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Créditos:

Conteudista - Major PM Mauro Lopes dos Santos - Corpo de Bombeiros da PMESP

Carga horária – 60h

Apresentação do curso

Bem-vindo (a) ao Curso Bombeiro Educador I que tem como contexto principal a
atividade de educação pública nos serviços de bombeiros.
Mais do que ensinar simplesmente, o que é certo ou errado, o propósito do bombeiro
educador é promover na comunidade, insistentemente, a mudança de hábitos,
atitudes e comportamento. A prevenção é o foco principal e o objetivo sempre será a
redução de acidentes e sinistros em geral, principalmente, de suas vítimas decorrentes.
Tenha em mente que suas ações de educador devem estar sempre alinhadas com
a missão precípua e institucional de cada Corpo de Bombeiros Militar no Brasil: a
“proteção da vida, do meio ambiente e do patrimônio”, com ênfase maior à vida
humana.
Para auxiliá-lo nesta tarefa, este curso criará condições para que você possa, frente
às demandas de ações educacionais do dia-a-dia de sua corporação, planejar e
atuar em atividades educativas, tais como, visitas, palestras e apresentações para o
público externo, bem como, trabalhar os temas de prevenção de forma estruturada
e padronizada, estabelecendo rotinas e processos para as atividades educacionais.

Nota: O conteúdo deste curso foi elaborado com base no Caderno Guia do Bombeiro
Educador, hoje, já empregado no Estado de São Paulo e que você estudará a partir do
módulo 3.

Objetivos do curso

Ao final do curso, você será capaz de:

• Compreender os objetivos e propósitos da “Educação Pública nos serviços de


bombeiros” e sua importância no contexto de redução de ocorrências e de vítimas
decorrentes;
• Identificar problemas e estabelecer públicos-alvo para ação de prevenção;
• Elaborar roteiros pré-definidos para apresentações e palestras, de acordo com cada
tema de interesse preventivo;
• Reconhecer a expectativa de cada público e entregar a mensagem correta e de
forma seletiva.

Estrutura do curso

Módulo 1 A educação pública nos serviços de Bombeiros


Módulo 2 A preparação de palestras e apresentações
Módulo 3 O Caderno Guia do Bombeiro Educador – Parte 1
Módulo 4 O Caderno Guia do Bombeiro Educador – Parte 2
Módulo 5 O Caderno Guia do Bombeiro Educador – Parte 3
Módulo 1

A educação pública nos


serviços de Bombeiros
Apresentação

Antes de iniciar o estudo desse módulo, reflita sobre a seguinte questão:


Por que o Corpo de Bombeiros necessitam atuar no campo educacional?

Compete a qualquer Corpo de Bombeiros do mundo empreender ações preventivas,


zelando pela vida humana. Isto pode parecer óbvio, e talvez não fosse necessário
também, os legisladores preverem oficialmente aos bombeiros tal função. Aos olhos
da compreensão humana, a prevenção para o bombeiro, é algo nato, presente no
cerne desse profissional.

No Corpo de Bombeiros Militar do Brasil, a atividade de prevenção deve permear


dois campos distintos: um relativo às normatizações e regulamentações na área de
segurança contra incêndio e pânico – hoje, muito bem amparada e consolidada em
normas e em legislações específicas; e outro, voltado à relação direta entre bombeiros
e comunidade, com o objetivo de levar a mensagem da prevenção diretamente ao
público-alvo, quer seja por programas educacionais, campanhas de prevenção ou
outras ações educativas. É a prevenção em seu mais estrito significado. É aqui que o
bombeiro se reveste de outra maior importância: a de um “educador”.

As atividades de educação pública não se iniciam e nem se completam em um simples


encontro, entre bombeiros e comunidade. Há que se ter doutrina, planejamento, tempo,
investimento em recursos materiais, financeiros e, principalmente, humanos, visando
a dar solução específica a um ou quantos problemas de demandas operacionais forem
necessários resolver, com mensuração dos resultados e reavaliação dos processos
empregados. Esse processo, quando adequado, também passa obrigatoriamente,
pelo preparo e pela capacitação dos que executarão a atividade.

Busca-se, com todo esse esforço, a redução de ocorrências evitáveis e de suas


decorrentes mortes, ferimentos e danos à propriedade, por meio da conscientização
e ensinamentos às pessoas, fomentando na comunidade uma mudança de atitudes
e de comportamentos.

Objetivos do módulo
Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de:

Ampliar conhecimento sobre:


• a contextualização histórica da atividade educacional como meio do exercício da
prevenção dos bombeiros;
• os conceitos, a doutrina, a filosofia e os objetivos da atividade de educação pública
nos serviços de bombeiros;
• a atividade de prevenção do Corpo de Bombeiros Militar e as ocorrências evitáveis;
• os diferentes tipos de atividades de educação pública e suas características de
emprego; e
• a identificação de públicos-alvos com relação às demandas operacionais, seu perfil
e suas características.

Desenvolver/ exercitar habilidades para:


• empregar a modalidade de educação pública da forma adequada de acordo com a
demanda ou problema encontrado; e
• identificar público-alvo e interagir de acordo com suas características.

Fortalecer atitudes para:


• atuar junto à comunidade;
• reconhecer a importância de manter-se informado e capacitado para a atividade de
educação pública; e
• atuar conforme as diretivas de sua organização.

Estrutura do Módulo

Aula 1 – Educação pública nos serviços de bombeiros: contextualização e necessidade


Aula 2 – As “ocorrências evitáveis”: ponto de partida para o trabalho de mudança de
atitudes
Aula 3 – Educação pública nos serviços de bombeiros: objetivos e modalidades das
atividades

AULA 1 - A educação pública nos serviços de bombeiros: contextualização e


necessidade

1.1 Primeiros passos da educação pública nos serviços de bombeiros


Para contextualizar o tema “Educação pública nos serviços de bombeiros”, cumpre
destacar que os principais Corpos de Bombeiros (CB) do mundo, além de executarem
suas missões consagradas de combate a incêndios, resgates e salvamentos,
empreendem, com igual ou maior importância, atividades preventivas de acidentes.
Proteger a vida humana é mais do que imprescindível, é a essência da missão dos
bombeiros.

Historicamente, há quatro décadas e, de forma específica, nos Estados Unidos da


América (EUA), com as mudanças inerentes e contínuas da sociedade moderna, as
autoridades públicas e as corporações de bombeiros que atuavam, principalmente,
em cidades e regiões economicamente desenvolvidas, de forte adensamento
populacional e intensa atividade comercial e industrial, despertaram para o fato de
que, proteger vidas, exclusivamente durante o atendimento operacional, destacando-
se os incêndios, implicaria um elevado custo e esforço operacional cada vez maior.

Esse processo de agravamento contínuo, com risco de afetar sua capacidade de resposta
frente uma demanda operacional crescente, levou os bombeiros a compreenderem
que algo a mais deveria ser feito “fora do campo operacional”, com o objetivo claro de
frear e controlar suas demandas operacionais e, principalmente, diminuir ao máximo
o número de mortes e de pessoas feridas nos incêndios e incidentes evitáveis.

Nos EUA, mais precisamente em 1973, o governo norte-americano, preocupado com


o número crescente de incêndios, nomeou uma Comissão Nacional de Prevenção e
Controle de Incêndios que, ao final dos trabalhos de pesquisa e análise, publicou um
Relatório denominado “America Burning”, que tinha por objetivo principal fazer um
diagnóstico sobre os problemas relacionados aos incêndios naquele país.
Para saber mais...
O relatório América Burning apontou problemas importantes que precisavam ser
resolvidos. O principal era a necessidade de sensibilização do público, das pessoas
em geral, em relação ao problema do incêndio. A prevenção de incêndio ainda não
era percebida como uma alta prioridade. Mesmo os próprios bombeiros precisavam
ter uma maior apreciação da questão da proteção contra incêndios.
Clique aqui e leia sobre o relatório “America Burning”.

1.2 Atividade de educação pública nos serviços de bombeiros no Brasil

A Educação Pública nos Serviços de Bombeiros é uma atividade estratégica na área de prevenção
executada junto à comunidade por meio de programas educacionais, campanhas de prevenção e
outras ações educativas em que são transmitidas informações e mensagens seletivas a determinado
público-alvo, visando ensejar mudanças de comportamento e atitudes.

Uma pesquisa realizada em 2009 com o Corpo de Bombeiros Militar do Brasil, sobre
a temática de educação pública buscou avaliar e conhecer como tais corporações
pensavam a respeito dessa atividade, de que forma executavam e desenvolviam
seus próprios programas educacionais e, principalmente, como tais atividades eram
organizadas e realizadas.

Em linhas gerais, a pesquisa apontou as principais considerações:

a. Embora todos os entes federativos apurados executem de alguma forma a atividade,


apenas uma pequena parcela deles, um terço, possui alguma normatização ou diretriz
para regular as ações de educação preventiva;

b. A metade dos estados apurados sequer possuía programas educacionais próprios;

c. As atividades da grande maioria, 17 estados (89,5%), não são mensuradas. Além


disso, 84% deles, também não utilizam os apontadores estatísticos como norteador
da atividade;

d. A redução de acidentes, não é a principal razão ou motivo para a execução da


educação preventiva, esta foi apenas a 3ª opção mais escolhida ou lembrada;

e. Quase de forma unânime, os estados se utilizam dos recursos próprios, provenientes


do erário estadual, para o custeio de suas ações, porém, mais da metade, não soube
informar o valor ou estimativa, de quanto foi empregado na prevenção;

f. Apenas 3 (três) estados utilizam bombeiros designados exclusivamente para a


função. Mas a realidade é que a maioria dos estados, (58%), não possui uma regra
definida para emprego de bombeiros na atividade;

g. Uma maioria expressiva (84%) dos Corpos de Bombeiros, não determina os “temas”
a serem explorados pela educação pública em razão de apontadores estatísticos.
Além disso, metade deles, não executa suas ações educativas de forma padronizada
no seu estado.
1.3. A atividade de prevenção dos Corpos de Bombeiros Militares

Na atuação de prevenção de incêndios ou de acidentes, o Corpo de Bombeiros, seja


de qualquer lugar do Brasil e do mundo, tem o dever de zelar pela proteção da vida,
do meio ambiente e do patrimônio.

No Brasil, a prevenção como atividade precípua do Corpo de Bombeiros,


historicamente, e no aspecto legal, sempre esteve direta e, prioritariamente, ligada à
questão dos incêndios.

A Constituição Federal 1988 estabelece no artigo 144 que as Polícias Militares e Corpos de Bombeiros
Militares são integrantes do aparelhamento do Estado, no sentido de preservar a ordem pública e a
incolumidade física dos cidadãos:

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é


exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares

Mais adiante, no mesmo texto constitucional, no parágrafo 5º do mesmo artigo constitucional, fica
estabelecido que:
“Às polícias militares cabem à polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros
militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil”.

Sobre este aspecto, há que se considerá-la como um conjunto de medidas que possam
evitar o seu surgimento, sendo realizada em duas vertentes: normativa e educacional.

• Normativa: diz respeito ao conjunto de normas e legislações específicas


que visam à prevenção de incêndios em edificações, excetuando-se as residências
unifamiliares. É a forma pela qual as Unidades Federativas passaram a exigir medidas
de segurança contra incêndio, estabelecendo os parâmetros de segurança contra
incêndio a serem seguidos.

• Educacional: diz respeito à mudança de comportamentos e atitudes das


pessoas, como preceitua a NFPA (National Fire Protection Association), visando coibir
o comportamento humano inadequado como agente causador de incêndios.
Refletindo sobre a questão...
Para a prevenção, a questão normativa ou legislativa deve se ater apenas para os incêndios?

Não, no Brasil há outras normas e legislações que protegem o cidadão, como por exemplo, a
Lei Ambiental que proíbe a confecção, transporte, venda e soltura de balões, a norma que
prevê o uso do cinto de segurança, uma lei que proíbe o uso de cerol, etc. Tais legislações
servem para coibir uma prática que favoreça a incidência desses incêndios ou acidentes.
Lembre-se que, as ações do Estado sobre a sociedade devem sempre buscar o bem comum,
destacando-se a segurança e a proteção à vida.

Há que se considerar que a prestação de serviços oferecidos atualmente pelos Corpos


de Bombeiros não se restringe apenas à prevenção e ao combate a incêndios, há uma
elevada gama de outras ocorrências que preenchem sua demanda operacional, tais
como os acidentes diversos que acarretam vítimas fatais e feridas, além de danos
patrimoniais e ao meio ambiente, a maioria delas causadas pelo comportamento
humano inadequado ou inseguro.

Essas ocorrências causadas por tais comportamentos, ou seja, de caráter previsível,


são as tipificadas como “ocorrências evitáveis”. Cita-se como exemplo, os incêndios
residenciais causados por brincadeira de crianças, por velas, por displicência ao
cozinhar, as ocorrências que causam lesões e mortes, quedas, afogamentos, acidentes
de trânsito, etc.

IMPORTANTE!
As normas de proteção contra incêndio são eficazes e, de maneira constante, aperfeiçoadas,
mas deixam lacunas de proteção, como no caso das residências unifamiliares, onde a maioria
das pessoas no país reside. E, não havendo normas que as protejam, parte-se para a
educação pública como melhor viés de prevenção, até porque a grande maioria das causas
desses incêndios decorre de algum comportamento inseguro.

Para saber mais...


Veja exemplos de leis cujo objetivo principal é a proteção da vida e do meio-ambiente.
AULA 2 - As “ocorrências evitáveis”: ponto de partida para o trabalho de mudança
de atitude

2.1 O que são ocorrências evitáveis?

Uma ocorrência evitável é todo aquele fato não desejado, mas previsível, em sua
maioria, e que sua causa se dá em razão de alguma conduta humana inadequada, quer
seja, de omissão, inapropriada ou insegura e que se fazem presentes nas estatísticas
e no dia a dia operacional de todos os Corpos de Bombeiros Militares do Brasil, sendo
essas as principais naturezas:

• afogamentos;
• acidentes e Incêndios domésticos;
• acidentes envolvendo crianças;
• acidentes de Trânsito;
• acidentes envolvendo animais peçonhentos;
• incêndios e acidentes envolvendo balões e fogos de artifício;
• ocorrências envolvendo elevadores;
• enchentes; e
• ocorrências envolvendo gás de cozinha – Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) –, entre
outras.

IMPORTANTE!

