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CONTESTAÇÃO – PAULO LESSA

TRECHO

Da alegação de privilégio nos


pagamentos efetuados a
Servidores

1. Desde um passado próximo o Judiciário Mato-


grossense vem passando por uma profunda transformação. Os
últimos acontecimentos, expostos em âmbito nacional,
trouxeram à tona procedimentos administrativos que deverão
ser regulamentados doravante. Dentre eles o fato de gestões
anteriores pagarem créditos pendentes sem a divisão equânime
das verbas que sobejam e são destinadas para essa finalidade.
Ou seja, não havia qualquer critério prático normatizado.

2. A despeito de ser práxis no Judiciário Estadual


tais pagamentos sem qualquer critério, o Contestante houve por
bem em adotar um critério para tais pagamentos.

3. Esta tentativa de normatização, por si só,


demonstra a intenção do Contestante de romper com os
paradigmas até então adotados. Prova disso foi o fato de ter se
utilizado de critérios por categorias escalonadas para a
realização dos pagamentos de créditos pendentes de servidores.

4. Na oportunidade, a Requerida Dirce Lobo, na


qualidade de Diretora-Geral do E. TJMT, enviou à Presidência o
Ofício n.º 049/2008-DGTJ (Doc. 32), do qual se pode extrair os
seguintes excertos que ora se mostram relevantes:
“Como Diretora-Geral deste Tribunal, reconheço as dificuldades
financeiras por que passa o Poder Judiciário. Daí saber que não é possível a cada
Administrador pagar todos os créditos pendentes, quer dos servidores, quer dos
magistrados. Assim fosse, esta Administração não teria herdado dívida de pessoal.
No entanto, por dever de ofício, penso que, efetuados os cálculos,
poderíamos, juntamente com a Coordenadoria Financeira, proceder a um estudo de
forma de pagamento, por etapas, a exemplo do que Vossa Excelência já permitiu
em relação à licença-prêmio, quando autorizou o pagamento aos Coordenadores e
Diretores, sem distinção, pagamento este que já estamos findando a última parcela
dos Diretores, podendo já se expandir para os servidores da equipe, dos cargos que
não envolvem gerenciamento, mas que também são de suma importância no alcance
de nossas metas de gestão.
O nosso objetivo é tentar solucionar o problema na medida de nossas
possibilidades, e com o máximo de impessoalidade possível.
Ocorre que, como dito alhures, a Administração não consegue liquidar
todos os créditos dos servidores. Assim é que há que se adotar algum critério.
A sugestão estudada juntamente com a Coordenadoria Financeira é que o
pagamento seja efetuado por categoria, até que se chegue ao pagamento, inclusive,
dos aposentados, se possível for à Administração.”

5. Acolhendo a sugestão acima, o Contestante


despachou o aludido Ofício (Doc. 32 – continuação), nos
seguintes termos:
“I – Trata-se de solicitação emanada por parte da Ilma. Sra. Dirce Maria
de Barros Viegas Lobo, DD. Diretora deste Sodalício, no qual solicita a permissão
para que sejam efetuados os cálculos de todos os servidores alcançados pelo
despacho proferido na Consulta n.º 001/2008-CRH.
II – Pondera reconhecer as dificuldades financeiras por que passa este
Poder, estando ciente, também, da impossibilidade desta Administração arcar com
o pagamento de todos os créditos pendentes, quer dos servidores, quer dos
Magistrados.
III – Salienta que, efetuados os cálculos, poder-se-á proceder a um estudo
de forma de pagamento dos referidos cálculos, a exemplo do que ocorreu com o
pagamento de licença-prêmio e FGTS.
IV – Louvável a preocupação da digna Diretora-Geral em querer liquidar
uma dívida que há muito este Tribunal a açambarcou ao longo dos anos, em
decorrência de aplicação, justa, podemos assim dizer, da aplicação da lei, ainda
que tardia.
V – Realmente, como bem argumentado no despacho proferido na Consulta
n.º 001/2008, o reconhecimento da recomposição dos direitos aos servidores
beneficiados é uma questão de justiça, além de ser uma obrigação da
Administração.
VI – Assim, entendendo ser o momento oportuno para que se realize um
estudo cabal, a fim de viabilizar o pagamento dos créditos pendentes, defiro o
pedido em tela, determinando que a Coordenadoria Financeira adote um critério de
pagamento, conforme fora estabelecido ao pagamento da licença-prêmio, devendo
ocorrer este por categoria, até que se chegue ao pagamento, inclusive, dos
aposentados, se possível for a esta Administração.
VII – Cumpra-se.
Cuiabá, 27 de maio de 2008.
Desembargador PAULO INÁCIO DIAS LESSA
Presidente do Tribunal de Justiça-MT”

6. É importante consignar aqui que o referido


critério começou a ser estudado em data de 27.05.2008.

7. Como se vê, o objetivo era dar continuidade


aos pagamentos, conforme o critério adotado, chegando-se
inclusive ao pagamento dos créditos pendentes dos
aposentados. E o cronograma de pagamento continuou a ser
executado, por categoria, conforme escalonamento feito pela
Coordenadoria Financeira.
8. Se este não fora o melhor critério, ao menos há
que se reconhecer que era algum critério e uma iniciativa de
normatização de tais procedimentos, tendo em vista que nunca
houvera qualquer um.

9. No entanto, no decorrer desse processo de


adoção de critérios, o Contestante fora surpreendido com a
intervenção do Des. Mariano Alonso Ribeiro Travassos (“Des.
Mariano”), desembargador eleito e ainda não empossado para a
presidência no biênio seguinte, o qual protocolizou perante o C.
CNJ, em 21.01.2009, uma “Consulta” (Doc. 33) questionando a
forma dos cálculos que estavam sendo praticados na gesta do
Contestante.

10. Ao fazer a referida “consulta” o mencionado


desembargador maliciosamente distorceu os dados, tendo com
isso obtido decisão liminar da lavra do E. Conselheiro Mairan
Maia Júnior, o qual suspendeu a programação de pagamento
que estava sendo feita aos servidores. (Doc. 34)

11. A partir dessa data nada mais pôde ser feito. O


Contestante apenas pagou a diversos servidores verbas que não
eram objeto daquela consulta e por conseqüência da decisão
liminar nela proferida, tendo pagado, daí em diante, somente a
diferença de URV, posto que era resultado de decisão judicial
transitada em julgado.

12. A atitude impensada daquele magistrado (Des.


Mariano) acabou por trazer danos irreparáveis tanto aos
servidores quanto à prestação jurisdicional, tendo em vista que,
descontentes, os servidores perpetraram a maior greve já vista
no Judiciário Mato-grossense.

13. Ao final de todo o imbróglio que aquele


desembargador iniciou (ainda na gestão do Contestante!) o C.
Conselho Nacional de Justiça reconheceu que o Des. Lessa
estava agindo corretamente em pagar aos servidores
beneficiados com a incorporação, tanto a remuneração do cargo
de carreira quanto a do cargo que incorporaram pelo exercício
de tempo estipulado em lei; além de aprovar o pagamento do
Adicional por Tempo de Serviço (“ATS”) nos valores nominais, e
não em percentual, como fora entendido pela administração do
Contestante.

14. O julgamento do PCA n.º 2009.10.00.000141-5


(Doc. 35) pelo C. CNJ foi histórico, mas caiu como uma bomba
sobre aquela administração que recém assumira a
administração do Judiciário Estadual com o único objetivo de
desconstituir tudo quanto fora feito na Administração do
Contestante.

15. Pois bem. À época havia dinheiro em caixa


suficiente para o então Presidente, Des. Mariano, continuar
pagando os créditos dos servidores, quer adotando a
sistemática de pagar por categoria como vinha sendo feito, quer
adotando outra metodologia que lhe parecesse melhor ou mais
justa.

16. No entanto, Sua Excelência, o Des. Mariano,


simplesmente não pagou mais nada aos servidores! Nem
mesmo a verba relativa à URV, cujo direito foi
reconhecido em ação judicial transitada em julgado, o
magistrado se dignou em continuar pagando. Conseguiu,
assim, deixar à míngua todos os servidores do Judiciário.

17. O critério adotado pelo Des. Lessa se deu


através da primazia daqueles que detinham cargo de maiores
responsabilidades, que era de quem se cobrava mais
diretamente o alcance das metas estipuladas pelo C. CNJ.
Ninguém pode, portanto, afirmar que não havia nenhum critério,
ou mesmo tergiversar que tal critério seria a amizade ou
proximidade com o Presidente.

18. A confirmar isso, traz-se à colação lista de


servidores que receberam créditos e direitos pendentes na
gestão do Des. Paulo Lessa, e que foram maldosamente
apelidados de “Família Lessa” pelo Autor, mas que continuaram
a desenvolver seus valiosos trabalhos tanto na Gestão do Des.
Mariano, quanto na Gestão atual do E. Des. José Silvério Gomes,
que foi eleito para substituir o Presidente, Des. Mariano,
aposentado compulsoriamente pelo CNJ. Os quais, apenas a
título exemplificativo, se podem nominar os seguintes (Doc.
36):
1. Andréa Marcondes Alves Souza;
2. Ângela Cristina Paes Farias Matis;
3. Celso Afonso Teischmann;
4. Claudenice Deijany Farias de Costa;
5. Eliane Zorgetti Pereira;
6. Flávio de Paiva Pinto;
7. Gerson Pedroso da Silva;
8. Ilman Rondon Lopes;
9. Jane Selma Barbosa;
10. Johnny Ander Pereira Abdallah;
11. Márcia Regina da Silva Santos;
12. Maurício Sogno Pereira;
13. Milca dos Anjos Moura Fernandes;
14. Mônica Dias de Souza;
15. Nilcemeire dos Santos Vilela;
16. Rosemeire Santini Pincerato;
17. Silvio Aguiar de Oliveira; e,
18. Tânia Aparecida Cavalcante.

