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O direito tributário é o segmento do direito financeiro que define como serão cobrados

dos cidadãos (contribuintes) os tributos e outras obrigações a ele relacionadas,[1] para


gerar receita para o Estado (fisco). Tem como contraparte o direito fiscal ou orçamentário,
que é o conjunto de normas jurídicas destinadas à regulamentação do financiamento das
atividades do Estado. Direito tributário e direito fiscal estão ligados, por meio do direito
financeiro, ao direito público.
Ocupa-se das relações jurídicas entre o Estado e as pessoas jurídicas de direito
privado e físicas concernentes à instituição, à imposição, à escrituração, à fiscalização e
à arrecadação dos tributos. No Brasil, dentre tais tributos incluem-se ao
menos os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria.
Hugo de Brito Machado define direito tributário como: (...) o ramo do Direito que se ocupa
das relações entre o fisco e as pessoas  sujeitas às imposições tributárias de qualquer
espécie, limitando o poder de tributar e protegendo o cidadão contra os abusos desse
poder. [2]

O Internal Revenue Code é a base legal primária da lei fiscal federal nos Estados Unidos. O Código
de Regulamentação Federal é a interpretação regulatória do Departamento do Tesouro das leis
tributárias federais aprovadas pelo Congresso, que carregam o peso da lei se a interpretação for
razoável. Tratados fiscais e jurisprudência no Tribunal Fiscal dos EUA e em outros tribunais federais
constituem o restante do direito tributário nos Estados Unidos.

Para atingir sua finalidade de promover o bem comum, o Estado exerce funções para cujo
custeio é preciso de recursos financeiros ou receitas. As receitas do Estado provêm de
atividades econômico-privadas dos entes públicos, de monopólios, de empréstimos, e
principalmente da imposição tributária (fiscal, parafiscal e extrafiscal).
O direito de tributar do Estado decorre do seu poder de império pelo qual pode fazer
"derivar" para seus cofres uma parcela do patrimônio das pessoas sujeitas à
sua jurisdição e que são chamadas "receitas derivadas" ou tributos, divididos em impostos,
taxas e contribuições.
Tanto o Estado, ao "exigir", como a pessoa sob sua jurisdição, ao "contribuir", deve
obedecer a determinadas normas, cujo conjunto constitui o direito tributário.
O direito tributário cria e disciplina assim relações jurídicas entre o Estado na sua
qualidade de fisco e as pessoas que juridicamente estão a ele sujeitas e se
denominam contribuintes ou responsáveis. Se para obter esses meios o fisco efetuasse
arrecadações arbitrárias junto às pessoas, escolhidas ao acaso, não se poderia falar de
um direito tributário.
A característica de uma imposição sob os princípios do Estado de Direito está exatamente
na disciplina da relação tributária por meio da norma jurídica. A lei outorga ao Estado a
pretensão ou direito de exigir de quem está submetido à norma, uma prestação pecuniária
que chamamos de tributo, que é resultante do poder de tributar. O direito tributário é assim
um direito de levantamento pecuniário entre os jurisdicionados, porém disciplinado sobre a
base dos princípios do Estado de Direito.

Índice

 1História
 2No Brasil
o 2.1Função dos tributos
o 2.2Tipos de tributos
 2.2.1Impostos
 2.2.2Taxas
 2.2.3Tarifa
 2.2.4Contribuições de melhoria
 2.2.5Contribuições Especiais
 2.2.6Empréstimo compulsório
o 2.3Princípios tributários
 2.3.1Princípio da legalidade
 2.3.2Princípio da igualdade ou da isonomia
 2.3.3Princípio da irretroatividade
 2.3.4Princípio da anterioridade de exercício
 2.3.5Princípio da anterioridade mínima (nonagesimal)
 2.3.6Princípio da anualidade
 2.3.7Princípio do não confisco
 2.3.8Princípio da liberdade de tráfego
 2.3.9Princípio da uniformidade geográfica
 2.3.10Princípio da não concessão de privilégios a títulos federais
 2.3.11Princípio da capacidade contributiva
 2.3.12Princípio da pessoalidade
 2.3.13Princípio da não cumulatividade
 2.3.14Princípio da seletividade
o 2.4Imunidades
o 2.5Fontes do direito tributário
 2.5.1Fontes materiais
 2.5.2Fontes formais
o 2.6Formação da obrigação tributária
o 2.7Processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União
 3Direito fiscal
 4Ver também
 5Referências

História[editar | editar código-fonte]
O direito tributário, assim como os outros ramos da ciência jurídica, teve sua formação e
desenvolvimento de maneira lenta. Não se sabe exatamente quando e onde a cobrança de
tributos e impostos começou.
No latim, fisco (fiscus) era o apelativo de um paneiro de pôr dinheiro, um cesto de junco ou
vime, com asas e que, segundo Juvenal, era sinônimo de tesouro do príncipe ou bolsinho
imperial. Embora a palavra "fisco" corresponda hoje ao sujeito ativo da relação jurídico-
tributária, vê-se que, historicamente, fisco, em contraposição ao tesouro público (aerarium
populi romani), era o tesouro privado do imperador, donde veio a palavra "confisco".
O gabinete do coletor de impostos. Pintura anônima, provavelmente de Marinus van
Reymerswaele (1490-1546). Museu de Arte em Nancy.

