Você está na página 1de 21

Introdução

Os métodos potenciométricos são baseados nas medidas de potencial sem consumo


apreciável de corrente1. Nestes métodos tem-se sempre uma região que se conhece bem
o potencial e no qual este se mantém constante sob a mesma temperatura e não deve
variar com a variação da atividade do analito, é o eletrodo de referência, e outra região
em que o potencial varia de uma forma bem conhecida em função da atividade do
analito, cada uma dessas regiões é chamada de meia-célula e são partes da célula
eletroquímica.

Não é possível obter em laboratório o potencial absoluto da meia-célula, só sendo


possível obter o potencial relativo, por isso se faz necessário o eletrodo de referência.
Há também a ponte salina, outro componente, que previne os componentes da solução
do analito de se misturarem com a solução do eletrodo de referência1. Pode determinar-
se a concentração da solução em estudo a partir de Eind, o método potenciométrico
resume-se, assim, à medição de um potencial (Ecel), corrigido dos potenciais de
referência (Eref) e de junção (Ej), e ao cálculo da concentração da solução através do
potencial do elétrodo indicador, usando a equação de Nernst para obter a concentração
do analito. Originalmente a equação de Nernst fornece a atividade do analito, mas para
efeito de cálculo a atividade pode ser substituída pela concentração.

Ecel = Eind – Eref + Ej (Equação.1) Equação para calcular o potencial da célula.

(Equação.2) Equação de Nernst.

(Imagem.1) Equação de Nernst.³

(Imagem.2) Valor do logaritmo natural.³

O potencial de junção é aquele que é desenvolvido através da interface entre duas


soluções eletrolíticas que tenham concentrações diferentes e/ou íons de tamanhos
diferentes, por haverem íons de tamanhos diferentes suas mobilidades também são
diferentes e por isso uns íons se movimentam mais rápidos que outros gerando pontos
de diferentes concentrações iônicas e dessa forma gerando pontos de diferentes
potenciais a diferença de potencial entre esse potencial é o que confere o potencial de
junção líquida. Abaixo pode-se ver uma célula típica para análise potenciométrica :

eletrodo de referência ∣ponte salina∣ solução do analito ∣eletrodo indicador

O eletrodo de referência ideal deve ser robusto, fácil de construir e deve manter um
constante mesmo com a passagem de pequenas correntes.O eletrodo indicador deve ter
resposta rápida e reprodutível às variações na atividade do íon analito. Embora nenhum
eletrodo indicador seja absolutamente específico em sua resposta, alguns disponíveis
nos dias atuais são extraordinariamente seletivos. Os eletrodos indicadores são de três
tipos: metálicos, de membrana e baseados em transistores de campo seletivos a íons1.

Na atividade prática realizada foi utilizado um eletrodo combinado para medida de pH,
mostrado abaixo :

(Imagem.3) Esquema de um
eletrodo combinado para medida de
pH.³
Esse tipo de eletrodo combinado é
composto por uma fina membrana
de vidro sensível ao pH selada na
ponta de um tubo de vidro. O
eletrodo de vidro é um bulbo
construído em vidro especial
contendo uma solução de
concentração fixa (0,1 ou 1 M) de
ácido clorídrico (HCl) ou uma
solução tamponada de cloreto em
contato com o eletrodo de referência
interno, normalmente constituído de prata revestida de cloreto de prata, que assegura um
potencial constante na interface da superfície interna do sensor com o eletrólito. O
elemento sensor do eletrodo, situado na extremidade do bulbo, é constituído por uma
membrana de vidro que, hidratada, forma uma camada de gel, externa, seletiva de íon
hidrogênio. A medição é feita pela diferença de potencial através de uma membrana de
vidro que separa a solução desconhecida de uma solução de referência cuja [H+] é
conhecida. Essa seleção é, de fato, uma troca de íons sódio por íons hidrogênio os quais
formam uma camada sobre a superfície do sensor. Ocorre, na camada externa do sensor,
a geração de um potencial que é função da atividade do íon hidrogênio na solução.4

Essas membranas geralmente são de silicato, essa troca entre o íon sódio do vidro pelo
íon H+ pode ser observada abaixo pela equação:

(Imagem.4) Equação mostrando a troca entre o


+
íon sódio e o íon H .