19. Ainda se podem destacar as notáveis


servidoras Suseth Terezinha M. Taques Lazarini e Eva
Lopes de Jesus, que foram na gestão do Des. Mariano,
respectivamente, Diretora Geral e Vice Diretora do TJMT, as
quais perceberam créditos e direitos pendentes na gestão do
Contestante.

20. A pergunta que emerge agora é: será que os


servidores destacados mudaram de “família”? Saíram da
“família Lessa”, foram para a “família Travassos”, e agora são
da família “Silvério Gomes”? Obviamente que não!!!

21. O que acontece é que a grande maioria desses


servidores está no Judiciário Mato-grossense há bastante tempo
e têm desenvolvido seus misteres com galhardia,
independentemente de quem esteja na Presidência.

22. O que o Contestante, Presidente à época, fez


foi dar o valor merecido a esses servidores e tantos outros.
Desta forma, tentou ao menos equipará-los em dignidade com
os servidores da Justiça Federal, instituição para a qual tantos
servidores da Justiça Estadual têm migrado cansados de ser
vilipendiados em seus direitos.
23. Ainda em relação ao supostos pagamentos
“privilegiados”, é de nodal importância lembrar que essa mesma
alegação foi encaminhada à apreciação do C. CNJ, pelo próprio
Des. Mariano, oportunidade inclusive em que mandou àquele
Conselho todos os valores que teriam sido pagos aos servidores.
E disso bem sabe o Autor, tendo em vista que à fl. 14 da
exordial ele mesmo destaca que:
“Cópias dos demonstrativos de pagamentos de diferenças salariais pagas
para a mulher do réu Paulo Inácio Dias Lessa, a ré Déa Maria de Barros e Lessa, e
da ex-Diretora-Geral, a ré Dirce Maria de Barros Viégas Lobo, entre outros
servidores, foram divulgadas na Imprensa de Cuiabá/MT, e segundo informações
também foram remetidas para ao (sic) Conselheiro Relator do PCA n.
200910000001415 no Conselho Nacional de Justiça, (...)”
(fls. 14 – destacou-se)

24. No entanto, aquele Soberano Órgão Superior


de controle administrativo nada mencionou acerca dos
pagamentos terem sido feitos em escalonamento de categoria,
e também não se manifestou em momento algum a respeito de
quaisquer privilégios de pagamentos (vide Doc. 35). Ao
contrário, teceu outras considerações, as quais serão objeto de
análise ainda nesta defesa, como, por exemplo, sobre a base de
cálculo do Adicional por Tempo de Serviço e a possível
existência de pagamento de créditos prescritos, mas nada
afirmou sobre a distribuição das verbas em si. Apenas
julgou a legalidade delas.

25. Para comprovar a veracidade dessa afirmação,


juntou-se a peça firmada pelo Des. Mariano, que foi enviada ao
C. CNJ (Doc. 37). Peça por meio da qual tentou expor àquele I.
Órgão Superior a conduta do Contestante na gestão do TJMT,
inclusive apresentando dados mendazes.

26. E destaque-se também que, a um olho


cuidadoso, as peças (Inicial desta ação e Ofício
1.480/2009/PRES, Doc. 37) são absolutamente as mesmas,
denotando uma vez mais que o autor intelectual de ambas é o
mesmo, e que o Autor desta ação, Marcos Barros está, na
verdade, a serviço dos magistrados aposentados pelo C. CNJ.

27. É por isso que, ao proceder ao famoso


“cola/copia” daquela peça já apresentada pelo Presidente, Des.
Mariano, ao CNJ (Doc. 37), o Autor acaba por se “enrolar” na
sua exordial, posto que, ora afirma que a Requerida Déa Lessa
teria recebido a quantia de R$ 2.018.890,11 (fl. 03 da inicial – e
fl. 03 do Doc. 37), ora afirma que a servidora teria recebido R$
1.839.307,72 (fl. 15 da inicial).

28. Pergunta-se: onde foram parar os R$


179.582,40 reais de diferença? Como pode, em uma mesma
peça, o Autor cometer um erro tão grande? Resposta: copiou e
colou da peça do Des. Mariano uma parte, e depois se
contradisse em outra página de sua “própria” peça! E esse
“erro” nos valores demonstra o verdadeiro animus do Autor –
difamar a Requerida Déa Lessa, atribuindo-lhe a pejorativa
expressão de ter recebido o valor de “dois Big Brother sem
paredão” (fl. 03 da Inicial), quando ele mesmo, ou quem lhe
forneceu ou fez para ele a peça, sabe que tal valor é mentiroso,
como se demonstrará.

29. Mas o “engano” não parou por aí. O mesmo


ocorreu com os valores referentes aos outros servidores
arrolados como réus. Senão vejamos na seguinte tabela
elucidativa:
Servidor 1º Valor 2º Valor 3º Valor
Alegado Alegado Alegado
Déa Lessa R$ R$ R$
2.018.890,11 1.839.307,72 2.018.890,11
(fl. 03) (fl. 15) (fl. 16)
Dirce Lobo R$ R$ -
1.379.299,26 1.422.425,94
(fl. 06) (fl. 15)
Márcia R$ 451.341,82 R$ 347.604,16 -
Coutinho (fl. 06) (fl. 15)
Marco R$ 516.823,29 R$ 516.823,29 R$ 540.346,69
Parada (fl. 13) (fl. 15) (fl. 21)
Renata R$ 451.229,81 R$ 397.855,84 -
Bueno (fl. 7) (fl. 15)

30. Agora, observe-se o Ofício de n.


1.480/2009/PRES (Doc. 37), encaminhado ao CNJ, pelo Des.
Mariano, que o remetera “para fins de direito” (sic), cópias de
demonstrativos de pagamentos relativos a diferenças salariais
integralizadas aos servidores abaixo relacionados, na anterior
gestão, do Des. Lessa.

31. Os servidores, cujos pagamentos foram


enviados ao CNJ, são:
 Déa Maria de Barros e Lessa
 Dirce Maria de Barros Viégas Lobo
 Maristela Figueiredo Costa Ricci
 Euzeni Paiva de Paula Silva
 Márcia Regina Coutinho Barbosa
 Renata Guimarães Bueno Pereira
 Joíra Lúcia N. Rondon Dittrich
 Cátia Valéria Maciel de Arruda
 Sandra Maria Curvo B. Garcia
 Fábio Helene Lessa

32. Foi daquela peça, portanto, que o Autor tirou


as quantias destacadas acima. Não tomou o cuidado sequer de
averiguar o porquê de tamanhas diferenças. E não o fez porque
o objetivo era apenas um: difamar tais pessoas.

(i). Da Prova da Ausência de


Privilégios nos Pagamentos a
Servidores

33. O Autor noticia o privilégio no pagamento feito


a alguns Servidores do E. TJMT e apresenta valores não só
inchados em si como fruto de verdadeira manipulação de dados.

34. Em primeiro lugar, é necessário de se dizer que


os Servidores nunca foram lembrados nos seus direitos
pretéritos ou mesmo atuais. Sendo que suas reivindicações
sempre foram relegadas a um momento posterior e incerto.

35. Nessa medida, diante de suas preterições, seus


direitos pretéritos se avolumaram e continuavam a crescer sem
que nenhum presidente anterior do E. TJMT se preocupasse em
por em dia tais obrigações trabalhistas. Ao contrário, os
magistrados, em que pese ter direitos atrasados, esses direitos
sempre foram objeto de preocupação dos antecessores do
Contestante.

36. Portanto, mostrava-se natural que o


Contestante, ao enfrentar o problema, se deparasse com valores
altos que, apesar de terem como fonte de cálculo vencimentos
mais módicos que os dos magistrados, devido ao acúmulo,
chegava-se a valores de monta.
37. A segunda observação que tem lugar é o fato
de, ao se apresentar dados de magistrados relativos aos
créditos trabalhistas passivos atuais ou mesmo de outros
exercícios (não correntes), sempre (e sempre mesmo!) foram
utilizados os valores líquidos por eles percebidos, já com
todos os descontos (IR, Previdência etc...).

38. Ao contrário, ao se falar de direitos percebidos


por funcionários, como que numa desonesta manipulação de
dados, sempre se utiliza o valor bruto, com todas as quantias
que sequer chegam “às suas mãos”, pois estão incluídos valores
que permanecem no próprio patrimônio do Estado (latu senso).
Assim, nunca se fala no valor de um servidor quanto ao que
realmente recebeu, mas sempre muito acima desse valor.

39. Tal prática já é vetusta e, talvez, seja uma


forma pífia de se mascarar os dados fazendo com que os valores
percebidos pelos Servidores parecerem mais próximos ou até
mesmo superiores aos valores percebidos pelos magistrados.

