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UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA - INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E

TECNOLOGIA
GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA

ADAPTAÇÃO DE TORQUÍMETRO EM FERRAMENTA DE APERTO DE


ALTO TORQUE

JOÃO BOSCO DE A. BEZERRA


MICAEL RODRIGUES DE LIMA
WANDERLEY PIEROSI DA COSTA

São Paulo - SP
2019
JOÃO BOSCO DE A. BEZERRA
MICAEL RODRIGUES DE LIMA
WANDERLEY PIEROSI DA COSTA

ADAPTAÇÃO DE TORQUÍMETRO EM FERRAMENTA DE APERTO DE


ALTO TORQUE

Trabalho de Conclusão de Curso,


apresentado para a Universidade
Paulista UNIP, como requisito do curso
de Engenharia Mecânica.

Orientador
Prof. Especialista João Ricardo Auada
Co-orientador
Prof. Dr. Tulio Cearamicoli Vivaldini

São Paulo - SP
2019
CIP - Catalogação na Publicação

ADAPTAÇÃO DE TORQUÍMETRO EM FERRAMENTA DE


APERTO DE ALTO TORQUE/ João Bosco, Micael R.,
Wanderley Pierosi, Bezerra, Lima, Costa...[et al.]. - 2019.
70 f. : il. Color

Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) apresentado ao


Instituto de Ciência Exatas e Tecnologia da Universidade Paulista, São
Paulo, 2019.
Área de Concentração: Engenharia Mecânica. Orientador: Prof. Esp.
João Ricardo Auada.
Coorientador: Prof. Dr. Tulio Vivaldini.

1. Torquímetro. 2. Desforcímetro. 3. Alto torque. I. Bezerra, Lima,


Costa, João Bosco, Micael R., Wanderley Pierosi,. II. Auada, João
Ricardo (orientador). III. Vivaldini, Tulio (coorientador).

Elaborada pelo Sistema de Geração Automática de Ficha Catalográfica da Universidade Paulista com os dados fornecidos pelo(a)
autor(a).
JOÃO BOSCO DE A. BEZERRA
MICAEL RODRIGUES DE LIMA
WANDERLEY PIEROSI DA COSTA

ADAPTAÇÃO DE TORQUÍMETRO EM FERRAMENTA DE APERTO DE


ALTO TORQUE

Trabalho de conclusão de curso,


apresentado a Universidade Paulista
- UNIP, como exigência para a
obtenção do título de Bacharel em
Engenharia Mecânica.

Aprovado em ____/____/________.

BANCA EXAMINADORA

________________________________________
Avaliador

________________________________________
Avaliador

________________________________________
Avaliador
DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho a todos que nos incentivaram a buscar o


conhecimento e o aprendizado, a nossos professores e orientadores por disporem
seu tempo e conhecimento para que possamos discernir e compreender para
aplicarmos os ensinamentos passados, aos nossos familiares e amigos que sempre
nos apoiaram em nossa jornada com palavras de incentivo e compreensão.
RESUMO

Analisando as opções de menor custo no mercado para aperto e desaperto


de elementos de fixação de alto torque, foi constatada uma deficiência de produtos
que sejam direcionados ao uso em pequena escala com um valor acessível para
justificar a compra para manutenções pouco frequentes. Esta monografia irá tratar
da adaptação de uma ferramenta existente no mercado, chamada desforcímetro,
que tem unicamente a função de desaperto, a adaptação consiste no
desenvolvimento de um instrumento que se assemelha em sua construção a um
torquímetro do tipo estalo, deste modo viabilizando a utilização da ferramenta para
também apertar o elemento de fixação sem risco de danificá-lo por sobrecarga. O
dispositivo desenvolvido foi dimensionado como premissa a utilização em parafusos
M22, para veículos automotores pesados de transporte de carga, atendendo o
torque padrão de aperto de 559 N.m, indicado para ser utilizado nas rodas.

Palavras-chave: torquímetro, alto torque, desforcímetro.

ABSTRACT

Analyzing the lowest cost options in the Market for tightening and loosening
high torque fasteners, we found a deficiency of products that are intended for small
scale use at an affordable price to justify the purchase for infrequent maintenance.
This monograph will deal with the adaptation of a commercially available tool called a
dephro meter, which only has the function of unscrewing, the adaptation consists in
the development of an instrument that resembles in its construction a snap-type
torque wrench, thus enabling the use also tighten the clamping element without risk
of damage due to overload. The developed device was designed as a premise for
use on M22 bolts for heavy load self-propelled vehicles, meeting the standard
tightening torque of 559 N.m, suitable for use on wheels.

