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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

PLANO DE CURSO

DISCIPLINA: ELE0330 - Análise de Sistemas de Potência CRÉDITOS:04


PRÉ-REQUISITOS: ELE313 - Introdução à Análise de Sistemas de Potência (IASP)
PROFESSOR: Prof. Dr. Marcos A. Dias de Almeida

O B J E T I V O S G E R A I S

Propiciar ao aluno conhecimentos fundamentais para que, no final do curso, seja capaz de fazer análises em sistemas de
energia elétrica e desenvolver programas em computador digital para utilização em sistemas de grande porte.

O B J E T I V O S E S P E C Í F I C O S

Fornecer os conhecimentos básicos para o aluno no final do curso, calcular os parâmetros de uma linha de Transmissão.
Calcular correntes de curto-circuito de sistemas elétricos de pequeno porte. Desenvolver programas de computador digital
para análise de fluxo e análise de contingências em sistemas de grande porte utilizando os métodos matemáticos apresentados.

E M E N T A

Cálculo de parâmetros transversais e longitudinais de linhas. Modelagem de linhas. Formação das Matrizes impedância e
admitância. Redução de redes. Fluxo de carga: método de Gauss, Gauss-Seidel, Newton-Raphson e Newton-Raphson
desacoplado rápido. Cálculo das correntes de curto-circuito e sua importância. Tipos de sistemas quanto ao aterramento.
Métodos matriciais para a solução de faltas transversais e defeitos longitudinais. Análise de contingências. Estabilidade de
sistemas de potência.

P R O G R A M A
UNIDADE I
1. Cálculo de parâmetros transversais, longitudinais e
modelagem de linhas (Curta, Média e Longa) 3. Método matricial para a solução de faltas transversais e
2. Formação das matrizes de impedância e de admitância defeitos longitudinais.
nodal; redução de redes.
UNIDADE III
UNIDADE II 2. Fluxo de carga
1. Tipos de sistemas quanto ao aterramento 1. Análise de contingências
2. Cálculo das correntes de curto-circuito em sistemas 2. Estabilidade de sistemas de potência
radiais
(a) Fase-Terra
(b) Fase-Fase-Terra
(c) Fase-Fase
(d) Trifásica

M E T O D O L O G I A

a) De ensino:
Quadro-negro
Aula prática
Retroprojetor; Microcomputador; Projetor de Slide

b) De avaliação:
Programas de computador
Provas escritas

D A T A S D A S A V A L I A Ç Õ E S

1a Av. – 31/03 (sexta-feira) ; 2a Av. – 16/05 (terça-feira) ; 3a Av. – 23/06 (sexta-feira) ; 4a Av. – 30/06 (sexta-feira).

B I B L I O G R A F I A

1. Hadi Saadat. Power System Analysis. McGraw-Hill, Iinc. 1999. Boston , USA.

2. William D. Stevenson Jr. Elements of Power System Analysis. Fourth Edition. Mc Graw Hill.

3. Geraldo Kindermann. Curto-circuito. Aranda Editora Técnica e Cultural Ltda, 3ª Edição, 2003.

4. Sérgio Haffner. Modelagem e Análise de Sistemas Elétricos em Regime Permanente. Pontifícia Universidade Católica do
Rio G.do Sul, 2003. http://diana.ee.pucrs.br/~haffner.

5. Homer E. Brown. Grandes Sistemas Elétricos Métodos Matriciais. Livros Técnicos e Científicos. Editora Escola Federal
de Engenharia de Itajubá, Edição 1975.

6. Alcir Monticelli. Fluxo de Carga em Redes de Energia Elétrica. Cepel -Eletrobrás. Editora Edgard Blucher LTDA, 1983.

7. Edward Wilson Kimbarrk, Sc.D. Power System Stability. Vol. I. John Wiley, New York.

8. Siemens AG. Correntes de Curto-Circuito em Redes Trifásicas. Editora Edgard Blucher LTDA. Tradução 5ª Edição
Alemã. Set/1975.

9. Dorel Soares Ramos, Eduardo Mário Dias. Sistemas Elétricos de Potência. Vol. 1 e 2. Guanabara Dois.

10. Olle I. Elgerd. Introdução à Teoria de Sistemas de Energia Elétrica. Editora Mc Graw-Hill do Brasil LTDA.

11. Paul M. Anderson. Analysis of Faulted Power Systems. The Iowa State University Press/Ames-1973.

12. José Tavares de Oliveira. Fundamentos de Análise de Sistemas de Potência. Apostila.

13. Marcos A. Dias de Almeida. Análises de Sistemas de Potência. DEE/UFRN. Notas de Aula.

Natal, 21 de fevereiro de 2006

_______________________________________
Prof. Dr. Marcos A. Dias de Almeida
Linhas de Transmissão Aéreas - Generalidades

A Fig. 1 ilustra estruturas de uma linha de transmissão


aérea (overhead transmission line).

(a) (b)

Figura 1 - Estruturas típicas (torres) para linha de transmissão de


345 kV: (a) Circuito simples com três condutores por fase; (b)
Circuito duplo com dois condutores por fase.

Cabos de L.T. aéreas

O tipo mais comum de cabo de L.T. aéreas é constituído


por fios colocados em coroas superpostas, encordoadas em
sentidos opostos. Isso evita que o cabo se desenrole e faz
com que o raio externo de uma coroa coincida com o raio
interno da seguinte.

1
Formação de cabos de L.T. aéreas

O número total de fios em cabos concêntricos, nos quais


todo espaço é preenchido por fios de diâmetro uniforme é
7, 19, 37, 61, 91 ou mais. Esse número é dado pela
expressão
3 coroas
2
Número de fios = 3x – 3x +1 19 fios

onde x é o número de coroas incluído a central, constituída


por um único condutor.
A Fig. 2 mostra um cabo 24/7 CAA (ou ACSR- Aluminum
Cable Stell Reinforced ), com quatro coroas.

Figura 2 – Vista frontal de um cabo 24/7 CAA (ACSR),


com quatro coroas

Circular Mil

As áreas (seções transversais) dos cabos de bitolas maiores


geralmente são dadas em Circular Mil (CM). Um “circular
mil” é área de um círculo cujo diâmetro é um “mil”, isto é,
um milésimo de polegada: 1 CM = 5,067 x 10 -4 mm2.
1 MCM = 1000 x 1 CM
2
Distância Média Geométrica (DMG)

1) Distância Média Geométrica entre Pontos

Por definição a DMG entre um ponto e um grupo de pontos, é a média geométrica das
distâncias daquele ponto aos outros.

D1 • P1
D2
P• • P2
D3
Dn
M
• P3
• Pn

Figura 1 – Um ponto P distante de n pontos

Considerando, por exemplo, a Figura 1, tem-se:

DMG = n D1 D2 D3 L Dn (1)

2) Distância Média Geométrica entre Dois Cabos (DMG ou Dm)

Considere os cabos genéricos x e y mostrados na Figura 2.

Cabo x Cabo y
2 4 5

1 m
n 6

Figura 2 – Linha de transmissão com dois cabos

De acordo com (1), a DMG entre esses dois cabos é

DMG = mx n ( D14 D15 D16 L D1n )( D24 D25 D26 L D2 n ) L ( Dm 4 Dm5 Dm 6 L Dmn ) (2)

onde Dmn é a distância entre os centros dos condutores m e n.

1
3) Raio Médio Geométrico de um Condutor (RMG)

a) Condutor de Seção Circular Cheia

Define-se o RMG ou DMG própria (Ds) de uma área como sendo o limite ao qual
tende a média geométrica das distâncias entre todos os pares de elementos dessa área, quando
o número de elementos cresce indefinidamente.

r

Figura 3 – Área circular cheia de raio r

De acordo com essa definição, demonstra-se que o RMG de uma área circular cheia,
como a mostrada na Figura 3, é dada por

1

RMG = r e 4 = 0,7788 r ou r ′ = 0,7788 r (3)

Portanto, o RMG de um condutor circular de seção cheia é dado por (3).

b) Condutor do Tipo Cabo

Considere o cabo genérico mostrado na Figura 4

Cabo
1 2

n 3
Figura 4 – Cabo com n condutores de seção circular

O RMG próprio desse condutor é

RMG = n ( D11 D12 D13 L D1n )( D21 D22 D23 L D2 n ) L ( Dn1 Dn 2 Dn3 L Dnn )
2
(4)

onde n é o número de condutores e

1

Dn n = RMG = rn e 4 = 0,7788 r n

2
Exercício:

De acordo com a Figura 5, pede-se calcular a DMG entre os cabos e o RMG de cada
cabo. Considere r =2,54 cm.

Cabo 1 Cabo 2

r r r r r
• • • • •
D =10 r

Figura 5 – Desenho de uma linha monofásica

Resposta: RMG1 = 4,06 cm; RMG2 = 3,17 cm; DMG = 24,92 cm.

3
Capítulo 1 - CÀCULO DE PARÂMETROS
LONGITUDINAIS E TRANSVERSAIS DE
LINHA DE TRANSMISSÃO

1.1 Introdução

Uma linha de transmissão de energia elétrica possui quatro


parâmetros que influem decisivamente no transporte da
energia elétrica.

• Resistência
É um parâmetro inerente ao tipo e à bitola do condutor,
experimentando pequenas variações com a temperatura do
condutor e a freqüência do sistema. Para 60 Hz, Rac é
cerca de 2% maior do que Rcc.

• Indutância
Depende exclusivamente da geometria da linha e do meio
no qual se encontram os condutores. Pode-se dizer que é o
parâmetro mais importante da linha, uma vez que é sempre
levado em conta em estudo de linhas, obviamente, em CA.

• Capacitância
Assume importância no estudo de desempenho de linhas
quando se verificam tensões superiores a 34,5 kV e
comprimentos superiores a 80 km. Pode-se desprezar este
parâmetro para linhas com níveis de tensões e
comprimentos inferiores.

• Condutância
Só merece consideração quando os níveis de tensão são
elevados, em virtude das perdas por ela provocada serem
insignificantes.

1
1.2 Indutância de um condutor devido ao fluxo interno

Admitindo-se a seção transversal de um condutor cilíndrico,


de comprimento infinito e suficientemente distante de
quaisquer outros condutores e do solo, para não afetar o
campo magnético do condutor considerado, uma corrente I
percorrendo este condutor produzirá linhas de fluxo
magnético que serão concêntricas ao condutor.

r
Fluxo φ
x dx
Ix
Elemento tubular de 1 m
I de comprimento

Figura 1.1: Fluxo no interior de um Condutor

A intensidade do campo magnético Hx, ao longo do círculo de


raio x, é constante e tangente ao círculo. A lei de Ampére
relaciona Hx à corrente Ix (corrente envolvida), isto é

2π x

0
H x dl = I x
ou

Densidade de corrente:

2
I x x2
, ou = 2
I r

Considerando uma área infinitesimal da seção do elemento


tubular, isto é, dA = dx x 1, onde 1 é o comprimento em metro do
elemento tubular, resulta:

O fluxo concatenado interno, ψ, num elemento tubular é o fluxo φ


no elemento multiplicado pela relação entre a corrente envolvida
I x x2
por ele e a corrente total do condutor, = 2 , então
I r

Ψint 1
Lint = = × 10 −7 H/m
I 2 3
1.3 Fluxo envolvido por dois pontos externos de
condutor isolado

Considerando-se um condutor percorrido por uma corrente


I que produzirá linhas de fluxo concêntricas e externas,
fluxo este que se estende, com intensidade decrescente,
desde a sua superfície, até assumir valor nulo no infinito.

Intens. de c. mag., Hx,


ao redor do elemento P1
de raio x: D1
2π x r
NI = ∫0 Hx dl
I
x dx

N =1⇒ I =H x2 π x D2

P2
Figura 1.2 - Fluxo envolvido entre dois pontos externos de
um condutor isolado

dϕ = Bx dA
, mas dA = 1 × dx então
d Ψ12 = dϕ

4
1.4 Indutância de uma linha a dois fios

Considere-se, agora, uma linha monofásica a dois fios,


separados por uma distância D(m) e com raios r1 e r2.

I1 X I2

r1 r2 I1 = − I 2
I1 = I 2 = I

Fig 1.3: Linha monofásica a dois fios

webers.espiras/metro

5
Fazendo

Para o caso de r1 = r2 = r, resulta:

6
1.5 Fluxo concatenado com um condutor de um grupo
de condutores

Considere agora um caso mais geral, em que um condutor


pertence a um grupo de condutores, no qual a soma
fasorial das correntes é nula.

D3P P
3
D2P
2
D1P
DnP
1
n I1 + I 2 + I 3 + L I n = 0

Fig. 1.4: Grupo de n condutores isolados

Fluxo concatenado com o condutor 1, devido I1, entre P e o


condutor 1:

Fluxo concatenado com o condutor 1, devido I2, entre P e o


condutor 1:

7
Fluxo concatenado com o condutor 1, devido a própria
corrente e às correntes nos demais condutores do grupo:

 D D D D 
Ψ1P = 2 ×10−7  I1 × ln 1,P + I 2 × ln 2P + I 3 × ln 3P + L+ I n × ln nP 
 r1 D12 D13 D1n 

Expandindo os termos logaritmos e reagrupando-os, resulta
em

1 1 1 1
Ψ1P = 2 × 10 −7 × ( I1 × ln + I 2 × ln + I 3 × ln + L + I n × ln +
r1, D12 D13 D1n
I1 × ln D1P + I 2 × ln D2 P + I 3 × ln D3P + L + I n × ln DnP )

Sendo nula a soma fasorial das correntes, isto é,

I1 + I 2 + I 3 + L + I n = 0 ⇒ I n = − (I1 + I 2 + I 3 L + I n −1 )

Substituindo o valor de In, têm-se:

 1 1 1 1 
Ψ1P = 2 ×10−7 ×  I1 × ln , + I 2 × ln + I3 × ln + L+ I n × ln +
 r1 D12 D13 D1n 
 D D D D(n−1) P 
2 ×10−7 ×  I1 × ln 1P + I 2 × ln 2P + I3 × ln 3P + L+ I(n−1) × ln 
 DnP D nP D nP DnP 

Fazendo P mover-se para bem longe, então

D1P D2 P D3 P D( n −1) P
≅ ≅ ≅L≅ ≅ 1 , resultando em
DnP DnP DnP DnP

 1 1 1 1 
Ψ1 = 2 × 10 −7 ×  I1 × ln , + I 2 × ln + I 3 × ln + L + I n × ln  Wb.e/m

 r1 D12 D13 D1n 

8
1.6 Indutância de uma linha de cabos

O número de fios (idênticos) que compõem um cabo é dado por

N = 3x2-3x +1
onde, x é o número de coroas, incluindo a central (constituída por
um único fio).

Considere a uma a linha monofásica constituída por cabos de


múltiplos condutores por fase, conforme o esquema mostrado na
Figura 1.5.

b
a a' b'

c c'
n m

X Y

Fig. 1.5: Linha monofásica constituída por dois cabos compostos


por vários condutores

• O cabo X é composto por n condutores, paralelos e idênticos,


cada um conduzindo a corrente I/n

• O cabo Y, retorno para a corrente em X, é constituído por m


condutores, também idênticos, cada qual conduzindo -I/m

Para o condutor a do cabo X, o fluxo concatenado com ele é

I  1
−7 1 1 1 
Ψa = 2 ×10 × ×  ln , + ln + ln + L + ln −
n  ra Dab Dac Dan 
I  1 1 1 1 
2 ×10 −7 × ×  ln + ln + ln + L + ln 
m  Daa′ Dab′ Dac′ Dam 

9
De onde se obtém

 m Daa′ × Dab′ × Dac′ × L × Dam 


Ψa = 2 × 10 −7
× I × ln  Wb.e/m
 n ra′ × Dab × Dac × L × Dan 
 

Dividindo a expressão por I/n, resulta na indutância do


condutor a do cabo X, ou seja,

Ψa  m Daa′ × Dab′ × Dac′ × L × Dam 


La = = 2 × n × 10 × ln
−7  H/m
I /n  n ra′ × Dab × Dac × L × Dan 
 

Analogamente a indutância do condutor b é

Ψb  m Dba′ × Dbb′ × Dbc′ × L × Dbm 


Lb = = 2 × n × 10 × ln
−7  H/m
I /n  n rb′ × Dba × Dbc × L × Dbn 
 

A indutância média de cada condutor do cabo X, é

10
O cabo X é composto por n condutores em paralelo. Se
todos tivessem a mesma indutância, a indutância do cabo
seria 1/n vezes a indutância de um condutor. Como estas
indutâncias são diferentes, então, a indutância de todos
eles em paralelo é 1/n vezes a indutância média
(indutância equivalente). Logo, a indutância do cabo x é

assim,

Dm = m×n ( Daa′ × Dab′ × Dac′ × L × Dam ) × ( Dba′ × Dbb′ × Dbc′ × L × Dbm ) × K


m×n ( Dna′ × Dnb′ × Dnc′ × L × Dnm )

Dm=DMG (Distância Média Geométrica Mútua)

Ds = n 2 ( Daa × Dab × Dac × L × Dan ) × ( Dba × Dbb × Dbc × L × Dbn ) × K


n2 ( Dna × Dnb × Dnc × L × Dnn )

DS=RMG (Raio Médio Geométrico ou DMG própria)

A indutância do condutor Y (LY) é determinada de maneira


análoga. Então, a indutância total da linha é dada por

11
1.7 Indutância de uma linha trifásica com espaçamento
assimétrico

Considere uma linha cujos condutores estão espaçados, de


forma assimétrica, de acordo com o esquema dado na
Figura 1.6.

Ia
1
Ib D12

2 D13
D23

3
Ic

Fig. 1.6: Linha trifásica com espaçamento


assimétrico

12
De forma matricial, escreve-se

ou, de forma compacta

13
1.8 Indutância de uma linha com espaçamento equilateral
1 Ia

D D

2 3
Ib D Ic

Admitindo que não exista o neutro, ou as correntes


fasoriais são equilibradas, isto é, Ia + Ib + Ic = 0, então,

Ia = - (Ib + Ic)
logo,

14
Fazendo o mesmo para as fases b e c, obtêm-se:

15
1.9 Indutância de uma linha com espaçamento
assimétrico com transposição

Quando os espaçamentos de uma linha trifásica não forem


iguais, a determinação da indutância torna-se mais
complicada. Neste caso, o fluxo concatenado e a
indutância correspondente a cada fase não são os
mesmos. Uma indutância diferente em cada fase faz com
que o circuito seja desequilibrado.

Essas características indesejáveis podem ser superadas


pela troca de posições entre os condutores em intervalos
regulares ao longo da linha, de tal modo que cada condutor
ocupe a posição original de cada um, em distâncias iguais.
Tal troca de posições é chamada de transposição. A
Figura 1.7 mostra um ciclo completo de transposição.

Fig 1.7: Linha trifásica assimétrica com transposição

16
Transposição no sentido anti-horário.

1
Ia

D12 D13
Pos. 1
Ib Ic
D23
2 3

Fig. 1.8: Linha trifásica assimétrica com


transposição (pos. 1)

O fluxo concatenado com os condutores é dado na forma


matricial por

17
1
Ic

D12 D13
Pos. 2
Ia Ib
D23
2 3

Fig. 1.9: Linha trifásica assimétrica com


transposição (pos. 2)

18
1
Ib

D12 D13
Pos. 3
Ic Ia
D23
2 3

Fig. 1.10: Linha trifásica assimétrica com


transposição (pos. 3)

O fluxo médio concatenado com os condutores ao longo da


linha é, por fase é:

Ψ a 1 + Ψ a 2 + Ψ a 3
Ψ a =
3
Ψ b 1 + Ψ b 2 + Ψ b 3
Ψ b =
3
Ψ c1 + Ψ c 2 + Ψ c 3
Ψ c =
3

19
Substituindo as expressões dos fluxos e trabalhando as
expressões dentro da matriz, resultam

onde Deq = 3 D12 × D23 × D13

A matriz de indutância é dada por

Na condição de Ia + Ib + Ic =0, que não exista o condutor


neutro, tem-se

Deq
L = L a = L b = L c = 2 × 10 − 7 ln
r′

20
Indutâncias próprias e mútuas

1. Introdução

A indutância mútua é importante quando se considera a influência das linhas de transmissão


nas linhas telefônicas e também quando se considera o acoplamento entre elas próprias, como
no caso daquelas que utilizam a mesma faixa de servidão.

2. Indutâncias próprias e mútuas de uma linha monofásica

A indutância série por fase de uma linha monofásica, a dois condutores, pode ser representada
em termos das suas indutâncias próprias e mútuas, conforme mostrado na Fig. 1. Considera-se
um metro de linha e µ= 4πx10-7 H/m (permeabiliade magnética).

I1 L11

L12= L21
I2
L22

Figura 1 – Linha monofásica representada por duas


bobinas acopladas magneticamente

Os fluxos concatenados Ψ1 e Ψ2 são dados por

& = L I& + L I&


Ψ Wb.esp/m
1 11 1 12 2

Ψ2 = L21 I 1 + L2 I&2
& & Wb.esp/m

Desde que I2= -I1 , têm-se

& = ( L − L ) × I&
Ψ Wb.esp/m
1 11 12 1

Ψ2 = ( L22 − L21 ) × I&2


& Wb.esp/m

A indutância de cada condutor é

&
Ψ 1
L1 = = L11 - L12 H/m
I&1
Ψ&
L2 = 2 = L22 - L21 H/m
I&2

Considere uma linha monofásica constituída por dois condutores sólidos (fase e retorno), de
seção circular (raios r1 e r2), que está transportando uma corrente (I2 = -I1) conforme
(1) está
esquematizado na Fig. 2.

1
I 1 r1 r2 I2
D

Figura 2 – Rede monofásica a dois condutores

O fluxo concatenado com o condutor 1 é

1 −7 D
& =Ψ
Ψ1
& & &
int 1 + Ψext 1 = I 1 × ( × 10 + 2 × 10 −7 ln ) Wb.esp/m
2 r1
& = I& × 2 × 10 −7 × ( 1 + ln D ) = I& × 2 × 10 −7 × (e1 / 4 + ln D )
Ψ1 1 1
4 r1 r1
& = I& × 2 × 10 −7 × (ln D 1 D
Ψ1 1 ) = I&1 × 2 × 10 −7 ln( + )
r1 × e −1 / 4
r1′ 1
& = I& × 2 × 10 −7 × (ln 1 + ln D )
Ψ 1 1
r1′ 1
Ψ& 1 D 1 1
L1 = 1 = 2 × 10 −7 × (ln + ln ) = 2 × 10 −7 ln − 2 × 10 −7 ln H/m (2)
I&1 r1′ 1 r1′ D

onde r1′ é o raio médio geométrico (RMG) do condutor 1, dado por

r1′ = r1 × e −1/ 4 =0,7788 x r1

A parte negativa da indutância em (2), é devido ao efeito do fluxo concatenado mútuo entre os
indutores.

Por analogia, a indutância do condutor 2 é

&
Ψ 1 D 1 1
L2 = 2
= 2 × 10 −7 × (ln + ln ) = 2 × 10 −7 ln − 2 × 10 −7 ln H/m (3)
&I
2 r2′ 1 r2′ D

Comparando (2) e (3) com (1) concluí-se que as expressões são equivalentes para as
indutâncias próprias e mútuas

1
L11 = 2 × 10 − 7 ln H/m
r1′
1
L22 = 2 × 10 − 7 ln H/m
r2′
1
L12 = L 21 = 2 × 10 − 7 ln H/m
D

2
3. Indutâncias próprias e mútuas de um grupo de n condutores

O conceito de auto-indutância e indutância mútua pode ser estendido para um grupo de n


condutores conduzindo os fasores de corrente

I&1 + I&2 + L + I&i + L + I&n = 0


Generalizando

n
ψ& i = Lii I&i + ∑ Lij I& j j≠i
j =1
ou

n
1 1
ψ& i = 2 × 10 −7 ( I&i ln + ∑ I& j ln ) j≠i
ri′ j =1 Dij

ou ainda, na forma matricial

 1 1 1 
 ln ln L ln
 ψ& 1  r1′ D12 D1n   I&1 
 
ψ &   1 1 1   I& 
 2  = 2 × 10 −7 ln ln L ln  2
 M  D21 r2′ D2 n  ×   Wb.esp/m (4)
 M M
  M L M   
ψ& n   1 1 1   I&n 
ln ln L ln 
 Dn1 Dn 2 rn′ 

4. Tensão induzida em um conjunto de n condutores

De acordo com a lei de Faraday, tem-se

dψ (t )
v(t ) =
dt

d
mas, = jw (passando do domínio do tempo para o domínio da freqüência), então
dt

V& = jwΨ
& (5)

Substituindo (4) em (5), obtêm-se os vetores das tensões nos condutores devido às indutâncias
próprias e mútuas.

3
 1 1 1 
 ln ln L ln
V&1  r1′ D12 D1n   I&1 
 
&   1 1 1   I& 
V2  = jw × 2 × 10 −7 ln ln L ln  2
M D21 r2′ D2 n  ×   V/m (6)
 M M
&  M L M   
Vn   1 1 1   I&n 
ln ln L ln 
 Dn1 Dn 2 rn′ 

1
Em (1.33), os termos 2 × 10 −7 × jwI& j ln fornecem os fasores queda de tensão (ou tensão
Dij
induzida), ∆V&i , nos condutores devido às indutâncias mútuas.