A diversidade e quantidade de ações operacionais de uma Corporação de Bombeiros


determinarão também, dentro do seu critério de prioridades, uma variedade de ações
preventivas que deverão efetivamente ser executadas.

Caberá a cada corporação de bombeiros analisar e estabelecer quais temas são


adequados e necessários abordar de forma preventiva, dentro de sua área geográfica
de atuação, quer seja pela constância de uma determinada ocorrência ou por indicação
dos apontadores estatísticos. Além do mais, ocorrências que invariavelmente causam
mortes, lesões ou perda de patrimônio, justificam por si só a necessidade de prevenção.
Refletindo sobre a questão...
Por que é importante identificar as ocorrências de causas evitáveis e classificá-las?

Quando um Corpo de Bombeiros realiza periodicamente uma análise dos seus dados
estatísticos operacionais e verifica que a demanda de certas ocorrências são constantes, ou
pior, em grau de evolução de incidência, causando por consequência, uma enorme demanda
de empenho de seus recursos e um número elevado de vítimas é o sinal para que a
corporação comece a adotar mecanismos para frear tal demanda. Classificá-las ajudará a
identificar o momento, a duração e o modo certo da intervenção preventiva, em muitos
casos, pela educação pública.
Na sequência, identificar as causas de cada uma delas ajudará na construção das mensagens
e na identificação do público-alvo que você estudará mais adiante.

2.3 O foco do trabalho de educação pública: mudança de atitude

Além do temário de ocorrências a serem prevenidas, caberá também a você, Bombeiro


Educador, em razão do escopo principal de promover na comunidade uma mudança
de atitude e de comportamento, ensinar e incentivar algumas ações ou atitudes que
poderão ser úteis no dia a dia das pessoas, como por exemplo:

• noções de primeiros socorros;


• uso de extintores de incêndios;
• acionamento do telefone de emergência do Corpo de Bombeiros - 193; e
• procedimentos de segurança no caso de incêndios em edificações, etc.

Os Corpos de Bombeiros devem ter consciência de quais ocorrências, dentro do seu


universo operacional, representam de fato “problemas” e que podem e devem ser
minimizados com o auxílio das atividades de educação pública.

2.3.1 Problema

Por problema entendem-se as ocorrências a serem evitadas e as vítimas a serem


minimizadas.

Nesse aspecto, as ocorrências, ou melhor, os problemas, devem ser compreendidos


sobre dois aspectos:

• Problemas macros: são problemas de ordem geral e permanente. Via de regra,


sua incidência se dá em toda a área territorial de responsabilidade de um Corpo
de Bombeiros e em qualquer época do ano. As ações de prevenção requerem a
necessidade de fomentar uma cultura prevencionista na população, (partindo-se,
geralmente, do público infantil, por meio de programas educacionais permanentes).

Exemplos: acidentes e incêndios domésticos envolvendo crianças.


• Problemas locais: são as ocorrências em que os indicadores operacionais
evidenciam um aumento significativo ou que sua incidência maior se dá em uma
determinada época do ano ou em uma região específica e, assim, necessitam de
medidas preventivas específicas para a sua redução em determinada região, época
e segmento da comunidade. O foco, neste caso, é a redução imediata desses índices.

Exemplos: incêndios causados por balões em época de festas juninas, afogamentos no litoral em
época de férias e verão.

As ocorrências evitáveis que, merecem atenção para a realização de atividades


educativas, podem, também, ser classificadas em três tipos:

a) Recorrentes – ano a ano, são presentes e mesmo com pequenas oscilações na


sua quantidade, numericamente são significativas, além de principalmente causar
mortes, lesões e perda de patrimônio. Em alguns casos, a sua incidência regular se dá
também, por ausência de norma ou regulamentação que proteja o cidadão.

Exemplos: ocorrências envolvendo GLP, acidentes domésticos e incêndios residenciais.

b) Sazonais – aquelas em que a incidência ressalta-se em determinada época do ano.


Também causam mortes, lesões e perda de patrimônio

Exemplos: Balões e incêndios em vegetação (junho a agosto), afogamentos nas praias


(predominantemente no verão).

c) Evolutivas – aquelas que por alguma razão (fator socioeconômico, natural, social,
etc.) os apontadores estatísticos registram um aumento significativo ano a ano ou um
aumento repentino ou desproporcional em curto espaço de tempo, despertando a
atenção da Corporação. Também causam mortes, lesões e perda de patrimônio.

Exemplos: acidentes de trânsito envolvendo motocicletas nas grandes cidades do


Brasil.
Exercício prático: investigando a realidade

Agora que você aprendeu a tipificação das ocorrências a serem evitadas, faça uma
análise, baseada no seu conhecimento e sua experiência profissional e descreva no
quadro a seguir, as principais ocorrências atendidas na sua cidade ou no seu Estado,
conforme as classificações:

Recorrentes____________________________________________________________

Sazonais______________________________________________________________

Evolutivas_____________________________________________________________

AULA 3 - Educação pública nos serviços de bombeiros: objetivos e modalidades


das atividades

Na aula anterior, você estudou que a demanda operacional é o fator principal de


motivação da educação pública. Monitorar os índices operacionais é, ao mesmo
tempo, identificar os “problemas” que serão alvo da educação. Sendo assim, é prudente
que essa análise seja realizada nos Corpos de Bombeiros pelo órgão responsável pela
área de prevenção, pois o mesmo saberá buscar os dados de interesse.

Nesta aula, você estudará os objetivos da educação pública nos Serviços de Bombeiros
e suas formas de atuação e emprego conforme o “problema” de demanda operacional
a ser resolvido.

Mas, a pergunta a ser respondida continua a ser:

Qual o problema da corporação que a educação pública deve resolver?

Observe que o enunciado da própria pergunta convida a uma reflexão para a sua
resposta. A essência da profissão de bombeiros não é obviamente, “educar pessoas”
e sim, prioritariamente, combater incêndios (razão de sua existência, em qualquer
lugar do mundo), bem como, realizar salvamentos e prestar socorro nas emergências
e calamidades, de uma maneira bem simples e resumida.

Você se lembra da contextualização histórica e do motivo pelo qual os bombeiros


começaram a empreender atividades educativas?

Pois bem, se os bombeiros aumentaram o leque da sua prestação de serviços na área


de prevenção, derivando tempo, recursos e pessoas para a atividade educacional,
significa que algum “problema” de demanda operacional, seja de incêndios ou
acidentes, motivou isso e, que devem em parte, serem solucionados por meio da
educação.
3.1 Educação com viés de prevenção: Os 3 “E”s

As legislações e normas atuais de proteção contra incêndio e pânico evoluíram nas


últimas décadas, quer seja pela experiência adquirida nos grandes incêndios em
edificações da história, bem como pelo avanço da tecnologia na área de proteção
contra incêndios e pânico.

Mas como se sabe, por si só, elas não garantem a nulidade total dos incêndios e
pânico, porque o comportamento humano ainda é fator decisivo para a causa deles,
principalmente os residenciais, em que as normas praticamente nada podem fazer, a
exemplo do Brasil.

Para mudar este comportamento, a experiência em muitos países tem revelado que a
educação é ainda o remédio mais recomendável.

Você conhece ou já ouviu falar da teoria dos 3 “E”s?

Nos Estados Unidos, prevalece uma cultura e doutrina governamental que preceitua
que as atividades de prevenção devem ser analisadas, executadas ou resolvidas,
concomitantemente ou em separado, pelos 3 “E”s:

EXECUÇÃO

ENGENHARIA

EDUCAÇÃO
a) Engenharia
O uso da tecnologia para criar e desenvolver produtos mais seguros ou qualquer
ação ou atitude que modifiquem o ambiente onde o risco está ocorrendo (exemplo
– materiais retardantes para o fogo, alarmes de detecção de fumaça, engenharia de
trânsito, etc.);

Estudo de Caso
Em uma determina cidade do Brasil, havia o registro de inúmeras quedas de motos em
uma mesma esquina, onde o sentido do trânsito obrigava os veículos a entrarem em
uma rua com leve aclive (subida). Ao fazer tal curva na esquina, vários motociclistas
sofreram queda, despertando o interesse do Corpo de Bombeiros. Uma completa
análise dos fatos, com visita ao local, entrevista com acidentados, verificou-se que
em tal esquina sempre havia areia. Essa areia era proveniente de um depósito de
construção próximo e, toda vez que um caminhão daquele depósito fazia o transporte
de areia, ao virar a esquina e subir a rua, derramava uma quantidade no asfalto, a
partir daí, as motos que ali transitavam derrapavam e causavam a queda dos seus
condutores. De posse de tal conclusão, os bombeiros interagiram com o proprietário
daquele depósito e os caminhões mudaram seu trajeto. A queda do número de
ocorrências foi imediata.

Perceba que a simples mudança de trajeto (engenharia de trânsito) resolveu um


“problema local”.

b) Execução
É a regra que exige o uso de uma iniciativa de segurança, a parte normativa, legal
(exemplo: Leis, Normas, Código de Proteção contra Incêndios, Leis de Trânsito,
etc.);

Estudo de Caso
Em janeiro de 2006, o Governo de São Paulo sancionou uma lei estadual que proíbe a
venda e uso de cerol para empinar pipas, papagaios, etc. Principalmente nas periferias,
o produto era facilmente encontrado em lojinhas, por preços irrisórios. Uma mistura
de cola e pó de vidro, passada na linha, o chamado “cerol” gera um efeito altamente
cortante. A graça dessa prática está em cortar, ainda no ar, a pipa de outras crianças.
O problema é que inúmeros acidentes vinham sendo registrados com a prática,
até mesmo com o resultado morte, principalmente em vítimas que conduziam
bicicletas ou motocicletas e que eram atingidos, em velocidade, na altura do pescoço,
produzindo cortes profundos e enorme hemorragia.
A lei, em vigor, prevê, além da apreensão do material, uma multa de cerca de R$ 70
para quem for flagrado usando ou vendendo a mistura em todo o Estado. Os policiais
que, em suas rondas ou atendendo a denúncias (que podem ser feitas pelo telefone
190), fazem o trabalho de repressão à brincadeira.
c) Educação
A entrega seletiva de informações (fatos) e mensagens (educativas) sobre o risco e a
prevenção a determinados públicos-alvos.

Estudo de Caso
Também em uma determina cidade do Brasil, havia o registro de inúmeras quedas
acidentais de pessoas. Uma completa análise das ocorrências atendidas evidenciou
que as vítimas, em sua grande maioria, eram pessoas idosas. Detalhando ainda mais
as informações, verificou-se também, que tais quedas ocorriam no interior de ônibus
de uma empresa de transporte público. De posse de tais informações, os bombeiros
procuraram a direção daquela empresa de transporte para que adotassem todas
as medidas possíveis para evitar tais quedas, como por exemplo, mais assentos
destinados aos idosos e redução da velocidade e de freadas bruscas, bem como,
solicitou que os bombeiros educadores pudesse realizar uma palestra de prevenção
com os motoristas daquela empresa.

Perceba que neste caso, houve uma integração de medidas de engenharia (colocar
mais assentos para os idosos) e educação (palestra) empregadas ao mesmo tempo,
para a resolução de mais um “problema local”.

Para saber mais...

Uma política e um forte planejamento de educação pública nos serviços de


bombeiros podem colher bons resultados em uma corporação de bombeiros. Um
bom exemplo, é o caso da cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos.
Para conhecer mais sobre este exemplo, leia o texto Corpo de Bombeiros de Nova
Iorque - Um Case de sucesso”.

3.2 Classificação e conceituação das atividades de educação pública

O objetivo dos esforços da educação pública nos serviços de bombeiros é muito claro
e conciso:

1 - REDUZIR OCORRÊNCIAS,
EDUCAÇÃO
2 - MORTES E
PÚBLICA
3 - LESÕES DECORRENTES
Este objetivo pode ser alcançado, por meio da educação, a partir de dois
direcionamentos, de acordo com a tipificação das ocorrências evitáveis, conforme
você já estudou:

EDUCAÇÃO PÚBLICA

ocorrências ocorrências
sazonais e
recorrentes evolutivas

Objetivo prioritário: Objetivo prioritário:


fomentar cultura reduzir ocorrências
prevencionista e vítimas decorrentes

Execução prioritária: Execução prioritária:


Programas educacionais Campanhas de
e campanhas de prevenção e
prevenção ações específicas

Dessa forma, o responsável pelas atividades de educação pública na Corporação,


procurará resolver os problemas determinando a melhor forma de emprego das
seguintes atividades:

• programas educacionais; e
• campanhas de prevenção ou ações educativas.

Programas e Campanhas demandarão da corporação, de uma fase de planejamento.

Mas... o que diferencia cada uma delas?

Veja a seguir!
PROGRAMAS EDUCACIONAIS

Requisitos Características
Objetivo principal
obrigatórios principais

execução anual;
Fomentar uma cultura Equipe de Planejamento; perenidade;
de prevenção na
comunidade Parceria com a rede de executados em ambiente
ensino público; escolar;
Materiais didáticos e planos aulas presenciais
de aula padronizados; (Bombeiros Educadores ou
Professores) ou aulas por
Capacitação específica para
EAD;
os bombeiros educadores;
currículo próprio.

CAMPANHAS DE PREVENÇÃO

Requisitos Características
Objetivo principal
obrigatórios principais

Equipe de Planejamento; execução anual;


Reduzir a incidência, Período de execução pré- perenidade;
mortes e lesões de determinado (início e
determinados incidentes término) diversidade nas formas de
em razão de sua Multiplicidade de ações; execução;
sazonalidade ou pela são realizadas em razão
identificação de público-
regularidade ou de uma temática.
alvo;
ascendência repentina
Possibilidade de parcerias
nos registros operacionais.
diversas;
Cronograma de ações.

AÇÕES DE EDUCAÇÃO PÚBLICA

Requisitos Características
Objetivo principal
obrigatórios principais

Em razão de uma Período de execução curto; execução rápida e


oportunidade ou evento, Não é necessário localizada;
empreende-se uma ação planejamento;
educativa com a finalidade de diversidade nas formas de
disseminar na comunidade as Público-alvo seletivo; execução;
mensagens construídas de Emprego de Bombeiros avaliação facultativa;
prevenção.
Educadores;
monitora-se apenas a
O objetivo é de prevenção Material didático
padronizado de acordo com audiência;
dentro de uma oportunidade
ou ocasião, a critério do gestor o tema solicitado; ações mais comuns:
da atividade. Emprego do Caderno Guia palestras e apresentações.
do Bombeiro Educador.
3.3 Adequação da mensagem ao público-alvo

Uma vez que as atividades de Educação Pública visam a corrigir ou diminuir os


“problemas” dos incêndios ou acidentes e, mais especificamente, de comportamentos,
resta saber como as informações ou mensagens de prevenção serão apresentadas ao
público-alvo.