Keywords: torque wrench, high torque, deforcimeter.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1- Desforcímetro vista explodida........................................................11

Figura 2 - Detalhamento componente 1.........................................................11

Figura 3 - Detalhamentos componentes 2, 3 e 4...........................................12

Figura 4 - Detalhamento de componente 5....................................................12

Figura 5 – Sistema de transmissão por cilindros...........................................14

Figura 6 - Sistema de transmissão de movimento por par de engrenagem..15

Figura 7 - Pares de engrenamento convencional são casos especiais dos


engrenamentos planetários ou epicíclicos..................................................................16

Figura 8 - Trem de engrenagem planetário com engrenagem anel usada


como saída..................................................................................................................17

Figura 9 - Composição química do aço SAE 1045 (em %)...........................19

Figura 10 - Barra de torção............................................................................20

Figura 11 – Mola Helicoidal............................................................................21

Figura 12 - Valores dos Fatores KW e KS para molas helicoidais...................24

Figura 13 - Formato das Extremidades da Mola e Fórmula para Cálculo do


Comprimento Sólido....................................................................................................25

Figura 14 - Torquímetro de estalo..................................................................26

Figura 15 - Comportamento do gráfico do Torquímetro de estalo com relaçõ


ao aperto e reaperto....................................................................................................27

Figura 16 - Torquímetro de giro livre..............................................................27

Figura 17 - Aplicação do torque para torquímetro de giro livre.....................28

Figura 18- Torquímetro analógico..................................................................28

Figura 19 - Torquímetro Digital......................................................................29

Figura 20 - Exemplificação de braço de força necessário para aperto ideal.31

Figura 21 - Vista explodida de dispositivo desenvolvido...............................33

Figura 22 - Conjunto desforcímetro e ferramenta desenvolvida....................33


Figura 23 - Ampliação do dispositivo.............................................................34

Figura 24 - Momento de ativação do dispositivo...........................................34


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO......................................................................................................9

2. DESENVOLVIMENTO........................................................................................11

2.1 Ferramenta multiplicadora de torque (desforcímetro)...............11

2.1.1 Procedimento de desaperto............................................................13

2.2 Sistema de transmissão de torque...............................................13

2.2.1 Engrenagens...................................................................................13

2.2.2 Sistema de redução........................................................................15

2.2.3 Trens de engrenagens epicíclicos ou planetários...........................17

3. ESCOLHA DO MATERIAL PARA CONSTRUÇÃO DA FERRAMENTA.........19

3.1 Fundamentação teórica.................................................................19

3.2 Molas................................................................................................19

3.2.1 Torção em barras............................................................................20

3.2.2 Esforços em molas helicoidais........................................................21

3.2.3 Resistência de molas helicoidais....................................................24

3.2.4 Número de espiras efetivas e comprimento sólido.........................25

3.3 Torquímetros...................................................................................25

3.3.1 Torquímetro de estalo.....................................................................26

3.3.2 Torquímetro de giro livre.................................................................27

3.3.3 Torquímetros analógicos.................................................................28

3.3.4 Chaves de torque digitais................................................................29

3.4 Seleção do torquímetro apropriado.............................................30

3.4.1 Torquímetros de indicação..............................................................30

3.4.2 Torquímetros de ajuste...................................................................30

3.4.3 Torquímetros de torque pré-ajustado..............................................30


4. RESULTADOS E CONCLUSÕES.....................................................................31

4.1 Levantamento de dados................................................................31

4.2 Análise técnica dos elementos de fixação..................................32

4.3 Funcionamento do torquímetro desenvolvido............................32

4.4 Materiais e processos de fabricação............................................34

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................36

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................37

APÊNDICE A – Vista explodida da peça desenvolvida...........................................39

APÊNDICE B – Desenho técnico de Alojamento da engrenagem..........................40

APÊNDICE C – Desenho técnico de Alojamento da mola......................................41

APÊNDICE D – Desenho técnico de engrenagem..................................................42

APÊNDICE E – Desenho técnico da tampa.............................................................43

APÊNDICE F – Pino de contato...............................................................................44


9
1. INTRODUÇÃO

Pode-se definir torque pela quantidade física vetorial, sendo esta uma medida
que se refere a quantidade que uma força atua em um objeto, fazendo com que o
mesmo gire. A distância do ponto central ao ponto onde atua uma força é chamado
de momento de força ou torque. Definida pela equação 1 onde T é torque, F é a
força aplicada e L o comprimento da alavanca.

T =F . L (1)

A aplicação do torque em parafusos e prisioneiros que fixam peças, produz


uma tensão linear e subsequentemente um alongamento do elemento, chegando em
sua fase elástica. A elasticidade do material do parafuso tende a voltar ao estado de
equilíbrio fora de sua zona elástica, deste modo fixando o conjunto.
Para uma melhor utilização de porcas e parafusos deve-se controlar o torque
aplicado no momento de seu aperto, seguindo as especificações dimensionadas em
projeto, um torque excessivo em um elemento de fixação pode causar diversas
avarias como a quebra do parafuso, trincas, espanar os fios de rosca, empenar um
conjunto fixado por parafusos e porcas, dentre outros. Também existem transtornos
para torques insuficientes, devido as vibrações do equipamento o parafuso pode se
desprender do conjunto e comprometer o desempenho da máquina por conta de seu
desalinhamento ou simplesmente por não exercer a função de fixar os elementos em
seus devidos locais.
Hoje no mercado existem diversos tipos de ferramentas que auxiliam o
usuário a atingir o torque necessário, porém, a medida que o mesmo se eleva ocorre
um salto considerável no valor de ferramentas que atendam a faixa entre 100 N.m e
5.000 N.m, deste modo há uma carência de ferramentas pensadas nos profissionais
que não a utilizam em produção seriada ou no mínimo de vezes necessária para
justificar um elevado investimento para obtenção destas ferramentas. A partir deste
espaço foi decidido desenvolver uma ferramenta que possibilite o aperto e o
desaperto de elementos de fixação de alto torque, que tenha um custo abaixo
comparada as opções existentes no mercado, viabilizando por exemplo que
caminhoneiros possam utilizar a ferramenta para realização da troca de roda de seu
caminhão.
10
Com base em uma ferramenta já existente no mercado de nome
desforcímetro cuja a utilização unicamente é de desaperto de elementos de fixação
de alto torque e utilizando os princípios de construção de torquímetros, foi
desenvolvido um dispositivo de adaptação, convertendo assim o desforcímetro em
uma ferramenta tanto de aperto quanto de desaperto com alto torque.
O objetivo desta monografia é a viabilização de um instrumento que consiga
atingir o torque ideal calibrado, fabricado com um sistema interno de alavancas e
molas, foi desenvolvido o dispositivo conforme observado no apêndice A, sendo
este, um limitador de sobrecarga mecânico, protegendo o parafuso de torques que
excedam seus limites de resistência.
11
2. DESENVOLVIMENTO
2.1 Ferramenta multiplicadora de torque (desforcímetro)