1
∆V&i = 2 × 10 −7 jwI& j ln V/m (7)
Dij

4
Exemplo de Tabela de Cabos

CONDUTOR S Diam. Peso Imáx. R1 X1 Ro Xo QT QT


(mm2) (mm) (kg/km) Ds (m) (A) (Ohm/km) (Ohm/Km) (Ohm/km) (Ohm/km) Trifásic Monof.
4 CA - 7 fios 21,5 5,89 58,35 0,002134 134 1,5289 0,4702 1,7066 2,4275 0,1072 0,6429
1/0 CA - 7 fios 53,4 9,35 147,42 0,003392 242 0,6047 0,4352 0,7824 2,3925 0,0515 0,3088
2/0 CA - 7 fios 67,4 10,52 185,75 0,003813 282 0,4792 0,4264 0,6568 2,3837 0,0438 0,2626
4/0 CA - 7 fios 107,2 13,26 295,68 0,004807 380 0,3021 0,4090 0,4797 2,3662 0,0327 0,1962
266,8 CA - 7 fios 135,2 14,88 372,63 0,005398 441 0,2399 0,4002 0,4176 2,3575 0,0287 0,1723
336,4 CA - 19 fios 170,5 16,92 469,87 0,006401 514 0,1908 0,3874 0,3685 2,3446 0,0254 0,1522
4 CAA - 6x1 fios 24,6 6,35 85,69 0,001332 140 1,5973 0,5057 1,7749 2,4630 0,1125 0,6748
1/0 CAA - 6x1 fios 62,3 10,11 216,75 0,001359 230 0,6961 0,5042 0,8737 2,4615 0,0594 0,3562
2/0 CAA - 6x1 fios 78,6 11,35 273,41 0,001554 270 0,5562 0,4941 0,7339 2,4514 0,0508 0,3046
4/0 CAA - 6x1 fios 125,1 14,30 434,64 0,002481 340 0,3679 0,4588 0,5456 2,4161 0,0384 0,2304
266,8 CAA - 26x7 f 157,2 16,31 545,69 0,006614 460 0,2393 0,3849 0,4169 2,3422 0,0281 0,1688
336,4 CAA - 26x7 f 198,3 18,31 688,31 0,007437 530 0,1902 0,3761 0,3678 2,3333 0,0249 0,1495
Base para cálculo:
R1: Tabela T = 50 ºC
R0 = R1 + 0,002961*f ohm/km f = 60 Hz
X1 = 0,17361*Log(Dm/Ds) ohm/km ρ = 500 ohm.m

 1 ρ 
Xo =  0 ,17361 ∗ log + 0 , 008682 ∗ f ∗ log( 2160 ∗ )  − 2 ∗ ⋅ 0 ,17361 ∗ log Dm
 Ds f 
O Dm = 1,0903 é a distância média geométrica considerando uma cruzeta de 2000mm com espassamentos: 1800; 1200 e 600
Capítulo 2 – CAPACITÂNCIA DAS LINHAS DE
TRANSMISSÃO

2.1 Introdução
A d.d.p. entre os condutores de uma L. T. faz com que se
carreguem da mesma maneira que as placas de um
capacitor.

A capacitância entre condutores paralelos é constante,


dependendo da seção e da distância entre eles. Para linhas
de até 80 km, o efeito da capacitância é desprezível; esse
efeito passa a ter grande importância em linhas mais
extensas e de alta tensão.

A aplicação de uma tensão alternada a uma linha faz com


que, em qualquer ponto dos condutores, a carga aumente e
diminua, com o aumento e diminuição do valor instantâneo
da tensão entre esses condutores, no ponto considerado. O
fluxo da carga é uma corrente, chamada de corrente
capacitiva. Essa corrente existe até mesmo quando a
linha está em vazio.

2.2 Campo elétrico de um condutor longo e reto

Da mesma maneira que o campo magnético é importante


no estudo da indutância, o campo elétrico o e para o estudo
da capacitância.
As linhas de fluxo elétrico originam-se nas cargas positivas
de um condutor e terminam nas cargas negativas do outro.
O fluxo elétrico total que emana de um condutor é
numericamente igual a carga em coulombs do condutor. A
densidade de fluxo elétrico é o fluxo por metro quadrado
(coulombs/metro quadrado).

1
Se um condutor longo, reto, e cilíndrico possuir uma carga
elétrica q, uniforme ao longo de seu comprimento, e estiver
isolado de outras cargas, de modo que sua carga esteja
uniformemente distribuído em sua periferia, o fluxo será
radial. Todos os pontos eqüidistantes desse condutor
pertencem a uma mesma equipotencial e tem a mesma
densidade de fluxo

q
D= coulombs/metro quadrado
2πx

Considere um condutor cilíndrico isolado como o da Figura


2.1

q+ X

Superfície
equipotencial

Fig. 2.1: Linhas de fluxo elétrico que emanam de um


condutor carregado com cargas positivas, uniformemente
distribuídas na superfície de um condutor cilíndrico isolado

então, a intensidade de campo elétrico, a uma distância x


do centro do condutor, ao ponto considerado é igual à
densidade do fluxo dividida pela permissividade do meio
(ε) , ou seja,

2
Sendo q a carga no condutor em coulombs por metro de
comprimento e ε a permissividade do meio, que no ar é
dada por:

2.3 Diferença de potencial entre dois pontos devido a


uma carga

O modo mais simples de calcular a queda de tensão entre


os pontos (P1 e P2), Figura 1.17, é calcular a tensão entre
as superfícies equipotenciais que passam por eles, fazendo
a integração sobre uma linha radial entre essas superfícies
Assim, a diferença de potencial entre P1 e P2 é

Linha de
integração
D1
• P1

q+ P2
D2

Fig. 2.2: Linha uniforme de integração entre dois pontos


exteriores a um condutor cilíndrico com uma distribuição de
carga positiva e uniforme
3
2.3 Capacitância de uma linha a dois condutores

Considere uma L. T. a dois condutores como está


esquematizada na Figura 2.3.

a b
ra rb

Fig. 2.3: Linha de transmissão a dois


condutores paralelos

A capacitância entre dois condutores de uma linha é


definida como a carga dos condutores por unidade de
diferença de potencial entre eles, ou seja,

q
q = C ×v ⇒ C = F/m
v

onde q é a carga da linha em coulombs por metro e V a


diferença de potencial entre os condutores em volts.

A tensão Vab entre os condutores da linha mostrada na


Figura 2.3, pode ser determinada achando-se a queda de
tensão devida à carga qa no condutor a e, em seguida, a
queda de tensão devida à carga qb no condutor b. Pelo
princípio da superposicão, q.d.t do condutor a ao condutor
b, devida às cargas em ambos os condutores, é a soma
das quedas provocadas por cada uma das cargas
consideradas isoladamente. Assim sendo, a tensão entre
os condutores é

4
Sendo para a linha a dois condutores, qa = - qb, logo

A capacitância entre os dos condutores é

5
Se ra = rb = r , então

Essa equação dá a capacitância entre os condutores da


linha. Se entre esses condutores houver um ponto neutro
(n) entre eles (por exemplo, transformador com tap central
aterrado), conforme Figura 2.4, a d.d.p entre cada condutor
e n é Van=Vbn=Vab/2, então, a capacitância para o neutro é
o dobro.

a Cab b

(a)

a Can=2Cab Cbn=2Cab b

n

(b)

Fig. 2.4: Representação da capacitância entre duas fases (a)


e entre fases e neutro (b)

6
2.4 Capacitância de uma linha trifásica com
espaçamento eqüilateral

Considere uma linha cujos condutores estão espaçados, de


forma eqüilateral, de acordo com o esquema dado na
Figura 2.5.

qb

D D

qa qc
D

Fig. 2.5:Linha trifásica com espaçamento


eqüilateral

1  D r D
Vab = ×  q a × ln + qb × ln + qc × ln  volts
2πε  r D D
1  D D r
Vac = ×  q a × ln + qb × ln + qc × ln  volts
2πε  r D D

1  D r
Vab + Vac = ×  2q a × ln + (qb + qc ) × ln  volts
2πε  r D

Mas, q a + qb + q c = 0 ⇒ q a = − ( qb + q c )

3q a D
Vab + Vac = × ln volts
2πε r
7
Vab Vbc
Van

Vca

Fig. 2.6: Tensões de linha do circuito trifásico equilibrado

V ab = 3 V an ( 0 ,866 + j 0 , 5 )
V ac = − V ca = 3 V an ( 0 ,866 − j 0 , 5 )
V ab + V ac = 3V an
qa 2 πε
Cn = = F/m
V an ln( D / r )

Observar que a capacitância de uma linha trifásica é dada


por fase.

Corrente capacitiva por fase (ckt trif. equilib.):

I cap = jwCnVan

b = jwCn (Susceptância capacitiva


para o neutro)

8
2.5 Diferença de potencial entre dois condutores de
um grupo de condutores carregados

Considere a Figura 2.7 onde se observa um grupo de


condutores paralelos e carregados.

qa
1
D12 D1n
qb
n
D2n
2 qn
D13
D23
D3n
3
qc

Fig. 2.7: Grupos de condutores paralelos e


carregados

A fórmula,

pode ser usada para se calcular a diferença de potencial


entre dois condutores pertencentes a um grupo de
condutores.

A diferença de potencial entre os condutores 1 e 2 é obtida


adicionando-se os efeitos das cargas q1, q2, q3,..., qn, ou
seja,

9
2.6 Efeito da terra na capacitância de uma L. T.

Diferentemente do que acontece no caso da indutância, a


perturbação causada pela presença dos condutores
próximos da terra é bastante acentuada, portanto, é
indispensável a consideração desse fenômeno no cálculo
da capacitância.

Na determinação das capacitância a terra é tomada como


um condutor ideal (ρ = 0), por conseguinte, pode-se usar o
método das imagens. Para isso, considere o sistema
multicondutor dado na Figura 2.8, onde aparecem as
imagens dos condutores em relação ao plano de terra
(ground).

3
1
n

Terra
(ground)

2’

1’ n'
3’

Fig. 2.8: Linha com n condutores e sua imagem

10
A diferença de potencial do condutor 1 em relação à terra é

ou ainda,

Expressões similares a essa, para o condutor 1, podem ser


obtidas para os demais, as quais podem ser combinadas
na forma matricial, isto é,

ou na forma compacta

11
A matriz [P] é chamada matriz de coeficientes de
potencial, cujos elementos são dados, genericamente, por

onde:
Dij = Distância entre o condutor i e o condutor j
Dij’= Distância entre o condutor i e a imagem do condutor j
Quando i = j, tem-se Dii = rii (raio do condutor i).

A matriz de capacitância, [C], é determinada pela


inversão da matriz [P], ou seja,

que na forma matricial é

12
Os elementos de [C] tem a interpretação dada na Figura
2.9.

3
C13 C3n
1
n
2 C23
C12 C2n
C1g Cng
C2g C3g

Terra
(ground)

Fig. 2.9: Circuito equivalente da matriz capacitância

As capacitâncias para a terra são dadas por

13
No cálculo das capacitâncias utiliza-se o valor do raio
externo dos condutores, contrariamente ao que é feito no
caso da indutância onde se usa o RMG, pois as cargas se
localizam na superfície dos condutores.

No caso de condutores compostos (ou múltiplos), as


distâncias entre os condutores podem ser substituídas pela
DMG, quando for conveniente.

Para uma linha operando em regime estacionário senoidal


a equação,

pode ser reescrita em termos de corrente

de onde se obtém a matriz admitância das capacitâncias


em paralelo (shunt), que é constituída pelas susceptâncias,
ou seja,

onde w = 2 × πxf .

14
Capítulo 3 – RELAÇÕES ENTRE TENSÃO E CORRENTE
EM UMA L. T.

3.1 Introdução

As expressões que serão deduzidas são importantes, pois

• permitem calcular a tensão, a corrente e o fator de


potência em qualquer ponto de uma L. T.;

• indicam o efeito dos diversos parâmetros da linha


sobre as q.d.t de tensão ao longo da mesma, para
várias cargas;

• são úteis também no cálculo do rendimento da


transmissão, bem como no cálculo da potência que
flui por uma linha.

3.2 Representação das linhas

A Figura 3.1 representa um gerador ligado em Y,


alimentando uma carga equilibrada também ligada em Y. A
corrente de neutro é nula. Portanto, os pontos "0" e "n"
estão no mesmo potencial, não passando corrente pelo
condutor neutro.
R L

ZL
Gerador
Carga
0 n
R L ZL ZL

R L

Fig 3.1: Rede equilibrada composta por gerador, linha e carga


1
Para resolver o circuito, supõe-se que exista o condutor
neutro, mesmo que a carga esteja ligada em ∆ (nesse caso
é transformada em Y), e considera-se que por ele circule a
soma das três correntes de fase; aplica-se a lei de Kirchhoff
das tensões na malha que contém uma fase e o neutro,
conforme Figura 3.2.
R L
+ +
VS VR ZL

Fig. 3.2: Circuito equivalente monofásico da rede equilibrada

3.3 Classificação das L. T. segundo suas extensões


• Curta (linhas aéreas de 60 Hz, com menos de 80 km)
Desprezam-se as susceptâncias capacivas (b=jwC), isto
é, desprezam-se o as capacitâncias em paralelo (shunt),
os demais parâmetros R e L são considerados
concentrados.
• Média (linhas aéreas de 60 Hz, entre 80 km e 240 km)
Os parâmetros R, L e C são considerados concentrados,
porém este último é divido ao meio (C/2) e representado
em cada um dos extremos da linha (circuito П).
• Longa (linhas aéreas de 60 Hz, acima de 80 km)
Os parâmetros R, L e C estão uniformemente
distribuidos ao longo da linha e isso deve ser observado
no cálculo rigoroso das linhas longas.

Do exposto, concluí-se que essa classificação baseia-se


nas aproximações admitidas no uso dos seus parâmetros.
2
3.3.1 Linha de transmissão de comprimento curto

O circuito equivalente de uma L. T. curta é mostrado na


Figura 3.3. Antes de passar ao estudo dessa linha e das
demais, é importante que se faça alguns esclarecimentos
de notação, e convenções, ou seja,

Z = z × l : impedância total em série, por fase;


Y = y × l : admitância total em paralelo, entre linha e neutro
l : comprimento da linha;
z : impedância em série, por unidade de comprimento, por fase
y : admitância em paralelo, por unidade de comprimento, entre linha
e neutro;
IS e IR : correntes, respectivamente, no gerador e na carga
VS e VR : tensões entre linha e neutro, respectivamente, no gerador
e na carga;

• Quando a corrente instantânea flui no sentido indicado pela


flexa ela é considerada positiva; meio ciclo depois quando
inverte o sentido da corrente, ela é negativa;

• O valor instântaneo da tensão é considerado positivo quando


o terminal (+) estiver em um potencial maior do que o terminal
(-), caso contràrio é negativo.
IS Z=R+jwL IR

+ +
G VS VR Carga

Fig. 3.3: circuito equivalente de uma L.T. curta

De acordo com o circuito, têm-se:


IS = IR
Vs = VR + IRZ
3
A figura abaixo mostra o efeito da variação do fator de
potência da carga na regulação de uma L.T.

VS VS
I IRX
IRX
IRX
V I V IRR VR IRR
IRR
I
(a) Corrente atrasada (b) Corrente em fase (c) Corrente
da tensão (carga com a tensão (carga adiantada da tensão
indutiva) 100 % resistiva) (carga capacitiva)

Fig. 3.4: Diagramas fasoriais de V e I em uma linha curta

A regulação de tensão é definida assim,

V − VFL
Regução em % = NL × 100
VFL

onde:
VNL : módulo da tensão nos terminais da carga, em vazio
VNF : módulo da tensão nos terminais da carga, em plena carga

Observações:
• Ângulo de fp em atraso (carga indutiva) ⇒ maior regulação
• Ângulo de fp adiantado (carga cap.) ⇒ regulação min. ou
negativa

Para o caso de uma L.T. curta, consideram-se

VNL = VS

VFL = VR

4
3.3.2 Linha de transmissão de comprimento médio

O circuito nominal П é o mais indicado para uma L.T. de


comprimento médio (Figura 3.5).

IS Z IR

VS Y/2 Y/2 VR

Fig. 3.5: Circuito П nominal para uma L. T. de comprimento médio

Substituindo Vs nessa última equação, resulta

5
3.3.3 Linha de transmissão de comprimento longo

Lembrando que os parâmentros (R, L e C) desse tipo de


linha são distribuídos, então será tomado um elemento
infinitesimal (dX), conforme mostrado na figura abaixo, para
a partir dele, estudá-la.

IS I+dI I IR

G VS V+dV V VR Carga

dX X

Fig. 3.6: Linha de transmissão com parâmetros distribuídos

Para o elemento infitesimal dx, escrevem-se

Derivando em relação a x, obtêm-se

6
dI dV
Substituindo os valores de e , nessas equações
dx dx
resultam em

As soluções dessas equações para V e I, respectivamente,


serão expressções cujas derivadas segundas em relação a
x são iguais às expresõeas originais multipicadas pela
constante yz. Isso sugere uma solução do tipo exponencial.
Por exemplo, supondo que a solução da equação
diferencial de para V seja do tipo

por conseguinte,

dV
mas = Iz , então,
dx

7
Explicitando I, resulta

Trabalhando essa expressão obtém-se

Na extremidade da linha (terminal da carga), ou seja, para


x=0 têm-se

Fazendo,

e tirando o valor de A1 e A2 virá

onde ZC é chamada de Impedância Característica e γ de


Constante de Propagação (ambas são grandezas
complexas).

8
Agora substituindo os valores nas soluções de V e I,
obtêm-se

Essas equações fornecem os valores eficazes de V e I,


bem como suas fases em qualquer ponto da linha, em
função das distâncias x, medidas a partir dos terminais da
carga, supondo-se conhecidas VR, IR e os parâmetros da
linha.

3.3.4 Interpretação das equações de uma L. T. longa

Escrevendo a constante de propagação γ na forma


complexa

onde α é a Constante de Atenuação (nepers/km) e βéa


Constante de Fase (rd/km)

Substituindo γ, na forma complexa, nas equações de V e I,


resulta

9
αx jβ x
Os termos e e e explicam a variação da corrente e da
tensão em qualquer instante, em função da distância ao
longo da linha. O primeiro termo muda os valores dos
módulos, enquanto o segundo, que é igual a

e jβx = cos β x + jsenβx ,

cujo módulo é 1, produz uma defasagem de β radianos por


unidade de comprimento da linha.

Consideraçãoes:
• O termo
+
[(VR + I R Z C ) / 2] × e αx e jβx (tensão incidente: V )

cresce em módulo e adianta-se em fase com o aumento


da distância aos terminais da carga; acontece o
contrário quando se avança dos terminais do gerador
para a carga (onda progressiva);

• O termo
-
[(VR + I R Z C ) / 2] × e − αx e − jβx (tensão refletida: V )

tem um comportamento contrário ao termo da tensão


incidente;
+ -
• Em qualquer ponto da linha tem-se: V= V + V ;

• A corrente também é uma onda progressiva que tem


uma componente incidente e outra refletida;

• Quando VR=IRZC, não existe onda refletida de


tensão ou corrente (ver equações);

• Z C ≅ 400 Ω e fase de 0o a -15º; 10


• Muitas vezes ZC é chamada de Impedância de Surto,
sendo dada por: Z S = L / C (linha sem perdas, onde
R e G são desprezadas). Considera-se linhas sem
perdas quando se lida com altas freqüencias ou
tensões de raio (as tensões de raios têm freqüências
elevadas, da ordem de kHz).

O comprimento de Onda λ é definido como a distância, ao


longo da linha, entre dois pontos de uma onda cujas fases
diferem de 360º ou 2π radianos. Se β for a defasagem em
rd/km, o comprimento de onda em quilômetros, será

e a velocidade
km/s (f em Hz)

Para f=60 Hz, o comprimento de onda é aproximadamente


v 300 × 103 km/s
4800 km, ou seja, λ = ≅ ≅ 5000 km .
f 60 ciclos/s

Estudo:
1) Analisar o comportamento das ondas incidendes de V e
I, quando IR=0 nos terminais da carga (x=0).

2) Observar as equações de V e I na forma hiperbólica.

3) Verificar o circuito equivalente de uma linha longa.

4) Constantes generalizadas de um circuito (representação


de uma L.T. como um quadripolo).

11
3.3.5 Constantes generalizadas de uma L. T.
Uma L.T. pode ser representada através de suas constantes
generalizadas ABCD, na forma de um quadripólo (circuito
reduzido a dois pares de terminais: 2 de entrada e 2 de saída),
conorme mostrado na Figura 3.6.

IS IR
+ +
VS ABCD VR
- -

Fig. 3.7: Diagrama simbólico representativo de um


circuito com dois pares de terminais (quadripólo)

a) Linhas médias

Na forma de um quadripólo, essas equações são


expressas por

Comparando essas equações com as anteriores, resulta


em

12
b) Linhas longas (forma hiperbólica das equações)

A partir dessas equações têm-se que as constantes


generalizadas longa são

Estudo:
Considerando IR=0 e VR=0, pede-se interpretar as
constantes ABCD nas expressões

Circuito nominal π para uma LT longa


senh ( γ l )
Z′ = Z
IS Z’ IR γl
Z = zl

VS Y’/ 2 Y’/ 2 VR Y ′ Y tanh ( γ l / 2)


=
2 2 γl /2
Fig. 3.8: Circuito П nominal para Y = yl
uma LT de comprimento longo 13
Curto- Circuito

1. Objetivos
• Conhecer a dimensão do seu valor
• Dimensionar a L.T. em relação ao seu limite térmico
quando estiver em curto-circuito
• Definir a capacidade de interrupção de disjuntores
• Dimensionar TCs quanto à saturação
• Definir o ajuste de relés de proteção
• Analisar sobre e subtensões devido ao curto-circuito
• Conhecer o tempo de atuação de relés
• Estudo de estabilidade dinâmica do sistema elétrico

2. Natureza da corrente de curto-circuito

Quanto ao ângulo de fase: atrasada da tensão (carga


indutiva)

Quanto à simetria
• Assimétrica (componente c.c.), nos primeiros ciclos
(3 ciclos, aproximadamente)
• Simétrica (em regime)

Quanto ao número de fases envolvidas (sistema


trifásico e aterrado)

• Trifásico
• Bifásico
• Bifásico-terra
• Fase-terra
• Fase-terra mínimo

3. Potência de curto-circuito (nível de curto-circuito)

Para um curto trifásico, a potência aparente desenvolvida


em cada fase (entre fase e terra) é dada por:

1
prefalta posfata V prefalta
S cc,1φ = V ×I = × I posfalta
3

S cc,3φ ≡ S cc = 3 × S cc,1φ = 3 × V prefalta × I posfalta

S base = 3 × Vbase × I base

S cc ( pu ) = Veprefalta ( pu ) × I posfalta ( pu )

V prefalta ≡ 1 pu

S cc ( pu ) ≅ I posfalta ( pu )

4. Ordem de grandeza das impedâncias de elementos


(componentes) do sistema.

Do gerador
X → 1,00 − 1,15 p.u. (em regime, reatância síncrona)
X ' → 0,30 − 0,15 p.u. (período transitório)
X " → 0,20 − 0,10 p.u. (período subtransitório)

Da linha
X L → 0,01 pu/km (69 kV, 100 MVA)
X L → 0,001 pu/km (230 kV, 100 MVA)
X L → 0,26 pu/km (13,8 kV, 100 MVA)

Transformador de Potência: ∼ 5% a 10% (na base do


transformador)

Transformador de distribuição: ~ 3% a 5% (na base do


transformador)

2
5. Natureza das correntes de curto-circuito

É semelhante à corrente de chaveamento de um circuito


RL

e(t ) = Em sen(ω t + α )

Para i(0)=0,
t

i (t ) = I m × sen(ω t + α − θ) − e τ × sen(α − θ)] ,

sendo,

Em
Im =
Z

Z = R2 + X 2

X = ωL

L
τ=
R

X
θ = tg −1
R

A corrente i(t) pode ainda ser escrita na forma

i (t ) = ica + icc

3
Sendo icc a componente contínua, cujo valor depende do
instante do chaveamento, isto é, do ângulo α. Para

a) α − θ = 0 ou icc = 0
π
b) α − θ = ± i cc, m = I m = 2 ⋅ I ef ,ca I cc, máx
2

I cc = I m , I m = 2 ⋅ I ef ,ca

Como
2
I ef = i cc + I ef2 ,ca

Tem-se
I assim, máx = 3 I ef ,ca

O valor instantâneo da corrente i(t), para um valor qualquer


de α. É mostrado no gráfico abaixo:

4
Considerando que o circuito apresentado acima
corresponde a uma das fases de um gerador síncrono,
têm-se para as outras duas fases

5
Se o curto-circuito acontece no instante em que o fluxo total
concatenado com uma das fases do estator é nulo,
nenhuma componente c.c. de corrente é exigida para
manutenção do valor inicial de fluxo e, portanto, a onda de
corrente para essa fase é simétrica, como mostra o gráfico
abaixo

E E E
X '' = ; X '
= ; X =
I '' I' I
onde
E: valor eficaz da tensão F-N nos terminais do gerador;
I’’, I’ e I são os valores eficazes ( I max / 2 ) das correntes,
respectivamente, nos períodos subtransitório, transitório e
regime.

Para estudo de curto-circuito os elementos importantes a


considerar em um sistema elétrico são, além da
configuração da rede (número de fases, tipos de ligação
dos componentes, aterramento, etc), as impedâncias dos
• geradores;
• transformadores;
• condutores.

6
Considerando que a maioria dos curtos são
desequilibrados é necessário modelar esses componentes
através das componentes de seqüência POSITIVA,
NEGATIVA e ZERO (circuitos de seqüências).

Exemplo de cálculo de curto-circuito em um circuito radial

A Figura abaixo mostra o diagrama unifilar de um sistema


de distribuição trifásico (138000/380-220V). Pede-se
calcular os curtos- circuitos TRIFÁSICO (ICC,3F), BIFÁSICO
(ICC,2F) e FASE-TERRA (ICC,FT) na barra de saída da
SE-Concessioária, no ponto de entrega (barra de AT da
SE-Consumidor e na barra de BT da SE-Consumidor. Para
isso considere

SE
Consumidor
13,8 kV
AT BT
T
SE 3000 m
D
Concessionária 3# 1/0 CAA Carga

Dados do cabo 1/0 CAA: Ponto de entrega

z1=z2= 0,1981+j0,2362 p.u./km


z0=0,2914+j1,0046 p.u./km
Vbase = 13,8 kV
Sbase = 100 MVA

Impedâncias de Thévenin Dados do transformador:


(valores equivalentes vista à S=1,5 MVA
montante da barra da 13800/380-220 V; -YT
SE-COSERN): Perdas em vazio (ferro): 3900 W
Z1 = 0,1373 + j 1,3285 p.u. Perdas totais: 28900 W
Z0 = 0,04200 + j 0,79630 p.u. Corrente de excitação: 1,5%
Vbase = 13,8 kV Impedância a 75o: 5% (na base do
Sbase = 100 MVA transformador)

7
1 - Curto-circuito - Abordagem não-matricial

1.1 Introdução

Neste capítulo será feita uma análise dos curtos-circuitos nos terminais de um gerador
síncrono, trifásico, comumente ligado em estrela aterrada, em vazio, como mostra a Figura
1.1.

Ea Eb
~ ~
·N
ZT ~ Ec

Figura 1.1 – Representação de um gerador síncrono

Essa análise é muito importante, pois serve de base para o entendimento do fenômeno
em qualquer outra parte do sistema.

Sendo o sistema trifásico ligado em estrela aterrada, há a possibilidade de quatro tipos


de curtos-circuitos, aqui também chamados de falta ou defeito.

