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Manual de Apoio ao Formando 1

UFCD 8599 - Comunicação Assertiva e Técnicas de Procura de Emprego

UFCD 8599 COMUNICAÇÃO ASSERTIVA E


TÉCNICAS DE PROCURA DE EMPREGO
PEDRO CABRAL
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1.Comunicação Assertiva

ESTILO PASSIVO

Quando se expressa o ponto-de-vista de forma indireta e diplomática; ou indireta e persuasiva


(vertente manipulador).

Utilização Adequada:
É útil em situações em que, por prudência, reserva, ou desejo de escutar o outro, prefira não
expor (explicitamente) o seu ponto-de-vista. Pode também ser utilizado quando se quer
convencer de forma implícita os outros a agir de acordo com a nossa vontade (vertente
manipulador).

Utilização Inadequada:
Resulta numa atitude de submissão, insegurança, desresponsabilização, vitimização ou
manipulação negativa.
Utilização dos espaços de comunicação:

ESTILO AGRESSIVO
Quando se expressa de forma direta e persuasiva o ponto-de-vista.

Utilização Adequada:
É útil nas situações em que queira impor limites importantes à atuação de terceiros, que não
pretenda ver discutidos ou relativizados.
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Utilização Inadequada:
Quando mal utilizado pode resultar numa atitude demasiado autoritária, ofensiva ou
egocêntrica.

Utilização dos espaços de comunicação:

ESTILO ASSERTIVO

Quando se expressa de forma direta e diplomática o ponto-de-vista.

Utilização Adequada:
É útil na maioria das situações em que é necessário estabelecer um bom diálogo com o
interlocutor.

Utilização Inadequada:
Quando mal utilizado, pode resultar numa atitude excessivamente diplomática e pouco genuína.

Utilização dos espaços de comunicação:


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2. Assertividade no Relacionamento Interpessoal

Ser Assertivo é ser Auto-Afirmativo, é ser capaz de exprimir os sentimentos de forma clara, sem
entrar em ataques pessoais. As pessoas que assumem um estilo de comportamento,
preponderantemente assertivo, são capazes de construir relações interpessoais construtivas e
eficazes, o que é bastante positivo, não só nas relações de carácter profissional, como de
carácter pessoal. Comunicar de forma afirmativa é exprimir os seus pensamentos, os seus
sentimentos e os seus pontos de vista de forma clara, honesta e apropriada.

Esta forma de comunicar implica:


• O respeito do indivíduo por si próprio, ao exprimir os seus gostos, interesses, desejos e
direitos;
• O respeito pelos outros, pelos seus gostos, ideias, necessidades e direitos;

Comunicar de forma afirmativa é dizer aos outros:


“Eis o que penso, eis o que sinto, é este o meu ponto de vista. Porém, estou pronto para te ouvir e
compreender o que pensas, o que sentes e qual o teu ponto de vista”.

Comunicar de forma afirmativa é dizer ao outro:


“Eu sou importante, tanto quanto tu; compreendemo-nos mutuamente.”

Este comportamento é geralmente eficaz quando se pretende atingir determinado fim, porque
permite estabelecer compromissos que visem a satisfação de quem se afirma e a satisfação dos
outros.

Por que temos dificuldade em comunicar de forma afirmativa?


De um modo geral, podemos dizer que ao longo da nossa escolaridade e vivência social não
fomos motivados para desenvolver a capacidade de exprimirmos os nossos pensamentos e os
nossos sentimentos.

Os pais ensinam os filhos a serem limpos, bem-educados, e a comer corretamente. Mas pouco
tempo dedicam a dizer de forma afirmativa o que pensam e sentem. Os professores, ao longo da
escolaridade, estão muito mais preocupados com a aprendizagem da escrita e dos números e
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com a aquisição de saberes do que com o desenvolvimento da pessoa, no sentido de a preparar


para se afirmar perante os outros.

Por outro lado, a sociedade de um modo geral, ou melhor, as forças sociais, apelam para um tipo
de relações humanas demasiado mistificadas, baseadas na dicotomia autoridade/obediência
onde a boa relação parece ter subjacente uma certa submissão e ajustamento ao pensamento
dos outros (mais poderosos), à custa de não afirmação de si.

3. Assertividade no Contexto Profissional

A atitude assertiva é designada como autoafirmativa. Autoafirmar-se significa evidenciar os seus


direitos e admitir a sua legitimidade sem ir contra os direitos dos outros. Trata-se de uma pessoa
que se pronuncia de forma clara, objetiva e construtiva.

Sinais do estilo assertivo:

• Estar à vontade na relação frente-a-frente;


• Adotar uma postura verdadeira;
• Procurar compromissos realistas;
• Negociar na base de interesses mútuos e não de ameaças;
• Não deixar que o “pisem”;

Através de:

• Estabelecendo a sua própria escala de prioridades;


• Dizendo “não” sem ter necessidade de se justificar;
• Procurar aquilo que realmente deseja;
• Pedir explicações sempre que não percebeu alguma coisa;
• Tentar saber qual a imagem que os outros têm de si próprio.

Situações que requerem uma atitude de assertividade no trabalho:

• Pedir um aumento salarial, uma promoção ou um dia livre;


• Admitir que não foi capaz de executar uma tarefa que lhe tinha sido pedida;
• Repreender um subordinado.
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3. Técnicas de Assertividade no Contexto Profissional

TÉCNICA DE AUTO-AFIRMAÇÃO (Bower, 1976) - DEEC


D – DESCREVE

• O Senhor A descreve o comportamento do Senhor B de uma forma tão precisa e objetiva


quanto possível.

E – EXPRESSA

 O Senhor A transmite ao Senhor B o que pensa e sente, em relação ao seu


comportamento, sentimentos, preocupações e desacordos.

E – ESPECIFICA

 O Senhor A propõe ao Senhor B uma forma realista de modificar o seu comportamento.

C - CONSEQUÊNCIA

 O Senhor A tenta interessar o Senhor B pela solução proposta, indicando-lhe as possíveis


consequências benéficas da nova atitude que lhe é proposta.

5.Origens e Fontes de Conflito na Empresa

Os conflitos acompanham-nos durante toda a nossa vida – desde murros que se trocam quando
ainda crianças por causa de um carrinho de brincar, até contendas sobre códigos de vestuário
com os nossos próprios filhos. No local de trabalho, discussões – alguns colegas de trabalho,
clientes exaltados e patrões que vacilam e depois fazem retaliações são o suficiente para nos
convencer de que a questão não é se devemos enfrentar o conflito, mas como o devemos fazer.

Podemos agrupar em 4 tipos as principais causas de conflitos:


1.Diferenças de personalidade;
2. Existência de atividades interdependentes no trabalho;
3. Metas diferentes;
4. Recursos compartilhados.
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1. Diferenças de personalidade
• São sempre invocadas como explicação para as desavenças entre pessoas e trabalho.
• O diagnóstico preliminar ajuda a antecipar o conflito e auxilia no controle de desavenças,
pois conhecendo a personalidade do oponente é possível saber como lidar com ele.

2. Interdependência das tarefas no trabalho


• Existem vários estudos sobre fluxos de trabalho e padrões de interação e
relacionamentos, mostrando que as atividades exercidas e os sentimentos pessoais
geram uma interdependência das tarefas, e são apontados como uma das causas do
conflito organizacional.

• Sequência das operações na empresa.