Conhecida no mercado como desforcímetro, a ferramenta que será adaptada


tem seu princípio de funcionalidade através do sistema planetário de engrenagens,
conforme mostrado na figura 1 e detalhado nas figuras 2, 3 e 4.

Figura 1- Desforcímetro vista explodida

Fonte: [ CITATION Loy18 \l 1046 ]

Figura 2 - Detalhamento componente 1

Fonte: [ CITATION Loy18 \l 1046 ]


12
Figura 3 - Detalhamentos componentes 2, 3 e 4

Fonte: [ CITATION Loy18 \l 1046 ]

Figura 4 - Detalhamento de componente 5

Fonte: [ CITATION Loy18 \l 1046 ]

O desforcímetro é uma ferramenta extremamente utilizada para o desaperto


de porcas de rodas de caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e maquinários
pesados. Esta ferramenta é fundamental no momento de desaperto, principalmente
porcas que estão travadas.
13
Sua funcionalidade se dá por meio de um mecanismo com engrenagens
planetárias, conforme mostrado na figura 3, isso reduz de maneira considerável a
força motriz necessária para realização do trabalho de desaperto de elementos de
fixação de alto torque.
O desforcímetro que será utilizado neste trabalho possui uma redução
proporcionada de força 1:78, ou seja, para cada 1 Kgf aplicado na entrada motriz
indicado na figura 4, o dispositivo converte em 78 Kgf no soquete, conforme
apresentado na figura 3 componente 2.

2.1.1 Procedimento de desaperto

Para realização do desaperto, primeiramente se acopla um soquete de 1” no


componente 2, conforme figura 1, o braço de reação será pressionado contra a face
lateral de outro parafuso que estiver mais próximo, deste modo, travando o
desforcímetro. No componente 5, em sua extremidade de acoplamento, monta-se
uma manivela para realização da força motriz para o desaperto manual. Após o
elemento de fixação não indicar mais resistência, a ferramenta pode ser
desacoplada.

2.2 Sistema de transmissão de torque


2.2.1 Engrenagens

Engrenagens são usadas para a transmissão de torque e velocidade angular


em uma ampla variedade de aplicações, existe uma grande diversificação de
engrenagens.
O modo mais fácil de transmissão de movimento rotatório de um sistema para
outro é por meio de dois eixos com cilindros rotacionando em conjunto, podendo ser
um conjunto externo ou interno conforme figuras 5. O fator imprescindível para o
funcionamento desse sistema é o atrito, sendo que este deve ter capacidade de
manter o sistema em rotação na interface de rolamento, essa transmissão só será
interrompida caso a força de atrito máxima seja maior que o torque fornecido. Essa
possível falha no sistema pode ser a principal desvantagem, levando em conta que o
torque aplicado deve ser relativamente baixo e há a possiblidade de
escorregamento. [ CITATION Fon13 \l 1046 ]
14
Figura 5 – Sistema de transmissão por cilindros

Fonte: [ CITATION Fon13 \l 1046 ]

Para a necessidade de um sistema com sincronismo nos eixos de entrada e


saída, o sistema deverá ter algum tipo de geometria que permita esta sincronia na
transferência de rotação. A inserção de dentes nesse sistema modifica os cilindros
para o que é conhecido como engrenagens, sendo assim, o conjunto chamado de
par de engrenagens, onde o elemento menor é conhecido como pinhão e a maior
como engrenagem, conforme mostrado na figura 6.
15
Figura 6 - Sistema de transmissão de movimento por par de engrenagem

Fonte: [ CITATION Fon13 \l 1046 ]

O engrenamento citado acima através do par de engrenagens, defende como


lei fundamental que a velocidade angular deve se manter constante durante a
transmissão, essa razão de velocidade angular está em função do raio primitivo da
engrenagem de entrada e transmitido para a engrenagem de saída.[ CITATION
Fon13 \l 1046 ]