• Trifásico
• Bifásico ou dupla-fase
• Bifásicos à terra ou dupla-fase à terra
• Monofásicos à terra ou fase-terra

Desses, apenas o curto-circuito trifásico é equilibrado, contém somente componentes de


seqüência positiva. Os demais são desequilibrados, possuindo componentes das três
seqüências (positiva, negativa e zero). Portanto, na determinação das correntes de curtos-
circuitos em regime permanente, empregam-se geralmente os equivalentes, por fase, de
seqüência positiva, negativa e zero.

1.2 Resumo das componentes simétricas dos fasores tensão e corrente

O teorema de Fortescue estabelece que um sistema de n fasores desequilibrados pode


ser decomposto em n sistemas de fasores equilibrados, denominados componentes simétricas
dos fasores originais. Então um circuito trifásico desequilibrado pode ser transformado em
três sistemas equilibrados (seqüências positiva, negativa e zero).

1
a) Componentes de seqüências das tensões

Va 1 1 1 Va 0
2
Vb = 1 a a × Va 1 (1.1)
Vc 1 a a2 Va 2

onde a = 1∠120 o e a 2 = 1∠ − 120 o = 1∠240 o .

Na forma compacta, (1.1) é escrita como

V a , b , c = T V a 0 , a 1, a 2

onde T é a matriz de transformação

1 1 1
2
T= 1 a a (1.2)
1 a a2

Explicitando o vetor das componentes simétricas em (1.1), obtém-se

Va 0 1 1 1 Va
1
Va1 = × 1 a a 2 × Vb (1.3)
3
Va 2 1 a2 a Vc

b) Componentes de seqüências das correntes

Ia 1 1 1 I a0
Ib = 1 a2 a × I a1 (1.4)
Ic 1 a a2 I a2

Na forma compacta

I a , b , c = T I a 0 , a 1, a 2

Em (1.4), explicitando o vetor das componentes tem-se

I a0 1 1 1 Ia
1 2
I a1 = × 1 a a × Ib (1.5)
3
I a2 1 a2 a Ic

2
1.3 Circuitos de seqüências de um gerador síncrono

Usando a teoria das componentes simétricas, montam-se os circuitos unifilares de


seqüência positiva, negativa e zero, do gerador mostrado na Figura 1.1. Comumente,
emprega-se a fase a. Como o gerador é aterrado, a tensão é tomada em relação ao potencial de
terra. No caso, a tensão fase-neutro é diferente, obviamente, da tensão fase-terra, pois o
gerador é aterrado através de uma impedância. É importante salientar que foi omitido o índice
T (Terra) dos fasores que representam a tensão à terra.

a) Circuito de seqüência positiva (Figura 1.2)

Za1 Ia 1

Ea 1 ~ Va1

Figura 1.2 – Circuito de seqüência positiva

De acordo com o circuito tem-se

E a1 = Va1 − Z a1 I a1
(1.6)

onde Ea1 é a tensão de seqüência positiva interna ao gerador, Va1 é a tensão de seqüência
positiva nos seus terminais, Ia1 é a corrente de seqüência positiva na fase a e Za1 representa a
impedância de seqüência positiva do enrolamento da fase a.

b) Circuito de seqüência negativa (Figura 1.3)

Za2 Ia 2

Va2

Figura 1.3 – Circuito de seqüência negativa

A equação que descreve esse circuito é

Va 2 = − Z a 2 × I a 2 (1.7)

3
sendo Va2 a tensão de seqüência positiva nos terminais do gerador, Ia2 a corrente de seqüência
negativa na fase a e Za2 a impedância de seqüência negativa do enrolamento da fase a.

c) Circuito de seqüência zero (Figura 1.5)

Comumente, os geradores síncronos são aterrados através de uma impedância de terra,


ZT (ou neutro, ZN), como mostra a Figura 1.1, com o objetivo de limitar a corrente de curto-
circuito fase-terra em seus terminais.

Em concordância com a teoria das componentes simétricas, as correntes de seqüência


zero nas três fases do gerador são iguais, isto é, I a 0 = I b 0 = I c 0 . Isso faz circular uma corrente
I 0 na impedância de terra, ZT (Figura 1.4), que é dada pela soma das correntes de seqüência
zero nas três fases, ou seja,

I 0 = I a 0 + I b 0 + I c 0 = 3I a 0 (1.8)

Ia 0
Va0

Ib 0
Vb0
Za0 Zb0

•N
I0 Zc0
Ic 0
VN 0 ZT Vc0

Figura 1.4 – Circuito trifilar de seqüência zero do gerador

A tensão de seqüência zero na fase a para a terra, Vao, é

Va 0 = − Z a 0 I a 0 − Z T I 0 (1.9)

A substituição de (1.8) em (1.9), resulta

Va 0 = − Z a 0 I a 0 − 3Z T I a 0 = −(Z a 0 + 3Z T )I a 0 (1.10)

Então, de acordo com (1.10) constrói-se o circuito de seqüência zero, mostrado na Figura 1.5.

4
Za0 Ia 0

3ZT Va0

Figura 1.5 – Circuito de seqüência zero

1.4 Curto-circuito trifásico

O gerador síncrono gera tensões perfeitamente equilibradas, de modo que um curto-


circuito trifásico em seus terminais origina somente componentes de seqüência positiva. A
Figura 1.6 mostra uma falta trifásica nos terminais do gerador e os fasores de tensões, que têm
como referência o potencial de terra.

Va
b

Ea Eb
~ ~
•N
Vb
~ Ec

VNT ZT
c

Vc

Figura 1.6 – Curto-circuito trifásico nos terminais do gerador síncrono

Uma falta trifásica nos terminais do gerador síncrono à vazio, leva as tensões no ponto
da falta ao potencial zero.

Va = Vb = Vc = 0 (1.11)

De acordo com a (1.3), tem-se

5
Va 0 1 1 1 0
1 2
Va1 = × 1 a a × 0 (1.12)
3
Va 2 1 a2 a 0

Resolvendo (1.12) obtém-se Va0 = Va1= Va2 = 0.

Das equações (1.6), (1.7) e (1.10) têm-se Ia0= 0, Ia2=0 e

E a1 E a
I a1 = = (1.13)
Z a1 Z a1

onde Ea1 = Ea, pois as tensões são equilibradas.

Observa-se que nesse tipo de falta somente o circuito de seqüência positiva é ativo.
Então, é representada apenas pelo circuito de seqüência positiva como mostra a Figura 1.7.

Za1 Ia1

Ea1 ~

Figura 1.7 – Circuito de seqüência positiva para falta trifásica

De (1.4) tem-se

Ia 1 1 1 0

Ib = 1 a2 a × I a1 (1.14)

Ic 1 a a2 0

A solução dessa equação resulta nas correntes de curto-circuito trifásico em cada fase.

Ea
I a = I a1 =
Z a1
Ea
I b = a 2 I a1 = a 2 (1.15)
Z a1
Ea
I c = aI a1 = a
Z a1

6
1.4.1 Curto-circuito trifásico através de uma impedância

Comumente, o curto-circuito trifásico ocorre através de impedância de falta, ZF, como


modelada na Figura 1.8. Essa impedância representa é a resistência de arco que surge entre as
fases no momento da falta. Em linhas de transmissão de 132 kV a 400 kV a resistência de
arco assume valores típicos da ordem de 2 ohms.

a
b
c

ZF ZF ZF

Figura 1.8 – Falta trifásica através de impedância

Nesse caso, o circuito unifilar de seqüência positiva está mostrado na Figura 1.9.

Za1 Ia1

Ea1 ~ ZF Va1F

Figura 1.9 – Circuito de seqüência positiva para falta trifásica através de uma impedância

Conforme o circuito, a corrente Ia1 é dada por

E a1
I a1 = (1.16)
Z a1 + Z F

Já a tensão de seqüência positiva, no ponto da falta, Va1F , não é mais zero e assume o valor

Va1F = Z F I a1 (1.17)

Conseqüentemente, as tensões nas fases, no ponto da falta, são

VaF = Va1F
VbF = a 2 Va1F (1.18)
VcF = aVa1F

7
1.5 Curto-circuito monofásico à terra

Na Figura 1.6, curto-circuitando a fase a à terra têm-se as seguintes restrições


Va = 0 e I b = I c = 0 . Em (1.5), a substituição de Ib e Ic por zero resulta

1
I a 0 = I a1 = I a 2 = I a (1.19)
3

Por componentes simétricas o fasor Va é dado por

Va = Va 0 + Va1 + Va 2 (1.20)

Substituindo (1.6), (1.7), (1.10) e (1.19) em (1.20) e igualando-a a zero (restrição),


obtém-se

E a1 = (Z a 0 + Z a1 + Z a 2 + 3Z T )I a1 (1.21)

Explicitando Ia1 nessa equação tem-se

Ea
I a1 = (1.22)
Z a0 + Z a1 + Z a 2 + 3Z T

De (1.19), Ia = 3Ia1, então

3Ea
Ia = (1.23)
Z a0 + Z a1 + Z a 2 + 3Z T
Se Za1=Za2, obtém-se

3Ea
Ia =
2 Z a1 + Z a 0 + 3Z T

Para que (1.19) e (1.21) sejam satisfeitas, os circuitos de seqüências devem ser ligados
em série, como mostra a Figura 1.10.

Za1 Ia1 Za2 Ia2 Za0 Ia0

Ea1 ~ Va1 Va2 3ZT Va0

Figura 1.10 – Ligação dos circuitos de seqüências positiva, negativa e zero para cálculo de falta fase-terra

8
Aplicando (1.19) e (1.22) em (1.7), (1.8) e (1.10) obtêm-se Va0, Va1 e Va2 em relação ao
potencial de terra (Figura 1.6), conseqüentemente, as tensões nas fases são calculadas relação
à terra, ou seja

VaT 1 1 1 Va 0

VbT = 1 a 2 a × Va 1 (1.24)

VcT 1 a a2 Va 2

Por sua vez, as tensões nas fases, tomando como referência o ponto neutro (N), são

VaN 1 1 1 VaN 0

VbN = 1 a 2 a × Va 1 (1.25)

VcN 1 a a2 Va 2

em que

VaN 0 = −Z a 0 I a 0 (1.26)

De acordo com o circuito da Figura 1.6, tem-se

VaT = VNT + VaN


VbT = VNT + VbN (1.27)
VcT = VNT + VcN
onde

VNT = − Z T I 0 = −3Z T I a 0 (1.28)

1.6 Curto-circuito bifásico

Um curto-circuito entre as fases b e c (Figura 1.6) implica nas seguintes restrições


I a = 0, I b = −I c e Vb = Vc . Aplicando essas restrições em (1.5) e em (1.3) obtêm-se as
correntes e tensões nas fases, no memento da falta.

De (1.5) tem-se

I a0 1 1 1 0
1 2
I a1 = × 1 a a × Ib (1.29)
3
I a2 1 a2 a − Ib

A solução dessa equação resulta

9
I a0 = 0
Ib I
I a1 = (a − a 2 ) = j 3 b (1.30)
3 3
I I
I a2 = (−a + a 2 ) b = − j 3 b
3 3

Em (1.30), observa-se que

I a1 = −I a 2 (1.31)

Em (1.3), substituindo Vc por Vb escreve-se

Va 0 1 1 1 Va
1
Va1 = × 1 a a 2 × Vb
3
Va 2 1 a2 a Vb

Desenvolvendo essa equação obtêm-se

1
Va 0 = (Va + 2Vb ) (1.32)
3
1
Va1 = [Va + Vb (a + a 2 )] (1.33)
3
1
Va 2 = [Va + Vb (a + a 2 )] (1.34)
3

Observa-se que (1.33) e (1.34) são iguais, implicando em

Va1 = Va 2 (1.35)
Sendo Ia0 = 0 em (1.10), então

Va0 = 0 (1.36)

Portanto, nesse tipo de falta, o circuito de seqüência zero é inativo.

Para satisfazer as condições obtidas em (1.31) e (1.35), os circuitos de seqüência


positiva e negativa devem ser ligados como na Figura 1.11.
Za1 Ia1 Ia2 Za2

Ea1 ~ Va1 Va2

Figura 1.11 – Ligação dos circuitos de seqüências positiva e negativa para cálculo de falta bifásica

10
Do circuito mostrado na Figura 1.11, tem-se

Ea
I a 2 = −I a1 = (1.37)
Z a1 + Z a 2

As correntes nas fases são calculadas pela equação

Ia 1 1 1 0
2
Ib = 1 a a × I a1 (1.38)
Ic 1 a a 2 − I a1

A solução dessa equação resulta em

Ia = 0
I b = I a1 (a 2 − a) = − j 3 I a1 (1.39)
I c = I a1 (a − a 2 ) = j 3 I a1

Substituindo esses valores em (1.37), obtém-se

j 3 Ea
Ib = −
Z a1 + Z a 2
(1.40)
j 3 Ea
Ic =
Z a1 + Z a 2

As tensões nas fases são determinadas substituindo-se (1.35) e (1.36) em (1.1), isto é,

Va 1 1 1 0
2
Vb = 1 a a × Va 1 (1.41)
Vc 1 a a 2 Va1

O desenvolvimento dessa equação conduz a

Va = 2Va1
Vb = (a 2 + a)Va1 = − Va1 (1.42)
Vc = (a + a 2 )Va1 = − Va1

Da Figura 1.11, escreve-se

E a1
Va1 = − Z a 2 I a 2 = Z a 2 (1.43)
Z a1 + Z a 2

11
Substituindo (1.43) em (1.42) obtêm-se as tensões

E a1
Va = 2 Z a 2
Z a1 + Z a 2
(1.44)
Va
Vc = Vb = −
2

1.6.1 Curto-circuito bifásico através de uma impedância

Geralmente, o curto-circuito bifásico se desenvolve através de uma impedância de


falta ZF, que se apresenta entre as duas fases defeituosas. É modelada como mostrado na
Figura 1.12.
a
b
c
IF

ZF

Figura 1.12 – Falta bifásica através de impedância

De acordo com a figura, tem-se

Vb − Vc
IF = Vc = Vb − Z F I F
ZF

As componentes simétricas das tensões são

Va 0 1 1 1 Va
1 2
Va1 = × 1 a a × Vb
3 2
Va 2 1 a a Vb − Z F I F

Extraindo Va1 dessa equação, tem-se

1
Va1 = [Va + aVb + a 2 (Vb − Z F I F )] (1.45)
3

Sendo Va0 = 0, de (1.1) obtêm-se

Va = Va1 + Va2

Vb = a2Va1 + aVa2

12
A substituição desses valores em (1.45), resulta

1
Va1 = [(Va1 + Va 2 ) + a (a 2 Va1 + aVa 2 ) + a 2 (aVa1 + a 2 Va 2 − Z F I F )] (1.46)
3

De (1.39), sabe-se que

I F = I b = I a1 (a 2 − a)

Substituindo IF em (1.46), obtém-se

1
Va1 = {(Va1 + Va 2 ) + a (a 2 Va1 + aVa 2 ) + a 2 [aVa1 + a 2 Va 2 − Z F I a1 (a 2 − a )]} (1.47)
3

O desenvolvimento de (1.47) resulta em

Va1 = Va 2 + Z F I a1 (1.48)

Então, o circuito de seqüências que atende a essa equação é

Za1 Ia1 ZF Ia2 Za2


• •
Ea1 ~ Va1 Va2

Figura 1.13 – Ligação dos circuitos de seqüências positiva e negativa


para cálculo de falta bifásica através de uma impedância

Nesse caso, (1.40) e (1.44) são re-escritas como

j 3 Ea
I c = −I b = (1.49)
Z a1 + Z a 2 + Z F

E a1
Va = 2 (Z a 2 + Z F ) (1.50)
Z a1 + Z a 2 + Z F

1.7 Curto-circuito bifásico à terra

Esse tipo de falta ocorre quando uma falta bifásica entra em contato com um ponto
aterrado. Por exemplo, um curto-circuito entre as fases b e c e a terra na Figura 1.6. Nesse
caso I a = 0 e Vb = Vc = 0 . Substituindo o valor dessas tensões em (1.3), determinam-se as
tensões das seqüências.

13
Va 0 1 1 1 Va
1
Va1 = × 1 a a2 × 0 (1.51)
3
Va 2 1 a2 a 0

A solução dessa equação conduz a

Va
Va 0 = Va1 = Va 2 = (1.52)
3

Sendo Ia = 0, então

I a 0 + I a1 + I a 2 = 0 (1.53)

Para satisfazer simultaneamente às equações (1.52) e (1.53), os circuitos de seqüências


devem ser ligados como mostrado na Figura 1.14.

Za1 Ia1 Za2 Ia2 Za0 Ia0

Ea1 ~ Va1 Va2 3ZT Va0

Figura 1.14 – Ligação dos circuitos de seqüências positiva, negativa e zero para cálculo de bifásica à terra

Do circuito, obtém-se
Ea
I a1 = (1.54)
Z (Z + 3Z T )
Z a1 + a 2 a 0
Z a 2 + Z a 0 + 3Z T

Do circuito da Figura 1.14, Va0 = Va1 =Va2 = Ea – Za1 Ia1, então

E a − Z a1I a1
I a2 = − (1.55)
Z a2

Por sua vez Iao é dada por

E a − Z a1I a1
I a0 = − (1.56)
Z a 0 + 3Z T

14
Em termos de componentes simétricas, as correntes nas fases defeituosas b e c, no
momento da falta, são

I b = I a 0 + a 2 I a1 + aI a 2 (1.57)

I c = I a 0 + aI a1 + a 2 I a 2 (1.58)

Finalmente, a corrente na falta é dada por

I F = I b + I c = 3 I a0 (1.59)

Como Va0 = Va1 =Va2 = Ea – Za1 Ia1, por componentes simétricas, determinam-se as
tensões no ponto da falta, em relação à terra, ou seja

VaT 1 1 1 Va 0

VbT = 1 a 2 a × Va 1
VcT 1 a a2 Va 2

Por exemplo, desenvolvendo a primeira linha da matriz e substituindo o valor de Ia1, dado em
(1.50), obtém-se a tensão na fase a (fase sã) em relação à terra (VaT).

3Ea
VaT = (1.60)
Z Z
1 + a1 + a1
Z 0 Z a2
em que Z0 = Za0 + 3ZT.

1.8 Relação entre as correntes de curto-circuito bifásico e trifásico

Desprezando a impedância de falta ZF, as correntes das faltas trifásica e bifásica são
dadas por (1.15) e (1.40), respectivamente. Considerando a fase b, a razão entre a corrente de
falta bifásica (ICC,2F) e a trifásica (ICC,3F) é

j 3 Ea

I CC , 2 F Z a1 + Z a 2 j 3 Z a1
= 2
=− 2
(1.61)
I CC ,3 F a Ea a (Z a1 + Z a 2 )
Z a1

Se Za1= Za2, resulta

I CC , 2 F j 3 3∠ − 90
=− 2
= o
= 0,866∠ − 330 o (1.62)
I CC ,3 F 2a 2∠240

15
Em módulo, tem-se
I CC , 2 F = 0,866 × I CC ,3 F (1.63)

Não esquecer que essa relação só é válida se ZF =0 e Za1= Za2.

16
Análise de faltas balanceadas e não-balanceadas utilizando Zbar

1. Análise de falta balanceada usando a matriz de impedância de barra (Zbar)

Aqui será feita uma análise de cálculo de curto-circuito trifásico (falta balanceada),
utilizando a matriz Zbar. Será visto que o emprego dos elementos de Zbar facilita o cálculo da
corrente de falta, bem como das tensões nodais durante a falta. Para isso, assume-se que:
• O sistema é balanceado e, portanto, pode ser modelado por fase;
• Cada máquina (gerador ou motor) é representada por uma fonte de tensão constante
atrás de uma impedância;
• Cada transformador é modelado por sua impedância do ramo série (obtida do ensaio
de curto-circuito);
• As linhas de transmissão são representadas por seu modelo π equivalente, desprezando
as capacitâncias “shunt”;
• A falta dar-se-á através de uma impedância de falta Zf (pode ser uma resistência de
arco);
• Os parâmetros (z e y) e as grandezas (V e I ) são fornecidos em p.u.

Considere o sistema de potência composto por três barras mostrado na Figura 1. Na


barra 3 está simulada uma falta trifásica através de uma impedância de falta Zf .

Y G1 jxG1 jxG2 G2 Y

Y jxT2
jxT1 ∆
Y Y

1 jx12 2

jx13 jx23

Zf

Figura 1 – Diagrama de impedâncias de um sistema de potência

O vetor das tensões nodais pré-falta do circuito é

 V1 (0) 
Vbar (0) = V2 (0)
 V3 (0) 

onde a notação (0) denota a condição pré-falta.

1
As mudanças causadas pela falta são equivalentes àquelas causadas pela adição da
tensão V&3 (0) (tensão pré-falta aplicada á barra 3) com as outras fontes curto-circuitadas,
portanto aplica-se o teorema de Thévenin. Representando todos os componentes e cargas por
suas admitâncias, obtém-se o circuito de Thévenin mostrado na Figura 2.

0 0

-jy10 -jy20

1 -jy12 2

-jy13 -jy23

3
_
+ Vth = V3 (0)
I3 (F)
Zf

Figura 2 - Circuito de Thévenin

Empregando o princípio da superposição ao circuito, as tensões nas barras durante a


falta (Vbar (F)) são obtidas pela adição das tensões pré-falta (Vbar(0)) com as suas variações
durante a falta (∆Vbar)

Vbar (F) = Vbar (0) + ∆Vbar (1)

em que a notação (F) ressalta a condição de falta.

No circuito de Thévenin da Figura 2, a corrente entrando em todos os nós é zero,


exceto na barra da falta. Desde que a corrente nessa barra está saindo, então, ela é tomada
com o sinal negativo. Portanto, a equação nodal aplicada ao circuito é

 0   Y11 Y12 Y13   ∆V1 


 0  = Y Y 22 Y 23  × ∆V2 
   21
− I 3 ( F )  Y 31 Y 32 Y33   ∆V3 

−1
sendo Z bar = Ybar , resulta

 ∆V1   Z11 Z12 Z13   0 


∆V  = Z Z 22 Z 23  ×  0 
 2   21
 ∆V3   Z 31 Z 32 Z 33  − I 3 ( F )
ou
2
∆Vbar = Z bar × I bar (F ) (2)

Substituindo (2) em (1), obtém-se o vetor das tensões nas barras durante a falta

Vbar (F) = Vbar (0) + ZbarIbar(F) (3)

Escrevendo (3) em termos de seus elementos, tem-se

 V1 ( F )   V1 (0)   Z11 Z12 Z13   0 


 V ( F )  =  V ( 0)  +  Z Z 22 Z 23  ×  0 
 2   2   21
 V3 ( F )   V3 (0)   Z 31 Z 32 Z 33  − I 3 ( F )

Em (3) há somente um elemento não-zero no vetor corrente (corrente de falta), então


as tensões nodais durante a falta são dadas por

V1 ( F ) = V1 (0) − Z13 I 3 ( F )

V2 ( F ) = V2 (0) − Z 23 I 3 ( F ) (4)

V3 ( F ) = V3 (0) − Z 33 I 3 ( F )

onde V3 ( F ) é a tensão na barra da falta e as demais são as tensões nas outras barras,
originadas pela corrente de falta.

Do circuito de Thévenin (Figura 2), a tensão na barra da falta também pode ser
calculada multiplicando-se a impedância de falta pela corrente de falta. Para o caso de uma
falta franca ( Z f = 0 ), então V3 ( F ) =0.

V3 ( F ) = Z f I 3 ( F ) (5)

Substituindo (5) em V3 ( F ) de (4), resulta

V3 (0)
I 3 (F ) = (6)
Z 33 + Z f

de onde se conclui que Z 33 é a própria impedância de Thévenin vista da barra 3, ou seja,


Z 3 (th) = Z 33 .

As correntes nas linhas durante a falta são

V1 ( F ) − V2 ( F )
I12 ( F ) =
z 12

3
V1 ( F ) − V3 ( F )
I13 ( F ) = (7)
z 13

V2 ( F ) − V3 ( F )
I 23 ( F ) =
z 23

onde z 12 , z 13 e z 23 são as impedâncias-série de seqüência positiva das linhas 1-2, 1-3 e 2-3.

Generalizando para um sistema com n barras obtêm-se as equações (4) e (7) para a i-
ésima barra.

1) Tensão na barra i-ésima para uma falta na barra k

Vi ( F ) = Vi (0) − Z ik I k ( F )

onde

Vk (0)
I k (F ) =
Z kk + Z f

2) Corrente na linha i-j (de i para j) devido a uma falta na barra k

Vi ( F ) − V j ( F )
I ij ( F ) =
z ij

2. Análise de faltas desbalanceadas usando a matriz de impedância de barra (Zbar)

Foi visto que para uma falta na barra k, o elemento Zkk da matriz Zbar é a impedância
de Thévenin vista do ponto de falta. Para se obter a solução para faltas desbalanceadas, a
matriz de impedância de barra para cada seqüência é montada separadamente, então as
impedâncias de seqüência Z (kk0) , Z (kk1) e Z (kk2) (impedâncias de Thévenin para as seqüências)
são conectadas convenientemente, conforme já se estudou, a fim de se calcular as correntes
das faltas fase-terra, bifásica e bifásica-terra. Os sobre-escritos (0), (1) e (2) denotam as
seqüências zero, positiva e negativa.

2.1. Falta fase-terra

Considere uma falta da fase a (da barra k) à terra através de uma impedância de falta
Zf, conforme mostrado na Figura 3. Nesse caso, Zf pode ser a própria resistência de terra.

4
a b c

Zf

Figura 3 – Falta fase a da barra k à terra, através de Zf

A falta fase-terra requer os circuitos de seqüência positiva, negativa e zero, ligados em


série, como já foi visto. Assim, de forma geral, para uma falta na barra k as componentes
simétricas para a corrente de falta são

Vk (0)
I (k0) = I (k1) = I (k2) =
Z (kk1) + Z (kk2) + Z (kk0) + 3Z f

onde Z (kk1) , Z (kk2) e Z (kk0) são os elementos kk das diagonais das matrizes Z bar
(1) ( 2)
, Z bar (0)
e Z bar ,
respectivamente. Em outras palavras, são as impedâncias de Thévenin de cada seqüência,
vistas da barra k. Vk (0) é a tensão pré-falta (de seqüência positiva) na barra k. As correntes
de falta nas fases são

I abc
k = T × I 012
k (8)

em que T é a matriz de transformação

1 1 1
T = 1 a 2
a 
1 a a 2 

2.2. Falta bifásica

Considere uma falta entre as fases b e c através de uma impedância Zf (pode ser uma
resistência de arco) como mostrado na Figura 4.

a b c

Zf
Figura 4 – Falta bifásica envolvendo as fases b e c da barra k, através Zf

Esse tipo de falta requer somente os circuitos de seqüências positiva e negativa. De


acordo com o que já se estudou, esses circuitos são conectados em oposição. As componentes
simétricas da corrente de falta são
5
I (k0) = 0

Vk (0)
I (k1) =
Z (kk1) + Z (kk2) + Z f

I (k2) = −I (k1)

As correntes de falta nas fases são calculadas por (8).