(ii). Da Alegação de Privilégio nos


Pagamentos Efetuados a
Magistrados

40. Em acintosos dizeres, aduziu o Autor (fls. 07/10


– Inicial):
“Para que se pudessem realizar todos esses pagamentos era necessário que
o réu ORLANDO DE ALMEIDA PERRI, então Corregedor-Geral de Justiça, e
seu juiz auxiliar, o réu LUIZ APARECIDO BERTOLUCCI, colaborassem com
pelo menos suas omissões, no dever de fiscalizar. Afinal recaía sobre os ombros do
Corregedor-Geral da Justiça e, por conseqüência, nos ombros do seu juiz auxiliar e
braço direito a verificação desses pagamentos, ainda mais por ser este último o
titular da Vara Especializada em Ação Popular e Ação Civil Pública, homem
acostumado a identificar as formas de utilização ilegal de dinheiro público.
No entanto, o réu ORLANDO DE ALMEIDA PERRI recebeu o valor de
R$ 953.242,47 (NOVECENTOS E CINQUENTA E TRÊS MIL, DUZENTOS E
QUARENTA E DOIS REAIS E QUARENTA E SETE CENTAVOS) e o réu
LUIZ APARECIDO BERTOLUCCI o valor de R$ 415.939,25
(QUATROCENTOS E QUINZE MIL, NOVECENTOS E TRINTA E NOVE
REAIS E VINTE E CINCO CENTAVOS), tudo durante a administração do réu
PAULO INÁCIO DIAS LESSA, de sorte que a fiscalização de um amigo benfeitor
desse jaez é algo difícil de realizar.”

41. Tais valores não correspondem de modo algum


à realidade do que fora percebido por cada um desses
magistrados. O que certamente será objeto de impugnação por
cada um deles.
42. Para comprovar as mentiras perpetradas pelo
Autor, o Des. Lessa faz anexar à presente contestação a relação
de todos os valores percebidos pelos magistrados (ativos,
aposentados e seus pensionistas) em sua gestão a título de
direitos extraordinários não correntes (Doc. 38). Sobre tal
documento, é importante destacar que a sua expedição fora
deferida pelo Presidente do E. TJMT fazendo referência à decisão
do Tribunal Pleno nos seguintes termos:
“Defiro o pedido, em consonância com a decisão do Egrégio Tribunal Pleno
que ‘Deferiram a expedição de certidão extratificada dos valores dos magistrados,
restringindo a gestão 2007/2009 (Presidência do Exmo. Sr. Des. Paulo Inácio Dias
Lessa) em caráter confidencial (...)’.” (fl. 02 do Doc. 38).

43. Ante tais circunstâncias, este documento


é entregue em envelope lacrado e assinado pelo Des.
Lessa, juntamente com o Documento n.º 39, para que a
sua abertura se dê somente por Vossa Excelência,
requerendo, ainda, que, caso o Autor deseje ter acesso
ao seu teor, o faça em gabinete, sem que, contudo, lhe
seja permitida a extração de cópias em razão da
confidencialidade imposta pela decisão do órgão mor do
E. TJMT.

44. É fato que houve pagamentos de direitos


pretéritos dos magistrados mencionadas pelo Autor, entretanto,
eles estão inseridos em um universo de 353 (trezentos e
cinqüenta e três) outros magistrados que perceberam
direitos pendentes, conforme gráfico abaixo, confeccionado a
partir da análise do documento mencionado acima:
Situação Funcional Qtde.
Juízes de Direito Ativos 212
Desembargadores Ativos 22
Juízes de Direito Aposentados 58
Desembargadores Aposentados 22
Pensionistas de Magistrados 37
Juízes de Direito Exonerados 2
Total de Magistrados Beneficiados 353

45. Destaque-se que neste grupo estão todos os


dez magistrados aposentados pelo C. CNJ, inclusive o irmão do
autor, Marcelo Barros, o qual percebeu na gestão do Des.
Lessa a importância de R$ 368.451,05 (trezentos e sessenta
e oito mil, quatrocentos e cinqüenta e um reais e cinco
centavos) (cf. Docs. 38), somente a título de verbas
extraordinárias. Sendo que, mais de 80% (oitenta por
cento) fora recebido através de repasses nominais
advindos diretamente do Governo do Estado (Doc. 39).

46. No entanto, para preservar a individualidade e


a privacidade de todos, tanto servidores quanto magistrados,
faz-se anexar referida listagem em documento apartado,
devidamente lacrado em envelope, apenas para que Vossa
Excelência possa averiguar o quantum repassado às duas
categorias (servidores e magistrados) durante a gestão do
Requerido. Junto à planilha demonstrativa dos valores, segue
também certidão da Coordenadoria Financeira, que referidos
repasses dizem respeito ao período de março/2007 a
fevereiro/2009.

47. Há que se ater que in casu se está falando


somente de créditos extraordinários, sem que se leve em
consideração a percepção dos rendimentos ordinários e demais
verbas excepcionais. Isto porque, o irmão do Autor, Marcelo
Barros, na gestão em que fora o principal Juiz Auxiliar da
Presidência, já havia se forrado com a considerável quantia de
R$ 901.426,35 (novecentos e um mil, quatrocentos e
vinte e seis mil reais e trinta e cinco centavos), além de
ter percebido verbas ilegais, assim consideradas pelo C. CNJ
(Doc. 21).

48. Com efeito, tanto o valor de R$ 901.426,35


quanto o valor de R$ 368.451,05, percebidos pelo irmão do
Autor, Marcelo Barros, ora noticiado, cuidam-se de valores
líquidos, ou seja, é a exata medida do que fora acrescido
em seu patrimônio pessoal. O mesmo ocorre com todos os
demais valores elencados no julgamento do Procedimento
Administrativo Disciplinar n.º 2009.10.00.001922-5 (Doc. 21).

49. Não se deve olvidar que o referido magistrado


recebeu verbas extraordinárias também em outras gestões do
E. TJMT.

50. Ao contrário do que alega o Autor, do


documento acima (Doc. 38) infere-se que, na verdade, na
gestão 2007/2009, o Des. Orlando de Almeida Perri recebeu de
Créditos Extraordinários não Correntes R$ 160.121,07 (cento e
sessenta mil, cento e vinte e um reais e sete centavos),
enquanto que o Juiz de Direito Dr. Luiz Aparecido Bertolucci
recebeu R$ 124.523,27.

51. Do que se pode concluir que, (i) os valores


apresentados pelo Autor são distorcidos, uma vez que
não representam as verbas extraordinárias recebidas por
cada um dos magistrados que nomina; e que (ii) não
houve privilégio algum, uma vez que tais direitos se
estenderam a uma gama de 353 (trezentos e cinqüenta e
três) magistrados (ativos, inativos e seus pensionistas).

(iii). Dos Valores Percebidos pela


Servidora Dea Maria de Barros
e Lessa

52. Alega o Autor que o Contestante, quando


presidia a Corte Judiciária Mato-grossense, privilegiou o
pagamento para alguns servidores e magistrados.

53. Na inicial, de forma deselegante e irônica, diz


que o Des. Lessa pagou, pessoalmente, à sua esposa, a
Servidora Déa Maria de Barros e Lessa, a “módica quantia de R$
2.018.890,11 (dois milhões, dezoito mil, oitocentos e noventa
reais e onze centavos)”.

54. Antes de mais nada, é bom que se ressalte que


a Requerida Dèa Lessa se aposentou do quadro de
servidores do E. TJMT em janeiro de 2009 (cf. decisão do
Conselho da Magistratura e Ato de Aposentadoria anexos – Doc.
40) e, diante de tal circunstância, era curial que ela
recebesse tudo o que tivesse direito naquele momento.

55. Toda vez que um determinado servidor é


demitido, exonerado ou se aposenta é praxe, não só no
E. TJMT como em outros Tribunais pátrios, que o
funcionário egresso perceba todas as verbas que lhe são
por direito. De modo que se indaga, por que se haveria de dar
tratamento diverso à Requerida Déa Lessa?!

56. Outro ponto merecedor de atenção é o fato de


que o Contestante era o ordenador de despesas e não tinha por
que pedir a outro Desembargador, por exemplo, ao Vice-
Presidente, que fizesse o pagamento à Requerida Déa Lessa
apenas porque era sua esposa.

57. Aliás, o fato de ele mesmo ter autorizado o


pagamento já demonstra a sua boa-fé. Tanto assim é que a
atitude de “cruzar” autorizações de pagamentos foi
veementemente rechaçada no julgamento do C. CNJ que afastou
também o Des. Cury (PAD n.º 2009.10.00.001922-5 – Doc. 21),
por conta deste ter autorizado o pagamento para o filho do Des.
Ferreira Leite, e, este último, por sua vez, ter autorizado o
pagamento ao Des. Cury!

58. Ao Presidente cabe ordenar a despesa quando


estiver presente no Tribunal. Não há nem ilegalidade, nem
abuso algum nesse ato. Haveria sim má-fé em solicitar ao Vice-
Presidente uma autorização de pagamento à sua esposa,
apenas para se furtar de possível alegação de pagamento
indevido.

59. Se o Contestante, de próprio punho, autorizou


os pagamentos de créditos pendentes à sua esposa, assim agiu
porque a ele competia fazê-lo, pois era o ordenador de
despesas. A beneficiada, por sua vez, antes de ser sua esposa,
era Servidora antiga do Tribunal de Justiça (desde agosto/1977)
e possuía direito ao recebimento de tais valores.

60. Necessário tratarmos dos valores percebidos


pela Requerida Déa Lessa.

61. Conforme se depreende da Certidão n.º


003/09/DPP (Doc. 41), documento de que se valeu o Autor, o
valor que teria sido percebido por esta Servidora seria de R$
2.018.890,11.

62. Entretanto, a mesma certidão dá conta de que


a Requerida Déa Lessa na verdade recebera através de verbas
complementares, sob os títulos Abono Pecuniário, Licença
Prêmio, Diferença de Incorporação (objeto da Consulta n.º
01/2008), Diferença de Abono Pecuniário e Licença Prêmio, e
URV, a importância líquida de R$ 1.234.459,01 (hum milhão,
duzentos e trinta e quatro mil, quatrocentos e cinqüenta e nove
reais e um centavos).
63. A seu turno, a certidão expedida pelo
Departamento Financeiro, Certidão n.º 008/2009, de 22.05.2009
(Doc. 42), informa que o valor total percebido pela Requerida
Déa Lessa, a título de verbas extraordinárias, fora a importância
líquida de R$ 1.291.800,32 (hum milhão, duzentos e noventa e
um mil e oitocentos reais e trinta e dois centavos).