O Público-alvo é uma parte ou todo da comunidade a que se destina às atividades educativas, em razão da sua
relação com as causas, vitimização ou o local de maior incidência de um determinado tipo de incêndio ou acidente.

Isso dependerá de uma série de informações sobre como o “problema” vem ocorrendo
na comunidade. Isso desenvolve um perfil dos tipos e frequências dos incêndios ou
acidentes, causas possíveis, locais de origem, tipos de comportamento das vítimas e
padrões de incidência em uma cidade, bairro ou região.

Antes que as pessoas possam ser ensinadas a evitar o início dos incêndios ou a se
prevenir de algum tipo de acidente, o comportamento ou mau comportamento
deve ser identificado. Além disso, o perfil das pessoas que dão causa aos incêndios
necessitam ser determinadas de modo que o programa, campanha ou ação possam
ser adequados para aquele determinado público-alvo.

Exemplo
As mensagens sobre como prevenir queimaduras em crianças por líquidos quentes, muitas vezes, o alvo são os pais
ou adultos que cuidam deles. Por outro lado, adolescentes também podem ser instruídos a protegerem seus pais e
avós de incêndios e acidentes.

Dessa forma, o público-alvo é o grupo do qual com conhecimento ganho, se procura


obter mudanças de comportamento e do meio ambiente onde estão.
Neste módulo, você estudou que:

A educação pública nos serviços de bombeiros é uma atividade estratégica dos


bombeiros como meio de redução de ocorrências e de vítimas, sendo este seu
objetivo essencial.

Ela é uma atividade extremamente seletiva, pois pode exigir bem mais do que ações
simples como palestras ou distribuição de materiais impressos. As Campanhas de
prevenção ou programas educacionais bem sucedidos passaram, inicialmente, por
um processo necessário de maturação, não obstante, a abordagem com o público em
geral pode ser um processo de longo prazo.

Os “problemas” de demanda operacional, macros ou locais são os fatores motivadores


e que determinarão atitudes prevencionistas, dentro do contexto da teoria dos 3 “E”s
(Engenharia, Execução e Educação).

Classificar as ocorrências de sua demanda operacional (ocorrências recorrentes,


sazonais e evolutivas) pode auxiliar na escolha da medida mais adequada de
prevenção.
EXERCÍCIOS

1. Considerando a contextualização história, responda: por que os bombeiros


buscaram atuar na educação, fora do campo operacional?

a. ( ) porque seus recursos estavam ameaçados pelas incertezas da economia.


b. ( ) para poupar seus próprios recursos e diversificar suas atividades.
c. ( ) para frear e controlar suas demandas operacionais e, principalmente,
diminuir ao máximo o número de mortes e de pessoas feridas nos incêndios.
d. ( ) para estreitar o relacionamento entre bombeiros e comunidade.

2. Com base no que estudou sobre educação pública nos serviços dos corpos de
bombeiros no Brasil, marque (V) para as sentenças verdadeiras e (F) para as falsas:
a. ( ) A maioria dos Corpos de Bombeiros executam de alguma forma a atividade de
educação pública e a maioria deles possui normatização ou diretriz para regular as
ações de educação preventiva.
b. ( ) As atividades de educação pública do Corpos de Bombeiros, não são mensuradas,
além disso, também não utilizam os apontadores estatísticos como norteador da
atividade.
c. ( ) O maior temor dos Corpos de Bombeiros atualmente é ter sua capacidade de
resposta maior que a sua demanda operacional.
d. ( ) Ocorrências recorrentes que não registram aumentos a cada ano, e que causam
mortes e lesões, merecem medidas preventivas.

3. Considerando a natureza das ocorrências, analise as situações colocadas e


associe a segunda coluna de acordo com a primeira.
A - recorrentes
B - sazonais
C - evolutivas
a. ( ) O aquecimento da economia possibilitou as classes C e D a comprarem
motocicletas a preços acessíveis e parcelados. A frota aumentou e o número de queda
também.
b. ( ) Prática de soltar pipas no período de férias aumenta o número de ocorrência
envolvendo acidentes com cerol.
c. ( ) A falta de normas e regulamentações que proteja o cidadão estão relacionadas
a acidentes domésticos e a incêndios residenciais.

4. Associe as características às respectivas atividades de educação pública:


A – Programas Educacionais
B – Campanhas de Prevenção
C – Ações Educativas

a. ( ) – são perenes e de execução anual.


b. ( ) – de curta duração e localizada.
c. ( ) – geralmente atendem as demandas solicitadas no dia a dia.
d. ( ) – obedecem uma unidade temática.
e. ( ) – data de início e de término.
f. ( ) – currículo e material didático próprio.
GABARITO

1. C

2. F/ V/ F/ V

3. C-B-A

4. A-C-C-B-B-A
Módulo 2

A preparação
de palestras
e apresentações
Apresentação do curso

Você estudou que as formas de execução da educação pública são os Programas


Sociais, as Campanhas de Prevenção e as demais Ações Educativas.

Pedidos de palestras, visitas nos quartéis, entrevistas são costumeiros e, aparentemente,


por mais simples que sejam, requerem preparação e capacitação por parte de quem
irá executá-las.

Neste módulo, você estudará sobre o que deverá ser considerado na preparação
de palestras e apresentações para que a mensagem possa ser entregue
de acordo com as características do público-alvo.

Objetivos do curso

Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de:

Ampliar conhecimento sobre:


• a preparação de palestras e apresentações;
• os mais diversos tipos de ocorrências atendidas pelos Corpos de Bombeiros Militares
no país; e
• a construção de mensagens seletivas para a prevenção.
Desenvolver/ exercitar habilidades para:
• compreender a dinâmica de uma ocorrência e cada público-alvo;
• identificar cada mensagem de acordo com suas características; e
• selecionar as mensagens adequadas para cada assunto.
Fortalecer atitudes para:
• reconhecer a importância de planejar palestras e apresentações considerando as
características do público-alvo.

Estrutura do Módulo

Aula 1 – Preparando palestras e apresentações: passo a passo


AULA 1 - Preparando palestras e apresentações: passo a passo

1.1 Passo 1 – Identificação do Público-alvo


Você já sabe que a educação pública nos Serviços de Bombeiros é uma atividade
exclusivamente ligada à área de prevenção, voltada não só para disseminar o
conhecimento sobre segurança com a comunidade, mas principalmente, fomentar
a mudança de atitudes e comportamentos de homens, mulheres e crianças,
direcionados aos riscos de incêndios e acidentes diversos.
O público, de acordo com o tema que venha ser explorado, é diverso. Você deve
estar igualmente preparado para falar com crianças em idade escolar, adolescentes,
profissionais da área de ensino, idosos, moradores de apartamentos, de cortiços, de
moradias precárias, pessoas com necessidades especiais, profissionais diversos, entre
outros quaisquer grupos de pessoas.
Sendo assim, um dos seus primeiros passos na preparação de alguma palestra ou
apresentação será conhecer o público-alvo, identificando algumas características,
como faixa etária, grau de conhecimento ou escolaridade, faixa socioeconômica,
capacidade de absorção de conhecimentos, entre outras que possibilitem, inclusive,
conhecer suas preferências.

Qual a expectativa de comportamento dos grupos?

Antecipar o conhecimento sobre o grupo que irá lidar é importante. O grupo


poderá mostrar-se:

• apático ou motivado;
• amistoso ou contrário;
• desinteressado; e
• hospitaleiro, conservador, liberal, etc.
Muitas vezes, tais ações de educação pública são executadas sem ao menos levar em
conta a vontade daquele público ou a sua capacidade de ouvir e aprender. Para fazer
isso, o contato prévio com o responsável ou alguns membros do grupo ajudará em
muito, principalmente aqueles que já conhecem ou que já participaram de algum
trabalho similar anteriormente.
A motivação será fundamental, pois embora estejam de corpo presente, devem
estar também disponíveis e abertos para ouvir. Os costumes e hábitos de cada grupo
devem ser levados em consideração, como por exemplo, alguns grupos religiosos ou
sociais que se importam com seu comportamento e ou vestimenta em particular.
Há ainda a possibilidade de alguns grupos tentarem “testar” o bombeiro educador.
Procure na sua comunicação com o público estar sempre seguro e transmita
entusiasmo. Forneça as informações com clareza, objetividade e domínio sobre o
assunto.
1.2 Passo 2 – Planejando a apresentação da mensagem

Será necessário, muitas vezes, determinar o quanto e a que ritmo tal público assimilará
as informações.
De que forma a mensagem deve ser apresentada?
As mensagens podem ser apresentadas de várias formas:
• escrita,
• falada,
• com apoio de recursos audiovisuais, etc.

1.2.1 Pontos que auxiliam no planejamento da apresentação da mensagem


• Identificar o conhecimento atual do grupo
Será necessário determinar previamente o quanto de informação o seu público já
pode ter recebido sobre o assunto a ser tratado. Se a maioria tiver conhecimento
sobre o tema devido às instruções passadas, ajuste sua apresentação para evitar a
repetição.

• Considerar o nível de maturidade do grupo


Não é sensato, por exemplo, uma palestra sobre a correta utilização dos extintores
portáteis com uma turma de crianças da escola primária, que não estão suficientemente
maduros para decidir quando é seguro utilizá-lo e de que forma.
Evite a exposição de imagens reais de acidentes que possam constranger o público
quer seja pela faixa etária ou pelas características deles, principalmente no que diz
respeito às imagens de vítimas de acidentes.
É importante revisar o conteúdo que se pretende transmitir e a abordagem que se fará
diante das necessidades do público alvo, ao mesmo tempo mantendo a integridade
da mensagem do tema proposto.

1.3 Passo 3 – Considerar o temário de ocorrências evitáveis


Embora você já tenha aprendido o que é uma ocorrência evitável, para recordar,
reveja o seu significado:
Uma ocorrência evitável é todo aquele fato não desejado, mas previsível, em sua
maioria, em razão da sua causa dar-se por alguma conduta humana inadequada, quer
seja, de omissão, inapropriada ou insegura e que se fazem presentes nas estatísticas e
no dia a dia operacional de todos os Corpos de Bombeiros Militares do Brasil.
Conhecendo a rotina operacional dos bombeiros no Brasil, chegou-se a uma variedade
de ocorrências evitáveis que, invariavelmente, representam uma elevada demanda
para as corporações, sendo elas:
Há que se considerar nessas atividades educativas que os temas de interesse dos Corpos
de Bombeiros não devem estar exclusivamente ligados à prevenção de ocorrências.
Há outros tópicos que são, de igual forma, interessantes para a comunidade para
fomentar também uma atitude mais pró-ativa, como por exemplo:

• saber acionar corretamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone de emergência 193;


• saber, em caso de necessidade, utilizar corretamente extintores de incêndio;
• saber, também, como portar-se nos casos de incêndios em edificações e adotar uma
conduta segura de fuga.

Exercício prático: investigando a realidade


1. Observando a relação das ocorrências evitáveis, escolha 03 (três) delas, de acordo
com seu conhecimento e experiência profissional, que são mais frequentes na sua
cidade.
( ) Afogamentos;
( ) Acidentes e Incêndios domésticos;
( ) Acidentes envolvendo crianças;
( ) Acidentes de Trânsito;
( ) Acidentes envolvendo animais peçonhentos;
( ) Incêndios e acidentes envolvendo balões e fogos de artifício;
( ) Ocorrências envolvendo elevadores;
( ) Enchentes;
( ) Incêndios residenciais;
( ) Incêndios em vegetação;
( ) Ocorrências envolvendo gás de cozinha – Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) - entre
outras.

2. Você completaria com alguma outra ocorrência de natureza evitável, que é


característica ou faz parte exclusivamente da demanda operacional de sua cidade
ou Estado?

3. Caso positivo, indique as suas principais causas ou motivos de sua incidência.


1.4 Passo 4 – Estabelecendo de que forma transmitirá a mensagem

Uma vez definido um temário de ocorrências evitáveis e dicas de atitudes que


estimulem a atenção das pessoas sobre sua segurança e conduta em situações de
risco, cabe a organização identificar as razões principais que as fazem acontecer com
a conduta das pessoas que motivaram a causa ou a sua própria lesão ou morte.

IMPORTANTE!

Entender a dinâmica de cada ocorrência permitirá descobrir um leque de evidências que


ajudarão a construir as mensagens de prevenção mais efetivas para cada caso.

A partir daí, determine de que forma você transmitirá as mensagens ao seu público-
alvo. Há diversas maneiras ou formatos, os mais comuns são: palestras, demonstrações
práticas, distribuição de materiais impressos, exibição de vídeos, entrevistas para
televisão, rádio, notas para imprensa, apresentações teatrais, shows de marionetes,
seminários, apresentações com slides, cartazes, artigos jornalísticos, etc..

A escolha do formato dependerá de alguns fatores, tais como:


• tamanho do público-alvo;
• recursos disponíveis e os custos de materiais;
• tempo estimado para a atividade;
• nível de atenção da audiência e envolvimento; e
• faixa etária, entre outros.

As mensagens devem ser construídas e direcionadas em razão do seu receptor.


O receptor neste caso, não deve se ater somente para o público-alvo “vítima”.
Nesses casos, direcionado em grande parte ao público-infantil, pelo despreparo e
desconhecimento sobre a potencialidade de risco em suas ações e atitudes

Como se tratam de ocorrências motivadas pelo comportamento humano, muitas


mensagens serão construídas também em razão dos “motivadores ou causadores”
das ocorrências, em geral adolescentes e adultos, pois têm o discernimento e a
capacidade de assimilar sobre uma atitude certa ou errada. Sua atitude pode ser
prejudicial para si próprio ou para outra pessoa.

Há também pessoas (adultos), que tem a possibilidade e a oportunidade, de forma


consciente e pró-ativa, gerar ou providenciar mudanças no ambiente que evitem ou
eliminem um risco, tornando-os mais seguros. São os limitadores de risco.
Público-alvo
“Limitadores
de risco”

Público-alvo
“Vítimas”

Público-alvo
“Motivadores
ou causadores”

IMPORTANTE!

