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Evolução e

Desenvolvimento
Infantil

UFCD 3283

Iolanda Soares | iolandassoares@gmail.com


Aspetos fisiológicos

As mudanças no tamanho físico e na aparência são


manifestações visíveis de mudanças complexas no
desenvolvimento da criança. O desenvolvimento físico é
um processo contínuo e que não é constante (pode
mudar), pois é caraterizado por variações consideradas
normais com a idade.
A vida antes do nascimento…

1º Trimestre

§ Por volta das 12 semanas, o sexo do embrião já está


definido e os seus órgãos genitais estão formados.
Também os rins já se formaram e o embrião começa a
urinar no líquido amniótico que o envolve.

§ Surgem as pálpebras e os olhos do embrião, mas ficam


fechados. O feto começa a movimentar-se. O corpo do
bebé mede 4 cm das nádegas até ao topo da cabeça e
pesa aproximadamente 6 g.
A vida antes do nascimento…
A vida antes do nascimento…

2º Trimestre

§ Na 16ª semana os principais órgãos do feto já estão


formados.

§ A bolsa de água protege-o de choques violentos,


conserva-o numa temperatura aquecida constante,
possibilita que ele se movimente e exercite os braços
e as pernas livremente.
A vida antes do nascimento…

§ O feto mexe-se, vira a cabeça, abre a boca e


movimenta o peito e a barriga para cima e para baixo
como se estivesse respirando profundamente. Já
consegue chuchar, engolir e até soluçar. Boceja, estica-
se, levanta as sobrancelhas e franze a testa.

§ Das 26 às 28 semanas o feto mede 24 cm da cabeça


até as nádegas e pesa 1,5 kg aproximadamente. Nesta
fase, o feto desenvolve-se e aumenta de peso mais
rapidamente.

§ É no final do 2º trimestre (por volta das 24 semanas)


que se houver um parto prematuro, é possível investir
na vida do recém-nascido.
A vida antes do nascimento…
A vida antes do nascimento…

3º Trimestre

§ Às 34 semanas o feto já completou na maioria dos


casos a maturação pulmonar.

§ Nas 37 semanas o sistema nervoso está pronto para o


nascimento. Nesta fase já desenvolveu uma série de
reflexos de coordenação que lhe permitem apertar a mão
com firmeza, levantar e virar a cabeça, movimentar-se
como se estivesse a caminhar, piscar e fechar os olhos e
reagir a sons, cheiros, luz e toque.
A vida antes do nascimento…

§ A camada de gordura acumulada sob a pele já é


suficiente para que ele consiga regular a temperatura
do corpo quando nascer.

§ A frequência cardíaca é duas vezes mais rápida que a


do adulto. O feto tem cerca de 45-50 cm de
comprimento e pesa em média entre 3 a 4 kg.
A vida antes do nascimento…

Antes do nascimento o bebé já reage aos estímulos

§ Segundo Northen e Downs (1989), a partir da vigésima


semana de gestação o feto normal já demonstra reações
aos estímulos sonoros, percebidas através da mudança
de frequência dos batimentos cardíacos fetais e
associados frequentemente ao movimento corporal.

§ Outras pesquisas demonstram também que o feto pode


detetar, responder e diferenciar sons, assim como a sua
intensidade e altura. O feto tem a capacidade de ouvir e
desenvolver a memória dos sons intra-uterinos (Verri,
1999).
Crescimento

– Até 1 ano de vida

§ O peso de uma criança no primeiro ano de vida


triplica enquanto que a estatura aumenta 50%.

§ Assim, na ocorrência de déficit nutricional em qualquer


idade, a altura não sofre um impacto imediato, mas o
peso sim. Daí a importância de manter a criança com
um peso adequado.
Crescimento

O processo de desenvolvimento da criança – representado


pela capacidade de realizar funções é acelerado nos
primeiros meses de vida, de tal forma, que aos 4 meses, o
bebé já é capaz de sentar-se, com o apoio; aos 5 meses,
senta-se sem o apoio e sustenta firmemente o pescoço;
dos 6 aos 8 meses, gatinha; aos 9 meses consegue estar
em pé com apoio e por volta dos 12 meses, é capaz de
caminhar livremente. No entanto, 20% das crianças, sem
qualquer problema de desenvolvimentos, começam a
andar sem terem gatinhado.
Crescimento

§ Todo o processo biológico e de desenvolvimento do


lactente pode ser influenciado pela prática alimentar
nos primeiros meses de vida.

§ Incentivar a criança a beber líquidos pelo copo e


deixá-la manipular alimentos são excelentes estímulos
para o seu desenvolvimento normal.
Crescimento

– 1 aos 3 anos

§ Entre o primeiro e o terceiro ano de vida ocorrem


modificações corporais importantes. As pernas tornam-
se mais longas e a criança começa a perder a gordura
de bebé, que aos 6 meses representa 25% do peso
total. Ocorre o desenvolvimento da massa muscular
que corresponde à metade do peso ganho nesse
período.
Crescimento

§ A erupção dentária, importante índice de maturação,


pode ser relacionada, quando atrasada, com alguns
tipos de atraso no crescimento.

§ Até os dois anos de vida o crescimento reflete as


condições do nascimento (gestação) e ambientais
(nutrição) e só a partir dos dois anos de idade o
potencial genético passa a ter impacto sobre o
crescimento da criança.
Crescimento

– A partir dos 3 anos

§ A partir dos 3/4 anos, a criança apresenta uma


velocidade de crescimento constante, com um ganho
médio de 2 a 3 kg de peso e de 5 a 7 cm de
comprimento por ano.
Índices
P/I = Peso por idade - expressa a relação existente
entre a massa corporal e a idade cronológica da
criança. É o índice utilizado na avaliação do estado
nutricional, contemplado no Livro de Saúde do Bebé
(do Sistema Nacional de Saúde), principalmente na
avaliação do baixo peso. É muito adequado para o
acompanhamento do aumento de peso e reflete a
situação global da criança.
Índices
§ P/E = Peso por estatura – Dispensa dados sobre a
idade e expressa a harmonia entre as dimensões de
massa corporal e estatura. É utilizado tanto para
identificar o emagrecimento quanto o excesso de
peso da criança.

§
E/I = Estatura por idade - Expressa o crescimento
linear da criança. Na condição de índice que melhor
aponta o efeito cumulativo de situações adversas
sobre o crescimento da criança, é considerado o
indicador mais sensível para aferir a qualidade de
vida de uma população.
Aspetos Afetivos

- INTERAÇÃO MÃE / FILHO

Construção do objeto

§ A comunicação entre o bebé e as figuras parentais faz-


se através de um conjunto de trocas, de sinais que
manifestam as suas necessidades e o seu estado
emocional.

§ A qualidade da relação depende da capacidade dos


cuidadores responderem adequadamente aos estados
emocionais do outro.
Interação mãe-filho
§ Este processo foi designado por regulação mútua:
processo através do qual o bebé e os progenitores (ou
as pessoas que cuidam dele) comunicam estados
emocionais e respondem de modo adequado.

§ O bebé não é um ser passivo que se limita a receber


os cuidados dos adultos: é um sujeito ativo que emite
sinais daquilo que pretende e responde, com agrado
ou desagrado, ao tratamento disponibilizado.

§ Logo que nasce, o bebé é capaz de dirigir a sua


atenção para estímulos do meio ambiente: distingue
sons, vozes e imagens.
Interação mãe-filho
§ Recorre a um conjunto de estratégias
comportamentais para chamar a atenção da mãe, ou
de outro cuidador, no sentido de obter uma resposta
para o que precisa.

§ O Choro, o contato físico, o sorriso e as expressões


faciais são alguns dos meios a que o bebé recorre
para manifestar as suas necessidades e obter
satisfação. São estratégias para seduzir os adultos
impedindo que os abandonem.
Interação mãe-filho
Importância da vinculação

§ As primeiras fases da vida são decisivas para o


desenvolvimento de uma criança. As relações que
estabelece com o mundo que a rodeia, designadamente
através dos pais, asseguram-lhe as condições para a sua
sobrevivência e desenvolvimento, por exemplo, o
alimento, o abrigo, o conforto e a segurança.
Interação mãe-filho
Relação Precoce – Mãe e Filho

§ O Psicólogo Henri Wallon definiu o ser humano como


um ser biologicamente social. Esta vocação social,
condição da nossa humanidade, manifesta-se logo após
o nascimento nas relações precoces que estabelece
com a mãe e com os adultos que cuidam do recém-
nascido. Estas relações e as que vamos desenvolvendo
ao longo da vida explicam o que pensamos, o que
sentimos, o que aprendemos.
Interação mãe-filho
§ O estado psíquico da mãe é outra circunstância que
influi muito na criança antes de nascer. Crises nervosas,
estados de espírito muito deprimidos, problemas
familiares graves, fazem com que a criança receba,
através do sangue da mãe uma série de angústias
antes de nascer. Depois de nascer sente as coisa de
forma igual ou superior ao que já recebeu antes de
nascer.

§ Procurar evitar esses problemas ao filho que está para


nascer é uma das primeiras obrigações da mãe.
Interação mãe-filho
§ O choro é a única maneira que o bebé tem de chamar
a atenção da mãe e de manifestar os seus sentimentos
de desagrado. Mas, a mãe deve interpretar o choro do
filho, pois desse modo saberá distinguir as causas que
o provocam.