64. Há ainda outra certidão do Departamento de


Pessoal, a Certidão n.º 017/10/DPP, expedida em 08.06.2010
(Doc. 43), a qual, com alguns dissensos, tem quase o mesmo
teor da Certidão n.º 003/09/DPP (Doc. 41) e contém relevante
informação ao seu final, qual seja:
“Certificamos, contudo, que em consulta ao sistema informatizado de folha
de pagamento dos servidores deste Tribunal, constatamos haver registros de
pagamento pendentes atinentes a verbas rescisórias em face da Aposentadoria
conforme Ato n.º 085/2009/CM, de 29/01/2009:
PROVENTOS
- FÉRIAS PROPORCIONAIS (06 meses) – R$ 9.376,66
- 1/3 FÉRIAS RESCISÓRIAS (06 meses) – R$ 3.135,55
- FÉRIAS INDENIZADAS (2004 a 2008) – R$ 93.766,65
- Total Bruto – R$ 106.268,76

65. O teor do excerto acima traz duas inarredáveis


conclusões: (i) a regra de que é usual o pagamento das verbas
rescisórias no momento da aposentadoria; e, (ii) que os valores
recebidos pela Requerida Déa Lessa não só lhe eram por direito,
como ainda há créditos a serem pagos, portanto, não só os
pagamentos foram devidos, como foram feitos a menor.

66. Contudo, nenhuma das certidões acima dá


conta do erro na retenção do Imposto de Renda que rendeu à
Requerida Déa Lessa a obrigação de recolher, via DARF, o valor
de R$ 75.815,58, referente ao exercício de 2008 (Doc. 44) e
R$ 32.865,30 relativo ao exercício 2009 (Doc. 45). Portanto,
do valor líquido informado nas certidões acima, ainda hão de ser
descontado R$ 108.680,88.

67. Feitas essas considerações, o valor líquido


auferido pela Requerida Déa Lessa a título de verbas
extraordinárias fora de R$ 1.125.778,13 (hum milhão, cento e
vinte e cinco mil, setecentos e setenta e oito reais e treze
centavos) (R$ 1.234.459,01 menos R$ 108.680,88).
68. Importante que nos termos da Certidão n.º
002/2009 Coordenadoria Financeira do E. TJMT, de 22.01.2009
(Doc. 46), constam quatro repasses nominais advindos
diretamente do Governo Estadual, via Secretaria de Fazenda,
com valor bruto de R$ 186.589,11 (cento e oitenta e seis mil,
quinhentos e oitenta e nove reais e onze centavos) cada uma
delas.

69. Da análise desta certidão (n.º 002/2009 - Doc.


46) em conjunto com as Certidões n.ºs 003/09/DPP e n.º
017/10/DPP (Docs. 41 e 43), verifica-se que desses valores
brutos informados acima, a Requerida Déa Lessa percebeu de
forma líquida os seguintes valores, nas correspondentes datas,
respectivamente, R$ 121.937,95 em 24.10.2008; R$ 176.155,83
em 12.11.2008; R$ 176.155,83 em 11.12.2008; e, R$
176.156,24 em 15.01.2009. Somados esses valores, temos a
quantia líquida de R$ 650.405,85 (seiscentos e cinqüenta mil,
quatrocentos e cinco reais e oitenta e cinco centavos)
percebidos diretamente do Governo do Estado através de
verba nominal.

70. Disso resulta que, se se ativer ao valor líquido


mencionado acima (R$ 1.125.778,13), abatendo-se o valor
advindo nominal e diretamente do Governo do Estado (R$
650.405,85), temos que o Des. Lessa autorizou o
pagamento em favor da Requerida Déa Lessa da
importância líquida de R$ 475.372,28 (quatrocentos e
setenta e cinco mil, trezentos e setenta e dois reais e vinte e
oito centavos).

71. Por outras palavras, o valor líquido pago


diretamente pelo Governo do Estado corresponde a
aproximadamente 57,77% (cinqüenta e sete ponto setenta e
sete pontos percentuais) de todos os valores percebidos pela
Requerida Déa Lessa a título de verbas extraordinárias (passivos
trabalhistas).

72. Portanto, dos valores percebidos pela mesma,


somente 42,23% (quarenta e dois ponto vinte e três pontos
percentuais) das verbas extraordinárias foram deferidas
pelo Des. Lessa.
73. Com relação às verbas advindas de forma
nominal e direta do Governo do Estado, não caberia ao
ordenador de despesas (quem quer que fosse) dar-lhes outra
destinação, senão aquela para a qual aportaram aos cofres do
Tribunal, qual seja, efetuar pagamentos à Requerida Déa Lessa.

74. Ora, se essa Servidora, seguindo praxe até


então largamente praticada na Instituição, tanto da parte do
Judiciário quanto da Fazenda, conseguiu que os valores acima
transcritos fossem depositados no Tribunal para a finalidade
precípua de pagamento de seus créditos trabalhistas, não
restaria outra conduta sensata e legal ao ordenador de
despesas, senão pagá-los, haja vista que tal valor veio a fazer
parte do patrimônio da servidora.

75. Essa mesma conduta foi adotada por todos os


administradores do E. TJMT, anteriores ao Contestante. Não se
podendo olvidar, como já cotejado anteriormente, que o
Governo do Estado repassara durante a gestão do
Contestante, em verbas nominais, o montante de R$
17.950.702,31 (dezessete milhões, novecentos e
cinqüenta mil, setecentos e dois reais) a um grupo de
102 (cento e duas) pessoas, dentre magistrados e servidores
(Doc. 39). O que comprova que não fora somente esta
servidora que recebera tais verbas.

76. Cabe aqui lembrar que, no que concerne aos


pagamentos de verbas trabalhistas pendentes a servidores
realizados pelo Contestante, o espectro de abrangência de
beneficiários atingiu um universo muito mais amplo (cerca de
3600 servidores). Do que se deve destacar ainda, que só não
houve o atingimento de todos os servidores que possuíam
direitos pendentes em razão da “intervenção” do Des. Mariano
junto ao C. CNJ.

77. Agora, com relação às verbas nominais


advindas do Governo do Estado, o que se poderia esperar do
Presidente do Tribunal é que as destinasse, a cada um, o exato
valor que aportou sob tal rubrica.

78. Ninguém dentre os beneficiados, inclusive


dentre eles os próprios parentes do Autor (irmão, mãe,
irmã e madrasta) gostaria de ver o dinheiro a si destinado, e
conseguido com instâncias pessoais junto ao Executivo,
repassado a outra pessoa que não a si, detentor do direito.

79. Dos argumentos e provas elencados neste


tópico se conclui: (i) que a Requerida Déa Lessa foi servidora do
TJMT de agosto de 1977 a janeiro de 2009; (ii) que em sua
carreira como servidora ocupou o cargo mais elevado do
Judiciário Mato-grossense – Diretora Geral do TJMT, tendo
inclusive incorporado os vencimentos deste cargo; (iii) que os
servidores excepcionalissimamente perceberam os seus direitos
trabalhistas pretéritos enquanto os magistrados vinham sempre
recebendo-os o que fez aumentar o passivo em relação a
aqueles; (iv) que os recebimentos eram devidos à servidora,
portanto, legais; (v) que a maior parte dos passivos trabalhistas
foram pagos diretamente pelo Governo do Estado; (vi) o que
motivou o recebimento quase integral dos passivos trabalhistas
da Requerida Déa Lessa fora o fato de estar ser aposentando;
(vii) que esta servidora ainda possui créditos pendentes de
recebimento no valor de R$ 106.268,76 (cf. Doc. 43)

(iv). Dos Créditos Recebidos


pelos demais Servidores

80. Para tratar deste sub-tópico, tendo em vista o


que até o momento já se disse e para que se evitem repetições
enfadonhas, ora não se falará acerca da natureza jurídica de
cada uma das verbas recebidas pelos Requeridos de que ora se
trata. Contudo, faz-se expressa remissão ao que já fora dito à
exaustão em tópicos anteriores.

81. O Autor em sua inicial ainda menciona os


créditos pendentes percebidos pelos Requeridos Dirce Lobo,
Marco Parada, Márcia Coutinho, Renata Bueno e Fábio Lessa. Na
inicial, às fls. 11/13, aduz que cada um deles teria recebido,
respectivamente:
Servidor Valor
Alegado
Dirce Lobo R$
1.379.299,2
6
Marco R$
Parada 516.823,29
Márcia R$
Coutinho 451.341,82
Renata R$
Bueno 451.229,81
Fábio Lessa R$
127.813,65

82. Conforme já mencionado alhures, a primeira


critica que se apõe concerne ao fato de que os valores de
servidores quando tratados o são sempre brutos. Além de, in
casu, propositalmente incorretos (exceto dos Requeridos Marco
Parada e Fábio Lessa).

83. Para que se expurguem as inverdades, em


primeiro lugar, necessário que se apresentem os valores
corretos que cada um deles recebeu.
Servidor Valor Valor Bruto Valor Líquido Docume
Alegado Correto Correto nto
Dirce Lobo R$ R$ R$ 862.991,81 Doc. 47
1.379.299, 1.249.299,26
26
Marco R$ R$ 517.219,26 R$ 392.306,46 Doc. 48
Parada 516.823,29
Márcia R$ R$ 351.422,52 R$ 255.632,16 Doc. 49
Coutinho 451.341,82
Renata R$ R$ 400.696,34 R$ 316.214,30 Doc. 50
Bueno 451.229,81
Fábio Lessa R$ R$ 127.813,65 R$ 92.271,76 Doc. 51
127.813,65

84. Ao contrário de sites da internet, tais valores


são decorrentes de certidões oficiais do TJMT (Docs. 47/51).

