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© 2016 UNIÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE MUSICOTERAPIA

Os anais referentes ao VI CLAM é uma publicação do VI Congresso Latino Americano de


Musicoterapia e da União Brasileira das Associações de Musicoterapia. As opiniões expressadas
nos trabalhos assinados são de inteira responsabilidade dos autores. Os documentos deste volume
foram publicados com autorização de seus autores e representantes.

Anais do VI Congresso Latino Americano de Musicoterapia / CLAM


Musicoterapia, . – n. 1, (2016). – Florianópolis, n 1, (2016)
Trianual
Resumo expandido em português e espanhol
ISSN2525-3239

1. Musicoterapia – Periódicos. I. União Brasileira de


Associações de MusicoterapiaCDD 615.837
CDD 615.85154 18. ed.

CDD 615

11
Comunicação Oral

COMT 48

Música, Musicoterapia, Criatividade e uso de recursos tecnológicos no


desenvolvimento de pessoas com Deficiência Intelectual

Music, music therapy , creativity and use of technological resources in the development of

people with Intellectual Disabilities

Vanessa da Silva Pereira

Damián Keller

Fernanda Valentin

Mayara Kelly Alves Ribeiro

Simone Lima da Silva

Núcleo Amazônico de Pesquisa Musical - NAP, Universidade Federal do Acre


Núcleo de Estudos, Pesquisas e Atendimentos em Musicoterapia - NEPAM, Universidade
Federal de Goiás
Musicoterapia Educacional / Práticas Inclusivas / Educação Especial

Resumo

Este texto apresenta a aplicação de atividades criativas musicais em pessoas com


deficiência intelectual em contexto escolar. A música é capaz de despertar várias
emoções, auxilia no processo de comunicação, expressão, interação, desenvolvendo a
socialização dos indivíduos e estimulando-os a externalizar emoções. Através de
encontros que proporcionaram experiências musicais analisamos os resultados de
atividades de estímulo à criatividade. Avaliamos o desempenho dos participantes através
de uma entrevista semiestruturada. Os resultados mostram que o suporte utilizado
proporciona maior engajamento, diversão e eleva a relevância dos resultados sonoros,
estimulando a criatividade e o desenvolvimento cognitivo dos participantes. Acreditamos
que tal suporte possa ser utilizado em contexto musicoterapêutico, contribuindo para a
valorização do potencial criativo, aumentando a autoestima da referida clientela.
Ressaltamos ainda a necessidade de pesquisas sobre o impacto do uso de tecnologia
musical em musicoterapia no Brasil.

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Palavras-chave: Criatividade. Deficiência Intelectual. Suporte Tecnológico.

Introdução

O presente trabalho fundamenta-se em conceitos das áreas de musicoterapia


(Bruscia, 2000) e música ubíqua (Keller et al., 2014), visando contribuir para o
desenvolvimento de ações de promoção da qualidade de vida e saúde de indivíduos com
deficiência intelectual. A música é um elemento atrativo que serve de motivação,
contribuindo para a elevação da autoestima e da criatividade (Loureiro, 2001), portanto é
uma ferramenta útil para atingir objetivos terapêuticos vinculados a necessidades
somáticas, sociais e cognitivas. Neste contexto, foi aplicada uma metáfora de suporte a
criatividade desenvolvida a partir de um enfoque cognitivo-ecológico, a marcação
temporal (Keller et al., 2010). Essa metáfora foi testada em múltiplos experimentos,
utilizando os protótipos mixDroid 1G (Pinheiro da Silva et al. 2013) e mixDroid 2G CS
(Farias et al. 2014).

Objetivo:

Utilizar atividades musicais com suporte tecnológico para contribuir no processo de


inclusão e estimulação da criatividade de pessoas com deficiência intelectual,
investigando a aplicação de ferramentas tecnológicas em musicoterapia.