§ A presença da Mãe é tão importante para o bem-estar


físico e psíquico da criança, ou a presença de uma
figura materna, ou uma pessoa que desempenhe as
mesmas funções amorosas, pelo menos durante um
certo número de horas diárias.
Interação mãe-filho
Processo de Separação / Individualização

§ Quando nasce, a criança não distingue entre o que é


ela mesma e o que faz parte do mundo que a rodeia.
À medida que cresce, vai conhecendo, pouco a pouco,
os limites do seu corpo e da sua personalidade.

§ A mãe é um contínuo ponto de referência no


relacionamento com o mundo dela, a criança pode
esperar tudo e tudo lhe pode pedir. Mãe e filho
formam uma espécie de união, a tal ponto que
praticamente o filho só vive através da mãe.
Interação mãe-filho
§ Mas o contínuo desenvolvimento da criança leva-a a
tornar-se cada vez mais consciente da sua
diferenciação em relação à mãe, a perceber que é um
ser distinto. Ao longo deste processo, a criança vai
descobrindo que a mãe nem sempre está presente,
nem acode todas as vezes que ela chama.

§ A criança tem mesmo de passar por este primeiro


processo de separação. Quando a capacidade da sua
memória aumentar e ela se tornar capaz de recordar
que a mãe, quando não está presente, não está
definitivamente perdida, começará a suportar a sua
ausência.
Interação mãe-filho
§ A individualização decorre de um processo especial
de identificação e de comunicação entre a criança e a
mãe.

§ Para conseguir atingir um desenvolvimento correto,


quer no que diz respeito à maturidade do seu sistema
nervoso, quer no que toca à linguagem, à inteligência
e ao carinho, o bebé precisa de poder estabelecer
muito precocemente entre os três e os nove meses
uma relação especial com a mãe.
Interação mãe-filho
§ A comunicação social pelo sorriso da mãe, mas não
apenas o sorriso da boca, pois também contam o
sorriso dos olhos, a expressão do olhar, trata-se de
uma comunicação ou reconhecimento que vai além do
carinho e provoca no bebé uma sensação de fascínio
total, que é absolutamente necessária para todos os
aspetos do seu desenvolvimento, mas em especial das
suas relações sociais.

§ Estar verdadeiramente com a criança não significa tê-la


ao colo enquanto se vê televisão ou se está atento a
qualquer outra coisa. É melhor estar com ela pouco
tempo, mas de uma maneira total, intensa,
procurando entendê-la e comunicar com ela.
Interação mãe-filho
§ Quando a criança começa a conhecer o pai, sem o
confundir com outras pessoas, este também
desempenha um papel importante na estimulação do
filho e em diferentes aspetos da sua organização
individual, devido à sua maneira de ser, diferente da
maneira da mãe, e aos estímulos.

§ O primeiro contato do bebé com o mundo é


estabelecido através da mãe, e é conveniente que a
pessoa que ele valoriza logo a seguir com a sua forma
especial de valorizar seja o pai, pois isso contribuirá
para criar na família uma melhor ligação futura e dará
ao filho melhores oportunidades para o seu
desenvolvimento.
Entrada no grupo
Isolamento

§ Muitos Pais não notam, ou pelo menos não acham


preocupante, a timidez e a tendência para o
isolamento dos filhos.

§ Com frequência, os pais das crianças tímidas e


isoladas deixam que estas vivam sem entrar em
contato com estranhos, da mesma idade ou adultos, e
alegram-se até com a sua aparente tranquilidade e
capacidade para permanecerem sozinhas durante
muito tempo.
Entrada no grupo
§ Numa sociedade em que geralmente ambos os pais
estão muito ocupados uma criança tranquila é aceite
com maior satisfação que outra muito ativa,
brincalhona, amiga de movimento e de companhia, de
jogos ao ar livre mais que de jogos sedentários de
construção.
Entrada no grupo
§ A atitude da criança tímida com os estranhos, a sua
forma de se esconder, a sua recusa em falar, são
calmamente aceites e aprovadas porque não causa aos
pais os aborrecimentos pela falta de vergonha, pela
excessiva confiança e pelo exibicionismo das crianças
extrovertidas.

§ A criança tímida, pouco sociável e isolada é


considerada como uma "criança boa e bem-educada",
assim, as dificuldades práticas e emotivas, que
aparecem quase no momento em que tem de enfrentar
forçosamente os primeiros contactos sociais, ao entrar
na escola, surpreendem muito os Pais.
Entrada no grupo
§ A criança introvertida é aquela que tem mais
dificuldades no novo ambiente e com as pessoas
desconhecidas, e que apresenta reações de pânico e
de rejeição à escola e ao estudo.

Começo do grupo

§ Por volta dos 3 meses a criança responde com o


sorriso aos rostos e manifesta desagrado logo que o
companheiro a abandona. Entre o 6º e o 8º mês
distingue o amigo e o estranho. A Mãe é a pessoa
preferida. A partir de então notam-se comportamentos
de ciúme e sinais de simpatia.
Entrada no grupo
§ A linguagem proporciona à criança uma maior
comunicação com o ambiente familiar e social que a
rodeia.

§ Aos 2 anos, as suas atividades sociais são muito


egocêntricas, isolando-se nos seus monólogos, ou nos
seus jogos simbólicos, de ficção, em que a regra,
como norma do jogo, não entra. Por isso as crianças
desta idade têm dificuldade em entrar em jogos de
grupo.
Entrada no grupo
§ A criança é inteiramente individualista. Pretende o
reconhecimento das suas “proezas” pessoais. Mostra
tendência para a teimosia, implicando com os outros,
provocando lutas e discussões.

§ Rapazes e raparigas têm sensivelmente os mesmos


interesses, pelo que é aconselhável participarem juntos
nas mesmas atividades lúdicas.
Entrada no grupo
§ Verifica-se um interesse crescente pelo grupo e revela
capacidade para planear com e para os outros. As
atividades coletivas são do seu agrado. Os instintos
gregários sobrepõem aos individualistas. Desenvolve-se
a lealdade ao grupo e à equipa. A aprovação do grupo
é a mais importante.

§ Tem interesse crescente pelas atividades competitivas,


e através destas, o respeito pelas regras e pelas normas
do grupo. Acentua-se o sentido de cooperação
intra-grupo e de competições inter-grupos.
Entrada no grupo
§ Existe uma diferença evidente entre sexos. Os
interesses são divergentes e aceita bem as motivações
recebidas do adulto, do “mais velho”.

§ A criança realiza, frequentemente neste período, a sua


primeira experiência de grupo homogéneo. É capaz de
atividades dirigidas com normas simples e de assumir
pequenas responsabilidades coletivas. Realiza tarefas
contínuas, variadas em tempos curtos. As suas
responsabilidades de colaboração e de socialização
podem alternar com reações ainda muito egocêntricas.
Entrada no grupo
§ Na pré-adolescência a lealdade é muito acentuada
para com o “grupo”, a “equipa”. As raparigas são
atraídas por atividades por tipo social. Os rapazes
tornam-se agressivos e conflituosos. Aumenta o
interesse pela aparência pessoal e é evidente a
admiração pelo herói, pelo ídolo.

§ Mantém-se o interesse pelas atividades competitivas.


Acentua-se a capacidade de cooperação. É a altura de
se iniciar a integração das crianças em atividades de
grupo e de serem propostos exercícios que favoreçam
a maturação das atividades para iniciarem sem
dificuldade as aprendizagens escolares.
Entrada no grupo
Relação entre crianças

§ Contrariamente ao que em geral se julga, as relações


das crianças com as da sua idade nem sempre são
fáceis.

§ Acontece muito uma mãe ficar surpreendida ao


perceber que o filho não se adapta aos seus primeiros
amigos; o que esperava ir ser uma tarde agradável
com uma amiga que tem um filho da mesma idade do
seu, torna-se numa experiência com factos muito
desagradáveis.
Entrada no grupo
§ O filho em vez de se mostrar bem-disposto com a
criança da sua idade, ignora-a ou então, começa a
brincar mas recorre várias vezes à mãe; pode também
acontecer que comece a brincar mas depressa se
aborreça com o “amigo” pelos mais variados motivos.

§ Outras vezes, a mãe nota as dificuldades do filho


quando este vai para o infantário, onde se isola, não
participa nas atividades comuns, não consegue
estabelecer qualquer laço positivo com os
companheiros, ou então mostra-se agressivo e
possessivo em relação aos outros.
Entrada no grupo
§ O interesse e o prazer de estar na companhia de outras
crianças manifestam-se lentamente na criança, que,
durante os primeiros anos, até ai parece só apreciar só
os componentes do círculo familiar.

§ Em seguida, as crianças começam a aceitar estar com


as outras, ocupadas em diversas brincadeiras.
Entrada no grupo
Amizade

§ Até aos dois anos aproximadamente as crianças


brincam “ao lado” de outras crianças, não começando
a brincar “com” os outros meninos até a esta idade.

§ Nos dois primeiros anos de vida é muito difícil


encontrar um sentido social nas crianças, já que
raramente se estabelece nesta idade a comunicação e
intercâmbio que o caraterizam.
Entrada no grupo
§ Entre os dois e os três anos, as crianças podem
agrupar-se à volta de um brinquedo ou de uma
atividade comum, e se estabelece um contato nunca
costuma ultrapassar os limites de um par.