85. Tomadas como premissas os valores líquidos (e


corretos) recebidos por cada servidor, faz-se necessário
consignar que todos eles são funcionários efetivos e quase todos
ocupantes de cargos de relevo dentro da carreira de servidor do
TJMT. Tendo isso em conta, ainda necessário que se diga que os
valores líquidos acima englobam, não só os passivos
trabalhistas (verbas extraordinárias não-correntes), mas
também verbas extraordinárias correntes.

86. Além de outras argumentações já expendidas


no sub-tópico anterior, ainda necessário que se teçam algumas
considerações sobre cada um dos servidores ora elencados.

87. Em relação à Requerida Dirce Lobo, servidora


pública do TJMT desde 12.04.1986 a mesma conta com quase
25 anos de serviço público, portanto, natural que tivesse direitos
pretéritos acumulados ao longo dos anos, mormente porque
nunca lhes foram pagos.

88. Volta-se a afirmar, o que deve ser levado em


conta não é o valor em si percebido por cada servidor, e sim, se
tinham esse direito ou não – ou seja, se foi pago de forma legal.

89. Nessa medida, merece menção a Certidão n.º


032/10/DIV/CRÉD/DPP (Doc. 52) que trata da situação
financeira da servidora Dirce Lobo junto ao TJMT, a qual, a
despeito de ter recebido o valor suso mencionado, ainda tem
direito ao recebimento de verbas pendentes no valor de R$
44.473,84 (quarenta e quatro mil, quatrocentos e setenta e três
reais e oitenta e quatro centavos).

90. Portanto, não há outra conclusão senão a de


que recebera o que tinha por direito (e ainda falta).

91. No que concerne ao Requerido Fábio Lessa,


qualificado como servidor do TJMT pelo Autor, o mesmo pediu a
sua exoneração e foi exonerado em 31.08.2009 (Doc. 53),
muito antes do ingresso da presente ação.

92. Nessa medida, tal como já explicitado, nos


casos de exoneração, aposentadoria (e até mesmo demissão) o
correto é que quitem as seus direitos trabalhistas – verbas
rescisórias. Portanto, como ele pediu exoneração, nada mais
natural do que ter as suas verbas pendentes quitadas.

93. Ainda oportuno que se diga que no PCA n.º


2009.10.00.000141-5, o Des. Mariano enviou através do Ofício
n.º 1.480/2009/PRES (Doc. 37), “para fins de direito” (sic),
cópias de demonstrativos de pagamentos relativos a diferenças
salariais integralizadas aos seguintes servidores:

 Déa Maria de Barros e Lessa


 Dirce Maria de Barros Viégas
Lobo
 Maristela Figueiredo Costa Ricci
 Euzeni Paiva de Paula Silva
 Márcia Regina Coutinho Barbosa
 Renata Guimarães Bueno Pereira
 Joíra Lúcia N. Rondon Dittrich
 Cátia Valéria Maciel de Arruda
 Sandra Maria Curvo B. Garcia
 Fábio Helene Lessa

94. Não tendo o C. CNJ vislumbrado qualquer


irregularidade nos valores recebidos pelos mesmos. Certo que,
se houvesse alguma “fumaça” de ilegalidade, certamente
aquele R. Órgão fiscalizador teria se pronunciado a respeito.

(v). Dos Créditos Recebidos pelo


Des. Lessa e sua legalidade

95. Aduz o Autor que o Des. Lessa teria recebido a


título de verbas extraordinárias a importância de R$
1.015.117,01 (fl. 12 da inicial), fundado em matéria jornalística
publicada no site Click MT Super Site Good (informação não-
oficial).

96. Contudo, a título de verbas


extraordinárias, o Contestante recebeu durante o
período de sua gestão como presidente do TJMT o valor
de R$ 259.747,48 (duzentos e cinqüenta e nove mil,
setecentos e quarenta e sete reais e quarenta e oito centavos).
Em conformidade com o relatório encaminhado através do Ofício
n.º 160/2010/DFPM da Coordenadoria de Magistrados, portanto
documento de cunho oficial (Doc. 38 – fl. 19).

97. O Departamento de Pagamento de


Magistrados, por sua vez, considerava extraordinárias para fins
contábeis todas as verbas que, à exceção do subsídio e 13º
salário, são pagas aos magistrados de forma ordinária dentro do
ano orçamentário financeiro. Muito embora o que devesse
considerar como extraordinários seriam apenas os
créditos que compõem o passivo pendente de cada
magistrado, as denominadas “verbas extraordinárias não-
correntes”. Portanto, muitas das verbas que eram classificadas
como extraordinárias, em verdade tem caráter ordinário.

98. Por verbas extraordinárias não-correntes


considera-se apenas aquelas relacionadas aos créditos
que não puderam ser liquidadas dentro do ano
orçamentário. Seria o chamado passivo propriamente dito.

99. Portanto, nem tudo que era contabilmente


chamado de verba extraordinária de fato o é na prática.

100. Exemplo disso é que o Contestante, como


Presidente do TJMT, percebia a verba de representação pelo
exercício da referida função, verba essa considerada
extraordinária pelo Departamento de Pagamento de
Magistrados, sem que, contudo, a percepção de tal verba
dependesse de sua vontade ou de qualquer ato seu.

101. Portanto, não há que se falar em


excepcionalidade de tal verba. Tal assertiva tem relevância na
medida em que, nas comparações que se fará adiante, excluir-
se-ão dos cálculos os recebimentos de verbas recebidas em
razão do exercício da presidência do TJMT ou em decorrência
das atividades a ela inerentes, como no caso das diárias
recebidas.

102. Tal se impõe visto que para a realização de


uma comparação quanto ao recebimento de verbas
extraordinárias, não podem ser computadas aquelas
decorrentes do exercício de função temporária de cargo de
administração, nem aqueloutras destinadas a indenizar os
deslocamentos dentro e fora do Estado, para o respectivo
desempenho das funções (diárias).

103. Trata-se de verbas, tomadas como


extraordinárias pelo Departamento de Pagamento de
Magistrados, que colocariam o Contestante, para efeitos de
comparação, em condições de desigualdade com os demais
magistrados do Estado, haja vista a especificidade de lhe terem
sido pagas com exclusividade pelo exercício de função
temporária.

104. Com muito acerto, a impropriedade da


classificação foi corrigida pela Coordenadoria de Magistrados
através do relatório elaborado por aquele setor e encaminhado
através do Ofício n.º 160/2010/DFPM (Doc. 38).
105. Os relatórios emitidos pelo Departamento de
Magistrados do TJMT atestam que no biênio 2007-2009, na qual
o Contestante fora o presidente do TJMT, pagou-se aos
magistrados do Estado no total o valor de R$ 94.282.308,60
(noventa e quatro milhões, duzentos e oitenta e dois mi,
trezentos e oito reais, e sessenta centavos), sendo que, desse
valor, foram pagos R$ 20.380.041,87 (vinte milhões, trezentos e
oitenta mil, quarenta e um reais, e oitenta e sete centavos) a
título de créditos extraordinários não-correntes (cf. Doc.
38).
Para melhor visualização dos valores recebidos pelos magistrados na gestão 2007/2009, anexa-se planilha
estatística em que são classificados os magistrados que mais receberam verbas extraordinár

106. mais receberam verbas extraordinárias não-


correntes, onde o Contestante aparece em 7º lugar, mesmo
sendo um dos magistrados mais antigos do Poder Judiciário de
Mato Grosso à época (Doc. 38 - Anexo A). Sendo que todos os
seis desembargadores que estão à sua frente, com exceção de
um deles, são mais modernos na magistratura que o
Contestante.

107. Aliás, se se levar em conta o tempo de serviço,


classificando-se as mesmas verbas extraordinárias não-
correntes e as relativizando em relação aos anos de carreira, o
Contestante passa a ocupar a 14ª posição (Doc. 38 – Anexo B).

108. Por outro lado, se tomarmos a média dos


quinze magistrados que mais receberam créditos
extraordinários não-correntes, verifica-se que média do que
receberam é de R$ 262.444,35, ou seja, o Contestante percebeu
abaixo do valor médio recebido por estes magistrados.

109. Tendo-se em conta o magistrado que mais


recebeu tais verbas, no total de R$ 430.446,34, este teria
percebido 165,71% do que recebera o Contestante. Ou seja,
aquele magistrado recebeu 65,71% a mais do que o Des. Lessa
recebeu.

110. Se, por fim, se tomar os sete magistrados que


mais receberam no período, a média de seus recebimentos é de
R$ 341.877,44, portanto, o valor recebido pelo Des. Lessa
corresponderia a apenas ¾ desse valor. Ora, se era o presidente
e quisesse se valer de tal condição para auferir vantagens
pessoais, era de se esperar que tivesse sido um tanto mais
ousado e ambicioso, como ocorrera outrora. O que faz cair por
terra qualquer alegação de privilégio.