Quando um Bombeiro Educador diz...


... a uma criança que ela não brinque com balões ou fogos de artifício, ele está entregando
essa mensagem à uma vítima potencial.
... a um adulto que não solte balões com fogos de artifício, ele está entregando essa
mensagem à um potencial motivador ou causador de uma ocorrência.
... a um pai ou mãe que não permita que seu filho brinque com balões ou fogos de artifício,
ele está entregando essa mensagem à um limitador de risco potencial.

No dia a dia, o Bombeiro Educador deve estar preparado para executar suas atividades
e com todo suporte disponível oferecido pela sua Organização, quer seja, viatura
própria, materiais impressos para distribuição, recursos audiovisuais, notebook,
extensão de cabos, meios auxiliares de ensino, entre outras necessidades.

Um dos suportes que não poderá faltar ao bombeiro educador são as matrizes
educacionais, ou seja, a linha de conteúdo didático de prevenção da sua Corporação.
Você como Bombeiro Educador, tem um carisma próprio, habilidade e destreza na
arte de se comunicar e atrair a atenção do seu público, razão principal pela qual,
você foi de alguma forma designado pela corporação para melhor se capacitar, mas
principalmente para exercer preferencialmente tal função.

Todas essas suas qualidades devem, no momento de sua atividade, ser canalizadas
como um porta-voz das tais mensagens construídas e que a Corporação entendeu
que são as mais adequadas e eficientes para cada assunto dedicado.

1.5 Passo 5 – Definindo recursos materiais

Tenha em mãos, de acordo com o tema proposto, além do seu caderno, as matrizes
disponíveis para cada aula (apresentações de slides, vídeos educativos e outros meios
auxiliares de ensino), além dos recursos técnicos necessários: projetores, extensão de
cabos, adaptadores de tomada, entre outros.

IMPORTANTE!

É necessário saber antecipadamente quais recursos estarão disponíveis e a estrutura que o


local oferece para a palestra ou apresentação, se possui a voltagem predominante, se há
computador ou notebook disponível, projetores e telas, capacidade do auditório ou da sala,
espaço para demonstrações, aparelhagem de som, microfone, etc.

Para saber mais...


Antes de terminar o estudo deste módulo, revise as dicas para tornar suas
apresentações mais interessantes.

Contudo, lembre-se:
Toda apresentação do Bombeiro Educador deve obedecer ao padrão visual adotado
pela sua corporação, caso ela disponha de norma ou regulamento que regule esta
questão.
Neste módulo, você estudou que:

• É importante planejar as mensagens a serem entregues ao público-alvo com base


no histórico de ocorrências da sua cidade, estado e país, bem como, a dinâmica de
cada uma delas, verificando as principais causas.

• As mensagens são construídas em razão de três tipos de público-alvo: as vítimas em


potencial, os causadores ou motivadores das ocorrências e para aqueles que podem
de alguma forma limitar o risco.
EXERCÍCIOS

1. Analise as mensagens seletivas abaixo a respeito dos temas já estudados e


indique para que tipo de público-alvo seria indicado:

A. público-alvo “Vítimas”
B. público-alvo “Motivadores ou causadores”
C. público-alvo “Limitadores de risco”

( ) pais ou responsáveis não devem deixar uma criança desacompanhada na água


ou na área de piscina por qualquer razão e não devem se distrair por campainhas,
telefonemas, tarefas, conversações ou outras atividades paralelas;
( ) não se deve entrar na água, caso tenha ingerido bebidas alcoólicas;
( ) na mesa de refeições, deve-se evitar o uso de toalhas compridas onde a criança
possa puxar sobre si, arrastando panelas quentes e utensílios;
( ) nunca correr para a rua para pegar uma bola ou por qualquer outra razão.
( ) orientar e incentivar as crianças a não brincarem com fogos de artifício ou
bombinhas.
( ) cordões de cortina ou persianas não devem formar uma alça para serem tracionados,
pois podem transformar-se em enforcadores. Neste caso devem ser cortados em dois
pedaços e colocá-los no alto, onde as crianças não possam alcançá-los.
( ) as crianças devem ser orientadas que a prática de usar “cerol” para soltar pipas é
proibida e perigosa e que seu uso pode causar sérias lesões e até a morte em outras
pessoas.

2. Em relação ao planejamento da mensagem, marque (V) para as sentenças


verdadeiras e (F) para as falsas:

( ) As mensagens podem ser apresentadas de várias formas: escrita, falada, com apoio
de recursos audiovisuais, etc;
( ) Não é necessário determinar previamente o quanto de informação o seu público já
pode ter recebido sobre o assunto a ser tratado;
( ) Se público-alvo tiver conhecimento sobre o tema devido às instruções passadas,
ajuste sua apresentação para evitar a repetição;
( ) Utilize sempre imagens reais de acidentes e vítimas, pois auxiliam na sensibilização
do público-alvo.
GABARITO

1. C - A - C - A - A - C -B

2. V/ F/ V/ F
Módulo 3

O Caderno Guia do
Bombeiro Educador
Parte 1
Apresentação do curso

Neste módulo, você conhecerá uma importante ferramenta que o auxiliará no seu dia
a dia de Bombeiro Educador – O Caderno Guia do Bombeiro Educador, bem como,
será apresentado às três primeiras temáticas que estão sendo consideradas nele.

Objetivos do curso

Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de:

Ampliar conhecimento sobre:


• conteúdo do Caderno Guia do Bombeiro Educador: acionando o Corpo de Bombeiros
Militar via 193; afogamentos, acidentes e incêndios domésticos.

Desenvolver/ exercitar habilidades para:


• compreender a dinâmica de uma ocorrência e cada público-alvo;
• identificar cada mensagem de acordo com suas características; e
• selecionar as mensagens adequadas para cada assunto.

Fortalecer atitudes para:


• reconhecer a importância de padronizar as mensagens e desenvolver uma unidade
didática de prevenção em seu território de atuação.

Estrutura do Módulo

Aula 1 – O Caderno Guia do Bombeiro Educador

Aula 2 – Temática 1 – Acionando o Corpo de Bombeiros Militar pelo telefone de


emergência 193

Aula 3 – Temática 2 – Afogamentos

Aula 4 – Temática 3 – Acidentes e incêndios domésticos


AULA 1 - O Caderno Guia do Bombeiro Educador

1.1 O que é?

O Caderno Guia do Bombeiro Educador é um suporte didático, em forma de temário,


em que para cada um dos temas (ocorrências evitáveis) são descritos uma relação de
tópicos (mensagens) que são julgadas como obrigatórios – tanto em relação a sua
divulgação e ensinamento – em uma atividade educativa.

Como o próprio nome diz nada mais é do que um guia para orientar o trabalho
do bombeiro educador, criando condições para que ele possa seguir o conteúdo e
lembrar-se das mensagens importantes que devem ser entregues ao público-alvo
estabelecido.

1.2 Quais são as vantagens de se dispor de tal Guia?

• as mensagens são pré-determinadas;


• o bombeiro educador não gastará tempo demasiado para preparar sua apresentação
ou palestra;
• os conteúdos são padronizados, o que confere uma disseminação de informações
semelhantes em todo o seu Estado, independente de quantos bombeiros educadores
diferentes atuem nele; e
• em termos de mensagens de prevenção é o que se entende, hoje, ser o melhor.

A partir de agora, você vai conhecer, de forma detalhada, o conteúdo do Caderno


Guia do Bombeiro Educador e entender um pouco mais sobre a dinâmica e as
causas principais dessas ocorrências e de outros temas de interesse dos Corpos de
Bombeiros.

AULA2 - Temática 1: acionando o Corpo de Bombeiros pelo telefone de emergência


193

2.1 Contextualizando o tema

Mesmo não se tratando de um determinado tipo de acidente ou sinistro recorrente


dos atendimentos dos Corpos de Bombeiros Militares o primeiro tema do Caderno
Guia do Bombeiro Educador não poderia ser outro que não fosse, de início, ensinar
a população, não só o número do telefone de emergência do Corpo de Bombeiros
(193), mas como acioná-lo e em quais situações.

Parece simplista demais, mas não é!

Em pesquisa recente, observou-se que na maior cidade do país, São Paulo, apenas
31,5% dos entrevistados conhecia de fato o telefone de emergência dos bombeiros.

Não é apenas o fato de conhecer ou não o telefone “193”. Esta questão envolve um
dos principais fatores de sucesso no atendimento dos bombeiros, o “tempo resposta”,
que se dá, desde o momento que o solicitante aciona os serviços dos bombeiros pelo
“193”, até a chegada das guarnições ao local da ocorrência.
Quando um cidadão desconhece o telefone “193” e tenta acessar os bombeiros
por outros meios, como telefones de prestação de serviço público (Polícia Militar,
por exemplo, pelo telefone 190), a partir daí, o tão almejado tempo resposta de
quem necessita, já está se alongando, comprometendo o salvamento e o melhor
atendimento ao sinistro.

Durante o atendimento nos Centros de Operações de Bombeiros, uma breve triagem


é realizada para compreender as informações necessárias para o deslocamento dos
bombeiros, tais como: natureza da ocorrência, presença ou não de vítimas, situação
do local, presença de outros riscos, endereço correto, etc.

Sendo assim, é necessário que a população saiba solicitar e, também, quais


informações deverão ser repassadas para o mais breve e adequado atendimento.
Cabe aos CBMs (Corpos de Bombeiros Militares) ensinarem e orientarem a população
sobre tal procedimento.

2.2 Mensagens que devem ser abordadas

As mensagens a seguir devem ser repassadas ao público externo:

O telefone de emergência dos Corpos de Bombeiros Militares é 193.


Esta é uma informação básica e elementar, além de saber o número correto, as pessoas
devem entender que este número deve ser a 1ª opção do cidadão para que se evite
maior atraso na solicitação.

As situações em que o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo 193.


Esta é outra importante informação que as pessoas devem ter em mente, até por conta
de que devem conhecer os serviços que os bombeiros oferecem e, na contramão,
evitar uma ligação desnecessária ao Centro de Operações dos Bombeiros solicitando
algo que, de fato e direito, não compete aos bombeiros.

Exercício prático: atendimento 193

1ª parte – Assinale abaixo os serviços, que no seu entendimento, dizem respeito


ao atendimento 193:
2ª parte – É possível que, em algumas alternativas, você tenha ficado em dúvida.
Portanto, indique e comente qual ou quais delas você não ficou convicto em
assinalar e por qual motivo.

Exercício prático: Situações comunicadas ao 193


Leia as situações a seguir e imagine-as sendo comunicadas, via 193, por algum
cidadão, ao Corpo de Bombeiros de sua cidade:
A) Um cachorro da raça pit-bull está vagando sozinho na rua, próximo a uma escola.
B) Um cachorro da raça pit-bull adentrou sozinho em uma escola e está atacando
crianças.
C) Um cachorro da raça pit-bull está em uma rua próximo à escola, deitado,
desnutrido e parece que não come há dias.

Dê sua opinião, sobre as situações acima:


• As três situações são semelhantes?
• As três situações são pertinentes ao Corpo de Bombeiros?
• As três situações são emergenciais?
• As três situações são ocorrências da mesma natureza?
• Em algumas das situações a competência do atendimento seria de algum outro
órgão? Qual?

Informações principais e relevantes que o solicitante deve transmitir ao atendente


do Centro de Operações do Corpo de Bombeiros.
Como já explicado, o tempo de resposta é fundamental, portanto o cidadão deve
estar orientado sobre quais informações são relevantes para o Corpo de Bombeiros
para que ele possibilite o atendimento mais adequado, como por exemplo:

• Identificação – Quem está ligando e telefone de contato.


• O que aconteceu? – A natureza da ocorrência.
• Vítimas – Há vítimas no local? Quantas? Qual a situação delas (tipo de lesão, grau
de consciências, retidas em algum lugar?).
• Endereço – Onde aconteceu (endereço preciso e alguma referência se possível).
• Risco – Há algum risco presente no local?
• Apoio – Há algum outro órgão público no local (agentes de trânsito,
policiamento,etc.). Em não havendo, há necessidade?

O trote e suas implicações para o Corpo de Bombeiros (para quem de fato necessita
dos serviços e para quem pratica o trote).
O trote nos serviços de emergência é o artifício usado, de má fé, por uma pessoa para
acionar os serviços de emergência para uma ocorrência que, de fato, não existe, com
o objetivo de causar embaraço àquele serviço por pura diversão ou troça.

Essa é uma ótima oportunidade para falar dos inconvenientes que um trote pode
causar aos serviços dos bombeiros, principalmente se o público presente for infantil
e de adolescentes. Exemplificar com casos reais, durante a apresentação, é positivo.
Refletindo sobre a questão...
Leia a notícia que mostra um conflito de atendimento entre o Corpo de Bombeiros e
um outro órgão de atendimento em uma determinada cidade do país.
Esse problema também existe em sua cidade?
De que forma a educação pública junto à comunidade poderia ajudar?

Resumindo...
Essas são as mensagens obrigatórias dentro deste tema:
• divulgar o telefone de emergência dos Bombeiros: 193;
• esclarecer sobre as situações em que o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo
193;
• esclarecer sobre quais informações essenciais e relevantes o solicitante deve
transmitir ao atendente do Centro de Operações dos Bombeiros;
• fomentar, principalmente nas crianças e adolescentes, a reflexão e consequentemente
a mudança de atitude e de comportamento com relação aos trotes e suas implicações
para o Corpo de bombeiros, para quem de fato necessita dos serviços e para quem
pratica o trote.

AULA 3 - Temática 2: afogamentos

3.1 Tipificação – Ocorrência recorrente


As ocorrências de afogamento estão sempre presentes nas estatísticas dos Corpos de
Bombeiros Militares do Brasil, qualquer que seja o ambiente aquático. Além de rios,
lagos e represas em nosso país, até mesmo em piscinas, conta ainda, principalmente,
com 7.367 km de costa litorânea, com mais de 2 mil praias frequentáveis, o que faz
dessa modalidade uma ocorrência constante e de caráter extremamente grave.

DADOS SOBRE A TEMÁTICA

Quanto ao público infantil, segundo a Organização Criança Segura, no Brasil, os afogamentos representam a 2ª
causa de morte e a 7ª em hospitalização, entre os acidentes, na faixa etária de 1 a 14 anos.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2010, 1.184 crianças de até 14 anos morreram vítimas de afogamentos, o que
representa uma média diária de quase 3(três) óbitos.

