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Efeitos do envelhecimento sobre

o encéfalo
Tales Alexandre Aversi-Ferreira*
Humberto Gabriel Rodrigues**
Luice Rezende Paiva***

Resumo

O aumento da proporção de idosos


tem se configurado como um fenôme- modificações morfofisiológicas, como a
no global. O envelhecimento é um pro- diminuição de neurônios corticais e do
cesso irreversível, que ocorre durante volume do núcleo dos neurônios, o que
toda a vida, do nascimento à morte, e provoca patologias, como a perda de
é acompanhado do declínio das funções memória, o mal de Alzheimer e outras
biológicas da maior parte dos órgãos, demências.
como a redução do fluxo renal, do dé-
bito cardíaco, da tolerância à glicose, Palavras-chave: Envelhecimento cere-
da capacidade vital dos pulmões, da bral. Neocórtex. Demências. Envelhe-
massa corpórea e da imunidade celular, cimento. Doença de Alzheimer.
além do declínio em algumas habilida-
des intelectuais, associativas e motoras.
O processo de envelhecimento é extre-
mamente complexo e multifatorial e o
estudo das bases moleculares desse fe-
nômeno tem gerado um grande número
de teorias, destacando-se as teorias esto-
cásticas, baseadas no acúmulo aleatório *
Doutor em Genética e Bioquímica pela Universi-
de moléculas com alterações estruturais dade Federal de Uberlândia. Professor Adjunto do
ou funcionais, e as teorias não estocás- Instituto de Ciências Biológicas da Universidade
ticas, relacionadas com mecanismos Federal de Goiás.
**
Mestrando em Genética e Bioquímica pela Univer-
programados no genoma de cada orga- sidade Federal de Uberlândia. Especialização em
nismo. Este trabalho busca contextua- Genética e Bioquímica pela Faculdades Integradas
lizar o envelhecimento cerebral através Pitágoras de Montes Claros.
do córtex, já que é a principal estrutura ***
Graduado em Ciências Biológicas pela Universida-
do sistema neural no que se refere às de Estadual de Goiás.
funções sensoriais, motoras e associa-
tivas. Com o envelhecimento ocorrem Recebido em dez. 2007 e avaliado em abr. 2008

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Introdução fatores biológicos, mas também de fatores
psicológicos, como laços afetivos satisfató-
Segundo Tavares et al. (2007), o rios, tolerância ao estresse, espontaneida-
aumento da proporção de idosos tem se de e otimismo (GAVIÃO, 2000). Segundo
configurado como um fenômeno global. Pereira et al. (2004), o envelhecer depende
Na população brasileira, o segmento significativamente do estilo de vida e não
etário que mais cresce é o do idoso. De é uniforme, pois o organismo envelhece
acordo com o Instituto de Geografia e como um todo, ao passo que seus órgãos,
Estatística (2002), entre 1991 e 2000 o tecidos, células e estruturas subcelulares
número de habitantes com sessenta anos apresentam desgaste diferenciado com o
e mais aumentou 2,5 vezes (35%) em passar da idade.
comparação com o restante da população De acordo com o trabalho de Silva
do país (14%). Atualmente, 15 milhões (2007), o processo de envelhecimento é
de pessoas têm mais de sessenta anos; extremamente complexo e multifatorial
o Brasil é considerado o sexto país no e, pela sua natureza multidisciplinar, o
mundo com o maior número de idosos, em estudo das bases moleculares desse fenô-
torno de 32 milhões, e em 2025 serão dois meno tem gerado um grande número de
bilhões de pessoas com mais de sessenta teorias e uma vasta literatura, destacando-
anos em todo o mundo, de acordo com a se as teorias “estocásticas”, baseadas no
Organização Mundial de Saúde. acúmulo aleatório de moléculas com
Existe uma preocupação voltada para alterações estruturais e/ou funcionais, e
o envelhecimento saudável (ganho de ida- as teorias “não estocásticas”, relacionadas
de) em detrimento do envelhecimento as- com mecanismos programados no genoma
sociado a estados patológicos (senilidade). de cada organismo (LUKIW, 2007; LEE et
É, então, razoável pensar em aspectos pre- al., 2006). Dentre as teorias estocásticas se
ventivos em relação ao envelhecimento, incluem a dos radicais livres (RL), lesão
que é um processo crônico-degenerativo mitocondrial, alteração do colágeno, lesão
tempo-dependente de natureza estocástica de membrana, mutação genética e “erro
e com alguns determinantes genéticos, catastrófico” na síntese de proteínas, e
pelo qual cada vez mais pessoas estarão as teorias neuroendócrina e imunológica
fadadas a passar (ARKING, 1998). (LETIEMBRE et al., 2007). Com relação
Para Ponte (1996), o envelhecimento às teorias não estocásticas podemos men-
é um processo irreversível, que ocorre cionar a teoria da senescência programada,
durante toda a vida, do nascimento à proposta por Hayflic (1968), que se baseia
morte, e é acompanhado pelo declínio na deterioração do programa genético que
das funções biológicas da maior parte dos regula o desenvolvimento celular.
órgãos, como a redução do fluxo renal, do O envelhecimento dos tecidos é resul-
débito cardíaco, da tolerância à glicose, da tado das mudanças das células renováveis
capacidade vital dos pulmões, da massa para não renováveis, com uma diminuição
corpórea e da imunidade celular (VITO- marcada da capacidade de regeneração
RELLI; PESSINI; SILVA, 2005). A velhice celular (MCARDLE; KATCH; KATCH,
saudável, no entanto, não depende só de 1998). O envelhecimento fisiológico