111. Importante que se deixe registrado, que o C.


CNJ instaurou uma Sindicância Patrimonial (Sindicância n.º
2009.10.00.0003230-8 – Doc. 20), em decorrência de ações do
grupo intimamente ligado ao Autor, e a mesma não vislumbrou
qualquer indício de enriquecimento ilícito por parte do
Contestante, in verbis:
“O COAF/MF, por sua vez, consignando (...) não constarem no âmbito
daquele Conselho, registros de comunicações de que tratam a Lei nº 9.613/98, em
nome do Sindicado [Contestante], encaminhou sua Ficha Cadastral, a qual, s.m.j.,
não contempla informações que, por sua natureza, pudessem indicar irregularidade
mediante recursos não declarados ou dissimulados ou que revelassem patrimônio
incompatível com os rendimentos por ele [Contestante] auferidos. (...)
Determino o arquivamente deste autos.
Brasília, 15 de março de 2010
MINISTRO GILSON DIPP
Corregedor Nacional de Justiça”

112. Com efeito, não se verificou nenhum indício de


ilegalidade na vida financeira do Contestante, o que ensejou o
arquivamento de tal Sindicância.

113. Por fim, a despeito de toda a justificativa


apresentada anteriormente, o que se deve ter em conta não é o
valor recebido (seja pelo Contestante, seja por qualquer outro
magistrado), e sim, que receberam o que lhes era de direito. O
Autor, por sua vez, não logrou qualquer êxito (e não teria como)
em demonstrar qualquer ilegalidade nos referidos pagamentos.
Ao contrário, preferiu lançar na imprensa valores manipulados,
expondo não só os ora Requeridos, como toda a magistratura de
Mato Grosso.

114. E ainda, como o Autor tem o vezo de


“protocolar” suas manifestações antes na imprensa do que no
fórum, não é de se duvidar que documentos sigilosos ora
juntados venham a “vazar” por entre os dedos do mesmo, a
despeito de todo o sigilo requerido.

(vi). Da Lisura da Gestão do


Contestante no Pagamento de
Verbas Pendentes a
Servidores e Magistrados, da
Atuação Normatizadora do C.
Conselho Nacional de Justiça e
da Ausência de Critérios
Prévios

115. O C. CNJ se inferiu no âmago da administração


do TJMT nos últimos anos e disso resultou uma aprofundada
análise sobre as rotinas administrativas levadas a efeito neste
Sodalício. Dentre as conclusões obtidas pelo C. CNJ, boa parte
delas dizem respeito aos critérios a serem adotados quanto ao
pagamento de direitos (trabalhistas) de servidores e
magistrados.

116. Dentre as práticas adotadas, não ficaram


imunes a críticas os pagamentos de direitos pretéritos oriundos
de repasses nominais provenientes diretamente do Governo do
Estado. Tal praxe administrativa data de longo período no
Judiciário Mato-grossense, sendo, inclusive, abordada
expressamente pelo douto Conselheiro, Ministro Ives Gandra
Martins Filho, no histórico julgamento do CNJ, já tão citado.
Inclusive, não é demais destacar uma série de condutas que
aquele Órgão entendeu ser irregulares, e que, doravante
deveriam ser abolidas da administração do Tribunal de Justiça
de Mato Grosso.

117. De acordo com o voto do E. Conselheiro Ives


Gandra Martins Filho, proferido no PAD n.º 2009.10.00.001922-5
(Doc. 21), as seguintes praxes administrativas foram
encontradas no Judiciário Mato-grossense, quando da inspeção
efetivada pelo CNJ, as quais deveriam, a partir de então, ser
extirpadas:
“1) Ratificar levantamento de créditos pendentes sem a existência de
registros ou memórias de cálculos que possam dar sustentação aos valores
apresentados – constatou-se tal procedimento quando da ratificação operada pela
Presidência do TJ/MT no Despacho sem nº, datado de 28 de agosto de 2007, Anexo
I do Relatório de Inspeção;
2) Não aplicar o instituto da prescrição quando do pagamento de verbas
pendentes aos servidores e magistrados,conforme constatado no subitem 3.2 do
Relatório de Inspeção;
3) Ausência de especificações claras quanto à origem de verbas nas folhas
de pagamentos de passivos, tais como a verba apenas intitulada de “Diferença
Verba Indenizatória”;
4) Falta de padrão no relatório do TJ-MT para incidência da contribuição
previdenciária e de imposto de renda sobre as verbas que possuem, aparentemente,
o mesmo caráter remuneratório, podendo ser citadas como exemplo a verba
denominada de “Diferença de subsídio”, que sofreu incidência de ambos os
descontos, e as verbas “Diferença de adicional (anuênio)”, “Equivalência
salarial” e “Diferença 13º”, que sofreram apenas a incidência de imposto de
renda, e a verba “Diferença de Teto”, que ficou isenta de ambos os descontos;
5) Atualização de passivos anualmente, conforme data base estipulada pela
Presidência do Tribunal – dessa forma, a Coordenadoria de Magistrados vem
promovendo o pagamento incorreto e incompleto de passivos de magistrados, pois
ao não proceder à atualização monetária dos passivos até a data do seu efetivo
pagamento, vem pagando valores defasados e que ensejam posterior requerimento,
por parte dos magistrados prejudicados, de recálculo dos valores e, por
conseqüência, gera novo passivo para o Tribunal;
6) Falta de critério para pagamento de passivos de magistrados, conforme
ficou bem claro durante a apuração dos fatos relatados no presente processo,
prevalecendo o favorecimento aos integrantes da alta direção do Tribunal, bem
como do seu círculo de amizades;
7) Omissão de domicílio bancário do favorecido na folha específica
denominada “EXTRA ESPECIAL NUM_EXT”, pois não há motivo para omitir tal
informação no sistema que consolida as folhas de pagamento emitidas pelo
Tribunal;
8) Pagamento de folhas suplementares (crédito em conta dos beneficiários)
antes mesmo de deferido o pagamento nos autos – indício de falta de controle
administrativo;
9) Adoção de índice que mais favoreça a correção dos valores a serem
pagos aos magistrados em detrimento do índice que melhor reflete a desvalorização
da moeda, como é o caso do INPC, seguindo reiterados julgados no Superior
Tribunal de Justiça;
10) Inexistência de comprovante de pagamento (contracheque) referente a
pagamento de folhas suplementares e extraordinárias de créditos pendentes a
magistrados e servidores.
11) Postulação e pagamento de vencimentos e atrasados de magistrados
sob a jurisdição do Tribunal diretamente pela Secretaria de Fazenda do Estado
aos magistrados postulantes. Esta última irregularidade já foi objeto de
manifestação por parte da Corregedoria Nacional de Justiça, tendo o TJ-MT
respondido que já enviou ofício à Secretaria de Fazenda para que não houvesse
mais esse tipo de repasse, com a cópia sendo juntada aos autos da Inspeção
nº200910000008963 (DOC34). Algumas das práticas constatadas, tais como a falta
de critério para pagamento dos passivos sempre com a decisão direta do Presidente
de quem seria beneficiado, a adoção do índice oficial de atualização monetária
mais vantajoso para a correção dos valores, pagamentos realizados com os
repasses nominais da Secretaria de Fazenda com posterior ajuste do orçamento (ou
seja, sem os trâmites de praxe para a obtenção de créditos suplementares) e a
efetivação de pagamentos autorizados mediante simples despachos do Presidente
(sem a formalização de procedimento administrativo) foram confirmadas também
quando do depoimento do Sr. Maurício Sogno Pereira, realizado em 28/10/2009
(vídeo disponível nos autos).Quanto às demais práticas,
DETERMINA-SE à Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Mato
Grosso que:
a) defina objetivamente os critérios para pagamento de parcelas atrasadas
aos magistrados;
b) emita contracheque com definição das parcelas que estão sendo quitadas
quando do pagamento de atrasados aos magistrados;
c) não realize qualquer tipo de pagamento de crédito pendente ou
suplementar sem a devida instrução processual, contemplando as devidas memórias
de cálculos, fundamentação legal para o pagamento e demais informações
necessárias;
d) aplique a prescrição aos pleitos de pagamento de passivos a magistrados
e servidores do Tribunal;
e) proceda à correta designação das folhas de pagamento de passivos, com
indicativo das verbas que estão sendo pagas, com vistas à transparência do
procedimento e aos exames de auditoria e controle;
f) observe a incidência de imposto de renda e de contribuição previdenciária
sobre as verbas que possuem caráter remuneratório;
g) efetue, no caso de pagamento de passivos, o pagamento atualizado
monetariamente até a data do efetivo crédito, com vistas a eliminar a criação de
novos passivos a serem pagos posteriormente;
h) não proceda à emissão de folhas de pagamentos extraordinários ou de
qualquer outra natureza sem a correta identificação do domicílio bancário do
favorecido;
i) proceda ao crédito na conta de magistrado ou servidor apenas após o
formal deferimento da despesa na instrução dos respectivos autos;
j) adote o índice adequado para a atualização monetária dos valores a
serem pagos a título de passivos, em consonância com os julgados do Superior
Tribunal de Justiça sobre a matéria.”
Brasília, 23 de fevereiro de 2010
Ministro IVES GANDRA
Conselheiro-Relator

118. Cabe aqui uma conclusão: o advento do


Conselho Nacional de Justiça veio a auxiliar os administradores
do Judiciário brasileiro.

119. Muitas condutas, até mesmo desprovidas de


qualquer eiva de má-fé, estão sendo reajustadas segundo as
orientações daquele órgão consultivo e orientador. Dentre elas
foi extirpada a possibilidade de, quem quer que seja, magistrado
ou servidor, receber repasses nominais diretamente do Governo
do Estado.

120. No entanto, enquanto a praxe era comum e


não existia determinação em sentido contrário (qualquer
proibição), a única alternativa ao ordenador de despesas, como
dito, era repassar o dinheiro ao titular que o conseguira na
Fazenda. Doravante, não mais haverá essa possibilidade (ao
menos para o Poder Judiciário, vez que a prática permanece
para outras instituições do Estado).