Para esse público é importante destacar que para uma criança que está começando a
andar, por exemplo, 5 cm de água representam um grande risco.

Assim sendo, elas podem se afogar em piscinas, cisternas, banheiras, vasos sanitários
e até em baldes. Por este tema ser um pouco mais complexo, as mensagens tiveram
que ser construídas sob a ótica de dois fatores: perfil da vítima e local de risco.

3.2 Quem se afoga?

Essa é uma grande preocupação, pois qualquer um pode se afogar, desde um bebê
recém-nascido ao idoso.
3.3 Locais de risco de afogamento

Qualquer ambiente aquático oferece risco de afogamento. Uma poça de água, por
exemplo, é um risco potencial para um bebê.

Os principais ambientes aquáticos onde a incidência de afogamentos é maior são


mais frequentes, em piscinas, lagos e represas e praias.

Estude a seguir, sobre cada um deles!

3.3.1 Piscinas

São aparentemente mais seguras por serem locais com área restrita, podendo ser
controladas em razão de cercas, profundidade limitada e presença de salva-vidas nos
casos de piscinas públicas ou de clubes privados.

Tais circunstâncias, porém, não evitam os acidentes, basta o descuido e desatenção e o


afogamento acontece em um curto espaço de tempo, principalmente nas residências
em que as crianças brincam sem a supervisão de um adulto. É o tipo de afogamento
predominante em áreas urbanas.

Um fato atual que desperta muito atenção sobre este tema é que cada vez mais, as
creches, onde o público dominante são crianças pequenas, há piscinas, o que torna
essencial e obrigatório os responsáveis por tais lugares a redobrarem sua atenção
com os menores.

3.3.2 Lagos e represas

Lagos e represas encontram-se, geralmente, localizados em regiões ermas,


pouco habitadas, de vastas dimensões e de difícil controle e vigilância. São locais
normalmente frequentados por moradores da própria região, desprovidos de acesso
a outros locais de lazer mais apropriados.

3.3.3. Praias

O Brasil é detentor de uma costa litorânea de 7.367 km, com mais de 2 mil km de
praias frequentáveis, sendo tais locais de alta incidência de ocorrências e óbitos por
afogamentos.

Esta condição obrigou aos Corpos de Bombeiros Militares a disporem de Unidades


exclusivas para o atendimento de ocorrências de afogamento e salvamento aquático
nos estados que possuem praias.

No período de verão e alta temporada a incidência dos afogamentos aumenta


substancialmente. Em razão disso, cada Corporação desenvolve operações específicas
de prevenção.
3.4 Mensagens que devem ser abordadas

Por suas características próprias e pelo histórico de ocorrências mais comuns


de afogamentos, os ambientes aquáticos demandam mensagens específicas e
contextualizadas.

Dessa forma, para melhor compreensão, as mensagens serão classificadas de acordo


com a faixa etária ou o ambiente de risco.

3.4.1 Público-alvo: pais ou responsáveis por bebês e crianças em fase de


engatinhamento

Você já aprendeu que as mensagens são construídas em função de 3 (três) tipos de


públicos-alvo:

• as vítimas em potencial;
• os motivadores ou causadores potenciais das ocorrências; e
• os limitadores de risco (aqueles que potencialmente podem livrar ou manter os
ambientes mais seguros.

Neste caso, embora o público a se proteger seja os “bebês”, as mensagens aqui devem
ser direcionadas àqueles que podem evitar tais acidentes (os limitadores de risco),
pais ou responsáveis.

Mensagens selecionadas

• Grande parte dos afogamentos com bebês acontece em banheiras. Na faixa etária
até dois anos, vasos sanitários e baldes podem ser perigosos. Nunca deixe as crianças
sem vigilância próximas às pias, vasos sanitários, banheiras, baldes e recipientes com
água.
• Baldes, banheiras e piscinas infantis devem ser esvaziadas após o uso e guardados
sempre virados para baixo e longe do alcance das crianças.
• Os vasos sanitários devem sempre estar fechados com a tampa, se possível lacrado
com algum dispositivo de segurança “à prova de criança” ou a porta do banheiro
trancada.
• Uma criança na banheira não deve em hipótese alguma ser abandonada nem que
seja por segundos. Destacando-se os seguintes exemplos:
• ao sair para pegar uma toalha, apenas 10 segundos são suficientes para que a criança
dentro da banheira possa ficar submersa.
• ao atender ao telefone: apenas 2 minutos são suficientes para que a criança submersa
na banheira perca a consciência.
• ao sair para atender a porta da frente: uma criança submersa na banheira ou na
piscina entre 4 a 6 minutos pode ficar com danos permanentes no cérebro.

• Deve-se evitar a água parada ou empoçada. Uma criança pequena pode se afogar
em somente 5 (cinco) centímetros de água.
• Baldes, bacias grandes, latões com água são suficientes para causar afogamentos em
crianças pequenas
IMPORTANTE!

Muitas dessas mensagens foram construídas em razão de fatos reais. A análise de cada um
desses fatos motivou a compreensão da relação: causa e prevenção.

3.4.2 Público-alvo: pais de adolescentes

• As crianças devem ser estimuladas a aprender a nadar com instrutores qualificados


ou em escolas de natação especializadas. Se os pais ou responsáveis não sabem nadar,
devem aprender também.
• Os pais devem conhecer quais amigos ou vizinhos possuem piscina em casa e,
quando levarem seu filho para visitá-los, devem certificar-se de que a piscina terá a
supervisão de um adulto, enquanto brinca na água.
• As crianças devem sempre ser orientadas a nadarem acompanhadas. Nadar sozinho
é uma prática perigosa.
• As crianças não devem brincar de empurrar, dar “caldo” dentro da água ou simular
que estão se afogando.

Mensagens sobre a temática


Clique aqui e conheça também as mensagens relacionadas a prevenção aos
principais ambientes aquáticos extraídos do Caderno Guia do Bombeiro Educador.

AULA 4 - Temática 3: acidentes e incêndios domésticos

As pessoas têm uma falsa sensação de segurança quando estão em suas residências.
Baixam a guarda totalmente, pois há o sentimento comum de que o lugar onde moram é
o mais seguro e livre de qualquer risco.

Os acidentes e incêndios domésticos são ocorrências mais frequentes do que imaginamos,


pois nem todas passam pelos registros de atendimentos do Corpo de Bombeiros.

Nesses ambientes, obviamente, onde residem pessoas, reforça sobremaneira o interesse


dos Corpos de Bombeiros Militares na proteção da vida, do patrimônio e do meio ambiente.

4.1 Acidentes domésticos

Com relação aos acidentes domésticos observam-se dois grupos de alto risco: as
crianças e os idosos.

Estude sobre eles a seguir!


4.1.1 Acidentes com bebês e crianças
a. Em fase de engatinhamento

Os bebês são um público muito especial, pela incapacidade total de se prevenir e de


reagir frente aos riscos. Os locais mais seguros para bebês sozinhos são os berços e os
cercadinhos, os recém-nascidos passam a maior parte do tempo dormindo, portanto,
seu local de descanso (o berço) deve ser o mais seguro possível. Daí, a necessidade de
se observar quais são os riscos prováveis e as medidas de proteção.

Outros acidentes típicos nessa faixa etária são os problemas relacionados à:

• asfixia ou sufocamento;
• quedas; e
• queimaduras.

Mensagens sobre a temática


Conheça as mensagens relacionadas à prevenção de acidentes com bebês e
crianças.

b. Acidentes com crianças em ambientes externos


As crianças são sempre uma preocupação a mais na questão segurança, quer seja,
dentro ou fora do lar. As crianças envolvidas em acidentes ou incêndios, sendo
“causadoras inconscientes” ou não, tornam-se especialmente vítimas pela sua
condição de indefesa e desconhecimento de riscos e suas consequências.

A curiosidade e o desconhecimento sobre o perigo são inerentes ao comportamento


natural das crianças, sendo mais acentuado na faixa etária até 10 anos. Não por acaso,
as crianças têm especial fascínio pelo fogo.

Os acidentes mais comuns envolvendo crianças são as queimaduras, quedas acidentais,


choques elétricos, ingestão acidental de pequenos objetos, engasgamentos, ingestão
de produtos de limpeza, de remédios e afogamentos.

Objetos, como caixas de fósforo e isqueiros, chamam à sua atenção como se fossem
brinquedos.

Fora do seu lar, os riscos são muitos e inerentes às atividades de recreação de qualquer
criança.

Mensagens sobre a temática


Conheça as mensagens relacionadas à acidentes de crianças em ambientes
externos e vias públicas.
4.1.2 Acidentes domésticos com idosos
Os idosos são um público bastante especial, a exemplo das crianças, pois a atenção aos
riscos não é adequada e os reflexos e reações frente aos perigos estão comprometidas
em razão da idade, afetando, audição, locomoção, visão, memória e outros problemas
congêneres.

Para eles, os riscos de acidentes domésticos estão também nos mais diversos ambientes
e situações: na cozinha, no ato de cozinhar, no caminhar entre as dependências da
casa, principalmente, à noite.

Segundo Garcia (s.d), a residência do idoso deve ser adaptada para evitar a maior
variedade possível e previsível de acidentes.

Os principais riscos em uma residência para os idosos são:


• tapetes soltos e carpetes mal adaptados ou rasgados, tacos soltos no chão ou pisos
quebrados;
• pisos encerados ou escorregadios;
• escadas muito inclinadas, com degraus irregulares, mal iluminadas e desprovidas de
corrimão;
• presença de muitos móveis dificultando sua caminhada;
• iluminação deficiente;
• camas e sofás muito altos ou muito baixos;
• cadeiras e vasos sanitários muito baixos;
• prateleiras de difícil alcance;
• presença de animais domésticos pela casa;
• uso de chinelos ou sapatos em más condições ou inadequados;
• fios elétricos soltos, objetos espalhados pelo chão. (GARCIA, s.d.)

Mensagens sobre a temática


Conheça as mensagens relacionadas a acidentes de idosos.

4.2 Incêndios domésticos

As residências, no aspecto da proteção contra incêndios, estão desprovidas de normas


e regulamentações, não havendo medidas profiláticas a serem cumpridas por força
de legislação específica.

No Brasil, os índices de causas de incêndios em residências com prejuízos materiais e


pessoais são consideráveis. Em geral, as principais causas de incêndios em residências
estão vinculadas às instalações elétricas, à cozinha, brincadeiras de crianças, o
armazenamento inadequado de produtos inflamáveis, uso inadequado de outras
fontes de calor e ignição como velas, lamparinas, etc.Tais ocorrências residenciais
decorrem, quase sempre, por alguma conduta inadequada ou pela inobservância de
algum simples procedimento de segurança.
Finalizando...

• Neste módulo, você conheceu uma importante ferramenta que o auxiliará no seu
dia a dia de Bombeiro Educador - O Caderno Guia do Bombeiro Educador.

• Percebeu o quanto é importante estabelecer para cada tema de prevenção um


temário com a construção de mensagens seletivas e padronizadas, com base no
histórico de ocorrências da sua cidade, estado e país, bem como, na dinâmica de cada
uma delas, verificando as principais causas.

• Você também ampliou seu conhecimento sobre os primeiros temas do Caderno


Guia. No próximo Módulo, novos temas para aprendizado e discussão.
EXERCÍCIOS

1. “Sem berço, criança de dez dias dorme com os pais e morre asfixiada”.
Esta é uma manchete de uma notícia real. Supondo que tal fato tenha acontecido
na sua cidade recentemente e, oportunamente, você como Bombeiro Educador, foi
designado para dar uma palestra em uma igreja para as famílias que lá frequentam.
A respeito das causas prováveis do fato descrito, relacione pelo menos 5 (cinco)
mensagens adequadas que você abordaria em tal encontro.

ORIENTAÇÃO PARA RESPOSTA - ANEXO


Módulo 4

O Caderno Guia do
Bombeiro Educador
Parte 2
Apresentação do curso

Neste módulo, será dada continuidade ao estudo dos temas do Caderno Guia do
Bombeiro Educador, comentando e descrevendo sobre os acidentes de trânsito,
acidentes com animais peçonhentos, balões e fogos de artifício; incêndio em
vegetação e enchentes

Objetivos do curso

Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de:

Ampliar conhecimento sobre:


• o conteúdo do Caderno Guia do Bombeiro Educador: os acidentes de trânsito;
acidentes com animais peçonhentos; balões e fogos de artifício; e incêndios em
vegetação e enchentes.

Desenvolver/ exercitar habilidades para:


• compreender a dinâmica de uma ocorrência e cada público-alvo;
• identificar cada mensagem de acordo com suas características; e
• selecionar as mensagens adequadas para cada assunto.

Fortalecer atitudes para:


• reconhecer a importância de padronizar as mensagens e desenvolver uma unidade
didática de prevenção em seu território de atuação.

Estrutura do Módulo

Aula 1 – Acidentes de trânsito em geral


Aula 2 – Acidentes com animais peçonhentos
Aula 3 – Balões e fogos de artifício
Aula 4 – Incêndios em vegetação
Aula 5 – Enchentes
AULA 1 - Acidentes de trânsito

1.1.1 Tipificação – Ocorrência recorrente


Os acidentes de trânsito são um dos maiores causadores de óbitos por trauma no país
e a principal ocorrência atendida pelos serviços de Resgate dos Corpos de Bombeiros.

Entende-se por “trauma” toda aquela lesão produzida por uma ação violenta (física
ou química) externa ao organismo, por isso pode ser considerado imprevisível. Do
trauma podem decorrer lesões moderadas a graves, bem como, simultâneas em
diversos órgãos. Delas, podem decorrer ainda, desde sequelas até mesmo à morte
em curto período de tempo se não tratadas adequadamente desde o início.

É o que podemos chamar, no universo de ocorrências dos Corpos de Bombeiros de


“Problema Macro”. Lembra? Você estudou sobre este tipo de problema no módulo 1.

DADOS SOBRE A TEMÁTICA


Estudos apontam que os gastos públicos com acidentes, principalmente os de trânsito, são severos. Em 2008,
divulgou-se os dados dos custos dos acidentes de trânsito no Brasil, afirmando que seria maior do que 2007. O
custo gerado pelos acidentes de trânsito no país, em maio de 2008, era de R$ 22 bilhões.

Nos serviços de Resgate dos Bombeiros é com certeza a maior demanda operacional
dos bombeiros, pois neste tema, incluem-se os atropelamentos, os acidentes
envolvendo pedestres e ciclistas.