3. Metas diferentes
• As metas implantadas por um departamento podem entrar em conflito com as metas de
outro departamento.

• Isso significa dizer que existe tensão e diferença entre os objetivos e metas das diversas
unidades.

4. Recursos Compartilhados
Esta causa de conflito é muito comum nas organizações em virtude dos seguintes fatores:

• Tempo do uso do computador;


• Utilização de verbas para aquisição de equipamentos;
• Espaço físico limitado.

Atualmente a abordagem ao Conflito é positiva, pois é encarado como um fator de mudança e


um estimulador a criatividade e à inovação. A abordagem tradicional ao conflito é exatamente o
oposto. É algo negativo, assustador e a evitar. Tanto uma abordagem como a outra são
aceitáveis e referem aspetos positivos e negativos do conflito.

O conflito, dentro das organizações com uma estrutura bem definida, pode proporcionar
verificações ao equilíbrio da própria organização, no sentido em que permite testar os limites
dos poderes coexistentes. Assim, caso encaremos o conflito como um benefício e não como um
perigo, aprendemos a reconhecer o seu poder como agitador de situações e gerador de novos
eventos.
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6.Impacto da Comunicação no Relacionamento Humano

Comunicar significa:
• “Pôr em comum”.
• “Entrar em relação com”.
• “Trocar”.
• Promover a satisfação do Cliente.
O quê?
• Ideias, Conhecimentos, Sentimentos, Experiências, Valores, Crenças, Opiniões.
Entre quem?
• Pessoas que conhecem o significado do que se diz ou faz.

A nossa realização pessoal depende largamente da nossa rede social de suporte que, por sua
vez, depende da nossa capacidade de estabelecer relações sociais de qualidade. Quando falha a
nossa capacidade de comunicar, o trabalho é posto em causa...

Exemplo 1

O colega Manuel: "Pára! Não é assim que se faz isso!"


O colega Roberto: "Tu fazes à tua maneira, eu faço à minha!!

Exemplo 2

Colega: "... Olha, acabei agora de enviar um fax lá para cima para pedir uma máquina para o
departamento."
Colega: "... Mas nós já temos a máquina nova desde há 3 semanas!"
Colega: "Não me digas! E eu que passei a manhã toda a tratar disso!"

O nosso trabalho implica sempre interdependência dos outros. Para que seja bem feito é
necessário comunicar informação (partilhar ideias, dúvidas, procedimentos, resultados).
Comunicar bem é trabalhar bem.
Exemplo 3
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Numa reunião, dois colaboradores apresentam ao chefe o seu conflito interpessoal.

O chefe responde:
- "Não me venham cá com essas ‘tricas’, cada um tem o seu feitio, e devem deixá-lo em casa. Isto
aqui é trabalho."

E termina, dizendo:
-"...Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque!!"

O "Feitio" é uma parte incontornável do trabalho; assim sendo, é nosso dever desenvolver uma
"personalidade profissional" (ex.: ser caloroso, motivado, pontual, motivado, rigoroso e flexível).

O objetivo é estabelecer uma relação de confiança, o que implica 2 níveis de comunicação: 1-


Técnico: comunicar que sabe realizar as tarefas (não basta saber fazer, há que o
mostrar!);
2- Relacional: comunicar que age de boa-fé (mostrar ao outro que está em "boas mãos").

Exemplo 4

O colaborador X tem uma dúvida que precisa de esclarecer:

• O colega Y mostra que é simpático e prestável, mas pouco conhecedor (confiança apenas
a nível relacional);

• O colega Z mostra que é muito conhecedor, mas muito arrogante (confiança apenas a
nível técnico).

Resultado: X não vai confiar em nenhum dos colegas, pois os 2 níveis de confiança são
necessários! A dúvida fica por esclarecer e o trabalho por fazer!

7.Comportamentos que facilitam e dificultam a comunicação e o


entendimento
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1. Empatia

• É a faculdade de se colocar no lugar do interlocutor, de sentir o que ele sente.


• É a faculdade de penetrar no mundo do outro, procurando compreender o que ele vive
e o que ele sente, sem se deixar dominar pela tendência natural de avaliar as ideias
dele, em função dos nossos próprios sentimentos ou valores.
• Esta atitude implica, por parte do profissional, uma boa capacidade de escuta.
• Ser empático é compreender, sem necessariamente estar de acordo.
• Ser empático é mostrar ao interlocutor que o compreendemos.

Comportamentos que bloqueiam a empatia:


• Impor o seu próprio ponto de vista sem considerar as opiniões e necessidades do
cliente.
• Não escutar as mensagens do cliente.
• Estar centrado na sua própria lógica sem tentar compreender a lógica do cliente.
• Interrogar sistematicamente ou não deixar falar.
• Julgar e criticar.
• Impor e dominar.

2. Adaptabilidade

• O profissional que atende o público tem de se colocar à altura do seu interlocutor. O


contacto com pessoas diferentes exige comportamentos e linguagens diferentes.
• Deve ter-se cuidado no tratamento das pessoas.
• As pessoas devem ser tratadas pelo nome. Se não o souber, trate por Senhor ou
Senhora. Não trate o cliente por Você.

3. Autocontrolo

• O profissional não deve permitir que os seus sentimentos e emoções negativas,


assim como os seus juízos, interfiram na relação com o cliente.
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• Se, anteriormente, o cliente foi mal-educado ou incorreto para com o profissional,


na próxima vez que o atende, deverá fazê-lo como se nada se tivesse passado e ser
delicado e respeitoso.

4. Tolerância à Frustração

• Se, perante um interlocutor incorreto não conseguir que ele, ao longo do atendimento,
seja bem-educado, não deve ficar frustrado, nem permitir que a relação seguinte seja
afetada por esse facto.

5. Força de Vontade

• Se nalgum momento, durante o dia, o trabalho não correu tão bem como
esperava por razões que lhe são estranhas e não pode controlar (falta de um colega) não
se deixe abater.
• Trabalhe mais e lide naturalmente com a situação reagindo e respondendo
adequadamente ao cliente.

6. Energia

• Não manifeste lentidão, nem na linguagem verbal, nem nos gestos.


• Mostre-se uma pessoa de ação, enérgica e dinâmica. Informe-se, dê soluções e
apresente propostas.

7. Sociabilidade

• O profissional do atendimento deve gostar de comunicar e de estar, durante o tempo


que for necessário, relacionando-se com o cliente.
• Deve ser sensível às relações humanas e aos problemas dos outros.

8.Atitude Tranquila numa Situação de Conflito

Para tentar solucionar os conflitos, deve sempre ter em linha de conta:


• A análise de cada situação é importante para encontrar a solução para o problema.
• Deve-se evitar que os conflitos ou as causas que mantêm os conflitos não se arrastem.
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• Analisar os factos que estão na sua origem.


• O mesmo problema pode ter interpretações diferentes e cada um dos interlocutores
pode atribuir também valores diferentes, por isso é importante analisar os processos
de comunicação entre os elementos do grupo.
• Analisar os objetivos de cada interlocutor e os seus desacordos e métodos para atingir
as suas metas.
• Qual a natureza e discussão dos métodos.
• Os valores que cada elemento apresenta sobre os mesmos factos e realidade do
problema.