2.2.2 Sistema de redução

O redutor é um acoplamento de engrenagens ou polias destinada a amplificar


a força motriz. Os trens de engrenagens convencionais descritos anteriormente são
todos dispositivos de um grau de liberdade (1-GDL).
Outra classe de trem de engrenagem, o trem epicíclico ou planetário, tem
amplas aplicações sendo um dispositivo de 2-GDL. Duas entradas são necessárias
para obter uma saída previsível.
Trens epicíclicos ou planetários têm diversas vantagens sobre trens
convencionais, entre as quais estão a obtenção de razões de trem maiores em
pacotes menores, reversão garantida e saídas simultâneas, concêntricas,
16
bidirecionais a partir de uma entrada única unidirecional, essas características fazem
com que os trens planetários sejam muito conhecidos como transmissões
automáticos em automóveis e caminhões, etc. A figura 7 (a) mostra um par de
engrenagens convencionais de 1-GDL no qual o elo 1 está imobilizado como um elo
de fixação. A figura 7 (b) mostra o mesmo par de engrenagens com o elo 1 agora
livre para rodar como um braço que conecta duas engrenagens.
Agora somente o pinhão está fixo e o sistema tem 2-GDL. Este se
transformou em um trem epicíclico com uma engrenagem sol e uma engrenagem
planeta orbitando ao redor do sol, mantido em sua órbita pelo braço. Duas entradas
são requeridas. Normalmente, o braço e a engrenagem sol serão, cada um,
comandados em alguma direção com alguma velocidade. Em muitos casos, uma
dessas entradas terá velocidade zero, isto é, um freio aplicado ao braço ou à
engrenagem sol. Observe que uma entrada de velocidade nula para o braço
meramente transforma o trem epicíclico em um trem convencional de engrenagens,
como mostrado na figura 7. Assim, o trem de engrenagem convencional é
simplesmente um caso especial de um trem epicíclico mais complexo, no qual o
braço é mantido estacionário. No exemplo simples de um trem epicíclico na figura 7,
onde ω representa a velocidade angular, a única engrenagem deixada para atuar
como saída, após adicionadas as entradas de movimento na engrenagem sol e no
braço, é a engrenagem planeta.

Figura 7 - Pares de engrenamento convencional são casos especiais dos


engrenamentos planetários ou epicíclicos.

Fonte: [ CITATION Fon13 \l 1046 ]

É dificultoso obter uma saída útil de movimento dessa engrenagem planeta,


pois seu pino está em movimento. Uma configuração mais útil é mostrada na figura
17
8, para a qual uma engrenagem anel foi adicionada. Essa engrenagem anel engrena
com a engrenagem planeta e pinos concêntricos com o pinhão, assim ela pode ser
facilmente utilizada como um membro de saída de movimento.
A maioria dos trens planetários será arranjada com engrenagens anel para
trazer o movimento planetário de regresso ao pino fixo. A engrenagem sol, a
engrenagem anel e o braço são todos dispostos como eixos concêntricos vazados
de forma que cada um possa ser acessado para utilizar sua velocidade angular e
torque tanto como entrada quanto como saída.
Ao mesmo tempo que é relativamente fácil visualizar o fluxo de potência
através de um trem de engrenagens convencional e observar as direções de
movimento de suas engrenagens-membros, é muito difícil determinar o
comportamento de um trem planetário por simples observação. Deve se executar os
cálculos necessários para determinar seu comportamento e seus frequentes
resultados são por muitas vezes contra intuitivos. [ CITATION Fon13 \l 1046 ]

Figura 8 - Trem de engrenagem planetário com engrenagem anel usada


como saída.

Fonte: [ CITATION Fon13 \l 1046 ]

2.2.3 Trens de engrenagens epicíclicos ou planetários

O redutor planetário utiliza a adequação da rotação de um acionador para a


rotação desejada por meio da redução da velocidade rotacional elevando-se o
torque. Os principais componentes de um redutor planetário resumem-se em
18
carcaça, engrenagem solar, engrenagem planetária e o anel de engrenagem (um
parafuso sem fim acoplado a uma coroa).
Ao reduzir a velocidade dos componentes, o dispositivo torna-se mais seguro
para a utilização. O redutor pode ser utilizado com a entrada de um servomotor ou
motor de passo para aumento proporcional de seu torque, a eficiência de um
sistema planetário é superior a 90%.
As engrenagens planetárias consistem em um eixo pinhão solar com
movimento rotatório, que é transmitido ao suporte planetário e é suportado por meio
de mancais. Será proporcional a um quociente escolhido a redução da velocidade de
entrada versus o aumento do torque na saída.
O sistema de engrenagens planetárias tem uma eficiência na redução da
velocidade em 20% a mais do que as engrenagens tradicionais, pois, com um maior
número de dentes em contato simultâneo assegura-se uma alta resistência a
choques e melhor distribuição de cargas, assim conseguindo suportar cargas radiais
maiores nos eixos e em todas as direções com o mesmo valor de carga, ao contrário
dos redutores tradicionais.
19

3. ESCOLHA DO MATERIAL PARA CONSTRUÇÃO DA FERRAMENTA


3.1 Fundamentação teórica

Para realização do forjamento do aço SAE 1045 a temperatura mínima que se


deve atingir é de 870°C e não ultrapassar os 1240°C.
Alguns tratamentos térmicos são sugeridos para otimizar o desempenho do
material e aliviar tensões internas não desejadas, estes tratamentos são executados
em condições controladas de temperatura, tempo, ambiente e velocidade de
resfriamento.
Com a composição de 0,45% de carbono o aço SAE 1045 se enquadra como
aço com médio teor de carbono e segundo a NBR 172/2000 é classificado como aço
para construção mecânica, suas propriedades mecânicas e tenacidade são boas,
sua usinabilidade e soldabilidade quando laminado a quente ou normalizado
melhoram significativamente, abaixo na figura 9 é demonstrado a composição
química do aço SAE 1045.