1.1.2 O público-alvo e as mensagens de prevenção

Nesta temática, o público-alvo também é seletivo:


• Motoristas;
• Pedestres;
• Ciclistas; e
• Motociclistas.

É um tema complexo e bastante grave no país, pois todas as esferas governamentais


e não governamentais se esforçam de alguma maneira para reduzir os acidentes, as
vítimas e secundariamente, os consequentes gastos públicos.

Anualmente, campanhas e programas de prevenção são levados a efeito. Os Corpos


de Bombeiros, respeitando suas limitações, também devem promover ações de
prevenção, pois o seu empenho operacional é significativo.

Não obstante, os bombeiros são chamados para participarem dessas campanhas


e programas educacionais de iniciativas diversas, pois além do apelo profissional e
envolvimento direto com a questão dos acidentes, a aceitação dos bombeiros no país
é extremamente positiva.
Os bombeiros são sempre consultados pela sua expertise operacional. Dessa forma,
foi possível, ao longo da história construir algumas mensagens de prevenção que, via
de regra, servem para todo o país.

Perceba que neste tema específico, a dimensão dos acidentes de trânsito e do público-
alvo, as ações simples de educação pública tornam-se quase inócuas pelo alcance
limitado. A melhor indicação educativa neste caso são os Programas Educacionais ou
Campanhas de Prevenção com possibilidade de alcance maior.

IMPORTANTE!

Embora seja uma característica deste tema, as mensagens devem existir de qualquer
forma para quando o bombeiro for solicitado, mesmo para uma palestra simples, saiba
exatamente o que transmitir.

1.2 – Acidentes de trânsito com motociclistas

Os acidentes envolvendo motocicletas merecem um estudo a parte dos demais


acidentes de trânsito.

Esse é um caso típico de ocorrência que vem crescendo nos últimos anos, em todas as
cidades do país e que requer uma atenção especial para a realização de campanhas
prevencionistas.

DADOS SOBRE A TEMÁTICA


• Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e similares
(Abraciclo), a frota brasileira de motocicleta, de 2000 a 2010, cresceu 309% passando de 4,03 milhões para 10,6
milhões de unidades.

• No período entre os anos de 2000 a 2011, os casos de indenizações do Seguro de Danos Pessoais Causados por
Veículos Automotores de Vias Terrestre (DPVAT), por morte de motociclistas no trânsito brasileiro aumentaram
134%.

• Os casos de invalidez permanente também apresentam números muito preocupantes. De 2000 a 2011, houve um
aumento de 1.378% no número de pagamentos do Seguro DPVAT para essa categoria. Só em 2012, as motocicletas
representaram 74% das indenizações por invalidez permanente. Jovens entre 18 e 34 anos representam o grupo
etário de maior incidência, com 53% dos casos. Destes, 44% foram decorrentes de acidentes com motocicletas.

A moto ganhou status na sociedade brasileira depois do financiamento a longo prazo,


o que permitiu que a grande massa de consumidores comprasse o veículo, pagando
o mesmo valor que ele gastava com a passagem de ônibus.

As estatísticas revelam que o cenário de acidentes com motocicletas no país é


preocupante. Seja por imprudência dos próprios motociclistas ou condutores de
outros veículos, os números são muito alarmantes e pedem uma rápida mudança de
pensamento.
1.3 Atropelamentos

DADOS SOBRE A TEMÁTICA


Segundo o jornal o Estado de São Paulo, de 2000 a 2010, 107 mil pessoas morreram atropeladas no Brasil e entre os
tipos de veículos envolvidos, as motocicletas ocupam o 2° lugar, ultrapassando os caminhões.

Essa ocorrência tornou-se um problema sério para a Saúde no Brasil, em 5 (cinco) anos, foram gastos com os atro-
pelamentos mais de R$ 230 milhões. Em 2005, segundo o Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN as 6.303
mortes por atropelamento no País, registradas por aquele órgão, num total de 25.427 mortos, correspondem a,
aproximadamente, 25% do total. Se fosse aplicada essa porcentagem ao total maior registrado pelo Ministério da
Saúde, esse número ultrapassaria 8.500 mortes. Dessa forma, pode-se afirmar que o número de mortes em atro-
pelamento no Brasil varia entre 6.300 e 8.500 aproximadamente. Um número considerável, levando-se em conta a
população e a frota de veículos.

De fato, para os Bombeiros no Brasil, trata-se de um problema-macro.

Mensagens sobre a temática


Conheça as mensagens de prevenção construídas para este tema, extraídas do
Caderno Guia do Bombeiro Educador.

AULA 2 - Acidentes com animais peçonhentos

2.1 Tipificação – Ocorrência recorrente

Ocorrências com animais peçonhentos ocorrem todo o ano e recentemente deixou de


ser uma ocorrência predominantemente em ambiente rural, sendo comum em áreas
urbanas de média e grande concentração populacional, face à ocupação humana
desordenada, com a degradação do ambiente nativo das espécies peçonhentas.

O que é um animal peçonhento?


É todo aquele animal que possui veneno e, além disso, possui um mecanismo que permite injetar seu veneno no organismo de outro ser,
quer seja, para alimentar-se ou defender-se de uma ameaça.

Dependendo da espécie, uma picada pode tornar-se extremamente grave, com risco
de morte, caso o socorro seja inadequado e demorado. No Brasil, há uma diversidade
enorme de animais e insetos peçonhentos e, cada vez mais, há uma mescla do
ambiente deles com o nosso.

DADOS SOBRE A TEMÁTICA


O Ministério da Saúde, com base em uma análise de dados, encontrou, em 2003, 68.219 notificações contra 90.558
em 2009, com isso, os acidentes provocados por escorpiões correspondem a 45.721 ocorrências, as serpentes a
22.763, as aranhas a 18.687 e lagartas a 3.387 acidentes.
Os acidentes por animais peçonhentos, em especial os acidentes ofídicos (relacionados
às serpentes), foram incluídos na lista de doenças tropicais negligenciadas pela
Organização Mundial da Saúde. Tais acidentes acontecem em sua maioria com
populações carentes moradoras de áreas rurais.

De forma geral, as cobras são os animais peçonhentos mais conhecidos e temidos.


Entretanto, animais pequenos, como os escorpiões, aranhas e lagartas, podem ser
tão perigosos quanto às cobras peçonhentas. Especialistas afirmam que uma das
melhores formas de se prevenir de acidentes com tais animais, é conhecendo seus
hábitos.

As principais espécies peçonhentas do país são as serpentes da família das jararacas,


das cascavéis, corais e surucucu.

Tais acidentes foram responsáveis por 309 mortes no Brasil em 2009. Em geral, as
chuvas são o principal fator do aumento desses índices. Uma das hipóteses está
relacionada com os alagamentos, pois os animais são obrigados a sair de seus
esconderijos naturais.

Convém lembrar que serpentes não peçonhentas também podem causar acidentes e
que nem sempre as serpentes peçonhentas conseguem inocular veneno por ocasião
do acidente. Cerca de 40% dos pacientes atendidos no Hospital Vital Brazil, no Instituto
Butantã, em São Paulo, são picados por serpentes consideradas não-peçonhentas ou
por serpentes peçonhentas que não chegaram a causar envenenamento.

2.2 Tipos de acidentes

Dentre os acidentes mais recorrentes, é possível citar:

• Acidentes por cobra;


• Acidentes por aranha;
• Acidentes por escorpião; e
• Acidentes por taturanas ou lagartas.

Estude a seguir sobre cada um deles!

2.2.1 Acidentes por cobras

Os acidentes são divididos em grupos de acordo com a espécie de serpentes. Veja a


seguir:
Acidente botrópico (causado por serpentes do grupo das jararacas): dor e
inchaço no local da picada, às vezes com manchas arroxeadas e sangramento
pelos orifícios da picada; sangramentos em gengivas, pele e urina. Pode
evoluir com complicações como infecção e necrose na região da picada e
insuficiência renal. Figura 1 – Jararaca

Acidente laquético
(causado por surucucu): quadro semelhante ao acidente
botrópico, acompanhado de vômitos, diarreia e queda da pressão arterial.

Figura 2 – Surucucu

Acidente crotálico
(causado por cascavel): no local há sensação de
formigamento, sem lesão evidente; dificuldade de manter os olhos abertos,
com aspecto sonolento, visão turva ou dupla, dores musculares
generalizadas e urina escura.
Figura 3 – Cascavel

Acidente elapídico (causado por coral verdadeira): no local da picada não se


observa alteração importante; as manifestações do envenenamento
caracterizam-se por visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto
sonolento. Figura 4 – Coral verdadeira

Para saber mais...

Você sabe distinguir uma cobra peçonhenta de outra não peçonhenta? Clique aqui e
acesse o texto sobre as características das serpentes.

2.2.2 Acidentes por aranhas

Aranha Marrom (Loxosceles): é importante causa de acidentes na região Sul. A


aranha provoca acidentes quando comprimida; deste modo, é comum o
acidente ocorrer enquanto o indivíduo está dormindo ou se vestindo, sendo
o tronco, abdome, coxa e braço os locais de picada mais comuns.
Figura 5 – Aranha Marrom
Armadeira (Phoneutria): (também conhecida como "aranha-da-banana",
"aranha-macaca"): a maioria dos acidentes é registrada na região Sudeste,
principalmente nos meses de abril e maio. É bastante comum o acidente
ocorrer no momento em que o indivíduo vai calçar o sapato ou a bota.
Figura 6 – Aranha armadeira

Viúva Negra (Latrodectus): encontradas predominantemente no litoral nordes-


tino, causam acidentes leves e moderados com dor local acompanhada de
contrações musculares, agitação e sudorese.
Figura 7 – Aranha viúva negra

Caranguejeiras e tarântulas: apesar de muito


comuns, não causam envenenamento. As que
fazem teia áreas geométricas, muitas
encontradas dentro das casas, também não
Figura 8 – Aranha
oferecem perigo. Figura 9 - Tarântula
caranguejeira

2.2.3 Acidentes por escorpião

Os escorpiões de importância médica estão distribuídos em todo o país, causam dor


no local da picada, com boa evolução na maioria dos casos, porém crianças podem
apresentar manifestações graves decorrentes do envenenamento.

Em caso de acidente, recomenda-se fazer compressas mornas e ingestão de


analgésicos para alívio da dor até chegar a um serviço de saúde para as medidas
necessárias e avaliação da necessidade ou não de soro.
Figura 10 – Escorpião (Banco de Imagens – inserção de foto ou ilustração – escorpiões)

2.2.4 Acidentes por taturanas ou lagartas

As taturanas ou lagartas que podem causar acidentes são formas larvais de mariposas
que possuem cerdas pontiagudas contendo as glândulas do veneno. É comum
o acidente ocorrer quando a pessoa encosta a mão nas árvores onde habitam as
lagartas.

O acidente é relativamente benigno na grande maioria dos casos. O contato leva a


dor em queimação local, com inchaço e vermelhidão discretos. Somente o gênero
Lonomia pode causar envenenamento com hemorragias à distância e complicações
como insuficiência renal.

2.3 Sobre os soros

Os soros antipeçonhentos são produzidos no Brasil pelo Instituto Butantã (São Paulo),
Fundação Ezequiel Dias (Minas Gerais) e Instituto Vital Brazil (Rio de Janeiro). Toda a
produção é comprada pelo Ministério da Saúde que distribui para todo o país, por
meio das Secretarias dos entes federativos de Saúde. Assim, o soro está disponível em
serviços de saúde e é oferecido gratuitamente aos acidentados.
Mensagens sobre a temática
Conheça as mensagens de prevenção construídas para este tema, extraídas do
Caderno Guia do Bombeiro Educador.

Exercício prático: investigando a realidade.

1ª questão - Na sua cidade ou região, quais os hospitais dispõem de soros


antiofídicos, antiaracnídeos e antiescorpiônicos e que estão preparados para as
ocorrências de picada de serpentes?
AULA 3 - Balões e fogos de artifício

3.1 Tipificação – Ocorrência sazonal

As ocorrências com balões e fogos de artifícios são tipicamente brasileiras,


impulsionadas por força cultural e folclórica. O balão de festa junina se faz presente
no contexto cultural e das artes populares do Brasil. Segundo consta, sua origem é
portuguesa, com raízes religiosas no cristianismo.

Embora a descoberta do balão impulsionado por ar quente seja proveniente das


terras chinesas, chegou à Europa pela Itália, nas mãos do famoso navegador Marco
Polo. No Brasil, a prática do balão, foi trazida pelos portugueses, por volta de 1583,
sendo mais praticados entre os meses de maio a agosto.

Desde então, é presença marcante em festas religiosas dedicadas a São Antônio, São
João e São Pedro. Há muito tempo, os inofensivos e pequenos balões de seda, presentes
exclusivamente nas festas juninas, deram lugar a balões de dimensões grandiosas,
verdadeiras obras de engenharia e de forma mais perigosa ainda, carregados com
quantidade considerável de fogos.

As festas juninas já não são o motivo exclusivo para a sua prática. Campeonatos de
futebol e Copas do Mundo são razões mais do que suficientes, para que se façam
presentes e ameaçadores no céu, colocando em risco aeronaves, casas, indústrias,
florestas, etc. A gravidade desta prática mereceu dos legisladores, em 1998, uma Lei
Ambiental Nacional (Lei nº 9605 de 12 fevereiro de 1998), tornando-a criminosa:

[...] Art. 42 – Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar
incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer
tipo de assentamento humano. Pena detenção de um a três anos ou multa ou ambas
as penas cumulativamente. (Lei nº 9605/98)

Dessa forma, note que no caso dos balões, para sua prevenção devem ser utilizadas
tanto as questões normativas como a educativa.

3.2 Mensagens construídas para serem abordadas

• abordar sobre Lei Ambiental que tipifica os atos de fabricar, vender, transportar e
soltar balões como crime.
• lembrar que:
- balões causam incêndios e mortes;
- balões ameaçam o tráfego aéreo, colocando em risco aeronaves;
- balões ameaçam o meio ambiente; e
- fabricação, comércio, transporte e soltura de balões devem ser denunciados pela
sociedade. Ressaltar que, atualmente, é possível realizar denúncias anônimas.
3.3. Mensagens relacionadas aos fogos de artifício

• crianças não devem ser incentivadas a brincar com fogos. Caso contrário, apenas
com supervisão dos pais e responsáveis e com fogos de baixíssimo poder ofensivo,
adequados à idade da criança;
• não se devem transportar fogos junto ao corpo ou em bolsos das vestes;
• fogos só devem ser adquiridos em casas comerciais credenciadas, que vendam
produtos em conformidade com a lei e em embalagens originais de fábrica, certificados
e com rótulos de orientação de manuseio. Fogos que indiquem que sua fabricação é
de origem artesanal ou amadora não devem ser adquiridos;
• casas comerciais que comercializam fogos de forma suspeita e que indicam fabricar
fogos artesanalmente devem ser denunciadas aos órgãos policiais e à Prefeitura ou
governo local.