Gerindo Conflitos

Quando colocado numa posição de gestor do conflito:


• O primeiro passo deverá passar por uma abordagem da visão de cada uma das partes.
• A melhor forma de lidar com o assunto será conversar com os indivíduos de forma
separada e privada.
• Durante a conversa deve-se tentar separar informações e emoções.
• Terá de ser um ouvinte atento e desprovido de cargas valorativas.
• Coloque-se numa posição de neutralidade.
• Procure despersonalizar o tema.
• Tente alterar o ponto de vista de cada uma das partes quanto ao conflito.
• Não se limite a ouvir: tente enquadrar o tema na forma como é visto.
• Aprofunde os interesses mencionados se estes não apontam para uma solução.

Visões do conflito que facilitam/dificultam a sua resolução:

FACILITAM DIFICULTAM
Eu aprecio o ponto de vista do outro. O meu ponto de vista é o único válido e correto.
Eu sei porque é que ele tomou essa posição. Não percebo porque é que ele tomou essa posição.
É um problema que diz respeito aos dois. Muitos estão envolvidos nesta disputa.
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O assunto pode ser exposto em termos simples e O assunto é afetado por símbolos, palavras e questões
concretos. de princípio.

Tenho esperança que este conflito se resolva. Tenho pouca fé que o assunto se resolva.
Eu não represento ninguém que não eu, nesta disputa. Eu represento diversas pessoas. Não as quero
desiludir.

10. Inteligência Emocional e Gestão de Comportamentos

A Inteligência Emocional é uma área de investigação psicológica que procura definir o


desenvolvimento global do indivíduo inserido no seu ambiente, interagindo com outros. Valoriza
as qualidades humanas e reflete que o sucesso (pessoal, académico, profissional) passa muitas
vezes pelas capacidades emocionais das pessoas do que pelas capacidades intelectuais.

As tensões da vida moderna – como o risco de demissão, stress, mercado competitivo e falta de
tempo para o lazer – são situações que tendem a alterar o estado emocional de grande parte das
pessoas, levando-as até ao seu próprio limite físico e psíquico.

O resultado é o desequilíbrio emocional. Percebendo a gravidade deste problema, as empresas


passaram a incorporar o autoconhecimento, a autoconsciência, a empatia, a autoaceitação e a
intuição como palavras de ordem, transformando os funcionários no foco das atenções.

A Inteligência Emocional apresenta 10 características:

• O controlo emocional - compreender a controlar os seus sentimentos e gerir o seu


humor;

• A autoestima - ter bons sentimentos a seu respeito, independentemente das situações


exteriores;

• A gestão do Stress - controlar o stress e criar mudanças;


• As aptidões sociais - ser capaz de se relacionar com os outros e ser empático;
• O controlo da impulsividade - controlar a sua impulsividade e aceitar adiar as suas
gratificações;

• O equilíbrio - manter o equilíbrio entre o trabalho e a casa, as obrigações e o prazer;


• As aptidões de comunicação - comunicar eficazmente com os outros;
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• Gestão das suas metas e dos seus objetivos - fixar metas realistas em todas as esferas da
sua vida;

• A automotivação - motivar-se a si próprio na prossecução das suas metas, ser capaz de


criar energia interna;

• A atitude positiva - manter uma atitude positiva e realista mesmo quando nos momentos
mais difíceis.

11. Modalidades de Trabalho

Trabalhadores por conta de outrem

Trabalhadores por conta de outrem são as pessoas que exercem uma atividade remunerada ao
serviço de uma entidade empregadora.

Consideram-se abrangidos pelo regime dos trabalhadores por conta de


outrem, designadamente:

• Trabalhadores que exercem atividade profissional remunerada com contrato de trabalho


e trabalhadores destacados sem prejuízo do disposto em legislação própria e em
instrumentos internacionais a que Portugal se encontre vinculado; O contrato de
trabalho (vínculo) pode ser:

• Contrato de trabalho sem termo (efetivo);


• Contrato de trabalho a termo;
• Contrato de trabalho a termo incerto;
• Contrato de trabalho a tempo parcial (part-time);
• Contrato de trabalho temporário;
• Contrato de serviço doméstico.

Trabalhadores Independentes

Pessoa singular que exerça atividade profissional sem sujeição a contrato de trabalho ou a
contrato legalmente equiparado, ou se obrigue a prestar a outrem o resultado da sua atividade,
e não se encontre por essa atividade abrangido pelo regime geral de Segurança Social dos
trabalhadores por conta de outrem.
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Consideram-se abrangidos pelo regime dos trabalhadores independentes:


Pessoa com atividade profissional e respetivo cônjuge ou pessoa que com ela viva em união de
facto:

• De prestação de serviços (incluindo a atividade de caráter científico, literário, artístico ou


técnico);

• Comercial;
• Industrial;
• Sócio ou membro de sociedade de profissionais livres;
• Sócio de sociedade de agricultura de grupo;
• Titular de direitos sobre explorações agrícolas ou equiparadas, ainda que apenas exerça
atos de gestão, desde que os mesmos sejam exercidos diretamente, de forma reiterada e
com caráter de permanência;

• Produtor agrícola que exerça efetiva atividade profissional na exploração agrícola ou


equiparada e cônjuge ou pessoa que com ele viva em união de facto;

• Empresário em nome individual com rendimentos decorrentes de atividade comercial e


industrial e titular de estabelecimento individual de responsabilidade limitada e respetivo
cônjuge ou pessoa que com ele viva em união de facto;

• Membro de cooperativa de produção e serviços que, nos seus estatutos, opte por este
regime.

Não estão abrangidos por este regime:

• Advogados e solicitadores;
• Trabalhadores que exerçam atividade temporária em Portugal por conta própria e que se
encontrem abrangidos por regime de proteção social obrigatório noutro país;

Atividade liberal

Os trabalhadores liberais têm deveres para com as entidades a quem prestam serviços e têm
obrigações relativamente aos empregados que tiverem a seu cargo. Pode considerar-se que o
trabalho é executado sem subordinação aos clientes sempre que os trabalhadores:
• Tiverem, no exercício das atividades, a faculdade de escolher os processos e meios a
utilizar, sendo estes, total ou parcialmente, das suas propriedades;
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• Não se encontrarem sujeitos a horário e ou a períodos mínimos de trabalho, salvo


quando tal resulte da direta aplicação de normas de direito laboral;

• Possam subcontratar outros para a execução do trabalho em sua substituição;


• Não se integrem na estrutura do processo produtivo, na organização do trabalho ou na
cadeia hierárquica das empresas que servem.

O exercício das profissões liberais regulamentadas exige a inscrição em vigor numa Ordem
profissional ou em associação de natureza jurídica equivalente, tais como:

• Ordem dos Advogados;


• Ordem dos Arquitetos;
• Ordem dos Engenheiros;
• Ordem dos Enfermeiros;
• Ordem dos Farmacêuticos;
• Ordem dos Médicos.

12. Mercado de Trabalho Visível e Encoberto

O conhecimento do mercado de trabalho assume especial relevância na procura de emprego,


permitindo identificar estratégias de inserção mais adequadas.

A temática da inserção no mercado de trabalho deve ser abrangente, salientando as diferentes


modalidades de trabalho, nomeadamente por conta de outrem e por conta própria, como
trabalhador independente ou através da criação da própria empresa.