§ Nesta idade, é perfeitamente possível manter a


atenção de um grupo em relação a uma
determinada atividade num ambiente de perfeita
harmonia.
Entrada no grupo

§ As festas infantis de crianças desta idade costumam ser um


êxito, sempre que forem dirigidas pelos adultos e se procure
chamar-lhes a atenção para uma determinada atividade, quer
seja um jogo ou a exibição de palhaços, marionetas ou
desenhos animados.

§ A ligação estabelece-se de uma forma superficial; as


crianças observam-se atentamente umas às outras, efetuam
ligeiros contatos a nível global, mas em conjunto atuam de
forma unitária, dando a sensação de se sentirem tão
satisfeitas com a alegria comum como com o jogo ou com o
espetáculo que assistam. Por si mesmas são incapazes de
organizar qualquer jogo coletivo, necessitam sempre de
alguém que as dirija.
Entrada no grupo

Cooperação e autonomia

§ As relações sociais que as crianças formam, bem


como a sua capacidade de iniciativa, estão apoiadas
na sua competência crescente em representar ideias
através da linguagem e das brincadeiras.

§ Utilizando palavras para dar nomes aos sentimentos,


estão já capazes de começar a reconhecer as emoções
que sentem e que observam nos outros.
Entrada no grupo

§ Em vez de apenas experimentarem a sua própria


alegria, ou a de outros, são capazes de representar a
compreensão desse sentimento através das palavras.

“Estou feliz. O meu pai vem hoje para casa”. “Vai ser
divertido brincar com ela”.

§ Esta capacidade de identificar os seus próprios


humores e emoções, bem como os dos outros, ajuda
as crianças pequenas a decidir, com algum sucesso,
quando e como abordar os companheiros.
Entrada no grupo

§ Muito do comportamento das crianças de idade pré-


escolar é um reflexo da sua intencionalidade, da sua
inclinação para serem orientadas por um objetivo.

§ As crianças pequenas são ativas na perseguição de


objetivos e iniciativas quando trabalham e brincam
com os materiais.

§ As crianças destas idades procuram ativamente


companheiros e associados para observar, brincar ao
lado, imitar, falar com, e interagir ludicamente.
Entrada no grupo

§ As crianças têm desejo de amizade.

§ A capacidade crescente das crianças mais novas em


iniciar relações de amizade com companheiros é
auxiliada pela sua capacidade em se expressarem
através da linguagem e de se envolverem em
brincadeiras cada vez mais complexas, que estimulam
o interesse e o apoio de outras crianças.
A criança e o adulto

Da família à creche, ao jardim-de-infância, à escola

§ Uma creche deve garantir que a criança é atendida


com requinte, com o necessário cumprimento das
normas de higiene e de puericultura; mas não menos
importante é o facto de dever ter um número de
auxiliares grande para que a criança tenha assegurada
uma certa dose de presença feminina, afetuosa e
tranquilizante.
A criança e o adulto

§ A auxiliar deve ser não só uma pessoa que saiba


alimentar, lavar e mudar as fraldas à criança, mas
também uma mulher com uma forte disponibilidade
maternal/emocional.

§ Portanto, numa boa creche, as auxiliares não devem


ocupar-se de muitas crianças ao mesmo tempo para
poderem ficar longos períodos juntos da mesma
criança; só assim se pode estabelecer entre a mulher
e o bebé uma relação de segurança.
A criança e o adulto

§ A família representa o primeiro e o mais importante


ambiente de educação, mas não é suficiente para dar
à criança uma educação válida e completa em todos
os aspetos da vida por educação.

§ Educação não é só uma simples instrução, mas


também saber habituar o indivíduo a viver em
sociedade, quer dizer em harmonia com os outros.

§ O infantário representa precisamente o primeiro


ambiente de educação extra familiar e é um ambiente
natural e necessário, embora transitório, onde a
criança começa a aprender a viver também fora da
família.
A criança e o adulto

§ A escola tem uma importância fundamental na


formação da criança, não só a nível intelectual e
educativo, mas também em tudo o que tem a ver com
as relações sociais.

§ Através da escola, a criança integra-se na sociedade e


prepara-se para a sua posterior inserção na vida social
adulta.

§ A instituição escolar deve potenciar na criança o


estímulo para o trabalho, fomentar a sua curiosidade
intelectual e estimulá-la nas suas vocações.

§ Mas tudo isso sem lhe reduzir a iniciativa e o espírito


crítico.
A criança e o adulto

§ A criança, já desde pequena, sente interesse em se relacionar


com as outras crianças, observando-as e imitando, dentro do
possível, aquilo que as vê fazer.

§ Mais tarde, quer nos jardins públicos, quer nos infantários e


nas escolas, a amizade nasce de forma espontânea,
precisamente por causa da atração mútua que as crianças
sentem.

§ Deve-se estimular a relação entre meninos e meninas da


mesma idade, ensinando-os a viver em comum, a usufruir do
mesmo e a respeitar-se mutuamente.

§ Quando em casa há vários irmãos deve favorecer-se a


harmonia entre eles, ensinando-lhes desde pequenos as
regras da convivência.
A criança e o adulto

Papel estruturante do vigilante

§ O vigilante trata dos cuidados alimentares, de higiene


pessoal e de ambiente.

§ Deve haver estabilidade e segurança nas relações com


a mãe ou com quem a possa substituir.

§ As ausências prolongadas e as mudanças constantes


de ambiente podem afetar toda a evolução futura da
personalidade da criança.
A criança e o adulto

§ O bebé deve ser estimulado através da conversa e da


manipulação de objetos. Ao mesmo tempo que os
Vigilantes devem estimular a criança a sensibilizar-se
pelos direitos dos outros e assim ir reduzindo os
sentimentos egocêntricos.

§ Na medida em que as crianças desta idade (18 meses


a 3-4 anos) vivem um estado de confusão entre o
mundo objetivo e o mundo subjetivo, que se sobrepõe
espontaneamente, não se deve usar, como meio de
dominar as crianças, o recurso a ameaças de “papões”,
de “bruxas”, ou de “polícias”.
A criança e o adulto

Ao avaliar o trabalho de uma ama ou de uma empregada


encarregada de cuidar de um bebé em casa, os Pais
deverão:

§ Observar a consistência do comportamento dessa


pessoa;

§ Observar o seu investimento emocional e a sua


capacidade de respeitar a individualidade do bebé;

§ Ter atenção quando ela lhe pega ao colo, para ver se


observa e se adapta aos ritmos da criança;

§ Analisar se ela é capaz de respeitar e ter carinho com


os Pais da criança.
A criança e o adulto

§ Corrigir publicamente uma pessoa é o primeiro pecado


capital da educação.

§ Um educador nunca deveria expor o defeito de uma


pessoa, por pior que ele seja, diante dos outros.

§ A exposição pública produz humilhação e traumas


complexos difíceis de superar.

§ Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do


que o erro da pessoa.
A criança e o adulto

§ O diálogo é uma ferramenta educacional


insubstituível. Não se deve ter medo de perder a nossa
autoridade, deve-se ter medo de perder os nossos
filhos.

§ Não criticar excessivamente. Não comparar o seu filho


com os colegas. A comparação só é educativa quando é
estimulante.

§ Dar aos filhos liberdade para ter as suas próprias


experiências, ainda que isso inclua certos riscos,
fracassos, atitudes tolas e sofrimentos. Caso contrário,
eles não encontrarão os seus caminhos.
A criança e o adulto

§ A pior maneira de preparar os jovens para a vida é


colocá-los numa estufa e impedi-los de errar e
sofrer.

§ Nunca colocar limites sem dar explicações. Este é


um dos pecados capitais mais comuns que os
educadores cometem, sejam eles pais ou professores.

§ Nos momentos de ira, a emoção intensa bloqueia os


campos da memória. Para educar, usa-se primeiro o
silêncio e depois as ideias.
A criança e o adulto

§ Punir com castigos, privações e limites só educa se


não for excessivo e se estimular a arte de pensar, caso
contrário, será inútil.

§ A punição só é útil quando é inteligente, deve- se


elogiar o jovem antes de o corrigir ou de o criticar.
Dizer o quanto ele é importante, antes de lhe apontar
o defeito.

§ Se não pudemos, dizemos “não” sem medo, mesmo


que o filho faça birra. E se errarmos nesta área,
devemos voltar atrás e pedir desculpa.
A criança e o adulto

§ As falhas capitais na educação podem ser


solucionadas quando corrigidas rapidamente.

§ A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil


de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído.

§ Os jovens que perdem a esperança têm enormes


dificuldades para superar os seus conflitos.
Aspetos inteletuais

O que é o Desenvolvimento Intelectual?

§ O Desenvolvimento intelectual é o desenvolvimento da


capacidade de pensar, inovar e usar a informação de
forma a adaptar-se a novas situações.

