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Alguns Conceitos e

Definições 2
A terrnodinâmica é a ciência da energia e da entropia. Essa é uma definição excelente de
termodinâmica. Entretanto, uma ver. que ainda não definimos energia e entropia, vamos adotar uma
definição alternativa, formulada com termos mais familiares no momento, que é: A termodinâmica
é a ciência que trata do calor, do trabalho e daquelas propriedades das substâncias relacionadas ao
calor e ao trabalho. A base da termodinâmica, como a de todas as ciências, é a observação experi-
mental. Na termodinâmica, essas descobertas foram formalizadas através de certas leis básicas,
conhecidas como primeira, segunda e terceira leis da tcrrnodinârnica, Além dessas, a lei zero, que
no desenvolvimento lógico da terrnodinâmica precede a primeira lei, também foi estabelecida.
Nós apresentaremos, ao longo do texto, essas leis, as propriedades termodinâmicas pertinentes
e as aplicaremos a vários exemplos representativos. O objetivo do estudante deve ser o de obter
uma profunda compreensão dos fundamentos da terrnodinâmica e a habilidade para a aplicação dos
mesmos na solução de problemas. O propósito dos exemplos e problemas propostos é auxiliar o
estudante nesse sentido. Deve ser ressaltado que não há necessidade de memorizar numerosas
equações porque os problemas são melhor resolvidos pela aplicação direta das definições e das leis
da termodinâmica. Nós apresentaremos, neste capítulo, algumas definições e conceitos básicos da
termodinâmica.

2.1 O Sistema Termodinâmico e o Volume de Controle


Um sistema termodinâmico é definido como uma quantidade de matéria, com massa e
identidade fixas, sobre a qual nossa atenção é dirigida. Tudo o que é externo ao sistema é
denominado meio ou vizinhança. O sistema é separado da vizinhança pelas fronteiras do sistema e
essas fronteiras podem ser móveis ou fixas.
Considere o gás contido no cilindro mostrado na Fig. 2.1 como o sistema. Se um bico de
Bunsen é colocado sob o cilindro, a temperatura do gás aumentará e o êmbolo se elevará. Quando
o êmbolo se eleva, a fronteira do sistema move. Posteriormente nós mostraremos que calor e
trabalho cruzam a fronteira do sistema durante esse processo, mas a matéria que compõe () sistema
pode ser sempre identificada.
Um sistema isolado é aquele que não é intluenciado, de forma alguma, pelo meio, ou seja
calor e trabalho não cruzam a fronteira do sistema.
A análise termodinâmica de equipamentos que apresentam um escoamento de massa para
dentro e/ou para fora do equipamento é um procedimento usual na engenharia (veja o compressor
de ar esboçado na Fig. 2.2). O procedimento seguido em tal análise consiste em especificar um
volume de controle que envolve o equipamento a ser considerado. A superfície desse volume de
controle é chamada de superfície de controle. Note que massa, assim como calor e trabalho (e
quantidade de movimento), podem ser transportados através da superfície de controle.

Pesos

Êmbolo
~ ~
r--------
I I
Fronteira I
do sistema I Gás I
I I
L.. -.J
Figura 2.1- Exemplo de um sistema.
14 Fundamentos da Termodinâmica

Admissão de ar h---_ Descarga de ar


a baixa pressão ------'-I I a alta pressão
,-- __ ...J L _
I r-----'---...1..=..=-=_=] I Trabalho

. I I
Superfície
de controle------"'
I Compressor de ar <:;tt~~::::::jq
I Figura 2.2 - Exemplo de um
~L..._-_-_-_-_-_-_-_-_--'_' volume de controle.

Assim, um sistema é definido quando se trata de uma quantidade fixa de massa e um volume
de controle é especificado quando a análise envolve fluxos de massa. A diferença entre essas duas
maneiras de abordar o problema será tratada detalhadamente no Capo 6. Deve-se observar que os
termos sistema fechado e sistema aberto são usados de forma equivalente aos termos sistema
(massa fixa) e volume de controle (envolvendo fluxos de massa). O procedimento que será
adotado nas apresentações da primeira e da segunda leis da termodinâmica é o de primeiro
formular as leis para sistemas e depois efetuar as transformações necessárias para torná-Ias
adequadas a volumes de controle.

2.2 Pontos de Vista Macroscópico e Microscópico


Uma investigação sobre o comportamento de um sistema pode ser feita sob os pontos de vista
macroscópico ou microscópico. Consideremos brevemente o problema que teríamos se descrevês-
semos um sistema sob o ponto de vista microscópico. Suponhamos que o sistema seja constituído
por um gás monoatôrnico, a pressão e temperatura atmosféricas, contido num cubo com aresta
igual a 25 mm. Esse sistema contém cerca de 1020 átomos. Três coordenadas devem ser
especificadas para descrever a posição de cada átomo e para descrever a velocidade de cada átomo
são necessárias as três componentes do vetor velocidade.
Assim, para descrever completamente o comportamento desse sistema, sob o ponto de vista
microscópico, é necessário lidar com, pelo menos, 6 x 1020 equações. Esta tarefa seria árdua
mesmo se tivéssemos um computador digital de grande capacidade. Entretanto, dispomos de duas
abordagens diversas que reduzem significativamente o número de variáveis necessárias para
especificar o problema e, deste modo, facilitando sua solução. Uma dessas abordagens é a
estatística que, baseada na teoria da probabilidade e em considerações estatísticas, opera com os
valores "médios" das partículas que estamos considerando. Isso é feito, usualmente, em conjunto
com um modelo de molécula. Essa forma é a utilizada nas disciplinas conhecidas como teoria
cinética e mecânica estatística.
A outra forma de abordar o problema é a que utiliza a termodinâmica clássica macroscópica.
Conforme o próprio nome macroscópico sugere, nos preocupamos apenas com os efeitos totais ou
médios de muitas moléculas. Além disso, esses efeitos podem ser percebidos por nossos sentidos e
medidos por instrumentos (na realidade, o que percebemos e medimos é a influência média
temporal de muitas moléculas). Por exemplo, consideremos a pressão que um gás exerce sobre as
paredes de um recipiente. Essa pressão resulta da mudança na quantidade de movimento das
moléculas quando estas colidem com as paredes. Entretanto, sob o ponto de vista macroscópico,
não estamos interessados na ação isolada de uma molécula mas na força média, em relação ao
tempo, que atua sobre uma certa área e que pode ser medida com um manômetro. De fato, essas
observações macroscópicas são completamente independentes de nossas premissas a respeito da
natureza da matéria.
Ainda que a teoria e o desenvolvimento adotado neste livro sejam apresentados sob o ponto
de vista macroscópico, algumas observações suplementares sobre o significado da perspectiva
microscópica serão incluídas como um auxílio ao entendimento dos processos físicos envolvidos.
O livro lntroduction to Thermodynamics: Classical and Statistical, de R. E. Sonntag e G. J. Van
Wylen, apresenta um tratamento, sob o ponto de vista microscópico e estatístico, da termodinâ-
mica.
Alguns Conceitos e Definições 15

Algumas observações devem ser feitas em relação ao meio contínuo. Sob o ponto de vista
macroscópico, nós sempre consideraremos volumes que são muito maiores que os moleculares e,
desta forma, trataremos com sistemas que contém uma enormidade de moléculas. Uma vez que
não estamos interessados nos comportamentos individuais das moléculas, desconsideraremos a
ação de cada molécula e trataremos a substância como contínua. Este conceito de meio contínuo é.
naturalmente, apenas uma hipótese conveniente que não é válida quando o livre caminho médio
das moléculas se aproxima da ordem de grandeza das dimensões do sistema que está sendo
analisado. Por exemplo, a hipótese de meio contínuo normalmente não é adequada nas situações
encontradas na tecnologia do alto-vácuo. Apesar disso, a premissa de um meio contínuo é válida e
conveniente em vários trabalhos de engenharia.

2.3 Estado e Propriedades de uma Substância


Se considerarmos uma dada massa de água, reconhecemos que ela pode existir sob várias
formas (fases). Se ela é inicialmente líquida pode-se tornar vapor, após aquecida, ou sólida quando
resfriada. Uma fase é definida como uma quantidade de matéria totalmente homogênea. Quando
mais de uma fase coexistem. estas se separam, entre si, por meio das fronteiras das fases. Em cada
fase a substância pode existir a várias pressões e temperaturas ou, usando a terminologia da
termodinâmica, em vários estados. O estado pode ser identificado ou descrito por certas
propriedades macroscópicas observáveis; algumas das mais familiares são: temperatura, pressão e
massa específica. Outras propriedades serão apresentadas nos capítulos posteriores deste livro.
Cada uma das propriedades de uma substância, num dado estado, apresenta somente um
determinado valor e essas propriedades tem sempre o mesmo valor para um dado estado,
independente da forma pela qual a substância chegou a ele. De fato. uma propriedade pode ser
definida como uma quantidade que depende do estado do sistema e é independente do caminho
(i. e. a história) pelo qual o sistema chegou ao estado considerado. Do mesmo modo, o estado é
especificado ou descrito pelas propriedades. Mais tarde consideraremos o número de propriedades
independentes que uma substância pode ter, ou seja, o número mínimo de propriedades que
devemos especificar para determinar o estado de uma substância.
As propriedades termodinâmicas podem ser divididas em duas classes gerais, as intensivas e
as extensivas. Uma propriedade intensiva é independente da massa e o valor de uma propriedade
extensiva varia diretamente com a massa. Assim se uma quantidade de matéria, num dado estado.
é dividida em duas partes iguais, cada parte apresentará o mesmo valor das propriedades intensivas
e a metade do valor das propriedades extensivas da massa original. Como exemplos de
propriedades intensivas podemos citar a temperatura, a pressão e a massa específica. A massa e o
volume total são exemplos de propriedades extensivas. As propriedades extensivas por unidade de
massa, tal como o volume específico, são propriedades intensivas.
Freqüentemente nos referimos não apenas às propriedades de uma substância, mas também
às propriedades de um sistema. Isso implica, necessariamente, que o valor da propriedade tem
significância para todo o sistema, o que por sua vez implica no que é chamado equilíbrio. Por
exemplo, se o gás que constitui o sistema mostrado na Fig. 2.1 estiver em equilíbrio térmico, a
temperatura será a mesma em todo o gás e podemos falar que a temperatura é uma propriedade do
sistema. Podemos, também, considerar o equilíbrio mecânico, que está relacionado com a pressão.
Se um sistema estiver em equilíbrio mecânico. não haverá a tendência da pressão, em qualquer
ponto, variar com o tempo, desde que o sistema permaneça isolado do meio exterior. Observe que

Pesos

p poD
Conjunto
cilindro - pistão --........ 111 111 ~g
I
Fronteira -".
I
do sistema Gás
I
I Figura 2,3 - Exemplo de um processo
f' -.J
,\ )' de quase -equilíbrio num sistema.
16 Fundamentos da Termodinâmica

existe uma variação de pressão no gás com a altura devido à influência do campo gravitacional,
embora, sob as condições de equilíbrio, não haja tendência de que a pressão varie em qualquer
ponto. Por outro lado, na maioria dos problemas terrnodinâmicos, essa variação de pressão com a
altura é tão pequena que pode ser desprezada. O equilíbrio químico também é importante e será
considerado no Capo 15.
Quando um sistema está em equilíbrio, em relação a todas as possíveis mudanças de estado,
dizemos que o sistema está em equilíbrio termodinâmico.