A integração através de cada uma destas modalidades representa estratégias de abordagem


diferenciadas.
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Rede de Contactos Candidaturas


Espontâneas

Anúncios de Jornais
Agências Privadas
Nacionais locais, ou
de Emprego e de
de associações
Trabalho
Profissionais ou locais
Temporário
/J. F./CM

Centros de
Emprego e GIP Bolsas de Emprego
na Internet

O mercado de trabalho é dinâmico e em constante mutação, o que exige aos candidatos a


emprego um esforço permanente de recolha de informação, nomeadamente em relação a:

• Setores de atividade em recessão, em expansão e estabilização;


• Principais atividades emergentes a nível regional, nacional e internacional;
• Atividades profissionais mais requisitadas e suas exigências;
• Caraterísticas das profissões;
• Requisitos exigidos pelos empregadores.

Promover o reconhecimento do grande dinamismo que caracteriza o mercado de trabalho


contribui para que os candidatos possam mais facilmente desenvolver estratégias adaptativas,
designadamente ao nível do reajustamento constante dos seus objetivos profissionais.

Neste contexto, é particularmente pertinente a ponderação das oportunidades proporcionadas


pela mobilidade geográfica, profissional e pelo empreendedorismo.

13. Pesquisa de Informação para Procura de Emprego


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A procura de emprego deve ter um método e objetivos definidos. Eis alguns pontos essenciais
que deverá ter em conta no seu processo de procura de emprego.

Auto Avaliação

Comece por fazer uma avaliação de si próprio. Pegue numa caneta e num papel e dê o primeiro
passo na procura de emprego. Para ter um conhecimento de si mais aprofundado tente
responder às seguintes questões, com o objetivo de fazer o seu balanço pessoal e profissional:

• O que sei fazer?


• O que não sei fazer?
• O que gosto de fazer?
• O que não gosto de fazer?
• Em que aspetos poderei melhorar?
• A que tipos de emprego me posso candidatar?
• Estarei disposto a mudar o local de residência ou percorrer grandes distâncias?
• Será que necessito de uma formação profissional/complementar que me ajude a dar
resposta às necessidades do mercado?

Pesquisa de ofertas

Diariamente surgem novas oportunidades de emprego. A maioria dos postos de trabalho são
publicitados nos:

• Sites de emprego na Internet (ex: http://empregar.ire.gov.pt);


• Jornais diários, Semanários, Jornais Regionais;
• No Centro de Emprego;
• Clubes de Emprego;
• Agências de trabalho temporário.

As ofertas de emprego podem ainda ser publicitadas através dos seguintes meios:

• Agências privadas de colocação;


• Instituições de Solidariedade Social;
• Diário da República (nos concursos públicos);
• Autarquias, Juntas de Freguesias, Paróquias;
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• Placards existentes nas entradas dos supermercados e hipermercados destinados à


afixação de anúncios.

Inscrição no Centro de Emprego

• Inscreva-se como candidato a emprego no Centro de Emprego através de duas vias:


o Utilizando o serviço NETemprego;

o Presencialmente, dirigindo-se preferencialmente ao Centro de Emprego da sua


área de residência.

Ao inscrever-se no Centro de Emprego uma equipa técnica especializada:

• Elabora consigo um Plano Pessoal de Emprego;


• Apresenta-lhe ofertas de emprego;
• Estabelece um Plano de Procura Ativa de Emprego;
• Propõe ações que facilitam o acesso ao emprego;
• A inscrição pressupõe capacidade e disponibilidade para o trabalho e a
coresponsabilização no seu processo de inserção.
• Comporta ainda um conjunto de direitos e deveres.
Direitos:

• Usufruir dos apoios técnicos e recursos disponíveis;


• Ser apresentado às ofertas de emprego;
• Aceder a formação profissional;
• Usufruir de outros serviços e oportunidades facilitadoras da inserção no mercado de
trabalho.

Deveres:

• Aceitar emprego;
• Cumprir as etapas estabelecidas no Plano Pessoal de Emprego;
• Procurar ativamente emprego pelos seus próprios meios.
O Plano Pessoal de Emprego
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O Plano Pessoal de Emprego (PPE) é um projeto de inserção socioprofissional, elaborado por si,
conjuntamente com o Centro de Emprego e no qual estão definidas:

• As ações previsíveis para a inserção no mercado de trabalho;


• As iniciativas exigidas para cumprimento do dever de procura ativa de emprego;
• As ações de acompanhamento, avaliação e controlo a promover pelo Centro de
Emprego.

A Procura Ativa de Emprego

A Procura Ativa de Emprego é o conjunto de iniciativas efetuadas pelo candidato a emprego,


tendo em vista a sua inserção no mercado de trabalho, por conta de outrem ou por conta
própria, constituindo uma etapa do Plano Pessoal de Emprego.

Para lhe facilitar a Procura Ativa de Emprego, o Centro de Emprego apoia-o nos seus esforços e
iniciativas através da aquisição de estratégias de aproximação ao mercado de trabalho e
disponibiliza recursos e meios:

• Livre serviço de emprego;


• Quiosques eletrónicos;
• Acesso à Internet;
• Anúncios de emprego;
• Se for beneficiário de prestações de desemprego tem o dever de procurar ativamente
emprego pelos seus próprios meios e efetuar a sua demonstração perante o Centro de
Emprego.

Gabinetes de Inserção Profissional - GIP

Os Gabinetes de Inserção Profissional são estruturas de apoio ao emprego que, em estreita


cooperação com os centros de emprego ou centros de emprego e formação profissional,
suportam a atuação destes no desenvolvimento de atividades que contribuem para a inserção
ou reinserção profissional de desempregados.
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Objetivos
Apoiar os desempregados na definição ou desenvolvimento do seu percurso de inserção ou
reinserção no mercado de trabalho.

Destinatários
Desempregados, jovens ou adultos, que necessitem de apoio na resolução do seu problema de
inserção ou reinserção profissional.

Entidades promotoras
Entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos, nomeadamente:

• Autarquias locais;
• Instituições particulares de solidariedade social;
• Outras associações relevantes na dinamização e desenvolvimento local;
• Associações de imigrantes e para imigrantes;
• Associações sindicais e de empregadores;
• Escolas com oferta de vias profissionalizantes de nível secundário.

Apoios
Os desempregados beneficiam de um vasto leque de atividades nos GIP:

• Informação profissional para jovens e adultos desempregados;


• Apoio na procura ativa de emprego;
• Acompanhamento personalizado dos desempregados em fase de inserção ou reinserção
profissional;

• Encaminhamento para ofertas de qualificação;


• Divulgação de ofertas de emprego e colocação de desempregados nas ofertas
disponíveis e adequadas;

• Divulgação de programas comunitários que promovam a mobilidade no emprego e na


formação profissional no espaço europeu;

• Motivação e apoio à participação em ocupações temporárias ou atividades em


regime de voluntariado, que facilitem a inserção no mercado de trabalho.
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14. Medidas Ativas de Emprego e Formação

Incentivo Emprego

EM QUE CONSISTE
Apoio financeiro aos empregadores que, entre 1 de outubro de 2013 e 30 de setembro de 2015,
celebrem contratos de trabalho, regulados pelo Código do Trabalho.

OBJETIVOS

• Impulsionar novas contratações;

• Contribuir para reduzir os níveis de desemprego.


DESTINATÁRIOS

• Empregadores que celebrem contratos de trabalho após 1 de outubro de 2013;

• Empresas de trabalho temporário, qualquer que seja a duração do contrato celebrado


com o trabalhador temporário;

• Bem como aos serviços periféricos externos do Ministério dos Negócios Estrangeiros,
aos institutos públicos de regime especial e ainda às entidades públicas reclassificadas.
APOIOS

• 1% da retribuição mensal do trabalhador;

• O apoio financeiro é reportado ao período compreendido entre o início da execução de


cada contrato de trabalho e 30 de setembro de 2015 ou a data de cessação do contrato,
conforme a que se verifique em primeiro lugar.