Na imagem abaixo é mostrado um esquema retratando como seria uma membrana de


vidro feita de silicato. “Essa membrana apresenta uma excelente especificidade perante
os íons hidrogênios até um pH de cerca de 9. Sob valores mais elevados de pH,
entretanto, o vidro se torna de alguma forma sensível ao sódio assim como os outros
cátions monovalentes”¹. Esse processo de troca envolve apenas cátions monovalentes
porque cátions bivalentes ou trivalentes estão muito fortemente ligados à estrutura do
silicato para serem trocados por cátions da solução.

Em soluções alcalinas, os eletrodos de vidro oferecem respostas a concentrações do íon


hidrogênio e também de metais alcalinos, isso acaba por conferir um erro relativo a
medições feitas nessa faixa de pH, o erro alcalino, o pH medido é menor do que o real,
dando um erro negativo, todos os cátions monovalentes induzem a esse tipo de erro e a
magnitude do erro depende do cátion em questão e da composição da membrana.

Também pode ocorrer um erro ácido, fala-se nesse caso de um erro positivo pois a
resposta obtida é maior do que a real. O eletrodo de vidro comum oferece erro
geralmente em pH menor do que 0,5 ; a magnitude do erro depende de vários fatores, as
causas do erro ácido não são muito bem compreendidas, mas uma vertente seria
derivado da saturação dos sítios do vidro são ocupados pelos íons H+, e o eletrodo não
mais responde a incrementos adicionais de H+ na concentração total.
(Imagem.5) Vista longitudinal
da estrutura de uma membrana de vidro de silicato

As titulações potenciométricas fornecem dados que são mais confiáveis que aqueles
gerados por titulações que empregam indicadores químicos e elas são particularmente
úteis com soluções turvas e coloridas¹. É adicionado inicialmente grandes quantidades
de titulante que vão sendo reduzidos à medida que se aproxima o ponto final que pode
ser indicado quando se observa quando se observa grandes variações na resposta para
cada incremento de volume. Esse tipo de titulação pode ser dividido em três grandes
grupos: titulações de formação de complexos, de neutralização e de oxidação-redução.

Procedimento experimental
Titulação do ácido clorídrico:
1. Fez uma estimativa preliminar dos volumes que foram adicionados e também de
qual seria o volume de base teoricamente necessária para alcançar o ponto final;
2. Lavou-se o eletrodo com água destilada em abundância e depois se secou
cuidadosamente com um papel;
3. Tranferiu-se 10,0 mL da solução ácida de ácido clorídrico a ser titulada para um
béquer de 100,0 mL e adicionou-se água destilada ao béquer até cobrir a junção,
tomando-se cautela para que o nível da água não alcançasse a abertura lateral do
eletrodo;
4. Uma bagueta magnética foi colocada dentro do béquer, para isso tirou-se o
eletrodo do béquer para ajustar a posição e a velocidade da bagueta e introduziu-
se o eletrodo novamente com cautela para que a bagueta não colidisse com o
eletrodo;
5. Foram dados incrementos de 1, 00 mL de titulante (NaOH) sucessivos até
alcançar 8,00 mL totais adicionados; entre cada incremento foi feita a leitura do
potencial e do pH no aparelho, ainda antes do ponto estequiomético provável. A
partir desse ponto, adicionaram-se incrementos de volumes de 0,20 mL até
observação de inflexão, depois desse ponto realizou-se mais algumas medições.

Titulação do vinagre:

1. Fez uma estimativa preliminar dos volumes que foram adicionados e também de
qual seria o volume de base teoricamente necessária para alcançar o ponto final;
2. Lavou-se o eletrodo com água destilada em abundância e depois se secou
cuidadosamente com um papel;
3. Transferiu-se 10,0 mL da solução ácida (vinagre) que foi titulada para um
béquer de 100,0 mL e adicionou-se água destilada ao béquer até cobrir a junção,
tomando-se cautela para que o nível da água não alcançasse a abertura lateral do
eletrodo;
4. Uma bagueta magnética foi colocada dentro do béquer, para isso tirou-se o
eletrodo do béquer para ajustar a posição e a velocidade da bagueta e introduziu-
se o eletrodo novamente com cautela para que a bagueta não colidisse com o
eletrodo;
5. Foram dados incrementos de 1, 00 mL de titulante (NaOH) sucessivos até
alcançar 6,00 mL totais adicionados; entre cada incremento foi feita a leitura do
potencial e do pH no aparelho, ainda antes do ponto estequiomético provável. A
partir desse ponto, adicionou-se incrementos de volumes de 0,20 mL até
observação de inflexão, depois desse ponto realizou-se mais algumas medições.