2.4 Processos e Ciclos


Quando o valor de pelo menos uma propriedade de um sistema é alterado, dizemos que
ocorreu uma mudança de estado. Por exemplo, quando um dos pesos posicionados sobre o pistão
mostrado na Fig. 2.3 é removido, este se eleva e uma mudança de estado ocorre, pois a pressão
decresce e o volume específico aumenta. O caminho definido pela sucessão de estados através dos
quais o sistema percorre é chamado de processo.
Consideremos o equilíbrio do sistema mostrado na Fig. 2.3 quando ocorre uma mudança de
estado. No instante em que o peso é removido, o equilíbrio mecânico deixa de existir, resultando
no movimento do pistão para cima, até que o equilíbrio mecânico seja restabelecido. A pergunta
que se impõe é a seguinte: uma vez que as propriedades descrevem o estado de um sistema apenas
quando ele está em equilíbrio, como poderemos descrever os estados de um sistema durante um
processo, se o processo real só ocorre quando não existe equilíbrio'!
Um passo para respondermos a essa pergunta consiste na definição de um processo ideal.
chamado de processo de quase-equilíbrio. Um processo de quase-equilíbrio é aquele em que o
desvio do equilíbrio termodinâmico é infinitesimal e todos os estados pelos quais o sistema passa
durante o processo podem ser considerados como estados de equilíbrio. Muitos dos processos reais
podem ser modelados, com boa precisão, como processos de quase-equilíbrio. Se os pesos sobre o
pistão da Fig. 2.3 são pequenos, e forem retirados um a um, o processo pode ser considerado como
de quase-equilíbrio. Por outro lado, se todos os pesos fossem removidos simultaneamente, o
êmbolo se elevaria rapidamente até atingir os limitadores. Este seria um processo de não-equilíbrio
e o sistema não estaria em equilíbrio, em momento algum, durante essa mudança de estado.
Para os processos de não-equilíbrio, estaremos limitados a uma descrição do sistema antes de
ocorrer o processo, e após a ocorrência do mesmo, quando o equilíbrio é restabelecido. Não
estaremos habilitados a especificar cada estado através do qual o sistema passa, tampouco a
velocidade com que o processo ocorre. Entretanto, como veremos mais tarde, poderemos descrever
certos efeitos globais que ocorrem durante o processo.
Alguns processos apresentam denominação própria pelo fato de que uma propriedade se
mantém constante. O prefixo iso é usado para tal. Um processo isotérmico é um processo a
temperatura constante; um processo isobárico é um processo a pressão constante e um processo
isocórico é um processo a volume constante.
Quando um sistema, num dado estado inicial, passa por um certo número de mudanças de
estado, ou processos, c finalmente retoma ao estado inicial, dizemos que o sistema executa um
ciclo. Dessa forma. no final de um ciclo, todas as propriedades apresentam os mesmos valores
iniciais. A água que circula numa instalação termoelétrica a vapor executa um ciclo.
Deve ser feita uma distinção entre um ciclo terrnodinâmico, acima descrito, e um ciclo
mecânico. Um motor de combustão interna de quatro tempos executa um ciclo mecânico a cada
duas rotações. Entretanto, o Iluido de trabalho não percorre um ciclo termodinâmico no motor,
uma vez que () ar e o combustível reagem e, transformados em produtos de combustão, são
descarregados na atmosfera. Neste livro, [) termo ciclo se referirá a um ciclo térmico
(tcnnodinâmico) a menos que se designe o contrário.

2.5 Unidades de Massa, Comprimento, Tempo e Força


Uma vez que estamos considerando as propriedades terrnodinârnicas sob o ponto de vista
macroscópico nós só vamos lidar com quantidades que podem ser medidas c contadas direta ou
Alguns Conceitos e Definições 17

indiretamente. Dessa forma, a observância das unidades deve ser considerada. Nesta seção será
enfatizada a diferença existente entre massa e força pois, para alguns estudantes, este é um assunto
de difícil assimilação e nas seções seguintes deste capítulo nós definiremos certas propriedades
termodinâmicas e as unidades básicas envolvidas.
O conceito de força resulta da segunda lei de Ncwton. Esta lei estabelece que a força que atua
sobre um corpo é proporcional ao produto da massa do corpo pela aceleração na direção da força.
F CJ. 111(1

O conceito de tempo está bem estabelecido. A unidade básica de tempo é o segundo (s), que
no passado foi definido em função do dia solar (intervalo de tempo necessário para a Terra
completar uma rotação completa em relação ao Sol). Como este período varia com a estação do
ano, adota-se um valor médio anual denominado dia solar médio. Assim, o segundosolar médio
vale 1/86400 do dia solar médio (a medida da rotação da terra é feita, às vezes, em relação a uma
estrela fixa e, neste caso, o período é denominado dia sideral). Em 1967, a Conferência Geral de
Pesos e Medidas (CGPM) adotou a seguinte definição de segundo: o segundo é o tempo necessário
para a ocorrência de 9.192.631 .770 ciclos do ressonador que uti liza um fei xe de átomos de césio-
133.
Para intervalos de tempo, com ordem de grandeza muito diferentes da unidade. os prefixos
rnili. rnicro, nano e pico podem ser utilizados (veja a Tab. 2.1). Outras unidades de tempo. usadas
freqüentemente, são o minuto (rnin), a hora (h) e o dia (dia), embora nenhuma delas pertença ao
sistema de unidades SI.
O conceito de comprimento também está bem estabelecido. A unidade básica de comprimento
é o metro (rn) e por muitos anos o padrão adotado foi o "Protótipo Internacional do Metro" que é a
distância, sob certas condições preestabelecidas, entre duas marcas usinadas numa barra de
platina-irídio. Esta barra está guardada no Escritório Internacional de Pesos e Medidas. em Sevres.
França. A CGPM ele 1960 adotou outra definição para o metro, ou seja, o metro é o comprimento
correspondente a 1.650.763,73 comprimentos de onda, no vácuo, da faixa laranja-vermelho do
criptônio-86. Posteriormente. em 1983, a CGPM adotou uma definição mais precisa do rnctro, em
termos da velocidade da luz (que. portanto. passa a ser uma constante fixa). Assim. o melro é o
comprimento da trajetória percorrida pela luz no vácuo durante o intervalo de tempo de
1/299.792.458 do segundo.
No sistema de unidades SI, a unidade de massa é o quilograma (kg). Conforme adotado pela
primeira CGPM em 1889. e ratificado em 190 I. o quilograma corresponde à massa de um
determinado cilindro de platina-irídio. mantido sob condições preestabelecidas no Escritório
Internacional de Pesos e Medidas.
Uma unidade associada, freqüentcmentc utilizada em termodinârnica, é o moi, definido como
a quantidade de substância que contém tantas partículas elementares quanto existem átomos em
0,012 kg de carbono-12. Essas partículas elementares devem ser especificadas. podendo ser
átomos, moléculas, elétrons, íons ou outras partículas ou grupos específicos. Por exemplo, um moi
de oxigênio di atômico. que tem um peso molecular de 32 (comparado a 12 para o carbono), tem
uma massa de 0.032 kg. O moi é usualmente chamado de grama - moi, porque ele corresponde a
uma quantidade da substância, cm gramas, numericamente igual ao peso molecular. Neste livro
será mais utilizado o quilomol (krnol) que corresponde à quantidade da substância, em quilogramas.
numericamente igual ao peso molecular.

Tabela 2.1- Prefixos das unidades do SI

Fator Prefixo Símbolo Fator Prefixo Símbolo

1012 tera T 10' mi li m


109
giga G 10r. micro ~
106 mega M 109 nano n
12
10' quilo k 10 pico P
18 Fundamentos da Termodinâmica

No SI, a unidade de força é definida a partir da segunda lei de Newton. A força, nesse
sistema, não é um conceito independente. Portanto, não é necessário usar uma constante de propor-
cionalidade e podemos exprimir a segunda lei de Newton pela igualdade:
F= ma (2.1)
A unidade de força é o newton (N), que, por definição, é a força necessária para acelerar uma
massa de I quilograma à razão de I metro por segundo, por segundo.
IN = I kg m/ S2

Deve-se observar que as unidades SI, que derivam de nomes próprios são representadas por
letras maiúsculas; as outras são representadas por letras minúsculas.
O sistema de unidades tradicionalmente utilizado na Inglaterra e nos Estados Unidos da
América é o Inglês de Engenharia. A unidade de tempo, neste Sistema, é o segundo, que já foi
discutido anteriormente. A unidade básica de comprimento é o pé (ft) que, atualmente, é definido
em função do metro como:
I ft = 0,3048 m
A polegada (in) é definida em termos do pé por:
12 in = I ft

A unidade de massa no Sistema Inglês é a libra-massa (lbm), Originalmente, o padrão desta


grandeza era a massa de um cilindro de platina que estava guardado na Torre de Londres.
Atualmente ela é definida em função do quilograma como:
I Ibm = 0,453 592 37 kg
Uma unidade relacionada é a libra-moi (Ibmol) que é a quantidade de matéria, em libras
massa, numericamente igual a massa molecular desta substância. É muito importante distinguir
libra-moi de moI (grama mol).
No Sistema Inglês, o conceito de força é estabelecido como uma quantidade independente e a
unidade de força é definida a partir do procedimento experimental descrito a seguir. Elevemos uma
libra massa padrão no campo gravitacional terrestre em um local onde a aceleração da gravidade é
32,1740 ft/s ', A força, com a qual a libra massa padrão é atraída pela Terra, é definida como
unidade de força e é designada como libra - força. Observe que agora temos definições arbitrárias
e independentes para força, massa, comprimento e tempo. Como elas estão relacionadas pela
segunda lei de Newton, podemos escrever:

onde K, é a constante que relaciona as unidades de força, massa, comprimento e tempo. Para o
sistema de unidades definido acima, temos
2
Ilbf = Ilbmx32,174ft/s ) = 32 174 Ibm x ft
ou !l . -. 7

g" I lbfx s
Observe que g,., a constante de conversão de unidades, tem nesse sistema um valor numérico
e apresenta dimensionalidade. Para ilustrar o uso dessa equação, calculemos a força da gravidade
sobre uma libra - massa, num local onde a aceleração da gravidade vale 32,14 ft/s? (a cerca de
10.000 ft acima do nível do mar).
2
F = ma = Ilbmx32,14ft/s =0.999Ibf
2
R, 32,174Ibmft/lbfs
O termo "peso" é freqüentemente associado a um corpo e é. às vezes, confundido com massa.
A palavra peso é usada corretamente apenas quando está associada a força. Quando dizemos que
um corpo pesa um certo valor, isto significa que esta é a força com que o corpo é atraído pela
Terra (ou por algum outro corpo), ou seja, o peso é igual ao produto da massa do corpo pela
aceleração local da gravidade. A massa de uma substância permanece constante variando-se a sua
altitude porém o seu peso varia com a altitude.
Alguns Conceitos e Definições 19