Figura 9 - Composição química do aço SAE 1045 (em %)

Fonte: SOUZA, 2001, [ CITATION Sou01 \l 1046 ].

Este material é fortemente empregado em diversos componentes da indústria


do petróleo tais como eixos de ventiladores e de bombas das torres de destilação,
além de encontrar aplicação também em eixos, bases para matrizes, ferramentas
manuais, virabrequim e engrenagens. Considerado um aço com resistência
mecânica maior que de outros aços de baixo carbono, possui uma boa relação entre
resistência mecânica e resistência à fratura.

3.2 Molas

Pode ser considerado como uma mola todo componente mecânico metálico
ou não metálico, pois todos os materiais apresentam elasticidade nem que seja
numa pequena escala, mesmo que determinado material sofra deformação plástica
20
há um estágio no evento da deformação que passa pela zona elástica, mesmo que
minimamente, essa ação plástica é basicamente uma resistência do material contra
a força aplicada sobre si, essa é a propriedade que caracteriza as molas.
Pelos mais diversos formatos de molas que possam existir, ainda o que mais
predomina na indústria são a mola helicoidais, subsequentes a ela estão as molas
de tensão constante e molas planas. As molas helicoidais tem sua aplicação tão
diversa que vão desde utilizações básicas, como a mola de uma caneta, até em
máquinas pesadas, que suportam impactos altamente significativos e sem elas
comprometeriam outras partes do equipamento.

3.2.1 Torção em barras

A seguir, a figura 10 ilustra uma barra de torção, essa barra é estriada nas
suas extremidades para ser apoiada no equipamento que realiza o ensaio de torção.

Figura 10 - Barra de torção

Fonte: [ CITATION Fun91 \l 1046 ]

A seguir, a equação 2 determina a tensão de cisalhamento pela aplicação do


torque, onde τ representa a tensão de cisalhamento, J o momento polar de inércia, T
representa o torque e r o raio:
T . r 16.T
τ= = (2)
J π .d ³
A ação do torque sobre o corpo de prova causa uma deformação angular,
conforme equação 3, a deformação será diretamente proporcional ao comprimento
21
da barra, quanto maior seu comprimento, maior será sua deformação. O módulo de
elasticidade transversal G e o momento polar de inércia J, também são
determinantes na deformação sofrida, assim como a influência do próprio torque.

T . L 32. T . L
Ɵ= = (3)
J . G π . d 4 .G

Analisando ainda a barra em ensaio hipotética, sob estudo das molas, é


possível compreender o seu coeficiente de mola torcional k, que determinado pela
relação do esforço e da deformação, conforme fórmula 4 descrita abaixo:

T J . G π . d 4 .G
k= = = (4)
Ɵ L 32. L

3.2.2 Esforços em molas helicoidais

Na figura 11, é possível verificar uma mola helicoidal de compressão sob


ação da força F, a aplicação dessa força tende a fechar a mola diminuindo o seu
comprimento comprimido. O diâmetro da hélice, denominado fi, compreende a
inclinação das espiras da mola. Visualizando o fio da mola em corte, as forças que
atuam para manter os esforços em equilíbrio são força cortante, que estabiliza o
movimento linear e o torque para que não haja rotação ocasionada pelo
deslocamento do diâmetro D, que é a reação pela força de ação e a que a mantem
em equilíbrio.

Figura 11 – Mola Helicoidal

Fonte: [ CITATION Fun91 \l 1046 ]


22
Tomando como exemplo a barra de torção citada, que sofre a ação de um
torque T e ocasiona o momento torçor, deste modo a mola helicoidal ao receber a
força aplicada pelo torque, torce o fio ocasionando a deformação linear e angular do
fio.

A tensão máxima ocorre na parte interna do fio, é causada pelo cisalhamento


e a força cortante ocasionada pelo torque, na parte externa do fio as tensões são
mínimas, enquanto isso, as tenções atuam em sentidos diferentes. O mesmo ocorre
nas molas helicoidais de tração.
O índice da mola C é composto pela relação dos diâmetros médios da mola e
do fio, esse valor indicará a curvatura do fio para formar o diâmetro médio D. Molas
com maiores diâmetros têm o fio com um índice C menor. A curvatura da mola é o
que aumenta as tensões primárias, outra característica é a parte interna do fio que
tem maior rigidez comparado ao externo, uma vez que o diâmetro interno tende a
sofrer mais tensões, pois o seu comprimento é menor.
A rigidez proporciona aumento na tensão, fazendo com que corresponda o
aumento das tensões somadas aos esforços no lado interno do fio, esta foi uma
descoberta do pesquisador do assunto A.M. Wahl, denominado como fator de Wahl
Kw, que determina a solicitação variável e para a solicitações estáticas usa-se o fator
KS. Os fatores são apresentados nas Equações 5 e 5.1:

4. C−1 0,615
Kw= + (5)
4.C−4 C

0,615
K s =1+ (5.1)
C

O fator KS de Wahl tem um coeficiente de 23%, para outros casos mais


usuais recomenda-se trocar o termo 0,615 por 0,5 na equação 5, conforme indicado
na equação 6 abaixo:

