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Formação do

solo
Solo
De acordo com a pedologia (pedon = solo + logia =
estudo), [...] solo é a coleção de corpos naturais
dinâmicos, que contém matéria viva e é resultante da
ação do clima e da biosfera sobre a rocha, cuja
transformação em solo se realiza durante certo tempo
e é influenciada pelo tipo de relevo (LEPSCH, 2002).
Fatores de formação do solo
Assim, a formação do solo é resultado da ação combinada de
5 fatores fundamentais:
- Material de origem (rochas);
- Clima;
- Relevo;
- Organismos;
- Tempo (geológico);
Material de origem (rochas)
 A intemperização das rochas depende da natureza dos
minerais constituintes, de sua textura e estrutura.

 Por exemplo, uma rocha rica em minerais silicáticos, como


o granito, é mais resistente à alteração do que uma rocha
carbonática, como o mármore.

 Em termos de textura, o solo resultante terá características


texturais semelhantes às da rocha matriz. Assim, rochas
areníticas produzirão solos arenosos; rochas argilosas
produzirão solos argilosos, e assim por diante.
 Como consequência dessa diferenciação de comportamento
dos minerais frente ao intemperismo, os perfis de alteração (ou
perfis de solo) serão naturalmente ricos em minerais mais
resistentes, como o quartzo, e pobres ou mesmo desprovidos
dos minerais menos resistentes, como a olivina e a calcita.

 A textura da rocha original influencia o intemperismo (químico)


na medida em que permite maior ou menor infiltração da água.

 Entre os materiais sedimentares, os arenosos tendem a ser


mais permeáveis do que os argilosos, considerando o tipo de
porosidade que apresentam.

 Considerando outros tipos de rocha, aquelas mais compactas


e com texturas mais grossas alteram-se mais lentamente do
que as menos compactas e de texturas mais finas.
Material de origem
Clima
 O clima é o fator que, isoladamente, mais influencia no
intemperismo. Mais do que qualquer outro fator, determina o
tipo e a velocidade do intemperismo numa dada região.
 Os dois elementos climáticos mais importantes, temperatura e
precipitação, regulam a natureza e a velocidade das reações
químicas.
 Quanto maior a disponibilidade de água (pluviosidade total) e
mais frequente for a sua renovação (distribuição das chuvas),
mais completas serão as reações químicas do intemperismo.
 A temperatura desempenha um papel duplo, condicionando a
ação da água: ao mesmo tempo em que acelera as reações
químicas, aumenta a evaporação, diminuindo a quantidade de
água disponível para a lixiviação dos minerais solúveis.
 A cada 10ºC de aumento de temperatura, a velocidade das
reações químicas aumenta de duas a três vezes.

 Sabe-se também que é a água e o gás carbônico nela


dissolvido, os responsáveis pela maior parte das reações
químicas.

 Portanto, quanto mais quente e úmido for o clima, mais


rápida e intensa será a decomposição das rochas, as quais,
nessas condições, irão originar solos espessos, ricos em
minerais secundários (principalmente argilominerais e oxi-
hidróxidos de ferro e de alumínio) e pobres em cátions
básicos trocáveis (principalmente cálcio, magnésio, sódio e
potássio).
 Por outro lado, em clima árido e/ou muito frio, os solos são
normalmente pouco espessos, contêm menos argilominerais
e mais minerais primários, que pouco ou nada foram
afetados pelo intemperismo químico, como o quartzo e a
muscovita.

 Sob condições de clima quente e muito úmido, a grande


quantidade de chuva faz com que maiores volumes de água
se infiltrem, arrastando para o lençol freático e cursos d’água
muitos nutrientes do solo, processo esse conhecido como
lixiviação.
Relevo
 A topografia regula a velocidade de escoamento das águas
pluviais (o que também depende da cobertura vegetal e do uso
da terra) e, portanto, controla a quantidade de água que se
infiltra nos perfis de alteração (ou perfis de solo).

 Assim, as reações químicas do intemperismo ocorrem mais


intensamente nos locais onde o relevo favorece a infiltração de
água, percolação por tempo suficiente para a ocorrência das
reações e drenagem para lixiviação dos minerais solúveis. A
infiltração, por sua vez, é favorecida em superfícies mais
aplainadas, com declividade (inclinação) reduzida.

 Com a repetição desse processo, o perfil se aprofunda, resultando


em solos bem desenvolvidos (profundos), como os Latossolos e
Argissolos (Setor A).
 Já em áreas de relevo declivoso (inclinado), há pouca
infiltração da água, haja visto que predomina o escoamento.
Assim, o desenvolvimento do perfil de solo pode ser
desfavorecido porque as águas escoam rapidamente, não
ficando em contato com os materiais tempo suficiente para
promover as reações químicas.