CONDIÇÕES DE CANDIDATURA
As entidades empregadoras devem cumprir as obrigações legais e regulamentares a que se
encontram vinculadas, nelas se incluindo as de natureza fiscal e contributiva.
Estágios Emprego

EM QUE CONSISTE
Estágios com a duração de 12 meses, não prorrogáveis.
Considera-se estágio o desenvolvimento de uma experiência prática em contexto de trabalho,
que não pode consistir na ocupação de posto de trabalho.
Manual de Apoio ao Formando 23
UFCD 8599 - Comunicação Assertiva e Técnicas de Procura de Emprego

OBJETIVOS

• Complementar e desenvolver as competências dos jovens que procuram um primeiro ou


um novo emprego, de forma a melhorar o seu perfil de empregabilidade;

• Promover a integração profissional de desempregados em situação mais desprotegida;

• Apoiar a transição entre o sistema de qualificações e o mercado de trabalho;

• Promover o conhecimento sobre novas formações e competências junto das empresas e


promover a criação de emprego em novas áreas;

• Apoiar a melhoria das qualificações e a reconversão da estrutura produtiva.

DESTINATÁRIOS

• Desempregados inscritos nos serviços de emprego e que se encontrem numa das


seguintes condições:

• Jovens com idade entre os 18 e os 30 anos, inclusive, e com uma qualificação de nível
2, 3, 4, 5, 6, 7 ou 8 do Quadro Nacional de Qualificações (QNQ);

• Com idade superior a 30 anos, desde que tenham obtido há menos de três anos uma
qualificação de nível 2 ou superior, estejam à procura de novo emprego e não
tenham registos de remunerações na segurança social nos 12 meses anteriores à
entrada da candidatura;

• Pessoas com deficiência e incapacidade;

• Integrem família monoparental ou cujos cônjuges ou pessoas com quem vivam em


união de facto se encontrem igualmente desempregados, inscritos nos serviços de

emprego;  Vítimas de violência doméstica.

ENTIDADES PROMOTORAS

• Pessoas singulares ou coletivas, de direito privado, com ou sem fins lucrativos;

• Autarquias locais, comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas;

• Entidades que integram o setor empresarial do Estado ou o setor empresarial local.


Manual de Apoio ao Formando 24
UFCD 8599 - Comunicação Assertiva e Técnicas de Procura de Emprego

Contrato Emprego-Inserção

EM QUE CONSISTE
Realização, por desempregados subsidiados, de trabalho socialmente necessário que satisfaça
necessidades sociais ou coletivas temporárias, no âmbito de projetos promovidos por entidades
coletivas públicas ou privadas sem fins lucrativos, durante um período máximo de 12 meses.

OBJETIVOS

• Promover a empregabilidade de pessoas em situação de desemprego, preservando e


melhorando as suas competências socioprofissionais, através da manutenção do
contacto com o mercado de trabalho;

• Fomentar o contacto dos desempregados com outros trabalhadores e atividades,


evitando o risco do seu isolamento, desmotivação e marginalização;

• A satisfação de necessidades sociais ou coletivas, em particular ao nível local ou


regional.

DESTINATÁRIOS
Desempregados inscritos nos serviços de emprego, beneficiários de subsídio de desemprego ou
de subsídio social de desemprego.

São considerados prioritários os desempregados que se encontrem numa das seguintes


condições:

• Pessoa com deficiência e incapacidade;

• Desempregado de longa duração;

• Idade igual ou superior a 45 anos;

• Ex-recluso ou pessoa que cumpra pena em regime aberto voltado para o exterior ou
outra medida judicial não privativa de liberdade;

• Vítimas de violência doméstica.

ENTIDADES PROMOTORAS

• Entidades coletivas, públicas ou privadas sem fins lucrativos, designadamente:

• Serviços públicos que desenvolvam atividades relevantes para a satisfação de


necessidades sociais ou coletivas.
Manual de Apoio ao Formando 25
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APOIOS
Para os desempregados

• Despesas de transporte (caso o transporte não seja assegurado pela entidade);

• Refeição ou subsídio de alimentação por cada dia de atividade.

15. Mobilidade Geográfica

Quais são as vantagens de me mudar para outro país?

Há muito a beneficiar com um período de estudo ou trabalho no estrangeiro: uma verdadeira


mudança de ambiente, novos horizontes pessoais, contacto diário com uma cultura diferente, a
oportunidade ideal de aprender uma nova língua, a oportunidade de conviver com métodos de
trabalho ou de estudo, trocar ideias e comparar experiências de pessoas com origens diferentes.

O que devo fazer para procurar emprego num país da União Europeia/do Espaço Económico
Europeu?

A Rede EURES destina-se a apoiar os cidadãos comunitários na procura de emprego noutros


países comunitários.

A Rede dispõe de Conselheiros EURES, peritos em questões de mercado de trabalho europeu e


condições de vida e trabalho nos países do Espaço Económico Europeu (e Suíça), que podem
fornecer-lhe informações gerais sobre: mobilidade; legislação; segurança social; impostos;
contratos de trabalho; práticas de recrutamento, etc.

Pode, em primeiro lugar, consultar o portal EURES na Internet, onde poderá pesquisar ofertas de
emprego nos países que integram o Espaço Económico Europeu, e também na Suíça.

Mais de 1,3 milhões de ofertas de emprego são diariamente disponibilizadas no Portal,


abrangendo múltiplas profissões e incluindo oportunidades permanentes e sazonais - podendo
ser consultadas, por exemplo, por países, por regiões, por profissões, por tipo de contrato ou
ainda pelo cruzamento de vários critérios de pesquisa.
Quais os aspetos práticos a considerar antes de se procurar emprego noutro país europeu?
Manual de Apoio ao Formando 26
UFCD 8599 - Comunicação Assertiva e Técnicas de Procura de Emprego

Trabalhar e viver noutro país europeu pode apresentar alguns obstáculos, tais como a adaptação
a uma nova cultura, a uma nova língua ou ainda a familiarização com regimes fiscais e de
segurança social bastante diferentes do português.

A melhor forma de preparação é, portanto, uma recolha inicial de informação sobre o país da sua
escolha. As suas qualidades pessoais e determinação desempenham igualmente um papel
importante no processo de procura de emprego - a par, obviamente, das suas qualificações e
conhecimentos de línguas estrangeiras.

Antes de iniciar a procura de emprego noutro país da Europa, deve estar consciente de que não é
necessariamente mais fácil encontrar um emprego no estrangeiro do que em Portugal (a taxa de
desemprego global do Espaço Económico Europeu é também elevada).

Informações gerais – CHECKLIST

Antes de aceitar um emprego, certifique-se que:

• Tem um documento de identificação válido;


• Tem cópia do contrato de trabalho ou documento que confirme as condições oferecidas
e percebe-as na íntegra;

• Conhece o método e frequência do pagamento do salário;


• Conhece as condições de alojamento e se o empregador suporta as despesas, ou;
• Consegue alojamento na zona onde irá trabalhar;
• Tem o Cartão Europeu de Seguro de Doença para salvaguardar eventuais despesas de
saúde até estar abrangido pelo sistema de saúde do país onde irá exercer atividade
profissional;

• Tem dinheiro suficiente para permanecer no país até receber o primeiro salário, ou para
regressar a Portugal em caso de necessidade.