121. Contudo, nem mesmo o Conselho Nacional de


Justiça possuía regramento acerca do tema. Tanto é verdade
que somente no Julgamento da 99ª Sessão Ordinária, de 23 e
24.02. 2010, publicado no DJ-e n.º 46/2010, de 11.03.2010,
pp.02-05, o E. Ministro Gilmar Ferreira Mendes destacou a
necessidade de estudo sobre a forma de cálculo, índices e
critérios referentes aos pagamentos de servidores e
magistrados, por terem gerado inúmeros processos naquele C.
Conselho, conforme se verá em jurisprudência à frente juntada.

122. Na oportunidade, aquele E. Ministro propôs a


reflexão e o encaminhamento da matéria à Comissão de
Eficiência Operacional e Gestão Estratégica para edição de
resolução.

123. Por outras palavras, até que adviesse a


atuação orientadora e normatizadora do C. CNJ, não havia
qualquer critério para pagamento de verbas pretéritas. A seu
turno, o Contestante, como já dito anteriormente, adotou um
critério próprio, já que outro não havia.

124. Tal critério, dentro de uma programação


minuciosa, visava atingir todos os servidores e magistrados do
Poder Judiciário que possuíssem direitos trabalhistas pendentes.
No que se refere aos direitos relativos aos magistrados, foi
possível atingir uma gama de 353 beneficiados (Doc. 38).

125. No que toca aos servidores, como já


mencionado, tal critério somente não atingiu o seu êxito
integral, em razão da determinação do C. CNJ, por provocação
do Des. Mariano, que suspendeu o pagamento de aludidos
direitos (Doc. 34).

126. Portanto, os critérios utilizados pelo Des. Lessa


para pagamento dos direitos dos servidores e magistrados,
quando exercia a presidência do Tribunal de Justiça, foram os
melhores, já que outros não havia. Ele ao menos seguiu algum
critério.

127. Pelo que se provou até o momento, as


determinações advindas do C. CNJ, que são verdadeiras
orientações administrativas, já estavam muitas delas sendo
implementadas na Gestão do Contestante, ainda que de forma
incipiente.
128. E ações nesse sentido continuaram a ser
adotadas no Judiciário, após a sua iniciativa, conforme decisão
proferida pelo Egrégio Tribunal Pleno, que em data de
15.04.2010, após o término da gestão do Contestante, se editou
a Resolução n.º 001/2010/TP, que veio a disciplinar os critérios
de pagamento do passivo composto pelas verbas relativas a
pessoal e respectivos encargos sociais, no âmbito da
Administração do TJMT. Citada Resolução foi publicada no Diário
da Justiça Eletrônico edição n. 8314, de 19.04.2010. (Doc. 54)

129. O advento dessa novel Resolução prova e


comprova que antes dela o Poder Judiciário do Estado de Mato
Grosso não tinha critério algum para pagamento de passivo de
pessoal, quer de magistrados, quer de servidores.

130. De se destacar, por isso mesmo, que as


determinações feitas pelo C. CNJ não têm o condão de anular
todos os anos de administração do Judiciário Mato-grossense
anteriores ao fatídico dia 23.02.2010, data em que foram
estabelecidas.

131. Ao contrário, esse passou a ser o prazo inicial


de readequação do Poder Judiciário Mato-grossense, o qual está
adstrito a elas, devendo moldar seus procedimentos
administrativos.

132. Esse papel do C. CNJ foi muito bem destacado


pelo próprio Ministro Ives Gandra, quando expôs que:
“Em sua opinião, revelou-se uma nova feição do CNJ de ser menos "órgão
repressor" dos desvios da magistratura e mais ‘órgão coordenador’ do Judiciário.”
(http://www.cnj.jus.br/undefined/)

133. De se lembrar, ainda, que no dia do histórico


julgamento que aposentou os magistrados mato-grossenses, o
eminente Ministro Gilmar Ferreira Mendes, também mato-
grossense, expôs sua opinião no sentido da necessidade de
regulamentação para o pagamento de parcelas atrasadas a
magistrados e servidores.

134. E tal sugestão foi ampla e rapidamente


acatada, como se infere da Resolução aprovada no Plenário do
TJMT.
135. Essa postura do C. CNJ veio em boa hora,
tendo em vista que o próprio Conselho já, por algumas
oportunidades, foi acionado para solucionar questões em que
pagamentos foram feitos calcados no Juízo de oportunidade e
conveniência de seus Ordenadores de Despesas. Nesse sentido
traz-se à colação o seguinte julgado, em que fora Relatora a
eminente Conselheira Andréa Pachá, quando julgou o assunto
“Irregularidades Praticadas na Distribuição dos Valores
Referentes à Liberação do Crédito Suplementar”.
“PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS. DISTRIBUIÇÃO DE VALORES REFERENTES À
LIBERAÇÃO DE CRÉDITO SUPLEMENTAR AUTORIZADO POR LEI.
RESPEITO À AUTONOMIA DOS TRIBUNAIS. PEDIDO JULGADO
IMPROCEDENTE.
A distribuição dos valores oriundos de recursos provenientes de crédito
suplementar autorizado por lei decorre da autonomia administrativa e financeira
garantida aos Tribunais pela CF/88, sendo indevida a ingerência pelo Conselho
Nacional de Justiça sobre os seus atos de administração e autogoverno quando os
mesmos não se revelem contrários à legislação vigente. Não conhecido.
RELATÓRIO
Trata-se de Pedido de Providências em que o requerente pretende a
redistribuição dos valores oriundos dos recursos provenientes do crédito
suplementar autorizado pela Lei Estadual n. 17.448/04 e respectivo Decreto
regulamentador, a serem pagos pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais aos seus
servidores e magistrados.
(...)
Aduz violação aos princípios da moralidade, da impessoalidade, da
isonomia, da razoabilidade e da proporcionalidade, principalmente pelo fato do
crédito suplementar ser proveniente, em sua quase totalidade, do saldo financeiro
do ano de 2007 de “Recursos Diretamente Arrecadados”.
Requer, ao final, a expedição de ofício ao Presidente do Tribunal de Justiça
de Minas Gerais para que efetue nova distribuição dos valores que aqui se discute e
preste informações sobre a diferença indicada na inicial e sobre o critério utilizado
na distribuição dos valores.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais prestou informações nas quais
explica que, de fato, a Lei Estadual autorizou e o Decreto efetuou a abertura do
crédito suplementar “no valor de R$ 196.438.099,00 (cento e noventa e seis
milhões quatrocentos e trinta e oito mil e noventa e nove reais), dos quais R$
156.050.000,00 (cento e cinqüenta e seis milhões e cinqüenta mil reais) se
destinavam ao atendimento de despesas com pessoal e encargos sociais”, que
foram integralmente aplicados para esse fim.
Explica que o valor de R$ 130.000.000,00 (cento e trinta milhões de reais)
divulgados em nota foi utilizado para pagamento de pessoal e a importância
restante - R$ 26.050.000,00 (vinte e seis milhões e cinqüenta mil reais) –
“utilizados para a quitação de obrigações patronais e como reserva para fins de
eventual quitação de valores devidos sobre o mesmo título, não pagos naquela
oportunidade”.
Assinala, ainda, que a informação trazida pelo requerente sobre o impacto
da remuneração dos servidores e magistrados na folha de pagamentos do Tribunal
não é condizente com a realidade. Informa que esse percentual alcança,
respectivamente, 69% e 31%. Ressalta que esse fato não merece maior
consideração, posto que inexiste norma que imponha a sua “observância para fins
de distribuição de créditos adicionais no âmbito do orçamento do Tribunal”.
Invoca a autonomia administrativa dos Tribunais, que envolve os recursos
humanos, planejamento, orçamento, finanças e patrimônio, bem como a
discricionariedade dos atos administrativos, como se dá no presente caso, passíveis
de controle apenas quando eivados de ilegalidade. Por fim, informa que os
respectivos pagamentos foram realizados no dia 15 de maio de 2008.
É o relatório. Passo a votar.
Não vejo como deferir o presente pedido, visto que a distribuição dos
valores oriundos de recursos provenientes de crédito suplementar autorizado por
Lei decorre da autonomia administrativa e financeira dos Tribunais, prevista nos
artigos 96 e 99 da CF/88, sendo indevida a ingerência do Conselho Nacional de
Justiça sobre os seus atos de administração e autogoverno, quando os mesmos
não se revelem ilegais e/ou ilegítimos.
No presente caso, assim como defendido pelo Tribunal de Justiça de Minas
Gerais em suas informações, inexiste norma que imponha percentual para a
distribuição de créditos adicionais no âmbito do orçamento do Tribunal.
Dessa forma, em não havendo ilegalidade praticada pelo Tribunal
requerido, não há que se falar em atuação do CNJ. Assim explica Alexandre de
Moraes:
‘A constitucionalização dos princípios e preceitos básicos
da administração pública auxiliou na evolução do conceito de
discricionariedade administrativa, visando a limitação do arbítrio
estatal, sem contudo permitir excessiva ingerência do Poder
Público nos assuntos administrativos. Portanto, é vedado ao
Judiciário interferir na esfera da Administração para valorar os
critérios adotados por ela (...), mas somente verificar e julgar a
constitucionalidade, legalidade e infringência dos processos
seletivos (...)’ (g.n).
Dessa forma, a verificação e controle dos atos praticados pelos Tribunais
apenas deve ser realizado quando se detecta a prática de atos ilegais e/ou
irregulares. Nesse sentido, cito decisões deste Conselho:
‘O CNJ, órgão instituído pela Emenda Constitucional nº
45/2004, apresenta duas funções primordiais, gravadas na primeira
parte do parágrafo 4º do artigo 103-B da Carta Magna de 1988,
quais sejam: (1) o controle da atuação administrativa e financeira
do Poder Judiciário; e (2) o controle do cumprimento dos deveres
funcionais dos juízes.
Parece-me óbvio que o controle da atuação administrativa
somente deve ser exercido nos casos em que houve desvio de
finalidade e abuso de poder por parte dos tribunais
hierarquicamente subordinados’.
(CNJ – PP 73 – Rel. Cons. Germana Moraes) (g.n).
‘Procedimento de Controle Administrativo. Servidor
público. Pretensão de permanecer na comarca que não é a de
origem ou de lotação. – ‘O CNJ não é instância recursal, nem deve
ser acionado para interesses particulares, sem qualquer
repercussão geral, ou para obtenção de benefícios de natureza
estipendiária ou funcional de um único servidor. Exceto as
hipóteses de atos irregulares, abusivos ou que revelem improbidade
administrativa, o Conselho não pode ser utilizado como sucedâneo
do juízo, com o propósito de atalhar para buscar um resultado mais
célere, sem se submeter às agruras dos recursos que as ações
judiciais propiciam’
(CNJ – PCA 529 – Rel. Cons. Rui Stoco – 47ª Sessão – j.
11.09.2007 – DJU 27.09.2007). (grifo)
‘Como se vê da decisão recorrida, a documentação acostada
demonstrou claramente inexistir qualquer irregularidade na ordem
de pagamentos aos servidores do Tribunal de Justiça do Estado de
São Paulo.
Portanto, não compete a este Conselho Nacional de Justiça,
inexistindo desvio administrativo a ser corrigido, tomar providências
visando o pagamento do débito reconhecido, inclusive, pelo próprio
Tribunal.
Por fim, nas razões recursais apresentadas não foram
apontadas quaisquer outras irregularidades que propiciassem a
modificação da decisão anterior.’
(PCA n. 200710000004286).
Ademais, como já assinalado em decisões proferidas em procedimentos de
minha relatoria, não cabe ao Conselho Nacional de Justiça o controle de atos que
objetivem o atendimento restrito e patrimonial de um grupo de servidores, que não
tenha qualquer repercussão para o Judiciário e/ou para a sociedade.
Quanto à diferença entre o valor previsto em lei e o divulgado na intranet
pelo Tribunal, informou o TJMG que, de fato, a Lei Estadual autorizou e o Decreto
efetuou a abertura de crédito em favor do órgão no valor indicado pelo requerente,
mas que, entretanto, a quantia divulgada em nota foi utilizada para o pagamento de
pessoal e a diferença restante, não divulgada, ‘utilizada para a quitação de
obrigações patronais e como reserva para fins de eventual quitação de valores
devidos sobre o mesmo título, não pagos naquela oportunidade’.
Dessa forma, inexiste indício de ilegalidade praticada pelo Tribunal de
Justiça de Minas Gerais no tocante ao valor, visto que foi integralmente aplicado
ao fim destinado pela lei.
Por todo o exposto, VOTO pelo não conhecimento do presente Pedido de
Providências, determinando o seu arquivamento após as comunicações de praxe.
Brasília, 09 de setembro de 2008. Conselheira ANDRÉA MACIEL PACHÁ –
Relatora”
(Fonte: PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS Nº
200810000010564 – Requerente: Sindicato dos
Servidores da Justiça do Estado de Minas Gerais –
Serjusmig. Requerido: Presidente do Tribunal de Justiça
do Estado de Minas Gerais)