Exemplo 2.1
Qual é o peso de um corpo que apresenta massa igual a um quilograma num local onde a
aceleração local da gravidade vale 9,75 m/s" ?
Solução: O peso é a força que atua sobre o corpo. Aplicando a segunda lei de Newton,
F = mg = Ix9,75 = 9,75 N

2.6 Energia
Um dos conceitos muito importantes na terrnodinâmica é o de energia. Este é um conceito
fundamental, como o da massa e da força, e também apresenta dificuldade para ser definido com
precisão. Energia tem sido definida como a capacidade de produzir um efeito. Felizmente, a
palavra "energia" e o seu significado básico nos é familiar, devido ao seu uso corriqueiro, e sua
definição precisa não é essencial neste momento.
É importante notar que energia pode ser acumulada num sistema e que também pode ser
transferida de um sistema para outro (por exemplo, na forma de calor). No estudo da
terrnodinâmica estatística nós analisamos, do ponto de vista microscópico, os modos em que a
energia pode ser acumulada. Como esta análise é útil no estudo da termodinârnica clássica, nós
apresentaremos uma pequena introdução ao assunto.
Considere como sistema um gás, a uma dada pressão e temperatura, contido num tanque ou
vaso de pressão. Do ponto de vista molecular, nós identificamos três formas de energia:
1. Energia potencial interrnolecular, que é associada às forças entre moléculas.
2. Energia cinética molecular, que é associada à velocidade de translação das moléculas.
3. Energia intramolecular (relativa a cada molécula), que é associada com a estrutura
molecular e atômica.
A primeira forma de energia, a potencial interrnolecular, depende das forças intermoleculares
e das posições relativas das moléculas a cada instante. É impossível determinar, com precisão, o
valor desta energia porque não conhecemos a configuração e a orientação das moléculas a cada
momento e também o valor exato do potencial intermolecular. Entretanto, existem duas situações
em que podemos realizar boas aproximações. A primeira, relativa a baixos e médios valores de
massa específica. é aquela onde as moléculas apresentam distribuição espaçada e, assim, só as
colisões entre duas ou três moléculas contribuem para a energia potencial. Existem técnicas para a
determinação, com precisão razoável, da energia potencial de sistemas compostos por substâncias
que apresentam moléculas relativamente simples nestas condições. A segunda situação é relativa
aos casos onde a massa específica apresenta valores muito baixos. Nesta situação, a distância entre
as moléculas é tão grande que a energia potencial pode ser admitida como inexistente. Assim,
temos um sistema composto por partículas independentes (um gás perfeito) e, do ponto de vista
microscópico, devemos nos preocupar apenas na determinação da energia cinética molecular e da
intramolecular.
A energia cinética molecular depende apenas das massas e das velocidades das partículas e
pode ser determinada pelas equações da mecânica clássica ou quântica.

Figura 2.4 ~ Sistema de coordenadas


para uma molécula diatômica.
20 Fundamentos da Termodinâmica

Vapor d'água

Figura 2.5 - Transferência de calor para a água.

A energia intrarnolecular é mais difícil de ser avaliada pois. normalmente. é o resultado de


um número bastante grande de interações complexas. Considere um gás monoatôrnico simples
como o hélio (onde cada molécula é constituída por um átomo de hélio). Cada átomo de hélio
possui energia eletrônica. resultado do momento angular orbital dos elétrons e do momento
angular dos elétrons que rotacionam sobre seus próprios eixos (spin). A energia eletrônica é,
normalmente, muito pequena quando comparada com a energia cinética molecular. Os átomos
também possuem energia nuclear que, exetuando-se os casos onde ocorre reação nuclear, é
constante. Nesta análise não estamos nos preocupando com este tipo de reação. Quando
consideramos moléculas complexas, como as constituídas por dois ou três átomos, outros fatores
devem ser considerados. Adicionalmente a energia eletrônica, as moléculas podem rotacionar em
relação ao eixo que passa sobre o seu centro de massa e deste modo apresentar energia rotacional.
Além disso, os átomos podem vibrar e assim apresentar energia vibracional. Em algumas situações
pode ocorrer o acoplamento entre os modos de vibrar e rotacionar.
Considere a molécula diatômica, corno a do oxigênio, esboçada na Fig. 2.4. Além do
movimento de translação da molécula como um corpo rígido, a molécula pode rotacionar em torno
do seu centro de massa em duas direções normais (em torno do eixos x e z pois os efeitos da
rotação em torno do eixo y são desprezíveis) e os dois átomos também podem vibrar, ou seja,
deformar a ligação entre os átomos alinhada com o eixo y. Uma rotação mais alta aumenta a
energia de rotação e uma vibração mais forte resulta num aumento da energia vibracional da
molécula.
As moléculas mais complexas, como as poliatômicas, normalmente apresentam estrutura
tridimensional e apresentam modos de vibração múltiplos. Note que cada um desses modos
contribui para a energia da molécula. Quanto mais complicada é a molécula maior é o número de
graus de liberdade para o arrnazenamento de energia. O Apen. C. escrito para aqueles que desejam
conhecer mais sobre o comportamento molecular das substâncias, apresenta informações
adicionais sobre os modos de armazenarnento de energia nas moléculas e também como esta
energia pode ser estimada.
A Fig. 2.5 mostra um vaso que contém água e que está sendo "aquecido" (a transferência de
calor é para a água). A temperatura do líquido e do vapor aumentará durante este processo e,
eventualmente, todo o líquido se transformará em vapor. Do ponto de vista rnacroscópico, nós
estarnos preocupados somente com a quantidade de calor que está sendo transferida e na mudança
das propriedades (por exemplo: temperatura, pressão e a quantidade de energia que a água contém
em relação a algum referencial) detectadas a cada instante.
Assim, questões como a molécula de água acumula energia não nos interessa. Do ponto de
vista microscópico. nós estarnos preocupados em descrever como a energia é acumulada nas
moléculas. Nós poderíamos até estar interessados em desenvolver um modelo de molécula que
pudesse prever a quantidade de energia necessária para alterar a temperatura de um certo valor. A
abordagem utilizada neste livro é a clássica macroscópica e não nos preocuparemos com questões
microscópicas. Mas sempre é bom lembrar que a perspectiva microscópica pode ser útil no
entendimento de alguns conceitos básicos, como o foi no caso da energia.
Alguns Conceitos e Definições 21

2.7 Volume Específico e Massa Específica


o volume específico de uma substância é definido como o volume ocupado pela unidade de
massa e é designado pelo símbolo v. A massa específica de uma substância é definida como a
massa associada à unidade de volume. Desta forma, a massa específica é igual ao inverso do
volume específico. A massa específica é designada pelo símbolo p . Observe que estas duas
propriedades são intensivas.
O volume específico de um sistema num campo gravitacional pode variar de ponto para
ponto. Por exemplo, considerando-se a atmosfera como um sistema, o volume específico aumenta
com a elevação. Dessa forma, a definição de volume específico deve envolver o valor da
propriedade da substância, num ponto, de um sistema.
Consideremos um pequeno volume 8V de um sistema e designemos a massa contida neste 8v
por 15m. O volume específico é definido pela relação
8V
v = lim
6\-->8V' 8m
onde 8 V' é o menor volume no qual o sistema pode ser considerado como um meio contínuo. A
Fig. 2.6 enfatiza o significado da definição anterior. Quando o volume escolhido se torna pequeno
(da ordem de 8V'), o número de moléculas presentes fica reduzido. Assim, o significado da média
perde sentido pois as tlutuações moleculares levam a bruscas variações do valor médio. A hipótese
básica do meio contínuo é a de associar um ponto a este volume 8 V' e deste modo ignorando a
estrutura da matéria e suas tlutuações.
Assim, em um dado sistema, podemos falar de volume específico ou massa específica em um
ponto do sistema e reconhecemos que estas propriedades podem variar com a elevação. Entretanto,
a maioria dos sistemas que consideraremos são relativamente pequenos e a mudança no volume
específico com a elevação não é significativa. Nesse caso, podemos falar de um valor do volume
específico ou da massa específica para todo o sistema.
Neste livro, o volume específico e a massa específica serão dados em base mássica ou molar.
Um traço sobre o símbolo (letra minúscula) será usado para designar a propriedade na base molar.
Assim v designará () volume específico molar e p a massa específica molar.

Figura 2.6 - Limite do contínuo


para o volume específico.
22 Fundamentos da Termodinâmica

Gases I
Gases sob Ar Fibras Madeira AI Chumbo
vácuo atm.
Tecido de Pedra de
algodão gelo Ag Au

t?==~=~ Líquidos =======~


Propano Água Hg

10-2 101 102


Massa específica [kg J rn"]

Figura 2.7 - Massas específicas de gases, líquidos e sólidos.

A unidade de volume específico, no sistema SI, é mê/kg (rnvmol ou m3/kmol na base molar)
e a de massa específica é kg/m' (rnol/m' ou kmol/m3 na base molar). Embora a unidade de volume
no sistema de unidades SI seja o metro cúbico, uma unidade de volume comumente usada é o litro
(L), que é um nome especial dado a um volume correspondente a 0,001 metro cúbico, isto é, 1L =
!O., m'. A Fig. 2.7 apresenta as faixas de variação dos valores das massas específicas dos gases,
líquidos e gases.