§ Este desenvolvimento resulta dos esforços da criança


ao compreender e agir no mundo, aparece como uma
capacidade inata de adaptação ao meio envolvente.
Aspetos inteletuais

Jean Piaget através da sua Teoria Psicogenética, defende


que o desenvolvimento intelectual é despoletado por
estímulos diários gerados pelo meio, que causam um
desequilíbrio nas estruturas mentais da criança e
provocam a sua adaptação a uma nova situação, pelo
que podemos concluir que quanto mais complexa for a
interação entre o meio e a criança, mais evoluída
intelectualmente a criança se torna.
Aspetos inteletuais

Segundo Piaget, o desenvolvimento intelectual faz-se por


mudanças de estruturas através de três processos
básicos:
§ Assimilação – É o processo de resolução de uma
determinada situação através de um esquema já
existente, incorporando e assimilando um novo
elemento.
(ex.: A criança aprende a agarrar os objetos, mas não os
agarra todos da mesma forma, pois estaria sujeita a que
alguns caíssem. Assim, adapta o esquema inicial (agarrar)
em função das caraterísticas de cada objeto).
Aspetos inteletuais

§ Acomodação – É um processo complementar, que envolve


a modificação de um esquema de ação e pensamento de
forma a dominar uma nova situação ou objeto. A
acomodação não é determinada pela situação ou objeto,
mas sim pela atividade do sujeito sobre este, para tentar
assimilá-lo. É através da acomodação que reorganizamos
ideias, melhoramos as habilidades, mudamos de
estratégias.

(ex.: A criança utiliza um esquema verbal inicial para chamar a


atenção (o choro), mas vai introduzindo modificações nesse
esquema para que o adulto se aperceba que ela não quer dizer
sempre a mesma coisa).
Aspetos inteletuais

§ Equilibração - É o processo de regulação entre a


assimilação e a acomodação, através do qual uma
nova aquisição se deve equilibrar com as
anteriormente adquiridas, ou seja, a reestruturação
dos esquemas.

(ex.: A criança sente fome, procura comida, sacia a fome ->


retorno ao estado de equilíbrio).
Aspetos inteletuais

§ O conhecimento é um processo e não um acumular de


informação, é uma reorganização progressiva e uma
construção individual. Uma criança começa a conhecer o
seu mundo pelos sentidos (através dos esquemas iniciais).
A assimilação e a acomodação são os instrumentos do
conhecimento, ou seja, as estruturas da inteligência que
permitem a organização progressiva do conhecimento.

§ Para que haja adaptação e desenvolvimento, é necessário


que haja equilíbrio entre estes dois processos: a
assimilação que traduz estabilidade e continuidade e a
acomodação que traduz novidade e mudança.
Estádio sensório-motor

Dos 0 aos 6 meses:


§ A aprendizagem faz-se sobretudo através dos sentidos,
principalmente através da boca;
§ Vocalizações espontâneas;
§ A partir dos 4 meses, começa a imitar alguns sons que
ouve à sua volta;
§ Por volta do 6º mês, compreende algumas palavras
familiares (o nome dele, "mamã", "papá"...), virando a
cabeça quando o chamam.
Estádio sensório-motor

Dos 6 aos 12 meses:

§ Desenvolvimento da noção de permanência do objeto,


ou seja, a noção de que uma coisa continua a existir
mesmo que não a consiga ver;

§ Os gestos acompanham as suas primeiras "conversas",


exprimindo com o corpo aquilo que quer ou sente (por
ex., abre e fecha as mãos quando quer uma coisa);

§ Alguns dos seus sons parecem-se progressivamente


com palavras, tais como "mamã" ou "papá" e ao longo
dos meses seguintes o bebé vai tentar imitar os sons
familiares, embora inicialmente sem significado;
Estádio sensório-motor

§ A partir dos 8 meses: desenvolvimento do palrar,


acrescentando novos sons ao seu vocabulário. Os sons
das suas vocalizações começam a acompanhar as
modulações da conversa dos adultos - utiliza "mamã"
e "papá" com significado;

§ Nesta fase, o bebé gosta que os objetos sejam


nomeados e começa a reconhecer palavras familiares
como "papa", "mamã", "adeus", sendo
progressivamente capaz de associar ações a
determinadas palavras (por ex., "chau-chau" - acenar);
Estádio sensório-motor

§ A partir dos 10 meses, a noção de causa-efeito


encontra-se já bem desenvolvida: o bebé sabe
exatamente o que vai acontecer quando bate num
determinado objeto (produz som) ou quando deixa cair
um brinquedo (o pai ou a mãe apanha-o). Começa
também a relacionar os objetos com o seu fim (por ex.,
coloca o telefone junto ao ouvido);

§ Progressiva melhoria da capacidade de atenção e


concentração: consegue manter-se concentrado durante
períodos de tempo cada vez mais longos;

§ A primeira palavra poderá surgir por volta dos 10


meses.
Estádio sensório-motor

Dos 12 aos 24 meses:


§ A memória está agora mais desenvolvida, devido à
repetição das atividades, o que lhe permite antecipar os
acontecimentos e retomar uma atividade
temporariamente interrompida. Da mesma forma que,
através da sua rotina diária, o bebé desenvolve um
entendimento das sequências de acontecimentos que
constituem os seus dias;

§ Embora possa estar ainda limitada a uma palavra de


cada vez, a linguagem do bebé começa a adquirir tons
de voz diferentes para transmitir significados diferentes.
Progressivamente irá sendo capaz de combinar palavras
soltas em frases de 2, 3 e 4 palavras;
Estádio sensório-motor

§ Manifesta maior curiosidade: gosta de explorar o que a


rodeia. Por volta dos 24 meses começa a fase dos
"Porquê?";

§ Compreende pedidos simples, inicialmente


acompanhados de gestos, como por ex. "Dá-me a bola",
e a partir dos 15 meses, sem necessidade de recorrer
aos gestos;
Estádio sensório-motor

§ As experiências físicas que vai fazendo, ajudam a


desenvolver as capacidades cognitivas. Por exemplo,
por volta dos 20 meses, sabe que um martelo de
brincar serve para bater e já consegue estabelecer a
relação entre um carrinho de brincar e o carro da
família;

§ Entre os 20 e os 24 meses é também capaz de brincar


ao faz-de-conta. A capacidade de fazer este tipo de
jogos indica que começa a compreender a diferença
entre o que é real e o que não é;
Estádio sensório-motor

§ Nesta altura dá-se o desenvolvimento da consciência


de si: a criança pode referir-se a si própria como "eu"
e pode conseguir descrever-se por frases simples,
como "tenho fome";

§ A criança está a começar a formar imagens mentais


das coisas, o que a leva à compreensão dos conceitos
como dentro e fora, cima e baixo.
Estádio pré-operatório

Dos 2 aos 3 anos:

§ Fase de grande curiosidade (fase dos "Porquê?");

§ A partir dos 32 meses, é já capaz de conversar com


um adulto usando frases curtas e falar sobre um
assunto por um breve período de tempo;

§ Desenvolvimento da consciência de si próprio,


podendo referir-se a si própria como "eu" e descrever-
se por frases simples, como "tenho fome";
Estádio pré-operatório

§ A memória e a capacidade de concentração


aumentaram (a criança é capaz de voltar a uma
atividade que tinha interrompido);

§ A criança começa a formar imagens mentais das coisas


e já compreende conceitos como dentro e fora, cima e
baixo;

§ Começa a adquirir o conceito de sequências numéricas,


sendo capaz de contar até 10 e de formar grupos de 10
objetos distintos (ex.: 10 animais de plástico podem ser
3 vacas, 5 porcos e 2 cavalos).
Estádio pré-operatório

Dos 3 aos 4 anos:

§ Compreende a maior parte do que ouve e o seu


discurso é compreensível para os adultos;

§ Utiliza bastante a imaginação: brinca com agrado aos


jogos de faz-de-conta;

§ Sabe o nome, o sexo e a idade;

§ Repete sequências de 3 algarismos;

§ Começa a ter noção das relações de causa-e-efeito.


Estádio pré-operatório

Dos 4 aos 5 anos:

§ Adquiriu já um vocabulário alargado, constituído por


1500 a 2000 palavras; manifesta um grande interesse
pela linguagem;

§ Compreende ordens com frases na negativa;

§ Articula bem consoantes e vogais e constrói frases bem


estruturadas;

§ Exibe uma curiosidade insaciável, fazendo inúmeras


perguntas;
Estádio pré-operatório

§ Compreende as diferenças entre a fantasia e a


realidade;

§ Compreende conceitos de número e de espaço:


"mais", "menos", "maior", "dentro", "debaixo", "atrás";

§ Começa a compreender que os desenhos e símbolos


podem representar objetos reais;

§ Começa a reconhecer padrões entre os objetos:


objetos redondos, objetos macios…
Estádio pré-operatório

Dos 5 aos 6 anos:

§ Fala fluentemente, utilizando corretamente o plural, os


pronomes e os tempos verbais;

§ Grande interesse pelas palavras e a linguagem;

§ Segue instruções e aceita supervisão;

§ Conhece as cores, os números e pode identificar e


distinguir euros e cêntimos;
Estádio pré-operatório

§ Capacidade para memorizar histórias e repeti-las;

§ É capaz de agrupar e ordenar objetos tendo em


conta o seu tamanho;

§ Começa a entender conceitos como: "antes" e


"depois", "em cima" e "em baixo", bem como
conceitos de tempo: "ontem", "hoje", "amanhã".
Estádio pré-operatório

Dos 6 aos 7 anos:

§ Conhece as principais diferenças entre ambos os sexos


e sente curiosidade pelo corpo do sexo oposto;

§ Começa a ter memórias contínuas e mais organizadas;

§ Desenvolvimento das capacidades de raciocínio;

§ Passagem de uma aprendizagem através da


observação e da experiência para uma aprendizagem
através da linguagem e da lógica;

§ A maioria das crianças aprende a ler e a escrever nesta


idade.
Estádio operações concretas

Dos 7 aos 8 anos:

§ Está menos interessada nas questões sexuais;

§ Utiliza um pensamento reflexivo, baseado na lógica;

§ Consegue resolver problemas de maior


complexidade;

§ Boa capacidade de atenção e concentração;

§ Gosta de colecionar objetos e de falar acerca dos


seus desejos e projetos, textos e desenhos;

§ Baseia-se mais na realidade.