0,5
K s =1+ (6)
C

A tensão para carregamento estático pode ser calculada pela equação 7:


23
8. F . D 8. F .
τ= 3
. K S= . C . KS (7)
π .d π . d2

Para carregamento dinâmico, a equação 8 demonstra a tensão conforme


abaixo:
8. F . D 8. F .
τ= 3
. KW = .C . K W (8)
π .d π . d2

As equações apresentadas anteriormente são calculadas em função de C.K,


pois permite o cálculo com a ausência da variável D no projeto. O método de
Castigliano permite o cálculo da deflexão de uma mola, K é usado na equação 9 e o
mesmo é definido como o esforço, F é dividido pela deflexão, podendo ser calculado
pela equação 10.
8. F . D 3 . N
δ= (9)
d 4 .G

G. d 4
k= (10)
8. D 3 . N
24
Figura 12 - Valores dos Fatores KW e KS para molas helicoidais

Fonte: [ CITATION Juv91 \l 1046 ]

3.2.3 Resistência de molas helicoidais

O diâmetro do fio da mola helicoidal determina a sua resistência, isso está


diretamente ligado ao processo de fabricação e ao processo de estriamento, que
torna os fios menores e mais resistentes.
A deformação plástica por carregamento excessivo pode causar a diminuição
do tamanho da mola, causando seu assentamento, porém, é possível evitar esse
evento, as molas são projetadas para não escoarem demasiadamente. Alguns
estudos apontam que a tensão limite em materiais ferrosos é de 0,45.Su, para que
não sofram deformação maior que 2%, em outros materiais não ferrosos o valor
delimitado é 0,35.Su.
25
3.2.4 Número de espiras efetivas e comprimento sólido

Número total NT de espiras é basicamente o número de espiras que compõem


a mola, basta contá-los, não são levados em conta os anteparos da mola, pois não
contribuem para a deformação da mesma. Logo o número total de espiras pode ser
encontrado conforme na equação 11:

N T =N +2 (11)

O comprimento sólido (LS) é indicado nas equações presentes na figura 13. O


cálculo do assentamento da mola deve considerar suas extremidades. As molas
com os extremos retificadas em esquadro, podem ser calculadas diretamente para
outras configurações e formatos, o comprimento sólido irá variar. A figura 13
demonstra os principais formatos para as extremidades e o correspondente cálculo
para o comprimento sólido.

Figura 13 - Formato das Extremidades da Mola e Fórmula para Cálculo do


Comprimento Sólido.

Fonte: [ CITATION Juv91 \l 1046 ]

3.3 Torquímetros

O instrumento utilizado na verificação de torque denomina-se torquímetro, é


usado para aplicar momento torsor em porcas e parafusos a partir de uma
especificação pré-determinada em projeto. Utilizando-se a ferramenta pode-se
alcançar a torção desejada. Para a segurança, qualidade e facilidade de execução
do trabalho, é necessário que a escolha da ferramenta seja adequada a sua
26
utilização, cada tipo de torquímetro tem uma determinada faixa de aplicação e é
desenvolvido para atende-las.
Segundo consta nos sites de fabricantes de torquímetro, como a Gedore, para
a garantia de maior durabilidade e maior precisão do instrumento, alguns cuidados
devem ser tomados, por exemplo o armazenamento em local adequado, longe de
umidade e demais ferramentas. Caso haja quedas do equipamento, deve ser
avaliado se houve avaria grave externa ou se nenhuma peça interna se soltou.
Deve-se tomar cuidados ao efetuar a limpeza dos torquímetro, que devem ser
limpos apenas na sua parte externa, sem uso de óleos e nenhum tipo de lubrificante,
pois podem entrar em suas cavidades e causar alteração nas medições. A limpeza
do tipo minuciosa deve ser feita quando enviado para calibração, que é mantido
dentro dos parâmetros do fabricante.

3.3.1 Torquímetro de estalo

Figura 14 - Torquímetro de estalo

Fonte: [ CITATION SCS18 \l 1046 ]

Fabricados a partir de um sistema interno de alavancas e molas, este tipo de


torquímetro tem uma boa exatidão e é indicado para medições em série, porém,
deve-se tomar diversos cuidados para manter as propriedades da ferramenta.
Quando a força aplicada é atingida o operador ouvirá um clic (estalo) indicando que
o torque desejado foi alcançado.
Segundo a INMETRO, ao serem utilizadas cabeças intercambiáveis neste tipo
de torquímetro, deve-se aplicar a força no centro do punho, pois podem ocorrer
diferença nas leituras, o ajuste do torque é feito por uma manivela acoplada à
extremidade do torquímetro.
27
Torquímetros de estalo ao atingirem o torque ajustado emitem um som de clic,
podendo ser de alguns graus, tendo um alto risco de sobreaperto, até algumas dezenas
de graus, tornando o risco menor.

Figura 15 - Comportamento do gráfico do Torquímetro de estalo com relaçõ


ao aperto e reaperto.