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compreende uma série de alterações nas O sistema neural é a estrutura mais
funções orgânicas e mentais devidas ex- complexa conhecida pelo homem e, apesar
clusivamente aos efeitos da idade avan- dos avanços científicos, muitas questões
çada sobre o organismo, levando a que o ainda restam sem respostas e muitas
organismo perca a capacidade de manter perguntas devem ser efetuadas, princi-
o equilíbrio homeostático e que todas as palmente quanto ao seu envelhecimento
funções fisiológicas gradualmente come- e implicações (AVERSI-FERREIRA et
cem a declinar (STRAUB et al., 2001). al., 2004).
Caramelli e Barbosa (2002) citam como O tecido neural é composto basica-
conseqüência das alterações celulares nos mente de dois tipos celulares, que são os
tecidos a diminuição do peso e volume neurônios e as células gliais ou da neuro-
dos órgãos, em virtude da substituição glia, sendo o neurônio a unidade funcio-
das células mortas por tecido cicatricial, nal fundamental, com a função básica de
atrofia desigual e desarmônica, diminui- receber, processar e enviar informações
ção da vascularização capilar dos tecidos; (MACHADO, 2000). O sistema nervoso
diminuição da água total existente no central funciona como mecanismo prin-
organismo à custa de água intracelular cipal nas decodificações do processo de
e, por último, aumento da quantidade de envelhecimento, que promove uma série
gordura corporal. de alterações anatômicas e químicas no
Com o aumento da média de vida da encéfalo e medula. Algumas alterações
população, é mais comum o aparecimento anatômicas e químicas têm sido estudadas
de doenças associadas ao envelhecimento, profundamente e com utilização de equipa-
tal como a doença de Alzheimer (DA) mentos mais precisos (TRELLES, 1986).
(SMITH, 1999). É comum a noção equi- O córtex é a principal estrutura do
vocada de que todas as pessoas de idade sistema neural no que se refere às fun-
avançada tornam-se senis, e muitas vezes ções sensoriais, motoras e associativas
o estado de confusão é atribuído ao “en- (SUPER; SORIANO; UYLINGS, 1998).
velhecimento” quando a causa pode ser Desde o começo do século XX, numero-
alguma outra doença. Embora ocorram sas questões sobre a origem, evolução e
alterações no sistema neural, não se pode função do córtex têm sido esclarecidas,
assumir que a senilidade é uma conseqü- mas muitas ainda não podem ser res-
ência normal do processo de envelheci- pondidas (BROCCOLI, 1999). No córtex
mento (AVERSI-FERREIRA et al., 2004). cerebral podem ser distinguidas diversas
A DA é a maior causa de demência no áreas, com limites e funções relativamente
idoso e está associada diretamente ao en- definidos. A diferença entre elas reside
velhecimento (DIAMANDIS et al., 2000) na espessura e composição das camadas
e à deficiência da atividade do sistema celulares e na quantidade de fibras ner-
neural, principalmente das atividades vosas que chegam ou partem de cada uma
cerebrais, significando que uma desordem (AVERSI-FERREIRA et al., 2004).
neuronal progressiva está acontecendo O envelhecimento normal do cérebro
(BOTTINO et al., 2002). pode ser acompanhado de alterações men-