Estádio operações concretas

Dos 8 aos 9 anos:

§ O seu pensamento está mais organizado e lógico;

§ Preocupa-se em perceber a razão das coisas que a


rodeiam;

§ Sobrestima frequentemente as suas capacidades, com


consequente frustração em caso de insucesso;

§ Procura mais informação acerca da gravidez e do


nascimento e pode questionar o papel do pai.
Estádio operações concretas

Dos 9 aos 10 anos:

§ Manifesta preferência por trabalhos e tarefas mais


complexas;

§ Tem interesses definidos e uma grande curiosidade;

§ Procura e memoriza factos;

§ Emprega raciocínios e pensamentos abstratos;

§ Gosta de ler, escrever e de utilizar livros e referências.


Estádio operações concretas
Dos 10 aos 12 anos:

§ A criança está mais alerta e bastante segura de si;

§ Gosta de ler;

§ Tem muitos interesses de curta duração;

§ Por vezes desafia o conhecimento dos adultos;

§ Tem uma maior capacidade para utilizar a lógica nos


seus argumentos, bem como para aplicar o raciocínio
lógico a situações concretas e específicas;

§ Poderá manifestar interesse em ganhar dinheiro;

§ Interesse pelo mundo e pela comunidade onde está


inserida.
Aspetos sociomorais

Desenvolvimento sócio-moral

§ A moralidade fala de um sistema de comportamento


que diz respeito aos padrões de comportamento
certo ou errado.

§ A moralidade e desenvolvimento moral são conceitos


que giram em torno do que é justo e injusto, o que é
bom e o que é mau, no fundo no que deve ou não ser
feito.

§ A moralidade baseia-se nas crenças próprias de cada


indivíduo quanto à maneira como se deve comportar
em sociedade.
Desenvolvimento sociomoral

§ A moralidade da criança é construída através da sua


experiência social, envolvida pela compreensão
cognitiva para que a mesma, seja capaz de adaptar-se a
cada etapa do desenvolvimento.

§ Existem várias teorias que explicam o desenvolvimento


sócio moral da criança. Na teoria Piagetiana, a criança é
considerada como um ser ativo na construção de
princípios morais. Deste modo, Piaget constrói uma
teoria acerca da maneira como as crianças desenvolvem
e transformam o seu pensamento no decurso do seu
desenvolvimento.
Desenvolvimento sociomoral

Piaget argumenta que o desenvolvimento da moral


abrange três fases denominadas:

§ Anomia: ("egocentrismo" infantil, crianças até 5 anos


de idade):

Nesta fase as necessidades básicas determinam as


normas de conduta. As regras são seguidas pelo hábito e
não por uma consciência do que é certo ou errado.

§ Heteronomia: (crianças até 9/10 anos de idade):

Nesta fase o certo é - cumprir a regra e qualquer


interpretação diferente desta não corresponde a uma
atitude correta.
Desenvolvimento sociomoral

§ Autonomia: (crianças de 10 anos em diante)

O indivíduo adquire a consciência moral. Os deveres


são cumpridos com consciência da sua necessidade e
significado.

Entre outros estudos, os mais conhecidos sobre o


desenvolvimento sócio moral da criança, foi a teoria de
Kohlberg e de Freud. A Teoria de Kohlberg é baseada
em dilemas. Segundo Freud, o desenvolvimento moral
da criança baseia-se na teoria das fases da sexualidade
infantil.
Desenvolvimento sociomoral

Dos 0 aos 6 meses:

§ Distingue a figura cuidadora das restantes pessoas


com quem se relaciona, estabelecendo com ela uma
relação privilegiada.

§ Imita os movimentos, fixa os rostos e sorri


(aparecimento do 1º sorriso social por volta das 6
semanas).

§ Aprecia bastante as situações sociais com outras


crianças ou adultos.
Desenvolvimento sociomoral

§ Por volta dos 4 meses: capacidade de reconhecimento


das pessoas mais próximas, o que influencia a forma
como se relaciona com elas, tendo reações
diferenciadas consoante a pessoa com quem interage.
É também capaz de distinguir pessoas conhecidas de
estranhos, revelando preferência por rostos familiares.
Desenvolvimento sociomoral

Dos 7 aos 12 meses:

§ O bebé está mais sociável, procurando ativamente a


interação com quem o rodeia (através das
vocalizações, dos gestos e das expressões faciais).

§ Manifesta comportamentos de imitação, relativamente


a pequenas ações que vê os adultos fazer (por ex.,
lavar a cara, escovar o cabelo, etc.).

§ A partir dos 10 meses, adquire maior interesse pela


interação com outros bebés.
Desenvolvimento sociomoral

Dos 12 aos 36 meses:

§ Nesta fase a criança aprecia a interação com os


adultos que lhe sejam familiares, imitando e copiando
os comportamentos que observa.

§ Tem uma maior autonomia e sente satisfação por


estar independente dos pais quando inserida num
grupo de crianças, necessitando apenas de confirmar
ocasionalmente a sua presença e disponibilidade. Esta
necessidade aumenta em situações novas, surgindo
uma maior dependência quando é necessária uma
nova adaptação.
Desenvolvimento sociomoral

§ As suas interações com outras crianças são ainda


limitadas: as suas brincadeiras decorrem sobretudo
em paralelo e não em interação com elas.

§ A partir dos 20 meses, e à medida que começa a ter


maior consciência física e psicológica de si, desenvolve
uma maior empatia com os outros (começa a ser
capaz de pensar sobre o que os outros sentem).

§ Aos 32 meses, a criança já deve reagir melhor quando


é separada da mãe, para ficar à guarda de outra
pessoa, embora algumas crianças passem por este
processo com menos ansiedade do que outras.
Desenvolvimento sociomoral

Dos 3 aos 4 anos:

§ É bastante sensível aos sentimentos dos que a rodeiam


relativamente a si própria.

§ Preocupa-se em agradar os adultos que lhe são


significativos, sendo dependente da sua aprovação e
afeto.

§ Começa a aperceber-se das diferenças no


comportamento dos homens e das mulheres.
Desenvolvimento sociomoral

§ Começa a interessar-se mais pelos outros e a integrar-


se em atividades de grupo com outras crianças.

§ Começa a distinguir o certo do errado.

§ Consegue controlar-se de forma mais eficaz e é menos


agressiva.

§ Utiliza ameaças verbais extremas, como por exemplo


"Eu mato-te!", sem ter noção das suas implicações.
Desenvolvimento sociomoral

Dos 4 aos 5 anos:

§ Quando está inserida num grupo, poderá ser seletiva


acerca dos seus companheiros.

§ Está a aprender a aceitar as regras e a respeitar a vez


do outro.

§ Pode ajudar nas tarefas de casa (ex.: pôr a mesa).

§ Tem maior consciência do certo e errado,


preocupando-se maioritariamente em fazer o que
está certo.

§ Pode culpar os outros pelos seus erros (dificuldade


em assumir a culpa pelos seus comportamentos).
Desenvolvimento sociomoral

Dos 5 aos 6 anos:

§ Está mais calma, não sendo tão exigente nas suas


relações com os outros; é capaz de brincar apenas
com outra criança ou com um grupo de crianças.

§ Brinca de forma independente, sem necessitar de uma


constante supervisão.

§ Aprecia conversar durante as refeições.


Desenvolvimento sociomoral

§ Começa a interessar-se por saber de onde vêm os


bebés.

§ Está numa fase de maior conformismo, sendo crítica


relativamente àqueles que não apresentam o mesmo
comportamento.

§ Devido à sua grande preocupação em fazer as coisas


bem e em agradar, poderá por vezes mentir ou culpar
os outros de comportamentos reprováveis.
Desenvolvimento sociomoral

Dos 6 aos 7 anos:

§ Não gosta de manifestações de afeto em público


(principalmente os rapazes).

§ Identifica-se com os adultos fora do seu meio familiar


(por ex.: o professor).

§ As relações com os pares são instáveis; é por vezes


agressiva com outras crianças.
Desenvolvimento sociomoral

§ Quer sempre ganhar nas atividades em que participa,


tentando modificar as regras para satisfazer as suas
necessidades.

§ Preocupa-se bastante com o seu próprio


comportamento, especialmente quando este afeta a
família e os amigos.

§ Culpa os outros dos seus erros.


Desenvolvimento sociomoral

Dos 7 aos 9 anos:

§ Participa em atividades organizadas em grupo.

§ Poderá por vezes utilizar a agressão como forma de


resolver problemas.

§ Início da divisão de sexos (as meninas brincam com


meninas e os meninos com meninos).
Desenvolvimento sociomoral

§ Faz novos amigos com facilidade, preocupando-se em


estabelecer relações recíprocas; pode desenvolver
uma relação mais próxima com uma criança do
mesmo sexo; considera o grupo de amigos
importante.

§ Não se envolve tanto em conversas com a família


durante a refeição, prefere comer depressa para
iniciar outra atividade.

§ Pode vivenciar sentimentos de culpa e vergonha.


Desenvolvimento sociomoral

Dos 9 aos 10 anos:

§ Rapazes e raparigas diferem em termos de


personalidade, caraterísticas e interesses.