2.3. Falta bifásica à terra

Considere uma falta entre as fases b e c à terra através de uma impedância Zf como
mostrado na Figura 5. A impedância de falta pode ser a própria resistência de terra.

a b c

Zf

Figura 5 - Falta bifásica envolvendo as fases b e c da barra k e a terra, através Zf

Esse tipo de falta requer os três circuitos de seqüência, os quais são conectados em
paralelo como já foi visto. As correntes de seqüência são

Vk (0)
I (k1) =
Z kk (Z (kk0) + 3Z f )
( 2)
Z (kk1) +
Z (kk2) + Z (kk0) + 3Z f

Vk (0) − Z (kk1) I (k1)


I (k2) =−
Z (kk2)

Vk (0) − Z (kk1) I&k(1)


I (k0) =−
Z (kk0) + 3Z f

As correntes de falta nas fases são calculadas empregando-se (8). A corrente na falta é
dada pela soma

I k (F) = Ibk + Ick

6
2.4. Tensões nas barras e correntes nas linhas durante a falta

As componentes simétricas da tensão na i-ésima barra durante a falta são obtidas por

Vi(1) ( F ) = Vi(1) (0) − Z ik(1) I (k1)

Vi( 2) ( F ) = 0 − Z ik( 2) I (k2) (9)

Vi0 ( F ) = 0 − Z ik( 0) I (k0)

onde Vi(1) (0) = Vi (0) é a tensão de fase pré-falta na barra i. As tensões nas fases durante a falta
são

Viabc = T × Vi012

As equações (9) podem ser representadas pelos três circuitos equivalentes de


seqüências mostrados na Figura 6.

Z ik(1) Z ik( 2) Z ik(0)

I (k1) I (k2) I (k0)


Vi(1) (0) + Vi(1) ( F ) Vi( 2) ( F ) Vi( 0) ( F )

Figura 6 – Circuitos de seqüência positiva, negativa e zero

As componentes simétricas da corrente de falta em uma linha i-j (de i para j) são

Vi(1) ( F ) − V (j1) ( F )
I ij(1) ( F ) =
z ij(1)

Vi( 2) ( F ) − V (j 2) ( F )
I ij( 2) ( F ) =
z ij( 2)

Vi( 0) ( F ) − V (j 0) ( F )
I ij( 0) ( F ) =
z ij( 0)

onde z ij(1) , z ij(1) e z ij(1) são as componentes de seqüência positiva, negativa e zero da
impedância-série da linha i-j. Tendo sido obtidas as componentes simétricas da corrente na
linha, a corrente por fase é

I ijabc = T × I ij012

7
Exercício 1

O diagrama unifilar de um sistema de potência está mostrado na Figura 1. O neutro de cada


gerador está aterrado através de um reator limitador de corente cuja reatância é 0.0833 p.u. na
base de 100 MVA. Os dados do sistema estão expressos em p.u. em uma base comum de 100
MVA, como tabelados abaixo. Os geradores estão funcionando em vazio com seus valores
nominais de frequência e tensão. Pede-se determinar: (a) a corrente de falta; (b) as tensões nas
barras durante a falta; (c) as correntes de falta nas linhas. Isso deve ser feito para as seguintes
faltas:

1) Uma falta balanceada (falta trifásica) na barra 3


2) Uma falta da fase a à terra na barra 3;
3) Uma falta bifásica envolvento as fases b e c na barra 3;
4) Uma falta bifásica-terra envolvendo as fases b, c e a terra na barra 3.

Todas as faltas ocorrem através de uma impedância de falta Zf = j0,1 p.u.

Tabela de dados para o sistema


Item Base Tensão X1 X2 X0
(MVA) (kV) (p.u) (p.u) (p.u)
G1 100 20 0,15 0,15 0,05
G2 100 20 0,15 0,15 0,05
T1 100 20/220 0,10 0,10 0,10
T2 100 20/220 0,10 0,10 0,10
L12 100 220 0,125 0,125 0,30
L13 100 220 0,15 0,15 0,35
L23 100 220 0,25 0,25 0,7125

Resolver o exercercício através de um programa computacional para estudo de curto-circuito,


usando a matriz Zbar. O programa deve ser geral, de modo que possa ser empregado para um
sistema de potência com qualquer número de barras.

(1) (2) (0)


A fim de balizar os resultados fornecem-se abaixo as matrizes Z bar , Z bar e Z bar .

 j 0,1450 j 0,1050 j 0,1300 


Z (1)
bar =  j 0,1450 j 0,1200 
 j 0,2200

(2) (1)
Z bar = Z bar

 j 0,1820 j 0,0545 j 0,1400 


Z (0)
bar =  j 0,0864 j 0,0650
 j 0,3500 

8
Fontes equivalentes

A substituição de uma fonte de tensão em série com uma impedância, por uma fonte
de corrente em paralelo com uma admitância, é bastante útil em muitos problemas de análise
de circuitos elétricos, particularmente, em sistemas de potência. Tome-se como exemplo os
dois circuitos mostrados na Figura 1.

IL IS IL
ZG
ZL VL IS YP ZL VL
+
EG
_

(a) (b)

Figura 1 – Fontes equivalentes: (a) - Fonte de tensão; (b) - Fonte de corrente

No circuito da Figura 1.a, Z G representa uma impedância em série com a fonte de


tensão E G . Já na Figura 1.b, a admitância YP está ligada em paralelo com a fonte de corrente
I S . Em ambos os circuitos, Z L é a impedância de carga, VL e I L são a tensão e a corrente na
carga. Escrevendo as equações para os circuitos (a) e (b) obtêm-se

VL = E G − Z G I L (1)

IS I
I S = YP VL + I L ⇒ VL = − L (2)
YP YP

1
Em (2), fazendo YP = resulta
ZP

VL = Z P I S − Z P I L (3)

Comparando (1) e (3), conclui-se que

EG = Z P I S (4)
e
Z G =Z P (5)

Desde que (4) e (5) sejam verdadeiras, então, a fonte de tensão e a impedância em
série, representadas no circuito da Figura 1.a, podem ser substituídas por uma fonte de
corrente constante em paralelo com a admitância YP, como mostra a Figura 1.b.

1
Exemplo: Considere o diagrama unifilar de um sistema de potência mostrado na Figura 1. A
Tabela 1 fornece as impedâncias de seqüência positiva. Desprezaram-se os parâmetros shunt
(capacitâncias) e as resistências em série. As fontes de tensão são E G 1 = E G 2 = 1,1∠ 0 o p.u.

Tabela 1- Dados do sitema


Item X1 (p.u)
G 1 e G2 0,150
T1 e T2 0,100
L12 0,125
L13 0,150
L23 0,250

Y G1 G1 Y

Y ∆
T1 T2
Y Y

1 2
L12

L13 L23

Figura 2 – Diagrama unifilar de um sistema de potência

Pede-se construir

a) O diagrama de impedâncias.
b) O diagrama de admitâncias.

Solução:
a) Diagrama de impedâncias
0 0
+ +
1,1∠ 0 o 1,1∠0 o
_ _
j0,25 j0,25

1 j0,125 2

j0,15 j0,25

Figura 3 - Diagrama de impedâncias

2
Nesse diagrama as linhas são representadas por suas impedâncias e as fontes de tensão
por suas tensões em série com as impedâncias próprias, somadas às impedâncias dos
transformadores.

b) Diagrama de admitâncias

0 0

I&1 = 4,4∠ − 90 o -j4 -j4 I&2 = 4,4∠ − 90 o

1 -j8 2

-j6,7 -j4

Figura 4 - Diagrama de admitâncias

Nesse diagrama, as fontes de tensão são substituídas por fontes de corrente


equivalentes e as impedâncias pelas admitâncias correspondentes.

3
Matrizes Ybar e Zbar

1. Matriz admitância de barra (Ybar)

Considere o sistema de potência representado na Figura 1.

Y G1 jxG1 jxG2 G1 Y

Y jxT2
jxT1 ∆
Y Y

1 jx12 2

jx13 jx23

Figura 1 – Diagrama de impedâncias

Transformando as fontes de tensão em fontes de corrente e as impedâncias em


condutâncias, obtém-se o circuito mostrado na Figura 2.

0 0

I1 -jy10 -jy20 I2

I10 I20
1 -jy12 2

I13 I12 I23


-jy13 -jy23

3
I3=0

Figura 2 - Diagrama de admitâncias

Aplicando a lei de Kirchhoff à barra 1 (nó 1), resulta:

I1 = I 10 + I 12 + I13 = y 10 (V1 − V0 ) + y 12 (V1 − V2 ) + y 13 (V1 − V3 )

Na equação acima, fazendo V0 = 0 (tensão na referência) e arrumando-a, obtém-se

1
I1 = (y 10 + y 12 + y 13 ) × V1 − y&12 × V2 − y 13 × V3

De modo semelhante, para os outros nós têm-se

I 2 = − y 21 × V1 + (y 20 + y 21 + y 23 ) × V2 − y 23 × V3

0 = −y 31 × V1 − y 32 × V2 + (y 31 + y 32 ) × V3

Na forma matricial, torna-se

 I 1  y 10 + y 12 + y 13 − y 12 − y 13   V1 
I  =  − y 21 y 20 + y 21 + y 23 − y 23  × V2 
 2 
 0   − y 31 − y 32 y 31 + y 32   V3 

Fazendo

Y11 = y 10 + y 12 + y 13 ; Y12 = − y 12 ; Y13 = − y 13

Y21 = −y 21 ; Y22 = y 20 + y 21 + y 23 ; Y23 = − y 23

Y31 = − y 31 ; Y32 = − y 32 ; Y33 = y 31 + y 32

a equação nodal se reduz a

 I1   Y11 Y12 Y13   V1 


I  =  Y Y 22 Y 23  × V2 
 2   21
 0   Y 31 Y 32 Y33   V3 

Expandindo a equação nodal acima para um sistema com n barras ou nós (exceto a
barra de referência), resulta

 I 1   Y 11 Y12 L Y1i L Y 1n   V1 
I   Y Y 22 L Y 2i L Y 2 n   V2 
 2   21
M  M M M M   M 
 = ×  (1)
 I i   Y i1 Y i2 L Yii L Y in   Vi 
M  M M M M   M 
     
I n   Y n1 Y n2 L Y ni L Y nn  Vn 

ou
I bar = Ybar × Vbar (2)

onde Ibar é o vetor das correntes injetadas. A corrente é positiva quando está entrando na
barra, e negativa quando está saindo. Vbar é o vetor das tensões nas barras (tendsões nodais),
medidas em relação ao nó de referência. Ybar é conhecida como matriz de admitância nodal.
2
Cada elemento da diagonal, chamado de indutância própria, corresponde a um nó. É
calculado pela soma das admitâncias conectadas ao respectivo nó, isto é,

n
Yii = ∑ yi j j ≠ i, i = 1,..., n
j =0

Cada elemento fora da diagonal é igual ao negativo da admitância entre os nós. É


conhecido como admitância mútua ou de transferência, isto é,

Yi j = Y j i = −y i j

A matriz de admitância de barra é não-singular (tem inversa). A sua inversa é chamada


de matriz de impedância de barra Zbar. Quando as correntes são conhecidas, (2) pode ser
resolvida para se obter as n tensões complexas nodais.

−1
Vbar = Ybar × I bar (3)
ou
Vbar = Z bar × I bar (4)

A inspeção das matrizes Ybar e Zbar revela que são simétricas em relação à diagonal
principal, portanto, é preciso conhecer somente a sua triangular superior. Em um sistema de
potência típico, cada barra está conectada somente em algumas barras próximas.
Conseqüentemente, muitos elementos fora da diagonal da matriz Ybar são zero (como no caso
de sistemas radiais). Uma matriz que possui essa característica é conhecida como esparsa.
Eficientes técnicas numéricas podem ser aplicadas para calcular a sua inversa. No entanto,
Zbar, que é requerida para análise de curto-circuito, pode ser obtida diretamente através de
técnicas de montagem sem precisar inverter Ybar. Essas técnicas serão discutidas neste curso.

Exercício 1: Escrever as equações matriciais Ibar=YbarVbar e Vbar=ZbarIbar, para o sistema de


potência, cujo diagrama de admitâncias está mostrado na Figura 3.

0 0

I1 = − j 4,4 -j4 -j4 I 2 = − j 4,4

1 -j8 2

-j6,7 -j4

3
I3 = 0

Figura 3 - Diagrama de admitâncias

A equação matricial Ibar = YbarVbar, do sistema é


3
− j 4,4 − j18,7 j8 j 6,7   V1 
− j 4,4 =  j8 − j16 j 4  × V2  (5)
  
 0   j 6,7 j4 − j10,7   V3 

onde

− j 4,4
I bar = − j 4,4
 0 

e
− j18,7 j8 j 6,7 
Ybar 
=  j8 − j16 j 4 
 j 6,7 j4 − j10,7 

Escrevendo (5) em função de Zbar, obtém-se

 V1   j 0,1450 j 0,1050 j 0,1300  − j 4,4


V  =  j 0,1050 j 0,1450 j 0,1200  × − j 4,4 (6)
 2 
 V3   j 0,1300 j 0,1200 j 0,2200  0 

em que

 j 0,1450 j 0,1050 j 0,1300 


Z bar =  j 0,1050 j 0,1450 j 0,1200 
 j 0,1300 j 0,1200 j 0,2200

Resolvendo (5), obtêm-se as tensões nas barras

 1,1000 
Vbar =  1,1000 
 1,1000 

Por que essas tensões são todas iguais?

Exercício 2: Agora, na barra 3 está ligada uma carga cuja corrente é I c arg a = 0,61 − j 0,14 p.u,
pede-se calcular as novas tensões nas barras.

Considerando que a corrente de carga sai da barra, então, I 3 = −I c arg a = −0,61 + j 0,14 p.u.
Substituindo o novo valor de I 3 em (6), obtém-se

4
 V1   j 0,1450 j 0,1050 j 0,1300   − j 4,4 
V  =  j 0,1050 j 0,1450  
j 0,1200  ×  − j 4,4 
 2  
 V3   j 0,1300 j 0,1200 j 0,2200 − 0,61 + j 0,14

A solução dessa equação resulta em um novo Vbar, ou seja,

1,0818 - j0,0793
Vbar = 1,0832 - j0,0732
1,0692 - j0,1340

5
Equações de Fluxos de Carga (forma polar)

1. Equações de fluxo de carga em linha de transmissão

Considere o circuito equivalente π de uma linha de transmissão mostrado na


Figura 1.

E k ∠θ k k m E m ∠θ m
I km ′
I km y km I mk
sh
I km
sh sh
y km y km

Figura 1 – Circuito equivalente π de uma linha de transmissão

As tensões nos nós k e m são


E& k = Vk e jθ k

E& m = Vk e jθ m

De acordo com a primeira lei de Kirchhoff, no k êm-se

I&km = I&km
′ − I&km
sh
(1)

I&km
′ = y& km ( E& k − E& m ) (2)
onde

y& km = g km + jbkm : Admitância série da linha


rkm
g km = : Condutância série
r + x km
2
km
2

−x
bkm = 2 km 2 : Susceptância série
rkm + x km

I&km
sh sh &
= − y& km E k : Corrente através da capacitância “shunt” da linha

c sh
sh
y& km = jbkm
sh sh
: Admitância do ramo “shunt”, dada por bkm =w
2

A potência complexa que flui de k para m é

S& km = Pkm + jQkm ⇒ S& km


*
= Pkm − jQkm
ou, em função da tensão nodal e da corrente na linha

S& km = E& k I&km


*
⇒ S& km
*
= E& k* I&km

Escrevendo I&km em termos da potência complexa conjugada

&*
&I = S km = Pkm − jQkm ⇒ P − jQ = E& * I& (3)
km km km k km
E& k* E& k*

Substituindo (1) em (2) e o resultado em (3), chega-se à equação

Pkm − jQkm = y& km ( E k2 − E& m E& k* ) + y& km


sh
E k2 (4)

Agora, substituindo os valores de y& km , E& k , E& m e y& km


sh
em (4), resulta

Pkm − jQkm = ( g km + jbkm )(Vk2 − Vk Vm e jθ mk ) + jbkm


sh
Vk2 (5)

onde

θ mk = θ m − θ k

Fazendo e jθ mk = cos θ mk + jsenθ mk em (5) e resolvendo-a, obtêm-se os fluxos de


potência na linha de transmissão de k para m

Pkm = Vk2 g km − Vk Vm g km cos θ km − Vk Vm bkm senθ km

Qkm = −Vk2 (bkm + bkm


sh
) + Vk Vm bkm cos θ km − Vk Vm g km senθ km

Os fluxos de potência de m para k, Pmk e Qmk são obtidos analogamente

Pmk = Vk2 m g km − Vk Vm g km cos θ km + Vk Vm bkm senθ km

Qmk = −Vm2 (bkm + bkm


sh
) + Vk Vm bkm cos θ km + Vk Vm g km senθ km

As perdas de potência ativa e reativa (perdas técnicas) na linha k-m são dadas,
respectivamente, pelas somas ( Pkm + Pmk ) e ( Qkm + Qmk )

2
Pkm + Pmk = g km (Vk2 + Vm2 − 2Vk Vm cos θ km ) = g km E& k − E& m

2
Qkm + Qmk = −bkm
sh
(Vk2 + Vm2 ) − bkm (Vk2 + Vm2 − 2Vk Vm cos θ km ) = −bkm
sh
(Vk2 + Vm2 ) − bkm E& k − E& m
2. Equações de fluxo de carga em transformador

As equações de fluxos de potência em transformador são obtidas a partir do


modelo adotado para o transformador, que, comumente, é dividido em dois:
transformador em fase e fora de fase ou defasador.

2.1. Transformador em fase

O modelo de um transformador em fase consiste de uma admitância y& km em série


com um autotransformador ideal de relação 1:a, conforme mostrado na Figura 2.

E k ∠θ k k
m E m ∠θ m
E p ∠θ p
I km p y km I mk
·
1 : a I pm

Figura 2 – Modelo de um transformador em fase

Considerando o fato das tensões E& p e E& k estarem em fase ( θ p = θ k ), a relação


do transformador ideal (sem perdas ativa e reativa), a, é um escalar

E& k 1
=
E& p a
ou
I&km
=a
I& pm

Escrevendo as correntes nos dois lados do transformador em função das tensões


resulta

I& pm = y& km ( E& p − E& m ) = y& km (aE& k − E& m )

I&km = aI& pm = ay& km (aE& k − E& m ) = a 2 y& km E& k − ay& km E& m (6)
Por sua vez,

I&mk = − I& pm = − y& km (aE& k − E& m ) = − ay& km E& k + y& km E& m (7)

Em concordância com (6) e (7), um transformador em fase pode ser representado


por um circuito equivalente do tipo π como está mostrado na Figura 3.
E k ∠θ k k m E m ∠θ m
I km A I mk

B C

Figura 3 – Circuito equivalente π de um transformador em fase

Do circuito da Figura 3, retiram-se as equações

I&km = ( A + B) E& k + (− A) E& m (8)

I&mk = (− A) E& k + ( A + C ) E& m (9)

Comparando (8) com (6) e (9) com (7), resulta

A = ay& km

B = a(a − 1) y& km

C = (1 − a) y& km

onde

y& km = g km + jbkm : Admitância série, obtida do ensaio de curto-circuito do


transformador. Em que
r
g km = 2 km 2
rkm + x km

− x km
bkm =
r + x km
2
km
2

Deve-se observar que o valor assumido por a determina a natureza (capacitiva


ou indutiva) e os valores dos elementos A, B e C do circuito π representativo do
transformador, conforme está resumido na Tabela 1.
Tabela 1 – Valores e natureza de A, B e C em função de a
a A B C
Valor Natureza Valor Natureza
1 y& km 0 ---- 0 -----

<1 a y& km <0 Capacitivo >0 Indutivo

>1 a y& km >0 Indutivo <0 Capacitivo

O fluxo de potência complexa conjugada através de transformador é

S& km
*
= E& k* I&km ⇒ Pkm − jQkm = E& k* (a 2 y& km E& k − ay& km E& m ) .

A solução dessa equação conduz às equações de fluxos de potência ativa e


reativa no transformador em fase.

Pkm = (aV k ) 2 g km − (aV k )V m g km cos θ km − (aV k )V m bkm senθ km

Qkm = −(aVk ) 2 bkm + (aVk )Vm bkm cos θ km − (aVk )Vm g km senθ km

2.2. Transformador defasador

O circuito ilustrado na Figura 4 representa o modelo de um transformador


defasador. A relação de transformação é o número complexo ae jϕ . Diz-se que o
transformador é um defasador puro quando a assume o valor unitário.

E k ∠θ k k m E m ∠θ m
E p ∠θ p
I km p y km I mk
·
1 : ae jϕ I pm

Figura 4 – Modelo de um transformador defasador

A relação das tensões nos lados k e p de um transformador defasador puro (a =1)


é

E& k 1
= jϕ ⇒ E& p = e jϕ E& k = E k ∠(θ p + ϕ )
&
Ep e

Por sua vez, as potências complexas em ambos os lados são

S& km = E& k I&km


*
⇒ S& km
*
= E& k* I&km

S& pm = E& p I&km


*
⇒ S& *pm = E& *p I& pm
que no caso de um transformador ideal, são iguais

*
I&km  E& p 
S& *
= S& *
⇒ = = e − jϕ ⇒ I&km = e − jϕ I& pm
km pm &I  E& 
pm  k

A partir dos fasores das tensões obtêm-se as correntes I& pm e I&km

I& pm = y& km ( E& p − E& m ) = y& km (e jϕ E& k − E& m )

I&km = e − jϕ I& pm = e − jϕ y& km (e jϕ E& k − E& m ) = y& km E& k + (−e − jϕ y& km ) E& m (10)

I&mk = − I& pm= − y km ( E& p − E& m ) = − y km (e jϕ E& k − E& m ) = (−e jϕ y& km ) E& k + y& km E& m (11)

Observando essas equações concluí-se que é impossível a determinação dos


parâmetros A, B e C do circuito π equivalente, tendo em vista que o coeficiente de E& m
em (10) é diferente do coeficiente de E& em (11). Assim, o transformador defasador não
k

pode ser representado por um circuito equivalente do tipo π.

A potência complexa conjugada S&km


*
no transformador é

S& km
*
= E& k* I&km ⇒ Pkm − jQkm = E& k* ( y& km E& k − e − jϕ y& km E& m )

Resolvendo essa equação obtêm-se os fluxos de potência através de um transformador


defasador puro

2
Pkm = Vk g km − Vk Vm g km cos(θ km + ϕ ) − Vk Vm bkm sen(θ km + ϕ )

2
Qkm = −Vk bkm + Vk Vm bkm cos(θ km + ϕ ) − Vk Vm g km sen(θ km + ϕ )

3. Expressões gerais de fluxos de potência em linha e transformador

As equações gerais de fluxos de potência em linhas de transmissão,


transformadores em fase e defasadores (puro ou não) são expressas como

Pkm = (aVk ) 2 g km − (aVk )Vm g km cos(θ km + ϕ ) − (aVk )Vmbkm sen(θ km + ϕ )

Qkm = −(aVk ) 2 (bkm + bkm


sh
) + (aVk )Vm bkm cos(θ km + ϕ ) − (aVk )Vm g km sen(θ km + ϕ )

A Tabela 2 fornece os valores particulares assumidos pelos parâmetros a, ϕ e


sh
bkm para os casos de linhas de transmissão e transformadores.
Tabela 2- Valores assumidos por a, ϕ e bkmsh
nas
equações gerais de fluxos de carga

Dispositivo a ϕ sh
bkm
Linha de transmissão 1 0 ---
Transformador em fase --- 0 0
Transformador defasador puro 1 --- 0
Transformador defasador --- --- 0

4. Formulação matricial (análise nodal)

Considere o sistema de potência reduzido mostrado na Figura 5, onde se


observam a corrente injetada na barra 1, os fluxos de corrente nas linhas e seus
parâmetros. O parâmetro y1sh representa a potência reativa injetada na barra 1, através
de um banco de capacitores, por exemplo.

1 I 12 y12 2

I1
I 13 y13 3

I 14 y14 4

sh
I 14sh I 13sh I 12sh
I 1
y1sh y14sh y13sh y12sh

Figura 5 – Injeção de corrente na barra 1 e fluxos de corrente nas linhas

Aplicando a primeira lei de Kirchhoff ao nó 1, obtém-se

I&1 = − I&1sh + I&12 − I&12sh + I&13 − I&13sh + I&14 − I&14sh ,

ou, em função das tensões nodais

I&1 = y&1sh E& 1 + y&12 ( E& 1 − E& 2 ) + y&12sh E& 1 + y&13 ( E& 1 − E& 3 ) + y&13sh E&1 + y&14 ( E& 1 − E& 4 ) + y&14sh E& 1

Organizando essa equação, escreve-se

I&1 = ( y&1sh + y&12 + y&12sh + y&13 + y&13sh + y&14 + y&14sh ) E& 1 − y&12 E& 2 − y&13 E& 3 − y&14 E& 4

ou ainda
I&1 = Y11 E& 1 + Y12 E& 2 + Y13 E& 3 + Y14 E& 4 (12)

onde
Y&11 = y&1sh + y&12 + y&12sh + y&13 + y&13sh + y&14 + y&14sh

Y&12 = − y&12

Y13 = − y&13

Y 14 = − y&14

Esses elementos constituem a primeira linha da matriz Ybar do sistema mostrado na


Figura 5.

Escrevendo a corrente I&1 em função da potência complexa conjugada

P − jQ
I&1 = 1 * 1 (13)
E& 1

Substituindo (12) em (13)

P1 − jQ1
= Y11 E& 1 + Y12 E& 2 + Y13 E& 3 + Y14 E& 4 (14)
E& 1*

em que
Y&km = Gkm + jBkm , k =1 e m =1,..., 4 (15)

E& k = Vk e jθ k , k =1,...,4 (16)

Substituindo (15) e (16) em (17) e resolvendo a equação, obtêm-se

P1 = G11V12 + V1V2 (G12 cos θ 12 + B12 senθ 12 ) + V1V3 (G13 cos θ 13 + B13 senθ 13 ) + V1V4 (G14 cos θ 14 + B14 senθ 14 )

Q1 = B11V12 + V1V2 (G12 senθ 12 − B12 cos θ 12 ) + V1V3 (G13 senθ 13 − B13 cos θ 13 ) + V1V4 (G14 senθ 14 − B14 cos θ 14 )

Generalizando, as injeções líquidas de potências ativa e reativa em uma barra k


podem ser escritas na forma compacta

Pk = Vk ∑ Vm (Gkm cos θ km + Bkm senθ km )


m∈K

Qk = Vk ∑ Vm (Gkm senθ km − Bkm cos θ km )


m∈K

onde K é o conjunto formado pela barra k mais todas as barras ligadas a ela.
Solução de Fluxo de Carga Não-Linear: Algoritmo Básico

1. Revisão do método de Newton

O problema de fluxo carga é constituído de um sistema equações não-lineares.