Fonte: [ CITATION SCS18 \l 1046 ]

As vantagens deste torquímetro é ser leve para realização de seu manuseio e


com baixo custo, já as desvantagens são que após o ponto de clique, o torque é
aplicado novamente e tipicamente produz um sobreaperto, dependendo do
operador. Por isso, alguns costumam definir um torque alvo mais baixo, mas o
torque final se torna um resultado direto da ação do operador ao invés da calibração
do torquímetro, o aperto é realizado sem o controle de rotação, deste modo o
operador pode apertar duas vezes o mesmo parafuso ou o parafuso pode ser
travado na rosca dando uma falsa impressão de estar travado. O torque não é
medido e rastreado.

3.3.2 Torquímetro de giro livre

Figura 16 - Torquímetro de giro livre.

Fonte: [ CITATION SCS18 \l 1046 ]

Os Torquímetros de giro livre aplicam torque e depois giram livremente, podendo


voltar a aplicar torque caso volte a rotação de aperto.
28
Figura 17 - Aplicação do torque para torquímetro de giro livre.

Fonte:[ CITATION SCS18 \l 1046 ]

As vantagens deste torquímetro são sua leveza para manuseio, baixo custo e
o risco de sobretorque (sobreaperto) é mínimo ou inexistente. Há uma desvantagem
em seu uso, pois ele é recomendado somente para abaixo torque, existem alguns
modelos de até 100 N.m ou levemente além, porém, estes valores de torque podem
gerar problemas ao operador quando é repentinamente liberado. Outra
desvantagem é que cada ponto de deslizamento tem um valor de torque diferente
dos outros, uma vez que o torquímetro trabalha em dentes mecânicos diferentes,
seu torque aplicado também é influenciado pelo manuseio do torquímetro e seu
manuseio incorreto altera o torque aplicado, seu aperto é realizado sem o controle
de rotação (o operador pode apertar duas vezes o mesmo parafuso ou o parafuso
pode ser travado na rosca dando uma falsa impressão de estar travado), o torque,
assim como no modelo anterior apresentado, não é medido e rastreado.

3.3.3 Torquímetros analógicos

Figura 18- Torquímetro analógico.

Fonte: [ CITATION SCS18 \l 1046 ]

Os torquímetros analógicos fornecem leitura de torque em tempo real e tem


as vantagens de serem leves para manuseio, custo baixo e o torque estimado é
29
fornecido no momento da aplicação, porém, existem algumas desvantagens, como o
torque final depender de onde o operador finaliza o movimento, por conta disso a
repetibilidade do aperto não é garantida, mesmo se a chave estiver perfeitamente
calibrada, o torque aplicado é influenciado pelo manuseio da chave e se incorreto
altera o torque aplicado. O torquímetro também não pode ser programado para
realizar o aperto, sendo assim, não poderá guiar o operador a uma operação de
aperto correta. Outra desvantagem apresentada é que o aperto é realizado sem o
controle de rotação (o operador pode apertar duas vezes o mesmo parafuso ou o
parafuso pode ser travado na rosca dando uma falsa impressão de estar travado) e
o torque não é medido e rastreado.

3.3.4 Chaves de torque digitais

Figura 19 - Torquímetro Digital.

Fonte: [ CITATION SCS18 \l 1046 ]

Chaves de torque eletrônicas modernas fornecem uma leitura do torque e se


equipadas com giroscópio, o ângulo de rotação.
Este dispositivo apresenta vantagens, como o controle de torque e ângulo
para um aperto de prova de erro “certificado”. O torque e parâmetros são exibidos na
chave, o resultado do aperto é exibido em tempo real ao operador, contém
programação da estratégia de aperto, há o aperto de produção e teste de controle
de qualidade (controle do torque residual).Também é possível incorporar ao
instrumento extensões para aperto em posições desconfortáveis, a medida de
torque não depende do manuseio (se a chave for equipada com um transdutor de
ponte duplo), possui rastreabilidade de dados, sendo assim, é possível ter um
backup de uma ferramenta de aperto na linha de montagem.
Temos como desvantagem deste tipo de torquímetro seu alto custo e seu
peso maior do que uma chave de torque mais simples.
30
3.4 Seleção do torquímetro apropriado
3.4.1 Torquímetros de indicação

Utilizados em maior escala em laboratórios de metrologia e em


departamentos de inspeção, garante a qualidade do torque e sua devida
conferência, é usado para conferir torques e apertos aplicados por apertadeiras de
alta velocidade.

3.4.2 Torquímetros de ajuste

Comumente utilizado em série e alta produtividade, aplicação rápida, podendo


variar o aperto, essa é uma desvantagem se relacionado aos torquímetros por
indicação.

3.4.3 Torquímetros de torque pré-ajustado

Aplicado diretamente em linha de produção e operações de manutenção,


sendo usado somente para indicar o torque.
Cada tipo de torquímetro oferece uma aplicabilidade, podendo ser específica
ou não, o importante é que seja estudada a necessidade e selecionado o adequado
para realizar a atividade, seja de conferência, aperto ou ajuste. Na ferramenta
desenvolvida, foi analisada as necessidades para o uso do desforcímetro e
aplicabilidade na adaptação de um sistema de segurança contra sobrecarga do
aperto dos elementos de fixação em alto torque, sendo assim, decidido que o
sistema do tipo estalo garantiria esta necessidade, apesar de uma das
desvantagens ser justamente a possível sobrecarga devido ao operador, pode ser
mitigado este risco ajustando a faixa de aperto do instrumento a baixo do torque
máximo do elemento a ser apertado.
31
4. RESULTADOS E CONCLUSÕES
4.1 Levantamento de dados

Analisando a figura 20, pode se exemplificar a dificuldade de exercer o torque


ideal no parafuso com o auxílio de uma alavanca de 1,5 metros, é necessária uma
força equivalente a 385,33 N, demandando um alto esforço humano e imprecisão no
aperto do parafuso M22, indicado para veículos pesados.