Exemplo 2.2
O recipiente mostrado na Fig. 2.8, com volume interno de 1 rrr', contém 0,12 m3 de granito, 0,15 m'
de areia e 0,2 m' de água líquida a 25"C. O restante do volume interno do recipiente (0,53 rn") é
ocupado por ar que apresenta massa específica igual a I, I 5 kg/rrr'. Determine o volume específico
médio e a massa específica média da mistura contida no recipiente.
Solução: As definições de volume específico e massa específica são:
v=Vlm e p=mIV=llv
A determinação das massas dos constituintes da mistura pode ser feita utilizando os valores de
massa específica apresentados nas tabelas do Apen. A. Deste modo,

mgranito = Pgranito Vgranito = 2750xO,12 = 330,0 kg


mareia = = 1500xO,l5 = 225,Okg
Pareia Vareia

m água = P = 997 X 0,2 = 199,4 kg


água V água
mar = Pur Var = 1,l5xO,53 = 0,6 kg

A massa total de mistura é


mtoWI = mgranito + mare,a + m água + mar = 755,0 kg

'1~~., "

~~
" ,
Figura 2.8 - Esboço para o Exemplo 2.2.
Alguns Conceitos e Definições 23

Assim, o volume específico médio e a massa específica média da mistura são iguais a

v= V,mal / m,mal = 1/755,0 = 0,001325 m' / kg


P = m",'al /V,olOl = 755,0/1 = 755,0 kg / rn'

2.8 Pressão
Normalmente nós falamos de pressão quando lidamos com líquidos e gases e falamos de
tensão quando tratamos dos sólidos. A pressão num ponto de um fluido em repouso é igual em
todas as direções e definimos a pressão como a componente normal da força por unidade de área.
Mais especificamente: seja DA uma área pequena e DA' a menor área sobre a qual ainda podemos
considerar o fluido como um meio contínuo. Se DF" é a componente normal da força sobre DA,
definimos a pressão, p, como
p=
.
11m
DF
__ 11

oA--;OA' DA

A pressão P num ponto de um fluido em equilíbrio é a mesma em todas as direções. Num


fluido viscoso em movimento, a mudança no estado de tensão com a orientação passa a ser
importante. Essas considerações fogem ao escopo deste livro e consideraremos a pressão apenas
em termos de um fluido em equilíbrio.
A unidade de pressão no Sistema Internacional é o pascal (Pa) e corresponde à força de
I newton agindo numa área de I metro quadrado. Isto é,
I Pa = I N/m2
Já a atmosfera padrão é definida por
I atm = 101 325 Pa
e é ligeiramente maior que o bar (1 bar = 105 Pa = 0,1 MPa).
A unidade de pressão mais utilizada no Sistema Inglês é a lbf/in? que, costumeirarnente, é
abreviada por psi. Atualmente, esta unidade é definida por
I lbf/in- = 6894,757 Pa
Nós normalmente utilizaremos o pascal e os seus múltiplos (o quilopascal e o megapascal)
como unidades de pressão neste livro. O bar será freqüentemente utilizado nos exemplos e nos
problemas, porém a unidade atmosfera não será usada, exceto na especificação de determinados
pontos de referência.
Considere o gás contido no conjunto cilindro - pistão móvel indicado na Fig. 2.9 como um
sistema. A pressão exercida pelo gás em todas as fronteiras do sistema é a mesma desde que
admitamos que o gás esteja num estado de equilíbrio. O valor dessa pressão é fixado pelo módulo
da força externa que atua no pistão porque é necessário existir o equilíbrio de forças para que o
pistão permaneça estacionário. Assim, nesta condição, o produto da pressão no gás pela área do
pistão móvel precisa ser igual a força externa. Agora. se alterarmos o módulo da força externa. o
valor da pressão no gás precisa se ajustar. Note que este ajuste é alcançado a partir do movimento
do pistão de modo que se estabeleça o balanço de forças no novo estado de equilíbrio. Um outro
exemplo interessante é: admita que o gás no cilindro é aquecido por um corpo externo e que a força

Figura 2.9 - Equilíbrio de forças numa fronteira móvel.


24 Fundamentos da Termodinâmica

externa seja constante. Esse processo tenderia a aumentar a pressão no gás se o volume do sistema
fosse constante. Entretanto, o pistão se moverá de tal modo que a pressão permanecerá constante e
igual a pressão imposta pela força externa que atua no pistão.

Exemplo 2.3
A Fig. 2.10 mostra um conjunto cilindro - pistão utilizado num sistema hidráulico. O diâmetro do
cilindro (D) é igual a 0, I m e a massa do conjunto pistão - haste é 25 kg. O diâmetro da haste é
0,0 I m e a pressão atmosférica (Po ) é 101 kPa. Sabendo que o conjunto cilindro - pistão está em
equilíbrio e que a pressão no fluido hidráulico é 250 kPa, determine o módulo da força que é
exercida, na direção vertical e no sentido descendente, sobre a haste.

Ahaste
O
Po

11 1 111

Pcil
- Figura 2.10 - Esboço para o Exemplo 2.3

Solução: Considerando que o conjunto cilindro - pistão está em equilíbrio estático e que as forças
atuam na direção vertical,
I FVCrl = ma =0
= P cil :1 cil - P o (. ,/1cil - ,/1 haste) - F - m I' g
Assim, a força aplicada na haste é

As áreas são iguais a:


2
1 2 1C D 1C 7 -3 2
11e,'I =1C r = -- = -O 1- = 7 854xlO . m
4 4' ,
2
2 1C D 1C 2 -) 2
'~ha"e =1Cr = -4- = 40,01 = 7,854x10' m

e o módulo da força que atua na haste é

F = l(250X 10 3
7,854x 10-3
) - (101 X103 )(7,854X 10-3 - 7,854xlO-»)] - 25x9,81
= 1963,5 - 785,3 - 245,3
= 932,9 N

P
~bs,1

I Man~metro
!'1p - Pabs,1 -
comum

Man~metro de vácuo
Patm

1
--~--------~---
!'1p - Patm - Pabs,2

Barômetro lê a
pressão atmosférica

o~_~ _ Figura 2.11 - Ilustração dos termos utilizados


em medidas de pressão,
Alguns Conceitos e Definições 25

Figura 2.l2 - Exemplo de medição da


pressão com uma coluna de líquido.

A pressão absoluta é utilizada na maioria das análises termodinâmicas. Entretanto, a maioria


dos manômetros de pressão e de vácuo indicam a diferença entre a pressão absoluta e a atmosférica,
diferença esta chamada de pressão manométrica ou efetiva. Isto está mostrado, graficamente, na
Fig. 2.11 e os exemplos a seguir ilustram os princípios envolvidos. As pressões, abaixo da
atmosférica e ligeiramente acima, e as diferenças de pressão (por exemplo, através de um orifício
em um tubo) são medidas freqüenternente com um manômetro que utiliza água, mercúrio, álcool
ou óleo como fluido manométrico .
Considere a coluna de fluido com altura L, medida acima do ponto B, mostrada na Fig. 2.12.
A força que atua na base desta coluna é
Patm ..:1 + mg = Patm,J + pALg
onde m é a massa de fluido contido na coluna, A é a área da seção transversal da coluna e p é a
massa específica do fluido na coluna. Esta força deve ser balanceada por outra força vertical e com
sentido para cima que é dada por PBj. Deste modo,
PB - Patm = pLg
Os pontos A e B estão localizados em seções que apresentam mesma elevação. Assim, as pressões
nos pontos A e B são iguais. Se a massa específica do fluido contido no reservatório for pequena
em relação a massa específica do fluido manométrico, temos que a pressão no reservatório é muito
próxima de PA. Nesta condição, a pressão mano métrica do fluido contido no reservatório é dada por
/':;,P=P-Patm=pLg (2.2)
Neste livro, para distinguir a pressão absoluta da pressão efetiva, o termo pascal referir-se-á
sempre à pressão absoluta. A pressão efetiva será indicada apropriadamente.

Exemplo 2.4
Um manômetro de mercúrio é utilizado para medir a pressão no recipiente mostrado na Fig. 2.12.
O mercúrio apresenta massa específica igual a 13590 kg/m' e a diferença entre as alturas das
colunas foi medida e é igual a 0,24 m. Determine a pressão no recipiente.
Solução: O manômetro mede a pressão relativa, ou seja, a diferença entre a pressão no recipiente e
a pressão atmosférica. Deste modo,
/':;,P = P manométrico = P L g
= 13590xO,24x9,81
= 31996 Pa = 31,996 kPa
= 0,316 atm
A pressão absoluta no recipiente é dada por

PA = P recipiente = PB /':;,P + P"tm


26 Fundamentos da Termodinâmica

Assim, nós precisamos conhecer o valor da pressão atmosférica, que é medida com um barômetro,
para determinar o valor da pressão absoluta no recipiente. Se admitirmos que a pressão atmosférica
é igual a 750 mm de Hg, a pressão absoluta no recipiente é
Precipielllc = /::"P + P"'nI = 31996 + 13590xO,750x9,81
= 31996 + 99988 = 131984 Pa = 1,303 atm

Exemplo 2.5
O tanque esférico mostrado na Fig. 2.13 apresenta diâmetro igual a 7.5 m e é utilizado para
armazenar fluidos. Determine a pressão no fundo do tanque considerando que: a) o tanque contém
gasolina líquida a 25 "C e a pressão na superfície livre do líquido é 101 kPa. b) o fluido
armazenado no tanque é o refrigerante R - 134a e a pressão na superfície livre do líquido é I MPa.

Figura 2.13 - Tanque do Exemplo 2.5.

Solução: A Tab. A4 do Apêndice fornece os valores das massa específicas dos líquidos.

Pgasolina = 750 kg/rn ' P R-134a = 1206 kg/rn '


A diferença de pressão, devida a ação da gravidade, pode ser calculada com a Eq. 2.2. Assim.
/::"P = pgL
A pressão no fundo do tanque é
P=Ptopo+/::"P
Quando o tanque contém gasolina,

P = IOIxlO3 +750x9.8Ix7,5 = 156181 Pa = 156,2 kPa


Quando o tanque contém o fluido refrigerante R - 134a.
p=I,OxI06+1206x9.81x7,5=1,0887xI06 Pa= 1089kPa

Exemplo 2.6
Um conjunto cilindro - pistão. com área de seção transversal igual a 0.01 m2, está conectado, atra-
vés de uma linha hidráulica, a outro conjunto cilindro - pistão que apresenta área da seção trans-

lF 2

11 I 111

Pl

--
~
-P1 ~
11

Figura 2.14 - Esboço para o Exemplo 2.6.