§ Grande orientação para o grupo, formado por


elementos do mesmo sexo: preferência por atividades
de jogo cooperativo e de equipa.

§ Maior interesse nas relações afetivas e atividades


sociais.
Desenvolvimento sociomoral

§ Tem consciência de justiça.

§ É altamente competitiva.

§ Tem ainda dificuldade em assumir os erros mas tem


maior capacidade de aceitar as falhas e de se
responsabilizar por elas.

§ Grande percepção do certo e errado.


Construção da identidade

§ Desde o nascimento que os seres humanos são


condicionados e influenciados por modelos e exemplos
de outros seres humanos que os rodeiam.

§ Saber identificar as suas preferências, reconhecer os


seus limites, conhecer-se, são ações que se iniciam
quando nascemos e no final das nossas vidas, são
influenciadas pela sociedade e a cultura das quais
participamos.

§ A formação da identidade da criança é um processo


que começa por perguntas. "Quem sou eu?"; "Como
sou?".
Construção da identidade

§ As respostas a essas perguntas são essenciais para a construção


da personalidade. Logo cedo, o bebé começa a perceber-se como
sujeito e ter consciência corporal para se desenvolver e se
organizar no espaço, já que ao nascer continua ligado à mãe e
não compreende os limites que os separam.

§ Identificar os próprios gostos e preferências, conhecer


habilidades e limites, reconhecer-se como um indivíduo único, no
meio de tantos outros igualmente únicos.

§ Esse processo de autoconhecimento tem início quando


nascemos e só termina no final da vida, é influenciado pela
cultura, pelas pessoas com as quais convivemos e pelo ambiente
que nos rodeia. A escola também tem um papel fundamental na
construção da identidade de cada criança.
Construção da identidade

§ O primeiro passo é eliminar a comparação de


desempenho. Afinal, não existe uma pessoa igual a
outra.

§ O mais indicado é criar situações em que as crianças


descubram as suas particularidades e proporcionar a
elas momentos de interação com os colegas, sejam
eles da mesma idade, mais novos ou mais velhos. Mas,
não é exagerado afirmar que praticamente todas as
descobertas e brincadeiras feitas nos três primeiros
anos de vida estão relacionadas à construção da
identidade. Nesta fase de desenvolvimento, todos os
objetos manipulados são, para a criança, uma extensão
de si mesma.
Construção da identidade

Para ajudar as crianças no processo de construção da


identidade, deve-se:

§ Estar atento a qualquer manifestação das crianças


(choros, caretas), pois essa é a forma de elas
comunicarem, mesmo quando já sabem falar;

§ Ser observador e sensível aos gostos e preferências


individuais;

§ Chamar sempre todos pelo nome.


Construção da identidade

Rotinas que funcionam:

§ Colocar a criança à frente de um espelho e pedir-lhe


que identifique partes do corpo;

§ Criar diferentes situações nas quais cada criança


tenha a oportunidade de escolher a onde quer brincar,
para começar a colocar-se como um ser único, com
desejos e caraterísticas próprias;

§ Promover aprendizagem com crianças mais velhas,


para que possam servir de modelo na sala de aula.
Construção da identidade

§ No início da fase dos registos gráficos, é essencial que o


educador os valorize uma vez que esta experiência
aumenta o conhecimento que a criança tem de si
própria e do mundo que a rodeia.

§ A não convivência poderá resultar na inibição,


impedindo o seu progresso e segurança nos próximos
acontecimentos, para o processo de construção da
identidade da criança.
Práticas significativas na construção da
identidade

§ A teoria social (SKELTON, 2003) vê a criança adquirir


o conhecimento da identidade de género pela
procura do modelo de comportamento do mesmo
sexo, em que a menina procura modelar-se ao
comportamento das mulheres (mãe) e o menino, ao
comportamento dos homens (pai).

§ A criança identifica-se com os modelos que estão


presentes tanto no ambiente familiar, como na
comunidade local e nos modelos que vê nos livros,
revistas ou na televisão.
O meio e a construção da identidade

§ O ser humano precisa ser elogiado, apreciado e


reconhecido, durante toda a vida. O professor ao
propiciar que o aluno exponha as suas "ideias",
contribui para construção de uma relação equilibrada
tanto entre aluno/professor quanto aluno/aluno.

§ Na adolescência há uma ebulição de ideias que


acontece ao mesmo tempo que as transformações
corporais.
O meio e a construção da identidade

§ O diálogo é fundamental para o exercício desta


construção, além de exercitar o respeito à diversidade
e à autonomia. A autonomia não se dá, conquista-se.
Para ser autónomo há que se ter confiança. A
confiança adquire-se através de uma boa preparação
e esta preparação vem do diálogo.

§ Todo este processo favorece a criatividade,


fundamental na construção da identidade.

§ Ou seja todos estes requisitos promovem ao indivíduo


que acredite em si mesmo e que construa uma
identidade forte.
Adolescentes

§ Na adolescência, há o abandono da identidade


infantil, e, consequentemente, a busca de uma nova
identidade com caraterísticas adultas.

§ Sendo uma identidade frágil, que está em busca de


uma nova forma de ser, o processo de autoafirmação
perpassa todos os seus momentos de construção
como os conflitos, as incertezas e também dos
sucessos dessa fase.
Adolescentes

§ O processo de identificação com os pais determina,


em grande parte, as formas como os adolescentes
lidam com os conflitos que surgem no período da
adolescência.

§ Ao mesmo tempo, os processos de construção de


uma identidade ligada aos papéis femininos e
masculinos são intensificados pelas mudanças
biológicas da puberdade, gerando, no adolescente,
muita angústia e conflito, entre autoerotismo e
heterossexualidade, envolvendo atividades de caráter
masturbatório e, ao mesmo tempo, de preparação
para o exercício da sexualidade adulta.
Formação de grupos

§ É frequente, que nesta idade realizem grupos de


amigos, nos quais se manifestam pela forma de vestir,
na linguagem e nos hábitos de lazer.

§ O processo de identificação com o grupo de amigos é


tão intenso que se sobrepõe muitas vezes, à influência
familiar, chegando ao ponto de “acabar” com os laços
familiares para adquirir independência.

§ O adolescente dá muita importância aos valores e


atitudes do grupo.
Formação de grupos

§ Ao mesmo tempo, o grupo proporciona uma medida


realista das suas habilidades e capacidades, o que
leva à construção de um autoconceito positivo ou
não, principalmente na sua autoestima.
Formação de grupos
Os grupos manifestam-se de várias formas:

§ Constituição de grupos de amigos que se reúnem para o lazer e


apoio mútuo e não são fechados à interação com outros grupos.

§ Formação de gangues, grupos fechados com regras definidas,


onde persistem atitudes de rejeição e violência em relação aos
que estão fora do grupo. Ao mesmo tempo, esse processo, que
envolve, no caso de gangues, violência e uso de drogas, pode ser
compreendido como um protesto contra a sociedade adulta, na
qual o adolescente não vê possibilidades de construir uma vida
significativa. Com isso, a identidade se configura frequentemente
permeada por sentimentos de revolta e falta de perspetiva, de
autoafirmação de poder e reivindicação por direitos de forma
violenta.
Formação de grupos

§ Compreender os adolescentes na perspetiva da luta


pelo reconhecimento significa interpretar as suas
ações, visualizando-as a partir dessa força motriz.

§ Significa compreender as suas possibilidades de


desenvolver, nas interações sociais, os componentes
em que alguém é reconhecido num determinado
contexto sociocultural, promovendo a autoconfiança, o
autorrespeito e a autoestima.
Moratória Psicossocial
§ Na construção da sua identidade, o jovem não fica livre
de cuidados, dúvidas.

§ Na verdade, o jovem precisa, muitas vezes, de um


período de pausa, afastando-se das pressões e
exigências impostas pelo adulto.

§ Por esta altura, o jovem interessa-se por experimentar a


vida e as oportunidades que ela oferece. Nesta
aventura, o jovem quer estar só e tem como único
objetivo encontrar-se.
Moratória Psicossocial
§ Erickson considera por moratória psicossocial este
“período de latência”, que se carateriza por um
período de compasso de espera em relação aos
compromissos adultos.

§ A moratória pode ser um período de vida descuidada


ou de sonhos imaginativos, ou de extravagâncias.

§ A moratória pode ser confundida com a difusão da


identidade, o adolescente parece andar sem rumo.
Moratória Psicossocial
§ Na difusão da identidade, o adolescente anda, de facto,
sem rumo, mas não faz nada para o remediar. O que o
carateriza é a fuga às responsabilidades entregando-
se ao prazer.

§ Já na moratória, o jovem empenha-se na tarefa de


encontrar um sentido para a sua vida fazendo-o
sozinho.

§ A formação da identidade depende de diversos fatores,


como a família, a cultura, a época e experiências de
infância.
Moratória Psicossocial
§ Eric Erickson nasceu a 15 de Julho de 1902 em
Frankfurt na Alemanha e morreu em Maio de 1994.

§ Estudou e desenvolveu a teoria psicossocial do


desenvolvimento.

§ Relacionou-se com a família Freud, especialmente com


Anna Freud, com quem iniciou a psicanálise e o gosto
pelo estudo da infância.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

§ Em cada estádio acontece sempre alguma coisa que


permanece não só durante a idade própria.

§ A criação da identidade tem início nos primeiros


quatro estádios e a adolescência evolui nos últimos
três.