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tais superponíveis às de uma demência precocemente nas regiões temporais me-
incipiente, levando aos problemas de diag- diais e parietais e espalham-se por todo
nóstico diferencial, especialmente com a o neocórtex. De acordo com Ericsson,
doença de Alzheimer. Embora se tenham Poston e Foreyt (1993), certa lentidão de
estabelecido em consenso, para a DA, percepção, memória e raciocínio parece
critérios neuropsicológicos, patológicos e ser uma conseqüência normal do enve-
de neuroimagem para diferenciação entre lhecimento, porém há evidências de que
o normal e o patológico, o diagnóstico exercícios físicos e mentais contínuos e
dos problemas cognitivos leves de cada moderados são úteis à manutenção das
indivíduo idoso continua representando capacidades cognitivas. Tem-se a neces-
um desafio (DAMASCENO, 1999). sidade de discernir com precisão entre os
Para Westerbreg et al. (2002), as doen- efeitos diferenciais da senescência e da
ças crônico-degenerativas, como a doença senilidade, para que o envelhecimento não
de Parkinson, e as alterações cognitivas, seja diagnosticado e tratado como doença
como ocorre na doença de Alzheimer, ou que as patologias deixem de receber o
também passaram a ser mais incidentes na devido tratamento (PAPALÉO; PONTES,
velhice. A doença de Parkinson é reconhe- 1996; PASCHOAL, 1996a).
cida como um dos distúrbios neurológicos Como o aumento de idosos gera
mais comuns nos idosos, que acomete demandas sociais relativas a esta faixa
principalmente o sistema motor e cuja etária, justifica-se o estudo como uma
causa ainda é desconhecida, notando-se forma de compreender alguns dos fatores
que ocorre uma diminuição de dopamina intervenientes no complexo processo de
produzida na substância negra. Na doen- envelhecimento e suas conseqüências no
ça de Alzheimer os fusos neurofibrilares cérebro.
são considerados fundamentais para seu Neste trabalho realiza-se uma revisão
desenvolvimento e para sua gravidade bibliográfica sobre as principais altera-
(ALMEIDA, 1997), além da presença do ções morfológicas e fisiológicas advindas
alelo E-4 do gene 19 da apolipoproteína do envelhecimento, no que se refere às
E representar também um fator de risco estruturas cerebrais, principalmente
para seu desenvolvimento (DAMASCE- do neocórtex, que é caracterizado pelas
NO, 1999). funções sensoriais, motoras e associativas
Segundo Mangone e Sanguinetti mais avançadas. Demências de difícil etio-
(1997), com o avançar da idade acelera- logia podem ter sua origem em processos
se o processo de atrofia cerebral, com normais do envelhecimento; assim, se essa
dilatação de sulcos e ventrículos, perda de hipótese se tornar teoria, muitas explica-
neurônios, presença de placas neuríticas ções das causas de demências podem ter
e emaranhados neurofibrilares, depósitos sua origem ainda em tenra idade, portanto
de proteína ß-amilóide e degeneração pode ser evitada sua instalação e/ou retar-
granulovacuolar, os quais aparecem dado seu tempo de início.

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O envelhecimento demográfico “senescência” e “senilidade”, conceitos
que devem ser diferenciados. Caracteriza-
Dados do Instituto Brasileiro de Geo- se o envelhecimento como senescência, o
grafia e Estatística de 2002 mostram que que resulta de uma interação complexa de
entre 1991 e 2000 o número de habitantes fatores genéticos, metabólicos, hormonais,
com sessenta anos e mais de idade aumen- imunológicos e estruturais, agindo sobre
tou 2,5 vezes (35%) se comparado com níveis moleculares, celulares, histológicos
o restante da população do país (14%). e orgânicos; é caracterizado pelos efeitos
De acordo com publicações das Nações biológicos ou anatomofisiológicos do en-
Unidas, (2001), o Brasil é considerado o velhecimento, quando ocorre a diminui-
sexto país do mundo com maior número ção da capacidade de reparação biológica.
de idosos (Tab. 1). Por sua vez, senilidade é um processo que
se refere às alterações produzidas pelas
Tabela 1 - Número absoluto de pessoas (em milhões)
afecções, incluindo debilidade ou deterio-
acima de sessenta anos de idade em países
com população total perto ou acima de cem
ração do corpo e/ou da mente (KAPLAN;
milhões (em 2002) SADOCK, 1990; ARKING, 1998; PAPA-
LÉO NETTO, 2002).
Países 2002 2025 O processo de envelhecimento popu-
China 134,2 287,5
lacional ocorrido nas sociedades ociden-
tais modernas gerou um problema social,
Índia 81,0 168,5
Estados Unidos da América 46,9 86,1
pois o acometimento de doenças crônicas
Federação Russa 26,2 35,0
e as incapacidades funcionais nos idosos
Indonésia 17,1 33,4 têm sido mais difíceis de prevenir do que
Brasil 14,1 32,7 evitar as mortes (OMS, 1998). Ademais,
Paquistão 8,6 18,3 o cuidado da população idosa representa
México 7,3 17,7 um desafio para o sistema de saúde, uma
Bangladesh 7,2 17,6 vez que há maior ocorrência de doenças
Nigéria 5,7 11,4 crônicas e incapacitantes nesta faixa etária
Fonte: Nações Unidas, (2001). em comparação às outras (LIMA-COSTA;
BARRETO; GIATTI, 2003; CALDAS,
Segundo a OMS (1999), o idoso é o 2003).
indivíduo que ultrapassa os 65 anos de
idade. No Brasil, como a expectativa de Teorias sobre o envelhecimento
vida é mais baixa que em outros países
mais desenvolvidos, determinou-se que Para Mota, Figueiredo e Duarte,
seria considerada idosa a pessoa com (2004), as diversas teorias sobre o enve-
sessenta anos ou mais. lhecimento podem ser operacionalmente
divididas em duas categorias gerais: teo-
Senescência e senilidade rias estocásticas e teorias genéticas.
As teorias estocásticas sugerem que a
O envelhecimento pode resultar em perda de funcionalidade que acompanha
dois processos diferentes, denominados o fenômeno do envelhecimento é causa-