Alguns Conceitos e Definições 27

versal igual a 0,05 rrr'. A massa específica do fluido hidráulico que preenche tanto as câmaras dos
conjuntos quanto a linha é igual a 900 kg/rrr' e a superfície inferior do pistão com diâmetro grande
está posicionada 6 m acima do eixo do pistão com diâmetro pequeno. O braço telescópico e as
cestas presentes no caminhão esboçado na Fig. 2.14 são acionados por este sistema. Admitindo
que a pressão atmosférica vale 100 kPa e que a força líquida que atua no pistão com diâmetro
pequeno é 25 kN, determine o módulo da força que atua no pistão com diâmetro grande.
Solução: Nós podemos admitir que as pressões interna e externa que atuam no pistão inferior são
constantes porque ele é pequeno. Lembre que a pressão é constante num plano horizontal quando o
meio fluido está estagnado. Se também considerarmos que as áreas das seções transversais das
hastes são pequenas, o balanço de forças no pistão pequeno resulta em

F, + Po"" = p, "/,
A pressão interna no pistão inferior é
p, = Pu + FI I,", = 100+ 25/0,01 = 2600 kPa

A Eq. 2.2 pode ser utilizada para calcular a pressão que atua na superfície inferior do pistão grande.
Deste modo,

P2 = p, - P gH = 2600xlO' -900x9,8lx6 = 2,547x106 Pa = 2547 kPa

O balanço de forças no pistão grande nos fornece

F2 + Po "/2 = P2 "~2

F2 = (P2 - PeJA2 = (2547 -100)xO,05 = 122,4 kN

2.9 Igualdade de Temperatura


Ainda que a temperatura seja uma propriedade bastante familiar, é difícil encontrar uma
definição exata para ela. Estamos acostumados a noção de "temperatura", antes de mais nada, pela
sensação de calor ou frio quando tocamos um objeto. Além disso, aprendemos pela experiência
que ao colocarmos um corpo quente em contato com um corpo frio, o corpo quente esfria e o
corpo frio aquece. Se esses corpos permanecerem em contato por algum tempo, eles parecerão ter
o mesmo grau de aquecimento ou resfriamento. Entretanto, reconhecemos também que a nossa
sensação não é bastante segura. Algumas vezes, corpos frios podem parecer quentes e corpos de
materiais diferentes, que estão a mesma temperatura, parecem estar a temperaturas diferentes.
Devido a essas dificuldades para definir temperatura, definimos igualdade de temperatura.
Consideremos dois blocos de cobre, um quente e outro frio, cada um em contato com um
termômetro de mercúrio. Se esses dois blocos de cobre são colocados em contato térmico,
observamos que a resistência elétrica do bloco quente decresce com o tempo e que a do bloco frio
cresce com o tempo. Após um certo período, nenhuma mudança na resistência é observada. De
forma semelhante, quando os blocos são colocados em contato térmico, o comprimento de um dos
lados do bloco quente decresce com o tempo, enquanto que o do bloco frio cresce com o tempo.
Após certo período, nenhuma mudança nos comprimentos dos blocos é observada. A coluna de
mercúrio do termômetro no corpo quente cai e no corpo frio se eleva, mas após certo tempo
nenhuma mudança nas alturas das colunas de mercúrio é observada. Podemos dizer, portanto, que
dois corpos possuem igualdade de temperatura se não apresentarem alterações, em qualquer
propriedade mensurável, quando colocados em contato térmico.

2.10 A Lei Zero da Termodinâmica


Consideremos agora os mesmos blocos de cobre e, também, outro termômetro. Coloquemos
em contato térmico o termômetro com um dos blocos, até que a igualdade de temperatura seja
estabelecida, e então removamo-Io. Coloquemos, então, o termômetro em contato com o segundo
28 Fundamentos da Termodinâmica

bloco de cobre. Suponhamos que não ocorra mudança no nível de mercúrio do termômetro durante
esta operação. Podemos então dizer que os dois blocos estão em equilíbrio térmico com o
termômetro dado.
A lei zero da termodinâmica estabelece que, quando dois corpos têm igualdade de temperatu-
ra com um terceiro corpo, eles terão igualdade de temperatura entre si. Isso parece bastante óbvio
para nós porque estamos familiarizados com essa experiência. Entretanto, essa afirmação não é
deduzível de outras leis e precede as forrnalizações da primeira e da segunda lei da terrnodinârnica.
Estes são os motivos para a necessidade do estabelecimento da "lei zero da termodinâmica".
Esta lei constitui a base para a medição da temperatura, porque podemos colocar números no
termômetro de mercúrio e sempre que um corpo tiver igualdade de temperatura com o termômetro
poderemos dizer que o corpo apresenta a temperatura lida no termômetro. O problema permanece,
entretanto, em relacionar as temperaturas lidas em diferentes termômetros de mercúrio ou as
obtidas através de diferentes aparelhos de medida de temperatura, tais como pares termoelétricos e
termômetros de resistência. Isso sugere a necessidade de uma escala padrão para as medidas de
temperatura.

2.11 Escalas de Temperatura


A escala utilizada para medir temperatura no sistema de unidades SI é a Celsius, cujo
símbolo é "C. Anteriormente foi chamada de escala centígrada, mas agora tem esta denominação
em honra ao astrônomo sueco Anders Celsius ( 170 I - 1744) que a idealizou.
Até 1954, esta escala era baseada em dois pontos fixos, facilmente reprodutíveis, o ponto de
fusão do gelo e o de vaporização da água. A temperatura de fusão do gelo é definida como a
temperatura de uma mistura de gelo e água, que está em equilíbrio com ar saturado à pressão de
1,0 atm (O, 10 1325 MPa). A temperatura de vaporização da água é a temperatura em que a água e o
vapor se encontram em equilíbrio a pressão de I atm. Esses dois pontos, na escala Celsius,
recebiam os valores O e 100.
Na Decima Conferência de Pesos e Medidas, em 1954, a escala Celsius foi redefinida em
função de um único ponto fixo e da escala de temperatura do gás perfeito. O ponto fixo é o ponto
triplo da água (o estado em que as fases sólida, líquida e vapor coexistem em equilíbrio). A
magnitude do grau é definida em função da escala de temperatura do gás perfeito (que será
discutida no Capo 7). Os aspectos importantes dessa nova escala são o único ponto fixo e a
definição da magnitude do grau. O ponto triplo da água recebe o valor 0,01 "C, Nessa escala, o
ponto de vaporização normal da água determinado experimentalmente é 100,00 "C, Assim há uma
concordância essencial entre a escala velha de temperatura e a nova.
Deve-se observar que ainda não consideramos uma escala absoluta de temperatura. A
possibilidade de tal escala surge da segunda lei da termodinâmica e será discutida no Capo 7. Nós
podemos definir, baseados na segunda lei da termodinâmica, uma escala de temperatura que é
independente da substância termométrica. Entretanto, é difícil operar diretamente nesta escala. Por
este motivo foi adotada a Escala Prática Internacional de Temperatura que apresenta boa aderência
a escala terrnodinârnica e é de fácil utilização.
A escala absoluta relacionada à escala Celsius é chamada de escala Kelvin (em honra a
William Thornpson, 1824 - 1907, que é também conhecido como Lord Kelvin) e indicada por K
(sem o símbolo de grau). A relação entre essas escalas é
K = °C + 273,15
Em 1967, a CGPM definiu o kelvin como 1/273,16 da temperatura no ponto triplo da água e
a escala Celsius passou a ser definida por essa equação.
Y árias escalas empíricas de temperatura tem sido utilizadas nos últimos 70 anos para
propiciar a calibração de instrumentos e a normalizar as medições de temperatura. A Escala Prática
Internacional de Temperatura de 1990 (ITS - 90) é a mais recente destas e é baseada num conjunto
de pontos fixos facilmente reprodutíveis, que receberam valores numéricos de temperatura
definidos, e em certas fórmulas que relacionam as temperaturas às leituras de determinados
instrumentos de medição de temperatura (para que seja possível efetuar a interpelação entre os
Alguns Conceitos e Definições 29

pontos fixos). Nós não apresentaremos mais detalhes da ITS - 90 neste texto mas é importante
ressaltar que essa escala fornece um modo prático de efetuar medidas que fornecem resultados
coerentes com a escala termodinâmica de temperatura.

Resumo
Neste capítulo nós definimos o sistema e o volume de controle. A diferença entre os sistemas
e os volumes de controle é que pode existir transferência de massa nos volumes de controle. Os
sistemas isolados não interagem com o meio (não ocorrem transferências de massa, quantidade de
movimento e energia). O estado termodinâmico é alterado quando ocorre uma variação de
qualquer propriedade da substância que está sendo analisada. Um processo é detectado quando
ocorre uma variação de estado termodinâmico. Quando um sistema, num dado estado inicial, passa
por um certo número de mudanças de estado, ou processos, e finalmente retoma ao estado inicial,
dizemos que o sistema executa um ciclo.
Nós analisamos as unidades básicas de algumas propriedades termodinârnicas e utilizamos as
tabelas do Apen. A para obter seus valores. As propriedades termodinâmicas apresentadas mais
detalhadamente foram a massa específica p, o volume específico v, a pressão I' e a temperatura T.
As propriedades foram classificadas com intensivas e extensivas. As propriedades intensivas
independem da massa (como o volume específico v) e as extensivas são proporcionais a massa
(como o volume total V). Os estudantes devem estar familiarizados com outros conceitos básicos
da física, como por exemplo: o de força, F, de velocidade, V , e de aceleração a. O cálculo da
variação de pressão nas colunas de fluido foi realizado com a aplicação da segunda lei de Newton.
Esta avaliação é fundamental para compreender a medição de pressões absolutas e relativas com
barômetros e manômetros. Nós também apresentamos, neste capítulo, as escalas de temperatura
normais e absolutas.
Após estudar o material deste capítulo você deve ser capaz de:

• Fazer um esquema para iniciar o análise do processo que você deseja estudar, identificar se
existem fluxos de massa na fronteira escolhida e definir se a situação deve ser analisada
com um sistema ou um volume de controle.
• Conhecer o significado físico das propriedades 1', T, v e p e suas unidades básicas.
• Saber utilizar a tabela de conversão de unidades que está disponível no Apen. A.
• Saber que a energia é acumulada, a nível molecular, em diversos modos.
• Saber que a energia pode ser transferida.
• Reconhecer a diferença entre as propriedades intensivas (v e p) e as extensivas (V e 111).
• Aplicar um balanço de forças num sistema e relaciona-lo a pressão.
• Identificar a diferença entre os significados das pressões relativas e das absolutas.
• Entender o funcionamento dos rnanôrnetros e barômetros e calcular as variações de pressão,
!'lI'. e as pressões absolutas, p.
• Conhecer a diferença entre as escalas de temperatura (normal e absoluta).
• Conhecer as ordens de grandeza das propriedades abordadas (v. p , I' e T).

Nós realizaremos, ao longo do texto, um aprofundamento dos conceitos abordados neste


capítulo. Por exemplo, as propriedades termodinâmicas serão reanalisadas no Capo 3, a
transferência de energia, nas formas de trabalho e calor, será discutida no Capo 4 e a energia
interna será novamente abordada Capo 5.