AULA 4 - Incêndios em vegetação

4.1 Tipificação – Ocorrência recorrente

Os incêndios florestais, vegetações e queimadas em áreas urbanas são frequentes


principalmente nos períodos de estiagem e de preparo do solo para o plantio em
larga escala. Entre os danos ambientais, há a devastação, perda da fauna e flora local
e é também um causador de grande emissão de CO² (dióxido de carbono), com sérias
consequências para o próprio planeta.

As principais causas dos incêndios florestais no Brasil são as queimadas não controladas
para produção de carvão, para plantação agrícola ou extração de árvores, queda de
balões, ponta de cigarros em beira de rodovias e fogo espontâneo. Notadamente, é
uma ocorrência cuja incidência em geral se dá pelo comportamento humano.

Perceba que neste tema, mais uma vez a prevenção se dá pelos meios normativos
(legislações de proteção ao meio-ambiente) e pela educação (mudanças de atitude e
comportamentos).

4.2 Mensagens construídas a serem abordadas


4.2.1 Fumantes
• risco de dispensar pontas de cigarro acesas pela janela do veículo em
rodovias.

4.2.2 Agricultores e comunidade rural


• orientar sobre
- o que é um aceiro, como se faz e sua manutenção;
- a prática de fogueiras sem supervisão integral;
- a prática legal de queima de área de plantação para preparo do solo sem controle e
supervisão integral;
- a proibição da prática da queima como forma de limpeza de terrenos baldios, sítios,
chácaras, etc.. (conduta criminosa);
- os riscos de práticas religiosas nas matas (uso de velas).
• incentivar a
- formação de planos de prevenção e combate a esses incêndios na comunidade
local; e
- manutenção de pequenos cursos d’água e formação de pequenos açudes, como
fonte de recurso de água para combate aos incêndios.

4.2.3 Concessionários de rodovias e ferrovias

• abordar a redução de material combustível (vegetação seca) das margens de


rodovias e ferrovias;
• promover sinalização sobre risco de incêndio florestal às margens da rodovia e
difusão de um telefone para contato de emergência.

AULA 5 - Enchentes

5.1 Tipificação – ocorrência sazonal


As enchentes são um caso típico de ocorrências sazonais, pois as maiores precipitações
no país ocorrem de dezembro a março. Todos os anos, lamentavelmente, em algum
lugar do Brasil, principalmente nas regiões sul e sudeste, ocorrem enchentes de
proporções devastadoras, dizimando, às vezes, uma cidade inteira, vitimando
centenas de pessoas e desabrigando outras milhares.

Mais uma vez, nesse cenário, na fase emergencial, os bombeiros são empregados nas
atividades de busca, salvamento e retiradas das pessoas e animais de locais de difícil
acesso.

Um dos fatores relacionado às enchentes, principalmente nas grandes cidades, é


que a maior parte do solo é impermeabilizado pelo asfalto e concreto, reduzindo
significativamente o espaço onde a água que poderia ser infiltrada e aumentando
ainda mais sua vazão.

Outro aspecto importante decorre do comportamento humano inadequado, ou seja,


nas grandes cidades ainda há parte significativa da população que deposita o seu lixo
nas vias públicas, entupindo a rede de esgotos da cidade, por não possuírem acesso
às condições ideais de destinação dos resíduos.

Há também o comportamento inseguro de pessoas que, sabidamente em local de


risco e em situação iminente de enchente ou desabamento, se recusam a abandonar
seus lares e seus pertences.

As mudanças climáticas tornam a cada ano, a intensidade das chuvas, em


determinados lugares do planeta cada vez maiores. Porém, há também a questão da
falta de planejamento urbano nas cidades, estados ou países, que contribui com a
questão puramente ambiental e climática, somando-se a isso, as enchentes passam a
ter também um viés social, econômico e político importante.
Mensagens sobre a temática
Conheça as mensagens de prevenção construídas para este tema, extraídas do
Caderno Guia do Bombeiro Educador.

FINALIZANDO...

Neste módulo, você conheceu mais algumas ocorrências evitáveis que constam do
Caderno Guia do Bombeiro Educador.

• Conheceu também a dinâmica de suas incidências e as principais causas. Percebeu


o quanto é importante estabelecer para cada tema de prevenção um temário com
a construção de mensagens seletivas e padronizadas, com base no histórico de
ocorrências da sua cidade, estado e país, bem como, na dinâmica de cada uma delas,
verificando as principais causas.

• Você também ampliou seu conhecimento também sobre os seguintes temas:


acidentes de trânsito; acidentes com animais peçonhentos; balões e fogos de artifício;
e incêndios florestais e enchentes.
EXERCÍCIOS

1 - Analise as mensagens seletivas abaixo a respeito dos temas já estudados e


indique para que tipo de público-alvo seriam indicadas.

A. público-alvo “Vítimas”
B. público-alvo “Motivadores ou causadores”
C. público-alvo “limitadores de risco”

( ) Vedar sacos de lixo e evitar o seu acúmulo, pois reúnem insetos que são alimentos
para aranhas e escorpiões.
( ) Ao caminhar no acostamento de vias de grande fluxo de veículos ou estradas,
utilizar o sentido contrário da pista, para ser melhor visualizado.
( ) Não se devem transportar fogos junto ao corpo ou em bolsos das vestes.
( ) Fogos que indiquem que sua fabricação é de origem artesanal ou amadora não
devem ser adquiridos.
( ) Estabelecimentos que comercializam fogos de forma suspeita e que indicam
fabricar fogos artesanalmente devem ser denunciadas aos órgãos policiais e à
Prefeitura ou governo local.
( ) Balões ameaçam o tráfego aéreo, colocando em risco aeronaves.

2. Associe as alternativas abaixo (V) para verdadeiro e (F) para falso.

a. ( ) Dentro do contexto dos acidentes de trânsito, podemos considerar os


“atropelamentos” como um problema local.
b. ( ) Acidentes com animais peçonhentos, ocorrência sazonal, em todo país desperta
pelo fato da necessidade de conhecer os hospitais e centros médicos que dispõem de
soro antiofídico.
c. ( ) As ocorrências de balões é um exemplo de que a prevenção atua no campo
normativo e educativo ao mesmo tempo.
d. ( ) Demonstrar a caracterização dos sintomas das picadas de acordo com a espécie
do animal, demonstrando fotos dos animais associadas às lesões, auxilia na didática
do tema.

3. Você irá ministrar uma palestra a um grupo de pessoas que pode minimizar ou
evitar riscos (pais e professores) sobre os acidentes com balões e fogos de artifício.
A respeito das causas prováveis desse tema, relacione pelo menos 5 (cinco)
mensagens essenciais que você abordaria em tal encontro.
4. Rojão estoura e fere menino do município de Braço do Norte. E.F, de nove
anos, sofreu queimaduras de 1º e 3º graus na mão esquerda por acender rojão
encontrado em campo de futebol, após comício.
Leia a notícia completa no site.
Você bombeiro educador irá ministrar uma palestra sobre este tema para 2
(dois) tipos de público-alvo: vítimas em potencial e pessoas limitadoras de risco.
Relacione as mensagens adequadas para estes dois grupos.
GABARITO

1. C- A - A - B -C -B

2. F / F / V / V
Módulo 5

O Caderno Guia do
Bombeiro Educador
Parte 3
Apresentação do curso

Neste último módulo do curso, você estudará os seguintes temas do Caderno Guia do
Bombeiro Educador: elevadores; enchentes; gás Liquefeito de Petróleo (GLP); noções
de primeiros socorros; extintores e plano de abandono de edificações.

Objetivos do curso

Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de:

Ampliar conhecimento sobre:


- o conteúdo do Caderno Guia do Bombeiro Educador: elevadores; enchentes, Gás
Liquefeito de Petróleo (GLP); noções de primeiros socorros; extintores e plano de
abandono de edificações.

Desenvolver/ exercitar habilidades para:


- compreender a dinâmica de uma ocorrência e cada público-alvo;
- identificar cada mensagem de acordo com suas características;
- selecionar as mensagens adequadas para cada assunto.

Fortalecer atitudes para:


- reconhecer a importância de padronizar as mensagens e desenvolver uma unidade
didática de prevenção em seu território de atuação.

Estrutura do Módulo

Aula 1 – Elevadores
Aula 2 – Gás Liquefeito de Petróleo (GLP)
Aula 3 – Noções de Primeiros Socorros
Aula 4 – Extintores e Plano de Abandono de Edificações
AULA 1 - Elevadores

1.1 Ocorrências envolvendo elevadores

Estudos apontam que os elevadores são vinte vezes mais seguros que as escadas
rolantes. No mundo existem vinte vezes mais elevadores do que escadas rolantes,
porém apenas 1/3 dos acidentes ocorrem em elevadores.

No Brasil, embora ainda muito seguro, os problemas com os elevadores, principalmente


quando estão conduzindo pessoas, o socorro, na maioria das vezes remete aos
bombeiros.

Dessa forma, culturalmente, pessoas retidas em elevadores ainda é uma ocorrência


comum no portfólio de atendimentos dos bombeiros, pois as pessoas na cabine
necessitam ser “salvas”.

Mas não deveria a rigor ser, pois na maioria das vezes a sua incidência se dá por conta
da falta momentânea de energia elétrica ou mau funcionamento do equipamento,
podendo ser o problema devidamente sanado por um funcionário capacitado do
edifício ou pela empresa responsável pela manutenção daqueles elevadores.

No entanto, a situação não é tão simples assim.

Quem está preso, ou melhor, retido, quer sair imediatamente. Quem está de fora para
auxiliar, aciona simultaneamente a empresa de manutenção e o Corpo de Bombeiros,
com a certeza que aquele que chegar primeiro, resolverá a situação. É o que todos
querem.

Há ainda, o aspecto emocional, milhares de pessoas sofrem de algum distúrbio que


não suportam saber que estão confinadas em algum ambiente contra sua vontade e
que estão impossibilitadas de sair, despertando sintomas de mal estar e nervosismo
descontrolado, a partir daí, um simples problema mecânico, passar a ser uma
emergência com pessoas.

Há que se considerar que, de fato, pessoas retidas em um elevador possam ser


realmente uma emergência para os bombeiros, como por exemplo, a situação ocorrer
durante um incêndio ou haver um risco extremo e muito improvável da cabine correr
o risco de soltar-se.

Refletindo sobre a questão...


Por que a necessidade de prevenção, se a maioria dos problemas dos elevadores são
mecânicos ou por falta de energia elétrica?

A resposta é simples, todas as máquinas tem uma forma de funcionamento e regras para o
bom funcionamento. A conduta humana inadequada e, nos casos dos elevadores, as
"brincadeiras de crianças" favorecem em muito a condição de quebra desses aparelhos,
resultando na retidão de pessoas. Dessa forma, existem algumas dicas e conselhos que os
bombeiros educadores podem contribuir para diminuir essa demanda, como já explicado,
não tão pertencente aos bombeiros assim.
1.2 Mensagens construídas a serem abordadas

Não fazer:
• puxar a porta do pavimento sem a presença da cabine no andar;
• apressar o fechamento das portas;
• apertar várias vezes o botão de chamada ou chamar vários elevadores ao mesmo
tempo;
• bloquear o fechamento das portas com objetos; e
• fumar dentro do elevador, pois é proibido;

Evitar:
• movimentos bruscos dentro do elevador.

Respeitar:
• o limite de peso e pessoas do elevador, de acordo com o descrito pelo fabricante no
interior da cabine.

Orientar as crianças para que:


• utilizem o elevador com segurança e sempre acompanhadas.
• não apertem os botões desnecessariamente;
• não pulem ou façam movimentos bruscos dentro da cabine;
• não coloquem as mãos na porta; e
• lembre-se que o elevador não é lugar de brincadeiras.

Recomendar que:
• sempre que o elevador estiver fora de operação por qualquer motivo, o responsável
pela edificação deverá providenciar o bloqueio do acesso ao elevador e um aviso a
respeito;
• em caso de incêndio, não se deve utilizar os elevadores. O abandono do edifício
deve ser feito sempre pelas escadas;
• em situações de emergência é importante manter a calma e não entrar em “PÂNICO”;
• se os elevadores pararem entre os andares, devido a problemas de ordem técnica ou
por falta de energia elétrica, é importante que os ocupantes devam:

• manter a calma, pois apesar da situação, os ocupantes estarão seguros na cabine e


a situação será momentânea;
• acionar o botão de alarme e/ou utilizar o interfone para pedir ajuda;
• solicitar que chamem o zelador e, se necessário, a empresa conservadora ou em
situação de emergência, o Corpo de Bombeiros (Tel. 193);
• aguardar com calma o socorro e não tentar em hipótese alguma sair da cabine por
conta própria, tentando a abertura forçadas das portas;
• jamais tentem sair por qualquer abertura entre os pisos. O elevador pode voltar a
funcionar no momento em que você estiver saindo; e
• lembrar que embora exista uma abertura nos tetos dos elevadores e normalmente
são fechadas através de parafusos por motivos de segurança, já que quando um
elevador apresenta problemas, o melhor lugar para se ficar é justamente DENTRO do
elevador.
1.3 Orientações básicas

O usuário de um elevador deve:

• antes de entrar: verificar se a cabine do elevador está no andar. Falhas mecânicas


permitem, às vezes, que a porta abra sem a presença do elevador, o que já provocou
muitos acidentes fatais. Aguardar a vez para entrar no elevador e sair dele devagar.
Aguardar os ocupantes que estejam saindo.
• ao entrar no elevador e ao sair dele, observar se não há degraus, pois eles podem
se formar quando ele não para no mesmo nível do pavimento por algum desajuste
técnico.

IMPORTANTE!

Após a retirada das pessoas do interior da cabina retidas no elevador recomenda-se


acionar a empresa que presta os serviços de manutenção para uma avaliação do
elevador e liberação para seu uso.