§ A adolescência torna-se importante, pois é a transição


entre a infância e a idade adulta e na qual é verificado
a sua personalidade na fase adulta. Como cada
criança tem um ritmo próprio, em cada estádio a
construção de cada personalidade é importante
mesmo depois de ser ultrapassado.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

§ A teoria psicossocial do desenvolvimento subdivide-se


em 8 estádios com as diferentes idades que Eric
Erickson estudou com bases nos estágios de Freud.

§ Cada estádio ajuda vários aspetos pela positiva e pela


negativa, pela vivência que a criança possa ter em
conjunto com os que a rodeiam (sociedade).
Teoria psicossocial do desenvolvimento

1ª Idade (dos 0-18 meses): Confiança / Desconfiança

§ A criança vai aprender o que é ter ou não confiança,


está muito relacionado com a relação entre o bebé e
a mãe.

§ O bebé vai ganhando experiência, e aprende a ter


esperança no dia-a-dia.

§ São adquiridos rituais com a sua mãe e com as


pessoas que os rodeiam.

§ Tornando assim mais fácil para o bebé, ter a sua mãe


como um ídolo pois ela é o seu tudo.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

2ª Idade (dos 18meses-3anos): Autonomia / Vergonha e


Dúvida

§ A autonomia é uma necessidade de autocontrolo e de


aprovação do controlo por parte das outras pessoas.

§ Começa a sentir-se mais responsável, aceitando


progressivamente e sempre que é permitido e
necessário.

§ Com esta idade começa a aumentar gradualmente o


conhecimento de tudo, pois começam a falar e a andar,
aprendendo a fazer birras para conseguirem o que
querem, manipulando assim coisas e pessoas.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

§ A vergonha e a dúvida ajudam a tornarem-se cada


vez mais teimosos.

§ É nesta altura que as crianças começam a comparar-


se com o outro, sabendo dizer se está certo ou
errado.

§ Sabendo que as crianças não mentem nesta idade,


fazem-se passar sempre por inocentes.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

4ª Idade (dos 6-12 anos): Diligência/Inferioridade

§ Nesta idade começam a ter muito mais cuidado com


a educação tornando-a mais rigorosa.

§ A competência, adquirida quando se dedicam aos


trabalhos é concluindo as tarefas do dia-a-dia.

§ Sentem-se inferiores e aplicam as responsabilidades


aos outros, evitando esses sentimentos.

§ Começam a aprender a andarem sempre bem


vestidos e arranjados para causarem boa impressão.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

5ª Idade (dos 12 aos 18/20 anos):


Identidade/Confusão e Difusão

§ Nesta idade é quando as crianças começam a se


tornarem adultos.

§ Entram na adolescência, puberdade, precisamente


nesta idade começando a adquirir a identidade
psicossocial.

§ Começam a compreender a sua existência e o seu


papel no mundo.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

§ Tendo em conta que as fases anteriores deixam


marcas que vão influenciar na forma como se vive a
adolescência, vão-se percebendo numa perspetiva
histórica integrando elementos identitários adquiridos
nas idades anteriores.

§ A formação da identidade é o Ego, em seus aspetos


conscientes e inconscientes, o qual neste estádio tem
a particularidade de apurar e inteirar talentos,
aptidões e habilidades.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

§ Moratória psicossocial: «Esta moratória é um compasso de


espera nos compromissos adultos. É um período de pausa
necessária a muitos jovens, de procura de alternativas e
experimentação de papéis, que vai permitindo um trabalho de
elaboração interna».

§ A sociedade permite ao adolescente o espaço de


experimentação, no qual ele explora.

§ Nesta idade aparecem um misto de valores a que Erickson


denominou por fidelidade: «A fidelidade é a capacidade de
manter lealdades livremente empenhadas, apesar das
inevitáveis contradições dos sistemas de valor».
Teoria psicossocial do desenvolvimento

6ª Idade (dos 18/20 aos 30 e tal anos): Intimidade/


Isolamento

§ Pode-se afirmar que nesta idade o jovem deseja


estabelecer relações de intimidade com os outros e
adquirir a capacidade necessária para o amor.

§ Pela primeira vez o indivíduo pode desfrutar de uma


sexualidade verdadeira, mutuamente com o alvo do
seu amor.

§ Os indivíduos encaram a tarefa de construir relações


com os outros, e uma comunicação mais profunda
indicada para o amor e nas relações de amizade.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

§ Esta idade traz isolamento de quem não consegue


partilhar afetos com intimidade nas relações. «O perigo
do estádio da intimidade é o isolamento, a evitação dos
relacionamentos, quando a pessoa não está disposta a
comprometer-se com a intimidade».
Teoria psicossocial do desenvolvimento

7ª Idade (dos 30 aos 60 anos): Generatividade/


Estagnação

§ Esta é a mais longa das idades psicossociais, e consiste


numa luta entre produzir, educar, cuidar do futuro e
preocupar-se unicamente com as suas necessidades e
interesses.

§ O desejo de criar novas vidas, obras de arte, ideias,


objetos, educar, ensinar, ou seja, o desejo de realizar
algo que contribua para o seu bem-estar das gerações
futuras.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

§ Este estádio desenvolve o Cuidado, e é indicado pela


preocupação com os outros, o querer cuidar das
pessoas e compartilhar com elas o seu conhecimento
e experiência.

§ É a idade que consiste na maternidade e paternidade,


trabalho, ensino e papéis em que o adulto age como
transmissor de valores para os mais novos.
Teoria psicossocial do desenvolvimento

8ª Idade (a partir dos 60 anos): Integridade / Desespero

§ É o último estádio, consiste numa retrospetiva da vida,


pois começamos a chegar ao seu fim, é aí que revemos
escolhas, opções, realizações e fracassos.
Desenvolvimento sexual infantil
ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL SEGUNDO
FREUD - DOS 0 AOS 11 ANOS

A sexualidade é reconhecida como um instinto com o qual as


pessoas nascem e que se expressa de formas distintas de
acordo com as fases do desenvolvimento que são:
§ Fase Oral
§ Fase Anal
§ Fase Fálica
§ Fase da Latência
§ Fase Genital
Fase oral – 0 a 1 ano

§ A região do corpo que proporciona maior prazer à


criança é a boca.

§ É pela boca que a criança entra em contacto com o


mundo, é por esta razão que a criança pequena
tende a levar tudo o que agarra à boca.

§ O principal objeto de desejo nesta fase é o seio da


mãe, que além de a alimentar proporciona satisfação
ao bebé.
Fase oral – 0 a 1 ano

Interesses mais frequentes das crianças:

§ Experimenta sensações através da região oral: chuchar,


mamar, chupar o dedo, levar coisas à boca;

§ Reconhece e brinca com o corpo, explorando as


possibilidades;

§ Brinca com os genitais durante o banho ou durante a


troca de fraldas – descoberta sexual.
Fase oral – 0 a 1 ano

Na creche:
§ Durante o banho e a troca de fraldas, converse com a
criança nomeando e valorizando todas as partes do
seu corpo, incluindo os órgãos sexuais (“agora, estou a
lavar o pé”, “vamos limpar o rabinho?”, “vamos deixar
o pénis bem limpinho!”);
§ Proporcione brincadeiras que estimulem diferentes
sensações através do toque: livrinho de feltro, gatinhar
sobre diferentes texturas, brinquedos de diferentes
texturas, móveis coloridos;
§ O bebé adora colocar tudo na boca. Por isso
brinquedos laváveis, macios, de borracha, sem pontas
ou partes soltas são fontes de divertimento e novas
descobertas.
Fase anal – 2 a 4 anos

§ Neste período a criança passa a adquirir o controle


dos esfíncteres a zona de maior satisfação é a região
do ânus.

§ A criança descobre que pode controlar as fezes que


sai de seu interior, oferecendo-o à mãe ora como um
presente, ora como algo agressivo.

§ É nesta etapa que a criança começa a ter a noção de


higiene.

§ Ambivalência (impulsos contraditórios).


Fase anal – 2 a 4 anos

Interesses e perguntas mais frequentes das crianças:

§ Começa a descobrir o controle dos esfíncteres


(controlar o xixi e cócó);

§ Percebe as diferenças entre crianças e adultos.

Perguntas frequentes:

§ Porquê a pilinha do papá é maior que o meu?

§ Porquê a mamã tem cabelinho no pipi?

§ O que são essas bolinhas?

§ Porquê a mamã não tem pilinha?


Fase anal – 2 a 4 anos

Na creche/jardim-de-infância:
§ Deixe a criança brincar com plasticina, massa de
modelar, tinta, barro, terra. São ideais e substituem a
consistência do cócó (que a criança costuma
manipular nesta fase);
§ Ensine a criança a nomear todas as partes do corpo,
incluindo os seus órgãos sexuais, mesmo que seja
com os apelidos aprendidos em casa: pilinha, pipi,
entre outros;
§ Atividades que desenvolvam noções de higiene,
respeito e cuidados com o corpo e conceitos simples
sobre as diferenças sexuais entre meninos e meninas
são ideais nesta fase.
Fase Fálica: 4 a 6 anos

§ Nesta etapa do desenvolvimento a atenção da criança volta-se


para a região genital.
§ Inicialmente a criança imagina que tanto os meninos quanto
as meninas possuem um pénis. Ao serem defrontadas com as
diferenças anatómicas entre os sexos, as crianças criam as
chamadas "teorias sexuais infantis", imaginando que as
meninas não têm pénis porque este órgão lhes foi arrancado
(complexo de castração). É neste momento que a menina tem
medo de perder o seu pénis.
§ Neste período surge também o complexo de Édipo, no qual o
menino passa a apresentar uma atração pela mãe e a se
rivalizar com o pai, e na menina ocorre o inverso.
Fase Fálica: 4 a 6 anos

Interesses e perguntas mais frequentes das crianças:


§ Desenvolve curiosidade sobre as diferenças entre
meninos e meninas;

§ Descobre que a região genital proporciona prazer, a


manipulação dos genitais (masturbação) é muito
comum e deve ser tratada com muito respeito e
naturalidade pelos adultos por se tratar de um ato de
descoberta nesta fase;

§ Identifica-se com seu papel sexual (comportamento de


homem ou de mulher);

§ Começa a questionar sobre a origem dos bebés.