Tabelas

Material/Reagente/Vidrarias Quantidad Concentração Capacidade


e
Buretas automatizadas 1 ----------------- ---------------------------
Pipeta volumétrica 1 ----------------- 10,00 mL
Bastão de vidro 1 ----------------- ---------------------------
Solução de NaOH 8,20 mL 0,01067 mol/L -----------------------------
Vinagre 10,00 mL ----------------------------
Béquer 1 ----------------- 100,00 mL
Água destilada ~50,00 mL ----------------- -----------------------------
pHmetro 1 ----------------- ----------------------------
Placa de agitação 1 ----------------- -----------------------------
Agitador magnético 1 ----------------- ----------------------------

(Tabela.1) Materiais, reagentes e vidrarias utilizadas na titulação do


vinagre.

Material/Reagente/Vidrarias Quantidad Concentração Capacidade


e

Buretas automatizadas 1 ----------------- ---------------------------


Pipeta volumétrica 1 ----------------- 10,00 mL
Bastão de vidro 1 ----------------- ----------------------------
Água destilada ~50,00 mL ----------------- -----------------------------
Solução de NaOH 10,20 mL 0,01067 mol/L -----------------------------
Solução de ácido clorídrico 10,00 mL -----------------------------
Béquer 1 ----------------- 100,00 mL
pHmetro 1 ----------------- ----------------------------
Placa de agitação 1 ----------------- -----------------------------
Agitador magnético 1 ----------------- ----------------------------
(Tabela.2) Materiais, reagentes e vidrarias utilizados na titulação do ácido
clorídrico.

Objetivos

Titulação do ácido clorídrico


 Objetivo geral:
 Determinar através de uma titulação potenciométrica a concentração
de uma solução de ácido clorídrico.

Titulação do vinagre

 Objetivo geral:

 Determinar a porcentagem ( teor) de ácido acético no vinagre,


realizando a titulação de um ácido fraco com uma base forte por
potenciometria.

Resultados
Titulação de HCl:

Volume (mL) pH E (mV)

0,00 1,67 289

1,00 1,73 286


2,00 1,80 282

3,00 1,87 278

4,00 1,94 273

5,00 2,05 267

6,00 2,16 260

7,00 2,33 251

8,00 2,63 235

8,20 2,71 228

8,40 2,83 220

8,60 3,00 212

8,80 3,27 197

9,00 4,05 152

9,20 6,32 21

9,40 10,14 -198

9,60 10,64 -227

9,80 10,92 -242

10,00 11,09 -252

10,20 11,20 -260

(Tabela.3) Dados de potencial, pH e volume de titulante obtidos na titulação do


ácido clorídrico.

Titulação do vinagre:

Volume (mL) pH E (mV)


0,00 3,32 193

1 3,92 159

2 4,30 137

3 4,59 121

4 4,85 105

5 5,12 89

6 5,52 67

7 6,63 4

7,20 8,93 -129

7,40 10,10 -195

7,60 10,54 -221

7,80 10,81 -236

8,00 10,97 -245

8,20 11,10 -252

(Tabela.4) Potencial, volumes de titulante adicionados e pH obtidos na titulação do


vinagre.