Portanto, a sua solução requer a aplicação de métodos adequados à solução de equações não-
lineares. O método de Newton (também conhecido como método de Newton-Raphson) é
bastante utilizado na resolução de equações dessa natureza. Nesta seção será feita uma breve
revisão do método de Newton com o intuito de empregá-lo no estudo de fluxo de carga.

Considere inicialmente um sistema de uma única equação, f (x) , a uma única


incógnita, x, de onde se deseja obter o valor de x, tal que satisfaça a condição

f ( x) = 0 (1)

Em termos geométricos, como mostra a Figura 1, a solução corresponde ao ponto em


que a curva corta o eixo x.

y y = f (x)

f(x(0) )

f(x(1) )

f(x(2) ) α
x(2) x(1) x(0) x
Solução

Figura 1 – Interpretação geométrica do método de Newton

A fórmula de recorrência do método de Newton pode ser determinada aplicando a


definição: “A derivada de uma função y = f (x) num ponto ( x ( 0) , f ( x ( 0) ) ) é igual ao
coeficiente angular da tangente (método das tangentes) à curva descrita por essa função no
ponto considerado”. Matematicamente, escreve-se

f ( x ( 0) ) f ( x ( 0) )
f ′( x (0) ) = tan(α ) ⇒ f ′( x (0) ) = ⇒ x (1)
= x ( 0)

x (0) − x (1) f ′( x (0) )
Fazendo
f ( x (0) )
∆x (0) = x (1) − x (0) ⇒ ∆x (0) = − (2)
f ′( x ( 0) )
Então
x (1) = x ( 0 ) + ∆x ( 0 ) (3)

1
Generalizando (3), tem-se a fórmula geral de recorrência do método de Newton:

x (υ + 1) = x (υ ) + ∆x (υ )

em que o sobrescrito ( υ ) representa o número da iteração.

Outra maneira de se obter (2) consiste em expandir f (x) em séries de Taylor, em


torno do ponto ( x (υ ) , f ( x (υ ) ) ), e truncá-las a partir do termo de segunda ordem.

A solução de (1) pelo método de Newton, segue os seguintes passos:

1º ) Escolher um valor inicial para x (υ) : υ = 0 ⇒ x ( υ) = x ( 0) .

2º ) Calcular f ( x ( υ) ) .

3º ) Comparar o valor calculado f ( x (υ) ) como o especificado, determinando o erro (ε) :

ε ( υ ) = f ( x ) − f ( x ( υ) ) = 0 − f ( x ( υ) )

Se ε ( υ) ≤ tol , então x = x (υ) é a solução procurada, onde tol é a tolerância pré-


estabelecida;
Se ε ( υ) > tol , o algoritmo prosseguirá.

4º ) Linearizar a função f (x) em torno do ponto ( x ( υ) , f ( x ( υ) )) por meio da série de Taylor

df ( x ( υ) ) ( υ)
( f ( x ( υ) ) + ∆x ( υ) ) ≅ f ( x ( υ) ) + ∆x = f ( x ( υ) ) + f ′( x ( υ) )∆x ( υ) (4)
dx

de onde consideram-se somente os dois primeiros termos.

5º ) Solucionar o problema linearizado, isto é, encontrar ∆x (υ) em (3) de modo que:

f ( x ( υ) )
f ( x ( υ) ) + f ′( x ( υ) )∆x ( υ) = 0 ⇒ ∆x ( υ) = − (5)
f ′( x ( υ) )
De acordo com (2)
f ( x ( υ) )
( υ)
= x ( υ) − x ( υ +1) (6)
f ′( x )

Substituindo (6) em (5), obtém-se a nova estimativa:

x ( υ + 1) = x ( υ) + ∆x ( υ) (7)

6º ) Fazer υ + 1 → υ e retornar ao segundo passo.

2
Considere agora o sistema com n equações e n variáveis

f1 ( x1 , x 2 , L , x n ) = c1

f 2 ( x1 , x 2 ,L , x n ) = c 2
(8)
M M
f n ( x1 , x 2 ,L , x n ) = c n

Expandindo os lados esquerdos das equações (8) em séries de Taylor, e truncando-as a


partir do termo de segunda ordem, obtêm-se as expressões

(υ ) (υ ) (υ )
(υ )  ∂f  (υ )  ∂f  (υ )  ∂f 
( f1 ) +  1  ∆x 1 +  1  ∆x 2 + L +  1  ∆x n(υ ) ≅ c1
 ∂x1   ∂x 2   ∂x n 

(υ ) (υ ) (υ )
(υ )  ∂f  (υ )  ∂f  (υ )  ∂f 
( f2 ) +  2  ∆x 1 +  2  ∆x 2 + L +  2  ∆x n(υ ) ≅ c 2
 ∂x1   ∂x 2   ∂x n 
M M
(υ ) (υ ) (υ )
(υ )  ∂f  (υ )  ∂f  (υ )  ∂f 
( fn ) +  n  ∆x 1 +  n  ∆x 2 + L +  n  ∆x n(υ ) ≅ c n
 ∂x1   ∂x 2   ∂x n 

ou na forma matricial

( υ)
 ∂f1 ∂f1 ∂f1 
 ∂x L
∂x n 
( υ) ( υ)
 c1 − f1  ∂x 2 ∆x1 
 1 
c − f   ∂f 2 ∂f 2 ∂f 2   
 2 2 M  ∆x 2 
=  ∂x1 ∂x 2 ∂x n  × (9)
 M   M  M 
  M O M   
 ∂f ∂f1n 
c n − f n   n
∂f n
 ∆x n 
L
 ∂x1 ∂x 2 ∂x n 

Na forma compacta (9) pode ser escrita como

∆C (υ ) ) = J (υ ) × ∆X (υ ) ⇒ ∆X (υ ) ) = [J (υ ) ] − 1 × ∆C (υ )

onde J é a matriz jacobiana ou jacobiano.

e o algoritmo de Newton-Raphson para o caso n-dimensional torna-se

X (υ + 1) ) = X (υ ) + ∆X (υ )

Sendo

3
(υ)
 ∆ x1 
 
 ∆x2 
∆X ( υ ) =
 M 
 
 ∆ x n 

(υ)
 c1 − f1 
c − f 2 
∆C ( υ ) = 2
 M 
 
c n − fn 

(υ)
 ∂f1 ∂f 1 ∂f 1 
 ∂x L
∂x 2 ∂x n 
 1 
 ∂f 2 ∂f 2
M
∂f 2 
J ( υ) =  ∂x1 ∂x 2 ∂x n 
 M M O M 
 ∂f ∂f n ∂ f 1n 
 n L 
 ∂x1 ∂x 2 ∂x n 

Enfim, o algoritmo de Newton-Raphson para solução de um sistema n-dimensional pode ser


resumido nos seguintes passos:

1º ) Escolher um valor inicial para X (υ ) : υ = 0 ⇒ X (υ ) = X ( 0) .

2º ) Calcular ∆C(υ ) .

3º ) Comparar o maior elemento do vetor ∆C(υ ) , em valor absoluto, com a tolerância (tol)
pré-estabelecida:

Se ∆ c (υ ) ≤ tol , então o vetor X = X (υ ) é a solução procurada;


max

Se ∆ c (υ ) > tol , o algoritmo prosseguirá.


max

4º ) Calcular a matriz jacobiana J (υ ) .

5º ) Determinar a nova solução X (υ +1) , ou seja,

X (υ +1) = X (υ ) + ∆X (υ )

em que
∆X (υ ) = [J (υ ) ] −1 ∆C (υ )

6º ) Fazer υ + 1 → υ e retornar ao segundo passo.

4
2. Aplicação do método de Newton na solução do problema de fluxo: Modelo não-linear

Demonstrou-se que as equações da potência ativa e da reativa, líquidas, injetadas em


uma barra de um sistema de potência são:

Pk = Vk ∑Vm (Gkm cosθkm + Bkm senθkm ) = Vk2Gkk +Vk ∑Vm (Gkm cosθkm + Bkm senθkm )
m∈K m∈Ωk
(10)

Qk = Vk Vm (Gkm senθkm − Bkm cosθkm ) = −Vk2 Bkk + Vk ∑Vm (Gkm senθkm − Bkm cosθkm )
m∈K m∈Ωk

para k =1,...,NB (em que NB é o número de barras do sistema de potência);

K: Conjunto formado pelas barras ligadas a k inclusive a própria.


Ωk: Conjunto formado pelas barras ligadas a k (menos a própria).

No equacionamento do problema definem-se duas equações, iguais às apresentadas em


(10), para cada barra. Então, um sistema com NB barras terá um conjunto de 2xNB equações,
que são funções das variáveis independentes tensões nodais (Vi), em p.u, e ângulos de fase (θi)
dessas tensões, em radianos.

Expandindo as equações (10) em séries de Taylor e truncando os termos de mais alta


ordem (a partir da segunda ordem), com se fez para o sistema de equações dadas em (8),
resulta no seguinte conjunto de equações lineares:
(υ )
(υ )  ∂P1 ∂P1 ∂P1 ∂P1  (υ )
 ∆P1)   ∂θ L L  ∆θ 1 
  ∂θ n ∂V 2 ∂V n   
 1 
     
 M   M O M O M   M 
     
   ∂Pn ∂Pn ∂Pn ∂Pn   
 ∆P   L L   ∆θ 
 n  ∂θ 1 ∂θ n ∂V 2 ∂V n   n 
      (11)
  =   ×  
     
   ∂Q  
  ∂Q1 ∂Q1 ∂Q1   
 1 
∆Q1  ∆V1
L L
 ∂θ 1 ∂θ n ∂V 2 ∂V n  
     
   M  
 M  O M O M   M 
 
     
   ∂Qn ∂Qn ∂Qn ∂Qn   
∆Qn   ∂θ 1
L L ∆V n 
∂θ n ∂V 2 ∂V n 

sendo n é igual a NB.

Na forma compacta (11) pode ser escrita como

(υ ) (υ ) (υ )
 ∆P  J J2 
=  1 ×  ∆θ 
∆Q  J 3 J 4  ∆V 

5
em que J1, J2, J3 e J4 são submatrizes da matriz jacobiana J.

ou
(υ ) (υ ) (υ )
 ∆P  =  H N ×  ∆θ 
∆Q  M L  ∆V 

A matriz jacobiana fornece a relação linear entre os desvios dos ângulos ∆θ i(υ ) e das
tensões ∆Vi (υ ) com os resíduos das potências ativa e reativa ∆Pi (υ ) e ∆Qi(υ ) . Estes são
calculados subtraindo-se as injeções de potências ativa e reativa, calculadas a cada iteração
(em p.u), ( Pkcal ) (υ ) e (Qkcal ) (υ ) , dos valores correspondentes valores especificados (em p.u),
Pkesp e Qkesp , ou seja,

(Pkcal )(υ)

∆Pk( υ) = Pkesp − Vk( υ) ∑ Vm( υ) (Gkm cos θ (kmυ) + Bkm senθ (kmυ) )
m ∈K

(Qkcal ) (υ )

∆Qk( υ) = Qkesp − Vk( υ) ∑ Vm( υ) (Gkm senθ (kmυ) − Bkm cos θ (kmυ) )
m ∈K
sendo
(υ )
θ km = θ k(υ ) − θ m(υ )

Os elementos da matriz jacobiana são as derivadas parciais das equações (10),


atualizadas a cada iteração, em relação às tensões e aos ângulos nodais. As expressões dadas
abaixo descrevem esses elementos. É importante observar que se omitiu o sobrescrito ( υ )
para não sobrecarregá-las.

a) Submatriz H
∂Pk
H km = = Vk Vm (Gkm senθ km − Bkm cos θ km )
∂θ m

∂Pk
H kk = = −Vk ∑ Vm (Gkm senθ km − Bkm cos θ km )
∂θ k m∈Ω K

De (10), obtêm-se
H kk = − Qkcal − Vk2 Bkk

b) Submatriz N
∂Pk
N km = = Vk (Gkm cos θ km + Bkm senθ km )
∂Vm

6
∂Pk
N kk = = 2Vk Gkk + ∑ Vm (Gkm cos θ km + Bkm senθ km )
∂Vk m∈Ω k

A aplicação de (10), resulta

N kk = Vk− 1 ( Pkcal + Vk2 Gkk )

c) Submatriz M
∂Qk
M km = = −Vk Vm (Gkm cos θ km + Bkm senθ km )
∂θ m

∂Qk
M kk = = Vk ∑ Vm (Gkm cos θ km + Bkm senθ km )
∂θ k m∈Ω K

Aplicando (10), tem-se


M kk = Pkcal − Vk2 Gkk

d) Submatriz L
∂Qk
Lkm = = Vk (Gkm senθ km − Bkm cos θ km )
∂Vm

∂Qk
Lkk = = −2Vk Bkk + ∑ Vm (Gkm senθ km − Bkm cos θ km )
∂Vk m∈Ω K

A substituição de (10), resulta


Lkk = Vk−1 (Qkcal − Vk2 Bkk )

O problema de fluxo de carga é dividido em três subproblemas, que são modelados


pelos três subsistemas de equações descritos a seguir.

1) Subsistema I

Calcula-se Vk nas barras PQ (barra de carga) e θk nas barras PQ e PV (tensão


controlada), através das expressões

Pkesp = Vk ∑ Vm (Gkm cos θ km + Bkm senθ km ) k ∈ {barras PQ e PV}


m ∈K

Qkesp = Vk ∑ Vm (Gkm senθ km − Bkm cos θ km ) k ∈ {barras PQ},


m ∈K

onde Pkesp e Qkesp são as injeções líquidas de potências ativa e reativa especificadas, dadas por:

Pkesp = PkG − PkC

7
Qkesp = QkG − QkC .

Os sobrescritos G e C identificam as potências geradas e consumidas, respectivamente, na


barra k.

A Tabela 1 resume as características do Subsistema I, onde NPQ e NPV são o número


de barras PQ e PV, respectivamente.

Tabela 1 – Características do Subsistema I


Dimensão Variáveis
Especificadas Calculadas
Pk e Qk , k ∈ {barras PQ} Pk e Qk , k ∈ {barras PQ}
esp esp

2 × NPQ + NPV
Pjesp e V jesp , j ∈ {barras PV} θj , j ∈ {barras PV}
Vi esp e θ iesp , k ∈ {barra Vθ}

2) Subsistema II

Calculam-se Pk e Qk na barra Vθ (referência, balanço ou “slack”) e Qk nas barras PV.


Sua resolução é imediata através das equações

Pk = Vk ∑ Vm (Gkm cos θ km + Bkm senθ km ) k ∈ {barra Vθ}


m ∈K

Qk = Vk ∑V
m ∈K
m (Gkm senθ km − Bkm cos θ km ) k ∈ {barras PV e Vθ},

após resolvido o Subsistema I, pois, são conhecidos Vk e θk. A Tabela 2 resume as


características desse subsistema.

Tabela 2 – Características do Subsistema II


Dimensão Variáveis
Especificadas Calculadas
Pi e Qi , i ∈ {barra Vθ}
NPV +2 V esp e θ esp , k = 1,...,NB
k k
Qj , j ∈ {barras PV}

3) Subsistema III

Neste subsistema obtêm-se os fluxos de potência. Uma vez resolvido o Subsistema I,


conhecem-se as tensões e os respectivos ângulos de fase em todas as barras. Por conseguinte,
calculam-se os fluxos de potência no sistema através das expressões gerais

Pkm = (aVk ) 2 g km − (aVk )Vm g km cos(θ km + ϕ ) − (aVk )Vmbkm sen(θ km + ϕ )

Qkm = −(aVk ) 2 (bkm + bkm


sh
) + (aVk )Vm bkm cos(θ km + ϕ ) − (aVk )Vm g km sen(θ km + ϕ )

8
Além dos fluxos de potências, podem-se calcular as perdas técnicas (perdas ativa e reativa)

Pkmper = Pkm + Pmk


per
Qkm = Qkm + Qmk

e os módulos dos fluxos de corrente (em p.u) nas linhas.

2 2
Pkm + Qkm
I km =
Vk

A chave da solução do problema de fluxo de carga está em resolver o Subsistema I. A


solução desse subsistema, pelo método de Newton-Raphson, segue os seguintes passos:

1º ) Fazer υ =0. Especificar a tensão e o ângulo da barra Vθ (referência) Vi = Vi esp e θ i = θ iesp ,


geralmente, Vi esp = 1 p.u e θ iesp = 0 , i ∈ {barras Vθ }. Escolher os valores iniciais das
tensões e dos ângulos das barras PQ. Comumente, considera-se Vk = 1 p.u e θk = 0,
k ∈ {barras PQ}. Ao se definir uma barra como PV, escolher também os valores iniciais
para seus ângulos: θj = 0 (geralmente), e especificar as suas tensões: V j = V jesp ,
j ∈ {barras PV}.

(υ ) (υ )
2º ) Calcular Pk para as barras PQ e PV (se houver), e Qk para as barras PQ, e
(υ ) (υ )
determinar os resíduos ∆Pk e ∆Qk .

3º ) Testar a convergência do processo iterativo: se ∆Pk(υ ) ≤ tol P e ∆Qk(υ ) ≤ tol Q , o


max max
processo convergiu para a solução
(υ )
θ
V 

caso contrário passar para o passo seguinte.

4º ) Calcular a matriz jacobiana


(υ )
J (υ ) =  H N 
M L 

5º ) Calcular a nova solução


(υ + 1) (υ ) (υ )
θ = θ  +  ∆θ 
V  V  ∆V 
em que
(υ )
 ∆θ 
∆V 

é determinado resolvendo-se o sistema linear

9
(υ ) (υ ) (υ )
 ∆P  =  H N ×  ∆θ 
∆Q M L  ∆V 

6º ) Fazer υ + 1 → υ e voltar ao segundo passo.

A dimensão do sistema de equações do Subsistema I a ser resolvido, depende do


número de barras tomadas como Vθ (comumente só uma) e PV. Por exemplo, considere o
diagrama unifilar do sistema de potência com três barras, mostrado na Figura 2.

G
Carga
1 2

3
Carga

Figura 2 – Diagrama unifilar de um sistema de potência

De acordo com (11), o sistema de equações lineares a ser resolvido para solucionar o
problema de fluxo de carga da rede mostrada na Figura 2 é

(υ )
(υ )  ∂ P1 ∂ P1 ∂ P1 ∂ P1 ∂ P1 ∂ P1  (υ )
 ∆ P1   ∂θ  ∆θ1 
  ∂θ 2 ∂θ 3 ∂ V1 ∂V 2 ∂V 3   
 1 
   ∂ P2 ∂ P2 ∂ P2 ∂ P2 ∂ P2 ∂ P2   
 ∆ P2     ∆θ 2 
   ∂θ 1 ∂θ 2 ∂θ 3 ∂ V1 ∂V 2 ∂V 3   
   ∂ P3 ∂ P3 ∂ P3 ∂ P3 ∂ P3 ∂ P3   
 ∆P     ∆θ 
 3   ∂θ 1 ∂θ 2 ∂θ 3 ∂ V1 ∂V 2 ∂V 3    (12)
3

  =  ∂Q ×  
∆Q  ∂ Q1 ∂ Q1 ∂ Q1 ∂ Q1 ∂ Q1  ∆V 
 1

 1 
 ∂θ 1 ∂θ 2 ∂θ 3 ∂ V1 ∂V 2 ∂V 3   1 
   ∂Q  
  ∂Q 2 ∂Q 2 ∂Q 2 ∂Q 2 ∂Q 2   
 2 
∆Q 2   ∂θ 1 ∂θ 2 ∂θ 3 ∂ V1 ∂V 2 ∂V 3  ∆V 2 
     
   ∂Q 3 ∂Q 3 ∂Q 3 ∂Q 3 ∂Q 3 ∂Q 3   
∆Q3   ∂ θ 1 ∂θ 2 ∂θ 3 ∂ V1 ∂V 2 ∂ V 3  ∆V3 

Mas, a tensão e o ângulo de fase de barra do tipo Vθ são conhecidos, então suprimem-se as
linhas e as colunas da equação matricial, correspondentes à tensão e ao ângulo desse tipo de
barra. Por exemplo, considerando a barra 1 como referência no sistema da Figura 2, (12)
reduz-se a

10
(υ )
(υ )  ∂P2 ∂P2 ∂P2 ∂P2  (υ )
 ∆P2   ∂θ  ∆θ 2 
  ∂θ 3 ∂V2 ∂V3   
 2 
   ∂P3 ∂P3 ∂P3 ∂P3   
 ∆P3     ∆θ 3 
  ∂θ 2 ∂θ 3 ∂V2 ∂V3   
  =  ×   (13)
 ∂Q2 ∂Q2 ∂Q2 ∂Q2 
∆Q    ∆V 
 2  ∂θ 2 ∂θ 3 ∂V2 ∂V3   2
   ∂Q  
∆Q  ∂Q3 ∂Q3 ∂Q3  ∆V 
 3  3   3
 ∂θ 2 ∂θ 3 ∂V2 ∂V3 

Quando uma barra é do tipo PV, especifica-se o módulo da tensão (valor constante) na barra.
Então, nesse caso, eliminam-se a linha e a coluna da equação matricial, correspondentes à
tensão na barra. Então, tomando a barra 2 do exemplo como PV , resulta
(υ )
(υ )  ∂P2 ∂P2 ∂P2  (υ )
 ∆P2     ∆θ 2 
   ∂θ 2 ∂θ 3 ∂V3   
   ∂P ∂P3 ∂P3   
 ∆P3  =  3  ×  ∆θ 3  (14)
   ∂θ 2 ∂θ 3 ∂V3   
   ∂Q  
 ∆Q  ∂Q3 ∂Q3   ∆V 
 3  3   3
 ∂θ 2 ∂θ 3 ∂V3 

Enfim, a solução do Subsistema I para o exemplo dado, consiste em resolver (13) quando não
há barra PV, ou (14), quando a barra 2 é considerada como PV.

A Figura 3 mostra o fluxograma do algoritmo de Newton-Raphoson para solução de


fluxo de carga básica, modelo não-linear.

11
Início

Entrada de dados

Formação de Ybar

Dados de inicialização:
-4
υ =0; tol = 10 ; υ max =20

Calcular:
Pk( υ) e Qk( υ)

Calcular os resíduos:
∆ Pk(υ ) = Pkesp − ( Pkcal ) (υ )
∆ Q k(υ ) = Q kesp − ( Q kcal ) (υ )

Sim Sim Calcular P e Q na slack


∆Pk(υ ) ≤ tol ∆Qk(υ ) ≤ tol Calcular Q e θ na PV (se houver)
max max
Calcular os fluxos nas linhas

Não Não

Formação do Imprimir os resultados


jacobiano

Fim
Calcular:
∆θ k(υ ) e ∆θ k(υ )

Atualizar Vk e θk:
θ k(υ + 1) = θ k(υ ) + ∆θ k(υ )
Vk(υ + 1) = Vk(υ ) + ∆Vk(υ )

υ = υ +1

Não υ > υ max

Sim
Figura 3 – Fluxograma do algoritmo do fluxo de carga não-linear
Pare
12
A solução de fluxo de carga pelo método de Newton-Raphson é demonstrada a partir
do exemplo:

A Figura 4 mostra o diagrama unifilar de um sistema de potência com três barras. A barra 1 é
tomada como barra de balanço (slack), 1,05 p.u. A barra 2 é uma barra de carga cujo valor da
potência aparente está especificado no diagrama. A barra 3 tem a tensão controlada no valor
fixo de 1,04 p.u (valor eficaz) com uma geração de potência ativa de 200 MW. As
impedâncias das linhas, dadas ta Tabela 3, estão em p.u. na base de 100 MVA e as
susceptâncias são desprezadas (perdas “shunt”).
1 2
L12
G
S2=400+j250 MVA
Tabela 3 – Impedâncias das linhas
Linha r (p.u) x (p.u) L13 L23
L12 0,020 j0,040
L13 0,010 j0,030 3
L23 0,0125 j0,025
G
P3 = 200 MW

Figura 4 – Sistema de potência para o exemplo

Pede-se obter a solução do fluxo de carga do sistema pelo método de Newton-Raphson.