Figura 20 - Exemplificação de braço de força necessário para aperto


ideal.

Fonte: Próprio autor

O resultado da força de aperto acima foi possível calcular através das


equações 12 e 12.1
T
F= (12)
L

578,4
F= =385,33 N (12.1)
1,5
32
4.2 Análise técnica dos elementos de fixação

Os elementos de fixação usados nas rodas dos veículos pesados utilizados


para este estudo são do tipo parafusos prisioneiros e porcas M22 com sextavado de
32mm.
Foi adotado por meio de ensaios no corpo de prova realizados por fabricantes
de parafusos, o torque de 578 N.m, que corresponde a 80%, considerado como
conservador, da tensão de carga 723 N.m, onde o parafuso começa a sofrer
deformação, estando abaixo da carga de escoamento de 770 N.m e de ruptura de
963 N.m.

4.3 Funcionamento do torquímetro desenvolvido

Observando o funcionamento do torquímetro tipo estalo, fabricado com um


sistema interno de alavancas e molas, foi desenvolvido o dispositivo conforme
observado na figura 21, sendo este um limitador de sobrecarga mecânico que
protege o parafuso de torques que excedam seus limites de resistência. Na figura 22
pode se observar o local onde a ferramenta I deve ser acoplada.
Conforme figura 21 o sistema desenvolvido é composto pelos seguintes
componentes: 1 – engrenagem (corte parcial), 2 – pino de contato, 3 – mola, 4 –
alojamento da engrenagem, 5 – tampa, 6 – alojamento da mola e 7 – parafuso M8.
O alojamento da engrenagem 4, onde se acopla a manivela III executará o
movimento rotatório, transmitindo através do conjunto pino 2 e mola 3 para a
engrenagem 1 conforme mostrado na figura 23, por sua vez a engrenagem irá
transmitir o movimento para o desforcímetro II, realizando a força em alto torque no
elemento de fixação.
33
Figura 21 - Vista explodida de dispositivo desenvolvido

Fonte: Próprio autor

Figura 22 - Conjunto desforcímetro e ferramenta desenvolvida

Fonte: Próprio autor


34
Figura 23 - Ampliação do dispositivo

Fonte: Próprio autor

A medida em que o torque no elemento de fixação for aumentando, o pino 2


executará uma força de compressão na mola que será interrompido até a
compressão de 5,4mm do comprimento da mola, pois a partir deste momento o pino
2 terá espaço para avançar no próximo dente da engrenagem 1, assim realizando o
som de clic, indicando que foi atingido o torque desejado, conforme apresentado na
figura 24.

Figura 24 - Momento de ativação do dispositivo

Fonte: Próprio autor

4.4 Materiais e processos de fabricação

Em busca de um material apropriado e que tenha as características


necessárias, tais como boa usinabilidade, soldabilidade, resistência ao desgaste e
35
baixo custo. O aço SAE 1045 apresenta as propriedades descritas anteriormente,
sendo apropriado para a fabricação deste ferramental.
A seleção da mola, baseada no torque e dimensionamento da engrenagem,
para que comprima 1mm é necessário 0,66 daN que corresponde a 0,67 Kgf, esses
dados estão disponíveis e catalogados pelos fabricantes, o fator determinante para a
seleção da mola é o torque final a ser aplicado no parafuso de 578 N.m.
36
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme apresentado nesta monografia é possível concluir a fundamental


importância de um dimensionamento ideal e uma análise das opções já existentes
no mercado. Visando facilidade de operação, construção e de custo para a
construção de um sistema de redução por engrenagens é unanime a eficácia do
sistema planetário como peça prática e fundamental na transformação de velocidade
angular em força de torque.
O trabalho com o intuito de proporcionar uma ferramenta ideal tanto para
usuários profissionais em baixa escala quanto para amadores, traz ainda a inovação
da opção de aperto com alto torque controlado por uma peça fundamental para a
tarefa. O torquímetro desenvolvido garante o aperto ideal ao elemento de fixação
sem ultrapassar as tensões de trabalho da peça, deste modo, dando maior
confiabilidade e vida útil ao sistema de fixação de alto torque.
Como sugestão de futuros trabalhos, é possível abordar a utilização de
forças motoras para o movimento de entrada de velocidade angular, deste modo
facilitando ainda mais a experiência do usuário.
37
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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NIEMANN, Gustavo, Elementos de Máquinas: ed. 5. Blucher, 1971.
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introdução. LTC, 2012.
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https://www.scsconcept.com/pt-br/guia-para-escolha-de-um-torquimetro/ Acesso em:
21 out. 2019, 22:52:00.
39
APÊNDICE A – Vista explodida da peça desenvolvida
40
APÊNDICE B – Desenho técnico de Alojamento da engrenagem
41
APÊNDICE C – Desenho técnico de Alojamento da mola
42
APÊNDICE D – Desenho técnico de engrenagem
43
APÊNDICE E – Desenho técnico da tampa
44
APÊNDICE F – Pino de contato

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