136. No mesmo sentido os seguintes julgados,


também do C. CNJ, que trataram de distribuição de créditos:
“Procedimento de Controle Administrativo. Pagamento de parcelas
vencidas da URV a magistrados em atividade, inativos e pensionistas com critérios
desproporcionais. Ato do Presidente do Tribunal de Justiça. Alegação de violação
ao princípio da isonomia. Pedido parcialmente procedente para determinar ao
Tribunal de Justiça do Estado do Piauí que eventuais futuros pagamentos
referentes a diferença de Conversão da URV sejam feitos de maneira uniforme a
todos os Desembargadores e Juízes, ativos e inativos, e pensionistas, com a devida
observância da disponibilidade orçamentária. – “Alegar que magistrados em
atividade têm ‘mais solicitação de despesas’ do que os demais não só viola o
princípio da isonomia, como também desperta, perante o egrégio Tribunal de
Justiça do Estado um tratamento seletivo ou mesmo discriminatório entre os
Magistrados”
(CNJ – PCA 146 – Rel. Cons. Vantuil Abdala –
j.15.05.2007 – DJU 24.05.2007)
“Parcelas vencidas devidas a magistrados em atividade, inativos e
pensionistas - INFOJURIS – INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA DO CNJ –
1005 - Pedido de Esclarecimentos. Procedimento de Controle Administrativo.
Tribunal de Justiça do Piauí. Pagamento de parcelas vencidas da URV a
Magistrados em atividade, inativos e pensionistas com critérios desproporcionais.
Pedido Acolhido em Parte. – “Decisão embargada em que este Conselho,
reconhecendo a afronta ao princípio da isonomia, determinou que eventuais
futuros pagamentos referentes a diferença de conversão da URV por parte do
Tribunal de Justiça do Estado do Piau sejam feitos de maneira uniforme a todos os
Desembargadores e Juízes, ativos e inativos, e pensionistas. Pedido de
esclarecimentos que se acolhe apenas para explicitar que os pagamentos realizados
no futuro deverão ocorrer de forma desigual, de modo a assegurar que aqueles
que foram preteridos no passado possam receber, em percentuais, o equivalente
àquilo que foi pago aos Magistrados em atividade”
(CNJ – PCA 146 – Rel. Cons. Gelson de Azevedo – j.
14.08.2007 – DJU 05.09.2007).
“Pagamento das diferenças em percentuais distintos - Procedimento de
Controle Administrativo. Tribunal de Justiça do Piauí. Pagamento de parcelas
vencidas de conversão de URVs. Juiz aposentado. Alegação de doença grave.
Matéria decidida no PCA 146. – “No PCA 146, o CNJ considerou ilegal o
pagamento das diferenças de URVs em percentuais distintos para desembargadores
em atividade, Juízes em atividade, magistrados inativos e pensionistas. Em razão
disso, determinou-se ‘que em eventuais futuros pagamentos referentes a diferenças
de conversão da URV por parte deste egrégio Tribunal de Justiça sejam feitos de
maneira uniforme a todos os desembargadores e juízes, ativos e inativos, e
pensionistas, com a devida observância da disponibilidade orçamentária’. Embora
se reconheça a gravidade da situação narrada, quanto ao precário estado de saúde
do requerente, não há fundamento legal que autorize solução diversa da que
adotada no PCA 146”
(CNJ – PCA 635 – Rel.Cons. José Adonis Callou de Araújo
– j. 28.08.2007 – DJU 14.09.2007).”

137. Por todo o exposto, acredita-se estar


satisfatoriamente demonstrado que o Contestante buscou
adotar critérios de distribuição das verbas para pagamentos de
créditos pendentes, que só não continuaram sendo efetivados
por instâncias do Des. Mariano, que sequer Presidente era
ainda, e que, mesmo após ter tomado posse e ter sido vencido
no Julgamento do PCA n.º 2009.10.00.000141-5 (numeração
única 0000141-34.2009.2.00.0000), permaneceu irredutível em
pagar os créditos dos servidores, a despeito de haver caixa
no Tribunal para tanto, como pode se averiguar na decisão
do próprio Relator do referido PCA (Doc. 35), eminente
Conselheiro Leomar Barros Amorim de Souza, que determinou:
“3) que em razão das informações prestadas pela área financeira do TJ/MT
sejam os saldos orçamentário e financeiro inscritos em restos a pagar, na
conformidade dos Códigos 3190-11 (vencimentos e vantagens fixas), 3190-92
(despesas de exercícios anteriores), 3190-01 (inativos), 3190-03 (pensionistas),
3190-13 (obrigações patronais), das fontes 100 e 115;”

138. A comprovar que havia saldo positivo para


pagamento dos direitos advindos do julgamento do PCA n.º
2009.10.00.000141-5, o Contestante encaminhou a todos os
membros do E. Tribunal o Ofício S/N–GAB, datado de
17.11.2009, em que demonstrou que havia uma sobra
orçamentária no valor de R$ 19.188.831,30 (dezenove
milhões, cento e oitenta e oito mil, oitocentos e trinta e
um reais e trinta centavos), e na oportunidade acrescentou
que “esse saldo estará disponível tranqüilamente para
pagamento de quaisquer créditos” (Doc. 55)

139. Aludido documento foi extremamente


esclarecedor dessa e de outras questões, como por exemplo, a
preocupação do Des. Lessa em deixar fundo de caixa suficiente
para o próximo gestor continuar executando os pagamentos de
créditos pendentes aos servidores e magistrados.

140. Demonstrou-se ainda o acordo firmado entre o


Contestante na qualidade de Presidente do E. TJMT e o Governo
do Estado, que levou a um aporte aos cofres do Tribunal de
mais de 70 milhões além do quantum previsto na Lei
Orçamentária! (documento n.º 14 anexado ao ofício acima
citado – Doc. 55).

141. Essa foi uma demonstração inequívoca que o


Contestante estava agindo com lisura, assim, resta claro que
não houve privilégios de pagamentos a apenas um pequeno
grupo da “família” dos Réus “Lessa” e “Perri”. O que houve
foram pagamentos devidos, legais e com disponibilidade
financeira; reduzindo-se, assim, a dívida do Tribunal para com
diversos de seus credores.