Conceitos e Equações Principais

Sistema É definido como uma quantidade de matéria, com massa e


identidade fixas. sobre a qual nossa atenção é dirigida.
Volume de Controle Região sobre a qual nossa atenção é dirigida.
30 Fundamentos da Termodinâmica

Definição da pressão p = F /,i (limite matemático para, d infinitesimal)


Volume específico v = Vim
Massa específica p=mlV
(Tabs. A.3, AA, e A.5)
Variação de pressão estática I1p = P g L (L é a altura da coluna de fluido, g é uma aceleração
e p é a massa específica do fluido)
Temperatura absoluta K = °C + 273,15
Unidades Tab. A.I do Apêndice

Conceitos da Física

Segunda lei de Newton F=ma


dí x dV
Aceleração a=--=--
dt : dt

Velocidade V= dx
dt

PROBLEMAS

PROBLEMAS CONCEITUAIS E três grupos. O primeiro deve ser formado pelas


DE ESTUDO DIRIGIDO propriedades intensivas, o segundo pelas proprieda-
des extensivas e o terceiro grupo formado pelos
2.1 Englobe a turbina da central termoelétrica componentes que não são propriedades.
mostrada na Fig. 1.1 com um volume de controle e 2.7 Um elevador transporta quatro pessoas, massa
faça uma lista com os fluxos de massa e energia total igual a 300 kg, numa ascensão de 25 m.
detectados na fronteira do seu volume de controle. Explique qual é a transferência e a acumulação de
2.2 Englobe a central de potência mostrada na energia no processo.
Fig. 1.2 com um volume de controle e faça uma 2.8 A água pode ser encontrada em fases diferentes
lista com os fluxos de massa e energia detectados - sólida, líquida e vapor - na natureza, Indique a
na fronteira do volume de controle escolhido. A ordem de grandeza da massa específica e do volume
utilização da Fig. 1.1 facilita a identificação destes específico da água nas três fases.
fluxos. Existe acumulação de energia no volume de
2.9 A massa específica é o única medida de como a
controle') Tenha cuidado ao identificar o que está
massa é distribuída num volume? O valor da
dentro e o que está fora do volume de controle.
massa específica pode variar de um ponto para
2.3 Englobe o circuito de vapor principal da outro do volume considerado? Se a variação pode
intalação de propulsão nuclear mostrada na Fig. 1.3 ocorrer, indique a escala (distância) que descreve a
com um volume de controle. Identifique os importância da variação.
escoamentos e os fluxos de energia que cruzam a
fronteira do volume de controle. 2.10 A massa específica das fibras, dos isolamentos
térmicos, das espumas isolantes e do algodão é
2.4 Faça um esboço da sua geladeira e indique
pequena. Porque isto ocorre')
onde estão localizados os componentes mostrados
na Fig. 1.6. Englobe a geladeira com um volume de 2.11 Um recipiente apresenta volume interno igual
controle e identifique os fluxos de massa e energia a um litro. Qual é a massa de mercúrio que o reci-
que cruzam a fronteira do volume de controle. piente pode conter? Qual é a massa de ar, nas
condições atmosféricas, que este recipiente pode
2.5 Um aquecedor elétrico de imersão é colocado
conter?
num copo d'água e a aquece de 20°C a 80°C.
Identifique os fluxos de energia e a acumulação de 2.12 Você consegue carregar I m' de água líquida')
energia detectados no processo. 2.13 Um manômetro indica que a diferença de
2.6 Considere a lista formada por: p, F, V, v, p, T, pressão num escoamento é igual a I m de coluna de
a, m, L, t e V. Separe os componentes da lista em mercúrio. Determine o valor de I1p em kPa.
Alguns Conceitos e Definições 31

2.14 Qual é o valor da pressão absoluta num plano 2.26 Um cilindro de aço, que inicialmente está
localizado a 5 m da superfície livre do oceano? evacuado, é carregado com 5 kg de oxigênio e 7 kg
2.] 5 Qual é a diferença entre as pressões nos de nitrogênio. Determine, nesta condição, o número
planos inferior e superior de uma coluna de ar. na de kmoles contidos no cilindro.
condição atmosférica, com 10m de altura?
Força e Energia
2.16 A pressão no fundo de uma piscina é bem
distribuída. Suponha que uma placa de ferro fundi-
2.27 A aceleração "normal" da gravidade (ao nível
do, com massa de 7272 kg e área igual a 100 m2•
do mar e a 45° de latitude) é 9,80665 m/s", Qual é a
está apoiada no chão. Qual é a pressão média
força necessária para manter imobilizada uma
exercida pela placa no chão. A distribuição de
massa de 2 kg neste campo gravitacional? Calcule
pressão no solo é bem distribuída?
a massa de outro corpo, localizado neste local,
2.17 A depressão na sala de um laboratório é igual sabendo que é necessária uma força de I N para
a 0.1 kPa. Determine o módulo da força líquida que que o corpo permaneça em equilíbrio.
atua na porta desta sala. Admita que a altura e a lar-
2.28 Um corpo com massa de 12 kg está sujeito ao
gura da porta são. respectivamente. iguais a 2 e I m.
campo gravitacional padrão e a uma força de 125 N.
2.18 Um tornado arrancou o teto horizontal de um Determine a aceleração do corpo sabendo que a
galpão. A área e o peso do teto são, respectiva- força atua na direção vertical e que apresenta
mente, iguais a 100 m2 e 1000 kg. Qual é a pressão sentido contrário ao da força gravitacional.
mínima necessária (vácuo) para que isto ocorra?
2.29 Um modelo de automóvel é solto num plano
Admita que o teto estava simplesmente apoiado.
inclinado. A força na direção do movimento
2.19 Qual é o valor da temperatura absoluta (em apresenta módulo igual a um terço daquele da força
Kelvin) equivalente a _5°C? gravitacional padrão (veja o Probo 2.27). Determine
2.20 Qual é a temperatura mínima que você pode a aceleração no modelo sabendo que sua massa é
detectar em sua casa? Forneça seu resultado em igual a 0,45 kg.
graus Celsius e em Kelvin. 2.30 A variação da aceleração da gravidade. g, com
2.21 A massa específica da água líquida pode ser a altura, z, pode ser aproximada por li = 9,807 -
aproximada por p = 1008 - T /2 [kg/m ' 1 onde T é 3.32 x 10-6 z, onde a altura está em metros e a
a temperatura em "C, Determine o crescimento de aceleração em rn/s '. Determine a variação
uma lâmina d'água. que originalmente apresenta percentual do valor da aceleração da gravidade que
espessura igual a I rn, se a temperatura da água ocorre entre a altura nula e a altura de I I 000 m.
aumentar 10 "c. 2.31 Um automóvel se desloca a 60 km/h. Suponha
2.22 Converta a equação para a massa específica da que ele seja imobilizado em 5 s através de uma
água apresentada no Probo 2.21 para que ela opere desaceleração constante. Sabendo que a massa do
com a temperatura expressa em Kelvin. conjunto automóvel - motorista é 1075 kg, determi-
ne o modulo da força necessária para imobilizar o
conjunto.
PROBLEMAS
2.32 Um automóvel com massa igual a 1775 kg se
Propriedades e Unidades move com velocidade de 100 km/h. Determine.
nesta condição. a energia cinética do automóvel.
2.23 Um cilindro de aço, com massa igual a 2 kg, Qual é a altura que o automóvel deve ser levantado
contém 4 litros de água líquida a 25 "C e 200 kPa. para que sua energia potencial se torne igual a
Determine a massa total e o volume do sistema. cinética determinada na primeira parte do problema?
Faça uma lista que apresente duas propriedades Admita que o valor da aceleração da gravidade é
extensivas e três propriedades intensivas da água constante e igual ao padrão.
no estado fornecido. 2.33 Um automóvel com massa de 1200 kg se des-
2.24 Uma ma a apresenta.massa e volume iguai{~a loca a 20 km/h. Sabendo que ele é acelerado até
1
80 g e 100 em" quando esta num retngerador a 8 C. 75 km!h, através com uma aceleração constante e
Qual é a massa específica da maça') Faça uma lista igual a 4 m/52, determine a força e o tempo
que apresente duas propriedades extensivas e três necessário para a ocorrência deste movimento.
propriedades intensivas da maça no estado 2.34 Uma placa de aço. com massa de 950 kg,
fornecido. inicialmente está imóvel. Sabendo que a placa é
2.25 Um kgf é o peso de um kg no campo acelerada com 3,0 m/s2 durante \O s, determine a
gravitacional padrão. Qual é o equivalente de I kgf velocidade final da placa e a força necessária para a
em N? ocorrência de tal movimento'!
32 Fundamentos da Termodinâmica

2.35 Um recipiente de aço, que apresenta massa 2.44 A pressão máxima no fluido utilizado num
igual a 15 kg, contém 1,75 quilornoles de propano macaco hidráulico é 0,5 MPa. Sabendo que o macaco
na fase líquida. Se uma força de 2kN atuar sobre o deve levantar um corpo com massa de 850 kg,
sistema. que não apresenta vínculos, calcule qual determine o diâmetro do conjunto cilindro - pistão
será a aceleração do conjunto recipiente - propano. que movimenta o corpo.
2.36 Um balde contendo concreto, com massa total 2.45 Um conjunto cilindro - pistão apresenta área da
igual a 200 kg. é movimentado por um guindaste. seção transversal igual a 0,01 rn'. A massa do pistão
Sabendo que a aceleração do balde, em relação ao é 100 kg e ele está apoiado nos esbarros mostrados
chão, é 2 m/s~, determine a força realizada pelo na Fig. P2.45. Se a pressão no ambiente for igual a
guindaste. Admita que a aceleração local da 100 kPa, qual deve ser a mínima pressão na água
gravidade apresenta rnódulo igual a 95 m/s2 para que o pistão se mova .)
2.37 A aceleração da gravidade na superfície da Lua
é aproximadamente igual a 1/6 daquela referente a
superfície da Terra. Uma massa de 5 kg é "pesada"
numa balança de braço na superfície da Lua. Qual é II I I III
a leitura esperada? Se a pesagem fosse efetuada
o::=E'.:... =-.=--:::::1.:=-
numa balança de mola, calibrada corretamente num
ponto onde a aceleração da gravidade é normal (ver
====água
------ ====
Probo 2.27), que leitura seria obtida?
Figura P2.45
Volume Específico 2.46 Um conjunto cilindro - pistão vertical apresenta
diâmetro igual a 125 mm e contém óleo hidráulico.
2.38 Um recipiente fechado e com volume de 5 m3 A pressão atmosférica é igual a I bar. Determine a
contém 900 kg de granito e ar (massas específicas massa do pistão sabendo que a pressão no óleo é
respectivamente iguais a 2400 e 1,15 kg/rn"). Deter- igual a 1500 kPa. Admita que a aceleração da
mine a massa de ar contida no recipiente e o volume gravidade é a "normal".
específico médio do arranjo. 2.47 A área da seção transversal da válvula do
2.39 Um tanque apresenta duas partições separadas cilindro mostrado na Fig. P2.47 é igual a II crrr'.
por uma membrana. A partição A contém I kg de ar Determine a força necessária para abrir a válvula
e apresenta volume igual a 0,5 rn'. O volume da sabendo que a pressão no cilindro é 735 kPa e que a
partição li é 0,75 rrr' e esta contém ar com massa pressão externa é 9Y kPa.
específica igual a 0,8 kg/rrr'. A membrana é rompida
e o ar atinge um estado uniforme. Determine a
. massa específica do ar no estado final do processo.
2.441 Um reservatório estanque e com volume de
I m1 contém uma mistura obtida com 400 kg de
granito, 200 kg de areia seca e 0,2 rrr' de água
líquida a 25 "c. Determine, utilizando as proprieda-
des apresentadas nas Tabs. A.3 e A.4, o volume
específico médio e a massa específica média da Figura P2.47
mistura contida no reservatório. Desconsiderc a
presença do ar no reservatório.
2.48 Um projétil de canhão, com diâmetro de 0,15 m
2.41 Refaça o problema anterior considerando que a e massa de 5 kg. pode ser modelado como um pistão
massa específica do ar contido no reservatório é instalado num cilindro. A pressão gerada pela
igual a 1.1 kg/rn'. combustão da pólvora na parte traseira do projétil
2.42 Um quilograma de oxigênio diatôruico (massa pode ser considerada como igual a 7 MPa.
molecular igual a 32) está contido num tanque que Determine a aceleração do projétil sabendo que o
apresenta volume de 500 L. Calcule o volume espe- canhão aponta na horizontal.
cífico do oxigênio na base mássica e na molar. 2.49 Refaça o problema anterior admitindo que o
ângulo formado pelo cano do canhão e a horizontal
2.43 Um tanque de aço, com massa igual a 15 kg.
é igual a 40 graus.
armazena 300 L de gasolina que apresenta massa
específiru de 800 kg/m '. Qual a força necessária 2.50 A diferença entre a pressões no corredor e na
para acelerar este conjunto a 6 m/s"? sala de um laboratório. provocada pela ação de um
grande ventilador. foi medida com um rnanôrnetro
de coluna d'água. Sabendo que a altura da coluna
Pressão de li. lido medida foi igual a 0.1 m, determine o
Alguns Conceitos e Definições 33