Solução:

a) Subsistema I

De acordo com(14), tem-se

(υ )
 ∂P2 ∂P2 ∂P2 
 
 ∂θ 2 ∂θ 3 ∂V2 
(υ ) (υ )
 ∆P2   ∆θ 2 
∂P ∂P3 ∂P3 
 ∆P  =  3 ×  ∆θ 3 
 3   ∂θ ∂θ 3 ∂V2   
∆Q2   ∂Q2 ∂Q2 ∂Q2  ∆V2 
 2
 ∂θ 2 ∂θ 3 ∂V2 

As impedâncias das linhas convertidas em admitâncias são

y12 = 10 – j20 p.u ; y13 = 10 –j30 p.u ; y23 = 16 – j32 p.u

que resultam na matriz Ybar = G + jB

 20 − j 50 − 10 + j 20 − 10 + j 30
Ybar = − 10 + j 20 26 − j 52 − 16 + j 32 p.u
 − 10 + j 30 − 16 + j 32 26 − j 62 

por conseguinte, G e B são

 20 − 10 − 10  − 50 20 30 
G = − 10 26 − 16  B =  20 − 52 32 

− 10 − 16 26   30 32 − 62 13
De acordo com as expressões (10), as potências líquidas ativa e reativa injetadas nas barras 2
e 3 são

P2 = V22 G22 + V2V1 (G21 cos θ 21 + B21 senθ 21 ) + V2V3 (G23 cos θ 23 + B23 senθ 23 )
Q2 = − V22 B22 + V2V1 (G21 senθ 21 − B21 cos θ 21 ) + V2V3 (G23 senθ 23 − B23 cos θ 23 ) (15)
P3 = V32 G33 + V3V1 (G31 cos θ 31 + B31 senθ 31 ) + V3V2 (G32 cos θ 32 + B32 senθ 32 )

Os elementos da matriz jacobiana são obtidos através das derivadas parciais de (15) em
relação a θ2, θ3 e V2. Lembrando que θ km = θ k − θ m , obtêm-se:

∂P2
J 11 = = − V2V1 (G21 senθ 21 − B21 cos θ 21 ) − V2V3 (G23 senθ 23 − B23 cos θ 23 )
∂θ 2
∂P
J 12 = 2 = V2V3 (G23 senθ 23 − B23 cos θ 23 )
∂θ 3
∂P
J 13 = 2 = 2 V2 G22 + V1 (G21 cos θ 21 + B21 senθ 21 ) + V3 (G23 cos θ 23 + B23 senθ 23 )
∂V2

∂P3
J 21 = = V3V2 (G32 senθ 32 − B32 cos θ 32 )
∂θ 2
∂P3
J 22 = = − V3V1 (G31senθ 31 − B31 cos θ 31 ) − V3V2 (G32 senθ 32 − B32 cos θ 32 )
∂θ 3
∂P3
J 23 = = V3 (G32 cos θ 32 + B32 senθ 32 )
∂V2

∂Q2
J 31 = = V2V1 (G21 cos θ 21 + B21 senθ 21 ) + V2V3 (G23 cos θ 23 + B23 senθ 23 )
∂θ 2
∂Q2
J 32 = = − V2V3 (G23 cos θ 23 + B23 senθ 23 )
∂θ 3
∂Q2
J 33 = = −2 V2 B22 + V1 (G21 senθ 21 − B21 cos θ 21 ) + V3 (G23 senθ 23 − B23 cos θ 23 )
∂V2

As potências de carga e gerada, em p.u, são

400 + j 250 200


S2 = = 4,0 + j 2,5 p.u ; P3 = = 2,0 p.u
100 100

P2esp = P2G − P2C = 0 − 4,0 = − 4,0 p.u

Q2esp = Q2G − Q2C = 0 − 2,5 = −2,5 p.u

P3esp = P3G − P3C = 2,0 − 0 = 2,0 p.u

14
Especificando a tensão na barra 1 (referência) como sendo V1 = 1,05∠0 o p.u e na barra 3
(tensão controlada) V3 = 1,04 p.u (módulo), e partindo com uma estimativa inicial V2( 0 ) = 1 ,
θ 2( 0 ) = 0 e θ 3( 0) = 0 , os resíduos de potências são

∆P2( 0) = P2esp − ( P2cal ) ( 0) = – 4,0 – (–1,14) = – 2,8600


∆P3( 0) = P3esp − ( P3cal ) ( 0) = 2,0 – (0,5616) = 1,4384
∆Q2( 0) = Q2esp − (Q2cal ) ( 0) = – 2,5 – (–2,28) = – 0,2200

onde P2cal , P3cal e Q2cal são calculadas através de (15).

Calculando os elementos da matriz com os valores numéricos conhecidos, o conjunto de


equações lineares para a primeira iteração torna-se

(0) (0) (0)


 − 2,8600  54,28000 − 33,28000 24,86000   ∆θ 2 
 1,4384   
  = − 33,28000 66,04000 − 16,64000 ×  ∆θ 3 
− 0,2200  − 27,14000 16,64000 49,72000  ∆V 
 2

Obtendo a solução dessa equação matricial, os desvios em ângulo (radianos) e em tensão (p.u)
nas barras, na primeira iteração são

( 0)
 ∆θ 2   − 0,045263
 ∆θ  = − 0,007718
 3 − 0,026548
∆V2 

Atualizando os ângulos e a tensão, resulta

θ (21) = 0 + (−0,045263) = −0,045263


θ 3(1) = 0 + (−0,007718) = −0,007718
V2(1) = 1 + (−0,026548) = 0,973450

Para a segunda iteração, têm-se

(1) (1) (1)


 − 0,099218  51,724675 − 31,765618 21,302567   ∆θ 2 
 0,021715   
  =  − 32,981642 65,656383 − 15,379086 ×  ∆θ 3 
− 0,050914 − 28,538577 17,402838 48,103589  ∆V 
 2

15
e
(1)
 ∆θ 2   − 0,001795 θ (22) = −0,045263 + (−0,001795) = −0,047060
 
 ∆θ 3  =  − 0,000985 ⇒ θ 3( 2) = −0,007718 + (−0,000985) = −0,008700
∆V  − 0,001767 V2( 2) = 0,973451 + (−0,001767) = 0,971684
 2

Para a terceira iteração, têm-se

( 2)
− 0,000216
( 2)
 51,596701 − 31,693866 21,147447 
( 2)
 ∆θ 2 
 0,000038  =  − 32,933865 65,597585 − 15,351628 ×  ∆θ 3 
 − 0,000143 − 28,548205 17,396932  
  47,954870  ∆V2 
e
( 2)
 ∆θ 2   − 0,0000038 θ (23) = −0,047058 + (−0,0000038) = −0,047060
 
 ∆θ 3  = − 0,0000024 ⇒ θ 3(3) = −0,008703 + (−0,0000024) = −0,008705
∆V  − 0,0000044 V2(3) = 0,971684 + (−0,0000044) = 0,971680
 2

A solução converge em 3 iterações com um erro máximo de 2,5x10-4 em potência, resultando


em V2 = 0,97168 ∠ − 2,696 o e θ 3 = −0,4988 o .

b) Subsistema II

As injeções de potências ativa e reativa nas barras 1 e 3 são

P1 = V12 G11 + V1V2 (G12 cos θ12 + B12 senθ12 ) + V1V3 (G13 cos θ13 + B13 senθ13 )
Q1 = − V12 B11 + V1V2 (G12 senθ12 − B12 cos θ12 ) + V1V3 (G13 senθ13 − B13 cos θ13 )
Q3 = − V32 B33 + V3V1 (G31 senθ 31 − B31 cos θ 31 ) + V3V2 (G32 senθ 32 − B32 cos θ 32 )

Substituindo os valores numéricos conhecidos, obtêm-se

P1 = 2,1842 p.u
Q1 = 1,4085 p.u
Q3 = 1,4617 p.u
c) Subsistema III

Desprezando as perdas “shunt”, os fluxos de potência nas linhas são:

Linha 12 (da barra 1 para 2):


P12 = V12 g12 − V1V2 g12 cos θ12 − V1V2 b12 senθ12

16
Q12 = − V12 b12 + V1V2 b12 cos θ12 − V1V2 g12 senθ12

Linha 13 (da barra 1 para 3):


P13 = V12 g13 − V1V3 g13 cos θ13 − V1V3 b13 senθ13

Q13 = − V12 b13 + V1V3 b13 cos θ13 − V1V3 g13 senθ13

Linha 32 (da barra 3 para 2):


P32 = V32 g 32 − V3V2 g 32 cos θ 32 − V3V2 b32 senθ 32

Q32 = − V32 b32 + V3V2 b32 cos θ 32 − V3V2 g 32 senθ 32

Substituindo os valores numéricos conhecidos, resulta

P12 = 1,79362 p.u


Q12 = 1,18734 p.u

P13 = 0,39061 p.u


Q13 = 0,22118 p.u

P32 = 2,38878 p.u


Q32 = 1,67746 p.u

17
Redução de Redes

1. Introdução

A redução de nós ou barras é muito importante em análise de sistemas de potência.


Consiste em eliminar, convenientemente, linhas e colunas das matrizes de admitância ou
impedância nodal (Ybar ou Zbar). A matriz modificada pode ser considerada como uma
redução de circuito de Kron, ou, simplesmente redução de Kron, como é conhecida em
estudos de sistemas de potência.

2. Redução de Kron

A eliminação de um ou mais nós de um circuito elétrico dar-se-á através de operações


numéricas, realizadas nas linhas e colunas das equações matriciais Ybar e Zbar.

Sejam as equações nodais

I = Ybar V
e

V = Zbar I

Onde, a matriz Zbar é o inverso de Ybar e vice-versa.

Expandindo a equação V = Zbar I, obtém-se

 V1   Z1 Z 2   I1 
 = ×  (1)
V  Z Z 4  I 2 
 2  3

Os elementos V1, V2 podem ser subvetores e Z1, Z2, Z3 e Z4 submatrizes.

Desenvolvendo (1), obtém-se


V1 = Z1I 1 + Z 2 I 2 (2)

V2 = Z 3 I 1 + Z 4 I 2 (3)

Explicitando I2 em (3), obtém-se

I 2 = Z 4−1 V2 − Z 4−1 Z 3 I 1 (4)

A substituição de (4) em (2) e a reunião dos termos, resulta

(Z1 − Z 2 Z 4−1Z 3 )I1 = V1 − Z 2 Z 4−1V2 (5)

Fazendo V2 = 0 em (5), obtém-se

V1 = (Z1 − Z 2 Z −41 Z 3 )I 1 (6)

1
O coeficiente de I1 em (6) é o resultado de uma redução de Kron.

A equação (6) na forma compacta é

V1 = Z bar
nova
I1 (7)
Onde

nova
Z bar = Z1 − Z 2 Z −4 1Z 3 (8)

Sendo Zbar uma matriz simétrica, a equação (8) pode ser escrita como

nova
Z bar = K − LM −1LT (9)

Onde, K = Z1 ; L = Z 2 ; M = Z 4 e LT = Z 3 (o sobrescrito T significa o transposto).

Para aplicar a redução de Kron procede-se da seguinte maneira:

1º) Os vetores devem ser organizados de forma que os elementos associados aos nós a
serem eliminados estejam colocados nas linhas inferiores.

2º) Particiona-se a matriz Zbar ou Ybar em quatro submatrizes: K, L, LT e M.

3º) Aplica-se a equação (9) na matriz particionada.

Por exemplo, considere que se deseja eliminar os nós 3 e 4 da seguinte equação matricial:

 V1   Z 11 Z 12 Z 13 Z 14   I 1 
V  Z Z 22 Z 23 Z 24  I 2 
 2  =  21 × (10)
V3   Z 31 Z 32 Z 33 Z 34  I 3 
     
 V4  Z 41 Z 42 Z 43 Z 44  I 4 

A partição da matriz, resulta

 Z 11 Z 12 Z 13 Z 14 
 K L 
 Z 21 Z 22 Z 23 Z 24 
Z bar =  (11)
 Z 31 Z 32 Z 33 Z 34 
 LT M 
Z 41 Z 42 Z 43 Z 44 

Aplicando (9) em (11), obtém-se

−1
Z Z12   Z 13 Z14   Z 33 Z 34  Z Z 32 
nova
Z bar =  11 − × ×  31 (12)
Z 21 Z 22  Z 23 Z 24  Z 43 Z 44  Z 41 Z 42 

2
Exercício: Considere o diagrama de impedâncias mostrado na Figura 1.

G1 G2

1 j0,125 2

j0,15 j0,25

G3

Figura 1 – Diagrama de impedâncias

As tensões geradas nas barras, em p.u, são

 E G1  1,0818 - j0,0793
E  = 1,0832 - j0,0732
 G2   
 E G 3  1,0692 - j0,1340

Se o gerador 3 (G3) for retirado do sistema, a matriz de impedâncias de barra é

 j 0,1450 j 0,1050 j 0,1300 


Z bar =  j 0,1050 j 0,1450 j 0,1200 
 j 0,1300 j 0,1200 j 0,2200

Nesse caso, pede-se: (a) eliminar a barra 3; (b) determinar os circuitos equivalentes e construir
os circuitos equivalentes de admitâncias e impedâncias.

Resolução:

a) Eliminação da barra 3

A equação matricial do circuito é

 V1   j 0,1450 j 0,1050 j 0,1300   I1 


V  =  j 0,1050 j 0,1450 j 0,1200  × I 2 
 2 
 V3   j 0,1300 j 0,1200 j 0,2200 I 3 

A aplicação de (12), em Zbar com o objetivo de eliminar a barra 3, resulta

3
 j 0,1450 j 0,1050  j 0,1300 1
nova
Z bar = − × × [ j 0,1300 j 0,1200]
 j 0,1050 j 0,1450  j 0,1200 j 0,2200

ou

 j 0,0682 j 0,0341
nova
Z bar = 
 j 0,0341 j 0,0795

nova
A inversão de Z bar , resullta

− j18,7000 j8,0000 
nova
Ybar = 
 j8,0000 − j16,0000

b) Construção dos circuitos equivalentes

nova
A partir da matriz Ybar , constrói-se os circuitos equivalentes mostrados na Figura 2.

1 2
-j 8,0

I1 = -0,8485 - j11,5753 -j10,7 -j 8,0 I2 = -0,5856 - j8,6656

(a)
0 0

1 2
j 0,125
j0,0935 j0,1250

EG1 =1,0818 - j0,0793 G1 G2 EG2 =1,0832 - j0,0732


(b)
0 0

Figura 2 – Circuitos equivalentes sem a barra 3: (a) De admitâncias; (b) De impedâncias

É prática corrente utilizar o método de Kron para eliminar um nó de cada vez. Neste
caso, a submatriz M é formada por um único elemento. Isso é vantajoso sob o ponto de vista
de cálculo numérico, pois, a inversão de uma matriz é sempre um processo trabalhoso.

A técnica de eliminação de um nó por vez permite a criação de um algoritmo que pode


ser facilmente implementado em um computador. O nó a ser eliminado deve ser o de maior
numeração. Em seguida, é feita uma renumeração dos nós restantes. O processo continua, até
que todos os nós desejados tenham sido eliminados. Por exemplo, deseja-se reduzir a matriz

4
Zbar dada abaixo, de ordem 3x3, para outra de ordem 2x2, eliminando a última linha e a
última coluna.

 Z 11 Z 12 Z 13 
Z bar = Z 21 Z 22 Z 23  (13)
 Z 31 Z 32 Z 33 

A aplicação de Kron em (13), resulta

Z Z12   Z13  1
nova
Z bar =  11  −  × × [Z 31 Z 32 ] (14)
Z 21 Z 22  Z 23  Z 33

Resolvendo (14), obtém-se

 Z13 Z 31 Z13 Z 32 
 Z11 − Z12 − 
 Z 33 Z 33 
nova
Z bar =  (15)
Z − Z 23 Z 31 Z 22 −
Z 23 Z 32 
 21 Z 33 Z 33 

A generalização de (15) para uma matriz de ordem n x n, resulta:

Z original
kn Z original
nj
Z novo
kj = Z original
kj − (16)
Z original
nn
em que em k e j variam de 1 até (n-1).

Empregando (16) constrói-se com facilidade uma rotina computacional para


eliminação de barras de um sistema de potência. Isso é muito importante, principalmente, para
o caso de sistemas com muitas barras, como acontece na prática.

5
Matriz de Impedâncias de Barra (Zbar)

1. Montagem de Zbar

A matriz de impedâncias de barra pode ser construída partindo com um simples


elemento. O processo continua até que todos os elementos são incluídos. Considere a rede
parcial mostrada na Figura 1.
1

2
Circuito
parcial M i
Zbar M m
0
Referência

Figura 1- Circuito parcial

É importante ressaltar que todas as variáveis e parâmetros que aparecem nas equações
a seguir são grandezas vetoriais.

Assumindo que Zbar é a matriz da rede parcial, que contém m barras e uma barra de
referência 0, a correspondente equação matricial é

 V1   Z11 Z12 L Z1 p L Z1m   I 1 


V  Z Z 22 L Z2 p L Z 2 m   I 2 
 2   21  
 M   M M M M M M  M 
 = ×  (1)
 V p   Z p1 Z p2 L Z pp L Z pm   I p 
 M   M M M M M M  M 
     
Vm  Z m1 Z m2 L Z mp L Z mm  I m 

ou

Vbar = Zbar Ibar

A ordem da matriz Zbar é m x m. Será adicionado um elemento de cada vez para a porção
restante do circuito, até que todos os elementos sejam incluídos. O elemento adicionado pode
ser:

• Uma linha radial que liga uma barra existente a uma nova barra.
• Uma linha que liga duas barras existentes (linha de fechamento de laço).

1.1. Adição de uma linha radial que liga uma barra existente a uma nova barra

Seja a adição de uma linha, com impedância zpq, de uma barra p existente para uma
nova barra q como mostrado na Figura 2.

1
1

2
Circuito
M p iqp q
parcial

Zbar M Ip Iq
m
0
Referência

Figura 2 – Adição da linha p-q

A corrente Iq, injetada na barra q, altera a corrente original em p para Ip+ iqp, e,
conseqüentemente, a tensão em p. Sendo iqp=Iq, a equação (1) passa a ser escrita como

 V1   Z11 Z12 L Z1 p L Z1m   I 1 


 V  Z Z 22 L Z2 p L Z 2 m   I 2 
 2   21  
 M   M M M M M M   M 
 nova  =  × 
V p   Z p1 Z p2 L Z pp L Z pm  I p + I q 
 M   M M M M M M   M 
     
 Vm  Z m1 Z m2 L Z mp L Z mm   I m 

Dessa equação, a nova tensão em p é dada por

V pnova = Z p1I1 + Z p 2 I 2 + L + Z pp (I p + I q ) + L + Z pm I m

ou

V pnova = Z p1I1 + Z p 2 I 2 + L + Z pp I p + L + Z pm I m + Z pp I q (2)

Da Figura 2, tem-se

V pnova = Vq − z pq i qp ⇒ Vq = V pnova + z pq i qp
Mas iqp = Ip, então

nova
V q = V p + z pq I q (3)

A substituição de (2) em (3) resulta

Vq = Z p1I1 + Z p 2 I 2 + L + Z pp I p + L + Z pm I m + Z pp I q + z pq I q

ou

Vq = Z p1I1 + Z p 2 I 2 + L + Z pp I p + L + Z pm I m + (Z pp + z pq )I q (4)
onde

2
[ Z p1 Z p 2 L Z pp L Z pm (Z pp + z pq ) ]

original
é a nova linha a ser acrescida a Z bar para encontrar Vq.

Como Zbar é quadrada e simétrica, deve-se colocar uma coluna igual à transposta da nova
linha. A matriz Zbar passa a ter ordem (m+1) x (m+1), isto é,

 V1   Z 11 Z 12 L Z1 p L Z 1m Z 1q   I 1 
V  Z Z 22 L Z2p L Z 2m Z 2 q   I 2 
 2   21
 M   M M M M M M M   M 
      (5)
 V p  =  Z p1 Z p2 L Z pp L Z pm Z pq  ×  I p 
 M   M M M M M M M   M 
     
 Vm   Z m1 Z m2 L Z mp L Z mm Z mq  I m 
V  Z Z q2 L Z qp L Z qm Z qq   I q 
 q   q1

onde, de acordo com (4), têm-se

Zqi = Zpi e Ziq = Zip i = 1,L, m i≠q (6)


e

Zqq = Zpp + zpq (7)

Agora, considere a linha ligada à referência como mostra a Figura 3.

2
Circuito
parcial M p
Zbar M m
0 q
Referência

Figura 3 – Adição da linha 0-q

Nesse caso a tensão Vp é igual a zero (Vp= 0), implicando em

Z pi = 0 ⇒ Z qi = 0 i = 1,L, m i≠q (8)


e

Z qq = z 0 q (9)

3
1.2. Adição de uma linha de fechamento de laço

Quando o elemento adicionado é uma linha entre as barras p e q, uma nova barra não é
introduzida. Porém, surge uma pseudobarra, cuja tensão é nula, que aumenta a ordem de Zbar
aumentada
para (m+1) x (m+1) ( Z bar ). Considerando o fato da tensão ser nula, a pseudobarra será
eliminada.

Considere a adição de uma linha com impedância zpq entre duas barras existentes p e q
como mostra a Figura 4.
1

2
Circuito M p
parcial
M il
Zbar
M q
m

0
Referência

Figura 4 – Adição de uma linha de fechamento de laço p-q

Se a corrente Il na linha tem a direção mostrada na Figura 4, então,

z pq i l = V p − V q (10)

ou
Vq − V p + z pq i l = 0 (11)

A linha de fechamento de laço modifica as correntes originais Ip e Iq para (Ip-il) e


(Iq+il), como se pode concluir através da Figura 4. Então, a equação do circuito torna-se

V1 = Z11I1 + L + Z1 p (I p − i l ) + Z1q (I q + i l ) + L + Z1m I m


M
V p = Z p1I1 + L + Z pp (I p − i l ) + Z pq (I q + i l ) + L + Z pm I m (12)
Vq = Z q1I1 + L + Z qp (I p − i l ) + Z qq (I q + i l ) + L + Z qm I m
M
Vm = Z m1I1 + L + Z mp (I p − i l ) + Z mq (I q + i l ) + L + Z mm I m

Substituindo Vp e Vq de (12) em (11) resulta em

(Z q1 − Z p1 )I1 + L + (Z qp − Z pp )I p + L + (Z qq − Z pq )I q + L + (Z qm − Z pm )I m +
(z pq + Z pp + Z qq − 2Z pq )i l = 0
(13)

4
As equações (12) e (13) formam um sistema com (m +1) equações simultâneas, que escrita na
forma matricial é

 V1   Z11 L Z1 p Z1q L Z1m Z1l   I1 


 M   M M M M M M M   M 
    
 V p   Z p1 L Z pp Z pq L Z pm Z pl   I p 
     
 Vq  =  Z q1 L Z qp Z qq L Z qm Z ql  ×  I q  (14)
 M   M M M M M M M  M 
     
Vm  Z m1 L Z mp Z mq L Z mm Z ml  I m 
 0   Z l1 L Z lp Z lq L Z lm Z ll   i l 
  

onde
Z l i = Z i l = Z iq − Z ip i = 1,L, m (15)
e
Z l l = z p q + Z pp + Z qq − 2Z pq (16)

Agora, considere q como sendo a barra de referência conforme mostrado na Figura 5.

2
Circuito M p
parcial
M i
Zbar il
M m

0
Referência

Figura 5 – Adição de uma linha de fechamento de laço p-0

Nesse caso, Vq=0 o que implica Z qi = Z iq = 0 para i = 1, ..., m. Portanto, as equações (15) e
(16) tornam-se

Z l i = Z i l = − Z ip i = 1,L, m (17)

Z l l = z p q + Z pp (18)

Conforme se chamou atenção acima, a adição de uma linha de fechamento de laço não
introduz uma nova barra. Portanto, a equação matricial obtida em (14) terá de ser reduzida
para a dimensão da matriz original. Isto é feito através do método de redução de Kron.

1.2.3. Eliminação da pseudobarra da linha de fechamento de laço

Particionando (14) com o objetivo de eliminar a pseudobarra da linha de fechamento


de laço, obtém-se

5
 V1   Z11 L Z1 p Z1q L Z1m Z1l   I1 
 M   M M M M M M M   M 
    
 V p   Z p1 L Z pp Z pq L Z pm Z pl   I p 
     
 Vq  =  Z q1 L Z qp Z qq L Z qm Z ql  ×  I q  (19)
 M   M M M M M M M  M 
     
Vm  Z m1 L Z mp Z mq L Z mm Z ml  I m 
 0   Z l1 L Z lp Z lq L Z lm Z ll   i l 
  

ou

Vbar  Z bar
original
∆Z  I bar 
 0 = T ×  (20)
   ∆Z Z ll   i l 

onde

[
∆Z = Z1l L Z pl Z ql L Z ml ] T
(21)

Expandindo (20), obtêm-se

original
Vbar = Z bar I bar + ∆Z i l (22)

0 = ∆Z T I bar + Z ll i l (23)

ou
∆Z T
il = − I bar (24)
Z ll

A substituição de (24) em (22), resulta na redução de Kron, isto é,

 original ∆Z ∆Z T 
Vbar = Z bar −  × I bar (25)
 Z ll 
ou

Vbar = [Z bar
nova
] × I bar (26)

onde

nova original ∆Z ∆Z T
Z bar = Z bar − (27)
Z ll

6
1.3. Algoritmo de montagem de Zbar

Foi visto que uma forma de se obter Zbar é fazer a inversão de Ybar. Entretanto, a
formação de Zbar diretamente, sob o ponto de vista computacional, é mais simples do que
inverter Ybar, principalmente para grandes redes elétricas. Para montagem de Zbar é
necessário possuir uma lista designando as barras nas quais as impedâncias estão conectadas.
Por exemplo, a Tabela 2 fornece essa lista para o sistema mostrado na Figura 6.

0 0
Tabela 2 – Lista de impedâncias j 0,25 j 0,25
1 j 0,125 2
Linha Inicio Fim Impedância (p.u)
1 0 1 j 0,250
2 0 2 j 0,250 j 0,15 j 0,25
3 1 2 j 0,125
4 1 3 j 0,150
5 2 3 j 0,250 3

Figura 6 – Diagrama de impedâncias

O procedimento de montagem, passo-a-passo, da matriz impedância de barra está


resumido abaixo. Para maior esclarecimento, montar-se-á a matriz de impedâncias de barra do
sistema dado na Figura 6.

1º ) Organizar uma lista das impedâncias, mostrando as barras nas quais estão conectadas. De
preferência, as impedâncias ligadas à barra de referência deverão encabeçar a lista conforme a
Tabela 1.

2º ) Adicionar as linhas ligadas ao nó de referência.

Z11 L 0 
(1)
Z bar =  M O M 
 0 L Z rr 

Essa matriz é do tipo diagonal. De acordo com (9), Zrr = z0q, em que r =1,...,nlr, sendo
nlr = quantidade de barras ligadas à referência, e q o número ou índice da barra ligada à
referência. Para o caso do exemplo, somente as linhas 1 e 2 estão ligadas à referência,
então,
0
 j 0,25 0 
(1)
Z bar =  j 0,25 j 0,25
 0 j 0,25
1 2

Figura 7 – Linhas ligadas à referência

7
2º ) Adicionar as linhas radiais ou de fechamento de laço (uma de cada vez).