Aplicação da marcação temporal

O estudo foi realizado na sala de aula de um instituto especializado em


atendimento individual e grupal de pessoas com necessidades especiais, participaram
quatro homens e seis mulheres, na faixa etária de 30 anos. Seis com deficiência
intelectual e quatro diagnosticadas com síndrome de Down, sem treinamento musical
formal, com experiência prévia de utilização de dispositivos estacionários e portáteis.
Foram utilizadas amostras sonoras previamente elaboradas pelos pesquisadores
para utilização em experimentos com sujeitos leigos e músicos, incluindo sons que fazem
parte do ambiente cotidiano dos participantes, com destaque para fontes biofônicas e
sons urbanos.

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No início da sessão foi realizado um alongamento corporal preparatório. (Silva,
2010). A princípio houve a exploração do protótipo mixDroid 2G CS, posteriormente foi
realizada uma atividade de criação visando obter resultados sonoros de um minuto, para
cada participante. Aplicando CSI-NAP v.0,04 (Carroll et al., 2009; Keller et al., 2011) para
avaliar os seguintes fatores de suporte a criatividade: relevância e originalidade do
resultado; esforço cognitivo, engajamento, diversão, produtividade e colaboração durante
a atividade. Ao término do experimento realizamos uma entrevista semiestruturada sobre
a atividade e o produto (Manzini, 2004).

Resultados

Os resultados obtidos com mixDroid 2G CS mostram que o uso da marcação


temporal auxilia nas atividades de criação nos seguintes fatores: colaboração (média 1,50
±0,53 desvio padrão) diversão (1,62 ± 0,51) e relevância (1,50 ± 0,75).

Discussão dos resultados

As abordagens tecnológicas não substituem as terapias convencionais, mas visam


potencializar os tratamentos já existentes através de novos métodos e abordagens
(Corrêa et al. 2011). O presente estudo indica um bom potencial de utilização do mixDroid
2G CS como recurso no contexto musicoterapêutico, contribuindo para a interação social,
desenvolvimento cognitivo e para o estimulo da criatividade, ressaltamos, no entanto, a
necessidade de mais pesquisa sobre o impacto do uso de tecnologia musical na prática
musicoterapêutica desenvolvida no Brasil.

Referências:

Bruscia, K. Definindo Musicoterapia. Rio de Janeiro: Enelivros, 2000.

Carroll, E. A. Latulipe, C.Fung, R. & Terry, M.Creativityfactorevaluation: Towards a


standardizedsurveymetric for creativitysupport. In ProceedingsoftheSeventh ACM
ConferenceonCreativityandCognition Berkeley, CA: ACM.2009. 127-136 p.(ISBN: 978-1-
60558-865-0.

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Corrêa, A.G.D., Ficheman, I. K., Nascimento, M., Lopes, R.D. O uso da tecnologia de
realidade aumentada no apoio ao processo de reabilitação em sessões de musicoterapia.
Revista Brasileira de Inovação Tecnológica em Saúde, 1 (3), 2011. 1-14 p. (DOI:
10.18816/r-bits.v1i3.1490).

Farias, F. M., Keller, D., Pinheiro Da Silva, F., Pimenta, M. S., Lazzarini, V., Lima, M. H.,
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Keller, D., Lazzarini, V. & Pimenta, M. S. (eds.) Ubiquitous Music, Vol. XXVIII. Berlin and
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Keller, D., Pinheiro da Silva, F., Giorni, B., Pimenta, M. S. & Queiroz, M. Marcação
espacial: estudo exploratório.In L. Costalonga, M. S. Pimenta, M. Queiroz, J. Manzolli, M.
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Loureiro, A. M. A. O Ensino da Música na Escola Fundamental: Um Estudo Exploratório.


Dissertação de Mestrado em Educação. Belo Horizonte: PUC/Minas.2001.

Manzini, E. J. Entrevista semi-estruturada: análise de objetivos e de roteiros. In: Seminário


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Silva, F. O. Ribeiro, M. K. A, Valentin, F. Música Eletroacústica em Musicoterapia:


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