módulo da força líquida que atua na porta que 2.57 Um cilindro que apresenta área de seção trans-
separa o laboratório do corredor. Admita que a versal .1 contém água líquida, com massa específica
altura e a largura da porta são, respectivamente, p, até a altura H. O cilindro apresenta um pistão
iguais a 1,9 e I, I m. inferior que pode ser movido pela ação do ar
2.51 Determine a pressão no fundo de um tanque comprimido (veja a Fig. P2.57). Deduza a equação
que apresenta 5 m de profundidade e cuja superfície para a pressão do ar em função de h.
livre está exposta a uma pressão de 101 kPa.
Considere que o tanque esteja armazenando os
seguintes líquidos: (a) água a 20 "C, (b) gliccrina a
25 "C e (c) óleo leve. ====agua=:::==
-- ----
2. 52 O diâmetro do pistão de um macaco é igual a
200 mrn. Determine a pressão no cilindro para que () fi -
pistão levante uma massa de 740 kg. IIII IIII
2.53 O cilindro de aço mostrado na Fig. P2.53
apresenta área da seção transversal igual a 1,5 m2.
'--_-{tC>.>o-_
~ Ar

Sabendo que a pressão na superfície livre da Figura P2.57


gasolina é 101 kPa, determine a pressão na
superfície inferior da camada de água.
Manômetros e Barômetros
1'0

r- 1
Âr
2.58 Admita que a massa específica do ar na
atmosfera é constante e igual a 1,15 kg/m' e que a
pressão no nível do mar é 101 kPa. Qual é a pressão
Gasolina
1.001 absoluta detectada por um piloto de balão que voa a

t
2.5111
I 1500 m acima do nível do mar.
2.59 Um manômetro montado num recipiente indica
(I.5m Água 1,25 MPa e um barômetro local indica 0,96 bar.
L ~ Figura P2.53 Calcule a pressão interna absoluta no recipiente.
2.60 Dois reservatórios cilíndricos e verticais estão
2.54 A pressão ao nível do mar é 1025 mbar. Su- repletos com água líquida (massa específica igual a
ponha que você mergulhe a 15 m de profundidade e 1000 kg/m '). Um dos reservatórios apresenta 2 m de
depois escale uma montanha com 250 m de ele- diâmetro e 10m de altura enquanto o outro
vação. Admitindo que a massa específica da água é apresenta 4 m de diâmetro e 2,5 m de altura.
1.000 kg/rrr' e a do ar é 1,18 kg/rrr', determine as Determine as forças que atuam sobre a água nos
pressões que você sente nestes dois locais. fundos dos tanques e também as pressões nos
2.55 Um conjunto cilindro-pistão, com área de fundos dos dois tanques. Admita que as superfícies
seção transversal igual a 15 em", contém um gás. livres nos tanques estão expostas à atmosfera.
Sabendo que a massa do pistão é 5 kg e que o 2.61 Uma das extremidades de um manômetro em U
conjunto está montado numa centrífuga que
está conectada a uma tubulação e a outra está
proporciona uma aceleração de 25 m/s2, calcule a
exposta ao ambiente (Pall11 = 101 kPa). A diferença
pressão no gás. Admita que o valor da pressão
entre as alturas das colunas de tluido manométrieo é
atmosférica é o normal.
30 mm e a altura da eoluna adjacente à tubulação é
2.56 O tanque sem tampa mostrado na Fig. P2.56 é maior do que a outra. Sabendo que a massa
construído com aço e apresenta massa igual a 10 específica do fluido manométrico é 925 kg/m ',
toneladas. A área da seção transversal e a altura do determine a pressão absoluta no interior da
tanque são iguais a 3 m2 e 16 m. Determine a
tubulação.
quantidade de concreto que deve ser introduzida no
tanque para que este flutue no oceano do modo 2.62 A pressão absoluta num tanque é igual a R5 k Pa
indicado na figura. e a pressão ambiente vale 97 kPa. Se um manômetro
em U, que utiliza mercúrio (p = 13.550 kg/m')
corno tluído barornétrico. for utilizado para medir ()

'~r
vácuo. qual será a diferença entre as alturas das
colunas de mercúrio')
2.63 O medidor de pressão aeoplado a um tanque de
10m f-----~ OCCêUlO
ar indica 75 kPa quando o mergulhador está nadan-
do a uma profundidade dc 10m no oceano.
~~==c=o=nc=re=ro==~ Determine a profundidade de mergulho em que a
Figura P2.56 pressão indicada é nula.
34 Fundamentos da Termodinâmica

2.64 A pressão interna num submarino é 101 kPa e 735 mm quando o equipamento está instalado na
este navega a 240 m abaixo da superfície livre do cobertura de um edifício. Determine a altura do
oceano. Admitindo que a massa específica média da edifício admitindo que a massa específica do ar é
água do mar é igual a 1030 kg/m', determine a constante e igual a 1.15 kg/m '.
diferença entre as pressões que atuam nas 2.72 Um dispositivo experimental (Fig. P2.72) está
superfícies externa e interna do casco do submarino. localizado num local onde a temperatura vale SOCe
2.65 A altura da coluna de mercúrio num barômetro g = 9.5 m/s', O fluxo de ar neste dispositivo é
é 725 mm. A temperatura é tal que a massa medido. determinando-se a perda de pressão no
específica do mercúrio vale 13550 kg/m ', Calcule a escoamento através de um orifício. por meio de um
pressão no ambiente. manômetro de mercúrio (veja o Problema 2.77).
2.66 O medidor de pressão absoluta acoplado a um Determine o valor da queda de pressão em kPa
tanque indica que a pressão no gás contido no quando a diferença de nível no manômetro for igual
tanque é 135 kPa. Nós gostaríamos de utilizar um a 200 mm.
manômetro em U e água líquida como fluido
manométrico para medir a pressão relativa no gás.
Considerando que a pressão atmosférica seja igual a -----. Ar

101 kl'a, determine a diferença entre as alturas das


colunas de água no manôrnetro.
2.67 Um manômetro contém um fluido com massa
específica de 900 kg/rn '. Qual será a diferença de
pressão indicada se a diferença entre as alturas das
duas colunas for 200 mm? Qual será a diferença Figura P2.72
entre as alturas das colunas se a mesma diferença de
pressão for medida com um manômetro que contém 2.73 A Fig. P2.73 mostra dois conjuntos cilindro -
r
mercúrio ( p = 13600 kg/rrr' J pistão conectados por uma tubulação. Os conjuntos
A e B contém um gás e as áreas das seções trans-
2.68 Um submarino de pesquisa deve submergir até
versais são respectivamente iguais a 75 e 25 em:'. A
a profundidade de 4000 m. Admitindo que a massa
massa do pistão do conjunto A é igual a 25 kg, a
específica da água do mar é constante e igual a
pressão ambiente é 100kPa e o valor da aceleração
1020 kg/m ', determine a pressão que atua na
da gravidade é o normal. Calcule. nestas condições.
superfície externa do casco do submarino na profun-
a massa do pistão do conjunto B de modo que
didade máxima de mergulho.
nenhum dos pistões fique apoiado nas superfícies
2.69 Um barômetro que apresenta imprecisão de inferiores dos cilindros.
medida igual a 1 mbar (0.00 I bar) foi utilizado para
medir a pressão atmosférica no nível do chão e na
cobertura de um edifício alto. Determine a incerteza
no valor da altura do prédio calculada a partir dos IIII IIII
valores das pressões atmosféricas medidas.
2.70 A diferença de altura das colunas de água (p =
1000 kg/rn ') num manômetro em U é igual a 0.25 m. I111 111I -=-=B-=-=
Qual é a pressão relativa? Se o ramo direito do
manômetro for inclinado do modo indicado na Fig.
-=-=A-=-=
P 2.70 (o ângulo entre o ramo direito e a horizontal
é 30°) e supondo a mesma diferença de pressão. qual
será o novo comprimento da coluna')
Figura P2.73

2.74 Reconsidere o arranjo analisado no Probo 2.73.


Admita que as massas dos pistões são desprezíveis e
que uma força pontual de 250 N empurra o pistão A
para baixo. Nestas condições. determine o valor da
força que deve atuar no pistão B para que não se
detecte qualquer movimento no arranjo.
2.75 Um manômetro está instalado numa tubulação
Figura P2.70
de transporte de óleo leve do modo indicado na Fig.
2.71 A altura da coluna de mercúrio num barômetro P2.75. Considerando os valores indicados na figura.
é 760 mm quando está posicionado junto ao chão e determine a pressão absoluta no escoamento de óleo.
Alguns Conceitos e Definições 35

2.79 Elabore uma equação para a conversão de

,"1
temperaturas em °F para "C, Utilize como base as
temperaturas dos pontos de solidificação e de
vaporização da água, Faça o mesmo para as escalas
O,7m Rankine e Kelvin.
2.80 A temperatura do ar na atmosfera cai com o

Água I 1
DO,lm
aumento da altitude, Uma equação que fornece o
valor local médio da temperatura absoluta do ar na
atmosfera é Tar = 288 - 6,5 x 10-.1 z, onde z é a
altitude em metros. Qual é a temperatura média do
Figura P2.75 ar num ponto localizado numa altitude de 12 000 m
Forneça seu resultado em graus Celsius e em Kelvin.
2.76 O conjunto formado pelos cilindros e tubulação
com válvula mostrado na Fig, P2.76 contém água PROBLEMAS PARA REVISÃO
(p = 1000 kg/rn'). As áreas das seções transversais
dos cilindros A e B são respectivamente iguais a O, I
e 0,25 m. A massa d'água no cilindro A é 100 kg 2.81 Repita o Probo 2.72 supondo que o fluido que
enquanto a de B é 500 kg. Admitindo que h seja escoa no dispositivo é água ( P = 1000 kg/m').
igual a I m, calcule a pressão no tluido em cada Observe que você não pode desprezar os efeitos das
seção da válvula. Se abrirmos a válvula e esperar- duas colunas desiguais de água.
mos o equilíbrio. qual será a pressão na válvula') 2.82 Considere uma tubulação vertical para a
distribuição de água num prédio alto. A pressão da
Po água num ponto situado a 5 m abaixo do nível da
=-=-=-=~=-
=~=~~=~=~_
rua é 600 kPa. Determine qual deve ser o aumento

Ig de pressão promovido pela bomba hidráulica


~====-==--==• Po
acoplada a tubulação para garantir que a pressão
num ponto situado a 150 m acima do nível da rua
seja igual a 200 kPa.