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da pela acumulação aleatória de lesões, de espécies diferentes e entre indivíduos
associadas à ação ambiental, em molé- da mesma espécie.
culas vitais, o que provoca um declínio O pressuposto de que a acumulação
fisiológico progressivo (CRISTOFALO; de proteínas modificadas pode levar à
GERHARD; PIGNOLO, 1994). Várias incapacidade funcional da célula normal
teorias estão incluídas neste grupo, entre foi defendido pela teoria da quebra de
as quais se destacam a das mutações somá- ligações (CRISTOFALO; GERHARD;
ticas, a do erro-catástrofe, a da reparação PIGNOLO, 1994). Esta teoria teve origem
do DNA, a da quebra de ligações, a da na constatação de que um aumento da
glicosilação avançada e a teoria do estresse quebra de ligações em macromoléculas,
oxidativo. como o DNA, o colágeno e a elastina,
A teoria das mutações somáticas, uma com a idade está associado ao declínio
das primeiras tentativas de compreensão dos processos fisiológicos. A quebra de
do fenômeno de envelhecimento no nível ligações das proteínas pela glicosilação
molecular, surgiu da constatação de que pode ser uma das causas do fenômeno de
doses de radiações subletais são freqüen- envelhecimento celular (LEE; CERAMI,
temente acompanhadas por uma diminui- 1990).
ção do tempo de vida (CURTIS, 1963). As reações de glicosilação na modifi-
Proposta por Orgel (1963), a teoria cação de proteínas são, atualmente, con-
do erro-catástrofe do envelhecimento sideradas um dos principais mecanismos
celular postula que os erros na síntese responsáveis pelo fenômeno de envelhe-
de uma proteína podem ser utilizados cimento celular. A teoria da glicosilação
na síntese de outras proteínas, levando a sugere que a modificação de proteínas
uma diminuição progressiva da fidelidade pela glicose e a associação de reações de
e à eventual acumulação de proporções Maillard levam à formação de ligações
de proteínas aberrantes, potencialmente cruzadas graduais no colágeno que são
letais (MOTA; FIGUEIREDO; DUARTE, características nos indivíduos idosos (CE-
2004). Esses erros assumem significado es- RAMI, 1985; MORRISON et al., 1994).
pecial quando afetam proteínas envolvidas Postula que as ligações cruzadas formadas
na síntese de DNA, resultando na perda no colágeno, causadas pelo elevado nível
de fidelidade do DNA replicado; con- de glicemia e de glicose tecidual, condu-
seqüentemente, aumentam as mutações zem à deterioração estrutural e funcional
somáticas e originam-se, eventualmente, dos tecidos (HAYOZ et al., 1998).
patologias e disfunção celular (MARTIN; A teoria do estresse oxidativo, ou
HOEHN; NORWOOD, 1980). teoria dos radicais livres (metabólitos re-
Hart e Setlow (1963) desenvolveram ativos do oxigênio – MROS), é, dentre as
a teoria da reparação do DNA, a qual, de teorias sobre o envelhecimento, uma das
acordo com estes autores, concebe que é mais conhecidas, sendo considerada por
a velocidade de reparação do DNA que muitos pesquisadores a explicação mais
determina o tempo de vida de indivíduos convincente para várias das alterações
degenerativas associadas ao envelheci-

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mento (NOHL, 1993; FUKAGAWA, 1999; genes responsáveis pelo desenvolvimento
KRAUSE, 2007). O envolvimento dos de doenças associadas à idade, mas não
metabólitos reativos de oxigênio no fenô- genes específicos do processo de envelhe-
meno de envelhecimento e na doença foi cimento, como acontece em organismos
proposto pela primeira vez por Harman mais simples, como em nematóides e em
em 1966 (HARMAN, 1966, apud MOTA; leveduras (MOTA; FIGUEIREDO; DU-
FIGUEIREDO; DUARTE, 2004), o qual ARTE, 2004).
considera o envelhecimento como o resul- A existência de um tempo de vida
tado da acumulação de lesões moleculares finito nas células eucarióticas normais e
provocadas pelas reações dos RL nos a capacidade das células cancerosas em
componentes celulares ao longo da vida, o superá-lo podem depender dos telôme-
que conduz à perda de funcionalidade e a ros, de acordo com a teoria dos telômeros
doenças com o aumento da idade, levando (MARX, 1994). O envelhecimento associa-
à morte (HARMAN, 1991). se a uma desaceleração da multiplicação
As teorias genéticas salientam a celular e à menor reposição das células
determinante participação dos genes no que morrem. As estruturas relacionadas
processo de envelhecimento sem negar a a essa reposição, permitindo a integri-
importância das influências ambientais dade dos cromossomos durante a divisão
na longevidade (MOTA; FIGUEIREDO; celular, são os telômeros, e a enzima que
DUARTE, 2004). Entre as teorias gené-
adiciona uma repetição de DNA nestes
ticas ou não estocásticas estão incluídas
e, desse modo, restaura a capacidade de
a teoria do envelhecimento celular, ou
multiplicação celular, retardando o en-
senescência programada, a teoria dos
velhecimento dos tecidos, é a telomerase
telômeros, a teoria da mutagênese intrín-
(BLACKBURN, 1997). Com o passar do
seca, a teoria neuroendócrina e a teoria
tempo a função da telomerase declina e
imunológica.
os telômeros se encurtam; assim, após
A teoria da senescência programada,
centenas de divisões celulares, as pontas
proposta por Hayflic (HAYFLIC, 1968
dos cromossomos ficarão danificadas,
apud SILVA, 2007), baseia-se na deterio-
podendo os genes situados próximos aos
ração do programa genético que regula o
telômeros ser deletados, e o encurtamento
desenvolvimento celular. A existência de
dos telômeros ocorre porque a maior parte
um único gene responsável pelo envelhe-
das células somáticas normais não sinte-
cimento em humanos parece pouco prová-
tiza telomerase (KURENOVA; MASON,
vel, apesar de já terem sido identificados
1997; BLACKBURN, 1997). Marx (1994)
alguns genes relacionados com doenças es-
afirma que, no entanto, a síntese de telo-
pecíficas de idades avançadas. Certos ale-
merase é ativada nas células cancerosas, o
los específicos do gene da apolipoproteína
que poderá contribuir para a capacidade
E estão associados a um aumento do risco
destas de se dividirem continuamente.
de desenvolvimento tardio da doença de
A teoria da mutagênese intrínseca,
Alzheimer (CURTSINGER et al., 1995).
proposta por Burnet em 1974, considera
Em humanos normais, a investigação dos
que a longevidade das diferentes espécies
gerontogenes tem permitido identificar