Fase Fálica: 4 a 6 anos

Perguntas frequentes:

§ Como eu nasci?

§ De onde vêm os bebés?

§ Por onde os bebés nascem?

§ Como os bebés são feitos?

§ Por que a pilinha fica dura?


Fase Fálica: 4 a 6 anos

No jardim-de-infância:

§ Brinquedos de simulação de papéis são bastante


interessantes para a criança desta idade (bonecas,
ferramentas de trabalho parecidas com as dos pais,
maquiagem, etc.);

§ Não deixe de responder às perguntas sobre questões


sexuais que os pequenos fazem.

§ Utilize sempre materiais concretos e atividades lúdicas


para construir conceitos;
Fase Fálica: 4 a 6 anos

§ Esclareça as diferenças sexuais, sem mentiras ou


preconceitos, através de palavras simples e sempre
valorizando ambos os sexos, pois cada qual tem sua
função;

§ Ao final desta fase a criança já deve saber de onde vêm


os bebés (relação sexual), como nascem os bebés
(parto normal e parto cesariana), as diferenças entre o
corpo da criança e do adulto (aparecimento dos pelos,
desenvolvimento das mamas), as diferenças entre
meninos e meninas.
Fase da latência: 6 a 11 anos

§ Este período tem por caraterística principal um


deslocamento da libido da sexualidade para
atividades socialmente aceites, ou seja, a criança
passa a gastar a sua energia em atividades sociais e
escolares.
Fase da latência: 6 a 11 anos

Interesses e perguntas mais frequentes das crianças:

§ Canaliza a energia sexual para outras atividades:


escola, desporto, dança, etc.

§ Desenvolve pensamento mais abstrato e as


curiosidades referentes à sexualidade são mais
complexas.
Fase da latência: 6 a 11 anos

Perguntas frequentes:
§ O que é o preservativo?
§ O que é ter relações sexuais?
§ O que é o sexo oral?
§ Como se transmite o HIV?
§ Pra que serve o preservativo?
§ Por que é que dois homens se estão a beijar na
telenovela?
§ O que é “ficar mulher”? (menstruação)
Fase da latência: 6 a 11 anos

Na escola:

§ As perguntas sobre questões sexuais tornam-se mais


complexas e devem ser respondidas com
tranquilidade;

§ No final desta fase, além dos conceitos já descritos na


fase fálica, o aluno precisa ter construído saberes sobre
as transformações do corpo na puberdade,
menstruação, polução noturna (ejaculação involuntária
que ocorre durante o sono), relação sexual responsável,
função do preservativo, conceção, sentimentos (paixão,
amor), doenças sexualmente transmissíveis;
Fase da latência: 6 a 11 anos

§ Os palavrões de teor sexual são frequentemente


utilizados pela criança neste período. Explique o
significado dos termos considerados maliciosos ou
agressivos e realce os limites e regras sociais
referentes à utilização da linguagem.
Fase genital: a partir dos 11 anos

§ Neste período, que tem início com a adolescência, há


uma retomada dos impulsos sexuais, o adolescente
passa a procurar, em pessoas fora de seu grupo
familiar, um objeto de amor.

§ A adolescência é um período de mudanças no qual o


jovem tem que elaborar a perda da identidade infantil
e dos pais, para que pouco a pouco possa assumir
uma identidade adulta.
Fase genital: a partir dos 11 anos

Interesses e perguntas mais frequentes das crianças:

§ Começa a ter atração pelo outro, experimentando


sentimentos de paixão ou amor platónico;

§ Iniciam-se as experiências de relacionamento afetivo:


andar, namorar;

§ As curiosidades voltam-se para as transformações do


próprio corpo e para a “primeira vez”.
Fase genital: a partir dos 11 anos

Perguntas frequentes:

§ A primeira vez dói?

§ O que é o hímen?

§ Como é a primeira consulta no ginecologista?

§ Ter relações durante período menstrual engravida?

§ Masturbação dá borbulhas?
Fase genital: a partir dos 11 anos
Na escola:
§ O trabalho de educação sexual deve começar muito
antes dessa fase;
§ Aulas e conversas sobre contracepção, orientação
sexual
(heterossexualidade/homossexualidade/bissexualidade
), gravidez na adolescência, sentimentos, virgindade,
pressão do grupo, escolhas afetivas, namoro, “andar”,
autoestima, valorização do corpo e doenças
sexualmente transmissíveis são ideais para esta fase;
§ Materiais concretos e ilustrações são imprescindíveis
para essas aulas a fim de construir conhecimentos
sólidos e produtivos.
Educação sexual dos 0 aos 11 anos

Creche (até aos 2 anos)

§ Dar-lhesa conhecer o seu próprio corpo, desde


os primeiros anos de vida;

§ Ensiná-losa valorizarem-se a si próprios,


independentemente da sua imagem.

Jardim-de-infância (3 aos 5 anos)

§ Ajudá-los a desenvolver a confiança em si


próprios.
Educação sexual dos 0 aos 11 anos

Infância (6 aos 12)


§ Ensinar-lhes a não se culparem perante os seus
sentimentos e comportamentos;
§ Fazer entender que cada pessoa tem os seus
sentimentos e necessidades, que por vezes não serão
iguais aos que eles sentem e desejam.
Adolescência (a partir da puberdade)
§ Prepará-los para os futuros riscos que possam surgir;
§ Ensiná-los como comunicar os seus sentimentos e as
suas necessidades sexuais;
§ Expressar a sua sexualidade de forma adequada.
Como auxiliar as crianças na sexualidade?

§ É importante que o cuidador encare a educação sexual


como algo natural, que faz parte do crescimento pessoal de
cada criança, e que como tal deve ser abordado com cada
pessoa de uma forma única.

§ A sexualidade existe desde os primeiros anos de vida.

§ Existem várias etapas na educação sexual de cada criança.

§ Os educadores e os pais devem sempre ter em atenção que


a sua perspetiva no que respeita à sexualidade é muito
diferente da perspetiva da criança.

§ Nós somos um modelo para as crianças, por isso devemos


dar bons conhecimentos relativamente à sexualidade.
A reter:
§ As atividades sexuais infantis têm motivações muito
diferentes das dos adultos (ex.: imitação dos adultos,
descoberta do próprio corpo e do corpo do outro);
§ A capacidade de sentir prazer está presente desde o
nascimento;
§ A relação precoce entre o bebé e as figuras de vinculação
influenciam o desenvolvimento da sexualidade:
§ Confiança e segurança (exploração do meio);
§ Uso e significado de expressões emocionais;
§ Uso e significado de formas de comunicação íntima;
§ Capacidade de expressar as necessidades (compreender as
dos outros).
Crianças/adolescentes com NEE

§ Como educadoras ou auxiliares de ação educativa


devemos ensinar que:
§ Não nos podemos esquecer que para cada grau de
deficiência, existem várias maneiras de ensinar:
§ cartões apelativos,
§ imagens,
§ gestos,
§ ida aos locais apropriados
§ Todas as crianças, quer tenham NEE ou não, têm
necessidade de recolher informações sobre a sexualidade
durante o processo do seu desenvolvimento.
Educação sexual na escola

§ A Educação Sexual em meio escolar é uma


oportunidade para a Educação. Permite trabalhar, com
os alunos, vetores fundamentais para o seu percurso
como pessoas: o respeito pelo outro; a igualdade de
direitos entre homens e mulheres; a recusa de todas
as formas de violência, sobretudo a rejeição da
violência no campo da sexualidade; a importância da
comunicação e envolvimento afetivos; a promoção da
saúde física e mental. Possibilita, também, informar
com credibilidade e aumentar o conhecimento.
Vantagens da educação sexual

§ Ao mesmo tempo, permite discutir sentimentos e


atitudes, bem como elevar as capacidades individuais
e de grupo para tomar decisões responsáveis.

§ A Educação Sexual é, igualmente, um excelente campo


para que os alunos, apoiados nos seus pais e
professores, possam aumentar a sua capacidade para
compreender as próprias emoções, o que é crucial
para a sua sexualidade e para todas as outras
dimensões da vida.
Vantagens da educação sexual

§ Diminui a ansiedade e a curiosidade da criança


nessas questões, enriquecendo o trabalho em sala de
aula;

§ Fornece bases morais sólidas para as futuras escolhas


afetivas das crianças;

§ Promove amadurecimento sem traumas, tabus,


preconceitos ou medos;

§ Previne o abuso sexual pois fornece conhecimentos


para que a criança saiba diferenciar certo e errado,
saiba dizer não, além de abrir caminhos para que ela
se sinta acolhida para conversar sobre alguma
dificuldade que esteja enfrentando.