Percorrendo a tabela de cima para baixo, a primeira linha que se encontra, após a linha 2, é a
3 (linha de fechamento do laço 1-2-0-1), que liga a barra 1 (p=1) à barra 2 (q=2). De acordo
com (14), (15) e (16), obtém-se a matriz aumentada

0
 j 0,25 0 − j 0,25
  j 0,25 j 0,25
( 2 ) aumentada
Z bar = 0 j 0,25 j 0,25 
  1 j 0,125 2
− j 0,25 j 0,25 j 0,625 
Il

Figura 8 – Linha de fechamento de laço

Sem levar em conta a referência, o circuito da Figura 8 possui somente duas barras,
então, é necessário eliminar a pseudobarra criada pela introdução da linha 2. Aplicando
(27), obtém-se

 j 0,25 0  − j 0,25 1
( 2)
Z bar = − × × [− j 0,25 j 0,25]
 0 j 0,25  j 0,25  j 0,625

ou

 j 0,1500 j 0,1000 
( 2)
Z bar = 
 j 0,1000 j 0,1500 

Continuando a percorrer a tabela, a próxima linha encontrada é a 4 (linha radial), que liga
a barra 1 (p=1) à 3 (q=3). A aplicação de (6) e (7), resulta

0
 j 0,1500 j 0,1000 j 0,1500
  j 0,25 j 0,25
( 3)
Z bar =  j 0,1000 j 0,1500 j 0,1000
  1 j 0,125 2
 j 0,1500 j 0,1000 j 0,3000
j 0,15

Figura 9 – Linha radial

8
Por último, encontra-se a linha 5 (linha de fechamento do laço 2-3-1-2), que liga a barra
2 à 3 ( p=2 e q=3). Novamente, a aplicação de (14), (15) e (16) leva à matriz aumentada

0
 j 0,1500 j 0,1000 j 0,1500 j 0,0500 
  j 0,25
 j 0,1000 j 0,1500 j 0,1000 − j 0,0500 j 0,25
Z ( 4 ) aumentada
bar = 
j 0,125 2
 j 0,1500 j 0,1000 1
j 0,3000 j 0,2000 
  Il
 j 0,0500 − j 0,0500 j 0,2000 j 0,5000 
j 0,15 j 0,25

3
Figura 10 – Linha de fechamento de laço

Tendo em vista que 5 é uma linha de fechamento de laço, então a pseudobarra criada em
virtude da sua introdução precisa ser eliminada da matriz aumentada. De acordo com
(27), obtém-se

 j 0,1500 j 0,1000 j 0,1500  j 0,0500 


    1
( 4)
Z bar =  j 0,1000 j 0,1500 j 0,1000 − − j 0,0500 × × [ j 0,0500 − j 0,0500 j 0,2000]
    j 0,5000
 j 0,1500 j 0,1000 j 0,3000  j 0,2000 

ou

 j 0,1450 j 0,1050 j 0,1300


 
( 4)
Z bar =  j 0,1050 j 0,1450 j 0,1200
 
 j 0,1300 j 0,1200 j 0,2200

( 4)
Como não há mais linha a ser introduzida, então Z bar é matriz de impedâncias de barra do
sistema de potência mostrado na Figura 6, ou seja,

 j 0,1450 j 0,1050 j 0,1300 


Z bar =  j 0,1050 j 0,1450 j 0,1200 
 j 0,1300 j 0,1200 j 0,2200

De acordo com o que foi apresentado, observa-se que é muito trabalhoso a montar-se
manualmente a matriz de impedâncias de barras de um sistema potência com muitos nós.
Portanto, é recomendável o desenvolvimento de uma rotina computacional que execute esse
trabalho.

9
Estudo de Estabilidade Transitória

1. Introdução

A oscilação eletromecânica de um gerador de eletricidade, originada por perturbações


de grandes proporções (por exemplo, curtos-circuitos), é um fenômeno transitório lento,
porém, de enorme importância no estudo de estabilidade de sistemas elétricos de potência.
Pode-se ter uma visão do problema, através do equivalente mecânico mostrado na Figura 1.

Figura 1 – Equivalente mecânico para análise de estabilidade


transitória de sistemas de potência

As várias massas, suspensas por uma rede de cordões elásticos, representam geradores
elétricos e linhas de transmissão, respectivamente. O sistema está em regime permanente
estático, com cada cordão carregado abaixo do seu ponto de ruptura (o que corresponde cada
linha de transmissão estar funcionando abaixo do seu limite de estabilidade).

Em um dado instante, um dos cordões é subitamente cortado (o que corresponde a


uma perda súbita de uma linha de transmissão). Como resultado, as massas experimentarão
movimentos acoplados e as forças nos cordões variarão. A perturbação súbita pode causar um
dos dois efeitos:

1. O sistema atingirá um novo estado de equilíbrio, caracterizado por um novo conjunto


de forças nos cordões (isto é, linhas de transmissão no caso de sistemas elétricos).

2. Devido às forças transitórias, um outro cordão romper-se-á, provocando o


enfraquecimento da rede e resultando no rompimento em cadeia de cordões e o
eventual colapso total do sistema.

Se o sistema tem o poder inerente de sobreviver à perturbação e atinge um novo


regime permanente, diz-se que ele possui estabilidade transitória para a falta em questão.
Caso contrário, diz-se que o sistema perdeu a estabilidade. O sistema pode ser estável para o
transitório que segue a perda de uma linha em particular ou instável para a perda de outra ou
outras linhas.

Dependendo da natureza e duração da falta, os transitórios mecânicos de rotor que a


ela seguem, podem terminar em um segundo, ou podem continuar e tornarem-se mais graves
nos instantes seguintes, culminando, eventualmente, em um colapso total, ou na recuperação

1
do sistema. Para analisar o problema, é comum dividir o período transitório em três intervalos
de tempo:

1. Intervalo inicial: Estende-se aproximadamente pelo primeiro segundo após a


ocorrência da falta. Esse intervalo inclui o começo e possível remoção da falta inicial.
A dinâmica do rotor nesse intervalo é completamente descontrolada no sentido em que
o comportamento dos geradores está, essencialmente, além da influência dos
controladores Pf e QV. O único controle que se tem é o que está associado com
operações de chaveamento, incluindo a seção da linha onde está a falta, a colocação de
capacitores, os desligamentos de geradores com falta, entre outros.

2. Intervalo intermediário: Dura por aproximadamente, 5 s. Aqui já se fazem sentir os


efeitos dos controladores Pf e QV.

3. Intervalo final: Pode durar vários minutos após o início da falta. Nesse período sofrem
os efeitos de “longo prazo”, incluindo as constantes de tempo térmicas de sistemas a
vapor e nucleares, a perda permanente nos equipamentos de geração, o desligamento
de cargas, dentre outros.

Os acontecimentos durante os dois primeiros intervalos são de muita importância, uma


vez que determinam se o sistema “sobreviverá” ou não ao “choque” inicial, isto é, se o
sistema terá ou não sua integridade preservada.

Se o sistema “sobreviver”, o perigo não acabou. Devido à perda permanente nos


equipamentos, pode estar perdendo freqüência numa taxa lenta ou rápida, e então se deve
recorrer ao controle com a finalidade de recuperar freqüência. Nesse momento, a força de
controle principal é o desligamento de cargas. Desligando-se cargas de baixa prioridade pode-
se inverter a tendência decrescente da freqüência.

Neste capítulo será dedicada particular atenção aos acontecimentos do intervalo


inicial, a fim de verificar se o sistema não irá perder a sua estabilidade após a ocorrência de
uma falta.

2. Modelos de Transitórios de Sistema

Ao se investigar um sistema quanto à sua estabilidade em transitório, deve-se proceder


como segue.

1. Determinar o estado inicial pré-falta.


2. Iniciar a falta.
3. Calcular o movimento transitório pós-falta das massas e as forças resultantes nos
cordões.
4. Se as forças não excederem os pontos de ruptura dos cordões, o sistema será
considerado estável para a falta em questão.

Um estudo de estabilidade em transitório de um sistema de energia elétrica segue um


roteiro análogo. Após a perturbação, as posições angulares dos rotores sofrerão desvios
transitórios. Se puder ser determinado pela análise de estabilidade que todos os ângulos
individuais dos rotores fixar-se-ão em novos valores de regime pós-falta, correspondendo a

2
um novo estado de equilíbrio síncrono, então se conclui que o sistema é, na realidade, estável
sob o transitório.

3. Equação de Oscilação de Máquina Síncrona

Antes de se apresentar equação de oscilação da máquina síncrona, é importante revisar


alguns conceitos básicos. Para isso, considere o gerador síncrono elementar de dois pólos
(pólos salientes), esquematizado na Figura 2.

C
+ m ws
A’ •
• • • B’ m
Eixo magnético do
campo do rotor
+ + wm
Eixo da fmm resultante no B+ +A
stator, campo girante (Fsr)

C’

Eixo fixo no estator (tomou-se


o eixo magnético da bobina da
fase A )

Figura 2 - Gerador síncrona elementar de 2 pólos

A Figura 3 mostra o diagrama vetorial das ondas de fmm do rotor (Fr), do estator (Fs)
e a resultante (Fsr). A fmm, Fsr (campo girante), produz o fluxo resultante sr, o qual circula
através do entreferro da máquina.

Fsr
Fs
sr

r= m

Fr

Figura 3 - Diagrama vetorial das ondas de fmm

Na figura, r = m desde que m seja dado em grau ou radiano elétrico.

No funcionamento em regime permanente, as ondas de fmm Fs e Fsr se deslocam à


velocidade angular ws = 2π f rad/s (velocidade síncrona) ao longo do estator da máquina. A
freqüência (f) é a freqüência da tensão gerada (gerador) ou aplicada (motor) no enrolamento
de estator da máquina.

3
A relação entre ângulo elétrico e ângulo mecânico, em uma máquina síncrona de p
pólos, é
p
θ = ×θm rad (1)
2

A onda fmm do rotor, Fr, gira à velocidade mecânica do rotor (wm), a qual é dada por
2
wm = × w s rad/s (2)
p
ou
120 × f
n= rpm (3)
p

A equação de movimento do rotor de uma máquina síncrona se baseia no princípio da


dinâmica, o qual estabelece que o torque de aceleração é igual ao momento de inércia do
rotor multiplicado por sua aceleração angular.

d 2θ m
J× = Ta = Tm − Te N.m (4)
dt 2

Onde
J: Momento de inércia total da massa rotativa (kg.m2)
m: Deslocamento angular (ângulo mecânico) do rotor com relação a um eixo estacionário
(referência), em radiano mecânico (Figura 2)
t: Tempo em segundos
Ta: Torque de aceleração (N.m)
Tm: Torque mecânico (N.m)
Te: Torque eletromagnético, dado por

2
πp
Te = × Φ sr × Fr senδ r (5)
2 2
e
Vt
Φ sr =
4,44 × N × f

Onde, Vt é a tensão nos terminais da máquina, f é a freqüência de Vt e N é o número de espiras


por fase.

Em condições normais de operação, Tm e Te são iguais e com isso o Ta é nulo. Neste


caso, não há aceleração ou desaceleração das massas girantes do rotor, sendo a velocidade
resultante constante e igual à velocidade síncrona. Portanto, as massas rotativas do rotor e da
máquina de acionamento são ditas estarem em sincronismo com as outras máquinas, operando
na velocidade síncrona do sistema.

O ângulo m é medido com respeito a um eixo estacionário no estator, conforme


mostrado na Figura 2. Ele cresce com o tempo e com a velocidade síncrona. Assim, é
interessante a posição angular do rotor em relação a um eixo referência que gire à velocidade
síncrona (eixo da fmm resultante no estator). Dessa forma, define-se

4
θ m = ws × t + δ m (6)

Onde, m é o deslocamento angular do rotor em relação ao eixo girante, em radiano mecânico.

Derivando (6) em relação a t, obtêm-se

dθ m dδ dδ m
= ws + m wm = ws + (7)
dt dt dt

e
d 2θ m d 2δ m
= (8)
dt 2 dt 2

dθ m
A equação (7) mostra que a velocidade mecânica do rotor wm = é constante e
dt
dδ m
igual e à velocidade síncrona, quando = 0 . A equação (8) representa a aceleração
dt
angular do rotor.

A substituição de (8) em (4), resulta em

d 2δ m
J× = Ta = Tm − Te N.m (9)
dt 2

Multiplicando (9) por wm, obtêm-se as potências de aceleração (Pa), mecânica no eixo
da máquina (Pm) e elétrica (Pe).

d 2δ m
J × wm × = wm × Ta = wm × Tm − wm × Te W (10)
dt 2
ou
d 2δ m
J × wm × = Pa = Pm − Pe W (11)
dt 2

O coeficiente J ×wm é o momento angular do rotor (kg.m2/s). Na velocidade


síncrona, é chamado de “constante” de inércia da máquina, sendo simbolizado por M. Em
algumas condições de operação, M não é constante, tendo em vista que wm não é igual à ws.
Porém, na prática, wm não difere significativamente de ws quando a máquina é estável. Re-
escrevendo (11) em termos de M, tem-se

d 2δ m
M× = Pa = Pm − Pe W (12)
dt 2

Nos dados de máquina para estudo de estabilidade, outra constante relacionada à


inércia, comumente fornecida pelos fabricantes, é a constante H. É definida como

Energia cinética na velocidade síncrona, em megajoules


H=
Potência trifásica da máquina, em MVA

5
ou
1 1
J × ws2 M × ws
H= 2 = 2 MJ/MVA (13)
S maq S maq

Explicitando M em (13) e substituindo em (12), obtém-se

2 H d 2δ m P P − Pe
× 2
= a = m (14)
ws dt S maq S maq

Tomando como potência base a potência da própria máquina, tem-se (14) em p.u na
base da máquina.

2 H d 2δ m
× = Pa = Pm − Pe p.u (15)
ws dt 2

A equação (15) é chamada de equação de oscilação da máquina, a qual governa a


dinâmica rotacional das máquinas síncronas nos estudos de estabilidade.

Escrevendo (15) em termos de f (Hz) e fazendo m= (radiano elétrico), tem-se

H d 2δ
× 2 = Pa = Pm − Pe p.u (16)
π × f dt

Para o caso do ângulo ser dado em grau elétrico, resulta

H d 2δ
× = Pa = Pm − Pe p.u (17)
180 × f dt 2

A equação (15) pode ser re-escrita como

2 H d dδ m
× = Pa = Pm − Pe p.u (18)
ws dt dt

De (7), tem-se
dδ m
= wm − w s rad/s (19)
dt

Essa equação fornece a velocidade angular do rotor relativa à velocidade síncrona do campo
girante.

Como a velocidade síncrona não varia com o tempo, então, a substituição de (19) em
(18), resulta

2 H dwm
× = Pm − Pe p.u (20)
ws dt

6
Sob o ponto de vista de aplicação prática, é importante que se façam algumas
considerações sobre a equação de oscilação.

1. Em um estudo de estabilidade com várias máquinas síncronas, apenas uma potência é


tomada como base (comumente, 100 MVA). Assim, o segundo membro da equação de
oscilação (15) de cada máquina deve ser expresso em p.u na base comum. Por sua vez,
a constante H, no primeiro membro, deve ser consistente com a base do sistema. Isto
deve ser feito convertendo a constante H de cada máquina (dada na própria potência),
a um valor determinado pela base do sistema. Na equação (12), multiplicando cada
lado pela relação (Smaq /Ssistema), obtém-se

1 1
S maq M × ws S maq S maq M × ws
× H maq = 2 × × H maq = 2
S sistema S maq S sistema S sistema S sistema

Mas,
1
M × ws
2 = H sistema
S sistema
Então,
S maq
H sistema = H maq ×
S sistema

2. A constante de inércia M raramente é usada, sendo mais comum o emprego de H na


equação de oscilação. Isto se deve ao fato de M variar bastante com o tamanho e o tipo
de máquina. A constante H também varia, porém numa faixa menor. Os fabricantes de
máquinas costumam usar a grandeza WR 2 (peso em libra, multiplicado pelo quadrado
do raio de giração, em pés) para especificar o momento de inércia das partes rotativas
de uma unidade de geração (incluindo a máquina motriz). A grandeza WR2 /32,2 é o
momento de inércia em slug-pé quadrado.

Exemplo 1: Desenvolver uma expressão para calcular a constante H do gerador de


uma usina nuclear com potência 1,333 MVA, 1800 rpm e WR2 = 5,82x106 lb.ft2.

Resolução:

A energia cinética de rotação em lb.ft, na velocidade síncrona, é

2
1 WR 2 2π × (rpm)
KE = × × lb.ft
2 32 60
ou
1
KE = × I × ws2
2

WR 2
Onde, I é o momento de inércia dado por I =
32,2

7
Sabe-se que 1 ft.lb = 746/550 joules. Convertendo esse valor para MJ e dividindo pela
potência da máquina em MVA, obtém-se

2
746 1 WR 2 2π × (rpm)
× 10 − 6 × × ×
550 2 32,2 60 2,31 × 10 −10 × WR 2 × (rpm) 2
H= =
S maq S maq

2,31 × 10 −10 × 5,82 × 10 6 × 1800 2


H=
1,333

Convertendo H para a base do sistema (no caso, 100 MVA), tem-se

1,333
H = 3,27 × = 43,56 MJ/MVA
100

3. Em estudo de estabilidade de um grande sistema com várias máquinas, é necessária a


minimização das equações de oscilação a serem resolvidas. Isto pode ser feito se a
falta na linha de transmissão do sistema for de tal forma que os rotores das máquinas
de uma mesma usina ou planta oscilem juntamente. Em tal caso, as máquinas, que
funcionam dessa forma, podem ser combinadas em uma máquina equivalente, como se
seus rotores fossem mecanicamente acoplados, conseqüentemente, apenas uma única
equação de oscilação será utilizada. As máquinas que atendem a esses pré-requisitos
são chamadas de máquinas coerentes.

Considere um sistema com dois geradores conectados a uma mesma barra. Considere
também, que a barra está eletricamente distante do distúrbio. As equações de oscilação
na base do sistema são:

2 H 1 d 2 δ1
• Para o gerador 1: × 2 = Pm1 − Pe1 p.u (21)
ws dt

2H 2 d 2 δ 2
• Para o gerador 2: × = Pm 2 − Pe 2 p.u (22)
ws dt 2

Somando essas duas equações e fazendo 1 = 2 = , pois considera-se que os dois


rotores oscilam juntamente (máquinas coerentes), tem-se

2 H eq d 2δ
× = Pm ( eq ) − Pe ( eq )
ws dt 2
Onde,
Heq = H1 + H2
Pm(eq) = Pm1 + Pm2
Pe(eq) =Pe1 + Pe2

8
Essa equação, que toma a forma de (14), pode ser resolvida para representar a
dinâmica da planta.

Exemplo 2: Duas unidades geradoras, que operam em paralelo, têm as características


dadas abaixo. Calcular a constante equivalente H par as duas unidades na base de 100
MVA.
• Unidade 1: 500 MVA, fp1= 0,85, 20 kV, 3500 rpm, H1= 4,80 MJ/MVA
• Unidade 2: 1,333 MVA, fp2 = 0,90, 22 kV, 1800 rpm, H2 =3,27 MJ/MVA.

Resolução:

A energia cinética de rotação das máquinas é dada por:

KE = 4,8 × 500 + 3,27 × 1,333 = 6759 MJ

6759
H= = 67,59 MJ/MVA
100

Sabendo-se que as máquinas oscilam juntamente, esse valor pode ser usado numa
equação de oscilação, pois se considera que os rotores estão em passo, em cada
instante de tempo.

4. Para o caso de duas máquinas não coerentes, as equações de oscilação são iguais às
equações (21) e (22). Dividindo cada equação por sus respectiva constante, e
subtraindo os resultados, obtém-se

d 2 δ1 d 2δ 2 ws P − Pe1 Pm 2 − Pe 2
− = × m1 −
dt 2 dt 2 2 H1 H2

H1 × H 2
Multiplicando os dois lados por e fazendo algumas manipulações
H1 + H 2
algébricas, determina-se que

2 H 1 × H 2 d 2 (δ 1 − δ 2 ) Pm1 × H 2 − Pm 2 × H 1 Pe1 × H 2 − Pe 2 × H 1
× = − (23)
ws H1 + H 2 dt 2 H1 + H 2 H1 + H 2

Escrevendo essa equação na forma básica, tem-se

2 H 12 d 2 δ12
× = Pm12 − Pe12
ws dt 2

Onde
12 = 1- 2

H1 × H 2
H 12 =
H1 + H 2

9
Pm1 × H 2 − Pm 2 × H 1
Pm 12 =
H1 + H 2

Pe1 × H 2 − Pe 2 × H 1
Pe12 =
H1 + H 2

Uma aplicação que pode ser feita com essas equações diz respeito a um sistema
composto por um gerador e um motor síncrono, conectados por uma linha de
transmissão puramente reativa. Se ocorrer uma mudança na potência de saída do
gerador, ela será absolvida pelo motor. Assim, pode-se escrever

Pm1 = − Pm 2 = Pm

Pe1 = − Pe 2 = Pe

Nessas condições, Pm 12 = Pm e Pe12 = Pe e a equação (23) fica reduzida a

2 H 12 d 2 δ12
× = Pm − Pe
ws dt 2

4. Equação do Ângulo de Potência

Na equação de oscilação do gerador, a potência de entrada da máquina (Pm) será


considerada constante. Sendo Pm constante, a potência Pe determina se o rotor acelera,
desacelera ou permanece na velocidade síncrona. Quando Pe=Pm, a máquina funciona em
regime permanente, na velocidade síncrona. Quando se afasta desse valor, a velocidade do
rotor afasta-se da velocidade síncrona. As mudanças em Pe são determinadas pelas condições
dos circuitos de transmissão e distribuição ou das cargas supridas pelo gerador. Distúrbios nos
sistemas como mudanças de cargas, faltas ou aberturas de disjuntores, podem causar
mudanças em Pe, conseqüentemente, transitórios eletromagnéticos. Fundamentalmente, a
tensão no gerador é suposta constante, de forma que a mudança em Pe é determinada pela
equação de fluxo de carga, aplicada ao circuito, e pelo modelo escolhido para representar o
comportamento elétrico da máquina. Para o estudo de estabilidade transitória, cada máquina é
representada por sua tensão interna, E’, em série com sua reatância transitória X’d, como
mostra a Figura 4. Onde, Vt é a tensão terminal e é o ângulo de E’ em relação ao o eixo
girante ( = m, ver figuras 2 e 3). Esse modelo corresponde á representação da máquina em
regime permanente, em que a reatância síncrona Xd está em série com a tensão interna E.

jX’d E’
I

+ jX d′ × I
= m
E’ G Vt Vt
_

I Referência

Figura 4 – Circuito equivalente de um gerador síncrono em regime transitório e seu diagrama fasorial

10
Considere o caso de dois geradores suprindo cargas com impedâncias constantes em
um circuito como esquematizado na Figura 5. As reatâncias dos geradores estão incluídas no
circuito.

1 I1 I2 2
+ +
E1’ G1 Circuito de
G2 E2’
_ transmissão _

Figura 5 – Sistema de potência com dois geradores suprindo


cargas através de um circuito de transmissão

Os elementos da matriz admitância de barra para o circuito, reduzido às barras 1 e 2, é

Y11 Y12
Ybar = (24)
Y21 Y22

Do estudo de fluxo de carga, sabe-se que a injeção de potência complexa ( S ∗k ), numa


barra genérica k, é

N
Pk − jQk = Vk∗ × Ykn × Vn (25)
n =1

Sendo k =1 e N =2 e fazendo V igual a E’ em (25), obtém-se a potência líquida


injetada na barra 1 do sistema.

P1 + jQ1 = E′ ×1 (Y11 × E1′ ) ∗ + E1′ (Y12 × E′2 ) ∗ (26)

Onde
E1′ = E1∠δ 1 ; E′2 = E 2 ∠δ 2

Y11 = G11 − jB11 ; Y12 = Y12 ∠θ12

Substituindo esses valores em (26), obtém-se

P1 + jQ1 = E12 × G11 + E1 × E 2 × Y12 cos(δ 1 − δ 2 − θ12 ) + j [ E12 × B11 − E1 × E 2 × Y12 sen (δ 1 − δ 2 − θ12 )]

Conseqüentemente, S1∗ é dada por

P1 − jQ 1 = E12 × G11 + E1 × E 2 × Y12 cos(δ 1 − δ 2 − θ12 ) − j [ E12 × B11 − E1 × E 2 × Y12 sen (δ 1 − δ 2 − θ12 )]

Assim,

P1 = E1′ × G11 + E1′ × E 2′ × Y12 cos(δ 1 − δ 2 − θ 12 )


2
(27)

11
e
Q1 = − E1′ × B11 + E1′ × E 2′ × Y12 sen (δ 1 − δ 2 − θ 12 )
2
(28)

Trocando os subscritos, obtêm-se equações semelhantes para a barra 2.

π
Em (27) e (28), fazendo δ = δ 1 − δ 2 e θ12 = γ + , têm-se
2

2
P1 = E1′ × G11 + E1′ × E 2′ × Y12 sen (δ − γ ) (29)

Q1 = − E1′ × B11 − E1′ × E 2′ × Y12 cos(δ − γ )


2
(30)

A equação (29) pode ser escrita numa forma mais compacta

P e = Pc + Pmax sen(δ - γ ) (31)

Onde
2
Pe = P1 ; Pc = E1′ × G11 ; Pmax = E1′ × E 2′ × Y12 (32)

A equação (31), que fornece a potência elétrica de saída do gerador, Pe, comumente é
chamada de equação do ângulo de potência. Seu gráfico, que é traçado em função de , é
conhecido como curva do ângulo de potência.

No caso de um circuito puramente reativo, tem-se G11= 0 (Pc = 0) e 12 = /2. Então,


de (27) obtém-se

Pe = Pmax × senδ (33)

Em que, Pmax = E1′ × E 2′ × Y12 e Y12 é o módulo do elemento Y12.

Exemplo 3: A Figura 6 mostra um gerador conectado através de duas linhas de transmissão a


um grande sistema metropolitano, que é considerado como barra infinita ( V = 1∠0 o p.u e
freqüência constante). A máquina está fornecendo 1 p.u de potência ao sistema. A tensão
terminal da máquina é 1∠ α p.u. Os números no diagrama indicam as reatâncias numa
mesma base. Pede-se: (a) A equação do ângulo de potência para essa condição de operação;
(b) A equação de oscilação da máquina.
j0,4
X′d = j0,2 j0,1
G ∞

j0,4

Figura
Resolução : 6 – Sistema de potência onde se vê um gerador alimentando uma barra infinita

Primeiramente, constrói-se o diagrama de impedâncias como na Figura 7.

12
3 4
j0,4
1 2
j0,2 j0,1 I

+ +
j0,4 V = 1∠ 0 o
E’ G Vt = 1∠α
_ _

Figura 7 – Diagrama de impedâncias do sistema

O módulo da reatância série entre a tensão terminal e a barra infinita é: X24 = 0,3 p.u

A potência fornecida pelo gerador ao sistema (1 p.u) é dada pela equação do ângulo de
potência.

Vt × V 1×1
× senα = 1 × senα = 1 α = 17,46 o
X 24 0,3

Em que é o ângulo de Vt com relação V (barra infinita tomada como referência).

Assim,
Vt = 1∠17,46 o =0,954+j0,3 p.u

Por sua vez, determina-se a corrente I

Vt − V 1∠17,46 o − 1∠0 o
I= = = 1 + j 0,1535 = 1,012∠8,73 o p.u
x 24 j 0,3

A tensão transitória E’ é dada por

E′ = Vt + X′d × I = 1∠17,46 o + j 0,2 × 1,012∠8,73o = 1,05∠28,44 o p.u

Escrevendo a equação do ângulo de potência relativa ao gerador à barra infinita, tem-


se
E′ ×V 1,05 × 1
Pe = × senδ = × senδ
x14 0,5

Pe = 2,10 senδ

Onde é o ângulo mecânico do rotor com relação à barra infinita, dado em radiano ou grau
elétrico.
O gráfico de Pe x (curva do ângulo de potência) está mostrado na Figura 8.