AULA 2 - Gás Liquefeito de Petróleo (GLP)

2.1 Tipificação – Ocorrência recorrente


O uso do GLP, por meio dos botijões de 13 kg, é comum nas residências unifamiliares.
O seu manuseio de forma inadequada, má instalação, mau estado de conservação do
botijão e acessórios de má qualidade, favorecem a incidência de acidentes, muitas
vezes de proporções graves, decorrendo deles explosões e incêndios, com vítimas
graves e fatais.

Uma das principais causas dos acidentes com o GLP é o mau estado de conservação
dos botijões, muitos deles já fatigados.
2.2 Mensagens construídas a serem abordadas

Esclarecer que:
• o GLP é um produto altamente inflamável, por isso incendeia-se com extrema
facilidade ao ficar próximo de chamas, brasas ou faíscas;
• os vazamentos mais comuns são na mangueira, no regulador de pressão ou devido
ao apagamento involuntário das chamas no fogão;
• os vazamentos de GLP não devem ser testados com fósforos. Abordar sobre a
importância da substância que dá o odor característico do GLP;
• em caso de vazamento em um ambiente fechado e por ser mais pesado que o ar, o
gás irá acomodar-se próximo ao chão; e
• o simples ato de acionar um interruptor de luz é suficiente para provocar uma
explosão ambiental, em virtude da faísca interna produzida pelo seu acionamento.

Alertar para que:


• façam uma inspeção prévia das condições do botijão quando adquiri-lo, pois o
mesmo não deve estar amassado, enferrujado e o seu lacre não deve estar rompido.
Recomende que se compre apenas de fornecedores credenciados, evitando assim a
aquisição de fornecedores e produtos clandestinos.
• adquiram somente mangueiras de PVC (origem inglesa “polyvinylchloride” em
português policloreto de polivinila), plastificada para instalações domésticas de GLP
– NBR 8613 e regulador de baixa pressão de GLP de acordo com a NBR 8473 devem
possuir a identificação do INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e
Tecnologia) gravados. Não se devem adquirir produtos similares sem certificação. a
mangueira deve possuir no máximo 1,25 m de comprimento, ser transparente com
uma tarja amarela e gravação da certificação “NBR 8613”; e
• observem que no regulador de pressão conste a gravação da certificação “NBR 8473”.

Orientar para que:


• a conexão da mangueira com o fogão e com o botijão seja feita por meio de
abraçadeiras e jamais improvisar com arames, fitas, etc. A mangueira não deve passar
por detrás do fogão, evitando estar próxima a parte traseira do forno para que não
aqueça e cause seu comprometimento ou derretimento; e
• o botijão seja sempre ser instalado de pé e em local permanentemente ventilado, de
preferência do lado de fora da residência, bem como, afastado de ralos e grelhas de
escoamento de água.

Orientar sobre:
• a forma correta de acender um fogão;
• os procedimentos em caso de vazamento de GLP sem fogo e com fogo.
IMPORTANTE!

Quando você for realizar uma palestra ou apresentação sobre este tema, recomendam-se os seguintes recursos
auxiliares indicados: um modelo de botijão de 13Kg (em corte ou não), exemplares de mangueiras corretas e
não corretas, regulador de pressão e abraçadeiras.
Mas atenção...
Demonstrações com GLP somente em áreas livres e distância segura do público alvo. Não é recomendada a
participação de crianças em práticas de manuseio com GLP.

Nem demonstrações práticas por parte de profissionais de segurança pública sem uso de equipamentos de
proteção individual (EPI).

AULA 3 - Noções de primeiros socorros

Você pode perceber que o tema que será tratado agora não diz respeito à prevenção
de alguma ocorrência, mas sim, incentivar na população, ao se deparar com algum
acidente com vítimas, a uma atitude segura e pró-ativa que possa minimizar a lesão
constatada, sem que, no entanto, e, principalmente, não a agrave.

O objetivo deste tópico é fornecer informações básicas de primeiros socorros a


população em geral. Não deve ter o propósito de formar ou capacitar socorristas
profissionais.

O seu foco, como bombeiro educador, é conduzir as mensagens que tenham por
finalidade única auxiliar uma pessoa quando que se depara com uma emergência e,
assim que acione o serviço de socorro de ambulância ou do serviço de resgate e APH
dos Bombeiros, possa adotar um procedimento correto e rápido, a fim de minimizar
as lesões ou estabilizar uma vítima até a chegada do socorro adequado.

IMPORTANTE!

Lembre-se que o Bombeiro Educador nível I está preparado para executar ações básicas de educação pública,
tais como, palestras, apresentações, receber visitas em quartéis, entrevistas, etc.
O propósito do tema “noções de primeiros socorros”, não significa capacitar leigos
em “socorristas profissionais”, nem tão pouco, prover cursos ou capacitações e emitir
certificados.

Um leigo pode dispor de informações que ajudem a dar suporte a uma vítima, aliado
ao fato de saber acionar concomitantemente o socorro adequado. Quanto menos
invasivo e mais preventivo os procedimentos aplicados, a ajuda nesses casos, será
extremamente benéfica. Esse é o propósito.

Há rotineiramente, solicitações aos Corpos de Bombeiros de palestras ou cursos de


primeiros socorros. Perceba que há uma distinção considerável entre os dois tipos de
solicitação:

A palestra, como você já aprendeu, é um evento, uma ação de curta duração,


concluída em definitivo com sua realização. Não há tempo, muito menos, o objetivo
de capacitar alguém. Em uma palestra são fornecidas informações objetivas e úteis
ao público-alvo presente, normalmente constantes no Caderno Guia do Bombeiro
Educador. É uma das práticas que cabe ao Bombeiro Educador.

Um curso passa obrigatoriamente por um processo de planejamento, em que são


definidos o objetivo, o público-alvo, o conteúdo programático, a carga horária pré-
estabelecida e a grade de aulas, local, a data de início e de término, processos de
avaliação, conceitos, emissão de certificados e avaliação do curso e revisão.

Ele pode tanto funcionar isoladamente ou dentro de um Programa Educacional


maior, como tema inserido. Os Programas Educacionais, elaborados pelo Corpo
de Bombeiros e voltados ao público externo, cabem sua aplicação aos Bombeiros
Educadores, capacitados exclusivamente para um ou mais programas educacionais.

Mensagens sobre a temática


Conheça as mensagens de prevenção construídas para este tema, extraídas do
Caderno Guia do Bombeiro Educador.

IMPORTANTE!

Lembre-se, as orientações do Caderno Guia para este tema são meramente orientativas. Para cada um dos
conceitos e procedimentos indicados no Guia, adote na sua palestra ou apresentação o modelo de instrução e
protocolo praticado no seu Estado e indicado pela sua Corporação. Portanto, esteja plenamente ciente deles
antes de orientar o seu público em alguma ação educativa.
AULA 4 - Extintores e plano de abandono de edificações

Você deve se recordar que o motivo inicial dos bombeiros empreenderem suas
ações no campo educacional, foi por conta do receio do aumento desenfreado do
número dos incêndios, nos EUA. Dessa forma, o incêndio foi o problema principal que
despertou nos bombeiros a necessidade da prevenção pela educação.

Assim, uma lição sempre importante que os bombeiros passam à comunidade é sobre
os incêndios, suas principais causas e, principalmente, como se portar. As pessoas em
geral têm enorme receio em um dia estarem presentes em uma edificação que esteja
pegando fogo.

A regra geral é o pânico e o desejo único de sair da edificação por onde quer que seja,
sendo a saída mais próxima, por elevador, escada e, até mesmo janela. Outros buscam
se refugiar e se proteger em algum canto da edificação, o mais longe possível do fogo,
alguns buscam inclusive a cobertura da edificação.

Este desconhecimento e comportamento e condutas erradas já causaram e causam


ainda a perda irreparável de vidas e de patrimônio nos incêndios em edificações.

O propósito da educação pública é justamente propor e incentivar uma mudança


dessas atitudes e comportamentos para que as pessoas em situação de incêndio
consigam manter a calma e saber exatamente o que fazer para sair em segurança.
Você, como bombeiro, recordará neste módulo conceitos e orientações simples do
uso do extintor e de como orientar as pessoas a abandonarem uma edificação.

4.1 Extintores

Os extintores são os equipamentos mais acessíveis e de fácil manuseio que um leigo


possa manusear no caso de um princípio de incêndio, pois o seu acionamento é
manual e portátil. É basicamente um recipiente sob pressão contendo um agente
extintor (ex.: água, gás carbônico, etc.) que, quando acionado, atuará na extinção do
fogo.

A história desses equipamentos aponta que os primeiros exemplares similares aos


atuais, datam do início do século XIX, 1813, compostos por um recipiente de cobre
de 3 galões (13,6 litros), contendo em seu interior, água com carbonato de potássio.

Os extintores existem até hoje, não só pela obrigatoriedade das normas atuais de
proteção contra incêndio, mas principalmente por conta de sua funcionalidade e
eficiência no combate aos princípios de incêndio.

O seu fácil uso é justamente para que não só bombeiros ou brigadistas profissionais
possam fazer uso deles, mas sim, qualquer pessoa que primeiro se deparar com o
sinistro e com conhecimento mínimo, possa utilizá-lo.
4.1.1 Mensagens construídas a serem abordadas

Abordar sobre:
• os elementos essências do fogo;
• as classes de incêndio: A, B, C e D;
• os métodos de extinção de incêndio: retirada de material, abafamento e resfriamento;
• a utilização do extintor: empunhadura, aproximação, retirada de lacre e acionamento;
• a importância da distribuição e disposição dos extintores em uma edificação
(visibilidade), sinalização e manutenção (recarga); e
• a eficácia dos mesmo, esclarecendo sobre o emprego e funcionalidade dos extintores
somente em princípios de incêndio.

Demonstrar:
• Os vários tipos de extintores e suas aplicações: Pó Químico Seco para classes ABC,
água pressurizada, CO2 e Pó Químico Seco (PQS) e Pó Químico Especial. (Recomenda-
se a exposição de cada um deles, destacando as suas diferenças básicas e formas de
identificação).

4.1.2 Recursos auxiliares indicados

Utilizar vários modelos de extintores. Havendo a disponibilidade de extintores para


uso, recomenda-se o exercício prático dos mesmos, em local compatível e sem a
necessidade de fogo, caso a palestra destine-se a leigos.

IMPORTANTE!

O treinamento de brigadistas profissionais deve ser realizado em campo de treinamento próprio e com exercício
de extinção efetiva de fogo.

4.2 Plano de abandono de edificações

Incêndios em edificações elevadas promovem pânico e desespero em seus ocupantes.


O fator primordial para redução de vítimas nesses casos é promover a saída segura de
uma edificação. Isto se faz com planejamento e treinamento.

O papel desempenhado pelas brigadas de incêndio é fundamental, pois caberá aos


seus integrantes orientar a saída ordenada e calma de todas as pessoas. Rapidez na
informação sobre a emergência também é determinante para a eficácia do plano.
4.2.1 Mensagens construídas a serem abordadas

Junto aos ocupantes de uma edificação


Esclarecer que:
• o abandono de um edifício em chamas deve ser feito exclusivamente pelas escadas
e saídas de emergência com calma;
• as pessoas com deficiência devem ter preferência quando da evacuação e atenção
constante;
• crianças, gestantes, pessoas com mobilidade reduzida e idosos devem ser sempre
conduzidas por adultos até o ponto de encontro estabelecido pelos brigadistas; e
• sobre a não utilização do elevador durante o incêndio e os seus riscos ao utilizar.

Alertar para a necessidade das pessoas


• conhecerem as saídas de emergência e suas sinalizações da edificação;
• acreditarem no alarme ou na informação de incêndio e não terem dúvidas quanto a
sair o mais rápido possível.

Orientar sobre
• as técnicas de locomoção em local impregnado de fumaça;
• os riscos de abertura de portas durante o incêndio e de se retornar à edificação
enquanto houver a situação de sinistro;
• os equipamentos de combate a incêndios disponíveis na edificação e seu emprego
(extintores e hidrantes);
• o sentido de fuga em uma edificação vertical (nunca subir e sim descer), o uso
contínuo do corrimão nas escadas.

Junto aos brigadistas

Orientar sobre a necessidade de:


• planejar, treinar constantemente e revisar periodicamente, se necessário, o plano de
abandono;
• conhecer obrigatoriamente toda a edificação, suas áreas vulneráveis e de risco; e
• difundir o plano a todos os ocupantes.

Esclarecer sobre
• o estabelecimento de um canal técnico com os responsáveis pela edificação;
• a responsabilidade de capacitar e treinar líderes ou monitores de cada andar da
edificação para auxiliar em caso de necessidade;
• a importância de mesmo em princípios de incêndio, acionar sempre e, prioritariamente,
o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193;
• o estabelecimento de marcações nas portas corta-fogo em cada pavimento para o
controle efetivo de saída das pessoas em cada piso;
• o estabelecimento de um ponto de reunião fora da edificação e seu controle e,
principalmente, sua divulgação aos ocupantes;
• a utilização de EPI (Equipamento de Proteção Individual);
• a importância da manutenção dos sistemas de detecção, sinalização, alarme e de
combate a incêndios; e
• a importância de estimular Planos de atuação conjunta e simulados com o Corpo de
Bombeiros local.
FINALIZANDO....
Neste último módulo você completou o conhecimento dos temas que constam do
Caderno Guia do Bombeiro Educador e pode ampliar seu conhecimento sobre os
seguintes temas:

• elevadores,
• Gás Liquefeito de Petróleo (GLP),
• Noções de Primeiros Socorros e
• Plano de Abandono de Edificações.
EXERCÍCIOS

1 - Considerando as temáticas estudadas, marque (V) para as sentenças verdadeiras


e (F) para as falsas.
( ) Quanto mais pessoas aprenderem primeiros socorros, mais socorristas teremos na
sociedade.
( ) Qualquer pessoa devidamente instruída e capacitada pode fazer uso do extintor.
( ) não aceitar botijões amassados na troca é uma medida limitadora de risco.
( ) o conceito primordial de abandono de uma edificação em caso de incêndio é que
as pessoas escapem do prédio o mais rápido possível.

2 - De que forma você orientaria um grupo de pessoas sobre a aquisição de botijões


de GLP?

3 - De que forma um brigadista, na execução de um Plano de Abandono, pode


fazer o controle de saída das pessoas de um prédio?
GABARITO

1. F / V / V F