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animais difere em virtude de uma cons- Paschoal (1996b) afirma não ser
tituição genética específica, que regula possível ter uma única definição de en-
a fidelidade do seu material genético e velhecimento que tenha utilidade em
sua replicação. De acordo com esta teo- diferentes contextos, pois esse conceito
ria, a longevidade do animal depende guarda relação com o campo de pesquisa
do menor número de erros na replicação e o objeto de interesse. Portanto, o enve-
do seu DNA celular e da capacidade das lhecimento pode ser compreendido por
respectivas enzimas reparadoras do DNA processos biológicos, sociais, intelectuais,
(CRISTOFALO; GERHARD; PIGNOLO, econômicos, funcionais e cronológicos Por
1994; MARTIN; HOEHN; NORWOOD, sua vez, Madureira et al. (2005) registram
1980). que o envelhecimento é um processo fi-
Uma das teorias genéticas do envelhe- siológico que não está, necessariamente,
cimento mais relevantes é a teoria neuro- ligado à idade cronológica.
endócrina (FINCH, 1994), que constitui
uma hipótese alternativa para explicar a Alterações morfofisiológicas
degeneração funcional associada à idade.
De acordo com esta teoria, o nível de en- derivadas do envelhecimento
velhecimento é resultado do declínio de Para Hoeman (2000), viver mais
diversos hormônios do eixo hipotálamo- tempo aumenta a probabilidade em
hipofisário-adrenal, que controla o siste- 80% de se contrair uma ou mais doenças
ma reprodutor, o metabolismo e outros crônicas, bem como limitações físicas in-
aspectos do funcionamento normal de um capacitantes. Acrescenta que em muitos
organismo (CRISTOFALO; GERHARD; casos é difícil distinguir quando se trata
PIGNOLO, 1994; FINCH, 1994; LEVIN, de alterações decorrentes do processo
2001; MILLER, 1994a; SONNTAG et al., de envelhecimento ou de manifestações
1999). patológicas. Segundo Argimon e Montes
Segundo Mota, Figueiredo e Duarte, (2004), com o envelhecimento há uma
(2004) a teoria imunológica, criada por tendência à ocorrência natural de patolo-
Walford (1969), aborda as alterações nas gias e alterações relacionadas com a idade,
respostas imunológicas associadas à idade. gerando aumento na vulnerabilidade às
Estudos com humanos e roedores idosos doenças, entre as quais as demências têm
evidenciam declínios em vários aspectos posição de destaque.
da proteção imunológica, incluindo a Existe de fato uma relação estreita
formação de auto-anticorpos com elevada entre incapacidades e idosos, mas, para
afinidade, diminuição da resposta das cé- Zimmerman (2000), as três condições
lulas T aos antígenos e menor resistência mais freqüentes dessas incapacidades em
a infecções e a doenças (CRISTOFALO; pessoas com mais de 65 anos são artropa-
GERHARD; PIGNOLO, 1994; ERNST tias, hipertensão arterial sistêmica e car-
et al., 1990; MILLER, 1994b; MILLER, diopatias, numa relação de prevalência de
1994c). 47,2%, 41,4% e 30,4%, respectivamente.