 Além disso, o material desagregado é facilmente carregado


pela erosão promovida pelo escoamento. Tem-se, deste
modo, a ocorrência de solos jovens e rasos, como os
Neossolos Litólicos (Setor C).
 Por outro lado, nas baixadas, as águas ficam muito tempo
em contato com as rochas e tornam-se concentradas em
componentes solúveis, perdendo sua capacidade de
continuar promovendo as reações de ataques aos
minerais, fazendo com o perfil de solo não se aprofunde
muito (Setor B).
O relevo e a distribuição das águas pluviais
O relevo e as diferentes classes de solo

Setor C

Setor B Setor A
Organismos
 Os vegetais colaboram na formação do solo, por exemplo,
através da penetração das raízes em fissuras das rochas,
onde a pressão exercida pelo crescimento contribui para a
fragmentação do material, caracterizando o intemperismo
físico-biológico.

 Os ácidos orgânicos produzidos pelos microrganismos são


capazes de extrair até mil vezes mais Fe e Al dos minerais
silicáticos que as águas da chuva.

 Superfícies rochosas colonizadas por líquens, que secretam


ácidos, são atacadas pelo intemperismo químico (neste caso,
químico-biológico) muito mais rapidamente do que as
superfícies rochosas nuas (sem cobertura vegetal),
diretamente expostas aos outros agentes do intemperismo.
Os líquens, musgos e outros vegetais inferiores recobrem a rocha recém-exposta,
auxiliando em sua intemperização, o que permite o aprofundamento do perfil de
solo, dando condições para a fixação de vegetais maiores.
 Os animais que se abrigam no solo estão constantemente
triturando os restos orgânicos, cavando galerias e túneis e
misturando materiais das diversas camadas (horizontes) do
solo.

 Estas cavidades (galerias e túneis) contribuem para a


infiltração da água e do ar no solo.

 Entre os que podem promover grande movimentação dos


materiais do solo, estão as formigas, os cupins e os
anelídeos (principalmente minhocas).

 Além desse revolvimento, suas carcaças e excrementos, da


mesma forma que a matéria vegetal, contribuem para a
formação do húmus*.

* É a matéria orgânica depositada no solo, resultante da decomposição de animais e plantas mortas.


Tempo
 O tempo necessário para intemperizar uma determinada rocha
depende dos outros fatores que controlam o intemperismo,
principalmente da suscetibilidade dos minerais constituintes da
rocha matriz e do clima.

 Em condições de intemperismo pouco intenso, é necessário um


tempo maior de exposição às intempéries (temperatura e
precipitação, principalmente) para haver o desenvolvimento de
um perfil de solo.

 Valores da ordem de 20 a 50 m por milhão de anos podem ser


considerados representativos para a velocidade de
aprofundamento do perfil de solo, sendo que o extremo superior
deste intervalo refere-se a climas mais agressivos.
 Quando a rocha fica exposta na superfície, ela se intemperiza
para se equilibrar com as novas condições dos organismos
vivos e dos elementos do clima. Em seguida, os organismos
começam a se estabelecer, alimentando-se da água
armazenada e dos nutrientes liberados pela decomposição
dos minerais. Com o tempo, outras mudanças ocorrem, tais
como a formação de argila, a remoção de sais minerais e a
adição de húmus.
 Quando os solos atingem um equilíbrio, tornam-se espessos
e, normalmente, com horizontes bem definidos sendo, por
isto, denominados de bem desenvolvidos ou maduros, como
os Argissolos.

 Ao contrário, no início de sua formação, quando são rasos,


delgados (finos) e sem horizontes bem definidos, são
denominados pouco desenvolvidos ou jovens, como os
Neossolos.

 E há também aqueles solos pouco desenvolvidos, onde o


horizonte diagnóstico (horizonte B) é incipiente e ainda há
presença de fragmentos da rocha original, como é o caso dos
Cambissolos.
O tempo e o desenvolvimento dos solos...
Bibliografia
LEPSCH, I. F. Formação e Conservação dos Solos. 2. ed. São Paulo:
Oficina de Textos, 2010.

______. 19 lições de Pedologia. São Paulo: Oficina de Textos, 2011.

PRADO, H. Pedologia Fácil: Aplicações em solos tropicais. 4. ed. Piracicaba:


Fundag, 2013.

______. Solos do Brasil. Piracicaba: Esalq, 2003.

______.; CARVALHO, J. P. Pedologia Fácil. Disponível em:


http://www.pedologiafacil.com.br/index.php. Acesso em: 25 jan. 2020.

TOLEDO, M. C. M.; OLIVEIRA, S. M. B.; MELFI, A. J. Intemperismo e


formação do solo. In: TEIXEIRA, W. et al. (Org.). Decifrando a Terra. 2. ed.
São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.

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