É aconselhável que:
Manual de Apoio ao Formando 27
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• Verifique com antecedência a situação do mercado de trabalho, através da consulta de


jornais ou através da Internet;

• Assegure a apresentação de referências para futuros empregadores;


• Faça um seguro de viagem;
• Contacte a Segurança Social para obter mais informações sobre o sistema do país onde
irá exercer atividade profissional;

• Assegure que tem os conhecimentos linguísticos adequados ao exercício da atividade


profissional e caso seja necessário melhore as suas competências.

Autorização de Residência

Como cidadão de uns pais do Espaço Económico Europeu, pode residir em qualquer um com
certas limitações. Se tem intenção de permanecer 3 meses (ou mais de 6 em alguns países) deve
solicitar uma autorização de residência nos serviços administrativos competentes do país em
questão.

Os membros da sua família (cônjuge, descendentes ou ascendentes a cargo)


independentemente da sua nacionalidade podem acompanhá-lo e usufruir do mesmo direito de
residência.

Segurança Social

Em princípio está abrangido pelo sistema de segurança social do país onde trabalha. Você e a sua
família têm direito a receber o mesmo tratamento em matéria de segurança social e podem
receber as mesmas prestações que os cidadãos do país de acolhimento.

Na assistência médica, os países do Espaço Económico Europeu exigem a apresentação do


Cartão Europeu de Seguro de Doença.
Se está a receber prestações de desemprego, pode exportá-las para procurar emprego noutro
Estado-membro, durante um período máximo de 3 meses.
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Para tal deve estar registado no IEFP há pelo menos 4 semanas, comunicar a data de saída do
país e inscrever-se no Serviço Público de Emprego do país de destino num prazo máximo de 7
dias.

16. Rede de Contactos

A rede de contactos é constituída pela multiplicidade de pessoas com as quais se estabelecem


relações diferenciadas (familiares, amigos, vizinhos, colegas...) e que, pela sua atividade
profissional, pelo local onde trabalham ou pela rede de relações que elas próprias possuem,
podem potenciar as oportunidades de procura de emprego.

Usar a rede de contactos é a maneira mais eficaz de encontrar emprego; aproximadamente 70%
de todos os empregos são encontrados dessa forma. Além disso, ela permite que você
descubra oportunidades que nem chegam a ser publicadas— o “mercado oculto de empregos”,
que responde por 80% de todos os empregos disponíveis.

Por meio da rede de contactos, desenvolve-se a capacidade de fazer e manter um bom


relacionamento com uma gama enorme de pessoas. Essa habilidade é fundamental não só para
o sucesso na busca de emprego, como também no desempenho de suas funções nesse
emprego.

Quem Pode Ser Mais Útil na Elaboração de uma Rede de Contactos?

• Pessoas que saibam algo sobre a profissão que escolheu;

• Pessoas que conheçam outras que tenham influência;  Pessoas que conhecem
muitas outras pessoas.

Lembre-se de que, para atingir resultados melhores e mais rápidos, deve:

• Entrar em contacto pelo menos com dez pessoas ou recursos por dia;
• Obter duas novas referências de cada contacto;
• Marcar pelo menos duas reuniões ou entrevistas pessoais por dia.

17. Curriculum Vitae


Manual de Apoio ao Formando 29
UFCD 8599 - Comunicação Assertiva e Técnicas de Procura de Emprego

Um instrumento central na procura emprego é o Currículo. Este é a primeira imagem


transmitida à entidade empregadora e da qual depende, na maioria das vezes, a possibilidade
de passar para as fases seguintes do processo de seleção.

É um resumo dos dados pessoais, da formação, das principais experiências profissionais e


extraprofissionais. Põe em evidência o percurso académico e formativo do candidato, bem
como a sua evolução profissional. Relata o que o candidato fez no passado, de uma forma clara
e sucinta, e põe em evidência as competências que possui e que poderão ser mobilizadas no
futuro.

Quando elaborar o seu CV deve ter em conta os seguintes aspetos:

Forma de apresentação

• Deve ser preferencialmente escrito em computador, numa folha A4 de cor clara e sem
erros nem rasuras;

• Não deve ultrapassar duas a três páginas, utilizando apenas a frente da folha;
• Utilize a primeira pessoa;
• Utilize palavras simples e frases curtas;
• Deixe espaço suficiente entre as linhas bem como nas margens;
• Transmita uma ideia por parágrafo, evitando que este tenha mais do que cinco linhas.

O que deve conter

• Identificação;
• Formação académica;
• Formação profissional;
• Experiência profissional;
• Outros conhecimentos.

Como deve organizá-lo


Manual de Apoio ao Formando 30
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• No CV cronológico a experiência profissional é organizada da mais antiga para a mais


recente ou vice-versa. Este tipo de currículo é mais aconselhado a pessoas cujas
atividades mais recentes são as mais importantes para a função a que se candidata;

• No CV funcional a experiência profissional é organizada por blocos de atividades ou


funções semelhantes. Este tipo de currículo é mais aconselhado a pessoas que
desempenharam atividades muito diversificadas ou para tornar despercebidos períodos
de inatividade profissional.

• No CV EUROPASS as suas competências e qualificações são apresentadas de uma forma


clara e facilmente compreensível em toda a Europa. Este tipo de currículo é utilizado
quando um anúncio o solicitar ou numa candidatura a um emprego noutro país do
Espaço Económico Europeu (EEE).
Exemplo de CV Cronológico

DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

Nome - Madalena Alves da Costa


Data de Nascimento - 07/03/1970, Lisboa
Estado Civil - Solteira
Residência - Av. 5 de Outubro, nº X, 1050-123 Lisboa
Telefone - 21 XXX XX XX
Tlm - 9X XXX XX XX

FORMAÇÃO ESCOLAR (Habilitações Literárias)

9º ano de escolaridade, concluído no ano de 1986 (indicar a média se for favorável).


12º ano de escolaridade, obtido por equivalência do curso de Aprendizagem de Técnico de Qualidade, no ano de 1989 (indicar a média
se for favorável).

FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Curso de Técnico de Qualidade com a duração de 3 anos, no Centro de Formação.


Profissional para a Qualidade - CECAL, concluído em 1989.
Especialização em Gestão da Qualidade (1 ano) do Centro de Formação Profissional para a Qualidade (CEQUAL), terminado em 1990.
Carta de condução de ligeiros e pesados.
Conhecimentos razoáveis de inglês.

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
Manual de Apoio ao Formando 31
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Empresa: Sotêxtil
De 1990 até 1995
Função: Técnico de Controlo de Qualidade na empresa têxtil.

Empresa: Vestuário Poli De 1995 até 2000


Função: Chefe de Equipa no Laboratório de Qualidade, com funções de coordenação na área de planeamento da empresa.

OUTRAS ATIVIDADES (Atividades Extraprofissionais)

Interesse por fotografia com prática de técnicas de revelação.


Prática de atletismo.

Exemplo de CV funcional:
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

Nome - Fernando Duarte Silva


Data de Nascimento - 07/03/1960, Lisboa
Estado Civil -Casado
Residência - Av. 5 de Outubro, nº X, 1050-123 Lisboa
Telefone - 21 XXX XX XX
Tlm - 9X XXX XX XX

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Encarregado da Secção de Mecânica (1992-2000):


Encarregado da secção de equipamentos pesados da Empresa "X" - motores de geradores, camiões e gruas móveis;
Encarregado de gestão de stocks e do parque de equipamentos; Responsável
pela reparação de motores.