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Silva (2007) afirma que durante o pro- dia, principalmente do córtex cerebral,
cesso de envelhecimento ocorrem diversas podendo ocorrer uma deterioração mental
alterações macro e microscópicas no encé- significativa. Straub et al. (2001) referem
falo, as quais incluem o peso e o volume que o envelhecimento do cérebro provoca
do órgão; o aspecto dos giros e sulcos; o a diminuição do seu volume, com perda de
volume dos ventrículos; o tamanho e o neurônios e outras substâncias; e as fibras
número dos neurônios, além da extensão neurais perdem mielina, reduzindo, as-
da ramificação dendrítica; o número de sim, a velocidade de condução do estímulo
espículas e de sinapses; o acúmulo de neural, além de declinar a habilidade de
pigmento de lipofuscina nos neurônios gerar neurônios na zona ventricular e
e células gliais e o aparecimento de mo- subventricular; há diminuição dendrítica,
dificações microscópicas características, da massa e do número de células nervosas,
como as placas senis, os enovelamentos ou causando destruição das vias associativas
emaranhados neurofibrilares, a degenera- (BIZON; GALLAGHER, 2005).
ção granulovacuolar, os corpos de Hirano Richard (1991) observou, utilizando
e a angiopatia amilóide cerebral, também análise histológica, que durante o processo
citados por outros autores (MARTIN, de envelhecimento podem estar ocorren-
2006; TOESCU; VERKHRATSKY, 2007; do diversas alterações, das quais as mais
SCAHILL et al., 2003). Algumas dessas importantes são a diminuição de célu-
alterações estão relacionadas com a perda las, alterações dendríticas, placas senis,
de memória e com problemas auditivos e degeneração neurofibrilar, degeneração
oculares (KELLY, et al., 2005; REUTER- granulovascular e acúmulo de lipofuscina.
LORENZ; LUSTIG, 2005). Okuma (1998) ressalta que ocorre também
De acordo com Almeida (1998), o pro- uma diminuição progressiva e de forma
cesso de envelhecimento é acompanhado acelerada do consumo de oxigênio e de
de declínio intelectual, embora apenas em glicose, diminuindo, assim, as condições
alguns casos essa deterioração prossiga cognitivas do indivíduo, decorrentes dos
no sentido de evolução para a demência. diversos circuitos cerebrais semelhantes
Existem várias evidências de que o de- ao processo que ocorre na doença de
sempenho intelectual do idoso apresenta Alzheimer.
discreta deterioração em tarefas que exi- Segundo Ganança e Caovilla (1998),
gem maior velocidade e flexibilidade no as mudanças ocorridas durante o proces-
processamento de informações; também so de envelhecimento comprometem a
pode haver algum comprometimento em habilidade do sistema neural central no
relação a fases anteriores da vida, parti- processamento dos sinais vestibulares, vi-
cularmente na memória processual e na suais e proprioceptivos responsáveis pela
lembrança livre. manutenção do equilíbrio corporal, com
Para Kaplan e Sadock (1990), com diminuição da capacidade de modifica-
o envelhecimento ocorrem diminuição ção dos reflexos adaptativos. Além disso,
de peso cerebral e perda de aproxima- sintomas de tontura e desequilíbrio fazem
damente cinqüenta mil neurônios por parte dessas alterações sensoriais, que
também podem acometer outras idades,

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porém aparecem com maior freqüência qualquer idade, porém devem-se distin-
após os 65 anos. guir os casos circunstanciais em decor-
Diversos fatores podem ocasionar rência de estresse dos quadros realmente
a neurodegeneração de diferentes pro- patológicos. O autor aponta como as
cessos, culminando numa via comum principais causas de amnésias o estresse,
de cascata de sinalização que resulta na a depressão e até demências mais graves,
morte celular (SILVA, 2007). Pfefferbaum, como a doença de Alzheimer. Indica
Adalsteinsson e Sullivan (2006) citam que também que estágios mais avançados do
vários fatores externos, como o consumo mal de Parkinson, a dependência crônica
crônico de etanol, podem ser responsáveis e grave de álcool, cocaína e outras drogas,
por danos celulares relacionados com o lesões vasculares, traumatismo craniano
envelhecimento. Por outro lado, Krazem repetido e a exposição a metais pesados
et al. (2003) mostraram em seu trabalho por longo período também podem levar
que animais idosos que consumiram a quadros de esquecimento.
etanol cronicamente obtiveram melhoras Os fatores psicológicos, que incluem
em déficits cognitivos associados ao en- a inteligência e capacidade cognitiva,
velhecimento, ao passo que para animais como a capacidade de resolver problemas
adultos avaliados em tarefas de aprendi- e de se adaptar a mudanças e perdas, são
zado e memória os efeitos desse consumo indícios fortes de envelhecimento ativo e
foram prejudiciais. longevidade (SMITH, 1999).
Alterações celulares e fisiológicas que
acompanham o processo de envelheci- Patologias associadas ao
mento parecem ter efeitos pronunciados
sobre doenças neurodegenerativas (SIL- envelhecimento cerebral
VA, 2007). Para Troulinaki, Tavernarakis A doença de Alzheimer é a maior cau-
(2005), as alterações celulares provocadas sa de demência no idoso e está associada
por fatores ambientais e ou genéticos, as diretamente com do envelhecimento (AL-
quais acontecem ao longo do envelheci- MEIDA; CROCCO, 2000) e à deficiência
mento, aceleram a progressão de processos da atividade do sistema neural, sobretudo
neurodegenerativos, com disfunções cog- das atividades cerebrais, significando que
nitivas, associadas ou não com sintomas uma desordem neuronal progressiva está
de demência. Para Gray (1996) a razão acontecendo (BOTTINO et al., 2002). Esta
principal de os idosos ficarem doentes doença neurodegenerativa progressiva
com mais freqüência do que os jovens é causa perda de memória e altera funções
que, em razão da vida mais longa, foram intelectuais superiores. Geralmente, o pa-
expostos por mais tempo a fatores exter- ciente evolui para morte em torno de oito
nos, comportamentais e ambientais que a dez anos do início do quadro (ROCCA
causam doenças do que os indivíduos et al., 1991). Segundo Mangone e San-
mais novos. guinetti (1997), as bases bioquímicas da
Para Soares (2006), apesar de causar doença de Alzheimer são degeneração de
transtornos, o esquecimento é normal em neurônios colinérgicos, principalmente