I -_h- ~~-

----'IV --

Figura P2.76
-=-=-=-=-=-
~=~=;~~=~=-
-
----------
- - ---
--
2.83 O diâmetro do pistão mostrado na Fig. P2.83 é
100 mm e sua massa é 5 kg. A mola é linear e não
atua sobre o pistão enquanto este estiver encostado
na superfície inferior do cilindro, No estado
mostrado na figura. o volume da câmara é 0,4 L e a
pressão é 400 kPa. Quando a válvula de alimentação
de ar é aberta, o pistão sobe 20 mm. Admitindo que
Temperatura a pressão atmosférica é igual a 100 kPa, calcule a
pressão no ar nesta nova situação.
2.77 Uma coluna de mercúrio é usada para medir
uma diferença de pressão de 100 kPa num aparelho
Linha de ar
colocado ao ar livre. Nesse local, a temperatura Po comprimido
mínima no inverno é -15°C e a máxima no verão é
35°e. Qual será a diferença entre a altura da coluna
de mercúrio no verão e àquela referente ao inverno,
quando estiver sendo medida a diferença de pressão
indicada. Admita aceleração da gravidade "normal" Ar
e que a massa específica do mercúrio varia com a
temperatura de acordo com
PHg = 13595 - 2,5 T (kg/rrr') Figura P2.83
com Tem -c.
2.78 Os termômetros de mercúrio indicam a tempera- 2.84 O reservatório d'água de uma cidade é pres-
tura pela medida da expansão volumétrica de uma surizado com ar a 125 kPa e está mostrado na Fig.
massa fixa de mercúrio líquido. A expansão volu- P2.84. A superfície livre do líquido está situada a
métrica é devida a variação da massa específica do 35 m do nível do solo. Admitindo que a massa
mercúrio com a temperatura (veja o Probo 2.77), específica da água é igual a 1000 kg/rrr' e que o
Determine a variação percentual do volume ocupado valor da aceleração da gravidade é o normal. calcule
pelo mercúrio quando a temperatura varia de 10°C a pressão mínima necessária para o abastecimento
para 20 De. do reservatório.
36 Fundamentos da Termodinâmica

2.91 O funcionamento dos termômetros é baseado


em vários fenômenos. A expansão de um líquido
com o aumento de temperatura é utilizado em muitas
aplicações. As resistências elétricas, termistores e
termopares são usualmente utilizados como
/I
transdutores, principalmente nas aplicações remotas.
Investigue os tipos de termômetros existentes e faça
uma relação de suas faixas de utilização, precisões,
Figura P2.84 vantagens e desvantagem operacionais.
2.92 Deseja-se medir temperaturas na faixa de O a
2.85 A Fig. P2.85 mostra um pistão especial montado
200 "C. Eseolha um termômetro de resistência, um
entre as câmaras A e B. A câmara B contém um gás,
termistor e um termopar adequados para esta faixa.
enquanto que a A contém óleo hidráulico a 500 kPa.
Faça uma tabela que contenha as precisões e
Sabendo que a massa do pistão é 25 kg, calcule a
respostas unitárias dos transdutores (variação do
pressão do gás no cilindro B.
sinal de saída por alteração unitária da medida). É
necessário realizar alguma calibração ou correção na
utilização destes transdutores?
2.93 Um termistor é utilizado como transdutor de
temperatura. Sua resistência varia, aproximada-
mente, com a temperatura do seguinte modo:
R = Ro exp [a (11 T - l1 J;J]
onde RI) é a resistência a Tu.
Figura P2.85 Admitindo que Ru= 3000 n e T., = 298 K, determi-
ne a de modo que a resistência seja igual a 200 n
2.86 A profundidade do lago esboçado na Fig. P2.86 quando a temperatura for igual a 100°e. Escreva um
é igual a 6 m e a comporta vertical apresenta altura e programa de computador que forneça o valor da
largura respectivamente iguais a 6 m e 5 m. Deter- temperatura em função da resistência do termistor.
mine os rnódulos das forças horizontais que atuam Obtenha a curva característica de um termistor
nas superfícies verticais externas da comporta. comercial e a compare com o comportamento do
termistor referente a este problema.
Lago 2.94 Pesquise quais são os transdutores adequados
para medir a temperatura numa chama que apresenta
temperatura próxima a 1000 K. Existe algum
transdutor disponível para medir temperaturas
Corte lateral Vista superior próximas a 2000 K?
Figura P2.86 2.95 Existem vários tipos de dispositivos dedicados
a medir pressões absolutas e relativas. Faça uma
PROBLEMAS ABERTOS, PROJETOS E relação com 5 tipos destes dispositivos, aplicáveis a
APLICAÇÃO DE COMPUTADORES situações onde a pressão diferencial é da ordem de
100 kPa, mostrando os erros intrínsecos de medida.
os tipos de resposta (linear ou não) e os custos.
2.87 Escreva um programa de computador que faça
uma tabela de correspondência entre °C, °F, K e R , 2.96 Um micromanômetro utiliza um fluido com
na faixa de -50°C a IO(jOC,utilizando um intervalo massa específica 1000 kg/m' e é capaz de medir
de I o-c. uma diferença de altura com uma precisão de ±O,5
mm. Sabendo que a diferença máxima de altura que
2.88 Escreva um programa de computador que
pode ser medida é 0,5 m, pesquise se existe um
transforma o valor da pressão, tanto em kPa como
outro medidor de pressão diferencial disponível que
em atm ou lbf/irr'. em kPa, atrn, bar e lbf/irr'.
possa substituir este micromanômetro.
2.89 Escreva um programa de computador para a
2.97 Uma experiência envolve as medições de
correção da medida de pressão num barômetro de temperatura e pressão num gás que escoa numa
mercúrio (Veja Problema 2.62). Os dados de entrada tubulação a aproximadamente 300°C e 250 kPa.
são a altura da coluna e a temperatura do ambiente e Escreva um relatório que contenha sua proposta
as saídas são a pressão e a leitura corrigida a 20°e. para os transdutores de temperatura e pressão
2.90 Faça uma relação dos métodos utilizados. adequados a esta aplicação, indicando duas alter-
direta ou indiretamente. para medir a massa dos nativas para cada tipo de transdutor, a resolução de
corpos. Investigue as faixas de utilização e as cada um deles e os custos envolvidos na aquisição
precisões que podem ser obtidas nas medições. dos transdutores.
Respostas de Problemas
Selecionados
2.27 19,613 N; 0,102 kg 3.114 60%; 1%
2.30 0,37% 3.120 0,9578 m1/kg
2.33 4800 N; 3,82 s 4.21 9807 J
2.36 2300 N 4.24 0,000833 m'; 0,0833 rn; 0,0278 m
2.39 1,28 kg/m' 4.27 303,5 m
2.42 0,5 m3/kg; 16 m3/kmol 4.30 500 N; 0,05 rn; 0,08333 rn; 25 J
2.45 198 kPa 4.33 40 kJ
2.48 24,38 m/s" 4.36 -128,7 J
2.51 a. 149,9 kPa; b. 162,8 kPa; c. 145,6 kPa 4.39 0,2375 kJ
2.54 250 kPa; 99,6 kPa 4.42 a. 404°C; c. 163,35 kJ
2.60 199 kPa; 125,5 kPa 4.45 0,0427 kJ
2.63 17,66m 4.48 -80,4 kJ
2.66 3,48 m 4.51 1,969; -51,8 kJ/kg
2.69 8,72 m 4.54 117,5 kJ
2.72 25,84 kPa 4.57 43,2 kJ/kg
2.75 106,4 kPa 4.60 -49,4 kJ
2.78 0,18% 4.63 o kJ; -20,22 kJ
2.81 23,94 kPa 4.66 -38,64 kJ
2.84 370 kPa 4.69 583,2 kJ
3.21 7,38 MPa;472 kg/m': 6,14 MPa; 275 kg/m ' 4.72 0,318 m; 17,47 J
3.24 a. 1234 K; b. 1356 K 4.75 5,89 x 10-5 J
3
3.36 a. 0,2319 m /kg; b. 0,000733 rrr'zkg: 4.84 186W
c. 0,09058 m3/kg; d. 0,4922 m3/kg; 98,8 kmJh
4.87
e. 1,4153 m3/kg
4.90 1500W
3.39 a. 0,01228 m3/kg; b. 0,04493 rrr'zkg;
4.93 1 kW
c. 0,005563 m3/kg; d. 0,01358 m3/kg;
4.96 15,8°C
3.42 23,8 MPa
4.99 480 m2
3.48 120,2 °C; 0,05 m
4.102 45°C
3.51 18,9 MPa
4.105 725 -c
3.54 771 kPa; 1318 kPa; 0,4678
4.108 396 kPa; -26,7 kJ
3.57 0,948
4.111 -13,4 kJ
3.60 1,318 MPa; 93,295 kg
4.114 143,6 °C; 0,4625 m'; 145 kJ
3.63 900 kPa; 1,6263 m3
5.21 31 kJ
3.69 2152 kg
5.24 463 kJ; 117,7 kJ
3.72 0,603 kg
5.27 9,9 mls; -5,49 m
3.75 2,75%; 9,4%; 25,3%
5.30 a. 1435 kJ/kg; 0,2645 m3/kg
3.78 204,4 kPa
b. 1374,5 kJ/kg; 1,4153 m3/kg
3.81 4,5%; 1,4%
c. 1200 kPa; 1383 kJ/kg
3.84 356 kg/m ' 5.36 133,6 °C; o kJ; -1148 kJ
3.87 925 kPa; 0,007 m3/kg 5.39 -263,3 kJ
3.90 a. 120°C, 0,516; b. 117 K, 0,959 5.42 -23,5 kJ
3.93 a. 71,4 °C; b. 858 kPa, 0,666 5.45 877,8 kJ; o kJ
3.96 a. 99,9 kg; b. 149 kPa 5.48 287,7 rrr'
3.99 1450 kPa 5.51 179,9 °C; 1684 kJ
3.102 1554 kPa; 0,118
5.54 0,0327 m': 0,23 m': 605 kJ
3.105 641°C
5.57 803 °C; 587 kJ
3.111 a. 372,5 K; b. 53 mm 5.60 25°C