Automecânico (1987-1992):
Funções de manutenção e reparação de motores e outros equipamentos mecânicos.

Aprendiz de Automecânico (1982-1987):


Serviço Militar na especialidade de automecânico.

Ajudante de Motorista de Camião (1978-1982):


Carga, descarga e acondicionamento de mercadorias em veículos automóveis pesados.

Empregado de Bomba de Gasolina (1976-1978):


Abastecimento de combustíveis e lavagem de viaturas.

FORMAÇÃO ESCOLAR (Habilitações Literárias)


Manual de Apoio ao Formando 32
UFCD 8599 - Comunicação Assertiva e Técnicas de Procura de Emprego

6º ano de escolaridade, concluído em 1973 (indicar a média se for favorável).


Frequência do 9º ano de escolaridade (indicar a média se for favorável).

PROFISSIONAL
Curso de Formação Profissional de Mecânico de Automóveis do Centro de Formação Profissional de Reparação Automóvel - CEPRA,
de 1983 a 1984.
Carta de condução profissional de ligeiros e pesados, respetivamente em 1982 e 1985.

OUTRAS ATIVIDADES (Atividades Extraprofissionais)

Bombeiro voluntário.
Sócio do Clube Desportivo e Recreativo, onde desempenha as funções de Tesoureiro.
Exemplo de CV EUROPASS
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18. Anúncios de Emprego


Manual de Apoio ao Formando 34
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A forma mais comum de procurar emprego é através da resposta a anúncios. Os anúncios de


emprego podem encontrar-se numa multiplicidade de locais e em diferentes suportes (papel ou
digital). Os jornais são o meio mais clássico de os encontrar. A Internet é um meio cada vez
utilizado na divulgação de ofertas de emprego, nomeadamente nas redes sociais, em sites
especializados de emprego (bolsas de emprego), nos sites das entidades empregadoras e de
recrutamento de pessoal.

A resposta a anúncios deve ser criteriosa, tendo em conta os elementos e o modo de resposta
solicitados no anúncio. Desenvolver competências de resposta a anúncios de emprego
constituise uma mais-valia que pode ser diferenciadora para o prosseguimento no processo de
seleção.

Como interpretar um anúncio de emprego?

• Informação obrigatória num anúncio – o empregador deve fornecer ao candidato


informação suficiente quanto ao tipo de função, exigências e local de trabalho.

• Características pessoais – não se deixe assustar pelos adjetivos fortes (dinâmico, à prova
de stress, extrovertido...) que aparecem em alguns anúncios. Geralmente têm o mesmo
objetivo: querem um trabalhador saudável e empenhado. Portanto, não é preciso ser um
campeão para ser considerado adequado para o lugar.

• Diplomas – embora nenhuma empresa vá recusar uma pessoa com experiência e sem
diploma, este papel é muitas vezes o primeiro critério de seleção. Terá, portanto, alguma
margem de manobra neste campo. A experiência pode eventualmente substituir o
diploma, mas nem sempre isso acontece.

• Idade – muitos anúncios indicam a idade pretendida. Se já não está na faixa etária
desejada, mas pensa que encaixa na perfeição no perfil pretendido, envie na mesma o CV
dando ênfase à sua experiência na área.
• Línguas – um empregador pode exigir conhecimentos de línguas aos candidatos e
testálos.

• Testes – pode preparar-se para os testes psicológicos. Existem pequenos livros que
podem ajudá-lo nesta tarefa. Todos os custos de testes e exames no quadro de um
procedimento de seleção são por conta do empregador mas normalmente as despesas
de deslocação são por conta do candidato.
Manual de Apoio ao Formando 35
UFCD 8599 - Comunicação Assertiva e Técnicas de Procura de Emprego

• Carta manuscrita – alguns responsáveis pela seleção acham que podem descobrir
elementos importantes sobre o carácter do candidato através da sua letra e contratam
um profissional para o efeito.

• Cópias de diplomas, fotografias… – o empregador deve manter estes documentos à


disposição do candidato durante um tempo razoável. Não quer dizer que a empresa
tenha de devolver tudo, mas é aconselhável. Cópias notariais de diplomas e certificados
só podem ser exigidos na altura do recrutamento.

Normas de redação de cartas de apresentação e candidatura

Brevidade e simplicidade
Por norma deve ser escrita à mão, mas hoje em dia já se utiliza o computador. Esta carta deve,
juntamente com o CV, convencer o empregador a chamá-lo para uma entrevista.

Dirija-se à pessoa certa


Comece por dirigir a carta à pessoa certa. Isto é prova de ter o cuidado de mandar a carta a uma
determinada pessoa. Não se esqueça de pôr em cima da carta a rubrica assunto, onde esclarece
o objetivo da sua carta e, eventualmente, menciona a referência do anúncio.

Escreva uma boa frase de abertura


A intenção é destacar-se no meio de muitas respostas. Isto não se consegue com frases usadas
como: "Na sequência do seu anúncio..." ou "Por este via venho candidatar-me...". Evite
linguagem estandardizada ou expressões clássicas e use uma frase de abertura personalizada,
original e cheia de entusiasmo.

Não use palavras demasiado modestas


"Talvez", "eventualmente" e "acho" são expressões a evitar. Procure o caminho intermédio.
Dizer que é a pessoa ideal e que o empregador seria doido se não aproveitasse esta
oportunidade, não só mostra um entusiasmo pronunciado como também uma grande dose de
arrogância.

Explique porque se candidata


Explique o que o atrai na empresa, na função, no sector. Aproveite para mostrar entusiasmo.
Manual de Apoio ao Formando 36
UFCD 8599 - Comunicação Assertiva e Técnicas de Procura de Emprego

Não se prolongue
A sua carta pode ter uma página no máximo. Convém transmitir a mensagem em frases curtas e
dinâmicas com muitos verbos ativos.

Não mencione a sua inexperiência


Se não tiver a experiência ou a formação exigida, não o mencione. Escreva antes sobre a sua
capacidade de aprender depressa. Seja sempre positivo sobre si mesmo.

Não fale em ordenado


Não fale de dinheiro na carta. Mencione o ordenado apenas no caso de lhe ter sido pedido no
anúncio a que está a responder, de outra forma acredite que vai criar uma impressão negativa.

Evite terminar com banalidades


Lembre-se que a última impressão é tão importante como a primeira. Não escreva frases feitas
mas, por exemplo, "Se achar que temos algo a oferecer um ao outro, estarei sempre disponível
para conversarmos numa entrevista".
Exemplo de carta de resposta a um anúncio:

Maria Isabel Rebelo


Rua do Brasil, 44
3000-138 Coimbra
Telemóvel: 966666666

Exmos. Senhores,
Sociedade de Informática de Portugal
Diretor de Recursos Humanos
Rua das Gaivotas, 222
3000-399 Coimbra

Assunto: Ref. C01 – Área Informática

Exmos. Senhores,

Gostaria de apresentar a minha candidatura ao lugar de Técnico de Informática que a vossa empresa anunciou no Jornal “Diário de
Coimbra”, na edição do dia 13 de Janeiro de 2012.