O primeiro sistema de tributação conhecido foi o do Antigo Egito por volta de 3000 a.C. -
2800 a.C., durante a primeira dinastia do Antigo império.[3] Os registros documentais do
período afirmam que o faraó realizava uma excursão bienal em todo o reino, com a
cobrança de receitas fiscais dos seus súditos. Outros registros conhecidos são recibos de
celeiros reais pela compra de cereais, de calcário e de papiros.[4] Registros sobre o
princípio da tributação também são descritos na Bíblia. Em Gênesis (capítulo
47, versículo 24), há a seguinte afirmação:

Há de ser, porém, que no tempo das colheitas dareis a quinta parte ao Faraó,
“ e quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso
mantimento e dos que estão nas vossas casas, e para o mantimento de

vossos filhinhos.
  — José do Egito.
José estava dizendo ao povo do Egito como dividir sua cultura, proporcionando uma parte
para o Faraó: ou seja, segundo o relato, a quinta parte (20%) da cultura foi o imposto.
Mais tarde, no Império Aquemênida, um sistema fiscal regulado e sustentável foi
introduzido por Dario, o Grande em 500 a.C.,[5] sendo que o sistema de tributação persa foi
adaptado para cada satrapia. Às vezes, havia diferentes impostos entre as 30 satrapias do
império, sendo que cada satrapia era avaliada de acordo com sua suposta produtividade.
Era de responsabilidade do sátrapa o recolhimento do montante devido e o seu envio ao
imperador logo após a dedução de seus gastos. As quantidades solicitadas a partir de
várias províncias deu uma imagem vívida de seu potencial econômico. Por exemplo: foi
avaliado, para a Babilônia, o maior dispêndio em impostos, por quantidade e por variedade
de matérias-primas: mil talentos de prata e quatro meses de fornecimento de alimentos
para o exército. Para a Índia, uma província com uma grande produção de ouro, foi
determinado o fornecimento de pó de ouro em grande quantidade. O Egito, considerado
o celeiro do Império Aquemênida, foi obrigado a fornecer 120 mil medidas de trigo, além
de 700 talentos de prata. Em contrapartida, nenhum cidadão Persa ou Medo pagava
imposto. Contudo, eles estavam sujeitos a, em qualquer momento, serem chamados para
servir no exército.[6]
Mais tarde, na Índia sob domínio islâmico, os governantes determinaram a cobrança
do jizya (um imposto para os não muçulmanos), a partir do século XI, sendo que este,
anos mais tarde, foi abolido por Akbar.
Há vários registros de cobrança de impostos na Europa desde o início do século XVII. Mas
os níveis de tributação são difíceis de comparar: sua dimensão e o fluxo econômico por
eles gerado e os números da produção da época não são disponíveis. Entretanto, o lucro
estatal (despesas menos receitas) da França durante o século XVII passou de um
montante de 24,30 milhões de libras na década de 1600 para cerca de 126,86 milhões de
libras na década de 1650 e para 117,99 milhões de libras na década de 1700.[7] Quando
a dívida pública atingiu 1,6 bilhões de libras em 1780-89, o lucro estatal atingiu 421,50
milhões de libras. A tributação como percentual da produção de bens finais pode ter
alcançado um total de 15% a 20% durante o século XVII em nações como
a França, Holanda e Suécia. Durante o período da Revolução Francesa,
as alíquotas cobradas na Europa aumentaram drasticamente e, na medida em que
a guerra civil se prolongava e ficava mais cara, os governos europeus se tornaram mais
centralizados e adeptos de recolhimento de impostos. Este aumento foi maior
na Inglaterra, em que a carga tributária aumentou cerca de 85% durante este período. As
receitas per capita de impostos cresceram quase seis vezes ao longo do século XVIII.[8]
Na Idade Média, no feudalismo, os impostos eram destinados aos senhores feudais,
perdendo assim o caráter fiscal. Eles serviam como um agradecimento ao senhor feudal
que lhe permitia usar e morar em sua propriedade.
Os tributos eram cobrados, também, dos territórios conquistados, as colônias. As nações
que exigiam tributo de outros povos frequentemente recebiam ouro e prata, ou produtos
escassos em sua própria terra. Desta forma, fortaleciam sua posição econômica ao passo
que debilitavam as nações subjugadas, apropriando-se de grande parte de seus recursos.
O sistema de cobrança da coroa portuguesa sobre a colônia Brasil era, por exemplo,
a derrama, onde um quinto de tudo que foi produzido era destinado à coroa). Com a vinda
do rei Dom João VI para o Brasil, os tributos cobrados eram empregados dentro do nosso
próprio país, mas em benefício da família real e quase nunca em benefício do povo.
Após a independência do Brasil e a criação da Constituição Federal, surge a ideia de se
criar impostos de maneira formal. Os impostos e ou tributos, no início, eram diferentes
entre províncias, mas, com o passar do tempo, houve a necessidade de melhor ordená-
los. Em 1934 ocorreu a separação em tributos da União, tributos dos Estados e tributos
dos Municípios e em 1978 surge a estrutura de um sistema tributário nacional integrado, o
que em 1984 modifica-se novamente para a separação de formas de cobrança entre
Estados e Municípios. Já na Constituição de 1988 criam-se normas reconfortantes para a
população, nas quais a cobrança de impostos só pode acontecer se este estiver prevista
na lei.