13
Pe (p.u)

Pe = 2,1 × senδ
2,1

Pm

28,44 90 151,56 (graus)

Figura 8 – Gráfico do ângulo de potência

Observa-se que a potência mecânica de entrada, Pm, é constante (considerada 1 p.u) e


intercepta a curva do ângulo de potência no ponto de ângulo 28,44º (ângulo de operação).
Essa posição angular inicial do rotor corresponde à condição de operação de 1 p.u.

De (17), tem-se a equação de oscilação da máquina

H d 2δ
× = 1 − 2,1 × senδ p.u
180× f dt 2

Onde, H é dada em MJ/MVA, f em Hz e em graus elétricos.

Exemplo 4: O sistema do Exemplo 3 está operando nas condições mencionadas quando


ocorre uma falta trifásica na metade de uma das linhas. Pede-se a equação do ângulo de
potência para o sistema na condição de falta e a equação de oscilação correspondente.
Considerar H = 5 MJ/MVA.

Resolução:

Na Figura 9 é mostrado o diagrama de impedâncias transformado em diagrama de


admitâncias.

14
3 -j2,5 4
1 -j3,333

-j5 F -j5
+ +
1,05∠δ G 1∠ 0 o
_ _

Figura 9 – Diagrama de admitâncias do sistema

Na Figura 10, redesenha-se o diagrama de admitâncias com o objetivo de mostrar o


efeito da falta.

3 -j2,5 4
1
-j3,333

-j5 -j5
+ +
1,05∠δ G 1∠ 0 o
_ _

Figura 10 – Diagrama esquemático de mostrando o efeito da falta

Baseado no conceito de que o enlace de fluxo na máquina não varia instantaneamente,


então, a tensão transitória interna do gerador permanece constante e igual a
E′ = 1,05∠28,44 o p.u, conforme calculada no exemplo anterior.

Para a nova configuração mostrada na Figura 10, a matriz de admitâncias de barra é

1 4 3
− 3,333 0 3,333 1

Ybar = j × 0 − 7,5 2,5 4

3,333 2,5 − 10,833 3

A barra 3, sem fonte, será removida da matriz Ybar, usando o método de redução de
Kron, isto é,

Ykn × Ynj
Ykj( novo) = Ykj( original ) −
Ynn

(original )
Onde, n é o número de elementos da matriz Ybar .

15
A aplicação desse procedimento, resulta

( nova ) Y11( novo) Y12( novo) − 2,308 0,769


Ybar = = j×
( nov 0 )
Y21 ( novo)
Y22 0,769 − 6,923

O módulo da admitância de transferência entre o gerador e a barra infinita é


Y12( novo) = 0,769 p.u. Portanto,

Pmax = E ′ × V × Y12( novo) = 1,05 × 1 × 0,769 = 0,808 p.u

A equação do ângulo de potência na condição da falta no sistema é

Pe = 0,808 × senδ p.u

A correspondente equação de oscilação é

5 d 2δ
× = 1 − 0,808 × senδ p.u
180 × f dt 2

Devido à inércia, o ângulo do rotor não pode mudar instantaneamente no momento da


falta. Por conseguinte, inicialmente, permanece com o valor 28,44º, e a potência de saída é

Pe = 0,808 × sen(28,44 o ) = 0,385 p.u

Assim, a potência de aceleração inicial é

Pa = 1 − 0,385 = 0,615 p.u

Por sua vez, a aceleração angular inicial do rotor é positiva e seu valor é dado por

d 2 δ 180 × f
2
= × 0,615 = 22,14 × f grau / s2
dt 5

Exemplo 5: A falta no sistema do Exemplo 4 é limpa pela abertura simultânea das proteções
nos dois terminais da linha afetada. Pede-se a equação do ângulo de potência e equação de
oscilação para o período pós-falta.

Resolução:

Verificando a Figura 6, após a remoção da linha com falta, a admitância série entre o
gerador e a barra infinita é
1
y 14 = = − j1,429 p.u
j (0,2 + 0,1 + 0,4)

16
Na matriz Ybar, o elemento Y14 = -y14, então Y14 = j1,429 p.u. Assim, a equação do
ângulo de potência é dada por

Pe = 1,05 × 1 × 1,429 × sen = 1,5 × senδ p.u

Por sua vez, a equação de oscilação é

5 d 2δ
× 2 = 1 − 1,5 × sen p.u
180 × f dt

A aceleração, no momento da abertura da falta, depende da posição angular do rotor


naquele instante de tempo.

As curvas dos ângulos de potência dos exemplos acima são mostradas na Figura 11.

Pe (p.u)

2,1

Pe = 2,1 × senδ

Pe = 1,5 × senδ
Pm

Pe = 0,808 × senδ

28,44 90º 151,56 (graus)

Figura 11 – Curvas dos ângulos de potência dos exemplos apresentados

5. Coeficientes de Potência Sincronizante

No gráfico do ângulo de potência do Exemplo 3 (Figura 8), o ponto de operação é


determinado para o ângulo de operação 0 = 28,44º, onde a potência mecânica de entrada Pm é
igual à potência elétrica de saída Pe. Na mesma figura, observa-se que Pe = Pm para o caso de
= 151,56º, o que pode parecer um ponto aceitável de operação. O que não é, como será
mostrado a seguir.

17
Um ponto de operação aceitável é aquele que o gerador não perde o sincronismo
quando ocorrer pequenas mudanças na potência elétrica de saída. Para este exame, considere
uma potência mecânica (Pm) fixa e uma mudança incremental no ponto de operação, isto é,

δ = δ0 + δ∆ e Pe = Pe 0 + Pe ∆ (34)

Onde os índices zero e identificam, respectivamente, o ponto de operação em regime


permanente e a variação incremental a partir desse valor.

Substituindo (34) em (33), obtém-se a equação do ângulo de potência para o sistema


de duas máquinas.

Pe 0 + Pe ∆ = Pmax × sen(δ 0 + δ ∆ ) = Pmax (senδ 0 × cos δ ∆ + cos δ 0 × senδ ∆ ) (35)

Sendo um pequeno deslocamento incremental de 0, então

cos δ ∆ = 1 e senδ ∆ = δ ∆ (36)

Assim, (35) torna-se

Pe 0 + Pe ∆ = Pmax senδ 0 + δ ∆ ( Pmax cos δ 0 ) (37)

No ponto de operação inicial ( 0), tem-se Pm = Pe 0, então,

Pm = Pmax senδ 0 (38)

A partir de (37) e (38), tem-se

Pm − ( Pe 0 + Pe ∆ ) = −δ ∆ × Pmax cos δ 0 (39)

A substituição das variáveis incrementais de (34) em (15), resulta

2 H d 2 (δ 0 + δ ∆ )
× = Pm − ( Pe 0 + Pe ∆ ) p.u (40)
ws dt 2

Trocando o lado direito dessa equação por (39) e permutando os termos, obtém-se

0
2H d 2δ 0 d 2δ ∆
× + = −δ ∆ ( Pmax cos δ 0 )
ws dt 2 dt 2
(41)
2H d δ ∆ 2
× 2 + δ ∆ ( Pmax cos δ 0 ) = 0
ws dt

18
Derivando (33) em relação a e fazendo = 0, obtém-se

dPe
Sp = |δ =δ 0 = Pmax cos δ 0 p.u (42)

Onde, Sp é a inclinação da curva do ângulo de potência no ponto de operação de 0. É


conhecida como coeficiente de potência sincronizante.

Quando Sp é usado em (41), a equação de oscilação, para variações incrementais


ângulo-rotor, pode ser posta na forma

d 2 δ ∆ ws × S p
+ ×δ∆ = 0 (43)
dt 2 2H

Em (43), tem-se uma equação diferencial linear de segunda ordem cuja solução
depende do sinal de Sp. Quando Sp for negativo, a solução (t) cresce exponencialmente sem
limite. Quando Sp for positivo, a solução (t) corresponde a um movimento harmônico
simples. O movimento é representado pela oscilação de um pêndulo sem amortecimento. A
equação de um movimento harmônico simples é

d 2x
+ wn2 × x = 0 (44)
dt 2

Comparando (43) com (44), para o caso Sp positivo, obtém-se a freqüência angular de
oscilação, sem amortecimento, ou seja,

ws × S p
wn = rad/s (45)
2H
ou

1 wn × S p 1
fn = × = × wn Hz (46)
2π 2H 2π

Na Figura 8, o ponto de operação = 28,44º é um ponto de equilíbrio estável. Nesse


sentido, o ângulo do rotor oscila após uma pequena perturbação. Na prática, o amortecimento
restabelece o ângulo do rotor para 28,44º, após a perturbação temporária. Pelo outro lado, o
ponto = 151,56º é um ponto de equilíbrio instável pelo fato de Sp ser negativo. Esse ponto
não é válido como ponto de operação.

Exemplo 4: A máquina do Exemplo 3 está operando com um ângulo =28,44º, quando


ocorre uma pequena perturbação no sistema. Pede-se a freqüência e o período de oscilação do
rotor, considerando que a máquina é removida antes da máquina motriz. Fazer H=5 MJ/MVA.

Resolução:

De (42), o coeficiente de potência sincronizante é

19
S p = 2,1cos(28,44 o ) = 1,8466 p.u

De (43), a freqüência angular de oscilação assume o valor

ws × S p 377 × 1,8466
wn = = = 8,343 rad/s
2H 2×5

ou, em termos de freqüência elétrica


1
fn = × 8,343 = 1,33 Hz

O período é dado pelo inverso de fn, então

1 1
T= = = 0,753 s
f n 1,33

Esse exemplo é importante sob o ponto de vista prático, pois indica a ordem de
grandeza da freqüência que pode ser imposta à freqüência nominal (60 Hz) de um sistema
com várias máquinas interconectadas. Para o exemplo, f = 60 + 1,33 Hz.

6. Análise de Estabilidade: Critério das Áreas Iguais

A equação de oscilação é não linear, assim sendo, a sua solução formal não pode ser
explicitada. No caso da oscilação de uma única máquina, com relação a uma barra infinita, é
muito difícil de se obter a solução formal literal. Para isso, métodos computacionais são
utilizados. Para verificar a estabilidade de um sistema de duas máquinas, sem resolver a
equação de oscilação, emprega-se o critério das áreas iguais, que é um método aproximado.

Considere o sistema mostrado na Figura 6, ao qual é acrescentada uma pequena linha


de transmissão, como mostrado na Figura 12.

~ ∞
~
A B

Figura 12 – Sistema de potência com uma falta trifásica no ponto F da linha AB

Inicialmente, o disjuntor A está fechado e o B está aberto, portanto, a condição de


operação inicial do Exemplo 3 pode ser considerada sem alteração. No ponto F, ocorre uma
falta trifásica, que é limpa pelo disjuntor A depois de um curto intervalo de tempo. A falta é

20
praticamente na barra de saída do transformador, por conseguinte, a potência elétrica de saída
é zero (Pe=0), até a falta ser limpa. A condição física antes, durante e depois da falta pode ser
entendida analisando a curva do ângulo de potência na Figura 13 (a), (b) e (c).

Pmax senδ

a b
Pm

0 max 180º
(a)

e
d Pmax senδ
A2

a
Pm

A1

b c
0 c x max 180º

(b)

21
e
d Pmax senδ

A3
Pm a

A4

b c
y 0 c x max 180º
(c)

Figura 13 – Diagramas da curva do ângulo de potência, apresentando as condições físicas do sistema, antes (a)
durante (b) e depois (c) da falta

Antes da falta ocorrer, o gerador está operando na velocidade síncrona com o ângulo
do rotor igual a 0, e a potência mecânica de entrada, Pm, é igual à potência elétrica de saída,
Pe, como no ponto a da Figura 13 (a). Quando ocorre a falta, no instante t = 0, Pe vai a zero e
Pm permanece inalterada, como mostra a Figura 13 (b). Essa mudança acarreta o crescimento
da velocidade do rotor, a partir do aumento da potência de aceleração, que se iguala à Pm, ou
seja, Pa= Pm. Sendo tc o tempo de abertura da falta, então, para um tempo t < tc, a aceleração
é constante e, de acordo com (15), é dada por

d 2δ m w
2
= s × Pm rad/s2 (47)
dt 2H

Enquanto permanece a falta, a velocidade do rotor cresce acima da velocidade


síncrona e pode ser obtida pela integração de (47).

dδ t ws w
= × Pm × dt = s × Pm × t rad/s (48)
dt 0 2H 2H

Essa equação fornece a velocidade do rotor, relativa à velocidade síncrona. Integrando-a


novamente em relação ao tempo, obtém-se a posição angular do rotor.

ws × Pm 2
δ= ×t + δ0 rad (49)
4H

22
As equações (48) e (49) mostram, respectivamente, que a velocidade relativa do rotor
cresce linearmente com o tempo, enquanto o ângulo do rotor avança de 0 até o ângulo c, na
abertura da falta. Isto é, o ângulo vai de b até c na Figura 13 (b). No instante de abertura da
falta, t = tc, o crescimento da velocidade do rotor e do ângulo, entre o gerador e a barra
infinita, são, respectivamente

dδ w × Pm
|t =tc = s × tc rad/s (50)
dt 2H
e

ws × Pm 2
δ (t ) |t =t = × tc + δ 0 rad (51)
c
4H

Quando a falta é limpa no ângulo c, a potência elétrica (Pe) cresce abruptamente ao


valor correspondente ao ponto d, na curva do ângulo de potência. Em d, Pe excede a potência
mecânica (Pm). A partir daí, a potência de aceleração (Pa) fica negativa (Pa = Pm - Pe).
Conseqüentemente, diminui a velocidade, quando Pe vai de d a e na Figura 13 (c). Em e, a
velocidade do rotor atinge a velocidade síncrona, embora o ângulo do rotor tenha avançado
até x. A velocidade do rotor (wm) não pode permanecer na velocidade síncrona (ws), precisa
continuar decrescendo. Nesse caso, de acordo com (19), a velocidade relativa é negativa, e o
ângulo do rotor se desloca para trás, a partir de x. De acordo com a curva da Figura 13 (c),
isso acontece a partir do ponto e até a, onde wm < ws. De a até o ponto f, tem-se Pm >Pe. Em f,
a velocidade do rotor atinge a velocidade síncrona outra vez. Na ausência de amortecimento,
o rotor continuará oscilando indefinidamente na seqüência f-a-e e e-a-f, com a velocidade
síncrona ocorrendo em e e f.

De acordo com (19), a velocidade angular do rotor (wr), relativa à velocidade síncrona,
é dada por


wr = = wm − w s (52)
dt

De (20), tem-se
2 H dwr
× = Pm − Pe (53)
ws dt


Multiplicando os dois lados da equação por wr = , obtém-se
dt

H dw dδ
× 2wr × r = ( Pm − Pe ) × (54)
ws dt dt
d ( wr2 )
Mas = 2 wr , então (54) pode ser re-escrita como
dt

H d ( wr2 ) dδ
× = ( Pm − Pe ) × (55)
ws dt dt

23
Multiplicando por dt e integrando o resultado, obtém-se

H δ2
× ( wr22 − wr21 ) = ( Pm − Pe )dδ (56)
ws δ1

A velocidade wr1 do rotor corresponde a 1 e wr2 corresponde a 2. Se o rotor está na


velocidade síncrona, então, wr1= wr2= 0. Nessas condições, (56) torna-se

δ2
( Pm − Pe )dδ = 0 (57)
δ1

Aplicando essa equação em dois ângulos, 1 e 2, do diagrama do ângulo de potência,


determinam-se os pontos em que a velocidade do rotor atinge a velocidade síncrona. Na
Figura 13 (b), os tais pontos são a e e, que correspondem aos ângulos 0 e x. Fazendo a
integração em dois passos, escreve-se

δc δx
( Pm − Pe )dδ + ( Pm − Pe )dδ = 0 (58)
δ0 δc

ou
δc δx
( Pm − Pe )dδ = ( Pe − Pm )dδ (59)
δ0 δc

O primeiro membro corresponde ao período que o sistema permanece com a falta, e o


segundo ao período pós-falta.

Na Figura 13 (b), Pe é zero durante a falta (intervalo de a-d). A área hachurada A1 é


dada pelo primeiro membro de (59), e a área A2 pelo segundo membro. As duas áreas são
iguais, ou seja,

δc δx δx
Pm dδ = Pe dδ − Pm dδ
δ0 δc δc

Mas, Pe = Pmax × senδ dδ , então,

δc δx δx
Pm dδ = Pmax × senδ dδ − Pm dδ
δ0 δc δc

Pm × (δ c − δ 0 ) = Pmax × (cos δ c − cos δ x ) − Pm × (δ x − δ c ) (60)

Na Figura 13 (c), o rotor assume a velocidade síncrona em x e y, então, pela mesma


razão, A3 e A4 são iguais.

A área A1 depende do tempo de abertura da falta. Se esse tempo crescer, o ângulo c


também crescerá, implicando em um aumento da área A1. Pelo critério das áreas iguais, A2
também irá crescer, até o ângulo x. Se o tempo de abertura for prolongado, até que o ângulo
do rotor oscile além do ângulo máximo max, a velocidade do rotor vai estar acima da
velocidade síncrona, quando a potência de aceleração for atingida novamente. Na condição de
aceleração positiva, o ângulo crescerá sem limite, levando a um resultado instável.

24
Entretanto, existe um ângulo crítico que garante a estabilidade do sistema. Esse ângulo, que
conhecido como ângulo crítico de abertura, pode ser determinado pelo critério das áreas
iguais, como será visto a seguir.

P (p.u)

Pe = Pmax senδ
A2

Pm

A1

0 cr max (rad)

Figura 14 – Diagrama do ângulo de potência que mostra o ângulo crítico de abertura

O tempo para remover a falta, que correspondente ao ângulo crítico, é chamado de


tempo crítico de abertura, tcr. Aplicando (60), no caso particular da Figura 14, tem-se

A1 = A2 Pm × (δ cr − δ 0 ) = Pmax × (cos δ cr − cos δ max ) − Pm × (δ max − δ cr )


(61)

A manipulação dessa equação, resulta

Pm
cos δ cr = × (δ max − δ 0 ) + cos δ max (62)
Pmax
Da Figura 14, tem-se

δ max = π − δ 0 (63)
e

Pm = Pmax × senδ 0 (64)

Substituindo max e Pm em (62), simplificando o resultado e resolvendo-a para cr,


obtém-se

δ cr = cos −1 [(π − 2δ 0 ) × senδ 0 − cos δ 0 ] rad (65)

A substituição de (65) em (51), resulta em outra expressão que também pode ser usada
na determinação do ângulo crítico de abertura, isto é,

25
ws × Pm 2
δ cr = × t cr + δ 0 rad (66)
4H

Por conseguinte, o tempo crítico de abertura é dado por

4 H × (δ cr − δ 0 )
t cr = s (67)
ws × Pm

É importante observar que, no cálculo de tcr e cr, os ângulos devem ser dados em
radiano.

Exemplo 7: Calcular o ângulo e o tempo crítico de abertura para o sistema da Figura 12,
submetido à falta trifásica no ponto F da linha de transmissão curta. As condições iniciais são
as mesmas do Exemplo 3 e H = 5 MJ/MVA.

Resolução:

Do Exemplo 3, tem-se:
• Equação do ângulo de potência: Pe = Pmax × senδ = 2,1 × senδ p.u
• Ângulo inicial do rotor: 0 = 28,44º = 0,496 rad
• Potência mecânica de entrada: Pm = 1 p.u

De acordo com (66), o ângulo crítico é:

δ cr = cos −1[(π − 2 × 0,496) × sen28,44 o − cos 28,44 o ] = 81,697 o = 1,426 rad

A aplicação de (67), resulta no tempo crítico:

4 × 5 × (1,426 − 0,496)
t cr = = 0,222 s
377 × 1

Esse exemplo serve para estabelecer o conceito de tempo crítico de abertura, o qual é
fundamental ao projetista de proteção para o esquema de abertura de falta. Nos casos mais
gerais, o tempo crítico de abertura não pode ser explicitado sem resolver a equação de
oscilação por simulação em computador digital.

7. Aplicações Adicionais do Critério das Áreas Iguais

Embora o critério das áreas iguais seja aplicado apenas para o caso de duas máquinas
ou uma máquina e uma barra infinita, é bastante útil para se observar o que acontece quando
ocorre uma falta no sistema.

Quando um gerador está suprindo potência a uma barra infinita por duas linhas de
transmissão paralelas, como no Exemplo 3, a abertura de uma delas pode causar a perda de
sincronismo do gerador, apesar da carga está sendo suprida pela outra linha em condições de
regime permanente. Se um curto-circuito trifásico ocorrer na barra que as linhas estão
conectadas (barra de saída das linhas), nenhuma potência será transmitida por ambas. É o caso

26
do exemplo anterior. No entanto, se a falta ocorrer na extremidade de uma delas, a abertura
dos disjuntores nos extremos, isolará a falta e permitirá o fluxo de potência através da outra
linha.

Quando ocorre transmissão de potência durante uma falta, o critério das áreas iguais
pode ser aplicado. Porém, é necessário que se tracem três curvas do ângulo de potência, para
as seguintes condições:

• Antes da falta (pré-falta);


• Durante a falta;
• Após a falta (pós-falta).

A Figura 15, que é similar à Figura 11, mostra o diagrama do ângulo de potência para
essas três condições. Ou seja, as curvas 1, 2 e 3 descrevem as condições pré-falta, durante a
falta e pós-falta, respectivamente.

P (p.u)
Pmax senδ
1 r2 × Pmax senδ
r1 × Pmax senδ
3
PF
A2
Pm
A1 2

0 0 (pos) cr maxr 180º

Figura 15 – Diagrama do ângulo de potência antes, durante e depois da falta

Examinando a Figura 15, conclui-se que as áreas A1 e A2 são as regiões de


interesse para se determinar o ângulo crítico. Usando os passos do item anterior, escrevem-se

δ cr δx
A1 = Pm dδ − r × Pmax senδ dδ = Pm (δ cr − δ 0 ) − r1 × Pmax (cos δ 0 − cos δ cr )
δ0 δ0 1

δ max δ max
A2 = r2 × Pmax senδ dδ − Pmdδ = r2 × Pmax (cos δ cr − cos δ max ) − Pm (δ max − δ cr )
δ cr δ cr

27
Em que, r1 e r2 são fatores de transferência de potência, dados pelas relações:

Pmax , DURANTE A FALTA


r1 =
Pmax, PRÉ -PALTA

Pmax , PÓS- FALTA


r2 =
Pmax, PRÉ -PALTA

Igualando A1 e A2 e fazendo as devidas manipulações algébricas, obtém-se o ângulo


crítico.

Pm
× (δ max − δ 0 ) + r2 × cos δ max − r1 × cos δ 0
Pmax
cos δ cr = (68)
r 2 − r1

Para o cálculo de cr, deve-se calcular, primeiramente, 0 e max, ou seja,

Pm
Pm = Pmax senδ 0 δ 0 = sen -1 (69)
Pmax

Pm
Pm = r2 × Pmax senδ max δ max = 180 o − sen -1 (70)
r2 × Pmax

No Exemplo 7, não há transmissão de potência durante a falta, o que implica r1= 0 e


r2 =1, conseqüentemente, a equação (68) reduz-se à equação (62).

Pequenos valores de r1 correspondem a pequenas quantidades de potência transmitidas


durante a falta. Isso pode causar grandes distúrbios ao sistema. Nessa situação, observa-se que
A1 é grande.

Os curtos-circuitos desbalanceados são representados por uma impedância, conectada


entre o ponto de falta e a barra de referência, no diagrama de seqüência positiva. Portanto,
independentemente de suas localizações, essas faltas permitem a transmissão de alguma
potência ativa.

Do que foi exposto, chega-se à conclusão que o curto-circuito trifásico é o mais


severo, pois, dependendo de sua localização, não permite a transmissão de potência ativa
através das linhas de transmissão (r1= 0). Sob o ponto de vista de severidade, as faltas são
classificadas na seguinte ordem decrescente:

1. Trifásica
2. Dupla fase-terra
3. Fase-Fase
4. Fase-terra.

28
A falta entre uma linha e a terra é a mais freqüente, sendo a trifásica a mais rara.
Porém, para uma maior segurança, os sistemas devem ser projetados para a estabilidade em
regime transitório, com faltas trifásicas nas piores localizações.

Exemplo 8: Determinar o ângulo crítico e tempo crítico de abertura para a falta trifásica
descrita nos exemplos 4 e 5. Considere a configuração inicial do sistema e as condições dadas
no Exemplo 3.

Resolução:

a) Determinação do ângulo crítico

As equações do ângulo de potência para as condições de antes, durante e depois da


falta, são:

• Antes: Pmax senδ = 2,1senδ


• Durante: r1 × Pmax senδ = 0,808senδ
• Depois: r2 × Pmax senδ = 1,5senδ

Assim,
0,808
r1 = = 0,385
2,1
1,5
r2 = = 0,714
2,1

Na condição pré-falta (Exemplo 3), tem-se

δ 0 = 28,44 o = 0,496 rad

Sendo Pm = 1 p.u, então, de acordo com (70), tem-se

1
δ max = 180 o − sen -1 = 180 o − 41,81o = 138,19 o = 2,412 rad
r2 × Pmax

A substituição dos valores de 0 e max em (68), resulta

1
× (2,412 − 0,496) + 0,714 cos138,19 o − 0,385 cos 28,44 o
2,1
cos δ cr = = 0,127
0,714 − 0,85

Logo,
δ cr = cos −1 (0,127) = 82,726 o = 1,444 rad

b) Determinação do tempo crítico

29
A expressão (7), para determinação do tempo crítico, foi demonstrada a partir de (47)
e (48), onde Pe = 0, após a falta. Neste caso, Pa = Pm (aceleração constante). Para o caso do
problema, a potência elétrica transmitida no período pós-falta (Pe (pos)) não é zero. É dada por

Pe ( pos ) = r1 × Pmax senδ (71)

Então, (47) passa a ser escrita como

d 2δm ws
2
= ( Pm − r1 × Pmax senδ ) (72)
dt 2H

Devido a não-linearidade dessa equação, uma solução analítica para determinação do


tempo crítico não é possível. Portanto, requer uma solução numérica. Diversas técnicas de
integração numérica, encontradas na literatura, podem ser aplicadas para se obter a solução
aproximada de equações diferencial não-lineares como (72).

30