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no núcleo basal de Meynert; desregulação cerebral, e aumentam com a idade, sendo
das aminas biogênicas centrais e glutama- sua quantidade diferencial entre o normal
térgicas; microangiopatia amilóide; perda e o patológico. De acordo com o autor, há
sináptica; formação de placas senis, cons- também perda de neurônios do núcleo
tituídas por proteína ß-amilóide, princi- basal de Meynert, no cérebro, de onde se
palmente nas áreas límbicas e no córtex projetam para todo o córtex neurônios que
de associação, e degeneração fibrilar com usam a acetilcolina como neurotransmis-
alteração de proteínas neuronais. sor; por conseqüência, diminui a atividade
Para Mangone e Sanguinetti (1997), colinérgica.
com o avançar da idade acelera-se o pro- Fatores genéticos, como mutações
cesso de atrofia cerebral, com dilatação nos genes da “proteína precursora de
de sulcos e ventrículos, perda de neu- amilóide”, “presenilina 1” e “presenilina
rônios, presença de placas neuríticas e 2” e presença do alelo E-4 do gene 19 da
emaranhados neurofibrilares, depósitos apolipoproteína E, parecem desempenhar
de proteína ß-amilóide e degeneração papel fundamental nas formas familiares
granulovacuolar, os quais aparecem pre- da doença de Alzheimer com início pré-
cocemente nas regiões temporais mediais senil, podendo também funcionar como
e espalham-se por todo o neocórtex. Na fatores de risco em alguns casos de início
doença de Alzheimer, já em suas fases tardio que englobam anormalidades da
iniciais, essas alterações são mais acentua- butirilcolinesterase-K e mutações no cro-
das, particularmente a maior densidade mossomo 12 (LEHMANN; JOHNSTON;
de emaranhados neurofibrilares no córtex SMITH, 1997). Para Paixão et al. (1998),
parietal e entorrinal, subiculum e região embora considerem a hipótese mais
CA1 do hipocampo, em correlação com os consistente, a deficiência de acetilcolina
distúrbios precoces e proeminentes da me- não é a única alteração neuroquímica
mória factual (“secundária”) observados nesta doen ça. Citam ainda que foram
nesta doença (DAMASCENO, 1999). verificadas alterações em aminoácidos
Na doença de Alzheimer ocorrem excitatórios, que, em animais, estão en-
volvidos no processo de aprendizado. Por
alterações especialmente nos córtices asso-
isso, acreditam que esses déficits podem
ciativo frontal, temporoparietal e occipital
ser importantes no tratamento da doença
e no hipocampo, o que explica distúrbios
de Alzheimer.
de fala, coordenação, cognição e memória.
Muitas das características histológicas
Paixão et al. (1998) relatam que exames
das doenças de Alzheimer e de Parkin-
anatomopatológicos mostram placas se-
son são também encontradas, em menor
nis, degeneração neurofibrilar e angiopa-
proporção, no envelhecimento “normal”,
tia amilóide ao lado do desaparecimento
e o perfil das alterações de sistemas neu-
dos grandes neurônios piramidais. As pla-
rotransmissores nestas doenças parece
cas senis são compostas de um núcleo de representar uma exacerbação daquele
material amorfo, rodeado por neurônios encontrado no envelhecimento (TROU-
em degeneração e por astrócitos, as células LINAKI; TAVERNARAKIS, 2005).
responsáveis pela “cicatrização” do tecido