Tratamento de dados
Titulação com vinagre:
Sigmóide
12

10

6
pH

0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Volume do titulante (mL)

300 Sigmóide
200
Potencial(mV)

100

0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

-100

-200

-300
Volume do titulante(mL)
12 2ª derivada

10

8
d(dpH/dV)/dV

0
0 1 2 Volume
3 do4titulante
5 (mL)
6 7 8 9

12
1ª derivada
10

8
dpH/dV

0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Volume do titulante (mL)
0 Gráfico de gran

0
f(x) = − 0 x + 0
R² = 1
0
V*10^-pH

0 Linear ()

0
1 2Volume
3 do4titulante
5 (mL)
6 7 8

Titulação do ácido clorídrico:


12.000 Sigmóide
10.000

8.000

6.000
pH

4.000

2.000

0.000
0 2 4 6 8 10 12
Volume do titulante (mL)

400
Sigmóide
300

200
Potencial(mV)

100

0
0 2 4 6 8 10 12

-100

-200

-300
Volume de titulante (mL)
12 1ªderivada
10

8
dpH/dV

0
0 2 4 6 8 10 12

Volume do titulante (mL)

12 2ªderivada

10

8
d(dpH/dV)/dV

0
0 2 Volume
4 do titulante
6 8(mL) 10 12
0.02 Gráfico de gran
f(x) = − 0.02 x + 0.16
0.02 R² = 1
0.02

0.01
V*10^-pH

0.01

0.01

0.01 Linear ()

0.01

0
7.800 8.000 8.200 8.400 8.600 8.800 9.000 9.200

Volume do titulante (mL)

Ponto final para cada método matemático: titulação do ácido


clorídrico
Método Ponto final
1ª derivada 9,20 mL
2ª derivada 9,00 mL
Gran 9,06 mL
(Tabela.5) Ponto final para cada método matemático: titulação do ácido clorídrico

Ponto final para cada método matemático: titulação do vinagre


Método Ponto final
1ª derivada 7,00 mL
2ª derivada 7,00 mL
Gran 7, 17 mL
(Tabela.6) Ponto final para cada método matemático: titulação do vinagre

Cálculo das concentrações dos titulados para cada volume gasto nos
métodos:
Titulação do HCl:

Método de gran: Mtitulante X Vtitulante= Mtitulado X Vtitulado

0,1067 X 9,06 = Mtitulado X 10,00 ;


Discussão

Na atividade prática foi utilizado um eletrodo de membrana de vidro combinado,


acoplado a um pHmetro, foi possível obter as informações do potencial, pH durante a
titulação potenciométrica. Inicialmente tanto na titulação do vinagre como na titulação
do ácido clorídrico foram adicionados ao sistema incrementos de 1,00 mL de um
solução padronizada de NaOH de concentração 0,1067 mol/L, foi possível observar nos
dois casos aumento de pH e diminuição no potencial, na titulação do vinagre, nas
imediações de 7,00 mL totais adicionados de titulante foi observado um aumento
brusco no pH e diminuição brusca do potencial, indicando a proximidade do ponto final.
Na titulação do ácido clorídrico foi observado um aumento brusco de pH nas
imediações dos 9,00 mL totais adicionados de titulante e diminuição brusca de potencial
indicando a proximidade do ponto final. Com as informações obtidas na prática foram
feitos gráficos para determinar o ponto final da titulação: usando o método da primeira
derivada, da segunda derivada, do método de gran e pela sigmoide. Cada método
oferece uma diferença nos resultados em relação aos outros, mas foi possível verificar
proximidade entre os resultados.
Lista de figuras

Fig.1 : Equação de Nernst, mostrando o significado de cada um dos elementos


constituintes da equação.

Fig.2 : Valor do logaritmo natural.

Fig.3 : Esquema de um eletrodo combinado para medida de pH.

Fig.4 : Equação demonstrando a troca entre o íon sódio e o íon H+.

Fig.5 : Vista longitudinal de uma membrana de vidro de silicato

.
Lista de tabelas

Tabela 1.: Materiais, reagentes e vidrarias utilizadas na titulação do vinagre.

Tabela 2 .: Materiais, reagentes e vidrarias utilizadas na titulação do ácido clorídrico.

Tabela 3 .: Dados de potencial, pH e volume de titulante obtidos na titulação do ácido


clorídrico.

Tabela 4 .: Dados de potencial, pH e volume de titulante obtidos na titulação do vinagre.

Tabela 5 .; Ponto final para cada método matemático: titulação do ácido clorídrico.

Tabela 6 .; Ponto final para cada método matemático: titulação do vinagre.


Referências

1-skoog

2-http://www.spq.pt/magazines/BSPQ/573/article/3000576/pdf

3-rosangela

4- http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/PH.html
Conclusão