adquirem maior actividade e
profundidade.
O central, deve garantir
proximidade ao LE, para dificultar a
possível acção de dissuasão do defensor
lateral, e para que sejam libertados mais
espaços longe da bola a serem utilizados
pelo LD, ou ED quando se produz a
aproximação do LE ao espaço Fig. 18 – Tomada de decisão do Central após
ataque ao espaço inter-defensores

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É necessário que o LE proceda
anteriormente à fixação para o exterior
do defensor lateral, garantindo o
cumprimento dos princípios ofensivos
da amplitude e profundidade, ao
mesmo tempo que procura assistir
companheiros em posição favorável de
finalização (sobretudo pivot e extremo
contíguo).
Nesta circunstância o pivot está
agora posicionado entre os defensores
central e lateral próximo da zona da Fig.20 – Proveniência da bola do lado
bola e se não receber do LE, deve contrário ao posicionamento do pivot.
readaptar a sua posição para garantir
vantagem para receber do Central, que
por sua vez, deve optar pela melhor Estes são apenas alguns
solução de continuidade podendo ser exemplos de como finalizar acções em
também ele a finalizar a acção. SN tendo em conta a manutenção do
posto específico sem recorrer a meios
tácticos como o cruzamento ou a
permuta que implicam mudança de
posto específico. A operacionalidade
dos movimentos ofensivos deve
obedecer a detalhes que marcam
claramente a diferença entre conseguir
ou não uma boa situação de
finalização. Cabe à equipa técnica
optar pelas soluções que melhor se
Fig. 19 – Adaptação da posição do pivot após adaptam às características dos seus
passe do LE ao Central jogadores.
Como vimos anteriormente, em
Neste caso, considerou-se a muitos jogos, cerca de 20% do tempo
proveniência da bola, a partir do LE, decorre em assimetria funcional o que
ou seja próximo da zona do pivot. obriga a que a planificação das
Poderemos configurar a chegada da actividades seja elaborada atendendo à
bola ao Central vinda do LD, importância desta referência. Por outro
sobretudo para criar mais problemas às lado, são aspectos psicológicos que
acções de dissuasão por parte dos podem condicionar o rendimento e
defensores laterais ou central (Fig.20). consequentemente o resultado final.
Desta forma o pivot poderá fixar
defensores longe da bola e impedir
uma possível dissuasão par do
defensor central. O pivot deve
reconhecer o espaço e tomar a
iniciativa de desmarcar para receber do
LD.

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