Junto anexo o meu currículo apresentando em pormenor a minha formação escolar, bem como a experiência prática adquirida
durante os estágios que efetuei.
Manual de Apoio ao Formando 37
UFCD 8599 - Comunicação Assertiva e Técnicas de Procura de Emprego

Apreciaria muito que me dispensasse alguns minutos do seu tempo para aprofundar melhor as razões da minha candidatura.

Na esperança de que V. Exa. irá atender o meu pedido queira aceitar os meus melhores cumprimentos.

Coimbra, 19 janeiro 2012


__________________
Maria Isabel Rebelo

Em anexo: Curriculum Vitae

19. Candidatura Espontânea

A candidatura espontânea destina-se a captar a atenção das entidades às quais é dirigida, a


suscitar-lhes o interesse em pretender saber mais sobre o candidato a emprego e,
consequentemente, a despoletar a marcação de uma entrevista. Permite ao candidato aceder a
postos de trabalho para os quais o recrutamento raramente é feito através de anúncios, dar-se a
conhecer a empresas que têm necessidade de trabalhadores mas que ainda não iniciaram o
processo público de recrutamento, criar a necessidade nas empresas de novas funções, ou seja,
aumentar as oportunidades de conseguir emprego.

A apresentação da candidatura espontânea, qualquer que seja a forma utilizada, deve ser
cuidada. A estrutura, a redação e aspeto no caso de ser efetuada de forma escrita; a
apresentação física e vestuário no caso de contacto presencial. Em qualquer caso o estilo e o
tom em que é feita são muito importantes. Deve denotar uma atitude de alguém que está a
propor um serviço, a disponibilizar competências que poderão constituir uma mais-valia para a
empresa e não a de quem está a pedir um emprego.

Reconhecer que a candidatura espontânea não termina no ato da sua elaboração e divulgação é
fundamental para garantir os efeitos pretendidos; é importante fazer o seu “acompanhamento”.
Na sequência do envio de uma carta convém realizar um contacto telefónico após 8 ou 10 dias.
Depois de um contacto direto numa exposição ou certame, caso o candidato tenha prometido
enviar o currículo não deve esquecer-se de o remeter. Este acompanhamento não pode,
contudo, traduzir-se numa insistência excessiva e abusiva em relação às empresas contatadas.
Exemplo de carta de candidatura espontânea:
Manual de Apoio ao Formando 38
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Nome Completo
Rua da Felicidade, n.º X, r/c Drt.º
6150-000 Proença-a-Nova
Tlm.: +351 92X XXX XXX

Exmo.(a) Sr.(a)
Diretor(a) do Departamento de Recursos Humanos
Empresa de Informática XPTO
Rua do Lagar, n.º x
6150-101 Proença-a-Nova

Proença-a-Nova, ……___ de ____.........._________ 20___

Assunto: Candidatura Espontânea

Acabo de receber o meu diploma de Informática, adquirido após frequência do Curso de Especialização Tecnológica da Escola
Profissional XPTO. Tenho conhecimento de que a vossa empresa lidera o mercado neste ramo de atividade, o que me dá garantias de
ser o melhor local para poder desenvolver as competências que adquiri na minha formação.
Tenho experiência comprovada na área de gestão e manutenção de redes informáticas, adquirida durante o estágio curricular,
conforme se pode comprovar no Curriculum Vitae em anexo.
Gostaria de, numa entrevista pessoal, poder prestar outras informações que penso serem de mútuo interesse.

Subscrevo-me, com a mais elevada consideração.

_____________________________________
(Assinatura)

19. Entrevista de Emprego

O momento crucial da procura de emprego é a entrevista de emprego e, como tal, deve ser
cuidadosamente planeada e organizada. A sua preparação permite adotar uma postura mais
segura e confiante, possibilitando um melhor desempenho. Preparar a entrevista implica uma
série de passos, entre os quais recolher o máximo de informação sobre a empresa objeto da
candidatura, rever o currículo, preparar documentação para apresentar na entrevista
(certificados, diplomas, cartas de recomendação, etc.), relembrar interesses, motivações e
competências, antecipar questões que podem ser colocadas pelo entrevistador, verificar a data,
hora e local da entrevista para se chegar com alguma antecedência.
Manual de Apoio ao Formando 39
UFCD 8599 - Comunicação Assertiva e Técnicas de Procura de Emprego

Há entrevistas de emprego realizadas por videoconferência e entrevistas de emprego


presenciais. Estas últimas podem ser de vários tipos: a entrevista simples – entrevista conduzida
por uma única pessoa; a entrevista de júri – em que a entrevista é conduzida por várias pessoas;
as entrevistas de grupo - vários candidatos encontram-se simultaneamente em situação de
entrevista com um ou mais entrevistadores.

A realização de um balanço final da entrevista, identificando os aspetos mais positivos, os


menos positivos e os que podem ser melhorados, é condição para o êxito em futuras
entrevistas e para se conseguir trabalho.

Antes: prepare-se para a entrevista

1. Obtenha o máximo de informação acerca da empresa. 2.


Releia o seu CV e prepare-se para aprofundar aspetos.
3. Prepare diplomas, certificados, etc.
4. Verifique data, hora e local (chegue 10m mais cedo).
5. Apresente-se de forma cuidada, cabelo, barba, roupa, unhas, calçado, etc. ~

Durante: decorrer da entrevista

Comportamentos recomendáveis:

• Apresente-se, saudando quem o recebe;


• Aguarde que o convidem a sentar;
• Mantenha uma postura correta;
• Olhe de frente para o entrevistador;
• Mostre-se interessado;
• Responda com determinação;

• Peça esclarecimentos quando não compreendeu a questão;  No final, agradeça a


oportunidade da entrevista.

Comportamento a evitar:

• Cortar a palavra ao entrevistador;


• Mexer-se continuamente na cadeira;
Manual de Apoio ao Formando 40
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• Mendigar trabalho;
• Mostrar arrogância;
• Autoelogiar-se;
• Mastigar pastilha elástica;
• Insistir muito na remuneração.

Perguntas frequentes durante a entrevista


• O que sabe sobre a empresa?
• Pode aprofundar a sua experiência profissional e funções referidas no CV?
• Porque é que acha que a empresa o deve contratar?
• Como ocupa os seus tempos livres?
• O que pensa fazer daqui a 5 anos?
• Qualidades e defeitos. O que pensa sobre si?
• Objetivos profissionais?

Depois: faça a autoavaliação

• Como correu a entrevista?


• Que questões despertaram mais interesse ao entrevistador?
• Realcei suficientemente as minha competências?
• Falei de mais ou de menos?
• Cortei a palavra ao entrevistador?
• Dei uma imagem positiva de mim?
• Que aspetos poderei melhorar na próxima entrevista?
Manual de Apoio ao Formando 41
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Bibliografia e Fontes

AA VV. Guia de Apoio à Procura de Emprego, Ed. Município de Rio Maior, 2012
AA VV., Técnicas de Procura de Emprego, Ed. IEFP, 2012
Goleman, Daniel, Inteligência emocional, Ed. Temas e Debates, 1997
Leite, A., Relações interpessoais e comunicação, Ed. CECOA, 2008
Penim, Ana Teresa, Marketing pessoal e sucesso na procura e manutenção do emprego, Separata
da Revista DIRIGIR, Ed. IEFP, nº 113, 2001

Sites Consultados

Expresso Emprego
http://expressoemprego.pt/c
IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional
http://www.iefp.pt/P Portal do Cidadão
http://www.portaldocidadao.pt/ Segurança Social
http://www4.seg-social.pt/