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Menezes e Teive (2003) relatam que o duzida, ocorrendo também alterações dos
mal de Parkinson foi descoberto em 1817 neurotransmissores. A falta de dopamina,
por James Parkinson, que a definiu como neurotransmissor que age nos núcleos da
uma “doença crônica progressiva do sis- base, acarreta o surgimento da doença
tema neural começando na meia idade”. de Parkinson (WESTERBREG et al.,
É uma paralisia agitante que acomete, 2002). Umphred (1994) comenta que a
sobretudo, o sistema motor, com maior manifestação inicial é o tremor de repouso
prevalência nos idosos do gênero mas- unilateral que afeta sobretudo as mãos; é
culino, acima dos cinqüenta anos. grosseiro e lento e costuma desaparecer
Para Castagno (1993), o desequilíbrio, durante o movimento e o sono. Ainda
alteração de marcha e anormalidades refere que o início das manifestações
posturais são freqüentes na doença de dá-se quando há perda de dopamina e
Parkinson. Reichert, Doolittle e McDo- considera a doença de Parkinson como
well, (1982) referem que essas queixas uma aceleração anormal do processo de
acometem de 0,5 a 1% dos indivíduos envelhecimento.
acima de cinqüenta anos, havendo, na Teive (2002) afirma que a deficiência
maioria dos casos, hipofunção vestibular de dopamina provoca uma perda da ação
bilateral. dopaminérgica dos gânglios da base, que
O sistema vestibular pode influenciar são estruturas localizadas na profundida-
os movimentos, a sensação somatossen- de do cérebro envolvidas na modulação
sorial, a digestão, o equilíbrio e o estado dos movimentos, particularmente no
mental. A atividade vestibular modifica corpo estriado, caracterizando a disfunção
as condições bioelétricas neuronais do nigro-estriatal e determinando o apareci-
cerebelo, que, por sua vez, influenciam os mento dos principais sinais e sintomas da
neurônios motores e os interneurônios do doença de Parkinson.
tronco encefálico e espinhais, bem como A respeito da perturbação das regiões
os neurônios do colículo superior e do cór- dos núcleos da base, substância negra e
tex cerebral (GANANÇA et al., 2000). corpo estriado, Jones e Godwin-Austen
Reichert, Doolittle e Mcdowell (1982) (1982) referem que essas massas nucleares
associaram a ausência ou diminuição centrais de substância cinzenta contêm
das respostas vestibulares em pacientes praticamente toda a dopamina do cérebro
com doença de Parkinson a sintomas de humano, sendo uma das aminas que trans-
instabilidade postural e ao agravamento mitem impulsos de um neurônio para
de outros sintomas nesse tipo de resposta outro por meio da sinapse. Logo, a sua
vestibular. Os autores argumentam com a falta resulta na degeneração de neurônios
referência de que em seus estudos pacien- na doença de Parkinson e nas síndromes
tes com instabilidade postural e quedas degenerativas do parkinsonismo (como a
freqüentes tiveram ausência de respostas doença de Alzheimer), ou, ainda, em le-
calóricas nos testes realizados. sões focais depois da encefalite letárgica.
Com o envelhecimento, a velocidade De acordo com Hernandes e Olmes
de condução dos impulsos nervosos é re- (2000), alterações decorrentes do enve-

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lhecimento podem ser amenizadas e di- As diversas hipóteses sobre o enve-
minuídas com a prática de uma atividade lhecimento são baseadas em processos
física regular e bem orientada, que auxilia gerais que podem estar associados a vários
nas degenerações e transformações do or- aspectos, como processos biológicos, so-
ganismo. Para o autor, um fator de suma ciais, intelectuais, econômicos, funcionais
importância é a nutrição, porque torna e cronológicos. Assim, não há como esta-
possível melhorar as condições de vida, belecer uma única hipótese para definir
facilitando e tornando o envelhecimento as causas do envelhecimento, mas, sim,
menos drástico para o indivíduo. aceitar a correlação entre elas, para que
Outros autores acreditam que a restri- se possa compreender melhor o processo
ção alimentar parece proteger o sistema de ganho de idade. Esses aspectos condu-
nervoso central dos efeitos relacionados zem à aceitação de que o envelhecimento
ao envelhecimento (ECKLES-SMITH et associado com patologias é um fenômeno
al., 2000; MATTSON; DUAN; GUO, 2003; de saúde pública.
PROLLA; MATTSON, 2001). A restri-
ção alimentar parece diminuir o estado Effects of aging on encephalon
oxidativo e danos em lipídios, proteínas
e, especialmente, no DNA mitocondrial, Abstract
podendo também diminuir mutações no The increase of the proportion of
DNA e, portanto, apresentar um efeito elderly has configured a global aspect.
benéfico durante o envelhecimento (BAR- Aging is an irreversible process that
JA, 2004a; BARJA, 2004b; GREDILLA; occurs all life long, from birth to death,
BARJA, 2005). and it is followed by a decline of bio-
logical functions of most organs, as the
reduction of kidney´s flow, the cardiac
Conclusões debit, the tolerance to the glucose, the
O maior desafio no século XXI será vital capacity of the lungs, the corporal
mass and the cellular immunity and
cuidar de uma população de mais de 32
is also followed of the decline in some
milhões de idosos, a maioria com níveis intellectuals, associative and motor abi-
socioeconômico e educacional baixos e lities. The aging process is extremely
uma alta prevalência de doenças crônicas complex and multifactorial, and for its
e incapacitantes. O sistema de saúde terá multidiscipline nature, the study of the
de enfrentar uma crescente demanda por molecular bases of this phenomenon
procedimentos diagnósticos e terapêuticos has generated a great number of the-
ories, being distinguished the random
das doenças crônicas não transmissíveis,
theories, based in the random accumu-
principalmente das cardiovasculares e lation of molecules with structural or
neurodegenerativas, e uma demanda functional alterations, and the related
ainda maior por serviços de reabilitação not-random theories with mechanisms
física e mental. programmed in the genoma of each or-
ganism. This work searches to contex-
tualize the cerebral aging through the
cortex, since it is the main structure

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of the neural system as for the senso- BARJA, G. Aging in vertebrates, and the ef-
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